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Banco Central esquece a taxa Selic

Coluna Econômica

Ontem, o Banco central tomou um conjunto de decisões que significam um corte na política monetária adotada a partir de 1999 – o sistema de metas inflacionárias.

A lógica do sistema é essa:

1.      Fixa-se uma meta de inflação para o período seguinte.

2.      Colhem-se no mercado as expectativas em relação às metas. Se estiverem acima das metas, aumentam-se os juros.

3.      O objetivo dos juros é o de reduzir a demanda, o ritmo das vendas. Aumentando a Selic, aumentam os juros do crédito e financiamento e as pessoas e empresas passam a consumir menos, derrubando as expectativas de inflação.

***

Os efeitos dessa alta são distribuídos de maneira desigual pela economia.

Os rentistas ganham, já que havia uma elevação geral nas taxas de juros da economia. Ganham especialmente os capitais externos pois, além dos juros, têm isenção de imposto de renda na aplicação em títulos públicos.

Os devedores bancam, embora o custo do crédito – para a maioria absoluta da população – seja em regra muito mais alto do que o custo de captação, pouco sendo afetado pela Selic. Ou seja, no fundo essa elevação atinge apenas de raspão os objetivos a que se propõe.

A entrada adicional de dólares promove uma apreciação adicional (valorização) do real, prejudicando as exportações e beneficiando as importações, até o limite da responsabilidade – como ocorre hoje em dia.

***

Nesses anos todos, a qualquer respiro de inflação, vinham os juros altos.

Ocorre que existem outros instrumentos de política monetária até mais eficientes do que a alta da Selic, para redução das pressões de demanda. Os principais são compulsório (parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher ao BC), redução de prazos de financiamento, tributação sobre capital externo etc.

Foi por aí que caminharam as medidas do BC. Primeiro, ampliou a necessidade de capital próprio das instituições como proporção do financiamento concedido. Depois, aumentou o compulsório.

***

Essas medidas encarecem o crédito, mas não deixa ganhadores. O setor financeiro perde, por não poder usufruir dos juros elevados. Principalmente os rentistas deixam de ganhar, tanto pelo não aumento dos juros quanto pela redução esperada na captação de depósitos a prazo pelos bancos.

Dois foram os objetivos das medidas. O primeiro, o de reduzir a demanda. O segundo, o das chamadas medidas prudenciais – isto é, de cautela em relação ao mercado.

Como o crédito se expandiu de 20 para 50% do PIB, e deverá continuar aumentando, as medidas visam prevenir eventuais problemas futuros das instituições financeiras. Como diz Nelson Barbosa, Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, não tem auto-regulação (cada instituição regulando a si própria) que resista ao bônus de final de ano.

Imediatamente as taxas de juros no mercado futuro desabaram, levando a reações curiosas de economistas de Mercado, inconformados com o fato de suas apostas no aumento dos juros não terem se concretizado.

As medidas - 1

O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central anunciaram uma série de mudanças nas regras dos depósitos compulsórios, em medida que retira R$ 61 bilhões de circulação do mercado. Agora, o adicional de compulsório sobre depósitos à vista e à prazo vai avançar de 8% para 12%, enquanto o limite de dedução do adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo das instituições financeiras com patrimônio de referência inferior a R$ 2 bilhões passa de R$ 2 bilhões para R$ 2,5 bilhões.

As medidas - 2

O CMN também estabeleceu um cronograma de redução gradual do volume de depósitos que as instituições financeiras podem emitir com a garantia especial concedida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A redução terá início em janeiro de 2012, ao ritmo de 20% ao ano, até janeiro de 2016, quando será extinta a possibilidade de novas captações com essa modalidade de garantia. O limite de garantia dos depósitos e créditos protegidos pelo FGC será elevado de R$ 60 mil por depositante para R$ 70 mil.

