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As limitações das sementes transgênicas

Comentário ao post "O choque nos preços dos alimentos"

Textos abaixo publicados no Blog do Valdir Izidoro Silveira e no Sina

MILHO TRANSGENICO NÃO RESISTE A SECA - Valdir Izidoro Silveira

Toda a cadeia produtiva está sendo fragilizada pela quebra da produção do milho nos EUA. Primeiramente vamos fazer uma pequena digressão sobre as perdas do milho causada pela “seca”. É preciso que todos saibam que essa quebra do milho não resistente  a quaisquer variações de altas temperaturas é uma característica do milho transgênico que tras na sua bagagem genética um princípio ativo semelhante aos dessecantes muito usados na década de setenta na cultura da batata. A resistência ao glifosato, veneno poderoso que circula na seiva do milho transgênico, faz com que a planta fique menos resistente a seca; coisa que não acontece com as espécies convencionais.

A Basf, a Syngenta e a Monsanto não falam sobre isso; escondem do produtor. Por que¿ Porque essas multinacionais sempre ganham, sejam quais forem as situações. Vendem seu “pacote tecnológico”(¿) veneno e semente; controlam toda a cadeia de comercialização de grãos através dos seus parceiros de negócios Bunge, Cargill, Dreifus e outras treidinguis que, por incompetência e ou outras razões inconfessas, lhes entregam a preços módicos toda a produção de milho e soja. Não conseguimos entender, ainda,  porquê o sistema cooperativista do sul do país age assim!

Tem a força da produção nas mãos e estão reféns dos grandes “ gigantes” e comerciantes dos grãos. Quando ocorrem fenômenos climáticos adversos, como agora acontece com o milho, eles jogam como querem, dão as cartas a seu bel prazer porque tem nas mãos a grande maioria dos estoques. Ai o preço vai às nuvens e a cadeira produtiva da avicultura e suinocultura sofre amargamente. Isso lhes beneficia porque o milho e a soja são exportados para a matriz – EUA-, que terá a sua disposição as matérias primas necessárias para os setores avícolas, bovinos e suínos, a preços compatíveis com seus custos, Aos aliados beócios do agronegócio multinacional ficam as perdas, o fechamento de abatedouros, o desemprego e o desespero dos agricultores integrados. As lideranças da agropecuária estão na linha do dito popular: “ cego é aquele que não quer ver”! Ou será que estão sendo pagos para não ver!

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A publicidade por trás da semente tolerante à seca

 AS-PTA/Com informações da USDA Greenlights Monsanto’s Utterly Useless New GMO Corn

No final de dezembro de 2011 o Departamento de Agricultura do governo dos EUA (USDA, na sigla em inglês) autorizou o plantio comercial de uma variedade de milho da Monsanto geneticamente modificada para suportar condições de seca.

O fato é de grande importância: trata-se da primeira autorização para uma variedade transgênica teoricamente envolvendo uma característica complexa. Ao contrário das plantas transgênicas já cultivadas, em que a inserção de um gene foi responsável pela expressão de uma característica (para citar o que há de fato no mercado: tolerância a herbicida e/ou produção de uma toxina inseticida), a tolerância à seca depende de um complicado processo envolvendo vários genes. E, na verdade, controlar processos complexos assim é algo que muitos cientistas consideram ainda estar longe do alcance dos biotecnólogos.

Com efeito, tudo indica que o tal milho da Monsanto não funciona mesmo. A Avaliação Ambiental Final do USDA sobre o milho MON 87460, publicada em novembro de 2011, afirma que “é prudente reconhecer que a redução de perda de produtividade da variedade MON 87360 não excede a variação natural observada em variedades regionalmente adaptadas de milho convencional (Monsanto, 2010). Assim, variedades de milho igualmente resistentes à seca produzidas através de técnicas convencionais de melhoramento genético estão prontamente disponíveis e podem ser cultivadas no lugar da variedade MON 87460.” (p.33)

Ou seja, nas áreas do cinturão do milho dos EUA em que a deficiência hídrica ocorre, os melhoristas convencionais já desenvolveram variedades que toleram a falta de água tão bem quanto a variedade transgênica da Monsanto (observe-se que, em ambos os casos, trata-se de moderada falta de água).

