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Belo Monte e o impasse dos ambientalistas

Atualizado com questionamentos

O Escriba - Bora discutir Belo Monte sem falcatrua?

Ok, vamos discutir Belo Monte? Mas que tal fazermos isso com base em dados reais? Sim, porque qualquer discussão baseada em suposições, falseamento, mentiras, não vai levar a lugar algum. Só vai desvirtuar o debate e promover mais ignorância. Então, a partir dos dados fidedignos, podemos nos posicionar contra ou a favor e, melhor, podemos exigir que se cumpra o combinado. Foram décadas de discussão sobre o projeto, que foi alterado para atender muitas das demandas, como não-alagamento de terras indígenas, diminuição dos impactos na região, melhoria das condições de vida das populações das cidades do entorno.

Não podemos cair na 'esparrela' das Reginas Duartes da vida, que aparecem aqui e ali pontuando com a cara constrita que estão "com medo". Ainda mais quando a causa do medo é informação deturpada. O pior é ver ambientalista tarimbado alimentando essa falcatrua, comemorando por exemplo o sucesso de um vídeo de artistas que em vez de jogar luz sobre o assunto, prefere fazer terrorismo barato, com base em informações defasadas, falsas até - chegaram a afirmar que o Parque Nacional do Xingu, que fica mais de 1.300 km ao sul do local da usina, poderá ser inundado!! Pô, aí não, vai... muita apelação! (não acredita? Veja aqui a distância de um para o outro)

Como bem disse o Gilberto Camara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), recentemente em seu blog, os ambientalistas estão perdendo a oportunidade histórica de conseguir avançar, exigindo que o governo e a iniciativa privada promovam a sustentabilidade em seus projetos. Em vez disso, estão apelando para o obscurantismo, a desinformação, o marketing raso, e com isso perdem credibilidade. Uma pena. Quando sentam para discutir e negociar honestamente, conseguem boas vitórias - como a moratória da soja, que envolveu sojeiros da Amazônia, Greenpeace e até o McDonald's. É assim que funciona numa democracia moderna: os diferentes sentam à mesa, colocam seus argumentos, 'senões' e 'poréns' e tentam chegar a um denominador comum. Isso foi feito com Belo Monte, tanto que o projeto mudou da água pro vinho nesse meio tempo e hoje tem tudo para ser exemplo para outras obras do tipo que virão - e virão, não tem pra onde correr - para a Amazônia.

Mas enfim, vamos aos fatos sobre Belo Monte, que estão longe do bicho-papão pintado por aí:

* O lago de Belo Monte terá 503 km2, dos quais 228 km2 já são o leito do próprio rio Xingu. E boa parte da área restante já está desmatada por criadores de gado, agricultores e madeireiras ilegais. O desmatamento efetivo por conta da usina, portanto, é muito pequeno se comparado com o tamanho do empreendimento, a energia que fornecerá e os benefícios que trará à região. E o lago, uma vez criado, servirá para proteger o entorno de cerca de 28 mil hectares (280 km2), já que vira uma Área de Preservação Permanente (APP).

* É normal que empreendimentos hidrelétricos, e quase todas as fontes de geração de energia, tenham uma capacidade de geração e um fator de potência - ou seja quanto dessa capacidade será possível gerar em média em um ano. No caso de Belo Monte, que tem capacidade instalada de 11.233 MW, a geração média é de 4.571 MW, ou 41%. Esse número é o suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o Brasil. Ao longo de sua elaboração, o projeto Belo Monte foi modificado para restringir os impactos que poderia causar ao meio ambiente e à população da região, reduzindo-se a área de inundação prevista em 60% em relação ao projeto inicial. Isso diminuiu a geração média de energia, mas foi importante para a diminuição do seu impacto.

É pouco? Nem tanto. Dá uma olhada nos dados que este blog compilou sobre a média em outros países (na China é 36% e nos EUA, 46%) e mesmo no Brasil, em outras usinas já em operação, como Itaipu, Tucuruí.

* A média nacional de área alagada é de 0,49 km2 por MW instalado, em Belo Monte essa relação é de apenas 0,04 km2 por MW instalado.

* 70% da energia a ser produzida por Belo Monte destinam-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e apresenta o segundo menor valor por MW / hora entre todos os empreendimentos elétricos dos últimos 10 anos (R$ 78 por MW/h). Aquele papo de que a energia de Belo Monte beneficiará apenas esta ou aquela empresa, é balela, lenda. A energia gerada pela usina será conectada ao SIN e, com isto, gera energia para todo o país. O mesmo acontece com TODAS as demais usinas construídas por aqui.

* Há duas maneiras de se construir uma usina hidrelétrica: basear-se exclusivamente no critério de eficiência, em que tería que dispor de um lago enorme, como era o projeto original de Belo Monte de 1980, alagando amplas regiões, ou um sistema energeticamente menos eficiente - o de geração de energia em cima da corretenza do rio, denominado fio d'água - justamente para privilegiar questões ambientais. Belo Monte é desse segundo tipo, não sendo tão eficiente como a média das hidrelétricas brasileiras (na faixa de 50%) justamente em respeito a questões sociais e ambientais.

* Nenhum índio terá que sair de suas terras por causa do projeto e os ribeirinhos que serão realocados vivem, em sua maioria (quase 7 mil famílias), em palafitas nos igarapés de Altamira, em condições sub-humanas. O governo pretende realocar essas famílias para condomínios habitacionais que ficam em torno de 2 quilômetros de distância de onde estão hoje. São cerca de 18 mil pessoas. A promessa do governo é que essas pessoas receberão casas em locais totalmente urbanizados, com saneamento básico, postos de saúde, escolas e locais de lazer, tudo antes do final de 2014. É anotar e cobrar.

* Substituir a energia de Belo Monte por eólicas e energia solar parece fácil, mas é praticamente impossível. Precisamos de 5 mil MW por ano de energia adicionada ao sistema para garantir o mínimo necessário para que o país continue se desenvolvendo e gerando emprego e renda, e garantindo a inclusão de milhões de brasileiros que hoje estão à margem de todo e qualquer consumo. Isso não é possível, no curto/médio prazo, com eólica e solar. O Brasil até tem investido bastante nessas duas formas de geração de energia, somos o país que mais tem atraído empresas do setor para cá, mas é coisa para médio-longo prazo. Enquanto isso, fazemos a transição - mas com energia de baixo impacto e limpa, como a hidrelétrica. Nenhum outro país do mundo consegue isso - EUA, China, Europa, Ìndia, todos estão fazendo investimentos em energia renovável (eólica, solar, etc) com base numa economia sustentada por energia suja - nuclear, térmicas a carvão ou óleo diesel.

Para se ter uma ideia, para ter o mesmo potencial energético de Belo Monte, seria necessário instalar mais de 6 mil aerogeradores, de 3MW cada, ocupando uma área de 470 km2 - ou quase o tamanho do lago de Belo Monte (503 km2).

Bom, tem muito mais coisa para se pontuar, mas já tem um bocado aí pra refletirmos, né mesmo? As coisas nem sempre são tão simples como querem fazer crer uns e outros, nem o diabo é tão feio.

Tem mais informação boa circulando por aí, seguem algumas dicas - quem quiser indicar outros bons textos, coloca na área de comentários que acrescento à lista abaixo:

Belo Monte: vídeo de globais é teatro

Os Belos e Belo Monte

Prefeita de Altamira fala sobre Belo Monte

Belo Monte: Os fatos sobre a vazão reduzida na Volta Grande

Eu não assino petições contra Belo Monte

Por Carlos Bérgamo

Caro Nassif,

sou engenheiro eletrico com especializacao em Energia renovavel.  Eu respiro Fator de Capacidade e formas alternativas e renovaveis de Energia.

