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do estadao.com.br

Com ajuda de Demóstenes, Cachoeira 'nomeou' prima no governo de MinasSenador recorreu ao colega e ex-governador Aécio Neves para emplacar Mônica VieiraFausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado para uma prima do empresário do jogo de azar Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima do bicheiro, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de Diretora Regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba. 

Veja também:
link Leia transcrição dos grampos da PF
link Aécio diz que 'não recaía questionamento' sobre Demóstenes

Do pedido de Cachoeira a Demóstenes, até a nomeação de Mônica, bastaram apenas 12 dias e 7 telefonemas. Aécio confirma o empenho para atender solicitação de Demóstenes, mas alega desconhecer interesse de Cachoeira na indicação.
São citados nos grampos Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, principal articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas. Eles negam envolvimento na trama.

A PF monitorou Cachoeira, a prima e Demóstenes no bojo da Operação Monte Carlo, que desmantelou alentado esquema da contravenção, fez ruir a aura de paladino do senador goiano e expôs métodos supostamente ilícitos da Delta Construções para atingir a supremacia em sua área de ação.

Aécio não caiu no grampo porque não é alvo da investigação. Mas ele é mencionado por Demóstenes e Cachoeira. O contraventor chama Demóstenes de ‘doutor’ e o senador lhe confere o título de ‘professor’.

O grampo que mostra a ascensão profissional da prima de Cachoeira está sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos que tratam exclusivamente do conluio de Demóstenes com o bicheiro.

Em 13 de maio de 2011, Aécio é citado pela primeira vez. Cachoeira pede a Demóstenes para “não esquecer” do pedido. “É importantíssimo prá mim. Você consegue por ela lá com Aécio... em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe.”

Demóstenes responde. “Tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar prá ele.”

A PF avalia que o caso pode caracterizar tráfico de influência. “Seguem ligações telefônicas, divididas por investigado, em ordem cronológica, que contém indícios de possível cometimento de infração penal por parte de seus interlocutores ou pessoas referidas.”

Na síntese que faz da ligação de Cachoeira para Mônica, a 26 de maio – contato durou 3 minutos e 47 segundos –, a PF assinala. “Falam sobre a nomeação de Mônica para a SEDESE/MG, conseguida por Cachoeira junto ao senador Aécio Neves por intermédio do senador Demóstenes Torres e de Danilo de Castro.”

 

Olha gente, eu tô achando que não foi bolinha de papel não...

da Folha.com

Em São Bernardo, Serra ataca o PT e o governo federal

 

PAULO GAMA

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, fez duras críticas ao PT e ao governo federal nesta segunda (23), em São Bernardo do Campo, berço político do ex-presidente Lula.

No palanque do evento em que o PSDB formalizou apoio à candidatura do PPS na cidade, Serra disse que "o Brasil está submetido a uma administração de natureza publicitária" de "um partido que atua para destruir adversários, e não para fazer política".

"Atuar para destruir é fascismo, assim como a destruição e a desqualificação dos adversários."

Ainda no discurso, Serra disse que a "liberdade de imprensa vem sendo reiteradamente ameaçada" no país.

Questionado ao final do evento, disse que "o PT vive intimidando a imprensa o tempo todo. O que é controle social da mídia? É controle da liberdade de imprensa."

Na entrevista, disse também que o PT tem "uma tropa de destruição da reputação alheia, da qual sou vítima periodicamente".

ALIANÇAS
O evento desta segunda selou o apoio do PSDB à candidatura do deputado Alex Manente na cidade. Os tucanos terão a vice na chapa, com o vereador Admir Ferro.

Serra --que classificou São Bernardo como um "lugar simbólico"-- negou que o acordo sinalize uma aliança entre os dois partidos na capital, mas disse que gostaria de ter o PPS em sua chapa.

Serra afirmou que as duas legendas têm uma "luta comum" e que a sigla é a mais próxima de seu partido no plano nacional.

 

A Argentina tem razão http://1.bp.blogspot.com/-a1U-n5PCtEs/T5VPwZFFO_I/AAAAAAAAKEQ/jfhVTMxWV6... LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA Não faz sentido deixar sob controle estrangeiro um setor estratégico para o desenvolvimento do país A Argentina se colocou novamente sob a mira do Norte, do "bom senso" que emana de Washington e Nova York, e decidiu retomar o controle do Estado sobre a YPF, a grande empresa petroleira do país que estava sob o controle de uma empresa espanhola. O governo espanhol está indignado, a empresa protesta, ambos juram que tomarão medidas jurídicas para defender seus interesses. O "Wall Street Journal" afirma que "a decisão vai prejudicar ainda mais a reputação da Argentina junto aos investidores internacionais". Mas, pergunto, o desenvolvimento da Argentina depende dos capitais internacionais, ou são os donos desses capitais que não se conformam quando um país defende seus interesses? E, no caso da indústria petroleira, é razoável que o Estado tenha o controle da principal empresa, ou deve deixar tudo sob o controle de multinacionais? Em relação à segunda pergunta parece que hoje os países em desenvolvimento têm pouca dúvida. Quase todos trataram de assumir esse controle; na América Latina, todos, exceto a Argentina. Não faz sentido deixar sob controle de empresa estrangeira um setor estratégico para o desenvolvimento do país como é o petróleo, especialmente quando essa empresa, em vez de reinvestir seus lucros e aumentar a produção, os remetia para a matriz espanhola. Além disso, já foi o tempo no qual, quando um país decidia nacionalizar a indústria do petróleo, acontecia o que aconteceu no Irã em 1957. O Reino Unido e a França imediatamente derrubaram o governo democrático que então havia no país e puseram no governo um xá que se pôs imediatamente a serviço das potências imperiais. Mas o que vai acontecer com a Argentina devido à diminuição dos investimentos das empresas multinacionais? Não é isso um "mal maior"? É isso o que nos dizem todos os dias essas empresas, seus governos, seus economistas e seus jornalistas. Mas um país como a Argentina, que tem doença holandesa moderada (como a brasileira) não precisa, por definição, de capitais estrangeiros, ou seja, não precisa nem deve ter deficit em conta corrente; se tiver deficit é sinal que não neutralizou adequadamente a sobreapreciação crônica da moeda nacional que tem como uma das causas a doença holandesa. A melhor prova do que estou afirmando é a China, que cresce com enormes superavits em conta corrente. Mas a Argentina é também um bom exemplo. Desde que, em 2002, depreciou o câmbio e reestruturou a dívida externa, teve superavits em conta corrente. E, graças a esses superavits, ou seja, a esse câmbio competitivo, cresceu muito mais que o Brasil. Enquanto, entre 2003 e 2011 o PIB brasileiro cresceu 41%, o PIB argentino cresceu 96%. Os grandes interessados nos investimentos diretos em países em desenvolvimento são as próprias empresas multinacionais. São elas que capturam os mercados internos desses países sem oferecer em contrapartida seus próprios mercados internos. Para nós, investimentos de empresas multinacionais só interessam quando trazem tecnologia, e a repartem conosco. Não precisamos de seus capitais que, em vez de aumentarem os investimentos totais, apreciam a moeda local e aumentam o consumo. Interessariam se estivessem destinados à exportação, mas, como isso é raro, eles geralmente constituem apenas uma senhoriagem permanente sobre o mercado interno nacional. http://esquerdopata.blogspot.com.br/2012/04/argentina-tem-razao.html

 

As ameaças a eleição de Joaquim Barbosa para presidente do STF.

 

Briga no STF já ameaça eleição de BarbosaBriga no STF já ameaça eleição de BarbosaFoto: Fellipe Sampaio/SCO/STFCRÍTICAS TROCADAS ENTRE O MINISTRO JOAQUIM BARBOSA E O EX-PRESIDENTE DO SUPREMO, CEZAR PELUSO, LEVAM MAGISTRADOS A CONSIDERAR A POSSIBILIDADE DE NÃO ELEGER O PRIMEIRO, QUE ASSUMIRIA A PRESIDÊNCIA DA CORTE EM NOVEMBRO; NA SEMANA PASSADA, ELE ACUSOU PELUSO DE MANIPULAR JULGAMENTOS

23 de Abril de 2012 às 12:39

247 – As discussões públicas entre o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, e o ministro Joaquim Barbosa provocaram um tremendo mal estar na corte. Mas não só isso. Barbosa, que deve assumir a presidência do STF em novembro, após a aposentadoria compulsória de Carlos Ayres Britto, tem o resultado de sua eleição ameaçado. Nota publicada nesta segunda-feira 23 na coluna Poder, da Folha de S.Paulo, aponta que a contrariedade com a troca de farpas vai além do time de jurados com quem Barbosa já teve algum tipo de conflito. “Em rodas reservadas, alguns ministros passaram a discutir, no fim da semana passada, a possibilidade de não eleger Barbosa para presidir a Corte”, diz a nota.

Outra opção para o destino de Barbosa no Supremo seria a chamada PEC da Bengala, proposta de emenda à Constituição que eleva para 75 anos a aposentadoria obrigatória. Se aprovada, a medida permitira que Ayres Britto completasse seu mandato na presidência, não sendo obrigado a se aposentar compulsoriamente em novembro, quando completa 70 anos – regra que vigora atualmente. Nesse caso, menos radical do que não eleger Barbosa para a presidência, o ministro também não comandaria a corte.

As discussões entre os dois magistrados ocorreram sempre por meio da imprensa. Primeiro, o relator de um dos maiores processos da história do País, o mensalão, recebeu críticas de Peluso por meio de uma entrevista ao site Consultor Jurídico, em 18 de abril, pela qual foi chamado de “inseguro”, de não ter problemas na coluna – Barbosa já chegou a tirar licenças médicas por causa do problema –, entre outras críticas. Como resposta, Joaquim Barbosa concedeu entrevista ao jornal O Globo, em que definiu o ex-presidente do STF, em meio a diversos adjetivos, como “tirânico”, “ridículo” e “brega”. Indo além, o acusou ainda de manipular resultados de julgamentos, o que provocou, em geral, uma defesa do grupo a Peluso.

 

http://brasil247.com/pt/247/brasil/55549/Briga-no-STF-j%C3%A1-amea%C3%A7a-elei%C3%A7%C3%A3o-de-Barbosa.htm

 

Dívidas dos estados: sugestões para renegociação

Uma antiga reinvindicação dos estados, segundo o que a imprensa tem noticiado, deverá ser atendida pelo Governo Federal. Trata-se da mudança do indexador das dívidas dos entes subnacionais, de IGP-DI para IPCA, o que é uma boa medida, mas que terá pouco efeito, se não for retroativa a 1998.

O IGP-DI (indexador das dívidas) cresceu 35% acima do IPCA (índice oficial de inflação do País) desde 1998, quando foi assinada a maioria dos acordos das dívidas pelos estados. Isso, no entanto, nem sempre ocorreu, porque houve anos em que o IPCA cresceu mais. Por isso, mais do que alterar o índice, precisa ser obtido um desconto no saldo devedor, para compensar essa variação excessiva.

A situação dos estados após a renegociação das dívidas não pode ser vista generalizadamente, nem pela média, mas de forma pontual. Na verdade, há 20 estados que reduziram suas dívidas em relação à receita corrente líquida de 48 a 87% entre 2000 e 2010. Por outro lado, os quatro principais estados (SP, RJ, MG, RS) reduziram apenas 22% e o RS menos de 20%. Estes últimos foram contemplados com 90% dos valores utilizados pela União no processo de refinanciamento das dívidas estaduais.

Acontece que o acordo prevê um limite para pagamento, que, geralmente, é 13% da receita líquida real (RLR). Os principais estados, por deverem mais na ocasião do acordo e ficarem, em decorrência, com prestações muito altas, acabaram deixando parcelas maiores de excedentes, os denominados “resíduos” da dívida. A correção desses resíduos pelo IGP-DI fez com que eles gerassem uma dívida paralela, que atinge, no caso do RS, 40% do total da dívida com a União.

Além disso, pelo menos no caso do RS, uma série de operações anteriores ficaram com suas prestações dentro dos 13%, deixando, na prática, de serem pagas, o que contribuiu para aumentar os resíduos. Além dessas parcelas, ficaram nessa situação grande parte da Operação Proes, que saneou o sistema financeiro estadual, e, posteriormente, em 2001, a dívida do IPE com o Banco do Brasil.

A mudança retroativa do indexador e a redução dos juros, muito altos para os padrões atuais, reduzirão sensivelmente os resíduos. Essas medidas, conjugadas com os efeitos da Tabela Price, que, com o passar dos anos, aumenta a parcela das amortizações contida nas prestações, reduzirão o fluxo de pagamentos futuro e o saldo devedor.

O que não pode acontecer são alterações do acordo tendentes à redução da RLR, como aconteceu em 1999, ou do percentual de limite dos pagamentos, de forma isolada, isto é, sem a redução do saldo devedor. Se isso ocorrer, estaremos transferindo o problema agravado para o futuro.

O fato de o IGP-DI e o IPCA terem sido iguais no ano da assinatura do acordo e terem se descolado posteriormente atesta um desequilíbrio econômico-financeiro do acordo, o que por si só indica necessidade de sua alteração. Isso deve ser levado em conta quando do exame do assunto, porque a simples mudança de indexador não resolve.

Diante disso, deve ser reivindicado junto à União, o seguinte:

  1. Mudança do indexador para IPCA desde 1998, obtendo um desconto do saldo devedor da dívida decorrente da variação excessiva do IGP-DI;
  2. Redução da taxa de juros, se possível para 2%;
  3. Redução do percentual em função da receita líquida real, desde que tomadas outras medidas que impeçam a criação de mais resíduos, como as referidas nas letras “a” e “b”.

Darcy Francisco Carvalho dos Santos é economista.

 

.... Tiago Vier

Porquê não faze isso com uma pelota, num chute rasteiro?

 

Médicos contratam "cirurgiões dublês" para operar em seu lugar

"Cirurgiões dublês" contratam colegas para operar em seu lugar 

CLÁUDIA COLLUCCI
Folha.com

Eles são velhos conhecidos nos hospitais, mas ignorados pelos pacientes que operam. São os "cirurgiões dublês", médicos que fazem cirurgias no lugar de outros colegas.

A Folha conversou com 14 médicos das áreas de oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia, ginecologia, ortopedia, cardiologia, neurocirurgia, oncologia, anestesia e cirurgia plástica. Todos conhecem a prática e oito deles já atuaram como dublês.

Para o CFM (Conselho Federal de Medicina), desde que a pessoa seja informada de que outro médico vai operá-la, não há infração ética.

O usual, porém, é o paciente não saber. "Ele vê seu médico na sala de cirurgia. Como vai imaginar que não será ele quem vai operá-lo?", afirma um professor de oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O médico diz que, no início da carreira, atuou como dublê para outros médicos. "Há oftalmos que operam para um monte de colegas que não dominam cirurgias de catarata e de miopia, por exemplo. Para o paciente, é até mais seguro ser operado por alguém mais experiente."

Um otorrino que atua no Hospital das Clínicas e em vários hospitais privados também assume a condição de dublê. "Normalmente, nem converso com o doente. Entro e saio do centro cirúrgico com ele sedado. O médico dele fica no campo cirúrgico, mas não põe a mão."

Um neurocirurgião que atua nos principais hospitais privados de São Paulo conta que faz pelo menos quatro cirurgias de hérnia de disco por semana como dublê.

"Tenho colegas ortopedistas que não se sentem seguros com a técnica. Mas eles contam para o paciente que serei eu o cirurgião. A relação tem que ser transparente."

Porém, em toda documentação relativa à cirurgia, o único nome que consta é do médico do paciente. O reembolso do plano de saúde também vai para ele -que depois divide o valor com o dublê.

EM NOME DO PAI

É o médico oficial que vai responder criminalmente e eticamente por eventuais problemas que ocorram na cirurgia feita pelo colega, segundo o secretário do CFM, o anestesista Desiré Callegari.

Há três anos, a enfermeira Sabrina Machado da Silva, 31, morreu após uma cirurgia plástica feita em São Simão (interior de SP) por uma médica filha do cirurgião contratado, segundo testemunhas.

À polícia, a médica confirmou a participação na cirurgia de Sabrina e de outros pacientes do pai.

A enfermeira morreu por hemorragia aguda. O caso tramita na Justiça e no Conselho Regional de Medicina.

ASSISTENTES

Outra prática corriqueira nos grandes hospitais são as cirurgias assumidas por médicos renomados, mas, na verdade, feitas quase que totalmente pelos assistentes.

"Por que a gente não fala sobre o Corinthians? É mais fácil ", brincou Reinaldo Ayer de Oliveira, professor de bioética da USP, ao ser indagado sobre o assunto.

Para ele, do ponto de vista técnico, não há risco para o paciente. "Existe pouca diferença entre um cirurgião com muita habilidade e seus assistentes. Eles têm que ter a mesma capacidade."

Oliveira diz que, em algumas áreas, os assistentes operam melhor do que o chefe. Mas o paciente paga --e caro-- por um médico de grife. É ético terceirizar o trabalho sem o conhecimento dele?

Callegari, do CFM, é enfático em dizer que não é ético. "Se o médico é chefe de equipe, deve explicar ao paciente que só entrará no tempo nobre da cirurgia [por exemplo, na retirada de um tumor]. Tem que dizer ao paciente que não será ele quem vai abrir e fechar [o corpo]."

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1079400-cirurgioes-dubles-...

 

Demarchi

Merchandising?

"Quem quer morrer?", dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo."

"José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90)."

"Era dia de promoção --a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia."

28/05/2010 - 11h40

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES - DE SÃO PAULO

"Quem quer morrer?", dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90).

Era dia de promoção --a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: "Não aguento mais".

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um "maluco" tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. "Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41. Quando acabou, eu terminei. Eram 21h13", disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja --mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter "tomado todas as medidas cabíveis". Também disse que acionou a PM, "lamenta profundamente o ocorrido" e se mantém "à disposição das autoridades".

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/742147-homem-que-esfaqueou-tres-e...

 

ISP registra redução nos índices de letalidade violenta e roubo de rua

23/4/2012 7:29,  Por Redação, com Gov - do Rio de Janeiro - No Correio do Brasil


 


Roubo de Rua teve redução de 14,3%, melhor resultado desde 2007


Dos três indicadores estratégicos de criminalidade da Secretaria de Segurança, dois apresentaram resultados positivos no primeiro trimestre de 2012 em comparação ao mesmo período do ano passado. A Letalidade Violenta caiu 9,3% e o Roubo de Rua teve redução de 14,3% – o melhor resultado desde 2007.


De janeiro a março deste ano, foram registradas 1.251 mortes violentas no Estado contra 1.380 em 2011. Esse foi o melhor resultado no período desde 2000, quando o número foi de 1.778.


No caso dos Roubos de Rua (roubo a transeunte, roubo de celular e roubo em coletivo), foram registrados 15.505 casos em 2012 contra 18.089 no ano passado. O resultado também superou expectativas e foi o mais baixo desde 2007, quando houve registro de 17.763 casos.


- O Roubo de Rua já vem caindo há vários meses e está relacionado à maior integração entre as polícias Civil e Militar. Já a queda na Letalidade Violenta pode ser associada, principalmente, à redução nas mortes em confronto devido a ações policiais mais inteligentes, que priorizam as prisões. A redução também pode ser impulsionada pela expansão das UPPs – afirmou o presidente do Instituto de Segurança Pública, coronel Paulo Augusto Souza Teixeira.


Já o Roubo de veículos registrou alta no trimestre de 21,7%. Esse aumento chamou a atenção da Secretaria de Segurança que, desde o mês passado, vem adotando medidas estratégicas a fim de diminuir o número de crimes deste tipo.


- Os procedimentos necessários já começaram a ser implementados e a redução do indicador deve acontecer nos próximos meses. Um exemplo é a maior fiscalização de ferros-velhos clandestinos – disse Teixeira.


 

 

Egito interrompe fornecimento de gás à Israel

23/4/2012 8:30,  Por Redação, com BBC - Brasil - No Correio do Brasil




 
Gasoduto

Gasoduto que leva gás do Egito a Israel tem sido alvo de atentados


O governo do Egito anunciou na noite de domingo que rompeu um acordo com Israel para fornecimento de gás natural. Israel importa do Egito cerca de 40% do gás natural consumido internamente, e usado para gerar eletricidade.


O diretor da empresa nacional de gás natural do Egito, Mohamed Shoeb, alega que a decisão não tem nenhum componente político, e que foi tomada porque Israel não pagou pelo gás fornecido nos últimos quatro meses.


Israel nega esta versão. O governo israelense diz que a decisão foi tomada porque o Egito não consegue mais garantir o transporte de gás natural ao país, já que o gasoduto usado foi alvo de vários ataques e sabotagens no deserto do Sinai nos últimos meses.


O ministro das Finanças de Israel, Yuvai Steinitz, disse que a medida é “muito preocupante”, e contradiz um acordo de paz entre israelenses e egípcios.


A Ampal, a empresa israelense responsável pela importação do gás natural, acusou a medida de “ilegal e de má fé”. A companhia pretende dar início a um processo em tribunais internacionais de arbitragem, em busca de compensação financeira.


O Egito foi o primeiro país no Oriente Médio a assinar um tratado de paz com Israel, em 1979. O acordo de fornecimento de gás foi assinado em 2005.


No entanto, muitos egípcios reclamam que o acordo nunca favoreceu o seu país, já que o preço cobrado pelo gás natural seria muito baixo. Israel afirma estar pagando o preço adequado pelo gás.


A região do Sinai tornou-se mais instável desde a derrubada do ex-presidente Hosni Mubarak, no ano passado. Várias tribos beduínas armadas têm assumido o controle de algumas áreas do Sinai e atacado o gasoduto, na tentativa de forçar o rompimento do acordo entre Egito e Israel.


 

 

Programa de ensino vai levar 20 mil estudantes ao exterior ainda este ano, diz Dilma

23/4/2012 9:28,  Por Redação, com ABr - de Brasília - No Correio do Brasil


 
Dilma Rousseff

A presidenta Dilma Rousseff avaliou o Ciência sem Fronteiras como uma das iniciativas mais importantes do governo


A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que o programa Ciência sem Fronteiras deve levar, ainda este ano, 20 mil estudantes ao exterior para cursos de graduação, doutorado e pós-doutorado.


O programa está com inscrições abertas até a próxima segunda-feira, com bolsas de estudo em países como o Canadá, a Bélgica, Portugal e a Espanha. A meta do governo é selecionar 101 mil estudantes até 2014.


No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma avaliou o Ciência sem Fronteiras como uma das iniciativas mais importantes do governo.


Ela lembrou que os estudantes selecionados terão contato com o que há de mais avançado em ciência e tecnologia. Os cursos escolhidos devem ser nas áreas de ciências exatas, ciências médicas, ciência da computação e engenharia.


— Quando esses estudantes voltarem, vão trazer conhecimento para aplicar aqui no Brasil e vão ajudar a nossa indústria e o governo a fazer tecnologias novas e a provocar processos de inovação dentro das empresas, disse.


Segundo ela, o país já conta com quase 3.700 estudantes no exterior iniciando os cursos. Até o fim de abril, a meta é selecionar 10.300 bolsistas e, até junho, mais 6 mil bolsistas, totalizando 20 mil alunos beneficados.


A presidenta explicou que, para ser escolhido, o estudante deve conseguir mais de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Uma premiação nas chamadas olimpíadas do conhecimento também pode ajudar a garantir uma vaga. É preciso ainda falar o idioma do país e ter boas notas, já que as universidades estrangeiras têm um processo interno de seleção bastante rigoroso.