As medidas - 3

Além das alterações na cobrança do compulsório, o Banco Central realizou alterações na regulação do crédito ao consumidor: agora, o requerimento de capital das instituições financeiras passará de 11% para 16,5%, para a “maioria das operações de crédito a pessoas físicas". Assim, a cada R$ 100 emprestados, o banco deverá ter R$ 16,5 para arcar com riscos. A regra para o crédito ao consumidor é válida para os empréstimos com prazo superior a 24 meses. 

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Essas medidas, embora corretas e apropriadas vão provocar uma redução muito marginal da atividade econômica, insuficiente para conter inflação. Não é essa a batalha principal nessa questão dos juros. A verdadeira batalha é a do crescimento do gasto público. Se efetivamente houver redução do gasto público com o fim do populismo no salário mínimo, nas aposentadorias, nas bolsas, no salário do funcionalismo, etc., aí os juros não precisarão subir. Do contrário veremos aumento da Selic já no início de 2011 ou o retorno da inflação. 

 

Creio que haverá uma redução no ritmo de crescimento da atividade econômica com as recentes medidas adotados pelo Bacen.

Assim que confirmadas a forte redução no ritmo de crescimento do PIB, será a vez de promover uma forte redução dos juros da Selic ao invés de reverter as recentes medidas adotadas pelo Bacen.

Será o caminho mais rápido para ajustar os juros da Selic a média dos juros internacionais, eliminando o diferencial de juros.

 

2014---distribuição de renda

A propósito de notícias econômicas, vejo com preocupação informações esporádicas sobre possível intenção do ministro Mantega em introduzir um ajuste fiscal na nossa economia. Não é disso que o Brasil precisa nem hoje nem no futuro, política repudiada repetidamente pela Presidente Dilma, inclusive em seu discurso público após o anúncio de sua vitória.

Só aos banqueiros interessaria uma medida econômica conservadora como esta, que está levando à bancarrota quase toda a Europa ocidental.

 

Na minha opinião, o relativo sucesso do Banco Central  no controle da inflação  se deu sobretudo pelos efeitos do aumento da SELIC sobre o câmbio. De certa maneira, ao longo desses últimos anos, o Banco Central, ao aumentar o juro básico,  não fazia política monetária, mas ,sim, uma mal disfarçada  e inconfessável política de valorização cambial. Só que, agora que chegamos às portas da irresponsabilidade no câmbio,  será preciso  buscar novos instrumentos de controle da inflação, instrumentos esses que já eram do conhecimento de qualquer economista, mas que haviam sido "esquecidos" pela nossa autoridade monetária. Além disso , no caso específico do Brasil, é preciso, como já disse um comentarista neste blog, avançar na desindexação da economia (alterar a periodicidade dos reajustes, criar indíces setoriais, etc), alongar o perfil da dívida pública e desindexá-la do DI. Saímos de taxas absurdas de inflação para patamares razoavelmente civilizados, mas a economia continua fortemente indexada. Bom, para, completar, não podemos nos esquecer da perna fiscal, o que não significa desmonte do Estado, mas, sim, o aprimoramento constante da gestão pública, buscando conciliar duas metas: aumento do gasto público abaixo do crescimento do PIB e ampliação e melhoria dos serviços públicos prestados à população.

 

Nassif, nossa "inflação" está no preço dos alimentos, por problemas climáticos ou por aumento do consumo mundial, especilmente dos "ex-pobres" nossos e chineses, e muito, mais muito mesmo dos preços administrados (tarifas em geral). Daí que aumentar a SELIC não significa nada contra a alta dos preços. Reduzir prazo pra compra de veículos e outros bens de consumo duráveis, também não. Na verdade, como pouca gente "manja" as linhas de crédito do BNDES, vamos mesmo é reduzir investimentos dos pequenos empreendedores em aumento de produção. Acho que a receita, que só tem a vantagem de reduzir gastos com encargos da dívida, vai fazer o bolo desandar. É a casca de banana do Meireles pra DILMA, eu acho. Pena que o Palocci vai sempre apoiar essas invensões do "tucano goiano". Graças a Deus a DILMA, como economista, vai ver logo a arapuca que o Meireles vai lhe deixar armada. Invistam no aumento da produção de alimentos e revogem as indexações de tarifas e preços públicos e ADEUS INFLAÇÃO. Só cego não vê. A outra alternativa é acabar com a política de redistribuição, via bolsa família, subsídios do minha casa minha vida, aumento real do salário mínimo e queda do desemprego. Com menos gente comendo os preços vão cair. O QUE VAI SER?

