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    Nassif, o DEM sangra...Agora é Agripino Maia o investigado pelo MPF.

 http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/03/30/em-depoimento-ao-mp-empreiteiro-diz-que-presidente-do-dem-recebeu-r-1-mi-em-dinheiro-para-campanha-de-2010.htm

  Em depoimento ao MP, empreiteiro diz que presidente do DEM recebeu R$ 1 mi em dinheiro para campanha de 2010

 

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

 

Valter Campanato/Agência Brasil

 

 

Agripino Maia é acusado de ter recebido R$ 1 milhão para a campanha de 2010 no RN. O senador, que desde terça-feira (27) é o líder do partido no Senado, nega veementemente a denúncia

 

O MP-RN (Ministério Público do Rio Grande do Norte) encaminhou à Procuradoria Geral da República um depoimento do empreiteiro potiguar José Gilmar de Carvalho Lopes, no qual ele afirma que o senador e presidente nacional do DEM, José Agripino Maia, teria recebido R$ 1 milhão em dinheiro “vivo” para a campanha de 2010 no Estado. O senador, que desde terça-feira (27) é o líder do partido no Senado, nega veementemente a denúncia.

O depoimento do empresário --que é dono da construtora Montana, uma das maiores do Rio Grande do Norte-- foi dado em novembro de 2011, durante as investigações de um suposto esquema montado para manter o monopólio indevido nas inspeções ambientais veiculares no Estado, que poderia render R$ 1 bilhão aos acusados. Ao todo, 36 pessoas foram denunciadas e 27 tiveram a denúncia aceita --entre elas o suplente de Agripino Maia-- e se tornaram réus no processo da operação Sinal Fechado. As fraudes teriam sido realizadas com a participação de políticos, ex-governadores e servidores do Detran-RN (Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte).

O depoimento vazou do processo, que corre em segredo de Justiça, e foi publicado por blogs e sites do Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (29). À reportagem do UOL, a assessoria de imprensa do MP-RN confirmou a veracidade do depoimento e que o documento foi remetido para a Procuradoria Geral da República, já que o senador tem foro privilegiado, para que decida se uma investigação será aberta ou não. Por sua vez, o MP-RN não soube informar como o documento foi parar na mão de jornalistas potiguares.

No depoimento, Gilmar afirmou que o repasse do R$ 1 milhão --que seria fruto do desvio de recursos públicos do Detran-RN-- teria sido feito pelo advogado George Olímpio, que foi preso e denunciado na operação Sinal Fechado. Além do declarante, uma advogada e dois promotores assinam o documento.

O empresário contou aos promotores que George assegurou que “deu R$ 1 milhão em dinheiro, de forma parcelada, na campanha eleitoral de 2010 a Carlos Augusto Rosado [marido da governadora Rosalba Ciarlini, também do DEM] e José Agripino Maia, e que esta doação foi acertada no sótão do apartamento de José Agripino Maia em Morro Branco [bairro nobre de Natal].”

No depoimento, dado no mesmo dia em que foi detido pela polícia, o empresário deu vários detalhes sobre a suposta distribuição de propina e lucros advindos do valor recolhido do contrato de prestação de serviço de inspeção veicular ambiental do Rio Grande do Norte.

Segundo a denúncia feita pelo MP, após as investigações que resultaram na operação Sinal Fechado, George Olímpio e Gilmar Lopes fariam parte da “organização criminosa” que elaborou e fraudou concorrência pública no Detran-RN para garantir o domínio da inspeção veicular no Estado, contando com a participação de agentes públicos.

Entre os denunciados pelo MP estão os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza, ambos do PSB, que são acusados de receber propina da organização criminosa. Para o MP, uma das principais provas foi o depoimento prestado por Gilmar ao MP. Os ex-governadores negam a denúncia. Outro denunciado é o suplente de José Agripino Maia no Senado, João Faustino. Todos já são réus no processo, pois a denúncia contra os 27 acusados foi aceita pela Justiça potiguar.

Sobre o esquema, o MP diz que “tudo bem articulado para que o Consórcio INSPAR se sagrasse, como ocorreu, vitorioso na concorrência em comento, cujo contrato administrativo representava, em volume de recursos, o maior contrato já celebrado pelo Departamento de Trânsito do Estado do Rio Grande do Norte, havendo uma perspectiva de faturamento anual de cerca de R$ 50 milhões de reais, e, portanto, de mais de R$ 1 bilhão nos 20 anos de prazo da concessão”. George Olímpio é citado como um dos três responsáveis pela elaboração do edital de licitação direcionado. Ele também é apontado nas investigações como distribuidor da propina aos agentes públicos do Rio Grande do Norte.

 

Sob efeito de medicamentos

 

Em nota encaminhada ao UOL, a assessoria do senador José Agripino Maia informou que "de acordo com o advogado criminal José Luiz Carlos de Lima, o empresário Gilmar da Montana, seu cliente, desmentiu o depoimento no qual fez referência à suposta doação a campanha de José Agripino."

Segundo a nota, "o advogado informou que o empresário fez as primeiras afirmações sob efeitos de medicamentos, sem estar acompanhado de um advogado criminal e logo depois de ser preso, o que prejudicou e distorceu o teor das declarações. Segundo José Luiz Carlos de Lima, nos depoimentos seguintes e na defesa preliminar remetida à Justiça, Gilmar negou peremptoriamente ter informação sobre doação para campanha."

A assessoria ainda afirmou que no depoimento vazado, "Gilmar da Montana não acusou diretamente José Agripino ou qualquer pessoa. Apenas disse que tinha ouvido dizer de outro empresário que esse teria feito doações. Ou seja, em nenhum momento o empresário foi testemunha do que acusou e depois se desmentiu."

 

Osvaldo Ferreira

 

Em depoimento ao MP, empreiteiro diz que presidente do DEM recebeu R$ 1 mi em dinheiro para campanha de 2010Comente

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

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O MP-RN (Ministério Público do Rio Grande do Norte) encaminhou à Procuradoria Geral da República um depoimento do empreiteiro potiguar José Gilmar de Carvalho Lopes, no qual ele afirma que o senador e presidente nacional do DEM, José Agripino Maia, teria recebido R$ 1 milhão em dinheiro “vivo” para a campanha de 2010 no Estado. O senador, que desde terça-feira (27) é o líder do partido no Senado, nega veementemente a denúncia.

O depoimento do empresário --que é dono da construtora Montana, uma das maiores do Rio Grande do Norte-- foi dado em novembro de 2011, durante as investigações de um suposto esquema montado para manter o monopólio indevido nas inspeções ambientais veiculares no Estado, que poderia render R$ 1 bilhão aos acusados. Ao todo, 36 pessoas foram denunciadas e 27 tiveram a denúncia aceita --entre elas o suplente de Agripino Maia-- e se tornaram réus no processo da operação Sinal Fechado. As fraudes teriam sido realizadas com a participação de políticos, ex-governadores e servidores do Detran-RN (Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte).

O depoimento vazou do processo, que corre em segredo de Justiça, e foi publicado por blogs e sites do Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (29). À reportagem do UOL, a assessoria de imprensa do MP-RN confirmou a veracidade do depoimento e que o documento foi remetido para a Procuradoria Geral da República, já que o senador tem foro privilegiado, para que decida se uma investigação será aberta ou não. Por sua vez, o MP-RN não soube informar como o documento foi parar na mão de jornalistas potiguares.

No depoimento, Gilmar afirmou que o repasse do R$ 1 milhão --que seria fruto do desvio de recursos públicos do Detran-RN-- teria sido feito pelo advogado George Olímpio, que foi preso e denunciado na operação Sinal Fechado. Além do declarante, uma advogada e dois promotores assinam o documento.

O empresário contou aos promotores que George assegurou que “deu R$ 1 milhão em dinheiro, de forma parcelada, na campanha eleitoral de 2010 a Carlos Augusto Rosado [marido da governadora Rosalba Ciarlini, também do DEM] e José Agripino Maia, e que esta doação foi acertada no sótão do apartamento de José Agripino Maia em Morro Branco [bairro nobre de Natal].”

No depoimento, dado no mesmo dia em que foi detido pela polícia, o empresário deu vários detalhes sobre a suposta distribuição de propina e lucros advindos do valor recolhido do contrato de prestação de serviço de inspeção veicular ambiental do Rio Grande do Norte.

Segundo a denúncia feita pelo MP, após as investigações que resultaram na operação Sinal Fechado, George Olímpio e Gilmar Lopes fariam parte da “organização criminosa” que elaborou e fraudou concorrência pública no Detran-RN para garantir o domínio da inspeção veicular no Estado, contando com a participação de agentes públicos.

Entre os denunciados pelo MP estão os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza, ambos do PSB, que são acusados de receber propina da organização criminosa. Para o MP, uma das principais provas foi o depoimento prestado por Gilmar ao MP. Os ex-governadores negam a denúncia. Outro denunciado é o suplente de José Agripino Maia no Senado, João Faustino. Todos já são réus no processo, pois a denúncia contra os 27 acusados foi aceita pela Justiça potiguar.

Sobre o esquema, o MP diz que “tudo bem articulado para que o Consórcio INSPAR se sagrasse, como ocorreu, vitorioso na concorrência em comento, cujo contrato administrativo representava, em volume de recursos, o maior contrato já celebrado pelo Departamento de Trânsito do Estado do Rio Grande do Norte, havendo uma perspectiva de faturamento anual de cerca de R$ 50 milhões de reais, e, portanto, de mais de R$ 1 bilhão nos 20 anos de prazo da concessão”. George Olímpio é citado como um dos três responsáveis pela elaboração do edital de licitação direcionado. Ele também é apontado nas investigações como distribuidor da propina aos agentes públicos do Rio Grande do Norte.

Sob efeito de medicamentos

Em nota encaminhada ao UOL, a assessoria do senador José Agripino Maia informou que "de acordo com o advogado criminal José Luiz Carlos de Lima, o empresário Gilmar da Montana, seu cliente, desmentiu o depoimento no qual fez referência à suposta doação a campanha de José Agripino."

Segundo a nota, "o advogado informou que o empresário fez as primeiras afirmações sob efeitos de medicamentos, sem estar acompanhado de um advogado criminal e logo depois de ser preso, o que prejudicou e distorceu o teor das declarações. Segundo José Luiz Carlos de Lima, nos depoimentos seguintes e na defesa preliminar remetida à Justiça, Gilmar negou peremptoriamente ter informação sobre doação para campanha."

A assessoria ainda afirmou que no depoimento vazado, "Gilmar da Montana não acusou diretamente José Agripino ou qualquer pessoa. Apenas disse que tinha ouvido dizer de outro empresário que esse teria feito doações. Ou seja, em nenhum momento o empresário foi testemunha do que acusou e depois se desmentiu."

Ver em tamanho maior http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/03/30/em-depoimento-ao-mp-empreiteiro-diz-que-presidente-do-dem-recebeu-r-1-mi-em-dinheiro-para-campanha-de-2010.htmCongresso te

 

do Pagina12

Menem, a juicio oral por encubrimiento del atentado a la AMIA


La medida tomada por el titular del Juzgado Nacional en lo Criminal y Correccional Federal 4, Ariel Lijo, alcanza, además, al exjuez de la causa Juan José Galeano, a Hugo Anzorreguy y a Juan Carlos Anchezar, secretario y subsecretario de la Side, y a los comisarios Carlos Castañeda y Jorge Alberto "Fino" Palacios, quien fue nombrado por Mauricio Macri como primer titular de la Policía Metropolitana. Todos quedaron acusados por "encubrimiento" de la explosión de la mutual judía ocurrida el 18 de julio de 1994, en la que murieron 85 personas.

La resolución de Lijo indica que, en el pedido de los fiscales para la elevación a juicio oral, uno de los motivos por los cuales quedó imputado el expresidente Menem es porque "extralimitando las funciones acordadas por la Constitución Nacional y las leyes de la Nación al Presidente de la Nación Argentina determinó, por intermedio de una comunicación efectuada por su hermano Munir Menem -quien ocupaba el cargo de Coordinador General de la Unidad Presidente-, al entonces juez federal Juan José Galeano a abandonar la investigación relativa a la denominada 'pista Kanoore Edul'", el empresario amigo de la familia Menem y fallecido en 2010, sospechado de haber tenido vínculos con el atentado.

"En cumplimiento de esa ilegal disposición presidencial -sigue el texto-, el magistrado a cargo de la pesquisa (Galeano), frustró, ocultó, sustrajo, dilató y/o interrumpió, diligencias probatorias que podían comprometer al nombrado Alberto Jacinto Kanoore Edul y a su entorno -entre los que se encontraba Mohsen Rabbani por ese entonces sospechado de su participación en el hecho y hoy día con captura internacional en orden a su responsabilidad en el atentado-, aun cuando en aquél momento ya existían motivos suficientes como para sospechar acerca de su posible intervención en el atentado."

Los fiscales también imputaron a Menem por haber determinado presuntamente la realización de conductas ilícitas por parte Anzorreguy, Anchezar, Castañeda y el "Fino" Palacios, quienes "llevaron a cabo determinadas acciones delictivas tendientes a ocultar información y obstaculizar la línea de investigación mencionada".

 

Há situações-assim parece -que são todos farinha do mesmo saco:


http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ministerio-da-pesca-contrata-empresa-e-depois-pede-verba-para-campanha-do-pt,855192,0.htm


Ministério da Pesca contrata empresa e depois pede verba para campanha do PT

BRASÍLIA - Após ser contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca - que não tinha competência para usar tais embarcações -, a empresa Intech Boating foi procurada para doar ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina R$ 150 mil. O comitê financeiro do PT catarinense bancou 81% dos custos da campanha a governador, cuja candidata foi a atual coordenadora política do governo, ministra Ideli Salvatti, em 2010.


Ex-militante do PT, o dono da empresa, José Antônio Galízio Neto, afirmou em entrevista ao Estado nesta quinta-feira, 29, que a doação não foi feita por afinidade política, embora se defina como filiado da época de fundação do partido em São Bernardo do Campo (SP).


“O partido era o partido do governo. A solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é óbvio. E eu não achei nada demais. Eu estava faturando R$ 23 milhões, 24 milhões, não havia nenhum tipo de irregularidade. E acho até hoje que, se precisasse fazer novamente, eu faria”, disse o ex-publicitário paulista. Logo em seguida, na entrevista, ele passou a atribuir o pedido de doação a um político local.


Derrotada na eleição, Ideli preencheu a cota do PT de Santa Catarina no ministério de Dilma Rousseff, justamente na pasta da Pesca. Em cinco meses no cargo, antes de mudar de gabinete para o Planalto, a ministra pagou o restante R$ 5,2 milhões que a empresa doadora à campanha petista ainda tinha a receber dos cofres públicos.


Nesta quinta-feira, a assessoria da ministra negou “qualquer ligação” entre Ideli e a Intech Boating, alegando que a doação não foi feita diretamente à campanha, mas ao comitê financeiro do PT. Em nota, a assessoria da ministra destaca que as contas da campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Ideli teve reiterados recentemente os poderes de articulação política do governo, em meio a sinais de rebelião da base de apoio de Dilma no Congresso.


Na quarta-feira, 28, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades na compra das lanchas-patrulha, em contratos com a Intech Boating, que somaram R$ 31 milhões. O prejuízo ao contribuinte, que autoridades e a empresa serão cobrados a devolver, ainda não foi calculado. O TCU critica sobretudo o fato de o ministério ter comprado lanchas sem ter o que fazer com elas. O relatório diz que 22 das 28 lanchas ficaram guardadas na própria fabricante, pois não tinham onde ser entregues.


José Antônio Galízio Neto afirmou que ainda restavam na empresa quatro das embarcações encomendadas. Uma delas seguiria ainda nesta quinta-feira para a Marinha, destino definido no início deste ano, quando a auditoria do TCU processava as conclusões.


As encomendas do ministério foram feitas entre 2009 e 2010, em licitações supostamente dirigidas, diz o TCU. No último dia de mandato, o então ministro Altemir Gregolin contratou mais cinco lanchas, quando 14 delas já estavam prontas e sem uso no estaleiro em Santa Catarina.



 

 

Carro com mais inovação tecnológica terá IPI menorPontuação vai definir IPI por montadoraFonte: Agência Estado O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, informou que o novo regime automotivo brasileiro, que deverá ser anunciado nos próximos dias, irá incluir uma tabela de pontos a ser cumprida pelas montadoras. Com isso, carro com mais inovação tecnológica terá um IPI menor. A empresa que cumprir mais quesitos, principalmente a nacionalização de itens, com mais inovação, será mais beneficiada com incentivos, como maior redução de cobrança de IPI. Esta tabela de pontos o ministro batizou de "tablita". O governo está interessado em atrair, principalmente, empresas asiáticas e o desconto do IPI poderá chegar a 100%. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, confirmou o estudo e disse que eles estão sendo finalizados com o Ministério do Desenvolvimento. Segundo ele, este regime não é só uma questão de conteúdo nacional, é muito mais uma questão de pesquisa e desenvolvimento. Nelson Barbosa acrescentou que a proposta é de instalar um sistema que será combinado com uma variação de pontos. Como as empresas vão atender a uma série de itens, quanto mais itens atenderem, mais descontos de impostos. Hoje, a exigência é que as empresas invistam pelo menos 0,5% da receita em pesquisa e desenvolvimento. Uma das discussões é que esse valor suba para 1%. Nelson Barbosa disse que os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento ainda estão discutindo os números. "Prefiro não dar números porque é exatamente isso que estamos discutindo com o setor."

 

E aí, Óia?


