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Brasileiras protestam contra 'estigma da hipersexualidade'

Por Marco Antonio L.

Do Vi O Mundo

O combate ao preconceito contra as brasileiras em Portugal

A reportagem do Diário de Notícias, à qual se refere o texto

Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal

sugerido pelo Júlio César Cossio Rodrigues, a partir de página no Facebook

Vimos por meio deste, manifestar nosso repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal e exigir que providências sejam tomadas por parte das autoridades competentes.

Concretamente, apontamos a comunicação social portuguesa e a forma como, insistentemente, tem construído e reproduzido o estigma de hipersexualidade das mulheres brasileiras. Este estigma é uma violência simbólica e transforma-se em violência física, psicológica, moral e sexual. Diversos trabalhos de investigação, bem como o trabalho de diversas organizações da sociedade civil, têm demonstrado como as mulheres brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal.

O estigma da hipersexualidade remonta aos imaginários coloniais que construíam as mulheres das colônias como objetos sexuais, escravas sexuais, e marcadas por uma sexualidade exótica e bizarra. Cita-se, por exemplo, a triste experiência da sul-africana Saartjie Baartman, exposta na Europa, no século XIX, como símbolo de uma sexualidade anormal. Em Portugal, esses imaginários coloniais, infelizmente, ainda são reproduzidos pela comunicação social.

Teríamos muitos exemplos a citar, mas focaremos no mais recente, o qual motivou um grupo de em torno de 140 mulheres e homens, de diferentes nacionalidades, a mobilizarem-se, a partir das redes sociais, para escrever este manifesto e conseguir apoio de diferentes organizações da sociedade civil. Trata-se da personagem “Gina”, do Programa de Animação “Café Central” da RTP (Rádio Televisão Portuguesa). A personagem é a única mulher do programa, a qual, devido ao forte sotaque brasileiro, quer representar a mulher brasileira imigrante em Portugal.

A personagem é retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa. Trata-se de um desrespeito às mulheres brasileiras, que pode ser considerado racismo, pois inferioriza, essencializa e estigmatiza essas mulheres por supostas características fenotípicas, comportamentais e culturais comuns. Trata-se de um desrespeito a todas as mulheres, pois ironiza/escarnece sua sexualidade, sua possibilidade de exercer uma sexualidade livre, o que pode ser considerado machismo e sexismo.

Trata-se, ainda, de um desrespeito às profissionais do sexo, pois ironiza o seu trabalho, transformando-o em símbolo de deboche/piada/anedota, sendo que não é um trabalho criminalizado em Portugal, portanto, é um direito exercê-lo livre de estigmas. No anexo 1 desta carta estão: o vídeo de um dos episódios, e a transcrição de um dos episódios, bem como, a imagem dos personagens. Destacamos que o fato é agravado por se tratar de uma emissora pública, a qual em hipótese alguma deveria difundir valores que ferem o direito das mulheres e da dignidade humana.

Além deste caso que envolve a televisão, existem muitos outros em revistas, jornais e publicidades, que exemplificam a disseminação do estigma em vários meios de comunicação de massa e cujos exemplos seguem em anexo. Seja qual for o meio de comunicação utilizado, é constante a representação estereotipada da mulher brasileira como objeto sexual, o que acaba por interferir na forma como as imigrantes brasileiras são percebidas e tratadas dentro da sociedade portuguesa.

– Anexo 2: a capa da Revista Focos, edição 565/2010, a qual apresenta as mulheres brasileiras como sedutoras e as representa com uma imagem cujo destaque é a bunda;

– Anexo 3: a reportagem do Diário de Notícias, edição do dia 26/06/2011, sobre o movimento SlutWalk Lisboa, a qual descontextualizou uma imagem, acabando por reforçar os estigmas contra a mulher brasileira, fazendo exatamente o contrário do objetivo do movimento;

– Anexo 4: publicidade do Ginásio Holmes Place- Health Club, atual, sobre uma modalidade de aulas intitulada “Made in Brazil”, a qual é representada por uma imagem cujo destaque é a bunda;

– Anexo 5: publicidade da Agência de Viagens Abreu, na Revista B de Brasil, edição inverno de 2001, cuja a imagem do Brasil é uma mulher e a mensagem da publicidade é uma referência direta aos descobrimentos e a disponibilidade, aos portugueses, do que havia e há no Brasil.

– Anexo 6: episódio do programa de humor “Mini-Malucos do Riso”, da SIC, no qual afirmam que no Brasil só há prostitutas e futebolistas.

Exigimos, das autoridades competentes, que se faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários. Destacamos, também, o “Memorando de Entendimento entre Brasil e Portugal para a Promoção da Igualdade de Gênero”, no qual consta que estes países estão “Resolvidos a conjugar esforços para avançar na implementação das medidas necessárias para a eliminação da discriminação contra a mulher em ambos os países”.

