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Célio Turino e os Pontos de Cultura

Por Bruno de Pierro
Do Agência Dinheiro Vivo, no Brasilianas.org


Foto: André Simas

Na mesa do restaurante, o historiador Célio Turino não dispõe de melhores artefatos, além de um guardanapo e uma caneta, para auxiliá-lo numa explicação. No pedaço de papel, de modo improvisado, faz alguns esboços. Há uma pirâmide invertida, com o topo maior representando o Estado e, na ponta que afunila, escreve-se “povo”. No mesmo guardanapo, Turino desenha outra pirâmide, na posição regular, mas inverte o sentido: Estado, agora, está no topo que afunila, e “povo” é a base maior. A primeira figura, explica, é o que geralmente se vê nas gestões em todo o mundo – o Estado, detentor dos recursos, e determinando o que é Cultura. A segunda figura representa a transformação que o historiador realizou quando esteve à frente da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, entre 2004 e 2010.

Turino já está acostumado com a combinação de improvisação objetiva e citações filosóficas de Spinoza e Vygotsky . Em apenas 40 dias, colocou em atividade o Ponto de Cultura, programa idealizado por ele e que foi formulado a partir das idéias de compartilhamento e desenvolvimento de uma rede entre Estado e Sociedade. Hoje, o país registra 3.000 Pontos de Cultura (PCs), que descentralizam a ação cultural e tornam evidentes manifestações artísticas que antes apenas eram consideradas folclore.

Ao se colocar novamente o povo na base maior, o Estado deixa de ser o responsável por autenticar o que é Cultura. Mas não se trata de enfraquecimento do Estado, senão de um processo de desenvolvimento do “Estado-Rede”. Para Turino, antes dos PCs, não havia no Brasil uma política pública estruturada para fomentar o protagonismo da sociedade e da autonomia. Ao desmanchar as Bases de Apoio à Cultura (BACs), criadas no inicio do governo Lula, Turino mudou o foco: tirou-o da estrutura física e o colocou sobre as pessoas, aquilo que está vivo.

ForaFora do governo federal, Turino reconhece certa preocupação com o futuro de sua criação. Segundo ele, o corte orçamentário do MinC, de 55%, afetará a transferência de recursos, podendo atingir cerca de 500 PCs. “Ou se reverte esse corte, ou se terá um calote previamente anunciado”, observa.

Sobre os últimos acontecimentos envolvendo a nova gestão do MinC e a Lei de Direito Autoral, Turino tem implicações não apenas políticas, mas filosóficas. “Posso dizer que há uma rede de milhares de comunidades se apresentando por elas mesmas. A composição do Cultura Digital é vital para a construção do Cultura Viva”, afirma.

Brasilianas.org – Como foi a construção das bases do Ponto de Cultura?

Célio Turino - Ele começou em Campinas, há mais de 20 anos, quando fui secretário de Cultura de lá, de 1990 a 1992. Naquele período, a gente desenvolveu uma ação com casas de cultura, que tinham o germe desse pensamento, que era da gestão compartilhada entre Estado e sociedade, desenvolvimento em rede e adaptação da realidade local. Pegávamos uma casinha de COHAB, que estava desativada, em um bairro distante da cidade, e ali virava um ponto. E assim sucessivamente, em garagens, no que era possível.  Depois, o programa se desestruturou na mudança de governo. Eu também fui mudando de rumo e, em 2000, vim trabalhar em São Paulo, onde fui diretor de Lazer, até quando fui chamado para ir ao Ministério da Cultura (MinC).

Qual era a situação quando você chegou para trabalhar no MinC?

Havia um desejo do presidente Lula de descentralizar a ação cultural. A solução encontrada em 2003 foi as Bases de Apoio à Cultura (BACs), que consistia na construção de um centro cultural pré-moldado, de estrutura metálica, e que seria reproduzido em periferias, favelas, cidades pequenas. A idéia era construção, não tinha o funcionamento, nem recursos para as atividades e para a manutenção. Isso caberia à comunidade, ou à prefeitura, desenvolver. Houve um embate de disputa política interna no MinC, em 2004, que gerou a saída do Secretário de Programas e Projetos da época, o Roberto Pinho.

A secretaria ficou durante seis meses sem secretário, até que chegaram a mim. O Gil [Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura] havia lido um livro meu (Na trilha de Macunaíma – Ócio e Trabalho na cidade), que na época ainda era uma tese e não tinha sido publicado, e tinha gostado. Fui chamado para desenvolver o programa, mas ainda eram as BACs. Quando entrei no ministério, propus que se mudasse o foco. Saímos do foco na estrutura e o colocamos no fluxo, no pulsante, no vivo. Porque a cultura acontece em qualquer lugar, e depende das pessoas, muito mais do que das estruturas, pois estas crescem com o tempo.

Em alguns setores, como na Saúde, a intensificação da descentralização gerou a segmentação, a fragmentação do sistema. No caso da Cultura, qual a natureza dessa descentralização?

O  slogan do MinC até 2002 era “A Cultura é um bom negócio”. Basicamente, o único mecanismo de financiamento da Cultura era o mercado e a renúncia fiscal pela Lei Rouanet. Esses grupos que emergiram com os PCs, eu sabia que existiam, em função da minha história, tinha circulação, e sabia que eles não eram visibilizados pelo Estado. No máximo eram tratados como grupos de cultura tradicional, como folclore; a prefeitura pagava um ônibus, dava um lanche.

Ou mesmo um grupo cultural numa favela: davam algum apoio, chamavam para alguma apresentação, mas não havia, até então, nenhuma política pública estruturada para fomentar esse protagonismo da sociedade e de autonomia.  Quando falo da gestão compartilhada, é entre Estado e sociedade; e o PC seria um elo de ligação e de comunicação nesse universo. Se você pegar a teoria do Habermas, da ação comunicativa, ela tem proximidade com esse pensamento.

