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do site da FAPESP

Laboratório do HU-USP vira referência para pesquisas com humanoshttp://agencia.fapesp.br/15392April 2, 2012

Desde 2004, o Serviço de Laboratório Clínico do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo tem investido em capacitação de funcionários e na obtenção de certificados de boas práticas (HU-USP)

 Especiais

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Quando o Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP) foi inaugurado, em 1981, seu Serviço de Laboratório Clínico (SLC-HU) tinha como missão apenas atender a demanda por exames dos pacientes atendidos na unidade. Desde 2004, porém, o SLC-HU vem se tornando referência para pesquisas com humanos feitas em todo o país.

No momento, 39 projetos são desenvolvidos com colaboração do SLC-HU, entre eles o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que conta com 15 mil voluntários, seis centros de pesquisa e pretende investigar aspectos epidemiológicos, clínicos e moleculares de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes.

“Há alguns anos, os pesquisadores realizavam os exames em seu próprio laboratório. Compravam os kits e faziam. Mas hoje não se consegue publicar um trabalho feito dessa forma em uma revista especializada”, disse Marina Baquerizo Martinez, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e diretora do SLC-HU.

Para que se tenha certeza de que os resultados das pesquisas são confiáveis, segundo Martinez, é preciso que as amostras tenham sido analisadas em laboratórios acreditados. A legislação brasileira também passou a exigir, a partir de 1996, comprovação de boas práticas clínicas e laboratoriais nas pesquisas com humanos.

Notando a dificuldade de pesquisadores em encontrar locais adequados para coletar e analisar amostras, a direção do SLC-HU passou a investir na capacitação de seus funcionários e a buscar certificações que tornariam o laboratório apto a prestar esse tipo de serviço.

Em 2006, obteve a certificação por uma entidade acreditada pelo Inmetro com o NBR ISO 9001. Em seguida, o laboratório foi acreditado pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica por meio do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (Norma PALC). Agora, busca a acreditação pelo Programa de Acreditação do College of American Pathologists (CAP).

“No Brasil, há outros laboratórios certificados, mas nosso diferencial é ter um setor exclusivo para receber amostras biológicas de projetos de pesquisa”, disse Martinez.

O SLC-HU conta com 74 funcionários e oferece exames nas áreas de análises clínicas, bioquímica, urinálise, hematologia, parasitologia, microbiologia, imunologia e hormônios. Trabalha ainda com técnicas de biologia molecular.

Pesquisadores interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091 9303 ou pelos e-mails slc.diretoria@hu.usp.br e slc.tec@hu.usp.br.

 

do Estadao.com.br

Figueiredo ameaçou apoiar Argentina militarmente se britânicos a invadissem

 

Marcelo de Moraes, de Brasília

 

BRASÍLIA - Arquivos secretos mostram que o governo brasileiro alertou os EUA que não aceitaria que tropas britânicas atacassem a região continental da Argentina durante a Guerra das Malvinas. O documento inédito, ao qual o Estado teve acesso, narra dois encontros em maio de 1982 entre os então presidentes do Brasil, general João Baptista Figueiredo, e dos EUA, Ronald Reagan, além do secretário de Estado dos EUA, Alexander Haig.

 Reagan (à esq) e Figueiredo - Arquivo/AEArquivo/AEConversa: Reagan (à esq) e Figueiredo

 

O documento pertence ao acervo do Conselho de Segurança Nacional, guardado no Arquivo Nacional, em Brasília, e tem a rara classificação de “ultrassecreto”.

 

Na primeira conversa, no dia 11 de maio, na Blair House – a casa de hóspede oficial do presidente dos EUA –, Figueiredo encontra-se apenas com Haig, numa preparação para a reunião presidencial, dois dias depois, com Reagan.

 

Tanto ele quanto Haig lamentam que a disputa pelas Malvinas – que os britânicos chamam de Falklands – tenha se tornado um conflito militar e tentam operar como moderadores. Mas Figueiredo avisa que as consequências poderiam ser muito piores se os britânicos terminassem por combater em solo continental, em vez de apenas no Arquipélago das Malvinas.

 

O general brasileiro dá a entender que essa situação não seria aceita na América do Sul e o Brasil poderia até mesmo se posicionar militarmente ao lado dos vizinhos.

 

Segundo o documento, ao término do encontro, Haig perguntou a Figueiredo se “haveria algo que pudesse dizer ao presidente Ronald Reagan” como preparação para o encontro do dia seguinte.

 

Segundo o relato do arquivo, “o presidente Figueiredo, em resposta, disse que só tinha uma preocupação, qual seja a do fato consumado de que a Inglaterra promova ação no continente, o que teria repercussões desastrosas na América do Sul”.

 

O documento deixa claro que “o presidente Figueiredo assinalou a necessidade de que essa hipótese seja evitada a todo custo”. O receio brasileiro era que um ataque desse tipo, representando invasão de território sul-americano por um país europeu, provocasse forte reação popular contrária.

 

‘Solidariedade americana’. Segundo o relato do encontro, feito pela inteligência do Exército brasileiro, o presidente Figueiredo afirmou que, para o Brasil, “a situação é extremamente penosa”. “Pois não se pode avaliar até que ponto se pode conter a opinião pública. Se ocorrer o pior, a solidariedade americana certamente eclodirá”, cita o texto. “Que a Inglaterra não chegue a esse ponto, pois seria muito delicado”, diz o documento.

 

Haig concorda com o presidente brasileiro, mas é extremamente direto ao afirmar que “não se pode controlar o que a Inglaterra vai fazer”.

 

E vai mais além: afirma que não sabe o que Londres fará, “mas apenas que está pronta a fazer alguma coisa”.

 

O secretário de Estado lembrou que, quando o governo peruano participou de uma intermediação em busca de um acordo diplomático, quase houve uma solução pacífica para a disputa pelas Malvinas.

 

Mas, sem acordo, a situação tinha se deteriorado desde então. Segundo a narrativa dos militares brasileiros, Haig teria dito que, naquele momento, “os Estados Unidos não sabem o que os ingleses farão, porque nada dizem”. E avisou: “Estão nervosos”.

 

Olho de Moscou. No mesmo encontro, Haig e Figueiredo falam abertamente sobre o risco de a União Soviética aproveitar-se do conflito para aumentar sua margem de influência em relação aos argentinos. No domingo, documentos secretos revelados pelo Estado mostraram que o governo brasileiro temia que os soviéticos ajudassem a Argentina até mesmo com seu programa nuclear, fornecendo urânio enriquecido.

 

Haig diz a Figueiredo que “a União Soviética já estava pescando em águas turvas”, porque o embaixador soviético em Washington comentara que seu país não pretendia ajudar a junta militar que comandava a Argentina, “mas o povo argentino”.

 

Conforme o relato do encontro, Haig “confirmou que a URSS estava jogando a longo prazo (sic)”. Figueiredo concordou e afirmou que “quem estava lucrando era exatamente a União Soviética”. E defendeu que “não se pode perder a Argentina para a causa do Ocidente e este objetivo somente seria realizável desde que o regime argentino não se desestabilizasse”.

Na conversa, o presidente brasileiro afirma que seu medo era que o governo argentino caísse “nas mãos dos peronistas, como aliados dos comunistas, que dele posteriormente tomariam conta”. Para Figueiredo, essa combinação poderia provocar o aparecimento no sul do continente de “uma Cuba muito maior”. 

 

da Folha.com

Google Maps passa a informar trajeto com base no tráfego em tempo real

 

O Google anunciou nesta segunda-feira (2) que o Google Maps inclui a partir de agora recurso que informa a duração do trajeto a ser percorrido considerando o tráfego em tempo real.

"Este novo e melhorado sistema permite avaliar as condições reais de trânsito e é constantemente atualizado para oferecer a estimativa mais precisa possível", afirma Szabolcs Payrits, engenheiro de software do Maps, em um dos blogs do Google.

O novo programa do Google permite conhecer, nas maiores cidades, o histórico de tráfego de determinadas vias conforme hora do dia e as melhores alternativas a ruas e avenidas congestionadas.

Até agora o Google Maps oferecia aos usuários um tempo estimado de viagem baseado em dados históricos de trânsito. Desde o ano passado, o Google trabalha em uma nova versão do serviço para que seu sistema de rotas fosse atualizado instantaneamente.

 Reprodução/google-latlong.blogspot.com Imagem de reprodução mostra Londres com as novas informações de tráfego geradas pelo Google MapsImagem de reprodução mostra Londres com as novas informações de tráfego geradas pelo Google Maps

O novo recurso informará a estimativa do trajeto com duas informações de tempo distintas: a duração quando as vias estão totalmente livres e a estimada para o tráfego no momento da solicitação.

Esses dados são recolhidos através de informação de serviços de trânsito locais e através dos usuários de smartphones com sistema operacional Android --contanto que a opção "Meu Local", no Google Maps, esteja ativada.

Dessa maneira, o Google poderá identificar os aparelhos com Android que se deslocam mais lentamente que o habitual em uma rua por causa do trânsito. Portanto, segundo Payrits, a precisão do serviço deve aumentar com um maior número de usuários.

 

A rapidez da PGR em investigar políticos ... do governo.

 

 

Procuradoria abre investigação contra o ministro Guido MantegaEle é acusado de ter sido omisso em um suposto esquema de corrupção comandado pelo ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Denucci

Wilson Lima, iG Brasília 02/04/2012 19:01

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Texto:

A Procuradoria da República do Distrito Federal abriu procedimento investigatório para apurar possível ato de improbidade administrativa pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele é acusado de ser sido omisso quanto a um suposto esquema de corrupção comandado pelo ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci.

Foto: APAmpliar

Guido Mantega: acusado de omissão

 

A representação contra o ministro da Fazenda foi protocolada na Procuradoria Geral da República (PGR) em fevereiro pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Em 16 de março, o procurador-geral, Roberto Gurgel, encaminhou o caso à Procuradoria do DF por entender que não havia necessidade de remeter o processo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a abertura de uma investigação.

O procedimento administrativo foi instaurado na quinta-feira da semana passada, assinado pelo titular do 3º Ofício de Patrimônio Público, procurador da República Júlio Carlos Schwonke. A equipe tem 90 dias para apresentar as primeiras conclusões desta investigação. Se o tempo não for suficiente, a Procuradoria da República pode converter o procedimento em um inquérito civil público.

No início do ano, reportagem da Folha de São Paulo afirmou que Denucci recebeu U$$ 25 milhões de empresas fornecedoras da Casa da Moeda. Ele foi demitido após Mantega saber do teor da reportagem. Até o fechamento desta matéria, o ministro não havia se pronunciado sobre o assunto.
 

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/procuradoria-abre-investigacao-contra-o-ministro-guido-mantega/n1597730208741.html

 

A truculência é premiada na PM paulista.

 

 

DA FOLHA

Comandante da PM paulista entrega o cargo ao governador

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ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

O coronel Álvaro Batista Camilo não é mais o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo. Ele entregou o cargo ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) no fim da manhã desta segunda-feira.

Até a escolha do novo comandante-geral, os cerca de 96 mil PMs de São Paulo serão comandados pelo também coronel Pedro Batista Lamoso, que era o subcomandante-geral na gestão de Camilo.

Camilo irá para a reserva em maio, mas a cúpula da Segurança Pública decidiu acelerar a transição, que deve imprimir novo perfil à PM.

Entre os nomes à mesa de Geraldo Alckmin o favorito é César Franco Morelli, hoje à frente da Tropa de Choque. Próximo do secretário Antonio Ferreira Pinto e tido na polícia como "linha dura", ele liderou a desocupação da reitoria da USP em novembro.

Seu efetivo também agiu na cracolândia e no Pinheirinho.

Com a saída de Camilo, no cargo desde abril de 2009, a tendência é de substituição gradativa nos 12 postos de comando do organograma da PM.

 Carlos Cecconello-24.jan.12/Folhapress Coronel Álvaro CamiloCoronel da PM Álvaro Batista Camilo

 

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1070638-comandante-da-pm-paulista-entrega-o-cargo-ao-governador.shtml

 

do Carta Maior

 

Lilián Celiberti três décadas depois Prova viva da chamada Operação Condor, a uruguaia que foi presa e torturada em Porto Alegre-RS encara o passado sombrio “como um dever cidadão” . Em entrevista concedida à Carta Maior, Lilian Celiberti, que hoje trabalha na Articulação de Organizações Feministas do Mercosul, se descreve como uma “militante dos direitos das mulheres, dos afrodescendentes, dos direitos humanos”. E é nessa luta pelos direitos humanos que seu passado tem espaço em sua vida. A reportagem é de Daniella Cambaúva e Waldemar José.

Passaram-se quase trinta e quatro anos do momento em que, na rodoviária de Porto Alegre, a polícia brasileira prendeu a uruguaia Lilián Celiberti. Depois daquele dia, a então militante de oposição à ditadura do Uruguai (1973-1985) foi torturada, presenciou a prisão dos filhos e foi separada deles. Levada para Montevidéu, foi condenada a cinco anos de prisão e conseguiu sobreviver. Para quem espera dela um relato carregado de comoção, com voz embargada e revanchista, Lilián se mostra uma mulher serena, obstinada e, sobretudo, consciente de sua tarefa política.

Em entrevista concedida à Carta Maior, ela conta que hoje trabalha na Articulação de Organizações Feministas do Mercosul e se descreve como uma “militante dos direitos das mulheres, dos afrodescendentes, dos direitos humanos”. E é nessa luta pelos direitos humanos que seu passado tem espaço em sua vida: Lilián é uma das únicas provas vivas da existência da Operação Condor, uma manobra clandestina planejada e coordenada pelas ditaduras sul-americanas para capturar aqueles que pudessem representar alguma ameaça aos regimes. Ou, como define ela, é a “expressão planejada de um fundamentalismo genocida que foi parte da doutrina que animou exércitos latino-americanos nas décadas de 60 e 70”.

Enquanto testemunha, já deu diversos depoimentos relatando seu sequestro e já precisou reconhecer pessoalmente seus torturadores – uma tarefa que realizou “sem nenhum ódio singular”. “Simplesmente pude olhar em sua cara e dizer: 'Sim, é ele'”, contou.

Para ela, enfrentar passado “é como um dever cidadão”: “Não tenho medo, não tenho ódio. Vejo hoje com uma certa distância pessoal. Claro, tenho minhas dores basicamente em relação ao que meus filhos suportaram nessa experiência tão traumática”.

***

Quando chegou ao Brasil, em 1976, Lilián não imaginava que se tornaria, junto de seus filhos, a primeira testemunha daquela operação. Ela e seu colega Universindo Rodriguez Díaz trabalhavam em uma campanha para tentar localizar uruguaios desaparecidos. “Pegávamos seus depoimentos, sistematizávamos e apresentávamos para divulgar porque não se tinha tanta consciência do desaparecimento forçado como método de repressão”, disse.

O que levou à sua prisão, em 1978, foi a captura, em Montevidéu, de uruguaios enviados clandestinamente para o Brasil com objetivo de identificá-la. Depois de presa, com um capuz na cabeça, ficou em um lugar desconhecido, onde foi torturada “com eletricidades no corpo e com água”. Até que, em sua bolsa, os policiais encontraram seu endereço – um prédio da rua Botafogo, número 621, também em Porto Alegre, onde estavam seus filhos e Universindo. “Eu tinha mais medo porque sabia o destino dos desaparecidos. Tínhamos trabalhado desde 76 com militantes de esquerda e sabíamos que o desaparecimento significava a morte. E eu queria evitar que meus filhos desaparecessem”.

Lilián conta que, para ela, a única salvação era tentar ficar em Porto Alegre e denunciar o sequestro. Isso porque, “no Brasil, havia situação política diferente do Uruguai. No Uruguai, havia um terror absoluto. Nenhuma palavra poderia chegar ao nível público”. A estratégia para enganar os militares era oferecer seu apartamento como isca para atrair companheiros na clandestinidade. Como já estava havia cinco dias longe dos lugares que habitualmente frequentava, ela contou com a possibilidade de seus amigos perceberem que havia algo errado. “Era uma coisa muito perigosa porque meus companheiros poderiam pensar que eu estava colaborando com os miliares”, disse.

Seu plano finalmente prosperou quando um de seus colegas telefonou para o jornalista Luiz Cláudio Cunha, então chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, e denunciou que dois uruguaios estavam detidos no endereço da rua Botafogo. Com isso, Luiz Cláudio e o fotógrafo João Baptista Scalco foram ao apartamento e comprovaram o que se denunciava no telefonema anônimo.

Para Lilián, é certo que a presença dos jornalistas em seu apartamento salvou sua vida, principalmente porque a visita dos dois rendeu uma série de reportagens publicadas na revista Veja e deu visibilidade para o caso. “Se desaparecêssemos, o Brasil ficaria muito comprometido, porque dois jornalistas já tinham nos visto. Se nos matassem, deixaríamos uma pista”.

Nos dias em que ficou presa em sua própria casa, Lilián não sofreu tortura física. “Só estava eu. Universindo e meus filhos já estavam no Uruguai. A tortura era não ter meus filhos. Tortura maior não conheço. Não me tocaram. Primeiro, porque pensaram que eu ia entregar gente. Depois, porque tinham a maior carta na manga contra mim: os meus filhos”.

Na época, Camilo tinha sete anos e Francesca, três. Com a mãe na prisão durante os cinco anos que se sucederam ao sequestro, foram criados pelos avós maternos, Lilia e Homero.

Ao contrário do que possa se pensar por conta de traduções incautas da palavra “pareja”, ela e Universindo nunca foram casados, mas foram sempre companheiros de militância. Segundo Lilián, ele, historiador e pesquisador da Biblioteca Nacional do Uruguai, esteve doente, mas já está se recuperando. “Nós dois temos sido muito amigos e unidos para sempre por um episódio que nos fez viver as mesmas coisas”.

***

Em fevereiro de 2012, a Justiça uruguaia aceitou reabrir o caso do sequestro dos uruguaios no Brasil, arquivado pela ditadura daquele país, e Lilián já formalizou sua denúncia, aceita pela juíza Mariana Motta. Essa mesma juíza, em fevereiro de 2011, condenou Bordaberry a 30 anos de prisão por liderar o golpe de 1973 e por sua responsabilidade pelos desaparecidos naquele período. O ex-ditador cumpriu três meses na prisão e foi transferido para casa por razões de saúde. Morreu dois meses depois.

Quando questionada sobre a possibilidade de seus torturadores serem punidos, Lilián responde otimista. “No Uruguai, há vários casos abertos. Nosso caso também está aberto e a justiça também está investigando esses militares que participaram. Estão descobrindo cadáveres de pessoas desaparecidas. Há um trabalho de investigação e também confio que, no Brasil, também haja esse movimento, que é um direito de todos”, afirmou.

Ela acredita, porém, que existe um caminho a ser percorrido não apenas por meio das autoridades – que também têm sua responsabilidade –, mas por toda a sociedade. “Os homens e mulheres deste momento têm que reclamar, que querer saber, buscar a verdade, voltar a esses episódios do passado. A cumplicidade é um sistema muito mais amplo, está no poder político, mas também na sociedade”.

 

Nassif, análise interessante do José Roberto de Toledo sobre a polarização PT - PSDB refletida nos bairros da capital paulista.

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - O Estado de S.Paulo

Quem percorre os 20 quilômetros da avenida Sapopemba, cortando a zona leste da cidade de São Paulo, desde os limites da Mooca até os confins de São Rafael, assiste a uma paulatina mudança de paisagem urbana: marcas famosas vão sumindo das fachadas do comércio, construções perdem o acabamento e os anos de uso dos carros em circulação se tornam proporcionais à quantidade de lombadas e buracos interpostos pelo caminho.

 

Enquanto rodam dígitos no hodômetro, terrenos baldios intercalam conjuntos habitacionais e casas cada vez mais modestas. O mato invade o espaço que seria das calçadas e até uma multicolorida lona surge na tangente de uma curva à esquerda: "Circo de Cuba". A coincidência assume ares premonitórios.

Entre a esquina com a avenida Salim Farah Maluf e a encruzilhada com a estrada do Rio Claro, o conteúdo das urnas eletrônicas sofre um câmbio tão radical quanto a substituição do falar italianado - típico dos moradores de bairros adjacentes ao começo do trajeto - pelo sotaque nordestino, de quem vive no extremo oposto.

São dois territórios com preferências partidárias arraigadas e muito diferentes entre si. No 2.º turno da eleição presidencial de 2010, José Serra (PSDB) teve 72% dos votos na 4.ª Zona Eleitoral, a da Mooca. Mas a proporção mudava a cada quilômetro adiante, até Dilma Rousseff (PT) alcançar 65% da votação na zona eleitoral de São Mateus.

O voto do paulistano está relacionado ao bairro onde ele mora. O PT tem seus maiores redutos na região periférica da cidade, enquanto o PSDB é forte no centro expandido. Esse padrão se repete desde os anos 90 em todas as votações - para vereador ou presidente, passando por prefeito, deputado e governador.

O determinismo geográfico do voto reflete uma divisão de classe. A explosão demográfica de São Paulo centrifugou imigrantes e trabalhadores de baixa renda entre os anos 40 e 80 do século passado. Em regra, quanto mais longe a moradia, mais pobre o morador. Quanto mais periferia, menos calçamento, iluminação e hospitais.

O PT reforçou o geovoto durante os governos de Luiza Erundina (1989 a 1992) e Marta Suplicy (2001 a 2004). Canalizou investimentos, programas assistenciais e assistencialistas para as regiões mais pobres e distantes das zonas sul e leste da cidade. Cativou seu eleitorado em Parelheiros e Guaianases, por exemplo, mas alienou eleitores dos bairros mais centrais que se sentiram preteridos com a mudança de prioridade.

O PSDB é menos organizado que o PT, como provou o baixo quórum das prévias tucanas na cidade. Mas, se faltam militantes, seu eleitorado é tão fiel quanto o petista. Em 2008, PT e PSDB lideraram, juntos, os votos de legenda para vereador em São Paulo: 21% para cada partido. A divisão se repetiu em 2010 na eleição para deputado federal. A legenda do PT recebeu 22%, e a do PSDB ficou com 19% - bem à frente dos demais partidos.

A concentração do eleitorado tucano é proporcional à riqueza dos moradores. No centro expandido, varia de 82% no homogêneo Jardim Paulista a 68% no Butantã, uma zona eleitoral que mescla bairros ricos como Cidade Jardim e Morumbi com comunidades pobres, como Jardim Jaqueline e Morro da Fumaça.

Em décadas passadas, a outra parte do eleitorado antipetista foi janista e malufista. É o segmento que se concentra numa faixa contínua, desde o Jaçanã e a Vila Maria, ao norte, até a Vila Prudente, onde a zona leste faz esquina com a zona sul. Decepcionado e/ou desamparado por seus líderes, esse eleitor voltou-se para quem tem mais chances de derrotar os petistas. Votou em Serra em 2004 e em Gilberto Kassab (então no DEM) em 2008.

Nesses pedaços da cidade, só muda a intensidade da vitória, mas o vencedor é sempre o mesmo: petistas na extrema periferia e tucanos no centro expandido e no colar janio-malufista. Por isso, tornou-se estratégico o meio do caminho entre o petismo e o antipetismo. São as zonas eleitorais que oscilam de um partido a outro de eleição para eleição. É também uma zona de transição social, de emergência da nova classe média, que muda de hábitos de consumo e pode mudar também de partido.

Na zona leste, os termômetros que indicarão para qual lado a eleição vai virar são Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Vila Jacuí, Ponte Rasa, Vila Matilde, Itaquera, Conjunto José Bonifácio e Sapopemba. Na zona sul: Jardim São Luís, Socorro e Campo Limpo. Juntos, eles somam 1 milhão de votos válidos. O futuro prefeito de São Paulo deve sair de para onde essa zona balançar.

 

A notícia que lidera o ranking das mais lidas no UOL Economia hoje tem uma manchete escandalosamente distorcida, para atiçar os desinformados e polemizar sobre o nada. Ainda mais reveladora é a reação dos "leitores": a horda de comentaristas de lá está despejando toda sua ira contra a Previdência Social, que a medida irá agravar ainda mais o "rombo", que é eleitoreira, que tem que privatizar tudo mesmo. Realmente foram bem adestrados nos últimos anos, confirmando a célebre frase de Pulitzer.

 

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http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/04/01/trabalhad...

 

01/04/2012 - 18h23Trabalhador que não contribuiu também poderá se aposentar, diz Previdência SocialLourenço CanutoDa Agência Brasil, em Brasília  Comentários 166

  • Empregado deverá apresentar Carteira Profissional, com anotações de entrada e saída do emprego

    Empregado deverá apresentar Carteira Profissional, com anotações de entrada e saída do emprego

O trabalhador que teve vínculo empregatício, mas não teve as contribuições mensais recolhidas à Previdência Social, deve ter o seu tempo de serviço reconhecido normalmente, para efeito de aposentadoria, segundo entendimento do presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), Manuel Rodrigues.

O presidente disse que para o reconhecimento do direito basta que o empregado apresente, quando for se aposentar, a Carteira Profissional, com a anotação do contrato de trabalho, com a data de entrada e de saída do emprego.

Outra prova importante que justifica o tempo de serviço do trabalhador para ser beneficiário da Previdência Social é a apresentação da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) que todo ano os empregadores têm que encaminhar ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Como a Rais só passou a existir a partir de 1976 e os dados são informados pelas Delegacias Regionais do Trabalho e inseridos no Cadastro Nacional de Informações Sociais, quem trabalhou antes disso só terá como prova a Carteira Profissional.

Em reunião na semana passada no CNPS, Manuel Dantas destacou que "há uma cultura do trabalhador brasileiro de recorrer à Justiça quando tem qualquer problema com o Instituto Nacional do Seguro Social".

