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EFE Brasil, EFE Multimedia, Atualizado: 20/5/2012 17:15Cantor dos Bee Gees, Robin Gibb, falece aos 62 anosLondres, 20 mai (EFE).- O cantor do grupo britânico Bee Gees, Robin Gibb, faleceu neste domingo aos 62 anos após uma longa luta contra o câncer, informou sua família em comunicado.

A lenda do pop sofria de câncer do cólon e em abril foi hospitalizado em uma clínica privada de Londres em estado de coma por causa de uma pneumonia.

Os parentes do Robin anunciaram o falecimento do músico 'com grande tristeza'. EFE

Copyright (c) Agencia EFE, S.A. 2010, todos os direitos reservados

http://entretenimento.br.msn.com/cantor-dos-bee-gees-robin-gibb-falece-aos-62-anos-2

 

Casal Gurgel também engavetou caso de racismo, diz GaspariCasal Gurgel também engavetou caso de racismo, diz Gaspari Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Vítima foi estudante Marco Paulo dos Santos, que teria sido ofendido pelo ministro do STJ Ari Pargendler

20 de Maio de 2012 às 07:00

247 – O caso do senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) não foi o único processo engavetado pelo casal Roberto Gurgel-Claudia Sampaio. Segundo o colunista Elio Gaspari, ambos também esconderam no fundo da gaveta um processo movido por um estudante negro contra um ministro do STJ. Leia:

A Procuradoria-Geral tarda, e tarda

Em outubro de 2010 o estudante Marco Paulo dos Santos, um negro evangélico de 24 anos, era estagiário no Superior Tribunal de Justiça, foi à agência do Banco do Brasil que funciona no prédio e esperava sua vez para usar um terminal. Pela sua narrativa, havia um senhor operando a máquina e ele aguardava sua vez atrás da linha demarcatória. A certa altura, o cidadão voltou-se, dizendo: "Quer sair daqui?" Marco explicou-lhe que estava no lugar adequado, mas não convenceu: "Como eu não saí, ele se apresentou: 'Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido. Isso aqui para você acabou". Pargendler teria puxado o crachá do rapaz para ver seu nome. Uma hora depois, Marco recebeu uma carta de demissão por ter cometido "falta gravíssima de respeito".

Marco Paulo deu queixa na 5ª Delegacia da Polícia Civil, e uma testemunha corroborou sua versão. Pargendler, presidente do "Tribunal da Cidadania", não se pronunciou. O processo contra o doutor por agressão moral foi remetido ao Supremo Tribunal Federal, sob sigilo. Felizmente, o ministro Celso de Mello tirou-o do segredo e remeteu os autos à Procuradoria-Geral da República, para que verificasse "a exata adequação típica dos fatos narrados neste procedimento penal". No dia 17 de dezembro de 2010 o processo foi para as mãos da subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques. Cadê?

Quando completou-se um ano de espera, Marco Paulo disse ao repórter Frederico Vasconcelos que "entregou o caso nas mãos de Deus". Fez muito bem, porque, em condições normais, a Procuradoria teria cumprido sua tarefa em dois meses.

No dia 7 de março a doutora Sampaio Marques devolveu o processo e, a dia 14 de abril, ele foi redistribuído para o procurador-geral Roberto Gurgel, seu marido. Explicação? Nem pensar.

Eremildo é um idiota e, ao lembrar que a Operação Vegas ficou para com o doutor Gurgel durante quase três anos, convenceu-se de que não se deve falar do caso de Marco Paulo, pois isso é coisa de "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão".

 

Prezado Nassif, essa é muito boa !

 

Para Merval Pereira, CPI foi tiro no pé do PTPara Merval Pereira, CPI foi tiro no pé do PT Foto: DIVULGAÇÃO

Colunista do Globo diz que partido não conseguiu empastelar o mensalão nem criminalizar a revista Veja e "tolher a liberdade de imprensa"

20 de Maio de 2012 às 07:11

247 – O colunista Merval Pereira, principal articulista das Organizações Globo, argumenta, neste domingo, que o PT pode ser o grande derrotado da CPI do Cachoeira. O partido teria fracassado nas tentativas para empastelar o mensalão, criminalizar a imprensa e emparedar o procurador-geral da República. Segundo ele, o PMDB não estaria disposto a embarcar na aventura petista de tolher a liberdade de imprensa. Detalhe: João Roberto Marinho, um dos donos da Globo, pressionou o vice-presidente Michel Temer e vários deputados do PMDB a evitar a convocação de Policarpo Júnior, de Veja, e de Roberto Civita, da Abril.

Leia trechos da coluna “Tiro no pé”:

Tiro no pé

Merval Pereira

O flagrante da mensagem do deputado petista Cândido Vacarezza garantindo imunidade ao governador do Rio, Sérgio Cabral, é mais uma confirmação de que essa CPI do Cachoeira está se revelando o maior erro dos últimos tempos do grupo político que está no poder.

Convocada estranhamente pela maioria governista, a CPI tinha objetivos definidos pelo ex-presidente Lula e pelo exministro José Dirceu: apanhar a oposição com a boca na botija nas figuras do senador Demóstenes Torres e do governador de Goiás, Marconi Perillo, e desestabilizar o Procurador- Geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação dos mensaleiros no julgamento do Supremo Tribunal Federal.

De passagem, queriam certos petistas criminalizar a revista “Veja” para criar um clima político que favorecesse a aprovação de uma legislação de controle da mídia, como vêm tentando, sem sucesso, desde o início do governo Lula.

Por enquanto, está dando tudo errado. A tentativa de constranger os ministros do Supremo resultou numa reação do Judiciário, que se viu impelido a não deixar dúvidas sobre sua independência.

A vontade de procrastinar o julgamento, quem sabe deixando-o para o próximo ano, quando dois novos ministros estarão no plenário para substituir Cezar Peluso e Ayres Britto, ficou tão explícita que o revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski, viu-se na obrigação de anunciar que pretende apresentar seu voto ainda no primeiro semestre, permitindo que o julgamento comece logo em seguida.

Até mesmo uma frase banal, que queria dizer outra coisa, teve o efeito de levantar suspeitas.

Quando Lewandowski disse que o julgamento ocorreria “ainda este ano” sabe-se agora que não estava pensando em outubro ou novembro, mas a partir de junho, como fez questão de esclarecer.

Com relação à imprensa, todos os esforços do senador Collor de Mello, o “laranja” da tramoia petista, têm sido em vão, e as relações do PT com o PMDB estão azedando, na definição de Vaccarezza, porque o PMDB não está disposto a embarcar nessa aventura petista de tolher a liberdade de imprensa.

 

 Revista Veja repercutia, através de Cachoeira, matérias de interesse da máfia italiana .

http://www.viomundo.com.br/denuncias/cartacapital-a-italia-ja-sabia-de-cachoeira.html

 

A VIRADA DA INFLAÇÃO
Rio, 15.05.2012...Ernane Galvêas

Síntese da Conjuntura 15/05/2012....pdf | Download.....Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

Publicação quinzenal que aborda a evolução da conjuntura econômica brasileira, examinando os resultados sob ângulo dos interesses do setor empresarial privado.


A inflação deu um salto, em abril, assustando as autoridades do Planalto e do Banco Central. É difícil detectar essa súbita alta de preços, após 12 meses de relativa calmaria; entretanto, são muitos os fatores de pressão inflacionária, destacando-se a generalizada expansão do crédito oficial e privado, com um crescimento anual da ordem de 20%, o que, por si só, representa pressão suficiente para impulsionar a inflação. Em abril, ocorreu o aumento de preços dos cigarros e medicamentos. Junte-se a isso a elevação dos preços dos serviços, alicerçada na alta do salário mínimo e na forte demanda por trabalhadores qualificados. Finalmente, registre-se a influência da taxa de câmbio: durante todo o ano 2011, praticamente, esteve valorizada, estimulando as importações baratas e reduzindo o nível dos preços.
Agora, inverteu-se o sinal e, a partir de abril, a desvalorização de cerca de 15% vai, certamente, pressionar a inflação.
Falta avaliar o resultado do clima, seca em algumas regiões, chuva em outras, sobre a oferta agrícola.

A nosso ver não cabe pensar que uma elevação da taxa de juros Selic, pelo Banco Central, possa deter essa tendência de alta. A variável mais importante, no caso, é a expansão do crédito, que ninguém está pensando em conter. Pelo contrário.

Também não adianta pensar em mudar o curso da “meta inflacionária”.
A meta de inflação não é um instrumento de política monetária, é apenas um indicador, uma referência, um objetivo. A meta de inflação não é um fim em si mesma.

O Banco Central, não se sabe por quais razões, sempre teve uma obsessão por juros altos, com isso transmitindo ao mercado uma sinalização de alta inflação. Chegamos ao absurdo de uma taxa básica Selic de 13,75% no auge da crise de 2008, quando o mundo todo trabalhava com taxas de juros próximas de zero. Foi preciso uma forte intervenção do Presidente Lula, para que o Banco Central reduzisse a Selic a 8,75%, no 2o semestre de 2010.
Essa história se repetiu em 2011, já na administração de Alexandre Tombini, obrigando a Presidente Dilma a fazer uma intervenção tipo Lula, para baixar os juros, que de julho/11 a abril/12, caíram de 12,5% para 9%. É impressionante constatar que, tanto na gestão Lula, como da Dilma, o rebaixamento da Selic não produziu qualquer impacto negativo, muito pelo contrário, reduziu significativamente o déficit fiscal do Tesouro Nacional.
Esses fatos vão demonstrando a ineficácia da taxa Selic como instrumento da política monetária.

ATIVIDADES ECONÔMICAS
Indústria

Continua preocupante a situação da indústria nacional, que exibe uma tendência declinante desde o início de 2010. Neste 1o trimestre de 2012, houve um recuo de -3,0%, com expressivas quedas em bens de capital (-11,4%) e bens de consumo duráveis (-11,6%) puxados pela queda de -10,9% na indústria automobilística. A exceção foi o setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, com crescimento de +0,9%. A produção industrial caiu 6,2% em São Paulo, 6,8% no Rio, 5,9% em Santa Catarina, 2,4% no Espírito Santo e 1,4% em Minas. A região Nordeste caiu -1,4%. A queda da produção foi generalizada no Sudeste, inclusive nas indústrias extrativa e de metalurgia básica.

Além da forte queda no trimestre, a indústria automobilística sofreu novo recuo de 15,5% em abril, em relação a março.


A produção nacional de petróleo caiu 5% em março sobre fevereiro, mas subiu 0,1% em relação a março/11. O consumo de energia cresceu 5,3% em abril sobre abril/11, mas com relação a março registrou queda de 3,5%; no acumulado dos últimos 12 meses houve aumento de 3,6%; o consumo na indústria ficou praticamente estacionado em março (+0,48%) sobre fevereiro. O mercado imobiliário assustou-se com a queda de 30% no lançamento de imóveis residenciais em São Paulo. As vendas de materiais de construção caíram 8,5% em abril sobre março, com expansão de 3% em relação a abril/11, acumulando alta de 1,5% no quadrimestre.

Comércio
Em fevereiro, o comércio varejista registrou crescimento de 7%, com destaque para móveis e eletrodomésticos (+17,2%) e equipamentos para escritório (+27,6%), revelando declínio em relação a 2011 (9,4%).
A inclusão social e a expansão da classe média com ascensão das classes de menor renda produziu uma profunda mudança nos padrões de consumo. A aplicação da renda da nova classe C, antes destinada basicamente a despesas com água, luz, telefone e aluguel, mudou substancialmente nos últimos anos, incluindo, hoje, mensalidade escolar, TV, internet, telefone celular e viagens. As facilidades de crédito tiveram um papel importante nessa evolução, gerando um elevado endividamento das famílias. O comércio eletrônico aumentou de R$ 500 milhões em 2011 para R$ 23 bilhões em 2012.

Segundo a CNC, o índice de confiança do empresário do comércio (ICEC) aumentou 0,4% de março para abril, mas caiu 1,4% em comparação com abril/11. O índice de expectativas sinaliza uma tendência de melhoria no 2o semestre, em função da queda dos juros.

O índice de endividamento das famílias recuou em abril 5,8 p.p. em relação a abril/11, mas aumentou o percentual de dívidas em atraso. Em abril, 6,9% das famílias declararam não ter condições de pagar suas dívidas.

Segundo o CNDL, a inadimplência aumentou 4,5%, pelo que aconselha-se ao comércio, em geral, uma vigilância quase diária sobre os níveis de inadimplência.
Segundo a Susep, a receita de prêmios das Seguradoras, no 1o trimestre, aumentou 18,4%, com alta de 21,1% no lucro líquido.

Agricultura
As condições climáticas continuam castigando a agricultura. O Semiárido Nordestino enfrenta a pior seca em 30 anos e 525 municípios da região estão em estado de emergência.
O mesmo acontece com as cheias no Amazonas.
A maior demanda chinesa elevou o preço da soja em 10%, no final de abril, assim como o do milho. A melhora nos preços do café, nos últimos dois anos, está promovendo uma renovação dos cafezais de maior qualidade. A moagem de cana (2012/13) está atrasada, com queda de 32% sobre 2011. Segundo as projeções da Conab, a safra de grãos da safra corrente (2011/12) atingirá 160 milhões de toneladas, ligeiramente inferior à safra anterior.

Mercado de Trabalho
O emprego industrial, em março, recuou 0,4% e o número de horas pagas caiu 1,2%, na comparação com fevereiro. No 1o trimestre, houve baixa de -0,3%. A redução atingiu nove dos quatorze Estados incluídos na pesquisa.
De outro lado, a massa salarial cresceu 6,2% acima da inflação, com destaque para a construção civil, que registrou aumento de 18,8%.
Esses resultados no mercado de trabalho respondem pela expansão do consumo mas, ao mesmo tempo, sinalizam baixa produtividade e perda de competitividade da indústria nacional. No quadro geral, a força de trabalho conta com 86 milhões de pessoas ocupadas, com 7 milhões desocupadas. O mercado formal subiu de 54,8% em 2000 para 63,9% em
2010.

Setor Financeiro
O volume de crédito no sistema financeiro está crescendo menos, a partir da redução dos empréstimos para compra de automóveis. No bimestre março/abril, a captação líquida pelas cadernetas de poupança atingiu R$ 4,5 bilhões, o melhor resultado desde 1999.
Ainda não dá para calcular os resultados da mudança nas regras das cadernetas de poupança. De outro lado, o número de cheques devolvidos cresceu 13,9%, ante abril/11 (Telecheque).

Inflação
A inflação registrou substancial alta, tanto no varejo como no atacado. O IPCA subiu a 0,64%, contra 0,21% em março, representando a maior alta desde o início de 2011. O IGP-DI/FGV praticamente dobrou em relação a março, registrando alta de 1,02% em abril.
A taxa de câmbio sofreu uma desvalorização de 6,6% em março e 3,8% em abril.
Na cidade de São Paulo, o índice FIPE-IPC subiu 0,55%, na 1a prévia de maio. A cesta básica subiu em 15 das 17 capitais pesquisadas pelo DIEESE, com destaque para Manaus (+3,8%), Fortaleza (+3,5%), natal (+2,9%) e Salvador (+2,8%). Houve queda no Rio de Janeiro (-1,8%) e Belo Horizonte (-0,8%).
Há uma tendência de nova alta de preços das commodities, refletindo um aumento de demanda da China.

Setor Público

A Presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei que cria o Fundo Complementar para os Servidores Civis da União – A regra não muda para os atuais servidores. Na Câmara dos Deputados, a CCJ aprovou a Emenda Constitucional que divide o ICMS entre os Estados de origem e destino, nas compras feitas pela Internet.

O Governo está revigorando o Bolsa Verde, o Programa de apoio à Conservação Ambiental, lançado em setembro/11. O Programa contempla as comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas de extrema pobreza, com um benefício de R$ 300, a cada trimestre.

Setor Externo
Na 2a semana de maio, as exportações brasileiras atingiram US$ 5,97 bilhões e as importações US$ 4,34 bilhões, acumulando no ano saldo positivo de US$ 5,5 bilhões (26,2% inferior no mesmo período de 2011).

Apesar das incertezas mundiais, o Brasil conseguiu levantar empréstimos de US$ 35 bilhões no exterior, em 2012, em 3o lugar, abaixo da China e da Coréia do Sul.
Nos Estados Unidos, em março, as importações cresceram 5,2% e as exportações 2,9%, deixando um saldo mensal de US$ 51,8 bilhões. Entre fevereiro e maio, registrou-se uma desvalorização do dólar de 4,5%, em relação ao euro.
Repercutiu dramaticamente a informação de que o JP Morgan/Chase, poderoso banco americano, registrou uma perda colossal de US$ 2 bilhões. É um fato grave que pode gerar novo trauma nos mercados financeiros.

Na China, a produção industrial subiu 9,3% em abril, ante alta de 11,9% em março. Situação econômica estável.
O problema crucial, que mantém o mundo em suspenso, continua sendo a Grécia. A situação política da Grécia é insustentável e, se até o final desta primeira quinzena de maio não houver aprovação do acordo de austeridade fiscal, assinado em Bruxelas, a linha de crédito de € 130 bilhões concedida pelo FMI, BCE e UE poderá ser suspensa. Se isso acontecer, ao que tudo indica, o Governo da Grécia não terá recursos para pagar os salários dos servidores e aposentados. Algo de consequências imprevisíveis.



 

2014---distribuição de renda

Clipping do Dia

O Congresso vai compactuar com a máfia de Cachoeira?

Quem pergunta é a colunista Dora Kramer, no artigo Cosa Nostra, sobre os métodos mafiosos do bicheiro goiano

Para Merval Pereira, CPI foi tiro no pé do PT

Colunista do Globo diz que partido não conseguiu empastelar o mensalão nem criminalizar a revista Veja e "tolher a liberdade de imprensa"

Quase três anos depois, PGR vai denunciar Arruda

Com quase três anos de atraso, procuradoria deve denunciar ex-governador do Distrito Federal, que foi preso e perdeu o mandato sem responder a processo

CPI em ritmo de tartaruga

Levantamento aponta que investigação conduzida pelo senador Vital do Rego (PMDB/PB) e pelo deputado Odair Cunha (PT/MG) é a mais lenta em vinte anos; pela primeira vez, 15 dias depois do início, nenhum depoimento foi tomado

Novo patamar do câmbio reforça dilema na economia; entenda

O novo patamar atingido pelo dólar, que nesta semana intensificou sua trajetória de alta e fechou acima de R$ 2 pela primeira vez desde julho de 2009, reforça um dilema sempre presente na economia brasileira. Nesta sexta-feira, a moeda americana fech...

Defesa de Cachoeira critica acesso a documentos

Com 15 mil páginas de documentos e cerca de 90 mil áudios gravados pela Polícia Federal, a sala-cofre da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira tem dado trabalho não só aos parlamentares que investigam as relações do bicheiro, ...

Defesa de Cachoeira faz mais exigências para depoimento na CPI

A defesa de Carlinhos Cachoeira encaminhou nesta sexta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações do contraventor uma petição com uma série de exigências para que seu cliente deponha na comissão.

Ibovespa tem pior desempenho semanal desde agosto de 2011

SÃO PAULO, 18 Mai (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista encerrou esta sexta-feira, mas não escapou de registrar o pior desempenho semanal desde agosto do ano passado, com os temores sobre o futuro da zona do euro impondo forte clima de ...

 

 

Uma Breve Análise de Medidas Alternativas à Mediana na Pesquisa de Expectativas de Inflação do Banco Central do Brasil*
Fabia A. de Carvalho**(Departamento de Estudos e Pesquisas, Banco Central do Brasil. Email: fabia.carvalho@bcb.gov.br.)
Trabalhos para Discussão Brasília n° 264 janeiro 2012 p. 1-21 Janeiro/2012.... Resumo    Texto completo

Banco Central do Brasil Lista de trabalhos para discussão
*Agradeço a Adriana Soares Sales e a Andre Minella por sugestões e críticas ao trabalho. Os erros e omissões são de inteira responsabilidade da autora. Por favor, remeta correspondência para: Fabia Aparecida de Carvalho.
Banco Central do Brasil, Diretoria de Política Econômica, Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), 13o andar, 70074-900 Brasília DF Brasil.


