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Domingo não tão espetacular na RecordDomingo não tão espetacular na RecordFoto: Edição/247ENTREVISTA COM EX-PREFEITO DE ANÁPOLIS ERNANI DE PAULA, GRAVADA POR PAULO HENRIQUE AMORIM, É RETIRADA DA EDIÇÃO DO PROGRAMA DOMINGO ESPETACULAR, QUE VAI AO AR HOJE À NOITE, PELA RECORD; AO 247, ERNANI APONTOU COINCIDÊNCIAS ENTRE O ESQUEMA DE CARLINHOS CACHOEIRA EM GOIÁS E AS DENÚNCIAS DO MENSALÃO; PHA SE INTERESSOU E O PROCUROU PARA FAZER MATÉRIA; “QUESTÕES DA CÚPULA”, JUSTIFICOU O JORNALISTA AO EX-PREFEITO

01 de Abril de 2012 às 16:46

Marco Damiani _247 – Uma entrevista gravada no meio desta semana, por cerca de uma hora, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, âncora do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, com o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula, foi retirada do “espelho” da atração por “questões da cúpula”. Não irá ao ar no programa desta noite. A informação foi dada a Ernani, segundo ele próprio relatou ao 247, por Paulo Henrique. Em seu blog Conversa Afiada, porém, o profissional publicou ontem extensa nota com a entrevista que ele mesmo realizou com o ex-prefeito para ser exibida, também, na rede nacional de tevê.

Adversário político do governador de Goiás, Marconi Perillo, e ex-interlocutor do contraventor Carlinhos Cachoeira, Ernani contou ao 247, em reportagem publicada esta semana, sua suspeita de que a base das denúncias do esquema do chamado Mensalão poderia ter sido forjada por uma confabulação entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Demóstenes teria sido preterido numa indicação para o cargo de secretário nacional de Justiça, no primeiro governo Lula, e buscado uma desforra pela desestabilização do governo do PT.

A ordem de suspensão da veiculação da entrevista em rede nacional, no Domingo Espetacular, da Record, pode ser incluída no mesmo contexto da perseguição, nas bancas de jornais de Goiânia, da edição desta semana da revista Carta Capital. Com o título O Crime Domina Goiás, a publicação teve praticamente todos os seus exemplares comprados na manhã deste domingo 1 na maioria das bancas da cidade por homens que chegavam em carros sem placas de identificação (leia).

 

 

Entrevista de Leonardo Boff ao jornal O Estado de São Paulo, Caderno Aliás.Início do conteúdoAo mestre, sem retoquesVinte anos após deixar o sacerdócio, teólogo censurado por Ratzinger analisa o papa em excursão latina   Laura Greenhalgh

Até o âncora da CNN saiu do sério no último domingo quando, quase incrédulo, abriu os braços para mostrar o tamanho do sombrero que Bento XVI afundou na cabeça ao ouvir um conjunto de mariachis na cidade mexicana de León. Era o início da primeira viagem do bávaro Joseph Ratzinger à América de língua espanhola desde que virou papa, em 2005. Observadores mais entusiasmados, ou mais fervorosos, podem ter vislumbrado ali uma latinidade que sairia do armário, com desdobramentos inesperados em Cuba, terra não dos sombreros, mas das guayaberas. Falso foguetório. Bento XVI, 85 anos incompletos, rapidamente se reconduziu à sobriedade germânica que o caracteriza. Do México saltou para a ilha caribenha, encontrou-se com os irmãos Castro, repetiu a palavra “liberdade” em diferentes momentos e arrumou outras tantas para condenar o bloqueio econômico americano. Daí pegou seu aeropapa e voltou para casa.

 ‘É fino, culto, mas muito tímido’ - Osservatore Romano/Reuters

Osservatore Romano/ReutersO adereço. Manifestações públicas são difíceis para Bento XVI: ‘É fino, culto, mas muito tímido’

 

E a empatia esperada? E aquela sedução diante das massas que fez de seu antecessor, o polonês Karol Wojtyla, o João de Deus neste lado do mundo? Enfim, o que fica do primeiro ensaio de Bento XVI no terreiro da latino-americanidade? Quem reflete sobre essas e outras questões é o catarinense Leonardo Boff, 73 anos, que o papa conhece de longa data e a quem ainda se refere como “der frommer theologe”, o teólogo piedoso. “Esse tratamento tem a ver com o que ele me dizia no passado, ao aprovar meu jeito de aproximar teologia e espiritualidade. Ele leu o que escrevi, e gostava. Em compensação me condenou em outros campos”, relembra Boff, ex-aluno dileto de Joseph Ratzinger, depois confrontado irremediavelmente com o mestre quando este se tornou prefeito da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício, no pontificado de João Paulo II.

 

Sentar-se no banco de Galileu diante dos inquisidores da Igreja, tendo à frente o mestre que o formou e pressionado a renegar teses da Teologia da Libertação, da qual era um dos formuladores, não é experiência de vida que o tempo apague. Em 1985, o franciscano indexado como rebelde recebeu uma condenação ao silêncio obsequioso. Depois seguiu-se um leve relaxamento das sanções. Mas, em 1992, portanto há exatos 20 anos, veio o enquadramento mais forte de Roma: silêncio total, sem direito a escrever, recolhido a um convento nas Filipinas ou na Coreia. Boff então se despediu da Ordem dos Frades Menores, abandonou os votos sacerdotais e se declarou leigo.

 

Mas a Igreja, especialmente a dos pobres, segue dentro dele. A teologia, também. Recentemente acrescentou um título à lista de mais de 60 livros com o lançamento de Cristianismo: Mínimo do Mínimo (ed. Vozes), em que discute como as igrejas criam respostas complicadas para o mistério da fé, “que é feito de simplicidade”. Vê-se que o aluno continua na trilha oposta à do seu mestre na Universidade de Munique. Boff quer simplificar. Ratzinger, feito papa, quer recuperar a simbologia católica mais tradicional e austera. São antípodas que se referenciam mutuamente.

 

Nesta conversa em torno de Bento XVI, Boff traz à tona momentos em que ambos atuaram juntos, ou bem próximos, desde os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II (1961-62) até o derradeiro momento da ruptura. Professor emérito da Uerj, honoris causa das universidades de Turim (Itália) e Lund (Suécia) e detentor em 2001 do Right Livelihood Award, Nobel alternativo concedido em Estocolmo, hoje mora em Araras (RJ) com a mulher, a também teóloga Márcia Miranda, cercado da prole que adotou como sua. Além de falar aos movimentos sociais, mantém agenda extensa de palestras dentro e fora do País. “Vivo neste ciganismo intelectual”, brinca.

 

 

No sétimo ano do pontificado e na sua 23ª viagem internacional, esta é a primeira vez que Bento XVI empreende uma visita à América de língua espanhola. Sendo o continente um reduto do catolicismo, terá demorado a vir para esses lados?

A preocupação central do atual papa é recuperar visibilidade para a Igreja no continente europeu. É isso. Ele considera que o processo de secularização fez com que a Igreja perdesse importância social, tornando-se mais e mais invisível. Diante de um cristianismo agônico, como se vê em muitas partes da Europa, ele traça uma estratégia de reconquista, que não se aplica à América Latina, considerada já conquistada. Aqui ele procura reforçar o existente. Considero uma estratégia equivocada, pois implica optar pelos ricos e não pelas maiorias empobrecidas do mundo. Mas é justamente dessa estratégia que vem toda uma valorização do catolicismo tradicional, uma parafernália de símbolos religiosos recuperados, algo que a mim soa como coisa meio vaidosa. Acredito que a renovação não virá do centro, mas da periferia onde vivem 52% dos católicos. O cristianismo tornou-se uma religião do Terceiro Mundo que um dia teve origem no Primeiro Mundo. Mas isso é de difícil compreensão para o papa.

 

 

O senhor reconhece no Bento XVI de hoje o Ratzinger dos anos 80, que o condenou ao silêncio obsequioso e o levou, por fim, a abandonar a Ordem e o sacerdócio?

Há um Ratzinger anterior, com quem estudei e trabalhei nos anos 60, 70. Era um professor adorado pelos alunos, teólogo de posições avançadas, tínhamos estreita ligação. A partir de 1965, com a criação da revista Concilium, formou-se o grupo dos 25 teólogos mais influentes no mundo, grupo que se reunia uma vez ao ano em alguma cidade europeia, sempre na semana de Pentecostes, para discutir os rumos da igreja pós-Vaticano II. Ratzinger estava lá, conosco. Ficou tão entusiasmado com a minha tese de doutorado na Universidade de Munique, sobre a Igreja como sinal no mundo secularizado, que tratou de arrumar editora e financiamento de 14 mil marcos para a publicação. O que o teria feito mudar? Acho que ele chegou à Congregação para a Doutrina da Fé muito rapidamente. De simples teólogo em Munique foi a cardeal em pouco tempo e logo promovido a um posto importantíssimo no Vaticano, graças à amizade com Karol Wojtyla. Quando este virou papa, logo o chamou para a congregação. E é como eu sempre digo: Roma tem uma enzima que transforma todo mundo.

 

 

Roma mudou Ratzinger?

O papa, no meu modo de ver, vive um processo de regressão em sua capacidade de formular uma visão coerente do mundo, seja do ponto de vista da análise, seja do ponto de vista da teologia. Ele é cada vez mais conservador. É risível teologicamente ressuscitar a idéia medieval de que fora da Igreja Católica não há salvação e de que a romana é a única igreja verdadeira. Comete-se um erro teológico. Seria o mesmo que dizer: Evangelho é somente o de Marcos, o mais antigo. Os demais, de Mateus, Lucas e João, que vieram depois, têm apenas elementos evangélicos, mas não são o Evangelho. Ora, ele próprio me ensinou que, assim como os quatro Evangelhos se aceitam mutuamente, assim deveria acontecer com as igrejas. Juntas elas formam o legado de Jesus. Ele aceitou essa tese como teólogo, mas a renegou no Vaticano. E por quê? Eis uma coisa tão alemã... Ao ir para a congregação, Ratzinger o fez como um típico burocrata alemão, assumindo como algo pessoal o que era oficial. Lembro de uma passagem: logo depois de sua nomeação, escrevi uma carta para ele felicitando-o e dizendo que, enfim, a teologia iria florescer no mundo. Quinze dias depois recebi carta dele avisando que havia processos abertos contra mim na congregação e que daria andamento a eles. Pensei, puxa, vida, em 15 dias ele já terá mudado tanto?

 

 

A visita ao México e a Cuba servirá para diluir a imagem de Ratzinger como desagregador da Teologia da Libertação?

O papa carrega um fardo negativo na história da teologia cristã. Não apenas perseguiu teólogos levando-os a julgamento em Roma, como fez comigo e Gustavo Gutiérrez (teólogo e frade dominicano nascido no Peru), como proibiu que publicássemos a primeira Suma Teológica (obra doutrinária e filosófica de São Tomás de Aquino, do século 13) na perspectiva da libertação.

 

 

Como assim?

Eu coordenava um grupo de cem teólogos da América Latina envolvidos na publicação da obra, em 53 volumes. Quando lhe expus o projeto, o então cardeal Ratzinger perguntou “e quem paga?”.Depois me disse que deveríamos publicar apenas um volume por ano, mas argumentei: “Eminência, não viveremos para ver o final do trabalho”. Por fim condicionou a autorização da publicação, o imprimatur, a uma licença especial que deveria vir de bispos espanhóis muito conservadores. Abandonamos o projeto. Tudo isso causou grande dano às comunidades que ter-se-iam enriquecido na sua compreensão da fé e também de seu compromisso político a partir da fé.

 

 

O giro latino-americano dos últimos dias também não poderá distrair a opinião mundial dos escândalos sexuais na Igreja?

Tanta perspicácia política não possuem os estrategistas do Vaticano. A concepção deles é centrada sobre a Igreja em si mesma, bastião de defesa contra o secularismo, ateísmo e materialismo do mundo moderno. Roma apoia o cristianismo da América Latina desde que mantenha sua lógica colonial, dependente do centro, e não pretenda fazer aqui um ensaio original com outras culturas, de onde saia um rosto índio-negro-latinoamericano de cristianismo. Ou seja, cristianismo, sim, desde que romano. Agora, a pedofilia atacou de fato o coração da Igreja Católica, aquele capital simbólico e espiritual do qual vivia sua legitimidade e força moral. Isso tudo deve causar uma tremenda perplexidade ao papa.

 

 

Por quê?

A concepção que eu ouvia em suas aulas era de que a Igreja deve ser o pequeno rebanho, um pedaço do mundo reconciliado, o oásis onde a salvação se realiza de forma exemplar, como representação para todos os demais. Ocorre que esse oásis e pedaço de mundo reconciliado é uma ideia platônica, realidade que nunca existiu. A Igreja está no mundo como as demais realidades, sujeita a vulnerabilidades da condição humana. Os antigos diziam e sobre isso o teólogo Ratzinger escreveu algumas belas páginas: a Igreja é uma casta meretriz. De noite ela peca como meretriz. De dia Deus a limpa, a torna casta e a faz sua esposa. Quanto à pedofilia na Igreja, a estratégia do Vaticano é desviante ao separá-la do celibato. O elo entre os dois temas é a sexualidade. Notoriamente a educação dos candidatos ao sacerdócio, e ao celibato, tem sido insuficiente, fazendo da sexualidade o mundo da tentação e do pecado. Ora, uma educação inadequada faz com que muitos deem azo a expressões perversas e criminosas da sexualidade. O normal seria a Igreja rever a lei do celibato e torná-lo facultativo, como o fizeram todas as igrejas.

 

 

Como o senhor compara o estilo João Paulo II ao de Bento XVI no contato com fiéis?

Podemos discutir a teologia conservadora de João Paulo II, mas não podemos desconhecer seu irradiante carisma, que galvanizava multidões. Num mundo sem figuras carismáticas, pois hoje a maioria dos chefes de Estado, opacos burocratas, sai das escolas de administração, a figura de João Paulo II se sobrelevava. Não possuía boa teologia, tanto que sua tese doutoral sobre a fé em São João da Cruz não foi aprovada. Mas era um grande pastor. Falava mais por gestos que por palavras. Sua aparição ao público era uma encenação. Vê-se que tinha sido na juventude ator. E foi ator a vida inteira, encenou a própria morte. Sua irradiação era tão grande que fascinou e, eu diria, até cegou Ratzinger, que, em seu entusiasmo, logo o beatificou. Já o papa atual preserva dentro de si o mestre, que de fato foi, de uma rigorosa universidade alemã. Não possui carisma por isso não projeta aura benfazeja, mas severa, contida. O professor com quem privei sempre foi uma pessoa gentil, fina, mas extremamente tímida. Sim, Bento XVI é um homem muito tímido. Posso imaginar como deve sofrer longe de seus livros e da leitura de Santo Agostinho, do qual é eminente especialista, tendo que fazer saudações e dar manifestações públicas de carinho, algo inimaginável na sua atividade de Herr Professor.

 

 

João Paulo II e Fidel desenvolveram, guardadas as distâncias, um contato sincero aparentemente. E tem-se que a Igreja católica em Cuba recuperou terreno social e até presença política. Isso poderá ser ‘reeditado’ com Bento XVI e Raúl Castro?

Quem seguiu de perto o encontro de Fidel Castro com João Paulo II teve a clara percepção de que eles se afinavam profundamente. Pudera, tinham as mesmas características de base: o exercício autoritário do poder. E ambos eram figuras carismáticas. Com o papa atual é diferente. Eu diria que nessa semana vimos o encontro de dois chefes de Estado, cada qual com sua identidade, sem nenhum gesto que rompesse o plano burocrático. Como de praxe o papa tem que falar dos direitos humanos, já que a Igreja levanta a pretensão de ser especialista em humanidade, mas quem a conhece por dentro percebe a falácia da presunção.

 

 

Cuba e o contato com a gente simples de lá podem mudar concepções em Bento XVI?

O encontro é sempre criativo, muda a cabeça das pessoas. Seria preciso ser inimigo da própria humanidade e não se comover diante dos humildes que acenam e estendem a mão para uma figura que representa algo de sagrado, de uma realidade que ultrapassa a nossa. Para João Paulo II as viagens significavam grande aprendizado. Para Bento XVI deve também haver um quociente de aprendizado, mas como é intelectual de grandes conhecimentos teóricos, num nível realmente alto, penso que o aprendizado servirá para confirmar as próprias convicções. Mas talvez eu esteja subestimando a força intrínseca que todo encontro possui... Isso já é filosofia, não é análise.

 

 

 

Mas ele desembarcou no México, primeira etapa desta viagem, anunciando-se como ‘peregrino da fé, da esperança e do amor’.

Que outra mensagem poderia dizer? Ele não é um político, porém maneja símbolos poderosos, que alcançam fundo a alma das pessoas. Todos anseiam por amor, fé, esperança. Não será um Berlusconi ou um Sarkosy que farão semelhantes discursos. Então o papa está em seu papel.

 

 

 

Na coletiva para 70 jornalistas no voo Roma-León, rumo à primeira escala mexicana, o papa disse textualmente: ‘Hoje é evidente que a ideologia marxista, como foi concebida, já não responde à realidade’. Mas a frase chegou a ser publicada como ‘o papa disse que comunismo em Cuba não funciona’...

Como a maioria dos alemães, ele é profundamente anticomunista. E não diferencia os tipos de marxismo como fez inteligentemente João XXIII na Mater et Magistra, ele que era bem menos culto que Ratzinger. Se Bento XVI tivesse se restringido ao marxismo como teoria social, como conjunto de ferramentas para entender uma sociedade e analisar a lógica perversa do capital, talvez falasse o contrário. Hoje, dizem-no livreiros da Europa e dos Estados Unidos, Marx é um dos autores mais lidos e estudados por financistas que foram à falência e procuram entender por quê.

 

 

Fidel, no breve encontro com Bento XVI em Havana, ousou perguntar ‘o que faz um papa’. O que o senhor acha da indagação?

