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Quimioterapia reduz tumor de Lula em 75%, diz equipe médicaEx-presidente prossegue com tratamento contra câncer na laringe no Hospital Sírio-Libanês

Ricardo Galhardo, iG São Paulo 12/12/2011 18:13

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O tratamento de quimioterapia a que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se submete reduziu em 75% o tamanho do tumor detectado na laringe do petista em outubro deste ano, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira pela equipe médica do Hospital Sírio-Libanês. Lula passou até agora por duas sessões e passa por uma terceira aplicação dos medicamentos nesta segunda-feira.

Entenda o caso: Lula é diagnosticado com tumor na laringe

Os resultados animaram os médicos, que disseram ter se surpreendido com o grau de redução do tumor, cujo tamanho original era de aproximadamente três centímetros. Embora já dessem como certa uma diminuição do câncer, eles avaliaram que essa evolução foi "extraordinária" no caso de Lula.

 

Foto: AE

Lula, ao chegar ao hospital na manhã desta segunda-feira, onde se submeteu a bateria de exames para avaliar resposta ao tratamento

 

 

Saiba mais sobre o câncer de Lula:

 

Os resultados levaram os médicos do ex-presidente a descartar qualquer hipótese de cirurgia para a retirada do tumor. "A cirurgia está totalmente descartada pela redução constante", disse o oncologista Luiz Paulo Kowalski. "Se existe um caminho que leva à cura seguramente passa por esse estágio", acrescentou o oncologista Artur Katz, também integrante da equipe que acompanha o ex-presidente.

Lula, segundo relatos da equipe, ficou feliz ao receber os resultados dos exames e reagiu com um sorriso. A partir de janeiro, ele ingressa em uma nova etapa do tratamento, na qual será submetido a sessões de radioterapia. A quimioterapia, no entanto, não está totalmente concluída, já que ele receberá pequenas doses desses medicamentos em conjunto com as sessões de radioterapia. A nova fase do tratamento será ambulatorial e exigirá que Lula compareça ao hospital uma vez por semana.

A expectativa dos médicos, diante dos resultados, é de que o tratamento vai interferir muito pouco na voz do ex-presidente. A equipe diz acreditar, ainda, que Lula poderá retomar suas atividades normais a partir de março. "No longo prazo, o resultado deve ser extraordinário", disse Katz.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/quimioterapia-reduz-tumor-de-lula-em-75-diz-equipe-medica/n1597406537711.html

 

lidiaz

Do Sul21 - 08/12/11 | 16:26

Conflito é coração da democracia, defende Marilena Chauí.

 


“O núcleo da sociedade brasileira é um grupo oligárquico que não admite nenhuma contestação e que transforma o conflito na ideia de desordem, crise, perigo, de que é preciso repressão e um Estado forte” | Foto: Mariana Fontoura/CMPA

Vivian Virissimo

Aos 70 anos, a filósofa Marilena Chauí segue avaliando os rumos da política e as grandes transformações sociais e culturais em curso no Brasil e no mundo. Pelo seu diagnóstico, o coração da democracia brasileira está muito debilitado, uma vez que todas as formas de conflito são abafadas ou combatidas com a repressão do Estado, o que impede o avanço na garantia de direitos e no aprimoramento da própria democracia. “No Brasil, incessantemente, o conflito é transformado em crise e se joga a polícia e o Exército contra a população e os movimentos sociais. A única maneira de afirmar a legitimidade e a necessidade do conflito é mostrar que o mesmo é o coração da democracia”, falou Marilena ao Sul21.

Professora de Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Marilena é uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT). Ela esteve em Porto Alegre para participar de conferência no Debates Capitais promovido pela Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (7).

No entendimento de Marilena, sem mexer na estrutura da sociedade fica impossível compreender o verdadeiro sentido democrático do conflito. “O núcleo da sociedade brasileira é um grupo oligárquico que não admite nenhuma contestação e que transforma o conflito na ideia de desordem, crise, perigo, de que é preciso repressão e um Estado forte”, aponta.

Ao mesmo tempo, Marilena também destaca que a repressão do Estado é dirigida geralmente aos negros, aos pobres, aos índios, aos moradores de rua. “Eles são vistos como uma ameaça visível. Mas, sob essa ameaça visível, se esconde ideologicamente que qualquer forma organizada no interior da sociedade é perigosa. Qualquer grupo, classe, conjunto que se organize em termos sociais e políticos é visto como perigoso”, explica a filósofa.


Marilena Chauí: “Mexer na estrutura da sociedade brasileira é uma tarefa de todos. E o começo disso passa pela percepção de que existe uma violência estrutural, um autoritarismo" | Foto: Mariana Fontoura/CMPA

Outra face para comprender este processo se trata de um mito da não-violência que está arraigado na sociedade brasileira. Essa posição, segunda ela, enfraquece as possibilidades de mudança. “Se nós somos um alegre povo mestiço, verde e amarelo, sensual, ordeiro e pacífico… O que se faz? Esta tudo dado, tudo pronto”, critica Marilena.

Para ela, a garantia de direitos passa pela percepção de que o racismo, o sexismo e a homofobia são formas de violência que são naturalizadas pela maioria da sociedade brasileira. “Mexer na estrutura da sociedade brasileira é uma tarefa de todos. E o começo disso passa pela percepção de que existe uma violência estrutural, um autoritarismo. Se isso não for percebido, não temos como lutar”, fala Marilena.

“Há um campo aberto para a política”

Marilena também pontuou que o começo dessas transformações na estrutura da sociedade começaram com a constituição dos movimentos sociais no período de luta pela redemocratização do país. “Tem sido assim desde a década de 1970. Todos esses movimentos deram origem a formações partidárias e políticas que democratizaram o país. Não é porque o Brasil se democratizou que os movimentos se tornaram possíveis, é exatamente o contrário: porque os movimentos se organizaram, existiram e lutaram que eles tornaram possível a democratização do país”.


“Há um campo aberto para a política que ainda não foi pensado e ainda não foi exercido. Mas isso não é um ou outro que vai pensar. É um coletivo" | Foto: Mariana Fontoura/CMPA

Diante das mudanças gerais ocorridas na sociedade brasileira, Marilena avalia que o refluxo dos grandes movimentos sociais servirá para a reposição de novas práticas políticas, sociais e culturais. “Há um campo aberto para a política que ainda não foi pensado e ainda não foi exercido. Mas isso não é um ou outro que vai pensar. É um coletivo que tem que pensar e refletir sobre isso”, avalia.

Nesse sentido, Marilena também apontou a necessidade de desvincular a política das formas clássicas de representação. “Quando a política fica restrita ao aparelho do Estado se perde a noção mesma da política que é a polis, a cidade organizada, a sociedade. Em vez de pensar que a política é uma ação coletiva no interior da própria sociedade, sob a forma de poderes e contra poderes, se pensa a política como uma esfera separada”.

Apesar de todas essas constatações, Marilena se mostrou uma pessoa otimista. “Eu só lamento que não vou ter tempo de vida para ver as mudanças profundas que vão acontecer não só no Brasil, mas em escala planetária. Uma mudança no saber, na ciência, na tecnologia que por enquanto ainda estão muito afogadas dentro da estrutura capitalista vigente, mas elas têm potencial de mudança e transformação muito grande”, aponta a filosofa

 

Pesquisas apontam Chávez como favorito nas eleições venezuelanas

Caracas, 12 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se manteve como grande favorito para vencer as eleições em seu país e conquistar mais um mandato consecutivo, de acordo com pesquisas realizadas pelos institutos locais IVAD e Hiterlaces e divulgadas nesta segunda-feira pelo ministro de Comunicações, Andrés Izarra.

Se as eleições de 7 de outubro de 2012 fossem realizadas hoje, Chávez obteria 55,5% dos votos, segundo o IVAD, e de 49%, Hinterlaces, de acordo com dados divulgados no Twitter por Izarra.

A pesquisa do IVAD consultou 1.200 eleitores de 20 a 28 de novembro, e tem uma margem de erro de 1,03% a 2,37%. Já a da Hinterlaces entrevistou 1.129 pessoas e sua margem de erro é de 2,6%.

Nesta última, Chávez venceria por 49% a 38% qualquer um dos candidatos apresentados aos participantes. Já na pesquisa do IVAD, Chávez levaria a melhor sobre o governador Henrique Capriles por 55,5% a 31,8%; venceria o ex-prefeito Leopoldo López por 56,9% a 28,8%; e derrotaria o também governador Pablo Pérez por 56,9% a 29,8%.

María Corina Machado, Diego Arria e Pablo Medina, os outros três opositores que participarão das primárias que a coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD) realizará no dia 12 de fevereiro para definir quem disputará com Chávez o período presidencial 2013-2019, não constaram nas pesquisas.

Sobre a avaliação da gestão presidencial, o IVAD apontou que ela é apoiada por 71,5% dos consultados, porcentagem reduzida a 61% no caso da pesquisa da Hinterlaces. Segundo ambas, essa avaliação positiva subiu desde que Chávez revelou em junho que passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor da região pélvica que, em exames posteriores, indicou a presença de células cancerígenas. EFE

 

 

 

Prezado Nassif,

Blogosfera 1.000.000 x 2 PIG .

12/12/11 - No TijolaçoO estrondoso silêncio da mídia 

O livro de Amaury Ribeiro Jr, a Privataria Tucana, é destaque na Folha.

Não no jornal, onde não merece nem uma linha, é claro.

Mas na Livraria da Folha, onde – apenas três dias depois de lançado  – já é o mais vendido, superando o livro de Eike Batista, que contou com ampla cobertura, inclusive com chamadas no site do jornal.

Depois a Ombudsman da Folha fala que a blogosfera dá olé na grande mídia.

Pudera, foi ela que criou este “sucesso clandestino” .

Talvez os editores de jornais, revistas, rádios e televisões não tenham se dado conta de que “a Sibéria do esquecimento” – como uma vez Leonel Brizola definiu o banimento dos meios de comunicação das pessoas e dos temas que desagradavam Roberto Marinho – esquentou muito depois do surgimento da internet.

O silêncio da mídia, retumbante como está sendo, não a cobre de suspeitas.

Cobre de vergonha a hipocrisia do moralismo seletivo que pratica.

 Postado por Fernando Brito

 

OAB reunida em Brasília pode barrar Ophir OAB reunida em Brasília pode barrar Ophir Foto: Divulgação Advogados do Pará levam ao pleno do Conselho Federal pedido para afastamento do presidente da entidade; além de ter recebido R$ 1,5 milhão como procurador licenciado do Estado, nos últimos dez anos, Ophir Cavalcante também obteve vencimentos da Universidade Federal do Pará, onde não aparece desde 2001

12 de Dezembro de 2011 às 13:52

247 – O pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, com seus 81 representantes, está reunido hoje em Brasília para discutir, entre outros assuntos, um tema delicado: o afastamento de Ophir Cavalcante da presidência da entidade. Este é um pedido feito por advogados do Pará, cuja seccional da OAB está sob intervenção desde outubro. Advogado que se especializou em apoiar denúncias sobre irregularidades na administração pública, Cavalcante sofre agora mais uma acusação de tirar proveito pessoal de benefícios concedidos pelo Estado. Os advogados paraenses Eduardo Imbiriba de Castro e João Batista Vieira dos Anjos acusam Cavalcante de usufruir ilegalmente, há 10 anos, de licenças não remuneradas da Universidade Federal do Pará, da qual é professor de Direito. O presidente da OAB nacional já havia sido denunciado por ter recebido, também nos últimos dez anos, R$ 1,5 milhão, irregularmente, como procurador licenciado do Estado.

Na nova ação popular e representação no Ministério Público Federal (MPF), informa o jornal Diário do Pará, os advogados afirmam que o presidente nacional da OAB está licenciado da UFPA desde 2001 e, apesar não estar recebendo remuneração, causa prejuízo ao erário, já que a UFPA teve que pagar outro professor para dar aulas no lugar dele.

Ophir só teria trabalhado, de fato, por cerca de três anos, desde que entrou na universidade em 1997. Desde 2001, quando obteve a primeira licença, elas já foram renovadas por quatro vezes - a última, concedida no ano passado, ainda está em vigor e vai até 2013. Entre 2004 e 2005, Ophir ficou à disposição da UFPA, mas não foi designado para ministrar aulas.

Os advogados dizem que não é clara a razão desse afastamento - que ora seria por motivos particulares, ora não. Além disso, as licenças foram revogadas, algumas antes e outras até depois do seu término, o que poderia se configurar, segundo os advogados, em uma fraude.

Imbiriba e Batista pedem que a Justiça Federal declare nulas todas as licenças, que Ophir seja condenado a ressarcir o erário pelos danos que teria causado, que volte imediatamente ao trabalho, que perca a função pública e que seus direitos políticos sejam suspensos por oito a dez anos. “E além das penas restritivas decorrentes da improbidade administrativa, também todas as penalidades criminais, e especialmente em caráter preventivo o sequestro de bens”.

DIREITO

O presidente nacional da OAB disse que as licenças são legais, que não há qualquer prejuízo ao erário e que é um direito do servidor se licenciar para representar seu órgão de classe. “É outro factoide criado para retaliação pela atitude do Conselho Federal da OAB de fazer uma intervenção na OAB Pará”.

 http://brasil247.com.br/pt/247/brasil/29554/OAB-reunida-em-Bras%C3%ADlia-pode-barrar-Ophir.htm

 

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Sul21 está sendo processado por ONG ligada ao Instituto Ronaldinho Gaúcho

Da Redação

O Sul21 recebeu, na tarde da última sexta-feira (9), citação em processo aberto pela ONG Instituto Nacional América (INA), cujas supostas ligações com o Instituto Ronaldinho são alvo de uma tentativa de CPI na Câmara de Porto Alegre. A entidade pede ressarcimento por danos morais, alegando que uma reportagem publicada pelo site de notícias traz inverdades e distorções, prejudicando a assinatura de contratos da ONG com prefeituras gaúchas. Além do Sul21, é citada na petição a repórter Rachel Duarte, que assina a matéria.

Leia mais:
– ONG contratada pelo Instituto Ronaldinho está sob suspeita do MPF

A representação do INA sublinha trechos que considera “levianos, para não dizer criminosos” da matéria publicada pelo Sul21 sobre as possíveis relações da ONG com irregularidades na esfera municipal e federal. Alega, em sua petição, que afirmações contidas na matéria não são verdadeiras e denotam a intenção “não de informar, mas difamar” o INA, insinuando motivos políticos para essa disposição. Pede a retirada imediata da matéria do ar, por meio de antecipação de tutela (o que já foi negado pela Justiça), além da publicação de nova matéria que desminta expressamente “as assacadilhas e falsas imputações lançadas contra a autora”, sendo o texto redigido pelo próprio INA, caso a Justiça assim decida.

Em um trecho da petição, o Instituto Nacional América alega ter entrado em contato com o Sul21 para solicitar por diversas vezes a retirada da matéria do site – o que o Sul21 não consentiu, uma vez que acredita ter feito um bom trabalho jornalístico e não ter, portanto, motivos para removê-lo do site. Foi ofertado pelo site, em mais de uma oportunidade, espaço para que o Instituto Nacional América apresentasse documentação que refutasse as afirmações feitas na matéria – que, como todo bom texto jornalístico, checou suas informações e consultou todos os lados antes da publicação. O INA, porém, optou por não apresentar as documentações que alegou possuir, adotando a via judicial.

O Instituto Nacional América está às voltas com denúncias da Câmara Municipal de Porto Alegre, que questiona o destino dado a recursos investidos em convênios com o Instituto Ronaldinho, firmados entre 2007 e 2010. As suspeitas são alvo de um esforço para abertura de CPI, capitaneados pelo vereador Mauro Pinheiro (PT). O Sul21 já publicou algumas matérias sobre o caso e está preparando mais material sobre o assunto, que deve ser publicado no decorrer desta semana.

 

Que samba delicioso ...

 

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wOGmv6UdJRM#!

 

Projeto de lei cria recompensa para quem denunciar corrupção Valor do ‘prêmio’ pode chegar a R$ 54,5 mil. Identidade do informante ficará sob sigilo

Juliana Castro

Publicado: 22/11/11 - 8h38 Atualizado: 22/11/11 - 8h38

RIO – Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê a criação de um programa de recompensas a pessoas que denunciarem esquemas de corrupção em qualquer um dos três poderes das três esferas de governo. A proposta que institui o Programa Federal de Recompensa e Combate à Corrupção estabelece que o denunciante receba o equivalente a 10% do total de bens e valores recuperados pela Justiça, mas o montante será limitado a cem vezes o valor do salário mínimo (fixado em R$ 545). Ou seja, a recompensa máxima atualmente seria de R$ 54,5 mil.

De acordo com o texto do deputado federal Manato (PDT-ES), a pessoa deve denunciar o esquema a qualquer órgão de segurança pública ou ao Ministério Público, com a descrição dos fatos de forma clara e detalhada, apresentando provas e documentos comprobatórios da prática do ilícito, se possível. Embora o projeto afirme que o denunciante deve informar o autor dos desvios, o deputado diz que a denúncia pode ser feita mesmo sem este dado:

- Quando você apresenta um projeto, você joga uma ideia, que pode ser aperfeiçoada por outros 512 deputados, 81 senadores e também pela sociedade.

A proposta tramita em caráter conclusivo, ou seja, não precisa ser votada em plenário. É necessário ser aprovado apenas nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, segue para o Senado.

A identidade do informante, que deve ser maior de 18 anos, será mantida sob sigilo. Mas caso a pessoa se sinta ameaçada, poderá ingressar no Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas.

Pelo texto, a União ficaria obrigada a criar um fundo para administrar os bens e valores recuperados em processos judiciais. Deste fundo, seria deduzido os 10% que devem ser pagos à pessoa que fez a denúncia. O restante seria devolvido ao órgão prejudicado pelo esquema.

Entre os crimes cometidos contra a administração pública estão o peculato (apropriação ou desvio de verbas públicas), a prevaricação (atrasar ou prejudicar o cumprimento de atos públicos em benefício próprio) e a corrupção passiva (recebimento de vantagem indevida).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/projeto-de-lei-cria-recompensa-para-quem-denunciar-corrupcao-3290911#ixzz1gKo24KyK
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"Seus dias estão contados na universidade, negão!"
Por: Ana Lúcia Valente - 29/11/2011

Essa frase foi dirigida a um motorista que me acompanharia num trabalho de campo, com alunos da disciplina Extensão Rural, no estacionamento do ICC Sul, da UnB, dia 27 de outubro.

Manifestação racista, que incomodou o agredido, e, assim, caracterizou crime de injúria, o que deveria ter demandado a presença de policiais, caso não estivessem paralisados.

Na condição de docente da instituição, coordenadora da atividade externa de ensino; em razão de meu currículo e da minha ascendência étnica, me senti também insultada pela clara discriminação racial e no dever de pedir a identificação ao agressor.

Mas como anda virando moda, cada vez menos alunos têm capacidade de reconhecer seus professores como autoridades, legitimamente constituídas através de processos de ingresso no Serviço Público. Alunos se sentem a vontade para desacatar quem os ensina e quando interpelados quando emitem frases racistas, sentem-se ”intimidados”.

Após ser questionado, o aluno explicou a frase racista: sua chapa para o DCE perdera a eleição e a vencedora – de “direita” - seria contra as cotas raciais! Ele, ao contrário, seria a “favor dos negros”, apesar de ter humilhado um deles ante meus dezesseis alunos presentes.

Um colega desse aluno, ao tomar sua defesa, estudante de jornalismo deu o veredicto final aos berros: eu não estaria entendendo a questão política envolvida naquela situação! Ao me identificar como especialista em relações interétnicas, irritou-se.

Entretanto, ao ler no site da UnB, matéria sobre as eleições no DCE, redigida por José Negreiros, da SECOM, afirmando ter ocorrido uma “derrota expressiva da esquerda”, fazendo suas as palavras de um anônimo “especialista em política estudantil” - que possui um conceito bastante duvidoso de “realidade” - é possível compreender o comportamento do aluno, seus colegas e professores que bradam palavras de ordem anacrônicas e infelizes.

A desobediência dos alunos diante das normas existentes tem sido contumaz, mesmo as mais simples regras de sociabilidade. O quadro se torna ainda mais drástico ao constatar que professores estimulam tais práticas: aqueles que tomam a realidade como uma luta maniqueísta entre o “bem” e o “mal”, estando eles no primeiro campo.

Falta de educação, permissividade, intolerância e autoritarismo vigem soltos, sem amarras. E então, mesmo aqueles que se dizem “de esquerda”, utilizando um discurso viciado, facilmente têm seu verniz progressista quebrado, para professar seu racismo.

http://www.afropress.com/colunistasLer.asp?id=929

 

Lula volta ao hospital para continuar tratamento contra o câncerO ex-presidente chegou ao hospital Sírio-Libanês para fazer exames. A partir de janeiro, ele deve começar a fazer sessões de radioterapia

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA ESTADO

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 Sebastião Moreira / EFE)Lula chega ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo (Foto: Sebastião Moreira / EFE)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou nesta segunda-feira ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a realização de exames clínicos para verificar se o tratamento a que está sendo submetido contra um câncer de laringe, diagnosticado em outubro, obteve os resultados esperados. O petista chegou ao hospital por volta das 7h30.

O ex-presidente deve ser submetido a exames de laringoscopia e tomografia para verificar se o tumor regrediu. A equipe médica pretende realizar ainda, para confirmar o diagnóstico, um PET Scan, procedimento que serve para detecção precoce de tumores ou novos focos. O resultado da bateria de exames, que poderá ser divulgado ainda nesta segunda, será decisivo para que a equipe médica defina os próximos passos do tratamento.

Se confirmada a expectativa de regressão do tumor, o ex-presidente deverá iniciar nesta segunda-feira mesmo a terceira e última sessão de quimioterapia no combate à doença. A equipe médica considera o risco pequeno, mas não descarta a possibilidade de o ex-presidente ser submetido a uma cirurgia, caso o tumor não tenha sofrido uma redução significativa em relação ao seu tamanho inicial. A proporção de pacientes com quadro clínico semelhante ao do ex-presidente e que apresentam uma resposta satisfatória ao tratamento de quimioterapia, segundo um dos membros da equipe médica, é de 80% a 90%.

saiba mais

Em outubro, a equipe médica informou que o tumor é do tipo mais comum e pode ser considerado como de agressividade média, com grandes chances de cura. A expectativa inicial era de que em janeiro o ex-presidente inicie as sessões de radioterapia e que o tratamento médico seja finalizado em fevereiro. No domingo, em evento em São Paulo, Lula falou pela primeira vez sobre a luta contra a doença e confirmou que deve continuar o tratamento com radioterapia a partir de 2012.

 

 reprodução)

 

From: Rui Martins

Sem querer parece que levantei o tapete. A política brasileira para refugiados parece vergonhosa. O Brasil acolhe uma miséria de gente. Se tiver mais dados sobre isso me mande. Eu escrevi um texto no Correio do Brasil. http://correiodobrasil.com.br/brasil-acolhe-poucos-refugiados/340651/  

 

Brasil acolhe poucos refugiados?

10/12/2011 20:33,  Por Rui Martins, de Genebra

Reprodução

O dirigente do Conare
contesta críticas de
Johannes van der
Klauw, do Acnur,
à política brasileira
de refugiados.

O presidente do Conare, Luiz Paulo Barreto, contestou, em Genebra, onde participava da conferência ministerial do Acnur, a acusação de ser restritiva a política brasileira para refugiados. Porém, fazendo-se comparação com outros países, a diferença é enorme.

A queixa contra a pouca disposição brasileira em receber refugiados foi feita pelo coordenador-principal do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Acnur, Johannes van der Klauw, em Genebra, no momento mais forte da crise na Líbia, quando milhares de pessoas buscavam proteção do lado tunisiano ou egípcio.

Era uma situação de emergência, mas o Acnur precisava de apoio imediato para quatro mil pessoas desalojadas, porém tanto a França, como a Inglaterra e Alemanha negaram-se a dar acolha.

Só a Suécia, Noruega, Austrália e Canadá ofereceram acolha equivalente, no total, a mil pessoas.

Naquela época, o coordenador-principal do Acnur desabafou – «gostaríamos que países da América do Sul, como o Brasil, aceitassem esses refugiados vindos da Eritréia, da Somália e do Sudão, mas não obtivemos apoio desses países latinoamericanos para nossa demanda».

Embora o Brasil tivesse acolhido em 2002 um total de 500 refugiados, entre palestinos e colombianos, suas autoridades, no caso o Conare, argumentaram, disse van der Klauw, não terem condições para o atendimento desses novos refugiados que iriam precisar de integração e de um período de manutenção.

O fato passou despercebido no Brasil, porque a declaração do presidente do Conare, naquela época, de que aceitava estudar a aceitação de casos apresentados pelo Acnur, foi noticiada pela grande imprensa como aceitação plena de refugiados da Líbia pelo Brasil.

Aproveitando a presença do presidente do Conare, órgão responsável pelos refugiados no Brasil, Luiz Paulo Barreto, o Correio do Brasil quis saber porque só existem 5.470 refugiados no Brasil, quando outros países acolhem mais que isso por ano, e que mesmo Angola, concede mais que o dobro de refúgios concedidos pelo Brasil.

“Essa crítica é infundada,disse Barreto, o Brasil recebe todos os pedidos de refúgio que lhe são dirigidos, não existe um programa de limitação e nem cotas. A razão desse pequeno número de refugidos é por estarmos longe dos focos dos conflitos, pois a maioria dos refugiados não tem condições econômicas para se deslocar. Todos que chegam ao Brasil têm acesso ao pedido de refúgio.

« Além disso a diferença de língua faz muitos preferirem procurar países europeus ou países com que tenham mais afinidades, acrescentou Barreto. Embora sejam 5.470 refugiados, eles representam 77 nacionalidades, mostrando que o Brasil está aberto a qualquer tipo de refugiado, sejam por questões políticas, religiosas ou étnicas. O Brasil é um dos países mais abertos e acolhe atualmente muitos colombianos, como já havia acolhido angolanos. E existem casos esporádicos de africanos e agora mesmo de dois líbios pedindo refúgio. Não existe, portanto, uma política para se limitar o número de refugiados ».

Entretanto, se a distância existente entre o Brasil e os países em conflito, geradores de refugiados, pode explicar parte do número reduzido de refugiados no Brasil, como explicar que a Suécia e o Canadá, sejam os países mais acolhedores de refugiados, se estão também distantes das áreas em crise como o Brasil ?

Na verdade, o Acnur é quem administra os campos de refugiados e que procura obter dos países a acolha desses desalojados, consultando quantas pessoas podem receber e cuidando do transporte aéreo dos refugiados aos países acolhedores. São o que se chama de “assentamentos” de refugiados, diferentes dos refugiados espontâneos, que pedem refúgio já no Brasil.

No caso dos refugiados da Líbia, quem contatou o Conare foi o Acnur e a resposta foi negativa, limitando-se a estudar casos. É claro que, se o Brasil se restringir a dar refúgio só às pessoas que chegarem às suas fronteiras, não será preciso nem se criar cotas. A crítica do Acnur foi no sentido de que o Brasil, que vai se tornando potência mundial, precisa também acolher os refugiados vindos de lugares distantes e selecionados pelo Acnur.

Rui Martins, correspondente em Genebra.

 http://correiodobrasil.com.br/brasil-acolhe-poucos-refugiados/340651/

 

Servidores defendem transparência de informações públicas, mas se preocupam com uso de dados 11/12/2011 - 15h06

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Diagnóstico divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU) na última sexta-feira (9) revela uma atitude pró-ativa dos servidores públicos federais quanto ao acesso à informação pública. De acordo com a publicação, “há um movimento em curso de abertura e conscientização sobre a importância da transparência. Todos os órgãos e entidades participantes da pesquisa desenvolvem algum tipo de prática na área de transparência”.

A boa vontade dos servidores e algum histórico de iniciativa dos órgãos públicos em favor da transparência não afastam, no entanto, a preocupação com o mau uso das informações. A avaliação é que a Lei de Acesso a Informações Públicas sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no mês passado tem como desafio superar a “cultura do segredo”, verificado “principalmente na constante preocupação com o mau uso das informações pelo público, com a má interpretação ou descontextualização das informações”.

A publicação Diagnóstico sobre Valores, Conhecimentos e Cultura de Acesso à Informação no Poder Executivo Federal Brasileiro, coordenada pelo antropólogo Roberto DaMatta, envolve duas pesquisas. A primeira (de caráter qualitativo) foi feita por meio de entrevista com 73 autoridades públicas; e a segunda (mais quantitativo), com aplicação de questionário por meio eletrônico a 986 servidores federais de diversos órgãos.

De acordo com os dados apurados, 23,7% dos servidores desconfiam de “má utilização das informações”, 14,3% temem “vantagens para grupos de interesse bem situados”, e 11,7% acreditam que possa haver uso político das informações. Além dessas ressalvas, os servidores apontam que poderá haver “solicitações excessivas e descabidas”, “uso indevido das informações pela imprensa”, “maior burocratização” e “até “mais conflito entre cidadão e a administração pública”, entre outras preocupações.