O processo de implantação dos pontos foi precedido por algum mapeamento?

Foi muito rápido. Em 40 dias já estávamos com o programa pronto, decreto instituindo e edital público na rua. Com o edital, a gente inverteu a situação. Normalmente, o Estado define previamente no seu planejamento o que deve ser feito – ele cria uma roupagem e tenta adequar o que deve ser feito, e isso em todo lugar do mundo. O que fizemos foi o contrário; definimos alguns parâmetros, um deles o valor que é passado para o PC, que era, mais ou menos, R$ 5 mil por mês (hoje seriam R$ 180 mil em três anos). E o grupo é que devia dizer qual a solução para o problema, se ele quer trabalhar com violinos ou com o resgate de algum idioma indígena. Eu tinha a confiança de que daria certo.

Tivemos um bom retorno no início, cerca de 850 projetos em 2004 – era para selecionarmos apenas 100, mas como eram muito bons, chegamos a 260, e terminamos aquele ano com 72 conveniados. Em função dessa construção e desse retorno, o programa foi ganhando mais força e, em paralelo, aquela idéia da BAC foi perdendo força. Ficou acordado que esse era o caminho, e o Congresso, depois da aprovação do presidente Lula, fez uma emenda parlamentar de R$ 55 milhões para o programa para 2005; quando comecei, tinha apenas R$ 5 milhões.

Como os Pontos de Cultura devem ser conduzidos pela nova gestão do MinC, com relação ao orçamento?

Tudo isso é muito novo e muito intenso, então a própria construção do mecanismo de transferência de recursos se deu dentro de um marco legal, que é a Lei de Licitações, que não é adequado à realidade dessas comunidades, dessa realidade viva. Essa implantação demonstra, hoje, seis anos depois, que é necessário um novo marco regulatório, pelo menos para estabelecer essa relação do Estado com a sociedade, respeitando a autonomia das comunidades e o seu protagonismo

Nós começamos o processo de forma direta, o MinC e entidades da sociedade. O programa cresceu de tal forma, que não se tem como administrar o projeto em algumas terras indígenas distantes diretamente. Começamos, a partir de 2007, a estabelecer redes com Estados e municípios. A rede fez com que o processo seletivo fosse para essas unidades da federação, descentralizando e incorporando novos recursos. Se é R$ 60 mil por ano, R$ 40 mil é o governo federal que coloca, R$ 20 mil é dado pelo Estado.

Em 2004, teve uma reunião do conselho de secretários estaduais de Cultura, com o ministro Gil, para protestar contra o programa, pois diziam que ele estava atravessando grupos que os secretários de alguns Estados consideravam que nem eram culturais, como uma comunidade quilombola. Queixava-se de alguns grupos serem contemplados, sem passar por eles.

São Paulo foi um desses Estados que reclamaram?

São Paulo tem tido uma atitude exemplar. O MinC não depositou a parte dele para o programa, a segunda parcela. O governo do Estado honrou e depositou a parte dele, que era de R$ 6 milhões, pagou 100 PCs. É uma política pública que ganhou uma hegemonia.

E agora com o corte orçamentário de 55% no ministério?

No ano passado, o orçamento foi de R$ 200 milhões, mas acho que não se realizou isso. O corte anunciado é grave, porque é de 55%, coloca o orçamento abaixo de R$ 100 milhões. Hoje são 3 mil Pontos de Cultura. São R$ 60 mil por ano para cada um; o custo para o MinC é de 2/3 disto – ou seja, R$ 40 mil/ano. Multiplicando, dá R$ 120 milhões.

De cara, 500 PCs, com certeza não vão ter seu recurso empenhado. Só que o programa Cultura Viva não é apenas PC, tem Pontão, tem prêmios para as ações Cultura e Saúde, Escola Viva, interações estéticas. O conjunto de prêmios no ano passado somou R$ 32 milhões – já se sabe, então, que este ano não haverá nenhuma ação. Ou se reverte esse corte orçamentário, ou se terá um calote previamente anunciado.

Outra proposta da nova gestão é com relação à profissionalização dos PCs. Seria uma tentativa de retomar a centralização?

Não se trata apenas de um problema de orçamento, mas de conceito, de filosofia. Volta-se às propostas das BACs, agora com o nome de Praça do PAC, que é, novamente, um pré-moldado, mas com muito mais recurso. Já se definiu qual a prioridade. Essa visão da qualificação, o que nós praticamos é qualificação, é desenvolvimento. Qual a base filosófica do Ponto de Cultura? Tem muito Spinoza, [Lev] Vygotsky, fenomenologia, Hegel. A construção do conhecimento e o processo de desenvolvimento a partir da aproximação entre as partes, ou entre os pontos. Vygotsky, por exemplo, percebeu, nos anos 1920, que o conhecimento das crianças dava saltos exatamente no momento em que uma criança se integrava com a outra. Essa foi minha referencia primeira, depois que cheguei a Spinoza, que pensava o fortalecimento da potência. É a capacidade humana que cada um de nós tem de agir e transformar a sua realidade.

Só que a história das civilizações é o oposto disso, é a depressão da potência das pessoas e a concentração de riquezas de conhecimento. Essa visão do qualificar, trata-se de qualificar quem? Qualificar do Estado para baixo, como se eu soubesse mais que os outros? Falo do Brasil de baixo para cima, que é um processo de desenvolvimento que acontece nessa visão do Estado-Rede.

Há, então, essa dificuldade de implantação de conceito no próprio ministério.

Logo que iniciei o programa, todas as pessoas que trabalhavam com o governo, até no Ministério do Planejamento, falavam que eu estava fazendo uma loucura, porque eu busquei fazer o convênio direto, um a um. Ia assinar convênio diretamente com caciques de aldeias indígenas. Na verdade o Ponto de Cultura é uma injeção direta na veia. Diziam para que eu deixasse ONGs e OSCIPs fazerem esse trabalho por mim. Mas e o protagonismo das comunidades? O objetivo era justamente fortalecer o protagonismo da sociedade. Fizemos uma inversão.