Se eu fosse o papa responderia com toda a simplicidade: “Não faço nada. Fazem tudo por mim”. Porque o que ele tem que fazer, e essa é sua única missão, é viajar pelo mundo para fortificar os irmãos na fé, mantendo a unidade de uma instituição que hoje tem o tamanho de uma China inteira. No mais, fazem tudo por ele. Uma vez alguém perguntou a João XXIII quantas pessoas trabalhavam na Cúria Romana. E ele disse: “A metade” (risos). É assim mesmo, metade trabalha, metade vagabundeia.

 

 

A secularização, como já se disse aqui, está no topo das preocupações do Vaticano. E o papa prega que é possível redescobrir Deus como orientação fundamental de vida no contexto da racionalidade moderna. O senhor está de acordo com ele?

Estimo que o papa possua um conceito reducionista de secularização. Na verdade é um conceito nascido no interior da teologia protestante do século 19 e começo do século 20 para afirmar a legítima autonomia do saeculum, quer dizer, do mundo, da criação. Na secularização, Deus não é pronunciado, o que não significa que esteja ausente. Ele está presente sob o nome de justiça, amor, retidão, boa consciência, solidariedade e compaixão. Ilusão dos cristãos pensarem que Deus esteja presente somente onde seu nome é pronunciado, pois muitos se dão por piedosos e comportam-se como malfeitores. Nosso mundo político está cheio deles. Já o “secularismo” é a patologia da secularização ao afirmar que só existe este mundo e qualquer aceno a algo que o transcenda é ilusão ou alienação. Creio que o papa deveria ter feito a distinção para não condenar aquilo que é são.

 

 

Ele quer uma Igreja menor, mais disciplinada e homogênea. No ano passado, se não me engano, visitou sua Baviera natal, pregando ‘uma outra Alemanha’, não a Berlim secular, administrada por um prefeito gay...

Quem conhece a Baviera entende suas palavras. Vivi lá cinco anos ininterruptos e pude conversar muito com Ratzinger sobre o tipo de catolicismo que se originou na região. Para o professor aquilo significa uma das mais perfeitas e completas encarnações da fé cristã numa cultura rústica, camponesa, de virtudes ligadas ao trabalho, à piedade familiar, às festas de Igreja e à impregnação de elementos religiosos em todas as casas. Ele me disse várias vezes que “o caminho romano passa pela Baviera”. Só que se trata de um cristianismo que não se confrontou com a modernidade!

 

 

Depois de deixar a ordem e o sacerdócio, o senhor esteve com seu ex-professor?

Não, não. Numa famosa conferência que fez em Florença, sobre o Vaticano II, ainda cardeal, Ratzinger me citou em público. Curioso, ele se refere a mim como “der frommer theologe” (o teólogo piedoso), aprovando a maneira como eu aproximo espiritualidade e teologia, mas me criticando duramente em outros textos... Pois bem, depois da conferência houve uma entrevista e um jornalista indagou por que, afinal, fizera a citação de alguém que havia condenado. E ele respondeu algo assim: “Boff é um homem inteligente, bom teólogo, espero que um dia volte e acolha o magistério da Igreja”. Continuará esperando.

 

FILHA DE MOTORISTA DE ÔNIBUS É ACEITA EM "HARVARD" E MAIS 5 UNIVERSIDADES (ver matéria do G1 a seguir)

Re: Clipping do dia
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Re: Clipping do dia
 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Brasileira  vencedora, moradora de bairro pobre  da Zonal Sul de SAMPA,  consegue obter o resultado  da aprovação em HAVARD 3 dias antes de o resultado Oficial ser divulgado, e consegue contar para o pai, que morreu (sabedor do dever cumprido e, certamente feliz,) exatamente 3  dias após saber da notícia.

 Matéria do G1

'SUPERCAMPEÃ' ENTRA EM “HARVARD” e em mais  5 Universidades Americanas

Tábata Amaral, de 18 anos, concluiu ensino médio com bolsa de estudos.

Filha de dona de casa, superou dificuldades financeiras e realizou sonho.

Do G1- Vanessa Fajardo  – São Paulo - 01/04/2012 07h41 - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2012/04/supercampea-entra-em-harvard-e-em-mais-5-universidades-americanas.html

Há cinco anos, a estudante Tábata Cláudia Amaral de Pontes, de 18 anos, moradora de São Paulo, estabeleceu uma meta: estudar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. De lá para cá, pegou firme nos estudos, foi destaque em olimpíadas estudantis dentro e fora do Brasil e aprendeu a falar inglês. O resultado oficial do esforço chegou na última quinta-feira (29), Tábata foi aceita em Harvard e em outras cinco universidades americanas. São elas: Caltech, Columbia, Princeton, Yale, e Pennsylvania.

Harvard é uma das universidades mais conceituadas do mundo e as outras cinco em que a brasileira foi aceita também seguem entre as mais bem colocadas em ranking mundial de reputação divulgado em 15 de março. A seleção é feita pelo Scholastic Assessment Test (SAT, Teste de Avaliação Escolar), uma espécie de 'Enem americano,' que também é aplicado no Brasil aos interessados em disputar vagas nos Estados Unidos. Para conquistar a vaga também é necessário fazer o teste de proficiência em inglês, o Toefl (Test of English as a Foreign Language).

"Quando soube [da aprovação em Harvard] comecei a chorar muito, perguntava se podia mudar o resultado. Eram duas da manhã, liguei para minha mãe, meu pai ficou super emocionado. Chorei duas horas seguidas", diz Tábata. O aviso foi feito via telefone por um representante da universidade, porém o resultado só foi oficializado na última quinta-feira.

A garota agradece ao fato de ter tido acesso ao resultado de Harvard antes do previsto. Três dias depois que soube da aprovação, o pai morreu. Se soubesse somente na última quinta-feira, não teria como ter contato a ele. "Foi muita sorte. Ele acreditou em mim e eu cumpri minha promessa. Ele ficou muito feliz, nem conseguiu mais dormir naquela noite. Que bom que deu tempo de falar, de qualquer forma ele saberia do céu, mas foi bom contar", afirma.

A jovem foi aluna do Colégio Etapa, em São Paulo, como bolsista. Como sua mãe que trabalhava como vendedora de flores e o pai que era cobrador de ônibus não tinham como arcar com suas despesas de transporte e alimentação, o Etapa passou a custear um quarto em um hotel próximo à escola na Avenida Vergueiro, além de pagar as refeições da estudante. Atualmente, como já concluiu o ensino médio tornou-se funcionária do colégio: é professora de química e astronomia dos alunos que participam de olimpíadas.

Para estudar nos Estados Unidos também terá bolsa de estudos e ajuda de custo. Lá as bolsas são distribuídas de acordo com as condições socioecônomicas do estudante aceito e não por mérito, por isso a garota diz que não estar preocupada com a questão financeira.

Tábata estuda física na Universidade de São Paulo (USP). Como não sabia se seria aceita nos Estados Unidos, garantiu a vaga assim que foi aprovada no vestibular deste ano. Ainda não sabe por qual universidade americana vai substituir a USP, mas não esconde sua preferência por Harvard. Ela foi convidada por algumas universidades para uma visita e deve ir para os Estados Unidos na segunda quinzena de abril antes do período de matrículas. "É bem provável que escolha Harvard, mas quero pensar direitinho. Quero conhecer as universidades que me convidaram, visitar laboratórios, pensar na minha vida e digerir o que aconteceu. Na volta tomarei uma decisão bem tomada."

Astrofísica e socióloga

Apesar de ser craque nas ciências exatas, Tábata não dispensa a formação na área de humanas. A jovem quer mesclar os estudos entre astrofísica e ciências sociais. Ciência porque se diz apaixonada, e é por meio dela que consegue descobrir o mundo, e a sociologia porque quer trabalhar com educação, ajudar pessoas e retribuir as oportunidades que teve na vida.

Para isso, pensa em seguir carreira como pesquisadora, criar um centro de pesquisas de astrofísica e atender alunos de escolas públicas. Tábata afirma qualquer estudante pode chegar onde ela chegou. "Estabeleci um sonho 'meio grande' há cinco anos, e fiz de tudo para conseguir. Na verdade, no final não acreditava. Dá trabalho, mas não é impossível."

História com as olimpíadas

As cerca de 30 medalhas das olimpíadas conquistadas na vida de "atleta" estão guardadas na casa dos pais na Vila Missionário, Zona Sul de São Paulo, onde também estão os dois baús repletos de presentes que trocou com os participantes das olimpíadas na China, Turquia e Polônia, e em várias cidades brasileiras. Ela também coleciona moedas e notas em papel.

A primeira medalha foi uma de prata que veio aos 12 anos, em 2005, quando ela fez sua estreia nos torneios estudantis com a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). No ano seguinte, ganhou o ouro e bolsa de estudos da escola Etapa.

A vontade de aprender vem junto com a de ensinar. Há três anos, Tábata criou o Vontade Olímpica de Aprender (VOA), um projeto que visa incentivar estudantes de escolas públicas nas olimpíadas. As aulas ocorrem sempre aos domingos de manhã em uma escola pública na Vila Mariana. Atualmente são cerca de 180 alunos.

"O VOA é meu xodó e o projeto vai continuar sem mim. Quero convencer ex-alunos a se tornarem professores. E vou ajudar pela internet, não quero me desligar", diz.

 

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Do Estadão

Golpe Militar : Há 35 anos general Giesel lançava o "pacote de abril"

A perspectiva de vitória da oposição nas eleições marcadas para 15 de novembro de 1977, e de perda da maioria governista que lhe garantia o controle do Congresso e do processo de sucessão, levou o presidente Ernesto Geisel a agir com mão de ferro no dia 1.º de abril daquele ano. Ao baixar o que ficou conhecido como “pacote de abril”, Geisel impôs a eleição indireta de governadores e a nomeação pura e simples de um terço dos membros do Senado – os célebres governadores e senadores “biônicos”. Para garantir o cumprimento das medidas, o Congresso foi posto em recesso.

Em pronunciamento à nação, transmitido pelo rádio e TV, Geisel avisou que faria reformas de natureza política “indispensáveis ao bem-estar, à tranquilidade e à própria institucionalização política do País”.

“Não há liberdade para quem quer destruir a Nação”, disse Geisel na explicação oficial aos brasileiros que durou 17 minutos.

Editorial do Estadão – “Como brasileiros, é triste buscar nos arquivos desta Casa o testemunho de que não se progrediu um passo sequer, desde que, na véspera da promulgação do AI-5, em 1968, os exemplares do Estado foram apreendidos por causa do editorial Instituições em Frangalhos” (o texto criticava o ato que institucionalizou a censura no País.)

No Congresso, clima era de fim de festa - O Estado de S. Paulo, 1/4/1912, pág.5

Pesquisa e Texto: Rose Saconi

 

Cidades à beira do precipícioDescubra vilarejos que desafiam a natureza e se equilibram como malabaristas no topo de montanhas

Camila Sayuri, iG São Paulo | 01/04/2012 10:34

 

Há séculos o ser humano desafia a natureza construindo cidades em ambientes inóspitos e de difícil acesso. Ainda que o cenário escolhido não pareça propício e seguro para receber famílias, suas casas permanecem fortes e habitadas ao longo dos anos. É o caso de algumas cidades e vilarejos construídos à beira de penhascos. Quase que dependuradas, como se equilibrando para não cair do topo, compõem com a natureza uma paisagem pitoresca. Por sua beleza, recebem diariamente turistas de todas as partes do mundo e veranistas de finais de semana. Confira alguns exemplos surpreendentes.

Al Hajara - Iêmen

 

Foto: Flickr/Ai@ce Ampliar

Al Hajarah é uma cidadela construída no século 12 no cume da colina

Nas montanhas de Haraz, no Iêmen, está localizado o exótico vilarejo de Al Hajara, a cinco minutos de carro de Manakhah. Esta cidadela foi construída no século 12 pelos otomanos no cume de uma colina e possuía uma posição estratégica de defesa. As casas fortificadas são feitas de blocos maciços de pedras, coladas umas nas outras para formar uma espécie de muralha. Algumas das moradas têm até oito andares e mantêm a fachada detalhadamente decorada.
 

Ronda – Espanha

 

Foto: Getty Images

Ronda é dividida por um desfiladeiro de mais de 150 metros

Erguida sob um maciço rochoso, a apenas uma hora da Costa del Sol, na província de Málaga, a cidade de Ronda tem uma das paisagens mais dramáticas de toda Espanha. A cidade é dividia em duas partes por um desfiladeiro de mais de 150 metros, por onde passa o rio Guadelevín. Muitas das casas de Ronda, considerada berço das touradas, ficam à beira de um precipício. Por sua localização, Ronda foi uma das últimas cidades ocupadas pelos árabes a ser reconquistada pelos reinos católicos. Hoje, recebe diariamente grupos de turistas e é refúgio de final de semana para muitos espanhóis.

- Leia também: As mais impressionantes pontes pelo mundo

 

Manarola – Itália

 

Foto: Getty Images

Manarola é uma das cinco charmosas vilas que formam a Cinque Terre

Manarola é o menor dos cinco românticos povoados que formam a Cinque Terre, um dos tesouros da Itália, à beira do Mar da Ligúria. Este charmoso vilarejo de pescadores, conhecido por suas casas coloridas incrustadas na rocha escura, serve de porto natural para a parada de muitos barcos depois de um dia de pescaria. Durante a visita, vale a pena fazer um passeio pelas muitas vinícolas do lugar ou beber uma taça de vinho na praça da cidade, a Piazza Capellini.


Bonifácio – França

 

Foto: Getty Images

Bonifácio, terra natal de Napoleão Bonaparte, fica empoleirada à beira de uma falésia

Na ilha francesa de Córsega, um dos vilarejos mais charmosos e mais visitados é a bela Bonifácio. A cidade de casas tom pastel foi construída no século 9, empoleirada à beira de uma falésia. Charmosa, ela recebe turistas de todas as partes. Não à toa. A vila de três mil habitantes tem um centro histórico composto por um emaranhado de ruelas, com restaurante e cafés. Na parte baixa está a marina, com iates elegantes, cafés, lojinhas e hotéis. Um passeio imperdível.

 

Oía – Grécia

 

Foto: Getty Images

O vilarejo de Oía, em Santorini, é famosos por seu pôr-do-sol

Na espetacular Santorini, Oía é o vilarejo que sintetiza o que a ilha grega tem de mais encantador. Nos penhascos multicoloridos que beiram uma cratera vulcânica, inundada pelo mar, foram erguidas casinhas brancas enfileiradas em vielas estreitas, pontuadas por igrejas de cúpula azul. Os visitantes encontram por lá bons bares e restaurantes, hotéis de charme e lojinhas de roupas e joias produzidas por estilistas locais. Ao fim do dia, muitos viajantes também se dirigem a Oía para assistir ao pôr-do-sol.

 

Azenhas do Mar – Portugal

 

Foto: Getty Images

Azenhas do Mar é um pitoresco vilarejo construído na encosta de uma montanha

No litoral português da cidade de Sintra, Azenhas do Mar é um pitoresco vilarejo construído na encosta de uma montanha. Na sua base há uma piscina natural de água oceânica muito apreciada pelos visitantes. Visitada durante todo o ano, ao longo de toda área escarpada há mirantes que oferecem belas vistas para o oceano aberto. O balneário é hoje ocupado principalmente por veranistas de fim de semana.

 

"Don't forget your history Know your destiny" - Bob Marley

......O PMCMV contratou, desde o seu lançamento até o final do ano passado, 1.462.133 unidades habitacionais, com investimento total de R$ 87 bi......

 

CAIXA ENTREGA 300 MORADIAS NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO
Caixa Econômica Federal...Brasilia, 09 de Dezembro de 2011
 Empreendimento financiado pelo Programa Minha Casa Minha Vida beneficiará famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos
 A Caixa Econômica Federal entrega, neste domingo (11), a partir das 11h30, no bairro Sapopemba, em São Paulo (SP), as primeiras 300 unidades habitacionais do empreendimento Residencial São Roque, financiado pelo Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), para famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos. Participam do evento, pela Caixa, o presidente do banco, Jorge Hereda, e, pelo ministério das Cidades, a Secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães.
 
No total, o empreendimento possui 300 apartamentos, divididos em 15 blocos de 5 pavimentos cada. Está localizado na zona Leste da capital, na Av. Arquiteto Vilanova Artigas (esquina com Rua Giovanni Nasco), 1.396. As unidades possuem 2 quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço, com 42m² de área privativa, sendo que 15 delas serão adaptadas para pessoas com necessidades especiais. O valor de cada unidade será de R$ 52 mil.~~~~

CAIXA ENTREGA 156 MORADIAS EM LONDRINA

 Caixa Econômica Federal....Brasilia, 23 de Janeiro de 2012

Unidades beneficiarão famílias paranaenses com renda de 0 a 3 salários mínimos no distrito de Paiquerê

A Caixa Econômica Federal entrega, nesta segunda (23), mais 156 moradias do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) no distrito de Paiquerê, em Londrina (PR). O empreendimento recebeu investimento de R$ 6,6 milhões e foi construído em parceria com a prefeitura. A solenidade de entrega das unidades será realizada na Rua General Mallet, esquina com rua Alcina Alves Camargo, a partir das 14h, e contará com a presença do prefeito de Londrina, Barbosa Neto, e demais autoridades municipais, além das famílias beneficiadas. Pela CAIXA, o superintendente regional em exercício, Olides Milezzi Junior. As moradias são destinadas a famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos. O valor médio de cada unidade é de R$ 42 mil, e cada família assumirá parcelas com valores de até 10% da renda familiar, variando de R$ 54 a R$ 139 mensais, durante 10 anos. As novas moradias, que contarão com aquecimento solar, possuem áreas de construção que variam entre 35,88m², para 151 moradias, e 49,68m² para 5 moradias, destinadas a portadores de necessidades especiais, todas com 2 quartos, sala e cozinha conjugadas, área de serviço descoberta e banheiro........ 

