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As reformas temporárias e permanentes no capitalismo

Comentário ao post "O debate sobre as mudanças no PT"

Edú Pessoa,

A Europa está provando que reformas, dentro do capitalismo, sempre são temporárias. E, na Europa, para implementá-las, foi preciso o "medo do comunismo", configurado na existência da URSS e de fortíssimos movimentos operários. Os apoiadores do PT pretendem que o partido faça reformas permanentes no capitalismo (reformas que estamos esperando que aconteçam, pois o que temos visto foi a manutenção de uma altíssima taxa de exploração do trabalho, só que num contexto de crescimento econômico; ou seja, os banqueiros e grandes capitalistas tiveram lucros imensos. E os trabalhadores tiveram umas migalhas, que, no entanto, dada a miséria anterior e o neoliberalismo da direita tradicional, parecem ganhos significativos. Só que, em termos relativos, como sempre, quem ganhou foi a burguesia, havendo só uma redistribuição da renda entre setores dos assalariados com alguma coisa sobrando para os mais miseráveis.) sem mobilização social (que o PT tem, sistematicamente, sabotado, desmobilizando e garroteando sindicatos e movimentos populares), em aliança com setores da direita (ou seja, querem acabar a exploração em aliança com os exploradores!) e sem nenhuma ameaça de um sólido movimento revolucionário internacional.

Sugiro que você leia Rosa Luxemburgo, Reforma ou Revolução:

http://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1900/ref_rev/index.htm

As reformas são arrancadas da classe dominante quando esta se sente ameaçada e prefere fazer concessões a perder a posição de classe dominante. Acreditar que é possível fazer reformas significativas sem imensa pressão social (e pior: em aliança com setores da classe exploradora é de uma ingenuidade ou má-fé sem tamanho).

Você pega como exemplo da esquerda revolucionária o PSOL. É conveniente para o argumento petista, mas completamente equivocado. Eu costumo dizer que o PSOL é o PT com progéria, porque, em pouquíssimos anos, tem reproduzido todos os defeitos que levaram o PT ao estágio de oportunismo atual: a ênfase em lideranças carismáticas e midiáticas, a irresponsabilidade dessas celebridades para com a disciplina partidária, a nefasta disputa de correntes pelo aparelho partidário tomando boa parte do tempo e dos esforços da militância, a lógica de frente de partidos nanicos (as tendências), cujos militantes não se centralizam pela decisão da maioria do partido, o eleitoralismo a todo custo, posto à frente da organização e mobilização das massas, a falta de critério para seleção de candidatos, permitindo a entrada e ascensão de oportunistas, etc., etc., etc.

Há muitos defeitos, limitações e deficiências no resto da esquerda classista e revolucionária. Sem uma crítica e uma autocrítica séria, corre-se o risco de que não se construa uma alternativa ao oportunismo do PT. Mas essa esquerda não deve ser, de nenhuma maneira, propositiva no sentido de melhorias para o funcionamento do sistema. Ela tem de almejar a derrubada do sistema. As melhorias devem ser arrancadas pela mobilização e pela luta. É a acumulação de forças para a superação do capitalismo que pode, no processo, permitir conquistas e reformas duradouras (que, no entanto, só podem ser preservadas com a superação da sociedade exploradora). O resto é semear ilusões, que serão dissipadas à primeira crise séria do sistema, com a costumeira traição dos oportunistas cada vez mais adaptados às instituições da burguesia. Foi assim em todos os processos - muitos deles muito mais profundos e duradouros do que as migalhas que o PT tem distribuído timidamente - protagonizados pela esquerda reformista (e chamar o PT de hoje de reformista é ser muito caridoso!).

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É fato que as novas tecnologias, a mediatização do debate político e a desmobilização e despolitização da sociedade, com a ampliação das "concessões" - como Morales cita no texto - contribuiram para que os trabalhadores se desagregassem. A juventude perdeu a esperança, a vontade de viver, de perguntar, a rebeldia. A juventude Iphone de hoje é estéril. Sinto falta das campanhas de rua, da militância radical, aguerrida, brigadora.

Hoje a "ágora" do debate político é a televisão ou os meios de comunicação no geral. Ninguém consegue fazer política como antigamente: de porta em porta. E isso ajudou o PT a descolar gradativamente das bases, dos movimentos sociais e ganhar o poder, o domínio do marketing, da realpolitik.

É inegável que o partido fez mudanças que transformaram o Brasil, recuperou nossa dignidade enquanto Nação, estimulou nosso mercado interno e nos colocou numa posição de destaque na política externa. O PSDB, nos 8 anos em que esteve no poder, fez tudo isso ao contrário: arrocho salarial, apagão, privatização, corrupção na "cara dura" e por aí vai.

Minha crítica no texto anterior - e muito bem respondida pelo Morales - é de que, para além desses vácuos que o PT deixou para se acomodar no poder, os partidos como PSOL, PSTU e PCO (incluo o PV nesse processo) pouco avançaram em ampliar o espectro político de ruptura com a ideologia dita "dominante" e a construção de uma nova agenda para o socialismo.

Quer ver um exemplo prático? Mais de 15 milhões de cidadãos saíram da situação de absoluta pobreza e ingressaram na classe média. A chamada "Classe C" consumiu mais de R$ 1 tri em 2011 e baterá o mesmo recorde em 2012. Que avanços práticos esses partidos - e aí incluo o próprio PT - fez em "politizar" essa classe aparentemente "desorganizada", ou seja, sem orientação política clara?

Por isso, digo e repito, que para além do PT, esses partidos construíram poucas alternativas viáveis. As críticas foram pontuais e não avançaram sequer uma linha, como ficou provado da richa entre Heloísa Helena e Plínio Sampaio. HH costura um novo partido "puro"(?) com Marina Silva.

Mais do que preencher esse vazio, a briga é para preencher os egos "feridos" pela "falta de controle" dentro dos partidos. Ou pela falta de fundos. Ou pela falta de sindicatos.

Percebem?

A análise é feita dentro da nossa realidade brasileira, com as nossas complexidades, com a questão racial ainda a ser vencida - e que transcende a simples dualidade de classes.

 

André Singer: o Lulismo vai durar

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/09/14/singer-o-%e2%80%9clulismo%e2%80%9d-vai-durar/

O programa Entrevista Record Atualidade, que vai ao ar nesta sexta-feira, na RecordNews, às 22h15, logo após o programa do Heródoto Barbeiro, apresenta André Singer, cientista político, professor da USP e ex-porta-voz do Presidente Lula, autor do livro “Os sentidos do lulismo – reforma gradual e pacto conservador”, editado pela Companhia das Letras – http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=30177784&google&id=14782&gclid=co2oynvxtbicfqsxnqod-tuadw.

Singer sustenta que, a partir do segundo mandato, em 2006, o Presidente Lula provocou um realinhamento político que pode durar por muitos e muitos anos, como aconteceu com a eleição do Presidente Franklin Roosevelt, em 1933, nos Estados Unidos.

Como em Roosevelt, até a oposição terá que se orientar pelo eixo central da política de Lula: os programas sociais que atendem às necessidades do que Singer chama de subproletariado: os que recebem por até dois Salários Mínimos por mês.

Essa política se caracteriza pelo aumento real do Salário Mínimo e programas como o Bolsa Família, o PAC, o Minha Casa Minha Vida, e o crédito consignado, que vinha do primeira mandato.

Metade da População Economicamente Ativa em 1976 era formada por subproletários, segundo estudos do pai de André, o respeitado economista Paul Singer.

Ainda hoje, em 2012, a proporção de subproletários no conjunto da PEA deve ser a mesma, supõe André.

Lula teria percebido isso, quando perdeu a eleição para Fernando Collor, em 1989.

Em entrevista a que o próprio André Singer compareceu, como repórter, Lula, logo após a derrota, disse que o seu objetivo dali para a frente deveria ser atingir quem vive de salário minimo, porque o empresário não vai votar mesmo nele.

O PT sempre tinha sido um partido que se apoiava na classe média.

O subproletariado votou em Collor.

Mas, só em 2006, Lula e o PT aprofundaram essa aliança com o subproletariado.

Com os mais pobres.

O que explica a votação e o apoio de Lula e Dilma Rousseff nas regiões mais pobres, como o Nordeste, e os bolsões do Rio e de Minas.

Para fazer esse “realinhamento”, segundo Singer, Lula arquivou o radicalismo do PT do “Sion”, do Partido que se fundou no Colégio Sion, em São Paulo, em 1980.

Era um PT quase-socialista.

Com o tempo, prevaleceu o PT do “Anhembi”, onde se deu a Convenção de 2002, quando Lula assinou a “Carta aos Brasileiros”, em que se comprometia a seguir a política econômica ortodoxa de Fernando Henrique e a “respeitar os contratos”, ou seja, não ia rasgar a Privatização.

Lula e o PT teriam percebido que o subproletariado quer que o Estado o proteja, mas não quer saber de ruptura, instabilidade política ou greves.

Por que ?

Porque o subproletariado é o mais desprotegido politicamente.

Ele não tem sindicato, não tem que se apoiar diante de uma instabilidade política aguda.

Lula passou, então, depois de 2006, a adotar uma política de “reformismo fraco” e “desmobilizador”.

Esse “reformismo fraco” explicaria por que Lula conseguiu andar mais rápido no aumento da renda dos pobres e mais devagar na redução da desigualdade de renda entre os ricos e os pobres.