Uma pesquisa do IPEA demonstrou isso – cada PC atende, de uma forma ampla, levando em conta até quem foi assistir um filme no ano, 3.300 pessoas. Isso dá um público de 8,5 milhões de pessoas em torno dos PCs, dos quais 750 mil em atividade regular. Qual o custo disso? R$ 5 mil por mês, se você olhar, mal é o custo de um salário. Se você volta ao velho esquema da estrutura do “de cima para baixo”, mostra que, na verdade, quem quer qualificar é que deve ser qualificado. De um lado o Estado vai se ampliando e se abrindo, aprendendo a conversar com o menino do Hip Hop, e, de outro lado, o menino do Hip Hop vai se apoderando do Estado.

De que maneira a reforma da Lei do Direito Autoral interfere no andamento dos Pontos de Cultura?

Cada PC é de um jeito, mas o único elemento que é comum a todos eles é o Estúdio Multimídia, que é o equipamento utilizado para a construção do auto-retrato. Isto é, o povo pelo povo, o índio pelo índio, por meio da construção de narrativas. E se é gestão em rede, é preciso que cada um se disponha a trocar, numa interação identidade/auteridade. Normalmente, as propostas culturais, mesmo as mais de esquerda, se focam muito na identidade; o que buscamos no Cultura Viva é essa equação com a auteridade.

Esse é um dos problemas da comunicação, também. Você deixar, por exemplo, que a narrativa sobre o índio seja construída pelo próprio índio, e não pelo repórter.

É isso que queremos fazer. E hoje posso dizer que há uma rede de milhares de comunidades se apresentando por elas mesmas. É claro que são de redes diferentes, tem a questão de linguagem, mas o processo tem se dado. Um exemplo é o Índios Online.

Veja que essa composição da Cultura Digital é vital para a construção do Cultura Viva e ela parte de alguns princípios. Aquela discussão de tirar o símbolo dos Creative Commons (CC) pela marca. Na verdade, não é apenas uma marca [o CC], tem princípios: generosidade intelectual e trabalho colaborativo em rede. O que está por trás são formas de ver o mundo. Hoje a decisão não é do autor, é das editoras, ou seja, da intermediação. A lei não protege o autor, mas fundamentalmente protege a intermediação – que é uma forma de indústria que se acabou, não existe mais, pois ela tinha controle pelo físico, e o físico acabou. Uma obra de arte só é arte se ela é comunicada, se estabelece relação com alguém. Se ela fica trancafiada, ela deixou de se realizar.

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Concordo com o Gledson Shiva, Tai um cabra que iria fazer uma revolução no ministério da cultura! como ele não tem, é um dos raros intelectuais que está junto com o povo e sabe fazer

 

Onorato

 

Célio,

 

Liga não, teu trabalho é maior que a inveja de poucas pessoas, quem te conhece sabe da sua honestidade, idealismo compromisso e competência (e eu nem te conheço pessoalmente, só de alma e pensamentos). Você já inscreveu seu nome entre os grandes da cultura nacional, em minha opinião, como vc o Brasil só teve o Mário de Andrade, aliás comecei a ler seu excelente livro, NA TRILHA DE MACUANÍMA, nem dá para acreditar que foi uma tese de mestrado, um dos melhores livros sobre a interpretação do Brasil, e olha que mal passei do segundo capítulo, muito bom mesmo, quem gosta do Brasil deveria ler. Um abraço, e lembre do Mário Quintana aqui do sul: "Eles passarão, eu passarinho"

Martinha

 

 

 

Nassif,

 

Em primeiro lugar quero agradecer pela oportunidade de discorrer um pouco mais sobre os fundamentos e teoria do programa CULTURA VIVA e dos Pontos de Cultura, bem como à conduta ética e profissional do reporter Bruno.

Mas uso este espaço para esclarecer sobre uma acusação absolutamente infundada e caluniosa. Sou servidor público há mais de 30 anos, tendo ingressado na prefeitura de Campinas, SP, à época como contratado por uma autarquia municipal na função de operador de impressora OFF Set, depois atuei como agente de descentralização cultural em bairros de periferia e favelas, diretor de museus, secretário de governo, secretário de cultura e turismo e novamente como historiador no Museu da Cidade. Em 2001 fui convidado a trabalhar como diretor de promoções esportivas e lazer na cidade de São Paulo, tendo desenvolvido programas como RECREIO NAS FÉRIAS, AGENTES COMUNITÁRIOS DE LAZER, VIVA SÃO PAULO E MAIS ESPORTE. Em nenhuma de minhas passagens em governo sofri qualquer acusação de irregularidade, pelo contrário, sempre agi de forma honrada e respeitando meu dever de servidor do povo. Assim também foi no Ministério da Cultura, quando desenvolvi os Pontos de Cultura.

Provavelmente este sr. Irineu Marinho se esconde covardemente sob pseudonimo, mesmo assim respondo em respeito a este blog e seus leitores.