CAIXA ATINGIU 80 BILHÕES EM CRÉDITO IMOBILIÁRIO EM 2011

Caixa Econômica Federal....Brasilia, 12 de Janeiro de 2012

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, anunciou nesta quinta-feira (12) que em 2011 o banco atingiu R$ 80 bilhões em crédito imobiliário. O anúncio foi feito durante discurso aos empregados da CAIXA, em Brasília, no evento que comemorou 151 anos de sua criação. Segundo o presidente Hereda, o grande responsável por esse resultado foi o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).

 “Em 2003, a CAIXA realizou em torno de R$ 5 bi em crédito habitacional. No ano passado esse resultado ultrapassou os R$ 80 bilhões, a maior contratação da CAIXA nos seus 151 anos”, afirmou Hereda.  O PMCMV contratou, desde o seu lançamento até o final do ano passado, 1.462.133 unidades habitacionais, com investimento total de R$ 87 bi.  No evento, o presidente Jorge Hereda citou outros grandes números alcançados pela CAIXA em 2011. Entre eles, o recorde na concessão de crédito total que alcançou R$ 230 bilhões e o também recorde na captação de poupança, que chegou a R$ 150 bilhões em depósitos. O pagamento do Bolsa Família também atingiu um patamar histórico com 13,3 mihões de famílias atendidas. Só para micro, medias e grandes empresas os créditos chegaram a R$ 65, bilhões. “A CAIXA completa hoje 151 anos, um marco que seria razão de orgulho para qualquer empresa no mundo. Mas no caso da CAIXA existem muito mais motivos para que comemoremos essa data. Ao longo do último ano, nossa empresa bateu recordes na concessão de crédito, no saldo de poupança, fortaleceu sua participação no mercado, atuou no desenvolvimento dos programas Minha Casa Minha Vida e PAC2, e contribuiu com a meta do Governo Federal de vivermos em um país sem pobreza. E coroando esse ano histórico, agora em janeiro  a CAIXA foi apontada pela imprensa especializada internacional como o Maior Banco Público da América Latina”, comemorou Hereda.

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2014---distribuição de renda

.....Única empresa a produzir no Brasil
 A planta da empresa no interior de São Paulo iniciou a produção de painéis FV em 2011, a partir de células importadas, e conta com uma capacidade instalada de produção anual de 25 MWp, com um índice de nacionalização acima de 60%. Fundada em 1990 em Vespasiano (MG), a Tecnometal produz também equipamentos de grande porte para mineradoras e siderúrgicas. "A Tecnometal Energia Solar está em um processo de reengenharia e pretende ter um processo verticalizado, desde o crescimento do silício, e quem sabe até a etapa de metalurgia, em um prazo de tempo extremamente curto. Isso já está em andamento; tanto é assim que nosso projeto com o professor Mei, que já foi acolhido pelo BNDES, tem etapas sendo adiantadas", explicou Topel. Segundo Mei, quando a Tecnometal começou a produzir as placas FV, a empresa já procurou a Unicamp para desenvolver uma parceria....

Parceria entre Unicamp e Tecnometal busca inovação em energia solar FV(link)
Fabricante brasileira de painéis solares e Unicamp se associam em processo de purificação de silício e produção de células
Guilherme Gorgulho/Agência de Inovação da Unicamp...26/03/2012

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a empresa Tecnometal estão promovendo uma parceria em pesquisa e desenvolvimento do processo de purificação do silício metalúrgico para transformá-lo em células de energia solar fotovoltaicas. A empresa mineira, que conta com uma fábrica de painéis fotovoltaicos (FV) em Campinas (SP) — a única companhia que fabrica esse produto no Brasil — quer verticalizar sua produção e para isso está apostando na pesquisa em colaboração com a universidade.
 
Um primeiro projeto já foi enviado para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito do Fundo Tecnológico (BNDES Funtec), no valor de R$ 12,860 milhões, e foi pré-selecionado pela instituição em janeiro. Esse projeto, com previsão de duração de três anos, prevê a construção de um laboratório de 500 metros quadrados na universidade e a compra de diversos equipamentos de pesquisa. Dentro do valor total, a Tecnometal Energia Solar deverá oferecer uma contrapartida de 10% do projeto.
Estão envolvidos na pesquisa o Laboratório de Fusão por Feixe de Elétrons e Tratamentos Termomecânicos, do Departamento de Engenharia de Materiais da Faculdade de Engenharia Mecânica, e o Laboratório de Pesquisas Fotovoltaicas, do Instituto de Física Gleb Wataghin, sob a coordenação dos professores Paulo Roberto Mei e Francisco das Chagas Marques, respectivamente. O projeto está dividido em três etapas: o desenvolvimento do processo de purificação do silício grau metalúrgico (Si-GM), a fabricação de lâminas de silício grau solar (Si-GS) e a fabricação de células solares. Na universidade, as primeiras duas etapas estarão, majoritariamente, sob a responsabilidade da Faculdade de Engenharia Mecânica, enquanto a terceira fase será incumbência do Instituto de Física. Independentemente da aprovação final do BNDES, a Unicamp e a Tecnometal pretendem dar prosseguimento à parceria com o desenvolvimento de projetos a partir de outras fontes de financiamento.
 
"Uma das inovações desse projeto da Unicamp com a Tecnometal é que nós iremos trabalhar em conjunto sob uma condição praticamente única no mundo ao mexer com o silício e a célula imediatamente, provendo uma realimentação de conhecimento entre a empresa e a universidade, com a finalidade de fazermos uma célula nacional, com silício nacional, que possa ser utilizada nesse imenso mercado que teremos", afirmou Bruno Topel, responsável pela área de Tecnologia e Projetos Especiais da Tecnometal Energia Solar, durante o 2º Workshop Inovação para o Estabelecimento do Setor de Energia Solar Fotovoltaica no Brasil (Inova FV), realizado na Unicamp nos dias 13 e 14 de março.
 
Única empresa a produzir no Brasil
 A planta da empresa no interior de São Paulo iniciou a produção de painéis FV em 2011, a partir de células importadas, e conta com uma capacidade instalada de produção anual de 25 MWp, com um índice de nacionalização acima de 60%. Fundada em 1990 em Vespasiano (MG), a Tecnometal produz também equipamentos de grande porte para mineradoras e siderúrgicas. "A Tecnometal Energia Solar está em um processo de reengenharia e pretende ter um processo verticalizado, desde o crescimento do silício, e quem sabe até a etapa de metalurgia, em um prazo de tempo extremamente curto. Isso já está em andamento; tanto é assim que nosso projeto com o professor Mei, que já foi acolhido pelo BNDES, tem etapas sendo adiantadas", explicou Topel. Segundo Mei, quando a Tecnometal começou a produzir as placas FV, a empresa já procurou a Unicamp para desenvolver uma parceria.

Topel foi um dos fundadores da Heliodinâmica, empresa paulista que chegou a deter 6% da produção fotovoltaica mundial em meados da década de 1980, mas que encerrou sua produção em razão da concorrência externa. Durante palestra no 2º Inova FV, Topel considerou a recente chamada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para pesquisa e desenvolvimento em energia solar como um "marco inesquecível na história fotovoltaica brasileira". Publicada em agosto de 2011, a chamada nº 13, intitulada "Arranjos Técnicos e Comerciais para Inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz Energética Brasileira", teve 18 projetos qualificados, somando 24,5 MWp e R$ 400 milhões.
 
Segundo Topel, cinco desses projetos têm a participação da Tecnometal como fornecedora dos sistemas completos. O projeto estratégico, de acordo com a Aneel, compreende pesquisa e desenvolvimento para a geração de novo conhecimento tecnológico, exigindo um esforço coordenado de várias empresas de energia elétrica e entidades executoras. Entre os pré-requisitos do projeto estão a instalação de uma usina solar fotovoltaica conectada direta ou indiretamente por meio de unidades consumidoras à rede de distribuição ou transmissão de energia.
 
Potencial brasileiro
 O Brasil conta com uma das maiores reservas de quartzo do mundo, a principal matéria-prima para a fabricação do silício. Atualmente, seis empresas — quatro delas de capital nacional — produzem no País o Si-GM — material com um grau de pureza de 98,0% a 99,9%. Países como os Estados Unidos importam grandes quantidades de Si-GM, de baixo valor agregado, para exportar silício de grau eletrônico (Si-GE), usado na indústria microeletrônica, com valores até cem vezes maiores. O principal sistema de purificação para fabricação de Si-GE, o chamado Processo Siemens, foi desenvolvido na Alemanha na década de 1950 e atualmente é plenamente utilizado na indústria.
 
Pesquisas em várias partes do mundo buscam novos métodos para reduzir os custos e obter o silício para células solares diretamente do Si-GM, sem a necessidade de se passar pelo processo alemão. Para se fazer células solares, não é preciso um silício com um grau de pureza tão elevado quanto o utilizado na microeletrônica. Além desse tradicional sistema de produção do Si-GE, foi feita uma modificação no Processo Siemens para gerar um Si-GS de uma forma mais barata e rápida, produzindo um material de menor pureza, mas eficiente para a produção de células solares.
 
Rotas alternativas
A busca por processos alternativos para a produção do Si-GS — como por lixiviação, desgaseificação e solidificação controlada — vem sendo tentada desde a década de 1980, mas como a demanda era pequena, não houve interesse na época em se investir nessas pesquisas. "Como a maioria do silício hoje está sendo destinada para o setor fotovoltaico, e ele não requer uma pureza tão grande, as pesquisas estão tentando utilizar o silício grau metalúrgico e tentar desenvolver algum processo que permita utilizá-lo para a produção de células; é o que nós chamamos de silício grau metalúrgico melhorado [Si-GMM]", definiu Mei em entrevista a Inovação Unicamp. De acordo com ele, os requisitos para o emprego desse tipo de silício na fabricação de células são, basicamente, um grau de pureza entre 99% a 99,999% e um nível de eficiência energética de ao menos 10% — que é o percentual de radiação solar aproveitado pelo equipamento.
 
A proposta é testar vários processos associados, entre eles o de fusão de silício no forno de feixe de elétrons "As pesquisas estão buscando baratear o custo do silício porque ele representa 25% do preço do módulo fotovoltaico. Então, se baixarmos o preço do silício, baixaremos o preço do módulo. Como o Processo Siemens está mais ou menos estável no mercado, os pesquisadores estão tentando fazer um processo que gere um silício mais barato, como nós estamos tentando", contou Mei. De acordo com o professor da Unicamp, seu grupo de pesquisa já conseguiu produzir neste ano um Si-GMM com até 13% de eficiência energética, o que comprova a viabilidade técnica do processo. "Nós percebemos que, para melhorar a eficiência, não adianta apenas purificar o silício, pois a eficiência da célula vai depender da pureza do silício, da estrutura cristalina dele, que nós chamamos de qualidade estrutural, e do processamento da célula, que tem que ser um processamento novo, diferente daquele utilizado com silício gerado pelo processo Siemens", destacou Mei.
 
A ideia de Mei é testar vários processos associados, como o de fusão de silício no forno de feixe de elétrons, que já se mostrou bem-sucedido nas pesquisas, além de outras técnicas. A estratégia será estudar as contribuições de cada uma dessas técnicas ao processo de purificação do silício, para posteriormente identificar as mais eficientes e com menor custo, e associá-las em uma nova

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2014---distribuição de renda

Do Globo - 31/03/2012

Millôr: do riso e da amargura

Arnaldo Bloch

 

 Ilustração de André Mello 

 

Não posso falar de Millôr Fernandes como amigo, igual a muitos colegas que estão compondo homenagens, sobretudo aqueles um pouco mais velhos. Ironicamente, aliás, cresci ouvindo cobras e lagartos a seu respeito. Entes próximos e amados diziam que ele era inimigo da família e que chamara publicamente meu tio de “Adolpho Bloch Hitler”. Uma piada eticamente bem arriscada para se fazer com um judeu, ainda mais um judeu russo. Em sua tirania (alternada com humildade extremada) Adolpho estava mais para um híbrido de “Pedro, o Grande” com Aleksei Ivánovitch, o protagonista de “O jogador”, de Dostoievski.

Mas fazer o quê?, ele se chamava Adolpho (adaptação de Avram, seu nome de imigrante), o que dava o mote: como é que Millôr ia perder o trocadilho, ele que era o rei dos jogos de palavras e que, mesmo com os amigos e até nos mais rasgados elogios jamais perdia a oportunidade de espinafrar o próximo?

Além disso, toda semana meu pai trazia o “Pasquim”. Sejamos francos: não havia quem não lesse o Millôr, fruindo do sabor agridoce da admiração temperada de mágoa.

Claro que, à medida que começamos a nos afastar da cartilha estrita da família (quando isso é possível) passamos a fazer um juízo próprio das pessoas, e, no meu caso, este foi se construindo não através da relação pessoal, da inflamação ideológica ou das birras tribais, mas do gosto pela obra. Mal completara 15 anos e, na onda da abertura lenta, gradual e irrestrita e do fim da censura, assisti a “Os órfãos de Jânio” no Teatro dos Quatro.

Chorei com o retrato que Millôr ali fazia das gerações que precederam a minha, cujos feitos, heroicos ou não — fechado que estava no casulo familiar — eu não tinha a mais vaga consciência, a não ser por uns laivos em conversas cifradas com o Cony, um luminar que frequentava a casa.

Chorei também com a “Marcha da Quartafeira de Cinzas”, de Vinicius e Lyra, que coroava o final da peça com a forte melancolia de suas palavras e aquele arrastão em tom menor, afeito às marchas-rancho. Cheio de fôlego juvenil, eu descobria no teatro tudo ao mesmo tempo: Millôr, Vianninha, Brecht, Ionesco. Os originais que xerocava na SBAT eram a minha bíblia de um Brasil desconhecido que mofava nos porões.

Passei a ler tudo de Millôr e em pouco tempo consegui ficar próximo o suficiente (na qualidade de público) para sacar que seu humor, nos cartuns, no frasismo, nos desenhos, no teatro, no anedotário e nas sátiras era crivado por uma forte amargura da qual ninguém, nem ele, escapava. É a mesma amargura que está em sua expressão facial, semítica, aquele tipo de desgosto que ao mesmo tempo parece um sorriso.

Seria judaico se não fosse mouro. Ele mesmo captou esta particularidade fisionômica na sua autocaricatura, transformada em marca pictórica do seu pensamento, dublê gráfico, porta-voz de si mesmo.

Isso é que era bom em Millôr: não se faz omelete sem quebrar ovos. Não se faz diferença apostando no senso comum, no aplauso de todos. Se o veneno existe, ele está espalhado na corrente psicossocial da civilização e precisa ser destilado. Do contrário morreremos todos intoxicados pela mentira a respeito da nobreza de nossas almas e de sermos todos, sempre, bons e ilibados cidadãos.

Os que assumem o papel de purgar o mal comum levam muito chumbo mas, se sobrevivem à linha de tiro, terminam por abrir espaços absolutamente novos, singulares, que, uma vez inaugurados, permanecem, como castelos de uma areia quase imune à arrebentação do mar e resistentes ao tempo e ao vento. Ao passo que os arautos do óbvio-obscuro desaparecem com a primeira brisa.

Só estive com Millôr pessoalmente em princípios dos anos 2000, num único jantar. Uma vez confirmado o encontro, passei momentos de ansiedade, de medo e até de culpa. Na hora H, com vinho e cavaquinha à mesa do hoje extinto Gibo, na Praça General Osório, ele me tratou com extrema cordialidade, mas me sacaneou um bocadinho, o que me honrou.

Contou todo tipo de histórias, sorriu torto várias vezes e riu um riso esganado, gutural, que, por uma arrepiante ironia, lembrou-me o riso “mudo” de Adolpho, que era um choro.

Os olhos de Millôr brilhavam, daquele brilho dos que, escaldados com a tal da amargura, amam a vida só pelo fato de ela existir e de proporcionar a chance de constatar a desgraceira que é.

Passaram-se dez anos deste encontro. Foi a última vez que vi Millôr. Sua partida trouxe o outono, que tem muito da sua aquarela, triste e risonha, com folhas cadentes em tom pastel.


E-mail: arnaldo@oglobo.com.br

 

 

O post de ontem "Os erros no maior estaleiro do Hemisfério Sul, em Pernambuco" começava com uma afirmação de seu autor de que o Estaleiro Atlântico Sul não havia entregue nenhum navio, e que tinha um no deque que "porem tem tais problemas que não pode ser entregue, custou cinco vezes mais do que o previsto e está inclinado, algo tão fatal para um engenheiro como um predio torto".

Coincidentemente, ontem mesmo saiu esta notícia no Jornal do Commércio de Pernambuco (um ex-colega de trabalho recifense me enviou o link por e-mail):

 Navio João Cândido faz a primeira prova de mar

 

Às 8h30 deste sábado, o primeiro petroleiro contruído pelo Estaleiro Atlântico Sul finalmente saiu ao mar, após dois anos de espera


Publicado em 31/03/2012, às 09h57Adriana Guarda

Quatro rebocadores ajudaram na manobraFoto: Bobby Fabisak/JC Imagem

O João Cândido está no mar. O primeiro petroleiro construído em Pernambuco deixou o cais do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) na manhã deste sábado (31) para realizar seu teste de navegação. Pontualmente às 8h30 (hora marcada para o início da manobra), quatro rebocadores encostaram no navio para realizar a operação de desatracação, no Porto de Suape.

Por volta das 9h45, a repetição do apito anunciava a partida da embarcação. A equipe da praticagem movimentou o navio de ré e depois o posicionou para a saída. A despeito de todos os problemas enfrentados na sua construção, a despedida do João Cândido foi um momento de emoção para a diretoria do empreendimento, funcionários, Transpetro (dona do suezmax) e fornecedores.

O presidente do EAS, Agostinho Serafim Filho, parabenizou os tripulantes e desejou que a operação seja conduzida com maestria. "Se Deus quiser vai dar tudo certo e vamos esperar vocês aqui com um frevo", disse aos embarcados. A embarcação saiu com 120 tripulantes a bordo, entre funcionários, representantes do armador (a Transpetro) e dos fabricantes dos diversos equipamentos que compõem o navi, além de fiscais da sociedade classificadora American Bureau Of Shipping (ABS).

