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As discussões sobre o bilhete único mensal

Por Marco Antonio L.

Da Rede Brasil Atual

Bilhete Único Mensal vira 'personagem' da semana na disputa eleitoral

Por: Eduardo Maretti

São Paulo – No último dia 24, o candidato tucano à prefeitura paulistana, José Serra, comentou a proposta do candidato petista, Fernando Haddad, de criar o Bilhete Único Mensal, com uma analogia: "Tem um candidato prometendo um bilhete de transporte mensal, o bilhete mensaleiro. Mas assim fica mais caro e não vale nem para o trem nem para o metrô".

A fala de Serra e seus desdobramentos se transformaram num dos principais, senão o principal, tema da disputa eleitoral  esta semana. A campanha de Haddad propõe que o Bilhete Único Mensal “conviva” com o que vigora atualmente, válido por três horas. Os usuários que optarem pelo cartão de prazo mais longo desembolsariam cerca de R$ 140 por mês e estima-se que o município precisaria investir R$ 400 milhões anualmente.

Além de fazer a associação com o “mensalão”, a campanha de José Serra disse que a proposta petista era uma espécie de "taxa do ônibus", tentando angariar dividendos eleitorais sobre o principal motivo de descontentamento deixado pela gestão de Marta Suplicy.

Esta semana, o líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB), encampou a ideia de Haddad e propôs a criação de um bilhete válido por 24 horas. 

O candidato do PT comentou os dois posicionamentos. Em coletiva concedida na tarde de ontem (29), na qual falou de vários assuntos, respondeu ao ataque de Serra contra sua proposta. Ele ironizou dizendo achar estranho que o tucano combata uma proposta que vigora em várias cidades importantes do mundo, como Madri. “Se eles estão falando isso, não posso considerar que é por ignorância, porque eles vivem se regozijando de conhecer as cidades do mundo, e em qualquer lugar do mundo o bilhete de três horas convive com o bilhete semanal e o mensal”, afirmou Haddad. O candidato disse também considerar o desdém serrista pelo bilhete mensal como “uma forma de subestimar a capacidade do eleitor compreender”.

Haddad disse ainda que o Bilhete Único mensal vai ser benéfico particularmente às mulheres, já que, segundo ele, como elas têm duas ou três jornadas por dia (“a jornada de trabalho, a de casa e às vezes do estudo”), com o cartão mensal elas vão poder se deslocar quantas vezes precisarem “sem custos adicionais”.

Na semana passada, Haddad havia comentado a proposta de Russomanno de criar um cartão válido por 24 horas, também com uma dose de ironia, e aproveitando para capitalizar alguns dividendos político-eleitorais. “Quando um adversário que não tem propostas de governo incorpora as de outra candidatura, é bom para a cidade. Quer dizer que ela vai evoluir”, disse.

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Eita! Basta surgir uma proposta partindo da cabeça que não seja a nossa. Se não cuidar, logo vem a vontade de arriar as malas cheia de dificuldades e detonar a sugestão alheia. Calma gente, o sistema atual é ruim? Claro que não! O transporte público nas grandes Cidades do país, é péssimo. Não é que seja apenas ruim, é muito ordinário.

Em princípio, a idéia que é aplicada em quase todo o planeta. E que, o Hadade tomou por empréstimo. Não está direcionada imediata e prliminarmente para proporcionar maior velocidade nos corredores de transporte.

Primeiramente, trata-se de proporcionar ao desgaçado e sofredor usuário do transporte público miserável da capital de S. Paulo, que possibilite a ele uma redução nos seus gastos. Entende-se que com o bilhete mensal (ou mesmo, mensalão, como o imbecil denominou) ocorrerá um fluxo mais lento na migração do seu dinheiro para o bolso dos donos da merda de transporte que vendem à população.

Vamos adiante. Se com isso, ocorrer uma maior demanda, ótimo. Obteremos uma gradativa redução de veículos privados congestinando as vías, e, a respectiva melhora na velocidade, no fluxo. Evidente que, as autoridades responsáveis não estarão de braços cruzados olhando a paisagem. Neste ínterim, outros corredores deverão estar sendo providenciados. Tanto para os Buzú atuais e ordinários, assim como, para os "mudernos" bi-articulados, trens, metrôs, monotrilho elevado, bi-trilho tardicional, e os bondes modernos.

O importante é nos afastar das soluções individualistas. Tão caras aos cheirosos moradores de áreas nobres do Tucanokistão. Estas falsas soluções, estão exauridas, decrépitas, despencando serra abaixo, igualzinho ao zé bolinha. Foram e estão sendo paulatinamente desmascaradas.

