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Cachoeira e o desafio da mídia

Coluna Econômica - 02/05/2012

Nesses tempos de Internet, redes sociais, e-mails, uma das questões mais interessante é a tentativa de monitorar a notícia por parte de alguns grandes veículos de mídia.

Refiro-me à cortina de silêncio imposta pelos quatro grandes grupos de mídia – Folha, Estado, Abril e Globo - às revelações sobre as ligações perigosas do Grupo Abril – da revista Veja – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

As provas estão em duas operações alentadas da Polícia Federal – a Las Vegas e a Monte Carlo. Até agora vazaram relatórios parciais da Monte Carlo, referentes apenas aos trechos em que aparece o senador Demóstenes Torres. Ainda não foram divulgados dois relatórios alentados – ainda sobre Demóstenes – nem as cerca de 200 gravações de conversas entre o diretor da Veja em Brasília e Cachoeira e seus asseclas.

O que foi revelado neste final de semana já se constitui nos mais graves indícios sobre irregularidades na mídia desde o envolvimento de outra revista semanal com bicheiros de Mato Grosso, anos atrás. E está sendo divulgado por portais na Internet, por blogs, por emissoras rivais do grupo, vazando pelas redes sociais, pelo Twitter, Facebook em uma escalada irreprimível.

Mostra, por exemplo, como Cachoeira utilizou a revista para chantagear o governador do Distrito Federal, visando receber atrasados acertados no governo José Roberto Arruda. Os diálogos são cristalinos. A organização criminosa ordena bater no governador até que ceda.

Outro episódio foi o das denúncias contra o diretor do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte). Percebe-se que ele havia endurecido nos contratos com a Construtora Delta, parceira de Cachoeira. Nos diálogos, Cachoeira diz ter passado informações para Veja bater no dirigente para acabar com sua resistência.

Em 2005, Cachoeira foi preso. Seu reinado estava prestes a ruir. Sete anos depois, até ser preso pela Operação Monte Carlo, transformara-se em um dos mais influentes personagens da República, operando em praticamente todos os escalões.

Para tanto, foi fundamental sua capacidade de plantar escândalos na Veja e também sua parceria com Demóstenes Torres – erigido em mais influente senador da oposição por obra e graça da revista.

Dado o grau de intimidade da revista com o contraventor, há anos Roberto Civita sabia das ligações de Demóstenes com Cachoeira, assim como o uso irrestrito que Cachoeira fazia de suas ligações com a revista para achaques.

Nenhum poder ficou imune a essa aliança criminosa.

O STF (Supremo Tribunal Federal) se curvou ao terrorismo da revista, denunciando uma suposta “república do grampo” – quando, pelos relatórios da PF, fica-se sabendo que o verdadeiro porão do grampo estava na própria ligação da revista com contraventores.

O ápice desse terrorismo foi a provável armação da revista com Demóstenes, em torno do famoso “grampo sem áudio” – a armação da conversa gravada entre Demóstenes e o Ministro Gilmar Mendes (ambos amigos próximos) que ajudou a soterrar a Operação Satiagraha.

Outros poderes cederam à influência ou ao temor do alcance da revista.

O caso do Procurador Geral - 1

Nos diálogos, há conversas entre a quadrilha sugerindo bater no Procurador Geral da República Roberto Gurgel para ele não ameaçar seus integrantes. No senado, Demóstenes bateu duro. De repente, mudou de direção e ajudou na aprovação da recondução de Gurgel ao cargo de Procurador Geral. Coincidentemente, Gurgel não encaminhou ao STF pedido de quebra de sigilo de Demóstenes, apanhado nas redes da Operação Las Vegas.

O caso do Procurador Geral - 2

A assessoria do MPF atribuiu a relutância do Procurador ao fato de haver outra operação em andamento, a Monte Carlo. Não teria pedido a quebra de sigilo de Demóstenes, pela Las Vegas, para não prejudicar a Monte Carlo. Na verdade, a quebra de sigilo teria permitido à Monte Carlo avançar nas investigações. Agora se sabe que, nesse tempo todo, Demóstenes ficou livre para continuar nos achaques aos órgãos públicos.

