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Berlusconi, Murdoch e o jogo político da mídia

A Grã-Bretanha e o poder econônico da mídia na política.

O texto no Estadão de hoje (disponível no link clique aqui ) é interessante por abordar a questão sem paranóias como as que temos por aqui.

O caso dos grampos e a sede de poder de Murdoch A oposição liberal-democrata deve exigir uma comissão para examinar a propriedade e as regras de competição na mídia da Grã-Bretanha e reduzir a influência política 12 de setembro de 2010 | 0h 00

WILL HUTTON - O Estado de S.Paulo

O que as pessoas ricas fazem com seus impérios de mídia é um assunto polêmico em todas as democracias ocidentais. Essa propriedade não é apenas uma fonte de lucro privado; é uma fonte de poder público, um meio de moldar o mundo para ajustá-lo aos próprios interesses.

Políticos cortejam editores e proprietários de mídia pela excelente razão de que estes podem trazer votos e influir na opinião pública.

Essa é a razão para a maioria das democracias desenvolver regras complexas sobre propriedade da mídia. A Grã-Bretanha, surda para sua importância, é muito branda. Ela não impõe nenhum requisito de nacionalidade; não policia atentamente a participação em qualquer mercado de mídia de um proprietário, nem faz exigências sobre a limitação do poder dos donos para abocanhar participação em outros campos da mídia; nem sequer se importa o bastante para evitar o controle do mercado.

O pressuposto tem sido que uma legislação de competição aplicada com moderação juntamente com a autorregulamentação é tudo que a Grã-Bretanha precisa, sem se preocupar muito com as consequências políticas e culturais. Esta é, eu proponho, a atitude de uma civilização decadente que está perdendo seu orgulho e seu senso de finalidade nacional.

Assim, ninguém mexe uma palha pelo fato de os títulos do Independent, juntamente com o único jornal noturno de Londres, pertencerem a um oligarca russo com alegados vínculos com a antiga KGB.

Richard Desmond, que fez fortuna com pornografia, pôde estender sua propriedade de mídia dos títulos do Express ao Channel 5 sem nenhuma objeção. Os irmãos Barclay, donos dos títulos Telegraph, estão domiciliados nas Ilhas do Canal. E o caso mais famoso de todos, a News International (NI) de Rupert Murdoch, que já é a força dominante no mercado jornalístico britânico, está surgindo como o ator dominante na televisão britânica também, graças à Sky, cujo controle absoluto está tentando adquirir.

O único outro país que se aproxima dessa atitude extraordinária de nexo entre propriedade de mídia e poder é a Itália - com resultados sinistros.

O professor Manuel Castells, o grande estudioso da nova era da mídia, analisa o surgimento dos "infocapitalistas" que constroem redes de negócios e poder político que se reforçam mutuamente com a posse da produção de informação e conhecimento. Silvio Berlusconi é o mais importante deles - o ministro "infocapitalista" por excelência que modifica as leis para acomodar a ascensão de seu império empresarial e depois usa descaradamente o poder decorrente para trazer a opinião pública para o seu partido e publicar matérias caluniosas sobre adversários políticos.

A opinião bem pensante na Grã-Bretanha abana a cabeça, acreditando que esses usos gritantes da mídia em causa própria não poderiam ocorrer aqui. Mas poderiam e ocorrem. A News International não tem menos poder em várias mídias do que a Mediaset de Berlusconi, e apesar de seu dono não ser um político ativo, ela se tornou o principal ator na cena política e midiática britânica, perseguindo interesses que se estendem da regulação a quem vai governar.

Esse é o contexto para se entender a crise crescente enfrentada por Andy Coulson, o secretário de imprensa do primeiro-ministro, David Cameron, sobre a potencial extensão do grampo ilegal de telefones celulares para o correio de voz dos famosos quando era editor do News of the World, o principal tabloide dominical do plantel da News International.

Grampos. Agora, a revista do New York Times publica novas evidências de repórteres do jornal durante a editoria de Coulson insistindo na extensão dos grampos de telefones celulares, como os inquéritos iniciais da Scotland Yard sugeriram, mas que a NI sistematicamente negou. A NI argumenta que o caso se limitou ao ex-repórter que cobria a família real, Clive Goodman, que passou alguns meses na prisão pelo delito que provocou a renúncia do próprio Coulson.

