newsletter

Clipping do dia

As matérias para serem lidas e comentadas.

Sem votos

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+85 comentários

Dilma parabeniza François Hollande por vitória A presidenta Dilma Rousseff enviou na noite deste domingo (06) mensagem com os cumprimentos ao presidente eleito da França, François Hollande. Leia abaixo a íntegra da nota:Excelentíssimo SenhorFrançois HollandePresidente Eleito da República FrancesaPrezado Presidente,Quero transmitir-lhe meus mais efusivos cumprimentos por sua eleição para a presidência da França.Acompanhei com grande interesse suas propostas de vencer a crise que enfrenta a Europa com responsabilidade macroeconômica, mas, sobretudo, com políticas que favoreçam o crescimento, o emprego, a inclusão e a justiça social. Estou segura que poderemos compartilhar posições comuns nos foros internacionais – dentre eles o G20 – que permitam inverter as políticas recessivas, ainda hoje predominantes, e que, no passado, infelicitaram o Brasil e a maioria dos países da América Latina.França e Brasil estão unidos por ambiciosos projetos bilaterais, como conseqüência da aliança estratégica que estabelecemos. Estou segura que daremos continuidade a essa cooperação nos próximos anos.Reiterando minha saudação por sua vitória, espero poder tê-lo entre nós, aqui no Brasil, em junho próximo, na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.Receba, prezado Presidente, meu apreço e simpatia,Cordialmente,Dilma RousseffPresidenta da República Federativa do Brasil
http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/05/dilma-parabeniza-francois-hollande-por.html?spref=fb

 

Elio Gaspari (um trecho)

http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=219&Caderno=0&Editoria=110&Noticia=419559

Classificados

Para quem tem negócios com o governo e planeja comprar sapatos com saltos stiletto de Christian Louboutin ou garrafas de vinho Cheval Blanc da safra de 1947, uma sugestão de segurança patrimonial:

Chegou ao mercado o celular Enigma E2, que se diz 100% à prova de escuta. Sai por R$ 4 mil, e sua criptografia funciona quando ele fala com outro da mesma marca.

Paulo Cesar Faria, o grão-vizir do collorato, achava que podia apagar o disco de seu computador com um simples comando. Carlinhos Cachoeira acreditou na proteção dos celulares Nextel, habilitados nos Estados Unidos. Deram-se mal.

 

Fernando Haddad ganha apoio de intelectuais tucanos

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

 

Intelectuais historicamente ligados ao PSDB decidiram nas últimas semanas embarcar na campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Principal adversário do ex-governador José Serra (PSDB) na eleição deste ano, Haddad conseguiu atrair dois ex-ministros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e até acadêmicos que no passado foram ligados a Serra.

Os que admitem seu empenho na campanha petista ressaltam, no entanto, que se trata de uma adesão pessoal ao candidato, e não ao PT.

Eles citam como motivação seu respeito à produção intelectual de Haddad, que fez carreira como professor universitário antes de entrar na política, e sua trajetória no Ministério da Educação, pasta que chefiou por oito anos.

Além disso, alguns dos intelectuais manifestam descontentamento com os rumos do PSDB desde a fracassada campanha de Serra à Presidência da República. Eles acham que o tucano fez o partido dar uma guinada à direita no ano passado, ao levar para o palanque a discussão de temas como o aborto.

Um dos primeiros a se aproximar de Haddad foi o economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luiz Carlos Bresser-Pereira. Ministro da Administração no primeiro mandato de FHC e de Ciência e Tecnologia no segundo, Bresser está articulando um convite para que Haddad vá à FGV fazer uma palestra em breve.

O ex-ministro, que foi filiado ao PSDB até o ano passado e rompeu com o partido publicamente depois da campanha presidencial, conhece Serra há muitos anos. Ele tem influenciado colegas como o professor José Márcio Rego.

"Há sim uma simpatia de parte do corpo docente da FGV, vinculada ao PSDB, pelo Fernando Haddad", disse Rego. Em 2006, ele ajudou a coletar na academia assinaturas para um manifesto para lançar Serra de novo à Presidência da República. Mas o tucano preferiu concorrer ao governo de São Paulo, e o candidato do PSDB à Presidência foi Geraldo Alckmin.

Haddad contará ainda com o auxílio da secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin. Secretária de Cultura no primeiro mandato do governador Geraldo Alckmin e ex-ministra de Administração de FHC, Costin deve colaborar com o capítulo de educação do programa de governo petista.

Costin foi convidada a dar sugestões a Haddad por Cida Perez, ex-secretária de Educação na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy em São Paulo. Nas próximas semanas, ela participará de um debate sobre educação organizado pela campanha de Haddad ao lado da socióloga Maria Alice Setúbal, que em 2010 participou da campanha da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva à Presidência.

Na USP, onde Haddad se formou em direito, fez mestrado em economia e doutorado em filosofia, colegas apontam a aproximação da cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida, que sempre foi próxima dos tucanos. Procurada pela Folha, ela não quis falar sobre as eleições municipais.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1086092-fernando-haddad-ganha-apoio-d...

 

[Em Fortaleza há conversações entre líderes da base aliada e do PSDB. O que vai sobrar de tal partido?]

 

"Seja realista: exija o impossível"

e mais que adeptos, Dilma vai ganhando admiradores...

CINCO VEZES DILMA

 

Jornal do BrasilPaulo Skaf*

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está satisfeita com os resultados de sua campanha Energia a Preço Justo. Criada para alertar a sociedade a respeito do vencimento das concessões do setor elétrico a partir de 2015, a iniciativa conquistou o apoio de centenas de milhares de cidadãos, entidades empresariais e organizações de defesa dos consumidores.

A Fiesp calculou o impacto do fim dos contratos sobre o preço da energia elétrica no Brasil e chegou a números estarrecedores. Com a licitação dos ativos, determinada pela Constituição, a sociedade poderá economizar nada menos do que R$ 1 trilhão nos próximos 30 anos. Os defensores da reprorrogação das concessões, por sua vez, não demonstram a mesma transparência e sugerem uma mudança na lei para beneficiar algumas poucas empresas em detrimento de 190 milhões de brasileiros. Nesse aspecto, a campanha teve sua segunda vitória: antes tida como "consenso", a tal reprorrogação passou a ser tratada como "impasse".

A solução desse impasse está nas mãos de uma pessoa que não apenas conhece o setor elétrico como também já demonstrou, em diversas oportunidades, ser contra a reprorrogação das concessões: a presidente Dilma Rousseff. Sempre que esteve diante do tema, Dilma agiu no sentido de preservar a lei e os interesses maiores do Brasil.

A questão do fim dos contratos tem sido apreciada por Dilma desde 2003 e, por cinco vezes, ela mostrou ser contra qualquer possibilidade de reprorrogação. A Medida Provisória n.º 144 de 2003, conhecida como a Lei de Reforma do Setor Elétrico, assinada pelo então presidente Lula e por sua ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, varre da ordem jurídica qualquer possibilidade de reprorrogação das concessões de geração para os contratos firmados depois de 2003. Nos contratos de transmissão e distribuição, limitou rigorosamente as condições de prorrogação a "no máximo igual período" do contrato original. Ou seja, um veto a qualquer hipótese de reprorrogação. Para os contratos anteriores a 2003, Dilma aquiesceu a ato de governo anterior que prorrogara os contratos em 1995, por 20 anos. Sua lei reafirmou o término dos contratos a partir de 2015. Essa foi a primeira vez.

Dilma seguiu como ministra de Minas e Energia por quase dois anos mais. Rejeitando pressões e não convencida de qualquer erro em sua lei, nunca a alterou. Essa foi a segunda vez.

Na segunda metade de 2005, Dilma foi convocada para a chefia da Casa Civil da Presidência da República. Sabe-se que a questão do fim dos contratos do setor elétrico lhe foi submetida, requentada, inúmeras vezes. Em nenhum momento, contudo, Dilma tomou qualquer iniciativa para revogar a sua lei. Essa foi a terceira vez.

Entre março e outubro de 2010, na campanha para a Presidência que a consagraria com o voto de mais de 55 milhões de eleitores, a candidata Dilma, que os brasileiros já conheciam, nunca disse ter passado a concordar com a reprorrogação de concessões. Essa foi a quarta vez. 

Agora, em 2012, o governo Dilma anuncia sua rejeição à tese de reprorrogação das concessões dos terminais portuários. E decide cumprir a lei e licitá-los novamente. Essa foi a quinta vez.

Desta forma, sugerir que a presidente da República admita voltar atrás num tema que lhe é tão familiar só pode ser fruto de incoerência. A trajetória política de Dilma Rousseff forjou uma mulher comprometida com a sua palavra, com a sua história e com o seu povo. Pedir-lhe que renuncie a tudo isso é desconhecer o seu caráter. Fazer isso em nome do interesse de poucos é um desrespeito. Querem convencer Dilma a desfazer tudo o que ela fez. Ao que tudo indica, sairão frustrados. 

* Paulo Skaf é presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).



 


 

Oswaldo Alves

Continuam a pipocar trechos do livro do ex-delegado do DOPS do Espírito Santo, Cláudio Guerra.

Agente da CIA contrabandeou armas e veneno para ditaduraEx-delegado do DOPS do Espírito Santo, Cláudio Guerra, diz que empresários simpáticos ao regime receberam armas de forma ilegal

Tales Faria e Wilson Lima, iG Brasília | 06/05/2012 07:00:55

Uma agente da Agência Central de Informações norte-americana (CIA) chamado Jone Romaguera Trotte contrabandeou armas e injeções envenenadas que foram utilizadas em atentados contra agentes da esquerda durante o regime militar no Brasil, conforme revelações do ex-delegado do Departamento de Ordem Político Social (DOPS) Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma guerra suja”.

Por intermédio da ditadura, Romaguera também fornecia armas de forma ilegal para fazendeiros aliados ao regime.

Guerra disse que foi “parceiro” de Romanguera durante o período em que era delegado do DOPS (Departamento de Ordem Político Social).

Ele afirma que a principal função do agente da CIA no Brasil era trazer armamentos que seriam utilizados em atentados. Tudo com anuência do coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações - SNI); do comandante Antônio Vieira (Centro de Informações da Marinha - Cenimar) e do então delegado da Polícia Federal, Cláudio Barrouin.

Uma das armas que entrou no Brasil de forma ilegal foi uma metralhadora Ingra 380m 9mm, com silenciador. Guerra afirma que ela foi doada pelo governo dos Estados Unidos e usada no assassinato do ex-integrante da Scuderie Le Cocq, morto em 1981. A execução, segundo o ex-delegado, foi uma queima de arquivo determinada por Perdigão.

“O esquema de entrada de armas envolvia alguns pilotos da Varig, dos voos que vinham do exterior. Naquela época a tripulação não passava por revistas nos aeroportos”, lembrou. “Eu pegava as armas diretamente na casa do Trotte, na Tijuca, no Rio de Janeiro”, complementa.

Outros armamentos que chegavam ao País por intermédio de Jone Romaguera eram destinadas ao ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos. Ribeiro, conforme Guerra, “comandou um grande esquema de receptação ilegal de armas”. “Essas armas iam para os fazendeiros que queriam proteger suas terras, temendo a reforma agrária”, lembra.

O restaurante onde ditadura e artistas se misturavam

Guerra sugere que Ribeiro nunca foi incomodado porque “ajudou a desaparecer com vários corpos dos adversários do regime”. “Eu fornecia carteiras do DOPS para os clientes civis do Jone, permitindo o porte de arma, o que criou um vínculo entre mim, o usineiro e os fazendeiros”, aponta. “O Jone trazia muitas armas. Só na usina Cambahyba deixei várias delas estocadas. Havia tudo o que se pode imaginar, até metralhadora antiaérea”.

Após o regime, Guerra afirma que foi condenado a quatro anos de prisão por contrabando de armas. Ele cumpriu dois. “No final do regime militar, e já na abertura política, no período Geisel, tiver muitos problemas. A Polícia Federal abriu processo contra mim por causa de algumas armas de Jone Romaguera”, declara.

Além de armas, o agente da CIA trouxe material de escuta e substâncias ilegais como a que foi usada no suposto assassinato do técnico da antiga Companhia Telefônica do Rio de Janeiro (Telerj) Heráclito Faffe. Faffe trabalhava em escutas para o SNI. Ele morreu de edema pulmonar após uma estranha tentativa de assalto em Copacabana. Essa mesma substância seria utilizada para provocar um infarto no jornalista Alexandre Von Baumgarten.

Outra função deste agente da CIA, pelo depoimento de Guerra, era mediar treinamento para agentes repressores. Romaguera trouxe até agentes ingleses para capacitar os torturadores brasileiros. “A maior parte dos treinamentos se dava no batalhão da PM, ao lado do Campo dos Afonsos (base da Força Aérea Brasileira no Rio de Janeiro), uma área enorme, com vários alojamentos”, relata.

Durante o regime militar, o governo norte americano deu suporte ao regime militar financiando ações repressoras a guerrilhas como a do Araguaia, por exemplo. Nesse período, houve forte influência do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Henry Kissinger, em governos ditatoriais na América Latina, como Brasil, Argentina e Chile.

No livro, os autores Marcelo Netto e Rogério Medeiros afirmam que provavelmente Jone está vivo e teria residência no Rio de Janeiro. “Na internet, existe o registro de um processo trabalhista em seu nome; há indicações de que Jone figura como servidor da Dataprev”, citam Netto e Medeiros.

 

Essa aqui também é "encardida"... Do Paulo Henrique Amorim, sobre o referido livro:

Marinho tramou seu atentado. 
PiG esconde “Guerra Suja”

Publicado em 06/05/2012

 

  EDEMA PULMONAR , um médico que atuava na cracolândia morreu de edema pulmonar , um pouco antes de ir para uma audiência com a presidenta Dilma.

 

Estadão lança acervo na internet


06.maio.2012 07:00:04...Estadao.com.br

Da abolição da escravidão à promulgação da Constituição, do voo de Santos Dumont à chegada do homem à Lua, da Proclamação da República à redemocratização, do nascimento do futebol à conquista do pentacampeonato, do conflito de Canudos a duas guerras mundiais, não há assunto relevante que não tenha sido noticiado nas páginas do Estadão ao longo de seus 137 anos de história.

Mais de 2 milhões de páginas publicadas pelo jornal desde a sua fundação, em 4 de janeiro de 1875, estarão na íntegra à disposição para consultas na internet a partir do próximo dia 23. Com alguns cliques no computador, tablet ou celular será possível mergulhar na história do Brasil e do mundo.

Mais do que uma poderosa ferramenta de busca de informações, o Acervo Estadão proporcionará uma experiência inédita em termos de disseminação de conhecimento. Convênios com bibliotecas e instituições de ensino do País garantirão acesso pleno a pesquisadores e estudantes.  Ao entregar esse valioso acervo aos leitores, o Estado reafirma seu compromisso com a disseminação do conhecimento por meio do jornalismo independente e de qualidade...
....História. A digitalização dará destaque à censura sofrida pelo Estado em vários períodos, especialmente após a edição do Ato Institucional n.º 5 (AI-5) em 13 de dezembro de 1968. As páginas censuradas durante a ditadura militar e nunca publicadas estarão disponíveis tal qual foram planejadas. O leitor poderá ver como o jornal desafiou a censura publicando versos de Camões nos espaços deixados pelas reportagens barradas.

A digitalização dá sequência a um histórico de inovações tecnológicas que sempre marcou a trajetória do Estado. Uma das primeiras foi a contratação da agência de notícias Havas, atual France Presse, pelo jornalista Julio Mesquita, o patriarca da família proprietária da empresa.

O acervo torna possível a consulta dos relatos enviados pelo escritor Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, ainda nos primeiros anos da República, no interior da Bahia. O trabalho deu origem ao clássico da literatura brasileira Os Sertões.
Um conversor de valores vai auxiliar o internauta a calcular preços de produtos anunciados em diferentes épocas.

Digitalização. Até recentemente, o trabalho dos pesquisadores interessados em consultar jornais antigos exigia tempo e disposição para folhear originais de papel, em volumosas coleções encadernadas guardadas em bibliotecas. Havia ainda a dificuldades de reprodução e organização, barreiras agora superadas com a possibilidade de fazer buscas pela internet nos arquivos digitalizados.

Perfiladas, as páginas do acervo do Estado cobririam 1.440 km, distância entre São Paulo e Vitória da Conquista (BA). Encadernados, os volumes ocupam 230 metros, altura de um prédio de 76 andares.

 

2014---distribuição de renda

A coluna da ombudsman da Folha, de hoje, começou alvissareira, a partir do próprio título: "Tema proibido". Já no quarto paraágrafo a ombudsman promete gandes emoções, ao sugerir que irá contar o que ninguém ainda sabe mas todos querem saber: como eram as relações entre o jornal (ou algum de seus jornalistas) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira: "Já menções à imprensa, na grande imprensa, têm sido quase ignoradas. A Folha, que tem ombudsman para publicar o que a Redação menospreza, aparece em dois grampos, nada comprometedores".

Infelizmente, dura pouco a esperança. Já no final do próprio parágrafo adivinha-se o quem pela frente: a Folha foi apanhada nas conversas do bicheiro gravadas pela PF, mas não é nada comprometedor, ao contrário, as falas do bicheiro sugerem que ele não consegue influir na pauta do jornal, pois lamenta-se de não ter ninguém lá dentro.

Bem, pensei comigo, a ombudsman livrou a cara de seu jornal, mas vai sobrar para a Veja. Que nada, o tom continua o mesmo: não há nada que possa comprometer a revista do esgoto e, comparar com o caso Murdoch é forçar a barra.

Então tá. Mesmo me esforçando para entender a posição da Suzana Singer, funcionária do jornal, que tem que lidar com um tema delicado, não consigo aceitar que ela tente me fazer de idiota. Mesmo pisando em ovos e falando nas entrelinhas, poderia ter mandado seu recado. O leitor não é imbecil, e percebe a diferença entre as limitações impostas pelo cargo e a subserviência pura e simples ao patrão. Outros ombudsman perderam o emprego, mas não perderam o respeito dos leitores, que é o que deveria interessar ao jornalista no fim do dia.

 

Tema proibido

A imprensa deve revelar sua relação com o bicheiro para que o leitor decida o que é eticamente aceitável

A imprensa tem-se mostrado ágil e eloquente na publicação de qualquer evidência de envolvimento com o superbicheiro de Goiás, Carlos Cachoeira. Já se levantaram suspeitas sobre governadores, senadores, deputados, policiais, empresários, mas reina um silêncio reverente no que tange à própria mídia.

O sujeito nem precisa ter sido pego em conversa direta com Cachoeira, uma citação ao seu nome é suficiente para virar notícia -na semana passada, por exemplo, a Folha destacou uma tentativa de lobby no Ministério da Educação.

Já menções à imprensa, na grande imprensa, têm sido quase ignoradas. A Folha, que tem ombudsman para publicar o que a Redação menospreza, aparece em dois grampos, nada comprometedores.

Num diálogo, Cachoeira comenta nota do Painel, de 7 de julho de 2011, em que o deputado federal Sandro Mabel, de Goiás, nega ser a fonte das denúncias que derrubaram o ministro dos Transportes. O bicheiro se diverte e diz que foi o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) quem espalhou isso em Brasília.

Em outra conversa, o contraventor e Claudio Abreu, na época diretor da Delta, tentam evitar a publicação de uma reportagem. Primeiro, Abreu diz que "nós tamos bem lá", mas depois lamenta não ter contato no jornal. "Queria alguma relação com a Folha."

A Secretaria de Redação não identificou o assunto que incomodou a empreiteira, mas diz que, após o tal telefonema, "a Folha publicou duas reportagens críticas à Delta: uma falando de sobrepreço em reforma no Maracanã e outra sobre paralisação de obra em Cumbica".

A "Veja", que aparece várias vezes nos grampos, publicou apenas um diálogo em que é citada e colocou, no on-line, uma defesa de seus princípios ("Ética jornalística: uma reflexão permanente"). O artigo, do diretor de Redação, afirma que "ter um corrupto como informante não nos corrompe" e lembra ao leitor que "maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações". Cabe ao jornalista avaliar "se o interesse público maior supera mesmo o subproduto indesejável de satisfazer o interesse menor e subalterno da fonte".

Trocando em miúdos: mesmo sendo uma pessoa inidônea, Cachoeira pode ter fornecido à revista dados valiosos, que levaram a importantes denúncias de corrupção.

Do que veio a público até o momento, não há nada de ilegal no relacionamento "Veja"-Cachoeira. O paralelo com o caso Murdoch, que a blogosfera de esquerda tenta emplacar, soa forçado, porque, no caso inglês, há provas de crimes, como escutas ilegais e a corrupção de policiais e autoridades.

Não ser ilegal é diferente, porém, de ser "eticamente aceitável". Foram oferecidas vantagens à fonte? O jornalista sabia como as informações eram obtidas? Tinha conhecimento da relação próxima de Cachoeira com o senador Demóstenes? Há muitas perguntas que só podem ser respondidas se todas as cartas estiverem na mesa.

É preciso divulgar os diálogos relevantes que citem a imprensa. A Secretaria de Redação diz que tem "publicado reportagens a respeito, quando julga que há notícia". "Na sexta, entrevista com o relator da CPI tratava do tema e estava na Primeira Página. Já em abril havia reportagem de Brasília e colunistas escreveram a respeito", afirma.

É pouco. Grampos mostram que a mídia fazia parte do xadrez de Cachoeira. Que essa parte do escândalo seja tratada sem indulgência, com a mesma dureza com que os políticos têm sido cobrados. Permitir-se ser questionado, jogar luz sobre a delicada relação fonte-jornalista, faz parte do jogo democrático.

 

A terceira crise do capitalismo


 

Por Frei Betto, no sítio da Adital

A atual crise econômica do capitalismo manifestou seus primeiros sinais nos EUA em 2007 e já faz despontar no Brasil sinais de incertezas.