Do portal de notícias do Samuel Celestino: http://www.bahianoticias.com.br/index.html


Sexta, 30 de Março de 2012 - 13:15


Editor-chefe da Veja conversou 200 vezes por telefone com Carlinhos Cachoeira

 

 
Policarpo Jr. teria articulado com bicheiro e Demóstenes escândalo do mensalão
 

O editor-chefe da revista Veja, Policarpo Júnior, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira conversaram 200 vezes por telefone, segundo denúncia apontada na Operação Monte Carlo, a mesma que flagrou a relação estreita do contraventor com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). De acordo com o blog do jornalista Luís Nassif, nas ligações, Policarpo anteciparia informações de publicações da revista a Cachoeira. Já o empresário e ex-prefeito de Anápolis (GO), Ernani de Paulo, acusou Cachoeira, Demóstenes e o jornalista de ter "fabricado" a denúncia de "Mensalão". Anápolis é a cidade natal de Cachoeira e base eleitoral de Demóstenes. De acordo com o ex-gestor, o democrata era cotado para assumir o cargo de secretário de Segurança Nacional no começo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob a condição de filiar-se ao PMDB. O senador teria gostado da indicação, mas acabou vetado por José Dirceu (PT). A partir daí, a denúncia inicial do mensalão seria o troco de Demóstenes pelo veto. Na época, as reportagens contra o governo petista foram assinadas por Policarpo Júnior.

 

Reportagem, em inglês, sobre a falta de evolução no nível educacional da população nos EUA:


http://jaredbernsteinblog.com/what-are-we-doing/


A parte mais interessante é o gráfico abaixo:

http://jaredbernsteinblog.com/wp-content/uploads/2012/03/oecded1.png

Ele indica a diferença entre o nível de escolaridade superior entre pessoas de 25 a 34 (azul claro) e 55 a 64 (azul escuro).
A idéia maior a distância, maior a evolução. Há algumas coisas curiosas a notar. Dos países listados: EUA e Brasil parecem estagnados e Israel retrocedeu um pouco.

 

DILMA LEVA FLORES AO MEMORIAL DE MAHATMA GANDHI, NA ÍNDIA

Presidente do Brasil participa de reuniões bilaterais do Brics em Nova Délhi. Dilma também inspecionou a guarda de honra durante recepção cerimonial.Do G1 São Paulo - em 30/03/2012 07h24 - http:// g1.globo.com/economia/noticia/2012/03/dilma-leva-flores-ao-memorial-de-mahatma-gandhina-india.html

Re: Clipping do dia
Re: Clipping do dia
 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

da BBC Brasil

Cientistas capturam 'pela 1ª vez' tornados na superfície solar

 

Cientistas de uma universidade no País de Gales filmaram um grupo de tornados gigantes na superfície do Sol. O tamanho das tempestades é diversas vezes o do Planeta Terra inteiro.

Imagem de tornado solar

Tempestade solar já havia sido detectada antes, mas nunca filmada, segundo astrônomo

Pesquisadores da Universidade de Aberystwyth encontraram as tempestades com ajuda do telescópio atmosférico que fica a bordo do Observador Dinâmico Solar (SDO, na sigla em inglês), da agência espacial americana Nasa.

O vídeo foi apresentado em um encontro nacional de astronomia em Manchester.

"Está é provavelmente a primeira vez que um tornado solar tão grande é filmado", afirma o astrônomo Xing Li, do Instituto de Matemática e Física da universidade. "Outros tornados menores já haviam sido detectados por satélites SOHO, mas eles não haviam sido filmados."

Os tornados solares foram observados no dia 25 de setembro de 2011. Eles foram descobertos com um equipamento que havia sido lançado no espaço em fevereiro de 2010.

O objetivo do satélite é coletar dados que ajudem os cientistas a entender como variações nos padrões do Sol podem afetar o resto do espaço.

O telescópio viu gases superaquecidos – com temperaturas entre 47.250 e 2 milhões de graus Celsius – circulando em distâncias de cerca de 200 mil quilômetros por pelo períodos de pelo menos três horas.

A velocidade dos gases pode atingir até 300 mil quilômetros por hora. Na Terra, os tornados de ar chegam a 150 quilômetros por hora, no máximo.

As tempestades solares têm efeitos na Terra. Durante o fenômeno, eles podem provocar interrupções no serviço de alguns satélites e em redes de eletricidade.

 

da BBC Brasil

Brasil adota rumo diferente de vizinhos na revisão do regime militar

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

Atualizado em  30 de março, 2012 - 05:02 (Brasília) 08:02 GMT Protesto no Rio, na última quinta-feira, contra celebração de militares do aniversário do golpe de 1964 (AP)

Celebração de golpe de 1964, por parte de militares, foi alvo de protestos no Rio

O Brasil tem adotado um caminho diferente de seus vizinhos ao tratar de crimes políticos cometidos durante o regime militar. Enquanto o Brasil mantém a anistia ampla, geral e irrestrita e o caminho para a criação da Comissão da Verdade, a Argentina, o Uruguai e o Chile reabriram processos contra os acusados de crimes durante o período.

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a análise de um recurso da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que questiona a validade da lei da anistia, o que poderia aproximar as ações do Brasil das de seus vizinhos do Cone Sul. No mesmo dia, uma celebração do golpe de 1964, por parte de militares aposentados no Rio, foi alvo de protestos.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil têm opiniões divergentes sobre os fatos no Brasil e na vizinhança.

O ex-ministro da Justiça e atual secretário de Direitos Humanos de São Paulo, José Gregori, entende que a anistia no Brasil teve apoio da sociedade e hoje a democracia brasileira é "mais sólida" que a da Argentina, onde os processos do regime militar foram reabertos a partir de 2003.

A presidente da ONG Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, acha que o Brasil está "dez passos atrás da Argentina". Para ela, a Argentina tem dado exemplo de como lidar com a questão, incluindo medidas judiciais e iniciativas como o "escrache" (manifestação para expor publicamente acusados por crimes) dos responsáveis por tortura no Brasil.

O "escrache", inspirado em ações semelhantes na Argentina, tem levado jovens brasileiros a escrever "aqui mora um torturador" na porta das casas dos acusados.

Para Gregori, essa forma de protesto é perigosa. "Hoje são torturadores, mas depois podem ser aqueles que foram comunistas, como ocorreu com o macartismo (inspirado nas ideias de um senador americano contrário aos comunistas). Esse tipo de ação não ajuda a democracia brasileira", disse.

Na opinião do secretário José Gregori, o processo democrático no Brasil é parecido com o da África do Sul, onde, para ele, a opção foi pela paz e não pelo conflito interno.

 Wilson Dias/ABr)

Dilma sancionou Comissão da Verdade e Lei de Acesso a Informações Públicas

O professor chileno de Ciências Políticas Guillermo Holzmann diz que o Brasil foi o único país da região que "manteve" a anistia ao longo dos vários governos democráticos, incluindo o de Dilma Rousseff.

Processo democrático

Segundo Gregori, no inicio do processo democrático os países da região implementaram anistias, mas depois foram mudando.

"No Brasil, a anistia é geral e irrestrita, teve o apoio da sociedade brasileira, e foi uma das bases para a Constituição de 1988 e da nova democracia do país. A anistia vai continuar existindo", disse o ex-ministro.

"Na Argentina houve anistia e no caminho eles mudaram (as regras). Tenho a maior paixão pela Argentina, mas acho que a nossa democracia no momento está no nível de maior avanço que a deles. Nosso processo de democracia é mais solido", afirmou Gregori.

Para ele, o Brasil atualmente precisa enfrentar outras questões ligadas aos direitos humanos, como a exclusão social num momento de crise internacional. Gregori foi ministro no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, no cargo, recordou, se empenhou para que fosse criada a Comissão da Verdade e pela aprovação da lei que reconheceu que os desaparecidos políticos (estimados em 500) eram juridicamente mortos.

"Com esta lei de mortos e desaparecidos, as famílias puderam entrar com o pedido de inventário. Na realidade o meu projeto, que se tornou lei, veio complementar a Lei de Anistia. Eu acho que a lei da anistia foi um dos consensos que permitiu a democracia no Brasil", afirmou.

Ele observou que nos últimos anos o Brasil tem sido governado – tanto nos governos municipais, como estaduais e federal - por aqueles que foram "perseguidos" no regime militar.

Para Gregori, ao elegerem Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), Lula (2003-2011) e Dilma Rousseff, os eleitores brasileiros confirmaram a opção pelo fortalecimento democrático e "coerência".

ComissãoAMÉRICA DO SUL

CHILE

Em 1978, na época do regime militar no Chile, foi promulgado um decreto de anistia que perdoava os crimes dos agentes do próprio Estado. Com o retorno da democracia, a partir de 1990, a Justiça decidiu limitar a anistia ao declarar crimes contra a humanidade – que não prescrevem. Os casos de desaparecidos políticos continuam abertos e, nos casos em que as vítimas já foram identificadas, seus responsáveis estão presos. O processo democrático após o regime de Augusto Pinochet começou com um plebiscito popular que optou pelas eleições. Durante 1990 e 2004, em três governos, foram criadas varias comissões para apurar a verdade dos anos de Pinochet. Mas Pinochet foi somente condenado por evasão de impostos e não pelos crimes da ditadura.

ARGENTINA

A Argentina foi o primeiro país da região a levar os líderes do regime militar ao banco dos réus. O ex-presidente Jorge Rafael Videla e outros foram condenados no governo do então presidente Raúl Alfonsín. Mais tarde, Alfonsín assinou uma espécie de perdão aos militares de menor escalão, e anos depois o ex-presidente Carlos Menem indultou os ex-líderes militares e ex-guerrilheiros. As iniciativas do governo Alfonsín ficaram conhecidas como leis de Obediência Devida e de Ponto Final e, junto com os indultos, conhecidas como 'leis de impunidade'. A partir de 2003, no governo do ex-presidente Nestor Kirchner, as investigações sobre os crimes do regime militar foram reabertas e os militares beneficiados com aquelas leis condenados e presos. Vários processos continuam sendo realizados. A reabertura dos casos foi possível depois que a Suprema Corte de Justiça declarou as leis nulas.

URUGUAI

O regime militar no Uruguai terminou em 1985 e a fórmula jurídica local não foi anistia. Foi a chamada 'lei de caducidade', de 1986, e que ainda está em vigor. Nela, o Estado se "inibe a investigar e a punir os crimes da ditadura". Em dois plebiscitos – em 1989 e em 2009 – os uruguaios votaram pela manutenção da lei. O mesmo ocorreu em uma votação no Congresso Nacional. Mas a lei tem um artigo que permite que o presidente tome a iniciativa para que a Justiça investigue e condene acusados daqueles crimes. Foi o que permitiu o governo do ex-presidente Tabaré Vázquez levar acusados ao banco dos réus, incluindo o ex-presidente Juan María Bordaberry, que foi condenado. No Uruguai, houve comissão da verdade para se ter informação sobre desaparecidos políticos e ainda hoje são realizadas buscas das ossadas das vitimas daquele período.

Gregori afirmou ainda que a Comissão da Verdade, projeto do governo Lula e reafirmada na atual gestão, contou com "consenso" parlamentar e significa "um passo a mais" na democracia brasileira.

"A comissão não tem poderes para julgar ou para prender alguém. Mas pode ter mais acesso do que outra entidade e ouvir depoimentos no sentido de trazer informação sobre o que ocorreu. Ainda há muita coisa para se esclarecer, muita coisa nebulosa", disse Gregori.

Para ele, falta ser esclarecido, por exemplo, se havia "hierarquização" das ordens para prender e torturar ou se as iniciativas eram originadas na própria cadeia.

Gregori defendeu mais transparência sobre o que ocorreu, o que será possível através da Comissão da Verdade, mas disse ser contra qualquer intenção de "ajuste de contas", como sugeriu perceber nos vizinhos.

A presidente da ONG Tortura Nunca Mais apoiou a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitando que os crimes de tortura sejam excluídos da anistia, por serem "crimes comuns", criticou as "limitações" da Comissão da Verdade e disse que o "escrache", inspirado na Argentina e no Chile, é uma forma legítima de protesto.

"Como a OAB, nós entendemos que os crimes de sequestro e de tortura não prescrevem", disse.

Para ela, o Brasil "exportou" métodos de tortura para os países vizinhos, como o "pau de arara", mas hoje é "o mais atrasado" da região na apuração do que ocorreu.

"O Brasil está dez passos atrás da Argentina. O Brasil é o mais atrasado (da região)", disse. Na sua opinião, a reparação às vítimas e seus familiares não deve ser somente financeira.

"A sociedade de modo geral não tem informação sobre o que aconteceu e silenciou (sobre a anistia). Hoje, acho que a juventude que realiza a execração pública dos torturadores está certa e me emociona", disse.

Ela recordou que o Brasil foi condenado pela Comissão de Direitos Humanos da OEA a investigar o que ocorreu.

"O prazo era dezembro de 2011 e por isso foi criada a Comissão da Verdade, mas com limitações", disse.

Gregori acha que a Comissão "não conhece o Brasil" já que, na sua visão, o país tem avançado nesta área.

 

  O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT)  passava em frente à manifestação, MAS PERDEU AQUELE PIQUE DE CONTESTADOR.Deveria ter dado uma mãozina aos estudantes. Comemoração de militares termina em      pancadaria no Centro do Rio

Tumulto em frente ao Clube Militar no Centro do RioTumulto em frente ao Clube Militar no Centro do Rio Foto: O Globo / Marcelo Piu

Bruno Goes Cássio Bruno - O GloboTamanho do texto A A A

RIO - A comemoração do golpe militar de 1964, organizada por militares da reserva nesta quinta-feira no Centro do Rio, terminou com uma grande confusão. Cerca de 350 pessoas, entre eles representantes do PT, PCB, PCdoB, Psol, PDT e outros movimentos sociais de esquerda, bloquearam a entrada principal do Clube Militar, na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Santa Luzia, e tumultuaram a chegada dos convidados para o evento. O tempo todo gritavam palavras de ordem, chamando os militares de torturadores, assassinos e covardes. Uma pessoa foi presa após trocar socos e pontapés com um militar. O policiamento do local foi reforçado pela tropa de choque da PM.

 

Cada militar que chegava ao local era cercado, xingado e só conseguia entrar no prédio sob escolta da PM. A avenida Rio Branco chegou a ser fechada por dez minutos, pois no momento em que o jovem foi preso e colocado no camburão, várias pessoas tentaram impedir que ele fosse levado, cercando o veículo. O trânsito só foi liberado após os policiais usarem bombas de efeito moral, cujos estilhaços feriram na barriga a manifestante Miriam Caetano, de 33 anos.

Um dos militares revidou ao xingamento, pegou o celular de um manifestante, que reagiu. Houve empurra-empurra, e o estudante de Ciências Sociais Antônio Canha, de 20 anos, acabou sendo atingido por um tiro de descarga elétrica de uma pistola Taser. Os manifestantes também derramaram um balde de tinta vermelha nas escadarias do Clube Militar, representando o sangue derramado durante a ditadura, e atingiram um segurança do local com ovos.

Nas ruas próximas, vários cartazes com frases como "Ditadura não é revolução", "Onde estão nossos mortos e desaparecidos do Araguaia?", além de fotografias de desaparecidos durante os anos de chumbo. Parentes de desaparecidos compareceram ao protesto, como Maria Cristina Capistrano, filha de David Capistrano, jornalista e ex-ativista do PCB.

- Em 1974, ele foi levado para o DOPS no Rio de Janeiro e depois para a Casa da Morte, em Petrópolis. Desde então nunca mais tivemos notícias dele. Devido a casos como este do meu pai, acho importante este tipo de mobilização.

Os militares, que ficaram o tempo todo acuados dentro do prédio, saíram aos poucos do local. Uns pela porta dos fundos e outros, escoltados pela PM até uma estação do metrô que fica em frente ao Clube ou até conseguirem um táxi.

A Guarda Municpal e a Polícia Militar fecharam a Rua Santa Luiza ao trânsito na tentativa de dispersar a confusão.

Tarso Genro diz que comemoração é provocação

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) que passava em frente à manifestação, segundo ele por coincidência, pois ia entregar o Prêmio Ferreira Gullar na Biblioteca Nacional, considerou a comemoração dos militares uma provocação:

- Eles fazem este tipo de provocação, o que é uma ofensa à democracia e à Constituição brasilera. Inaceitável esse tipo de coisa depois que conquistarmos a democracia.



Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/comemoracao-de-militares-termina-em-pancadaria-no-centro-do-rio-4446227.html#ixzz1qb5Loyah

 

Folha de S.Paulo

 

Entrevista - Lula

Recebi uma bomba de Hiroshima dentro de mim

 

NA PRIMEIRA ENTREVISTA APÓS O DESAPARECIMENTO DO CÂNCER, LULA FALA DO MEDO DA MORTE E AFIRMA QUE AGORA QUER EVITAR UMA AGENDA 'ALUCINADA'

 

 

Ricardo Stuckert -17.fev.2012/Instituto Lula

 

 O ex-presidente, depois da última sessão de radioterapia a que se submeteu, em fevereiro

 

O ex-presidente, depois da última sessão de radioterapia a que se submeteu, em fevereiro

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que teve mais medo de perder a voz do que de morrer após a descoberta do câncer na laringe. "Se eu perdesse a voz, estaria morto."

Um dia depois da notícia de que o tumor desapareceu, ele recebeu a Folha para uma entrevista exclusiva num quarto do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde faz sessões de fonoaudiologia.

Lula comparou a uma "bomba de Hiroshima" o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.

Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. "Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou."

Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão "com a casca dura".

A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e "guru", pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Folha - Como o sr. está?
Luiz Inácio Lula da Silva - O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.

Foi difícil abrir mão...
Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.

O sr. teve medo?
A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.

Qual é a palavra correta?
A palavra correta... É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] - Pelo amor de Deus, presidente!

Em coma?
Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até...

Sentia dor?
Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.

Teve medo de morrer?
Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.

O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.

Mesmo assim, teve um medo grande?
Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: 'Não tenha medo da morte'. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem...

Qual foi o pior momento neste processo?
Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: 'Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor'. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
No dia do meu aniversário, eu disse: 'Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames'. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: 'Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!' Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: 'Então vamos tratar'.

Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: 'Vamos fazer'.
O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: 'Hoje eu não quero, não tô com vontade'.