Ele disse que a Previdência Social é o foro apropriado para resolver as questões com o INSS. Segundo ele, recorrer ao Judiciário envolve demora nas soluções e alto custo para a União. De todos os precatórios pagos anualmente pelo governo, 85% envolvem ganhos de causa dos trabalhadores contra a Previdência Social.

O presidente do CNPS disse que vai lutar para melhorar a estrutura da área de recursos da Previdência, para agilizar a solução para o estoque de recursos que estão em tramitação. "Os trabalhadores pensam logo de saída em ir para a Justiça, porque não estão bem informados sobre as possibilidades de solução, no âmbito administrativo da Previdência Social".

Dantas disse que conta com o apoio do ministro Garibaldi Alves Filho para ampliar a estrutura do conselho de recursos. Ele lembrou que existem no país mais de 6 milhões de empregados domésticas que não têm carteira assinada. "Quando chegar a idade de aposentadoria, não terão como provar que trabalharam". Por isso chama a atenção para a importância de as donas de casa assinarem as carteiras de seus empregados domésticas, para que no futuro tenham proteção previdenciária.

 

02/04/2012 - 12h46

Lula ganha prêmio na Espanha por luta contra a pobreza

DA FRANCE PRESSE

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido nesta segunda-feira para receber o 24ª Prêmio Internacional Catalunha por suas políticas "a serviço de um crescimento econômico justo" e sua luta contra a pobreza, segundo anunciou o presidente regional catalão, Artur Mas.

O júri da premiação reconheceu na gestão do ex-presidente brasileiro uma "política de crescimento econômico justo, que colocou o país à frente de globalização, criando uma classe média e favorecendo a partilha mais justa da riqueza e das oportunidades".

O prêmio é oferecido às pessoas que contribuem com a promoção dos valores culturais, científicos e humanos em todo o mundo. Segundo o júri, Lula também foi agraciado por "sua trajetória pessoal e sua luta contra a pobreza e a desigualdade".

"Lula construiu as bases para o crescimento econômico do Brasil e entendeu, graças ao seu passado sindicalista e de esquerda, que sem crescimento econômico não há divisão de riqueza", disse Mas sobre o ex-presidente brasileiro, que aceitou e agradeceu a premiação em uma carta.

Este prêmio "reforça a minha convicção da importância de lutar por uma sociedade mais justa e democrática, sem fome nem miséria", declarou Lula.

O presidente catalão assegurou que o ex-presidente brasileiro demonstrou a intenção de viajar à Catalunha para receber o prêmio em junho, caso a sua saúde permita, após superar um câncer na laringe.

O Prêmio Internacional Catalunha, que oferece 80 mil euros a seu vencedor e uma escultura de Antoni Tàpies, foi concedido no ano passado ao escritor japonês Haruki Murakami.

 

Qauando a justiça falha (ou quando a justiça fode). Quem arca com os prejuízos?

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/04/02/interna_gerais,286661...

Sósia de estuprador se diz injustiçado

Há 15 anos, em 1º de abril de 1997, o porteiro Paulo Antônio da Silva, então com 51 anos, viu sua vida desmoronar. Assim que largou o serviço, às 7h, foi detido por policiais civis para ser interrogado, acusado de, dias antes, ter tentado estuprar três menores de idade, com idades entre 11 e 13 anos. Ele passou a noite na unidade policial e foi liberado no dia seguinte. Porém, poucas horas depois foi novamente detido em casa para, então, começar um calvário que se estenderia por um longo tempo. Reconhecido pelas menores e por uma testemunha que o viu fugir da cena do crime, ele foi condenado, ainda em 1997, a 16 anos de prisão. A testemunha, uma mulher, afirmou em juízo que o flagrou seviciando as garotas e que ele fugiu correndo assim que ela gritou.

Paulo Antônio trabalhava em um prédio na Rua Bernardino Sena Figueiredo, 945, no Bairro Cidade Nova, Região Nordeste de Belo Horizonte. Sem ficha policial, ele era casado e pai de duas filhas. Passou cinco anos e sete meses preso e saiu em liberdade condicional, situação em que está atualmente, já que o total de sua pena ainda não foi cumprido. Recebendo um salário mínimo de aposentadoria, ele tem que se apresentar todo mês no fórum por exigência da Justiça. Desde sua prisão, ele sempre sustentou sua inocência, mas chegou a ser apunhalado na Penitenciária José Maria Alckimim, em Contagem, por ter cometido um estupro.

Na última sexta-feira, uma sobrinha de Paulo Antônio folheava o Estado de Minas quando se deparou com a notícia da prisão de Pedro Meyer Ferreira Guimarães, 56 anos, que foi reconhecido por uma vítima de um estupro ocorrido há 15 anos, no Bairro Cidade Nova, o mesmo em que Paulo trabalhava como porteiro. Ao ver a foto de Pedro, a moça se assustou: a semelhança de Pedro com o tio era muito grande, o que, para familiares, pode ter sido suficiente para que os dois tenham sido confundidos. “A família, vendo as coincidências de data e bairro, ligou uma história à outra”, disse ontem o primo de Paulo, o assessor parlamentar Eustáquio Alexandre Teixeira Silva, de 52, acrescentando que na época da prisão o porteiro já tinha um problema de hérnia numa das pernas, o que o impossibilitaria de correr, como afirmou a testemunha na época.

Ontem, Paulo Antônio falou pela primeira vez com a imprensa desde a sua prisão, em 1997. Com as mãos trêmulas, pensamento às vezes confuso e apoiado numa bengala, disse que nunca deixou de acreditar que um dia conseguiria provar sua inocência. “Sempre fui trabalhador e nunca tinha entrado numa delegacia. Até hoje não entendo direito por que fui preso.
Os caras da polícia chegaram no prédio e disseram que eu parecia com um bandido que eles estavam procurando. Revistaram minha bolsa e acharam o pó de café e o açúcar que eu levava para o serviço. Perguntaram por óculos e boné, e eu disse que nunca tinha usado. Me levaram para a delegacia e minha vida nunca mais foi a mesma. Perdi minha mulher e tudo mais”, disse, entre um silêncio e outro. “O padre João de Deus, da igreja da Cidade Nova, foi minha testemunha de defesa, pois me conhecia, e também a dona Célia, que morava no prédio. Mas mesmo assim fui condenado”, contou.

Um vizinho de Paulo, que se identificou como Júnior, disse que mora ao seu lado no Bairro Ribeiro de Abreu há mais de 20 anos e que nunca acreditou na culpa dele. “Ele vivia da casa para o trabalho e, ao que me parece, nunca se envolveu com coisa errada. Na época, todos ficamos surpresos, mas nunca acreditei nessa história de estupro”. A diarista Júlia Teixeira da Silva, de 39, afirmou que a família sempre acreditou na inocência do tio. “Agora, parece que a verdade está aparecendo. Vamos fazer tudo para limpar o nome dele”, afirmou. O supervisor de segurança Amarildo Lemos, de 49, casado com a sobrinha de Paulo, resumiu a situação dele: “Ele perdeu a família, o emprego e a saúde”.

ENQUANTO ISSO...

...Novas denúncias e exame de dna
Onze mulheres que denunciaram ter sido violentadas pelo ex-bancário Pedro Meyer serão chamadas a prestar depoimento nesta semana na Delegacia de Atendimento à Mulher de Belo Horizonte. Outras duas já o acusaram formalmente pelo crime de estupro. Desde a quinta-feira, quando Pedro Meyer foi preso, 13 denúncias de supostas vítimas do ex-bancário foram feitas. A delegada Margaret Assis Rocha, que comanda as apurações, também irá realizar sessão de reconhecimento do ex-bancário e solicitar exames de DNA. Segundo ela, apesar das agressões terem ocorrido há mais de 10 anos, na época já se coletava material genético nos exames de corpo de delito das vítimas. Pedro Meyer foi preso em um apartamento no Bairro Anchieta, Centro-Sul da capital, depois de ser reconhecido por uma de suas vítimas, violentada em 1997 em um prédio no Bairro Cidade Nova. A delegada Margaret Rocha afirma que além de confessar o crime pelo qual foi denunciado, ele admitiu ter praticado mais dois estupros em 1995. Um dia depois de preso, o ex-bancário foi reconhecido por mais seis mulheres. Uma delas, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, prestou depoimento na sexta-feira e, além de confirmar que Pedro Meyer é o homem que a agrediu, deu detalhes sobre o ato. Depois de ouvi-la e de realizar levantamentos preliminares em relação às outras 11 denúncias, a delegada Margaret aponta que as vítimas são mulheres que hoje têm de 25 a 35 anos, o que leva a crer que o alvo do acusado eram crianças e adolescentes.

 

Deputados terão que escolher entre CPIs da Privataria e do Cachoeira
Há duas CPIs com alto potencial de influir nas eleições municipais deste ano, a da Privataria Tucana e a do Carlinhos Cachoeira. Mas, em função das normas regimentais da casa, apenas uma poderá sair ainda este ano. E a negociação será feita entre as bancadas. “Há, sim, o risco de que fique tudo para depois das eleições”, afirma o deputado Protógenes Queirós (PCdoB-SP), autor dos pedidos de instalação das CPIs.


Brasília - Duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) com alto potencial de influir nas eleições municipais deste ano, a da Privataria Tucana e a do Carlinhos Cachoeira, continuam paradas na Câmara dos Deputados, aguardando decisão de instalação exclusiva do presidente da casa, deputado Marco Maia (PT-RS). Mas, em função das normas regimentais, apenas uma poderá sair ainda este ano. E a negociação será feita entre as bancadas.

De acordo com o deputado Protógenes Queirós (PCdoB-SP), autor dos pedidos de abertura das duas CPI´s, ambos atenderam aos requisitos formais da casa, como o quórum mínimo necessário de assinaturas, que é de 171 deputados. Entretanto, como o presidente já instalou três outras CPI´s em 2012 e há uma quarta na lista, haverá espaço para apenas mais uma delas neste ano legislativo. “Pelas normas da Câmara, só podem ser instaladas cinco CPI´s por ano”, explica.

A decisão sobre qual delas deve ter prioridade é controversa e pode ficar nas mãos de interesses partidários e pressões sociais diversas. “São escândalos de grande envergadura, pois batem nas estruturas dos poderes da República e na política partidária”, justifica Protógenes, que defende a urgência de ambas. O deputado admite, porém, que as negociações com os colegas de parlamento serão difíceis. “Há, sim, o risco de que fique tudo para depois das eleições”, afirma.

Segundo ele, a CPI da Privataria Tucana investigará denúncias de desvios de recursos durante privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique Cardoso, tendo como principal alvo o ex-ministro tucano e atual candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra. A base das acusações é o livro A Privataria Tucana, de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

“Já havia uma articulação dos deputados para dar início à CPI da Privataria, mas a candidatura de José Serra às eleições municipais de São Paulo embaralhou o cenário. Eu, particularmente, acho que uma coisa independe da outra, mas muitos partidos que assinam o pedido temem a acusação de uso político da CPI”, explica o deputado.

Para ele, José Serra não deveria sequer sair candidato, já que “será investigado por fatos muito graves”.

O temor de uso político pode prejudicar também a abertura da CPI do Cachoeira, que investigará um dos maiores escândalos da atualidade: o envolvimento de parlamentares com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal em fevereiro, sob a acusação de comandar uma quadrilha especializada em jogos ilegais, com ramificações na máquina do estado e na imprensa.

A cada dia surgem novas revelações sobre o envolvimento de parlamentares com o bicheiro. As mais contundentes delas são sobre a participação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) no esquema. Demóstenes é acusado, inclusive, de usar seu mandato parlamentar a serviço do crime organizado e já está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

O deputado federal e ator Stepan Necessian (PPS-RJ) se licenciou do partido após a divulgação das notícias de que teria recebido cerca de R$ 175 mil de Cachoeira. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontam, ainda, as ligações do contraventor com os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO).

“As relações do Congresso com o crime organizado são muito ruins para o país, porque fragilizam o Estado brasileiro. Nós [parlamentares] não podemos ficar omissos e esperar que a solução venha via burocracia judicial. Apurar quem são os parlamentares envolvidos e quais eram suas participações no esquema criminoso é nossa obrigação moral”, acrescenta.


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19898

 

"Só merece a liberdade e a vida quem luta por elas cada dia." Goethe

ACORDÃO À VISTA!!!


“Todos os caminhos levam a uma gigantesca operação-abafa”

Blog Cidadania.com- 02/04/12 às 11h50   
(http://www.blogcidadania.com.br/)

Chega ao BLOG informação de que Demóstenes estaria fazendo ameaças à mídia, aos seus pares do DEM e até a pelo menos um membro do STF no sentido de que, caso seja estraçalhado, levará muitos ex-amigos consigo para o cadafalso.

O senador bandido está disposto a tudo para não perder o mandato simplesmente porque, sem imunidade parlamentar, dificilmente deixará de ir fazer companhia ao seu amigão Carlinhos Cachoeira lá no PF Hilton.

Demóstenes estaria ameaçando revelar que veículos como a Veja saberiam de suas atividades criminosas e que nada revelavam porque ele os municiava com informações contra o PT, entre outros favores que lhes prestaria na “Câmara Alta”.

Enquanto isso, DEM, PSDB, editora Abril e Globo estariam propondo acionar sua bancada no STF para trocar a decapitação política de Demóstenes pelo adiamento do julgamento do mensalão, que deveria ocorrer em maio. Até porque, após o STF se pronunciar pela impunidade de Demóstenes, não teria como julgar o mensalão.

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do Carta Maior

 

Deputados terão que escolher entre CPIs da Privataria e do Cachoeira Há duas CPIs com alto potencial de influir nas eleições municipais deste ano, a da Privataria Tucana e a do Carlinhos Cachoeira. Mas, em função das normas regimentais da casa, apenas uma poderá sair ainda este ano. E a negociação será feita entre as bancadas. “Há, sim, o risco de que fique tudo para depois das eleições”, afirma o deputado Protógenes Queirós (PCdoB-SP), autor dos pedidos de instalação das CPIs.

Brasília - Duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) com alto potencial de influir nas eleições municipais deste ano, a da Privataria Tucana e a do Carlinhos Cachoeira, continuam paradas na Câmara dos Deputados, aguardando decisão de instalação exclusiva do presidente da casa, deputado Marco Maia (PT-RS). Mas, em função das normas regimentais, apenas uma poderá sair ainda este ano. E a negociação será feita entre as bancadas.

De acordo com o deputado Protógenes Queirós (PCdoB-SP), autor dos pedidos de abertura das duas CPI´s, ambos atenderam aos requisitos formais da casa, como o quórum mínimo necessário de assinaturas, que é de 171 deputados. Entretanto, como o presidente já instalou três outras CPI´s em 2012 e há uma quarta na lista, haverá espaço para apenas mais uma delas neste ano legislativo. “Pelas normas da Câmara, só podem ser instaladas cinco CPI´s por ano”, explica.

A decisão sobre qual delas deve ter prioridade é controversa e pode ficar nas mãos de interesses partidários e pressões sociais diversas. “São escândalos de grande envergadura, pois batem nas estruturas dos poderes da República e na política partidária”, justifica Protógenes, que defende a urgência de ambas. O deputado admite, porém, que as negociações com os colegas de parlamento serão difíceis. “Há, sim, o risco de que fique tudo para depois das eleições”, afirma.

Segundo ele, a CPI da Privataria Tucana investigará denúncias de desvios de recursos durante privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique Cardoso, tendo como principal alvo o ex-ministro tucano e atual candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra. A base das acusações é o livro A Privataria Tucana, de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

“Já havia uma articulação dos deputados para dar início à CPI da Privataria, mas a candidatura de José Serra às eleições municipais de São Paulo embaralhou o cenário. Eu, particularmente, acho que uma coisa independe da outra, mas muitos partidos que assinam o pedido temem a acusação de uso político da CPI”, explica o deputado.

Para ele, José Serra não deveria sequer sair candidato, já que “será investigado por fatos muito graves”.

O temor de uso político pode prejudicar também a abertura da CPI do Cachoeira, que investigará um dos maiores escândalos da atualidade: o envolvimento de parlamentares com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal em fevereiro, sob a acusação de comandar uma quadrilha especializada em jogos ilegais, com ramificações na máquina do estado e na imprensa.

A cada dia surgem novas revelações sobre o envolvimento de parlamentares com o bicheiro. As mais contundentes delas são sobre a participação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) no esquema. Demóstenes é acusado, inclusive, de usar seu mandato parlamentar a serviço do crime organizado e já está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

O deputado federal e ator Stepan Necessian (PPS-RJ) se licenciou do partido após a divulgação das notícias de que teria recebido cerca de R$ 175 mil de Cachoeira. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontam, ainda, as ligações do contraventor com os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO).

“As relações do Congresso com o crime organizado são muito ruins para o país, porque fragilizam o Estado brasileiro. Nós [parlamentares] não podemos ficar omissos e esperar que a solução venha via burocracia judicial. Apurar quem são os parlamentares envolvidos e quais eram suas participações no esquema criminoso é nossa obrigação moral”, acrescenta.

 

da Carta Maior

Como a mídia ajudou a ditadura na Guerra das Malvinas“Hoje é um dia glorioso para a pátria” ou “As Malvinas em mãos argentinas”, foram algumas das manchetes da imprensa daqueles dias de guerra, dias em que o ex-capitão de Fragata Alfredo Astiz – condenado à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade - içava a bandeira argentina nas ilhas em disputa. Os meios de comunicação cumpriram um papel decisivo na construção do relato da guerra, exacerbando e construindo o discurso dominante durante os dias do conflito. O artigo é de Francisco Luque.

Buenos Aires - Independente da justa reivindicação, legitimada por títulos e direitos inalienáveis com respeito à soberania argentina das ilhas Malvinas, hoje, depois de 30 anos do desembarque nas ilhas, há um fato impossível de negar: como a ditadura inventou uma operação bélica para lavar a cara do processo que a Argentina vivia desde 1976 e como os meios de comunicação da época, unânimes e submissos, por medo ou censura, contribuíram na construção deste relato.

Se a ditadura tinha uma forma de se perpetuar era essa: atiçar o sentimento nacional sobre a soberania das ilhas. E fez isso porque estava com problemas. Em 1982, a inflação era de 90% anual, havia recessão, os salários estavam arrochados e a pobreza crescia. Por outro lado, começavam a ser desvelados a repressão política e os crimes de lesa humanidade que a ditadura tentava ocultar sob seu midiático slogan: “nós, argentinos, somos direitos e humanos”.

O primeiro sintoma de mal estar geral contra a ditadura foi no dia 30 de março de 1982, quando uma mobilização massiva chegou à Praça de Maio convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). Ainda que a repressão policial tenha sido brutal nessa manifestação, os canais de televisão públicos - em mãos dos três ramos das forças armadas - não transmitiram imagens em seus noticiários noturnos. Houve sim imagens quatro dias depois, quando o ditador Leopoldo Galtieri saudou de um balcão da Casa Rosada milhares de pessoas que o aclamavam após anunciar o desembarque das tropas argentinas nas Malvinas. “Estamos dispostos a aniquilar quem se atreva a tocar meio metro quadrado de território argentino”, rugiu o militar.

As rádios e os canais de televisão fizeram eco ao sentimento popular. Todo o país parava para seguir os comunicados oficiais ou ver as cenas de guerra pelo que seria o porta-voz da guerra: a televisão. Ela era a encarregada de emitir os comunicados que dia-a-dia a junta militar transmitia à população. E foi nela também onde a censura de imprensa ficou mais exposta e à disposição da memória social, anunciado, inclusive, oficialmente:

"Todos os boletins e notícias do exterior, seja qual for sua procedência e meio utilizado e toda informação relacionada com aspectos que dizem respeito ao desenvolvimento das operações militares e de segurança nacional, ficam sujeitos ao controle do Estado Maior Conjunto, prévio a sua difusão pelos meios informativos, sejam estes orais, escritos ou televisivos", dispôs a junta militar (Boletim Oficial, 30 de abril de 1982).

Os canais de televisão da capital tinham como única fonte de informação o Estado Maior Conjunto e daí vinham as noticias oficiais. Os canais do interior apenas podiam "reproduzir o informativo do canal de Buenos Aires com o qual tinha convênio e encher espaço com noticias de rádio ou de teletipo"

A cadeia oficial ATC – hoje Televisão Pública - era a origem de transmissão de todos os comunicados da junta militar. Emblemática era a figura do jornalista José Gómez Fuentes que em seu programa “60 minutos” emitia a frase: "Vamos ganhando”. Inclusive foi nesse programa que se informou que havia sido avariado o porta-aviões britânico Invencible – notícia que posteriormente se confirmou que era falsa. “Argentinos a vencer”, era o slogan mais repetido nos intervalos comerciais.

Andrew Graham-Yooll, jornalista argentino-britânico e ex-diretor do jornal Buenos Aires Herald, conta que nos dias de abril de 1982 a imprensa argentina era “estridente, histérica e gritona”. Suas manchetes exultantes só demonstravam que não sabiam realmente o que estava sucedendo.

“Com os breves comunicados que a Junta emitia se construía o discurso. Naquele momento a Argentina era uma sociedade que havia passado do silencio à estridência, onde o rumor era a informação. Toda a mídia estava agindo da mesma forma. Por isso, viver na Argentina hoje é viver em liberdade de imprensa, nunca antes havia vivido em um estado de liberdade de imprensa. Sem estridências nem evasões”.

A imprensa ocultou também – por ação ou omissão - as graves violações aos direitos humanos cometidas pelos oficiais contra os soldados. A jornalista Natasha Niebieskikwiat, autora do livro “Lágrimas de hielo” (Lágrimas de gelo), sustenta que durante a guerra das Malvinas, se produziram torturas, abusos e mortes de soldados por fome, e que se estudam processos para 70 oficiais do exército argentino, por este motivo.

“Os meios de comunicação prestaram muito pouca atenção àqueles jovens que chegaram destroçados, ocultos em caminhões de gado. Muitos oficiais e suboficiais impuseram falsos códigos de justiça militar para justificar estes crimes. Alguns jovens soldados foram estaqueados, golpeados brutalmente e enterrados vivos e o pior, muitas vezes os oficiais não repartiam a comida. Em geral, a imprensa calou e houve pequenos espaços como a revista 7 dias que mostrou os soldados famintos refletindo o estado em que chegavam ao continente”.

“Hoje é um dia glorioso para a pátria” ou “As Malvinas em mãos argentinas”, foram algumas das manchetes da imprensa daqueles dias de guerra, dias em que o ex-capitão de Fragata Alfredo Astiz – condenado à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade - içava a bandeira argentina nas ilhas em disputa.
Os meios de comunicação cumpriram um papel decisivo na construção do relato da guerra, exacerbando e construindo certos tópicos dominantes durante os dias do conflito com maior eficácia do que a ditadura era capaz de imaginar. A propaganda triunfalista, a construção da imagem de um povo unido e unanimemente convencido da causa no dia 3 de abril, a difusão de informação inexata e a construção de um inimigo, são alguns dos tópicos mais recorrentes na imprensa daqueles dias.

Ainda que existissem vozes dissidentes, como a revista Humor, os meios hegemônicos aderiram às exigências da ditadura e cumpriram sua missão com um zelo muito pronunciado. Como em outros momentos da ditadura, foram mais longe inclusive do que os próprios militares demandavam.

Entretanto, apesar das tentativas dos militares e da imprensa de ocultar a derrota e de construir outra realidade, os ingleses triunfaram e as tropas argentinas tiveram que render-se. Na guerra morreram 649 soldados argentinos e 285 britânicos, mais de 350 ex-combatentes argentinos se suicidaram desde o início da guerra até hoje. A crise política se aprofundou, a ditadura caiu e se criaram as condições para a volta da democracia.

Tradução: Libório Júnior

 

Clipping do Dia (www.cloudnews.com.br)

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Civita e Murdoch: a Veja é o nosso News of the World

 

Na Inglaterra, um panfleto de Rupert Murdoch foi pego com grampos ilegais, obtidos através do relacionamento de seus jornalistas com policiais. Quando isso foi descoberto, seus leitores ficam escandalizados, anunciantes abandonaram a publicação, e o jornal foi fechado.

 

No Brasil, o panfleto de Roberto Civita obteve grampos ilegais através de seu relacionamento com uma organização criminosa, selecionou informações para atingir seus adversário, ocultou o que não era de seu interesse, transformou um dos membros da quadrilha em "herói da ética", ajudou a melar investigações... E tudo fica como está???

 

A Veja não apenas *usou*, mas *ajudou* a promover os interesses de uma rede criminosa.

 

A Veja *faz parte* de uma rede criminosa.

 

Exemplos:

 

A Veja deu as páginas amarelas para o Arruda falar de ética -- e declarou que ele havia "dado a volta por cima", lutava contra a corrupção, etc. O Arruda era, na época, um dos possíveis vices do Serra na chapa "vote em um careca e leve dois". Será que os repórteres investigativos da Veja não sabiam dos crimes do Arruda? Se sabiam porque nunca noticiaram?

 

A Veja deu as páginas amarelas para o Demóstenes bradar contra a corrupção, chegando a afirmar que ele era um dos "mosqueteiros da ética", um dos poucos que salvavam o congresso da corrupção. Eles não sabiam do seu esquema com Carlinhos Cachoeira? Se sabiam, porque não noticiaram?

 

A Veja deu capas e mais capas para atacar a Operação Satiagraha e melar as investigações contra Daniel Dantas. Uma das reportagens usou um grampo envolvendo ninguém menos que.... Demóstenes Torres. 

 

Policarpo Jr. mantinha relações com Carlinhos Cachoeira. Mais de 200 telefonemas registrados em um ano. Ele sabia do esquema do bicheiro. Por que nunca denunciou? É normal uma revista manter uma relação tão longa com uma organização criminosa, exaltando um de seus membros no senado, etc?