O sistema é um gato de sete fôlegos. No século passado, enfrentou duas grandes crises. A primeira, no início do século XX, nos primórdios do imperialismo, ao passar do laissez-faire (liberalismo econômico) à concentração do capital por parte dos monopólios. A guerra econômica por conquista de mercados ensejou a bélica: a Primeira Guerra Mundial. Resultou numa "saída” à esquerda: a Revolução Russa de 1917.

Em 1929, nova crise, a Grande Depressão. Da noite para o dia milhares de pessoas perderam seus empregos, a Bolsa de Nova York quebrou, a recessão se estendeu por longo período, com reflexos em todo o mundo. Desta vez a "saída” veio pela direita: o nazismo. E, em consequência, a Segunda Guerra Mundial.

E agora, José?

Essa terceira crise difere das anteriores. E surpreende em alguns aspectos: os países que antes compunham a periferia do sistema (Brasil, China, Índia, Indonésia), por enquanto estão melhor que os metropolitanos. Neste ano, o crescimento dos países latino-americanos deve superar o dos EUA e da Europa. Deste lado do mundo são melhores as condições para o crescimento da economia: salários em elevação, desemprego em queda, crédito farto e redução das taxas de juros.

Nos países ricos se acentuam o déficit fiscal, o desemprego (24,3 milhões de desempregados na União Europeia), o endividamento dos Estados. E, na Europa, parece que a história –para quem já viu este filme na América Latina– está sendo rebobinada: o FMI passa a administrar as finanças dos países, intervém na Grécia e na Itália e, em breve, em Portugal, e a Alemanha consegue, como credora, o que Hitler tentou pelas armas – impor aos países da zona do euro as regras do jogo.

Até agora não há saída para esta terceira crise. Todas as medidas tomadas pelos EUA são paliativas e a Europa não vê luz no fim do túnel. E tudo pode se agravar com a já anunciada desaceleração do crescimento de China e consequente redução de suas importações. Para a economia brasileira será drástico.

O comércio mundial já despencou 20%. Há progressiva desindustrialização da economia, que já afeta o Brasil. O que sustenta, por enquanto, o lucro das empresas é que elas operam, hoje, tanto na produção quanto na especulação. E, via bancos, promovem a financeirização do consumo. Haja crédito! Até que a bolha estoure e a inadimplência se propague como peste.

A "saída” dessa terceira crise será pela esquerda ou pela direita? Temo que a humanidade esteja sob dois graves riscos. O primeiro, já é óbvio: as mudanças climáticas. Produzidas inclusive pela perda do valor de uso dos alimentos, agora sujeitos ao valor de compra estabelecido pelo mercado financeiro.

Há uma crescente reprimarização das economias dos chamados emergentes. Países, como o Brasil, regridem no tempo e voltam a depender das exportações de commodities (produtos agrícolas, petróleo e minério de ferro, cujos preços são determinados pelas transnacionais e pelo mercado financeiro).

Neste esquema global, diante do poder das gigantescas corporações transnacionais, que controlam das sementes transgênicas aos venenos agrícolas, o latifúndio brasileiro passa a ser o elo mais fraco.

O segundo risco é a guerra nuclear. As duas crises anteriores tiveram nas grandes guerras suas válvulas de escape. Diante do desemprego massivo, nada como a indústria bélica para empregar trabalhadores desocupados. Hoje, milhares de artefatos nucleares estão estocados mundo afora. E há inclusive minibombas nucleares, com precisão para destruições localizadas, como em Hiroshima e Nagasaki.

É hora de rejeitar a antecipação do apocalipse e reagir. Buscar uma saída ao sistema capitalista, intrinsecamente perverso, a ponto de destinar trilhões para salvar o mercado financeiro e dar as costas aos bilhões de serem humanos que padecem entre a pobreza e a miséria.

Resta, pois, organizar a esperança e criar, a partir de ampla mobilização, alternativas viáveis que conduzam a humanidade, como se reza na celebração eucarística, "a repartir os bens da Terra e os frutos do trabalho humano”.

http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=8088

 

A empresa que será denunciada por corrupção e chantagem, continua fazendo chantagem. Será que elas só conseguem viver desta forma?


Delta ameaça demitir 30 mil


Carlos Alberto Verdini, que assumiu presidência no lugar de Fernando Cavendish (foto), revela estratégia da empresa: colocar toda a culpa no diretor do centro-oeste e usar os empregos como arma de negociação com o governo

 

A Construtora Delta colocou em marcha sua estratégia de gestão de crise. Primeiro, encaminhou espontaneamente documentos à CPI. Depois, decidiu afastar do seu conselho de administração o polêmico empresário Fernando Cavendish. Em seu lugar, a nova cara da empresa, o engenheiro Carlos Alberto Verdini, tenta atribuir toda a responsabilidade pelo escândalo ao diretor Cláudio Abreu, do Centro-Oeste.

Em entrevista à Folha, Verdini, que atuou na Queiroz Galvão e na Camargo Corrêa, é enfático ao fizer que, na empresa, houve "surpresa total" com a revelação da intimidade entre Abreu e Carlos Cachoeira – de acordo com a Polícia Federal, o bicheiro seria sócio oculto da Delta em São Paulo.

Verdini também tenta pressionar o governo, que pode declarar a Delta inidônea, assim como já fez com a empreiteira Gautama, com outro argumento. "Quem vai assumir o ônus de pôr 30 mil funcionários na rua?", indaga. O engenheiro afirma que a empreiteira não ganhou nada de mão beijado nas obras do PAC, nem no Rio de Janeiro, onde Cavendish mantém relação de amizade com o governador Sérgio Cabral. Segundo ele, o governo fluminense deve R$ 300 milhões à empreiteira.

http://www.bahia247.com.br/pt/bahia247/poder/8143/Delta-amea%C3%A7a-demi...


 

"A empresa que será denunciada por corrupção e chantagem, continua fazendo chantagem. Será que elas só conseguem viver desta forma?":

A hora eh perfeitinha pra Delta radicalizar CONTRA o governo, nao acha?  Vamos esperar que eles tambem radicalizem contra a PF, vai ser um estrondo.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Depois dos juros, energia é o novo alvo de Dilma


Presidente já pediu ao ministro Edison Lobão (foto), de Minas e Energia, que prepare as regras das novas concessões do setor elétrico; preços terão que cair pelo menos 10% e a iniciativa tem o apoio de entidades empresariais, como é o caso da Fiesp

 

247 – Ao declarar guerra aos juros abusivos cobrados no Brasil, a presidente Dilma Rousseff ganhou apoio da população e, segundo seus marqueteiros, começa a conferir uma bandeira positiva ao seu mandato, depois de conduzir a chamada “faxina ética” nos ministérios.

Empolgada com a redução das taxas nos financiamentos, a presidente já elegeu também um novo alvo: ela quer baratear o preço da energia elétrica no Brasil, que está entre as mais caras do mundo.

A oportunidade virá em 2014, ano eleitoral, quando serão renovadas as concessões do setor elétrico de praticamente todas as geradoras e distribuidoras, que foram privatizadas na década de 90.

Segundo informa a coluna Radar, da revista Veja, Dilma determinou ao ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, que elaborasse estudos sobre a redução de preços a ser exigida pelo governo nos novos contratos.

Lobão retornou com propostas de economia entre 3% e 4%. Dilma bateu o pé e exigiu pelo menos 10%, nem que seja necessário reduzir tributos federais incidentes sobre o setor.

A iniciativa tem apoio da Federação das Indústrias de São Paulo, a Fiesp, que lançou campanha a esse respeito, pedindo “preço justo” no setor de energia elétrica. Leia o texto da Fiesp:

Energia a preço justo, só com leilão

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vem acompanhando notícias veiculadas pela imprensa nos últimos dias, acerca do vencimento das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. A informação de que o governo federal pretende conceder um "desconto de dois dígitos” nas tarifas do setor coincide com a visão da entidade de que o fim dos contratos de concessão configura uma excelente oportunidade de redução dos preços da energia elétrica no Brasil. Para conquistar essa bem-vinda redução tarifária, no entanto, as autoridades estariam tomando um caminho equivocado.

De acordo com as informações veiculadas, o governo federal estuda incluir a redução tarifária em uma nova prorrogação dos contratos. A Fiesp volta a alertar a sociedade que essa eventual decisão, além de desconsiderar a Constituição, não seria capaz de estabelecer o preço justo da energia no país. Como a entidade vem defendendo, os novos valores devem ser determinados com a realização de novas licitações pelo critério da menor tarifa, com transparência e acesso irrestrito a todos os eventuais interessados.

Outra notícia veiculada na imprensa informa que o governo federal também estaria planejando uma redução do ICMS cobrado nas contas de luz, com o mesmo propósito de reduzir as tarifas para os consumidores de energia. A Fiesp vem a público apoiar essa ideia, e mais: sugerir que ela seja adotada imediatamente. Com a realização dos leilões e a desoneração tributária em estudo pelo governo, a entidade acredita que o custo da energia será reduzido de forma considerável, contribuindo com mais um passo para a recuperação da competitividade brasileira e do dinamismo de nossa economia. “Com a energia a preço justo, obtida por meio dos leilões, e a redução do ICMS, vamos conseguir baixar a conta de luz, em benefício de todos os brasileiros”, declarou Paulo Skaf, presidente da entidade.

http://www.bahia247.com.br/pt/bahia247/poder/8154/Depois-dos-juros-energia-%C3%A9-o-novo-alvo-de-Dilma.htm

 

Ombudsman rompe cerco da Folha sobre a mídiaOmbudsman rompe cerco da Folha sobre a mídia Foto: Marisa Cauduro/Folhapress Na coluna “Tema proibido”, Suzana Singer diz que relação entre Veja e Carlos Cachoeira pode até ser legal, mas talvez não seja eticamente aceitável; jornalista cobra que jornal divulgue todos os diálogos que envolvam meios de comunicação

05 de Maio de 2012 às 22:23

247 – O bloqueio dos grandes veículos de comunicação à discussão das relações entre a quadrilha de Carlos Cachoeira e a mídia foi quebrado pela Folha de S. Paulo, na edição que circula neste domingo (em São Paulo, o jornal é distribuído a partir do fim da tarde dos sábados). A responsável por isso foi a jornalista Suzana Singer, ombudsman do jornal, que acaba de ter renovado o seu mandato para criticar livremente a Folha e demais meios de comunicação nas páginas do jornal de maior circulação do País.

Em seu texto, chamado “Tema proibido”, Suzana fala da rapidez dos jornais, portais e televisões em levantar qualquer fato concernente a governadores, senadores, deputados policiais e empresários, mas critica o “silêncio reverente no que tange à própria mídia”.

Para exemplificar, Suzana publicou um diálogo entre Carlos Cachoeira e um diretor da Delta, Cláudio Abreu, que consta do inquérito e fala sobre uma reportagem na Folha de S. Paulo, mas que vinha sendo ignorado pela própria Folha. Na conversa, Abreu fala sobre uma possível influência no jornal. “Quem é o cara da Folha que manteve contato? Porque nós ´tamo´ bem com a Folha. ´Tamo´trabalhando lá...”. Em sua defesa, o jornal afirmou que, depois desse diálogo, o jornal publicou duas reportagens criticas à Delta, indicando que a influência, se existia, não foi exercida.

O caso Veja

No tocante à revista Veja, Suzana Singer faz uma crítica sutil, mas contundente. E diz o óbvio: discutir o tema não significa censurar ou coibir a liberdade de expressão. “Permitir-se ser questionado, jogar luz sobre a delicada relação fonte-jornalista, faz parte do jogo democrático”.

Suzana afirma que, até agora, não foram comprovadas ilegalidades no comportamento da revista. No entanto, diz ela, isso não significa que a conduta da maior revista semanal do País seja “eticamente aceitável”.

Leia um trecho do seu artigo deste domingo:

“Do que veio a público até o momento, não há nada de ilegal no relacionamento Veja-Cachoeira. O paralelo com o caso Murdoch, que a blogosfera de esquerda tenta emplacar, soa forçado, porque, no caso inglês, há provas de crimes, como escutas ilegais e a corrupção de policiais e autoridades.

Não ser ilegal é diferente, porém, de ser eticamente aceitável. Foram oferecidas vantagens à fonte? O jornalista sabia como as informações eram obtidas? Tinha conhecimento da relação próxima de Cachoeira com o senador Demóstenes? Há muitas perguntas que só podem ser respondidas se todas as cartas estiverem na mesa.

É preciso divulgar os diálogos relevantes que citem a imprensa (...). Grampos mostram que a mídia fazia parte do xadrez de Cachoeira. Que essa parte do escândalo seja tratada sem indulgência, com a mesma dureza com que os políticos têm sido cobrados.”

Em países livres, democráticos e de imprensa livre, não devem existir tabus ou temas proibidos. Suzana Singer está de parabéns.

http://brasil247.com/pt/247/midiatech/58012/Ombudsman-rompe-cerco-da-Fol...

 

Análise: Europa pode enfrentar uma 'tempestade política'

A noite deste domingo pode provocar uma tempestade na Europa: instabilidade política completa na Grécia, um novo presidente francês eleito em meio a uma onda de oposição ao plano de austeridade "Merkozy", crescimento econômico despencando no continente e, por toda parte, o fortalecimento dos partidos não-centristas.

Em dezembro, depois que a desastrosa cúpula de Cannes desencadeou uma segunda crise da dívida na zona do euro, os países da UE finalmente se comprometeram com algum tipo de união fiscal.

O preço definido pela Alemanha e seus aliados do norte da Europa foi um novo tratado fiscal, assinado por 25 dos 27 membros da UE, que exigia orçamentos equilibrados pela eternidade e forçava alguns países a pisar no freio para cumprir a meta de 2014.

Austeridade obrigatória para um continente que já escorregava na direção da recessão. Mas resolveram dourar a pílula.

Soro

O Banco Central Europeu, que sempre havia resistido à flexibilização monetária quantitativa e a participar de planos de resgate em todo o continente, de repente abriu as torneiras concedendo três empréstimos de longo prazo aos bancos com taxas de juros de 1% e vencimento de três anos.

Isso foi como colocar um paciente muito doente no soro. Removeu a ameaça imediata de contágio da Grécia, e propiciou uma verdadeira operação de resgate daqueles que deram empréstimos à Grécia, mas não dos próprios gregos.

Isso, combinado à imposição de governos não-eleitos na Grécia e na Itália, e à eleição de um governo de direita pró-austeridade na Espanha, pareceu acalmar as coisas.

Então, por que elas voltaram a entrar em erupção?

Resultados limitados

Em primeiro lugar, a adoção da austeridade por todo o continente parece ter afogado o que havia sobrado da recuperação da UE. A zona do euro entrou em recessão no fim do ano passado, está em recessão agora e parece que vai permanecer em recessão por, pelo menos, mais três meses.

Apesar de os bancos parecerem mais seguros, isso acontece às custas de uma redução do crédito, o que prejudica empresas e a confiança do consumidor.

Em segundo lugar, a injeção de dinheiro nos bancos teve resultados limitados. Eles depositaram a maior parte do dinheiro de volta no Banco Central Europeu com taxas de juros de 0,25%. Há indicações de que os empréstimos interbancários caíram e de que o crédito bancário para a economia real está em território negativo.

Em terceiro lugar, esgotou-se o tempo para o governo tecnocrata imposto, pelo menos na Grécia.

Caos grego?

As pesquisas eleitorais gregas indicam que as forças combinadas dos dois principais partidos alcançam 37%, com cerca de outros 37% para a esquerda (comunistas, trostkistas, eurocomunistas e verdes) e com o voto cristão nacionalista de direita despencando para 3% em favor dos fascistas do Amanhecer Dourado (5%), que apenas quatro anos atrás tinham deixado de existir.

Se nenhum partido conseguir o número de votos necessário para governar e as eleições trouxerem apenas o caos político no país, pode haver um novo pleito, ou talvez algum tipo de golpe presidencial leve, ou mesmo um governo de esquerda que não tenha se comprometido apenas a lutar contra a austeridade, mas também, tecnicamente, a socializar a economia.

Nos dois últimos casos, isso colocaria em risco não apenas a permanência da Grécia na zona do euro, mas também a habilidade de cumprir o Tratado de Copenhague (que estipula que integrantes da União Europeia devem ser democracias) e o Tratado de Lisboa (que proíbe nacionalizações de estilo socialista).

Independente do que ocorra politicamente, parece claro que o “acordo” para Grécia reduzir sua dívida para 120% de seu PIB até 2020 por meio de enormes cortes e aumentos de impostos não será cumprido e o caminho para um calote está aberto, seguido de sua saída da zona do euro ou a criação de algum tipo de participação menor.

No entanto, por mais doloroso que seja para os gregos, a tragédia do país é apenas sinal dos problemas que devem afligir a combalida Europa.

A Espanha tem 25% de desempregados entre sua população de adultos. Seus bancos balançam próximos de outro pacote de resgate financeiro, reduzindo em grande escala os empréstimos para a economia real e o país pode ser forçado a buscar, para si mesmo, dinheiro de resgate do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o fundo interino do bloco.

Saída

Então nós chegamos à segunda-feira e o que acontece? Os mercados acreditam que Hollande ganhe, mas também que ele não deve cumprir suas ameaças de renegociar o pacto fiscal e os principais partidos gregos devem formar uma nova coalizão que mantenha o país de pé.

Mas a revoada dos votos europeus abandonando os centristas está mudando as coisas. A classe política estabelecida há décadas ao redor de partidos de centro, pró-globalização já percebe em alguns países estar próxima de um terremoto político.

O crescimento da direita nacionalista em Holanda, Dinamarca, Finlândia, Itália, etc sempre pareceu possível de ser contida, ou excluída por coalizões mais ao centro.

Mas se estas coalizões centristas não governam a contento, ou fazem exigências duras demais à direita nacionalista, então os governos europeus, um de cada vez, são forçados a formar novas coalizões engessadas pelos tecnocratas e protegidas contra os extremistas.

A situação se tornaria frágil quando os governos todos forem comandados por tecnocratas.

A saída, claro, é conseguir crescimento. Essa foi a promessa do pacto fiscal original e o que Hollande, além de, e por exemplo, os socialistas portugueses (e de forma mais sutil o FMI) se referiu quando pediu por cláusulas de “acentuação de crescimento” nos planos de austeridade.

Mas isso não vai acontecer a não ser que alguém estimule a demanda: seja uma recuperação rápida no resto do mundo (os EUA estão claramente em recuperação). Uma resolução sem demora da crise bancária, uma mudança radical da política fiscal por pressão de eleitores não centristas ou uma mudança rápida em direção à políticas de desregulamentação de mercado livre defendidas pelo lobby bancário, efetivamente decretando o fim da “Europa social”.

Destes fatores, apenas a recuperação externa está fora do alcance da elite política europeia e (talvez não por coincidência) a única provável de acontecer.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120505_tempestade_europ...

 

Paulo Moreira Leite: A direita precisa de embusteiros


O segredo de Demóstenes Torres

Confesso que não dá para ficar espantado com as delinqüências do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Sem ser preconceituoso, pergunto: o que se poderia esperar de um contraventor a não ser que se dedicasse à contravenção?

Que fosse rezar ave-maria depois de pagar aposta no jacaré e no leão?

Mas há motivo para se espantar com o sucesso de Demóstenes Torres. Como ele conseguiu enganar tantos por tanto tempo?

A resposta não se encontra no próprio Demóstenes, mas em quem se deixou ser enganado.

O senador é um produto típico do radicalismo anti-Lula que marcou a política brasileira a partir de 2002. A polarização política criada em certa medida de modo artificial foi um campo fértil para políticos sem programa e aproveitadores teatrais.

Demóstenes contribuiu com sua veemência e sua falta de freios para criar um ambiente de intolerância política no Congresso, reeditando o velho anti-comunismo da direita brasileira, da qual o DEM é um herdeiro sem muitos disfarces.

Num país onde a oposição se queixava de que não havia oposição, Demóstenes apresentou-se. Contribuía para estimular o ódio e o veneno, com a certeza de que nunca seria investigado. Aliás, não foi.

Caiu na rede de seu amigo e parceiro Cachoeira.  Se aquele celular fajuto de Miami fosse mesmo à prova de grampos, é provável que até hoje o país estivesse aí, ouvindo Demóstenes e seus discursos…

Quem sabe até virasse uma estrela da CPI…sobre Carlinhos Cachoeira.

Nunca se fez um balanço da passagem de Demóstenes pela secretaria de Segurança de Goiás, nunca se conferiu a promessa (doce ironia!) de acabar com o jogo do bicho no Estado nem as razões de seu afastamento do PSDB de Marconi Perillo.

Demóstenes dava até entrevistas contra as cotas e escrevia textos citando Gilberto Freyre. Pelo andar da carruagem, em breve seria candidato a Academia Brasileira de Letras e um dia poderíamos ouvi-lo tecendo comentários sobre a obra de Levi-Strauss, sobre a escola austríaca de economia…

O senador foi promovido, tolerado e bajulado por uma única razão:  necessidade.

Nosso conservadorismo está sem quadros e sem votos. Lembra a conversa de que “faltam homens, faltam líderes”? Vem desde 64…

A dificuldade de construir um programa político autêntico e viável para enfrentar a competição pelo voto está na origem de mais um embuste.

Já tivemos Jânio Quadros, Fernando Collor… Felizmente Demóstenes não chegou tão longe.

Mas todos foram mestres na arte de esconder seu real programa político e oferecer a moralidade como salvação suprema.

O carinho, a atenção, a boa vontade com que Demóstenes foi tratado mostra que teria um longa estrada pela frente.  Não lhe faltavam sequer intelectuais disponíveis para oferecer um verniz acadêmico, não é mesmo?

Há um problema de origem, porém.