O autorregulação da mídia - 1

Em fins dos anos 90, houve grandes abusos na mídia, com denúncias destruindo a vida de muitas pessoas, sem que o Poder Judiciário se mostrasse eficaz contra os abusos. Na época, havia a possibilidade de uma lei ser votada, assegurando direito de defesa aos atingidos. A própria grande mídia aventou a possibilidade da autorregulação, órgão similar ao Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária).

A autorregulação da mídia - 2

A maneira como se está restringindo o acesso da opinião pública aos dados sobre a Abril enfraquece bastante a tese. Pior, o populismo irrefreável do presidente do STF, Ministro Ayres Britto, influenciou para acabar com a Lei de Imprensa e, com ela, os procedimentos visando assegurar direito de resposta aos atingidos, deixando centenas de pessoas sem acesso à reparação. Tudo isso ajudou a ampliar os exageros.

A autorregulação da mídia - 3

Na Inglaterra, publicações de Rupert Murdoch se aliaram a setores da polícia para vazar informações sigilosas de inquérito e atentar contra o direito à privacidade de centenas de cidadãos ingleses. A constatação do Judiciário inglês foi o de que as ferramentas de autorregulação não foram suficientes para impedir abusos. Em vista disso, está sendo criada uma agência para garantir a defesa dos direitos dos cidadãos.

A autorregulação da mídia – 4

No caso da Abril, a aliança foi  com o próprio crime organizado. Hoje em dia há um fortalecimento da imprensa regional, da blogosfera, de portais de notícia, que ajudam a quebrar cortinas de silêncio. Isso tudo levará, dentro em breve, a uma discussão aprofundada sobre liberdade de opinião – um direito sagrado, uma das maiores conquistas democráticas – e as formas de impedir seu uso para atividades criminosas.

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+41 comentários

Que desafio? O PIG é tradicionalmente desinformador e isto é normal para eles, principalmente agora que tem o rabo preso; tem o crime de veja nas costas. Vão silenciar, desconversar, divergir, esconder, apresentar bodes espiatórios, etc. Alguma novidade? Comum para eles. Aí eles são fantasticos.

Nós é que temos de denunciar estes bandidos. Cobrar da veja como escondeu de seus leitores, coitados, o real senador, seu sócio. Cobrar do STF a explicação do vergonhoso e estranho, será?, caso do grampo.

 

Se tem alguma coisa estranha nesta história é este grampo que liga de forma direta e insofismável o Dantas Opportunity, com o Cachoeira STF.

Se eu fosse investigar ia bater ai dia e noite sem descanso.

 

Follow the money, follow the power.

 Prabéns Nassif, por esse trabalho. Pena que os jornalistas esqueceram-se que é isso que esperamos deles e de seus veiculos.

 

Esse imbróglio está tendo uma abrangência tão grande que vão crucificar dois ou três e deixar tudo prá la, conforme manda a canhestra tradição "republicana" brasileira

 