1 - O programa CULTURA VIVA, reconhecidamente alcançou seu objetivos de descentralização e fortalecimento do fazer cultural das comunidades, chegando aos cantos mais distantes e esquecidos. Se houve erros ou atrasos, nenhum foi por irresponsabilidade ou falta de atenção, pelo contrário, trabalhamos nas condições mais adversas e enfrentando toda natureza de dificuldades, com transparencia e honestidade;

2 - O termo Tuxaua é uma referência a articuladores indígenas (não propriamente caciques com posição hierárquica) muito utilizado no norte do país, sobretudo na terra de Macunaíma, lá pela região da Raposa Serra do Sol. Esta foi mais uma ação do programa Cultura Viva, destinada ao fortalecimento das ações de articulação entre os POntos de Cultura e feito por pessoas dos próprios Pontos. Nenhum destes prêmios ou qualquer outra ação teve qualquer finalidade que não esta e todas as seleções passaram por rigorosa seleção pública, com espaço para recursos, impugnações e reconsiderações e não tive participação direta em nenhuma destas seleções, sendo que várias, incluindo o Tuxaua 2, aconteceram quando eu nem era secretário;

3 - Fui candidato à dep federal pelo PCdoB, partido em que ingressei aos 16 anos, em 1978. Minha campanha teve um gasto total de R$ 215 mil (muito abaixo da média das campanhas para deputado em SP), sendo que R$ 80 mil de minhas próprias economias. A principal fonte de arrecadação foi a venda dos meus livros, jantares e doações legalmente declaradas. Fiz a campanha com base em reuniões com pequenos grupos, discutindo propostas (incluindo as leis Cultura Viva, Griô e do Protagonismo e autonomia social) e visitando cada canto do estado de SP (em 5 meses viajei 50.000 km em meu prórpio carro, sendo que em 3 deles sem motorista, pois não tinha dinheiro para pagar). Todos que acompanharam a campanha sabem que foi modesta e até menos que isto. Saí candidato por convicção e respeito a toda uma história, trabalho e ideologia; infelizmente não ganhei, mas nem por isso abanono princípios, ideias e carater.

 

Obrigado pela atenção

 

CÉLIO TURINO

Brasileiro, radical, utópico e comunista

 

 

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

Taí, um grande problema. É melhor não comentar para não espalhar. Melhor se fingir de morto. 

 

Taí um bom nome pra ministro da cultura

 

@gledsonshiva

Oi Nassif!

 

Vc deveria fazer uma entrevista com Gilberto Gil! Ele revolucionou o Minc!

 

Abraço,

 

Carla

 

Melhor frase do Gil: "Tudo que não é natureza, é cultura."

 

KD a referência?

 

O Célio deveria ter vergonha de falar determinadas coisas em público! Ele foi muito irresponsável a frente da SCC deixando inumeros convênios sem caixa para pagamento e causando toda série de transtornos no pagamentos de pontos de cultura.

Na campanha para deputado ele fez alianças péssimas, foi encostado pelo próprio partido, não teve voto nem pra se eleger como vereador! foram míseros 10 mil votos. pra ele ser eleito precisaria de 100 mil!

Outra crítica que tenho é quanto a corrupção na gestão dele. Vários premios que a SCC lançou ano passado foram ganhos por pessoas do pc do b! É só vc investigar, nassif! Veja o premio tuxaua. Na 1° edição 30% dos ganhadores eram de sp. Na segunda, em 2010, ano de eleição no qual Célio se candidatou a deputado por SP, o premio teve mais de 50% de ganhadores de SP! Isso não é um absurdo imoral? Pelo menos dois dos ganhadores trabalharam como cabos eleitorais na campanha dele! O Frederico, o Lejuene, a Veridiana, o Mauro, entre outros, são todos cabos eleitorais do Célio!

Me desculpe Nassif, mas esse sujeito tinha de ir preso. Ele comprava as pessoas com editais! Fale com o Gui Malon no Rio que ele vai confirmar tudo que estou dizendo! Os editais do premio asas e Tuxaua foram criados para financiar campanha! Eu espero que Célio turino nunca volte a politica. Ele é tão sujo quanto Fernando Collor ou Sarney.

 

Caro Sr Irineu Marinho (é esse mesmo o seu nome? Algum parentesco com os donos da Rede Globo?),

Vamos marcar uma ACARIAÇÃO  com o Sr Célio Turino para voce defender seus ataque e críticas?

Muito me surpreende as suas acusações contra essa pessoa que nada tem contra a sua extensa ficha de realizações na área cultural/social/ambiental!

Perfeição sabemos que não existe, mas creio mesmo que o senhor tem algo de muito ruim guardado dentro de sí, contra essa pessoa que tem a aprovação de milhões de brasileiros e de setores culturais em diversos países.

Aguardo um pocisionamento seu!

Cordialmente,

 

Cabeto Rocker

Musico/Produtor

[email protected]

 

Informação de dentro: os pontos de cultura já se mobilizam pelo Brasil e farão movimento nacional no dia 18 de abril. Até segunda ordem.

O pessoal não vai aceitar o fim da experiência cultural mais democrática, horizontal, diferente, inteligente e  popular que já tivemos. E a mais barata. E que estava só começando!

Esse povo vai chiar, e com toda razão. O negócio é botar o bloco na rua e acabar com essas práticas senhoriais e limitadas, que não mudam as vidas das pessoas em suas comunidades, num ministério que até então (Lula/Gil/Juca) não tinha qualquer relevância, a não ser para favorecer a poucos privilegiados.

 

Autonomo.

Você deve ser um gênio que vive do direito autoral do que você produz. Não sei o que faz e muito menos me interessa saber. Só que seus argumentos aqui beiram ao acinte. Se alguém desse ouvido e voz às suas opiniões, no tempo da história da nossa própria música, você estaria falando mal dos encontros musicais na casa da Tia Ciata. Você se acha muito em seus direitos de comentarista e, portanto, julga ser a palmatória do mundo. Observe em meus comentários se eu faço julgamento dos meus colegas de profissão. Imagino o que você falou quando a lavadeira Clementina de Jesus subiu ao palco, ou quando Martinho da Vila produziu o CD "Cantos de Lavadeiras". Você deve achar cômicas as viagens etnográficas de Mário de Andrade, de Villa Lobos, de Camargo Guarnieri, de Pixinguinha e etc., figuras que frequentavam lugares que, a seu ver, são com certeza pouco cultos.

Como você só fala com deuses, gênios, iluminados e acima do bem e do mal, os da cultura verdadeira que só os mais cultos percebem, não venho lhe respondendo. Só estou aqui para lhe explicar que não estou à altura do seu eruditismo. Por isso não respondi e continuarei não lhe respondendo. Você, pelo que mostra, é uma entidade superior.