O João Cândido vai passar três dias fundeado (atracado) a quatro milhas ( sete quilômetros) da costa pernambucana para realizar os primeiros testes e depois seguirá para a costa de Natal e de Maceió. Em mar aberto vai realizar testes de velocidade, consumo de combustível, leme, zigue-zaque e raio de giro. A previsão é que o navio volte para o estaleiro na terça-feira, dia 10 de abril. No retorno serão realizados os ajustes finais para ser entregue à Transpetro (compradora do petroleiro).

A expectativa em relação à prova de mar é porque o João Cândido enfrentou uma série de dificuldades de execução. A embarcação começou a ser construída há três anos e seis meses, com o corte da primeira chapa de aço, em setembro de 2008. Há quase dois anos foi lançada ao mar, numa solenidade de contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7 de maio de 2010. No evento, a previsão era que o navio fosse entregue em setembro do mesmo ano, mas ele será incorporado à frota da Transpetro com dois anos de atraso, provavelmente em maio.

 

 

Lembrei de comentario que deu o que falar por aqui esta semana:

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2012/0...

 

Otavinho caprichou na manchete (página inteira) de 1º de abril. Nem os críticos mais severos do jornal seriam tão criativos na confissão.

 

 

FSP - 01/04/2012

Em sete dias, senador passa de 'intocável' a suspeito de corrupção

Voz veemente da oposição, Demóstenes agora precisa de apoio dos que criticou para evitar perda de mandato

Democrata teve papel de destaque durante crise de 2009, mesmo ano em que trocava ligações com Cachoeira

CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA

"Realmente, os políticos estão perdendo a vergonha na cara." O protesto é de Demóstenes Torres (DEM-GO). O ano: 2007. O alvo, o colega Renan Calheiros (PMDB-AL).

No papel de vestal do Senado, Demóstenes foi uma das mais veementes vozes da oposição e colecionou desafetos em 9 anos e meio de mandato. Um deles é o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

"Por que nós vamos, nós do Senado, ficar nessa posição efetivamente quase que de pedintes? Estamos solicitando ao presidente que se afaste", discursou Demóstenes, propondo abertura de processo contra Sarney.

Demóstenes não poupou nem mesmo os aliados. Em 2009, bateu boca com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, então companheiro de partido, por discordar da fixação de prazo de uma semana antes de sua expulsão do DEM.

À saída da reunião, constrangeu correligionários ao manifestar-se publicamente contra a decisão do comando do partido: "Defendo sempre a expulsão sumária".

Em nome de uma oposição mais aguerrida, trabalhou para destituir o presidente da sigla, Agripino Maia (RN), da liderança do DEM no Senado. Ocupou sua vaga.

A revelação do relacionamento com o empresário Carlos Cachoeira, acusado de envolvimento com o jogo ilegal, estilhaçou essa imagem.

'DOUTOR' E 'PROFESSOR'

De "intocável" a suspeito de corrupção, bastaram sete dias. Foi chamado de "doutor" por Cachoeira em conversar gravadas pela Polícia Federal. E se refere ao empresário como "professor".

Em 29 de fevereiro, foi deflagrada a Operação Monte Carlo, trazendo à tona o teor de suas conversas com Cachoeira. Alvo de investigação, desabafou: "O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar", escreveu em seu Twitter, em 23 de março.

Hoje, é Demóstenes quem pede tempo ao DEM. O comando do partido está decidido a expulsá-lo na terça caso ele mesmo não tome a iniciativa. Seu destino político dependerá da boa vontade de Renan, Sarney e Agripino.

Demóstenes chegou ao Senado em 2003, graças ao discurso de "tolerância zero" adotado à frente da Secretaria de Segurança de Goiás.

Prometia, na campanha eleitoral, acelerar o rito do Judiciário. Dizia, segundo políticos do Estado, que o tempo do processo para apreensão de um caminhão de maconha é suficiente para que toda a droga seja consumida.

Procurador de Justiça licenciado, professor e advogado, ganhou notoriedade às custas do estilo linha-dura nas Comissões Parlamentares e Inquérito e no plenário.

Cresceu especialmente em 2009, ano marcado por turbulências no Senado. No mesmo ano, trocava os telefonemas com Cachoeira que podem levar à sua derrocada.

Todo ano, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, órgão dos sindicatos que acompanha o trabalho dos parlamentares federais, tem escolhido Demóstenes como um dos "Cabeças do Congresso".

Colecionador compulsivo, guarda vinis, miniaturas, CDs e charges ampliadas de um heroico Demóstenes, expostas em seu gabinete.

 

"Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e plantas roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema e viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir". Cora Coralina

Da Carta Capital - 29/03/2012

 

Millôr Fernandes

A imprensa brasileira sempre foi canalha

Sergio Lirio

 


Millôr Fernandes em 2006. Jornalista, escritor, dramaturgo, tradutor e chargista, foi um dos principais nomes da imprensa brasileira do século XX. Foto: Ricardo Moraes/Folhapress

 

Para os jornalistas cínicos que adoram citar a frase de Millôr Fernandes (“jornalismo é de oposição, o resto é armazém de secos e molhados”) sem contextualizá-la ou refletir a respeito (prometo desenvolver o tema em um artigo a ser publicado brevemente), reproduzo trechos da avaliação do próprio sobre a mídia brasileira. Constam de um entrevista posteriormente publicada em livro:

“A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime”.

 

 

 

Da Carta Capital - 28/03/2012

 ‘Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois

Escrever sobre Millôr Fernandes não é tarefa fácil. Escritor ou jornalista? Chargista ou humorista? Tradutor ou dramaturgo? São muitas as facetas. Mas escolher as melhores frases e pensatas feitas pelo guru do Méier, como ele se definia, talvez seja a missão mais inglória – e isso serve de aviso para os candidatos a biógrafos do artista.

Em seu site oficial, hospedado no portal UOL, Millôr contava sua vida de modo seco, entre o cômico e o azedo. Até para narrar o episódio da morte da mãe, quando só tinha dez anos: “Sozinho no mundo tive a sensação da injustiça da vida e concluí que Deus em absoluto não existia”.Millôr inventou, além do frescobol (que jurava ser cria dele), frases curtas, certeiras e inesquecíveis – isso num tempo em que Twitter era só pio de passarinho (em inglês).

Para homenagear o autor, CartaCapital selecionou algumas das mais famosas frases escritas pelo artista morto na terça-feira 27, aos 88 anos (leia mais AQUI). Mas lembre-se: é só aperitivo. Millôr, definitivamente, não é definitivo.

 

 

POLÍTICA

Faço questão que o ministro brasileiro me batize nas águas do Rio Jordão, em Israel. Cada um tem o São João Batista que merece

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Pra acabar com o desemprego, o Planalto tem que, primeiro, acabar com o desentrabalho

Quem se curva diante dos opressores mostra o traseiro para os oprimidos

Enquanto o Lula só fala no futuro, nós aqui repetimos: o Brasil tem um gigantesco passado pela frente

O Brasil é um filme pornô com trilha de Bossa Nova

De todos os países do mundo, o Brasil é o mais rico em pobres

 

HUMANIDADE

O homem é um animal inviável

Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade

A Justiça é um sistema de leis legalizando a injustiça

Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem

O homem é o único animal que ri

Às vezes você está discutindo com um imbecil… e ele também.

Quem avisa é fofoqueiro

Não há canalhas nos cemitérios

 

ECONOMIA

O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda

Quando acabarmos de comer o queijo vamos distribuir ao povo todos os buracos

Banqueiro que tem escrúpulos em ganhar dinheiro de qualquer maneira é um traidor da classe

Nunca tantos deveram tanto a tão porcos

O Balanço é uma mentira contábil

Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro

 

CIÊNCIA E RELIGIÃO

Está bem que você acredite em Deus. Mas vai armado

Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada

Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido milagre

Fobia é um medo com PhD

Especialista é o que só não ignora uma coisa

 

SEXO

Na casa do vizinho sempre sobra excitação

De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência

Sensualidade é aquilo que antigamente havia no ato sexual

Uma casa fechada é uma casa aberta a todas as práticas

A promiscuidade só existe quando uma mulher – homem não! – perde a conta do número de homens com quem esteve

Antes de Freud o sexo era um pecado maravilhoso. Agora é um enrolo tedioso

 

MEIO AMBIENTE

Preservar a Amazônia é mole. É só, antes, reflorestar a cabeça dos madeireiros.

 

FILOSOFIA DE VIDA

A alma enruga antes da pele

O otimista não sabe o que o espera

Nunca deixe pra amanhã o que pode deixar hoje

Em dúvida, blefe

Metafísico é o sujeito que demonstra a existência de uma coisa que não existe

 

CULTURA

Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado

Antigamente os animais falavam. Hoje escrevem

Ontem, ontem tinha agá, hoje não tem. Hoje ontem tinha agá e hoje, como ontem, também tem

 

GEOGRAFIA

No Brasil o sol nasce pra todos. A chuva, só pro sul do país

Na alta do mar até rio afoga

 

TECNOLOGIA

O relógio é um aparelho movido a infinito

Internet. Aberta pro mundo, alheia ao que a faz.

Meu primeiro computador: um XT a vapor, considerado por muitos uma extraordinária peça de ficção científica

Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto

A televisão é uma maravilha tequinológica (sic) que levou ao extremo o barateamento da popularidade

Três coisas que derrotam os computadores: estrelas no céu, grão de areia na praia, idiotas no mundo

 

GASTRONOMIA

Abacate, com açúcar, é considerado a fruta mais doce do Brasil

O ovo frito de hoje anula o galeto de amanhã

 

VIDA E MORTE

Nenhum humorista atira pra matar

A juventude é mais bonita quando o cara fica velho

Sempre me achei um homem totalmente livre; mas ontem um guarda me convenceu do contrário

Depois de morrer meus descendentes poderão dizer com orgulho: “Ele não fez nada que merecesse a Ordem do Mérito!”

Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho

Todo homem nasce original e morre plágio

Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois

De madrugada esta minha avenida, tão comprida, desemboca no além

 

O mestre Mino Carta compara o panorama cultural do Brasil de sua juventude com o de agora. É de chorar.

"Os pensadores agora atendem pelo sobrenome de Magnoli ou Mainardi, e já foram Gilberto Freire, Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Hollanda."    Mino Carta

Seria possível continuar com comparações ainda mais assustadoras: os proprietários na imprensa já foram Samuel Weiner. Hoje atendem pelo nome de Roberto Civita.


Da Carta Capital - 04/04/201

 

Heróis de um Brasil perdido

Mino Carta


Foto: Ricardo Chaves/AE

 Quando cheguei ao Brasil, agosto de 1946, a revista semanal chamava-se O Cruzeiro, da frota dos Diários Associados do almirante Chatô. Tratava-se de uma publicação provinciana na forma e no conteúdo, mas algumas de suas páginas nada tinham de provinciano. Aquelas ilustradas por uma equipe de excelentes fotógrafos, entre os quais se destacava Jean Manzon. Outra, sorrateiramente ocupada pelo Amigo da Onça, a maligna criatura do humorista Péricles. E as duas entregues ao “Pif-Paf” de Millôr Fernandes encantariam Saul Steinberg, honrariam a melhor New Yorker.

Encantaram também a família Carta, que se passou à disputa acirrada do exemplar do Cruzeiro, da sala aos aposentos. Mas quem era este Millôr? Descobrimos um jovem de 23 anos, capaz de um humor que não desdenhava desatar o riso, embora, com naturalidade, fizesse pensar. De resto “livre pensar é só pensar”. Não é mesmo?

Dez anos depois fui para a Itália e lá fiquei por mais de três. De regresso a São Paulo no começo da década de 60, capturou-me no vídeo um comediante de 30 anos chamado Chico Anysio, capaz de encarnar dezenas de personagens que faziam rir sem deixar de convocar a inteligência dos espectadores. Millôr e Chico, talentos extremos, morreram nos últimos dias, depois de vidas bem vividas a bem da graça e da leveza, na sua função de elevar o espírito, sem descurar da consistência e da densidade. Ambos produziram muito e sem tropeços, aprumados e certeiros.

Conheci os dois, com Chico estive ralas vezes, de Millôr fui bom amigo e com ele cheguei a trabalhar. Não é disso, porém, que pretendo falar agora, e sim de como as duas figuras são representativas de um Brasil perdido. Entre o imediato pós-guerra e o golpe de 1964. O Brasil do futuro que nunca chegou.


Foto: Dario de Dominicis

Estranho o destino dos tempos. O futuro de então queria ser moderno sem manias de grandeza, desenvolvido na medida justa, contemporâneo culturalmente, equilibrado socialmente, habilitado a explorar em seu proveito os humores populares ampliando-lhes os alcances e a dar guarida digna aos seus talentos. Independente porque livre de qualquer gênero de colonização.

Hoje há quem enxergue novamente o Brasil como país do futuro, este, porém, não é aquele. Sonha-se é com a potência pela força da economia, a despeito das abissais disparidades internas ou da condição de exportador de commodities, sem falar das lacunas culturais. Há 60 anos o papel entregue à generosidade da natureza era bem diferente em relação ao atual. Cogitava-se explorá-la, a natureza, no quadro de um projeto muito amplo. Era o tempo da campanha do “petróleo é nosso”, com todas suas implicações. Nestes dias atuais a natureza é protagonista absoluta enquanto o neoliberalismo, resistente impávido, gera felizes fabricantes de dinheiro. Sobra a convicção de que o Brasil progride por conta própria à revelia dos homens.

Até o tempo conjugado no futuro está exposto a mudanças brutais. Tínhamos Chico Anysio, temos o Big Brother. Tínhamos Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Erico Verissimo, Jorge Amado, temos Paulo Coelho. Sim, a saudade daquele menino chegado aos 12 há 66 anos proporciona certas decepcionantes constatações. Tudo quanto a realidade do Brasil da minha adolescência e de minha juventude prometia foi miseravelmente descumprido.

Penso em um país cuja arquitetura era referência mundial e hoje se inspira em Gotham City, a cidade de Batman e Robin. Às vezes, parece-me surpreendê-los a sobrevoar em São Paulo a área da Avenida Berrini. Os pensadores agora atendem pelo sobrenome de Magnoli ou Mainardi, e já foram Gilberto Freire, Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Hollanda. Ao sair do curso noturno da Faculdade do Largo de São Francisco comprava a  Última Hora e no bonde, de volta para casa, lia Nelson Rodrigues, com sua A Vida como Ela É, como anos após leria Stanislaw Ponte Preta a falar do Febeapá, o festival de besteiras que assola o país. Motorneiro, cobrador e os escassos passageiros surpreendiam-se com minhas gargalhadas.

Estava alegre e tinha razões para tanto. A marchinha de carnaval recomendava tirar o anel de doutor na hora da folia, “para não dar o que falar” ao passo que o samba via a lua “furando o nosso zinco”, a salpicar “de estrelas nosso chão”. E tu? “Tu pisavas os astros, distraída.”

Já não se fazem a alegria e a melancolia de antigamente, diria Millôr. A energia criativa, a santa ironia. À espera, então, de um futuro feliz para todos.

 

Crackers quebram banco de dados da Veja digital

Se isso for verdade, a revista só tem 1004 leitores -- a maior parte deles, da própria Editora Abril:

http://pastehtml.com/view/bt4jifzcq.txt

 

Uma pequena seleção de artigos da Veja sobre Demóstenes Torres... até o final de 2011:

 

  1. A CORAGEM DE DEMÓSTENES: Por uma direita democrática, por ... veja.abril.com.br/.../a-coragem-de-demostenes-por... - Translate this page4 Jun 2011 - O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, concede uma excelente entrevista a Gustavo Ribeiro, nas Páginas Amarelas da VEJA desta semana. Admiro ...
  2. Demóstenes e os absurdos da lei | Radar on-line - Lauro Jardim ... veja.abril.com.br/.../demostenes-e-os-absurdos-da-... - Translate this page28 Sep 2011 - Um dos indignados com o texto da Lei Geral da Copa, Demóstenes Torres arrancou gargalhadas dos colegas ao citar artigo da lei que garante a entrada de...
  3. Demóstenes presidente? | Maquiavel - Política - VEJA.com veja.abril.com.br/blog/.../demostenes-presidente/ - Translate this page12 Sep 2011 - Uma ala do DEM defende a tese de que o partido já deve começar a expor seus potenciais candidatos à Presidência em 2014. O objetivo é popularizar os.
  4. Demóstenes: onde o corporativismo vai, a toga vai atrás | Radar on ... veja.abril.com.br/.../demostenes-onde-o-corporativ... - Translate this page3 Oct 2011 - Provocou reações imediatas a entrevista de Cezar Peluso à Folha de S.Paulo na qual ironiza o convite do Senado para debater com Eliana Calmon a ...
  5. “Estamos acolhendo um bandido”, protesta o senador Demóstenes ... veja.abril.com.br/.../estamos-acolhendo-um-bandi... - Translate this page9 Jun 2011 - Amigos, assistam ao discurso do senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM no Senado, protestando contra a decisão do STF que decidiu não extraditar ...
  6. DEMÓSTENES CRITICA O MEGALONANICO EM DISCURSO NO ... veja.abril.com.br/.../demostenes-critica-o-megalon... - Translate this page24 Sep 2009 - O texto que segue é da Agência Senado. Em seu discurso, protestando contra a atuação do Brasil na crise de Honduras, o senador Demóstenes Torres ...
  7. Demóstenes faz o certo e apresenta PEC que garante competência ... veja.abril.com.br/.../demostenes-faz-o-certo-e-apre... - Translate this page28 Sep 2011 - O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tomou uma decisão que remete àquele Demóstenes que estou acostumado a admirar: apresentou uma Proposta de ...
  8. Demóstenes anuncia que DEM pedirá impeachment do governador ... veja.abril.com.br/.../demostenes-anuncia-que-dem-... - Translate this page4 Nov 2011 - O partido Democratas (DEM) deverá apresentar, na próxima semana, pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).
  9. Demóstenes: se o Bolsa Família foi mesmo um sucesso, já deveria ... veja.abril.com.br/.../demostenes-se-o-bolsa-familia... - Translate this page19 Aug 2011 - Amigos, acho difícil discordar de recente declaração do senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM no Senado: -- Se o Bolsa Família foi mesmo um.
  10. Demóstenes 2014 | Radar on-line - Lauro Jardim - VEJA.com veja.abril.com.br/.../agripino-no-comando-dem-de... - Translate this page6 Dec 2011 - A Convenção Nacional do DEM reconduziu nesta manhã José Agripino Maia ao comando do partido por mais três anos e indicou Demóstenes Torres para ser...