CADÊ O POLICARPO?
Quando eu li o “Ensaio Sobre a Cegueira” do José Saramago considerei que o escritor tratava no livro da insensatez da raça humana com relação a temas maiores como a sua própria sobrevivência. Depois do escândalo Cachoeira-Demóstenes e a atuação da grande imprensa brasileira encontrei um novo significado para o livro, pois tenho a absoluta convicção que a cúpula da imprensa brasileira, num corporativismo indecente, esta construindo “ensaios sobre a cegueira” para esconder dos seus leitores os crimes cometidos pela instituição no Brasil.
Só ontem li dois artigos de articulistas renomados da grande imprensa, Jânio de Freitas e Dora Kramer que enfocando o escândalo sobre pontos de vista diversos, ao final não manifestaram uma desconfiançazinha sequer sobre a atuação da imprensa na cobertura do caso. Em ambos os artigos os acusados de sempre são os políticos e nas entrelinhas, o governo.
Jânio enumera os setores do governo que foram atingidos pelo polvo Cachoeira e atribui o foco da CPI a certeza do envolvimento do PT nos fatos apuráveis e com convicção absoluta termina seu artigo dizendo: “o percurso da CPI, pelo visto, depende menos dos seus senadores e deputados do que dos meios de comunicação e da opinião pública”.
Já Dora Kramer declara-se perplexa no seu artigo. Ao analisar o “bipolar” Demóstenes a jornalista afirma ser impossível que políticos e funcionários públicos que conviveram com ele não saberem do seu lado maligno. Nem uma palavra sobre o jornalista Policarpo que tinha como fonte política e pública o senador Demóstenes e como fonte “empresarial” e secreta o Carlos Cachoeira.
Ao começar a ler o artigo de Dora Kramer eu sinceramente esperei que ela tocasse no fator Policarpo-Veja. Ela fala do Aécio, dos políticos oposicionistas “que dele apanhavam sem retrucar”, dos funcionários públicos de diversos setoresa quem ele pedia favores e nada da dupla. Já o Jânio eleva a instituição imprensa a altura máxima ao atribuir o poder da mesma em alterar os rumos da CPI e impedir mais uma falcatrua que o governo petista deseja impingir ao país. Em nenhum momento se referiu a cumplicidade com que esta mesma imprensa agiu em conluio com a máfia do Cachoeira permitindo que o crime organizado composto por um fora da lei e um político ordinário alcançasse as dimensões que chegou.
Será que os jornalistas medalhados que se negam a reconhecer o envolvimento da imprensa com o crime organizado com objetivos espúrios acreditam na versão da Veja que em editorial justificou o seu silêncio sobre as fontes dos escândalos para denunciar roubos contra o erário? Como podem estes jornalistas chegar ao topo da carreira e justificar uma bobagem destas se a Veja não trouxe um escândalo sequer nos setores atacados depois que a dupla Cachoeira-Demóstenes defenestrou quem lhes impedia as suas falcatruas.
Esses jornalistas, sempre tão zelosos em denunciar injustiças, não tiveram uma vez sequer a desconfiança de que pessoas honestas e decentes tiveram suas vidas abaladas pelos escândalos montados?
Eu, como leitora da imprensa, me pergunto que direito é esse que uma instituição e seus ocupantes têm de não reconhecer nuances, afinal nenhuma instituição composta por homens é absolutamente honesta nem desonesta. E isto vale para jornalistas, funcionários públicos e políticos.
Do Saramago me cabe reconhecer que a obra de um grande escritor permite a quem o lê a retirada dos véus que nos permitem ver além da cegueira.

 

Vera Lucia Venturini

 


 


A podridão da mídia está mais escancarada que nunca.


E a podridão vai continuar sabotando a democracia.


No Brasil ninguém pode com ela, é sócia majoritária do poder.


 

 

O alvo de Demostenes/Cachoeira/Mendes/Veja e Associados com o grampo sem aúdio, era afastar Lacerda da PF  e ao mesmo tempo esvaziar a Abin.

Claro que com isso mataram vários coelhos com um só tiro: deixaram a Satiagraha ao relento e puderam atrasar outras ações da PF.

 

Muito pouco, posso estar enganado, mas estamos a investigar aqui o que causou o atraso de 200 milhões de brasileiros e de um país que é o maior produtor de alimentos no planeta e estes estão com preços records, fora a descoberta do pré-sal que significa petróleo barato para manter o planeta.

As cinco grandes dos grãos se não estão por trás de alguma coisa, pelo menos foram muito beneficiadas, junto com seus acionistas e controladores.

Existe uma camisa de força que prende o gigante Brasil, está rasgando e a vingança será cruel.

 

Follow the money, follow the power.

Nassif, eu também me preocupo com esse populismo do Ayres Brito. O fato de ter sido petista(síndrome do "ex") pode levá-lo a decisões injustas para provar que é isento, que não decide movido por paixão partidária ou coisa do ramo. Leio as entrevistas dele e vejo posições meio lá e meio cá, voltadas para a platéia. Espero estar enganada. Prefiro as polêmicas declarações do Marco Aurélio de Mello. São mais verdadeiras (podemos concordar ou não), mais autênticas.

 

Uma das píores consequencias desse papel da Imprensa tem sido a covardia de Deputados, Senadores e Governantes frente à chantagem midiatica. Dá vergonha lembrar a manifestação praticamente unânime dos senadores quando surgiram as acusações ao bandido Demónstenes. Com que cara Suplicy. Marta, entre outros vão enfrentar seus eleitores sérios?