Apesar dessas ponderações, há a avaliação de que a informação acessível atende à “transparência da administração pública” (38,3%), serve à “redução, ao combate e à prevenção da corrupção” (20,6%) e favorece o “fortalecimento da credibilidade da administração pública” (13%), além de aproximar o cidadão (8,6%) e aumentar sua confiança na administração (7,8%). Oito de cada dez servidores entrevistados acreditam que “o benefício de uma política de amplo acesso à informação pública seria superior a qualquer ônus envolvido na sua implementação [tempo, trabalho, recursos, riscos]”.

A percepção dos servidores é que os jornalistas são os principais demandantes de informações (35,3% das respostas); mais do que o cidadão (24,6%), a própria administração pública (12%), organizações não governamentais (9,5%) e pesquisadores (9,3%).

A maioria dos servidores entrevistados (66,5%) trabalha em órgãos onde já estão implantados sistemas eletrônicos de protocolos e tramitação de documentos. Quando perguntados quem responde às demandas de solicitações, 53,19% responderam que é a própria unidade. O diagnóstico aponta, porém, que 32,9% disseram que não existe no órgão a que estão vinculados uma unidade para atendimento de solicitações de acesso à informação pública.

Edição: Juliana Andrade

 

VALOR ECONÔMICO

De olho no Brasil, máfias da cocaína disputam a BolíviaPor Fabio Murakawa | De São Paulo

 

 

De olho no crescente mercado para a cocaína no Brasil, e na facilidade para obter matéria-prima, redes internacionais de traficantes transformaram a Bolívia em território prioritário para expandir os seus negócios, segundo especialistas ouvidos pelo Valor.Antes mero exportador da folha de coca para laboratórios na Colômbia e no Peru, a Bolívia se converteu nos últimos anos em um importante corredor da droga produzida nesses vizinhos e enviada a Brasil e Europa, via território brasileiro, além de refinar cada vez mais cocaína em seu território.

Esse fenômeno vem na esteira do aumento da demanda no Brasil, que se tornou na última década o segundo país consumidor de cocaína no mundo.

"O Brasil passou, nos últimos dez anos, de país de trânsito a um país de consumo [de cocaína]", afirma o diplomata brasileiro Murilo Vieira Komniski, que atua no setor de Direitos Humanos e Ilícitos Transnacionais da Embaixada do Brasil em La Paz. "É o que eu chamo de um efeito colateral de uma política social bem sucedida."

Komniski explica que as 30 milhões de pessoas que saíram da linha da pobreza e entraram na classe média na última década ajudaram a formar um novo mercado para a droga. "A chamada nova classe média passou a ter acesso à cocaína e a uma droga relativamente barata, que é o crack."

 

De acordo com diferentes fontes, entre 60% e 80% da cocaína boliviana tem como destino o mercado brasileiro, hoje estimado pela ONU em 900 mil usuários, atrás somente dos Estados Unidos e da União Europeia. Com o aumento do consumo no Brasil, máfias colombianas, mexicanas, peruanas e brasileiras começam a se estabelecer na Bolívia para exportar para cá o produto acabado. E isso já começa a ter reflexo em operações policiais nos dois países.

Em 19 de outubro, a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia estourou um dos maiores laboratórios de cocaína já encontrados no país. Instalado dentro do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), na Amazônia boliviana, ele tinha capacidade para produzir 100 kg diários da droga e instalações para abrigar 25 pessoas. "Era uma casa gigantesca, com vários cômodos, de dimensões que eu jamais tinha visto", disse ao Valor um policial que participou da ação. A operação resultou na apreensão de 114 kg de cocaína, fuzis M-16 e AK-47 e na morte de um policial. Um traficante morreu e outro ficou ferido. Ambos eram colombianos. Os demais fugiram pela mata, mas presume-se que tenham a mesma nacionalidade.

Uma semana depois, a Polícia Federal desbaratou no Brasil uma quadrilha de traficantes formada por brasileiros, paraguaios, colombianos, bolivianos e europeus, que trazia cocaína da Bolívia para distribui-la por aqui e também encaminhá-la à Europa. Foram expedidos 54 mandados de prisão, 11 deles no exterior, via Interpol, sendo que três eram de grandes traficantes colombianos que viviam em mansões na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra, conta Ivo Roberto Costa da Silva, o delegado que comandou a operação. "Trata-se de uma associação de traficantes de diferentes nacionalidades, cada qual com seu papel na produção, transporte e comercialização da droga. São como grandes multinacionais do tráfico", diz.

Além disso, informes da inteligência boliviana, aos quais o Valor teve acesso, dão conta da movimentação de traficantes colombianos, mexicanos e de organizações criminosas brasileiras na Bolívia. Um deles, elaborado em 2010, descreve a "guerra" entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho pelo controle do tráfico no Departamento (Estado) de Santa Cruz. O documento descreve como membros desses grupos se matavam uns aos outros em disputas por território, além de assassinatos de policiais bolivianos que tentavam extorqui-los.

"O PCC e o Comando Vermelho, hoje, são considerados grandes compradores [da cocaína], tanto quanto outros", afirma o Diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Oslaim Campos Santana. "Mas temos traficantes com estrutura melhor, como os pegos durante a Operação Semilla."

Outro documento, do mesmo ano, afirma que um filho não identificado de um dos maiores traficantes mexicanos, Joaquín "Chapo" Guzmán, frequentava uma escola de pilotos em Santa Cruz de La Sierra. A informação foi confirmada em entrevista à rede mexicana Univisión pelo traficante brasileiro Maximilano Dourado, preso na Bolívia e deportado ao Brasil em janeiro. Líder do temido Cartel de Sinaloa, Guzmán figura em 55º lugar na lista dos homens mais poderosos do mundo em 2011, elaborada pela revista Forbes. Sua fortuna é estimada em US$ 1 bilhão.

"Estamos em um período de acomodação entre os diferentes grupos na Bolívia. Às vezes violento, às vezes não tão violento, mas onde estão jogando todos os grupos", afirma Douglas Farah, pesquisador sênior do Centro Internacional de Avaliação e Estratégia, nos Estados Unidos.

Segundo ele, a queda dos grandes cartéis colombianos, a partir de meados da década de 1990, deixou um campo aberto para que os bolivianos começassem a fabricar a sua própria droga e para a penetração de máfias de outros países. "Esses 'narquitos' bolivianos não têm redes internacionais para mover o produto, quando está terminado", diz ele. "Entram aí os grandes grupos brasileiros, porque é um mercado muito fácil de alcançar. E também os mexicanos, buscando alternativas para a sua linha de produção. Todos estão ali, tratando de armar as suas redes."

Com 3.500 km de fronteira seca com o Brasil, além da proximidade com os mercados também emergentes de Chile e Argentina, a Bolívia tem muito mais vias para escoar sua cocaína para cá do que o Peru e a Colômbia. Nos dois últimos casos, a Amazônia forma uma imensa barreira natural, que torna a rota mais complicada. Isso também tem ajudado a atrair máfias brasileiras, mexicanas e colombianas ao território boliviano. "No último ano e meio, o Brasil se converteu em uma das mais importantes rotas da droga peruana rumo à Europa", diz Jaime Antezana, especialista em narcotráfico no Peru.

No início deste mês, ao divulgar uma lista traficantes detidos na Bolívia em 2011, o vice-ministro de Defesa Social, Felipe Cáceres, se disse "preocupado com o crescimento de presos estrangeiros nos últimos dois anos". Peruanos, colombianos, brasileiros, espanhóis, argentinos e mexicanos lideram o ranking.

Além da extensa fronteira seca com o Brasil, outros fatores tornam a Bolívia atraente para as redes internacionais: a fartura da produção de folha de coca e o absoluto descontrole sobre a sua comercialização. Segundo a ONU, o país é o terceiro maior produtor mundial da folha, com uma área plantada de 31 mil hectares, atrás de Peru e Colômbia. Não há, no entanto, uma estimativa precisa sobre qual seria a área ideal para atender à demanda interna. Uma lei de 1998 reconhece apenas 12 mil hectares como legais para o uso tradicional. Mas o governo anunciou na semana passada que pretende atualizar essa lei.

O fato é que o país não tem um dado oficial recente sobre o quanto consome de folha de coca. Há mais de três anos, está em curso um estudo, em parceria com a União Europeia, sobre a demanda interna na Bolívia. Os resultados deveriam ter sido apresentados em seis meses. O atraso ocorre, segundo o Valor apurou, por conta de divergências entre europeus e bolivianos sobre seus resultados.

"Informalmente, nos indicam que o estudo já está pronto e que seriam necessários menos do que 20 mil hectares. Aparentemente, não chega a isso", diz uma fonte, sob a condição de anonimato.

Para César Guedes, representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) na Bolívia, essa "é a peça que falta no quebra-cabeças" para determinar o quanto da folha de coca boliviana é desviada ao narcotráfico.

A produção boliviana divide-se em duas grandes regiões. A primeira delas, a dos Yungas, fica no altiplano boliviano, próximo a La Paz. Há ali uma área estimada em cerca de 20,5 mil hectares, com uma produção de 28 mil toneladas, segundo Guedes. A segunda, fica na região conhecida como Chapare, perto de Cochabamba, onde apenas 10,1 mil hectares rendem 27,5 mil toneladas da folha.

"De qualquer maneira, isso é muito mais do que se pode mascar ou fazer chá", afirma Bo Mathiassen, representante da UNODC no Brasil. "A Bolívia ainda tem uma produção muito maior do que a demanda. O resto deve estar indo para o lado errado."

Segundo dados do próprio governo boliviano, 65% da folha produzida nos Yungas passa pelo mercado legal de Villa Fátima. Já no Chapare, apenas 4% da produção é negociada no mercado de Sacaba, responsável pela comercialização da produção local. O fato de que a folha do Chapare não é considerada própria para o uso tradicional - por ser mais ácida e de menor qualidade - só faz aumentar a suspeita de que boa parte da produção seja desviada para o tráfico.

Há diferentes interpretações sobre o papel do presidente Evo Morales em relação ao respeito às tradições locais quanto ao uso da folha da coca e ao combate ao narcotráfico. Para alguns, como Douglas Farah, o governo boliviano está envolvido até o pescoço com atividades ilegais, em grau muito maior do que ocorre na Colômbia e no Peru. "Há países onde o narcotráfico opera com impunidade nas esferas mais altas, como na Venezuela e na Bolívia", diz ele. "Há uma criminalização generalizada desses governos. Seu plano econômico é insustentável e todos se vinculam ao narcotráfico, às Farc [narcoguerrilha colombiana] e a outros grupos criminosos como forma de sobreviver economicamente."

Já César Guedes, da ONUDC em La Paz, vê uma atuação positiva. "A ONU reconhece que é um esforço muito grande para um país como a Bolívia, cujo PIB é de US$ 45 bilhões, dedicar US$ 30 milhões para o combate ao narcotráfico", afirma. "A Bolívia precisa de escolas, hospitais, estradas. É preciso ter uma responsabilidade compartilhada para alivar as pressões. Todos reclamam, mas os outros países precisam fazer mais."

Morales surgiu para a vida política como um líder sindical dos cocaleiros na região do Chapare, na década de 1980. Nos anos 1990, notabilizou-se pelos enfrentamentos com o governo de Hugo Banzer Suárez, que prometeu a erradicação total da folha de coca no país. Na Presidência boliviana desde 2006, ele acumula o cargo de presidente da Federação de Cocaleiros do Trópico de Cochabamba.

Durante seu governo, a área plantada com coca na Bolívia subiu de 25,4 mil hectares para 31 mil hectares no ano passado. Mas houve uma estabilização nos últimos dois anos, graças a programas de erradicação plantações consideradas ilegais. Somente neste ano, segundo dados oficiais, 10 mil hectares foram erradicados, mas a previsão é de que a área cultivada não caia. Para o diplomata Komniski, há o risco de que o governo esteja, de forma involuntária, fazendo um trabalho de renovação das plantas que seria feito pelo próprio produtor. "Na medida em que o Exército erradica as plantas, pode-se plantá-las novamente seis meses depois", diz ele. "Como não há um decréscimo substantivo na área plantada, ou estão sendo abertas novas áreas ou está havendo um replantio."

As rusgas do governo boliviano com os Estados Unidos também atrapalham o combate ao narcotráfico, segundo as fontes. A crise nesse campo piorou em 2008, quando Morales expulsou do país, junto com o embaixador Philip Goldberg, a agência antidrogas DEA. Na época, Morales acusou o órgão de ingerência política, espionagem e de realizar operações por conta própria em território boliviano. No mês passado, os dois países assinaram um convênio para normalizar as relações, mas a Bolívia descartou a volta da DEA.

"Do ponto de vista logístico e da capacidade de inteligência das forças de combate ao narcotráfico, a expulsão da DEA foi prejudicial", afirma Komniski.

As divergências com os americanos também estão atrasando a assinatura de um convênio entre os dois países e o Brasil para o mapeamento dos plantios da folha de coca na Bolívia. Pelo acordo, o Brasil forneceria imagens de satélite e atuará na capacitação da polícia boliviana para a leitura desses dados. Já os americanos forneceriam equipamentos de GPS e outros para fazer a medição dos cultivos excedentes. Mas, diante da resistência de setores do governo Morales, a formalização desse acordo vem sofrendo sucessivos adiamentos.

 

Produção de terras raras depende de indústria de alta tecnologia

Com informações da Agência Brasil - 08/12/2011

Produção de terras raras depende de indústria de alta tecnologia
O Brasil só vai precisar de uma indústria de terras raras quando tiver uma indústria de alta tecnologia que utilize esses minerais. [Imagem: CETEM]

Tecnologias raras

O incremento da produção de terras raras no Brasil poderia dar autonomia ao país, inserindo-o no seleto grupo de países processadores desses metais.

Isto se o país tivesse demanda de matérias-primas para produzir produtos de alta tecnologia.

As terras raras são usadas em áreas de elevada tecnologia, da indústria do petróleo às telas sensíveis ao toque dos tablets. Atualmente, o mercado mundial é liderado pela China, que detém 97% da produção.

O possível desenvolvimento da cadeia produtiva de terras raras no Brasil foi discutido durante o 1º Seminário Brasileiro de Terras Raras, promovido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), no Rio de Janeiro.

Embora apresente reservas estimadas de 3,5 bilhões de toneladas, o Brasil é retardatário na produção de terras raras.

Terras valiosas

As terras raras são 17 elementos químicos muito parecidos, mas que diferem no número de elétrons em uma das camadas da eletrosfera do átomo. São agrupadas em uma família na tabela periódica porque ocorrem juntos na natureza e são quimicamente muito parecidos.

Elas também têm como característica comum os nomes complicados: lantânio, neodímio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio.

Apesar do nome sugerir, esses metais não são tão raros, como o ouro ou a platina, por exemplo. Assim, essenciais que são a várias indústrias, bem poderiam ser chamadas de "terras valiosas".

"Eles são de vital importância na indústria petrolífera. Sem eles, não há refino de petróleo, nem produção de derivados," explicou Ronaldo Santos, pesquisador do Cetem.

São importantes também em produtos de elevada tecnologia, em áreas como telecomunicações, geração e intensificação de imagens, produção de semicondutores e supercondutores, eletrodos dos automóveis elétricos e híbridos, ímãs de alto desempenho, indústria de informática, laser, fármacos, sistemas de orientação espacial e indústria bélica.

Considerando os produtos iniciais, precursores de toda a cadeia, pode-se dizer que o mercado mundial de terras raras movimenta hoje em torno de US$ 5 bilhões.

Quando, porém, são levados em conta os números movimentados no mundo em termos de valor agregado, essa cifra pode ser multiplicada quatro ou cinco vezes, acrescentou o pesquisador do Cetem.

Falta de demanda

Mas se o Brasil tem grandes reservas minerais de terras raras, o país não possui uma demanda que justifique que mineração em larga escala. Ou seja, totalmente dependente de importações em todas as áreas de tecnologia, não há demanda para as terras raras no Brasil.

A saída seria reforçar a face cada vez mais primária da economia brasileira, que está-se desindustrializando a olhos vistos.

"A capacitação das instituições existe tanto nos institutos de pesquisa quanto na academia. O que não há é demanda de projetos para isso. Nos últimos 15 anos, não tivemos demanda praticamente de nenhuma empresa em relação a terras raras, ou seja, um projeto que tenha início, meio e fim," disse Santos.

As conclusões do seminário serão encaminhadas ao Ministério das Minas e Energia. Elas deverão subsidiar a construção de uma agenda positiva para a implementação de uma política integrada para o setor.

O pesquisador sugeriu que o estabelecimento de parcerias público-privadas (PPPs) poderia ser uma solução para iniciar a cadeia produtiva do setor no Brasil.

As reservas nacionais de terras raras conhecidas estão localizadas nos estados de Minas Gerais e Goiás. Há também reservas que precisam de confirmação na região da Amazônia Legal, informou Santos. "É uma área sensível e exige que se faça um trabalho sistemático para a confirmação desses valores".

Fonte:  Site Inovação Tecnológica- www.inovacaotecnologica.com.br URL: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=producao-terras-raras-industria-alta-tecnologia

 

do Inovação TecnológicaUSP cria site sobre Engenharia no Brasil

Com informações da Agência USP - 08/12/2011

USP cria portal sobre Engenharia no Brasil
O projeto EngenhariaData é financiado inteiramente pela USP, sem participaçao da iniciativa privada.[Imagem: Divulgação]

Site da engenharia

Um portal com grande diversidade de informações sobre a área de Engenharia no Brasil.

Essa é a proposta do EngenhariaData, um projeto desenvolvido pelo Observatório de Inovação e Competitividade, grupo de pesquisa ligado ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

"Queremos desenvolver um lugar que centralize análises e dados sobre o mercado, a formação, as empresas de serviços e a produção científica do setor no Brasil, e também estabelecer comparações internacionais", conta o professor Mario Sérgio Salerno, da Escola Politécnica (Poli) da USP.

De acordo com Salerno, o projeto tem caráter único no mundo, por ser digital e pela sua abrangência.

"É um conjunto de informações qualificadas, em um local só. O [projeto] mais próximo que existe hoje é o Science and Engineering Indicators, feito pela National Science Foundation, nos Estados Unidos. Entretanto, ela é publicada apenas em papel, o que é algo muito trabalhoso se você precisar de uma captação rápida de dados", diz o pesquisador.

Ele prevê que o site do EngenhariaData disponibilizará esse tipo de análise a apenas alguns cliques de distância: "por exemplo, se você quiser saber onde tem mais engenheiros, no Sudeste ou no Nordeste, isso poderá ser feito imediatamente".

Falta ou não falta engenheiro?

Serão três, na visão do professor, os principais usuários do sistema. "O setor público tende a ser o maior cliente, que usará as ferramentas para direcionar seu planejamento. O setor privado, de maneira coletiva, como as federações de indústrias, também, para compreender demandas e movimentos do mercado. E, por fim, a imprensa, que hoje tem dado bastante destaque ao setor", pondera Salerno.

Ele explica que a origem do projeto está relacionada à discussão de que o Brasil tem formado poucos engenheiros nos últimos anos. "Tem-se visto bastante na imprensa a ideia de que haverá um apagão de profissionais para sustentar o desenvolvimento do País. Nosso sistema está no bojo desse assunto, fornecendo dados e análises para qualquer pessoa interessada".

São quatro as fontes principais das estatísticas que comporão o EngenhariaData: o Ministério da Educação (MEC-Inep), no que diz respeito à formação de engenheiros, ensino superior e ensino médio; o Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, que fornece detalhes sobre os profissionais contratados na área; as bases do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de publicações científicas nacionais e do exterior, que atestam melhor a produção científica do setor; e, por fim, alguns dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que darão base às comparações da engenharia brasileira com a de outros países, com indicadores como número de engenheiros formados, ou quantidade de profissionais em cada 10 mil habitantes.

"O número absoluto brasileiro é grande, porque a nossa população é grande. No entanto, temos poucos engenheiros", adianta o professor.

O que é inovação

Quando questionado sobre o que significa o conceito de "inovação", que permeia seu trabalho, e e que embasa a própria iniciativa do EngenhariaData, Salerno explica:

"Existem três palavras que se misturam: descoberta, invenção e inovação.

"Descoberta é algo que esteve em seu lugar desde sempre e foi encontrado, como o Brasil, ou uma nova espécie de borboleta.

"Invenção é algo que alguém cria, como uma receita de um doce, ou o avião do Santos Dumont.

"A inovação, por sua vez, é um conceito econômico. Ela não é invenção, mas pode estar baseado nela: trata-se de algo que tem um diferencial, com valor econômico.

"Abrir uma pizzaria comum não é inovação, é apenas um negócio. Se eu desenvolver uma engenhoca, mas não fazer nada com ela, é só uma invenção, não é uma inovação," explica o pesquisador.

EngenhariaData

O EngenhariaData terá duas fases, uma agora e a outra em 2012.

"Lançaremos o sistema de uma maneira mais simples, mas já com muitas informações reunidas. Ano que vem, hospedaremos o site no Centro de Computação Eletrônica (CCE) da USP, porque é um sistema bem pesado. Disponibilizaremos mais dados e será possível cruzá-los de maneira mais eficiente", explica. "Faz parte de um processo evolutivo".

O endereço do EngenhariaData é www.engenhariadata.com.br/

Fonte:  Site Inovação Tecnológica- www.inovacaotecnologica.com.br URL: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=site-engenharia-brasil

 

Olha aí a Folha iniciando processo de desconstrução do livro do Amaury requentando matéria sobre o tal Dossiê Cayman que dizem ter sido encomendado pelo Collor

 

Collor recebeu dossiê Cayman, afirma PF

Inquérito diz que papéis forjados em 1998 contra tucanos foram entregues nas mãos do ex-presidente em Maceió

Investigação sustenta que família do senador pagou US$ 2 mi pelos falsos documentos;
ele não foi indiciado

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE BRASÍLIA

Investigação da Polícia Federal afirma que a família do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) pagou em 1998 pelo dossiê Cayman, conjunto de papéis forjados para implicar tucanos com supostas movimentações financeiras no exterior.

Segundo o inquérito, o senador teria recebido pessoalmente a papelada das mãos de um envolvido, em Maceió.

As conclusões são baseadas em investigações da Polícia Federal, do FBI (nos Estados Unidos) e da Interpol.

Collor não foi indiciado por não ter participação direta no pagamento nem na elaboração dos papéis, mas é citado como beneficiário do caso.

De acordo com a investigação, o dossiê custou US$ 2,2 milhões em valores da época, pagos a partir de uma conta controlada por Leopoldo Collor, irmão do senador, no paraíso fiscal das Bahamas.

Os irmãos Collor caíram em um engodo, diz o inquérito, já que na prática pagaram uma fortuna por papéis grosseiramente falsificados.

A investigação rastreou as viagens feitas pelos envolvidos na produção e na difusão do dossiê. Eles transitam por EUA, França e Salvador, onde houve escala do avião. Por fim, chegam a Maceió.

Os documentos mostram como uma "offshore" no Uruguai, em nome de um laranja de Leopoldo Collor, controlava uma conta nas Bahamas.

E como foi a negociação para que o dinheiro fosse depositado em um banco em Coral Gables, uma cidade na Flórida (EUA), sem deixar rastros. Mas o FBI entrou no caso e conseguiu, ao lado da Interpol, apurar as conexões.

O valor da venda apareceu em uma agência do Eurobank na cidade norte-americana, conforme autorização de transferência bancária de 31 de agosto de 1998.

Parte da trama foi relatada à investigação por Raymundo Nonato Lopes Pinheiro, então diretor internacional de comercialização da Rede Globo e réu no processo.

"Laranja" de Leopoldo, ele confirma que é autor do documento que permitiu a transferência bancária, por meio de procuração.

Nonato disse à PF que conhecia Leopoldo desde os 17 anos. A existência da empresa "offshore" foi confirmada pelo irmão de Collor.

A conta em Coral Gables era, no papel, de Martha Volpato, indicada para receber o pagamento pelo dossiê e, assim, evitar que o negociador surgisse na transação.

O principal negociador é Luiz Claudio Ferraz da Silva, amigo de Leopoldo. Ele teria entregue os papéis a Fernando Collor em 5 de setembro de 1998, em Maceió.

Martha, que recebeu

US$ 20 mil, chegou a ser presa em outra operação da PF.

As investigações estão em processo na 10ª Vara de Justiça Federal de Brasília, quase pronto para julgamento.

 

Osvaldo Ferreira

Acredito que ficaram o fim de semana pensando em uma forma de desacreditar as acusações feitas pelo livro do Amaury. O UOL ataca hoje com um cozidão de 1998. Repare que na matéria, FHC e Serra aparecem como vítimas. Veja as fotos dos dois.

"12/12/2011 - 08h10

Collor pagou e recebeu dossiê Cayman, afirma PF

Investigação da Polícia Federal afirma que a família do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) pagou em 1998 pelo dossiê Cayman, conjunto de papéis forjados para implicar tucanos com supostas movimentações financeiras no exterior.

A informação é da reportagem de José Ernesto Credendio, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Segundo o inquérito, o senador teria recebido pessoalmente a papelada das mãos de um envolvido, em Maceió.

As conclusões são baseadas em investigações da Polícia Federal, do FBI (nos Estados Unidos) e da Interpol.

OUTRO LADO

Na última quarta-feira, a Folha procurou o senador Fernando Collor de Mello, por meio de sua de assessoria de imprensa, para que se manifestasse sobre o caso.

Após o primeiro contato, Collor chegou a telefonar pessoalmente para a reportagem pedindo mais detalhes sobre o conteúdo da documentação a que a Folha teve acesso.

Todo o relatório foi encaminhado à assessoria do senador. Sua equipe chegou a confirmar o recebimento dos documentos e respondeu à reportagem que aguardaria uma manifestação de Collor sobre o assunto.

Desde então, a reportagem espera novo contato da assessoria do ex-presidente. Até o fechamento desta edição, contudo, não houve resposta do senador alagoano.

Re: Clipping do dia
 

Nassif, esse entra na categoria (em observação)

Ontem alguns comentaristas aqui no blog publicaram a informação do Brasil 247 de que o Serra teria ligado pra Livraria Cultura e tentado comprar todas as edições do "Privataria Tucana". (http://www.brasil247.com.br/pt/247/poder/29325/Serra-tenta-comprar-estoque-de-A-Privataria-Tucana.htm). Outras matérias diziam que ele havia tentando impedir seu lançamento (quem conhece o modus operandi sabe que isso não só não seria surpresa como era esperado que ele reagisse dessa forma).

Alguns outros comentaristas taxaram de absurdo, porque seria de um primarismo muito grande da parte do Serra, além do que a primeira reportagem não apontava uma só fonte, caindo no "diz que me disse" que se tornou muito comum no nosso jornalismo. Argumentei dizendo que em se tratando da figura, poderíamos esperar qualquer coisa.

 

Eis que hoje, navegando no Viomundo, do Azenha, encontro dois depoimentos interessantes: (http://www.viomundo.com.br/humor/e-o-livro-autografado-pelo-amaury-vai-para.html)

Paulo Kaiser:

"acabei de tentar comprar hoje, domingo 11 de dezembro, o livro "a privataria tucana" na livraria cultura do conjunto nacional, em são paulo. já sabendo que o livro tinha se esgotado, perguntei quando chegaria a nova remessa. resposta: "não sabemos se a livraria vai comercializar a obra. isso vai ser decidido amanhã". como assim!?! o serra conseguiu que o dono da livraria cultura retirasse o livro das prateleiras? a troco de quê? sinto que se nao fizermos uma campanha forte, o livro some das livrarias, da lista de mais vendidos etc. sugiro que escrevamos todos no facebook/twitter/site da livraria cultura pedindo um posicionamento sobre o fato. ou a hipocrisia impedirá? até quando os meios de comunicação no brasil vão acobertar a roubalheira de uns e expor a de outros?"

Lepisma Saccharina:

"Paulo, também estive na livraria Cultura, primeiro o vendedor disse que eu poderia encomendar, mas depois de ligar para alguém me informou que a venda está suspensa. 
Acho que a Cultura é amiga do 'ome'! 
Não consegui meu exemplar. sniff"

 

A pergunta é, alguém mais confirma isso? A Livraria Cultura suspendeu mesmo as vendas? Por quê?

 

Capítulo 11: Dr. Sombra, o araponga de Serra

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Stiglitz: "A Europa e o euro caminham para o suicídio" Em entrevista ao jornal Página/12, o Prêmio Nobel de Economia 2001, Joseph Stiglitz, analisa a evolução da crise na zona do euro e afirma categoricamente: os dirigentes europeus não aprenderam nada com a experiência da Argentina. "A Europa e o euro caminham para o abismo". Para Stiglitz, o esquema que a Alemanha está impondo ao resto da Europa vai conduzir à mesma experiência desastrosa que a Argentina teve com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Joseph Stiglitz é um militante contra as receitas de ajuste fiscal que propõem uma “desvalorização interna” pela via da diminuição de salários e da submissão dos devedores aos credores. Anos atrás, a Argentina padeceu esses males como nenhum outro país, situação que conseguiu superar a partir da aplicação de um conjunto de políticas econômicas de sinal oposto, como a recomposição da competitividade a partir de uma forte desvalorização, compensada com a expansão do gasto público e política de renda ao estilo keynesiano, e uma forte reestruturação da dívida externa que repartiu os custos da quebra.