    1. Dirceu na área 3 - Demóstenes mobiliza partidos de oposição para ... veja.abril.com.br/.../dirceu-na-area-3-demostenes-... - Translate this page9 May 2011 - No Globo: Os líderes da oposição no Senado querem ouvir os empresários Fernando Cavendish, presidente da Delta Construções, e os ex-donos da Sigma.
    2.  
 

Líbia diz que 147 morreram após semana de confrontos tribais

TRÍPOLI, 31 de março (Reuters) - Uma semana de combates entre tribos rivais no sul da Líbia mataram pelo menos 147 pessoas, informou o governo no sábado, que também disse ter negociado um novo acordo para um cessar-fogo entre os dois lados.

Os confrontos na cidade de Sabha foram entre integrantes do grupo étnico Tibu, muitos dos quais são originalmente do vizinho Chade, e milícias locais de Sabha.

Os confrontos enfatizam a fragilidade da capacidade de controle do governo da Líbia, mais de seis meses depois que uma revolução acabou com o domínio de Muammar Gaddafi, assim como a volatilidade de um país inundado de armas que sobraram da rebelião.

A ministra da saúde, Fatima al-Hamroush disse no sábado que 147 pessoas morreram e 395 foram feridas, desde que os confrontos começaram, há uma semana.

Ela disse que o governo enviou vinte carros lotados de materiais médicos para a região de Sabha e que tinha transportado 187 pessoas de ambos os lados dos confrontos, para Trípoli, para que recebessem atendimento médico.

O primeiro-ministro interino, Abdurrahim El-Keib disse aos repórteres que uma trégua estava em vigor agora. O governo já havia anunciado outras tréguas anteriormente nos últimos dias, mas elas foram interrompidas.

O primeiro-ministro disse que uma delegação, incluindo os ministros de interior, da defesa e da saúde, viajou para Sabha na última semana para negociar um acordo de paz.

"Estamos aflitos pelo sul e lamentamos que os confrontos tenham chegado a esse ponto," disse El-Keib. "O governo está trabalhando para resolver o problema. Chegamos a um acordo para um cessar-fogo."

Existem tensões históricas no sul da Líbia, entre as tribos que se consideram como sendo nativas do país e outras, como a Tibu - que muitos líbios árabes vêem como forasteiros com raízes em outras partes da África.

O Conselho de Transição Nacional (NTC) que está no poder, ainda luta para afirmar sua autoridade em todo país, onde as milícias rivais e grupos tribais lutam pelo poder e por recursos, depois da queda de Gaddafi.

No mês passado, dezenas de pessoas morreram durante dias de confrontos entre tribos na província de Al Kufra. As forças armadas acabaram intervindo para parar os confrontos, num raro exemplo do governo de Trípoli de impor sua autoridade.

Integrantes do grupo étnico Tibu também estavam envolvidos nos confrontos em Kufra.

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE82U04320120331?sp=true

 

É essencial compreender o caráter peculiar da Líbia e, consequentemente, o estrago incrível perpetrado pelas potências ocidentais, em virtude de sua ganância, arrogância e ignorância. 

Diferentemente dos outros paises do Magrheb e do próprio Egito, a Líbia é um país do deserto, cuja sociedade é basicamente beduina, portanto estruturada em clãs mutuamente rivais.

A sociedade urbana moderna é praticamente inexistente, o que existe foi criado pelas modernizações promovidas pelo Gadafi (adotemos essa grafia simplificada). Mas absolutamente minoritária, seus anseios não representam uma parcela infima do povo líbio.

Esse é majoritariamente desagregado e preso à cultura e morais beduinos, de fidelidade absoluta ao clã e inimizade sistêmica para com outros clãs.

A revolução verde de Gadafi visava, originalmente, implantar no país os principios do pan-arabismo de Nasser. Para desgraça da Líbia, essa revolução veio tarde demais, na era da morte do grande arquiteto da defesa moderna, portanto não fundamentalista, da cultura árabe.

O sucessor de Nasser, como sabemos, foi comprado pelo imperialismo americano e por Israel, depois de uma vitória parcial na Guerra do Yom Kippur. Deu-se o inicio do desmantelamento da estratégia nasseriana do socialismo árabe, e da criação da República Árabe Unida. 

Os lideres desse movimento, que chegou abranger o próprio Egito, a Síria e o Iraque, ficaram isolados em suas nações, e tiveram de construir sua sobrevivência em regimes ditatoriais.

Mas voltemos à Líbia: inicialmente, Gadafi tentou assumir a liderança do movimento modernizador, modernizando as estruturas produtivas e sociais na própria Líbia, mas tentando superar os limites de seu país culturalmente atrasado, propondo fusões a seus vizinhos. Essas foram torpedeadas sistematicamente. Continuou a sua linha internacionalista, apoiando as guerras de libertação palestina e outros movimentos de libertação anti-imperialista.

O episódio de Lockerbie e o isolamento insustentável a que o país ficou condenado levaram Gadafi a alterar radicalmente sua estratégia, abandonando a linha internacionalista. A partir daí, investiu na modernização do próprio país, mas tentando restabelecer uma convivência mínima com as potências imperialistas, mesmo à custa de uma capitulação humilhante  na questão Lockerbie.

Tendo em vista o atraso ainda vasto da sociedade da líbia, viu que a única maneira de manter o país coeso foi a de representar o grande monarca dos clãs, pacificando as rixas e investindo na modernização da economia. 

A pompa da corte, as vestimentas e palácios podem aparecer ridículos à sociedade ocidental, mas era a forma como conseguiu manter a unidade, seguindo aliás a receita de Luis XIV, que criara Versailles, o ceremonial absolutista e o desenvolvimento  mercantilista exatamente para enfrentar os movimentos particularistas dos senhores feudais e as revoltas da burguesia.

Mesmo procurando manter uma co-existência civilizada e até meio servil às potências européias, nunca foi assimilado pelas mesmas, a despeito de alguns serviços sujos de inteligência e fomento de negócios desses países. Mas mantinha uma política de desenvolvimento nacional independente demais para o gosto do imperialismo econômico, político e militar.  

Portanto, com a "primavera árabe" (expressão essa de significado cada vez mais ambíguo e duvidoso), veio a oportunidade de ouro de derrubar Gadafi e submeter incondicionalmente o país aos interesses das grandes empresas petrolíferas. Criou-se o mito dos "rebeldes contra a ditadura", um grupo pertencente a absolutamente minoritária sociedade urbana "cosmopolitizada", mas que de maneira nenhuma representava os anseios de uma sociedade ainda tribal e esfacelada.

Comprando uma ou outra tribo e contando com as ações militares das potências ocidentais, essa elite comprada promoveu uma sangrenta e irresponsável guerra civil, debitando os estragos e as vítimas na culpa de Gadafi, até  esse ser massacrado da forma mais indigna possível.

O que acontece agora é mais do que previsível: uma vez rapidamente distribuída as riquezas do país às potências imperialista, a sociedade se esfacela rapidamente. O país deixou de possuir uma liderança capaz de unir os clãs, que voltaram à guerra tribal. 

A ignorância absoluta do Ocidente, aliado à falta de moral, ao egoismo e violência militar (que tenta repetir na Síria) está provocando uma somalização desse país tão difícil e complexo. 

A imprensa internacional, que vendeu a intervenção estrangeira como movimento de democratização, foi obviamente cúmplice desse crime. 

Como fervoroso defensor da democracia, sou fervoroso defensor da democracia. Portanto, não simpatizava com Gadafi, como não simpatizo com Assad e o regime dos aiatolás. O mesmo vale para os emirados totalitários da península árabe, onde a mulher não pode nem dirigir carro.

Entretanto, a democracia não se resume ao estabelecimento de algumas regras formais e a procedimentos eleitorais. É um processo de construção histórica da própria sociedade. E sem reforçar a sociedade civil de nada valem leis e eleições. 

Portanto, esses regimes têm de ser avaliados tendo por pano de fundo a evolução das próprias sociedades e do desenvolvimento de sua capacidade de se estruturar para assegurar a plena aplicação das liberdades democráticas, por conseguinte de uma vigorosa sociedade civil para além do Estado.

Cabe ao próprio povo decidir a hora de acabar com regimes tornados obsoletos em função da evolução histórica da sociedade.

A "exportação da democracia" promovida pelos Estados Unidos só vem produzindo ditadores curruptos e guerras internas cada vez mais sangrentas, que levarão ao poder fundamentalistas ainda mais retrógados. Prova disso é que os próprios cristãos do Iraque admitem que sob Saddham Hussein, que reconhecem ter sido uma ditadura horrível, eles viviam melhor do que hoje, onde estão sendo massacrados pelos xiitas que os EUA levaram ao poder. 

Por sua vez, as lideranças imperialistas e sua imprensa cada vez mais caninamente fiel não possuem nenhum grão de moral e credibilidade para julgar regimes ditatoriais nessas sociedades tão diversas das européias, até porque continuam apoiando outras ditaduras tão ou mais despóticas. Portanto, saindo da boca dessas forças, direitos humanos viraram mero argumento oportunístico e seletivo para justificar intervenções bélicas e uma  mercadoria mediática podre. 

 

 

 

Joaquim Aragão

BRICs, nova moeda global

Os países emergentes cairam na real, ou no real?

Descobriram, no compasso da bancarrota financeira global, que as moedas dos países ricos estão apodrecendo, quanto mais os governos deles, para se salvarem dos incêndios monetários, jogam mais lenha na fogueira, ou seja, mais moeda em circulação.

Qualquer vendedor de banana, na feira, sabe da jogada.

Quanto mais banana e menos consumidor do produto, altamente, perecível, mais aumenta o risco do apodrecimento.

Segue a isso, claro, derrubadas violentas no preço da banana.

O mesmo está acontecendo com as moedas.

A China está abarrotada de moeda americana, porque acumulou muito saldo de exportações, enquanto deixou sua moeda amarrada às verdinhas de Tio Sam, sustentando câmbio desvalorizado, ao lado da política de atrair empresas americanas para território chinês a partir do qual os americanos passaram a exportar para os próprios americanos e, também, europeus.

Inteligentes esses chineses?

E se todos os demais povos fizessem o que os chineses fizeram, ou seja, amarrassem suas moedas às verdinhas podres de Tio Sam?

Bancarrota do mercado

O problema dos Estados Unidos, portanto, é a perda do mercado.

Como diz o empresário Sebastião Gomes, da Indústria de Adubos Fertivita, o empresário pode perder tudo, menos o mercado.

Perdeu dinheiro?

Ganha-se ele de novo.

Mas, mercado, perdeu, dançou.

Na crise, agora, para tentar reaver o mercado, no ambiente deflacionário global, em que as mercadorias caem de preço, junto com a oferta de emprego, configurando catástrofe, os países ricos, especialmente, Estados Unidos e Europa, jogam, adoidado, moeda na circulação, na tentativa de reanimar suas economias.

Essa reanimação, aparente e contraditoriamente, tem recuperado o valor relativo do dólar e do euro, mas, essencialmente, como avisam os economistas sérios, trata-se de algo, meramente, episódico.

Por que?

Jogo ideológico imperial

Os governos não podem enxugar parte da oferta monetária com juros positivos, a fim de evitar enchente inflacionária, porque sua capacidade de endividamento, como forma de sustentação da reprodução ampliada do capital especulativo, esgotou-se, completamente.

Tentam, então, bancar situação insustentável, exportando moeda podre para outros mercados.

Ora, essa exportação monetária é pura inflação ambulante da qual os emergentes estão fugindo desesperadamente, porque não suportarão engolir a crise dos outros, ou seja, dos ricos.

Tentarão, evidentemente, preservar suas moedas.

A forma de fazê-la, ao que tudo está indicando, é a de adotarem uma política de união monetária na periferia, como alternativa ao enfrentamento da destruição monetária em curso nos países capitalistas cêntricos.

Bancocracia quer destruir BNDES

Os banqueiros e os seus filhotes, ou seja, os economistas neoliberais, como se viu na entrevista no Globo News Painel, nesse domingo, comandado por William Waack, cuidam de dizer que não existe tsunami monetário, como disse a presidenta Dilma Rousseff, para caracterizar a questão central da crise mundial.

Para eles, que tomam partido do capital, claro, o negócio é o governo cortar gasto, para formar poupança interna, a fim de evitar as tensões decorrentes das pressões inflacionárias que os gastos governamentais provocam.

E que gastos são esses?

Alexandre Swartsmam – consultor da bancocracia – , ex- Itaú, ex- ABN Amro Real, ex-BC, ex-Santander, demitido deste por sustentar bate-boca com o ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, deixou escapulir na Globo: são os R$ 300 bilhões que o tesouro nacional libera para o BNDES emprestar para os setores produtivos.

Deficit, que deficit?

Ora, os empréstimos à produção são deficit?

Não terão retorno, e tal retorno não se traduzirá em aumento da oferta que eleva emprego, renda, consumo, arrecadação e mais investimento?

Os banqueiros estão inconformadíssimos com a estratégia econômica nacionalista ora em prática no Brasil, desde o momento em que o presidente Lula decidiu colocar os bancos estatais para puxar a demanda global, em plena crise mundial, diante do fato de que os bancos privados recusaram a ajudar o país, naquela hora, preferindo jogar especulativamente nos títulos públicos, em vez de acreditarem na produção.

Agora, que a ação financeira estatal se mostra acertada, tornando o Brasil alvo dos investidores internacionais, os banqueiros e seus assessores que frequentam a grande mídia, com assiduidade impressionante, como se fossem os únicos a saberem das coisas, reclamam que o deficit público aumenta por conta do tesouro liberar recursos para os bancos estatais.

Mercado forte valoriza real

O real está valorizado porque, entre outras coisas, a política economica nacionalista fortaleceu o mercado interno, que se torna atrativo às moedas internacionais, ameaçadas pela taxa de juro negativa em vigor nos países ricos, como alternativa dos governos para calotearem suas dívidas internas impagáveis.

Certamente, o juro brasileiro, também, é muito alto, por conta de dominação política da bancocracia, no comando do estado nacional, desde  o Consenso de Washington, no início da Nova República, responsável por criar um presidencialismo de coalizão que sustenta elites políticas conservadoras, resistentes às reformas econômicas e políticas destinadas a democratizar o poder nacional.

Se deixar por conta dos banqueiros, Dilma Rousseff ficaria de braços cruzados, sem reagir ao massacre cambial imperialista, para que a dívida pública implodisse e eles acabassem de vez tomando conta do tesouro nacional, bloqueando toda e qualquer possibilidade de transferência de recursos para as agências financeiras estatais, de modo a incrementar os investimentos na produção.

Ora, os servidores da bancocracia são mais realistas que o rei.

Tio Sam em pânico

O Banco Central dos Estados Unidos acaba de alertar o governo para o perigo da expansão monetária, sem limite, em curso, tanto na America, como na Europa, pois, evidentemente, a continuidade desse processo suicida leva à hiperinflação exponencial.

Mas, Schwartsman , como se não tivesse acontecendo nada, descarta que o tsunami monetário não existe, é uma ficção dilmista e que a jogada monetária de Washington está recuperando a força do dólar, bem como a enxurrada de euro, está recuperando a moeda européia.

Incrível!

Não apenas está havendo guerra monetária global, mas, igualmente, guerra ideológica global, com a tentativa dos neoliberais, alojados nos bancos, cuidando de criar argumentos favoráveis à continuidade das políticas imperialistas que visam, agora, dominar o resto do mundo com moeda podre.

Terceira guerra mundial

Por essa razão, certa está Dilma Rousseff e os líderes dos BRICs, dispostos a criar o Banco dos BRICs e, consequentemente, por meio dele, reciclar a moeda podre, de modo a financiar, com uma nova moeda – ou com as moedas dos países integrantes desse bloco – , as relações de trocas, escanteando o dólar e o euro, de forma paulatina.

O jogo é de poder global, minha gente.

A titular do Planalto bateu na mosca ao dizer que nem o Banco Mundial nem o BID, dominado pelos Estados Unidos, têm condições de exercitar o papel que desempenharam ao longo do período posterior à segunda guerra mundial.

Agora, esses dois bancos, certamente, cuidam de tentar desovar moeda podre americana na periferia do capitalismo, a fim de evitar maiores estragos na economia americana, abarrotada de dólar, candidato à hiperinflação.

http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=7781

 

Como se diz, a imprensa não tem opinião, só escreve o que lhe pagam para divulgar. Pura propaganda de interesses dos banqueiros privados.

 

Caso Veja-Cachoeira testa fronteiras do jornalismo
“O Policarpo nunca vai ser nosso”, texto da atual edição de Veja, aumenta rol de dúvidas sobre interação entre publicação e contraventor; com senador Demóstenes como seu braço político, a revista seria sua mão editorial?; na Inglaterra, suspeitas de relações desvirtuadas com a polícia levaram o patrão Rupert Murdoch a se explicar no parlamento; aqui, pode acontecer o mesmo com Roberto Civita, dono da Abril, pelo longo flerte com o bicheiro?