 

Crime organizado , associado à midia , operado por políticos , empresários , meliantes de várias especialidades criminosas e , tendo o estado como alvo. Êsse é o verdadeiro Custo Brasil. Taí , um bom exercício para os economistas e para os "analistas econômicos" de plantão. Debruçarem-se sobre os dados econômicos manipulados por essa mega quadrilha entranhada nas vísceras do estado e fazerem uma avaliação de quanto o país perdeu ao longo dos anos com êsse lixo tóxico. Depois é só multiplicar o valor encontrado pelo número de investigaçoes arquivadas , ou que terminaram em pizza , para se ter um número aproximado do tamanho do pepino.

 

Imaginaram como seria o Brasil de SERRA PRESIDENTE? Teríamos os Estados Unidos do PSDB:


Demóstenes como Ministro do STF.


Álvaro Dias como ministro da Justiça.


Itagiba Chefe da PF.


Merval embaixador nos eua.


Tio Rei ministro das comunicações.

 

Alguém sabe se o boris lixeiro continua a soltar seu bordão mais famoso: vamos passar a limpo o Brasil?

 

A maioria dos lixeiros são pessoas dignas. Já esse fascista é lixo em decomposição.

 

Vc têm razão! É que eu acho esse cara, o boris o próprio lixo não reciclável.

 

Manchete do IG: "Dilma discute juro para se sobrepor à CPI"

Mírdia continua na estratégia de:

Camuflar os verdadeiros protagonistas, além de Cachoeira e Demóstenes: o Marcão Perilloso, o supremo supremo Gilpoça, Vejalhão, Policarpo e Civitas ...

Envolver e generalizar inocentes ou coadjuvantes como Protógenes, e governistas e aliados como Agnelo e Cabral, para chegar de alguma forma no governo Dilma. Jogam na Delta para isso, mas esquecem do Çerra que também a usou bilionaria e "marginalmente" em SP...

Desmoralizar e banalizar a CPMI, onde um Álvarox da vida levantará bolinhas de papel na CPI e todo o PIG repercutirá a fanfarra em edições sucessivas e 238 minutos de telejornais sucessivos...

Continuarão a descobrir que os tempos são outros.

 

Nassif, na sua opinião, porque não tivemos ainda o acesso aos grampos do Policarpo?

 

Muito fácil entender a atitude dos 4 grandes grupos.
Por anos tratou-se de um clube fechado, que mesmo com a concorrência entre grupos empresariais diferentes, agiam em consonância, para produzir uma das "mercadorias" mais valiosas de nosso tempo, a consciência coletiva, o senso comum generalizado. Atigindo cada grupo de uma maneira, mas formando no geral, a atitude e visão destes.

Ora, independente de também terem alguma relação direta com o caso, ou simplesmente terem aproveitado as informações manipulados por um dos grupos (Abril), os outros não podem ceder, pois isso seria o mesmo que afirmar sua falta de "insenção" (tese muito cara a eles), sua falha na capacidade informativa, seu alinhamento ideologico transbordando para formação de noticias e perseguição a determinados grupos politicos, ou mesmo politicas economicas.

Por anos o "quarto poder", foi visto por estes grupos como um meio de se manterem no olimpo, mas de forma divina, nunca serem criticados. Estavam ali, fuminando sem poderem ser fuminados. Formando ou influenciando a formação do que a população poderia e devia pensar. Como ficariam agora, caso um dos empresarios do setor, aquele que mais desceu nesta ação, que nos últimos 10 anos foi ponta de lança no uso do poder de sua empresa para manipular (criando escandalos) fosse questionado em uma CPI? Se questionassem as ações de sua empresa? Isso depois dos outros terem ido da onda que ele criou?

A visão deturpada da politica que estes veiculos sempre tentaram criar, seria esmagada. Esta que afasta os cidadãos da prática politica pq é algo "sujo", "de ladrões"...

 

Depois de mais esses escândalo, este é apenas o mais recente, envolvendo atividades ilícitas com a grande imprensa, é lógico que a tal "liberdade de imprensa" terá que ser revisto com uma regulamentação.

Se após este episódio, com a clareza e gravidade do envolvimento da Veja, punições graves e regulamentação não ocorrerem, a sociedade estará reconhecendo o grande poder da grande mídia e dando a ela carta branca para continuar praticando absurdos, inclusive "autorização" para derrubar governos.