Gosto muito de seus textos, porem nao posso deixar te dizer que faltou conhecimento nesta dissertacao.  Acho importante que seus leitores tenham informacoes corretas para se posicionarem:

1) O Manual de estudo de inventários da Eletrobrás rege que todos os estudos de aproveitamentos hidroelétricos sejam desenvolvidos tomando por base um Fator de Capacidade de 55%.  Após este estudo de inventário os projetos normalmente otimizam este FC.

2) Não faz nenhum sentido a sua comparação com as hidroelétricas do país, pois temos alguns dinossauros da epoca militar como Balbina e Samuel.

3) A média de Fator de Capacidade das eólicas cadastradas no leilão da EPE é de 54%.

4) Uma turbina eólica de 1,6MW(padrao) utiliza em média 30ha.  Ou seja, para produzir a mesma coisa que Belo Monte precisariamos de [4.571/(1,6*54%)]*30 = 159 mil hectares.

5) O uso da área por usinas eólica não compromete o uso atual.  Ou seja não faz nenhum sentido comparar este impacto através do uso de área.  Assim como não faz sentido comparar o impacto ambiental de eólica com hidroelétricas, mesmo se forem PCHs

6) O Brasil perde uma grande oportunidade de desenvolver este projeto daqui a 20 anos quando, no meu entender, não teremos outra opção.

Comentário

O artigo é de Jorge Cordeiro.

Vídeos

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Acho muito estranho tirar os índios de seu ambiente tradicional e achar que estão fazendo uma grande coisa em colocá-los em condomínios. Se eles vivem em situação de pobreza com certeza é consequencia da poluição que os brancos causaram em todos esses anos, que diminuiu os recursos naturais dos quais eles viviam muito bem. Essa é a visão que o governo tem de respeito à diversidade cultural? 

Sei que a energia é fundamental para vivermos, para tudo. Mas para mim, qualquer um que tenta defender a criação dessa usina e trata os indígenas com tanto descaso, já perde o crédito. 

 

J.P disse:Estive nos ptesotros, fiquei com a impressao que vcs sao desorganizados, nao batem em quem tem que bater e os argumentos fracos. Para o Brasil crescer ha de se ter um desenvolvimento, e os impactos ate agora sao como as de outros empreendimentos. Perguntem a populacao das cidades se eles nao querem, eles querem!! Indios devem se adequar ao seculo xxi..

 

Mais um informativo.

 

 

Tempestade em Copo D'água?

http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo&feature=player_embedded

 

em PIMENTAL,BELA VISTA E  BELO MONTE PORQUE SÓ FALAM DA PARTE BOA?

 

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Jorge, sabemos que Belo Monte por ser projeto muito complexo gera muitos questionamentos. E todos eles merecem atenção e respostas. 

Venha colocar suas questões na nossa TV Belo Monte e nos ajude a construir um projeto melhor. Nossa ideia é ir construindo Belo Monte junto com você. 

http://www.tvbelomonte.com.br/

 

Realocar os índios para um condomínio totalmente urbanizado... hahahaha falasério. essa é a ideia de impacto socioambiental mitigado? 

 

Realmente, o texto é hermético. Mas a parte nao hermética tem problemas, me parece. POr exemplo: tem sentido, sim, comparar Belo MOnte com as usinas existentes, mesmo que algumas tenham sido criadas pelo regime militar. Até para mostrar que BM é diferente delas - ou pelo menos isso. OUtra coisa duvidosa é afirmar que devemos pensar em usinas como BM daqui a 20 anos, "quando nao teremos outra opção". Essa nao dá.

 

Vídeo muito interessante sobre o tema:

http://catarse.me/pt/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

 

Vale a pena

 

O Sr. Paulo Cezar mostrou informações concretas que indicam que o Sr. Carlos Bergamo pode estar superestimando a capacidade de produção das usinas eólicas:

www.advivo.com.br/blog/paulo-cezar/capacidade-real-de-usinas-eolicas

 

Apenas uma sugestão de solução: incentivar o aquecimento solar da água em todo o país.

Um sistema profissional custa R$1000, um caseiro sai por menos de R$200 e às vezes é criado até por acidente (aqueles 5 minutinhos de água fervente que sai do chuveiro à tarde).

Gasta-se mais de 1/4 da eletricidade doméstica com chuveiro.

Enquanto isso o sol está aí esquentando inutilmente as paredes das casas.

 

Nassif,

eu gostaria de saber sobre as perdas de energia nas linhas de transmissão, já que o artigo dá a impressão de que todo o Brasil vai ser atendido.

Segundo esse site: #mce_temp_url#  seriam 5,5 kW por quilômetro de linha.

 

Em apenas 500km, se perderiam 2,75 MW, ou seja, a metade da geração média da usina.

 

Como essas perdas são grandes, isso me faz pensar a respeito de quem poderiam ser os verdadeiros interessados na construção da usina.

 

Grato

 

 

 

Caro Nassif,

sigamos discutindo Belo Monte com base em dados reais: Segundo o Prof.Arsênio Osvaldo Sevá Filho, especialista em energia e combustíveis da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, "sobra energia no sistema brasileiro. Há várias hidrelétricas em andamento que vão gerar 2,3 mil megawatts novos de energia. Há outras, já prontas, mas que ainda não operam por falta de máquinas. E, por fim, termelétricas que só não funcionam por falta de mercado. O setor elétrico brasileiro enfrenta dificuldades, mas elas são de outra ordem. Temos problemas na área de transmissão de energia porque as linhas não são suficientes, e de balanceamento entre usinas." Ainda segundo o professor, Belo Monte seria sim somente para atender empresas produtoras de alumínio, aço e celulose para exportação.

Com base em quê você afirma que isso é balela? Vamos nos ater aos fatos e às informações que dispomos. Não justifica onerar o país com um gasto abissal de energia  pra exportar matéria prima a US$1450,00/ton, depois importar novamente com valor agregado a US$3000,00. Bora discutir sem falcatrua? E pra sermos mais honestos, poderíamos discutir sem bandeiras políticas?

Você que é extremamente bem informado sabe que a Norte Energia não cumpriu nem 5% das condicionantes e por isso a licença para a construção foi suspensa pelo município de Altamira.

"A promessa do governo é que essas pessoas receberão casas em locais totalmente urbanizados, com saneamento básico, postos de saúde, escolas e locais de lazer, tudo antes do final de 2014. É anotar e cobrar." Oi?!?!

Deus prometeu Israel a Abraão e não adiantou anotar nem em pedra, olha aí a peleja! Vai cobrar dos palestinos? Todo mundo sabe que, sobretudo nesse país, dívida não se paga, dívida se "rola". No caso tá mais pra enrola. Enrola ribeirinho, enrola índio, enrola BNDES.