O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.

Fez alguma promessa?
Não.

Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.

E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011... Nós visitamos 30 e poucos países.
Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.

Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.

O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.

Tem falado com ela?
Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.

E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?
E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/34233-recebi-uma-bomba-de-hiroshi...

 

TELETIME News

Telefónica terá de pagar multa de 152 milhões de euros

quinta-feira, 29 de março de 2012, 12h44

O Tribunal de Justiça da União Europeia negou nesta quinta, 29, recurso da Telefónica contra o pagamento de multa de 151,875 milhões de euros, imposta pela Comissão Europeia (CE) em 2007 ao constatar prática anticompetitiva e abuso de posição dominante no mercado de banda larga ADSL da Espanha entre setembro de 2001 e dezembro de 2006.

Quando da decisão da Comissão, em 2007, o órgão entendeu que a Telefónica havia infringido o Artigo 82 da CE ao impor preços não equitativos a seus competidores.

A investigação da CE teve início ainda em 2003, a partir de uma denúncia da operadora France Telecom Espanha (então Wanadoo España), que alegava que a margem entre os preços de atacado que as filiais da Telefónica cobravam das demais teles competidoras pelo acesso banda larga na Espanha e os preços praticados por ela no mercado de massa não era suficiente para que houvesse efetivamente competição.

Com a decisão do Tribunal Europeu, a Telefónica terá não apenas que pagar a multa, mas também arcará com as custas processuais de todas as partes envolvidas, que incluem a Comissão Europeia, a France Telecom España, a Asociación de Usuarios de Servicios Bancarios (Ausbanc Consumo) e a European Competitive Telecommunications Association. A tele espanhola deve recorrer da decisão.

Da Redação

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"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

Nassif, mais outro senador do DEM enrrolado.  Veja isso:

EMPRESÁRIO REVELA QUE CHEFE DO ESQUEMA DEU 1 MILHÃO DE REAIS A SENADOR AGRIPINO MAIA

Enviado em 29/03/12 às 11h45min por Ailton Medeiros

No dia 24 de novembro de 2011 o Ministério Público Estadual deflagrou a Operação Sinal Fechado, um esquema criminoso montado no Detran/RN que pretendia faturar em torno de um bilhão de reais em dez anos.

Na ocasião foram presos políticos, empresários e servidores públicos.

O ex-assessor de José Serra e suplente do senador José Agripino Maia, João Faustino, era um deles.

Outro era o empresário José Gilmar Carvalho Lopes, conhecido como Gilmar da Montana.

Pois bem, no depoimento ao MPE, o empresário revelou que o advogado e chefe do esquema George Anderson Olímpio de Carvalho entregou 1 milhão de reais ao senador José Agripino Maia no sótão de seu apartamento.

“O próprio advogado me contou”, disse Carvalho Lopes.

Isso é grave.

E agora, José?

Mais detalhes, clique aqui.

http://www.ailtonmedeiros.com.br/empresario-revela-que-deu-1-milhao-de-reais-a-senador-agripino-maia/2012/03/29/

 

Clipping do Dia (www.cloudnews.com.br)

Varejo de alimentos passa a ser dominado por grupos estrangeiros
As quatro maiores redes de hipemercados e supermercados – os grupos Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart e Cenconsud - , elevaram sua participação no mercado brasileiro de 45% em 2010 para 50% em 2011, o que mostra que o processo de concentração no seto...

Economia EUA cresceu três por cento no final de 2011 - Prensa Latina
29 de marzo de 2012, 19:18Washington, 29 mar (Prensa Latina) O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,0 por cento a taxa anual no período outubro-dezembro de 2011, o ritmo mais forte desde o segundo trimestre de 2010, informou hoje ...

Desemprego no Japão cai em fevereiro a 4,5%
Tóquio, 30 mar (EFE).- O desemprego no Japão caiu um décimo em fevereiro com relação a janeiro e alcançou 4,5%, em sua primeira melhora em cinco meses, informou o Governo nesta sexta-feira. O número de pessoas empregadas, por sua vez, registrou seu ....

BC mantém previsão de PIB e vê inflação menor - Diário do Nordeste
No ano, conforme projeção do BC, a inflação deve ficar em 4,4%; e 5,2% em 2013. As previsões anteriores eram de 4,7% nos dois anos São Paulo. O Banco Central manteve a sua previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 3,5% neste ano e...

Supermercados registram alta de 11,58 por cento nas vendas
As vendas reais do setor supermercadista registraram crescimento de 11,58% em fevereiro deste ano, em relação ao mesmo período de 2011. Os dados fazem parte do Índice Nacional de Vendas, divulgado ontem pela Associação Brasileira de Supermercados ...

Pressão do PSDB causa demissão na revista da Biblioteca Nacional
O jornalista Celso de Castro Barbosa revela ter sido censurado por texto favorável ao livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr.

Novas fitas apontam Demóstenes como lobista de Cachoeira
Senador, que antes dizia desconhecer atividades ilegais do bicheiro, atuou no Congresso pela legalização do jogo. Ele também negociou com a Anvisa contrato em benefício do laboratório do bicheiro

23ª Cúpula da Liga Árabe publica Declaração de Bagdá(atualizado) - China Radio International
A "Declaração de Bagdá", divulgada nesta quinta-feira (29) ao final da 23ª Cúpula da Liga Árabe, realizada na capital iraquiana, pede que a Síria aplique plena e imediatamente as seis propostas apresentadas por Kofi Annan, o enviado especial da ONU e...

Japão garante que irá abater míssil norte-coreano se o seu ... - Público.pt
Os militares japoneses têm ordens para abater o míssil que a Coreia do Norte pretende lançar no próximo mês se o seu território for posto em perigo, uma situação que o Governo de Tóquio considera “pouco provável”. “Não estamos à espera de que o míssi...

'Amigos da Síria' vão aumentar pressão sobre Damasco - Diário do Grande ABC
Dezenas de ilustres diplomatas estão prontos para se reunir no domingo em Istambul (Turquia) com o objetivo de aumentar a pressão sobre Damasco - para que o governo da Síria cumpra um plano de paz que poderia finalmente acabar com a violência que ...

Com IGP-M acumulado em 3,23%, saiba calcular o reajuste do seu aluguel - Info Money
SÃO PAULO - O índice que baliza o reajuste do valor do aluguel residencial registrou, entre abril de 2011 e março de 2012, variação acumulada de 3,23%. Logo, esse deve ser o reajuste dos aluguéis com aniversário em março, reforça o Secovi-SP (Sindica...

STF quebra sigilo de Demóstenes - Diário de Pernambuco (Assinatura)
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ontem a quebra do sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) referente a um período de aproximadamente dois anos. O parlamentar será investigado pela ...

http://www.cloudnews.com.br/


 

NA PRIMEIRA ENTREVISTA APÓS O DESAPARECIMENTO DO CÂNCER, LULA FALA DO MEDO DA MORTE E AFIRMA QUE AGORA QUER EVITAR UMA AGENDA ‘ALUCINADA’

O ex-presidente, depois da última sessão de radioterapia a que se submeteu, em fevereiro
O ex-presidente, depois da última sessão de radioterapia a que se submeteu, em fevereiro. Ricardo Stuckert -17.fev.2012/Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que teve mais medo de perder a voz do que de morrer após a descoberta do câncer na laringe. “Se eu perdesse a voz, estaria morto.”

Um dia depois da notícia de que o tumor desapareceu, ele recebeu a Folha para uma entrevista exclusiva num quarto do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde faz sessões de fonoaudiologia.

Lula comparou a uma “bomba de Hiroshima” o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.

Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. “Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou.”

Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão “com a casca dura”.

A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e “guru”, pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Folha – Como o sr. está?
Luiz Inácio Lula da Silva - O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.

Foi difícil abrir mão…
Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.

O sr. teve medo?
A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.

Qual é a palavra correta?
A palavra correta… É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] – Pelo amor de Deus, presidente!

Em coma?
Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até…

Sentia dor?
Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.

Teve medo de morrer?
Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.

O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.

Mesmo assim, teve um medo grande?
Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: ‘Não tenha medo da morte’. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem…

Qual foi o pior momento neste processo?
Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: ‘Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor’. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
No dia do meu aniversário, eu disse: ‘Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames’. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: ‘Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!’ Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: ‘Então vamos tratar’.

Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: ‘Vamos fazer’.
O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: ‘Hoje eu não quero, não tô com vontade’.

O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.

Fez alguma promessa?
Não.

Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.

E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011… Nós visitamos 30 e poucos países.
Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.

Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.

O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.

Tem falado com ela?
Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.

E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?
E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

 

Gurgel vai investigar a revista Veja? / Demóstenes será expulso do DEM?

Altamiro Borges

Adital

Após engavetar as denúncias por três anos, finalmente o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu pedir a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o senador Demóstenes Torres por suas ligações com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Poucas horas antes, o falso moralista da direita anunciou a sua renúncia da liderança do DEM no Senado.

"Considerei as denúncias graves o suficiente para que houvesse o pedido de instauração de inquérito”, justificou Gurgel. Segundo o sítio do STF, Demóstenes será investigado pelos crimes de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa (quando um servidor defende interesse privado perante a administração pública). O pedido do inquérito tem 56 páginas e 16 apensos.

Liquidado politicamente

A própria mídia, que sempre bajulou o senador demo, já reconhece que ele está liquidado. "Demóstenes optou por renunciar à liderança por não ter mais condições para conduzir votações. O presidente do partido, senador José Agripino (RN), assumiu seu lugar. Abatido, Demóstenes passou o dia trancado em seu gabinete e não circulou pelos corredores do Senado”, relata a Folha.

Durante os últimos dias, o ex-líder do DEM ainda tentou convencer seus pares no Congresso Nacional de que é inocente. O seu esforço foi para evitar que também seja aberto um processo no Conselho de Ética do Senado, o que pode causar a perda do seu mandato. O PSOL já anunciou que encaminhará pedido ao presidente da casa, José Sarney, para o início do processo de cassação.

Assassino de reputação vira alvo

Demóstenes Torres, que sempre posou de paladino da ética e bateu para matar em seus adversários políticos, agora engole o seu próprio veneno. Até o DEM, para evitar maiores desgastes e o risco de extinção, já estuda sua expulsão. Agripino Maia, presidente da legenda, admitiu essa possibilidade ao afirmar que a sigla "não convive com a falta de ética”. É cômico, mas sintomático!

Com a abertura do inquérito no STF, a situação do demo deverá se complicar ainda mais. Como ele justificará o presentinho de casamento dado pelo amigo Carlinhos Cachoeira, o celular antigrampo, habilitado nos EUA, os 298 telefonemas para o mafioso e, principalmente, a denúncia da revista CartaCapital de que ele recebia 30% de todos os negócios ilegais do bicheiro?

A quadrilha e a revista Veja

Outra linha interessante de investigação, que também poderia ser solicitada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, seria sobre as relações desta "quadrilha” com a revista Veja. Com base nas escutas da Operação Monte Carlo da PF, o blogueiro Luis Nassif já denunciou que o mafioso Carlinhos Cachoeira deu mais de 200 telefonemas para o editor-chefe da revista, Policarpo Junior.

A revista Veja sempre amplificou os escândalos plantados por Demóstenes Torres, um notório assassino de reputações. Agora, o jornalista Marco Damiani, do sítio Brasil-247, publica entrevista bombástica com o ex-prefeito de Anápolis (GO), Ernani de Paula. Ele garante que "Cachoeira e Demóstenes armaram o esquema do mensalão” e que a Veja foi usada na armação. Vale conferir:

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"Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão”

Por Marco Damiani

O mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

"Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. "O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula ao 247.

O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. "Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País – atividade que já explorava livremente em Goiás.

Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. "Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.

O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em 2005.

Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira, nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.

Até o presente momento, Veja não se pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?

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Demóstenes será expulso do DEM?

Por Altamiro Borges

Saiu na coluna do jornalista Ilimar Franco no jornal O Globo de sábado (24):

O DEM ainda espera que o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), consiga se livrar das acusações. Do contrário, ele será expulso.

O inferno astral dos demos

A informação confirma o infernal astral vivido pelos demos. Depois da prisão do ex-governador Arruda, cotado para ser o "vice-careca” de José Serra, do racha do PSD de Gilberto Kassab, do êxodo de um governador, uma senadora e 17 deputados federais, agora é Demóstenes Torres, o falso ético com ambições presidenciais para 2014, que deflagra uma nova crise no combalido DEM.

A cada dia surgem novas provas contra o demo no rastro da Operação Monte Carlo, que levou para a cadeia o mafioso Carlinhos Cachoeira. Depois das revelações sobre o presentinho de casamento e dos telefonemas entre ambos, neste final de semana pintou a denúncia mais grave. Leandro Fortes, da CartaCapital, revelou que Demóstenes embolsaria 30% dos "negócios” do bicheiro.

O implacável senador pede clemência

Diante deste bombardeio, o senador – que sempre atirou para matar contra os seus adversários políticos, fantasiando-se de vestal da ética – decidiu pedir clemência pelo twitter no sábado (24). O líder do DEM, que se projetou na mídia venal como um assassino de reputações, disparou várias mensagens: "Não compactuo com qualquer esquema ilícito, não integro organização ilegal”.

Noutro twitter, ele reconheceu que a reportagem de Leandro Fortes foi a que mais o baqueou. "De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da CartaCapital. Os informantes da revista estão enganados”. O jornalista respondeu de pronto. Argumentou que não tem "informante”, como Demóstenes, mas sim documentos comprobatórios da Polícia Federal.

O "incômodo” do presidente do DEM

O demo, que nunca respeitou a "presunção da inocência” inscrita na Constituição, posou de injustiçado. "Desminto as inverdades em respeito a minha família, meus amigos, minhas colegas e meus colegas senadores, a Goiás e ao Brasil”. E, sem medir o ridículo, disparou: "Para tripudiar sobre mim e o mandato que o povo me confiou, desrespeitam elementares princípios constitucionais”.

A lamúria na internet, porém, parece não ter sensibilizado a cúpula do DEM, que tenta evitar a sangria desatada. Em entrevista, o presidente do partido, senador Agripino Maia, revelou que tem pressa para resolver o baita inferno. "O nosso incômodo é com a dúvida. Confiamos no Demóstenes... As denúncias não podem ficar sem conclusões. Essas dúvidas é que são o nosso incômodo.”

No twitter, o senador Demóstenes Torres apelou para o divino. "O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência”. Pelo jeito, o demo pode ir mesmo é para o inferno!

http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=65622

 

Demóstenes Torres já prevê expulsão do DEM e diz que “está morto” politicamente

29/3/2012 12:28,  Por Redação, com Vermelho.com - de Brasília


 Coluna Esplanada

Demóstenes Torres

Investigado pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de envolvimento com o empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira, o senadorDemóstenes Torres (DEM-GO) disse a pessoas próximas que “está morto” politicamente, mas que não pretende renunciar nem se licenciar do cargo.Demóstenes já estaria prevendo sua expulsão da legenda.

A interlocutores que estiveram com o senador do DEM nesta quinta-feira, em seu gabinete, o senador disse que houve um vazamento intencional das investigações. Na tarde da terça-feira, ele pediu afastamento da liderança do DEM no Senado, em carta enviada ao presidente nacional da legenda, José Agripino Maia (RN).

O destino político de Demóstenes Torres começará a ser definido na próxima semana. Na terça-feira, a Executiva Nacional do Democratas (DEM), partido de Demóstenes, marcou uma reunião para decidir se será aberto um processo de investigação interna que pode levar à expulsão dele da legenda.

Ainda nesta quarta, o PSOL protocolou no Conselho de Ética uma representação contra Demóstenes, para investigá-lo por quebra de decoro parlamentar — o que pode acarretar na cassação de seu mandato. Ele ainda corre o risco de ser expulso de sua sigla.

Denúncia

O nome do senador Demóstenes Torres (DEM) aparece em conversas, gravadas pela Polícia Federal, em que o empresário de jogos clandestinos Carlinhos Cachoeira e integrantes do seu grupo mencionam cifras milionárias ligadas ao nome do político.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira a abertura de inquérito para investigar Demóstenes.

Demóstenes admite que recebeu de Cachoeira um telefone especial para conversas entre os dois. A investigação policial gravou cerca de 300 diálogos entre o senador e o empresário de jogos por pelo menos oito meses.

O democrata também ganhou de Cachoeira um fogão e uma geladeira, presentes que segundo Demóstenes foram oferecidos por um “amigo” quando se casou no ano passado

 

Caso Policarpo-Cachoeira: será pior que Murdoch?

 

Silêncio de Veja, que ainda não se manifestou sobre as duzentas ligações grampeadas pela Polícia Federal entre o editor-chefe Policarpo Jr. e o contraventor Carlinhos Cachoeira, que está preso, desperta dúvidas; o Brasil assiste a um escândalo de tipo semelhante ao que levou ao fechamento do The News of the World, de Rupert Murdoch? Será possível encobri-lo?

29 de Março de 2012 às 13:32

247 – Relações incestuosas e, portanto, desvirtuadas entre jornalistas e fontes já causaram prisões e fecharam uma publicação secular. Na Inglaterra, ano passado. Diretora executiva da News Corp., o conglomerado de mídia do magnata Ruppert Murdoch, a jornalista Rebekah Brooks chegou a ser presa pela polícia inglesa, interrogada por 12 horas e libertada sob fiança somente após contar o que sabia a respeito do trabalho de apuração que incluía escutas ilegais sobre personalidades do país e aquisição de informações com policiais mediante pagamentos em dinheiro.

O jornal The News of the World, que veiculava o material obtido na maior parte das vezes por aqueles métodos, teve de ser fechado por Murdoch, depois de mais de cem anos de publicação, por força dos protestos dos leitores e do público em geral. Eles se sentiram ultrajados com o, digamos, jeitinho que a redação agia para obter seus furos. Os patrões Ruppert e seu filho James precisaram dar explicações formais ao Parlamento Britânico sobre as práticas obscuras. Ali, foram humilhados até mesmo por um banho de espuma a contragosto.