A história da democratização brasileira é, basicamente, a história da luta da população mais pobre para conseguir uma fatia melhor na distribuição de renda. Este era o processo em curso antes do golpe que derrubou Jango. A luta contra o arrocho e contra os truques para escamotear a inflação esteve no centro das principais manifestações populares contra o regime.

Desde a posse de José Sarney que o sucesso e o fracasso de cada presidente se mede pela sua competência para para responder a esse anseio.

Aquilo que os economistas chamam de plano anti-inflacionário, estabilização monetária e etc, nada mais é, para o povão, do que defesa de seu quinhão. O Cruzado e o Real garantiram a glória e também a desgraça de seus criadores apenas e enquanto foram capazes de dar uma resposta a isso.

Essa situação também explica a popularidade de Lula, ponto de partida para o Ibope-recorde de Dilma.

E aí chegamos à pior notícia. O conservadorismo brasileiro aposta em embustes porque não quer colocar a mão no bolso. Quer votos mas não quer mexer – nem um pouquinho – na estrutura de renda. Quer embustes, como Demóstenes.

Fiquem atentos. Quem sabe o próximo Demóstenes apareça na CPI do Cachoeira, do Cavendish … e do Demóstenes.

O conservadorismo preocupa-se apenas com seu próprio bolso. Para o povo, oferece moralismo.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/paulo-moreira-leite-a-direita-pr...

 

......O real brasileiro perdeu bastante valor este ano conforme os governantes se dão conta de que a fonte de sua força anterior estava nos juros reais relativamente altos, tentando agora reduzi-los deliberadamente (uma política que me parece correta, levando-se em consideração os desafios que o Brasil deve enfrentar no longo prazo).......

Os cinco grandes mitos da situação mundial de hoje  06 de maio de 2012 | 3h 05...O Estado de S.Paulo

Primeiro mito. O mundo nunca mais conseguirá atingir o mesmo patamar de crescimento.

Os rendimentos da Apple para o primeiro trimestre do ano, revelados na semana passada, foram um dos dados mais interessantes que vi este ano até o momento. Mais uma vez, a Apple superou as expectativas de todos, e o principal motivo foram vendas impressionantes na China, cuja parcela nas vendas desta líder global chega hoje a 20%.

Esta notícia representa uma amostra de como o mundo está evoluindo. A divulgação desta informação coincidiu com a realização da segunda reunião anual do Growth Market Summit do Goldman Sachs Asset Management (GSAM) em Nova York. Antes do início da conferência, fizemos aos participantes uma série de perguntas, sendo que uma delas era "acha que o mundo pode crescer mais nesta década do que na anterior?". Numa demonstração de otimismo, 50% responderam que sim. Disse à plateia que considerava aquela projeção correta, e que a proporção de respostas positivas deveria ter sido mais alta.

Prossegui mencionando a notícia sobre a Apple, e também o fato de que, nesta década, a contribuição das oito economias emergentes que chamo agora de "Mercados de Crescimento" - Brasil, Rússia, Índia e China, bem como Coreia, Indonésia, México e Turquia - para a economia mundial será equivalente ao dobro da contribuição conjunta de Estados Unidos e Europa. Apenas em 2012, a China vai criar o equivalente econômico a uma nova Espanha e, nos próximos 18 meses, os quatro países do Bric devem criar o equivalente a uma nova Itália. Nesta década, o mundo deve crescer cerca de 4% a 4,5% ao ano, mais do que os aproximadamente 3,5% observados anualmente nas últimas três décadas.

Segundo mito. A China cresce à custa do restante do mundo.

Esta ideia ainda é muito popular nos Estados Unidos, mas as evidências indicam que está se tornando cada vez mais constrangedor sustentá-la. Além de evidências como as que a Apple acaba de apresentar, as informações do primeiro trimestre mostram uma acelerada mudança no desempenho do PIB chinês.

Muitos se concentraram no fato de o crescimento anual do país, de 8,1%, ter sido o mais baixo dos últimos três anos, mas isto não surpreendeu. Quem acompanha a China sabe há 15 meses - desde o anúncio do 12.º plano quinquenal - que Pequim não deseja mais um crescimento de 10% ou mais.

Assim, a verdadeira novidade no PIB do primeiro trimestre é o fato de cerca de três quartos do crescimento terem sido aparentemente impulsionados pelo consumo pessoal, algo que, somado aos dados relativos ao comércio, sugere que a China já teria ajustado a própria economia com considerável competência. O superávit em conta corrente do ano passado não foi muito superior a 2% do PIB e deve seguir a mesma tendência este ano, sendo talvez um pouco inferior a esta marca. Hoje em dia, a China não cresce à nossa custa, e além disso proporciona estímulo para o restante da economia mundial - algo que qualquer executivo de uma empresa alemã pode confirmar.

Terceiro mito. Estamos convivendo com uma crise global de endividamento soberano.

Por causa do notável caos observado na Europa, isto se tornou uma crença amplamente disseminada. Mas, por piores que sejam o déficit fiscal e o endividamento, a média ponderada do déficit e do endividamento da zona do euro é mais baixa que a dos EUA e consideravelmente mais baixa que a do Japão, sendo comparável à da Grã-Bretanha.

Ainda assim, nenhum desses três países experimenta problemas no mercado dos títulos de seu governo. Acho provável que o caso da crise na zona do euro seja mais complexo do que uma simples crise de endividamento soberano.

Na minha opinião, trata-se na verdade de uma crise envolvendo a estrutura, a liderança, o governo e até as características dos membros do euro. Analisando seu passado, vemos que um número excessivo de países entrou para o euro num momento em que isto não era recomendável, como alertaram com antecedência os mais céticos, e é difícil administrar uma união monetária quando todos os membros defendem os próprios interesses em detrimento das metas compartilhadas. Os mercados simplesmente se deram conta disto, duvidando agora do compromisso de alguns países chave com o futuro da união.

A situação vai se complicar mais antes de melhorar, conforme a Alemanha, em especial, se veja obrigada a tomar decisões difíceis envolvendo as medidas com o intuito de sustentar sua visão de longo prazo, que prevê a criação de algum tipo de Estados Unidos da Europa. No fim, para que isto ocorra, é provável que seja necessária a criação de um genuíno mercado único de títulos governamentais em euros, no qual parte substancial da dívida de cada país membro terá a mesma classificação de crédito. Se os governantes chegassem a algum tipo de acordo quanto a isto e deixassem claro que a possibilidade poderia se tornar concreta no futuro, então suspeito que a aparente crise desapareceria. Mas, para a Alemanha, não é fácil aceitar isto.

Quarto mito. Acabaremos afetados pela deflação ou pela inflação acelerada.

Em todas as partes do mundo que visito, muitos investidores parecem estar convencidos que estamos destinados a enfrentar um destes dois extremos. Pode soar deprimente, mas creio que isto seja consequência do choque de 2008 e dos extraordinários desafios enfrentados pelos governantes após a imensa rodada de estímulo fiscal e monetário que se seguiu - e especialmente do contínuo apoio monetário oferecido por muitos bancos centrais em todo o mundo.

Entre os que creem na deflação, muitos parecem crer que os governantes não serão capazes de impedir o inevitável e, quando seus programas de estímulo perderem força ou se esgotarem, o setor privado de muitas economias sofrerá erosão, mergulhando numa deflação como a vista no Japão. Em alguns países, principalmente na zona do euro, as políticas para melhorar a saúde fiscal já dão sinais de estarem produzindo o aprofundamento das recessões, conferindo credibilidade a alguns exemplos localizados desses temores. Por sorte, as evidências nos EUA e em muitas outras economias sugerem o contrário.

No outro extremo do espectro, muitos temem um acentuado aumento na inflação. Enquanto os governantes insistem em medidas para afastar uma recessão profunda, especialmente nos EUA, essa teoria sugere que as consequências de todo este excesso serão traduzidas na forma de inflação mais alta. Muitos mencionam o rápido aumento no preço das commodities, especialmente o petróleo e o ouro, como claros indícios de tal tendência. Para torná-la impossível de se combater, falta apenas uma espiral inflacionária nos salários como a vista nos anos 70.

O único problema desses temores - um problema considerável - é o fato de poucos dados indicarem a proximidade de um surto inflacionário condizente com tais previsões. Os dados inflacionários são razoavelmente tranquilizadores, assim como os indicadores importantes para a inflação no longo prazo, como o índice de cinco anos da Universidade de Michigan. Na minha opinião, é bem provável que a inflação mundial permaneça baixa, além de positiva.

Quinto mito. O dólar vai desaparecer enquanto moeda de reserva.

O principal problema que vejo nesta opinião é: se é tão claro assim, por que o dólar se valoriza em relação a outras moedas quando os mercados mundiais se assustam, mesmo quando a preocupação central é a situação nos próprios EUA? Se os investidores realmente temessem quanto ao futuro do dólar enquanto lastro monetário, isso jamais ocorreria.

Como tenho mostrado nos últimos dois anos, as principais moedas concorrentes parecem estar numa competição entre irmãs feias. Qual das principais moedas globais seria a menos feia? Será que os investidores querem mesmo possuir euros? Será que querem ienes? Creio que não - eu não gostaria de possuir estas moedas. E quanto ao franco suíço? Não podemos mais recorrer a ele para tal função, agora que o banco central suíço introduziu uma política bastante agressiva para deter sua valorização.

E o desafio se espalha. O real brasileiro perdeu bastante valor este ano conforme os governantes se dão conta de que a fonte de sua força anterior estava nos juros reais relativamente altos, tentando agora reduzi-los deliberadamente (uma política que me parece correta, levando-se em consideração os desafios que o Brasil deve enfrentar no longo prazo). Assim, ainda que apenas em decorrência da ausência de concorrentes de peso, a situação do dólar não preocupa.

A única moeda na qual a maioria das pessoas estaria disposta a investir como alternativa é o yuan e, como sabemos, esta escolha traz restrições. Além disso, levando-se em consideração o declínio no superávit em conta corrente da China, talvez o yuan não seja uma aposta tão garantida assim. Suspeito que, por mais que o dólar enfrente uma concorrência mais expressiva por parte do yuan e de outras moedas dos Bric no futuro, a concorrência não será algo ruim - como ocorre nos demais aspectos da vida, seu efeito é positivo. O dólar pode conviver com ela.

a

 

2014---distribuição de renda

A hora do espanto

Somando fatos, pode-se concluir que a revista Veja e seus rottweilers travestidos de “colunistas” e “blogueiros” abusam da sorte. Pelo que já vazou sobre o conjunto da obra da Operação Monte Carlo, os teleguiados de Roberto Civita e o próprio estão metidos até o pescoço no esquema de Carlos Cachoeira.

Quando eclodiu o escândalo, logo que caiu a máscara de probidade do então senador pelo DEM de Goiás, Demóstenes Torres, vazou uma informação que a Veja e o resto da grande mídia insistiram em ignorar, que havia mais de 200 telefonemas trocados entre o editor Policarpo Júnior e a quadrilha de Cachoeira, sobretudo com o próprio.

Mas não fica por aí. Como se viu recentemente, a Polícia Federal não se limitou a grampear telefones. Fez, também, filmagens, tirou fotos, seguiu os envolvidos no escândalo.

Até o momento, conversas isoladas ao telefone, envolvendo vários atores, têm sido garimpadas no que já vazou das investigações, mas há muito mais. Não é segredo para muitos que o que já vazou é menos da metade do que foi apurado. O que está oculto é considerado um segredo de Estado.

Por exemplo: será que ninguém notou que ainda não vazaram os grampos em que Policarpo foi flagrado? Nem uma conversa inocente sobre o clima ou sobre futebol. Ou seja: essas conversas flagradas pela PF, pelo visto, são dinamite pura.

Outra evidência da gravidade das relações da Veja com Cachoeira e seu bando reside no fato de que nem o pouco que já vazou apareceu em um só veículo da grande imprensa, muito menos em jornais e telejornais, com exceção da Record.

Enquanto o PIG diz que as relações eram “institucionais”, que jornalista ter contato com bandidos seria “normal”, esconde o que todos que têm acesso à internet já sabem.

Já imaginaram se aparecesse no Jornal Nacional uma gravação em que a quadrilha discorre sobre em que seção da Veja Cachoeira deve “mandar” que Policarpo publique matéria para atingir uma “associação” que estaria incomodando os criminosos ou na qual um dos bandidos diz ao outro onde deve se reunir com o editor da revista?

Diante do segredo extremo sobre a parte ainda oculta do inquérito, pode-se compreender declarações recentíssimas do relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha(PT-MG), sobre a cada vez mais provável convocação ao menos de Policarpo. Entre quinta e sexta-feira, Cunha falou várias vezes sobre o assunto.

Falou sobre a convocação de Policarpo ao jornalista da Folha Fernando Rodrigues (sem citar especificamente o jornalista da Veja) e ao Jornal da Record (citando Policarpo). Abaixo, os vídeos…

Mas não ficou por aí. Na última sexta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que depois de deflagrar a cruzada contra o sistema financeiro privado e a cobrança de juros elevados no País, o governo da presidente Dilma Rousseff poderá colocar em discussão o polêmico tema do marco regulatório da comunicação.

Para coroar o conjunto de indícios de que parte da classe política sabe muito mais sobre o envolvimento da imprensa com o crime organizado do que pode supor nossa vã filosofia, não vamos nos esquecer do que a mídia mesma vem alardeando, que o ex-presidente Lula seria um dos grandes entusiastas da CPI do Cachoeira por julgar que “pega a oposição”.

Com base em fontes mais do que bem informadas, posso garantir que não é só a oposição que a CPI pega. Na verdade, se a arrogância dos impérios de mídia e da oposição que eles protegem não fosse tão grande, saberiam que, primeiro, Lula não é um tolinho que estimula uma investigação e depois se arrepende, como andam dizendo. E, segundo, que quando o RELATOR da Comissão fala em convocar ao menos um jornalista, tem bons motivos para isso.

Por alguma razão, aliás, lembrei-me da entrevista que o ator global José de Abreu concedeu a este blog no fim do ano passado, na qual relatou que Roberto Civita estaria decidido a derrubar o governo Dilma. Será que haveria alguma coisa nesse sentido nas conversas entre o “Poli” e a quadrilha de Cachoeira guardadas a sete chaves?

Tudo, na vida, tem sua hora. A verdade não é exceção. Que a Veja e seus defensores na mídia e entre a classe política não se enganem, a hora da verdade chegará para setores da imprensa e suas relações com o crime organizado. A sociedade saberá as razões para o ataque interminável a governos que mudaram o país. Será a hora do espanto.

http://www.blogcidadania.com.br/2012/05/a-hora-do-espanto-3/

 

Indústria, câmbio e política fiscal


06 de maio de 2012 | 3h 08...O Estado de S.Paulo
AFFONSO CELSO PASTORE, ECONOMISTA, EX-PRESIDENTE DO, BANCO CENTRAL. ESCREVE MENSALMENTE PARA O ESTADO - O Estado de S.Paulo

O governo quer estimular a indústria e optou por enfraquecer o real, intensificando as intervenções no mercado de câmbio. Será que consegue manter o real mais fraco? Será que com isso teremos um estímulo permanente à indústria, ou um mero paliativo?

Se contar com o respaldo de um controle suficientemente forte de capitais, o Banco Central conseguirá colocar o câmbio onde o governo quiser. Desde o início de 2011 o controle de capitais vem se intensificando, e três medidas mais eficazes (entre outras) foram tomadas. Primeiro, foi colocado um recolhimento compulsório de 60% sobre posições vendidas de câmbio por parte de bancos. Segundo, foi criado um IOF de 6% sobre o financiamento à exportação, taxando inicialmente operações com prazos de 720 dias, que foi aumentado para 1.080 dias. Terceiro, o governo taxou com IOF empréstimos em bônus de até 1800 dias. A primeira praticamente impede a arbitragem. Os bancos tomavam recursos no exterior à taxa libor, aplicando os recursos (no "cupom cambial") sem risco de câmbio, e em 2010/11 ficaram "vendidos em câmbio" em torno de US$ 15 bilhões, que se somaram a outros US$ 15 bilhões de posições vendidas de estrangeiros. Foram ingressos de US$ 30 bilhões que ajudaram a valorizar o real. Os exportadores também abusaram de financiamentos à exportação por prazos muito maiores do que seria necessário para tocar o "negócio da exportação". A "desculpa" era compensar com operações engenhosas (não tanto quanto os "derivativos alavancados", em 2008) um pedaço da "sobrevalorização" cambial, mas de fato faziam operações de arbitragem visando ganhos financeiros.

A imposição dessas barreiras deu eficácia às compras do Banco Central no mercado à vista de câmbio, que depreciaram o real para próximo de R$ 1,90/US$. No gráfico anexo (base 100 na média diária de outubro de 2011) vê-se que o real se depreciou relativamente ao dólar australiano; ao peso colombiano; ao peso chileno, e ao peso mexicano, atestando a eficácia das intervenções associadas ao controle de capitais.

Porém o mundo real é um pouco mais complicado. Taxar capitais de curto prazo é muito diferente de limitar os ingressos de investimentos diretos e no mercado de ações. Estes financiam atividades produtivas, e não podem ser dispensados. Ocorre que eles são, também, ingressos que com alguma engenhosidade podem substituir parcialmente os outros ingressos barrados pela imposição dos controles. Afinal, o setor privado tem grande capacidade de descobrir novas portas de entrada. O risco, diante da dificuldade de colocar barreiras a estes ingressos é que, na impossibilidade de manter o real mais fraco, o governo busque novas medidas protecionistas.

Intervenções no mercado de câmbio são superiores a medidas protecionistas, porque afetam igualmente todos os setores, e não apenas aqueles que, devido à força dos "lobbies", convencem o governo a tomar medidas como: a elevação do conteúdo nacional de alguns produtos; e o aumento de barreiras tarifárias e não tarifárias. "Lobbies" são mais fortes em setores menos eficientes, e a resposta a eles não é o melhor caminho para definir as decisões. O país tomou muito tempo para se engajar na liberalização de comércio, que somente se iniciou mais intensamente nos anos 1990, estimulando a modernização de sua indústria. Se seguir o caminho do protecionismo, estará dando vigoroso um passo atrás.

Por outro lado, não há como evitar o crescimento das importações de produtos industriais. Isto é simplesmente a consequência de duas características de nossa economia. A primeira - imutável - vem da nossa vantagem comparativa em minérios e na agricultura. Seremos sempre exportadores desses produtos. A segunda vem do fato que a poupança total doméstica (pública mais privada) é baixa. Ora, as importações líquidas nada mais são do que o excesso dos investimentos sobre as poupanças domésticas, e sempre que os investimentos se elevam para acelerar o crescimento crescem relativamente às poupanças domésticas, que são rígidas, aumentando as importações líquidas. Como jamais seremos importadores de produtos agrícolas (com a clara exceção do trigo), é óbvio que o aumento dos investimentos dispara o aumento de importações de produtos manufaturados. Ora, se é inevitável que as importações cresçam, o que o Brasil iria importar? Produtos agrícolas e minerais? Não! Importará simplesmente produtos industriais!

Condenação. Será que isso nos condena à desindustrialização? Será que teremos que retornar aos anos 1950, quando acreditávamos que seriamos eternos exportadores de produtos primários e meros assistentes do desenvolvimento industrial em outros países? Não há nenhum fatalismo condenando o Brasil à desindustrialização. Primeiro porque o Brasil é um país com um imenso mercado doméstico, que sustenta setores industriais que se beneficiam de economias de escala, e que por isso têm todo o potencial para serem mais competitivos. Segundo, porque em vez de buscar o protecionismo, puro e simples, temos a alternativa de buscar uma particular mudança da estrutura produtiva da indústria, elevando importações de insumos e componentes industriais que baixem os custos de outros produtos manufaturados exportados, aumentando o tamanho de comércio, e tornando a estrutura produtiva mais eficiente. Mas para isso a indústria teria que se engajar em um processo de abertura ainda maior, reduzindo, e não aumentando, o conteúdo nacional dos produtos industriais, e voltando-se para a promoção de exportações permitida pela queda dos custos dos insumos e componentes importados. Isso impõe uma especialização compatível com o aumento da integração internacional, e não com a busca da autarquia. Teríamos que dar passos na direção de um comércio mais livre, e não na direção que vem sendo seguida pela Argentina.

Finalmente, não há porque ficar de braços cruzados quando o país tem em suas mãos instrumentos fiscais para fortalecer o setor. Começamos com a ideia simples de geração de superávits primários estruturais, dimensionados em média para reduzir a relação dívida/PIB, mas que se expandam na recessão e contraiam em fases de aquecimento, aliviando a carga imposta à política monetária; facilitando a queda da taxa real de juros; e retirando pressões para o fortalecimento do real. Segundo, o governo teria que abandonar a visão keynesiana estreita de que quaisquer gastos são benéficos, porque estimulam a demanda. Teria que reduzir os gastos correntes, o que elevaria a sua poupança, e aumenta os investimentos, particularmente em infraestrutura. A infraestrutura deficiente eleva os custos e retira competitividade da indústria. Deveria dar um passo na direção de adotar um marco regulatório estável, que estimulasse capitais privados, domésticos ou estrangeiros, a participar de investimentos em infraestrutura, e ao lado disso teria que rever a prioridade que dá às transferências de renda, que são ótimas para estimular o consumo, mas reduzem as poupanças, elevando as importações líquidas.

Reformas ainda mais importantes estão no campo da tributação. Primeiro, o ICMS não poderia ser usado para dar incentivos, nem sequer em nome de estímulos regionais, porque isso distorce o comércio exterior, contribuindo para gerar uma estrutura caótica de proteção efetiva. O grande produto da "guerra dos portos" é simplesmente a redução da eficiência econômica. Segundo, há uma tributação excessiva sobre a produção de energia elétrica. É curioso que um país que tem recursos naturais, como recursos hídricos e bauxita, por exemplo, não consiga ser competitivo na produção de alumínio.