 

Nassif,

Agora de manhã, ouvindo a CBN  - "o rádio que troca a notícia" - o deputado Vacarezza disse que até agora o Procurador Geral da República, o Roberto Gurgel, não encaminhou à CPMI o inquérito da Operação Las Vegas, onde, como informa a maioria dos Blogs "Sujos", estão contidas as 200 ligações do Policarpo Junior (Revista Veja), com a rganização criminosa (ORGRIM)  do Carlinhos Cachoeira. Tenho , por mim, que o dito Procurador Geral da República tem culpa no cartório. Se, de fato, a referida organização criminal chegou aos píncaros do MPF, estamos, nós o povo Brasileiro, em maus lencóis, uma vez que a grande mídia (FOLHA, ABRIL, ESTADÃO, GLOBO, RBS) já foi cooptada. Temos, urgentemente, de cobrar a Procuradoria Geral da República para que envie, o mais rápido possível, o inquerido da OPERAÇÃO LAS VEGAS à CPMI. Este país, que tanto amo, que é o melhor país do mundo, independente de suas desigualdades mantidas pela "CASA GRANDE", tem que ser passado a limpo, os CORRUPTORES e corruptos têm que ir para a cadeia. Tenho fé que, diante da fiscalização dos ditos "BLOGS SUJOS", iremos obter a verdade nesta CPMI.

 

"Pior, o populismo irrefreável do presidente do STF, Ministro Ayres Britto (...)"

O presidente do Supremo em questão não seria Gilmar Mendes ?

 

Eu achei que o populista era o César Peluzo.

 

Peluso e um conservador sempre a serviço do atraso, isso todos sabem, ele não engana ninguém.

O problema do Aires Brito e que ele e alguns outros foram escolhidos por Lula e o Senado para dar ao Supremo uma visão mais plural do Brasil. Infelizmente, ele mais do que os outros jogou para platéia constituída  pela grande Mídia que estava assessorada pelo crime organizado. O resultado foi esse Supremo melado nessa lambança como o golpe do grampo sem áudio e a reputação de muita gente inocente jogada na lama.

 

Ayres Brito foi o relator. Lembrando que foi o PDT quem ajuizou o processo. Percebe-se que teve o dedo do dep. Miro Teixeira(PDT-RJ), o homem da velha mídia na CPMI.

 

  os verdadeiros chefões do crime organizado )as familias do quarto poder ) , infiltram pessoas como o miro teixeira , cristovan buarque , entre tantos outros em todos os partidos e exploram os pontos fracos de alguns que chegam pela mão do povo ,armando armadilhas para hantagea-los para o resto de suas vidas quando não servem mais são descartados , isto no legislativo , executivo e judiciário.

 

Continuo com idêntica dúvida, cujo esclarecimento, pelo Nassif, é crucial para avaliar a extensão do texto. Abs.

 

Nassif,

Concordo com você, é claro, no que diz respeito ao papel desempenhado pela mídia nesses episódios todos, e sobre a postura corporativista que vem demonstrando. Usam dois pesos e duas medidas, quando se trata do envolvimento de um jornalista. Qualquer político contra o qual pesasse metade das suspeitas que pesam sobre Policarpo Jr. já estaria no pelourinho, exposto sem piedade à (merecida) execração pública. Até aí, tudo certo.

Mas acho que é necessário termos foco, para que nossos argumentos ganhem em contundência, e atinjam um público mais amplo. Há coisas que estão fartamente comprovadas, e são indiscutíveis. Outras, são apenas suspeitas. Outras, talvez nem isso. Examinemos alguns pontos que você mesmo arrolou.

As relações entre Demóstenes e Gurgel são para lá de suspeitas - ninguém duvida disso. Mas, para afirmarmos a existência de uma participação clara e inequívoca da revista Veja (ou de qualquer outro órgão de imprensa) nesse episódio, seria necessário evidenciar que jornalistas sabiam que o processo contra Demóstenes esta em coma induzido numa das gavetas de Gurgel. Não há evidências disso. Talvez surjam. Por enquanto, não surgiram.

Sobre as agências reguladoras, você me permitirá fazer uma pequena correção. A Inglaterra já tinha (e ainda tem) uma agência reguladora da mídia. O que se discute, por lá, não é a criação de uma agência, mas uma reformulação daquela que já existe. É possível argumentar de várias maneiras a favor e contra a criação dessas agências. Eu já me pronunciei contra elas, e dei meus motivos. É um debate longo e difícil, que certamente iremos travar ao longo do tempo. Mas é um assunto que divide as opiniões. Muitas pessoas que não aceitam o padrão de comportamento da revista Veja não estão dispostas aceitar como remédio a criação de uma agência desse tipo. É uma questão em aberto, enfim, e polêmica.