Quanto à afirmação de que "nenhum índio terá que sair de suas terras", se os impactos causados pela usina prejudicarem o ecosistema local, causar mudança climática, baixar o nível do rio e consequentemente reduzir o volume da fauna, os índios terão, sim, que deixar suas terras, sua cultura e seus costumes.  Vale assistir ao vídeo. http://www.youtube.com/watch?v=ZmOozYXozb8

Abraço,

Fernanda Jacques

 

Bom dia,

Estava pesquisando sobre Belo Monte e achei o seu blog onde encontrei algumas materias enteressantes sobre o tema. Quero aproveitar a oportunidade para dar os parabens aos seus leitores pelo nível da discussão. Acho que a pessoa tem o direito de ser contra ou a favor em cima de argumentos verdadeiros, o que notei que esta acontecendo, pois o debate ocorre depois de artigos exclarecedores, ao contrario do blog de um blogueiro "azedo" que simplesmente tentou desmoralizar o video dos artistas sem o mínimo de conhecimento, só falando besteiras. o tal blogueiro desconhece que uma represa pode emitir gas carbonico e metano (tem um otimo texto exclarecedor  aqui no seu blog). alías, tem uma questão do ENEM deste ano, justamente sobre isto (a questão 87 no caderno amarelo) que o tal blogueiro azedo e seus leitores com certeza errariam. Volto a repetir, acho que cada um pode ter sua opinião, mas em cima de argumentos verdadeiros.

 

Veja esse maravilhoso artigo!

 

Muito bem embasado!

http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini/um-belo-monte-de-verdades/

 

Caro Nassif!!

Eu não aceito manipulação!

Normalmente admiro seus textos. Até gostei também de ler este por que me ajuda a compreender o quanto os valores ambientais e a defesa da sociedade baseada em sustentabilidade é pouco compreendido  e mesmo por intelectuais do seu nível.

O vídeo dos atores globais  é SIM mídia. Você faz mídia e faz média com os agentes da politica puramente desenvolvimentista e ditatorial deste desGoverno.

O fato do sr. Bergamo ter  vasto conhecimento técnico e ( rsrs) "respirar formas renováveis de produção de energia" não lhe confere CONSCIÊNCIA AMBIENTAL NEM POSTURA DE RESPEITO À NATUREZA.

Todos os tecnocratas formados pelas  universidades são informados para defender e trabalhar para as táticas desenvolvimentistas e de controle da massa. Quando surge alguém para questionar SE haveria uma solução menos devastadora, a MIDIA DA DOMINAÇÃO coloca em situação de escárnio, ridiculariza e transforma em louco. Há muito o que se questionar quando uma ação envolve total desrespeito À natureza e constitui crime ambiental agora regulamentado pela nova lei que os senhores senadores acabam de subscrever e dar fé.

EU PROPONHO: BORA DISCUTIR BELO MONTE? 

E SEM MANIPULAÇÃO?

O desgoverno NÃO DISCUTIU  Belo Monte, COMO TAMBÉM NÃO DISCUTIU NENHUM MEGA INVESTIMENTO DO PAC pec pic poc puc!

TODAS as ditas audiencias publicas realizadas por este desGoverno foram manipuladas e  seus documentos FORÇADOS pelos corpos técnicos que os coordenaram. as licitações são TODAS fraudulentas e ganha licitação quem assina a carteirinha vermelha ou  NEGOCIA PROPINA.

IMPOSSIVEL CONFIAR EM PARECERES diante do que está configurado.

acredito que o senhor não é exatamente a criança inocente e tola que discute informações no nivel em que colocou no seu texto.

O EQUEMA de CORRUPÇÃO que envolve todo o desGoverno Brasileiro é um LULA cheinho de tentáculos. SÃO MUITO MAIS QUE APENAS 6 do molusco irracional.

NADA JUSTIFICA A DEVASTAÇÃO PROPOSTA  PELO PROJETO DE GERAÇÃO DE ENERGIA QUE ESTA SENDO IMPLEMENTADO DE FORMA COMPLETAMENTE AUTORITÁRIA.

O SENHOR TAMBÉM JÁ ENTROU NA FILHA DE PAGAMENTO DO PAC PEC PIC POC PUC ? ou o quê?

Há duas maneiras de se produzir energia elétrica:  sustentável  e responsável OU  devastadora.

OUTRA: SEMPRE QUE COMPARAM Brasil e Estados Unidos ou Brasil e China enquanto grandes potencias mundiais, acho bom lembrar os milhões de pessoas que representam esses nomes ao invés de considerar os fatores e percentuais das estatísticas. 

Como diriam os religiosos: SENHOR! TENDE PIEDADE DE NÓS!!

 

Sobre os comentários do Sr. Carlos Bérgamo,

1. Não vejo relevância se a Eletrobrás recomenda um fator de capacidade de referência de 55% em vez de 50%. Onde esse dado muda a discussão?

2. O sentido da comparação de Belo Monte com as UHEs existentes é justamente mostrar que a usina é um projeto totalmente diferente daqueles da época do regime militar.

3. Primeiro, não vejo muito sentido em comparar o fator de capacidade de eólicas e hidrelétricas. São fontes com características e funções diferentes quando integradas ao sistema elétrico nacional. Se um fator de capacidade baixo for, por si só, algo ruim, devemos então todos fazer campanha contra os subsídios à energia solar fotovoltaica, já que possui FC por volta de 10-15%. Segundo, o FC médio de 54% é de empreendimentos **cadastrados** para leilão, e não dos ganhadores do leilão. Se for para comparar com FC de Belo Monte, uma usina já vendida em leilão, não seria mais correto usar um número referente às eólicas também já vendidas em leilões?

4. Esses 159 mil hectares foram calculados obtido a partir de um número teórico (FC médio de eólicas de 54%). Assim, esse número é uma mera expectativa, que só pode virar realidade na improvável hipótese de que todas as eólicas cadastradas consigam vender energia no leilão. Um dado bem menos concreto que a área de Belo Monte, que é uma usina com construção iniciada. Por que não usar como refrência a área ocupada por eólicas existentes ou em construção como Praia do Parajuru, Osório, etc?

5. Uma eólica pode comprometer alguns usos da área, como restrições à aviação. Já a área ocupada por um reservatório pode restringir alguns usos, mas pode manter e até criar outros usos, como: pesca, navegação, recreação, turismo, abastecimento de água, irrigação, controle de cheias, etc. A tendência atual é justamente priorizar o uso múltiplo da água. Num ponto eu concordo: não faz sentido comparar o impacto ambiental de eólica com hidroelétricas. Ambas possuem impactos diferentes, tanto positivos como negativos.

6. O que realmente não entendo é a proposta de construir Belo Monte daqui a 20 anos. Somados aos 30 anos que já passaram, completaria meio século de discussões. Estaríamos abrindo mão de 4,5 GW médios que custam R$ 78 por MWh. O que faríamos no lugar? Eólicas? Custaram em torno de 100-150 R$/MWh nos últimos leilões. Não é uma proposta antieconômica?