Trabalhos para Discussão...Editado pelo Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) – E-mail: workingpaper@bcb.gov.br
Este Trabalho para Discussão não deve ser citado como representando as opiniões do
Banco Central do Brasil. As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do(s)
autor(es) e não refletem, necessariamente, a visão do Banco Central do Brasil.

Resumo
Essa nota apresenta uma breve análise de medidas representativas alternativas à
mediana da pesquisa de expectativas conduzida pelo Departamento de
Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central
do Brasil. A partir do painel de expectativas coletadas de janeiro de 2001 a
dezembro de 2010, construímos séries históricas de núcleos e da moda das
expectativas para a inflação, que, a seguir, são comparadas com a mediana em
relação ao seu poder preditivo para o horizonte de 12 meses à frente. Comparamos
também o poder preditivo dessas medidas com respeito ao núcleo de inflação do
IPCA.
1. Introdução
As expectativas de mercado coletadas pelo Banco Central do Brasil desde 1999 e
reportadas diariamente no sítio da instituição e semanalmente por meio dos relatórios Focus
têm se tornado importante referência na discussão sobre a evolução esperada das variáveis
macroeconômicas no Brasil, com especial destaque para a inflação. Tanto no Relatório Focus
quanto no Capítulo 6 do Relatório de Inflação, as medidas univariadas mais utilizadas para
representar o painel de instituições pesquisadas têm sido a mediana e o desvio padrão(1). O uso
dessas medidas, ou, alternativamente, da média do painel, é amplamente disseminado no resto
do mundo(2).
Carvalho e Minella (2009) apresentam um estudo detalhado do poder preditivo da
mediana das expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central do Brasil para um
horizonte de 12 meses à frente. Eles mostram que, no período considerado no estudo, a
mediana não apresenta viés sistemático, o que indica bom poder preditivo, apesar de não
passar em todos os testes de eficiência. Outros trabalhos apresentam avaliações do poder
preditivo da mediana das expectativas coletadas em pesquisas no Brasil para variados
horizontes de previsão(3).
Essa nota busca avaliar o poder preditivo de outras medidas representativas do painel
de expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central do Brasil. Em particular,
construímos séries de núcleos de expectativas e uma série da moda das expectativas para o
horizonte de 12 meses à frente.
À exceção do núcleo por médias aparadas simétricas e de um dos núcleos
assimétricos, todas as medidas computadas são estatisticamente diferentes da mediana. Em
termos de poder preditivo, no período que exclui a crise de confiança de 2002, as evidências
de viés são menores para um dos núcleos assimétricos. Entretanto, nenhuma das medidas
investigadas apresenta viés sistemático nesse período. Obtemos também que, para o período
de volatilidade moderada da inflação, as medidas investigadas são mais apropriadas como
projeções para o IPCA cheio do que como proxies para o núcleo do IPCA aparado e
suavizado.....
.....4. As Expectativas do Mercado São Indicadores Melhores da Inflação Cheia ou do Núcleo de Inflação do IPCA?
Ranchhod (2003) conduz exercícios para verificar a capacidade preditiva das
expectativas de inflação coletadas em pesquisa na Nova Zelândia. Um dos resultados obtidos
é que, mesmo que os participantes projetem a inflação cheia, suas projeções são mais
adequadas para medidas suavizadas da inflação, como núcleos por exclusão. A razão parece
ser que a inflação de itens muito voláteis no IPC é mais difícil de ser antecipada.
Inspirados nesse resultado, comparamos as expectativas de inflação no Brasil feitas
para o IPCA cheio com os valores ocorridos do núcleo do IPCA aparado e suavizado. Os
resultados são apresentados na tabela A4 do Apêndice.
Independentemente da estatística utilizada como representativa das expectativas (i.e.,
mediana, média aparada simétrica, moda ou média simples-8), os testes de viés realizados na
amostra que se inicia em junho de 2003 sugerem que há viés sistemático nas projeções
quando comparadas com o núcleo do IPCA. Entretanto, se incluímos o período de grandes
choques a partir de 2002, a evidência de viés dissipa-se nos dados. Tendo em vista os
resultados apresentados na seção anterior, pode-se concluir que, no Brasil, em períodos de
menor volatilidade da inflação, as projeções publicadas na pesquisa Focus são melhores
indicadores antecedentes do IPCA cheio, e não do núcleo do IPCA. Já para o período de
grande volatilidade, as projeções são melhores indicativos do núcleo do IPCA.

5. Conclusão
Esta breve nota mostra que a moda das expectativas de inflação para um horizonte de
12 meses à frente e grande parte dos núcleos assimétricos apresentam diferenças importantes
em relação à mediana.
Na amostra que exclui o período de crise de confiança na condução futura da política
econômica, nenhuma das medidas analisadas (mediana, núcleo simétrico, núcleos
assimétricos e moda) apresenta viés sistemático.
Inspirados em Ranchhod (2003), conduzimos testes para verificar se as projeções
apresentadas como sendo para o IPCA cheio seriam mais apropriadas para alguma medida
menos volátil de inflação, como o núcleo aparado e suavizado do IPCA. Em contraposição
aos testes de viés para a inflação cheia, haveria indicação de viés sistemático caso as
projeções fossem feitas para o núcleo do IPCA no período de menor turbulência (a partir de
junho de 2003). Assim, pode-se concluir que, em períodos de menor volatilidade da inflação,
as projeções do mercado para o IPCA são melhores indicadores antecedentes do IPCA cheio,
e não do núcleo do IPCA.

notas
(1)Recentemente, no Relatório de Inflação de março de 2011, o Banco Central passou a divulgar a mediana de segmentos dos participantes da pesquisa.
(2)Por exemplo, o capítulo de Perspectivas para a Inflação do Relatório de Inflação do Banco da Inglaterra apresenta a média das expectativas de um grupo de profissionais pesquisados. A média também é a medida escolhida como representativa para a pesquisa The Macro Markets Home Price Expectations Survey, assim como para a Consensus Economics, que por sua vez também apresenta as projeções individuais. A pesquisa Michigan Survey of Expectations, dos EUA, apresenta a mediana como medida representativa.
(3)Por exemplo, Kohlscheen (2010) e Carvalho e Bugarin (2006).
(8)Não realizamos os testes para os núcleos por médias ou medianas aparadas assimétricas.

Referências:
Carvalho, F., e A. Minella (2009), “Market Forecasts in Brazil: Performance and Determinants”, Trabalho para Discussão No. 185, Banco Central do Brasil, Abril

Carvalho, F. e M. Bugarin (2006), “Inflation Expectations in Latin America”, Economía (Washington), v. 2006, p. 101-145

Guillén, D. (2008), “Ensaios sobre Expectativas de Inflação no Brasil”, Tese de Mestrado, Puc-Rio.

Kohlscheen (2010), “Uma Nota sobre Erros de Previsão da Inflação de Curto Prazo”, Trabalho para Discussão No. 227, Banco Central do Brasil, Novembro

Marques, A., P. Fachada, e D. Cavalcanti (2003), “Sistema Banco Central de Expectativas de Mercado”, Nota Técnica No. 36, Banco Central do Brasil, Maio

Ranchhod, S. (2003), “The relationship between inflation expectations survey data and inflation”, Reserve Bank of New Zealand Bulletin Vol. 66, No. 4.

 

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Da Carta Capital - 19.05.2012

Papel vs. Online

O efeito Skuromatic

Por Philip Asimov C. Clarke

Os editores de revista Veja andam assistindo a filmes de ação demais. No afã de se defenderem sem dar explicações plausíveis para a íntima relação de um jornalista da semanal com um contraventor preso – e diante da reação a essa promiscuidade na internet –, construíram um roteiro de terror B que até Zé do Caixão se recusaria a filmar.

A tese era a seguinte: robôs controlados por uma militância esquerdista raivosa teriam inundado a internet com mensagens de ódio para atacar a imprensa livre. Esses robôs (em forma de aranhas? Ou de formigas?) seriam guiados por maléficos seres que tiveram seu cérebro derretido por excessiva leitura de terroristas do calibre de Antonio Gramsci, defensor da eliminação física, mental, espiritual e literária de seus adversários. E o futuro da humanidade estaria sob risco, caso esse exército de seres inanimados e vampirescos vencesse. É uma mistura de O Ataque das Aranhas Gigantes, Exterminador do Futuro e Plano 9 do Espaço Sideral (título em português de um dos clássicos do rei do cinema trash, Ed Wood).


Robôs, aranhas, formigas, comunistas. A semanal foi capaz de unir tudo em um roteiro de terror B

Ainda no sábado 12, mal a revista aportara nas bancas de todo o País, a tese dos robôs virou piada na internet. Uma das supostas máquinas, a usuária do Twitter @Lucy_in_Sky se identificou em entrevistas a blogs. Foi seguida por centenas de outros internautas que postaram mensagens na linha “eu sou um robô”. Prova de que na rede mundial a desmoralização vem a jato supersônico.

Ao longo das tantas páginas de autodefesa, Veja comete vários erros factuais. A revista, uma das primeiras publicações a apoiar com entusiasmo o então candidato Fernando Collor de Mello, se diz responsável por sua queda. A respeito do apoio a Collor, vale lembrar uma entrevista de Roberto Civita, publisher da semanal, sobre seu primeiro encontro com o ex-presidente: ao conhecer o alagoano ele teria se sentido como uma adolescente de 16 anos. A citação é literal.

Sobre a queda de Collor é preciso lembrar. A entrevista de Pedro, irmão já falecido do ex-presidente, afora alguns detalhes sórdidos, não iria produzir nenhum efeito no processo de impeachment. O que mudou a situação do chefe do Estado foram as declarações do motorista Eriberto França, descoberto pela IstoÉ. Após as denúncias do motorista, a situação de Collor ficou insustentável e o presidente foi obrigado a renunciar para não ser cassado.

As referências a Gramsci são patéticas, apostam na ignorância dos leitores. O mais grave, porém, foi a defesa mal disfarçada da censura na internet. Um contrassenso para quem diz defender com denodo e coragem a liberdade de expressão. Em poucas linhas, Veja lamentou a falta de uma “governança” na rede mundial de computadores, seja lá o que isso signifique. É preciso perguntar, a essa altura, quem tem arroubos totalitários.

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A Veja quer censurar a internet

Espaço de compartilhamento de ideias e informações, a internet é de fato um terreno usado por militâncias organizadas de todas as correntes de pensamento desinteressadas em debater ideias. Protegidos pelo anonimato, cometem as maiores covardias. Mas uma coisa é inegável: são os internautas autoassumidos como “conservadores” (em temas como aborto, sexualidade, liberdades individuais, armamento e religião), aqueles que produzem os ataques mais virulentos da rede.

O Brasil tem cerca de 300 células neo-nazistas. Em entrevista recente concedida ao site deCartaCapital, a antropológa Adriana Dias, mestre pela Unicamp e estudiosa do tema há dez anos, lista cerca de 150 mil brasileiros que baixam mensalmente mais de cem páginas com conteúdos nazistas. Desse total, 15 mil são líderes e coordenam as incitações de ódio na internet. O número de sites, segundo a antropóloga, passou de 8 mil a 32 mil. Segundo a pesquisa, esses militantes são brancos, homens, jovens, com ensino superior (completo e incompleto), ligados à religião e demonstram ressentimento pela suposta perda de poder – o que explica os ataques a grupos de esquerda, nordestinos e integrantes da nova classe média. Cerca de 90% dos grupos atuam em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Na esteira desse movimento, a atuação cada vez mais intensa de quadrilhas neonazistas foi alvo, em dezembro de 2011, do maior pico de denúncias dos relatórios da Safernet, organização que monitora crimes de ódio na rede.

Segundo a associação, toda vez que figuras como o ex-militar Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, faz declarações racistas/homofóbicas em público, uma avalanche de manifestações dessa natureza é despejada na internet. Segundo Thiago Tavares, presidente da Safernet, é como se a atitude encorajasse os grupos de ódio a sair da toca e transformassem ferramentas como o Twitter em campo de batalha.


Sombra ao meio-dia. Ao lado, os robôs que querem dominar a internet, segundo a publicação da Abril

Uma militância virtual que começa a ameaçar o mundo real: em 22 de março deste ano, a Polícia Federal prendeu dois homens acusados de planejar, a partir da rede, um ataque em massa contra estudantes de Ciências Sociais na Universidade de Brasília. Para a dupla, a faculdade era um antro de comunistas e gays.

De acordo com os relatórios, uma simples partida de futebol é suficiente para despertar os crimes de ódio pela internet: logo após o Ceará eliminar o Flamengo pela Copa do Brasil, em maio de 2011, a ONG recebeu mais de 5 mil denúncias sobre perfis do Twitter que incitavam a violência contra nordestinos.

Fenômeno similar foi observado pouco antes, em novembro de 2010, na eleição de Dilma Rousseff – que teve maior votação proporcional no Nordeste. Foram quase 3 mil denúncias de manifestações preconceituosas na rede social no dia seguinte à sua eleição.

O caso mais emblemático foi a da estudante de Direito Mayara Petruso, que, inconformada com o resultado da eleição, escreveu no Twitter: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”

Na quarta-feira 16, a Justiça Federal de São Paulo a condenou por crime de discriminação e preconceito. Ela deverá pagar multa, que será destinada a uma ONG que combate crimes cibernéticos, e prestar serviço comunitário. O Ministério Público Federal achou pouco, e promete recorrer.

Assim como ela, eleitores adeptos do “nós contra eles” se manifestaram em peso, após uma campanha eleitoral marcada pela intensa troca de farpas virtuais. Basta lembrar os dias que antecederam a votação, quando pipocavam lendas urbanas sobre possíveis surtos abortistas num futuro governo Dilma Rousseff – contra quem corriam boatos também de homossexualidade, ações terroristas e falsas declarações como a de que “nem Jesus Cristo” tiraria dela a vitória. Piadas de mau gosto sobre beneficiários do Bolsa Família, apontados como vassalos do governo, também circulavam em timelines e caixas de e-mail.

Nem por isso pediu-se censura à rede. Até porque os boatos não caíam do céu: na eleição, os partidos escalaram militantes para monitorar permanentemente o humor das redes sociais.

O QG tucano, por exemplo, era comandado por Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC. À sua disposição havia uma equipe de ao menos 50 militantes, dividida em turnos, para alimentar as redes sociais, sobretudo o Orkut e o Twitter.

Excessos à parte, é preciso lembrar de que a rede, em si, não é culpada dos exageros de seus usuários. Mesmo assim, muitos se apoiam na existência dos crimes cibernéticos para defender limites aos internautas, caso da última edição de Veja.

A semanal não precisa, ou não deveria, se preocupar. No Congresso tramitam há anos projetos de controle contra crimes cibernéticos – o último, aprovado nesta semana. Parte dos projetos – o principal deles conhecido como AI-5 Digital, de autoria do deputado tucano Eduardo Azeredo – recebe críticas justamente por estipular punições aos usuários sem deixar claro quais são os seus direitos ao trocar informações ou manifestar opiniões.

Na Justiça, o que não faltam são processos contra as livres manifestações pela rede. Um exemplo são as ações movidas pelo banqueiro Daniel Dantas contra o jornalista Paulo Henrique Amorim. Dantas exigia que Amorim identificasse os usuários que acessavam o site Conversa Afiada para criticá-lo. A Justiça rejeitou os pedidos.

“Eu tive de contratar pareceristas para mostrar, primeiro, que eu não conseguiria identificar o IP (espécie de RG do computador) e, segundo, que era contra a lei. Se o Daniel Dantas identifica meus internautas, o que ele vai fazer? Vender cópia do fundo dele em Cayman?”, brinca o jornalista.


Fim do mundo. As aranhas giganes estão na esquina

A “governança” sugerida pela revista causa arrepio aos defensores da liberdade na internet. Para Sergio Amadeu, pesquisador de cibercultura e integrante da comunidade do software livre, “esse tipo de rede controlada foi derrotado há muito tempo”. “Antes havia o Minitel, com um centro obrigatório do fluxo de dados, e era controlado. A vantagem da internet é assegurar a comunicação livre, distribuída. A inteligência da internet está na máquina de cada usuário. Um exemplo é a invenção do Google.”

Segundo o especialista, o problema da rede é justamente outro: o “vigilantismo” de quem tenta controlá-la para supostamente punir crimes que hoje são facilmente identificados a partir de rastros digitais, vide o caso da atriz Carolina Dieckmann, que teve fotos íntimas divulgadas na rede.

Ou seja: quem se sente injuriado ou ofendido, como no caso da atriz, tem direito de pedir providências à Justiça sem necessariamente ferir o direito individual de outros usuários.

Foi o que fez o jornalista Luis Nassif após uma série de ofensas escritas pelo braço armado da revista Veja (ironia) na blogosfera. Nassif atribui a esses soldados virtuais (seriam robôs-aranhas? ou formigas?) a origem de parte dos preconceitos manifestados pela rede. “Eu também sofri com as baixarias publicadas por Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Esse clima quem implantou foram eles.”

A contradição parece de fato um patrimônio para quem agora defende a proximidade de seu principal jornalista em Brasília com um contraventor. O mesmo juízo não impediu a revista de denunciar, em reportagem de 2001, o jornalista Ricardo Boechat por considerar impróprias suas relações com uma fonte.


Ética flexível. A Globo, que hoje defende a Veja, demitiu Ricardo Boechat por suas relações com uma fonte. Foto: Band

Na época, Boechat editava no jornal O Globo uma prestigiosa coluna de notas políticas e econômicas e fazia comentários na tevê do grupo. Grampos atribuídos a Daniel Dantas, que disputava o controle de duas operadoras de telefonia com os canadenses da TIW, foram publicados por Veja. Em alguns deles, Boechat conversa com Paulo Marinho, assessor do empresário Nelson Tanure, representante dos canadenses na disputa contra Dantas e dono do Jornal do Brasil. Foi o suficiente para Veja acusar uma trama para favorecer um dos lados de uma disputa empresarial. A família Marinho, que agora defende aVeja, demitiu Boechat. Vale lembrar: sua fonte era um empresário, de métodos controversos, mas não um contraventor.

Para Nassif, as últimas edições de Veja revelam o baque de uma publicação que, segundo ele, desde a Operação Satiagraha tem perdido legitimidade. Segundo o jornalista, a revista dá sinais de não ter “estratégia de enfretamento de crise” a cada edição. Ao declarar guerra às redes sociais, afirma, a semanal passou “um baita recibo”: na base de textos “infantilizados”, só despertou a atenção de seus leitores ainda não conectados à internet sobre o que acontece nas redes. Isso num momento em que, segundo ele, cada vez mais leitores correm para a internet em busca de informação diversificada.

Amadeu acredita que a revista reage às novas formas de comunicação porque percebeu não ter o controle do canal de interlocução. Pior: disputa agora com centenas de pessoas a influenciar outros milhares. “É uma reação típica de quem não é acostumado a conviver com o debate amplo na sociedade. Esses debates que antes eram feitos no boteco, hoje são feitos nas redes. E a Veja não queria conversar com ninguém.” E completa: “Não me lembro de ver nem o Berlusconi reagir dessa forma, depois de ser criticado como foi na internet. Nem o Rupert Murdoch”.

 

da Carta Capital - 18.05.2012


Lâmpada ou lanterna?

