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PRESIDENTE DA SBPC, PRINCIPAL ÓRGÃO CIENTÍFICO DO PAÍS, DIZ QUE

AVANÇO DA PESQUISA NACIONAL NÃO A TORNOU INFLUENTE

Eduardo Knapp/Folhapress

SABINE RIGHETTI

DE SÃO PAULO

 

Justamente agora que o Brasil atingiu a 13ª posição na produção científica mundial,

aumentou a quantidade de universidades federais e o número de pesquisadores, o

país deu um "tiro no pé" reduzindo em 22% os recursos federais para ciência, diz a

biomédica Helena Nader.

 

Para a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), o

governo erra ao ignorar o que a ciência nacional tem a dizer nos debates públicos

sobre temas importantes, como o novo Código Florestal ou a conferência Rio+20.

 

Folha - Na semana passada a presidente Dilma afirmou que os cientistas

deveriam ser avaliados também por patentes, além de produção científica. O

que a sra. pensa disso?

 

Helena Nader - A universidade até pode fazer patente, mas esse não é o seu papel.

O grande produtor de patentes deve ser a iniciativa privada. A Capes [Coordenação

de Pessoal de Nível Superior] hoje pontua programas de pós-graduação com

patentes. Mas querer que a universidade se responsabilize por patentes é um erro,

mesmo que sejam feitas em parcerias com empresas. Essas parcerias ainda são

muito frágeis.

 

Por que são frágeis?

As leis são problemáticas e deixam o cientista em uma posição vulnerável. Há

problemas na interpretação das leis, como a Lei do Bem [de 2005, que trata

prioritariamente de pesquisa em empresas]. Hoje, um professor com dedicação

exclusiva em uma universidade pode, pela legislação, dedicar um dia por semana

para um projeto em parceria com uma empresa. Mas isso pode causar problemas no

Ministério Público, que entende que ele está deixando de fazer pesquisa e ensino. O

professor concursado pode colocar em risco a carreira dele. Precisamos de uma

legislação mais clara.

 

O Código Nacional de Ciência e Tecnologia, que tramita no congresso desde

setembro do ano passado, resolveria isso?

Essa proposta é fantástica. Mas o texto ainda está sendo aprimorado [o texto compila

leis atuais ligadas à pesquisa, relacionadas por exemplo à importação e compra de

equipamentos]. A questão é que no Brasil as empresas multinacionais quase não

fazem ciência, diferentemente do que acontece na Índia e na China. O Brasil precisa

ter mais pesquisa e desenvolvimento nas empresas.

 

Mas as empresas costumam alegar que falta mão de obra para fazer

pesquisa no Brasil.

Houve um aumento grande no número de cientistas nos últimos 20 anos, mas ainda

não foi suficiente. No entanto, aqui temos cientistas de primeira. Nós não existíamos

como ciência pesada há 20 anos! Isso aconteceu nas universidades e nos institutos de

pesquisa. E não adianta dizer que os cientistas das universidades são voltados à

ciência básica [produção do conhecimento] e não à ciência aplicada [que gera

produtos e inovações] porque essa polarização é fictícia. As duas formas de pesquisa

se complementam.

 

A SBPC tem se manifestado recorrentemente em relação ao corte de 22% de

recursos federais à ciência. Houve algum retorno do governo?

Por enquanto, nada. Só se essa resposta estiver sendo formulada agora, enquanto

estamos conversando (risos). E os números dos cortes ainda serão piores. Se o PIB

(Produto Interno Bruto) crescer, a porcentagem destinada à ciência ficará menor

ainda. O "PAC da Ciência" previa 1,8% para ciência em 2015. Isso não vai acontecer.

Nós tiramos o chapéu quando o presidente Lula criou universidades federais. Essas

instituições têm professores com, no mínimo, doutorado. Agora que a ciência tem

força, nós cortamos o dinheiro?

 

A SBPC também tem brigado para alterar o texto do Código Florestal, que

deve ser votado na semana que vem. Os cientistas estão sendo ouvidos?

Os cientistas não são ouvidos pelo governo porque não temos uma "bancada de

cientistas" no Congresso, como têm os ruralistas. A ciência nacional cresceu e se

fortaleceu, temos pesquisadores sendo disputados por instituições de pesquisa

respeitadas em todo o mundo. Agora os cientistas deveriam ser ouvidos. Nós temos

uma proposta para o Código Florestal, assim como temos um material que levaremos

para discussão na Rio+20. Deveríamos ser mais ouvidos.

 

FPD

Pena que o nível médio do jornalismo esteja baixo, recheado de matérias "cookie", indo ao forno uma atrás da outra, e com manchetes à Notícias Populares. A questão da matéria merecia uma reportagem do tamanho e profundidade que se vê no Economist ou no NYT. Resumiram-se a jogar alguns dados na mesa, misturado com palpites do ministro.

Mas o problema é sério, e não é capaz de criar um crise capaz de assustar e fazer pensarem os brasileiros, acostumados a pensar em planejar quando o Tsunami já chegou. O direito legítimo à pensão era fácil em uma sociedade com outros critérios morais, com uma diferença de idade pequena dentro dos casais.

Hoje, em que se aceita casais com diferença de idade grande, surge o problema da sociedade sustentar um jovem ou uma jovem de seus 30 anos, recebendo pensão de alguém com seus 60 anos. Ou seja, alguém que contribuiu ao sistema pelo menos de 20 a 30 anos mais, e contribuição de quem estava no auge salarial. Não parece nem justo, o que não é o problema maior. O grave é não parecer sustentável.

Vamos ter que redefinir a lógica do sistema, que antes era resumida à manutenção dos padrões da família. Hoje vão ter que entrar elementos como a justiça de alguém que teve oportunidade mas (ainda) não estudou levar o padrão de vida de alguém aposentado por esforço. Ainda, pensar que o sistema previdenciário é grande como um transatlântico, mas finito. É melhor manter uma "viúva alegre" e acomodada no trabalho ao custo de 2 mil reais por mês, ou será que 3 ou 4 adolescentes com potencial para estudar e cursar universidade são mais merecedores de incentivo do sistema?

 

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/82414_VIUVA+ALEGRE+NA+MIRA+DA+PREVIDENCIA

Viúva alegre na mira da PrevidênciaGoverno lança a caça ao "efeito Viagra", que aumentou o número de homens idosos casados com mulheres mais jovens e está abalando os cofres do INSS.

Por Cristiano ZAIA

O fim do bônus demográfico dentro de duas décadas, quando a população jovem e economicamente ativa será menor que a de idosos, já está fazendo o governo acelerar o controle das contas da Previdência. Após aprovar, em março, a criação do regime de previdência complementar para os servidores públicos, o Funpresp, o governo já elegeu sua próxima bandeira para evitar os buracos que “drenam” os recursos da pasta: combater o polêmico sistema de pensões por morte no País. O benefício corresponde a uma fatia de 23,4% de todos os concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o terceiro maior item de desembolso do ministério, atrás apenas das aposentadorias por idade e contribuição de tempo de serviço. O que intriga o governo nas pensões por viuvez é a frequência cada vez maior de casamentos de homens mais velhos com mulheres jovens. 

28.jpgTristes distorções: pensões por viuvez são o terceiro maior responsávelpelos desembolsos do INSS. Desta forma, se a cônjuge ficar viúva aos 30 anos de idade, por exemplo, terá o direito de receber a título de pensão, a aposentadoria integral de seu companheiro. Batizado de “efeito Viagra”, a distorção acontece no Brasil porque, ao contrário de países como França, Alemanha e Espanha, não há limite de idade – nem de diferença de idade entre cônjuges – para que uma pessoa possa receber pensão integral em virtude da morte de seu parceiro. “Não é justo que uma pessoa leve a vida toda para receber uma pensão de seu marido, enquanto outra já é pensionista com pouca idade”, diz o ministro da Previdência, Garibaldi Alves. “É a nossa próxima aposta para desafogar as contas da pasta.”  Segundo o último dado disponível pelo ministério, em fevereiro, 6,8 milhões de contribuintes receberam R$ 5,1 bilhões a título de pensões por morte, o que já elevou o benefício à condição de segunda maior despesa no primeiro bimestre deste ano. Um levantamento feito pelo consultor e ex-titular da pasta, José Cechin, com base também nos dados previdenciários dos Estados e municípios, mostra que, de 2008 a 2009, o pagamento de pensões por morte no Brasil representou em torno de 3% do PIB, saltando de R$ 87 bilhões para R$ 111 bilhões, em 2010. “Esse patamar é o triplo do que se paga na Europa ou nos Estados Unidos”, afirma Cechin. “Temos de perguntar ao governo: será que é preciso um alto grau de proteção a mulheres jovens que trabalham e não têm filhos? Certamente, não.”  29.jpgGaribaldi Alves, ministro da Previdência: "Não é possível que uma pessoa leve a vida todapara receber pensão, e outra seja pensionista com pouca idade" O ex-ministro cita o exemplo de Cuba, onde as viúvas sem filhos, e que não trabalham, só recebem pensão por um período de dois anos. O governo federal, explica o ministro, pretende encaminhar um projeto de lei ao Legislativo que deve resumir e fortalecer outras propostas que atualmente estão paradas no Congresso, sobre esse mesmo tema. A ideia é corrigir distorções e impedir que pessoas capazes para o trabalho, saudáveis e que ainda não se aposentaram deixem de depender por tanto tempo das pensões deixadas por seus cônjuges que, a rigor, são pagas por todos os contribuintes por meio de impostos. “Este é um projeto que deveria ser enviado anteontem pelo governo”, diz Fabio Giambiagi, pesquisdor do regime previdenciário brasileiro. “A nossa legislação é muito benevolente e faz com que o Brasil seja, com toda a certeza, o País mais generoso do mundo em matéria de pensões.”  Giambiagi defende que o valor da pensão passe a ser inferior ao valor original da aposentadoria do cônjuge que morre. Uma sugestão seria conceder pensões que tivessem 50% do benefício original e mais 25% ao filho de menor idade. Essa ideia, na verdade, busca resgatar o sistema de pensões existente no País até 1995, ano em que as pensões passaram a ser integrais. Marcelo Caetano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que há outras distorções nas pensões por viuvez, como o direito de acumular a pensão e a aposentadoria. “Nos Estados Unidos, a pessoa é obrigada a escolher entre ser pensionista ou aposentado”, lembra ele. “Podíamos seguir esse exemplo.” O duro é saber como o ministério fará para dar início à operação de caça às bruxas... 30.jpg

 

Gurgel cita até R$ 3 mi a Demóstenes

 

 

No pedido de instauração de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar as ligações do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diz que é "expressamente referido" que "R$ 1 milhão foi depositado na conta" do parlamentar. O documento aponta um valor total repassado para o parlamentar de R$ 3,1 milhões.

A afirmação do procurador está no item 36, página 40 do inquérito encaminhado ao Supremo. Toda essa documentação foi liberada ontem pelo ministro Ricardo Lewandowski para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, e para o Conselho de Ética do Senado, que está apreciando pedido de cassação do mandato do senador Demóstenes.

"Em diálogo no dia 22 de março de 2011, às 11:18:00, entre Carlos Cachoeira e Cláudio Abreu, não degravado pela autoridade policial, é expressamente referido que o valor de um milhão foi depositado na conta do Senador Demóstenes e que o valor total repassado para o Parlamentar foi de R$ 3.100.000,00 (três milhões e cem mil reais)", escreveu o procurador da República no inquérito, após analisar documentos da Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema de ocupação de poder por parte de Cachoeira em todas as esferas do Estado.

Em despacho assinado ontem à tarde, Lewandowski deixou claro que a CPI, o Conselho do Senado e a Comissão da Câmara devem preservar o segredo das informações do inquérito, em especial as interceptações telefônicas. A publicação ontem da íntegra do inquérito relacionado ao senador pelo site 247 poderá gerar uma investigação no STF. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Da coluna da Mônica Bérgamo, hoje:

ZÍPER ABERTO

O empresário do jogo Carlinhos Cachoeira afirmou não apenas à mulher, Andressa Mendonça, mas também a advogados e a amigos que o visitam que "está louco" para falar.

EU TE CONHEÇO
Um de seus interlocutores diz ter entendido que Cachoeira quer, antes de mais nada, passar "recados" a seus críticos. Mas sem, a princípio, revelações bombásticas e comprometedoras.

DE OUTROS CARNAVAIS
O mesmo interlocutor afirma que Cachoeira caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará. Afirmou estar curioso para saber as perguntas que alguns integrantes, que conhece, farão no dia em que ele for depor na comissão.

 

Entrevista com o menino Sean:

 

“Minha mãe casou com outro cara e disse: este é seu pai”, diz Sean

 

Menino Sean é entrevistado para programa de TV Foto: Terceiro / Reprodução de TV

 

Flávia Barbosa - O Globo

 

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WASHINGTON - Na entrevista veiculada às 23h desta sexta-feira do Brasil pela rede americana de TV NBC, o menino Sean Goldman afirma à apresentadora Meredith Vieira, do "Dateline", que sua mãe, Brunna Bianchi, disse a ele, após casar, que o advogado João Lins e Silva era o seu pai:

 

— Minha mãe casou com outro cara e disse: esse é seu pai - afirmou o menino. — Eu sabia que ele não era meu pai, mas eu não dizia nada, porque eu não queria deixar ninguém zangado.

 

O programa é entremeado com imagens de arquivo, que recontam a história do menino e da batalha judicial por sua guarda, e declarações do pai, também em entrevista a Meredith Vieira. A cada etapa da história de Sean o programa volta à entrevista com o garoto, que responde sobre determinado tópico. A versão da família brasileira foi mencionada no programa, que utiliza linguagem e música bastante emocionais.

 

Respondendo a muitas perguntas de forma curta e direta, Sean disse que, nos anos que ficou no Brasil, ninguém lhe disse que seu pai, David Goldman, estava tentando vê-lo, inclusive com viagens ao Brasil. Perguntado por Meredith Vieira se tinha conhecimento à época da batalha do pai, respondeu:

 

— Nenhuma ideia.

 

A apresentou insistiu, indagando se ninguém no Brasil havia contado para ele:

 

— Não - respondeu o menino.

 

Sean se disse confuso com a ausência do pai na temporada que passou no Brasil. Perguntado se entendia o que ocorria, respondeu:

 

— Não, do que eu me lembro eu estava confuso. O que está acontecendo? Cadê meu pai?

 

Indagado se ficou zangado à época com o pai, Sean negou:

 

— Não zangado, eu estava confuso. Porque... cadê meu pai?

 

O menino diz à apresentadora que "não, nunca" esqueceu David Goldman:

 

— É uma grande parte da sua vida quando você é uma criança, seu pai. Você quer seu pai.

 

Ele disse que o reencontro com o pai, no início de 2009, na casa onde vivia, após quatro anos e meio, quando brincaram na piscina, foi um momento de "muita felicidade" e que os sentimentos "ressurgiram" quando o viu:

 

— Como alegria. Eu só o encontrei, alegria, e eu estava feliz, realmente feliz.

 

Hoje vivendo com David em Nova Jersey, Sean diz que o pai é um modelo para ele:

 

— Meu pai, ele é um guia. Eu não sei como explicar, é simplesmente este vínculo, de que ele está ali.

 

"Quero ficar mais velho para voltar" ao Brasil, diz o menino Sean

 

Na entrevista, o menino disse que voltar ao Brasil para visitar a família faz parte de seus planos, mas que só fará a viagem quando ficar mais velho. Para Sean, que completará em breve 12 anos, quando tiver 16 ou 18 anos ele terá mais condições de lidar emocionalmente com a situação.

 

— Talvez algum dia eu visite (a família brasileira), mas eu quero ficar mais velho antes de eu voltar lá. Porque eu posso lidar mais (com a situação) - disse Sean, dizendo que tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos há pessoas que se importam com ele.

 

O garoto afirmou que não pensa muita em sua avó, Silvana Bianchi, como uma forma de se proteger. Perguntado se pensa na avó, respondeu:

 

— Na verdade, não, porque eu fico triste. E ninguém gosta de ficar triste.

 

O pai do menino, David Goldman, afirmou em entrevista ao mesmo programa que se Sean manifestar interesse em encontrar a avó, dirá a ele para ligar para Silvana, que eles tentarão encontrar uma forma de fazer o encontro acontecer. Ele garantiu que encoraja o filho a ligar para a família brasileira.

 

David Goldman contou no programa que Sean ainda frequenta sessões de terapia e que passou por um teste no ano passado. O pai viajou por alguns dias no verão e o deixou com os avós maternos, quando ficou claro, segundo David, que o garoto ainda se recupera de um trauma.

 

— Na quarta noite, ele acordou após pesadelos de que estava sendo perseguido no Brasil (...). Era um teste pelo qual ele tinha que passar.

 

No início do programa, a apresentadora disse a Sean que o pai havia lhe contado que ele tinha tido problemas com Matemática, mas que hoje era um estudante de primeira linha. O menino respondeu:

 

— Assim é a vida, superar desafios.

 

Ele afirmou que fica triste às vezes com o fato de sua mãe, Bruna Bianchi, ter morrido em 2008, mas que tenta se acostumar à situação. Segundo o pai do garoto, Sean faz referências de vez em quando à mãe, como por exemplo lembrar que ela gostava de determinada música. Ele garantiu que mantém viva a memória de Bruna na vida do filho, por exemplo mencionando ocasionalmente um restaurante que ela gostava de frequentar.

 

No texto lido pela apresentadora enquanto imagens de Sean com Bruna eram veiculadas, Meredith Vieira disse que a morte da mãe é um dos assuntos nos quais Sean hesita falar. Em seguida, ela perguntou diretamente ao menino se ele fala de Bruna com o pai:

 

— Às vezes eu fico triste, porque toda criança que tenha um pai ou mãe que já morreu fica triste de vez em quando. Mas, você sabe, eu tento viver com isso.

 

Adiante, ele brinca. Indagado se o seu maior desafio no retorno aos Estados Unidos foi retomar o inglês, Sean respondeu:

 

— Na verdade, não - disse ele. — Acho que o maior desafio foi voltar a ficar em forma. Já perdi uns 13,5 a 18 quilos (em dois anos e meio).

http://extra.globo.com/noticias/rio/minha-mae-casou-com-outro-cara-disse-este-seu-pai-diz-sean-4762108.html

 

Odonir Oliveira

há 21 horas por Sem Fronteiras - No Terra


Cachoeira não é preso político pois sua ideologia é obter vantagem financeira ilícita

 


 


Carlinhos Cachoeira.


 
Diz um ditado popular que quem sai aos seus não degenera. Pois bem, Carlinhos Cachoeira era filho de banqueiro do jogo do bicho. Só que diferentemente do pai ele fez a sua “fezinha” no “polvo”. O polvo (la piovra), para quem não sabe, é o secular símbolo da Cosa Nostra siciliana. Como um polvo, Cachoeira lançou os seus tentáculos em todos os cantos onde pudesse obter lucros sem causa lícita.
 
Como, há anos, Cachoeira pratica continuadamente ilícitos, —e nem se inibiu com  o escândalo Waldomiro Diniz (no palácio do Planalto era assessor do então ministro José Dirceu) que protagonizou ao mandar filmar a entrega de propina—–, não irá obter baeas-corpus. Existe justa-causa para a sua prisão cautelar. Ela é necessária à luz da periculosidade social de Cachoeira que, solto, não vai parar de delinqüir.
 
Por outro lado, apresenta-se grotesca a revelação da sua convivente Andressa Mendonça. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Andressa contou que o companheiro Cachoeira se considera um “preso político”.
 
Pelo jeito, Cachoeira entende bastar para caracterizar crime político a ação cometida com a participação de deputados, senador (Demóstenes Torres), vereadores, prefeitos e governadores. Ora, no Direito não existe,– em lugar nenhum do mundo–, algo assim. E como sabe até a torcida do Flamengo, a única ideologia de Cachoeira é a obtenção de  vantagem patrimonial indevida. 
 
Cachoeira não é de esquerda, de direita ou do centro. Ele é da “grana fácil”, com violação da lei.
 
Sobre o cenário criminal  onde Cachoeira cresceu e formou a sua organização criminosa, preparei algumas reflexões para a revista Carta Capital.
 
Com efeito. A historiografia nos revela que o imperador Pedro II ficou frustrado com a falta de empolgação da população com o recém-inaugurado Jardim Zoológico. Para atrair visitantes, então, o imperador apostou todas as fichas no projeto do mineiro João Batista Viana Drummond, que já havia administrado a Estrada de Ferro Pedro II.
 
O projeto Drummond restou implantado em 1880 e teve pleno êxito, com os visitantes a apostar nos bichos do Zoológico, divididos em 25 grupos em combinações que alcançavam o número 100. Logo cedo, à entrada do jardim zoológico, colocava-se uma caixa com um bilhete numerado dentro. Em seguida, ela era içada para o alto de um poste. No fim da tarde, abria-se a caixa para divulgação do número e o vencedor apresentava o bilhete comprado para levar o prêmio em dinheiro.
 
Drummond, que virou barão só em agosto de 1888, povoou de humanos o Zoológico do imperador. Na República, o seu invento, popularizado pelo nome de jogo do bicho, sustentou, embora proibido em 1890, o carnaval carioca. Mais ainda, a jogatina alimentou o Caixa 2 de políticos, corrompeu policiais, deu apoio à ditadura militar (à época, os bicheiros tinham credibilidade e “voz” junto aos cidadãos) e completou a aposentadoria de velhinhos colocados nas ruas como “apontadores” dos jogos. Fora isso, a jogatina com banqueiro garantiu impunidade ao reformado capitão-bicheiro Guimarães, do serviço secreto do Exército e um dos torturadores do regime militar.
 
O grande expoente da contravenção que deu um upgrade nas ilicitudes em termos de controle, modernidade e transnacionalidade foi Castor de Andrade, um advogado formado sem nunca ter frequentado aulas na faculdade e que herdou as bancas de jogos da mãe Carmem de Andrade, a primeira mulher a comandar essa modalidade contravencional no planeta.
 
Castor de Andrade “importou” o capo-máfia Antonino Salamone, contemplado com a cidadania brasileira em um jogo de troca-troca e cartas-marcadas por ato do ministro Armando Falcão, da pasta da Justiça. Falcão, de triste memória e “nada tinha a declarar” aos cidadãos, desconsiderou as condenações de Salamone, um foragido da Justiça italiana sentenciado por associação à Máfia e por ter integrado a cúpula de governo da Cosa Nostra siciliana. Com a orientação de Salamone, o contraventor Castor de Andrade criou, no Rio de Janeiro, a cúpula dos bicheiros que, à força, deliberava sobre repartição de territórios, acabava com as guerras entre bicheiros e impunha férrea hierarquia. Tudo no interesse na difusão da jogatina, incluída a cooptação de políticos e financiamento de campanhas.
 
Esse decano dos bicheiros, falecido em 1997, percebeu os problemas que viriam com a Lei Pelé, que abriu as portas do Brasil para as internacionais criminosas, sob o falso manto do incentivo ao esporte.
 
A Lei Pelé possibilitou ao italiano Fausto Pellegrinetti, lavador de dinheiro da Máfia e dos cartéis colombianos de cocaína pós-Pablo Escobar, introduzir no Brasil os jogos de azar com máquinas eletrônicas. Os componentes eletrônicos eram adquiridos na Espanha e aqui montados. Pellegrinetti despachou ao Brasil, a fim de acertar com a cúpula dos bicheiros do Rio e com Ivo Noal, o mandachuva paulista da contravenção, o mafioso Lillo Lauricella, que aqui se estabeleceu sem ser incomodado pela polícia.
 
Preso na Itália pela chamada Operazione Malocchio (Operação Mau-olhado), iniciada em 1995 pela Direção Antimáfia dirigida pelo coronel Angiolo Pellegrini, o mafioso Lauricella contou, em juízo, do acordo celebrado com os bicheiros brasileiros. Numa das interceptações telefônicas entre Lauricella e Pellegrinetti foi dito que a Lei Pelé pegara o Brasil de surpresa, sem empresários com capital suficiente para a aquisição de máquinas e as espalhar pelo vasto território nacional, que não se resumia ao eixo São Paulo—Rio de Janeiro.
 
Para lavar o dinheiro dos cartéis colombianos da cocaína, Pellegrinetti escolheu o Brasil, a República Dominicana, onde lavava o dinheiro em flores exóticas e frutas, e a Rússia, com placas de alumínio. Por aqui, Pellegrinetti, com capital da cocaína colombiana, disseminou, no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Minas e Ceará, máquinas de jogos eletrônicos de azar.
 
Na primeira leva, foram 35 mil máquinas eletrônicas, todas com componentes da empresa espanhola Recreativos Franco, com sede em Madri e representação em 50 países, incluídos os EUA. Há décadas, a empresa fabrica e exporta máquinas e componentes eletrônicos para jogos de azar. O empresário Franco foi preso nos Estados Unidos, acusado de subornar um funcionário do Departamento de Fiscalização de Jogos de Azar do Estado do Arizona. Além do crime de corrupção, Franco respondeu por fraude por suspeitas relativas à alteração de programas de computadores, que afetaram 3.900 arquivos de três distintos sistemas de jogos. Em São Paulo, a família Ortiz, cujo inquérito foi arquivado por se aceitar a explicação de desconhecer que tratavam com criminosos internacionais, dividia com Ivo Noal a exploração da jogatina, com apoio na Lei Pelé.
Com o sucesso da Operazione Malocchio, quebrou-se a conexão brasileira executada por Fausto Pellegrinetti. Abriu-se espaço, então, para velhos (a juíza Denise Frossard condenou 14 deles) e novos empresários da jogatina substituírem os mafiosos: Lauricella virou colaborador de Justiça e, dois anos depois com outra identidade, acabou metralhado ao deixar um de seus cassinos abertos na Venezuela, naquilo que foi considerado um acerto de contas por ter delatado. Na noite do assassinato, Lauricella portava uma mala com vultosa renda do cassino, que permaneceu intata ao lado do corpo.
 
Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, é um dos filhotes da Operazione Malocchio e da incúria de algumas autoridades brasileiras, a começar pelo então ministro da Justiça, o atual senador Renan Calheiros. Com técnica mafiosa, Cachoeira montou uma “holding criminal” e recicla dinheiro lavado em atividades formalmente lícitas, por meio de inúmeras empresas, de remédios a automóveis.
Como um “capo-máfia”, Cachoeira infiltrou-se no poder, cooptou o senador Demóstenes Torres, que vestia panos de Tartufo à Molière, e sua organização criminosa passou, como faz a Cosa Nostra, a atuar parasitariamente. Também influenciava nas licitações, escolhendo os ganhadores de obras públicas e apadrinhando para cargos públicos, como aconteceu, por meio de interposta pessoa na mediação (Demóstenes), com indicação feita pelo senador Aécio Neves.
 
Como se nota, jamais o barão de Drummond imaginou tal evolução para o seu inocente jogo do bicho. Como fica claro no caso Cachoeira com a Operazione Malocchio, a Las Vegas, que dormiu o sono de Morfeu acalentado pelo procurador-geral Roberto Gurgel, e a Monte Carlo, o crime organizado no Brasil opera em rede, coopta autoridades, sustenta políticos. Mais ainda, como um parasita suga o Estado-nacional.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, cujo relatório final não vincula o Ministério Público, não será suficiente para contrastar ou inibir esse fenômeno criminal que mina o Estado Democrático de Direito. Recente proposta de tipificação de crime de corrupção para agentes públicos com patrimônio sem origem mostra o quanto estamos capengas e desconhecemos a experiência de fora. Na Itália, o patrimônio suspeito é de pronto apreendido e, em 20 dias, se não comprovada a origem, passa a ser propriedade do Estado-nacional.
 