Qual seria a competitividade da indústria têxtil, entre outras que usam intensivamente esta fonte de energia, se ocorresse uma redução na taxação sobre a energia elétrica? Terceiro, como um país que taxa bens de capital acima do que ocorre em qualquer país industrializado pode investir em capital fixo, absorver tecnologia, e ter eficiência produtiva? Quarto, como pode ser competitivo um país que devido à enorme tributação sobre a folha de salários tem custos de mão de obra muito maiores do que os países cuja indústria vem se destacando no comércio mundial?

Não sei por que enumero todas estas medidas quando sei que a resposta que o governo e os políticos estão prontos a dar é que "politicamente tudo isso é muito difícil"! Por isso o governo continuará dando migalhas à indústria, e as intervenções no mercado de câmbio serão um mero paliativo. O resultado é que continuaremos a ouvir queixas de que o real está sobrevalorizado e que, por isso, caminhamos para a desindustrialização.

 

2014---distribuição de renda

 

Na sexta-feira, pouco tempo depois que Carta Capital chegou às bancas com matéria de capa “Nosso Murdoch – Veja e Cachoeira, jornalismo a pique”, foram vendidos 20 exemplares de Carta Capital para alguém vindo da Editora Abril. A Veja com capa sobre Cachoeira só foi às bancas depois que alguém da Abril comprou estes 20 exemplares.

 

da Carta Capital - 03/05/2012

Trevas ao meio-dia

Mino Carta



Momento épico. Um daqueles atingidos pela Veja. E onde ficam os porões, caras-pálidas?

Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revistaVeja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo. Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime. Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único. Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Vejacensurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?

Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

 

 

 

Da Carta Capital - 03/05/2012

 

Revista Veja e Cachoeira

Civita, o nosso Murdoch

Gianni Carta

 

 Pool/AFP

Rupert Murdoch, o magnata mais poderoso da mídia do Reino Unido, 81 anos, é interrogado horas a fio pela comissão parlamentar do Inquérito Leveson. Isso seria possível no Brasil de Roberto Civita? Foto: Pool/AFP   



Policarpo Jr., diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, trocou 200 ligações com Carlinhos Cachoeira. O bicheiro goiano, escreveu o correspondente de CartaCapital em Brasília, Leandro Fortes, alega ser o pai de “todos os furos” da revista.  E Cachoeira disse estar pronto a detalhar as histórias que contou para Policarpo Jr. na CPI.

O patrão da Editora Abril, Roberto Civita, 75 anos, sabia quem era a fonte de todos aqueles “furos” da semanal mais lucrativa de sua empresa? Se for convocado para depor na CPI do Cachoeira, Civita reconhecerá que a Veja não respeitou a ética jornalística? Usar como parceiro de reportagem um criminoso com estreitos elos (às vezes acompanhados de subornos) com um senador, deputados, governadores e uma empreiteira foge à regra essencial do jornalismo: a de apurar as duas ou mais versões da mesma história.

Mas o patrão da Abril provavelmente não dará o ar da graça na CPI. Isso porque os jornalões e a tevê Globo agem em bloco para que isso não aconteça. São dois os motivos. O bicheiro, atualmente atrás das grades, favorecia os “furos” a envolver os inimigos “esquerdistas” da mídia tucana, principalmente petistas e ministros. Segundo motivo: jornalistas de outros orgãos da mídia também obtinham seus “furos” de Cachoeira.

Por essas e outras, Policarpo Jr. e a recomendável convocação de Civita para a CPI nunca estiveram no noticiário.

Enquanto isso, Rupert Murdoch, o magnata mais poderoso da mídia do Reino Unido, 81 anos, é interrogado horas a fio pela comissão parlamentar do Inquérito Leveson, que teve início em novembro de 2011. E na quarta-feira 2 até o Senado dos EUA entrou em contato com os investigadores britânicos para avaliar se abrirão um inquérito com o objetivo de investigar se a News Corporation passou a perna em leis norte-americanas.

Através de seus jornais – TimesSunday Times, Sun e News of the World – Murdoch teve grande influência nas eleições dos primeiros-ministros conservadores Margaret Thatcher, John Major, David Cameron e Tony Blair. Até aí nada de errado. Publicações europeias apoiam candidatos políticos em seus editoriais, coisa que no Brasil acontece raramente. A mídia canarinho gosta de ficar em cima do muro enquanto distorce e manipula o noticiário a favor dos candidatos conservadores preferidos pelas elites. Enfim, prima a ambiguidade e a desinformação na mídia brasileira enquanto a mídia europeia se posiciona ideologicamente, o que lhe confere credibilidade. O leitor do vespertino francês Le Monde, por exemplo, sabe ter em mãos um diário de centro-esquerda que apoia o socialista François Hollande no segundo turno da presidencial, em 6 de maio.

O problema da mídia murdochiana foram os métodos por ela usados: escutas telefônicas ilegais e suborno de policiais por informações privilegiadas foram as mais graves. De fato, o tabloide News of the World foi fechado porque a acusações acima foram provadas. Jornalistas e um detetive contratado pelo jornal foram presos.

Agora o Inquérito Leveson quer se aprofundar mais na relação da mídia com políticos e funcionários públicos. Nesse contexto, investiga o grupo de Murdoch e outras empresas de comunicação. Ao mesmo tempo, pretende avaliar se o regime regulatório da imprensa da britânica falhou. Em suma, lá no reinado fazem o que não é feito aqui: uma CPI da mídia.

Murdoch admitiu no Inquérito Leveson ter sido “lento e defensivo” em relação às escutas telefônicas ilegais. Reconheceu ter falhado ao negar o conhecimento sobre a verdadeira escala dos grampos telefônicos até 2010 devido à conduta de subordinados que o deixaram sem informações. Ou será que Murdoch fingia que não sabia de nada?

São várias as semelhanças entre Roberto Civita e Rupert Murdoch. Ambos têm fascínio pelo “American Dream”, ou seja, a possibilidade de ganhar na vida na terra do Tio Sam, onde todos – eis aí um mito – podem fazer fortuna. E, por vezes, como se vê, a qualquer custo. Civita nasceu na Itália, mas aos dois anos, em 1938, foi com a família para os EUA, onde viveu por pouco mais de uma década. Depois de passar algum tempo no Brasil foi fazer universidade na Filadélfia.

Murdoch nasceu na Austrália, onde teve início sua carreira de empresário da mídia. Depois passou vários anos no Reino Unido, onde amealhou sua fortuna. E, finalmente, foi morar nos EUA para realizar seu sonho, o de obter a cidadania norte-americana e ser dono de um grande diário, no caso o Wall Street Journal.

Segundo o Inquérito Leveson, o patrão da News Corp. não tem “capacidade” para dirigir um grupo internacional. Isso seria possível no Brasil de Roberto Civita?

 

 

Laço de Cachoeira com Serra é investigado, diz revista

 

Agência Estado

O Ministério Público de São Paulo e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o contraventor Carlinhos Cachoeira investigam um possível favorecimento do grupo do bicheiro em São Paulo, na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e durante o mandato de José Serra (PSDB) no governo do Estado (2007-2010) e na prefeitura paulistana (2004-2006). De acordo com reportagem da revista Isto É na edição desta semana, a suspeita é de a construtora Delta, que seria o braço operacional de Cachoeira, teria sido favorecida com a ampliação do número de contratos durante essas administrações.

A Isto É afirma que os parlamentares que compõem a CPI tiveram acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho de 2011 e janeiro deste ano. Segundo a revista, as gravações apontam que a construtora Delta foi favorecida em contratos de obras de ampliação da Marginal do Tietê, na cidade de São Paulo, e na prestação de serviços de varredura de lixo na capital, que somariam mais de R$ 2 bilhões. Nas gravações, às quais a revista afirma ter tido acesso, pessoas próximas de Cachoeira fazem referências a adequações de editais e contratos para que a Delta fosse beneficiada.

Na última quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar a existência de irregularidades nas licitações, superfaturamento e conluio entre agentes públicos. Em depoimento para a revista, o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) diz que a apuração sobre os contratos da Delta pode revelar um "caixa 2" do PSDB em São Paulo. Já o líder tucano, Álvaro Dias, argumenta que os contratos devem ser verificados com o intuito de apontar se os valores pagos foram justos.

http://atarde.uol.com.br/politica/noticia.jsf?id=5834184&t=Laco+de+Cacho...

 

do EcoDesenvolvimento.org

 

O conteúdo do EcoDesenvolvimento.org está sob Licença Creative Commons. Para o uso dessas informações é preciso citar a fonte e o link ativo do Portal EcoD. http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2012/maio/designer-cria-lampada-feita-de-borra-de-cafe#ixzz1u3wl3Cmc 
Condições de uso do conteúdo 
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Designer cria lâmpada feita de borra de caféPostado em Reduzir, Reutilizar, Reciclar em 05/05/2012 às 10h00por Redação EcoD  Comentários (2)RSS  Diminuir Fonte Fonte Padrão Aumentar Fonte 

decafe.jpg
Fotos: Divulgação

O designer espanhol Raul Lauri criou uma lâmpada inspirada em uma caneca feita de pó de café usado. A lâmpada Decafé utiliza a borra do produto após passar por um tratamento. O material recebe a forma de caneca por meio de processos que utilizam calor e pressão.

decafe2.jpg

O invento visa demonstrar, segundo conta o artista, como um material tão simples, biodegradável e renovável pode ser usado industrialmente na criação de objetos importantes no cotidiano.

decafe3.jpg

A lâmpada Decafé recebeu um prêmio na Semana de Design de Milão 2012, em que foi destacada a maneira com que o designer experimenta a utilização de materiais sustentáveis de maneiras simples e com qualidade.

 

 

França: Com Hollande na frente, Sarkozy pode ser mais um líder europeu a perder o posto após crise

Depois de ficarem bem próximos nos resultados do primeiro turno da disputa presidencial na França, Nicolas Sarkozy  (UMP, centro-direita) e François Hollande (PS, centro-esquerda), duelam no segundo turno neste domingo (6). Sarkozy aparece um pouco atrás do rival nas pesquisas e já estaria pensando em fazer carreira na oposição, segundo declaração de um assessor do presidente-candidato à agência "Reuters".

No primeiro turno, o socialista teve 28,6% dos votos, contra 27,06% de Sarkozy. Se no segundo turno a vitória de Hollande se confirmar, Sarkozy será o 11º líder europeu a perder o cargo por não conseguir reverter os efeitos da crise econômica.

Nomes como os dos primeiros-ministros Silvio Berlusconi (Itália), José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Gordon Brown (Inglaterra), Georges Papandreou (Grécia), entre outros, foram derrotados em votações populares ou renunciaram devido à crise.


 Foto 118 de 132 - 26.abr.2012- Pôsteres trazem as imagens dos candidatos à Presidência da França, François Hollande e Nicolas Sarkozy, em Marseille (França), nesta quinta-feira. O segundo turno das eleições presidenciais ocorrem no domingo (6) Mais Claude Paris/APVeja quem caiu ou perdeu as eleições por causa da crise na Europa

  • Andrea Comas/Reuters

Na França, estão em discussão questões como o aumento do desemprego no país, as consequências da crise econômica mundial, o aumento do rigor no tratamento dispensado aos imigrantes, principalmente os muçulmanos, e um plano de contenção de gastos para a França.

O atual presidente se vê afetado pela crise econômica e também pela rejeição popular ao seu estilo pessoal. Mesmo que consiga virar a previsão das pesquisas, Sarkozy dificilmente conseguirá manter o apoio de 339 parlamentares (de um total de 577), nas eleições legislativas de junho.

Em seus últimos atos de campanha, Sarkozy advertiu os eleitores que, se escolherem Hollande, o futuro que lhes espera é “à espanhola”, uma referência às dificuldades econômicas do país vizinho, que vinha sendo comandado por governos socialistas, até a vitória do conservador Partido Popular.

Mas não são apenas os temas econômicos que mobilizam os candidatos. Questões polêmicas, como a imigração, também estão presentes, sobretudo depois do resultado obtido pelo partido da extrema direita Front Nacional no primeiro turno. A legenda alcançou 18% dos votos, com o discurso de que há imigrantes demais na França - usado tanto pela candidata do partido, Marine Le Pen, como pelo presidente Sarkozy.

Le Pen não apoiou nenhum dos dois candidatos para o segundo turno, afirmando que votar em Sarkozy seria uma "nova decepção" e votar em Hollande seria "uma falsa esperança. Já François Bayrou, antigo aliado de Sarkozy e que obteve 9,1% dos votos no primeiro turno, declarou que votará em Holande.

Uma pesquisa publicada pela revista "Paris Match" mantém Hollande na frente, com 52% das intenções de voto contra 48% de Sarkozy. O levantamento, contudo, foi feito antes do anúncio de Bayrou e do último debate entre os dois candidatos, realizado na quarta-feira. O instituto Ifop fez um levantamento logo após o debate, com 1.201 pessoas. O resultado foi que 42% consideraram que Hollande foi melhor, enquanto 34% preferiram a postura do atual presidente; 10% disseram que nem um nem outro foi melhor e 7% disseram que nenhum dos dois venceu o debate.

A apuração dos votos na França deverá começar às 20h de Paris (15h de Brasília).

O vencedor deve tomar posse no próximo dia 14. Em seguida, ocorrem as eleições legislativas francesas – em duas etapas: 10 e 17 de junho.

Candidato mais cotado para derrubar o atual presidente Sarkozy, François Hollande ganhou força entre o eleitorado após defender a implementação de políticas de crescimento da economia para combater a crise que assola a Europa. O político de 58 anos nascido em Rouen, no norte da França, entrou para o Partido Socialista (PS) aos 25 anos e foi primeiro-secretário da legenda entre 1997 e 2008. Em 1988, foi eleito deputado por Corrèze, departamento no centro da França. Em 1997, uma nova eleição o levou ao mesmo posto. Acumulou os cargos de prefeito de Tulle – capital de Corrèze – entre 2001 e 2008 e de presidente do conselho geral de Corrèze, desde 2008. Foi ainda eurodeputado entre julho e dezembro de 1999.

Hollande foi escolhido candidato do PS às presidenciais depois que o ex-presidente do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn se viu envolvido em um escândalo de agressão sexual. A escolha de Hollande ocorreu nas primeiras primárias socialistas abertas à população. Entre os pontos de seu programa estão a criação de uma agência europeia para regulamentar o sistema financeiro, a redução do uso da energia nuclear de 75% para 50% na produção energética nacional, a construção de 500 mil moradias por ano e a regularização de imigrantes ilegais com base em critérios objetivos (emprego, moradia e tempo de residência na França).

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/05/05/sar...

 

do Administradores.com

 


05 de maio de 2012, às 13h04minPetrobras anuncia nesta segunda-feira (7) inclusão de subsidiárias no Programa ProgredirLançado em junho de 2011, o Programa Progredir viabiliza, de forma ágil e padronizada, a oferta de crédito a custo reduzido para todas as empresas que integram a cadeia de fornecedores da Petrobras A +  A - Tamanho do texto:Por Redação Administradores, www.administradores.com.br 

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Guilherme Barbassa, anuncia nesta segunda-feira, dia 7, às 15h, no Rio de Janeiro, a inclusão de subsidiárias da Companhia no Programa Progredir. Durante o evento, serão divulgados dados nacionais e regionais atualizados da iniciativa, que já permitiu que fornecedores e subfornecedores da Petrobras contratassem mais de R$ 2 bilhões em empréstimos junto aos bancos parceiros.

Lançado em junho de 2011, o Programa Progredir viabiliza, de forma ágil e padronizada, a oferta de crédito a custo reduzido para todas as empresas que integram a cadeia de fornecedores da Petrobras. A iniciativa, desenvolvida em parceria com os seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander) e com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), faz parte do Plano de Negócios 2011-2015 da Companhia.

 

Oscar Niemeyer segue internado com pneumonia, quadro melhorasexta-feira, 4 de maio de 2012 14:22 BRT Imprimir[-] Texto [+]Arquiteto Oscar Niemeyer comparece à inauguração da fundação Oscar Niemeyer e à comemoração de seu aniversário de 103 anos em Niterói, em dezembro de 2010. Niemeyer, 104 anos, permanece internado em uma unidade intermediária do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Foto de arquivo REUTERS/Bruno Domingos 1 de 1Versão na íntegra

4 Mai (Reuters) - O arquiteto Oscar Niemeyer, 104 anos, permanece internado em uma unidade intermediária do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, após ser hospitalizado na quarta-feira com quadro de pneumonia e desidratação, informou um boletim médico do hospital.

Niemeyer apresentou "melhora em seu quadro clínico" e está lúcido, afirmou o médico Fernando Gjorup após visita nesta sexta-feira. Ele continua recebendo tratamento com soro e antibiótico intravenoso, e respira sem ajuda de aparelhos, de acordo com o boletim.

Nos últimos anos, Niemeyer passou por internações no mesmo hospital para ser submetido a cirurgias de retirada da vesícula e de um tumor no cólon, e também para tratar uma infecção urinária.

Antes do Carnaval deste ano, o arquiteto visitou as obras do Sambódromo do Rio, que finalmente passou a ter o traçado original desenhado por ele há mais de 30 anos após a demolição de uma antiga cervejaria vizinha ao local.

(Reportagem de Daniela Ades em São Paulo)

http://br.reuters.com/article/entertainmentNews/idBRSPE84304820120504

 

OSCAR WILDE E A MÍDIA
(...) Foi um dia fatal aquele em que o público descobriu que a pena é mais poderosa que as pedras da rua, e que seu uso pode tornar-se tão agressivo quanto o apadrejamento. Procurou imediatamente pelo jornalista, o encontrou e aperfeiçoou, e fez dele seu servo diligente e bem pago. É de lamentar por ambos. Atrás das barricadas, muito pode haver de nobre e heróico. Mas o que há por trás de um artigo de fundo senão preconceito, estupidez, hipocrisia e disparates? E esses quatro elementos, quando reunidos, adquirem uma força assustadora e constituem a nova autoridade.
Antigamente, os homens tinham a roda de torturas. Hoje tem a imprensa. Isso certamente é um progresso. Mas ainda é má, injusta e desmoralizante. Alguém - teria sido Burke? - chamou o Jornalismo de o quarto poder. Isso na época sem dúvida era verdade. Mas hoje ele é realmente o único poder. Devorou os outros três. Os Lordes temporais nada dizem, os Lordes espirituais nada tem a dizer, e a Câmara dos Comuns nada tem a dizer e o diz. Estamos dominados pelo Jornalismo. Nos Estados Unidos o Presidente reina por quatro anos e o Jornalismo governa para todo o sempre. Felizmente, nesse país, o Jornalismo levou sua autoridade ao extremo mais flagrante e brutal e, como decorrência lógica, começou a gerar um espírito de revolta: ou diverte ou aborrece as pessoas, conforme seu temperamento. Mas deixou de ser a força real que era. Não é levado a sério. Na Inglaterra, o Jornalismo, com exceção de alguns poucos exemplos bem conhecidos, não tendo atingido estes excessos de brutalidade, permanece ainda um fator de grande significado, um poder realmente notável. Parece-me descomunal a tirania que ele se propõe exercer sobre nossas vidas privadas. O fato é que o público tem uma curiosidade insaciável de conhecer tudo, exceto o que é digno de se conhecer. O Jornalismo, ciente disso, e com vezos de comerciante, satisfaz suas exigências. Em séculos passados, o público expunha as orelhas dos jornalistas no pelourinho. O que era horrível. Neste século, os jornalistas ficam de orelha em pé atrás das portas. O que é ainda pior. O mal é que os jornalistas mais culpados não estão entre aqueles que escrevem para o que se chama de coluna social. O dano é causado pelos jornalista sisudos, graves e circunspectos que trarão, solenemente, como hoje trazem, para diante dos olhos do público, algum incidente na vida privada de um grande estadista, de um homem que é assim um lider do pensamento político como criador de força política. Convidarão o público a discutir o incidente, a exercer autoridade no assunto, a externar seus pontos de vista, e não somente a externá-los, mas a colocá-los em ação, a impô-los àquele homem sobre todos os outros argumentos, a impor ao partido e à nação dele; convidarão, enfim, o público a se tornar ridículo, agressivo e perigoso. A vida particular dos homens ou das mulheres não deveria ser revelada ao público. Este não tem nada absolutamente nada a ver com ela.
Na França há um controle maior nesses assuntos. Lá não se permite que pormenores dos julgamentos que se realizam nos tribunais de divórcio sejam divulgados para entreterimento ou crítica do público. Tudo que se lhe permite saber é que houve o divórcio e que foi concedido a pedido de uma ou outra parte envolvida, ou de ambas. Na França, com efeito, limitam o jornalista, e concedem ao artista quase que completa liberdade. Aqui, concedemos liberdade absoluta ao jornalista e limitamos inteiramente o artista. A opinião pública inglesa, por assim dizer, procura tolher, cercear e submeter o homem que cria o Belo efetivamente, e compele o jornalista a recontar o factualmente feio, desagradável ou repulsivo; de modo que temos os mais sisudos jornalistas do mundo e os jornais mais indecentes. Não há exagero em se falar em compulsão. Há positivamente jornalistas que têm verdadeiro prazer em publicar coisas horríveis, ou que, por serem pobres, vêem nos escândalos uma fonte permanente de renda. Mas não tenho dúvidas de que há outros jornalistas, homens de boa formação e cultura, a quem realmente desagrada publicar esse tipo de assunto, homens que sabem ser errado agir assim e, se assim agem, é apenas porque as condições doentias em que exercem sua profissão os obriga a atender o público no que o público quer, e a concorrer com outros jornalistas para que esse atendimento satisfaça o mais plenamente possível o grosseiro apetite popular. É uma posição muito degradante para ser ocupada por qualquer desses homens, e não há dúvida de que a maioria deles percebe isso sensivelmente.” (OSCAR WILDE, A Alma do Homem Sob o Socialismo, págs. 57/59, LP&M, 2003).