 

***

 

Em 2010 a Veja dedicou inúmeras capas para denunciar Dilma como corrupta, mentirosa, e incompetente; Serra era vendido como um político sério e competente (apesar de todos os sinais em contrário, que eu fui mandando ao longo do ano -- exemplo: tempo de desencompatibilização, escolha do vice, campanha sórdida, etc). O que você chama de "liberdade de imprensa" foi, na realidade, uma campanha de assassinato de reputação --  que, felizmente, falhou.

 

Imagine se o Serra tivesse vencido as eleições de 2010, e a Dilma ficasse marcada como corrupta, mentirosa, e incompetente, pelo resto da vida?

 

***

 

Eu sempre disse que a Veja usava métodos criminosos; o que estamos vendo, agora, é que ela não apenas usava métodos criminosos, mas também estava diretamente envolvida num esquema criminoso.

 

Fonte: http://capitao-obvio.blogspot.com/2012/04/civita-e-murdoch-veja-e-o-noss...

 

Civita e Murdoch: a Veja é o nosso News of the World

 

Na Inglaterra, um panfleto de Rupert Murdoch foi pego com grampos ilegais, obtidos através do relacionamento de seus jornalistas com policiais. Quando isso foi descoberto, seus leitores ficam escandalizados, anunciantes abandonaram a publicação, e o jornal foi fechado.

 

No Brasil, o panfleto de Roberto Civita obteve grampos ilegais através de seu relacionamento com uma organização criminosa, selecionou informações para atingir seus adversário, ocultou o que não era de seu interesse, transformou um dos membros da quadrilha em "herói da ética", ajudou a melar investigações... E tudo fica como está???

 

A Veja não apenas *usou*, mas *ajudou* a promover os interesses de uma rede criminosa.

 

A Veja *faz parte* de uma rede criminosa.

 

Exemplos:

 

A Veja deu as páginas amarelas para o Arruda falar de ética -- e declarou que ele havia "dado a volta por cima", lutava contra a corrupção, etc. O Arruda era, na época, um dos possíveis vices do Serra na chapa "vote em um careca e leve dois". Será que os repórteres investigativos da Veja não sabiam dos crimes do Arruda? Se sabiam porque nunca noticiaram?

 

A Veja deu as páginas amarelas para o Demóstenes bradar contra a corrupção, chegando a afirmar que ele era um dos "mosqueteiros da ética", um dos poucos que salvavam o congresso da corrupção. Eles não sabiam do seu esquema com Carlinhos Cachoeira? Se sabiam, porque não noticiaram?

 

A Veja deu capas e mais capas para atacar a Operação Satiagraha e melar as investigações contra Daniel Dantas. Uma das reportagens usou um grampo envolvendo ninguém menos que.... Demóstenes Torres. 

 

Policarpo Jr. mantinha relações com Carlinhos Cachoeira. Mais de 200 telefonemas registrados em um ano. Ele sabia do esquema do bicheiro. Por que nunca denunciou? É normal uma revista manter uma relação tão longa com uma organização criminosa, exaltando um de seus membros no senado, etc?

 

***

 

Em 2010 a Veja dedicou inúmeras capas para denunciar Dilma como corrupta, mentirosa, e incompetente; Serra era vendido como um político sério e competente (apesar de todos os sinais em contrário, que eu fui mandando ao longo do ano -- exemplo: tempo de desencompatibilização, escolha do vice, campanha sórdida, etc). O que você chama de "liberdade de imprensa" foi, na realidade, uma campanha de assassinato de reputação --  que, felizmente, falhou.

 

Imagine se o Serra tivesse vencido as eleições de 2010, e a Dilma ficasse marcada como corrupta, mentirosa, e incompetente, pelo resto da vida?

 

***

 

Eu sempre disse que a Veja usava métodos criminosos; o que estamos vendo, agora, é que ela não apenas usava métodos criminosos, mas também estava diretamente envolvida num esquema criminoso.

 

Fonte: http://capitao-obvio.blogspot.com/2012/04/civita-e-murdoch-veja-e-o-noss...

 

EX-PREFEITO DE SÃO BERNARDO MORA EM IMÓVEL MILIONÁRIO EM SP

Por: Júlio Gardesani  (julio@abcdmaior.com.br) – Março2012

Apartamento do ex-prefeito de São Bernardo Campo, na Vila Nova Conceição, zona sul de SP, é avaliado em R$ 6 milhões, valor desproporcional para o salário de um prefeito
O deputado federal William Dib (PSDB) mora em apartamento avaliado em mais de R$ 6 milhões, não declarado à Justiça Eleitoral em 2010, na praça Pereira Coutinho, Vila Nova Conceição, local avaliado como o mais caro para se viver em toda a cidade de São Paulo, segundo imobiliárias consultadas.

O slogan São Bernardo, “orgulho de viver aqui”, utilizado por Dib em seu segundo mandato fica em contradição com o novo endereço do parlamentar tucano.

O apartamento, comprado em agosto de 2008, está no nome de Aline Carolina Dib, filha do deputado. Aline, coincidentemente, ainda possui outro apartamento milionário na mesma praça Pereira Coutinho, juntamente com seu irmão, Murilo William Dib.

 confirmação de que Dib reside em seu novo apartamento partiu do próprio condomínio onde vive o tucano. O imóvel que o deputado possui em São Bernardo, este declarado à Justiça, está à venda. Dib foi procurado pela reportagem e sua assessoria falou que não se pronunciaria.

Se o apartamento onde atualmente reside Dib foi comprado em 2008, o primeiro, em nome de Aline e Murilo, foi adquirido em 2001, quando os filhos do tucano tinham apenas 23 e 25 anos, respectivamente. Em 2001, Dib já era vice-prefeito de São Bernardo e também secretário de Governo. Hoje deputado, Dib começou a trabalhar na Prefeitura do município no final da década de 1970.

Os prédios no entorno da Praça Pereira Coutinho são luxuosos. O metro quadrado no local não sai por menos de R$ 25 mil, sendo o mais caro da Capital. Para se ter um ideia, Dib tem entre seus vizinhos Olavo Setubal Júnior, conselheiro executivo do banco Itaú, e Nizan Guanaes, dono do maior grupo de publicidade do Brasil (Grupo ABC de Comunicações) e o 10° do mundo. Em 2010, a empresa de Guanaes faturou quase R$ 1 bilhão. Caso Dib tivesse resolvido juntar todo o salário que recebeu em seis anos como prefeito, o tucano teria garantido R$ 1,4 milhão (isso partindo do salário atual do prefeito).

Leia mais:
http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=39403

 

EX-PREFEITO DE SÃO BERNARDO MORA EM IMÓVEL MILIONÁRIO EM SP

Por: Júlio Gardesani  (julio@abcdmaior.com.br) – Março2012

Apartamento do ex-prefeito de São Bernardo Campo, na Vila Nova Conceição, zona sul de SP, é avaliado em R$ 6 milhões, valor desproporcional para o salário de um prefeito
O deputado federal William Dib (PSDB) mora em apartamento avaliado em mais de R$ 6 milhões, não declarado à Justiça Eleitoral em 2010, na praça Pereira Coutinho, Vila Nova Conceição, local avaliado como o mais caro para se viver em toda a cidade de São Paulo, segundo imobiliárias consultadas.

O slogan São Bernardo, “orgulho de viver aqui”, utilizado por Dib em seu segundo mandato fica em contradição com o novo endereço do parlamentar tucano.

O apartamento, comprado em agosto de 2008, está no nome de Aline Carolina Dib, filha do deputado. Aline, coincidentemente, ainda possui outro apartamento milionário na mesma praça Pereira Coutinho, juntamente com seu irmão, Murilo William Dib.

 confirmação de que Dib reside em seu novo apartamento partiu do próprio condomínio onde vive o tucano. O imóvel que o deputado possui em São Bernardo, este declarado à Justiça, está à venda. Dib foi procurado pela reportagem e sua assessoria falou que não se pronunciaria.

Se o apartamento onde atualmente reside Dib foi comprado em 2008, o primeiro, em nome de Aline e Murilo, foi adquirido em 2001, quando os filhos do tucano tinham apenas 23 e 25 anos, respectivamente. Em 2001, Dib já era vice-prefeito de São Bernardo e também secretário de Governo. Hoje deputado, Dib começou a trabalhar na Prefeitura do município no final da década de 1970.

Os prédios no entorno da Praça Pereira Coutinho são luxuosos. O metro quadrado no local não sai por menos de R$ 25 mil, sendo o mais caro da Capital. Para se ter um ideia, Dib tem entre seus vizinhos Olavo Setubal Júnior, conselheiro executivo do banco Itaú, e Nizan Guanaes, dono do maior grupo de publicidade do Brasil (Grupo ABC de Comunicações) e o 10° do mundo. Em 2010, a empresa de Guanaes faturou quase R$ 1 bilhão. Caso Dib tivesse resolvido juntar todo o salário que recebeu em seis anos como prefeito, o tucano teria garantido R$ 1,4 milhão (isso partindo do salário atual do prefeito).

Leia mais se tiver estômago:
http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=39403

 

 Início

 Milho transgênico rende 93% menos que o convencional em Santa Catarina 

30 de março de 2012 

 

 

 

 

Da AS-PTA 

 

Análise dos custos de produção do milho convencional e do transgênico elaborada pela Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (SC) mostra que o plantio do milho transgênico eleva o custo de produção e que a produtividade esperada é a mesma [1]. Os dados foram apresentados em evento realizado pela Embrapa Milho e Sorgo no início de março na cidade mineira de Sete Lagoas.

 

Na planilha de cálculo apresentada pela Copercampos o item “insumos” aparece agregado, ou seja, as despesas com sementes, adubos e agrotóxicos não estão descriminadas. Para o milho convencional gasta-se com insumos R$ 1.199,52 por hectare, contra R$1.392,76 para o transgênico. É possível que a diferença seja explicada pelo preço mais elevado da semente modificada. Neste caso, os dados também sugerem não haver redução no uso de agrotóxicos, ao contrário do propalado pela indústria. No cômputo geral, o produtor convecional gasta R$ 1.928,65 para plantar um hectare de milho, enquanto o produtor que adotou variedades transgênicas gasta R$ 2.156,13 para a mesma área.

 

Ainda de acordo com os números da Copercampos, em 2011 a diferença de rentabilidade foi de 93%, com o convencional apurando R$ 472/ha e o transgênico, R$ 244,00. Esses dados consideram a saca de milho de 60 kg vendida a R$16,00. A produtividade considerada foi de 9 toneladas/ha.

 

Segundo dados da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina), o rendimento médio do cereal no estado em 2010/2011 foi de 6,66 t/ha. Para 2011/12 a previsão é de 6,76 t/ha. Assim, em 2011 o convencional teria prejuízo de R$ 152,65/ha e o transgênico prejuízo de R$ 380,13. Em 2012, mantendo-se o preço do grão em R$ 26, que está próximo do praticado hoje, e aplicando-se a produtividade prevista pela Epagri, o convencional obterá receita de R$ 1.001,00/ha e o transgênico, R$ 773,00. Quase 30% menos, o que significa gastar o equivalente a quase 5 toneladas de milho para colher 6,7t.

 

Também em Santa Catarina, na região do Planalto Norte, propriedades em início de transição agroecológica acompanhadas pela AS-PTA produziram em média 4,2 t de milho/ha na safra 2008-09, com custo médio de R$ 200,00/ha. Esses produtores apuraram receita líquida de R$ 980,00/ha. Note-se que nesse ano foram registradas fortes perdas na região por adversidades climáticas.

 

Segundo o agrônomo da Copercampos Marcos André Paggi, "ainda não dá pra enfatizar, na nossa região, grande aumento da produção de milho" por causa da opção pelos transgênicos [2].

 

Também presente no evento, o doutor Anderson Galvão, da consultoria Céleres, afirmou que "hoje, o produtor de milho paga mais satisfeito R$ 400,00 por saca de [semente de] milho transgênico do que pagava, antes, R$ 100,00 / R$ 120,00 por milho convencional" [2]. Será?

 

da Folha.com

A Folha e a manifestação de pessoas sem nome nem identidade:

Protesto contra o golpe militar reúne 300 pessoas em SP

 

Cerca de 300 pessoas participaram ontem de passeata no centro de São Paulo para protestar contra o golpe militar de 1964, que completou 48 anos.

 

A passeata, convocada pela internet e batizada de "Cordão da Mentira", percorreu alguns pontos relacionados ao período do regime militar, como locais em que militantes políticos foram mortos.

 

A manifestação seguiu com tranquilidade na maior parte do trajeto. Em frente à sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), instituição que apoiou o golpe, os organizadores aproveitaram para reforçar que a manifestação era pacífica.

 

O protesto passou também em frente à Folha, onde foi lido um editorial do jornal em apoio à Lei da Anistia, posição contrária à dos manifestantes.

 

A Mesma notícia segundo o blog do Ronaldo Livreiro:


“Pára de mentir, canalha” Written By ronaldo - livreiro on segunda-feira, 2 de abril de 2012 | 09:38


PASSA PALAVRA

Em memória do Golpe de 1964, o Cordão da Mentira desfilou pelas ruas de São Paulo e o mais interessante, talvez, tenha sido ver uma nova geração de militantes tomar contato com a luta e os lutadores de ontem.  Por Passa Palavra

 


Neste 1º de abril, dia em que há 48 anos atrás o Brasil amanhecia sob o golpe civil-militar, desfilou pelas ruas da capital de São Paulo o Cordão da Mentira, uma iniciativa formada por coletivos políticos de diversas tendências, grupos de teatro e agremiações de samba da cidade. O objetivo do ato festivo foi não deixar esquecer e exigir a punição para as torturas, assassinatos e perseguições que ocorreram durante a vigência do regime; e também escancarar os fios de continuidade do período que ainda se fazem presentes na vida social e política do país.
A concentração iniciou-se por volta do meio-dia, em frente ao Cemitério da Consolação, com um sarau feito em homenagem ao poeta, escritor e líder abolicionista Luiz da Gama. Neste momento, diversos poetas e representantes de coletivos culturais tomaram a palavra para denunciar o estado de constante opressão e violência em que vivem moradores das periferias e bairros pobres da cidade, dando concretude para algo que há muito vem sendo pontuado por militantes que lutam pela efetivação de uma Comissão da Verdade, e que fora bem resumido no manifesto lançado pelos organizadores: “Quando admitimos que os crimes do passado permaneçam impunes, abrimos precedentes para que eles sejam repetidos no presente.”

Em seguida, o grupo de pessoas que seguiu o Cordão – variando entre 300 e 500 pessoas – deu iníciou ao seu trajeto, animado por sambas, marchas e um frevo, compostos especialmente para o dia (ouça e veja aqui, aqui e aqui), que celebravam ironicamente a história mal contada do passado e a farsa do período democrático. Do mesmo modo, os pontos de parada escolhidos foram todos simbólicos da agitação política que caracterizou os embates de ontem e que se ligam ao presente. Era por volta das 14h30 quando o Cordão chegou à rua Maria Antônia, palco do confronto em que se envolveram, em outubro de 1968, os estudantes da Universidade Mackenzie, em sua grande parte ligados ao Comando de Caça aos Comunistas, e os estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, foco da resistência de esquerda ao golpe. Neste ponto, a atividade contou com uma intervenção do grupo Engenho Teatral e com uma homenagem ao estudante secundarista, José Guimarães, que morrera no fatídico conflito.

Dali, o cortejo seguiu para a uma das sedes da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), grupo de extrema-direita que, em 1964, dias antes do golpe, conclamou as forças do exército a agir contra a ameaça comunista. Foi a vez, então, do grupo de teatro Estudo de Cena fazer sua intervenção, que troçava os elementos da “sociedade civil organizada” que deram sustentação à ação militar do passado e hoje, sob facetas ongueiras e assistencialistas, impulsionam novas modalidades de controle social.

Outros pontos emblemáticos escolhidos para a passagem do Cordão da Mentira foram a rua Barão de Limeira, onde se situa o jornal Folha de São Paulo (o da “ditabranda“) onde foi denunciado o apoio da imprensa ao golpe, em frente ao jornal as Mães de Maio e o Padre Júlio Lancelotti homenagearam as vítimas da política higienista aplicada na chamada Cracolândia, região da Luz.
O Cordão continuou pelas ruas da região da Luz até chegar à antiga sede do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), onde foram lembrados os presos políticos torturados durante a ditadura pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o mesmo que comandou o Esquadrão da Morte. Foi feito então o rebatismo simbólico da “Escola de Música do Estado Tom Jobim” para “Escola Livre de Música Pato N’Água”, relembrando o mestre de bateria da Escola de Samba Vai-Vai, executado pelo Esquadrão da Morte.
Se é que nos é permitida uma breve opinião sobre o ocorrido, vale a pena observar que, em seu conjunto, o desfile do Cordão da Mentira representou algo aparentemente novo no cenário da esquerda – paulistana, pelo menos. A começar pelo caráter musical de considerável bom gosto, deixando um pouco de lado aquelas velhas palavras de ordem que já não parecem alcançar o público passante, sempre apressado e bombardeado pela profusão de informações que caracteriza o ambiente urbano. Também a presença de coletivos e ativistas políticos das mais variadas colorações ideológicas, e que se utilizam de linguagens distintas, é um ponto a ser ressaltado. Contudo, o mais interessante, talvez, tenha sido ver uma nova geração de militantes tomar contato com a luta e os lutadores de ontem – oportunidade realçada pelo turismo político em que de certa forma consistiu a manifestação -, o que se mostra particularmente interessante num momento em que a muitos movimentos que se afirmam como nova tendência, dotados de novas formas, parece faltar uma percepção de continuidade, o que significa a rejeição de outras experiências e o não reconhecimento da História. E aí residem os elementos que poderão revelar algo sobre, não só as deles, mas também as nossas falhas.

 

 

Acabo de ler o POST :
 
A suspensão das vendas da TIM em Alagoas
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-suspensao-das-vendas-da-tim-em-alagoas

MEU DEUS ! Pra onde fugir ? Pra onde correr ?


Telefonia , empresas aéreas , bancos , operadoras de planos de saúde ................  para quê servem ANATEL , ANAC , ANS e as demais agências reguladoras ?


Cadê o governo deste país , aquele mesmo que se irrita quando  dizem que merece um chute no traseiro e aparece um monte de gente pra protestar , mas é o mesmo que se esconde na hora de coibir os abusos dessas empresas ?


Meu problema é , adivinhem com quem ? Brasdesco , Telefonica , NET ? 


Não . Com a TAM .


Há um mês atrás a empresa fez com que os passageiros do vôo JJ8084 saindo de SP com destino a Londres esperassem 6 horas dentro da aeronave antes de decolar. Na época a TAM alegou que a aeronave teve uma manutenção de emergência , por ter se chocado com um pássaro.


Agora , um mês depois , o mesmo vôo tem novo atraso. O vôo JJ8084 previsto para as 23:40 do dia 02 abril foi cancelado e transferido para o vôo JJ9374 no dia 03/abril às 6:00 da manhã. 


A empresa avisou antecipadamente os passageiros , mas e aí , como ficam os compromissos assumidos em função do vôo originalmente programado ?  Qual a desculpa desta vez ? Será que o pássaro avisou a TAM antecipadamente sobre o choque ?


Tá na cara que essa empresa está com enormes problemas operacionais e a conta é enviada para os passageiros .


Já passou mais do que da hora de se dar um jeito . Mas a ANAC e demais fiscalizadores do sistema estão aí  de braços cruzados, vendo a empresa cometer os mesmos abusos ao longo de anos. Por quê ?


Os casos são recorrentes , essas noticias são de apenas 2 anos pra cá :


Anac notifica TAM por atraso em voo e multa pode chegar a R$ 1,7 milhão
Voo JJ 8084 decolou do Aeroporto de Guarulhos com quase 8h de atraso.
Agência quer esclarecimentos da empresa sobre assistência aos passageiros.

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2012/03/anac-notifica-tam-por-atraso-em-voo-e-multa-pode-chegar-r-17-milhao.html


 


Folha de S.Paulo - Anac libera a venda de passagens da TAM - 02/12/2010


(...) A empresa apontou como motivo dos atrasos e cancelamentos o mau tempo em aeroportos de São Paulo e Rio. As chuvas teriam gerado problemas na escala da tripulação e na malha aérea.


No entanto, a Folha apurou que a TAM programou mais voos do que a tripulação tinha condições de fazer e que buscou corrigir o problema na quinta e na sexta.


 
Passageiros da TAM com destino à Espanha são transferidos para Portugal

http://noticias.r7.com/economia/noticias/passageiros-da-tam-com-destino-a-espanha-sao-transferidos-para-portugal-20101204.html


Aérea só irá decolar neste domingo com destino ao aeroporto de Guarulhos, em SP


 
TAM pede desculpas por problemas em voo de Nova York

Passageira reclamou de omissão em atendimento durante espera por uma nova aeronave


http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/tam-pede-desculpas-por-problemas-em-voo-de-nova-york-20110313.html


 
Voo de Orlando com destino a SP faz pouso em Miami após problema
TAM atribui a problema técnico decisão tomada nesta terça-feira (19).
Empresa diz que passageiros retornarão ao Brasil em voo nesta quarta.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/07/voo-de-orlando-com-destino-sp-faz-pouso-em-miami-apos-problema.html


 

 

do iG 

 

Exigências para a entrada de espanhóis no Brasil começam nesta segunda-feira
A partir de 2 de abril, Brasil exigirá passagem com data de volta marcada, reserva de hotel e quantia mínima de dinheiro

iG São Paulo | 31/03/2012 16:59

Texto:

Começam a valer a partir da próxima segunda-feira, dia 2 de abril, as novas exigências fixadas pelo governo brasileiro para os espanhóis conseguirem a autorização de entrada no País. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a decisão é baseada no chamado princípio diplomático da reciprocidade.

De acordo com a Polícia Federal, o controle migratório passará a exigir dos turistas espanhóis para o ingresso em território nacional, além das previsões legais ordinárias, a apresentação de bilhete aéreo de volta, com data de retorno marcada, comprovação de meios econômicos suficientes para manutenção durante período de permanência no País e documento comprovando o endereço de estadia ou carta-convite de residente no Brasil.

Em 2010, 1,6 mil brasileiros foram barrados na Espanha, sob a alegação de que estavam tentando entrar ilegalmente para trabalhar sem visto. No ano passado, o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, admitiu que as discussões com o governo espanhol não estavam avançando e havia casos inaceitáveis. Apesar de ter caído o número de brasileiros barrados, a média ainda era de 140 pessoas por mês.

* Com AE 

 

Dilma: Programa Crescer já emprestou mais de R$ 1,2 bilhão
02/04/2012 - 7h13...Paula Laboissière/Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (2) que o Programa Nacional de Microcrédito (Crescer), lançado pelo governo federal no ano passado, já emprestou mais de R$ 1,2 bilhão para pequenos empreendedores.

“É um dinheiro que foi aplicado para melhorar, ampliar ou até mesmo começar um novo negócio”, explicou, no programa semanal Café com a Presidenta. Segundo ela, foram mais de R$ 1 milhão de empréstimos entre setembro de 2011 e março deste ano, com um valor médio de R$ 1.200. “Parece pouco, mas tem mudado a vida de muita gente”.
Para a presidenta, o êxito do programa se deve ao baixo custo dos empréstimos. “O que acontece é que o dinheiro ficou barato e as pessoas puderam então, com ele, realizar melhores negócios”, avaliou.

O Crescer concede crédito que pode variar de R$ 300 a R$ 15 mil. O interessado deve procurar um banco público para fazer o empréstimo. Segundo Dilma, 218.500 beneficiários do Bolsa Família tomaram empréstimos apenas nos três primeiros meses do programa.

“Esses primeiros resultados mostram que estamos conseguindo, de fato, democratizar o acesso ao crédito no país. É um crédito produtivo, que ajuda a gerar empregos, sustentar o crescimento e fortalecer ainda mais o nosso mercado interno”, concluiu Dilma.

Edição: Graça Adjuto

Dilma: crédito tem que ser alavanca para negócios

29/08/2011 - 7h52....Paula Laboissière/Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (29) que a concessão de crédito para pequenos empreendedores não pode ser um peso, mas uma alavanca que impulsione os negócios. Ao falar sobre o lançamento do Programa Nacional de Microcrédito (Crescer), ela lembrou que 3,4 milhões de pessoas devem ser beneficiadas até 2013.

“A partir de agora, o pequeno empreendedor que pegar dinheiro emprestado vai pagar uma taxa de juros bem mais baixa, de apenas 8% ao ano. Antes, a taxa de juros chegava a 60% ao ano”, explicou, no programa semanal Café com a Presidenta.
Segundo Dilma, o Crescer foi criado para profissionais como costureiras, pipoqueiros e artesãos. Cada um pode ter acesso a até R$ 15 mil. “É um crédito para quem precisa de um empurrãozinho”, disse.

Além de juros mais baixos, o governo anunciou uma tarifa de abertura de crédito menor – de 3% para 1% do valor emprestado. O valor é válido para qualquer profissional com faturamento de até R$ 120 mil ao ano.

