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As pesquisas para a 'vacina contra o fumo'

Da BBC Brasil

'Vacina contra o cigarro' bloqueia a nicotina no cérebro de ratos

James Gallagher

Correspondente de Saúde, BBC News

Fumantes poderão um dia ser imunizados contra a nicotina para que deixem de sentir prazer com o hábito, segundo pesquisadores nos Estados Unidos.

Os especialistas do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram uma vacina que leva o organismo do vacinado a produzir anticorpo que atacam a nicotina.

Serão necessários anos de pesquisa antes que a vacina possa ser testada em humanos. Entretanto, o coordenador do estudo, Ronald Crystal, está convencido de que haverá benefícios.O estudo, feito com ratos de laboratório e publicado na revista científica Science Translational Medicine, mostrou que os índices da nicotina no cérebro dos animais foram reduzidos em 85% após a vacinação.

"Parece-nos que a melhor forma de tratar a dependência crônica por nicotina associada ao fumo é ter esses anticorpos fazendo patrulha, limpando o sangue antes que a nicotina possa ter qualquer efeito biológico", ele disse.

Nova abordagem

Outras "vacinas contra o fumo", que treinam o sistema imunológico para produzir anticorpos que se acoplam à nicotina, foram desenvolvidas no passado. Esse é o mesmo método usado em vacinações contra doenças.

O desafio até agora tem sido conseguir produzir anticorpos suficientes para impedir que a droga entre no cérebro e produza a sensação de prazer.

Os cientistas do Weill Cornell Medical College, no entanto, usaram um caminho completamente diferente: eles optaram por criar uma vacina baseada em terapia genética que, segundo eles, é mais promissora.

Um vírus geneticamente modificado contendo instruções para a fabricação de anticorpos de nicotina é usado para infectar o fígado do vacinado. Isso transforma o órgão em uma fábrica desses anticorpos.

Após receber injeções de nicotina, ratos que haviam sido imunizados apresentaram 85% menos nicotina em seus cérebros do que um outro grupo de ratos que não havia sido vacinado.

Não se sabe se isso pode ser repetido em humanos ou se esse índice de redução seria suficiente para ajudar fumantes a abandonar o hábito.

Crystal disse que se tal vacina puder ser criada, "as pessoas saberão que se começarem a fumar novamente, não vão sentir prazer devido à vacina contra a nicotina e isso pode ajudá-las a abandonar o hábito".

"Temos muita esperança de que esse tipo de estratégia (de desenvolvimento da) vacina possa finalmente ajudar milhões de fumantes que tentaram parar, tentaram todos os métodos existentes no mercado hoje, mas sentem que a dependência por nicotina é tão grande que acaba derrotando todas essas abordagens atuais."

'Impressionante'

Também há questões relacionadas à segurança de terapias genéticas em humanos que precisarão ser respondidas.

Darren Griffin, professor de genética da University of Kent, na Inglaterra, disse que os resultados do estudo são "impressionantes e intrigantes, com grande potencial", mas avisou que ainda há muitas questões que precisam ser resolvidas.

Para ele, a questão principal é saber "se os efeitos bioquímicos nos ratos de laboratório se traduziriam em uma dependência reduzida em humanos, uma vez que essas dependências podem ser tanto físicas como psicológicas".

Simon Waddington, do University College London, disse: "A tecnologia em que se baseia a terapia genética está melhorando o tempo todo e é animador ver esses resultados preliminares sugerindo que (a terapia genética) poderia ser usada para resolver o problema da dependência por nicotina".

Se tal vacina fosse criada, poderia haver também questões éticas. Por exemplo, em relação à vacinação de pessoas na infância, antes de que começassem a fumar.

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Cara zanuja,

O único senão da matéria é o “Fumantes poderão um dia ser imunizados contra a nicotina...”.

O elevado nível de dependência que a nicotina provoca nos fumantes é a principal arma da indústria, daí corretamente não se importar com a propaganda contra cigarros, pois a produção mundial de cigarros nunca deixou de crescer.

O tal do um dia, neste caso, é que deve ser mais preciso, para que a indústria de tabaco possa se reinventar, buscando outras alternativas de negócio.   

Aqui no patropi, reitero, seria ótimo que as propagandas oficiais anti-fumo abandonassem a tradicional abordagem, a de quase punição aos fumantes pela de orientação concreta, isto é, a de ampliar radicalmente o acesso aos procedimentos existentes para abandonar o hábito, facilitar a aquisição de remédios (eles existem, mas 98% da população, fumante ou não, é incapaz de dizer o nome de um deles) a serem indicados pelos médicos.

O financiamento de parte da ainda cara $$$ medicação pelo governo federal será ótima opção, pois a redução dos casos de tratamento médico pelo SUS compensará a despesa. E o governo federal que se conforme com a perda do substancial $$$ dos tributos arrecadados junto à indústria, que vá fazer dinheiro de outra maneira.  

Campanhas bem orientadas e com ampla divulgação nos meios de comunicação, e não este faz de conta atual que só serve para alimentar as agências de publicidade, campanhas que ofereçam uma chance real ao fumante trarão um resultado positivo, muitos tentarão ficar livres daquela dependência química.      

 

Concordo em gênero, número e grau! Sou fumante e dependente químico da nicotina, os tratamentos deveriam mesmo ser amplamente divulgados e totalmente gratuitos uma vez que os lucros da indústria do cigarro são enormes mesmo com os impostos altíssimos.

 

Fora do contexto capitalista e dentro do contexto humanista, a grande vacina "contra o fumo" chama-se força de vontade. É perfeita pois não tem custo e muito menos contra-indicações. Será que a cência um dia vai descobrir isso?? Att

 

Graças a esse post agora estou sabendo que existe rato fumante.

Deve ser por isso que quando me queixo de não conseguir largar o famigerado vício do tabaco, sempre alguém me diz: - Você é um homem ou um rato?  

 

A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.