31 de Março de 2012 às 20:50

247 – Estão faltando peças no tabuleiro das relações entre a revista Veja, a de maior circulação do Brasil em papel, e a do contraventor preso pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Precisamente, cerca de 200 peças, equivalentes ao número de ligações telefônicas grampeadas legalmente pela PF entre o editor-chefe e diretor da sucursal de Brasília da publicação, Policarpo Junior, e Carlinhos Cachoeira. Nelas se poderá verificar o verdadeiro padrão do relacionamento entre o jornalista e sua fonte. Haveria só perguntas e respostas entre eles ou algum jogo de ataques e defesas editoriais, aprimorado ao longo do tempo, no interesse comum de Veja e do contraventor? Ou, ainda, ora do interesse de Veja, ora do interesse do contraventor?

Interrogações deste mesmo tipo, mas sobre outros personagens, com outra nomenclatura, foram feitas na Inglaterra, no ano passado, durante os acontecimentos em torno do escândalo News Corp. O caso resultou no fechamento do centenário tablóide sensacionalista News of the World, cujos jornalistas atuavam em associação direta com a polícia investigativa do país – a Scotland Yard --, para a qual distribuíam dinheiro em troca de informações em primeira mão. O caso começou na redação, apanhou em cheio a editora executiva Rebekah Brooks, mas recaiu mesmo sobre o colo do patrão Rupert Murdoch. Ele se viu obrigado a ir ao parlamento do país pedir desculpas, tentar se explicar e, por fim, anunciar o sepultamento de sua publicação.

Aqui, no caso Veja-Cachoeira, a aliança da revista, por meio de seu editor-chefe, se deu, de maneira ainda obscura, com um contraventor preso sob acusação de liderar um pesado esquema de operação de jogos ilegais e infiltração em diferentes escalões do poder. Na Inglaterra, jornalistas e policiais. Aqui, com bandidos. Há fortes suspeitas de que Cachoeira, pelo método de gravações ilegais com interlocutores de seus próprios auxiliares, tenha até mesmo fabricado provas comprometedoras contra adversários. As ligações perigosas de Cachoeira com o líder da publicação em sua área mais estratégica, a sucursal de Brasília, e as dúvidas sobre uma longa aliança editorial entre eles já demandam, de per si, uma investigação independente. E esta terá, necessariamente, de incluir o dono da publicação, Roberto Civita, presidente do grupo Abril, e não apenas um ou alguns de seus funcionários. É o que lembra, em post deste sábado 31, o jornalista Luís Nassif, em Esqueçam Policarpo: o Chefe é Roberto Civita. “Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja”, escreve Nassif, que continua: “Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo”. (Leia aqui o artigo completo).

Na edição que chegou às bancas neste sábado, Veja evitou enfrentar o fato de frente. Não há uma linha sequer sobre a informação veiculada durante toda a semana, em diferentes canais, mas especialmente na internet, a respeito do gigantesco volume de grampos nas conversas entre Policarpo e Cachoeira no período de 2008 a 2010. Na semana retrasada, quando o assunto já era de domínio público, a revista não veiculou uma palavra sequer sobre as ligações perigosas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que resultaram na saída deste da liderança do partido no Senado, em abertura de investigação formal dentro da agremiação e numa solicitação de bastidores para que ele se afaste antes de, inevitavelmente, ser expulso.

O caso que Veja ignorou, na torcida para que não crescesse como cresceu, deriva agora, também, para a revelação de uma série de acertos para ilícitos entre Cachoeira e Demóstenes. Sobrou, na esteira das revelações, até para o até então insuspeito ator e deputado federal Stepan Nercessian (PPS-RJ), que emergiu como beneficiário de um empréstimo de R$ 175 mil feito pelo contraventor. Neste sábado 31, quase simultaneamente à revelação do empréstimo, Nercessian pediu afastamento do PPS e de seu posto na Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara dos Deputados – sem dúvida um cargo bastante estratégico para o amigo que comanda um poderoso esquema de jogos ilegais.

Mas não apenas. O governador de Goiás, Marconi Perillo, vai ficando cada vez mais chamuscado pelas revelações extraídas das investigações de dois anos da Operação Monte Carlo. A prisão de Cachoeira se deu na elegante residência em Alphaville Ipês, em Goiânia, que pertencera a Marconi e fora vendida por ele a um empresário do setor de ensino do Estado. Este, por sua vez, permitia que Cachoeira ali vivesse. Triangulação de interesses? É uma das questões que está no ar, uma vez que Valter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão, está entre os beneficiados pelo programa de pagamento a instituições de ensino superior, pelo governo local, de bolsas de estudos. Ou seja, recebedor de recursos do Estado, Santiago comprou uma casa do governador, o titular da autoridade cedente, que, por sua vez, registrou a venda em sua declaração de renda por um valor de aproximadamente um terço do que afirmara – R$ 1,4 milhão em três cheques versus R$ 417 mil declarados.

Por todas estas e outras, o caso Cachoeira-Demóstenes é um dos mais explosivos dos últimos tempos, dada a ampla ramificação de interesses do contraventor e seu apetite por articulações dentro das estruturas de poder. E dentro desse caso há a questão Veja-Cachoeira ou Cachoeira-Veja. Dono de um relacionamento bastante próximo com Policarpo, com que dialogava frequentemente, o contraventor tinha em Demóstenes um braço político e, ao que deixa claro, via em Policarpo sua mão editorial. “Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”, disse, no trecho revelado pela própria Veja, o contraventor a seu auxiliar e ex-araponga da Abin Jairo Martins. “Quantos já foram rapaz. E tudo via Policarpo”, festejou.

Cachoeira e Policarpo são velhos conhecidos. Já em 2004, como resgatou 247, a parceria fonte-jornalista funcionava a pleno. Perseguido por uma CPI aberta na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro para apurar o jogo ilegal e encerrada com a recomendação, por 58 votos a zero, entre os deputados, para sua prisão, Cachoeira teve em Policarpo, então, um cioso interlocutor. Matéria assinada por ele, chamada Sujeira para Todo Lado, repercutiu no então presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha, que ordenou a abertura de uma sindicância, uma vez que, de acordo com Veja, alguns parlamentares eram suspeitos de terem ouvido de auxiliares de Cacheira uma proposta de compra de votos de R$ 4 milhões no total. Importante: a gravação da conversa sobre a discussão da proposta foi feita pelos próprios auxiliares de Cachoeira. Pode-se supor, entre outras hipóteses, que o contraventor resolveu fabricar uma prova, ao enviar emissários com proposta de compra de votos, para levar a CPI ao naufrágio, por desmoralização. Na prática, foi isso o que aconteceu. Cachoeira não foi preso na ocasião, sendo levado pela polícia apenas sete anos depois, em fevereiro deste ano.

Nesse meio tempo, em 2005, Cachoeira foi responsável pela entrega a Policarpo da fita que deu origem ao chamado escândalo do Mensalão, na qual o então diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebe um pacote de R$ 3 mil. Essa fita, cujas imagens e diálogos foram veiculados por Veja em primeira mão, foi gravada por auxiliares do próprio Cachoeira. Àquela altura, o senador Demóstenes Torres, que já era o braço político do contraventor, sabia que fora preterido para o cargo de Secretário Nacional de Justiça. Há a suspeita que, em represália, ele teria atuado com Cachoeira para prejudicar o PT, o governo Lula e, mais especialmente, o então chefe do Gabinete Civil José Dirceu, que teria sido o responsável pelo veto ao seu nome. Neste contexto, a propina paga por homens do próprio Cachoeira a Marinho deu a partida para o surgimento do pior fato político possível para os adversários de Demóstenes e de seu grupo, que tem Cachoeira como prócer.

Veja, servindo-se de sua fonte na contravenção, não apenas deu vazão às fitas gravadas pelo pessoal de Cachoeira, como prosseguiu divulgando, nos anos seguintes, todo o material que ele produzia e passava às mãos de Policarpo Junior. É frase dele, repita-se: “Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”. Este material incluiu o ‘furo’ do pedido de dinheiro por parte de Valdomiro Diniz, em fita gravada em 2002, desta feita pelo próprio Cachoeira. A notícia saiu em Veja em 2004, mostrando que a parceria já funcionava bem.

Não é do interesse de Veja, agora, puxar por essa memória. A estratégia, manifestada no curto texto “O Policarpo Nunca Foi Nosso”, na edição desta semana, busca carimbar no editor-chefe a marca do profissional acima de qualquer suspeita. Para tanto, utiliza Carlinhos Cachoeira como avalista: “O Policarpo você conhece muito bem. (...) Ele não faz favor para ninguém e muito menos para você”, disse o contraventor, hoje preso, para seu auxiliar e ex-araponga Jairo Martins, também encarcerado pela Operação Monte Carlo. “Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo. Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso...”. Pelos serviços prestados a Veja, a verdade é que Policarpo Junior poderia ter ganho, nesta semana, uma defesa melhor, de um advogado mais qualificado. No editorial do diretor de redação Eurípedes Alcântara, nenhuma linha a respeito. É como se o diretor da sucursal de Brasília estivesse sozinho em seu relacionamento com Cachoeira, mas há toda uma gigantesca máquina editorial por detrás desse circuito.

http://brasil247.com/pt/247/midiatech/51133/Caso-Veja-Cachoeira-testa-fr...

 

 

 da Agência Brasil

Alertado por redes sociais, BC vai incluir o nome de Cora Coralina em moeda comemorativa31/03/2012 - 16h05

Vinicius Doria
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O lançamento de uma moeda comemorativa em homenagem à Cidade de Goiás (GO), primeira capital do estado e conhecida como Goiás Velho, provocou reações nas redes sociais da internet. A imagem divulgada pelo Banco Central mostra que a moeda traz, em uma das faces, trecho de um poema de Cora Coralina, mais ilustre filha da cidade histórica, sem a devida assinatura.

Depois da reação indignada de alguns internautas, que reclamaram da falta de identificação da autora do poema, o Banco Central informou à Agência Brasil que o nome de Cora Coralina será acrescentado à moeda, que ainda não começou a ser cunhada.

A moeda faz parte de uma série em homenagem às cidades brasileiras consideradas patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Já foram lançadas moedas que homenageiam Ouro Preto (MG) e Brasília. A peça aprovada pelo Banco Central para Goiás Velho tem valor de face de R$ 5, mas deve ser vendida a colecionadores por R$ 145.

Ao lado do valor, há o seguinte trecho da poesia Minha Cidade, do livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais:

“Eu sou estas casas

Encostadas

Cochichando umas com as outras”

O Banco Central informou também que tem autorização da família de Cora Coralina para imprimir o trecho do poema na moeda, que será lançada em novembro, e do Conselho Monetário Nacional para promover os ajustes necessários.

Edição: Rivadavia Severo

 

 

do Opera Mundi

Colômbia: reintegração de ex-guerrilheiros é desafio para acordo de paz com as FARCGoverno colombiano terá de definir como reinserir ex-combatentes estigmatizados pela população    

 

 

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia) passam por um momento de definição. Após a decisão de abandonar a prática de seqüestros e anunciar a libertação dos últimos reféns, a guerrilha tenta negociar a paz com o governo ao mesmo tempo em que luta para manter sua unidade de modo a continuar como um ator importante na política da Colômbia. Para isso terá de enfrentar um grande desafio: combater as defecções, que só aumentaram nos últimos anos.

O número cada vez maior de pessoas abandonando a guerrilha criou um problema: como reinserir essas pessoas na sociedade?

Atualmente têm havido desmobilizações individuais das FARC. Neste caso, ainda dentro do ambiente de guerra, os soldados que decidem se desligar da guerrilha fogem e muitos buscam se reintegrar à sociedade, com apoio do governo colombiano. Em caso de um processo de paz, essa reintegração seria coletiva como aconteceu com o grupo paramilitar AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia), a partir de 2003.

Números da Agência Colombiana para Reintegração revelam que, entre 2003 e 2011, houve 22.517 desmobilizações individuais das FARC e do ELN (Exército de Libertação Nacional) e 31.849 desmobilizações em bloco (autodefesas), totalizando 54.366 desmobilizados.

Atualmente não se sabe exatamente quantos homens as FARC ainda têm em suas fileiras.  Governo e ONGs que analisam o conflito avaliam que o grupo tenha somente 50% do total que tinha em 2001 (na época 16 mil homens). Estima-se que a guerrilha tenha entre 6 a 8 mil homens.

Mas não há certeza sobre a quantidade de guerrilheiros em combate. No início deste mês, por exemplo, o Ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, disse em visita à Colômbia que as FARC têm presença intermitente em território equatoriano. Ele afirmou que cerca de 10 mil homens se movem na fronteira entre os dois países, 7 mil de maneira permanente e 3 mil esporadicamente.

Por isso, analistas dizem que é difícil dimensionar agora, sem que o conflito tenha terminado, como seria um processo de desmobilização coletiva das FARC. Além disso, com os quase 48 anos de atividade do grupo, não se sabe exatamente o que pensam os guerrilheiros sobre este tema, porque há gerações que nasceram e cresceram neste contexto.

Processo complexo

O cientista político Alonso Tobón, do Cerac (Centro de Recursos para El Analisis del Conflito), uma  think tank colombiana, disse ao Opera Mundi que as FARC têm características muito peculiares que devem ser levadas em consideração.

“As FARC estão federalizadas, por isso será difícil negociar com o Estado Maior e acertar detalhes para todas as regiões. No pós-conflito, o governo deve encontrar uma maneira de tratar regionalmente com cada frente e com as especificidades de cada comando”, explica Tobón.

Além disso, ele explica que, pela alta hierarquização do grupo, é necessário pensar também nos diferentes “perfis” dos guerrilheiros. Legalmente, um desmobilizado pode participar do programa de reintegração do governo se não houver cometido crimes de lesa-humanidade.

O programa envolve atenção psicossocial e apoio financeiro e educativo, e o processo de reintegração dura de três a quatro anos. O governo apoia os desmobilizados na busca de emprego ou na criação de um negócio próprio.

“Hoje, as desmobilizações são de soldados rasos. Comandantes não se desmobilizam em pleno conflito, eles têm muito que responder legalmente. Sem um acordo de paz, eles preferem morrer na selva que serem capturados ou se entregarem”, esclarece.

O estudioso também comenta que o país deve aprender com os erros cometidos nos processos de reintegração realizados até agora. Segundo o pesquisador, inicialmente o trabalho da ACR foi focado na necessidade de atender os paramilitares que se desmobilizaram a partir de 2003.

O primeiro passo foi a promulgação do marco legal: a Lei de Justiça e Paz em 2002 (que definiu penas mais brandas para os desmobilizados que colaboram com informações ao governo). Esta mesma lei vale também para processos de desmobilizados das FARC e ELN.

 “O problema com as autodefensas é que uma parte significativa não abandonou as armas, então não houve reintegração. Muitos foram para a criminalidade comum fortalecendo gangues já existentes, o narcotráfico ou criando as chamadas Bacrim (bandas criminales)”, conta.

Outra falha apontada por Tobón foi o custeio prolongado de atividades e cursos como forma de apoiar financeiramente os desmobilizados. “Observamos que alguns se acomodavam com os subsídios recebidos”, opina.

Desafios

Nas desmobilizações individuais que acontecem ainda neste cenário de guerra, um dos desafios é a segurança. Quando um guerrilheiro se desmobiliza, ele tem de abandonar uma estrutura bastante hierarquizada.

“A segurança é sempre um fator de risco para um desmobilizado de guerrilha. Ele se torna alvo do próprio grupo, porque passa a ser visto como ameaça, por todas as informações que têm e que pode passar ao governo em troca de redução de pena em caso de processos judiciais”, explica Tobón.

Garantir segurança é só um dos problemas. Tanto analistas independentes quanto os profissionais do governo que trabalham na reintegração concordam que a desmobilização dos guerrilheiros das FARC é bastante complexa também pela rejeição da sociedade para com o grupo.

“Nos últimos anos, pelas ações impopulares contra civis e pela própria propaganda antiterrorista do governo, as FARC cairão no descrédito da população”, levanta o analista.

Da mesma opinião, partilham agentes que trabalham neste processo de reintegração dos desmobilizados. Profissionais que atuam na reintegração contam que quem sai da guerrilha enfrenta preconceito da sociedade.

“As empresas não querem receber ex-guerrilheiros como empregados e ninguém quer ter como vizinho alguém que era das FARC. Um desmobilizado se parece aos ex-detentos na forma como são tratados pela sociedade”, adverte Martha Arteaga, diretora do Centro de Serviço da ACR.

Além do preconceito, o processo de readaptação em si não é tarefa fácil. Martha trabalha em um projeto piloto que busca integrar não só o desmobilizado como também a sua família à nova realidade e à comunidade local.

Paz consolidada

Um consenso é que a reintegração social de desmobilizados é fundamental para o sucesso de um processo de paz na Colômbia.

O analista Alonso Tobón lembra que o custo financeiro para reintegração é alto e envolve muito trabalho. Mas, segundo ele, é melhor investir nisso que correr o risco de que o índice de desmobilizados não integrados seja elevado. 

“É claro que parte dos desmobilizados não vai se reintegrar, vai optar pela marginalidade. Mas este índice deve ser o menor possível. Não podemos repetir erros anteriores e permitir que gangues criminosas se fortaleçam, gerando mais violência urbana e novos grupos como as Bacrim” pondera Tobón.

Por outro lado, Martha Arteaga adverte que a sociedade também precisa ser envolvida neste processo, com campanhas de conscientização da opinião pública para a importância de “receber” os desmobilizados e apoia-los neste processo de reintegração.

“Por mais rancor que a sociedade tenha da guerra e de seus efeitos, todos terão de avaliar sua própria disposição para perdoar e para aceitar de volta os ex-guerrilheiros. É um preço coletivo, que todos teremos de pagar para ter a paz”, completa Arteaga.

 

da Agência Senado

 

30/03/2012 - 14h03 Comissões - Código Penal - Atualizado em 30/03/2012 - 20h30

Comissão de juristas propõe criminalização dos jogos de azar

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Ricardo Koiti Koshimizu

A comissão de juristas que estuda mudanças no Código Penal vai propor, no anteprojeto que apresentará ao Senado, que os jogos de azar – como é o caso do jogo do bicho – sejam tipificados nessa lei como crime. Dessa forma, essas atividades deixariam de ser classificadas como contravenção penal para ser incluídas no código reformulado.