Por isso, Stiglitz se tornou um defensor do modelo argentino. “Nos anos 90, foi o FMI que orientou a Argentina a aplicar as políticas de austeridade, com resultados desastrosos. Na Zona Euro não aprenderam a lição. Agora de novo, a Europa deveria prestar atenção ao crescimento argentino, que mostra que há vida depois da quebra”, explicou em uma conversa exclusiva com o jornal Página/12.

A primeira hora da manhã, um pouco antes de partir para o Chile, o Prêmio Nobel de Economia 2001, enquanto saboreava um abundante café da manhã americano ao ar livre com pão, ovos, bacon e frutas, abordou em profundidade a crise do euro, as saídas possíveis para as economias mais débeis, a incapacidade dos governos de Alemanha e França e das novas administrações de corte “tecnocrata” que surgiram na Itália e na Grécia. Stiglitz lembrou a reportagem que o Página/12 fez, em agosto, na cidade alemã de Lindau, onde ocorreu a conferência mundial de Prêmios Nobel de Economia. Admitiu que, em relação com aquela conversa, sua percepção a respeito da crise europeia tornou-se mais negativa. “A Europa e o euro caminham para o suicídio”, resumiu. Ele recomendou que a Grécia abandone a moeda comum.

Ele também destacou a relativa relevância do contexto internacional favorável para explicar o desemprenho econômico argentino, referiu-se à inflação e ao giro de rendimentos das multinacionais. Esta semana Stiglitz reuniu-se com a presidenta, Cristina Fernández. “Tanto Néstor, quando tive a oportunidade de conhecê-lo, como Cristina, me pareceram duas pessoas muito interessantes. Ainda que ela seja mais passional”, relatou.

Você menciona que a “Argentina desta vez está fazendo melhor”. Qual a explicação para o bom desempenho da economia nacional e de outros países emergentes?

Na Argentina, o fim do regime da convertibilidade e a quebra geraram um alto custo e um intenso período de queda. Logo depois a economia começou a crescer muito rápido, inclusive na ausência daquilo que muita gente considera ser as “melhores” práticas econômicas. Creio que a Argentina, o Brasil e a China adotaram políticas macroeconômicas muito boas, ao aplicar estímulos keynesianos bem desenhados, para alavancar a economia, diversificá-la e melhorar a situação do mercado de trabalho. Além disso, as regulações bancárias em muitos países em desenvolvimento são de melhor qualidade que as dos Estados Unidos e Europa. Em alguns casos, isso se deveu a que esses países já tinham atravessado grandes crises.

Qual o papel do contexto internacional favorável neste processo?

Vocês se beneficiaram do contínuo crescimento econômico da China. Neste sentido, pode-se dizer que tiveram sorte.

Refere-se ao chamado “vento de popa”?

Sim, mas para explicar o resultado final sem dúvida é preciso mais do que isso. A Argentina manteve o fluxo de crédito, desvalorizou sua moeda e impulsionou o investimento em saúde e educação. Também foi importante o crescimento do Brasil. Um fator fundamental, com certeza, foi a reestruturação da dívida, que de fato pode servir como guia em outros processos similares que estão ocorrendo agora na Europa. Essas políticas aplicadas, em conjunto, permitiram ao país começar a melhorar a elevada desigualdade de renda.

O superávit em conta corrente se reduz à medida que a economia cresce. Um fator que gera uma importante perda de divisas é a remessa de lucros e dividendos das empresas multinacionais. O que a Argentina poderia fazer para enfrentar essa tensão?

Os lucros de algumas empresas tem origem em rendas de tipo monopolista, por causa da falta de competição. Para atacar isso, é preciso introduzir competição, de forma que a magnitude dessas rendas cais. Abrir os mercados pode gerar fortes retornos sociais. Provavelmente alguns dos problemas poderiam ser solucionados com mais competição. Depende muito do setor.

Em que medida os tratados bilaterais de investimentos que a Argentina assinou reduzem a margem de ação para regular as multinacionais?

Muitas ações que podem ser tomadas em termos de regulação podem terminar em demandas judiciais, argumentando que foram introduzidas mudanças nos termos do contrato. É preciso sair desses acordos e, além disso, lutar nas cortes especializadas. A política econômica não deve ser ditada por esses convênios.

A CRISE EUROPEIA

Por que a crise se instalou na Europa e não se vislumbra uma saída?

Creio que o problema fundamental é que a concepção geral da União Europeia foi errada. O Tratado de Maastricht estabeleceu que os países deveriam manter déficits baixos e uma proporção reduzida da dívida em relação ao PIB. Os líderes da UE pensaram que isso seria suficiente para fazer o euro funcionar. No entanto, Espanha e Irlanda tinham superávit antes da crise e uma boa proporção de dívida em relação ao PIB e, mesmo assim, estão com problemas. Alguém poderia pensar que, em função dos acontecimentos recentes, a UE teria se dado conta de que essas regras não eram suficientes. Mas seus líderes não aprenderam isso

A que se refere?

Agora propõem o que chamam de uma “união fiscal”, que, na verdade, é só a imposição de maior austeridade. Reclamar austeridade agora é uma forma de assegurar-se que as economias colapsem. Creio que o esquema que a Alemanha está impondo ao resto da Europa vai conduzir à mesma experiência que a Argentina teve com o FMI, com austeridade, PIB caindo, magras receitas fiscais e, por isso, a suposta necessidade de reduzir mais o déficit. Isso gera uma queda em espiral, que conduz a mais desemprego, pobreza e aprofunda as desigualdades. O déficit fiscal não foi a origem da crise, mas sim foi a crise que acabou gerando o déficit fiscal.

Que papel desempenha o Banco Central Europeu neste processo?

O BCE torna as coisas ainda mais complicadas, porque tem o mandato de preocupar-se somente com a inflação, quando, em troca, o crescimento, o desemprego e a estabilidade financeira importam muito mais agora. Além disso, o BCE não é democrático. Podem decidir políticas que não estão de acordo com o que os cidadãos querem. Basicamente, representa os interesses dos bancos, não regula o sistema financeiro de forma adequada e há uma atitude de estímulo aos CDS (Credit Default Swaps) que são instrumentos muito daninhos. Isso também é uma mostra que os bancos centrais não são independentes, mas sim são políticos.

Como explicar que Alemanha e França estejam empurrando os europeus para esse abismo?

Creio que eles querem fazer as coisas corretas, mas têm ideias econômicas erradas.

Estão errados ou, na verdade, representam interesses de determinados setores?

Creio que ambas as coisas. Por exemplo, é claro que estão colocando os lucros dos bancos acima das pessoas. Isso é claro para o caso do BCE, mas não creio que seja claro para Nicolas Darkozi ou Angela Merkel – presidente da França e chanceler de Alemanha, respectivamente. Creio que eles estão convencidos. Podem estar protegendo os bancos, mas o fazem porque acreditam que, se os bancos caem, a economia cairá. Por isso digo que tem um olhar errado, além do que não creio que estejam colocando os interesses dos gregos ou dos espanhóis no topo da agenda. Esse é outro problema, a falta de solidariedade. Eles dizem que não é uma “união de transferência de dinheiro”. De fato, o é, mas a transferência de dinheiro vai da Grécia para a Alemanha.

A união monetária é um problema em si mesmo?

Sim, é um problema. Não há suficiente similitude entre os países para que funcione. Com a união monetária eles ficaram sem um mecanismo de ajuste, como é a modificação dos tipos de câmbio. É como ter importo um padrão ouro nessa parte do mundo. Se tivessem um banco central com um mandato mais amplo que contemplasse, além da inflação, o crescimento e o desemprego, com uma cooperação fiscal real e assistência através das fronteiras, então seria concebível o funcionamento da união monetária, e ainda assim seria difícil. No atual esquema, pode funcionar, mas com um enorme sofrimento de muita gente.

Que análise você faz da aparição de governos tecnocráticos, como o de Mario Monti, na Itália, ou o de Lucas Papademus, na Grécia?

O principal problema é ter criado um marco econômico a partir do qual a democracia ficou subordinada aos mercados financeiros. É algo que Merkel sabe muito bem. As pessoas votam, mas se sentem chantageadas. Deveria se reformular o marco econômico para que as consequências de não seguir os mercados não sejam tão severas.

Em agosto, você disse que o euro não tinha que desaparecer. Qual é sua postura agora?

Naquele momento eu era mais otimista. Pensava que os líderes iam se dar conta de que o custo de dissolver o euro era muito alto. Mas desde aquele momento, a confrontação com o mercado piorou e a incapacidade dos governos europeus tornou-se evidente. Em lugar de aprender com os erros, estão repetindo-os. Creio que realmente querem sobreviver, mas demonstraram falta de entendimento de economia básica, o que me faz ter mais dúvidas.

É possível ter um euro a duas velocidades, como alguns economistas propõem?

Um euro a duas velocidades é uma das formas de ruptura do euro. Isso pode ser possível, a solução pode ser a criação de duas moedas com mais solidariedade entre elas. A moeda única contribuiu para o problema. Não era inevitável o estouro, mas aconteceu. Quando se reconhece que os mercados têm quotas de irracionalidade, talvez seja melhor manter mais autonomia monetária.

Você disse que a reestruturação da dívida é boa para as finanças públicas europeias e citou o exemplo da Argentina. Mas nosso país também desvalorizou. Acredita que a Grécia precisa adotar essa medida?

Essa é a pergunta fundamental. A Grécia vai ter que reestruturar sua dívida, isso é algo que todos aceitam agora, ao contrário do que ocorria há um ano. Se tivessem encaminhado as coisas de outra maneira há dois anos, a reestruturação poderia ter sido evitada. Em troca, impuseram a austeridade. Agora, a pergunta é: dada a reestruturação, isso será suficiente para recompor o crescimento econômico? Acredito que a resposta, para a Grécia, é não. A menos que tenham algum tipo de ajuda externa, inclusive depois da reestruturação, estarão sob um regime de austeridade. Por isso o PIB vai cair ainda mais. Não há competitividade e há duas maneiras de consegui-la.

Uma é através de uma desvalorização interna, mas se os salários caem, a demanda cai mais ainda e torna mais fraca a economia. Por outro lado, se a Grécia sai do euro e desvaloriza, a transição será difícil e complexa, mas uma vez que o processo tenha acabado, o fato de a Grécia fazer limite com a União Europeia será um impulso para a recuperação. Novos bancos se instalariam e haveria mais comércio.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19187

 

“Não sou a presidenta das corporações, mas sim de 40 milhões de argentinos” Cristina Fernández de Kirchner prestou juramento, sábado, e deu início ao seu segundo mandato como presidenta da Argentina. No seu discurso, destacou os avanços que o país teve na área dos direitos humanos e também na economia. Em uma forte crítica ao sistema financeiro, lembrou que seu governo teve que suportar cinco ataques cambiais por parte de corporações que acreditavam que o governo iria ceder. “Que fique claro para todos: não sou a presidenta das corporações”.

Em uma Buenos Aires embandeirada e em clima de festa, Cristina Fernández de Kirchner prestou juramento, sábado, como presidenta da Argentina, enquanto centenas de pessoas se reuniram nas ruas próximas ao Congresso Nacional em uma manifestação de apoio popular a chefe de governo que inicia seu segundo mandato presidencial. Cristina Fernández fez seu juramento recordando com emoção o ex-presidente Néstor Kirchner e recebendo a faixa presidencial das mãos de sua filha Florencia, diante de presidentes da região, autoridades, convidados e apoiadores. Posteriormente, a primeira chefe de Estado latino-americana reeleita pelas urnas iniciou um discurso onde repassou as conquistas de seu primeiro mandato.

A presidenta reconheceu com orgulho que, no dia dos Direitos Humanos, reassumia como chefe de Estado de um país que avançou na direção do fim da impunidade graças às políticas de Estado e aos tribunais de justiça, e lembrou que há quatro anos, ao assumir seu primeiro mandato, pediu à Justiça que avançasse no julgamento contra os repressores da ditadura.

Neste sentido, ela lembrou de Ana Teresa Diego, uma jovem argentina estudante de astronomia da Universidade de La Plata que, em 1976, foi sequestrada pela ditadura. Seu nome, “Anadiego” foi utilizado pela União Astronômica Internacional para denominar um asteroide. Recordou também que, há alguns dias, havia visto a fotografia da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, quando tinha 22 anos e, após várias sessões de tortura, era submetida a um interrogatório pelos militares brasileiros. “Eu pensei por um minuto, hoje, Dilma ocupa o comando de um dos países mais importantes do mundo. Esta jovem (Ana Diego) poderia estar sentada neste mesmo lugar onde estou hoje”.

Destacou também os êxitos econômicos de seu governo, como o índice de cobertura previdenciária que permitiu que 96% dos argentinos estejam em condições de se aposentar no futuro. “Não vamos abandonar nossas convicções e vamos seguir trabalhando por uma Argentina mais justa e mais solidária”. Em uma forte crítica ao sistema financeiro, lembrou que seu governo teve que suportar cinco ataques cambiais por parte de corporações que acreditavam que o governo iria ceder. “Que fique claro para todos: não sou a presidenta das corporações”, enfatizou.

Ela também fez menção especial a Lei dos Meios de Comunicação que permitiu democratizar a informação e fez um chamado à população para que leia diariamente os jornais como um exercício militante.

A união latino-americana também ganhou uma menção especial. Diante das presenças de vários presidentes da região, Cristina Fernández indicou que nada seria possível se eles não tivessem reorientado estrategicamente a economia e sua visão de mundo. “Sabemos que, na integração regional, está uma das melhores defesas que podemos ter contra um mundo difícil e repleto de desafios que devemos enfrentar. Felizmente, os chefes e chefas de Estado da América do Sul, para além das nossas diferenças - que são normais, sabemos que nosso futuro está interligado, lado a lado, com mãos e braços enlaçados, como queria (o poeta uruguaio) Mario Benedetti”.

Um pouco antes, o vice-presidente Amado Boudou também jurou perante o Congresso por “Deus, a pátria, os santos evangélicos, a desempenhar seu cargo com lealdade e patriotismo” e observar fielmente o cumprimento da Constituição. Depois, a presidenta e Amaro Boudou foram para a Casa Rosada, onde tomaram o juramento dos ministros do gabinete nacional e receberam a saudação protocolar dos convidados estrangeiros. Enquanto isso, na Praça de Maio, ocorria um festival popular de música com a presença de organizações sociais da grande Buenos Aires.

 

"Socialdemocracia precisa romper com liberalismo" Em entrevista, Benoït Hamon, líder da corrente mais radical do Partido Socialista francês, faz uma síntese dos estragos do livre comércio liberal sem freio e, sobretudo, da forma pela qual a esquerda renunciou a seus valores históricos e passou a colaborar com o mercado. “Recuperemos a marcha do progresso social” é a consigna do livro que Benoït Hamon acaba de publicar, "Tourner la Page" (Virar a página), cujo eixo é a ideia de deixar para trás os anos nos quais a socialdemocracia foi aliada do liberalismo.

Não há nada melhor que uma travessia pela verdade e pela responsabilidade para entender o colapso mundial que desembocou na crise atual e a parte de responsabilidade que toca à esquerda europeia neste desastre. Benoït Hamon oferece esse duplo componente. Este dirigente socialista da nova geração, hoje porta-voz do PS, líder da corrente mais radical do Partido Socialista francês, fez uma síntese lúcida e responsável não só dos estragos do livre comércio liberal sem freio mas, sobretudo, da forma pela qual a esquerda renunciou a seus valores históricos e passou a colaborar com o mercado.

“Recuperemos a marcha do progresso social” é a consigna do livro que Benoït Hamon acaba de publicar, Tourner la Page (Virar a página), cujo eixo é precisamente a ideia de deixar para trás os anos nos quais a socialdemocracia foi aliada do liberalismo para passar a construir agora uma outra sociedade.

Benoït Hamon constata o abismo onde os mercados financeiros lançaram a humanidade, a forma pela qual o neoliberalismo paralisa o progresso social, o consenso que impera nas elites para que sejam os povos que paguem a conta e a maneira pela qual se questiona o sufrágio universal em benefício de uma tecnocracia impune. Tourner la Page é uma espécie de mapa do caminho, uma estratégia para a recuperação do progresso social e, sobretudo, uma lúcida radiografia da socialdemocracia e seus anos de estreita colaboração com seu inimigo histórico. Frente a uma ideologia baseada na depredação, o socialismo não foi capaz de defender suas próprias alternativas. Hoje, defende Benoït Hamon, chegou a hora de romper o consenso e sair de um sistema econômico, social e monetário que só traz pobreza, destrói empregos e extrai do presente as conquistas sociais obtidas ao longo de décadas de luta.

Você aponta em seu livro uma das novidades mais emblemáticas da crise atual: a perda da soberania dos povos. Como vimos na Grécia e Itália e por meio das declarações da União Europeia e da chanceler alemã Ângela Merkel, o liberalismo tem medo do voto, ou seja, da coluna vertebral da democracia.

Durante muito tempo o liberalismo viveu mediante um compromisso firmado entre os liberais e os socialdemocratas. No entanto, quando se passou para uma nova fase isso mudou. Quando o livre comércio inaugurou outro ciclo e se produziu uma autêntica globalização da economia com medidas para a derrubada das barreiras tarifárias ou com mudanças como o fato da internacionalização da mão de obra, o capitalismo modificou sua posição.

Em primeiro lugar, ao capital já não interessa mais chegar a um compromisso com o trabalho, mas sim, ao invés disso, romper com ele para obter o máximo de lucros. No antagonismo entre os socialdemocratas e liberais o que hoje está claro é que, para os liberais, o sufrágio universal é um obstáculo à ideia que fazem de um mundo perfeito, sem travas, governado pelos mercados e no qual os instrumentos de regulação devem estar nas mãos de agências independentes, supervisores supranacionais e aparatos tecnocráticos. Os liberais recusam a supervisão política porque têm a íntima convicção de que o sufrágio universal é a ditadura do fraco sobre os fortes, a ditadura dos indigentes cujas condições de vida não permitem entender a complexidade das coisas.

Entre as elites, liberais ou não, persiste a ideia de que elas detêm um saber que as pessoas comuns não têm. Eu estou convencido de que é preciso agir de uma forma radicalmente oposta. Devemos recuperar as bases e os fundamentos da democracia nas sociedades ocidentais e europeias. Esses fundamentos estão hoje amplamente ameaçados por 30 anos de liberalismo. Observe o que ocorre na Europa onde se fala de transferência da soberania. De acordo, transfiramos a soberania da nação para a Europa, mas somente se essa transferência de soberania de uma instância democrática a outra instância democrática não mude meu poder. Aceito que a Europa reivindique a gestão de matérias que a nação não pode administrar com eficácia, mas, uma vez mais, somente quando meu voto e meu poder não sejam menos importantes que antes.

Hoje há um movimento forte nesta direção. O presidente francês e a chanceler alemã defendem que prerrogativas nacionais muito importantes sejam colocadas nas mãos da Europa.

De fato, entre outras coisas estão defendendo a ideia de submeter os orçamentos dos Estados europeus a um regime de sanções decididas por uma instância tecnocrática como a Comissão Europeia ou a Corte de Justiça Europeia. Não. Se eu decido que em meu orçamento nacional haja 10 bilhões de dólares destinados a educação, porque meu povo necessita disso, e depois vem a Corte de Justiça Europeia dizer-me que não, isso é um absurdo. Isso quer dizer que o legislador nacional que tem a legitimidade de seu povo deve modificar seu orçamento para respeitar um critério fixado por outros. Não. Isso não faz nenhum sentido. Estamos nesta situação e creio que é a principal ameaça que paira sobre as sociedades europeias.

Por acaso, o liberalismo não perdeu o medo da revolução, quer dizer, do povo?

Neste momento, na Europa, estão se plasmando características revolucionárias: crise econômica, desconexão das elites, enriquecimento dos mais ricos, sentimento de uma espécie de fatalidade segundo a qual existe só uma política possível que se traduz em mais esforços para as classes médias e populares, corrupção das elites e um clima contrário às mesmas. Tudo isso cria um contexto muito favorável para a extrema direita. Para a esquerda, não há nada pior que o debate se concentre entre, por um lado, a direita defensora da perpetuação do sistema e, do outro, a extrema direita que aparece como a única capaz de encarnar a transformação do sistema.

A esquerda aparece neste contexto como uma mescla de tudo, um pouco de sal, um pouco de azeite, um pouco de pimenta. Estou muito de acordo com o análise que faz o filósofo Slavoj Zizek quando diz que as diferenças entre a esquerda e a direita se resumem no essencial a questões de sociedade, mas questões sociais e econômicas aparecem como subtraídas do debate. Afinal de contas, as diferenças mais claras não aparecem entre os blocos esquerda/direita, mas sim entre a direita e aqueles que pretendem provocar um curto-circuito na construção europeia. A síntese é que, pouco a pouco, a socialdemocracia se dilui e desaparece da paisagem política.

Há uma lógica nisso: a socialdemocracia europeia se aliou com o capital e passou a fazer da arquitetura do mundo atual, e não como oposição, mas sim como sócia do modelo atual.

Foi isso que aconteceu. Mas a socialdemocracia é a grande perdedora deste pacto. A partir do momento em que o liberalismo econômico e o liberalismo político se impuseram, o acordo entre liberais e socialdemocratas tornou-se mortífero. Isso é o que está precipitando a queda da socialdemocracia europeia. A responsabilidade desta fase recai muito sobre os socialdemocratas alemães. Foram eles que, sob o impulso do ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder, protagonizaram o giro liberal da socialdemocracia europeia através do pacto com o patronato, os sindicatos e os políticos para fazer baixar o custo da mão de obra. Com isso se criaram empregos mal pagos com o objetivo de ganhar competitividade. Logo depois houve a recusa dos socialdemocratas alemães de se aliar com a esquerda para formar o governo. O partido de Schroeder preferiu se aliar com a direita. O chefe do SPD me disse um dia: “esse acordo foi mortal, fomos o grandes perdedores. Nós morremos e eles prosperaram”.

Seu livro assume plenamente a responsabilidade da socialdemocracia nessa permutação da esquerda e seu conseguinte pacto ou acordo com os liberais. Mas, para você, chegou a hora de dizer basta.

Certamente. Por isso meu livro se chama “Tourner la Page”. Se queremos que as pessoas voltem a acreditar em nós, se queremos que nos escutem quando dizemos que este modelo de desenvolvimento é um modelo esgotado, que o modelo liberal fracassou, tudo isso passa pela vontade de virar a página e também, sobretudo, pelo reconhecimento de que nós estamos dentro dessa página que devemos virar. Quando fizermos isso, quando virarmos a página, deixaremos para trás uma página de nossa história marcada pela corresponsabilidade com o sistema atual.

Não creio que sejamos tão responsáveis como os conservadores ou os liberais, não. Nossa responsabilidade não é equivalente. Eles são hoje os arquitetos do desmantelamento do Estado Providência na Europa, coisa que não queremos. Isso, não obstante, não nos exime do fato de que, em um dado momento, fomos corresponsáveis. Acreditamos que podíamos construir um modelo com os liberais. Por conseguinte, os socialdemocratas europeus têm uma grande responsabilidade com a crise atual.

Para você, em que consiste exatamente virar a página? Qual é a direção?

Creio que hoje existem os meios de empreender uma política radicalmente distinta, no mínimo pelo fato de que hoje é possível evocar temas dos quais há dez anos não se podia falar. Sem dúvida, a rapidez da crise contribui para isso. Os temas centrais da transformação são os seguintes: o tema do livre comércio é essencial, ou seja, a necessidade de impor limites ao livre comércio, de regulá-lo. O segundo tema consiste em saber em que condições pode se financiar o Estado Providência, ou seja, a política tributária. Trata-se de saber de que meios se dispõe para financiar a educação, a saúde, os serviços públicos, a proteção social, a aposentadoria.

Evidentemente, o tema da política econômica e monetária é central. Sem uma política monetária e econômica constante não pode haver nenhuma mudança. É impossível dizer que se é de esquerda sem mudar a política fiscal, a política monetária, a política comercial e a doutrina da política econômica que hoje aposta no holocausto, ou seja, na competitividade por meio da diminuição do custo da mão de obra, ou seja, do trabalho.

Ninguém pode acreditar que pode ser mais competitivo em termos de custo da mão de obra que um operário chinês. É preciso mudar as três doutrinas: a doutrina monetária que aposta em um euro forte para controlar a inflação, a doutrina comercial ultra livre-comércio e a doutrina econômica que fundamenta o crescimento sob o baixo custo da mão de obra.

Ao menos na França, a dinâmica social que deveria impulsionar e acompanhar as mudanças parece ausente.

A dinâmica social existe, se estrutura, inclusive se as pessoas estão um pouco esgotadas pelos extensos movimentos sociais que ocorreram na França. A luta contra a reforma do sistema de aposentadorias foi longa e acabou derrotada. Ficou uma espécie de pedagogia negativa da luta social.

As pessoas se dizem: para que lutar se quase nunca ganhamos. Creio que se queremos sair dessa situação, se queremos recuperar a vontade política, se queremos deixar de ser tímidos diante dos bancos, se queremos deixar de ficar congelados perante às agências de classificação de risco, se queremos tudo isso devemos saturar o espaço social com nossas reivindicações.

Para virar a página não basta ter um projeto político. Mesmo quando se está no poder é preciso saturar o espaço social com as reivindicações. Aqueles que lutaram contra a direita quando ela estava no poder tem que entender que a luta recém começa quando a esquerda chega ao poder. É aí, quando a correlação de forças políticas está ao nosso favor que a força social tem que nos acompanhar. Neste sentido, penso que o recurso ao sufrágio universal e ao referendo é um meio para que o poder político legitime suas reformas.

Há uma espécie de limite no pensamento projetivo da socialdemocracia europeia. Sua capacidade de diagnóstico é brilhante, acertada, lúcida e até comovedora. Mas na hora de agir, a força não é equivalente. Por quê? Medo dos bancos? Temor ante o mundo financeiro?

Não é muito complicado: na França fazem falta quatro ou cinco leis para modificar radicalmente a natureza do laço entre os mercados financeiros e a economia real. Com uma lei sobre as transações financeiras, outra sobre a separação entre banco para atendimento do público e banco de negócios, outra sobre comissões bancárias, outra que aponte para uma reforma da aposentadoria fundado sobre o imposto ao capital, e uma outra lei tributária para que as renda pague tanto quanto os rendimentos obtidos mediante o trabalho, com esses textos já haveria uma mudança considerável. Não há nada de revolucionário nisso, tudo é autenticamente socialdemocrata. O senso comum deveria nos conduzir a isso. O assombroso é que, mediante o jogo dos lobbys, as redes e a pressão, as ameaças e os meios de comunicação, quando chega o momento de aplicar essas reformas tudo se torna muito mais complicado.

Você expressou várias vezes seu reconhecimento pelas mudanças que a socialdemocracia conseguiu fazer na América Latina, sobretudo no Brasil, Argentina e, em outro contexto ideológico, Venezuela.

