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Nassif, no RS tem governo paralelo, no AP tb... Gilvan Borges, que nunca foi eleito senador, quer ser governo "paralelo". Ele está acostumado a querer execer cargos para o qual não foi eleito. Ex-senador Gilvan Borges é detido por crime ambiental no AP
12 de janeiro de 2012 21h10

 

A Polícia  Ambiental deteve o ex-senador Gilvan Borges (PMDB-AP) na tarde desta quinta-feira em Macapá. Ele comandava uma obra que procurava desafogar o trânsito na zona norte da capital, em uma via que dá acesso à rodovia Duca Serra. "O governador não fez eu tenho que fazer", disse Gilvan.

O político, desde que deixou o Senado em novembro do ano passado, se intitulou líder da oposição ao governador Camilo Capiberibe (PSB). Recentemente ele criou um "governo paralelo" e tem anunciado a realização de algumas obras. Nesta tarde, em plena execução do trabalho, foi detido, assim como um operador, e teve o maquinário apreendido. O peemedebista garantiu que tem licença ambiental para realizar o serviço e afirmou que a prisão não passa de "perseguição".

A Polícia Militar, através da assessoria do governo do Estado, disse que o ex-senador foi detido e conduzido ao Centro Integrado de Operações Especiais (Ciosp) por não apresentar a licença. Ainda segundo a assessoria, a corporação teria sido avisada por populares. "Quando os policiais chegaram ao local, verificou-se que Gilvan Borges, com o uso de um trator, estava aterrando uma área de ressaca com o objetivo de colocar barras de concreto, às margens da referida rodovia, sem a devida licença dos órgãos ambientais para efetuar tal procedimento".

 

 

Chineses da linha de produção do Xbox ameaçam suicídio coletivo

Cerca de 300 chineses que trabalham na Foxconn, a maior fabricante de componentes eletrônicos do mundo, anunciaram no último dia 3 que iriam cometer um suicídio coletivo caso seus salários não fossem elevados.

Vermelho. org  - 12 de Janeiro de 2012 - 8h42

Os funcionários, que trabalham na linha de montagem do console Xbox, da Microsoft, teriam ameaçado jogar-se do topo do edifício depois que a companhia negou-lhes o pedido de aumento salarial. Eles permaneceram na cobertura do prédio por dois dias.

Segundo o jornal britânico The Sun, a Foxconn sugeriu que os insatisfeitos pedissem demissão e recebessem o salário deste mês. A companhia, contudo, não cumpriu sua parte do acordo, o que desencadeou a revolta dos funcionários.

O suicídio só foi evitado quando o prefeito de Wuhan convenceu o grupo de operários a retornar para o interior do prédio. Em entrevista à emissora norte-americana CBS, um porta-voz da Microsoft, uma das clientes da Foxconn, disse que sua empresa “leva a sério as condições de trabalho nas fábricas de seus produtos e que está investigando o caso”.

Fábrica de suicídios

Segundo matéria publicada pelo site italiano Linkiesta e reproduzida no Brasil pela revista Samuel, em 2010, 14 funcionários da Foxconn cometeram suicídio em protesto contra as péssimas condições de trabalho e as baixas remunerações.

A companhia, então, comprometeu-se a rever o número de horas de trabalho, os salários e as horas extras de seus operários. A Sacom (Estudantes e Acadêmicos contra o mal-comportamento corporativo, na sigla em português) revelou, contudo, que a promessa não foi cumprida.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=173066&id_secao=9

 

Mais uma demonstração da competência de gerenciamento em São Paulo. A obra pertence a Secretaria do Estado da Cultura, secretário Andrea Matarazzo. Se o governo fosse do PT a manchete destacaria que é uma obra pública e cobraria o secretário.

Do Estado

Homem morre após laje de prédio em construção desabar em São Paulo


Bombeiros enviaram nove viaturas para o bairro Vila Nova Cachoeirinha; helicóptero presta apoio

12 de janeiro de 2012 | 16h 07 

Priscila Trindade, do estadão.com.br

O texto foi atualizado às 17h07.

SÃO PAULO - Um homem morreu e seis pessoas ficaram feridas no desabamento da laje de um prédio em construção na tarde desta quinta-feira, 12, na Avenida General Penha Brasil, no bairro Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 15h20 na altura do número 2.555 da via.

O edifício que desabou pertence à Secretaria de Estado da Cultura. A unidade da Fábrica de Cultura seria inaugurada em abril. Uma equipe de engenheiros da pasta está no local. O projeto - com espaço para ateliês e espetáculos - já está em funcionamento em três unidades: em Itaim Paulista, na Vila Curuçá e em Sapopemba.

As vítimas foram resgatadas dos escombros e encaminhadas para hospitais da região. Não há detalhes sobre seu estado de saúde delas. O Corpo de Bombeiros enviou nove viaturas para o local. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também auxiliam nos trabalhos de resgate. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, foi acionado e presta apoio. A área foi isolada para a execução dos trabalhos.

No momento, chove fraco na região. As causas do desabamento serão investigadas. Após a finalização dos trabalhos de resgate, a Defesa Civil fará uma vistoria no edifício para avaliar a estrutura do edifício e decidir se haverá interdição.

 

Gilberto .    @Gil17

Desculpe-me o e-mail mas quero permanecer anônimo.

http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/01/blogueira-yoani...

 

A blogueira Yoani e suas contradições

 

A cubana Yoani Sánchez publicou um vídeo on-line pedindo ajuda à presidente Dilma Rousseff para vir ao Brasil. É sua quinta tentativa de viajar ao país. No vídeo, divulgado pelo site "R7", ela diz ser impedida pelo governo de sair de Cuba. Escrevendo em um blog a partir de Havana, Yoani se tornou uma das principais vozes críticas ao governo de Cuba.


Contradições Então eu me recordo de um artigo escrito no jornal Correio Braziliense em 2009--O mundo soube que, a 7 de novembro de 2009, a blogueira cubana Yoani Sánchez teria sido golpeada nas ruas de Havana. Segundo relato dela, “jogaram-me dentro de um carro... arranquei um papel que um deles levava e o levei à boca. Fui golpeada para devolver o documento. Dentro do carro estava Orlando (marido dela), imobilizado por uma chave de karatê... Golpearam-me nos rins e na cabeça para que eu devolvesse o papel... Nos largaram na rua... Uma mulher se aproximou: “O que aconteceu?” “Um sequestro”, respondi. www.desdecuba.com/generaciony      e   www.desdecuba.com/generaciony Três dias depois do ocorrido nas ruas da Havana, Yoani Sánchez recebeu em sua casa a imprensa estrangeira. Fernando Ravsberg, da BBC, notou que, apesar de todas as torturas descritas por ela, “não havia hematomas, marcas ou cicatrizes” (BBC Mundo, 9/11/2009). O que foi confirmado pelas imagens da CNN. A France Press divulgou que ela “não foi ferida.” Na entrevista à BBC, Yoani Sánchez declarou que as marcas e hematomas haviam desaparecido (em apenas 48 horas), exceto as das nádegas, “que lamentavelmente não posso mostrar”. Ora, por que, no mesmo dia do suposto sequestro, não mostrou por seu blog, repleto de fotos, as que afirmou ter em outras partes do corpo? Havia divulgado que a agressão ocorreu à luz do dia, diante de um ponto de ônibus “cheio de gente”. Os correspondentes estrangeiros em Cuba não encontraram até hoje uma única testemunha. E o marido dela se recusou a falar à imprensa. O suposto ataque à blogueira cubana mereceu mais destaque na mídia que uma centena de assassinatos, desaparecimentos e atos de violência da ditadura hondurenha de Roberto Micheletti, desde 27 de junho de 2009. Yoani Sánchez nasceu em 1975, formou-se em filologia em 2000 e, dois anos depois, “diante do desencanto e da asfixia econômica em Cuba”, como registra no blog, mudou-se para a Suíça em companhia do filho Téo. Ali trabalhou em editoras e deu aulas de espanhol. Em 2004, abandonou o paraíso suíço para retornar a Cuba, que qualifica de “imensa prisão com muros ideológicos”. Afirma que o fez por motivos familiares. Quem lê o blog fica estarrecido com o inferno cubano descrito por ela. Apesar disso, voltou. Não poderia ter assegurado um futuro melhor ao filho na Suíça? Por que regressou contra a vontade da mãe? “Minha mãe se recusou a admitir que sua filha já não vivia na Suíça de leite e chocolate” (blog dela, 14/8/2007). Na verdade, o caso de Yoani Sánchez não é isolado. Inúmeros cubanos exilados retornam ao país após se defrontarem com as dificuldades de adaptação ao estrangeiro, os preconceitos contra mulatos e negros, a barreira do idioma, a falta de empregos. Sabem que, apesar das dificuldades pelas quais o país atravessa, em Cuba haverão de ter casa, comida, educação e atenção médica gratuitas, e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos, comparados ao resto da América Latina. O que Yoani Sánchez não revela em seu blog é que, na Suíça, implorou aos diplomatas cubanos o direito de retornar, pois não encontrara trabalho estável. E sabe que em Cuba ela pode dedicar tempo integral ao blog, pois é dos raros países do mundo em que desempregado não passa fome nem mora ao relento. O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias miseráveis debaixo dos viadutos... Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem. Se há tanta falta de liberdade em Cuba, como Yoani Sánchez consegue, lá de dentro, emitir tamanhas críticas? Não se diz que em Cuba tudo é controlado, inclusive o acesso à internet? Detalhe: o nicho Generación Y de Sánchez é altamente sofisticado, com entradas para Facebook e Twitter. Recebe 14 milhões de visitas por mês e está disponível em 18 idiomas! Nem o Departamento de Estado dos EUA dispõe de tanta variedade linguística. Quem paga os tradutores no exterior? Quem financia o alto custo do fluxo de 14 milhões de acessos? Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidade. A resistência de Cuba ao bloqueio norte-americano, à queda da União Soviética, ao boicote de parte da mídia ocidental, incomoda, e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão em mais de 70 países atuando, sobretudo, como médicos e professores. O capitalismo, que exclui 4 bilhões de seres humanos de seus benefícios básicos, não é mesmo capaz de suportar o fato de 11 milhões de habitantes de um país pobre viverem com dignidade e se sentirem espelhados no saudável e alegre Buena Vista Social Club.

 

Justiça | 15:06

Jurista defende pena de morte para bandidos de togaCompartilhe: Twitter

Um dos mais prestigiados juristas da área trabalhista, Calheiros Bomfim, enviou um artigo à Ordem dos Advogados do Brasil (seção Rio de Janeiro) dizendo que, se fosse necessário abrir uma exceção para validar a pena de morte, ela deveria existir para aniquilar juízes corruptos.

Famoso por ter escrito o Dicionário de Decisões Trabalhistas, Bomfim comenta que os juízes brasileiros ganham mais que os de outros países, desfrutam de diversas benesses e, devido à formação necessária e natureza de sua atividade, não podem se comparar a bandidos comuns quando cometem crimes.

No texto, Bomfim sai em defesa da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon.

- Se, portanto, houve injustiça na afirmação da ministra Eliana Calmon, certamente não foi com os bandidos de toga.

http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2012/01/12/jurista-defende-pena-...

A manchete está exagerada: o jurista fala de "SE fosse necessário", logo subentende-se que ele não acha que seja, pretende somente enfatizar a imensa gravidade dos crimes perpetrados pelos "bandidos de toga", muito maior que a dos criminosos "comuns". Nesse sentido, concordo com ele em número e grau, o que não faria se ele preconizasse a pena: pena de morte é um resquício de barbárie inadmissível em nossa sociedade. O que deve ser guilhotinado é o salário que é mantido intocado para os bandidos togados: deviam ser expulsos, ter os direitos cassados, perder o salário, aposentadoria e tudo o mais, além de penalizados com altíssimas multas pelo que fizeram contra a sociedade da altura de seus postos.

E apoiemos a Eliana Calmon!

 

"O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas" Nelson Rodrigues

QUANTAS VEZES AS MENINAS DO BBB SE MASTURBARAM? POIS O "CADERNO DE CULTURA"  DO GLOBO CONTOU E REVELOU PARA SEUS LEITORES

Em entrevista publicada em seu blog, o pintor Antonio Veronese faz duras críticas à Tv Globo e ao Jornal O Globo.

- "Duas meninas fritam ovo na cozinha, conversam abobrinhas e o país quase todo assiste a isso" ...

- "É a 'estupidificação' coletiva" ...

- "Televisão é concessão de Estado. Tem que ter contrapartida de interesse pública. TV não é só diversão, só circo ..."

- "Dizer que o povo gosta de porcaria é conversa afiada. O povo consome o que lhe é dado. A televisão não custa nada. Mas ir ao cinema, ao teatro custa dinheiro. Aí, o povo, consome esta porcariada toda. Essa televisão vazia, com falsos talentos..."

- "O país da Bossa Nova, quem diria, acabou no Irajá"

- Com todo respeito, "Dr Roberto Marinho se virou no tumulo.. "

Entrevista imperdível:
  http://www.youtube.com/watch?v=lzefF9i_Ucw&feature=player_embedded

 

Da agência Brasil

Relatório do Coaf não direcionou investigações na Justiça paulista, diz Eliana Calmon


12/01/2012 - 8h02

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As investigações sobre movimentações financeiras atípicas na Justiça de São Paulo (TJ-SP) não foram direcionadas pelo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), informou a corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon. Desde o início da polêmica entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os magistrados paulistas, a corregedora vem sendo acusada de usar dados sigilosos do órgão financeiro para fazer uma devassa no estado.  

“O relatório do Coaf apontava apenas gráficos com informações gerais de cada estado, mostrando onde havia maior concentração de movimentações fora do normal, sem dar nomes nem números de CPF [Cadastro de Pessoa Física]”, explicou a ministra em entrevista à Agência Brasil. De acordo com ela, o Coaf só fornece relatórios detalhados ao CNJ quando há processo instalado contra um magistrado específico.  

Em julho de 2010, ainda na gestão de Gilson Dipp, a Corregedoria do CNJ solicitou ao Coaf um levantamento sobre as movimentações financeiras atípicas do Judiciário. Foi delimitado um período de busca entre 2006 e 2010 para evitar possíveis prescrições. Também foram excluídos os tribunais superiores. O relatório chegou apenas em fevereiro de 2011, quando Eliana Calmon já havia assumido o posto.

De um universo de 216,8 mil juízes e servidores, o Coaf encontrou 3.426 movimentações acima do esperado (mais de R$ 250 mil por ano), 233 delas classificadas como atípicas. Os estados com as transações maiores eram São Paulo, o Rio de Janeiro e a Bahia. A corregedoria optou por investigar primeiro a Justiça Paulista – a Bahia já foi inspecionada duas vezes (em 2008 e 2010) e o Rio de Janeiro seria o próximo destino.

Segundo Calmon, sua equipe chegou a São Paulo no início de dezembro com a ideia de investigar cerca de 50 nomes que já eram alvo de reclamações no CNJ. "Pegamos esses nomes por amostragem, pois era impossível olhar tudo. Se fossem 236 mil pessoas investigadas não seria uma listagem, seria uma serpentina". Apesar de algumas resistências, a corregedora afirmou que os funcionários da corte paulista forneceram mais informações que a listagem inicial solicitada por sua equipe.

“Vimos que muitos magistrados não haviam fornecido cópia do Imposto de Renda e que havia declarações de bens que sequer foram analisadas porque os envelopes ainda estavam lacrados”, contou a corregedora, lembrando que a inspeção foi tranquila na Justiça do Trabalho e na Justiça Militar. “A resistência só apareceu mesmo quando chegamos ao Tribunal de Justiça”.

O cruzamento dos dados colhidos não começou porque o trabalho foi suspenso pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 19 de dezembro, ele concedeu uma liminar paralisando as investigações enquanto a corregedoria não esclarecesse a forma como estava atuando. Lewandowski suspeitava de supostas irregularidades na quebra de sigilo de milhares de juízes, servidores e familiares.

A corregedoria deve anexar essas informações ao processo nesta quinta-feira (12), incluindo o relatório do Coaf que gerou desconfiança em entidades de juízes e ministros do STF, como Marco Aurélio Mello. No entanto, o caso só deve voltar a ser analisado pelo plenário do STF em fevereiro, quando termina o recesso judiciário. O relator original do caso é o ministro Joaquim Barbosa, que foi substituído temporariamente por Lewandowski por não estar no tribunal quando o caso chegou ao STF.

A corregedoria do CNJ alerta que caso o Supremo autorize a retomada do trabalho no Tribunal de Justiça de São Paulo, é possível que apareçam irregularidades diferentes das já conhecidas - antecipações de verbas vultosas a desembargadores, liberação de valores indevidos a magistrados e pagamento de correções monetárias e diferenças salariais por critérios pouco claros. Segundo a corregedoria, o Coaf não considera atípicos os pagamentos originários do próprio tribunal a magistrados e servidores.

Edição: Graça Adjuto e Talita Cavalcante 
 

 

Gilberto .    @Gil17

Olá, Nassif e comentaristas!

Vamos voltar a discussão sobre Nietzsche?

Um bom artigo pra começar:

 

http://migre.me/7vsjL

 

Essa amteria saiu no conversa afiada do PHA ... aqui no Brasil o "jornalista" Augusto Nunes divulgou essa teoria de que a  presidenta argentina teria inventado o Cancer....

 

“Só falta o PiG lamentar que
Presidenta não tem câncer”

Publicado em 12/01/2012

Como se sabe, o grupo Clarin é a Globo da Argentina.

Como se sabe, no Brasil, o câncer de presidentes e vice-presidentes (trabalhistas) são matéria de especulação no PiG.

Como se sabe, no Brasil próstata de tucana não cresce.

Como se sabe, o Brasil não tem, mas na Argentina tem uma Ley de Medios.

Isto posto, leiam o que publicou a Carta Maior:

“Só falta o Clarín lamentar o fato de a presidenta não ter câncer”
Para o secretário-geral da presidência argentina, Oscar Parrilli, o Clarín “ultrapassou todos os limites éticos e morais, ao tentar mudar a realidade, mentir, tergiversar e difamar”. Ele acusou o jornal de ter “iniciado uma loucura” após saber que a presidenta tinha um tumor benigno e não cancerígeno. “Olhem a manchete de ontem, quase dizendo “que lástima, não era câncer”. Hoje estão vendo se colocam a culpa no governo, que mente, informa mal…”, criticou. O artigo é de Francisco Luque.

Francisco Luque – Direto de Buenos Aires

Após a exitosa operação que descartou o diagnóstico de câncer de tireoide em Cristina Fernández de Kirchner, o jornal Clarín vem insistindo em colocar em dúvida a transparência e veracidade dos informes médicos da presidenta argentina. “Só falta o Clarín lamentar o fato de a presidenta não ter câncer”, disse o secretário-geral da Presidência, Oscar Parrillo, em entrevista de rádio.

Em sua edição do último domingo, o Clarín fez um extenso informe onde põe em dúvida o conteúdo dos estudos histopatológicos e o rigor do Centro Diagnóstico Maipú, lugar desde onde se divulgou o primeiro estudo realizado pela presidenta Cristina Fernández e que revelou a presença de células cancerígenas. Os dardos do Clarín também foram dirigidos contra a Unidade Médica Presidencial. Para o governo argentino esta é mais uma das jogadas executadas pelo grupo midiático com quem está se enfrentando há algum tempo.

Cristina Fernández foi operada no dia 5 de janeiro no Hospital Austral de Buenos Aires, com o objetivo de extrair a glândula tireoide, que estaria afetada por um tumor maligno. Após a operação e os exames laboratoriais, concluiu-se que o tumor não apresentava características cancerígenas.

Para Parrilli, o Clarín “ultrapassou todos os limites éticos e morais, ao tentar mudar a realidade, mentir, tergiversar e difamar”. Ele acusou o jornal de ter “iniciado uma loucura” após saber que a presidenta tinha um tumor benigno e não cancerígeno, como havia sido anunciado antes da operação. “Olhem a manchete de ontem, quase dizendo “que lástima, não era câncer”. Hoje estão vendo se colocam a culpa no governo, que mente, informa mal…”, respondeu. Se não tivéssemos tornado tudo público, desde o início, o que teriam dito? – perguntou, referindo-se ao Clarín.

A Unidade Médica Presidencial também se manifestou e assinalou em um comunicado que “diante das mal intencionadas publicações do diário Clarín, de domingo, em suas páginas 3 e 4, colocando em dúvida o conteúdo dos estudos histopatológicos do Centro de Diagnóstico Maipú, nos vemos na obrigação de divulgar o diagnóstico feito em 22 de dezembro de 2011, tal qual foi comunicado cinco dias mais tarde na Casa de Governo e que resultou na intervenção cirúrgica na chefe de Estado”.

Este diagnóstico do centro mencionado foi subscrito por dois médicos especialistas. O informe não questiona o profissionalismo dos especialistas, já que os resultados estão contemplados dentro dos 2% das estatísticas sob a denominação de “falso positivo” e que só pode se verificar uma vez realizada a intervenção cirúrgica e extraído o órgão afetado, assinala o comunicado. A unidade médica afirmou ainda que absolutamente tudo que ocorreu foi tornado público. “É um fato médico que ocorre em 2% dos casos. Ela é o 100% desses 2% e isso tem que nos alegrar”.

O diretor do Centro de Diagnóstico Maipú, Jorge Carrascosa, defendeu a trajetória do estabelecimento após o comunicado da Unidade Médico Presidencial onde divulgaram o primeiro estudo realizado na presidenta Cristina Kirchner, e afirmou que nessa instituição é “a primeira vez” que ocorre um diagnóstico de “falso positivo”. “Nunca tivermos um falso positivo, é a primeira vez que isso nos ocorre”, disse Carrascosa, acrescentando que a clínica foi uma das primeiras na Argentina a realizar esse tipo de estudo.

Para Parrili, o Clarín agora quer jogar a culpa na medicina argentina. “Não tem cara para defender abertamente seus interesses nefastos. Todos os informes divulgados sobre a saúde da presidenta demonstraram que a comunicação foi correta e que a intenção de macular o trabalho dos médicos que cuidaram dela veio das mãos do Clarín”.

A presidenta não tem câncer, mas para o Clarín isso não basta. Doente ou não, algo estaria sendo ocultado. Isso ficou demonstrado com a intervenção do jornalista Nelson Castro, funcionário do Clarín, em programas de rádio e televisão, que apresentou detalhes que teriam sido revelados por fontes em off de suspeitos “arranjos obscuros” por parte da Unidade Médica Presidencial. Segundo ele disse em seu programa na rádio Mitre, “houve uma médica que observou a pela e disse mais ou menos o seguinte: eu não teria sido tão contundente, não fica tão claro que se trata de um carcinoma papilar. Eu teria utilizado a palavra neoplasia. E não teria definido se é benigno ou maligno”. Quem é a especialista em questão. Ninguém sabe.

Segundo o jornalista do Grupo Clarín, “isso é o que ocorreu, a realidade dos fatos que aconteceram. É um papelão para a medicina argentina. Não tem tanto a ver com o diagnóstico do Centro Maipú, que teria dito ‘compatível’, deixando aberta a possibilidade da dúvida. Tem a ver com a administração equivocada da Unidade Médica Presidencial do tema comunicacional, porque se agiu sob o signo do medo”.

“Depois do que fizeram, não acredito em nada que venha da Unidade Médica Presidencial. Digo isso com muita dor porque há médicos respeitáveis. Acredito em quem me deu uma versão muito fidedigna”, concluiu o jornalista, ferrenho opositor do governo de Cristina Fernández.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/01/12/so-falta-o-pig-lamentar-que-presidenta-nao-tem-cancer/


 

alexandre toledo

A CBN mantém um programa de variedades às sextas-feiras, às 18h00, chamado Fim de Expediente. É comandado pelo ator Dan Stulbach, pelo economista Luiz Gustavo Medina e pelo dentista José Godoy. Sou ouvinte do programa desde que inicou há alguns anos. Fazem entrevistas interessantes, como foi o caso do programa com o ator Juca de Oliveira e com a atriz Denise Fraga, duas que eu assisti ao vivo, no Teatro Eva Herz na Livraria Cultura em São Paulo. Já faz alguma semanas que cobrei pelo twitter que eles fizessem algum comentário sobre o livro "Privataria Tucana". Hoje, Luiz Gustavo Medina, publicou um post sobre o livro, mas também e principalmente sobre a cobrança que sofreu por email e twitter para que falasse sobre o livro. Acusa de totalitários (!) os que cobram uma posição.


Como, pela primeira vez, alguém da grande mídia responde a um comentário meu e responde de forma civilizada e cortez, mesmo discordando, tenho que comemorar. Abaixo o post de Luiz Gustavo. Depois meu comentário. Depois a resposta dele ao meu comentário e a todos que o cobraram.

blogs e colunas / G1 – Fim de Expediente
 Blog do Dan Stulbach

O FIM DO FLA X FLU

 

Srs, o Zé tem uma máxima que tem se tornado insuportavelmente verdade: o Brasil virou um grande Fla x Flu !!! ou você é PT ou você é PSDB (ou se preferir anti PT). Esse, na minha opinião, foi o pior serviço prestado a nação por FHC e Lula – de alguma maneira dividiram o país ao meio.


Mas como diria Murphy – não existe nada ruim que não possa piorar e temo que hoje a discussão esteja tão pobre, tão ruim, tão míope – que não possamos nem chamar mais de Fla x Flu. Talvez um Come x Fogo (Comercial x Botafogo Ribeirão Preto) seja mais apropriado.


Até o estádio do Corinthians que se trata de uma opinião sobre cidadania e no maximo uma paixão por um clube, alguém consegue enfiar uma briga entre PT x PSDB no meio, de modo que ser contra o estádio, virou ser contra o Lula ????


Mas ainda podia piorar mais …. No último mês recebi anônimamente 3 livros “Privataria Tucana” e centenas de emails de pessoas ora cobrando porque não elogio, ora porque não critico o livro. Pensei comigo: isso tá virando uma “Sociedade Totalitarista”, pois querem me obrigar a falar sobre algo que não sei e algo que não quero ??!!


Então, resolvi, fazer o que 80% ou 90% de todas essas pessoas não fizeram e li o livro.


corta I


a) Eu NUNCA votei no Serra porque discordo de quase tudo que ele concorda


b) Eu NUNCA votei ou votarei no LULA porque não gosto do que ele representa


c) EU já votei no PT ou melhor em candidatos do PT diversas vezes (eu elegi a Marta !!!). Votei e me arrependo no Mercadante e sempre votarei no Eduardo.


d) Eu acredito que o FHC mudou o país.


Sobre o livro: entrem no site da CBN e vejam nos colunistas a quantidade de comentários diário de pessoas que ou são pagas por ambos os lados ou são desocupadas ou são malucas que falam a mesma coisa TODO DIA.


Eu não gostei do livro. Metade dele não continha nenhuma novidade, a outra metade é nefasta, porém não é possível concluir se é verdade ou não. Se for, alguém da Justiça que tome providências – se for mentira, os que foram citados no livro que tomem providências e ponto. Não é possível que com gente morrendo no RJ e em MG, com a Cracolândia em SP, com o Sarney por aí, as pessoas fiquem preocupadas em julgar ou cobrar as outras por uma opinião a respeito de um livro.


Sem perceber, estamos a cada dia que passa tornando o “jogo Brasil” um clássico menor. Já foi um Fla x Flu. Nesse ritmo, em 5 anos, vai ser a 5 série x 6 serie do colégio.




3 Respostas para “O FIM DO FLA X FLU”



  1. 1Gilberto Cruvinel:
    12 janeiro, 2012 as 11:56 am

    Dan,


    Sou ouvinte de seu programa FDE na CBN desde q iniciou. Já fui algumas vezes assistir ao vivo. Admiro e acompanho seu trabalho desde que o assisti atuar com o inesquecível Paulo Autran no teatro.


    Postei duas vezes no twitter te cobrando um comentário sobre o Livro “Privataria Tucana”. Por que fiz isso? Explico.


    Não sou filiado a nenhum dos lados do Fla x Flu que tb acho odioso. Já votei dos dois lados qdo julguei q devia. O que questiono é o seguinte. No último ano, caíram 6 ou 7 ministros por corrupção ou tráfico de influência. A imprensa fez o seu papel: informou e cobrou. Em muitos casos não havia provas, só indícios. A mídia foi atrás e não deu folga. Está certíssimo. Quem paga a conta somos nós, contribuintes. O dinheiro é público.


    No caso das privatizações, um jornalista que já trabalhou e ganhou prêmios em gdes jornais como O Globo, fez uma extensa investigação, o trabalho mais nobre de um jornalista, investigar. Apurou farta documentação (toda obtida de forma legal) mostrando a abertura de empresas em paraísos fiscais por pessoas próximas a quem privatizou, a transferência de dinheiro entre quem comprou empresas e estatais e pessoas muito próximas a quem privatizou. Além disso, o livro é uma aula sobre como se lava dinheiro no Brasil.
    Um assunto árido que foi traduzido para o público leigo. Sucesso de Vendas. Mais de 100.000 exemplares em pouco mais de 1 mês.


    O que vemos? Um absoluto silêncio da grande mídia. Um ou outro comentário, como do Merval na CBN, tentando desqualificar o autor, com quem o Merval trabalhou em O Globo. Nenhuma linha sobre as denúncias em si. Nada.


    Seu programa na CBN tem quadros onde semanalmente mostra o ridículo que são nossos políticos qdo são pegos com a boca na botija. Acho genial que o programa cobre os políticos. Todos. Dos dois lados.


    Esse é o meu questionamento. Cobrem dos dois lados com as mesma intensidade, agudeza e inteligência. Não subestimem a inteligência do ouvinte. A roubalheira tucana é tão nefasta quanto a roubalheira petista. As duas prejudicam o país. No caso das privatizações, além da propina enviada a paraísos fiscais, as estatais, tipo Vale do Rio Doce, foram vendidas na bacia das almas. Patrimôniio público rentabilíssimo que hoje engorda o lucro de transnacionais.


    Agradeço pelo post que mostra que você não tem medo de expor suas posições. Eu também não escondo as minhas. Jamais fiz comentários anônimos na internet. Meu blog está indicado acima.


    Abraço do fã
    Gilberto Cruvinel


  2. 2Gilberto Cruvinel:
    12 janeiro, 2012 as 12:07 pm

    Luiz Gustavo,


    Perdoe-me pelo erro que cometi em meu comentário, endereçando-o ao Dan. Não tinha percebido que o post foi enviado por você. Mas acho que, tirando os elogios ao trabalho de ator do Dan, o restante do comentário não muda.