Orlando



 

Também estranho a ausência de tarifas não apenas mensais.  Em todas as cidades da Alemanha há tarifas mensais, semanais e diárias, além das normais, cujo preço mínimo do ticket permite em média duas horas de uso dos transportes públicos, tanto faz se metrô, ônibus ou bonde. As tarifas são determinadas por anéis, o que barateia para quem tem percursos mais curtos, ao invés de tarifa única.

As tarifas mensais são muitíssimo usadas para quem trabalha e/ou estuda. Ela sempre tem um preço de grande vantagem sobre outras tarifas, e pode ser usada o mês inteiro, de forma indefinida, o que estimula sua aquisição. Para a companhia de metrô é um bom negócio, pois vende mais e recebe o dinheiro antecipado, além de estimular o uso de transporte público mesmo nos feriados. 

Ser contra isso só mesmo um candidato extremamente anti-popular e deve ser até mesmo denunciado na campanha. Serra mostra com sua posição o quanto ele leva a sério o problema dos paulistanos.

Abaixo vai um link como exemplo de tarifas do metrô da cidade de Munique (em alemão):

http://www.mvv-muenchen.de/de/tickets-preise/preise/index.html#c4279

 

Toni

A ideia do bilhete mensal é tão boa que não dá para entender o porquê de estar sendo proposta só agora. Quem usa transporte público sabe como isso vai lhe poupar tempo e paciência. Com mais duas ou três propostas dessas, Haddad leva essa eleição.

 

exatamente. Qualquer cidade civilizada do mundo tem um sistema desses.

Agora é aquilo. Uma consequência imediata são mais pessoas se deslocando de transporte público. Ou seja, vai aumentar a fila do metrô. O trem vai ficar mais entupido. E os ônibus, então não precisa nem comentar.

A adoção de uma medida como esta, que já deveria estar em vigor, precisa ser acompanhada de uma enérgica intervenção no transporte público, melhorando o tempo de escoamento de todos os modais. E obviamente aumentando drasticamente o número de linhas de metrô e trem. Será que isso interessa aos tucanos?

 

Vinícius

 

A diferença é que em qualquer cidade civilizada do mundo, ou na maioria delas, o transporte público é PÚBLICO e não operado por empresas privadas.

E o principal, existe um imposto (algo como a taxa que a Marta queria implantar) para financiar especificamente os transportes. Esse imposto é pago pelas empresas sobre uma porcentagem de sua massa salarial, algo entre 0,5 e 2%.

Em Paris isso permite o fianciamento de 60% de todo o transporte (metro, ônibus e trens), os outros 40% vêm da tarifa paga pelos passageiros. Lá o bilhete é mensal e todos os meios são integrados.

Em Portland esse sistema financia mais de 80% (não tenho os números exatos de cabeça) do transporte e os deslocamentos no centro da cidade são gratuitos!

 

Essa é a GRANDE diferença. Que empresário brasileiro aceitaria pagar por isso? Mesmo que se faça toda reforma tributária do mundo o egoísmo e a falta de visão das nossas elites econômicas é o grande impecílio para políticas progressistas e sociais.

 

O problema da proposta é que o sistema de onibus atual é ruim. E R$ 400 milhões/ano para bancar o bilhete mensal deveriam ser utilizados em investimentos em novos corredores, por ex.

Ou seja, faltará dinheiro para melhorar o sistema, e aumentará a demanda no próprio sistema onibus - ruim - da forma como está hoje.

Este é o problema. A conta não fecha. E não adianta ser "barato" se o sistema não for eficiente. Este era o problema dos trens de suburbio em SP, nos anos 1970-80. Era barato, mas respondia por menos de 10% dos deslocamentos.

 

Marcelo, se há uma coisa que não entendo, é esta questão de 400 milhões/ano para introduzir o bilhete mensal. A qualidade do transporte não interfere no caso, porque o usuário pagará a passagem de qualquer forma. Ou estou errado?

 

Toni

R$ 400 milhões/ano é a estimativa de aumento do custo do subsidio do sistema onibus, pago pela conta da Prefeitura às empresas.

É tirar de investimento para aumentar custeio. Esta é a pergunta: vale a pena?

A questão do sucateamento do sistema é o outro problema. Se o sistema não for bom, será que aqueles que tem algum recurso vão pagar R$ 140/mês no Bilhete Mensal ou vão pagar R$ 140/mês no financimanto da moto própria? Ou pagar um pouco mais em um carrinho zero com desconto no IPI?

Eu realmente preferiria um programa de R$ 400 milhões/ano em expansão dos corredores de ônibus.

 

Não sabia desta questão de subsídios às empresas. A privatização do transporte coletivo nas metrópoles sempre será um problema, porque se estas empresas (e o governo) forem para a ponta do lápis, verão que o bilhete mensal é bom para todos. Talvez as empresas nenhum interesse tenham, porque subsiadas o lucro é certo e a falta de transparência mascara tudo.

 

Toni