— O critério de escolha do Ciência sem Fronteiras é o do mérito, que leva em conta o desempenho e o esforço do estudante. Com isso, estamos abrindo oportunidade a todos, inclusive para aqueles alunos de famílias pobres e que jamais conseguiriam pagar os custos de estudar no exterior”, concluiu.


 

 

Endividamento dos Estados cai em 2012 e troca de índices não é vantajosa

22/4/2012 14:48,  Por Redação, com ABr - de Brasília - No Correio do Brasil


 

Cai índice de divida dos Estados


As negociações para a troca do indexador da dívida dos Estados e municípios ocorrem em um momento em que os índices de 2012 apontam para a queda do endividamento, beneficiando as finanças estaduais. O levantamento da Agência Brasil foi feito com base em relatórios enviados pelas unidades da Federação ao Tesouro Nacional.


Em janeiro e fevereiro, a dívida consolidada líquida de 19 Estados e do Distrito Federal caiu em valores absolutos. Apenas em dois Estados, São Paulo e Rio Grande do Sul, o endividamento apresentou leve aumento. Esse desempenho decorre, em boa parte, do comportamento do IGP-DI, índice de inflação da Fundação Getulio Vargas, que é o indexador usado para corrigir a dívida dos Estados.


Nos últimos 12 meses, o IGP-DI acumulou alta de 3,33%. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou inflação de 5,24%. A utilização do IPCA para corrigir a dívida dos Estados consta de um projeto de lei do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que recebeu apoio dos senadores e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários de Fazenda dos Estados e do DF.


Após o processo de renegociação das dívidas dos Estados com a União, no fim da década de 1990, ficou estabelecido que o estoque seria corrigido pelo IGP-DI mais 6%, 7,5% ou 9% ao ano, dependendo do caso. Na época, o índice era mais baixo que as taxas dos títulos públicos federais. No entanto, o indexador, que na ocasião pareceu vantajoso, passou a pressionar as finanças estaduais nos anos seguintes.


De setembro de 1997, quando os primeiros Estados começaram a renegociar as dívidas com a União, até março deste ano, o IGP-DI acumulou variação de 235,16%, contra aumento de 142,26% do IPCA. A diferença ocorre porque o IGP-DI tem 60% do cálculo baseado em preços de atacado, mais sujeitos a variações de preços internacionais e da cotação do dólar. O IPCA registra apenas as variações dos preços aos consumidores, que são mais estáveis.


Em época de dólar baixo e arrefecimento dos preços, como o momento atual, o IGP-DI varia menos que o IPCA. No entanto, o índice da Fundação Getulio Vargas dispara em momentos de pressões inflacionárias. Em 2010, o IGP-DI acumulou variação de 11,31%, quase o dobro do IPCA, que subiu 5,91%.


A Lei de Responsabilidade Fiscal estabeleceu que a dívida dos Estados e do DF não pode ultrapassar 200% da receita corrente líquida (RCL). De acordo com os relatórios recebidos pelo Tesouro, o Rio Grande do Sul continua a ser a única Unidade da Federação que estoura esse limite. Desde 2008, no entanto, o estado está dentro dos limites de reenquadramento definidos por uma resolução do Senado Federal. A dívida consolidada líquida, que encerrou 2011 em 213,77% da RCL, chegou a 211,68% no fim de fevereiro, embora tenha subido R$ 122,8 mil em valores nominais desde o fim do ano passado.


Em São Paulo, a situação é um pouco diferente. A dívida consolidada líquida aumentou R$ 6 bilhões nos dois primeiros meses de 2012. Na comparação com a RCL, o endividamento passou de 145,7% para 148,5%. A Lei de Responsabilidade Fiscal define a RCL como a arrecadação dos Estados, no mês de referência e nos 11 meses anteriores, excluídas as transferências obrigatórias para os municípios e as contribuições dos servidores públicos estaduais para seus regimes de previdência.


Até a última sexta-feira, sete Estados ainda não tinham enviado o relatório de execução orçamentária ao Tesouro Nacional: Amazonas, Amapá, Goiás, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.


 

 

Caro Nassif, um assunto que você acompanha as vezes: Fundação Seade.

Saiu na Coluna da Monica Bergamo, Folha de São Paulo, 21 de abril de 2012.

Troca de guarda

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deve anunciar em breve mudanças na Fundação Seade, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e centro de referência nacional em pesquisas e estatísticas socioeconômicas e demográficas. A diretora-executiva Felícia Madeira, há nove anos no cargo, deixará o comando da instituição.

TROCA 2
Em seu lugar deverá assumir a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária da Educação de SP na gestão de José Serra. Maria Helena figura em primeiro lugar na lista tríplice que o conselho do Seade enviou ao governador.

 

"O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deve anunciar em breve mudanças na Fundação Seade, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e centro de referência nacional em pesquisas e estatísticas socioeconômicas e demográficas. A diretora-executiva Felícia Madeira, há nove anos no cargo, deixará o comando da instituição":

Em dois anos ou menos essa fundacao esta com a reputacao arrazada e todas as contas arruinadas.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Luiz Carlos Bresser-Pereira

A Argentina tem razão

Não faz sentido deixar sob controle estrangeiro um setor estratégico para o desenvolvimento do país

A Argentina se colocou novamente sob a mira do Norte, do "bom senso" que emana de Washington e Nova York, e decidiu retomar o controle do Estado sobre a YPF, a grande empresa petroleira do país que estava sob o controle de uma empresa espanhola. O governo espanhol está indignado, a empresa protesta, ambos juram que tomarão medidas jurídicas para defender seus interesses. O "Wall Street Journal" afirma que "a decisão vai prejudicar ainda mais a reputação da Argentina junto aos investidores internacionais". Mas, pergunto, o desenvolvimento da Argentina depende dos capitais internacionais, ou são os donos desses capitais que não se conformam quando um país defende seus interesses? E, no caso da indústria petroleira, é razoável que o Estado tenha o controle da principal empresa, ou deve deixar tudo sob o controle de multinacionais?

Em relação à segunda pergunta parece que hoje os países em desenvolvimento têm pouca dúvida.

Quase todos trataram de assumir esse controle; na América Latina, todos, exceto a Argentina.

Não faz sentido deixar sob controle de empresa estrangeira um setor estratégico para o desenvolvimento do país como é o petróleo, especialmente quando essa empresa, em vez de reinvestir seus lucros e aumentar a produção, os remetia para a matriz espanhola.

Além disso, já foi o tempo no qual, quando um país decidia nacionalizar a indústria do petróleo, acontecia o que aconteceu no Irã em 1957. O Reino Unido e a França imediatamente derrubaram o governo democrático que então havia no país e puseram no governo um xá que se pôs imediatamente a serviço das potências imperiais.

Mas o que vai acontecer com a Argentina devido à diminuição dos investimentos das empresas multinacionais? Não é isso um "mal maior"? É isso o que nos dizem todos os dias essas empresas, seus governos, seus economistas e seus jornalistas. Mas um país como a Argentina, que tem doença holandesa moderada (como a brasileira) não precisa, por definição, de capitais estrangeiros, ou seja, não precisa nem deve ter deficit em conta corrente; se tiver deficit é sinal que não neutralizou adequadamente a sobreapreciação crônica da moeda nacional que tem como uma das causas a doença holandesa.

A melhor prova do que estou afirmando é a China, que cresce com enormes superavits em conta corrente. Mas a Argentina é também um bom exemplo. Desde que, em 2002, depreciou o câmbio e reestruturou a dívida externa, teve superavits em conta corrente. E, graças a esses superavits, ou seja, a esse câmbio competitivo, cresceu muito mais que o Brasil. Enquanto, entre 2003 e 2011 o PIB brasileiro cresceu 41%, o PIB argentino cresceu 96%.

Os grandes interessados nos investimentos diretos em países em desenvolvimento são as próprias empresas multinacionais. São elas que capturam os mercados internos desses países sem oferecer em contrapartida seus próprios mercados internos. Para nós, investimentos de empresas multinacionais só interessam quando trazem tecnologia, e a repartem conosco. Não precisamos de seus capitais que, em vez de aumentarem os investimentos totais, apreciam a moeda local e aumentam o consumo. Interessariam se estivessem destinados à exportação, mas, como isso é raro, eles geralmente constituem apenas uma senhoriagem permanente sobre o mercado interno nacional.

 

ville ferreira

O texto é realmente do Bresser? Aquele da Reforma do Estado, o pontapé inicial para o "neoliberalismo" e o Estado Mínimo?

Parece que depois de FHC dizer para "esquecerem o que escreveu" temos mais um no clube...

 

Sandro Araújo

No afã de se desencumbir da tarefa que lhe foi determinada, o tarefeiro da Folha de S.Paulo Mechiades Filho cometeu um verdadeiro samba do crioulo doido em sua coluna de hoje.

Para ele a CPI do Demóstenes Cachoeira se resume a uma invenção de Lula para "jogar areia no mensalão", como diz a manchete da capa do jornal. Ou para "empastelar o mensalão", como ele escreve no texto. Paradoxalmente, no mesmo texto, ele afirma que o empenho de Lula na instalação da CPI se explica por seu desejo de retomar o protagonismo no jogo político (como se ele o tivesse perdido em algum momento).

No mesmo texto apresenta o sucesso de Dilma como fruto de seu distanciamento de Lula, coisa que nem o mais rematado imbecil leitor da revistinha do esgoto consegue vislumbrar. Diz que a CPI irá tirar o foco de suas realizações e monopolizar o noticiário. "Em vez de discutir a queda de juros ou os novos projetos para a ciência, a imprensa se ocupará de fraudes e propinas". Parece que o Sr. Mechiades preferia que a imprensa focasse na rotina dos atos de governo e esquecesse dessa história de fraudes e propinas. Mas somente no caso desta CPI, certo? Afinal, o que está em exposição na vitrine do açougue é a carne estragada da própria imprensa e de alguns de seus protetores e protegidos.

Para coroar o bestialógico nonsense, diz o tarefeiro que talvez não seja ruim para Dilma ter o presidente Lula justamente ocupando o protagonismo no jogo político, papel que, poucas linhas antes, seria nocivo para a Presidenta.

Flagrante do Sr.Melchiades Filho escrevendo sua coluna de hoje.

Polos magnéticos

BRASÍLIA - O desejo de retomar protagonismo no jogo político explica o empenho de Lula na instalação da CPI do Cachoeira. Não se trata apenas de "fígado", "sede de vingança" ou "sangue nos olhos".

Foi por determinação de Lula que a direção do PT exortou a militância a cobrar investigações sobre os negócios do contraventor e sua ligação com líderes da oposição. Partiu do ex-presidente, também, a ordem para o partido fechar apoio à CPI.

Há a intenção declarada de empastelar o mensalão -denunciar os crimes da gangue de Cachoeira como o "maior esquema de corrupção da história", para diminuir o impacto do julgamento do principal escândalo da era Lula. Mas não é só isso.

O sucesso de Dilma Rousseff em boa medida se deveu ao esmaecimento da herança lulista -da "faxina" que extirpou ministros remanescentes à guinada da política monetária, da degola de líderes no Congresso às mexidas na Petrobras.

A CPI interrompe a desconstrução. Emancipa Lula do papel secundário de cabo eleitoral de candidatos a prefeito, devolvendo-o a Brasília.

É sintomático que o ex-presidente faça articulações pró-CPI no hospital em que se recupera do câncer e cuide para entregar a relatoria da comissão ao PT paulista. Para ele, é ótimo que a teia de Cachoeira seja multipartidária: mais legendas terão de entrar na fila do beija-mão.

Em princípio, a CPI não interessa a Dilma. Ela planejava resgatar a "gerentona" -esquecida no primeiro ano e fazer um 2012 de realizações. O caso Cachoeira, contudo, monopolizará o noticiário. Em vez de discutir a queda de juros ou os novos projetos para a ciência, a imprensa se ocupará de fraudes e propinas.

Mas Dilma tem dois alentos. O brasileiro, a despeito de tanta confusão, ou por causa disso, gosta da presidente. E talvez não seja ruim ela ter como contraponto, na política, logo o padrinho e confidente. De um lado é PT, do outro também.

 

http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=206&Caderno=0&Editoria=120&Noticia=415336

O primeiro mensalão 

Yes, nada se cria, tudo se copia. O primeiro mensalão no Brasil aconteceu durante o governo João Goulart. Os Estados Unidos financiaram candidatos, deputados e governadores para que se posicionassem contra as reformas de Jango, pois elas contrariavam seus interesses. Isso, que está provado documentalmente, aparece de maneira estonteante no documentário "O Dia que Durou 21 Anos", escrito por Flávio Tavares para o Canal Brasil. Cada um pode se espantar ou se deliciar com os telegramas e, principalmente, com os áudios de conversas entre autoridades americanas sobre o Brasil. Tudo começa com este telegrama do embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, ao presidente John Kennedy: "O fundamental é organizar as forças políticas e militares para reduzir o seu poder e, em caso extremo, afastá-lo".

Depois, pode-se ouvir esta conversa exemplar:

Lincoln Gordon - Temos uma organização chamada Ipes, que é progressista e precisa de alguma ajuda financeira. Acho que temos de ajudá-los.

John Kennedy - Quanto vamos colocar nisso?

Gordon - Isso é coisa de poucos milhões de dólares.

Kennedy - Isso é muito dinheiro. Afinal, você sabe, para uma campanha presidencial aqui você gasta em torno de 12.

Gordon - Mas não podemos correr certos riscos.

Kennedy cedeu. Jarbas Passarinho, um dos homens do regime militar, admitiu que, no Pará, houve beneficiados. Plínio de Arruda Sampaio, que se elegeu deputado na época, conta que lhe ofereceram dinheiro para "defender a democracia", o que, claro, ele recusou por ser democrata. O mensalão atingiu dezenas de políticos. O Ipes disseminou a campanha de mídia contra o governo, associando-o ao comunismo. O Ibad, também com dinheiro americano, financiou candidaturas a rodo. Já próximo do golpe de 1964, um comunicado ao Departamento de Estado americano entrega tudo: "Estamos adotando medidas para favorecer a resistência a Goulart. Ações secretas estão em curso para organizar passeatas, a fim de criar um sentimento anticomunista no Congresso, nas Forças Armadas, na imprensa e nos grupos católicos". Assim surgem as Marchas da Família com Deus pela Liberdade.

Morto Kennedy, assume Lyndon Johnson. Nesta conversa telefônica, o novo presidente vai direto ao ponto: "Devemos tomar todas as medidas possíveis, estar prontos para agir. Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso. Nós não podemos engolir esse cara". Que franqueza democrática! Dado o golpe, Gordon exulta em telegrama ao chefe: "A eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre". É hora de indicar um nome: "O general Castelo Branco, chefe das Forças Armadas, é um oficial altamente respeitado. Católico devoto, ele admira o papel dos Estados Unidos como defensor da liberdade". Era o suficiente. Tudo porque Brizola havia encampado a ITT e a Bond and Share, como aparece nos documentos, e Jango metera o dedo na remessa de lucros. A imprensa brasileira apoiou de cabo a rabo.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

 

 

do Carta Maior

“Há muita coisa a ser investigada sobre a Operação Condor”

 

O poeta argentino Juan Gelman foi um dos principais convidados da Primeira Bienal do Livro e da Leitura, de Brasília. Em entrevista ao Página/12, ele comenta as recentes declarações do ex-ditador argentino Jorge Videla, fala sobre a Operação Condor e sobre o muito que ainda precisa ser revelado para se conheça a verdade e se faça a justiça. "Não estamos falando de velhas feridas, mas sim de feridas abertas que latejam como um câncer no subsolo da memória e na medida em que não são fechadas com a verdade, fazem toda sociedade adoecer".

O argentino Juan Gelman é um dos maiores poetas contemporâneos e um ativo militante da causa contra o esquecimento dos crimes cometidos pelas ditaduras militares que infestaram o cone Sul nos anos 70 e 80. O filho e a nora foram assassinados por uma ação combinada das ditaduras argentina e uruguaia, nos marcos da Operação Condor. A neta foi roubada por militares e deixada na porta da casa de um policial uruguaio. Macarena Gelman só descobriu sua verdadeira história 23 anos mais tarde, graças à busca incansável do avô. Gelman foi um dos principais convidados da Primeira Bienal do Livro e da Leitura, de Brasília. Em entrevista ao Página/12, ele comenta as recentes declarações do ex-ditador argentino Jorge Videla, fala sobre a Operação Condor e sobre o muito que ainda precisa ser revelado para se conheça a verdade e se faça a justiça.

“Esta entrevista com Videla, na qual ele confessa que matou oito mil permite-me descobrir nele uma qualidade que desconhecia: a modéstia; Porque, na verdade. Foram mais de 30 mil”.

Juan Gelman está em seu apartamento no décimo segundo lugar de um hotel em Brasília, do qual se vislumbra uma paisagem urbana onde prédios públicos rigorosamente retangulares se alternam com as curvas futuristas do Congresso e da Catedral. 

Para Gelman, a entrevista concedida pelo ditador deve ser vista em perspectiva.

“Videla se expressa como quem encabeçou o golpe, mas para analisar os golpes necessitamos levar em conta primeiro que eles sempre tiveram respaldo civil, segundo, que houve partidos políticos que os incitaram e, terceiro, que os golpes foram movidos por interesses muito concretos e importantes”.

- O que faltou Videla dizer?

Faltou dizer, por exemplo, quantos campos de concentração existiram, o que ocorreu dentro deles e qual foi o destino dos desaparecidos. Certa vez Videla disse (na condição de chefe de Estado) algo como: os desaparecidos não existiam, mas os militares não são mágicos, eles sabem onde fizeram com que desaparecessem.

Videla tampouco disse onde estão os arquivos. Enfim, há uma quantidade de perguntas que os familiares dos desaparecidos se fazem e sobre as quais ele não falou.

- Por quê Videla falou?

Não sei, não me atrevo a fazer nenhuma afirmação categórica, mas talvez isso faça parte de uma ofensiva da oposição ao governo, dentro e fora do país. Creio que há elementos pessoais e elementos políticos que se misturam. Digo que a entrevista possa fazer parte de tudo isso, ainda que essa não tenha sido a decisão consciente de Videla.

Também há traços de autojustificação, de autoapresentação, na qual ele se mostra como uma espécie de herói nacional, um herói que deveria ser reivindicado, adorado, ao invés de ter sido preso.

- Alguns jornalistas consideram inaceitável entrevistar um tirano. Outros entendem que todo e qualquer personagem relevante deve ser interrogado, sem concessões. Qual é sua opinião?

Entrevistá-lo não é nem bom nem ruim, o que me parece sim é que esta é uma entrevista na qual há muitas perguntas que brilham por sua ausência, que é uma entrevista absolutamente dirigida para a aceitação da impunidade dos criminosos do golpe, algo que o povo argentino não está disposto a aceitar.
Prestes a “completar 70 anos como fumante”, Gelman acende seu segundo cigarro ao abrir um novo capítulo na conversa e passar a perguntar sobre a atualidade brasileira e a Comissão da Verdade, com a curiosidade intensa de um repórter novato. Parece estar mais a vontade quando escuta do que quando fala.

Gelman se nega a opinar sobre a conjuntura brasileira e evita comentar a vigência da Lei de Anistia, decretada pelo ditador João Batista Figueiredo em 1979 e ratificada pelo Supremo Tribunal Federal há dois anos.

- A memória pode ser apagada por decreto?

Há 2.500 anos na Grécia de Péricles houve uma ditadura, a ditadura dos 400. Quando essa ditadura foi derrubada, obrigaram todos os cidadãos a jurar que não iriam recordar nada do que havia ocorrido, ou seja, estabeleceram o esquecimento por decreto.

Isso é impossível: por mais decretos que se queiram impor, não há esquecimento dos crimes cometidos pelas ditaduras. Os familiares sabem muito bem o que perderam e uma sociedade que diz que “é preciso não olhar para trás”, que “não se deve ter olhos nas costas”, “que não é o caso de abrir velhas feridas”, é uma sociedade que se equivoca.

Porque não está se falando de velhas feridas, mas sim de feridas abertas que latejam como um câncer no subsolo da memória e na medida em que não são fechadas com a verdade e com a Justiça, prejudicam toda possibilidade de que haja uma consciência cívica saudável.

- Ainda resta muito a ser investigado sobre o Plano Condor?

Creio que há muita coisa para ser investigada sobre o Plano Condor. Sabe-se quem desapareceu e não se sabe, em muitos casos, nem como, nem quando, e isso angustia os familiares. Uma coisa é imaginar o que aconteceu e outra é saber. Isso não evita a dor, mas aporta um conhecimento. Os casos da Operação Condor não esclarecidos são como uma verdade partida em dois: de um lado, as perguntas dos familiares, do outro, os militares que não deixam que se conheça o que aconteceu.

Vive-se uma situação na qual a verdade está dividida pela metade como uma melancia, compara o Premio Cervantes de Literatura.

Os jornais locais deram bastante cobertura à presença de Gelman na Primeira Bienal do Livro e da Leitura de Brasília. Ele foi uma das figuras centrais do evento, junto com o Nobel nigeriano Wole Soyinka, que falou sobre tolerância. 

A memória foi um dos assuntos tratados por Gelman que, além disso, leu poemas na abertura da Bienal brasiliense, que já aparece como um dos eventos literários mais politizados do país.

- Chegou a ler os jornais argentinos nestes últimos dias?

Outro dia fiquei rindo depois de ler no Wall Street Jornal um artigo sobre o caso Repsol, onde se dizia que o que o governo argentino fez é um roubo. É divertido, Parece que quem escreveu o artigo não foi informado sobre o que a Repsol roubou.

Isso se repete em outras publicações estrangeiras e é parte da reação de vários países como os Estados Unidos, a Espanha e a União Europeia. Na Espanha, vemos com um governo se converteu em defensor de uma empresa e como isso concretiza e dá substância á teoria de que, nesses países desenvolvidos, não é a política que maneja a economia, mas exatamente o contrário, é a economia quem manda.

Tradução: Katarina Peixoto

 

Nassif, 2012 já é um ano histórico.

Por mais que tentem, é risível o resultado.

Uma ginástica verbal que leva para um nó intelectual.

Melchíades testa os leitores da folha: serão iguais aos da veja? E os jornalistas desse imprensa empresarial, tudo farinha do mesmo saco?

Confiram.

Gustavo Cherubine. 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/38695-polos-magneticos.shtml

São Paulo, segunda-feira, 23 de abril de 2012

MELCHIADES FILHO

Polos magnéticos

BRASÍLIA - O desejo de retomar protagonismo no jogo político explica o empenho de Lula na instalação da CPI do Cachoeira. Não se trata apenas de "fígado", "sede de vingança" ou "sangue nos olhos".

Comentário: Lula nunca saiu do protagonismo político que sua história e os 08 anos de governo lhe deram. Junto com o PT, se prepara para avançar na região metropolitana de SP, eleger Haddad e coordenar a campanha para ganhar o governo do estado de SP em 2014.

Foi por determinação de Lula que a direção do PT exortou a militância a cobrar investigações sobre os negócios do contraventor e sua ligação com líderes da oposição. Partiu do ex-presidente, também, a ordem para o partido fechar apoio à CPI.

Comentário: E o Melchíades esperava qual comportamento? Um grupo de pessoas que quase atrapalharam o processo político de seu governo, que agora aparecem envolvidos em esquemas pesadíssimos, um governador tucano que precisa se explicar, qual o comportamento que o jornalista espera da militância petista ou de esquerda? Essa militância não precisa esperar por ordem algum num caso desses.