Porque o “fraquismo” permitiu que os ricos continuassem a ganhar muito dinheiro

(Nesse ponto, o ansioso blogueiro se lembrou de frase atribuída a Alzirinha, filha e secretária de Vargas: quando ouço dizerem que meu pai é o Pai dos Pobres, dá vontade de dizer … e a Mãe dos Ricos.)

“Reformismo fraco” não significa “despolitizar” – enfatizou Singer.

Lula aprofundou o embate político entre o “rico” e o “pobre”.

O que não tem muito a ver com “direita” e “esquerda”.

E quando o subproletariado melhorar de vida ? – ele vai virar conservador e deixar de votar no PT do Lula e da Dilma, perguntou o ansioso blogueiro.

O subproletarido vai ser fiel, enquanto o PT respeitar a agenda que Lula impôs: defendê-lo.

Paulo Henrique Amorim

 

O modelo econômico de Cuba, Coréia do Norte e Alemanha Oriental é tão bom que nem o Hugo Chávez leva a sério.

Evo Morales está sendo xingado de capitalista pelos índios, por que está querendo construir uma estrada, alguns esquerdistas são mesmo hilários.

O ideal é o modelo escandinavo, o capitalismo da França também é um exemplo a ser seguido

No Brasil, se a gente misturar o nacional-desenvolvimentismo de 1930-1980 com o socialismo do Lula/PT seríamos copiados pelo mundo, falta os petistas acertarem a macro-economia, onde deixam a desejar...

 

O modelo escandinavo e francês também são capitalistas e custão a miseria do resto do mundo, e pelo que sei atualmente tmbém estão em cheque, aliás o capitalismo não tem muitos bons exemplos a ser seguido, por isso que digo que uma nova utopia não se levanta da noite para o dia! 

 

"Evo Morales está sendo xingado de capitalista pelos índios, por que está querendo construir uma estrada, alguns esquerdistas são mesmo hilários".

Se a estrada passasse por cima da sua casa, você estaria agora sendo chamado de hilário.

 

Então o que está a 1km de onde moro é considerado minha casa?

Existe uma coisa chamado diálogo, o problema é que muitas tribos são financiadas por ONGs dos países desenvolvidos, países onde os bancos mandam no governo...

 

E a estrada é financiada por quem, cara pálida? Pelos índios do Brasil? Você parece que é financiado pela Oderbrecht...

 

Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Após a queda do Muro de Berlim, quando todas as utopias paraece que se desfizeram, o mundo parece estar cada vez mais carente de uma nova utopia que nos motive a lutar pelo mundo melhor. Veja bem, naquele contexto e anteriormmente era muito mais fácil perseguir esse objetivo, pois, o mundo era dividido entre os que postulavam uma sociedade mais justa e os que sempre defenderam o que está aí. Ou seja, "as cercaas embandeiradas que separavam quintais" nos davam um norte seguro, um rumo certo dentro daquilo que desejávamos. Hoje, não se tem o que buscar de imediato a geração atual parece muito desnorteada oscilando entre o mundo dos shopings centeres e pequenas reclamações dos males dessa sociedade protagonista dos mesmos. E pode ter certza a construção de uma nova utopia leva muito tempo para se firmar, não é da noite para o dia que ergue uma nova forma de luta, já que as reivincaçoes são muito antigas. Mas, o problema é descobrir o caminho para se chegar lá. Será pelo voto? Ou pela revolução? Bem, só sei que enquanto não descobrimos o caminho vale a pena continuar lutando pelo que certo, pelo que socialmente justo, pelo que faz bem para a maioria da população mundial. Aliás, essa é a única maneira de continuarmos nos identificando como esquerdistas num mundo onde parece que as ideologias entraram em cheque pra valer!     

 

O que vc propôe após esta esquerda revolucionária tomar o poder, especialmente em termos econômicos.

Fale direto sem retórica excessiva, na prática como vai ser.

 

Reagan foi visto no início com desconfiança pelos conservadores tradicionais por causa de seu neo-conservadorismo com elementos libertários. Ele havia sido governador da Califórnia (onde se iniciou a contracultura) e soube muito bem sequestrar o movimento de 1968 iniciado pela esquerda.

O partidos do Foro de São Paulo também iniciaram há 20 anos uma nova filosofia, o socialismo só daria certo com democracia (numa região recém saída de ditaduras como a América Latina), o mercado não pode ser totalmente extinto e até valores antes conservadores não podem ser ignorados: família, harmonia social, religião (teologia da libertação), etc.

 

Chama-se "socialismo". Sem retórica.

 

Então piorou a coisa já sei o que acontece.

 

Para a classe dominante será pior sim, sem a menor sombra de dúvida. É o que esperamos. Senão, continuar-se-á a tratar de reformismo, com outras palavras.

 

 

Coloquei três artigos de Herman E. Daly nos comentários acima, acredito que as “reformas” no capitalismo sejam necessárias a partir de um ponto de vista que vai muito alem do debata “socialismo” x “capitalismo” ou “crescimento” x “austeridade”.

 

São bons artigos e pertinentes as idéias de Daly sobre os limites para o crescimento; eu diria que são muito atuais e imprescindíveis para compreender a crise que nos atinge, contudo, vale a observação crítica [1] do tradutor do sítio Resistir (o grifo é meu): 

 

"Historicamente já houve economias estacionárias (ou de reprodução simples) como a dos incas antes de serem conquistados pelos espanhóis, o modo de produção asiático, a tradicional cultura de subsistência africana, o comunismo primitivo, algumas sociedades polinésias (ver Collapse , de Jared Diamond), etc. Mas o modo de produção capitalista caracteriza-se precisamente pela reprodução ampliada. Uma economia estacionária será portanto incompatível com o capitalismo. Ao defender o crescimento estacionário o autor põe em causa (e bem) o crescimento canceroso da actual economia capitalista. Contudo, abstém-se de dar o passo lógico seguinte, ou seja, explicitar que isto não poderia ocorrer no âmbito das actuais relações de produção e que portanto estas teriam de ser transcendidas. Esta omissão diante da conclusão necessária pode ser verificada nos dez paliativos progressistas que preconiza a seguir".

 

Ou seja, a necessidade de uma economia estacionária não pode se realizar dentro dos marcos do capitalismo, logo, não está, de modo algum, superado o confronto socialismo x capitalismo (sem aspas). O Aliança Liberal comentou, com razão, de que as propostas de Daly exigem uma economia planejada, nos moldes do socialismo, o contrário da anarquia de mercado capitalista que o Aliança defende. Para implantar uma economia estacionária - e eu acho que teremos de ir mais além, em direção ao decrescimento - será preciso remover o capitalismo.

 

 

Pão ☭ Paz ✮ Terra ☀

Sempre argumentei exatamente o que vem sendo colocado perfeitamente pelo Morales, que a criação e manutenção do Estado de Bem Estar Social na Europa foi consequencia direta da existência da União Soviética e um sistema socio-economico-social alternativo ao capitalismo... em português bem claro, quando os detentores do poder (essa é em homenagem ao André Araújo, já que para ele burguesia é um termo muito arcaico, e claro, no século XXI não existe mais a luta de classes,  tudo é lindo, rosa e fofinho, desde que eu tenha $$ para comprar meu novo Iphone, pagar escola, carro, condomìnio, etc.. né....) se sentem ameaçados é que fazem conceções... creio que foi aqui que li que o lado humano do capitalismo foi arrancado com lágrimas, lutas, suor e sangue...

Vou além, creio mesmo que até o New Deal do Roosevelt nos EUA, também foi consequencia desta mesma luta, caso não houvesse os terríves anarquistas, comunistas e sindicalizados, possivelmente o presidente não tomasse as medidas necessárias para enfrentar o Crash de 1929... vide Obama que mesmo com os financistas quebrando a economia real no mundo inteiro foram beneficiados com muita grana..

Aqui, em nosso país, principalmente os anarquistas contribuiram imensamente para que a classe trabalhadora tivessem alguns direitos básicos, como décimo terceiro, férias, 8 horas de trabalho diárias, etc....

Mas, para alguns, são estas pessoas que ousaram sonhar e lutar por um mundo um pouquinho mais justo são classificadas com ingênuas e ultrapassadas... creio que justiça social não deve ser visto como algo ultrapassado e antigo.. creio que em muitas partes do mundo isto tem que avançar muito, inclusive aqui, como bem colocado neste comentário... e o PT, bom chegou ao poder e meio que fez o que os outros partidos aqui já fizeram... Existe o outro lado que parece que o brasileiro não gosta muito de um enfrentamento direto, prefere algo mais gradual e suave, mas justamente o que talvez o país precisasse para enfrentar seus problemas talvez fosse uma ruptura mais drástica, afinal não dá para ter um PIB da Inglaterra e a distribuição de renda de uma Uganda...

 

Da pra comparar mesmo a situação do trabalhador do leste europeu e com o mesmo no lado ocidental.

O povo Russo viu mesmo a diferença de vida quando da olimpiadas de 1980, ver a diferença do nivel social que o ocidente detinha em comparação a sua miséria nacional.

Não existe "conquistas" trabalhistas no socialismo direito a greve, a sindicatos etc.

 

 

Irretocável Morales!

O que mais se aproxima de "sólido movimento revolucionário internacional" hodiernamente foi iniciado pelo Grande Aiatola Sayyd Ruhollah Musavi Khomeini. É de certa forma um movimento que prega valores que estão mais associados à Idade Média do que ao mundo pós revolução industrial. 