Outra novidade é que os quatro bancos públicos federais – o Banco do Nordeste, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco da Amazônia – terão de emprestar, até o final do ano, R$ 654 milhões nas linhas de financiamento do Crescer e atender 734 mil clientes. Para 2012, as metas sobem para R$ 1,73 bilhão e 2,24 milhões de pessoas atendidas e, em 2013, para R$ 3 bilhões e 3,46 milhões de beneficiários.
“O microcrédito vai criar empregos e oportunidades para milhões de brasileiros. Com o Crescer, os pequenos empreendedores brasileiros terão a oportunidade de realizar o sonho de ter seu próprio negócio e de conquistar uma vida melhor, com liberdade e autonomia”, concluiu Dilma.
Edição: Talita Cavalcante

 

 

Microcrédito Produtivo Orientado Crescer CAIXA

O Projeto Crescer é uma linha de crédito para capital de giro e/ou investimento fixo, destinado a empreendedores formais e informais, com faturamento anual de até R$ 120 mil, que busca incentivar as atividades produtivas e a geração de emprego e renda, com acompanhamento e orientação aos tomadores, enquadrada no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado do Ministério do Trabalho

Prazo

De 4 a 24 meses, sem carência.

Limite

Definido a partir do resultado da avaliação de risco de crédito, com valor mínimo de R$ 300,00 e máximo de até R$ 15.000,00.

Forma de Pagamento

O pagamento é efetuado em prestações mensais e sucessivas, calculadas com base no Sistema Price e efetivado por meio de boleto bancário ou débito em conta corrente do empreendedor.

Programa Microcrédito Produtivo Orientado CRESCER CAIXA

Modelo Direto:

  • Juros: 0,64 % ao mês.
  • Taxa de Abertura de Crédito – TAC: 1% sobre o valor do empréstimo, cobrado no ato da contratação.
  • IOF: Alíquota zero.

 

 

 

 

2014---distribuição de renda

Novo coquetel enzimático para etanol 2G será apresentado em Simpósio
Embrapa Agroenergia(22/03/2012)Jornalista responsável:Vivian Chies (MTb 42.643/SP)

(Brasília, 20 de março de 2012) Durante o Simpósio Nacional de Microrganismos em Agroenergia (SIMA), um novo coquetel enzimático para produção de etanol de 2ª geração (2G) será apresentado pela professora Elba Bon, do Laboratório de Tecnologia Enzimática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a cientista, o produto obtido pela sua equipe é tão eficiente quanto os hoje disponíveis no mercado, com a vantagem de ser uma tecnologia brasileira e de menor custo.

O etanol 2G, também chamado lignocelulósico, é produzido a partir de materiais como o bagaço de cana-de-açúcar, o capim, o eucalipto e outros resíduos que contém celulose. O problema é que, nesse tipo de biomassa, os açúcares não estão prontamente disponíveis para fermentação como no caldo da cana (matéria-prima para etanol brasileiro de 1ª geração). É preciso liberar esses açúcares, por meio de processos como a hidrólise, que utiliza enzimas produzidas por microrganismos.

No Simpósio, a pesquisadora da UFRJ também apresentará uma avaliação geral dos fungos e leveduras mais utilizados nos estudos para produção de etanol 2G. Para Elba, atualmente, as pesquisas com microrganismos voltadas para agroenergia têm dois desafios principais, relacionados ao etanol 2G:
reduzir o custo das enzimas empregadas no processo de produção
e conseguir fermentar os açúcares de cinco carbonos (principalmente xilose).
Ela espera que o Simpósio contribua para a integração dos grupos de pesquisa que atuam no tema.

O evento é promovido pela Embrapa Agroenergia, com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Fundação Eliseu Alves e das Sociedades Brasileiras de Microbiologia (SBM), Genética (SBG) e Micologia (SBMy). Será realizado nos dias 11 e 12 de abril, na Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que fica no campus da Universidade de Brasília (UnB), na capital federal.  As empresas Bruker Daltonics e Sinc do Brasil patrocinam o Simpósio.

Palestrantes de instituições nacionais e estrangeiras participarão do Simpósio. A programação está organizada em três grandes temas: acesso ao patrimônio genético microbiano, novas tecnologias para produção de biocombustíveis e microrganismos para produção de químicos renováveis.

As inscrições custam R$ 200,00, com direito a almoço nos dois dias do Simpósio – estudantes têm desconto de 50% e deverão apresentar documento comprobatório de matrícula em 2012 na recepção do evento. O formulário e as instruções para inscrição estão disponíveis em: http://www.cnpae.embrapa.br/eventos/simposio-nacional-microrganismos. No mesmo endereço, é possível conhecer a programação do evento. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail micro-agroenergia.cnpae@embrapa.br.

 

2014---distribuição de renda

O "inominável" da Veja nãp gostou.

Eleições para o DCE da USP são vitória do movimento estudantil!

Na madrugada de sábado, saiu o resultado oficial das eleições para o DCE-Livre da USP em 2012. Mais de 13.000 estudantes participaram do processo e 6.964 deles escolheram a chapa Não vou me adaptar!. A chapa Reação, segunda colocada, não teve sequer metade dessa votação. Nesse texto, expomos um balanço inicial sobre essas eleições históricas para o movimento estudantil da USP.

Uma eleição politizada e construída pelos estudantes!

2011 foi um ano de mobilização no movimento estudantil da USP. Ao longo do ano, Rodas tomou uma série de medidas truculentas e autoritárias dentro da universidade, e os estudantes responderam à altura através de atos, assembleias e debates com milhares de pessoas.

Essa participação se traduziu nas eleições para o DCE. Primeiramente, tivemos um quórum histórico com a participação de 13.134 estudantes, a maior participação de todos os tempos em uma eleição para o DCE da USP! Além disso, o próprio processo eleitoral foi construído através de ampla participação: centenas de ativistas e estudantes, bem como Centros Acadêmicos dos campi da capital e do interior, protagonizaram uma das mais politizadas eleições da história do DCE, debatendo os rumos da universidade, os desmandos da atual gestão da reitoria e a importância de nossa entidade estudantil — utilizando do processo eleitoral para fortalecer o processo de mobilização.

A politização das eleições se traduziu na inquestionável lisura do processo: nenhuma urna teve denúncia ou suspeita de fraude. Os votos de todos os estudantes foram apurados e o resultado foi prontamente divulgado.

Uma eleição que derrotou Rodas e sua expressão no movimento estudantil!

A truculência de João Grandino Rodas à frente da reitoria da USP vem crescendo a cada dia. Cada vez fica mais claro que Rodas não tem nenhum compromisso com a universidade, mas sim com os setores políticos, ligados ao PSDB, que o alçaram ao cargo de reitor. Nos últimos dias, inclusive, foram veiculadas em rede nacional denúncias a respeito do convênio firmado pela reitoria entre a USP e a Polícia Militar de São Paulo, acusada de ter ligações diretas com o tráfico de drogas.

Nesse sentido, as eleições para o DCE da USP foram uma resposta categórica à reitoria. Dos 13.134 estudantes que participaram das eleições, mais de 80% deles votaram em chapas que se opunham à política da reitoria. Sobretudo, 53% dos estudantes escolheram a chapa Não vou me adaptar!, que apresenta a unidade de setores democráticos, combativos e consequentes do movimento estudantil e que teve, ao longo de todo o processo eleitoral, a luta contra o projeto de universidade da reitoria e sua expressão no movimento estudantil como prioritária.

A chapa Reação também foi fragorosamente derrotada. Ainda que sua força tenha sido expressa nos 2.660, correspondendo à segunda colocação que obtiveram, a “chapa da reitoria” não teve vez nas eleições para o DCE da USP. O falso discurso apartidário não enganou os estudantes e não conseguiu atrelar o DCE à reitoria. O recado das urnas foi claro: queremos um DCE independente para democratizar a USP!

Uma eleição que demonstrou que o movimento estudantil deve ser construído em unidade

A melhor maneira do movimento estudantil derrotar a política de Rodas é através da unidade de todos seus setores democráticos e consequentes. Assim aconteceu no final de 2011 ao longo da mobilização estudantil e assim acreditamos que deva continuar acontecendo.

Para as eleições do DCE, a chapa Não vou me adaptar! fez um grande esforço no sentido de unir todos aqueles que consideravam prioritário combater a política da reitoria e da chapa Reação nessas eleições. Ao mesmo tempo, buscamos sempre construir um movimento estudantil amplo, combativo e democrático. Infelizmente, essa não foi a postura de todas as chapas inscritas no processo. Destacou-se a chapa Universidade em Movimento que, além de não ter hierarquizado como prioritária a luta contra a reitoria e sua expressão no movimento estudantil, ainda adotou uma prática fratricida com a esquerda consequente e esvaziou o debate político, privilegiando sua autoconstrução. Isso ficou claro no próprio processo eleitoral: a chapa Não vou me adaptar! foi responsável pela abertura de urnas e pelo debate político na maior parte dos cursos e campi da USP, enquanto a chapa Universidade em Movimento priorizou somente os locais em que teriam votos.

As eleições demonstraram também a derrota dessa perspectiva política. 2012 deve ser um ano de mobilização e de unidade no movimento estudantil!

O desafio de derrotar a reitoria e o conservadorismo continua!

A vitória do movimento estudantil nas eleições para o DCE deve ser apenas nosso primeiro passo. No processo eleitoral que se encerrou, era evidente a existência de uma chapa que se destacava como o “braço estudantil” da reitoria, contando inclusive com amplo apoio a mídia e da burocracia universitária. Derrotar esse setor e defender uma universidade pública e democrática é uma tarefa não somente eleitoral.

O conservadorismo na universidade se expressa nas eleições do DCE, mas também (e sobretudo) na política da reitoria para a USP, que se faz sentir no dia-a-dia dos estudantes. A ausência de espaços de discussão para que professores, estudantes e funcionários, possam influir nos rumos da universidade é sintoma disso. Inúmeras medidas são anunciadas na USP sem que ninguém possa discuti-las além do próprio reitor. É assim no gasto do dinheiro público na universidade, nas medidas relativas às graduações e pós-graduações, na política de permanência estudantil etc. É assim também na política de militarização da USP e na perseguição àqueles, sejam estudantes, funcionários ou professores, que questionam a reitoria.

Essa realidade é que precisa ser enfrentada cotidianamente! Precisamos fazer com que o movimento estudantil seja nossa ferramenta para a democratização da universidade. A voz que os estudantes não têm na USP eles podem ter no movimento estudantil e no DCE!

A chapa Não vou me adaptar! agradece à participação de todos nessas eleições históricas para o DCE-Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme” e convida aos estudantes de toda a USP a seguir na luta que apenas começamos: por democracia na USP já!

Resultado oficial das eleições (http://tinyurl.com/6s848d7):

Quórum: 13.134 votos

1º – Não vou me adaptar!: 6.964 (53%)

2º – Reação: 2.660 (20%)

3º – Universidade em Movimento: 2.579 (19%)

4º – 27 de outubro: 503 (4%)

5º – Quem vem com tudo não cansa: 254 (2%)

 

Fonte: Não vou me adaptar!

 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

Uma crise estrutural exige uma mudança estrutural

por István Mészáros

Quando se afirma a necessidade de uma mudança estrutural radical é necessário que fique desde logo claro que não se trata de um apelo a uma utopia irrealizável. Bem pelo contrário, a característica essencial das teorias utopistas modernas é precisamente a projecção de que o melhoramento das condições de vida dos trabalhadores pode ser alcançado no quadro estrutural existente nas sociedades criticadas. Foi neste espírito que Robert Owen de New Lanark, que mantinha uma parceria insustentável com o filósofo utilitarista liberal Jeremy Bentham, tentou realizar as suas reformas sociais e pedagógicas. Ele exigia o impossível. Como sabemos, o sonante princípio moral utilitarista do "maior bem para o maior número" não teve, desde que Bentham o advogou, nenhuma tradução real. O problema é que, sem uma correcta compreensão da natureza económica e social da crise do nosso tempo – que hoje já não pode ser negada nem sequer pelos defensores da ordem capitalista, mesmo que estes continuem a rejeitar a necessidade de uma mudança estrutural – as hipóteses de chegar a bom porto ficam seriamente comprometidas. O deperecimento do "Estado Social", mesmo nos poucos países privilegiados onde chegou realmente a ser implementado, apresenta-se como uma grande lição neste domínio.

Permitam-me começar por citar um artigo recente dos editores de The Financial Times, jornal diário de referência da burguesia internacional.

Ao abordar os perigos das crises financeiras – reconhecidas agora até pelos seu editores como perigosas – terminam o seu editorial com as seguintes palavras: "Os dois lados (Democratas e Repúblicanos) são responsáveis pelo vazio de liderança e pela ausência de uma decisão responsável. É uma falha grave de governação e mais perigosa do que aquilo que Washington pensa." [1] A sabedoria editorial não vai mais longe que isto no que toca à questão das "dívidas soberanas" e do crescente défice orçamental. Aquilo que torna o editorial do Financial Times ainda mais vazio que o "vazio de liderança" que critica é o sonante subtítulo do artigo: "Washington deve parar de fazer pose e começar a governar". Como se os editoriais deste tipo não contribuíssem mais para a pose do que para a governação propriamente dita. Pois o que está realmente em questão é o endividamento catastrófico da toda-poderosa "casa-mãe" do capitalismo global, os Estados Unidos da América, onde a dívida do governo (excluindo as dívidas individuais e privadas) atinge já o valor de 14 milhões de milhões (trillions) de dólares – valor que aparece projectado na fachada de um edifício público de Nova Iorque a atestar a tendência crescente da dívida.

O que pretendo sublinhar é que a crise com que temos de lidar é uma crise profunda e estrutural que necessita da adopção de medidas estruturais e abrangentes, de modo atingirmos uma solução duradoura. É também necessário relembrar que a crise estrutural com que lidamos hoje não teve a sua origem em 2007, com o "rebentar da bolha" do mercado imobiliário americano, mas, pelo menos, quatro décadas antes. Eu já tinha exposto esta situação, nestes termos, em 1967, ainda antes da explosão do Maio de 68 em França [2] , e escrevi, em 1971, no prefácio à terceira edição de Marx's Theory of Alienation, que os acontecimentos e desenvolvimentos que então se davam: "testemunhavam de forma dramática a intensificação da crise estrutural global do capital".

A este respeito é necessário clarificar as diferenças relevantes entre os vários tipos e modalidades de crise. Não é de somenos importância o facto de uma crise na esfera social poder ser considerada periódica (conjuntural), ou de os seus fundamentos serem muito mais profundos do que isso. Pois, como é evidente, a forma de lidar com uma crise estrutural, uma crise dos fundamentos, não pode ser conceptualizada nos mesmos termos e segundo as mesmas categorias que se utilizam para lidar com as crises periódicas ou conjunturais. A diferença fundamental entre estes dois tipos de crise contrastantes é que a crise periódica ou conjuntural pode ser compreendida e resolvida dentro da estrutura actual, enquanto que a outra afecta a própria estrutura estabelecida no seu todo.

Em termos gerais, a diferença não se reduz a uma mera questão de gravidade contrastante entre os dois tipos de crise. Uma crise periódica ou conjuntural pode revelar-se de uma gravidade dramática – como foi o caso da Grande Depressão de 1929-1933 – e ainda assim poder ser resolvida dentro dos parâmetros do sistema em que ocorre. Da mesma forma, mas em sentido inverso, o carácter "não explosivo" de uma crise estrutural prolongada, contrastando com as "grandes tempestades" (palavras de Marx) nas quais se dão e se resolvem as crises conjunturais, pode levar à concepção de estratégias erradas resultantes de uma má interpretação induzida pela ausência de "tempestades"; Como se a ausência dessas "tempestades" fosse a prova cabal da estabilidade infinita do "capitalismo organizado" e da "integração da classe operária" no sistema.

Nunca é demais assinalar que a crise que vivemos não pode ser compreendida se não a remetermos para a estrutura social no seu todo. Isto quer dizer que, para clarificarmos a natureza desta crise, cada vez mais grave e duradoura, que afecta hoje o mundo inteiro, devemos considerar a crise do sistema capitalista no seu todo. Pois a crise do capital que experimentamos hoje é uma crise estrutural que tudo abrange.

Vejamos, de forma tão breve e concisa quanto possível, as caractéristicas fundamentais da crise estrutural com que lidamos.

A novidade histórica da crise actual manifesta-se em quatro aspectos:

  • O seu carácter universal, por oposição ao carácter circunscrito a uma esfera particular determinada (financeira ou comercial, ou afectando este ou aquele ramo específico da produção, ou aplicando-se a um tipo de trabalho, com a sua esfera específica de capacidades e níveis de produção, e não a outro, etc...)

  • O seu âmbito é verdadeiramente global (no mais ameaçado sentido literal do termo) ao invés de estar confinado a um conjunto determinado de países (como estiveram as maiores crises do passado),

  • A sua escala de tempo é extensa, contínua – permanente se preferirem – em vez de ser limitada e cíclica, como se acabaram por ser as anteriores crises do capital.

  • A sua forma de desdobramento, contrastando com os colapsos mais espectaculares e mais dramáticos do passado, pode ser considerada gradual, não excluindo no mesmo movimento a hipótese de violentas convulsões futuras: ou seja, quando a complexa máquina que se ocupa hoje da "gestão da crise", acabar, com o inevitável agravamento futuro das contradições crescentes, por perder vapor.

Neste ponto é necessário tecer algumas considerações gerais sobre os critérios que definem uma crise estrutural, bem como acerca das formas que pode tomar a sua superação.

Para o pôr em termos mais simples e mais gerais, a crise estrutural afecta a totalidade de um complexo social, e todas as relações entre as partes que o constituem (ou sub-complexos), bem como a sua relação com outros complexos aos quais possa estar ligado. Em sentido inverso, uma crise não estrutural afecta somente as partes do complexo em questão, e assim, por mais grave que seja para as partes afectadas, não põe em perigo a sobrevivência da estrutura no seu todo.

Consequentemente, o deslocar das contradições é possível apenas enquanto a crise for parcial, relativa e controlável internamente pelo sistema, necessitando apenas de viragens - mesmo que de grandes dimensões - relativamente autónomas dentro do próprio sistema. Desta forma uma crise estrutural põe em questão a existência da totalidade do complexo envolvido, postulando a sua transcendência e a sua substituição por um complexo alternativo.

Este mesmo contraste pode ser revelado pelos limites imediatos que um complexo social particular tem, em qualquer período de tempo, quando comparados com aqueles que ficam além do seu alcance. Assim, uma crise estrutural não se prende aos limites imediatos, mas sim aos derradeiros limites de uma estrutura global... [3]

Assim, e num sentido óbvio, nada pode ser mais sério que a crise estrutural do modo de reprodução metabólico do capital (que define os derradeiros limites da ordem estabelecida). Mas, apesar da profunda seriedade nos seus parâmetros gerais, a crise estrutural pode, à primeira vista, não aparentar ser de uma importância assim tão decisiva quando comparada com as vicissitudes dramáticas de uma grande crise conjuntural. De facto, as "tempestades" com que se manifestam as crises conjunturais são bastante paradoxais, na medida em que, pelo seu modo de desdobramento, as crises conjunturais não só descarregam tais tempestade mas acabam, no mesmo movimento, por se resolver enquanto crises (na medida em que as circunstâncias o permitem). Isto é possível graças ao seu carácter parcial, que não implica os limites últimos da estrutura global estabelecida. Ao mesmo tempo, e pela mesma razão, as crises parciais podem apenas solucionar os problemas estruturais subjacentes - que inevitavelmente se continuarão a manifestar sob a forma de crises conjunturais - de forma temporária, parcial e bastante limitada: até a próxima crise estrutural começar a surgir no horizonte da sociedade.

Contrariamente, atendendo à natureza necessariamente complexa e prolongada de uma crise estrutural, que, não sendo episódica nem fugaz, se manifesta num tempo histórico determinado e é condicionada pelo sentido de uma época, é na inter-relação cumulativa do todo que a questão se decide, mesmo sob a (falsa) aparência de normalidade. Isto ocorre assim porque numa crise estrutural tudo está em jogo, envolvendo os mais abrangentes e derradeiros limites da ordem em questão, dos quais não pode haver uma instância particular simbólica. Sem a compreensão do todo das relações e implicações sistémicas dos acontecimentos particulares, perderemos a noção das mudanças significativas reais e das correspondentes alavancas de uma possível intervenção estratégica que possa afectar positivamente o problema, em vista da sua transformação sistémica. A nossa responsabilidade social clama por uma vigilância crítica e determinada das inter-relações cumulativas emergentes, que não se pode contentar nem reconfortar com a normalidade ilusória que antecede o desabamento do tecto que jaz sobre as nossas cabeças.

É por demais necessário sublinhar que, durante as três décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, a expansão económica dos países capitalistas de proa gerou a ilusão, mesmo junto dos mais distintos intelectuais de Esquerda, da superação histórica da "crise do capitalismo", e do surgimento de uma nova fase de "capitalismo organizado avançado ". Gostaria de ilustrar este problema com algumas passagens da lavra daquele que foi um dos maiores intelectuais militantes do século XX: Jean-Paul Sartre; por quem, como ficou claro no livro que escrevi sobre a sua obra, tenho a maior das considerações. No entanto, a verdade é que a adopção da ideia de que pela superação da "crise do capitalismo" a ordem estabelecida se tornou num "capitalismo avançado" foi para Sartre fonte de grandes dilemas. Isto é ainda mais significativo dado que ninguém poderá negar o compromisso que Sartre mantinha com a busca de uma solução emancipatória viável, nem tão pouco a sua integridade moral. Em relação ao nosso problema é da maior utilidade recordar a importante entrevista que Sartre concedeu ao grupo italiano Manifesto – depois de clarificarmos a sua concepção das insuperáveis implicações negativas da sua própria categoria explicativa da institucionalização inevitavelmente prejudicial, que ele chamava "grupo em fusão" na sua Critica da Razão Dialéctica – na qual ele chegou a esta dolorosa conclusão: "Ao mesmo tempo que reconheço a necessidade de organização tenho de confessar que não vejo como é que podem ser resolvidos os problemas aos quais se confronta uma qualquer estrutura organizada" [4]

A dificuldade prende-se com o facto de os termos da análise social de Sartre serem concebidos de uma forma tal que vários factores e correlações, que na realidade estão interligados, constituindo as diferentes faces de um mesmo complexo societal, são apresentados separadamente, por dicotomias e oposições, gerando um dilema insolúvel e condenando ao fracasso as forças emancipatórias sociais. Isto é claramente demonstrado na entrevista ao grupo Manifesto:

Manifesto: Em que bases precisas é que se pode preparar uma alternativa revolucionária?

Sartre: Repito, é mais na base da "alienação" do que na base das "necessidades". Em suma na reconstrução do individual e da liberdade, reconstrução essa tão necessária que as mais refinadas técnicas de integração não se podem dar ao luxo de ignorar. [5]

Desta forma Sartre, pela sua compreensão estratégica de como superar o carácter opressivo da realidade capitalista, constrói uma oposição indefensável entre a "alienação" dos trabalhadores e as suas "necessidades" alegadamente já satisfeitas, tornando muito difícil prever uma solução prática exequível. O problema não se prende apenas com a desmesurada credibilização das "refinadas técnicas de integração", teoria sociológica refinada e muito em voga, mas muito superficial. Infelizmente, o problema é bem mais sério.

O real problema é o da validação do "capitalismo avançado", e da tese subsequente da "integração" da classe operária no sistema, que Sartre partilha em larga medida com Herbert Marcuse. A verdade é que, em contraste com a integração (sem dúvida possível) de alguns trabalhadores na ordem capitalista, a classe trabalhadora - antagonista estrutural do capital, e que representa a única alternativa hegemónica historicamente possível ao sistema do capital - não pode ser integrada na estrutura exploradora e alienante de reprodução social do capital. O que torna impossível tal assimilação é o antagonismo estrutural subjacente entre capital e trabalho que decorre necessariamente da realidade das relações de classe, isto é, da incontornável relação de domínio e subordinação que entre elas existe.

Neste discurso, até a plausibilidade mínima da falsa alternativa, de tipo Sartriano e Marcusiano, entre contínua alienação e "satisfação das necessidades" é "estabelecida" com base na descarrilhante compartimentalização das (suicidárias) indeterminações estruturais do capital, globalmente implementadas e globalmente insustentáveis, das quais depende a mais elementar viabilidade sistémica da hegemónica ordem social vigente do capital. Assim é extremamente problemático separar o "capitalismo avançado" das chamadas "zonas marginais" e do "terceiro mundo". Como se a ordem reprodutiva do "capitalismo avançado" se pudesse sustentar por um qualquer período de tempo, e no futuro mesmo indefinidamente, sem a exploração constante das "zonas marginais" e sem o domínio imperialista do "terceiro mundo".

É aqui necessário citar a passagem na qual Sartre trata destes problemas. Essa passagem reveladora é a seguinte:

O capitalismo avançado, em relação com a consciência que tem da sua própria condição, e apesar das enormes disparidades na distribuição de dividendos, consegue satisfazer as necessidades elementares da maior parte da classe operária – ficam ainda por satisfazer as zonas marginais, 15 por cento dos trabalhadores dos Estados Unidos, os negros e os imigrantes, os idosos e, a uma escala global, o "terceiro mundo". Mas o capitalismo satisfaz certas necessidades primárias, e também satisfaz certas necessidades artificialmente criadas, como por exemplo a necessidade de ter um carro. Esta situação, obrigou-me a rever a minha "teoria das necessidades" uma vez que estas necessidades já não estão, no "capitalismo avançado", em oposição fundamental ao sistema. Pelo contrário, elas tornaram-se, pelo menos em parte e quando controladas pelo sistema, num instrumento de integração do proletariado em certos processos produzidos e dirigidos pelo lucro. O trabalhador esgota-se para produzir um carro e para ganhar o dinheiro para poder comprar um carro; esta compra dá-lhe a impressão de ter suprimido uma necessidade sua. O sistema explora-o ao mesmo tempo que lhe oferece um objectivo e a possibilidade de o alcançar. A consciência do carácter intolerável do sistema já não deve ser procurada na impossibilidade de satisfazer as necessidades básicas, mas sobretudo na consciência da alienação – por outras palavras, no facto de que esta vida não merece ser vivida e não tem significado, que este mecanismo é enganador, que estas necessidades são falsas, artificialmente criadas, extenuantes e que só servem uma lógica de lucro. Mas unir uma classe com base nisto é ainda mais difícil. [6]

Se aceitarmos sem mais esta caracterização da ordem do "capitalismo avançado", a tarefa de produção de uma consciência emancipatória não é apenas "mais difícil", é impossível. Mas o fundamento dúbio a partir da qual podemos chegar a um tal conclusão apriorística, pessimista e derrotista – que prescreve, do alto da "nova teoria das necessidades" formulada pelos intelectuais, a renúncia dos operários, às suas "ávidas necessidades artificiais", representadas pelos carros, e a sua substituição pelo postulado, completamente abstracto, de que "esta vida não vale a pena ser vivida e não tem sentido" (um postulado nobre, mas considerávelmente abstracto, e de resto efectivemente contrariado pela necessidade real que têm os membros da classe trabalhadora de assegurar as condições de uma existência economicamente sustentável) – é simultaneamente a aceitação de afirmações insustentáveis e a omissão, igualmente inaceitável, de algumas das mais vitais determinações do actual sistema do capital na sua crise estrutural historicamente irreversível.