 

Os inúmeros questionamentos sobre Belo Monte que se fazem hoje já foram respondidos pela Eletrobrás durante o processo de licenciamento ambiental, ainda em 2009, antes de receber a licença prévia:

Análise das críticas do documento “Painel dos Especialistas”
http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/UHE%20PCH/Belo%20Monte/Audi%C3%AAncias%20-%20Esclarescimentos/Atendimento%20ao%20Of%c3%adcio%20n%c2%ba%201057-2009-DILIC-IBAMA%20de%2009-10/Atendimento%20as%20Cr%c3%adticas%20-%20Painel%20dos%20Especialistas/Texto/PDF/Atendimento%20as%20Cr%c3%adticas-PE.pdf

Atendimento ao documento de considerações, questionamentos e recomendações ao AHE Belo Monte apresentado pelos Movimentos Sociais do Rio Xingu
http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/UHE%20PCH/Belo%20Monte/Audi%C3%AAncias%20-%20Esclarescimentos/Atendimento%20ao%20Of%c3%adcio%20n%c2%ba%201057-2009-DILIC-IBAMA%20de%2009-10/Atendimento%20aos%20Questionamentos-MV/Texto/PDF/Atend.%20aos%20Questio%20Mov.%20Sociais.pdf

É interessante ressaltar que os próprios técnicos do Ibama reconhecem o bom nível dos estudos ambientais de Belo Monte, ao declarar que:

"O EIA do AHE Belo Monte, talvez represente hoje o estudo mais completo e abrangente efetuado no Brasil, não só em termo de quantidade de informações (cerca de 15.000 páginas), mas também na profundidade de alguns estudos temáticos, notadamente aqueles relacionados à socioeconomia, ictiofauna e aos estudos de remanso. O EIA conclui pela viabilidade ambiental do empreendimento, considerando importantes alterações no projeto inicial" ...

Fonte: Parecer Técnico nº 06/2010 COHID/CGENE/DILIC/IBAMA, de 26 de janeiro de 2010. Disponível em www.ibama.gov.br/licenciamento >> consulta >> empreendimentos

 

O discurso dos globais fez realmente várias afirmações polêmicas e talvez irreais. Porém, está servindo para ampliar o debate, o qual acredito que é bem vindo.

Em meio a isso, algumas afirmações feitas antes criticando-se a energia eólica também estão sendo desmentidas:

- Afirma-se que a energia eólica necessária para suprir a quantidade gerada pela Belo Monte ocuparia uma área muito superior a da BM. No entanto, não dizem que na verdade a área ocupada pela energia eólica continua sendo utilizável para plantio, o contrário das usinas Hidrelétricas.

- A questão do gás metano gerado colocou em cheque a afirmação anterior de que a hidrelétrica é uma forma "100% limpa de se produzir energia".

- A afirmação de que todos os estudos de impacto já foram realizados e constatado de que não haverá impacto algum no meio ambiente também foi contrariada pelo próprio Ibama, que apontou "esquecimentos" primários no levantamento.

- A afirmação de que as Eólicas usam no máximo 30% de sua capacidade também foi derrubada pelo nosso amigo Carlos Bérgamo, que afirmou ser um mínimo de 54%, posteriormente ainda melhorado.

Se vamos fazer uma análise, é importante usarmos realmente dados reais prá termos uma conclusão melhor.

A única certeza que tenho, é que TODOS NÓS ainda temos muito pouco dado REAL e CONCRETO para podermos fazer uma conclusão imparcial sobre Belo Monte.

Isso que nem entrei na questão social das pessoas atingidas, que ao meu ver é o principal de tudo. Pois o desgaste dos moradores costuma ser irreparável.

 

 

2) Balbina foi um erro, mas citar Balbina quando se discute geração hidroelétrica também é um erro.

4) Você considerou o sombreamento.

5) Eólicas tem impacto também (morte de animais que voam, barulho, alteração do regime de ventos, etc), recentemente isso foi discutido aqui mesmo http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/moradores-questionam-parque-eol....

 

As pessoas ficam se prendendo à área ocupada pelas turbinas em terra, mas a intalação de turbinas eólicas já revelou um grande impacto em rotas migratórias de aves.

Além disso são mais caras e de alto custo de manutenção.

O maior problema é conseguir equilibrio (ou o mínimo impacto) entre intervenção antrópica e a estabilidade ecológica da região.

Pra isso não basta o quanto custará ou o quanto ocupará uma certa instalação. Mas o quanto o ecossistema suportará o impacto. Aí entram vários conceitos ecológicos (capacidade suporte, resiliência, resistência) que, sinceramente, um morador da região sabe mais do que um engenheiro.

A história está cheia de exemplos de intervenções humanas com objetivo de controlar ou modificar um ecossistema, que se transformaram em um desastre ecológico. Pelo simples fato de não considerarem princípios básicos de ecologia.

Belo Monte é um grande exemplo no Brasil dessa limitação de visão: Quando não se fala no apocalipse que será sua construção, se fala na maravilha econômica.

Se critica o maniqueísmo dos ambientalóides de plantão com maniqueísmo economesco.

Sou a favor da construção de Belo Monte, pois acho inviável economica e ecologicamente a instalação de cataventos turbinados. Acho que o espaço ocupado vertical e horizontalmente pode gerar muito mais impacto que os defensores não estão considerando, como possível alteração na rota migratória e estresse de comunidades de pássaros.

E olha que literatura sobre isso não faltam, talvez fosse melhor lê-las do que se debruçar apenas sobre relatórios e planilhas...

 

Se é para o bem ;eu to dentro.

 

Cheguei agora e sou Ignorante.............aaaaaao ezxtremo

 

Síndrome da turbina eólicapor Nina Pierpont [*]

Anatomia do ouvido.As turbinas eólicas majestosamente domam o vento — que maravilha da engenharia humana! Ficar debaixo de uma é de cortar a respiração. Viver próximo de uma pode ser o inferno na terra. Incontáveis pessoas disseram-me isso, pessoas que subitamente ficaram muito mal devido ao subtil mas devastador infra-som perfurante gerado por estes gigantes da energia "limpa, verde e renovável". 

A explicação pode estar enfiada no ouvido interno num agregado de minúsculos órgãos interconectados com um notável historial evolutivo. Os órgãos vestibulares — os canais semi-circular, sáculo e utrículo — funcionam como giroscópio da Mãe Natureza, controlando nosso sentido de movimento, posição e equilíbrio, incluindo nosso pensamento espacial. (Recorda-se de quando em criança ficava enjoado num carro? Ou do enjoo do mar?) 

Os humanos partilham estes órgãos enigmáticos com um conjunto de outras espécies vertebradas, incluindo os peixes e os anfíbios. Alguns cientistas vêem-nos realmente como uma espécie de chave-mestra pan-espécie para um extraordinariamente vasto conjunto de funções cerebrais — equivalendo a um sexto sentido. 

Uma daquelas funções, verifica-se agora, é registar e responder aos sons e vibrações (infra-sons) que não ouvimos conscientemente, mas sentimos — como o das turbinas eólicas. Para muitas pessoas, a resposta é imediata e desastrosa. 

Por vezes é vantajoso ser um médico rural. Seis anos atrás comecei a ouvir queixas quanto à saúde de pessoas que viviam na sombra destas turbinas gigantescas. A princípio era meramente local e regional, depois global. De forma reveladora, virtualmente todos descreviam a mesma constelação de sintomas. Sintomas que eram disparados, começo a suspeitar, pela desregulação do vestibular. 

(1) Perturbação do sono. Não simplesmente despertar, mas despertar em pânico (reacção "fuja ou combata"). 
(2) Dor de cabeça. 
(3) Zumbido. 
(4) Pressão no ouvido. 
(5) Estonteamento. 
(6) Vertigem. 
(7) Náusea. 
(8) Turvamento visual. 
(9) Taquicardia. 
(10) Irritabilidade. 
(11) Problemas com concentração e memória. 
(12) Episódios de pânico associados com sensações de pulsação interna ou vibração, os quais aumentam ao acordar ou adormecer. (Esta última envolvendo outra, órgãos não-vestibulares de equilíbrio, movimento e sentido de posição). 

Nenhuma destas pessoas experimentara estes sintomas em qualquer grau apreciável antes de as turbinas ficarem operacionais. Todas disseram que os seus sintomas desapareciam rapidamente sempre que passavam vários dias longe de casa. Todas disseram que os sintomas reapareciam quando retornavam à casa. 