    Agradeço pela atenção
    Gilberto Cruvinel


  3. 3luiz gustavo medina:
    12 janeiro, 2012 as 1:20 pm

    Gilberto,


    o post não era endereçado somente a você – mas vamos lá.


    O silencio não pode ser também devido ao Natal, ferias, ano novo ???


    O silencio não pode ser porque o assunto é complexo. Eu que sou economista por exemplo, tive dificuldade de entender a explicação da lavagem de dinheiro, ou seja, talvez as pessoas estejam ainda “em processo …


    Sobre o nosso programa, nos criticamos os politicos, ministros, autoridades sempre que elas merecem. Como o PT é Governo, é natural que na esfera federal as criticas recaiam mais sobre ele, mas quando nosso programa era local e falavamos muito mais de SP do que falamos hoje, os politicos mais citados sempre foram do PSDB e do DEM pelas mesmas razões.


    Por fim o que está me incomodando é que tudo tem que ser um Fla x Flu e o sujeito não pode ter uma opiniao qualquer ou ainda mais, não ter opinião alguma que é o meu caso sobre Belo Monte, por exemplo.

 

 

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1212075&tit=Numero-de-homicidios-aumentou-em-estados-com-menos-presos

 

Número de homicídios aumentou em estados com menos presos

 

A única exceção no quadro é o Rio de Janeiro, que tem o menor número de presos por assassinatos do Brasil e, ainda assim, conseguiu reduzir o número de homicídios de 51 para 26,2 por 100 mil habitantes

 

12/01/2012 | 09:40 | Agência O Globo

Estados brasileiros que prenderam mais registraram menos homicídios. Levantamento feito pelo Globo com base nos dados do Sistema Nacional de Informação Penitenciária (InfoPen) do Ministério da Justiça e do Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, revela que as unidades da Federação em que há menos presos por homicídio do que a média nacional viram, na década passada, a taxa de assassinatos aumentar 16 vezes mais em comparação aos estados com população carcerária maior.

Em 12 estados do grupo que tem menos presos houve aumento no número de assassinatos, incluindo a Bahia, que teve uma explosão no índice de homicídios, passando de 9,4 por 100 mil habitantes para 37,7 por 100 mil habitantes entre 2000 e 2010. Alagoas, o estado mais violento do Brasil, também tem menos presos pelo crime do que a média nacional. Lá, em dez anos, o índice de assassinatos subiu de 25,6 para 66,8 por 100 mil habitantes.

A única exceção no quadro é o Rio de Janeiro. Segundo os dados do InfoPen, o estado tem o menor número de presos por assassinatos do Brasil e, ainda assim, conseguiu reduzir o número de homicídios de 51 para 26,2 por 100 mil habitantes.

Na outra ponta, em cinco dos 14 estados com mais presos (Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Pernambuco, além do Distrito Federal) houve queda nas taxas de assassinatos. O estado que mais reduziu o crime é São Paulo. Passou de 42,2 para 13,9 homicídios por 100 mi habitantes. Em outros dois (Rondônia e Acre), os indicadores mantiveram-se estáveis.

A taxa de detentos cumprindo pena por homicídios simples, qualificado e latrocínio no Brasil é de 36,9 presos por 100 mil habitantes. Em 13 estados as populações carcerárias de homicidas estão abaixo desse total. Na média, os assassinatos nesses estados cresceram 62,9% na década passada ante 3,8% dos 14 estados que têm mais detentos.

Coincidência divide especialistas

Para o coordenador do Mapa da Violência, o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, os números mostram como o encarceramento é um fator fundamental para a diminuição das taxas de assassinato.

"Mostra que a força policial, o Ministério Público e o Judiciário estão funcionando. Tirar o criminoso da rua é diminuir a impunidade e diminuir a impunidade é desestimular a violência", diz Waiselfisz.

O sociólogo Luiz Flávio Sapori, professor da PUC-MG e ex-secretário de Segurança de Minas Gerais, concorda que há relação entre o aprisionamento e a taxa de homicídio.

"O estado que aprisiona pouco tende a ser fomentador de impunidade e isso alimenta a violência", garante.

Segundo ele, porém, é preciso relativizar a conexão estabelecida pelos números. "Primeiro que prender muito não é prender bem. É importante equipar as defensorias públicas para garantir acesso dos mais pobres à Justiça. Além disso você pode gerar mais criminalidade misturando presos de baixa periculosidade com presos violentos e perigosos. Por isso, é necessário ter prisões e medidas diferenciadas para as populações carcerárias."

Para o jurista e professor Luiz Flávio Gomes, a redução no número de homicídios não está diretamente relacionada ao aumento no número de prisões.

"Existe a questão da qualidade da investigação que passa por uma polícia técnica e científica eficiente. Temos de observar as políticas de educação e conscientização da população. E existem fatores como a migração dos grupos criminosos para áreas em desenvolvimento econômico, como o Nordeste. A questão é complexa", diz.

Ainda assim, para Gomes, o aumento no número de prisões é um sinal de "reação do poder público à criminalidade". "Mostra que em alguma medida houve esforço do Poder Público. Mas é preciso outras ações, porque não se pode aumentar esse encarceramento eternamente. Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do planeta e nem por isso crimes relacionados ao tráfico, por exemplo, estão diminuindo."

Na visão da coordenadora geral da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, Cristina Neme, não é possível estabelecer causalidade entre os dois fatores sem levar em conta outras variáveis.

"O número reflete um desempenho da atividade policial, mas não dá pra estabelecer essa conexão sem levar diversos outros fatores que aí não aparecem", explica.

Segundo ela, boa parte dos homicídios surgem a partir de conflitos interpessoais sobre os quais o encarceramento tem pouca efetividade.

"São discussões do dia a dia que devido à presença da arma de fogo viram homicídios", diz Cristina.

Segundo ela, a retirada de armas de fogo de circulação e a adoção de políticas de prevenção são fatores mais confiáveis para explicar a redução no total de assassinatos.

 

 


TST: Gerente de banco humilhada pela chefia vai receber R$ 100 mil 
Jornal do BrasilBrasília Tamanho do Texto:+A-AImprimir

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O Itaú-Unibanco foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais a uma gerente submetida a situação vexatória e degradante num evento da empresa. No encontro, que reuniu 400 gerentes em Angra dos Reis (RJ), o desempenho de sua agência foi considerado ruim, e ela e outros colegas foram obrigados a fazer flexões, “como soldados”, sob as ordens de um ator caracterizado como sargento da Aeronáutica.


A condenação, fixada pela Justiça do Trabalho da 2ª Região (SP), foi mantida pela 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que considerou o valor pautado “pelo princípio da razoabilidade, obedecendo aos critérios de justiça e equidade”.


O caso


Entre outras funções, a bancária M.M.F. exerceu o cargo de gerente de agência de abril de 1978 a agosto de 2002, quando foi dispensada sem justa causa. Conforme a inicial da reclamação trabalhista, dois meses antes da dispensa, o banco realizou o evento em Angra dos Reis, em uma base da Aeronáutica. Os organizadores teriam anunciado que os gerentes das boas agências iriam de barco, os das médias de ônibus e os das ruins “a nado”.


Ainda de acordo com a petição, no último ano de contrato, depois de receber prêmios por bom desempenho, a gerente foi transferida para uma agência considerada ruim e improdutiva pelo banco. Ali, foi apontada como péssima gerente e, segundo afirmou, o diretor chegou a lhe enviar pés de pato para que fosse nadando para o evento, e, para outro colega, obeso uma boia de câmara de pneu de caminhão.


No encontro, os gerentes teriam sido obrigados a vestir camisetas com braçadeiras de cores diferentes conforme o desempenho de cada agência, e os responsáveis pelas agências de pior desempenho foram, segundo a autora da reclamação, humilhados e expostos ao ridículo no episódio das flexões. Por essa razão, pediu indenização por danos morais correspondente a 20 vezes o último salário, num total de cerca de R$ 109 mil.


Indenização


O pedido foi deferido pela 3ª Vara do Trabalho de São Paulo e mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Com base no depoimento da bancária e de outras testemunhas, o TRT concluiu que a gerente sofreu humilhação e constrangimento na presença dos demais participantes, ao ser colocada no centro das atenções como alvo de chacotas, fato que repercutiu na agência. “O empregador não pode, a pretexto de 'brincadeiras', expor o empregado a situação vexatória, indigna e atentatória à moral”, está no acórdão.


No recurso do banco ao TST, o relator da causa, ministro Pedro Paulo Manus, afirmou que, diante dos fatos delineados pelo TRT-SP, o valor da indenização foi justo e razoável, pois o contrato de trabalho durou mais de 24 anos. Concluiu, então, não se justificar a “excepcional intervenção do TST” para reformar a decisão.  


 


Tags: danos morais, encontro, indenização, itaú-unibanco, tst
 

do iG


 


Governo | 06:01
Lei Rouanet fecha 2011 com calote de R$ 11,7 milhões
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O Ministério da Cultura não sabe onde foram parar R$ 11.793.664,22 captados por produtores culturais por meio da Lei Rouanet.


Pelo segundo ano, Poder Online pede ao MinC o balanço do Programa Nacional de Apoio à Cultura e o quadro de inadimplência é o mesmo.


Das 351 prestações de contas analisadas em 2011 pelo técnicos do MinC, 45 foram reprovadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) depois de instaurados processos de tomada de contas especial – leia-se cobrança.


Entre os motivos dos processos estão a omissão das despesas e a irregularidade na aplicação dos recursos. O mais grave: prefeituras, governos estaduais e instituições públicas constituem a maior parte destes produtores inadimplentes.


Neste momento, seis produções, cuja captação soma R$ 1.060.301 tiveram suas contas reprovadas em 2011 mas ainda podem escapar de processos no TCU. Os produtores foram notificados e estão dentro do prazo de 30 dias para justificar os itens que não passaram pelos técnicos.


Prestações de contas de 300 projetos, equivalentes a R$ 88.139.233,38 em recursos captados, foram aprovados em 2011.

 

"Tá vendo tudo/E fica aí paradoCom cara de viado/Que viu caxinguelê" e-mail Imprimir comentar11 de janeiro de 2012 às 20:06Maierovitch: O silêncio sepulcral de FHC sobre operação na Cracolândia

por Wálter Fanganiello Maierovitch, em Terra Magazine

No ano passado, o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso, que nos dois mandatos presidenciais se submeteu à política norte-americana de guerra às drogas (war on drugs) de seu guru, o então presidente Bill Clinton, virou casaca, trocou bandeira.

FHC, em busca de um palanque internacional para concorrer com o então presidente Lula, reuniu antigos presidentes e dirigentes fracassados por adesão à guerra às drogas e submissão aos EUA para deitar sabedoria quanto às novas políticas sobre o fenômeno representado pelas drogas ilícitas no planeta.

Assim, FHC subiu ao palanque adrede preparado e vestiu panos de líder progressista, a encampar, como próprio, antigos posicionamentos antiproibicionistas. Até foi preparado um documentário, do tipo laudatório para exibição em cinemas, que não se tornou campeão de bilheteria.

Dentre a turma dos “vira-casaca”, que usam a desculpa do “nós reconhecemos que erramos e agora vamos mudar”, destacam-se:

1) César Gaviria, ex-presidente da Colômbia ao tempo dos potentes cartéis de Cali, Medellín e Vale Norte. Gaviria admitiu que Pablo Escobar construísse, com recursos da venda internacional de cocaína, o presídio onde ficaria e poderia sair para passeios e dirigir, do banco de reservas, o seu time de futebol.

O povo chamava o presídio de “A Catedral”, pois era o santuário de Escobar, com obras de arte nas salas de reuniões do “capo da cocaína” e sistema de segurança para evitar bombardeamento por aviões da norte-americana DEA (Drug Enforcement Administration). Mais ainda, Gaviria fazia vista grossa para a Tranquilândia, o megacomplexo onde Pablo Escobar, chefão do Cartel de Medellín, mantinha o maior centro latino-americano de refino de cocaína: o povo deu o nome de Tranquilândia, pois a polícia jamais entrava lá.

2) Ernesto Zedillo, ex-presidente que decretou a falência do México, provocou uma crise econômica internacional até então sem precedentes e assistiu a indústria mexicana das drogas ilícitas obter lucros fabulosos.

3) Kofi Annan, ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), e responsável, quando no poder, pela manutenção do proibicionismo criminalizante convencionado na sede das Nações Unidas em 1961: a convenção de Nova York continua em vigor e os estados teocráticos membros da ONU e os EUA são contrários a qualquer tipo de mudança.

Como o tempo se incumbe de revelar farsantes, aquele que se promoveu a líder das causas corretas sobre políticas nacionais e internacionais sobre drogas, FHC mantém-se, passada mais de uma semana da operação iniciada na Cracolândia, em sepulcral silêncio.

Morador do bairro de Higienópolis, popularmente dividido em Higienópolis de Cima e Higienópolis de Baixo depois da luta pela não instalação de uma estação de metrô que levaria à circulação de transeuntes indesejados, FHC foi cobrado pelos vizinhos. Afinal, a ação prevalentemente policial no bairro da Luz, onde estavam confinados os toxicodependentes de crack, resultaria na migração para Higienópolis.

FHC, o novel especialista no fenômeno das drogas proibidas pelas convenções da ONU, não se manifestou sobre o denominado Plano de Ação Integrada Centro Legal, concebido pela dupla Alckmin-Kassab, respectivamente, governador do Estado e prefeito da capital.

Pelo silêncio, nem se sabe se gostou da deferência do governador por destacar um contingente da Polícia Militar para impedir que dependentes químicos de crack, estimados em 1.664 (400 habitam na Cracolândia), ousem, ainda que assutados pela violência policial, migrar para o “aristocrático” bairro de Higienópolis.

Com tal medida protetiva, FHC, certamente, vai poder abrir as janelas de seu apartamento sem risco de assistir a cenas motivadoras de algum pronunciamento.

Pano Rápido. A meta da operação de Alckmin-Kassab é “limpar” a Cracolândia de “indesejados viciados em crack”, antes admitidos quando interessava a política de confinamento.

O “limpa” vai dispersar os dependentes para novo “pogrom” na periferia, já que uma muralha de policiais militares evitará que ingressem nos bairros vizinhos de Higienópolis e Bom Retiro.

Wálter Fanganiello Maierovitch é jurista e professor

 

Do IONLINE.PT

Exército australiano envolvido em escândalo sexualPor Agência Lusa, publicado em 12 Jan 2012 - 08:44 | Actualizado há 2 horas 32 minutos

 

        

  • pornografiaAntónio Pedro Santos

 

O Exército australiano está envolvido num novo escândalo sexual, que inclui alegações de agressões, pornografia infantil, violações e drogas entre as suas fileiras, de acordo com o canal de televisão Seven News.

Documentos citados por aquele canal dão conta de “falhas de disciplina, na maioria dos casos muito graves, entre as forças armadas da Austrália”.

No ano passado foram registados mais de 100 incidentes entre as forças armadas australianas, desde percalços com armas a agressões sexuais, especialmente entre a Marinha, onde as alegações de má conduta em quatro navios de guerra estão a ser investigadas, referem os documentos.

Entre essas alegações sob investigação há dois casos que foram entregues à polícia, um referente a um oficial sénior que filmou encontros sexuais que teve com marinheiros juniores e o de uma marinheira que diz ter sido sexualmente agredida por um colega durante uma visita ao porto de Singapura.

De acordo com o canal Seven News, os documentos a que teve acesso também referem “acusações de pornografia infantil, tráfico de droga e violações”.

No ano passado, as forças armadas australianas viram-se envolvidas num escândalo despoletado uma jovem cadete de 18 anos que disse à imprensa ter tido sexo com um colega que alegadamente divulgou o encontro através do Skype para os amigos poderem assistir.

Este caso conduziu à realização de diversas investigações, que abrangeram colégios militares.

Um oficial da Marinha australiana foi em dezembro condenado a 18 meses de prisão por ter espancado uma jovem marinheira, alegando ter sido um teste à sua disciplina e obediência.

As Forças Armadas da Austrália afirmam em comunicado “não haver tolerância para violações ou falhas de segurança”, salientando que a “Defesa é uma grande organização com uma força laboral de mais de 103 mil militares e civis, que estabelece e espera de cada membro os mais altos valores e padrões de comportamento”.

“Uma organização é medida pela forma como responde a tais alegações e a Defesa respondeu prontamente a estes incidentes, incluindo a entrega de questões criminais às autoridades civis competentes”, conclui o comunicado.

 

 

Do IONLINE.PT

Exército australiano envolvido em escândalo sexualPor Agência Lusa, publicado em 12 Jan 2012 - 08:44 | Actualizado há 2 horas 32 minutos

 

        

  • pornografiaAntónio Pedro Santos

 

O Exército australiano está envolvido num novo escândalo sexual, que inclui alegações de agressões, pornografia infantil, violações e drogas entre as suas fileiras, de acordo com o canal de televisão Seven News.

Documentos citados por aquele canal dão conta de “falhas de disciplina, na maioria dos casos muito graves, entre as forças armadas da Austrália”.

No ano passado foram registados mais de 100 incidentes entre as forças armadas australianas, desde percalços com armas a agressões sexuais, especialmente entre a Marinha, onde as alegações de má conduta em quatro navios de guerra estão a ser investigadas, referem os documentos.

Entre essas alegações sob investigação há dois casos que foram entregues à polícia, um referente a um oficial sénior que filmou encontros sexuais que teve com marinheiros juniores e o de uma marinheira que diz ter sido sexualmente agredida por um colega durante uma visita ao porto de Singapura.

De acordo com o canal Seven News, os documentos a que teve acesso também referem “acusações de pornografia infantil, tráfico de droga e violações”.

No ano passado, as forças armadas australianas viram-se envolvidas num escândalo despoletado uma jovem cadete de 18 anos que disse à imprensa ter tido sexo com um colega que alegadamente divulgou o encontro através do Skype para os amigos poderem assistir.

Este caso conduziu à realização de diversas investigações, que abrangeram colégios militares.

Um oficial da Marinha australiana foi em dezembro condenado a 18 meses de prisão por ter espancado uma jovem marinheira, alegando ter sido um teste à sua disciplina e obediência.

As Forças Armadas da Austrália afirmam em comunicado “não haver tolerância para violações ou falhas de segurança”, salientando que a “Defesa é uma grande organização com uma força laboral de mais de 103 mil militares e civis, que estabelece e espera de cada membro os mais altos valores e padrões de comportamento”.

“Uma organização é medida pela forma como responde a tais alegações e a Defesa respondeu prontamente a estes incidentes, incluindo a entrega de questões criminais às autoridades civis competentes”, conclui o comunicado.

 

 

FOLHA -12/1/12


O "CRÉDITO" QUE FALTAVA


No último domingo, o "Fantástico" anunciou como inédita uma reportagem sobre a fraude a bombas de gasolina que rendeu ao jornalismo da Band uma indicação ao Prêmio Esso no ano passado.


 Na segunda, o "Jornal Nacional" deu crédito à concorrente...

 

Folha -12/1/12


 


Celular e e-mail fora do trabalho pode dar hora extra


 


Lei que altera CLT, sancionada pela presidente Dilma, acaba com distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância


Advogados entendem que funcionário possa receber adicional por trabalho com mensagens fora do expediente


MAELI PRADO
PRISCILLA OLIVEIRA
DE BRASÍLIA


Em tempos de popularização dos smartphones, uma lei que acaba com a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância, sancionada pela presidente Dilma Rousseff no final de 2011, já gera polêmica entre empregados e empregadores.


A legislação, que alterou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), diz que o uso de celular ou e-mail para contato entre empresas e funcionários equivale, para fins jurídicos, às ordens dadas diretamente aos empregados.


De acordo com advogados especializados, a mudança abre espaço para que funcionários que usam o celular para trabalhar após o horário de expediente, por exemplo, recebam horas extras por isso.


Até agora, a legislação trabalhista colocava no mesmo patamar o trabalho no escritório e o feito de casa, mas não mencionava o uso de tecnologias que permitem que o funcionário possa produzir onde quer que esteja.


"A CLT foi promulgada em 1943, quando não havia os meios de comunicação atuais", diz a advogada trabalhista Aparecida Hashimoto, do Granadeiro Guimarães Advogados. "Mesmo que o funcionário atenda uma ligação por cinco minutos, ele está trabalhando. Deveria ter direito a receber."


É uma interpretação oposta à de entidades empresariais, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria), que rebatem que o objetivo do projeto de lei do deputado Eduardo Valente, de 2004, que deu origem à mudança da CLT, era somente regular o trabalho à distância.


Ou seja, quando o funcionário tem acesso remoto inclusive ao sistema da empresa. "Para nós essa interpretação foi uma surpresa, porque o objeto, o sentido da lei era regular, garantir segurança, e não gerar insegurança", afirma Emerson Casali, gerente-executivo de Relações do Trabalho e Desenvolvimento Associativo da CNI.


REVISÃO


A mudança na legislação já faz com que o TST (Tribunal Superior do Trabalho) considere revisar uma súmula, de maio do ano passado, que estabelece que o uso de pagers ou celulares corporativos não caracteriza o "regime de sobreaviso".


Se o funcionário está de sobreaviso, a lei determina que a empresa pague a ele um terço do valor que desembolsaria na hora do expediente.


Com a alteração na CLT, o tribunal trabalha com três cenários possíveis para revisar a jurisprudência.


A primeira seria considerar o pagamento por regime de sobreaviso, um terço da hora trabalhada. A segunda seria considerar o contato via e-mail ou celular como hora normal de trabalho, e a terceira seria manter a súmula e não pagar nada a mais


 


 

 

Artigo: Crise chinesa no horizonte?Sinais de que o crescimento da segunda maior economia mundial será inferior à média dos últimos anos já preocupam o mundo11 de janeiro de 2012 | 23h 00 Robert J. Samuelson

A China também? Será possível que o gigante da economia mundial, que cresceu em média 10% ao ano durante 30 anos, esteja prestes a enfrentar uma desaceleração ou o que para a China seria uma recessão? Será que ela tem uma bolha imobiliária prestes a estourar? Quais seriam as consequências globais disso? Esta semana, o secretário do Tesouro Timothy Geithner visita China e Japão, e essas perguntas constituem o pano de fundo da sua visita. E, com a crise da Europa e a apática economia americana, uma séria desaceleração da economia chinesa seria uma péssima notícia.

A China tem um comportamento ambivalente. Sua política - principalmente a manutenção de uma moeda desvalorizada - é propositalmente distorcida para que ela se beneficie nos mercados mundiais. O custo disso é o corte de empregos nos Estados Unidos, na Europa e nos países desenvolvidos. No entanto, o seu vigor econômico é tão grande que uma desaceleração abrupta teria graves repercussões além de suas fronteiras. O comércio internacional seria profundamente afetado. O protecionismo chinês poderia se intensificar para compensar a perda de empregos. Se os excedentes de aço e de outras commodities invadissem os mercados mundiais a preços baixos, os preços e a produção em outras partes do mundo cairiam.

Já existem sinais de advertência. O economista Nicholas Lardy, do Peterson Institute, cita três deles. Em primeiro lugar, a crise da Europa enfraqueceu o intercâmbio com a China - a Europa compra cerca de 20% de suas exportações. Em segundo lugar, o setor da habitação está mostrando sinais de uma bolha e começa a encolher. Finalmente, o governo da China terá ainda mais dificuldade para adotar medidas de estímulo do que durante a crise financeira de 2008-09. A dívida do governo subiu de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, para 43% em 2010.

Não se sabe de que maneira todos esses elementos afetariam o seu crescimento. "Muito provavelmente, a China teria um pouso suave", diz Justin Yifu Lin, principal economista do Banco Mundial. "O crescimento é de 8% ou 8,5%". O que não chega aos 9% de 2011. A dívida do governo ainda é suficientemente baixa para permitir um amplo estímulo, acredita Lin. Muitas previsões concordam com ele.

Mas o ceticismo aumenta. Segundo a corretora japonesa Nomura, há uma possibilidade em três de um "pouso difícil" - queda do crescimento para 5% ou mesmo menos. Para os americanos, que neste momento têm crescimento de cerca de 2%, isso poderá parecer fabuloso. Mas, para a economia da China e sua enorme força de trabalho, um crescimento de 5% elevaria o desemprego e o descontentamento social. A guinada do PIB quase se equipararia ao declínio dos EUA na recessão de 2007-09.

A habitação poderá determinar quem está com a razão. A China investiu excessivamente neste setor, afirma Lardy em um novo livro (Sustaining China’s Economic Growth After the Global Financial Crisis). O motivo principal, afirma, é que a política financeira impede que os poupadores realizem retornos adequados sobre o seu dinheiro.

Acredita-se que há muita especulação no mercado acionário. A regulamentação mantém baixos os juros sobre os depósitos compulsórios dos bancos - o principal destino das poupanças. De 2004 a 2010, ficaram abaixo da inflação. Os poupadores frustrados passaram a investir em imóveis residenciais, cujos preços não são regulados.

O resultado parece uma clássica bolha especulativa. As pessoas compram porque acreditam que os preços subirão; e os preços sobem porque as pessoas compram. Uma pesquisa de 2010 mostrou que 18% das famílias de Pequim eram proprietárias de dois ou mais imóveis; outra pesquisa de 2010 que cobria todas as cidades concluiu que 40% das aquisições eram para investimento. Muitas unidades, informa Lardy, estão vazias porque os aluguéis em Pequim, Xangai e em outras grandes cidades são baixos.

Infelizmente, cada expansão gera uma crise. Os compradores reconhecem que o aumento dos preços reflete uma demanda artificial. As compras diminuem. Os preços caem. As novas construções declinam. O processo se realimenta. Com modestos desequilíbrios, o resultado é uma correção. De outro modo, haveria um colapso.

O que aguarda a China? O estouro de uma bolha imobiliária poderia acarretar desaceleração. A construção de casas supera os 10% do PIB. É uma alta histórica, diz Lardy. Num estágio semelhante do seu desenvolvimento econômico, os investimentos em imóveis em Taiwan correspondiam a 4,3% do PIB. No recente boom imobiliário nos EUA, a habitação apresentou um pico de 6% do PIB. Na China, a habitação estimula grande parte dos gastos com consumo (mobiliário, eletrodomésticos) e absorve 40% da produção de aço, observa Lardy. As vendas de terrenos também são uma grande fonte de receitas para os governos locais. Todos seriam afetados por uma crise da habitação.

Alguns fatores abrandam o problema. Fora de Pequim e de Xangai, não está claro se os preços das casas "se coadunam com o aumento da renda familiar", diz o economista Eswar Prasad da Cornell University. Os compradores chineses também fazem consideráveis pagamentos em dinheiro por seus imóveis. Em comparação com os EUA, uma crise da habitação teria menos probabilidade de se tornar uma crise do setor bancário quando as hipotecas deixassem de ser pagas.

O que quer que possa acontecer, o modelo econômico chinês está chegando ao limite, diz Lardy. O país depende das exportações, promovidas mediante o câmbio controlado, e dos investimentos, inclusive na habitação, subsidiados pelo crédito barato.

Ao mesmo tempo, os poupadores chineses foram punidos com baixos retornos sobre os depósitos. Isso reduz sua renda e os gastos com o consumo. O problema é que a crise global ameaça as exportações e os excessos no setor da habitação ameaçam os investimentos. Se a China não aumentar os gastos com o consumo, sua economia sofrerá uma desaceleração - ou conseguirá crescer empregando uma estratégia ainda mais predadora em relação aos outros países.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,artigo-crise-chinesa-no-horizonte,99121,0.htm

 

Mercado vê fim do ciclo de corte do juro só em abrilPesquisa do AE Projeções mostra mudança nas expectativas; em novembro, maioria apostava que Selic ia parar de cair em março11 de janeiro de 2012 | 23h 00 Flavio Leonel, Denise Abarca e Maria Regina Silva, da Agência Estado

O cenário de economistas do mercado financeiro sobre o futuro do ciclo de cortes na taxa básica de juros do Brasil continua tendo abril de 2012 como o provável mês de interrupção do processo de afrouxamento monetário iniciado pelo Banco Central (BC) em agosto. Esse é o retrato captado pelo Termômetro do serviço AE Projeções, da ‘Agência Estado’, que ouviu 39 instituições entre segunda-feira e ontem.

O levantamento também ratificou as avaliações de uma nova queda na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre na terça e quarta-feira da próxima semana.

Se comparado ao Termômetro divulgado às vésperas da reunião de novembro do Copom, o de janeiro mostrou tendência menos conservadora para o futuro dos juros e aumento da corrente dos economistas que apostam na continuidade do afrouxamento monetário. Em novembro, havia um número razoável de casas com previsão de interrupção do ciclo em janeiro ou em março.

Como de praxe, o Termômetro do AE Projeções não necessariamente trouxe as mesmas instituições consultadas no levantamento anterior. O intuito da coleta é mostrar se há uma migração relevante das diversas correntes de economistas para determinada tendência.

Na Link Investimentos, o economista Thiago Carlos migrou da corrente dos analistas que previam o fim do ciclo de cortes em janeiro para a dos que aguardam agora a última redução da Selic em abril. "Mudamos com o ambiente externo mais deteriorado", disse. "Apesar de alguma melhora nos dados dos EUA, a situação na Europa continua bastante incerta. Isso deve levar o BC a prosseguir com os cortes nas próximas reuniões."

Maior exemplo de mudança de cenário foi o da Ativa Corretora, que esperava, em novembro, o último corte. Agora, trabalha com uma expectativa de que o afrouxamento se estenda até julho. Para o diretor da instituição Álvaro Bandeira, o momento exige que o Copom mantenha o ciclo de baixas.

Na opinião de Bandeira, a taxa deve recuar até 9% ao ano em julho. Depois, no entanto, ele acredita que o BC vai iniciar um aperto monetário. "Pode ser que, no fim do ano, tenham de subir um pouco, dependendo das pressões inflacionárias e da expectativa de melhora da economia internacional."

Mais curto. Se algumas casas migraram para um terreno menos conservador em relação ao ciclo de cortes de juros, um movimento contrário também foi captado pelo Termômetro do AE Projeções. Um exemplo é o da Brookfield Gestão de Ativos, representada pelo economista Fernando Domingues.