 

Incidentes marcam início de julgamento de suspeitos do 11 de setembro 

Khalid Sheik Mohammed pemaneceu em silêncio no tribunal

A primeira aparição de cinco suspeitos de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001 perante um tribunal militar na base americana na Baía de Guantánamo foi marcada por incidentes neste sábado.

Khalid Sheikh Mohammed e outros quatro acusados de planejar os ataques de 2001 se recusaram a responder às perguntas durante a audiência de sete horas.

 

Um dos acusados exaltou-se, sugerindo que os americanos poderiam matá-lo antes do final do julgamento.

Os cinco se recusaram a comentar especificamente as acusações de assassinato e terrorismo.

As acusações, referentes aos ataques em que 2.976 pessoas morreram, podem levar à pena de morte.

Em nova audiência, será solicitado que eles se declarem culpados ou inocentes.

Os homens estão sendo julgados por um tribunal militar após uma tentativa de transferi-los para um tribunal dos EUA civil em 2009 não ter ocorrido por causa de clamor público e da oposição no Congresso.

Regras recentemente introduzidas incluem a proibição de provas obtidas sob tortura.

Mas os advogados de defesa ainda dizem que o sistema de julgamento de Guantánamo carece de legitimidade por causa do acesso restrito aos seus clientes.

Os réus são acusados de planejar e executar os atentados de 11 de setembro de 2001, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados e acabaram derrubados em Nova York, Washington e Shanksville, na Pensilvânia.

Um pequeno número de parentes das vítimas assistiu à audiência no complexo militar.

"Tão difícil '

O auto-proclamado "mentor" dos atentados de 11 de setembro Khalid Sheikh Mohammed está sendo julgado com Waleed bin Attash, Ramzi Binalshibh, Ali Abd al-Aziz Ali e Mustafa Ahmad al-Hawsawi.

A audiência de acusação - na qual são lidas para os réus as denúncias - chegou a ser suspensa quando Waleed bin Attash teve que ser contido em sua cadeira no tribunal. As amarras foram mais tarde retiradas, após o advogado de defesa dar garantias de que ele iria "se comportar".


Khalid Mohammed foi submetido a afogamento simulado 183 vezes, segundo a CIA

Outro réu, Ramzi Binalshibh, se ajoelhou e rezou durante alguns minutos.

Mohammed, usando um turbante branco se recusou a responder às perguntas do juiz. Seu advogado disse que ele estava se recusando a ouvir o juiz em protesto contra a suposta tortura em custódia e porque ele acreditava que o tribunal é injusto.

A audiência foi novamente suspensa quando todos os acusados se recusaram a usar os fones de ouvido que oferecem tradução para o árabe.

O procedimento foi mais tarde retomado com um tradutor árabe presente no tribunal, para garantir que os acusados seguiriam o processo.

Ramzi Binalshibh tentou abordar o tribunal. Quando informado pelo juiz que poderia falar mais tarde, respondeu: "Talvez você não nos veja mais".

"Talvez me matem e digam que cometi suicídio."

O juiz, coronel James Pohl, lutou para manter os processos em curso.

"Por que é tão difícil?", exclamou em determinado momento.

A decisão de realizar um julgamento militar em vez de civil permanece polêmica e resulta de uma longa disputa legal sobre onde os cinco homens deveriam enfrentar a justiça.

Alegação de tortura

Khalid Sheikh Mohammed, que é de origem paquistanesa, mas nasceu no Kuwait, foi capturado no Paquistão em 2003 e transferido para a base de Guantánamo, em Cuba, em 2006.

Durante uma tentativa anterior de julgá-lo perante um tribunal militar em 2008, ele disse que pretendia declarar-se culpado e gostaria de receber a pena de morte.

Em 2009, a administração Obama, que prometeu fechar Guantánamo, tentou mover o julgamento para Nova York, mas reverteu sua decisão em 2011, após uma oposição generalizada.

Os cinco foram acusados em junho de 2011, por crimes semelhantes aos que já haviam sido acusados pela administração de George W. Bush.

Segundo o Pentágono, Khalid Sheikh Mohammed admitiu ser responsável "de A a Z" pelos ataques do 11/9.

Promotores americanos alegam que ele estava envolvido com uma série de outras atividades terroristas. A lista inclui o ataque a bombas a um clube noturno em 2002 em Bali, na Indonésia, o assassinato do jornalista americano Daniel Pearl e outra tentativa em 2001 de explodir um avião com uma bomba em um sapato.

Khalid Sheikh Mohammed alegou que foi repetidamente torturado durante sua detenção em Guantánamo.

Documentos da CIA confirmam que ele foi submetido a uma espécie de simulação de afogamento, conhecida como waterboarding, por 183 vezes.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120504_11desetembro_tri...

 

Do iG.

 

Americano que fingiu por 6 anos ser mãe morta é condenado por fraudeParkin usou peruca, vestidos, maquiagem e esmalte para continuar recebendo benefícios equivalentes a R$ 219 mil em nome de sua mãe

BBC Brasil | 04/05/2012 11:22:43


selo

Foto: APThomas Prusik-Parkin, vestido como sua mãe, e Mhilton Rimolo, em foto tirada de uma câmera de vigilância

Um homem que durante seis anos fingiu ser a própria mãe morta para receber pensão e outros benefícios no valor de US$ 115 mil (cerca de R$ 219 mil) foi condenado por 11 crimes, entre eles fraude, e pode ser sentenciado a até 83 anos.

Segundo promotores de Nova York, Thomas Prusik-Parkin, de 51 anos, foi condenado por "uma fraude elaborada". Desde que sua mãe, Irene Prusik, morreu, em 2003, aos 73 anos, Parkin usava peruca, vestidos, maquiagem, esmalte nas unhas e até uma bengala para enganar as autoridades.

Parkin também usava uma carteira de identidade falsa e era acompanhado por outro homem, Mhilton Rimolo, que fingia ser o sobrinho de Prusik.

Dados falsos

Segundo as acusações, quando sua mãe morreu, Parkin forneceu ao agente funerário um número de previdência social e data de nascimento falsos, para que a morte de Irene não aparecesse nos registros oficiais.

Durante os seis anos em que levou o esquema adiante, até ser preso, em 2009, Parkin teria recebido cerca de US$ 700 mensais em benefícios em nome da mãe. Ele também entrou com pedido de falência em nome da mãe, para receber US$ 39 mil em subsídios para ajudar a pagar o aluguel de sua casa.

"Segurei minha mãe quando ela estava morrendo e respirei seu último suspiro, então, sou minha mãe", disse Parkin ao ser preso, em 2009, de acordo com a polícia local. A sentença será anunciada no dia 21.

 

zanuja

CPI de Cachoeira 'promete espalhar mais sujeira do que o normal', diz 'Economist' Demóstenes Torres (José Cruz/ABr)

Revista cita envolvimento do senador Demóstenes Torres e de outros políticos

O escândalo do esquema de corrupção comandado pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o "Carlinhos Cachoeira", "promete espalhar mais sujeira do que o normal", diz a edição da revista britânica The Economist que chegou às bancas nesta sexta-feira.

A revista diz que escândalos como esse seriam comuns em Brasília, mas que a CPI que investigará o caso coloca políticos de todos os partidos na berlinda.

A reportagem cita o envolvimento do senador Demóstenes Torres e de outros políticos – e lembra que Torres foi descrito como um homem de "princípios e convicções" em uma lista dos cem brasileiros mais influentes publicada em 2009 pela revista Época.

"Até agora, os custos políticos da investigação parecem recair sobre a oposição ao governo de centro-esquerda de Dilma Rousseff", diz o texto.

"Mas as revelações não são necessariamente um presente político para Rousseff."

Planos

Segundo a reportagem, apesar de a linha dura adotada pela presidente contra a corrupção desde o início de seu governo lhe garantir "uma reserva de credibilidade com o público", os resultados de CPIs costuma ser imprevisíveis.

"Mesmo que Rousseff saia politicamente ilesa, a investigação provavelmente irá atrapalhar alguns de seus planos", diz o artigo, citando a votação sobre a distribuição dos royalties do pré-sal e projetos de infra-estrutura para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que podem ser atrasados, especialmente pelo envolvimento da construtora Delta, que está sendo investigada.

"Quanto mais a podridão na política brasileira é exposta, menor o número de políticos nos quais os brasileiros sentem que podem confiar", diz a revista.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120503_economist_cpi_ac...

 

Do G1.

 

Por conta da seca, cidades baianas cancelam tradicional festejo juninoCinco municípios já cancelaram e outros reduziram os dias de festa.
Número de cidades em estado de emergência já chega a 228. 

Do G1 BA


 Reprodução/TV Bahia)População improvisa para conseguir água (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Até este sábado (5), cinco cidades baianas cancelaram os tradicionais festejos juninos em decorrência dos problemas da seca que atinge a Bahia. Segundo as informações das prefeituras, os municípios de Muquém do São Francisco, no médio São Francisco, além de Várzea Nova, Tapiramutá, Filadélfia e Miguel Calmon, todas no norte do estado, já cancelaram as festas. Em Miguel Calmon, a prefeitura declarou que as verbas que seriam destinadas às comemorações serão revertidas para o combate à estiagem na região.

Outras cidades diminuíram a duração das festas. No sudoeste, os municípios de Macaúbas e Maracás reduziram as comemorações de cinco para três dias. Em Anagé, a festa foi reduzida de oito para cinco dias. Em Jaguarari, no norte, houve redução de quatro para três dias e a prefeitura informou que a grade de atrações deve ser reformulada com atrações "mais baratas".

Também há cidades que estudam o cancelamento das festas, como Riachão do Jacuípe, no nordeste do estado e Santa Bárbara, no centro-norte, onde as prefeituras informaram que estão sendo feitas análises para decidir a manutenção ou a redução de custos nos festejos deste ano.

Alguns municípios com grandes festejos, como Amargosa e Cruz das Almas estão com as festas mantidas, segundo as últimas informações divulgadas na sexta-feira (4). A prefeitura de Senhor do Bonfim, no centro-norte, informou que representantes da prefeitura e demais órgãos que organizam as festas se reuniram na sexta-feira para estudar a manutenção ou o cancelamento das festas. Já o município de Paulo Afonso, no norte, ainda mantém a festa, mas também reprogramou a grade de atrações para reduzir os custos.

Estado de Emergência

 Reprodução/TV Bahia)Animal tenta sobreviver no clima seco por falta de
chuvas. (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Entre janeiro e abril deste ano, a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), registrou um aumento de 272% nos decretos de emergência no Nordeste do Brasil, um número que subiu de 112 em 2011, para 417 este ano, o maior registro dos últimos cinco anos. Na Bahia, o número de cidades que decretaram estado de emergência chega a 228.

Somente em Feira de Santana, oito distritos estão  em situação de emergência desde o ano passado. A última chuva forte da cidade foi em novembro de 2011.

Governo

 

O Governador Jaques Wagner disse que esteve em Brasília levantando verbas para ajudar na resolução do problema da seca na Bahia. “Primeiro vamos tratar da instalação de poços. Existem poços perfurados ainda não instalados. Também temos o programa de dessalinização, que foram liberados seis milhões", diz.

O governador também garantiu obras em adutoras. “Nós temos investimento de R$ 400 milhões em quatro adutoras. Ainda em 2012 a maioria deve estar pronta”, afirma.

Na quinta-feira (3), o governador e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, assinaram convênios para a liberação de recursos, que fazem parte do programa Água para Todos, do Governo Federal. A Bahia terá mais R$ 50,9 milhões para medidas de enfrentamento aos efeitos da seca.

 Divulgação/Comite da Seca na Bahia)Comparação da seca na Bahia em 1965 e em 2012 (Foto: Divulgação/Comite da Seca na Bahia)


 

 

zanuja

Popularidade de Cristina Kirchner cresce após nacionalização de petrolífera

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

 Cartaz na Argentina manifesta apoio a medida de Cristina Kirchner

Nacionalização da petrolífera contou com forte apoio na Argentina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, recuperou apoio popular após anunciar, em abril, a expropriação de 51% dos 57% das ações da petroleira Repsol-YPF, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

O projeto de expropriação foi aprovado, nesta quinta-feira, por ampla maioria dos deputados e já tinha recebido forte respaldo dos senadores.

 

Cristina foi reeleita em outubro do ano passado com 54% dos votos e, na ocasião, contava com cerca de 62% de aprovação, como observaram Mariel Fornoni, da consultoria Management&Fit, e Roberto Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP).

Mas pouco depois de tomar posse, em dezembro, sua popularidade começou a cair. Entre dezembro e abril, antes do anúncio da estatização da petroleira, o apoio popular à presidente tinha retrocedido 17 pontos percentuais.

''O desgaste da gestão, o anúncio do fim dos subsídios para o setor público privatizado (com o fim do congelamento de tarifas), o acidente de trem (em Buenos Aires, que deixou 51 mortos), as barreiras comerciais que afetaram o abastecimento de alguns setores e as suspeitas de corrupção contra o vice-presidente do país (Amado Boudou) foram os motivos para esta queda'', disse Fornoni à BBC Brasil.

Mas após o anúncio de estatização da petroleira YPF, seu índice de aprovação voltou a subir. ''(A aprovação de) Cristina tinha caído para cerca de 55% e agora está em 61%'', afirmou Bacman.

Já os números citados por Fornoni são bem mais modestos – ela diz que o apoio à presidente estaria hoje em torno dos 48%.

''Houve uma recuperação após o anuncio da YPF. Esse apoio passou de cerca de 44% para aproximadamente 48%'', disse ela à BBC Brasil.

Símbolo

Para Fornoni, a preocupação com a insegurança pública, com o aumento da inflação e com os baixos salários, tornaram os argentinos mais críticos em relação ao governo.

''Aqui na Argentina, quando há festa para todos, os eleitores não prestam muito atenção à corrupção. Mas quando sentem a inflação e que o salário é insuficiente, passam a notar as denúncias de corrupção'', afirmou a especialista, em uma referência ao recente escândalo envolvendo o vice de Kirchner e ex-ministro da Economia Amado Boudou, acusado de tráfico de influência para tentar favorecer um amigo de infância na disputa pela impressão das cédulas de pesos argentinos.

As pesquisas de opinião indicam ainda que a maioria dos argentinos aprova a nacionalização da YPF e que o setor petroleiro seja ''controlado'' pelo Estado.

Segundo o CEOP, este índice chegou a 74%. A consultoria Poliarquía, que realizou o levantamento para o jornal La Nación, chegou ao índice de 62%, e a Manegement&Fit, 50,2%.

''A YPF é um símbolo para os argentinos. Nos anos 90, os argentinos apoiaram as privatizações de telefones, de luz, gás, água e até de trens, mas não da YPF e da Aerolíneas Argentinas, que são consideradas questões estratégicas'', afirmou Bacman.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120504_cristina_popular...

 

Integrantes da CPMI do Cachoeira divergem sobre esquema de segurança 

 

     

Brasília - A criação de um esquema especial de segurança para que parlamentares tenham acesso aos inquéritos sigilosos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), provocou reações no Congresso. Para os governistas, é correta a decisão do presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que irá investigar as denúncias feitas pela PF, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), de impedir o acesso de assessores e equipamentos eletrônicos à sala onde será feita a consulta.

“Concordo cem por cento com o presidente. Nós tivemos um compromisso de não vazar documentos e temos que honrar esse compromisso”, alegou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Para ele, a restrição ao acesso de assessores parlamentares e ao uso de internet nas cabines onde os inquéritos estarão disponíveis não irá atrapalhar o trabalho dos parlamentares. “Imagina se a gente puder fazer cópia de documentos? Aí passa para um, passa para outro, passa para assessor, que pode passar para alguém... Assim [com o esquema de segurança] fica mais fácil garantir o sigilo”, argumentou.

Mas a proibição de que os parlamentares sejam assessorados no momento em que fizerem pesquisas nas mais de 15 mil páginas dos inquéritos foi considerada “um despropósito” pelo líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). Na opinião dele, é uma falta de respeito com deputados e senadores, que serão tratados com desconfiança. “Acho um absurdo, uma afronta aos parlamentares. CPI existe para revelar, não para esconder. Eu sempre trabalhei com assessores confiáveis e nunca tivemos problema”, apontou Dias.

O oposicionista acredita que será impossível que os parlamentares façam sozinhos toda a pesquisa, sem sequer poder fazer cópias dos documentos. Para ele, as restrições impostas aos membros da CPMI podem servir de controle sobre o que será levantado nas investigações. “Nós vamos tentar mudar isso, é inviável”, concluiu o senador.

Na mesma linha, o oposicionista deputado Rubens Bueno (PPS-PR) acha que a forma encontrada para proteger o sigilo dos documentos está obsoleta. Na opinião dele, poderia ter sido criado um sistema de informações para que cada parlamentar tivesse acesso por meio de identificação pessoal. “O Senado tem mecanismos para isso, estamos na era da informática em que podemos acessar com senha, de qualquer lugar do mundo”, alegou.

Para ele, os deputados e senadores devem receber crédito de confiança e serem responsabilizados caso vazem informações confidenciais para a imprensa. “Esse negócio de vazar, tem que ver quem vazou, tomar as providências e não impedir os trabalhos da CPI”, argumentou Bueno.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), indicada pelo bloco de apoio ao governo no Senado para integrar a comissão de inquérito, acha que o presidente Vital do Rêgo está certo. Na opinião dela, o Congresso Nacional assumiu um compromisso com o Supremo Tribunal Federal e precisa arcar com essa responsabilidade. “Desde o primeiro dia isso está sendo previsto. O senador Vital do Rêgo leu o ofício encaminhado pelo presidente do Supremo e ficou claro que o processo corre em segredo de Justiça. Não dá para o senador receber uma deliberação como essa e simplesmente ignorar, como querem alguns”, disse.

Para ela, é possível que a decisão seja revista se os parlamentares apontarem outra solução para evitar que pessoas não autorizadas tenham acesso aos documentos. No entanto, a senadora acredita que os membros da CPMI terão antes que tentar se adaptar às condições de segurança. “Claro que dificulta um pouco [o trabalho], mas paciência. Vamos ver se é possível superar isso. As bancadas vão trabalhar como partidos, como aliados, para superar isso. Vamos primeiro experimentar o método para depois propor outra coisa”, acrescentou a senadora.

O esquema especial de segurança dos inquéritos que irão embasar a CPMI do Cachoeira prevê que os parlamentares terão que acessar os documentos por computadores que estarão em três cabines, em uma sala do Senado. Eles terão que entrar nas cabines sem assessores e sem aparelhos eletrônicos e fazer todas as anotações com papel e caneta. A sala será monitorada por uma câmera, e um policial do Senado ficará na porta pelo lado de fora. As precauções visam a evitar novos vazamentos de áudios, vídeos e textos dos inquéritos da PF.

O empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está preso sob suspeita de envolvimento com jogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo políticos e administradores públicos, principalmente no estado de Goiás. Cachoeira também é apontado como um sócio oculto da construtora Delta, que tem contratos de obras do governo federal e de diversos estados. A CPMI do Cachoeira conta com 32 membros titulares, entre deputados e senadores.

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2012/05/05/integrantes-da-cpmi-do-cac...

 

da Caros Amigos

 

Escrachos no RJ e SP cobram justiça para vítimas da ditadura

PDFImprimirE-mail

Manifestações ocorreram no DOPS e DOI-Codi, locais de prisões e torturas

Da Redação

EscracheRJ-i2Atos de escracho a torturadores da ditadura civil-militar cobraram na quinta-feira (3/5), no Rio de Janeiro e em São Paulo, apuração dos crimes de tortura e assassinato, além de pedirem a revisão da Lei de Anistia.

Em São Paulo, a manifestação reuniu militantes pelos direitos humanos e parentes de vítimas da ditadura (veja vídeo abaixo). A manifestação ocorreu em frente à antiga sede do DOI-Codi, conhecido local de prisões arbitrárias e torturas.

Rio

No Rio de Janeiro, a manifestação em frente ao DOPS, onde hoje funciona o Museu da Polícia Civil, reuniu cerca de 150 jovens, além de ex-perseguidos políticos e familiares de mortos e desaparecidos. Os manifestantes também cobraram a imediata instalação da Comissão da Verdade pelo governo Dilma.

“A grande participação de jovens nesse ato nos dá a certeza de que a luta de quem se EscracheRJ-i3levantou contra a ditadura no Brasil não será apagada, e que não viveremos mais tempos como aqueles”, afirmou Carol Dias, do Levante Popular da Juventude, uma das organizações presentes no ato.

Os manifestantes fizeram encenações teatrais de torturas e colaram cartazes com nomes de torturadores e vítimas. O escracho carioca foi uma iniciativa do Coletivo RJ Pela Memória, Verdade e Justiça; Comitê pela Justiça, Verdade e Memória de Niterói; Consulta Popular; DCE Unirio; Frente Pela Memória, Verdade e Justiça; Levante Popular da Juventude; PCB; PCdoB; Rede Democrática; União Estadual dos Estudantes e União da Juventude Socialista.

Confira no vídeo abaixo como foi o escracho em São Paulo.

 

 

Do iG.


 

Descaso e imprudência nas obras de SP colocam em risco vida de pedestresPaulistanos e visitantes precisam desviar de buracos, operários, máquinas e até mesmo das calçadas para andar com segurança por ruas da capital

Carolina Garcia, iG São Paulo | 05/05/2012 08:00:12

A rotina do pedestre paulistano tem se tornado mais difícil nos últimos meses. Além de lidar com calçadas irregulares e buracos, surge um novo obstáculo diante das obras e intervenções – muitas vezes realizadas simultaneamente em ruas e avenidas – que dificultam e colocam em risco a passagem. O iG visitou vias das regiões norte, oeste e sul de São Paulo e encontrou obras que inviabilizam uma passagem segura e confortável.