Nas organizações criminosas especiais, que não são meras quadrilhas ou bandos, as pessoas que agem como intermediários, como senadores, governadores ou deputados, são enquadradas por associação externa ao crime organizado, algo não contemplado no nosso Código Penal. Um código em vias de reforma, com novos tipos, aumento de penas e prazos prescricionais, mas sujeito a um sistema de Justiça moroso, com foro privilegiado e escolha dos procuradores-chefes pelos governadores e pelo presidente da República. Quando os fiscalizados escolhem o fiscal, existe o risco de interferência dos Cachoeiras.   
 
Só para lembrar, CartaCapital, em três edições, denunciou o esquema da jogatina eletrônica de azar no Brasil, as suas ramificações internacionais e, por aqui, a lavagem de dinheiro escancarada do tráfico internacional de drogas proibidas. CartaCapital entrevistou o responsável pela Operazione Malocchio sobre a conexão criminal Itália—Brasil. Do lado italiano foram todos definitivamente condenados. No Brasil, o inquérito foi arquivado a pedido de um membro do Ministério Público Federal. Com o arquivamento, a conexão brasileira foi apagada, como se nunca tivesse existido. Com o “apagão”, os Carlinhos Cachoeiras acabaram “vitaminados” e posaram à sombra de políticos e da velha guarda do bicho, como Anísio Abraão, Capitão Guimarães, Turcão etc.
 
Wálter Fanganiello Maierovitch
 

………..
ENTREVISTA.
 
A jornalista Assimina Vlahou entrevistou para CartaCapital, o coronel da Direção Antimáfia, Angiolo Pellegrini e reproduzimos, na sequência, parte dela:
 
AV: Existiu a conexão Itália—Brasil, mencionada na Operação Malocchio relativa à lavagem de dinheiro da droga em máquinas eletrônicas de jogos de azar?
 
AP: Para nós, a conexão existiu. O grupo chefiado por Fausto Pellegrinetti, traficava droga e lavava o dinheiro proveniente deste tráfico em diversas atividades e diferentes países, inclusive no Brasil, através de Lillo Lauricella. Isso foi certificado com uma sentença nos três graus de juízo que dá o caso como encerrado na Itália.
Lauricella e Pellegrinetti foram condenados com base nas informações apuradas pela Operação Malocchio. No Brasil eles se dedicavam ao jogo de bingo, cujas máquinas compravam na Espanha e enviavam para o Brasil, onde eram montadas e colocadas em circulação.
 
AV: Como os senhores comprovaram a existência desta conexão?
 
AP: A ligação foi evidenciada através de material e de escuta telefônica. Houve também uma rogatória internacional. Na sede brasileira da Nevada — um galpão de 1.300 metros quadrados abandonado poucos meses antes da nossa chegada — encontramos peças de máquinas para jogos eletrônicos compradas por Lauricella e Pellegrinetti. Havia também manuais de assistência técnica para modificar a composição eletrônica das máquinas, além de documentos alfandegários que as acompanhavam. Esses documentos estavam em nome de Ref International de Miami com destino final Bingomatic.
 
AV: Qual foi o papel da Astro Turismo?
 
AP: Essa sociedade mantinha contato com Lauricella no âmbito da gestão das máquinas eletrônicas no Brasil e num giro de dinheiro por meio de alguns bancos cujos nomes não me recordo. Não posso afirmar se a Astro Turismo recebeu dinheiro diretamente ou se apenas gerenciava as máquinas. Havia um contato e isto ficou claro. A atividade é mais clara quando se fala em Bingomatic Eletronic, Nevada, Betatronic e Jerbra (com sede em Jersey), sociedades ligadas entre si.
 
AV: Na Itália se aplica o princípio de direito penal de territorialidade? Os brasileiros da conexão não foram processados por que suas ações ocorreram somente no Brasil?
 
AP: Existe uma questão de territorialidade sim. Não foi nem é de nossa competência verificar a eventual responsabilidade de cidadãos brasileiros. A autoridade judiciária italiana investiga apenas cidadãos italianos por crimes cometidos na Itália e no exterior, ou estrangeiros que cometem crime em território italiano. Nós investigamos a banda chefiada por Pellegrinetti e Lauricella e o percurso para a lavagem do dinheiro proveniente do tráfico de droga.
 
Não fizemos investigações no Brasil, mas rogatórias finalizadas a detectar esse dinheiro. Sabemos que eles compraram máquinas de jogo, que fizeram sociedade com algumas empresas e com a família Ortiz no Brasil, mas a eventual responsabilidade dos Ortiz não foi verificada por nós. Eles são brasileiros, as coisas aconteceram no Brasil, portanto não era de nossa competência, tanto que isso não aparece no processo. Não pudemos nem verificar se os Ortiz tinham conhecimento da procedência do dinheiro usado por Lauricella.
 
AV: Quando da conexão Itália—Brasil, qual era a fama e os antecedentes de Lauricella e Pellegrinetti?
 
AP: Quando iniciamos as investigações da Operação Malocchio em 1995, Pellegrinetti era foragido e ainda é — a polícia italiana ainda não conseguiu detê-lo, apesar da colaboração da Interpol. Sua atividade no tráfico de droga e lavagem de dinheiro havia sido detectada através de outra operação: a Green Ice, em 1992. Naquela ocasião ficou clara sua ligação com o cartel dos colombianos e com as máfias calabresa e napolitana. Numa das rogatórias que enviamos ao Brasil pedimos informações para tentar localizá-lo no território, mas não tivemos resposta”.
 
 
 

 

Nassif:

Postagem no Blog do Garotinho (aaaarg) sobre as ligações do titular do governo do Rio de Janeiro com a Delta Construtora.

Coloco aqui apenas a título de informação pois o cheiro do Garotinho nunca ne agradou, logo...

BLOG DO GAROTINHO:

http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=10740

27/04/2012 16:38Exclusivo! Cabral, Cavendish e secretários dançam na “boquinha da garrafa” no Hotel Ritz, em Paris

Eu sei que as pessoas vão se revoltar, mas enquanto sofriam no trem, no metrô ou nas barcas lotadas sendo tratados como gado, ou então amargavam nas filas de uma UPA sem atendimento, Cabral e seus amigos viajavam pelo mundo em “vôos da alegria”, pagos com o dinheiro público, fazendo farras, esbanjando. 

Vou mostrar nesta postagem apenas as primeiras imagens para vocês terem noção do escândalo. Cabral seus amigos e secretários zombam do povo, das instituições, se comportam como uma dessas delegações de ditadores de republiqueta que vão para Paris torrar o dinheiro que roubam de seus países, e que se esbaldam, sem nenhuns modos pagando micos inacreditáveis depois de encherem a cara. 

Observem abaixo, em duas fotos tiradas dentro do restaurante do Hotel Ritz, de Paris, Sérgio Côrtes, Fernando Cavendish e o secretário Wilson Carlos, mais duas pessoas que não identifiquei com guardanapos amarrados na cabeça, embriagados, dançando a música da “Boquinha da Garrafa” (segundo o depoimento de quem me enviou o material), debochando, rindo às gargalhadas, escandalizando certamente os milionários que freqüentam o refinado ambiente, e ainda por cima causando uma péssima imagem dos brasileiros. É um deboche total! 


Sérgio Côrtes, Fernando Cavendish e Wilson Carlos dançando na boquinha da garrafa na maior galhofa em ParisSérgio Côrtes, Fernando Cavendish e Wilson Carlos dançando na boquinha da garrafa na maior galhofa em Paris

Nas fotos abaixo, na porta do Hotel Ritz, Cabral está eufórico junto com Cavendish agachado, os dois ainda em brincando em clima da Dança da Boquinha da Garrafa. Cabral está em casa, em Paris, levando vida de rei, esbanjando o dinheiro do povo em vinhos e champanhes de mais de US$ 1.000, numa verdadeira orgia com o dinheiro público que escandaliza e com certeza vai causar indignação. 


Em clima da "boquinha da garrafa", Cabral e Cavendish dançam na porta do Hotel Ritz, enquanto os amigos caem na gargalhadaEm clima da "boquinha da garrafa", Cabral e Cavendish dançam na porta do Hotel Ritz, enquanto os amigos caem na gargalhada

Se vocês pensam que viram alguma coisa isso não é nada. Ainda hoje vamos mostrar Fernando Cavendish abraçado com Régis Fichtner, em Paris, o homem designado por Cabral para investigar os contratos da Delta com o Estado. Mais tarde vocês vão ver o secretário Wilson Carlos, na Avenida Champs Elysées, em Paris, posando para uma foto junto a uma Ferrari de US$ 1 milhão. E amanhã vocês poderão ver o vídeo onde Cabral combina com Fernando Cavendish na mesa de um bar, a data do casamento do empresário. Até domingo vamos mostrar aqui no blog o quanto Cabral e seus secretários são perdulários, irresponsáveis, nababescos. Aguardem! 


Em tempo: Nas fotos em que aparece Cabral, atrás, de barba está o ex-secretário estadual de Fazenda, Joaquim Levy. 

 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

JERUSALÉM, 28 Abr 2012 (AFP) -Yuval Diskin, ex-diretor do Shin Beth, o serviço de segurança interno israelense, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Ehud Barak, de "enganar" os israelenses a respeito do Irã.

''Acreditem em mim, observei de perto esta gente (Netanyahu e Barak). Não acredito que estejam em um nível suficiente para administrar o evento (uma guerra com o Irã) e executá-lo a bom termo. Não confio", afirmou Diskin em uma reunião pública, segundo o jornal Haaretz e a rádio militar.

"Enganam o país sobre o assunto Irã. Afirmam que se Israel agir, o Irã não terá a bomba nuclear. É enganoso. Muitos analistas israelenses afirmam que um ataque israelense acelerará a corrida nuclear do Irã", completou Diskin, que comandou o Shin Beth de 2005 a 2011.

"Não acredito em uma liderança que toma decisões baseadas em sentimentos messiânicos", declarou Diskin.

Meir Dagan, ex-diretor do serviço secreto de Israel, o Mossad, também adotou um tom duro contra Netanyahu, ao chamar de "aventura perigosa" um eventual ataque ao Irã.

Há vários meses, Israel cita a ameaça de atacar as instalações nucleares iranianas. O Estado hebreu acusa o Irã de negociar apenas para ganhar tempo, mas Teerã alega que o programa é apenas civil.

Ao comentar os riscos de violência na sociedade israelense, Diskin não poupa os compatriotas.

"Nos últimos 10 a 15 anos, Israel se tornou cada vez mais racista. Todos os estudos demonstram isto. Há um racismo contra os árabes, os estrangeiros e nos tornamos uma sociedade mais belicosa".

"Além disso, hoje temos dezenas de extremistas judeus, não apenas nos territórios (palestinos), mas também nos limites da linha verde (em Israel), que estariam dispostos a pegar em armas contra os irmãos judeus no caso de retirada das colônias".

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5744165-EI294,00-Exdiretor+do+Shin+Beth+governo+engana+israelenses+sobre+o+Ira.html

 

A blindagem ao tucanato começa a ruir?

Pela primeira vez a Folha deixa os acessórios de lado (Delta, Agnelo) e vai direto ao âmago da questão (Demóstenes-Cachoeira-Perilo):

 

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

 

O próximo passo é a Folha falar da participação da Veja no episódio. Por enquanto, a velha mídia está sendo furada por todos os lados, pela blogosfera, pelo twitter, e pelo facebook.

 

 A decisão unânime de uma revisão histórica.


STF mostra abismo entre elite e o país

A decisão do Supremo sobre cotas marca um momento histórico. A mais alta corte de Justiça do país admitiu não só que existem brasileiros tratados como cidadãos de segunda classe, mas que eles têm direito a um tratamento especial para vencer a desigualdade.

A votação unânime mostrou, do ponto de vista jurídico, que as cotas são um projeto compatível com a Constituição.

Do ponto de vista histórico, é a decisão mais relevante sobre o assunto desde a Lei Áurea. Pela primeira vez o Estado brasileiro não se limita a punir o racismo, como se faz desde  os anos 50, mas pretende tomar medidas efetivas para beneficiar a população negra e ajudá-la a vencer uma perversidade histórica. Sai de uma perspectiva formal para assumir as funções concretas de combater a desigualdade na vida cotidiana.

A decisão mostrou, do ponto de vista político, um abismo entre nossa elite econômica e política  e o conjunto do país.

O STF uniu-se para defender as cotas. Ministros chamados conservadores e progressivas responderam, cada um à sua maneira, às alegações dos adversários das cotas.

Embora tenha usufruído de um espaço imenso nos meios de comunicação, no placar do Supremo o combate às cotas ficou ainda menor do que o partido que a patrocinou, o DEM, cada vez mais insignificante na definição dos rumos do país. Mas um partido político pode ser desfeito, incorporado a outro, reformado e assim por diante.

Mas o que faz uma elite que não consegue compreender para onde vai o país onde ocupa o topo da sociedade, dirige a economia e tem uma influencia importância na ação do Estado, mesmo que o governo não esteja nas mãos de seus representantes prediletos?

Essa é a pergunta.

Ficou claro que, do ponto de vista dos ministros, nos últimos anos o Brasil foi inundado por argumentos retóricos, falsas questões, ginásticas verbais e até teses desqualificadas demais para serem levadas a sério.

Vários ministros ensinaram aos interessados que a principal tese contra as cotas – de que elas ameaçam a igualdade entre os cidadãos – é puro improviso jurídico.

Para começar, vários grupos sociais diferenciados  – mulheres, crianças, deficientes físicos – têm direito a preferências negadas aos demais. Ninguém, nunca, achou ruim.

Vários ministros lembraram Ruy Barbosa, que ensinou que é preciso tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade.

Cezar Peluso explicou que só é possível falar em disputa pelo “mérito individual” para ingresso nas universidades públicas entre pessoas que  competem em situação de igualdade ou pelo menos “assemelhada.”

Marco Aurélio Mello disse que o combate às cotas se alimenta de uma visão preconceituosa da própria Constituição. Lembrou que dez anos de experiência com o sistema em nada contribuíram para transformar o Rio de Janeiro num estado “racialista”, um dos fantasmas originalíssimos dos adversários, que querem nos fazer acreditar que o racismo brasileiro iria início com as políticas de ação afirmativa – e não seria fruto de um passado perverso, onde a escravidão foi abolida sem que se tomassem medidas coerentes para integrar os negros ao conjunto da sociedade.

Celso Mello lembrou que o país se libertava, naquela votação, do pensamento  que havia criado a “ideia, ou mito, da democracia racial” de Gilberto Freyre, para aderir a visão do professor Florestan Fernandes, autor do clássico A Integração do Negro na Sociedade de Classes, e seu aluno, Fernando Henrique Cardoso.

Celso Mello ainda homenageou uma militante aguerrida do movimento negro, Edna Roland, uma das principais ativistas no combate ao racismo.

Mencionando ironicamente um fato ocorrido durante a ditadura militar, Celso Mello lembrou que, ao ser questionado em organismos internacionais sobre medidas que havia tomado para enfrentar a discriminação racial, o governo dos generais escreveu a seguinte resposta: “não há medidas a relatar porque não há discriminação racial no Brasil.”

Essa feia realidade começou a se transformar em entulho após a decisão do Supremo.

O Brasil está mudando e tem gente que não percebe. Vários ministros falaram sobre a necessidade de modificar e ajustar a política de cotas, em particular na forma que ela assumiu na Universidade de Brasília, que foi o foco do julgamento.  Este é o debate para o futuro.

A lição de ontem foi vencer o passado, mostrando que não é possível manter eternamente um sistema de opressão e preconceito que prejudica e humilha 51% dos brasileiros.

Quem queria, de verdade,  que a desigualdade fosse vencida por idéias clássicas que nunca foram implementadas – como escolas melhores nos bairros pobres — deve reconhecer que o tempo histórico para iniciativas convencionais já passou. Foram décadas e décadas de promessas jamais cumpridas.

Também cabe perguntar: se as escolas públicas ficaram piores até mesmo em bairros de classe média, por que se deveria levar a sério a promessa de ocasião de que irão melhorar na periferia?

Vamos combinar: seria até falta de respeito pedir aos cidadãos negros que aguardassem o tempo histórico de várias gerações em nome da promessa de que, um dia, seus bisnetos e tataretos quem sabe poderiam disputar um lugar ao sol como os demais brasileiros.

Seria lhes pedir — olha o tamanho da indignidade — que aceitassem a posição subalterna por muitos e muitos anos ainda, concordassem com a cidadania de segunda classe em nome do conforto alheio. Em resumo: o que se queria é seguissem concordando com a própria discriminação.

Isso é até possível sob uma ditadura. Mas é difícil sob uma democracia, onde os homens e mulheres não são iguais mas, a cada quatro anos, cada um vale um voto.  Essa é, no fundo, a grande mensagem da votação.  Quem não entendeu, não entendeu o país.

http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/04/26/stf-m...

 

Código Florestal: esta base aliada vale a pena?

O que vimos na Câmara dos Deputados com a votação do Código Florestal foi uma cena vergonhosa. O desserviço que a Casa envia à presidenta Dilma não é comemorado pela maioria da sociedade brasileira. Ao contrário, em ano de Rio +20, o que foi aprovado é a motosserra em nossas florestas, o desrespeito à nossa Amazônia, às nossas águas, aos nossos mangues, ao nosso meio ambiente. É uma afronta aos nossos camponeses. Estes, os verdadeiros preservadores do meio ambiente, por vezes tiveram sua identidade manchada por aqueles que teimam tomar a nossa voz, de camponês, para justificar o absurdo que aqui foi votado.

Nós, nordestinos, por vezes, fomos evocados para justificar o injustificável. Deu dor de estômago!

Desde o começo, os comprometidos com a agricultura camponesa, familiar e o meio ambiente sabíamos que a situação era difícil e complicada: não podíamos criar novos textos, mas escolher o texto do Senado, que apesar de ter pontos problemáticos, ainda era melhor que o da Câmara, que pode ser apelidado de Código Ruralista.

Tivemos uma aula de como a luta de classes é presente, ainda que muitos teimem em dizer que ela não existe: a bancada ruralista, uníssona em seus interesses, em detrimento daqueles que lutam pela produção de alimentos saudáveis, que precisam da natureza preservada para a sua sobrevivência.

Neste caso, não existe base aliada! Pergunto-me: vale a pena ter uma aliança tão ampla? Esta base está comprometida com os seus interesses, não com os projetos do povo. É a mesma base que não quer a reforma agrária, a mesma base que quer tirar o poder de nossa Presidenta de titular terras aos indígenas com a PEC 215; é a mesma base que emperra a votação da PEC do Trabalho Escravo há anos no Congresso Nacional.

No caso do Código Florestal, repito: da mesma forma que o relatório de Aldo Rebelo foi uma vergonha, o mesmo pode ser dito do relatório de Paulo Piau.

Precisamos impedir a possibilidade de recuperar só metade das áreas que foram desmatadas em beiras de rios e nascentes até junho de 2008; a desobrigação de recuperar as reservas legais desmatadas até 2008 para todos os imóveis com até quatro módulos fiscais; a possibilidade de recuperar ou preservar a reserva legal e/ou a Área de Proteção Permanente em outra propriedade de um mesmo bioma. Temos ainda que impedir que haja a autorização da recomposição das reservas legais e áreas de proteção permanentes com até 50% de espécies exóticas, o que aumentaria os desertos verdes de eucalipto e pinus, além da permissão do plantio de lenhosas em áreas com inclinação maior de 45° e topos de morros.

O Núcleo Agrário do PT trabalhará pelo Veta Dilma! É preciso mais que nunca uma grande mobilização social para não retroceder!

http://www.brasildefato.com.br/node/9450

 

Com Cachoeira, Demóstenes combina 'bater' em Gurgel, um 'sem vergonha'


Em conversa com contraventor, parlamentar diz ser importante atacar procurador-geral, que arquivou representações da oposição contra Palocci

Investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) chamou o procurador-geral, Roberto Gurgel, de "sem vergonha" durante o escândalo do caso Palocci, em 2011. Áudios obtidos pelo Estado mostram que, em conversa com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o parlamentar afirmou que tinha de "bater" em Gurgel para ele não se animar a investigá-lo.

Segundo a Polícia Federal, a interceptação foi feita na manhã seguinte a um pronunciamento no Senado em que Demóstenes criticava a atuação do procurador-geral, que arquivou a investigação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci, por enriquecimento ilícito a partir de consultorias supostamente prestadas por sua empresa, a Projeto. A representação foi feita pelos partidos de oposição. Na ocasião, o senador foi um dos maiores críticos à postura de Gurgel.

"Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente também, você entendeu? Agora, se ele está cumprindo obrigação do governo, agora ele inocenta o governo e depois pega um da oposição. Isso é sem vergonha. Se não bater nele, ele anima", disse Demóstenes, em conversa às 10h06 do dia 7 de junho de 2011. Cachoeira elogiou o discurso do parlamentar e ressaltou que o procurador ficou "desmoralizado" depois da fala do senador.

Na época em que Demóstenes criticava Gurgel, a PF já havia remetido ao procurador peças do inquérito da Operação Vegas, que demonstravam a proximidade entre o senador e Cachoeira. Nos grampos, o parlamentar pede dinheiro ao contraventor para pagar suas despesas. Contudo, mesmo de posse do material desde 2009, o procurador só pediu autorização ao STF para investigá-lo em 2012, após a crise provocada pela Operação Monte Carlo.

Na quarta-feira, dia da primeira sessão da CPI do Cachoeira no Congresso, o senador Fernando Collor (PTB-AL) propôs a convocação de Gurgel, mas o requerimento foi rejeitado. Questionado pela imprensa sobre por que não pediu autorização para investigar Demóstenes em 2009, Gurgel afirmou que o inquérito daquele ano dependia de informações que só viriam a ser obtidas na Monte Carlo, deflagrada há dois meses.

‘Fumaça’. As interceptações mostram que o senador e Cachoeira cogitavam representar ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a recondução de Gurgel ao cargo. O procurador teria, segundo Demóstenes, deixado de cumprir sua obrigação funcional. "Seria uma ótima representar contra ele no Conselho," diz o senador, animado com a proposta de Cachoeira de fazer um ato contra a recondução de Gurgel ao cargo.

Em 3 de agosto, durante a sabatina para a recondução, Demóstenes voltou a questionar o procurador sobre o arquivamento no caso Palocci. "Causou estranheza porque, para se iniciar uma investigação, bastam indícios, que são fumaças, e o que nós imaginávamos é que (ele) iria abrir um processo de investigação. Vossa excelência teve documentos a que nós não tivemos acesso, que são sigilosos, e há algumas situações muito estranhas. O Supremo já admitiu investigação a partir de matérias de jornal", afirmou o senador.

Na época, Gurgel afirmou que não via indícios de crime e, por isso, decidiu arquivar as representações. "Não é possível concluir pela presença de indício idôneo de que a renda havida pelo representado (Palocci) como parlamentar ou por intermédio da Projeto adveio da prática de delitos, nem que tenha usado do mandato de deputado federal para beneficiar eventuais clientes de sua empresa perante a administração pública."

Nesta sexta-feira, 27, a Procuradoria-Geral da República não comentou as críticas de Demóstenes relacionadas à atuação de Gurgel. Por meio de seu advogado, o senador informou que não comentaria os áudios da Monte Carlo.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,com-cachoeira-demostenes-com...

 

70% dos assassinatos de jornalistas no Brasil ficam impunes

Da BBC Brasil

São Paulo - Aproximadamente 70% dos assassinatos de jornalistas registrados no Brasil nos últimos vinte anos ficaram impunes, segundo levantamento da organização americana Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

O caso mais recente é o do repórter de política e blogueiro Décio Sá, baleado em um restaurante no dia 23 em São Luís (MA). Sá trabalhava no jornal O Estado do Maranhão, da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB).

O CPJ contabilizou 20 assassinatos de jornalistas entre 1992 e 2012 no Brasil, sendo que 14 não foram punidos. Outros seis foram parcial ou totalmente esclarecidos e seus culpados punidos. O Brasil foi classificado pelo comitê em 11º lugar entre os países onde há mais impunidade contra profissionais da imprensa.

"Os crimes contra jornalistas continuam sendo um dos principais problemas que a imprensa enfrenta nas Américas", afirmou em nota Gustavo Mohme, da Sociedade Interamericana de Imprensa, após a morte de Sá.

O levantamento da CPJ, entretanto, já está desatualizado. A organização contabilizou em 2012 apenas o assassinato do jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, em Vassouras (RJ), em fevereiro. Não foram incluídos no estudo a recente morte de Sá e os assassinatos do radialista Laécio de Souza, da rádio Sucesso FM, de Camaçari (BA), ocorrida em janeiro, e do repórter do Jornal da Praça e do site Mercosulnews, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, em Ponta Porã (MS), em fevereiro.

Dos quatro assassinatos de jornalistas de 2012, apenas o de Laércio Souza foi esclarecido pela polícia. Segundo a Polícia Civil da Bahia, ele foi morto por criminosos em janeiro na cidade de Simões Filho (região metropolitana de Salvador) após descobrir e denunciar um esquema de narcotráfico que operava em uma comunidade onde Souza planejava realizar trabalhos sociais.

Um suspeito foi preso e aguarda julgamento. Um adolescente foi apreendido e submetido a 45 dias de medida socioeducativa. Um segundo adolescente que participou do crime foi achado morto.

Sobre o assassinato de Sá, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmou que um suspeito chegou a ser detido, mas não foi formalmente indiciado. As mortes de Rodrigues e Lopes permanecem sem solução.

Segundo a pesquisa do CPJ, a maior parte das vítimas são jornalistas que denunciaram casos de corrupção. Em segundo lugar vêm os repórteres policiais e, em terceiro, aqueles que escrevem sobre temas políticos. Porém, mais comuns que os assassinatos são os casos de intimidação e ameaças.

Após escrever reportagens sobre assassinatos extrajudiciais cometidos por maus policiais em 2003, o repórter especial paulistano J., de 54 anos, começou a receber ameaças e teve que "desaparecer" por 40 dias. Depois trabalhou por mais de quatro meses protegido por uma escolta armada.

"Muda tudo na sua vida. Você se dá conta que é extremamente vulnerável", afirmou J. "A minha família ficou desesperada, se eu atrasasse cinco minutos era motivo para muita preocupação. Quase entrei em depressão", disse.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-27/70-dos-assassinatos-d...

 

Julgamento de Demóstenes em plenário será em junho

Em caso de condenaçao pelo Conselho de Ética do Senado, a sessão secreta em plenário para votação do eventual parecer de cassação por quebra de decoro parlamentar do senador Demóstenes Torres (sem partido) deverá ocorrer em meados de junho. A tramitação do processo, que deve ser instaurado até 10 de maio no Conselho, prevê três votações cruciais, que antecedem o julgamento em plenário.

"Vou seguir rigorosamente os prazos regimentais" - promete o relator no Conselho de Etica, senador Humberto Costa (PT/PE?). Após entrega da defesa por Torres, prevista para hoje, Costa tem cinco dias para apresentar relatório preliminar, no qual recomenda ao Conselho abertura de processo ou arquivamento do caso. Este parecer é votado e só então se instaura o processo - o que é dado como certo.

A etapa seguinte deve durar aproximadamente um mês, mesmo que sejam convocadas testemunhas para depor. Simultaneamente, ocorrerem os trabalhos da CPI mista que apura as relações do bicheiro Carlos Cachoeira com setores público e privado, na qual Torres também é investigado. Humberto Costa é membro titular também desta CPI.

