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Stephen Hawking é frequentador assíduo de clube de suíngue, diz site

O físico Stephen Hawking, 70, é frequentador assíduo de um clube de suíngue na Califórnia.

É o que garante o site "Radar Online", que diz ter ouvido a história de uma fonte que está sempre no local.

Segundo essa pessoa, o cientista costuma chegar com uma equipe de enfermeiras e assistentes.

Ele também teria a companhia constante de uma moça que dança pelada para ele.

"A última vez que o vi ele estava deitado em uma cama, todo vestido, com duas moças peladas ao redor dele", contou.

"Eu já falei com ele várias vezes", afirmou. "Uma vez ele tomou drinques com todo mundo."

Hawking anda em uma cadeira de rodas devido a sua longa batalha contra a esclerose lateral amiotrófica, que provoca a degeneração dos neurônios motores.

 Sarah Lee/Associated Press O professor Stephen Hawking em sua sala na Universidade de Cambridge

Stephen Hawking, que seria assíduo frequentador de clube de suíngue, em sala na Universidade de Cambridge

http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1053173-stephen-hawking-e-frequentador-assiduo-de-clube-de-suingue-diz-site.shtml

 

Nassif

Viste que o Brasil 247 te classifica como "jornalista ligado ao Planalto"?

 

http://brasil247.com/pt/247/poder/44186/Esquenta-a-fritura-Nassif-prev%C...

 

Patrus quer reeleição de Lacerda em BH, com PSDB fora 25 de fevereiro de 2012 | 18h33 MARCELO PORTELA - Agência Estado

Uma das principais lideranças do PT em Minas Gerais, o ex-ministro Patrus Ananias afirmou hoje ser favorável ao apoio do partido à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), mas se mostrou radicalmente contrário a uma aliança com o PSDB, convidado pela direção socialista para participar da campanha à reeleição. O acordo em torno do prefeito, inclusive com os tucanos, é defendido pela direção petista no Estado e pelo ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que se uniu ao então governador e atual senador Aécio Neves (PSDB-MG) para a primeira eleição do socialista.

Hoje, a tendência Articulação, da qual Patrus faz parte, realizou encontro em Belo Horizonte e definiu apoio a Lacerda - parte do PT defende candidatura própria -, mas sem aliança com os tucanos. Um dia antes, a direção do PSDB em Minas reuniu-se com o prefeito e o presidente do diretório mineiro do PSB, o ex-ministro Walfrido Mares Guia, para apresentar reivindicações para a consolidação da aliança. Entre as exigências está a participação formal na coligação, ao contrário do que ocorreu em 2008, quando houve apoio informal.

Para Patrus, uma aliança formal é inviável por causa das "divergências históricas, profundas e de projetos de sociedade" entre os dois partidos. "Não queremos e vamos trabalhar contra a aliança formal com o PSDB. Não é uma linha sectária. Eu tenho relação de amizade com várias pessoas do PSDB. Mas nós temos diferenças claras com relação às nossas prioridades. Nesse sentido nós vamos trabalhar na perspectiva de que o PSDB não participe dessa aliança. Não queremos o PSDB. Queremos aliança PT e PSB, que são aliados no plano nacional", afirmou.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,patrus-quer-reeleicao-de-lacerda-em-bh-com-psdb-fora,840446,0.htm

 

 

Réquiem para Eliana Tranchesi, uma visionária a quem a Receita do Brasil deve muitoHildegard Angel  

Não posso fazer simplesmente um silêncio respeitoso, neste dia da morte de Eliana Tranchesi. Mulheres empreendedoras, visionárias e corajosas como ela merecem muito mais. Merecem um féretro majestoso e sentido, soluços e lágrimas de pesar. Pois não me venham com pedras na mão os patrulheiros falar em débitos com o fisco, pois é à Eliana que a Receita do Brasil deve muito mais. Deve a ela ter aberto os olhos e a atenção do mundo para o mercado brasileiro do luxo. Não apenas o mercado que consome as grifes estrangeiras, que Eliana brilhantemente reuniu num templo único sobre a Terra, a Daslu paulistana, como em capital alguma do mundo havia igual. Falo do mercado brasileiro que produz luxo. Pois uma coisa puxa a outra. Bastou os estrangeiros aportarem aqui trazidos por ela, para os nacionais rapidinho passarem a produzir luxo também, cortejando e disputando o mesmo mercado, quer com seus produtos colocados na mesma Daslu ou quer ousando investir em suas lojas próprias suntuosas. E assim foram se multiplicando, no país, as marcas de luxo brasileiras, as muitas lojas multimarcas, à exemplo da Daslu, que hoje proliferam, não só nas capitais, mas em todas as grandes cidades...

Estão aí, por toda a parte, as "crias" da Daslu, vendendo, empregando, produzindo, gerando divisas. Tudo fruto da visão dessa mulher extraordinária, incansável, trabalhadora, dedicada e silenciosa. Que não abria a boca sequer para se defender. Discreta, quieta, voltada exclusivamente, 24 horas de seus dias, noites e madrugadas, para seu trabalho, sua Grande Filha: a Daslu. E criou um padrão, um modelo comercial. Criou também as Dasluzetes, quando pela primeira vez vimos sobrenomes coroados brasileiros disputando, quase a tapa, o privilégio de trabalharem como vendedoras numa loja. O que dignificou também a atividade comercial, até então vista como uma profissão de segunda classe...

Sua declarada admiradora, quando o mundo desabou sobre ela, tomei um avião e fui a São Paulo, expressamente para abraçá-la, apesar de não ser sua íntima nem muito próxima. Apenas para demonstrar minha solidariedade e admiração. Cheguei à loja linda, anunciei-me. Eliana interrompeu sua rotina pesada, sei o que isso custa para uma pessoa realmente ocupada, e gentilmente foi me encontrar, acho que na loja do Valentino. Nos cumprimentamos, nos abraçamos, falei de minha imensa admiração por ela e não tocamos diretamente no assunto em pauta nas manchetes dos jornais. Mas ela sabia porque eu estava ali. Não nos vimos mais...

Eliana colecionou e disseminou pioneirismos no comércio do luxo e no comércio da moda,  num país em que o emaranhado de leis e o labirinto burocrático travam, enclausuram, imobilizam, praticamente invializam qualquer voo diferenciado.  Não estou com isso tentando justificar o injustificável: o drible de leis. Mas quem é do ramo sabe que é praticamente impossível para um empreendedor visionário e sonhador, que pensa longe e pensa grande, sair do lugar, crescer, se expandir, submetido a essa armadura brasileira chamada conjunto de leis fiscais e trabalhistas, que muitas vezes só funciona se bem azeitado com um combustível chamado 'molhar-a-mão'...

O Brasil, porém, está mudando. Parece que está. Tomara. Que a morte hoje de Eliana Tranchesi, vítima do 'câncer da humilhação', sirva de mais um alerta para que sejam apressadas as inadiáveis reformas fiscais, que há tanto repousam em berço esplêndido em nosso Congresso...

eliana tranchesi daslu Réquiem para Eliana Tranchesi, uma visionária a quem a Receita do Brasil deve muitoEliana Tranchesi feliz diante da maquete da "nova Daslu", um templo do luxo como jamais houve no mundo. A euforia foi enorme, para meses depois advir o escândalo, uma sentença de 94 anos de prisão, multas por sonegação ultrapassando R$ 500 milhões, o câncer fatal. Numa das suas poucas entrevistas sobre o assunto, Eliana reconheceu que cometeu o erro de vender luxo num país de agudas diferenças sociais...

http://noticias.r7.com/blogs/hildegard-angel/2012/02/24/requiem-para-eliana-tranchesi-uma-visionaria-a-quem-a-receita-do-brasil-deve-muito/

 

Me vi em alguns aspectos abordados nesse artigo, não o do Einstein, claro...

 

Um controle psiquiátrico da dissidência?Byadmin – 25/02/2012Posted in: Destaques 

 

Comportamento anti-autoritário, que recomenda avaliar poder antes de respeitá-lo, pode estar sendo reprimido desde a infância por diagnósticos e medicamentos questionáveis

Por Bruce E. Levine, em Alternet | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Rico Gatson, O Grupo

Em minha carreira como psicólogo, falei com centenas de pessoas antes diagnosticadas por outros profissionais como portadoras de Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Ansiedade e outras doenças psiquiátricas. Estou chocado por dois fatos: 1) quantos destes pacientes são, em essência, anti-autoritários; 2) como os profissionais que os diagnosticaram não o são.

Os anti-autoritários questionam se uma autoridade é legítima, antes de levá-la a sério. Sua avaliação de legitimidade inclui avaliar se as autoridades sabem de fato do que estão falando; se são honestas; e se se preocupam com aqueles que as respeitam. Quando anti-autoritários avaliam uma autoridade como ilegítima, eles desafiam e resistem a seu poder. Certas vezes, de forma agressiva; outras, de forma agressivo-passiva. Às vezes, com sabedoria; outras, não.

Alguns ativistas lamentam como parecem ser poucos os anti-autoritários nos Estados Unidos. Uma razão pode estar em que muitos anti-autoritários são psico-diagnosticados e medicados antes de formarem consciência política a respeito das autoridades sociais mais opressoras.

Por que profissionais de Saúde mental veem anti-autoritários como portadores de distúrbios mentais

Conquistar aceitação nas escolas superiores ou de especialização de medicina, e obter um doutoramento ou pós-doutoramento como psicólogo ou psiquiatra, significa superar muitos obstáculos. Requer adequar-se comportamentalmente a autoridades – inclusive aquelas pelas quais não se tem respeito. A seleção e socialização dos profissionais de saúde mental tende a excluir muitos anti-autoritários. Graus e credenciais são, antes de tudo, atestados de adequação. Quem estendeu seus estudos, viveu longos anos em um mundo onde é preciso conformar-se rotineiramente com as exigências de autoridades. Por isso, para muitos doutores e pós-doutores em saúde mental, pessoas diferentes, que rejeitam esta adequação comportamental, parecem ser de outro mundo – um mundo diagnosticável.

Descobri que a maior parte dos psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental não são apenas extraordinariamente adequados às autoridades – mas também inconscientes da magnitude de sua obediência. Também tornou-se claro para mim que o anti-autoritarismo de seus pacientes cria enorme ansiedade entre estes profissionais, o que impulsiona diagnósticos e tratamentos.

Na universidade, descobri que para ser rotulado como alguém com “problemas com autoridade”, bastava não bajular um diretor de treinamento clínico cuja personalidade era uma combinação de Donald Trump, Newt Gingrich e Howard Cosell. Quando alguns professores me disseram que eu tinha “problemas com autoridade”, reagi ao rótulo com sentimentos contraditórios. Por um lado, achei interessante, porque entre os filhos de trabalhadores, com quem havia crescido, eu era considerado de certa forma obediente à autoridade. Além disso, eu tinha feito minhas lições de casa, estudado e recebido boas notas. Entretanto, embora os meus novos “problemas com autoridade” deixassem-me alegre, por ser agora visto como um bad boy, também me preocupava com o tipo de profissão em que estava entrando. Mais especificamente, se alguém como eu era visto como tendo “problemas com autoridade”, como seriam chamados os garotos com quem cresci – atentos a tantas coisas que lhes interessavam, mas não suficientemente interessados com a escola para obedecê-la? Logo a resposta tornou-se clara.

Diagnósticos de doença mental para anti-autoritários

Um artigo de 2009 no Psychiatric Times, intitulado “TDO e TDAH: Enfrentando os Desafios do Comportamento Disruptivo”, relata que os “transtornos disruptivos”, uma categoria que inclui o Transtorno do Deficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), são os problemas de saúde mental mais comuns em crianças e adolescentes. O TDAH é definido por baixa atenção e tendência à distração; baixo alto-controle, impulsividade e hiperatividade. Já o TDO é definido como “um patrão de comportamento negativista, hostil e desafiante, sem as violações mais sérias dos direitos básicos de outros vistas no transtorno de conduta”. Os sintomas do TDO incluem “desafiar ativamente, ou recusar-se a obedecer com frequência as ordens e regras dos adultos” e “discutir frequentemente com adultos”.

O psicólogo Russel Barkley, uma das grandes autoridades da saúde mental mainstream em TDAH, diz que os que padecem deste mal têm déficits no que chama de “comportamento regrado”, já que são menos obedientes às regras das autoridades estabelecidas e menos sensíveis às consequências positivas ou negativas. Pessoas jovens com TDO também têm, segundo as autoridades do mainstream, os tão falados déficits em comportamento regrado. Por isso é tão comum, entre jovens, um “duplo diagnóstico” de TDAH mais TDO.

Realmente queremos diagnosticar e medicar todos os que têm “déficit em comportamento regrado”?

Albert Eisnten, quando jovem, teria provavelmente recebido um diagnóstico de TDAH, e talvez também de TDO. Ele não prestava atenção em seus professores, fracasou duas vezes nos exames de admissão à escola secundária e tinha dificuldades em conservar empregos. No entanto, Ronald Clark, um biógrafo de Einstein (Einstein: The Life and Times), sustenta que seus problemas não provinham de déficits de atenção, mas de seu ódio à disciplina autoritária, prussiana de suas escolas. Einstein dizia: “Os professores da escola primária pareciam-me sargentos e os do ginásio eram como tenentes”. Aos 13, ele leu o difícil Crítica da Razão Pura, de Kant – por estar interessado no livro. Clark também conta que Einstein recusava-se a se preparar para os exames de admissão ao ensino médio: era uma forma de rebelião contra o “intolerável” caminho exigido por seu pai, rumo a uma “profissão prática”. Depois que ele finalmente ingressou, um professor disse-lhe: “Você tem um defeito: ninguém pode te dizer nada”. As características particulares de Einstein, que tanto espantavam as autoridades, eram exatamente as que lhe permitiram destacar-se.

Para os padrões atuais, Saul Alinsky, o legendário organizador social autor de Regras para Radicais, teria sido certamente diagnosticado com um ou mais transtornos disruptivos. Rememorando sua infância, ele afirmou: “Eu nunca pensava em caminhar na grama até que via uma placa dizendo: ‘Não pise na grama’. Então, eu sapateava em cima dela”. Alinsky também recorda de uma ocasião, quando tinha 10 ou 11 anos, e seu rabino ensinava-lhe hebraico.

“Certo dia, li três páginas sem erros de pronúncia, e de repente uma moeda caiu sobre a Bíblia… No dia seguinte, o rabino voltou e me pediu para começar a ler. Simplesmente sentei em silêncio, recusando-me. Perguntou-me por que estava tão quieto e respondi: ‘Desta vez, é uma nota ou nada’. Ele começou a me bater”.

Muitas pessoas com ansiedade severa e ou depressão também são anti-autoritárias. Uma grande dor em suas vidas, que alimenta sua ansiedade e ou depressão, é o temor de que o desprezo a autoridades ilegítimas as torne social e financeiramente marginalizadas. Porém, também temem que a obediência a tais autoridades cause-lhes morte existencial.

Também empreguei muito tempo com pessoas que, numa época de sua vida, tiveram pensamentos e comportamentos bizarros a ponto de serem assustadores, para suas famílias e para si mesmas. Tinham diagnósticos de esquizofrenia e outras psicoses, mas se recuperaram e desfrutaram, por muitos anos, vidas produtivas. Neste grupo, nunca encontrei ninguém que não considerasse um grande anti-autoritário. Assim que se recuperaram, aprenderam a direcionar seu anti-autoritarismo para fins políticos mais construtivos – inclusive a reforma do sistema de saúde mental.

Muitos anti-autoritários que em fases anteriores de suas vidas tiveram diagnósticos de doenças mentais relatam que, ao serem rotulados como pacientes psiquiátricos, entraram num dilema. Autoritários exigem, por definição, obediência sem questionamentos. Por isso, qualquer resistência a seus diagnósticos e tratamentos causa enorme ansiedade em profissionais de saúde mental com este tipo de postura; e médicos que se sentiam descontrolados rotulavam estes pacientes como “refratários a tratamento”, expandindo a severidade do diagnóstico e entupindo-os de medicação. Às vezes, isso enraivecia de tal modo os anti-autoritários que sua reação os fazia aparecer ainda mais assustadores para suas famílias.

Há anti-autoritários que usam drogas psiquiátricas para ajudá-los a funcionar. Ainda assim, frequentemente rejeitam as explicações das autoridades psiquiátricas sobre quais são suas dificuldades. Podem, por exemplo, tomar Adderall (uma anfetamina prescrita para TDAH). Mas sabem que seu problema de atenção não resulta de um desequilíbrio bioquímico do cérebro, mas de um trabalho enfadonho. Da mesma forma, muitos anti-autoritários submetidos a ambientes muito estressantes podem ocasionalmente tomar benzodiazepínicos como Xanax. Pensam que seria mais seguro usar maconha, mas os testes de drogas existentes nas empresas a detectariam…

Minha experiência sugere que muitos anti-autoritários rotulados com diagnósticos psiquiátricos não rejeitam todas as autoridades, mas apenas aquelas que avaliam como ilegítimas. Ocorre que nessa categoria poderia ser enquadrada boa parte das autoridades, em nossa sociedade…

Agindo para manter o Status Quo

Os norte-americanos têm sido convencidos a considerar desatenção, raiva, ansiedade e desespero imobilizante como condições médicas – e a procurar tratamento farmacológico, em vez de soluções políticas. Haveria meio melhor de manter o status quo do que ver em tais reações problemas de quem está mentalmente enfermo – e não atitudes normais, diante de uma sociedade cada vez mais autoritária?

A realidade é que a depressão está altamente associada com dores sociais e financeiras. É muito mais provável tornar-se deprimido quando você está desempregado, subempregado ou em dívida (ler “400% Rise in Anti-Depressant Pill Use”). E é inegável: crianças rotuladas como portadoras de TDAH prestam atenção quando estão sendo recompensadas, ou quando uma atividade é nova, desperta seu interesse ou foi escolhida por elas (documentado em meu livro Commonsense Rebellion).

Numa idade das trevas anterior, as monarquias autoritárias associavam-se às instituições religiosas. Quando a humanidade superou esta fase e abriu-se o Iluminismo, houve uma explosão de energia. Muito da revitalização tinha a ver com arriscar-se diante de instituições autoritárias e corruptas; e com reconquistar confiança na própria mente. Vivemos uma nova era de trevas: mudaram apenas as instituições. Os EUA necessitam desesperadamente de anti-autoritários para questionar, desafiar e resistir às novas autoridades ilegítimas; e para reconquistar confiança em seu próprio senso comum.

Em todas as gerações, há autoritários e anti-autoritários. Embora seja incomum, na história dos EUA, que os anti-autoritários adotem ações efetivas, capazes de inspirar os demais à revolta que resulta em mudanças, de vez em quando um Tom Paine, Crazy Horse ou Malcolm X aparece. Então, os autoritários marginalizam financeiramente quem resiste ao sistema, criminalizam o anti-autoritarismo, psico-diagnosticam os anti-autoritários e produzem drogas de mercado para sua “cura”.


Bruce E. Leving (site: www.brucelevine.net) é psicólogo clínico nos EUA, há cerca de três décadas. Conhecido por suas posições anti-hegemônicas, escreve e debate sobre as intersecções entre Sociedade, Política, Cultura e Psicologia. É autor, entre outros livros, de Commonsense Rebellion (2003), Surviving America Depression Epidemic (2007) e Get Up, Stand Up: Uniting Populists, Energizing the Defeated, an Battling the Corporate Elite (2011).

 

Olá, Nassif

A revista TRIP entrevistou o deputado estadual Marcelo Freixo, que esteve à frente da CPI das milícias no Rio de Janeiro. Tropa de Elite 2 foi teve um dos personagens principais inspirado neste deputado. A entrevista é profundamente esclarecedora e bombástica: O Rio e o Brasil nunca estiveram tão perto de ser dominados pela máfia.

Acho que vale um post exclusivo! Abraços

http://revistatrip.uol.com.br/revista/206/paginas-negras/marcelo-freixo....

Marcelo FreixoO deputado é o inimigo número 1 das milícias e dos corruptos do Rio de Janeiroicone postado21.12.2011 | Texto por Denis Russo Burgierman Fotos Jorge Bispo

Jorge Bispo

 

Enquanto mídia, governo e boa parte da população do Rio de Janeiro celebram a nova fase do combate ao crime organizado na cidade, um homem pede cautela. Mais do que isso: pede providências bem mais profundas do que as UPPs. O deputado estadual Marcelo Freixo é um dos maiores inimigos das milícias, do violento e corrupto acordo entre governo e policiais que buscam assumir o controle de regiões antes dominadas pelo tráfico. Por isso sua cabeça está a prêmio. Hoje ele vive sob um duro esquema de proteção e já teve que deixar o país quando as ameaças se tornaram mais perigosas. Isso o fará desistir do mandato? Só se for para virar prefeito do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro está eufórico. A cidade se prepara para se tornar o centro do universo: sede da final da Copa do Mundo de 2014, da Olimpíada de 2016 e da Petrobras, empresa que neste momento esburaca a camada do pré-sal no fundo do oceano para trazer à superfície trilhões de litros de petróleo. A polícia sobe morros e instala UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora, que colocam traficantes para correr. Na fachada do hotel Marina, na beira da praia do Leblon, um imenso cartaz declara que “O Rio é dos bons” e agradece: “Obrigado, Força Policial”. Os famosos botecos da cidade são só sorrisos, celebrações de negócios fechados e reuniões sobre futuras oportunidades. Governos municipal, estadual e federal, pela primeira vez aliados entre si, com amplo apoio da mídia, em especial da carioca Rede Globo, comemoram os bons tempos.

Em meio a tanto oba-oba, um sujeito insiste em jogar areia na festa. O deputado estadual Marcelo Freixo, contrariando o otimismo generalizado, afirma com todas as letras: “O Rio nunca correu tanto risco de cair nas mãos da máfia”. Ele se refere às milícias, formadas por policiais, aliadas de vários políticos locais e paparicadas por todos os principais partidos. “Elas infiltraram o sistema todo”, diz ele. Até a casa onde ele trabalha, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Freixo calcula que algo em torno de 90% dos deputados estaduais por lá têm ligações com centros sociais, as instituições que proveem serviços que deveriam ser papel do estado em comunidades carentes. E que geralmente são o braço comunitário do poder mafioso das milícias.

Por causa dessa mania de atrapalhar festas, Freixo já recebeu 27 ameaças de morte e só anda pela cidade escoltado por policiais à paisana. Não pode ir à praia, apesar de morar pertinho do mar, e só vai ao cinema se planejar com antecedência. As ameaças começaram em 2008, quando Freixo comandou uma CPI que investigou as milícias e terminou com a prisão de mais de 500 pessoas, incluindo vereadores e deputados. Apesar dos indiciamentos, ele afirma que nenhuma das mais de 50 providências sugeridas pela CPI foram colocadas em prática e que, como consequência, o poder miliciano não parou de crescer. “Havia 170 milícias quando fizemos a CPI. Agora são pelo menos 300”, diz.

Em agosto deste ano, a juíza Patrícia Acioli, eleitora de Freixo que vinha punindo milicianos, foi morta por policiais – 21 balas. De lá para cá, as ameaças contra o deputado aumentaram. Revelou-se que um policial tinha recebido a oferta de R$ 400 mil para matá-lo. Em novembro, com o estresse em sua família beirando o insuportável, ele resolveu sair do Brasil e ir passar duas semanas na Espanha, para se proteger dos assassinos e permitir que a polícia reforçasse sua segurança e blindasse seu carro.

Jorge Bispo

 

Freixo foi a inspiração para o personagem Diogo Fraga, que, ao lado do Coronel Nascimento, foi um dos protagonistas do filme Tropa de elite 2, que expôs as conexões entre o crime organizado e o poder público no Rio e no Brasil todo. Assim como o personagem do filme, ele é historiador, ativista de direitos humanos e deu aulas de história para detentos em presídios. Assim como Fraga, também Freixo conquistou a confiança tanto dos presos quanto de vários policiais do Bope e, antes de virar político, participou diversas vezes de negociações entre a polícia e detentos para encerrar rebeliões na cadeia. “O filme só não reflete a realidade quando retrata minha vida pessoal”, diz. “Eu não me casei com a ex-mulher do Coronel Nascimento.”

Eleito deputado estadual pelo PSOL com 13.507 votos em 2006, Freixo reelegeu-se em 2010 com a segunda maior votação do estado: 177.253 votos, menor apenas que a do apresentador policialesco Wagner Montes. Ele é um dos parlamentares mais admirados da casa, inclusive por políticos de direita. É também um dos deputados mais ativos no Palácio Tiradentes. Durante as sessões plenárias, enquanto a maioria dos deputados se agrupa em animadas rodinhas festivas, ele se mantém sério, concentrado, fazendo anotações e discordando frequentemente dos oradores. Muitas votações acabam com apenas um voto contrário quebrando a unanimidade: o dele.

Agora, mantendo o hábito de estragar festas, Freixo prepara-se para lançar-se candidato a prefeito do Rio, enfrentando uma imensa coalizão de quase 20 partidos que apoiam a reeleição do atual prefeito, Eduardo Paes. Paes conta com o apoio quase unânime da grande mídia, além de uma infinidade de financiadores. Já Freixo terá uma dúzia de segundos na TV, o engajamento de militantes voluntários e o apoio de alguns empresários e artistas, entre eles seu amigo José Padilha, diretor de Tropa de elite, e de Wagner Moura, o ator que interpretou o Coronel Nascimento, nêmesis de Diogo Fraga no filme.

Apesar da luta desigual, Paes já demonstrou que está incomodado com o adversário e que pretende jogar duro com ele. Segundo o jornalista Ricardo Boechat, da BandNews, foi a equipe do prefeito que espalhou o boato, depois desmentido, de que Freixo não viajou para a Espanha para se proteger de ameaças de morte, mas para fazer palestras que já estavam agendadas previamente.

Para entrevistar Freixo, a reportagem da Trip apareceu de manhã no gabinete do deputado. A conversa transcorreu sob o olhar vigilante mas discreto dos policiais à paisana. Os encontros eram agendados pessoalmente, por receio de que houvesse um grampo no telefone e que nossa combinação desse pistas sobre a agenda de Freixo.

Apesar da pressão de viver sob ameaça de morte, Freixo se mantém bem-humorado, faz piadas sobre a política no Rio e não se arrepende de nada. “Eu faria tudo de novo”, diz.

Afinal, UPP é bom ou ruim? 
Olha, eu sempre defendi o policiamento comunitário. Eu acho que o princípio de a polícia estar no lugar é inquestionável. Se você disser “não tem mais o tráfico armado aqui, não tem mais invasão de facção, não tem mais troca de tiro”, não dá para dizer que isso é ruim. Ponto. Agora, dizer que a solução é essa e que o problema está resolvido... Qualquer polícia do mundo, para avançar, como aconteceu na Irlanda, tem três pontos que são fundamentais. O primeiro é aproximação com a comunidade, que a UPP garante. Além disso, tem que ter valorização salarial e formação, e isso nossos policiais não têm e continuam não tendo. O salário é absurdamente baixo, a formação é muito precária. E tem que ter controle sobre a polícia. Isso a nossa também não tem. As corregedorias e ouvidorias são lamentáveis.

A história que Tropa de elite 2 conta é mesmo a sua? 
O Tropa 2 é baseado no que aconteceu na CPI das Milícias, mas é um filme de ficção. E quer saber? É ficção sim porque a realidade é muito pior do que um filme é capaz de mostrar. O Bráulio [Mantovani, roteirista do filme] veio aqui à Assembleia Legislativa, assistiu a todas as sessões da CPI, leu todos os depoimentos, conversamos inúmeras vezes. Ele me deu a chance de discutir o roteiro e acolheu várias sugestões. Tomei muito café da manhã no hotel onde o Irandhir [Santos, o ator que interpretou Diogo Fraga] ficava hospedado no Flamengo, debatendo as cenas e construindo as falas. O personagem é mesmo muito baseado em mim.

E como é que começou essa sua história? 
Eu sou lá de Niterói, da periferia, de um bairro chamado Fonseca. E eu sempre fui boleiro, era cabeça de área. E o único campo de futebol do Fonseca ficava dentro da cadeia. Todo domingo, eu e os meninos da favela, a Vila Ipiranga, alugávamos o campo da cadeia, você acredita nisso?

E seus pais deixavam você ir jogar bola na cadeia? 
Pois é, veja como as coisas mudaram. Imagina hoje um garoto de 15 anos falando: “Mãe, eu vou jogar bola com o povo da favela no campo da cadeia”. A mãe tem um treco. Mas, para mim, a hora mais feliz era aquela: ir jogar bola na cadeia todo domingo. A gente adorava. O juiz era sempre um preso, era o único campo de futebol onde ninguém chamava o juiz de ladrão. Como ninguém nunca quer catar, geralmente o goleiro era um preso também. Eu sabia que os caras estavam presos e tudo, mas não ligava, meu negócio era jogar futebol. E aí aquilo fica de alguma maneira dentro da gente.

E isso foi criando um interesse seu pelo sistema prisional. 
Exatamente. Depois fui fazer faculdade, entrei em economia e larguei quase no fim do curso para fazer história. Um dia, quando eu tinha 21 anos, estava na faculdade e vi um cartazinho muito vagabundo, que dizia “precisamos de estagiário para dar aula no presídio Edgard Costa”. Na hora eu soube que queria fazer isso.

Que história era essa de aula dentro da cadeia? 
Tinha duas celas desativadas lá – eram os bons tempos, em que você podia ter cela desativada, hoje está tudo superlotado. E tinha uma socióloga chamada Regina Brasil, que era agente prisional, que propôs à direção do presídio que ela construísse uma escola ali. A direção respondeu: “Desde que não gaste dinheiro e não me encha o saco, tudo bem”. Aí ela fez esse cartaz mambembe e eu fui um dos primeiros a chegar. Ela falou: “Mas aqui não tem remuneração, é para dar aula de graça. E é para montar tudo, não tem cadeira, não tem nem quadro-negro”. Só tinha o cartazinho. E eu trabalhei anos em presídio como voluntário.

“Minha luta por direitos humanos é antiga. o mandato é mais uma etapa”

E vivia do quê? 
Eu trabalhava num cursinho pré-vestibular. Mas em paralelo fui me envolvendo com organizações de direitos humanos que lidavam com prisões. Depois de dar aula, fui voluntário num projeto de prevenção ao HIV e à Aids e então virei pesquisador da área de segurança numa ONG chamada Justiça Global. E, como representante da Justiça Global, eu pertencia ao Conselho da Comunidade, que era um conselho de várias organizações de direitos humanos, previsto pela lei de execução penal. Entre 2000 e 2004, fui presidente do conselho, e aí visitei todas as prisões do Rio e passei a conhecer todos os presos pelo nome.

Todos? 
Ah, não vou dizer todos, mas eu conhecia muitos. Então, quando tinha uma rebelião, e rebelião sempre se faz com refém, o Bope ia me buscar em casa. Naquela época eu já era professor de história em cursinho. Teve vezes em que aconteceu exatamente como no filme. Eu estava dando aula e recebia uma mensagem pelo celular – “urgente” – e eu já sabia o que era e interrompia a aula. Eles precisavam ter alguém negociando os termos de rendição, para criar confiabilidade. Por anos, participei da negociação de todas as rebeliões que aconteceram no Rio. E, nesse tempo todo, nunca teve uma pessoa ferida, uma pessoa morta, nenhum problema. Nunca.

Arquivo Pessoal

Marcelo aos 4, todo pimpão com seu primeiro uniforme escolar

Marcelo aos 4, todo pimpão com seu primeiro uniforme escolar

Como eram essas participações nas negociações? 
Eu chegava ao presídio e recebia do Bope uma avaliação da situação. Qual era o perfil da cadeia, dos presos, quem eram os líderes, quantos reféns. Primeiro tinha que haver uma negociação entre mim e os negociadores do Bope, porque eu não podia falar uma coisa e o Bope fazer outra.

Vocês não pensavam igual, né? 
Não, mas eles sabiam que, se a negociação desse errado, depois seria impossível fazer outra. Até porque, se isso acontecesse, eu não estaria na próxima. E ninguém nunca mais se entregaria se eles faltassem com a palavra. Então eles não poderiam me usar pra ter a rendição das armas e depois fazer o que não estava combinado. E eu ia falar com os presos, garantia a eles que só sairia dali quando o último guarda saísse, que não teria esculacho, que não teria Carandiru – “Carandiru” era um termo sempre usado nessas situações.

Interessante o seu papel nessa história. Quando os presos não confiam no Estado e vice-versa, precisa ter alguém em quem os dois lados confiem, não é isso? 
Olha, os presos nunca me pediram nada. E eu quando fui candidato nunca visitei uma prisão pra pedir apoio. Nunca fui em uma favela onde eles tinham liderança para pedir voto. Nunca pedi um cotonete para esses caras. E eles nunca me pediram nada que não fosse dentro da lei. Sempre tiveram respeito absoluto. Essa relação de saber quem é quem era fundamental na hora de negociar, porque eu não era um deles. Eu não era sócio. Não tinha sacanagem, entendeu? Tanto é que tinha um guarda, que hoje é subsecretário, que nunca participou de esquema de propina e eles aceitavam que negociasse junto comigo. Já outros guardas que participavam de esquema eles não aceitavam, porque não tinham moral.

E você considera seu trabalho como parlamentar uma continuação dessa história? 
Sim, claro. A luta pelos direitos humanos é antiga, o mandato é mais uma etapa. As pessoas da equipe que trabalham comigo são as mesmas que se conheceram na luta. Quando me elegi, em 2006, foi um ano em que as milícias começaram a crescer muito. E quem conhecia as favelas no Rio já claramente identificava a milícia como algo muito perigoso e muito diferente do que a gente conhecia. E naquela época elas estavam buscando legitimidade. Eles já tinham vereadores eleitos e, quando me elegi, um miliciano foi eleito junto comigo [Freixo se refere a José Natalino Guimarães, do DEM, um policial civil que seria preso em 2008.]

Foi aí que você tomou a iniciativa de criar a CPI das Milícias? 
Foi. Logo no primeiro mês de mandato, procurei alguns parlamentares que eu achava que pudessem topar essa briga e ninguém aceitou assinar comigo. Eu compreendo, é mesmo um nível de enfrentamento muito barra-pesada. Mas para a gente estava claro que era preciso fazer isso. Porque, se for pra dizer que certas coisas eu não enfrento, é melhor não ter mandato. Se eu tenho mandato, eu não tenho o direito de negar as principais lutas, por mais que isso tenha consequências. E aí fiz esse pedido de CPI no início de fevereiro de 2007 e fiquei um ano e meio esperando. Eu não tinha mais esperança de que ela fosse aberta, porque a milícia tinha muita força na casa. Tinha muita força na sociedade.