Antes, ele esperava o ciclo com término em abril e, agora, aguarda a última redução na Selic em março. "Estamos de acordo com a comunicação recente do Banco Central, principalmente o último Relatório Trimestral de Inflação e um pouco a ata do Copom, nos quais foi sinalizado que havia maior desconforto no alongamento do ciclo", afirmou.

"De outro lado, se os dados da economia continuarem vindo mais fracos, pode ser necessária uma mudança de avaliação", acrescentou o analista, que trabalha com a Selic no nível de 10% no fim de 2012.

A despeito de fazer o caminho oposto ao do colega da Brookfield, o economista Marcelo Fonseca, da M. Safra, afirma que o "timing" sobre o fim do ciclo de afrouxamento será determinado por um ajuste fino que o Banco Central deve promover. "Vai depender da preferência do BC para decidir se para de cortar em março ou em abril. Depende de como vai querer encerrar esse movimento, de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto, ou pouco um mais abrupta."

O economista prevê que o processo de queda vá culminar com a taxa em 10%, mas o mês exato, para ele, ainda é dúvida. Para a reunião do Copom em janeiro, sua expectativa é de redução de 0,50 ponto porcentual.

Não muito distante. Sobre o encontro de março, ele disse que ainda não está claro se o BC repete a decisão esperada para janeiro ou se começa a desacelerar o ritmo de baixa, aplicando mais duas quedas de 0,25 ponto em março e abril. Ele acredita, no entanto, que o Copom terá de elevar a taxa no segundo semestre, fazendo com que encerre 2012 em 10,50%.

Para Fonseca, as projeções nos cenários do BC mostram que há pouco espaço para ajustes adicionais. "O BC não sinalizou que vai parar imediatamente, mas em breve, um breve não muito distante. As projeções reforçam a mensagem daquele parágrafo (do Relatório Trimestral de Inflação)."

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,mercado-ve-fim...

 

Casal de sargentos gays quer deixar o país

Pedido foi feito à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que ainda não deliberou sobre o assunto. Militares alegam sofrer ameaças de morte no Brasil

 

 

por Mariana Haubert | 11/01/2012 07:06

Em 2008, dois sargentos do Exército ganharam as capas de jornais e revistas após assumirem publicamente a relação homoafetiva existente entre eles. Desde a revelação Fernando Alcântara e Laci Marinho de Araújo dizem sofrer perseguição e discriminação dentro das Forças Armadas.

 

A agressividade contra o casal pode ser avaliada por alguns  comentários veiculados aqui mesmo, no Congresso em Foco, quando a dupla reagiu contra afirmações homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Com medo de retaliações e ameaças, o casal desistiu de procurar ajuda no país e recorreu à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para obter segurança internacional. A intenção é sair do Brasil e garantir “uma vida normal”, de acordo com Fernando.

Os temores da dupla vão além das ameças que sofreram ou de manifestações de intolerância à la Bolsonaro. Os dois também se preocupam com os crescentes atos de violência contra  homossexuais. “Temos visto cada vez mais casos de agressões nas grandes cidades, e, querendo ou não, somos o casal gay mais visado do país, por sermos militares e termos assumido nossa relação. Não aguentamos conviver com tantas ameaças. Ficamos em casa, não podemos sair. Só queremos garantir uma vida tranquila, como qualquer pessoa tem direito”, afirma  Fernando.

Com uma relação que já dura mais de 13 anos, eles dizem que recorreram à ajuda internacional por terem desistido de lutar por seus direitos nos órgãos públicos brasileiros. “Não acreditamos em mais nada que venha do Exército e não conseguimos nos sentir à vontade em nosso próprio país. Queremos proteção internacional porque as pessoas que nos ameaçaram de morte ainda continuam recebendo dinheiro dos cofres públicos. E tudo fica por isso mesmo. Como vamos acreditar que aqui haverá alguma solução?”, indagam.

Eles apresentaram a denúncia contra o Brasil em 17 de maio do ano passado, baseando-se principalmente nos problemas que enfrentaram no Exército, mas responsabilizam o Estado brasileiro como um todo pelos percalços que têm enfrentado desde que assumiram seu relacionamento. “O Exército é uma instituição do governo brasileiro e essa estrutura governamental foi complacente com tudo o que nos aconteceu”, resume Fernando.

O casal diz não ter preferência por nenhuma nação em especial para residir. Procura, sim, um lugar seguro, onde a sua relação afetiva seja aceita. O casamento civil também não está entre os seus planos atuais, nem será decisivo na opção por um país. Questionado a respeito, Fernando, que não pertence mais ao Exército e luta na Justiça para ser reconhecido como dependente econômico de Laci, se limita a responder: “A importância do casamento civil tem relação com o reconhecimento de dependência. O que nos importa é que nossa família nos aceita”.

O Exército preferiu não se manifestar sobre o assunto

 

Saiba mais sobre a disputa que Fernando e Laci travam contra o Exército

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/casal-de-sargentos-gays-quer-...

 

...O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) variou -0,01%, no primeiro decêndio do mês de janeiro. ..

IGP-M fica estável na primeira prévia do ano

IBRE/FGV, 11-Jan-2012

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) variou -0,01%, no primeiro decêndio do mês de janeiro. Para o mesmo período de apuração do mês anterior, a variação foi de 0,04%. O primeiro decêndio do IGP-M de janeiro compreendeu o intervalo entre os dias 21 e 31 do mês de dezembro.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou variação de -0,23%, no primeiro decêndio de janeiro. No mesmo período do mês de dezembro, a taxa foi de -0,16%. A taxa de variação do índice referente a Bens Finais recuou de 0,82% para 0,11%. Contribuiu para este movimento o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 1,56% para -0,94%.

No estágio dos Bens Intermediários, a taxa de variação passou de -0,28% para -0,03%. A principal contribuição para esta queda menor partiu do subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa passou de -0,80% para 0,05%.

O índice referente a Matérias-Primas Brutas registrou variação de -0,86%. No mês anterior, a taxa foi de -1,11%. Os itens que mais influenciaram a trajetória deste grupo foram: milho (em grão) (-5,64% para 1,12%), soja (em grão) (-2,50% para 1,53%) e mandioca (aipim) (-1,49% para 10,69%). Com taxas em sentido descendente, destacam-se: bovinos (3,06% para -3,15%), minério de ferro (-4,09% para -5,88%) e aves (1,69% para -0,30%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou, no primeiro decêndio de janeiro, taxa de variação de 0,56%. No mesmo período do mês anterior, a taxa foi de 0,33%. Três das sete classes de despesa componentes do índice registraram avanço em suas taxas de variação. O principal destaque foi o grupo Alimentação (0,20% para 1,33%). Nesta classe de despesa, a principal contribuição partiu do item hortaliças e legumes, cuja taxa passou de -7,44% para 6,30%.

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: Transportes (0,26% para 0,33%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,41% para 0,47%). Nestas classes de despesa, vale mencionar o comportamento dos preços dos itens: tarifa de táxi (0,00% para 3,41%) e medicamentos em geral (-0,39% para -0,02%), respectivamente.

Em contrapartida, registraram recuo em suas taxas de variação os grupos: Habitação (0,35% para 0,14%), Despesas Diversas (0,46% para -0,03%), Vestuário (0,99% para 0,75%) e Educação, Leitura e Recreação (0,25% para 0,07%). Nestas classes de despesa, as principais contribuições partiram dos itens: tarifa de eletricidade residencial (0,92% para 0,05%), cerveja (3,08% para 0,02%), roupas (1,19% para 0,95%) e passagem aérea (9,56% para -8,44%), respectivamente.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou, no primeiro decêndio de janeiro, taxa de 0,10%. No primeiro decêndio de dezembro, a taxa foi de 0,71%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,19%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,23%. O índice que representa o custo da Mão de Obra não apresentou variação, no primeiro decêndio de janeiro. Na apuração referente ao mesmo período do mês anterior, o índice variou 1,19%.

 

2014---distribuição de renda

O que mudou para as mulheres

Há alguns anos, mulheres assumiram o comando do Estado no Chile, na Argentina, na Costa Rica e no Brasil. A emergência dessas figuras políticas de primeiro escalão sugere uma melhora – ainda que tímida – da condição das mulheres na América Latina. Mas esse processo poderá evoluir?

por Lamia Oualalou

 

(As presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto)

No dia 9 de março de 2001, o prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, inaugurava uma solução incomum para a dominação masculina tradicional na Colômbia: das 19h30 à 1h da manhã, apenas as mulheres eram autorizadas a circular pela cidade. Preocupado com a igualdade, Mockus reservava a cidade para os homens na semana seguinte, nas mesmas condições. As mulheres de um lado e os homens de outro? Há alguns anos, a evolução da ideia de igualdade entre homens e mulheres segue por outras vias, notadamente no âmbito político. E as latino-americanas não se queixam.

Nos últimos anos, quatro mulheres ocuparam a função política suprema em países da América Latina. Quando subiu ao poder na Argentina, em 2007, muitos meios de comunicação compararam Cristina Fernández de Kirchner com sua concidadã Isabel Martínez de Perón (a primeira mulher do mundo a tornar-se presidente, em 1974). Elas não seriam, antes de tudo, “mulheres de”: a primeira, esposa de Néstor Kirchner, presidente de 2003 a 2007; a segunda, viúva de Juan Domingo Perón, que esteve no poder entre 1946 e 1955, depois entre 1973 e 1974? Quatro anos depois, ninguém se aventura a essa comparação: em outubro de 2011, a presidente argentina se tornou a primeira mulher reeleita para presidir um Estado latino-americano – e com 54% dos votos no primeiro turno. Na Argentina, não se fala mais em “Cristina Kirchner”, como no início de seu primeiro mandato, e sim em “Cristina Fernández”, seu nome de solteira.

A Argentina não é o único país onde as mulheres são mais do que “esposas ilustres”. No início de 2006, Michelle Bachelet, ex-refugiada política que criou sozinha três filhos, sucedeu o socialista Ricardo Lagos, em um Chile no qual o divórcio acabava de ser legalizado. Em outubro de 2010, no Brasil, foi a vez de outra divorciada, Dilma Rousseff,conhecida por sua participação em grupos guerrilheiros de esquerda durante a ditadura dos anos 1960 e 1970. Alguns meses antes, a Costa Rica descobriu que sua tradicional cultura machista não impediria a eleição de Laura Chinchilla (centro-esquerda).

Essa evolução dos espíritos é, às vezes, acompanhada da introdução de sistemas de discriminação positiva. A Argentina foi pioneira: em 1991, aprovou uma lei de cotas que impunha aos partidos pelo menos 30% de candidaturas femininas. Com 38% das cadeiras do Parlamento ocupadas por mulheres, figura hoje como um dos doze países com mais participação feminina no Poder Legislativo. Desde então, onze nações da região seguiram seus passos (Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai).

“Aqui, a eleição de mulheres como Michelle Bachelet se explica sobretudo pelo fato de que passam a imagem de candidatas menos corrompidas”, explica Maria de Los Angeles, diretora da Fundação Chile 21, em Santiago. Até então excluídas do poder, raramente apareciam envolvidas em escândalos de corrupção e desvio de fundos – uma característica que desapareceu com sua implicação na política. A paridade promovida por Michelle, por exemplo, não sobreviveu: a metade dos ministérios de seu primeiro governo era ocupada por mulheres; na equipe de seu sucessor de direita, Sebastián Piñera, as mulheres ocupam apenas 18% desses cargos.

A boa vontade do Poder Executivo não é suficiente. Em sua chegada ao Palácio do Planalto, em Brasília, Dilma anunciou a intenção de promover as mulheres – palavras transformadas em piada pela imprensa, que qualificou seu governo de “República do Salto Alto”. Em seu governo, as mulheres ocupam 24% dos ministérios e 21% dos cargos ditos de “segundo escalão” (gabinetes e grandes empresas estatais). As nomeações dependem das formações políticas da coalizão, que, à exceção do Partido dos Trabalhadores (PT), são pouco inclinadas à discriminação positiva. Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em 2009 as mulheres ocupavam 16% dos cargos de presidente e secretária-geral dos partidos latino-americanos, e representavam 19% da hierarquia dos comitês executivos.

Na Venezuela, as mulheres foram mais ativas nos mecanismos de governo participativo impulsionados pelo presidente Hugo Chávez ao longo da última década. Consciente de que sua análise pudesse ser taxada de “clichê”, a socióloga Margarita López Maya, da Universidade Central da Venezuela, em Caracas, e candidata às legislativas de 2010 pelo partido de oposição Pátria para Todos, explica: “Tanto ontem como hoje, os níveis intermediários do poder permanecem ocupados por homens. As mulheres participam quando se trata de questões concretas e se interessam menos pelo jogo político”. Três mulheres estão no topo de organismos do poder público, mas, segundo a socióloga, “foram escolhidas pela lealdade ao presidente Chávez e por atrair voto feminino”.

As mulheres no poder se preocupam mais em fazer avançar os direitos de seu sexo? Nada é tão incerto, observa María Flórez-Estrada Pimentel, socióloga da Universidade de Costa Rica: “Elas abalam a ordem social tradicional, mas isso não significa que adotarão uma postura progressista. Na América Central, as presidentes mantiveram o conservadorismo tanto em questões econômicas como em questões sociais – inclusive as que afetam diretamente as mulheres, como a legalização do aborto”. À exceção de Cuba, onde a interrupção voluntária da gravidez (IVG) é autorizada, e da Cidade do México, onde os deputados da Assembleia local a aprovaram, essa questão permanece um tabu na região.

 

Proibição do direito de aborto

Em outubro de 2010, militantes feministas brasileiras se surpreenderam com a reação violenta gerada pela discussão do tema na campanha presidencial. Milhões de pessoas assistiram a vídeos de fetos mortos postados na internet – material que também exibia discursos de pastores evangélicos contra Dilma, que havia se pronunciado a favor da descriminalização do aborto alguns anos antes. José Serra, o adversário da candidata do PT, conhecido por suas posições progressistas em questões de saúde, viu nessa reação uma oportunidade de reverter a tendência eleitoral e começou a fazer campanha com a Bíblia na mão, enquanto sua mulher organizava comícios em bairro populares para vilipendiar os que “querem matar crianças” – omitindo o fato de que ela mesma havia recorrido ao aborto nos anos 1970, segundo revelações do jornal Folha de S.Paulo. Acuada no segundo turno, Dilma assinou uma carta na qual se comprometia a não enviar ao Congresso o projeto de lei da legalização da IVG.

Os abortos clandestinos no Brasil, contudo, são estimados em aproximadamente 800 mil por ano e geram consequências dramáticas: cerca de 250 mil mulheres sofrem de infecção ou perfuração do útero, e a taxa de mortalidade nessas ocasiões chega a 65 por 100 mil – transformando o tema em questão de saúde pública.1 “Teria sido mais fácil avançar com esse debate há 20 anos”, analisa Maria Luiza Heilborn, pesquisadora do Centro Latino-Americano da Sexualidade e dos Direitos Humanos (Clam), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Ao obter um compromisso por escrito, as Igrejas garantiram que a descriminalização do aborto não estaria mais na ordem do dia. E no Congresso, em que a presença de deputados religiosos dobrou (para chegar a 63 cadeiras) nas últimas eleições, mais de trinta projetos buscam medidas na direção oposta: postulam o endurecimento das regras para o aborto legal e o proíbem até mesmo em casos de estupro ou perigo para a vida da mãe. “Esses projetos jamais serão votados, mas paralisam todas as discussões progressistas”, lamenta Heilborn. A dificuldade, continua ela, “vem do fato de que os conservadores modernizaram o discurso: clamam pela salvação dos fetos em termos de direitos humanos, e não mais em nome da família ou de valores morais”.

“Trata-se de uma imensa hipocrisia: aqueles que podem pagar um aborto em condições seguras o fazem tranquilamente; as clínicas não se omitem e chegam a contar com a proteção de policiais corrompidos”, acrescenta a pesquisadora. De acordo com um estudo da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2010, uma mulher a cada cinco já abortou no Brasil.2 “Apesar disso, o direito à IVG permanece totalmente fora do imaginário social. Até mesmo os que recorreram a ela se dizem contra, apresentando a própria decisão como uma exceção”, diz Maria José Rosado, da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.

O único país da região com retrocessos consumados em relação ao tema é a Nicarágua. Em 2006, a hierarquia católica demonstrou sua força ao realizar um acordo com Daniel Ortega, que então buscava apoio para reconquistar o poder. Desde sua eleição, o sandinista vinha modificando a legislação que permitia a interrupção da gravidez nos casos de mulheres vítimas de estupro, e, hoje, o aborto está proibido em todas as situações. “Isso mostra que o debate não tem nada a ver com esquerda ou direita”, aponta Heilborn. De fato, é na Colômbia do superconservador Álvaro Uribe (presidente de 2002 a 2010) que a Corte Constitucional efetuou o movimento contrário e autorizou o aborto em caso de “problemas de saúde”, categoria cuja interpretação amplia a noção de perigo e incorpora aspectos de natureza psicológica. Na Venezuela, apesar do estudo de diferentes projetos de lei na Assembleia Nacional desde a chegada de Chávez ao poder, a descriminalização do aborto é improvável pela aliança entre militares e religiosos, e talvez pela própria postura de Chávez: “O aborto é autorizado em outros países. Eu – e você pode me taxar de conservador – não estou de acordo com o aborto para interromper uma gravidez. Se uma criança nasce com algum problema, é preciso dar-lhe amor”, declarou em 26 de abril de 2008. O debate, contudo, ganhou força com o crescimento vertiginoso do número de menores grávidas na Venezuela. Segundo a Sociedade Venezuelana de Puericultura e Pediatria, em 2009 20% dos partos foram realizados em mães entre 10 e 18 anos.

No Uruguai, a decisão do Congresso de legalizar a IVG foi vetada por Tabaré Vázquez (2005-2010), então no comando de um governo de centro-esquerda. No dia 8 de novembro de 2011, o Senado relançou a iniciativa, e a legalização provavelmente será aprovada. Pesquisas apontam que 63% da população uruguaia é a favor da medida, e o presidente José Mujica já anunciou que não vai se opor.

As discussões seguem, assim como no Equador, Bolívia e Argentina, onde ocorrem 150 mil abortos clandestinos por ano. Apesar da presidente Cristina Fernández se dizer pessoalmente desfavorável ao aborto, uma comissão legislativa retomou o debate no início de novembro, e um projeto de lei que flexibiliza as condições da IVG será discutido no próximo mês. Para o sociólogo Mario Pecheny, o voto do Congresso argentino a favor do casamento homossexual, no ano passado, é um precedente animador.

 

Popularização do feminismo

A grande preocupação das mulheres latino-americanas, contudo, ainda é a questão da violência. “Os feminicídios, ou seja, os homicídios de mulheres porque são mulheres, estão em pleno crescimento na América Central e no México”, afirma María Flórez-Estrada Pimentel. El Salvador é o recordista, com um índice de 13,9 mulheres assassinadas a cada 100 mil habitantes. Na Guatemala, essa proporção é de 9,8. Nos estados mexicanos de Chihuahua (onde está Ciudad Juárez, conhecida pelo assassinato sistemático de mulheres),3 Baja California e Guerrero, o índice triplicou entre 2005 e 2009 e chega a 11,1 por 100 mil habitantes. Esse aumento significativo se deve principalmente ao crescimento dos confrontos entre governos e narcotraficantes. A normalização da violência também a banaliza no interior de famílias e casais. Ademais, “a guerra contra a droga e o crime organizado tem consequências específicas para as mulheres: como em toda guerra, o estupro de mulheres cria uma coesão no seio de grupos armados, reafirma a masculinidade e funciona como um ato desafiador diante do inimigo”, analisa Patsilí Toledo, jurista da Universidade do Chile.4

No México, o número de mulheres presas por crimes federais – essencialmente pelo tráfico de entorpecentes – aumentou 400% desde 2007.5 Os barões da droga também diversificam suas fontes de recursos desenvolvendo redes de prostituição e de tráfico de mulheres. Segundo a Organização Internacional das Migrações, este último movimentaria US$ 16 bilhões a cada ano na América Latina, o que conduz ao sequestro de milhares de mulheres adultas e menores de idade.6

Para Maria Luiza Heilborn, o feminismo, apesar de não ser tão visível quanto o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), “se popularizou e pode ser observado em todas as camadas da sociedade”. Além disso, “as mulheres mais pobres são aquelas que mais se beneficiam das políticas sociais”, lembra Maria José Rosado. O Bolsa Família, que chega a cerca de 13 milhões de lares, prioriza as mulheres. O mesmo ocorre no programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida: o governo faz de tudo para que a propriedade esteja em nome da mulher. “Medidas como essas geram maior poder de negociação em relação aos homens e melhora a situação das famílias, dado que a preocupação central delas é a saúde e a alimentação dos filhos”, aponta Rebecca Tavares, que dirige a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. A massificação do acesso das mulheres ao mercado do trabalho modificou o cenário: segundo o Banco Mundial, desde 1980 a mão de obra latino-americana incorporou mais de 70 milhões delas, o que fez aumentar sua taxa de participação de 35% em média para 53% em 2007, principalmente no setor de serviços. O peso do setor informal permanece considerável: nas cidades bolivianas, por exemplo, a proporção de mulheres que trabalham sem regularização é de 71%, contra 54% dos homens.7 “As violentas crises econômicas dos anos 1990 demonstraram a capacidade das mulheres de administrar momentos críticos, em geral melhor do que os homens. Nesse período, ganharam tanto em termos de segurança pessoal quanto em legitimidade perante a sociedade”, observa Mario Pecheny.

Ativas no mercado, porém sempre encarregadas da maioria das tarefas não remuneradas (limpeza, cuidado dos filhos, de idosos e incapacitados), as mulheres questionam a cultura machista, mas sofrem para conciliar todos esses âmbitos. A queda brutal da fertilidade na região seria uma simples correlação? No Brasil, a renovação das gerações não está mais assegurada: diante do volume de trabalho e dos custos de manter uma família – a educação e a saúde sendo os pontos priorizados –, as mulheres, de bairros ricos ou pobres, optam por ter apenas um filho, dois no máximo, e às vezes nenhum. Esse fenômeno, observado também no Uruguai, Costa Rica, Chile e Cuba, soma-se ao aceleramento do envelhecimento da população que os orçamentos nacionais continuam a ignorar. “As mulheres, mais autônomas, querem estudar, consumir e viajar; não querem mais se responsabilizar pelos outros”, constata María Flórez-Estrada Pimentel. “Isso gera um problema social importante para o capitalismo: a divisão social do trabalho mudou, mas nem os Estados nem as empresas investem o suficiente para criar uma infraestrutura social adaptada a essa nova realidade.”

Lamia Oualalou

Jornalista



Ilustração: Antônio Cruz/ Abr

1 “Aborto no Brasil e países do Cone Sul”, Universidade Estadual de Campinas, out. 2009.

2 “Segredo guardado a sete chaves”, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, jun. 2010.

3 Ler Sergio González Rodríguez, “Tueurs de femmes à Ciudad Juárez” [Assassinos de mulheres em Ciudad Juárez], Le Monde Diplomatique, ago. 2003.

4 Patsilí Toledo, “The drug-war femicides”, Project Syndicate, 9 ago. 2011.

5 Citado por Damien Cave, “Mexico’s drug war, feminized”, New York Times, 13 ago. 2011.

6 “Human trafficking: an overview”, Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, Nova York, 2008.

7 “Latin America: 70 million additional women have jobs following gender reforms” [América Latina: 70 milhões de mulheres a mais têm empregos na sequência
das reformas de gênero], Banco Mundial, Washington, mar. 2011.

http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=1070

 

Mercado sem desenvolvimento: a causa da crise. Artigo inédito de Karl Marx

O texto abaixo é um dos achados do projeto Mega – Marx-Engels GesamtAusgabe, que, a partir dos arquivos de Karl Marx, está organizando a sua imensa obra ainda inédita: 114 volumes, o último dos quais será publicado em 2020.

Para entender em que mundo vivemos e viveremos, este artigo jamais lido do Capital, parece ter sido escrito hoje.

O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A enorme quantidade e variedade de mercadorias disponíveis no mercado não dependem apenas da quantidade e da variedade de produtos, mas são, em parte, determinadas pela entidade da parte de produtos produzidos como mercadorias, que deverão, portanto, ser inseridos no mercado para a venda na qualidade de mercadorias.

A grandeza dessa parte das mercadorias vai depender, por sua vez, do grau de desenvolvimento do modo de produção capitalista que produz os seus próprios produtos apenas como mercadorias, e do grau em que tal modo de produção domina em todas as esferas da produção.

Deriva daí um grande desequilíbrio no intercâmbio entre países capitalistas desenvolvidos, como a Inglaterra, por exemplo, e países como a Índia ou a China. Esse desequilíbrio é uma das causas da crise.

Causa totalmente negligenciada pelos burros que se contentam em estudar a fase do intercâmbio de um produto por outro produto e que esquecem que o produto não é, portanto, em caso algum, mercadoria intercambiável enquanto tal. Isso constitui também a pedra no sapato que leva os ingleses, dentre outros, a querer subverter o modo de produção tradicional existente na China, na Índia etc., para transformá-lo em uma produção de mercadorias e, em particular, em uma produção baseada na divisão internacional do trabalho (ou seja, na forma de produção capitalista).

Eles conseguem, em parte, esse intento, por exemplo, quando prejudicam os fiadores de lã ou de algodão vendendo seus produtos a um preço inferior ou arruinar o seu modo de produção tradicional, que não é capaz de competir com o modo de produção capitalista ou com o modo capitalista de inserir as mercadorias no mercado.

Embora o capital produtivo, por sua própria natureza, esteja disponível no mercado, isto é, oferecido à venda, o capitalista pode (por um período de tempo longo ou curto, de acordo com a natureza das mercadorias) mantê-lo longe do mercado se as condições não lhe forem favoráveis ou com o fim de especular, ou outro. O capitalista pode subtrair o capital produtivo do mercado das mercadorias, mas, em um momento posterior, será obrigado a reinseri-lo. Isso não tem efeitos sobre a definição do conceito, mas é importante para a observação da concorrência.

A esfera da circulação das mercadorias, o mercado, é, enquanto tal, diferente  também fisicamente da esfera da produção, exatamente como são diferentes temporalmente o processo de circulação e o efetivo processo de produção. As mercadorias agora prontas ficam depositadas nos armazéns e nos depósitos dos capitalistas que as produziram (exceto no caso de serem vendidas diretamente), quase sempre só de modo passageiro, antes de serem expedidas para outros mercados.

Para as mercadorias, trata-se de uma estação de preparação a partir da qual serão inseridas na efetiva esfera de circulação, exatamente como os fatores da produção disponíveis permanecem à espera, em uma fase preparatória, antes de serem transportados para o efetivo processo de produção.

A distância física entre os mercados (considerados do ponto de vista da sua localização) e o lugar do processo de produção das mercadorias dentro de um mesmo país, e sucessivamente fora dele, constitui um elemento importante, porque é justamente a produção capitalista que faz com que, para uma boa parte dos seus produtos, o mercado seja constituído pelo mercado mundial. (As mercadorias também podem ser adquiridas para serem retiradas imediatamente do mercado, mas esse elemento deveria ser examinado em outros lugares, assim como a menção anterior às mercadorias que os produtores mantêm longe do mercado).

Consequentemente, é preciso que o mercado se expanda continuamente. Além disso, em todas as esferas individuais da produção, todo capitalista produz de acordo com o capital que lhe é oferecido, independentemente do que fizerem os outros capitalistas. No entanto, não será o seu produto, mas sim o produto total do capital investido nessa particular esfera de produção que irá constituir o capital produtivo, que oferece à venda esta e qualquer outra esfera individual de produção.

É um dado empírico que, embora a dilatação da produção capitalista leve a um incremento, a uma multiplicação do número de esferas de produção, ou seja, de esferas de investimento do capital, nos países de produção capitalista avançada, essa variação jamais mantêm o mesmo ritmo que o acúmulo do próprio capital.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505640-mercado-sem-desenvolvimento-a...

 

Ipea mapeia ‘ausência’ do Estado e revela que serviços ainda não chegam a áreas pobres

Novo estudo aponta que o Estado ainda não chegou a regiões carentes do país, o que impede, por exemplo, que a universalização do ensino fundamental torne-se realidade. Políticas públicas para educação, saúde e mercado do trabalho permanecem distantes de áreas mais pobres no Norte e Nordeste. Mas há avanços.

A reportagem é de Marcel Gomes e publicada pela Agência Carta Maior, 11-01-2011.

Na imensa região Norte do Brasil, onde se encontram os Estados amazônicos, há 1,9 médicos por habitante, ante 3,7 no Sul e Sudeste. Em Roraima e Amapá, o número de leitos de internação no SUS não chega a mil.

No Pará, 13% dos jovens até 14 anos estão fora do ensino fundamental; em Rondônia, 59% daqueles entre 15 e 17 anos não freqüentam o ensino médio.

Em nenhum Estado da região há ainda centros especializados para população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, ante 11 no Nordeste e oito no Sudeste; no Amapá, há apenas um teatro e em Roraima, só um museu.

A situação de extrema carência em serviços públicos do Norte brasileiro é um dos resultados possíveis de serem extraídos de um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado na última terça-feira (10), em São Paulo.

Intitulado “Presença do Estado no Brasil: federação, unidades e municipalidades”, o trabalho sistematiza informações dispersas em diferentes órgãos públicos, e que permitem “mapear a presença e a ausência do Estado ao redor do país”.

“A partir de uma série de indicadores, desagregados por regiões e unidades federativas, esse levantamento torna-se um importante instrumento para estudiosos e gestores públicos das diferentes esferas de governo pensar o planejamento, a formulação e a avaliação das políticas públicas brasileiras”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, na apresentação do estudo.

De acordo com ele, o trabalho revela que o Estado brasileiro ainda não chegou a regiões carentes do país, o que impede, por exemplo, que a universalização do ensino fundamental torne-se realidade.

Nas estatísticas das políticas de emprego, o Norte e o Nordeste possuem menos vagas oferecidas pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) do Ministério do Trabalho e Emprego do que o Sul e o Sudeste. Com 8% da população do país, o Norte tem apenas 4,5% das vagas; o Nordeste, com 28% da população, tem só 17% dos postos oferecidos.

Apesar de tudo, há avanços. O programa Bolsa Família, por exemplo, alcança os bolsões de pobreza no Nordeste e na periferia das cidades do Sudeste. O Estado paga 1,7 milhões de benefícios na Bahia, 1,2 milhões em São Paulo e 1,1 milhões em Minas Gerais.