Mino Carta

Roberto Civita é dotado exclusivamente de certezas. Talvez se deva ao QI. Há 52 anos, em um dia de abril ou maio, vinha ao lado dele pela calçada de uma rua central de São Paulo a caminho da Editora Abril, onde eu aportara pouco antes, e eis que pergunta qual seria meu quociente de inteligência. Declaro ignorar, de fato nunca me submeti a exames psicotécnicos. Sorriso cesáreo, pronuncia um número e esclarece: “É o meu”. “Satisfatório, imagino”, comento. Mais que isso, premia um ser humano a cada 25 milhões de semelhantes. O Brasil tinha então 70 milhões de habitantes, donde deduzo: “Só pode haver mais dois iguais a você”. “Pode – admite, plácido –, mas a estatística inclui todos os terráqueos, de sorte que eu poderia ser o único.”

Roberto Civita tende mesmo a se considerar único, um Moisés chamado a conduzir a Abril à terra prometida. Pronto a pôr em prática, assim como o herói bíblico dividia as águas, as artes da mídia nativa, inventar, omitir, mentir. Tropeço entre atônito e perplexo na última edição da revista Veja, a qual impavidamente afirma, entre outras peremptórias certezas, a autoria da derrubada de Fernando Collor da Presidência da República em 1992. Comete assim, entre a invenção e a mentira, o enésimo lance clássico do jornalismo nativo ao contar um episódio tão significativo da história do País.

Um ex-diretor da Veja, Mario Sergio Conti, escreveu um livro, Notícias do Planalto, para sustentar que Collor foi eleito pelos jornalistas. Não sei se Conti é mais um dos profissionais que no Brasil chamam o patrão de colega. Claro está, de todo modo, que a mídia naquela circunstância executou a vontade dos seus barões, a contarem com a obediência pronta e imediata dos sabujos. E à eleição de Collor Veja ofereceu uma contribuição determinante não menos do que a das Organizações Globo. Agora gabam-se pelo dramático desfecho do governo interrompido e omitem que lhes coube a criação do monstro.

Os leitores recordam certamente a expressão “caçador de marajás”. Pois nasceu no berço esplêndido da TV Globo e foi desfraldada à exaustão pela capitânia da esquadra abriliana. Ocorre que o naufrágio collorido não foi obra desta ou daquela, e sim do motorista Eriberto, que prestava serviço entre o gabinete presidencial do Planalto, o escritório de PC Farias e a Casa da Dinda. Localizado pela sucursal de IstoÉ em Brasília ao cabo de uma exaustiva investigação, trouxe as provas que a CPI não havia produzido. É a verdade factual, oposta à versão da última edição de Veja.

Lembro aquele sábado de 1992 em que IstoÉ foi às bancas com as revelações decisivas, de sorte a obrigar os jornalões, a começar pelo O Globo, a reproduzir as informações veiculadas pela semanal que então eu dirigia. A entrevista de Pedro Collor a Veja, do abril anterior, não bastaria para condenar o irmão presidente, tanto que a CPI se encaminhava para o fracasso. Pedro, de resto, nada de novo dissera na entrevista, a não ser a referência a certos, surpreendentes supositórios de cocaína. No mais, repetira, um ano e meio depois, uma reportagem de capa de IstoÉ.


Manual da arte midiática nativa, incluídas mediocridadem parvoíce e ignorância

No fim de setembro de 1990, Bob Fernandes passou a acompanhar os movimentos de PC Farias por mais de um mês para desnudar, ao fim da tocaia, que o levou inclusive a hospedar-se no mesmo apart-hotel da eminência parda do governo, a culpa em cartório do presidente e seu preposto à corrupção. No dia do fechamento deIstoÉ, tarde de uma sexta-feira, fui visitado por um ex-colega, intermediário da tentativa de impedir a publicação. Veio ele melífluo, portador de um pedido partido de altos escalões (depois naquelas alturas identificaria a ministra Zélia, mais talhada para dançar bolero do que carregar a pasta da Economia), e eu prontamente apontei-lhe o caminho da rua. Nem por isso deixei de declinar a minha condição de empregado e admitir que meu patrão quem sabe pudesse ser seduzido com ouro, incenso e mirra. Não sei por que evoquei os magos na noite de Belém.

Logo, na prática, a sedução foi ensaiada em dólares, a bem da contemporaneidade, e Domingo Alzugaray, dono da Editora Três, recusou dignamente de 1 milhão a 5 milhões, até hoje ignoro o nível atingido pela derradeira oferta. Constatei depois, na costumeira troca de opiniões com meus botões, que os dólares teriam sido gastos inutilmente. A reportagem de capa caiu como pedra no pântano, não houve quem a repercutisse. Foi um daqueles momentos em que se recomenda o recurso à omissão.

Era cedo demais, teve de passar um ano e meio para que a mídia da casa-grande se convencesse de que o pedágio cobrado por Collor e PC era exorbitante. Apelou-se para o Pedro rebelde. Este episódio, desdobrado em pouco mais de dois anos de governo do “caçador de marajás”, é simbólico dos comportamentos dos nossos donos do poder, a partir da própria opção por Collor como anti-Lula. A tigrada em risco se dispõe a agarrar em fio desencapado.

O emblema é, porém, mais abrangente. Na sua patética edição desta semana Veja consegue demonstrar apenas que a lâmpada da capa é a enésima mentira. A série de textos pendurada no varal vejano estica-se na treva mais funda. Não se trata simplesmente de um manual de como o jornalismo pátrio atua, a inventar, omitir e mentir, mas também de mediocridade, parvoíce e ignorância. Em matéria, nos deparamos com uma obra-prima recheada por capítulos extraordinários na sua capacidade de suscitar tanto a hilaridade quanto o espanto.


Caçador de marajás. Fórmula exitosa explorada por Veja e pela Globo para fazer do senhor acima o anti-Lula. Foto: Protasio Nene/AE

 

 

Sem pretender hierarquizar na avaliação do ridículo e do grotesco, vale a afirmação de Vejaque se apresenta como vítima do ataque conjunto da imprensa ligada aos setores radicais do PT e pela internet, entregue a robôs de militância petista. Programados pelos cientistas (aloprados?) do partido da presidenta e do ex-presidente? O Brasil, segundo a semanal da Abril, confunde-se com Rússia, Cuba e Venezuela, onde a liberdade de imprensa é violentamente cerceada, e com a China, de internet robotizada. Talvez a rapaziada de Vejatenha de racionar suas idas ao cinema para assistir à ficção científica estilo Matrix. Claríssima é, contudo, uma área que a Skuromatic não logra alcançar: a proposta de censura à internet, estampada com todas as letras por quem se apresenta como paladino da liberdade de expressão.

Passagem empolgante aquela em que Veja define Antonio Gramsci, notável pensador do século passado morto na cadeia fascista às vésperas da Segunda Guerra Mundial depois de 11 anos de cativeiro, autor de uma obra monumental intitulada Cadernos do Cárcere, que ele considerava como ensaio daquela a ser escrita em liberdade. A revista da Abril decreta: Gramsci é um terrorista vermelho, não menos que Lenin e Stalin. Pois é do conhecimento até do mundo mineral que Gramsci plantou as raízes da transformação do partidão italiano, enfim capaz de abjurar os dogmas marxista-leninistas e de se afastar do Kremlin para desaguar no eurocomunismo de Enrico Berlinguer, de pura, autêntica marca social-democrática. Permito-me propor à redação de Veja os nomes de um punhado de terroristas: Sócrates, Jesus Cristo, Montano, Lutero, Maquiavel, Pascal, Voltaire, Caravaggio, Daniel Defoe, Jonathan Swift, Garibaldi, Bolívar, Dostoievski, Espinoza. Há muitos outros, mas são estes que me ocorrem de chofre.

Revelação De como transformar um grande pensador em terrorista

 

Não faltam, para fechar o círculo, as omissões. Por que não consta entre as façanhas vejanas a fantástica revelação das contas clandestinas no exterior de figurões variados do governo Lula, encabeçada por aquela do próprio presidente? E por que não se evoca a reportagem de sete anos atrás, sobre os dólares destinados a abastecer as burras petistas, chegados de Cuba em garrafas, com as mensagens dos náufragos? De rum, imaginariam vocês. Nada disso, de uísque. Nunca fica tão evidente, de limpidez ofuscante, que Veja é a revista do inventor da lâmpada Skuromatic.

Quando me demiti da direção da redação de Veja e de integrante do conselho editorial da Editora Abril, disse ao chairman of the board, Victor Civita: “Por nada deste mundo hoje trabalharia na Abril, entre outros motivos porque seu filho Roberto é um cretino”. O patrão retrucou, sem irritação evidente: “Não diga isso, diga ingênuo”. Dois dias antes, fevereiro de 1976, o filho me confessara, candidamente, que o então ministro da Justiça (Justiça?) Armando Falcão pedia a minha cabeça como condição do fim da censura e de um empréstimo de 50 milhões de dólares pela Caixa Econômica Federal.

É uma longa história, que já contei mais de uma vez. E eu me demiti, ao contrário do que escreveu Mario Sergio Conti, sabujo emérito, pronto a adotar a versão patronal, porque não queria um único, escasso centavo do inventor da lâmpada Skuromatic. Ou não seria lanterna, com a vantagem de ser carregada onde o usuário bem entenda?

P.S.: Não consigo entender por que Marco Antonio Barbosa, figura altamente confiável, não está entre os integrantes da Comissão da Verdade, alguns altamente inconfiáveis.

 

Texto soberbo!

 

A opção é entre democracia e austeridade

A leitura de boa parte dos analistas da crise européia revela uma constatação inconfessável, vergonhosa mas real.

Em horas difíceis, a democracia pode ser um estorvo para quem deseja aplicar políticas econômicas que contrariam os interesses da maioria.

É assim na Grécia, hoje.

O país já completou cinco anos de recessão, desemprego e desespero. Encerrada a campanha demagógica que procurava culpar os gregos por uma política de juros e empréstimos estimulada pelos grandes bancos europeus, interessados levantar o crédito e arrumar clientes para exportações dos países mais desenvolvidos, lamenta-se que as eleições tenham mostrado uma firme oposição à política de austeridade que Angela Merkel passou a defender solitariamente após a derrocada de seu aliado Nicolas Sarkozy.

Ninguém tem coragem de admitir que o erro fundamental era anterior. Consistiu em fingir que a prioridade européia era combater a inflação em vez de estimular o crescimento, desvio interesseiro que transformou em pesadelo sem fim uma crise que, em seus meses iniciais, era menos grave do que o colapso dos Estados Unidos.

Incapaz de acertar contas com o passado, fica difícil, para a Europa, ajustar-se para enfrentar os rigores do presente.

Durante meses, os governos europeus divulgaram a ilusão de que nada tinham a ver com a tragédia grega – não no teatro, mas na vida real. Numa postura essencialmente arrogante, que os brasileiros de uma certa idade conheceram muito bem, sua política econômica podia ser resumida pela linha Europa: Ame-a ou Deixe-a.

A doce ilusão era imaginar que, em sua versão contemporânea, a tragédia grega não teria mortos, nem catástrofes nem destruição.

Acreditava-se que seria possível jogar um país inteiro no abismo e voltar para casa para comer a sobremesa.

Hoje, estimativas do governo britânico mostram que a ruptura da Grécia com o euro pode ter um custo estimado em 1 trilhão de dólares –  fortuna suficiente tanto para jogar a economia mundial numa segunda recessão semelhante à de 2008, como para dar início a uma recuperação vigorosa.

Tudo isso por que?

Com a certeza de que desemprego na casa dos outros não dói e o empobrecimento é uma fatalidade merecida pelos que não se esforçaram na escola nem tiveram pais zelosos, os fanáticos do mercado dizem que o colapso era inevitável. Esquecem que, no momento decisivo da crise, o Banco Europeu decidiu elevar os juros, tornando a recuperação mais difícil. Quando, enfim, decidiu-se modificar a política monetária, tomou-se o cuidado de dar prioridade exclusiva a salvação dos bancos, em vez de tentar recuperar a economia, o que permitiria a sobrevivência das instituições financeiras, mas num ambiente mais saudável.

Reportagem do Wall Street que já comentei aqui mostra que, por caminhos diversos, os principais bancos europeus receberam um reforço de caixa de 1 trilhão de euros para fazer frente à  necessidades e ameaças de uma recessão que afeta suas receitas e sua sobrevivência.

Num universo de pessoas mentalmente saudáveis, essa fortuna seria investida em estímulos ao consumo e ao emprego, que ajudariam no crescimento e reforçariam a própria saúde dos bancos. Não seria só uma forma de obter apoio da maioria. Seria muito mais eficaz para superar a crise.

Mas não. Cada vez mais temerosos, os bancos entesouraram os recursos recebidos enquanto seus respectivos governos ficaram de braços cruzados. Para não ser injusto. Com o país à beira do abismo, o governo conservador da Espanha exige mais austeridade dos bancos, postura que, na prática, implica em aprofundar a recessão e cometer uma forma de suicídio moral.

É irracional e só contribui para precipitar a crise, ainda que seja compreensível pela submissão a uma visão fanática pelo mercado.

E assim chegamos a questão democrática.

Há três décadas o professor Adam Przeworski, cientista político que tem uma obra consistente de crítica ao liberalismo de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, e foi introduzido nos debates brasileiros por acadêmicos ligados ao PSDB, demonstrou num texto clássico que “a combinação de capitalismo e democracia constitui um compromisso: os que não possuem instrumento de produção concordam com a instituição da propriedade privada do capital social, ao passo que os que possuem meios de produção concordam com instituições políticas que possibilitam a outros grupos exigir seus direitos à participação de recursos e à distribuição de renda.”

O que se assiste, hoje, em relação à Grécia, é uma ruptura deste compromisso.

Aqueles que controlam o emprego, a renda e o crescimento, se voltam contra instituições que podem proteger os direitos da maioria. Imaginam que, em pleno século XXI, é possível sacrificar em silêncio a população de um Continente que é um exemplo de cultura, de conhecimento e de relativa igualdade social.

Essa é a questão.

http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/05/18/a-opc...

 

do Outras Palavras

 

Agrotóxicos, interesses e anti-jornalismoBY ADMIN – 17/05/2012POSTED IN: DESTAQUESMEIO AMBIENTE

Uma análise da matéria-marketing produzida por “Veja” para esconder evidências científicas e vender ilusão de que venenos não prejudicam saúde

Por Elenita Malta Pereira*

É o público que está sendo solicitado a assumir os riscos 
que os controladores de insetos calculam. (…) 
A obrigação de tolerar, de suportar, 
dá-nos o direito de saber.

(Rachel Carson, em Primavera Silenciosa)

A matéria “A verdade sobre os agrotóxicos”, publicada em Veja (edição de 4/1/2012), revisita um tema que é alvo de polêmicas, oposições apaixonadas e amplas discussões no Brasil desde os anos 1970. No entanto, apesar de décadas de controvérsia, já no título, a revista demonstra que pretende revelar a verdade sobre o assunto. A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em carta-resposta à Veja, considerou o tratamento dado a um tema tão controverso como “parcial e tendencioso”, apontando uma série de equívocos na reportagem.

Em Primavera Silenciosa, o primeiro alerta mundial contra os pesticidas, publicado em 1962, Rachel Carson descreveu diversos casos de pulverizações – especialmente de diclorodifeniltricloroetano (DDT) – nos Estados Unidos, nos anos 1950-60, quando morreram enormes quantidades de pássaros, peixes, animais selvagens e domésticos. As pulverizações para exterminar supostas “pragas” também contaminaram as águas de rios, córregos, dos oceanos, os solos e os humanos.

Carson já constatava, há 50 anos, que a questão dos resíduos químicos nos alimentos era tema de ardorosos debates. A existência de resíduos ou era desprezada pela indústria, que a considerava sem importância, ou era francamente negada. No entanto, pesquisas comprovavam, já naquela época a associação da presença do DDT no corpo humano com a alimentação, ao analisar gordura humana e amostras de alimentos em restaurantes e refeitórios.

Para a revista, “agrotóxico” é termo carregado de julgamento valor;
já “defensivos” seria correto, porque tais produtos 
serviriam para “defender” a plantação das pragas, insetos, parasitas…

Motivada pela divulgação, em dezembro de 2011, de um estudo sobre contaminação de alimentos por pesticidas promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) referente ao ano de 2010, a reportagem da Veja começa questionando o uso da palavra “agrotóxico”: o “nome certo é defensivo agrícola”. Segundo a matéria, “agrotóxico” é um termo impreciso e carregado de julgamento valor; já “defensivos” seria correto, porque esses produtos não servem para intoxicar o ambiente ou o consumidor, mas para “defender” a plantação das pragas, insetos e parasitas. Esse debate é antigo, construído ao longo de uma verdadeira contenda, que foi protagonizada por ecologistas, políticos e representantes das indústrias agroquímicas, desde os anos 1970. A própria nominação dos agroquímicos determinava de que “lado” estava quem nomeava: de um lado, executivos das indústrias fabricantes que, obviamente, queriam vender seus produtos; pesquisadores que recebiam financiamento dessas empresas para suas pesquisas e funcionários públicos, todos trabalhando para “defender” seus interesses. Do outro lado, entidades ambientalistas de vários estados, professores universitários e pesquisadores preocupados com o efeito desses produtos na saúde das pessoas e da natureza.

O termo “agrotóxico”, mais do que portar um juízo de valor, está consolidado na legislação brasileira sobre o tema, a Lei 7.802/89. A palavra já estava presente na primeira legislação estadual, a Lei 7.747, publicada no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1982, fruto de um amplo debate liderado por políticos, pesquisadores e ecologistas. O ecologista José Lutzenberger considerou a publicação dessa lei uma “vitória sem precedentes”, uma conquista da sociedade civil, inédita em diversos países. Por outro lado, o termo “defensivos agrícolas” também não é isento de valor: expressa que essas substâncias são boas, defendem a lavoura de pragas. No entanto, o próprio conceito do que pode ser considerado praga é questionável, depende do ponto de vista de quem está observando uma plantação. O que é praga na agricultura que usa produtos químicos pode ser um aliado no controle natural de insetos realmente prejudiciais, e até mesmo um indicador da saúde das plantas para quem pratica agricultura ecológica.

O interessante é que, apesar de afirmar que o certo é “defensivo agrícola”, as jornalistas usam, em trechos da reportagem, o termo agrotóxico – não como citação de outra fonte, o que é uma contradição.

A matéria da Veja afirma que apenas uma parte muito pequena das amostras analisadas pela Anvisa continha agrotóxicos acima do permitido. Mais ainda, que os motivos dessa ocorrência envolvem os agricultores: ou eles aplicaram doses acima do indicado, ou desrespeitaram o período de carência. A estratégia de culpar o agricultor também data de bastante tempo.

Desde os anos 1970, o problema, para os defensores da química na agricultura, nunca é o produto, mas sim, o agricultor, como se a toxicidade só dependesse do uso e não dos componentes utilizados na fabricação. A propaganda de agrotóxicos, em geral, anunciava cada novo pesticida como “mais eficaz” no combate às pragas, mais eficiente que o anterior, só que, muitas vezes, não dizia que era também mais venenoso. Mas a verdadeira avalanche de casos de intoxicação de agricultores parece demonstrar que esses produtos são muito perigosos. Até porque, se não fossem, não haveria necessidade do desenho de caveiras em seus rótulos.

A matéria da Veja faz afirmações de forma leviana e irresponsável para a população leiga no assunto, passando a impressão que os agrotóxicos não são tão perigosos assim. Ela diz que os alimentos que lideram o ranking da Anvisa de forma alguma representariam risco à saúde, que os resíduos estão dentro dos níveis seguros e que o uso de agrotóxicos não-autorizados não é prejudicial à saúde. Neste último caso, a justificativa seria o alto custo para os fabricantes alterarem os rótulos, indicando outros cultivos onde os pesticidas poderiam ser utilizados. Aqui, podemos perceber mais uma vez que os interesses das empresas sempre são relevantes e merecem ser preservados.