Tinha certa legitimidade, não é? 
Muita. Além de ter miliciano ali dentro da Assembleia, o poder público não tinha interesse em enfrentá-las. O ex-prefeito chamava a milícia de “autodefesa comunitária”. Tem entrevista do atual prefeito no RJTV dizendo que as chamadas “polícias mineiras” eram um modelo de segurança. Os comandantes de batalhões diziam que a milícia era um mal menor, que ela ajudava a enfrentar o tráfico. Então havia uma construção de legitimidade do crime. Por isso que eu achava que era um crime ainda mais perigoso que o tráfico, porque era um crime que estava dentro do estado, que operava dentro da máquina pública, que crescia e que tinha todas as características de máfia: era extremamente violenta, extremamente bem armada, poderosa economicamente e com um projeto de poder.

E o tráfico não tem projeto de poder? 
Nem de perto. Não tem projeto nem de vida, quanto mais de poder. O varejo da droga é muito violento, mas eles não sabem nem o que é estado. Vivem uma relação de poder absolutamente local, enquanto o crime organizado é sempre internacional. Crime organizado é quem faz as armas e a munição chegarem para eles.

E esse cara nós não sabemos nem o nome dele, não é? 
Nem os garotos sabem. Quem está na favela não tem nem acesso a eles. Quantas vezes você acha que o Nem saiu da Rocinha? É provável que nenhuma. Quantas vezes ele saiu do Rio de Janeiro? A primeira vez foi agora, quando foi levado para o presídio federal. E esse é o crime organizado? Crime organizado é onde tem dinheiro e poder, não é onde tem barbárie. Crime organizado é feito por gente fina, elegante, mas não muito sincera. E as milícias, ao contrário do tráfico, operam nessa lógica. Elas são um fenômeno recente, que começou a surgir em 2000. 
A primeira reportagem que menciona a palavra “milícia” foi da Vera Araújo, no O Globo, em 2005. A Verinha depois foi ameaçada de morte, foi perseguida.

O que em si já demonstra a natureza diferente da milícia, não é? 
Traficantes não ameaçavam jornalistas de morte... Traficante nunca matou juiz no Rio. Traficante nunca ameaçou um parlamentar.

E nunca elegeu deputado. 
Imagina. O tráfico é “já é, nóis vai”, a milícia é “vossa excelência”. E a questão é que as milícias são donas de currais eleitorais, e por isso elas interessam a muita gente, a muitos políticos. A milícia se baseia em domínio territorial. De certa maneira, ela é fruto de um processo muito antigo de uma polícia violenta, corrupta, que serve a uma elite política corrupta. A ponto de a gente ter tido como chefe da polícia durante dois governos alguém que era o chefe das quadrilhas, o Álvaro Lins [que trabalhou nos governos de Anthony e Rosinha Garotinho e acabou preso em flagrante graças às investigações da CPI]. Então a polícia historicamente se caracteriza pelo domínio de territórios, principalmente onde o estado não chega através dos seus serviços.

Onde o Estado está ausente... 
Eu não gosto da teoria do estado ausente. O estado não é ausente. Ele é presente na zona sul de uma maneira e nas zonas norte e oeste de outra. Para a zona sul ele leva serviços. Nas favelas ele chega só através dos seus instrumentos de controle. Porque quando você fala de estado ausente parece que ele não tem o controle, o que não é verdade. O estado tem o controle, mas às vezes ele leiloa. A gente não tem estado paralelo no Rio, tem um estado leiloado. A propriedade é do estado, eu tomo de volta a hora que quiser expulsando os inquilinos. A UPP é a prova de que inquilino pode perder o seu prestígio. Todo vez que se desmonta uma rede de tráfico se descobre um caderninho, igual a esse seu de anotações. Precário igual. E sempre aparece lá a propina, o pagamento semanal. Sempre, não tem uma exceção. Se não pagar, para de funcionar.

E isso é o aluguel que o inquilino paga ao Estado. 
É. O tráfico é inquilino, mas não se vê como inquilino. “É nóis, né?”, e aí picha lá: “CV” [Comando Vermelho]. Já a milícia não pixa “milícia” – ela apresenta um distintivo. A milícia, assim como toda máfia, não se diz criminosa. Milícia vai à reunião no Palácio. Ela se candidata a vereador. Ela inaugura obra da Cedae [a empresa de águas e esgotos do Rio] ao lado do governador. Por que milicianos inauguram uma obra do estado? Porque eles eram a base do governo naquele local. E, ao mesmo tempo, eram o crime daquele local. Crime, polícia e política se misturam.

E é um domínio territorial. 
Sim, elas dominam territorialmente e militarmente. Mas, diferente do tráfico, a milícia não bota uma barricada, não impede a polícia de entrar. A milícia é a polícia. Ela domina as atividades econômicas. Por exemplo, a distribuição do gás: ninguém mais vende gás a não ser a milícia. A polícia do Rio achou um depósito em Campo Grande com 5 mil botijões de gás, que ocupava um quarteirão inteiro. Domina também o transporte alternativo, que é sua maior fonte de financiamento. Domina o gatonet [a instalação pirata de TV a cabo]. E cobra a taxa de segurança – que eu chamo de taxa-lhe-protejo-de-mim-mesmo. Mas o seu discurso é o da “ordem”, do combate ao tráfico, porque eles buscam a legitimidade, querem o poder, dialogam com o poder. Eles têm um projeto de estado. É diferente de quem nunca esteve no estado – nem nas suas escolas, nem na sua saúde. Eu não estou dizendo com isso que você não tenha que enfrentar o tráfico para enfrentar só a milícia. O que você não pode fazer é ficar escolhendo quem vai enfrentar. Crime é crime e tem que ser enfrentado. Hoje não estamos enfrentando quem é mais perigoso.

E a milícia reproduz as hierarquias do Estado? 
Não necessariamente. Tinha muito cabo, muito sargento dono de milícia, que empregava gente de patentes mais altas. É gente que vive nas comunidades e que já tinha relações antigas ali. Então eles dominam essas atividades econômicas que são extremamente lucrativas. Tivemos acesso ao faturamento só com o transporte alternativo de uma das milícias. Eles faturavam R$ 60 mil por dia. Esse dinheiro compra muita arma e muita gente – e serve para fazer campanha. O domínio territorial das milícias se transforma em domínio eleitoral. Todo miliciano é reconhecido pela sua capacidade de brutalidade, mas é também dono de um centro social e faz atendimento, o que é típico da máfia. É um braço de terror e outro braço de assistência.

“O estado não é ausente. Na zona sul ele leva serviços. Na favela, os instrumentos de controle. E o controle pode ser leiloado”

Como são esses centros sociais? 
São casas que oferecem atendimento odontológico e ginecológico, cabeleireiro, tiram documentos, fazem festas. E muitas vezes são conveniadas com o poder público, recebem dinheiro do estado. É mais do que um desleixo do poder público, é o poder público que se sustenta através do estado leiloado. Eu diria que, hoje, aqui na Assembleia Legislativa, 90% dos deputados têm centro social – o que não quer dizer que eles sejam todos milicianos, mas mostra o estado da democracia aqui no Rio.

E, quanto mais tempo esses centros sociais continuarem lá, mais difícil vai ser se livrar deles, não é? 
Até porque é diferente do tráfico. Para livrar-se do tráfico, o estado fala: “Vou botar uma UPP aí, a polícia vai entrar, saiam”. Mas você vai fazer o que com a milícia? A milícia é a polícia. O único jeito de combatê-la é com inteligência policial. Você precisa olhar para dentro da sua polícia, saber quem é quem, precisa de investigação. Nós conseguimos colocar mais de 500 milicianos na cadeia com a CPI, e claro que isso é importante. Mas tirar da milícia esse território e esse poder econômico é muito mais importante que as prisões, e isso não foi feito.

Divulgação

Fraga, o deputado do filme Tropa de Elite, mais do que inspirado em Marcelo Freixo

Fraga, o deputado do filme Tropa de Elite, mais do que inspirado em Marcelo Freixo

O poder delas então não diminuiu?
Na época da CPI eram 170 áreas dominadas pelas milícias, hoje são mais de 300. Porque apenas prender não elimina a milícia, inclusive porque ela continua comandando de dentro da cadeia. Hoje a milícia mata uma juíza, ameaça um parlamentar, tortura jornalistas. Ano que vem ela vai eleger gente para a Câmara dos Vereadores.

E como faz para combatê-las? 
Tem que ter vontade política de enfrentá-las, não basta vontade policial, não basta prender. Tem que tirar delas o domínio do transporte alternativo – o prefeito até agora não fez nada em relação a isso. Para isso, claro, o transporte público tem que funcionar. A Agência Nacional de Petróleo tem que fiscalizar a distribuição do gás – não fiscaliza. Milícia até hoje não é nem crime no Brasil. Se um membro é condenado, é por formação de quadrilha, tentativa de homicídio, homicídio, porte de arma... O projeto para criminalizar a milícia está tramitando desde 2009 no Congresso, mas ninguém tem interesse em votar. Em 2009, fui ao Congresso Nacional, em Brasília, para dizer que essa realidade era só do Rio, mas em breve seria nacional. Voltei agora em 2011 pra dizer “essa realidade já é nacional”. Porque o governo não fez p... nenhuma. O que leva o Rio de Janeiro a ter milícia não é uma exclusividade carioca. Polícia mal paga, polícia e política envolvidas em domínio territorial, clientelismo e assistencialismo político misturados: esses ingredientes você encontra no Brasil inteiro. Hoje tem coisa muito semelhante às milícias do Rio em muitos lugares do Brasil.

E, enquanto você está sozinho defendendo essas medidas, você fica numa posição muito frágil, não é? 
Se matam você, acaba o problema deles... Não, ainda tem alguns promotores, alguns poucos juízes. Tinha, por exemplo, a Patrícia Acioli.

Você conhecia a Patrícia? 
Eu tinha pouco contato com ela, mas admirava o trabalho que fazia. Ela me procurou na época da CPI, me pediu o relatório, que ajudou nas investigações dela. A morte dela, para mim, foi um baque muito forte, uma barreira que eles venceram. Quando os caras matam uma juíza, usando arma do estado e munição do estado, isso não é um descuido, é um recado. Prenderam o assassino e, no dia seguinte, o comandante do batalhão foi visitá-lo na cadeia. Então é uma afronta. É o crime organizado peitando, três anos depois da CPI. Isso não mostra enfraquecimento. Depois do crime, eu recebi o filho da Patrícia aqui. Ele estava muito emocionado e veio me falar que a mãe dele tinha votado em mim, que ela gostava muito de mim, que ele queria acompanhar o mandato e que ele só queria me pedir uma coisa: para eu não desistir. Isso foi muito forte.

“O que leva o Rio de Janeiro a ter milícia não é uma exclusividade carioca”

Mudou muito o modo como você encara o risco que está correndo? 
Muito. Acho que, no fundo, eu acreditava que era difícil eles fazerem alguma coisa comigo. Eu não achava que eles fossem capazes de fazer alguma coisa, porque a consequência ia ser muito grande, ia dar uma m... muito grande. Com a morte da Patrícia, isso em mim teve uma mudança radical.

E aí, logo depois, as ameaças contra você começam a se intensificar. 
Pois é. O assassinato dela foi em agosto, em outubro eu começo a receber uma ameaça atrás da outra, num ritmo que eu nunca tinha recebido. Foram sete num mês, duas por semana. Antes disso, tinham sido 20 ao longo de dois anos e meio. E aí mexe muito.

Foi aí que você resolveu sair do país? 
Sim, isso é importante esclarecer. As ameaças foram chegando e eu comecei a encaminhá-las para a Secretaria de Segurança, e não recebia nenhum retorno. Um dia, eu recebo uma documento num papel timbrado da coordenadoria de inteligência da polícia militar. Papel oficial, assinado, que falava de “informações contundentes de risco”, envolvendo o Carlão, que fugiu da cadeia e teria recebido R$ 400 mil do Tony para me matar.

E você conhecia essas pessoas? O Carlão e o Tony? 
Claro, foram indiciados por nós na CPI. O Carlão tinha acabado de fugir, pela porta da frente da cadeia. É gente poderosa, ele tinha um escritório dentro da detenção. Aí eu peguei o telefone e liguei para o Mariano [José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio], para saber que providência eles estavam tomando. O Mariano não sabia de nada. Um documento oficial de um órgão subordinado à secretaria, como é que o secretário não sabe? Isso foi um sinal claro para mim de que eles não estavam fazendo nada. Foi então que entrei em contato com o pessoal da Anistia Internacional, e eles se ofereceram para me tirar por uns tempos do Rio. E eu aceitei com três objetivos: primeiro, distensionar minha família. Segundo, reforçar minha segurança. Eu já tinha pedido antes, mas eles não estavam atendendo, não por má vontade, pura burocracia. Seria o tempo para trocar o carro, pegar um com uma blindagem melhor, o que foi feito. E, terceiro, denunciar que as milícias estão mais fortes e que essas ameaças que eu estou recebendo não estão sendo investigadas.

E aí veio a insinuação de que a história toda não passava de marketing político para lançar sua candidatura a prefeito. 
Sim. No segundo dia depois que cheguei à Espanha surge uma informação na mídia de que eu estaria indo para dar palestras numa agenda que já estava marcada. Uma coisa totalmente estapafúrdia. E aí o representante da Anistia teve que dar uma entrevista no rádio no Brasil para desmentir essa versão. E, conforme o Boechat [o jornalista Ricardo Boechat, da BandNews] disse no ar, essa história foi plantada pela própria equipe do prefeito. Para o prefeito fazer isso, ele deve estar incomodado com a minha candidatura.

“Minha campanha não tem dinheiro. Minha aliança é com a sociedade civil”

E como é a construção política dessa candidatura? É viável mesmo? 
Olha, é uma candidatura dificílima, porque a disputa é muito desigual. O Eduardo [Paes, atual prefeito, que busca a reeleição] tem 18 partidos ao lado dele, inclusive duvido que ele consiga lembrar os nomes de todos. Fora Fifa, COI, CBF. Então vai ter muita gente com muito dinheiro, muito recurso. Nós temos gente trabalhando de graça e ideias.

Vai ter um esforço de criar uma coligação, de atrair outros partidos?
A gente está muito empenhado no debate de programa. A grande aliança é com a sociedade civil. Quando o programa estiver pronto, no início do ano que vem, aí em cima da proposta de cidade a gente vê quem quer apoiar. Interessa muito o apoio da Marina Silva, que está num campo ético. Vou conversar com o Romário, por que não? O Romário tem sido um aliado nas brigas nossas contra a CBF. Estamos conversando com o Gabeira.

Arquivo Pessoal

os padrinhos no batismo do pequenino Freixo

os padrinhos no batismo do pequenino Freixo

Quem é que financia sua campanha? 
Ninguém. Não tem dinheiro. Se você pegar as contas, é de rir.

Ninguém? 
Tem assim um primo que deu um dinheiro, um militante que organizou uma festa. O cara pode ajudar com R$ 1 mil, que nas grandes campanhas não significam absolutamente nada, mas para a gente é um luxo. O José Padilha, que é um grande amigo, quer reunir um grupo de empresários que queiram ajudar.

E essa questão de financiamento de campanha, isso é o nó da política brasileira? 
Eu acho isso fundamental. O financiamento público de campanha é um passo importante, porque senão a eleição é mercado. Porque quem financia campanha não financia por simpatia, financia porque é negócio. Parte da sociedade ainda acha que é um absurdo gastar dinheiro público com campanha. Acontece que a gente gasta muito mais dinheiro público com financiamento privado, porque a fatura é alta. No nosso modelo político, o poder do dinheiro determina o resultado eleitoral e isso faz com que a eleição vire um grande negócio. Olhe para as empreiteiras. Quando você vê o Eike Batista ter uma isenção enorme do governo Cabral e depois contribuir com a campanha dele com exatamente 1% do valor que ele teve de isenção, você vê o que a eleição virou.

E um setor que tem poder econômico no Brasil é o tráfico de drogas.
O tráfico de drogas, de armas...

Você acha que tem dinheiro do tráfico de drogas e de armas nas campanhas eleitorais pelo Brasil? 
Não tenho a menor dúvida. Olha só, todo grande negócio precisa de força política, seja lícito ou ilícito. O crime é um grande negócio. O crime não é feito por um desvio de personalidade, alguém que apanhou muito na infância. Ele está dentro da lógica do capital, do investimento, do lucro. E todo grande negócio precisa ter trânsito no Congresso, no Senado, nos ministérios.

Como você vê a política de drogas no Brasil? Como resolve esse problema? 
A lógica repressiva às drogas é uma catástrofe no mundo. O resultado da política de repressão das drogas é o aumento do consumo e da violência. Esse é um debate fundamental de caminhar para o campo da saúde. Enquanto for ilegal esse é um debate exclusivamente policial e isso é uma barreira gigantesca. Eu sei o problema que é. Perdi muitos amigos por conta de drogas. Quem tem alguém drogado em casa sabe o drama que é.

Seja crack ou seja álcool? 
Seja o que for, pode ser droga legal ou ilegal, não dá para ser insensível. A gente só vai ganhar esse debate na hora que a sociedade entender, inclusive os setores mais conservadores, que esse não é um discurso de estímulo à droga. Não pode ser um debate assim: eu sou progressista e você é moralista. Quem ganha com isso é o comércio ilegal.

E agora você está terminando uma nova CPI, não é?
Desta vez para investigar o comércio de armas. Vai fazer tanto barulho quanto a das milícias? É uma CPI diferente. Desta vez, não vai ter indiciamentos, até porque o estado nem sequer sabe quem são as pessoas envolvidas. Há dez anos nenhum traficante de armas é preso no Rio de Janeiro, apesar da quantidade absurda de armas que tem por aí. Desta vez vai ser uma CPI muito propositiva no que diz respeito às falhas do poder público no comércio ilegal de armas. Porque o comércio de drogas já nasce ilegal. Arma não. A arma é produzida na fábrica, de maneira legal, só depois uma parte grande da produção é desviada para o comércio ilegal. E o estado tem um descontrole absoluto. Exército não troca informação com polícia federal, que não troca com a polícia civil. Não compartilham dados, não produzem inteligência. A gente quer apontar o que poderia ser feito. É uma CPI pedagógica. Aliás todo meu mandato a gente acha que tem um caráter pedagógico, de construir um novo olhar e uma nova compreensão sobre as coisas. De não achar que o jeito como as coisas são é natural ou que é impossível mudar.

 

Bravo Nassif,

Mesmo com a percepção de que o tema "trabalho escravo" é meio que um tabu aqui no blog, eis uma notícia relevante - pois envolve política e o Judiciário - trazida pelo hoje multi-comentado PHA.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/02/25/gilmar-e-o-trabalho-e...

Gilmar e o trabalho escravo.
Joaquim Barbosa sempre soube

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Ribeiro (PR-TO) e Inocêncio (PR-PE): Gilmar estava lá

 

 

 

Saiu no Estado de Minas:

 

Senador João Ribeiro é processado no STF por escravidão

 

Ministros acatam denúncia contra o senador do PR por exploração de mão de obra em condições ultrajantes

 


Diego Abreu

 


Eleito com 375 mil votos em 2010, o senador João Ribeiro (PR-TO) passou nessa quinta à condição de réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por explorar a mão de obra de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Os ministros da Suprema Corte aceitaram a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a acusação, 35 funcionários da Fazenda Ouro Verde, de propriedade de João Ribeiro, em Piçarra (PA), teriam trabalhado em condições degradantes.

 

(…)

 


A denúncia formulada em 2004 teve como base uma inspeção realizada em fevereiro do mesmo ano por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho na fazenda de Ribeiro. O fato foi descoberto a partir de informações prestadas por um trabalhador à Comissão Pastoral da Terra de Araguaína (TO). A fazenda está localizada no Pará, próximo a divisa com Tocantins.

 


Por sete votos a três, os ministros aceitaram a denúncia contra o senador e também contra Osvaldo Brito Filho, apontado como administrador da propriedade. Prevaleceu o voto da relatora do processo, a ex-ministra Ellen Gracie, que, em outubro de 2010, votou pela abertura da ação penal. Na ocasião, Gilmar Mendes pediu vista do inquérito. Na retomada do julgamento ontem, a ministra Rosa Weber ficou impedida de participar, uma vez que ela substitui no STF exatamente Ellen, aposentada no ano passado.

 


Em plenário, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ayres Britto, Celso de Mello e o presidente do STF, Cezar Peluso, seguiram o voto da relatora. Todos se posicionaram pela abertura da ação penal pelo crime de redução de trabalhador à condição análoga à de escravo, cuja pena varia de dois a oito anos de prisão. No entanto, em relação ao crime de aliciamento de menor, o placar foi de seis a quatro, uma vez que Peluso entendeu que não houve essa prática. “Como proprietário da fazenda, (João Ribeiro) sabia que não existia estrutura para alojamento (…). Os trabalhadores viviam na sua fazenda como bichos e não como seres humanos”, afirmou Joaquim Barbosa.

 


De acordo com a denúncia, os trabalhadores da fazenda foram contratados para jornadas de 12 horas diárias, de segunda a sábado, e trabalhavam até o meio-dia aos domingos. Os fiscais verificaram que eles dormiam “em ranchos cobertos com folhas de palmeiras, abertos em suas laterais, sendo que um deles foi montado sobre um lugar úmido e insalubre”. A PGR relata também que não havia sanitários nem água filtrada na fazenda e, ainda, que os trabalhadores não tinham condições financeiras de deixar a fazenda para se locomoverem até seu local de origem, uma vez que pagavam pela alimentação.

 


Questão trabalhista

 


O ministro Gilmar Mendes, porém, discordou da denúncia, sob o argumento de que em nenhum momento ficou evidenciado que haja indícios de que os trabalhadores ficaram privados do direito de ir e vir. Mendes admitiu que pode ter havido uma “irregularidade trabalhista”, mas jamais uma situação análoga à de escravo. “Se for dada à vítima a liberdade de abandonar o trabalho, rejeitar as condições supostamente degradantes, não é razoável pensar em crime de redução à condição análoga ao trabalho escravo”, destacou. Os ministros Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello seguiram o voto de Mendes.

 


(…)

 


Saiu no JusPODIVM:

 

STF rejeita denúncia contra deputado Inocêncio Oliveira

 


Alexandre Machado

 


O Supremo Tribunal Federal decidiu, hoje, arquivar o inquérito (Inq 2054) contra o deputado federal Inocêncio de Oliveira pela suposta prática de delitos contra a liberdade e contra a organização do trabalho – em outras palavras: trabalho escravo. A decisão foi por maioria. Apenas o ministro Joaquim Barbosa se convenceu de que deveria ser recebida a denúncia do Ministério Público contra o parlamentar. A decisão é mais uma a encorpar a estatística de ações promovidas pelo Ministério Público e arquivadas por serem consideradas ineptas pela corte constitucional brasileira.

 


O ministro Gilmar Mendes foi quem chamou atenção para o fato. Até agora, o Supremo considerou cerca de oitenta por cento das denúncias ineptas. De cinqüenta e nove apresentadas, 40 foram para o arquivo. Apenas 19 tiveram continuidade. O julgamento de hoje foi mais um caso em cinco anos.

 


O julgamento, porém, passou pela discussão de vários temas. O inquérito retornou ao plenário do Supremo depois de pedido de vista de Joaquim Barbosa em fevereiro de 2005. Até então, a relatora do processo, ministra Ellen Gracie, decidira pelo arquivamento. Eros Grau acompanhou a ministra.

 


No voto-vista, o ministro Joaquim Barbosa divergiu da relatora, que havia aplicado ao caso a súmula 524 do Supremo. O texto da súmula é: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas”.

 


Para Barbosa, não incidiria no caso. Isso porque o arquivamento do procedimento administrativo teria se restringido a uma questão interna corporis, sem que houvesse participação do Judiciário. Dessa forma, não estaria impedido de haver a “reabertura do caso”.

 


Cronologicamente, primeiro houve uma vistoria por parte de auditores fiscais do trabalho na Caraívas (MA) de propriedade de Inocêncio de Oliveira. Foram encontradas diversas irregularidades. Os fatos acabaram nas mãos do, à época, procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.

 


Ele decidiu, por via administrativa, pelo arquivamento. Segundo apontou, o responsável pela administração da fazenda era um homem nomeado por Inocêncio. O que, para Brindeiro, mostraria no máximo culpa, e não dolo, por parte do deputado. Como não há um tipo penal para a conduta culposa na situação do parlamentar, considerou-se a atipicidade do fato. No entanto, quando Cláudio Fonteles assumiu como titular da Procuradoria Geral da República, decidiu pela reabertura do procedimento.

 


(…)

 


Para o ministro Gilmar Mendes, da corrente majoritária, o requerimento de arquivamento é uma ficção, já que, havendo o pedido, o tribunal está “adstrito” a atender a demanda do MP. Dessa forma, Gilmar afirmou que, na substância, o caso de Inocêncio era igual ao precedente invocado por Ellen Gracie para decidir o arquivar o caso – o inquérito 2028, contra o Senador Antonio Carlos Magalhães. “A atuação do Supremo no caso é prestar publicidade à decisão do procurador-geral”, disse Mendes.

 


Contudo, os ministros não encerraram o caso aí. Eles entenderam que, dentro da reabertura proposta por Cláudio Fonteles, haveria a possibilidade de terem surgido novas provas – nos termos da súmula 524. Assim, apesar de considerarem já arquivado o caso, consideraram a chance de novas provas poderem ter sido levada aos autos.

 


(…)

 


Condenação trabalhista

 


Em contrapartida, o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (Maranhão) condenou Inocêncio Oliveira por trabalho escravo em 7 de fevereiro deste ano. Pela sentença, o deputado terá de pagar R$ 130 por dia trabalhado a cada trabalhador explorado. A conta começa desde a época da fiscalização do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho, feita em 2002. Os valores deverão ser calculados pelo TRT e corrigidos monetariamente. O deputado ainda terá de pagar indenização por dano moral. Os advogados do deputado disseram que devem recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho.

 


O deputado já havia sido condenado em primeira instância em 2003 pelo juiz do Trabalho do Maranhão, Manoel Lopes Veloso. A sentença impôs o cumprimento de várias exigências, como oferecer condições mínimas de trabalho, pagar salário-mínimo e oferecer água potável aos trabalhadores.

 


Inq. 2.054

 

 


 

 



 

Prezado Nassif,

Imagina se isso é feito por todos os países e tributar todas as igrejas de todas as religiões ? Seria o equivalente ao PIB de que país, por ano ?


 
Itália vai cancelar isenção tributária da Igreja
 

ROMA, 24 Fev (Reuters) - O governo italiano anunciou nesta sexta-feira medidas destinadas a acabar com as isenções tributárias para propriedades comerciais pertencentes à Igreja Católica, o que deve resultar numa arrecadação adicional de até 600 milhões de euros.


O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, incluiu essa medida, que afeta também outras organizações não-lucrativas, em um pacote mais amplo de desregulamentação que atualmente tramita no Parlamento da Itália.


A Igreja é dona de muitos hospitais, hotéis e pensões, que gozam de isenção tributária por serem parcialmente ocupados por freiras e padres, ou por terem uma capela. A nova lei elimina essa brecha, que isentava de impostos muitos estabelecimentos predominantemente comerciais.


Em dezembro, Monti pediu aos italianos que fizessem sacrifícios para salvar o país da crise da dívida na zona do euro. Em 48 horas depois da aprovação do pacote, mais de 130 mil pessoas aderiram a uma petição pela Internet exigindo o fim dos privilégios tributários para a Igreja.


O pacote deve ser votado na semana que vem pelo Senado e deverá, depois, seguir para a Câmara.


(Reportagem de Steve Scherer)

 

Seria um paraiso!  No entanto, nao se surpreenda muito se o Brasil se tornar o ultimo pais do mundo a taxar religiao.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Sonia Racy

 

Liberado

 

25.fevereiro.2012 12:29:29

 

Kassab acaba de ser avisado. A Justiça cassou liminar que suspendia projeto Nova Luz da Prefeitura de São Paulo. ” Vamos poder agora tocar o processo do edital e licenciamento ambiental”, comemorou o prefeito. O projeto visa revitalizar a região central da cidade.

 

http://noticias.terra.com.br/brasil/

Congresso e Planalto querem aumentar pesquisa em biodiversidade
25 de fevereiro de 2012 11h53

 

Três projetos de lei que alteram as regras de acesso à biodiversidade para a pesquisa básica, de caráter acadêmico, e para a pesquisa com finalidade comercial tramitam no Congresso Nacional. Anteprojeto com teor semelhante está na Casa Civil da Presidência da República. Mas especialistas ouvidos pela Agência Brasil consideram as regras atuais, descritas na Medida Provisória (MP) 2186-16/2001, um empecilho para a realização de estudos e criação de produtos que tenham origem ou patrimônio genético.

Para Célio Cabral, gerente de Inovação do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), vinculado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a legislação acabou sendo "danosa" para a segurança genética no Brasil. Cabral reclama que a autorização para pesquisar e desenvolver produtos é "complicadíssima", "demorada", além de "muito burocrática".

Segundo ele, isso faz com que empresas estrangeiras, que não respeitam as regras nacionais, consigam patentear produtos criados a partir de substâncias encontradas na flora brasileira. "Se uma indústria internacional vem aqui, pega (ilegalmente) uma substância, sai do Brasil e desenvolve essa pesquisa lá fora, consegue requerer a proteção dentro do seu país", afirmou.

Esse é o caso, por exemplo, da copaíba, cujo óleo é extraído de uma árvore existente na Floresta Amazônica e usado para mais de 50 finalidades medicinais e fitoterápicas. Dados apresentados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que, entre 2000 e 2009, 17 patentes com copaíba foram depositadas pelos Estados Unidos e nenhuma pelo Brasil. No entanto, neste período, pesquisadores brasileiros publicaram 76 artigos científicos sobre a copaíba.

"Nós temos a biodiversidade, mas quem vai produzir o medicamento em cima dos elementos biológicos e genéticos serão os países que têm velocidade de pesquisa e financiamento suficiente para fazer isso", lamenta o presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges. Cabral defende uma revisão "urgente" do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen), responsável pela liberação das pesquisas.

O diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Paulo Sergio Lacerda Beirão, diz que o Cgen funciona como um plenário e "não tem agilidade", o que agrava os defeitos da legislação. "A lei (MP 2186-16/2001) é confusa e não está muito claro para o pesquisador quais são os procedimentos para pedir autorização para realizar estudos", ressalta.

As críticas à legislação fizeram com que avançasse no governo a elaboração de uma proposta de lei para substituir a MP. A proposta, discutida entre cinco ministérios, está na Casa Civil e deverá dar segurança jurídica a cientistas e empresas que façam pesquisa básica e pesquisa comercial com patrimônio genético, destaca o secretário interino de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros.

Segundo ele, "o novo marco legal vai facilitar o planejamento das pesquisas", estabelecendo prazos menores de tramitação para projetos de pesquisadores e de empresas e dando garantias de benefício às populações tradicionais que detenham algum conhecimento associado ao recurso genético em investigação.

João de Deus espera que a proposta seja enviada neste semestre ao Congresso, embora ainda não saiba se será em forma de projeto de lei ou de medida provisória. No Senado, já tramitam os projetos de lei 583/2007, que cria a a Fundação Instituto de Pesquisa da Biodiversidade Brasileira (Biobras), para desenvolver pesquisas de bioprospecção; e 440/2011, que cria a Empresa para Gestão e Licenciamento de Pesquisa no Bioma Brasileiro (Emgebio), para gerir o licenciamento de pesquisas nos biomas brasileiros e controlar patentes.

Além desses projetos, tramita simultaneamente na Câmara e no Senado projeto que cria o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Pela proposta, formulada por 17 instituições ligadas à pesquisa, o acesso a amostras do patrimônio genético e de conhecimento tradicional não precisará de autorização prévia, como ocorre hoje. A exploração comercial, no entanto, dependerá de permissão do Cgen.

 

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Cultura25/02/12 | 06:15 Compartilhe9“A sociedade caminha para relações amorosas múltiplas”, diz psicanalistaArquivo Pessoal

Regina Navarro Lins: "Daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais pelo gênero" | Foto: Arquivo Pessoal

Rachel Duarte

Há no mínimo cinco mil anos o sexo é algo reprimido na sociedade. Em pleno século 21, diante do aumento da exposição da intimidade e das preferências sexuais, o tema ainda mexe com valores culturais e morais a ponto de manter preconceitos. Psicanalista há 38 anos e autora de mais de dez livros sobre o assunto, a carioca Regina Navarro Lins conversou sobre amor e sexo com o Sul21.

Para a psicanalista, os valores tradicionais de relacionamento não estão dando mais respostas satisfatórias e, com isso, se abre espaço para uma nova forma de viver. “Daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais pelo gênero homem ou mulher”, diz. Ela afirma, ainda, que o cavalheirismo é um retrocesso para o feminismo, uma vez que reforça a ideia de que a mulher é frágil e incompetente, necessitando de proteção do homem.

Com nove anos de site sobre relações amorosas e sexuais, ela recortou os principais desejos da maioria das pessoas e defende que traição não está relacionado a relações extraconjugais. “Eu não tenho dúvida, que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas se elas entendessem que o que o outro faz quando não está comigo e não me diz respeito”, afirma.

Sul21 – A senhora tem dez livros sobre amor e sexo. Está prestes a lançar mais um este ano. Como você diferencia o amor e o sexo, já que da atração sexual surgem amores, assim como, pessoas podem amar outras que inicialmente não se sentiam atraídos?

Regina Navarro Lins – Amor e sexo são totalmente distintos. Você pode sentir tesão por alguém e não sentir amor por esta pessoa. Não necessariamente do tesão nasce o amor. Pode acontecer. Assim como você pode amar alguém e não ter tesão por esta pessoa. Isso acontece em muito casamentos. As pessoas se amam, gostam de estar juntas e ter projetos a dois e uma vida conjunta, mas não sentem tesão um pelo outro. Por isso, digo que são duas coisas totalmente distintas.

Sul21 – Manter o tesão pela mesma pessoa que se ama ou se convive há muito tempo é a forma de se manter fiel?

Regina Navarro Lins - O maior problema dos casamentos é o sexo. No casamento é onde menos se faz sexo. Há vários motivos. Podemos falar da excessiva familiaridade, excessiva intimidade, mas eu acredito que existe um grande vilão nesta história que ninguém fala: a exigência de exclusividade. O casamento se presta muito ao desenvolvimento de uma dependência emocional mútua. Isto porque, nós saímos do útero da mãe e somos tomados pelo sentimento de falta e desamparo. Além de vivermos em uma cultura onde se acena o tempo todo que vamos encontrar a alma gêmea, a outra metade da laranja, alguém que nos completa e outras mentiras do mito do amor romântico. Isto tudo como se você pudesse, na relação com outra pessoa, ficar livre desta sensação de abandono. Por isso repetimos o comportamento que temos quando somos crianças, de possessividade em relação à mãe para que ela não nos abandone. Se a mãe não der cuidados emocionais ou atenção, a criança morre. Quando o adulto cresce e entra na relação amorosa, ele reedita o mesmo vínculo primário que tinha com a mãe e se torna possessivo, ciumento, controlador. Então, no casamento as pessoas depositam um no outro a ideia de que não irão mais ficar sozinhas, desamparadas. Nisso se desenvolve a dependência emocional mútua. Se você sabe que o outro depende de você, que tem pavor de te perder, não há mais conquista ou sedução. A exigência de exclusividade acaba com isso, deixamos para amanhã… E vamos  nos tornando amigos e irmãos e não tendo mais tesão.