Foto: Carolina GarciaPonto de ônibus na avenida Faria Lima, altura do Museu da Casa Brasileira, na zona sul

O cenário mais problemático e desigual foi verificado na avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul da capital. Ao caminhar entre o trecho da av. Eusébio Matoso e a rua Campo Verde, o pedestre irá encontrar a calçada classificada como a melhor do País, segundo relatório da campanha “Calçadas do Brasil”, divulgado na semana passada . Porém, já no próximo quarteirão, na rua Gabriel Monteiro da Silva, a calçada plana e espaçosa é logo substituída por um canteiro de obras com pedregulhos e tapumes distorcidos.

O desconforto e presença das armadilhas – como buracos sem total proteção, desnível do solo e passarelas improvisadas – são constantes e podem ser um problema para o pedestre desatento. Karen Tavori, de 27 anos, trabalha há um mês como secretária-executiva e se considera uma malabarista em suas caminhadas pela Faria Lima. “Cada dia provo um tipo de salto para caminhar aqui. Evito os tapumes, eles são mais instáveis que as pedras”, diz a jovem.

O risco só aumenta quando os pedestres desistem de caminhar pelas passarelas e pelas calçadas ainda não concluídas. A reportagem flagrou, por exemplo, uma gestante optando por caminhar com um carrinho de bebê pela rua, na faixa utilizada por ônibus e carros (veja a galeria de fotos). “Acho errado abrir a avenida toda de uma vez, é muito transtorno. Com chuva, isso aqui vira um caos com toda a lama e sujeira. Por isso, a gente acaba passando alguns riscos”, explica a mulher que não quis ser identificada.

Com as obras na região, paradas de ônibus foram deslocadas e houve estreitamento de calçadas. Idelina Assunção, de 69 anos, caminhava pela primeira vez na avenida e se surpreendeu com as atuais condições. “Está muito ruim, quase derrapei e só consegui pensar: ‘Deus me ajude’. Não critico as obras, mas sim como são executadas. Parecem que esquecem os idosos e pessoas que trabalham aqui.”

    Conselheiro Pereira Pinto: via desapareceu após abertura do buraco para passagem da rede elétrica e telecomunicações. Foto: Carolina Garcia1/13 

Obras ‘intermináveis’

O bairro de Pinheiros, na zona oeste, também tem sido alvo de intervenções há pelo menos dois meses, dizem moradores e comerciantes. Segundo eles, além das obras “intermináveis” do acesso à Estação Pinheiros do Metrô e da revitalização do largo da Batata, o bairro tem sido “retalhado” por empresas de telecomunicações e energia elétrica.

Comerciantes sentem uma redução expressiva dos clientes já que eles evitam caminhar por áreas com barro e lidar com o pó que as obras produzem. O proprietário do restaurante D’Gosto, Antônio dos Santos, de 54 anos, diz que a falta de informação tem irritado os comerciantes. “Um dia eu cheguei e tinha uma cratera na porta do meu restaurante. Além da sujeira, tinha o perigo de alguém cair ali. Só tinha uma faixa amarela sinalizando o buraco.” Segundo Santos, depois de muito reclamar com os trabalhadores, tapumes e redes foram colocados para interditar o local. “Minha fachada quase sumiu e a calçada tem um espaço mínimo agora, mas pelo menos ninguém corre perigo.”

Na mesma quadra, a rua Gilberto Sabino já registrava a presença de tratores e operários devido as obras do Metrô. Porém, na última semana, a transversal Conselheiro Pereira Pinto desapareceu dentro de um imenso buraco. Quando a reportagem chegou ao local, no início da tarde de sexta-feira (4), não havia sinalização e pedestres estavam perdidos pedindo orientações aos próprios operários. “Parece que estou trabalhando na obra. Desvio dos tratores, disputo espaço com funcionários e ainda tenho de ter cuidado para não cair nesse buraco enorme”, diz o auxiliar de administração Tiago Martins, de 25 anos.

Descaso

Em algumas regiões de São Paulo, o transtorno não acaba quando as concessionárias finalizam a intervenção. O iG encontrou casos de buracos que foram ‘esquecidos’ pelas empresas e, ao acionar a prefeitura, os moradores são obrigados a esperar o prazo mínimo de 20 dias úteis. Esse cenário foi encontrado no bairro Jardins, zona sul, e região da Freguesia do Ó, na zona norte.

Segundo a empresária Heleni Karala, de 68 anos, no cruzamento das ruas Honduras e Chiaferelli, na região sul, o asfalto está cedendo há três meses. “Cada dia está maior e foram os moradores que providenciaram um cone para sinalizar o buraco. A prefeitura disse que precisaria verificar de qual empresa era a obra e até hoje não tive retorno”. Na última semana, Heleni conta que um motoqueiro chegou a se acidentar no local. “Pagamos um IPTU de pelo menos R$ 1 mil e ainda temos que zelar pelas condições das nossas ruas já que a poder público não consegue.”

Ramón Florentino, de 52 anos, tinha um buraco ‘abandonado’ pela Sabesp em frente à sua casa, na rua Cachoeira Alegre, há pelo menos dois meses, segundo ele. “Expliquei o problema durante o atendimento por telefone e me colocaram na espera por 25 minutos. Achei um absurdo”. Florentino decidiu então que a medida mais rápida seria ele mesmo arrumar o “trabalho mal feito” pela concessionária. “Não ficou perfeito, mas fiz por mim e pela vizinhança.”

Outro lado

Procurada pela reportagem, a AES Eletropaulo informou que atua na região da av. Faria Lima, entre a av. Cidade Jardim e largo da Batata, em obras de conversão da rede aérea para a rede subterrânea. “As obras contemplam o enterramento de 1,35 km da rede e devem ser concluídas este ano", disse em nota. A empresa não quis comentar as possíveis falhas de segurança.

Já a Sabesp informou que executa também na região da Faria Lima a terceira etapa do projeto de despoluição do rio Tietê. A tubulação para a coleta de esgotos está sendo ampliada e a previsão de conclusão é o fim de 2013. “A obra é feita em pequenos trechos com o objetivo de causar a mínima interferência no dia a dia da população”, afirmou a assessoria da companhia.

A Prefeitura de São Paulo foi procurada para se pronunciar sobre a fiscalização e a quantidade de obras em andamento na capital. A Coordenação de Subprefeituras e a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), no entanto, não possuíam um balanço sobre as obras ou buracos presentes na capital.

Segundo a assessoria da Siurb, a quantidade de alvarás ou Termo de Permissão de Uso do Subsolo (TPU) aprovada pela prefeitura para as concessionárias não condiz com o número de obras em andamento já que “cabe a cada empresa decidir quando deverá iniciar uma intervenção”. Elas poderiam atuar dentro do prazo de vencimento do documento, que pode variar de dias ou até anos.

 

 

zanuja

Um em cada cinco homens se recusa a fazer exame para diagnóstico de câncer de próstata


Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Maior serviço público de urologia do estado de São Paulo, o Centro de Referência em Saúde do Homem atendeu 15 mil pacientes para consultas de oncologia e patologias da próstata em 2011. Desse total, 20% se recusaram a passar pelo exame retal para diagnóstico do câncer de próstata.

O coordenador do centro de urologia, Cláudio Murta, alerta que certos tumores só são detectados por meio do exame do toque, como é popularmente conhecido. Para ele, o percentual de homens que deixam de se submeter ao procedimento “é alto e preocupante”. “A gente sabe que o câncer de próstata é o mais comum que afeta os homens”, lembrou.

“Existe uma questão cultural de os homens acharem que, ao fazer o toque retal da próstata, vão perder a masculinidade”, acrescentou Murta sobre as razões que levam os pacientes a evitar o exame. Há ainda, segundo o médico, outros fatores, também culturais, que fazem com que o homem não cuide da saúde. “Tem uma questão também do homem, por ser o provedor da casa e não querer faltar ao trabalho para ir ao médico”, ressaltou.

Essas resistências vêm, entretanto, sendo vencidas ao longo do tempo, de acordo com Murta. “O que a gente percebe na prática clínica é que nos últimos dez, 15 anos, vem caindo gradativamente o número de homens que se recusam a fazer o exame. E isso se reflete nos números de diagnóstico precoce de câncer de próstata”, destacou o especialista.

A identificação da doença nos estágios inciais facilita o tratamento e o torna menos invasivo. A partir dos 45 anos, todos os homens devem fazer um check up anual. “Podemos afirmar que os homens estão mais conscientes e, por influência da esposa e dos filhos, buscam mais ajuda médica. Mesmo assim, eles ainda vivem menos do que as mulheres” diz Murta, ao alertar que o público masculino precisa dar mais atenção à saúde.

 

Edição: Juliana Andrade

 

zanuja

do Fazendo Media

 

O RIO VAI REUNIR A MÍDIA LIVRE, POR UMA OUTRA COMUNICAÇÃO. PARTICIPE!Por Redação, 03.05.2012

 

 

 

 

Centenas de representantes das mídias livres estão se preparando para ir ao Rio de Janeiro, em junho de 2012, para ajudar a fazer a Cúpula dos Povos da Rio+20, evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. Trabalharão para difundir a voz dos povos reunidos na Cúpula, que em vez de falar em manejo do meio ambiente pelo poder econômico, falarão em caminhos para a justiça ambiental e social.  Essas mídias terão uma agenda própria dentro da Cúpula, onde se encontrarão para realizar o II Fórum Mundial de Mídia Livre, além de cobrir as atividades e os temas da Rio+20.

O que são as mídias livres?
Comprometidas com a luta pelo conhecimento livre e por alternativas aos modelos de comunicação monopolizados ou controlados pelo poder econômico, as mídias livres são aquelas que servem às comunidades, às lutas sociais, à cultura e à diversidade. Praticam licenças favoráveis ao uso coletivo e não são negócios de corporações. Compartilham e defendem o bem comum e a liberdade de expressão para todo mundo e não apenas para as empresas que dominam o setor.  Entendem a comunicação como um direito humano e, por isso, querem mudar a comunicação no mundo.

Quem é a mídia livre?
São sites ativistas e publicações populares, rádios e tvs comunitárias, pontos de cultura (no Brasil) e muitos coletivos atuantes nas redes sociais. Também são as agências, revistas e emissoras alternativas, sem finalidade de lucro, especializadas ou voltadas a trabalhar com as pautas propostas pelos movimentos sociais, sindicais, acadêmicos ou culturais. Dentro ou fora desses espaços, também são mídia livre as pessoas – jornalistas, comunicadoras(es) e educomunicadoras(es), blogueiras(os), fazedoras(es) de vídeo, oficineiras(os) e desenvolvedores(as) de tecnologias livres que hoje constituem um movimento crescente pelo direito à comunicação.

O II Fórum Mundial de Mídia Livre
Depois de três fóruns no Brasil (Rio de Janeiro 2008, Vitória 2009 e Porto Alegre 2012), dois encontros preparatórios no Norte da África (Marrakesh 2011 e Tunis 2012), uma edição mundial (Belém 2009) e uma Assembléia de Convergência no Fórum Social Mundial (Dacar,2011),  a mídia livre vai aos poucos construindo suas agendas, regionais e globais, que terão um avanço importante no Rio de Janeiro, com a segunda edição mundial.

O II Fórum Mundial de Mídia Livre se organizará  através de painéis, desconferências (debates livres), oficinas e plenárias previstos para o Rio de Janeiro. Os formatos estão abertos. Participe!

As atividades serão inscritas e organizadas pelos próprios coletivos e organizações interessadas em promovê-las, dentro de um programa construído coletivamente e orientado por eixos que apontam para a relação entres as mídias livres e o direito à comunicação, as políticas públicas, a apropriação tecnológica e os movimentos sociais.

A agenda global está em processo de construção.

1. O direito à comunicação
O direito à comunicação precisa ser garantido e respeitado como um direito humano, mas é constantemente ameaçado ou mesmo negado em muitos lugares do mundo, com emprego de extrema violência. Um dos aspectos desse direito é a liberdade de expressão, hoje assegurada somente para as empresas que controlam grandes cadeias de comunicação e entretenimento, que não querem a sociedade participando da gestão do sistema, e para governos que ainda temem a comunicação livre como ameaça à segurança do país ou à sustentação do poder. O direito a comunicação deve ser conquistado em um sentido integral, para além do acesso à informação manipulada pelo mercado ou grandes poderes, englobando acesso e uso dos meios, democratização da infra-estrutura e produção de conteúdos, e expressão da diversidade artística e cultural e pleno acesso ao conhecimento.

O Fórum Mundial de Mídia Livre terá pautas e debates sobre o direito à comunicação em diferentes contextos,  como a África e o México, por exemplo, onde a violência contra jornalistas e comunicadores(as) tem sido pauta prioritária dos movimentos de comunicação.

2. Políticas públicas
A Lei de Medios da Argentina repercutiu com força em processos regionais e preparatórios do FMML, como em Porto Alegre e em Marrakesh, com testemunhos de ativistas e pesquisadores de comunicação daquele país, e deve novamente ser um dos assuntos do II FMML, seja por ter oferecido um modelo de legislação mais democrática que pode inspirar outros países, seja pela forte reação contrária que provocou nas grandes corporaçães do setor da comunicação. Mas não será o único caso de regulação e políticas públicas de interesse das mídias livres.

Ao ser realizado no Brasil, o II FMML deve jogar peso das agendas das mídias livres para a comunicação no país, o que significa que o governo precisa encaminhar as propostas da sociedade civil brasileira para um novo marco regulatório das comunicações, democratizando o setor; que as rádios comunitárias devem ter atendidas sua pauta de reivindicações, com anistia aos radialistas presos e condenados, e que o Congresso precisa votar e aprovar o Marco Civil da Internet, que pode ser modelo para assegurar a neutralidade da rede.  A mídia livre deve jogar peso também na retomada das políticas da área cultural que
tinham os pontos de cultura, as tecnologias livres as filosofias “commons”como carro chefe e hoje estão em claro retrocesso.

Leis, regulações e o papel do Estado na promoção do direito à comunicação já são parte dos debates das mídias livres em diferentes países e devem  movimentar a agenda do II FMML.

3. Apropriação tecnológica
Se antes eram os meios alternativos que buscavam formas colaborativas e compartilhadas de produzir comunicação, hoje são as grandes corporações que dominam o setor e atraem milhões de pessoas para as suas redes sociais. No entanto, o ciclo de expansão dessas redes também tem sido uma fase de coleta, armazenamento e transformação de dados pessoais em subsídios para estratégias de mercado e comportamento, além da padronização do uso da rede em formatos pré-ordenados e possibilidade de supressão de páginas ou ferramentas de acordo com os interesses corporativos.  Soma-se a este controle a movimentação da indústria do direito autoral e das empresas de telecomunicação para aprovar leis que permitam associar vigilância à punição arbitrária de usuários, em favor dos negócios baseados na exploração e uso da rede.

As liberdades e a diversidade da internet dependem da liberdade de acesso, proteção de dados pessoais, abertura de códigos, apropriação de conhecimentos e construção de conexões alternativas, de autogestão das próprias redes. Estes serão debates marcantes do II FMML, mobilizando desenvolvedores e ativistas do software livre, defensores da neutralidade da rede, educomunicadores e oficineiros e movimentos interessados em democratizar o acesso à tecnologia, universalizar a banda larga,  e assegurar a apropriação dos recursos de comunicação, sejam ferramentas de edição de vídeos, transmissão de dados pela rede, seja a própria radiodifusão comunitária.

Desenvolvedores, coletivos e comunidades adeptas das redes livres, abertas e geridas fora dos interesses do mercado, se encontrarão neste eixo para debater um PROTOCOLO para as redes livres, capaz de facilitar sua interconexão sem destruir sua diversidade.

4. Movimentos sociais
As mídias livres e o exercício da comunicação em rede tem sido fundamentais para facilitar a articulação e dar a devida visibilidade às mobilizações de rua desde a primavera árabe, enfrentando regimes ao Norte da Africa, a ditadura das finanças na Europa, e o próprio sistema capitalista nos Estados e nas ocupações que também ocorrem no Brasil e países da América Latina.

Além dos chamados ativismos globais, os movimentos sociais tem assumido que a comunicação é estratégica para fortalecer suas lutas, impondo a crítica cotidiana da grande mídia e o uso de meios alternativos para falar à sociedade e defender-se da criminalização. Cada vez mais fica claro que o direito de expressar essas vozes contestadoras da população exige o engajamento dos movimentos sociais no movimento por uma outra comunicação.

Este debate, no II FMML, concretiza o fato de que as mídias livres são, de um lado, a comunicação que se ocupa das lutas sociais e, de outro, os movimentos sociais que lutam também pela comunicação.

O II FMML, o FSM e a Cúpula dos Povos
O Fórum de Mídia Livre, em seus processos regionais ou internacionais, se insere no processo do Fórum Social Mundial, adotando sua Carta de Princípios e contribuindo com subsídios e práticas para a construção de suas políticas de comunicação.

Na Cúpula dos Povos, as mídias livres utilizarão o conceito de Comunicação Compartilhada, construído no percurso histórico do Fórum Social Mundial, e fundado na idéia de que recursos, espaços e atividades podem ser compartilhados para ações midiáticas comuns de interesse das lutas sociais.

Na Cúpula dos Povos, as mídias livres contribuirão com propostas e debates para fortalecer a agenda dos Bens Comuns, onde comunicação e cultura são grandes bens da humanidade, indissociáveis da Justiça Ambiental e Social, e para inserir o direito e a defesa da comunicação nos documentos, agendas e propostas dos povos representados por seus movimentos sociais no Rio de Janeiro.

***

II Fórum de Mídia Livre
Quando
: 16 e 17 de junho de 2012
Onde: Rio de Janeiro, RJ – Brasil, no contexto da Cúpula dos Povos na Rio+20
Locais das atividades: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, campus da Praia Vermelha), com a programação central, debates, oficinas e plenária

Cúpula dos Povos: 15 a 23 de junho
Aterro do Flamengo: coberturas compartilhadas, Laboratório de Comunicação Compartilhada, Fóruns de Radio e
TV, oficinas, Assembleia de Convergência sobre Mercantilização da Vida e Bens Comuns.

Sites

http://medias-libres.rio20.net
www.forumdemidialivre.org
www.freemediaforum.org

(*) Divulgação do Fórum Mundial de Mídia Livre

 

Do uol.

 

Roberto Gurgel, o procurador-geral da República, decidiu pedir ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que abra inquérito para investigar também o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB). Há dez dias, ele já havia informado que iria requerer a instauração de processo contra o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT).

Ambos foram mencionados no inquérito da Operação Monte Carlo, que investiga as atividades ilegais de Carlinhos Cachoeira. Deseja-se saber agora se houve envolvimento dos governadores com os negócios ilícitos da quadrilha do pós-bicheiro.

Depois que Gurgel anunciou a decisão de acionar Agnelo, Marconi antecipou-se. Por meio do advogado Antonio Carlos de Almeida ‘Kakay’ Castro, o governador tucano pediu ao procurador-geral que abrisse inquérito contra ele no STJ. Será atendido.

Ouvido pelo blog, Kakay disse não ter sido comunicado sobre a novidade. Mas reagiu com naturalidade: “O governador Marconi pediu para ser investigado. É normal e até desejável que o procurador-geral adote essa providência. É a obrigação dele.”

De acordo com o que apurou o blog, Gurgel decidiu ainda realizar uma análise preliminar dos negócios do governo do Rio, chefiado por sérgio Cabral, com a Delta Construções, sob investigação no Cachoeiragate.  A procuradoria requisitou os contratos. Serão submetidos a um pente-fino.

Cabral não foi citado nos inquéritos do caso Cachoeira. Mas sua amizade com o dono da Delta, Fernando Cavendish, antes apenas insinuada, foi exposta em vídeos e fotos que ganharam o noticiário. Daí a intenção de verificar se o relacionamento pessoal afetou os contratos.

Pela Constituição, governadores e congressistas dispõem de foro privilegiado. São processadas e julgados em tribunais distintos: os executivos estaduais no STJ, os deputados e os senadores no STF.

Confirmando-se o pedido de abertura de inquéritos contra Marconi e Agnelo, serão cinco os políticos levados à grelha do Judiciário por conta das suspeitas de relacionamento impróprio com Cachoeira.

Já correm no Supremo inquéritos contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e três deputados: Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ). O realator de todos eles é o ministro Ricardo Lewandowski.

 

zanuja

Da Agência Brasil.

 

Comissão do Trabalho da Câmara quer tratamento igual para operários de grandes hidrelétricas05/05/2012 - 11h23

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Depois de uma visita ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte em Altamira (PA), o presidente da Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, Sebastião Bala Rocha (PDT-AP) vai defender tratamento igualitário aos trabalhadores das três maiores hidrelétricas que estão sendo construídas no país atualmente: Belo Monte, no Rio Xingu, Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (PA).

As principais reivindicações dos operários de Belo Monte, que ficaram em greve por dez dias, são o aumento do vale-refeição de R$ 95 para R$ 300 e a redução do intervalo entre as baixadas - as folgas que os trabalhadores têm para visitar suas famílias nos estados de origem - de 180 para 90 dias. Nas usinas Santo Antônio e Jirau, o intervalo entre as visitas é 90 dias e a cesta básica, que consiste em crédito para compras em mercados, é R$ 270.

“O consórcio precisa negociar com os trabalhadores porque não é adequado dar tratamento diferenciado; embora sejam consórcios diferentes, são empreendimentos da mesma natureza”, argumentou o deputado. Segundo ele, não pode haver distorções tão grandes, até porque muitos trabalhadores migram de uma obra para outra.

Nos próximos dias, os parlamentares pretendem levar essas questões para discussão com os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e do Trabalho, Brizola Neto. “O Poder Público tem que estar como conciliador, como intermediador dessas negociações para buscar o tratamento igualitário em todos os empreendimentos", acrescentou.