São os três primeiros do ranking. Os Estados da região Norte, com menos população, possuem naturalmente um menor número de beneficiários.

O seguro-desemprego também possui boa penetração no Norte e Nordeste. No primeiro, 90% dos demitidos sem justa causa acessam o benefício; no segundo, 86%.

É mais do que no Estado de São Paulo (78%) – ainda que se tenha de considerar que isso ocorra porque os paulistas provavelmente encontram um novo emprego mais rapidamente, diante do dinamismo de seu mercado de trabalho.

Clique aqui para ler o estudo na íntegra.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505643-ipea-mapeia-ausencia-do-estad...

 

Desenvolvimento e trabalhoPor Marcio Pochmann

Durante meio século, entre as décadas de 1930 e 1970, o Brasil transformou-se substancialmente de uma sociedade agrária e assentada na produção primária exportadora para uma nova condição social urbana e industrial. Não obstante os avanços em sua base material, sua estrutura produtiva manteve-se fortemente heterogênea, com a convivência de uma multiplicidade de níveis de produtividade do trabalho. A prevalência de uma estrutura produtiva heterogênea estimulou o funcionamento extremamente segmentado do mercado de trabalho por decorrência de padrões tecnológicos compatíveis com o uso e a remuneração demasiadamente assimétricos da mão de obra. Em geral, isso significou que parcela significativa da força de trabalho se mantivesse ocupada no exercício de atividade de baixa produtividade, muitas vezes ao nível da subsistência apenas. Assim, o desemprego aberto permanecia quase inexistente, concedendo a falsa impressão do pleno emprego conforme verificado na Europa do segundo pós-guerra.

Por outro lado, constatou-se o aumento na ocupação da mão de obra em atividades de média e alta produtividade do trabalho. Enquanto uma parcela dos trabalhadores foi sendo alocada em setores modernos da economia, restou ainda parte majoritária prisioneira, muitas vezes, ao exercício de atividades associadas à subsistência. Ainda que desiguais, os diversos setores de atividades ocupacionais mantiveram-se, em geral, dinâmicos na convivência entre as funções modernas e arcaicas.

Na década de 2000, país perseguiu trajetória econômica voltada a reconfigurar parte de sua estrutura produtiva

Com a crise da dívida externa, no início dos anos 1980, o conjunto das forças políticas compromissadas com o projeto urbano industrial desde a década de 1930 passou por importante processo de decomposição. Em função disso, o Brasil percorreu, a partir daí, duas distintas trajetórias nas estruturas de produção e trabalho. Do final dos anos 1980 ao início da década de 2000, a trajetória neoliberal ganhou envergadura política suficiente para impor um significativo programa de reformas no papel do Estado e liberação generalizada no comércio, produção, mercado de trabalho e nas finanças. O resultado em termos de desempenho econômico foi pífio, uma vez que o predomínio do baixo crescimento da produção impôs enorme retrocesso na posição econômica mundial, com a retração da oitava para a 13ª posição global.

Na questão social não foi diferente. Houve enorme agravamento do desemprego que se fez acompanhado da queda na participação dos salários na renda nacional.

Em grande medida, assistiu-se ao aprofundamento no grau de subdesenvolvimento nacional, com a maior concentração da participação no Produto Interno Bruto (PIB) de setores de maior produtividade e decrescente absorção de mão de obra. Em 1998, por exemplo, os setores de alta produtividade responderam por 57% do PIB, enquanto em 1985 representavam 49,7% (elevação de 14,7%). Na contrapartida, esses mesmos setores de alta produtividade do trabalho reduziram a participação relativa na ocupação total de mão de obra de 16,1%, em 1985, para 13,9%, em 1998 (redução de 13,7%).

No outro extremo, os setores econômicos de baixa produtividade reduziram a participação no PIB, ao mesmo tempo em que elevaram o grau de absorção da mão de obra. Entre 1985 e 1998, o peso relativo no PIB dos setores de baixa produtividade caiu 24,6%, enquanto a participação na ocupação total aumentou 6,8%. Resumidamente, os segmentos de baixa produtividade terminaram servindo de amortecimento ao avanço do significativo desemprego aberto dos trabalhadores, por meio da expansão das atividades laborais associadas à subsistência. A ampliação das atividades de subsistência para grande parte da força de trabalho indicou a trajetória do aprofundamento do subdesenvolvimento brasileiro.

Na década de 2000, contudo, o país perseguiu outra trajetória econômica voltada à reconfiguração de parte de sua estrutura produtiva. Com o ritmo de crescimento da economia duas vezes superior ao do período anterior, as políticas públicas de caráter pós-neoliberal impactaram diretamente a estrutura produtiva e o funcionamento do mercado de trabalho. Assim, observa-se que entre 1998 e 2009 os setores de alta produtividade tanto reduziram o peso relativo na composição do PIB (10,2%) como ampliaram a participação relativa no total da ocupação de trabalhadores (25,9%). O rumo do desenvolvimento, nesses termos, reforça-se pela difusão contínua do progresso técnico de maneira menos desigual possível entre o conjunto dos setores da economia.

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Na primeira década de 2000, os segmentos de baixa produtividade aumentaram a participação no PIB (44,2%), ao mesmo tempo em que reduziram a absorção de trabalhadores (13,6%) no ambiente geral de queda do desemprego aberto. Com a redução do segmento laboral vinculado às atividades de subsistência, o segmento econômico de baixa produtividade elevou seu peso no PIB possivelmente a partir da redução na diferença de produtividade em relação aos outros setores de alta e média produção por ocupado. Os setores de atividade econômica com média produtividade aumentaram suas posições tanto no PIB como na ocupação. Ou seja, um movimento inverso ao observado entre os anos de 1985 e 1998.

Mesmo assim, o Brasil segue com parcela substancial de sua mão de obra ainda prisioneira de atividades meramente de subsistência. Somente o avanço das políticas de convergência produtiva que promovam a continuidade da inclusão social mostra-se capaz de promover a ruptura com o curso do processo de subdesenvolvimento nacional.

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

http://www.valor.com.br/opiniao/1188160/desenvolvimento-e-trabalho

 

Funai não confirma assassinato de indígena

11.01.2012 19:30

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Índios de várias etnias fazem protesto na sede da Funai em 2010, em Brasília. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou nesta quarta-feira 11 que não conseguiu confirmar se a denúncia do assassinato de uma criança da tribo Awá-Guajá é verdadeira.

A vítima teria sido morta e carbonizada por madeireiros na Terra Indígena Araribóia, a 469 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão.

O assunto ganhou repercussão na mídia após ser divulgado em blogs na internet e ganhar a corroboração do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica, na última semana.

Devido à denúncia, a Funai deslocou três servidores de sua coordenação regional em Imperatriz para a região na última semana, a fim de levantar mais informações sobre o caso. Em nota, o órgão diz ter consultado lideranças de tribos locais, que supostamente teriam reportado o desaparecimento dos Awá-Guajá após um ataque de madeireiros, mas não houve confirmação das denúncias.

Segundo o comunicado publicado no site da Funai, o órgão vai deslocar uma equipe de Brasília “para aprofundar a pesquisa em campo e dar continuidade ao levantamento de informações”. “A Fundação solicitará o apoio da Polícia Federal, a fim de verificar a veracidade de relatos – que circularam em blogs e redes sociais na internet – de que indígenas Guajajara teriam encontrado o corpo carbonizado de uma criança indígena da etnia Awa-Guajá, povo isolado daquele Estado.”

Madeireiros

Tribos da região relatam que nos últimos anos a ação de madeireiros empurra os Awá para áreas mais próximas da sociedade. Além disso, a retirada de madeira tem colocado em risco a subsistência dos índios, destaca o Cimi, em seu site.

Rosimeire Diniz, coordenadora do Cimi no Maranhão, declarou a CartaCapital na sexta-feira 6, que casos de confronto entre índios e madeireiros na região estão ficando mais frequentes e foram registradas ocorrências deste tipos pelos menos nos últimos três anos. “Já houve desde invasão de aldeia por madeireiros até espancamento de uma liderança indígena. Essas são as últimas reservas de mata no Maranhão e elas estão tomadas por madeireiros.”

A missionária questiona a ausência de representantes da Funai e das autoridades na região. “Quando acontece algum caso de denuncia ou repercussão, há uma operação, mas com poucos resultados práticos. Não há uma ação efetiva para assegurar a defesa do território e das comunidades que ali vivem.”

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/funai-nao-confirma-assassinato-de-indigena/

 

Desânimo com processo político marca prévias nos EUA


11 de janeiro de 2012 às 16:42

 

por Heloisa Vilella, de New Hampshire

 

Algo ficou muito claro depois da consulta no estado de Iowa e das primárias em New Hampshire, ao menos para mim, não foi o favoritismo do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, ou da força dos independentes, representados pelo deputado texano Ron Paul. O que veio à tona, com força, foi o desânimo geral com o processo político nos Estados Unidos. E dessa vez, dos dois lados da briga.

 

Há quatro anos, quando surgiu um senador novato, negro, com um perfil diferente o suficiente para provocar curiosidade, ódio e paixão, havia no ar um que de esperança. De vontade de participar e acreditar que a democracia é um processo representativo onde quem quer ter voz é ouvido. Foi um momento, agora, distante na memória do eleitorado geral. Quatro anos depois, não existe nada parecido.

 

Esta é a primeira eleição presidencial em que vigora a decisão da Suprema Corte americana, de janeiro de 2010, conhecida como “Cidadãos Unidos”. Somente no país onde candidato a presidente diz que empresa também é gente, essa decisão poderia ter título tão enganador. Ela permite que as empresas invistam o quanto desejarem em propaganda política. Autoriza a criação dos Comitês de Ação Política, grupos que levantam dinheiro para produzir e divulgar material de campanha em favor deste ou daquele candidato. E, principalmente, contra os adversários.

 

Foi o que aconteceu em Iowa. Os grupos comprometidos com a campanha de Mitt Romney inundaram as tevês locais de anúncios para atacar diretamente o ex-deputado Newt Gingrich. Assunto não falta. Entre outros problemas, ele deixou o Congresso em 1999, depois de ser repreendido e multado pelo comitê de ética da Câmara. Milagrosamente, ressuscitou politicamente e está dando o troco esta semana. Com um aporte de US$ 5 milhões de dólares de um empresário do jogo, em Nevada, depositado em um desses Comitês de Ação Política, já está no ar a propaganda contra Romney.

 

Então, é assim. Com muito dinheiro para gastar, um tenta acabar com a imagem do outro enquanto o Presidente Barack Obama assiste a tudo, provavelmente, sorridente. Essa luta intensa entre os republicanos é capaz de destruir os aspirantes a candidato a presidente. Mas não está sendo capaz de entusiasmar as bases. Eu me lembro do entusiasmo que transbordou nas ruas aqui de Manchester, New Hampshire, há quatro anos. O “fator Obama” realmente mobilizou os eleitores, dos dois partidos. Agora, entre os democratas, existe um sentimento de frustração, de decepção, inegável.

 

A mudança que se esperava não veio. Os republicanos, empurrados ainda mais para a direita pelos radicais do Tea Party (Sarah Palin, etc.), tentam encontrar alguém “elegível” para enfrentar Obama, mas os eleitores não estão entusiasmados com as opçõesdisponíveis. Com certeza, no momento, já se pode prever um resultado em novembro: baixíssimo índice de comparecimento às urnas.

 

E mais. Quem saiu de casa para dormir em praça pública nas várias vilas improvisadas do movimento Occupy, não está nem um pouco interessado nesse processo político. Nessa democracia com regras estabelecidas pelo e para o poder do dinheiro. Quanto mais dinheiro as empresas investem na produção e eleição de seus candidatos, menos a população se interessa e participa.

 

A única cédula eleitoral realmente interessante que encontrei aqui em New Hampshire me foi oferecida no acampamento do Occupy local e nos postos de votação das primárias. Ela é longa. São onze perguntas ao todo. Entre elas, se os Estados Unidos deveriam fechar as mais de 850 bases militares que mantém em outros países. Como deveriam investir o dinheiro economizado, como garantir tratamento médico para a população, como regulamentar a participação do dinheiro na política ou simplesmente eliminar a presença financeira de uma vez, etc. A cédula está aqui.

 

A votação continua, ao vivo ou pela internet. E este grupo, que continua ocupando as praças do país, está mais preocupado com esta votação e nada interessado nos candidatos, republicanos ou democrata, que vão torrar milhões e milhões de dólares na briga pela Casa Branca.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/heloisa-villela-desanimo-com-pro...

 

Expansão, Qualidade, Inclusão na UFBA


Por Naomar de Almeida Filho, Professor Titular do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA. Pesquisador I-A do CNPq. Ex-Reitor da UFBA. Artigo publicado originalmente no jornal A Tarde.

Dois trabalhos de conclusão do curso que ministrei na Pós-Graduação em Estudos sobre a Universidade analisaram mudanças do perfil socioeconômico e étnico-racial da UFBA, depois das cotas e do REUNI.

Cora Santana focalizou perfil socioeconômico. Em 2004, último ano sem cotas, 33% dos ingressantes na UFBA vinham de famílias com renda média menor que cinco salários mínimos mensais, sendo 14% muito pobres (menos de três SM). No outro extremo: 37% dos nossos alunos eram de famílias com renda maior que dez SM. Em 2011, 66,4% dos que entraram na UFBA têm menos de cinco SM de renda familiar média. Mais de 45% vem de famílias muito pobres. E no outro extremo da estrutura social: apenas 16% dos novos alunos vieram de famílias com mais de dez SM.

Ana Cristina Melo abordou perfil étnico-racial. Em 2004, 67% dos inscritos no Vestibular da UFBA eram negros (autodeclarados pretos e pardos) e 29% brancos; entre os aprovados, 61% negros e 36% brancos. Portanto, havia uma chance a favor dos brancos de +20% de aprovação no vestibular, enquanto ser negro significava probabilidade negativa de –11% de aprovação. Em 2011, 74% dos inscritos nos processos seletivos eram negros e o mesmo percentual se encontra entre os aprovados na UFBA.

Resumo: Em seis anos, o viés étnico-racial do vestibular da UFBA foi praticamente anulado. No que se refere a diferenciais de classe social, a situação foi de fato revertida. Em 2004, 2/3 dos alunos da UFBA eram de classe média/alta, concentrados nos cursos de maior prestígio social. Em 2011, temos na universidade o oposto: mais de 2/3 dos alunos são pobres ou muito pobres, distribuídos de modo quase equânime em todos os cursos.

Quando encerramos nosso Reitorado em 2010, escrevi no relatório de gestão uma afirmação que, na época, parecia exagerada: ”Em todos os cursos, em todas as salas de aula, em todos os programas de extensão, em praticamente todos os grupos de pesquisa, estudantes carentes são muitos e agora lotam espaços antes vazios e desperdiçados.”

Os dados apresentados corroboram essa descrição e indicam que a combinação de políticas de ação afirmativa e ampliação de vagas produz inclusão social. E mais: na UFBA, a inclusão social ocorre agora numa escala massiva. As vagas mais que dobraram, entre 2002 e 2011: de menos de 3.900 para mais de 8.000. Os cursos noturnos aumentaram de meras 80 vagas em 2004, em apenas dois cursos, para 2.500 vagas (em 33 cursos) em 2011. Em 2002, a UFBA tinha exatos 17.941 alunos matriculados. Há poucos dias, a Reitora Dora Leal anunciou que, em 2012, teremos 34 mil alunos de graduação, cinco mil de pós-graduação e, com os matriculados em programas especiais de licenciatura, ultrapassaremos a marca histórica de 40 mil alunos.

Os ferrenhos opositores do REUNI e das cotas perguntariam: Será que essa mudança se dá com sacrifício da qualidade acadêmica da educação universitária, no ensino e na pesquisa? Argumento desses críticos: mais estudantes em sala, menor aproveitamento; mais aulas e alunos por professor, menos tempo para produção científica dos docentes; menor qualificação dos cotistas, mais jubilamento e evasão entre os alunos. Resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), demonstram que a UFBA e a UFRB, ambas com fortes programas de expansão com ações afirmativas, posicionam-se entre as melhores universidades da Bahia e da Região Nordeste. Segundo dados da Web of Science, a produção científica da UFBA, longe de reduzir, sustenta seu crescimento na média dos patamares nacionais. Estudos recentes encontram menor percentual de jubilados (alunos reprovados na mesma disciplina mais de quatro vezes ou em todas as disciplinas num mesmo semestre mais de uma vez) entre os cotistas.

Distribuição do alunado balanceada por origem de classe social com redução significativa do viés étnico-racial nos processos seletivos, sem quebra da qualidade acadêmica, configura a grande mudança que, nos últimos anos, ocorreu na UFBA, tornando-a menos elitista e mais solidária.

http://www.oreconcavo.com.br/2012/01/06/expansao-qualidade-inclusao-na-ufba/

 

Brasil tem recorde de fusões e aquisições em 2011

Da cartaCapital


Investidores estrangeiros foram responsáveis por 19% das compras de empresas de capital brasileiro no País em 2011. Foto: Marcello Casal/ ABr

Em meio à crise econômica mundial, 2011 registrou recorde no número de fusões e aquisições envolvendo, de forma direta ou indireta, empresas brasileiras. Um estudo da consultoria internacional KPMG mostra que no último ano foram concretizadas 817 operações deste tipo, um aumento de 12,5% em comparação a 2010.

Júlio Sérgio Gomes de Almeida, doutor em economia e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), enxerga o aumento em operações deste tipo como uma ação estratégica de posicionamento no mercado brasileiro, seja por empresas nacionais ou estrangeiras. “O Brasil possui uma perspectiva positiva de crescimento do mercado interno, razão pela qual esse processo de consolidação empresarial tende a ocorrer.”

Segundo o levantamento, os negócios entre empresas controladas por capital brasileiro somaram 410 operações, um aumento de 23% em relação a 2010. “A concorrência global acontece entre grandes empresas e, por isso, uma companhia de médio porte muitas vezes precisa optar por uma fusão para sobreviver em um mercado altamente competitivo”, destaca Antônio Correa Lacerda, doutor em ciência econômica.

As empresas de capital estrangeiro investiram 19% a mais na compra de companhias brasileiras estabelecidas no País em 2011, com 208 negócios fechados. Um cenário que pode ser explicado, além de um mercado interno promissor e da fuga da incerteza nos países desenvolvidos, pela disponibilidade de capital para investimento das empresas do exterior. “EUA e Europa não vivem uma crise empresarial, por isso as grandes companhias possuem recursos para aplicar fora de seu território”, diz Almeida.

Por outro lado, se a crise não afetou os planos de investimento das multinacionais no Brasil, abalou as transações de internacionalização das empresas nacionais, que caíram 14%. O mesmo ocorreu com a compra de companhias de capital estrangeiro no  País por empresas nacionais, com queda de 17%. “Existem boas perspectivas de aquisição no exterior, mas as empresas brasileiras também apostam mais no mercado interno”, aponta o consultor do IEDI.

Lacerda destaca, porém, que o movimento de internacionalização das empresas brasileiras é um processo contínuo e deve ser retomado “assim que o quadro internacional melhorar.”

O estudo ainda traz o ranking dos setores que mais registraram fusões e aquisições. O setor de Tecnologia da Informação aparece como líder, seguido por Telecomunicações e Mídia e imobiliário.

Os dados levam em conta operações anunciadas e concluídas entre 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2011.

http://www.cartacapital.com.br/economia/brasil-tem-recorde-de-fusoes-e-a...

 

EUA: estado totalitário e militar
O presidente Barack Obama ofereceu ao povo norte-americano no dia 31 de  dezembro um presente envenenado para 2012: a promulgação da chamada Lei da Autorização da Defesa Nacional.

Por Miguel Urbano Rodrigues [10.01.2012 10h00]

 

Publicado por ODiario.info.

O presidente Barack Obama ofereceu ao povo norte-americano no dia 31 de  dezembro um presente envenenado para 2012: a promulgação da chamada Lei da Autorização da Defesa Nacional.

O discurso que pronunciou para justificar o seu gesto foi um modelo de hipocrisia. O presidente declarou discordar de alguns parágrafos da lei. Sendo assim, poderia tê-la vetado, ou devolvido o texto com sugestões suas. Mas não o fez.

No dia 24 de janeiro, o Senado vai votar um projeto, o SOPA, que autoriza a Secretaria de Justiça a criminalizar qualquer Web cujo conteúdo seja considerado ilegal ou perigoso pelo governo dos EUA. De acordo com o texto em debate, a simples colocação de um artigo numa rede social pode motivar a intervenção da Justiça de Washington.

A iniciativa foi já definida por alguns media como um terremoto político. O pânico que provocou foi tamanho que a Netcoalitioncom, aliança que agrupa gigantes digitais como Facebook, Twitter, Google, e Yahoo, AOL e Amazon admite um "apagão colectivo" durante horas se o Congresso aprovar o projeto.

A lei, teoricamente motivada pela necessidade de combater a pirataria digital, será de aplicação mundial. Por outras palavras, se uma Web europeia, asiática ou africana publicar algo que as autoridades norte-americanas considerem "perigoso" pode ser bloqueada nos EUA por decisão da Justiça de Obama.

"Governo militar de traje civil?"

Despojada da retórica que a envolve, a Lei da Autorização da Segurança Nacional, ora vigente, revoga na prática a Constituição bicentenária do país.

Afirma Obama que a "ameaça da Al Qaeda à Segurança da Pátria" justificou a iniciativa que elimina liberdades fundamentais. A partir de agora, qualquer cidadão sobre o qual pese a simples suspeita de ligações com "o terrorismo" pode ser preso por tempo ilimitado. E eventualmente submetido à tortura no âmbito de outra lei aprovada pelo Congresso.

Comentando a decisão gravíssima do presidente, Michel Chossudovsky lembra que ela traz à memória o decreto de Hitler para "a Proteção do Povo e do Estado" assinado pelo marechal Hindemburgo em 1933 após o incêndio do Reichstag.

A escalada de leis reacionárias nos EUA assinala o fim do regime democrático na grande República. O discurso em que Obama justificou há dias o Orçamento de Defesa, veio confirmar o crescente protagonismo do Pentágono – agora dirigido por Panetta, o ex-diretor da CIA – na definição da estratégia de dominação planetária dos EUA. Ao esclarecer que a prioridade é agora a Ásia, o presidente afirmou enfaticamente que os EUA são e serão a primeira potência militar do mundo.

Relembrou o óbvio. O Orçamento de Defesa norte-americano supera a soma dos dez maiores que se seguem. A degradação do regime tem-se acentuado de ano para ano. A fascizaçao das Forças Armadas nas guerras imperiais é hoje inocultável.

Observadores internacionais respeitados, alguns norte-americanos, comentando essa evolução, definem os EUA neste início do terceiro milênio como "ditadura democrática". Chossudovsky vai mais longe, enuncia uma evidência dolorosa ao escrever que nos EUA se acentua a tendência para "um Estado totalitário militar com traje civil'.

Desmontar-lhe a fachada é uma exigência para quantos identificam no imperialismo uma ameaça à própria continuidade da vida. Tarefa difícil, mas indispensável.

Significativamente, as leis fascizantes comentadas neste artigo passaram quase desapercebidas em Portugal. Os analistas de serviço da burguesia e os media ditos de referência ignoraram o tema, numa demonstração da vassalagem neocolonial da escória humana que oprime e humilha Portugal.

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9...

 

Partidos governistas já exigem pacto sobre ação do ‘santo Lula’ em eleições

BRASÍLIA - Preocupados com a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos palanques petistas, em meados deste ano, partidos da base do governo já brigam pela divisão do espólio lulista na caça aos votos. Sem esconder que temem mais a participação de Lula do que a da presidente Dilma Rousseff na campanha, aliados comparam o apoio do antigo chefe a um tiro de "canhão".

Veja também:
link PMDB não descarta aliança com sigla de Kassab em São Paulo
link Afif diz que aproximação do PSD com PT ainda é 'flerte'
link ESPECIAL: Veja entrevista com os pré-candidatos à Prefeitura

"Dilma garante que não privilegiará nenhum candidato de sua base em detrimento de outro. Mas e o canhão do Lula? O que a gente faz com ele?" pergunta o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "A emenda pode ficar pior do que o soneto."

Com a expectativa da cura de Lula, em tratamento para combater um câncer na laringe, dirigentes de partidos governistas não têm dúvidas de que ele se transformará numa espécie de "santo" nos comícios. Munidos dessa avaliação, prometem disputar a imagem do ex-presidente palmo a palmo com o PT.

Na prática, os 14 partidos que integram o Conselho Político do governo Dilma vão se debruçar sobre o mapa eleitoral com a expectativa de um acerto sobre a "multiplicação" de Lula nos comícios e até mesmo na propaganda política. O prazo final para as convenções que homologarão as candidaturas é junho.

Kassab. A movimentação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - que procurou Lula para conversar sobre a possível aliança do PSD com o PT -, também provoca ciúme nos aliados tradicionais. Kassab sugeriu um nome do PSD, como o do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para vice de Fernando Haddad, ministro da Educação e pré-candidato do PT à Prefeitura paulistana. Meirelles já disse ao comando do PSD que não entrará na disputa.

Ao mesmo tempo, porém, Kassab negocia uma aproximação com o PSDB e insiste no nome do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) como cabeça de chapa.

 

Glória a ti neste dia de glória

 

Glória a ti neste dia de glória Foto: Divulgação Confira programação da Lavagem do Bonfim, que tem início às 8h, na área externa da Igreja da Conceição da Praia

11 do 01 de 2012 às 15:32

Bahia 247

Está tudo pronto para a realização dos festejos da Lavagem do Bonfim, que acontece nesta quinta-feira (12). Cerca de um milhão de fiéis e 300 baianas devem participar do cortejo que sai, por volta das 8h, da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Igreja do Bonfim.

Ao todo, 34 entidades, reunindo mais de nove mil integrantes, foram cadastradas pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) para participar do evento. Dentre elas, 18 são de percussão, cinco de sopro, dois de samba, além de afoxé, instrumental, som mecânico, kuduro e marchinha de carnaval. Nesta quarta-feira (11), os representantes de cada entidade receberam o documento autorizando o seu desfile nos cerca dos 8 km até a Colina Sagrada.

‘És a guardo imortal da Bahia’

Antes da saída do cortejo em direção à Colina Sagrada, representantes de diversos cultos religiosos se reúnem, em frente à Basílica da Conceição da Praia, em um momento de exaltação à paz e ao espírito de fraternidade e solidariedade entre todas as pessoas de boa vontade

A cerimônia terá início às 8h, com a mensagem de acolhimento proferida pelo padre Valson Santos Sandes, vigário da Basílica. Logo em seguida, acontece a apresentação do coral, regido pelo maestro David Alves Tourinho, que entoará a "oração de São Francisco".

O juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia, Anorailton Conceição Santos, proclamará a "Palavra do Livro do Profeta Isaías". Outras mensagens de paz serão dedicadas por representantes de diversas religiões presentes ao encontro.

Após a oração do Pai Nosso, os presentes acompanharão o coral no Hino ao Senhor do Bonfim, finalizando o encontro com o desejo a todos de uma feliz caminhada de paz até a Colina Sagrada. A expectativa é de que o cortejo chegue à Basílica do Bonfim ao meio-dia, quando o adro e as escadarias são tradicionalmente lavados pelas baianas com vassouras e água de cheiro.

A imagem do Nosso Senhor do Bonfim, pela terceira vez, será erguida pelo padre Edson Menezes na janela da igreja e, em seguida, mais de três mil balões brancos e azuis são soltos, acompanhados da queima de fogos. Logo depois, começa a parte profana da festa.

Festividade prossegue até domingo

A celebração continua até o próximo domingo (15), cuja programação se inicia com a alvorada às 5h e segue com missas. A Empresa Salvador Turismo (Saltur) montou um tablado e sonorização para a celebração da missa solene, presidida às 10h30, pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger.

Às 16h, os devotos se reúnem na Igreja dos Mares para a procissão dos Três Pedidos, que percorre o largo de Roma em direção ao Bonfim. Na chegada à Colina, os fiéis dão três voltas em torno da Basílica, fazendo três pedidos. Uma pregação e a benção do Santíssimo Sacramento encerram os festejos.

http://www.bahia247.com.br/pt/bahia247/salvador/5469/Gl%C3%B3ria-a-ti-ne...

 

 

Do Observatório da imprensa

A imprensa e o pseudocombate à corrupção Por Daniel Gorte-Dalmoro em 10/01/2012 na edição 676

 

 Renato Janine Ribeiro comentou em seu artigo no jornal Valor de segunda-feira (2/1, “Apurar até depois do fim”); Vladmir Safatle, no seu espaço na Folha de S.Paulo, na terça (3/1, “O inimigo da moral”); Maria Inês Nassif, na sua coluna do dia 22/12, quinta, no portal de notícias Carta Maior (“2011, o ano em que a mídia demitiu ministros. 2012, o ano da Privataria.”). Os três criticam a parcialidade da grande imprensa diante da corrupção no Brasil e como essa parcialidade, a despeito da impressão do combate à corrupção, não altera em absolutamente nada o panorama simplesmente porque a corrupção por ela denunciada é um subterfúgio para fazer proselitismo partidário disfarçado.

Maria Inês Nassif, em artigo na revista Interesse Nacional (nº 11, outubro de 2010), comentava o fato da chamada direita (PSDB-DEM), carente de base social, ter a grande imprensa – ou mídia tradicional, como ela prefere – como tal base, encabeçando os ataques ao governo Lula. Já no governo Dilma, diante do esfacelamento da oposição com o surgimento do PSD, à imprensa coube todo o papel de oposição ao PT: ela assume, então, claramente, ainda que de maneira não admitida, o papel de veículo partidário.

A tática utilizada no decorrer de todo o ano para tentar desestabilizar o governo Dilma, um governo que teoricamente começou fraco – pela primeira vez, o presidente era mais fraco que seu partido, como a própria Nassif assinalara quando Dilma ainda era uma possibilidade de candidata –, tratou de utilizar o que Renato Janine Ribeiro chamou de “tática de artilharia”: mirar um ministro por vez para derrubá-lo. O efeito, contudo, foi contrário ao esperado: Dilma conseguiu passar a imagem de intransigente com os corruptos, além de ter conseguido se tornar credora dos partidos da base aliada – como assinalou Nassif. Isso até o ministro-alvo ser Fernando Pimental, o primeiro da cota de Dilma.