O amor romântico é calcado na idealização. Você olha para uma pessoa e vê nela algo que ela não é e passa a vida tentando transformá-la.

Para você viver uma relação amorosa e um bom casamento, as pessoas precisam reformular as expectativas que elas alimentam a respeito da vida a dois. Regidos pelo mito amor romântico, as pessoas acreditam que vão se transformar numa só, que todas as necessidades serão satisfeitas pelo outro, que quem ama não tem tesão por mais ninguém, que só se tem olhos para o companheiro. Aí se abandona os amigos e outros interesses.

Sul21 – As pessoas devem te perguntar a receita mágica de como ser feliz no amor. O que você responde?

Regina Navarro Lins - Pode ser ótimo se não tiver controle de um e de outro, liberdade de ir e vir, não ficar sabendo onde o outro anda e se está transando com outra pessoa. As pessoas respeitarem a liberdade um do outro. A questão da simbiose é só entre bebê e mãe. Não se pode reeditar isso na vida adulta. Se for reformulada as expectativas e não ficar controlando a vida do outro, se transou ou não transou com outra pessoa, é melhor. A exigência da exclusividade é algo que vira obsessão para as pessoas. A maioria das pessoas vivem com a neura dessa preocupação. A palavra traição, para mim, não tem nada a ver com relação extraconjugal. Ninguém tem que se preocupar se o parceiro transou ou não com alguém. Tem que ser perguntar: Eu me sinto amado(a)? Me sinto desejado(a)? Se a resposta for sim para as duas perguntas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta. Eu não tenho dúvida que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas.

Sul21 – Pela pesquisa que a senhora fez para um de seus livros, 73% dos que responderam dizem ter desejo por sexo a três e 80% diz que não considera o casamento fundamental. Levando em conta que todos disseram a verdade, temos uma mostra de que a sociedade está se direcionando para relacionamentos mais liberais. Voltaremos à década de 60?

Regina Navarro Lins – A mentalidade começou a mudar depois da pílula anticoncepcional, mas em 60 e 70 ainda eram grupos pequenos a mudar a sua visão, era o movimento gay, movimento hippie, poucas pessoas. Eu acredito que, com o tempo, menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e mais pessoas vão optar por relações múltiplas e variadas. A mudança das mentalidades é lenta e gradual. A exigência da exclusividade também está mudando. Como eu trabalho com isso eu fico atenta aos sinais. Observando as casas de swing, que aqui no Rio de Janeiro tem muitas e Porto Alegre também tem algumas. Eu inclusive fui conhecer o Sofazão, mas dei azar porque fui em um dia que só tinha três casais fazendo sexo em uma sala.

As pessoas não assumem moralmente seus desejos, mas os tem

Eu trabalho com casais no consultório. E você não imagina a quantidade de casais que chegam com aparência de conservadores, com filho pequeno e que todo final de semana vai para casas de swing. Neste caso específico, a mulher transa mais que o homem com outras pessoas. Tem outro casal, uma médica de 39 anos e um marido de 35, que planejam ter filhos e tudo, e que ele insiste que ela vá em uma casa de swing, diz que quer ver ela com outro homem. Mas estas pessoas jamais contaram isso para amigos. Então, de repente a pessoa que trabalha ao teu lado aí na redação pode ter estes desejos e você nem imagina olhando para ele. Entendeu como funciona? (risos)


A atriz Leila Diniz escandalizou a tradicional família brasileira ao exibir sua gravidez em 1971 | Foto: Reprodução

Tem pessoas que fazem terapia e também não contam. Vem se tratar comigo de forma paralela ao terapeuta. Isto é um sinal de que as mentalidades estão mudando. Assim como se tornou natural as moças não casarem virgem de uma época para outra, o que na década de 60 isso era impensável. Eu conheço uma moça que teve que fazer plástica na vagina para casar “virgem”.

A sociedade está preparada hoje para essa mudança? Eu digo que tanto quanto estava na época em que moças só casavam virgens. Quando olhamos, as coisas já aconteceram. A separação também era um escândalo. As mulheres separadas eram discriminadas, era um horror ser desquitada. O mesmo quando a Leila Diniz abriu caminho para a exposição das barrigas das grávidas. Tudo é um processo que só se percebe quando se conclui, aí está transformada a realidade.

Sul21 – Então, a senhora afirma que a monogamia está com dias contados?

Regina Navarro Lins - Eu não tenho a menor dúvida. Cada vez as pessoas começam a ter relações extraconjugais mais cedo e o número de mulheres que tem relações extraconjugais é igual aos homens, se não maior. Já atendi mulheres que têm o mesmo tempo de relação com o marido e com o amante há dez ou 20 anos. Só que não contam para ninguém. A diferença é que os homens contam, porque sempre foi permitido culturalmente a ele ter mais de uma mulher. A mulher não podia porque tudo estava relacionado à procriação. Quando o patriarcado surgiu, há cinco mil anos, surgiu a propriedade privada. As mulheres foram trancadas porque os homens tinham medo de deixar a herança para filhos de outros homens. Já eles podiam ter filhos com outras mulheres. Então, não tenho dúvida de que ainda vamos assistir a muitas mudanças, mas até a maioria das pessoas optarem por relações múltiplas levará 20 ou 30 anos. Não é algo para o próximo verão.

Sul21 – Isto significa dizer que outros valores constituídos pela sociedade conservadora também irão modificar, como o próprio casamento? Segundo o IBGE há um crescente no número de casamentos. Isso não é um sinal de que o amor romântico ainda é uma busca da humanidade?

Regina Navarro Lins – Quando eu fiz a minha pesquisa eu estudei estes dados do IBGE. Este crescimento é constituído por casamentos coletivos, sem cobrança de taxas, recasamentos e não o aumento decasamentos pela primeira vez. São dados gerais e variáveis. Eu aponto tendências. Haverá pessoas que vão continuar se casando. Mas eu acredito que cada vez mais pessoas vão se dar conta que é possível amar mais de uma pessoa. A grande vantagem do momento em que vivemos é cada um escolher a sua forma de viver. Não acho que tenhamos que substituir um modelo por outro, o importante é não ter modelo. A medida que os modelos tradicionais não forem servindo para as pessoas, elas vão poder escolher outras formas de viver. Se você quiser ficar numa relação durante 30 anos e só fazer sexo com essa pessoa, pode. Quem quiser três parceiros também pode. Eu aposto na liberdade como forma de viver.

Sul21 – De nove anos de site sobre amor e sexo você conseguiste fazer dois livros: “A Cama na Rede” e “Se Eu Fosse Você”. Como foi isso?


Livro "Se eu fosse você", de Regina Navarro Lins. Editora Best Seller | Foto: Reprodução

Regina Navarro Lins – O livro tem o nome da ideia do site, que era “Cama na Rede”. Na época, quando começou o boom da internet, um investidor me procurou porque desejava investir no site. O conteúdo era exclusivamente sobre relacionamento amoroso e sexual. Os dois livros foram links que fizeram muito sucesso na rede. Eu lançava perguntas de situações hipotéticas. A pergunta mais respondida foi se as pessoas tinham vontade de fazer sexo a três. Quase 1,5 mil pessoas responderam que sim. E eu lancei a pergunta devido aos inúmeros emails que eu recebia pedindo por este tema. Eu fiz dois livros a partir deste site, mas o conteúdo poderia gerar inúmeros livros.

Sul21 – O quanto e como a era da internet está influenciando nas transformações das relações amorosas e sexuais?

Regina Navarro Lins – A internet está mudando o mundo todo. As pessoas nem se dão conta das mudanças. Mas as relações têm mudanças absurdas, como as relações à distância sendo cultivadas de forma muito mais próxima. As redes sociais da internet estão no dia a dia do nosso trabalho, inclusive nas relações amorosas e sexuais. Na questão dos parceiros múltilplos tem a influência da internet. Você usa o chat para conversar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e se você não gosta de qualquer coisa você deleta e acabou. Na vida real você sai para jantar com alguém para conhecê-lo e se ele for uma mala, você tem que esperar a noite toda para ir embora. Na internet não. Assim se transfere para a vida real.

Sul21 – Os desejos que expressamos diante da tela do computador são reais, mas nem sempre assumidos na vida fora do computador. Há de fato uma transferência do modo de se relacionar na internet para as relações presenciais?


Livro "A cama na rede" expõem verdades difíceis de assumir publicamente. Editora Best Seller | Foto: Reprodução

Regina Navarro Lins – Isto vai sendo absorvido para a vida real. Mas não é só isso que influenciou para o desejo de ter relações múltiplas. O amor romântico surgiu no século 12 e nunca foi permitido no casamento. O amor entra como possibilidade no casamento no século 19, mas, passou a ser um fenômeno de massa a partir de 1940 quando todos passaram a querer casar por amor. A influência de Hollywood ajudou. O amor é uma construção social. Para o último livro que escrevi, O Livro do Amor, que será lançado em junho, pesquisei da Pré-História, passando por Grécia, Roma, Idade Média, Renascença, Iluminismo, Século XIX, Século XX, e século XXI. Serão dois volumes. O amor é uma construção social que muda conforme a época. Hoje, as pessoas vivem que o amor é sempre o mesmo, ou seja, amor romântico. Mas este tipo de amor só existe no Ocidente e está dando sinais de sair de cena. Hoje existe uma grande busca da individualidade e não tem a ver com egoísmo. As pessoas não estão a fim de abrir mão dos seus projetos pessoais. Então, o amor romântico prega exatamente o oposto disso: a fusão das almas gêmeas, os dois se transformarem em um só. A grande viagem do ser humano hoje é estar dentro de si mesmo. É saber das suas potencialidades. E o amor romântico prega que você se feche na relação com uma pessoa.

O amor romântico dá sinais de que irá sair de cena e irá levar com ele uma das suas características básicas: a exclusividade sexual.

Sul21 – O sexo é uma das coisas mais procuradas na internet. Que análise a senhora faz desta relação de procura e oferta?

Regina Navarro Lins – Primeiro: o sexo é uma coisa muito boa e há dois mil anos é reprimidíssimo. Desde o advento do cristianismo é visto como algo sujo e, apesar das mudanças de hoje, ainda há muitos preconceitos. Há mulheres, por exemplo, que ficam de beijos ardentes, mas na hora de ir para cama dizem que não transam no primeiro encontro. Ela não transam não porque não estão com tesão, e sim por submissão ao homem, com medo de que ele não irá ligar no dia seguinte. E por ai vai. O sexo é usado para outros objetivos que não o prazer sexual. Continuidade da relação, conquistar alguma coisa. Enfim, a repressão ainda é grande. A internet rompe com alguns destes preconceitos. Antigamente os homens compravam as revistas Playboy como única possibilidade. Agora você tem tudo disponível na internet. Na medida em que o sexo começar a ser percebido como algo bom, natural, que faz bem, as pessoas irão fazer sexo de mais qualidade. Isto não impede que você de ter desejo de querer ver pessoas transando. E na internet você pode combinar de se relacionar em encontros casuais. Tem estudos que comprovam que as mulheres se excitam tanto quanto os homens ao ver os órgãos genitais dos homens.

Sul21 – Apesar das transformações da sociedade atual, a igualdade de gênero ainda é uma busca das mulheres. Há uma parcela feminina que ainda espera o homem abrir a porta do carro, pagar a conta do motel. Cavalheirismo e romantismo tem influência negativa para o feminismo?

Regina Navarro Lins – No meu livro, a pesquisa respondida pela internet mostra que 69% acham que as mulheres deveriam dividir a conta do motel. Eu tenho amigas psicanalistas falando que dividem tudo, menos a conta do motel. É uma ideia ainda que a mulher é objeto e o homem tem que pagar. É a origem da prostituição. As mulheres eram tão oprimidas que, com o seu corpo, satisfaziam as necessidades masculinas e ganhavam presentes em troca, roupas ou comida. Há mulheres que usam como argumento o fato de que elas já gastam com depilação e demais cuidados estéticos, então não devem dividir o motel. Quer dizer, as mulheres querem os benefícios da emancipação feminina e não querem o ônus dessa emancipação. Porque não dividir a despesa de motel se o homem e a mulher vão ter prazer?

Quanto ao cavalheirismo, é péssimo para a mulher. Gentileza é algo que homens e mulheres podem e devem ter. Agora, esperar que o homem abra porta do carro ou puxe a cadeira para a mulher sentar é reforçar a ideia de que a mulher é incompetente, afinal, foi assim que ela foi considerada durante milênios. Está embutida a ideia de que a mulher é inferior, frágil, que não pode administrar aspectos simples da vida.

Sul21 – O sexo e a moral ainda geram muitas contradições nas práticas da sociedade. Religiosos praticam pedofilia, pais de família buscam travestis nas calçadas, enfim. Porque sexo ainda é tão polêmico e mexe tanto com as pessoas?

Regina Navarro Lins – Por conta da repressão. Uma criança na nossa cultura nasce e cresce aprendendo que toda a ofensa está ligada a sexo. Não tem um xingamento que não seja ligado a sexo. Então, sempre quando se quer ofender alguém se fala de sexo. Já crescemos com o sexo como algo sujo. No caso da homossexualidade, durante muito tempo foi um preconceito horrível. A homossexualidade já foi considerada pecado, crime, doença. O século 18, a homossexualidade e a masturbação eram consideradas abomináveis. Em 1973, a associação médica americana tirou a homossexualidade da categoria de doença. Mas, ficou arraigado a ideia de que tudo que não levasse a procriação era pecado. A pílula anticoncepcional dissociou o sexo da procriação e o aliou ao prazer. Até o movimento gay se beneficiou com a pílula, na medida em que a prática hétero e homo se aproximaram, ambas visando o prazer. Mas, tudo é um processo. Ainda estamos caminhando. Tem muito preconceito, mas os gays já ganharam mais espaço e vão ganhar mais ainda. Acredito que a tendência seja a bissexualidade. O patriarcado dividiu a humanidade em duas partes: o masculino e o feminino. O ideal masculino é força, sucesso, poder, coragem, ousadia. Mulheres, por outro lado, são doces, meigas, cordatas, submissas. Na derrocada do patriarcado com a chegada da pílula, onde as mulheres passam a gerenciar a reprodução, houve o golpe fatal nesse sistema, que a partir daí começou a desmoronar. Hoje, nós queremos ser o todo. Todos somos fortes e fracos, corajosos e medrosos, passivos e ativos. Não queremos ser só um lado. O homem quer chorar, falar de emoções. Mulheres querem ser fortes. As pessoas querem ser o todo e não mais mutiladas. Acredito que daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais se é homem ou mulher.

Sul21 – Qual o conselho que você dá para que as pessoas não se submetam à moral imposta e consigam viver o mais possível em sintonia com seu desejo?

Regina Navarro Lins – É fundamental que as pessoas reflitam a respeito dos valores e das crenças aprendidas e, aos poucos, irem deletando o moralismo e os preconceitos. Isso, se você quiser viver bem. Mas, para viver bem, ter que ter coragem.

 

Ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela é internado, diz governo
Mandela, de 93 anos, está com dor abdominal, segundo presidência.
Médicos decidiram pela internação devido à frágil saúde do ex-presidente.
 

Do G1, com agências internacionais

 

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 AP/Peter Morey Photographic)O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela durante celebração de seus 93 anos, rodeado por familiares (Foto: AP/Peter Morey Photographic)

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, de 93 anos, foi internado neste sábado (25) para tratamento de uma dor abdominal, informou a agências internacionais Mac Maharaj, porta-voz do atual presidente sul-africano, Jacob Zuma.


A equipe médica que cuida de Mandela decidiu pela internação para a realização de exames detalhados, devido à frágil saúde do ex-presidente sul-africano. A nota do governo não informa onde Mandela foi internado e nem as causas da dor.


A assessoria do presidente Jacob Zuma informou ainda que “deseja rápida recuperação de Mandela e o amor e a boa vontade de todos os sul-africanos e pessoas de todo o mundo”. Ele também pediu que fosse respeitada a "privacidade de 'Madiba' e sua família durante esse período". Na África do Sul, Mandela é conhecido pelo apelido de Madiba.


Um porta-voz do Congresso Nacional Africano (ANC, em inglês) disse que a entrada de Mandela no hospital era prevista e que não envolveu nenhuma cirurgia.


A saúde do líder da luta contra o apartheid já criou temores no país quando ele foi hospitalizado no início do ano passado devido a uma aguda infecção respiratória. Desde então, ele não tem aparecido em público, passando o tempo entre Johanesburgo e a aldeia de Qunu, no Cabo Oriental.


Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul e ocupa uma posição central em um país que foi governado pela minoria branca até as primeiras eleições interraciais, em 1994. Em 1993, um ano antes de ser eleito presidente, Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Sua última aparição pública foi no final da Copa do Mundo de futebol em 2010, quando acenou brevemente de um carrinho de golfe.

 

Clipping do Dia (www.cloudnews.com.br)

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Acidente na Argentina reabre debate sobre privatizações no sistema ferroviário

De Monica Yanakiew

Correspondente da EBC na Argentina

Buenos Aires – O acidente de trem no centro de Buenos Aires, que matou 50 pessoas e deixou mais de 700 feridas na quarta-feira (23), reabriu o debate sobre as privatizações do sistema ferroviário, feitas na década de 1990 pelo então presidente Carlos Menem. Políticos da oposição, sindicalistas e especialistas do Instituto Argentino de Ferrovias, ouvidos pela Agência Brasil, acusam as empresas que obtiveram concessões do Estado de não terem investido o suficiente em infraestrutura e manutenção. Responsabilizam também os sucessivos governos por terem mantido os contratos que favorecem as empresas privadas com subsídios, sem obrigá-las a investir ou a fazer os consertos necessários.

“É um problema que denunciamos há décadas. Em 2004, os inspetores da Comissão Nacional de Regulamentação de Transporte determinaram que, de cada dez veículos, só um podia circular. Mas, essa situação não melhorou desde então”, disse o líder sindical Elido Veschi. “As empresas concessionárias não cuidam sequer da manutenção. Existem penalidades se não fizerem os consertos, mas recorrem à Justiça e dilatam os tempos”.

Segundo Pablo Martorelli, presidente do Instituto Argentino de Ferrovias, existem dois regimes de concessão - um para trens de transporte de passageiros, que dão perdas, recebem subsídios do Estado (em média, dez pesos argentinos por passageiro) e só precisam cuidar da manutenção. O outro regime, para trens de carga, obriga as empresas a investirem parte de seus lucros em infraestrutura. Atualmente, duas empresas brasileiras têm concessões para operar trens de carga na Argentina: a América Latina Logística e a Camargo Correia.

De acordo com Martorelli, o Estado não fez grandes investimentos no setor desde a década de 1990. Em 2004, o então presidente Néstor Kirchner (marido da presidenta Cristina Kirchner) rescindiu três contratos com empresas particulares e implementou um plano para recuperar as linhas. Mas a maioria dos trens continua nas mãos de empresas privadas.

O acidente de quarta-feira (22), um dos piores em 40 anos, ocorreu na linha de trem Sarmiento, operada pela empresa TBA, que pertence ao mesmo grupo empresarial que tem ações no metrô do Rio de Janeiro. Tanto a empresa quanto o governo abriram investigações para descobrir por qual motivo o trem – que vinha reduzindo a velocidade a um ritmo normal  - parou de frear faltando 40 metros para chegar à estação. Acabou batendo, a 26 quilômetros por hora, na barreira da plataforma de uma das estações mais movimentadas, bem no horário de pico em Buenos Aires.      

O anúncio da abertura de inquérito por parte do governo não acalmou os ânimos dos parentes das vítimas. Os políticos da oposição criticaram a presidenta Cristina Kirchner por não mudar um sistema que está falhando. O deputado Jorge Cardelli, do Partido Proyecto Sul, é um especialista no assunto. O fundador do partido e o cineasta Fernando Pino Solanas fez do sistema ferroviário argentino sua bandeira e até produziu um longa-metragem, mostrando como a privatização levou ao sucateamento de linhas que atendiam à população do interior e que foram desativadas por serem consideradas pouco rentáveis.

“O sistema ferroviário argentino foi construído pelos ingleses, nacionalizado nos anos 1940 e privatizado nos anos 1990. Na época, a desculpa era que custava muito manter 80 mil empregados e que o governo precisava de uma injeção de capital privado para garantir o funcionamento dos trens. Mas isso não aconteceu. O governo continua subsidiando e o serviço piorou”, diz Cardelli. “Hoje existem 16 mil empregados, o sistema de sinalização é o mesmo dos anos 1920 e os vagões têm 40 anos. Mesmo que as empresas não sejam obrigadas a investir em infraestrutura, são responsáveis pela manutenção. Como podem achar que é seguro transportar passageiros nessas condições”? - indagou o parlamentar.

Mal foi reeleita, em dezembro passado, a presidenta Cristina Kirchner começou a rever os subsídios que o governo concedia para manter os preços baixos da luz, do gás e do transporte público em ônibus. Por enquanto, os trens continuam sendo subsidiados. O problema é que se rescindir os contratos com as empresas privadas, o Estado terá de arcar com todos os gastos do sistema ferroviário. Mas em ano de crise internacional, a palavra de ordem é apertar o cinto.

O governo já questiona as empresas que exploram e comercializam petróleo e gás na Argentina, desde a privatização da Yacimentos Petroliferos Estatales (YPF). São cinco, entre elas a Petrobras, mas o alvo de todas as críticas é a espanhola Repsol. Por falta de investimentos, a Argentina passou de exportador de energia a importador.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-24/acidente-na-argentina...

 

Serra se irrita após ouvir proposta de Alckmin para concorrer às prévias

 

Serra

Alckmin propôs que Serra entre na fila para disputar a vaga de candidato tucano à prefeitura paulistana

Após a conversa com o governador paulista, Geraldo Alkmin, o candidato derrotado à Presidência da República, em 2010, vê ainda mais distante a possibilidade de concorrer novamente a prefeito de São Paulo, cargo que ocupou por dois anos antes de se lançar à campanha presidencial. Mesmo que garanta, novamente, terminar o mandato – fato que não ocorreu na última gestão, apesar da promessa no palanque da eleição para o cargo, em 2008 –, caso fosse eleito, Serra encontra dessa vez uma forte oposição na base do seu partido, o PSDB.

Alckmin, ao invés de concordar em ter Serra como candidato escolhido automaticamente, por seu posto de mando no ninho tucano, sugeriu a realização de prévias com os demais postulantes para a escolha do sucessor de Gilberto Kassab (PSD-SP). A imprensa conservadora paulistana comentou, em seguida à reunião, que Serra não deu resposta definitiva, mas “mostrou-se ‘receptivo’ à ideia, segundo interlocutores”, publicou um dos diários locais. O fato, no entanto, segundo integrantes da cúpula tucana daquele Estado, teve cores mais vivas. Serra teria ficado extremamente irritado com a proposta de Alkmin.

– Serra esperava mais da conversa com Alckmin – afirmou um parlamentar tucano ao Correio do Brasil, em condição de anonimato.

Os adversários de Serra em uma possível prévia nas hostes tucanas, marcadas para o próximo dia 4 de março, serão os secretários estaduais Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e o deputado federal Ricardo Trípoli.

 

Quem não lembra do vídeo com o caos instalado no Brasil sem a presença de Serra na Presidência? Parece que os russos estão copiando o modelo.

link: http://apaginavermelha.blogspot.com/

 

Eleições na Rússia: campanha eleitoral de Putin recorre ao terrorismo psicológico para alavancar votosPor Cristiano Alves Circula na Rússia um vídeo com um grande número de vistas chamado "A Rússia sem Putin: o apocalipse amanhã". Inicialmente, ele teve mais de 1 milhão de vistas, sendo apagado do Youtube por conteúdo inadequado e repostado com título e descrição em russo. O vídeo tem sido uma sensação na Rússia e fora dela. O vídeo traz um cenário onde Putin desaparece do cenário político, garantindo uma vitória da oposição. Emergem no cenário político apenas duas forças, liberais e "nacionalistas"(na Rússia é comum supremacistas raciais e nazistas serem eufemisticamente chamados de nacionalistas). A comunidade internacional parabeniza a "verdadeira democracia na Rússia".  As grandes empresas são repassadas para magnatas russos, o arsenal nuclear russo é repassado para o controle dos EUA(!!!), e os "nacionalistas" vão às ruas(neste momento, aparecem manifestantes neonazistas carregando símbolos fascistas e a cruz suástica), uma nova onda de crise econômica atinge a Rússia, empresas fecham, a inflação atinge o país, no país 1 em cada 2 pessoas se tornam desempregadas, as ruas das grandes cidades são tomadas por conflitos étnicos entre fascistas e outras minorias étnicas, na Duma de São Petersburgo vencem os skinheads, após o inverno, nacionalistas vencem as eleições e surgem novas repúblicas independentes, o Tatarstão, a Bashkíria, Mar Baixo e Kaliningrado, as repúblicas do Cáucaso do Sul juntam-se e formam um emirado, pessoas que não desejam viver num Estado muçulmano emigram para a Rússia, dando origem a novos conflitos étnicos(novamente grupos neonazistas aparecem no vídeo), após esses conflitos, Alexei Navalniy pede asilo político nos EUA, após um cenário de Guerra Civil. Após esses ocorridos, a OTAN ocupa Kaliningrado, a China ocupa várias regiões russas do Extremo Oriente, o Japão ocupa Vladivostok, em 2013 a Geórgia ocupa o sul da Rússia e inicia perseguições étnicas contra os cossacos da região. Em 10 de dezembro de 2013, A. Navalniy recebe o Prêmio Nobel da Paz e da Literatura. Em fevereiro de 2014, a Geórgia promove os jogos olímpicos em Sochi(atualmente é uma cidade russa), e os atletas russos são proibidos de participar dos jogos, o que provoca conflitos étnicos nas principais cidades restantes da Rússia. De fato, existem algumas passagens verdadeiras do vídeo, entretanto elas não estão associadas aos méritos de Putin. Nos tempos de Yeltsin, o país sofreu um intenso cenário de crise econômica e desestabilidade, quase houveram duas revoluções comunistas no período, uma delas foi sufocada por tanques do Exército Russo em 1993, quando os comunistas venceram democraticamente as eleições, mas foram impedidos de assumir o poder por tanques que disparavam contra a Casa Branca(o parlamento russo), enquanto Yeltsin assistia a tudo rindo e bebendo vodka, imagem que chegou a ser filmada. No final da década de 90, os comunistas voltaram a ganhar força e inclusive propuseram a remoção de Yeltsin, em enormes manifestações, todavia este renunciou e colocou Putin em seu lugar, que assumiu o término de seu mandato. Impopular e sem rumo, praticamente desconhecido, o afilhado político do magnata Anatoliy Sobchak(que roubou milhões dos cofres públicos após a queda da URSS, em São Petersburgo) recebeu "de mãos beijadas" uma oportunidade para alavancar sua popularidade, uma explosão em Moscou atribuída aos terroristas chechenos acabou com um prédio inteiro, pretexto para a reacender a guerra da Chechênia. Lá, diferente da era Yeltsin, o Exército Russo logrou várias vitórias. Mais tarde, um incidente ocorrido no início da década de 2000 durante o espetáculo "Nord Ost", onde todos os telespectadores do teatro foram sequestrados por terroristas, levou Putin a autorizar a invasão do teatro pelas tropas Alfa do FSB(sucessor do KGB), conseguindo salvar a maioria dos reféns. Some-se a isso a tomada de medidas populares como a restauração do hino soviético(em sua melodia), promoção de Paradas da Vitória no dia 9 de maio, pensões aos aposentados, dentre outras. Isso, entretanto, foi conseguido por muita pressão popular, e não por que Putin ou seu partido assim desejasse. Ataques racistas e organizações neonazistas, muito ativas nos anos 90 e ainda existentes, porém em menor intensidade, não são "concessões de Putin", pois o Partido Comunista da Federação Russa tem empreendido vários esforços para proibir tais práticas e fechar tais organizações. Diante desses fatos, os propagandistas de Putin mesmo assim insistem em dizer que a Rússia sem Putin viraria uma "Nazilândia". É também impensável e improvável que o PCRF no poder viesse a entregar o arsenal nuclear russo. A idéia de "desintegração da Rússia", embora possível, é muito usada pelos governistas para justificar a presença de Putin, a despeito de diversos casos de corrupção e fraude eleitoral.

Em suma, o vídeo propagandístico da campanha putinista do "Rússia Unida" resume-se a uma palavra: "vote em Putin ou vá para o inferno". Hoje, a Rússia ocupa uma posição quase de país subdesenvolvido no Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) da ONU, a violência é comparável à de países como o Brasil e Colômbia, a atuação da máfia, há tremenda desigualdade social no país, altos índices de desemprego, problemas relacionados à imigração, desenvolvimento limitado à regiões como Moscou, em detrimento do restante do país, sucateamento das Forças Armadas, além da degradação moral do país, que atualmente é recordista em casos de pedofilia, acidentes automobilísticos, erotização precoce da juventude, além de escândalos de corrupção generalizada, eliminação física da oposição(inclusive comunistas) e aumento de acidentes nos transportes públicos. A Rússia sem Putin, isto é, a Rússia soviética, lançou o primeiro homem ao espaço, tinha nos principais noticiários a abertura de uma nova fábrica, a criação de novas tecnologias, o êxito na ciência, na educação, na medicina, criou muitas coisas? E a Rússia de Putin, o que criou? O embuste propagandístico "A Rússia sem Putin".



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"Seja realista: exija o impossível"

Do JT

Barco brasileiro afunda na Antártida

  • 24 de fevereiro de 2012 |
  • 23h02 |

Categoria: Mundo

Uma chata (embarcação de fundo chato usada para transporte de carga) rebocada pela Marinha afundou em dezembro no litoral da Antártida com uma carga de 10 mil litros de óleo combustível.

Poluente, o produto não vazou, mas está a 40 metros de profundidade e a 900 metros da Estação Antártica Comandante Ferraz, base  brasileira no continente. Um compartimento dentro da embarcação armazena o diesel.

O naufrágio vem sendo mantido em sigilo tanto pela Marinha quanto pelos ministérios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Minas e Energia e Defesa. Não houve vítimas.

O Brasil é signatário de tratados de preservação ambiental na Antártida e, portanto, se comprometeu a não poluir o continente.

Na próxima semana chega à Baía do Almirantado, onde a chata foi a pique, os navios de socorro Felinto Perry, da frota da Marinha, especializado em resgate de submarinos, e  Gulmar Atlantis, contratado pela Petrobrás.

O planejamento prevê o içamento da chata por boias e guindaste, para que o gasoil artic (combustível anticongelante produzido pela Petrobrás possa ser retirado antes que comece a vazar. É uma operação de risco, por causa do clima inóspito da região.

A chata afundou por causa do mau tempo. Estava sendo rebocada para a terra por quatro embarcações pequenas quando, possivelmente por causa do vento forte e do mar agitado, naufragou. Não havia marinheiros a bordo, pois a chata não tem tripulação.

Flutuante sem motor ou qualquer outro tipo de propulsão própria, a embarcação (cargueira) só navega a reboque. A que naufragou na Antártica tinha fundo reforçado e paredes duplas, para dificultar os vazamentos de óleo.

A chata servia à Estação Antártica. Cabia à embarcação transportar para a terra os combustíveis líquidos trazidos pela Marinha para o abastecimento da base brasileira. O gasoil artic permanece armazenado em 17 tanques.

Por ano, a estação científica consome 320 mil litros de óleo, empregados em geração de energia e aquecimento interno e da água, indispensáveis em ambientes cuja temperatura pode cair a menos de 30°C.

Na estação vivem 15 militares da Marinha, 15 funcionários civis do Arsenal de Marinha, para manutenção, reparos e emergências, e, em sistema de rodízio, 30 pesquisadores (biólogos, biofísicos, geólogos, oceanógrafos e químicos) de universidades e instituições científicas brasileiras.

O resgate da chata não tem data marcada. Dependerá das condições climáticas. Há uma semana, nevascas cobriram com uma camada de pelo menos 1 metro de altura do solo da enseada da lha Rei George, sede da base nacional.

Os ventos, superiores a 100 quilômetros por hora, impediram os cientistas brasileiros de realizar trabalhos de campos. Eles tiveram de ficar confinados.
Depois disso, o tempo melhorou, com o surgimento do sol. Antes negativas, as temperaturas chegaram a 5°C. Como o verão está no final, são esperadas para breve quedas bruscas nas temperaturas e tempestades de neve. Daí a necessidade de o resgate ser feito o mais rapidamente possível, para que ocorra em condições de segurança.

Sergio Torres, do Rio

 

Do JT

Serra estuda entrar em prévia tucana

  • 24 de fevereiro de 2012 |
  • 23h03 |

Categoria: Eleições 2012, José Serra

O ex-governador José Serra (PSDB) reuniu-se anteontem à noite com o governador Geraldo Alckmin para discutir sua candidatura à Prefeitura. Os dois analisam agora eventual participação de Serra na prévia da sigla, marcada para 4 de março, numa ação que legitimaria a candidatura.

Ao mesmo tempo, o partido cogita adiar a disputa interna. A ideia é tentar avançar num consenso em torno do nome de Serra – ou, pelo menos, maioria segura. Integrantes da Executiva municipal foram acionados para encontrar saída jurídica para a entrada de Serra na prévia, cujas inscrições foram encerradas na semana passada.

Em reunião no Palácio dos Bandeirantes anteontem, na qual estiveram o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, e o senador Aloysio Nunes Ferreira, a participação de Serra na prévia foi apontada como forma menos desgastante de colocar o ex-governador na disputa eleitoral, num momento em que o partido já avançou no processo de escolha interna.

Apoiada por parte da direção estadual do PSDB, a prévia avançou internamente, de modo que o próprio governador evita arcar com o ônus da “canetada” para desmarcá-la. A avaliação da cúpula é que a indicação de Serra pela direção do partido, atropelando dois dos quatro pré-candidatos – o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli dizem que não vão desistir –, seria mal digerida não só por grupos do PSDB, como por eleitores.

A saída colocada na mesa e discussão passou a ser então a entrada de Serra na disputa interna, num movimento que contaria com o apoio dos outros dois pré-candidatos: os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente) tendem a abrir mão da corrida.

Os líderes tucanos avaliam, inclusive, que a movimentação pode acuar Aníbal e Tripoli e levá-los a desistir, tornando Serra o candidato por aclamação – a hipótese hoje é pouco provável, mas não está descartada.

No encontro com Alckmin, Serra fez questão de dizer, no entanto, que ainda não está decidido a ser candidato. A ressalva foi interpretada no Bandeirantes como trunfo para poder negociar com o governador. Além da questão da prévia, Serra quer garantia de que terá amplo arco de alianças a seu favor, o que daria a ele tempo de TV no horário eleitoral. Quer Alckmin envolvido no processo.

Apesar da disposição para composição com outras legendas, os tucanos trabalham agora com cenário de “chapa puro-sangue”. Matarazzo e Bruno, que apoiariam Serra na prévia, estão cotados para a vice.