Com todo o respeito,  não é o que desejaria ao mundo como um todo, uma vitória do modelo de governo por teocracia (que também tem expoentes dentro do capitalismo, vide o que ocorre nos EUA).

Dentro desta perspectiva, a última metamorfose do capitalismo pós crise do Euro é um extermínio do welfare state e de muitas conquistas e concessões obtidas. Modela-se um retorno à valores medievais, novamente, um neofeudalismo. Esse capitalismo repaginado coloca o cidadão (este ser abstrato criado na Revolução Francesa) agora como um neoservo, preso não ao feudo mas ao arranjo produtivo, desidratado de seus direitos ( às duras penas conquistados!). E a ausencia de um contraponto à Leste  facilita a execução da destruição dos direitos trabalhistas como se estes fosem empecilhos ao "progresso". O caso portugues é gritante, sofreu-se com uma contra-revolução, e agora anos após com a desculpa dada pelos rentistas alemães e franceses tentam a todo custo eliminar quaisquer vestígios do ocorrido a 25 de abril de 1974.

No caso de Pindorama, é que estavamos tão na rabeira do processo que as migalhas fazem diferença. E continuamos em um secular movimento de modernização conservadora.

Esperar, neste momento, uma alternativa que se possa chamar no mínimo de levemente revolucionária é em vão. Vai ser engolido e devidamente passar pelo processo antropofágico e devidamente amestrado e enquadrado no processo de modernização conservadora.

 

Aproveitando a deixa do Morales, mesmo em situações onde, em teoria, poderia haver alguma "troca" o governo não percebe ou deixa passar a oportunidade.


A desoneração da folha de pagamento de 25 setores poderia estar condicionada à redução da carga horário de trabalho, que é uma luta antiga dos trabalhadores. Fora que, a própria área pública poderia "dar o exemplo". Mas no fim, ironicamente, a frase abaixo do Morales se aplica mais ao partido que está no poder.


As reformas são arrancadas da classe dominante quando esta se sente ameaçada e prefere fazer concessões a perder a posição de classe dominante.

 

E tem gente que ainda está chocada com a foto do Maluf...

 

"A economia é um subsistema do ecossistema". Entrevista especial com Herman Daly

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/46296-a-economia-e-um-subsistema-...

Para ele não é possível haver crescimento econômico mantendo a sustentabilidade ecológica. E ele é ninguém mais, ninguém menos do que Herman Daly, guru da economia ecológica e importante pensador na área do desenvolvimento sustentável. Daly concedeu a entrevista a seguir para a IHU On-Line, por e-mail, em que afirma que "a economia é um subsistema do ecossistema, e o ecossistema é finito, não cresce e é materialmente fechado. Temos um fluxo contínuo de energia solar entrante, mas que também não está aumentando".

Na sua visão, "os países ricos precisam dar os primeiros passos rumo a um estado estacionário liberando espaço ecológico para que os países pobres cresçam até atingir um nível de prosperidade suficiente para uma vida boa – o mesmo objetivo que todos os países deveriam tentar alcançar".

O economista estadunidense Herman Daly, de 93 anos, é professor emérito da Escola de Política Pública de College Park, nos Estados Unidos. Foi economista-chefe no Departamento Ambiental do Banco Mundial, onde auxiliou a desenvolver princípios políticos básicos relacionados ao desenvolvimento sustentável. Enquanto lá esteve, envolveu-se em operações ambientais na América Latina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em sua opinião, é possível haver crescimento econômico mantendo a sustentabilidade ecológica?

Herman Daly – Não. Não a longo prazo. A economia é um subsistema do ecossistema, e o ecossistema é finito, não cresce e é materialmente fechado. Temos um fluxo contínuo de energia solar entrante, mas que também não está aumentando.

IHU On-Line - Podemos imaginar um mundo com prosperidade sem crescimento econômico?

Herman Daly – Sim. Certamente podemos viver num nível próspero sem necessidade de que o nível de prosperidade aumente de modo contínuo.

IHU On-Line - Como define o conceito de "crescimento deseconômico"?

Herman Daly - O crescimento deseconômico é um crescimento que começou a custar mais do que vale – um crescimento (seja em volume de produção ou PIB) para o qual os custos adicionais (incluindo os custos ambientais e sociais) são maiores do que os benefícios adicionais em termos de produção.

IHU On-Line - O senhor conhece o conceito de decrescimento, defendido por Serge Latouche? Em que sentido ele se relaciona com o conceito de "crescimento deseconômico"?

Herman Daly - Suponho que decrescimento seja a correção para o fato de se ter tido um período de crescimento deseconômico – ou de ter crescido além da escala ótima da economia em relação ao ecossistema. A escola do decrescimento reconhece que a escala atual da economia é grande demais para se manter num estado estacionário. Por conseguinte, precisamos decrescer até chegar a uma escala sustentável que, então, procuramos manter num estado estacionário. O decrescimento, assim como o crescimento, não pode ser um processo permanente.

IHU On-Line - Como se aplicaria no cenário mundial atual o conceito de estado estacionário?

Herman Daly - Se nem o crescimento nem o decrescimento são sustentáveis, isso deixa o estado estacionário como único candidato. Mas nem mesmo um estado estacionário pode durar para sempre num mundo entrópico, de modo que o objetivo é a longevidade, e não a vida eterna neste mundo. Os países ricos precisam dar os primeiros passos rumo a um estado estacionário, liberando espaço ecológico para que os países pobres cresçam até atingir um nível de prosperidade suficiente para uma vida boa – o mesmo objetivo que todos os países deveriam tentar alcançar.

IHU On-Line - Como o senhor entende e define o que se chama hoje de "economia de baixo carbono"?

Herman Daly - Ela significa nos desacostumar dos combustíveis fósseis, mas poderia significar dependência da energia solar, como eu gostaria que acontecesse, ou também de energia nuclear, como defendem outros.

IHU On-Line - Qual a importância, na sua visão, de iniciativas como o IPCC (1988), o Protocolo de Kyoto (1997) e a Convenção do Clima (1992) no sentido de promover a economia de baixo carbono? Essas convenções têm algum impacto na prática?

Herman Daly - Até agora elas foram uma decepção, porque não se confrontaram com a questão do crescimento versus estado estacionário. Aceitam o contexto do crescimento e evitam a discussão a respeito da economia do estado estacionário.

IHU On-Line - Quais seriam as grandes transformações estruturais que as economias e as sociedades teriam que fazer para a passagem a uma economia de baixo carbono?

Herman Daly - Elas precisam adotar o paradigma do estado estacionário e esquecer o crescimento contínuo.

IHU On-Line - Que análise o senhor faz da crise financeira mundial atual? Que rumos o senhor vislumbra e que mudanças vê surgir?

Herman Daly - Vejo a crise financeira como decorrência de se tentar forçar o crescimento para além dos limites físicos e econômicos. À medida que o crescimento fica fisicamente mais difícil, tentamos continuar crescendo em termos monetários, financeiros emitindo montanhas de títulos da dívida e tratando isso como se fosse crescimento real – supondo que toda essa dívida venha a ser saldada pelo crescimento futuro. Nos EUA, atualmente 40% de todos os lucros são obtidos no setor financeiro – o setor financeiro se tornou um parasita.

IHU On-Line - Uma crise financeira como a que vivemos justifica o descaso ambiental e a tomada de medidas restritivas radicais, com emissão de poluentes, como único meio de sair do cenário sombrio, ou é justamente um momento que favorece uma mudança no paradigma econômico, como oportunidade para se pensar em alternativas no sentido da economia de baixo carbono?

Herman Daly - Certamente a opção seria a segunda, não a primeira.

IHU On-Line - Uma economia de baixo carbono abriria quais novas possibilidades para a sociedade, que sairia da economia baseada em combustíveis fósseis? Bastaria mudar as estruturas externas ou seria exigida uma metamorfose dos sujeitos, como sugere Edgar Morin?

Herman Daly - Se isso significa conversão, uma mudança do coração e da mente, então, sim, acho que é necessário, mas não suficiente sem políticas públicas para um estado estacionário.

IHU On-Line - Que oportunidades e dificuldades surgem para o Brasil e outros países emergentes com a economia de baixo carbono?

Herman Daly - O mesmo vale para todos os países – um planeta em que se possa viver durante muito tempo em vez de todos se darem mal juntos.

IHU On-Line - Que relação o senhor estabelece entre economia e felicidade?

Herman Daly - O PIB e a felicidade estão correlacionados positivamente até um certo limiar de suficiência. Para além dele, o PIB não parece aumentar a felicidade, mas continua a causar problemas ambientais.

IHU On-Line - Quais as implicações de uma sociedade em que o crescimento econômico não dá conta da dimensão subjetiva do ser humano?

Herman Daly - Creio que o crescimento realmente não satisfaz mais as verdadeiras necessidades humanas de comunidade, bons relacionamentos e paz. Uma economia calcada no crescimento leva à guerra por recursos e território.

(Por Graziela Wohlfart)

 

 

Sustentabilidade em um mundo lotadoA exploração de recursos naturais é tão intensa que não podemos mais fingir que vivemos em um ecossistema ilimitado. Desenvolver uma economia sustentável em uma biosfera finita exige novas maneiras de pensar.

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/sustentabilidade_em_um_mundo_lo...