Há a intenção declarada de empastelar o mensalão -denunciar os crimes da gangue de Cachoeira como o "maior esquema de corrupção da história", para diminuir o impacto do julgamento do principal escândalo da era Lula. Mas não é só isso.

Comentário:  Essa é a tese, e aqui a folha vira veja e o melchíades, um policarpo.

O sucesso de Dilma Rousseff em boa medida se deveu ao esmaecimento da herança lulista -da "faxina" que extirpou ministros remanescentes à guinada da política monetária, da degola de líderes no Congresso às mexidas na Petrobras.

Comentário: Pois é, e a Dilma não tem nada a ver com o Lula e nem com o PT ou com a esquerda no Brasil...

A CPI interrompe a desconstrução. Emancipa Lula do papel secundário de cabo eleitoral de candidatos a prefeito, devolvendo-o a Brasília.

Comentário: Não entende nada do esforço paulista e metropolitano que o PT e o Lula estão realizando.

É sintomático que o ex-presidente faça articulações pró-CPI no hospital em que se recupera do câncer e cuide para entregar a relatoria da comissão ao PT paulista. Para ele, é ótimo que a teia de Cachoeira seja multipartidária: mais legendas terão de entrar na fila do beija-mão.

Em princípio, a CPI não interessa a Dilma. Ela planejava resgatar a "gerentona" -esquecida no primeiro ano e fazer um 2012 de realizações. O caso Cachoeira, contudo, monopolizará o noticiário. Em vez de discutir a queda de juros ou os novos projetos para a ciência, a imprensa se ocupará de fraudes e propinas.

Comentário: Como se a presidenta fosse esperar holofotes dessa imprensa, ficasse esperando noticiário a seu favor. Os jornalistas até hoje não pediram desculpas por defenderem a banca. Esse Melchíades é um policarpo.

Mas Dilma tem dois alentos. O brasileiro, a despeito de tanta confusão, ou por causa disso, gosta da presidente. E talvez não seja ruim ela ter como contraponto, na política, logo o padrinho e confidente. De um lado é PT, do outro também.

Comentário: Como brasileiro, não vejo nenhuma confusão, vejo um país e um povo amadurecendo, mesmo que a imprensa empresarial seja nanica, infantil e venal.

Gustavo Cherubine.

 

Gustavo Cherubine

domingo, 22 de abril de 2012

A falta de ética da revista Veja

Por Altamiro Borges - No Blog do Miro

Policarpo Jr., o editor da Veja que mantinha perigosas ligações com o mafioso Carlinhos Cachoeira, ainda pode dormir sossegado. É o que sugere o artigo do seu chefe, Eurípedes Alcântara, publicado no sítio da revista. O texto, que estranhamente não saiu na edição impressa, é um arrazoado teórico sobre a “ética no jornalismo”. Ele visa unicamente limpar a barra da Veja, acusada de se associar ao crime organizado.

O artigo serve como peça de defesa preventiva, já que alguns parlamentares que integram a CPI do Cachoeira anunciaram que pretendem convocar para depor o jornalista Policarpo Jr. e o capo da publicação, Roberto Civita. Sem citar o nome do mafioso, Eurípedes Alcântara insiste na tese de que o uso de fontes bandidas não caracteriza banditismo midiático.

Santos, corruptos e a mídia

O diretor de redação da Veja não revela o que o seu serviçal tratou, em mais de 200 telefonemas, com o chefe da quadrilha. De acordo com escutas telefônicas vazadas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira se jactou de contar os serviços da revista para desgastar e derrubar integrantes do governo Dilma visando beneficiar os seus negócios ilícitos.

Na prática, Eurípedes tenta justificar as ligações da revista com o crime organizado. Nesta relação promíscua, cabe tudo: o uso de grampos e vídeos ilegais, o “assassinato de reputações”, a propaganda disfarçada de negócios escusos, entre outras bandalheiras. “Entrevistar o Papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe”, argumenta o diretor da Veja.

Veja no banco de réus

O seu caradurismo é risível. “Veja nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público. Sempre que uma denúncia é publicada alguém ganha e alguém perde. Um ministro cai, e outro ministro sobe. Um grupo político é prejudicado, e outro grupo político é beneficiado. São consequências normais da divulgação de fatos verdadeiros”.

Nem ele próprio deve acreditar nestas bravatas. Quem conhece a sinistra história da revista Veja sabe muito bem que ela sempre defendeu interesses privados – e não públicos – e que sempre se comportou como partido político da direita. Ela não tem nada de isenta e nunca primou pela “ética jornalística”. Agora, Eurípedes “teoriza” temendo que a Veja seja chamada ao banco de réus!
Postado por Miro às

 

22 de Abril de 2012 - 6h58 - No Vermelho

Pepe Escobar: Velozes e Furiosos; a vingança dos sunitas

E o vencedor é... o Clube Contrarrevolucionário do Golfo (CCG), também conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). A festa de celebração coletiva acontece esse fim de semana no Grande Prêmio de Fórmula 1 do Barein – completa, com caixas de Moet e Ferraris zunindo. Veja a cena como um grupo de xeiques sunitas dizendo à “comunidade internacional”: nós vencemos; é ao nosso modo, ou caiam todos na ardente estrada do deserto.

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online

E como não comemorariam? As ondas indisciplinadas daquela perigosa Primavera Árabe jamais chegaram sequer perto de perturbar as águas plácidas do Golfo. A chegada do circo da Fórmula 1 dos Homens Brancos Velozes – uma espetacular operação de relações públicas – prova que o CCG é tão “normal” quanto qualquer príncipe árabe rodando por Monte Carlo com uma loura numa Ferrari 458.

Quem se preocupa por ativistas bareinitas terem escrito ao imperador da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, denunciando o estado de sítio no plácido reino da dinastia al-Khalifa, o morticínio, a tortura de manifestantes pró-democracia, os milhares ainda presos e a desconsideração total dos mais básicos direitos humanos? Os Homens Brancos Velozes nada têm a ver com isso.

Vingança!

Estrategicamente, o CCG foi inventado – com apoio essencial dos EUA – para defender aquelas pobres petromonarquias do Golfo contra os demônios de Saddam Hussein e dos Khomeinistas iranianos; os membros são Barein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Mas quando a revolta árabe de 2011 eclodiu no Norte da África – e em seguida alcançou o Golfo, no Barein, e gerou protestos até em Omã e na Arábia Saudita –, as petromonarquias viram pela frente demônio pior que qualquer outro jamais visto, que os deixou totalmente em pânico: a democracia. Era preciso proteger o status quo a qualquer custo.

O rei Hamad al-Khalifa, tecnicamente falando, solicitou a “ajuda” do CCG, para esmagar o movimento pró-democracia no Barein. De fato, a Casa de Saud já tinha planejada uma invasão pela ponte que liga a capital Manama à Arábia Saudita. A rotatória da Pérola em Manama – a Praça Tahrir do Barein – teve de ser literalmente posta abaixo pela ditadura al-Khalifa, para apagar qualquer memória física dos protestos.

Para o CCG e seu cão alfa, a Casa de Saud, o Barein fora “contido”; e os sauditas foram acalmados com propinas bilionárias. E abriram-se amplas possibilidades a partir do buraco negro geopolítico no Norte da África.

A Casa de Saud e o emir do Catar, Hamad al-Thani, operaram juntos e, desde então, não se largam – apesar dos recentes rumores de um golpe de estado contra o emir. O bombardeio “humanitário” da Líbia foi o clímax do abraço CCGOtan – com o Catar à frente, e a Casa de Saud, pode-se dizer, liderando da retaguarda.

Daí advieram dividendos fabulosos. Abdel Hakim Belhaj é hoje comandante militar de Trípoli; não é só ex-jihadista com laços com a Al-Qaida; também é íntimo da inteligência do Catar.

Hoje, Catar e Arábia Saudita repetem a mesma jogada geopolítica esperta na Síria: na ausência da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, armaram mercenários – inclusive jihadis e rebeldes-da-Otan transplantados da Líbia– forçando uma guerra civil. Ambos, a Casa de Saud e o Catar sabem que investir em incendiar divisões sectárias entre xiitas e sunitas sempre pega muito bem em Washington.

E há, de bônus, a maior penetração dos wahhabistas no norte da África – mediante o financiamento de islamistas na Tunísia e no Egito. O Catar ofereceu à Fraternidade Muçulmana US$ 10 bilhões de investimentos no Egito. E o Catar, de fato, controla hoje grande parte dos negócios de energia na Líbia – o que significa que lucrará lindamente com as exportações de gás para a Europa.

Doha pode ser vista como versão vastamente mais palatável que a medieval Riad – completada com arquitetura de ponta e “Qatar Foundation” impresso nas camisetas do FC Barcelona. O esperto emir está felicíssimo jogando para a torcida anglo-franco-norte-americana; e usa todas as variedades de golpes ocidentais no golpe mãe de todos os golpes, que é o redesenho, pelo ocidente, da geopolítica do Oriente Médio.

Em essência, pode-se chamar de “Velozes e furiosos: a vingança dos sunitas”. Do ponto de vista dos xeiques, estão vencendo uma guerra sectária contra os xiitas do Irã; os xiitas do Barein; o Hezbolá no Líbano; os alauitas na Síria; e estão na ofensiva contra o governo, de maioria xiita, de Bagdá.

Para os Homens Brancos Velozes, essas coisas não passam de arranca-rabos em terras bárbaras. Todos que compram ingresso para o Grande Prêmio do Barein ajudam a sustentar uma dinastia assassina, retrógrada, localmente impopular e sunita? Nada preocuparia menos os xeiques. Quer dizer: vamos todos nos divertir, nesse Grande Prêmio da Primavera Árabe afogada em sangue e champanhe.

Fonte: Redecastorphoto. Traduzido pelo coletivo Vila Vudu

 

Rogério Tuma

22.04.2012 13:30 - Carta Capital

Inteligência é genética?

Mutante. O gene precisa sofrer uma modificação para que resulte no aumento do cérebro. Foto: Istockphoto
Muitos estudos científicos tentam descobrir como e por que alguns são mais inteligentes que outros. Sem dúvida, inteligência que pode ser resumida simploriamente na capacidade de resolver problemas é constitucional, isto é, nasce com o indivíduo e com o tempo a experiência e o conhecimento aprimoram as soluções. Mas se nascemos com nossa inteligência determinada ela é necessariamente herdada?

A variabilidade de níveis de inteligência é tão grande que fica claro que dezenas ou centenas de genes interferem em nosso cociente de inteligência, o que torna difícil para os cientistas comprovar a teoria de que um determinado gene contribui para melhorar nosso QI. Cientistas americanos e ingleses concluíram o maior estudo genético na busca de um gene específico que poderia interferir na inteligência humana. Mais de 200 pesquisadores compararam a existência de uma mutação, isto é, uma mudança no código de um gene, o HMGA2, em mais de 21 mil indivíduos e comparam com o tamanho de partes do cérebro de cada um deles.

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Cúpula das Américas discute regulamentação das drogas

A descoberta foi que se esse gene, que antes era associado apenas à altura humana, sofrer uma modificação em seu DNA com a troca de uma molécula- e a timina ser substituída pela citosina, o cérebro do mutante sortudo será 3 centímetros cúbicos maior, e o resultado no teste de QI é que essas pessoas ganham, em média, 1,29 ponto a mais, se ambos os pais possuem a mutação o efeito no filho é aditivo com um aumento de 2,6 pontos no QI.

Esse resultado parece pouco expressivo porque a mudança foi pequena e os pesquisadores não conseguiram demonstrar se existe uma área específica que cresce mais que as outras, mas é o primeiro estudo que associa diretamente um único gene à inteligência humana.

E a escolha política também é genética? O Laboratório de Fisiologia Política da Universidade de Nebraska-Lincoln, -coordenado por um cientista político, -John Hib-bing, afirma com uma série de estudos que pelo menos ela é constitucional, isto é, nosso cérebro já nasce formado para nos tornarmos liberais ou conservadores.

De acordo com seus estudos, liberais e conservadores apresentam reações diferentes em situações que exigem respostas básicas e primitivas do ser humano, por exemplo, conservadores pró-militares apresentam reflexos mais rápidos quando são assustados com barulhos repentinos, e quando expostos a imagens ameaçadoras têm resposta de adrenalina mais intensa e olham mais rápido e por mais tempo essas -imagens. Conservadores são mais organizados nos locais onde vivem, enquanto os -liberais são mais tolerantes à bagunça.

O laboratório insiste também em encontrar diferenças anatômicas nos cérebros dos dois espécimes, em um estudo ficou demonstrado que conservadores possuem a amígdala direita maior. A amígdala é uma região profunda do cérebro e está relacionada às reações de medo e ameaça. Em contrapartida, os liberais possuem mais células no córtex do giro cingulado, que é responsável pela percepção do erro repetitivo e correção do comportamento para evitá-lo.

Segundo o cientista, as escolhas políticas são feitas muito mais por características de personalidade já adquiridas ao nascimento do que da reflexão de ideias, experiência e aprendizado. O doutor Hibbing acredita que conservadores nascem menos tolerantes a mudanças, mas são melhores líderes, trabalhadores e mais leais, enquanto que liberais são receptivos às novas experiências, adaptativos a mudanças, lidam melhor com incertezas e são bem mais flexíveis e têm apetite pela vida.

É só olharmos para os lados ou para o espelho que ficará claro que essas características não são binárias, e portanto não podemos colocar todos os humanos em apenas dois grupos de escolhas políticas, mas o que o autor tem como objetivo é pregar a tolerância de todos os lados, já que o discurso não muda a anatomia.

 

22/04/2012

Fim das utopias e ditadura dos mercados?

O tema da mesa de debate na Bienal do Livro em Brasília colocou dois temas conexos. O alegado fim das utopias abriria caminho para a ditadura dos mercados.

O fim das utopias se ancoraria no fim do campo socialista e na redução do mundo ao horizonte do capitalismo, segundo a visão de Fukuyama, para quem tudo o que existisse no mundo se daria no marco da democracia liberal e da economia capitalista de mercado.

A passagem de um mundo bipolar para um mundo unipolar sob hegemonia imperial norteamericana expressaria esse cenário sem lugar para as utopias. Todos e tudo teria que ser reciclado para esse universo. Além dos que se valeram da circunstância para se bandear diretamente para as hostes vencedoras da direita, outros se refugiaram no liberalismo, como se fosse a versão mais “civilizada” do capitalismo.

O fim da URSS e do campo socialista fez com que Cuba conseguisse sobreviver, mas numa situação de defensiva, buscando sobreviver e, posteriormente, buscando os caminhos da readequação.

Para os que abandonaram qualquer possibilidade de ruptura com o sistema dominante, se reinserindo no seio do capitalismo, as utopias teriam terminado. Trata-se de convencer os demais. Mas principalmente contar com que as contradições inerentes ao capitalismo não aflorem de maneira aguda, desmentindo previsões e esperanças.

O fim das utopias trouxe consigo o abandono da esfera pública, do Estado, da política, de toda forma de ação coletiva e a entrega ao mercado. Desembocou assim na centralidade deste, diante de um Estado mínimo que renunciava a regulamentar a economia, a garantir os direitos elementares dos trabalhadores, a proteger o mercado interno, a induzir as modalidades de investimento.

O neoliberalismo produz isso – a ditadura dos mercados, considerados “os melhores alocadores de recursos”, entregando-se à lei da oferta e da procura a definição da repartição dos recursos econômicos. A crise de 2008 e seu segundo ciclo em 2011 desmistificaram esse clichê e quem, como a Europa, busca remédios de mercado aos males do mercado, aprofunda e estende sua crise.

Nem por isso as utopias voltam mecanicamente. Suas possibilidades residem nos que resistem às politicas neoliberais e a América Latina é o território privilegiado da construção de alternativas ao neoliberalismo. Reagindo contra o recorde negativo de ser o território mais desigual do mundo, pela primeira vez contando com uma maioria de governos progressistas, o continente promove políticas que priorizam as questões sócias e atacando a desigualdade e a miséria.

A construção de sociedades de igualdade, de solidariedade, de cooperação, é a via das utopias na era neoliberal.

Postado por Emir Sader às 11:49

 

22 de Abril de 2012 - 8h35

Pablo Osoria Ramírez: A Otan e seus jogos de guerra no Ártico

Sob um pretexto, tropas da Otan permaneceram durante vários dias em território do norte da Noruega e Suécia, para efetuar seus jogos de guerra, denominados Exercise Cold Response 2012 (Exercício Resposta Fria). Nessas manobras, levadas a cabo em meados de março, intervieram mais de 16 mil militares, navios de guerra e a aviação dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França e dos Países Baixos, entre outras nações, até chegar a 14 integrantes da Aliança Atlântica.

Por Pablo Osoria Ramírez*

Segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o objetivo dos ensaios militares era o treinamento das ações em condições de conflito e de possíveis atos terroristas.

Terroristas no ártico?

Analistas duvidam sobre as verdadeiras motivações, já que no Ártico não existe nenhuma das duas preconcepções justificadas pela entidade militares.

Para o especialista russo em temas de segurança Igor Korotchenko, esta atividade militar deve ser considerada, exclusivamente, através do prisma do reforço da presença militar da Otan no Ártico.

Por sua vez, sustenta que está condicionada à futura repartição das riquezas naturais da região.

O especialista afirmou que a Organização busca "exibir seus músculos", junto ao afã de consolidar seus esforços geopolíticos e diplomáticos com o apoio no poderio bélico.

Por sua vez, Vladimir Evseiev, especialista de relações internacionais da Academia de Ciências da Rússia, adverte que "as operações se levam a cabo no território da Noruega e da Suécia, ou seja, a dois passos das fronteiras daquele estado euroasiático", agregou.

Esses exercícios, comenta o observador, poderiam fazer-se em território do Canadá, mas, pelo lugar eleito, para muitos poderiam ser considerados como uma provocação, refletiu.

Postura da Rússia

Em tal sentido, Korotchenko afirma que Moscou segue atenciosamente as sequências da atividade militar da aliança atlântica no Círculo Polar.

Recordou que, na atualidade, estão sendo criadas duas novas brigadas árticas na Rússia, as quais estarão dispostas a atuar com mobilidade na região, principalmente onde o requeiram os interesses do país, acrescentou.

A proposta do estado euroasiático radica em resolver por meios pacíficos os possíveis litígios territoriais, mediante um diálogo apoiado na diplomacia e não na força bélica.

O Kremlin opõe-se à militarização do Ártico e propõe converter a área em uma das plataformas chaves da cooperação econômica e científica dos países pré-árticos: Rússia, Canadá, Estados Unidos, Noruega e Dinamarca.

No entanto, as autoridades russas não renunciam à renovação planificada de seu potencial defensivo em diversas regiões, incluídos os mares nórdicos.

O tesouro do Ártico

De acordo com meios de imprensa europeus, no Ártico não há terroristas, mas enormes reservas de gás, petróleo, ouro e diamantes.

Também possui um grande potencial para desenvolver rotas marítimas e aéreas.

Os cientistas prognosticam que o aquecimento global e o conseguinte derretimento dos gelos colocariam a descoberto o tesouro do Oceano Glacial do Norte.

Segundo uma análise do canal radiofônico A voz da Rússia, essa perspectiva suscita já disputas entre os Estados que aspiram à plataforma continental do Ártico, inclusive entre nações membros da Otan.

O mais recente jogo de guerra da Aliança esteve encabeçado pelo porta-aviões britânico HMS Illustrious, base de oito helicópteros de combate e de uma tripulação de quase mil pessoas, incluídos os soldados das Forças Navais.

As manobras decorreram no meio de fortes ventos que baixavam a temperatura a menos 40 graus centígrados, condições que, segundo a própria Otan, chegaram a situar as operações em ponto morto em algumas oportunidades.

*Pablo Osoria Ramírez é Chefe da Redação Europa da Prensa Latina

 

Lula retoma comando da campanha do PT em SP
Dom, 22 de Abril de 2012 14:22

Cristiane Agostine | De São Paulo, no Valor

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou o comando da campanha do PT no Estado de São Paulo. Ontem, Lula reuniu-se com o presidente do diretório estadual do partido, deputado Edinho Silva, para se informar dos entraves da legenda no Estado, as alianças nas principais cidades e mapear onde os petistas têm chance de vencer na eleição deste ano. Por diversas vezes, o ex-presidente disse que "não vê a hora" de entrar na campanha eleitoral e prometeu participar em breve de eventos na capital e em Campinas.

O encontro, de cerca de uma hora, foi no Instituto Lula, na capital, no fim da tarde de ontem.

O presidente do IPEA e pré-candidato do PT em Campinas, Márcio Pochmann, também participou da reunião. O PT aposta na candidatura de Pochmann para tentar minimizar o desgaste enfrentado com a cassação, no ano passado, do prefeito eleito em 2004, Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), e do vice, Demétrio Vilagra (PT), suspeitos de praticar irregularidades na prefeitura. Dr. Hélio teve apoio de Lula e do ex-ministro José Dirceu.

No encontro, Lula se comprometeu a participar da campanha de Pochmann. Campinas, cidade considerada como prioridade pelo PT, é a terceira maior cidade de São Paulo, com Orçamento estimado em R$ 3,5 bilhões.

O ex-presidente disse que, se pudesse, entraria "amanhã" nas campanhas eleitorais, mas precisa de mais alguns dias para se recuperar do tratamento contra um câncer na laringe. No mês passado, exames indicaram a remissão total da doença. "[Lula] disse várias vezes que não vê a hora de entrar na campanha. Quer fazer logo atividades [eleitorais]", disse Edinho.

Lula deve mergulhar na pré-campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. No encontro, o ex-presidente disse que quer participar em breve de um novo evento público ao lado de Haddad. No sábado, dividiram um palanque em São Bernardo do Campo. Na ocasião, Lula reforçou a pré-candidatura do prefeito Luiz Marinho, que tenta a reeleição.

Haddad ainda é pouco conhecido na capital e registrou 3% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Neste mês, intensificou sua exposição em meios de comunicação e aumentou os eventos em bairros.

 

22 de Abril de 2012 - 7h24 - No Vermelho

Armando Boito: "As contradições tendem a se aguçar"

O professor Armando Boito acredita que o neoliberalismo representa uma ofensiva da burguesia contra os trabalhadores. Segundo ele, para a América Latina, representa uma ofensiva das economias imperialistas contra as economias dependentes. Para ele, o atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro colabora para tal acirramento. Em entrevista ao Brasil de Fato, Boito defende que as organizações revolucionárias devem participar criticamente da frente neodesenvolvimentista que governa o país.

O professor da Unicamp Armando Boito acredita que o neoliberalismo representa, em todo o mundo, uma ofensiva da burguesia contra os trabalhadores. Segundo ele, para nós da América Latina, representa uma ofensiva das economias imperialistas contra as economias dependentes latino-americanas. Para ele, o atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro colabora para tal acirramento
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Boito defende que as organizações revolucionárias devem participar criticamente da frente neodesenvolvimentista que governa o país.