Adiamento
A mudança da data da prévia seria possível em virtude de brecha jurídica presente em resolução do diretório estadual do PSDB, que disciplina o processo. O documento aponta que a prévia deve ser realizada até 31 de março, o que daria maior tempo para costurar a operação a favor do ex-governador. “A mudança da data é possível, mas deve passar pela decisão da executiva municipal ou estadual do PSDB”, disse um tucano.

Aníbal e Tripoli rejeitam postergar a prévia. “Marcar a prévia no dia 4 de março foi resultado de processo muito amadurecido, com sugestões de Alckmin, em novembro”, disse o secretário de Energia. “Não vejo nenhuma chance de adiar a prévia nesta altura do campeonato. Você já tem tablets alugados, militância convocada, o último debate será na segunda”, afirmou Tripoli. “Ele (Serra) podia ter dito (que quer concorrer) quando teve oportunidade. Ele que leve a proposta para o diretório municipal. Não tenho nada contra a participação”. 
Julia Duailibi, Sonia Racy,
Fernando Gallo e Gustavo Uribe

 

Da Deutsche Welle

 

BrasilSenadora brasileira defende na Europa versão ruralista do código florestal

Kátia Abreu afirma que o produtor brasileiro não está interessado em desmatar. Segundo ela, as ONGs impuseram uma visão falsa do código em tramitação. Versão dos produtores foi apresentada por Abreu em Londres e Berlim.

A senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, esteve na Europa esta semana para divulgar a versão dos produtores brasileiros sobre temas que fazem o mundo olhar com desconfiança para o país: desmatamento na Amazônia, expansão da fronteira agrícola e novo Código Florestal.

"Nos últimos dez anos, as ONGs falaram sozinhas, colocaram sua versão da maneira que quiseram. E prevaleceu essa versão, por incompetência nossa, dos produtores rurais, que nunca vieram mostrar as suas intenções, a sua versão", disse Abreu em conversa com a DW Brasil. Na Alemanha, ela foi uma das palestrantes numa conferência organizada pela Fundação Friedrich Naumann, em Berlim.

Segundo a senadora, o Brasil está perto de cumprir a meta de redução de desmatamento assumida na Conferência do Clima em Copenhague: o governo prometeu reduzir a destruição da floresta em 80% até 2020, para uma área de 5.400 km2. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais indicaram que, em 2010, o desmate somou 6.451 km2.

 

Senadora Katia Abreu

"Com raríssimas exceções, com desejos localizados, os produtores rurais não têm interesse em desmatar mais. A atenção está mais direcionada ao aumento de produtividade. É uma questão de interesse mercadológico, não é só ambiental, não, para ser bem franca", disse Abreu à DW Brasil.

A organização ambientalista WWF não acredita na afirmação da senadora. "Eu vou aplaudir se nenhum produtor brasileiro não quiser desmatar. Mas não é o que a gente vê. Se isso fosse verdade, não se veria desmatamento acontecendo na Amazônia, na Mata Atlântica, ainda que ele tenha diminuído", criticou Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral da sede da organização no Brasil.

O novo código e o desmatamento

Para Kátia Abreu, a polêmica reformulação do Código Florestal - que já foi alterado no Senado e está de volta à Câmara - não compromete as metas brasileiras assumidas internacionalmente. "Eu cansei de desafiar os ambientalistas para que me mostrassem onde estava escrito (que o novo código vai provocar o aumento do desmatamento), em que lugar, em que artigo, em que parágrafo, em que inciso, e ninguém me mostrou nada. Desculpa a expressão, não quero menosprezar ninguém, mas é como se fosse uma criança fazendo birra."

Wey de Brito classificou a afirmação de Kátia Abreu como "ridícula". O código da maneira como está, diz a engenheira agrônoma do WWF, propõe o perdão das multas por desmatamento feito até 2008 e não exige recuperação das áreas desmatadas ilegalmente, favorecendo os que descumpriram a lei.

"Você acha possível um funcionário do governo checar se as propriedades desmataram antes ou depois de 22 de junho 2008? Há quantos anos o Brasil vem perdendo sua vegetação nativa? Desde sempre. Há quantos anos o Código Florestal é aplicado? Nunca. Ele praticamente nunca foi aplicado. Ele sequer é ensinado nas escolas de agronomia", completa Wey de Brito, apontando o desrespeito histórico à legislação ambiental.

Consultado pela DW Brasil, o especialista no tema e pesquisador Gerd Sparovek, da Universidade de São Paulo, pontua: "As provas, e muitas delas, já foram publicadas por diversos cientistas e ONGs. Não aceitar estas provas como sendo válidas é uma opção da senadora que não cabe a mim analisar, discutir ou comentar", respondeu por email.

O celeiro do mundo

A mensagem da presidente da CNA é que "as pessoas podem ficar tranquilas": "Vamos continuar fazendo a melhor e maior agricultura do planeta de forma sustentável. Porque produzimos em 27% do território nacional e preservamos 61%. Isso tudo vai continuar como está."

Essas porcentagens, que também foram divulgadas para o público europeu pela senadora, são da própria CNA. O órgão teria trabalhado com dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas para compor essa relação.

Consultado, o IBGE informou que dispõe apenas do número de estabelecimentos agropecuários e quanto dessas propriedades é utilizado para plantio – mas não sabe precisar quanto do território brasileiro é ocupado pela agropecuária.

De tudo o que é plantado no Brasil, 70% é consumido internamente, 30% segue para a exportação. Em 2011, o PIB do agronegócio nacional cresceu 6,12 %. "E nós vamos aumentar a participação no PIB brasileiro de novo. Com produtividade e sem desmatamento. Nós é que iremos segurar de novo a situação da balança comercial, pode ter certeza", disse Abreu.

A presidente da CNA acredita que o Brasil será uma peça fundamental na produção de alimentos mundial. Gerd Sparovek lembra que o país já é um grande produtor de alimentos e energia, e está progredindo muito na questão da sustentabilidade. "Mas isso poderia andar mais rápido, porque os danos ambientais decorrentes do desmatamento são irreversíveis."

Sobre a questão, a especialista do WWF lamenta. "O Brasil assumiu para si um processo de ser de fato o celeiro do mundo, com todos os malefícios que isso pode nos trazer." Kátia Abreu não vê problema nesse protagonismo: "Queremos nossa próxima etapa, depois de votado o código florestal, receber crédito do mundo pelo o que estamos fazendo."

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Francis França

 

Da Radio Nederland Wereldomroep

 

Monumento aos Heróis do Gueto em Varsóvia Perdão de estado: reparador embora insuficienteRetrato de Luisa Fernanda López 

 

Data de publicação : 24 Fevereiro 2012 - 2:54pm | Por Luisa Fernanda López (Foto: Paweł Drozd)

 

 

 

Países que pediram perdão de Estado

Alemanha: Chanceler Willy Brandt, - Gueto de Varóovia. 1979
Argentina: Néstor Kirchner. Crimes da ditadura. 2004
El Salvador: Mauricio Funes, El Mozote. 2012
Austrália: Governo trabalhista de Kevin Rudd. Crimes contra aborígenes. 2008
Colômbia: Juan Manuel Santos, masacres de El Salado e El Tigre. 2011 e 2012.
Guatemala: Álvaro Colom. Golpe de Estado Jacobo Árbenz Guzmán. 2011
Chile: Patricio Aylwin. Crimes da ditadura de Pinochet. 1991
Brasil: Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Crimes da ditadura militar. 2005
Uruguai: Chanceler Luis Almagro, anunciou que o Estado pedirá perdão pelos crimes da ditadura.
Camboja: Jemer Rojo Kaing Guek Eav, se inclina diante de uma vítima dos campos de trabalho.

Países que não pediram perdão de Estado
Espanha: crimes cometidos durante o regime militar de Francisco Franco.
Nicarágua: crimes cometidos durante a ditadura e conflicto interno armado.
Estados Unidos: Não se conhece oficialmente.
 

Cada vez mais chefes de estados latino-americanos pedem perdão pelas graves violações dos direitos humanos. No entanto, este importante ato simbólico de reparação às vitimas continua sujeito à vontade de quem está no poder.

Em janeiro, o presidente Mauricio Funes tinha lágrimas no rosto ao pedir perdão pela violência exercida contra crianças, mulheres e camponeses do Mozote, em um dos massacres mais sangrentos ocorridos durante a guerra civil salvadorenha.

Dois anos antes, pouco depois de tomar posse como presidente de El Salvador, Funes pediu publicamente perdão a todas as vítimas dos crimes cometidos pelas autoridades durante o conflito interno. Essa foi a primeira vez que um governante o fazia, após 20 anos de os acordos de paz terem sido assinados.

“Este perdão foi muito significativo para nós porque foi feito no lugar dos fatos e reconheceu a cumplicidade dos militares. Foi um avanço e para as famílias um alívio moral”, conta Madre Guadalupe Mejia, que teve o esposo assassinado e um irmão desaparecido durante o conflito.

Origens
O perdão de estado é uma obrigação dos governos que incidiram, de alguma maneira, na violação massiva dos direitos humanos. Constitui um elemento chave para a reparação das vítimas. Começa-se a falar deles após a segunda guerra mundial, quando se vê muito mais clara a obrigação dos estados em, não apenas em desculpar-se, mas também evitar os crimes contra civis.

Um momento emblemático foi dezembro de 1979, quando o então chanceler da República Federal Alemã, Willy Brandt, se ajoelhou diante do monumento erguido em memória do levantamento judeu no gueto de Varsóvia e pediu perdão pelos crimes cometidos pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

A importância de tal fato baseava-se em que “a sociedade alemã, que se considerava até esse momento apenas como vítima do nacional-socialismo, assumia também como povo, sua responsabilidade no genocídio judeu”, comenta o professor de direito internacional, Álvaro Alfonso Patiño.

América Latina, um balanço ambivalente

Na América Latina, nos últimos tempos, cada vez mais governantes pediram perdão. No entanto, o balanço continua sendo muito ambivalente e sujeito a vicissitudes políticas. Na América Central se começa a ver como alguns chefes de Estado pediram perdão pelas massivas violações dos direitos humanos durante as guerras civis. Ainda que para Silvia Guillen, sub-diretora da Fespan, uma organização de vítimas, falta muito para que os estados da região reconheçam sua responsabilidade em crimes atrozes.

“E eu acredito que na região é muito frágil a situação de que os estados reconheçam os pecados que cometeram. É realmente preocupante, por exemplo, que na Guatemala seja um militar com graves acusações de violações dos direitos humanos que esteja no governo e eu não acredito que vamos ver uma situação que permita genuinamente pedir um perdão pelos atos cometidos durante as épocas das ditaduras”.

Guillen também não acredita que isso aconteça na Nicarágua: “Parece-me que este é um tema que não tem tido muita relevância para o presidente (Daniel) Ortega”. A representante das vítimas acredita que na América Central prevalece a teoria de que “me nomearam para administrar o futuro e não para julgar o passado”.

Para o professor Álvaro Alfonso Patiño, a situação é mais complicada no cone sul, ainda que o falecido presidente Néstor Kirchner tenha pedido perdão em 2004 pelas atrocidades cometidas na última ditadura. Para Patiño, tem muito a ver com o fato de que a Argentina chegou a democracia através das leis de perdão e esqueceu que afetam a toda a institucionalidade em seu conjunto.

“A responsabilização pelo estado se dilui e se buscam mais responsabilidades penais particulares”. Os casos de Colômbia e Peru são diferentes porque estes dois países não só aceitaram suas responsabilidades por estes fatos trágicos diante do Sistema Interamericano de Direitos Humanos mas também, em algumas ocasiões, o perdão de estado é uma forma de solução amistosa quando se entra com uma ação judicial.

Perdões relutantes
Na América Latina, praticamente todos os pedidos de perdão por parte dos estados foram precedidos por uma sentença do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Sentenças que em alguns casos foram desconhecidas ou parcialmente atacadas pelo governante no poder.

“Na América Latina não houve um chefe de estado que se negou explicitamente a pedir perdão, mas o que houve foi quem não cumpriu totalmente com o sentido do pedido de perdão por parte do estado. Se pedem desculpas em um local fechado, ou fazem como uma imposição ou não é feito pelo chefe de estado ou altos funcionários do mesmo, mas sim, delega-se a funcionários de nível inferior. Então, a efetividade e o simbolismo da medida se diluem e é uma forma de negar o pedido de perdão”, conclui o professor Patiño.

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, aceitou a contragosto cumprir uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que obrigou ao estado colombiano a pedir perdão aos familiares do senador assassinado, Manuel Cepeda Vargas, líder do movimento político de esquerda União Patriótica, do qual foram assassinados mais de três mil militantes. Os familiares do congressista se negaram a aceitar estas desculpas e só quando chega ao poder o atual presidente, Juan Manuel Santos, é que se cumpre totalmente o ordenado pela Corte.

O perdão, por si só, não basta

Para alguns advogados e catedráticos de direito internacional o perdão de estado é reparador para as vítimas, mas por si só, não basta.

É a opinião do advogado argentino Carlos Slepoy: “Não que só isso não seja suficiente, mas também porque o que se necessita é justiça, reparação e verdade. Mas, por outro lado, quando se pede perdão por governos ditatoriais ou repressivos, na verdade são aqueles que cometeram os crimes que deveriam pedir perdão”.

Essa tese é compartilhada pela representante das vítimas salvadorenhas, Silvia Guillen, que considera que os perdões de estado são fundamentais como primeiro passo para reconhecer as vítimas e começar a saber a verdade, mas que, no caso de El Salvador, por exemplo, as vítimas seguem esperando que sejam os militares os que também reconheçam os crimes e peçam perdão.

Muitas outras vítimas no continente e no mundo continuam esperando que os governos as reconheçam, primeiro como vítimas e, segundo, aceitem seus crimes e talvez o mais importante, se abra um caminho para conhecer a verdade e fazer justiça.

 

Do publico.pt

 

Ex-primeiro-ministro quer derrubar a sua sucessora

Novo golpe palaciano abala o Governo australiano

24.02.2012 - 20:04 Por Ana Fonseca Pereira

Kevin Rudd foi afastado do poder em 2010Kevin Rudd foi afastado do poder em 2010 (Renee Melides/Reuters)A vingança é um prato que se serve frio e o ex-primeiro-ministro australiano Kevin Rudd fez questão de cumprir à letra o adágio ao anunciar que pretende reclamar, 20 meses depois, o lugar que lhe foi retirado pela sua então adjunta Julian Gillard, actual líder de um governo minoritário e em queda nas sondagens.

“Quero terminar o trabalho para que os australianos me elegeram, quando me escolheram para primeiro-ministro”, disse Rudd, confirmando uma intenção que se anunciava desde que, quarta-feira, renunciou ao cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Face ao desafio, Gillard convocou para segunda-feira de manhã (domingo à noite em Portugal) uma votação na qual os deputados trabalhistas terão de decidir quem querem como líder do partido e, por consequência, quem deverá liderar o Governo – uma repetição quase exacta do golpe palaciano que em 2010 levou a então vice-primeira-ministra ao poder.

Segundo a imprensa australiana, Gillard tem à partida o apoio da maioria dos 103 parlamentares, mas Rudd aposta na pressão popular. Uma sondagem divulgada nesta sexta-feira mostra que 60 por cento dos australianos consideram que ele foi um bom primeiro-ministro. Revela ainda que o seu regresso à liderança encurtará a vantagem dos conservadores chefiados por Tony Abbott, favoritos à vitória nas legislativas previstas para o final de 2013. “Vencer Abbott é vital e é exequível”, afirmou Rudd, dizendo que quer “restaurar a confiança” dos australianos que a rival não soube conservar.

“Isto não é um episódio do Big Brother das Celebridades”, respondeu Gillard, lembrando que foi ela quem reconduziu o Labor à vitória em 2010 (ainda que pela margem mínima) e que foi o seu executivo que aprovou a imposição de taxas de carbono sobre as industrias mais poluentes – uma reforma contestada pelo sector e que os conservadores prometem anular. “Falar é fácil, fazer as coisas é mais difícil e eu sou a pessoa para fazer coisas”.

O “divórcio político mais viperino da história da Austrália”, como lhe chamou a imprensa, está já a provocar cisões no Governo – alguns ministros aliaram-se a Rudd, mas outros recusam-se a continuar no cargo se ele vencer. E teme-se que a crise leve à antecipação das eleições se os ecologistas e os dois deputados independentes que garantem ao Labor a maioria no Parlamento não aceitarem uma eventual vitória de Rudd.

 

 

Do Expresso "Governo chinês protegeu excessivamente o sector bancário"

O académico Xu Hongcai fala das razões da recente decisão do Banco Popular da China em "relaxar" a política monetária ao descer o rácio de reservas dos bancos em meio ponto percentual. O que se integra numa "onda de alívios" à escala internacional virada para apoiar a economia real.

 Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)18:38 Sexta feira, 24 de fevereiro de 2012 

As especulações sobre um novo "relaxamento" da política monetária chinesa já dominavam os media há algum tempo. Finalmente concretizaram-se. Esta semana, o banco central - o Banco Popular da China - deu mais um passo. Baixou o rácio de reservas para os grandes bancos em mais meio ponto percentual, para 20,5%. "Trata-se de um claro sinal de uma política de expansão da oferta de moeda para evitar uma queda no crescimento económico da China, no contexto atual de uma complicada situação internacional e doméstica", diz-nos Xu Hong Kai, professor da Universidade de Pequim e dirigente do China Center for International Economic Exchanges, o mais importante grupo de reflexão chinês.

Em final de novembro do ano passado, o banco central já havia tomado esse caminho, interrompendo a estratégia de aperto da política monetária que vinha seguindo desde 2009, procurando contra-atacar a inflação, particularmente nos produtos do cabaz alimentar, e a "bolha" imobiliária. Em 2011, o banco central havia aumentado o rácio das reservas bancárias em seis momentos e mexido três vezes nos juros dos depósitos e dos empréstimos. Na altura, o banco central baixou o rácio de reservas dos grandes bancos de 21,5% para 21% e dos pequenos bancos para 19%.

Onda internacional

Estima-se que a decisão do banco central permita alargar a capacidade de financiamento da economia em €41,7 a 47,8 mil milhões. Alguns analistas falam de mais descidas nos próximos seis meses. O movimento dos banqueiros centrais chineses junta-se a uma onda de "alívios quantitativos", com diferentes desenhos, em vigor. A Reserva Federal norte-americana mantém a "Operação Twist" e deu indicação de que manterá o nível de juros próximo de 0% até bem dentro de 2014. O Banco de Inglaterra anunciou recentemente uma extensão em mais 50 mil milhões de libras (€59 mil milhões) do seu programa de "alívio quantitativo". O Banco Central Europeu, apesar de repudiar as estratégias de "alívio quantitativo", lançou um programa adicional de fornecimento de liquidez à banca da zona euro conhecido por LTRO a 3 anos, cuja primeira operação foi em dezembro e a próxima agora no final de fevereiro.

Esta onda internacional pretende evitar o regresso de uma recessão mundial ou impedir agravamento de situações de recessão económica em alguns países ou de estagnação. No caso da China, a dor de cabeça é a taxa de crescimento. Há um limiar sagrado, a que os chineses chamam baobá, de 8%, um limiar abaixo do qual o crescimento anual não poderá descer, sob pena de colocar em risco toda a estratégia económica do país desde a revolução capitalista de Deng Xiaoping no final dos anos 1970.

A trajetória tem sido descendente: "A economia chinesa cresceu 9,2% em 2011, abaixo dos 10,3% de 2010. Entretanto no quarto trimestre de 2011 baiou para 8,9%, o crescimento mais baixo nos últimos dez trimestres. A previsão para 2012 é ainda mais baixa, uma média anual de 8,5%. Recentemente, as pequenas e médias empresas manifestaram problemas de financiamento e a crise externa, com a crise da dívida europeia e a alta taxa de desemprego nos Estados Unidos, tiveram impacto na procura de produtos chineses. O comércio bilateral entre a China e a União Europeia caiu mais de 7% em janeiro deste ano", refere-nos Xu.

Quatro desafios

O problema de fundo é o da transição de um "modelo" económico para outro. "O abrandamento do crescimento reflete a enorme dificuldade em mover o modelo orientado para a exportação noutra direção", diz Xu, que vê "quatro desafios pela frente".

O primeiro tem a ver com a dinamização do consumo interno, tanto mais que há uma desigualdade crescente nos rendimentos - "um problema ainda mais sério que pode ameaçar a estabilidade social e a sustentabilidade do desenvolvimento económico", sublinha o académico. "O objetivo de estimular o consumo das famílias continua difícil", conclui.

O segundo desafio é lidar com os efeitos das crises externas. O que se liga com o problema da mudança do modelo. "Até agora a economia chinesa continua baseada nas exportações e no investimento governamental em capital fixo", alerta o economista.

O terceiro é a dívida interna muito elevada dos governos locais. "Um legado do plano de estímulos de €440 mil milhões que levou a investimentos em grandes projetos de infraestrutura que, provavelmente, conduziram a crédito mal parado dos bancos", adianta. Xu toca no que considera um ponto fulcral: "O governo protegeu excessivamente os interesses do sector bancário, o que prejudicou, até certo ponto, os interesses das famílias e das empresas. E, desse modo, essa política distorceu a estrutura económica".

Finalmente, há o desafio da competitividade, sobretudo das empresas privadas. Estas começaram a lidar com o problema do aumento dos custos do trabalho e da apreciação progressiva da moeda chinesa e até há algum tempo atrás com a falta de financiamento. Uma tenaz que requer ser eliminada.



 

Do publico.pt

 

Sondagem dá vitória folgada a Putin

Kremlin acusa revista "Time" de “putinofobia”

24.02.2012 - 15:52 Por Ana Fonseca Pereira

 Putin não gostou da capa da revista americanaPutin não gostou da capa da revista americana (YURI KADOBNOV/AFP)Vladimir Putin está a um passo de regressar à presidência da Rússia, mas os protestos dos últimos meses, ainda que limitados às grandes cidades, retiraram triunfalismo à sua campanha. O primeiro-ministro não esconde, por isso, a fúria quando a imprensa toca nesse ponto sensível – o seu porta-voz classificou de “russófoba” a revista "Time", que pôs Putin em tamanho liliputiano na capa da sua última edição.

“O incrível encolhimento do primeiro-ministro da Rússia”, lê-se na capa da edição internacional da revista americana. Por baixo das letras garrafais, um pequeno texto antecipa o artigo assinado por Simon Shuster: “Putin vai conseguir um terceiro mandato, mas o seu controlo do poder é mais frágil do que nunca. E isso torna o mundo um lugar menos seguro”.

Foi quanto bastou o Kremlin reagir. “É com grande certeza que posso dizer que o autor destas palavras é um grande ‘russófobo’ ou ‘putinófobo’”, disse Dmitri Peskov à rádio Kommersant-FM, acrescentando que “esta fobia cega não lhe permite avaliar objectivamente a realidade”.

Mas a "Time" – que elegeu o então Presidente como a personalidade do ano de 2007 – não é a única a apontar para uma nova realidade na Rússia, onde após 12 anos de poder, Putin enfrenta pela primeira vez sinais de descontentamento popular, ainda assim insuficientes para pôr em causa o seu domínio político.

Numa sondagem divulgada nesta sexta-feira, o Centro Levada prevê que o primeiro-ministro vencerá as presidenciais de 4 de Março com dois terços dos votos (63 a 66%), a enorme distância do líder comunista, Gennadi Ziuganov. Um resultado aquém do conseguido pelo seu delfim, Dmitri Medvedev, em 2008 (70%), mas mais do que suficiente para poupar Putin à humilhação de uma segunda volta.

Contudo, o estudo revela que está a crescer o número de descontentes com o sistema político que ele moldou desde a sua chegada ao poder – mais de um terço dos inquiridos concorda com os protestos contra as alegadas fraudes nas legislativas que em Dezembro deram a maioria absoluta ao partido Rússia Unida. E apesar de 80% dos inquiridos acreditarem que Putin vencerá, são pouco mais de metade os que o vêem como “líder da nação”, o cognome preferido pelos seus apoiantes. “Vamos ter um líder autoritário enfraquecido”, disse Lev Gudkov, director do centro independentes de sondagens, prevendo um reinício da contestação após as eleições.

 

Do Diário de Notícias de Lisboa

Deve considerar-se tudo para parar carnificina na Síria

por LusaHoje

Barack Obama recebeu hoje a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, na Sala Oval.Barack Obama recebeu hoje a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, na Sala Oval. Fotografia © REUTERS/Larry Downing

O Presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que o seu governo e os aliados deveriam considerar "todos os instrumentos disponíveis" para pararem a carnificina de inocentes na Síria, noticia a AP.

Esta foi a afirmação mais forte de Brack Obama até à data, sobre uma crise cada vez mais impiedosa.

Sem especificar, Obama afirmou: "É absolutamente imperativo que a comunidade internacional se una e envie uma mensagem clara ao Presidente Assad, de que chegou a altura da transição".

Falando depois de um encontro com o primeiro-ministro dinamarquês, Obama acrescentou: "É tempo de o regime sair. É tempo de parar a matança de cidadãos sírios pelo seu próprio governo".

Insistiu ainda que as nações não se podem remeter a uma posição de "espetador" à medida que a matança continua.

A chefe do governo escandinavo, Helle Thorning-Schmidt, considerou a situação na Síria como "horrenda" e apelou à comunidade internacional para manter a pressão sobre o regime de Damasco.

Antes, na Tunísia, a secretária de Estado, Hillary Clinton, criticara a Federação Russa e a China, por se oporem a que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aja na Síria, classificando como "vil" esta oposição.

 

 

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012 - 00:00

Juíza de Caravelas é espancada por promotor de Justiça de Porto Seguro

por David Mendes

Juíza de Caravelas é espancada por promotor de Justiça de Porto SeguroMotivação ainda não está esclarecidaA juíza da comarca de Caravelas, no sul baiano, Nemora de Lima Jannsen dos Santos, de 35 anos, foi espancada na madrugada desta sexta-feira (24) pelo promotor da Vara Única Criminal de Porto Seguro, Dioneles Leones Santana Filho, quando participava do Carnaporto, o carnaval indoor do município da Costa do Descobrimento. Segundo consta no boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Proteção ao Turista de Porto Seguro (Deltur), a magistrada estava em companhia do namorado, o advogado Leonardo Wishart, de 27 anos, em um camarote da Arena Axé Moi, quando o agressor se aproximou por trás e deferiu um soco que atingiu a sua nuca. Com o impacto, Nemora caiu no chão, mas a agressão não parou por aí. Caída, a juíza recebeu diversos chutes na cabeça e em outras partes do corpo. O companheiro dela, que estava ao lado, chegou a entrar em luta corporal com Dioneles, e também foi agredido com socos. “Enfurecido, (Dioneles) agredia cuja intenção era a de matar a comunicante. É o registro”, diz a certidão emitida pela Deltur. Procurada pela reportagem do Bahia Notícias, a magistrada não quis se pronunciar sobre o caso. O seu parceiro, contatado pelo site, informou apenas que a juíza, que já atuou na comarca de Porto Seguro, está bastante abalada e assustada com o episódio, e diz desconhecer os motivos que levaram o promotor a cometer o ato violento. Ainda segundo Wishart, os organizadores do evento chegaram a ser procurados, mas se recusaram a informar quais seguranças estavam no local no momento da agressão. “Por conta disso, estamos nos sentindo ameaçados”, revelou. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) afirmou que só se pronunciará sobre o caso, após a conclusão do inquérito que estaria a cargo da Polícia Civil. Ainda segundo os interlocutores da corte baiana, Nemora não solicitou escolta pessoal para garantir a sua integridade. “Caso um magistrado se sinta ameaçado, ele pode contatar imediatamente a Comissão de Segurança, que acionará a guarda militar a qualquer momento”, explicou. Já a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o inquérito já teria sido entregue pelo delegado responsável, Ricardo Feitosa, à 23ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin) de Eunápolis, que ficou de entregar o relatório, ainda nesta sexta, às Corregedorias do Ministério Público Estadual (MP-BA) e do TJ-BA. "Reza uma orientação legal que casos envolvendo representante desses dois órgãos, a polícia, no máximo, registra a ocorrência, expede guias de exames periciais, junta tudo em um documento e encaminha ao presidente do Tribunal de Justiça e ao Ministério Público", explicou. O casal realizou exame de corpo de delito na manhã desta sexta no Complexo Policial de Porto Seguro. Já o promotor Dioneles não foi localizado pela reportagem.
http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/111870-juiza-de-caravelas-e-espancada-por-promotor-de-justica-de-porto-seguro.html

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 - No Democracia e Política


BRASIL AFASTA-SE DOS BRICS E VOTA CONTRA A SÍRIA NA ONU
 


Reunião da ONU que votou resolução de condenação ao governo sírio
Por Beto Almeida

Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA, emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional, especialmente contra países com políticas independentes e emergentes. Um voto que pode ser um tiro no próprio pé futuramente.

O Brasil ficou ao lado dos EUA, Inglaterra, França, Canadá, Espanha, Austrália, Alemanha, que deram sustentação à agressão ao Iraque, ao Afeganistão e, mais recentemente, à Líbia.

Contra essa resolução que tendenciosamente condena e responsabiliza apenas o governo da Síria pela escalada de violência generalizada que atinge o país - na qual há farta evidência de ingerência estrangeira - estão a Rússia, China, Índia, África do Sul, países do grupo BRICS - do qual o Brasil faz parte - e nove países da ALBA, além do Irã, da Argélia, do Líbano, da Coréia do Norte. Esse grupo reivindica que a solução da crise síria deve ser exclusiva dos sírios, que escolherão, nos próximos dias, pelo voto popular direto, um novo modelo de Constituição.

A votação na ONU ocorre em meio a pressões das grandes potências de realizarem ação de armar a oposição síria [OBS deste blog ‘democracia&política’: armar a oposição para aumentar a escala da guerra civil e da mortandade e, assim, posteriormente, a ONU autorizar invasão militar dos EUA e OTAN].



Membros da oposição síria
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victória Nulandi declarou a insatisfação de seu país diante do veto da Rússia e da China a uma intervenção militar internacional aos moldes da Fórmula Líbia. Ela afirmou, entretanto, que seu país não descarta o fornecimento de armas ao autodenominado “Exército Livre da Síria”, que, conforme demonstra abundante informação, conta com armamentos, apóio logístico, de comunicações, recursos financeiros e a presença de mercenários que atuaram e atuam na Líbia, com apoio dos principais aliados norte-americanos na região, especialmente da Arábia Saudita e do Qatar.

O PAPEL INTERVENCIONISTA DA TV AL-JAZEERA

A participação da oligarquia do Qatar no conflito sírio inclui a sistemática falsificação midiática da situação síria por parte da TV Al-Jazeera, emissora que foi fundamental também na sustentação midiática da invasão neocolonial à Líbia, com sofisticada ‘overdose’ de desinformação, reproduzida ad nauseun por toda a mídia comercial internacional como única fonte informativa, questionada apenas pela Telesur que informava sobre o monumental massacre promovido pela OTAN. Aliás, completamente confirmado.

A TV Al-Jazeera é uma emissora capturada e plenamente a serviço da oligarquia petroleira internacional e nem mesmo o elogio de certas vozes da esquerda guiada pela OTAN ou de ONGs internacionais metidas no movimento de democratização da mídia, podem mais evitar essa constatação. O Qatar é um enclave oligárquico onde tem sede uma das mais importantes bases militares dos EUA na região.



Chanceler Antonio Patriota (Será mesmo “patriota!?! Temo que os americanófilos demotucanos já o estejam desejando para ministro do MRE no nefasto caso de volta da direita ao poder)
Estaria o Itamaraty entrando em algum desconhecido estado de hipnose para não prestar a devida atenção ao público e assumido propósito intervencionista das grandes potências ocidentais na Síria, como revelam as declarações da porta-voz do Departamento de Estado?

Em entrevista recente à BBC, o Ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Willian Hauge, disse estar preocupado com uma guerra civil na Síria, mas, confessando o sentido e a sinceridade de sua preocupação, afirmou, na mesma entrevista: “Como todos viram, não conseguimos aprovar uma resolução no Conselho de Segurança por causa da oposição da China e da Rússia. Não podemos intervir como fizemos na Líbia, mas podemos fazer muitas coisas” [sic]. Declarações semelhantes, anunciando a disposição para apoio militar à oposição no conflito foi dada pelo Chanceler da Holanda, Uri Rosenthal. Com o emblemático silêncio do Itamaraty. Pior ainda, com a adesão do Brasil à resolução patrocinada por este grupo de países historicamente marcados pelo intervencionismo colonial.

AUTORIZAÇÃO PARA A MATANÇA

Sinais de que algo está se movendo negativamente no Itamaraty de Dilma Roussef surgiram quando, logo no início de seu governo, o Brasil absteve-se na votação da ONU que decidiu - tomando por base informações não confirmadas prestadas por emissoras como a Al Jazeera - pela gigantesca intervenção armada contra a Líbia. Aproveitando-se da frágil e acovardada posição da chancelaria brasileira naquele episódio, o presidente Barack Obama, o inacreditável “Prêmio Nobel da Paz” [sic], desrespeitou a Presidenta Dilma e a todos os brasileiros ao declarar guerra à Líbia estando em Brasília! O que mereceu reparos posteriores da própria Dilma. E, pouco depois, uma espécie de confissão governamental sobre o trágico erro da posição brasileira então, quando o Assessor Internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, afirmou que aquela resolução foi na verdade uma “autorização para a matança”.



Kadafi, um dos 200.000 mortos pela ação direta (ou de apoio a rebeldes) da OTAN na Líbia
Foram 203 dias de mortíferos bombardeios para “salvar civis”, destruindo toda a infraestrutura construída pelo povo líbio em 40 anos, o que levou aquela nação a registrar o mais elevado IDH da África.

Hoje, o petróleo líbio, antes nacionalizado, e utilizado com alavanca para sustentar um sistema de eliminou o analfabetismo, socializou a educação e a saúde, já está nas mãos das transnacionais petroleiras, evidenciando a guerra de rapina. Nem mesmo a esquerda otanista, que apoiou a invasão, pode negar os 200 mil mortos líbios, as prisões abarrotadas, a dizimação sumária das populações negras em cidades totalmente calcinadas, as torturas. Qual é o balanço que o Itamaraty faz de seu próprio voto que, em última instância, encorajou semelhante massacre?

Também é sinal de involução na posição do Itaramaty em relação à gestão de Lula-Celso Amorim, o voto brasileiro na ONU contra o Irã na temática direitos humanos, sobretudo quando é conhecidíssima a descarada manipulação dessa esfarrapada bandeira humanista pelo militarismo imperial. Aliás, aquele voto contra o Irã, só não foi acrescido de vexame diplomático internacional porque o governo persa advertiu com informações objetivas ao governo brasileiro de que a tão difundida cidadã iraniana Sakhiné foi condenada por ter assassinado seu marido e não porque teria praticado adultério como tantas vezes se repetiu no sempre duvidoso jornalismo global. E também de que era apenas uma grosseira mentira a “notícia” de que os livros de Paulo Coelho eram censurados no Irã, quando são vendidos livremente, e muito, em todas as livrarias das grandes cidades persas. A ministra da cultura de um país com taxas de leituras raquíticas e analfabetismo vergonhoso quase comete o papelão de um protesto oficial. Desistiu a tempo.