Grande imprensa é seletiva

A princípio esse denuncismo parece benéfico, preocupado em combater a corrupção. A forma de agir, contudo, soltando denúncias a conta-gotas e sempre direcionando – exceção a Haddad, que sempre merece uma lembrança por não ter sido pego em caso algum de corrupção e por medo na oposição de perder a principal cidade do país –, é o primeiro sinal de que o interesse é outro.

Como em política, no Brasil, o suspeito é culpado até que se prove o contrário, uma campanha orquestrada pelos grandes veículos de massa tem um poder considerável. Entretanto, uma vez derrubado o alvo, logo a grande imprensa se volta para o próximo da lista, como se o caso estivesse encerrado: não tem qualquer preocupação em seguir com a apuração e confirmar se as denúncias são, de fato, procedentes, para, em caso afirmativo, mostrar quais os caminhos da corrupção – obra do sistema, e não de um pessoa individualmente –, ou, em caso negativo, em fazer um mea culpa pela reputação manchada.

Mas não é apenas de leviandade: como comentou Safatle, não há sequer simetria na apuração dos casos de corrupção: a grande imprensa é extremamente seletiva no que fala, no que cala, no quanto e quando fala. Ele lembra que o esquema do mensalão, que ficou grudado ao PT, teve início no governo PSDB.

A denúncia como disputa partidária

O assunto do momento é o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., A privataria tucana, que, conforme Nassif, faz “denúncia fundamentada e grave” sobre o processo de privatização durante o governo tucano – cujo projeto político, junto com a redução do Estado, típico do receituário neoliberal, era criar uma burguesia moderna, “escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria”. A tentativa de ignorar o livro, num primeiro momento e a campanha de desqualificação do autor, depois, mostram que não se trata de uma obra desprezível – sem contar que acabaram por fazer propaganda do livro, já esgotado.

O risco de um CPI a partir daquilo que o livro revela constrange a grande imprensa a moderar o seu apetite contra o governo Dilma: afinal, seu grande aliado nas últimas cinco eleições presidenciais, o PSDB, está no alvo, afora o fato de nunca se saber onde termina uma CPI – nem nós sabemos até onde se estende o quarto poder.

A conclusão dos três colunistas é basicamente a mesma: para combater a corrupção estrutural do Brasil não adianta fazer denúncias para derrubar ministros, ou encarar toda denúncia como disputa partidária: é preciso levar as investigações adiante, em busca do esquema que a move, e não das pessoas que se aproveitam dele – e fazê-lo sem coloração partidária necessária.

***

[Daniel Gorte-Dalmoro é estudante, Campinas, SP]

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed676_a_imprensa_e_o_pseudocombate_a_corrupcao

 

webster franklin

Do Observatório da imprensa

Os espertalhões da fé

 

Por Luiz Cláudio Cunha em 10/01/2012 na edição 676

 

Reproduzido do Sul21, 9/1/2012, título original “Os vendilhões dos templos eletrônicos em tempos de espertalhões da fé”

 

 Incapaz de vender a alma ao diabo, a Rede Bandeirantes acaba de revender seu santo horário da noite para o pastor R.R. Soares, o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O seu Show da Fé de 20 minutos, que começava religiosamente às 21h, agora vai durar uma hora inteira, a partir das 20h30. Não se sabe ainda quanto custou esse novo e triplicado milagre, mas pelo contrato antigo o bom pastor já pagava R$ 5 milhões mensais à Band. O vil metal falou mais alto para a TV de Johnny Saad, que anunciava a devolução do horário nobre da noite a seriados consagrados, como o 24 Horas, para concorrer com as novelas da Globo e as séries do SBT, todas com melhor audiência.

A novidade escangalhou os planos do argentino Diego Guebel, que assumiu a direção artística da Band em outubro passado com a promessa de recuperar o espaço nobre e caro da noite para atrações mais mundanas do que a prosopopeia de Soares. A bíblica derrota de Guebel na Band é apenas outro indício da onda avassaladora do dinheiro que afoga a TV brasileira deste Brasil cínico que finge ser laico e imune à força econômica da religião e seus falsos profetas. Os canais de rádio e TV são concessões públicas, supostamente alheias aos credos e seitas religiosas que transformaram estúdios, igrejas, templos e estádios em púlpitos eletrônicos cada vez mais invasivos e escancarados.

Não existe ninguém no governo ou no Congresso brasileiros com coragem para frear essa flagrante ilegalidade, sancionada por verbas, dízimos, patrocínios e uma farta hipocrisia. A irrestrita capitulação aos padres e pastores que lideram milhões de fiéis (e eleitores) ficou escancarada na última eleição presidencial, em 2010, quando os dois principais candidatos com raízes na esquerda – Dilma Rousseff e José Serra – sucumbiram vergonhosamente à chantagem das correntes mais atrasadas das igrejas, frequentando missas e cultos com o gestual mal ensaiado de pios devotos que não sabiam nem metade da missa, nem qualquer salmo dos evangelhos. Encenaram um constrangedor teatro de conversão medida para não ofender o eleitor mais ortodoxo. Para não perder votos, Dilma e Serra caíram na armadilha do falso debate religioso sobre o aborto – um tema que um e outro, por mera consciência política ou formação acadêmica, sabem que nos países mais evoluídos não passa de um grave e secular problema de saúde pública.

A submissão das instâncias do Estado secular ao poder cada vez maior das igrejas pode ser medida pela intrusão cada vez mais descarada da fé nos meios eletrônicos do Brasil, que deturpam a concessão pública pelo proselitismo religioso vetado pela Constituição. A igreja católica brasileira agrupa hoje mais de 200 rádios e quase 50 emissoras de TV, contra 80 rádios e quase 280 emissoras de TV de oito braços do crescente ramo evangélico. É um domínio que se fortalece cada vez mais, embora adaptando seu perfil para fórmulas mais agressivas e despudoradas de avanço sobre o bolso das populações mais pobres, mais desesperadas, menos instruídas.

Comer ou dormir

Em agosto de 2011, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o Novo Mapa das Religiões, um denso estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, com base em 200 mil entrevistas formuladas pelo IBGE em 2009 a partir de sua Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). O trabalho mostrou que o Brasil deixará de ser a maior nação católica do mundo nos próximos 20 anos, mantida a queda progressiva que sofre a Igreja no país. Ela representava 83,24% da população em 1991 e caiu para 68,43% em 2009. “As mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em 10. Se esta perda de 1% de católicos por ano continuar, a Igreja católica terá em 20 anos menos da metade da população brasileira”, destacou o coordenador da pesquisa, Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.

A economia é um forte indutor desta transformação, diz Neri. Ele lembra que as chamadas “décadas perdidas” de 1980 e 1990 foram demarcadas pela queda do catolicismo em contraste com a ascensão dos grupos evangélicos, especialmente seus ramos mais belicosos e vorazes – os neopentecostais. O período de 2003 a 2009, compreendido entre duas graves crises econômicas, observa uma segunda explosão evangélica, passando de 17,9% para 20,2%. A primeira explosão, ainda maior, ocorreu nas últimas seis décadas do século 20, quando os evangélicos aumentaram seu rebanho em sete vezes: passaram de 2,6% em 1940 para 15,4% em 2000.

A FGV foi buscar no alemão Max Weber (1864-1920), o pai da moderna sociologia, o fundamento teórico que explica o avanço arrebatador dos evangélicos, a partir de sua obra mais conhecida – A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, publicada em 1904-05. Ali, Weber explica o maior desenvolvimento capitalista nos países protestantes no século 19 e a maior proporção desses fiéis entre empresários e trabalhadores mais qualificados. “A tese de Weber era que o estilo de vida católico jogava para outra vida a conquista da felicidade. A culpa católica inibiria a acumulação de capital e a lógica da dívida de trabalho, motores fundamentais do desenvolvimento capitalista”, escreve Neri.

Weber repetia um ditado da época: “Entre bem comer ou bem dormir, há que escolher. O protestante quer comer bem, enquanto o católico quer dormir sossegado”. O pensador alemão constrói seu texto em cima de máximas do inventor e calvinista americano Benjamin Franklin (1706-1790), um dos líderes da Independência dos Estados Unidos, que dizia que “tempo é dinheiro” e “dinheiro gera mais dinheiro”. Era uma notável conversão justamente aos argumentos opostos que levaram ao grande cisma do cristianismo, no início do século 16, quando um atrevido padre agostiniano alemão, Martinho Lutero, pregou nos portões da igreja de Wittenberg as suas 95 teses que desafiavam a autoridade do papa e quebravam a hegemonia de Roma sobre o mundo cristão. Na época, Lutero denunciava justamente o que seria o âmago da Reforma Protestante: o desvio do caminho de fé da igreja primitiva para o atalho da corrupção, da indulgência, da simonia e da luxúria de papas e cardeais rodeados de amantes e concubinas, antecessores lascivos dos bispos e padres que comem criancinhas.

Teologia do bolso

Lutero e sua radical volta às origens, estimulando o protesto aos desvios éticos de Roma e o retorno à palavra original dos evangelhos, geraram os dois termos que identificam os segmentos mais prósperos da dissidência cristã: os protestantes e os evangélicos, onde brilha sua facção mais agressiva e endinheirada – o pentecostalismo, que hoje abriga no mundo cerca de 600 milhões de seguidores, pulverizados em 11 mil seitas e subgrupos. Ali viceja sua parcela mais faustosa: a corrente neopentecostal, a que pertencem o abonado bispo R.R. Soares e seus parceiros mais ricos, os também bispos Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, cada um chefiando sua própria seita, sempre na condição suprema de “apóstolos”. Todos mostram uma devoção especial pela alma e pelo bolso de seus seguidores, a quem não se acanham de pedir contribuições financeiras a que, recatadamente, chamam de “oferta”.

Para não atormentar ainda mais a vida de sua aflita freguesia, os quatro chefes religiosos tratam de facilitar ao máximo as ofertas financeiras. Na tela da TV de seus animados cultos, sempre se oferece o número das contas bancárias, a bandeira dos cartões de crédito ou o telefone para informações extras que permitam a oferta, rápida e facilitada. Nenhum deles fica ruborizado pela insistência do pedido de ajuda, porque todos são pios devotos da “Teologia da Prosperidade”, uma doutrina pecuniária que faria o velho Lutero engolir cada uma das 95 teses que vomitou contra a cupidez da velha Roma.

A ideia nasceu, evidentemente, no coração do capitalismo, os Estados Unidos, no início do século 20. O pai dessa fé sonante é o americano Essek William Kenyon (1867-1948), um evangelista de origem metodista nascido em Saratoga, Estado de Nova York. Descobriu o milagre do rádio e plantou ali a sua Igreja no Ar, a ancestral eletrônica dos R.R.Soares e Malafaias da vida. Espalhou então aos quatro ventos o lema que explica as benesses divinas da fartura: “O que eu confesso, eu possuo”.

Kenyon passou o bastão da prosperidade para um conterrâneo, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003), um jovem texano com deficiência cardíaca, que caiu de cama quando adolescente. Garantiu ter ido e voltado ao inferno e ao céu não uma, nem duas, mas três (três!) vezes. Com este desempenho singular, até para campeões de esportes radicais, o jovem naturalmente converteu-se. Dizendo-se ungido para ser mestre e profeta, Hagin garantia ter tido oito (oito!) visões de Cristo na década de 1950, além de acumular alguns passeios extracorpóreos. Tudo isso acrescido pela divina revelação de que os verdadeiros fiéis deviam gozar de uma excelente saúde financeira e que o caminho da fortuna passava, inevitavelmente, pela prosperidade de seus profetas aqui na Terra. Foi sopa no mel, e a teologia da prosperidade conquistou corações e mentes – e bolsos.

Na conta do santo

A primeira semente deste ostensivo neopentecostalismo brotou no Brasil com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo. Três anos depois, o pastor R.R. Soares, casado com Magdalena, irmã de Macedo, saiu do ninho da Universal para fundar sua própria igreja, a Internacional da Graça de Deus, que acaba de alugar a tela do horário nobre da Band graças ao verbo divino e a verba milionária do pastor. Uma década depois, o bispo Macedo, ainda mais próspero do que o cunhado, comprou a sua própria rede de TV, a Record, hoje a segunda maior audiência do país (4,7 pontos) no horário nobre das noites de dezembro passado, embora ainda distante da Globo (13,8).

Os televangelistas brasileiros aparentemente compõem um paraíso na terra e no ar rico em mirra, incenso e ouro, muito ouro. Há tempos, quatro grupos evangélicos rondam o empresário Sílvio Santos, que topa tudo por dinheiro, na esperança de amealhar o espaço das madrugadas do SBT por módicos R$ 20 milhões mensais. Em 2009, o próprio Edir Macedo alvejou sua maior concorrente: ofertou R$ 545 milhões para alugar o espaço das madrugadas da Rede Globo para a sua Igreja. A Globo piscou, não respondeu, e o bispo voltou à carga em agosto passado, disposto a mover céus e terras. Nada feito.

A contabilidade desses pastores, pelo jeito, oscila entre o inferno e o paraíso. O bispo que oferecia milhões para comprar um naco do maior concorrente era o mesmo dono da igreja que fazia um descarado apelo em seu blog, em abril passado, para que os fieis juntassem alguns trocados para ajudá-lo a pagar a conta salgada de seu site. Coisa miúda, apenas R$ 107.622 mensais, que o pobre bispo diz gastar com despesas mundanas como hospedagem do servidor, salário dos funcionários, água, luz e gastos administrativos da manutenção do site. “Se o Espírito Santo lhe tocar, nos ajude a carregar essa responsabilidade”, escreveu o bispo, implorando por uma doação mínima de R$ 20.

O espírito santo, aparentemente, tocou a Rede Globo. A emissora dos Marinho odeia o bispo Macedo, mas adora os evangélicos. Na véspera do Natal de 2011, em 18 de dezembro, a maior rede desta vasta nação católica rasgou o hábito e transmitiu o seu primeiro evento evangélico, gravado uma semana antes no Aterro do Flamengo, no Rio. O público presente, apenas 20 mil pessoas, foi uma heresia para as ambições bíblicas da Globo, mas a fiel audiência na telinha na tarde do domingo seguinte foi uma bênção divina. Ao longo dos 75 minutos do programa, condensado de quase oito horas de gravação ao vivo (entre 14h e 21h30), apresentaram-se nove artistas no “Festival Promessas 2011”, sob o comando do astro global Serginho Groisman. Um dos mais festejados foi o cantor Regis Danese, 39 anos, que vendeu um milhão de cópias com um único disco gospel, “Compromisso”, o único a conquistar o primeiro lugar em rádios e TVs seculares do país e que lhe garantiu a indicação para o prêmio Grammy Latino em 2009.

A conversão da Globo

Antes desse sucesso, Danese já era consagrado como artista do “Só Pra Contrariar”, um grupo de pagode que ainda ostenta o 27º lugar do ranking brasileiro, com 8 milhões de discos vendidos. Apesar disso, com problemas no casamento, converteu-se ao protestantismo no início do século. Salvou o matrimônio com Kelly, sua parceira musical, e engordou ainda mais o bolso. O álbum “Compromisso”, que conquistou o “Disco de Diamante” pela venda de 500 mil cópias em apenas quatro meses de 2008, traz o seu maior sucesso, “Faz um Milagre em Mim”. O jornalista Tom Phillips, do diário britânico The Guardian, anotou que, logo após sua triunfal apresentação no festival da Globo, Danese foi indagado na entrevista coletiva sobre os fundamentos deste milagre musical: “O senhor escutou a voz de Deus? O que ele disse?”, perguntavam-lhe. O ex-pagodeiro explicava e, embevecido, o isento repórter da revista Nova Jerusalém ressoava a cada resposta: “Amém. Louvado seja o Senhor!”

A genuflexão da Globo não representa uma súbita conversão da emissora ao credo evangélico da música: “A Globo não é um canal católico, e sim secular e republicano. Apenas documentamos um festival gospel por sua crescente importância na vida cultural do Brasil”, esquivou-se Luiz Gleizer, diretor da TV, ao jornalista britânico que ecoou o festival sob uma manchete embalada pela típica ironia inglesa: “O gospel começa a dar o tom no Brasil, a casa da bossa nova”.

Os profetas da Globo não sabem entoar um único salmo, mas como os apóstolos eletrônicos da concorrência também têm um ouvido afinado pelo doce tilintar das moedas do templo. Isso não é contado nem no confessionário, mas os querubins globais sussurram nos corredores da “Vênus Platinada” que os direitos de comercialização e os espaços publicitários do festival renderam à Globo algo entre R$ 35 milhões a R$ 55 milhões, o suficiente para remir muitos pecados, dúvidas e dívidas, aqui na terra e lá no céu. O grupo é dono da gravadora Som Livre e de um catálogo religioso onde brilham ídolos como o padre católico Fábio de Melo, que já vendeu quase 2 milhões de CDs pelo selo global.

O olho cúpido e republicano da Globo está mirando um mercado de música gospel que o The Guardian estima em R$ 1,5 bilhão, um paraíso econômico onde se irmanam crentes, artistas, emissoras laicas, pastores, espertalhões, vigaristas e políticos de todas as crenças, devotos todos do santo dinheiro que cai do céu diretamente em seus bolsos. O fluminense Arolde de Oliveira, deputado federal pelo PSD – aquele diabólico partido nascido da costela do prefeito Gilberto Kassab e que garante não pertencer nem ao paraíso, nem ao inferno, nem ao purgatório –, é dono da rádio 93 FM e do Grupo MK Music, que ele jura ser o maior selo de música gospel do continente. “Mais de 60 milhões de brasileiros estão direta ou indiretamente ligados à Igreja Evangélica”, lembra o deputado Oliveira. A Globo, como se vê, tem a inspiração divina e o ouvido apurado.

O festival “Promessas” abriu as portas de uma terra prometida para os profetas globais. No domingo gospel, a audiência da Globo subiu aos céus, dando-lhe a indulgência de miraculosos 13 pontos no Ibope (cada ponto representa 58 mil aparelhos ligados), bem mais do que os 7 humildes pontos habituais do horário. O pastor Silas Malafaia, inimigo da Universal do bispo Macedo, aproveitou e tripudiou no seu site: “A Record não acreditou nos evangélicos, a Globo acreditou e arrebentou na audiência! Enquanto a Record fala mal dos cantores e da igreja, a Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus”. E arrematou com um desajeitado elogio que deve ter sobressaltado as almas globais: “Quando os que deveriam abrir as portas fecham, Deus usa os ímpios para glorificá-lo”. Iluminada pela santa promessa do Ibope, a ímpia Rede Globo prepara mais três edições do sucesso gospel para 2012 – duas versões regionais e uma nacional, evitando cuidadosamente o Rio de Janeiro, que já padece a praga de um congestionamento evangélico todo santo ano.

O golpe do martelinho

Valdemiro Santiago é outro desgarrado da Universal. Depois de ser considerado um virtual sucessor de Edir Macedo, brigou com ele e saiu para fundar em 1998 a sua seita, a Igreja Mundial do Poder de Deus. Começou com 16 membros e hoje o apóstolo Valdemiro chefia mais de dois mil templos, alguns na África e em Portugal, e um jornal mensal, Fé Mundial, com tiragem de 500 mil exemplares – além de um maçante trololó diário de 22 horas na Rede 21, uma subsidiária da Rede Bandeirantes, que administra as duas horas restantes.

Sua marca registrada é um chapéu de boiadeiro, o que reforça sua imagem de astro sertanejo, que costuma ganhar espaço até no Jornal Nacional da Globo, uma devota do divisionismo que Valdemiro poderia provocar nas legiões de seu arqui-inimigo Edir Macedo. Quando enfrenta problemas de caixa, Valdemiro confia no santo gogó. Em 2010, chorou diante das câmeras de TV ao convocar 150 mil fiéis para ofertarem R$ 153, o número de peixes de um alegado milagre de Cristo. Faturou cerca de R$ 23 milhões.

Empolgado, o bispo sertanejo imaginou outra forma esperta de arrecadar dinheiro fácil, mas desta vez sem choro. Criou a campanha do “Martelinho da Justiça”, um pequeno, baratinho malho de madeira capaz de quebrar mandingas, maus-olhados e “as pedras que atravessam os seus caminhos”. A clava fajuta de Valdemiro, que despertaria a inveja do grande Thor, devia ser canonizada como a mais cara do mundo: cada oferta pelo martelinho tinha o mínimo de R$ 1 mil e Valdemiro esperava que 10 mil de seus seguidores o abençoassem com a compra do mimo, o que rechearia seu chapelão com R$ 10 milhões.

No reclame da Igreja Mundial na TV, o pastor de português trôpego, voz rouca, terno e gravata mostrava a certeza das favas divinas e muito bem calculadas: “Ainda hoje ou amanhã, na primeira hora, você vai até a agência bancária e faz esta “ofertinha” de R$ 1 mil. Depois, mandaremos o martelinho pelo correio”. Para esse milagre acontecer, bastava ao crente fazer o depósito nas contas indicadas na tela e disponíveis no Banco do Brasil, Bradesco ou Caixa Econômica Federal. “De preferência no BB, como o nosso apóstolo tem nos orientado”, aconselhava o pastor, com ar compungido.

A atrevida igreja de Valdemiro já vendeu garrafinhas Pet de 400 ml com “água ungida”, entregues por “ofertas” de R$ 100, R$ 200 ou até R$ 1.000, prometendo resultados espantosos: “Uma única gota dessa água será o suficiente para mudar a história de sua vida, para lhe abençoar de uma forma poderosa”, jurava o santo homem, escoltado por outros oito pastores calados e sisudos, todos de gravata e terno escuro. Se usassem óculos pretos iria parecer uma paródia do CQC, sem a divina graça do programa humorístico da Band que sucede o show religioso do pastor R.R. Soares nas noites da segunda-feira.

O trovão homofóbico

O bizarro merchandising da Mundial tem produzido bons resultados, pelo menos para as finanças da igreja de Valdemiro. No primeiro dia de 2012 ele inaugurou em Guarulhos, SP, a “Cidade Mundial”, um megatemplo de 240 mil metros quadrados e capacidade para acolher 150 mil fieis da Igreja Mundial do Poder de Deu – mais de duas vezes a lotação prevista do Itaquerão (68 mil lugares), o estádio que o Corinthians está construindo para a Copa do Mundo de 2014. Para erigir o templo, Valdemiro viu a igreja aumentar seus gastos mensais em R$ 30 milhões, prova de que o martelinho e a garrafinha são realmente miraculosos.

O pastor Silas Malafaia, chefe supremo da AVEC, sigla da associação que mantém a Igreja Vitória em Cristo, é a voz mais trovejante desse abusado mercado da fé ancorado nos fundamentos pétreos da Teologia da Prosperidade. Embora tenha os mesmos instrumentos de redenção econômica de Edir Macedo, Malafaia é um inimigo mortal do dono da Universal. Divergiram até na eleição presidencial de 2010: ele primeiro apoiou Marina Silva, depois fulminou sua opção pelo plebiscito no debate sobre o aborto (“cristão não tergiversa nesse tema”), e acabou fazendo campanha por Serra, adversário de Dilma, apoiada justamente pelo rival bispo Macedo. Malafaia é figura fácil no Congresso Nacional, em Brasília, onde veste a armadura de sua santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia: “O projeto [que garante a livre orientação sexual] é a primeira porta para a pedofilia”, reza, com a fúria dos justos. Numa entrevista a uma revista religiosa, crucificou como “idiotas” todos os pastores que, ao contrário dele, não apostam suas fichas, martelinhos e garrafinhas na Teologia da Prosperidade.

Ele não poupa a garganta e fala muito: quase todo santo dia, Malafaia se esparrama por cinco horas de programas variados em redes nacionais como CNT, Rede TV, Boas Novas e Bandeirantes e ocupa os sábados de emissoras regionais em outros 15 Estados. Seu programa se espalha pelos Estados Unidos e Canadá e, desde meados de 2010, Malafaia atinge 142 milhões de lares em 127 países da África, Ásia, Oriente e Médio e Europa, com o apoio da americana Inspiration Network, que faz a dublagem para o inglês.

Para tornar mais veraz sua pregação, às vezes importa dos Estados Unidos especialistas nesta riqueza material. No ano passado, junto com o pastor americano Mike Murdock, Malafaia lançou o projeto do “Clube de 1 Milhão de Almas”. Alma, sabem os televangelistas, custa caro. Ele pretendia arrebanhar um milhão de crentes para sua grei e seus programas de TV, mediante a “oferta” (voluntária, claro) de R$ 1 mil – ou seja, um martelinho de madeira, pelo generoso chapéu do bispo Valdemiro. Na conta do lápis, uma bolada plena de R$ 1 bilhão, capaz de pagar mais do que cinco Mega-Senas da Virada, que bateu em R$ 177 milhões no réveillon de 2011. Os ofertantes ganhariam o livro 1001 Chaves da Sabedoria, do pastor Murdock, e um certificado do clube milionário, em todos os sentidos.

Para inspirar o seu rebanho, Malafaia teve a feliz ideia de colocar um contador de acessos na página da igreja para que todos acompanhassem a adesão em catadupa do milhão de almas. Algo deu errado, ou o martelinho não funcionou. Lançado em abril do ano passado, o contador da igreja Vitória em Cristo virou uma estátua de sal, como a mulher de Lot em Gênesis (19,26) e estagnou num número pífio: miseráveis 58.875 almas era a contagem de quinta-feira (5/1). Um inferno de faturamento que não chegou a R$ 60 milhões, muito distante do paraíso do R$ 1 bilhão arquitetado pelo diabólico Malafaia. Faltam portanto ainda 941.125 almas para Malafaia inaugurar, sob as trombetas de Jericó, o seu clube milionário. Haja martelinho!

O supermercado da fé

O bravo Malafaia não desiste facilmente. Em 2009 ele lançou a campanha de uma Bíblia por módicos R$ 900, pouco menos que um martelinho. Era a tarifa da Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira, sacada genial de outro gênio da prosperidade, o pastor americano Morris Cerullo. Desta vez, a garrafinha deve ter funcionado, pois antes do final do ano ele viajou à Flórida, nos Estados Unidos, e lá viu se materializar, em nome da Vitória em Cristo, um jato executivo Cessna quase novo, modelo Citation Excel, pela bagatela de 12 milhões – de dólares!

Se alguém tiver alguma restrição a Bíblia, martelinho ou garrafinha, nem assim terá qualquer constrangimento para auxiliar o empreendimento celestial de Malafaia. Na sua página na internet, o bom pastor dá a boa notícia de que todos podem participar de sua jornada, tornando-se seu “Parceiro Ministerial”, um programa de fidelidade da Igreja que arrecada fundos para manter seus programas de TV. A porta está aberta a “qualquer pessoa que receba de Deus a visão de abençoar vidas, proclamando o Evangelho por meio das mensagens do pastor Malafaia”, explica o dono do site e da igreja. Dependendo do tamanho da carteira, seu título de parceiro também cresce: o “Especial” paga R$ 15 mensais, o “Fiel” doa R$ 30 e o “Gideão” entra na cota de sacrifício do martelinho: R$ 1 mil mensais, com direito a um exemplar por mês da revista Fiel, livros, Bíblias e um cartão para 10% de descontos nos produtos da Editora Central Gospel comprados pelo telemarketing, “desde que não esteja em promoção”.

Virar parceiro do pastor é fácil, pagar é muito mais. A organização abençoada de Malafaia trabalha com o ganhoso instrumental financeiro de uma grande loja de departamentos, como convém a este éden da prosperidade. A igreja Vitória em Cristo opera, sem preconceitos, com cartões Visa, Master, Diners, Amex ou Hipercard e tem contas abertas, sem discriminação, com o Banco do Brasil, HSBC, Bradesco ou Itaú, além de trabalhar com boletos bancários ou cheques nominais. Malafaia aceita boletos antecipados para o ano todo, mas nenhuma contribuição abaixo de R$ 15. Acima, pode.

Abobrinhas e beterraba

Agora, esse mundo dourado de riquezas, promessas, ofertas, obras e fartura vai ganhar outro e inesperado púlpito: um espaço de brilho, luzes e discussões mundanas, terrenas, insinuantes, quase lascivas. Começa na terça-feira (10/1) a 12º edição do Big Brother Brasil, o reality show da Globo que arrebata o país por 12 semanas no seu jogo canalha de perfídias, traições, intrigas e sensualidade explícitas, onde garotas curvilíneas e garotos musculoso, todos transbordantes de hormônios e carentes de neurônios, desfilam suas abobrinhas em diálogos patetas e reflexões idiotas. O jornalista Eugênio Bucci, professor de Ética Jornalística da Escola de Comunicações e Artes da USP, tatuou o BBB como “o mais deseducativo programa da TV brasileira, onde a fama justifica qualquer humilhação”.

Na TV, onde nada se cria e tudo se copia, a Record também tem sua versão BBB, A Fazenda, com mais roupa e a mesma dose intragável de papo imbecil. A personal trainer Joana, a vencedora da versão 4 da Fazenda, que acabou em outubro passado, arrebatou R$ 2 milhões após encontrar uma beterraba premiada, entre outros sofisticados desafios intelectuais.

Apesar dessa crônica indigência, mais de 130 mil jovens brasileiros se inscreveram para o BBB12, ao longo de sete meses, filtrados em seletivas regionais em 10 capitais. É uma febre televisiva que pode parar até a maior cidade brasileira, São Paulo, onde chega a bater em 40% do Ibope, o que significa quase dez milhões de telespectadores, metade da população da Grande SP.

A vencedora do BBB de 2011, a modelo paulista Maria Helena, 27 anos, de São Bernardo do Campo, faturou um cheque de R$ 1,5 milhão ganhando o voto por telefone de 51 milhões de pessoas. Se fosse candidata a presidente em 2010, Maria Helena, capa da edição de junho de 2011 da revista Playboy, teria derrotado José Serra por mais de sete milhões de votos e perderia para Dilma Rousseff por menos de cinco milhões.

Boninho, o diretor do BBB, apimentou a receita em 2012, para horror do pastor Malafaia, infiltrando quatro homossexuais entre os doze sarados concorrentes. “Três dos quatro gays são mulheres”, adiantou o lúbrico Boninho no seu tuíter. Ele não disse, mas o programa de 2012 terá também a atração extra de duas evangélicas, a assistente comercial mineira Kelly, 28 anos, e a zootécnica baiana Jakeline, 22. O empresário Danilo Leal, 45 anos, pai de Jakeline, acha que a filha vai resistir bem ao paredão impiedoso do BBB, apesar de evangélica: “Ela não é recatada. Espero que Jakeline aproveite bem seus 15 minutos de fama e faça o pé de meia”, reza o empresário, dando sua sanção paternal para o que der e vier.