Desde logo, falar de "capitalismo avançado " – quando o sistema do capital, enquanto forma de reprodução social metabólica, se encontra na fase descendente do seu desenvolvimento histórico, e, portanto, é avançado apenas de um ponto de vista capitalista e sob nenhuma outra forma, visto que apenas se mantém de uma forma cada vez mais destrutiva e, em última análise, auto-destrutiva – é muito problemático. Outra asserção: a caracterização da esmagadora maioria da humanidade – a categoria da pobreza, que inclui "os negros e os imigrantes", os "idosos" e "em grande escala, o terceiro mundo" – como pertencente a "zonas marginais" (no sentido dos "marginais" de Marcuse), é igualmente insustentável. Pois, na realidade, é o "mundo capitalista avançado" que constitui uma margem privilegiada no seio do sistema, que é, a longo prazo, totalmente insustentável, e que nega à maior parte do mundo as suas necessidades mais básicas. Esta é a verdadeira margem e não aquilo que Sartre descreve na sua entrevista ao grupo Manifesto como constituindo as "zonas marginais". Mesmo no que diz respeito aos Estados Unidos, a margem de pobreza é consideravelmente subestimada: apenas 15% da população. Para além disso, caracterizar os carros dos operários como meras "necessidades artificiais" que apenas "servem o lucro" é ter um ponto de vista completamente unilateral. Pois, ao contrário de muitos intelectuais, nem todos os operários relativamente bem pagos, para já não falar da classe trabalhadora como um todo, têm a sorte de ter o seu local de trabalho ao lado da porta do seu quarto.

Para além do mais, algumas das mais graves falhas e contradições estruturais encontram-se surpreendentemente ausentes da descrição feita por Sartre do "capitalismo avançado", o que esvazia virtualmente o conceito de sentido. Assim, uma das mais importantes necessidades, sem a qual nenhuma sociedade – passada, presente ou futura – pode sobreviver, é a necessidade de trabalhar, tanto para os indivíduos produtivamente activos – reunidos numa ordem social completamente emancipada – como para a sociedade em geral, na sua relação sustentável com a natureza. A incapacidade congénita do sistema do capital para resolver este problema estrutural fundamental, que afecta todas as categorias de trabalhadores, não apenas no "terceiro mundo", mas também nos mais privilegiados países do "capitalismo avançado", uma tal incapacidade, que leva a um aumento perigoso do desemprego, constitui um dos limites absolutos do sistema do capital no seu todo. Outro problema sério, que reforça a inviabilidade presente e futura do sistema do capital é o peso cada vez maior dado a sectores parasitários na economia – como a especulação aventureira, produtora de crise, que infesta (sob a forma de uma necessidade objectiva, muita vezes erroneamente representada sobre a forma de erro ou falha pessoal) o sector financeiro, e a fraude institucionalizada que se lhe associa – em contraste com os ramos produtivos da economia social, necessários à satisfação das necessidades humanas genuínas. Uma tal configuração manifesta um acentuado, e ameaçador, contraste com a fase ascendente do desenvolvimento histórico do capital, quando o prodigioso dinamismo expansionista do sistema (incluindo a revolução industrial) era devido a feitos produtivos socialmente viáveis e valorizáveis. Temos ainda que adicionar a tudo isto os fardos económicos perdulários impostos à sociedade de forma autoritária pelo estado e pelo complexo militar/industrial – a permanente indústria de armamento e as guerras correspondentes – como parte integral do perverso "crescimento económico" do "capitalismo avançado organizado". E, para mencionar apenas mais uma das consequências catastróficas do desenvolvimento sistémico do capital "avançado", devemos ter em mente a perdulária transgressão ecológica do nosso insustentável modo de reprodução social metabólico num planeta finito [7] a sua exploração ganaciosa dos recursos materiais não-renováveis e a cada vez mais perigosa destruição da natureza. Dizê-lo não é tentar parecer sábio depois do facto consumado. Escrevi na mesma altura em que Sartre deu a sua entrevista ao grupo Manifesto que:

Outra contradição básica do sistema capitalista de controlo é que ele não pode separar "avanço" de destruição, nem "progresso" de desperdício – independentemente de quão catastrófico seja o resultado. Quanto mais liberta o seu poder produtivo, mais desencandeia o seu poder destrutivo; e quanto mais aumenta o seu volume de produção, mais é obrigado a enterrar tudo sob montanhas de desperdícios. O conceito de economia é radicalmente incompatível com a "economia" da produção do capital que, necessariamente, junta ultraje ao ultraje ao usar primeiro, num ganacioso desperdício, os recursos limitados do nosso planeta, para depois agravar o resultado através da poluição e do envenenamento do ambiente humano, com a sua produção massiva de lixos e eflúvios. [8]

Assim, as asserções problemáticas e as importantes omissões presentes na caracterização sartriana do "capitalismo avançado" enfraquecem consideravelmente o poder de negação do seu discurso emancipatório. Baseando-se num princípio dicotómico, que afirma repetidamente "a irredutibilidade da ordem cultural à ordem natural", Sartre procura sempre soluções de "ordem cultural", ou seja, ao nível da consciência individual, através do trabalho intelectual comprometido da "consciência sobre a consciência". Sugere assim que a solução está num aumento da "consciência da alienação" - na "ordem cultural" - ao mesmo tempo que rejeita a viabilidade de uma estratégia revolucionária baseada numa necessidade de "ordem natural". As necessidades materiais, aliás consideradas como estando já satisfeitas para a maioria dos trabalhadores, constituiriam um "mecanismo ilusório e falso" e um "instrumento de integração do proletariado".

Sartre está certamente bastante preocupado com o desafio que representa responder à questão de como aumentar "a consciência do carácter intolerável do sistema". Mas, como é inevitável notar, a própria base tida como condição vital para o sucesso de tal empresa – o poder da "consciência da alienação" sublinhado por Sartre – necessita fortemente de um suporte material. De outra forma, a ideia (mesmo deixando de lado a fraqueza da dita base e a sua circularidade auto-referencial) de que tal consciência "pode prevalecer face ao carácter intolerável do sistema" está condenada a ser posta de lado, como um ideal nobre, mas ineficaz. As declarações pessimistas de Sartre a propósito de necessidade de vencer a realidade materialmente e culturalmente destrutiva, mas solidamente estruturada, deste "conjunto miserável que é o nosso planeta", com as suas "horríveis, feias e más determinações, sem esperança", mostram que esta questão é problemática mesmo se vista do interior do sistema de representações sartriano.

Nesta medida, a questão primeira diz respeito à demonstrabilidade, ou não, do carácter objectivamente intolerável do sistema, pois se tal demonstração carecer de substância, como é proclamado pela noção de um "capitalismo avançado" capaz de satisfazer todas as necessidades materiais, com a mera excepção das "zonas marginais", então "o longo e paciente trabalho de construção da consciência" advogado por Sartre torna-se quase impossível. Este é o tal embasamento objectivo que é necessário (e actualmente pode) ser estabelecido dentro dos seus próprios termos de referência, e que requer a desmistificação radical do carácter cada vez mais destrutivo do "capitalismo avançado". A " consciência do carácter intolerável do sistema" só pode ser construída sobre este terreno material – que inclui o sofrimento causado pela incapacidade do capital "avançado" satisfazer mesmo as necessidades mais elementares nas suas "zonas marginais", o que é claramente demonstrado pelos motins alimentares que têm lugar em vários países – de forma a poder ultrapassar a dicotomia (postulada) entre a ordem cultural e a ordem natural.

Na sua fase ascendente, o sistema do capital pôde basear os seus feitos produtivos num dinamismo expansionista interno – sem ser ainda imperiosa uma orientação monopolista/imperialista que permita aos países mais avançados garantir militarmente o domínio do mundo. No entanto, na senda da circunstância historicamente irreversível que é a sua entrada numa fase produtiva descendente, o sistema do capital tornou-se inseparável de uma necessidade, cada vez mais intensa, de expansão militarista/monopolista e de uma distensão constante da seu quadro estrutural, tendendo, na sua lógica produtiva interna, para o estabelecimento criminoso e perdulário de uma "indústria do armamento permanente", que vai de par com as guerras que necessariamente se lhe encontram associadas.

Na verdade, ainda antes do despoletar da Primeira Guerra Mundial, Rosa Luxemburgo havia identificado claramente a natureza deste fatídico desenvolvimento monopolista/imperialista, rumo a uma orientação destrutivamente produtiva, ao escrever no seu livro A acumulação de Capital que: "O Capital em si mesmo controla, em última análise, o movimento rítmico da produção militar através do poder legislativo e da imprensa, cuja função é a de moldar a chamada "opinião pública". É por isso que esta região particular de acumulação capitalista parece, à primeira vista, capaz de uma expansão infinita." [10]

Por outro lado, a utilização cada vez mais perdulária de energia e de recursos materiais vitais e estratégicos, manifesta não apenas a articulação cada vez mais destrutiva das determinações estruturais do Capital no plano militar (através de uma manipulação legislativa da "opinião pública" que nunca é questionada, e muito menos regulamentada), mas também a cada vez maior usurpação da natureza. Ironicamente, mas de forma nada surpreendente, este momento do desenvolvimento histórico regressivo do sistema do Capital trouxe também consigo amargas consequências para a organização internacional do trabalho.

Com efeito, esta nova articulação do sistema do capital, iniciada no último terço do século XIX, com a sua fase imperialista monopolista intimamente ligada a um domínio global total, deu inicio a uma nova modalidade de dinamismo expansionista (ainda mais antagonista e, em última análise, insustentável), que dá lucros esmagadores a um punhado de países imperialistas privilegiados, e que, assim, adia o "momento da verdade", inseparável da irreprimível crise estrutural vivida pelo sistema nos nossos dias. Este tipo de desenvolvimento imperialista monopolista impulsionou inevitavelmente a possibilidade de uma acumulação e expansão capitalista militar, independentemente do preço a pagar pela destrutividade cada vez maior deste novo dinamismo, que assumiu já a forma de duas guerras mundiais devastadoras, bem como a da total aniquilação da humanidade implícita numa terceira guerra mundial, isto sem contar com a destruição da natureza, que se tornou evidente na segunda metade do séc. XX.

Hoje em dia, estamos a assistir ao aprofundamento da crise estrutural do sistema do capital. A sua destrutividade é visível em todo o lado, e não dá sinais de diminuir. Para o futuro, é crucial a forma como conceptualizamos esta crise, no sentido de encontrar uma solução. Pelo mesmo motivo, é também crucial reexaminar algumas das mais significativas soluções propostas no passado. Aqui não nos será possível mais do que mencionar, com uma brevidade estenográfica, os pontos de vista contrastantes que foram defendidos no passado e indicar a sorte que conhecem nos dias de hoje.

Em primeiro lugar, há que recordar que é mérito do filósofo liberal John Stuart Mill ter notado quão problemático poderia ser um crescimento capitalista infinito, consideração que o levou a propor como solução um "estado estacionário da economia". Naturalmente, um tal "estado estacionário" no quadro do sistema do capital não é mais do que uma ilusão, uma vez que é totalmente incompatível com o imperativo de expansão e acumulação do capital. Mesmo actualmente, quando tanta destruição é causada por um crescimento inadequado e pelas mais ineficazes utilizações dos nossos recursos energéticos e estratégicos vitais, a mitologia do crescimento constante é constantemente reafirmada, juntamente com a projecção ideal de uma "redução da pegada ecológica" em 2050, quando na realidade se está a seguir uma direcção completamente contrária a um tal objectivo. Assim, a realidade do liberalismo revelou-se ser a destrutividade agressiva do neoliberalismo.

Um destino semelhante teve a perspectiva social-democrata. Marx formulou claramente os seus receios acerca deste perigo na sua Critica do Programa de Gotha, mas eles foram totalmente ignorados. Também aqui a contradição entre a promessa Bernsteiniana de um "socialismo evolutivo" e a sua realização prática se revelou impressionante. E isto não apenas graças à capitulação dos partidos e governos sociais-democratas face ao engodo das guerras imperialistas, mas também através da conversão da social-democracia em geral – incluindo o "New Labour" britânico – a versões mais ou menos evidentes de neo-liberalismo, levando ao abandono não apenas do "caminho do socialismo evolutivo", mas de toda e qualquer promessa de reforma social significativa.

Para além disso, uma solução muito propagandeada, após a II Guerra Mundial, às desigualdades crescentes do sistema do capital, foi a difusão mundial do Estado Social. No entanto, a realidade prosaica deste alegado feito histórico é hoje em dia evidente, não só na total incapacidade para instituir o dito Estado Social onde quer que seja no chamado "Terceiro Mundo", mas através da liquidação, em curso, das conquistas relativas desse Estado Social do pós-guerra – nos campos da segurança social, saúde e educação – até mesmo nos poucos países privilegiados onde ele alguma vez chegou a ser instituído.

E, claro, não podemos ignorar a promessa (feita por Estaline e outros) de realizar a fase mais elevada do socialismo através da derrube e da abolição do capitalismo, pois, tragicamente, sete décadas após a Revolução de Outubro, os países da antiga União Soviética e da Europa de Leste vivem uma restauração do capitalismo na sua forma regressiva neoliberal.

O denominador comum de todas estas tentativas – apesar das suas diferenças fundamentais – é que todas elas tentaram alcançar os seus objectivos do interior do quadro estrutural da ordem metabólica social estabelecida. Todavia, como nos ensina a dolorosa experiência histórica, o nosso problema não é simplesmente "derrubar o capitalismo". Pois, mesmo que um tal objectivo possa ser alcançado numa determinada extensão, ele está condenado a ser um feito muito instável, visto que tudo o que é derrubado pode também ser restaurado. A verdadeira – e muito mais difícil – questão, é a da necessidade de uma mudança estrutural radical.

O significado tangível de uma tal mudança estrutural é a completa erradicação do capitalismo do processo social metabólico, ou, por outras palavras, a erradicação do capital do processo metabólico de reprodução societal.

O capital é em si mesmo um modo de controlo global; o que significa que ou ele controla tudo ou implode enquanto sistema de controlo societal reprodutivo. Consequentemente, o capital, enquanto tal, não pode ser controlado nalguns dos seus aspectos, enquanto outros são deixados de lado. Todas as medidas e modalidades experimentadas para "controlar" as várias funções do capital de forma permanente, falharam. De acordo com a sua incontrolabilidade estrutural – que significa que não é concebível, dentro do quadro estrutural do sistema do capital, uma qualquer alavancagem que permita manter o próprio sistema controlado de forma duradoura – o capital deve ser completamente erradicado. Este é o sentido central do trabalho de Marx.

Nos nossos dias, a questão do controle – através de uma mudança estrutural que responda ao aprofundamento da crise estrutural – tornou-se urgente, não só no sistema financeiro, devido ao desperdício de biliões de dólares, mas em todos os sectores. Os mais importantes jornais financeiros capitalistas queixam-se de que "a China está sentada sobre três milhões de milhões de dólares em dinheiro", alimentando ilusões de que, através de um "melhor uso desse dinheiro", possa surgir uma solução. Mas a dura verdade é que o endividamento global crescente do capitalismo eleva-se a um valor dez vezes superior ao dos dólares "não usados" pela China. Para além disso, mesmo que o enorme montante da dívida pudesse ser eliminado de alguma forma, ainda que ninguém saiba dizer como, a verdadeira questão mantém-se: Como é que ele foi gerado e como podemos estar seguros que não o voltará a sê-lo no futuro? É por isso que a dimensão produtiva do sistema – nomeadamente a própria relação do capital – deve sofrer uma mudança fundamental no sentido de ultrapassar a crise estrutural através de uma mudança estrutural apropriada.

A dramática crise financeira que vivemos durante os últimos três anos é apenas um aspecto das três vertentes da destrutividade do sistema do capital:

1. No campo militar, as intermináveis guerras que o capital tem gerado desde que surgiu, nas últimas décadas do séc. XIX, o imperialismo monopolista, e as ainda mais devastadoras armas de destruição massiva surgidas nos últimos sessenta anos.
2. A intensificação do impacto destrutivo do capital no domínio ecológico, que afecta directamente e põe em risco a base mais elementar da própria existência humana; e
3. No domínio da produção material, um desperdício cada vez maior, resultante do desenvolvimento de uma "produção destrutiva", que se substitui à anteriormente louvada, "destruição produtiva" ou "criativa"

Estes são os graves problemas sistémicos da nossa crise estrutural, que apenas podem ser resolvidos através de uma mudança estrutural abrangente.

Como conclusão, gostaria de citar as últimas cinco linhas de Dialéctica da Estrutura e da História, , onde se lê:

"Naturalmente, a dialéctica histórica, por si só e em abstracto, não nos pode garantir um desfecho positivo. Esperar tal coisa seria renunciar ao nosso papel no desenvolvimento da consciência social, que é parte da dialéctica histórica. A radicalização da consciência social num sentido emancipatório é o que precisamos, mais do que nunca, para o futuro." [11]


http://resistir.info/meszaros/meszaros_mar12_p.html


 

 


 

Gilson Caroni Filho: O cavalo grego quase trotou por aqui

por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

O que está acontecendo  na Grécia, país que perdeu parte significativa de sua soberania, tornando-se um laboratório para experimentos do capital financeiro, não pode ser atribuído a um  raio num dia de céu azul ou a uma saída de emergência para salvar o capital dos credores, mesmo que o preço seja levar o país à falência. É produto de uma ação planejada há mais de duas décadas.

A presença permanente de uma equipe da troika (Banco Central Europeu, União Européia e FMI), monitorando o fluxo de empréstimos, a criação de uma conta vinculada destinada exclusivamente ao pagamento do serviço da dívida e aceitação que tribunais de Luxemburgo julguem dissídios, não cabendo ao governo grego qualquer tipo de recurso, são evidências de uma estratégia amadurecida ao longo do tempo. Trata-se de remover os entraves colocados pelo Estado-Nação e pela democracia à dinâmica capitalista que requer, em última instância, salários baixos e elevadas taxas de poupança.  Pela capacidade do capital de evitar a tributação e condições empregatícias onerosas, através da livre movimentação para  outros mercados, o sonho social-democrata se desfaz como uma carta antiga de Bernstein.

Mas voltemos no tempo para irmos aos fatos.

Na década de 1990,o Acordo Multilateral de Investimento( AMI)  era negociado na surdina, entre os países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), por iniciativa dos Estados Unidos e da União Européia, com cinco países observadores, entre eles o Brasil, então governado pelo consórcio demotucano.

O que vinha a ser esse documento pôde ser resumido  numa frase de Renato Ruggiero, à época diretor-geral da OCDE: “Com este documento estamos escrevendo a Constituição de uma economia global Unificada”. Assim, ficamos sabendo por que até 1997 as negociações da AMI eram secretas. Ou seja, o acordo não era conhecido nem pelos parlamentares dos países envolvidos. O sigilo era explicável se conhecermos algumas das condições contidas no documento.

O AMI era uma espécie de carta magna das corporações internacionais concebidas com o objetivo de vigência mundial, para respaldar suas atividades, por cima das instituições e constituições onde atuavam. Uma antecipação do cavalo de Tróia entregue à Grécia recentemente. Criava uma nação corporativa, virtual, acima das nações convencionais, movida por um único e superior motivo: o lucro do capital internacional.

Nos seus termos conhecidos, os investidores poderiam ingressar em qualquer área, setor ou atividade sem qualquer tipo de restrição, podendo contestar  ações políticas ou governamentais, desde que entendessem que qualquer uma delas viesse a prejudicar seus lucros. Muito ao contrário, o governo deveria assegurar os investimentos externos e garanti-los contra tudo que pudesse afetar sua rentabilidade.

Os governos nacionais deixavam assim de ser guardiões de seus cidadãos e passavam a representar uma espécie de guarda pretoriana do capital externo. E, se não exercesse bem essa função,cada governo passava a ser responsabilizado para cobrir qualquer intervenção do Estado suscetível de reduzir a capacidade das corporações de obterem um lucro maior. E, vejam a terrível coincidência, quem escolheria o foro para tais litígios seria o grande capital, ficando o Estado sem qualquer status jurídico-político,sem poder negar o tribunal escolhido, nem submeter os litígios à arbitragem internacional.

Nesses temos, a nossa soberania (lembremos que eram os tempos de FHC), inclusive política, estaria num dos livros-caixa dos grandes conglomerados ou disquetes de organismos multilaterais de crédito. Estaria eliminado todo e qualquer sentido de autodeterminação e independência que ainda pudéssemos ter.

O aparente recuo foi meramente tático. O que vemos na Grécia é a implantação de um fundamentalismo de mercado incompatível com o sistema democrático. Repletos de volumosas estatísticas e modelos matemáticos arcanos que fornecem a ideologia para o estabelecimento de governos autocráticos, capazes de impor sua vontade a um povo com seus direitos fundamentais subtraídos.

Se tais fatos e manobras chegam a espantar pelo tamanho da queda imposta a países com tradição democrática, imaginemos o que poderia ter acontecido ao Brasil se o resultado das urnas tivesse sido outro em 2002, 2006 e 2010. O capital nos ensina que “presente de grego” não tem nacionalidade específica. E, principalmente, que “em cavalo dado não se olha os dentes”. Principalmente se estivermos diante de um pangaré troiano.

http://www.viomundo.com.br/politica/gilson-caroni-filho-o-cavalo-grego-q...

 

Brasil é 10º maior consumidor mundial de energia elétrica

Daniela Fernandes

De Paris para a BBC Brasil

O Brasil é o décimo maior consumidor mundial de energia elétrica, segundo dados da Agência Internacional de energia (AIE), com sede em Paris. Desde 2001, o consumo de eletricidade no país aumentou quase 38%, acima da média mundial, que foi de 30% no período.

Apesar de significativo, o crescimento do consumo de eletricidade no Brasil ficou bem abaixo das taxas registradas pela China e pela Índia entre 2001 e 2009 (último dado disponível). Nesses dois países, o aumento foi, respectivamente, de 153% e de 64%, de acordo com a AIE.

Os Estados Unidos, a China, a União Europeia e a Índia representam mais de 60% do consumo mundial de eletricidade.

O crescente aumento do consumo de energia é uma grande preocupação mundial.

'Hora do Planeta'

O evento "A Hora do Planeta", iniciativa da organização ambiental WWF, que prevê que as luzes sejam desligadas em várias cidades do mundo durante uma hora para lutar contra o aquecimento global, tem o objetivo de conscientizar a população mundial em relação ao problema.

Nas previsões da AIE, a demanda mundial de energia primária (que existe de forma natural na natureza) deverá aumentar em um terço entre 2010 e 2035.

Até essa data, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, deverão crescer 20%, afirma a AIE.

Em 2010, a procura mundial por energia primária aumentou 5%, um salto "considerável" na avaliação da agência internacional, que alerta para o fato de que isso provoca novos picos de emisões de dióxido de carbono.

Apenas a China e a Índia, diz a agência, deverão ser responsáveis pela metade do crescimento da demanda de energia global até 2035.

Em geral, os países emergentes deverão representar 90% do aumento previsto da demanda global de energia até 2035, segundo a AIE. No Brasil, a demanda de energia primária deverá crescer 78% nesse período.

"As taxas de crescimento de consumo de energia na Índia, na Indonésia, no Brasil e no Oriente Médio aumentam a um ritmo ainda mais rápido do que na China", ressalta a AIE em um relatório divulgado no final do ano passado.

Fontes renováveis

Apesar de estar no ranking dos dez maiores consumidores de energia, a AIE ressalta que o Brasil é um dos líderes mundiais na produção de energia hidrelétrica e de biocombustíveis, fontes de energia renováveis.

De acordo com a agência, 45% da energia total produzida no Brasil é originária de fontes renováveis, enquanto a média nos países ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de apenas 8%.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de energia hidrelétrica, atrás da China.

As fontes de energias renováveis não hidrelétricas (como a solar e a eólica) na geração de eletricidade em nível mundial ainda representam apenas 3% em 2009.

Mas a agência prevê que essa participação deverá aumentar para 15% em 2035 graças ao aumento dos recursos para desenvolver essas outras fontes, principalmente na União Europeia e na China.

Também segundo a agência internacional, 1,3 bilhão de pessoas no mundo ainda não dispõe de eletricidade.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120331_brasil_ranking_c...