 

1. "Você deve ser um gênio que vive do direito autoral do que você produz. "

Genios são o Tom, o Caymmi, o Villa Lobos, o Machado de Assis, o Glauber Rocha, o Baden e muitos outros que voce qualifica ou desclassifica como "medalhões". 

Eu sou apenas um artista, filho de artistas, que fiz algumas coisas reconhecidas, outras medianas, outras ruins. Ja passei o pão que o diabo amassou, como inumeros colegas, para desenvolver o meu trabalho, apesar da lei de direito autoral, que voce é contra. Imagino como seria a minha vida,dos meus amigos artistas e dos meus pais sem ela. Alias, tambem não consigo entender como um artista possa ser contra o direito que lhe garanta a remuneração sobre o seu proprio trabalho.Mas como estamos num mundo virtual, muita gente que se diz ou se acha artista, pode na verdade não se-lo.

2."Você se acha muito em seus direitos de comentarista e, portanto, julga ser a palmatória do mundo. Observe em meus comentários se eu faço julgamento dos meus colegas de profissão"

Voce não deve ler o que escreve. Voce é que sabe tudo, e se exprime com uma retorica que deixaria Camões de chinelos. Vive esculhambando os que não estão de acordo com suas estranhas ideias, numa agressividade incomum.

3."Imagino o que você falou quando a lavadeira Clementina de Jesus subiu ao palco, ou quando Martinho da Vila produziu o CD "Cantos de Lavadeiras". Você deve achar cômicas as viagens etnográficas de Mário de Andrade, de Villa Lobos, de Camargo Guarnieri, de Pixinguinha e etc., figuras que frequentavam lugares que, a seu ver, são com certeza pouco cultos".

Voce é um preconceituoso total. Sabe de tudo. Inclusive, ate daquilo que nunca falei. Por acaso, moço, conheci muito a Clementina e  mais ainda o Pixinguinha, como outros que voce certamente não conhece. Com o seu palavreado rococo eles não lhe entenderiam.

3."Como você só fala com deuses, gênios, iluminados e acima do bem e do mal, os da cultura verdadeira que só os mais cultos percebem, não venho lhe respondendo. Só estou aqui para lhe explicar que não estou à altura do seu eruditismo. Por isso não respondi e continuarei não lhe respondendo. Você, pelo que mostra, é uma entidade superior."

Obrigado pela resposta.

 

Quer dizer que ate os indios estão precisando dos pontos de cultura para desenvolverem a deles?

Meu Deus, que falta faz o Stanislaw Ponte Preta. Iamos dar muita risada se ele estivesse entre nos comentando tanta besteira.

E toda essa baboseira é proclamada como a descoberta da polvora.

Tem o comentarista de plantão aqui do blog que vem com essa:

"O que mais se constitui em perspectiva de valor num universo extremamente diversificado como são os pontos de cultura?"

Nada contra pegar uma "casinha abandonada da COHAB" e entrega-la para as pessoas se reunirem, conversarem, tocarem um violão.

Mas achar que isso muda alguma coisa no nosso atraso cultura é brincadeira, sacanagem.

Enquanto isso o MINC do historiador dos PCs, distribui milhões e milhões para shows de Ivete Sangalo e para toda a turma do Dende.

Enquanto isso a Rosa Passos mora fora do Brasil e aqui escutamos sertanejos, atras de sertanejos. O Bocato e milhares de outros grandes musicos passam por grandes dificuldades para desenvolver seus trabalhos.

Enquanto isso a televisão ocupa todo o espaço da cultura.

Enquanto isso vivemos num imenso apagão cultural.

E quando o apagão cultural dura muito tempo,não adianta mais argumentar.

A escuridão cegou. Começamos a achar o Gil "o melhor ministro".

E tente questionar.

 

Olá NAssif,

 

Mais uma vez, parabéns pelo seu blog e os conteúdos publicados, que, tenho certeza, ajuda muita gente a se inteirar social e politicamente do que acontece nesse país.

Quero parabenizar a entrevista com o Célio Turino, criador de uns dos programas socio-cultural, junto com o ex- Ministro Gilberto Gil, de maior expressão e libertador do últimos tempos. Nada é perfeito, sabemos [email protected], porém, é muito bom ver que é possível transformar a sociedade com pouco dinheiro e muita valoração da cultura brasileira.

Entendo que muitos setores, digamos, mais "elitistas", não se conformaram em tomar ciência da vasta, maravilhosa, diversificada, cheirosa e multiplas artes produzidas nesse país.

Célio Turino, com sinal verde do Minc para agir, não retrocedeu diante das surreiais e descomunais burocracias encontradas no ministério da cultura e desenvolveu um dos programas que deu a maior visibilidade, respeito e norteou diversos países a seguir os avanços experimentados no governo Lula, para a área cultural.

Agora, as críticas ofensivas e nocívas postadas pelo senhor ou senhora "autonomo" (que pena que a internet acentua mais ainda a covardia humana em não se assumir publicamente) são infundadas!!!

Sei que não existe nenhum ser humano "perfeito" e esses ataques contra o Célio Turino, ao que tudo indica, são feitas por pessoa com algum tipo de desafeto ou problema não resolvido com o mesmo. Ou pior: à serviço de uma camada da sociedade brasileira que ainda sente saudades do Brasil Colônia, da escravidão e outras desumanidades que estão se esvaindo a cada governo mais progressita. Agora, que o Célio Turino e suas idéias que ganharam o mundo é um ser humano 'imperfeito perfeito' no que pensa, propõe e age, isso sim!!!

Gostaria muito que o sr ou sra "autonomo", que, na sua qualidade de "anônimo", se revelasse ao público leitor e tivesse a dignidade de fazer uma acariação com o Célio Turino. Eu banco todas as despesas dessa pessoa para vir à público, com farta documentação que comprove tudo o que ele diz. Eu agendo um entrevista coletiva para que tudo fique às claras!