A comissão também vai propor que a Lei das Contravenções Penais seja revogada, com a transposição de alguns de seus artigos para o novo Código Penal. A inclusão dessas propostas no anteprojeto foi decidida nesta sexta-feira (30).

O presidente da comissão, Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça, afirmou que, “no momento atual, os jogos de azar são uma porta aberta para graves crimes, o tráfico de drogas e os homicídios que os criminosos praticam para manter seu ‘território’”.

Ao concordar com esse argumento, o relator da comissão, o procurador Luiz Carlos Gonçalves, disse que “tais atividades, que no começo eram algo quase folclórico, tornaram-se domínio de grandes máfias”.

De acordo com o que foi decidido nesta sexta-feira, o anteprojeto criminaliza a exploração de jogos de azar que não tiverem autorização legal ou regulamentação. A pena seria de um a dois anos de prisão.

Posição contrária

Mas essa decisão não foi consensual. O advogado Luiz Flávio Gomes, que também é membro da comissão, afirmou que é contra a criminalização de qualquer tipo de jogo. Ele acrescentou que “no Brasil há todo tipo de jogos, alguns inclusive explorados pelo governo”.

– Estamos sucumbindo a uma manifestação midiática que associa o jogo ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Há mil formas de ‘pegar’ o dono do jogo, pois ele comete crimes tributários e de lavagem de dinheiro, por exemplo. Jogo é jogo, deixem o povo jogar – declarou ele.

Atualmente, os jogos de azar estão tipificados como contravenção no Decreto-Lei 3.688, de 1941, mais conhecido como Lei das Contravenções Penais, que a comissão pretende revogar.

Agência Senado

 

Já vi muitos posts sobre a aprovação, neste fim de semana,  da criminalização do jogo do bicho sem a opinião do ministro Gilson Dipp, do STJ. As pessoas ao editar o post tem que colocar o famoso (...), só assim para sabermos que foi retirada uma parte do texto orginal.

"(...)

No início dos debates, o jurista Luiz Flávio Gomes havia proposto acabar com a criminalização de qualquer atividade ligada ao jogo. 

— Estamos sucumbindo a uma manifestação midiática. 

Ele sugeriu que, se o jogo está atrelado ao crime organizado, deve-se punir apenas o crime organizado, e não quem explora a atividade ou joga.

— Criminalizar o jogo é o maior retrocesso que vamos cometer nos últimos tempos. Ou regula ou paga imposto ou pega [o crime] pela lavagem [de dinheiro].

O ministro do STJ (Superior Tribunal Justiça) Gilson Dipp discordou do jurista. Segundo ele, não se pode desconhecer a realidade segundo a qual o jogo do bicho e as máquinas caça-níqueis estão atraindo até máfias internacionais ao País. A atividade, ressaltou, está também associada a outros crimes, como homicídios. 

— É o caminho para práticas altamente gravosas.

Diante de manifestações contrárias, Gomes recuou e sugeriu uma saída. O jurista propôs criminalizar apenas quem explora a atividade, com pena de um ano a dois anos de prisão, e o explorador poderia também ser enquadrado como participante de uma organização criminosa. Essa sugestão faria com que, se o jogo de azar estiver vinculado à lavagem de dinheiro, o explorador também poderia responder processo por esse crime, cuja pena chega a dez anos de prisão.

A proposta alternativa de Gomes foi acatada. Para o relator da comissão, o procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, o novo texto vai melhorar o combate aos jogos ilegais.

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/comissao-do-senado-aprova-criminalizacao-de-jogos-de-azar-20120330.html

 

Da Carta Maior

Um intelectual em seu labirinto Para Fiori, a escola da Unicamp teria tido relevância nos anos 1970, enquanto centro capaz de reinterpretar, a partir da herança cepalina, o desenvolvimento capitalista no Brasil. Mas teria perdido o fôlego após o Plano Cruzado. Para contestá-lo, é preciso evitar confundir estratégias de desenvolvimento, no caso o desenvolvimentismo, com as teorias variadas que lhes dão suporte. O artigo é de Ricardo Carneiro.

No último mês, os leitores do jornal Valor tomaram conhecimento, por meio da coluna Opinião, de dois artigos de José Luís Fiori - O desenvolvimentismo de esquerda de 29/02/2012 e Desenvolvimentismo e Dependência de 29/03/2012 - acerca de um tema cujo conteúdo costumava ser, no passado, bastante caro aos economistas progressistas: o desenvolvimentismo.

Ressuscitado contemporaneamente pela falência das políticas de inspiração liberal e pela retomada do crescimento no Brasil com base em outro perfil de políticas econômicas, o desenvolvimentismo desperta polêmicas como nos artigos apontados. Neles, Fiori busca criticar essas concepções referindo-se tanto ao seu conteúdo prático, enquanto estratégia de desenvolvimento, quanto às reflexões intelectuais que lhe dariam suporte, originadas em grande medida na escola de Economia da UNICAMP.

Seus argumentos poderiam ser resumidos da seguinte forma: a escola da UNICAMP teria tido relevância nos anos 1970, enquanto centro de pensamento capaz de reinterpretar, a partir da herança cepalina, o desenvolvimento capitalista no Brasil. Ao longo do tempo, contudo, mormente após meados dos anos 1980, com o fracasso do plano Cruzado, teria perdido seu fôlego analítico. Hoje em dia, a sua produção seria marcada por análises setoriais e sua contribuição para o entendimento dos rumos do capitalismo brasileiro seria acanhada. Na verdade a formação de economistas “heterodoxos” e quadros burocráticos teria se tornado a sua principal marca.

No artigo seguinte Fiori afirma que desde os anos 1960, quando o dinamismo do capitalismo brasileiro pôs por terra as teses estagnacionistas dos cepalinos - leia-se de Celso Furtado - o desenvolvimentismo de esquerda teria perdido a capacidade interpretativa dos rumos desse capitalismo.Sem uma base teórica consistente, teria se convertido ao varejo keynesiano e suas deblaterações (sic) macroeconômicas. Para ele, a melhor resposta a isto teria sido a teoria da dependência e não a revisão crítica das ideias da CEPAL cujo marco é o artigo clássico de Maria da Conceição Tavares e José Serra “Além da estagnação”. Este artigo, aliás, pode ser tomado como um embrião da escola de Campinas que ao longo dos anos 1970 criará um novo paradigma para a interpretação do desenvolvimento brasileiro, superando as ideias da CEPAL mas, partindo delas.

Para contestar as críticas de Fiori é preciso, desde logo, evitar confundir estratégias de desenvolvimento, no caso o desenvolvimentismo, com as teorias variadas que lhes dão suporte. Por sua vez, é imperativo ter em conta os momentos ou conjunturas históricas particulares nos quais essas estratégias e teorias ganharam momento. Isto é crucial para evitar o equívoco de atribuir o ascenso ou declínio histórico de ambas aos seus méritos puramente intelectuais. Certamente os trinta anos que se iniciam nos anos 1980 e que correspondem à ascensão do neoliberalismo teriam sido difíceis para o desenvolvimentismo e as teorias econômicas críticas que lhes dão suporte, independentemente dos seus méritos internos ou da qualidade dos economistas aos quais inspiraram.

No que tange ao espaço das ideias propriamente dito e às concepções teóricas cabe esclarecer que a escola de Economia da UNICAMP jamais abriu mão da sua formação crítica e de suas referências fundamentais como Marx, Schumpeter, Keynes, dentre outros clássicos que teorizaram sobre o capitalismo. Eles continuam a ser leitura obrigatória nos cursos de Graduação, Mestrado e Doutorado, constituindo uma marca peculiar e permanente dessa escola. Essa postura sempre se combinou com o estudo e discussão de economistas contemporâneos, heterodoxos e ortodoxos, afinal o objetivo sempre foi formar economistas críticos e não religiosos.

No plano da análise histórica é absolutamente incorreto e superficial afirmar que as preocupações recentes do IE/UNICAMP se centraram na discussão de questões setoriais ou macroeconômicas. Alguns temas de pesquisa que orientaram o esforço de grande parte do professorado e alunos de pós-graduação do IE nos últimos anos desmentem essa afirmação. Elas se guiaram pela agenda proposta pelo momento histórico caracterizado, desde os anos 1980, por um padrão de desenvolvimento capitalista dominado pelas finanças. Faz parte dessa agenda, por exemplo, as análises sobre a nova ordem econômica internacional, aliás, parte delas publicada em livros organizados por Fiori.

Outros temas têm concentrado o esforço de pesquisa e reflexão no IE tais como: a abertura financeira e suas implicações sobre a vulnerabilidade externa e o financiamento da acumulação de capital; a internacionalização e especialização da estrutura produtiva; a redefinição do papel do Estado na economia por meio das privatizações, e do perfil da receita e gasto públicos; a evolução da questão regional e urbana; as transformações do mercado de trabalho, a distribuição da renda e as políticas sociais. Claro que há também uma agenda de pesquisa relativa a temas macroeconômicos. Mais do que necessária ela é imprescindível num contexto econômico caracterizado pela liberalização financeira, no qual as taxas de câmbio e de juros assumem papel muito mais relevante do que no passado, nas economias reguladas do regime de Bretton Woods.

Essa agenda de pesquisa levada adiante pelos professores do IE motivou a criação, por uma parcela dos mesmos, da Rede Desenvolvimentista com o objetivo de abrigar o debate sobre o desenvolvimento brasileiro. Por meio do documento “O desenvolvimento brasileiro: temas estratégicos” procurou-se sintetizar os resultados de reflexões realizadas nos últimos anos no IE propondo-os para uma discussão mais ampla com professores e demais intelectuais das mais variadas instituições, o Fiori inclusive. Causa espécie, portanto, que não tenha havido por parte do Fiori nenhuma manifestação sobre o conteúdo desse documento. Atento apenas ao mundo das ideias do passado, ele emerge do seu labirinto tão-somente para adjetivar uma produção intelectual que desconhece.

Os professores do IE-UNICAMP possuem uma larga tradição de militância partidária e de participação em governos de diferentes orientações políticas. Isto deveria ser visto como um fato positivo, pois traz para a Universidade um conjunto de questões e informações que estão fora do seu alcance imediato. Essas atividades, mormente nas Ciências Sociais, criam um antídoto contra o escolasticismo que tanto desagrada Fiori e a todos nós. A despeito disso ele é incapaz de identificar não só a relevância do debate recente, que tem como pano de fundo o ressurgimento do desenvolvimentismo, como também de distinguir as diferentes correntes que dele participam.

Neste debate, de um lado está o novo-desenvolvimentismo, cujo centro de irradiação é a FGV-SP, que privilegia as dimensões macro das políticas econômicas e subordina a elas as políticas de desenvolvimento dando maior peso ao papel do mercado. Esta corrente prioriza o desenvolvimento das forças produtivas e o mercado externo, entendendo que a distribuição da renda decorrerá da primeira, mas não automaticamente, sendo necessário a implementação de políticas que garantam a transferência de ganhos de produtividade aos salários.

De outro lado, coloca-se o social-desenvolvimentismo, com origem na UNICAMP e UFRJ. Como a qualificação sugere, o social é o eixo do desenvolvimento e isto se daria pela centralidade do mercado interno via a ampliação do consumo – de bens públicos e privados - das massas. Nessa vertente se propõe a subordinação das políticas macroeconômicas às de desenvolvimento e o maior peso do Estado. O desenvolvimento das forças produtivas seria, nesse caso, um meio para atingir o objetivo almejado. Imerso em seu labirinto intelectual, Fiori é incapaz de enxergar essas diferenças e põe todo mundo no mesmo saco.

(*) Ricardo Carneiro é professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19890

 

webster franklin

do Brasil247

 

Situação irregularCONTINUAM ACONTECENDO NO RIO DE JANEIRO OPERAÇÕES NAS QUAIS CRIANÇAS E ADOLESCENTES QUE VIVEM NAS RUAS SÃO CONDUZIDOS PARA O QUE A PREFEITURA CHAMA DE “SISTEMA DE ABRIGAMENTO (SIC) COMPULSÓRIO”

31 de Março de 2012 às 20:37

Maria Lucia Karam

Continuam acontecendo no Rio de Janeiro operações nas quais crianças e adolescentes que vivem nas ruas são conduzidos para o que a Prefeitura chama de “sistema de abrigamento (sic) compulsório”. A resolução nº 20 de 27 de maio de 2011 da Secretaria Municipal de Assistência Social determina a internação compulsória de crianças e adolescentes que “na avaliação de especialistas estiverem comprometidas com o uso do crack e outras drogas psicoativas”. Esse “sistema de abrigamento (sic) compulsório” foi anunciado como mais uma medida de suposta "proteção" à infância, ao estilo da antiga "doutrina da situação irregular", já afastada da lei brasileira, mas ainda ilegitimamente presente na cartilha de muitas autoridades.

A lei brasileira determina a municipalização da política de atendimento às crianças, e, portanto, a existência de programas comunitários e oficiais de orientação e apoio às famílias dessas crianças (art. 88 e 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente). A lei brasileira determina que as prefeituras promovam programas oficiais de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos (art. 101, VI do Estatuto da Criança e do Adolescente). Tais programas, no entanto, não existem. As unidades ditas de “acolhimento” não são clínicas de tratamento de dependentes de drogas. Não há tratamento. O que há é apenas a privação da liberdade.

Crianças e adolescentes pobres são perseguidos e “recolhidos” porque as autoridades insistem em dizer que eles estariam em "situação irregular". Mas, na verdade, quem está em situação irregular são os governos que não garantem os direitos fundamentais dessas crianças e adolescentes. Por que crianças e adolescentes permanecem perambulando pelas ruas? Onde estão as escolas de qualidade e de horário integral? Onde está a política que deve garantir que todas as pessoas tenham condições materiais para poder viver com dignidade?

Em uma democracia, todos têm direitos assegurados na Constituição e nas leis. Crianças e adolescentes, vivendo em lares ou em situação de rua, dependentes de drogas ou não, são sujeitos de direitos, devendo ser respeitados como cidadãos e não recolhidos como lixos humanos em “situação irregular”. O pânico criado em torno do crack serve de pretexto para a concretização do indisfarçável objetivo de “limpeza” das ruas, afastando-se das vistas “sensíveis” dos auto-intitulados “cidadãos de bem” e dos tão esperados turistas os “incômodos” miseráveis que, sem condições mínimas de sobrevivência, sem amparo, sem assistência, sem moradia, sem formação educacional, sem lazer, perambulam pelas ruas sem destino e encontram nas drogas – crack ou outras – um dos poucos alívios para suas privações e sofrimentos.

A proibição às drogas tornadas ilícitas não impede que crianças e adolescentes tenham fácil acesso a essas substâncias. Ao contrário. Em todos esses anos de “guerra às drogas”, as substâncias proibidas foram se tornando mais baratas, mais potentes, mais diversificadas e mais acessíveis. A ilegalidade torna as drogas proibidas mais perigosas. A política de “guerra às drogas” ilegitimamente trata crianças e adolescentes pobres como criminosos, submetendo-os à humilhação, à perseguição e ao recolhimento a instituições em tudo semelhantes a prisões, acrescentando às suas miseráveis e traumáticas condições de vida a violência da privação de sua liberdade.

Já é tempo de pôr fim a essa violenta, ilegítima, danosa e dolorosa política. Já é tempo de legalizar e consequentemente regular a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas, de modo a afastar medidas repressivas violadoras de direitos fundamentais, pôr fim à enorme parcela de violência e corrupção provocada pela proibição, tirar do mercado os descontrolados agentes que agem na clandestinidade e verdadeiramente proteger a saúde.

Maria Lucia Karam é juíza aposentada e membro da direção da Law Enforcement Against Prohibition (LEAP), organização internacional formada por policiais, juízes e promotores que, compreendendo os danos causados pela proibição, apontam a necessidade da legalização e consequente regulação da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas.

 

 

da Agência Brasil

Câmara vota em abril projeto para endurecer a Lei Seca31/03/2012 - 11h35

Mariana Jungmann e Iolando Lourenço
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - A decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de só considerar o teste do bafômetro ou o exame de sangue como prova de embriaguez dos motoristas pode durar pouco. Um projeto de lei do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) quer evitar que os motoristas tenham a prerrogativa de se negar a fazer o teste para ficar livre de um processo judicial.

A matéria, já aprovada no Senado, deve ser posta em votação na Câmara em abril, segundo informou o presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS). O projeto estabelece que imagens de vídeos ou depoimento de testemunhas também poderão servir como provas contra motoristas bebados. Com isso, o bafômetro e o exame de sangue deixam de ser as únicas provas admitidas em um possível processo judicial.

O projeto também prevê o aumento rigoroso das penas para motoristas embriagados que se envolvem em acidentes que provoquem morte ou lesão corporal de terceiros. As penas podem variar de seis meses de prisão para quem apenas for flagrado dirigindo sob efeito de bebidas alcoólicas a 16 anos nos casos em que o ato de dirigir bêbado resulte em acidente com morte.

As penas podem ainda ser aumentadas em até 50% do tempo de prisão se o acidente for provocado por um condutor bêbado não habilitado ou sem a carteira de habilitação correspondente ao veículo que está dirigindo; se o acidente ocorrer em locais de grande concentração de pessoas; ou se o motorista embriagado estiver transportando idosos, crianças, gestantes ou pessoas com limitação de discernimento.

“É verdadeiramente essencial que a obtenção das provas para a configuração do crime de direção sob a influência de álcool ou outras drogas volte a ser obtida não só por meio do teste do bafômetro ou de sangue, mas, em caso de recusa ao teste, também por todas as demais provas lícitas admitidas no direito”, alega Ferraço, na justificativa do projeto.