 

Da Carta Maior

01/04/2012

A 3 SEMANAS DO PLEITO FRANCÊS, MÉLENCHON VAI A 15% E SACODE MODORRA DA ESQUERDA MUNDIAL

 

Nem Sarkozy, nem Hollande, nem a extrema direita de Marine Le Pen, a grande revelação das eleições francesas chama-se Jean-Luc Mélenchon. E tudo indica que não apenas das eleições francesas. A Frente de Esquerda que o apoia reúne desde o velho partido comunista francês, passando pela esquerda antineoliberal até os ambientalistas consequentes. Só esse feito já o credenciaria a merecer as atenções da esquerda mundial. Mas o mais importante foi ter elaborado essa aliança com um programa que parece ser o que mais se aproxima, por enquanto, do salto político que a esquerda está a dever como resposta ao colapso do capitalismo desregulado sob hegemonia das finanças.

O eixo principal do programa da Frente de Esquerda é a 'planificação ecológica', que inclui a autocrítica da indiferenciação histórica entre direita e esquerda no que diz respeito ao consumismo e à panacéia do crescimento ilimitado. A candidatura Mélenchon faz isso sem abdicar do socialismo, o que a distingue de um certo ecologismo confortável ao poder , que se propõe a tingir de verde o capitalismo.

O programa da Frente de Esquerda propugna, ademais,forte controle estatal do sistema financeiro e nisso pode dar uma importante contribuição ao debate sobre o aggiornamento do desenvolvimentismo no Brasil, por exemplo (leia artigos de Fiori, Belluzzo e Ricardo Carneiro, nesta pág.). Mas a sua maior singularidade é o impacto receptivo dessas ideias no eleitorado francês: em janeiro, Mélenchon tinha 6% dos votos;neste final de semana, pesquisas já indicavam que ele se aproxima dos 15%, à frente da extrema direita e destinado a ser o voto de minerva do de uma 2º turno a essa altura inevitável.

Mélenchon falou com exclusividade ao correspondente de Carta Maior em Paris, Eduardo Febbro, numa entrevista minuciosa em que expõe o arcabouço de seu programa; leia nesta pág. Leia também o comentário de Ignacio Ramonet sobre o pleito do próximo dia 22, que pode sacudir a crise do euro e a modorra do pensamento de esquerda mundial.

Postado por Saul Leblon às 21:38

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=935

 

webster franklin

do Vermelho.org

1 DE ABRIL DE 2012 - 10H13 

A era do homem endividado

 

A dívida tem uma moral própria, diferente e complementar à do trabalho. A dupla esforço-recompensa da ideologia do trabalho se vê passada para trás pela moral da promessa (honre sua dívida) e da culpa (de tê-la contraído). A campanha contra os gregos dá testemunho da violência da lógica que permeia a economia da dívida.

Por Maurizio Lazzarato*


A sucessão de crises financeiras levou ao aparecimento de uma figura subjetiva, que agora ocupa todo o espaço público: a do homem endividado. Pois o fenômeno da dívida não se reduz às suas manifestações econômicas. Ele constitui a pedra angular das relações sociais em regime neoliberal, operando uma tripla desapropriação: a desapropriação de um poder político já fraco, concedido pela democracia representativa; a desapropriação de uma parte cada vez maior da riqueza que as lutas passadas tinham arrancado da acumulação capitalista; e a desapropriação, principalmente, do futuro, quer dizer, da visão do tempo que permite escolhas, possibilidades.























A relação credor-devedor intensifica de maneira transversal os mecanismos de exploração e dominação próprios do capitalismo. Pois a dívida não faz nenhuma distinção entre os trabalhadores e os desempregados, os consumidores e os produtores, os ativos e os inativos. Ela impõe uma mesma relação de poder a todos: até as pessoas mais desprovidas de acesso ao crédito particular participam do pagamento dos juros ligados à dívida pública. A sociedade inteira está endividada, o que não impede, mas exacerba, as desigualdades – que já é tempo de começar a qualificar como “diferenças de classe”.

Como revela sem ambiguidade a crise atual, uma das maiores questões políticas do neoliberalismo é a da propriedade: a relação credor-devedor exprime uma relação de força entre os proprietários e os não proprietários dos títulos do capital. Somas enormes são transferidas dos devedores (a maioria da população) para os credores (bancos, fundos de pensão, empresas, famílias mais ricas).

A dívida, inclusive, tem uma moral própria, ao mesmo tempo diferente e complementar à do trabalho. A dupla esforço-recompensa da ideologia do trabalho se vê passada para trás pela moral da promessa (a de honrar sua dívida) e da culpa (de tê-la contraído). A campanha da imprensa alemã contra os “parasitas gregos” dá testemunho da violência da lógica que permeia a economia da dívida. As mídias, os políticos e os economistas parecem só ter uma mensagem a transmitir para Atenas: “A culpa é sua”. Em suma, os gregos ficaram ao sol, enquanto os protestantes alemães são os burros de carga pelo bem da Europa. Essa apresentação da realidade não diverge da que transforma os desempregados em assistidos ou o Estado-Providência em uma “mamma estatal”.

O poder da dívida se apresenta como se não fosse exercido nem pela repressão nem pela ideologia. “Livre”, o devedor não tem, no entanto, outra escolha a não ser inscrever suas ações, suas escolhas no caminho definido pelo reembolso da dívida que contraiu. Você só é livre na medida em que seu modo de vida permite que você esteja “em dia com seus compromissos”. Nos Estados Unidos, por exemplo, 80% dos estudantes que terminam um mestrado em direito acumulam uma dívida média de US$ 77 mil se frequentaram uma escola particular ou de US$ 50 mil se estiveram numa universidade pública. Um estudante testemunhava recentemente no site do movimento Ocupar Wall Street, nos Estados Unidos: “Meu empréstimo é de cerca de US$ 75 mil. Logo não poderei mais pagá-lo. Meu pai, que tinha aceitado ser fiador, vai ser obrigado a pagar minha dívida. Logo mais será ele que não poderá mais pagá-la. Arruinei minha família ao tentar subir de classe”.1

O mecanismo também vale para as populações. Algumas semanas antes de seu falecimento, o antigo ministro das Finanças irlandês Brian Lenihan declarou: “Desde minha nomeação, em maio de 2008, eu tive o sentimento de que nossas dificuldades – ligadas ao setor bancário e às nossas finanças públicas – eram tais que nós praticamente tínhamos perdido nossa soberania”. Pedindo ajuda à União Europeia e ao FMI, continuava ele, “a Irlanda abdicava oficialmente de sua capacidade de decidir sobre seu próprio destino” (The Irish Times, 25 abr. 2011). O modo como o devedor se encontra “nas mãos” do credor lembra a última definição de poder de Foucault: ação que mantém como “súdito livre” aquele sobre quem ela é exercida.2 O poder da dívida o deixa livre, mas o incita – insistentemente! – a agir com o único propósito de honrar suas dívidas (mesmo que a utilização que a Europa e o FMI fazem da dívida leve a enfraquecer os “devedores” por meio da imposição de políticas econômicas que favorecem a “recessão”).

Gerações endividadas

Mas a relação credor-devedor não concerne somente à população atual. Enquanto sua redução não passar pelo aumento do fisco sobre os altos salários e as empresas – quer dizer, pela inversão da relação de forças entre as classes que levou à sua aparição –, as modalidades de sua gestão comprometerão as gerações por vir. Conduzindo os governos a prometer honrar suas dívidas, o capitalismo se apodera do futuro. Ele pode assim prever, calcular, medir e estabelecer equivalências entre os comportamentos atuais e os comportamentos futuros, enfim, criar uma ponte entre o presente e o futuro. Assim, o sistema capitalista reduz o que será ao que é, o futuro e suas possibilidades às relações de poder atuais. A estranha sensação de viver em uma sociedade sem tempo, sem possibilidades, sem ruptura possível – os “indignados” denunciam outra coisa? – encontra na dívida uma de suas principais explicações.

A relação entre tempo e dívida, empréstimo de dinheiro e apropriação do tempo pelo que empresta é conhecida há séculos. Se na Idade Média a distinção entre usura e lucro não estava bem estabelecida – a primeira sendo considerada apenas um excesso do segundo (ah! a sabedoria dos antigos!) –, via-se, por outro lado, muito bem o que “roubava” aquele que emprestava o dinheiro e em que consistia seu erro: ele vendia tempo, algo que não lhe pertencia e cujo único proprietário era Deus. Para Karl Marx, a importância histórica do empréstimo usurário deve-se ao fato de que, contrariamente à riqueza consumidora, este representa um processo gerador assimilável ao (e precursor do) capital, quer dizer, dinheiro que cria dinheiro.

As finanças velam para que as únicas escolhas e as únicas decisões possíveis sejam as da tautologia do dinheiro que cria dinheiro, da produção pela produção. Enquanto nas sociedades industriais ainda subsistia um tempo “aberto” – sob a forma do progresso ou da revolução –, hoje, o futuro e suas possibilidades, esmagados sob as somas espantosas mobilizadas pelas finanças e destinadas a reproduzir as relações de poder capitalista, parecem bloqueados, pois a dívida neutraliza o tempo, o tempo como criação de novas possibilidades, quer dizer, a matéria-prima de toda mudança política, social ou estética.

Notas:

(1) Citado por Tim Mark em “Unpaid student loans top $1 trillion” [Empréstimos não pagos de estudantes atingem US$ 1 trilhão], 19 out. 2011. Disponível em: .

(2) Michel Foucault, “Le sujet et le pouvoir” [O sujeito e o poder]. In: Dits et écrits [Ditos e escritos], volume IV, Gallimard, Paris, 2001.

* Maurizio Lazzarato é sociólogo e filósofo.

** Publicado originalmente no site Diplomatique.

 

 

do Opera Mundi

 


01/04/2012 - 08h15 | Luciana Taddeo e Roberto Almeida | Buenos Aires e Londres
Enquanto a Argentina vivia os anos de chumbo, a Dama de Ferro buscava manter o controle do Reino UnidoGuerra das Malvinas marcou queda da ditadura argentina e renascimento de Thatcher    

 



Aqueles dias de abril e maio são lembrados até hoje por muitos habitantes das províncias litorâneas do sul argentino. Os que eram crianças, menos, mas sempre com o discernimento de que passaram a vivenciar uma estranha rotina ao longo daqueles meses em que, durante as noites, os carros quase não circulavam e, quando o faziam, tinham os faróis tapados com fita opaca isolante, deixando somente um centímetro de abertura, para a saída de um rastro de luz.

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Às vezes no meio das aulas, soava um alarme que sinalizava o início das simulações de evacuação, bem parecidas às vistas em escolas japonesas para terremotos. Cada criança tinha sua tarefa definida, como desligar o aquecedor a gás, antes de se enfiar debaixo das cadeiras, ou ser levada, com os demais, para o porão da escola. Todos sabiam o que deveriam fazer no caso de um bombardeio inglês ao território argentino, naquele ano de 1982, o da Guerra das Malvinas.

O cenário mais atípico foi visto em Río Gallegos que, segundo relatos, “parecia uma cidade fantasma”. Por ser um dos pontos do continente mais próximos às ilhas Malvinas e abrigar a base de onde decolavam constantemente aviões que atacariam as frotas inimigas no Atlântico Sul, o município era visto como o principal alvo caso os ingleses decidissem atacar a Argentina para tentar definir a guerra.

 

http://www.flickr.com//photos/operamundi/sets/72157629332060686/show/



Com a cidade completamente às escuras, o limite territorial não seria identificável. As cidades vizinhas também se uniam ao operativo, que passava a ser menos exigido, como um exercício intermitente, nas cidades mais distantes de Río Gallegos, tanto para o extremo sul como para o norte.

Enquanto neste ponto do mapa a tensão foi inserida na rotina da população, em Buenos Aires o clima era mais festivo – pelo menos no começo da guerra.

Quando em 2 de abril correu a notícia de que os soldados conseguiram desembarcar nas ilhas, içando a bandeira celeste e branca, uma multidão inimaginável tomou conta da Praça de Maio para aclamar ao general Leopoldo Galtieri, então presidente da ditadura militar argentina (1976-1983). Em um entorpecimento nacionalista, bandeiras eram agitadas e uma massa humana saltava do chão aos gritos de “quem não pula é inglês” e “viva a pátria!”.

Ao longo dos dias, bandeiras foram penduradas nas varandas de inúmeros edifícios, colorindo a capital argentina de azul e branco. Oito dias depois da primeira comoção popular da praça celebrando a guerra, Galtieri discursou novamente para o público que se reunia em frente à sede do governo, alentando a euforia popular, com as famosas palavras: “Se quiserem vir que venham, que apresentaremos batalha”.

Vídeo de Galtieri ovacionado na Praça de Maio:


Crise de autoestima

Às 9h45 daquele 2 de abril, a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher já informara seu gabinete de que uma invasão às Malvinas era iminente. Desde janeiro daquele ano, os governos de Reino Unido e Estados Unidos, do ex-presidente Ronald Reagan, mantiveram laços estreitos nas negociações com Galtieri - sem êxito. A Operação Rosario, codinome para atacar a guarnição das ilhas, estava em curso.

No fim daquela tarde, a população britânica recebia as primeiras notícias da tomada das Malvinas, às quais denominam como Falklands. Mesmo que muitos nem soubessem onde ficavam as ilhas – incluindo membros do alto escalão do governo e do exército – uma foto foi o bastante para despertar a ira dos britânicos. Nela, oficiais argentinos mantêm deitados, de barriga para baixo, um grupo de fuzileiros da realeza.

Despertar a ira dos britânicos no início da década de 1980 era tarefa simples. Thatcher, que assumira o mandato há três anos, via seu país passar por uma profunda crise econômica e social – e especialmente de autoestima.

No verão de 1981, o Reino Unido assistiu, pasmo, a uma série de graves distúrbios em 40 cidades. O mais famoso, em Brixton, sul de Londres, é comparado aos distúrbios que eclodiram na capital britânica no ano passado. Carros e edifícios queimados eram cenário de uma cidade tensa, que implodia após forte fricção racial.

Montagem/Fillipe Mauro

Margaret Thatcher e Leopoldo Galtieri usaram a Guerra das Malvinas para consertar problemas internos em seus países

Em janeiro de 1982, o número de desempregados passou pela primeira vez da marca de três milhões e Thatcher balançava no cargo. Sua situação era cada vez mais delicada até que as Malvinas, antes vistas como uma relíquia esquecida e incômoda do império britânico, tornaram-se uma boia de salvação.

Em 3 de abril, 24 horas após a Argentina de Galtieri ter tomado as Malvinas, a Dama de Ferro perdeu seu secretário de Relações Exteriores, Lord Carrington, que decidiu renunciar. No fio da navalha, Thatcher decidiu lançar a Operação Corporate: mobilizar as tropas e expulsar os argentinos. Oficiais do exército, que estavam se preparando para passar o feriado de Páscoa com familiares, tiveram de deixar os planos para trás e embarcar para uma guerra a 13 mil quilômetros de casa.

Nacionalismo contra crise

Além das concentrações multitudinárias na Praça de Maio, a população argentina passou a hostilizar qualquer referência à terra da monarca Elizabeth II na capital do país. Um dos vitimados por representarem o “inimigo” foi o histórico Bar Británico, em Buenos Aires, na esquina das ruas Defensa e Brasil, cujas vidraças foram apedrejadas. Apesar de pertencer a espanhóis, o bar teve as três primeiras letras de seu nome suprimidas e se camuflou temporalmente sob pseudônimo “Bar Tánico”.

A eclosão nacionalista parecia ser a salvação para os problemas internos da Argentina, gerados por uma intensa crise econômica, falta de apoio a Galtieri e crescente descontentamento popular com a repressão. Pressionados internacionalmente por milhares de denúncias de violações aos direitos humanos contra civis, os militares no poder transformam a permanência da ditadura em uma questão de soberania nacional.

Até mesmo opositores, que apenas três dias antes participaram da primeira grande manifestação massiva contra a ditadura, na qual cerca de 50 mil pessoas pediam “Paz, pão e trabalho”, naquela mesma Praça de Maio, aderiram às comemorações pela recuperação das Malvinas, então ocupada há 150 anos pelos ingleses.

Se as reivindicações argentinas representaram, nos anos anteriores à guerra, uma ameaça de incursão nas ilhas do Atlântico Sul pelo regime militar, o início imediato do operativo não era esperado pelos britânicos. Mesmo com o anúncio da contra-ofensiva inimiga, que acabou recebendo o apoio da ONU e do governo de Reagan, a euforia popular e a solidariedade com os “heróis” que partiram do continente “em apoio à pátria”, eram crescentes.

Propagandas governamentais eram veiculadas por rádio, TV e jornais, destacando como o país caminhava rumo à vitória. Mobilizada, a população doava dinheiro, jóias e alimentos para ajudar aos jovens combatentes enviados às ilhas, junto a cartas de apoio e agasalhos tricotados voluntariamente em milhares de casas nas diversas províncias do país. Soube-se mais tarde que a maioria das doações nunca chegou ao seu destino final.

Propaganda do governo argentino durante a guerra:


Cartada arriscada

Com graves problemas de logística, em virtude da distância, os britânicos usaram como base intermediária a ilha de Ascensão, no meio do Oceano Atlântico, a cinco mil quilômetros das Malvinas. Thatcher sabia que, sem superioridade aérea e a 650 quilômetros do continente inimigo, perderia navios. Foi o que aconteceu.

Os pilotos argentinos, classificados como “bastante audaciosos” pelo exército britânico, controlavam os céus das Malvinas e faziam usos de mísseis franceses Exocet, dedicados a romper cascos de navios de guerra. Assim foram a pique o destroyer HMS Sheffield e o navio mercante Atlantic Conveyor, também causando danos graves ao destroyer HMS Glamorgan.

Entre veteranos britânicos, é comum ouvir que a guerra começou de fato quando o HMS Sheffield afundou vítima do Exocet. E que, apesar de melhor preparados que os argentinos, cujas tropas eram formadas majoritariamente por recrutas, as dificuldades logísticas na ilha foram terríveis e as batalhas, tortuosas. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial foram usadas baionetas para duelos corpo a corpo.

A cartada de Thatcher era, portanto, muito mais arriscada do que imaginavam. Mas o tempo fechou, os caças Harrier entraram em operação, bloqueando o avanço dos aviões argentinos, o que possibilitou o arriscadíssimo desembarque das tropas britânicas em Porto San Carlos, na costa oeste da ilha principal.

Os agrupamentos caminharam mais de 80 quilômetros, em uma empreitada traumática no frio das Malvinas, até Porto Stanley, sede do governo britânico, chamado de Puerto Argentino pelos argentinos. As batalhas nos arredores da cidade foram cruciais e deixaram centenas de mortos.

Mas a grande polêmica da guerra foi o torpedeamento do General Belgrano, navio argentino que estava fora da zona de exclusão da guerra e rumando para noroeste, ou seja, saindo da área de combate em direção ao continente. O agravante é que o Belgrano foi atingido por um submarino nuclear horas depois de um novo plano de paz ter sido oferecido pelo governo peruano e pela ONU. Morreram 323 pessoas. O tablóide The Sun usou a polêmica manchete ‘Gotcha’, dizendo que os britânicos tinham colocado “os argentinos de joelhos”.

A Guerra das Malvinas só acabou mais de um mês depois, em 14 de junho de 1982, com a tomada de Porto Stanley. Em 74 dias, morreu um total de 907 pessoas. Tombaram 649 argentinos, 255 britânicos e três mulheres civis, atingidas, segundo relatos, por fogo amigo. Com a autoestima do ex-império recuperada, Thatcher permaneceu no poder até 1990, muito em virtude do sucesso da operação. Entre analistas, é notável o reposicionamento do Reino Unido no jogo global depois da guerra.

Enquanto os veteranos britânicos foram recebidos com pompa, soldados argentinos entraram no país quase escondidos pelas Forças Armadas e foram alvo de desdém. Eram mais de 11 mil prisioneiros sobreviventes deportados de volta ao continente. A alegada irresponsabilidade da operação aumentou o desprestigio da junta militar, que dois dias depois inicia uma transição à democracia.

O fracasso argentino nas Malvinas também adianta a queda de Galtieri, removido do cargo no dia 18 de junho, apenas quatro dias depois do fim da guerra. Meses mais tarde, já com o general Reinaldo Bignone no poder, o regime ainda sente o peso da rejeição popular e acaba convocando eleições presidenciais para outubro de 1983. Era o fim do pesadelo argentino dos anos de chumbo.

 

do iG

Trabalho informal despenca no País em sete anosEm 2005, taxa de trabalhadores informais era de 33,2% e passou para 22,2% em fevereiro

AE 01/04/2012 11:30

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Texto:

selo

Durante muitos anos, havia um mito no mercado de trabalho brasileiro. Dizia-se que a taxa de desemprego não cairia muito por causa da legislação. Como os custos de se contratar - e demitir - são muito altos, não seria possível abater a taxa de desemprego para menos de 10%.

Esse mito está caindo. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que as empresas estão regularizando a situação de seus empregados em massa, assinando a carteira dos prestadores de serviços. Essa é uma das explicações para a recente queda - e estabilidade - da taxa de desemprego no menor nível da história, apesar do desaquecimento da economia.

Economia informal pode ensinar muitas lições ao mundo em crise, diz especialista

Funileiro, cabeleireira e jardineiro saem da informalidade

Em fevereiro, os trabalhadores informais representavam 22,2% do total dos empregados (formais e informais) em seis regiões metropolitanas do País, segundo o estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, com base na Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Foto: DivulgaçãoAmpliar

Fábrica de calçados no Rio Grande do Sul: indústria intensiva em mão de obra

O cálculo exclui os trabalhadores por conta própria, os empregadores e leva em conta dados das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e Recife.

Em fevereiro do ano passado, o indicador estava em 24,2% e, no mesmo mês de 2005, em 33,2%. Em sete anos, a queda é de 11 pontos porcentuais. Em 12 meses até fevereiro, houve redução na informalidade do mercado de trabalho em todos os setores.

A explicação dos autores do estudo é que as empresas estão preferindo regularizar a situação dos trabalhadores informais a contratar desempregados.

Esse movimento reflete a escassez de mão de obra que levou as empresas a recrutar um número muito maior de trabalhadores informais, cuja oferta é mais abundante, do que o de desempregados.

O estudo mostra que, em 12 meses até fevereiro, 75,3 mil trabalhadores migraram do setor informal para o setor formal, já descontada a migração no sentido contrário.

No mesmo período, um número menor de pessoas, 50,1 mil desempregados, conseguiu uma vaga com carteira assinada, também descontada a migração no sentido oposto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Queria ver comentada esta notícia...tem gente achando isso um benefício indevido...

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/04/01/trabalhador-que-nao-contribuiu-tambem-podera-se-aposentar-diz-previdencia-social.jhtm

01/04/2012 - 18h23

 

Trabalhador que não contribuiu também poderá se aposentar, diz Previdência Social

 

 Lourenço Canuto Da Agência Brasil, em Brasília 

O trabalhador que teve vínculo empregatício, mas não recolheu as contribuições mensais à Previdência Social, deve ter o seu tempo de serviço reconhecido normalmente, para efeito de aposentadoria, segundo entendimento do presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), Manuel Rodrigues.

O presidente disse que para o reconhecimento do direito basta que o empregado apresente, quando for se aposentar, a Carteira Profissional, com a anotação do contrato de trabalho, com a data de entrada e de saída do emprego.

Outra prova importante que justifica o tempo de serviço do trabalhador para ser beneficiário da Previdência Social é a apresentação da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) que todo ano os empregadores têm que encaminhar ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Como a Rais só passou a existir a partir de 1976 e os dados são informados pelas Delegacias Regionais do Trabalho e inseridos no Cadastro Nacional de Informações Sociais, quem trabalhou antes disso só terá como prova a Carteira Profissional.

Em reunião na semana passada no CNPS, Manuel Dantas destacou que "há uma cultura do trabalhador brasileiro de recorrer à Justiça quando tem qualquer problema com o Instituto Nacional do Seguro Social".

Ele disse que a Previdência Social é o foro apropriado para resolver as questões com o INSS. Segundo ele, recorrer ao Judiciário envolve demora nas soluções e alto custo para a União. De todos os precatórios pagos anualmente pelo governo, 85% envolvem ganhos de causa dos trabalhadores contra a Previdência Social.

O presidente do CNPS disse que vai lutar para melhorar a estrutura da área de recursos da Previdência, para agilizar a solução para o estoque de recursos que estão em tramitação. "Os trabalhadores pensam logo de saída em ir para a Justiça, porque não estão bem informados sobre as possibilidades de solução, no âmbito administrativo da Previdência Social".

Dantas disse que conta com o apoio do ministro Garibaldi Alves Filho para ampliar a estrutura do conselho de recursos. Ele lembrou que existem no país mais de 6 milhões de empregados domésticas que não têm carteira assinada. "Quando chegar a idade de aposentadoria, não terão como provar que trabalharam". Por isso chama a atenção para a importância de as donas de casa assinarem as carteiras de seus empregados domésticas, para que no futuro tenham proteção previdenciária.

 

OAB acompanhará investigações da morte de adolescente em Caxias


Menino de 13 anos foi morto pelas costas a tiros de fuzis. PMs são suspeitos

 Thiago Freitas / Extra/O Globo

 

Foto do estudante Igor Manhães à frente dos projéteis recolhidos no local do crimeTHIAGO FREITAS / EXTRA/O GLOBO

RIO - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, disse que a entidade vai acompanhar as investigações sobre a morte do menino Igor Cordeiro Manhães, de 13 anos, atingido por quatro tiros de fuzil, pelas costas, supostamente disparados por policiais militares, em Duque de Caxias, na madrugada de segunda-feira. Damous vai pedir nesta quarta à chefe de Polícia Civil, delegada Marta Rocha, que a polícia se empenhe ao máximo na apuração do crime.

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Damous se disse estarrecido com o caso e enfatizou que mesmo se o garoto tivesse envolvimento com o tráfico de drogas na Vila Centenário, onde mora, não deveria ter sido morto.