No Brasil, neste exato momento, a revista impressa de maior circulação do país está com seus métodos de apuração igualmente colocados em xeque. Afinal, o caso das duzentas ligações telefônicas grampeadas pela Polícia Federal, nas investigações da Operação Monte Carlo, envolve num circuito fechado, e privilegiado, um contraventor especializado em se infiltrar em grandes estruturas do establishment e o atual número dois da revista. O jornalista Policarpo Jr., que acumula o cargo de diretor da sucursal de Brasília, pode até ser visto como o número três ou quatro na hierarquia interna, à medida em que, em seu último arranjo de poder, o diretor de redação Eurípedes Alcântara estabeleceu o singular modelo de ter três editores-chefe na publicação. Mas com pelo menos quinze anos de serviços prestados à revista no coração do poder, Policarpo, reconhece-se, é “o cara”. Ele foi repórter especial e seu estilo agressivo de atuar influenciou a atual geração de profissionais de Veja. Eles são temidos por sua capacidade de levantar escândalos, promover julgamentos morais e decretar o destino de reputações. A revista, a cada semana, se coloca como uma espécie de certificadora da moral e dos bons costumes no País, sempre pronta a baixar a marreta sobre o que julga fora dos seus padrões.

O problema, para Veja, é que o jogo de mão entre Policarpo Jr. e Carlinhos Cachoeira pode ter sido pesado, apesar de ainda não estar claro. O silêncio da revista a respeito não contribui em nada para o seu esclarecimento. A aparente relação de intimidade pessoal entre editor-chefe e o contraventor não apenas não é um fato como outro qualquer, como pode ser a ponta do maior escândalo de mídia já visto no Brasil. A não publicação, na edição de Veja que está nas bancas, da surpreendente descoberta de ligações perigosas entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) – que na terça-feira 26, sob intensa pressão, renunciou ao posto de líder do partido no Senado – e Cachoeira acentuou a percepção generalizada de que o bicheiro e o jornalista tinham um ou alguns pactos de proteção e ajuda. Será?

O ex-governador José Serra, recentemente, foi apontado pelo ex-ministro em plena queda Wagner Rossi como um dos pauteiros (aquele que define os assuntos a serem abordados) de Veja. Pode ter sido um efeito de retórica do Rossi flagrado pela revista como dono de uma mansão incompatível com seu histórico de homem público. Mas jamais, como agora, houve a suspeita real de que um contraventor pudesse exercer o mesmo papel de, digamos, pauteiro externo da revista. A interrogação é procedente à medida em que, especialmente em Brasília, circulam rumores de que Policarpo comentaria abertamente com Cachoeira os assuntos que seriam abordados em edições futuras da revista e as angulações editoriais das reportagens.

Para qualquer um que trabalhe com informação, conhecer por antecipação o conteúdo de Veja é uma grande vantagem competitiva. Um assessor de imprensa, por exemplo. A posse desse tipo de ativo pode representar a diferença entre um bom contrato e nenhum contrato. Se se abre o espaço para a indicação de assuntos, então, ai o lobista entra no paraíso, passando a ter condições de posicionar seus interesses em espaços nobres que vão da capa à última folha do papel tipo bíblia de Veja, passando pela prestigiada sessão de entrevistas, as páginas amarelas. Será?

Na Inglaterra, em meio às primeiras informações sobre o real modo de agir dos jornalistas do The News of the World, a primeira reação da casa foi também a de silêncio. Em seguida, negativas. Mas os desdobramentos do caso, que incluíram o suicídio de um ex-alto funcionário do governo britânico, levantaram o véu da farsa e a verdade, finalmente, mostrou sua face. Na versão tupi, a suspeita é de que tenha ocorrido, entre Policarpo e Cachoeira, bem mais do que acontece num relacionamento normal entre jornalista e fonte de informação. Cachoeira, via Policarpo, talvez tenha se tornado um observador privilegiado da construção semanal da pauta política da revista, especialmente durante a eclosão do escândalo do mensalão, como afirmou ao 247 o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula.

Em nome de ter a notícia em primeira mão, é admissível, do ponto de vista ético, ao profissional da mídia manter relacionamentos privilegiados com quem ele considerar importante para este fim. Mas quase nunca é aceitável fazer com que esses relacionamentos derivem para a não publicação de notícias ou a divulgação parcial dos fatos.

Normalmente, o mundo político espera uma edição da revista Veja para conhecer o conteúdo que ela apresenta sobre os outros. Neste final de semana, o que se quer saber é o que Veja falará dela mesma.

http://brasil247.com/pt/247/midiatech/50178/Caso-Policarpo-Cachoeira-ser...

 

 

Crise abre caminho para investimento chinês recorde na Europa

Daniela Fernandes

De Paris para a BBC Brasil

Os investimentos chineses na Europa foram multiplicados por sete desde o início da crise financeira mundial, em 2008, e vêm se acelerando nos últimos meses, após o agravamento da crise na zona do euro, segundo dados de organizações internacionais.

Os chineses vêm acelerando seus investimentos no Velho Mundo nos últimos anos em setores variados. Já adquiriram ou compraram participação, por exemplo, em vinhedos na França, companhia de energia em Portugal, fábrica de máquinas na Alemanha e montadoras de veículos na Suécia e Grã-Bretanha. O perfil variado, incluindo indústrias de alta tecnologia, contrasta com a forte concentração de investimentos chineses no Brasil, bem como na América Latina, em setores como mineração, petróleo e gás.

De acordo com a Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), o volume de recursos chineses investidos na Europa, em fusões ou aquisições de empresas, além da compra de participações acionárias, foi de US$ 876 milhões em 2008. Em 2010, últimos dados disponíveis na Unctad, o montante foi de US$ 6,76 bilhões.

Apesar de expressivos, os números da Unctad são apenas um dos indicadores da tendência de avanço dos investimentos chineses na Europa.

"Esses números estão subestimados, porque se referem somente à China continental, e não incluem Hong Kong", disse à BBC Brasil Guoyong Liang, do escritório de assuntos econômicos da Unctad.

Hong Kong é uma importante plataforma para investimentos chineses no exterior, mas o governo chinês não divulga o destino, por país, dos investimentos provenientes da região administrativa especial da China.

A entidade americana Heritage Foundation tenta superar esse obstáculo na obtenção dos dados acompanhando os investimentos no momento em que são anunciados e confirmados. Segundo a entidade, em 2011, os investimentos em 13 países europeus teriam atingido cerca de US$ 15 bilhões.

Aceleração

Inúmeros anúncios de aquisições de empresas (ou também de participação no capital de companhias europeias) por investidores chineses têm sido feitos nos últimos meses.

Um dos negócios mais comentados, em razão do montante, ocorreu no final de dezembro: a China Três Gargantas comprou, por US$ 2,7 bilhões, a fatia de 21,35% que o governo português detinha na Energia de Portugal (EDP), afastando da disputa o grupo alemão e.ON e as brasileiras Eletrobras e Cemig.

A recente compra em Portugal é exemplo de uma tendência observada pela Heritage Foundation de aceleração de investimentos em países fortemente afetados pela crise na zona do euro.

A China, segundo a Heritage Foundation, não havia investido nada na Espanha entre 2005 e 2008, por exemplo. De 2009 até 2011, o fluxo de capitais chineses para o país atingiu US$ 1,5 bilhão.

A situação em Portugal é mais emblemática. Ainda de acordo com a Heritage Foundation, a China não teria investido nada no país entre 2005 e 2010.

Apenas em 2011, quando Portugal entrou no olho do furacão da crise das dívidas soberanas, o fluxo de investimentos chineses para o país atingiu US$ 3,5 bilhões.

"Após o início da crise, em 2008, houve um grande aumento dos investimentos chineses na Europa. Mais recentemente, a crise na zona do euro passou a representar uma oportunidade para comprar ativos mais baratos", afirma Liang, da Unctad.

Ele diz que a maior parte dos negócios na Europa começou a ocorrer desde meados do ano passado.

Na Alemanha, um dos países que mais receberam investimentos chineses em 2009 e 2010, o interesse é pela indústria mecânica, que produz maquinário de alta tecnologia com reputação mundial, diz o economista da Unctad.

Segundo ele, os investimentos chineses também são significativos na Grã-Bretanha porque o país reúne sedes de várias empresas importantes do setor de energia e também bancário.

As empresas chinesas também têm investido em infra-estrutura na Europa, com concessões para operar nos portos dos Pireus, em Atenas, e de Nápoles, na Itália.

Montadoras europeias, como a britânica Rover (que estava em concordata em 2005) ou ainda a sueca Volvo, em 2010, também foram compradas por grupos chineses, que tentaram ainda adquirir no ano passado a sueca Saab. Mas a operação foi vetada pela General Motors, proprietária da marca sueca de automóveis, que acabou pedindo concordata em dezembro.

Na França, além de setores como o da energia, as companhias chinesas têm investido em segmentos ligados à imagem da França no exterior: marcas de moda de luxo e vinhos.

A grife Cerruti foi adquirida por chineses em 2010 e, em fevereiro passado, foi a vez do fundo Fung Brands, de Hong Kong, comprar 80% do capital da marca de prêt-à-porter de luxo Sonia Rykiel.

Investidores chineses também estão multiplicando as aquisições de vinhedos em Bordeaux com o objetivo de exportar para a China, que se tornou o primeiro importador mundial de vinhos dessa região francesa.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120326_china_europa_df_...

 

Dilma retoma críticas a países ricos, mas evita citar 'tsunami monetário'

A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar, nesta quarta-feira, em Nova Déli, na Índia, as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Europa para combater a crise financeira, mas evitou usar o termo "tsunami financeiro".

"(A crise) não será superada por meio de meras medidas de austeridade, consolidação fiscal e desvalorização da força do trabalho. Menos ainda por meio de políticas expansionistas que ensejam uma guerra cambial e introduzem no mundo novas e perversas formas de protecionismo", disse a presidente durante um discurso na Universidade de Nova Déli, onde ela recebeu o título de doutora honoris causa.

Embora os países ricos tenham sido alvo das críticas de Dilma, o discurso poderia ser também interpretado como uma crítica indireta à China. Os chineses são acusados de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar, ganhando assim maior competitividade para suas exportações (que ficam mais baratas do que as de países cujas moedas são mais valorizadas).

Dilma Rousseff - que está na Índia para participar da Quarta Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) - afirmou que a crise teve origem no mundo desenvolvido, mas que países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, também têm o que dizer sobre a crise, já que esta ainda tem "preocupantes efeitos sobre as perspectivas de crescimento global".

A presidente, no entanto, decidiu retirar do discurso uma frase em que se referiria a um verdadeiro "tsunami monetário", uma referência a políticas dos Estados Unidos e da zona do euro de tentar combater a crise injetando dinheiro no mercado, em empréstimos aos bancos e desvalorizando suas moedas.

Medidas como esta acabam fazendo com que investidores procurem mercados emergentes, o que pressiona o câmbio.

A valorização prolongada do real frente ao dólar prejudica as exportações nacionais e aumenta as importações, prejudicando a indústria do país.

A presidente Dilma também destacou, em seu discurso, as parcerias entre Brasil e Índia tanto em comércio bilateral, como em áreas como defesa, ciência e tecnologia e agricultura.

De 2003 a 2011, o comércio entre os dois países multiplicou-se por nove, chegando perto dos US$ 10 bilhões.

"Nossas economias revelam-se capazes de dinamismo, de inovação e crescimento, em taxas muito superiores às dos países avançados, o que se acentuou depois da crise de 2008-2009", disse ela.

África do Sul

Após a cerimônia na Universidade de Déli, Dilma Rousseff se reuniu com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, em um encontro que durou cerca de 50 minutos.

Os dois líderes saudaram a vitória do consórcio Ivepar/ACSA, uma parceria entre empresas do Brasil e da África do Sul, na licitação para a concessão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Zuma afirmou que há enormes possibilidades de parcerias entre empresas dos dois países, especialmente na construção de rodovias e aeroportos, mas que o grande empecilho para que elas avancem é a questão do financiamento.

Ele disse, no entanto, que esse problema pode ser superado com a criação de um banco de desenvolvimento dos Brics, um dos principais assuntos da cúpula em Nova Déli.

Zuma, em uma previsão otimista, levando em consideração que a ideia ainda é considerada embrionária pelo governo brasileiro, disse acreditar que o novo banco já pode estar criado até a próxima cúpula dos Brics, no ano que vem, na África do Sul.

Na noite desta quarta-feira, a presidente Dilma participa de um jantar com os chefes de Estado dos Brics, que marca a abertura oficial da cúpula com uma apresentação de música e danças típicas indianas.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120328_dilma_india_is_r...

 

Da Carta Maior- 29/03/2012

Desoneração e desindustrialização

 

Para a consolidação de um programa voltado para o desenvolvimento e que reverta a atual tendência à desindustrialização, o governo federal necessita muito mais do que anunciar simples decisões localizadas de desoneração tributária.

Já começo logo pedindo desculpas pelos palavrões do título... Mas como algumas expressões do economês acabaram entrando recentemente para o linguajar do dia-a-dia de parcelas crescentes da população, não preciso me esforçar muito para explicar os dois substantivos aqui de cima.

De início, houve a recente reunião da Presidenta Dilma com aqueles que os grandes meios de comunicação qualificaram como a “nata do empresariado” atuante em nosso País. Em seguida, o governo anunciou algumas medidas que teriam por objetivo reverter os efeitos da redução do ritmo do crescimento da economia. Afinal, a taxa de expansão real do PIB de 2011 acabou sendo diminuta - apenas 2,7%, enquanto as metas oficiais falavam na expectativa de até 4,5%. Ou seja, no ano passado atingimos um índice muito menor do que os demais países dos BRICs e até mesmo da média observada para os vizinhos da América Latina.

Ao que tudo indica, a realidade teria gritado mais alto. Os números assustaram quem não estava muito envolvido com a matéria e ficou evidente que as receitas tímidas, adotadas até então, teriam que sofrer alguma reorientação. O fato inescapável é que os principais responsáveis da área da economia haviam optado, até dezembro recente, pela estratégia de “ir tocando a política econômica com a barriga”, com enorme e injustificável receio de operar alguma mudança mais efetiva em defesa do desenvolvimento nacional. Sem mexer na essência do modelo atual, parece que se contentariam com um pouquinho mais de pontos percentuais de crescimento. E ponto final: assim estariam todos satisfeitos.

No entanto, após a virada do ano, as primeiras estimativas passaram a confirmar que o cenário de redução do crescimento também havia se estendido para os meses de janeiro e fevereiro de 2012. Nesse momento parece que o governo teria acordado, como que sacudido pelo susto proporcionado pela divulgação de suas próprias informações oficiais.

Na reunião com os gigantes das nossas corporações capitalistas, ouviu-se a mesma ladainha de sempre. As reclamações contra o custo Brasil, contra o engessamento da legislação trabalhista, contra a elevada carga tributária e também contra os juros altos e o câmbio valorizado.

Do lado da Presidenta, a intenção maior parece ter sido a de influenciar o ambiente nacional, por meio de uma variável que pesa bastante em termos de desempenho de política econômica. Trata-se das chamadas “expectativas” dos agentes econômicos. É a idéia de que os fenômenos como investimento, consumo, poupança, entre outros, são também determinados pela credibilidade e pelo estado de espírito reinante na sociedade em um determinado momento. Assim, no limite, de nada adiantaria um modelo econômico bem desenhado e coerente se não houvesse disposição das empresas e das famílias em levá-lo à frente em suas decisões cotidianas. No extremo oposto do raciocínio, muitas vezes bastaria elevar o grau de confiança para que as ações de investir, de produzir e de consumir apresentassem seus resultados positivos, tal como inicialmente desejado. Em poucas palavras, o pedido presidencial pode ser assim expresso: invistam e ajudem a economia a reencontrar o caminho do crescimento!

Mas depois de um empenho tão grande em desfazer o risco de o País entrar em um quadro pessimista quanto a seu futuro próximo, os resultados concretos anunciados na seqüência do encontro foram poucos e quase inexpressivos. A desindustrialização não parece ter entrada na lista de prioridades a ser combatida de forma efetiva. O perigo da taxa de câmbio valorizada ficou relegado a um segundo plano, quando o Ministro da Fazenda reafirmou sua disposição de não mexer no regime da injustificável “liberdade cambial”. As tão esperadas e necessárias medidas de uma postura mais ativa de defesa comercial contra os produtos importados, em especial os provenientes da China, ficaram mais uma vez adiadas.

De concreto mesmo, até o presente momento, assistimos apenas ao anúncio da prorrogação por mais 3 meses da vigência da isenção tributária do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para os setores da chamada linha branca (fogões, geladeiras, refrigeradores, congeladores e máquinas de lavar e secar). Além disso, houve uma expansão do número de áreas beneficiadas, com a inclusão de outros setores pouco expressivos, a exemplo de móveis, luminárias e similares. Em resumo, mera perfumaria frente a um quadro dramático de aprofundamento do processo de desindustrialização generalizada que o Brasil tem enfrentado.

De outra parte, continua em operação uma estratégia silenciosa e muito perigosa para o modelo de previdência pública. Isso porque o governo já havia ampliado o número de setores beneficiados pela desoneração de recolhimento de contribuição sobre a folha de pagamentos das empresas. Pouco se fala a respeito, os dados não são nada transparentes, mas é grave o risco de que a alíquota a incidir sobre o faturamento das empresas não seja suficiente para suprir as necessidades de receita do regime do INSS. O governo terminou por ceder generosamente a uma demanda antiga dos empresários e fez tal opção no pior momento possível: uma conjuntura de espera e de incerteza, caracterizada por uma redução do ritmo de atividade econômica. Assim, foi criada uma espécie de “brincadeira de laboratório”, uma experiência beirando a irresponsabilidade social, onde os erros do novo modelo podem provocar danos severos à nossa seguridade social, na perspectiva das próximas gerações.