Herman E. Daly Objetos criados pelo homem atulham o meio ambiente. Teorias econômicas que funcionavam bem em um mundo vazio já não se adequam a um planeta lotadoÉ generalizada a convicção de que o crescimento é uma panacéia para todos os grandes males econômicos do mundo moderno. Pobreza? Basta fazer a economia crescer (ou seja, incrementar a produção de bens e serviços e estimular os gastos dos consumidores), e a riqueza se propagará de cima para baixo na sociedade. Não deveríamos redistribuir riqueza dos ricos para os pobres, porque isso tornaria o crescimento mais lento. Contra o desemprego é só intensificar a demanda por bens e serviços, baixando os juros e estimulando investimentos. Excesso de população? Basta fomentar o crescimento econômico e confiar em que a transição demográfica resultante reduza as taxas de nascimentos.

Degradação ambiental? Confiemos na curva de Kuznets, uma relação empírica com o propósito de mostrar que, com crescimento incessante do Produto Interno Bruto (PIB), a poluição inicialmente aumenta, mas depois atinge um máximo e declina.

Confiar dessa maneira no crescimento poderia não trazer problemas se a economia mundial existisse em um vácuo, mas as coisas não são assim. A economia é um subsistema da biosfera finita, que lhe dá suporte. Quando a expansão da economia afetar excessivamente o ecossistema circundante, começaremos a sacrificar o capital natural (como peixes, minerais e petróleo) que valem mais do que o capital criado pelo homem (estradas, fábricas e eletrodomésticos). Teremos, então, o que denomino crescimento deseconômico, produzindo "males" mais rapidamente do que bens - tornando-nos mais pobres, e não mais ricos.

Depois que ultrapassamos a escala ótima, o crescimento torna-se algo estúpido no curto prazo e impossível de ser mantido no longo. As evidências sugerem que os EUA talvez já tenham entrado numa fase assim.Não é fácil reconhecer e evitar o crescimento deseconômico. Um dos problemas é que algumas pessoas beneficiam-se dele e não têm estímulo para mudar. Além disso, as contas nacionais não registram explicitamente os custos de crescimento, por isso não os vemos claramente. A humanidade precisa fazer a transição para uma economia sustentável - que respeite os limites físicos inerentes ao ecossistema mundial e garanta que continue funcionando no futuro. Se não fizermos essa transição, poderemos ser punidos não apenas com crescimento deseconômico, mas com uma catástrofe ecológica que reduziria sensivelmente nosso padrão de vida.

A maioria dos economistas contemporâneos discorda de que alguns países estejam rumando para a deseconomia. Muitos ignoram a questão da sustentabilidade e confiam que, como já fomos tão longe com crescimento, poderemos continuar assim para sempre. A preocupação com a sustentabilidade, porém, tem longa história, remontando a escritos de John Stuart Mill na década de 1840. A abordagem contemporânea baseia-se em estudos realizados nas décadas de 1960 e 1970 por Kenneth Boulding, Ernst Schumacher e Nicholas Georgescu-Roegen. Essa tradição é levada adiante pelos denominados economistas ecológicos, como eu, e em certa medida por subdivisões da corrente econômica principal chamada economia de recursos e ambiental. De modo geral, porém, a corrente principal, os economistas neoclássicos, considera a sustentabilidade um modismo e se alia ao crescimento.

Mas há fatos evidentes e incontestáveis: a biosfera é finita, não cresce, é fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) e obrigada a funcionar de acordo com as leis da termodinâmica. Qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve necessariamente parar de crescer e adaptar-se a um equilíbrio dinâmico, algo semelhante a um estado estacionário. As taxas de nascimentos devem ser iguais às de mortalidade, e as de produção de commodities devem se igualar às de depreciação.

Durante minha vida (67 anos), a população humana triplicou, e o número de objetos fabricados cresceu muito mais. O total de energia e material necessário para manter e substituir os artefatos humanos na Terra também aumentou enormemente. À medida que o mundo torna-se repleto de humanos e de suas coisas, ele é esvaziado do que havia antes por aqui. Para lidar com esse novo padrão de escassez, os cientistas precisaram desenvolver uma economia de "mundo cheio" para substituir a tradicional, de "mundo vazio".Na microeconomia, as pessoas e as empresas se dão conta claramente de quando devem parar de expandir uma atividade. Quando se expande, chega o momento em que toma o lugar de algum outro empreendimento, e essa substituição é contabilizada como custo. As pessoas param no ponto em que o custo marginal iguala-se ao benefício marginal. Ou seja, não vale a pena gastar um dólar a mais em um sorvete quando esse dá menos satisfação do que o equivalente a um dólar de outra coisa. A macroeconomia, porém, não dispõe de uma regra análoga que avise "a hora de parar".

Como manter uma economia sustentável depende de enorme mudança racional e emocional por parte de técnicos, políticos e eleitores, poderíamos ser tentados a declarar que tal projeto é impossível. Mas a alternativa a uma economia sustentável, que mantenha permanente crescimento, é biofisicamente impossível. Ao escolher entre enfrentar uma impossibilidade política e uma impossibilidade biofísica, eu escolheria a primeira opção.

Sustentar o quê?
Até agora, descrevi a "economia sustentável" apenas em termos gerais, como aquela capaz de ser mantida indefinidamente, em face de limites biofísicos. Para implementar esse tipo de economia, precisamos especificar exatamente o que deve ser sustentado de um ano para o outro. Os economistas têm discutido cinco grandezas candidatas: PIB, "utilidade", rendimento, capital natural e capital total (a soma de capital natural e capital produzido pelo homem).

Algumas pessoas julgam que uma economia sustentável deveria manter a taxa de crescimento do PIB. Segundo essa visão, a economia sustentável é equivalente à de crescimento, e isso nos coloca a questão sobre se o crescimento sustentado é biofisicamente possível.

Até mesmo tentar definir sustentabilidade em termos de PIB constante é problemático, porque o PIB confunde melhoria qualitativa (desenvolvimento) com incremento quantitativo (crescimento). A economia sustentável deve, em algum ponto, parar de crescer, embora isso não signifique, necessariamente, parar de se desenvolver. Não há razão para limitar a melhoria qualitativa no projeto de produtos, o que pode fazer crescer o PIB sem incrementar a quantidade de recursos usados. A principal idéia por trás da sustentabilidade é mudar a trajetória de progresso - de crescimento não sustentável para desenvolvimento, presumivelmente, sustentável.A candidata seguinte a ser sustentada, "utilidade", refere-se ao nível de "satisfação de necessidades", ou nível de bem-estar da população. Teóricos neoclássicos defendem a definição de sustentabilidade como a manutenção (ou incremento) de utilidade no decurso de gerações. Na prática, porém, essa definição é inútil. Utilidade é uma experiência, não uma coisa. Não há unidade de medida para utilidade, e ela não pode ser legada de uma geração a outra.

Recursos naturais, em contraste, são coisas: podem ser medidos e transferidos. Em especial, pode-se medir seu rendimento, ou seja, a taxa na qual a economia as usa, levando-as de fontes de baixa entropia no ecossistema, transformando-as em produtos úteis e, por fim, descartando-as de volta ao ambiente como rejeitos de alta entropia (ver quadro na pág. 96). Sustentabilidade pode ser definida em termos de rendimento pela capacidade do meio ambiente de suprir cada recurso natural e absorver os produtos finais descartados.

Para os economistas, recursos são uma forma de capital, ou riqueza, abrangendo de estoques de matérias-primas a produtos acabados e fábricas. Existem dois grandes tipos de capital: natural e artificial. A maioria dos economistas neoclássicos acredita que o capital criado pelo homem é um bom substituto do natural e, portanto, defendem a manutenção da soma dos dois, abordagem denominada sustentabilidade fraca.

A maioria dos economistas ecológicos, eu inclusive, acredita que capital natural e artificial são, freqüentemente, mais complementos do que substitutos, e que o natural deveria ser mantido separado, porque tornou-se fator limitante. Essa abordagem é denominada sustentabilidade forte.

Por exemplo, a quantidade anual de peixe capturado é atualmente limitada pelo capital natural das populações do mar, e não mais pelo capital artificial representado pelos barcos pesqueiros. A sustentabilidade fraca sugeriria que a escassez de peixes poderia ser enfrentada com a construção de mais barcos. A sustentabilidade forte conclui pela inutilidade de mais pesqueiros, se há escassez de peixes, e insiste que a pesca deve ser limitada para garantir a manutenção de populações adequadas para as gerações futuras.A política mais adequada à manutenção do capital natural é o sistema cap-and-trade (limitar-e-negociar): define-se um limite para o total de rendimento permitido, conforme a capacidade do meio ambiente de regenerar recursos ou absorver poluição. O direito de esgotar fontes como os oceanos ou de poluir "dissipadores", como a atmosfera, deixa de ser um bem gratuito, passando a ser um ativo escasso que pode ser negociado - comprado e vendido em um mercado livre -, após decidir a quem pertencem inicialmente. Entre os sistemas cap-and-trade já implementados está o criado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) que institui o comércio do direito de poluir com dióxido de enxofre (que causa chuva ácida). Outro, na Nova Zelândia, estabelece a redução da pesca excessiva mediante a definição de cotas transferíveis.

O sistema "limitar-e-negociar" é um exemplo dos papéis distintos de livres mercados e de políticas governamentais. Tradicionalmente, a teoria econômica lidou mais com alocação (a distribuição de recursos escassos entre usos concorrentes). Não lidou com a questão de escala (o tamanho físico da economia em relação ao ecossistema). Mercados que funcionam de forma adequada alocam recursos eficientemente, mas não podem determinar a escala sustentável; isso pode ser feito apenas mediante política governamental.