Grupo de Articulação do Manifesto: https://www.facebook.com/groups/manifestobrasileiras/

Contatos: [email protected]

Organizações e Movimentos Sociais que apoiam e subscrevem o Manifesto:

Associação ComuniDária – comunidade solidária à pessoa imigrante, sensível às questões de género e com iniciativas diversificadas de integração.

Observatório das Representações de Género nos Média, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Movimento SlutWalk Lisboa.

Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial de Mulheres.

Casa do Brasil de Lisboa.

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+16 comentários

Não conheço Portugal, mas, sempre ouço falar que os portugueses são, mesmo, imensamente machistas, de um modo geral.  Muito mais que os brasileiros, também, de um modo geral.  Sempre há excessões, em qualquer caso.  Também acho que não deveria haver mulheres frutas, ou mulheres pouquissimo vestidas, pelo bem da própria mulher, mas, enfim, não temos o poder de controlar as pessoas.  Cabe a nós, que pensamos de forma, mostrarmos ao mundo que o Brasil é imenso e não tem somente uma realidade.

 

Infelizmente a imagem da mulher brasileira em Portugal e no mundo está péssima.

Metade da culpa é da imprensa e novelas exportadas e a outra metade é da prórpia mulher brasileira e de nossa sociedade.

Essas mulheres que vivem de mostrar a bunda aqui sujam o nome da GRANDE MAIORIA das mulheres normais que são mães e trabalhadoras honestas.

E fazer protesto com a bunda de fora para exigir respeito é o fim da picada. 

A mulher brasileira tem que se dar mais valor, pois ninguém respeita mulheres de uma sociedade  que ganham dinheiro mostrando a bunda toda hora. Ex: Mulheres frutas, funkeiras e outras. E a pior de todas, a GLOBELEZA que convida os gringos para o carnaval com uma mulata pelada todo ano.

 

Tenho parentes portugueses e lá o conservadorismo é assustador mesmo, especialmente no campo e pequenas cidades. mas devemos lembrar que não somos tão "mudernos"(sic) como pensamos: agredimos homossexuais, achincalhamos mulheres com vestidos curtos (numa faculdade gente!), e por aí vai. Deveríamos exercer também a auto-crítica e fazer uma "passeata" diária no nosso íntimo e nos perguntar: será que sou mesmo um liberal tolerante como gosto de parecer ? 

 

 

o preconceito e obvio, mas ele não veio do nada, infelizmente as prostitutas e travecos que foram nas primeiras ondas de migração de brasileiros ajudaram em muito a dissiminação dessa imagem.

as nossas novelas globais também, o engraçado que quando se criticava a promiscuidade das novelas, muitos dos que se sentem ofendidas, saiam em defesa da liberdade de expressão, como se mostrar bunda fosse arte e não soft-porno.  

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Conforme o seu raciocinio, Mario, é possível justificar tudo. O preconceito, a violência, a tortura. Para tudo tem uma causa anterior. Me desculpe mas não se justifica o injustificável.

 

Vera Lucia Venturini

Prezado Nassif

Hipersexualidade é uma palavra politicamente correta para o real e muito ofensivo estigma de Prostitutas fáceis, baratas e completas !.

É preciso uma campanha internacional para combater tal infamente estigma da mulher Brasileira .Tudo muito parecido com o que era impigido as belas mulatas cubanas antes do "Fidelito" .

 

Esse cartaz "Somos Todas Brasileiras" com esse bundão do lado ficou estranho..... 

 

A alguns anos  atrás fui num barzinho em Lisboa, com minha irmã e meu cunhado, impressionante como me  olhavam como se eu fosse um ET! Só tinha homens, de mulher só eu e minha irmã.

Os portugueses, sem medo de errar, são extremamente preconceituosos, atrasados e se for para o interior...o negócio é sério.

 

 

E ainda, vejo que no Brasil apenas se dá destaque àquilo que é simpático os estereótipos brasileiros sobe os portugueses o que mostra uma tendência para a unilateralidade, já que em contraponto à questão do preconceito os portugueses, em mais que uma ocasião, mostraram a sua simpatia e mesmo confiança no Brasil.

Ainda há poucos dias saiu isto na imprensa portuguesa:

"(...)  No capítulo relacionado com os novos poderes emergentes, apenas 37 por cento dos portugueses manifestam uma opinião desfavorável face à China, uma descida de 17 por cento face a 2010. Sobre o Brasil, 85 por cento exprime uma opinião positiva, e de forma clara a mais elevada entre todos os países inquiridos. Quanto à Índia, apenas 26 por cento mantém um juízo desfavorável, um recuo de 14 por cento em relação ao ano passado."

O artigo completo:

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1994683&page=1

Portugueses cépticos nas relações entre Europa e EUA 

Os portugueses estão mais cépticos sobre as relações entre os EUA e a União Europeia (UE), com 40 por cento a considerar que é boa, uma descida de 14 por cento em relação a 2010, referem os resultados da sondagem "Transatlantic Trends 2011" hoje divulgados.

