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As projeções otimistas do PIB de 2012

Por Marco Antonio L.

Do Valor Econômico

Por Antonio Delfim Netto

O Banco Central construiu e publica, mensalmente, um Índice da Atividade Econômica (IBC-Br) que tenta simular e antecipar as variações do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um conjunto de informações convenientemente ponderadas, que quando comparadas às estimativas do PIB trimestral construídas pelo IBGE mostram uma alta covariação. A base do IBC-Br é a média de 2002 = 100. No início de 2011 ele revelou a perda de dinamismo do PIB em resposta às medidas macroprudenciais tomadas pelo governo para prevenir uma aceleração da taxa de inflação. No último trimestre, como mostram os dados a seguir (2002 = 100, dessazonalizado), houve uma recuperação: 1º trimestre/2011 = 140,26; 2º trimestre/2011 = 139,92; 3º trimestre/2011 = 139,29; 4º trimestre/2011 = 140,02.

Aparentemente, o PIB atingiu sua maior queda em outubro (139,32). Retomou ritmo mais vigoroso a partir de novembro, também em respostas às medidas do próprio governo. Em novembro o nível foi de 140,33 (um acréscimo de 1,29%) e em dezembro, 141,13 (um acréscimo de 0,57%), aumentos mais altos dos que os previstos pela maioria os analistas do mercado, o que sugere algum otimismo para 2012.

Todas as "previsões" estão sujeitas a condicionalidades frequentemente não explicitadas. Como disse o grande economista e membro do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra Charles Goodhart, "as previsões são razoáveis quando tudo permanece constante e o futuro acaba sendo parecido com o passado. Os modelos comuns utilizados pelos bancos centrais forçam, praticamente, as previsões e as remetem às tendências passadas. Entretanto, quando há uma mudança da situação eles - como todos os outros 'previsores' - encontram-se em graves dificuldades". E continua: "Nem os bancos centrais, nem qualquer outro organismo (ou pessoas) detém uma fórmula aceitável para prever, quer o PIB, quer a taxa de inflação ou mesmo a taxa de juros para além de uns poucos meses. Se você acredita (Goodhart usa a palavra "believe" = tomar como verdade) que existem poderosas forças que fazem a economia retornar a um equilíbrio, tais projeções de prazo médio são satisfatórias. Mas se tais forças centrípetas existem, a política monetária torna-se muito fácil, com ou sem o benefício das previsões ("Longer-Term Forecasts are a Step Backwards", "Financial Times", 1º de fevereiro de 2012). No nosso caso é claro que nem estamos em condições normais, nem existem forças poderosas que nos levem de volta a um "equilíbrio". Esse, obviamente, só existe nos "modelos" com os quais tentamos organizar nossos pensamentos e têm pouco a ver com a realidade.

Projeções do PIB sugerem algum otimismo para 2012

Em momentos como o atual, a ideia conservadora "que o tiver que ser, será" é inaceitável, porque a política econômica do governo está vigilante: o Banco Central está antenado com a realidade nacional e cuidadoso com a internacional. Dispõe de instrumentos macroprudenciais cujos efeitos foram minimizados por alguns analistas, mas aos quais a economia respondeu com bastante rapidez (como foi o caso no início de 2011), além da manobra com a taxa de juros (no segundo semestre). A difícil situação orçamentária construída ao longo de muitos anos e, pelo menos em parte, resultante do desejo de construir uma sociedade mais "justa" (com maior igualdade de oportunidades) implícita na Constituição de 1988, foi mantida de forma muito razoável em 2011 e a despeito de toda a descrença de uma parte do "mercado" deve sê-lo em 2012. As últimas semanas revelam que a política econômica prossegue na mesma linha, com o corte do Orçamento, a baixa da taxa de juros, a ampliação controlada do crédito, o aumento dos investimentos dos três níveis de administração pública e a cooptação do setor privado, a despeito da curiosa disputa semântica entre "concessão" e "privatização".

É certo que continua a pressão de preços do setor de serviços. Mas sabemos que não pode e não deve ser resolvida, como sugerem alguns, reduzindo ainda mais o crescimento do PIB por meio do aumento da taxa de juro real. Por outro lado, espera-se que o Congresso aprove já no primeiro semestre, a lei da previdência do funcionalismo público. Com isso abre-se o caminho para que o Executivo acelere a remessa de projetos de lei que facilitem a melhoria do "ambiente de negócios", reduzam o "custo Brasil" e estimulem a rápida criação de novas empresas.