Na semana retrasada, outro repórter do jornal foi suspenso, de novo, acreditamos, por suspeita de grampo telefônico. Coulson disse repetidas vezes que não sabia de outros grampos além do praticado por Goodman e se recusa a comentar de novo o assunto.

Há a crítica usual de que, no mínimo, Coulson está exposto por seus erros de julgamento: se ele não sabia daquilo, deveria saber. Por inferência, a mesma acusação caberia a seu chefe, Cameron. Mas o premiê é obrigado a aceitar a palavra de seu secretário de imprensa, a menos que surjam provas fortes em contrário. Coulson não é apenas bom em seu trabalho, ele leva a vantagem de ter uma extensa rede dentro da NI, a mais poderosa "infocapitalista" da Grã-Bretanha. É o efeito Berlusconi em estilo britânico. Não é uma visão agradável.

Mesmo que o grampo telefônico tenha sido tão isolado quanto a NI e Coulson alegam, o que ficou público foi conduzido com espantosa impunidade. Os editores sabiam que haveria pouca reação. A Comissão de Reclamações sobre a Imprensa, cuja investigação do caso foi embaraçosa e inevitavelmente capenga, não constituiu uma ameaça.

Além disso, a NI tem um grosso talão de cheques. O mais ameaçador é que The New York Times conversou com investigadores da Scotland Yard que acreditam que a polícia metropolitana não queria levar as investigações para além de Goodman; ninguém queria ficar contra a NI.

Embora os trabalhistas na oposição estejam altamente preparados sobre o caso, no governo eles se mostravam menos que impotentes. O ex-secretário do Interior, Alan Johnson, agora pode querer a reabertura da investigação policial; no cargo, ele não quis ofender a NI em plena corrida para uma eleição mais do que a Scotland Yard quer hoje.

Tessa Jowell diz que seu telefone foi misteriosamente grampeado 28 vezes. Por que ela não agiu quando estava no poder? A NI tem a ambição de encolher a BBC, entrincheirar o poder da Sky num monopólio de facto, para se fazer árbitro da política britânica enquanto usa a lucratividade de sua operação britânica para respaldar suas ambições globais.

David Cameron assegurou apaixonada e privadamente, a pelo menos um alto executivo de TV que eu conheço, que não está no bolso de Murdoch, mas ele também não quer perder seu secretário de imprensa.

Nick Clegg e os liberal-democratas têm uma oportunidade de ouro. Eles não deveriam reforçar o tiroteio sobre Coulson a menos que ele seja claramente culpado, mas insistir como contrapartida no estabelecimento de uma comissão de mídia, nas linhas da comissão bancária (uma das melhores realizações dos liberal-democratas e de Vincent Cable), para examinar a propriedade e as regras de competição na mídia da Grã-Bretanha.

Uma mídia britânica plural e diversificada, sustentada por uma BBC forte, deveria estar no cerne do pensamento e da política liberal-democratas.

Curiosamente, nenhum candidato à liderança dos trabalhistas propôs uma comissão dessas, nem explicitou como eles lidariam com o "infocapitalismo" e o poder da mídia privada. Clegg poderia mostrar a seus críticos que a coalizão tem uma dimensão liberal, que ela não é nenhum fantoche de Cameron, e contrapor sua posição à contemporização crônica dos trabalhistas.

Quem defenderá a Grã-Bretanha de sua "berlusconização"? Neste momento, os liberal-democratas poderão ser tudo que temos. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É COLUNISTA

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Caro Geraldo,

O que HUTTON escreveu é verdadeiro, porém, se não considerarmos o que compulsoriamente, deverá ser seguido, em especial no Brasil, o HEDGE tenderá a ser imperfeito e aí ............................. 

Criar-se-ia um flagrante desequilíbrio, uma vez que as fortunas doadas para as campanhas, por milionários e fortes empresas, favoreceriam extraordinariamente os grandes lobbies e seus candidatos, sem o contraponto da imprensa.

Restam às esquerdas, criarem seus Jornalões e seus Blogs (estes já avançaram no tempo) e competirem com competência e em igualdades de condições.

O "Papa Macedo" não inventou a sua fórmula, com direito a esperar de que lado vai fica, até consolidar o seu próprio Partido (???) e, mandar às favas as esquerdas, o centro e a direita? Lembrem-se, ele é um DEUS EXECUTIVO, não tem lado; ele só entende o "estar por cima"!