TELHADOS DE VIDRO

Que diferença da postura firme do Itamaraty no governo que condenou veemente a criminosa guerra imperialista contra o Iraque! Agora, observa-se uma gradual aproximação das posições do Itamaraty aos conceitos e valores daqueles países que promoveram aquelas intervenções indefensáveis contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia. O que indicaria contradição evidente também diante das próprias declarações da presidenta Dilma Roussef sobre direitos humanos em Cuba, rejeitando, com justeza, a pressão das grandes potências para a condenação unilateral e descontextualizada de países com posturas independentes.

Todos temos telhados de vidro”, lembrou a mandatária verde-amarela.

Corretíssimo! Mas por que então somente o Irã foi alvo de voto da delegação brasileira na ONU? Por que não há voto brasileiro na ONU contra Guantánamo, as torturas praticadas pelos dispositivos militares dos EUA, os sequestros de cidadãos islâmicos em várias partes do mundo, com a conivência dos países europeus que se gabam de serem professores em matéria de democracia e direitos humanos, mas que oferecem seu território, seu espaço aéreo e suas instalações militares para, submissos, colaborarem com as repressivas leis exclusivas dos EUA? Será que o Itamaraty vai fazer algum protesto na ONU diante de declarações de autoridades do Pentágono de que comandos militares dos EUA que executaram Bin Laden no Paquistão poderão atuar também na América Latina?

Não estará havendo um descolamento de algumas posturas do Itamaraty em relação à posição estratégica que a política externa vem construindo ao longo de décadas, reforçada de modo mais elevado e coerente no governo Lula? Nesse período, formatou-se uma estratégica prioridade para relação cooperativa com os países do sul, uma integração concreta com a América Latina e Caribe, agora consolidada na criação da CELAC, a igual prioridade para o fortalecimento da UNASUL (inclusive de seu Conselho de Defesa), a defesa da legítima soberania argentina sobre as Malvinas contra a ameaçadora pretensão colônia inglesa e, finalmente, a coordenação e inclusão do Brasil no Grupo do BRICS, sem esquecer os objetivos que levaram Lula a promover a “Cúpula de Países Árabes e América do Sul”.

O Brasil diversificou prudentemente suas relações internacionais tendo agora como maior parceiro comercial a China e não os EUA, com quem possui perigoso e crescente déficit comercial, além de ser um país que já promoveu sanções contra o Brasil por causa do Acordo Nuclear, por causa da Projeto Nacional da Informática, sem esquecer, claro, o nefasto golpe militar de 64, confessamente apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA.

A SINISTRA MENSAGEM DA LÍBIA

Enquanto o Itamaraty parece hipnotizado por uma relação de aproximação com os países que mais promovem intervencionismo militar unilateral e ilegal no mundo, nos círculos militares brasileiros se ouviu e se entendeu com clareza e concretude a ameaçadora mensagem enviada pelas grandes potências com a agressão à Líbia, inclusive, aplicando arbitrariamente, ao seu bel prazer, os termos da Resolução aprovada na ONU. Especialistas militares brasileiros já discutem em organismos superiores a abstração de uma visão política que não considera que a intervenção rapinadora sobre as riquezas da Líbia são também ensaios e testes para ações mais amplas e generalizadas que podem ser aplicadas contra todo e qualquer país que também possua riqueza energética e alguma posição independente no cenário internacional. O figurino não serve para o Brasil?

Tal como Kadafi, que se desarmou, que abandonou seu programa nuclear, que se aproximou perigosamente dos carrascos de seu próprio projeto de nação, e que não pôde organizar uma linha estratégica de defesa em coordenação com países como Rússia e a China, o Brasil também desarmou-se unilateralmente durante o vendaval neoliberal. A indústria bélica brasileira foi levada ao chão praticamente, configurando-se, agora, um perigoso cenário: é possuidor de imensas reservas de petróleo descobertas, como também de urânio, de nióbio, de água, de biodiversidade, e, simultaneamente, não possuidor da mais mínima capacidade de defesa para controlar eficientemente suas fronteiras ou até mesmo a Baía da Guanabara como porta de entrada do narcotráfico internacional, cujas noticiadas vinculações com organismos como a CIA deveria merecer a preocupação extrema do Itamaraty. Será que a robusta e impactante revisão pela Rússia e China de suas posições adotadas quando admitiram a agressão imperial contra a Líbia para uma nova postura de veto a qualquer repetição da fórmula líbia que a OTAN confessa pretender aplicar contra a Síria não deveria alertar os formuladores da política do Itamaraty?

Da mesma forma que se ouviu estrondoso a acovardado silêncio itamaratiano quando um avião Drone dos EUA foi capturado, em dezembro, pelos sistemas de defesa iranianos quando invadia ilegalmente o espaço aéreo do Irã, agora, repercute novo silêncio brasileiro diante das jorrantes informações de infiltração de armas e de mercenários da Al-Qaeda em território sírio, como admitem autoridades de países membros da OTAN. O que pretende o Itamaraty? Defender os direitos humanos dos mercenários da Al-Qaeda subvencionados por países como a Arábia Saudita e o Qatar, que já haviam violado a soberania da Líbia, com o conivente voto brasileiro na ONU?

MANIFESTAÇÕES POPULARES DEFENDEM POSIÇÃO DA RÚSSIA E DA CHINA

Que significado terá para o Itamaraty a gigantesca manifestação popular em Damasco para receber o Chanceler russo, Sergei Lavrov, e agradecer a posição da Rússia e da China contra qualquer intervenção militar na Síria? Não estará a própria Rússia saindo de uma fase de hipnose de anos que, baseada na insustentável credulidade em torno dos acordos de redução de arsenais firmados com os EUA, levou-a, de fato, apenas a um desarmamento unilateral enquanto os orçamentos militares norte-americanos multiplicam-se e já suplantam os orçamentos militares de todos os países do mundo somados? Que significa para o Itamaraty a contundente declaração do Primeiro Ministro da China, Hu Jin Tão, propondo uma aliança militar sino-russa, após advertir que os EUA “só entendem a linguagem da força”?

Enquanto o Brasil vota com os países intervencionistas contra a Síria, a Inglaterra eleva sua presença militar nuclear no Atlântico Sul e os organismos militares brasileiros, como já tinham detectado durante da guerra das Malvinas nos anos 80, percebem que não há suficiente e adequada capacidade de defesa nacional para as riquezas do pré-sal.


Naquela época, embora posicionando-se pela neutralidade, o Brasil assumiu posição de neutralidade imperfeita que não o impediu de dar ajuda logística e de material de reposição militar à Argentina em sua guerra contra o imperialismo inglês, ocasião em que Cuba também ofereceu tropas ao governo portenho para lutar contra a Inglaterra.

Compare-se com a posição atual no caso sírio. Será que é motivo de preocupação concreta para o Itamaraty, tendo como base o princípio sustentado pelo Brasil, de que quantidades indeterminadas de aviões drones dos EUA vasculham o território sírio, como anunciam autoridades norte-americanas, violando, portanto, sua soberania? Essa ingerência externa não merece posicionamento formal do Brasil na ONU? Mas, na rasteira filosofia dos dois pesos e duas medidas, o Brasil vota em aliança aos países intervencionistas para intimidar o Irã em matéria de direitos humanos, mesmo quando a presidenta Dilma anuncia que todos têm telhado de vidro e que a discussão sobre os direitos humanos deve iniciar-se pela sistemática câmara de torturas que os EUA mantêm na base de Guantánamo. Será que as palavras de Dilma não são ouvidas no Itamaraty?

O governo do Líbano já está adotando posições políticas, que incluem manobras militares, para evitar que suas fronteiras com a Síria sejam utilizadas pelas nações que estão patrocinando o armamento e a infiltração de mercenários, com o apoio ostensivo de países intervencionistas, com o objetivo de derrubar o governo de Damasco. O mesmo está ocorrendo na Turquia, inclusive, com a ocorrência de grande manifestação popular em cidade turca fronteiriça à Síria, em apoio ao governo de Damasco. Em Curitiba, a Igreja Ortodoxa realizou Missa de Ação de Graças, organizada pelas comunidades sírio-libanesa e palestina, em agradecimento à Rússia e a China, gesto parecido ao ocorrido em Brasília, quando a mesma comunidade levou flores e agradecimento à embaixada da Rússia no Brasil.

PARTIDOS E SINDICATOS

É importante que os partidos e sindicatos, sobretudo a aliança dos partidos progressistas e anti-imperialistas que sustentam o governo Dilma, discutam atentamente as sombrias involuções da política do Itamaraty. Os militares brasileiros, certamente, já estão discutindo em seus organismos de estudo e planejamento, como indica a quantidade de textos e participações de autoridades militares brasileiras em audiências públicas e em publicações especializadas, sobretudo a partir da sinistra mensagem da Líbia.

Enquanto o Brasil é alvo de guerra cambial desindustrializadora, como advertem membros do governo, enquanto especialistas militares advertem para o período de nosso desarmamento unilateral frente a nossas gigantescas e cobiçadas riquezas naturais, observa-se, enigmaticamente, um reposicionamento do Itaramaty, distanciando-se não apenas dos princípios e posturas aplicadas mais acentuadamente durante o governo Lula, mas, distanciando-se também do conjunto de países com os quais vem construindo linha de cooperação para escapar dos efeitos da crise que as nações imperialistas tentam descarregar sobre a periferia do mundo. E aproximando-se dos sinais e valores impregnados nos discursos e atos da sinistra Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aquela que comemorou com uma gargalhada hienística quando viu as imagens de Muamar Kadafi sendo sodomizado e executado graças a informações prestadas pelos comandos militares dos EUA, conforme denunciou Vladimir Putin.

Ponto alto da campanha eleitoral de Dilma Roussef foi a declaração de Chico Buarque em defesa de sua candidatura porque com Lula e Dilma, disse ele, “o Brasil não fala fino com os EUA e não fala grosso com a Bolívia”. O que explicaria, então, esta enigmática e contraditória aproximação do Itamaraty com as posturas ingerencistas de Hillary Clinton com relação à Síria e ao Irã? Seria afastamento em relação à genial síntese feita pelo poeta e revolucionário Chico Buarque?”

FONTE: escrito por Beto Almeida, jornalista, membro da Junta Diretiva da Telesur. Publicado no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=5481) . [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’. Postagem por sugestão do leitor Probus].
 
 

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 - No Democracia e Política


DEFESA BRASILEIRA PLANEJA 'GUERRA' QUE SÓ TERMINA EM 2016
 


PARA GARANTIR SEGURANÇA EM SEIS GRANDES EVENTOS NO PAÍS, FORÇAS ARMADAS MONTAM PROJETO ESPECIAL DE R$ 1,5 BILHÃO

Por Roberto Godoy, no “Estadão”

“O governo vai investir R$ 150 milhões na estrutura da Defesa para garantir a conferência Rio+20, em junho. É só o começo. A série de eventos segue em 2013 com a Copa das Confederações, o teste para a Copa do Mundo de 2014, a Copa América, em 2015, e só termina no dia 21 de agosto de 2016, encerramento da Olimpíada.

No meio da agenda, haverá ainda uma visita do papa Bento XVI em julho de 2013 - um roteiro de cinco dias, apenas no Rio.

Consideradas somente as providências da preparação para as três competições de futebol, as aplicações nas Forças são estimadas em R$ 699 milhões.

O custo final das providências poderia chegar a R$ 5,2 bilhões, número submetido ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Lula considerou a conta muito alta. O processo parou.

Os cálculos atuais, mais realistas, consideram R$ 1,5 bilhão como faixa limite. O ministro Celso Amorim tem dito que não vai faltar dinheiro para o programa.

O projeto prevê a recuperação e compra de equipamentos, criação de centros integrados de comando, comunicações, controle e inteligência e qualificação de pessoal - grupos de Forças Especiais, entre os quais times preparados para ações antiterror. Outra demanda: 84 helicópteros.

Sonho tecnológico de alto custo, uma plataforma ISTAR (Inteligência, Designação de Alvos, Vigilância e Reconhecimento) pode vir a ser montada no jato R-99 do Esquadrão Guardião, de Anápolis (GO), que emprega a versão militar do birreator ERJ-145, da Embraer. Até agora, só a modernização da frota - cinco aeronaves de alerta avançado, e três de sensoriamento remoto - foi decidida.



R-99
Segundo um oficial do Exército, o planejamento é equivalente ao de uma campanha militar regular. Serão seis etapas, cerca de 105 dias de operações. E um enorme esquema de contenção em 12 cidades-sede dos jogos.

GUERREIROS TÉCNICOS

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai cuidar da defesa do espaço. Terá de recorrer ao seu melhor material, o supersônico F-5M, modernizado na Embraer Defesa e Segurança. A presidente Dilma Rousseff pode decidir o vencedor do projeto F-X2 do novo avião de combate ainda este ano - mas não haverá tempo para que as aeronaves sejam entregues, as tripulações treinadas e o suporte técnico instalado em menos de dois ou três anos. A frota dos F-5M, cerca de 55 caças, tem, em média, 36 anos. Revitalizados a partir de 2003, ganharam extensão da vida útil - vão voar, talvez, até 2017.



F-5M
Os quatro Centros Integrados de Defesa e Controle (CINDACTA) do País receberão o sistema Sagitário, um software nacional criado pela empresa ATECH, capaz de processar dados de diversas fontes de captação - radares, satélites, sensores de relevo - e consolidá-los em uma só apresentação visual, na tela digital. A Aeronáutica vai formar 300 controladores de voo a cada ano.



Sistema Sagitário
A Rio+20 será o laboratório do projeto. A mobilização vai envolver 12,2 mil militares: 2 mil da Marinha, 10 mil do Exército e 200 da FAB. Toda movimentação dos chefes de Estado será feita sob supervisão e escolta. O espaço aéreo permanecerá fechado no Rio em determinadas situações.

Navios da Força naval e os mergulhadores de combate Grumec (time de elite inspirado pelos Seal dos EUA, os mesmos que conduziram o ataque ao esconderijo de Bin Laden no Paquistão) vão atuar na orla.



Grumec
 Exército vai deslocar blindados, tropas e equipes da Brigada de Forças Especiais de Goiânia. A coordenação desse contingente será feito por meio de cinco diferentes centros de comando.



Blindado Cascavel
O Ministério da Defesa, a “Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos” do Ministério da Justiça e o “Gabinete de Segurança Institucional” da Presidência terão salas de situação para agregar informações.

Ao longo dos próximos três anos, sete unidades vão entrar em funcionamento. Essa rede, associada à malha eletrônica existente, é a responsável pelo viés da proteção cibernética, bloqueando ações hostis.

Na ponta tática, os melhores guerreiros - o pessoal das Forças Especiais, cujo trabalho é mantido sob rigoroso sigilo. Em 2004 somavam 2 mil combatentes. Expandida, a brigada pode ter entre 3 mil e 4 mil soldados. A missão das equipes será a prevenção de atentados e ações de extremistas.

FONTE: reportagem de Roberto Godoy no “O Estado de São Paulo”  (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=23/02/2012&page=mostra_notimpol) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].


 
 

 
 

agora entendi porque nenhum jornal nem o JN revelou o nome do dono do jetski.

Mas pode ter sido para preservar o estado de direito.

 

http://dialogospoliticos.wordpress.com/2012/02/23/dono-do-jet-ski-que-ma...

http://www.pravdanews.jex.com.br/sao+paulo/ze+cardoso+e+candidato+a+pref...

http://historiaspraboiacordar.wordpress.com/2012/02/22/delegado-responsa...

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 - No Democracia e Política


DILMA APRESSA OBRAS DA FERROVIA TRANSNORDESTINA
 


Por Daniel Rittner e André Borges, no jornal “VALOR”

“O empresário Benjamin Steinbruch deverá ser chamado ao Palácio do Planalto, nas próximas semanas, para nova conversa sobre o andamento das obras na ferrovia Transnordestina. “A presidenta Dilma Rousseff quer ritmo mais forte nas obras para [assegurar] a conclusão em 2014″, afirma o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

De acordo com o ministério, só 874 quilômetros dos 1.728 quilômetros do empreendimento estão sendo realmente executados pela “Transnordestina Logística”, empresa que é controlada pela “Companhia Siderúrgica Nacional” (CSN). Passos diz que o governo reconhece o avanço das obras desde a contratação da Odebrecht, no fim de 2009. Ele lembra que mais de 10 mil pessoas estão trabalhando nos canteiros, há mais de 100 mil toneladas de trilhos já armazenadas em Salgueiro (PE) para instalação na ferrovia e uma fábrica local tem capacidade para produzir 4.800 dormentes por dia. No trecho entre Salgueiro e Missão Velha (CE), de 96 quilômetros, 98% dos trabalhos estão prontos e a previsão é concluir as obras em até 90 dias.


A avaliação do governo, no entanto, não é totalmente satisfatória. Outro trecho cearense, entre Missão Velha e Aurora, já teve seus trabalhos iniciados. Mas são apenas 50 quilômetros. “Isso é muito pouco. O que nós desejamos são maiores extensões atacadas (por obras) e ritmo mais forte”, observa o ministro.

Para transmitir essa mensagem pessoalmente a Steinbruch, que é principal acionista da CSN, Dilma e os ministros envolvidos com o assunto conversarão “proximamente” com ele “para tratar do encaminhamento da obra e para que não se frustre a expectativa nossa quanto à sua conclusão”. Na visita que fez ao Nordeste, no início de fevereiro, Dilma percorreu trechos das obras da transposição do rio São Francisco e da Transnordestina. No entanto, abortou parte da viagem que tinha como objetivo inspecionar o andamento da ferrovia. Na ocasião, Steinbruch “não pôde estar presente porque estava fora do país”, segundo o ministro Passos.



Para ele, há três áreas em que pode haver avanços mais rápidos. O trecho entre Trindade (PE) e Eliseu Martins (PI) ainda tem 167 quilômetros sem trabalhos, devido a pendências nos processos de desapropriação, a cargo do governo piauiense. Nos outros dois trechos, a aceleração das obras “depende de a Transnordestina Logística contratar”, afirma o ministro.

O primeiro em que há cobrança do governo à empresa é entre Aurora e Pecém, no Ceará, com 477 quilômetros. Avalia-se que as desapropriações estão andando e é hora de iniciar as obras. O segundo envolve a chegada ao porto de Suape, em Pernambuco, com quatro lotes. Eles exigem a realocação de 600 famílias, na região metropolitana de Recife, e uma mudança do traçado original, que passaria pela barragem de Serro Azul. “A empresa prometeu atacar dois lotes”, diz Passos.

O orçamento para a Transnordestina, cotado a R$ 4,5 bilhões em 2004, aumentou para R$ 5,4 bilhões em 2008. No fim do ano passado, subiu para R$ 6,8 bilhões. Há forte participação estatal no financiamento, com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Nordeste. Também há recursos do FINOR e da VALEC. Inicialmente, a previsão do governo era concluir a ferrovia em 2010.”

FONTE: reportagem de Daniel Rittner e André Borges, no jornal “Valor Econômico”. Transcrita no blog de Luis Favre  (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/02/dilma-quer-apressar-obras-de-ferrovia/). [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
 
 

 

24 de Fevereiro de 2012 - 16h48 - No Vermelho


Imprensa russa denuncia preparação de agressão à Síria

 


Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ajustam planos para uma intervenção militar contra a Síria, segundo denunciou nesta sexta-feira (24) a emissora de televisão Russia Today (RT).


Foram previstos diferentes cenários com essa finalidade, que deverão ser apresentados para a aprovação do presidente estadunidense, Barack Obama, de acordo com fontes do Pentágono às quais a agência de comunicações israelense Debka, citada em Moscou pelo RT, fez referência.

De acordo com a versão do canal de televisão russo, na chamada Conferência dos Amigos da Síria, que reune agora cerca de 80 países na Tunísia, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, deverá sondar a todos sobre a aceitação de uma ação bélica.

Hillary conhecerá o parecer sobre uma escalada militar ocidental de países como Arábia Saudita, Egito, Catar ou Emirados Árabes Unidos, enquanto se fala da possível participação de tropas da França, Reino Unido, Itália e Turquia, indica a RT.

A informação trazida pela chefe da diplomacia estadunidense seria um aspecto de relevância para a tomada de decisão de Obama sobre uma ação bélica, de acordo com informações da Debka, ao que se remete o canal russo.

O cientista político Omar José Hassan Fariñas destacou, em declarações à RT, a parcialidade do Ocidente ao avaliar o conflito sírio, com fortes críticas ao governo.

"Não convém aos países ocidentais, em especial os pertencentes à OTAN, escutar aqueles que apoiam as reformas políticas do presidente sírio, Bashar al-Assad, porque isto vai contra seus planos de intervenção", destaca o especialista.

O RT recorda que recentemente Sibel Edmunds, um informante do Birô Federal de Investigações (FBI), revelou que, desde maio de 2011, os Estados Unidos e a Otan treinam subversivos sírios na localidade turca de Hakkari.

Outros 10 mil líbios recebem treinamento na Jordânia para participar de ações militares contra a Síria, segundo assinala o canal russo.

Damasco denuncia a todo momento que enfrenta ações violentas de grupos terroristas, dirigidas contra as autoridades e a população, em muitas ocasiões apresentadas no Ocidente como ataques das forças armadas sírias.

Fonte: Prensa Latina


 

 

 


Pepe Escobar: “Qual é o jogo do Supremo Líder do Irã?”
 



25/2/2012, Pepe EscobarAsia Times Online
What is Iran's Supreme Leader's game?
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Interrompemos esse programa para propor a grande pergunta guerra-ou-paz: que jogo o Supremo Líder do Irã Aiatolá Ali Khamenei está realmente jogando? 
 

Pepe Escobar
Tema recorrente entre a animada diáspora iraniana global é que o Supremo Líder é o agente ideal de EUA/Israel – na medida em que encarna o Irã como “o inimigo” (em vários casos menos que o presidente Mahmud Ahmadinejad); paralelamente, a ditadura militar do mulariato em Teerã também precisa do “inimigo” – um Grande Satã e os Sionistas – para justificar seu monopólio do poder. 
 
Quem mais perde nesse caso é a verdadeira democracia iraniana – como base da capacidade do país para resistir ao Império. Especialmente agora, depois da muito suspeita eleição presidencial de 2009 e da repressão ao movimento Verde – quando até ex-apoiadores diziam que a República Islâmica deixara de ser “república” e com certeza já não era “islâmica”. 
 
Ao mesmo tempo, iranianos – e ocidentais – bem informados que criticam o Império dizem também que o governo beligerante da maioria do Likud no governo israelense é, de fato, o agente ideal a serviço do Irã. Isso porque o primeiro-ministro Benjamin "Bibi" Netanyahu e o ex-leão-de-chácara da Moldávia feito ministro de Relações Exteriores Avigdor Lieberman e fazedores-de-guerras em tempo integral conseguiram unir contra eles mesmos e em defesa do regime, todos os iranianos de todos os grupos e fés – sempre orgulhosamente nacionalistas. 
 
Afinal, a absoluta maioria dos iranianos sente que estão postos como alvo de uma potência estrangeira fortemente armada – EUA-Israel, acompanhada nas sombras pelas monarquias sunitas do Clube Contrarrevolucionário do Golfo, também conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo. O regime foi esperto o bastante para instrumentalizar essa ameaça estrangeira e, ao mesmo tempo, acabar de esmagar o movimento Verde. 
 
Mantenha suas bombas longe de mim 
 
Estamos a menos de uma semana das eleições parlamentares no Irã, que acontecerão dia 3 de março. São as primeiras eleições depois do drama de 2009. EmThe Ayatollahs' Democracy: an Iranian Challenge [A Democracia dos Aiatolás: um desafio iraniano] (New York: W. W. Norton, 2010, 282 p. [1]), Hooman Majd apresenta argumentos de peso, detalhando como a eleição de 2009 foi roubada. E aí está o principal problema de hoje: milhões de iranianos já não acreditam em sua democracia islâmica. 
 
Gholam Reza Moghaddam, clérigo e presidente da Comissão doMajlis(parlamento) que está conduzindo movimento extremamente delicado – em meio a uma crise econômica – para pôr fim aos subsídios que o governo dá a itens de alimentação básicos e energia, admitiu recentemente que o governo de Ahmadinejad está, por todos os meios possíveis, subornando a população “para encorajar os eleitores a votar nas eleições para oMajlis”. 
 
O major-general Yahya Rahim Safavi – alto conselheiro militar de Khamenei e, muito importante, ex-chefe do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos [orig.Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC)– pediu que os iranianos “levem a sério as eleições e votem em massa, para fazer das eleições outro evento épico”. O Líder Supremo crê – ou espera – que nesse “evento épico” o comparecimento às urnas fique em torno de 60%. 
 
Podem estar a caminho de uma dura decepção. O que se diz é que, entre os universitários, o interesse pelas eleições está próximo de zero. Não surpreende: o líder do movimento Verde, Mir Hossein Mousavi, está, há um ano, em prisão domiciliar. SegundoKaleme, website aliado de Mousavi e de sua esposa, Dra. Zahra Rahnavard, o casal foi autorizado a falar, apenas por poucos minutos, há alguns dias, por telefone, com as três filhas. 
 
A atenção de Khamenei parece estar mais concentrada na pressão externa, que na dinâmica interna. Mais uma vez, na 4ª-feira, falou publicamente, renovando o que já disse: que uma bomba atômica seria anti-islâmica. Suas palavras bem deveriam ser – mas não serão – atentamente examinadas no ocidente:
 
Cremos que usar armas nucleares éharame proibido e que é dever de todos esforçarem-se para proteger a humanidade contra esse grande desastre. Cremos que, além de armas nucleares, outros tipos de armas de destruição em massa, como as armas químicas e biológicas, também são grave ameaça à humanidade. A nação iraniana, que já é vítima de armas químicas, sente, mais que outras nações o risco que se cria sempre que se produzem e armazenam armas desse tipo. O Irã está preparado a fazer uso de todas as suas capacidades, para enfrentar esse risco.
 
Para conhecer as ideias ‘nucleares’ do Supremo Líder, bastaria que os doidos-por-guerra consultassem seu website [2]. Claro que não consultarão. 
 
O que é garantido é que o líder dá sinais de que está pronto para combates de longo prazo. Foi o que disse o major-general (aposentado) Mohsen Rezai, secretário-geral do Grande Conselho [orig.Expediency Council [3]], com menos palavras: as sanções ocidentais perdurarão por no mínimo mais cinco anos;  são muito mais duras que as impostas durante a guerra Irã-Iraque de 1980-1988. 
 
Rezai disse também que, por 16 anos, quando Akbar Hashemi Rafsanjani e depois Mohammad Khatami foram presidentes, o Irã tentou alguma espécie de acerto com os EUA; mas, “porque a separação [entre EUA e Irã] era profunda demais, nenhum acordo foi possível (...). Permitimos que vistoriassem Natanz, reduzimos o número de centrífugas, suspendemos as operações em Isfahan [unidade de conversão de urânio] e nosso presidente [Khatami] iniciou o “diálogo entre civilizações”. Mas [o presidente George W] Bush declarou que Irã, Iraque e Coreia do Norte seriam o “eixo do mal” e iniciou a confrontação conosco”. [4] 
 
Um ex-porta-voz da equipe de negociadores iranianos para a questão nuclear, embaixador Hossein Mousavian [5], atualizou essa inspiração confrontacional – frente à equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (ing.International Atomic Energy Agency (IAEA)] que visitou o Irã em outubro de 2011, liderada pelo vice-diretor-geral Herman Nackaerts – o mesmo Nackaerts que, essa semana, retornou ao Irã. 
 
Segundo Mousavian, “durante a visita, Fereydoon Abbasi-Davani, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, entregou um cheque em branco àIAEA, assegurando plena transparência, abertura às inspeções e cooperação com aIAEA. Também informou Nackaerts da disposição do Irã para pôr o programa nuclear do Irã sob “plena supervisão daIAEA”, inclusive com implementação do Protocolo Adicional [do Tratado de Não Proliferação Nuclear] por cinco anos, sob a única condição de que fossem levantadas as sanções contra o Irã”. [6] 
 
Adivinhem qual foi a reação de Washington? Esqueçam o diálogo; queremos sanções. E assim o palco estava armado para que Washington desse os passos seguintes: o golpe dos Velozes & Furiosos para tentar culpar Teerã pela tentativa de assassinato do embaixador saudita aos EUA; pressão para que se ignorasse o relatório daIAEAsobre o Irã, de novembro de 2011, distribuindo a suspeita de que haveria “um possível ângulo militar” no programa nuclear iraniano; embargo do petróleo; imposição à ONU de uma resolução contra o Irã sob acusação de terrorismo; e a lista prossegue. 
 
Mostre-me o caminho do Imã [Khomeini]
 
Todos os assuntos no Irã, internos e externos, são resolvidos por Khamenei – não por Ahmadinejad. Se o Supremo Líder parece manter a mão bem firme sobre o dossiê nuclear, nas questões domésticas tudo parece menos firme. Fora das grandes cidades, Khamenei ainda preserva o apoio popular – enquanto os empréstimos que o Estado faz às populações rurais continuarem com a mesma generosidade, enquanto, pelo menos, as sanções ocidentais não morderem mais fundo. 
 
Mas o alto clericato em Qom já começa a clamar por mecanismos legais que permitam supervisionar – e criticar – o Líder Supremo. Sua resposta – segredo para ninguém, em Teerã – foi mandar instalar escutas clandestinas em todos os locais de estudo e nas casas dos altos clérigos. 
 
Khamenei sempre rejeitou veementemente qualquer tipo de supervisão que lhe fizesse o Grande Conselho – o corpo que indica o Supremo Líder, monitora seu desempenho e pode destituí-lo. 
 
Segundo Seyyed Abbas Nabavi, chefe da Organização pela Civilização e pelo Desenvolvimento Islâmicos, Khamenei disse aos especialistas que “não aceito que o Grande Conselho diga ao Supremo Líder que continua qualificado, mas, em seguida questione por que um ou outro funcionário tenha sido encaminhado numa ou noutra direção, ou por que permiti que determinado funcionário [faça certas coisas]”. [7] 
 
Depois da explosão de indignação em 2009 – quando pela primeira vez o povo exigiu, nas ruas, a queda do Supremo Líder – a revolta prossegue, com iranianos letrados que zombam de Khamenei, apresentado como turrão, invejoso e vingativo, que acalenta ira monstro contra os milhões de iranianos que jamais engoliram o apoio que deu a Ahmadinejad em 2009 (Khamenei sempre chamou aqueles manifestantes de “sediciosos”). 
 
Por exemplo, até a filha de um aiatolá muito conhecido disse publicamente que Khamenei “tem ódio no coração” contra Rafsanjani e ex-candidatos potenciais à presidência Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karoubi “por causa do amor que o Imã [Khomeini] tinha por ele e do apoio que lhes dava e também porque, em comparação a esses três, sobretudo comparados a Hashemi [Rafsanjani] e Mousavi, vê-se claramente que Khamenei é indivíduo de segunda classe”. Khamenei agora está sendo apontado como culpado de tudo, da queda na produção nacional, do aumento da inflação e da corrupção disseminada. 
 
O que levanta a seguinte questão: e o Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos? Apoiam o Supremo Líder? 
 
Para a diáspora iraniana, esse apoio não passa de pura propaganda. O fato é que o Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos já estaria convertido em conglomerado monstro, com miríades de interesses militares-industriais, econômicos e financeiros. Altos gerentes – e a constelação de empresas que controlam – estão conectados ao etos de antagonizar o ocidente, o mesmo ocidente de cujas sanções eles muito lucram, sem remorso. Assim, para eles, ostatus quoestá perfeitíssimo – apesar do risco diário de que um passo em falso, um acidente ou uma operação encenada levem à guerra. 
 
Ao mesmo tempo, oIRGCpode contar com o apoio político/estratégico de Rússia e China, dois BRICS – e tem certeza de que o país conseguirá superar o embargo e continuará a vender petróleo, sobretudo a clientes asiáticos. 
 
Mas o mais substancioso, em termos de dinâmica interna, é o fato de que ocremedoIRGCestá hoje engajado num tipo de guerra econômica contra osbazaaris– os mercadores persas, tradicionalmente muito conservadores. 
 
É importante lembrar que essesbazaarisfinanciaram a chamada Revolução Islâmica “O Caminho do Imã”, em 1979. Eram – e continuam – opositores radicais do colonialismo (especialmente do colonialismo como praticado por britânicos e norte-americanos); mas isso não implica que sejam antiocidente (detalhe que muitos no ocidente ainda não entendem). 
 
Mas uma vez, como importantes analistas iranianos têm insistido, é preciso lembrar que omottooriginal da revolução islâmica foi “Nem leste nem oeste”; o que interessava era uma espécie curiosamente budista de ‘trilha média do caminho’– e exatamente essa “trilha média”, o “Caminho do Imã”, garantiria a existência de um Irã que seria islâmico e soberano, e não alinhado. 
 
Adivinhem quem participava daquela coalizão de vontades chamada “Caminho do Imã”? Exatamente os inimigos de Khamenei (e de Ahmadinejad): Mousavi, Khatami, Karoubi e Rafsanjani, para nem falar de uma facção moderada doIRGC, representada por Mohsen Rezai, ex-comandante doIRGCe ex-candidato à presidência. 
 
O que a Coalizão “Caminho do Imã” está dizendo, essencialmente, é que Khamenei traiu os princípios da revolução; acusam-no de tentar converter-se numa espécie de califa xiita – e governante absolutista. Essa mensagem está encontrando eco cada dia mais forte entre milhões de iranianos que creem em um estado que seja verdadeiramente “islâmico”, mas, ainda mais, creem num estado que seja verdadeiramente uma “república”. 
 
O que afinal nos leva ao supremo medo que acossa o Supremo Líder: que uma coalizão de republicanos islâmicos puristas – entre os quais os poderosos clérigos de Qom e os poderosos comandantes e ex-comandantes doIRGC– decidam levantar-se, derrubá-lo e, finalmente, implantar no Irã uma verdadeira república islâmica. 
 
Seja como for, só uma coisa é certa e não varia: ninguém, em nenhum caso, desistirá do programa nuclear iraniano para finalidades civis. 

 
Notas dos tradutores


[1] Para uma resenha do livro, verSmall Wars Journal, 20/4/2011, em: “Book Review: The Ayatollah's Democracy: An Iranian Challenge” (em inglês).


[2] Em “The Supreme Leader’s View of Nuclear Energy” (em inglês).


[3] Em inglês, “Expediency Discernment Council of the System”; em persa, مجمعتشخیصمصلحتنظام‎; é uma assembleia administrativa de membros cuja principal competência é indicar o Supremo Líder; foi criado depois da revisão da Constituição da República Islâmica do Irã, dia 6/2/1988. Originalmente, foi criado para dirimir conflitos entre oMajlise o Conselho de Guardiães. Segundo Hooman Majd, o líder “delegou parte de sua autoridade ao conselho – dando-lhe poderes para supervisionar todos os ramos do governo – depois da eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2005 . Pode ser traduzido, tentativamente, como Conselho para Discernimento e Administração do Sistema, aqui apenas “Grande Conselho”, para simplificar.