Edição: Vinicius Doria

 

do Sul21

 

Tarso considera atitude da polícia militar carioca “uma afronta”

 


Governador criticou atuação da polícia carioca | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Da Redação

O ato em defesa do golpe de 64, promovido nesta quinta-feira (29), no Centro do Rio de Janeiro, ainda repercute no país devido aos requintes de atitudes familiares às do período da ditadura militar. Em agenda na cidade maravilhosa nesta sexta-feira (30), o governador gaúcho Tarso Genro (PT) disse que o que ocorreu no ato “é uma afronta ao estado democrático de direito”. Ele se referia ao excesso de truculência por parte da polícia carioca, já que testemunhou a atuação da Polícia Militar ao cruzar a Avenida Rio Branco, em meio ao tumulto generalizado naquele trecho em frente à Cinelândia.”Na minha terra, nós mantemos um diálogo saudável com os movimentos sociais. Não usamos violência contra manifestantes”, defendeu o ex-ministro da Justiça.

A razão da ida de Tarso Genro ao Rio de Janeiro teve o foco no aumento da participação do Rio Grande do Sul na indústria naval e no setor de petróleo e gás tem refletido positivamente junto à Petrobras. Para tratar do assunto, Tarso esteve reunido nesta sexta-feira com a presidente da Petrobras, Graça Foster.

O ato em defesa do golpe de 1964 foi promovido por militares aposentados e integrantes da ultradireita em um ato desautorizado pelas Forças Armadas, no Clube Militar, Centro do RJ. Não faltou choque elétrico, bomba de efeito moral e spray de pimenta no conflito gerado com a polícia militar.

 

da Agência Senado

 

30/03/2012 - 17h04 Comissões - Infraestrutura - Atualizado em 30/03/2012 - 19h13

Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro em pauta na CI

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Isabela Vilar

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) pode analisar na quarta-feira (4) o projeto que cria o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron). De autoria do Executivo, a proposição teve a tramitação iniciada na Câmara e já passou Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Na CI, o relatório é pela aprovação de um substitutivo, já que o texto, segundo o relator, senador Delcídio Amaral (PT-MS), apresenta “deficiências e inconstitucionalidades”.

Para ele, o projeto de lei da Câmara (PLC) 191/2010 vai contra o texto constitucional ao atribuir a responsabilidade pela operação de instalações nucleares também a “organizações estaduais e municipais”. Essas responsabilidades, segundo o relator, são competência constitucional da União.

Quanto ao mérito, o relator argumenta que a proposta, nos moldes em que foi elaborada, não atenderia mais os objetivos de segurança do Programa Nuclear Brasileiro. Apresentada em 2004, a proposição tramitou durante seis anos na Câmara dos Deputados. Para sanar o problema, o projeto foi discutido com setores do governo e sugestões foram incorporadas ao substitutivo do relator.

Entre as mudanças estão a retirada do texto do detalhamento da estrutura do Sipron. Segundo o relator, essa estrutura deveria ser estabelecida em decreto, instrumento mais ágil e condizente com as mudanças que ocorrem na área nuclear.  O substitutivo também prevê que o sistema será vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o que não estava no projeto original.

Além disso, o relator argumenta que o projeto não inova em relação à lei em vigor e que deixa de tratar com clareza as situações de emergência nuclear, incluídas no substitutivo. A proteção ao conhecimento e às tecnologias nucleares, também ausente no texto original, foi incluída no substitutivo como uma das atribuições do Sipron.

Após a apreciação pela CI, a proposta ainda seguirá para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), aonde terá decisão terminativa.

Agência Senado

 

da Rede Brasil Atual

 

Código Florestal deve proibir registro de terras para desmatadores, diz diretor do Bird

 

Por: Carolina Gonçalves, da Agência Brasil

Publicado em 31/03/2012, 15:25

Última atualização às 15:26

  Código Florestal deve proibir registro de terras para desmatadores, diz diretor do Bird

Derrubada de floresta com correntes: desmatamento ilegal pode ser protegido pelo novo Código Florestal (Foto: Ibama/MT)

Brasília – O novo Código Florestal precisa prever, claramente, o impedimento de registro e aquisição de terras por produtores que cometeram crimes ambientais no país, se quiser efetivamente servir de instrumento para reduzir o desmatamento ilegal e o comércio ilegal de madeira. A opinião é do diretor de Operações para o Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial (Bird) , Mark Lundell, que defende que a nova lei siga exemplos como o do Programa Terra Legal, na Amazônia.

“O programa, basicamente, mandou um sinal muito claro a quem está pensando em desmatar: ele nunca vai conseguir o título de propriedade de terra. Acho que, com esse sinal, a fronteira está fechando e não vai ter como legalizar as ocupações feitas nos últimos anos, porque [o desmatador] não terá retorno financeiro”, avaliou.

O Terra Legal foi criado há três anos, combinando ações de regularização fundiária e combate à grilagem em 43 municípios do Amazonas, Maranhão, Pará, de Mato Grosso, Rondônia e Roraima, considerados campeões do desmatamento no Brasil.

Para Lundell, essa foi uma das medidas que contribuiram para a redução de quase 70% do desmatamento no país. O diretor do Bird ainda aponta outras medidas adotadas pelo governo brasileiro, como a decisão Conselho Monetário Nacional que cortou o acesso a financiamentos para pecuaristas que não demonstraram conformidade com leis ambientais.

De 2006 até hoje, o desmatamento no Brasil caiu, na média anual, de 2,5 milhões de hectares para 600 mil hectares. Apesar disso, o Banco Mundial divulgou um estudo que alerta para o problema no mundo inteiro.

De acordo com o relatório Justiça para as Florestas, em todo o mundo, os lucros da extração ilegal de madeira variam entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões ao ano. O Bird ainda aponta que a atividade ilegal impede que países emergentes recebam cerca de US$ 5 bilhões em impostos e royalties. Segundo o estudo, parte desses recursos é usado em práticas corruptas envolvendo autoridades.

Lundell acredita que esse problema está sendo vencido no Brasil. Segundo ele, o estudo faz referência, no caso brasileiro, a fatos ocorridos no passado em Mato Grosso, “onde, também, nos últimos dois anos, o desmatamento caiu bastante”. Também disse que o governo brasileiro demonstrou que não tem problemas com a aplicação de recursos nessas ações, mas que precisa investir mais em planejamento. Lundell acredita que a ampliação do Cadastro Ambiental Rural pode colaborar para que sejam atingidos melhores resultados.

“Tem que ter programas federais que ajudem os estados a se estruturar para implementar o Cadastro Ambiental Rural com foco, principalmente, no Cerrado e na Amazônia. Sem o cadastro é difícil saber quem desmatou ilegalmente. Os sistemas atuais identificam o desmatamento, mas não têm como mostrar quem fez e em qual propriedade foi feito o desmatamento”, explicou.

 

do Vermelho.org

 

31 DE MARÇO DE 2012 - 13H02 

Paim: rádios comunitárias devem ser incluídas na Lei Rouanet

 

Nota publicada neste sábado (31), pelo gabinete do senador Paulo Paim (PT-RS), informou que a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) realizará, nesta quarta-feira (4), audiência para discutir a possibilidade das rádios comunitárias receberem recursos previstos na Lei Rouanet (Lei 8.313/1991). 


Ao todo, são 33 matérias em pauta na reunião que começa às 9h.

O autor do projeto (PLS 629/2011) que prevê a proposta é o senador Paulo Paim (PT-RS). 

Ele justifica o investimento nas rádios comunitárias por vê-las como responsáveis por “difundir ideias, elementos de cultura, tradições e hábitos da população local, formando, integrando e estimulando o convívio social”. 

Em declaração à imprensa, Paim observou que essas emissoras têm dificuldade de financiamento.

“A legislação em vigor admite apenas o patrocínio como apoio cultural de estabelecimentos situados na área da comunidade. Isso não é suficiente para atender às necessidades das rádios comunitárias”, argumenta o senador.

Com informações da Agência Senado

 

 

 

daRede Brasil Atual

 

Apolônio de Carvalho tem exposição e livro para lembrar centenário de vida e lutas

 

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 31/03/2012, 13:00

Última atualização às 17:44

  Apolônio de Carvalho tem exposição e livro para lembrar centenário de vida e lutas

Detalhe do material de divulgação da exposição sobre a vida e luta de Apolônio de Carvalho, agora em São Paulo (reprodução)

São Paulo – O Memorial da Resistência de São Paulo inaugura neste sábado (31), a exposição “Apolônio de Carvalho, a trajetória de um libertário”, no ano em que o militante brasileiro completaria seu centenário de vida. A data já rendeu homenagens em forma de filme e livro, este último de autoria de Renée France de Carvalho, companheira de Apolônio por mais de 60 anos.

Com trajetória marcada pela luta por causas sociais, Apolônio é tema de uma exposição que já passou, em 2005, pela França, no Museu de Resistência e Deportação de Toulouse, cidade no sul daquele país e que foi libertada do domínio nazista sob o comando de Apolônio, em 1949.

No Brasil, a mostra já passou por Rio de Janeiro (em 2007) e Recife (2008). A exposição ainda vai apresentar o documentário “Vale a pena sonhar” (de 2002), que tem um depoimento do ativista, morto em 2005.

Leia na Revista do Brasil:
» Brigadas da liberdade - a sangrenta guerra contra o fascismo de Franco

A exposição é composta por cerca de 30 painéis com fotos, documentos, cartazes e textos. O material mostra a história de Apolônio desde a sua infância, em Corumbá, passando pelos principais acontecimentos políticos e sociais do século 20, como a Insurreição de 1935, a Guerra Civil Espanhola, a Resistência Francesa contra o nazismo e a luta contra a ditadura militar, o exílio, a anistia e a reconstrução democrática no Brasil.

Apolônio de Carvalho já foi inspiração também para o escritor baiano Jorge Amado, que em seu “Subterrâneos da Liberdade”, criou um personagem chamado Apolinário, inspirado no comunista.  Para Amado, Apolônio era um “herói de três pátrias”, por seu histórico de lutas em três países: Brasil, França e Espanha.

Memórias

Em fevereiro passado, quando Apolônio completaria 100 anos, a Editora Fundação Perseu Abramo lançou “Uma vida de lutas – Renée France de Carvalho”, obra que retrata a história de resistências à opressão vividas pela viúva do ativista, em especial o período em que integrou a resistência francesa contra a invasão nazista. A obra será relançada nesta sábado (31), na abertura da exposição.

Renée relata também as perseguições sofridas pelo casal, devido à afronta de ambos contra a ditadura militar no Brasil, instaurada a partir do golpe de 1964. Os dois também tiveram participação ativa na fundação do PT. O livro, aliás, tem prefácio assinado pelo ex-presidente Lula.

Serviço:
Exposição: Apolônio de Carvalho, a trajetória de um libertário
Memorial da Resistência - Até 1 de julho
Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h – Entrada gratuita
Lgo. General Osório, 66 – Centro
São Paulo - 11 3335-4990

 

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/03/um-voto-de-confianca.html#more

 

Preciso da ajuda de todos. Não sou de fazer isso, mas a importância do trabalho é tão grande que decidi apelar. No próximo domingo vai ao ar durante o Domingo Espetacular, na Rede Record, um documentário que produzi ao lado do premiadíssimo jornalista e amigo Gustavo Costa.

Falei sobre este trabalho aqui, dias atrás. Trata-se de uma história incrível, que dificilmente aparecerá de novo na vida de um jornalista para contar. É sobre a saga do médico Marcelo dos Santos, de 27 anos, que trabalhou durante sete meses na Cracolândia, em São Paulo, e que morreu subitamente.

Um menino pobre, que estudou em escola pública e que, com a ajuda da tia, decidiu fazer medicina na faculdade mais concorrida do país, a USP. Admirado pelos colegas, que o consideram genial e empurrado pela jovem esposa, Marcelo conseguiu terminar o curso.

Estava entediado, porque trabalhava em um hospital público na periferia e passava boa parte do tempo fazendo atestados médicos para as pessoas justificarem suas faltas no trabalho até que, um dia, recebeu um convite inusitado: trabalhar numa zona de guerra.

 O jovem médico mergulhou de cabeça naquela realidade cruel e desumana. Em várias situações arriscou a vida, mas aos poucos conquistou a confiança de usuários e traficantes. Passou a ser chamado para ver doentes nos buracos, cubículos onde viviam os doentes dentro das ruínas, um cenário desolador.
Doutor Marcelo produziu um diário que retrata a vida dos usuários de crack na maior e mais rica cidade da América Latina. O que o jovem médico relatou é assustador. Pessoas sem as mínimas condições de higiene, abandonadas, torturadas, abusadas, coagidas...


Começou a se revoltar com a ausência do Estado e a mão pesada dos homens da Lei. Brigou, denunciou e pediu ajuda, aqui e fora do país. Pouco conseguiu. Precisou recorrer à presidência da República, para ter sua voz ouvida pelas autoridades. Mas não deu mais tempo.

O enredo é perturbador e o desfecho deixa um enorme ponto de interrogação. Sem falsa modéstia, a riqueza de detalhes, a qualidade na captação das imagens e entrevistas, o cuidado com o roteiro e a edição, tudo isso faz de Doutor Marcelo, o Diário do Inferno o melhor trabalho que já fiz em mais de vinte anos de carreira.

Conto com a audiência de todos, como também com a divulgação entre os parentes e amigos. Estou certo de que você não ficará indiferente depois de conhecer essa história. Muito obrigado, amigos.

 

Do diário de Notícias de Lisboa

Regulador brasileiroOPA sobre a Cimpor abranda

por DN.pt  Hoje

A entidade reguladora da concorrência brasileira alega desconhecer os pormenores da Oferta Pública de Aquisição da Camargo e Corrêa sobre a portuguesa Cimpor

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela empresa brasileira Camargo e Corrêa sobre a Cimpor - com o objetivo de reforçar o domínio que já detém na cimenteira portuguesa - foi travada no Brasil, noticiou o site ptjornal.

O negócio só poderá avançar com o aval das entidades reguladoras da concorrência, mas o Conselho Administrativo de Defesa Económica (Cade) já divulgou que desconhece os detalhes da operação.

O regulador brasileiro tem conhecimento da OPA mas só poderá avalizar o reforço da posição da Camargo e Corrêa na Cimpor quanto tiver em cima da mesa o dossiê completo, avança o site ptjornal.

Neste momento, o Cade está a estudar a atual participação da empresa brasileira na cimenteira portuguesa (possui cerca de 33 por cento), mas desconhece ainda as últimas mudanças societárias nos quadros de ambas as empresas.

 

Do VI O MUNDO, por Luís Carlos Azenha

1º de abril: Cordão da Mentira vai escrachar apoiadores da ditadura

Concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação.

Venham todos e todas fantasiados para o Cordão da Mentira!

Sugestões de fantasia: médico legista, advogado, político, padre, bispo, policial militar…e não esqueçam, nossas cores são o vermelho e o preto!

Depois dos assassinos e torturadores, agora é a vez dos apoiadores do golpe civil-militar de 1964 serem alvos de protestos.

Passando por jornais, empresas e lugares simbólicos do apoio civil à ditadura, o Cordão da Mentira irá desfilar pelo centro da cidade de São Paulo para apontar quais foram os atores civis que se uniram aos militares durante os anos de chumbo.

Os organizadores –coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas da capital– afirmam ter escolhido o 1º de abril, Dia da Mentira e aniversário de 48 anos do golpe, para discutir a questão “de modo bem-humorado e radical”.

Ao longo do trajeto, os manifestantes cantarão sambas e marchinhas de autoria própria e realizarão intervenções artísticas que, segundo eles, pretendem colocar a pergunta: “Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”.

O desfile do Cordão da Mentira acontecerá, portanto,  neste domingo, 1º de abril, dia da mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, na frente do Cemitério da Consolação.

Venham todos e todas fantasiados para o Cordão da Mentira!

Sugestões de fantasia: médico legista, advogado, político, padre, bispo, policial militar…e não esqueçam, nossas cores são o vermelho e o preto!

O último ensaio será neste sábado, 31 de março, às 15h30, no Bar do Raí: Rua  Dr. Vila Nova  com  Gen Jardim, na Vila Buarque.

TRAJETO

A concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação.

Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.

Dali, os foliões-manifestantes seguem para a sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.

Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva –que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura– o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.

A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.

Finalmente, será na antiga sede do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), na rua General Osório, que o Cordão da Mentira morrerá.

TRAJETO

R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia

Av. Higienópolis – sede da TFP

R. Martim Francisco

R. Jaguaribe

R. Fortunato

R. Frederico Abranches

Parada no Largo da Santa Cecília

R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva

R. Barão de Campinas

R. Glete

R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo

R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz

R. Mauá

Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do DOPS

Parceiros:
- Bloco Carnavalesco João Capota Na Alves
- Brava Cia.
- Buraco d’Oráculo
- Cia. Antropofágica
- Cia. Estável de Teatro
- Cia. Estudo de Cena
- Cia. do Latão
- Cia. São Jorge de Variedades
- Coletivo Contra a Tortura
- Coletivo Dolores Boca Aberta
- Coletivo Desentorpecendo A Razão
- Coletivo Merlino
- Coletivo Político Quem
- Coletivo Zagaia
- Comboio
- Comitê Paulista de Verdade Memória e Justiça
- CSP – Conlutas
- Engenho Teatral
- Esquina da Vila
- Grupo Folias
- Grupo Milharal
- Grupo Tortura Nunca Mais/SP
- Kiwi Companhia de Teatro
- Luta Popular
- Mães de Maio
- Ocupa Sampa
- Os Aparecidos Políticos
- Projeto Nosso Samba de Osasco
- Rua do Samba Paulista
- Samba Autêntico
- Sarau do Binho
- Sarau da Vila Fundão
- Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo – SASP
- Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo – SINTUSP
- Tanq_ ROSA Choq_
- Tribunal Popular

O Cordão da Mentira conta com um grupo de sambistas, bateria e grupos de teatro que apresentarão músicas e encenações especialmente produzidas para o desfile da mentira!