O que me assombrou e interpelou na América Latina, e digo isso sem negar a dureza do combate, é o fato de que as coisas podem mudar. A correlação de forças que foi preciso enfrentar foi poderosa: Lula, Chávez, Evo Morales, Correa, Kirchner, todos enfrentaram essa situação. Não é fácil fazer política. Observo que, no que se refere a várias questões, por exemplo a mobilização de instrumentos econômicos independentes das instituições de Breton Woods, ou a questão das nacionalizações, ou da reapropriação das ferramentas de produção, em especial quando se trata de recursos naturais, em todas essas questões a América Latina demonstrou que, em uma economia globalizada, é possível reapropriar-se desses meios, redistribuir a riqueza, sem que isso arruíne um país. Na América Latina está a última juventude da esquerda mundial. Houve um momento em que essa posição esteve na esquerda europeia. Já não está mais. A esquerda latino-americana tem uma capacidade de questionar a ordem econômica mundial que a socialdemocracia europeia não tem mais.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19185

 

Serra sondou editor para barrar “Privataria tucana”

 

Serra sondou editor para barrar “Privataria tucana”Foto: DivulgaçãoEM ENTREVISTA AO 247, LUIZ FERNANDO EMEDIATO, DONO DA GERAÇÃO EDITORIAL, REVELA COMO O EX-GOVERNADOR PAULISTA AGIU PARA BARRAR O LIVRO; NUM DIA, 15 MIL EXEMPLARES VENDIDOS; EM BREVE, ELE ESTARÁ NA LISTA DE “MAIS VENDIDOS” ATÉ DA VEJA12 de Dezembro de 2011 às 03:30Leonardo Attuch_247 – “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior, é um livro polêmico, escrito por um jornalista não menos polêmico, mas certamente competente no que faz. Ex-repórter especial da revista Istoé e do jornal O Globo, Amaury já faturou vários prêmios Esso, que foram celebrados por seus colegas e patrões. Na campanha presidencial de 2010, Amaury caiu em desgraça, acusado de tentar comprar dados de familiares de José Serra protegidos por sigilo fiscal. Neste fim de semana, o jornalista vive sua redenção pessoal. É ele o autor do maior fenômeno editorial brasileiro dos últimos anos. Um livro, que, embora boicotado pelos veículos tradicionais de comunicação, vendeu 15 mil exemplares em um dia, sendo disputado nas livrarias como pão quente.Por trás desse sucesso, há o dedo de um editor não menos polêmico e também muito competente. É o jornalista Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, que tem estendido a mão a repórteres dispostos a contar boas histórias. Recentemente, ele emplacou grandes sucessos de cunho político, como “Memória das Trevas”, sobre Antônio Carlos Magalhães, vulgo Toninho Malvadeza, e “Honoráveis Bandidos”, sobre a família Sarney, escrito por nosso nobre colaborador Palmério Doria.Emediato falou ao 247 sobre o desempenho comercial de “A privataria tucana”. E também revelou que o ex-governador paulista agiu para evitar a publicação.247 – Você esperava esse desempenho de um livro sobre privatizações que aconteceram há tanto tempo?Luiz Fernando Emediato – Nunca vi nada igual. Foram 15 mil livros vendidos num único dia. É um fenômeno.247 – Como foi a estratégia de divulgação?Emediato – Nós tínhamos receio de alguma ordem judicial que impedisse a distribuição. E não mandamos para nenhuma redação. Apenas o autor enviou um exemplar para a Carta Capital, mas todo o barulho foi feito na internet, inclusive por vocês que anteciparam o lançamento. O sucesso prova que há uma grande transformação na sociedade brasileira e revela a força da blogosfera.247 – A Geração já mandou rodar uma nova edição?Emediato – Estamos imprimindo mais 15 mil. Subestimamos a demanda, mas o erro não foi só nosso. Algumas livrarias não estavam acreditando. Mas em uma semana o livro estará, de novo, em todos os pontos comerciais.247 – Você sofreu alguma pressão para não publicar o livro?Emediato – Eu não diria pressão, mas há alguns dias fui procurado por uma pessoa que propôs uma conversa com o ex-governador José Serra.247 – Quem foi?Emediato – Era o Antônio Ramalho, um sindicalista do PSDB que é vice-presidente da Força Sindical.247 – Você se sentiu intimidado?Emediato – Não foi exatamente uma intimidação, até porque a abordagem do Ramalho, de quem sou amigo, foi muito elegante. Sentamos, tomamos um café, ele disse que o Serra queria conversar, eu disse que não e pagamos a conta. Num país democrático, quem se sentir incomodado tem o direito de me processar. Teve uma vez que o Guilherme Afif (vice-governador de São Paulo) veio me atacando aos berros, mas eu não dei muita bola.247 – Você espera muitos processos?Emediato – Pode ser, mas os nossos advogados dizem que a chance de perdermos é muito pequena. O livro é muito bem documentado. E não há ataques pessoais. São fatos concretos.247 – Serra é tido como uma pessoa vingativa.Emediato – Dizem que o Serra não tem adversários, tem inimigos. Eu acho até que já fui vítima dele, numa matéria da Veja, chamada “O lado negro da Força”, onde me enfiaram sem que eu tivesse nada a ver com aquilo. Mas não foi isso que me levou a publicar o livro. E eu, que me senti ofendido pela Veja, processei a revista. Acho que vou ganhar.247 – Com esses dados de vendas, o livro certamente entrará na lista de mais vendidos. Você acha que entra na Veja?Emediato – Tem que entrar, se não vai ficar muito feio para eles. A velocidade de vendas da “Privataria Tucana” é superior à do “Honoráveis Bandidos”, que começou em quarto, subiu para terceiro, segundo e depois ficou várias semanas em primeiro. Se a Veja não colocar vai ficar feio, porque o livro certamente entrará na lista da Folha, do Estadão, da Época...247 – Como foi 2012 para a Geração Editorial?Emediato – Foi nosso melhor ano. Éramos uma editora pequena, que faturava R$ 3 milhões/ano. Ainda somos pequenos, mas vamos chegar a uns R$ 7 milhões ano.247 – Qual é o papel deste livro no momento de “faxina ética”?Emediato – Talvez seja um remédio contra a hipocrisia.http://pradiscutirobrasil.blogspot.com/2011/12/serra-sondou-editor-para-barrar.html

 

Com o orçamento aprovado para a construcão do novo e maior telescopio do mundo, a ser construido no Chile, o Brasil deverá ratificar sua adesão e participação na construção do bichão. Esperemos que os predadores da sociedade, no congresso, não deem para tras, e que a portentosa, até rotunda, Presidenta, do alto de sua superior e sofisticada inteligencia, pressione os bandidos a liberarem a grana para o pagamento das anuidades e financiamento da ESO....

 

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=brasil...

 

 

Coragem, Reinaldo Azevedo! A Veja já publicou a corrupção do Serra há 9 anos!

 

Edição 1750 de 09/05/2002 - No racha demo-tucano de 2002, a revista ficou do lado do PFL por um momento, e publicou 10 páginas de fogo "amigo" denunciando propina na Privatização. Estão lá os mesmos nomes do livro de Amaury: Ricardo Sérgio e José Serra.

Nove anos depois, o livro de Amaury Ribeiro Jr. traz respostas para a pergunta que a revista Veja fez na edição 1751 de 15/05/2002. Gregorio Preciado também foi alvo da reportagem.


A revista Veja está numa sinuca de bico com o livro de Amaury Ribeiro Jr. sobre a maior ladroagem da história do Brasil: a privataria tucana comandada por José Serra no governo FHC.

A revista não tem como contestar o conteúdo do livro, pois além das provas documentais, o livro aprofunda reportagens da própria revista Veja, de maio de 2002, sobre propinas na Privazatição da Vale e das teles, denunciadas pelo fogo amigo demo-tucano na época: o próprio comprador da Vale, Benjamin Steinbruch, os tucanos Paulo Renato de Souza e Mendonça de Barros, foram as fontes da revista.

É preciso entender o contexto da época, que levou os Civita a publicar o fogo amigo contra Serra. Eles desenganavam as chances de Serra vencer a eleição de 2002, e em conluio com o PFL de ACM e Bornhausen, procuravam eleger outro candidato que consideravam com mais chances de vencer Lula.

A aliança PSDB-PFL havia rachado. Serra trocara o PFL pelo PMDB como principal parceiro. ACM já atirava contra Serra, e era uma fonte constante de denúncias sobre Ricardo Sérgio. Em maio de 2002, Serra patinava nas pesquisas, havia abatido Roseana Sarney, a então candidata do PFL, e não conseguia herdar nem as intenções de votos que Roseana perdera. Os caciques ACM e Jorge Bornhausen desembarcaram na candidatura de Ciro Gomes, que crescia nas pesquisas, tinha um discurso de oposição, mas não sofria o preconceito e medo da elite, como Lula.

Foi nesse contexto que a revista Veja publicou denúncias envolvendo Ricardo Sérgio e Gregório Preciado, os mesmos protagonistas do livro de Amaury Ribeiro, e com as mesmas denúncias, só que desta vez com provas documentais, e acrescida a participação da filha e genro de José Serra.

Veja não tem como apagar essas reportagens. Não pode fazer como FHC e dizer "esqueçam o que escrevi", justamente quando as suspeitas de então aparecem agora acompanhadas de provas no livro de Amaury.

A única coisa que a Veja pode fazer para proteger a corrupção tucana é o que está fazendo: silêncio sobre o assunto e cortina de fumaça com outras "denúncias" para preencher a pauta. Mas é preciso lembrar que essa conivência, mesmo que na forma de silêncio, hoje revela cumplicidade na corrupção.

O fim de José Serra e do PSDB 

Não vai dar para fazer silêncio para sempre, até porque o livro é só a ponta do iceberg. Imaginamos o quanto é doloroso para alguém com Reinaldo Azevedo ter que escrever o obituário político de José Serra, (cujo futuro é o mesmo de Maluf), e o fim do PSDB como alternativa de poder, justamente no momento em que o marqueteiro Antonio Lavareda tentava resgatar o que o tucanos acham que seja o legado de FHC. Com o livro de Amaury, o único legado de FHC que sobra é a maior roubalheira que uma grande nação já sofreu em seu patrimônio, pela rapinagem de politiqueiros embusteiros e traidores da pátria que venderam as riquezas da nação a preço de banana a troco de propinas. Pobre Aécio Neves (outro vendilhão). Sua estratégia de defender FHC e a privataria acabou de falir e precisa voltar para a prancheta dos marqueteiros para recauchutagem geral.

Há 9 anos, o mesmo trololó

Em 2010, toda vez que José Serra era perguntado sobre algum dos vários escândalos de corrupção que ele estave envolvido, ele desdenhava chamando de tititi e trololó. Em 2002 ele fez a mesma coisa:


O que a Veja dizia em 2002Clique nas imagens para ampliar



http://profdiafonso.blogspot.com/

 

Comentário nota dez, Vania, a Veja ficou numa situação engraçada e indefensável, tentanto esconder o lixo que ela própria varreu...

 

Tem gente que lembrará bobagens do passado porque só consegue pensar como bobo, mas lembrem que  o Ricupero está do nosso lado agora.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/14436-remedio-vencido.shtml

Rubens Ricupero

Remédio vencido

Artifícios de crédito e de proteção podem prolongar a agonia, mas não evitarão a morte da indústria

Estimular o crescimento mediante consumo puxado por crédito e rebaixa de impostos é remédio velho que produz cada vez menos efeito. Funcionou em 2009 porque as circunstâncias eram outras. Agora, apesar de consumo, emprego e salários em alta, a indústria estagnou ou se contrai.

Parcela crescente da demanda interna vem sendo atendida por importações, sobretudo chinesas. Contra isso, excitar o consumo vai apenas produzir mais importações e empregos na China. O consumo já representa 66% do PIB, quase como nos EUA. Em contraste, a taxa de poupança não passa de 17% e a de investimento, de 19%.

Existe algo profundamente errado em política que se concentra no consumo próximo do teto e descura a desmilinguida poupança e o frouxo investimento.

O X do problema, que essa política não resolve, é a perda de competitividade da indústria, convertida em importadora. A fim de criar a ilusão de crescimento, insiste-se em vender automóveis que atravancam e poluem as ruas e reduzem quase a zero a mobilidade urbana.

Depois de abrir mão de todas as indústrias de ponta -eletrônica, telecomunicações, biotecnologia, química fina- nos agarramos em desespero à indústria automobilística, sem exigências de melhorias ambientais ou de desempenho.

O mesmo ocorre na exportação de manufaturas. O Brasil só tem na prática um grande mercado para produtos industriais, a Argentina, que absorve 40% de nossas vendas.

Para a Argentina é igual: o mercado brasileiro adquire 40% das suas exportações manufatureiras. O pior é que hoje os automóveis representam 45% desse comércio: como os demais setores estão sendo ocupados por produtos chineses, a única coisa que sobra são os carros.

Esses resistem não por serem competitivos, mas porque o comércio automobilístico é administrado por cotas manipuladas pelos governos e protegidas da competição.

De nada adiantará aprofundar ainda mais a reserva de mercado, substituindo a reserva nacional por uma binacional, que é o que se vem fazendo. A solução é reconhecer que a indústria dos dois países sofre de sério problema de competitividade e precisa ser revigorada.

Não há mistério sobre as raízes do problema: juros, custo do capital, câmbio adverso e volátil, impostos excessivos, folha de pagamentos sufocada por penduricalhos, falta de flexibilidade no mercado de trabalho, pouca inovação, excesso de burocracia, infraestrutura sofrível, etc.

Por que não atacar essas raízes usando os 74% de maioria de que dispõe o governo na Câmara e no Senado? Se não serve para isso, para que serve o presidencialismo de coalizão, além de produzir escândalos e corrupção?

Artifícios de crédito e proteção podem prolongar a agonia, mas não evitarão a morte da indústria. E sem indústria, não haverá integração.

Alguém imagina que se possa vender aos sul-americanos ou comprar deles as mesmas commodities em que somos competidores? É possível nos integrarmos com a Argentina na base de vendermos soja e carne bovina uns aos outros?

Ninguém se iluda: sem indústria, a integração acaba. E não haverá indústria sem a conquista da competitividade e da produtividade.

 

Fortalecimento do PC mostra insatisfação na atual RússiaCom um discurso que prega a volta da URSS, comunistas começam a incomodar

Vivian Oswald, enviada especial

Publicado: 10/12/11 - 21h56 Atualizado: 10/12/11 - 21h56

MOSCOU - Um mês antes da eleição que fez o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF, em russo) praticamente ressurgir das cinzas, a tradicional Praça Pushkin, na capital, amanheceu cercada de policiais. Eles vigiavam a manifestação marcada para aquele sábado frio, em que os comunistas iam se aglomerando e, aos poucos, pareciam fazer a praça viajar no tempo. A julgar pelas 300 pessoas ali reunidas, ninguém imaginaria que 20 anos após a desintegração da União Soviética, os velhos comunistas voltariam a se destacar nas urnas, conquistando, na semana passada, 20% dos votos para a Câmara baixa e se tornando a principal força opositora ao poderoso primeiro-ministro Vladimir Putin. Os comunistas, a nostalgia e a insatisfação que cercam a Rússia atual são o tema da primeira reportagem de uma série que O GLOBO publica nesta semana mostrando os desafios enfrentados pelo país duas décadas depois do anúncio, em 25 de dezembro de 1991, de que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS, não existia mais.

Os comunistas surpreenderam os institutos de pesquisa de opinião e o próprio Kremlin, que sempre tratou o partido como uma espécie de oposição domesticada e inofensiva. Mas com um discurso que prega a volta da URSS, eles começam a incomodar. Mais do que num projeto de retorno ao passado, no entanto, os russos votaram nos comunistas em um sinal de protesto.

- Eu e todos os meus amigos votamos neles. São os únicos que ainda conseguem juntar um número significativo de votos. É a nossa forma de dizer não ao que está aí - disse ao GLOBO o professor universitário Boris Andreevitch.

O público jovem na praça ainda era minguado. Russos de mais idade, soviéticos pela maneira de pensar e de vestir, carregavam medalhas e condecorações da época do regime. A grande bandeira vermelha com a foice e o martelo só não convencia o transeunte de uma volta ao passado por destoar dos anúncios capitalistas.

Até as eleições de 4 de dezembro, os comunistas eram praticamente o único grupo a receber a permissão para realizar os seus encontros nas praças mais importantes da cidade. Resta saber que tratamento terão a partir de agora. Depois do resultado da semana passada, o pleito para presidente, em março próximo, promete um pouco mais de emoção, embora todos considerem que já esteja ganho por Putin.

Mais uma vez, o eterno líder do PC, Gennady Andreevitch Ziuganov, disputará as eleições presidenciais. Será a sua quarta tentativa. Mas aos 67 anos, Ziuganov não soube se reinventar. Com um discurso antiquado, esse ex-professor de matemática é considerado pouco carismático e pouco espontâneo ao falar em público - características que não lhe favorecem. O candidato, no entanto, desta vez pode se beneficiar do descontentamento das ruas.

- Eu e meus amigos vamos votar nele para protestar, mas ele não tem a cara da Rússia. Todos sabem que não vai conseguir - admitiu a escritora Maria Polytaeva.

Os comunistas tomam o microfone e interrompem as velhas marchas para se queixar da atual situação econômica. O fato é que o fim da União Soviética desperta sentimentos contraditórios. Enquanto uns acreditam que há motivos para comemorar sua desintegração, outros não escondem o desânimo e admitem sentir falta da velha URSS, ou, pelo menos, das garantias que o Estado socialista oferecia, ainda que o preço a se pagar pelo benefício tenha sido alto. Cerca de 28% da população gostariam de voltar atrás e reconstruir a União Soviética, segundo a pesquisa do instituto VTsIOM.

- Há muita nostalgia, mas todos sabem que não é possível voltar atrás. Os mais novos nem sabem o que era. A juventude é alienada e apolítica. Só quer saber de ganhar dinheiro. Antes, os jovens queriam ser astronautas, sociólogos, físicos. Hoje, só querem ser businessmen, banqueiros e financistas - disse Igor Fescinenko, 79 anos, repórter de TV na União Soviética, hoje consultor e professor universitário.

A insatisfação está relacionada ao fato de que a economia e a vida política passaram a andar em círculos. Nem mesmo após uma década crescendo a uma média de 7% ao ano, o país conseguiu reduzir a sua dependência do petróleo.

Para o último ex-vice-premier da URSS, Vladimir Scherbakov, hoje presidente da União dos Industriais da Rússia, o país mudou para melhor.

-A Rússia entrou para a economia global. Podemos encontrar de tudo aqui. Se compararmos a evolução do salário médio na Rússia e nas outras ex-repúblicas, vemos que houve um incremento importante, praticamente dobrou - disse Scherbakov.

Outros afirmam que os ganhos limitam-se ao consumo.

- O que adianta ter tudo, se não tenho dinheiro para comprar nada? - reclama a funcionária pública Natalia Borisovna.

Boa parte dos russos vê naquele 25 de dezembro de 1991 o mesmo que Putin chamou de "uma grande catástrofe geopolítica". Da União Soviética à atual Rússia, há uma diferença de cinco milhões de quilômetros quadrados - território dos outros 14 países que nasceram pós-desintegração - o equivalente a duas Argentinas. A sensação geral é de perda de território, a maior da História contemporânea.

Poucos comemoram a data. A agência Itar-Tass faz uma silenciosa homenagem com fotos na entrada do prédio, atraindo um ou outro pedestre. Na Biblioteca Lênin, escondida em um corredor do terceiro andar, há uma exibição com fotos-legendas que contam a história da instituição no período de 1917 a 1991.

 

Desigualdades e na lanterna dos Brics

Em geral, só os oposicionistas falam abertamente no assunto. No site do PC, há um manifesto e um cartaz sobre os "20 anos sem a URSS". Em um dos textos, o grupo diz que estas duas décadas foram, para a Rússia, "um caminho de dificuldades sem fim". "Agora, às nossas dificuldades se soma a crise econômica mundial. Quanto tempo a Rússia ainda vai precisar para resolver os seus profundos problemas?", pergunta o texto.

A estabilidade econômica pós-década de 90 é o que vem sustentando a situação. Mas os salários dos aposentados não acompanharam a bonança. Tampouco o fizeram a saúde e a educação, que perderam em qualidade e têm obrigado os russos a desembolsar cada vez mais por algo que supostamente deveria ser gratuito. Em 2008, logo após a crise financeira global, o país ainda conseguiu crescer 5,2%, mas despencou 7,9% em 2009, ficando na lanterna dos Brics (os emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Voltou a crescer 4% em 2010, mas continuou sem se modernizar.

As desigualdades nesse país que tanto pregou o socialismo também vêm crescendo. Os 120 mil milionários estão cada vez mais distantes da camada mais pobre da população. Tudo isso justifica o clima de insatisfação, manifestado nas urnas no último domingo, com a redução do apoio ao partido Rússia Unida, de Putin, e o indício de que a campanha para sua volta à Presidência não será tão tranquila.

http://oglobo.globo.com/mundo/fortalecimento-do-pc-mostra-insatisfacao-na-atual-russia-3426258

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

Essas matérias são mesmo engraçadas... a repórter é capaz de ver uma coisa diante dos seus olhos e escrever o contrário. Tem que defender a boquinha, pois não? Conheçam o "inexpressivo" Gennady Zyuganov aqui:

http://pt.euronews.net/2011/11/29/lider-comunista-gennady-zyuganov-a-rus...

 

Google quer iniciar a revolução digital no Brasil James Crawford, diretor de engenharia do Google, fala sobre os planos da empresa - ela pretende abrir uma e-bookstore no País em 2012 e já conversa com editoras 10 de dezembro de 2011 | 3h 00Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo

O Google já tem livrarias exclusivas para venda de livro digital nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Está se preparando para entrar na Europa e acaba de anunciar que vai inaugurar sua loja brasileira em 2012. O primeiro passo público nesta direção foi dado na quinta-feira, em São Paulo, quando a gigante americana reuniu editores e livreiros para apresentar seus planos. Muitos editores, no entanto, saíram frustrados: a parte prática do negócio, como preços e os passos seguintes, será discutida individualmente com cada empresa. Após a apresentação, restrita ao potenciais clientes da empresa, James Crawford, diretor de engenharia do Google, falou com exclusividade à coluna Babel, do Sabático.

James Crawford, diretor de engenharia do Google - J. F. Diorio/AEJ. F. Diorio/AEJames Crawford, diretor de engenharia do Google

O que faz do Brasil um mercado interessante para o Google?
O Brasil é o sexto maior mercado do Google e isso é grande. Além disso, o sistema Androide está se popularizando muito rapidamente aqui. Fui a shopping centers aqui e vi muitas lojas vendendo diversos tablets que usam Androide e isso é muito bom. É interessante também pelos e-books. Em dois anos eles deixarão de ser um mercado pequeno e serão responsável por uma parte significativa das vendas. Definitivamente, em dois anos os e-books vão decolar. Enfim, é um ótimo momento.

É o tempo necessário para o Google se preparar?
Queremos muito inaugurar a loja em 2012 e é por isso que estamos aqui conversando com os editoras. Quando escolhemos abrir uma loja em um determinado país, estudamos seus impostos, suas leis de proteção ao consumidor, temos que ver quais são os livros que teremos direito de vender, ver como abrir de fato a loja e promover os livros. Há muito o que se fazer antes de chegar a um país e enquanto não fizermos tudo isso, especialmente o que diz respeito à lei de proteção do consumidor, não começaremos a vender e-books.

O que o leitor brasileiro pode esperar com a chegada do Google?
Uma das coisas únicas dos nossos e-books é que você pode comprar uma unidade e ler em qualquer lugar. Vamos supor que você compre um livro digital do Google em seu notebook. Com um aplicativo específico você pode lê-lo no iPad. Também pode ler no iPhone ou num celular Androide. É possível ler até mesmo em um e-reader da Sony ou em qualquer outro compatível com o Adobe. A outra diferença é que o livro será do próprio leitor e ele não será obrigado a ler em um aparelho específico. Se você começar a ler no telefone e mudar para o laptop e depois do laptop para um tablet, o livro será aberto exatamente na página em que parou.

E os editores?
Estabelecemos um relacionamento muito bom, aberto e de parceria com os editores americanos: nos encontramos regularmente, perguntamos o que podemos fazer por eles e quais inovações podemos fazer juntos para melhorar a experiência de leitura, e tentamos entender as necessidades dos leitores. Estamos aqui nesta semana nos reunindo com muitos editores, estamos vendo quais são preocupações deles, o que eles querem ver em e-books e como eles querem entrar no mercado de livros digitais.

Mas o Google já tem seu próprio modelo.
Somos flexíveis em muitas coisas, mas isso de que um e-book pode ser lido em qualquer é aparelho é muito caro ao Google. É assim que o Google faz as coisas e não mudaremos. Nas demais áreas vamos nos sentar com os editores para ver como eles atuam.

Qual é a sua opinião sobre o DRM (Digital Rights Managment)?
Se houver editores que não quiserem usar o DRM, isso é raro mas há alguns nos Estados Unidos, o Google não vê problemas nisso. Mas a grande maioria quer usar DRM e também não vemos problemas nisso. Nós apoiamos o seu uso para laptops, tablets, telefones, leitores digitais e fornecemos a proteção para todas as plataformas. Em outras áreas, tem sido argumentado que os consumidores americanos ficam tão felizes quando veem um conteúdo sem DRM que acabam comprando o produto dessas editoras. Isso porque, obviamente, o DRM atrapalha o usuário final. Então, algumas editoras assumiram que para o leitor é melhor que os livros não venham com DRM, mas, como eu disse, elas são muito poucas. Aos que querem DRM, nós fornecemos a proteção.

O que o Google oferece a livrarias?
Em todos os países onde já estamos, fizemos parcerias com pequenas e grandes livrarias. Nos Estados Unidos, a Barnes & Noble e a Amazon vendem a maior parte dos livros, mas lá há centenas de livrarias independentes. Elas são muito importantes porque tendem a ser grandes incentivadoras da leitura, são lugares onde as pessoas porque já conhecem o dono, que por sua vez conhece todos os clientes, recomenda livros a eles, organiza clube de leitura e sessões de autógrafos. Apoiamos essas livrarias porque sabemos que é muito difícil para elas migrarem para os livros digitais. São poucas pessoas trabalhando e não vão investir na criação de um aplicativo para Androide, por exemplo. Então, estamos apoiando cerca de 300 livrarias nos Estados Unidos.

E o que o Google faz por elas?
Elas vendem os e-books da Google. O cliente é dela, então é ela quem vende e cobra. Mas o que está vendendo é um e-book do Google. Elas fazem o site e nós criamos os aplicativos, fornecemos do DRM, armazenamos os e-books. Atuamos como um atacadista e fazemos todo o serviço técnico.

Esse serviço também será oferecido aos livreiros brasileiros?
Fazemos isso em todos os nossos mercados e a expectativa é que isso seja feito no Brasil também. E em alguns lugares como a Austrália, estamos trabalhando com as principais lojas. Aqui, vamos procurar trabalhar livrarias de todos os tamanhos.

Mas as duas principais redes do Brasil, a Saraiva e a Cultura, já fizeram seus investimentos nesse sentido.
Já fizeram, mas ainda estão muito no início: não têm uma boa solução em nuvem e nem o esquema que permite a leitura em qualquer aparelho. Ainda é cedo e não sei o que acabaremos fazendo, mas, como disse, na Austrália fizemos parcerias com grandes livrarias.

Como superar a pioneira Amazon e a Apple, que tem uma legião de consumidores fanáticos?
São duas empresas muito boas. No caso dos e-books, elas estão muito próximas. Mas se um dia você comprar um e-book para o iPad e depois decidir comprar um tablet que usa o sistema operacional Androide, um Kindle Fire ou qualquer outro tipo de leitor digital que não seja da Apple você perde seus livros. Você não vai comprar um cd que só poderá ler em aparelhos de uma determinada marca. Com o passar dos tempos, os consumidores vão perceber que este ambiente fechado simplesmente não funciona e que a solução "compre uma vez e leia em qualquer lugar" será muito melhor para eles. Com relação à Amazon, ela tem feito um bom trabalho, mas este é um mercado muito novo no Brasil e nossa estratégia é a de trabalhar com as editoras e lançar com eles a maior quantidade possível de e-books e disponibiliza-los para qualquer tipo de leitor digital. Estamos também nos aproximando dos vendedores de livros, que são as pessoas que entendem do mercado brasileiro. Portanto, agimos diferentemente da Amazon, que vem de fora sem de fato conhecer o mercado e sem saber o que os leitores querem no Brasil.

E como fica a Kobo?
Ela é muito pequena, não tem todo o conteúdo e seu conjunto de aparelhos ainda é muito restrito. Trabalhamos com Androide; então, nos países em que lançamos, o mercado de Androide se transforma no mercado de telefones e de tablets. Primeiro vem os aplicativos, depois os livros. Com a próxima geração do Androide e a que vem depois, empresas como a Kobo passarão por maus momentos.

Como ingressar, de fato, no mercado de livros digitais?
Tendo conteúdo suficiente, e acredito que os brasileiros estejam bem no meio do trabalho de conversão, que deve ser completado no ano que vem. Além disso, é preciso ter uma boa solução de armazenamento na nuvem para que o leitor não tenha que se preocupar em descobrir como se faz o download de um livro e depois ainda ter de fazê-lo funcionar em seu aparelho. Você tem que ter algo fácil de ser usado e muito conteúdo.

Como é o modelo de negócio do Google no que se refere a preços?
Nos Estados Unidos, algumas editoras adotam o modelo de agência, que quer dizer que a editora é quem escolhe o preço do livro. Empresas como o Google, Amazon e Apple são as agentes da editora, ou seja, estamos ajudando essas empresas a vender seus livros. Mas oficialmente as editoras são as vendedoras e elas podem fixar o preço. Outras editoras adotam o modelo de venda tradicional, ou seja, nós compramos o e-book de uma editora e vendemos para o consumidor final. Nesses casos, nós definimos os preços. Então, trabalhamos das duas formas. Em todos os mercados que entramos, não pretendemos rebaixar os preços e procuramos cobrar mais ou menos o mesmo preço das outras livrarias.

Qual dos dois modelos considera melhor?
Há prós e contras nos dois modelos. Eu mais ou menos prefiro o modelo tradicional porque ele cria mais competição e isso acaba sendo melhor para o consumidor final. É possível fazer promoções especiais, ou seja, é mais possível agir como uma livraria.

Nos Estados Unidos e Europa, o mercado de livros digitais começou pelos leitores e-Ink. Você acredita que acontecerá da mesma forma no Brasil ou passaremos direto para os tablets coloridos?
O preço dos tablets Androide estão caindo muito, e o Kindle Fire e o Nook colorido estão se saindo muito bem. Nossa posição é que tablets coloridos e baratos vão ter um papel importante em 2012.