Muitas haviam apoiado o projecto do parque eólico antes de tudo isto acontecer. Agora, algumas ficaram tão mal que abandonaram literalmente as suas casas — trancaram a porta e foram embora. 

Aproveitando a pista de um médico rural britânico que relatou idênticos sintomas da "turbina de vento" entre os seus pacientes, fiz o que alguns clínicos chamam de "séries de casos". Entrevistei 10 famílias (38 pessoas) tanto daqui como de foram, as quais haviam ou deixado suas casas ou estavam prestes a deixá-las. Descobri uma correlação estatisticamente significativa entre sintomas relatados e pré-existentes sensibilidade ao movimento, lesão do ouvido interno e perturbação de enxaqueca. Cada uma é um factor de risco para o que agora baptizei Síndroma da Turbina Eólica. Meus dados sugerem, além disto, que crianças pequenas e adultos com mais de 50 anos também estão em risco substancial. 

A reacção de clínicos do ouvido, nariz e garganta (otolaringologistas e neuro-otologistas) foi imediata e encorajadora. Um deles foi o Dr. F. Owen Black, um neuro-otologista altamente considerado que aconselha a US Navy e a NASA sobre desregulação vestibular. 

Outro foi o Dr. Alec Salt da Washington University School of Medicine, o qual recentemente publicou um estudo revisto (peer-reviewed) financiado pelo NIH [1] demonstrando que a cóclea (a qual liga-se aos órgãos vestibulares) responde ao infra-som sem registá-lo como som. O infra-som, de facto, aumenta a pressão interna tanto da cóclea como dos órgãos vestibulares, distorcendo tanto o equilíbrio como a audição. 

Salt portanto destrói efectivamente o dogma de que "o que você não pode ouvir, não pode prejudicá-lo". Isto pode na verdade prejudicá-lo. O alvoroço crescente entre vizinhos de turbinas eólicas testemunha esta verdade inconveniente. 

Meu papel está acabado. Minha sala de espera está cheia. É tempo de os governos estudarem este flagelo gerado pelo vento cuja cura é simples. Um afastamento de 2 km (maior em terreno montanhoso) repara-o. Os exploradores do vento, não inesperadamente, recusam-se a reconhecer o problema. Eles ridicularizam-no como histeria e NMQismo ("Não no meu quintal!") — e recusam-se a instalar suas máquinas a 2 km de distância das casas. 

"É difícil conseguir que um homem entenda algo quando o seu salário depende do seu não entendimento dela", sugeriu Upton Sinclair. Talvez seja. Nesse caso, espero mais casas vazias e sofrimento (facilmente evitável).

[1] NIH: National Institutes of Health, agência do Departamento da Saúde dos EUA responsável por investigação biomédica. 

[*] Nina Pierpont, MD, PhD, é pediatra e autora de " Wind Turbine Syndrome: A Report on a Natural Experiment " (2009). Foi a oradora principal no simpósio internacional em Picton, Ontario, " The Global Wind Industry and Adverse Health Effects: Loss of Social Justice? " 

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/pierpont10292010.html 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Quem for se apresentar como engenheiro para discutir o tema favor postar o CREA e respectivas credenciais que o habilitem como especialista, pois tais pessoas podem criar uma espectativa de certeza maior do que partindo de um leigos.  

 

A respeito do comentario do engenheiro eletrico: Eu não respiro "fator de capacidade" mas ainda tenho algum bom censo. 150 mil hectares para colocar aquelas geringonças eólicas é qualquer coisa não? Na minha área de trabalho onde convivo de perto com projetos de todos os tipos em busca de financiamento, pululam as picaretagens ditas empresariais querendo "vender" aos governos projetos eólicos. infelizmente a palavra mágica "sustentabilidade" virou abre-te-sésamo das empreiteiras ja instaladas e das que querem se instalar. Uma pena!

 

O que o engenheiro afirmou, é que esses 150 mil hectares não serão inutilizados. Continuarão sendo plantados como antes. Pois a a maioria dessas "hélices" estão em meio a plantações que não sofrem impacto algum por isso, além de algumas propriedades receberem ainda uma espécie de aluguel por estarem cedendo o pequeno espaço.

Portanto, não há PERDA de área com os parques Eólicos, e quando existe, é insignificante e sem impacto.

 

ACHO QUE A CHEVRON DANÇOU!

ANP suspende perfurações da Chevron

Tá no Tijolaço

A ANP acaba de suspender todas as atividades de perfuração da Chevron no Brasil. Depois da reunião convocada anteontem pela Presidenta Dilma Rousseff, a agência que estava suave e doce com a petroleira, passou a fazer o que devia.

 

comentário meu:

vai ter um monte de gente com MTB dizendo que é uma "injustiça"

que a Chevron não teve tempo de se defender (hehehe)

 

Ao ler o título, pensei a

 

Caro Nassif,

sou engenheiro eletrico com especializacao em Energia renovavel.  Eu respiro Fator de Capacidade e formas alternativas e renovaveis de Energia.

Gosto muito de seus textos, porem nao posso deixar te dizer que faltou conhecimento nesta dissertacao.  Acho importante que seus leitores tenham informacoes corretas para se posicionarem:

1) O Manual de estudo de inventários da Eletrobrás rege que todos os estudos de aproveitamentos hidroelétricos sejam desenvolvidos tomando por base um Fator de Capacidade de 55%.  Após este estudo de inventário os projetos normalmente otimizam este FC.

2) Não faz nenhum sentido a sua comparação com as hidroelétricas do país, pois temos alguns dinossauros da epoca militar como Balbina e Samuel.

3) A média de Fator de Capacidade das eólicas cadastradas no leilão da EPE é de 54%.

4) Uma turbina eólica de 1,6MW(padrao) utiliza em média 30ha.  Ou seja, para produzir a mesma coisa que Belo Monte precisariamos de [4.571/(1,6*54%)]*30 = 159 mil hectares.

5) O uso da área por usinas eólica não compromete o uso atual.  Ou seja não faz nenhum sentido comparar este impacto através do uso de área.  Assim como não faz sentido comparar o impacto ambiental de eólica com hidroelétricas, mesmo se forem PCHs

6) O Brasil perde uma grande oportunidade de desenvolver este projeto daqui a 20 anos quando, no meu entender, não teremos outra opção.

 

abs,

 

Engenheiro Eletricista se definindo como Engenheiro Elétrico merece ter o CREA cassado.

 

Prezado Carlos

não sou o autor do artigo.

 

Eu também não assino nenhum documento contra Belo Monte, pois sou a favor da usina!