Não é possível mais deixarmos espaço para essas pessoas que não jogam de forma limpa, transparente, imparcial e honesta, o já tão difícil jogo da transformação social, política e de postura que tanto queremos ver acontecer nesse pais!

Nassif, mais uma vez agradeço o espaço! Como é bom (mesmo com a participação desses "autonomos" da vida) podermos ler, criticar, dialogar e fazer valer o direito à expressão e comunicação.

A liberdade de pensamento é maior que essas pessoas que reduzem grandes ações a um contexto politiqueiro e oportunista...

Abraços,

Cabeto Rocker Pascolato

Campinas-Sp

 

Caro autonomo,

A primeira pergunta é :quem sois?

De quem se trata, parece que realmente o Stanislaw se divertiria muito com suas conclusões. O que vc tem contra os indígenas se auto definirem culturalmente.Preconceito ou Desinformação?

Gostaria que vc soubesse que indio também é gente, sabe falar, cantar ,dançar e representar igualzinho vc branco. Vou logo te avisando que afro descendente tambem faz tudo igualzinho.Devem ser cópia dos brancos não é mesmo?

Que péssimo comentarista vc me saiu,heim? Acho que vc concorda com o Bolsonaro não é mesmo?

 

Ai ja é demais.

As pessoas nesse blog entendem o inverso daquilo que se escreve.

Ja foi o tempo que o Indio Tupi fazia aqui comentarios de alto nivel. 

Essa ai deve achar que os indios precisam dos pontos de cultura para "se auto definirem culturalmente".

Viva a internet.

 

caro  ..gostaria mais de saber o que vc pensa

..e se não cheguei muito tarde

GIL a parte ..eu sou daqueles que acho sim que o índio precisa de PCs  ..ou isso, ou os outros brasileiros só irão vê-los "empalhados" nos museus

..ou claro, se vc for a Brasília, aonde em alguma praça poderá ve-los dançando a dança da chuva

Olha ..certa vez, até já contei aqui, fui pra Cananéia  ..e lá estava tendo a festa da tainha  ..tinha um grupo de FANDANGO paulista  ..fandango paulista vc me pergunta?  ..pois é ... a maioria de nós mesmos sequer sabe deles e/ou os prestigia  ..ahhh sim, e apesar de ser uma cidade que foi o LIMITE do tratado de Tordesilhas (e que conta com sambaquis MARAVILHOSOS)  ..esta é outra cidade que pouco ou quase nada sabemos dela  ..pois PC e ordem não existe ali  ..e o que existe é desprovido de "metodologia" (esta espalhado e "fechado aos domingos")  ..não tem acesso fácil e gratuito (tipo internet) ..então, então há muito o que se fazer,é só querer  ..e chamar a ajuda da lei Rouanet

..e isso tudo independente de GIL, viu...

abrá

 

Então lhe questiono:

Se não Gil, quem foi o melhor ministro da cultura?

Não conheço todos os pontos de cultura do Brasil: conheço um aqui de Floripa, no bairro onde onde morei até o final do ano passado e que tem um trabalho comunitário muito bom e necessário; outro em Belo Horizonte, também com ótimo trabalho; e tenho boas notícias de outros do Brasil.

Mesmo não conhecendo todos, posso dizer que os pontos de cultura não se reduzem a essa caricatura que você fez.

 

Pior que o Gil tenho certeza que não houve.

Nem na ditadura a cultura brasileira passou por um momento tão pobre, por mais incrivel que pareça.

Mas se voce acha bom, o que eu posso fazer?

Talvez lamentar.

Se o ponto de cultura do seu bairro é uma maravilha,tambem não sei. Sei que o mais proximo da minha casa esta a uns 150 quilometros.La, uma senhora encontrou essa boquinha para distribuir o que ela acha que seja cultura para os seus conhecidos. Poesias de amigas, uma violada aqui, outra la.

Não sei se voce leu tudo que escrevi.

Não tenho nada contra o governo pegar "uma casinha abandonada da COHAB" para as pessoas se reunirem. Não faz mal a ninguem.

Apenas não acho que isso  resolve o nosso grave atraso cultural.

Milhões de pessoas continuam consumindo o que ha de pior em musica, teatro, cinema. E muitas vezes financiado com o suado dinheiro publico dos impostos.

Se voce acha tudo isso bom. Parabens.

 

Seus "argumentos" travestidos de inconformismo não conseguem esconder seu conservadorismo e desprezo por algo que é potencialmente transformador, vivo, emergente.

Seu texto revela claramente sua procedência: a direita - para usar um termo antigo, mas que vem a calhar para o tipo de "argumento" utilizado aí. Não preciso mostrar onde isso se revela em seu texto. Todo mundo pode ver: basta ler e saltam aos olhos coisas como "nem no tempo da ditadura", "boquinha", "atraso cultural" e outras barbaridades.

Li tudo o que escreveu e acho lamentável nessa sua réplica imputar aos pontos de cultura - que apenas começaram a ser desenvolvidos - a culpa pelo "nosso grave atraso cultural".

"Milhões de pessoas continuam consumindo o que ha de pior em musica, teatro, cinema", você escreve.

Não percebe que é nos pontos de cultura, potencialmente, que está um ótimo antídoto para isso?

Se não, mostre-nos como tentar resolver esse problema. E que problema!

 

Se voce acha que os pontos de cultura estão "transformando" o Brasil, problema seu, moço.

Como encontrar argumentos para contestar afirmação tão absurda.

Va la na lista do ECAD e veja os artistas mais escutados no Brasil.

Pelo amor de Deus, não venha dizer que estou defendendo o ECAD, que nem vou responder. Apenas sugerindo uma consulta dos musicos mais tocados.