A autorização para a comercialização da variedade modificada tão tolerante à seca quanto as similares convencionais que já existem poderia parecer inócua se não fosse um pequeno detalhe: a empresa detém o quase monopólio do mercado de sementes. Desse modo, na prática, a introdução da nova semente transgênica levará, invariavelmente, a duas situações: em primeiro lugar, as variedades convencionais tolerantes à seca já disponíveis, e que não são patenteadas e nem implicam no pagamento de royalties, logo não estarão mais tão acessíveis. Assim como tem acontecido não só nos EUA, mas em todos os países onde a empresa conseguiu impor sua tecnologia, as variedades convencionais vão sumindo do mercado, sendo ofertadas em seu lugar apenas as transgênicas – muito mais caras e com restrições de uso impostas pelas patentes. Em algumas regiões do próprio cinturão do milho americano os agricultores relatam que não conseguem comprar sementes de milho que não sejam Bt, ou seja, geneticamente modificadas para matar lagartas.

A segunda implicação da nova autorização é uma sutil derivação dessa primeira, relacionada à estratégia de marketing e relações públicas da empresa: à medida que a oferta de sementes tolerantes à seca se reduza à nova opção transgênica e, consequentemente, sua adoção se generalize, a Monsanto começará a anunciar o “sucesso” de sua tecnologia”: se não conferissem vantagens, os produtores não as adotariam maciçamente. Omite que a adoção maciça é decorrente justamente da falta de opções no mercado.

Essa situação também ajudará a Monsanto a rebater a crítica de que, passados quase vinte anos desde que as sementes transgênicas começaram a ser cultivadas, a chamada “engenharia genética” conseguiu consolidar apenas duas características agronômicas: a tolerância à aplicação de herbicidas, que beneficia basicamente as empresas de sementes e agrotóxicos e já começa a deixar de funcionar (há cada vez mais registros de espécies de mato capazes de driblar a tecnologia), e a produção, pelas lavouras, de toxinas inseticidas, cuja eficácia é passageira e altamente questionada (comumente a redução no uso de inseticidas acaba sendo negativamente compensada por outros problemas que começam a surgir). As famosas plantas transgênicas mais produtivas, mais nutritivas e, sobretudo, tolerantes aos solos salinos e à seca até hoje nunca saíram do discurso.

Bem…como acabamos de ver, estão começando a sair. E, funcionando ou não, a nova variedade, logo que adotada em alguma escala, permitirá à Monsanto alardear os supostos benefícios da biotecnologia para a produção de alimentos, ou, mais ainda, para a humanidade em tempos de mudanças climáticas.

Na nota publicada pelo USDA em 21 de dezembro em que são divulgadas notícias relacionadas à regulamentação de produtos biotecnológicos consta também que o órgão deu início ao processo de autorização para o milho transgênico da Dow tolerante ao herbicida 2,4-D, ingrediente do famoso agente laranja, utilizado durante a Guerra do Vietnã para desfolhar florestas e cujas dioxinas provocaram milhares de mortes e o nascimento de mais de 500 mil crianças com sérias malformações.

No Brasil a CTNBio já autorizou, em junho de 2009, o plantio experimental da “soja laranja”, também da Dow e também tolerante ao 2,4-D.

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Ninguém pode negar a  importância do cultivo da soja principalmente para a economia, no entanto há uma diferença muito grande entre reconhecer o seu valor econômico e concordar com sua hegemonia e dominação nas relações da sociedade do campo e dos municípios  pequenos. Que a soja tenha seu espaço enquanto cultura de renda, alto teor protéico e alimentar, sim, mas não podemos aceitar  o sojismo como doutrina. Não se pode tudo em nome dessa cultura.