Ajustes Necessários

A transição para uma economia sustentável exigirá muitos ajustes na política econômica. Algumas dessas mudanças já são evidentes. O sistema de seguridade social americano, por exemplo, encontra dificuldades com a transição demográfica para uma média populacional mais idosa. O ajuste exige impostos mais altos, aumento na idade de aposentadoria ou pensões menores. O sistema não está propriamente em crise, mas um ou mais ajustes são necessários para que se sustente.

Vida útil de produtos. Uma economia sustentável requer uma "transição demográfica" não apenas de pessoas, mas também de bens - as taxas de produção deveriam ser iguais às taxas de depreciação, em níveis elevados ou baixos. Taxas mais baixas são melhores, tanto em termos de durabilidade dos bens quanto para ter sustentabilidade. Produtos de vida mais longa podem ser substituídos mais lentamente, com uso menor de recursos. A transição é análoga a um evento de sucessão ecológica.Ecossistemas jovens, em crescimento, têm tendência a maximizar a manutenção da eficiência do crescimento, medida em produção por unidade de biomassa existente. Nos maduros, a ênfase desloca-se para a maximização da eficiência da manutenção, ou por quanto da biomassa existente é mantida por unidade de nova produção - o inverso de eficiência produtiva. Precisamos de um ajuste similar para viabilizar a sustentabilidade. Uma adaptação nessa direção são os contratos de serviços vinculados a bens alugados - de fotocopiadoras a tapetes; nesse cenário, o fabricante permanece como proprietário, presta manutenção, recolhe e recicla o produto no fim de sua vida útil.

Crescimento do PIB. Devido a melhoras qualitativas e ao aumento de eficiência, o PIB pode continuar crescendo, mesmo com rendimento constante. Os ambientalistas ficariam satisfeitos porque a quantidade processada não aumentaria; os economistas ficariam felizes porque o PIB aumentaria. Essa forma de "crescimento" - na realidade, desenvolvimento -, conforme definido anteriormente, deveria ser incrementada ao máximo, mas há vários limites. Setores da economia de modo geral considerados mais qualitativos, como o de tecnologia da informação, quando examinados mais de perto, revelam uma substancial base física. Por outro lado, para ser proveitosa aos pobres, a expansão deve consistir em bens necessários a eles - roupas, teto, comida na mesa, e não 10 mil receitas na internet. Mesmo os ricos gastam a maior parte de sua renda em automóveis, casas e viagens, mais do que em bens intangíveis.

Setor financeiro. Em uma economia sustentável, a ausência de crescimento muito provavelmente faria os juros caírem. É possível que o setor financeiro encolhesse, porque juros e taxas de crescimento baixos não poderiam sustentar a enorme superestrutura de transações financeiras - baseada sobretudo em endividamento e expectativas de crescimento econômico futuro - apoiada precariamente sobre a economia física. Numa economia sustentável, investimentos seriam feitos principalmente para substituição e melhoria qualitativa (não para especulação sobre a expansão quantitativa) e ocorreriam com menos freqüência.

Comércio. O livre comércio não seria viável em um mundo contendo simultanea-mente economias sustentáveis e insustentáveis, porque as primeiras com certeza contabilizariam muitos custos relativos ao meio ambiente e ao futuro, que seriam ignorados nas economias de crescimento. Economias insustentáveis, nesse caso, poderiam praticar preços inferiores ao de suas rivais sustentáveis, não por serem mais eficientes, mas apenas por não pagarem o custo da sustentabilidade.Poderia existir um comércio regulamentado para compensar essas diferenças, assim como um comércio livre entre países igualmente comprometidos com a sustentabilidade. Considera-se que tais restrições são onerosas ao comércio, mas na verdade ele já é bastante regulamentado de maneira prejudicial ao meio.

Impostos. Que tipo de sistema tributário seria o mais adequado? Um governo preocupado com o uso mais eficiente de recursos naturais mudaria o alvo de seus impostos. Em vez de taxar a renda auferida por trabalhadores e empresas (o valor adicionado), tributaria o fluxo produtivo (aquele ao qual é adicionado valor), de preferência no ponto em que os recursos são apropriados da biosfera, o ponto de "extração" da Natureza.

Muitos países aplicam impostos de "extração". Esse tipo induz um uso mais eficiente dos recursos, tanto na produção como no consumo, e tem monitoração e cobrança relativamente fáceis. Parece razoável taxar o que queremos evitar (esgotamento de recursos e poluição) e deixar de taxar o que mais queremos (renda).

A regressividade desse imposto sobre o consumo (os pobres pagariam um percentual- maior de sua renda do que os ricos) poderia ser compensada como gasto progressivo do imposto recolhido (isto é, para ajudar os pobres), instituindo um imposto sobre artigos de luxo ou cobrando mais impostos sobre rendas elevadas.

Emprego. É possível manter o pleno emprego? Essa é uma pergunta difícil, e a resposta, provavelmente é não. Entretanto, por uma questão de justiça, também devemos questionar se o pleno emprego é possível em uma economia de crescimento movida a livre comércio, exportação de serviços, imigração facilitada de mão-de-obra barata e adoção de tecnologias que eliminam empregos. Em uma economia sustentável, manutenção e consertos tornam-se mais importantes. Como exigem trabalho mais intenso e são relativamente protegidos de terceirização estrangeira, esses serviços poderão gerar mais empregos.Entretanto, será necessário repensar a maneira como as pessoas obtêm renda. Se a automação e a exportação de postos de trabalho resultar em uma maior parte do produto total agregado ao capital (ou seja, empresas e seus donos lucrando mais com o produto), e portanto menor para os trabalhadores, então o princípio da distribuição de renda através do emprego torna-se menos justificável. Uma alternativa prática poderia ser a participação mais ampla na propriedade das empresas, para que os indivíduos obtivessem renda através de participação proprietária nas empresas, em vez de obtê-la mediante emprego em tempo integral.

Felicidade. Uma das forças motrizes do crescimento insustentável tem sido o axioma da insaciabilidade: as pessoas serão sempre mais felizes consumindo mais. Entretanto, pesquisas de economistas experimentais e psicólogos levam à rejeição desse axioma. Crescentes evidências, como o trabalho de 1990 de Richard A. Easterlin, da Universidade do Sul da Califórnia, sugerem que o crescimento nem sempre incrementa a felicidade (nem a utilidade ou o bem-estar). Em vez disso, a correlação entre a renda absoluta e a felicidade é válida apenas até um limiar de "suficiência"; além desse ponto, apenas o status relativo influencia a autopercepção de felicidade.

O crescimento não é capaz de incrementar a renda relativa de todos. As pessoas que conseguirem isso em conseqüência de crescimento adicional seriam compensadas por outras cuja renda relativa cairia. Além disso, se a renda de todos aumentasse proporcionalmente, nenhuma renda relativa cresceria, e ninguém se sentiria mais feliz. O crescimento torna-se como uma corrida armamentista em que os dois campos vêem seus ganhos cancelados mutuamente.

Muito provavelmente, os países ricos atingiram o "limite de futilidade", ponto além do qual o crescimento não incrementa a felicidade. Isso não significa que a sociedade de consumo morreu - apenas que o aumento do consumo além do limiar de suficiência, seja ele fomentado por publicidade agressiva ou compulsão inata por compras, simplesmente não está tornando as pessoas mais felizes, em sua própria avaliação.

Um corolário acidental é que a sustentabilidade poderá custar pouco em termos de felicidade para as sociedades que atingiram a suficiência. A "impossibilidade política" de uma economia sustentável pode ser menos impossível do que parecia.

Se não fizermos os ajustes necessários para atingir uma economia sustentável, condenaremos nossos descendentes a uma situação infeliz em 2050. O mundo se tornará cada vez mais poluído e mais despojado de peixes, combustíveis fósseis e de outros recursos naturais. Durante algum tempo, essas perdas poderão continuar a ser mascaradas pela enganosa contabilidade baseada no PIB, que mede o consumo de recursos como se fosse renda. Mas, em determinado momento, o desastre será sentido.

Será difícil evitar essa calamidade. Quanto mais cedo começarmos a agir, melhor.The green national product: a proposed index of sustainable economic welfare. Clifford W. Cobb e John B. Cobb Jr. University Press of America, 1994.

Will raising the incomes of all increase the happiness of all? Richard Easterlin, em Journal of Economic Behavior and Organization, vol. 27, págs. 35-47, 1995.

Human well-being and the natural environment. Partha Dasgupta. Oxford University Press, 2001.

Ecological economics: principles and applications. Herman E. Daly e Joshua Farley. Island Press, 2004.

 

 

http://resistir.info/ecologia/daly_01jun09.html

 

De uma economia de crescimento fracassado
a uma economia de estado estacionário

por Herman E. Daly [*]


Herman Daly.