Concluída a apuração no Conselho de Ética, Costa elabora o relatório final sugerindo punição a Demóstenes Torres ou arquivamento do caso. Este relatório também é votado no Conselho. Se o parecer aprovado for pela cassação por quebra de decoro parlamentar, ele segue para a Comissão de Constituição e Justiça, para nova votação. A CCJ, porém, apreciará apenas a constitucionalidade do parecer antes de enviá-lo ao plenário para votação secreta.

"É preciso ter claro que se trata de um julgamento político" - ressalta o relator. O senado tem pressa em concluir o caso Demóstenes antes do recesso de julho, e do esvaziamento do Congresso motivado pelo processo eleitoral.

http://noticias.r7.com/blogs/christina-lemos/2012/04/25/julgamento-de-de...

 

Nassif, vi que no post  “A bola de neve que gerou o silviokoerich.org” foi publicada várias inverdade sobre o escritor Nessahan Alita .

 

 

Sobre Nessahan Alita 

Nessahan Alita não é, e nunca foi misógino, seus livros de auto ajuda masculina, sempre procuraram ajudar os homens a se desenvolverem em seus relacionamentos, mostrando a mulher como ele é, sem idealizações ou distorções ideologizadas destes tempos feministas .

Como disse o colega Joao AM :

“Ele não defende a violência doméstica, muito menos a agressividade com as mulheres. Aliás de "novo" ele só escreveu o primeiro livro, os outros foram só pra explicar para os malucos de plantão que ele não é misógino e nem defende atitudes agressivas. 

O que ele escrevia é sobre resistência emocional. Livros de auto-ajuda sobre como impedir que as emoções levem os homens a se tornarem completos idiotas e escravos da paixão.

Hoje ele nem mesmo escreve mais sobre relacionamentos. Agora, o assunto dele é gnose e meditação.” 

 

O texto deste post, escrito por Ricardo Dantas não condiz com a realidade, tanto que o Nessahan Alita se afastou da internet e renegou sua obra quando viu que ela vinha sendo usada para aglutinar ideias conservadoras, manipuladas por desonestidade intelectual , misturando suas ideias sobre o relacionamento homem- mulher com os arrombos direitistas de gente como Olavo de Carvalho, Reinaldo de Azevedo e Bolsonaro.

 

Quanto ao Masculinismo brasileiro

Como disse acima os Guerreiros da Real, são fruto da mistura das ideias de Nessahan sobre o perfil masculino ideal, a mulher moderna e a dinâmica dos relacionamentos, com as tradicionais ideias direitistas dos Bolsonaros e Olavos de carvalhos da vida.

Mas o importante é o link entre essas coisas se deve ao fato que a infelicidade dos homens atuais se deve as liberação feminista, a perca dos valores morais e familiares  decorrentes disso, daí então a busca ao conservadorismo como ideal de homens retos, justos, provedores; mulheres dóceis, mais altruístas, menos refém das vaidades e do hedonismo, famílias fortes e unidas .

Porém essa busca a um ideal de homens e mulheres a moda antiga , não só deságuo no conservadorismo no sentindo puro,(isso se deve também ao fato deles terem importado muitas ideias dos masculinistas americanos) mas também  a ideias torpes  dignas do Reinaldo de Azevedo, Marcatismo fajuto e coisas do tipo

Em tese o movimento masculinista dos Guerreiros da Real, não representam ameaça, eles tem ideias bacanas, e se esforçam em organizar e dilvulgar seus ideais , mas são alguns seguidores estragam e queimam o filme do movimento . 

 

Do Blog da Cidadania:

Resta à Veja fazer de Policarpo o seu bode expiatório

 

Se existia dúvida quanto à inclusão da revista Veja no rol dos que serão investigados pela CPI do Cachoeira, a partir do vazamento na internet do inquérito que foi enviado ao Congresso pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, tal duvida virou pó.

Quem deu o furo foi o controverso site Brasil 247, que tem comprado briga com a Veja, com blogs progressistas, reacionários e que, entre seus colunistas, conta com figuras antagônicas como o petista José Dirceu e o tucano Artur Virgílio.

A importância do furo é tão grande e o conteúdo do inquérito tão explosivo que o Jornal Nacional citou a fonte, de onde eclodiu uma cachoeira de acusações contra o já exangue Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, que mantém ar impoluto apesar da lama que já lhe chega à cintura.

E é aí que entra a revista Veja, apesar de, por enquanto, continuar de fora dos telejornais.  A publicação aparece mal na fita, ou melhor, nas fitas das gravações da Polícia Federal que figuram no inquérito.

Em um dos trechos largamente divulgados na internet, Cachoeira e companhia aparecem decidindo em que seção da revista deverão ser publicadas informações que passaram ao editor Policarpo Jr., informações que a quadrilha pretende que prejudiquem seus adversários nos “negócios”.

Como se não bastasse, a transcrição das escutas revela que as imagens do ex-ministro José Dirceu se encontrando com membros do governo federal em um hotel de Brasília que Veja publicou, foram fornecidas pelo esquema de Cachoeira.

E essas são só algumas das muitas garimpagens que estão sendo feitas por uma legião de internautas no material divulgado pelo 247, que ainda não inclui os contatos do editor da Veja com a quadrilha apesar de ele e a publicação aparecerem nos diálogos, o que sugere que ainda há material oculto.

Torna-se impossível, assim, que a CPI deixe de convocar, se não o dono da Veja, Roberto Civita, ao menos o seu editor Policarpo Jr. a fim de dar explicações, pois o que já vazou deixa claro que a mera relação fonte-repórter que a revista alega era muito mais do que admite.

Diante da confirmação de maior envolvimento da Veja no escândalo, parece lícito especular que, se a chapa esquentar, Policarpo pode receber uma proposta do patrão: assumir sozinho ônus dessa relação inexplicável que fez de Cachoeira uma espécie de ghost-editor da revista.

Esse tipo de proposta se baseia em pagamento de alta soma e apoio jurídico integral. Como o bode expiatório, supõe-se, não tem passagens pela polícia, torna-se réu primário, ou seja, não vai para a cadeia. E, depois de ultrapassado o desgaste do processo, sai rico dele.

A Veja sairia chamuscada, mas sem responsabilização criminal. É o que está acontecendo na Inglaterra, no caso Murdoch. Ele diz que “não sabia” de nada e empurra a culpa para os funcionários. Só que não está funcionando. Mas isso é na Inglaterra e estamos no Brasil.

 

VOTO DE RICARDO LEWANDOWSKI COTAS RACIAIS UNB ADPF 186



 

A imprensa acusou a Delta da tia do PAC. O Governo do Estado de São Paulo é PAI, TIO E AVÔ da Delta. As águas da cacheira lá são mais profundas do que a Federal.

Do site Transparência São Paulo (não é do governo do estado).

sexta-feira, 27 de abril de 2012Delta/Cachoeira teve mais de R$ 900 milhões em contratos com o governo paulista Share/ On : Sexta-feira, Abril 27, 2012 - Contribua com o Transparência São Paulo; envie seu artigo ou sugestão para o email: transparenciasaopaulo@gmail.com(do Transparência SP)O governo paulista também "bebeu" na "Cachoeira".Segundo o governador Alckmin, os contratos da Delta com o governo paulista eram "ínfimos".Agora revela-se que a história não é bem essa.A Delta teve pelo menos 27 contratos com o governo do Estado de SP de 2002 a 2011, principalmente com o DER, o DAEE e a SABESP.Os valores corrigidos chegam a R$ 943,2 milhões.Como não foi possível obter o valor de dois contratos, é possível que as cifras atinjam mais de R$ 1 bilhão.Entre as obras de maior destaque realizadas pela Delta, está um lote da polêmica Nova Marginal Tietê.Vale lembrar que tal obra tinha um valor inicial de R$ 1 bilhão, mas segundo reportagem do Estadão, já havia atingido a cifra de R$ 1,75 bilhão, sem ainda estar concluída. Estima-se que tal obra deva já ter atingido valores superiores aos R$ 2 bilhões.Mais ainda, a Delta venceu a concorrência do segundo lote da Nova Marginal Tietê com um valor de apenas R$ 2,4 milhões inferior à segunda colocada, mas depois recebeu aditivos de R$ 71 milhões.Em outras palavras, "mergulhou" no preço para "vencer a licitação" e depois foi agraciada com aditivos poupudos. O mesmo que teria ocorrido em outras obras e em outros Estados, divulgados pela imprensa.A cachoeira passou por São Paulo e parece não ter fim.Na reportagem abaixo, as primeiras informações sobre o assunto. Segue abaixo tabela detalhada com os valores e os contratos.  (do Estado de S.Paulo, por Fausto Macedo) 
A bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo quer investigação sobre os contratos da Delta Construções com o governo estadual. Em requerimento protocolado no Ministério Público, ontem, três deputados da sigla - João Paulo Rillo, Adriano Diogo e Enio Tatto - apontam que obra executada pela empreiteira teve aumento de 75% sobre o valor inicial.
Já está em curso na Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital - braço do Ministério Público que investiga improbidade - um procedimento sobre a obra.O PT sustenta existência de "possíveis irregularidades e ilegalidade" em contratos formalizados pelo consórcio Nova Tietê, integrado inclusive pela Delta, alvo da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.O diretor da Delta para a Região Sudeste, Heraldo Puccini Neto, está foragido - a Justiça em Brasília decretou sua prisão preventiva por envolvimento em suposto esquema de fraude em licitações na área de transporte público do Distrito Federal.O PT suspeita que o contraventor Carlos Cachoeira é sócio oculto da Delta. Os parlamentares citam reportagem do Estado, que revelou que o custo da Nova Marginal ficou em R$ 1,75 bilhão - 75% acima do estimado no primeiro orçamento, em 2008.Segundo a representação, seria possível construir 300 escolas ou 7 hospitais de 200 leitos cada com os R$ 750 milhões extras que já foram gastos com a avenida. "Vale ressaltar que, até agora, a obra está incompleta."Os deputados ressaltam que outros órgãos públicos do Estado mantêm contratos com a Delta. No período de 2002 a 2012, assinala o requerimento da bancada do PT, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fecharam contratos com a Delta que somam cerca de R$ 800 milhões, em valores não corrigidos.Segundo os deputados, a maior parte desse volume de recursos, R$ 664 milhões, foi celebrada na gestão do ex-governador José Serra e outros R$ 140 milhões, na gestão Geraldo Alckmin (PSDB). "Diante desses fatos, os deputados solicitam que se apurem os indícios de atos de improbidade", diz a representação.



 

 

zanuja

Com Cachoeira, Demóstenes combina 'bater' em Gurgel, um 'sem vergonha'Em conversa com contraventor, parlamentar diz ser importante atacar procurador-geral, que arquivou representações da oposição contra PalocciAlana Rizzo e Fábio Fabrini

Investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) chamou o procurador-geral, Roberto Gurgel, de "sem vergonha" durante o escândalo do caso Palocci, em 2011. Áudios obtidos pelo Estado mostram que, em conversa com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o parlamentar afirmou que tinha de "bater" em Gurgel para ele não se animar a investigá-lo.

Segundo a Polícia Federal, a interceptação foi feita na manhã seguinte a um pronunciamento no Senado em que Demóstenes criticava a atuação do procurador-geral, que arquivou a investigação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci, por enriquecimento ilícito a partir de consultorias supostamente prestadas por sua empresa, a Projeto. A representação foi feita pelos partidos de oposição. Na ocasião, o senador foi um dos maiores críticos à postura de Gurgel.

"Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente também, você entendeu? Agora, se ele está cumprindo obrigação do governo, agora ele inocenta o governo e depois pega um da oposição. Isso é sem vergonha. Se não bater nele, ele anima", disse Demóstenes, em conversa às 10h06 do dia 7 de junho de 2011. Cachoeira elogiou o discurso do parlamentar e ressaltou que o procurador ficou "desmoralizado" depois da fala do senador.

Na época em que Demóstenes criticava Gurgel, a PF já havia remetido ao procurador peças do inquérito da Operação Vegas, que demonstravam a proximidade entre o senador e Cachoeira. Nos grampos, o parlamentar pede dinheiro ao contraventor para pagar suas despesas. Contudo, mesmo de posse do material desde 2009, o procurador só pediu autorização ao STF para investigá-lo em 2012, após a crise provocada pela Operação Monte Carlo.

Na quarta-feira, dia da primeira sessão da CPI do Cachoeira no Congresso, o senador Fernando Collor (PTB-AL) propôs a convocação de Gurgel, mas o requerimento foi rejeitado. Questionado pela imprensa sobre por que não pediu autorização para investigar Demóstenes em 2009, Gurgel afirmou que o inquérito daquele ano dependia de informações que só viriam a ser obtidas na Monte Carlo, deflagrada há dois meses.

‘Fumaça’. As interceptações mostram que o senador e Cachoeira cogitavam representar ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a recondução de Gurgel ao cargo. O procurador teria, segundo Demóstenes, deixado de cumprir sua obrigação funcional. "Seria uma ótima representar contra ele no Conselho," diz o senador, animado com a proposta de Cachoeira de fazer um ato contra a recondução de Gurgel ao cargo.

Em 3 de agosto, durante a sabatina para a recondução, Demóstenes voltou a questionar o procurador sobre o arquivamento no caso Palocci. "Causou estranheza porque, para se iniciar uma investigação, bastam indícios, que são fumaças, e o que nós imaginávamos é que (ele) iria abrir um processo de investigação. Vossa excelência teve documentos a que nós não tivemos acesso, que são sigilosos, e há algumas situações muito estranhas. O Supremo já admitiu investigação a partir de matérias de jornal", afirmou o senador.

Na época, Gurgel afirmou que não via indícios de crime e, por isso, decidiu arquivar as representações. "Não é possível concluir pela presença de indício idôneo de que a renda havida pelo representado (Palocci) como parlamentar ou por intermédio da Projeto adveio da prática de delitos, nem que tenha usado do mandato de deputado federal para beneficiar eventuais clientes de sua empresa perante a administração pública."

Nesta sexta-feira, 27, a Procuradoria-Geral da República não comentou as críticas de Demóstenes relacionadas à atuação de Gurgel. Por meio de seu advogado, o senador informou que não comentaria os áudios da Monte Carlo.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,com-cachoeira-demostenes-com...

 

do Opera Mundi

 

Inquérito sobre escândalo de escutas revela influência de Murdoch sobre governo britânicoDesde 1988, magnata das telecomunicações se encontrou mais de cem vezes com lideranças políticas do país   

 

A cada novo desdobramento do escândalo dos grampos telefônicos do Reino Unido, as relações entre um dos maiores conglomerados midiáticos do planeta e a cúpula da política britânica revelam-se mais íntimas.

Efe

Manifestantes exibem cartazes com protestos contra Murdoch e seu filho

Na semana em que o proprietário da gigante News Corp., o magnata Rupert Murdoch, prestou depoimento à justiça britânica, líderes partidários e até mesmo o secretário da Cultura, Jeremy Hunt, foram colocados em xeque nessa que é uma das maiores crises de ética jornalística do país.

Em seu depoimento nesta quinta-feira (26/04), Murdoch admitiu ter errado e se disse arrependido pelos procedimentos adotados por sua empresa. O magnata falou, no entanto, em uma suposta “operação” que tentava encobrir os casos de grampos telefônicos.

Dois dias antes, era James Murdoch, filho do magnata australiano e vice-diretor da corporação, quem prestava esclarecimento às autoridades que compõem o chamado Leveson Inquiry, inquérito instaurado a partir da crise das escutas telefônicas para apurar as técnicas de captação de notícias empregadas pela mídia do país.

Na ocasião, James disse que era “evidente por si só” que os veículos de sua empresa falharam em criar “transparência suficiente” em suas estratégias jornalísticas. Entretanto, justificou-se alegando que, à época, “não conseguiu reparar nessa deficiência”.

 

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Retórica

Sir Michael Lyons, ex-presidente do conselho responsável pela gestão da BBC, também intensificou a repercussão das audiências dessa semana ao revelar supostos vínculos entre o atual secretário de Cultura do gabinete do premiê David Cameron, Jeremy Hunt, e a direção da BSkyB, empresa de telecomunicações do conglomerado de Murdoch.

Em declarações ao portal da BBC, Lyons afirmou que Hunt era “influenciado pela retórica de Murdoch”. Assim, ele teria sido “tendencioso” em favor dos interesses da BSkyB durante negociações sobre taxas de licenciamento da emissora pública no ano de 2010. Um porta-voz de Hunt, entretanto, replicou as acusações e considerou-as “bizarras”.

Efe

Murdoch chega ao Tribunal Superior de Londres acompanhado por sua esposa, Wendi Dengg

Cameron tentava blindar a figura de Hunt recusando-se a pedir o início de uma investigação do Executivo sobre a conduta do secretário. Contudo, declarações de fontes ligadas a Lord Leveson, magistrado responsável pelo inquérito, reforçam o papel do primeiro-ministro enquanto figura responsável pelo zelo da lei. Hunt chegou a pedir a Leveson que antecipasse, “pelo interesse da justiça”, a data de sua audiência. A requisição foi negada.

De Thatcher a Cameron

O jornal britânico The Guardian quantificou o volume de encontros que Rupert Murdoch teve com primeiros-ministros e membros de seus gabinetes desde o fim do governo de Margareth Thatcher, em 1990, até os dias de hoje.

Entre conferências, cafés da manhã, almoços e jantares, gabinetes de trabalhistas e conservadores já recepcionaram Murdoch e os interesses da News Corp. nada menos do que 113 vezes. Desse total, a maior parcela (cerca de 33%) representa encontros com o ex-premiê trabalhista Tony Blair.

Embora o contato fosse intenso, Murdoch trocaria o apoio dispensado aos trabalhistas em 2009. Naquele ano, de acordo com o The Guardian, James Murdoch se reuniu com o então líder da oposição conservadora David Cameron, para firmar simpatias políticas nas eleições que se seguiriam.

 

do Blog Dennis de Oliveira - Revista Forum

 

A Senzala começa a entrar na Casa Grande27 de abril de 2012 às 7:08 Nenhum Comentário

Depois da votação unânime do Supremo Tribunal Federal ontem a favor das cotas raciais nas universidades, fiquei pensando em como o racismo está impregnado fundo na sociedade brasileira. E este racismo se combina com um elitismo que parece até atávico em certas pessoas.

Os argumentos dos que são contrários as cotas raciais nas universidades lembram falas de vários tempos passados em momentos que se discutiam – e aprovavam – normas que beneficiavam grupos sociais excluídos. Algumas delas foram bem lembradas pelo jornalista Elio Gaspari, em coluna publicada na FSP de 25/04 e republicadas no portal Viomundo:

Em 1871, quando o Parlamento discutia a Lei do Ventre Livre, argumentou-se que libertando-se os filhos de escravos condenava-se as crianças ao desamparo e à mendicância. “Lei de Herodes”, segundo o romancista José de Alencar.

 

Quatorze anos depois, tratava-se de libertar os sexagenários. Outro absurdo, pois significaria abandonar os idosos. Em 1888, veio a Abolição (a última de país americano independente), mas o medo a essa altura era menor, temendo-se apenas que os libertos caíssem na capoeira e na cachaça.

Como dizia o Visconde de Sinimbu: “A escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo”. A votação do projeto foi acelerada pelo clamor provocado pelo linchamento de um promotor que protegia negros fugidos no interior de São Paulo. Entre os assassinos, estava James Warne, vulgo “Boi”, um fazendeiro americano que emigrara depois da derrota do Sul na Guerra da Secessão.

As cotas seriam coisa para inglês ver, “lumpenescas propostas de reserva de mercado”. Estimulariam o ódio racial e baixariam a qualidade dos currículos da universidades. Como dissera o barão de Cotegipe, “brincam com fogo os tais negrófilos”. Os cotistas seriam incapazes de acompanhar as aulas.

Passaram-se dez anos, pelo menos 40 universidades instituíram cotas para afrodescendentes e hoje há milhares de negros exercendo suas profissões graças à iniciativa.

Acrescento ainda, de minha parte: quando foram legalizadas as férias trabalhistas, houve quem dissesse que os trabalhadores iriam se perder na bebida e na vadiagem; que a aprovação do salário família iria estimular os pobres a terem filhos em demasia e ainda sobre as cotas raciais, que alunos negros tendo um desempenho inferior nos exames vestibulares por conta da sua formação deficiente no ensino médio não conseguiriam acompanhar o nível superior.

Infelizmente para quem pensa assim, a realidade foi para o outro lado. Principalmente porque tais argumentos estão muito mais fundados em sentimentos de racismo, de preconceito contra as classes subalternizadas, de elitismo do que em fatos.

Não conheço nenhum estudo que tenha comprovado uma correspondência direta entre desempenhos no vestibular e na vida acadêmica (por exemplo, se os que passaram em primeiro lugar nos vestibulares são, de fato, os melhores alunos na universidade). E nem tampouco se estes desempenhos – no vestibular e na vida acadêmica – se reverberam em qualidade profissional (será que os primeiros colocados na Fuvest viraram os melhores alunos dos cursos da USP e, daí, os profissionais mais gabaritados nas suas áreas?).

O que tem incomodado nas cotas é que elas se transformaram na primeira política pública efetiva de garantia de oportunidades para afrodescendentes e demonstram o reconhecimento oficial e prático (e não apenas retórico) da existência do racismo no Brasil. Por isto que, de repente, apareceu um monte de gente dizendo que “não existem raças”, “somos todos seres humanos”, “negro e branco é igual, são filhos de Deus” (sic); uma retórica vazia que tenta encobrir a realidade com um desejo moral (se é que, de fato, este desejo existe na cabeça de várias pessoas que afirmam isto).

Finalmente, há aqueles que, de repente, viraram os grandes defensores da “melhoria do ensino público” como forma de reduzir as desigualdades. Estranho este argumento crescer de repente pois lembro-me da polêmica que parcela significativa da sociedade, com apoio da mídia, realizou quando a ex-prefeita Marta Suplicy construiu os CEUs (Centros de Educação Unificados) nas periferias argumentando que eram “muito caros”, “exagerados” e vai por aí afora.

No fundo, o que incomoda é a democratização do acesso às ilhas de privilégios construídos pelas elites – entre as quais as universidades públicas. O racismo e o preconceito são os principais mecanismos ideológicos que legitimam na sociedade brasileira este pensamento elitista.

 

DEUS mostra como o Universo evoluiu desde sua criação

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/04/2012

DEUS mostra como o Universo evoluiu desde sua criação
Embora a idade do Universo seja calculada em 13,7 bilhões de anos, a luz pode ter viajado muito mais do que isso desde o Big Bang, dependendo do modelo utilizado: o mais radical prevê um Universo com 45 bilhões de anos-luz. [Imagem: Deus Consortium]

Energia escura do Universo

Uma equipe de pesquisadores do Laboratório Universo e Teorias, da Universidade Paris Diderot, na França, concluiu a primeira etapa da simulação do Universo inteiro.

Ou, pelo menos, do Universo observável.

O objetivo é simular em computador o desenvolvimento de todo o Universo, do Big Bang até os nossos dias.

Esta é a primeira de três "rodadas" do projeto DEUS (Dark Energy Universe Simulation, simulação da energia escura do universo, em tradução livre).

O projeto, que ocupa um supercomputador em tempo integral, conseguiu seguir a evolução de 550 bilhões de partículas nessa primeira rodada.

Teorias sobre Energia Escura

Enquanto a matéria escura fica cada vez mais obscura e os raios cósmicos cada vez mais misteriosos, os cientistas esperam ter melhores resultados com a energia escura.

A simulação foi programada com base em três teorias sobre a energia escura.

A primeira é a do modelo padrão de formação do universo com uma constante cosmológica, aquela que Einstein se arrependeu de ter tirado de suas equações, uma vez que ela permitiria que ele tivesse previsto a expansão do Universo - "Foi o maior erro da minha vida," teria dito o cientista.

A equipe pretende rodar novas simulações com outros dois modelos.

O segundo será caracterizado por um componente de energia escura dinâmico, que preencheria todo o Universo.

O terceiro modelo pressupõe uma modificação na lei da gravidade em grandes escalas, levando em conta os efeitos de um componente em aceleração, chamado "energia escura fantasma".

DEUS mostra como o Universo evoluiu desde sua criação
De zoom em zoom, os cientistas franceses já conseguiram simular 550 bilhões de partículas. [Imagem: Deus Consortium]

Confirmações das teorias

Se alguma das teorias estiver corretas, será possível estabelecer seus efeitos sobre a formação da estrutura do Universo e, desta forma, estabelecer alvos para novas observações astronômicas.

Na prática o caminho será o inverso: a partir das previsões de cada teoria, as simulações permitirão estabelecer alvos em busca de uma eventual confirmação.

Graças ao seu supercomputador Curie, com 92.000 CPUs, os cientistas esperam ter todos os resultados até Maio deste ano.


Fonte:  Site Inovação Tecnológica- www.inovacaotecnologica.com.brURL: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=deus-mostra-como-universo-evoluiu-desde-sua-criacao

 

 

 

 

Transístor bioeletrônico é fabricado com clara de ovo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/04/2012

Transístor bioeletrônico é fabricado com clara de ovo
A clara de ovo foi diretamente aplicada no processo produtivo, sem nenhum tratamento a não ser o aquecimento. Como material semicondutor foi usado pentaceno ou carbono-60. [Imagem: Chang et al./SPIE]

Eletrônica biológica

Você certamente já ouviu falar da eletrônica orgânica e sua promessa de dispositivos finos, flexíveis, ambientalmente corretos e mais baratos.

Na verdade, é grande a chance de que seu telefone celular tenha uma tela feita de LEDs orgânicos, ou OLEDs.

O termo "orgânico" se refere ao fato de que esses novos componentes são fabricados com elementos à base de carbono, geralmente polímeros.

Mas Jer-Wei Chang seus colegas da Universidade Nacional Cheng Kung, em Taiwan, demonstraram que a eletrônica orgânica pode ser muito mais orgânica do que se supunha - ela pode se tornar uma bioeletrônica.

A equipe criou transistores totalmente funcionais usando como elemento dielétrico a clara de ovo, diretamente aplicada no processo produtivo, sem nenhum tratamento a não ser o aquecimento - ou seja, eles usaram clara de ovo frita.

Transístor bioeletrônico

Biomateriais já são utilizados como semicondutores e como dielétricos, mas são materiais sintetizados, obtidos por meio de processos em múltiplas etapas.

"A clara de ovo parece ser o material ideal para a eletrônica orgânica, uma vez que ela é fácil de processar, largamente disponível e de baixo custo," escrevem os pesquisadores.

"O calor transforma a clara de ovo de líquido em um sólido insolúvel, conforme suas proteínas sofrem uma desnaturação irreversível, quebrando suas cadeias lineares para formar redes," explicam eles.

O transístor de efeito de campo bioeletrônico - um BioFET - foi construído depositando a albumina seca sobre óxido de índio titânio e, a seguir, colocando os eletrodos.

O rendimento do BioFET, em termos de corrente de saída, foi quase o dobro dos transistores orgânicos que usam dielétricos de polímero, como o polimetil metacrilato.

Os transistores, de tipo p e n, foram usados para construir inversores e verificar seu funcionamento na prática, o que revelou sua estabilidade.