— Todas as evidências indicam que o menino não tinha envolvimento com qualquer tipo de crime. Era um estudante. E, mesmo se fizesse parte de algum grupo de criminosos, nada justifica uma execução sumária. Vou dizer à chefe de Polícia que a OAB vai acompanhar o caso e pedir a ela que dê muita atenção ao episódio — disse.

Parentes se encontrarão com chefe da polícia

Parentes de Igor vão se encontrar hoje à tarde com Marta Rocha. Antes, porém, serão recebidos pela Comissão de Direitos Humanos da OAB. A entidade quer apurar o caso com lisura e pretende ouvir a família para ter um perfil do menino. Igor era bastante querido no bairro onde morava.

Na terça-feira, o delegado-titular da 59ª DP (Duque de Caxias), Cláudio Vieira, ouviu quatro policiais militares que participaram da operação no Morro da Mangueirinha, na Vila Centenário, quando Igor foi baleado. Policiais do 21º BPM (Mesquita), que também participaram da ação, serão ouvidos no inquérito. De segunda-feira até ontem, a 59ª DP apreendeu 18 fuzis e cerca de 20 pistolas das duas unidades. Elas já foram encaminhadas para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde será periciadas.

Parentes de Igor, cujo corpo foi sepultado ontem no cemitério Nossa Senhora de Belém, no Corte Oito, enfatizaram que o garoto não estava na garupa de uma motocicleta quando foi baleado. Ele pegara uma carona com um amigo para buscar a sandália da mãe na casa de uma tia e já estava a pé quando foi atingido. Na terça-feira, poucos alunos foram à aula na sala do 7º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Irineu Marinho. Eles estavam de luto.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/oab-acompanhara-investigacoes-da-morte-de-adolescente-em-caxias-4431479#ixzz1qqssaU00 
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do Fazendo Media

 


“A IMAGEM DO IRÃ APRESENTADA PELA IMPRENSA OCIDENTAL NÃO NOS DEIXA CONTENTES”, DIZ EMBAIXADORPor Eduardo Sá, 01.04.2012

 

 

 

 


Embaixador do Irã, Mohammad Ezabadi. Foto: Correio do Brasil.

Para dar voz aos iranianos e quebrar estereótipos fabricados pela mídia ocidental, entidades da sociedade civil convidaram o embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeg Ezavladi, para conversar com intelectuais, artistas e jornalistas na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. O auditório ficou lotado durante o evento, que ocorreu na última quinta-feira (29) e contou com a presença da cantora Beth Carvalho.

Ezabadi fez um pequeno discurso e em seguida respondeu a todas as perguntas do público presente que, em sua maioria, era simpatizante do Irã. Bomba nuclear, holocausto, repressão às mulheres, relação do Irã com o Brasil, cobertura da mídia, dentre outros temas, foram analisados pelo diplomata. O Fazendo Media reproduz a seguir, com pequenos cortes para facilitar a leitura, os principais assuntos abordados durante a palestra.

Discurso de Mohammad Ali Ezayladi antes das perguntas

É importante que nós iranianos consigamos nos apresentar, porque infelizmente as notícias que são divulgadas sobre o Irã são tão escuras que às vezes escondem o país. Somos um país com 70 milhões de habitantes, um dos criadores de uma das três civilizações mundiais. Quero falar sobre a atualidade e de um país que há 33 anos a população fez uma revolução com o objetivo de não servir aos poderesos e grandes potências. Preciso anunciar essa independência, a soberania desse país, pois assim que começamos a mostrar isso apareceram problemas. Foi um caminho escolhido por nós, e à luz dessa determinação iraniana avançamos e conquistamos muitos espaços e desenvolvimento. Pelos dados das instituições internacionais, sobre atividades científicas no mundo, o Irã registrou grande média em nível mundial. Em estudos de nanotecnologia ficamos em 12º lugar no mundo, células tronco 6º país, e somos o único país islâmico que conseguiu lançar um satélite para órbita. Criamos boas condições para nossa população em diversos níveis, e a educação se tornou prioridade em nosso país. O nível da população estudantil era de 150 mil, e hoje depois da revolução é de 4 milhões estudantes universitários. Não era permitido estudar eletrônica e física nuclear, e até campos específicos da medicina, mas hoje podemos criar e educar doutorados da física atômica. Hoje é grande honra para nosso país. Apesar da propaganda contra o programa nuclear iraniano, nunca direcionamos nosso estudo para fins que não sejam pacíficos. A história mostra que países que produziam 10 mil bombas atômicas tiveram colapso e não conseguiram avançar. O nosso poder atual e a nossa vontade política e científica é para o desenvolvimento do país. Essa determinação é mais forte que mil bombas atômicas. Paralelamente, enfatizo que não existe doutrina iraniana para fabricar bombas atômicas. Quem tem uma noção sobre as doutrinas, sabe que há um decreto de nossos líderes proibindo o uso e produção atômica.

Hoje em dia fabricamos medicamentos com novas composições, e nossas mulheres estão presentes em diversos campos sociais. Seria interessante ouvir isso, 67% da população estudantil são mulheres. Elas estão em campos diferentes das universidades, no parlamento e em campos diferentes da socieade, como mortoristas de ônibus, por exemplo. Mas somos acusados de não respeitarmos os direitos das mulheres. Nós estamos determinados no caminho que escolhemos para o desenvolvimento e nossa soberania, e não privar ou abandonar o que é nosso direito. Nesse ponto de vista temos um parceiro sincero, que é o Brasil. São muitas semelhanças entre nós, certamente nosso papel a desempenhar no mundo será muito grande e essencial. Para além dos campos políticos e econômicos, eu acho que no de petróleo os dois países podem estabelecer e aumentar sua relação de contatos. A invasão do Iraque e problemas no Afeganistão, a presença americana nesses territórios tem a ver com o petróleo. O uso excessivo desse produto motiva os EUA e outros países a querer dominar o mundo e seus recursos. O Irã é o segundo país do mundo em gás natural e primeiro em petróleo, e somos o primeiro em nível de hidrocarbonetos. Haverá uma grande repercussão no mundo se conseguimos juntar esses recursos e tecnologias com o Brasil. No futuro certamente a energia será um ponto final das conversas.

Ter uma bomba significa poder, inclusive geopolítico. O país não precisa ter a bomba pronta, e sim todas as condições que fazem ela estar pronta em período muito reduzido. O Irã está nessa condição?

Isso é um slogan dos EUA sobre o desenvolvimento da tecnologia no Irã. Nós desenvolvemos a energia nuclear para fins pacíficos. Não acreditamos que possuir uma bomba atômica ou fabricar a bomba atômica seja capaz de oferecer segurança para qualquer país. Vejam o caso da ex-URSS. O país possuía muitas bombas atômicas e isso não impediu o colapso do regime. A África do Sul, com todo o seu arsenal atômico, não conseguiu enfrentar as grandes manifestações que colocaram fim ao Apartheid. Nós acreditamos que a segurança de um país está assegurada pela justiça social, pela distribuição da riqueza para o povo, nas posições firmes da nação.

A mídia pouco se detém nos mercenários que geram a discórdia e guerra em países como Síria e Líbia, por exemplo.  O Irã faz parte da estratégia de longo prazo dos EUA para deter a expansão chinesa?

Aquilo que está acontecendo em nossa região, no Oriente Médio e norte da África, o desejo dos EUA foi nesse sentido mas hoje é uma coisa diferente.  O que está acontecendo não é uma primavera árabe, mas sim um despertar islâmico nessa região. O slogan e os movimentos começam pelos centros islâmicos, pelas mesquitas, é o lema dessas manifestações de rua. Até nas eleições foram eleitos movimentos islâmicos. Isso faz de certa forma os EUA se afastar cada vez mais dessa região, basta olhar para a situação do Egito. Eles queriam assegurar o [Hosni] Mubarak, mas não conseguiram. Tentaram segurar a estrutura do país seguida por ele e o exército que foi treinado e educado por eles, mas também não conseguiram chegar a esses objetivos. Quem tem a primeira palavra nesse país agora é o povo. Os EUA estão fracassados em várias situações na região, como no Iraque e Afeganistão. Eles gastaram mais de 4 trilhões de dólares no Iraque e Afeganistão, e qual foi a conquista nesse processo? Perderam mais de 6 mil soldados, deixaram mais de 70 mil feridos nessa presença. Essa é nossa visão: o futuro pertence à população, ao povo desses países.

A mídia corporativa coloca o Irã sempre no índex como um país que não quer a paz. Vários jornais o apresentam de formas estereotipadas e manipuladas. Como o país se preocupa com sua imagem que é passada, sobretudo na América Latina? E na questão do holocausto propagado pela mídia, gostaria que você falasse dos judeus que moram no Irã e, inclusive, praticam religião com liberdade e estão no parlamento.

Nada melhor do que a verdade para reparar estes danos causados pela campanha de difamação a qual meu país tem enfrentado, em nível mundial. A imagem do Irã, apresentada pela imprensa ocidental, não nos deixa contentes. Basta olhar para história contemporânea iraniana: nunca invadimos nenhum país, nunca tivemos um conflito sequer iniciado pelo Irã. Todos podem comprovar que nestes últimos 30 anos, não houve um atentado terrorista no qual o Irã estivesse por trás, nunca foi comprovado isso. Nos atentados de 11 de setembro, será que o Irã estava atrás de tudo isso? Alguém ouviu falar ou leu uma notícia de que um judeu, em qualquer parte do mundo, foi assassinado por um iraniano? Não temos nada contra os judeus. Historicamente o povo iraniano salvou o povo judeu e isso foi registrado na nossa história. O povo judeu está concentrado no Estado de Israel, mas há uma comunidade grande de judeus que vive no Irã. São mais de 20 mil judeus em nosso país, e é tão importante que tem representantes no nosso parlamento. Consideramos os judeus que convivem em nosso país como nossos irmãos, temos uma convivência muito pacífica com essas pessoas.

O Irã tem uma companhia iraniana estatal de petróleo. É a única empresa que atua em todos os campos de petróleo do país? Há algum país ocidental que deixou de comprar petróleo do Irã?

A companhia não é a única na área de petróleo no Irã, mas é a única estatal iraniana trabalhando na área de petróleo. Baseado pela legislação e nossa constituição, não é permitido passar operações upstream para empresas privadas. Mas as downstream estão com empresas privadas no Irã. Nós já vendemos o petróleo produzido no Irã para os próximos 6 meses, muitas empresas no mundo trabalham com petróleo iraniano. Dois países não recebem nosso petróleo, foi restrição por parte do Irã e não por parte deles. Aliás, a União Europeia aprovou essas sanções do petróleo iraniano no início do mês de julho, mas antes disso decidimos não vender para a França e Inglaterra.

Existem algumas companhias estrangeiras trabalhando no Irã, inclusive a Petrobras. Um ponto delicado nessas sanções contra o petróleo iraniano, é que existe grande propaganda por parte dos EUA em avançar contra nosso país e verificamos que, em qualquer ponto enquanto o interesse deles estavam em causa, eles emitiam autorizações especificas para suas empresas trabalharem com o Irã. Foram emitidas mais de 10 autorizações de trabalhar empresas suas com parcerias iranianas, e muitas exigem que empresas abandonem o petróleo do Irã. Eles ainda acham que o mercado iraniano pertence a eles e não querem outras companhias em nosso território. A mensagem que podemos enviar à Petrobras é que o momento atual é o ideal para o Brasil trabalhar no Irã.

A presença do Lula no Irã foi muito importante naquele momento.  E o Irã também se dispôs a ajudá-lo na sua saúde com a tecnologia que tem. A Dilma, por sua vez, diz que não se aceita nenhuma restrição ao Irã fazer energia nuclear. Como você enxerga isso?

Na minha opinião, foi um grande trabalho e corajoso ato politico feito pelo ex presidente Lula da Silva entrar na questão nuclear iraniana. Porque os poderosos do mundo não têm interesse de deixar o Brasil entrar nessas questões mundiais. Mas eu acho que se o Brasil pretende demonstrar que é um país emergente e quer participar, ele tem que entrar. A atuação do Lula nesse momento foi muito inteligente, bem pensada. Nós estruturamos nossas relações bilaterais nesse momento, e assinamos muitos documentos em campos diferentes. Em três pontos podemos desenvolver nossas relações: científico e tecnológico, pode ser até na área de nano e bioteconologia, aeroespacial, medicina, estudos das células troncos, por exemplo. Até no campo nuclear pode ser motivo de aumentar nossas cooperações. Os campos de fabricação de medicamentos com novas composições ou na área de agricultura, que também são muito importantes para os dois países. O segundo campo é o de petroleo, o Irã tem uma história de mais de 110 anos na tecnologia dessa área e somos experientes nos estudos da terra. Sabemos da experiência brasileira no mar e áreas profundas, acho que nossas experiências podem se complementar e desenvolver outro campo de interação. Está previsto investimento de 48 bilhões na área de refinaria, 50 bilhões na petroquímica e 35 bilhões de dólares na de indústria de gás. Esses são os campos que podemos contar com a parceria brasileira. O teceiro campo que podemos aumentar nossas cooperações é na troca de técnicos e profissionais, muitos profissionais iranianos vão para países ocidentais. O programa da Dilma Ciências sem fronteiras é onde podemos aumentar nossa troca entre profissionais e estudantes dos dois países. No mês passado o Irã conseguiu desenvolver a produção de etanol no país, e também transformar o gás natural para uso industrial. Apenas três países, África do Sul, Noruega e EUA possuem essa tecnologia de tornar gás natural como gás líquido. Existe disposição do Irã de trocar essa experiência com nossos amigos brasileiros.

Como é a política iraniana em relação à Síria, pois parece um aspecto bastante delicado o que vem ocorrendo ali e não fica clara qual é a posição de vocês.

Primeiro quero explicar a diferença da Síria em relação aos outros países. Estão passando armamentos a alguns grupos que estão nesse país, que atacam fazendo com que a polícia ataque a população. Nos atos governamentais contra esses grupos terroristas foram pegos integrantes de 5 países estrangeiros, que eu não quero identificar mas estão atuando na Síria. O que está acontecendo lá não é um desejo da maioria da população desse país, é de alguns grupos que estão sendo apoiados por países ocidentais, principalmente os EUA. O exército e as forças armadas continuam apoiando o presidente, assim como suas agências de inteligência. Os diplomatas da Síria no estrangeiro apoiam o governo. No campo religioso e sua elite ainda continuam defendendo o presidente, e o governo conta ainda com grande apoio da maioria da população. Mas isso não significa que defendemos as reformas que estão acontecendo nesse país, nós defendemos que as reformas têm que aumentar a participação da população. Há certos exageros nos acontecimentos na Síria por parte da mídia.

Aqui no Brasil se valoriza muito a mulher, e lá recentemente uma mulher foi apedrejada. Gostaria que você explicasse como é feito isso? E quem manda no Irã, o Ahmadinejad ou o Conselho Islâmico?

Baseado na constituição iraniana, logo a seguir ao líder supremo religioso do país o segundo mais importante é o presidente da república. Em relação à condenação de apedrejamento no Irã, essa não é uma informação exata e precisa. Essa mulher não foi condenada a apedrejamento em nosso país, e ninguém nunca foi condenado a isso. Essa cidadã que você falou é uma senhora acusada de homicídio que praticou contra o seu marido, e por causa dessa acusação se encontra na prisão. Mas eu esperava que nosso irmão também falasse sobre o assassinato de 16 inocentes mortos por soldados americanos no Afeganistão. Ou, por exemplo, o ataque de forças americanas em festas de casamento, matando inocentes, pois temos que falar dessas pessoas também. Nós acreditamos que os povos da região têm que decidir sobre o seu destino, sobre o seu futuro. Estamos contra a intervenção dos poderosos nos assuntos internos de qualquer país.

Foi marcada a negociação entre o Irã e o chamado P5 + 1 (cinco potências do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha)? Há expectativa de acordo dessa vez que leve à suspensão das sanções? E você considera que a relação com o governo Dilma se manteve no mesmo nível? Porque o Ahmadinejad nao veio ao Brasil quando veio na América Latina.

Nós achamos que o diálogo e as negociações são o único meio de resolver a questão nuclear iraniana, e estamos otimistas sobre o resultado dessas conversas. E, aliás, não devemos pensar de outra forma sobre essas negociações. Acho que fazer previsões antes de sair o resultado não é um ato correto, e sabemos também que até chegar ao objetivo final temos muito trabalho pela frente.

Uma comparação entre Lula e Dilma: nós registramos um aumento na relação com o Brasil com o governo Dilma. Não encontramos diferença nas posições do Brasil, e os dois países continuam trabalhando. O Ahmadinejad não visitou porque não estava na agenda visitar o Brasil quando veio, mas certamente vocês verão no futuro a sua visita.

Ao longo da história da civilização árabe islâmica se bem houve conflito entre os xiitas e sunitas, com o colonialismo uma das ferramentas de fomentar sua inserção e a dominação é provocar e instigar as diferenças sectárias. Fizeram isso com o império otomano e continuam a fazer. Até que ponto é possível restabelecer o tecido social entre esses setores?

Concordo na convivência das comunidades. Há várias facetas dentro do islamismo, nós também achamos que todos os acontecimentos no passado que aumentaram a diferenciação desses grupos foram propiciados pelo colonialismo. Achamos que as comunidades islâmicas estão no caminho de se integrarem melhor. Certamente o Egito do futuro vai se aproximar mais do Irã. E também temos que ter atenção que os instrumentos dos colonizadores se tornam cada vez mais complexos. Propagandas de imprensa, guerras de imprensa, são desenvolvidas por eles. Nossa comunidade não pode ficar nessa armadilha que eles querem criar.

Israel tem manifestado que está no plano do governo interferir no projeto nuclear iraniano. O governo iraniano acredita que essa manifestação é só pró forma ou existe a possibilidade de ataque como no passado?

Israel não tem coragem de atacar o Irã, e o nosso lider da revolução disse que qualquer ataque ao Irã a resposta vai ser no mesmo nível. Essas ameaças não são novas. Há 30 anos as ouvimos. De certa forma, chegamos ao limite de nossa paciência. Ameaças têm que ser respondidas com ameaças. Os israelitas não querem concretizar as palavras que dizem que nosso presidente está falando sobre eles [que Israel deve ser varrido do mapa]. Se formos atacados, nossos mísseis darão uma resposta forte.

Os EUA usaram o argumento que o Iraque tinha armas de destruição em massa para invadir esse país. O Irã tem investido muito na área de teconologia, mas qual tem sido seu esforço na área da comunicação para mostrar ao mundo que essa imagem, principalmente que os EUA mostram, não corresponde à realidade?

Nosso inimigo usou muito bem os meios de comunicação, e de certa forma existem algumas debilidades de nossa parte de fazer com o mesmo instrumento. Mas estamos investindo para melhorar essa falha, atualmente nós temos 17 canais de TV e três deles são internacionais. Um transmite programas em inglês, outro em espanhol e mais um em árabe. Queria enfatizar também que na questão do holocausto, quando o nosso presidente falou nisso fez 3 perguntas: será que aconteceu o holocausto ou não aconteceu? Se é um fato histórico e aconteceu, por que é proibido estudá-lo? Porque estudiosos até na Europa quando falam nisso são condenados? Segunda pergunta: será que aconteceu holocausto na europa ou no Oriente Médio? Se isso aconteceu na Europa, por que os povos de outras regiões têm que pagar por isso? Será que essas perguntas não têm lógica? É irracional? Será que por causa dessas perguntas gerou tantas polêmicas? Nunca fomos contra o povo judeu. Historicamente, o povo iraniano é conhecido como defensor do povo judeu. Aqueles que dizem ser democratas nao podiam aceitar essas perguntas e respondê-las?

 

do Vermelho.org

 

1 DE ABRIL DE 2012 - 13H29 

Mauro Santayana: a cúpula do Brics e o boicote da mídia ocidental

 

A cada ano, quando chega a época da Cúpula Presidencial do Brics - a 4ª edição acaba de terminar em Nova Delhi - torna-se cada vez mais evidente, para o observador atento, o patético esforço da mídia "ocidental" (entre ela boa parte da nossa própria imprensa) de desconstruir a imagem de uma aliança geopólítica que reúne quatro das cinco maiores nações do planeta em território, recursos naturais e população e que está destinada a modificar a o equilíbrio de poder no mundo, no século 21.


Essa estratégia - com a relativa exceção dos meios especializados em economia - vai de simplesmente ignorar o encontro, à tentativa de diminuir sua importância, ou semear dúvidas sobre a unidade dos principais países emergentes, tentando ressaltar suas diferenças, no lugar do reconhecer o que realmente importa: a política comum do Brics de oposição à postura neocolonial de uma Europa e de um EUA cada vez mais instáveis, que se debatem com um franco processo de decadência econômica, diplomática e social. 

Para isso, a mídia ocidental - incluindo a "nossa" - ignora os despachos das agências oficiais do Brics, principalmente as russas e as chinesas, que ressaltam a importância do Grupo e de suas iniciativas para suas próprias nações - o Brasil inexplicavelmente ainda não possui serviços noticiosos em outros idiomas, coisa que até mesmo Angola utiliza, e muito bem - e se concentra em procurar e entrevistar observadores "ocidentais" ou pró-ocidentais situados em esses países, que se dedicam a repetir a cantilena da "impossibilidade" do estabelecimento de uma aliança geopolítica de fato entre o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, baseados nos seguintes argumentos:

- A "distância" entre o Brasil, a África do Sul, e a Rússia, a Índia e a China, como se em um mundo em que a informação é instantânea e um míssil atinge qualquer ponto do globo em menos de quatro horas, isso tivesse a menor importância.

- O fato de a África do Sul, o Brasil e a Índia serem democracias, e a China e a Rússia não serem democracias "plenas " segundo o elástico conceito ocidental, que não considera a Venezuela uma democracia "plena", mas o Kuwait ou a Arábia Saudita - autocracias herdadas e governadas pelo direito de sangue - sim.

- A concorrência da Índia, da China e da índia no espaço asiático, como se esses três países não cooperassem, até mesmo no campo militar, e não mantivessem reuniões, há muitos anos, para resolução de problemas eventuais. 

- A rotulagem desses países em "exportadores de commodities" como a Rússia e o Brasil, "provedores de serviços", como a India, e "fábricas do mundo", como a China, como se essa situação, caso fosse verdadeira, não pudesse ser usada a favor de uma aliança intercomplementar, ou como se Rússia, Brasil e índia também não produzissem manufaturados, e entre eles produtos industriais avançados, como aviões, por exemplo. 
 

É óbvio que uma aliança como o Brics, que reúne um terço do território mundial, 25% do PIB, e praticamente a metade da população humana não se consolidará, política e militarmente, de uma hora para a outra. Mas também é igualmente claro, que não se trata de um grupo heterogêneo de nações que não tenham nada a ver uma com a outra.

Se assim fosse, o Brasil não estaria fornecendo aviões-radares para a índia, não estaríamos desenvolvendo mísseis ar-ar e terra-ar com a DENEL sul-africana, ou comprando helicópteros russos de combate, ou não teríamos, há anos, um programa de satélites de sensoriamento remoto com a China. 

O primeiro traço comum entre os grandes "brics" como a Rússia, a China, a índia e o Brasil, e, em menor grau, a África do Sul, é, como demonstra a sua oposição à política ocidental para com a Libia e a Siria, o respeito ao princípio de não intervenção.

Porque o Brasil, a Rússia, a índia, a China, não aceitam que se intervenha em terceiros países, em função de questões relacionadas aos "direitos humanos", por exemplo, ou devido à questão nuclear ?

Porque, como são países que prezam a sua soberania, não aceitam que, amanhã, o mesmo "ocidente" que hoje ataca a Libia, a Siria, ou o Irã, venha se unir contra um deles, qualquer deles, por causa de outras questões, como poderia acontecer conosco, eventualmente, no caso dos " direitos" indígenas, ou da defesa da Amazônia, o "pulmão do mundo". 

Quem tem telhado de vidro não joga pedra nos outros. Que atire a primeira quem nunca pisou na bola. Qual é o país, hoje, que pode acordar pela manhã, olhar-se, enquanto sociedade, no espelho, e dizer que não tem nenhum problema de direitos humanos?

E mais, quem arvorou à Europa e aos norte-americanos a missão de julgar o mundo? Pode um país como os Estados Unidos, que invadiu e destruiu o Iraque, por causa de outro mito intervencionista, o da existência - comprovadamente falsa - de armas de destruição em massa naquele país, falar em direitos humanos ?

Pode uma Nação que inventou e usou, no Vietnam, centenas de toneladas de um veneno químico chamado agente laranja, contaminando para sempre o solo e as águas de milhares de hectares de selva, falar em defesa da natureza e das florestas tropicais?

Ou pode um país que jogou duas bombas atômicas sobre dezenas de milhares de velhos, mulheres e crianças desarmadas, queimando-as até os ossos - quando poderia - se quisesse - tê-las testado sobre soldados do exército ou da marinha japonesa, falar, em sã consciência, de controle de armamento atômico e da não proliferação nuclear? 

A realidade por trás do discurso de defesa dos direitos humanos e da natureza é muito mais complexa do que Hollywood mostra às nossas incautas multidões em filmes como Avatar. Por mais que muitos espíritos de "vira-lata" queiram - mesmo dentro do nosso país - que Deus tivesse dado à Europa e aos Estados Unidos o direito de governar o mundo, para defender seu artificial e efêmero "american way of life", ele não o fez.

Pequenos países, como a Espanha ou a Itália, na ilusão de se sentirem maiores, podem - assim o decidiram suas elites - abdicar de sua soberania política e econômica e bombardear a população civil na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, em defesa de uma impossibilidade quimérica como a Europa do euro, e do mandato da "Pax Americana". 