No entanto, a reportagem se contradiz – novamente – declarando que os resíduos de agrotóxicos não podem ser removidos dos alimentos com água, ou qualquer outra substância, já que o veneno penetra na polpa do alimento ou circula pela seiva da planta. Essa afirmação é um “tiro no pé”, muito negativa para quem quer defender os “defensivos”, e reforça o argumento de quem luta contra os agrotóxicos: um dos maiores problemas é a manutenção dos pesticidas no ambiente, por muito tempo; dependendo do produto, pode levar anos ou décadas para desintegrar-se, como é o caso bastante conhecido do DDT. Aliás, a matéria relata que, se o agricultor seguir a bula corretamente, “o produto sofrerá degradação natural com a ação dos raios solares, da chuva e de microorganismos”. Segundo a ABA, isso é uma inverdade: “as consequências ambientais e para a saúde, em função de uma aplicação que deixou resíduos, podem permanecer por muito tempo”.

São casos de bebês que adoeceram por causa do leite; 
crianças mortas ao ingerirem água contaminada; agricultores fulminados em pulverizações aéreas, entre inúmeros muitos outros

Segundo a matéria da Veja, só há riscos à saúde do agricultor quando ele não respeita as regras de uso, já que os equipamentos de segurança o protegeriam do contato com o veneno. No entanto, nem sempre o agricultor tem acesso a esses equipamentos ou à informação de como utilizá-los corretamente. Além disso, há muitos casos de intoxicação que independem do seu uso.

Consultando os arquivos dos jornais de maior circulação do país, é possível constatar uma quantidade impressionante de notícias sobre envenenamento e morte de agricultores, cuja causa envolveu a aplicação de produtos químicos na lavoura. Há períodos em que as ocorrências são diárias, envolvendo famílias inteiras, em cidades do interior do Brasil. Casos de jovens que dormiram durante meses, sem perspectiva de acordar, depois do contato com agrotóxicos; bebês que ficaram doentes por causa do leite, já que a vaca que o fornecia comeu pasto contaminado com pesticidas; crianças que morreram pela ingestão de água contaminada; agricultores fulminados durante pulverizações aéreas sem aviso prévio, entre outros, são exemplos nefastos de que o equipamento não é garantia de segurança total.

Artigo da Gazeta Mercantil (Porto Alegre, 28/05/1975) relata que o consumo de pesticidas no Brasil aumentou dez vezes entre 1964 e 1974 e questiona: “em que medida esse consumo teria sido fortemente incentivado, provocando o uso indiscriminado e exagerado de defensivos?” Se por volta de 1974 o consumo somava cerca de 74 mil toneladas anuais, o que dizer das cerca de 1 milhão toneladas em 2010 (de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola)? O estímulo ao uso intensivo desses produtos interessa aos fabricantes, pelos altíssimos ganhos, mas, ao mesmo tempo, provoca prejuízos não totalmente contabilizados ao ambiente e à vida humana.

Também segundo a reportagem da Veja, não haveria comprovação científica de que o consumo a longo prazo de resíduos de pesticidas nos alimentos provoque problemas sérios em seres humanos. Essa constatação demonstra um profundo desconhecimento da literatura científica sobre os efeitos desses produtos na saúde humana. Em relatório de 2012, elaborado pelo Instituto Nacional do Câncer, José de Alencar Gomes da Silva (Inca) consta que “importantes compostos cancerígenos encontram-se entre os metais pesados, os agrotóxicos, os solventes e as poeiras”. Além da população rural, que fica mais exposta pelo manuseio desses produtos, “toda a população pode ter contato com agrotóxicos, seja pela ocupação, pela alimentação ou pelo ambiente”. Substâncias como o DDT, clordane e lindane são promotoras de tumores. O relatório cita uma extensa bibliografia de estudos que relacionam, entre outros agentes, agrotóxicos e câncer.

Cientistas da Universidade de Caen, na França, que pesquisam há anos os efeitos dos herbicidas à base de glifosato (recordistas de vendas no Brasil), descobriram que eles contêm toxicidade que afeta diretamente as células humanas. Em artigos científicos recentes, os pesquisadores afirmaram que mesmo pequenos resíduos que ficam nos alimentos podem causar danos, especialmente ao rim humano. Artigo de professora da USP (Larissa Bombardi, 2011) afirma, a partir de dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Ministério da Saúde/Fiocruz (Sinitox), que no período de 1999 a 2009 ocorreram cerca de 62 mil intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola no Brasil.

ONU atesta que o Brasil é principal destino de agrotóxicos proibidos.
Sem qualquer base, Veja sustenta que somos
“um dos países mais rigorosos” no registro desses produtos

Outra informação da matéria da Veja é que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no registro de agrotóxicos”. No entanto, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso país é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Diversos produtos vedados nos Estados Unidos e na Europa são comercializados livremente aqui. Se o controle fosse mesmo rigoroso, o Brasil seria o maior consumidor mundial de agrotóxicos?

Encaminhando-se para o final, a reportagem põe em dúvida a credibilidade dos alimentos orgânicos, aqueles que são cultivados sem agrotóxicos. Ela questiona as regras para credenciamento e fiscalização: com um controle insuficiente, haveria riscos à saúde da população no consumo de alimentos orgânicos.

Citando o caso de contaminação por Escherichia coli, ocorrido em junho de 2011, na Alemanha, em que pessoas morreram ao consumir brotos de feijão germinados produzidos por uma fazenda orgânica, a matéria da Veja conclui que “não só por ser orgânico um produto é necessária e automaticamente mais saudável que o similar cultivado com o auxílio de defensivos”. Sem diminuir a gravidade das mortes ocorridas na Alemanha, é muito precipitado afirmar que não haveria diferença de risco no consumo de alimentos orgânicos ou não-orgânicos. Esse foi um caso isolado, que poderia ter ocorrido mesmo se a produção não fosse orgânica, afinal, é possível garantir que a fiscalização dos alimentos que usam produtos tóxicos seja eficiente?

A humanidade viveu milênios praticando agricultura sem venenos. Só após a segunda guerra mundial o uso da química na lavoura passou a ser recomendado como a melhor solução para o combate das “pragas” e para acabar com a fome no mundo – o que não ocorreu: os insetos ficaram resistentes aos venenos e há muitas pessoas passando fome ainda no século 21. A chamada “Revolução Verde” introduziu técnicas alardeadas como “modernas” (cultivo intensivo do solo, monocultura, irrigação, controle químico de pragas e manipulação genética de plantas), mas que geram dependência dos agricultores em relação às empresas que vendem os insumos vinculados a esse tipo de agricultura.

A produção de alimentos orgânicos, através de métodos agroecológicos, não interessa às grandes empresas que controlam o agronegócio no Brasil. Os orgânicos não dependem da compra de sementes (geneticamente modificadas ou não) ou da compra de agrotóxicos. Na agricultura ecológica, ou orgânica, o agricultor é autônomo, controla sua semente e seus próprios insumos, entre eles, matéria orgânica (compostagem, folhas de árvores, resíduos industriais, estrume, etc). O que a agricultura convencional considera como praga (insetos, fungos), ou erva daninha que deve ser exterminada pelos agrotóxicos, na agricultura ecológica é um sintoma, indicador da saúde da planta e do solo.

Cabe ao consumidor ficar atento ao debate, sua história
e aos interesses por trás dele. Como já dizia Rachel Carson em 1962, nós temos o direito de saber. No mínimo

No livro Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos, o engenheiro agrônomo francês Francis Chaboussou divulgou a “teoria da trofobiose”. Após anos de pesquisa, ele concluiu que o uso continuado de agrotóxicos adoece as plantas. E somente as plantas doentes, em desequilíbrio metabólico, são atacadas pelos parasitas. A planta equilibrada em crescimento vigoroso ou em descanso não é nutritiva para as pragas. Na verdade, na agricultura ecológica, a propriedade rural é pensada como um agroecossistema, em que a observação das interações que ocorrem no ambiente é vital. Solo nutrido, planta saudável. Inseridos na diversidade de espécies da propriedade agrícola, os alimentos orgânicos tendem a ser muito mais saudáveis que os não-orgânicos.

Em abril de 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) divulgou a primeira parte de um dossiê sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Escrito por professores universitários e pesquisadores com larga experiência no assunto, o dossiê externa a preocupação desses profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no Brasil e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública.

O relatório cita exemplos de cidades onde ocorre a contaminação das águas, no Ceará e em Mato Grosso, com destaque para Lucas do Rio Verde (MT), onde “chuvas de agrotóxicos”, ou seja, pulverizações aéreas indiscriminadas causaram surto de intoxicações agudas em crianças e idosos, bem como contaminação do leite materno.

Como as bases cientificas que sustentam o uso dos agrotóxicos são frágeis (“deveria caber às empresas demonstrar com rigor que não são nocivos para a saúde humana ou para o meio ambiente”), os pesquisadores questionam: “É lícito manter os agrotóxicos em uso na agricultura nesse contexto?” Além disso, os inúmeros casos de contaminações de trabalhadores e população em geral, desde os anos 1970 até hoje, oneram o SUS, custando muitos milhões aos cofres públicos.

Como podemos perceber, a “verdade sobre os agrotóxicos” está bem longe de ser alcançada. O debate está polarizado: de um lado, as indústrias e os comerciantes, a quem interessa divulgar que os “defensivos” não causam danos à saúde humana; do outro, profissionais da área da saúde engajados na posição de que os agrotóxicos fazem sim muito mal aos humanos e aos ecossistemas onde são aplicados. A preocupação aumenta na mesma medida que o consumo desses produtos no Brasil, que desde 2008 carrega o título nada honrável de maior comprador de agrotóxicos do mundo.

Cabe ao consumidor ficar atento ao debate, à história e aos interesses por trás dele. Afinal, como já dizia Rachel Carson lá em 1962, nós temos o direito de saber. No mínimo.


*Elenita Malta Pereira é doutoranda em História na UFRGS

 

da Agência USP de Notícias

 

Fator emocional é decisivo na aceitação da energia nuclearPor Paloma Rodrigues - paloma.rodrigues@usp.br
 Publicado em 18/maio/2012 |  Editoria : Sociedade | Imprimir Imprimir | Receio das pessoas é fruto de experiências anteriores, como acidentes e desastres

A população brasileira tem uma predisposição a não gostar da ideia de o Brasil ter instalações nucleares. Segundo o pesquisador Felipe de Moura Kipper, fatores emocionais são decisivos na hora das pessoas opinarem se são ou não favoráveis às instalações nucleares. “Os fatores emocionais são baseados em experiências anteriores, como por exemplo o acidente nuclear em Chernobyl (1986). Eles não são aleatórios e, portanto, podem motivar decisões acertadas”, diz Kipper, que pesquisou o tema em seu mestrado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), instituição associada a USP.

O receio desses acontecimentos permanece vivo no subconsciente popular e o mantém distante da aceitação da energia nuclear. “A opinião pública precisa entender os benefícios trazidos por esta energia e só quando isso acontecer se deve investir em instalações nucleares no Brasil, porque a vontade democrática deve ser respeitada.”

A pesquisa foi estruturada a partir da percepção de estudantes do ensino médio em relação às instalações nucleares no Brasil, com o objetivo de entender como a comunicação afetava o entendimento dessas pessoas sobre o tema. Eles tinham de responder de 1 a 5, sendo 1 o menor entendimento e 5 o maior. Dentre as questões colocadas estavam “benefícios da energia nuclear”, “riscos que ela oferece”, etc.

Dentre os meios que o público mais tem acesso para se informar sobre o tema, a TV e o rádio são mais representativos. O pesquisador pontua que a falta de um conhecimento técnico apurado dos profissionais da mídia atrapalha o entendimento das pessoas, pois informações corretas deixam de ser passadas e, muitas vezes, questões como desastres e acidentes são tratadas de maneira catastrófica.

A metodologia do trabalho se alterou com o acidente na usina nuclear de Fukushima, no Japão, em março de 2011. “O acidente aconteceu bem no meio do trabalho e não pudemos ficar alheios à isso. Era uma experiência muito rica envolvendo o assunto e tivemos que passar a considerar os efeitos que esse acidente teria sobre a percepção das pessoas”, afirma Kipper.

Fukushima
Estudando o acidente e os efeitos que ele traria – como os países repensando suas instalações e seus modelos de proteção contra acidentes nucleares, por exemplo -, Kipper e seu orientador, Antonio Carlos de Oliveira Barroso, também do IPEN, consideraram estudar o quanto as emoções eram decisivas na opinião das pessoas. “Com o mesmo questionário sendo aplicado, seria possível avaliar a mudança da percepção das pessoas depois do acidente”, diz.

Novas questões foram propostas aos estudantes do ensino médio e, nessa segunda fase, o pesquisador incluiu especialistas e pesquisadores no assunto para também responderem ao questionário, dando um total de 463 respondidos.

As principais diferenças nas percepções estão relacionadas aos benefícios oferecidos. Eles estão muito mais claros para os especialistas, enquanto pra população em geral esse assunto ainda é nebuloso. “No Brasil, utilizamos muito a energia hidrelétrica, o que gera a dúvida na população do porquê é necessário investir em uma energia considerada mais perigosa. Na Europa, por exemplo, a situação é diferente, pois há uma forte presença de combustíveis fósseis e carvão mineral, então elas levam mais em consideração os impactos ambientais, especialmente o problema da emissão de gases de efeito estufa, cuja emissão é quase inexistente para as centrais nucleares.”

O papel do entendimento das pessoas passou a ser mais considerado nos últimos anos. O pesquisador se baseou em trabalhos do neurologista Antonio Rosa Damásio, que diz que o entendimento das pessoas está pautado por um modelo formado de acordo com as experiências positivas e negativas vividas, de modo que esse entendimento não é tão irracional, como se poderia imaginar. “As pessoas definem um padrão que acaba sendo bom pra elas. Se neste momento a população brasileira acredita que instalações nucleares não são positivas é porque há fundamentos para dizer que não são.”

Isso fica claro quando os especialistas, favoráveis às instalações nucleares, disseram que sentiriam medo se as instalações fossem construídas próximas às suas casas. “Nas respostas, os especialistas apontaram medo e receio de viver com uma instalação nuclear em seu entorno”, coloca Kipper. Desta maneira, fica claro que apesar de haver uma larga defesa para uma introdução mais abrangente da energia nuclear no Brasil, os próprios técnicos entendedores do assunto não se sentem confortáveis para viver sob os riscos que essa introdução representaria.

 

do OIT Brasil

 

Tendências das taxas de pobreza no mundoImprimir em PDFImprimir em PDF

GENEBRA (Análise da OIT) – Durante anos, o crescimento da pobreza parecia ser um problema que afetava somente o mundo em desenvolvimento. Desde o início da crise mundial, a situação mudou muito. De acordo com o Relatório sobre o Trabalho no Mundo em 2012, os níveis de pobreza diminuíram na maioria dos países em desenvolvimento nos últimos anos, mas não tanto nas economias desenvolvidas.
O relatório mostra que os índices nacionais de pobreza diminuíram em três quartas partes dos países em desenvolvimento, especialmente naqueles que adotaram políticas sociais significativas. Por outro lado, as taxas de pobreza aumentaram ou permaneceram inalteradas em 25 de 36 economias desenvolvidas devido à deterioração dos mercados laborais e dos efeitos negativos das medidas de austeridade.
Os países da América Latina e da Ásia se destacaram neste quadro. Obtiveram bons resultados na luta contra a pobreza graças às políticas sociais, tanto com transferências sociais como com medidas diretas dirigidas à erradicação da pobreza.
No Brasil, por exemplo, a extensão do programa de transferência de renda condicionada, o aumento dos benefícios sociais não contributivos às pessoas de baixa renda e o aumento do salário mínimo contribuíram para a redução da pobreza.
Na Índia, a ampliação da lei nacional de emprego garantido reduziu a pobreza e o subemprego e, ao mesmo tempo, estimulou as oportunidades de emprego e os salários nas zonas rurais.
A situação nas economias desenvolvidas é muito diferente. Segundo o relatório, as taxas de pobreza diminuíram somente em 11 de 36 países, aumentaram em 17, e permaneceram basicamente inalteradas em 8.
Uma Rani, uma das autoras do relatório, assinalou que o rendimento dos países desenvolvidos esteve vinculado à evolução do mercado laboral, incluindo o aumento do emprego temporário, do trabalho precário, e dos salários baixos, assim como a um aumento no desemprego juvenil que agravou ainda mais as finanças familiares.
“As medidas de austeridade, que conduziram a uma redução das transferências sociais, também tiveram graves repercussões”, afirmou Uma Rani, do Instituto Internacional de Estudos Laborais da OIT (IIEL), citando os exemplos de Alemanha, Áustria, Canadá e Suécia. A bolha imobiliária que precedeu a crise afetou ainda mais os níveis de pobreza em alguns países, já que o aumento dos preços das habitações causou o aumento do endividamento das famílias.
O Risco da Pobreza Intergeracional
O relatório adverte que o aumento da pobreza poderia conduzir a uma transmissão da pobreza de pais para filhos, reforçando as possibilidades de que a longo prazo os pobres permaneçam pobres.
“Uma das razões pelas quais certos grupos continuam presos à pobreza são os salários baixos”, assinalou Pelin Sekerler Richiardi, outro dos economistas do IIEL que contribuiu para o relatório. “Historicamente, este fenômeno estava associado ao desemprego. No entanto, atualmente um número cada vez maior das pessoas que trabalham também são pobres”.
O desemprego juvenil que, geralmente, persiste muito tempo depois da reativação do crescimento, é outro fato que poderia conduzir à pobre intergeracional. O relatório cita um estudo de 2011 que mostrava que na Bélgica a probabilidade de os jovens graduados encontrarem trabalho depois de estarem desempregados durante 21 meses diminuía de 60 para 16 por cento para os homens e de 47 para 14 por cento para as mulheres.
As desigualdades não relacionadas com a renda como aquelas associadas com a saúde pioraram em muitas regiões como consequência da crise. “Isto afeta os países em desenvolvimento onde o acesso aos serviços médicos é muito restrito e a cobertura sanitária limitada, mas também tem repercussões sobre as economias desenvolvidas”, disse Sekerler Richiardi.
O relatório menciona a Grécia, onde muitas pessoas perderam seu acesso aos serviços médicos já que as medidas de austeridade impuseram cortes de cerca de 40 por cento aos orçamentos dos hospitais públicos, e Estados Unidos, onde a crise deixou as famílias incapazes de pagar os custos com saúde.
O acesso à alimentação continua sendo a mais alarmante das desigualdades nos países em desenvolvimento, mas existem importantes desigualdades no acesso ao crédito, em particular para as pequenas e médias empresas, que registram uma pronunciada queda em diversos países europeus, sustenta o relatório.
Na Europa, as pequenas e médias empresas registraram cerca de 6 por cento de aumento na rejeição de suas solicitações de crédito bancário. Na Estônia e Letônia, em 2009 as empresas tinham 15 por cento mais de probabilidade de ter limitações ao crédito em comparação com o ano de 2005, enquanto que a Grécia registrou uma diminuição do crédito ao setor privado em 2010, que passou a ser negativo no início de 2011.
“Isto evidentemente tem consequências sobre o mercado de trabalho e um impacto sobre as taxas de pobrezas em muitas economias desenvolvidas”, concluiu Uma Rani.
 
Para mais informações, acesse http://www.ilo.org/global/publications/books/world-of-work/lang--es/index.htm

 

..."os níveis de pobreza diminuíram na maioria dos países em desenvolvimento nos últimos anos, mas não tanto nas economias desenvolvidas."..

Vamos ver destes países quem segue a risca o neoliberê?

 

da Agência Brasil

 

Exposição marca o centenário do doutor Zerbini, o pai da cirurgia cardíaca no Brasil19/05/2012 - 15h09

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A exposição Zerbini: o Homem, o Cirurgião e o Cientista, aberta esta semana no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas de São Paulo, mostra a evolução da cirurgia cardíaca no Brasil. A exposição marca os 100 anos de nascimento do médico responsável pelo primeiro transplante de coração da América Latina.