Bibliografia:
Egg white in organic electronics
Jer-Wei Chang, Cheng-Guang Wang, Chong-Yu Huang, Tzung-Da Tsai, Tzung-Fang Guo, Ten-Chin Wen
SPIE Optics East 2006 Conference Proceedings
Vol.: Published online
DOI: 10.1117/2.1201203.004149


Fonte:  Site Inovação Tecnológica- www.inovacaotecnologica.com.brURL: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=transistor-bioeletronico-fabricado-clara-ovo

 

 

da Agência Brasil

 

Professor defende investimentos em agroecologia como alternativa ao uso de agrotóxicos27/04/2012 - 10h44

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Brasil pode deixar de ser o maior consumidor mundial de agrotóxicos e se tornar o maior produtor de alimentos saudáveis. Para que o país viva uma “verdadeira revolução ecológica” é preciso investir no desenvolvimento da agroecologia, destaca o professor Fernando Ferreira Carneiro, chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB). Ele é um dos responsáveis pelo dossiê que será lançado hoje (27) durante o Congresso Mundial de Nutrição, no Rio de Janeiro, reunindo diversos estudos sobre os riscos do uso do agrotóxico no país.

O documento também será apresentado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), marcada para junho, no Rio de Janeiro.

“Há alternativas para alimentar o mundo sem agrotóxicos e a agroecologia é o caminho que pode gerar um novo modo de vida. O Brasil vive uma situação muito crítica, com o uso descontrolado de agrotóxico no campo. Mas é possível mudar essa condição com investimento e apoio à política estratégica da agroecologia”, destacou.

O professor explicou que a agroecologia é baseada em práticas sustentáveis, que envolvem o manejo ecológico dos recursos naturais e formas de ação coletiva desde a produção até a circulação dos produtos.

“O setor da agricultura camponesa e familiar, que é responsável por abastecer 70% da mesa do brasileiro, não conta com os mesmos incentivos que o agronegócio no Brasil”, lamentou.

O presidente da Associação Brasileira de Orgânicos (Brasilbio), José Alexandre Ribeiro, defende o resgate e o desenvolvimento de tecnologias que respeitem a biodiversidade local como forma de garantir a sustentabilidade das lavouras, além da qualidade dos alimentos consumidos pelos brasileiros.

“O uso de agrotóxicos, além de contaminar os alimentos, está destruindo a nossa biodiversidade. O produtor rural precisa entender que a erva daninha pode não ser prejudicial, mas algo que nasce para beneficiar o solo; entender que a terra tem sua biodiversidade que contribui para a produção, ajuda a planta a se alimentar e a produzir um alimento saudável. Temos que resgatar e desenvolver tecnologias baseadas nessa cultura”, defendeu.

Um exemplo de agricultura sustentável que vem dando bons resultados é o plantio do chamado “feijão maravilha”, em Rio das Ostras, cidade da Região dos Lagos fluminense. Por meio do Programa de Incentivo ao Plantio, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, cerca de 70 produtores rurais, utilizando grãos de qualidade e sem aplicar nenhum tipo de agrotóxico, têm conseguido aumentar a produtividade e a renda familiar.

Criado em 2005, o programa oferece aos agricultores o maquinário necessário para preparar o solo, além das sementes, do adubo e da assistência técnica. Ao produtor cabe a responsabilidade pelos cuidados com a lavoura. De acordo com a secretaria, em 2011 foram plantados 84 hectares e a produtividade chegou a 1.250 quilos por hectare (kg/ha), mais do que o dobro da média do estado, em torno de 600 kg/ha.

A agricultora Ziena Rodrigues, de 75 anos, que participa do programa desde o início, disse que a experiência local é a prova de que é possível “produzir sem veneno”. “A gente tem apoio na aração, na plantação e na venda. É possível plantar sem essas químicas, porque aqui dá muito feijão e ninguém bota veneno de espécie nenhuma.”

Ela explicou que é preciso “carinho com a terra e respeito ao seu tempo” para garantir a colheita. “Temos que capinar no tempo certo, plantar no tempo certo e esperar a colheita secar bem. A dica é fazer ao controle da capina, capinar bem e na hora certa”, contou, acrescentando que sua produção aumentou 100% desde que entrou para o projeto.

“Hoje, eu planto um quadrado pequeno de meio hectare e costuma dar uma tonelada de feijão, o que é muito bom. Este ano plantei 1,5 hectare e estou esperando colher 4 toneladas”, disse.

Para estimular as pesquisas, a produção e o uso de defensivos agrícolas de origem natural em substituição ao agrotóxico sintético, a senadora Ana Rita (PT-ES) propôs a criação da Política Nacional de Apoio ao Agrotóxico Natural. O objetivo é desenvolver novas tecnologias de baixo custo para o produtor rural, aumentar a produção agrícola livre de defensivos agrícolas e reduzir a contaminação do meio ambiente. Ela propõe que as pesquisas sejam financiadas com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e do Fundo Nacional de Meio Ambiente.

A política também prevê a liberação de linhas de crédito com taxas de juros menores para os agricultores que comprovarem utilizar agrotóxicos naturais.

Segundo a senadora, o projeto está na Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal. Se aprovada, a matéria tramitará nas comissões de Ciência e Tecnologia e de Agricultura e Reforma Agrária, antes de ir para a discussão em plenário.

Edição: Juliana Andrade

 

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,serra-pede-apoio-de-sindicatos-ja-em-2012,866279,0.htm

Destaque para 

Alckmin chegou a iniciar seu discurso com o bordão "companheiros e companheiras",    !



Serra pede apoio de sindicatos já em 2012

PSDB lança núcleo para se aproximar de trabalhadores e movimentos sociais e fortalecer mobilização nas eleições municipal, estadual e federal

27 de abril de 2012 | 22h 30

Bruno Boghossian, do estadão.com.br

Ao realizar nesta sexta-feira, 27, o primeiro congresso sindical do PSDB, líderes tucanos atacaram a relação do PT com os sindicatos e apresentaram aos trabalhadores os benefícios da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. A aproximação com as entidades de classe em ano eleitoral é uma tentativa do partido de criar um grupo mobilizado para a disputa deste ano e de 2014 e aproximar a sigla dos movimentos sociais.

Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (SP) pediu o apoio dos sindicatos. "Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano." Em 2014, o novo núcleo quer eleger um deputado estadual e um federal por Estado.

Diante de uma plateia de sindicalistas que se esvaziou ao longo do dia, o presidente do partido, Sérgio Guerra, o governador Geraldo Alckmin (SP), Serra e o senador Aécio Neves (MG) afirmaram que a relação da sigla com sindicalistas e trabalhadores "não é uma novidade".

Alckmin chegou a iniciar seu discurso com o bordão "companheiros e companheiras", marca do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PSDB é um partido que dá prevalência ao trabalho sobre o capital. Foi importante para os trabalhadores com o Plano Real e com a estabilização da moeda", disse.

A festa custou cerca de R$ 800 mil ao partido. O presidente do núcleo sindical do PSDB, Antônio de Sousa Ramalho, chegou a pedir doações para construtoras, mas diz não ter recebido nada.

A sigla pagou transporte aos presentes na plateia, que incluía tucanos sem relação com entidades trabalhistas. O público foi engrossado pela Força Sindical, a quem Ramalho é ligado. O presidente da central, Paulinho da Força (PDT), sentou-se na primeira fileira do palanque. "A Força é pluralista, não pode ser ligada a um único partido", disse.

Organizadores afirmavam que havia representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no evento, grupo tradicionalmente ligado ao PT. Os tucanos não quiseram identificá-los, pois eles "temiam represálias".

Popstar. Possível candidato à Presidência em 2014, Aécio aproveitou o discurso para atacar o governo Dilma Rousseff. "Não queremos sindicatos a serviço de um partido político, como acontece na relação da CUT com o PT", afirmou. Depois, no palco, distribuiu autógrafos em camisetas atiradas a ele - principalmente das mulheres da plateia.

Adversários dentro do PSDB, Aécio e Serra nem se olharam nos cinco minutos em que estiveram lado a lado. Depois que Aécio discursou, Serra foi o último a se levantar para aplaudi-lo.

 

 
Re: Clipping do dia
 

do Caros Amigos

 

Site da Afropress é atacado e fica 12h fora do ar

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Ataque virtual ocorreu no mesmo em que STF julgou constitucional as cotas raciais

Da Redação

O site da Agência Afroétnica de Notícias, a Afropress, foi alvo de ataque virtual na quinta-feira (26/4) e teve que ser tirado do ar. Em nota denúncia divulgada à imprensa, o jornalista Dojival Vieira relaciona o ataque à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela constitucionalidade das cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB) - ambos ocorreram na quinta.

Mais:

STF decide pela constitucionalidade das cotas raciais 

O ataque ao site da Afropress começou por volta de 12h de quinta (26) e obrigou o provedor a retirar a página do ar para evitar maiores danos ao conteúdo gravado nos diretórios.

Segundo Vieira este não foi o primeiro ataque virtual ao site. "Os autores de mais esse crime são os mesmos que há sete anos passaram a ter a Afropress como alvo. O ataque desta vez, certamente, é uma represália covarde às manifestações de alegria por parte de milhões de negros (as) e antirracistas, que tomaram conta do país, desde que o ministro Carlos Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, proclamou o resultado", afirma na nota o jornalista se referindo à votação pela constitucionalidade das cotas raciais.

Para o editor da Afropress, os ataques serão esclarecidos com a investigação da Polícia Federal, cujas ações contra grupos racistas levou à prisão um ex-estudante da própria UnB, Marcelo Valle Silveira Mello, e o empresário Emerson Eduardo Rodrigues, pegos em Curitiba (PR).

Além de investigação policial, a Afropress pretende fazer denúncia formal a entidades civis, como sindicados de jornalistas, órgãos de direitos humanos e à Corte Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). “Nem um passo atrás. Como das outras vezes, voltaremos ainda mais determinados a continuar o nosso trabalho. Não nos calaram antes. Não nos calarão agora. Não nos calarão jamais! Venceremos!”, afirma na nota.

A Afropress recolocou o site no ar nessa sexta-feira (27), após 12 horas inoperante.

 

Polícia Federal pôs grampo na sala de Cavendish

Além das escutas telefônicas, a PF conseguiu implantar uma escuta ambiental no escritório do dono da Delta, informa Leandro Mazzini, na Coluna Esplanada


Extra
PF plantou escuta na sala de Cavendish
A situação delicada da Construtora Delta vai além dos contratos firmados com o governo federal. Durante a Operação Monte Carlo, numa ação ousada, cinematográfica e com recursos de alta tecnologia, a Polícia Federal implantou escuta ambiental, com áudio e vídeo, no QG da empreiteira: a sala de Fernando Cavendish, o dono da empresa. Os poucos que sabem do caso já propalam que se a PF ou o Ministério Público vazarem o que têm em mãos, será a CPI das Empreiteiras


Segredo
Entre as quatro paredes do gabinete do quarto andar do Ed. Central, na Av. Rio Branco, no Centro do Rio, teria desfilado a nata da turma do concreto nacional


http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/policia-federal-pos-grampo-na-sala-de-cavendish/


 

 

"Só merece a liberdade e a vida quem luta por elas cada dia." Goethe

da Agência Brasil

 

Ex-perseguidos fazem manifestação para pedir rapidez na instalação da Comissão da Verdade27/04/2012 - 20h58

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Ativistas dos direitos humanos e ex-perseguidos políticos da ditadura militar fizeram uma passeata no início da noite de hoje (27) na Avenida Paulista, na região central da cidade. Após a caminhada, eles entregaram uma carta no escritório da Presidência da República pedindo que a presidenta Dilma Rousseff nomeie rapidamente os sete membros que integrarão a Comissão da Verdade.

A lei que cria a comissão foi sancionada em novembro. Falta agora a nomeação dos membros que serão responsáveis por investigar as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. A comissão terá dois anos para tomar depoimentos e requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer os abusos.

Membro do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, José Luiz Del Roio, disse que a urgência é importante por causa da idade avançada das pessoas que viveram o período ditatorial – entre 1964 e 1985. “Muitos de nós, que somos testemunhas, a idade começa a ser muito avançada. O tempo está levando muitos de nós. Nesse sentido, a presidenta precisa se apressar, caso contrário, não existirão testemunhas”, ressaltou.

Amelinha Teles, que faz parte da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, disse que a principal preocupação é que não sejam indicados militares para fazer parte da Comissão da Verdade. “Infelizmente, a representação, tanto do Exército como das Forças Armadas, neste momento não tem idoneidade, por não terem esclarecido os fatos, e por isso, não podem participar”, declarou.

Outro ato para pressionar pela instalação da comissão está marcado para a próxima quarta-feira (3), na Rua Tutóia, onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). O local é apontado como um dos principais centros de tortura durante o regime militar.

 

Edição: Aécio Amado

 

do Estadão

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Universidades de SP descartam cotasUSP tem programas de inclusão de alunos de escola pública e não pretende adotar sistema27 de abril de 2012 | 22h 13 . . . Paulo Saldana - O Estado de S.Paulo

Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela legalidade das cotas raciais, a USP não pretende adotar o sistema. Em 2009, quando assumiu a reitoria da USP, João Grandino Rodas afirmou que as cotas seriam "discutidas" no Conselho Universitário, mas o assunto só foi falado de forma marginal durante debate para reforma do programa de inclusão de alunos de escolas públicas na instituição.

 

As universidades estaduais Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp) também informaram que não vão adotar cotas. USP, Unesp e Unicamp defendem a prevalência do mérito na seleção, embora tenham ações de inclusão - sem, no entanto, reservar vagas.

A ONG Educafro afirmou que vai entrar com uma ação na Justiça contra as três instituições para que o sistema seja adotado. O processo deverá ser protocolado até o dia 11 de maio.

"Após a decisão do STF e da orientação expressa dos ministros, vamos entrar com ação de Obrigação de Fazer", afirma o presidente da Educafro, frei David dos Santos. "Único programa que provou eficiência na inclusão de negros é a cota. Se a USP provar que incluiu a mesma porcentagem de negros que a UERJ e UnB, eu mudo de opinião", afirmou.

Quando Rodas foi escolhido reitor da USP, a Educafro comemorou. Rodas havia defendido as cotas em conversas com a ONG. Em entrevista ao Estado, no dia em que foi anunciado reitor, disse: "Realmente é necessário que a USP discuta cotas e outras coisas. Por essa razão, vamos levar essa problemática ao Conselho Universitário".

A USP não informou a quantidade de negros matriculados. A universidade mantém o Programa de Inclusão Social (Inclusp), que dá bônus no vestibular a estudantes da rede pública. Neste ano, 28% dos novos alunos vieram de escolas públicas.

Apesar de não adotar reserva de vagas, a Unicamp é a única que tem benefício específico para pretos, pardos e indígenas. Eles chegam a receber 7% de bônus na nota, cerca de 2 pontos porcentuais a mais que alunos de escola pública - também beneficiados. "Não existe nenhum indicador novo que nos leve a repensar nosso modelo", afirma o coordenador do vestibular da Unicamp, Mauricio Kleinke. No último vestibular, 8,9% dos matriculados na Unicamp vieram do grupo de pretos, pardos e indígenas - índice recorde.

A Unesp também não soube informar a participação de negros entre os matriculados. A instituição foi a que mais incluiu alunos de escola pública: 41%. 

 

do Opera Mundi

Japão e EUA confirmam saída de 9 mil fuzileiros da ilha de OkinawaEssa revisão do acordo militar vem antes da visita do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, a Washington.   

 

Japão e Estados Unidos confirmaram nesta sexta-feira (27/04) que nove mil soldados norte-ameircanos que estavam na ilha japonesa de Okinawa serão transferidos a Guam, Havaí e Austrália. O local foi palco de uma das maiores batalhas da Segunda Guerra e cuja tomada ajudou a motivar a rendição japonesa.

A decisão faz parte de um acordo pra a reorganização dos mais de 40 mil soldados norte-americanos no país asiático. Residentes de Okinawa querem a remoção da base de Futenma próxima por achar que ela barulhenta e perigosa. Outro motivo seria o estupro de uma menina de 12 anos por um soldado norte-americano, em 1995, caso que teve grande repercussão no país.

 

Leia mais

 

 

Uma declaração conjunta indicou que ambas as partes mantêm o compromisso com respeito ao translado da base de Futenma de uma área urbana para uma região costeira, ambas em Okinawa. Boa parte da população do território, onde se concentra a presença militar norte-americana, se opõe a esse plano e exige a retirada da referida instalação de solo japonês.

Com este movimento de forças, o Pentágono incrementará sua presença na Austrália, como parte da estratégia para a região da Ásia-Pacífico, onde busca uma maior influência em frente à China. Guam e Havaí são territórios norte-americanos. O anúncio deste passo precede a visita que o premiê Yoshihiko Noda realizará aos EUA a partir da próxima segunda-feira. Estima-se que o tema estará em suas conversas com o presidente Barack Obama.

 

do Pragmatismo Político

 

Jovem acusa Luciano Huck de ‘caloteiro’ e se diz humilhado por organizadores de concursoPostado em: 27 abr 2012 às 15:32 | Rede GloboNão é a primeira vez que o programa Caldeirão do Huck e o próprio apresentador são acusados de dar a volta por cima em parceiros ou participantes da atração.wilson melo huck harlem concurso

Wilson de Melo chora de alegria ao vencer concurso do programa Caldeirão do Huck. Dois anos se passaram e promessas não foram cumpridas. (Foto: reprodução)

O atleta Wilson de Melo fez um enorme desabafo em seu Facebook onde acusa o programa ‘Caldeirão do Huck’ de não honrar com o prêmio do concurso em que ele foi o vencedor.

Leia abaixo a íntegra do desabafo do rapaz:

“No dia 24 de abril de 2010, o CALDEIRÃO DO HUCK promoveu o concurso HARLEM GLOBETROTTERS BRASILEIRO que elegeu um brasileiro para fazer parte da equipe norte americana de basquete. Me tornei o campeão da competição que foi transmitida em rede nacional pela Rede Globo. Mas dois anos depois, ou seja, exatamente HOJE, não assinei nenhum contrato internacional com os Harlem Globetrotterscomo havia sido prometido no programa Caldeirão do Huck pelo próprio apresentador, LUCIANO HUCK.

As organizações promotoras do evento prometeram que eu iria morar, estudar e fazer turnê com os Harlem Globetrotters nos Estados Unidos por um ano, com tudo pago e remuneração. Com base nessas promessas, desfiz-me de todos os meus bens materiais, fiz uma enorme despedida com os amigos e familiares e me preparei fisicamente para representar o Brasil, e fiquei aguardando um posição das organizações promotoras do concurso para partir e iniciar o sonho de viver do basquete.

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Infelizmente, nada que foi prometido se realizou. Passei por muita humilhação durante a turnê no Brasil por organizadores do concurso. Tenho gravações absurdas dos organizadores falando coisas que ficariam chocados em ouvir. É muito triste toda essa situação, é muito humilhante para qualquer atleta.

Mas agora o que me resta é compartilhar a minha história com todos vocês, sem vergonha, medo ou qualquer arrependimento. Quero que as pessoas que torceram por mim no dia do concurso e as que se orgulharam da minha conquista como brasileiro saibam de todo o ocorrido. Até porque não fui o único enganado em toda esse história, mas vocês também.

O sentimento de frustração é muito grande, só que a vontade de viver e seguir em frente supera muito mais esse sentimento ruim. Sim, me tornei vítima de organizações que buscaram mais promover uma marca do que realizar o sonho de um garoto, embora assim tenham prometido.

Caso você não compactue com essa injustiça, compartilhe esta história, para que mais sonhos não sejam frustrados de forma leviana e irresponsável, tratados como meras mercadorias a serviço de grandes lucros.

Pois é gente, no mundo de negócios, talento não é suficiente. Muito triste isso.”

Confira os vídeos que mostram Wilson sendo campeão: Vídeo 1 – Vídeo 2

Não é a primeira vez que o programa Caldeirão do Huck e o próprio apresentador são acusados de dar a volta por cima em parceiros ou participantes da atração. Os “Manos da Oficina”, antigos responsáveis pelas reformas dos carros do quadro “lata velha”, divulgaram um extenso relato de protesto e de denúncia, desde a sua entrada a saída do quadro na Rede Globo, em que discorriam sobre possível golpe que sofreram do apresentador e seus produtores. O caso foi parar na justiça.

Luciano Huck e a Rede Globo ainda não se pronunciaram sobre as acusações do atleta Wilson de Melo.

 

QUALQUER cachorrada com a cidadania brasileira esta liberada pela vaca do estado brasileiro.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

da Rede Brasil Atual

 

PSDB mira 2014, estimula área sindical e corteja parte da base de apoio de Dilma

Primeiro escalão tucano prestigia congresso e destaca importância dos trabalhadores. Aécio fala em "volta às origens"

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 27/04/2012, 16:00

Última atualização às 19:44

  PSDB mira 2014, estimula área sindical e corteja parte da base de apoio de Dilma

Aécio Neves disse que o partido está convocando os trabalhadores para construir a 'nova e urgente agenda nacional' (Foto: George Gianni/PSDB)

 

São Paulo – Ao realizar seu primeiro congresso sindical, hoje (27), o PSDB espera ter dado a largada para voltar ao Palácio do Planalto em 2015. A avaliação corrente foi de que o partido falhou, em eleições passadas, ao não dar voz aos trabalhadores. Agora, pretende lançar pelo menos 200 candidaturas saídas do núcleo sindical tucano nas eleições municipais deste ano. Para 2014, a ideia é eleger pelo menos uma dupla de deputados estadual e federal em cada estado. Ao mesmo tempo, o PSDB se aproxima de sindicalistas de outras centrais e partidos, que dois anos atrás apoiaram a candidatura vitoriosa de Dilma Rousseff e hoje integram a base aliada. O secretário-geral do PSDB em São Paulo, Cesar Gontijo, chegou a dizer que o tucano, símbolo do partido, ganhou a perna que faltava e agora poderia voar.

Os dois organizadores do núcleo sindical do PSDB – Antônio Ramalho e Melquíades Araújo – são vice-presidentes da Força Sindical, comandada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que é dirigente do PDT – Paulinho esteve no congresso, realizado na região central de São Paulo, e foi cortejado pelo governador Geraldo Alckmin, pelo senador Aécio Neves (MG) e pelo ex-governador José Serra, pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Também participaram o presidente da UGT, Ricardo Patah, filiado ao PSD de Gilberto Kassab (Patah, por sinal, deixou o congresso para almoçar com o prefeito paulistano), além de Francisco Pereira de Sousa Filho, o Chiquinho, dirigente da UGT e do PPS. Paulinho e Patah apoiaram a candidatura Dilma.

Ao chegar, o presidente da Força foi questionado sobre a possível aproximação com o PSDB, inclusive com a participação de Aécio Neves na comemoração do 1º de Maio. Ele afirmou que o ex-governador mineiro participou de outros eventos da central e destacou o “pluralismo” da Força. “Uma central não pode ser ligada a um único partido. Sempre incentivamos que os trabalhadores se organizem em partidos”, disse o sindicalista, que no início deverá se licenciar da Força para sair candidato a prefeito em São Paulo. “É importante também que os partidos aceitem os trabalhadores”, acrescentou Paulinho. Ele cobrou do PSDB que inclua um sindicalista em sua direção. “Sindicalista não é só para colar cartaz.”

Patah, da UGT, reforçou: "Temos de parar de carregar bandeiras e distribuir santinhos perto de eleições. Precisamos construir as leis a nosso favor". Para Chiquinho, a presença dos trabalhadores na política é fundamental. “O mundo sindical só avançará efetivamente quando puser um pé dentro do Parlamento”, afirmou o dirigente, para quem a representação atual no Congresso é “pífia”. Isso também vale para a disputa pelo Executivo, acrescentou. “Queremos que todos os partidos levem em conta a luta dos trabalhadores. Se o movimento sindical estiver influenciando dentro dos partidos, é possível influenciar na escolha de um candidato à Presidência da República.” Mas, para ele, todos continuam devendo: “Desde Cabral, todas as políticas foram direcionadas da classe média para cima”.

À deriva

Alguns dos presentes ao congresso já escolheram o nome: Aécio Neves. Minas Gerais, por sinal, foi onde se formou o primeiro núcleo sindical do PSDB, um pouco antes de São Paulo. O ex-prefeito de Contagem (MG) Ademir Lucas foi explícito ao citar o nome do senador. “O PSDB vai voltar ao poder”, afirmou. Foi em Contagem que, em 1994, Fernando Henrique Cardoso teve oficializada a sua primeira candidatura a presidente.

Idealizador do núcleo sindical, o presidente do PSDB paulista, Pedro Tobias, disse que o movimento sindical “estava à deriva” no partido. “Sindicato precisa participar não só na hora de pedir voto, mas para fazer política. Não ganhamos eleição só em sala fechada.” E também fez referência a um “candidato novo” à Presidência da República.

O possível candidato novo, Aécio Neves, disse que o PSDB está retornando às origens. “Não existe partido social-democrata sem uma forte inserção no movimento sindical. Estamos convocando os trabalhadores para construir a nova e urgente agenda nacional”, afirmou o senador, que interrompeu seu discurso para anunciar a chegada do “companheiro José Serra, futuro prefeito de São Paulo”. Serra foi o último dirigente a chegar, por volta das 13h. Aécio também se referiu a Alckmin como “fraterno amigo, companheiro de todas as caminhadas e irmão”. Destacou o reencontro com setores “dos quais estávamos divorciados” e chamou o congresso sindical de “o mais importante evento organizado pelo PSDB em sua história”.

Para Serra, a primeira tarefa do movimento sindical tucano é mobilizar os dirigentes para a campanha eleitoral deste ano. Criticou as políticas de saúde e educacional dos últimos dez anos (governos Lula e Dilma) e o que considera pouco volume de investimentos da União. Sem referência a eleições presidenciais, o ex-governador, ex-ministro e ex-candidato à Presidência disse estar pronto para lançar uma “plataforma tucana para 2012”.

Os chefes do Executivo e do Legislativo paulista também reforçaram o discurso sobre a importância do movimento sindical. “Falta o núcleo sindical do PSDB. Mas sempre fomos ligados aos trabalhadores, ou não teríamos ganhado as eleições que ganhamos”, afirmou o presidente da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz. “Não tem social-democracia sem a organização dos trabalhadores", acrescentou Alckmin, que recentemente nomeou Carlos Ortiz, da Força Sindical, para a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho.

Vários discursos destacaram a necessidade que havia de o PSDB formar um núcleo sindical. O secretário estadual de Energia em São Paulo, José Aníbal, disse que tentou "de todos os modos" organizar esse núcleo quando presidiu o partido, entre 2000 e 2002. "Infelizmente, não caminhou. Agora, estamos fazendo o certo, com os próprios trabalhadores. Um partido com as nossas características precisa ter diálogo com toda a sociedade."

Eleito presidente nacional do Núcleo Sindical do PSDB, Ramalho destacou o apoio de Alckmin, disse que o partido "está cada vez mais próximo de suas bases" e adiantou que militantes escolhidos nos canteiros de obras (ele é presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo) estarão à disposição para ajudar na campanha de Serra à prefeitura.

Antonio Rogério Magri, ex-ministro do Trabalho e da Previdência (1990-1992), foi um dos coordenadores do evento. Atualmente, ele assessora a Força Sindical.

 

"Aécio fala em "volta às origens"":

Concordo.  Aecio devia ir pros quintos dos infernos.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

da Agência Câmara de Notícias

 

27/04/2012 16:18Parlamentares já apresentaram 167 requerimentos à CPMI do Cachoeira

Além de Carlinhos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres, os parlamentares querem ouvir os governadores Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF), que tiveram os nomes citados em gravações telefônicas.

Arquivo/ Saulo CruzCPI/ CPMI - CPMI do Cachoeira - Reunião da CPMI do CachoeiraCPMI do Cachoeira, instalada na quarta-feira: 167 requerimentos em dois dias.

Dois dias depois de ser oficialmente instalada, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira já acumula 167 requerimentos apresentados pelos senadores e deputados integrantes do colegiado. São pedidos de documentos sigilosos, convocações de depoentes e solicitações de quebra de sigilos bancários e fiscais.