 

Os números indicam ainda que 52 por cento dos inquiridos em Portugal definem a relação entre os Estados Unidos e a União como mista (nem boa nem má), um aumento de 12 por cento face a 2010.

O inquérito anual de opinião pública realizado nos Estados Unidos, Turquia e 12 Estados-membros da UE, incluindo Portugal revela no entanto que 54 por cento dos entrevistados dos países da União pretendem que os EUA exerçam uma "liderança forte" face aos principais temas globais.

De todos os países participantes, a maior proporção de respostas positivas foi dada pelos próprios norte-americanos (85 por cento), enquanto na Europa, a Holanda, Reino Unido, Suécia e Alemanha lideram as preferência relacionadas com uma forte liderança dos Estados Unidos à escala global, logo seguidos por Portugal, com 58 por cento de opiniões favoráveis.

No âmbito específico das relações EUA-Portugal, já 82 por cento dos inquiridos portugueses aprovam a forma como Barack Obama está a gerir a política internacional, a percentagem mais elevada entre todos os países incluídos no estudo.

No capítulo relacionado com os novos poderes emergentes, apenas 37 por cento dos portugueses manifestam uma opinião desfavorável face à China, uma descida de 17 por cento face a 2010. Sobre o Brasil, 85 por cento exprime uma opinião positiva, e de forma clara a mais elevada entre todos os países inquiridos. Quanto à Índia, apenas 26 por cento mantém um juízo desfavorável, um recuo de 14 por cento em relação ao ano passado.

No capítulo da Turquia e Médio Oriente, os portugueses voltam a demonstrar pragmatismo.

Actualmente, 52 por cento têm uma opinião favorável sobre a Turquia (aumento de 11 por cento face a 2010); 52 por cento refere que a adesão da Turquia à UE não seria "nem boa nem má", o número mais elevado entre os países incluídos no estudo; e 65 por cento não considera que a Turquia seja demasiado pobre para integrar a UE, um aumento de 16 por cento.

Sobre a situação no mundo árabe, 76 por centos dos inquiridos portugueses considera que a UE deverá apoiar a democracia em situações de conflito (em particular no Médio Oriente e Norte de África) e não manter-se totalmente afastada, de novo a percentagem mais elevada a par da Suécia.

"Transatlantic Trends 2011" é um projecto do German Marshall Fund dos EUA e da Compagnia di San Paolo em Turim, Itália, com o apoio adicional da Fundação Luso-Americana (Portugal), da Fundação BBVA (Espanha), da Fundação Communitas (Bulgária), e do Ministério dos Negócios Estrangeiros sueco.

O inquérito foi realizado entre 25 de maio e 11 de Junho de 2011 junto de cerca de mil entrevistados de 14 países seleccionados: Alemanha, Bulgária, Eslováquia, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Suécia e Turquia.

 

 

 

 

Sem medo de errar, você pretende que a sua generalização dos portugueses seja um dado científico ao passo que generalizações sobre os brasileiros já são preconceito - convinha que se esclarecesse quanto a generalizações: ou são preconceito ou são ciência. Você decide.

 

Não estou generalizando. Tenho parentes e amigos portugueses e gosto muito de Portugal mas que são machistas ao extremo...ah são, sim senhor!

 

Ou seja, eu como sou português tenho que me ter como machista ou então como alguma excepção miraculosa à regra - o que me faz, se for bem comportado, uma espécie de ET português. Em todo o caso posso aceitar que há machismo em Portugal - embora não me pareça que chegue ao ponto de propor a lapidação de mulheres por supostas ofensas à moral familiar, embora quem ouça alguns brasileiros a falar de Portugal pouco falte para o taxar como uma espécie de sociedade nazi, ou coisa que o valha.  

Pergunto apenas se você acha que o machismo é coisa de português ou coisa que vai muito para além de Portugal e que solicita as talvez milenares e transnacionais determinidades culturais por mor das quais os homens por esse mundo a fora procuram impor e conservar uma posição de predomínio social? É que uma coisa é falar do machismo que exista em Portugal e mesmo criticá-lo como deve ser, outra coisa é propôr que Portugal seja alguma excepção num mundo onde o machismo foi erradicado.

 

 

Marcia, me desculpe mas sendo somente vc e sua irmã de mulheres num buteco cheio de homens, e sendo estrangeiras, você queria o que?  que simplesmente fossem ignoradas?  além de olharem fizeram algo desrespeitoso!  

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Não fizeram " algo desrespeitoso" até porque estávamos acompanhadas, como já havia dito no primeiro comentário, mas se estivéssemos  sozinhas saberíamos muito bem nos" defender".

 

Meu cunhado,  esposo de minha irmã, tb estava.

 

  Não sei de qual cela monástica você saiu, mas gostaria de saber em quais bares você vai. Evitarei ir ao mesmo lugar com minha irmã e minha companheira quando você estiver lá com seus amigos.