 

Lamentável que tanta gente aqui ecoe bordões que estariam mais adequados aos blogs da Veja e outros tão criticados (justamente) por aqui. Qual a diferença de dizer que "ambientalistas não pensam", "não são racionais", "estão atrapalhando o progresso do país", para as críticas aos "vagabundos" e "baderneiros" da USP e aos "petralhas"? Eu não vejo nenhuma. Aliás, uma pequena provocação, Tio Rei e a Veja são francamente favoráveis a Belo Monte, e muitas críticas dele aos ambientalistas são iguaizinhas, até em tom, ao pessoal daqui...
É claro que muitos artistas (mas não todos) e a Globo se aproveitam do assunto para criticar o governo e são oportunistas. Mas isso não deve nos levar a simplesmente aceitar acriticamente qualquer coisa favorável à usina e ao governo como sendo correta e descartar qualquer argumento contrário como mal-intencionado e desonesto.
O autor do post não endereça duas críticas bem poderosas que são feitas: a primeira é que, se se combatesse a perda de energia que existe costumeiramente, não se precisaria fazer nenhuma dessas grandes usinas na Amazônia, e que essa perda vai ser enorme também nesse caso, pela distância entre Belo Monte e os maiores consumidores de energia do Brasil (não sei como colocar links aqui, mas é só colocar no google Belo Monte + perda de energia); a segunda é do ponto de vista dos indígenas: tudo bem que as pessoas retiradas vão ter casas novas, vai ser pouca gente, mas ninguém presta atenção ao fato de que, para os índios, todo o seu sistema de vida está associado ao ciclo do rio, que vai mudar radicalmente; vai mudar a vazão do rio, as épocas em que ele está cheio ou vazio, a distribuição dos peixes e dos animais dos quais se alimentam, a relação da floresta com o rio. Isso independe da área alagada, e, se não afeta o Parque Nacional do Xingu, afeta toda a área de Belo Monte e todo o curso posterior do rio. Mas, como muitos colocaram aqui, para que se preocupar com isso? Os índios não são pobres, burros e afetam o progresso dessa nossa grande nação? Seria melhor que não existissem mesmo...
Quanto ao fato de que a energia elétrica irá nominalmente para o SIN e, por isso, não beneficiará principalmente empresas grandes, isso não quer dizer nada, por que, afinal, quem são os grandes consumidores de energia do Brasil? Empresas produtoras de alumínio, siderúrgicas, que buscam energia do sistema integrado brasileiro. Do mesmo modo que com Tucurupi, Itaipu e outros, 10% dessa energia chegará a consumidores pequenos e individuais e os outros 90% continuarão sendo usados por grandes empresas, em geral para produções que consomem muitos recursos, criam poucos empregos, poluem o ambiente em redor e dão pouquíssimo retorno para a sociedade.
Encerro este comentário reproduzindo o final do texto do Jorge Cordeiro, "as coisas nem sempre são tão simples como querem fazer crer uns e outros", mas em sentido contrário ao dele. Nem diretamente com os artistas da Globo, nem com um texto tão chapa branca como o dele...

 

Exato!

 

E vemos às pencas gente dizendo que os artistas deveriam desligar relógios de luz, andar de bicicletas, doar os iPads. Para mim, isso não difere em nada do argumento cafajeste que o Lula deveria tratar-se no SUS; ou daquele que ouvi durante toda a vida universitária, que eu não poderia ser socialista de verdade enquanto morasse na Zona Sul do Rio de Janeiro. Falavam: quer ser de esquerda? Abre sua casa para um mendigo. Cafajestagem pura!

 

Meu caro, sabe qual é o problema com os ambientalistas e verdes brasileiros?

Só resolvem fazer movimentos quando se trata de projetos governamentais, notadamente nos últimos 9 anos. Quando a iniciativa privada comete crimes ambientais grandiosos, ficam todos caladinhos de dar dó.

Quer alguns exemplos:

Em Natal e no seu entorno grandes áreas de dunas estão sendo lentamente desvastada para dar lugar a condomínios (alguns de luxo, outros nem tanto) e os únicos que dão alguma grita são alguns parlamentares "jurássicos" (como os do PT e PC do B) e alguns membros dos MP's... de resto, toda mídia local e nacional e ONG's ecológicas ficam fazendo de conta que não está acontecendo nada.

Em Macaé, uma grande área está sendo tambem "preparada" para dar lugar a um Alphaville, área também que abriga uma porção legal de mata atlântica.

Outro bem evidente: a morte lenta e asfixiante do Tietê... quero os verdes propondo passeatas na Paulista em protesto contra a poluição do rio... seria interessante.

 

Sou a favor da usina. Sou a favor que o Brasil tenha independência energética  para os próximos 20 anos. Os impactos negativos já foram discutidos diversas vezes nos órgãos competentes. Desde o início do governo FHC (que também é a favor da obra) se discute os impactos ambientais e econômicos do empreendimento.
Sim, haverá perdas várias, entretanto, também virá ganhos expressivos.
Existem entidades (falo das sérias, que não tem interesses obscuros. Obras de grande porte na amazônia brasileira significa maior presença do Estado naquele território; Presença que não é de interesse de vários seguimentos do Brasil e, principalmente, do estrangeiro) que policiam o tempo todo o desenvolver das obras. Então, os textos que enviarei serão neste sentido....
 
É importante a mídia alternativa (blogueiros sujos) publicarem textos que defendam Belo Monte.

 

As opiniões contra a expansão energética brasileira é fartamente encontrada na Revista Veja, Folha de São Paulo, Estadão e....... Rede Globo. (isso me deixa com a pulga atrás da orelha)

 

"A média nacional de área alagada é de 0,49 km2 por MW instalado, em Belo Monte essa relação é de apenas 0,04 km2 por MW instalado."
Faz mais sentido comparar área alagada por Potência média do que por potência instalada.

 

Posso imaginar de onde o Nassif retirou seus "dados".

Continuo contra Belo Monte.

O lado bom dessa discussão foi descobrir o alto grau de rejeição da Globo, neste blog engajado.

O ódio manifestado, e induzido, inclusive pelo dono do órgão, nada fica devendo ao Reynaldo Azevedo, o rato da veja.

 

Nassif,

Eu assisti ao vídeo da grobo e uma atriz (que não sei o nome porque não sou ligado nesse negócio de celebridades) falou que pra usina hidroelétrica não ter impacto ambiental ela deveria ser construída no deserto e não numa floresta.

Eu queria que essa moça paga pra falar asneiras nos explicasse como criar uma usina hidroelétrica no deserto?

Também gostaria de falar pra esses artistas da grobo que se tivessem interessados na "causa" deveriam imediatamente ligar para as companhias distribuidoras de energia e pedir o desligue de seus relógios de força e se quisessem energia, instalassem moinhos de vento em suas amplas residências, placas solares, etc ...

Aí eles vão ver o custo / benefício de uma hidroelétrica versus turbinas eólicas e placas foto-voltaicas.

Se as placas foto-voltaícas estivessem evoluídas (e vão estar em 10 ou 20 anos) o suficiente para atender a demanda, creio que o modelo mais eficiente será distribuído e não centralizado. Aí cabem aos arquitetos ao projetar suas casas incluir essas placas sem estragar o design e pegar a maior quantidade de sol.

Em casa eu fiz algumas experiências mas a quantidade de corrente gerada por cm² dessas plaquinhas são inexpressivas.

Eu não falo mal dessas "celebridades" por falar e sim porque dá nojo ver um bando de BOSTAS (vou usar palavrão porque não tem outra coisa que define tais elementos) que sequer sabem o que é um átomo e como se comportam, conseguirem convencer tantas pessoas e muitas delas até "instruídas".