Acesse a relação completa dos 167 requerimentos apresentados.

Entre os depoimentos solicitados pelos parlamentares estão o do próprio Carlinhos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Também estão na lista o sócio majoritário da Delta Construções, Fernando Cavendish; o engenheiro Cláudio Abreu, ex-diretor regional da Delta; o contador Geovani Pereira da Silva, apontado como tesoureiro do esquema de Cachoeira; os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT); o procurador-geral da República, Roberto Gurgel; e até o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

São muitos também os pedidos de quebra de sigilos bancários e fiscais. Estão no alvo dos parlamentares, além de nomes indicados pela Polícia Federal (PF) com algum tipo de ligação com Cachoeira, a Delta Construções e a Alberto & Pantoja Construções e Transportes Ltda, considerada pela polícia uma empresa de fachada, criada exclusivamente para receber dinheiro “sujo” da Delta.

Até agora, a CPMI aprovou apenas um requerimento, em sua primeira reunião, na terça-feira (24), com pedido de informações ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à PF sobre as operações Vegas e Monte Carlo. O STF decidiu, nesta sexta-feira (27), compartilhar os dados do inquérito com a CPMI.

Plano de trabalho
A comissão tem reunião marcada às 14h30 da próxima quarta-feira (2), após o feriado, quando o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), deve apresentar aos colegas um plano de trabalho para as próximas semanas.

Arquivo/ Leonardo PradoMarco MaiaMarco Maia afirma que a não existência de sub-relatorias vai facilitar trabalho de relator.

O planejamento pode não agradar a todos, visto que os integrantes da comissão divergem sobre o melhor momento para iniciar as oitivas dos acusados. Os parlamentares pretendem também eleger o vice-presidente do colegiado.

Sub-relatorias
O presidente da Câmara, Marco Maia, disse nesta sexta-feira (27) que considera correta a ideia de a CPMI não ter sub-relatorias. Segundo ele, a existência de sub-relatorias dilui o trabalho e há perda de foco. “Não ter sub-relatorias melhora o trabalho do próprio relator.”

Marco Maia, que relatou a CPI da Crise Aérea, acha que o relator deve tratar de todos os assuntos da comissão.

Questionado sobre a legitimidade do relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), por ser do PT, Marco Maia respondeu que o partido tem maioria na casa, mas que o relator não representa um partido e que, portanto, é legítimo. “A composição da Câmara se dá pela representatividade e o mesmo acontece para cada comissão do Congresso.”

O presidente completou que a CPMI não pode existir apenas para o debate e deve produzir o que a sociedade almeja, o esclarecimento do fato. “A CPMI tem que ter foco e necessita de análise técnica, de uma linha condutora nas investigações.”

 

27/04/2012

Da Série: Por que Serra está nervoso?

Avalie as hipóteses desta semana pinçadas das páginas dos jornais diários:

I) a política social do ciclo Lula reduziu à metade a mortalidade infantil no país na década passada, informa o Censo de 2010 do IBGE. No Nordeste a taxa caiu 58,6% entre 2000 e 2010;

II) o governo Dilma acionou os bancos estatais e emparedou a banca privada entre a concorrência e a execração pública: os juros estão em queda sem que a inflação escape ao controle;

III) no primeiro trimestre, as cartas consultas para financiar investimentos industriais junto ao BNDES cresceram 37% em comparação com janeiro/março de 2011;

IV) um governo de coalizão entre bicheiro e tucanos foi flagrado em Goiás pela operação 'Monte Carlo', da PF. Carlinhos Cachoeira, em escuta da PF: "nós pusemos ele" (Perillo, fiel aliado de Serra no PSDB)" lá" (no Palácio das Esmeraldas);

V) sob a administração Kassab aumentou em 6% o número de moradores de rua em SP: de 13.66, em 2009, para 14.458, em 2011;

VI) faltam professores em 32% das escolas da rede estadual de ensino de SP, estado administrado há 17 anos pelo PSDB;

VII) Serra, 70 anos, em tom jovial: 'Modéstia à parte, sempre fomos muito inovadores'. Por exemplo: ao assumir o governo do Estado em 2006, o tucano ' inovou' nos serviços de desassoreamento do rio Tietê, interrompendo-os por quatro anos seguidos. A 'inovação' pôs a perder R$ 1,7 bi em gastos realizados com a limpeza do rio durante os quatro anos anteriores. Hoje a meta do Estado é recuperar a vazão do Tietê existente antes de Serra assumir o governo, período em que 3 milhões de m³ de detritos se acumularam no leito do rio. O espírito inovador agravou a frequência e a gravidade das inundações na capital, cuja prefeitura Serra agora vai disputar.

Em setembro de 2009, por exemplo, mesmo fora da temporada de chuvas, uma tempestade naufragou São Paulo. Desde então, a cada verão o rio transborda. No ano passado, ao final de fevereiro, o Tietê já havia transbordado três vezes, o que levou o governo Alckmin a tomar a decisão de voltar a investir em obras de desassoreamento para recuperar uma vazão de 1.048 m³ por segundo. A mesma capacidade de sete anos atrás, quando Serra 'inovou'. Modéstia à parte.
PS: essas informações foram fornecidas aos jornais diretamente pelo governador Geraldo Alckmin, como se sabe um parceiro de Serra de longa data.

Postado por Saul Leblon às 18:46

 

Pepe Escobar: "Uma história do mundo BRIC a BRIC"

Dragões neoliberais, sonhos molhados eurasianos e delírios à Robocop

26/4/2012, Pepe Escobar, Tom Dispatch
A History of the World, BRIC by BRIC
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar

Goldman Sachs – na pessoa do economista Jim O’Neill – inventou o conceito de um novo bloco nascente no planeta: os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul). Os mais cínicos imediatamente traduziram a sigla BRIC como “Bloody Ridiculous Investment Concept” [aprox. “Conceito de Investimento MUITO Ridículo”].

Nada tinha de ridículo. O mesmo Goldman estima que, em 2050, os países BRICS serão responsáveis por quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global, e lá estarão reunidas quatro das cinco maiores economias mundiais. [1]

De fato, a sigla terá de ser expandida para incluir Turquia, Indonésia, Coreia do Sul e, sim, sim, também o Irã nuclear. Talvez BRIIICTSS?

Apesar de todos os problemas de nação que vive sob sítio econômico [2], o Irã também vai abrindo caminho no grupo N-11, outro conceito prospectivo já circulante. (N-11, “Next-11”) [“Próximos”-11] são as 11 economias que se estima que se tornarão emergentes em futuro próximo).

A pergunta de multitrilhões de dólares continua no ar: a emergência dos BRICS é sinal de que realmente entramos num novo mundo multipolar?

Paul Kennedy, esperto historiador de Yale (famoso pela “superextensão imperial das Grandes Potências” [3]) está convencido de que ou estamos bem próximos de atravessar ou já atravessamos uma “catarata histórica” [4] que nos levou até bem além do mundo unipolar pós-Guerra Fria da “única superpotência”. Há, diz Kennedy, quatro razões para isso: a lenta erosão do dólar norte-americano (antes, 85% das reservas globais; hoje, menos de 60%); a “paralisia do projeto europeu”; a ascensão da Ásia (o fim de 500 anos de hegemonia ocidental); e a decrepitude da ONU.

O Grupo dos Oito (G-8) já é cada dia mais irrelevante. O G-20, no qual se incluem os BRICS, podem ainda vir a revelar-se importantíssimos. Mas há muito a fazer para cruzar a tal “catarata histórica”, além de simplesmente deixar-se sugar inapelavelmente para dentro de grupos: é preciso reformar o Conselho de Segurança da ONU e, sobretudo, é preciso reformar o sistema de Bretton Woods, com especial atenção a duas de suas instituições cruciais: o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Por outro lado, é possível que o jeito do mundo seja mesmo o vai-que-vai queira-ou-não-queira. Afinal, como superpotências emergentes, os BRICS têm uma tonelada de problemas. Sim, só nos últimos sete anos, o Brasil acrescentou 40 milhões de pessoas [5] ao mercado de consumo de classe média; até 2016, terão sido investidos outros $900 bilhões – mais de 1/3 do PIB – em energia e infraestrutura; e o Brasil não está tão exposto quantos outros países BRICS ao imponderável comércio mundial, dado que as exportações não passam de 11% do PIB, menos, até, que nos EUA.

Apesar de tudo isso, há problemas-chave que não mudam: falta de melhor administração, para nem falar no pântano da corrupção. Os jovens neoendinheirados brasileiros não dão qualquer sinal de serem menos corruptos que as velhas e arrogantes elites compradoras que governavam o país.

Na Índia, a opção parece estar entre caos administrável e caos não administrável. A corrupção entre a elite política do país faria Shiva corar de orgulho. Abuso do poder estatal, controle nepotista sobre os contratos relacionados à infraestrutura, saque desabrido de recursos minerais, escândalos em grandes negócios imobiliários envolvendo patrimônio público – de tudo há muito, mesmo que a Índia não seja um Paquistão hindu. Não, pelo menos, até agora.

Desde 1991, “reforma” na Índia só significa uma coisa: comércio desenfreado e afastar o estado, da economia. Não surpreende pois que nada se faça para reformar as instituições públicas que são, elas mesmas, um escândalo. Administração pública eficiente? Nem pensar! Em resumo, a Índia é um motor econômico caótico e, em certo sentido, ainda não é sequer potência emergente; muito menos é superpotência.

A Rússia, também, ainda tenta encontrar a poção mágica, inclusive uma política de estado capaz de explorar a abundante riqueza dos recursos naturais, o território/espaço extraordinários e o impressionante talento social que lá se acumulou. A Rússia tem de modernizar-se rapidamente; exceto em Moscou e São Petersburgo, no resto do país prevalece um relativo atraso social. Os líderes russos ainda não se sentem confortáveis com a China na vizinhança (conscientes de que em qualquer aliança sino-russa, a Rússia será sempre o primo visivelmente mais pobre); e tampouco confiam em Washington. Estão ansiosos com a despopulação dos territórios orientais e preocupados com a alienação religiosa de suas populações muçulmanas.

E eis que entra em cena novamente o Putinator-presidente [6], com sua fórmula mágica para a modernização: uma parceria estratégica Alemanha-Rússia que beneficiará a elite do poder/oligarquia dos negócios, mas não, necessariamente, a maioria dos russos.

Dead in the Woods [Morto no bosque]

O sistema Bretton Woods, criado depois da IIa. Guerra Mundial, já está oficialmente morto, é totalmente ilegítimo, mas... O que os BRICS planejam fazer em relação a ele?

Na reunião em New Delhi no final de março, trabalharam para criar um banco de desenvolvimento dos BRICS [7] que possa investir em infraestrutura e garantir-lhes crédito para enfrentar as crises financeiras que surjam no percurso. Os BRICS sabem perfeitamente bem que Washington e a União Europeia (UE) de modo algum aliviará o controle que exercem através do FMI e do Banco Mundial. Apesar de tudo, o comércio entre esses países alcançará impressionantes $500 bilhões em 2015, quase todo em suas próprias moedas.

Mas a coesão entre os BRICS, ou, no mínimo, a coesão que exista, centra-se principalmente na frustração, que todos partilham, com a especulação financeira à moda dos Mestres do Universo, que por um triz não jogou pelo penhasco a economia global, em 2008.

Sim, os BRICS também mostram notável convergência de políticas e opiniões no que tenha a ver com o Irã, com um Oriente Médio desabrochado em primavera árabe e com o norte da África.

No momento, o problema-chave que os BRICS enfrentam é o seguinte: não têm qualquer alternativa ideológica ou institucional ao neoliberalismo nem ao reinado da finança global.

Como Vijay Prashad observou, o Norte Global fez tudo para impedir [8] qualquer discussão séria sobre como reformar o cassino financeiro global. Não por acaso, o presidente do G-77, grupo de nações em desenvolvimento (de fato, já é G-132), embaixador tailandês Pisnau Chanvitan, alertou contra “comportamento que parece indicar um desejo de ver nascer um novo neocolonialismo”. [9]

Mas as coisas acontecem, mesmo assim, é à moda-diabo. A China, por exemplo, continua a promover informalmente o yuan como moeda globalizante, se não global. Já comercia em yuan com a Rússia e a Austrália, para nem falar de América Latina e Oriente Médio. Cada vez mais, os BRICS apostam no Yuan como alternativa monetária a um dólar norte-americano desvalorizado.

O Japão está usando ambas as moedas, Iene e Yuan, no comércio bilateral com os vizinhos asiáticos gigantes. O fato é que já está em formação uma zona asiática não reconhecida de livre comércio, com China, Japão e Coreia do Sul já a bordo.

O que virá, ainda que inclua futuro brilhante para os BRICS, será sem dúvida muito confuso. [10] Praticamente, quase tudo é possível: de outra Grande Recessão nos EUA à estagnação na Europa ou, até, o colapso da Eurozona; incluindo BRICS mais lentos, tempestades no mercado monetário, colapso das instituições financeiras e quebradeira global.

E por falar em confusão, não se pode esquecer o que disse Dick Cheney, quando ainda era presidente da Halliburton, no Instituto do Petróleo em Londres, em 1999: “O Oriente Médio, com dois terços do petróleo do mundo e custo mais baixo, ainda é, em todos os casos, onde está o prêmio”. [11] Não surpreende que, ao chegar ao poder como vice-presidente em 2001, sua primeira providência tenha sido ordenar a “libertação” do petróleo iraquiano. Claro. Todos sabem como o negócio acabou.

Hoje (governo diferente, mas idêntica linha de trabalho), é embargo-de-petróleo-cum-guerra-econômica contra o Irã. A liderança em Pequim vê o psicodrama “Washington contra o Irã” como golpe, puro e simples, para mudança de regime, sem nenhuma relação com armas atômicas. Aí também, mais uma vez, o vencedor do imbróglio do Irã é a China. Com o sistema bancário iraniano em crise, e o embargo norte-americano infernizando a vida econômica naquele país, Pequim pode, literalmente, ditar os temos, na compra de petróleo iraniano.

Os chineses estão ampliando a frota iraniana de navios-petroleiros, negócio de mais de $1 bilhão de dólares, e outro gigante-BRIC, a Índia, já está comprando, até, mais petróleo do Irã, que a China. Mas Washington não aplicará sanções aos países BRICS porque, nesses tempos, economicamente falando, os EUA precisam mais dos BRICS, que os BRICS, dos EUA.

O mundo visto por olhos chineses

O que nos traz de volta ao dragão na sala: a China.

Qual é a obsessão radical dos chineses? Estabilidade, estabilidade, estabilidade.

A autoapresentação usual do sistema por lá, em termos de “socialismo com características chinesas” é, evidentemente, mais mítica que as Górgonas. De fato, a coisa está mais para neoliberalismo linha-dura com características chinesas, comandado por homens determinados a salvar o capitalismo global. [12]

Atualmente, a China está presa no meio de um movimento estrutural, tectônico, de transição, de um modelo de exportação/investimentos, para um modelo puxado por serviços/consumidores. Em termos do explosivo crescimento econômico, as últimas décadas foram quase inimagináveis para muitos chineses (e o resto do mundo), mas, segundo o Financial Times, puseram o 1% mais rico do país no controle de 40-60% de toda a riqueza doméstica. Como encontrar meio para superar tamanho, tão aterrador, dano colateral? Como conseguir que um sistema que tem embutidos tantos e tais problemas funcione para 1,3 bilhão de pessoas?

É onde entra em cena a “estabilidade-mania”. Em 2007, o primeiro-ministro Wen Jiabao alertava que a economia chinesa poderia tornar-se “não estável, não equilibrada, não coordenada e não sustentável”. Os famosos “Quatro Nãos”. [13]

Hoje, a liderança coletiva, incluído o próximo primeiro-ministro Li Leqiang, está dando um tenso passo adiante, expurgando a “instabilidade” do léxico do Partido. Para todas as finalidades práticas, a próxima fase no desenvolvimento chinês já está em andamento.

Será espetáculo digno de observar-se nos anos próximos.

Como os “príncipes coroados” nominalmente “comunistas” – os filhos e filhas dos principais líderes revolucionários do partido, todos imensamente ricos, graças, em parte, a arranjos amigáveis com corporações ocidentais, além de propinas, alianças com gângsteres, todas aquelas “concessões” a quem der mais e às ligações com a oligarquia capitalista crônica ocidental – levarão a China além das “Quatro Modernizações”? [14] Sobretudo, com toda aquela fabulosa riqueza a saquear.

O governo Obama, manifestando a própria ansiedade, respondeu à visível emergência da China como potência a ser reconhecida, com um “pivô estratégico” [15] – das desastradas guerras no Oriente Médio Expandido, à Ásia. O Pentágono gosta de chamar isso de “reequilibração” [16] (por mais que as coisas andem super desequilibradas e até pior que isso, para os EUA, no Oriente Médio).

Antes do 11/9, o governo Bush focara-se na China como seu futuro inimigo global número 1. Então, o 11/9 redirecionou as coisas para o que o Pentágono chamou de “o arco de instabilidade”, o coração petrolífico do planeta, que vai do Oriente Médio à Ásia Central. Dado que Washington estava distraída, Pequim calculou que gozaria da vantagem de uma janela de praticamente duas décadas, quando a pressão estaria aliviada. Nesses anos, poderia concentrar-se numa versão hiperveloz de desenvolvimento interno, enquanto os EUA desperdiçariam montanhas de dinheiro naquela tresloucada “Guerra Global ao Terror”.

12 anos depois, a tal janela está sendo fechada com uma batida, quando, da Índia, Austrália, Filipinas à Coreia do Sul e Japão, os EUA declaram-se de volta ao business da hegemonia na Ásia. Qualquer dúvida de que essa seria a nova trilha dos EUA foi dissipada pela secretária de Estado Hillary Clinton, em manifesto publicado em novembro de 2011 na revista Foreign Policy, sob o título nada sutil de “America’s Pacific Century”. [17] (E falava desse século, não do século passado!).

O mantra dos EUA não muda: “segurança dos EUA” e, por definição, aconteça o que acontecer no planeta. Seja no Golfo Persa rico em petróleo, onde Washington “ajuda” os aliados Israel e Arábia Saudita, porque se sentem ameaçados pelo Irã, seja na Ásia onde ajuda semelhante é oferecida a corpo sempre crescente de países que dizem sentir-se ameaçados pela China, tudo é feito, sempre, em nome da segurança dos EUA. Num caso e noutro, em absolutamente todos os casos, essa ideia sobrepuja qualquer outra.

Como resultado, se há uma Muralha de Suspeitas de 33 anos a separar EUA e Irã, há hoje, crescendo, uma Grande Muralha de Suspeitas entre EUA e China. Recentemente, Wang Jisi, Deão da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim e um dos principais analistas chineses de estratégia, expôs a visão da liderança em Pequim sobre o tal “Pacific Century”, em artigo importante, em que figura como coautor. [18]

A China, dizem os dois autores, espera agora ser tratada como potência de primeira classe. Afinal de contas, “navegou em segurança (...) pela crise financeira global de 1997-98”, provocada, aos olhos de Pequim, por “deficiências profundas na economia e na política dos EUA. A China ultrapassou o Japão como segunda economia mundial e parece ser também a No.2 na política mundial. (...) Os líderes chineses não creditam esses sucessos aos EUA ou à ordem mundial liderada pelos EUA”.

Os EUA, Wang acrescenta, “são vistos na China em geral como potência declinante no longo prazo (...). É hoje questão de quantos anos, já não de quantas décadas, até que a China ultrapasse os EUA como a maior economia do mundo (...) e parte de uma nova estrutura emergente” (leia-se: os BRICS).

Em resumo, como Wang e seu coautor pintam o quadro, os chineses influentes veem o modelo de desenvolvimento de seu país como “uma alternativa à democracia e como experiência da qual outros países em desenvolvimento podem aprender, ao passo que tantos países em desenvolvimento que introduziram valores e sistemas políticos ocidentais conhecem hoje a desordem e o caos”.

Quer dizer: os chineses estão vendo um mundo no qual os EUA no ocaso ainda anseiam pela hegemonia global e ainda têm energia para bloquear potências emergentes – a China e os outros BRICS – e impedir que alcancem seu destino de século 21.

O sonho eurasiano molhado do Dr. Zbig

Ora, e como a elite política norte-americana vê esse mesmo mundo? Pode-se dizer que ninguém está mais bem qualificado para discutir esse tema que o ex-conselheiro de segurança nacional, facilitador do oleoduto BTC e, por algum tempo, conselheiro fantasma de Obama, Dr. Zbigniew (“Zbig”) Brzezinski. E ele não hesita em atacar a questão em seu livro mais recente, “Strategic Vision: America and the Crisis of Global Power”. [19]

Se os chineses mantêm o olhar estratégico sobre as outras nações BRICS, o Dr. Zbig permanece fixado no Velho Mundo, configurado para parecer novo. Agora, argumenta que, para que os EUA preservem alguma forma de hegemonia global, devem apostar num “Oriente expandido”. Significaria reforçar os europeus (sobretudo em termos de energia) ao mesmo tempo em que abraça a Turquia, que ele imagina como molde para novas democracias árabes; e engaja a Rússia, politicamente e economicamente, de modo “estrategicamente prudente e sóbrio”.

A Turquia, por falar dela, nada tem de modelar, porque, apesar da Primavera Árabe, não se vê, no futuro perscrutável, nenhuma nova democracia árabe. Mesmo assim, Zbig crê que a Turquia possa ajudar a Europa e, portanto, os EUA, por vias muito mais práticas, a resolver determinados problemas de energia global, facilitando “acesso desimpedido, através do Mar Cáspio, até o gás e o petróleo da Ásia Central”.

Sob as atuais circunstâncias, porém, isso, também, continua a ser pura fantasia. De fato, a Turquia só poderá ser país de trânsito no grande jogo da energia no tabuleiro eurasiano que há muito tempo chamo de Oleo-gasodutostão [orig. Pipelineistan [20]], se os europeus conseguirem agir em conjunto. Terão de convencer a energeticamente rica e autocrática “república” do Turcomenistão [21] a ignorar sua poderosa vizinha, a Rússia, para vender à Europa o gás natural de que a Europa carece. E há também outra questão de energia cuja solução parece bem pouco provável atualmente: Washington e Bruxelas terão de superar as sanções e embargos [22] contraproducentes contra o Irã (e os jogos de guerra que vêm no mesmo pacote) e começar a negociar com seriedade com os iranianos.

Pois mesmo assim o Dr. Zbig propõe a ideia de uma Europa em segunda-marcha, como chave para o futuro poder dos EUA sobre o planeta. Visualizem o quadro como versão animada de um cenário no qual a atual Eurozona está em semicolapso. Zbig preserva o papel de liderança da burocracia inepta dos gatos gordos de Bruxelas que hoje governam a União Europeia, e apoia uma outra “Europa” (principalmente os países do “Club Med” do sul) fora do euro, com movimentação nominalmente livre de bens e pessoas entre as duas. Ele aposta – e nisso reflete um traço chave do pensamento de Washington – em que uma Europa em segunda-marcha, um Big Mac eurasiano, ainda colado pelo quadril aos EUA, mesmo assim possa ser ator globalmente decisivo para o resto do século 21.

E então, é claro, o Dr. Zbig exibe todas as suas cores de guerreiro da Guerra Fria, louvando uma “estabilidade” norte-americana futura “no Extremo Oriente” inspirada no “papel que a Grã-Bretanha desempenhou no século 19 como equilibradora e estabilizadora da Europa”. Estamos falando, em outras palavras, sobre o diplomata armado número um desse século. Ele concede, graciosamente, que “uma parceria global ampla EUA-China” seja ainda possível, mas só no caso de Washington conservar significativa presença geopolítica no que chama de “Extremo Oriente” – “a China aprove ou não”.

A China não aprovará

Em certo sentido, tudo isso é conversa já conhecida, como também grande parte da atual política de Washington. Nesse caso, é, mesmo, versão remix de seu magnum opus de 1997, The Grand Chessboard [23] [O grande tabuleiro de xadrez], no qual mais uma vez certifica que “o vasto continente Transeurasiano é a arena central dos negócios mundiais”. Só que agora a realidade ensinou-lhe que a Eurásia não pode ser conquistada e que a melhor chance dos EUA e tentar trazer Turquia e Rússia para seu lado.

O Robocop é quem manda

De fato, Brzezinski soa benigno, se se compara o que diz ele e o que Hillary Clinton tem dito em pronunciamentos recentes, inclusive o que disse [24] à Conferência cujo nome já dá nó na língua World Affairs Council 2012 NATO Conference [Conferência do Conselho de Negócios Mundiais da OTAN 2012]. Ali, como faz regularmente o governo Obama, ela destacou “o duradouro relacionamento da OTAN com o Afeganistão” e elogiou as negociações entre EUA e Kabul, com vistas a “uma parceria estratégica de longo prazo entre nossas duas nações.”

Tradução: apesar de não conseguirem dar conta nem de uma guerrilha de pashtuns minoritários, e apesar de tentarem há anos, nem o Pentágono nem a OTAN têm qualquer intenção de reequilibrar qualquer de suas possessões no Oriente Médio Expandido. Já negociando [25] com o governo do presidente Hamid Karzai em Kabul por direitos de permanência até 2024, os EUA estão decididos a manter três grandes bases estratégicas afegãs [26]: Bagram, Shindand (próxima da fronteira com o Irã) e Kandahar (próxima da fronteira com o Paquistão). Só espíritos terminalmente ingênuos considerariam o Pentágono capaz de abandonar voluntariamente esses postos preciosos para monitorar a Ásia Central e os concorrentes estratégicos Rússia e China.

A OTAN, Clinton acrescentou em tom sinistro, “expandirá suas capacidades de defesa para o século 21”, incluindo o sistema de mísseis de defesa que a aliança aprovou na reunião de Lisboa em 2010.

Será fascinante ver o que pode significar a possível eleição do socialista François Hollande à presidência da França. Interessado em uma parceria estratégica mais profunda com os BRICS, Hollande comprometeu-se com o fim do dólar norte-americano como moeda mundial de reserva. A questão é: a vitória de Hollande será como meter um macaco na loja de porcelana dos trabalhos da OTAN, depois dos anos de governo do Grande Libertador da Líbia, esse neonapoleônico criador de cenas Nicolas Sarkozy (para quem a França nada é além de mostarda no “steak tartar” de Washington).

Não importa o que pensem o Dr. Zbig ou Hillary, muitos países europeus, fartos das aventuras de buraco negro dos dois no Afeganistão e na Líbia, e com o modo como a OTAN agora só serve aos interesses globais dos EUA, apoiam Hollande nesse ponto. Mesmo assim, será batalha morro acima, dificílima. A derrubada de Muammar Gaddafi e a destruição do regime líbio foi o ponto alto da agenda recente da OTAN no MENA (Middle East-Northern África [Oriente Médio-Norte da África]). E a OTAN continua a ser o plano B de Washington para o futuro, se a rede de sempre de think tanks, fundos, fundações, dotações, ONGs e mesmo a ONU não conseguir provocar o que bem se pode descrever como “mudança YouTube de regime”.

Em resumo: depois de ir à guerra em três continentes (na Iugoslávia, no Afeganistão e na Líbia), convertendo o Mediterrâneo em virtual lago da OTAN, e patrulhar sem descanso o Mar da Arábia, a OTAN estará, segundo Hillary, “apostando na liderança e na força dos EUA, exatamente como fizemos no século 20, também para o século 21 e adiante”. Assim sendo, 21 anos depois do fim da União Soviética – razão de ser original da OTAN – parece que o mundo acaba assim: não num bang, mas com a OTAN, operando em modo de gemido, fazendo as vezes de Robocop global perpétuo.