O visitante vai ver desde os primeiros equipamentos usados nas cirurgias cardíacas aos mais modernos, além de objetos pessoais, fotografias e documentos de um dos mais importantes nomes da cardiologia brasileira. Na exposição, em cartaz até o dia 17 de agosto, também será exibido o documentário O Primeiro Transplante de Coração, de 1968, do diretor B.J. Duarte.

A mostra foi organizada pelo médico Noedir Stolf, que trabalhou como assistente do médico Euryclides de Jesus Zerbini. Para ele, o legado do dr. Zerbini foi o estabelecimento de uma filosofia de produção de equipamentos e dispositivos nacionais para cirurgias cardíacas, que se transformou em indústria. “Hoje, o país não só produz para o mercado nacional, como exporta”.

Além disso, Zerbini foi também responsável pelo início do funcionamento do InCor como centro de excelência em pesquisa, ensino e tratamento de doenças do coração e pulmão. “O InCor é, sem dúvida, uma instituição de vanguarda na América Latina”.

Zerbini nasceu em 10 de maio de 1912 e morreu em outubro de 1993. Ele formou mais de 400 discípulos em todo o Brasil e na América Latina.

Os destaques da exposição são a primeira máquina de circulação extracorpórea, que faz o papel do pulmão quando o coração precisa parar de bater durante as cirurgias, e os stents farmacológicos, um tipo de mola que, introduzida na artéria, expande e desobstruir o vaso. Os dois equipamentos são fabricados no instituto.

“No momento, o InCor não tem mais a missão de produzir equipamentos em série, mas produzimos materiais que são usados rotineiramente. Temos vários projetos em fase de teste clínico, como um ventrículo artificial que já foi utilizado em doentes adultos. Temos também um ventrículo pediátrico, que é muito raro, na fase final de teste”, explicou Stolf.

O presidente do Conselho Diretor do InCor, o médico Fábio Jatene, disse que a cirurgia cardíaca foi uma das especialidades que mais evoluiu, apesar de ser relativamente recente quando comparada com outras especialidades cirúrgicas. O desenvolvimento mais forte se deu a partir do fim da década de 1960. “Hoje conseguimos tratar com operações todas as principais patologias [do coração], como doenças congênitas que precisam de mais de uma cirurgia para o tratamento. Cuidamos de problemas das válvulas, artérias coronárias e de insuficiências cardíacas, entre outras”.

Jatene destacou que o InCor é considerado um hospital de vanguarda, com capacidade para fazer cirurgias usando as mais modernas técnicas disponíveis no mundo. “Não ficamos a dever nada em relação aos centros mais evoluídos e o nosso desafio é continuar mantendo essa modernização”. O cirurgião também citou como desafio a possibilidade de fazer as mesmas cirurgias de forma menos invasiva, menos agressiva para o paciente, com incisões (cortes) menores e uso de equipamentos mais delicados e flexiveis. “Ou seja, tratar os pacientes bem, com ótimos resultados e com uma agressão cada vez menor”. Jatene ressaltou que reunir os métodos clássicos com as técnicas de menor invasão é uma tendência mundial.

Durante a cerimônia de comemoração dos 100 anos de Euryclides Zerbini, o governador Geraldo Alckmin anunciou a construção de um novo prédio para ampliar e modernizar o pronto-socorro do InCor, além da reforma de dois andares do prédio atual e a compra de novos equipamentos. Ao todo, serão investidos R$ 43 milhões na obra.

“Equipamentos que estão em outras áreas do hospital serão instalados no pronto-socorro para que as pessoas não precisem se deslocar em situações de emergência. Isso é indispensável”, disse Jatene. Ele também informou que um setor de experimentação, fechado há dez anos, será reativado.

O Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias cardiovasculares, com mais de 100 mil operações por ano. No InCor, são feitas, aproximadamente, 5 mil cirurgias por ano. “Esse número é suficiente, o problema é que o instituto tem uma capacidade instalada, nós nunca conseguimos crescer extraordinariamente. O que precisamos é fazer [os atendimentos] com mais eficiência, sempre empregando as melhores técnicas”.

Os transplantes cardíacos também são destaque no InCor, que faz cerca de 50 cirurgias desse tipo por ano. Os transplantes pulmonares chegam a 40. O hospital sabe que é preciso ampliar este número, por causa da grande demanda.

Jatene explicou que a doença que mais afeta os pacientes é a insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue para manter o sistema circulatório em pleno funcionamento. Nesse caso, uma das alternativas é, justamente, o transplante do órgão. “Recentemente, propusemos uma reestruturação nos transplantes no Incor e isso está em discussão. Queremos que as áreas cardiológicas e pneumológicas trabalhem em conjunto para otimizar recursos e material humano”.

Edição: Vinicius Doria

 

do Outras Palavras

 

Transportes: por que se rejeita os VLTsBY ADMIN – 14/05/2012POSTED IN: CIDADESDESTAQUESMOBILIDADE URBANA

Rápidos e baratos, eles poderiam transformar mobilidade nas metrópoles. Porém, incomodam empreiteiras, frotas privadas de ônibus e obsessão pelo automóvel 

Por Rogério Centofanti*

Ninguém parece se conformar com a evidência: trânsito e transporte na cidade de São Paulo (e em alguns de seus satélites) estão além do suportável, e não existem soluções à vista, exceto por meio de medidas radicais. Não sabendo pensar mobilidade além dos meios convencionais, ou por nos recusarmos a imaginar soluções que ameacem a desconfortável “zona de conforto”, ficamos reclamando em círculos.

Esquecemo-nos de que as soluções do passado converteram-se nos problemas do presente. O automóvel, enquanto saída individual e privada para os péssimos transportes coletivos (ruins em quantidade e qualidade), foi interessante até que milhões deles congestionassem ruas e avenidas, além de aumentar o custo das construções, pois a garagem tornou-se tão essencial como o dormitório.

As motos chegaram aos poucos, como solução igualmente individual e privada, econômica e prática para escapar do trânsito, e hoje fazem parte do problema, em especial no quesito segurança.

Para ajustar todo esse volume de pneus ampliaram-se ruas e avenidas, criaram-se túneis e viadutos, mas o volume do tráfego cresceu e cresce em proporção superior as obras. Reduziram-se as calçadas, impediu-se o estacionamento junto ao meio fio, mas não resolveu. Áreas que poderiam estar a serviço de construções de residências transformaram-se em estacionamentos privados, cujos preços são, proporcionalmente, mais caros do que dos aluguéis ou de estadas em hotéis.

Além de monopolizar os espaços públicos, os veículos sobre pneus poluem a atmosfera que respiramos e roubam o reconfortante silêncio desejado dos ambientes comuns. São esses subprodutos que fizeram do “minhocão” um símbolo de fracasso transformam o opção por túneis num caso perdido.

De que vale um carro possante, se a velocidade está limitada ao ritmo lento do trânsito? Com exceção do ar condicionado, os modernos automóveis equivalem, na operacionalidade, a um fusca 67. Automóveis movidos a células de hidrogênio resolverão os problemas de poluição atmosférica e sonora, mas os congestionamentos serão os mesmos. Isso também será verdadeiro para motos e ônibus movidos a energia limpa.

Aposta nas bicicletas é uma bandeira de valor emblemático mas, sabemos todos, não solução de massa. Ainda que se criassem ciclovias ou ruas exclusivas para bicicletas, é evidente que seriam inviáveis em distâncias consideráveis, em especial nos dias de chuva.

Como apelo extremo, mas para que as coisas fiquem como estão, fala-se em transferir residências para perto dos locais de trabalho, ou deles para perto das residências, como se isso fosse possível em uma sociedade movida pelo princípio do laissez faire econômico e social, e incentivador das iniciativas individuais como símbolo de liberdade –dentre elas, o próprio automóvel.

A proposta mais razoável é alterar os horários de trabalho por categorias, mas isso irá gerar imenso problema no arranjo econômico das atividades. Por esse motivo, a ideia nunca avança.

Anuncia-se a penalização do tráfego de automóveis pela adoção de pedágios urbanos, mas é uma proposta que prejudica exclusivamente os menos afortunados.

Para reduzir o impacto do custo direto e indireto do automóvel em suas economias, as pessoas migraram para os transportes coletivos e públicos – trens e metrô – e descobriram que são insuficientes e falhos.

Desnudados diante dessa evidência, governantes tentam empurrar a massa de usuários para os ônibus — coletivos, porém privados — o que devolve a tudo e a todos ao atoleiro dos pneus.

Em complemento ao metrô, cujo benefício cultural e econômico é transitar por debaixo da superfície e, nessa medida, em nada alterar a saga rodoviarista nas ruas e avenidas, surgiu o monotrilho, que transita acima da superfície, mas cuja eficiência é uma experiência a ser conhecida. Se de um lado atraiu atenções como mais um esforço para desafogar a cidade, trouxe consigo o estigma do “minhocão”, pois irá roubar a vista, a privacidade e o silêncio próximo de janelas de edifícios residenciais, não raro de luxo, criando um problema desta vez imobiliário.

As melhores saídas radicais que conheci no passado foram os “calçadões”. Não imagine o leitor que foi fácil decidir por eles. Comerciantes gritaram, pois teriam problemas com carga e descarga de mercadorias. Compradores gritaram, pois não teriam como estacionar seus carros na porta das lojas. Depois da gritaria generalizada, comerciantes encontraram soluções para abastecimento, assim como usuários de automóveis. Hoje, é pouco provável que comerciantes e consumidores aceitem que as coisas voltem a ser como eram. Os calçadões devolveram o espaço público totalmente ao uso público, isto é, para os pedestres.

Evidente, entretanto, que não se pode imaginar a mobilidade nas grandes cidades com base nos pés. Se questionável com as bicicletas, o que dizer com os pés.

Parece que a situação pode ser colocada, ainda que de forma difusa, da seguinte forma: 1) asfalto demais e calçadas de menos; 2) individual demais e coletivo de menos; 3) privado demais e público de menos.

Transporte público e coletivo com grande e média capacidade de transporte é o que caminha sobre trilhos: trens, metrô e monotrilho — todos com a imensa vantagem de fazer uso de energia limpa. Trens e metrô têm vocação estruturadora – grande capacidade; monotrilho é, digamos, “capilar”, de média capacidade. Todos os três são segregados, isto é, caminham em vias próprias, sem cruzamentos, o que os torna velozes quando comparados aos “carrões” parados nos congestionamentos, inclusive os ônibus.

Ninguém, entretanto, fala em VLT – Veículo Leve sobre Trilhos -, e muito menos em seus diferentes modelos e capacidades. Justamente ele, o mais barato da família dos trilhos, igualmente ecológico, pois movido por energia elétrica, nem mesmo é cogitado. Motivo? Disputaria com automóveis, carros e ônibus o espaço público das ruas e avenidas. A rigor, nem mesmo disputaria, pois o ideal é que a escolha fosse VLT ou os demais sobre pneus. Nisso ninguém quer pensar, e tampouco discutir.

Nem mesmo se fala neles ocupando linha própria e paralela à dos trens, no mesmo leito, servindo os usuários que se deslocam entre estações próximas, e assim desafogando os próprios trens. Sequer essa possibilidade é discutida. VLT está fora do foco das atenções dos governos (estado e municípios), de gestores de empresas de transporte público, e dos inúmeros “especialistas” que voltam a apostas nos corredores de ônibus. Corredores de VLTs? Nem pensar.

Afinal, qual é o problema do VLT, para se tornar o patinho feio na família dos transportes sobre trilho? É barato demais para atrair interesses? Roubará espaço físico e financeiro das empresas de ônibus?

Ele seria uma boa solução para as regiões centrais – em especial nas extensas avenidas de comércios e serviços, ocupando espaço público hoje a serviço de carros e ônibus, permitindo o alargamento das calçadas para uso humano. Aliás, isso é igualmente verdadeiro para boa parte das longas avenidas que servem os bairros.

Por que ninguém fala nisso? Pouca gente sabe, mas em 1916 a cidade de São Paulo tinha 227 km de trilhos urbanos, e na superfície. Que tal recuperar ao menos parte desse número?

Não se faz omelete sem quebrar ovos.

*Rogério Centofanti é consultor do Sindicato dos Ferroviários da Alta Sorocabana-SP e editor do site São Paulo Trem Jeito

 

"Ninguém parece se conformar com a evidência: trânsito e transporte na cidade de São Paulo (e em alguns de seus satélites) estão além do suportável,"

A evidência que ninguém quer observar é que o modelo neoliberê de crescimento está falido. Cresimento e desenvolvimento são diferentes e o mainstrean tenta confundí -los.

 

da Revista Pesquisa Fapesp

 

HUMANIDADES

Quando parar é ir para a frente

Ciclo de greves entre 1978 e 1992 foi fundamental para a democratização brasileira

CARLOS HAAG | Edição 193 - Março de 2012

  

© ANTÔNIO GAUDÉRIO/FOLHAPRESS


Assembleia de funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, na praça da Sé, em 1975

“Pois quem toca o trem pra frente/ também de repente/ pode o trem parar”, escreveu Chico Buarque em Linha de montagem (1980), uma homenagem do compositor ao ciclo de greves iniciado em 1978 na principal área industrial do país, o ABC paulista, após um intervalo de uma década sem nenhuma paralisação. Uma vez iniciado o movimento, seguiu-se uma onda de 20 anos de greves, um ciclo cujo pico, entre 1985 e 1992, fez com que o Brasil apresentasse um dos maiores níveis de paralisações da história dos países ocidentais. O trem parou mesmo de repente: se em 1977 não há registros de greves, no ano seguinte seriam 118 e nos próximos 10 anos mais de 2 mil. Para os economistas, a locomotiva brecou em função de mudanças tecnológicas, PIB, índices de salários e desemprego. Já os sociólogos viam no maquinista um proletário que queria tirar o país dos “trilhos” em que ele estava e, mais do que salário, desejava mudanças estruturais e ideológicas.

“A análise das estatísticas das greves mostra que nenhum dos dois dá conta do fenômeno. O ciclo brasileiro de paralisações comportou-se de forma claramente vinculada às características e ao processo de transição política brasileira para a democracia”, explica o cientista político Eduardo Noronha, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do projeto Arquivos das greves no Brasil: análises qualitativas e quantitativas da década de 1970 à de 2000, feito em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e apoiado pela FAPESP, que gerou um banco de dados completo das paralisações, das reivindicações feitas até o resultado final dos conflitos trabalhistas. Além disso, foram feitas 50 entrevistas com líderes sindicais desde os anos 1960 e que irão gerar três volumes a serem lançados em 2013. “Deu-se pouca atenção à relação entre greves e processos políticos, sobrevalorizando as variáveis econômicas ou tratando as políticas de forma genérica, seja mostrando as greves como expressão de conflitos de classe ou político-partidários”, observa. Segundo ele, a variação do volume de greves não se deve a mudanças menores nos indicadores de emprego, renda ou inflação, ou, no campo da política, às oportunidades de ampliação de demandas nos anos eleitorais. “Isso tudo influencia a explosão de paralisações, mas não basta para explicar os momentos de rupturas de um ciclo de greves”, diz.

Para Noronha, as greves fazem parte da trajetória brasileira de democratização, de amadurecimento da sociedade brasileira. “Aqui, as greves não eram só no espírito do ‘abaixo a ditadura’, mas queriam democracia nos lugares de trabalho. Claro que a luta por salários melhores era a grande motivação, mas havia também uma luta pela redução da falta de cidadania dentro das fábricas, onde operários eram desrespeitados. A ditadura também estava nos lugares de trabalho.” Há registros de reivindicações grevistas que pediam a liberdade de ir ao banheiro sem consultar o capataz, entre outros direitos básicos. “As greves, claro, tinham uma dimensão política, mas não partidária. Os trabalhadores queriam um novo status na sociedade brasileira.” A democratização nacional, após um longo período de autoritarismo, instabilidade econômica e superação do modelo desenvolvimentista, é, nota o pesquisador, a chave para entender a onda excepcional de greves. Afinal, desde o início do século XX até o final da democracia populista, os sindicatos brasileiros não foram capazes de promover um ciclo de greves com impacto econômico.

Em suas pesquisas, Noronha observou a presença de “marcos políticos e econômicos dos governos federais”, de Geisel a Lula, que mudavam a tendência da opinião pública independentemente das variáveis econômicas tradicionalmente valorizadas na análise dos ciclos grevistas, como emprego e inflação. Os dados mais relevantes para o entendimento do ciclo de greves brasileiro são até certo ponto inéditos, pois resultaram de expectativas coletivas associadas aos marcos das gestões governamentais e, secundariamente, às conjunturas políticas e econômicas de cada ano. “O final da década de 1970 é uma ruptura da história das relações de trabalho no Brasil. Nada menos provável do que a greve da Scania em 1978 e, no entanto, foi a mais importante delas, por mostrar que as greves eram possíveis e por despertar a opinião pública”, diz.

© CLOVIS CRANCHI/AE


Lula discursa na assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos em 1980

O pesquisador lembra que transições políticas são momentos ideais para ações coletivas pelo crescimento do interesse da sociedade em geral em participar de manifestações públicas. Havia, então, uma insatisfação geral com o governo militar e a mídia comprou o discurso da democracia, incluindo a greve como um instrumento legítimo da sociedade rumo à democratização. “Isso fez com que os marcos de alteração do comportamento grevista no país fossem simultâneos às alterações políticas e institucionais da transição, sendo os principais momentos de ruptura os de 1978, quando os metalúrgicos do ABC forçaram a sua incorporação ao projeto de ‘abertura’ dos governos Geisel e Figueiredo, e 1985, ano da posse do primeiro governo civil do pós-64.” Assim, fatos políticos abalaram ou incentivaram o movimento sindical.

“Pode-se observar isso na redução das greves entre 1980 e 1982, explicável não apenas pelo aumento do desemprego, mas também pelo atentado do Riocentro, que mostrou as rupturas entre os militares com o programa de liberalização política. Os sindicatos, então, recuaram, pois entenderam que o momento não era favorável para greves e trocaram o ativismo para a organização interna, que levou à criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983”, conta Noronha. Outro exemplo, segundo o autor, ocorreu com a queda dos indicadores de greve a partir de maio de 1992, quando surgem as denúncias de corrupção do governo Collor, até o fim do ano, com a queda do presidente. “Isso parece confirmar a sensibilidade dos sindicatos em face de uma nova instabilidade política e reforça a hipótese de que as variáveis políticas são essenciais para se entender uma greve.”

Outro marco importante foram as eleições estaduais em 1982. Após um longo período sem diálogo com o Estado, os sindicatos não pouparam os novos governadores oposicionistas eleitos, cobrando-os com greves. “A partir desse contexto em que os riscos da greve haviam diminuí-
do e as oportunidades de ganho aumentado, as paralisações não se concentraram mais no setor privado, mas, em especial, cresceram entre os servidores públicos.” As greves, então, dominam o cenário nacional, já que a tendência dos governos estaduais em consolidar sua legitimidade como lideranças democráticas refletiu-se no nível federal: a disposição à negociação dos governadores era um contraponto à prática repressiva do governo federal. Alguns segmentos do governo, diante das derrotas eleitorais, passaram a se aproximar dos sindicalistas com propostas de reformas da CLT.

O governo Sarney, em 1985, legitimou as lideranças sindicais como interlocutores válidos para o Estado e as greves ajudaram a consolidar um novo padrão de relações entre empregados e empregadores com a disseminação das negociações. Mas as greves brasileiras eram movidas por componentes que fugiam ao senso comum. “Os salários, em todo o mundo, são a pauta principal das greves e aqui não foi diferente. No caso brasileiro, porém, as greves aumentam não quando os salários caem, mas quando podem subir. Ou seja, as greves são deflagradas quando os trabalhadores acreditam que seja possível obter ganhos salariais, não importando o quanto os salários são percebidos como baixos ou adequados”, explica. Assim, entre 1988 e 1991, apesar de o rendimento real não ter caído, as greves crescem nos dois setores que, somados, ultrapassaram a marca de 2 mil greves e cerca de 185 milhões de jornadas não trabalhadas.

