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As normas que o projeto de "cura gay" quer eliminar

Comentário ao post "Considerações sobre o projeto de 'cura gay'"

Você está usando a mesma linha de tergiversação do infeliz vídeo do Feliciano que foi divulgado no Youtube. O projeto foi bem lido e entendido pelos críticos. Compreender é mais do que juntar letrinhas. Vou tentar desenhar, então.

O projeto elimina as normas de aplicação mais efetiva (par. único do art. 3o e artigo 4o), deixando apenas uma vedação mais genérica (o caput do art. 3o). As normas que seriam retiradas impedem: i) a participação de psicólogos em eventos e serviços de "cura gay"; ii) a manifestação de opiniões de psicólogos, em meios de comunicação em massa, relacionando homossexualidade e desordens psicológicas. E o que as normas não impedem? Elas NÃO impedem i) que o psicólogo converse com seus pacientes sobre sua orientação sexual para aliviar angústias (desde que seja esclarecido que, segundo as pesquisas ligadas à saúde, orientação sexual não é doença, etc.) e ii) que o psicólogo discuta o tema no meio acadêmico.

Em resumo: as normas só impedem que seja adotada uma postura abusiva de profissionais, nos casos em que poderia usar sua autoridade profissional de maneira ilegítima para: i) oferecer uma "cura" que não existe na psicologia e ii) defender publicamente a posição de que homossexualidade é doença, posição que caiu há muito tempo na literatura especializada e inclusive é rejeitada pela Organização Mundial da Saúde.

Ora, se as normas que o projeto pretende eliminar trazem proibições absolutamente razoáveis, qual seria o objetivo de retirá-las? Já ficou claro que não representam uma restrição à atuação profissional de psicólogos sérios.

A eliminação dessas normas só poderia servir para uma coisa: permitir que profissionais rasgassem os estudos especializados (e seus diplomas) e oferecessem, por ignorância ou má fé, opiniões públicas sem fundamento ou a promessa de uma "cura" que não existe e, mais do que isso, representaria uma violência psíquica contra a condição de sujeito de seus pacientes.

O autor do projeto não precisa falar em "cura gay" já que, ao eliminar as normas em questão, ele atua efetivamente em favor dela, abrindo as portas para que seja oferecida no varejo.

Demanda pelo serviço certamente existe. Sabe-se que o fundamentalismo religioso que considera a homossexualidade um pecado gera conflitos psicológicos significativos para pessoas não heterossexuais que convivem com fundamentalistas. Nesse contexto, a obrigação profissional e ética do psicólogo deveria ser esclarecer que não é errado nem doente ser homossexual, bi, etc. No entanto, quem agisse por ignorância e/ou má fé e oferecesse um serviço de "cura" e propagação da ignorância certamente encheria os bolsos de dinheiro.

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