Voltamos outra vez ao Dr. Zbig e à ideia dos EUA como “promotor e garantidor de unidade” no ocidente, tanto quanto como “equilibrador e conciliador” no Oriente (razão pela qual precisa de bases militares, do Golfo Persa [27] ao Japão [28], incluindo as bases no Afeganistão [29]). E ninguém esqueça que o Pentágono jamais desistiu da ideia de alcançar Dominação de Pleno Espectro.

Ante toda essa potência militar, porém, vale a pena ter em mente que esse é caracterizadamente um Novo Mundo (também na América do Norte). Contra armas e barcos armados, contra mísseis e drones, há o poder econômico. As guerras de moedas estão ativadas. Rússia e China, países BRICS, têm cordilheiras de dinheiro. A América do Sul está rapidamente se organizando em bloco. O Putinator-presidente já ofereceu um oleoduto à Coreia do Sul. O Irã planeja vender seus petróleo e gás em troca de uma cesta de moedas, nenhuma das quais será o dólar. A China está pagando para expandir [30] sua Marinha mercante e os mísseis terra-mar. Um dia, Tóquio talvez afinal entenda que, enquanto permanecer ocupada por Wall Street e pelo Pentágono, viverá sob recessão perpétua. E até a Austrália pode, eventualmente, não se deixar empurrar para uma guerra comercial contraproducente, contra a China.

Assim, esse nosso mundo do século 21 está tomando o formato, em vasta medida, de um confronto entre EUA/OTAN e os BRICS, com casca e tudo, dos dois lados. Perigo: que em algum ponto da linha a coisa vire Confronto de Pleno Espectro. Porque – e que ninguém se engane –, diferentes de Saddam Hussein ou Muammar Gaddafi, os BRICS sim, podem reagir ao fogo.

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Notas dos tradutores

[1] “The Long-Term Outlook for the BRICs and N-11 Post Crisis”.

[2] Pepe Escobar: “O mito do Irã ‘isolado”, 18/1/2012.

[3] A expressão “imperial overstretch of the Great Powers” [aprox. “superextensão imperial das Grandes Potências”] apareceu em 1987, no livro The Rise ang Fall of the Great Powers [KENNEDY, Paul. Ascensão e Queda das Grandes Potências: Transformação Econômica e Conflito Militar de 1500 a 2000. Rio de Janeiro: Campus, 1989. 675 p.], para descrever o contexto em que as principais nações do mundo dão-se conta de que suas capacidades políticas, econômicas e militares são inadequadas para proteger e atender seus respectivos interesses e obrigações globais.

[4] “Crossing a Watershed, Unawares”

[5] “Brazil showcases economic potential”

[6] “Call back yesterday”

[7] “BRICS Support Development Bank Plan – Minister”

[8] “North battles for 'market' supremacy”

[9] “The G-77 awakes”

[10] “Crise sistêmica global: GEAB No. 63” [11] “Full text of Dick Cheney's speech at the Institute of Petroleum Autumn lunch, 1999”

[12] Pepe Escobar – “O ocidente e o resto, em modelo tamanho único: Declínio e Queda da Turma Toda”

[13] “China’s Turning Point”: Commentary by Stephen Roach

[14] Parte do programa de Deng Xiaoping para a República Popular: a modernização da agricultura, da indústria, da ciência e tecnologia e das forças militares (The Four Modernizations).

[15] “Tomgram: Michael Klare, A New Cold War in Asia?”

[16] “Yearender: Obama administration's Asia pivot strategy sows more seeds of suspicion than cooperation”

[17] “America’s Pacific Century”

[18] “Addressing U.S.-China Strategic Distrust”

[19] BRZEZINSKI, Zbigniew, (jan.) 2012, Strategic Vision: America and the Crisis of Global Power, New York: Basic Books. Lê-se um excerto da Introdução.

[20] “Tomgram: Pepe Escobar, Pipelineistan's Ultimate Opera”

[21] “Tomgram: Pepe Escobar, Pipelineistan Goes Af-Pak”

[22] “Tomgram: Juan Cole, The Iran Conundrum”

[23] BRZEZINSKI, Zbigniew, The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives, Basic Books, 1997.

[24] “Remarks to the World Affairs Council 2012 NATO Conference”

[25] “With Pact, U.S. Agrees to Help Afghans for Years to Come”

[26] “One U.S-Afghan Security Pact, Two Very Different Missions”

[27] “Tomgram: Nick Turse, Off-Base America”

[28] “Tomgram: John Feffer, Can Japan Say No to Washington?”

[29] “Tomgram: Nick Turse, America's Shadowy Base World”

[30] “China Takes Aim at U.S. Naval Might” Postado por Castor Filho

 

sexta-feira, 27 de abril de 2012 - No Democracia e Política

CRIME ORGANIZADO MOVIMENTA US$ 600 bilhões/ano NO SISTEMA BANCÁRIO LEGAL

PARAÍSOS FISCAIS, LAVAGEM DE DINHEIRO E DROGAS NO “NOVO MUNDO” DA AMÉRICA

“No contexto de crise global, os cortes orçamentários que se aprofundam em vários países afetam os organismos tributários e a luta contra a evasão.

De acordo com as cifras do FMI e da ONU, são lavados, anualmente, mais de 600 bilhões de dólares arrecadados pelo crime organizado em todo o mundo e essa operação ocorre sob a anuência do sistema bancário legal. Os paraísos fiscais são cada vez mais difíceis de perseguir e controlar, com consequências incalculáveis.

Por Alejandro L. Perdomo Aguilera

Este trabalho pretende realizar uma aproximação à situação da lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais no continente americano, relacionado com o crime organizado transnacional, particularmente com o vinculado ao tráfico ilícito de drogas (TID).

Para isso se faz breve análise sobre os paraísos fiscais na América e sua relação com a lavagem de dinheiro proveniente, no fundamental, do TID e outros delitos conexos (tráfico ilícito de pessoas, órgãos e armas), para dali abordar a situação de dependência e dominação em que os EUA mantêm a nossa América, no contexto de crise da economia mundial.

A história dos paraísos fiscais e da lavagem de dinheiro na América Latina se assemelha a uma história romântica onde a conspiração, as alianças entre elites de poder econômico transnacional parece não achar racionalidade. Em contexto abundante de bolhas financeiras, onde o tráfico ilícito de drogas e outros delitos conexos consolidam as alianças entre o empresariado e setores da “alta” política para branquear os lucros e a evasão de altos impostos.

Parece ser o que mundo incivilizado costuma impor para os países de nossa América. O TID, em matéria jurídica, é seriamente penalizado pelas autoridades estadunidenses, se bem que na ordem econômica, financeira e comercial, são muito bem aproveitados os dividendos provenientes desse flagelo. Digamos que, quando se segue a rota do dinheiro, se pode perceber o ponto de encontro entre os interesses dos narcotraficantes, do empresariado transnacional e dos altos funcionários políticos latino-americanos e estadunidenses na lavagem de dinheiro e na evasão de impostos; para o qual utiliza habilmente os paraísos fiscais da região e, também, do território dos EUA.

Américas e Caraíbas - 22

Anguilla Antigua e Barbuda
Antilhas Holandesas
Aruba
Bahamas Barbados
Belize
Bermudas
Costa Rica
Dominica
Granada
lhas Caimão
Ilhas Turcas e Caicos
Ilhas Virgens Americanas
Ilhas Virgens Britânicas
Montserrat
Nova Iorque
Panamá
Santa Lúcia
São Cristóvão e Névis
São Vicente e Granadinas
Uruguai

Os paraísos fiscais não são necessariamente ilegais, apesar de que em muitos casos sejam relacionados com a lavagem de dinheiro, a fuga de capitais ou a evasão de impostos. Certamente, podem-se obter vantagens sem cometer nenhum delito, embora moralmente deixem muito a desejar. Existe, também, um problema ético, embora não deixe de ser legal quando os cidadãos ou empresas transferem seus capitais para outros países a fim de evitar os altos impostos em seu país de origem.

O dinheiro sujo pode derivar tanto de atividades econômicas ilícitas como daquele que não é declarado ao fisco, tanto para a evasão da Justiça em termos criminais como da evasão dos altos impostos.

Neste trabalho, interessa destacar aquele dinheiro lavado pelo tráfico de drogas e outros delitos conexos. A problemática parte, nesse caso, quando o individuo acumula uma soma de dinheiro que não pode justificar e, portanto, utilizar livremente para o comércio.

Desde a época de Al Capone [1] o crime organizado utiliza essa terminologia, cujo termo de branqueado de dinheiro ou lavagem se originou quando o dito gângster adquiriu uma cadeia de lavanderias para legitimar a procedência de seu dinheiro com um negócio de segunda categoria que, evidentemente, não era o fruto de suas grandes riquezas, mas sim um canal por onde legitimar alguns de seus fundos.

Atualmente, é muito comum o investimento no setor turístico, sobretudo na construção. Por isso, os países ou regiões com economias de serviços costumam ser muito atrativos para a lavagem de dinheiro do crime organizado. Entretanto, nas listas da OCDE, nunca se reconhece esse tipo de atividades nos países de primeiro mundo. Tal é o caso dos Estados Unidos, onde existem vários Estados onde é clássica a lavagem de dinheiro. Nessa atividade, é muito chamativo o caso do Estado da Flórida, onde Miami cumpriu papel crucial nessa atividade por décadas. “Um estudo realizado pelo Departamento de Roubos da polícia de Miami, em meados da década de 80, indicou que, de 100 notas de um dólar analisadas, 99 tinham rastros de cocaína.” [2]

É muito comum ver como grandes chefes da droga na Colômbia e no México lavam seu dinheiro em Miami, investindo em casas, hotéis e outras construções, contando com a cumplicidade de empresários e bancos que se encarregam de lavar o dinheiro. “Alguns opinam que os bancos de Miami iriam à ruína se deixassem de lavar dinheiro do mercado de drogas e que se depreciariam a níveis insuspeitos os preços de bens de raízes se os narcotraficantes suspendessem as compras de propriedades” [3]

Paraísos fiscais na Europa

Alderney
Andorra
Bélgica
Campione d'Italia
Chipre
Frankfurt
Gibraltar
Guernsey
Holanda
Hungria
Islândia
Irlanda (Dublin)
Ingushétia
Ilha de Man Jersey
Liechtenstein
Londres
Luxemburgo
Madeira
Malta
Mónaco
República Turca do Norte de Chipre
Sark Suíça
Trieste

África - 7

África do Sul
Libéria
Maurícia
Melilla
São Tomé e Príncipe
Seicheles
Somália

Oceanos Índico e Pacífico - 9

Maldivas
Marianas
Ilhas Cook
Ilhas Marshall
Nauru
Niue
Samoa
Tonga
Vanuatu

Médio Oriente e Ásia - 9

Bahrein
Dubai
Hong Kong
Labuan
Líbano
Macau
Singapura
Taipei
Tel Aviv

Paraísos fiscais na Europa

Os paraísos fiscais costumam tipificar-se por sua baixa tributação e o requerido segredo bancário. Devido a essas circunstâncias, a OCDE costuma elaborar listas de paraísos fiscais, listas offshore, listas cinza [4], ou as chamadas "listas espanholas" [5], que são utilizadas para “desacreditar” algumas jurisdições. Curiosamente, nessas listas não aparecem bancos radicados em alguns Estados dos EUA que realizam práticas similares [!?!].

Ainda assim, o sistema de listas da OCDE, na minha consideração, cria mais confusões que soluções, já que seu sistema de confiabilidade se baseia na assinatura de acordo para intercâmbio de informação e, chegado a determinado padrão internacional, é eliminado da lista de paraísos fiscais, quando, na prática, pode seguir agindo como tal.

A fraude fiscal, que os paraísos tornam possível, afeta as políticas sociais, fruto da evasão de impostos da qual, se supõe, saem parte dos fundos para esse tipo de medidas. Desse ponto, se pode compreender como a evasão de impostos que alimenta a lavagem de dinheiro e os paraísos fiscais afeta diretamente um setor tão sensível e importante da sociedade como a classe média, tanto por sua influência política como por seu status de paradigma de vida político-cultural e econômica no interior das sociedades, embora essa situação não seja de todo homogênea. Nesse sentido, “(…) a luta contra a austeridade orçamentária, contra as dívidas ilegítimas, evasão e fraude fiscal, contra os paraísos fiscais, é a luta pelo Estado de direito social (mal denominado de bem-estar). A mesma luta.” [6]

Se nos deixamos guiar pelas artimanhas burocráticas em torno aos parâmetros de controle, se poderia pensar que as recentes reduções das listas de paraísos fiscais que a OCDE e outras instituições realizam é um tema no qual se obteve êxito, mas, lamentavelmente, os paraísos fiscais, a evasão de impostos e a lavagem de dinheiro são problemas que continuam vigentes.

Na realidade, o sistema de listas da OCDE funciona mais como biombo público do que como barreira contra a evasão de impostos e a lavagem de dinheiro; tapando a realidade através de uma condenação pública a um fato que, evidentemente, não se resolve ainda em nível global e muito menos no continente americano, submerso em guerras fratricidas entre narcotraficantes e o governo estadunidense, que vêm a constituir outra prova da sobrevivência dos fenômenos da lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais em uma região estremecida pela onda de violência com que operam os cartéis da droga.

Mas ao problema não se projetam soluções definitivas, já que, além das notícias de crônica vermelha e das políticas antidrogas do império, existe interesse econômico, financeiro e comercial sobre o enorme montante de capitais que gera o dito negócio.

Entretanto, esse exercício não só limpa o dinheiro do crime organizado, mas o insere também no sistema monetário internacional, atraindo as elites de poder concentradas nos EUA, que procuram, com essas práticas, a evasão de seus impostos. Com essa evasão, se prejudicam os programas de assistência social, já que nem pagam impostos nem cotizam à Seguridade Social. Obviamente, ao evadir estas responsabilidades, se transfere bilhões de dólares que são movimentados no sistema econômico comercial mundial, graças à lavagem de dinheiro e à discricionariedade condicionada dos paraísos fiscais ou centros offshore.

A OCDE pediu a assinatura de doze acordos de intercâmbio de informação fiscal com outros tantos países. Mas, como denuncia Juan Hernández Vigueras, o truque consiste em que os paraísos fiscais assinaram doze acordos com territórios sem grande relevância, ou entre si, ou seja, comprometendo-se cada qual em sua cumplicidade sobre a existência ou não de evasão fiscal. Dessa forma, se consolida a ideia de que os paraísos fiscais constituem o instrumento ideal da delinquência transnacional, necessitada de lavar seus capitais e evadir impostos.

O dilema das listas da OCDE se resolve com um exercício de comparação entre algumas listas. Por exemplo, se revisamos o listado de paraísos fiscais da América segundo a OCDE no ano 2000, figuravam: Antilhas Holandesas, Aruba, Anguilha, Antígua e Barbuda, as Bahamas, Barbados, Bermudas, Ilhas Caimãs, República Dominicana, Granada, Jamaica, Ilhas Malvinas, Montserrat, São Vicente e as Granadinas, Santa Luzía, Trinidad e Tobago, Ilhas Turks e Caicós, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Virgens dos EUA, República do Panamá.[7]

Na versão do dia 15 de dezembro de 2011 [8], ocorreu grande simplificação, começando pelo caso uruguaio. Finalmente, para a OCDE, o Uruguai deixou de ser um paraíso fiscal, cumprindo com uma série de acordos que lhe possibilitaram, ao menos formalmente, sair da angustiosa lista de paraísos fiscais elaborada pela organização. A assinatura de sete novos acordos de intercâmbio de informação eleva o número de convênios do país sul-americano a 18, quando os requeridos são apenas 12. Isto é: seis acordos a mais do que os requeridos foram suficientes para considerar transparentes suas transações e, portanto, eliminá-lo da “lista cinza” da OCDE, onde o Uruguai estava na categoria de “outros centros financeiros”.[9]

Graças a esses requisitos burocráticos, algumas das jurisdições mais clássicas como as Ilhas Virgens Britânicas (BVI), Antígua e Barbuda, Belize, Bahamas, entre outras, foram tiradas da "lista cinza". Dessa maneira, para os primeiros dias de 2012 só constituíam a lista Niué e Naurú. A OCDE também criou o chamado grupo de "outros centros financeiros" no dia 15 de dezembro de 2011. [10]

Entretanto, a imensa maioria dos países que abandonaram a lista, possivelmente, continue mantendo as preferências para não residentes e a necessária confiabilidade que lhe asseguram as comissões. Em outras palavras, a sobrevivência de paraísos fiscais com as condições propícias para a lavagem de dinheiro e a evasão de impostos continua.

A CRISE MUNDIAL EM CONTRASTE COM A LAVAGEM DE DINHEIRO E OS PARAÍSOS FISCAIS

No contexto de crise global, os cortes orçamentários que se aprofundam em vários países afetam os organismos tributários e a luta contra a evasão. De acordo com as cifras do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da ONU, são lavados anualmente mais de 600 bilhões de dólares arrecadados pelo crime organizado em todo o mundo e esta operação ocorre sob a anuência do sistema bancário legal.

A concentração do poder dos bancos é tal, que apenas 20 dos maiores bancos do mundo estão a cargo de 75% das transações financeiras dos Estados Unidos, França e Inglaterra. A essa realidade deve-se somar que os EUA não contam com um Banco Central real, mas que o dito Banco é uma empresa privada formada por grandes bancos dos Estados Unidos. Portanto, a “Reserva Federal” é um ente privado, resultado de uma associação de bancos de caráter estatal e de orientação nacional – segundo sua ata constitutiva - com interesse de lucro, motivo pelo qual a dita “Reserva” responda aos interesses dos bancos que a constituem. Como se não bastasse, os mandatos dos presidentes da “Reserva” são mais longos que os do presidente dos EUA, de modo que o presidente entrante dos Estados Unidos não escolhe o presidente da “Reserva Federal”.

Federal Reserve

Um famoso lavador como Kenneth Rijock, conhecido agora como um "muito lucrativo conferencista sobre esses assuntos", esclareceu que as razões que continuam fazendo atrativa a banca para os lavadores são a inexistência de um imposto sobre a renda, nem de impostos de sucessões, nem sobre o beneficio empresarial, eliminando-se, assim, os controles legais de câmbio sob a suposta confraternidade profissional do segredo.

Por essas razões, os paraísos fiscais são cada vez mais difíceis de perseguir e controlar, com consequências a cada dia mais incalculáveis. "O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers, afirmou que as companhias supranacionais, que são cerca de 60 mil, junto com grandes organizações de auditorias e alguns bancos de investimentos, veicularam uma evasão fiscal que está custando a seu país, só pelas atividades nos refúgios fiscais, 10 bilhões de dólares ao ano".[11]

Dessa forma, o próprio sistema esta evadindo impostos. De fato, como a própria “Reserva Federal” não é em sua totalidade ente estatal, é muito lógico que prefira canalizar parte de seus fundos a vários bancos estadunidenses e paraísos fiscais para assim obter lucro que perderia na “Reserva Federal”, de modo que não se veem obrigados a depositar todo seu capital na “Reserva”. A incógnita seria: quem desconhece esse fato e por que não se tomam medidas efetivas contra o mesmo, e a realidade é que todos sabem e ninguém faz nada.

A “Reserva Federal” é, teoricamente, pública, porque é como o Banco Central dos Estados Unidos é constituído; portanto, a máxima autoridade monetária. Isso a faculta poder para reger a política monetária e o funcionamento do sistema bancário estadunidense (taxas de juros, encaixe legal, impressão de dinheiro etc.). Entretanto, mediante o encaixe legal pode reter uma determinada porção dos depósitos do sistema bancário, de procedência privada e não tem o poder absoluto sobre sua reavaliação ou não, devido a que o dólar como divisa internacional deve ater-se a outras condicionantes. Se perguntássemos ao governo da China, por exemplo, como máximo credor dos EUA, tampouco lhe seria factível a desvalorização do dólar.

Nesse contexto, a evasão de impostos e a busca de paraísos fiscais com maiores preferências merece maior controle devido às perdas milionárias que pode significar para as economias “nacionais”. Para que se tenha uma medida de quanto se pode perder com a evasão de impostos, vale a pena lembrar o período da ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai. “Estimativas formuladas após a queda de Stroessner concluíram que a corrupção da ditadura custou ao país pelo menos seis bilhões de dólares estadunidenses. Dadas as dimensões dessa enorme cifra, é fácil concluir as oportunidades de desenvolvimento das quais se privou miseravelmente o Paraguai em termos de orientação do investimento público para a educação, a saúde, a moradia e a infraestrutura de todo tipo.” [12]

Não obstante, ainda que a evasão de impostos seja muito prejudicial para a classe trabalhadora, para a classe alta resulta num negócio muito lucrativo, embora, paradoxalmente, é ela que menos impostos paga, já que se considera que é a classe que tem grandes capitais e, portanto, possibilidades de investir. Essa situação foi tão discutida que um dos maiores milionários dos Estados Unidos chegou a reclamar, ante ao Congresso, que lhe cobrem mais impostos. Os paraísos fiscais têm, entre outros benefícios, a possibilidade de lavar dinheiro de procedência ilícita, que só seria possível sob os agradáveis segredos bancários que costumam conceder.

O dinheiro sujo pode derivar tanto de atividades econômicas ilícitas como daquele que não é declarado ao fisco, tanto para a fuga da Justiça em termos criminais como para a evasão dos altos impostos. A problemática se origina quando o indivíduo acumula uma soma de dinheiro que não pode justificar e, portanto, utilizar livremente para o comércio.

Entre as formas de lavagem de dinheiro, está o trabalho formiga, onde uma serie de indivíduos dividem diversas somas de dinheiro reduzindo-as a uma soma que não é registrada como suspeita e, portanto, o dinheiro pode ser utilizado sem necessidade de justificativas perante a Lei, devido à ausência de registros nesse tipo de transações.

Essa grande vulnerabilidade provocou que, em 1998, a ONU realizasse o primeiro acordo para a luta contra de lavagem de dinheiro, estipulando os princípios jurídicos internacionais para a “luta” contra esse delito, entendendo-o como fenômeno inerente ao mundo atual. “A globalização liberal necessita dos ‘paraísos fiscais’ como a família tradicional necessitava dos prostíbulos, como compensação equilibrante dos matrimônios indissolúveis. A leitura do que são e de como é seu funcionamento fala muito mais sobre o capitalismo contemporâneo do que centenas de inócuos manuais de economia e finanças. ” [13]

Os paraísos fiscais são microterritórios ou Estados com legislação fiscal débil ou inexistente, que praticam a recepção anônima de capitais. “Essa lavagem, segundo o FMI, representa entre dois e 5% do PIB mundial. A metade dos fluxos de capitais internacionais transita ou reside nos ‘paraísos fiscais’, em um montante que oscila entre os seiscentos milhões e um bilhão e meio de dólares sujos que circulam nesses circuitos. Para se ter uma ideia do que significa esse montante, basta dizer que as dívidas públicas em todos os mercados internacionais chega a cinco bilhões de dólares.” [14] A evasão fiscal se vale dos centros chamados "offshore" ou bancos extraterritoriais, que atraem quem busca evadir o pagamento de impostos por suas fortunas. O conjunto de atividades dos paraísos se converteu em parte essencial do sistema econômico global.

Embora já esteja fora de moda falar do neoliberalismo e de suas tantas falácias, a desregulamentação do sistema econômico, financeiro e comercial se acentua. E como esse fenômeno cai maravilhosamente bem aos políticos, empresários e criminosos, os requisitos que os organismos internacionais lhes propõem como limite são tão formais e costumam ficar nas listas paraísos de tão pouca relevância, que dá trabalho acreditar que as atividades de lavagem e evasão se resumam a paraísos como o de Nauru. Acontece que esses paraísos são o nicho no qual comparecem do mais rústico político regional de algum território colombiano, até a elite política do continente, com a manipulada forma que protegem da luz pública seus suntuosos dividendos, políticos milionários como o presidente chileno Sebastián Piñera e o candidato republicano maior competidor de Obama, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney[15].

Sebastián Piñera

Mitt Romney

Em contexto de crise, com um sistema monetário global sobrecarregado com a circulação de capitais, onde as moedas catalogadas como “fortes” (euro, dólar) não têm mais referências além das comparações entre si mesmas ou, em todo caso, sua representação virtual em “”bits”; a generalização de práticas de lavagem de dinheiro e evasão de impostos, com a sobrevivência dos paraísos fiscais, denota um panorama de insegurança financeira, econômica e comercial, que se ampara em uma insegurança jurídica cada vez que os mecanismos internacionais criados para seu controle pecam por ineficácia, quando se simplificam as listas da OCDE em um momento de crise sistêmica e efervescência do narcotráfico na América Latina.

A ECONOMIA INTERNACIONAL ENTRE O NEGÓCIO DAS DROGAS E A LAVAGEM DE DINHEIRO

Uma das grandes incógnitas é a quantidade de dinheiro gerado anualmente pelo tráfico ilícito de drogas (TID). O negocio do TID, é o segundo em movimento de capitais do mundo depois do petróleo, pelos lucros extraordinários que acumula. Segundo a ONUDC, sua comercialização gera cerca de 320 bilhões [16] de dólares anuais, com um mercado que anda pelos 200 milhões de consumidores em nível global. Essa economia gera “(…) 300 mil empregos para camponeses dos Andes sul-americanos que participam como provedores de matéria prima: coca (200 mil hectares), papoula (1,5 mil) e maconha (não menos de mil), que abastecem os mercados regionais e internacionais.” [17]

Como os dados da ONUDC e outras instituições resultam demasiado oficiais para refletir toda a realidade, se faz muito conveniente compará-los às cifras que maneja Daniel Estulin em um de seus livros sobre o Clube de Bilderberg, para conhecer a consideração de “(…) um especialista em lavagem de dinheiro, que ostenta alto cargo na agência do governo estadunidense encarregada de vigiar as transações internacionais de capital, me disse uma vez (a Estulin) que ‘em números redondos deve tratar-se de uma soma de uns 590 bilhões de euros anuais livres de impostos’” [18]

As cifras variam de 320 a 700 bilhões, dependendo da agência ou instituição que se consulte. A verdade é que todos manejam cifras multimilionárias que, obviamente, não entrariam no sistema monetário internacional sem a conivência dos políticos e empresários de maior influência global. Atendendo essa realidade, podemos perceber que o dinheiro proveniente do TID desempenha papel crucial no sistema bancário e monetário internacional, pois, como afirmara o ex-agente da LAPD Michael C. Ruppert, daí vêm os papéis com os quais se realizam os “(…) ‘pagamentos mensais mínimos das grandes ações e das bolhas de derivados e de investimentos nos Estados Unidos e Grã Bretanha’ (…). Em 2000, o “Le Monde Diplomatique” estimou o total anual gerado pelo narcotráfico em uns 420 bilhões de euros.”[19]

Mas ainda mais alarmante é a consideração de Caterine Austin Fitts editora do “From The Wilderness” que afirmou “(…) que esses 590 bilhões de euros gerariam transações econômicas seis vezes maiores que esse valor para branquear o dinheiro, de modo que o impacto real [anual] do negócio das drogas nas finanças internacionais se converteria em transações pelo valor de três trilhões e meio de euros.” [20]

Essas cifras milionárias geradas pelo TID interagem com o sistema comercial mundial, injetando com papeis ou “bits”, como pontua o professor Jorge Casals Llano; apoiando a especulação financeira e a lógica do capital com a concentração, tanto das riquezas como de sua apropriação. Nesse sentido, a máfia atual continua a lógica de antigamente, aquela que compreende a sinergia do sistema, se adapta e participa no mesmo, não como seu contraponto, mas como seu suporte ilegal. Por isso vale a pena lembrar a famosa frase do gângster Al Capone ao ser acusado por evasão de impostos: “Isto é absurdo. Vocês não podem cobrar impostos sobre ingressos ilegais!” [21]

Imaginemos, então, como se traduzem esses fundos nas bolsas de valores. Entendendo que, nas bolsas, se negociam ações, participação nos lucros na rentabilidade de uma empresa, determinada pelas utilidades que reparte dita empresa. O chamado “Carry Trade” ou diferencial de rentabilidade esperada se alimenta de liquidez, proveniente do balanço das empresas, a reserva dos bancos centrais e os suspeitos grupos de capital privado. Nesse sentido, os dinheiros que estão nos bancos centrais também estão em movimento, entendendo a concepção do capital como dinheiro que gera dinheiro.