 

Caro George de Lucena, minhas sinceras desculpas pelo tom debochado em meu post...Entrei em seu site e vi suas alegações. Vamos a algumas:

- licença prévia do Ibama: tem, sim - mesmo contestada; o que pode-se questionar mais é o conteúdo do relatório EIA-Rima, mas ele foi aprovado tb (o Rodoanel de SP faz o trecho norte sobre a APA da Cantareira - a maior reserva natural em área urbana do mundo - sem a aprovação desta);
- Ecossistema alterado de forma permanente: claro que será permanente - toda obra muda tudo, de vez - mas serão só 516 km quadrados, algo como (se minhas contas estão certas) 0,0001% da área total da Amazônia brasileira); teve fazenda do entorno que desmatou mais do que isso (você esteve lá, deve ter visto);
-500 km quadrados de floresta desvastados: quase a metade desta área já havia sido desmatada pelas fazendas que foram desapropriadas e outro tanto pelos moradores que lá se instalaram);
-100 km de Rio Xingú diretamente afetados - não foi desviado, não foi reduzido, não será contido - é uma curva, quase um "braço" do rio, chamado lá de "Volta Grande do Xingu"; Altamira possui em sua hdrografia ainda os rios: Iriri, Curuá, Catete, Chiché, Riozinho do Amfrísio, Iriri Novo, Ximxim, Riozinho Jucatã, Carajaí, Rio Novo, Ituna e Ipiaçava - recurso hidrográfico lá tem de monte;
- Um dos piores custos-benefícios de energia hidrelétrica no país: É isso mesmo? Não quer rever os números? No post acima do Escriba diz-se o contrário, e ele dão números - você não;
- Energia considerada barata pois ignora custos sócio-ambientais: Acima era energia custosa e agora é barata? Separe as alegações contraditórias - senão fica difícil vc justificar os argumentos, ok?
- Setor privado deixou a obra, pois não vai gerar lucro econômico: lucro de setor privado é preço justo - algumas empreiteiras quiseram blefar e caíram fora - outras entraram; aliás, isso de ser obra de agente público não existe - é empreiteira privada que está fazendo hoje a obra;
- 16 etnias indígenas indiretamente e 9 etnias diretamente afetadas: Do lado de Altamira, densamente povoada (mais de 100 mil habitantes), com fazendas de monocultura do lado - e a culpa é da hidrelética? Você usa do argumento que estes índios estariam "sufocados" perto da cidade e da obra - pois o município de Altamira tem uma área de 159.695.938 km², o que o torna o maior município do Brasil e o segundo maior do mundo em extensão territorial, sendo que sua mata é a de maior preservação da Amazônia Oriental - e continuará sendo;
- População local sem poder de participação e sem consulta: o desejo de 100 mil habitantes (na hipótese impovável de TODOS serem contra Belo Monte) se sobrepões à necessidade de mais de 200 milhões? Não pode, não é mesmo?
- Apenas 8 das 40 condicionantes sócio-ambientais foram atendidas: É, teve condicionante que não foi atendida - uma delas, condicionava O ENCERRAMENTO DEFINITIVO DA OBRA! Razoável, não?

Me desculpe novamente, George, se te pareço arrogante ou agressivo...É que estou cansado. Vou te afirmar algo, com certeza: vão construir a hidrelétrica - não tem mais jeito. E não será o fim do mundo, não vai desmatar meia Amazônia, não vai extinguir as etnias ne descaracterizá-las (violência muito maior foi o confinamento no século passado de ínumeras tribos, diferentes etnias e culturas do Brasil inteiro na Reserva do Alto Xingu) e Altamira não ficará mais densa, populacionalmente. Se ficar, tem espaço de sobre pra todos.
Pra finalizar: não te conheço, não sei as razões por detrás de tua defesa irracional contra a hidrelétrica (porque os argumentos são frágeis e a realidade dos fatos fala por si mesma). Só sei que, se tua crença em um "desastre ambiental" for verdadeira e sincera, saiba que existem interesses mais sinistros, malévolos e perniciosos que apóiam tua causa - contra todos nós. Se, no entanto, você estiver a par desses interesses e achar que eles, por convergirem com tua posição franca e honesta vão servir como um "mal menor para um bem maior", aí só posso dizer uma coisa: espero que você acorde logo deste sonho para ver o pesadelo a que está aliado. De coração. Abs.

 

Tudo bem, amigo?

 

Nunca fui ao Xingu e não sei de onde você inferiu que esses argumentos que você rebateu são meus (releia meus comentários e veja que nem cheguei perto de mencioná-los). Também não o conheço, e justamente por isso espero respeito: é que não cai bem adjetivar tanto por aí. Em um só parágrafo, você arrematou que faço uma "defesa irracional", trago argumentos "frágeis" e defendo interesses "sinistros", "malévolos" e "perniciosos", tudo fruto de um "sonho" que em breve se mostrará um "pesadelo".

 

E tudo isso só porque você não pensa como eu?

 

 Discutir em cima do NADA. O Executivo, Legislativo, e Judiciário, disseram SIM ao Brasil.  

 

Para mim esta mais que claro que o Brasil precisa da Usina de Belo Monte para o seu desenvolvimento.

Claro também que as energias alternativas ainda não se mostraram viáveis para a matriz energética brasileira. Só são viáveis para os países que não tem outra alternativa.

No máximo são complementares.

Termoelétricas são muito mais poluentes, mesmo as a gas natural.

As nucleares são caras para se implantar e perigosas de se operar. Para mim não compensam os riscos, vide Chernobyl e Fukushima.

O governo fez o máximo para minimizar o impacto ambiental e os prejuizos das populações ao redor do empreendimento, mas não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos.

A verdadeira questão é de avaliação do custo/benefício e para mim é totalmente favorável a construção.

Quanto ao vídeo dos supostos ambientalistas, é de um ridículo atroz. Mais depõe contra quem o fez, do que ajudou a causa que pretendem  defender.

Depois de ver o vídeo, me convenci que a motivação é mais politica do que qualquer outra coisa.

 

Excelente texto! Clareou legal a questão! Acho que encerrou, né?

Porque questões como estas abaixo são tardias:

- "energia gerada em belo monte vai ser utilizada para quê?" - vai para o sistema nacional de distribuição 70% do total gerado, para ser distribuído na rede nacional;

- "exploração de recursos minerais do subsolo" - subsolo do lago? Ou da barragem de concreto? (essa pergunta tem de ser feita pro Daniel Dantas - não pro Governo Federal);

- "...é um investimento capitalista? É um investimento de direita ou de esquerda? É um investimento democrático?" - é um investimento público para TODA a sociedade - mais democrático que isso não existe; pra alguns, investimento bom seria fazer backbone de fibra ótica, colocar satélite em órbita e vender pra Telmex do Slim...

- "Houve algum tipo de orçamento participativo em que os brasileiros pudessem opinar a respeito da construção ou não de belo monte? Uma obra desse porte em região tão especial não deveria passar por uma consulta popular?" - Está em discussão DESDE 1980; já foi discutida, reavaliada e reprojetada para ter O MENOR IMPACTO AMBIENTAL nas comunidades do entorno, bem como O MÁXIMO APROVEITAMENTO na geração energética (tem gente que não lê post até o fim...)

 

E tem gente que acha que basta olhar por um só lado para encerrar a questão

 

http://catarse.me/pt/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

 

Já postei antes, vai aí de novo, de quem entende (e corrobora um post anterior com entrevista da Época que detona o projeto à la Tucuruí, outro fracasso):

''Belo Monte vai exportar empregos''
Biólogo diz que, apesar de ser vendida como solução contra o apagão, usina será fonte de energia para indústrias que exportam produtos primários, como alumínio
27 de abril de 2011 | 0h 00

Karina Ninni - O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO

O biólogo americano Philip Fearnside acompanha os planos do governo para explorar o potencial hidrelétrico da Amazônia desde os anos 70, quando morou em Altamira, no Pará. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), órgão federal, Fearnside afirma que a Usina de Belo Monte, vendida como solução para evitar o apagão no País, terá boa parte de sua energia usada pela indústria de eletrointensivos, em especial a de alumínio. Para ele, o Brasil vai exportar produtos primários, criando empregos no exterior. "E os impactos vão ficar aqui, com os ribeirinhos e os índios."