A realidade que estamos vivendo nos últimos dez anos em relação a essa cultura aqui no sul está tornando cada vez mais difícil desenvolver outras atividades. Há um aparato ideológico que despreza outras possibilidades. Não que outras culturas e outras produções como o caso do leite não sejam mais rentáveis, mas da forma como tudo se articula e se propagandeia, da forma com que a pesquisa se orienta,  do poder imposto pela  assistência técnica oferecido pelas próprias revendas, e com um esquema extremamente sofisticado de distribuição de insumos, fica difícil de reagirmos em busca de alternativas, de diversificação e de ousar falar em preservação do meio ambiente. Principalmente nesse momento em que a soja está a quase oitenta reais a saca.

E pior é que o governo através de seus instrumentos de pesquisa, extensão e crédito continuam como birutas; andando como a onda as leva. Agora mesmo recebo um boletim da Embrapa colocando como notícia de capa de que duas pesquisadoras regressaram do Japão com tecnologias para implementar linhas de pesquisas sobre a resistência das plantas ao stress hídrico. Pra variar, a cultura a ser pesquisada será de novo..a soja. Por que não o feijão, o arroz, ou outras culturas mais voltadas para a alimentação humana?

            E em nome desse sojismo vai se intensificando as derrubadas de árvores, capoeiras e pequenas reboleiras de mata fundamentais para o refúgio de animais. São pequenas e grandes derrubadas. Refiro-me tão somente as pequenas. Aquelas que são feitas de maneiras sutis. Uma árvore hoje, um pedacinho de mata amanhã, uma empurradinha perto das sangas depois e assim a cobertura vegetal está se indo.  Considerando que ente outras, a Embrapa tem haver com essa onda do sojismo, escrevi para a direção daquela entidade (Embrapa soja) cobrando ações em defesa da sustentabilidade e não só querer colocar afoitamente no mercado mais e mais variedades de soja e principalmente  transgênica

 

Segurança alimentar deveria entrar na categoria de segurança nacional junto com energia, telecom e defesa, deste modo, a cadeia produtiva agricola que envolve desde as sementes, fertilizantes e pesticidas, logistica, importação e exportação deveriam ter uma supervisão especial do governo.

Esta quebra da safra de milho pode gerar revoluões e mudanças no mundo todo.

Foi um evento climatico ou foi premeditado?

 

Desde o início do processo de "domínio"da agricultura sul-americana pelas multinacionais do setor com Monsanto e Syngenta,que davam pacotes de viagem para a Europa aos nossos senadores sob o pretexto de participarem de congressos e outros eventos patrocinados pelas mesmas,vemos o absurdo de nossos parlamentares continuarem entregando tudo de melhor que possuímos apenas em troca de dinheiro!Não há patriotismo nem o mínimo de vergonha da parte dos nossos representantes,que SABEM que estão agindo como lesa-pátria .Não sentimos nada mais do que desesperança pois vemos que os parlamentares simplesmente se dedicam à mentira como caminho para a permanência no poder,mesmo que custe a independência do país.Penso que a única saída para o nosso pôvo é a pressão através de um movimento nas ruas e a luta por uma nova constituição que contemple a tipificação da corrupção como crime de traição,o único caso em que cabe a pena de morte no nosso país,pois isso é o que estamos assistindo quadro a quadro em nossa pátria:TRAIÇÂO.

Aos parlamentares e seus parentes e outros encroados nas costas do País,mando um recado:Tenham coragem de ser BRASILEIROS!

 

Não dá para entender a dependência do BRASIL  aos alienígenas  no setor da agricultura. Conseguimos em certa época, neutralizar tais desvarios com as pesquisas da EMBRAPA; tornou-se empresa modelo e, agora, vão privatiza-la. Indecência!. Tivemos uma era de ouro na agricultura. Agora, capitaneados pela tal demoníaca, os alienígenas voltam com voracidade total sobre nossa agricultura e a distribuição de alimentos no BRASIL. Não dá para entender a permissividade governamental a tais sanguessugas, a não ser alguma chantagem; são mestres em tais... A agricultura é um setor estratégico para um país. Conseguimos nos sobressair e, agora, estas demoníacas tiram nossa paz ; lógico que alguns traidores da pa´tria devem estar ajudando-os. Gente como fhc, serra, kátia abreu, caiado, pessoas sem escrúpulos, sem vergonha e sem um pingo de patriotismo:

http://marx21.com/2012/08/31/politicos-sao-os-maiores-latifundiarios-do-...