Conjugando essa realidade com a participação do dinheiro proveniente do TID, se compreende melhor, como o “(…) valor das ações das empresas que cotizam em Wall Street se baseia em benefícios líquidos anuais. O sistema conhecido como “bônus de benefício”, faz que esses reflitam no valor da empresa cotada em bolsa multiplicado até por 30. Para empresas como o “Chase Manhattan Bank” (…) ter uns 10 milhões de euros em “Benefícios líquidos” adicionais derivados do tráfico de drogas suporia incremento líquido no valor de suas ações em bolsa de até 300 milhões de euros.” [22]

Outra das complexidades das operações de lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais no sistema econômico comercial atual é a presença de uma mais-valia virtual a partir de um lucro virtual, que se produz na esfera da circulação e não, como refletiram os clássicos, aquela mais-valia real, originando riqueza da produção. Aparecem os “derivados financeiros”, dado a ausência de uma mais-valia real. Essa chamada mais-valia virtual – como afirma o professor Casals - se produz essencialmente na esfera da circulação e é precisamente nessa esfera onde entram em jogo os dividendos obtidos pelo negócio ilícito das drogas e outros delitos conexos, por sua necessidade de ser lavados para poder entrar em circulação.

Definitivamente, os bancos estadunidenses e, mais que os bancos, a elite empresarial, “aposta” com o dinheiro de todos, beneficiando-se em todo este processo da lavagem de dinheiro procedente do crime organizado, particularmente o relacionado com o TID.

Nesse complexo entrelaçado, entram em ação, como outro dos elementos prejudiciais que costumam dirigirem-se aos paraísos fiscais, os chamados “Capitais Andorinha”, caracterizados assim pela instabilidade da permanência do capital em um lugar. Esse consiste em depósitos de capital efêmeros, ou seja, que se condicionam em curto prazo e com rendimentos muito variáveis, outorgando-lhe maiores possibilidades de mobilidade. Esses capitais viajam aos países ou regiões onde podem obter maiores lucros, de forma conjuntural, para depois dirigirem-se a outros que lhe ofereçam melhores condições. Dessa maneira, se assegura o não comprometimento com o destino dos países onde fizeram depósitos nem com as consequências que acarreta para os mesmos as características de suas atividades.

Nesse sentido, os “capitais andorinha” podem ser compreendidos como uma das tantas expressões negativas da globalização neoliberal da economia. Com isso, percebemos outras das falácias de ver dogmaticamente correto aspectos como o “investimento estrangeiro” que, sem condicionamentos nem regulações financeiras e jurídicas que protejam os países onde se realizam, puderam beneficiar os interesses privados sobre o interesse nacional, o que aprofunda as relações de dependência e dominação historicamente ancoradas na relação dos EUA com a América Latina e o Caribe.

Por outro lado, os “capitais andorinha” depositados de maneira conjuntural e condicionada, podem produzir perigosa reavaliação na moeda local, prejudicando as condições de vida dos lugares onde fazem depósitos, unido a investimentos estrangeiros que, longe de ir à economia real, ao setor produtivo, vão para a obtenção de grandes lucros, durante o período em que os paraísos fiscais lhe ofereçam maiores possibilidades de evasão fiscal e outros nichos de lucros, para depois transferirem-se para outros lugares onde as vantagens comparativas que procuram sejam maiores; deixando prejudicada as economias dos países onde haviam feito depósitos.

Os “capitais andorinha”, por sua vez, são capazes de produzir um aparente fortalecimento das moedas locais, produto da abundância de capital que podem mostrar conjunturalmente. Por isso, o emprego de regulações financeiras e jurídicas mais estritas torna-se uma necessidade para dar maior estabilidade a essas economias e não expô-las acriticamente a esse tipo de atividades e investimentos de capitais que estão muito longe de prover desenvolvimento sustentável para os países latino-americanos e caribenhos onde se desenvolvem.

A desenfreada emissão de papel se “respalda” em ativos e por bancos que têm fidúcia, em outras palavras, confiança de que vão pagar. A compra de ativos pelo Banco Central costuma traduzir-se em aumento da demanda interna, assim como a venda de ativos em sua diminuição. Nos Estados Unidos, onde um ente privado desempenha o papel de “Reserva Federal”, o financiamento da dívida pública Federal realizada por outros países (e atores) elevou-se para 14 trilhões de dólares. Portanto, um incremento da oferta monetária reporta um efeito expansivo sobre a economia.

Nesta análise, não deve perder-se de vista que o dólar, como divisa internacional, produz um descontrole na medida em que os Estados que a assumem perdem uma determinação sobre a moeda, pelo que o preço da dita divisa se “determina”, além da relação entre oferta e demanda, pela rentabilidade esperada. A existência de uma desregulamentação do sistema financeiro internacional acentua todas essas problemáticas.

No preço do dólar (taxa de cambio) ou no preço do dinheiro (taxa de juros), influem múltiplos fatores, mas, em geral, os mecanismos são de mercado, portanto de oferta e demanda, embora haja instrumentos que podem manipular o banco central (Reserva Federal) para influir sobre eles como são a taxa de juros e a emissão monetária.

A lavagem de dinheiro contribui para a inflação quando há excesso de liquidez (excesso de dinheiro em circulação). Quando há excesso de dinheiro em circulação, se contribui à inflação porque indica que há maior demanda de bens e serviços e não tem correlação na oferta deles, o que pode produzir repentino incremento dos preços, devido a que a oferta não cobre a demanda.

O excesso de moeda em circulação, inflado também pelos dividendos provenientes do lucrativo negócio da lavagem de dinheiro, contribui também para a inflação (excesso de liquidez). Isso deve ser visto tendo em conta que, no geral, quando os bancos baixam a taxa de juros, injetam dinheiro em circulação, traduzindo-se em política monetária expansiva. Para isso, há múltiplos mecanismos, que podem ir de subir diretamente a taxa de juros, imprimir mais dinheiro ou reduzir o encaixe legal.

Uma das falácias sobre a lavagem de dinheiro e o TID consiste em compreender essas atividades como a solução divina para o desenvolvimento repentino das economias latino-americanas e do Caribe. O mito é derrubado quando percebemos que a maior parte do dinheiro proveniente do crime organizado transnacional que opera na região costuma dirigir-se aos Estados Unidos; alentados pela aspiração do “american way of life”, inspirados em uma concepção do bem viver que está mais enfocado à “pacha Miami” que à “Pacha Mama” (mãe-terra – n.t.).

Os Estados Unidos, como país que concentra as riquezas dos narcotraficantes, já não são só um paradigma cultural, mas também seus bancos e sucursais são reconhecidos pelo crime organizado como um bom destino para seus dividendos. É ali onde se concentra parte importante das riquezas extraídas da América Latina, reproduzindo-se a lógica de dependência e dominação que precede a romântica relação entre o norte e o sul americano. “Estima-se que, só nos Estados Unidos, os lucros anuais que alcançam esses delitos ascendem à cerca de US$ 275 bilhões, excluído a evasão fiscal.”[23]

Dessa forma, os Estados Unidos da América do Norte e, em particular, o sul da Flórida, resulta especialmente atrativo para que o crime organizado gaste seus lucros em uma economia de serviços, que se adapta perfeitamente aos interesses de lavagem e investimento desses setores.

Desses “lucros”, o que chega às economias latino-americanas é um (muito deprimido) por cento [1%], o que, não obstante, consegue atrair amplos setores rurais e urbanos que participam em algumas fases do negócio por pequenas comissões, diante da difícil situação socioeconômica que vivem esses países.

A concepção do Estado nacional em sua versão original vai se perdendo quanto ao interesse econômico. Os lucros dos negócios ilícitos da droga e outros delitos conexos fluem de toda a América Latina e Caribe para os EUA; correndo a favor dos interesses do grande capital transnacional. “Se tempos houve na história nos quais o estado regulador, mediante sua intervenção, podia paliar os ‘efeitos não desejados’ do ‘livre jogo’ da oferta e da demanda nos mercados, hoje não existe estado no mundo que possa ‘regular’ a atuação das grandes empresas transnacionais, algumas delas com maior força econômica do que continentes inteiros.” [24]

Os países latino-americanos dependentes, após séculos de colonialismo e deformação estrutural de suas economias, distraídos ideologicamente pela influência e hegemonia cultural estadunidense, costumam reconhecer, como alternativa contra a crise atual, a “atrativa” tríade do negócio das drogas, da lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais. Entretanto, ao realizar-se uma análise profunda sobre esses fenômenos, observa-se que esses países não fazem mais do que diluir a região entre a narcoeconomia e a dominação perpétua do império estadunidense, desta vez através de um negócio ao qual comparecem extraindo os maiores benefícios para sustentar o sistema, limpar os grandes volumes de dinheiro sujo, e para amparar as falácias do sistema capitalista mundial.

De maneira geral, a lavagem de dinheiro aumenta, e o incremento das apreensões de drogas de alguns países da América Latina não faz mais que evidenciar a perpetuidade do negócio.

O “narcotráfico” ameaça a estabilidade da região por sua relativa funcionalidade para desempenhar a função de colchão dos países mais pobres, sobre os efeitos da crise econômica global, representando um por cento consideráveis do PNB, assim como pelas fontes de emprego que gera. Da mesma forma, foram acolhidos por empresários em declínio para recapitalizar suas finanças.

Por outra parte, as economias latino-americanas, desmoralizadas diante do auge de práticas ilegais de comércio, acodem a um processo alienante, reconhecendo-se já não só no norte, mas também no sul, a presença de fenômenos mórbidos – nas palavras de Gramsci - em uma época de crise do sistema mundial. Por isso, independentemente das teorias de Francis Fukuyama em seu dilema do fim ou, mais recentemente, do futuro da história, o que certamente estamos presenciando não é uma época de mudanças, mas uma mudança de época, onde a homogeneidade e a unipolaridade deram lugar a sistemas mais complexos que não se pode compreender sem a consideração de todos os atores que nele confluem.

Resulta então, a análise da lavagem de dinheiro, dos paraísos fiscais e do negócio das drogas, processos estreitamente relacionados que ganham espaço, dentro desse grande sistema econômico, comercial e financeiro em escala mundial.

Esse processo desmoralizador começa pela economia, mas se expande ao espectro político, social e cultural de um mundo globalizado e, ainda que já não esteja muito na moda, reformado sob a tutela teórica do neoliberalismo, em uma crise multidimensional da qual o sistema capitalista não acaba de achar saída e acode para sua permanência, a fenômenos mórbidos como o crime organizado transnacional associado ao delito de TID, a lavagem de dinheiro e os paraísos fiscais no “novo mundo”.

O livro “Privataria Tucana” evidencia (transcreve de investigações policiais e processos judiciais) intenso uso de paraísos fiscais (Ilhas Virgens Britânicas) por autoridades do governo demotucano, envolvendo bilionárias quantias evadidas das privatizações

Não por gosto, Galeano expressou, em sua paradigmática obra “As Veias abertas da América Latina”: “A economia mundial é a mais eficiente expressão do crime organizado” [25]. Evidentemente, essa ideia não só continua vigente, mas se acentua em nossa realidade. Quando as economias latino-americanas se veem mais dependentes do sistema econômico global e as crises originadas pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais, costumam ser mais sentidas nos países do chamado Terceiro Mundo; vale a pena aproximar-se ao mundinho dos paraísos fiscais e seguir – à maneira de Walter Martínez - a rota do dinheiro que, quase sempre, ajuda a elucidar melhor quem são os autores intelectuais do que acontece hoje com o crime organizado transnacional, a lavagem de dinheiro e os paraísos fiscais, que tanto corrói o “novo mundo” americano.

CONCLUSÕES

Os paraísos fiscais, a lavagem de dinheiro e o alto tráfico ilícito de drogas existente no continente denotam, no atual contexto de crise econômica global:

--Fracasso do sistema de regulação financeira.
--Expressão da crise sistêmica e multidimensional do sistema capitalista neoliberal.
--Outra manifestação da crise da hegemonia dos Estados Unidos sobre a América Latina.
--A crise de credibilidade dos EUA em um contexto onde a Internet, as novas tecnologias e as redes sociais online, dão maior liberdade de informação.
--Vulnerabilidade institucional dos organismos internacionais, ao serem permitidos grandes montantes de lavagem de capitais do crime organizado transnacional, assim como um alto índice de evasão de impostos.
--A existência e internacionalização de problemas de segurança como o tráfico ilícito de drogas, os paraísos fiscais e a consequente lavagem de dinheiro, é injetada pelos Estados Unidos e, por sua vez, reporta enormes benefícios à luta contra esses males, como pretexto para outras guerras imperiais que alimentem seu insaciável Complexo Militar Industrial.
--A permanência dos problemas associados à lavagem de dinheiro e aos paraísos fiscais pode ser comparada a um câncer do sistema capitalista imperial que necessita do crime organizado transnacional para manter as bolhas financeiras e os estrepitosos índices de movimento de capitais só respaldados, que só são possíveis de respaldar, pela criminalidade internacional e seu poder para emitir papéis e bits em eurodólares.
--A fraude fiscal, que os paraísos fazem possível, afeta as políticas sociais, produto da evasão de impostos da qual, se supõe, saem parte dos fundos para esse tipo de medidas.
--A lavagem de dinheiro e os paraísos fiscais afetam diretamente um setor tão sensível e importante da sociedade como a classe média.
--O sistema de listas da OCDE funciona mais como biombo público que como barreira contra a evasão de impostos e a lavagem de dinheiro.
--Além das notícias de crônica vermelha e das políticas antidrogas do império, existe interesse econômico, financeiro e comercial sobre o frondoso montante de capitais que gera o dito negócio.
--No contexto de crise global, quando os cortes orçamentários se aprofundam em vários países, são afetados os organismos tributários e a luta contra a evasão.
--Os bancos norte-americanos se beneficiam em todo esse processo da lavagem de dinheiro procedente do crime organizado, particularmente o relacionado com o TID.

CENÁRIOS MAIS PROVÁVEIS

--Nos países com maiores atividades de TID e outros delitos conexos, a corrupção vulnerabiliza o setor bancário em busca de meios para lavar dinheiro, com a participação de funcionários de entidades públicas ou privadas. Isso acentuará a relação existente entre a corrupção e o TID, a qual não é exclusiva dos países pobres.
--A guerra dos cartéis na luta contra o governo supera a capacidade de algumas instituições dos países subdesenvolvidos para enfrentar este fenômeno, o que justificará a penetração das forças das potências ocidentais e dos contratados a seu serviço.
--A corrupção será estimulada pelos lucros do TID, o que possibilitará a influência política dos cartéis, tanto em conseguir corromper funcionários e políticos, como em colocar algumas de suas figuras nos altos escalões governamentais.”

NOTAS

[1] Al Capone ou Scarface, com sua cicatriz no rosto (1899-1947), foi um gângster estadunidense de origem italiana que fez fortuna na época da proibição da venda de álcool. Foi acusado de evasão de impostos em 1931 e condenado a 11 anos de prisão, sendo libertado em 1939.
[2] Jesús Arboleya Cervera: La ultraderecha cubano-americana de Miami. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 2000, p. 24.
[3] Jesús Arboleya Cervera: Ob; cit., p. 23.
[4] A Lista cinza da OCDE é composta pelos países considerados centros financeiros que se comprometeram em adotar os padrões combinados internacionalmente em matéria fiscal, os países considerados centros financeiros que dizem adotar os parâmetros internacionais estabelecidos em matéria fiscal, mas que na prática não o realizaram.
[6] Xavier Caño Tamayo. Impunes e famosos defraudadores fiscais. Em: http://www.ellibrepensador.com/2012/01/07/impunes-y-famosos-defraudadore...
[7] Los paraísos fiscales. En: http://www.muchapasta.com/b/paraisos%20fiscales/Listado%20de%20paraisos%...
[8] Lista de paraísos fiscais. La classificação oficial da OCDE. Em: http://www.paraisos-fiscales.info/lista-paraisos-fiscales.html
[9] Uruguai já não é paraíso fiscal (segundo a OCDE). Em: http://paraisos-fiscales.info/blog
[10] lista de paraísos fiscais, a classificação oficial da OCDE. Em: http://www.paraisos-fiscales.info/lista-paraisos-fiscales.html
[11] Guido Braslavsky. Xeque aos Paraísos fiscais. Os paraísos fiscais ocultam um terço de todos os fundos do sistema bancário mundial.
[12] Os paraísos fiscais são refúgios de delinquentes. Em: http://www.abc.com.py/nota/los-paraisos-fiscales-son-refugios-de-delincu...
[13] Emir Sader. "Paraísos fiscais": Prostíbulos da globalização. Em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=1329
[14] Idem
[15] Mitt Romney resistiu em expor os dados de sua declaração de renda, explicando que as autoridades ficam com cerca de 15% de seus ganhos anuais, o que resulta bem discreto se considerarmos que a fortuna de Romney oscila entre 150 e 200 milhões de euros. Veja-se em: Mitt Romney afinal disse… paga poucos impostos. Tomado de: http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/01/17/mitt-romney-por-fin-lo-dijo...
[16] Véase: Word Drug Report de 2011. En: http://www.unodc.org/documents/southerncone//Topics_drugs/WDR/2011/Execu....
[17] Ricardo Soberón. As tendências do narcotráfico na América Latina. Em: www.tni.org
[18] Daniel Estulin. Os segredos do Clube de Bilderbeg. www.apitox.es/docs/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf, p. 77.
[19] Idem
[20] Idem
[21] Resumen – Lavagem de Dinheiro. Em: http://www.irs.gov/espanol/article/0,,id=238185,00.html
[22] Daniel Estulin. Os segredos do Clube de Bilderbeg. Em: www.apitox.es/docs/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf, p. 77.
[23] Drogas, joias e dinheiro: O trabalho do FMI contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Em: http://blog-dialogoafondo.org/?p=1029
[24] Jorge Casals Llano. A crítica ao “capitalismo selvagem”. Em: Semanario Manos, Junio 1999.
[25] Eduardo Galeano. Las venas abiertas de América Latina. Montevideo, El Chanchito, 1987, p. 438.”

FONTE: escrito por Alejandro L. Perdomo Aguilera, investigador cubano do Centro de Investigaciones de Política Internacional. Trabalho publicado no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20011) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’]

 

sexta-feira, 27 de abril de 2012 - No Democracia e Política

MALVINAS: MARINHA ARGENTINA RECRUTOU MIL VOLUNTÁRIOS NO RIO DE JANEIRO

Afundamento do cruzador argentino Belgrano por submarino nuclear britânico. Não socorreram as vítimas

SNI CONFIRMOU OPERAÇÃO DISFARÇADA, E GOVERNO BRASILEIRO PREPAROU EXPULSÃO DE AGENTES

Av. Presidente Vargas, RJ

“Sala 1007 do número 446 da Avenida Presidente Vargas, Centro. Esse foi o endereço do serviço de Inteligência da Marinha argentina no Rio durante a Guerra das Malvinas. O núcleo foi montado pelo oficial Carlos Alberto Massera, que alugara o imóvel em setembro de 1980. A agência carioca do Serviço Nacional de Informações (SNI) o identificou como usuário de um passaporte brasileiro (n. 015180) e de um CPF , ainda válido na Receita Federal.

Ele é irmão do falecido almirante Emilio Massera, um dos autores do golpe de 1976 cujos resultados foram a ditadura e a derrota no campo de batalha das Malvinas para o Reino Unido. Chefe da Marinha, o almirante Massera integrou a Junta Militar presidida pelo general Jorge Videla. Destacou-se como um dos principais protagonistas de sete anos de repressão política, durante os quais um em cada seis argentinos esteve preso, e 30 mil são considerados mortos ou "desaparecidos", segundo os dados oficiais.

Tornou-se figura emblemática do regime porque foi condenado em múltiplos processos, abrangendo quase toda a tipologia de crimes cometidos nesse período: torturas, assassinatos, sequestros de recém-nascidos — filhos de presos políticos —, e, também, roubo de propriedades dos prisioneiros. Seu irmão, Carlos, é réu em alguns dos casos — sobretudo, os de roubo e lavagem de dinheiro.

De Buenos Aires, o capitão Carlos Massera controlava o núcleo de informações no Rio. No papel, o escritório da Avenida Presidente Vargas era uma filial da TÉLAM, agência de notícias do governo argentino que mantinha uma equipe na cidade, chefiada pelo jornalista Justo Guillermo Piernes. Na guerra, virou base para o trânsito de agentes e serviços de logística, como o despacho de cargas clandestinas de armas e munições.

Logo depois da invasão das ilhas, no 2 de abril de 1982, a Marinha argentina instalou nesse escritório do Rio um Comitê Argentino em Defesa das Ilhas Malvinas, sob o comando de Dimas Pettinerolli. Era uma operação de propaganda planejada e sua execução foi tão rápida quanto bem-sucedida, como relataram funcionários do SNI à agência central, em Brasília: nos 12 dias seguintes à invasão do arquipélago, o comitê cadastrou "cerca de 3.500 pessoas, das quais 1.000 são voluntárias para integrarem o esforço de guerra argentino, a partir de já".

O governo se preocupou com notícias sobre o comitê instalado no Rio. Na quinta-feira, 15 de abril, apenas 24 horas depois da confirmação do SNI sobre o recrutamento de cidadãos brasileiros para uma guerra que não era do país, o Ministério da Justiça foi mobilizado. Ao amanhecer da segunda-feira seguinte (19) já estavam prontas 11 páginas de justificativas jurídicas para encerrar as atividades da agência TÉLAM no Brasil, punir e expulsar Pettinerolli e todos os envolvidos. O núcleo da Marinha argentina no Rio logo foi desativado.

Em Brasília, a Armada era percebida como o núcleo mais radical da Junta Militar, presidida pelo general Leopoldo Galtieri. Numa análise do Conselho de Segurança Nacional, lembrava-se: "os mais recentes movimentos militares argentinos (1955, 1966 e 1976) foram de inspiração predominantemente naval", embora os presidentes resultantes fossem, na maioria das vezes, oriundos do Exército, enquanto as tentativas de abertura política foram, de maneira geral, conduzidas pelo Exército (1958, 1973 e 1981).

Essa visão do equilíbrio de forças na Junta Militar condicionou a decisão do Itamaraty em relação aos pedidos reiterados dos Estados Unidos para que o governo João Figueiredo pressionasse a Argentina a abrir negociações com o Reino Unido, cuja frota chegara à zona de combate. Cogitou-se o envio do chefe do SNI, general Otavio Medeiros, para conversar com o general Galtieri, mas não há registros disponíveis sobre essa viagem. O presidente Ronald Reagan enviou a Brasília um ex-diretor da CIA, Frank Carlucci, para convencer Figueiredo. O governo ponderou sobre a necessidade de "harmonizar as atuações do Brasil e dos EUA". Não havia clima, porque Washington já atuava abertamente como aliado militar do Reino Unido.

Figueiredo e Reagan

Quando Figueiredo foi a Washington, no 12 de maio, as tropas argentinas estavam totalmente cercadas pela frota britânica. Em Londres, a primeira-ministra Margareth Thatcher pressionava o presidente francês, François Mitterrand, a repassar os códigos secretos que poderiam anular as funções vitais dos poucos mísseis Exocet que a França vendera à Força Aérea argentina.

Na semana anterior, ela dera ordem para afundar o cruzador General Belgrano. O navio foi afundado por um submarino nuclear, com torpedo convencional — morreram 323 soldados, segundo a contabilidade oficial [morreram porque houve omissão de socorro dos ingleses].

Belgrano afundado por submarino nuclear inglês

No dia seguinte, um caça argentino de fabricação francesa lançou um Exocet e afundou o destróier Sheffield, a embarcação mais moderna da frota britânica. Thatcher recebeu [dos franceses os códigos dos foguetes que haviam vendido para a Argentina] depois de acenar com o bombardeio inglês das tropas argentinas com mísseis nucleares, contou Mitterrand ao psicanalista Ali Magoudi, a quem visitou duas vezes por semana entre 1982 e 1984, e que registrou o depoimento em livro.

Destróier inglês "Sheffield", atingido pela aviação argentina

Esse clima de tensão permeou o encontro de Figueiredo com Reagan na Casa Branca. À tarde, o chanceler Guerreiro recebeu um telefonema do embaixador argentino Esteban Takacs: a Argentina confirmara — ele não explicou como — a informação de um "iminente ataque a algumas de nossas bases no continente". O chanceler disse que Figueiredo falaria sobre isso com Reagan no jantar, "mas já antecipava que o Brasil tomaria uma posição muito firme diante dessa situação", contou Takacs, nos autos do inquérito militar realizado depois do conflito.

Na mesma noite, ele recebeu um telefonema da embaixada brasileira com a mensagem sobre o alerta de Figueiredo a Reagan: "Informaram que ele falou que um ataque a algumas bases argentinas no continente seria considerado pelo Brasil um ataque ao continente e isso não seria tolerado". Nessa noite, Figueiredo mandou um telegrama ao chanceler alemão Helmut Schmidt pedindo sua intervenção para impedir Thatcher de bombardear o continente argentino.

O Reino Unido moderou seus planos militares e derrotou a Argentina quatro semanas depois, no 14 de junho. A Junta Militar foi deposta numa tentativa [de recuperar seu território invadido pelos ingleses e] prolongar a ditadura. Não deu certo. As bases da relação com o Brasil, no entanto, haviam mudado.

No fim de semana seguinte, em Brasília, o chanceler Guerreiro preparou uma "Apreciação" do novo cenário, enviada à Presidência na segunda-feira, 21 de junho. "Provavelmente", escreveu, "haverá a possibilidade de uma cooperação mais íntima, sobretudo nos campos econômico e militar. No campo político, tudo indica que será preservado e expandido o patrimônio formado a partir de 1979, com a solução do contencioso da Bacia do Prata".

Estava aberto o caminho para um acordo nuclear e a construção do Mercado Comum do Sul (Mercosul).”

FONTE: publicado no jornal “O Globo” e transcrito no site “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/ecos/noticia/5791/Malvinas--Marinha-argentin...) [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

 

Juiz tucano aprovou as cotas por medo de ficar isolado
Posted by eduguim on 27/04/12 • Categorized as Análise

Antes de chegar ao ponto que intitula este post, haverá que fazer um longo preâmbulo para que o leitor possa entender a questão. Vamos a ele, pois.

Na quarta-feira (25/04), o jornalista Elio Gaspari, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, previu o desenlace do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impetrada pelo DEM contra a política de cotas para negros adotada pela Universidade de Brasília.

A previsão de Gaspari: “No palpite de quem conhece a Corte, o resultado será de, pelo menos, sete votos a favor e quatro contra” as cotas na UNB.

Tratou-se de uma previsão para lá de otimista para os adversários da igualdade racial no Brasil, ainda que não parecesse, pois a chance de derrota do DEM era, previsivelmente, muito maior. E era maior por conta dos complexos fatores técnicos e políticos que envolvem a questão e que passo a explicar.