Agora que chegaram, o que esperam para o próximo ano?
Será um ano muito emocionante. No começo de 2012, as pessoas vão ver que o negócio de e-books realmente começou no Brasil. É um ótimo momento para estar neste negócio.

Livros eletrônicos podem ajudar a melhorar as taxas de leitura em países como o Brasil, onde se lê pouco? Ou só levariam o consumidor a comprar mais e mais?
Não sei se já foram feitos estudos com pessoas que não liam livros físicos e compraram um leitor digital. Mas sei que foram feitos estudos nos Estados Unidos que mostraram que a leitura digital geralmente faz as pessoas que já leem comprarem ainda mais livros. Se você entrar num avião carregando um único leitor digital com 20 livros, é muito mais provável que você leia alguma coisa durante o voo. Agora, se livro digital vai atrair gente que não lia eu não sei. Pode ser que sim, principalmente se forem feitas ações com enhanced e-books interativos e com vídeos. Estamos também criando novas ferramentas que unem livros e redes sociais. Há muitas coisas interessantes acontecendo, mas ainda é cedo para saber se o livro digital mudará os hábitos de leitura daqueles que não leem tradicionalmente.

Há planos de contratação de pessoal no Brasil?
Seguramente. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde estamos em crescimento contínuo.

Você esteve na Biblioteca Nacional, no Rio, antes de vir a São Paulo. Vê alguma chance de trabalharem juntos?
Estive na Biblioteca Nacional e achei tudo impressionante. Eles já estão escaneando alguns livros e documentos antigos . Estamos sim conversando com eles sobre como podemos ajudar. Foi uma conversa muito boa.

O que você contou aos editores e leitores brasileiros?
Conversamos sobre como o projeto de e-books do Google funciona, como serão as parcerias, e falamos um pouco sobre nossas políticas. Tentamos encorajá-los a conversar mais com a gente e a aderirem ao Google Book Search, usado por poucas editoras brasileiras. Questões como preço serão conversadas com cada empresa separadamente.

Como eles responderam à apresentação da empresa?
Não tenho muita certeza, foi tudo em português. Na verdade, fizeram muitas perguntas e algumas pessoas vieram conversar conosco no final da apresentação. Foi uma boa discussão.

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,google-quer-iniciar-a-revo...

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

Os banqueiros são os ditadores do Ocidente O Primeiro-Ministro da Irlanda disse a seu povo que eles não eram responsáveis pela crise. Mas ele não disse quem eram os culpados. Já não é hora de que ele e seus colegas o digam? E os jornalistas também?

Por Robert Fisk [11.12.2011 09h00]

 

Tradução de Idelber Avelar

Escrevendo na região que produz mais clichês por metro quadrado que qualquer outra 'história'--o Oriente Médio--, eu deveria talvez fazer uma pausa antes de dizer que nunca li tanto lixo, tanta porcaria como tenho lido a respeito da crise financeira mundial.

Mas não vou me conter. Me parece que o jornalismo sobre este colapso do capitalismo chegou a um novo subsolo que nem mesmo o Oriente Médio é capaz de alcançar, em termos de obediência intocada e completa às próprias instituições e “especialistas” de Harvard que ajudaram a provocar o desastre criminoso.

Comecemos com a “Primavera Árabe”-- já em si mesmo um nome que é uma grotesca distorção verbal do grande despertar árabe/ muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio—e com os paralelos falaciosos com os protestos sociais nas capitais ocidentais. Fomos inundados com jornalismo que afirma que os pobres ou os desfavorecidos no Ocidente tiraram uma “página” do livro da “primavera árabe”, que os manifestantes nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia foram “inspirados” pelas enormes manifestações que derrubaram os regimes do Egito, da Tunísia e—até certo ponto—da Líbia. Isso é nonsense.

A comparação real, não é preciso nem dizer, escapou aos jornalistas ocidentais, tão prontos a exaltar as rebeliões anti-ditatoriais dos árabes, tão ansiosos para ignorar os protestos contra os governos “democráticos” do Ocidente, tão desesperados para desqualificar essas demonstrações, para sugerir que elas estão apenas adotando a última moda do mundo árabe. A verdade é um pouco diferente. O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi a exigência de dignidade e a recusa a aceitar que os ditadores locais, de um grupo de famílias, fossem dos donos dos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os Gaddafis e os reis e os emires do Golfo (e da Jordânia) e os Assads acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre a totalidade de suas nações. O Egito pertencia à Mubarak Inc., a Tunísia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi), a Líbia à Gaddafi Inc. E assim por diante. Os mártires árabes contra as ditaduras morreram para provar que seus países pertenciam a seus próprios povos.

E esse é o verdadeiro paralelo com o Ocidente. Os movimentos de protesto são, deveras, contra os Grandes Negócios—uma causa perfeitamente justificada—e contra os “governos”. O que eles realmente perceberam, ainda que de forma um pouco tardia, é que durante décadas se iludiram com uma democracia fraudulenta: votam civicamente em partidos políticos, que então entregam seus mandatos democráticos e o poder do povo aos bancos, aos seus negociadores derivados e às suas agências de classificação de risco, todos eles sustentados pela corja preguiçosa e desonesta dos “especialistas” dos "think tanks" e das principais universidades estadounidenses, que mantêm a ficção de que esta é uma crise da globalização, e não um massivo engano financeiro imposto aos eleitores.

Os bancos e as agências de classificação de risco se tornaram os ditadores do Ocidente. Como os Mubaraks e os Ben Alis, os bancos acreditaram—e ainda acreditam—que são os donos de seus países. As eleições que lhes conferem o poder se tornaram—pelo conluio e falta de vergonha dos governos—tão falsas como as urnas às quais os árabes eram obrigados a marchar década após década para ungir os seus próprios donos da propriedade nacional. Goldman Sachs e o Banco Real da Escócia se tornaram os Mubaraks e Ben Alis dos EUA e do Reino Unido, cada um deles engolindo as riquezas de seu povo em recompensas e bônus de araque para seus patrões viciosos, numa escala infinitamente mais voraz que as gananciosas famílias de ditadores árabes jamais poderiam imaginar.

Eu não precisava do documentário "Inside Job", de Charles Ferguson, na BBC-2, esta semana (apesar de que ele ajudou), para me mostrar que as agências de classificação de risco e os bancos dos EUA são intercambiáveis, de que seu pessoal se move sem sobressaltos entre agência, banco e governo. Os senhores da classificação (quase sempre senhores, claro) que deram nota AAA aos empréstimos sub-prime e seus derivativos nos EUA estão agora—através de sua influência venenosa nos mercados—cravando suas garras no povo da Europa, ao ameaçar reduzir ou retirar, das nações europeias, a mesma nota que eles haviam concedido a criminosos antes do colapso financeiro nos EUA. Eu sempre acreditei que atenuar é a melhor forma de vencer discussões. Mas, me perdoem, quem são essas criaturas cujas agências de classificação agora dão mais medo nos franceses do que Rommel dava em 1940?

Por que meus colegas jornalistas lá em Wall Street não me ensinam? Como é possível que a BBC e a CNN—e, ó queridos, até a Al Jazeera—tratem essas comunidades de criminosos como instituições inquestionáveis do poder? Por que não há investigações—o “Inside Job” começou a assinalar o caminho—desses escandalosos negociadores duplos? Isso me lembra a forma igualmente covarde em que tantos jornalistas estadounidenses cobrem o Oriente Médio, evitando, assustados, qualquer crítica direta a Israel, com a cumplicidade de um exército de lobistas pró-Likud, tudo para explicar aos espectadores por que devemos confiar nas “iniciativas de paz” dos EUA no conflito israelo-palestino, por que os bons são os “moderados” e os maus são os “terroristas”.

Os árabes pelo menos já começaram a questionar esse nonsense. Mas, quando os manifestantes de Wall Street começam a fazer o mesmo, eles se tornam “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas americanas, que ousam exigir que os Bernankes e os Geithners encarem o mesmo tipo de tribunal que Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente—nossos governos—criamos nossos ditadores. Mas, ao contrário dos árabes, não podemos tocá-los.

O Primeiro-Ministro da Irlanda, Enda Kenny, informou solenemente a seu povo, esta semana, que eles não eram os responsáveis pela crise em que se encontravam. Eles já sabiam disso, é claro. O que ele não disse foi quem eram os culpados. Já não é hora de que ele e seus colegas europeus o digam? E nossos jornalistas também?

 

Original aqui. Foto daqui.

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9632

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

Os rumos do capitalismo global: locomotivas voltam para os trilhos, vagões descarrilam. Entrevista especial com Reinaldo Gonçalves

 

“O cenário mais provável é que os Estados Unidos e os principais países desenvolvidos da Europa saiam da crise atual no médio prazo. O Brasil, porém, tende a ser atingido pela crise se não ocorrerem mudanças significativas na estratégia e na política econômicas”. A previsão é do economista Reinaldo Gonçalves, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Segundo ele, as “crises no capitalismo também ocorrem porque a ânsia de riqueza e renda (fenômeno também chamado de ‘espírito animal’ do capitalista) geram variações extraordinárias de preços de bens (petróleo e outros), moedas (dólar, euro, etc.) e ativos financeiros (ações e outros) e reais (exemplo, imóveis)”.

Reinaldo Gonçalves é formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Obteve o título de mestre em Economia, pela Fundação Getúlio Vargas – FGV-RJ, e de doutor em Letters and Social Sciences pela University of Reading, na Inglaterra. Atualmente leciona na UFRJ. É autor de Economia internacional. Teoria e experiência brasileira (Rio de Janeiro: Elsevier, 2004) e Economia política internacional. Fundamentos teóricos e as relações internacionais do Brasil (Rio de Janeiro: Elsevier, 2005). Publicou também com Luís Filgueiras, o livro A economia política do governo Lula (Rio de Janeiro: Contraponto, 2007)

 

 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as perspectivas para o Brasil frente a crise econômica?

Reinaldo Gonçalves – Há risco crescente de que o número de países atingidos por crises econômicas aumente. No entanto, o cenário mais provável é que os Estados Unidos e os principais países desenvolvidos da Europa saiam da crise atual no médio prazo. O Brasil, porém, tende a ser atingido pela crise se não ocorrerem mudanças significativas na estratégia e na política econômicas. Assim, o cenário atual parece indicar que as locomotivas voltarão para os trilhos e o vagão de terceira classe descarrilará mais uma vez.

IHU On-Line – Por que ocorrem essas crises no capitalismo reiteradamente? Isso aponta para o esgotamento desse sistema?

Reinaldo Gonçalves – Crise é a irmã mais nova da instabilidade. Ela é filha natural do capitalismo. Instabilidade, no capitalismo, significa alternância de situações de prosperidade e crise. Os economistas chamam de fases esses fenômenos – ascendentes e descendentea – do ciclo econômico. Na fase descendente, surge a crise econômica, que é a perda ou risco crescente de perda de renda e bem-estar por parte de parcela expressiva da sociedade. Crise, portanto, é fase difícil ou grave da evolução dos processos, estruturas e relações econômicas.

Há crise real quando o processo de geração de renda e emprego apresenta significativa desaceleração ou retrocesso (recessão). Há crise financeira quando as estruturas de financiamento de indivíduos e empresas são rompidas ou não funcionam de modo adequado. Isto é, ocorrem problemas graves nos bancos e mercado de capitais. Há crise fiscal quando o governo tem dificuldade para expandir a dívida pública (mercado de títulos públicos). Há crise cambial ou de contas externas quando relações comerciais e financeiras com outros países são restringidas, o que impede a geração de renda no país e o financiamento dos gastos no exterior.

Crises no capitalismo também ocorrem porque a ânsia de riqueza e renda (fenômeno também chamado de “espírito animal” do capitalista) gera variações extraordinárias de preços de bens (petróleo e outros), moedas (dólar, euro, etc.) e ativos financeiros (ações e outros) e reais (exemplo, imóveis). O aumento extraordinário de preços é conhecido como formação de “bolhas”. O resultado da especulação é que as “bolhas” explodem quando há reversão de expectativas e, nesse momento, há eclosão de crise. Riquezas desaparecem de um dia para outro. Os que perderam riqueza contraem seus gastos, os endividados quebram, os trabalhadores são demitidos e o lucro do capitalista desaparece.

IHU On-Line – Quais são os motivos que levaram a essa crise econômica internacional? Em termos gerais, o que causa as crises dessa natureza?

Reinaldo Gonçalves – A principal causa da atual crise econômica internacional é a ruptura do sistema de financiamento de imóveis nos Estados Unidos em 2007 e 2008. Nesse país houve ampla oferta de financiamento para a compra de imóveis, inclusive para aqueles sem poupança ou renda adequadas (crédito subprime, ou grande risco de crédito). A onda de inadimplência – calote – levou à queda dos preços dos imóveis (38% entre junho de 2006 e junho de 2011) e à quebra de parte do sistema financeiro da maior economia do mundo em 2008 e 2009.

Entretanto, crises econômicas também são causadas por erros de política de governo que, em geral, atendem grupos de interesses capitalistas. Houve avanço significativo de liberalização e desregulamentação financeira mundial nas duas últimas décadas. Esse processo implicou crescimento extraordinário dos fluxos internacionais de capitais, e isso interconectou os diversos sistemas financeiros nacionais. Com essa interdependência, problemas graves em um país importante como os Estados Unidos são transmitidos para o resto do mundo. Portanto, vários governos erraram quando tomaram decisões que promoveram essa liberalização financeira internacional.

Governos também erram quando estimulam uma expansão extraordinária do crédito e, portanto, do endividamento de indivíduos e empresas. Ou quando elevam a dívida pública para níveis insustentáveis. Ou ainda quando deixam em níveis inadequados, por muito tempo, variáveis macroeconômicas fundamentais, como taxa de juro e taxa de câmbio. Os governos dos Estados Unidos, de países da Europa e do Brasil cometeram esses erros nos últimos anos – se não todos, ao menos alguns.

Evidentemente, há outras causas de crises econômicas que não são próprias do capitalismo. É o caso dos desastres naturais. Quebras de produção agrícola, terremotos, maremotos e guerras ocorrem em qualquer sistema econômico. Para ilustrar, basta lembrar que o Japão deve sofrer queda de renda em decorrência do terremoto e do tsunami ocorridos em março de 2011.

IHU On-Line – Há diferentes tipos de crises econômicas? Quais são suas características?

Reinaldo Gonçalves – Crises econômicas têm quatro manifestações distintas: real, financeira, fiscal e cambial. A grande maioria das crises capitalistas são crises reais, ou seja, resultam da volatilidade do comportamento dos capitalistas quanto às decisões de investimento produtivo. Há crise real quando a redução dos investimentos trava a geração de renda e emprego. Também há a crise financeira, como a que aconteceu nos Estados Unidos em 2008 e resultou da quebra do mercado subprime de imóveis. A crise financeira gerou crise real: a taxa de desemprego praticamente dobrou nos últimos cinco anos naquele país, e está previsto fraco desempenho econômico em 2011 e 2012.

A crise fiscal se manifesta quando o governo tem dificuldade para financiar seus gastos, em função do elevado nível de endividamento público, entre outros fatores. A crise atual na Europa é marcada pela grande dificuldade que governos de países como Grécia, Portugal e Irlanda enfrentam para pagar sua dívida pública e obter novos empréstimos. Em geral, a crise fiscal é precedida por crescimento extraordinário dos gastos públicos, seja para financiar infraestrutura (como as obras das Olimpíadas em Atenas, na Grécia, em 2004), seja para enfrentar crises financeiras e crises reais (o que ocorreu a partir de 2008).

Os países em desenvolvimento sofrem, em particular, crise cambial. Nesse caso, ocorre o problema de dificuldade de obtenção de financiamento externo, que provoca elevação extraordinária da taxa de câmbio (desvalorizando a moeda nacional). Isso ocorreu no Brasil no segundo semestre de 2008, logo após a eclosão da crise financeira nos Estados Unidos: a taxa de câmbio (valor do dólar) saltou de R$ 1,70 em julho para mais de R$ 2,50 em dezembro. Em consequência, grandes empresas (Sadia e Aracruz) e bancos (Unibanco e Votorantim) tiveram sérios problemas, que resultaram em fusões e aquisições. As crises cambial e financeira provocaram crise real, visto que a renda per capita brasileira caiu 1,8% em 2009.

Nos países desenvolvidos, a situação atual é de séria crise econômica. Na Europa, há desaceleração do crescimento da renda e, portanto, risco de crise real ainda maior no futuro próximo. Os índices de desemprego estão muito elevados em inúmeros países. Há séria crise fiscal com altos níveis de endividamento público. Há ainda riscos quanto à saúde do sistema financeiro: os bancos estão muitos expostos, porque emprestaram muito para indivíduos, empresas e governos que agora estão com dificuldades para saldar seus compromissos.

Crise real

Nos Estados Unidos, há crise real com forte perda de confiança e, portanto, expectativas desfavoráveis que comprometem o investimento privado e a geração de emprego. Também se prevê desaceleração do crescimento econômico naquele país. Há ainda problemas remanescentes da crise do subprime hipotecário, pois as dívidas de hipotecas imobiliárias que foram renegociadas ainda podem se transformar em calote. E as dificuldades do governo em relação ao endividamento público têm sido crescentes. Portanto, Estados Unidos e Europa combinam elementos de crise real, financeira e fiscal. O Japão, por sua vez, é o país desenvolvido com maior nível relativo de endividamento público.

Nos países emergentes, a situação é bastante diferente, embora existam fatores comuns, como os riscos decorrentes da desaceleração do comércio internacional e da volatilidade dos fluxos financeiros internacionais. Países como a China, de um lado, protegem-se com elevados níveis de competitividade internacional e baixa dependência em relação a recursos financeiros externos. De outro lado, no Brasil esses riscos são particularmente elevados, porque o país depende significativamente da exportação de produtos básicos (minério de ferro, carne, soja e outros) e da captação de recursos externos para sustentar seu crescente e elevado déficit nas contas externas (as transações comerciais, de serviços e financeiras com os outros países). Ou seja, as despesas do Brasil em moedas estrangeiras são maiores do que as suas receitas. Em 2010 o país precisou captar 48 bilhões de dólares para fechar suas contas externas. Em 2011 este “buraco” pode superar 55 bilhões. Portanto, há crescente risco de crise cambial, que tende a causar crises financeira, real e fiscal.

IHU On-Line – Qual é o cenário mais provável a médio prazo para os Estados Unidos e a Europa? Que meios de superação estão sendo pensados?

Reinaldo Gonçalves – Se, por um lado, é certo que instabilidade e crise são próprias ao capitalismo, também é verdadeiro que esse sistema econômico desenvolveu mecanismos para superar crises. Por esta e outras razões, o capitalismo, marcado por desperdício, injustiça e instabilidade, sobrevive e avança há séculos. Nos últimos três anos, os principais países desenvolvidos perderam graus de liberdade na aplicação de políticas macroeconômicas convencionais (redução de juros e aumento de gastos públicos). Entretanto, esses países dispõem de pelo menos quatro instrumentos de grande impacto na economia: progresso técnico, competitividade internacional, distribuição de renda e guerra. Portanto, pode-se prever, de modo otimista, que os principais países capitalistas retomarão a fase ascendente em médio prazo (de dois a três anos). Este argumento aplica-se às principais economias capitalistas do mundo (EUA, Alemanha, França e Japão). É bem verdade que economias pouco importantes (Grécia, Portugal, etc.) continuarão em crise.

O progresso técnico implica aumento de produtividade e lançamento de novos produtos, que elevam a massa de lucros. Há, então, estímulo para os investimentos dos capitalistas. A competitividade internacional permite vender mais produtos no mercado internacional. A guerra impulsiona os gastos bélicos e, portanto, a geração de renda e emprego, além de estimular o progresso tecnológico. Nesse sentido, Afeganistão, Iraque e Líbia são oportunidades extraordinárias, além de outras que podem ser criadas (Paquistão, Irã, Síria, etc.). E o processo de distribuição de riqueza e renda gera ampliação do consumo dos trabalhadores. Entretanto, é pouco provável que ocorra este processo no horizonte previsível. Muito pelo contrário, parte expressiva do ajuste frente às crises deve recair sobre os grupos de menor renda.

Países em desenvolvimento, como o Brasil, em geral não dispõem desses instrumentos. A exceção é a distribuição de renda com base em políticas assistencialistas, benefícios da previdência e salário mínimo, que levam a aumento do consumo. O Brasil, além disso, apresenta crescente déficit nas contas externas e elevado passivo externo (o montante aplicado no país por estrangeiros é quatro vezes maior que as reservas internacionais brasileiras). Portanto, o país está preso a uma trajetória de crescente risco de crise cambial que, invariavelmente, resulta em crises real, financeira e fiscal.

Em síntese, o cenário mais provável no médio prazo é, de um lado, os Estados Unidos e países europeus importantes saírem da crise. De outro, se não houver mudanças significativas de estratégias e política, o Brasil, país marcado por enormes fragilidades e vulnerabilidades, tende a sofrer crise cambial e afundar em crises de todos os tipos. As locomotivas voltam para os trilhos e o vagão de 3ª classe descarrila mais uma vez.

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/504896-osrumosdocapitalismoglobal...

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

O urso alfineta a águia. O dragão sorriSex, 09 de Dezembro de 2011 19:03   M K Bhadrakumar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Central_Asia/ML10Ag01.html  Traduzido pela Vila Vudu A partir de uma observação aparentemente imotivada na 2ª-feira, os EUA elevaram as eleições parlamentares russas de 5/12 passado ao status de questão central das relações EUA-Rússia. A dramática escalada retórica põe abaixo as sempre repetidas sugestões do governo de Barack Obama, de um “reset” nas relações.
 
Num movimento discreto, Pequim cuidou de manifestar sua compreensão a Moscou. As intersecções desses movimentos terão impacto em vários aspectos da situação regional e internacional no próximo governo.
 
Para recapitular: quando a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton comentou o resultado das eleições parlamentares russas, ainda durante a Conferência Bonn II na Alemanha, na 2ª-feira, visava diretamente ao Kremlin; disse que estava “preocupada” com aquelas eleições e que o “povo russo, como todos os povos, merece ter a voz ouvida e os votos contados”.
 
Clinton falou antes, até, de serem divulgados os resultados oficiais. Em vastas porções da Rússia os resultados só chegaram na 4ª-feira. As urnas mostraram que o partido governante, Rússia Unida [ing. United Rússia (UR)] sofrera duro revés, tendo perdido 77 assentos, nos 450 do Parlamento; ficou limitado a uma maioria simples de 238 votos.
 
Mas Clinton falou como se o Kremlin tivesse orquestrado uma vitória ao estilo dos soviéticos, de 98% dos votos –, quando a mídia ocidental interpretava o resultado na direção exatamente oposta, como grande “derrota” do primeiro-ministro Vladimir Putin (já candidato à presidência nas eleições de 4 de março). Para Clinton, o Kremlin teria calado a voz do povo, para perpetuar-se no poder.
 
Estranhamente, Clinton não só nada fez para fazer esquecer aqueles comentários como, até, repetiu-os no dia seguinte, em mais uma fustigada contra os líderes russos, bem ali à porta de entrada da Rússia – em Vilnius, Lituânia –, na presença de toda a comunidade dos estados pós-soviéticos e da Velha e Nova Europa. Clinton ter escolhido como sua plateia a Organização da Segurança e Cooperação da Europa [ing. Organization of Security and Cooperation in Europe (OSCE)] foi movimento muito claramente simbólico, porque esse corpo regional é herdeiro dos famosos Acordos de Helsinki de1975, legado da Guerra Fria.
 
O que teria provocado o ataque dos EUA? Explicação simples poderia ser que Clinton aproveitou a chance para jogar lama contra Putin, para tornar sua eleição à presidência da Rússia, dia 4 de março, o mais difícil e controversa possível.
 
Uma primavera em pleno inverno Verdade é que há várias indicações, nas últimas semanas, de que Washington está incomodada com a alta probabilidade de Putin voltar à presidência da Rússia, no atual período formativo da política mundial. Putin significa uma Rússia assertiva – Rússia que negocia com firmeza para influenciar eventos mundiais, Rússia que cimentará a cooperação com a China, Rússia que fatalmente se oporá ao projeto, crucial para os EUA, de um novo Oriente Médio sob renovada hegemonia dos EUA, em novas condições de “democracia”.
 
O Ministro das Relações Exteriores da Rússia ridicularizou, sem lhe dar destaque, o comentário de Clinton. Até que, afinal, se ouviu a reação de Moscou, quando Putin falou, na 4ª-feira, depois de dar tempo para que a secretária de Estado dos EUA dissesse tudo que lhe ocorresse dizer. Putin bombardeou Clinton. Disse ele:
Observei a primeira reação de nossos colegas dos EUA. A secretária de Estado pôs-se imediatamente a avaliar as eleições. Disse que foram injustas e manipuladas, antes até de receber informações dos observadores de instituições democráticas e de direitos humanos que acompanharam as eleições em nosso país. A secretária falou diretamente a alguns personagens que já estão na Rússia. Enviou-lhes um sinal. E eles, lá, com o apoio do Departamento de Estado dos EUA, puseram-se a trabalhar ativamente.[1]
E não parou aí. Putin disse também que “centenas de milhões” em dinheiro estrangeiro foi usado para influenciar o resultado das eleições na Rússia. E que, nessas circunstâncias, a Rússia tem de proteger sua soberania:
Quanto se vê dinheiro de fora usado para promover atividades políticas noutro país... Todos nós temos um problema. Essa tipo de ação agride todos nós. Consideramos bem-vindos todos os observadores estrangeiros que desejem acompanhar o processo eleitoral na Rússia. Mas se começam a tentar influenciar o resultado, aparelhando organizações dentro da Rússia, que se apresentam como organizações locais, mas recebem dinheiro de fora... Não se pode aceitar. Teremos de encontrar meios para aprimorar nossas leis, de modo a fazer com que estados estrangeiros que visem a influenciar nossa política doméstica possam ser acusados e devidamente julgados pelos crimes que pratiquem.
É resposta muito forte. E há aí quatro pontos a observar: (1) É uma rara acusação direta, pessoal, contra a secretária de Estado (acusada de incitar a opinião pública russa, interessada em desestabilizar o país). (2) Putin circunscreveu o Departamento de Estado, como célula específica, dentro do governo Barack Obama; e acusou-o de operar segundo agenda específica. (3) Putin sugeriu, muito claramente, que os EUA não escaparam à vigilância da inteligência russa, que sabe de seus passos no país. E (4) afirmou bem claramente que haverá mudanças. Clinton não pode reclamar de Putin tê-la atacado pessoalmente. A campanha que o Departamento de Estado moveu contra Putin assumiu tom extremamente agressivo nos últimos dias, excepcional, mesmo nas sempre tumultuadas relações EUA-Rússia. Há uma quinzena, a Radio Liberty/Radio Free Europe (RFE/RL) exibiu matéria sobre a vida pessoal de Putin, com o claro objetivo de detonar um tsunami anti-Putin nas redes sociais na Rússia. Não há registro de a mídia oficial russa jamais ter descido a tais abismos de mau gosto, nem no auge do escândalo que envolveu Bill Clinton e Monica Lewinsky. A melhor explicação para os movimentos agressivos da secretária de Estado parece ser outra: os EUA já sabem que a inteligência russa reuniu provas de que, sim, os EUA estão ativos dentro do território russo e da política nacional. A matéria denuncista, baseada em intrigas pessoais contra Putin, parece ter sido tentativa diversionista, esforço para salvar a águia que se deixou prender, ela mesma, na arapuca que a águia tentou armar para prender o urso. A mesma intenção transparece também nos esforços de Clinton para fazer, das eleições na Rússia, questão crucial para o progresso da democracia no século 21. Desse ponto de vista, o governo Obama fez papel patético. Só lhe restou a ridícula alternativa de tentar encenar uma neo-Praça-Tahrir em Moscou. Segundo números do New York Times, na 5ª-feira pela manhã, mais de 32 mil pessoas haviam clicado numa página de Facebook, garantindo que cercariam o Kremlin. O jornal argumenta, matematicamente: “Metade deles lá compareceram, para protagonizar o maior movimento de protesto político em Moscou, desde a queda da União Soviética”.1 O advento de uma Primavera Árabe em Moscou, em pleno inverno russo, terá consequências facilmente previsíveis. Pequim também observa esse curioso fenômeno atmosférico, nada natural. O New York Times ‘informa’ que Putin “luta para não perder o pé, depois de seu partido, Rússia Unida, ter sofrido grave derrota nas eleições do domingo”1. Mas observadores sempre atentos, em Pequim, chegaram a conclusão completamente diferente. É Putin, estúpido! No mesmo momento em que Clinton falava, em Bonn, na 2ª-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, chegava a conclusões diametralmente opostas. Disse ele:
Nós [China] entendemos que as eleições terão efeitos positivos para a unidade da sociedade russa, para a estabilidade nacional e para seu desenvolvimento econômico”.[2] Disse que a China respeitava a decisão do povo russo e que trabalharia com os russos para construir e fazer avançar uma “ampla parceria coordenada” entre os dois países. A China decidiu tomar posição, sem subterfúgios, já no início da 2ª-feira, apesar de Pequim já saber do revés eleitoral que o partido Rússia Unida sofrera nas urnas. A rede de notícias Xinhua publicou uma nota de cautela:
Embora tudo leve a crer que vencerá as eleições parlamentares, a Rússia de Vladimir Putin enfrentará inúmeros desafios, no caso de ter de conviver com maioria muito reduzida. Alguns analistas falam do estado lamentável da economia russa, como justificativa pela queda no apoio popular. Para muitos, o partido não teria conseguido reduzir a corrupção e não cumpriu as promessas de melhorar a eficiência do governo. Sobretudo na Internet, em salas de bate-papo e fóruns online ouvem-se muitas críticas ao governo de Putin.2
Mas no dia seguinte a rede Xinhua publicou matéria extensa, em que reage com firmeza aos ditos dos EUA e ao que Pequim descreve como “caricatura forçada e conclusão errada, segundo a qual o partido governante na Rússia liderado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, teria sido derrotado nas eleições para a Duma”[3]. Comentário nuançado, deixa claramente sugerido que a questão que incomoda os EUA não é alguma “democracia” na Rússia, mas o próprio Putin: Para muitos, a visão de mundo de Putin seria ‘antiocidental’ (...) Muitos políticos norte-americanos não têm qualquer interesse em ver, no comando do poder russo, um “sujeito durão” (...) a Casa Branca não deu sinais de entusiasmo ante a ideia de ter de negociar, outra vez, com o ‘espinhento’ presidente Putin (...) As eleições na Rússia estão alinhadas com os interesses dos russos e de modo algum incorporam qualquer dos interesses dos países ocidentais. A reação da Sra. Clinton é compreensível.” 3 A rede Xinhua observou que as políticas da Rússia nem sempre consideraram os interesses locais e que, várias vezes, Moscou optou por ações alinhadas “à prática ocidental”; mas mesmo nesses momentos, a ação dos russos só muito raramente manteve “adequação perfeita” às agendas ocidentais. Assim sendo, as pressões ocidentais sobre a Rússia sempre continuam. O comentário está atribuído a Li Hongmei, colunista do jornal People's Daily. Muito obviamente, a China não perde de vista o grande quadro da dinâmica do poder na cena mundial. Pequim jamais ocultou que tem Putin em alta estima, considerado defensor consistente dos imperativos que regem os laços estratégicos sino-russos. Mas o atual momento de acrimônia nas relações entre EUA e Rússia acontece em momento também crucial para a China.
 