O projeto de Belo Monte mudou muito nesses 30 anos?

Mudou e não mudou. Lembro de, em 1976, ter entrado no escritório do Incra e ter conseguido o mapa com as hidrelétricas que iam inundar uma parte da área da colonização idealizada pelo Estado e terras indígenas. Na época ninguém podia fazer nada porque era uma ditadura. Hoje, temos o sistema do EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), mas a tomada de decisões não mudou, continua no mesmo círculo, e todo o resto parece que vira formalidade. Para tomar uma decisão dessas, você tem de olhar todos os impactos, não só os do EIA-Rima.

E o que há de importante que não está no EIA-Rima?

O que chama atenção é que 30% da energia (de Belo Monte) vai para a indústria de eletrointensivos, basicamente alumínio. Será a fonte de energia para novas unidades de grandes produtoras de alumínio no Pará e no Maranhão. Vai haver expansão das usinas de alumina e de alumínio primário. Belo Monte é apresentada como uma iniciativa contra o "apagão". O brasileiro médio é levado a pensar que vai ficar sem ver TV se não forem feitas as hidrelétricas do Madeira, de Altamira, mas o País tem grande margem de flexibilidade. Tem toda essa energia sendo exportada, boa parte em forma de lingote de alumínio. Algo muito diferente de exportar um avião de alumínio feito pela Embraer, que gera empregos. O importante no valor do lingote não é o minério ou a mão de obra: é a energia. Exportamos energia elétrica e, com ela, empregos.

Os impactos se justificariam, então, se os objetivos da geração fossem "mais nobres"?

O Brasil não enfrentou ainda a questão mais crítica: o que fazer com essa energia. Mas está importando os impactos ambientais para gerá-la. Ninguém quer fazer hidrelétrica nos Estados Unidos, na Europa, para fazer alumínio. A solução é fazer isso na Amazônia e deixar os impactos aqui e os benefícios no Hemisfério Norte. Lá vão gerar empregos para transformar esse lingotes em produtos acabados e os impactos vão ficar com ribeirinhos e índios. No caso de Belo Monte, está se deixando quase seco um trecho de mais de 100 quilômetros do Rio Xingu com duas áreas indígenas e comunidades de ribeirinhos.

O que é "quase seco"?

No EIA-Rima, a "vazão ecológica" é o mínimo necessário para passar para essas comunidades. Uma dos condicionantes foi aumentar esse volume, o que foi feito. Belo Monte tem duas casas de força e duas barragens. Em Volta Grande do Xingu gera-se pouca energia, correspondente à vazão ecológica. O grosso da água vai ser desviado para o Reservatório dos Canais, onde está a casa de força principal, com 11 mil megawatts. Isso deixa na Volta Grande uma quantidade de água mínima. O impacto de uma hidrelétrica em geral é inundação, aqui é a falta de água.

E quanto seria inundado para a construção da usina?

A soma dos reservatórios dos Canais e da Calha (o da Volta Grande) estava calculada em 400 quilômetros quadrados de inundação. Subiu para 516 km² e depois saiu o edital com o número em torno de 615 km². O reservatório de Belo Monte é pequeno se comparado à energia gerada. Agora, cerca de 11 km acima da Volta Grande ficaria, pelos planos do governo, a barragem de Altamira. Ela é um lago de 6.140 km². Mais que duas vezes Balbina (usina inaugurada nos anos 80 que é considerada o maior desastre ambiental do País). Em 2008, o Conselho Nacional de Política Energética disse que só iria fazer Belo Monte, e não as outras hidrelétricas. Mas o conselho muda de um governo para outro.

Existe esse risco?

O projeto de só uma hidrelétrica é inviável. Durante quatro meses, na seca do Rio Xingu, não se conseguirá movimentar uma turbina sequer da grande casa de força. O governo e as empresas planejam com outros cenários. O plano inicial previa seis hidrelétricas no Xingu. Depois, diminuiu para quatro. Quando Marina Silva era ministra, tentou criar uma Reserva Extrativista na área que seria inundada pelas hidrelétricas, e isso foi vetado pela Dilma, na época na Casa Civil. A cúpula não tem intenção de ter só uma hidrelétrica.

Quanto de metano Belo Monte emitiria?

Belo Monte e o reservatório da barragem de Altamira juntos, para os primeiros dez anos, uma média de 11,2 milhões de toneladas de carbono equivalente ao ano. É mais do que a cidade de São Paulo emite em um ano.

Você contesta a geração de energia por hidrelétricas?

Não. Para cada uma você tem de avaliar os impactos e as alternativas a elas. E tem de saber para que vai servir essa energia.

QUEM É

Philip Fearnside
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Formado em Biologia pelo Colorado College, nos EUA, é mestre em Zoologia e doutor em Ciências
Biológicas pela Universidade de Michigan. Está no Inpa desde 78.

 

O cara faz um trabalho que pesquisa e conclui com enrolação -- exportação de emprego e exportação de energia.
Raciocinam como se toda empresa devesse ser pequena, pouco consumidora de energia e grande geradora de empregos. Se houvesse isso seria uma maravilha. Mas não é a realidade. As grandes empresas são mais do que necessárias principalmente neste momento de crise onde o crescimento é questão crucial. O impacto é grande, o que se fez foi diminuir ao máximo tal impacto e verificar que não há alternativas a Belo Monte.

Quando se faz um trabalho de pesquisa há uma série de pressupostos que nem sempre se verificam -- a rigor quando se verificam é de forma aproximada. No caso desses especialistas que são apresentados pela mídia (como a Época) e pelos ecofundamentalistas, tais pressupostos não correspondem e os resultados não seriam sequer discutidos não fosse a histeria contra Belo Monte e as grandes empresas.

Não temos o melhor dos mundos e não podemos parar na crise que abala o mundo. Em particular, reiterando, não podemos prescindir de Belo Monte -- ligada ao sistema integrado --, gerador de desenvolvimento -- com todos os impactos -- para o Norte Nordeste e fornecedor de energia para grandes empresas. É essa a realidade independente dos bigodes do Sarney.

 

"Seja realista: exija o impossível"

Não está escrito em nenhuma tábua da lei que Belo Monte é imprescindível. Só nos escaninhos do ministério de minas e energia há engavetadas vários projetos de PCHs que juntas produzem mais que Belo Monte, e sem cometer a barbeiragem de não ser perto de onde se consome (o calcanhar de Aquiles do modelo atual é distribuição, não geração).

 

O grande mistério é o porque de tanta resistência à Belo Monte, vindo de quem vem:
MíRdia e seus neoliberettes (ou o contrário).
Desde quando esse povo defende causas ambientais ou indígenas?
Por que não protestaram contra Tucuruí que, pelo que sei, alagou muito mais e serviu eminentemente para alimentar um projeto de alumínio (indústria eletrointensiva) nacional/ multinacional no Maranhão?
Pelo que entendi, serão cerca de 275 km2 de alagamento (uma área equivalente a uns 16.500 por 16.500 metros). Se considerarmos metade como devastação já existente, seriam 3 praias de Copacabana ou 5 av. Paulistas, quadradas.
É muito barulho estranho e dissonante, némêz?