O que temos de CONCRETO, até aqui? Um fato irrefutável, que não deveria ser misturado àquilo que ainda não foi suficientemente apurado ou estabelecido. Policarpo Jr. SABIA que Demóstenes Torres era o braço direito de Carlinhos Cachoeira, e sonegou essa informação a seus leitores durante anos. Mais ainda. É altamente provável que toda a cúpula da revista soubesse disso. Se esses jornalistas sabiam de tudo, a atitude que tiveram foi mais do que antiética. Foi CRIMINOSA. Foram coniventes com uma quadrilha que assaltava os cofres públicos. Esse é o ponto. Isso é irrespondível. O resto, só dá clinche. Xingamos daqui, eles xingam de lá. Não leva a nada. Pior. A parte boa da argumentação fica comprometida pela parte duvidosa, dando munição ao lado oposto. Tudo o que eles querem, a esta altura do campeonato, é uma boa justificativa para distorcer o debate, atirando naquilo que é inessencial.

Policarpo Jr. SABIA de tudo. E não disse nada. A revista Veja sabia de tudo, e não disse nada. Isso é o que temos em mãos AGORA. Vamos nos concentrar nesse ponto. 

 

Ele voltou! Quando seus amigos estão em perigo, ele não falha, assim como as Pílulas de Vida do Dr. Ross: pequenino, mas cumpridor.

Então vamos todos nos focar no Policarpo e esquecer do Perillo, do Demóstenes, do Gurgel, do Civita, da regulamentação da mídia. Policarpo SABIA que Cachoeira era bandido (essa parece piada, o cara era empregado do bicheiro), Policarpo sonegou essa informação aos seus leitores, Policarpo daqui, Policarpo dacolá. Essa é a soma. O resto são hipóteses, suspeitas, probabilidades, não há evidências, é provável que a cúpula soubesse mas, sabe como é, não vamos acusar ninguém. Como o outro defensor dos fortes e opressores do blog costuma dizer, não há liames, não há documentos escritos que liguem os criminosos aos crimes. FHC é inocente, Serra é inocente, Dantas é inocente, Gilmar Mendes é inocente. Protógenes é culpado, De Sanctis é culpado, Amaury Jr. é culpado.

"Qualquer político contra o qual pesasse metade das suspeitas que pesam sobre Policarpo Jr. já estaria no pelourinho, exposto sem piedade à (merecida) execração pública. Até aí, tudo certo."

Até aí, tudo certo, não pesa sobre nenhum político nenhuma suspeita que chegue à metade das que pesam sobre o indigitado Policarpo. Senão, gente como o Serra, por exemplo, já estaria no tronco, sendo execrado publicamente pela Veja, Globo, Folha, Estadão. Então vamos sacrificar o Policarpo, vamos para cima dele com tudo, foco, foco, foco no Policarpo. Deveríamos até mudar o nome da CPI para CPI do Policarpo.

 

 

Tem um novelo a ser desenrolado e uma novela a elaborar, com enredo ainda pouco claro e personagens ainda nao completamente identificados. Mas algumas coisas parecem claras desde já. O envolvimento do tal Policarpo parece invocar diversos artigos do codigo penal (e de outros códigos, claro). Primeiro: Policarpo sabia de crimes do Cachoeira e nao revelou. Pelo contrário, maquiou. Segundo: sabia do envolvimento do Demostenes com esses crimes e nao revelou. Pelo contrário: maquiou o senador como paladino da lei. Terceiro: operou de modo a favorecer o grupo criminoso Cachoeira na perseguição de seus eventuais concorrentes. Quarto: buscou, utilizou e, aparentemente, estimulou o uso de recursos criminosos (subornos, criação de testemunhas forjadas, gravaçoes e filmagens ilegais). O que mais queremos? No Rio de Janeiro, o chefe de policia (ou scretario de segurança?) do Garotinho, o tal Alvaro Lins, foi flagrado numa coisa bastante similar: ele foi apontado  (e condenado) como operador de uma das facções criminosas do Rio e de um "empresario de jogos", um tal Rogerio Arantes, para marginalizar os concorrentes. Simples assim. Policarpo operou como agente de uma facção criminosa. E, ao que tudo indica, como operador de um sistema maior de desestabilização do governo federal para golpeá-lo até o limite, a queda. Isto não é novo na América Latina nem no Brasil (vide Jango). Resta saber qual a 'inteligência' que está por detrás da trama maior (o golpe) e qual a participação de forças externas (isto é, se e como se relacionam com os quinta-colunas daqui). Quem acham que isso é teoria conspiratória nunca estudou história dos golpes na A.Latina. Conspiração não é fruto de imaginação minha ou sua - é fruto da 'imaginação' dos conspiradores. E eles têm muita.