Dessa maneira, o que se percebe é que muito pouco foi feito para além de algumas medidas pontuais e localizadas de desoneração tributária. Se a intenção da Presidenta é que o quadro de pouco crescimento seja revertido, faz-se necessário muito mais do que alguns agradinhos direcionados aos responsáveis pelos investimentos da nata do PIB em nosso País.

É preciso superar a divulgação isolada e desconectada de medidas na esfera econômica. É necessário proceder à elaboração de um verdadeiro Plano de Desenvolvimento Nacional, com propostas e metas claras a respeito de um conjunto amplo de áreas da política econômica. E, hoje em dia, um dos pontos nevrálgicos de qualquer projeto desenvolvimentista passa pelo enfrentamento da questão da desindustrialização. O primeiro passo é o governo reconhecer, de fato, que esse fenômeno existe e precisa de soluções urgentes. Não tem mais como tergiversar a respeito.

Na área da política monetária, é necessária que seja mantida a tendência de redução da SELIC pelo COPOM. Mas tão importante quanto essa queda na taxa oficial, são as atenções necessárias para seus desdobramentos no mercado financeiro. E aqui temos, por exemplo, a urgência de uma ordem presidencial para que os bancos públicos federais reduzam, de uma vez por todas e de forma drástica, seus “spreads” absurdos cobrados nas operações com clientes pessoas físicas e empresas. Em termos objetivos, é preciso fazer com que a baixa da SELIC numa reunião na sede do Banco Central, se transforme em redução efetiva do custo do crédito na ponta do sistema no dia seguinte, para os clientes das instituições bancárias.

Na área da política cambial, as autoridades da economia precisam dar sinais claros que não vão mais aceitar o câmbio valorizado e abandonar o atual discurso, ainda preso à lógica da armadilha da liberdade cambial. E não basta fazer as intervenções cirúrgicas e localizadas, quando o Tesouro entra comprando dólares se a taxa de câmbio passar de tal ou qual patamar. A história recente tem demonstrado que essa postura não consegue mais do que o famoso “enxugar gelo” – ela é inócua. E pior: faz o governo perder dinheiro. Os agentes poderosos do mercado compram a briga com o anúncio oficial e peitam o governo com a chantagem. Com isso, a administração pública acaba perdendo preciosos recursos orçamentários e contribuindo para animar o clima aventureiro dos apostadores do mercado especulativo. Aliás, basta lembrarmos que parte das empresas tão dignamente recebidas em palácio, estavam há pouco tempo atrás atuando pesado e de forma especulativa nesse mesmo mercado cambial. E a conta desse tipo de aposta acaba quase sempre por ser paga pelo conjunto da sociedade, com recursos públicos.

Há inúmeros estudos a respeito dos prejuízos que o patamar atual da taxa de câmbio provoca sobre nossa economia. Para escapar da armadilha, basta o governo arbitrar um valor mais realista ou um intervalo aceitável para a taxa.

É o que alguns especialistas chamam de “liberdade vigiada” ou o antigo sistema de bandas cambiais. Além disso, é essencial a adoção de medidas de tributação efetiva e de controle sobre o fluxo de capital especulativo vindo do exterior. A atual de alíquota do IOF incidente sobre as operações revelou-se insuficiente e o BC não adotou nenhuma medida exigindo um tempo mínimo de permanência do recurso por aqui – a quarentena. É preciso que as autoridades digam de forma clara: não nos interessa que esse recurso venha aqui se locupletar da mais alta taxa de rentabilidade do planeta, sem nenhum compromisso com o País. Ele só faz aumentar as despesas orçamentárias e se apresenta como fator de elevada instabilidade macroeconômica, pois pode sair de um momento para o outro e provocar o chamado “efeito manada” no interior do mercado financeiro.

Na área de política comercial (exportações e importações), o governo deveria rever a prioridade absoluta concedida aos setores de exportação de produtos primários, em especial minério de ferro e as mercadorias do agronegócio.

Apesar de serem os principais colaboradores para o desempenho de nossas exportações, apoiar-se exclusivamente nos mesmos, como se faz há mais de uma década, é um suicídio de projeto de Nação a médio e longo prazo. Trata-se de setores que apresentam esquema produtivo com baixo valor agregado, resquício da nossa herança colonial, onde desempenhávamos papel absolutamente secundário na divisão internacional do trabalho. E a postura continua a mesma. O exemplo mais emblemático vem da mineração: exportamos minério de ferro e importamos produtos manufaturados, como aço e trilhos.

Além disso, é urgente uma postura mais pró-ativa de nosso governo em defesa da indústria brasileira, criando mecanismos que dificultem a entrada de produtos de países que concorram de forma desleal com nossos produtos, como é o caso das importações chinesas. Quando a realidade evidencia o esmagamento de pólos industriais, o fechamento de empresas, a eliminação de postos de trabalho e queda na renda gerada, então é porque algo deve estar errado nesse modelo. Quando a cada mês a classe média brasileira se esbalda em novos recordes de compras de bugigangas em suas viagens a Miami, esse fenômeno também deve ser visto como o termômetro que aponta a febre no paciente. Enfrentar essa questão significa, em um primeiro momento, ter que absorver os choques iniciais de aumento de preços, pois a taxa de câmbio será alterada. Mas esse é o preço a se pagar para sair do mundo da fantasia e cair num modelo mais realista e equilibrado. Mas para isso, nossas autoridades deveriam preparar a população e a maioria da sociedade, envolvendo amplos setores com esse projeto alternativo para o Brasil e cumprindo seu papel pedagógico de apresentar prós e contras de tal opção. Como sempre, a mudança está na dimensão da política.

Em suma, para a consolidação de um programa voltado para o desenvolvimento e que reverta a atual tendência à desindustrialização, o governo necessita muito mais do que anunciar simples decisões localizadas de desoneração tributária.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5533

 

webster franklin

http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/livros-sao-o-novo-alvo-do-protecionismo-do-governo-kirchner/  BIBLIOFILIAECONOMIAKIRCHNERNOMICS - A ECONOMIA DO CASAL K26.março.2012 15:22:46Livros são o novo alvo do protecionismo do governo Kirchner 

  

Encomendar um livro pela Amazon – ou qualquer outra companhia de venda de livros pela internet – e esperar sua entrega proveniente do exterior no conforto do lar, tornou-se algo impossível na Argentina. Quem encomendar um livro, terá que pegar o carro – ou um transporte público – e ir até o aeroporto de Ezeiza, a 40 quilômetros do centro da capital argentina. Ali, terá que caminhar até o setor de cargas e retirar a encomenda no guichê para pessoas físicas.

Além dos compradores particulares, o novo sistema, imposto pelo secretário de Comércio Exterior, Guillermo Moreno – que foi colocado em vigência no dia 12 deste mês – também afetará as editoras ou livrarias que até agora usavam o sistema de courier para trazer livros do exterior. Moreno é o principal protagonista da cruzada anti-importações deslancahada pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

Editoras e livrarias, até a implantação destas medidas, podiam trazer por courier do exterior encomendas de livros que pesavam menos de 50 quilos e com valor inferior a US$ 1.000,00. Mas, estas empresas, a partir de agora, precisarão recorrer aos serviços de um despachante alfandegário. Depois, terão que entregar uma declaração no Departamento de Comércio Interior no qual o comprador jura que os livros não possuem mais de 0,06% de chumbo na tinta com o qual estão impressos.

Na sequência, terá que apresentar uma declaração juramentada perante a Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip, sigla da receita federal argentina). Depois de ter realizado o trâmite, deverão esperar para ver se a Afip autoriza – ou não – a importação.

Por courier ou em containers, a entrada de livros na Argentina tornou-se uma via crucis desde a aplicação da disposição número 26 de 2012 da Secretaria de Comércio Interior. A entrada em vigência desta disposição, publicada no diário oficial no dia 28 de fevereiro, estava prevista para daqui a 180 dias. No entanto, entrou inesperadamente em vigência no dia 12 de março.

Cartaz “Entreguem os livros” feito pelos estudantes franceses que participaram do Maio de 1968.

POLUENTE ESTRANGEIRO E POLUENTE NACIONAL - A medida impede a entrada de todo tipo de produtos editoriais que não cumpram com as restrições ambientais de conteúdo de chumbo no papel em que estão impressas. Segundo o governo, a medida foi tomada para “proteger a segurança da população”, eliminando os perigos de altos conteúdos de chumbo estrangeiro.

No entanto, as normas publicadas no Diário Oficial indicam que os fabricantes nacionais não serão limitados pelo volume de chumbo no papel dos livros que editem dentro de território argentino.

O presidente da Câmara Argentina do Livro, Isaac Rubinzal, protestou contra a medida: “os livros não deveriam ter restrição alguma” para entrar no país. “Um livro é um saber universal. Se preciso um livro mexicano, ele teria que entrar”.

IDIOMAS, BARRADOS - Também sofrem problemas para obter a liberação na alfândega os livros didáticos de idiomas. A britânica e tradicional editora Oxford University Press não consegue colocar um único exemplar no país há meses.

Também padecem a escassez os livros de ficção em português para os alunos argentinos do idioma lusitano.

MAFALDA BARRADA NA FRONTEIRA - O setor editorial sofre pressões de Moreno desde o ano passado, quando o secretário impediu durante semanas a entrada de todo tipo de livro proveniente do exterior. As barreiras impediram a entrada de um milhão de livros, que só foram liberados após o escândalo que surgiu quando tornou-se pública a proibição para um carregamento de livros das tirinhas Mafalda, a emblemática personagem dos quadrinhos argentinos criada pelo cartunista Quino.

Os livros haviam sido impressos no Uruguai por encomenada da Ediciones de La Flor, a histórica editora argentina que enfrentou diversos governos militares.

A cruzada anti-importações deslanchada pelo governo da presidente Cristina Kirchner em 2009 – que intensificou-se no segundo semestre do ano passado – atinge um amplo leque de produtos, desde a carne suína brasileira, bonecas Barbie Made in China, remédios oncológicos americanos, têxteis peruanos, entre milhares de outras mercadorias.

O autor das medidas protecionistas é Guillermo Moreno, considerado pelos empresários e políticos como o verdadeiro homem-forte do comércio exterior argentino.

 

do Opera Mundi

 

Hoje na História: 1880 - Ministério francês decreta fim da educação jesuíta no paísMedida de cunho republicano caminhava no sentido da laicização da França    

 

 

Em 29 de março de 1880, o então ministro da Instrução Pública da França Jules Ferry assina dois decretos que determinavam que jesuítas deixassem a educação do país em até três meses. Professores de outras congregações católicas teriam o mesmo prazo para se adequar à lei ou também deixar o ensino.

WikiCommons

Cinco mil membros são quase imediatamente expulsos e cidades anticlericais chegam a cortar também os religiosos que atendiam enfermos em hospitais.

Era o começo de uma ativa política de laicização do ensino levada a cabo por Ferry, fervoroso republicano ateu e franco-maçon de uma rica família de livres-pensadores do departamento de Vosges.

Essa laicização nada tinha a ver com o desenvolvimento da instrução pública. Na França, entre 1686 e 1690, sob o reinado de Luis XIV, 29% dos homens e 14% das mulheres eram considerados alfabetizados.

É sob o reinado de Luis Filipe I que o Estado passa a se preocupar com a educação das crianças. Nessa altura, a metade dos franceses não sabia ainda nem ler nem escrever e o país estava atrasado em relação à Inglaterra e outros países da Europa do norte.

Por força de uma lei de 28 de junho de 1833, o ministro François Guizot inaugura a instrução primária pública. Sob Napoleão III, o ministro Victor Duruy amplia seu alcance. Desenvolve os liceus e encoraja a instrução das meninas contrariando a oposição dos meios conservadores.

No final do Segundo Império e antes da intervenção de Ferry, a França já era um país fortemente alfabetizado. Por volta de 1870, 72% dos novos casais estavam em condições de assinar o registro de casamento - 78% dos homens e 66% das mulheres.

No amanhecer da 3ª República, contudo, o ensino primário e secundário ainda conservava uma forte conotação religiosa devido à lei Falloux de 1850, votada por uma assembleia de maioria conservadora.

Esta lei obrigava todos os educadores a inscrever o catecismo no currículo e a levar os estudantes à missa. Permitia também às ordens religiosas abrir livremente escolas desligadas do setor público, com total autonomia para a escolha de professores. Excessiva, a lei Falloux despertou o anticlericalismo.

Ferry e os dirigentes da 3ª República queriam cidadãos instruídos, mas não só. Desejavam forjar bons republicanos e bons patriotas. Para tanto, propunham excluir a religião do ensino.

O novo chefe de governo, Charlers de Freycinet, resolve completar o âmbito dos decretos de Ferry. Em 21 de dezembro de 1880, o deputado Camille Sée, amigo de Ferry, faz aprovar uma lei que abre às meninas o acesso ao ensino secundário público em que o curso de religião seria substituído por cursos de moral.

No ano seguinte, é aprovada a criação da Escola Normal Superior de Sevres com vistas à formação de professores mulheres para os liceus. A Igreja não deteria o monopólio da educação das meninas.

Jules Ferry estabeleceu de resto a gratuidade do ensino primário em 1881, tornando-o laico e obrigatório em 1882.

O ensino primário público, gratuito e obrigatório viria a ser a ponta de lança da 3ª República. Seus defensores exaltavam os hussardos negros da República, modestos e devotados educadores que preparam os escolares a se tornarem bons cidadãos e ferventes patriotas.

 

E defensores do chauvinismo imperialista que iria aquecer o clima bélico em 1914...

 

Joaquim Aragão

Caro Nassif,

Já disse em outros posts que considero estas longas coletivas da Dilma interessantes. Percebo que nelas, a presidenta mostra muito bem a postura dela diante dos diversos questionamentos, sem o excesso de formalismo dos discursos oficiais. Nesta, em particular, ela fala da questão dos países que focam exclusivamente na consolidação fiscal, na necessidade de elevar a taxa de investimento público e privado, na importância dos gastos e investimentos governamentais, além da questão do uso da energia nuclear pelo Irã e, lógico, a famigerada "crise" com o congresso. Claro que não substitui a profundidade de entrevistas exclusivas como estas que foram concedidas recentemente, mas acho que vale a pena dar a conhecer aqui pelo blog.

 

Oswaldo Alves

De outro lado, é reconfortante como a Presidenta se sente plenamente à vontade de responder, com a precisão possível, todas as perguntas dos repórteres, sem fazer piadinha sem graça e sem despeitá-los, como era a moda nos governos de antes de 2002. Todos os assuntos espinhosos são tratados com a maior seriedade, diversas questões calmamente esclarecidadas. Tudo isso provocando a sensação agradável de que, apesar das dificuldades econômicas do momento e que não são escondidas, o País está sendo governado por uma presidenta extremamente ciosa e competente...

 

Joaquim Aragão

Uma ESTADISTA (Foto: B Mathur / Reuters) - Titulado por mim.

Re: Clipping do dia
 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Voz cansada. Preocupante....

 

Joaquim Aragão

Num oferecimento do Óleo de Peróba, Momento Cara-de-Pau.

 

do Brasil 247

Aécio defende “todo rigor” na Lei SecaAécio defende “todo rigor” na Lei SecaFoto: Waldemir Barreto/Agência SenadoSENADOR E EX-GOVERNADOR MINEIRO VOTOU NO ANO PASSADO POR MAIS FISCALIZAÇÃO E PUNIÇÃO E QUER O MESMO AGORA. NO ANO PASSADO, ELE OPTOU POR NÃO FAZER O TESTE DO BAFÔMETRO NO RIO

29 de Março de 2012 às 19:31

Minas 247 - Flagrado ao optar por não fazer o teste do bafômetro, há um ano, no Rio, o senador e ex-governador Aécio Neves não se faz de rogado e defende as mudanças em estudo na Lei Seca, com mais fiscalização e punição para quem infrigi-la. “Defendo todo o rigor, até porque minha atuação é nesse sentido”, diz o senador mineiro ao Minas 247.

No início de abril do ano passado, Aécio ganhou as páginas de jornais e revistas, além de ter se tornado um dos mais populares na internet, de uma forma pouco comum em sua carreira política: o tucano teve a Carteira Nacional de Habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, numa madrugada de domingo, em 17 de abril do ano passado. Aécio chegou a ficar parado 3 horas no bairro do Leblon e ainda se recusou a fazer o teste do bafômetro. O episódio foi classificado até mesmo por aecistas como muito ruim para um político que quer chegar à presidência do país, como é o caso do senador mineiro – hoje, ele é o favorito dos tucanos para concorrer ao posto de Dilma em 2014.

De qualquer modo, justiça seja feita: Aécio votou favoravelmente ao Projeto de Lei do Senado 48/2011, que torna mais rigoroso o Código de Trânsito Brasileiro em relação a motoristas alcoolizados – o projeto atualmente está na Câmara.

Nesta quinta, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também defendeu modificações na lei, com mais sanções aos motoristas alcoolizados. Entre as mudanças pretendidas pelo governo está retirar da lei a dosagem alcoólica que caracterizaria o crime, além de permitir que uma pessoa em visível estado de embriaguez possa ser condenada e usar como provas depoimentos de testemunhas e vídeos.

Também o presidente da Câmara, Marco Maia, defende mudanças na lei que tragam maior rigor. Os três – Aécio, Cardozo e Maia – confrontam, dessa forma, a polêmica decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) esta semana, que aceitou apenas o bafômetro e o exame de sangue como atestados de embriaguez do motorista, excluindo provas testemunhais ou exame médico.

 

Aécio defende “todo rigor” na Lei Seca

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da Agencia Brasil

Deputado João Lyra responderá a ação penal no STF por manter trabalhadores como escravos29/03/2012 - 22h01

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (29), por 6 votos a favor e 4 contrários, abrir ação penal para investigar o deputado federal João Lyra (PSD-AL) e o empresário Antônio José Pereira de Lyra por explorarem trabalhadores em condições de escravidão. Segundo o Ministério Público Federal em Alagoas a situação foi verificada em 56 dos 3,3 mil trabalhadores da usina de açúcar da família Lyra.