Não se sabe ainda o tamanho do fio-dental que as duas evangélicas vão exibir na casa mais vigiada do Brasil, nem o salmo que irão recitar debaixo do edredom, cercadas por tantas câmeras indiscretas. Não deixa de ser simbólico que, cinco séculos após ser cravado nos portões da igreja de Wittenberg, o credo rigorosamente puritano e austero fundado pelo cisma de Luterano infiltre duas crentes assanhadas e iconoclastas no cenário conspícuo do programa mais ímpio da maior rede brasileira de TV aberta. A explicação, certamente, não está nas páginas lambidas da Bíblia dos templos e igrejas desta terra supostamente laica, mas nas cédulas louvadas do dinheiro ungido pela graça divina e pela licença dos homens neste país tropical, que Jorge Ben resumiu como “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

A louvação ecumênica ao dinheiro pintado pela hipocrisia de todos os credos esclarece, em parte, a progressiva invasão destes templos cada vez mais eletrônicos, escancarados por vendilhões cada vez mais acessíveis a espertalhões cada vez mais abusados no assalto à boa fé de sempre dos desesperados.

O velho evangelista Kenyon, profeta dessa cínica doutrina da prosperidade, poderia traduzir este Armagedom moral com o mantra invertido da religião de resultado que inventou: o que eu possuo, não confesso.

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[Luiz Cláudio Cunha é jornalista]

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed676_os_espertalhoes_da_fe

 

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Da Carta Maior

O cerco ao Irã

 

Todo o alarde por parte dos EUA e Israel é insustentável e serve para camuflar aquilo que realmente é motivo de preocupação: a crescente importância estratégica do Irã e sua liderança na região do Grande Oriente Médio. Longe de ser o arauto do apocalipse, o sonho do Irã, que sempre foi um "ator racional", é alcançar a hegemonia regional. Por quais motivos o Irã poderia ser convencido a suspender o enriquecimento nuclear sem que, da mesma forma que Israel, suas preocupações com sua segurança sejam levadas em consideração? O artigo é de Reginaldo Nasser.

(*) No mapa acima, cada estrela corresponde a uma base militar dos Estados Unidos. Uma imagem que fala por mil palavras a respeito do cerco ao Irã

O Departamento de Estado dos EUA declarou no final do mês de dezembro que o Irã estava manifestando "comportamento irracional" ao ameaçar fechar o estreito de Hormuz, ponto de passagem de 20% do petróleo mundial. Algo improvável já que grande parte dos 2,2 milhões barris/dia (mais de 50% de sua receita) que o Irã exporta passa pelo Estreito e sua obstrução viria causar sérios danos em sua economia que já sofre com as sanções internacionais. Na verdade, a declaração do vice-presidente do Irã, Mohammad Rahimi, foi que "não passaria uma só gota de petróleo pelo Estreito SE o Ocidente impusesse sanções sobre as exportações de petróleo de seu pais”.

Como já é de costume, quando se trata dos países rotulados como rogue-states, a questão hipotética de uma agressão dos EUA foi simplesmente suprimida na grande imprensa internacional. O que fez com que a declaração do iraniano aparecesse como uma ameaça e não como uma provável reação a um ataque. Claro que não se trata de um simples problema gramatical, mas de sim de linguagem típica de um poder hegemônico.

O Irã voltou a ser objeto de preocupação da chamada comunidade internacional – isto é EUA, Inglaterra, França e Israel - após a divulgação do novo relatório da AIEA (Agencia Internacional de Energia Atômica), no dia 8 novembro 2011, sobre a possível construção de instalações nucleares para fins bélicos, em um momento de eleições nos paises envolvidos. Em março, o Irã realiza eleições parlamentares que se espera ser um confronto entre radicais e moderados, enquanto nos EUA os candidatos do Partido Republicano nos EUA já anunciam a necessidade de bombardear o Irã ao mesmo tempo em que criticam a "fraqueza" do presidente Obama.

A grande imprensa norte-americana, como sempre, deu sua prestimosa colaboração para acionar os tambores da guerra. The Washington Post e The New York Times estamparam em sua matéria de capa, um dia após a divulgação do relatório, a informação de que os investigadores da AIEA acumularam uma coleção de novas evidências de que o Irã manifestou objetivos bélicos em seu programa nuclear. No entanto em matéria publicada na revista The New Yorker (November 18, 2011 Iran and the IAEA.) Seymor Hersch, após entrevistar uma série de especialistas sobre o tema, concluiu que as alegações básicas no relatório não continham nada substancialmente novo.

Robert Kelley, ex-diretor da AIEA, Greg Thielmann, ex-funcionário do Departamento de Estado e especialista no tema, e a organização Arms Control Association, cuja missão é incentivar o apoio público para o controle de armas de destruição em massa, observaram que a AIEA apenas reforçou o que a comunidade internacional já sabia desde 2003. Ou seja, que o relatório da AIEA apenas aponta indícios preocupantes e não há nada que indique que o Irã está realmente construindo uma bomba.

Portanto, “um Irã com armas nucleares ainda não é iminente e nem é inevitável. Aqueles que querem angariar apoio para um ataque ao Irã estão deturpando o relatório”.

Patrick Pexton, ombudsman do Washington Post, e Arthur Brisbane, editor do New York Times, responderam às objeções dos leitores, dois meses depois, concordando que, em nenhum momento a AIEA chegou a fazer uma declaração conclusiva clara. Brisbane declarou ainda que a linguagem utilizada pelo NYT estava equivocada e que o NYT deveria corrigir sua matéria porque trata-se de um caso que uma frase não faz justiça a um conjunto de nuances reveladas pelos fatos. Sendo que a distinção a ser feita é importante porque “o programa iraniano tem aparecido como um possível casus belli (ver NYT Public Editor: IAEA ‘Stops Short Of Making A Clear Conclusive Statement’ On Iran Nuke Program http://thinkprogress.org/ By Ali Gharib on Jan 10, 2012).

Na retórica de muitos políticos e comentadores americanos e judeus, a República Islâmica do Irã é retratada como um regime que não pensa sua política externa em termos de interesses nacionais. Invocam cenários apocalípticos de um pais inclinado a usar armas nucleares contra alvos israelenses ou europeus, sem se importar com as conseqüências sugerindo que o Irã aspira, na verdade, à autodestruição. Pois é suficientemente conhecida a capacidade militar de Israel. Aliás, como já observou o analista do Air Force Research Institute, Adam Lowther, não apenas os judeus, mas os palestinos teriam razão de sobra para preocupação, porque um ataque nuclear contra Israel iria devastá-los também.

Na verdade todo esse alarde por parte dos EUA e Israel é insustentável e serve para camuflar aquilo que realmente é motivo de preocupação: a crescente importância estratégica do Irã e sua liderança na região do Grande Oriente Médio. Longe de ser o arauto do apocalipse, o sonho do Irã, que sempre foi um "ator racional", é alcançar a hegemonia regional. Nos últimos oitos anos, o Irã construiu uma enorme rede de influência com xiitas e sunitas após os EUA derrubarem seus dois principais inimigos: o Talebã no Afeganistão e Saddam no Iraque; consolidou suas alianças com Hamas e Hezbollah, legitimados por seus êxitos eleitorais, tornando-se peça decisiva na Palestina e no Líbano.

No mesmo mês em que o relatório da AIEA foi publicado, os EUA anunciaram a assinatura de um acordo de venda de armas, munições, peças de reposição, treinamento de pessoal militar com a Arábia Saudita no valor de $30 bilhões. De acordo com oficial do Departamento de Estado, Andrew Shapiro, "essa venda irá enviar uma forte mensagem aos países da região que os Estados Unidos estão comprometidos com a estabilidade no Golfo e Médio Oriente." Cabe lembrar ainda a fala do príncipe Turki al-Faisal (chefe de inteligência na Arábia Saudita ) em reunião ocorrida em uma base militar da OTAN no Reino Unido (os documentos foram revelados pelo Wall Street Journal 22/07/2011) que "o Irã é muito vulnerável no setor de petróleo, e é nele que mais poderia ser feito para coagir o atual governo”. Argumentou que “a Arábia Saudita tem plena capacidade de produção [reposição] de quase 4 milhões de barris/dia - que poderíamos quase instantaneamente substituir toda a produção de petróleo do Irã”.

Qualquer que seja o perfil de uma nova ordenação nuclear esta deverá ser o resultado da interação dos motivos pelos quais um Estado persegue a energia nuclear, a legitimidade das restrições e, principalmente, que o país possa ter sua segurança garantida. Assim, é compreensível que Israel não vai desistir de suas armas nucleares (elemento de dissuasão) até que as suas preocupações mais amplas de segurança sejam resolvidas (e talvez nem assim). Mas por quais motivos o Irã poderia ser convencido a suspender o enriquecimento nuclear sem que, da mesma forma que Israel, suas preocupações com sua segurança sejam levadas em consideração? (Stephen Walt, A non-proliferation puzzle. S Foreign Policy , May 6, 2010).

Portanto, a polêmica questão nuclear envolvendo o Irã só poderá ser realmente discutida se a comunidade internacional vinculá-la ao processo de paz na região. Por falar nisso, onde estão Brasil e Turquia que exerceram papel fundamental de mediadores da crise com Irã, em 2010, impedindo uma ação militar que parecia iminente?

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e do Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).

Fotos: http://www.juancole.com/2011/12/iran-has-us-surrounded-all-right.html

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Da Carta Maior

Dívida: menor juro no exterior tem impacto zero dentro do Brasil

 

Em 2012, governo conseguiu vender no exterior títulos com menor juro da história do país e em patamar bem menor do que nas transações semanais dentro do Brasil. Mas, segundo Tesouro Nacional, gestor da trilionária dívida pública, taxa externa não influencia juro pago internamente, ainda o maior do mundo. Motivo: falta de concorrência no 'mercado' brasileiro.

BRASÍLIA – Na primeira semana do ano, o governo vendeu títulos públicos no exterior pagando ao “mercado” o juro mais baixo da história do país, 3,4%. A utilidade desse tipo de operação está na referência que aponta para o juro no comércio de papéis no futuro e para a taxa paga por empresas que emitem papéis no exterior, uma forma mais barata de arranjar dinheiro do que dentro do Brasil.

Do ponto de vista da gestão da dívida pública como um todo, porém, a operação não ajuda em nada o governo a vender papéis no “mercado” brasileiro pagando juros menores do que os atuais. “A dívida interna tem dinâmica própria. A influência é zero”, diz o coordenador de operações da dívida pública da Secretaria do Tesouro Nacional, José Franco de Morais.

Nos leilões semanais de venda de títulos que faz no país, o Tesouro tem pago entre 10% e 11% de juro ao “mercado”, bem mais do que o observado nas negociações externas. Um dos motivos dessa diferença, diz o Tesouro, é que o “mercado” brasileiro tem menos interessados em comprar títulos do que o “mercado” externo – é mais difícil passar adiante um papel em real do que em dólar.

O Tesouro não pode usar expressões explícitas, até por ter de lidar diariamente com o “mercado” mas, em linguagem mais simples, o que diz é que o “mercado” brasileiro é mais guloso pois sabe que tem o governo na mão – se o governo tivesse de recorrer a estrangeiros para rolar toda semana a trilionária dívida pública, não os acharia em quantidade mínima e suficiente.

Mas também não seria desejável, segundo o governo, dever apenas para estrangeiros, mesmo que estes aceitem juros menores do que brasileiros, por uma questão de soberania. A dívida feita dentro do Brasil tem de ser paga em reais, uma moeda que o governo controla e pode emitir. Já a dívida feita no exterior tem de ser paga em dólares, moeda que o Brasil não controla nem pode “frabicar”.

Apesar disso, o Tesouro acha que não seria de todo ruim aumentar a fatia da dívida externa dentro do total da dívida pública perante o “mercado”. Hoje, a dívida externa representa 4% do total. Num plano anual que divulga sempre em janeiro, o governo diz que trabalhar para que esta fatia fique entre 4% e 6%. Porém, informalmente, o Tesouro acha que uma fatuia de 10% seria admissível.

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webster franklin

Da Carta Maior

Ação em SP contra Kassab blinda PSDB; denúncia potiguar, expõe

 

Denúncia do MP paulista contra Kassab por fraude em inspeção veicular culpa Maluf, Pitta e prefeito, 'da mesma matiz política'. Padrinho de Kassab e 'de matiz política diversa', Serra teria tido 'prática salutar'. Mas ação contra fraude em inspeção veicular no Rio Grande do Norte vê esquema nacional e diz que tucano preso valia-se de 'notória influência política' em estados 'cujos governos são exercidos por gestores filiados ao PSDB'. STJ libera bens de Kassab.

BRASÍLIA – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou nesta quarta-feira (11) liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo que bloqueara os bens do prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), e suspendera contrato municipal com empresa que tem exclusividade para fazer – e cobrar por isso - inspeção obrigatória no carro dos paulistanos.

A liminar fora concedida em resposta a uma ação ajuizada em novembro pelo Ministério Público do estado de São Paulo contra Kassab, a empresa Controlar e mais 22 acusados, entre pessoas físicas e jurídicas. A ação aponta fraudes na contratação da Controlar em 1995 e na sua efetivação a partir de 2008 que teriam causado prejuízo bilionário ao erário.

Apesar de Kassab ter sido vice do ex-prefeito José Serra (PSDB) e eleito com apoio dele, a ação blinda politicamente o tucano. Segundo a promotoria, as irregularidades “se iniciaram” na gestão Paulo Maluf (1993-1996), “se agravaram” na de Celso Pitta (1997-2000) e “se repetiram de forma insustentável” com Kassab, secretário de Pitta. “Os três da mesma matiz política”, frisa a ação

Já Serra, diz a ação, “este sim de matiz política diversa”, tão logo assumiu a prefeitura, em janeiro de 2005, ordenou, “como lhe determina o princípio republicano” e “em prática salutar”, a revisão de todas as decisões municipais que, desde 1995, tinham levado à assinatura e manutenção do contrato com a Controlar.

No mesmo 24 de novembro em que os promotores Roberto Antonio de Almeida Costa e Marcelo Duarte Daneluzzi, cujo chefe é indicado pelo governador do estado de São Paulo, denunciavam Kassab, no Rio Grande do Norte a hipótese de também ter havido fraude na escolha de empresa que inspecionaria veículos, terminava em prisões. E, ao contrário de São Paulo, a denúncia do MP sobre os fatos que levaram às detenções espalha estilhaços no PSDB.

Segundo a ação, o esquema denunciado tinha alcance nacional e tentou atuar em estados como São Paulo, Alagoas e Minas Gerais, todos administrados por tucanos. O esquema extrapolava a divisa potiguar sobretudo pela ação do tucano João Faustino Ferreira Neto, que, como já foi noticiado, foi preso no dia 24 de novembro, quando promotores e policiais agiram contra o esquema.

De acordo com a denúncia apresentada à Justiça por seis promotores potiguares, Faustino “atuou como 'lobista' em favor do grupo, valendo-se de sua notória influência política no Rio Grande do Norte e junto a estados da federação cujos governos são exercidos por gestores filiados ao PSDB”.

Como já se sabia, Faustino foi membro da Comissão Executiva Nacional do PSDB, subchefe de Assuntos Federativos do ex-presidente Fernando Henrique e um dos subchefes da Casa Civil de Serra durante a gestão dele como governador de São Paulo (2007-2010). Atualmente, é suplente do senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM.

Cartórios e lobistas

Segundo a denúncia, a “organização criminosa” da qual Faustino fazia parte tinha dois objetivos básicos. Um paroquial. Fraudar licitação realizada pelo governo potiguar em 2010 que escolheria a empresa que faria inspeção veicular e, assim, garantir a vitória de uma específica. A gestão estadual acusada de participar da fraude era do PSB.

O outro objetivo da organização era vender para governos pelo país um esquema pelo qual seria obrigatório o registro em cartório de certos tipos de contratos de financiamento de veículos. O motivo de o setor cartorial ser a área de atuação da organização está naquele que é apontado pelos promotores como chefe da organização.

George Olímpio da Silveira é de família qua ganha vida com cartório. Uma tia dele preside o Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas do Rio Grande do Norte. Marluce Olímpio Freire também foi denunciada pelo MP. George é sócio da empresa que ganhou a licitação fraudada sobre inspeção veicular, chamada Inspar.

Um e-mail de fevereiro de 2008 interceptado pelo MP durante as investigações mostra George Olímpio conversando com parceiros sobre suas negociações no estado de São Paulo de que fosse obrigatório registro em cartório contratos de financiamento de carros. Segundo os promotores, este e-mail mostrou “que a fraude perpetrada” no Rio Grande do Norte “também já estava em curso no Estado de São Paulo”. Na época, o governador paulista era José Serra.

Outro parceiro do grupo é o lobista Alcides Fernandes Barbosa. Segundo a denúncia, Barbosa “recebeu o convite de George Olímpio para participar da fraude da inspeção veicular, momento em que passou a compor a organização criminosa, através de indicação de João Faustino Ferreira Neto, a quem já conhecia da época em que este era Sub-Secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo”.

Segundo o Ministério Público, Alcides Barbosa foi peça fundamental na fraude no Rio Grande do Norte porque teria negociado em São Paulo para que a empresa da inspeção veicular da gestão Kassab (Controlar) não entrasse na licitação potiguar, mesmo sendo do ramo. Assim, ficaria mais fácil de a Inspar vencer, prejudicando o interesse público por falta de concorrência.

A Controlar teria topado e, por isso, seu presidente, Harald Peter Zwetkoff, foi denunciado criminalmente pelo MP do Rio Grande do Norte, assim como em São Paulo.

Apesar de ter apontado conexões nacionais de George Olímpio e sua organização, a denúncia não diz que essas tentativas tenham dado certo.

A Justiça do Rio Grande do Norte não decidiu ainda se aceita a denúncia dos promotores.


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webster franklin

Da Carta Maior

"Só falta o Clarín lamentar o fato de a presidenta não ter câncer"

 

Para o secretário-geral da presidência argentina, Oscar Parrilli, o Clarín “ultrapassou todos os limites éticos e morais, ao tentar mudar a realidade, mentir, tergiversar e difamar”. Ele acusou o jornal de ter “iniciado uma loucura” após saber que a presidenta tinha um tumor benigno e não cancerígeno. “Olhem a manchete de ontem, quase dizendo “que lástima, não era câncer”. Hoje estão vendo se colocam a culpa no governo, que mente, informa mal...”, criticou. O artigo é de Francisco Luque.

Após a exitosa operação que descartou o diagnóstico de câncer de tireoide em Cristina Fernández de Kirchner, o jornal Clarín vem insistindo em colocar em dúvida a transparência e veracidade dos informes médicos da presidenta argentina. “Só falta o Clarín lamentar o fato de a presidenta não ter câncer”, disse o secretário-geral da Presidência, Oscar Parrillo, em entrevista de rádio.

Em sua edição do último domingo, o Clarín fez um extenso informe onde põe em dúvida o conteúdo dos estudos histopatológicos e o rigor do Centro Diagnóstico Maipú, lugar desde onde se divulgou o primeiro estudo realizado pela presidenta Cristina Fernández e que revelou a presença de células cancerígenas. Os dardos do Clarín também foram dirigidos contra a Unidade Médica Presidencial. Para o governo argentino esta é mais uma das jogadas executadas pelo grupo midiático com quem está se enfrentando há algum tempo.

Cristina Fernández foi operada no dia 5 de janeiro no Hospital Austral de Buenos Aires, com o objetivo de extrair a glândula tireoide, que estaria afetada por um tumor maligno. Após a operação e os exames laboratoriais, concluiu-se que o tumor não apresentava características cancerígenas.

Para Parrilli, o Clarín “ultrapassou todos os limites éticos e morais, ao tentar mudar a realidade, mentir, tergiversar e difamar”. Ele acusou o jornal de ter “iniciado uma loucura” após saber que a presidenta tinha um tumor benigno e não cancerígeno, como havia sido anunciado antes da operação. “Olhem a manchete de ontem, quase dizendo “que lástima, não era câncer”. Hoje estão vendo se colocam a culpa no governo, que mente, informa mal...”, respondeu. Se não tivéssemos tornado tudo público, desde o início, o que teriam dito? – perguntou, referindo-se ao Clarín.

A Unidade Médica Presidencial também se manifestou e assinalou em um comunicado que “diante das mal intencionadas publicações do diário Clarín, de domingo, em suas páginas 3 e 4, colocando em dúvida o conteúdo dos estudos histopatológicos do Centro de Diagnóstico Maipú, nos vemos na obrigação de divulgar o diagnóstico feito em 22 de dezembro de 2011, tal qual foi comunicado cinco dias mais tarde na Casa de Governo e que resultou na intervenção cirúrgica na chefe de Estado”.

Este diagnóstico do centro mencionado foi subscrito por dois médicos especialistas. O informe não questiona o profissionalismo dos especialistas, já que os resultados estão contemplados dentro dos 2% das estatísticas sob a denominação de “falso positivo” e que só pode se verificar uma vez realizada a intervenção cirúrgica e extraído o órgão afetado, assinala o comunicado. A unidade médica afirmou ainda que absolutamente tudo que ocorreu foi tornado público. “É um fato médico que ocorre em 2% dos casos. Ela é o 100% desses 2% e isso tem que nos alegrar”.

O diretor do Centro de Diagnóstico Maipú, Jorge Carrascosa, defendeu a trajetória do estabelecimento após o comunicado da Unidade Médico Presidencial onde divulgaram o primeiro estudo realizado na presidenta Cristina Kirchner, e afirmou que nessa instituição é “a primeira vez” que ocorre um diagnóstico de “falso positivo”. “Nunca tivermos um falso positivo, é a primeira vez que isso nos ocorre”, disse Carrascosa, acrescentando que a clínica foi uma das primeiras na Argentina a realizar esse tipo de estudo.

Para Parrili, o Clarín agora quer jogar a culpa na medicina argentina. “Não tem cara para defender abertamente seus interesses nefastos. Todos os informes divulgados sobre a saúde da presidenta demonstraram que a comunicação foi correta e que a intenção de macular o trabalho dos médicos que cuidaram dela veio das mãos do Clarín”.

A presidenta não tem câncer, mas para o Clarín isso não basta. Doente ou não, algo estaria sendo ocultado. Isso ficou demonstrado com a intervenção do jornalista Nelson Castro, funcionário do Clarín, em programas de rádio e televisão, que apresentou detalhes que teriam sido revelados por fontes em off de suspeitos “arranjos obscuros” por parte da Unidade Médica Presidencial. Segundo ele disse em seu programa na rádio Mitre, “houve uma médica que observou a pela e disse mais ou menos o seguinte: eu não teria sido tão contundente, não fica tão claro que se trata de um carcinoma papilar. Eu teria utilizado a palavra neoplasia. E não teria definido se é benigno ou maligno”. Quem é a especialista em questão. Ninguém sabe.

Segundo o jornalista do Grupo Clarín, “isso é o que ocorreu, a realidade dos fatos que aconteceram. É um papelão para a medicina argentina. Não tem tanto a ver com o diagnóstico do Centro Maipú, que teria dito ‘compatível’, deixando aberta a possibilidade da dúvida. Tem a ver com a administração equivocada da Unidade Médica Presidencial do tema comunicacional, porque se agiu sob o signo do medo”.

“Depois do que fizeram, não acredito em nada que venha da Unidade Médica Presidencial. Digo isso com muita dor porque há médicos respeitáveis. Acredito em quem me deu uma versão muito fidedigna”, concluiu o jornalista, ferrenho opositor do governo de Cristina Fernández.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19362

 

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do Publico.pt

Encontro com Mario Monti em Berlim

Merkel mostra-se confiante nas reformas económicas de Itália

11.01.2012 - 14:17 Por PÚBLICO

A chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou hoje as reformas económicas tomadas pelo Governo italiano e mostrou-se confiante em relação às medidas de austeridade decididas pelo seu primeiro-ministro, Mario Monti. As reformas, afirmou no final de um encontro entre os dois líderes em Berlim, vão reforçar a Itália e as suas perspectivas económicas.

 

<p>Mario Monti e Angela Merkel hoje em Berlim</p>

Mario Monti e Angela Merkel hoje em Berlim

 (Foto: Thomas Peter/Reuters)


Merkel considerou que “o primeiro-ministro italiano e o seu Governo tomaram em alguns dias medidas extraordinárias importantes”, cita a agência AFP.

Para Merkel, que disse ter um “grande respeito pela celeridade com que as medidas foram tomadas”, tanto “o conteúdo das reformas como a sua celeridade vão reforçar a Itália e melhorar as suas perspectivas económicas”.

Mario Monti, que assumiu a chefia do Governo em meados de Novembro, apresentou no último mês um plano de ajustamento no valor de 20.000 milhões de euros que inclui medidas como a subida de impostos, aumento da idade da reforma e cortes no sector público. O pacote de medidas de rigor – que tem no horizonte o equilíbrio orçamental de Itália em 2014 – será acompanhado por 10.000 milhões em medidas de promoção do crescimento e do emprego.

Monti – que hoje dá uma entrevista ao jornal Die Welt na qual aborda a situação italiana e as medidas tomadas para superar a crise – referiu na conferência de imprensa que espera que as reformas anunciadas devolvam à Itália a confiança dos mercados financeiros, traduzindo-se em “taxas de juro” da dívida “razoáveis”.

“Os italianos compreenderam a necessidade da disciplina, mais do que eu pensava”, reforçou.

O encontro entre os dois líderes, centrado nas questões da crise do euro – antes da primeira cimeira de líderes europeus, a 30 de Janeiro –, acontece no mesmo dia em que a agência de notação Fitch veio avisar para as dificuldades de resolução da crise das dívidas na zona euro.

Seis países europeus, entre os quais a Itália, poderão ver os seus ratings baixar ainda este mês, dada a sua situação de endividamento, afirmou David Riley, director executivo da agência, durante uma conferência de imprensa em Londres.

Também hoje, a Fitch veio alertar para os problemas financeiros da Grécia, avisando que o futuro incerto sobre o país ameaça “mergulhar ainda mais” a zona euro em crise.

 

 

Do dinheirovivo.pt

A administração Obama poderá estar a considerar entrar no reforço ao Fundo Monetário Internacional, mas espera primeiro progressos na EuropaEUA podem contribuir para reforçar o capital do FMI11/01/2012 | 20:24 | Dinheiro Vivo

Os Estados Unidos da América poderão ajudar a reforçar o capital do FMI. A notícia é avançada pelo jornal Handelsblatt, que ressalva que esta ajuda vai depender dos progressos da Europa no combate à dívida soberana.

Segundo o jornal alemão noticia, o governo de Obama está a "aguardar mais avanços" da Europa para depois avaliar a sua participação, ainda assim não é revelado se o governo americano quer ver alguma medida a ser concretizada.

Até este momento a posição dos Estados Unidos em relação à participação no reforço ao FMI não tem sido clara, há mesmo um candidato a defender que "os EUA não vão dar um dólar para salvar a Europa".

Este reforço ao FMI é essencial para que o mecanismo possa ter capacidade de ajudar os países em dificuldade, especialmente perante a crise da zona euro.

Obama poderá estar a ponderar ajudar a reforçar o FMI. A posição americana até aqui não tem sido clara

 

Do Jornal do Commercio

Angra 1 e 2 batem recorde histórico de produção de energia em 2011

 

 

 

| Agência Brasil 

 

 

 

 

 

 

 

A energia gerada pelas usinas nucleares Angra 1 e 2 foi recorde histórico no ano passado, somando 15,644 milhões de megawatts-hora (MWh). A informação foi divulgada, no Rio de Janeiro, pela Eletronuclear, empresa do Sistema Eletrobras. Individualmente, as duas usinas também bateram os recordes anteriores de produção registrados em 2010 e 2008, respectivamente, atingindo 4,654 milhões de MWh (Angra 1) e 10,989 milhões de MWh (Angra 2).

O diretor de Operação e Comercialização da Eletronuclear, Pedro Figueiredo, comemorou o desempenho das usinas nucleares. “Angra 1 tem 30 anos de funcionamento e nunca gerou tanto. E Angra 2, com dez anos, também não”.

Figueiredo atribuiu o fato à troca do gerador a vapor de Angra 1, realizada em 2009, o que vem melhorando gradualmente o resultado da usina. “Em Angra 2, não houve necessidade de parar para reabastecimento. Isso aumentou também [a geração]”. Outro fator que contribuiu para a geração registrada em 2011 “foi a demanda do sistema, que pediu mais geração e nós respondemos”.

Para ele, a fonte nuclear de energia “é uma opção válida para suprir as necessidades do sistema elétrico”. No momento, as duas usinas estão operando a 100% de sua capacidade. De acordo com informação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia nuclear foi a segunda maior fonte de geração de eletricidade no Brasil, no ano passado, respondendo por 3,17% da matriz elétrica nacional. A primeira fonte geradora foi a energia hidráulica (91% do total). “E a gente espera que continue assim, porque é uma dádiva para o país ter essa disponibilidade de água”.

No estado do Rio de Janeiro, as usinas Angra 1 e 2 geraram o equivalente a 30% do consumo. Quando a usina Angra 3 entrar em operação, entre o final de 2015 e o início de 2016, a energia nuclear representará 60% do que é consumido de energia elétrica no estado, estimou Figueiredo.

O diretor da Eletronuclear acredita que o ano de 2012 também será bom para a área nuclear. “A expectativa é boa porque Angra 1 não deve parar para reabastecimento, porque parou em outubro [de 2011]. Em segundo lugar, porque o ONS vem gradativamente solicitando mais e mais a participação das [usinas] nucleares como complementação das usinas hidráulicas”.

Ele apontou como vantagem diante de outras usinas términas, o fato de as usinas nucleares serem mais baratas.  O custo médio do combustível nuclear para as usinas Angra 1 e 2 ficou em R$ 20,41 por MWh, no ano passado. Essa mesma geração, se tivesse sido feita por outras fontes de energia térmica, conforme Figueiredo, custaria R$ 71,31 por MWh. “Quase três vezes e meia a diferença entre o custo do combustível nuclear e o de outros combustíveis, entre os quais carvão e gás natural”. As usinas Angra 1 e 2 têm potência total de 2 mil MW. 

