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Banco do Brasil tem lucro recorde no 1º semestre

Sugerido por Assis Ribeiro

Do Correio Braziliense

BB tem lucro recorde com crédito barato  

Se a economia ainda não deu sinais claros de recuperação, o mesmo não se pode dizer dos bancos públicos, que, apesar de terem reduzido os juros às mínimas históricas, têm reportado ganhos crescentes em 2013. O Banco do Brasil anunciou ontem o melhor desempenho para um primeiro semestre, com lucro líquido de R$ 10 bilhões. A Caixa, que divulga o balanço amanhã, também vai apresentar crescimento expressivo. Conforme o Correio apurou junto a fontes do mercado, a instituição deve apontar lucro de R$ 1,5 bilhão apenas no segundo trimestre. Nos seis primeiros meses, o resultado deve ficar ao redor dos R$ 2,8 bilhões, um recorde para a instituição.

Os números são resultado de uma política agressiva, que permitiu às instituições públicas ganharem participação no mercado. Em dezembro de 2011, dos R$ 2,034 trilhões em crédito bancário concedido no país, o equivalente a R$ 887 bilhões, ou 43,6%, tinham origem em empresas financeiras controladas pelo Estado. Em junho passado, a fatia passou para R$ 1,272 trilhão — 50,2% do total.

Os concorrentes privados prometem acirrar a briga por clientes na segunda metade do ano. “Nossa estratégia tem sido acertada. Temos notado movimentação da concorrência e a disputa, agora, vai se dar no consignado e no crédito imobiliário, que são modalidades de menor risco”, observou Ivan Monteiro, vice-presidente de Gestão Financeira, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do BB.

As instituições privadas, no entanto, já admitem que não será fácil recuperar espaço. “O horizonte no qual bancos privados vão retomar pelo menos parte da fatia de mercado perdida para as instituições financeiras estatais no Brasil ainda não é visível”, disse ontem o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, durante reunião com analistas e investidores.

E a ofensiva dos bancos públicos está longe do fim. A Caixa, que atualmente é a quarta maior instituição do país em volume de ativos, ficando atrás justamente do banco comandado por Trabuco, prevê que estará na terceira posição até o fim de 2013. Para isso, terá que acumular mais que os R$ 896,6 bilhões reportados pelo Bradesco até junho. No fim do primeiro trimestre, a Caixa detinha R$ 731 bilhões. O primeiro posto — R$ 1,2 trilhão — é ocupado com folga pelo BB, que, no fim do primeiro semestre, consolidou-se como a maior instituição financeira da América Latina.

“Se os bancos privados continuarem colocando o pé no freio, a Caixa vai ganhar ainda mais espaço no mercado bancário”, disse ao Correio uma fonte da instituição. Planejada para 2020, a meta de se tornar o terceiro maior banco do país foi antecipada em sete anos. A explicação para tamanha euforia? Juros baixos. Segundo o Banco Central, a Caixa e o BB são as instituições que praticam, em média, as menores taxas do mercado.

Inadimplência
Os juros reduzidos estão na raiz da expansão da carteira de crédito. No BB, as operações cresceram 25,7% em 12 meses e, mesmo assim, a inadimplência ficou em 1,87%, o menor nível dos últimos 11 anos. Já a Caixa, que durante quatro trimestres consecutivos vem registrando alta no volume de atrasos, deverá divulgar, amanhã, a queda deste índice. Segundo fontes de mercado, a taxa, que até abril era de 2,3%, deve cair para 2,1% ou 2% da carteira total. Entre instituições privadas, os calotes chegam, em média, a 3,6%.

Na opinião de Marcelo Torto, da Ativa Corretora, os números são positivos, mas é preciso conter a euforia. Ele lembrou que o lucro recorde do BB foi inflado pelo lançamento de ações do BB Seguridade, operação que, sozinha, engordou o balanço em R$ 4 bilhões. “A inadimplência está baixa, mas é importante esperar para ver o real custo dessa expansão tão forte do crédito dos bancos públicos. Pode haver uma piora do indicador no futuro”, ponderou. 

O economista Luís Roberto Troster vê os resultados de maneira positiva. “Em um país onde uma em cada cinco famílias tem contas ou prestações atrasadas, o fato de os bancos públicos terem conseguido segurar a inadimplência é um bom indicador”, observou.

Perda de espaço

No primeiro semestre, as instituições privadas nacionais reduziram sua participação no mercado de crédito para 34,1%, ante 39% no fim de 2011. O mesmo ocorreu com os bancos estrangeiros, cuja fatia caiu de 17,4% para 15,5%. Esses bancos não têm conseguido fazer frente à redução de spreads promovida pelas instituições públicas. Diante disso, eles têm buscado ganhar espaço em modalidades de menor risco.

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