Informações do MPF-AL indicam que os trabalhadores frequentemente tinham que trabalhar mais de 12 horas por dia, inclusive em período noturno, sem que houvesse  descanso aos domingos. O Ministério do Trabalho, em fiscalização realizada na usina, verificou falta de equipamentos de segurança e condições desumanas de alojamento e de higiene.

Ao pedir o recebimento da denúncia, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que o fato de a empresa já ter regularizado a situação desses empregados, conforme alegou a defesa, não os isenta de culpa, já que a empresa controlada por Lyra é de grande porte. Gurgel também informou que ambos os denunciados tinham noção do crime que estavam cometendo.

O relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, votou pela rejeição da denúncia, já que os trabalhadores tinham direito de ir e vir. No mesmo sentido votaram os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

A divergência foi aberta pela ministra Rosa Weber, que entendeu que os fatos afrontam a dignidade humana. Ela foi acompanhada pelos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ayres Britto, Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso.

Edição: José Romildo
 

 

Balaio do Kotscho

Publicado em 28/03/12 às 22h21

Falar com o Lula faz bem para a alma

36 Comentários

int lulanoinstituto e1333016495357 Falar com o Lula faz bem para a alma

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 

Já passava das nove da noite quando o telefone tocou. Era o Sandro, filho do Lula: "Meu pai quer falar com você". Antes dele, entrou na linha a amiga Marisa para reclamar que eu não tinha ligado, e ficamos um tempão conversando, enquanto o ex-presidente falava em outra linha.

Claro que eu já sabia da bela notícia de que o tumor na laringe de Lula tinha desaparecido, mas eles queriam me contar. Somos amigos faz mais de trinta anos. "Por que você não ligou pra nós?", cobrou Marisa, que sempre cuidou de mim nas muitas viagens que fizemos juntos ao longo da vida.

Lula tinha acabado de aparecer nos telejornais falando como Marisa tinha sido importante na sua recuperação. Só ela não viu porque estava atendendo ao telefone que não parava de tocar.

Pois é, não liguei para a casa deles porque imaginei que meio mundo estava fazendo isso e não queria incomodar. Ao ouvir a felicidade de Lula de própria voz, depois dos exames que fez nesta quarta-feira, fiquei emocionado como eles e me lembrei dos muitos momentos difíceis que passamos juntos nas campanhas eleitorais e no governo.

No fim, dá tudo certo, a gente costumava dizer um para o outro nestas horas duras, que não foram poucas, desde que Lula trocou a pacata vida de operário pela de líder político.

Deu certo mais uma vez. Aos muitos amigos comuns que me ligaram nos últimos dias e semanas para saber como estava o Lula, posso garantir, independentemente de boletins médicos, que o astral dele está muito bom e que não vê a hora de voltar à vida política.

Me perguntou o que achei e contou que ficou contente com o encontro que teve na véspera com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles são adversários políticos, mas nunca deixaram de ser amigos, ainda mais nestas horas.

Lula ainda precisa de alguns dias para recuperar a força e a voz que perdeu por causa do tratamento de radioterapia, mas agora falta pouco, e ele não vê a hora de entrar com tudo nas campanhas do PT, principalmente na de São Paulo, que virou seu grande desafio.

O amigo ex-presidente sempre viveu de desafios, de remar contra a maré, contrariar o senso comum, mirar o impossível. Falar com ele faz bem para o coração e a alma, ainda mais num dia em que mais uma vez Lula sai vencedor de uma dura batalha.

Fiquei na dúvida se deveria escrever aqui no Balaio sobre essa nossa conversa, mas não queria deixar de dividir com todos os leitores a alegria que sinto por ter falado agora há pouco com esta grande figura num dia tão importante na vida dele e, com certeza, na de todos nós, brasileiros, que acreditamos no Brasil.

Valeu, amigo Lula, bola pra frente, vida que segue.

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/03/28/falar-com-lula-faz-bem-para-o-coracao/

 

 

webster franklin

Em educação, o que se destrói em dez anos, se revertido, leva-se 100 para recuperar.

USP analisa mudanças e encerramentos na pós-graduaçãoNovo regimento cria brecha para parcerias com instituições não acadêmicas e aceitação de cobranças e professores sem doutorado

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 29/3/2012 21:35

 

A Universidade de São Paulo analisa uma mudança de mais de 200 tópicos em seu Regimento de Pós-Graduação. Entre as alterações estão a inclusão do objetivo de formar profissionais nas pesquisas stricto sensu – que até então eram reservadas a geração de docentes e pesquisadores. O documento também abre a possibilidade de parcerias com instituições não acadêmicas, a aceitação de cobranças dos alunos por parte de instituições parceiras e que professores e responsáveis por disciplinas não tenham doutorado.

 

 

Foto: Marcos Santos/USP Ampliar

Campus Butantã da USP, na zona oeste de São Paulo

A proposta de alteração do regimento foi analisada pelo Conselho da Pós-Graduação na reunião desta semana, mas sua votação foi adiada para abril. Estudantes e professores contrários às parcerias privadas da universidade reclamam que as alterações visam a progressiva privatização da instituição.

 

O artigo que permite a USP promover convênios específicos para criação de cursos de mestrado e de doutorado sofreu duas alterações. A primeira troca “em conjunto com universidades” por “em conjunto com instituições de ensino superior e de pesquisa” e a segunda acrescenta “visando à formação de mestres e de doutores e à cooperação com equipes de pesquisa de competência reconhecida”.

 

O documento em análise também acrescenta às atribuições das comissões de pós-graduação a de propor a “desativação” de programas e cursos. Antes a prerrogativa era apenas de solicitar criação e reestruturação. Desde 2010 a graduação da USP já solicita que as unidades revejam cursos com baixa demanda, inclusive com a possibilidade de fechamento.

 

Também foi acrescentada à nova redação em diferentes pontos a possibilidade de credenciar docentes e responsáveis por disciplinas que não tenham doutorado. No caso dos mestrados profissionais, fica estabelecido que “poderão integrar o corpo docente do programa orientadores não doutores de reconhecida competência profissional na área”.

 

Sem prorrogação de prazo

 

Também foram suprimidos parágrafos que existem atualmente e com eles exigências e possibilidades. As comissões de cada unidade perdem o direito de analisar solicitações de prorrogação de prazo para o mestrado e doutorado mesmo em casos excepcionais.

 

Em um dos artigos suprimidos abre-se a possibilidade para instituições parceiras fazerem cobranças dos alunos da pós-graduação. Ao falar das obrigações das instituições conveniadas, o regimento atual diz que “não poderá haver, em momento algum, qualquer tipo de cobrança financeira dos alunos, seja por meios diretos ou indiretos, gerados pelo agente do convênio”. Na proposta, o trecho foi suprimido.

 

Eleição do DCE

 

A alteração no regimento ocorre no momento em que a USP faz eleições para o Diretório Central Acadêmico. A votação terminou nesta quinta-feira e o resultado está previsto para a manhã de sábado. Das cinco chapas candidatas, quatro se dizem contra as ações da atual reitoria e uma a favor. Não há segundo turno.

 

 

do Fazendo Media


“É UM ABSURDO A ACADEMIA INSISTIR NA TESE DE QUE HÁ NÍVEIS TOLERÁVEIS DE AGROTÓXICOS E QUE ESSAS QUANTIDADES NÃO TÊM EFEITO NEGATIVO EM NOSSA SAÚDE”Por Redação, 29.03.2012

 

 

 

 

A batalha contra a intensa utilização de agrotóxicos no país ganhou também o Congresso Nacional. No final de 2011, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou um relatório que revela os riscos desses venenos para a saúde humana e ambiental. Após mais de seis meses de trabalho de investigação e de escuta de todos os setores envolvidos na produção, comercialização, utilização e pesquisa dos agrotóxicos, a subcomissão criada especialmente para estudar o tema concluiu que o ideal é que esses produtos parem totalmente de ser usados na agricultura do país. O deputado Padre João (PT-MG), autor do relatório, conta, nessa entrevista, as falhas que os parlamentares encontraram na legislação brasileira, as contradições nos discursos dos defensores dos agrotóxicos e as alternativas ao uso desses venenos, vistas de perto pelos deputados.

O relatório da subcomissão especial sobre o uso de agrotóxicos e suas consequências à saúde aponta que quando se fala de substâncias tóxicas, como os agrotóxicos, não há como suprimir o risco envolvido na utilização desses produtos, apenas reduzi-lo a níveis aceitáveis. O Brasil hoje utiliza agrotóxicos de forma a reduzir os riscos a níveis aceitáveis?

Infelizmente não. E esse é um aspecto muito delicado, porque estamos falando de algo que está sendo ingerido junto com nossa alimentação. Não temos o controle sobre o uso dos agrotóxicos nem na produção, nem na comercialização, muito menos na utilização desses venenos, que é feita intensamente no campo e até mesmo nas cidades, onde existem as tais capinas químicas (método de controle da vegetação com o uso de agrotóxicos). Então, os agrotóxicos atingem diretamente o campo e a cidade e, indiretamente, toda a população brasileira na forma de resíduos nos alimentos.

Qual a dimensão do risco que a população brasileira está correndo?

Infelizmente somos os campeões no consumo de agrotóxicos, e esse título não gostaríamos nunca de carregar. Levando-se em conta toda a América Latina, 80% de todo o agrotóxico é consumido aqui no Brasil, apesar de haver outros países vizinhos com produção agropecuária, como a Argentina. Trata-se de um grande problema que nós temos no dia-a-dia e a população não tem clareza desse risco. O pessoal do agronegócio e, infelizmente, alguns setores da academia insistem em dizer que não há problema em utilizar agrotóxicos. Mas precisamos pensar: recomendamos às pessoas que comam frutas, porque elas têm miligramas de vitaminas e nutrientes. Apesar de serem pequenas partículas dentro de uma fruta, esses nutrientes são importantes para o organismo. Uma laranja, por exemplo, tem alguns miligramas de vitamina C. É algo pequeno, mas isso tem efeito positivo para a saúde das pessoas, mesmo que seja a médio e longo prazo. Agora, quando pensamos em termos de resíduos dos agrotóxicos, também estamos falando de partículas pequenas que são consideradas toleráveis. Porque vamos acreditar que, após 30, 40 anos de ingestão, esses resíduos não causam impacto negativo em nossa saúde, da mesma forma que os miligramas de nutrientes das frutas exercem impacto positivo? É um absurdo a própria academia insistir na tese de que há níveis toleráveis de agrotóxicos e que essas quantidades não têm efeito negativo em nossa saúde, se nós ingerimos alimentos com diversos tipos de agrotóxicos e tudo isso se reúne em nosso organismo.

O relatório fala das dificuldades em comprovar a relação entre o uso de agrotóxicos e o surgimento de doenças, apesar de várias evidências. A subcomissão realizou uma ausculta pública na cidade de Unaí (MG), onde são diagnosticados cerca de 1.260 casos de câncer por ano em cada 100 mil pessoas, enquanto a média mundial não ultrapassa 400 casos. Ainda são necessárias novas evidências da relação de causa e efeito entre o uso de agrotóxicos e doenças como o câncer e outras?

Nós temos algo bem evidente. Vimos situações, sobretudo no Noroeste de Minas Gerais, na região de Unaí, de pessoas que perderam um rim. Quando essa intoxicação por agrotóxicos é direta ou aguda, ela apresenta um efeito nítido que provoca a perda do rim, além de problemas na pele e outras doenças. Mas o grande problema são os efeitos a médio e longo prazo, sobretudo para quem tem essa convivência ainda maior, embora todos nós sejamos atingidos quando ingerimos os alimentos. Os defensores dos agrotóxicos insistem em dizer que não existe essa relação entre esses venenos e as doenças, mas isso ficou muito claro para nós da subcomissão nas regiões onde há utilização em grande escala e muito concentrada dos agrotóxicos, como no Noroeste de Minas Gerais, na região do Jaíba (Norte de Minas Gerais), em Lucas do Rio Verde (GO), em Mato Grosso e em Petrolina (PE). Está claro que o índice de câncer nessas regiões está muito maior do que o índice mundial, então, o nexo causal é muito evidente. Outro grande problema que percebemos é que existe um lobby muito forte sobre os próprios profissionais de saúde para que eles não registrem os casos de intoxicação. Temos depoimentos do Leste de Minas Gerais informando que uma pessoa morreu intoxicada por agrotóxicos em uma lavoura de café, e no atestado de óbito constou como infarto.

É possível que haja responsabilização criminal em casos como esse?

É importante destacar que se trata de um crime. Por isso, temos propostas de projetos de lei e, entre eles, um projeto que tipifica essa subnotificação do profissional de saúde como uma infração sanitária grave. A punição recairia, nesse momento, sobre o profissional de saúde porque é dele que parte a prova. Daí, seria desencadeada uma série de outros processos, mas, sem essa prova, ficamos nesse dilema. Então, a raiz do problema é a subnotificação. Se reduzirmos isso, vamos ter dados precisos e poderemos envolver todos os responsáveis – o proprietário da lavoura, quem vendeu o agrotóxico sem orientação, as empresas produtoras. Hoje, temos um quadro de subnotificação generalizada. Infelizmente, falta capacitação para os médicos e enfermeiros.  Apenas agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), junto ao Ministério da Saúde, fará a capacitação com formação à distancia para cerca de 400 profissionais de saúde. A previsão é que essa formação seja ampliada a cada semestre, mas ainda assim falta capacitação na própria academia, na grade de formação dos cursos dos profissionais de saúde.

Após a conclusão dos trabalhos da subcomissão é possível avaliar se a legislação brasileira é muito permissiva aos agrotóxicos ou se o problema está mesmo no descumprimento da legislação vigente?

Ela é permissiva no que diz respeito aos incentivos, como a isenção de impostos. Há uma política de incentivo ao uso de agrotóxicos baseada na tese do abastecimento, do Brasil como celeiro do mundo.  Com uma visão muito equivocada de segurança alimentar, como se segurança alimentar fosse apenas quantidade e não visasse também qualidade, essa tese leva a essa quantidade de isenções. Por outro lado, as legislações que existem sobre pulverização aérea, por exemplo, e o próprio receituário agronômico não são cumpridas e não há uma fiscalização. O aparato fiscalizador do nosso país chega a ser ridículo. Temos 90 técnicos capacitados para isso, somando os profissionais da Anvisa, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura e Pecuária. E dentro desses 90, menos de 50 efetivamente fiscalizam. Isso para um país continental, onde a agricultura e a pecuária são muito fortes, não é nada, não dá para atender nem uma unidade da federação. Então, temos que aprimorar a legislação. Por isso, o próprio relatório traz algumas propostas e ainda estamos estudando outras, porque se viessem todas no bojo do relatório nós teríamos problemas para aprová-lo por causa do lobby que existe também no próprio Congresso. Mas nada adiantará se não estruturarmos esse aparato fiscalizador, seja do Meio Ambiente – e aí seria o Ibama e a Agência Nacional das Águas (ANA), que não tem nenhum controle e nenhuma informação sobre a contaminação das águas pelos agrotóxicos -, seja da Saúde, com a Anvisa e também no campo da saúde do trabalhador, além do próprio Ministério da Agricultura e Pecuária.  Os fiscais do Ministério do Trabalho não têm nenhuma capacitação para lidar com a contaminação dos trabalhadores e a qualidade de vida deles em relação aos agrotóxicos. Também em relação à fiscalização, sugerimos que o receituário agronômico tenha cinco vias, ao invés das duas que possui atualmente, de maneira que uma via seja enviada obrigatoriamente para os governos dos estados e outra para o governo federal. Já existe uma lei sobre a necessidade do receituário, mas ela não foi bem regulamentada e, por isso, estamos propondo novos projetos de lei, para que a fiscalização funcione de fato e possamos penalizar quem se omitir nas informações.

No relatório, a subcomissão observa também que, apesar dos riscos, as autoridades brasileiras acreditam que os benefícios advindos dos agrotóxicos na produção agrícola superam os malefícios. Como superar esse pensamento?

Esse pensamento está no bojo dessa tese: ‘agora chegaremos a 7 bilhões de seres humanos, então, temos que produzir alimentos e não há como produzir hoje sem agrotóxicos’. E isso não é verdade. Se, de um lado, a maioria pensa assim, tem outra parte que pensa diferente e já vem, na prática, buscando a superação do uso dos agrotóxicos. Durante as audiências públicas e as visitas, fizemos questão de ir também em áreas de produção orgânica, que estão produzindo com qualidade e regularidade e cuja produção hectare/ano está superando aquelas que utilizam os agrotóxicos, até em produções como a de cana-de-açúcar. Recebemos proprietários de grandes usinas, que estão produzindo mais de 120 toneladas hectare/ano de cana, em uma média de 100 hectares. Visitamos também a fazenda Malunga, no entorno de Brasília, e pudemos constatar a produção em grande escala que é feita lá, com mais de 100 trabalhadores, produzindo sem agrotóxicos. Então, esse pensamento das autoridades brasileiras é consequência de uma cultura que veio ganhando espaço através das universidades desde a década de 1970, com a superação das sementes criollas, tudo muito bem montado pelas multinacionais. São as mesmas empresas que já conhecemos, como Monsanto, Syngenta e Dow, cuja força nas universidades desde a década de 1970 violentou a agricultura tradicional e familiar, levando a uma ruptura cultural violenta. As próprias empresas de assistência técnica também ficaram reféns dessas multinacionais dos agrotóxicos. Eu não estava no Congresso na legislatura passada, mas nossos deputados e senadores foram enganados quando aprovaram os transgênicos, com o discurso que iriam reduzir o uso dos agrotóxicos. Essa era a tese do agronegócio, uma mentira. Hoje, dobramos o consumo de agrotóxicos e, mesmo quem produz transgênicos, precisa utilizar agrotóxicos e em grande escala. Enganaram o Congresso.