Quanta ingenuidade!!!!!

 

Tem valido a pena para Veja se especializar em destruir reputações até agora, já que a Justiça brasileira tem por costume avaliar a reputação dos outros por mais importantes e públicas que sejam em trinta mil reais. A Veja já destrói por toneladas não é mais as dezenas porque é muito pouco.

 

Devemos separar o joio do trigo. Imprensa verdadeira de falsa imprensa. Imprensa falsa nem merece o nome de imprensa e é aquela que trama, mentindo e falsificando os fatos, tal como hoje estamos vendo.  A falsa imprensa não poderia se socorrer da alegação de respeito à liberdade de imprensa pelo simples fato de que não pratica jornalismo. A boa proposta seria aquela que, num grande debate da sociedade, se pudesse objetivamente apontar a falsa imprensa e decidir pela punição adequada a essas empresa criminosas. Esse debate, que poderia ser acompanhado pelos órgãos da justiça, necessita de urgente começo. O que a revista Veja aprontou nesta semana dá bem a medida do ponto a que esses donos, que o artigo chamou de infocapitalistas, podem ir para prejudicar o país. Se estamos num país democrático, as eleições devem ser sagradas e imunes da ação  de bandidos, da laia de Frias, Civitas, Mesquitas e Marinhos.

 

Gostei do termo infocapitalista, bate com algo que percebi meses atrás.

Acredito que com a crise econômica, foi acelerado um processo de transformação da sociedade, que já estava em andamento. Sai de cena o capital (e o mercado), dando lugar a informação e o trabalho em cima da mesma como principal setor da economia global.

Não estou dizendo que o dinheiro deixou de ser importante, de forma alguma. Mas que a informação (graças a Internet) passou a ser a principal arma ou forma de se obter dinheiro, poder e status.

Antes mesmo da crise afetar as bolsas para valer, gigantes da internet, que essencialmente trabalham com informação de uma forma ou outra já valiam mais que empresas tradicionais da indústria. Só para citar um exemplo, nos primeiros meses de 2008 a Microsoft tentou comprar o Yahoo por 44 bilhões. Dinheiro que na época compraria a Ford e GMs juntas. E ainda sobraria o suficiente para comprar uma "segunda GM".

Resta saber quais serão as implicações dessa transformação. E como a velha mídia se adaptará para sobreviver. Se sobreviver.

 

"Globo-Abril-Folha-Estado" a sigla é GAFE *risos* foi de proposito ou ato falho?

 

Parabéns para o colunista que fez um alerta contundente, porém questiono se não estamos já em situação semelhante às imprensas Italiana e Britânica? Os tucanos, apesar de não serem os reais responsáveis na concessão ( jornais, rádio e televisão ), não dominam os maiores órgãos da imprensa nacional? E os reais concessionários não são filhotes da ditadura e portanto tão asquerosos quanto os Murdochs e/ou os Berlusconi? Há contratos entre grande parte da imprensa e o governo tucano. Estes até podem existir mas de maneira clara, com divulgação gigantesca feita pelos próprios beneficiados, colocando e dando ciência ao público, consequentemente ao povo, estampando nas primeiras páginas dos jornais manchetes divulgando tais parcerias; assim como os seus valores. Isso não acontece hoje!  Assim, pela obscuridade existente, se acredita que grande parte da imprensa ( asco maior à Veja ) está EFETIVAMENTE comprada pelos TUCANOS, que a meu ver, hojé é o maior câncer existente no Brasil! É necessária e imprescindível uma Lei que regule tal poder da mídia! Viva a DEMOCRACIA! Não podemos deixar que parte da ELITE, a "ELITE" que sempre mandou no País, faça a democracia dela; democracia pequena, injusta e asquerosa! ( Desde 1994 sempre votei no PSDB! Somente em 2006 votei no LULA! Hoje tenho relutância infinita aos tucanos e ao respectivo partido ).  Dilma 2010!

 

Geraldo Greco,

Tenho defendido que com a internet talvez se torne possível o jornalismo do tipo I. F. Stone. Milhões de I. F. Stone de todas as ideologias. Quando um desses I. F. Stone cometer alguma falha ele poderá ser apenado com a justa sanção - até mesmo a interdição - sem se importar para as conseqüências que a penalidade poderia trazer para a liberdade da imprensa, pois não haveria conseqüências nenhuma.