Apesar disso, segundo Noronha, foram raras as paralisações que apresentaram demandas políticas, embora a evolução do nível e do padrão de conflitos estar claramente marcada pelos principais momentos políticos da década de 1980, o que lhes dá outra dimensão além da corporativa. “A flutuação do conflito trabalhista no Brasil seguiu de perto os passos da transição brasileira. Primeiro, porque o movimento sindical avançou (e soube recuar) a cada etapa do processo de liberalização do regime autoritário. Depois, porque a incorporação da classe trabalhadora e da liderança sindical no processo de transição se deu por meio das possibilidades abertas para a expressão de suas demandas, e não pela sua participação nos pactos políticos que definiram a transição. Se a greve não foi o único canal de manifestação desses segmentos, foi a forma mais eficaz de expressão de descontentamento social e político”, avalia. À medida que a classe trabalhadora se tornou capaz de ganhar força sobre os empresários, pegos de surpresa nas primeiras greves, o conflito de interesses entre capital e trabalho cresceu cada vez mais na arena política e menos na industrial.

© JORGE ARAÚJO / FOLHAPRESS


Greve dos metalúrgicos de São Paulo (SP) em 1979

“A eclosão de greves é determinada pela percepção da injustiça associada ao entendimento de que o momento é oportuno para obtenção de ganhos. Houve momentos, por exemplo, em que lideranças tentaram pressionar os trabalhadores à greve sem ressonância e outros em que ocorreu o oposto.” No Brasil, a dispersão sindical e a baixa capacidade das centrais sindicais de coordenar as negociações levam a que a lógica dos sindicatos isolados seja aproveitar os momentos favoráveis de ganho e retrair-se quando as reduções salariais pareçam ser dificilmente reversíveis. “O fim do grande ciclo se liga aos indicadores econômicos mais recentes, desfavoráveis às greves (inflação sob controle e desemprego em alta), à adesão parcial à ortodoxia liberal e à superação do modelo desenvolvimentista no governo FHC. E também a mudança da percepção pública sobre a pertinência e eficácia das ações coletivas após a democracia brasileira atingir a sua maturidade”, fala Noronha. Hoje, segundo o pesquisador, é provável que novos ciclos ocorram, mas as greves no Brasil entraram na “normalidade”.

“As novas condições dos anos 1990 e o avanço das instituições democráticas vão tirar a greve do centro das estratégias dos sindicatos. Atualmente, elas só ocorrem quando os mecanismos de negociação não funcionam, como no setor público, onde há paralisações violentas e longas”, analisa o economista Claudio Dedecca, professor da Universidade Estadual de Campinas, e coordenador do projeto Brasil século XXI, população, trabalho e sociedade. “Não temos mais uma cultura de conflito no mundo do trabalho. A greve dos policiais na Bahia mostrou isso ao não se nacionalizar como era o objetivo dos grevistas”, diz. Para o pesquisador, a greve no Brasil sempre foi complexa. “É possível vivermos numa situação com grande número de empregos e não haver greve, porque as instituições estão funcionando em prol do trabalhador.” O economista lembra ainda que os grandes setores sempre balizaram as greves no passado e como a paralisação deixou de ser uma estratégia, os setores menos organizados têm ainda menos estímulo para parar.

O ProjetoArquivos das greves no Brasil – nº 2008/03561-5ModalidadeAuxílio Regular a Projeto de PesquisaCo­or­de­na­dorEduardo Noronha – UFSCarInvestimentoR$ 163.145,89 (FAPESP)

“O que faz ainda o Brasil parar é um crescimento nacional que não seja redistribuído corretamente. Logo, a greve só acontece quando os canais de comunicação são limitados e não há diálogo entre as partes”, nota. O aprendizado do diálogo, aliás, foi fundamental para a criação da cultura democrática nacional. “A greve acabou se transformando num elemento de democratização e foram as paralisações que alimentaram a transição política e vice-versa. O Brasil mobilizado nas ruas, nas Diretas ou mais tarde noimpeachment de Collor nasceu com as greves do ABC. As greves foram uma escola de como mobilizar as massas, bem como introduziram os trabalhadores e suas lideranças no cenário político nacional”, nota Noronha.

Essa novidade política, porém, não foi acompanhada diretamente pela renovação dos mecanismos de negociação. “A partir da redemocratização, as relações trabalhistas passaram a se caracterizar pelo descompasso entre as instituições trabalhistas e legislativas, ainda arcaicas, e a modernização econômica e social do país. Há setores que fogem a essa regra, como o metalúrgico e o siderúrgico, de sindicatos fortes, que obrigaram as empresas a modernizar a sua gestão de RH se antecipando às necessidades dos trabalhadores. Mas são exceções”, nota o economista Hélio Zylbers-
tajn, professor da USP e presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho. “O setor público está muito longe dessa realidade, ainda imperando um modelo de greves longas graças a um sistema de negociação que favorece o impasse. Como o setor não mexe no capital e não impõe custos diretos às duas partes, mas se volta para o público, há pouco interesse em estabelecer mecanismos mais modernos de negociação ou arbitragem.” Segundo Hélio, o país negligenciou a importância estratégica da gestão das relações de trabalho, preferindo o litígio na Justiça.

© ARQUIVO / AE


Metalúrgicos da Volkswagen do Brasil durante greve no ABC paulista em 1978

“Há pouco espaço para a negociação prévia e o resultado são as crises como as greves recentes de serviços essenciais, cuja legislação é sempre adiada pelo Congresso. Mas não há interesse nessa regulamentação no setor público em qualquer instância. Afinal, a Justiça do Trabalho não pode obrigar prefeitos e governadores a sentar a uma mesa de negociação com grevistas e arbitrar, como ocorre no setor privado”, diz o cientista político Armando Boito, da Unicamp, coordenador da pesquisaNeoliberalismo e trabalhadores no Brasil: política, ideologia e movimentos sociais. Para o pesquisador, esse movimento é essencial, pois, assegura, o sindicalismo não está em crise, como se apregoou nos anos 1990, mas ativo e grevista. “Em 2003, de todos os acordos fechados, apenas 18% deles resultaram em aumentos superiores à inflação. Em 2009 esse número cresceu para quase 90% em função do aumento de greves com resultados. “São greves amplas, com presença massiva de grevistas, por vezes entre 170 mil e 200 mil, com passeatas por São Paulo. Houve mesmo ocupação de fábricas, um recurso extremo”, avisa. Para Boito, isso ocorre a despeito da estrutura sindical deficiente do país, ligada ao Estado e que vem provocando uma pulverização dos sindicatos em suas bases. “Há um pluralismo na cúpula e unicidade na base. Os líderes sindicais têm grande dependência do Estado e uma relação frouxa com os trabalhadores, com um caráter ainda populista. Há muita greve forçada.” Na contramão de quem acha que o trem não para mais, Boito adverte que o maquinista ainda tem o freio na mão. Mas é preciso, rapidamente, modernizar a locomotiva.

 

"Ciclo de greves entre 1978 e 1992 foi fundamental para a democratização brasileira"

Ou,  por que que o neoliberê é contra os sindicatos.

 

da Agência Brasil

 

Especulação imobiliária e custo de vida: o outro lado da pacificação das favelas cariocas é tema de livro19/05/2012 - 11h27

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro- Ações de pacificação, obras de urbanização e projetos sociais não são suficientes para dar segurança aos moradores de favelas cariocas. Com as melhorias, eles temem agora não ter condições de se manter nos atuais endereços, valorizados pela nova realidade que a expulsão das quadrilhas de traficantes traz para essas comunidades. O aumento do custo de vida e a especulação imobiliária já provocam reflexos em um processo que vem sendo chamado de "remoção branca" ou "remoção camuflada" pela socióloga Marilia Pastuk.

Superintendente da organização não governamental Ação Comunitária do Brasil no Rio Janeiro, Pastuk lançou o livro A Favela como Oportunidade - Plano da Sua Inclusão Socioeconômica. A publicação apresenta um retrato das favelas do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho e da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, além de Manguinhos e Borel, na zona norte.

Na publicação, a socióloga destaca "a pressão" que as melhorias na infraestrutura e o combate ao tráfico de drogas causaram nas comunidades. Explica que moradores temem perder os imóveis porque ainda não têm o documento de posse e que reclamam do peso, no orçamento familiar, da cobrança por serviços essenciais como água e luz que, antes da pacificação, eram acessíveis por meio de ligações clandestinas.

"As pessoas são compelidas não mais pelo Estado, mas pelo mercado. Eles [os moradores] não conseguem segurar o custo de vida [porque não tiveram aumento de renda proporcional] e, por medo de perder seus imóveis para a especulação imobiliária, acabam se transferindo [para áreas mais pobres]", explicou Marilia Pastuk.

Segundo a socióloga, o Poder Público precisa acelerar o processo de regularização dos imóveis das favelas, além de apoiar ações voltadas à geração de renda, como o turismo. A Rocinha, por exemplo, está localizada em uma das áreas mais nobres da cidade, com vista privilegiada para a orla, o Cristo Redentor e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Lá, o turismo já atrai cerca de 3 mil pessoas por mês.

Porém, a atividade turística beneficia apenas um segmento minoritário, segundo a pesquisadora. "As agências de turismo raramente estabelecem um diálogo com as instituições representativas da comunidade e, portanto, não promovem a distribuição efetiva dos lucros".

Com pesquisas sobre o setor e as vocações econômicas das comunidades, o turismo pode impulsionar o desenvolvimento econômico de outros segmentos, como a produção de uniformes para guias e para rede de hotéis e pousadas. As peças poderiam ser produzidas pelas costureiras da própria favela, aproveitando a experiência da comunidade no ramo da moda.

Edição: Vinicius Doria

 

do Museu Emilio Goeldi

 

Museu Goeldi lança o Censo da Biodiversidade

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A instituição propõe uma ferramenta que permitirá aos pesquisadores, gestores ambientais e à sociedade em geral acompanhar o avanço do estado do conhecimento sobre a biodiversidade da Amazônia

Agência Museu Goeldi - Quantas espécies existem na Amazônia? "Parece uma pergunta fácil, mas é muito difícil responder quantas espécies existem aqui na Amazônia. É uma questão muito dinâmica, que depende de vários fatores. A todo tempo são descobertas novas espécies", responde a pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG, Dra.Teresa Ávila-Pires, especialista em répteis.

A resposta a essa pergunta complexa está sendo estruturada no Censo da Biodiversidade, que será lançado no dia 18 de maio durante o evento "A biodiversidade da Amazônia no contexto da Rio+20". O Censo é uma iniciativa da Coordenação de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi realizada no âmbito do Programa Biodiversidade da Amazônia, com o objetivo de organizar e tornar público o conhecimento sobre a riqueza biológica amazônica.

É uma ferramenta a ser produzida colaborativamente pelos grupos de pesquisa que atuam na região para disponibilizar dados confiáveis, e atualizados regularmente, sobre as espécies da Amazônia.

O Censo inicia com as listas das espécies do estado do Pará, compreendendo 12 grupos da fauna e 3.813 espécies que ocorrem no território paraense. Os interessados podem conferir o nome científico, a família em que a espécie está inserida e, quando for o caso, a categoria de ameaça de extinção. As espécies da flora serão disponibilizadas num segundo momento, e deverão abranger duas bases de dados, uma de inventários florísticos e outra de coleções. Outros grupos biológicos também deverão ser agregados às listas até o final de 2012.

A meta do Censo é a disponibilização das Listas de Espécies da Amazônia brasileira e, mais adiante, do Bioma Amazônia, a partir de um trabalho em colaboração com as instituições e grupos de pesquisa atuantes na região.

O Censo também não será apenas uma Lista de Espécies. Ele deverá agregar com o tempo as informações sobre cada espécie, como exemplares disponíveis em coleções científicas, localidades de ocorrência, literatura relacionada, imagens, etc. O projeto também buscará a integração com as bases de dados em desenvolvimento no MPEG, como o SinBIO, e outras iniciativas, como o recém-lançado SIB-Br pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Mas, o desejo da instituição secular, referência obrigatória nos estudos amazônicos, é maior. O MPEG propõe esta ferramenta colaborativa como um mecanismo para a comunidade científica nacional apresentar seus dados sobre os demais biomas brasileiros.

Biodiversidade, ciência e sociedade – Com o esforço coletivo na elaboração das listas será possível perceber, ao final de cada ano, as direções do avanço no conhecimento, por exemplo, via aplicação de novos métodos de coleta, novas regiões inventariadas, etc. Esta sistematização de informações permitirá ainda análises e números preditivos da biodiversidade. Segundo a pesquisadora Teresa Ávila-Pires, o Censo da Biodiversidade será uma ferramenta de acompanhamento do progresso científico: "Com essas atualizações, a gente vai ter uma visão do progresso, de quantas espécies estão sendo descritas, quantas espécies que não sabiamos que ocorriam em determinada área.

As primeiras listas de espécies do Censo da Biodiversidade estão disponíveis no site: http://marte.museu-goeldi.br/biodiversidade/censo/aplicacao/. Assista ao vídeo sobre esta ferramenta abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Debate sobre biodiversidade amazônica na Conferência Rio +20 - No dia 18 de maio acontece a mesa redonda "A biodiversidade amazônica no contexto da Rio +20" com a presença do Dr. Ulisses Galatti, pesquisador e coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Emílio Goeldi, Dr. Peter Mann de Toledo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e do Dr. Alex Fiuza de Mello, atual Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI/PA) e ex-reitor da Universidade Federal do Pará. O objetivo é promover o debate público acerca da importância do conhecimento sobre a diversidade biológica para o desenvolvimento científico, tecnológico e sustentável da região. O debate será aberto ao público e transmitido online pelo Livestream e Facebook. O público também poderá participar com perguntas pelo Twittter. Leia mais sobre a mesa redonda clicando aqui.

Ainda no dia 18, será apresentado o prospecto "Espécies do Milênio – Novos animais, plantas e fungos". O informativo relaciona as 130 espécies – 49 da flora e 81 da fauna - descritas pelos pesquisadores do Museu Goeldi entre os anos de 2000 e 2011, . A publicação traz– ainda imagens de algumas destas espéciues e informações para o público em geral sobre a importância de inventariar e descrever a biodiversidade e da Amazônia. Para saber mais sobre as Espécies do Milênio, acesse aqui a notícia "Novas espécies da Amazônia", o vídeo e a versão digital da publicação.

Serviço: "A biodiversidade da Amazônia no contexto da Rio +20" - Lançamento do Censo da Biodiversidade e Espécies do Milênio

Dia 18 de maio, às 9h, no Auditório Paulo Cavalcante do campus de pesquisa do MPEG, situado na Av. Perimetral, nº 1901.

Texto: Luena Barros e Joice Santos

 

Do G1.


Lei proíbe venda e aluguel de vagas de garagem para pessoas fora do prédioDeterminação entra em vigor em todo o país neste domingo (20).
Exceção vale para permissões estabelecidas na convenção do condomínio. 

Do G1 RJ

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Uma lei que entra em vigor neste domingo (20) proíbe a venda ou o aluguel de vagas de garagem para pessoas de fora do condomínio, conforme mostrou reportagem do Jornal Hoje.

De acordo com o Sindicato Nacional da Habitação, a exceção vale apenas se a permissão for estabelecida na convenção do prédio. Mas, segundo o sindicato, em 95% dos casos essa permissão não está expressa no documento. E, se os moradores quiserem modificá-lo, será necessária aprovação em assembleia.

No condomínio onde Dona Sônia Lessa é síndica são 700 apartamentos e nenhuma menção na convenção sobre aluguel de vagas de garagem.

"Vamos cumprir a lei. Eu acho que é mais um fator de segurança. Então, não havendo essa possibilidade de alugar para pessoas de fora, não corremos este tipo de risco. Corremos outros, mas este não", disse a síndica.

Outro problema é o chamado "contrato de boca": condôminos que alugam vagas para moradores de fora, sem a formalização de um documento de responsabilidade entre as partes. Dona Célia Guerra Peixe é um destes casos. Ela fez um contrato verbal e aluga sua vaga para um ex-morador do condomínio. Mas, quando a nova lei entrar em vigor, seu "inquilino" vai ter que arrumar outro lugar para estacionar o carro.

"No prédio onde ele mora não tem garagem. Então, vai ter que deixar na rua. Para o inquilino vai ser pior do que para mim. Eu perco R$ 130, não vai fazer grande diferença para o meu orçamento, mas para ele vai fazer", disse a dona de casa.

E, quanto maior a procura, mais sobem os preços. Em Porto Alegre, o valor de uma vaga de garagem residencial é, em média, R$ 137 reais. No Rio de Janeiro, mais alto ainda: pode custar até R$ 500. Em Salvador, o preço praticado corresponde entre 30 e 50% do valor da taxa de condomínio.

 

 

zanuja

do Brasil de Fato

 

Burkina Faso abandona o algodão transgênico  

As associações algodoeiras do país retornaram à produção do algodão convencional em 2012

15/05/2012

 

Claire Fages

RFI

 

Burkina Faso foi a “ponta de lança” dos transgênicos no oeste do continente africano. Entretanto, muito decepcionados pelos rendimentos e pela qualidade do algodão geneticamente modificado, as associações algodoeiras do país retornaram à produção do algodão convencional em 2012.

O algodão transgênico não manteve suas promessas em Burkina Faso. Graças à sua resistência aos insetos, ele deveria dar rendimentos 30% superiores em relação ao algodão tradicional. Mas tal crença não vigorou. Claro que o clima não era favorável. Porém, não explica tudo, longe disso.

As razões das perdas estão inerentes ao próprio algodão geneticamente modificado. Mais sofisticado, com as cápsulas maiores, o algodão transgênico não sofre nenhum dano, explica Gérald Estur, consultor especializado. A semente exige uma dose precisa de fertilizantes específicos. Mas ela não recebeu cuidados tão precisos, dado o hábito dos produtores de algodão de desviar uma parte de insumos subsidiados para outras culturas, em particular , as de alimentos. Mas a pior surpresa mesmo é a baixa qualidade da fibra.

A semente vendida pela Monsanto à Burkina Faso foi sem dúvida fabricada às pressas. Cruzada com a variedade estadunidense, ela dá um algodão mais branco que a cor creme, comum da espécie do oeste africano. Porém a fibra é consideravelmente mais curta. A fibra é uma fiação de algodão em toda a sua qualidade. O algodão de Burkina Faso, com a variedade “média-alta”, como todo o algodão do oeste africano, se encontra numa classificação inferior do algodão paquistanês. O uso dos transgênicos não só desorientou os descascadores, mas também o comércio, com um padrão de preços 10% inferiores e uma considerável falta de ganhos para as associações algodoeiras do país. É por isso que esse ano elas recuaram. O plantio começará em breve e elas distribuirão praticamente 100% das sementes tradicionais, contra 30% no ano anterior.

As sementes transgênicas, que cobriam 70% da superfície do país no ano passado serão evitadas até que a Monsanto descubra uma solução para eliminar o caráter negativo pela qualidade da fibra. Isso também para o desgosto dos algodoeiros que estavam habituados a trabalhos menos sofridos e menos perigosos para a saúde, porque o algodão transgênico demandaria muito menos de tratamentos fito-sanitários que o algodão convencional.

 

do IBAMA

 

Notícias Ambientais  Carga de lixo importado é interceptada pelo Ibama no porto de Itajaí/SC   Carga de lixo importado é interceptada pelo Ibama no porto de Itajaí/SCPDFImprimirE-mailSinop (18/05/2012) – Atendendo à solicitação da Receita Federal para acompanhar inspeção de mercadoria importada no porto de Itajaí/SC, proveniente do porto de Valência, na Espanha, fiscais do Ibama encontraram 19 toneladas de lixo. Tão logo sejam levantados todos os documentos pertinentes ao caso, o Ibama procederá à autuação pela importação irregular de resíduo (lixo), e aplicará a multa ao infrator, que terá o prazo de até 60 dias para devolver o produto ao país de origem. 