Uma economia de estado estacionário é incompatível com o crescimento contínuo — tanto o crescimento positivo como o negativo. O objectivo de um estado estacionário é manter um stock constante e suficiente de riqueza real e de pessoas por um longo tempo. Uma espiral em declínio de crescimento negativo, uma depressão tal como a que estamos a entrar agora, é uma economia de crescimento fracassado, não uma economia de estado estacionário. Travar uma espiral de declínio em aceleração é necessário, mas não é a mesma coisa que retomar crescimento positivo contínuo. O crescimento económico agora falha de dois modos: (1) o crescimento positivo torna-se não económico na nossa economia já plenamente mundial; (2) o crescimento negativo, resultante do estouro de bolhas financeiras infladas para além dos limites físicos, apesar de temporariamente necessário, torna-se a seguir auto-destrutivo. Isto é deixar uma economia de não-crescimento, ou de estado estacionário [1] , como a única alternativa a longo prazo. O nível de riqueza física que a biosfera pode manter num estado estacionário pode muito bem estar abaixo do nível actual. O facto de que esforços recentes de crescimento tenham resultado principalmente em bolhas sugere que isto assim é. No entanto, todas as políticas actuais têm como objectivo o pleno restabelecimento do crescimento da economia. Ninguém nega que os nossos problemas seriam mais fáceis de resolver se fossemos mais ricos. A questão é, será que o crescimento nos faz mais ricos? Ou será que nos torna mais pobres?

Vou dispender mais uns poucos minutos a amaldiçoar o negrume do crescimento, mas a seguir tentarei acender dez pequenas velas ao longo do caminho para um estado estacionário. Alguns aconselharam-me a esquecer o negrume e concentrar-me na política das velas. Mas descobri que sem um fundo negro a luz das minha velas não é visível na aurora falsa projectada pelos economistas, cuja propaganda do optimismo jamais dá à esperança uma oportunidade de emergir das sombras.

Temos muitos problemas (pobreza, desemprego, destruição ambiental, défice orçamental, défice comercial, salvamentos, bancarrotas, arrestos, etc), mas aparentemente apenas uma única solução: crescimento económico, ou como os sabichões agora gostam de dizer, "crescer a economia" – como se esta fosse um batateiro com folhas curativas, como aloe vera ou marijuana.

Mas deixem-nos parar aqui e formular duas perguntas que todos os estudantes deveriam apresentar aos seus professores de teoria económica.

Primeiro, há um teorema profundo de matemática que diz que quando algo cresce ele se torna maior! Assim, quando a economia cresce ela também fica maior. Quão grande pode ser a economia, Professor? Quão grande é agora? Quão grande deveria ser? Será que os economistas consideraram estas questões? E mais subtilmente, o que os faz pensar que crescimento (isto é, expansão física do subsistema económico dentro do finito contendo a biosfera) já não está a aumentar os custos ambientais e sociais mais rapidamente do que os benefícios da produção, tornando-se desta forma crescimento não económico, fazendo-nos mais pobres e não mais ricos? Afinal de contas, o PIB real, a medida chamado do crescimento "económico", não separa custos de benefícios, mas amalgama-os como actividade "económica". Como saberíamos quando o crescimento se torna não económico? A actividade correctiva e defensiva torna-se sempre maior quando crescemos de um "mundo vazio" para uma economia "mundo total", caracterizada pela congestão, interferência, deslocação, esgotamento e poluição. As despesas defensivas induzidas por este factos negativos são todas acrescentadas ao PIB, não subtraídas. Estejam preparados, estudantes, para alguns gestos de mão, limpezas de garganta e mudança de assunto. Mas não se deixem enganar.

Segunda questão. Será que o senhor, Professor, vê o crescimento como um processo contínuo e desejável em si mesmo – ou como um processo temporário necessário para alcançar um nível suficiente de riqueza o qual posteriormente seria mantido num estado mais ou menos estacionário? Pelo menos 99% dos modernos economistas neoclássicos mantêm a visão do crescimento para sempre. Temos de remontar a John Stuart Mill e a Economistas Clássicos mais antigos para encontrar tratamento sério da ideia de um não crescimento da economia, o Estado Estacionário. O que é que faz os economistas modernos tão seguros de que os Economistas Clássicos estavam errados? Apenas expurgar a história do pensamento económico do curriculum não é uma refutação.

Aqui estão algumas razões para pensar que os Economistas Clássicos estavam certos.

Uma norma de crescimento contínuo a longo prazo podia fazer sentido apenas se uma das seguintes três condições fossem verdadeiras:
(a) se a economia não fosse um subsistema aberto de um sistema biofísico finito e não crescente,
(b) se a economia estivesse a crescer numa dimensão não física, ou
(c) se as leis da termodinâmica não se mantivessem.

Vamos considerar cada uma destas três alternativas lógicas (se puder pensar numa quarta, deixe-me saber).

(a) Alguns economistas pensam acerca da natureza como se fosse de facto o conjunto de subsectores extractivos da economia (florestas, pescas, minas, poços, pastos e mesmo agricultura...). A economia, não o ecosistema ou a biosfera, é vista como o todo; a natureza é uma colecção de partes. Se a economia é o todo então não é uma parte de alguma coisa ou sistema mais vasto que pode restringir a sua expansão. Se algum subsector extractivo natural se tornar escasso nós apenas substituímos outros sector por ele e o crescimento da economia total continuará, não dentro de qualquer envelope biosférico e sim no espaço sideral presumivelmente cheio de recursos colhidos em asteróides e amistosos extra-terrestres altamente evoluídos ansiosos por nos ensinarem como crescer para sempre no seu território. As fontes e os sumidouros são considerados infinitos.

(b) Alguns economistas dizem que o que está a crescer no crescimento económico é valor, e o valor não é redutível a unidades físicas. Isto é verdade, naturalmente, mas não quer dizer que o valor seja independente da física ! Afinal de contas, valor é preço vezes quantidade, e quantidade é sempre basicamente física. Mesmo serviços são sempre o serviço de alguma coisa ou de alguém por algum período de tempo e as pessoas que prestam serviços têm de comer. O valor unitário de PIB não é dólares e sim o valor do dólar. Um valor de dólar de gasolina é uma quantidade física, actualmente meio galão [1 galão = 3,78 litros]. A agregação de quantias de valor em dólares de muitas mercadorias físicas (PIB) não abole a fisicalidade da medida muito embora o agregado já não possa ser expresso em unidades físicas. Na verdade, $/q x q = $. Mas o facto de q ser matematicamente cancelado não significa que a medida agregada, "valor em dólares", seja apenas uma pilha de dólares. E não ajuda falar ao invés de "valor acrescentado" (pelo trabalho e capital) porque devemos perguntar, o que é valor acrescentado? E a resposta é recursos naturais, matéria/energia de baixa entropia — pó de fadas ou pelo de rã! O desenvolvimento (espremer mais bem estar da mesma produção de recursos) é uma coisa boa. O crescimento (pressionar por mais recursos través de uma economia fisicamente maior) é o problema. Limitar o crescimento quantitativo é o caminho para forçar o desenvolvimento qualitativo.

(c) Se os recursos pudessem ser criados a partir do nada e os resíduos pudessem ser aniquilados no nada, então poderíamos ter uma produção de recursos sempre em crescimento através da qual alimentaríamos o crescimento contínuo da economia. Mas a primeira lei da termodinâmica diz NÃO. Ou se pudéssemos apenas reciclar a mesma matéria e energia através da economia cada vez mais rapidamente poderíamos manter o crescimento em andamento. O diagrama de fluxo circular de todos os textos de iniciação à teoria económica infelizmente aproxima-se muito desta afirmação. Mas a segunda lei da termodinâmica diz NÃO.

Assim — se não conseguirmos arranjar saída para todos os problemas, então talvez devêssemos reconsiderar a lógica e as virtudes do não crescimento, a economia de estado estacionário. Por que esta recusa da parte dos economistas neoclássicos tanto a enfrentar o senso comum como a reconsiderar as ideias dos antigos Economistas Clássicos?

Penso que a resposta é amargamente simples. Sem crescimento, o único meio de curar a pobreza é partilhar. Mas a redistribuição é anátema. Sem crescimento a pressionar o expectável quanto à transição demográfica, o único meio de sanar a superpopulação é através do controle demográfico. Um segundo anátema. Sem crescimento o único meio de aumentar fundos para investir em reparação ambiental é reduzindo o consumo actual. Anátema número três. Três anátemas e vocês estão amaldiçoados — vão para o inferno!

E sem crescimento como acumularemos arsenais para proteger a democracia (e as reservas de petróleo remanescentes)? Como iremos a Marte e Saturno e "conquistar" o espaço? De onde pode vir o progresso técnico se não das decorrências inesperadas da investigação militar e espacial? Tecno-fantasias gnósticas de escapar da terra para o espaço exterior, e de abolir a doença e a própria morte, alimentadas no mito do crescimento perpétuo sem limites. Maníacos da técnica com cérebro digital, que nunca ouviram do problema do mal, vêem o céu sobre a terra (o crescimento eterno) bem ali ao virar da esquina. Sem crescimento devemos enfrentar a difícil tarefa religiosa de descobrir um deus diferente para adorar. Demasiado assustador, dizemos, vamos tentar crescer um pouco mais em vez disso! Vamos dar a partida no carro do PIB e do Dow-Jones com um "encosto" na bateria! Vamos construir uma outra torre de Babel com palavras técnicas ofuscantes como hipotecas sub-prime, derivativos, veículos de investimento titularizado, obrigação de dívida colaterizada, credit default swap, activos "tóxicos" e jargão de iniciados como o "dead cat bounce" [2] . (Se você cair de uma torre de Babel bastante alta mesmo um gato morto saltará o suficiente para fazer algum lucro.)

Bem, não vamos fazer isso. Vamos ignorar os anátemas e, ao invés, pensar acerca de que políticas seriam necessárias para nos movermos para uma economia de estado estacionário. Elas são um bocado radicais pelos padrões actuais, mas não insanamente irrealistas como qualquer das três alternativas para validar o crescimento contínuo, acima discutidas.