Hoje não. Uma vez o polvo instale, em um caso de uma infração qualquer, é impossível dar a ele a pena merecida, pois nesse caso se vai falar e com justa razão que se está indo contra a liberdade de informação.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 12/09/2010

 

Geraldo Reco,

Desculpe-me pelo erro na grafia do seu nome. Eu sendo aqui de BH e com o destaque da família Greco aqui eu apressadamente cometi o equívoco na leitura do seu nome.

Atenciosamente,

Clever Mendes de Oliveira

BH, 12/09/2010

 

Nestas eleições estão em jogo interesses de grande monta tais como: pre-sal, banda larga, novas tecnologias ameaçando a nova mídia.

Por isso podemos esperar pq vem mais "bala de prata" por aí, a bandidagem midiática continuará em ação até o dia 3 de outubro

 

 

...spin

 

 

A idéia fixa do PSDB, do Serra e do Partido da Imprensa Golpista, a mídia PIG, em dossiês não é tentar levantar a candidatura de Serra. Eles já sabem que essa batalha está perdida.

O objetivo principal do PSDB é NÃO PERDER EM SP.

Se o MERCADANTE e o PT vencerem em SP, o PT vais abrir a gigantesca CAIXA PRETA do PSDB nesses 16 anos "deitando e rolando" com o dinheiro público dos PAULISTAS!

ESSE É O GRANDE MEDO DO PSDB - O PT ASSUMIR SP E MOSTRAR TODO O GIGANTESCO PREJUÍZO causado a SP pelo DOMÍNIO eterno do PSDB PAULISTA, sempre ACOBERTADO PELA MÍDIA PIG nas privatarias e falcatruas...

Dá mais de R$110 BILHÕES!

E ainda tem o aparelhamento do Ministério Público e Justiça Paulistas. O Min. Público de SP nada fez quanto ao prejuízo de R$835 milhões feito pelo Alckmin na entrega da CTEEP - Transmissão Paulista - para a ESTATAL COLOMBIANA ISA...

A PIG esconde muito bem essa maracutaisa do PSDB, para garantir que os tucanos continuem "deitando e rolando" em SP com o nosso dinheiro !

 

 

Você é otimista, meu caro ou minha cara.

Se a Dilma não ganhar no 1º turno, o lixo midiático se intensificará no 2º turno.

Se Dilma ganhar ou no 1º ou no 2° turno, o lixo midiático se intensificará visando impedí-la de tomar posse.

Se tomar posse, a latrina da velha imprensa será jogada no ventilador para impedí-la de governar.

 

Como nos informa o Rodrigo Vianna neste texto, por aqui não é diferente e já faz parte da nossa história:

Jango e a imprensa golpista em 1964; Lula e o bombardeio midiático em 2010

 

Releio o indispensável “O Governo João Goulart”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira, em edição revista e ampliada – agora pela Editora Unesp. É obra impressionante, pelo volume de documentos e entrevistas que Moniz Bandeira recolheu, a reconstituir a marcha do confronto e do golpismo que abateu Jango.

Lá pelas tantas, no capítulo 10, ele conta o episódio em que Lacerda, “O Corvo”, vai ao “Los Angeles Times”, nos EUA, e anuncia que os militares brasileiros estavam avalaindo o que fazer com Jango, se seria “melhor tutelá-lo, patrociná-lo, colocá-lo sob controle até o término do seu mandato ou destrui-lo agora mesmo”.

Corria o ano de 1963. Jango e os militares “legalistas” que o apoiavam viram na declaração de Lacerda uma senha de que a direita daria o golpe, e tentaram decretar o estado de sítio. Mas o presidente não teve apoio no Congresso para tanto. A ala brizolista do PTB, diz Moniz Bandeira, não queria estado de sítio, queria um processo revolucionário mesmo. Jango prendia-se à legalidade e, sem apoio para atacar os oponentes dentro da Constituição, acabou recuando. Caminhou a passos largos para a deposição.

Ali, se os trabalhistas tivessem atacado, o golpe poderia ter sido debelado. Faltou unidade, combatividade e compreensão do que estava por vir.

A falta de limites e de escrúpulos da oposição a Lula faz-me lembrar essa história de 47 anos atrás. Os tempos são outros, eu sei. Não há Guerra Fria. E hoje a oposição golpista não teria eco em jornais dos EUA – que se derretem em elogios a Lula.