Quem o jornalista disse que “conhece a Corte” parece não conhecê-la tanto assim. Este blogueiro mesmo, às 16:14 hs., três horas antes do término do Julgamento (que ocorreu por volta das 19:30 hs.) previu, através do Twitter, que a decisão a favor das cotas poderia ser unânime. Abaixo, reprodução da mensagem que publiquei naquela rede social.

Mais uma vez, perguntaram-me sobre uma tal “bola de cristal” de cristal que eu teria por conta de previsões que fiz como aquela sobre a crise econômica de 2008, de que seria mesmo uma marolinha, o que foi dito em um momento em que todos, à esquerda e à direita, diziam que o país afundaria. Ou como a que fiz dias antes da publicação da última pesquisa Datafolha, a previsão de que a popularidade de Dilma dispararia.

Infelizmente, não tenho bola de cristal alguma. Se tivesse, trataria de descobrir o resultado de alguma loteria, eis que ando precisado… O que tenho é só um método de lidar com a lógica que só funciona quando disponho de elementos suficientes, o que dificilmente ocorre.

Certas vezes, porém, os fatos gritam para ser notados. E, nesse caso do julgamento das cotas, o fenômeno era intenso. Afinal, acolher a premissa do DEM seria uma aberração jurídica. Seria desmoralizante para qualquer juiz que preze minimamente a própria imagem. E não apenas para a sua capacidade técnica, mas do ponto de vista da imagem de pessoa pública.

Houve um tempo em que os juízes do STF não ligavam para o Direito ou para a própria imagem por não passarem de meros despachantes dos setores mais poderosos da sociedade que o presidente da República, que exercia a mesma função, guindava a postos dessa importância.

Foi uma era de trevas em que um presidente ousou manter no cargo, por oito anos, um único procurador-geral da República. Alguém cuja função era arquivar qualquer ação incômoda para o Poder Executivo, o que lhe valera o apodo de engavetador-geral da República.

Na era Lula, os despachantes da elite na cúpula do Judiciário ou do Ministério Público foram sendo substituídos por militantes do melhor Direito preocupados com a própria imagem e descompromissados com o banditismo que imperara naquelas instituições até a chegada do ex-operário ao poder, o que possibilitou que os procuradores-gerais indicados por ele aceitassem um processo contra quem os nomeou, como o do mensalão, o que jamais teria ocorrido quando o PSDB estava no poder.

Hoje, dos onze ministros da Suprema Corte de Justiça do país, oito foram nomeados por Lula ou por Dilma Rousseff. A moralização da mais alta instância do Poder Judiciário, pois, virou um fato. Com efeito, o mensalão jamais estaria para ser julgado se os governos do PT não tivessem optado pelo que havia de melhor para a Procuradoria-Geral da República ou para o STF.

Com a excelência dos ocupantes daquela Corte, seria praticamente impossível que as cotas perdessem. Até porque, entre os três juízes nomeados por antecessores de Lula, só dois já se envolveram em maracutaias: Marco Aurélio Mello, indicado por Fernando Collor de Mello (e que é primo do ex-presidente, vejam o absurdo!), e Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso. Celso de Mello, indicado por Sarney, sempre se portou direito.

Ora, a questão que aqueles juízes julgavam não poderia ter outro destino. Bastaria o menor conhecimento da situação social do país para perceber que o pleito do DEM não passava de uma tentativa de prestação de serviços a uma elite decadente, corrupta e racista.

Dados do IBGE mostram que qualquer outra decisão que não a que foi tomada, seria um absurdo. E de que os argumentos que a imprensa e essa elite esgrimem não passam de banditismo intelectual.

Vejamos, por exemplo, o que um desses impérios de comunicação corruptos que tentam atrasar ou mesmo impedir a justiça social no país diz em editorial publicado nesta sexta-feira, 27 de abril, um dia após a decisão unânime do STF em prol da igualdade racial.

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FOLHA DE SÃO PAULO

27 de abril de 2012

Editorial

Cotas raciais, um erro

Tratamento desigual para reparar injustiças deveria contemplar apenas critérios sociais objetivos – não a cor da pele, obsessão importada O Supremo Tribunal Federal declarou as políticas de cotas raciais em universidades federais compatíveis com a Constituição. A decisão será saudada como um avanço, mas nem por isso terá sido menos equivocada.

Ninguém duvida que a escravidão foi uma catástrofe social cujos efeitos perniciosos ainda se propagam mais de um século após a Abolição. Descendentes de cativos -de origem africana ou nativa, pois também houve escravização de índios – sofrem, na maioria dos casos, uma desvantagem competitiva impingida desde o nascimento.

As políticas adotadas por universidades que reservam cotas ou garantem pontuação extra a candidatos originários daquela ascendência procuram reparar essa iniquidade histórica. A decisão do STF dará ensejo à disseminação de tais medidas em outras instâncias (acesso a empregos públicos, por exemplo), o que ressalta a relevância do julgamento.

São políticas corretivas que podem fazer sentido em países onde não houve miscigenação e as etnias se mantêm segregadas, preservando sua identidade aparente. Não é o caso do Brasil, cuja característica nacional foi a miscigenação maciça, seguramente a maior do planeta. Aqui é duvidosa, quando não impraticável, qualquer tentativa de estabelecer padrões de “pureza” racial.

Não se trata de negar a violência do processo demográfico ou o dissimulado racismo à brasileira que dele resultou, mas de ter em mente que a ampla gradação nas tonalidades de pele manteve esse sentimento destrutivo atrofiado, incapaz de se articular de forma ideológica ou política. Com a mentalidade das cotas raciais, importa-se dos Estados Unidos uma obsessão racial que nunca foi nossa.

No Brasil, a disparidade étnica se dissolve numa disparidade maior, que é social -uma sobreposta à outra. A serem adotadas políticas compensatórias, o que parece legítimo, deveriam pautar-se por um critério objetivo -alunos de escolas públicas, por exemplo- em vez de depender do arbítrio de tribunais raciais cuja instalação tem algo de sinistro.

A Constituição estipula que todos são iguais perante a lei. É um princípio abstrato; inúmeras exceções são admitidas se forem válidos os critérios para abri-las. A ninguém ocorreria impugnar, em nome daquele preceito constitucional, a dispensa de pagar Imposto de Renda para os que detêm poucos recursos.

O cerne da questão, portanto, consiste em definir se há justiça em tratar desigualmente as pessoas por causa do tom da pele ou se seria mais justo, no empenho de corrigir a mesma injustiça, tratá-las desigualmente em decorrência do conjunto de condições sociais que limitaram suas possibilidades de vida.

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O editorial diz que a desigualdade “racial” brasileira não seria um “critério social objetivo”, mas uma “obsessão importada” porque, no Brasil, houve miscigenação enquanto que nos Estados Unidos, onde surgiu a política afirmativa das cotas “raciais”, não houve.

E daí? A miscigenação por acaso impede o racismo? O IBGE mostra que não. Segundo estudos da instituição, a proporção de estudantes de 18 a 25 anos de idade frequentando curso superior é de 19,4% da população para os brancos e 6,8% para os negros e pardos. E a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que concluíram curso superior é de 13,4% para brancos e de míseros 4% para negros e pardos.

A pesquisa completa do IBGE pode ser conferida aqui.

Sim, houve mistura racial no Brasil, mas tanto os negros “puros” quanto os mestiços sofrem tanto ou mais no Brasil quanto nos Estados Unidos. Isso sem falar dos índios, que a política de cotas também contempla tanto quanto aos negros e pardos, bem como os brancos pobres, que, apesar de existirem, são em percentual infinitamente menor.

Qualquer análise séria da questão revela que cotas por critério meramente econômico, as ditas cotas sociais – que já existem não só nas políticas afirmativas do governo federal quanto, exclusivamente, em governos mais conservadores como o de São Paulo, na USP e na Unicamp –, são insuficientes.

Se fossem adotadas unicamente, se o critério da pobreza prevalecesse sobre o critério racial para conceder vagas em universidades, o negro continuaria sendo prejudicado, pois os brancos, nos estudos do IBGE, sempre estão em melhor condição que os negros, inclusive entre os pobres.

No Brasil, os 2% mais pobres são compostos por negros e mestiços de brancos com negros, em situação ainda pior do que a dos índios, que também sofrem muito. Se entre os que ganham abaixo de determinado valor fosse usado o critério do mérito, por exemplo, os brancos continuariam chegando à frente de afrodescendentes e índios, o que perpetuaria o problema.

Os juízes mais preocupados com as próprias imagens, portanto, não cometeriam essa vilania de negar aos mais prejudicados a oportunidade de saírem da senzala cultural a que foram confinados durante a escravidão e após a libertação dos escravos.

Os únicos juízes capazes de dar uma banana para o Direito em prol de seus patronos políticos seriam Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, que chegaram a pôr criminosos ricos em liberdade (Salvatore Cacciolla e Daniel Dantas, respectivamente). Mello, porém, de vários anos para cá passou a se portar melhor e tem marcado sua atuação por decisões libertárias e humanistas.

Só havia um juiz que pendia claramente pela desigualdade racial: Gilmar Mendes. Isso fica muito claro, aliás, em seu voto no julgamento da ADPF 186, a das cotas.

Outra matéria da Folha de São Paulo mostra sua tendência e permite, pela lógica, supor que votou contra o DEM, partido com quem andou tendo relações pra lá de esquisitas, por medo de ser o único entre os dez juízes a votar a favor do racismo.

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FOLHA DE SÃO PAULO

27 de abril de 2012

Cotidiano

Gilmar Mendes faz ressalvas a cotas raciais

Apesar de favorável à política de reserva de vagas, ministro chama a atenção para eventuais distorções de sistema da UnB

Depois de dois dias de julgamento da ação proposta pelo DEM, sessão foi encerrada sob sonoros aplausos

DE BRASÍLIA

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes votou a favor das cotas, mas foi o único a fazer críticas ao sistema adotado pela UnB.

Mendes afirmou que o critério racial não é o melhor para definir quem deve ser beneficiado pela reserva de vagas e que um modelo incluindo a renda seria mais apropriado.

Ele citou “distorções e perversões” que poderiam ser geradas pela atual política. Entre elas, a possibilidade de um aluno negro e rico, que sempre estudou em escola particular, entrar na universidade por cotas, enquanto um pobre, porém branco, não.

(…)

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Ora, a opinião de Mendes é incompatível com seu voto. Se julga que a política de cotas da UNB contém “perversões e distorções” como a de um negro rico ter possibilidade de tomar o lugar de um branco pobre, deveria ter votado a favor da ADPF do DEM. Se votou diferente, é porque sabia que ficaria isolado e porque essa sua questão poderia ser desmontada facilmente.

Inexiste a possibilidade de um “negro rico”, talvez filho de pagodeiro ou jogador de futebol – situações em que um negro pode enriquecer, salvo exceções –, tomar a vaga de branco pobre. A política de cotas exclui estudantes de escolas particulares, ora. E alguém acha que um negro rico colocaria seu filho em escola pública?

 

Mino Carta

Editorial
27.04.2012 09:32

Opinião pública, o que é?

Confusões. O Estadão acredita que seu sonho de vê-los brigar é verdade. Foto: Pedro Ladeira/Frame/Ag. O Globo

Pergunto aos meus reflexivos botões qual seria no Brasil o significado de opinião pública. Logo garantem que não se chama Merval Pereira, ou Dora Kramer, ou Miriam Leitão. Etc. etc. São inúmeros os jornalistas nativos que falam em nome dela, a qual, no entanto, não deixa de ser misteriosa entidade, ou nem tão misteriosa, segundo os botões.

A questão se reveste de extraordinária complexidade. Até que ponto é pública a opinião de quem lê os editorialões, ou confia nas elucubrações de Veja? Digo, algo representativo do pensamento médio da nação em peso? Ocorre-me recordar Edmar Bacha, quando definia o País -como Belíndia, pouco de Bélgica, muito de Índia. À época, houve quem louvasse a inteligência do economista. Ao revisitá-la hoje, sinto a definição equivocada.

Os nossos privilegiados não se parecem com a maioria dos cidadãos belgas. A Bélgica vale-se da presença de uma burguesia autêntica, culta e naturalmente refinada. Trata-se de tetranetos da Revolução Francesa. Só para ser entendido pelos frequentadores do Shopping Cidade Jardim em São Paulo: não costumam levar garrafas de vinho célebre aos restaurantes, acondicionadas em bolsas de couro relampejante, para ter certeza de uma noite feliz. Até ontem, antes do jantar encharcavam-se em uísque.

Em contrapartida, a minoria indiana, sabe das coisas e leu os livros. Já a maioria, só se parece com a nossa apenas em certos índices de pobreza, relativa ou absoluta. No mais, é infelicitada por conflitos, até hoje insanáveis, étnicos e religiosos. Nada de Bélgica, tampouco de Índia. Nem por isso, a diferença, ainda brutal, existe entre brasileiros ricos e pobres, embora desde o governo Lula tenha aumentado o número de remediados.

O Brasil figura entre os primeiros na classificação da má distribuição de renda, pecha mundial. Na semana passada, CartaCapital publicou ampla reportagem de capa sobre vários índices do nosso atraso, a mostrar que crescimento não é desenvolvimento. De fato, o Brasil sempre teve largas condições de ser um paraíso terrestre, como vaticinava Americo Vespucci, e não foi porque faltou o comando de quem quisesse e soubesse chegar lá. Sobrou espaço para os predadores, ou seja, aqueles que, como dizia Raymundo Faoro, querem “um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”.

A opinião pública que os Mervais, Doras e Mirians da vida acreditam personificar, é no máximo, na melhor das hipóteses para eles, a dos seus leitores. Há outra, necessariamente, daqueles que não se abeberam a essas fontes, e muitos sequer têm acesso à escrita. Votam, contudo, e são convocados pelas pesquisas de opinião. À pressão midiática, que ignoram por completo, preferem optar por Lula e Dilma Rousseff. Temos de levar a sério esta específica e majoritária opinião pública claramente expressa e, em termos práticos, mais determinante que a outra.

A opinião pública que a mídia nativa pretende personificar já condenou o chamado mensalão e decidiu os destinos da CPI do Cachoeira. A opinião pública da maioria está noutra. O resultado do confronto há de ser procurado nas pesquisas e nas eleições, é o que soletram meus botões. Eles são exigentes e me forçam a um exame de consciência. Por que as circunstâncias me levam à referência frequente a mídia nativa? Acontece que a mídia é, sim, personificação da minoria. Aquela do deixa como está para ver como fica.

A mesma que conspirou contra Getúlio democraticamente eleito e contra a eleição de Juscelino. Ou que apoiou Jânio Quadros em 1960, tentou evitar Jango Goulart depois da renúncia e enfim implorou o golpe perpetrado pelos gendarmes fardados em 1964, e o golpe dentro do golpe em 1968. A mesma que desrespeitou o anseio popular por eleições diretas em 1984 e engendrou uma dita redemocratização, de todo patética, em 1985, e hoje ainda dá uma de galo no papel impresso e no vídeo. Será que a rapaziada se dá conta do que está a acontecer de verdade?

A mídia nativa, é fácil demonstrar, na sua certeza de representar a opinião pública do País todo pratica aquilo que definiria como jornalismo onírico. Neste mister, o Estadão de quinta 26 supera-se. Estampa na primeira página que a presidenta Dilma mente ao afirmar, ao cabo de um longo encontro com Lula em Brasília, a ausência de diferenças entre ela e seu mentor. A presidenta responde obviamente a uma pergunta e diz: “Não há diferenças entre nós e nunca haverá”. Então por que perguntam se estão certos de que seu sonho é a própria verdade?

Leia também:
Mino Carta: CPI da mídia?
Delfim Neto: Barrageiros na Amazônia
Luis Nassif: Como preparar uma crise institucional

 

Patrimônio Líquido da indústria doméstica ultrapassa R$ 2 trilhões PDF-Download


Fundos de Investimento ANBIMA-Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais - BOLETIM Ano VII • No 72 • Abril/2012
anexo (zip)Patrimônio Líquido e Captação Líquida por Categoria de Fundos e Segmentos do Investidor-Mar/2012


Março foi um mês de recordes para indústria de fundos de investimento brasileira. Impulsionado pela captação líquida mensal de R$ 41,3 bilhões (2,1% do PL), a maior da série histórica, o Patrimônio Líquido da indústria doméstica superou o patamar de R$ 2 trilhões, o que representa um crescimento superior a 100% em menos de cinco anos – o primeiro trilhão de reais havia sido atingido em maio de 2007.

O resultado mensal foi influenciado pela captação líquida de R$ 21,8 bilhões em fundo da categoria Referenciado DI, movimentação específica que não deve ser associada a uma tendência de mercado,
sobretudo em um ambiente de queda da taxa de juros. Merece destaque, ainda, a captação líquida de R$ 11,8 bilhões pela categoria Multimercados, a melhor captação mensal desde setembro de 2010, concentrada em seis fundos do segmento Corporate.

Apesar do recuo de 1,98% do Ibovespa, os fundos Ações Dividendos, com alta de 3,45%, apresentaram o melhor desempenho da indústria no mês entre os tipos com PL representativo, seguido pelos tipos Multimercados Macro (2,03%) e Renda Fixa Índices (1,69%). Embora em ordem distinta, esses tipos também alcançaram os melhores resultados em 12 meses: Renda Fixa Índices (17,47%); Ações Dividendos (15,30%) e Multimercados Macro (14,88%). No acumulado no ano, os fundos da categoria Ações continuam a apresentar o melhor desempenho, refletindo a recuperação

 

2014---distribuição de renda

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mídia tenta abortar CPI da mídia

Por Altamiro Borges

Há uma intensa movimentação dos monopólios midiáticos para evitar que a CPI do Cachoeira apure também as relações do crime organizado com setores da imprensa. A Operação Monte Carlo da PF já confirmou a existência desta promíscua relação – só entre o editor da Veja, Policarpo Jr., e o mafioso Carlinhos Cachoeira, foram mais de 200 telefonemas, além de jantares sinistros. Neles muita coisa deve ter sido tramada para interferir nos rumos políticos do país e para beneficiar alguns negócios “privados”.

Apesar de todos os indícios, a mídia quer evitar que a CPI investigue a mídia! E ela se articula neste sentido. Na semana passada, o executivo Fábio Barbosa, atual presidente do Grupo Abril, que edita a Veja, e ex-presidente da federação dos banqueiros, esteve em Brasília. Ele visitou várias “autoridades” da República. Nos bastidores, circulou o boato de que o seu único intento foi impedir que o “capo” do império midiático, Roberto Civita, seja convocado por parlamentares para depor na CPI.

Ameaças de retaliação

Segundo reportagem do sítio Brasil 247, outros dois barões da mídia também já entraram em campo, num “pacto” para abortar qualquer risco de investigação. “João Roberto Marinho, da Rede Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ)”.

Por coincidência, numa notinha da coluna Painel da Folha, a jornalista Vera Magalhães confirmou a trama. Intitulado “Vacina”, o texto revela: “O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”. Ou seja: os barões da mídia procuram “vacinas” para se proteger!

Editoriais e colunistas amedrontados

Uma leitura mais atenta dos editoriais e dos principais colunistas da chamada grande imprensa confirma o medo. Os mesmos que sempre vibraram com as CPIs, principalmente no governo Lula, agora falam que ela é “precipitada”, “revanchista”, “imprevisível”. Os mesmos que sempre bravatearam sobre o “jornalismo investigativo”, agora fazem de tudo para abortar qualquer investigação sobre as relações da mídia com o crime organizado. A CPI pode ser transformar num processo bastante educativo, elucidativo!
Postado por Miro às 18:24

 

Para metroviários, sobra propaganda e falta planejamento no Metrô de São Paulo

Política de “esticar linhas” sem a criação de conexões alternativas para usuários só aumenta o caos no sistema metro-ferroviário.

Suzana Viera, via Rede Brasil Atual

A política de expansão do Metrô de “esticar linhas” já existentes está sobrecarregando o sistema metro-ferroviário de São Paulo, sem, contudo, melhorar as condições para o usuário. Para o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres Júnior, o modelo de expansão “alimenta o sistema com mais gente”. “Nossa expansão está atrasada e é feita de forma atabalhoada”, disse. Para o sindicalista, o panorama ideal é a criação de linhas que tenham pontos de intersecção com as atuais, ao contrário da continuidade das linhas já existentes.

Na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), onde não está havendo ampliação da malha, o problema está na troca e expansão da frota. “O caos na ferrovia é que colocaram trens novos e descobriram que não há subestação (de energia) para alimentar as máquinas”. Embora haja trens mais velozes e mais modernos não há “alimentação suficiente”. “A equipe técnica da empresa já sabia disso há quatro anos. Compraram trens modernos, bonitos e sem condições técnicas de trafegar.”

Esse problema causou pane em uma locomotiva da Linha 7 – Rubi (Luz – Francisco Morato), no dia 29 de março, que culminou em protestos e destruição de parte da estação Francisco Morato, na Grande São Paulo. Na ocasião, segundo Altino, a solução foi “desenergizar” uma via para a outra funcionar. “É como comprar uma Ferrari e não ter dinheiro para a gasolina. São governos mais preocupados em dar resposta rápida à mídia do que em resolver a questão”, afirmou Altino.

Planejamento
Os metroviários são a favor da expansão, mas lamentam o caos criado com a falta de planejamento. “Com esse modelo, estamos sem muita perspectiva de saída”, alertou o sindicalista.

Os metroviários também creditam a “erro de planejamento” a superlotação do metrô. “Dizer que houve ‘tsunami de usuários’... Eles não estudaram a demanda? Não entenderam que ia ter aumento. Todo mundo sabia disso”, apontou Altino, em referência ao termo usado por Fernandes para justificar a superlotação do sistema, principalmente a partir da operação da Linha 4 – Amarela do metrô em horário integral, em setembro de 2011.

Ele prevê que a mesma deficiência vai atingir o monotrilho, quando o sistema começar a funcionar. O modal que vai operar na Linha 17 – Ouro está previsto para interligar, na primeira fase, o aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9 – Esmeralda (Osasco – Grajaú) da CPTM. “Quanto tiver os primeiros problemas vão dizer ‘não esperava, estou surpreso que tem tanto usuário’”, disse.

Altino avalia que o governo precisa realizar uma discussão ampla com especialistas, usuários e sindicatos que representam os trabalhadores da rede metro-ferroviária de São Paulo e definir ações imediatas para que a crise do transporte na região metropolitana de São Paulo possa ser resolvida em até cinco anos.

Segundo ele, se uma nova forma de planejamento não for implementada agora, os problemas serão muito piores nos próximos anos. “Cada governo resolve expandir a rede de um jeito e, na verdade, não há plano, porque investir em trens sem energia para trafegarem parece coisa de criança”, classificou. A solução só virá com planejamento e tem de ser rápido. Por enquanto, falta vontade política e sobra propaganda.”

Monotrilho
O monotrilho é um veículo movido a eletricidade e trafega em um único trilho, diferentemente do sistema ferroviário tradicional que possui dois trilhos paralelos.

Cada locomotiva tem em média seis vagões. O modal é usado internacionalmente para atender a trechos de baixa lotação, como parques de diversões na Europa e Estados Unidos. Há outro modelo em que o comboio se locomove suspenso, preso a armações de ferro. O único gênero existente no Brasil está em Poços de Caldas, Minas gerais, com pouco mais de seis quilômetros de extensão, e restrito ao turismo da cidade.

Por envolver a construção de vias elevadas, o monotrilho pode representar prejuízo urbanístico à cidade. O Elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, no centro de São Paulo, é um exemplo do impacto desse tipo de via.

Leia também: A incrível hipótese do “Jirad ferroviário”
Postado por BLOG LIMPINHO E CHEIROSO

 

27/04/2012 - No Carta Maior

Da Série: Por que Serra está nervoso?

Avalie as hipóteses desta semana pinçadas das páginas dos jornais diários:

I) a política social do ciclo Lula reduziu à metade a mortalidade infantil no país na década passada, informa o Censo de 2010 do IBGE. No Nordeste a taxa caiu 58,6% entre 2000 e 2010;

II) o governo Dilma acionou os bancos estatais e emparedou a banca privada entre a concorrência e a execração pública: os juros estão em queda sem que a inflação escape ao controle;

III) no primeiro trimestre, as cartas consultas para financiar investimentos industriais junto ao BNDES cresceram 37% em comparação com janeiro/março de 2011;

IV) um governo de coalizão entre bicheiro e tucanos foi flagrado em Goiás pela operação 'Monte Carlo', da PF. Carlinhos Cachoeira, em escuta da PF: "nós pusemos ele" (Perillo, fiel aliado de Serra no PSDB)" lá" (no Palácio das Esmeraldas);

V) sob a administração Kassab aumentou em 6% o número de moradores de rua em SP: de 13.66, em 2009, para 14.458, em 2011;

VI) faltam professores em 32% das escolas da rede estadual de ensino de SP, estado administrado há 17 anos pelo PSDB;

VII) Serra, 70 anos, em tom jovial: 'Modéstia à parte, sempre fomos muito inovadores'. Por exemplo: ao assumir o governo do Estado em 2006, o tucano ' inovou' nos serviços de desassoreamento do rio Tietê, interrompendo-os por quatro anos seguidos. A 'inovação' pôs a perder R$ 1,7 bi em gastos realizados com a limpeza do rio durante os quatro anos anteriores. Hoje a meta do Estado é recuperar a vazão do Tietê existente antes de Serra assumir o governo, período em que 3 milhões de m³ de detritos se acumularam no leito do rio. O espírito inovador agravou a frequência e a gravidade das inundações na capital, cuja prefeitura Serra agora vai disputar.

Em setembro de 2009, por exemplo, mesmo fora da temporada de chuvas, uma tempestade naufragou São Paulo. Desde então, a cada verão o rio transborda. No ano passado, ao final de fevereiro, o Tietê já havia transbordado três vezes, o que levou o governo Alckmin a tomar a decisão de voltar a investir em obras de desassoreamento para recuperar uma vazão de 1.048 m³ por segundo. A mesma capacidade de sete anos atrás, quando Serra 'inovou'. Modéstia à parte.
PS: essas informações foram fornecidas aos jornais diretamente pelo governador Geraldo Alckmin, como se sabe um parceiro de Serra de longa data.

Postado por Saul Leblon às 18:46

 

Brasileiros começam campanha por Guardiola na seleção

Por Leonardo Sacco | Blog da Redação – 6 horas atrás

Se a voz do povo é a voz de Deus, então José Maria Marin e sua trupe na CBF deverão começar em breve a se mexer para trazer o técnico Josep Guardiola para o comando da seleção brasileira. Não que haja alguma ligação concreta entre o treinador do Barcelona, que anunciou nesta sexta-feira que sairá do time catalão em junho deste ano, e os dirigentes brasileiros, mas a torcida verde e amarela decidiu adotar o técnico e passou a pedir que ele assuma o comando do nosso país.

Brasileiros iniciaram campanha para ter Guardiola na seleção (Foto: Reprodução/Facebook)
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ouco tempo depois de sua saída do Barcelona ser anunciada, Guardiola já figurava entre os assuntos mais citados do Twitter no Brasil com a hashtag #GuardiolaNaSelecao. A campanha seguiu para o Facebook, onde foi criada a fanpage Guardiola na Seleção (clique aqui para acessar) que em pouco menos de duas horas no ar já possuia mais de mil fãs.

O futebol ofensivo que o Barcelona praticou sob o comando do treinador espanhol é o principal motivo para a torcida brasileira pedir sua presença como comandante da Seleção, que nos últimos anos vem colecionando decepções. E você, apoia Guardiola como técnico do Brasil?