A carga era descrita como “Outros tecidos atoalhados de algodão”, conforme descrição documental, a mercadoria importada deveria corresponder a tecidos atoalhados não padrão, 100% algodão, destinados à fabricação de pequenas toalhas de limpeza em cores diversas. Contudo, o material importado da Espanha era composto por produto acabado. Entre outros, havia toalhas de banho e uniformes, todos já utilizados e descartados como resíduo, em razão das péssimas condições de conservação. 

Segundo o chefe do Escritório Regional do Ibama em Itajaí, Carlos Mergen, o lixo é facilmente percebido pelo estado de deterioração das peças, com presença contaminante de material orgânico. “Essa situação enquadra-se nos aspectos inerentes da Convenção de Basileia, que dispõe sobre o controle e tráfico internacional de resíduos”, informa. 

Os fiscais constataram que o produto apreendido, na sua grande maioria, era empregado em redes hoteleiras e hospitais espanhóis, conforme inscrições estampadas no material. Segundo Mergen, é possível inferir com segurança que a mercadoria não é formada por tecidos, como descrito nos documentos de importação. É produto já utilizado, contaminado, o que pode ser definido como lixo, uma vez que o lote se caracteriza por produtos formados por peças de vestuário de uso pessoal, já utilizados e contaminados, portanto, perigosos para o meio ambiente e para a saúde humana, sem as menores condições, inclusive, de serem reutilizados em processamento industrial. 

Conforme a Convenção de Basileia, o produto em questão deveria ter sido tratado e destinado adequadamente no próprio país de origem e que, nestes casos de tráfico ilegal, pra evitar os riscos à saúde e meio ambiente a carga deverá ser devolvida para a Espanha. 

Badaró Ferrari  
Ascom – Ibama 
Foto: Alvino Pereira - Ibama

 

Do Portal PT.


Brasil apresenta na ONU resultados e seus compromissos na área de direitos humanos Relatório reúne dois compromissos e 15 recomendações das Nações Unidas

Na próxima sexta-feira (25), o Brasil apresenta os resultados do esforço de cumprir as 15 recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) e dois compromissos voluntários que garantem a proteção dos direitos humanos. Todos os 193 países-membros das Nações Unidas são submetidos ao mecanismo a cada quatro anos e meio, o que representa uma inovação do sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos.

O Estado brasileiro aderiu a quase totalidade das convenções internacionais sobre o tema e está aberto ao monitoramento internacional. O País atendeu ao compromisso assumido perante as Nações Unidas e praticamente alcançou as metas previstas pelos objetivos de desenvolvimento do milênio antes de 2015, integrando ao seu cumprimento a perspectiva dos direitos humanos.
O Em Questão apresenta nesta edição os principais pontos do documento que será apresentado às Nações Unidas.

Relatório - O relatório atual apresenta um balanço das medidas tomadas entre abril de 2008 e dezembro de 2011. Além de avaliar o cumprimento das obrigações internacionais assumidas pelo País, o estudo descreve as políticas públicas que promovem o respeito à universalidade e indivisibilidade dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais presentes na Constituição Federal.

Alcançar o desenvolvimento com respeito aos direitos humanos é uma prioridade brasileira e inclui o combate à pobreza. A diferença de renda familiar per capita dos 20% mais ricos em relação aos 20% mais pobres, entre 2001 e 2009, passou de 24,3 para 17,8. O Índice de Gini caiu de 0,59, em 1999, para 0,54, em 2009 (Veja gráfico). De acordo com o documento, a melhor política de direitos humanos tem como base a diminuição das desigualdades e da discriminação entre as pessoas, as regiões, as raças e os gêneros.

Programa Nacional guia políticas públicas

A terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) - Clique aqui para saber mais), instituído em 1996, é compatível com a recomendação feita na Declaração e no Programa de Ação de Viena de 1993. 
Fruto de um amplo debate, com expressiva participação da sociedade civil, PNDH-3 envolve 33 ministérios na sua execução.

Por se tratar do roteiro para a atuação do Estado, o PNDH-3 estabelece diretrizes que fortalecem a perspectiva dos direitos humanos como um eixo transversal de políticas públicas.


(Fonte: Governo Federal)

 

zanuja

De Carta Maior.


Washington Araujo: Cachoeira e o corporativismo da mídia

 

A imprensa tem longa experiência na cobertura de Comissões Parlamentares de Inquérito. Em temporada de CPI é patente o manancial (pensei em escrever cachoeira) de informações a preencherem páginas de jornais e revistas, em casos que a imprensa elege como “por demais clamorosos”; cadernos especiais são criados, assim como é inventada uma logomarca.

Por Washington Araujo*



O assunto é mais ou menos reverberado nos meios de comunicação de acordo com o grau das pessoas e instituições investigadas. Em um hipotético termômetro de interesse midiático podemos inferir que se o investigado é o governo federal – principalmente os dos últimos quadriênios – é certeza absoluta de que donos de jornais e revistas, redatores-chefes, editores e colunistas de plantão atuarão como se tivessem mandato parlamentar, engrossando ainda mais a lista de investigadores, elencando diariamente novos alvos de investigação, preparando conexões ou meras ilações entre esse e aquele personagem, esta e aquela empresa.

Formam, por assim dizer, o esquadrão midiático voluntário em apoio aos trabalhos da CPI. Não são remunerados, ao menos diretamente, por seu trabalho que, longe de ser gracioso, é regiamente pago, mas de maneira indireta, através da minutagem que os temas de sua predileção terão na escalada de telejornais, do espaço nas capas e cadernos de jornais e revistas.

O nosso e o dos outros

O braço midiático das CPIs sabe muito bem que não existe almoço grátis. E seu trabalho investigativo é tão isento quanto a defesa que faz o agronegócio da preservação do meio ambiente, propugnando pesadas multas pecuniárias a seus congêneres desmatadores. Muito ao contrário, a imprensa não é isenta e chama para si o direito de oferecer à opinião pública quem são os mocinhos e os bandidos, antes, muito antes de a CPI se encaminhar para seus desdobramentos finais.

É prática de boa parte da imprensa pecar por excesso de protagonismo: publica avalanchas de sinais como se fossem evidências robustas de culpabilidade. E, ao mesmo tempo, peca por excesso de omissão: deixa de publicar o que possa estar em contradição com o veredicto esposado pela publicação, ou pela rede de televisão. Em algumas CPIs a omissão chega a ser criminosa. É como se estivessem permanentemente em sala de edição, cortando o que não deve vir a público e criando a realidade que precisa vir à luz.

A Comissão Parlamentar de Inquérito recém instalada tem em sua essência algo que destoa por completo das muitas que lhe antecederam. É o ineditismo de, pela primeira vez neste país, a imprensa vir a se tornar alvo de investigação. E, então, temos um rosário de coisas inéditas. Primeiro, não é a imprensa que está na bica para ser investigada. É, tão somente, o jornalista Policarpo Junior, da sucursal da revista Veja, em Brasília. Mas, para a imprensa, é seu teste ético de força: devemos todos nos posicionar em defesa de Veja ou deixá-la aos humores, talentos e habilidades dos parlamentares que atuam na CPI?

É, certamente, o caso mais escancarado de corporativismo jamais visto no país – isto para resgatar a frase tantas vezes usada de maneira jocosa pelos luminares que pontificam na mídia. O que deveria se circunscrever a uma única revista semanal, terminou por transbordar e se transformar em bandeira de luta bem ao estilo “mexeu em um, mexeu em todos”. E, no entanto, não faz muito o corporativismo era o inimigo número 1 da imprensa, não importando se surgisse na defesa de desembargadores graduados de tribunais superiores, nas direções gerais da banca financeira ou nas presidências das empreiteiras, menos ainda se surgisse nas hostes da segurança pública. Agora, vemos que o corporativismo mau é aquele praticado pelos outros, o nosso pode até parecer, mas nem mesmo chega a ser corporativismo. Atende por outro nome: defesa da liberdade de imprensa.

Direito de condenar

Ainda assim, é uma liberdade de imprensa seletiva. O império midiático não se fecharia em copas em defesa de jornalistas que fossem flagrados em conversas como as reunidas nos propalados 200 grampos telefônicos, obtidos com autorização judicial, de conversas entre o editor de Veja e o notório meliante Carlos Cachoeira. Alguém, em sã consciência, imaginaria o movimento da Editora Abril em franca ação de autodefesa, angariando flamejantes editoriais de O Globo e defesas não menos enfáticas de sua ética jornalística por parte de jornais como o Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo? Seria crível ação dessa envergadura se atropelados em escutas telefônicas estivessem jornalistas como Mauro Santayanna, Mino Carta e Ricardo Kotscho?

A resposta é não por dois motivos. Primeiro, porque seria impensável que um desses três decanos da imprensa brasileira protagonizassem conversas de tão baixo calibre, próprias do submundo do crime organizado. Segundo, porque ao invés de serem defendidos, seriam condenados sem dó nem piedade pela grande imprensa. Direito de defesa? Apenas para os nossos. Para os demais, reservamo-nos o direito de acusar, condenar e zelar pelo fiel e rigoroso cumprimento da pena.

As próximas semanas serão reveladoras de como a imprensa se porta quando é ela que cobre a CPI – e quando a própria passa a ser coberta por uma CPI. Este é o ponto.


Fonte:  Washington Araujo é pesquisador e colaborador do Observatório da Imprensa.

Fonte: Pátria Latina

 

 

zanuja

De Carta Maior.


DEBATE ABERTO

 

Existem ingênuos na política?

O ingênuo Policarpo telefonou duzentas vezes ao contraventor Cachoeira para ver se ele era mesmo contraventor. Como não encontrou provas, arriscou dizer ao chefão que descobriu umas coisinhas nas conversas que poderiam limpar o país da gigantesca corrupção dos bandidos do PT. Publique-se, disse o ingênuo chefão.

Minha primeira resposta à pergunta acima é dizer sim. Até para me defender de uma possível vontade de dizer não e com isso cair na generalização sobre a atividade exercida profissionalmente por milhares e milhares de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, ministros, juízes e até presidentes da república.

Contudo, os últimos acontecimentos políticos no Brasil provocados pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, onde se descobriu, ao que tudo indica, o ninho de um jornalismo marginal e criminoso entre nós, parecem indicar que sim: existem políticos ingênuos. Ou melhor: políticos e não só cuja ingenuidade poderá agora ser posta à prova, tendo estes a oportunidade de comprovarem a sua boa fé ou – e isso será curiosamente revelador – se usam ou usaram os seus cargos e seus mandatos ou eventuais postos de comando em determinadas situações para cometerem – sob o disfarce das leis que os protegem – crimes contra a democracia, o povo e a constituição federal brasileira.

Tomemos aqui alguns exemplos bem recentes para comprovarmos a nossa modesta tese. O caso do procurador geral da república Roberto Gurgel que, ao receber relatório da Polícia Federal da Operação Vegas sobre as contravenções do empresário bicheiro Carlinhos Cachoeira e que não levou à frente o processo. Ingenuidade ou o procurador compactuou com o crime organizado?

Vendo-se confrontado com a possibilidade de ser chamado a comparecer à CPMI Veja/Demóstenes/Cachoeira para explicar a lambança, quis dar a entender que essa possibilidade seria uma tentativa de vingança dos que estão para responder sobre o Mensalão de 2005. Acontece que o Mensalão de 2005, como lembra o jornalista Mino Carta, está por se provar. Mais que isso: existem indícios de que esse mesmo mensalão, que provocou uma grande CPI no Congresso Nacional, com enormes gastos para os cofres públicos, teria sido concebida no vente de uma operação de crime jornalístico entre o bicheiro e a revista VEJA.

O senador Demóstenes Torres, o Catão do cerrado (como é chamado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim), homem íntegro e probo até prova em contrário está a poucas horas de depor na CPMI e ali desfazer a cachoeira de denúncias que pesam contra ele. Na sua ingenuidade, talvez, o ínclito senador Demóstenes pensou em ajudar o Brasil a se livrar de homens corruptos, tornando-se amigo do empresário Carlos Cachoeira, num claro exemplo de maquiavelismo e perspicácia política às avessas. Ou seria o contrário?

Nessa cruzada cívica, juntou-se a jornalistas experientes e também ingênuos, pois a melhor maneira de denunciar os crimes – segundo a tese desses mesmos jornalistas – é unir-se aos criminosos, nem que seja por dever de ofício. Afinal, a melhor maneira de surpreender e denunciar um crime é aliar-se ao criminoso. A tese deveria entrar no currículo das escolas como técnica de jornalismo investigativo.

A revista VEJA, exemplo da mais cristalina ética jornalística e grande defensora dos direitos de liberdade de expressão para ela e alguns coleguinhas, escreveu numa de suas últimas capas esta pequena chamada: ‘Como Demóstenes conseguiu enganar tantos em tanto tempo?’ Quanta isenção, não caro leitor? Quanto espírito crítico... Como é que essa tribuna da liberdade de imprensa, essa luz que ilumina a escuridão no país, se deixou enganar, como todos nós, por tanto tempo? Ingênuos, talvez?...

O relator da malfadada CPI do dito mensalão, senador Osmar Serraglio, outro que deve andar com a pulga atrás da orelha, também apareceu esses dias na imprensa para defender o relatório final dos trabalhos que comandou. Claro: como explicar aos seus eleitores e ao país que Caixa 2 não é pagamento de mensalidade a deputados para votarem matérias de interesse do governo? 

Como explicar que os vídeos com o funcionário dos correios recebendo propina e do funcionário Waldomiro Diniz foram manipulados para uso criminoso contra membros do governo Lula? Como admitir que fossem enganados por uma quadrilha comandada por um bicheiro e manipulados por interesses corporativos apoiados por jornalistas venais e inescrupulosos? 

Ninguém gosta de admitir que foi ou é enganado, ainda mais por bandidos. São histórias que me fazem lembrar o velho e surrado golpe do bilhete premiado. A vítima, gananciosa ou ingênua, jamais se perdoará pelo papel ridículo que faz. 

Nos exemplos acima citados, e outros poderão ser comprovados no avançar da CPMI-Demóstenes/VEJA/Cachoeira, ficamos todos com a impressão de que boa parte de nossos políticos, alguns empresários, juízes e donos dos principais meios de comunicação do país são pessoas ingênuas, crédulas nas suas próprias boas intenções e de seus pares e sócios no crime, quero dizer, no desvelo para com a nação.

Conclusão? O ingênuo Policarpo, abençoado pelo chefão, telefonou duzentas vezes ao contraventor Cachoeira para ver se ele era mesmo contraventor. Como não encontrou provas disso, defendendo-o publicamente numa outra CPI, arriscou dizer ao chefão que descobriu umas coisinhas nas conversas que poderiam limpar o país da gigantesca corrupção dos bandidos do PT. Publique-se, disse o ingênuo chefão. Televisões ingênuas e jornais ingênuos repercutiram as conversinhas do ingênuo Policarpo com o exemplar cidadão Cachoeira e o país mergulhou num mar de lama nunca dantes visto entre nós.

Olhos atentos e nada ingênuos de homens praticantes de privatarias e outras licitações ilícitas riam-se a bandeiras despregadas, antegozando a volta ao poder. Nessa altura centenas de milhares de ingênuos se deram as mãos no Legislativo, no Judiciário, na Imprensa, na sociedade em geral e, numa demonstração inequívoca de que somos uma nação que preza a democracia em todos os seus pormenores, julgamos e condenamos cidadãos antes que pudessem se defender.

Nada como o passar do tempo. Sempre haverá uma luz no final do túnel e com toda a certeza ela não provém da imprensa calhorda que debocha do ingênuo cidadão brasileiro, pois ingênuos somos nós, contribuintes e eleitores.

A verdadeira democracia não se compraz com a ação deletéria dos pusilânimes. Muito menos com a ação de uma imprensa que se nutre na seiva da mentira e da chantagem, de um Congresso acovardado e de um Judiciário manipulado por interesses criminosos. 

 

Escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, Editora Boitempo.

 

zanuja

Espetacular. Não canso de ler.

 

zanuja

De Carta Maior.


DEBATE ABERTO

 

A urgência da união sul-americanaA América do Sul terá que unir-se com urgência, para que não se torne território aberto à disputa feroz pelos seus recursos naturais, no futuro que se apressa a chegar. Ao lado da África, a América Latina sempre foi vista como um território de todos, menos de seus próprios habitantes.

Não há mais espaço para a dúvida: a América do Sul terá que unir-se com urgência, para que não se torne território aberto à disputa feroz pelos seus recursos naturais, no futuro que se apressa a chegar. Ao lado da África, a América Latina sempre foi vista como um território de todos, menos de seus próprios habitantes. Em nome da Fé e da Civilização, espanhóis e portugueses, holandeses e franceses, aqui chegaram para ocupar e dominar as civilizações existentes, como as andinas. 

Nesse aspecto, o Brasil é uma exceção importante: os indígenas brasileiros ainda se encontravam no neolítico, ao contrário dos habitantes da cordilheira, senhores de uma cultura respeitável. Isso parece pouco, mas não é. Dos europeus que tentaram a conquista, os ibéricos tiveram mais êxito, não só na América do Sul, mas também em grande parte da América do Norte, até a chegada em massa dos seus rivais britânicos. O que nos interessa, no entanto, é esse continente em suas razões geográficas, políticas, econômicas e culturais. E não “subcontinente”, como muitos insistem em nos considerar.

Geograficamente, nós constituímos uma realidade própria. Ainda que o istmo do Canadá una o Hemisfério Ocidental, e que grande parte da América do Sul política se encontre ao norte do Equador, e nela considerável parcela do Brasil, da Colômbia à Terra do Fogo somos uma realidade geográfica e histórica bem identificada. Sempre foi do interesse dos colonizadores que vivêssemos, brasileiros e hispano-americanos, bem separados uns dos outros.

Mesmo durante os 60 anos em que as coroas de Portugal e da Espanha estiveram unidas, a administração colonial se manteve separada e os contatos se limitavam às autoridades. Nossos povos não se conheciam, a não ser nos raros pontos fronteiriços.

Ao desdenhar os nossos povos, o arrogante Kissinger disse que nada de importante ocorreu no Hemisfério Sul. Ele, em sua visão preconceituosa e imperialista, se esqueceu de que a descoberta e conquista da América foram o fato mais importante de toda a História do Ocidente.

Essa importância começa com a viagem de Colombo, em 1492, mais arriscada do que a ida do homem à Lua. Os astronautas que desceram no satélite da Terra foram precedidos de sondas e exaustivos cálculos matemáticos; da metalurgia de novas ligas metálicas para as aeronaves, de todos os cuidados. Os navegantes do fim do século XV só contavam com sua coragem a fim de vencer o Mar Oceano em frágeis caravelas.

Devemos a Napoleão o surgimento da América do Sul como realidade política. Antes dele e da invasão da Península Ibérica por suas tropas, a América do Sul era assunto britânico, por intermédio de Lisboa e de Madri. A vitória de Waterloo confirmou a presença britânica no continente até a Primeira Guerra Mundial. 

Éramos, segundo Hegel, em seu Curso de Filosofia da História, entre 1818 e 1822, uma região em constantes rebeliões chefiadas por caudilhos militares, enquanto a América do Norte, sob a razão protestante, anunciava uma nova civilização. Mas insinuava certo otimismo:

“A América é, portanto, a terra do porvir, onde, nos tempos futuros se manifestará, talvez, no antagonismo da América do Norte com a América do Sul, o ponto de gravidade da História Universal. É uma terra de sonho para todos aqueles que se encontram cansados do bric-à-brac da Velha Europa. Napoleão teria dito: Esta velha Europa me entedia.” 

E continua: “A América deve se separar do solo sobre o qual se passou, até agora, a história universal”. 

Estamos no momento exato de separar-nos da velha Europa, coisa que os Estados Unidos só serão capazes de fazer quando os hispano-americanos se tornarem a etnia predominante naquele país. A hora é, portanto, da América do Sul. E o primeiro movimento necessário nessa direção é o fortalecimento do Mercosul.