 

 

Estou igual ao burro a olhar o castelo - achando tudo muito bonito, mas sem entendes nada.

 

Tipo de esquecimento que faz bem a todos. Basta dessa centralidade nos juros.

Sem fazer mal juízo de ninguém, mas consultar o mercado acerca das projeções da inflação é o mesmo que "oscultar" as raposas se é melhor as galinhas ficarem presas no galinheiro ou soltas no terreiro.

 

O fato que mais irrita os chamados "economistas do mercado" é quando perdem uma aposta. O que está acontecendo neste momento é de uma raridade extrema: parece que, pela primeira vez em muitos anos, o Banco Central pensa na nação e não nos privilegiados do "mercado". Bom sinal.

 

Depois dessas medidas a turma da bufunfa, atraves da sua fiel por porta-voz (a mídia) vai parar de pedir para subir juros.

 

Na verdade eu não nada que justificasse a tamanha preocupação com a inflação que a mídia está mostrando.

 

Ontem, com um sorrisinho no canto dos lábios, Meirelles disse que as medidas não impedem novo aumento da taxa selic.

Com o devido distanciamento histórico, ficará provado no futuro que Lula foi covarde no enfrentamento do maior esquema de concentração de renda montado na história deste país. Brilhantemente armado pelas mentes tucanas que, enquanto "construíam" o estado mínimo -empurrando milhões de pessoas para a miséria e para o abandono-, enriqueciam os amigos.

O novo governo deverá ser mais corajoso. Já que este é um atributo que nunca faltou à presidenta eleita.

 

Difícil fim de semana para o "professor de Deus".

 

Comentário rápido e uma pergunta: há quatro possibilidades para uma política antiinflacionária: super-ativa, ativa, acomodada e ausente. Parece que estamos, com as medidas acima, transitando de um padrão de tipo "ativo" para um "acomodado", cujo objetivo é apenas o de não danificar as metas de crescimento com elevações de juros que afetam a todos os setores (a tal elevação da taxa básica). (Vale notar que não existe, na prática, a não ser por delírio dos governantes, política antiinflacionária ausente) A mudança de padrão a que está se referindo o Nassif, significaria, então, superar de vez o crescimento de tipo "stop and go" (também conhecido por voo de galinha)?

 

medidas vistas por muitos como inibidoras de consumo. soh isso, mais nada! alguns aumentos internos nos preços de alimentos por conta dos aumentos externos nao justificam as medidas. as taxas de financimentos a consumidores finais aumentarao por conta dos aumentos nos compulsorios (que teoricamente provoca menos valorizaçao do Real do que o aumento seco dos juros) o que talvez iniba o consumo, mas tambem nao tem justificativa pelos razoaveis indices de inadimplencias. sao medidas muito recessivas por conta do "porvir", tomadas por expectativas tsunamicas geradas por situaçoes externas (Europa / EUA principalmente). parece que agora estao com medo, ao contrario de 2008 em que houve enfrentamento e tudo nao passou de uma marola.

 

......Para ele, um dos principais impeditivos para que o Brasil avance os investimentos públicos é o gasto com os juros da dívida pública, que estão próximos a 5% do Produto Interno Bruto, algo próximo a R$ 180 bilhões.
Segundo ele, como é viável o fim do déficit nominal em 2014, os 2,5 pontos porcentuais do PIB equivalentes a tal resultado negativo das contas públicas poderão ser investidos pelo governo em projetos de longa maturação.
Hoje, 2,5 pontos porcentuais do PIB significam um montante perto de R$ 90 bilhões, .............