Nações como o Brasil, a Índia, a China e a Rússia, se aferram ao direito à soberania, ao recurso à diplomacia, à primazia da negociação. Não se pode salvar vidas distribuindo armas para um bando descontrolado de açougueiros que espanca e mata prisioneiros indefesos, desarmados e ensanguentados - mesmo que eles se chamem Kadafi - e obriga jovens muçulmanos a desfilarem em fila, de joelhos, repetidas e infinitas vezes, sob a lente da câmera e a ameaça de armas e chicotes, para mastigar e engolir nacos de cadáveres de cães putrefatos. O futuro da humanidade no século 21 e nos próximos, depende cada vez mais da emergência de um mundo multipolar que se oponha à pretensa hegemonia "ocidental". E é isso - queiram ou não os jornais e comentaristas europeus e norte-americanos - que está em jogo a cada nova Cúpula do Brics, como a de Nova Delhi.

 

 

da Agência Brasil

 

Pesquisa aponta que brasileiro reconhece importância da leitura, mas prefere outras atividades01/04/2012 - 14h15

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O brasileiro sabe da importância da leitura para progredir na vida, mas continua considerando a atividade desinteressante. Este é o principal diagnóstico da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada nessa semana pelo Instituto Pró-Livro. Foram entrevistadas mais de 5 mil pessoas em 315 municípios e os resultados apontam que apenas metade delas pode ser considerada leitoras. O critério é ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses.

Entre os participantes, 64% concordaram totalmente com a afirmação “ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Mas 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e 25% gostam muito. Entre os não leitores, a principal razão para não ter lido nos últimos meses é a “falta de tempo”, apontada por 53% dos entrevistados. No topo da lista aparecem também justificativas como “não gosto de ler” (30%) ou “prefiro outras atividades” (21%).

A professora Vera Aguiar, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), explicou que a falta de hábito de leitura no país é cultural. “Nossa cultura é muito oral. Se a gente pensa na religião, nas festas como o carnaval ou nos esportes como o futebol, percebe que o brasileiro prefere atividades exteriores que envolvam muitas pessoas”, aponta a pesquisadora da Faculdade de Letras da PUC-RS.

Vera defende que mesmo sendo uma questão cultural, é possível mudar o quadro com ações de incentivo à leitura. Ela acredita que nas últimas décadas houve um incremento grande de programas voltados para o estímulo da leitura, mas as iniciativas ainda não tiveram o efeito esperado. “Há várias iniciativas de vários setores da sociedade – governos municipais, estaduais e federal, ONGs [organizações não governamentais], universidades – mas mesmo assim é pouco. Essas ações precisam ser mais articuladas”.

Para Maria Antonieta Cunha, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretora do programa do Livro Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, o brasileiro associa a leitura à obrigação e não ao prazer. Um trecho do estudo que evidencia essa tese são as respostas dos entrevistados à pergunta “qual é o significado da leitura para você”. Mais de 60%, acham que ler uma “fonte de conhecimento para a vida”, “fonte de conhecimento para atualização profissional” (41%) e “fonte de conhecimento para a escola” (35%). Para a professora, os resultados indicam que a maioria das pessoas não associa diretamente a leitura a uma atividade de lazer.

“A questão é que nós não temos a leitura como um valor social. A pessoa não conseguiu descobrir que a leitura trabalha, mais do que tudo, com a transcendência, que é o grande item do ser humano. É aquilo que diz Fernando Pessoa: 'a literatura é uma confissão de que a vida não basta'”, disse Maria Antonieta durante o lançamento da pesquisa.

O estudo também demonstra que o hábito da leitura está conectado com a frequência à escola. Entre os que estudam estão apenas 16% do total da população de não leitores. Mesmo entre aqueles considerados leitores, a média de obras lidas é 1,4 para quem não está estudando ante 3,4 para quem estuda (considerando os últimos três meses). “Que escola é essa que nós temos que não consegue desenvolver leitores para a vida inteira?”, pergunta Maria Antonieta.

A representante do Ministério da Cultura defende que as escolas e as bibliotecas, apontadas como um local desinteressante pelos entrevistados, precisam ter bons mediadores de leitura. “São professores verdadeiramente capazes de fazer o olhinho do aluno brilhar ao ouvir uma história. Para isso o próprio professor precisa ser um apaixonado pela leitura”.

 

Edição: Rivadavia Severo

 

Bíblia é o livro mais lido pelo brasileiro e Monteiro Lobato o escritor mais admirado01/04/2012 - 16h40

Amanda Cieglinski

Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Bíblia continua sendo o livro mais lido pelos brasileiros – ganha dos livros didáticos e dos romances. Foi o que apontou pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Pró-Livro sobre os hábitos de leitura da população. Ao questionar os cerca de 5 mil participantes sobre os gêneros que costumam ler, a Bíblia foi citada por 42% e manteve-se no primeiro lugar da lista, mesma posição ocupada na edição anterior da pesquisa, em 2007. Os livros didáticos foram citados por 32%, os romances por 31%, os livros religiosos por 30% e os contos por 23%. Cada entrevistado selecionou em média três gêneros.

Os títulos religiosos ganharam espaço na estante dos brasileiros. Na lista dos 25 livros mais marcantes indicados pelos entrevistados, o livro Ágape, do padre Marcelo Rossi, aparece em segundo lugar na lista. Perde apenas para a própria Bíblia e para A Cabana, do canadense William Young.

Luiz Alves de Moraes, vendedor de uma livraria em Brasília, disse que os mais vendidos são os títulos de filosofia, teologia e religião. “Pessoalmente, eu consumo mais livros de filosofia. O hábito de ler garante um amadurecimento da leitura. Comecei a ler aos 13 anos, por interesse pessoal, sem incentivo de ninguém”, conta. O colega dele, Edmar Rezende, concorda que a venda de religiosos cresceu. “Tem saído muito, principalmente o do padre Marcelo”.

A professora Vera Aguiar, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), avalia que os livros religiosos podem ser uma porta de entrada para a literatura, especialmente para uma parte da população que não tem o hábito da leitura. Para ela, o aumento das vendas desse gênero está ligada ao avanço das religiões neopentecostais. “Há uma atitude de leitura. Depois ele pode abrir seus gostos para outros tipos de literatura, os clássicos, o entretenimento. É muito significativa essa atitude leitora, a pessoa se decidir uma atividade introspectiva”.

Em seguida na lista das obras mais marcantes aparecem O Sítio do Picapau AmareloO Pequeno PríncipeDom Casmurro e as coleções Crepúsculo e Harry Potter. O livro da escritora britânica J. K. Rowling foi o primeiro que a estudante de 16 anos Evelyn Cabral comprou. Ela disse que sempre gostou de ler e foi muito incentivada pela mãe quando criança por meio dos contos de fada.

“Eu tinha 11 anos quando comprei o primeiro livro do Harry Potter com a minha mesada. Daí em diante, não parei mais, gosto muito desse tipo de história. Na escola eles pedem para a gente ler os clássicos da literatura como Machado de Assis e Guimarães Rosa. Só que eles têm uma linguagem complicada. As histórias até são legais, mas é difícil ler, têm palavras que eu nem conheço”.

Mesmo depois de mais de 60 anos da sua morte, Monteiro Lobato continua no imaginário da população. O escritor paulista permaneceu no topo da lista dos autores brasileiros mais admirados. “Há muitos escritores que são conhecidos, mas na verdade não são lidos. Dá até para dizer que existem duas leituras de Monteiro Lobato: a primeira é aquela que a gente faz do imaginário coletivo, todos ouviram falar de Reinações de Narizinho”, acredita Vera.

Na sequência aparecem Machado de Assis, Paulo Coelho, Ariano Suassuna e outros autores de best sellersrecentes como o pastor Silas Malafaia e o padre Marcelo Rossi. Confira a lista completa.

 

Edição: Rivadavia Severo

 

do Terra

 

Greenpeace denuncia extração de madeira em assentamento no PA
01 de abril de 2012  22h06

 

  1. Notícia

 Greenpeace/Divulgação

Segundo a ONG, madeireira realiza extração em área do Incra
Foto: Greenpeace/Divulgação

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A ONG Grenpeace diz que ativistas encontraram uma madereira operando ilegalmente em um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), próximo a cidade de Santarém, no Pará, segundo comunicado divulgado neste domingo. Um relatório com fotos e mapas da área será encaminhado ao governo para investigação.

Segundo a organização, a extração de madeira ocorre sem autorização do governo ou consentimento dos assentados. "Foram fotografados pátios de madeira, toras cortadas, desmatamento recente e uma serraria", relata a entidade.

O local fica a 140 km de Santarém e o clima na região é tenso desde que carros do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sofreram uma emboscada na última quarta-feira, afirma o Greenpeace.

Os assentados afirmam que a extração ilegal é realizada dentro do Assentamento Corta Corda. Segundo a ONG, eles dizem que já denunciaram a ação dos madeireiros por várias vezes ao Incra.

"Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, a solução proposta pelo Incra, em vez de fiscalização, foi tentar destinar quase toda a área coberta com florestas do assentamento - rica de madeiras de lei - para grileiros que exploram madeira na região. Pelo projeto, o Corta Corda seria reduzido de 52 mil para 11 mil hectares. A área continua em disputa", afirma a entidade.

 

 

do iG:

 

Helicópteros brasileiros para resgate de reféns estão na ColômbiaFarc promete libertar a partir de segunda-feira sequestrados entre 1998 e 1999

EFE 01/04/2012 19:13

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Texto:

Os helicópteros cedidos pelo Brasil para participar da operação de libertação de dez reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que acontecerá a partir desta segunda-feira, aterrissaram neste domingo no aeroporto da cidade colombiana de Villavicencio.

 

Leia também:

Os dois helicópteros Cougar 532UE cedidos pelo Governo Federal brasileiro para a operação decolaram pouco antes das 12h de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), organização que participa da operação. Neles viajavam 22 pessoas, entre elas os pilotos e mecânicos das Forças Armadas do Brasil.

Ao local chegaram também dois delegados do CICV, Michael Kramer e Thomas Ess, e quatro da organização Colombianas e Colombianos pela Paz (CCP), inclusive sua líder, a ex-senadora Piedad Córdoba, que lidera a missão humanitária. A tripulação das aeronaves pernoitará no aeroporto e amanhã sairá para buscar o primeiro grupo de quatro militares e seis policiais que as Farc prometeram entregar, conforme um comunicado da guerrilha divulgado em fevereiro.

Segundo disse à agência Efe María Cristina Rivera, porta-voz do CICV na Colômbia, os técnicos e mecânicos brasileiros revisarão os dois helicópteros, enquanto a Cruz Vermelha Internacional e o CCP realizarão reuniões internas separadamente. Alguns parentes dos sequestrados que recuperarão a liberdade foram ao aeroporto para receber à missão humanitária e acalmar a ansiedade pela chegada de seus familiares.

Com este processo de libertações terminará na Colômbia o drama dos sequestros com fins políticos de troca de reféns por guerrilheiros presos, pois as Farc anunciaram em fevereiro sua decisão de não voltar a usar a prática como arma de guerra e financiamento. Os sequestrados que a guerrilha colombiana se comprometeu em libertar são os militares Luis Alfonso Beltrán Franco, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín e Luis Alfredo Moreno Chagüeza. Como eles, também deverão readquirir a liberdade os policiais Carlos José Duarte, César Augusto Lasso Monsalve, Jorge Trujillo Solarte, Jorge Humberto Romero, José Libardo Forero e Wilson Rojas Medina, todos sequestrados entre 1998 e 1999.

 

do Vermelho.org.br

 

1 DE ABRIL DE 2012 - 9H49 

A importância da classificação indicativa

 

"Não se engane, tem coisas que o seu filho não está preparado para ver". Eis o mote da campanha que a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça lança, em parceria com os meios de comunicação e as entidades de proteção das crianças e adolescentes. O objetivo é conscientizar sobre a importância da classificação indicativa.

Por José Eduardo Cardozo* e Paulo Abrão**, em Folha de S.Paulo


Com a redemocratização, esta importante conquista da sociedade foi concebida na Constituinte para substituir e se opor ao entulho ditatorial da antiga Divisão de Censura. Ela foi regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e recebeu muitos aperfeiçoamentos nos últimos anos.

Ela atua na mediação entre dois valores fundamentais para uma sociedade democrática: o direito à liberdade e o dever-poder de proteção dos direitos humanos das crianças. A educação no Brasil, em sentido amplo, é dever do Estado e da família. Ela é promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.

Daí que os órgãos do Estado democrático são instados a atuar para que as liberdades de expressão (dos artistas e roteiristas) e de exibição (das empresas de rádio, cinema, teatro e televisão) estejam aliadas à preservação dos direitos dos pais em decidir sobre a educação de seus filhos -e aos direitos próprios das crianças e adolescentes de serem protegidos em uma fase vital de seu desenvolvimento biopsicosocial.

O que está em jogo é o pleno desenvolvimento das próximas gerações e seu preparo para o exercício da cidadania.

Em nosso modelo, são as emissoras que se autoclassificam, segundo três conteúdos temáticos: drogas, violência e sexo.

Os critérios se distanciam das subjetividades governamentais, pois são fixados previamente e construídos socialmente a partir de consultas públicas e estudos especializados sobre o comportamento das crianças e sua tendência de imitar aquilo que assistem.

Um elemento estruturante da política é que, respeitada a gradação da faixa horária protetiva das 6h às 23h, tudo pode ser exibido.

A supervisão coercitiva do Estado é limitada e não admite censuras, vetos ou cortes de conteúdos, sejam prévios ou posteriores.

Os números demonstram o seu sucesso: de um total de 5.600 obras, somente em 48 casos ocorreu reclassificação em 2011. A eficácia se explica pela concepção de se promover concomitantemente o máximo de exercício de liberdade e o máximo de direito à proteção. Os direitos são restringidos de modo mínimo, apenas naquilo que é adequado, necessário e proporcional à garantia de um equilíbrio que não lesione os seus conteúdos essenciais.

Entre um modelo ultraliberal, sem notícias no mundo ocidental, no qual tudo poderia ser exibido em qualquer horário e a responsabilidade pela formação dos jovens estaria terceirizada ao mercado, e um outro tipo radicalmente oposto, em que o Estado é onipresente e realiza controle prévio sobre conteúdos (como, a propósito, ocorre em muitas democracias ocidentais), o Brasil concebeu um modelo social, elogiado internacionalmente, cuja grande virtude reside na ideia de justo meio.

Esta campanha remete ao propósito social da classificação indicativa: o de ser um instrumento da liberdade, compreendido como uma condição de possibilidade para que os pais e mães consigam dar efetividade às suas escolhas, precaver danos e planejar cada vez mais seu tempo de convivência com a família.

Trata-se de um instituto a serviço da construção de um ambiente social saudável, condizente com os grandes desafios do desenvolvimento do Brasil, no presente e no futuro.

*José Eduardo Cardozo, 52, é ministro da Justiça
**Paulo Abrão, 36, é secretário nacional de Justiça

 

do Brasil247

 

Eduardo Campos, a "noiva cortejada" por todosEduardo Campos, a Foto: Humberto Pradera/DivulgaçãoAMIGOS NO PASSADO, FERRENHOS ADVERSÁRIOS NAS ÚLTIMAS DUAS DÉCADAS, O GOVERNADOR DO PE EDUARDO CAMPOS (PSB) E O SENADOR JARBAS VASCONCELOS (PSDB) PASSAM A FLERTAR RUIDOSAMENTE; A APROXIMAÇÃO TEM POUCO A VER COM AS QUESTÕES PROVINCIANAS E MUITO MAIS COM O FUTURO DOS LÍDERES POLÍTICOS; A POSSÍVEL APROXIMAÇÃO JÁ GERA CIUMEIRA, COMO NO PSDB, DE SÉRGIO GUERRA

01 de Abril de 2012 às 16:12

Beatriz Braga _PE247 - Mesmo se mantendo o mais longe possível do processo sucessório do Recife, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), mesmo na sua versão mais cordial e silenciosa, nunca deixou de ter seus passos milimetricamente observados. Sem mostrar interesse em “entrar de cabeça” nas campanhas dos principais prefeituráveis da oposição, Raul Jungmann (PPS) e Mendonça Filho (DEM) – seu afilhado Raul Henry (PMDB) seria uma boa oportunidade para tirar Jarbas do silêncio absoluto, mas o peemedebista ainda não se posicionou – o senador, agora, se mostra inclinado a aproximar-se do “líder de todos", Eduardo Campos (PSB). 

Estratégia política ou não, uma coisa é certa: Jarbas entrou no hall da órbita em volta da atual estrela de Pernambuco, o governador socialista. Há quem diga que os projetos futuros de Jarbas, com suas quase setenta primaveras, sejam mesmo se distanciar da vida política ativa e sair, portanto, com um estoque reduzido de adversários.

Se algum guru político, em 92, previsse a atual “bandeira de paz” lançada pelo peemedebista, certamente, seria chamado de louco. Candidato a prefeito, Jarbas não aceitou a indicação de Miguel Arraes para que seu neto, Eduardo Campos, ainda desconhecido, fosse o vice da campanha. Declarados inimigos mortais, Arraes chegou a dizer que o peemedebista estava seguindo “o caminho da perdição”. Muitos anos depois Eduardo devolveu de forma esmagadora a derrota que seu avô sofreu para Jarbas, em 1998, na disputa pelo governo. Em 2010, o socialista humilhou o peemedebista nas urnas na busca pela sua reeleição. Mostrando que na política tudo é possível e os ex-rivais, hoje, trocam cordialidades públicas.

Nos bastidores, é difícil aceitar que as reconciliações não tenham raízes eleitorais. Campos, por sua vez, deixou de ser uma ferramenta unicamente pernambucana e figura o quadro de possibilidades nacionais. Articulado como poucos, o governador pratica a política de “conversa com quem pode, obedece quem tem juízo”. Buscando um restrito grupo de opositores, as especulações é que Eduardo tenha em vista, em um futuro próximo, a candidatura à presidência do Brasil. 

A tímida, porém significativa, reaproximação de Jarbas e Eduardo já está despertando ciumeira. Cada vez mais afastados, Jarbas e Sérgio Guerra (PSDB) estariam, ironicamente, construindo uma ponte em direção à mesma aresta socialista. Já mostrando desconforto em ver seu rival peemedebista com a mesma estratégica política, Guerra satirizou, na última terça (27), ao afirmar que Jarbas deveria explicações sobre essa mudança de postura;"antes brabo e, hoje, bonzinho".

 

da Agência Brasil

Brasil completa 30 anos de uso da energia nuclear com avanços tecnológicos e críticas01/04/2012 - 10h55

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Brasil chega aos 30 anos de uso da energia nuclear com recorde de produção de 15,644 milhões de megawatts-hora (MWh), registrado no ano passado, e a possibilidade de, com a conclusão de Angra 3, em 2016, ter 60% do consumo de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro abastecidos pela fonte nuclear. Hoje, as duas usinas nucleares em funcionamento no país, Angra 1 e Angra 2, geram o equivalente a 30% do que é consumido no estado.

Na avaliação do presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, o uso da fonte nuclear para geração de energia trouxe ao país maturidade tecnológica na área, abrindo o campo de trabalho e colaborando para a formação de engenheiros nucleares de padrão internacional. “A principal vantagem que tivemos foi o aprendizado”, avaliou.

Para Othon Pinheiro, hoje, não se pode prescindir da fonte nuclear de energia que, na sua opinião, não pode ser descartada da matriz energética nacional. “É muito importante na geração de eletricidade, porque nós temos, hoje, no Brasil, 80% da população vivendo nas cidades. A sustentabilidade das cidades passa pela energia elétrica, da forma mais econômica e racional possível”.

Ele, inclusive, refuta o posicionamento de ambientalistas, que fazem oposição ao uso da energia nuclear, defendendo que, “se tratada de forma adequada, é uma fonte de energia limpa e não deve ser descartada da matriz energética nacional”.

Othon Pinheiro lembrou da característica estratégica da energia nuclear, por ser opção em caso de problemas na oferta de energia elétrica devido a questões climáticas, já que a matriz energética é majoritariamente hidrelétrica. “Precisamos da [fonte de energia] eólica, da solar. Seria bom se elas trabalhassem sozinhas. Mas a gente precisa das térmicas, para acionar em caso de problema da natureza. Energia é como ação [da Bolsa de Valores]. Por melhor que seja, a gente tem que comprar uma cesta de papéis para garantia do investimento”. Para o presidente da Eletronuclear, o país não pode descartar nenhuma fonte de energia renovável.

Ele defende a geração de energia nuclear por considerá-la de baixo impacto ambiental e por questões de custo. Pinheiro ressalta que, dentre as térmicas, como as que produzem energia a partir do carvão, óleo combustível ou gás, a usina nuclear é a que tem menos custo. Além disso, ele lembra que o Brasil tem uma grande reserva de urânio, sendo “falta de imaginação” não aproveitar esse potencial.

Angra 1, a primeira usina nuclear a entrar em funcionamento no país, foi interligada ao sistema elétrico nacional no dia 1º de abril de 1982. E, mesmo contestando a real necessidade do Brasil lançar mão dessa fonte de energia tão controversa, o físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras, acredita que a geração de energia nuclear constitui um fato histórico. “A gente não pode se arrepender da história. Ela é como é”, disse Pinguelli à Agência Brasil

Diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Pinguelli, no entanto, enfatiza que geração de energia a partir da fonte nuclear não pode ser vista como imprescindível para o país. Para ele, a energia produzida pelas usinas Angra 1 e 2  poderia ser compensada por outras fontes de energia renováveis. “Por hidrelétricas mesmo. Até agora, não haveria problema”.

Ele relembra o acordo nuclear bilateral, firmado entre o Brasil e a Alemanha, em 1975, que previa a construção de oito reatores, definindo que nem tudo correu bem em relação à energia nuclear no Brasil. “Acho que o acordo com a Alemanha foi malsucedido do ponto de vista brasileiro”. Os custos elevados e as seguidas crises econômicas fizeram, no entanto, com que apenas duas usinas fossem construídas no país até agora.

Pinguelli, por outro lado, concorda com Othon Pinheiro sobre o ganho tecnológico que a geração nuclear propiciou ao Brasil, embora a um custo muito elevado. “Criou-se uma competência na engenharia nuclear. Os dois reatores que o Brasil tem funcionando têm boa performance técnica”. O físico destacou, ainda, como avanço tecnológico o aprendizado relativo ao enriquecimento do urânio. “Acho que esse é o ponto, tecnologicamente, mais elevado, promovido pela Marinha de Guerra”.

Edição: Lana Cristina

 

Alckmin privilegia prefeitos tucanos com dinheiro público vindo do governo federal.

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Alckmin privilegia prefeitos tucanos com verbas em SP

Cinco das dez maiores cidades paulistas que mais receberam recursos para investimentos são do PSDB

Municípios governados pelo PT, como Marília e Guarulhos, acabaram preteridos na partilha de repasses desde 2011

MARIANA CARNEIRO
SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO

O governo do tucano Geraldo Alckmin privilegiou as cidades paulistas administradas pelo PSDB e seus aliados na partilha dos recursos do Estado para investimentos.

Levantamento no repasse de verbas para as 52 cidades paulistas com mais de 100 mil eleitores aponta que, das dez que mais receberam recursos, cinco são chefiadas por tucanos. Os outros cinco municípios que mais receberam recursos são comandados por aliados: PSB, PMDB e PSD.

O dado não contabiliza transferências obrigatórias.

O levantamento foi realizado em repasses de janeiro de 2011 até a última terça-feira.

Esse grupo das 52 maiores cidades concentra quase 70% do eleitorado paulista - 17 delas são governadas pelo PT e nove, pelo PSDB.

Há uma semana, a Folha mostrou que o governo federal, do PT, beneficiou prefeituras petistas no repasse de verbas para cidades com mais de 200 mil eleitores no país.

Em São Paulo, a campeã na liberação de verbas do governo estadual foi Praia Grande. A cidade, governada pelo PSDB, recebeu R$ 25,9 milhões, o equivalente a R$ 150 por eleitor. A prefeitura ainda espera recursos para erguer um viaduto.

"Não tenho privilégio nenhum, sou tratado pelo governador como qualquer prefeito. Uma cidade que ganha 27 mil habitantes por ano é complicada de manter, e nós estamos oferecendo um grande serviço", diz o prefeito Roberto Francisco (PSDB), que será candidato à reeleição.

Entre as que receberam menos recursos estão seis do PT, sigla que faz oposição ao Palácio dos Bandeirantes.

"Independentemente da coloração partidária, o governador tem que atender o eleitor mariliense, que lhe garantiu expressiva votação", diz o prefeito de Marília, Ticiano Tóffoli (PT), cuja cidade não recebeu nenhum centavo.

GUARULHOS

Outro exemplo é Guarulhos, segundo maior município do Estado, governado por Sebastião Almeida (PT). Em 15 meses, a prefeitura recebeu R$ 400 mil -R$ 0,50 por eleitor-, para a construção de clínica para dependentes.

O prefeito diz que apresenta projetos, mas que os recursos não chegam. Ele cita a construção da rodovia Jacu-Pêssego, que ligará o aeroporto de Cumbica ao Porto de Santos. "O governo do Estado ajudou no trecho que passa pela cidade de São Paulo, por que não em Guarulhos?"

Em compensação, diz Almeida, a cidade vem recebendo vultosos investimentos da União. "Desde a posse da presidente Dilma, o governo federal repassou recursos para a construção de 27 creches. Não há nenhuma creche do governo estadual na cidade", diz. "O Estado está devendo recursos para nossa cidade".

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/34665-alckmin-privilegia-prefeitos-tucanos-com-verbas-em-sp.shtml