Em inúmeras frentes, é hoje vital para a política regional chinesa manter coordenação coesa com a Rússia. Ao longo do mês de novembro, altos funcionários das relações exteriores da China estiveram nada menos que quatro vezes em Moscou para consultas.
 
A coordenação entre russos e chineses é sempre de alto nível. O veto “conjunto” no Conselho de Segurança da ONU, na Resolução sobre a Síria, é evento sem paralelos. E os dois países continuam a bloquear uma Resolução adotada na Comissão de Direitos Humanos da ONU, que transfere a Comissão, de Genebra, para o Conselho de Segurança em New York. Pequim ajudou Moscou a conseguir que os BRICS adotassem, como posição comum, a posição russa sobre a Síria.
 
Sobre o Irã, também, os dois países têm conseguido conter os movimentos dos EUA para impor sanções adicionais. (O enviado russo à ONU Vitaly Churkin sugeriu recentemente que é hora de o Conselho de Segurança da ONU suspender até as sanções hoje vigentes.) Na questão Ásia-Pacífico, a Rússia mantém-se ao lado da China, conforme a declaração conjunta dos dois países, adotada em setembro do ano passado.
 
Rússia e China opõem-se, ambas, ao estabelecimento de bases militares dos EUA-OTAN no Afeganistão. Os dois países têm interesse em garantir a autonomia estratégica do Paquistão. Trabalharam juntos na recente Conferência de Istambul (2/11), para bloquear os progressos do projeto “Nova Rota da Seda”, menina dos olhos de Clinton. A água alcançará o ponto máximo, provavelmente, quando o enviado da Rússia à OTAN, Dmitry Rogozin, viajar a Pequim (e a Teerã) para discutir o programa de mísseis antibalísticos de defesa (ABM), que pressiona significativamente as relações EUA-Rússia.
 
Pequim acompanha, atenta e silenciosamente, uma sombra EUA-Rússia que dança sobre o programa ABM; e as consultas que Rogozin conduzirá serão feitas a partir dos sinais silenciosos de que Pequim quer conversar. Rússia e China têm interesses específicos nessa questão dos mísseis antibalísticos, mas qualquer grau de coordenação, por inicial e tateante que seja, ainda assim delineará novo paradigma na segurança internacional.
 
Sobretudo, Pequim conta com que Putin, de algum modo, contribuirá para levar a bom termo, o mais rapidamente possível, as negociações, ainda inconclusas, num negócio de gás, de um trilhão de dólares. Com o estabelecimento de uma base militar dos EUA na Austrália; com a presença dos norte-americanos reforçada em Cingapura; e com os EUA trabalhando para conquistar países asiáticos, para que se realinhem e revitalizem a velha liderança americana, as preocupações dos chineses com a própria segurança energética estão-se tornado agudas.
 
Em resumo, a trajetória da atual acrimônia entre EUA e Rússia; e o sucesso que Putin obteve, na reação forte contra a furiosa campanha que os EUA moveram contra sua eleição na Rússia, são temas da mais alta importância para os chineses.Se a águia for realmente apanhada na arapuca que imaginou que estivesse preparando para o urso... o dragão verá aí motivo para muito júbilo. ++++++++++++++++++++++++++++++ [1] No New York Times, 9/12/2011, em http://www.nytimes.com/2011/12/09/world/europe/putin-accuses-clinton-of-instigating-russian-protests.html?_r=1&hp(em inglês). 
[2] 5/12/2011, Xinhuanet, Pequim, em http://news.xinhuanet.com/english2010/china/2011-12/05/c_131289125.htm(em inglês).
[3] 7/12/2011, Xinhuanet, Pequim, em http://news.xinhuanet.com/english/indepth/2011-12/07/c_131293601.htm(em inglês). 

 

Os banqueiros são os ditadores do Ocidente Dom, 11 de Dezembro de 2011 20:03  Robert Fisk, The Independent, UK
http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-bankers-are-the-dictators-of-the-west-6275084.html Traduzido pela Vila Vudu Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial. Mas... que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade. Comecemos pela “Primavera Árabe” – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense. A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra. O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio, foi uma demanda por dignidade, a recusa a aceitar os ditadores & famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo. E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”. O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores. Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países. As eleições no ocidente, que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro. Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível. Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos... e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA. Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje, que Rommel em 1940? Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a al-Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos? Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobbyistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israel-Palestinos, porque os ‘mocinhos’ são os “moderados” e todos os demais são os ‘bandidos’ “terroristas”. Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós no Ocidente – nossos governos eleitos – criamos nossos ditadores. Mas, diferentes dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores, intocáveis. O chefe de governo da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres? 

 

Verdade e mentiras nas eleições russas  Dom, 11 de Dezembro de 2011 19:53  Anatoly Karlin, Al-Jazeera, Qatar
http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2011/12/2011121165759137131.html Traduzido pela Vila Vudu Anatoly Karlin está concluindo sua pós-graduação em Economia Política em UC Berkeley.
Anima o blog Sublime Oblivion (http://www.sublimeoblivion.com/).
 
“O senador John McCain tuitou:
Prezado Vlad, em Moscou: a #Primavera Árabe está chegando a uma praça próxima de você!” https://twitter.com/#!/SenJohnMcCain/status/143689929975799809
______________________________________________ Enquanto acompanhava os resultados, saltando entre o Twitter e blogs políticos, tinha a impressão de que as eleições de 2011 para o Parlamento russo, a Duma, não trariam novidades. O partido no poder, Rússia Unida, estava, segundo as principais pesquisas do mês anterior, com 40-50% das intenções de voto – bem abaixo do que esperava. Estava longe, portanto, dos 64% de votos que recebera em 2007, quando a economia russa crescia com taxas de Tigre Asiático, e a confiança dos eleitores alcançava o pico. Mas se se consideram os modestos 37% de votos que o partido Rússia Unida recebera em 2003, os 40-50% dos votos que as pesquisas indicavam não seriam a catástrofe que alguns pintavam. Claro, sempre há os descontentes. Houve uma ‘manifestação’ na Praça Triumfalnaya, na qual havia mais jornalistas que manifestantes, onde alguns dos velhos liberais russos deram entrevistas a um repórter da BBC, em veemente protesto contra “a volta do totalitarismo com roubalheira” (que a Agência Reuters distribuiu para o mundo, em http://uk.reuters.com/article/2008/01/27/uk-russia-election-ban-idUKL2742825920080127). O Departamento de Estado dos EUA manifestou “preocupação” sobre violações eleitorais, antes mesmo de os resultados finais terem sido divulgados.  E ouviram-se idênticos sinais de idêntica preocupação também de organizações de direitos humanos.Os protestos espalharam-se pelo país O inverno russo está esquentando. Nem tanto, que Moscou apareça coberta de palmeiras à moda da Florida ou adote o alfabeto grego, mas se pode talvez entender o erro que a rede Fox News cometeu (“Rede Fox News usa vídeos das manifestações gregas, no noticiário sobre as manifestações russas”, em http://www.theatlanticwire.com/business/2011/12/fox-news-made-moscow-riots-look-riotier-athens-footage/45901/). Simultaneamente, a blogosfera russa, Runet, alimentada pela população russa ‘plugada’, que é hoje a maior da Europa (em http://blogs.ft.com/beyond-brics/2011/11/14/russian-internet-biggest-in-europe-will-earnings-follow/), foi inundada de ‘denúncias’ de falsificações nas eleições. Milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar contra o Kremlin. E, com eles, batalhões de policiais e veículos blindados. O senador John McCain tuitou: “Prezado Vlad, em Moscou: a #Primavera Árabe está chegando a uma praça próxima de você!” (https://twitter.com/#!/SenJohnMcCain/status/143689929975799809)[1] O debate sobre a legitimidade O repente de McCain é reflexo do espírito do momento. Hillary Clinton descreveu as eleições como “nem livres nem justas”. Liberais de direita, como Nemtsov e Gorbachev exigiram que as eleições fossem anuladas. A revista Commentary encheu-se de aproximações inflamadas, partidarizadas, escorregadias entre “o partido dos ladrões e mercenários” (o Partido de Putin, Rússia Unida) e “o Partido do Departamento de Estado” (o Partido Democrata, dos EUA). Jornalistas britânicos revezaram-se em turnos, para comparar os partidários de Putin a ratos (emhttp://www.timesplus.co.uk/tto/news/?login=false&url=http://www.thetimes.co.uk/tto/news/world/europe/article3250460.ece) e a gremlins (em http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/russia/8935855/Vladimir-Putin-the-gremlin-in-the-Kremlin.html). Em plano intelectual um pouco melhor, os dois lados têm argumentos válidos. Os liberais de direita disseram que os votos para o partido Rússia Unida chegaram de fato, no máximo, a 40% (para alguns, 25%) e, assim, a maioria do partido seria ilegítima. Que se examinem as milhares de violações denunciadas por Golos – uma organização que monitora eleições, que o Kremlin nunca se cansa de processar judicialmente. Apoiadores do Kremlin responderam que os resultados são muito próximos do que indicavam as pesquisas pré-eleitorais e de boca de urna; que violações, se houve, foram mínimas; além do que, todos sabem que Golos é a mesma organização, patrocinada pelos norte-americanos “promotores de liberdade”, que promoveram as ‘revoluções coloridas’, ao ritmo de milhões de dólares por ano. Enquanto a retórica sobe de tom no ciberespaço e nos cafés em Moscou, já suficiente para incendiar muitas eleições futuras, nada se ganha com fazer aumentar o alarido. É hora de meter números e estatísticas num chuveiro gelado. É um jogo de números Num mundo perfeito, uma única violação eleitoral já seria demais – e houve muitas, muitas, nessa eleição: eleitores obrigados a votar, urnas com mais votos que eleitores presentes, showmícios, o de sempre. Mas o mundo não é perfeito e nenhuma eleição é perfeita, nem em democracias avançadas como os EUA. As eleições presidenciais de 2004, nos EUA, por exemplo, registraram escândalos de compra de votos, de máquinas de voto adulteradas em Ohio, e, em vários distritos eleitorais do Alaska o número de votos foi maior que o número de eleitores registrados. Mas poucos disseram que a eleição de Bush foi ilegítima, porque, embora de modo imperfeito, o resultado oficial não contrariou o desejo da maioria do eleitorado. E por que, de repente, essa exigência de padrões estreitíssimos de perfeição, que não se usaram no caso de Bush, torna-se questão de vida e morte no caso dos russos? Nem filmes distribuídos por YouTube nem as listas de violações de organizações privadas como Golos são provas de ilegitimidade. É sinal de analfabetismo estatístico extrapolar dados de amostras pequenas e viciosas – o que houve numa ou noutra zona eleitoral, numa ou noutra específica urna, o depoimento de um ou outro amigo ‘que viu’ – e, a partir daí construir conclusões generalizadas para toda uma grande eleição. Praticamente todas as evidências estatísticas no plano federal confirma a narrativa do Kremlin de que as eleições na Rússia foram legítimas. A aproximação menos defeituosa que conhecemos, da “vontade do povo” – exceto eleições perfeitas – são os resultados das pesquisas pré-eleitorais e de boca de urna. Se, digamos, várias pesquisas pré-eleitorais e de boca de urna mostravam que 35-40% dos pesquisados respondem que apóiam um determinado candidato, e se esse candidato, apurados os votos, alcançou 80% dos votos, sim, não cabem dúvidas de que houve fraude geral, no sistema; e que, portanto, aquela eleição é ilegítima (aconteceu, sim, na vida real: o eleito foi Aleksandr Lukashenko, eleito em Belarus, nas eleições de 2010). Por outro lado, se as pesquisas de opinião não discrepam entre elas e os mesmos números se confirmam depois de divulgados os resultados – com pequena variação para mais ou para menos –, é absolutamente impossível argumentar e demonstrar que tenha havido fraude sistêmica, em larga escala. E como se sai a Rússia, nesse teste? A realidade é que, nessas eleições, a maioria da pesquisas pré-eleitorais no plano federal – como em todas eleições no período ‘autoritário’ de Putin (em http://www.sublimeoblivion.com/2011/06/18/are-russian-elections-rigged/) – confirmam a narrativa do Kremlin de que as eleições russas foram legítimas. Das três grandes organizações de pesquisa que tentaram prever os resultados dessas eleições, todas previram vitória apertada do partido Rússia Unida, com um mínimo de votos acima dos 49,4% de votos que saíram das urnas. O partido Yabloko – amado dos liberais e emigrados, e de muitos russos – saiu-se melhor do que o previsto por duas daquelas organizações; e os social-democratas do partido Rússia Justa conseguiram 50% de votos a mais que a média das previsões. Podem-se questionar os números das agências de pesquisa – que o Kremlin as teria pressionado, para aumentar os números pesquisados? Eu diria que é altamente improvável. Lev Gudkov, diretor do Levada Center, é homem que, nas horas vagas, diz coisas como: “o Putinismo é um sistema de uso descentralizado dos instrumentos institucionais de coerção, seqüestrado pelos poderes que só buscam atender os próprios interesses e objetivos privados, interesses de grupo, de clã.” Não sei de vocês, mas, para mim, esse não é comentário que brote dos lábios de algum grande fã de Putin por lá. As pesquisas de boca de urna mostraram quadro ainda mais conflitante. As três maiores pesquisas de boca de urna mostraram o partido Rússia Unida, de Putin, com resultado inferior ao final (VCIOM previu 48,5%; FOM, 43,1% e ISI 38,1%). Os números de VCIOM estão dentro da margem de erro e, sim, pode-se dizer que confirmam a legitimidade das eleições russas. Os números de ISI são mais complicados, mas a pesquisa trabalhou, como amostra, com menos de 1/3 das regiões da Rússia e, portanto, é o resultado menos confiável das três pesquisas. E o mesmo vale para a pesquisa do instituto FOM, agência estatal que entrevistou 80 mil pessoas e é a menos ampla, em termos de cobertura territorial. Além disso, os partidos que fazem oposição ao Rússia Unida obtiveram ainda menos votos do que as pesquisas previam: 9% para Rússia Justa; 11% para os Comunistas; 14% para o LDPR, e quase 25% a menos, para o Yabloko. Diferença de 6 pontos percentuais entre uma pesquisa de boca de urna e resultados oficiais é grande, mas não é rara em eleições limpas. Em 1992, por exemplo, nas eleições gerais na Grã-Bretanha, essa diferença foi de 8,5 pontos percentuais, por um erro no método de amostragem e por causa dos “Shy Tory” (conservador envergonhado ou tímido que não declara o voto [NTs]) que se recusou a responder a pesquisas eleitorais. Não se pode estender o mesmo benefício da dúvida também ao Kremlin? O eixo Moscou-Cáucaso, eixo da fraude Não, não se pode. A pesquisa de boca de urna do FOM errou também em todos os nove distritos federais e em Moscou.  As diferenças, em relação aos resultados oficiais na região do Volga, no Norte do Cáucaso e em Moscou foram imensas: 9,4; 20,8 e 23,0 pontos percentuais respectivamente. Também é eloqüente que esses inconvenientes detalhes regionais tenham sido imediatamente apagados da página FOM na internet. Por sorte, algumas almas previdentes salvaram a tempo os arquivos, o que me permite citar os dados distribuídos por Alexander Kireev, blogueiro especialista em analisar eleições (infelizmente para nós, em russo, em http://kireev.livejournal.com/703291.html[NTs]). O que salta aos olhos é o quanto as discrepâncias parecem confirmar um pouco generoso estereótipo russo – o da inconstância e volatilidade das minorias moscovitas. Na região do Volga, o partido Rússia Unida alcançou seus maiores resultados nas repúblicas das minorias étnicas da Moldávia (92%), Tatarstão (78%) e Bachcortostão (71%). O nível dos desvios no Cáucaso Norte é impressionante: enquanto os russos étnicos de Stavropol deram 49% de seus votos ao partido Rússia Unida, nenhuma república de maioria muçulmana deu-lhe menos que 80% dos votos. Mas não é que o partido Rússia Unida seja popular ali; os esquerdistas e os nacionalistas do LDPR absolutamente não atraem as minorias muçulmanas conservadoras, e alguns disseram que a estrutura tradicional dessas sociedades – chefiadas por teips e anciãos, nas vilas – encoraja o voto ‘de repetição’, por padrões conformistas, para conseguir aumentar o número de deputados e seu poder de lobbying. Mesmo assim, as pesquisas de boca de urna do Instituto FOM sugerem que a verdadeira porcentagem de votos para o partido Rússia Unida de Putin nas regiões muçulmanas do Cáucaso alcançaria 70%, apenas um pouco abaixo dos impressionantes 91% que o partido obteve na Ingushetia e no Daguestão. O homem-forte local, Kadyrov, não se satisfez com simples números à Mubarak; na Chechenia, o partido Rússia Unida alcançou porcentagem decididamente stalinista 99,5%. A parte boa é que as autoridades de Moscou ignoraram o conselho da província mais coesa da Rússia, para que esmagasse os protestos em Moscou, com tanques e soldados. É ainda muito cedo para falar-se em alguma “Revolução da Neve” ou “Revolução do Repolho”. Mas nem por isso faltaram os que aceitaram o jogo da fraude eleitoral. Moscou é, para a Rússia, o que Chicago é para os EUA [“Onde há fumaça há fogo: 100 mil votos roubados em Chicago (http://www.heritage.org/research/reports/2008/04/where-theres-smoke-theres-fire-100000-stolen-votes-in-chicago)] – cidades que não gozam de boa reputação pela correção e probidade dos seus líderes e gangues. Nas eleições locais de 2009, o partido Rússia Unida obteve votos equivalentes a 20 pontos percentuais acima do que indicavam as pesquisas pré-eleitorais, votos saídos de todos os demais partidos. Nas eleições de 2011, os 44,6% dos resultados oficiais contrastam pouco confortavelmente com os 23,5% previstos pelo instituto FOM e com os 27,6% previstos pelo ISI em pesquisas de boca de urna. Investigação conduzida pelo “Observatório do Cidadão” descobriu que o partido Rússia Unida, em urnas e sessões eleitorais onde não há qualquer indício de fraude ou violação das urnas, obteve 23,4% dos votos; menos que isso, só os Comunistas – computada aí, por ironia, a urna na qual Putin votou. Mas, sim, sim, há alguns sinais de alerta: as margens de erro são significativas; os resultados do “Observatório do Cidadão” foram obtidos de amostras muito pequenas; e, em relação à pesquisa de boca de urna do FOM, 37% dos eleitores recusaram-se a responder questionários de pesquisa, indicando a possibilidade de um efeito “Shy Edross’ – afinal,não é fácil, hoje em dia, admitir-se como eleitor do “partido do totalitarismo com roubalheira”. Mas ainda que se leve tudo isso em conta, é difícil aceitar que o partido Rússia Unida de Putin tivesse menos de 30% dos votos em Moscou. Provavelmente teve cerca de 25% dos votos. Reforma ou revolução? Em todos os casos é cedo demais – é, atrevo-me a dizer, ridículo – pôr-se a proclamar o advento de uma “Revolução da Neve” ou “Revolução do Repolho” ou seja lá qual for o nome da ‘revolução’ do dia. Primeiro, não há qualquer dúvida de que, no plano federal, os resultados oficiais parecem bem corretos – em perfeita correlação com o que previam as pesquisas pré-eleitorais, como não se cansa de repetir a iminência parda do Kremlin, cardeal Vladislav Surkov; só 6 pontos percentuais abaixo do que previram praticamente todas as pesquisas pré-eleitorais; e dentro da média das três grandes pesquisas desse tipo. Tudo isso sugere que o nível agregado de todas as fraudes em toda a Rússia está em torno de 5%, com certeza abaixo de 10%. A Rússia não é Belarus nem o Egito de Mubarak. Com essa taxa de fraudes ou sem, o partido Rússia Unida de Putin venceu as eleições – e nada leva a crer que a vontade do povo russo tenha sido fundamentalmente subvertida. Quando Hillary Clinton diz que as eleições russas não foram “nem livres nem justas” contradiz abertamente a opinião, inclusive, dos observadores internacionais[2], todos altamente críticos e atentos – como sempre foram, em todas as eleições russas desde que Boris Yeltsin deixou o poder, mas reconheceram que “os eleitores russos puderam exercer seu direito de escolher”. Nem a Ucrânia está às vésperas da Revolução Laranja: não há ali nem candidato nem narrativa dominante, nem Tymoshenko nem envenenadores sinistros a postos. O que a mídia ocidental apresenta hoje como “a única oposição real e independente que Putin enfrenta” são direitistas, liberais pró-ocidente (Nemtsov, Kasparov, Kasyanov, etc.), os quais, em termos eleitorais, se não, também, em termos ideológicos, são tão marginais e periféricos quanto o Partido Comunista ou os Panteras Negras dos EUA. Digam o que disserem e por mais que apareçam na imprensa em geral, a maioria dos russos não os vê nem como patriotas nem como confiáveis, e, no geral, os russos desconfiam muito das intenções dos políticos estrangeiros (norte-americanos) que os apóiam. Quem queira prova disso, visite a página inosmi.ru (infelizmente, para nós, em russo [NTs]), blog muito popular, que traduz artigos da imprensa estrangeira e os publica em russo. Alguém imaginou que se trate de um ninho acolhedor para os liberais e liberalismos pró-Ocidente, todos interessados em ouvir notícias da Terra Santa da Liberdade de Imprensa?! Esqueçam. Nada disso. O que os leitores que procuram o blog Inosmi veem são notícias da blogosfera sobre o movimento Occupy Wall Street, sobre a violenta repressão policial, ao lado de uma diatribe, do senador McCain, na qual ‘detona’ a Rússia por não garantir aos cidadãos liberdade de reunião e de manifestação. Difícil não ceder ao cinismo, depois dessa ‘aula’ que a blogosfera russa oferece. E, como se sabe, cidadãos cínicos não se dão o trabalho e o incômodo de fazer revoluções. Não há dúvidas de que os votos de muitos moscovitas foram desviados – efetivamente – nas eleições de 4/12, e as pessoas estão compreensivelmente furiosas. Nesse sentido, identifico-me com os que protestaram em Bolotnaya nesse sábado. Também é verdade que haver um partido que domina toda a política russa é receita certa de corrupção e instabilidade no longo prazo. Mas, apesar disso, muitos russos preferem reformas, a “um putsch russo, sangrento e impiedoso” (como disse um grande poeta russo). Nem querem saber de “revolução colorida”, considerando o pífio resultado que se vê na Georgia, Ucrânia e Quirguistão. O real significado das recentes eleições na Rússia não é tanto os protestos que gerou, mas a surpreendente emergência do partido Rússia Justa como força política protagonista – um desenvolvimento que, significativamente, está sendo festejado pelo próprio Surkov, para quem sistemas abertos tendem a ser mais estáveis que sistemas fechados (em http://www.agoodtreaty.com/2011/12/06/the-splendid-victory/) – e um “renascimento da esquerda” em geral. O Partido Rússia e os comunistas estarão controlando um terço do Parlamento, em oposição ao partido Rússia Unida – reduzido, sim, mas ainda uma força formidável. É possível que, em futuro não muito distante, as eleições desse ano de 2011 na Rússia venham a ser vistas como o momento em que se lançaram as fundações de uma genuína política multipartidária, depois das próximas eleições legislativas, em 2017. +++++++++++++++++++++++++++ [1] Hoje, o senador McCain voltou à carga, pelo Twitter: “#ArabSpring comes to Moscow "Russians rally vs Putin, election fraud" m.apnews.com/ap/db_16026/co… AÍ TEM COISA! [NTs].
[2] Os observadores internacionais disseram que as eleições russas foram “livres, mas não foram justas”, como se lê em jornal de exilados russos (em http://www.exile.ru/articles/detail.php?ARTICLE_ID=7149&IBLOCK_ID=35) [NTs].