Nos últimos dois meses, três mudanças foram importantes: 1ª) com relação ao misterioso "produto potencial" parece que agora o "mercado" aceita que ele anda às voltas de 4,5%; 2ª) o Banco Central quis saber do sistema financeiro como ele calcula a taxa de juros "neutra"; e 3ª) houve uma melhora dos humores do setor privado em matéria de confiança no governo. Isso, somado aos sinais positivos do IBC-Br de novembro e dezembro mostra que, se tivermos disposição de fazê-lo, um crescimento de 4% a 4,5% em 2012 não está fora do radar, mesmo porque ele é bissexto!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

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Otimismo pelos investidores e imprensa internacionais.

O sucesso da economia brasileira em 2012!

O sucesso da economia brasileira é percebido pelos investidores internacionais, vamos comentar alguns fatos marcantes no início de 2012:

Enquanto o lucro dos grandes bancos espanhóis cai 32% em 2011, os ativos dos 4 maiores bancos do Brasil (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander) já somam R$ 3 trilhões, aproximadamente US$ 1,75 trilhões, com crescimento de 16,5% em 2011, segundo levantamento da Austin Rating. O lucro dos 4 bancos em 2011 foi de R$ 41,3 bilhões, aumento de 6,2% comparado com 2010, em plena crise econômica mundial e figuram entre os maiores do mundo. O Santander é 4º maior banco do mundo, um banco espanhol com forte expressão de negócios no Brasil, o Bradesco já é o 9º maior banco mundial, Itaú 13º e o Banco do Brasil é o 26º do mundo segundo levantamento feito pela Brand Finance em parceria com a revista britânica The Banker, porém vale ressaltar que o Banco do Brasil atingirá no mês de fevereiro de 2012 ativos da ordem de R$ 1 trilhão, aproximadamente US$ 585 milhões.

Outro destaque, o petróleo na camada do pré-sal identificado pelo trabalho de várias equipes, que conta com serviços do geólogo Cristiano Leite Sombra, que trabalha no Cenpes (Centro de Pesquisas Leopoldo Miguez de Mello) da Petrobrás, composta por uma equipe de 750 pesquisadores, em 137 laboratórios, localizado na ilha do Fundão, no Estado do Rio de Janeiro, abriga sem dúvida nenhuma um dos corações da pesquisa científica petrolífera brasileira, com expectativas de desenvolvimento e descoberta de reservas que superam o PIB brasileiro. Camada esta que começou a produzir em 2011, com reservas que valem no mínimo US$ 3 trilhões.

Novos negócios vêm por aí! Eike Batista (8º bilionário do mundo) foi conversar com Jack Dorsey, fundador do Twitter, Hugo Barra, diretor de produtos voltados à telefonia móvel do Google e Tim Cook, CEO da Apple, em sua visita ao Vale do Silício, além do megainvestidor Warren Buffet (3º bilionário do mundo), alguém tem dúvida?

      Eike Batista em conjunto com outros grupos brasileiros negociam com a gigante taiwanesa Foxconn, uma fábrica no estado brasileiro de Minas Gerais, para fabricação de telas de LCD para tablets e televisões. Não podemos esquecer o superporto em construção em Açu no norte do Rio de Janeiro pelo megaempresário, além do início da produção de óleo na Bacia de Campos pela empresa OGX (petróleo offshore).

       O Brasil é um dos poucos países do mundo que pretende diminuir sua dívida em 2012. Com US$ 287,1 bilhões (fev/2012) em reservas segundo o Banco Central.

       Em 2010, quando procurado para uma consulta econômica sobre o Brasil, por um grande grupo empresarial italiano, que depois foi comprado por um grupo chinês, coincidências ou não duas fábricas chinesas que podem contar com recursos do Banco Central da China escolheram a cidade em que moro (Jacareí - SP) para estabelecer suas fábricas, uma delas a Chery do Brasil, uma montadora automobilística que pretende ter sua fábrica pronta entre 2012 a 2013 e a Sany que fábrica máquinas com investimentos previstos de US$ 200 milhões até 2013.

           O Brasil conta com as maiores empresas de BPO (Business Process Outsourcing)/CRM(Customer Relationship Management) do mundo; grande biodiversidade; tecnologia; energia; forte segmento de agronegócios; grandes recursos minerais, com lucro recorde da Vale de  R$ 37,8 bilhões em 2011; mercado imobiliário sem ameaças de bolhas financeiras; dentre tantos outros fatores, além do expressivo mercado consumidor interno; grandes adventos esportivos futuros; aumento do turismo (aumento em média de 22% nos últimos 5 anos no turismo de cruzeiros segundo a Abremar em plena crise); um dos maiores percentuais de volume de passageiros de companhias aéreas no mundo em comparação com 7,8% da China e 5,1% do mundo em 2011 sengundo a OACI (Organização de Aviação Civil Internacional), com início de privatizações dos aeroportos e outras melhorias da infra-estrutura, fazem do Brasil uma rota para os investimentos internacionais.

http://port.pravda.ru/busines/28-02-2012/33007-economia_brasileira-0/