Serra vai mal no papel de Lacerda. Bem que tentou: bateu à porta do Clube da Aeronáutica, feito vivandeira. Mas falta-lhe vivacidade, falta-lhe alma e pulso.

É por isso que a imprensa assumiu o comando da oposição.  Segue o mesmo roteiro do pré-64. Os escândalos forjados e o golpismo são explícitos. Colam entre parcelas da classe média – que ainda não se animou a marchas com Deus. Ela virão? Provavelmente, não. Hoje, existem as correntes na internet, os jornalistas apedeutas de esgoto e as capas da “Veja”.

 

Aliás, Lacerda também não faria sucesso a essa altura do século 21. Procura-se – entre o Jardim Botânico e a Barão de Limeira – um candidato a Micheletti,  o líder da quartelada com ares de legalidade em Honduras.

A escalada midiática em 2010 faz necessário relembrar quem é essa gente. Relembrar as manchetes e os textos que eles produziram em 64. É essa a gente que hoje berra em “O Globo”, na “Folha”, no Estadão”. Já berravam em 64.

A velha mídia não tem o poder que tinha em 64, 82, 89 ou até mesmo em 2006. Mas ainda faz algum estrago. Vamos sentir agora, nessas três últimas semanas de bombardeio. Há pelo menos 3 meses, digo humildemente que subestimar o adversário é sempre um erro grave. Quanto mais, adversários desesperados.

Lula poderia tê-los enfrentado a sério no segundo mandato. Preferiu comer pelas beiradas. Agiu certo? Ou titubeou, como Jango em 63?

A história dirá.

Fiquem com o pesadelo e a farsa das manchetes de 64, recolhidas de um post da “Carta Maior” (não deixa de ser também uma forma de homenagear o presidente chileno Salvador Allende, morto em 11 de setembro de 73: ele, como Jango, foi vítima de uma elite perversa e de uma mídia golpista).   

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Ufa!!”  (Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964 – jornal de Lacerda, o campeão do golpismo)

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“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (…) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem.  Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas…”  (O Globo – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

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Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro -  Abril de 1964, jornal tido como “democrático”)

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(SÃO PAULO REPETE 32) “Minas desta vez está conosco”… “dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.”

(1o/04/64 –O ESTADO DE SÃO PAULO)–

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“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade.
Ovacionados o governador do estado e chefes militares.
O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”
(Estado de Minas, 2 de abril de 64)

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“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil” (O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)

FONTE: http://www.rodrigovianna.com.br/geral/jango-e-a-imprensa-golpista-em-196...

 

 

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Quem defenderá o Brasil de sua "berlusconização? Neste momento, Lula pode ser tudo o que temos.

Que Lula use imediatamente seu poder de liderança para garantir a democracia ameaçada pela bandidagem  midiática.

A este respeito, no VioMundo

Mauro Carrara: Os atentados terroristas de setembro de 2010

Carta ao Presidente Lula e à Sra. Dilma Rousseff

Os atentados terroristas deste Setembro de 2010

por Mauro Carrara (em nome de muitos, muitos brasileiros)

Senhor presidente, senhora candidata,

Certa vez, ao perceber o limite da tolerância ultrapassado, o diplomata italiano Baldassare Castiglione pronunciou uma frase que incomodou seus colegas e o episcopado romano.

– Perdoando demasiadamente aos que cometem faltas, fazemos uma injustiça contra os que não as cometem.

Baseado nessa sentença, séculos depois, o escritor Émile Zolá escreveu no L’Aurore o célebre artigo J’accuse (Eu acuso), em que aponta os poderosos conspiradores e malfeitores que haviam destruído a reputação e a vida do capitão do exército francês Alfred Dreyfus, injustamente acusado e condenado por traição.

Em seu ácido, duro e brilhante texto, Zolá denuncia cada um dos responsáveis pela produção de falsas provas, assim como a parcela da imprensa que se empenhou em iludir o público e incitar o ódio contra o militar e seus defensores.

O escritor ergue o dedo na direção dos veículos de comunicação que se juntaram à conspiração. Vale recordar o trecho:

– Eu acuso os gabinetes de guerra de terem liderado na imprensa, particularmente no L’Éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável para distrair a opinião e encobrir seus erros.