Brasil de Fato: Como você avalia o atual modelo de desenvolvimento brasileiro?
Armando Boito: Eu penso que o modelo capitalista vigente no Brasil ainda é o modelo neoliberal, embora esse modelo tenha passado por um período de reforma. Essa reforma aparece na política econômica neodesenvolvimentista e nas políticas sociais da década de 2000. Explico. O neoliberalismo representa, em todo o mundo, uma ofensiva da burguesia contra os trabalhadores e, para nós da América Latina, representa, ademais, uma ofensiva das economias imperialistas contra as economias dependentes latino-americanas. Essa dupla ofensiva traduziu-se, como sabemos, em aumento do desemprego, no corte de direitos trabalhistas e sociais, na reconcentração da renda, nas privatizações, na hipertrofia da acumulação financeira, na abertura comercial e na desindustrialização forçada de países da América Latina. Pois bem, embora os governos Lula e, na sua sequência, o governo Dilma não tenham revertido essa dupla ofensiva e tampouco suprimido os seus principais resultados, esses governos moderaram os efeitos negativos do modelo capitalista neoliberal no que respeita às condições de vida da população trabalhadora e no que concerne à proteção do capitalismo brasileiro. A economia voltou a crescer, o emprego e o salário cresceram, o programa de privatização foi contido e, como podemos ver no presente momento, o governo Dilma se esforça por proteger a indústria interna da concorrência dos importados barateados pelo câmbio alto.

Embora o capitalismo neoliberal não tenha sido substituído por um modelo novo, voltado para as necessidades mais sentidas das massas trabalhadoras, podemos observar um contraste entre, de um lado, a situação brasileira e também de vários países latino-americano, e, de outro lado, a situação dos principais países da Europa. Enquanto assistimos a uma nova e forte ofensiva burguesa neoliberal na Inglaterra, na França, na Itália, em Portugal e em outros países europeus com seus governos majoritariamente neoliberais ortodoxos, na América Latina, onde prosperaram os governos de centro-esquerda e de esquerda, o que vemos são tentativas de moderar o capitalismo neoliberal (Brasil e Argentina) ou mesmo de substituir esse modelo (Bolívia, Venezuela). São respostas diferentes para a crise iniciada em 2008.

Como é que você caracteriza o neodesenvolvimentismo dos governos Lula e Dilma?

O neodesenvolvimentismo retoma a velha aspiração desenvolvimentista, mas o faz em condições históricas novas e com ambição menor. O neodesenvolvimentismo é o desenvolvimentismo possível dentro do modelo capitalista neoliberal. Vou destacar cinco diferenças importantes que o distinguem do desenvolvimentismo do período 1930-1980 e que o distinguem, especialmente, da fase em que o velho desenvolvimentismo esteve unido ao populismo entre 1930 e 1964.

O neodesenvolvimentismo, quando comparado ao desenvolvimentismo do século passado, a) apresenta taxas de crescimento econômico bem mais modestas; b) confere importância menor ao mercado interno, isto é, ao consumo das massas trabalhadoras do país; c) dispõe de menor capacidade de distribuir renda; d) aceita a antiga divisão internacional do trabalho, promovendo uma reativação, em condições históricas novas, da função primário-exportadora do capitalismo brasileiro; e) é dirigido politicamente por uma fração burguesa, a qual nós denominamos burguesia interna, que perdeu toda veleidade de agir como força antiimperialista. Todas essas cinco características, que se vinculam umas às outras, fazem do neodesenvolvimentismo um programa muito menos ambicioso que o seu predecessor e tais características advêm do fato de o neodesenvolvimentismo ser a política de desenvolvimento possível dentro dos limites dados pelo modelo capitalista neoliberal. As taxas menores de crescimento do PIB são as taxas possíveis para um Estado que, para poder rolar a dívida pública, aceita abrir mão do investimento; o papel de menor importância conferido ao mercado interno é decorrente do compromisso político em manter a abertura comercial; a reativação da função primário-exportadora é a opção de crescimento possível para uma política econômica que não pretende retomar as posições que o capital imperialista obteve no mercado nacional; todas as características anteriores desestimulam ou impedem uma política mais forte de distribuição de rendas.

Brasil de Fato: Do ponto de vista político, quais são as forças que sustentam esse modelo de desenvolvimento?
AB:O neodesenvolvimentismo é o programa de uma frente política integrada por classes e frações de classe muito heterogêneas, frente essa que sustentou os governos Lula da Silva e que, agora, sustenta o governo Dilma. Essa frente representa prioritariamente os interesses de um setor importante da burguesia brasileira que é a grande burguesia interna.

A burguesia não é uma classe homogênea, ela encontra-se dividida em frações cujos interesses de curto prazo diferem entre si em decorrência das situações distintas vividas pelas empresas no processo de acumulação capitalista (banco, indústria e comércio; grande capital, médio capital; exportação, importação etc.) e em decorrência do perfil da política econômica do Estado. A fração que denominamos grande burguesia interna brasileira é integrada por grandes empresas de variados setores da economia. O que unifica essas empresas é a reivindicação, motivada pela política econômica de abertura comercial e de desnacionalização da década de 1990, de proteção do Estado na concorrência que elas empreendem com o capital estrangeiro. Essa fração burguesa quer o investimento estrangeiro no país, mas pretende, ao mesmo tempo, preservar e ampliar as suas posições no capitalismo brasileiro – é por isso que a denominamos burguesia interna e não burguesia nacional que pode, essa última, assumir posições antiimperialistas. Vê-se que, ao contrário de uma ideia bastante corrente, a chamada “globalização” não fundiu a burguesia dos diferentes países numa suposta burguesia mundial.

Brasil de Fato: Mas essa grande burguesia interna ganhou com o neoliberalismo. É ela a força dirigente da fre:nte política neodesenvolvimentista?
AB:A grande burguesia interna brasileira também ganhou com o neoliberalismo ortodoxo da década de 1990. Teve ganhos com redução dos direitos trabalhistas e sociais, com o desemprego que dobrou o sindicalismo e, ponto importante, aumentou o seu patrimônio com a compra, a preço vil, de grandes empresas estatais. Porém, essa fração burguesa acumulou, nesse mesmo período, contradições com aspectos específicos do modelo capitalista neoliberal e passou a reivindicar proteção do Estado para não ser engolida pelo grande capital financeiro internacional – ou seja, passou a reivindicar justamente aquilo que a burguesia condena, em teoria, no seu discurso ideológico. A ascensão de Lula representou, acima de tudo, a ascensão dessa fração da burguesia em disputa com o grande capital financeiro internacional. A priorização dos interesses dessa fração do grande capital pelo Estado brasileiro aparece em inúmeros aspectos da política econômica dos governos Lula e Dilma. Aparece no abandono a frio da proposta da ALCA, na nova política de créditos do BNDES que visa à formação dos chamados “campeões nacionais” para diferentes setores da economia, na inversão da política de comércio exterior da era FHC, visando obter saldos crescentes na balança comercial, na legislação que prioriza as empresas instaladas no país para as compras do Estado e das empresas estatais, na nova política externa que visa fortalecer as relações Sul-Sul e, como estamos vendo neste momento, nas iniciativas do governo Dilma, visando proteger a indústria interna. Pois bem, a grande burguesia interna é a força dirigente da frente política neodesenvolvimentista, ou seja, é essa fração de classe que define os objetivos prioritários e os métodos de intervenção política da frente. O seu objetivo é o crescimento econômico com maior participação das empresas predominantemente nacionais e das empresas estrangeiras aqui radicadas, uma maior proteção do mercado interno e o apoio do Estado para a conquista de mercados externos para a exportação de mercadorias e serviços e também para a expansão dos investimentos das empresas brasileiras no exterior – construção civil, exploração mineral, siderurgia, bioenergia etc.

Brasil de Fato: E você entende que há uma aliança dessa burguesia com as classes populares?
AB: Não exatamente. Como já indiquei, é verdade que o programa neodesenvolvimentista contempla também, ainda que de maneira periférica ou pontual, alguns interesses das classes populares – operariado urbano, baixa classe média, campesinato e a massa empobrecida pelo desemprego e pelo subemprego. Porém, nós estamos utilizando a expressão frente política, e não aliança de classes, para caracterizar as relações que se estabelecem entre as diferentes classes e frações de classe que compõem as bases sociais do programa neodesenvolvimentista porque a unidade entre essas forças é um tanto frouxa e não se baseia em um programa político claro, que tivesse sido assumido, conscientemente, pelas organizações das diferentes classes e frações de classe que integram o campo neodesenvolvimentista. Às vezes e para alguns setores da frente desenvolvimentista as relações se aproximam daquilo que poderíamos denominar uma aliança de classes. Estamos vendo isso agora na ação conjunta das centrais sindicais e do grande empresariado industrial para pressionar o governo Dilma para que tome medidas de proteção à indústria instalada no país. Porém, no plano político e em geral não é assim que se dão as relações entre as forças que compõem o campo neodesenvolvimentista. É por isso que prefiro falar em frente e não em aliança de classes. Mas, tanto na frente quanto na aliança a base é algum tipo de convergência de interesses.

Brasil de Fato: Como é que os interesses populares são contemplados pelo neodesenvolvimentismo?
AB: Entre as classes populares, o crescimento econômico também é bem-vindo. Depois da “década perdida” do reinado tucano, o crescimento é o elemento que une essa frente. Porém, os trabalhadores querem crescimento com emprego de qualidade, com melhoria salarial, com distribuição de terra, enfim, querem que o crescimento favoreça as grandes massas. É nesse ponto que se instaura o conflito entre a força dirigente e as forças subordinadas dessa frente política.

Esse conflito, convém destacar, tem se mantido, contudo, no terreno da luta econômica. No terreno político, quando o neodesenvolvimentismo é ameaçado, as classes e frações de classe que compõem a frente, agem de maneira unitária – aconteceu isso na chamada “crise do mensalão” em 2005 e nas eleições presidenciais de 2006 e de 2010. Em todas essas conjunturas, a grande burguesia interna, por intermédio de suas principais associações, e as classes populares, por intermédio de partidos, movimentos e sindicatos, apoiaram Lula e Dilma contra a oposição dirigida pelo PSDB.

Brasil de Fato: Você entende que as direções dessas organizações populares teriam sido cooptadas pelo governo, como sugerem alguns observadores?
AB: Não, eu não aceito essa análise. Os trabalhadores tendem a apoiar a frente neodesenvolvimentista devido a melhorias reais que obtiveram no emprego, no salário, na política de assistência social (bolsa família, auxílio de prestação continuada) e, no caso dos pequenos proprietários rurais, no crédito agrícola. Tivemos uma recuperação do salário mínimo, embora esse ainda permaneça num patamar baixo quando comparado até com o dos principais países da América Latina. Tivemos, também, uma grande melhoria nas convenções e acordos coletivos de trabalho: ao contrário do que ocorria no início da década de 2000, quando cerca de 80% das negociações salariais resultavam em reajustes inferiores à inflação, nos últimos anos a situação se inverteu – mais de 80% das convenções e acordos estabelecem reajustes acima da taxa de inflação. As condições para a organização e para a luta sindical melhoraram muito. Temos tido aumento real de salários. Os governos Lula e Dilma promoveram também uma política de integração racial, favorecendo a população negra que é uma parte muito importante das classes trabalhadoras. Parte da classe média foi contemplada com a reabertura dos concursos públicos, com a expansão das universidades federais e com as bolsas e financiamentos para o ensino superior. É verdade, contudo, que há setores populares que não ganharam quase nada. Talvez o mais marginalizado pela política neodesenvolvimentista seja o campesinato sem-terra, pois os governos Lula e Dilma reduziram muito o ritmo das desapropriações. Porém, o apoio das direções de organizações populares, das centrais sindicais e de partidos de esquerda aos governos da frente neodesenvolvimentista não é, de maneira nenhuma, um apoio desprovido de base real, ao contrário do que sugere a noção de cooptação, e tampouco tal apoio contraria a aspiração da maior parte das bases sociais dessas organizações.

Brasil de Fato: Da maneira como você expôs, pode parecer que todas as classes sociais participam da frente política neodesenvolvimentista, que ela não teria inimigos na sociedade brasileira.
AB: Não é o que penso. A frente neodesenvolvimentista se bate contra o campo político neoliberal ortodoxo. Esse campo é formado pelo capital financeiro internacional, pela fração da burguesia brasileira perfeitamente integrada aos interesses desse capital e pela alta classe média, cujo padrão de vida se assemelha ao das camadas abastadas dos países centrais. A classe média é muito heterogênea e, como ocorre com a burguesia, também está dividida. A baixa classe média é, em grande parte, base eleitoral do PT, mas a votação dos candidatos do PSDB nos bairros de alta classe média indica claramente que essa última está com os tucanos. Pois bem, a força dirigente desse campo político neoliberal ortodoxo é o capital financeiro internacional e seu aliado interno, a fração burguesa a ele integrada. É o conflito entre a grande burguesia interna e essa burguesia integrada ao capital financeiro internacional, que são as forças dirigentes, respectivamente, do campo neodesenvolvimentista e do campo neoliberal ortodoxo, é esse conflito que se encontra na base da disputa partidária entre o PT e o PSDB.

Brasil de Fato: No que consiste, fundamentalmente, o programa do campo neoliberal ortodoxo?
AB: O programa do campo neoliberal ortodoxo é, fundamentalmente, composto pelo tripé: a) desregulamentação do mercado de trabalho, b) privatização e c) abertura comercial e financeira. Na década de 1990, o campo político neoliberal ortodoxo sustentou os governos Collor, Itamar e FHC e logrou atrair parte do movimento operário e da massa empobrecida. Basta lembrarmos, para o caso do movimento operário, o apoio da Força Sindical a Collor e a FHC e, no que concerne à massa empobrecida, o apelo de Fernando Collor, apelo que se revelou eficiente eleitoralmente, aos “descamisados”, convocando-os para uma luta contra os “marajás”. Na década de 2000, contudo, esses setores das classes populares foram ganhos pela frente neodesenvolvimentista, enfraquecendo eleitoralmente o campo político neoliberal ortodoxo. Esse campo, embora domine a grande imprensa e os meios de comunicação de massa, está eleitoralmente enfraquecido. Hoje, escondem o seu verdadeiro programa e agitam apenas a bandeira “anti-corrupção”. Não ousam mais, ao contrário do que fizeram na década de 1990, expor seus verdadeiros objetivos. Mas, ao que José Serra, Geraldo Alckimin e Aécio Neves realmente aspiram é implantar, no Brasil, uma nova onda de reformas neoliberais, à moda do que estamos vendo na Europa. Basta ver o que dizem os intelectuais e políticos tucanos para o seu próprio público. Nos fóruns e meios de comunicação mais restritos, eles pregam a retomada da reforma trabalhista, da reforma previdenciária e criticam a aproximação do Brasil com os governos de esquerda e de centro-esquerda da América Latina. Nos Estados em que são governo, como em São Paulo, deixam entrever, também, que pretendem recrudescer a repressão contra o movimento popular – a desocupação do bairro do Pinheirinhos em São José dos Campos mostrou isso. O grande capital financeiro e a fração “cosmopolita” da burguesia brasileira querem recuperar o terreno perdido no Estado brasileiro e a alta classe média tucana quer que as massas populares retornem “ao seu lugar”.

Brasil de Fato: Como você analisa as forças progressistas, de esquerda no atual cenário de desenvolvimento?
AB: A política brasileira contemporânea ainda está dividida entre, de um lado, as forças que defendem o modelo capitalista neoliberal na sua versão ortodoxa e propõem uma nova onda de reformas neoliberais e, de outro lado, as forças que apoiam a versão reformada desse mesmo modelo, versão essa criada pelo neodesenvolvimentismo dos governos Lula e Dilma. As classes populares, embora frustradas em muitas de suas reivindicações básicas, ainda dão apoio, sobretudo eleitoral, aos governos neodesenvolvimentistas. Os trabalhadores, com razão, veem nesses governos ganhos econômicos e políticos, sobretudo quando comparados aos governos do PSDB.

Eu já tive uma avaliação diferente dessa questão, mas, hoje, entendo que as organizações revolucionárias e populares devem participar da frente neodesenvolvimentista, embora devam fazê-lo criticamente. Devem participar porque tentar, no presente momento, implementar um programa independente, popular ou socialista, só pode levar ao isolamento político. A experiência da década de 2000 mostrou que em todos os terrenos – eleitoral, sindical ou da luta popular – as forças que tentaram esse caminho se isolaram ou, pior ainda, acabaram se aproximando, apesar de suas intenções, de forças conservadoras. Alguns descobriram, para a própria surpresa, que estavam recebendo apoios e aliados muito incômodos.

Brasil de Fato: Mas essas organizações poderiam alegar que quem integra a frente neodesenvolvimentista está aliado permanentemente a forças conservadoras.
AB:Se alegassem isso, estariam dizendo apenas parte da verdade. No Brasil, dentre os grandes partidos, há apenas dois que me parecem orgânicos: o PT e o PSDB. Representam interesses definidos e têm uma linha de atuação coerente. Porém, o pluripartidarismo brasileiro criou espaço para partidos que possuem, principalmente, uma função, digamos assim, governativa, e não uma função representativa. O maior deles é o PMDB. Esse partido apoia, dentro de certos limites, o governo do momento e o faz em troca de vantagens para seus políticos profissionais. Os limites são os seguintes: o PMDB não apoiaria um governo popular ou socialista e tampouco, pelo menos nas condições atuais, um governo fascista. Mas, no interior desse amplo espectro, eles podem apoiar qualquer governo. A sua base eleitoral está adaptada a esse governismo. Ela tem uma posição de centro, que aspira a governos estáveis, e que pode aceitar mudanças pontuais desde que ocorram sem abalar as instituições do regime político vigente. Pois bem, isso significa que o PMDB desempenha, hoje, uma função política distinta daquela que ele desempenhou quando ofereceu o seu apoio aos governos neoliberais ortodoxos. E o papel político é mais importante que o partido ou as pessoas. Ademais, na forma como eu vejo a participação na frente, participação que deve ser crítica, as forças populares e socialistas não estão desobrigadas de fazer a crítica a forças conservadoras que ocupam cargos no governo. As recentes substituições nos ministérios do governo Dilma mostram que a esquerda poderia ousar muito mais nessa matéria.

Brasil de Fato: Você ia, justamente, definir o que você entende por essa participação crítica.
AB: É isso. As organizações revolucionárias devem participar criticamente dessa frente, porque o seu programa atende apenas de modo marginal e muito restrito os interesses das classes populares.
Participar criticamente significa, em primeiro lugar, não abrir mão das bandeiras populares, mesmo que isso crie conflitos no interior da frente. Eu me refiro, é claro, à luta por melhoria salarial e por melhores condições de trabalho, isto é, para que os frutos do crescimento econômico sejam repartidos. Mas, não se trata apenas dessa luta. Dou alguns exemplos referentes a lutas que estão na ordem-do-dia. Independentemente da posição do governo, não podemos abrir mão da bandeira histórica da reforma agrária e da ocupação de terra. Na questão democrática, a luta pela punição dos torturadores do período da ditadura militar está novamente colocada, sejam quais forem a composição e as intenções da Comissão da Verdade. As manifestações recentes defronte as residências e empresas de conhecidos torturadores – os chamados escrachos – são muito importantes nesse sentido. O movimento popular deve, também, levantar a bandeira da independência nacional. Deve pressionar o governo brasileiro para que ele se coloque contra as sucessivas intervenções militares dos EUA e da OTAN nos países da África e da Ásia.

Em segundo lugar, a participação crítica na frente neodesenvolvimentista significa que é preciso fazer a crítica dos aspectos regressivos dessa política de desenvolvimento. A reprimarização da economia brasileira, a esterilização de um terço do orçamento da União para a rolagem da dívida pública, os prejuízos ambientais e muitos outros aspectos antinacionais e antipopulares do atual modelo devem ser criticados pelos setores populares que participam criticamente da frente. É preciso ter claro o seguinte. A grande burguesia interna depende do voto dos trabalhadores para manter os governos neodesenvolvimentistas e nem por isso essa burguesia abriu mão de lutar por seus interesses mesmo quando isso fere os interesses dos trabalhadores. As associações empresariais estão pressionando o governo para que esse reduza os gastos públicos – os gastos com os trabalhadores, mas não com a rolagem da dívida pública ou com os empréstimos subsidiados do BNDES, poderiam acrescentar – e para que efetue reformas que reduzam o custo do trabalho. Não serão, então, as organizações dos trabalhadores que irão abrir mão de seus objetivos específicos para ganharem nota de bom comportamento no interior desse “frentão”.

Eu penso – e esse não é um mero chavão – que as contradições tendem a se aguçar. A economia capitalista neoliberal está em crise na Europa. As forças populares não podem arriar suas bandeiras nem abrir mão da crítica, porque, caso contrário, poderão ser surpreendidas por uma eventual implosão da frente neodesenvolvimentista e se verem sem proposta própria para seguir em frente.

*Armando Boito Jr. é professor do Departamento de Ciência Política da Unicamp e Editor da revista Crítica Marxista. É autor dos livros Política neoliberal e sindicalismo no Brasil (São Paulo, Editora Xamã, 2002) e Estado, política e classes sociais (São Paulo, Editora Unesp, 2007).

 

Contradições do ativismo keynesiano brasileiro
Dom, 22 de Abril de 2012 14:25

André Nassif, no Valor

Não há dúvida de que a adoção da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (2004), da Política de Desenvolvimento Produtivo (2009) e do Plano Brasil Maior (2011) marcou a tentativa de resgate da política industrial no Brasil, depois de mais de uma década de difusão da ideia de que reformas econômicas liberalizantes per se seriam condição suficiente para restabelecer o desenvolvimento econômico brasileiro.

Apesar de repetida à exaustão a ideia da inexistência de argumentos para a defesa de políticas industriais setoriais na década de 1990, a verdade é que há uma abundante literatura teórica e empírica defendendo a tese contrária. O economista Dani Rodrik, de Harvard, procurou dar cabo à controvérsia utilizando a expressão "política industrial, não me perguntem por que, mas como", que pode ser interpretada em dois sentidos: primeiro, não basta apenas justificar a necessidade, mas é preciso contar com um diagnóstico preciso dos gargalos e setores prioritários, além de uma eficiente execução e acompanhamento dos resultados; segundo, a política industrial deve ser adotada nas instâncias micro, meso e macroeconômicas, que se encarregam de sua coordenação com as políticas tecnológica, de comércio exterior, monetária, fiscal e cambial.

Estudos apontam que valor do dólar adequado ao desenvolvimento deveria estar entre R$ 2,40 e R$ 2,90
Ainda que o atual governo venha fazendo um enorme esforço, por enquanto sem sucesso, para consolidar tal coordenação, desde 2004 o real tem mostrado tendência persistente de excessiva sobrevalorização. Embora a política monetária ultraexpansionista praticada nos países desenvolvidos em resposta à crise de 2008-2009 tenha agravado o problema do desalinhamento cambial no Brasil, convertendo a enorme liquidez internacional pré-crise no atual "tsunami monetário", o fato é que a questão cambial não é apenas um problema externo, mas principalmente doméstico.

Da mesma forma que os países ricos têm adotado medidas radicais para defender o crescimento e o emprego, nós também deveríamos encontrar meios igualmente radicais, se necessário, para deter o processo de semiestagnação que nos acompanha desde o início da década de 1980.

Dependendo dos conceitos utilizados para definir a taxa de câmbio real mais adequada para o desenvolvimento, os estudos empíricos apontam que o dólar deveria estar entre R$ 2,40 e R$ 2,90. Tamanho nível de desalinhamento cambial evidencia que os incentivos governamentais divulgados no início de abril, cujos impactos podem conceder apenas algum alívio temporário à indústria, não serão capazes de deter o processo em curso de desindustrialização no Brasil e muito menos assegurar taxas de crescimento significativamente superiores e sustentáveis no curto ou no longo prazo. Com efeito, os empresários sempre considerarão elevados os custos de oportunidade para ampliar os investimentos se observarem que as taxas de juros reais continuam muito superiores às internacionais e a moeda doméstica com tendência persistente à sobrevalorização.