DEZ PROPOSTAS POLÍTICAS

Vamos examinar brevemente dez propostas específicas de políticas para nos movermos para uma economia de estado estacionária, isto é, uma economia que assegure um fluxo metabólico constante de recursos desde o esgotamento até a poluição — um fluxo de materiais que esteja dentro das capacidades assimilativas e regenerativas do ecosistema.

1. Sistemas de comércio por leilão com tecto (Cap-auction-trade systems) para os recursos básicos. Os tectos limitam a escala biofísica por quotas sobre o esgotamento ou a poluição, não importa qual seja mais limitante. O comércio permite a distribuição eficiente às melhores utilizações. Esta política tem a vantagem da transparência. Há um limite para a quantidade e a taxa de esgotamento e poluição que a economia pode permitir-se impor ao ecosistema. Os tectos são quotas, limites ao fluxo de recursos básicos, especialmente combustíveis fósseis. A quota habitualmente deveria ser aplicada ao input final porque o esgotamento está mais espacialmente concentrado do que a poluição e portanto é mais fácil de monitorar. O preço mais elevado de recursos básicos também induzirá à sua utilização mais económica em cada etapa a montante da produção. Pode acontecer que o limite efectivo na utilização de um recurso provenha da poluição que ele provoca ao invés do esgotamento — não importa, nós indirectamente limitamos a poluição ao restringir o esgotamento do recurso que acaba por ser convertido em resíduo. A limitação a barris, toneladas e pés cúbicos de carbono de combustíveis extraídos limitará as toneladas de CO2 emitidas [3] . Este limite de escala atende o objectivo da sustentabilidade biofísica. A propriedade das quota inicialmente é pública — o governo leiloa-as a indivíduos e firmas. Os rendimentos vão para o tesouro e são utilizados para substituir impostos regressivos, tais como impostos sobre folhas de pagamentos, e reduzir o imposto sobre os rendimentos mais baixos. Uma vez compradas em leilão as quotas podem ser compradas e vendidas livremente por terceiros, assim como o podem os recursos cuja taxa de esgotamento eles limitam. O comércio permite a atribuição eficiente dos recursos; o leilão serve apenas para a distribuição e o tecto serve o objectivo da escala sustentável. A mesma lógica pode ser aplicada à limitação de capturas de bancos pesqueiros e à extracção florestal.

2. Imposto ecológico de reforma — comutar a base fiscal do valor acrescentados (trabalho e capital) e sobre "o que o referido valor é acrescentado", nomeadamente o fluxo entrópico de recursos extraídos da natureza (esgotamento) e devolvidos à natureza (poluição). Isto internaliza custos externos bem como eleva o rendimento mais equitativamente. Dá um preço à escassa, mas anteriormente sem preço, contribuição da natureza. Valor acrescentado é algo que encorajamos, assim cessemos de tributá-lo. Esgotamento e poluição são coisas que queremos desencorajar, assim tributemo-los. O imposto ecológico de reforma pode ser uma alternativa ou um suplemento aos sistemas de comércio por leilão com tecto.

3. Limitar a amplitude da desigualdade na distribuição do rendimento — um rendimento mínimo e um rendimento máximo. Sem crescimento agregado a redução da pobreza exige redistribuição. A igualdade completa é injusta, a desigualdade ilimitada é injusta. Procurar limites razoáveis para a amplitude de desigualdade. A função pública, os militares e a universidade são administradas com uma amplitude de desigualdade com factor de 15 ou 20. A América corporativa tem uma amplitude de 500 ou mais. Muitos países industriais estão abaixo dos 25. Não poderíamos limitar a amplitude a, digamos, 100, e verificar como isto funciona? As pessoas que atingiram o limite podiam tanto trabalhar por nada à margem se elas gostam do seu trabalho, ou dedicar o seu tempo extra a hobbies ou serviço público. A procura deixada por satisfazer por aqueles no topo será satisfeita por aqueles que estão abaixo do máximo. Um sentido de comunidade, necessário para a democracia, é difícil de manter em meio às vastas diferenças de rendimento actuais nos EUA. Ricos e pobre separados por um factor de 500 tornam-se quase espécies diferentes. A principal justificação para tais diferenças tem sido de que elas estimulam o crescimento, o qual um dia fará toda a gente rica. Isto pode ter tido plausibilidade superficial num mundo vazio, mas no nosso mundo cheio é um conto de fadas.

4. Liberalizar a extensão do dia, semana e ano de trabalho — permitir maior opção para trabalho em tempo parcial ou pessoal. O emprego externo a tempo inteiro para todos é difícil de proporcionar sem crescimento. Outros países industriais têm férias muito maiores e licenças pós parto do que os EUA. Para os Economistas Clássicos a extensão da jornada diária era uma variável chave pela qual o trabalhador (auto-empregado ou artesão) equilibrava a desutilidade marginal do trabalho com a utilidade marginal do rendimento e do lazer de modo a maximizar o gozo da vida. Sob o industrialismo a extensão da jornada diária tornou-se um parâmetro ao invés de uma variável (e para Karl Marx era o determinante chave da taxa de exploração). Precisamos torná-la mais uma variável sujeita à escolha do trabalhador. E deveríamos cessar de enviesar a escolha entre trabalho e lazer através de anúncios para estimular mais consumo e mais trabalho para pagar por ele. A publicidade não deveria mais ser tratada como uma despesa comum da produção fiscalmente dedutível.

5. Re-regulamentar o comércio internacional — afastar o livre comércio, a livre mobilidade de capital e a globalização, adoptar tarifas compensatórias para proteger, não firmas ineficientes e sim políticas nacionais eficientes de internalização de custos da competição com padrões rebaixados. Não podemos integrar-nos com a economia global e ao mesmo tempo ter melhores salários, padrões ambientais e redes de segurança social do que o resto do mundo. A mobilidade do comércio e do capital deve ser equilibrada e justa, não desregulamentada ou "livre". As tarifas também são uma boa fonte de receitas que poderiam substituir outros impostos.

6. Reduzir o FMI-BM-OMC a algo como o plano original de Keynes para uma câmara de compensação multilateral de pagamentos, cobrando taxas penalizadoras sobre excedentes bem como sobre défices de balanças — buscar o equilíbrio em conta corrente e portanto evitar grandes dívidas externas e transferências em conta capital. Por exemplo: sob o plano de Keynes os EUA pagariam um encargo penalizador à câmara de compensação pelo seu grande défice para com o resto do mundo e a China também pagaria uma penalidade semelhante pelo seu excedente. Ambos os lados em desequilíbrio seriam pressionados a equilibrar as suas contas correntes através de penalidades financeiras, e se necessário fosse por ajustamentos na taxa de câmbio em relação à unidade da câmara de compensação, chamada de bancor por Keynes. O bancor serviria como divisa de reserva mundial, um privilégio que não deveria ser desfrutado por qualquer divisa nacional. O FMI prega o livre comercio com base na vantagem comparativa e assim fez por longo tempo. Mais recentemente o FMI-BM-OMC começaram a pregar o evangelho da globalização, o qual, em acréscimo ao livre comércio, significa a livre mobilidade internacional do capital. Contudo, o argumento clássico da vantagem comparativa assume explicitamente a imobilidade internacional do capital! Quando confrontado com esta contradição o FMI agita as mãos, sugere que você pode ser um xenófobo e muda de assunto. O FMI-BM-OMC contradizem-se ao serviço dos interesses das corporações transnacionais. A mobilidade internacional do capital, a par do livre comércio, permite às corporações escaparam à regulamentação nacional de interesse público, jogando um país contra o outro. Uma vez que não há governo global elas estão de facto sem controle. A coisa mais próxima que temos de um governo global (FMI-BM-OMC) não mostrou interesse em regulamentar o capital transnacional em prol do bem comum.

7. Afastar-se da reserva fraccionária da banca rumo a um sistema com exigências de reserva de 100%. Isto colocaria o controle da oferta monetária e da seigniorage [4] nas mãos do governo ao invés de estar nas mãos de bancos privados, os quais não poderiam mais criar moeda a partir do nada e emprestá-la a juros. Todas as instituições financeiras quase-bancárias deveriam ficar sob esta regra, regulamentadas como bancos comerciais sujeitas a exigências de reservas de 100%. Os bancos ganhariam o seu lucro apenas com a intermediação financeira, a emprestar o dinheiro de poupadores a eles próprios (cobrando uma taxa de empréstimos mais alta do que a taxa paga a depositantes em contas de poupança) e proporcionando controle, guarda e outros serviços. Com reservas de 100% todo dólar emprestado seria um dólar previamente poupado, restabelecendo o equilíbrio clássico entre abstinência e investimento. O governo pode pagar as suas despesas emitindo mais moeda fiduciária não sujeita a juros para compensar a moeda eliminada criada por bancos e sujeita a juros. Contudo, ele pode fazer isto até o limite estrito imposto pela inflação. Se o governo emitir mais dinheiro do que o público quer manter, o público o comercializará em troca de bens, conduzindo os preços a um nível mais alto. Tão logo o índice de preços comece a elevar-se o governo deve imprimir menos e tributar mais. Portanto uma política de manter um índice de preços constante governaria o valor interno do dólar. O valor externo do dólar poderia ser deixado às taxas de câmbio a flutuarem livremente (ou preferivelmente à taxa contra o bancor na câmara de compensação de Keynes).