Na última quinta-feira (3), um grupo de deputados da comissão esteve em Altamira para verificar as condições de trabalho dos empregados de Belo Monte. Segundo Bala Rocha, o Consórcio Construtor de Belo Monte vem investindo na melhoria dos alojamentos dos trabalhadores, dos restaurantes e das salas de entretenimento.

Edição: Graça Adjuto

 

zanuja

do Vermelho.org

 

5 DE MAIO DE 2012 - 19H40 

Comunistas celebram na Rússia centenário do Pravda

 

O líder do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) Guenadin Ziuganov, presidiu neste sábado (05) a solenidade político-cultural pelo centenário do jornal Pravda, no Palácio dos Sovietes.


Ziuganov salientou o papel desse jornal, fundado por Vladimir Ilich Lênin em 05 de maio de 1912. Em sua fase inicial o jornal era financiado pelas contribuições dos trabalhadores, e sobreviveu a várias lutas antes de se tornar órgão oficial do Partido Comunista, após a Revolução de Outubro. 

O secretário-geral do PCFR disse que o jornal, fundado em São Petersburgo sempre abriu espaço para debates. O Pravda sempre esteve ligado aos acontecimentos de nossa nação e personalidades importantes nele publicaram artigos, incluindo Yevgeny Primakov, que era Ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro e deu-lhe o seu próprio estilo, reconheceu em uma saudação o presidente russo, Dmitri Medvedev. 

Em suas páginas havia espaço para discussão de temas de relações internacionais, lembra em sua carta o estadista. Por sua parte, o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, também enviou uma mensagem de congratulações na qual recordou que o Pravda plasmou os momentos relevantes da história da Rússia e ganhou a reputação como um dos mais importantes jornais. 

Como parte da comemoração dos 100 anos do órgão oficial do PCFR, foi colocada uma oferenda floral no túmulo do Soldado Desconhecido e, em seguida, uma delegação de veículos de imprensa de partidos comunistas de 50 países visitaram os escritórios e a redação do jornal . 

A delegação é composta por representantes da Hungria, Brasil, Portugal, Cuba, Chile, Índia, Chipre, Bulgária, República da Coreia, o Uzbequistão, Laos e Vietnã, entre outros. 

O coral de música e dança do Ministério do Interior animou a noite cultural, durante a qual as mensagens de congratulações foram lidas a partir de diferentes partidos comunistas do mundo. Para o domingo, estão programadas mesas redondas sobre a imprensa partidária comunista e a luta dos comunistas nas condições atuais como parte das comemorações do referido centenário. 

Prensa Latina

 

da Caros Amigos

 

Diretora cria laboratório teatral como estratégia afirmativa

PDFImprimirE-mail

Claudia Simone fala da experiência do Laboratório Anastácia no Rio de Janeiro

Por Simone Ricco
Da Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada

Envolvidos pela alvorada deste mês de abril, protegido pelo guerreiro Jorge, damos visibilidade à experiência de Claudia Simone, mulher, afrodescendente, atriz e diretora que se mostra também uma guerreira ao lidar com as opressões que a sociedade brasileira exerce sobre pessoas com semelhante perfil.

Antes de fixar residência na França, a atriz Claudia Simone Santos Oliveira faz um apanhado das experiências vividas em duas décadas de uma carreira marcada por ações culturais e identitárias que encorajam a multiplicação de protagonismos femininos negros em diferentes áreas de atuação.

Nesta entrevista à Ciranda Afro, ela compartilha vivências como Curinga do Centro de Teatro do Oprimido/RJ, reflete sobre o racismo e fala da construção do Laboratório Anastácia, iniciativa teatral elaborada para trabalhar as opressões que pesam sobre afro-brasileiros, dentro e fora dos palcos.

TeatroLabAnastClaudiaSimone-i1. Como você chegou ao Teatro do Oprimido?

O Teatro do Oprimido apareceu na minha historia de vida quando buscava incessantemente fazer uma arte que fosse questionadora, que buscasse gerar transformações sociais, que não servisse somente ao entretenimento. Um Teatro onde o espaço que eu fosse ocupar estava para além dos papéis convencionais destinados aos afrodescendentes, um teatro que fortalecesse os movimentos sociais de denúncia das condições dos negros no Brasil em todas as áreas. Um teatro que me possibilitasse fazer Teatro, já que esta arte em nossa sociedade capitalista é privilegio de alguns, e não direito de todos.

2- O encontro com a estética do oprimido influenciou sua descoberta da negritude e construção de uma identidade afro-brasileira?

Completamente. A estética do Oprimido me impulsionou a criar minha própria música, a falar dos meus próprios problemas, a me ver diante do espelho, a arrancar as máscaras e camadas que eu havia assumido durante a vida vivida em uma sociedade que valoriza o modelo branco europeu. Foi um longo caminho estético que percorri, e ainda percorro, para encarar a carga histórica e cultural que carrego em meu corpo e em meus traços. Minha negritude cobriu meus pincéis, coloriu meus textos, soltou minha voz, ativou minha criatividade, me fez buscar iguais, encontrar forças para seguir na luta contra a discriminação e o Racismo. Hoje continuo na construção de minha identidade afro-brasileira. Faço-me diariamente perguntas como: o que é ser NEGRA NO BRASIL? O que é SER NEGRO na Atualidade? Em que aspectos avançamos quando falamos de igualdade étnica? Quais os nossos principais campos de Luta e resistência?

3- Quais respostas você obtém ao fazer tais perguntas? Qual a sua reflexão sobre ser mulher, afrodescendente e atriz na sociedade brasileira?

Quando penso em mulheres afrodescendentes e atrizes, minhas reflexões recaem sobre a cruel tentativa de visibilizar talentos, estrelas negras, como nossa querida Ruth de Souza e tantas outras. Penso na quantidade de mulheres afrodescendentes que são extremamente brilhantes no palco com Débora Almeida, de Sete Ventos, que com muita garra ocupa seu espaço no cenário artístico Brasileiro. Fortaleço-me na atuação, dentro de fora do palco, de Iléa Ferraz que em todo o seu trabalho resgata a força de nossa ancestralidade e nutre a nova geração de imagens positivas sobre a mulher negra em holofotes que as visibilizam. Parto para luta com Barbara Santos, Curinga Internacional, que por intermédio do Teatro do Oprimido me vez rever minha identidade afrodescendente, questionar -me todos os dias sobre qual é o meu lugar na sociedade, ativar minha necessidade de atuar diretamente no combate ao racismo e à discriminação.

4- Quais aspectos observados em sua trajetória fizeram pensar na criação do Laboratório Anastácia?

O Laboratório Anastácia surgiu como resposta às varias situações de racismo que eu vivenciei, através do olhar do outro, nas relações étnicas que eu travava, pela afirmação ou negação de minha identidade afrodescendente, pela compreensão da existência do racismo e das desigualdades raciais. Meu desejo e necessidade de ser atriz surgiram desde menina, estar nos palcos e vivenciar diferentes personagens, para mim era vital. Por isso muito cedo ouvi a voz cruel da discriminação: “Você quer ser atriz? Para quê? Representar o papel de escrava, empregada doméstica ou mucama de alguém... (risos de deboche) Em seguida: “De qualquer forma não existe princesa negra”. Esse comentário somou-se a tantos outros que apontavam na mesma direção: a cor da minha pele e o crespo de meus cabelos eram determinantes para a carreira de atriz que pretendia seguir. Na verdade crucial para mim enquanto ser humano.

De fato, esse foi um primeiro espelho de mim mesma, contudo algumas vivências que destaco agora foram o estopim para a criação do Laboratório Anastácia. Quando tinha meus 19 anos, estava deslumbrada por descobrir a história de luta do provo negro, dos movimentos contra o racismo, de resistência. Resolvi procurar o movimento negro em minha cidade (Volta Redonda), pois queria ser militante, me engajar, estar com parceiros, conhecer iguais.

Bati na porta da associação Palmares, a única da cidade. Uma mulher negra de olhos bem grandes e voz seca me atendeu, olhou-me de cima abaixo, com ares de poucos amigos, e perguntou: “o que você faz aqui?” Respondi, ainda com um sorriso nos lábios: “eu quero saber como faço para fazer parte do Palmares, do movimento negro e me engajar na luta contra o racismo”. Ela olhou-me de forma fulminante e disse do alto de sua sabedoria de militante: “Você? Você não é negra, não passa de uma parda sem cor, sem identidade”. Ela seguiu falando e eu já não ouvia mais.

Sentindo-me tão nada, tão pequena, sem chão, esperei que ela falasse todas aquelas coisas que eu nem entendia mais, e saí. Segui por um bom tempo guardando as lágrimas e fragmentando minha identidade negra. Essa experiência deixou marcas profundas, calou-me a boca. Não consegui mais falar sobre qualquer tema ligado a afrodescendência, fugia, me esgueirava; o nó na garganta estava forte e bem atado. Isso durante muitos anos de minha vida. Coloquei-me cega para questões raciais, cheguei a sofrer calada muitas discriminações.

A vida seguiu, até que outro fato aconteceu em 2003, no Centro de Teatro do Oprimido do Rio de janeiro (CTO), instituição de pesquisa e difusão da metodologia criada por Augusto Boal. Eu não estava lá de visita, era Curinga do CTO, especialista do método que trabalhava diretamente com o seu criador. Neste espaço recebemos muitos estrangeiros, de diversos países. Um belo dia adentra a sala um grupo de americanos, uma das mulheres que lá estava e falava português me perguntou: posso falar com um Curinga? (olhando em torno para ver se via mais alguém). Respondi: sim, vamos sentar na sala de reunião. O grupo entrou, eu sentei, ela olhando para mim perguntou novamente: cadê o curinga? Ele ou ela já vem. Eu disse: muito prazer. Sou Cláudia Simone, Curinga do CTO. Ela respondeu espantada: nossa! Desculpe-me, pensei que você fosse a mulher da faxina”! Respondi: é, você se enganou. Naquele momento tudo veio à tona, não falava mais com aquela mulher, mas revia a mulher do movimento negro. O sangue ferveu-me nas veias, as palavras brotaram na boca e o nó em fim se rompeu. Não podia, não devia e não queria mais me calar diante de preconceitos e discriminação racial. Tinha que fazer algo através do Teatro do Oprimido, mas não sabia ainda o que. E as chibatadas não paravam.

Estudante da UNIRIO, universidade do Rio de janeiro, um dia em discussão em sala de aula sobre vagas na cadeiras oferecidas, uma jovem branca, de cabelos lisos, vira para mim e diz em alto e bom som: “ pessoas como você, não deveriam perder seu tempo com universidade, muito menos de Teatro, tirando a vaga dos outros. A gente sabe que vocês tem que trabalhar muito para viver e não conseguem terminar a faculdade. “Por isso, deveriam deixar a vaga para quem é de direito.” (apontava para os outros 30 que estavam na sala, todos brancos de cabelo liso). Nessa situação, esbravejei algumas palavras, umas com sentido, outras coléricas e outras sem sentido, mas nada que respondesse politicamente à ação racista que eu estava vivendo.

TeatroLaboratorioAnastacia-i2

5 – Então, criar o Laboratório é uma proposta artística para a devida resposta política ao racismo? Quando surgiu a iniciativa de ativar um espaço tão importante para a ação e reflexão dos afro-brasileiros?

Na época em que pensei em fazer algo concreto na luta antirracismos, o positivo é que já conseguia falar, já não me deixava mais atacar sem resposta. Tinha que fazer alguma coisa rapidamente. Estava me sentindo sozinha, fraca, atacada e inferior, então comecei a colecionar textos falando sobre discriminação racial, histórias sobre os grandes ícones negros, a ver todos os filmes possíveis que pudessem me fortalecer para não ser abatida; este movimento fez aflorar o meu pertencimento étnico.

Desde então, partilhei com Alessandro Conceição, Curinga do CTO, meu amigo e companheiro de trabalho, a ideia de um espaço artístico para reflexão das questões afrodescendentes. Havia aí um início de Anastácia. Seguia fazendo projetos que combatem a opressão com arte, mas não uma proposta direta para afrodescendentes. Em 2010 fui convidada a fazer um laboratório chamado Madalena, por Barbara Santos e Alessandra Vannucci. Essa experiência me levou ao encontro de minhas raízes, de minha ancestralidade, de minhas opressões e meus desejos futuros. Aqui surgiu Anastácia.

6- Já sabemos como surgiu o Laboratório, fale agora a estratégia de ação deste espaço que se mostra engajado com a matriz negro-africana a partir do nome Anastácia.

O laboratório Anastácia pretende ser um espaço para afrodescendentes que através do Teatro Oprimido querem percorrer um caminho de investigação e pesquisa, para refletir sobre o mito da democracia racial brasileira considerando a invisibilidade da população afrodescendente nos espaços socialmente valorizados. A partir de meios estéticos, visibilizar o não reconhecido, dar volume ao não dito, expressar o silenciado, e assim, buscar meios concretos de superar limitações e promover igualdade de oportunidades, refletindo profundamente as questões sócio-políticas ligadas à experiência da população negra dentro e fora do Brasil.

6- Caracterizada pelo racismo cordial, como a sociedade brasileira recebe o trabalho do Laboratório Anastácia e de atores afrodescendentes posicionados politicamente no combate ao racismo?

Mesmo depois da ideia concebida, dos primeiros passos dados, as situações discriminatórias continuam. Fui chamada para dar uma oficina na UNIRIO. A minha felicidade foi tamanha, voltar na universidade não mais como aluna, mas como especialista. Estava ministrando a oficina e pude reparar que havia uma pessoa que sempre retrucava tudo que eu dizia, era áspera nas respostas, questionando sempre meu lugar de autoridade naquele momento. No final da oficina, fiz uma avaliação como de costume. Essa pessoa resolveu me ELOGIAR. Seu elogio foi assim: “é muito bom estamos em um espaço público da universidade que busca socializar o conhecimento sobre nosso querido e amado mestre do Teatro Augusto Boal. É melhor ainda quando duas alunas, futuras mestras procuram parcerias fora da universidade que enriquece o trabalho, melhor sou ter uma MACACA velha, no caso eu, como alguém que pode compartilhar o seu conhecimento com a gente.”

Dessa vez não esbravejei, não disse palavras sem sentido, respirei fundo, esperei a palavra rodar na boca das pessoas, algumas reproduzindo o termo MACACA velha. Com toda paciência revolucionaria, desfiei todos os títulos que tenho, reforcei o meu lugar de especialista, denunciei em alto e bom som o Racismo sonorizado em cada palavra dita e afirmei que no meu caso, nem de brincadeira quero ser chamada de macaca, nem como elogio, que racismo é crime inafiançável e que não vou hesitar em denunciar. Aqui falou Anastácia.

7- O que vale ressaltar da experiência vivida durante as oficinas e apresentações de trabalho realizadas por participantes do Laboratório Anastácia? Como atores e público lidam com essas questões etnicorraciais negadas por tanto tempo na vida social brasileira?

Essas experiências trouxeram muitas inquietações e questionamentos para as atrizes e atores sobre a identidade afro-brasileira, seu lugar na sociedade, anseios por superar e combater a desigualdade racial aumentou a necessidade de um enfrentamento aberto e de forma estética do racismo em suas diferentes manifestações.

O público ainda estranha as expressões estéticas e identitárias dos negros, observa de forma curiosa e reservada a encenação de conflitos raciais, questiona e contra argumenta sobre os dilemas referentes ao processo de construção da identidade negra. Podemos observar um pouco mais o impacto desse diálogo durante a apresentação do nosso primeiro espetáculo de Teatro - Fórum “A Cor do Brasil”, onde abordamos a Ancestralidade e formação da consciência Negra brasileira, investigamos as contradições entre o orgulho da mestiçagem brasileira, que traz na pele a cor e os traços dos povos que formaram a nação, e a ilusão histórica do branqueamento.

Neste espetáculo de Bárbara Santos, dirigido por mim, encenado a partir das técnicas do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, o público é convidado a intervir na ação dramática para encontrar alternativas concretas para as questões levantadas pelas personagens. Mais uma produção artística e inovadora do Centro de Teatro do Oprimido em cooperação com Kuringa-Berlim.

5- Em ano de Rio + 20 e tantas discussões em torno da sustentabilidade dos povos, o que os profissionais do teatro carioca levariam para a pauta da Conferência?

Essa é para mim uma pergunta bem difícil de responder. A Rio + 20 se propõe a denunciar as causas da crise socioambiental, apresentar soluções práticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo, dentre outras questões. Enquanto classe artística, e pensando na “sustentabilidade” de nossas atividades, creio que seria urgente e necessário rediscutir aspectos que criam os monopólios nos meios de produção artística, especialmente, repensar os modelos de editais para financiamentos de projetos, ocupação de teatros, circulação de espetáculos, oficinas artísticas e de formação de profissional.

Considerando que a Conferência está implicada com denúncias de acontecimentos que afetam a sociedade, seria interessante discutir aspectos que afetam a Cultura, tão importante para a sociedade, como por exemplo, a continuidade, manutenção e ampliação dos Pontos de Cultura dentro e fora do país. Enfim, aponto temas não aprofundados, que servem como sugestão para que a Conferência seja um local de busca de soluções práticas para fortalecer projetos culturais que beneficiam segmentos menos favorecidos da população e manifestações artísticas pouco valorizadas pela indústria cultural.

6- Encerre nosso papo fazendo circular na Ciranda Afro os projetos previstos para 2012, no CTO, no Laboratório Anastácia e em outras frentes teatrais criadas para combater a opressão com arte.

São muitas atividades propostas. Todas podem ser acessadas na página do Centro de Teatro do Oprimido (www.ctorio.org.br)

Para fortalecer as trocas com o Laboratório via rede social, criamos a páginahttps://www.facebook.com/#!/Laborat...

Destaco a proposta do Laboratório Anastácia de realizar , em 2012, apresentações do espetáculo Cor do Brasil. Estamos abertos a convites para mostrar esta montagem em que Creuza, Antônio, Sebastião e Benedito protagonizam a realidade de brasileiros que buscam entender sua identidade a partir da condição de afrodescendentes e encontrar alternativas para superação das limitações impostas por esta condição.

Além disso, convido todos e todas para o Laboratório Anastácia que acontecerá em julho de 2012 (CTO e Kuringa Berlim) e atenderá aos que desejam percorrer um caminho de investigação e pesquisa, tornando-se multiplicadores do teatro do oprimido, utilizando suas técnicas para refletir sobre o mito da democracia racial brasileira e para combater a histórica invisibilidade da população afrodescendente nos espaços socialmente valorizados.

 

Da agência BrasilMoradores de áreas de risco de oito estados do Nordeste aprendem como agir em caso de desastres05/05/2012 - 15h25

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Moradores de áreas de risco de oito estados do Nordeste participam hoje (5) de simulados para preparação para desastres. Segundo o Ministério da Integração Nacional, que promove a ação, o objetivo é capacitar a população para agir em períodos de chuvas que ocorrem a partir de junho, no litoral nordestino.

Os estados que participam da ação são Alagoas, a Bahia, Pernambuco, o Ceará, a Paraíba, Sergipe, o Piauí e o Maranhão. De acordo com diretor do Departamento de Minimização de Desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) do ministério, Rafael Schadeck, a ação visa a ensinar os moradores a agir da forma adequada em caso de enxurradas ou deslizamentos. “As pessoas são orientadas sobre como proceder, a partir do alerta de risco”, explicou.

Na simulação, os moradores são retirados das casas e direcionados pelas rotas de fuga até um ponto de encontro e, em seguida, vão para um abrigo, onde participam de palestras. Segundo Schadeck, esse treinamento ajuda não somente os moradores, mas também os órgãos locais que podem levar o planejamento da ação a outras localidades de risco.

Em situações de risco, os municípios emitem alerta, por exemplo, por meio de sirenes, e em alguns locais, por mensagens por celular.

Na comunidade Boa Vista, uma área de ocupação irregular às margens do Rio Cocó no Bairro Castelão, em Fortaleza, a simulação começa com uma moradora ligando para o 190 (Centro de Operações da Polícia). Ela informa que as casas da comunidade estão sendo invadidas pela água do rio. A Defesa Civil é acionada e desencadeia o processo de retirada da população. Agentes vão de casa em casa e guiam os moradores para um ponto seguro. No local, eles embarcar nas viaturas mobilizadas para a operação. Conduzidos ao abrigo (Centro de Referência de Assistência Social), no bairro próximo ao Castelão, eles recebem os primeiros atendimentos e toda a ajuda necessária.

Em Santo Amaro da Purificação, município com 65 mil habitantes no Recôncavo Baiano, por exemplo, o simulado focou as áreas de risco do bairro da Candolândia. Em 2011, o período de chuvas no primeiro e segundo semestres afetou mais de mil famílias, devido ao aumento do nível de água do Rio Subaé.

“Nos anos passados choveu muito e entrou muita água na minha casa. Este ano eu e meus seis filhos vamos participar do simulado pra saber o que precisamos fazer quando isso acontecer” contou Maria de Fátima da Conceição, 55 anos, que mora há dez anos na Candolândia.

Segundo o ministério, todos os simulados contaram com o apoio das coordenações estaduais e municipais de Defesa Civil, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, de guardas de trânsito, do Grupo de Apoio a Desastres, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Cruz Vermelha e dos núcleos comunitários de Defesa Civil.


Edição: Juliana Andrade // Título alterado para correção

 

zanuja

da Agência Brasil

 

Ministério Público cobra instalação de salas de depoimento para crianças no Rio05/05/2012 - 13h58

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro- A criação de salas especiais para que crianças e adolescentes possam prestar depoimentos como vítimas ou testemunhas foi defendida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ). Contrariando recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a medida ainda não foi implementada pelo Tribunal de Justiça do Estado.

O  tema foi debatido em seminário no MP-RJ e contou com a participação de representantes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Pioneiras nesse tipo de tomada de depoimento, as comarcas gaúchas contam com o maior número de salas de escutas para menores: 26. Financiadas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mais dez  serão inauguradas até julho.