[4] 18/2/2012, texto original em farsi em: محسنرضايي : سياست،فرهنگواقتصادبايددچارتحولشوند 

[5] Sobre declarações de Hossein Mousavian, ver também 20/2/2012, “EUA e Irã avançam (devagar) rumo a conversações”, MK Bhadrakumar.


[6] MOUSAVIAN, Hossein. 9/2/2012, “How to engage Iran”, Foreign Affairs


[7] Texto original em farsi em: بده‌بستان‌هاويارگيري‌هايرانتي،آفتانتخاباتاست 

 

Postado por Castor Filho às 2/24/2012
 
 

 

Do IG

Dilma intervém em crítica de militares a ministras

Presidenta se reuniu com comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica para pedir a "desautorização" de nota de crítica

AE | 24/02/2012 17:38

Os presidentes dos Clubes Militares foram obrigados ontem a publicar uma nota desautorizando o texto do "manifesto interclubes" que criticava a presidenta Dilma Rousseff por não censurar duas de suas ministras que defenderam a revogação da Lei da Anistia.

Dilma não gostou do teor da nota, por não aceitar, segundo assessores do Planalto, qualquer tipo de desaprovação às atitudes da comandante suprema da Forças Armadas.

A presidenta convocou o ministro da Defesa, Celso Amorim, para pedir explicações e este se reuniu com os comandantes das três Forças, que negociaram com os presidentes dos clubes da Marinha, Exército e Aeronáutica, a "desautorização" da publicação do documento, que foi colocado no site do Clube Militar, no dia 16, como revelou o Grupo Estado. O episódio deverá servir para acelerar a nomeação dos integrantes da Comissão da Verdade, sancionada em novembro pela presidenta e que está em banho-maria no Planalto.

Apesar de terem sido obrigados a recuar, para não criar uma crise militar, os presidentes dos Clubes não se conformam com as críticas que as Forças Armadas têm recebido e temem que a comissão da verdade só ouça um dos lados na hora de trabalhar. Os presidentes dos Clubes da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, e da Marinha, almirante Ricardo da Veiga Cabral, disseram que em momento nenhum quiseram criticar a presidente Dilma e que a nota foi uma "precipitação", no momento em que os principais assuntos para a categoria, são a defasagem salarial e a necessidade de reaparelhamento das Forças Armadas.

O almirante Veiga Cabral, no entanto, classificou como "provocação" as falas das ministras das Mulheres, Eleonora Menicucci, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. "É uma provocação. Não podemos ficar parados. É natural que haja uma reação porque não é possível ficarmos sendo desafiados de um lado e engolirmos sapo de outro. A vida é assim, a cada ação tem uma reação", comentou o almirante, que disse ter havido "uma coincidência de interesses" neste momento, de se tirar a nota do ar. O almirante ressalvou que embora os militares, mesmo na reserva estejam sujeitos ao Estatuto dos Militares, "os clubes não estão subordinados ao Poder Executivo".

A nota dos Clubes Militares foi publicada no site do Clube Militar, que representa o Exército, quinta-feira que antecedeu o Carnaval e reproduzida pelo jornal O Estado de S. Paulo na edição de terça-feira. No dia seguinte, houve a reunião do ministro da Defesa com os comandantes e uma conversa com a presidente Dilma. Paralelamente a esta movimentação, os comandantes das três forças telefonaram para os presidentes dos três clubes para que a nota fosse suprimida. Ontem, o "comunicado interclubes" produzido a partir da reunião da semana passado foi retirado do site no início da tarde e por volta das 16 horas, colocada no ar um outro, dizendo que os presidentes desautorizavam o texto. Este desmentido, no entanto, não chegou a ficar meia hora no ar. O Clube do Exército, para tentar encerrar a polêmica, retirou a nota e o desmentido da nota, mas a polêmica já estava criada no meio militar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Marcelo Auler

Energia
24.02.2012 11:17 - Carta Capital
Em Furnas, uma barreira antiterceirizados

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Excessos? O Ministério Público vê exagero nos contratos com firmas de advocacia


Uma velha prática de Furnas Centrais Elétricas parece com os dias contados. Em um acordo celebrado na véspera do carnaval no gabinete do ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal, a estatal comprometeu-se a fazer o que há anos relutava: substituir empregados terceirizados por servidores concursados. Hoje, pelas informações da própria estatal, são 1.538 empregados de outras firmas a lhe prestarem serviços. Pelo acordo firmado quinta-feira, dia 16, até 2017 ela terá que substituir pelo menos 550 deles: 110 por ano.


Tanto o Ministério Público do Trabalho (MPT) como o Tribunal de Contas da União (TCU) cobravam, desde 2002, a substituição. A estatal alega ter apelado aos terceirizados desde que foi impedida de novas contratações, quando incluída no Plano de Desestatização, em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso. A ameaça de privatização caiu em 2004 no governo Lula mas, ainda assim, apesar de ter feito concurso público, a troca dos terceirizados emperrou.


Com isto a empresa viveu situações no mínimo esdrúxulas, como o caso do advogado Gustavo de Castro Failase. Desde 2009 ele tinha sala e ramal próprio na sede da empresa, no Rio, usava cartão de visita como advogado da “Assessoria de Assuntos Contratuais e Tributários” e representou a estatal em ações judiciais. Seu contrato, porém, era com a Engevix Engenharia S/A, para trabalhar na Usina Hidrelétrica de Batalha, em Paracatu (MG). Ele desligou-se dela recentemente e, agora, classificado no último concurso, pode retornar na condição de empregado.


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Failase, como diversos outros concursados, recorreu individualmente à Justiça do Rio de Janeiro em busca da contratação. Também foi o caso do advogado Luis Augusto Damasceno Mello que no Mandado de Segurança impetrado na Justiça Federal fluminense anexou diversos contratos de Furnas com escritórios de advocacia que substituíram profissionais aprovados e não convocados. Nos dois últimos anos, cerca de 30 concursados foram empregados na estatal por força de decisão judicial.


O caso chegou ao Supremo por conta da Federação Nacional dos Urbanitários que, através do Mandado de Segurança 27.066 conseguiu, em junho, liminar do ministro Fux suspendendo a troca dos empregados como havia sido acordada no TCU e determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Brasília em ação movida pelo MPT. A Federação pleiteava a contratação dos terceirizados através de um quadro suplementar. O pedido não foi atendido.


Como a liminar de Fux venceria em março, desde o ano passado o ministro promoveu reuniões em busca de uma solução. Ele se convenceu de que a troca, como determina a lei, não poderia ser abrupta, sob o risco de prejudicar o fornecimento de energia e provocar um apagão no país. Temeu ainda um problema social para os que vão perder o cargo. Assim surgiu o plano de substituição paulatina, dando tempo, inclusive, à aposentadoria dos mais antigos. Há ainda outros 300 cargos ocupados por terceirizados cuja discussão se dá em uma ação no TRT de Brasília, como explicou o procurador do Trabalho Fábio Leal Cardoso.


O acordo foi firmado na presença ainda do procurador-geral da República, Roberto Gurgel; do procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), Luís Antônio Camargo de Melo; e dos presidentes de Furnas, Flávio Decat de Moura; da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto; e da Federação dos Urbanitários, Marcus Alexandre Garcia Neves.


As críticas à terceirização se avolumavam.  Ao se deparar com 34 extratos de contratos publicados no Diário Oficial desde de julho de 2010 que Melo anexou ao Mandado de Segurança, a procuradora da República Marta Cristina Pires Anciães questionou-os por “sobejarem indícios de malversação de verbas públicas e indícios de existência de atos administrativos violadores do princípio da moralidade administrativa e da legalidade”.


Verificou, por exemplo, que por conta de uma investigação em torno de contratos de publicidade sem licitação, a estatal, em março de 2009, também sem licitação, buscou os serviços do escritório da advocacia Siqueira Castro. Ao preço de 1,2 milhão de reais, o advogado deveria realizar “estudo aprofundado dos termos do Inquérito Civil Público (ICP) nº 1.30.012.000172/2006.53”, acompanhar a investigação e defender os interesses da empresa e de “dirigentes e/ou ex-dirigentes, bem como pessoas por ela indicadas”, no caso de uma Ação Civil Pública (ACP).  Para marta Anciães, a ilegalidade não estava apenas na falta de licitação, mas também na “defesa de dirigente, ex-dirigentes e pessoas por ela indicadas”.


Instaurado na Procuradoria da República do Rio de Janeiro, o ICP acabou inconcluso. Em agosto de 2010, pelo entendimento de que cabe à Justiça Estadual verificar casos envolvendo sociedades de economia mista, o inquérito foi remetido ao Ministério Público Estadual. Com isto, Furnas pagou antecipadamente pela defesa dos que viessem a ser acusados de atos de improbidade administrativa contra ela, sem que nenhum processo instaurado. Vencido os dois anos do prazo contratual, o trabalho do escritório limitou-se ao estudo técnico.


Furnas diz que o TCU admite dispensa de licitação quando “comprovados os requisitos da inviabilidade de competição, da singularidade do objeto e da notória especialização do prestador”. O “estudo aprofundado”, na explicação da assessoria do advogado, foi “especializado, muito técnico”.


Para a estatal, o contrato atendeu outra recomendação do TCU determinada no Acórdão 313/2008: que ela “se abstenha de utilizar advogados de seus quadros para atuarem na defesa de interesses pessoais de dirigentes e empregados da empresa, inclusive após estes terem deixado seus cargos ou empregos”.


O acórdão surgiu com a rejeição de um recurso do ex-presidente da empresa – Luiz Laércio Simões Machado – contra a multa de 10 mil reais que lhe foi aplicada em 2002. Ao rejeitá-lo, os ministro destacaram dois pontos. Primeiro a proibição do jurídico da estatal defender “interesses particulares dos dirigentes da entidade”. Mas também que ex-empregados não podem “se valer dos serviços de advogado remunerado pelos cofres da entidade e do emprego de meios e recursos materiais da empresa para defender seus interesses pessoais”. Ou seja, impediram a estatal bancar a defesa de ex-dirigentes.


Tal determinação conflita com o estatuto social de Furnas, que garante aos ex-dirigentes a defesa em processos judiciais e administrativos “pela prática de atos no exercício do cargo ou função”. Segundo a assessoria da estatal, havendo condenação e dolo do defendido, “o mesmo terá que reembolsar os gastos despendidos”.  No caso do contrato com Siqueira Castro, não havendo processo, não haverá sentença, condenação ou definição de dolo. Logo, não se falará em ressarcimento. A conta de 1,2 milhão de reais ficará para a estatal.


 

 

Foi o mordomo...

Digo...  o caseiro...

"Adolescente confessa que deu partida em jet ski que matou menina em SP"

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

 24/02/2012 | Copyleft


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A economia europeia entre a estupidez e a ganância
A política de Obama se moveu em sentido inequivocamente progressista, enquanto a política de Merkel, apoiada por Cameron (Inglaterra) e Sarkozy (França), é indiscutivelmente regressiva, além de que ancorada nas principais tecnocracias europeias – entre as quais o BCE, cujo presidente, Mario Draghi, acaba de decretar o fim da social democracia numa entrevista ao Wall Street Journal. Da Europa sob o tacão alemão, pode-se dizer que seu destino é consumir-se num incêndio social jamais previsto, do qual a crise grega de recorrente decréscimo do PIB e de alto desemprego é o prenúncio geral. O artigo é de J. Carlos de Assis.

Qualquer jovem estudante de graduação em economia que tenha se familiarizado com noções elementares dessa disciplina sabe que, numa situação de recessão, a única receita para a retomada da economia requer a recuperação da demanda efetiva via aumento dos gastos públicos ou das exportações, junto com algum corte de impostos. No meu tempo de estudante, nos anos 70, aprendia-se isso no livro clássico de Paul Samuelson, e não me lembro de ninguém do ramo que pusesse em dúvida essa linha de pensamento keynesiano.

A rigor, nem é necessário ser economista para chegar à mesma conclusão. Bastam alguns conceitos econômicos elementares. A recessão tem muitas causas, inclusive o fim de um ciclo de especulação financeira, mas na essência ela acontece quando a procura de bens e serviços é inferior à oferta, desestimulando o investimento. Para revertê-la, não há como confiar no aumento de investimentos do setor privado porque ninguém vai investir se a demanda de seus produtos, por efeito da própria recessão, estiver em declínio ou estagnada. Ou seja, ninguém pode se levantar puxando os próprios cabelos.

Nesse contexto, a recuperação da recessão só pode vir de duas fontes: um forte aumento de exportações (demanda externa) ou um incremento do gasto público autônomo. É claro que os neoliberais preferem a primeira alternativa, porque ela não envolve uma possível transferência de renda de ricos para pobres através do orçamento público deficitário. Sim, porque se o caminho escolhido for o aumento do gasto público deficitário o governo terá de financiá-lo de alguma forma. No último caso, isso exigirá expansão monetária que traz o risco de diluir o patrimônio financeiro dos ricos.

Aqui, porém, cabe uma observação no sentido de evitar que se caia na armadilha ideológica neoliberal relativa à política monetária. Em nenhum sistema monetário-fiscal do mundo moderno o governo ou o banco central emitem dinheiro para cobrir déficit público. O que acontece, geralmente, é que o tesouro emite dívida pública (obrigação junto ao setor privado, portanto, sem imposto) para financiar o déficit, e o banco central emite dinheiro, não para comprar diretamente títulos públicos, mas para aumentar a disponibilidade de dinheiro no mercado e facilitar a compra dos títulos públicos pelos bancos privados.

Esses conceitos elementares são suficientes para uma crítica dos fundamentos essenciais das duas correntes de política econômica atualmente em curso no mundo, a norte-americana de Barak Obama e a alemã de Angela Merkel. Caveat, porque os bandidos viraram mocinhos, e os mocinhos bandidos: a política de Obama se moveu em sentido inequivocamente progressista, enquanto a política de Merkel, apoiada por Cameron (Inglaterra) e Sarcozy (França), é indiscutivelmente regressiva, além de que ancorada nas principais tecnocracias europeias – entre as quais o BCE, cujo presidente, Mario Draghi, acaba de decretar o fim da social democracia numa entrevista ao Wall Street Journal.

Qual é, em última instância, a receita alemã, do BCE, do FMI e da Comissão Europeia para o enfrentamento da crise financeira (e de demanda) na Europa? Simplesmente seguir o caminho da própria economia alemã, ou seja, aumentar as exportações. O aumento das exportações deverá puxar o emprego e a demanda interna, gerando um círculo virtuoso de demanda e investimento. Do ponto de vista distributivo, isso evita transferências de renda para pobres seja ao nível do orçamento público, seja ao nível das relações trabalhistas: para exportar mais os custos salariais devem ser baixos.

O problema com essa estratégia é que ela se aplica com eficácia só quando uma economia em crise se confronta com muitas economias saudáveis: por meio de uma desvalorização da moeda ou de outros mecanismos, ela aumenta sua capacidade de exportação, criando receita para abater suas dívidas e seu déficit. Contudo, no caso europeu atual, não havendo a possibilidade de desvalorizar a moeda nos países do euro, sua alternativa é reduzir os gastos públicos e a própria demanda interna, inclusive mediante o corte de salários no setor público e no setor privado (a Grécia implementou a inacreditável medida de reduzir o salário mínimo em 20%!).

Por outro lado, a Alemanha começou a sentir no último trimestre do ano passado, com um decréscimo do PIB de 0,2%, as consequências de sua estratégia exportadora numa situação em que boa parte do mundo, inclusive a eurozona que garante 40% de suas exportações, não tem condições de importar. Depois de um crescimento de 3% no ano passado, a derrocada de suas exportações e de sua economia é inevitável este ano, mesmo porque seus mercados tradicionais estão saturados, como os próprios Estados Unidos e a China. Talvez com isso sua arrogância neoliberal ceda ao princípio da realidade.

Já os Estados Unidos de Obama tentaram o que lhes foi possível diante da imbecilidade do Partido Republicano: o governo tem feito um déficit saudável e o Fed garantiu, através de dois ciclos de emissão monetária (QE1 e QE2), dinheiro barato para que os bancos privados comprem os títulos emitidos pelo setor público para financiar o déficit. É muito mais democrático e até socialmente mais justo do que a fórmula teuto-europeia. Da Europa sob o tacão alemão, pode-se dizer que seu destino é consumir-se num incêndio social jamais previsto, do qual a crise grega de recorrente decréscimo do PIB e de alto desemprego é o prenúncio geral.

P.S. É lamentável que, pelo que anunciou há duas semanas nosso Ministério da Fazenda, também o Brasil, depois de políticas fiscais progressistas a partir de 2009, esteja caindo na tentação alemã de cortar gastos públicos com a economia sob ameaça de recessão. Talvez isso se reverta depois que o BC anunciou uma pífia taxa de crescimento em 2011. Voltarei ao assunto.

(*) Economista e professor da UEPB, presidente do Intersul e co-autor, com Fancisco Antonio Doria, do recém lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna é publicada simultaneamente no site “Rumos do Brasil” e no jornal “Monitor Mercantil”, do Rio de Janeiro.


 


 

 

Lideranças de movimentos negros apoiam Paulo Henrique Amorim
 

Por Blog da Cidadania


Lideranças de movimentos negros manifestaram-se a este blog não apenas em solidariedade a Paulo Henrique Amorim, alvo da calúnia de que teria sido condenado pela Justiça por racismo, mas para explicar frase que teria gerado condenação que jamais existiu, sobre “negros de alma branca”.
Uma das lideranças é Adenilde Petrina Bispo, líder comunitária em Juiz de Fora (MG), professora de História e Filosofia formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora e fundadora da rádio comunitária Mega FM.
A outra liderança que escreveu ao blog para se solidarizar com o Paulo Henrique é Elias Candido, presidente do Partido dos Trabalhadores em Vila Matilde (São Paulo-SP), militante de combate ao racismo, professor e quilombola.
Conheci Adenilde quando, a seu convite e de sua comunidade, fui à sua cidade palestrar sobre a mídia e falar sobre a luta deste blog contra o racismo e em defesa de cotas para negros, política pública que Paulo Henrique Amorim apóia em oposição à maioria dos jornalistas de renome. Elias Candido eu não conheço.
Reproduzo, abaixo, as manifestações dessas lideranças enviadas a este blog na última quinta-feira.

Desde pequenina (hoje estou lá pelos sessenta anos) ouvia sempre a minha avó dizer: “Fulano é um negro de alma branca”. Era até um elogio.
Mas, hoje, sabemos que o negro de alma branca é o negro submisso, conivente com os da Casa Grande.
Hoje, o pessoal do Hip Hop fala, através dos Racionais MCs no rap Juri Racional, em “Ovelha-branca da raça”, fala daquele que renegou a sua cor.
E o que dizer de negro jabuticaba? Quem milita nos movimentos negros, quem vive sempre relegado à invisibilidade e ao fundo da sala, sabe o que é conviver com os negros de alma branca, os jabuticabas da vida que atrasam a nossa caminhada e confundem nosso povo.
Parabéns por mais este post esclarecedor e pela justeza de suas colocações. Firmeza para você, amigo Eduardo, e para o Paulo Henrique Amorim.
Adenilde Petrina Bispo

SOBRE NEGROS DE ALMA BRANCA

A história de luta do povo negro no Brasil começa logo que o primeiro navio negreiro aportou nestas paragens trazendo reis, rainhas, guerreiros, futuros quilombolas e negros de alma branca.
As lutas por liberdade nos séculos que se seguiram enfrentaram grandes dificuldades por conta do poderio bélico do agressor, da manipulação da igreja católica, dos cruéis castigos que intimidavam pessoas de bem que queriam resistir, e dos negros de alma branca.
A vitória parcial que foi a Abolição não veio através da Princesa, mas apesar dela. Muitas foram as batalhas, muitos foram os quilombos formados. Alguns superavam a sociedade brasileira institucionalizada em termos de organização, justiça, liberdade, fraternidade e paz. Não em poucos, conviviam índios, colonos brancos pobres e mouros em um clima de respeito à diversidade étnica e religiosa.
Muitos foram destruídos por ações de negros de alma branca que delatavam suas posições e quantidade de pessoas, facilitando o trabalho do agressor.
Naquele tempo, atendiam pelo nome de “negro da casa” ou “negro de dentro”. Com raríssimas exceções, eram escolhidos porque inspiravam confiança nos Senhores de Escravos por causa de suas fragilidades de caráter.
Correspondiam a essa confiança entregando seus irmãos que fugiam ou que cometiam o que o dono de engenho entendia por delito, atos esses que podiam levar seu companheiro ao aleijume, à privação de alimentos por dias ou até à morte.
Eram recompensados com a permissão de dirigir a palavra diretamente ao escravocrata e comer os restos do almoço da casa grande, comida de melhor qualidade. Além disso, raramente sofriam castigos físicos.
Com o aprofundamento da resistência, através de ataques a fazendas, fugas e multiplicação de quilombos com operação de resgate de escravos, os negros de alma branca se tornaram capitães do mato armados que recapturavam seus irmãos em fuga.
Eram a linha de frente em invasões de quilombos. Miseráveis morais, chegavam a arriscar a vida pelo opressor contra o próprio povo.
Finda a escravidão, apesar da contrariedade dos negros de alma branca, esses capitães do mato desempregados continuaram a agir da mesma maneira servil aos piores tipos de racista, que diziam que, diferente dos demais que se rebelavam, esses eram os bons negros, os de alma branca.
E esses ficavam felizes com esse tipo de comentários. Ainda ficam. Eles ainda estão por aí, contrários às cotas ou manifestações. Negam o racismo e votam nos racistas da pior espécie. Submetem-se a todo tipo de humilhação e querem que você faça o mesmo.
Envergonham-se do próprio cabelo, das roupas, costumes e religiosidade do seu povo e costumam dizer que o responsável pelo racismo é o próprio negro, como se fosse surdo e não ouvisse o absurdo de suas próprias palavras.
Como militante de combate ao racismo, fico muito a vontade para entender o que quis dizer Paulo Henrique Amorim. Como negro, sou a maior vítima dos negros de alma branca.
Eu, modestamente estudioso da história do negro no Brasil, conheço bem os negros de alma branca. Posso reconhecê-los à distância pela linguagem, pelo olhar medroso, pelo jeito janota de se vestir e pela sintaxe entreguista.
Reconheço o trabalho de PHA pelos negros, apoiando programas voltados a essa população e denunciando o racismo da grande mídia. Ele tem todo o meu apoio.
Que os negros e pessoas bem-intencionadas não se confundam: uma ação contra o racismo jamais viria de alguém da Rede Globo, a maior propagadora de racismo deste país.
Elias Candido é presidente do Partido dos Trabalhadores em V. Matilde, militante de combate ao racismo, professor e quilombola de coração.
 

 

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A Revolução Árabe e a Síria

Sex, 24 de Fevereiro de 2012 08:21

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Lejeune Mirhan, no Grabois.org.br


Gostaria muito de tratar mais globalmente sobre a Revolução Árabe, iniciada há pouco mais de um ano. Poderia tratar do Egito e suas eleições, as eleições também ocorridas na Tunísia ou mesmo no Iêmen, cujo ditador de 33 anos acaba de cair de deve refugiar-se em alguma monarquia reacionária árabe da vizinhança o mesmo nos EUA (seu vice assumiu, mas segue sendo ditadura). No entanto, a pauta segue sendo a Síria. Por isso, voltamos ao tema neste artigo que, entre outras fontes, estão as abaixo consultadas.


Verdades e Mentiras sobre a Síria


 


Muito já se disse sobre o que ocorre na Síria hoje. Os meios de comunicação de massa, nacionais e internacionais, expressam o que pensa o Pentágono. Com honrosas exceções, tudo que recebemos no Brasil em particular, publicados em língua pátria na Folha, Globo e Estadão reproduz quase que sem retirar nenhuma frase, o que as agências noticiosas internacionais despacham para o mundo todo. Agências, diga-se de passagem, que sequer possuem um só correspondente em Damasco, capital da Síria.


A seguir, para auxiliar nossos leitores, fazemos um pequeno resumo de tudo que se diz sobre a República Árabe da Síria. Resumimos 15 pontos que se destacam na atualidade.


1. Governo de Bashar Al-Assad mata milhares – Mentira.


Dia após dia, manchetes garrafais estampam que o governo vem matando “milhares” de sírios, todos “inocentes”. A única fonte de informação que o Ocidente inteiro possui sobre tais “dados” de mortes é de um obscuro Observatório Sírio de Direitos Humanos (sic), com sede em Londres e que recebe farto financiamento de países do Golfo Pérsico, todos, sem exceção, monarquias antidemocráticas, absolutistas e extremamente reacionárias e pró-EUA.



Bashar El Assad


Como isso esta ficando uma vergonha para quem pratica um jornalismo sério, a grande imprensa, quando publica os números “assustadores” de mortos, ultimamente vem pelo menos acrescentando sempre “segundo o Observatório Sírio de DH”, que “não puderam ser comprovadas”.



Mercenários sírios


De fato, os únicos dados confiáveis são os fornecidos pelo próprio governo, que atesta que pelo menos dois mil soldados, policiais e cidadãos sírios foram assassinados por grupos terroristas e mercenários, seja em ataques diretos ou em atentados a bomba que vêm ocorrendo com maior intensidade nas últimas semanas.


2. Exército Síria Livre é formado por desertores – Mentira.


Não há desertores no Exército sírio. Pelo menos não em expressão. Todas as deserções em todas as divisões do Exército da República Árabe da Síria são pontuais e ocorrem apenas e exclusivamente na baixa oficialidade.


O que se tem de concreto é que essa organização é composta de mercenários altamente remunerados, usando armas contrabandeadas, inclusive do arsenal líbio. Se um AK-47, fuzil de assalto mais famoso no mundo, podia ser comprado a cem dólares tempos atrás, hoje, com os bilhões de dólares que a Arábia Saudita e o Qatar vêm despejando para a derrubada do governo do Dr. Bashar, não se compra uma arma dessa, muito popular, por menos que 1,5 mil dólares.


Esse tal “exército” esta acampado na fronteira com a Turquia e por esta é estimulado e seu comando vem de Istambul. O governo turco, que presta um péssimo papel achando que voltará a ter o comando do sultanato otomano, tem procurado dar guarida a essa milícia terrorista e facínora, apoiada por Israel e pelos EUA. Seu “comandante”, o coronel desertor Riad El Assad, esta na folha de pagamento do Departamento de Estado.


3. Liga Árabe pede Democracia e Liberdade na Síria – Mentira. Não tem moral para isso.


A Liga Árabe, organismo multilateral fundado em 1945, é integrado pelos 21 países árabes e a OLP que representa a Palestina. Ainda que possa ser duvidoso que em algum momento tenha cumprido algum papel relevante na vida dos árabes, a certeza é de que hoje ela é um organismo fracassado.


Tomado de assalto pelas monarquias do Golfo, com seus bilhões de dólares, esse organismo presta-se hoje como auxiliar tanto do CS da ONU, quanto da União Europeia e dos EUA. De árabe essa tal Liga não tem mais nada. Não representa mais os anseios e as verdadeiras aspirações do povo árabe, que hoje são quase 400 milhões de pessoas.


Esse organismo serve apenas para propor ao CS da ONU resoluções que os EUA e a União Europeia não teriam a coragem de propor. Os petrodólares da Casa de Saud e do emirado do Qatar é que sustentam a organização. Esta completamente esvaziada. Iraque, Líbano, Argélia e a própria Síria nem mais tem comparecido às reuniões, que perderam completamente a sua eficácia.


Mas, o que é pior. Que moral tem a Arábia Saudita e o Qatar em pedir democracia na Síria? Falam em liberdade, mas não a praticam em seus países, que não tem parlamento e nenhum partido funcionando. Uma hipocrisia completa. Uma falsa moralidade. Indignam-se com o que ocorre na Síria, mas é uma indignação seletiva.


4. Rússia e China vetam resolução anti-Síria na ONU – Verdade. E ambos têm suas razões.


Essas duas potências mundiais – ambos BRICS – ficaram escaldadas com o golpe europeu-estadunidense que, usando a OTAN, rasgaram a resolução 1973 de 17 de março de 2011, que mencionava apenas “proteção” a civis líbios. Com essa resolução a OTAN bombardeou toda a Líbia na linha da ordem dada por Obama/Hilary: derrubem o regime! A linha foi a da mudança de regime, coisa que só o povo líbio teria poder de decidir. Assassinaram mais de 200 mil líbios!


Os EUA e seus clientes europeus não aceitaram nenhuma modificação proposta por estes dois países na nova resolução proposta em 4 de fevereiro passado. E pior que isso. Expressaram sua indignação sobre o veto exercido dentro das regras da Carta das Nações. Quando os EUA vetam dezenas de resoluções contra Israel no CS/ONU nada se fala. Uma vez na vida duas potências vetam uma resolução que abriria brecha para a OTAN atacar a Síria, vem a indignação seletiva.


A embaixadora dos EUA da ONU, Susan Rice, chegou a dizer que o “mundo não poderia ficar refém de dois países” (sic). Tenho em mãos uma pesquisa sobre os vetos dos EUA contra resoluções a favor dos palestinos e que criticavam Israel. A pesquisa compreende apenas dez anos (1972 a 1982). Só nesse curto período foram exatos 43 resoluções vetadas pelos EUA!


Hoje, felizmente, tanto a China como a Rússia têm visto o que realmente ocorre no OM. Derrubar o governo da Síria hoje, passando por cima da soberania desse país árabe pode significar ainda um maior fortalecimento do imperialismo estadunidense e seus estados clientes europeus.


O fato é que a Rússia volta com força ao cenário internacional. Não titubeou nenhuma vez em defesa da soberania síria. Enviou armas e uma frota naval esta ancorada no estratégico porto de Tartous. Como já vimos falando, a unipolaridade no mundo tende ao seu fim. Vários pólos vão sendo criados e a Rússia vai ganhando seu espaço, fazendo-se ouvir depois de mais de vinte anos de um mundo unipolar.


5. EUA, Israel e seus aliados árabes são os maiores inimigos – Verdade. É preciso que sejam dados nomes aos bois.


Os maiores entraves para o avanço da Revolução no mundo Árabe são as petromonarquias. Elas têm nome: Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Qatar, Omã e Bahrein. A esses se somam países que não são fortes produtores de petróleo, mas são monarquias reacionárias e pró-EUA, como a Jordânia e o Marrocos.


O centro da resistência ao avanço revolucionário árabe vem de Riad, no reino dos sauditas. Estes reservaram em 2011 mais de cem bilhões de dólares para a contrarevolução. E contratam mercenários a peso de ouro. Apoiados pelos EUA, ainda que discretamente, e mais discretamente por Israel e sua inteligência do Mossad. Isso esta amplamente documentado. Pelo WikiLeaks e pela imprensa verdadeiramente livre e a blogosfera.


6. Se a Síria cair, isso reflete em todo o OM – Verdade.


Há hoje um eixo de resistência ao imperialismo estadunidense. Esse eixo apoia as mudanças profundas no OM, apoia a causa palestina, faz oposição à Israel, defende o rompimentos dos acordos de paz assinados com esse país pelo Egito e Jordânia, de forma unilateral.


O bloco de países que integram o eixo da resistência são hoje, além da Síria, o Iraque, Líbano, a Argélia e o Irã (que é persa). O Partido de Deus (Hezbolláh), do Líbano, que forma governo com os cristãos patrióticos (maronitas do Marada e MPL de Aoun), sunitas e xiitas de várias organizações (Amal de Berri e drusos de Jumblat) e o PC Libanês de Khaled, seria o primeiro a sofrer consequências. O Hezbolláh – apesar do nome, é uma organização política e não defende no Líbano um estado religioso – além de muitos deputados e ministros, tem a maior milícia armada de resistência ao exército sionista de Israel que insiste em ocupar o Sul do país.


A própria luta de resistência palestina contra a ocupação, com todas as suas organização que compõem a OLP e o Hamas (que não integra a Organização), se enfraqueceriam imensamente com a queda do governo sírio e a instalação nesse país de um governo pró-EUA.


7. A Irmandade Muçulmana encabeça a oposição na Síria – Verdade.


Essa organização tem seus tentáculos em mais de 70 países. Fundada por Hassan El-Bana em 1928, funciona como partido político, tendo uma ideologia de caráter teológico de linha islâmica fundamentalista. Na maioria das ditaduras e monarquias árabes, cujas liberdades partidárias são praticamente nenhuma, a única forma de uma parte da população expressar-se acaba sendo por essa Irmandade.


Não fiquei surpreso com o fato do seu braço político recém legalizado no Egito e na Tunísia terem ficado em primeiro lugar nas eleições ocorridas recentemente após a queda dos ditadores desses países. Não havia outra forma de expressão política além do islamismo, além da máscara de apelo ao Islã fundamentalista.


No entanto, é preciso deixar claro. Em que pese esse pessoal ter jogado algum papel na resistência à ditadura Mubarak, sempre fez acordos com ele. Aceitavam as regras do jogo, qual seja, que a oposição ao ditador pudesse chegar a no máximo 20% dos votos – eleições fraudadas – tanto para presidente como no parlamento.


A Irmandade é uma organização conservadora, que prega o fundamentalismo islâmico mais próximo do Wahabiya – linha da família Al-Saud, portanto sunitas. Sempre foi e sempre será anticomunista. Por baixo do pano sempre fez acordos, inclusive com o imperialismo britânico e mais recentemente o norte-americano. Seus líderes rapidamente disseram, depois dos resultados das eleições parlamentares no Egito, onde venceram, que não romperiam o acordo de paz com Israel.


Hoje, na Síria, os principais líderes da insurreição interna, que organizam os ataques terroristas aos prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e hospitais, são membros da Irmandade. Lamentável. Mas é a verdade amplamente documentada, mas omitida pela grande imprensa.


8. A oposição síria não tem unidade e tem força no exterior apenas – Verdade. Mas a grande imprensa não mostra isso.


É preciso que se diga. Há duas oposições na síria hoje. Uma interna e outra que funciona apenas e tão somente no exterior.


A que tem sede no exterior, seus escritórios ficam em Londres, Paris e Istambul. Esta não tem credibilidade alguma. Financiada pelas monarquias do Golfo e pelo Departamento de Estado – amplamente documentado – elas vivem para dar entrevistas na grande mídia internacional, que repercute amplamente essas “reportagens”. No Brasil, a Folha e o Estadão publicaram várias delas. Todas falsas, sem provas, com “líderes” que nunca ninguém viu. É uma oposição sem respaldo algum junto ao povo sírio. Defende abertamente uma resolução no CS/ONU que abra a possibilidade – que eles tanto sonham – da OTAN atacar a Síria. Como acreditar em “lideranças” que pedem que potências estrangeiras bombardeiem seu próprio país, ainda que a pretexto de “proteger civis inocentes”?