 

 

 

 

 

 

Pré-candidato do PT: Foi um erro votar projeto que altera orla de Salvador

 

 

  Terra Magazine

 

Eliano Jorge

 

O finzinho de 2011 legou uma grande polêmica para o futuro da terceira mais populosa cidade do Brasil. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador foi modificado no apagar das luzes da Câmara Municipal e gerou até uma disputa judicial entre promotores públicos e vereadores. Entre as maiores polêmicas dos rumos urbanísticos da capital baiana, está a alteração de um dos principais patrimônios da primeira capital do País: a orla. Este ano de eleições municipais promete manter vivas tais discussões.

 

Em entrevista a Terra Magazine, o pré-candidato petista à Prefeitura de Salvador, o deputado federal Nelson Pellegrino, criticou o método usado para aprovar o projeto de lei do prefeito João Henrique Carneiro (PP).

 

- Foi um erro ter colocado este projeto em votação. Não deveria ter sido votado. Está sub judice. Houve uma decisão da Justiça, suspendendo a tramitação do PDDU – afirmou. – É uma coisa que deveria ser melhor debatida com a cidade, não podia ser votada de afogadilho, do jeito que foi.

 

Com a bancada liberada, quatro vereadores petistas ajudaram a aprovar os itens propostos pelo prefeito. O jogo político, entretanto, não é tão simples: “O PT é oposição, mas a Prefeitura é da base do governador (petista Jaques Wagner)”, explicou o presidente do diretório estadual do partido, Jonas Paulo.

 

A elevação do gabarito de prédios na orla, que provoca polêmica devido à diminuição da incidência de sol nas praias, não é uma ideia refutada por Pellegrino. O pré-candidato, derrotado na eleição de 2004, condiciona a estudos a realização de intervenções verticiais na beira-mar.

 

Ele também evitou comentários diretos sobre a preponderância das imobiliárias na ocupação urbana de Salvador, de 462 anos.

 

- A cidade precisa crescer, mas este crescimento precisa ser orientado sob o ponto de vista urbanístico e ambiental – opinou.

 

Confira abaixo.

 

Terra Magazine – Qual é sua opinião sobre o projeto de lei da Prefeitura que eleva o gabarito da orla de Salvador?
Nelson Pellegrino -
Acho que foi um erro ter colocado este projeto em votação. Não deveria ter sido votado. Está sub judice. Houve uma decisão da Justiça, suspendendo a tramitação do PDDU. O Governo do Estado, quando negociou com a Prefeitura, queria tratar apenas do entorno (do estádio) da Fonte Nova, com empreendimentos importantes para requalificar a cidade para a Copa (do Mundo de 2014). A Prefeitura resolveu incluir outros itens.
Eu penso que já há um trauma da votação de todos os PDDUs anteriores. Tanto do governo (Antonio) Imbassahy (de 1997 a 2004, no então PFL) quanto do governo João Henrique (desde 2005, PDT, PMDB e agora PP). É uma coisa que deveria ser melhor debatida com a cidade, não podia ser votada de afogadilho, do jeito que foi.

 

Na sua avaliação, deve haver esse aumento do gabarito da orla?
Temos que ver as situações de zoneamento. Pode haver até uma alteração, desde que não gere sombreamento nem problemas.

 

Ou seja, em determinados pontos, poderia haver e em outros, não, dependendo dos cálculos…
Dependendo, se não fizer sombreamento, nem tiver um impacto urbanístico que comprometa. É o recuo, a lateralidade, a infraestrutura que precisa ser construída para viabilizar o empreendimento.
Tem outra matéria polêmica aí que é o problema da utilização do Transcon (Transferência do Direito de Construir). Até então, o entendimento é que não se podia usar Transcon novo na orla. E foi aprovada essa possibilidade. Eu sou contra, acho que na orla tem que utilizar outorga onerosa, é outro instrumento.

 

Como o senhor vê as críticas contra a especulação imobiliária em Salvador e o dominío dela sobre o espaço urbano?
Olha, a minha intenção, se for eleito prefeito de Salvador, é fazer uma atualização do Plano Diretor, um grande debate. A cidade precisa crescer, mas este crescimento precisa ser orientado sob o ponto de vista urbanístico e ambiental.

 

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5551880-EI6578,00.html

 

 

Marcos Costa

Do dinheirovivo.pt

A administração Obama poderá estar a considerar entrar no reforço ao Fundo Monetário Internacional, mas espera primeiro progressos na EuropaEUA podem contribuir para reforçar o capital do FMI11/01/2012 | 20:24 | Dinheiro Vivo

Os Estados Unidos da América poderão ajudar a reforçar o capital do FMI. A notícia é avançada pelo jornal Handelsblatt, que ressalva que esta ajuda vai depender dos progressos da Europa no combate à dívida soberana.

Segundo o jornal alemão noticia, o governo de Obama está a "aguardar mais avanços" da Europa para depois avaliar a sua participação, ainda assim não é revelado se o governo americano quer ver alguma medida a ser concretizada.

Até este momento a posição dos Estados Unidos em relação à participação no reforço ao FMI não tem sido clara, há mesmo um candidato a defender que "os EUA não vão dar um dólar para salvar a Europa".

Este reforço ao FMI é essencial para que o mecanismo possa ter capacidade de ajudar os países em dificuldade, especialmente perante a crise da zona euro.

Obama poderá estar a ponderar ajudar a reforçar o FMI. A posição americana até aqui não tem sido clara

 

Em http://www.estadao.com.br/noticias/geral,eike-batista-produzira-ate-um-t... Eike Batista produzirá até um terço do carvão da Colômbia 11 de janeiro de 2012 | 16h 40 SABRINA LORENZI - REUTERS A produção de carvão da MPX na Colômbia vai começar em 2013 com operação de 5 milhões de toneladas por ano, informou o empresário Eike Batista nesta quarta-feira. As minas da empresa no país que é o segundo maior produtor das Américas têm potencial de produção de até 35 milhões de toneladas por ano, confirmou o presidente da holding EBX com base em estudo de viabilidade que deverá ser concluído neste trimestre. O potencial de extração da empresa de Eike equivale a um terço da produção colombiana em 2010 e representa o triplo de todo o consumo do Brasil. O volume também supera em mais de três vezes a demanda das térmicas da MPX. Os projetos, incluídos na joint venture com a empresa de energia alemã E.ON, devem consumir 10 milhões de toneladas, informou o presidente da MPX, Eduardo Karrer. Como a produção de carvão deverá superar com folga as necessidades dos projetos de energia da MPX, Eike pretende exportar futuramente o mineral para vários mercados além de Brasil e Chile. "Com baixas impurezas, esse carvão colombiano será enviado para Europa e América do Norte, além de Brasil e Chile", disse o bilionário mais rico do Brasil em teleconferência com jornalistas. FORA DA JOINT VENTURE Os ativos de carvão da MPX deverão ficar de fora da joint venture com a companhia alemã. A MPX informou ao mercado que fará cisão de ativos de mineração de carvão na Colômbia, criando uma nova empresa, a CCX, que será listada no Novo Mercado da BM&FBovespa. "Todo mundo esperava um IPO (oferta pública de ações) mas a CCX realmente vai começar como uma empresa listada em Bolsa a partir do momento em que separarmos e a empresa será separada com 814 milhões de reais, que é o suficiente para financiar a produção das 5 milhões de toneladas de carvão", acrescentou Eike Batista. O empresário disse que já possui licença preliminar para construir a ferrovia de 150 quilômetros e o porto que fazem parte do projeto. "Com essas minas poderemos iniciar a produção de carvão em um ano e meio", afirmou Karrer. Os recursos com a venda da produção annual de 5 milhões de toneladas serão direcionados para financiar a segunda etapa de extração, que prevê um sistema de extração subterrânea até 2015.

 

'É preciso diversificar a economia brasileira'O Estado de S. Paulo  

 Para economista, o País tem de aplicar bem a "riqueza súbita" das commodities

Nem a crise europeia será capaz de frear a tendência de alta nos preços das commodities - mercadorias básicas produzidas pelo Brasil - nos próximos anos. Um arrefecimento de preços no curto prazo, por causa da crise, será apenas temporário, prevê o diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças, Edmar Bacha. Mas Bacha alerta que, apesar de a primeira impressão apontar para cenário favorável para o Brasil, cuja economia permanece fortemente dependente das commodities, o impacto também poderá ser negativo.

Em entrevista ao Estado, o economista, notabilizado pelo título de "pai do Plano Real", destaca que a demanda dos países asiáticos continuará pressionando os preços dos produtos. Ele cita o petróleo como a bola da vez entre as commodities brasileiras, mas critica o modelo para a exploração do pré-sal brasileiro, defendendo um incentivo à entrada de empresas estrangeiras no setor.

No fim de dezembro, ele tratou detalhadamente do tema em análise escrita em coautoria com o brasilianista americano Albert Fishlow. Bacha ressalta as dificuldades do Brasil em aproveitar a onda de alta das commodities para promover o crescimento sustentável de sua economia. Isso pode conduzir a dois perigos: avanço da inflação e moeda supervalorizada. E também vai cobrar seu preço nas taxas de crescimento. "No longo prazo, não vejo como cresceremos mais de 4% (ao ano)", afirmou o economista.

A tendência ascendente na procura e nos preços das commodities vai continuar?

Sim. Estamos vivendo em uma era "asiocêntrica". Outro dia, li que o Fernando Henrique (ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso) mencionou isso, usando outra palavra, "asiáticocêntrica". Não sei qual o termo mais correto, mas este conjunto de países asiáticos, com enormes populações e com renda recente, tem enorme escassez de recursos naturais.

Mas esta tendência se sustenta mesmo se a China crescer menos?

Não podemos nos esquecer que, depois da China, temos a Índia, com um terço da renda per capita da China, e que tem muito caminho para se expandir, com população superior a um bilhão de pessoas.

Em que sentido isso poderia afetar preços no Brasil, e em outros mercados latino-americanos, no curto prazo?

No curto prazo, a depender do que aconteça na Europa, pode ser que haja queda relativa dos preços em relação ao que eles alcançaram em meados de 2011. Podemos perceber que as commodities estão em queda neste período de aprofundamento da crise europeia, e de perspectiva de redução da taxa de crescimento da China. Mas isso é temporário.

Como ocorreu com a oscilação de preços das commodities na crise em 2008? Havia, com a crise, a percepção de que aquele ciclo de crescimento nos preços das commodities iniciado no século 20 seria interrompido. Mas, em meados de 2010, houve recuperação dos preços.

A inclinação da economia brasileira para commodities não poderia levar a uma gradual desindustrialização?

Não acho que o perigo seja a desindustrialização. Acho que o perigo é que não saibamos administrar a riqueza dos recursos naturais que já temos. Uma riqueza que será maior no futuro com a exploração do petróleo na camada pré-sal. A questão, no nosso futuro imediato, é como vamos administrar isso sem cair na chamada "maldição dos recursos naturais", que outros países latino-americanos, como Venezuela e Argentina, caíram. Quando se tem uma riqueza súbita, que não é fruto do trabalho prévio ou da acumulação de capital, nem de melhora em recursos humanos, mas sim em função de descoberta de recursos minerais ou de aumento súbito de preços da produção agrícola, é uma benesse. E, quando você tem benesses, como sabemos de nossas experiências individuais, você pode decidir parar de trabalhar e gozar a vida, por assim dizer. Isso é um perigo. No Brasil, já temos miniexemplos disso. Existem estudos empíricos de prefeituras, que, beneficiadas por royalties do petróleo, tiveram desempenho muito pior do que outras sem esse benefício...

Porque se acomodaram...

Isso. Um grande exemplo mundial de uma postura como esta é a Nigéria, que teve dissipação da riqueza do petróleo por meio de corrupção extraordinária. E nesta disputa por royalties do petróleo no Brasil, o Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) tem uma frase que eu gosto muito: que os Estados estão disputando o pirão antes de pescar o peixe.

Mas se tudo continuar como está, e as commodities continuarem subindo, qual seria o impacto para a inflação doméstica? Bom, se você não faz a coisa certa, duas coisas ruins podem acontecer. Uma é a inflação. E outra é que, para prevenir a inflação, a moeda supervaloriza. E aí sim, se provoca desindustrialização indesejada. Você está forçando uma situação que não é sustentável em horizonte de médio prazo. E, na hora em que precisar da indústria de volta, ela não estará mais lá. A grande solução é usar esta oportunidade, de commodities em alta, para aumentar a taxa de poupança e investir não somente em infraestrutura; mas também na diversificação da economia, e na melhoria da educação. Porque então, em algum momento, teremos uma economia sólida que não dependeria mais somente de commodities. Temos exemplos, no mundo, desse tipo de postura, como Estados Unidos, Suécia, Finlândia. Hoje, estes países não têm dependência exclusiva de recursos naturais, mas utilizaram bem esses recursos para se desenvolver, via educação, tecnologia e poupança doméstica.

O Brasil não tem administrado corretamente seus recursos naturais?

Até o momento, acho que estamos indo bem. Mas o problema é que não estamos usando as oportunidades que foram criadas para aumentar a taxa de poupança no País. O perigo para o futuro é um cenário em que, quando ocorrer a exploração do petróleo do pré-sal, se gaste recursos de maneira desmedida, ao invés de usar esse dinheiro para preparar o País para o futuro.

Isso conduziria a taxas de crescimento insatisfatórias na economia?

Temos problemas sérios. A qualidade da educação é péssima. E nós somos um país muito pouco inovador. Além de tudo, a taxa de poupança do País é muito baixa. E estes são os três grandes ingredientes para o crescimento sustentável: poupança, tecnologia e educação. E não estamos desenvolvendo os três satisfatoriamente para podermos contemplar um futuro em que os nossos recursos naturais se tornem tão desimportantes para nós, quanto hoje eles o são para os Estados Unidos, por exemplo.

Nos próximos anos, que setor poderia nortear crescimento no Brasil?

O petróleo, com certeza. Mas eu sou muito crítico do modelo que o governo adotou para o setor. Há um ônus excessivo sobre a Petrobrás, que não está aguentando desenvolver os projetos que tem atualmente. E o governo está requerendo, em relação ao pré-sal, que a empresa esteja presente em todas as explorações com 30%, e seja a única operadora. Isso exige mais da empresa do que ela pode entregar. Os preços das ações da Petrobrás não param de cair, apesar de toda a riqueza que ela vai administrar. Ou seja, o mercado financeiro concorda com o que eu digo: que o governo impõe sobre a Petrobrás um ônus que ela é incapaz de administrar, ao invés de usar, de maneira inteligente, seu poder de regulação, permitindo que um número maior de empresas participe do pré-sal. Deveriam voltar para o modelo anterior, antes da descoberta do pré-sal, que dava ao governo controle suficiente.

Com a participação maior de empresas estrangeiras no pré-sal?

Não tem problema nenhum. Qual o problema? Elas iam operar sob nossas regras.

Com o atual modelo brasileiro, qual a perspectiva?

Do jeito que estamos indo, nossa economia está condenada a crescer sempre 4% ao ano. E, neste ano e no próximo, menos que isso. Mas no longo prazo, não vejo crescimento maior que 4%.

Qual a sua proposta para disciplinar a gestão de recursos como o petróleo?

Os bons exemplos de administração de recursos naturais hoje são Noruega e Chile. Esses dois países constituíram fundos soberanos, que não permitem sobrevalorização da moeda porque o dinheiro fica no exterior, e os governos usam apenas os rendimentos, e não o valor do principal dos fundos, para gastos. Gastos voltados para promoção de diversificação de atividades na economia.

Poderia ser uma solução para o Brasil?

Os royalties poderiam ser depositados em um fundo, cujo valor principal não seja utilizado a não ser em emergências, ou para se defender de períodos voláteis quando os preços caem subitamente. O Chile fez isso em 2008: gastou parte do fundo estudantil quando os preços do cobre diminuíram profundamente. O fundo está lá para isso e pode ser usado como componente anticíclico. Um instrumento que reduz impacto de volatilidade de preços, com recursos para promover outras atividades que diversifiquem a economia.

Isso funcionaria com outras commodities além de petróleo, no Brasil? O petróleo é muito específico, porque gera renda em nível que não existe em outras atividades. O minério até poderia ser taxado. Mas a atividade agrícola é muito pulverizada e não gera esse tipo de renda extraordinária. Existem aqueles que querem taxar todas as commodities aqui no Brasil. Mas isso é uma besteira, é matar a galinha dos ovos de ouro. É o que a Argentina fez. E a Argentina é um exemplo patético de como, pela má administração de recursos naturais, se faz com que um país rico se transforme em um país pobre.

 

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/8/e-prec...

 

 

Erick

O mister Erich é tambem desse clube das garças. O blog cada vez mais tucano.

 

'É preciso diversificar a economia brasileira'O Estado de S. Paulo  

 Para economista, o País tem de aplicar bem a "riqueza súbita" das commodities

Nem a crise europeia será capaz de frear a tendência de alta nos preços das commodities - mercadorias básicas produzidas pelo Brasil - nos próximos anos. Um arrefecimento de preços no curto prazo, por causa da crise, será apenas temporário, prevê o diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças, Edmar Bacha. Mas Bacha alerta que, apesar de a primeira impressão apontar para cenário favorável para o Brasil, cuja economia permanece fortemente dependente das commodities, o impacto também poderá ser negativo.

Em entrevista ao Estado, o economista, notabilizado pelo título de "pai do Plano Real", destaca que a demanda dos países asiáticos continuará pressionando os preços dos produtos. Ele cita o petróleo como a bola da vez entre as commodities brasileiras, mas critica o modelo para a exploração do pré-sal brasileiro, defendendo um incentivo à entrada de empresas estrangeiras no setor.

No fim de dezembro, ele tratou detalhadamente do tema em análise escrita em coautoria com o brasilianista americano Albert Fishlow. Bacha ressalta as dificuldades do Brasil em aproveitar a onda de alta das commodities para promover o crescimento sustentável de sua economia. Isso pode conduzir a dois perigos: avanço da inflação e moeda supervalorizada. E também vai cobrar seu preço nas taxas de crescimento. "No longo prazo, não vejo como cresceremos mais de 4% (ao ano)", afirmou o economista.

A tendência ascendente na procura e nos preços das commodities vai continuar?

Sim. Estamos vivendo em uma era "asiocêntrica". Outro dia, li que o Fernando Henrique (ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso) mencionou isso, usando outra palavra, "asiáticocêntrica". Não sei qual o termo mais correto, mas este conjunto de países asiáticos, com enormes populações e com renda recente, tem enorme escassez de recursos naturais.

Mas esta tendência se sustenta mesmo se a China crescer menos?

Não podemos nos esquecer que, depois da China, temos a Índia, com um terço da renda per capita da China, e que tem muito caminho para se expandir, com população superior a um bilhão de pessoas.

Em que sentido isso poderia afetar preços no Brasil, e em outros mercados latino-americanos, no curto prazo?

No curto prazo, a depender do que aconteça na Europa, pode ser que haja queda relativa dos preços em relação ao que eles alcançaram em meados de 2011. Podemos perceber que as commodities estão em queda neste período de aprofundamento da crise europeia, e de perspectiva de redução da taxa de crescimento da China. Mas isso é temporário.

Como ocorreu com a oscilação de preços das commodities na crise em 2008? Havia, com a crise, a percepção de que aquele ciclo de crescimento nos preços das commodities iniciado no século 20 seria interrompido. Mas, em meados de 2010, houve recuperação dos preços.

A inclinação da economia brasileira para commodities não poderia levar a uma gradual desindustrialização?

Não acho que o perigo seja a desindustrialização. Acho que o perigo é que não saibamos administrar a riqueza dos recursos naturais que já temos. Uma riqueza que será maior no futuro com a exploração do petróleo na camada pré-sal. A questão, no nosso futuro imediato, é como vamos administrar isso sem cair na chamada "maldição dos recursos naturais", que outros países latino-americanos, como Venezuela e Argentina, caíram. Quando se tem uma riqueza súbita, que não é fruto do trabalho prévio ou da acumulação de capital, nem de melhora em recursos humanos, mas sim em função de descoberta de recursos minerais ou de aumento súbito de preços da produção agrícola, é uma benesse. E, quando você tem benesses, como sabemos de nossas experiências individuais, você pode decidir parar de trabalhar e gozar a vida, por assim dizer. Isso é um perigo. No Brasil, já temos miniexemplos disso. Existem estudos empíricos de prefeituras, que, beneficiadas por royalties do petróleo, tiveram desempenho muito pior do que outras sem esse benefício...

Porque se acomodaram...

Isso. Um grande exemplo mundial de uma postura como esta é a Nigéria, que teve dissipação da riqueza do petróleo por meio de corrupção extraordinária. E nesta disputa por royalties do petróleo no Brasil, o Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) tem uma frase que eu gosto muito: que os Estados estão disputando o pirão antes de pescar o peixe.

Mas se tudo continuar como está, e as commodities continuarem subindo, qual seria o impacto para a inflação doméstica? Bom, se você não faz a coisa certa, duas coisas ruins podem acontecer. Uma é a inflação. E outra é que, para prevenir a inflação, a moeda supervaloriza. E aí sim, se provoca desindustrialização indesejada. Você está forçando uma situação que não é sustentável em horizonte de médio prazo. E, na hora em que precisar da indústria de volta, ela não estará mais lá. A grande solução é usar esta oportunidade, de commodities em alta, para aumentar a taxa de poupança e investir não somente em infraestrutura; mas também na diversificação da economia, e na melhoria da educação. Porque então, em algum momento, teremos uma economia sólida que não dependeria mais somente de commodities. Temos exemplos, no mundo, desse tipo de postura, como Estados Unidos, Suécia, Finlândia. Hoje, estes países não têm dependência exclusiva de recursos naturais, mas utilizaram bem esses recursos para se desenvolver, via educação, tecnologia e poupança doméstica.

O Brasil não tem administrado corretamente seus recursos naturais?

Até o momento, acho que estamos indo bem. Mas o problema é que não estamos usando as oportunidades que foram criadas para aumentar a taxa de poupança no País. O perigo para o futuro é um cenário em que, quando ocorrer a exploração do petróleo do pré-sal, se gaste recursos de maneira desmedida, ao invés de usar esse dinheiro para preparar o País para o futuro.

Isso conduziria a taxas de crescimento insatisfatórias na economia?

Temos problemas sérios. A qualidade da educação é péssima. E nós somos um país muito pouco inovador. Além de tudo, a taxa de poupança do País é muito baixa. E estes são os três grandes ingredientes para o crescimento sustentável: poupança, tecnologia e educação. E não estamos desenvolvendo os três satisfatoriamente para podermos contemplar um futuro em que os nossos recursos naturais se tornem tão desimportantes para nós, quanto hoje eles o são para os Estados Unidos, por exemplo.

Nos próximos anos, que setor poderia nortear crescimento no Brasil?

O petróleo, com certeza. Mas eu sou muito crítico do modelo que o governo adotou para o setor. Há um ônus excessivo sobre a Petrobrás, que não está aguentando desenvolver os projetos que tem atualmente. E o governo está requerendo, em relação ao pré-sal, que a empresa esteja presente em todas as explorações com 30%, e seja a única operadora. Isso exige mais da empresa do que ela pode entregar. Os preços das ações da Petrobrás não param de cair, apesar de toda a riqueza que ela vai administrar. Ou seja, o mercado financeiro concorda com o que eu digo: que o governo impõe sobre a Petrobrás um ônus que ela é incapaz de administrar, ao invés de usar, de maneira inteligente, seu poder de regulação, permitindo que um número maior de empresas participe do pré-sal. Deveriam voltar para o modelo anterior, antes da descoberta do pré-sal, que dava ao governo controle suficiente.

Com a participação maior de empresas estrangeiras no pré-sal?

Não tem problema nenhum. Qual o problema? Elas iam operar sob nossas regras.

Com o atual modelo brasileiro, qual a perspectiva?

Do jeito que estamos indo, nossa economia está condenada a crescer sempre 4% ao ano. E, neste ano e no próximo, menos que isso. Mas no longo prazo, não vejo crescimento maior que 4%.

Qual a sua proposta para disciplinar a gestão de recursos como o petróleo?

Os bons exemplos de administração de recursos naturais hoje são Noruega e Chile. Esses dois países constituíram fundos soberanos, que não permitem sobrevalorização da moeda porque o dinheiro fica no exterior, e os governos usam apenas os rendimentos, e não o valor do principal dos fundos, para gastos. Gastos voltados para promoção de diversificação de atividades na economia.

Poderia ser uma solução para o Brasil?

Os royalties poderiam ser depositados em um fundo, cujo valor principal não seja utilizado a não ser em emergências, ou para se defender de períodos voláteis quando os preços caem subitamente. O Chile fez isso em 2008: gastou parte do fundo estudantil quando os preços do cobre diminuíram profundamente. O fundo está lá para isso e pode ser usado como componente anticíclico. Um instrumento que reduz impacto de volatilidade de preços, com recursos para promover outras atividades que diversifiquem a economia.

Isso funcionaria com outras commodities além de petróleo, no Brasil? O petróleo é muito específico, porque gera renda em nível que não existe em outras atividades. O minério até poderia ser taxado. Mas a atividade agrícola é muito pulverizada e não gera esse tipo de renda extraordinária. Existem aqueles que querem taxar todas as commodities aqui no Brasil. Mas isso é uma besteira, é matar a galinha dos ovos de ouro. É o que a Argentina fez. E a Argentina é um exemplo patético de como, pela má administração de recursos naturais, se faz com que um país rico se transforme em um país pobre.

 

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/8/e-prec...

 

 

Erick

2012 será ano de continuidade de políticas, avalia consultorPara Ricardo Martins, a troca de ministros não deve afetar as ações do governo 2012 será ano de continuidade de políticas, avalia consultor Divulgação/TPE  


Carolina Vilaverde
Da Redação do Todos Pela Educação

Este ano será de continuidade das políticas públicas na área de Educação. Essa é a avaliação do consultor legislativo e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação, Ricardo Martins, sobre 2012. Para ele, mesmo com a saída de Fernando Haddad da pasta de Educação, é provável que não aconteçam grandes transformações no ministério. “A verdade é que o Ministério da Educação (MEC) não tem sofrido rupturas em suas políticas com as trocas de ministros. Se isso se mantiver, não devem acontecer muitas mudanças”, afirma.

Em ano eleitoral, as principais alterações devem ocorrer nos municípios. De acordo com Martins, os novos gestores terão o grande desafio de planejar suas ações baseados no Plano Nacional de Educação (PNE) que for aprovado. “Eles serão os responsáveis pela elaboração dos planos municipais de Educação”, diz.

O consultor também aponta que o PNE e a Lei de Responsabilidade Educacional devem ser os destaques do ano, mas que o debate sobre a definição do currículo mínimo da Educação Básica também deve ter importância no ano. Confira a entrevista que Martins concedeu ao Todos Pela Educação:


Todos Pela Educação - Qual a sua avaliação para a área de Educação em 2012? Que projetos o senhor acredita que terão prioridade?
Ricardo Martins - Os temas de maior porte e que já estão postos na mesa são o Plano Nacional de Educação e a Lei de Responsabilidade Educacional. Porém, nada impede que surjam outros. O currículo mínimo nacional para a Educação Básica é um assunto, por exemplo, que eu espero que tenha importância no ano.

A discussão das expectativas de aprendizagem é um debate extremamente importante, que está sinalizado no PNE e na Constituição. Tem a ver com a Educação de qualidade. É importante termos definido o mínimo que cada aluno, de qualquer região do País, deve aprender.


TPE - Quais são as perspectivas de tramitação do PNE na Câmara? O senhor acredita que ele será sancionado ainda em 2012?
Martins - Assim que o relator do PNE voltar do recesso, ele vai ter que se dedicar às 449 emendas apresentadas e montar um novo texto. Não há como prever o tempo de tramitação, mas é uma possibilidade concreta [o plano ser sancionado em 2012].

Na Câmara, existem duas possibilidades. Ou o novo texto do PNE é aprovado na Comissão Especial e segue direto para o Senado, ou alguém pede recurso e ele deve ser colocado para ser votado pelo Plenário. Mas 2012 é tempo suficiente [para que o projeto seja aprovado na Câmara]. Ele deve caminhar, então, para o Senado.


TPE - Quais são as perspectivas de tramitação da Lei de Responsabilidade Educacional neste ano?
Martins - A Comissão já foi instalada e deve começar seus trabalhos neste ano, provavelmente em março. Ela é muito importante e está diretamente relacionada ao PNE. É uma lei que deve ser aplicada não só aos gestores públicos, mas também aos gestores das escolas.


TPE - Como a saída de Fernando Haddad do MEC vai afetar a pasta?
Martins - Ainda é cedo para dizer. Embora a imprensa tenha divulgado que a pasta será assumida por Aloizio Mercadante, só teremos a confirmação no momento da troca. O nome de Mercadante é um bom nome. Ele tem feito declarações interessantes sobre Educação.

A verdade é que o Ministério da Educação não tem sofrido rupturas em suas políticas com as trocas de ministros. Se isso se mantiver, mesmo com a troca, não devem acontecer muitas mudanças.


TPE - Como as eleições municipais devem influenciar a área de Educação neste ano?
Martins - É bastante plausível que a Educação possa ter mais destaque nas campanhas eleitorais e venha a assumir um relevo especial. Pelo menos nas pesquisas que tenho acompanhado, o interesse da sociedade por Educação tem tido um crescimento.

Esse destaque poderia aumentar a participação da sociedade na discussão pública do tema. Não acredito, porém, que as grandes políticas públicas, nas esferas estaduais e federal, serão afetadas com isso.


TPE - O que os governos municipais podem fazer pela melhoria da qualidade da Educação?
Martins - A responsabilidade dos municípios é extremamente grande e eles têm três grandes desafios. Em primeiro lugar, é oferecer Educação Infantil e Ensino Fundamental com qualidade, em parceria com os estados. A Educação Básica tem que ser universalizada de 4 a 17 anos até 2016, o que coincide com o período em que os novos gestores vão atuar. Isso está na Constituição.

Tem também o aumento no número de vagas nas creches para a população de 0 a 3 anos. E há a questão do planejamento. Os novos gestores serão os responsáveis pela elaboração dos planos municipais de Educação após a aprovação do PNE.

 

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/20964/2...