Que políticas públicas seriam necessárias para que outro tipo de agricultura fosse potencializada no país?

Nós já fizemos algumas recomendações ao governo federal, reforçamos, por exemplo, a necessidade de avançar na pesquisa e na assistência técnica para a produção agroecológica porque quando dizem não dá para produzir sem veneno, na verdade, o que falta é assistência técnica porque toda a assistência e toda a pesquisa estão voltadas para a produção com agrotóxicos. É lamentável quando visitamos algumas áreas e os próprios agricultores estão fazendo experimentos sem o uso de agrotóxicos.. Não cabe ao agricultor fazer experimentos, cabe ao Estado Brasileiro propiciar isso através das empresas de pesquisa e garantir ao agricultor uma assistência técnica para dar segurança para aquele investimento que ele está fazendo. É lamentável que apenas 22% dos produtores rurais do país tenham assistência técnica. Outro dado importante é que em algumas áreas rurais os índices de analfabetismo chegam a 25%. Então, um público com alto percentual de analfabetismo, sem assistência técnica, está lidando com veneno no dia-a-dia. São trabalhadores e trabalhadoras reféns dessas multinacionais. Por isso, além de avançar na assistência técnica, temos também que aumentar os impostos para essas empresas, porque trazem prejuízos à saúde, ao Sistema Único de Saúde (SUS), à Previdência Social,. São muitos trabalhadores obrigados a se aposentar de maneira prematura. Portanto, os agrotóxicos trazem grande prejuízo para o povo brasileiro e, ainda assim, recebem incentivos. Temos que dar incentivo é para a produção agroecológica, que produz alimentos que garantem saúde e vida para o povo. Infelizmente, a produção agroecológica não tem incentivo.

A Revista Veja publicou recentemente uma matéria com o título ‘A Verdade sobre os agrotóxicos’. A publicação diz que esses produtos não representam riscos à saúde. Além disso, utilizando como fonte o coordenador geral de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel, a revista afirma que o registro dos agrotóxicos no país é muito caro. O que o relatório aponta sobre isso?

Essa matéria da Veja não me espanta. É ridícula e não corresponde à realidade da vida, dos trabalhadores do campo e do povo brasileiro. O valor pago pelo registro no Brasil é irrisório se compararmos com o custo doregistro nos Estados Unidos, por exemplo. Inclusive, estamos com projetos para aumentar o valor da taxa, tanto para o registro, quanto para a avaliação. E exigimos também a reavaliação dos agrotóxicos a cada cinco anos. Atualmente, o produto fica registrado por um tempo indeterminado e não tem acompanhamento dos riscos para determinar se ele precisa ser retirado ou não do mercado.

O relatório apresenta também dados sobre a destinação final das embalagens dos agrotóxicos. Qual a dimensão desse problema?

Esse é um problema muito grave. Os dados que as empresas apresentaram de retorno das embalagens vazias de agrotóxicos não correspondem à verdade. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), fundado pelas próprias empresas, trabalha com um número bem menor do que o total das empresas de agrotóxicos no Brasil. Eles trabalham com menos de 100 empresas, e, no total, são 136 com registro no país. Outro problema sério é quando o estabelecimento comercial obriga o agricultor a assinar um termo de compromisso que o responsabiliza pela entrega da embalagem no posto de recolhimento estipulado pelas empresas. Muitas vezes, esse posto está distante 300 quilômetros da propriedade rural. Tem estado com apenas um posto de coleta. Então, é algo totalmente precário, recolhem o mínimo e insistem que coletam 94% das embalagens. E essa embalagem não coletada é reutilizada na própria lavoura, como eu disse anteriormente, pelo problema do analfabetismo e da falta de orientação. De forma inocente, as pessoas reutilizam as embalagens para uso doméstico, em currais, e até para armazenar alimentos.

Outro apontamento do trabalho da subcomissão é uma maior integração entre os setores responsáveis pela fiscalização dos agrotóxicos e os órgãos estaduais. Mas sabemos que há um pensamento predominante de defesa do agronegócio e de métodos deste modelo de produção que tem se mostrado prejudiciais à saúde humana e ambiental. Como potencializar a fiscalização dos agrotóxicos diante desse quadro de governos que defendem as práticas do agronegócio?

Só vamos ter essa realidade quando a população tomar consciência de que ela está sendo envenenada a cada dia. Nesse sentido, eu saúdo o cineasta Silvio Tendler que, com o filme ‘O Veneno está na mesa ‘, aborda essa realidade. A população é tem que criar essa consciência coletiva e dar um basta. Não dá para esperar isso dos governos e dos políticos porque essas empresas também financiam campanhas políticas. No próprio Congresso, a maioria está em defesa do agronegócio, que não abre mão da utilização de veneno na produção de alimentos. E é lamentável quando temos uma mesma empresa que mata o povo com uma mão e dá o remédio com a outra. A Bayer, por exemplo, ao mesmo tempo que fabrica venenos, também produz medicamentos.Essa legislação precisa ser revista com urgência.


A conclusão do relatório aponta que o ideal seria o banimento total dos agrotóxicos e que isso pode acontecer a médio e longo prazo. De que forma isso pode ser feito?

Eu não posso dizer que essa mudança será em 10 ou 20 anos, mas acredito e vou lutar por ela. Quem diria que a Alemanha daria um basta à energia nuclear, com a meta de em 2020 não ter nenhuma usina nuclear funcionando? E justo em um país que não tem disponibilidade solar e de recursos hídricos, mas está criando condições para ter energia renovável. Eu acredito que um país como o nosso, com terra fértil, água e com tantos experimentos bem sucedidos na produção agroecológica, conseguirá alimentar não só os 200 milhões de brasileiros, mas dar uma grande contribuição para todos os outros continentes na produção de alimentos que vão garantir saúde e vida para o povo. Hoje, a grande produção está enganando a população, porque a pessoa compra pimentão, mas está comprando pimentão mais veneno. E muitos ainda não têm a clareza de que não basta apenas lavar o alimento. Isso retira apenas o resíduo externo, não o veneno, que está impregnado no alimento. Precisamos de uma posição do governo federal, junto com o Congresso, para banir de vez a utilização de agrotóxicos. Por isso, é urgente avançarmos na pesquisa e na assistência técnica para produção agroecológica. As indicações da subcomissão já foram encaminhadas aos diversos setores do poder público. Agora, iremos trabalhar cada uma delas fazendo gestões nos ministérios para os quais foram feitas as recomendações, além da Secretaria Geral da Presidência da República e da Casa Civil. O que nos alegra é que o próprio secretário geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, cultiva uma produção agroecológica em seu sítio e tem essa consciência. Esperamos buscar dentro do próprio governo pessoas que tenham essa consciência e possam entrar nessa luta. A Fiocruz, a Anvisa, algumas universidades que já estão comprometidas, os movimentos sociais, todos são estratégicos. Temos que unir o campo e a cidade para criarmos as condições para a superação do uso de agrotóxicos, já que nossa vida depende do que comemos e bebemos.

(*) Entrevista publicada orginalmente na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

 

    Nossos irmãos do Haiti que estão no Peru foram pegos pela mudança da política brasileira na concessão de vistos de trabalho. A decisão brasileira é correta, pois serve para desestimular a ação de bandidos do tráfico de pessoas, os coiotes. Mas estas pessoas não podem continuar a dormir em praças no Peru às centenas esperando uma decisão do Brasil. Eles ficaram num limbo jurídico que o governo brasileiro tem a obrigação moral e as condições materiais de resolver. Temos falta de mão de obra em inúmeros segmentos econômicos e não me parece que devamos agir como os europeus nesta matéria. Vamos divulgar este problema, pois não em parece que algumas centenas de haitianos irão por em risco nossa estabilidade econômica.

Barrados há 77 dias, haitianos dormem em praça no Peru à espera de decisão do Brasil

 

 

Ao menos 273 haitianos que buscam migrar para o Brasil estão desde janeiro numa cidade na Amazônia peruana, onde dormem nas ruas enquanto esperam que o governo brasileiro os acolha.

Eles estavam a caminho do Brasil quando, no dia 12 de janeiro, o governo anunciou que ordenaria o fluxo de haitianos ao país. Pela resolução nº 97/2012 do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), definiu-se que a embaixada do Brasil no Haiti passaria a conceder cem vistos de trabalho ao mês para haitianos que quisessem morar no país. Paralelamente, a Polícia Federal passou a barrar haitianos sem visto nas fronteiras.

Como saíram do Haiti sem a permissão, e viajam sem o visto, os 273 haitianos vivem desde então na cidade peruana de Iñapari, que tem cerca de 1.500 habitantes e faz fronteira com o município de Assis Brasil, no Acre. A espera já dura 77 dias.

Para chegar à fronteira, o grupo enfrentou uma longa viagem desde a capital haitiana, Porto Príncipe. A rota se iniciou com um voo até a República Dominicana, seguido por outro até o Panamá e mais um até o Equador.

De Quito, capital equatoriana, os haitianos seguiram de ônibus à Colômbia e, finalmente, ao Peru, de onde viajaram até a fronteira com o Brasil. O deslocamento levou quatro dias e consumiu grande parte das economias dos migrantes - alguns dizem ter gasto o equivalente a R$ 3 mil no trajeto.

"Não sabia que a fronteira estava fechada, achei que a cruzaria no mesmo dia", diz à BBC Brasil Saint Germain Guerbem, de 24 anos. "Gastei todo o meu dinheiro na viagem e, mesmo que quisesse, não teria condições de voltar ao Haiti".

Guerbem, que buscava chegar em São Paulo, tem dormido no coreto da praça central de Iñapari com dezenas de compatriotas, em sua grande maioria homens. O grupo também conta cerca de 20 mulheres e crianças, que foram alojadas por moradores locais em suas casas ou em armazéns. Os restantes dormem espalhados pela cidade, sob qualquer cobertura que os proteja das frequentes chuvas, que inundaram Iñapari há duas semanas.

Segundo Guerbem, a comida que alimenta o grupo é doada por associações caridosas de Assis Brasil. Ele se queixa da dificuldade para tomar banho, já que moradores têm cobrado para ceder seus chuveiros.

"Peço que os brasileiros nos ajudem a entrar, porque não podemos aguentar mais".

Líder do grupo

Por falar espanhol, o pedreiro haitiano Facius Etienne foi alçado ao posto de líder do grupo, encarregado de representá-lo em negociações.

Etienne diz que autoridades peruanas prometeram que intercederiam pelo grupo junto ao governo brasileiro. No último encontro, afirma ele, garantiram-lhe que a a fronteira seria aberta no início de abril. Mas ele diz que compromissos anteriores não foram cumpridos.

Segundo Etienne, grande parte do grupo é formada por chefes de família. Como não trabalham há quase três meses, diz ele, parentes que dependem deles e que ficaram no Haiti estão sendo prejudicados.

"Há famílias que alugaram suas casas, por não terem outras receitas", afirma à BBC Brasil.

"Mesmo assim, temos fé que vamos entrar, porque nos disseram que no Brasil havia trabalho para nós. Se houvesse trabalho no Haiti, não teríamos vindo."

O grupo, diz Etienne, é composto por muitos profissionais qualificados, como carpinteiros, eletricistas e torneiros mecânicos. Na expectativa de entrar, muitos estão fazendo aulas de português com uma professora voluntária de Assis Brasil.

Controle da fronteira

Segundo o Ministério da Justiça, há cerca de 4 mil imigrantes haitianos no Brasil. Com a publicação da resolução nº 97/2012 do CNIg, o ministro José Eduardo Cardozo disse que o governo buscava ordenar o fluxo de haitianos ao país. "Não podemos concordar que seja uma situação absolutamente sem nenhum controle", afirmou, à época.

Ele disse ainda que, com a medida, os haitianos ficariam menos vulneráveis à ação de atravessadores (também chamados de coiotes), que cobram para transportar migrantes sem vistos, muitas vezes submetendo-os a riscos e condições degradantes.

A resolução do CNIg diz levar em conta razões humanitárias, em virtude "do agravamento das condições de vida da população haitiana em decorrência do terremoto" de 2010. No entanto, a ação foi criticada por ativistas de direitos humanos, que a classificaram como uma tentativa do governo de restringir a entrada de haitianos.

Para a coordenadora de direitos humanos da ONG Conectas, Camila Asano, a medida não considerou os haitianos que estavam em trânsito quando ela foi adotada, deixando-os em situação de "extrema vulnerabilidade".

Ela afirma que, além dos haitianos em Iñapari, há centenas de outros que aguardam pela regularização de sua situação migratória na cidade de Tabatinga, no Amazonas.

"Condições dramáticas, como a realidade atual do Haiti, requerem respostas rápidas e solidárias. Não é possível que mais de 400 pessoas estejam à margem de uma política que o governo anunciou, dois meses atrás, como sendo uma medida inovadora em busca de uma solução humanitária", diz Asano.

Ela cobra que o governo detalhe como está divulgando a resolução entre potenciais beneficiários haitianos.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, a questão dos haitianos sem visto em Tabatinga está sendo discutida pelo CNIg. Quanto aos haitianos no Peru, diz que eles podem procurar representações diplomáticas do Brasil naquele país para tentar obter um visto de entrada.

Dificuldades burocráticas

Em visita ao Haiti em fevereiro, a BBC Brasil verificou que somente 30% da cota de vistos prevista pela resolução nº 97/2012 foi concedida no primeiro mês em que ela vigorou.

Segundo a embaixada do Brasil em Porto Príncipe, tem havido grande procura de haitianos interessados em obter o visto, mas exigências burocráticas barram uma maior concessão de permissões.

Para se candidatar à permissão, o postulante deve ter passaporte em dia, ser residente no Haiti (o que deve ser comprovado por atestado de residência) e apresentar atestado de bons antecedentes. Com todos os documentos em mãos, deve ainda pagar US$ 200 para a emissão do visto.

 

Osvaldo Ferreira

Do Blog Tijolaço

O STJ e a jurisprudência pró-pedofilia 

Estarrecedora a nova decisão do Superior Tribunal de Justiça confirmando a absolvição de outro homem processado por abuso sexual contra meninas de 12 anos.

Infelizmente, não é a primeira vez que isso ocorre.

O argumento para a absolvição é inacreditável: o fato de que as meninas já praticavam a prostituição e que, portanto, não caberia a “presunção de violência”.

Ora, com crianças desta idade a própria prostituição é uma inequívoca violência e quem dela participa é seu cúmplice.

Não é verossímil que meninas de 12 anos – e três! – pudessem aparentar serem maiores de idade, o que legitimaria uma relação sexual, ainda que por prostituição.

Ou melhor, mais ainda por prostituição, porque não se poderia ter este rigor se o caso fosse entre namorados precoces.

O réu absolvido pelo STJ certamente percebeu que praticava prostituição com menores e o que a corte fez foi dizer apenas que a sua conduta foi apenas “imoral e reprovável”, porque as meninas “estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo”.

O entendimento “prático” da decisão : segundo o STF, embora imoral e reprovável esta conduta, qualquer um está livre para servir-se da prostituição infantil sem incorrer em pena!”

O pior é que a relatora desta inconcebível decisão foi uma mulher, a ministra Maria Thereza de Assis Moura.

Agarrou-se ao fato de que uma mudança na legislação, em 2009, eliminou a idade de 14 anos como definidora do estupro de menor e substituiu-a por “estrupo de vulnerável”.

Ou seja, no fato de ter sido criada uma brecha legal para não criminalizar uma relação consensual de dois jovens amadurecidos precocemente do ponto de vista sexual para escapar-se ao óbvio que a prostituição infantil – este é o nome, senhora Ministra – é a maior das vulnerabilidades a que se pode relegar uma criança!

Uma menina de 12 anos que se prostitui não o faz porque está exposta à mais completa vulnerabilidade social e/ou psicológica, pela pobreza, pelo abandono familiar, pela sexualização precoce e mercantil que o ambiente social promove?

Ninguém está pregando moralismos ou cegueira à realidade de uma antecipação da vida sexual na sociedade moderna.

Mas, alto lá, prostituição aos 12 anos não pode autorizar ninguém esclarecido e responsável, ministro de uma alta corte, a afirmar que não há violência, “haja vista constar dos autos que as menores já se prostituíam havia algum tempo”.

É dever de toda a sociedade – e de cada indivíduo – proteger a infância. Não adianta dizer apenas que a família falhou ou que o Estado falhou. Em última instância, cada cidadão deve saber que lhe compete respeitar este princípio e não violá-lo mesmo que uma criança, evidentemente vulnerável, ofereça-se ao sexo por dinheiro.

O tribunal, de forma deplorável, atirou fora seu papel exemplar, didático e está ensinando que qualquer um é livre para se associar, praticando sexo, à prostituição infantil.

Continua reduzindo a criança, mulher, à condição de vítima culpada: “ah, ela era prostituta, então pode”.

É a versão jurisconsulta do “estupra, mas não mata”.

Que vergonha para a Justiça brasileira

http://www.tijolaco.com/

 

webster franklin

Pra quem tinha alguma dúvida sobre a merda que é a in-justiça no Brasil. Que poderzinho podre esse o do judiciário. E não é de hoje. 

Mas atualmente, numa democracia, aceitar coisas como essas é um acinte.

 

Da Reuters

 

Argélia rejeita corpo, e Toulouse enterra atirador francêsquinta-feira, 29 de março de 2012 18:18 BRT  

TOULOUSE, 29 Mar (Reuters) - O corpo de Mohamed Merah, que matou neste mês sete pessoas no sul da França antes de ser abatido num cerco policial, foi enterrado na quinta-feira em Toulouse, cenário de algumas das mortes, depois de a prefeitura local revogar a proibição do sepultamento na cidade.