Hoje, no Brasil, assistimos atônitos a uma série de atentados terroristas praticados pela mídia, mais especificamente pelas Organizações Globo, pela Editora Abril (sobretudo por meio da revista Veja), pela Folha de S. Paulo e pelos veículos do Grupo Estado.

Por conta de interesses eleitorais, esses veículos de comunicação converteram-se em núcleos de terrorismo organizado, servindo especialmente aos partidos neoconservadores, o PSDB, de José Serra, e o DEM.

Liderados pelo Instituto Millenium praticam diariamente atentados contra a Democracia e o Estado de Direito.

Caluniam, difamam, injuriam e praticam fraudes, sempre impunemente, sempre arrogantemente, sem que se sejam alcançados pelo braço da lei.

Infelizmente, não há policial, promotor ou magistrado que se ocupe de enquadrar essas gangues e os grupos econômicos que as sustentam.

O cidadão está só, indefeso, pois não vê qualquer reação dos tribunais regulares, da tendenciosa justiça eleitoral, tampouco do Executivo Federal.

Dessa forma, o consórcio Globo-Abril-Folha-Estado segue agredindo barbaramente não somente os bons valores e princípios, mas também todos aqueles que lutam para consolidar a democracia no Brasil.

A seleção maliciosa de temas e a edição criminosa dos textos jornalísticos têm marcado a cobertura das Eleições 2010.

O golpismo irrompe explícito em todos os conteúdos políticos publicados pelas famílias Marinho, Frias, Mesquita e Civita.

Depois da criação do factoide que envolve a Receita Federal, o “Setembro de Fogo” ganhou mais um crime da lavra do “jornalista” Diego Escosteguy, funcionário do panfleto terrorista da família Civita.

Convém lembrar que o mesmo elemento publicou em 28/01/2006 a reportagem “Caixa financia obra da Vila Panamericana sem licitação”, um peça de sabotagem política construída a partir de dados incorretos, incompletos e fantasiosos.

Diego Escosteguy e muitos de seus colegas do bando de Veja deveriam, na verdade, ocupar celas em prisões de segurança máxima, considerada a natureza destrutiva e criminosa do material contaminado que disseminam, semanalmente, para envenenar as relações sociais em nosso país.

Em seu mais recente crime, Veja e Escosteguy mentem, caluniam, difamam, adulteram fatos e agridem covardemente a Sra. Erenice Guerra, funcionária dedicada do Governo Federal, reconhecida por sua competência e reta conduta.

A “reportagem” denominada “O polvo no poder” constitui-se em inacreditável coleção de mentiras, exageros, deduções ilógicas, deturpações e invenções maliciosas, uma bomba midiática destinada a destruir reputações e estimular os setores mais reacionários da sociedade à prática de delitos que rompam a ordem institucional.

O Sr. Leonel de Moura Brizola nos ofereceu inúmeros exemplos de coragem e determinação, especialmente no que tange às ações de combate aos terroristas midiáticos do consórcio Globo-Abril-Folha-Estado.

Nós o vimos lutando bravamente, por exemplo, quando as Organizações Globo tentaram fraudar o resultado da eleição de 1982, no famoso Escândalo Pronconsult.

Cabe-vos, portanto, neste momento decisivo da vida nacional copiar esse modelo de conduta e liderar sem medo uma ação de cidadania que vise a coibir tais ações terroristas e encaminhar juridicamente o enquadramento não somente dos falsos jornalistas, mas também de seus capatazes e dos donos dos latifúndios midiáticos.

Isso requer de vossa parte um imediato J’accuse público de figuras nefastas como Ali Kamel, Eurípedes Alcântara, José Roberto Guzzo, Mario Sabino, Roberto Irineu Marinho, Ruy Mesquita e Otávio Frias Filho.

Ao nomear os mandantes e autores do terrorismo midiático, vacina-se a população brasileira contra a vírus da desinformação.

Além disso, constitui-se precedente para que todos os cidadãos prejudicados pelo consórcio midiático possam engendrar suas defesas e exigir a devida reparação.

Não existe democracia sem que o Direito e a Justiça sejam observados também no labor da informação pública.

Hoje, esse serviço de máxima importância estratégica para o país está controlado por uma malta de coronéis e bandoleiros contratados, cujos crimes têm sido vergonhosamente desconsiderados pelas autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Exige-se uma resposta imediata, vigorosa e esclarecedora. E certamente é vossa a voz que o povo ouvirá.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-carrara-os-atentados-terro...

 

 

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