Embora o problema cambial não seja recente, o Brasil tem sido fortemente afetado pelas expectativas negativas do cenário internacional adverso, que refreia a demanda privada por novos projetos, situação agravada pela avalanche de capitais externos de curto prazo que reafirmam a tendência à sobrevalorização. Os incentivos governamentais adotados no início do mês, por focarem basicamente o lado da oferta, só seriam efetivos para acelerar o crescimento se o contexto macroeconômico corrente fosse favorável à demanda privada orientada para projetos de investimento, de inovações e de exportações. Mas como o problema é de expectativas negativas e de fraca coordenação entre as políticas monetária, fiscal e cambial, a agenda prioritária deveria estar localizada na esfera da política macroeconômica, e não da política industrial.

O Banco Central (BC) tem procurado melhorar a coordenação com a Fazenda no sentido de reduzir as taxas de juros e reverter a convenção dos agentes com respeito às expectativas futuras das taxas de juros. A equipe econômica, por sua vez, tem tentado impor medidas ad hoc e homeopáticas de controle de capitais, mesmo sabendo que estas só podem impor um piso para a moeda brasileira apreciada, mas não são capazes de restaurar um nível de taxa de câmbio real pró-crescimento.

Embora autoridades do governo relembrem que possuem um arsenal bélico à disposição para deter o "tsunami monetário", é preciso sangue frio e coragem para dispará-lo. Afinal, dado o contexto de expectativas negativas e com um déficit em conta corrente projetado para cerca de US$ 69 bilhões em 2012 (em torno de 3% do PIB), dificilmente teremos uma saída organizada para o realinhamento cambial, com ou sem nova crise global.

Então, a agenda da política macroeconômica deveria priorizar dois alvos: primeiro, o fiscal, no sentido de reduzir temporariamente as metas de superávit primário, direcionando maior parcela do orçamento público para investimentos em infraestrutura (além dos já previstos para a Copa do Mundo e Olimpíada). Ainda que estes não tenham a pretensão de compensar a baixa taxa de investimento privado, poderiam induzir à decisão de investimento dos empresários por meio do efeito multiplicador de renda keynesiano e pela melhoria do estado de confiança futura, que impulsiona o animal spirits empresarial; e, segundo, o cambial. Neste caso, o arsenal bélico deve ser corajosamente ativado: adoção de "quarentena" de um ano a todo novo influxo de capital, seja de curto, médio ou longo prazo. Muitos poderiam afirmar que essa medida acarretaria forte depreciação da moeda brasileira e inflação.

No entanto, enquanto a depreciação do real seria a solução definitiva para realinhar os preços relativos em direção ao crescimento e ao aumento das exportações e aí, sim, tornar efetivas as medidas de política industrial já adotadas, não há qualquer razão teórica ou empírica para esperar que o efeito inflacionário decorrente seja permanente, desde que mantida a atuação do Banco Central no sentido de inverter a antiga convenção das expectativas inflacionárias. Se isso implicará a mudança ou mesmo a eliminação do regime de metas de inflação, as autoridades econômicas melhor dirão.

André Nassif é professor de economia internacional da Universidade Federal Fluminense e economista do BNDES

 

Vias abertas na América Latina
Dom, 22 de Abril de 2012 14:28

Diego Viana e César Felício | De São Paulo e de Cartagena, no Valor

Barack Obama beija Dilma Rousseff em Cartagena: "Washington já se deu conta de que o Brasil tornou-se peça importante no jogo global", diz David RothkopfNo fórum de 590 dirigentes de empresas que ocorreu de forma paralela ao encontro de chefes de Estado da Cúpula das Américas, em Cartagena, o papel que o Brasil desempenhou ficou claro: a presidente Dilma Rousseff dividiu o cenário do principal painel com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Sentado entre ambos, como se fosse um elo entre dois polos, estava o presidente anfitrião, o colombiano Juan Manuel Santos. Era a manhã do sábado, 14 de abril. Santos anunciaria na tarde do dia seguinte a entrada em vigor do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos.

A imagem ilustra a polaridade que se estabeleceu no continente a partir do início do século XXI. Entre o Peru e o México, com as exceções de Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua, os EUA ainda são a grande referência econômica. Quase todos os países nesta faixa estabeleceram tratados de livre comércio com os EUA. Santos, como anfitrião da Cúpula das Américas, esteve à frente desse bloco. O cone sul do continente e a Venezuela convergiram para o Mercosul, em que o discurso predominante é o de Dilma.

Talvez seja uma coincidência da diplomacia, mas a Cúpula ficou espremida entre duas visitas de Estado entre Brasil e EUA, cujos contatos estão mais frequentes do que nunca em tempos sem crise. Antes do encontro na Colômbia, Dilma Rousseff visitou Barack Obama em Washington. Em seguida à cúpula, Hillary Clinton tomou um avião para Brasília, onde declarou que "é difícil imaginar um Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] reformado sem a presença de um país como o Brasil". A declaração é um passo discreto na direção do apoio ao pleito brasileiro por um assento permanente no conselho.

O papel central exercido pelo Brasil nas reuniões de Cartagena está ancorado na sua participação crescente, e muitas vezes central, na economia dos vizinhos. "Hoje, quem está exposto a riscos na América Latina não são mais os EUA, mas o Brasil", diz Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. Portanto, "os investimentos fornecem instrumentos importantes para influenciar os caminhos da região, principalmente através dessa relação de dependência recíproca com os vizinhos".

"Hoje, quem está exposto a riscos na América Latina não são mais os Estados Unidos, mas o Brasil", diz Matías Spektor
Essa exposição é fruto dos investimentos importantes que o governo e as empresas brasileiras mantêm em outros países da região. A política do país está ancorada em um regime definido como "solidário" pelo Itamaraty, ou seja, orientado para se inserir nas economias vizinhas de acordo com suas necessidades: tecnologia de pesca para países caribenhos, mediação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias) na Colômbia, fornecimento de petróleo com segurança para o Chile.

Empresas de peso, públicas e privadas, têm presença forte no continente, como Vale e Petrobras. Também avançam companhias do setor financeiro - agências do banco Itaú estão espalhadas por Buenos Aires e Santiago do Chile -, e empreiteiras, como a Odebrecht, responsável pela modernização do porto de Mariel, em Cuba, e a OAS, que constrói uma estrada na Bolívia como parte do projeto de abrir uma conexão viária para o Oceano Pacífico.

A magnitude da presença brasileira no continente é descrita por Kellie Meiman, diretora-executiva na consultoria McLarty Associates, que foi diplomata no Brasil e em outros países do continente: "Ao visitar os países da América do Sul e Central, ouvia constantemente falar nas 'big americans', empresas americanas que dominavam a economia desses países. Agora, esse discurso teve de abrir espaço para um novo ator, as 'grandes empresas brasileiras".

O peso dos investimentos nos países vizinhos produz uma interdependência que, por sua vez, é um primeiro passo para a integração regional, ao torná-la necessária. A Petrobras é responsável por quase um quarto da arrecadação de impostos bolivianos, enquanto a energia que alimenta as indústrias do Sudeste brasileiro vem, em grande parte, da usina binacional de Itaipu, na divisa com o Paraguai. Uma crise em algum desses países, política ou econômica, poderia trazer riscos para a economia brasileira.

Nem sempre a interdependência é recebida com sorrisos pelos vizinhos. A construção de uma estrada em terras indígenas na Bolívia, com financiamento do BNDES, foi suspensa no ano passado pelo presidente do país, Evo Morales, acusado pela imprensa de ser um "títere do imperialismo brasileiro". Os protestos indígenas tiveram um impacto particularmente forte no país, porque Morales foi eleito como um representante da população indígena.

O presidente do México, Felipe Calderón: alfinetada no Brasil após mudança no regime automotivo binacional com seu país, que reduziu a importação de carros mexicanos

Também na Bolívia, as relações com a Petrobras são dúbias. Em 2006, o governo de Morales anunciou a nacionalização do gás boliviano e tropas do país chegaram a ocupar uma refinaria da Petrobras. No ano seguinte, duas refinarias foram compradas pela Bolívia, ainda no esforço de nacionalização. Foram momentos de crise, mas, como assinala o embaixador Antonio Simões, subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, não se chegou ao extremo de cortar o fornecimento de gás para o Brasil.

"Não teria sido do interesse deles interromper o fornecimento, vender para o Brasil é importante", diz o embaixador, usando o caso boliviano como exemplo para as vantagens de estreitar as relações com os vizinhos sem passar a impressão de se tratar de um comportamento de tipo imperialista. O temor boliviano, hoje, foi, desde a independência, expresso também por outros países, a começar pela Argentina.

A atuação diplomática do Brasil é considerada "muito sofisticada" por Riordan Roett, cientista político especializado em América Latina, professor da universidade Johns Hopkins e autor de "The New Brazil". A crise com a Bolívia foi resolvida com uma conversa entre Lula e Evo Morales em Brasília. Quando houve um desentendimento com Fernando Lugo, presidente do Paraguai, por causa da divisão da energia da usina de Itaipu, em 2009, a solução foi encontrada pelo mesmo método. "A maior preocupação dessa diplomacia é evitar ou minimizar danos", diz Roett.

Durante o governo de George W. Bush nos EUA, encerrado em 2009, a orientação da política externa americana foi de delegar ao Brasil a execução, ou ao menos a defesa, de algumas de suas bandeiras, particularmente a oposição às políticas bolivarianas de Hugo Chávez e o combate agressivo, militarizado, ao narcotráfico. "Condoleezza Rice [então secretária de Estado] veio ao Brasil para exigir que o Brasil 'fizesse alguma coisa' contra a Venezuela", diz Roett. "Brasília, já no governo Lula, foi muito sábia ao não seguir o que Washington preconizava."

"'Delegar' é uma curiosa escolha de palavras", afirma Julia Sweig, do "think tank" americano Council on Foreign Relations. "Na verdade, não consigo imaginar alguém em Brasília usando essa palavra para descrever as políticas que Washington tentava empurrar para cima do Brasil."

"Para alguém que trabalhou tanto com a América Latina, é uma pena que o continente não receba mais atenção dos EUA", diz Donna Hrinak
Ainda durante a gestão de Bush, ficou evidente que o Brasil não pretendia ocupar o espaço que Washington lhe oferecia de maneira tão categórica. Hoje, resta aos EUA reconhecer que o Brasil, em particular, e a América Latina, em geral, "já deixaram há muito tempo de ser seu quintal", como frisa Spektor.

"Em Washington, o governo já se deu conta de que o Brasil está em outro patamar, tornou-se uma peça importante no jogo global", diz David Rothkopf, presidente da consultoria internacional Garden Rothkopf. "Mas ainda não está agindo plenamente de acordo com isso."

Os sinais, segundo Rothkopf, são contraditórios. Por um lado, o Departamento de Estado, comandado por Hillary Clinton, designou Thomas Shannon para a embaixada em Brasília. Trata-se de um dos mais prestigiados diplomatas de seu país e um nome muito próximo a Hillary. Antes de assumir o cargo no Brasil, foi secretário-assistente para assuntos do Hemisfério Ocidental. Por outro lado, o tratamento oferecido ao Brasil continua inferior a seu prestígio e, principalmente, à atenção dispensada a outros países de importância semelhante, como a Índia e a China. Rothkopf ilustra essa discrepância citando o caso do acordo nuclear com o Irã, costurado por Brasil e Turquia em 2010. "Enquanto o Brasil foi criticado e punido, nenhuma palavra foi dita em relação à Turquia. A relação dos EUA com aquele país nunca esteve melhor", comenta.

Dentre os temas que opõem as duas maiores forças do continente, aquele que mais reverbera nos demais países é o do "tsunami monetário", como diz a presidente Dilma Rousseff. "Temos que tomar medidas para nos defender, e não nos proteger. É importante diferenciar defesa de protecionismo. Não podemos deixar nosso setor industrial ser canibalizado", disse Dilma aos empresários.

O excesso de liquidez atinge os países do continente de maneira desigual. O real tem o câmbio mais valorizado porque sua economia é a maior do continente. Como consequência, afirma Roett, Dilma tem o discurso mais vigoroso em defesa de políticas compensatórias e de proteção à indústria. Os demais países podem interpretar esse discurso como recusa à abertura do mercado, não só para os produtos industriais chineses, mas também aos capitais financeiros abundantes.

Roett não vê essas medidas como tendência para o longo prazo. As iniciativas de integração regional são mais fortes, a começar pela rodovia que liga o Brasil aos portos do Peru, a partir de Rio Branco e Porto Velho. Para evitar o risco de desindustrialização, assunto que está em pauta no Brasil atualmente, será necessário tomar medidas de mais longo prazo, como investimento em qualificação da mão de obra e reformas institucionais. "Tenho esperança de que isso aconteça, mas admito que não é uma esperança muito realista", diz Roett, citando as dificuldades do sistema político.

Cristina Kirchner em Cartagena: para presidente de consultoria internacional, a Argentina deve "entrar em crise muito em breve"

Na parte de cima da América Latina, pontifica o "laissez faire, laissez passer". "As coordenadas para o crescimento não estão no protecionismo, mas na abertura comercial, e não estão na expropriação de ativos, mas na garantia de livre empresa", afirmou o presidente mexicano Felipe Calderón, aplaudido de pé. O discurso era uma alfinetada diretamente dirigida ao Brasil, em resposta à mudança no regime automotivo binacional com o México no mês passado, que reduziu drasticamente a importação de carros vindos do país de Calderón.

O caso mexicano é particular e ilustra a dinâmica da economia latino-americana nas últimas duas décadas. Com a criação do Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte, na sigla em inglês), o país foi inundado de investimentos americanos - com destaque para as chamadas indústrias maquiadoras, que aproveitavam a eliminação das tarifas e os baixíssimos salários para montar produtos sem transferir tecnologia - e se tornou a principal economia do continente.

Já no século atual, com a ascensão da China, seguida da alta vertiginosa dos preços de produtos primários, a balança do continente passou a pesar a favor do Brasil. Os países cuja política econômica estava voltada para o mercado interno foram favorecidos, ao promover uma redistribuição da renda e uma alta dos salários. Até 2004, Brasil e México tinham PIBs em nível semelhante, mas, desde então, o produto brasileiro disparou, permitindo ao país a manifestação de ambições diplomáticas mais vistosas.

A ascensão do Brasil não foi bem recebida pelos mexicanos. O país investe numa oposição ativa contra a candidatura brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Na votação para a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), no ano passado, o México foi o único país latino-americano a não apoiar o candidato brasileiro, José Graziano, que acabou eleito.

No mês passado, os chefes de Estado dos países da Aliança do Pacífico, formada por México, Peru, Chile e Colômbia, se reuniram pela primeira vez em Santiago. O grupo, constituído pelos principais países do bloco mais ligado à economia americana - portanto, contrapostos à corrente inspirada em iniciativas como o Mercosul -, tem no México seu integrante mais entusiasmado.

Para Rothkopf, é normal que a ascensão internacional do Brasil provoque reações de preocupação - e de ciúmes - em alguns de seus vizinhos, notadamente aqueles que aspiravam a um destino semelhante. O México, em particular, tem sido uma barreira eficaz contra algumas pretensões do Brasil também junto ao governo americano, diz Rothkopf. Um dos motivos da lentidão no avanço do governo Obama para o reconhecimento do pleito brasileiro na ONU é a tentativa de evitar ferir os sentimentos mexicanos. "Será que as Filipinas têm ciúme da proeminência da China?", pergunta Rothkopf. "Será que o Canadá tem ciúmes dos EUA? Ninguém aqui fica cheio de dedos com os ciúmes do Canadá."

"Os EUA já perderam a influência que tinham no continente, isso é fato consumado", diz Julia Sweig, do Council on Foreign Relations americano
Roett acrescenta mais uma causa para a irritação mexicana com o Brasil. "O Itamaraty concentra seus esforços na integração da América do Sul", diz. Em 2000, foi feita a primeira reunião de presidentes sul-americanos. O México reclamou e acabou obtendo status de observador. Vicente Fox, presidente mexicano de 2000 a 2006, quis integrar o país ao Mercosul, mas foi rejeitado. "A proximidade com os EUA sempre incomodou a América do Sul, não só o Brasil."

Por outro lado, o Brasil tem uma situação melhor do que as demais potências ascendentes, no objetivo de conjugar a posição global e a local. Ao contrário da China, e principalmente da Índia, não tem conflitos históricos ou de fronteira com seus vizinhos. E, ao contrário da Alemanha que crescia na época de Otto von Bismarck, "há 140 anos que o Brasil não entra em guerra no continente", ressalta Rothkopf.

Roett cita o barão do Rio Banco, "essa figura adorável", para assinalar a tradição brasileira de trabalhar em conjunto com os vizinhos, em vez de escolher a via do confronto. "Ao contrário de vários outros países da América do Sul, o Brasil não tem quase nenhum conflito de fronteiras." O embaixador Simões segue na mesma linha de Roett. Entende que as eventuais desconfianças dos vizinhos quanto às verdadeiras intenções do Brasil são compreensíveis, mas equivocadas, e afirma que "o Brasil não quer ser rico, mas crescer com seus vizinhos".

Outrora a maior rival do Brasil no continente, hoje a principal parceira comercial e política abaixo do Rio Grande, a Argentina, na pessoa da presidente Cristina Kirchner, foi frustrada, na cúpula de Cartagena, em seu propósito de obter uma declaração conjunta sobre a disputa das ilhas Malvinas. Também muito distante do encontro dos empresários, Cristina voltou para Buenos Aires ainda na manhã de domingo para preparar a expropriação da petroleira YPF, até o momento de capital espanhol, no dia seguinte.

A única reação significativa à decisão de Cristina veio da Espanha, que ameaçou com retaliações e avaliou a parte da companhia que terá de vender em US$ 10,5 bilhões. Em perspectiva histórica, o pouco barulho é significativo. Há menos de uma década, uma decisão drástica como a da Argentina teria provocado uma reação em cadeia no continente, como nas crises políticas dos anos 1960 e 1970 e na montanha-russa financeira dos anos 1980 e 1990.

Já não é assim. "A Argentina está claramente isolada", diz Julia Sweig. "Os investidores sabem que o ambiente econômico e político do continente está sólido e estável." Para Rothkopf, "a Argentina só fez o que fez porque está sem dinheiro. Acredito que entrará em crise muito em breve".

Obama e outros líderes das Américas após posar para fotos em Cartagena: Equador foi o único a boicotar a cúpula em razão da ausência de Cuba dos debates, exigência americana

Do outro lado do panorama continental, os países que gravitam em torno dos EUA têm no baixo custo da mão de obra um de seus principais ativos e na violência urbana a principal debilidade. Jornais favoráveis ao governo colombiano festejavam os índices animadores do país, como a inflação de apenas 3,4% no ano passado e o crescimento de mais de 100% das exportações nos últimos cinco anos.

Mas também recordavam o desemprego persistente em 11,9% da população econômica ativa (no Brasil, de 5,7% em fevereiro) e um dos 20 salários médios mais baixos do mundo. Não é à toa que a principal reação contra os TLC nos Estados Unidos tenha partido da central sindical AFL-CIO, preocupada com a migração da mão de obra para países de salários mais baixos, que, graças a essa condição e aos acordos de livre comércio, exportariam produtos de menor preço para os EUA - com ganho certo em geração de postos de trabalho e divisas.

Se existe a divisão na economia, no âmbito político a equação é outra. "Caminhamos do Consenso de Washington para o consenso sem Washington", comentou, em Quito, o presidente do Equador, Rafael Correa, o único a boicotar a cúpula em razão da ausência de Cuba em Cartagena, uma exigência americana.

Nos debates a portas fechadas, os Estados Unidos ficaram "solos, solitos", ironizou o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, que representava o presidente Hugo Chávez, ausente por doença. A política interna é citada como principal entrave à atuação dos EUA no continente. "Para alguém que, como eu, trabalhou tanto com a América Latina, é uma pena que o continente não receba mais atenção dos EUA", diz Donna Hrinak. A ex-embaixadora no Brasil faz a ressalva, porém, de que uma das principais funções da diplomacia americana, hoje, é criar condições para a atuação do setor privado. "Mas o setor privado, adiantando-se aos diplomatas, "já busca intensamente maneiras de investir no continente, particularmente no Brasil."

Em ambos os lados do espectro político, a referência evocada é quase sempre a mesma: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Para Julia Sweig, "a América Latina deveria ser uma região importantíssima para os EUA". A explicação, paradoxal segundo ela, está justamente na tranquilidade e na solidez da região. A política externa americana se concentra em regiões de conflito e instabilidade que possam colocar em risco a segurança alimentar, energética e econômica do mundo. Trata-se de uma visão, segundo Kellie Meiman, baseada na "realpolitik": uma diplomacia baseada em preocupações práticas e imediatas. "Os EUA já perderam a influência que tinham no continente, isso é fato consumado", diz Sweig.

Maduro exagerou ao falar da solidão americana. Os Estados Unidos ficaram em companhia do nada tropical Canadá em sua intransigência em relação a Cuba, na resistência a discutir uma mudança na política antidrogas no Continente e na oposição a se debater a reivindicação argentina pelas Malvinas. E até Felipe Calderón, antes de chegar à Colômbia, passou por Cuba para se encontrar com Raúl Castro.

Neste "consenso sem Washington", a estrela de Hugo Chávez esmaece. A tendência é para o predomínio dos presidentes eleitos pela esquerda, mas com compromissos de manutenção de políticas econômicas favoráveis ao meio empresarial. É o caso de Dilma Rousseff, do peruano Ollanta Humala, do uruguaio José Mujica - cujo país acaba de subir no rating das agências de classificação de risco - e do salvadorenho Mauricio Funes.

O grupo começa a ganhar a adesão de uma geração eleita pela direita e interessada em políticas sociais. Estão no grupo o colombiano Santos, que promove uma reforma fundiária que beneficia as famílias de camponeses atingidas pelos grupos de extermínio, e o guatemalteco Otto Pérez, defensor de investimentos em saúde e educação no tratamento da violência urbana.

Hillary Clinton com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em Brasília: sinais de apoio ao pleito brasileiro por uma assento permanente em conselho da ONU

Em ambos os lados do espectro político, a referência evocada é quase sempre a mesma: o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Lula virou uma espécie de símbolo na região porque foi, nas palavras de Donna Hrinak, o primeiro a chamar para os próprios latino-americanos o peso da responsabilidade de resolver os problemas do continente. A transição política suave entre o governo do PSDB e o do PT também é citada como prova da maturação do continente, em paralelo com o controle continuado da inflação e a ênfase em políticas sociais.

Um elemento citado por diplomatas para explicar a transformação de Lula em "grife" na política continental é o sucesso em provocar a sensação, na população, de que a vida está melhorando de fato. Mesmo em países com grande sucesso econômico, como o Chile, o orgulho com a força financeira pode ser eclipsado pela ausência dessa sensação. O Chile sofreu com vastos protestos estudantis no ano passado e seu presidente, Sebastián Piñera, não goza de bons índices de popularidade.