 

Erick

09/01/12 | 12:20 - SUL21

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Os vendilhões dos templos eletrônicos em tempos de espertalhões da fé


A estrela do Show da Fé, R. R. Soares | Marcos AC/R.R. Soares/Flickr


Luiz Cláudio Cunha *
Especial para o Sul21


Incapaz de vender a alma ao diabo, a Rede Bandeirantes acaba de revender seu santo horário da noite para o pastor R.R. Soares, o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O seu ‘Show da Fé’ de 20 minutos, que começava religiosamente às 21h, agora vai durar uma hora inteira, a partir das 20h30. Não se sabe ainda quanto custou esse novo e triplicado milagre, mas pelo contrato antigo o bom pastor já pagava R$ 5 milhões mensais à Band.  O vil metal falou mais alto para a TV de Johnny Saad, que anunciava a devolução do horário nobre da noite a seriados consagrados, como o 24 Horas, para concorrer com as novelas da Globo e as séries do SBT, todas com melhor audiência.



De 20 minutos para uma hora diária na Band | Marcos AC/R.R. Soares/Flickr


A novidade escangalhou os planos do argentino Diego Guebel, que assumiu a direção artística da Band em outubro passado com a promessa de recuperar o espaço nobre e caro da noite para atrações mais mundanas do que a prosopopeia de Soares. A bíblica derrota de Guebel na Band é apenas outro indício da onda avassaladora do dinheiro que afoga a TV brasileira deste Brasil cínico que finge ser laico e imune à força econômica da religião e seus falsos profetas. Os canais de rádio e TV são concessões públicas, supostamente alheias aos credos e seitas religiosas que transformaram estúdios, igrejas, templos e estádios em púlpitos eletrônicos cada vez mais invasivos e escancarados.


Não existe ninguém no Governo ou no Congresso brasileiros com coragem para frear essa flagrante ilegalidade, sancionada por verbas, dízimos, patrocínios e uma farta hipocrisia. A irrestrita capitulação aos padres e pastores que lideram milhões de fiéis (e eleitores) ficou escancarada na última eleição presidencial, em 2010, quando os dois principais candidatos com raízes na esquerda — Dilma Rousseff e José Serra — sucumbiram vergonhosamente à chantagem das correntes mais atrasadas das igrejas, frequentando missas e cultos com o gestual mal ensaiado de pios devotos que não sabiam nem metade da missa, nem qualquer salmo dos evangelhos. Encenaram um constrangedor teatro de conversão medida para não ofender o eleitor mais ortodoxo. Para não perder votos, Dilma e Serra caíram na armadilha do falso debate religioso sobre o aborto — um tema que um e outro, por mera consciência política ou formação acadêmica, sabem que nos países mais evoluídos não passa de um grave e secular problema de saúde pública.



Os evangélicos detêm 80 rádios e quase 280 emissoras de TV | Edir Macedo/Facebook


A submissão das instâncias do Estado secular ao poder cada vez maior das igrejas pode ser medida pela intrusão cada vez mais descarada da fé nos meios eletrônicos do Brasil, que deturpam a concessão pública pelo proselitismo religioso vetado pela Constituição. A igreja católica brasileira agrupa hoje mais de 200 rádios e quase 50 emissoras de TV, contra 80 rádios e quase 280 emissoras de TV de oito braços do crescente ramo evangélico. É um domínio que se fortalece cada vez mais, embora adaptando seu perfil para fórmulas mais agressivas e despudoradas de avanço sobre o bolso das populações mais pobres, mais desesperadas, menos instruídas.


Comer ou dormir


Em agosto de 2011, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o Novo Mapa das Religiões, um denso estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, com base em 200 mil entrevistas formuladas pelo IBGE em 2009 a partir de sua Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). O trabalho mostrou que o Brasil deixará de ser a maior nação católica do mundo nos próximos 20 anos, mantida a queda progressiva que sofre a Igreja no país. Ela representava 83,24% da população em 1991 e caiu para 68,43% em 2009. “As mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em 10. Se esta perda de 1% de católicos por ano continuar, a Igreja católica terá em 20 anos menos da metade da população brasileira”, destacou o coordenador da pesquisa, Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.


A economia é um forte indutor desta transformação, diz Neri. Ele lembra que as chamadas ‘décadas perdidas’ de 1980 e 1990 foram demarcadas pela queda do catolicismo em contraste com a ascensão dos grupos evangélicos, especialmente seus ramos mais belicosos e vorazes — os neopentecostais. O período de 2003 a 2009, compreendido entre duas graves crises econômicas, observa uma segunda explosão evangélica, passando de 17,9% para 20,2%. A primeira explosão, ainda maior, ocorreu nas últimas seis décadas do Século 20, quando os evangélicos aumentaram seu rebanho em sete vezes: passaram de 2,6% em 1940 para 15,4% em 2000. A FGV foi buscar no alemão Max Weber (1864-1920), o pai da moderna sociologia, o fundamento teórico que explica o avanço arrebatador dos evangélicos, a partir de sua obra mais conhecida — A ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo, publicada em 1904-05. Ali, Weber explica o maior desenvolvimento capitalista nos países protestantes no Século 19 e a maior proporção desses fiéis entre empresários e trabalhadores mais qualificados. “A tese de Weber era que o estilo de vida católico jogava para outra vida a conquista da felicidade. A culpa católica inibiria a acumulação de capital e a lógica da dívida de trabalho, motores fundamentais do desenvolvimento capitalista”, escreve Neri.



Weber: Melhor comer que dormir em paz


Weber repetia um ditado da época: “Entre bem comer ou bem dormir, há que escolher. O protestante quer comer bem, enquanto o católico quer dormir sossegado”. O pensador alemão constrói seu texto em cima de máximas do inventor e calvinista americano Benjamin Franklin (1706-1790), um dos líderes da Independência dos Estados Unidos, que dizia que “tempo é dinheiro” e “dinheiro gera mais dinheiro”. Era uma notável conversão justamente aos argumentos opostos que levaram ao grande cisma do cristianismo, no início do Século 16, quando um atrevido padre agostiniano alemão, Martinho Lutero, pregou nos portões da igreja de Wittenberg as suas 95 teses que desafiavam a autoridade do Papa e quebravam a hegemonia de Roma sobre o mundo cristão. Na época, Lutero denunciava justamente o que seria o âmago da Reforma Protestante: o desvio do caminho de fé da igreja primitiva para o atalho da corrupção, da indulgência, da simonia e da luxúria de papas e cardeais rodeados de amantes e concubinas, antecessores lascivos dos bispos e padres que comem criancinhas.


Teologia do bolso


Lutero e sua radical volta às origens, estimulando o protesto aos desvios éticos de Roma e o retorno à palavra original dos evangelhos, geraram os dois termos que identificam os segmentos mais prósperos da dissidência cristã: os protestantes e os evangélicos, onde brilha sua facção mais agressiva e endinheirada — o pentecostalismo, que hoje abriga no mundo cerca de 600 milhões de seguidores, pulverizados em 11 mil seitas e subgrupos. Ali viceja sua parcela mais faustosa: a corrente neopentecostal, a que pertencem o abonado bispo R.R. Soares e seus parceiros mais ricos, os também bispos Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, cada um chefiando sua própria seita, sempre na condição suprema de ‘apóstolos’.  Todos mostram uma devoção especial pela alma e pelo bolso de seus seguidores, a quem não se acanham de pedir contribuições financeiras a que, recatadamente, chamam de ‘oferta’.



Apóstolo sertanejo Valdemiro Santiago | Eduardo Pinto/impd.org.br


Para não atormentar ainda mais a vida de sua aflita freguesia, os quatro chefes religiosos tratam de facilitar ao máximo as ofertas financeiras. Na tela da TV de seus animados cultos, sempre se oferece o número das contas bancárias, a bandeira dos cartões de crédito ou o telefone para informações extras que permitam a oferta, rápida e facilitada. Nenhum deles fica ruborizado pela insistência do pedido de ajuda, porque todos são pios devotos da ‘Teologia da Prosperidade’, uma doutrina pecuniária que faria o velho Lutero engolir cada uma das 95 teses que vomitou contra a cupidez da velha Roma.


A ideia nasceu, evidentemente, no coração do capitalismo, os Estados Unidos, no início do Século 20. O pai dessa fé sonante é o americano Essek William Kenyon (1867-1948), um evangelista de origem metodista nascido em Saratoga, Estado de Nova York. Descobriu o milagre do rádio e plantou ali a sua “Igreja no Ar”, a ancestral eletrônica dos R.R.Soares e Malafaias da vida. Espalhou então aos quatro ventos o lema que explica as benesses divinas da fartura: “O que eu confesso, eu possuo”.


Kenyon passou o bastão da prosperidade para um conterrâneo, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003), um jovem texano com deficiência cardíaca, que caiu de cama quando adolescente. Garantiu ter ido e voltado ao inferno e ao céu não uma, nem duas, mas três (três!) vezes. Com este desempenho singular, até para campeões de esportes radicais, o jovem naturalmente converteu-se. Dizendo-se ungido para ser mestre e profeta, Hagin garantia ter tido oito (oito!) visões de Cristo na década de 1950, além de acumular alguns passeios extracorpóreos. Tudo isso acrescido pela divina revelação de que os verdadeiros fiéis deviam gozar de uma excelente saúde financeira e que o caminho da fortuna passava, inevitavelmente, pela prosperidade de seus profetas aqui na Terra. Foi sopa no mel, e a teologia da prosperidade conquistou corações e mentes — e bolsos.


Na conta do santo



O dono da Record, bispo Edir Macedo, segunda maior audiência do país / Facebook


A primeira semente deste ostensivo neopentecostalismo brotou no Brasil com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo. Três anos depois, o pastor R.R. Soares, casado com Magdalena, irmã de Macedo, saiu do ninho da Universal para fundar sua própria igreja, a Internacional da Graça de Deus, que acaba de alugar a tela do horário nobre da Band graças ao verbo divino e a verba milionária do pastor. Uma década depois, o bispo Macedo, ainda mais próspero do que o cunhado, comprou a sua própria rede de TV, a Record, hoje a segunda maior audiência do país (4,7 pontos) no horário nobre das noites de dezembro passado, embora ainda distante da Globo (13,8).


Os televangelistas brasileiros aparentemente compõem um paraíso na terra e no ar rico em mirra, incenso e ouro, muito ouro. Há tempos, quatro grupos evangélicos rondam o empresário Sílvio Santos, que topa tudo por dinheiro, na esperança de amealhar o espaço das madrugadas do SBT por módicos R$ 20 milhões mensais. Em 2009, o próprio Edir Macedo alvejou sua maior concorrente: ofertou R$ 545 milhões para alugar o espaço das madrugadas da Rede Globo para a sua Igreja. A Globo piscou, não respondeu, e o bispo voltou à carga em agosto passado, disposto a mover céus e terras. Nada feito.


A contabilidade desses pastores, pelo jeito, oscila entre o inferno e o paraíso. O bispo que oferecia milhões para comprar um naco do maior concorrente era o mesmo dono da Igreja que fazia um descarado apelo em seu blog, em abril passado, para que os fieis juntassem alguns trocados para ajudá-lo a pagar a conta salgada de seu site. Coisa miúda, apenas R$ 107.622 mensais, que o pobre bispo diz gastar com despesas mundanas como hospedagem do servidor, salário dos funcionários, água, luz e gastos administrativos da manutenção do site. “Se o Espírito Santo lhe tocar, nos ajude a carregar essa responsabilidade”, escreveu o bispo, implorando por uma doação mínima de R$ 20.



Um novo dia de um novo tempo começou para a Globo e os evangélicos | Foto: Divulgação


O espírito santo, aparentemente, tocou a Rede Globo. A emissora dos Marinho odeia o bispo Macedo, mas adora os evangélicos. Na véspera do Natal de 2011, 18 de dezembro, a maior rede desta vasta nação católica rasgou o hábito e transmitiu o seu primeiro evento evangélico, gravado uma semana antes no Aterro do Flamengo, no Rio. O público presente, apenas 20 mil pessoas, foi uma heresia para as ambições bíblicas da Globo, mas a fiel audiência na telinha na tarde do domingo seguinte foi uma bênção divina.  Ao longo dos 75 minutos do programa, condensado de quase oito horas de gravação ao vivo (entre 14h e 21h30), apresentaram-se nove artistas no ‘Festival Promessas 2011′, sob o comando do astro global Serginho Groisman. Um dos mais festejados foi o cantor Regis Danese, 39 anos, que vendeu um milhão de cópias com um único disco gospel, “Compromisso”, o único a conquistar o primeiro lugar em rádios e TVs seculares do país e que lhe garantiu a indicação para o prêmio Grammy Latino em 2009.


A conversão da Globo


Antes desse sucesso, Danese já era consagrado como artista do “Só Pra Contrariar”, um grupo de pagode que ainda ostenta o 27º lugar do ranking brasileiro, com 8 milhões de discos vendidos. Apesar disso, com problemas no casamento, converteu-se ao protestantismo no início do século. Salvou o matrimônio com Kelly, sua parceira musical, e engordou ainda mais o bolso. O álbum “Compromisso”, que conquistou o ‘Disco de Diamante’ pela venda de 500 mil cópias em apenas quatro meses de 2008, traz o seu maior sucesso, Faz um Milagre em Mim.  O jornalista Tom Phillips, do diário britânico The Guardian, anotou que, logo após sua triunfal apresentação no festival da Globo, Danese foi indagado na entrevista coletiva sobre os fundamentos deste milagre musical: “O senhor escutou a voz de Deus? O que ele disse?”, perguntavam-lhe. O ex-pagodeiro explicava e, embevecido, o isento repórter da revista Nova Jerusalém ressoava a cada resposta: “Amém. Louvado seja o Senhor!”



O CD "Compromisso". Sucesso absoluto. | Foto: Divulgação


A genuflexão da Globo não representa uma súbita conversão da emissora ao credo evangélico da música: “A Globo não é um canal católico, e sim secular e republicano. Apenas documentamos um festival gospel por sua crescente importância na vida cultural do Brasil”, esquivou-se Luiz Gleizer, diretor da TV, ao jornalista britânico que ecoou o festival sob uma manchete embalada pela típica ironia inglesa: “O Gospel começa a dar o tom no Brasil, a casa da bossa nova”.


Os profetas da Globo não sabem entoar um único salmo, mas como os apóstolos eletrônicos da concorrência também têm um ouvido afinado pelo doce tilintar das moedas do templo. Isso não é contado nem no confessionário, mas os querubins globais sussurram nos corredores da ‘Vênus Platinada’ que os direitos de comercialização e os espaços publicitários do festival renderam à Globo algo entre R$ 35 milhões a R$ 55 milhões, o suficiente para remir muitos pecados, dúvidas e dívidas, aqui na terra e lá no céu. O grupo é dono da gravadora Som Livre e de um catálogo religioso onde brilham ídolos como o padre católico Fábio de Melo, que já vendeu quase 2 milhões de CDs pelo selo global.


O olho cúpido e republicano da Globo está mirando um mercado de música gospel que o The Guardian estima em R$ 1,5 bilhão, um paraíso econômico onde se irmanam crentes, artistas, emissoras laicas, pastores, espertalhões, vigaristas e políticos de todas as crenças, devotos todos do santo dinheiro que cai do céu diretamente em seus bolsos. O fluminense Arolde de Oliveira, deputado federal pelo PSD — aquele diabólico partido nascido da costela do prefeito Gilberto Kassab e que garante não pertencer nem ao paraíso, nem ao inferno, nem ao purgatório —, é dono da rádio 93 FM e do Grupo MK Music, que ele jura ser o maior selo de música gospel do continente. “Mais de 60 milhões de brasileiros estão direta ou indiretamente ligados à Igreja Evangélica”, lembra o deputado Oliveira. A Globo, como se vê, tem a inspiração divina e o ouvido apurado.



Pastor Silas Malafaia: "A Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus" | vitoriaemcristo.org


O festival Promessas abriu as portas de uma terra prometida para os profetas globais. No domingo gospel, a audiência da Globo subiu aos céus, dando-lhe a indulgência de miraculosos 13 pontos no Ibope (cada ponto representa 58 mil aparelhos ligados), bem mais do que os 7 humildes pontos habituais do horário. O pastor Silas Malafaia, inimigo da Universal do bispo Macedo, aproveitou e tripudiou no seu site: “A Record não acreditou nos evangélicos, a Globo acreditou e arrebentou na audiência! Enquanto a Record fala mal dos cantores e da igreja, a Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus”. E arrematou com um desajeitado elogio que deve ter sobressaltado as almas globais: “Quando os que deveriam abrir as portas fecham, Deus usa os ímpios para glorificá-lo”. Iluminada pela santa promessa do Ibope, a ímpia Rede Globo prepara mais três edições do sucesso gospel para 2012 — duas versões regionais e uma nacional, evitando cuidadosamente o Rio de Janeiro, que já padece a praga de um congestionamento evangélico todo santo ano.


O golpe do martelinho



O lider da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago | Eduardo Pinto/impd.org.br


Valdemiro Santiago é outro desgarrado da Universal. Depois de ser considerado um virtual sucessor de Edir Macedo, brigou com ele e saiu para fundar em 1998 a sua seita, a Igreja Mundial do Poder de Deus. Começou com 16 membros e hoje o apóstolo Valdemiro chefia mais de dois mil templos, alguns na África e em Portugal, e um jornal mensal, Fé Mundial, com tiragem de 500 mil exemplares — além de um maçante trololó diário de 22 horas na Rede 21, uma subsidiária da Rede Bandeirantes, que administra as duas horas restantes.


Sua marca registrada é um chapéu de boiadeiro, o que reforça sua imagem de astro sertanejo, que costuma ganhar espaço até no Jornal Nacional da Globo, uma devota do divisionismo que Valdemiro poderia provocar nas legiões de seu arqui-inimigo Edir Macedo. Quando enfrenta problemas de caixa, Valdemiro confia no santo gogó. Em 2010, chorou diante das câmeras de TV ao convocar 150 mil fiéis para ofertarem R$ 153, o número de peixes de um alegado milagre de Cristo. Faturou cerca de R$ 23 milhões.


Empolgado, o bispo sertanejo imaginou outra forma esperta de arrecadar dinheiro fácil, mas desta vez sem choro. Criou a campanha do “Martelinho da Justiça”, um pequeno, baratinho malho de madeira capaz de quebrar mandingas, maus-olhados e “as pedras que atravessam os seus caminhos”. A clava fajuta de Valdemiro, que despertaria a inveja do grande Thor, devia ser canonizada como a mais cara do mundo: cada oferta pelo martelinho tinha o mínimo de R$ 1 mil e Valdemiro esperava que 10 mil de seus seguidores o abençoassem com a compra do mimo, o que rechearia seu chapelão com R$ 10 milhões.


No reclame da Igreja Mundial na TV, o pastor de português trôpego, voz rouca, terno e gravata mostrava a certeza das favas divinas e muito bem calculadas: “Ainda hoje ou amanhã, na primeira hora, você vai até a agência bancária e faz esta ‘ofertinha’ de R$ 1 mil. Depois, mandaremos o martelinho pelo correio”. Para esse milagre acontecer, bastava ao crente fazer o depósito nas contas indicadas na tela e disponíveis no Banco do Brasil, Bradesco ou Caixa Econômica Federal. “De preferência no BB, como o nosso apóstolo tem nos orientado”, aconselhava o pastor, com ar compungido.


A atrevida igreja de Valdemiro já vendeu garrafinhas Pet de 400 ml com ‘água ungida’, entregues por ‘ofertas’ de R$ 100, R$ 200 ou até R$ 1.000, prometendo resultados espantosos: “Uma única gota dessa água será o suficiente para mudar a história de sua vida, para lhe abençoar de uma forma poderosa”, jurava o santo homem, escoltado por outros oito pastores calados e sisudos, todos de gravata e terno escuro. Se usassem óculos pretos iria parecer uma paródia do CQC, sem a divina graça do programa humorístico da Band que sucede o show religioso do pastor R.R. Soares nas noites da segunda-feira.


O trovão homofóbico


O bizarro merchandising da Mundial tem produzido bons resultados, pelo menos para as finanças da igreja de Valdemiro. No primeiro dia de 2012 ele inaugurou em Guarulhos, SP, a ‘Cidade Mundial’, um megatemplo de 240 mil metros quadrados e capacidade para acolher 150 mil fieis da Igreja Mundial do Poder de Deus — mais de duas vezes a lotação prevista do Itaquerão (68 mil lugares), o estádio que o Corinthians está construindo para a Copa do Mundo de 2014. Para erigir o templo, Valdemiro viu a igreja aumentar seus gastos mensais em R$ 30 milhões, prova de que o martelinho e a garrafinha são realmente miraculosos.


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Malafaia: Na santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia | Foto: Valter Campanato/ABr


O pastor Silas Malafaia, chefe supremo da AVEC, sigla da associação que mantém a Igreja Vitória em Cristo, é a voz mais trovejante desse abusado mercado da fé ancorado nos fundamentos pétreos da Teologia da Prosperidade. Embora tenha os mesmos instrumentos de redenção econômica de Edir Macedo, Malafaia é um inimigo mortal do dono da Universal. Divergiram até na eleição presidencial de 2010: ele primeiro apoiou Marina Silva, depois fulminou sua opção pelo plebiscito no debate sobre o aborto (“cristão não tergiversa nesse tema”), e acabou fazendo campanha por Serra, adversário de Dilma, apoiada justamente pelo rival bispo Macedo. Malafaia é figura fácil no Congresso Nacional, em Brasília, onde veste a armadura de sua santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia: “O projeto [que garante a livre orientação sexual] é a primeira porta para a pedofilia”, reza, com a fúria dos justos. Numa entrevista a uma revista religiosa, crucificou como “idiotas” todos os pastores que, ao contrário dele, não apostam suas fichas, martelinhos e garrafinhas na Teologia da Prosperidade.


Ele não poupa a garganta e fala muito: quase todo santo dia, Malafaia se esparrama por cinco horas de programas variados em redes nacionais como CNT, Rede TV, Boas Novas e Bandeirantes e ocupa os sábados de emissoras regionais em outros 15 Estados. Seu programa se espalha pelos Estados Unidos e Canadá e, desde meados de 2010, Malafaia atinge 142 milhões de lares em 127 países da África, Ásia, Oriente e Médio e Europa, com o apoio da americana Inspiration Network, que faz a dublagem para o inglês.


Para tornar mais veraz sua pregação, às vezes importa dos Estados Unidos especialistas nesta riqueza material. No ano passado, junto com o pastor americano Mike Murdock, Malafaia lançou o projeto do “Clube de 1 Milhão de Almas”. Alma, sabem os televangelistas, custa caro. Ele pretendia arrebanhar um milhão de crentes para sua grei e seus programas de TV, mediante a ‘oferta’ (voluntária, claro) de R$ 1 mil — ou seja, um martelinho de madeira, pelo generoso chapéu do bispo Valdemiro. Na conta do lápis, uma bolada plena de R$ 1 bilhão, capaz de pagar mais do que cinco Mega-Senas da Virada, que bateu em R$ 177 milhões no réveillon de 2011. Os ofertantes ganhariam o livro 1001 Chaves da Sabedoria, do pastor Murdock, e um certificado do clube milionário, em todos os sentidos.


Para inspirar o seu rebanho, Malafaia teve a feliz ideia de colocar um contador de acessos na página da igreja para que todos acompanhassem a adesão em catadupa do milhão de almas. Algo deu errado, ou o martelinho não funcionou. Lançado em abril do ano passado, o contador da igreja Vitória em Cristo virou uma estátua de sal, como a mulher de Lot em Gênesis (19,26) e estagnou num número pífio: miseráveis 58.875 almas era a contagem de quinta-feira passada, 5 de janeiro. Um inferno de faturamento que não chegou a R$ 60 milhões, muito distante do paraíso do R$ 1 bilhão arquitetado pelo diabólico Malafaia. Faltam portanto ainda 941.125 almas para Malafaia inaugurar, sob as trombetas de Jericó, o seu clube milionário. Haja martelinho!


O supermercado da fé


O bravo Malafaia não desiste facilmente. Em 2009 ele lançou a campanha de uma Bíblia por módicos R$ 900, pouco menos que um martelinho. Era a tarifa da Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira, sacada genial de outro gênio da prosperidade, o pastor americano Morris Cerullo. Desta vez, a garrafinha deve ter funcionado, pois antes do final do ano ele viajou à Flórida, nos Estados Unidos, e lá viu se materializar, em nome da Vitória em Cristo, um jato executivo Cessna quase novo, modelo Citation Excel, pela bagatela de 12 milhões — de dólares !



Pastor Silas Malafaia: adepto dos "Programas de Fidelidade" | vitoriaemcristo.org


Se alguém tiver alguma restrição a Bíblia, martelinho ou garrafinha, nem assim terá qualquer constrangimento para auxiliar o empreendimento celestial de Malafaia. Na sua página na Internet (www.vitoriaemcristo.org), o bom pastor dá a boa notícia de que todos podem participar de sua jornada, tornando-se seu ‘Parceiro Ministerial’, um programa de fidelidade da Igreja que arrecada fundos para manter seus programas de TV. A porta está aberta a “qualquer pessoa que receba de Deus a visão de abençoar vidas, proclamando o Evangelho por meio das mensagens do pastor Malafaia”, explica o dono do site e da igreja. Dependendo do tamanho da carteira, seu título de parceiro também cresce: o ‘Especial’ paga R$ 15 mensais, o ‘Fiel’ doa R$ 30 e o ‘Gideão’ entra na cota de sacrifício do martelinho: R$ 1 mil mensais, com direito a um exemplar por mês da revista Fiel, livros, Bíblias e um cartão para 10% de descontos nos produtos da Editora Central Gospel comprados pelo telemarketing, “desde que não esteja em promoção”.


Virar parceiro do pastor é fácil, pagar é muito mais. A organização abençoada de Malafaia trabalha com o ganhoso instrumental financeiro de uma grande loja de departamentos, como convém a este éden da prosperidade.  A igreja Vitória em Cristo opera, sem preconceitos, com cartões Visa, Master, Diners, Amex ou Hipercard e tem contas abertas, sem discriminação, com o Banco do Brasil, HSBC, Bradesco ou Itaú, além de trabalhar com boletos bancários ou cheques nominais. Malafaia aceita boletos antecipados para o ano todo, mas nenhuma contribuição abaixo de R$ 15. Acima, pode.


Abobrinhas e beterraba


Agora, esse mundo dourado de riquezas, promessas, ofertas, obras e fartura vai ganhar outro e inesperado púlpito: um espaço de brilho, luzes e discussões mundanas, terrenas, insinuantes, quase lascivas. Começa na terça-feira (10/1) a 12º edição do ‘Big Brother Brasil’, o reality show da Globo que arrebata o país por 12 semanas no seu jogo canalha de perfídias, traições, intrigas e sensualidade explícitas, onde garotas curvilíneas e garotos musculosos, todos transbordantes de hormônios e carentes de neurônios, desfilam suas abobrinhas em diálogos patetas e reflexões idiotas. O jornalista Eugênio Bucci, professor de Ética Jornalística da ECA-USP e da ESPM, de São Paulo, tatuou o BBB como “o mais deseducativo programa da TV brasileira, onde a fama justifica qualquer humilhação”.


Na TV, onde nada se cria e tudo se copia, a Record também tem sua versão BBB, “A Fazenda”, com mais roupa e a mesma dose intragável de papo imbecil. A personal trainer Joana, a vencedora da versão 4 da Fazenda, que acabou em outubro passado, arrebatou R$ 2 milhões após encontrar uma beterraba premiada, entre outros sofisticados desafios intelectuais.


Apesar dessa crônica indigência, mais de 130 mil jovens brasileiros se inscreveram para o BBB12, ao longo de sete meses, filtrados em seletivas regionais em 10 capitais. É uma febre televisiva que pode parar até a maior cidade brasileira, São Paulo, onde chega a bater em 40% do Ibope, o que significa quase dez milhões de telespectadores, metade da população da Grande SP.



"Ela não é recatada", informa o pai de Jakeline | Divulgação


A vencedora do BBB de 2011, a modelo paulista Maria Helena, 27 anos, de São Bernardo do Campo, faturou um cheque de R$ 1,5 milhão ganhando o voto por telefone de 51 milhões de pessoas. Se fosse candidata a presidente em 2010, Maria Helena, capa da edição de junho de 2011 da revista Playboy, teria derrotado José Serra por mais de sete milhões de votos e perderia para Dilma Rousseff por menos de cinco milhões.


Boninho, o diretor do BBB, apimentou a receita em 2012, para horror do pastor Malafaia, infiltrando quatro homossexuais entre os doze sarados concorrentes. “Três dos quatro gays são mulheres”, adiantou o lúbrico Boninho no seu tuíter.  Ele não disse, mas o programa de 2012 terá também a atração extra de duas evangélicas, a assistente comercial mineira Kelly, 28 anos, e a zootécnica baiana Jakeline, 22. O empresário Danilo Leal, 45 anos, pai de Jakeline, acha que a filha vai resistir bem ao paredão impiedoso do BBB, apesar de evangélica: “Ela não é recatada. Espero que Jakeline aproveite bem seus 15 minutos de fama e faça o pé de meia”, reza o empresário, dando sua sanção paternal para o que der e vier.



A assistente comercial evengélica Kelly Medeiros | Divulgação


Não se sabe ainda o tamanho do fio-dental que as duas evangélicas vão exibir na casa mais vigiada do Brasil, nem o salmo que irão recitar debaixo do edredom, cercadas por tantas câmeras indiscretas. Não deixa de ser simbólico que, cinco séculos após ser cravado nos portões da igreja de Wittenberg, o credo rigorosamente puritano e austero fundado pelo cisma de Luterano infiltre duas crentes assanhadas e iconoclastas no cenário conspícuo do programa mais ímpio da maior rede brasileira de TV aberta. A explicação, certamente, não está nas páginas lambidas da Bíblia dos templos e igrejas desta terra supostamente laica, mas nas cédulas louvadas do dinheiro ungido pela graça divina e pela licença dos homens neste país tropical, que Jorge Ben resumiu como “abençoado por Deus e bonito por natureza”.


A louvação ecumênica ao dinheiro pintado pela hipocrisia de todos os credos esclarece, em parte, a progressiva invasão destes templos cada vez mais eletrônicos, escancarados por vendilhões cada vez mais acessíveis a espertalhões cada vez mais abusados no assalto à boa fé de sempre dos desesperados.


O velho evangelista Kenyon, profeta dessa cínica doutrina da prosperidade, poderia traduzir este Armagedom moral com o mantra invertido da religião de resultado que inventou: o que eu possuo, não confesso.


* Luiz Cláudio Cunha é jornalista.
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