Va a Bienal e vai encontrar a parede vazia, branca. Apagão.

Agora se voce acha que na terra do Tom, do Pixinguinha,do Baden, a população passar a ouvir Ivete Sangalo e sertanejos é uma "transformação", tudo bem.

Ate concordo.

É mesmo uma transformação.

Se voce acha que as paredes da Bienal ficarem vazias é uma "transformação", tambem concordo.

É mesmo uma transformação.

Agora não venha me classificar politicamente, porque ai fala besteira. E grossa.

Mas esse pessoal da tropa da pirataria na internet usa qualquer arma. Costuma trocar as bolas.

E fica por isso mesmo.

A nova ministra passa num passe de magica a ser de direita e o Gil de esquerda.

So aqui mesmo.

Quer dizer que voce, que enaltece o Gil, do partido do PV de direita, parceiro de decadas do Caetano,o maior direitaço das artes, que colocou gente de direita em varios postos do MINC, é de esquerda e eu de direita ?

So rindo mesmo. Na internet vale tudo. É de graça.

E voce, alem de analfabeto politico, não sabe ler.

Não "imputei a culpa pelo nosso grave atraso cultural" aos pontos de cultura.

Não dou tanta importancia a eles. Não acho que fazem mal e muito menos "tranformam" o pais.

Ja que voce assim acha, tudo bem, moço.

Viva a internet, distribuindo cultura livre.

 

 

Impossível discutir com quem distorce o que outro disse e inventa coisas que o outro não disse.

Acho que Gil foi sim o primeiro ministro da cultura digno do nome, independentemente do PV, que é uma lástima.E é tão grande artista quanto os que você cita.

Pra seu governo (e nosso), sempre apoiei o PT.

E acho que a nova ministra deve ter respeitada, embora tenhamos o direito de considerar um retrocesso as posições que tem tomado.

 

Ontem mesmo escrevi um texto em homenagem ao iluminado Célio Turino

Pontos de Cultura – O sonho de Mário de AndradeCarlos Henrique Machado Freitas | segunda-feira, 28 março 2011Um Comentário

Faz-se necessário urgentemente que a arte retorne às suas fontes legítimas. Faz-se imprescindível que adquiramos uma perfeita consciência, direi mais, um perfeito comportamento artístico diante da vida, uma atitude estética, disciplinada, livre, mas legítima, severa apesar de insubmissa, disciplina de todo o ser, para que alcancemos realmente a arte. Só então o indivíduo retornará ao humano. Porque na arte verdadeira o humano é a fatalidade. (Mário de Andrade – O Baile das Quatro Artes)

Os pontos de cultura são, na essência, a alma brasileira arregaçando as mangas. Eles são a mutação contemporânea aonde as matérias-primas naturais realizam a história universal da celebração dos homens da nossa época e da nossa terra fundamentados num fato concreto.

O que mais se constitui em perspectiva de valor num universo extremamente diversificado como são os pontos de cultura? Esse universo enriquecido como exercício de uma nova política de cultura é a própria dialética da vida brasileira que constitui um extraordinário caldo cultural e que, se pensarmos ousadamente, é o principal instrumento adequado à realização fulminante de um outro mundo, onde o valor dos sentidos está longe das pretensões e cobiça do território industrial que valoriza, hoje, um deserto.

O que precisa ficar claro é que os objetivos materiais manufaturados com que a indústria cultural atravessou o século perderam a eficácia de suas ações pela revolução das tecnologias de informação. Mas, ao contrário dessa realidade, o MinC se move em meio a uma tormenta de pretensões e cobiças que povoam o corporativismo como uma dívida eterna, mesmo quando se aumenta a previsibilidade de que o universo dos camarins e da ribalta perdeu o mercado e sua capacidade de nortear os objetivos da economia da cultura .

A universalidade empírica é a grande esperança. Não se faz política pública por intermédio dos mitos, de sistemas onde o descrédito humano elabora a sua conduta de modo sistêmico. Precisamos de uma nova clareza e densidade amparadas pela ressurreição das idéias possíveis apenas pelas práticas de solidariedade.

Se a globalização cultural é perversa, quando segue as normas da financeirização, ela também nos autoriza uma outra percepção, uma outra proposição, um outro discurso crítico nas relações de causa e efeito. Essa dialética contemporânea tem como papel principal o reordenamento da mudança da visibilidade histórica que está em processo numa fundamental quebra de paradigmas.

Cultura não é somente essencial àquilo que é invenção do artista. A arte é a essência da humanidade. Introduzir no Brasil um espírito desprevenido de alma que não traga verdadeiramente interesses à cultura brasileira, é fomentar objetivos perniciosos de destruição do nosso caráter nacional para fabricar fatos que caracterizem uma indústria. Isso é sufocar os nossos talentos na fonte.

O que quer justificar a cultura neoliberal que anda especulando mundo afora? Impor uma cultura sem nacionalidade e inteiramente incompreensível ao povo brasileiro? O que se quer é ignorar o Brasil e deformar a cultura em sua nascente?

O que se quer, na verdade, é fingir que o Brasil não tem o extraordinário conjunto de pontos de cultura que hoje representam uma nação digna de uma bandeira, com valor autêntico e com traços fundamentais da nossa autonomia e sentido, um vulcão de idéias produzidas por mais de 8milhões de cidadãos brasileiros.

Política pública de cultura não se faz com fábricas de truques, à meia-ciência, substituindo a pesquisa, o talento, o sonho e a paixão por um método de contorcionismo cerebral que nada tem de comum com as características específicas do temperamento nacional, como é o caso da tendência deformadora que busca a todo custo e modo a simpatia da indústria cultural.

O que é fundamental para a cultura de um país? Pense essencial.

Como disse Mário de Andrade: “É preciso não esquecer que cada um de nós é seu próprio maior artista ou o único criador das obras-primas que corresponde às necessidades e desejos da sua própria personalidade”.