Aproveitando a aproximação, primeiro da União Europeia e depois, principalmente, da China, esses países estão conseguindo conjugar a liberdade de mercado com a atenção a problemas sociais. A retórica inflamada de Hugo Chávez empalidece diante da capacidade que países como o Brasil e o Peru - em que a eleição de Humala, no ano passado, causou a mesma apreensão que a vitória de Lula em 2002 - têm demonstrado de produzir crescimento econômico com sucessos na área social, sempre com independência de políticas, mas sem bater de frente a cada momento com os EUA ou os mercados.

Para ser protagonista dessa nova tendência, falta a Dilma certos gestos de apelo popular, nos quais Lula sempre foi pródigo. Em Cartagena, a presidente não bebeu cerveja em uma boate, como a secretária de Estado Hillary Clinton. Jantou em um restaurante refinado da cidade colombiana e se retirou, sem acenar para turistas brasileiros. "O Piñera é mais simpático", lamentou uma paulistana a passeio. O presidente do Chile, apesar de não fazer parte do grupo que reivindica o legado de Lula, visitou comunidades carentes durante sua estadia na Colômbia.

 

A Copa no Brasil será um sucesso
Dom, 22 de Abril de 2012 14:31

Alberto Carlos Almeida | De São Paulo, no Valor

É interessante ver como pessoas inteligentes afirmam hoje que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil será um fracasso. O Brasil é o país do futebol. Como uma Copa do Mundo poderá ser um fracasso no país do futebol? O raciocínio é tão simples quanto óbvio: será que essas pessoas não se deram conta que é impossível que uma Copa do Mundo fracasse justamente no país do futebol?

Há pouco tempo, o secretário- geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jerome Valcke, deu um show de preconceito ao afirmar que o Brasil tinha que levar um chute no traseiro porque não estaria cuidando adequadamente dos preparativos para a Copa. Duvido que Valcke compreenda o Brasil. Exatamente por isso a afirmação foi inteiramente preconceituosa. Bem fez o Senado ao não querer recebê-lo, bem fez o senador Roberto Requião ao afirmar que os senadores não queriam conversar com o "porteiro" da Fifa. É preciso deixar claro para esses europeus preconceituosos que eles precisam compreender a diferença, que precisam entender que nem todos no mundo são europeus, muito menos nós, brasileiros.

Poderíamos também ser preconceituosos contra a Europa. Poderíamos afirmar: vamos dar um chute no traseiro da Europa, para eles aprenderem a não mergulhar em crises econômicas tal qual vivem hoje com, por exemplo, 50% de desemprego entre os jovens espanhóis. Vamos dar um chute no traseiro da Europa para que ela aprenda a não ter governos tão gastadores, com déficits públicos insustentáveis. Poderíamos ainda dar um chute no traseiro da Europa retroativamente, por conta das duas guerras mundiais e pelo extermínio de mais de seis milhões de judeus. Nada disso, não iremos fazer isso porque compreendemos os europeus, sabemos que eles gostam de um Estado de bem-estar-social bastante gastador e ineficiente, entendemos isso perfeitamente. Sabemos que franceses odeiam alemães, que odeiam ingleses, e assim por diante, e sabemos também que esse nacionalismo resultou, no passado, nas piores guerras que o mundo já viu. Entendemos isso perfeitamente, sem preconceitos. Sabemos também que os europeus só se pacificaram depois de muitas limpezas étnicas e que a última de grande magnitude ocorreu outro dia, na década de 1990, liderada por Slobodan Milosevic. Somos compreensivos e nem mesmo isso justifica uma declaração preconceituosa.

É fundamental que a Fifa compreenda o que é o Brasil. Mais do que isso, é preciso que muitos brasileiros que hoje afirmam que nossa Copa será um fracasso também passem a compreender o Brasil pelos parâmetros genuinamente brasileiros. Só assim eles vão perceber que a nossa Copa do Mundo será um grande sucesso.

Vamos fazer um exercício simples, vamos nos transportar para o ano da Copa: 2014. É possível que os enredos de todas as nossas escolas de samba, já em fevereiro, tratem da Copa do Mundo. Um pouco antes do Carnaval, o tema de nossos inúmeros réveillons a beira-mar, nos quais todos se vestem de branco (europeus passam o réveillon vestidos de preto) talvez seja o ano da Copa do Mundo. Carnaval e réveillon temáticos, sobre a Copa, só são possíveis no país do futebol. Também somente no país do futebol todas as empresas que fazem campanhas publicitárias para o consumidor final utilizam a Copa do Mundo como principal gancho de suas propagandas. Isso já está ocorrendo. O Itaú, um de nossos maiores bancos privados, já está com uma enorme campanha publicitária, cujos principais astros são a bola, o futebol e a paixão do brasileiro por ambos. Somente no país do futebol haverá concursos que premiarão, em centenas de cidades, as ruas e casas mais bem decoradas com bandeiras, pinturas e desenhos relacionados ao Brasil.

Toda a nossa mídia vau se concentrar em temas de fato relevantes para milhões de pessoas que vivem e habitam o país do futebol. Por exemplo, haverá no Brasil 32 seleções nacionais com suas inúmeras estrelas. Será preciso mostrar onde elas vão se hospedar. No Rio de Janeiro, feliz será a seleção que ficar em Búzios. Em São Paulo, o município de Itu já se candidatou para ser uma das concentrações. Em Pernambuco, é bem possível que Porto de Galinhas abrigue uma seleção. Em todos os lugares do Brasil, nós, brasileiros, temos lugares encantadores para acolher nossos convidados. Isso é parte do sucesso que será a Copa. Será preciso mostrar as instalações físicas onde ficarão as estrelas, o que os jogadores irão ter como cardápio (vamos adorar se nossos adversários comerem uma feijoada completa antes de nos enfrentarem), em que campo irão treinar etc. Cada deslocamento de cada seleção será televisionado ao vivo.

A Copa ocorrerá em junho. Isso significa que milhares de turistas que estiverem acompanhando os jogos no Nordeste terão a oportunidade de passar a noite de São João em Campina Grande, Caruaru, ou em qualquer outro município anônimo que sedia uma das festas mais populares do Brasil. Isso é parte do sucesso de nossa Copa. Seria muito apropriado apresentar a Valcke tanto o nosso Carnaval quanto nossas festas juninas. Não haverá um turista sequer, que, passando uma noite de São João no Nordeste, em plena Copa do Mundo, deixará de afirmar que se tratou de uma Copa do Mundo de sucesso. Isso os nossos críticos esquecem. Aliás, a grande maioria deles não conhece o São João nordestino.

Vagas em hotéis, também, não serão problema. Nas cidades litorâneas haverá a possibilidade de atracar navios que proverão os quartos adicionais necessários. Tanto no litoral quanto no interior os brasileiros farão um enorme esforço para acolher os visitantes e mostrar que somos um grande povo. Por isso as famílias vão alugar quartos em suas residências, tal como já vai acontecer agora na Rio + 20. Os turistas vão adorar ficar nas casas das famílias brasileiras. Muitos deles irão se apaixonar por nossas lindas mulheres (muito mais bonitas do que as europeias) e se tornarão tema das principais matérias de televisão que insistirem em não transmitir os melhores gols, o dia a dia das estrelas, as jogadas impossíveis etc. A propósito, nada mais agradável e útil será para um espanhol, em 2014, do que casar com uma brasileira: além de uma mulher bonita, ele provavelmente conseguirá seu primeiro emprego.

Todas as lojas, shoppings, restaurantes, botecos, casas comerciais estarão enfeitadas com as bandeiras dos países participantes. O estabelecimento comercial que não tem TV, até agora, passará a ter já em 2013 na Copa das Confederações. Os turistas aproveitarão os intervalos entre um jogo e outro para visitar a Rocinha, Foz do Iguaçu, Chapada Diamantina, Pomerode, Florianópolis, o Pelourinho, Recife Antigo, o Pantanal e um sem-número de atrações não europeias que temos por aqui. Os aeroportos funcionarão 24 horas por dia e os horários de voos serão alterados. Será ponto facultativo nos municípios que sediarem os jogos. Mesmo assim, o nosso PIB continuará maior do que o britânico e provavelmente ultrapassará o francês. Nós, brasileiros, somos flexíveis, muito mais do que os europeus: se não der para resolver com o plano A, ficamos satisfeitos com o plano B e até mesmo com o C.

Os europeus não são flexíveis, são extremamente rígidos. Por isso fizeram revoluções sangrentas e entraram em guerras bárbaras e por isso Valcke quis dar um chute no nosso traseiro (ele não faz ideia sobre o quão importante o traseiro é para todos aqui nos trópicos). Por isso acreditaram (e acreditam) em doutrinas. Nada disso acontece por aqui. Lula fez um superávit primário maior do que Fernando Henrique. Jamais a esquerda europeia foi tão pragmática. Isso não ocorre somente junto a nossa elite política, isso é generalizado, é algo de toda a sociedade.

Brasil é Brasil, Alemanha é Alemanha. Jamais teremos um evento com organização germânica. Jamais a Alemanha fez um evento com o acolhimento, a simpatia e a vibração brasileiras. Não se pode exigir as mesmas coisas de países diferentes e nem por isso um fará eventos de sucesso e outro fracassará. Em qualquer Copa do Mundo, todos os brasileiros param de trabalhar no momento em que o Brasil joga. Não é assim na Alemanha e é justamente isso, essa paixão de nossa sociedade pelo futebol, que assegurará o sucesso de nossa Copa do Mundo.

Estive na África do Sul com minha mulher e os dois filhos mais velhos. Não tenho más recordações. Foi bom ver até mesmo a seleção de Dunga. Fizemos um safári, visitamos o Museu do Apartheid, fomos ao Cabo da Boa Esperança e a Table Mountain, visitamos Soweto e conhecemos a casa onde Nelson Mandela morou. Voltaríamos lá hoje, mesmo sem a justificativa de um grande evento. Tudo isso é parte do sucesso da Copa na África do Sul.

Quem acha que a nossa Copa será um fracasso está olhando para uma suposta falha do Estado, do governo. Quem sabe que será um sucesso está olhando para a sociedade. No Brasil, é a sociedade que ama o futebol: por isso vai assegurar que jamais um evento relacionado ao esporte bretão fracasse. Acordem, críticos. Acorde, Fifa. A nossa Copa será um enorme sucesso. Respeitem-nos: isso aqui é Brasil. Somos o país do futebol tal como confirmam nossos cinco títulos mundiais e um sem-número de conquistas. Quanto ao nosso traseiro, Valcke deveria ter conhecido há tempo as nossas dançarinas do "É o Tchan" e tantas outras mulheres que devem parte de seu sucesso e ascensão social ao bumbum. Isso só ocorre em uma sociedade que, de fato, leva o traseiro a sério.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de "A Cabeça do Brasileiro" e "O Dedo na Ferida: Menos Imposto. Mais Consumo". E-mail: alberto.almeida@institutoanalise.comwww.twitter.com/albertocalmeida

 

Economista do Ipea: país precisa mudar modelo para poder adotar controle de capitais
Dom, 22 de Abril de 2012 15:00

Rogério Lessa, no Monitor Mercantil

Em discurso que fará neste sábado no comitê dirigente do FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dirá que o Brasil vai continuar intervindo nos mercados de câmbio e pode até recorrer a controles de capitais para conter o excesso de entrada de dólares no país. Ele pedirá reciprocidade ao FMI, que, segundo o ministro, endossou as políticas expansionistas dos países desenvolvidos e agora teria de fazer o mesmo em relação às medidas defensivas recentemente tomadas pelas economias emergentes.

"O governo vai continuar fazendo o que julgar necessário para conter os ingressos de capital excessivos e voláteis por meio de uma combinação de intervenção nos mercados de câmbio à vista e futuro, medidas macroprudenciais e controles de capital", diz Mantega no discurso encaminhado antecipadamente para a imprensa, sem especificar, no entanto, que tipos de controles de capital o governo pode adotar.

O ministro da Fazenda defende também que as medidas recessivas tomadas pelas economias avançadas, sobretudo a Alemanha, estão reduzindo o crescimento nas economias emergentes. Em outras palavras, pede que o governo alemão gaste mais.

Dependência

Na opinião do economista Miguel Bruno, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), o próprio FMI já admitiu o uso de controles de capitais em determinadas situações críticas. E, portanto, a adoção pelo Brasil não seria surpresa para aquele organismo internacional. Bruno, no entanto, observa que esse tipo de medida vai de encontro ao modelo de inserção internacional e ao arcabouço institucional escolhido pelo país. E qualquer mudança, mesmo necessária, deve ser feita de forma gradativa.

"O modelo de abertura financeira e câmbio flutuante aprofundou a dependência do país em relação a capitais estrangeiros e prejudicou os setores cuja produção é de maior valor agregado. Toda a sua arquitetura tem contradições. O mais prudente é entrar num período de transição que dê tempo aos agentes econômicos para acomodarem suas posições, mudarem o nível de alavancagem, a composição de ativos e passivos para operar em outro contexto macroeconômico e outro padrão de inserção internacional", defendeu Bruno, em entrevista exclusiva ao MM.

O ministro Mantega sempre se declarou contra a adoção de controles de capitais. É uma guinada radical?

O próprio FMI admitiu o uso desse recurso em determinadas situações críticas. Mantega admitiu que precisa monitorar o câmbio e vai tomar medidas para manter o dólar no melhor patamar possível. Quando se tem uma economia com um grau profundo de liberalização financeira, acaba-se provocando grande volatilidade na taxa de câmbio e dificultando outra variável relacionada: à taxa de juros. Este não é o caso só do Brasil.

Nos mercados financeiros globais, câmbio e juros viraram ativos, instrumentos de valorização financeira dos detentores de capital. Isso dificulta a utilização do câmbio como parte de uma política industrial coerente com o desenvolvimento da indústria. Nos países que mais crescem, o câmbio assume funcionalidade diferente. Na China, por exemplo, a taxa de câmbio não pode ser usada para especulação. Aqui, esse é uma espécie de calcanhar de Aquiles de nosso modelo.

Por que é tão difícil mudar o modelo?

Intervir no câmbio de maneira forte vai contrariar diversos interesses. Há carteiras que possuem derivativos cambiais. O governo não pode, numa canetada, desvalorizar o real porque o câmbio é flutuante e as forças do mercado atuam continuamente na taxa de juros e de câmbio. Isso gera uma série de problemas. Se o câmbio valoriza, vai prejudicar o setor exportador de bens de maior valor agregado. No casos das commodties, temos ganhos de produtividade e mercados lá fora que compensam a apreciação cambial, mas isso não é regra geral.

Os setores que precisam de uma taxa mais competitiva de câmbio saem perdendo. A declaração do ministro mostra que o governo reconhece isso e pretende tomar medidas, mas nosso modelo de inserção internacional converte o câmbio em ativo para investidores das altas finanças.

Se fizer isso, Mantega estará mudando nosso padrão de inserção?

Sim. E ele sabe que precisa de toda uma estratégia de convencimento dos organismos internacionais, sobretudo do FMI. Está mexendo com uma variável que já está na carteira de ativos de investidores nacionais e estrangeiros. Não é coisa que se possa fazer, a não ser que o país recorra a um período de transição. Estamos há muito tempo num padrão de inserção internacional que privilegiou a liberalização financeira. Os neoliberais acreditam que as duas dimensões (comercial e financeira) podem se ajudar mutuamente, mas como ter câmbio competitivo se a liberalização financeira o faz apreciar? É uma evidente contradição.

Mas a apreciação não beneficia o custo de produção?

Sim, mas pune na hora de exportar. Temos de buscar formas mais harmônicas entre as dimensões comercial e financeira. O Brasil precisa de uma taxa de câmbio que possa acomodar os interesses do mercado financeiro e a rentabilidade que a indústria precisa. Mas não dá para fazer de um dia para o outro. É uma questão estrutural. A economia já criou inércia, comportamentos regulares e a própria dinâmica das transações se forjou com base nesse tipo de inserção. Por isso, acho difícil que o Brasil tenha resolvido encarar uma mudança estrutural. Pois não há como mexer com o modelo de inserção que escolhemos a curto prazo. É uma variável política tem que refazer certas institucionalidades, especificidades, como a flutuação cambial com tendência à apreciação, que não contempla os interesses de todos os setores.

Há conseqüências também para as contas externas?

Além de ter essa funcionalidade, de ser instrumento de valorização de riquezas financeiras, a apreciação é funcional também na hora de remeter lucros. O grau de internacionalização das plantas industriais, que começou nos anos 90, atingiu um nível dramático.

As empresas querem remeter em dólar e com o câmbio apreciado facilita a compra. Existe toda uma constelação de interesses em prol da manutenção do atual regime cambial. O governo precisa de uma força de persuasão muito grande. Além da empresa estrangeira, há nacionais interessadas, sobretudo bancos, que captam lá fora, a juros baixos, e internalizam esse dinheiro para ganhar com a diferença dos taxas. Mas ao fazerem isso contraem dívida em dólar e uma desvalorização rápida gera problemas.

Então, toda a arquitetura do modelo tem contradições.

O modelo aprofundou a dependência em relação a capitais estrangeiros. No entanto, creio que a preocupação do ministro seja mais com o desempenho ruim da economia do que com o que vem lá de fora. A própria apreciação do câmbio aumenta o poder aquisitivo dos assalariados e o real apreciado permite viagens, consumo de importados. Existe até uma euforia no mercado de consumo de massa.

Por outro lado, a produção interna está sendo punida. Esse poder aquisitivo maior não verte benefícios para a estrutura produtiva interna. Estamos numa situação em que há coisas boas, mas também outras, que precisam ser revistas. Isso tem a ver com as contas externas. Enquanto não mudarmos as características institucionais, por exemplo, a regulação de câmbio e juros, teremos sempre que absorver capitais. Caso contrário, o balanço de pagamentos não fecha.

 


DAR PARA LER ISTO:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/38748-cachoeira-pode-proteger-aliados-na-cpi.shtml


Cachoeira pode proteger 'aliados' na CPI

Pessoas de confiança do empresário afirmam que ele não está disposto a fazer acusações contra congressistas

Demóstenes seria o principal poupado; gravações telefônicas mostram que senador já foi alvo de proteção

NATUZA NERY
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

Pivô da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que leva seu apelido, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deu sinais a pessoas de sua confiança de que não está disposto a fazer acusações contra seus aliados no Congresso quando for chamado a depor.

Segundo a Folha apurou, o empresário, preso há quase dois meses por suspeita de contravenção e corrupção, está disposto a poupar principalmente o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), suspeito de atuar no Congresso em favor de interesses de Cachoeira. A CPI deve ser instalada nesta semana.

O empresário não dá sinais de que vai jogar gasolina no escândalo. Segundo interlocutores, ele está calmo, a despeito das suspeitas publicadas nas últimas semanas, e não é uma "bomba-relógio".

O círculo de contatos de Cachoeira não descarta uma tentativa de recorrer à Justiça pelo direito de ele se manter calado em seu depoimento, usando o argumento de que não é obrigado a produzir provas contra si mesmo.

Essa futura proteção do empresário ao senador, se confirmada, encontra eco em gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo e obtidas pela Folha.

Nos telefonemas, Cachoeira aparece agindo para proteger Demóstenes de uma suspeita levantada pelo ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM) em entrevista à "Veja", em março de 2011.

Arruda disse que, quando estava no governo, Demóstenes lhe pediu para contratar uma empresa. Na época, o senador negou ter pedido.

Três semanas depois, Cachoeira telefonou para seu auxiliar, o terceiro sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, para que ele procurasse um policial civil do DF que teria contatos com Arruda para lhe mandar um recado urgente: "Ir lá no Arruda e fazer desmentir aquele negócio do nosso amigo. [...] Desmentir aquilo que ele falou, entendeu?"

Dadá indagou se estava se referindo ao "Gordinho", apelido que ele dá a Demóstenes, e Cachoeira confirmou que Demóstenes estava ao lado dele naquele momento.

"Fala para ele [Arruda] que ele [Demóstenes] tá puto com ele porque foi falar essa mentira aí. Vai bater em público se ver ele, viu?"

Dias depois, Dadá contou a Cachoeira que esteve com um contato que se comprometeu a ir até a casa de Arruda e dar o recado. Os telefonemas interceptados pela PF não deixam claro se Arruda recebeu o pedido. Procurado ontem, o ex-governador não foi localizado para comentar.

 

SEM ASSOCIAR A ISTO???????

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1079914-em-cpi-oposicao-quer-saber-se-cachoeira-financiou-campanha-de-lula-em-2002.shtml

 

EM CPI, OPOSIÇÃO QUER SABER SE CACHOEIRA FINANCIOU CAMPANHA DE LULA EM 2002

ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
ANDRÉIA SADI
DO PAINEL

Incentivador da CPI do Cachoeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode virar um dos focos da comissão de inquérito.

A oposição tirou da gaveta depoimento do advogado Rogério Buratti à CPI dos Bingos, em 2005, no qual ele diz que em parceria com "empresários dos jogos" do Rio de São Paulo, Carlinhos Cachoeira teria dado R$ 1 milhão de caixa dois para campanha de Lula em 2002.

Senador Demóstenes Torres negociou dívida pela Delta, diz PF
Temer diz que governo espera 'sobriedade' na condução da CPI
Perillo é citado como 'irmão' por aliado de Cachoeira

Cachoeira foi preso pela Polícia Federal por envolvimento com o jogo ilegal e seus negócios serão investigados por uma CPI no Congresso.

A comissão deve ser criada hoje e terá maioria governista, com votos suficientes para barrar os planos da oposição.

Diz o texto da CPI dos Bingos: "Rogério Tadeu Buratti afirmou de maneira firme e clara que o senhor Waldomiro Diniz, representando José Dirceu, arrecadou dinheiro de 'bingueiros' no Estado do Rio de Janeiro, e ainda da Gtech e do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que o valor arrecadado por Waldomiro seria algo em torno de R$ 1 milhão."

No total, segundo o relatório, "empresas de jogos" irrigaram "a campanha do presidente Lula e o PT" com R$ 2 milhões de reais. "Os recursos transitaram pelo comitê financeiro da campanha."

Buratti foi secretário do ex-ministro Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Waldomiro Diniz, citado por ele, era braço direito do então ministro José Dirceu, que coordenou a campanha de Lula em 2002.

O ex-senador Efraim Morais (DEM-PB), relator da CPI dos Bingos, disse que a investigação dessa denúncia não foi aprofundada na época porque houve uma manobra governista que impediu a quebra de sigilos bancários.

Assessor do ex-presidente Lula, Paulo Okamoto, disse à Folha que a oposição tem que convocar outro ex-ministro, José Dirceu, para explicar a declaração, e não o Lula. "Se o Buratti está dizendo que recebeu o dinheiro tem que chamar o Buratti, o Cachoeira, o Zé Dirceu."

"O Lula queria tanto a CPI que pode até ser sorteado com um depoimento para explicar o dinheiro do Cachoeira na sua campanha", afirmou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

"Teremos o vale a pena ver de novo. Se o propósito dessa CPI era atingir as oposições ou criar uma névoa sobre o julgamento do mensalão o tiro pode sair pela culatra", complementou o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE).

Buratti, que mora hoje na Itália, não foi localizado pela Folha. Ele foi investigado pela CPI dos Bingos devido a sua ligação com a Gtech, empresa que a CEF (Caixa Econômica Federal) tinha contrato para operar as loterias.

 

 

Muito bom, Costa!  Vai ser um golpe, digamos...  quase perfeito.  Quase...

Pessoalmente, so quero ver o que vai acontecer quando Cachoeira mentir na CPI e for desmentido pelos grampos.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

ufa! Ainda bem que você entendeu. Já estava deprimido pensando que só eu vejo "gente morta".