Povo sírio na luta pela sua soberania


Há outra oposição. A interna. No entanto, esta também se divide em duas grandes partes. Uma delas, participa do chamado Diálogo Nacional. Há uma mesa de negociações formada pelo governo da Síria. No rumo das mudanças que o país precisa de fato. E, tais mudanças, vêm ocorrendo (falaremos disso mais à frente). Não se sabe o tamanho dessa oposição. As eleições marcadas para o mês que vem devem mostrar a dimensão dessa oposição. Essa oposição prega a construção de um governo de unidade nacional. Em hipótese alguma defende a intervenção externa. Diz que os problemas dos sírios devem ser resolvidos pelos próprios sírios, sem ingerência externa.


A outra parte da oposição interna, não dialoga com o governo. Esta radicalizada. Arma-se até os dentes e apoia a sabotagem de prédios públicos. Alia-se com o autointitulado Exército da Síria Livre e com o Conselho Nacional Sírio. Prega também abertamente a intervenção externa, ainda que não de forma clara defenda os ataques da OTAN. Faz, na prática, o jogo das potências imperialistas.


A oposição não se unifica. Há pelo menos 53 grupos políticos e tendências atuando de forma conflitiva no tal Conselho Nacional Sírio, organismo criado no exterior e apoiado pelos EUA. Em reuniões com autoridades europeias, essa tal oposição exige que sejam feitas várias reuniões, pois eles não conseguem sequer sentar-se à mesma mesa. Não há unidade política entre eles. Talvez o único ponto em comum seja remover Assad do poder. Nada mais. Mesmo que as reformas sejam profundas – como esta ocorrendo de fato – isso hoje pouco importa. A única agenda, a agenda da CIA, dos EUA, de Israel, da Casa de Saud e do Mossad é mudar o regime. Nada mais lhes interessa.


Tanto a externa, quanto à interna que não dialoga com o governo, possuem amplo e plena interlocução em especial com os EUA, Inglaterra e França.


9. Bashar Al-Assad é um sanguinário e genocida – Mentira.


É evidente que os processos eleitorais tanto na Síria quanto em qualquer país árabe não seguem os padrões que vivemos no Brasil e no Ocidente. No entanto, não se pode falar em democracia na Síria e não se falar desse tema nos outros países árabes. Mesmo no Ocidente. Agora mesmo na Grécia se pede inclusive suspensão das eleições para que um possível novo governo de oposição não rompa os acordos de traição nacional que estão sendo assinados às claras e abertamente.


Os mesmos monarcas que falam em “democracia” na Síria, são os que mais reprimem seus próprios povos, como na Arábia Saudita, Qatar e Bahrein. Essa gente não tolera manifestação, não tolera povo organizado. Essas monarquias sequer possuem parlamento funcionando, partidos políticos são proibidos.


Em que pese todas as restrições às amplas liberdades na República Árabe da Síria, esse país ainda é o mais livre em termos de funcionamento de partidos políticos em todo o Oriente Médio. São oito os partidos políticos existentes e legalizados. Claro, o Partido Socialista Árabe Sírio, o Baath é o maior e do governo. Esta no poder há pelo menos 42 anos. Mas temos dois partidos comunistas no país funcionando. Temos o Partido Nacional Sírio e outros. Depois dos pleitos por reformas amplas, outros cinco partidos foram legalizados, ampliando para 13 o número de partidos com direito a concorrer nas próximas eleições.


O relatório dos observadores da Liga dos Estados Árabes – 160 pessoas que ficaram na síria por trinta dias – menciona em uma parte que contataram e viram funcionando 147 órgãos de imprensa nesse país árabe! Entre rádios, TVs e jornais que circulam amplamente.


Bem ou mal, as eleições para o parlamento sírio ocorrem a cada quatro anos e os oito partidos funcionam livremente. Não é a democracia mais avançada, popular, que defendemos, mas não se pode dizer que as restrições são totais. Há muito que se fazer. E esta sendo feito. Mas, a grande imprensa não divulga uma só linha sobre tudo isso. Chegou às minhas mãos – nunca divulgadas pela grande imprensa – um conjunto de 33 grandes medidas, ações governamentais, decretos e leis adotadas entre abril de 2011 e fevereiro de 2012 que mudam completamente a realidade política desse país árabe.


10. A Síria é o único país árabe hoje a apoiar com firmeza a causa palestina – Verdade.


E não se pode falar em apoio pela metade, parciais. Apenas a Síria, em sua capital, funcionam escritórios de todas as organizações da resistência palestina. O enfrentamento que o povo e o governo da Síria vêm dando à Israel, contra as ocupações que o estado sionista faz em terras árabes é o maior que se te visto em todo o OM.


Desde a derrubada do governo de Saddam Hussein e seu assassinato, que procurava dar enfrentamento à ocupação estadunidense de toda a região; desde a queda e o assassinato de Muammar Khadaffi em outubro passado, um a um foram caindo todos os focos de resistência ao imperialismo estadunidense e à Israel. Restou a Síria. É preciso instalar governos dóceis aos norte-americanos e aos sionistas em todo o mundo árabe para que se complete seu projeto neocolonial na região.


E é preciso deixar claro: derrubar Bashar hoje significa enfraquecer a resistência libanesa e palestina e isolar completamente o Irã! Quem não compreender essa geopolítica no OM não entende nada nem de OM nem de política internacional!


11. A OTAN e a Al Qaeda estão em aliança – Verdade.


Aqui é preciso esclarecer muitas coisas. Ainda que isso possa parecer inacreditável, para quem foi bombardeado durante anos com a informação de que a rede Al Qaeda de Osama Bin Laden sempre foi uma rede terrorista, que teriam feito os atentados às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001, isso pode parecer mesmo um verdadeiro absurdo. Mas não é.


Escritores, jornalistas independentes e intelectuais progressista a cada dia vêm trazendo informações precisas e importantes que comprovam essa informação. E os próprios comunicados da organização Al Qaeda pelo seu novo “comandante”, o médico pediatra egípcio Ayman Al Zawahiri atestam isso. Textos recentes da lavra desse senhor ou a ele atribuídos, mencionam a importância fundamental da derrubada do governo sírio em aliança com as forças do autoproclamado Exército Síria Livre. E essa organização prega o Estado Islâmico.


Essa organização faz questão de não dialogar com o governo. Foi assim na Líbia quando ela apoiou abertamente a queda de Khadaffi e fez aliança com as forças da OTAN. Agora, da mesma forma, conversações de alto (?) nível entre emissários dessa organização militar europeia – agora mundial! – com líderes da Al Qaeda que atuam na Síria mostra essa aliança, que é abastecida fartamente com dólares do petróleo árabe das monarquias do Golfo e dinheiro da CIA e do Mossad de Israel, via território curdo.


Como diz Pepe Escobar, combativo jornalista brasileiro correspondente do Asia Times, “quem imaginaria que o que a Casa de Saud deseja ver na Síria é exatamente o que a Al Qaeda deseja para a Síria? Quem imaginaria que o CCG e a OTAN desejam para a Síria é o mesmo que a Al Qaeda deseja para esse país?”.


12. A Turquia e seu governo deram as costas para os árabes – Verdade.


É lamentável ter que reconhecer isso, mas o governo de Recep Tayyip Erdogan, cujo partido governa a Turquia há quase nove anos (desde 14 de março de 2003), com o seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento – PJD (em turco AKP, ou Adalet ve Kalninma Partisi), tem outros projetos para seu país e para uma liderança de toda a região.


Como bem sabemos, a região do OM é habitada por diversos povos. Além do árabe, que são a esmagadora maioria, temos ainda os persas (Irã), os judeus (Israel) e os turcos na Turquia, que é um país laico (apesar de 97% da população pertencer ao islamismo sunita) e foi ocidentalizado de tal forma que até seu alfabeto foi modificado. A separação das entidades e instituições religiosas do Estado é absoluta. No entanto, com Erdogan isso vem sendo gradativamente modificado.


Na verdade, esse Partido vem vencendo as eleições por, gradativamente, ir modificando o cenário turco de tal forma que boa parte da população já admite certa islamização da sociedade. A imprensa apresenta Erdogan como membro de um partido “muçulmano moderado” (sic) sabe-se lá o que isso significa.


No entanto, o grande sonho, o grande projeto desse Partido, o AKP (em turco), é integrar-se à Europa. Isso o falecido cientista político estadunidense Samuel Huntington já havia previsto em seu artigo clássico da Foreing Office de 1995 que causou polêmica acadêmica no mundo todo intitulado Clash of Civilization (Choque de Civilizações, posteriormente transformado em livro pela Editora Objetiva, em 1997).


A crítica que a Turquia receberia desse intelectual era de que o país viraria as costas para o mundo islâmico e teria maiores interesses em olhar para a Europa. Hungtinton afirmaria – quase que como uma profecia – que ele nunca seria admitido na Europa, por ser o continente extremamente preconceituoso, cristão e antiislâmico, por mais que a Turquia fosse um país laico. Sabe-se que o Vaticano se pronuncia contra o ingresso da Turquia na Europa. Era discreto com João Paulo II e agora é aberto com Bento XVI.


Nesse sentido, desde 2003 Erdogan vem se aproximando da Europa. Seu país é membro da OTAN e tem bases militares dessa organização militar, antes contra a URSS e hoje contra qualquer mudança progressista ou revolucionária em qualquer país do mundo. Chegou a ensaiar passos contra Israel. Não é para menos. O governo sionista de Netanyahú interceptou em 2010 uma flotilha de vários navios e fuzilou nove cidadãos turcos. Erdogan teve que subir o tom. Chegou a jogar um papel importante na tentativa de tirar o Irã do isolamento em seu programa nuclear que contou com o apoio de Lula do Brasil.



Dr. Bashar é recebido pelo presidente Lula


Mas, mudou de posição. Voltou ao que sempre foi. Tem um sonho de ser a grande liderança do Oriente Médio e dos árabes inclusive. Baixou completamente o tom de voz contra Israel. Apoiou os ataques da OTAN/Europa à Líbia e apoia abertamente a derrubada do governo da Síria em uma clara ingerência nos assuntos internos de um país vizinho que teria que respeitar. Dá abrigo ao exército mercenário estacionado nas suas fronteiras com a Síria. Faz uma manobra arriscada. Coloca em pé de guerra todos os milhões de curdos que vivem em território turco que odeiam o seu governo (pelo menos na Síria eles são melhores tratados). A política de Erdogan de “zero problemas com os vizinhos” hoje vemos uma situação de “zero amigos”.


Talvez sonhe com a volta do império turco-otomano. Mas não há espaço para isso. Ele terá que fazer escolha. E, neste momento, vem escolhendo o que tem de pior para o mundo árabe e para toda a Ásia, qual seja, uma aliança tácita com o imperialismo estadunidense e europeu. Lamentamos por isso.


13. Relatório sobre a Situação da Síria só Vale Quando Fala Mal do Governo – Verdade.


Dois relatórios foram produzidos nos últimos 90 dias sobre a Síria. Um, da lavra do representante da ONU para Direitos Humanos na Síria, o brasileiro e meu colega sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, da USP e outro, assinado pelo general sudanês, Mohammed Ahmad Al-Dabi.


Escrevi um artigo sobre o primeiro relatório. O Prof. Paulo Sério sequer entrou na Síria, mas escreveu sobre o que não viu. Fez um relatório faccioso, tendencioso, parcial. Não ouviu ninguém do governo, apenas opositores no exílio. Tal relatório foi amplamente saudado pela imprensa internacional como “equilibrado”. Atacava o governo de todas as formas possíveis.


O outro relatório foi feito sob a coordenação do experiente general sudanês, ex-presidente de seu país. A comissão formada era oficial da Liga Árabe. Era integrada por 160 pessoas. Passaram trinta dias na Síria. Visitaram várias cidades, ouviram oposicionistas e o governo. Não constataram a violência que o mundo diz haver no país. Não atestaram o número exorbitante de mortos que a imprensa ocidental divulga. Ao contrário. Constaram sim milhares de mortos das forças regulares, do exército e da polícia. Presenciaram milhões nas ruas em apoio ao governo do Dr. Bashar. Mas, como disse Kissinger em recente artigo o governo é amado pelo povo, mas mesmo assim tem que cair (sic). Esse foi o relatório que apontou a existência de 147 órgãos de imprensa funcionando livremente na Síria.


Imediatamente, a Liga Árabe, que representa hoje apenas as petro-monarquias do Golfo e os interesses da OTAN prontamente rejeitou tal relatório, levando o seu presidente a renunciar aos trabalhos. De fato, dois pesos e duas medidas. Só não vê quem não quer.


14. Os EUA vivem uma Indignação Seletiva – Verdade.


Nunca a famosa frase de “dois pesos e duas medidas” ficou tão claro e tão evidente como no momento atual da diplomacia norte-americana com Barak Obama. Seus planejadores do Pentágono e do Departamento de Estado são hoje mais ideólogos que planejadores. São seletivos em suas análises, facciosos.


Colocam-se contra o Irã e seu programa nuclear pacífico, mas nada falam sobre as duzentas ogivas nucleares que Israel possui. Falam o tempo todo contra o “ditador” Bashar, mas não se pronunciam contra as monarquias absolutistas, obscurantistas, fascistas e feudais do Golfo, por estes serem seus aliados, amigos e pró-Israel. Pronunciaram-se contra a “repressão” na Síria, mas calaram-se com o massacre dos xiitas no Bahrein. Falam contra o uso das forças armadas sírias que defende o país, mas calam-se contra a invasão que as forças armadas sauditas fizeram no Bahrein, sede da 5ª Frota dos EUA que patrulha o Golfo Pérsico-Arábico. Abusam do direito de veto no CS/ONU em favor de Israel, mas indignam-se contra um veto exercido dentro das regras previstas na Carta das Nações usado pela China e pela Rússia.


15. Terroristas agem abertamente na Síria – Verdade.


A grande imprensa apenas acusa o governo de matar dezenas, centenas de cidadãos. No entanto, ela tem sido obrigada a noticiar mais e mais atentados terroristas contra prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e até mesmo hospitais. São feitos por mercenários contratados a peso de ouro pelo obscuro Exército da Síria Livre. O objetivo desses ataques é quebrar a infraestrutura do país e jogar a opinião pública contra o governo.


É preciso destacar que a ação desses grupos mercenários conta com apoio e total suporte da OTAN que os treina e financia, a partir de acampamentos na fronteira da Turquia. Estão envolvidos nessa operação a CIA e o MI6 inglês, além, claro, como sempre, o Mossad de Israel. Isso não vem surtindo efeito. Ao contrário. Pesquisas confiáveis de opinião mostram o grande apoio da opinião pública ao governo.


Conclusões


 


Nunca tivemos dúvidas, desde o início do processo da Revolução Árabe, que a Síria viveria uma situação distinta, particular. O caráter de um governo se mede pelas tarefas que assume, pelos seus objetivos, pela ação que pratica. Por isso nunca duvidamos do caráter antiimperialista, popular e em defesa dos palestinos que o governo da família Assad sempre expressaram.


Defendemos, tal qual as organizações sindicais, populares e os partidos comunistas da Síria, reformas profundas no país, ampliação das liberdades políticas e de organização. No entanto, não podemos somar nossas vozes com grupos terroristas, mercenários à soldo do imperialismos de todas as matizes, sejam eles norte-americano, inglês ou francês. Não bastasse isso, já esta claro mais que provado por diversas fontes, a ampla aliança da Al Qaeda com a OTAN. E somado a isso, os serviços secretos da CIA, MI6 e Mossad israelense.



Este senhor da Al Qaeda também quer derrubar o governo da Síria


Somamos nossas vozes às do povo e do governo da Síria, em seu projeto em defesa da soberania nacional e sua autodeterminação. Não à ingerência estrangeira nos assuntos internos da Síria. Apoiamos e defendemos o diálogo nacional. Apoiamos as eleições livres que ocorrerão no mês que vem, sob nova e democrática constituição da República Árabe da Síria.



Fora imperialismo da Síria!


Ao que tudo indica, o jogo parece que vai terminando. E com uma derrota fragorosa para as forças imperialistas e sionistas. Para as forças que querem barrar o avanço da Revolução Árabe. A Rússia e China estão resolutas em não apoiar qualquer intervenção externa na Síria. Já chega de destruição de uma nação árabe. Não ficou pedra sobre pedra no Iraque. Agora a mesma coisa na Líbia, antes o país de maio IDH de toda a África. Sem falar na própria destruição do Afeganistão. Agora querem destruir e tomar a síria, último bastião e pilar do verdadeiro nacionalismo e panarabismo, herdados de Gamal Abdel Nasser. A oposição externa já perdeu as ilusões de apoios. Até Sarkouzy já disse que não se ganha uma guerra de fora do país!


A OTAN não tem como intervir e já disse isso com todas as letras. Resta-lhes apoiar os terroristas da rede Al Qaeda, financiada pela CIA. A Turquia vai acabar tendo que retirar todo seu apoio aos mercenários recrutados pelos dólares sauditas, a que ela vem chamando de Exército da Síria “Livre” (Free Syrian Army – FSA em inglês). Vai ficando isolada e sem amigos no OM.


O risco de um conflito regional no OM, que já foi maior, deve estar sendo redimensionado pelos tais planejadores de Washington. Não há como um conflito dessa natureza deixar de fora as capitais Tel Aviv, Riad e Ancara. Um incêndio de razoáveis proporções.


O CS/ONU e a Liga Árabe (do Golfo...) não conseguem mais executar a política estadunidense. Não pelo menos com antes, com a desenvoltura anterior. Há resistências da Rússia e China e agora do Líbano, Iraque, Argélia, do Irã e da própria Síria e do seu bravo povo. A Liga Árabe acabou. Precisará ser, no futuro, recomposta ou outra organização surgirá. Hoje, é palco para monarquias fascistas, feudais, como as da Arábia Saudita e do Qatar.


O governo da Síria, sob o comando do seu jovem presidente, o médico Bashar El Assad, segue no caminho da tentativa de pacificação do país. Mais de 30 decretos, portarias e novas leis, editadas em oito meses vão reformando o regime, o governo, o país, dando-lhes feições mais modernas e democráticas. Avança o diálogo nacional com todas as organizações, governamentais ou não, no rumo de eleições democráticas, nova constituição e eleições presidenciais em 2013. Novos pactos, novas alianças, regionais e internacionais, devem atender aos interesses dos sírios. Novos acordos econômicos com países amigos, em especial Rússia e China, devem ser assinados em breve.


Quero registrar meu profundo lamento a uma esquerda que não consegue compreender a dimensão do que está em jogo naquela região e insiste em somar suas forças, pequenas é verdade, às do império estadunidense e seus lacaios, tentando derrubar o governo patriótico da Síria.


Posso estar enganado, mas contas feitas pelo imperialismo e sionismo, pela direita islâmica, o melhor mesmo talvez seja melhor bater em retirada. Difícil prever em detalhes, mas é esse o cenário que vislumbramos.


___________


Fontes Pesquisadas e Citadas


 


Aisling Byrne. A realidade sempre mal contada na mídia sobre a Síria do Asian Times Online, de 4 de janeiro de 2012;


Assad Frangiéh, em www.elmarada.com.br em Editorial, O começo do fim. Agradeço ao Dr. Assad em particular por observações na primeira versão deste trabalho.


Camila Carduz. Irã promete apoiar resistência libanesa e palestina contra Israel. Prensa Latina.


Evguêni Satanóvski. Atual estratégia russa para o Oriente Médio permite ao país salvar as aparências e ganhar tempo. Presidente do Instituto de Estudos sobre o OM.


Michel Chossudovsky. Syria: NATO’s next “humanitarian” war? http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=29234


Pepe Escobar. Síria, a nova Líbia. Asia Times Online.


Pepe Escobar. É que o Bahrein não é a Síria... http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NB15Ak03.html


Robert Fisk, Bashar Al-Assad não cairá. Não, pelo menos, agora. The Independent.


Sharmine Narwani. Veterano diplomata americano questiona a narrativa sobre a Síria. Al-Akhbar, Beirute.


Thierry Meyssan. Fin de partie au Prouche-Orient. Rede Voltaire Net. http://www.voltairenet.org/Fin-de-partie-au-Proche-Orient


Observação: os artigos traduzidos para o português sem menção de páginas da Internet foram realizados pelo coletivo de tradutores da Vila Vudu, a quem de público agradeço.


Lejeune Mirhan é sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista de Oriente Médio do Portal da Fundação Maurício Grabois (http://fmauriciograbois.org.br/portal/). Colaborador da Revista Sociologia da Editora Escala. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br


 


 

 

24 de Fevereiro de 2012 - 17h20 - No Vermelho


Presidente de Cuba se reúne com senadores dos EUA

 


O presidente de Cuba, Raúl Castro, recebeu nesta sexta-feira sexta-feira (24) uma delegação de parlamentares norte-americanos que visita o país. Raúl reuniu-se com os senadores Patrick Leahy (Partido Democrata) e Richard Shelby (Partido Republicano).


Os dois se encontram em Cuba como parte de uma delegação de senadores e representantes do Congresso dos Estados Unidos. O ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, também participa das reuniões.

Os Estados Unidos instauraram a partir de 1962 um pesado bloqueio econômico, comercial, financeiro e bancário, causando danos à economia da Ilha que ultrapassam a casa de US$ 1 bilhão.

“Ao longo desses 50 anos, as diversas medidas do bloqueio custaram mais de um trilhão de dólares ao nosso país”, afirmou recentemente ao site brasileiro Opera Mundi o vice-ministro de Investimento Externo e Comércio Exterior, Orlando Guillén.

“Os EUA não apenas romperam unilateralmente com o comércio, mas congelaram ativos do Estado cubano e estabeleceram punições a empresas de outros países que queiram ter relações normais conosco.”

Com informações da Prensa Latina


 

 

Haddad diz que Serra é prioridade para Kassab
 

Depois de tranquilizar a senadora Marta Suplicy (PT-SP), o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, buscou também acalmar os mais de 100 militantes petistas que participaram hoje de reunião plenária, na região do M'Boi Mirim, garantindo que a prioridade do prefeito Gilberto Kassab (PSD) nessas eleições é apoiar a eventual candidatura do ex-governador tucano José Serra.

Cobrado pela militância da sigla, contrária a uma aliança com o PSD de Kassab, Haddad disse que o cenário político previsto pelo PT (com a entrada de José Serra na disputa) vem se cumprindo e que o foco de sua pré-candidatura é buscar aliança com os partidos da base do governo Dilma Rousseff (PSB, PDT, PCdoB, PMDB e PR).


"O prefeito (Kassab) estabeleceu sua ordem de prioridade, ele está cumprindo a agenda dele e nós cumprimos a nossa agenda", afirmou Haddad, lembrando que as negociações com o PT estavam em terceiro lugar na ordem de prioridade de Kassab, atrás de José Serra e da eventual candidatura do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.


Em mais de uma hora e meia de debate com os militantes da região, Haddad ouviu reclamações com relação à aproximação com o PSD do prefeito Kassab. "Temos de ser oposição ao Serra e ao Kassab. Vamos fazer aliança para garantir a vitória e não com quem está contra os interesses da população e que desmoraliza as lideranças do PT", disse uma militante.


Os militantes petistas também avaliaram que a atual gestão municipal discrimina a população da periferia. Parte da militância ressaltou que o PT tem histórico na cidade de São Paulo de substituir gestões que 'quebraram' a cidade. "Mais uma vez vamos pegar uma cidade quebrada", avaliou outra militante, lembrando as gestões de Luiza Erundina e Marta Suplicy.


Mulher de visão


Em seu discurso à militância, Haddad disse que a prioridade de sua pré-campanha é produzir um plano de governo que atenda aos interesses de toda a população. Segundo ele, a cidade perdeu nos últimos anos com a saída de Marta Suplicy da Prefeitura porque seus sucessores não tiveram uma visão estratégica para o desenvolvimento da cidade como um todo. "A Marta é uma mulher de visão, ela tem visão do lado em que ela está", afirmou.


Para o pré-candidato do PT, os serviços municipais precisam ser descentralizados de forma que os moradores sejam atendidos em suas regiões, em vários aspectos, como na área cultural. "Tem de ter Virada Cultural aqui também, não só no centro da cidade", cobrou o pré-candidato, aplaudido pela militância.


Amanhã (dia 25), Haddad participará da terceira reunião do Conselho Político de sua pré-campanha para discutir as estratégias das próximas semanas e o atual cenário político na cidade.


 

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 - No Blog do Miro


Saudosos da ditadura engolem a língua
 

Por Altamiro Borges

Por determinação do comandante do Exército, Enzo Perri, o “manifesto” com críticas à presidente Dilma Rousseff assinado pelos três clubes militares, que reúnem os oficiais da reserva saudosos da ditadura, foi retirado do ar ontem. O texto gerou mal-estar na cúpula das Forças Armadas e resultou numa reunião emergencial com o ministro da Defesa, Celso Amorim. E não era para menos!

O documento criticava as ministras Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e Eleonora Menicucci, da Secretaria das Mulheres, por suas defesas da Comissão da Verdade, que visa apurar os crimes da ditadura. Pior ainda, “cobrava” da presidenta a censura às ministras. Ele ainda atacava as “minorias sectárias e os partidos políticos” que lutam pelo resgate da memória histórica.

Ranço autoritário que persiste

No seu conjunto, o “manifesto” revela o ranço autoritário que persiste em setores militares. Num dos trechos, lembra a cantilena dos golpistas de 1964. “Ao completar o primeiro ano do mandato, paulatinamente vê-se a presidente afastando-se das premissas por ela mesma estipuladas”, referindo-se ao combate à corrupção.

Noutro trecho, ao se referir à ministra Eleonora Menicucci, ele parece ter sido escrito pelos torturadores do regime militar. “Ora, todos sabemos que o grupo ao qual pertenceu a senhora Eleonora conduziu suas ações no sentido de implantar, pela força, uma ditadura [comunista], nunca tendo pretendido a democracia”.

Viúvas da ditadura continuam ativas

O texto foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa, do Clube Naval, Ricardo Cabral, e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista – todos na reserva. Ele confirma a existência de um setor militar saudoso da época das torturas e assassinatos, que até hoje trata o golpe de 1964 como “revolução” e venera as barbaridades praticadas pela ditadura.

Diante das reações, o “manifesto” foi retirado do sítio do Clube Militar. No seu lugar, foi postada uma nota lacônica: “Com relação à nota Manifesto Interclubes Militares de 16/02/2012, os presidentes dos clubes militares desautorizam o referido documento” – que eles mesmos haviam assinado. O aparente recuo, porém, não deve tranqüilizar as forças democráticas.

As “viúvas da ditadura” continuam ativas na sociedade. É só lembrar a campanha presidencial de 2010, quando o tucano Serra foi recebido no Clube Militar como a salvação diante do “perigo comunista”. Ou dos vários artigos golpistas de “calunistas” da mídia – a mesma que apoiou o golpe e a ditadura militar.
 

Postado por Miro às 13:15
 
 

 

Gilmar, Heraldo e a Globo.
Como PHA se defendeu

Publicado em 24/02/2012



 


O que se segue é a defesa oral que fiz na ação penal que Heraldo Pereira de Carvalho move contra mim, acrescida de informações parcialmente lidas na defesa oral, na audiência de conciliação na ação Cível, em 15 de fevereiro de 2012.

(Clique aqui para ler “A verdadeira conciliação entre PHA e Heraldo”.)

Como o objetivo do juiz Daniel Felipe Machado, da 12ª Vara Cível de Circunscrição Especial de Brasília foi, desde o início da audiência, promover um conciliação,  a leitura integral pareceu ao Juiz e a meu advogado, Dr Cesar Marcos Klouri, desnecessária.

Além disso, o objetivo do Dr Klouri e meu sempre foi, desde sempre, obter do autor da ação um documento formal em que ele reconhecesse que a expressão “negro de alma branca”, nos artigos mencionados, não continha ofensa moral e muito menos um conteúdo racista.

Como isso foi plenamente obtido, com a assinatura do autor da ação, na presença de seus advogados e do Juiz, no termo de conciliação – em que não há assunção de qualquer tipo de culpa -, de novo, a defesa oral parecia imprópria.

Mas, como aqui estão os argumentos que usei na ação penal, e uma menção às minhas enobrecedoras testemunhas na específica ação Cível, acho por bem reproduzí-la, com as alterações:


SOU JORNALISTA HÁ 51 ANOS.

FUI ESTAGIÁRIO DO JORNAL A NOITE EM 1961.

COMECEI ENTÃO A FINANCIAR OS PRÓPRIOS ESTUDOS.

TRABALHEI NA REVISTA MANCHETE E NA REALIDADE, ENTÃO, A MAIS IMPORTANTE DO PAÍS.

AINDA NA EDITORA ABRIL, ABRI O ESCRITÓRIO DA REVISTA VEJA EM NOVA YORK COM 25 ANOS.

FUI EDITOR DE ECONOMIA DA REVISTA VEJA E DIRETOR DE REDAÇÃO DA REVISTA EXAME.

EDITOR DE ECONOMIA , REDATOR CHEFE E DIRETOR DE REDAÇÃO DO JORNAL DO BRASIL, QUANDO ERA O MELHOR JORNAL DO BRASIL.

DIRETOR DE JORNALISMO DA TEVÊ MANCHETE.

EDITOR DE ECONOMIA, COLUNISTA DE ECONOMIA DO JORNAL DA GLOBO, ÂNCORA E DIRETOR DA REDE GLOBO NO ESCRITÓRIO EM NOVA YORK.

ÂNCORA E EDITOR DO PROGRAMA JORNAL DA BAND.

ÂNCORA E EDITOR DO PROGRAMA FOGO CRUZADO, NA BANDEIRANTES.

ÂNCORA E EDITOR DO PROGRAMA “CONVERSA AFIADA”  , DA TV CULTURA – ÚNICO PROGRAMA DIÁRIO, EM TEVÊ ABERTA, NO HORÁRIO NOBRE, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, POR DOIS ANOS.

SOU ÂNCORA DO PROGRAMA DOMINGO ESPETACULAR, A SEGUNDA MAIOR AUDIÊNCIA DA TEVÊ BRASILEIRA, AOS DOMINGOS.

HÁ DEZ ANOS SOU RESPONSÁVEL PELO SITE CONVERSA AFIADA QUE, EM 2012, ENTRE 100 MIL BLOGS DO BRASIL, FOI O MAIS VOTADO NUMA ELEIÇÃO DA RESPEITADA EMPRESA DE ADMINISTRAÇÃO DE PRODUTOS NA INTERNET, A TOP OF MIND.

NA MESMA ELEIÇÃO, O CONVERSA AFIADA FOI ELEITO O MAIS IMPORTANTE BLOG POLÍTICO DO PAÍS.

DIGO ISSO PARA RESSALTAR QUE, COMO O AUTOR, TIVE UMA ORIGEM HUMILDE, DE PAIS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DE BAIXA REMUNERAÇÃO, QUE TEVE QUE TRABALHAR MUITO PARA ESTUDAR E SUBIR NA VIDA.

O AUTOR NÃO TEM O MONOPÓLIO DA LUTA CONTRA A ADVERSIDADE.

OU DA CAPACIDADE DE SUPERÁ-LA.

ISSO NÃO  QUALIFICA A DENÚNCIA DELE.

PELO MENOS DIANTE DESTE SUPOSTO RÉU.

EM 51 ANOS DE CARREIRA, COMO REPÓRTER, REDATOR, EDITORIALISTA, ARTICULISTA, ÂNCORA OU EDITOR  J A M A I S , N U N C A

- SUSPEITARAM

- INSINUARAM

- OU ME ACUSARAM DE RACISMO

OU SEQUER DE PRECONCEITO CONTRA NEGROS, JUDEUS, ÍNDIOS, PALESTINOS, NORDESTINOS, BOLIVIANOS, HOMOSSEXUAIS, TRAN-SEXUAIS OU QUALQUER MINORIA OU SEGMENTO SOCIAL.

AO CONTRÁRIO.

OS AUTOS DEMONSTRAM QUE SOU UM DEFENSOR DAS POLÍTICAS QUE IMPEDEM E COMBATEM O RACISMO E O PRECONCEITO.

QUERO AQUI AGRADECER O GENEROSO TESTEMUNHO DO DEPUTADO EDSON SANTOS, DO PT DO RIO, EX-MINISTRO DA IGUALDADE RACIAL,  E JEAN WILLYS, DO PSOL DO RIO, QUE LUTA PELA CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA.

OS DOIS SE DISPUSERAM A DEPOR A MEU FAVOR NESTA CAUSA, SE FOSSE NECESSÁRIO.

AGRADEÇO TAMBÉM AO SENADOR PAULO PAIM, DO PT DO RIO GRANDE DO SUL, PAI DO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL, QUE DEU UM TESTEMUNHO EM MINHA DEFESA, ESPECIALMENTE PARA ESTA AÇÃO, ONDE ATESTA QUE JAMAIS MANIFESTEI QUALQUER ATO OU IDEIA DE CARÁTER RACISTA.

AO CONTRÁRIO.

DEFENDO, POR EXEMPLO, AS COTAS PARA NEGROS NAS UNIVERSIDADES -
POLÍTICA QUE O SUPOSTO RÉU DEFENDE DESDE QUE, CORRESPONDENTE DA GLOBO NOS ESTADOS UNIDOS, PODE ACOMPANHAR SEUS EFEITOS BENÉFICOS PARA NEGROS QUE NASCEM NA ADVERSIDADE.

NUNCA EM 51 ANOS DE ATIVIDADE PÚBLICA , À VISTA DE TODOS, EM REDE NACIONAL, DISSERAM, INSINUARAM OU SUSPEITARAM QUE EU FOSSE RACISTA.

OU QUE, COMO ACUSA O AUTOR, INCITASSE O RACISMO.

ESSE MESMO SITE NA INTERNET, AGORA ACUSADO DE SER UM INSTRUMENTO DO RACISMO, UMA ESPÉCIE DE MEIN KAMPF DA BLOGOSFERA, ESSE MESMO CONVERSA AFIADA DIVULGOU DEZENAS DE TEXTOS CONTRA O RACISMO E O PRECONCEITO.

E A FAVOR DA COTAS.

ISSO ESTÁ FARTAMENTE DOCUMENTADO NOS AUTOS.

NÃO HÁ UMA FRASE, UM ATO, UMA PALAVRA, UM GESTO, EM 51 ANOS NA VITRINE DA IMPRENSA, QUE POSSA OU QUE  J A M A I S TENHA SIDO ASSOCIADO  A RACISMO.

SOBRE A EXPRESSÃO “NEGRO DE ALMA BRANCA”, QUE PARECE SINTETIZAR A ACUSAÇÃO, ESSA, SIM, INFAMANTE, QUERO PONDERAR.

PRIMEIRO, O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO NÃO É UNIVOCO.

ELA SE ASSOCIA, POR EXEMPLO,  A ZUMBI DOS PALMARES, UM HERÓI DA RESISTÊNCIA DOS NEGROS QUE NÃO SE SUBMETEM À OPRESSÃO.

TAMBÉM SE EMPREGOU EM RELAÇÃO AO PAI TOMÁS , SEM NENHUMA CONOTAÇÃO OFENSIVA – E MUITO MENOS RACISTA.