 

Concordo 100% com você, Moraes. O objetivo final da Veja era desestabilizar e no limite derrubar o governo petista. 

A do Cachoeira era expandir seus negócios ilegais. E para isso adentrou no (sub)mundo da política com as facas no dentes.

Na minha opinião, não conseguiu penetrar como queria no governo petista. Como se vê no caso do Agnelo. Lembremos que o governo Lula desbaratou seu esquema nos Correios, depois deste entrar no lugar da do Bob Jeff, que foi detonado por ele, Cachoeira, claro. 

Percebeu então que com o Pt não ia se criar. Pronto, aí é que os sonhos da Veja também viraram os sonhos cachoeirísticos de uma noite de verão. Uma coisa os uniu, o "lulo-petismo" no poder não é bom para nossos negócios.

A partir daí valeu tudo.

Só que, entendo o ponto do Jotavê. Este é o final da história, nós já o enxergamos claramente (menos o AA, que acredita até na existência do Saci, mas não do pig).

Mas deixemos a CPI trabalhar com os fatos que necessariamente chegará lá. Ou não, se os senhores parlamentares arregarem para o pig, que parece uniu-se entorno do Capo da Marginal

 

Juliano Santos

Jotavê, admiro suas perorações brilhantes, onde voce coloca pingo em todos os is.

Concordo que o foco das investigações deve ser concentrado nos indícios claros de irregulariedades, mas isto não quer dizer que a apuração tenha de ser superficial e fique somente nas primeiras evidências.

O caso da Satiagraha é emblemático, a investigação deveria ser reaberta e os documentos imediatamente disponibilizados para escrutínio da imprensa e do povo, afinal está em jogo a credibilidade do STF, um dos três pilares da independência dos poderes, segundo Montesquieu.

Qual a participação da Veja nos negócios do Dantas?

Esta pergunta não vai calar.

 

Follow the money, follow the power.

Alexandre,

Concordo, é claro, que as investigações têm que ser aprofundadas. Mas é preciso distinguir, a cada momento, o que é arsenal de luta e o que é simplesmente uma suspeita carente de fundamentação. Essa distinção muitas vezes se borra, e oferece ao inimigo uma chance de ouro para lutar pelo empate. 

É perfeitamente possível imaginar que Veja tinha interesses, nesse jogo, que nada tinham a ver com os interesses de Cachoeira ou Demóstenes Torres. É possível (aliás, é bastante provável) que esses personagens se usassem mutuamente, na busca de objetivos nem sempre coincidentes. O principal interesse da revista nesse jogo era (e continua sendo) o PODER. Queria conquistar e manter o poder de derrubar ministros e desestabilizar governos a seu bel prazer - e em larga medida conseguiu isso. É esse poder que dava a ela a moeda de troca necessária para fazer lances muito mais altos do que qualquer trocado que Carlinhos Cachoeira pudesse eventualmente ter dado a Policarpo Jr. ou a qualquer outro jornalista (e DUVIDO que tenha dado um tostão - não é DISSO que se trata).

O que as pessoas não estão vendo é que existe um coringa dando sopa sobre a mesa. Vão cheias de sede ao maço, em busca de uma cartada de sorte que dê um upgrade no parzinho de valetes que têm na mão. O que querem mais? Está TUDO aí.

 

Baita confusão né jotavê?

Siga o dinheiro, siga o poder.

Bancos com lucros estratosféricos com interesses inconfessáveis defendidos a unhas e dentes, e impérios midiáticos que agem acima da Lei me parecem os suspeitos usuais.

Por outro lado a governabilidade, o clima de paz dentro do seio social e um projeto claro de melhorias para o povo e a nação, ao meu ver, são inegocíaveis neste governo.