Medidas reforçam que Dilma fará tudo para baixar juros, diz Nomura Securities
Chefe do Departamento de Pesquisas do Nomura acredita que o Banco Central não precisará elevar os juros no ano que vem
03 de dezembro de 2010 | 16h 53, Ricardo Leopoldo, da Agência Estado
http://economia.estadao.com.br/noticias/not_46186.htm

SÃO PAULO - O chefe do Departamento de Pesquisas para Mercados Emergentes das Américas do Nomura Securities em Nova York, Tony Volpon, afirmou que as medidas adotadas hoje pelo Banco Central para apertar a liquidez na economia vão atenuar de forma substancial qualquer necessidade de alta da Selic em 2011. "Eu acredito que os juros ficarão estáveis no próximo ano.

Mas, se o Copom precisar elevar as taxas no começo de 2011, isso ficará limitado a no máximo 100 pontos-base", disse. "O governo de Dilma Rousseff vai fazer tudo para evitar a alta da Selic. A gestão da política monetária em sua administração será à la China, que normalmente não eleva os juros, adota outras ações, como elevação de compulsórios, e opera muito o mercado com medidas administrativas, como a exigência de mais capital prudencial das instituições financeiras", afirmou.
Volpon acredita que o atual BC presidido por Henrique Meirelles está atuando em harmonia com o futuro Banco Central, que deverá ser comandado pelo indicado Alexandre Tombini. Meirelles estaria disposto a atenuar um eventual aperto monetário pelo Copom em 2011. Ele acredita que o Banco Central não precisará elevar os juros no ano que vem. "Ainda não caiu a ficha do mercado que o governo de Dilma Rousseff vai trabalhar com vigor para cumprir a meta (informal) de levar os juros reais para 2% em 2014", destacou Volpon.

Segundo ele, não foi à toa que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, expôs no dia 24 passado que a administração Dilma será rígida no controle dos gastos públicos e que o superávit primário no próximo ano será de 3,1% do PIB.  "Mas, por outro lado, há uma pressão muito grande do mercado para que o novo BC aumente os juros. Para 90% dos analistas, o novo presidente do Banco Central precisa aumentar os juros quando começa no cargo, o que ocorreu com Armínio Fraga em 1999 e Meirelles em 2003", comentou Volpon.

Segundo ele, o mercado pondera que tal elevação de juros é uma espécie de 'prova de iniciação', da qual o novo presidente do BC precisa para ganhar a confiança dos agentes econômicos. "Mas se o esforço de alta de juros ocorrer no começo do ano que vem, provavelmente a partir de janeiro, o Copom vai diminuir os juros no segundo semestre", ressaltou.
Segundo Volpon, um ex-diretor do BC do atual governo lhe comentou certa vez que quando há a necessidade de aumentar os juros no começo do ano esse aperto pode ser encerrado logo no segundo trimestre, pois os preços de alimentos começam a desinflar e a inflação corrente fica mais baixa. Com tal ação, o BC "surfa em seguida numa onda positiva de queda dos preços", o que ajuda muito a coordenar as expectativas de mercado, dado que o Banco Central mostrou que é ágil para aumentar os juros e que os IPCs caíram logo depois, a partir do aumento da Selic adotada pelo Copom.
"Nesse contexto, acredito que, se Tombini for elevar os juros, deve começar a fazê-lo em janeiro, com uma elevação de 0,50 ponto porcentual, o que poderia ser seguido por outra alta semelhante na reunião seguinte ou duas elevações seguidas de 0,25 ponto porcentual", disse.

Para o executivo da Nomura, as ações prudenciais do BC anunciadas hoje, como a retirada de R$ 61 bilhões de circulação da economia em depósitos compulsórios, vão ajudar o próximo governo a manter seu objetivo de reduzir os juros para ampliar os investimentos no País. Segundo ele, além de combater a miséria e querer melhorar a renda da população, Dilma Rousseff gosta de realizar grandes obras de infraestrutura, como o Trem de Alta Velocidade.
Na avaliação de Volpon, o governo Dilma vai fazer um esforço fiscal substancial, com cumprimento da meta de superávit primário de 3,1% do PIB em 2011, a fim de viabilizar o avanço substancial da Formação Bruta de Capital Fixo, sobretudo com maior participação do setor privado. "O governo Lula utilizou um modelo simples, que era expansão fiscal, que era o acelerador, e aumento de juros, o freio", destacou.