 

Lagarde diz que emergentes têm de se acostumar a moeda alta 

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, mandou um recado na manhã de hoje para os países dos BRIC --Brasil, Rússia, Índia e China: é preciso que os emergentes se acostumem a ter moeda forte.

A valorização das moedas nacionais frente ao dólar tem sido apontada pelo governo brasileiro como problema para a competitividade das exportações, e Brasília culpa os EUA e os países europeus por inundarem de crédito seus mercados.

Por outro lado, Washington critica Pequim por permitir apenas uma valorização muito lenta e gradual de sua moeda, o yuan.

"A Europa não é o único lugar onde é preciso agir. Os mercados emergentes também devem tratar de seus problemas", afirmou a número 1 do fundo em entrevista coletiva na véspera da reunião semestral da entidade em Washington.

Em uma aparente alusão à China, Lagarde disse que "alguns deles precisam focar na questão do crescimento _não apenas baseado em investimento, mas também em consumo, o que significa reformas profundas em casa".

"Outros mercados emergentes precisam ficar atentos aos fluxos de capitais, e administrá-los com as ferramentas macroprudenciais [políticas econômicas de prevenção] necessárias, ajustarem suas moedas da forma apropriada e aceitarem a evolução de suas moedas", completou, em uma mensagem para o Brasil.

Na quarta-feira, o economista José Viñals, responsável pela área de finanças e mercados no FMI, havia dito em entrevista à Folha que a valorização do real é natural, dada a atratividade do mercado brasileiro para os investidores estrangeiros, e que o governo em Brasília
deveria reconhecer isso e admitir a elevação paulatina da cotação.

SEM RECEITA ÚNICA

Lagarde insistiu também que os BRICs tratem de seus problemas de forma distintas, e destacou que não há solução comum a todos.

Aproveitou ainda para exortar esses países, que resistem, a contribuírem com a barreira de proteção anticrise que o fundo tenta levantar neste seu encontro.

"Os BRICs são um belo nome inventado pelo [banco de investimentos] Goldman Sachs, e a questão de ter uma abordagem específica para cada país também serve para eles. Eles têm problemas diferentes, questões distintas de moeda, fluxo de capital e projeto de crescimento", afirmou.

"O que eles têm em comum é seu apreço pelo multilateralismo, e espero que isso seja demonstrado por todos os seus membros."

O Brasil condiciona sua participação à implementação da reforma de cotas do fundo aprovada em 2010, que ampliará a parcela dos emergentes na instituição.
O processo, porém, está travado ante a falta de aprovação doméstica de alguns países-membros --notadamente os EUA, cujo Congresso reluta em votar a decisão.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1078373-lagarde-diz-que-emergentes-te...

 

do Blog da Redação - Reporter Brasil

 

recentesOIT publica textos em Guarani e Terena

Publicado em abril 20th, 2012 - Guarani-Kaiowá, Povos e Culturas 0 comentários

A Organização Internacional do Trabalhou (OIT) lançou nesta semana versões nas línguas indígenas guarani-kaiowá e terena da Convenção 169, acordo do qual o Brasil é signatário desde 2002. O conjunto de normas relativo a direitos de povos originários foi adotado no país a dez anos, mas não tem sido respeitado. O Brasil foi cobrado por isso em 2011 pela Comissão de Especialistas em Aplicação de Convênios e Recomendações, órgão independente de juristas dedicados a examinar a real efetivação de compromissos por parte dos Estados membros da OIT. Em março deste ano, o Governo Federal organizou um seminário para debater o tratado e iniciar procedimentos para sua regulamentação no que se refere a consultas aos povos indígenas e tribais.

A avaliação de organizações da sociedade civil que acompanham a questão é de que a falta de divulgação do texto tem prejudicado sua aplicação. O material traduzido, disponível em texto e áudio, foi apresentado durante o VIII Seminário Indígena do Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN), no Mato Grosso do Sul, na quarta-feira, dia 18. As versões digitais dos documentos estão disponíveis também no site da Repórter Brasil – clique nas imagens ao lado para baixar os arquivos em formato PDF.

As traduções foram feitas por meio de uma parceria que tem como base o Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas no Brasil. fruto da Cooperação Técnica Internacional entre Brasil e Espanha, por meio do Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

De acordo com informe da OIT, o “Programa Conjunto visa empoderar as comunidades  sobre seu direito humano à alimentação adequada e, neste sentido, o presente trabalho pretende contribuir para a ampla disseminação dos direitos dos povos indígenas previstos no sistema jurídico internacional da OIT, ratificado pelo Brasil”.

Clique aqui para baixar no site da OIT a versão em português a Convenção 169 (em formato PDF).

 

da Agência Brasil

 

Projeto da Unesco vai listar 100 lugares mais significativos da memória da escravidão no Brasil22/04/2012 - 17h44

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A relação dos 100 locais mais significativos da memória do tráfico negreiro e da história dos africanos escravizados no Brasil será apresentada na próxima quarta-feira (25), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, durante a quarta edição do Festival Internacional do Filme de Pesquisa sobre História e Memória da Escravidão Moderna.

Elaborada com base em uma pesquisa iniciada no ano passado, a lista é uma iniciativa do projeto Rota do Escravo: Resistência, Herança e Liberdade, criado em 1994 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Com uma programação de oito filmes, o festival é uma mostra itinerante realizada anualmente em mais de dez cidades, de três continentes. O evento é organizado por uma rede internacional de pesquisa, da qual fazem parte as universidades de York e Laval, do Canadá, a École de Hautes Études em Sciences Sociales e o Centre National de la Recherche Scientifique, da França, e o Laboratório de História Oral e Imagem, da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Brasil.

Um dos destaques da mostra, que tem curadoria das historiadoras Hebe Mattos e Martha Abreu, é o filme Os Escravos de Ontem, Democracia e Etnicidade no Benin, ganhador do prêmio do júri da edição festival realizada no ano passado no Museu do Quai Branly, em Paris. Também será lançada a caixa de DVDs Passados Presentes, com quatro filmes de pesquisa realizados com descendentes de escravizados das antigas áreas cafeeiras do Vale do Paraíba, no sul fluminense.

Convidado do evento, o fotógrafo e antropólogo Milton Guran, representante brasileiro no Comitê Científico do projeto Rota do Escravo, fará a apresentação dos locais de memória, escolhidos pelo laboratório da UFF a partir de contribuições não só de acadêmicos, mas também de representantes da sociedade civil vinculados às diversas manifestações da cultura afrobrasileira.

“São os portos de desembarque, os mercados de escravos, as irmandades fundadas por africanos no Brasil, que tiveram um papel fundamental no diálogo da massa escravizada com o poder político da época e na busca pela compra da liberdade, os quilombos e algumas manifestações culturais que foram efetivamente fundadas por africanos depois de chegarem ao Brasil”, explica Guran. “Não se trata de toda a cultura afrobrasileira, mas daqueles lugares que marcam a ação do tráfico e as estratégias iniciais daqueles africanos que chegaram ao Brasil”, esclarece o antropólogo.

De acordo com Guran, a intenção do projeto é que os lugares de memória sejam reconhecidos pelos seus respectivos municípios, com pelo menos uma placa sinalizando o local. “Nós consideramos como o mais emblemático lugar de memória do tráfico no Brasil e nas Américas o Cais do Valongo, na zona portuária do Rio. Lá, funcionou o maior porto de entrada de escravos africanos das Américas”, destaca.

Para o antropólogo, as obras de revitalização da zona portuária carioca, o chamado Porto Maravilha, vão proporcionar, pela primeira vez na história, a devida proteção aos locais de memória da escravidão. “O sítio arqueológico do Cais do Valongo vai ficar, após a conclusão das obras, no meio de um grande monumento em homenagem aos afrodescendentes do Brasil”.

Milton Guran espera que os locais da Rota do Escravo sirvam de estímulo para o turismo de memória. “A Unesco identificou, a nível planetário, um movimento importante, por parte dos afrodescendentes, de buscar as referências. E isto tende a aumentar, na medida em que hoje temos uma classe média de descendência africana bastante significativa. No Brasil nem tanto, mas nos Estados Unidos, onde as políticas afirmativas já existem há décadas, muitos afroamericanos preferem conhecer um lugar ligado à sua origem do que visitar Florença, Veneza ou Paris”, afirma.

Edição: Lana Cristina
 

 

do Blog Os Amigos do Presidente Lula

 

José Serra contratou a Delta para obras da propaganda milionária da SABESP http://www.consorciodelta-araguaia.com/programa.html

Quem não se lembra da propaganda milionária da SABESP na TV Globo, em rede nacional, apesar da empresa só abastecer água em São Paulo? Aconteceu quando José Serra (PSDB/SP) era governador e já candidato a presidente.

Pois grande parte daquelas obras da SABESP foram contratos com a Delta Construções.

O governo federal já fez (desde o governo Lula) e continua fazendo auditorias nos contrato com a empreiteira para sanar irregularidades e exigir dinheiro de volta aos cofres públicos, se e quando for o caso.

E o governador Geraldo Alckmin não vai fazer o mesmo em São Paulo? Ou vai ficar sóabafando a corrupção tucana na gestão de Serra, fazendo campanha para eleger Serra prefeito?

 

da Agencia Brasil

 

Pesquisa da UFF mostra que violência atinge 68% das escolas do Rio, Niterói e São Gonçalo22/04/2012 - 14h01

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), feita em 13 escolas públicas e particulares do Rio e 40 de Niterói e São Gonçalo, identificou a ocorrência de casos constantes de violência em 68% das instituições pesquisadas, sendo que em 85% delas não havia psicólogos. Maus-tratos, brigas entre colegas e conflitos com professores foram as ocorrências mais comuns.

Realizada entre 2010 e 2011, a pesquisa será apresentada amanhã (23) durante o 3º Ciclo Internacional de Conferências e Debates: Crises na Esfera Educativa - Violências, Políticas e o Papel do Pesquisador, na Faculdade de Educação da UFF, em Niterói. A pesquisa revelou que 53% dos entrevistados que disseram haver violência na escola apenas mencionaram existir algum tipo de violência, 11% disseram que a incidência de casos violentos é alta e 31%, que há violência, mas que é baixa.

A coordenadora da pesquisa, Marília Etienne Arreguy, doutora em saúde coletiva e professora de psicologia do Departamento de Fundamentos Pedagógicos da Faculdade de Educação da UFF ressaltou que, a partir dos dados qualitativos, que considera os mais relevantes, é possível identificar que, mesmo nas instituições em que o nível de violência é relatado como baixo, informações dadas pelos próprios entrevistados contradizem a afirmativa. “Houve entrevistados que disseram que a violência era baixa e que o camburão da polícia só passava na escola de vez em quando”.

Dentre as instituições pesquisadas, 45% eram estaduais, 35% municipais, 3% federais e 17% particulares. A pesquisadora lamentou a ausência de profissionais de psicologia e de assistência social dentro das escolas, sobretudo nas públicas, e concluiu que a violência crescente nessas instituições de ensino é acentuada pela falta de apoio aos alunos, na sua maioria, pobres. “Alguns funcionários riram quando perguntados se havia psicólogos nas escolas e respondiam que, se faltava professor, ainda mais psicólogos. Apenas uma escola pública, no Rio, tinha um contingente minimamente razoável de psicólogos”.

Segundo Marília Arreguy, a maioria dos alunos considerados violentos é encaminhada para o serviço público de saúde e muitos parentes acabam não levando os filhos para a consulta com um psicólogo, por variados motivos, como falta de meios para pagar a condução, falta de tempo, por preconceito, filas de espera enormes para atendimento, falta de profissionais, entre outros.

“A violência é fundamentalmente social, contextual e humana. Essa agressividade inerente ao humano precisa ser trabalhada nas escolas para que ela não se transforme em violência e ajude o aluno a viver melhor. Esse trabalho não está sendo feito ou está sendo feito de modo ineficiente. Essas crianças estão sem assistência e acabam, muitas vezes, sendo medicadas, como se esse fosse apenas um problema do indivíduo”.

A educadora criticou as linhas de pesquisa e projetos “estigmatizantes” que focam na identificação de crianças que sofrem bullying ou têm perfil violento. “Claro que existem crianças e jovens com mais dificuldade na relação intersubjetiva, mas o problema é mais amplo, é uma questão da sociedade. A violência está sempre ligada à relação de poder, de subjugação de um sujeito em relação ao outro, ou mesmo é decorrente de formas de opressão institucionalizadas”.

O estudo mostra também que 73% dos profissionais entrevistados disseram ser a favor da ajuda de um psicólogo atuando em auxílio à educação. Muitos professores disseram ter sido agredidos e ameaçados por alunos.

“Precisamos de recursos públicos, concursos, mais psicólogos e assistentes sociais nas escolas, professor bem pago e trabalhando com satisfação”, observou Marília Arreguy. Segundo ela, na cidade do Rio, a situação é um pouco melhor que em Niterói e São Gonçalo, já que, na capital, existe contingente de psicólogos atuando nas coordenadorias regionais de educação.

Edição: Lana Cristina

 

 

da Agencia Brasil

 

Ministro diz que saída da Delta do consórcio do Maracanã não vai atrasar a obra21/04/2012 - 15h53

Thais Leitão e Carolina Gonçalves
Repórteres da Agência Brasil

Rio de Janeiro e Brasília - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse hoje (21) que as obras do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro, não serão prejudicadas pela saída da Delta Construções do consórcio responsável pela reforma. O Maracanã vai ser o palco da partida final da Copa do Mundo de 2014. Segundo informou a assessoria de imprensa do ministério, Aldo Rebelo, que está no interior de São paulo, reafirmou a confiança de que as obras do estádio carioca serão entregues no prazo previsto, fevereiro de 2013.

A informação sobre a saída da Delta do consórcio que está tocando a reforma do Maracanã consta de reportagem do jornal O Globo, publicada na edição deste sábado (21). A Delta detém 30% do capital do consórcio e tem como sócias as empreiteiras Odebrecht Infraestrutura (49%) e Andrade Gutierrez (21%). De acordo com o diário carioca, a Delta enfrenta dificuldades para conseguir crédito por causa do envolvimento da construtora com o empresário goiano Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais. A participação da Delta no consórcio, segundo o jornal, será comprada pelos dois sócios.

A assessoria de imprensa da Delta não confirmou a informação. Se limitou a informar, por meio de nota, que, “conforme código de conduta entre as empresas do Consórcio Maracanã Rio 2014, apenas o próprio consórcio se posiciona sobre todos os assuntos pertinentes a ele”. O consórcio informou, por sua vez, por meio da assessoria de imprensa, que também não se manifestaria sobre o caso porque o governo do estado do Rio ainda não foi comunicado oficialmente da saída da Delta.

Na semana passada, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que, até o fim de abril, a reforma do estádio completará metade do trabalho previsto. Quando a reforma, orçada em R$ 850 milhões,  for concluída, o torcedor vai encontrar um estádio bastante diferente. Além da modernização da infraestrutura e dos equipamentos, o campo de futebol será reduzido, as arquibancadas seguirão até a beira do gramado e a cobertura protegerá todos os espectadores da chuva. Tudo para atender às exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Edição: Vinicius Doria

 

do Blog Os amigos do Presidente Lula

 

A voz de Dilma sobre a CPI do Cachoeira, sem deturpação, nem boatos 

Em entrevista coletiva no dia 20/04/2012, a Presidenta Dilma falou o que pensa sobre a CPI do Cachoeira sem deturpações, nem boatos.

Nos dias anteriores, os jornais e TV's inventaram boatos de que Dilma estaria contra, ou no mínimo receosa, quanto a CPI.

A falsidade da notícia ficou comprovada quando a maioria dos parlamentares da base governista assinaram em peso a favor da CPI.

A velha imprensa tem medo da CPI porque Carlinhos Cachoeira montou um dispositivo de arapongagem clandestina que abasteceu jornalistas com denuncismos. Algumas denúncias tinham fundamento, mas muitas outras não passavam de chantagem e conspiração para derrubar pessoas de seus cargos, por não atender aos interesses da suposta máfia.

Outro objetivo dos mafiosos era interferir na eleição de políticos aliados ao esquema Cachoeira.

A CPI poderá esclarecer o grau de envolvimento com o bicheiro de jornalistas, empresários, inclusive donos de Revistas, Jornais e TV's, políticos, magistrados e até procuradores de justiça.

O povo brasileiro quer uma imprensa que fale a verdade, em vez de funcionar como cabo eleitoral de partidos e que preste serviços à corrupção de grupos mafiosos.

A velha imprensa de papel e TV's está 'bichada' (com trocadilho, por favor). A nova imprensa, vista em blogs da internet e redes sociais tem desmascarado as farsas, e levado ao conhecimento público as notícias que a velha imprensa esconde.


Transcrição da entrevista:


Presidenta: Não interfere em assuntos internos de outros países. De maneira alguma, nós interferiremos. Emitiremos posições, ou faremos juízos de valor. Jornalista: Há a preocupação de que isso possa refletir no Brasil?Jornalista: Em relação à CPI, (incompreensível) da senhora com a CPI?Presidenta: Vou insistir nesse aspecto: não me manifesto sobre esse assunto.Jornalista: A Petrobras...Jornalista: Em relação à CPI... em relação à CPI, a senhora poderia dar um recado? Porque começam semana que vem os trabalhos, seria importante a senhora se posicionar.Presidenta: A CPI é algo afeto ao Congresso. O governo federal terá uma posição absolutamente de respeito ao Congresso nessa área.Jornalista: Mas não é necessária, Presidente?Jornalista: A Presidente da Argentina pediu ajuda para a Petrobras. A Petrobras pode ajudar, isso não é (incompreensível)?Presidenta: Eu não tenho conhecimento desse pedido de ajuda. Quando eu tiver, eu me manifesto. A hora que a Petrobras me disser quais são os termos do pedido, eu me manifesto. Agora, o Brasil sempre foi um país que nunca se negou a ajudar quem quer que seja. Agora, depende do que é o pedido.Jornalista: A CPI é necessária neste momento de (incompreensível)? O que a senhora (incompreensível)?Presidenta: Ah, vocês acreditam mesmo que eu vou me manifestar, além das minhas múltiplas atividades que eu tenho de lidar todo dia, eu vou me interferir na questão de outro Poder? Acho que todas as coisas têm de ser apuradas, mas não me manifesto sobre a CPI. Eu tenho uma posição em relação ao governo, que vocês conhecem. E eu não me manifesto sobre outro Poder, mas de maneira alguma.Jornalista: A redução dos juros dos bancos já foi suficiente ou a senhora espera mais?Presidenta: Tânia, essa é uma área que eu posso me manifestar. Eu acredito, como eu já disse, que o Brasil tem de buscar um patamar de juros similar ao praticado internacionalmente.Tecnicamente, fica muito difícil o Brasil, diante do que ocorre no mundo, justificarspreads tão elevados. Então, eu acredito que isso será um processo de amadurecimento do país, que vai nos encaminhar, progressivamente, para nós termos juros mais condizentes com a nossa realidade também.Porque nós não somos um país qualquer. Nós somos, hoje, um país, que é reconhecidamente um país com uma situação econômica de estabilidade, de respeito. Nós somos um país que temos absoluto respeito aos nossos princípios macroeconômicos, de controle de inflação, de robustez fiscal, relação dívida-PIB. Temos uma situação muito especial em relação às economias emergentes. Estamos caminhando para taxas maiores de crescimento.Então, os juros também vão refletir, cada vez mais, essa realidade de maturação. Eu já disse, em uma cerimônia, que não entendo os fundamentos técnicos de certo nível de spread. Vou ficar olhando, eu vou ficar, eu acompanho a situação econômica do país todos os santos dias. Então, eu vou continuar olhando para toda a situação, para ver se a inflação aumenta, para ver se os preços estão sob controle, para ver como está a situação do valor das commodities, para olhar a taxa de câmbio do nosso país e dos demais. Esse acompanhamento, você pode ter certeza de que eu fazer sistematicamente. Vou olhar também juros.   Jornalista: A senhora acha que a taxa de spread...Presidenta: Aliás, eu tenho olhado.Jornalista: A senhora acha que a taxa de spread é considerada (incompreensível)?Jornalista: A senhora acha que a taxa de câmbio já chegou em um bom nível?Presidenta: Se alguém te der essa resposta, você me apresenta, que eu vou indicá-lo para Nobel.

 

Do Conversa Afiada

 

CPI vai desmanchar o “espetáculo” da Globo Publicado em 22/04/2012 

Gray, Sader, o ansioso blogueiro e Safatle elogiam a Veja (Foto: Geórgia Pinheiro)

 


O ansioso blogueiro teve o grande prazer de moderar um debate entre Vladimir Safatle, Emir Sader e John Gray na Bienal do Livro de Brasília, na semana que passou.

Diante de uma plateia de 400 jovens, o ansioso blogueiro não perdeu a oportunidade de relembrar que a CPI da Veja e do Globo vai mostrar uma face até então oculta do PiG (*) brasileiro: a comunhão com o crime organizado.

Ou seja, a conexão Demóstenes, Cachoeira, Veja e Globo.

O ansioso blogueiro foi muito aplaudido – sem falsa modéstia – quando assegurou que a Globo transforma em Chanel # 5 o detrito sólido de maré baixa que a Veja expele.

John Gray, autor do clássico “O Falso Despertar”, que, em 1998, previu a falência do neolibelismo (**), lembrou, então, em Brasília, que, um dia, se encontrou com o principal executivo da empresa de televisão do Berlusconi na Itália.

Berlusconi estava no auge do poder.

E se sustentava no global alcance do controle da mídia italiana.

(Tinha tanto poder que botou a TV Montecarlo da Globo para correr da Itália.)

Gray perguntou ao executivo berlusconiano: o que que ele queria fazer com tanto poder ?

A resposta foi imediata: realizar a “sociedade do espetáculo” do Guy Debord.

“The Society of the Spectacle”, de 1967, do francês Debord, é a condenação mais impiedosa “de toda a vida nas sociedades em que prevalecem as modernas condições (neolibelês (**)) de produção e que se apresenta como a acumulação de ‘espetáculos’.

“Espetáculos” que apresentam uma visão parcial da sociedade como se fosse um pseudo-mundo-à-parte em que o engano engana a si mesmo.

O “espetáculo” oferece uma concreta inversão da vida, como um movimento autônomo de não-vida.

En todas as suas manifestações específicas – no noticiário, na propaganda ou no próprio consumo do entretenimento – o “espetáculo” contém, reúne a vigente estrutura social.

O “espetáculo” cria um mundo em que a REALIDADE (ênfase do autor) vira de cabeça para baixo, em que a realidade é apenas um momento da mentira.

(O ansioso blogueiro fez uma tradução livre de trechos do primeiro capítulo de Debord, numa edição da Zone Books, de Nova York, do Capítulo I – “A Separação Perfeita”.)

Para voltar a Gray.

Gray pondera que o executivo berlusconiano vivia numa utopia.

A utopia de que seria possível transformar o “espetáculo“ em realidade, para sempre.

Em que a mentira do “espetáculo” eliminasse a realidade.

Berlusconi caiu de forma es-pe-ta-cu-lar !

Porque não é possível suprimir a realidade em que a indústria do “espetáculo” se sustenta e que pretende sustentar – foi a tese de Gray.

Para voltar ao ansioso blogueiro.

O “espetáculo“ da Globo berlusconiana também tem prazo de vencimento.

A mentira não pode suprimir a verdade por muito tempo.