Cultura não é feita de assinatura de contratos. Uma sinfonia não se realiza para poucos, puros e nobres. A compreensão de uma cultura e todo o seu desenvolvimento é dirigida essencialmente e bem acessível à gente do povo, feita, sobretudo com técnica dentro de sua mais pura sinceridade. Os Pontos de Cultura são uma estonteante narrativa do povo brasileiro, um sentimento de cultura feito com senso de justiça, amor e liberdade.

O Ministério da Cultura de Ana de Hollanda enseja um mal empregado conceito de cultura, sem justificação ou razão humana. Esse tom obscuro não é a tônica de nossa revelação como sociedade, notabilizada por frases feitas, principalmente pelo conceito traiçoeiro com determinada habilidade “intelectual”. Tudo para atender às associações, às editoras, aos medalhões, ao Ecad e, consequentemente às gravadoras multinacionais.

A LIÇÃO DO GURU

Guilherme, no caso dos pocket books, lhe mando um artigo sobre o que saiu hoje e que já estava escrito desde sábado passado. Você verá por aí que divirjo bastante de você, não na opinião, mas na atitude.

Mas não é só por isso que lhe escrevo imediatamente, mas porque fiquei muito inquieto com os resultados possíveis de sua proposta na Associação Brasileira dos Editores. Acho a proposta perigosíssima, vista pelo lado da malícia que será o lado dos norteamericanos (os que conheço estão interessadíssimos, mesmo os que fingem de desinteressar…) mas até pelos brasileiros, como o Lobato aqui, que tomaram partido pelos pocket books e pelos editores nacionais. Acho, por isso, imensamente infeliz a sua ideia. Isso da sociedade que representa a inteligência nacional, condicionar um combate seu a umas tantas reivindicações, por mais justas que estas sejam, será sempre possível interpretar como uma espécie de chantagem exercida pela sociedade sobre os editores. E na verdade não se condicionam convicções.

Fica assim a inteligência nacional, por atitude de seu maior órgão de classe, com as suas opiniões no balcão e na vitrina pronta a vendê-las a quem oferecer preço maior. Agora imagine que os norteamericanos e os que já tomaram partido se aproveitem disso. Vai ser desmoralização para a sociedade e para isso que se chama inteligência nacional.

A Lição do Guru – Carta de Mário de Andrade Guilherme Figueiredo – (17-08-1944).

Pocket Books é uma editora estadunidense fundada em 1939 por Richard L. Simon, M. Lincoln Schuster.

http://www.culturaemercado.com.br/conversacao/pontos-de-vista/pontos-de-cultura-o-sonho-de-mario-de-andrade/

 

humm, Nassif  ..vc sabe que o assunto me interessou né

Pra mim, penso que estes PCs não deveriam ser restritos a periferia  ..deveriam sim estar atrelados a um índice de desempenho  ..tipo um pra cada 50 mil habitantes

Penso que ele deveria trabalhar (pra racionalizar custos e amplificar, progagar conhecimento) junto com o do Turismo por exemplo  ..afinal, que PONTO mais sensacional para o turista se dirigir no país inteiro do que chegar num lugarejo e conhecer direto o PC, a cultura da região neste locais?

....nem sei se isso fez parte da preocupação  ou se era a ambição ..mas sei que ajudaria a diluir os custos e a deixar pras PREFEITURAS a sua manutenção (desde que obedecido os padrões mínimos de qualidade e transparência)

Estes centros é que fariam convêno com as cinematecas  por exemplo ..que dariam vazão ao foclore e artesanato (*) ..que estimulariam as artes ..o incentivo (aqui sim) que deveria vir das empresas (via lei Roaunet modificada - ou não), incentivo que deveria entrar por aqui  ..na BASE da cultura  ..e não via um topo já escolado e economicamente viabilizado

..sei lá ..o assunto é vasto  ..gostaria que vc o mantivesse aceso  ..temos muito a aprender e a DEMANDAR também  ..afinal, TODO artista tem que ir aonde o POVO esta  ..e não como hoje, aonde fazemos muitas vêzes do contrário

curiosidade - certa vêz fui pra PARATI ..lá busquei um "artefato" que representasse a região (desde que não fosse escuna)  ..não achei nada  ..exceto a escultura de uma família de RETIRANTES, que tinha sido confeccionada pra retratar o NORDESTINO  ..não importa, comprei-a, era bonita  ..mas o que eu quero dizer é isso  ..se vou pra CAETE - Mg, lá não tem nenhum centro que me mostre a riqueza cultural da região, nem que lá houve a batalha dos Emboabas  por ex ..fato aliás IGNORADO pela maioria de seus habitantes  ..então, então acho que os tai PCs, aliado ao turismo, tem muito por fazer

..fora ainda que poderia nos ajudar a ROMPER com o monopólio que as redes cinemark da vida nos fazem  ..aonde elas só nos trazem filmes consagrados pra ver  ..vc já imaginou o que tem de obra que fica de fora só pq não daria "muita bilheteria"   ..pois é

pelo potencial de ruptura  ..de inovação   ..perigas os PCs deixaram de ser sigla de Pontos de Cultura pra serem idenficados como coisa do Partido Com???? ?? ...afffii diz com juro, de tanto medo nem quero pronunicar o nome dele

 

 

5 mil por mês , dependendo da comunidade fazem a festa , aí começam as cobranças e aplicação dos recursos , o Fome Zero foi um exemplo, adaptado ao bolsa familia vimos os resultados.

Na cultura , 5mil não é uma fortuna e quando os recursos são aplicados em cultura os resultados, ainda que haja tendencionismo , podem e devem ser extraordinários , 200 mi de pessoas tendo acesso e podendo praticar cultura . Caetano ti vira , inclusive já é funcionário do MINC  ou vai ficar dando trato a pelotas.

 

FeLiPe Vargas Zillig