8. Cessar de tratar a escassez como se fosse não-escassez, mas cessar também de tratar a não-escassez como se fosse escassez. Confinar os bens comuns remanescentes de capital natural (exemplo: atmosfera, espectro electromagnético, terras públicas) em trusts públicos e atribuir-lhes preço através de um sistema de comércio por leilões com tecto, ou de impostos, ao mesmo tempo que libertar de confinamentos privados e de preços a comunidade não rival do conhecimento e da informação. O conhecimento, ao contrário da produção material, não é dividido com a partilha e sim multiplicado. Uma vez que exista conhecimento, o custo de oportunidade de partilhá-lo e o seu preço de distribuição deveriam ser zero. A ajuda internacional ao desenvolvimento deveria cada vez mais tomar a forma de conhecimento livre e activamente partilhado, juntamente com pequenas doações, e cada vez menos a forma de grandes empréstimos sujeitos a juros. Partilhar conhecimento custa pouca, não cria dívidas não reembolsáveis e aumenta a produtividade dos factores de produção realmente rivais e dos factores escassos. O conhecimento existente é o mais importante input à produção de novo conhecimento e mantê-lo artificialmente escasso e caro é perverso. Os monopólios de patente (também conhecidos como "direitos de propriedade intelectual" deveriam ser dados a cada vez menos "invenções" e durante cada vez menos anos. Os custos de produção de novo conhecimento deveriam, cada vez mais, ser financiados publicamente e a seguir o conhecimento ser livremente partilhado.

9. Estabilizar a população. Trabalhar para um equilíbrio no qual nascimentos mais imigrantes equalize mortes mais emigrantes. Isto é controverso e difícil, mas para começar a contracepção deveria ser tornada disponível para utilização voluntária por toda a gente. E se bem que cada país possa debater se deveria aceitar muitos ou poucos imigrantes, tal debate é tornado controverso se não forem aplicadas leis de imigração. Apoiar o planeamento familiar voluntário, e a aplicação de leis de imigração razoáveis, aprovadas democraticamente apesar do lobby do trabalho barato.

10. Reformar a contabilidade nacional — separar o PIB numa conta de custo e numa conta de benefício. Compará-los na margem, cessar o crescimento da produção quando os custos marginais equalizam os benefícios marginais. Além desta abordagem objectiva, reconhecer a importância dos estudos subjectivos que mostram que, para além de um patamar, o crescimento ulterior do PIB não aumenta a felicidade sentida. Para além de um nível já alcançado em muitos países o crescimento do PIB não proporciona mais felicidade, mas continua a gerar esgotamento e poluição. No mínimo não devemos simplesmente assumir que crescimento do PIB é "crescimento económico", mas demonstrá-lo. E começar por tentar refutar a montanha de evidências em contrário.

Se bem que estas políticas parecerão radicais a muitos, vale recordar que elas são tratáveis através de aplicação gradual. Cem por cento de reservas pode ser atingido gradualmente, a amplitude da distribuição pode ser restringida gradualmente, os tectos podem ser ajustados gradualmente, etc. Estas medidas também são baseadas sobre as instituições conservadoras da propriedade privada e da distribuição de mercado descentralizada. Elas simplesmente reconhecem que a propriedade privada perde a sua legitimidade se demasiado desigualmente distribuída e que os mercados perdem a sua legitimidade se os preços não contarem toda a verdade acerca dos custos de oportunidade. Além disso, a macroeconomia torna-se um absurdo se à sua escala for exigido que cresça para além dos limites biofísicos da Terra. E bem antes de atingir aquele limite físico radical estamos a deparar-nos com o limite económico conservador no qual os custos extras de crescimento tornam-se maiores do que os benefícios extras, introduzindo-nos solenemente na era do crescimento não económico, até agora não reconhecida.

01/Junho/2009

NT:
[1] Historicamente já houve economias estacionárias (ou de reprodução simples) como a dos incas antes de serem conquistados pelos espanhóis, o modo de produção asiático, a tradicional cultura de subsistência africana, o comunismo primitivo, algumas sociedades polinésias (ver Collapse , de Jared Diamond), etc. Mas o modo de produção capitalista caracteriza-se precisamente pela reprodução ampliada. Uma economia estacionária será portanto incompatível com o capitalismo. Ao defender o crescimento estacionário o autor põe em causa (e bem) o crescimento canceroso da actual economia capitalista. Contudo, abstém-se de dar o passo lógico seguinte, ou seja, explicitar que isto não poderia ocorrer no âmbito das actuais relações de produção e que portanto estas teriam de ser transcendidas. Esta omissão diante da conclusão necessária pode ser verificada nos dez paliativos progressistas que preconiza a seguir.

[2] Dead cat bounce: Forte subida nas cotações depois de uma queda abrupta. Normalmente, esta recuperação resulta do facto de existirem vendedores a descoberto (short sellers) que estão a fechar posições no mercado, comprando as acções e encaixando as respectivas mais-valias.

[3] O exemplo é mau. As emissões de CO 2 de origem antropogénica são irrelevantes em termos climatológicos, como já foi demonstrado pelo Prof. Marcel Leroux.  Ver Aquecimento global: uma impostura científica . O CO 2 não é um poluente e é errado confundir problemas climatológicos com problemas ambientais.

[4] Seigniorage: lucros sobre a cunhagem de moedas (na Idade Média).

[*] Da Escola de Política Publica da Universidade de Maryland, http://en.wikipedia.org/wiki/Herman_Daly

O original encontra-se em http://www.theoildrum.com/node/5464#more . Tradução de JF.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

11/Jun/09

 

 

Rodolfo teria que ter um controle  estatal forte  na economia e a possibilidade de isso dar errado é muito alta. 

 

 

Sim, correto, mas ai já é um problema de política, de forma de governo, mas o artigo de Herman E. Daly vale como um alerta, da necessidade de transcendermos a analise ideológica convencional para os problemas do nosso tempo, se o que ele propõe (teoricamente)  seria implementado por forte intervenção estatal, ou por um consenso democrático, é uma nova discussão.

 

Não dá para acreditar que ainda existe esse tipo narrativa do Seculo XIX, com a ""burguesia"" da Revolução Francesa ainda em evidencia, será que não percebem que o mundo hoje é mais complexo?

 

Saída padrão: o mundo complexo. Tão complexo que se utiliza de processos de exploração se não idênticos, muito análogos aos processos assentados desde que a Europa partiu para a globalização, lá pelo século XV (se quisermos ter Alexandre da Macedônia como apenas um aventureiro sem muita visão política e comercial, o que nem de longe era fato, mas convencionalmente, depois da noite medieval, a globalização teve seu início com as viagens portuguesas, uma vez que as Cruzadas anteriores também malograram miseravelmente).

 

Oh, que bom o quão complexo o mundo é: uma sociedade sem classes e de múltiplos vetores, onde o lucro e privilégios adernam para as mãos de poucos por pura racionalidade sistêmica!

 

AA, vai se catar, né?

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

Tão confundindo mercantilismo com capitalismo e ainda pensam nas trocas economicas como sendo uma conta de soma zero.

 

Tão confundindo processo histórico com etapas de desenvolvimento econômico.

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

 perfect.

 

Essa passagem do Moraes é expetacular e igualmente dolorosa: "Os apoiadores do PT pretendem que o partido faça reformas permanentes no capitalismo (reformas que estamos esperando que aconteçam, pois o que temos visto foi a manutenção de uma altíssima taxa de exploração do trabalho, só que num contexto de crescimento econômico; ou seja, os banqueiros e grandes capitalistas tiveram lucros imensos. E os trabalhadores tiveram umas migalhas, que, no entanto, dada a miséria anterior e o neoliberalismo da direita tradicional, parecem ganhos significativos." 

Ainda há pensadores no blog. Que maravilha.

 

 


Enzo (sexta-feira, 14/09/2012 às 09:37),


O problema do enunciado de Morales é que ele supõe o capitalismo como um modelo estático e permanente e não dinâmico e temporário. Temporário em cada instante, como temporário porque será superado um dia. É uma análise com base nos mesmos valores do liberalismo.


Diferem dos liberais porque os liberais querem a manutenção do “status quo”. Estado para os liberais é só para a manutenção das forças repressivas. No argumento do Morales nem se pode contar com o Estado e, portanto, há que se “almejar a derrubada do sistema”. E a derrubada do sistema, que para ele significa a superação do capitalismo, não é o acúmulo quantitativo e qualitativo de melhorias que possibilitariam a superação do sistema, mas a simples derrubada dele.


Superação que é visível no crescimento da carga tributária que de um patamar de 10% no início do século XX chega ao início do século XXI nos países mais desenvolvidos a um patamar de 35% tirando o mundo desenvolvido da miséria do início do século XX para a modernidade do século XXI.


Carga tributária que deve crescer de 2 a 4 pontos percentuais no período que vai até que a humanidade saia da atual crise, provavelmente já no final desta segunda década do século XXI.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 14/09/2012

 

 Parabéns ao autor. Começo a perceber pouco a pouco que a esquerda e não os lulistas começam a reaparecer em cena. E mesmo alguns lulistas e petistas começam a se convencer de que este governo é de direita. Veja bem não estou discutindo os resultados estou constatando: governo que privatiza ( mesmo que nomine de concessão), que desonera o empresariado, e a carga tributária do empresariado. Que fa transferência concentratória de renda como lembra o autor do texto e compensa a parcela mais pobre com bolsas e  um consumismo alienante. Salve o resurgimento da esquerda. Ainda que a mesma vá apanhar loucamente dos inacautos do Blog.