 

Enquanto isso nos maiores desenvolvedores de agrotecnologia até os anos 1980, os institutos de pesquisas ligados à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (como o IAC) a situação é de penúria.

 

Considerando relevante ao assunto, repito comentário no post http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fiocruz-critica-estudo-da-universidade-de-stanford, principalmente por conta das notícias de tentativa de privatização da Emprapa, o que pode resultar em uma possível brecha para interferência dessas poderas multinacionais de sementes na estatal:

Procurando aprofundar um pouco mais o assunto naveguei um pouco e deparei-me com o seguinte site (http://paginasverdes.org/2009/03/11/7-2/), com um excelente resumo das mais importantes técnicas de agricultura não convencional: Agricultura OrgânicaAgricultura Biodinâmica, Agricultura Natural, PermaculturaAgricultura Alternativa Nasseriana.

Fiz isso pensando na, das técnicas acima arroladas por mim, a que acho a mais interessante e inusitada, a agricultura biodinâmica. Considerando os seus resultados (ver, por exemplo, esse site da Embrapa: http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2008/fevereiro/4-semana/projeto-tem-producao-de-arroz-vermelho-biodinamico/) fica absurda toda a polêmica informada no post, pois a questão da técnica de produção transcende a mera análise química dos produtos.

Ainda sobre os resultados da agricultura biodinâmica, vale enfatizar o trabalho já bastante conhecido do produtor João Volkmann, um gaúcho cultivador de arroz com as técnicas aprendidas a partir de Rudolf Steiner. Segundo fui informado, ele tem resultados excepcionalmente melhores que os seus vizinhos que adotam a sistemática convencional.

Aliás, falando-se de Embrapa, principalmente num contexto em que se vê que essa empresa genuinamente brasileira, estatal, de sucesso, que investe inclusive em uma técnica, a biodinâmica, que seguramente não interessaria a nenhuma empresa privada como as que temos mercado, está sendo cogitada de ser PRIVATIZADA. Vale a pena, portanto, dar uma olhada nessas duas matérias: http://www.viomundo.com.br/denuncias/paulo-kliass-tirem-as-maos-da-embrapa.html e http://www.viomundo.com.br/denuncias/roberto-requiao-pt-usa-eufemismo-para-esconder-suas-privatizacoes.html.

Principalmente o discurso do Requião, lembrando algo meio parecido com as desculpas do Ministro Paulo Bernardo em não recriar a Telebrás, por falta de contingentes e recursos.

 

A concentração de empresas de insumos na produção agropecuária, principalmente no caso da soja e do milho é assustadora. Cerca de três grandes multinacionais vendem a grande maioria das sementes geneticamente modificadas, resistentes ao glifosato RR no caso da soja e com o gene Bt no caso do milho, que funciona como um lagarticida, as lagartas comem as folhas do milho e morrem, não se multiplicam. O comércio de soja está nas mãos de poucas tradings e o mesmo aconteceu no caso das misturadoras/produtoras de fertilizantes, toda essa concentração é maléfica para o produtor rural que fica praticamente sem opções e obrigado a pagar preços altos pelas sementes e muitas vezes vendem suas produções de milho e soja a preços não muito remuneradores. Este ano é uma exceção, a quebra da safra americana de soja e de milho levou às alturas os preços dessas commodities, mas nem sempre isso tem acontecido.

Pequenos produtores que usavam sementes próprias, convencionais, chamadas de crioulas, tem ficado à margem do processo produtivo, porque seus custos de produção com manejo de pragas e de plantas daninhas é alto e as produtividades alcançadas são baixas comparativamente às lavouras que usam o pacote tecnológico disponibilizado pelas multinacionais. A diferença de preço da soja obtida por esse processo não tem sido suficiente para compensar essas perdas.

 

"A história da humanidade é a história das lutas de classes". Karl Marx