 

domingo, 11 de dezembro de 2011 - No Blog Geografia é luta - Prof. MazucheliA geopolítica da fome    O aumento do poder aquisitivo das populações pobres corresponde a valores tão pequenos que qualquer pico no preço dos alimentos pode gerar crises humanitárias, como a que houve em 2009, quando o número de pessoas sub-alimentadas registrou forte alta.Por Miguel do Rosário  
No dia 7 de setembro do ano 2000, durante um dos debates realizados na Conferência do Milênio, na sede das Nações Unidas, Nova Iorque, o então presidente do Conselho de Estado da República de Cuba, Fidel Alejandro Castro Ruz, fez o discurso mais contundente daquele dia. O que impressionou o mundo, no entanto, não foi a voz possante, nem a conhecida oratória desenvolta do velho comunista, e sim a informação que ele martelou no ouvido dos milhões que o acompanhavam, via rádio ou TV, em todo o planeta. "820 milhões de pessoas passam fome no mundo, 790 milhões delas vivem no Terceiro Mundo", disse FidelPassaram-se dez anos, e as coisas não mudaram muito. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a quantidade de pessoas consideradas sub-alimentadas no planeta em 2010 era de 925 milhões, o que até poderíamos considerar como notícia positiva, visto que em 2009 (em função da crise financeira que assolou as economias centrais) o número havia atingido a marca de 1,023 bilhão de seres humanos.O relatório da FAO para 2010 traz, contudo, uma informação genuinamente boa: o percentual de sub-alimentados na população total das regiões em desenvolvimento, que chegava a quase 35% em 1970, atingiu 16% em 2010, depois de uma queda brusca em 2008 e 2009. O número ainda está longe, todavia, da meta de 10% que as Nações Unidas haviam estimado para o período entre 1990 e 2015.Na edição de maio/junho deste ano, a revista Foreign Policy publicou longo artigo de um de seus mais prestigiados colunistas, Lester Russel Brown. Nascido em 1934, autor e co-autor de mais de 50 livros sobre meio ambiente, fundador de várias organizações e institutos ligados ao tema, Brown foi considerado, pelo Washington Post, um dos maiores pensadores do mundo. Intitulado "A nova geopolítica dos alimentos", o artigo de Brown tornou-se viral e foi reproduzido em toda parte (o Google registra 374 mil links), incluindo aí as páginas na internet das principais revistas do mundo, como a alemã Der Spiegel.É um texto assustador. Lança-nos ao rosto verdades duras e dolorosas, mas que teremos de enfrentar de alguma forma. Segundo Brown, o mundo entrou na "era de escassez". Até poucos anos, falava-se que o mundo produzia muito mais do que consumia, e mesmo assim havia fome. Agora, não se pode mais falar isso. O aumento da população, somado ao crescimento do poder aquisitivo de um número imenso de pessoas, fez a demanda registrar um forte aumento nos últimos anos.Na verdade, agora está claro – hoje temos acesso a muito mais estatísticas – que nunca houve realmente excesso de comida. O que havia era uma parcela da população alijada do mercado de consumo. Como é natural, os pobres usam o aumento de seu poder aquisitivo para se alimentar melhor, de maneira que mesmo um crescimento ínfimo em sua renda per capita gera um forte aumento na demanda global. A população mundial quase dobrou dos anos 1970 para cá, e até a metade do século deve chegar a 9 bilhões, todos ambicionando comer várias vezes ao dia. Brown alerta para o problema mais grave entre os países pobres: a elevação do preço dos alimentos. O aumento do poder aquisitivo das populações pobres corresponde a valores tão pequenos que qualquer pico no preço dos alimentos gera crises humanitárias, como a que houve em 2009, quando o número de pessoas sub-alimentadas registrou forte alta.O pessimismo e a indignação de Brown, no entanto, não chegam ao ponto de fazê-lo denunciar com muita energia o que ele mesmo aponta em seu artigo como um problema grave: o uso de milho e soja, nos EUA, para produção de biodiesel. Segundo ele, os EUA colheram em 2010 quase 400 milhões de toneladas de grãos, das quais 126 milhões foram destinadas a destilarias de biocombustível, contra apenas 16 milhões em 2000. Com isso, amarra-se o preço dos grãos às variações da cotação do petróleo nas bolsas, pois, a cada vez que o barril sobe, fica mais lucrativo substituir o fóssil pela chamada "gasolina verde". O Brasil, outro grande produtor de biocombustíveis, usa a cana-de-açúcar, que tem uma produtividade muito superior à do milho ou soja, além de impactar bem menos no preço mundial dos alimentos.
Fome e instabilidade políticaBrown alerta que os reservatórios subterrâneos de água estão se exaurindo em vários países, sobretudo em virtude de processos de irrigação que os sobrecarregam. Esse tipo de irrigação produz uma espécie de “bolha dos alimentos”, que estaria prestes a explodir, assim que os lençóis hídricos utilizados esgotarem-se. Na Arábia Saudita, a irrigação permitiu que este país desértico se tornasse autossuficiente em trigo por mais de vinte anos; agora, porém, a produção local de trigo vem declinando rapidamente, pois foram usados lençóis d’água não-renováveis. Em breve, os sauditas estarão importando a totalidade de seu consumo de grãos. As maiores “bolhas”, segundo ele, estão na Índia e na China. Cerca de 130 milhões de chineses alimentam-se hoje de produtos cultivados com um processo de irrigação que sobrecarrega as reservas subterrâneas de água. Na Índia, há 175 milhões nessa condição, segundo relatórios do Banco Mundial. O que acontecerá quando essas reservas se exaurirem?O ambientalista estadunidense faz ainda uma descrição sombria dos esforços de alguns países para garantirem o suprimento de comida para seu povo. China e Coreia do Sul, por exemplo, vêm realizando enormes aquisições na África, para cultivar sobretudo soja e milho, os principais itens que compõem a alimentação de seus bois, porcos e frangos. Governos do Sudão e Etiópia têm cedido grandes extensões de terra a estrangeiros, sem atentar para a presença de cidadãos nativos naquelas paragens, os quais são expulsos sumariamente. Brown adverte que processos assim produzem forte instabilidade política, como já aconteceu nas Filipinas, onde o governo foi obrigado a cancelar o acordo feito com a China para ceder 2,5 milhões de acres; no Madagascar, onde o governo alugou 3 milhões de acres para uma firma sul-coreana, a revolta foi tão grande que derrubou os dirigentes do país. Segundo um estudo do Banco Mundial, essas aquisições de terra em países estrangeiros já alcançaram 140 milhões de hectares, uma área que supera o total plantado com trigo e milho nos Estados Unidos.Citando o aquecimento global, que pode vir a afetar gravemente a produção agrícola no planeta, Brown conclui seu artigo em tom apocalíptico. Haverá caos, fome, revolta, destruição, queda de governos, revoluções. O americano, aliás, diz que as revoluções árabes aconteceram, dentre outras razões, também por causa do aumento no preço dos alimentos.Para fugir um pouco da visão apocalíptica de Brown, podemos analisar um outro documento da FAO, o Relatório Mundial de Recursos do Solo, que faz um levantamento sobre a área disponível para agricultura e a área já usada, em todo mundo. É preciso observar que boa parte das áreas “disponíveis” para agricultura, no entanto, estão ocupadas por florestas, que não devem ser tocadas, por questões ambientais. Segundo o relatório, as únicas regiões que possuem área agricultável significativa ainda não utilizada são a África sub-saariana e a América do Sul (leia-se Brasil). A primeira tem 1,1 bilhão de hectares agricultáveis, e apenas 14% deles usados. Grande parte dessas áreas é ocupada por biomas importantes e que não podem ser tocados.Já na América do Sul também temos 1 bilhão de hectares agriculturáveis (só 14% em uso), sendo 549 milhões apenas no Brasil, onde apenas 9% são usados. Um estudo relativamente recente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) diz que, excluindo-se os biomas Amazônia e Pantanal, o potencial de área para agropecuária no Brasil varia entre 303 milhões e 366 milhões de hectares. Lembremos que o país se consolidou como potência econômica, pelo menos até a 2ª Guerra, por meio da exportação de produtos agrícolas. Na década de 1960, respondia por quase 90% das exportações mundiais de milho e soja, um fator que o governo nunca hesitou em usar para forçar acordos comerciais favoráveis com outras nações.Hoje, os Estados Unidos têm 354 milhões de hectares agricultáveis, mas 53% já usados. A produção agrícola estadunidense ainda apresenta números colossais. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, o país deve produzir este ano (safra 2011/12) 89,40 milhões de toneladas de soja em grão. Já o Brasil, no mesmo período, produzirá 72,50 milhões de toneladas de soja. Informação importante: no ano passado, a produtividade da soja brasileira superou a norte-americana: 3,01 toneladas por hectare no Brasil contra 2,92 nos EUA. Mencionamos a soja em particular porque dentre as principais commodities é a mais importante para alimentar os rebanhos de bois, porcos, frangos e perus de todo planeta.O Brasil também é grande produtor de carnes. No segmento dos bovinos, produziremos em 2011 9,4 milhões de toneladas, mais que toda a União Europeia (7,85 milhões), e atrás somente dos EUA (11,5 milhões). Na exportação, o Brasil figura em primeiro lugar no mundo, com previsão de embarcar 1,8 milhão de toneladas de carne bovina em 2011 (a maior parte da produção brasileira é consumida internamente). Em relação à carne de porco, porém, o Brasil está num distante quarto lugar, com 3,26 milhões de toneladas produzidas, na estimativa para 2011, contra 51,5 milhões de toneladas na China, 22,12 milhões na Europa e 10,20 milhões nos EUA. Mas o país é bastante forte em aves, com uma produção de 11,75 milhões de toneladas, superado somente pela China, que deve produzir 13 milhões de toneladas este ano. Na exportação de aves, a liderança brasileira é absoluta: 3,45 milhões de toneladas, contra 3,0 milhões dos EUA e 840 mil toneladas da União Europeia.O balanço geral, portanto, da oferta e demanda de alimentos no mundo, aponta para um quadro muito delicado, com preços em alta e permanente risco de desabastecimento em países importadores. Com estoques extremamente baixos, qualquer acidente climático poderá provocar picos inflacionários insuportáveis para as populações mais pobres. Nesse contexto, o Brasil tem uma situação realmente privilegiada, embora seja um tanto estranho que possamos lucrar com as dificuldades do resto do mundo em encontrar alimentos. Para o país, não há, porém, alternativas. Mesmo que não precisássemos disso economicamente (mas precisamos, e muito), seria obrigação humanitária nossa ampliar a produção agrícola para trazer maior segurança alimentar ao mundo. Não será pecado nenhum, todavia, se usarmos nossa riqueza para aprimorarmos nossas relações políticas com outros países. Afinal, como dizia Aristófanes, o comediante grego: “a fome não conhece melhor amigo do que aquele que a sacia”.
Miguel do Rosário escreve para o blog Óleo do Diabo.
 Leia também: As raízes da crise
 

  Fonte: http://www.revistaforum.com.br/   Postado por Claudemir Mazucheli às 13:49

 

 

O “D” de PSDB quer mesmo dizer Democracia?10/12/2011Posted by Ana Helena Tavares - QTMD Reação de Aécio Neves e FHC quando souberam da pergunta-título desde artigoPor Ana Helena Tavares(*) Já não está mais aqui o velho timoneiro que também criou um partido com “D” na sigla e dava a essa letrinha o seguinte sentido: “A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes.” (Ulysses Guimarães) Se já nenhum ser humano é infalível, imaginem no jogo político, reforçado pela numerosa parcela medíocre da imprensa que se vende a ele, onde há palanques até embaixo de tapetes. Não há altares de pureza. De limpa já basta a raça com que Hitler sonhava – e que parte do mundo ainda quer tornar realidade. É um jogo de causar inveja ao mais maquiavélico jogador de pôquer. RM (o todo-poderoso da Globo) entendia dos dois jogos. FHC lecionou sobre Maquiavel. JS, aluno tardio e arredio, não aprendeu grande coisa. Principalmente, não aprendeu a reconhecer seus próprios erros. Coisa que não poderia mesmo aprender com FHC. Por que, com todos os defeitos que possa ter tido, nossa Constituinte foi um avanço democrático? Porque é preciso reconhecer-se imperfeito para avançar. Naquele momento, os congressistas sentiam-se derrotados por 20 anos de ditadura. E só assim foi possível começar de novo. Quando JS e FHC reconhecerão que foram derrotados? Não por Dilma, nem por Lula, nem pelo PT, mas por seus próprios aliados e, pior, por seus próprios egos. JS mantém um Twitter tragicômico. FHC escreve artigos que ninguém de bom senso consegue ler. É assombrosa a miudeza de pensamento deles. Não  fazem política. Fazem futrica. É nítida a sede de poder, vazia de sustentação. A eterna ânsia de tapetão. Isso não é bom para o Brasil. O que o PSDB fez ao pedir a cassação do registro de Dilma, quando ela contava com mais de 50% dos votos na eleição de 2010, senão a irresponsabilidade de tentar ganhar na marra, achando-se onipotente, “cavalo puro sangue”, na (ingênua) tentativa de aniquilar a concorrência? E por que perderam mesmo com a metralhadora da mídia apontada unicamente contra o PT? Porque o T de PT quer mesmo dizer Trabalhadores. Negar isso é negar que milhões de pessoas foram tiradas da miséria, fato que o mundo inteiro reconhece. Ah, o Brasil ainda tem muitos problemas… A educação de base é das piores do mundo. Ok. Vocês não acham possível mudar em 9 anos um país explorado por 5 séculos, não é? Membros da alta cúpula petista enriqueceram? Sim. Se foi dentro da lei, e daí? Que moralismo de bordel é esse onde político não pode enriquecer, mas todo mundo acha normal a fortuna de Steve Jobs e Eike Batista? Quem vocês acham que corrompe os políticos senão os grandes empresários? Se o enriquecemento não foi lícito, é caso de polícia. É assunto para o Ministério Público e para a Justiça.  Como também deveria ser o recém lançado livro “A privataria tucana”, do premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr. Dizem que o “B” de PSDB refere-se a Brasil. Vender o patrimônio público e enriquecer em cima disso é ser brasileiro onde, quando, como? A roubalheira durante as privatizações foi fortíssima. O teor do livro seria para colocar na cadeia JS, FHC e RT (o dono da bola, homem com o corpo mais fechado do Brasil). É vergonhoso, escandaloso, indecoroso, o silêncio sepulcral da mídia e o do judiciário. Hoje, quem for à banca de jornal, presenciará uma guerra de capas. A da revista Carta Capital anuncia o livro bombástico. Mas engana-se quem acha que Veja o ignora. A revista(?) da Editora Abril passa recibo, tentando desqualificar as denúncias. A diferença? É que o trabalho bem apurado da Carta Capital só tem voz graças à internet. Já o esgoto da Veja tem efeito cascata na Folha, no Estadão e em todos os veículos comandados pela família de RM (o homem que jogava pôquer com a sociedade). Nenhum país avança na caminhada democrática tendo uma oposição que, por não conseguir ganhar no voto, se escora na mídia para desestabilizar o governo. Federal. Porque o de SP não passa pela boca da Poeta nem quando a corrupção sai em livro. Vai daí que a corrupção só vai acabar quando ela parar de ser investigada e punida de forma seletiva. Quando a regulamentação da mídia garantir acesso à informação a todos os brasileiros. Quando houver uma reforma séria no judiciário. Quando houver uma reforma séria na política. Quando tudo isso acontecer afetará a vida de todos, principalmente a da elite, por detrás de seus vidros fumê. De onde não ouve o povo. Nem o vê. Quando afirmei, no início deste texto, que JS e FHC foram derrotados por seus próprios aliados não foram palavras gratuitas. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. de petista não tem nada – é ligado a AN (diz isso no livro). E tudo indica que foi o neto de Tancredo que, mandando e desmandando no jornal “O Estado de Minas”, lhe pediu o início das investigações que geraram o livro. Amaury foi, então, acusado de quebrar o sigilo de diversos tucanos para obter algumas das informações. Sendo verdade, o que JS tem a reclamar se sua filha, através de sua empresa, quebrou uma quantidade infinitamente maior de sigilos para fins bem menos nobres? Ligado ao PSDB e legítimo representante da privataria, agora denunciada e fartamente documentada em livro, o engenheiro Luiz Carlos Mendonça de Barros teve amplo espaço na edição de 30 de Agosto de 2010 da revista Época, para se defender do suposto grampo de Amaury dizendo o seguinte absurdo: “quebra de sigilo fiscal guarda a mesma proporção que uma tortura física praticada pela polícia e pelo exército porque se trata de direitos constitucionais do cidadão” (declaração que só pode mesmo vir de quem estava nadando em dinheiro durante a ditadura). Aí, fica a pergunta: no escândalo do grampo (leia-se quebra de sigilo telefônico) – que levou “Mendonção” (como é conhecido Mendonça de Barros), então presidente do BNDES, ao banco dos réus (sendo absolvido) em ação de improbidade administrativa, e que comprovadamente ocorreu com a condescendência do então Presidente da República FHC – não estavam em jogo “direitos constitucionais do cidadão”? O que este texto tenta mostrar é que o que distingue um governo de outro não é aquilo que todos chamam hipocritamente de moral, bons costumes, etc e tal, sem, muitas vezes, ter nada disso em casa. A diferença está no projeto político. É isso o que os brasileiros deveriam estar discutindo nos bares (além do futebol, é claro). Vale ainda frisar que se agora a corrupção aparece tanto, de uma forma como não aparecia antes, é óbvio que é porque ela está sendo combatida de forma democrática e transparente, enquanto outros, com a luxuosa ajuda dos barões da mídia, preferiam engavetá-la. Reza a lenda que o brasileiro típico “não tem nem um mau nem um bom caráter, simplesmente não o tem”. Só que isso não quer dizer que sejamos manipuláveis. Macunaíma era bem mais esperto do que os leitores da Veja. Não consigo ver o nosso “herói sem nenhum caráter” acreditando em denúncias sem provas e desprezando um livro bem documentado. Não, ele não cairia nessa. O que somos é maleáveis ao vento dos interesses. E aí há gente que acredite em tudo, de acordo com o que lhes convém. E há também quem não possa acreditar nem deixar de acreditar por ser impedido de se informar sobre os acontecimentos. O editor do livro “A privataria tucana” já denunciou ter sido sondado por JS para uma “conversa”. JS foi líder estudantil numa época em que o Brasil vivia sob um regime que também começa com “D”. Espero que ele não esteja com saudades. *Ana Helena Tavares é editora do site Quem tem medo da democracia?

 

12/12/2011 - Carta Maior

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DEBATE ABERTO

Por que os torturadores escondem os seus rostos?A foto de Dilma Rousseff sendo interrogada por funcionários da ditadura tem se prestado a várias leituras. A cena dos dois homens escondendo o rosto com a mão assemelha-se muito à imagem de criminosos escondendo a face para não serem reconhecidos. Eles são autores de crimes que definem a verdadeira impunidade que ainda precisa ser enfrentada no Brasil.

No dia 3 de dezembro, a revista Época publicou uma foto de Dilma Rousseff sendo interrogada por delinquentes oficiais depois de 22 dias de tortura. A foto é extraordinária sob muitos aspectos e um deles é a sua expressividade como história, como fato histórico. Uma jovem altiva mira o ou os interrogadores e dois dos delinquentes que participavam da barbárie esconderam o rosto para o fotógrafo (a história desse ato fotográfico mereceria por si só uma análise detida, não tanto da intenção do fotógrafo, mas da função desse tipo de foto, numa ditadura, em sessões de interrogatório). Dilma, como todos podem saber, foi torturada. Os torturadores de Dilma, não.

Essa foto tem sido objeto de algumas reflexões na imprensa brasileira. Uma delas, assinada pelo jornalista Moisés Mendes, do jornal Zero Hora (edição de 11/12/2011) chama a atenção por uma curiosa escolha de palavras. Estabelecendo uma relação entre o período histórico da ditadura e a foto de Dilma, o jornalista escreve:

“Éramos alienados, seu Mino. Jovens com o perfil de Dilma, comunistas, democratas ou anarquistas, que provocaram o confronto com o regime com suas próprias vergonhas, eram quase todos da minoria da militância estudantil. Só leve a sério quem aparecer contando vantagem, como histórias de resistência e bravura naquele 1970, se conhecer a sua história.

A foto de Dilma no interrogatório não é a síntese da juventude brasileira de quatro décadas atrás. É apenas a foto de uma moça destemida diante de dois homens torturados pela desonra”.

Torturados pela desonra? A cena dos dois homens escondendo o rosto com a mão assemelha-se muito à imagem de criminosos escondendo a face diante das lentes de uma máquina fotográfica ou de uma câmera de televisão. Considerando o período histórico e o contexto da cena, parece muito mais plausível que a tentativa de esconder o rosto tenha pouco a ver com um “sentimento de desonra” e tudo a ver com um gesto com um objetivo bem definido: não ser identificado. Os criminosos, em geral, não gostam de ser identificados.

A possibilidade de os torturadores sentirem-se envergonhados obviamente não está descartada; seria nada mais que uma possibilidade e, enquanto tal caberia averiguar. Uma das dificuldades para que isso ocorra é que, no Brasil, os torturadores nunca se disseram envergonhados, sequer assumiram o que fizeram e menos ainda foram punidos. Como não bastasse, os arquivos em que seus delitos estão registrados foram ou destruídos ou sonegados da cidadania brasileira e assim seguem, mesmo quase trinta anos após o fim da ditadura. A ocultação dos torturadores, dos seus atos e de suas personalidades de direito torna impossível averiguar a sua vergonha.

De fato, em termos jurídicos, um crime imprescritível (como o são os crimes contra a humanidade, dentre eles a tortura), uma vez não investigado, processado e punido se constitui como crime continuado. Assim, não há qualquer obstáculo jurídico ou lógico para se atribuir aos delinquentes que torturaram, entre outros, a atual presidente democraticamente eleita do Brasil o adjetivo que lhes é devido: criminosos contra a humanidade.

Aqui aparece um ponto que parece ser decisivo para as leituras da foto em questão. O Estado brasileiro, até hoje, não reconheceu que foi autor de crimes no período da ditadura. Não se trata apenas de reconhecer crimes contra o marco constitucional da época. Um governo eleito foi derrubado por alguns setores civis e militares, num movimento autoritário que feriu de morte o marco constitucional da época. Além desse crime, outros foram praticados: prisões arbitrárias e ilegais, demissões arbitrárias do serviço público e de empresas, perseguições, sequestros, torturas, assassinatos...Crimes cometidos por agentes de um estado de exceção.

Neste contexto, os interrogadores de Dilma escondem o rosto não porque estão “torturados pela desonra”, mas porque, objetivamente, pertencem a uma organização criminosa que tomou de assalto o Estado brasileiro. O fato de isso não ser reconhecido por um jornalista sério mostra o quanto o Brasil precisa acertar as contas com sua própria história.

Os crimes praticados por criminosos que até hoje insistem em esconder seus rostos continuam sem inquérito, sem processo, sem acusação, sem defesa, sem julgamento. Os torturadores não têm vergonha alguma pelo simples fato de que eles, institucionalmente, isto é, como membros do aparato de segurança e das forças armadas, jamais confessaram seus crimes.

E se o Brasil tivesse aberto os arquivos da ditadura civil-militar que se seguiu ao golpe de estado de 1964? E se as famílias dos supliciados e desaparecidos tivessem tido acesso aos corpos de seus entes familiares, bem como às condições de seu assassinato?

Os delinquentes que participaram do interrogatório da jovem Dilma Rousseff, depois de esta passar por 22 dias de tortura, por acaso foram investigados e padeceram como acusados sem inquérito, tiveram os seus corpos supliciados e as suas subjetividades invadidas pela brutalidade da violação física e mental de que se faz a tortura? Há alguma confissão inconfessa ao público, em que algum torturador teria incorrido?

As dificuldades e resistências em reconhecer que o Estado foi autor de crimes só reforçam a importância de uma Comissão da Verdade, que traga à luz os rostos que até hoje tentam se esconder e os fatos que até hoje permanecem escondidos. Há um jargão (distorcido) que costuma ser repetido à exaustão que consiste em dizer que “o Brasil é o país da impunidade”. As nossas prisões estão abarrotadas e todos sabem qual é o perfil de seus habitantes. A impunidade no Brasil aplica-se, sobretudo, aos chamados crimes de colarinho branco, mas a mãe de todas as impunidades é a que até hoje está encravada no coração do Estado. Os crimes cometidos pelo Estado brasileiro, como o da tortura, permanecem impunes e, mais do que isso, sendo reproduzidos em peças policiais obscuras que também escondem o rosto.

Por isso, também, seria importante que Dilma determinasse a abertura dos arquivos da ditadura militar. Mais do que pela autoridade moral de ter sido vítima da ação dos delinquentes torturadores e assassinos; mais do que pela sua subjetividade e decência, mais do que pelo respeito que ela tem pelos que ficaram pelo caminho, pelos que foram subtraídos, até em seus restos mortais, de seus familiares, ela pode abrir os arquivos. Para além da confusão gerada e reproduzida pela lei da anistia, é importante abrir esses arquivos para acabar com as mentiras históricas, até quando cometidas por gente séria, em conotações equívocas e que dão guarida à falsidade na descrição do que se passou.

Katarina Peixoto é doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: katarinapeixoto@hotmail.com

 

 

 

Aí Nassif, vi no programa do PHA da Record, a matéria com o tal Charles da flauta que você apresentou para o Altamiro. E que depois acabou na sarjeta porcausa das drogas.

Parece que ela terá mais uma chance agora na orquestra do Isaac Karabtchevsky. Legal né? Será que agora vai?

Estou torcendo por ele. Já estudei flauta transversa, e sou amarradão no Altamiro, que infelizmente está muito debilitado, provavelmente pela idade avançada. Será que ele parou de tocar?

 

Juliano Santos

Da Carta Maior

A agenda ambiental bateu no teto

 

Salvo engano, o principal saldo da Conferência de Durban, a CoP 17, encerrada neste domingo, foi marcar uma nova reunião para 2015 quando serão fixadas metas para valer a partir de 2020. Até 2015 os gigantes poluidores do planeta --os EUA é o maior deles, com emissão per capita 9 vezes a do Brasil, por exemplo-- ficam livres para adotar cortes voluntários nos despejos de CO2 na atmosfera.

Significa que o destino da humanidade ficará entregue por mais uma década a quem se recusou a subscrever Kyoto em 1997 e continuou a fazê-lo em 2011, 14 anos depois. Que garantia existe de que em 2020 assistiremos a uma guinada redentora nesse recorrente veto ao futuro? Pouca, para não dizer nenhuma.

Uma evidência: em Durban, os gigantes poluidores não aceitaram nem mesmo endossar até 2015 as metas de Kyoto --que vencem em 2012. Os países que aceitaram fazê-lo respondem por apenas 15% das emissões globais. O desfiar de datas e metas-fantasia da agenda ambiental poderia ser apenas um incômodo exercício de tergiversação diplomática não fossem as perdas e danos que estão em jogo.

Um estudo recente da insuspeita Agencia Internacional de Energia (AIE) informa que mantido o atual rítmo de emissões, o planeta alcançará em 2017 o ponto de saturação de carbono correspondente a um aquecimento de 2 graus. A ciência considera este o Rubicão térmico, a partir do qual mergulha-se numa zona de instabilidade climática incontrolável. Juntos, o calendário de Durban e a conta de chegar da AIE soam como sirenes de uma emergência.

A tentativa de comprometer o capitalismo --seus dirigentes e sua estrutura produtiva-- com o equilíbrio, ou menos que isso, com a basal sobrevivência dos mecanismos que alicerçam a vida na Terra, fracassou. O movimento ambiental e a esquerda devem extrair consequências práticas dessa aceleração da contagem regressiva. Aos primeiros conviria arguir a estratégia furta-cor, cambiante e maleável, ora abraçando-se à direita e a seus porta-vozes, ora desaguando forças no vertedouro histórico conservador, insinuando-se como a opção acima das classes, 'o melhor das duas vias'.

Da esquerda não se pode mais tolerar o laxismo ideológico diante do inferno ambiental. O tempo das mitigações esgotou. Reiterar com tintura verde as estruturas de produção dominante pouco ou nada adiará a eclosão da desordem ambiental. A alternativa ao colapso do neoliberalismo não é a volta impossível ao 'capitalismo disciplinado' dos anos 50. O recado de Bruxelas nesta 6ª feira foi claro: salvemos os bancos; à sociedade, o arrocho.

É hora de dar às consequências a sua causa. As formas de viver e de produzir que empurraram a humanidade a esse beco sem saída no plano social e ambiental devem ser chamadas pelo nome: livres mercados. E extraídas daí as consequências adequadas.

Postado por Saul Leblon às 23:24

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=842

 

webster franklin

caro Raí, esta noticia complementa, um pouco,  a outra de dias atras.Aguardemos mais bem detalhadas.

12 de dezembro de 2011   |  

Acordo de previdência Brasil-Japão entra em vigor em 2012

Portal Web News

 O acordo de previdência social entre Japão e Brasil deverá entrar em vigor em março próximo, noticiou a NHK. Ele irá eliminar a necessidade de trabalhadores de ambas as nações a fazer contribuições para aposentadoria nos dois países.

Empregados japoneses que trabalham no Brasil por longos períodos e trabalhadores brasileiros no Japão são atualmente obrigados a pagar em sistemas de ambos os países de pensão. Trabalhadores japoneses só podem receber pagamentos de pensão do Brasil se juntar fundos de pensão do país por 15 anos ou mais.

O novo acordo, que entrará em vigor em 01 de março, vai permitir que os trabalhadores paguem a previdência apenas no país de origem se o seu trabalho no exterior for de cinco anos ou menos.

Após 5 anos, os trabalhadores vão pagar no sistema de seu país anfitrião.
Trabalhadores terão direito ao pagamento de pensões do Japão e do Brasil se pagarem em ambos os sistemas de previdência pelo tempo determinado pela lei do país.

O Ministério das Relações Exteriores do Japão informou que desde outubro do ano passado, mais de 58 mil japoneses viviam no Brasil. O Brasil abriga a quinta maior população japonesa no exterior. No Japão vivem mais de 200 mil brasileiros.

 

do TecMundo

Bill Gates está criando reatores nucleares com a China Novo modelo foi desenvolvido por uma de suas empresas para criar energia inesgotável.

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(Fonte da imagem: Tim Sloan/AFP/Getty Images)

Um dos homens mais ricos do planeta quer desenvolver um novo tipo de reator nuclear, e está em discussões com a China para fazer uma parceria. Bill Gates diz que o custo para produzi-lo será pequeno e que o reator será muito seguro, além de utilizar pouco material para funcionar.

Gates é presidente e investidor de uma startup de energia chamada TerraPower, que completou recentemente um projeto de reator que pode funcionar com urânio empobrecido sem reabastecimento durante décadas. Esse material é, atualmente, um subproduto formado por resíduos do processo de enriquecimento.

Energia movida a restos

O urânio é utilizado para abastecer todos os reatores nucleares do mundo. Mas para isso, ele precisa ser enriquecido. Nesse processo, um resíduo acaba sendo descartado, que é conhecido como urânio empobrecido.

A ideia de Gates é usar esse material para abastecer o novo tipo de reator que eles estão desenvolvendo. Segundo o site do projeto, o próprio reator do TerraPower converterá o urânio empobrecido em combustível.

Como resultado essa fonte de combustível barata, mas rica em energia, será uma fonte de eletricidade  usada a nível mundial que é, para todos os efeitos práticos, inesgotável. Grandes quantidades de urânio empobrecido, inútil para os reatores de hoje, estão estocadas no mundo todo.