As  declarações em  salas de escuta são dadas a um facilitador capacitado e transmitidas ao vivo durante as audiências. Têm como principal vantagem  evitar o contato das vítimas ou testemunhas com os acusados e assegurar uma abordagem menos agressiva, segundo um dos principais responsáveis pela adoção da medida no Rio Grande do Sul, o juiz José Antônio Daltoé

"A vítima passa a ser ouvida conforme sua idade, de acordo com o seu ritmo e com respeito ao tempo das declarações", explicou o juiz. Também evita o constrangimento de perguntas indiscretas de advogado para  vítima.

Representando a Escola de Magistratura do Rio, o juiz André Côrtes Vieira avaliou que no estado a criação das salas depende de "iniciativa política". Ele lembrou que quando a proposta foi apresentada, em 2004, sofreu críticas dos conselhos federais de Psicologia e de Serviço Social, que não autorizam que profissionais atuem como facilitadores .

A falta de previsão legal para a função de facilitador no Código Penal gera controvérsia no Judiciário. De acordo com o subprocurador-geral de Justiça do MP-RJ, Antonio José Campos Moreira, para contornar o problema, uma das alternativas é classificá-lo "por analogia", como "intérprete" , assim como é feito no caso de surdos ou de estrangeiros.

Defensor da criação das salas, Campos Moreira disse que o órgão faz "gestão política" para  que o Tribunal de Justiça no Rio adote a medida "em prazo razoável". "Sabemos que o Judiciário já se sensibilizou, agora é o momento de implantar", acrescentou.

Procurado pela Agência Brasil, o Tribunal de Justiça não comentou o tema.

Edição: Graça Adjuto

 

da Agência Brasil

 

Integrantes da CPMI do Cachoeira divergem sobre segurança para acesso a documentos sigilosos05/05/2012 - 11h52

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A criação de um esquema especial de segurança para que parlamentares tenham acesso aos inquéritos sigilosos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), provocou reações no Congresso. Para os governistas, é correta a decisão do presidente da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que irá investigar as denúncias feitas pela PF, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), de impedir o acesso de assessores e equipamentos eletrônicos à sala onde será feita a consulta.

“Concordo cem por cento com o presidente. Nós tivemos um compromisso de não vazar documentos e temos que honrar esse compromisso”, alegou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Para ele, a restrição ao acesso de assessores parlamentares e ao uso de internet nas cabines onde os inquéritos estarão disponíveis não irá atrapalhar o trabalho dos parlamentares. “Imagina se a gente puder fazer cópia de documentos? Aí passa para um, passa para outro, passa para assessor, que pode passar para alguém... Assim [com o esquema de segurança] fica mais fácil garantir o sigilo”, argumentou.

Mas a proibição de que os parlamentares sejam assessorados no momento em que fizerem pesquisas nas mais de 15 mil páginas dos inquéritos foi considerada “um despropósito” pelo líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). Na opinião dele, é uma falta de respeito com deputados e senadores, que serão tratados com desconfiança. “Acho um absurdo, uma afronta aos parlamentares. CPI existe para revelar, não para esconder. Eu sempre trabalhei com assessores confiáveis e nunca tivemos problema”, apontou Dias.

O oposicionista acredita que será impossível que os parlamentares façam sozinhos toda a pesquisa, sem sequer poder fazer cópias dos documentos. Para ele, as restrições impostas aos membros da CPMI podem servir de controle sobre o que será levantado nas investigações. “Nós vamos tentar mudar isso, é inviável”, concluiu o senador.

Na mesma linha, o oposicionista deputado Rubens Bueno (PPS-PR) acha que a forma encontrada para proteger o sigilo dos documentos é obsoleta. Na opinião dele, poderia ter sido criado um sistema de informações para que cada parlamentar tivesse acesso por meio de identificação pessoal. “O Senado tem mecanismos para isso, estamos na era da informática em que podemos acessar com senha, de qualquer lugar do mundo”, alegou.

Para ele, os deputados e senadores devem receber crédito de confiança e serem responsabilizados caso vazem informações confidenciais para a imprensa. “Esse negócio de vazar, tem que ver quem vazou, tomar as providências e não impedir os trabalhos da CPI”, argumentou Bueno.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), indicada pelo bloco de apoio ao governo no Senado para integrar a comissão de inquérito, acha que o presidente Vital do Rêgo está certo. Na opinião dela, o Congresso Nacional assumiu um compromisso com o Supremo Tribunal Federal e precisa arcar com essa responsabilidade. “Desde o primeiro dia isso está sendo previsto. O senador Vital do Rêgo leu o ofício encaminhado pelo presidente do Supremo e ficou claro que o processo corre em segredo de Justiça. Não dá para o senador receber uma deliberação como essa e simplesmente ignorar, como querem alguns”, disse.

Para ela, é possível que a decisão seja revista se os parlamentares apontarem outra solução para evitar que pessoas não autorizadas tenham acesso aos documentos. No entanto, a senadora acredita que os membros da CPMI terão antes que tentar se adaptar às condições de segurança. “Claro que dificulta um pouco [o trabalho], mas paciência. Vamos ver se é possível superar isso. As bancadas vão trabalhar como partidos, como aliados, para superar isso. Vamos primeiro experimentar o método para depois propor outra coisa”, acrescentou a senadora.

O esquema especial de segurança dos inquéritos que irão embasar a CPMI do Cachoeira prevê que os parlamentares terão que acessar os documentos por computadores que estarão em três cabines, em uma sala do Senado. Eles terão que entrar nas cabines sem assessores e sem aparelhos eletrônicos e fazer todas as anotações com papel e caneta. A sala será monitorada por uma câmera, e um policial do Senado ficará na porta pelo lado de fora. As precauções visam a evitar novos vazamentos de áudios, vídeos e textos dos inquéritos da PF.

O empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está preso sob suspeita de envolvimento com jogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo políticos e administradores públicos, principalmente no estado de Goiás. Cachoeira também é apontado como um sócio oculto da construtora Delta, que tem contratos de obras do governo federal e de diversos estados. A CPMI do Cachoeira conta com 32 membros titulares, entre deputados e senadores.

Edição: Graça Adjuto

 

Na campanha eleitoral são contra o aborto, mas entre quatro paredes a conversa é outra bem diferente.

Dos amigosdobrasil.com.br

Gravação mostra deputado Arnaldo Jordy (PPS) pedindo a mulher que aborte

Sábado 5, maio 2012

Uma gravação de três minutos, divulgada (Veja vídeo abaixo), mostra o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) pressionando uma mulher a abortar o filho supostamente dele. O diálogo entre os dois é áspero e a mulher, identificada como Josy, recusa-se a fazer o aborto e cobra de Jordy que lhe dê apoio durante a gestação.

No momento mais tenso, Josy argumenta: “Tu estás pensando que a minha vida é fácil, que eu vou pegar, chegar contigo e dizer `Tá bom, eu vou fazer o aborto?””. O deputado retruca: “Eu não tô dizendo que é uma decisão fácil, mas é uma decisão, Josy”. A discussão prossegue e Jordy promete pagar as custas do aborto e até psicólogo para ela “superar o trauma”. Sem acordo, ele tenta o argumento decisivo: “Josy, eu não tenho a menor condição! Eu pago três pensões. Isso é uma loucura!”

Josy insiste que tem dúvidas e medo, e diz que sua decisão é manter a gravidez. “Preciso saber se vou ter seu apoio, se tiver de carregar o bebê nove meses na barriga”, diz ela. O deputado tenta sua última cartada. “Uma criança é pro resto da vida, eu não tenho condições, Josy. Eu não tenho tempo nem de cuidar dos meus filhos que já estão aí”. Jordy é candidato a prefeito de Belém.

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), informou que o órgão só levará o caso à análise se for provocado por um partido, por entidade civil ou por alguma decisão judicial. Segundo ele, o conselho nunca julgou um parlamentar por esse tipo de situação, embora aborto seja crime com pena de um a três anos de detenção prevista no Código Penal.

Para o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder da bancada evangélica no Congresso, trata-se de um episódio típico da vida privada, que nada tem a ver com a atuação parlamentar. Mas o castigo de Jordy, independentemente de processo no conselho, já está dado. “A essa altura já abortaram a candidatura dele”, ironizou o deputado, autor de uma proposta de emenda constitucional que torna o crime de aborto cláusula da Carta Magna.

Em nota, o deputado assume que a voz do áudio é sua mas alega que o diálogo mostra apenas seu cuidado com a gravidez, “não sobre abortar o filho”. Ele disse que a mulher, uma namorada casual, entrou com ação de alimentos “gravídicos” pedindo 40% de seus vencimentos, negada pela justiça. Informou ainda que moveu ação para comprovação de paternidade por meio de exame de DNA.

O deputado revelou que tem cinco filhos e participa ativamente da vida de todos. Mas explicou que é separado, “portanto solteiro” e por isso tem direito a se relacionar com mulheres maiores de idade. Atualmente com 26 anos, Josy está no oitavo mês de gravidez. “Esse relacionamento foi fortuito, mas tenho notas fiscais que demonstram que, desde o inicio, mesmo não tendo certeza se o filho é meu, venho ajudando”, garantiu. Ele disse que comprou carrinho de bebê e bercinho, além de pagar o plano de saúde da mãe.

Por 

 

zanuja

O link para ouvir a gravação.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XMxfXLt7PSA

 

zanuja

De Carta Maior.

Eleição na França pode mudar perfil ultra-liberal da União EuropeiaA França escolherá neste domingo entre um liberalismo com uma agenda cheia de ajustes e que aponta para o desmonte do Estado de bem-estar, e uma plataforma social-democrata com um claro rumo na direção da justiça social e um objetivo que ultrapassa as fronteiras da França: transformar o perfil ultra-liberal da União Europeia com a introdução de uma variável de crescimento acima da ditadura dos ajustes e do arrocho a qualquer preço. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Paris - Liberalismo xenófobo contra social democracia moderada. Cerca de 46 milhões de franceses elegerão neste domingo, pela nona vez na história da Quinta República, seu próximo chefe de Estado tendo como pano de fundo a crise econômica e um candidato-presidente que jogou todas as suas forças na batalha virando o timão à direita de sua direita, sem hesitar em evocar os temas prediletos da extrema-direita da Frente Nacional e se colocar como uma vítima dos meios de comunicação. O socialista François Hollande prometeu uma mudança com justiça, enquanto que Nicolas Sarkozy, até o último momento, seguiu advertindo que se o socialismo vencer a França terá um destino similar ao da Espanha.

O presidente francês espera alguma “surpresa” na reta final para desmentir a constância das pesquisas de opinião que, no fechamento da campanha do segundo turno das eleições presidenciais deste 6 de maio, seguiam prognosticando a vitória de seu rival, o socialista François Hollande. Nos últimos três dias, Sarkozy diminuiu a distância de dez pontos que o separavam de Hollande para se situar a uma distância que oscila entre 4 e 6 pontos. O resultado final talvez seja um pouco mais incerto do que o previsto ao cabo de uma semana onde a violência verbal levou a campanha a um estranho ponto e de incandescência e a dar uma guinada inesperada: pela primeira vez na história, o candidato centrista François Bayrou disse que votaria pessoalmente por François Hollande.

Este dirigente político prestigiado que fez pouco mais de 9% dos votos no primeiro turno de 22 de abril sempre foi um aliado da direita. No entanto, Bayrou explicou sua eleição pelo fato de que o perfil de extrema-direita que Nicolas Sarkozy imprimiu na sua campanha entre o primeiro e o segundo turno lhe parecia incompatível com os valores republicanos. Entre a decisão de Bayrou de votar a favor de Hollande e as urnas há ainda cerca de 16% de indecisos. É difícil medir a influência desses dados na decisão final. Em suas últimas declarações, o aspirante socialista se apresentou como um “continuador” e um “renovador”. Sarkozy, por sua vez, reiterou seu credo de medo, atacando a imprensa, os sindicatos, os estrangeiros, a Europa e o centrista Bayrou que mudou de campo. 

A torta populista que o presidente candidato repartiu em seus discursos através do país foi designada pelo jornal Le Monde como “a louca esperança de Nicolas Sarkozy”, ou seja, revalidar sua presidência contra o balanço desastroso de sua gestão e a adversidade das pesquisas. A dúvida permaneceu no ar às 24 horas de sábado após meses e meses durante os quais Hollande acumulou grandes distâncias nas pesquisas de opinião: onde será a festa neste domingo? Na Praça da Bastilha – a esquerda – ou na esplanada da Concorde – a direita. As amplas certezas de uma vitória socialista voaram como pássaros à leitura das últimas pesquisas de opinião. 

Quatro pontos, mais os indecisos, mais a margem de erro própria das pesquisas, as pesquisas não garantem a vitória da esquerda tantas vezes apontada na loteria das sondagens.

Ao longo destes duros meses de campanha eleitoral, duas palavras servem para retratar os candidatos: as fronteiras para Sarkozy; o normal para Hollande. Graças a uma hábil recuperação de uma ideia muito arraigada na extrema direita, o presidente candidato fez do conceito de fronteira o seu motor político: “sem fronteiras não há Estado, não há República, não há civilização”. François Hollande, em troca, buscou encarnar o anti-Sarkozy: tranquilo, pacífico, consensual, o candidato socialista repetiu à exaustão que era um “candidato” normal e que assumiria uma presidência “normal”. Diante de um presidente herói de sua própria história e de sua própria presidência, Hollande se apresentou como o anti-herói e a normalidade como argumento contra o excessivo.

Sarkozy disse sexta à noite que a eleição seria definida no “fio da navalha’. As últimas pesquisas parecem lhe dar razão. A mudança, se houver mudança, será mais árdua. A direita, no entanto, saiu golpeada. Sarkozy teve que enfrentar um motim no seu próprio campo, recebendo uma onda de críticas contra a direitização de suas propostas eleitorais e, quase na linha final da campanha, viu o apoio do centro-direitista Bayrou migrar para Hollande. No entanto, o efeito conjugado desses terremotos não pareceu debilitar o candidato conservador, pelo contrário. Os socialistas explicam a aproximação das curvas nos últimos dias por um fenômeno natural de “reequilíbrio” entre a esquerda e a direita que se configura nos momentos finais do segundo turno.

De fato, a vitória de um ou outro campo depende da opção dos eleitores da extrema direita e da opção dos eleitores de centro: 45% dos eleitores da extrema-direita devem votar em Sarkozy, e entre 15% e 22% em Hollande. Os eleitores de centro estão mais divididos: 38% optariam por Sarkozy, 30% por Hollande e o resto se absteria de votar. No entanto, estas projeções não levam em conta o apoio que François Bayrou deu a Hollande, um gesto inédito nas fileiras da direita. Nicolas Sarkozy convocou seus eleitores a um “sobressalto” para forçar o destino das urnas. François Hollande fez um chamado à “união”. 

Nada distingue mais os dois candidatos do que as palavras empregadas nas horas finais da campanha eleitoral: a união contra o sobressalto. A França escolherá entre um liberalismo com uma agenda cheia de ajustes e que aponta para o desmonte do Estado de bem-estar, e uma plataforma social-democrata com um claro rumo na direção da justiça e um objetivo que ultrapassa as fronteiras da França: transformar o perfil ultra-liberal da União Europeia com a introdução de uma variável de crescimento acima da ditadura dos ajustes e do arrocho a qualquer preço.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

 

zanuja

Ombudsman rompe cerco da Folha sobre a mídia

No Brasil 247

O bloqueio dos grandes veículos de comunicação à discussão das relações entre a quadrilha de Carlos Cachoeira e a mídia foi quebrado pela Folha de S. Paulo, na edição que circula neste domingo (em São Paulo, o jornal é distribuído a partir do fim da tarde dos sábados). A responsável por isso foi a jornalista Suzana Singer, ombudsman do jornal, que acaba de ter renovado o seu mandato para criticar livremente a Folha e demais meios de comunicação nas páginas do jornal de maior circulação do País.

Em seu texto, chamado “Tema proibido”, Suzana fala da rapidez dos jornais, portais e televisões em levantar qualquer fato concernente a governadores, senadores, deputados policiais e empresários, mas critica o “silêncio reverente no que tange à própria mídia”.

Para exemplificar, Suzana publicou um diálogo entre Carlos Cachoeira e um diretor da Delta, Cláudio Abreu, que consta do inquérito e fala sobre uma reportagem na Folha de S. Paulo, mas que vinha sendo ignorado pela própria Folha. Na conversa, Abreu fala sobre uma possível influência no jornal. “Quem é o cara da Folha que manteve contato? Porque nós ´tamo´ bem com a Folha. ´Tamo´trabalhando lá...”. Em sua defesa, o jornal afirmou que, depois desse diálogo, o jornal publicou duas reportagens criticas à Delta, indicando que a influência, se existia, não foi exercida.

O caso Veja

No tocante à revista Veja, Suzana Singer faz uma crítica sutil, mas contundente. E diz o óbvio: discutir o tema não significa censurar ou coibir a liberdade de expressão. “Permitir-se ser questionado, jogar luz sobre a delicada relação fonte-jornalista, faz parte do jogo democrático”.

Suzana afirma que, até agora, não foram comprovadas ilegalidades no comportamento da revista. No entanto, diz ela, isso não significa que a conduta da maior revista semanal do País seja “eticamente aceitável”.

Leia um trecho do seu artigo deste domingo:

“Do que veio a público até o momento, não há nada de ilegal no relacionamento Veja-Cachoeira. O paralelo com o caso Murdoch, que a blogosfera de esquerda tenta emplacar, soa forçado, porque, no caso inglês, há provas de crimes, como escutas ilegais e a corrupção de policiais e autoridades.

Não ser ilegal é diferente, porém, de ser eticamente aceitável. Foram oferecidas vantagens à fonte? O jornalista sabia como as informações eram obtidas? Tinha conhecimento da relação próxima de Cachoeira com o senador Demóstenes? Há muitas perguntas que só podem ser respondidas se todas as cartas estiverem na mesa.

É preciso divulgar os diálogos relevantes que citem a imprensa (...). Grampos mostram que a mídia fazia parte do xadrez de Cachoeira. Que essa parte do escândalo seja tratada sem indulgência, com a mesma dureza com que os políticos têm sido cobrados.”

Em países livres, democráticos e de imprensa livre, não devem existir tabus ou temas proibidos. Suzana Singer está de parabéns.

 http://brasil247.com/pt/247/midiatech/58012/Ombudsman-rompe-cerco-da-Folha-sobre-a-mídia.htm

 

De Direto da redação.

Um velho filme na TV

 

 

Na coluna do Flavio Ricco, nesta quinta-feira,  no UOL,  uma nota me chamou a atenção. A história das férias forçadas do apresentador Celso Freitas, titular do “Jornal da Record”. Segundo a nota,  Celso teria tirado as férias  por 30 dias  

“...contra  a vontade dele, e para substituí-lo, dividindo a bancada com Ana Paula Padrão, foi colocado Eduardo Ribeiro, ex-Band  e já há alguns anos na Record News. Vale recordar, a título de observação, que no dia 29 de março passado, neste santo espaço, se falou em mudanças no “JR” e também foi dito que Ana Paula tinha o seu lugar garantido...” 

Pois é, esse filme a gente está cansada de ver. É a famosa e  temida “dança das cadeiras’ que de tempos em tempos as emissoras de TV  promovem em seus quadros de apresentadores.

A nota sobre o Celso, me levou de volta ao mês de dezembro do ano passado,  quando foi anunciada  a saída da apresentadora Fátima Bernardes que dividia a bancada do Jornal Nacional com o marido William Bonner há 14 anos.

Nesse caso,  não houve boataria antes da troca. Quando a Globo anunciou que Fátima iria sair em busca de novos desafios – um certo programa matinal -  já era uma decisão sacramentada e Patrícia Poeta , que há cinco anos substituiu Gloria Maria na apresentação do Fantástico, foi indicada para ocupar o assento vago com a saída de Fátima.

Dizem, mas ninguém confirma, que o nome de Poeta era uma carta marcada que contava com  o empurrãozinho do marido, o poderoso  Amaury Soares. Mas isso é mera especulação e não cabe aqui discutir talento, merecimento ou favorecimento dessa ou daquela pessoa. O fato é que tiraram Fátima do principal telejornal da casa, sob a alegação de que ela  estava ‘cansada”  e o pedido de afastamento teria partido da própria Fátima, que sonhava em ter um programa só seu.

Pode ser, embora seja difícil engolir  como alguém possa trocar o telejornal de maior audiência da TV por um projeto incerto e arriscado. Já lá se vão  cinco meses e o programa da Fátima não passa de uma promessa.  É visto mais nas notinhas da mídia especializada do que na TV, enquanto isso a imagem de Fátima vai, aos poucos,  se apagando da memória do público.

O que aliás é muito natural nos dias de hoje, onde o tempo corre  .na velocidade do pensamento. E substiuir pessoas por outras que vão chegando é um processo tão natural que já não causa espanto, especialmente na TV, a conhecida  máquina de moer gente.

E enquanto o programa de Fátima não sai,  o fantasma da insegurança ronda Celso Freitas. No Jornal da Record desde 2006, Celso já pertenceu ao time dos imexíveis,  como diziam seus colegas há algum tempo. Mas imexível na Record só mesmo o Bispo Macedo e ai de quem se julga ali insubstituível. .

Voltando a nota do Flávio Rico, só quem não conhece os bastidores da TV pode não acreditar que ela foi plantada com o objetivo de desestabilizar o titular, como diz : “- olha , a sua batata está assando, prepare-se porque alguém está chegando para ocupar o seu lugar”.  Celso é experiente e sabe que sinalizaram para ele.

Mas o mundo da TV é assim. Para viver lá dentro sem se machucar, é preciso, acima de tudo, saber  conviver com o sucesso e com a derrota na mesma intensidade,  porque lá as coisas acontecem sem depender de você...

 

 

zanuja