Merah, que disse ter agido sob inspiração da Al Qaeda, deveria ter sido enterrado numa aldeia do norte da Argélia, a pedido do pai dele, que mora no lugar. Mas o pedido foi rejeitado por razões de segurança, segundo informou à Reuters na quinta-feira Abdallah Zekri, assessor da direção da Grande Mesquita de Paris.

Uma testemunha da Reuters viu o corpo de Merah ser sepultado por volta de 19h (14h em Brasília) na ala muçulmana de um cemitério da periferia de Toulouse. Cerca de 20 pessoas, a maioria jovens, acompanharam o enterro, sob grande escolta policial.

O prefeito da cidade, Pierre Cohen, inicialmente pediu o adiamento do enterro para que o governo estudasse a possibilidade de que ele acontecesse em outro lugar. Cohen considerava inadequado que Merah fosse enterrado na cidade, depois de matar três crianças judias, um rabino e três soldados na própria Toulouse e na vizinha Montauban.

Cohen disse a jornalistas que recuou do veto ao enterro por orientação do governo nacional, atendendo a razões legais.

O prefeito disse temer que Merah se transforme em mártir, e afirmou que seu enterro na cidade poderia "perturbar a ordem pública, e vai contra os esforços que tenho feito para unir os cidadãos de Toulouse desde o início desses crimes hediondos".

Nicole Yardeni, dirigente regional da entidade judaica Crif, disse temer que o túmulo de Merah vire local de peregrinação para jihadistas. A candidata direitista a presidente Marine Le Pen acusou o presidente Nicolas Sarkozy de se curvar a exigências da Argélia.

"Mohamed Merah derramou sangue sobre o nosso solo, sobre a nossa bandeira, mas será enterrado em território francês por causa da ultrajante capitulação de Nicolas Sarkozy às autoridades argelinas", disse ela em nota.

Uma fonte do governo argelino confirmou anteriormente que Argel rejeitou o enterro de Merah na localidade de Bezzazz. "A Argélia não tem nada a ver com o caso, e não entendemos por que alguns círculos na França estão tentando nos envolver nisso. Por isso tomamos a decisão de não admitir o corpo por enquanto na Argélia", disse a fonte, que pediu anonimato e ressaltou se tratar de uma "decisão temporária".

O pai de Merah criticou as autoridades francesas por não terem sido capaz de capturá-lo com vida ao final de 30 horas de cerco, na semana passada, e disse que pretende processar o governo da França.

Zahia Mokhtari, advogada de Merah, disse que o pai do atirador chorou ao saber que o corpo não iria para a Argélia. "Ele queria que ele tivesse um sepultamento de acordo com a sua religião, e descansasse na terra da sua família. Quando soube (da recusa), ficou surpreso e chorou muito."

 

do Brasil247

 

Cuidado, Agripino: você pode ser o próximo você pode ser o próximoFoto: DivulgaçãoDEPOIS DE DEMÓSTENES TORRES (DEM-GO), AGORA É O PRESIDENTE NACIONAL DE SEU PARTIDO, AGRIPINO MAIA, QUE PODE TER PROBLEMAS; SEU NOME É MENCIONADO EM DEPOIMENTO DE EMPRESÁRIO SOBRE ESQUEMA DE CORRUPÇÃO NA INSPEÇÃO VEICULAR DO RIO GRANDE DO NORTE: TERIA RECEBIDO R$ 1 MILHÃO EM DINHEIRO PARA CAMPANHA

29 de Março de 2012 às 19:53

247 – O presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), assumiu a liderança do partido no Senado nesta semana, depois da renúncia de Demóstenes Torres (GO) da posição. Mas, assim como Demóstenes, que abriu mão de liderar o partido depois que suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira foram expostas, Agripino também pode ficar sem clima para representar a legenda no Congresso Nacional. Em termo de interrogatório publicado na última quarta-feira por um blog de Natal (www.blogdoprimo.com.br), o senador é mencionado por um empresário como beneficiário de uma doação de R$ 1 milhão em dinheiro vivo para sua campanha de 2010. O repasse o ligaria ao esquema desbaratado pela Operação Sinal Fechado no Rio Grande do Norte.

O depoimento, prestado pelo empresário José Gilmar de Carvalho Lopes aos promotores de Justiça Eudo Rodrigues Leite e Rodrigo Martins da Câmara, faz parte de uma apuração sobre “supostas irregularidades em contratos e convênios do Detran/RN, especialmente acerca de inspeção veicular”. José Gilmar de Carvalho Lopes se apresenta como sócio da empresa Montana – é conhecido como “Gilmar da Montana” – e diz que o empresário e lobidta George Olímpio distribuiu um percentual de 40% de sua parte nos futuros lucros do consórcio INSPAR, contratado para realizar a inspeção veicular no Rio Grande do Norte, para os ex-governadores do estado Iberê Paiva Ferreira de Souza e Wilma Maria de Faria.

A doação de R$ 1 milhão em dinheiro de George Olímpio para Agripino Maia e a Carlos Augusto Rosado (marido da governadora Rosalba Ciarlini) surge, no depoimento, como contraponto para as doações que o mesmo Olímpio teria feito a Iberê Paiva e Wilma Faria – uma espécie de garantia para, no caso de o esquema dar errado, os opositores do governo não se manifestarem. De acordo com José Gilmar de Carvalho Lopes, o valor de R$ 1 milhão “foi acertado no sótão do apartamento de José Agripino em Morro Branco”.

A quantia não foi declarada pelo senador na prestação de conta de sua campanha – pelo menos como sendo proveniente de George Olímpio. O empresário José Gilmar de Carvalho Lopes não apresenta provas sobre o que diz, portanto não se pode, ainda, julgar Agripino Maia ou cravar sua participação no esquema. Mas, num DEM já enrolado com o envolvimento de seu grande expoente com um bicheiro, Agripino podia passar sem essa.

 

Agora precisamos vasculhar o "PSD", bote de salvação do PFL...

 

Joaquim Aragão

Os últimos demos  estão pegando o beco.

 

 Spin

Vários ratos já sairam desse navio do Demo, inclusive aqui no sul, onde ainda sobrevivem espertamente como coronéis pós-modernos, ou seja, disfarçados.

Em Minas também há outros desses farsantes, que tentam se disfarçar, enquanto NAUFRAGAM de vez.

 

Do Blog da Cidadania

Vazou a íntegra do inquérito que originou a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desarticulou quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis em Goiás. São três volumes imensos, contendo diálogos travados entre Carlinhos Cachoeira e a quadrilha.

A decisão da Justiça Federal de Goiás contém trecho em que transparece espanto com o surgimento do personagem Demóstenes Torres e de jornalistas de grandes meios de comunicação entre os quais, de acordo com o jornalista Luis Nassif, estaria Policarpo Jr., da revista Veja.

Reproduzo, abaixo, três páginas da decisão judicial que determinou prisões e outras medidas envolvendo autoridades de vários níveis em Goiás. O inquérito também insinua envolvimento do governo do tucano Marconi Perillo com o crime organizado.

Quem quiser ter acesso à íntegra do inquérito, pode acessar seus três volumes aqui, aqui e aqui. Todavia, os trechos iniciais da decisão da Justiça dão a dimensão da gravidade do caso. Abaixo, as três primeiras páginas dessa decisão.

 

Faltam os tucanos de Perillo e a Veja nessa história que daria mais do que falar... se envolvesse gente do PT.

 

do iG

 

Rio tem ato contra comemoração de aniversário de golpe militar de 1964Protesto acontece em frente à sede do Clube Militar. Houve confusão e bombas de efeito moral foram atiradas. Veja galeria

iG Rio de Janeiro 29/03/2012 16:35

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Texto:

 

Foto: Fábio Mota/Agência Estado

Manifestantes entraram em confronto com a PM durante protesto no Rio

Um protesto contra a comemoração do aniversário do golpe que instaurou o regime militar no Brasil em 1964 terminou em confusão na tarde desta quinta-feira (29) em frente à sede do Clube Militar, na avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro.

Os participantes reclamaram de uma palestra realizada hoje no Clube para lembrar o golpe, que ocorreu no dia 31 de março de 1964.

Os manifestantes tentaram fechar a Rio Branco e foram contidos pela PM que precisou usar gás de pimenta e bombas de efeito moral para conter os participantes do movimento.

A situação voltou a ficar tensa quando militares da reserva que participaram do evento no Clube deixavam o local. Eles chegaram a ser cercados pelos manifestantes que, aos gritos, os chamaram de "covardes" e "assassinos".

Os militares tiveram que contar com a ajuda de PMs para irem embora. Os policiais fizeram um corredor para que eles caminhassem do prédio até a entrada do metrô, na estação Cinelândia. Durante o tumulto, uma pessoa foi detida.

Os manifestantes trouxeram fotos de pessoas que teriam desaparecido durante o regime militar e pediram a reabertura dos arquivos da ditadura.

Com informações da Agência Estado

 

O post e o primeiro vídeo são do "Vermelho". Acrescentei um vídeo um pouco maior no qual aparecem cenas de militares saindo do clube.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=179505&id_secao=8

Ato contra comemoração do golpe de 64 termina em confronto no Rio

 

Eles anunciaram e cumpriram. Dezenas de militares da reserva se reuniram na tarde desta quinta-feira (29), no Círculo Militar, Rio de Janeiro, para comemorar o golpe militar de 1964, chamado pelos autores de “revolução”. Em protesto, militantes indignados com o fato se reuniram em um ato no local. Saldo: um militante preso e dois feridos após um conflito entre jovens e militares em pleno século 21, quando o mundo, em especial a América Latina, vive sua verdadeira revolução social.



foto: Arena/AE


O ato foi organizado por diversos movimentos de juventude, ligados aos partidos políticos, como a União da Juventude Socialista no estado (UJS-RJ), do PCdoB; jovens do PT, Psol, PDT, entre outras; militantes de direitos humanos e parentes de vítimas da ditadura.

Uma multidão formada por cerca de 350 pessoas se reuniu em frente ao local, na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Santa Luzia, na Cinelândia, por volta das 14h. A cada aparição de um militar, que só conseguia entrar no prédio sob escolta da Polícia Militar (PM), gritos como “assassino”, “covarde” e “torturador” eram ecoados pelos presentes.

Nas ruas próximas, vários cartazes com frases como "Ditadura não é revolução", "Onde estão nossos mortos e desaparecidos do Araguaia?", além de fotografias de desaparecidos durante os anos de chumbo. Para representar o sangue derramado durante a ditadura, manifestantes derramaram um balde de tinta vermelha nas escadarias do Clube Militar.

Um dos militares revidou, tomando o celular das mãos de um manifestante, que também reagiu. Houve empurra-empurra e o estudante de Ciências Sociais Antônio Canha, de 20 anos, acabou sendo atingido por um tiro de descarga elétrica de uma pistola Taser, usada pela tropa de choque da PM, que fez a escolta do local. No momento em que foi colocado dentro do camburão, várias pessoas tentaram impedir, cercando o veículo.

A PM, então, usou spray de pimenta para dispersar a aglomeração. Os manifestantes responderam fechando a Avenida Rio Branco por dez minutos. “A ditadura não acabou, na PM também tem torturador”, gritavam os manifestantes revidando ao gás de pimenta. Foi quando novamente os policiais agiram arremessando bombas de efeito moral, cujos estilhaços feriram na barriga a manifestante Miriam Caetano, de 33 anos.

Os militares, que assistiam ao debate "1964 - A Verdade", ficaram sitiados no prédio do Clube Militar, na Cinelândia. Após o término do evento, quando tentaram sair, o prédio estava cercado pelos manifestantes. Em pequenos grupos, os militares deixaram o lugar por uma porta lateral, na rua Santa Luzia, escoltados pela PM até uma estação de metrô próxima ou até um táxi. No entanto, muitos recuaram por causa do forte cheiro de gás de pimenta que tomou o térreo do clube. A PM ainda tentou conter os manifestantes para liberar alguns membros da reserva pela porta principal. Mas, os militantes não deram trégua e a saída dos fardados foi novamente tumultuada.

Desde o ano passado, a presidente Dilma Rousseff determinou o fim desta celebração nas Forças Armadas. O evento dos militares acontece um mês após o lançamento de um manifesto em que eles cobram da presidente uma postura contrária à Comissão da Verdade e à revogação da Lei da Anistia.

Repercussão no Twitter

Diversos militantes tuitavam enquanto estavam no conflito. “O ato virou uma batalha campal no centro da cidade! O babaca do Bolsonaro ficou acenando da janela durante a confusao”, exclamou no Twitter Flávia Calé, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) no Rio de Janeiro, referindo-se ao deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), presente nas comemorações da chamada “revolução”. 

Outros internautas lamentaram e se surpreenderam com o enfoque dado pela grande mídia, como em O Globo "O que era para ser uma simples comemoração do Golpe de 64" . "Sério, "O Globo" escreveu isso: "uma simples comemoração" do golpe de 64. caramba!!!!", postou a jornalista Nina Lemos. Na Globo News, um jornalista que cobria a manifestação teve dificuldade para narrar os acontecimentos por conta do grande volume de gás pimenta. 

Mas houve quem condenasse a manifestação. "Maria do Rosário deve estar feliz. Militares estão sendo cassados nas ruas", alfineta o jornalista da Veja Reinaldo Azevedo.


Re: Clipping do dia
 

O que sobrou desses fascistas ainda tem alguma coragem de assumir seu papelão na ditadura. Alguns dos que já estão nos quintos dos infernos, ou escondidinhos por aí, nem dão as caras. 

O pior é que em plena democracia, a polícia ainda reprime manifestações contra essa corja de golpistas. Polícia seletiva, né? Na época em que os golpistas estavam no poder, imagine-se o que ela fazia... Prendia, torturava e matava, claro.

 

Eu fiquei passada ao ler as notícias e, principalmente, ao assistir os vídeos,. Não imaginei que aconteceria nada parecido. Já participei ou presenciei como passante de várias manifestações aqui no Rio, algumas bastante provocativas. Nunca vi reação como essa da PM.

Mas os manifestantes, muitos dos quais jovens, foram determinados. Não abandonaram o local mesmo depois da repressão toda. Ficaram para ver a cara dos gorilas (agora caidinhos) saindo da festa dos sem-vergonha. Vale a pena assistir o segundo vídeo até o fim e ver os milicos saindo de fininho da toca e tendo esfregadas em suas fuças algumas fotos dos desaparecidos.

 

do Vermelho.org

 

29 DE MARÇO DE 2012 - 16H43 

Cuba: O Papa se foi e os Estados Unidos ficaram mais sozinhos 

 

“Sabemos que Cuba tem que mudar e estamos fazendo isso. Mas quando vão mudar os Estados Unidos, com seu bloqueio que nos sufoca? Oxalá Bento tenha algo para dizer a eles também”, responde à agência Reuters Maritza Álvarez, uma empregada estatal de 40 anos que esperou desde a madrugada para ter um lugar nas primeiras fileiras para assistir a Missa rezada pelo Papa Bento XVI na Praça da Revolução José Martí em Havana.  


Praça da Revolução durante a missa de Bento XVI/ Foto: Ismael Francisco - Cubadebate


E o Papa agradou a Maritza, à imensa maioria dos cubanos e muitas pessoas do mundo. Bento XVI se referiu, em suas palavras de despedida que as “medidas econômicas restritivas impostas de fora do país pesam negativamente sobre a população”. 

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Fidel Castro: Os tempos difíceis da humanidade


O governo dos Estados Unidos e sua política de perseguição e subversão contra Cuba foram os grandes derrotados da visita papal. As imagens da presença massiva, respeitosa e alegre de centenas de milhares de cubanos nas atividades públicas do Sumo Pontífice barraram o discurso demonizador sobre a ilha que porta-vezes de Washington – com o apoio dos grandes meios de comunicação – multiplicaram em datas próximas à viagem.

Enquanto a grande imprensa buscava respostas dogmáticas dos dirigentes cubanos aos pronunciamentos do Papa, o presidente Raúl Castro, convertia suas intervenções durante a visita em plataformas para expor os pressupostos éticos e humanistas da Revolução cubana com argumentos sobre o trabalho social feito por ela dentro e fora do país, em meio ao clima de agressão em que teve que se desenvolver, além das transformações em curso para fazer de Cuba um país mais livre e próspero.

Para maior frustração dos que esperavam que o Sumo Pontíficie deixasse uma Cuba dividida, a visita do sucessor de Pedro contribuiu para aprofundar a unidade dos cubanos. Além das fronteiras da ilha, o pedido feito pelo líder histórico da Revolução, Fidel Castro, - ao anunciar que se encontraria com o Papa -, a cristãos e marxistas a “lutar juntos pela justiça e paz entre os seres humanos”, saltava sobre as barreiras da doutrina para colocar em primeiro lutar a urgência de enfrentar os perigos que colocam em risco nossa espécie.

Cuba é o terceiro país latino-americano visitado por Bento XVI em seu pontificado, os outros dois foram os gigantes Brasil e México. Diferentemente do governo estadunidense, a Igreja Católica, com sua sabedoria secular, viu em sua relação com a Ilha uma via para fortalecer sua interlocução com a América Latina em um momento em que o isolado do subcontinente é cada vez mais os Estados Unidos, como se verifica ao redor da Cúpula das Américas que será realizada no próximo mês em Cartagena das Índias, na Colômbia.

Obcecado com sua política de “mudança de regime” para Cuba, Washington alimentou provocações e tentou pressionar o Vaticano às vésperas da visita, mas após a saída do Sumo Pontífice de Havana, ficou claro que são os pressupostos da política estadunidense para a Ilha que devem ser modificados. O que adiantou o correspondente nos Estados Unidos do diário mexicano La Jornada e de fato se provou: “a viagem do Papa Bento XVI a Cuba na próxima segunda-feira (26) é motivo de uma série de manobras de diversos setores estadunidenses por uma mudança em Cuba, mas para outros revela que Washington é o que fracassou em sua intenção de mudar”.

Fonte: CubaDebate
Tradução: Da Redação, Vanessa Silva