Bill Gates procurou a China para sediar o reator, pois as regras atuais dos EUA não cobrem o tipo de tecnologia que o TerraPower pretende usar. Mas segundo ele, as negociações com os líderes do país ainda estão em estágios iniciais.

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/energia/16343-bill-gates-esta-criando-reatores-nucleares-com-a-china.htm#ixzz1gI1OQFfb

 

Super 297
novembro
2011

E SE...

E se...Che tivesse criado a América Latina comunista? por Otávio Cohen  

 Che Guevara, Che, Comunismo

Em outubro de 1967, Che foi executado na Bolívia por militares locais que queriam barrar sua guerrilha. Com ele, morria seu plano de unificar a América Latina em uma nação comunista. Se Che tivesse escapado dessa, teria uma vida dura pela frente. Como seu grupo se escondia e mantinha distância das cidades, faltava adesão das massas à causa. Che precisaria conquistar esse apoio popular gradualmente para construir sua nação.

Países como Brasil, Peru e Paraguai estavam sob regime militar. Não seria inteligente enfrentá-los de cara. Che precisaria conquistar primeiro a Bolívia, contando com o apoio que ganharia por escapar vivo do atentado. A partir daí, o lógico seria investir na conquista de países como o Chile, onde a esquerda ganhava força sob o comando de Salvador Allende. Só assim, aumentando a adesão à causa, ele conseguiria enfrentar os governos mais resistentes. Mas levaria tempo - talvez só lá pelos anos 80 ele formaria, enfim, sua imensa república.

Che seria o governante central, mas passaria a administração regional para companheiros de guerrilha. "Cada país tinha suas particularidades. Até que a América Latina passasse pela revolução, cada território teria seus líderes", diz o historiador Luiz Bernardo Pericás, autor de dois livros sobre Che. Junto com seus representantes, Che decretaria a coletivização do trabalho e colocaria a economia desse enorme bloco nos moldes comunistas. "O Brasil e toda a nação latino-americana teriam indústrias estatais e campos de produção agrícola. Nos centros urbanos haveria espaço para a iniciativa privada, mas para pequenos comerciantes", afirma Amir Assad, economista da UFMG.
O sonho duraria pouco. Com o fim da União Soviética em 1991, a utopia comunista estaria morta. E a república de Che possivelmente se fragmentaria, como aconteceu com as repúblicas soviéticas. Alguns países resgatariam a autonomia. Pero sin perder la ternura - e algumas cositas compartilhadas com os hermanos.

O Brasil pós-Guevara

Um turista que passasse por aqui encontraria muita salsa no pé e uma língua bem engraçada

Ginga latina

Nem só de samba viveria o Carnaval. Os anos 80 seriam de valorização das culturas de massa na república de Che, de acordo com a cartilha comunista. O intercâmbio de programas de TV, cantores e bandas faria os brasileiros bailarem ao som de danças como mambo, salsa e zouk, expressões artísticas bem populares.

Che de Adidas

Che já teria deixado a América Latina há tempos. Depois de concluir a revolução por aqui, tentaria derrubar outras ditaduras na África e lutaria até pendurar a boina. "Ficar no poder por muito tempo não combinava com ele", conta o cientista político Kleber Chagas. A imagem que teríamos de Che Guevara não seria a do rosto do jovem guerrilheiro, e sim a de um Che envelhecido. Talvez usando Adidas, como Fidel Castro.

O coletivo nos coletivos

A economia da república desaceleraria por causa da coletivização. A população entraria nas décadas seguintes empobrecida. Os brasileiros não teriam vivido a ascensão das classes mais pobres dos anos 90. E até hoje estariam longe de conseguir comprar carro - todo mundo dependeria de ônibus.

Beijo, me liga. No fixo

Che defenderia que as empresas permanecessem sob controle estatal. A falta de concorrência atrasaria a inovação e o desenvolvimento em serviços básicos, como telefonia. Com uma operadora só de celular, fazer uma ligação da rua seria dureza.

Portuñol, língua oficial

No Brasil, Che encontraria 90 milhões de pessoas falando português. O idioma não morreria, mas incorporaríamos gírias e expressões em espanhol, falado por mais de 190 milhões na América. E poderíamos ter assistido a programas como Chaves na língua original.

Fontes Kleber Chagas Cerqueira, historiador e doutor em ciências políticas pela UnB; Luiz Bernardo Pericás, historiador e autor dos livros Che Guevara e a Luta Revolucionária na Bolívia e Che Guevara e o Debate Econômico em Cuba; Vitor Izecksohn, professor de história da UFRJ; Osvaldo Coggiola, professor de história da USP; Amir Assad, economista da UFMG; Che Guevara - Uma Biografia; Che Guevara: A vida em Vermelho.

 

do Jornal do Commercio

Cinema Público canta em coro nas filmagens de "Gonzaga: de pai para filho" Longa começou a ser gravado neste domingo no Marco Zero, com Chambinho no papel de Gonzagão jovem Publicado em 11/12/2011, às 23h23 Ernesto Barros

Chambinho faz Luiz Gonzaga jovem. Ator que fará o Rei do Baião no fim da carreira ainda é mistério / Clemilson Campos

Chambinho faz Luiz Gonzaga jovem. Ator que fará o Rei do Baião no fim da carreira ainda é mistério Clemilson Campos

Começou neste domingo, no Recife, uma das mais aguardadas produções cinematográficas brasileiras dos últimos anos. O drama biográfico Gonzaga: de pai para filho, o quarto longa-metragem de Breno Silveira, teve sua primeira sequência rodada no Marco Zero. No finalzinho da tarde, as luzes do palco se misturaram com o azul do céu quase escuro para iluminar um show que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, teria feito na cidade no início da década de 1950. Cerca de 60 figurantes estavam na primeira fila, vestidos com roupas de época, alpercatas e chapéus – atrás deles o casario do Bairro do Recife.
As filmagens tiveram o apoio logístico da Prefeitura do Recife e serviram como uma das atrações da abertura do Ciclo Natalino do Recife. O público que foi conferir o jovem Luiz Gonzaga vivido pelo paulista Nivaldo Expedito de Carvalho, o Chambinho do Acordeon, participou ativamente da cena. O forrozeiro, de 31 anos, cantou três músicas de Gonzagão e logo caiu nas graças da plateia. Sem precisar de ensaio, Que nem jiló, A morte do vaqueiro e Asa branca foram acompanhadas em uníssono ao mínimo gesto de Chambinho. “Eu nasci em São Paulo por acidente, mas sou nordestino de coração”, confessou emocionado, assim que saiu do palco.
Apesar de não estar com o orçamento fechado, Breno Silveira disse que o filme deverá custar cerca de R$ 10 milhões. Em fevereiro, a equipe se dirige ao Sertão do Araripe para rodar cenas da infância de Luiz Gonzaga, até a partida para o Rio de Janeiro. “As filmagens no Rio serão muito complexas porque teremos que interferir na paisagem e colocar muitos carros antigos na rua. Como todo filme de época, a produção é muita cara”, avaliou o cineasta de 2 filhos de Francisco.

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Mesmo com a produção já em andamento, o diretor ainda não concluiu a escalação do elenco. “Estou quase fechando o nome do ator que vai interpretar Luiz Gonzaga na velhice. Mais um pouquinho e todo vai saber quem é”, disse em tom de suspense.
Além de resolver este problema, Breno Silveira vai aproveitar o hiato até fevereiro para finalizar o longa À beira do caminho, que tem como mote as canções de Roberto Carlos. “É um filme pequeno, bem diferente do que já fiz. Roberto já está liberando as músicas e só falta isso para ele ficar pronto. Tenho uma alma musical. Eu gostaria de me dedicar à música, mas não sei tocar nenhum instrumento”, confidenciou.

Música O Rei do Baião na tela grande A primeira sequência é filmada neste domingo (11), no Marco Zero, a partir das 18h Publicado em 11/12/2011, às 14h35 Dora Amorim

Breno Silvera pretende dar um recorte mais familiar à obra sobre Gonzaga / Foto: Alexandre Belém / JC Imagem

Breno Silvera pretende dar um recorte mais familiar à obra sobre Gonzaga Foto: Alexandre Belém / JC Imagem

Em 2005, a história da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano foi responsável por levar aos cinemas mais de 5 milhões de espectadores. Graças ao apelo popular dos irmãos, o primeiro filme de Breno Silveira, um dos sócios da produtora carioca Conspiração Filmes, faturou milhões, muito embora os críticos não fossem muitos simpáticos à obra. Agora, Breno está diante de um novo projeto musical: a produção do longa-metragem Gonzaga: de pai para filho, com lançamento previsto para 2012, ano do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga. A primeira sequência é filmada neste domingo (11), no Marco Zero, a partir das 18h.

Como em 2 filhos de Francisco, Breno Silvera pretende dar um recorte mais familiar à obra sobre Gonzaga. A produção se debruça, sobretudo, na relação entre Gonzagão e o filho, Gonzaguinha. "Desde 2 filhos de Francisco, vinha procurando uma história tão forte para rodar. Há cerca de seis anos recebi algumas fitas de Gonzaguinha e Gonzagão juntos na turnê Vidas viajantes e aquilo me inspirou, mas agora o filme tomou forma, fala da biografia de Luiz Gonzaga vista pelo seu filho. É uma história que tem a mesma força do meu primeiro filme".

Embora a relação entre pai e filho não fosse das mais tranquilas, Breno enfatiza o interesse de Gonzaguinha em se reconhecer através da história do pai. "Encontrei nessas fitas uma excelente história e um grande material para trabalhar a parte dramática e também a questão biográfica. Luiz Gonzaga é um personagem maravilhoso, é a raiz da cultura nordestina e ainda não havia nenhuma ficção sobre ele", analisou Breno. "O Gonzaguinha quis entender a história do pai e além disso entender a sua história. É a partir delas que faço uma volta ao passado", concluiu o cineasta de Brasília.

A turnê Vidas viajantes, realizada no início da década de 1980, marcou um momento mais ameno da relação entre os dois. Depois da morte da mãe Odaleia, Gonzaguinha foi criado pelos padrinhos Xavier Pinheiro e Leopoldina, desde os dois anos. Luiz Gonzaga o adotou depois, mas não aceitava a escolha do filho de também se tornar um músico e segundo um relato, desses que ficam famosos e aumentam graças ao boca a boca, quebrou o violão de Gonzaguinha.

» Leia matéria completa no Caderno C do Jornal do Commercio deste domingo.

 

DEM tenta de novo no STF derrubar alta do IPI para carros importados

BRASÍLIA – O partido Democratas (DEM) entrou nesta sexta-feira com nova ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a declaração de inconstitucionalidade do decreto que elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados. Em setembro, o Decreto 7.567 elevou em 30 pontos percentuais o IPI dos veículos com menos de 65% de conteúdo nacional, mas abriu exceção para carros e peças vindos do Mercosul e do México.

Em outubro, o DEM conseguiu uma decisão no Supremo postergando o aumento do IPI. O governo pretendia que a mudança valesse imediatamente, mas o STF entendeu que as regras somente podem ser aplicadas a partir de 16 de dezembro, para respeitar o prazo de 90 dias necessário para o aumento entrar em vigor.

Agora o DEM tenta evitar novamente o aumento, mas questionando, de forma geral, o cálculo que define o conteúdo nacional. “O decreto faz uma maquiagem do índice de nacionalização das empresas, não protege a indústria nacional de forma alguma”, diz o advogado do DEM, Luís Fernando Belém Peres, que assina a ação.

De acordo com ele, pela fórmula do decreto “uma empresa que produz no Brasil somente 10% dos seus carros, mas com peças vindas da Argentina, é enquadrada como produzindo 100% de conteúdo nacional.” “Há problemas de isonomia”, diz Peres. O DEM também aponta “prejuízos para a livre concorrência e o consumidor”, e argumenta que os critérios para definir os benefícios seriam desproporcionais e inconstitucionais.

O partido também classifica como “frágil” o argumento do governo de que tratados com o Mercosul e o México possibilitam os benefícios à importação desses países. “As regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) proíbem o uso de tributos como o IPI para fins de defesa comercial”, argumenta Peres.

Entre as beneficiadas com a medida do governo estão Volkswagen, General Motors, Ford e Fiat, que têm fábricas na Argentina e no México; as francesas Renault, Peugeot e Citroën, que fabricam no Brasil e na Argentina; além da japonesa Nissan, pela isenção de imposto dos carros vindos do México. Entre as prejudicadas estão Kia, Hyundai, JAC Motors e Chery.

(Maíra Magro | Valor)

http://www.valor.com.br/node/1132132#.TuVxOEZ4o6c.twitter

 

A briga dos dois Zés.

Quando eu era moleque, no meu Vale dos Sem Eira Nem Beira, ouvia na rádio uma musiquinha,da briga dos Zés; o de Cima X o de Baixo, cujo refrão era assim:

" Tira o Zé de cima debaixo do  Zé!

Tira o Zé de Baixo de cima do   Zé! "

O tema ideal para os kankokujins. ( coreanos)

BBC Brasil Acesse a BBC Brasil no celular Árvore de Natal é novo foco de tensão entre Coreias Atualizado em  11 de dezembro, 2011 - 13:09 (Brasília) 15:09 GMT

Soldado sul-coreano em frente à árvore de Natal em disputa, no ano passado

Árvore na fronteira foi iluminada no ano passado pela primeira vez desde 2003

Uma árvore de Natal gigante próxima à fronteira entre as duas Coreias ameaça iniciar uma nova disputa entre os dois países. A Coreia do Norte advertiu neste domingo o governo da Coreia do Sul sobre "consequências inesperadas" se mantiver acesas as luzes da árvore.

O site estatal norte-coreano Uriminzokkiri afirma que as luzes da árvore equivaleriam a uma forma de guerra psicológica.

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No ano passado, os sul-coreanos iluminaram a árvore, de 30 metros de altura e forma de torre, pela primeira vez desde 2003.

A iluminação havia sido suspensa após um acordo de reconciliação para por fim às atividades fronteiriças de propaganda.

Mas as luzes da árvore foram acesas novamente neste mês, e a Coreia do Sul também decidiu permitir que outros grupos cristãos acendam outras duas árvores próximas à fronteira, segundo um funcionário do Ministério da Defesa.

As duas Coreias se mantêm formalmente em guerra desde os anos 1950, quando houve a divisão do país em dois. A Guerra da Coreia terminou em armistício, mas não houve um acordo de paz.

As tensões entre os dois países cresceram no ano passado, após a Coreia do Sul acusar o governo do norte de afundar um navio de guerra e de bombardear uma ilha sul-coreana, matando 50 pessoas.

 

da ISTOE

Evangélicos na Globo Cada vez mais populares, cantores gospel ultrapassam o círculo religioso e ganham especial de fim de ano Francisco Alves Filho

 

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ORAÇÃO
Davi Sacer, atração do festival: dois milhões de CDs vendidos

Cai mais uma muralha contra o sucesso avassalador dos cantores evangélicos: a programação musical da Rede Globo. Após décadas mobilizando milhões de fãs e fiéis em todo o Brasil, os artistas gospel ganharam espaço nos programas comandados por Faustão e Xuxa e apresentarão no domingo 18 um especial de fim de ano. O programa terá o nome de “Promessas” e a participação de artistas como Damares, Ana Paula Valadão e Diante do Trono. Foi gravado durante um show realizado no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. “Sinceramente, nunca imaginei que isso um dia pudesse acontecer”, afirma o cantor Davi Sacer, artista com mais de dois milhões de CDs vendidos e uma das atrações do programa. Outras estrelas evangélicas, no entanto, já esperavam essa mudança. “Sempre acreditei nisso, orei muito para que a Rede Globo abrisse suas portas para nós”, diz a pastora Ludmila Ferber, com mais de três milhões de CDs e DVDs vendidos. Trata-se de um segmento feito de números superlativos – estima-se que o mercado fonográfico gospel brasileiro movimente R$ 2 bilhões por ano.

O especial será apresentado por Serginho Groisman e terá 70 minutos de duração. O diretor do programa é Luiz Gleiser, com experiência de 30 anos em cobertura de grandes eventos, como a exibição do show de Paul McCartney e o festival SWU. “A principal característica dos espetáculos evangélicos é o alto grau de envolvimento do público”, diz Gleiser, que elogia o nível artístico das atrações. “A qualidade dos músicos é excelente.” Ele nega, contudo, a especulação de que o especial poderá entrar definitivamente na grade da emissora no ano que vem. Uma das alavancas para a inserção dos artistas evangélicos na Rede Globo foi o sucesso dos CDs do gênero lançados pela Som Livre, gravadora do mesmo grupo empresarial. “Percebemos que o êxito desses cantores e bandas não era um fenômeno pontual, mas algo permanente”, afirma Marcelo Soares, diretor-geral da gravadora. Diante dessa constatação, destaques da música gospel como Aline Barros e Regis Danese começaram a ficar frequentes na programação global. Agora, ao que parece, o território foi conquistado.  

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o twiteiro de O Globo e do meu time, dos frasistas/trocadilhistas.

Jornal O Globo   Propinas do senhor reitor: MEC apura desvios em 23 universidades. Gestores de universidades federais são alvos de inquéritos MEC apura 23 casos de irregularidades em instituições de ensino de 13 estados

Fábio Fabrini

Publicado: 10/12/11 - 16h49 Atualizado: 10/12/11 - 22h40

BRASÍLIA - Centros de excelência em formação profissional e pesquisa científica, universidades federais têm construído, paralelamente, uma escola de impropriedades na gestão de recursos públicos. Reitores, pró-reitores e ex-dirigentes de, pelo menos, 16 instituições, em 13 estados, são alvos de processos administrativos, auditorias, inquéritos e ações na Justiça por deslizes que vão do favorecimento a parentes e amigos ao desvio de verbas. Só o Ministério da Educação (MEC) apura 23 casos, envolvendo gestores de oito federais, que, se forem considerados culpados, podem perder seus cargos ou, se já afastados, ficar proibidos de voltar ao serviço público e ter as aposentadorias cassadas.

 

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Na lista constam catedráticos que ganharam notoriedade recentemente, como o ex-reitor José Januário Amaral, que renunciou em meio a suspeitas de integrar um esquema de corrupção na federal de Rondônia (Unir). E outros que caíram em desgraça pública bem antes, casos de Timothy Mulholland, da Universidade de Brasília (UnB), envolvido em denúncias de irregularidades em fundações vinculadas à universidade; e de Ulysses Fagundes Neto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cujos gastos em viagens ao exterior foram o estopim de sua queda. Ambos saíram em 2008, mas ainda não receberam o veredicto do MEC, cujos processos disciplinares (PADs), não raro, são tão lentos que só acabam após os delitos prescreverem.

No Piauí, o reitor da UFPI, Luiz de Sousa Santos Júnior - campeão de PADs no MEC, com oito - acumula ações na Justiça por improbidade administrativa, além de inquéritos no Ministério Público Federal (MPF) e na Polícia Federal que apuram seu envolvimento numa coleção de irregularidades. Numa das ações, ele é acusado pelo MPF de favorecer com 16 contratos, firmados sem licitação, o empresário Cândido Gomes Neto, apontado como controlador de três empresas de publicidade. Em outra, é responsabilizado por gastos abusivos com cartão corporativo, cuja soma alcança R$ 405 mil.

 

Lei de licitação pública é burlada

A Procuradoria da República no Piauí quer multar o reitor por, supostamente, descumprir ordem judicial que o proíbe de firmar convênios com a Fundação Cultural e de Fomento a Pesquisa, Ensino e Extensão (Fadex), ligada à universidade, para obras e serviços sem previsão legal. E sustenta que a entidade tem sido usada por ele para driblar a exigência de contratar mediante concorrência pública. Empresas mantenedoras da Fadex, como a Construtora F. Ramalho, e que constam em seu estatuto, aparecem no Diário Oficial da União (DOU) também como beneficiárias de contratos da fundação e da UFPI.

O MEC apura a participação da D&P, empresa que pertenceu ao professor Iônio Alves da Silva, ex-coordenador de Comunicação da universidade e ligado ao reitor, em licitação para serviços de publicidade - o processo parou na Justiça. Também está sob investigação o suposto dano ao erário em obras do campus de Bom Jesus. E o uso da Comissão Permanente de Seleção (Copese) para favorecer parentes e pessoas ligadas aos seus integrantes. Por esse motivo, o pró-reitor de Pesquisa, Saulo Brandão, responde a ação de improbidade do MPF.

Na UFPI, foi necessária a intervenção de procuradores da República até para que o nome de uma colega do reitor no Departamento de Química, posto como homenagem num prédio da universidade, fosse retirado. Em representação, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Associação de Docentes (ADUFPI) pedem que o MEC apure a suposta concessão de bolsas, pela Fadex, a Santos Júnior e a uma de suas filhas. Ele nega.

País afora, também estão sob investigação casos de irregularidade em licitações e malversação de verbas na federais de Rio, Amazonas, Pará, Minas, Sergipe, Acre e Pernambuco. No Rio Grande do Sul, o ex-reitor da Universidade de Santa Maria (UFSM) é réu da Operação Rodin, da Polícia Federal, que apurou o suposto desvio de R$ 44 milhões do Detran-RS, por meio de fundações ligadas à universidade. Ele também é um dos investigados no controle interno do MEC. Em Pernambuco (UFPE), um dos alvos são contratações reiteradas das mesmas empresas para fornecer materiais de construção.

Em 23 de novembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou suspender licitação da federal de Juiz de Fora (UFJF) para ampliar o hospital universitário. A obra está orçada em R$ 136,8 milhões. Os motivos são um sobrepreço de R$ 15,7 milhões, apontado na auditoria, restrições à competitividade e indícios de conluio entre as únicas três construtoras que participaram da concorrência. Os preços apresentados por elas foram tão parecidos que a primeira classificada, com o maior desconto, tinha uma diferença de apenas 0,38% em relação ao valor de referência.

Na decisão, relatada pelo ministro José Múcio, o tribunal pede à PF e ao MPF que apurem o caso. E afirma que, embora tenha pedido correções no edital em ocasião anterior, a universidade não o fez.

No Rio, o TCU aplicou este ano multas de R$ 20 mil ao ex-reitor da UFRJ Aluísio Teixeira, e de R$ 5 mil à vice-reitora de sua gestão, Sylvia da Silveira Mello Vargas, por impropriedades em parceria com o Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar) para a instalação de um simulador aquaviário. Os recursos do projeto foram destinados por emenda da deputada Jandira Feghali (PCdoB). O equipamento foi instalado na entidade, presidida na época pelo marido da parlamentar, Severino Almeida Filho.

Segundo o relatório que embasou a decisão, a aquisição feriu a Lei de Licitações e foi direcionada ao Sindmar. Além disso, permitiu-se "o envolvimento da universidade em benefício de uma organização sindical". O equipamento, sustenta o tribunal, sequer era necessário à UFRJ. A reitoria nega irregularidades. Houve recursos ao acórdão, mas o tribunal manteve as multas e deu prazo para o pagamento.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/gestores-de-universidades-federais-sao-alvos-de-inqueritos-3425418#ixzz1gHogzyfQ
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da  Epoca

Receita Federal vai criar malha fina para empresas Objetivo é reforçar a ação do Fisco

AGÊNCIA BRASIL

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As pessoas jurídicas também terão a sua malha fina. A informação é do secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. A malha fina é o banco de dados do Fisco, onde são armazenadas as declarações que apresentam inconsistências após os diversos cruzamento realizados pelos sistemas informatizados do Fisco.

Hoje, já é possível, por exemplo, com dados das notas fiscais eletrônicas, cruzar informações sobre subfaturamento e omissão de receitas. Sendo assim, é possível fazer auditorias eletrônicas, disse Barreto, por meio dos valores de compra e assim estimar as receitas do contribuinte. Se a Receita detectar irregularidades, a empresa será chamada a se regularizar. “Se não fizer a regularização, sofrerá a ação fiscal. Os sistemas estão sendo finalizados e já têm capacidade de entrar em produção em 2012”, disse.

A base do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) permite atualmente o acesso aos dados das empresas tanto pelo Fisco federal quanto pelos fiscos estaduais. Mesmo com os convênios para a troca de dados com os Estados, não é necessário nenhum tipo de solicitação da Receita Federal, porque com o Sped as informações estão disponíveis para todos.

“Assim como temos a malha da pessoa física, teremos a instituição da malha da pessoa jurídica dando maior abrangência à presença fiscal e alcançando todos os níveis de contribuintes. É importante notar que a malha consiste, sem ter a presença da fiscalização, do cruzamento de informações internas e externas”, disse Barreto.

Barreto informou ainda que a fiscalização continuará, em 2012, voltada para os grandes contribuintes. Principalmente, os que fazem, segundo ele, planejamento tributário abusivo. O planejamento tributário consiste em usar brechas na lei para reduzir o pagamento de impostos. “O foco vai ser os grandes contribuinte, principalmente, na fiscalização do planejamento tributário abusivo, mas ampliaremos, também, a atuação em todas as empresas, da malha da pessoa jurídica”. 

JL

 

 

Notícias » Ciência Artista diz ter achado imagens secretas na Mona Lisa Por Paula Rothman, de INFO Online • Terça-feira, 06 de dezembro de 2011 - 12h27 Wiki Commons/Info OnlineOs círculos marcam as regiões nas quais três dos animais teriam sido achados: à esquerda, acima, estaria a cabeça de um leão; abaixo dele, a de um macaco. À direita da Gioconda, um búfalo. As imagens só seriam visíveis com o quadro de lado.

São Paulo- Pintor e designer gráfico americano diz ter encontrado uma série de animais escondidos na Mona Lisa. Os achados seriam fruto de observação em ângulos diferentes aliadas a textos do próprio Leonardo da Vinci.

Segundo Ron Piccirillo, de Nova York, é possível enxergar um leão, um búfalo, um macaco e uma serpente ou crocodilo na tela. Esses elementos permitiriam dizer que o quadro mais famoso do mundo, pintado em 1519, é, na verdade, uma representação da inveja.

As informações, divulgadas por uma série de veículos internacionais, devem causar polêmica. Segundo o Telegraph, o pintor de 37 anos diz ter descoberto elementos escondidos semelhantes em outras pinturas renascentistas, como obras de Ticiano e Rafael e até mesmo na Capela Sistina, de Michelangelo.

A Mona Lisa, ou Gioconda, é cercada de mistérios e interpretações. A comunidade acadêmica, de historiadores, costuma encarar com ceticismo as especulações sobre códigos secretos ou mensagens escondidas na obra de Leonardo da Vinci. Recentemente, um grupo afirmou ter encontrado números e letras no quadro, mas o achado não foi oficialmente reconhecido.

Macaco e Leão

Desta vez, as imagens na Mona Lisa foram achadas depois que Piccirillo observou uma réplica do quadro virada de lado. Na nova perspectiva, ele enxergou a cabeça de um leão pairando no ar, do lado esquerdo da cabeça da Gioconda.  Um rosto de macaco estaria logo abaixo do leão, e um búfalo apareceria do outro lado da cabeça (áreas realçadas nas fotos acima e abaixo).

Búfalo

Depois de notar a presença dos animais na obra, o artista teria passado dois meses analisando anotações de da Vinci até encontrar uma passagem sobre a inveja que, segundo sua interpretação, explicaria não só a descoberta, mas também outros elementos do quadro. O texto fala sobre como um artista tentando retratar a inveja deve incluir detalhes específicos em sua obra.

Em uma das passagens, da Vinci fala que é preciso “lhe dar uma pele de leopardo, porque essa criatura mata o leão de inveja” – este trecho explicaria a existência do leão no quadro.  Já a mão direita com o pulso torto estaria ligada a uma passagem que menciona a inveja como tendo um “movimento das mãos em direção aos céus, porque, se pudesse, usaria suas forças contra Deus”.  Já as sombras ao redor do nariz e olhos, que, segundo alguns, se parecem com uma palmeira, teriam relação a outro trecho. Nele, Da Vinci diz que a inveja deveria estar ferida nos olhos com um ramo de palmeira ou oliveira, “mostrando que ela odeia a verdade”.

cobra

Durante sua leitura, Piccirillo teria se deparado também com uma passagem na qual Leonardo dá instruções de como olhar para uma obra (qualquer, não especificamente a Gioconda): a um ângulo de 45º, do lado esquerdo. Ao observar a Mona Lisa dessa forma, ele teria encontrado o formato sinuoso de um crocodilo ou serpente que parece sair de sua roupa.  Em outra passagem, Da Vinci faria referência à cobra, dizendo que é preciso retratar a inveja com seu coração sendo comido por uma serpente (ao lado, imagem da cobra/crocodilo).

As opiniões do artista americano são polêmicas e bastante especulativas. Nunca foram encontrados textos de Da Vinci falando sobre a Mona Lisa, portanto, só é possível imaginar se esta passagem sobre a inveja faz referência ao famoso quadro. Além disso, as figuras encontradas na obra são bastante borradas e abertas a praticamente qualquer tipo de interpretação. Cabe, agora, aos historiadores avaliar as alegações.

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