"Os prováveis integrantes da gestão de Dilma, como Antônio Palocci e Luciano Coutinho, têm muito claro que o principal fator que impede o crescimento sustentado do Brasil é o juro elevado", disse.
"Portanto, o modelo de expansão do País será diferente, com o uso muito maior de medidas microeconômicas para melhorar o ambiente de negócios, permitir a queda dos juros e alavancar os investimentos", destacou.
Entre as medidas microeconômicas que o governo Dilma deverá adotar, Volpon destaca a adoção de um redutor para a expansão dos gastos correntes públicos, o que permitiria que ficassem num ritmo de expansão sempre menor em relação à velocidade do crescimento do País.
Para ele, um dos principais impeditivos para que o Brasil avance os investimentos públicos é o gasto com os juros da dívida pública, que estão próximos a 5% do Produto Interno Bruto, algo próximo a R$ 180 bilhões.

Segundo ele, como é viável o fim do déficit nominal em 2014, os 2,5 pontos porcentuais do PIB equivalentes a tal resultado negativo das contas públicas poderão ser investidos pelo governo em projetos de longa maturação.

Hoje, 2,5 pontos porcentuais do PIB significam um montante perto de R$ 90 bilhões, bem mais que os R$ 40 bilhões que devem ser aplicados pelo governo federal neste ano, como estima o economista da Tendências, Felipe Salto..............

 

2014---distribuição de renda

As emissões de Letras Financeiras passam a ficar isentas de recolhimento compulsório. O compulsório sobre esse título era o mesmo dos depósitos a prazo, isto junto com outras medidas que serão divulgadas nos próximos para estimular a participação das intiuiçõess financeiras privadas nos financiamento de longo prazo, irá estimular o investimento na produção de bens e serviços criando condições para o aumento da oferta.

 

2014---distribuição de renda

......Na segunda-feira, A Anbima previu que os bancos deverão emitir R$ 22 bilhões em LFs neste primeiro ano.......

BC oferece novo estímulo para crédito privado de longo prazo
Na contramão das medidas de maior rigor para empréstimos, governo libera letras financeiras do recolhimento compulsório
Danilo Fariello, iG Brasília | 03/12/2010 10:55
http://economia.ig.com.br/bc+oferece+novo+estimulo+para+credito+privado+...

O governo federal adotou mais uma medida que pode estímular a oferta de financiamento privado de longo prazo. No anúncio do pacote de medidas prudenciais de contenção à expansão do crédito hoje, o Banco Central acabou afrouxando os recursos para a emissão das Letras Financeiras.
O BC decidiu isentar a emissão de Letras Financeiras do recolhimento de compulsórios, cuja alíquota era idêntica aos depósitos a prazo, ou seja o CDB – que teve, ao contrário, o compulsório elevado de 15% para 20%. Isso significa maior estímulo para um banco emitir uma LF em relação a emitir um CDB, porque ficaria com mais recursos disponíveis.

Com isso, o governo dá mais um passo no sentido anunciado pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando foi anunciada sua recondução ao ministério no governo de Dilma Rousseff. Ele previu que as instituições privadas devem ganhar parte do espaço do BNDES na oferta de crédito de longo prazo no país.
O instrumento visto como fundamental para essa expansão têm sido exatamente as Letras Financeiras, que são papéis de renda fixa. No ano passado, a edição da Medida Provisória 472 permitiu aos bancos emitir as Letras Financeiras, conforme solicitado pelas instituições.

Até então, os bancos só podiam emitir títulos de dívida no exterior. Com a nova possibilidade, espera-se que os bancos possam usar como lastro dessas LFs que venham a emitir grandes obras de infraestrutura ou outros empreendimentos de longo prazo – diferentemente dos CDBs, que têm prazo máximo de 2 anos.