UM DOS SIGNIFICADOS  DA EXPRESSÃO – QUE, ADMITO, POSSA MELINDRAR E, SE ASSIM FOR, LAMENTO PROFUNDAMENTE – UM DOS SIGNIFICADOS CORRENTES E USUAIS É PARA DESCREVER O NEGRO QUE NÃO DEFENDE NEM SE DEFENDE DO RACISMO E DOS RACISTAS.

É A ACEPÇÃO A QUE RECORRI.

NEGRO DE ALMA BRANCA É O NEGRO QUE NÃO OLHA PARA TRÁS – PARA A CHAGA DA ESCRAVIDÃO, OU, COMO DIRIA JOAQUIM NABUCO:

“NÃO BASTA ACABAR COM A ESCRAVIDÃO. É PRECISO DESTRUIR SUA OBRA.”

É A OBRA QUE ESTÁ ABERTA AINDA HOJE, COMO COMPROVAM AS ESTATÍSTICAS DO IBGE, DOS CÁRCERES BRASILEIROS, DAS CRACOLÂNDIAS.

NEGRO DE ALMA BRANCA PODE SER AQUELE QUE NÃO ASSUME A SUA PRÓPRIA CONDIÇÃO DE NEGRO PARA COMBATER O RACISMO E O PRECONCEITO CONTRA O NEGRO.

CONTRA ELE, CONTRA A MÃE, O PAI, OS IRMÃOS.

É O NEGRO QUE OLHA PARA OUTRO LADO.

QUE FINGE QUE NÃO VÊ.

ACHA QUE NÃO É COM ELE.

NEGRO DE ALMA BRANCA DE PRESTÍGIO, UMA CELEBRIDADE, É O NEGRO QUE NÃO SE VALE DA POPULARIDADE E DO PRESTÍGIO PARA DEFENDER O NEGRO PRESO À CORRENTE DA ADVERSIDADE.

NEGRO DE ALMA BRANCA PODE SER TAMBÉM AQUELE QUE SE PRESTA A COONESTAR AS POSIÇÕES, AS TESES DE QUEM É CONTRA OS DIREITOS CIVIS DOS NEGROS OU DOS QUE COMBATEM AS POLÍTICAS QUE PODEM DAR INDEPENDÊNCIA ECONÔMICA E RECONHECIMENTO SOCIAL AOS NEGROS.

SÃO AQUELES QUE DEFENDEM PSEUDO POLÍTICAS ANTROPOLÓGICAS QUE CONGELAM A DESIGUALDADE E A DISCRIMINAÇÃO.

NESSE  PAÍS DE MAIORIA NEGRA MORREM MAIS NEGROS QUE BRANCOS NA MESMA FUNÇÃO.

HÁ MENOS NEGROS NAS FACULDADES.

QUANTOS NEGROS  HÁ NA MAGISTRATURA ?

A CARA DA MISÉRIA, A CARA DA POBREZA NO BRASIL, É NEGRA.

ESSA É UMA QUESTÃO CENTRAL DA DEMOCRACIA BRASILEIRA – E O LOCAL
PARA DISCUTÍ-LA NÃO É NESTA SALA, COM ESTE TIPO DE AÇÃO, QUE NÃO PASSA DE UMA PERIPÉCIA, UMA MANIFESTAÇÃO DE PODER.

DE PODER PARA TENTAR MANIPULAR O SISTEMA JUDICIÁRIO EM BENEFÍCIO DO AUTOR, FUNCIONÁRIO DA MAIS PODEROSA EMISSORA DE TEVÊ DA AMERICA LATINA, ONDE OCUPA CARGO DE PRESTÍGIO E DESTAQUE.  

NA MINHA MODESTA OPINIÃO, TODO NEGRO DEVERIA DEFENDER O NEGRO.

ESPECIALMENTE SE FOR FAMOSO, TIVER PRESTÍGIO.

ESPECIALMENTE SE DISPÕE DO PÚLPITO DA REDE GLOBO.

ESTIVE NESSE PÚLPITO GLOBAL, TOTAL, POR DEZ ANOS E SEI O QUANTO ELE VALE.
VALE MUITO, PARA, EM ATIVIDADES PÚBLICAS, ATIVIDADES QUE DERIVAM DO FATO DE SER UM PROFISSIONAL DA GLOBO, PODER DEFENDER CAUSAS NOBRES.

POR EXEMPLO, COMBATER O RACISMO E A DISCRIMINAÇÃO – COMO FEZ ESTE SUPOSTO REU EM ATIVIDADES PÚBLICAS NOS ESTADOS UNIDOS E NO BRASIL.

É O PÚLPITO QUE DÁ DIMENSÃO AO TRABALHO ARTÍSTICO E POLÍTICO – NÃO PARTIDÁRIO – DE MILTON NASCIMENTO, LECY BRANDÃO, LÁZARO RAMOS E, SOBRETUDO, DE MARTINHO DA VILA, UM DIVULGADOR INCANSÁVEL DA CULTURA AFRICANA E SEU ENRAIZAMENTO NA CULTURA BRASILEIRA.

E ENFATIZO O PAPEL DE MARTINHO, MARTINHO DA VILA.

ASSIM COMO O DE MARTIN, MARTIN MARTINHO LUTHER  KING JR, O DOCTOR KING – SEM DÚVIDA, O DR KING, COMO MARTINHO, NÃO ERA UM NEGRO DE ALMA BRANCA.

MARTINHO … MARTINHO LUTERO, QUE SE INSURGIU CONTRA AS VERDADES ESTABELECIDAS E CONGELADAS.

CRITICO TAMBÉM A GLOBO.

E SEU IDEÓLOGO, SUA IDEOLOGIA.

MEU PROBLEMA COMO CIDADÃO DE UMA REPÚBLICA LAICA, ONDE DEVE IMPERAR A DEMOCRACIA, É, NO CASO EM TELA, NESTA ACUSACAO, COM A GLOBO.

CONCESSIONÁRIA DE UM BEM PÚBLICO – O ESPECTRO ELETRO-MAGNETICO – A GLOBO CONGELA A DESIGUALDADE. CRISTALIZA SUPOSTAS VERDADES CONVENIENTES, APROPRIADAS, QUE TOMAM A FORMA DE DOGMAS.

GLAMURIZA A INJUSTIÇA.

E, SOBRETUDO, IMPEDE O DEBATE.

OMITE A DISCUSSÃO SOBRE POLÍTICAS QUE  COMBATAM A DESIGUALDADE.

FECHA A PORTA À VÍTIMA DA INJUSTIÇA.

ATRIBUI-SE AO FUNDADOR DA REDE GLOBO, O EMPRESÁRIO ROBERTO MARINHO, A FRASE SÍNTESE DESTE MONOPÓLIO:

O IMPORTANTE – DIZIA ELE – NÃO É O QUE A GLOBO DIVULGA, MAS O QUE … NÃO … DIVULGA !

A MINHA CRÍTICA – EXPRESSA NOS TEXTOS EM QUE SE SUSTENTA O AUTOR  – É A ESSA POLÍTICA E A SEU IDEÓLOGO, AQUELE QUE, NOS MEIOS JORNALÍSTICOS , É CHAMADO DE CARDEAL RATZINGER DA GLOBO, O GUARDIÃO DA FÉ DE ROBERTO MARINHO.

É O JORNALISTA ALI KAMEL, O MAIS PODEROSO DIRETOR DE JORNALISMO DA HISTÓRIA DA REDE GLOBO.

E ESTE SUPOSTO RÉU CONVIVEU COM OS OUTROS TRÊS .

NENHUM TEVE TANTO PODER QUANTO KAMEL.

TRATA-SE DE UM PSEUDO ANTROPÓLOGO OU FALSO BIÓLOGO QUE SUSTENTA O DISPARATE DE QUE NO BRASIL QUASE NÃO HÁ NEGROS.

HÁ, SIM, SEGUNDO O SUPOSTO CARDEAL, PARDOS.

E PARDOS, PORQUE NÃO SÃO NEGROS, NÃO PRECISAM DE COTAS PARA ENTRAR NA UNIVERSIDADE.

E ISSO O QUE EU CRITICO.

E PORQUE USOU – ELE, SIM, KAMEL – O PÚLPITO DA GLOBO E DO JORNAL O GLOBO
PARA ESCREVER UM LIVRO COM  TÍTULO QUE É SABIDAMENTE UMA FRAUDE.

O TÍTULO É … NÃO SOMOS RACISTAS.

ONDE COMBATE FEROZMENTE AS COTAS RACIAIS.

A CRÍTICA DESTES ARTIGOS EM QUESTÃO É À IDEOLOGIA QUE NUTRE O RESPONSÁVEL PELA POLÍTICA EDITORIAL DA MAIOR REDE DE TELEVISÃO DA AMÉRICA LATINA.

A GLOBO NÃO É UMA ABSTRAÇÃO.

ELA É FEITA DE HOMENS DE CARNE, OSSO E IDEIAS.

A GLOBO TEM IDEIAS, IDEOLOGIA – E ACIMA DE TUDO, INTERESSES.
INTERESSES POLÍTICOS.

E ISSO DEVERIA SER DISCUTIDO NOUTRO FORUM, QUE NÃO ESSE, QUE O AUTOR NOS IMPÕE.

COMO JORNALISTA E HOMEM PÚBLICO TENHO UMA TRADIÇÃO DE CRITICAR A GLOBO.

ISSO TAMBÉM ESTÁ NOS AUTOS.

O TÍTULO DA REPORTAGEM EM TELA FALA POR SI MESMO:

“A GLOBO MENTE EM REDE NACIONAL E DESMENTE EM REDE LOCAL”

O QUE É INACEITÁVEL DO PONTO DE VISTA ÉTICO.

COMO DISSE A PEÇA INICIAL NA DEFESA QUE FIZ NO CRIME – SIM, PORQUE ME PROCESSAM POR UM CRIME TAMBEM -

” NEGRO DE ALMA BRANCA É O NEGRO BEM SUCEDIDO QUE NÃO DEFENDE OS NEGROS – QUE DESMENTE A NECESSIDADE DE POLÍTICAS FOMENTADORAS DA IGUALDADE RACIAL E CORROBORA A TESE DE ALI KAMEL DE QUE O BRASIL NAO É RACISTA.”

O COMPORTAMENTO PUBLICO E PROFISSIONAL DO AUTOR  É,  ASSIM,  A CONFIRMACAO DA TESE DO ALI KAMEL.

E A PERIPECIA DO AUTOR É  DIZER QUE ISSO É  UMA FORMA DE RACISMO…

SE BARACK OBAMA OU PELÉ FOSSEM À JUSTICA TODA VEZ QUE OS CHAMAM DE NEGROS DE ALMA BRANCA, O SISTEMA JUDICIAL BRASILEIRO E AMERICANO NAO FARIA OUTRA COISA !

RECENTEMENTE, UM DOS MAIS RESPEITADOS INTELECTUAIS AMERICANOS, CORNELL WEST, PROFESSOR DE HARVARD E PRINCETON, CHAMOU O PRESIDENTE BARACK OBAMA DE NEGRO DE ALMA BRANCA, PORQUE , SEGUNDO ELE, SE VENDEU A WALL STREET.

CORNELL WEST É NEGRO E USA CABELO AFRO.

A CRITICA QUE FIZ NO CONVERSA AFIADA NAO FOI UMA OBSERVACAO SOBRE A ETNIA DO QUERELANTE – NEM DE ALI KAMEL, DE ORIGEM PALESTINA.

FOI UMA CRITICA POLITICA.

UMA CRITICA À IDEOLOGIA DA GLOBO.

QUERO ME REPORTAR AQUI À NOTAVEL CONTRIBUIÇÃO DA GLOBO À CULTURA BRASILEIRA.

ESTE PRODUTO IMPORTADO CHAMADO BIG BROTHER BRASIL, TAMBÉM CHAMADO DE BIG BROTHEL BRASIL.

QUERO INVOCAR TAMBÉM O DEPOIMENTO DE MINO CARTA, PROVAVELMENTE O MAIOR JORNALISTA BRASILEIRO E MEU MENTOR, DESDE QUE FOI MEU CHEFE NA REVISTA VEJA.

COMO TODOS SABEM, O BIG BROTHER BRASIL OFERECEU AO PUBLICO BRASILEIRO UMA CENA SUB-EDREDÔNICA ONDE SE SUSPEITA TER OCORRIDO UM ESTUPRO.

O SUSPEITO DE PRATICAR O ESTUPRO É UM MODELO PROFISSIONAL, NEGRO, DE NOME DANIEL.

VEJA O QUE DIZ  MINO CARTA SOBRE NEGROS DE ALMA BRANCA E A GLOBO.

Quanto ao Big Brother, é de fonte excelente a informação de que a produção queria um “negro bem-sucedido”, crítico das cotas previstas pelas políticas de ação afirmativa contra o racismo. Submetido no ar a uma veloz sabatina no dia da estréia, Daniel Echaniz, o negro desejado, declarou-se contrário às cotas e ganhou as palmas febris dos parceiros brancos e do âncora Pedro Bial . [...]E não é que este Daniel, talvez negro da alma branca, é expulso do programa do nosso inefável Bial? Por não ter cumprido algum procedimento-padrão, como a emissora comunica, de fato acusado de estuprar supostamente uma colega de aventura global, como a concorrência divulga”.

COMO DIZ O MINO CARTA, EM OUTRO CONTEXTO:

A EXPRESSÃO “NEGRO DE ALMA BRANCA” É EXATAMENTE UMA CRITICA AO RACISMO.

SÓ A GLOBO TEM O DIREITO DE TER OPINIÃO NESTE PAÍS ?

O DIREITO DE ESTABELECER QUEM DEVE E QUEM NAO DEVE ENTRAR NAS UNIVERSIDADES ?

QUEM É RACISTA OU NÃO ?

QUEM PODE TRABALHAR COM O PEDRO BIAL, SENDO NEGRO ?

MINO CARTA DÁ A IMPRESSÃO DE QUE EXISTE UM TESTE DE HIGIENE IDEOLOGICA NA GLOBO.

SIM.

PORQUE NÃO HÁ NOTICIA DE UM NEGRO QUE TRABALHE NO JORNALISMO DA GLOBO QUE TENHA DEFENDIDO PUBLICAMENTE AS COTAS RACIAIS PARA A UNIVERSIDADE.

NÃO SÃO MUITOS OS NEGROS, ALI NAQUELA VITRINE PODEROSA.

E OS POUCOS NÃO DEFENDEM AS COTAS – POR QUE SERÁ ?

ESTA NÃO É UMA AÇÃO PENAL !

O QUE SE JULGA AQUI É A LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

E NAO A SIMPLES LIBERDADE DE IMPRENSA DO ROBERTO MARINHO, SEUS HERDEIROS E ALI KAMEL.

A LIBERDADE DE PENSAR E SE EXPRIMIR DIFERENTE DA GLOBO.

DE NAO SE SUBMETER A UM PROCESSO DE HIGIENIZAÇÃO IDEOLOGICA.

QUERO RELEMBRAR, AQUI, A TESE CENTRAL DO PROFESSOR LUIS FELIPE DE ALENCASTRO, AUTOR DO LIVRO CLASSICO “TRATO DE VIVENTES “, TITULAR DA CADEIRA DE HISTÓRIA DO BRASIL NA SORBONNE, NA FRANÇA, NUM TESTEMUNHO RECENTE EM AUDIENCIA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, A CONVITE DO MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI.

O PROFESSOR ALENCASTRO ESTÁ NOS AUTOS, COMO MINHA TESTEMUNHA.

DISSE ELE NO SUPREMO.

A DIVISÃO DA SOCIDADE BRASILEIRA ESTÁ DADA. É CONCRETA.

PESQUISAS DO IBGE, DO IPEA, DE REPUTADOS SOCIOLOGOS E HISTORIADORES RENOMADOS ATESTAM A ESMAGADORA DEBILIDADE SOCIAL, ECONOMICA, EDUCACIONAL DA POPULAÇÃO NEGRA.

ESSE MAL JÁ ESTÁ FEITO.

A ESCRAVIDÃO FEZ.

AGORA, É PRECISO TRATAR DESIGUALMENTE AS OPORTUNIDADES PARA CORRIGIR A DEFORMAÇÃO GERADA NA DESIGUALDADE.

POR ISSO SOU A FAVOR DAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES, CONCLUIU ELE.

ESSA É A MINHA QUESTÃO.

ESSE É, NESTE CASO, O MEU PROBLEMA COM A GLOBO E SEU IDEOLOGO, O PSEUDO ANTROPOLOG , O CARDEAL RATZINGER.

ESSA É A MINHA CRITICA AOS NEGROS DE ALMA BRANCA.

NUMA PALAVRA, A CONDESCENDÊNCIA COM A DESIGUALDADE.

SUBSIDIARIAMENTE,  ESSA AÇÃO – NO CRIME E NO CÍVEL – NÃO PASSA DE UMA BURLA, DE UM ESCÁRNIO AO SISTEMA JUDICIARIO.

O VERDADEIRO AUTOR, NA MINHA INVIOLÁVEL E SOLITARIA INTERPRETACAO, É GILMAR MENDES, TESTEMUNHA DO AUTOR, NA AÇÃO PENAL.

QUE SE ABALOU DO OLIMPICO TRIBUNAL PARA VIR AQUI COMO SE FOSSE TRATAR DE UMA ROTINEIRA QUERELA TRABALHISTA.

NAO !

GILMAR MENDES QUER SE VINGAR DE MIM ATRAVÉS DE TRES PROCESSOS NA JUSTIÇA.

NO CRIME, JÁ FOI SUMARIAMENTE DERROTADO, PORQUE O MINISTERIO PUBLICO NAO VIU POR QUE ME PROCESSAR.

FALTAM DOIS PROCESSOS NO CÍVEL, ONDE A JUSTIÇA, CERTAMENTE, PREVALECERÁ.

E TEM ESTE AQUI, DE QUE TRATAMOS, EM QUE ELE É O VERDADEIRAO AUTOR E O ESPIRITO SANTO DE ORELHA DESTA AÇAO.

FAZ ISSO ATRAVÉS DO CONSPICUO AUTOR, PRO FORMA.

FAÇO ESSA DENUNCIA SERENAMENTE.

E A FAREI EM TODAS AS INSTÂNCIAS NECESSARIAS.

AQUI, ME DEBATO COM GILMAR MENDES.

UM NOTORIO ADVERSÁRIO DA LIBERADE DE EXPRESSAO – TANTAS AS AÇOES INOCUAS QUE MOVE NA JUSTIÇA PARA CALAR JORNALISTAS INDEPENDENTES.

COMO TENTOU FAZER COM MINO CARTA E LEANDRO FORTES, TAMBEM DA CARTA CAPITAL

E PERDEU.

QUAL O PROBLEMA DE GILMAR MENDES COM ESTE SUPOSTO RÉU ?

PORQUE NO SITE CONVERSA AFIADA FAÇO QUESTAO DE RELEMBRAR QUE ELE DEU EM 48 HORAS DOS HCS QUE O MEIO JURIDICO CHAMA DE HCS CANGURU, PARA BENEFICIAR UM PASSADOR DE BOLA APANHADO NO ATO DE PASSAR BOLA, O BANQUEIRO DANIEL DANTAS.

PORQUE O SITE CONVERSA AFIADA CONSIDERA QUE GILMAR MENDES NÃO TEM CONDIÇÕES MORAIS NEM INTELECTUAIS PARA SE SENTAR NUMA CADEIRA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

UM MINISTRO QUE MANTEM COM O ADVOGADO SERGIO BERMUDES AS RELAÇÕES PROMISCUAS QUE ELE MANTEM, COM O USUFRUTO DE APARTAMENTO NO CENTRAL PARK, EM NOVA YORK, E UMA LIMOUSINE MERCEDES BENZ – ESSE HOMEM, NA MINHA MODESTA OPINIÃO, NÃO PODE SER UM ARBITRO DE QUESTÕES QUE DIGAM RESPEITO À CONSTITUIÇÃO.

QUERO ENCERRAR MINHAS PALAVRAS COM UM TESTEMUNHO PESSOAL.

NUM RECENTE DOMINGO, O PROGRAMA EM QUE TRABALHO, DOMINGO ESPETACULAR, EXIBIU REPORTAGEM MINHA NUM ABRIGO, NO RIO,  DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES VICIADOS EM CRACK.

CRIANÇAS TALVEZ DESTRUIDAS DE FORMA IRRECUPERAVEL.

SEUS CIRCUITOS CEREBRAIS JÁ FORAM DANIFICADOS DE TAL FORMA, QUE NÃO CONSEGUEM MAIS ARTICULAR COM NITIDEZ AS PALAVRAS QUE SAEM DA BOCA.

HAVIA, ALI, 23 CRIANÇAS.

TODAS ERAM NEGRAS.

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 - No Blog do Miro


PIG tenta se vingar do blogueiro PHA
 

Por Altamiro Borges

O jornalista Paulo Henrique Amorim tinha tudo para ser como inúmeras outras “celebridades midiáticas” – acomodadas, bajuladoras dos patrões e paparicadas pelas elites. Ele tem vasta experiência profissional, já trabalhou em vários veículos da chamada grande imprensa, comanda hoje um programa na TV Record que abocanha a audiência da Rede Globo e é respeitadíssimo pela sociedade – já presenciei enormes filas para tirar fotos com ele e para colher seu autógrafo.

Mas ele não abdicou do seu compromisso com a ética no jornalismo – como muitos mercenários fizeram. Com seu espírito crítico aguçado e irreverente, com sua “conversa afiada”, ele é hoje um dos maiores adversários dos barões da mídia, que monopolizam o setor e manipulam a informação. Através do seu blog, um dos mais acessados do país, PHA desmascara e incomoda o chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista). Globo, Veja, Estadão e Folha temem os seus comentários ácidos e sempre bem-humorados.

Militante da democratização da comunicação

Além de escrever seus petardos, numa atividade frenética, Paulo Henrique Amorim é um militante da luta pela democratização da comunicação. Tornou-se uma referência nacional, viajando todo o país para defender a urgência da Ley de Medios. Nada recebe em troca, além do carinho de milhares de brasileiros cansados da ditadura midiática. Ele é um dos principais responsáveis pela organização do movimento dos blogueiros progressistas (BlogProg) e pela criação do Centro de Estudos Barão de Itararé.

Esta trajetória – que não anula as divergências que existem neste amplo campo da luta pela democratização da comunicação – é que explica o escarcéu que o PIG, seus “calunistas” de plantão e alguns “aloprados” tem feito nos dois últimos dias. Diante de um acordo firmado na Justiça com o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo, a mídia vende a imagem de que PHA “foi condenado por racismo”. O golpe é baixo, mentiroso e rasteiro, bem típico dos mercenários da mídia.

O PIG tenta se vingar do “blogueiro ansioso” que tanto o incomoda. Mas o movimento negro sabe que PHA sempre utilizou o seu blog para combater o racismo e os racistas – como Ali Kamel, o poderoso mentor da TV Globo. Os que lutam, com espírito unitário, pela democratização da comunicação no Brasil sabem os reais motivos desta campanha asquerosa. Toda a solidariedade ao jornalista, blogueiro e guerreiro Paulo Henrique Amorim! Abaixo os mercenários da mídia!
 

 

Nassif, acho que merece um post, me ajudou a entender muita coisa que acontece no ambiente de trabalho...

 

Um controle psiquiátrico da dissidência?Byadmin – 25/02/2012Posted in: Destaques 

 

Comportamento anti-autoritário, que recomenda avaliar poder antes de respeitá-lo, pode estar sendo reprimido desde a infância por diagnósticos e medicamentos questionáveis

Por Bruce E. Levine, em Alternet | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Rico Gatson, O Grupo

Em minha carreira como psicólogo, falei com centenas de pessoas antes diagnosticadas por outros profissionais como portadoras de Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Ansiedade e outras doenças psiquiátricas. Estou chocado por dois fatos: 1) quantos destes pacientes são, em essência, anti-autoritários; 2) como os profissionais que os diagnosticaram não o são.

Os anti-autoritários questionam se uma autoridade é legítima, antes de levá-la a sério. Sua avaliação de legitimidade inclui avaliar se as autoridades sabem de fato do que estão falando; se são honestas; e se se preocupam com aqueles que as respeitam. Quando anti-autoritários avaliam uma autoridade como ilegítima, eles desafiam e resistem a seu poder. Certas vezes, de forma agressiva; outras, de forma agressivo-passiva. Às vezes, com sabedoria; outras, não.

Alguns ativistas lamentam como parecem ser poucos os anti-autoritários nos Estados Unidos. Uma razão pode estar em que muitos anti-autoritários são psico-diagnosticados e medicados antes de formarem consciência política a respeito das autoridades sociais mais opressoras.

Por que profissionais de Saúde mental veem anti-autoritários como portadores de distúrbios mentais

Conquistar aceitação nas escolas superiores ou de especialização de medicina, e obter um doutoramento ou pós-doutoramento como psicólogo ou psiquiatra, significa superar muitos obstáculos. Requer adequar-se comportamentalmente a autoridades – inclusive aquelas pelas quais não se tem respeito. A seleção e socialização dos profissionais de saúde mental tende a excluir muitos anti-autoritários. Graus e credenciais são, antes de tudo, atestados de adequação. Quem estendeu seus estudos, viveu longos anos em um mundo onde é preciso conformar-se rotineiramente com as exigências de autoridades. Por isso, para muitos doutores e pós-doutores em saúde mental, pessoas diferentes, que rejeitam esta adequação comportamental, parecem ser de outro mundo – um mundo diagnosticável.

Descobri que a maior parte dos psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental não são apenas extraordinariamente adequados às autoridades – mas também inconscientes da magnitude de sua obediência. Também tornou-se claro para mim que o anti-autoritarismo de seus pacientes cria enorme ansiedade entre estes profissionais, o que impulsiona diagnósticos e tratamentos.

Na universidade, descobri que para ser rotulado como alguém com “problemas com autoridade”, bastava não bajular um diretor de treinamento clínico cuja personalidade era uma combinação de Donald Trump, Newt Gingrich e Howard Cosell. Quando alguns professores me disseram que eu tinha “problemas com autoridade”, reagi ao rótulo com sentimentos contraditórios. Por um lado, achei interessante, porque entre os filhos de trabalhadores, com quem havia crescido, eu era considerado de certa forma obediente à autoridade. Além disso, eu tinha feito minhas lições de casa, estudado e recebido boas notas. Entretanto, embora os meus novos “problemas com autoridade” deixassem-me alegre, por ser agora visto como um bad boy, também me preocupava com o tipo de profissão em que estava entrando. Mais especificamente, se alguém como eu era visto como tendo “problemas com autoridade”, como seriam chamados os garotos com quem cresci – atentos a tantas coisas que lhes interessavam, mas não suficientemente interessados com a escola para obedecê-la? Logo a resposta tornou-se clara.

Diagnósticos de doença mental para anti-autoritários

Um artigo de 2009 no Psychiatric Times, intitulado “TDO e TDAH: Enfrentando os Desafios do Comportamento Disruptivo”, relata que os “transtornos disruptivos”, uma categoria que inclui o Transtorno do Deficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), são os problemas de saúde mental mais comuns em crianças e adolescentes. O TDAH é definido por baixa atenção e tendência à distração; baixo alto-controle, impulsividade e hiperatividade. Já o TDO é definido como “um patrão de comportamento negativista, hostil e desafiante, sem as violações mais sérias dos direitos básicos de outros vistas no transtorno de conduta”. Os sintomas do TDO incluem “desafiar ativamente, ou recusar-se a obedecer com frequência as ordens e regras dos adultos” e “discutir frequentemente com adultos”.

O psicólogo Russel Barkley, uma das grandes autoridades da saúde mental mainstream em TDAH, diz que os que padecem deste mal têm déficits no que chama de “comportamento regrado”, já que são menos obedientes às regras das autoridades estabelecidas e menos sensíveis às consequências positivas ou negativas. Pessoas jovens com TDO também têm, segundo as autoridades do mainstream, os tão falados déficits em comportamento regrado. Por isso é tão comum, entre jovens, um “duplo diagnóstico” de TDAH mais TDO.

Realmente queremos diagnosticar e medicar todos os que têm “déficit em comportamento regrado”?

Albert Eisnten, quando jovem, teria provavelmente recebido um diagnóstico de TDAH, e talvez também de TDO. Ele não prestava atenção em seus professores, fracasou duas vezes nos exames de admissão à escola secundária e tinha dificuldades em conservar empregos. No entanto, Ronald Clark, um biógrafo de Einstein (Einstein: The Life and Times), sustenta que seus problemas não provinham de déficits de atenção, mas de seu ódio à disciplina autoritária, prussiana de suas escolas. Einstein dizia: “Os professores da escola primária pareciam-me sargentos e os do ginásio eram como tenentes”. Aos 13, ele leu o difícil Crítica da Razão Pura, de Kant – por estar interessado no livro. Clark também conta que Einstein recusava-se a se preparar para os exames de admissão ao ensino médio: era uma forma de rebelião contra o “intolerável” caminho exigido por seu pai, rumo a uma “profissão prática”. Depois que ele finalmente ingressou, um professor disse-lhe: “Você tem um defeito: ninguém pode te dizer nada”. As características particulares de Einstein, que tanto espantavam as autoridades, eram exatamente as que lhe permitiram destacar-se.

Para os padrões atuais, Saul Alinsky, o legendário organizador social autor de Regras para Radicais, teria sido certamente diagnosticado com um ou mais transtornos disruptivos. Rememorando sua infância, ele afirmou: “Eu nunca pensava em caminhar na grama até que via uma placa dizendo: ‘Não pise na grama’. Então, eu sapateava em cima dela”. Alinsky também recorda de uma ocasião, quando tinha 10 ou 11 anos, e seu rabino ensinava-lhe hebraico.

“Certo dia, li três páginas sem erros de pronúncia, e de repente uma moeda caiu sobre a Bíblia… No dia seguinte, o rabino voltou e me pediu para começar a ler. Simplesmente sentei em silêncio, recusando-me. Perguntou-me por que estava tão quieto e respondi: ‘Desta vez, é uma nota ou nada’. Ele começou a me bater”.

Muitas pessoas com ansiedade severa e ou depressão também são anti-autoritárias. Uma grande dor em suas vidas, que alimenta sua ansiedade e ou depressão, é o temor de que o desprezo a autoridades ilegítimas as torne social e financeiramente marginalizadas. Porém, também temem que a obediência a tais autoridades cause-lhes morte existencial.

Também empreguei muito tempo com pessoas que, numa época de sua vida, tiveram pensamentos e comportamentos bizarros a ponto de serem assustadores, para suas famílias e para si mesmas. Tinham diagnósticos de esquizofrenia e outras psicoses, mas se recuperaram e desfrutaram, por muitos anos, vidas produtivas. Neste grupo, nunca encontrei ninguém que não considerasse um grande anti-autoritário. Assim que se recuperaram, aprenderam a direcionar seu anti-autoritarismo para fins políticos mais construtivos – inclusive a reforma do sistema de saúde mental.

Muitos anti-autoritários que em fases anteriores de suas vidas tiveram diagnósticos de doenças mentais relatam que, ao serem rotulados como pacientes psiquiátricos, entraram num dilema. Autoritários exigem, por definição, obediência sem questionamentos. Por isso, qualquer resistência a seus diagnósticos e tratamentos causa enorme ansiedade em profissionais de saúde mental com este tipo de postura; e médicos que se sentiam descontrolados rotulavam estes pacientes como “refratários a tratamento”, expandindo a severidade do diagnóstico e entupindo-os de medicação. Às vezes, isso enraivecia de tal modo os anti-autoritários que sua reação os fazia aparecer ainda mais assustadores para suas famílias.

Há anti-autoritários que usam drogas psiquiátricas para ajudá-los a funcionar. Ainda assim, frequentemente rejeitam as explicações das autoridades psiquiátricas sobre quais são suas dificuldades. Podem, por exemplo, tomar Adderall (uma anfetamina prescrita para TDAH). Mas sabem que seu problema de atenção não resulta de um desequilíbrio bioquímico do cérebro, mas de um trabalho enfadonho. Da mesma forma, muitos anti-autoritários submetidos a ambientes muito estressantes podem ocasionalmente tomar benzodiazepínicos como Xanax. Pensam que seria mais seguro usar maconha, mas os testes de drogas existentes nas empresas a detectariam…

Minha experiência sugere que muitos anti-autoritários rotulados com diagnósticos psiquiátricos não rejeitam todas as autoridades, mas apenas aquelas que avaliam como ilegítimas. Ocorre que nessa categoria poderia ser enquadrada boa parte das autoridades, em nossa sociedade…

Agindo para manter o Status Quo

Os norte-americanos têm sido convencidos a considerar desatenção, raiva, ansiedade e desespero imobilizante como condições médicas – e a procurar tratamento farmacológico, em vez de soluções políticas. Haveria meio melhor de manter o status quo do que ver em tais reações problemas de quem está mentalmente enfermo – e não atitudes normais, diante de uma sociedade cada vez mais autoritária?

A realidade é que a depressão está altamente associada com dores sociais e financeiras. É muito mais provável tornar-se deprimido quando você está desempregado, subempregado ou em dívida (ler “400% Rise in Anti-Depressant Pill Use”). E é inegável: crianças rotuladas como portadoras de TDAH prestam atenção quando estão sendo recompensadas, ou quando uma atividade é nova, desperta seu interesse ou foi escolhida por elas (documentado em meu livro Commonsense Rebellion).

Numa idade das trevas anterior, as monarquias autoritárias associavam-se às instituições religiosas. Quando a humanidade superou esta fase e abriu-se o Iluminismo, houve uma explosão de energia. Muito da revitalização tinha a ver com arriscar-se diante de instituições autoritárias e corruptas; e com reconquistar confiança na própria mente. Vivemos uma nova era de trevas: mudaram apenas as instituições. Os EUA necessitam desesperadamente de anti-autoritários para questionar, desafiar e resistir às novas autoridades ilegítimas; e para reconquistar confiança em seu próprio senso comum.

Em todas as gerações, há autoritários e anti-autoritários. Embora seja incomum, na história dos EUA, que os anti-autoritários adotem ações efetivas, capazes de inspirar os demais à revolta que resulta em mudanças, de vez em quando um Tom Paine, Crazy Horse ou Malcolm X aparece. Então, os autoritários marginalizam financeiramente quem resiste ao sistema, criminalizam o anti-autoritarismo, psico-diagnosticam os anti-autoritários e produzem drogas de mercado para sua “cura”.


Bruce E. Leving (site: www.brucelevine.net) é psicólogo clínico nos EUA, há cerca de três décadas. Conhecido por suas posições anti-hegemônicas, escreve e debate sobre as intersecções entre Sociedade, Política, Cultura e Psicologia. É autor, entre outros livros, de Commonsense Rebellion (2003), Surviving America Depression Epidemic (2007) e Get Up, Stand Up: Uniting Populists, Energizing the Defeated, an Battling the Corporate Elite (2011).

 

 

Pois é, PHA só não é crítico em relação ao Edir Macedo, né?