A CPIdaG não pode mascarar a realidade dos governos tucanos atoladas até o pescoço no crime organizado.

A CPIdaG não pode salvar o pescoço do Robert(o) Civita.

Porque salvar o Robert(o) é o mesmo que salvar a própria Globo, já que ela transforma em Chanel # 5 o que o Robert(o) Civita expele.

A CPI da Veja e da Globo terá maioria do Governo e o relator será do PT.

Provavelmente aquele que o Lula recomendar.

Porque o Lula sabe que foi essa turma – Demóstenes, Cachoeira, Robert(o) e os filhos do Roberto Marinho (que não tem nome próprio) – que tentou derrubá-lo com o mensalão (que ainda está por provar-se, como diz o Mino).

O “espetáculo” na Itália se desmontou com um velho babão a correr atrás de prostitutas marroquinas.

Aqui, será mais grotesco.

O cheiro será pior.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/04/22/cpi-vai-desmanchar-o/

 

webster franklin

Dilma Implanta a Sua Tese, em Menos de 15 Meses

Stephen Kanitz

Em 2007 na Veja,  deA tese da dilmafendi a Dilma no seu projeto de abaixar os juros que ninguém achava que era possível, até ontem.

"Ela precisará de todo o apoio dos engenheiros, administradores, contadores, advogados, médicos que querem ver o custo da "renda fixa" cair, obrigando os investidores a virar empreendedores e a assumir o risco da "renda variável".

"Ela já tem o meu total apoio, agora só falta o seu". 

Dilma baixou o Custo de Capital das empresas brasileiras para 2% ano, algo que noticiou.

"Se o estado paga 13% ao ano de "renda fixa" para "rolar" a sua dívida, nenhum projeto empresarial com retorno abaixo de 13%, 14% ou talvez até 19% será retirado das gavetas, devido ao risco do negócio."

"Nenhum administrador ou empreendedor vai assumir o risco de quebrar, o risco de perder tudo, o risco de processos trabalhistas e de consumidores, se o estado oferece 13% ao ano, e sem risco."

Em vez de discutir o que escrevi acima, todo mundo está discutindo que os Spreads dos Bancos continuam elevados, que a caderneta é a opção. 

O que ninguém se deu conta é que temos agora R$ 1 trilhão de Órfãos dos Juros Nominais dos Economistas do Estado, que não mais receberão os polpudos juros que os permitiam fazer nada.

Com somente 2%, vão mudar de ideia.

Vão ter que agora fazer algo, vão ter que investir em fundos de ações, fundos de private equity, e concorrer com os Bancos. 

Se os Bancos não quiserem reduzir os Spreads, os fundos de private equity irão emprestar no seu lugar, com muito mais cuidado, governância e ajuda administrativa. Bancos nem sabem mais fazer isto. 

Escrevi outros posts sobre a Tese da Dilma, que agora valem a pena reler. 

 http://blog.kanitz.com.br/2010/11/a-tese-da-dilma-e-futuro-do-brasil.html

 http://blog.kanitz.com.br/2010/11/a-tese-da-dilma-e-a-miriam-leit%C3%A3o-.html

http://blog.kanitz.com.br/2010/11/a-tese-da-dilma-ii.html

Nem eu, honestamente, acreditei que a Dilma seria tão rápida e que isto ocorreria somente em 2013 ou 2014. 

Um ano antes do planejado, a reeleição da Dilma está praticamente garantida, se o que ocorreu ontem for noticiado.

Só falta os que querem ver este país crescer divulgarem o significado de tudo isto para o desenvolvimento das empresas brasileiras, algo que faltou fazer.

Se ninguém perceber que o que acaba de ocorrer, o que a Dilma disse há mais de 5 anos que faria, se ninguém perceber que tudo isto aconteceu e não aproveitar esta janela de oportunidade, se todo mundo ficar falando de caderneta de poupança como opção e ficar culpando os Bancos que no mundo inteiro estão morrendo de velhos, vamos novamente morrer na praia.

Divulguem isto, minha gente, a China fez isto em 1986. Estive lá e vi com meus olhos. Por isto, tenho a segurança de dizer o que estou dizendo agora. O Custo do Capital das Empresas é a variável crítica deste país, não o Dólar ou a Taxa de Câmbio. 

Como só tenho 19.000 seguidores no Blog, sei que vamos morrer na praia, sei que vamos jogar mais um bilhete premiado, como tantas vezes fizemos. Não entendo porque tão poucos seguem um blog que realmente informa com antecedência o que vai acontecer neste país. Deve ser minha péssima redação. 

Esta é a nossa última chance, acreditem em mim. Não desperdissem esta última oportunidade. 

 http://blog.kanitz.com.br/2012/04/dilma-implanta-a-sua-tese-em-menos-de-15-meses.html

 

Demarchi

 


Esse post TEM que subir para a página principal.

 

Simplesmente arrasador. 

 

Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC

Dom, 22 de Abril de 2012 22:27 - No Outro Lado da Noticia

Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países
Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.

O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.

Veto imperial
O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

Leia mais
Empresa dos EUA sugere que Lula recebeu propina e ataca Marinha brasileira: “é uma merda!”Conheça o Perfeito Raio-X do cidadão norte-americano“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.

Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.

Guinada na política externa
O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.

Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.

Bomba! Bomba!
O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.

A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.

Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.

Desarmamento unilateral
A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.

Intervencionismo crescente
O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.

São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.

Plano Brasil

 

Ghost-writers produzem colunas políticas da grande imprensa

Posted by eduguim on 22/04/12 • Categorized as Opinião do blog - Blog da Cidadania

Os institutos de defesa do consumidor de todo país deveriam se debruçar sobre uma verdadeira trapaça de que são vítimas os leitores das colunas políticas da grande imprensa, já que boa parte dos leitorados desses veículos parece acreditar que são oriundas de alguma apuração dos jornalistas que supostamente as escreveriam.

Não são. Jornais como Folha de São Paulo, Estadão, O Globo ou revistas como Veja, Época e QuantoÉ… Digo, IstoÉ, reproduzem sempre o mesmo ponto de vista, usando sempre as mesmas expressões, as mesmas analogias e chegando, invariavelmente, às mesmas conclusões.

Em relação à recém-criada CPI do Cachoeira, por exemplo, esse fato fica absolutamente claro. Pode-se escolher qualquer um dos veículos citados para comprovar o que está sendo dito. Salvo algumas raras exceções como a do jornalista Jânio de Freitas, da Folha, todos vêm dizendo exatamente a mesma coisa: a CPI seria contra o PT e o governo Dilma ou manobra destes para esconder o julgamento do mensalão.

Muitas vezes, as duas hipóteses estão na mesma coluna. Confiando na premissa de que escrevem para descerebrados, esses colunistas caras-de-pau apresentam as duas teses conflitantes sem se preocupar com que alguém note alguma coisa.

Além da mesmíssima teoria de que Lula, apresentado como autor intelectual da CPI, é um tolinho que nem desconfiava de que seus adversários e a mídia tentariam inverter o foco da investigação, esse colunismo despreza o fato de que alguém como o ex-presidente não chegou aonde chegou sendo ingênuo ou precipitado…

Abaixo, reproduzo um artigo que contém o pacote inteiro que você, leitor, pode encontrar nas colunas políticas de todos os veículos citados e em vários outros. Não direi já o nome do autor ou em que veículo foi publicado e proponho que você, caso não tenha lido o texto, tente descobrir quem escreveu, o que só será informado ao final do post.

—–

As CPIs desempenharam um importante papel no passado recente da história brasileira. Foi a partir das investigações promovidas por uma CPI, em junho de 1992, que o ex-presidente Fernando Collor acabou sofrendo o impeachment.

Um ano depois, coube ao Congresso Nacional instalar a CPI do Orçamento, que desbaratou um esquema de desvios do dinheiro público comandado por parlamentares e funcionários do legislativo. Seis parlamentares foram cassados, oito absolvidos e quatro preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade.

Enquanto esteve na oposição, o PT se mostrou implacável nas CPIs. Pelo menos até o governo Lula enfrentar sua primeira CPI, criada em maio de 2005 com o objetivo específico de investigar denúncias de corrupção nos Correios.

O estompim da crise que levou à instalação desta CPI foi a divulgação de uma fita de vídeo que mostrava o ex-funcionário da estatal Maurício Marinho aceitando propina de empresários.

Apesar de toda a precaução do governo Lula, que deixou a presidência da CPI nas mãos do senador petista Delcídio Amaral (MS) e relatoria com o deputado peemedebista Osmar Serraglio (PR), o foco da investigação acabou sendo o esquema de pagamento mensal direcionado a parlamentares da base aliada em troca de votos no Congresso Nacional, que ficou conhecido como mensalão.

Isso só foi possível porque, a cada sessão da CPI dos Correios – transmitida ao vivo para todo o país –, a sociedade brasileira se mobilizava e pressionava o Legislativo, exigindo a continuidade das investigações.

De lá para cá, as CPIs perderam sua força. Isso porque, diante do estrago político promovido pela CPI dos Correios, o PT e seus aliados mudaram de estratégia.

Nos últimos sete anos, as poucas CPIs que a oposição conseguiu emplacar não produziram efeitos práticos, como a das ONGs e dos cartões corporativos, graças à obstrução patrocinada pelo governo petista.

O Congresso tem agora nas mãos uma oportunidade de resgatar a função democrática das CPIs, investigando um novo esquema de corrupção desvendado pela Polícia Federal e comandado pelo contraventor Carlos Cachoeira.

Na expectativa de tirar o foco da sociedade em relação ao julgamento do mensalão, previsto para acontecer ainda este semestre, o PT errou no cálculo ao imaginar que poderia confundir a opinião pública ao anunciar apoio

Em vídeo conclamando os movimentos populares a cobrarem a instalação da nova CPI, o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, imaginou que poderia atingir a oposição. Em especial, o governador de Goiás, Marconi Perillo, que causou constrangimentos a Lula em 2005 ao declarar publicamente que o alertara para o mensalão.

Nada foi comprovado contra Perillo. A situação se complicou, de fato, para o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, e uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Construtora Delta.

Os indícios e provas de que Agnelo e a Delta mantinham uma estreita relação com Cachoeira evidenciam o arrependimento de setores do PT e do próprio governo na sua estratégia de desviar o foco do julgamento do mensalão.

(…)

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Vamos adivinhar. Ricardo Noblat, Merval Pereira, Eliane Cantanhêde, Fernando Rodrigues, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo ou Augusto Nunes? Poderia ser qualquer um destes ou vários outros colunistas de Folha, Globo, Estadão, Veja etc. Mas não. Apesar de o texto dizer, ipsis-litteris, o que esses vêm dizendo sem parar, é do presidente do PSDB, Sergio Guerra, e foi publicado neste domingo na Folha de São Paulo.

Fica difícil deixar de imaginar que todos os colunistas supracitados tiveram longas conversas com o tucano antes de escreverem, todo dia, cada premissa que ele apresentou nesse artigo. Esses colunistas também têm dito, aliás, que haveria mais elementos de prova ou indícios contra Agnelo Queiroz do que contra Marconi Perillo. Exatamente como seu ghost-writer.

Mais adiante, no mesmo jornal, bem escondidinha, matéria revela que não é bem assim. Sem chamada na primeira página, incrustada lá na página A14 (sim, onze páginas mais adiante e sem chamada na primeira página), uma bomba: “Perillo é citado como ‘irmão’ por aliado de Cachoeira”.

Eis o diálogo entre Carlinhos Cachoeira e Wladimir Garcez, ex-vereador pelo PSDB de Goiânia:

—–

Garcez – A conversa, para você ter uma idéia, foi uma hora lá, nós dois juntos. (…) Foi uma covnersa boa, sabe. Falando das dificuldades que tem, de umas coisas que ele [Perillo]… Até pediu para nós olharmos uma coisa para ele depois, um trem que aconteceu aí, tal. Ele chega na quarta-feira, [e ele disse]: “Não, então marca para quinta, eu, você e ele. Nós vamos sentar, bater um papo, quero conversar com ele, quero ter mais um conceito. Mas uma conversa assim mais pessoal, questão de confiança, tal”. (…) Achei uma conversa daquela de irmão. (…)

Cachoeira – Ô, foi bom para caralho, hein.

Garcez – Foi uma coisa assim, íntima mesmo, sabe. Ele levantou, deixou [a gente] na sala, “Vou ali tomar banho”. Fiquei esperando ele. Tomou banho, pôs o terno e voltou.

Cachoeira – Ele [Perillo] quer que eu olhe para ele o quê?

Garcez – É um negócio aí, [ele falou]: “Não, pode deixar ele [Cachoeira] voltar. Ele [Perillo] quer isso, você [Cachoeira], ele não quer outra o pessoa, o Cláudio [Abreu, da Delta]. Aí ele [Perillo]falou assim: “Não, é uma coisa que eu RO conversar com ele [Cachoeira], é porque confio nele [Cachoeira], tá, e em você [Garcez]”. Aí passou para mim (…) para quinta-feira a gente [Garcez, Cachoeira e Perillo] sentar e conversar.

Cachoeira – É o que que é?

Garcez – Não… É um trem duma coisa dele, sabe?

Cachoeira – Ah, não excelente. Coisa boa (…)

Garcez – Beleza.

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É um diálogo revelador e comprometedor, mas não é o pior. Outras gravações revelam doações em dinheiro de Cachoeira para Perillo, sociedade entre eles em empresas do bicheiro e muito, muito mais. O pior ainda está por aparecer, e aparecerá na CPI.

Aí a explicação sobre por que a oposição está cada vez mais raquítica. Essa gente continua achando que pode criar um universo paralelo e fazer todos viverem nele. Será que todo o leitorado de uma Folha, por exemplo, é incapaz de perceber que o discurso dos colunistas do jornal parece ter sido escrito pelo presidente do PSDB?

Foi um erro o jornal publicar esse artigo. Quem tem cérebro e não é militante demo-tucano descobriu quem é o escritor-fantasma de uma imprensa que vai perdendo cada vez mais a conexão com a realidade e acreditando que pode ajudar seus aliados a chegarem ao poder oferecendo moralismo de quinta em lugar de propostas para o país.

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PS: garanto que eu não sabia que a pesquisa Datafolha tinha ido a campo quando disse que a popularidade de Dilma iria disparar. Ah, sim: juro, também, que não tenho bola de cristal. Uso, apenas, a lógica.

 

Do Diário de Notícias de Lisboa

Presidenciais francesasHollande vence e é favorito à 2.ª volta de 6 de maio

por H.T.Hoje

Hollande vence e é favorito à 2.ª volta de 6 de maio

O socialista obteve 28,6 a 29,2% dos votos da primeira volta das presidenciais, à frente do Presidente Nicolas Sarkozy, com 26,1% a 27,3%. Segunda volta é a 6 de maio e sondagens Ipsos e Ifop deixam prever vitória de Hollande.

François Hollande venceu a primeira volta das presidenciais em França e surge como favorito à segunda volta de 6 de maio, face ao atual chefe do Estado, Nicolas Sarkozy. O socialista deverá então contar com os votos da esquerda radical e dos ecologistas, enquanto Sarkozy contará com os apoios da direita.

Sondagens dos institutos Ipsos e Ifop realizadas pouco depois de conhecidos os resultados da primeira volta, dão Hollande como vencedor à segunda volta. O socialista conseguiria 54% dos votos, contra 46% de Sarkozy.

Segundo as estimativas divulgadas pelas televisões, a surpresa desta primeira volta é mesmo Marine Le Pen. A candidata da Frente Nacional, acima dos 18% dos votos, consegue assim um resultado superior ao do seu pai e anterior líder do partido, Jean-Marie Le Pen, em 2002, quando chocou a França ao passar à segunda volta.

Os cinco outros candidatos ficaram muito atrás. A ecologista Eva Joly fica-se pelos 2,1% a 2,3%, o soberanista Nicolas Dupont-Aignan, 1,5% a 2,1%, o trotskista Philippe Poutou, 1,2% a 1,3%, a outra trotskista Nathalie Arnhaud, de 0,5% a 0,6%, e Jacques Cheminade, 0,3%.

A participação, segundo todos os institutos, será de pelo menos 80%, abaixo dos 83,77% de 2007, mas muito acima dos 71,6% de 2002.

 

Matheus Pichonelli
Amapá
22.04.2012 09:37 - Carta Capital

O compadrio e a caixa-preta119Há quase um ano, o promotor da Defesa do Patrimônio Cultural e Público do Amapá, Afonso Gomes Guimarães, deu início a uma verdadeira via sacra para investigar possíveis casos de nepotismo nos órgãos públicos do estado. Desde agosto de 2011 ele tenta obter informações sobre a folha de pagamento dos funcionários da Assembleia Legislativa. Em vão. Em todas as tentativas, esbarrou na falta de vontade dos deputados amapaenses e do próprio Judiciário local.

Primeiro, solicitou os documentos ao presidente da Assembleia, Moisés Reategui de Souza (PSC), que se negou a repassar os dados.

Bandeira do Amapá, estado onde procurador nãpo consegue ter acesso à lista de funcionários da Assembleia Legislativa
Em seguida, ingressou com ações na Justiça para acessar os dados dos funcionários em duas frentes: a própria Assembleia e os bancos que realizam os pagamentos.

Em ambos os casos, obteve decisões favoráveis em primeira instância. Diante dos recursos apresentados, o Tribunal de Justiça barrou, no entanto, a empreitada.

Os dados da Assembleia continuam, assim, numa caixa-preta inacessível – e joga para o centro das suspeitas os próprios desembargadores. Dados obtidos por CartaCapital revelam que parentes de cinco dos nove desembargadores da corte trabalham no Legislativo amapaense.

A prática pode indicar um exemplo específico de nepotismo – quando autoridades usam a influência do cargo para empregar parentes como assessores de órgãos públicos de outros Poderes. Uma prática comum ainda no País, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que contamina decisões viciadas dos tribunais.

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O exemplo do Amapá coloca em xeque as formas de controle sobre o nepotismo, prática vedada pelo Supremo Tribunal Federal desde agosto de 2008, quando foi editada a súmula vinculante número 13. A medida coibiu a contratação de parentes de autoridades e de funcionários para cargos de confiança, de comissão e função gratificada no serviço público.

O problema é, quase quatro anos depois, as próprias autoridades ainda se negam a informar quem são, o que fazem e quanto ganham seus funcionários.

A via sacra da Promotoria para ter acesso aos dados no Amapá é simbólica. A ação civil pública escrita pelo promotor Afonso Guimarães com pedido para a Assembleia disponibilizar dados sobre seus servidores, é de outubro de 2011. No documento, ele citava o site oficial da Casa como uma página que não “obedece aos dispositivos legais relativos à transparência administrativa e em quase nada contribui para a divulgação dos atos administrativos e para o favorecimento do controle social”.

O desembargador Dôglas Evangelista, marido de funcionário da Assembleia, que impediu liberação de informações para a Promotoria. Foto: TJ-AP
O pedido foi atendido pela juíza Alaíde Maria de Paula, da 4ª Vara Cível e da Fazenda Pública de Macapá. Por ordem da magistrada, o presidente da Assembleia tinha cinco dias para apresentar as folhas de pagamento de seu pessoal referentes ao período de dezembro de 2010 a julho de 2011. A Assembleia recorreu ao Tribunal de Justiça, que cassou a decisão em 23 de janeiro deste ano por ordem do desembargador Luiz Carlos – pai do deputado federal Luiz Carlos Filho (PSDB-AP).

Em outra frente, o promotor tentou obter as informações por meio dos bancos com os quais os servidores mantêm contas. Os pedidos das ações cautelares foram atendidos pela mesma juíza. Dias depois, o banco Santander conseguiu uma liminar no tribunal, em outubro de 2011, com o argumento de que as informações eram acobertadas pela proteção à intimidade e sua divulgação dependeria da existência de “interesse público concreto”.

Diante do impasse, o promotor Afonso Gomes Guimarães disse ter protocolado um recurso no Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ.

O relator do pedido no TJ foi o desembargador Dôglas Evangelista – que, segundo documentos encaminhados à reportagem, é marido e ex-cunhado de funcionários da Assembleia.

Evangelista é um dos desembargadores do Amapá citados em inquérito da Polícia Federal após a Operação Mãos Limpas – que em 2010 prendeu 18 pessoas, entre elas o então governador Pedro Paulo Dias e secretários estaduais. Os magistrados eram suspeitos de manter contatos e proferir decisões favoráveis a integrantes de uma suposta quadrilha suspeita de desviar até 300 milhões de reais públicos.

Procurado, o desembargador não respondeu aos questionamentos da reportagem encaminhados via assessoria de imprensa. A Assembleia do Amapá também não respondeu desde quando e em quais condições os parentes do desembargador trabalham na Casa (a lei não impede que parentes de autoridades trabalhem em órgãos públicos desde que sejam concursados).

O caso de Evangelista não é único. Segundo os documentos, a Assembleia emprega ainda as cunhadas dos desembargadores Mário Gurtyev e Carmo Antônio, além de Edinardo Tavares de Souza, diretor administrativo da Assembleia, e filho do desembargador Edinardo Souza – também citado no inquérito da Operação Mãos Limpas.

A lista à qual a reportagem teve acesso mostra ainda que o filho e a mulher de outro desembargador, Agostino Silvério, também estão na folha de pagamento do Legislativo. A mulher, identificada como Jorlene Lima de Jesus Silverio, recebeu pagamentos de 6.410 reais em 15 de julho do ano passado. Procurado, o desembargador também não esclareceu a situação.

Para o advogado Jorge Hélio Chaves de Oliveira, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o caso do Amapá é apenas “uma caixa de ressonância, um eco do que acontece no Brasil”. Segundo ele, dois problemas perpetuam as práticas que deveriam ser combatidas pela súmula antinepotismo: a falta de transparência dos portais oficiais, como sites dos tribunais de Justiça, e o “verdadeiro compadrio feudal de famílias que ainda exercem verdadeiras ditaduras patrimonialistas dentro dos tribunais”.

“Há ainda desembargadores com parentes nas prefeituras do interior, nas regiões metropolitanas, nas Câmaras Municipais, Assembleias. Não há nepotismo cruzado porque não tem a troca. Mas tem como bater nos cargos em comissão, fazer um grande inventário nesses cargos em comissão, e saber onde está tudo. Como a pessoa, que é mulher do desembargador, está aqui? Ela tem vida própria, era assessora, é da academia? Se não, é exploração de prestígio.”

Essas informações, segundo Jorge Hélio, tendem a ser acessíveis à medida que os sites oficiais cumpram a lei. Ou seja: que os portais disponibilizem os atos de publicidade dos poderes públicos para prestação de contas, orientação social ou caráter informativo. “Não é admissível você abrir o site de um tribunal de Justiça, qualquer um, e ver ali 20 fotos do presidente. Essa coisa passa por uma simbologia civilizatória. Todos falam: ‘é o meu tribunal’. É um vício patrimonialista.”

A opinião é compartilhada pelo jurista Pedro Estevam Serrano, advogado, professor de Direito Constitucional da PUC-SP e colunista do site de CartaCapital. Para ele, a maioria dos sites oficiais de tribunais e governos serve apenas para propaganda das autoridades, o que fere os princípios constitucionais da publicidade. “A fiscalização passa pela obtenção de mecanismos de transparência nesses portais”, defende.

 

"Em todas as tentativas, esbarrou na falta de vontade dos deputados amapaenses e do próprio Judiciário local":

Nao, eh o judiciario mesmo.  SOMENTE o judiciario.  Para tudo no judiciario.  Nada sai de la.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.