Na segunda-feira, A Anbima previu que os bancos deverão emitir R$ 22 bilhões em LFs neste primeiro ano. Por enquanto, porém, as ofertas desses títulos são apenas privadas. O mercado ainda espera autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para poder fazer ofertas públicas desses papéis.

A cobrança diferenciada de imposto de renda para quem aplicar nessas Letras Financeiras também deve ser outro estímulos para a consolidação desse instrumento de crédito de longo prazo.........

 

2014---distribuição de renda

Não entendi essa ilação Roberto. 

 

Banco Central do Brasil/Busca de normativos
RESOLUCAO 3.836
https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?N=110015691&metho...

RESOLUCAO 3.836  Dispõe  sobre  a  emissão  de  Letra  Financeira  por  parte  das  instituições     financeiras  que especifica.                        
 O  Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da  Lei  nº 4.595,  de  31  de  dezembro de 1964, torna público  que  o  Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 25 de fevereiro  de  2010, com base no art. 4º, inciso VI e VIII, da referida Lei, e no art.  42 da Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009,             
  R E S O L V E U :                                          
 Art.  1º   Os  bancos  múltiplos, os bancos  comerciais,  os
bancos  de  investimento, as sociedades de crédito,  financiamento  e
investimento, as caixas econômicas, as companhias hipotecárias  e  as
sociedades de crédito imobiliário podem emitir Letra Financeira (LF).
 Art.  2º   A  LF  terá  prazo mínimo  de  24  meses  para  o
vencimento,  vedado o resgate, total ou parcial, antes do  vencimento
pactuado.  .......                                                         
......Art.  4º   A  LF  não  pode ser emitida  com  valor  nominal
unitário inferior a R$300.000,00 (trezentos mil reais).             
Art.  6º   A  LF  pode ter como remuneração  taxa  de  juros
prefixada,  combinada ou não com taxas flutuantes,  de  que  trata  a
Resolução  nº  1.143, de 26 de junho de 1986, ou  índice  de  preços,
observadas as disposições legais e regulamentares aplicáveis em  cada
caso, sendo vedada a emissão com cláusula de variação cambial.      
 Parágrafo  único.   É  admitido  o  pagamento  periódico  de
rendimentos em intervalos de, no mínimo, 180 dias.                  
Art.  7º   É facultada às instituições financeiras referidas
no  art.  1º  a utilização de LF para realização de operações  ativas
vinculadas, na forma de regulamentação em vigor.                    
 Art.  8º   Esta  resolução entra em vigor  na  data  de  sua
publicação.                                                         
 Brasília, 25 de fevereiro de 2010.
 Henrique de Campos Meirelles                    
                             Presidente

 

2014---distribuição de renda

BC estabelece valor mínimo para pagamento da fatura dos cartões de crédito      
Banco Central do Brasil,25/11/2010 13:47:00
http://www.bcb.gov.br/textonoticia.asp?codigo=2803&idpai=NOTICIAS

Brasília - O Banco Central (BC) editou Circular estabelecendo que o valor mínimo da fatura de cartão de crédito a ser paga mensalmente não poderá ser inferior a 15% do saldo total da fatura, a partir de 1º de junho de 2011, e a 20%, a partir de 1º de dezembro de 2011.

As instituições deverão divulgar aos seus clientes, a partir de 1º de março de 2011, esse cronograma de pagamentos mínimos.
Além disso, foram estabelecidas regras para a remessa de informações relativas a tarifas ao BC, entre elas a que estipula o encaminhamento da relação dos serviços prioritários relacionados a cartão de crédito e respectivos valores com observância do prazo de 45 dias antes do início da cobrança, nos casos de majoração do valor e de início de cobrança de nova tarifa. O atual prazo de trinta dias fica mantido para os demais serviços.

 

2014---distribuição de renda

Pagar o mínimo da fatura de cartão de crédito é loucura. O BACEN deveria proibir isso. Os juros cobrados sobre o saldo são escorchantes; diria até criminosos.

No momento em que o consumidor/usuário chegar nesse ponto, o aconselhável é escalonar esse saldo à juros de mercado. O BB, e acredito, os outros bancos faz isso.