Uma negociação saudável é com certeza o melhor deslinde para todos, penso que um gesto de generozidade autêntica, por parte dos que lucraram pornograficamente em cima do sofrido povo e da espoliada nação brasileira seria um gesto que abrandaria espíritos e possibilitaria a construção de um pacto muito mais equilibrado para o Brasil, especialmente nesta quadra de altas incertezas no cenário internacional com o fim do Dólar.

Bom senso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

 

Follow the money, follow the power.

"O STF (Supremo Tribunal Federal) se curvou ao terrorismo da revista, denunciando uma suposta “república do grampo” – quando, pelos relatórios da PF, fica-se sabendo que o verdadeiro porão do grampo estava na própria ligação da revista com contraventores.

O ápice desse terrorismo foi a provável armação da revista com Demóstenes, em torno do famoso “grampo sem áudio” – a armação da conversa gravada entre Demóstenes e o Ministro Gilmar Mendes (ambos amigos próximos) que ajudou a soterrar a Operação Satiagraha."

Essa passagem do texto provavelmente não esteja sendo bem contada.

Carlinhos Cachoeira e Demóstenes não tinham, aparentemente, nenhum interesse em soterrar a Satiagraha, e mesmo antes do falso grampo Gilmar Mendes já tinha proferido decisões favoráveis a Daniel Dantas e que causaram perplexidade no meio jurídico.

Portanto, a ligação entre Satiagraha, Dantas é bem maior com o próprio Gilmar Mendes.

No mais, se o "grampo sem áudio" foi uma armação de Cachoeira e Demóstenes, sem o conhecimento prévio do ministro do STF Gilmar Mendes, e este se mostrou inerte após a confirmação desta armação é uma prova de incapacidade para exercer a função de ministro do STF.

Tendo sido "envolvido"(esta tese para mim é mim verdadeiro absurdo) porque continuou com relações bem próximas a Demóstenes?

Não adianta querer esconder fatos jogando eles para debaixo do tapete, o mal cheiro exala.

 

Haiva claros propósitos neste consórcio entre Veja e Cachoeira de colocar Perillo ou Demóstenes em condições de candidatos em eleição presidencial, como principal ou vice.

Observe que Demóstenes como vice seria muito mais que um Indio da Costa...

O Paladino Justiceiro das Cachoeiras Goianas só não contava que o seu "Clube Nextel" era grampeado.

 

"O processo de jumentalização da classe BBB no Brasil é algo estarrecedor."

e ficamos ansiosos à espera da convocação do meliante Civita e seus comparsas.

 

 

 

 

(desenho de muito bom gosto, veio sem link nem autor)

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Nassif, e isso pode ser somente o ínicio de uma imensa rede de corrupção e crimes, que poderá aparecer muito mais envolvidos e em outras diversas irregularidades.

 

"Pior, o populismo irrefreável do presidente do STF, Ministro Ayres Britto"

 

Quando esta em jogo sua coragem como Juiz e a  reputação dos reles mortais, sua escolha e sempre a capa da veja e do Globo como o guardião da "liberdade". Prefiro os conservadores aos hipócritas.

 

Em termos de relações da imprensa brasileira com grupos criminosos, a revista Veja é apenas a " ponta do iceberg ".


Todos sabem que a rede globo de televisão foi a porta-vóz da ditadura militar, afinada 100% com os militares e resistiu até o último momento em relação a abertura do regime, quem  não se lembra do ato político da manifestação de 1 milhão de pessoas na Praça da Sé na capital paulistana em 1984 pedindo eleições diretas e que a rede globo noticiou como a população comemorando do  aniversário da cidade ?


Pelas reações desmesuradas e tentativas de pautar as investigações da CPMI do Cachoeira, é pule de dez que a rede globo de televisão também pode aparecer envolvida com o esquema desbaratado em Goiás, afinal tem um 18º aparelho Nextel criptografado distribuido pelo Cachoeira e cedido para uma pessoa cujo portador não foi identificado até o momento.


Senhores e Senhoras, façam suas apostas e não é no jogo do bicho.


Depois dessas CPMI só tem uma certeza: vem aí a regulamentação da mídia  brasileira, esse vai ser o resultado positivo, além de desmascarar as falsas vestais da ética dessa oposição golpista.