Essa constatação foi a tônica do primeiro encontro sobre “Crise, Estado e Desenvolvimento: Desafios e Perspectivas para a América do Sul”, promovido pela Representação Brasileira no Parlasul, por iniciativa do Senador Roberto Requião, sexta-feira passada, no Senado, de que participaram o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Alto Representante Brasileiro no Mercosul, o Professor Carlos Lessa e este colunista. Temos que nos apressar, e negociar com o espírito de solidariedade efetiva, a quebra de barreiras internas no continente, base necessária aos acordos políticos. 

Nesse sentido, é interessante a proposta ousada da Argentina, de estabelecimento de uma tarifa comum, de 35% por cento, para a entrada de produtos estrangeiros no Mercosul, e abolição total das tarifas no espaço do acordo aduaneiro.

A História mostra – e o exemplo mais importante é o da Alemanha – que a união política necessita de uma união aduaneira prévia. Ainda em 1834, a Prússia iniciou esse processo de união aduaneira (Zollverein) com os numerosos estados alemães, o que possibilitou a união política quase 50 anos depois.

Mas uma união aduaneira exige mais do que interesses econômicos, para se tornar uma união política. Exige certa identidade étnica, espírito de solidariedade e semelhante visão do mundo, o que ocorria na Alemanha, antes e depois de Bismarck, e que não existe na Europa de hoje. Temos, na América do Sul, não obstante a identidade cultural própria de nossos povos, certa identidade étnica, história mais ou menos comum de países que foram colônias, continuidade geográfica e espírito de solidariedade. 

Pressionados pela crise que provocaram, os governantes dos países nórdicos sentem-se tentados a nova aventura de conquista, econômica, política e, se for preciso, militar, da América do Sul. Pelo que fizeram e estão fazendo nos países produtores de petróleo, podemos prever o que se encontram dispostos a fazer em busca das matérias primas e dos nossos territórios que cobiçam. Para que não sejamos dominados neste século, como advertia Perón em 1945, temos que nos unir, logo, sem tergiversações menores, e respeitando-nos como povos rigorosamente iguais.

O problema, mais do que ideológico, é geopolítico. É o do nosso espaço, que eles consideram vital para eles. Nosso dever, na História, é o de resistir e construir nova forma de convívio, criador e solidário, no espaço que ocupamos há meio milênio.

 

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

 

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De Carta Maior.

 

"Cobertura da mídia consolida visão negativa do Mercosul"A cobertura equivocada da mídia brasileira, centrada em impasses pontuais, consolida uma visão negativa do Mercosul, que só interessa aos países mais industrializados. A análise é do alto representante geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, apresentada durante a primeira audiência pública preparatória para o seminário “Crise, estado e desenvolvimento: desafios e perspectivas para a América do Sul”, nesta sexta (18), no Senado.

Brasília - A cobertura equivocada da mídia brasileira, centrada em impasses pontuais, consolida uma visão negativa do Mercosul, que só interessa aos países mais industrializados. “Há uma campanha permanente na imprensa que menciona que o Mercosul não funciona, que ele cria problemas. É uma campanha permanente, porque os países grandes não querem um Mercosul forte”, afirmou o alto representante geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, na primeira audiência pública preparatória para o seminário “Crise, estado e desenvolvimento: desafios e perspectivas para a América do Sul”, nesta sexta (18), no Senado.

De acordo com ele, essa campanha pressupõe relações complexas, que resvalam no comprometimento da imprensa brasileira com os interesses das grandes multinacionais, oriundas dos países exportadores. “Quando um país do Mercosul exporta mais do outro, isso prejudica a economia do segundo e, consequentemente, gera insatisfações. E os noticiários acabam dando ênfase apenas a essas discussões pontuais, que consolidam a visão negativa do Mercosul, tão prejudicial ao países membros”, explicou à Carta Maior. 

O embaixador avalia que o fortalecimento do Mecosul não interessa aos países industrializados porque, para que eles obtenham mais vantagens nas relações comerciais com a América Latina, “é melhor negociar com cada país isoladamente”. Entretanto, Guimarães acredita que o bloco é o principal instrumento para que seus membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) possam enfrentar o atual cenário de crise e de transferência do poderia capitalista do norte para a China, mantendo o crescimento da economia e da melhoria das condições de vida das suas populações.

Guimarães explicou que, ao contrário da Comunidade Comum Europeia, o Mercosul nada mais é do que uma reunião aduaneira, que possibilita aos países do bloco adotarem a mesma tarifa para importação de produtos, fortalecendo as relações comerciais entre eles e com os demais países. Por isso, não está sujeito à instabilidade em que vive hoje a União Europeia, cujos membros abriram mão até mesmo de possuir uma moeda própria. Conforme ele, o Mercosul não implica no enfraquecimento das estados.

Ele defendeu, inclusive, o ingresso da Venezuela como país membro. E esclareceu que só não há esforços para que haja, também, a adesão de outros países, porque os demais assinaram acordos com os Estados Unidos que os obrigam a reduzir a zero à tarifa de importação. No Mercosul, essa tarifa, hoje, é de 10%, mas tende a ser elevada para combater a importação excessiva dos produtos industrializados chineses.

O jornalista Mauro Santayana, colunista da Carta Maior, defendeu o fator cultural como instrumento primordial para garantir, de fato, a integração da América Latina. “Precisamos construir a unidade latino-americana. E o instrumento para isso é o Mercosul. Mas só poderemos ter uma unidade econômica quando tivermos uma cultural. Esta é a grande falha da nossa ação”, afirmou. Segundo ele, hoje, essa unidade cultural está restrita aos círculos intelectuais, a alguns blocos empresariais, mas ainda não atinge o povo. 

O jornalista defendeu, ainda, que o Brasil assuma o protagonismo neste processo de integração, adotando uma postura humilde e sendo “o mais tolerante, o mais condescendente, o que mais aceita desaforo”. “Poderoso é aquele que tem o direito de parecer fraco”, afirmou. 

O ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, observou que o mundo passa por uma crise sistêmica, que cria oportunidades para a América Latina, mas também temores. “Embarcamos no discurso da globalização de forma absolutamente temerária. Abrimos mão de todos os instrumentos de salvaguarda nacionais e, hoje, temos um sistema financeiro que é apêndice do que acontece lá fora”, justificou. 

Para ele, que centrou sua palestra na discussão sobre a crise econômica, o fortalecimento dos estados é a única alternativa. “Fora do estado não há solução. Não quero fazer uma ‘estadolatria’. Mas o estado, em última instancia, somos todos nós. Com uma crise dessas proporções, cada sociedade tem que estar coesa para sobreviver. E esta coesão só é possível com o Estado, por meio de um projeto nacional”, comentou. 

O seminário “Crise, Estado e Desenvolvimento: Desafios e perspectivas para a América do Sul”, promovido pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, será realizado no Rio de Janeiro, em 25 de junho

 

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De Opera Mundi.

Espanha exclui temas como homossexualidade e desigualdade social de projeto de reforma educacional

Novo documento quer estimular “iniciativa privada” no ensino público

 

 

Com o objetivo de eliminar “questões controvertidas e suscetíveis de doutrinamento ideológico”, o Ministério da Educação da Espanha decidiu rebatizar o polêmico projeto Educação para a Cidadania para Educação Cívica e Constitucional e desenvolver uma série de modificações idealizadas pelo ministro José Ignacio Wert.

Agora, a proposta de reforma do sistema de ensino do país encabeçada em 2006 pelo governo do PSOE (Partido Socialista Operário da Espanha) tentará excluir do currículo dos alunos da rede pública quaisquer referências a conflitos sociais e à homossexualidade. Mais além, também buscará espaço para incorporar à educação básica dos espanhóis temas como a “iniciativa privada” e a “crítica ao nacionalismo excludente”.

Em 2006, entidades religiosas como a Conferência Episcopal Espanhola revelavam-se as grandes opositoras às mudanças. Contudo, agora que o conservador PP (Partido Popular) decidiu intervir na questão, passaram a manifestar seu apoio à reforma e se disseram ansiosas por “concretizações”. 

O jornal espanhol El País teve acesso à proposta, que não terá mais a única cláusula na qual condenava atos de homofobia. Esse era um dos principais pontos de maior atrito entre religiosos e o antigo governo socialista.

Outros termos nos quais se previa o estudo de tensões sociais foram fortemente modificados, de tal forma que “atividades sociais que contribuam para uma sociedade justa e solidária”, conforme previa o projeto original, tornem-se secundárias. Em geral, as alterações do documento substituíram conteúdos anteriormente bem delimitados por um vocabulário muito mais genérico.

Desaparecem do texto, por exemplo, referências antes presentes, como “riqueza e pobreza” e “a falta de acesso à educação como fonte de pobreza”. No lugar delas surgem elementos bem menos objetivos, como “o dever de transparência na gestão pública”, “as eleições” e “o parlamento”.

O mesmo ocorre com a seção sobre homossexualidade, que perdeu um parágrafo inteiro no qual é instituída a aprendizagem da “valorização crítica da divisão social e sexual do trabalho”, bem como “os preconceitos sociais racistas, xenófobos, antissemitas, sexistas e homofóbicos”.

A Conferência de Educação, prevista para a próxima quinta-feira (24/05), abordará essas mudanças e discutirá ainda o decreto que endurece os critérios para ser beneficiário de uma vaga em uma universidade. 

 

 

 

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Direitos humanos.

De Opera Mundi.

Nos EUA, vítimas de esterilização forçada lutam para receber indenizações

Leis estaduais permitiam a prática da eugenia até 1979 nos EUA; só Carolina do Norte planeja reparar vítimas.

Southernstudies.org
 
Mulheres protestam contra política de esterilização nos anos 70 nos EUA; principais alvos eram negros e outras minorias

Durante 74 anos, leis que autorizavam a esterilização compulsória de pessoas consideradas "incapazes" vigoraram nos Estados Unidos. Como resultado dessas políticas de eugenia, que miravam principalmente mulheres, negros e pessoas consideradas mentalmente incapacitadas, aproximadamente 60 mil norte-americanos foram privados do direito à reprodução. Amaparados por suas famílias, os sobreviventes dessas ações lutam agora pelo direito de serem indenizadas.

Embora muitos desses Estados tenham pedido formalmente desculpas por esse capítulo de suas histórias, até hoje, apenas a Carolina do Norte tem dado passos para compensar as vítimas financeiramente. Em janeiro, um grupo de trabalho do governo estadual recomendou um valor de 50 mil dólares para cada pessoa atingida, e o governador Bev Perdue separou 10,3 milhões de dólares para cobrir o custo. Cerca de 2 mil afetados que continuam vivos podem ser beneficiados.

Ironicamente, esse Estado foi um dos principais aplicadores dessa política (cerca de 7.600 habitantes foram esterilizados entre 1929 e 1974 – muitos nem tiveram ciência de que estavam sendo submetidos a essas operações). Essas pessoas eram consideradas “deficientes mentais” e “impróprias para a reprodução”. Dentre eles, 48% eram mulheres e 40% eram negros ou índios. 

A prática já era aplicada e tolrada desde o século XIX, mas foi legalizada pela primeira vez na Pensilvânia em 1905 e abolida definitivamente em 1979, com a última revogação decretada no Estado da Virgínia. A Califórnia foi, de longe, o Estado que mais executou essa medida, em 20.108 habitantes, cerca de um terço das esterilizações em todo o país. No total, 32 Estados norte-americanos adotaram essa prática durante o século XX.

Vítimas

Um dos casos mais dramáticos é o de Elaine Riddick, uma mulher negra com 60 anos. Ela testemunhou ao site Mother Jones que, em 1968, quando era apenas uma adolescente de 14, foi estuprada e engravidada por um vizinho. A comissão estadual de eugenia a declarou “intelectualmente débil” e “promíscua”. E, assim que deu à luz a seu único filho, foi esterilizada pelos médicos. Por ser menor de idade, era necessária uma permissão dos parentes. Coube à sua avó analfabeta assinar a permissão com um “X”. Para Tony, filho de Elaine, é como se ela tivesse sofrido um segundo estupro, só que cometido pelo Estado.

Uma das últimas vítimas foi Janice Black, também negra, e residente de Charlotte. Quando ela era adolescente, sua família decidiu que ela não deveria ter filhos, e assistentes sociais ligados a ela a classificaram como “intelectualmente débil”. Em 1971, Janice só sabia assinar seu nome, e aceitou ser operada. Atualmente, ela trabalha na limpeza de equipamentos no mesmo hospital em que sua meio-irmã a levou para ser esterilizada, há 40 anos. “Sinto que não fui tratada honestamente, como se não fosse um ser humano”, protesta ao site.

Charles Holt, branco, recebeu contra sua vontade uma vasectomia em 1968, enquanto vivia, ainda adolescente, em um abrigo do Estado para pessoas com problemas emocionais – devido ao julgamento feito por um assistente social. A comissão de eugenia o liberou quando ele fez 19 anos, logo depois que ele foi esterilizado. Seus pais concordaram como procedimento, mas Holt só soube anos depois que foi submetido à operação. “O médico disse que eu poderia voltar para a casa se eu fizesse uma operação”, afirmou, sem que tenham dito a verdadeira finalidade.

Um ano depois, ele se apaixonou e começou a ter planos para formar uma família, quando descobriu que era estéril. Entrou em depressão e sofreu de alcoolismo. Só se recuperou após ajudar a criar três crianças. Anos depois, ganhou deles oito netos. “Ele teria sido um pai (biológico) formidável, seus filhos teriam disciplina e educação. Ele sabe e sempre soube tomar conta de crianças: troca fraldas, cozinha, limpa e, mais importante, sabe amar”, diz Melissa Hyatt, uma de suas filhas adotadas.

Para ela, cada vítima mereceria pelo menos um milhão de dólares, já que cada um recebeu uma sentença perpétua. “Não ficaram 20 anos atrás das grades, mas sofreram cicatrizes mentais e emocionais pagando por algo que eles nunca fizeram”, protesta.

*Com informações do site Mother Jones.

 

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"Leis estaduais permitiam a prática da eugenia até 1979 nos EUA".

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De Opera Mundi.

Ataque a agência que faz viagens para Cuba "revive" anos de terrorismo em Miami

Polícia e FBI indicam que ato foi criminoso e investigam participação de grupos anticastristas na Flórida

 

 

Há pouco mais de duas semanas, as instalações da Airline Brokers, uma agencia de viagens de Miami especializada em vôos a Cuba, foram destruídas por um incêndio de grandes proporções. Logo nas primeiras investigações, os peritos suspeitaram de uma sabotagem. Nesta terça-feira (15/05), os bombeiros da cidade não deixaram dúvidas: o incêndio foi intencional e provocado por profissionais.

Reprodução/Youtube
 
Agência de viagens que faz viagens para Cuba foi incendiada; Polícia e FBI indicam ato criminoso

As chamas consumiram o interior da agência em menos de duas horas e foram aceleradas por um componente químico de alta volatilidade. De resto, na manhã do incêndio, um cão especializado em detectar explosivos ainda não tinha entrado dentro do escritório e já acusava a presença do acelerador químico das chamas. “Logo que ele chegou, sentou no chão três vezes. Era o sinal de que havia algo anormal neste incêndio”, comentou aoOpera Mundi um dos especialistas da agencia antiterrorista do estado da Florida, que pediu anonimato.

O FBI e os grupos antiterroristas locais foram chamados de imediato para analisar o caso porque, como recordou um dos seus membros, “desde os atentados do 11 de setembro, todos os casos suspeitos de terrorismo são passados a pente fino”. E Miami tem uma historia nada simpática nesse sentido.

Entre as décadas 1970 e 1990, a capital do exílio cubano nos Estados Unidos foi alvo de uma intensa campanha de atentados terroristas que deixou um rastro de pelo menos 10 mortos e mais de 50 imóveis destruídos. Foi uma guerra não-declarada por parte dos mais radicais anticastristas, que se sentiram incomodados com a política do governo cubano de reaproximação com os exilados que não promoviam uma política de hostilidade à ilha.

Como reconheceu na semana passada o ex-agente da CIA Rolando Martinez: “foram anos muito críticos e perigosos. Algumas organizações (contra-revolucionárias) estavam incomodadas ao constatar o avanço nos Estados Unidos dos simpatizantes do castrismo”.

Reprodução/TV

Na época a que Martinez (foto ao lado) se refere, o governo cubano realizou reuniões com setores moderados do exílio cubano. Foi assim que em outubro de 1978, libertou 3.500 presos políticos e iniciou um processo chamado de “reunificação familiar”, e milhares de exilados regressaram a Cuba para rever seus parentes.

Em Miami, apareceram agencias de viajem especializadas em vôos a Cuba, as universidades começaram a intercambiar professores com as suas congêneres na ilha, abriram-se centros de estudos sobre as relações entre os Estados Unidos e Cuba. Para o sector extremista do exílio, este movimento significou uma espécie de “rendição ante Fidel”. E assim apareceu o terrorismo.

Começou então uma onda de atentados terroristas e uma campanha de calúnias contra todos os que participaram no processo de aproximação. O banqueiro que pediu a Fidel Castro que libertasse os 3.500 presos políticos, foi arruinado. A diretora de um centro de estudos sobre Cuba foi alvo de um atentado que destruiu parcialmente a sua casa e a deixou para o resto da vida para cima de uma cadeira de rodas. Dois dos participantes nas conversações com o governo cubano foram assassinados.

Por isso é que agora as autoridades antiterroristas e o FBI varrem Miami à procura dos autores do incêndio na agencia de viagens há duas semanas. “Não vamos voltar aos anos 70 e 80. Não descartamos nenhuma pista nem linha de investigação. O terrorismo acabou e é bom que se saiba. Isto é uma coisa que levamos bastante a sério”, disse uma fonte da equipe antiterrorista.

Miami em chamas

Segundo versões que circulam ente os jornalistas em Miami, a CIA também está atenta às investigações. A agencia de inteligência norte-americana tem boas razões para isso porque, depois de tudo, a quase totalidade dos autores dos atentados terroristas em Miami, nas décadas de 70 e 80, foram treinados por ela em sua guerra contra a Revolução Cubana.

Martinez, de 82 anos e que esteve envolvido no escândalo Watergate, reconheceu isso há poucos dias, numa declaração muito franca. “Todo esse pessoal foi treinado em explosivos. Não para criar um terrorismo mas sim como um método de guerra contra Cuba”, disse o ex-agente da CIA a um canal de televisão.

As primeiras atividades terroristas começaram em Miami no inicio dos anos 1970. Em poucos meses, líderes da comunidade cubana pró e contra o regime de Fidel Castro passaram ser assassinados. A violência era tanta que a polícia não tinha pessoal suficiente para atender todas as emergências. Parecia que o governo federal tinha perdido o controlo de uma parte do país.

Nessa época foram assassinados Rolando Masferrer, um anti-castrista violento com grandes rivais dentro do exílio pelo seu passado comunista, e José Elias de la Torriente, considerado então o líder do exílio, mas sobre quem caiam fortes suspeitas de ter desviado fundos em proveito próprio e investidos numa urbanização. Uma bomba deixou inválido o locutor Emilio Milián, conhecido pelas suas críticas a essa onda de violência.

Orlando Bosch, autor do atentado do contra o avião da Cubana de Aviación que explodiu em pleno vôo perto da ilha de Barbados em 1973, disparou uma bazuca contra um barco polonês ancorado no porto de Miami.

O jornalista Max Lesnik foi alvo de 11 atentados que destruíram paulatinamente as instalações de Replica, a revista que criou e se distinguia pela sua independência dos poderes econômicos da cidade. No último atentado, a bomba não explodiu. Os investigadores encontraram as impressões digitais do exilado Eduardo Arocena, um individuo conhecido pela polícia por sua violência.

Arocena foi condenado em 1985 a prisão perpétua, por conspirar para cometer assassinatos depois que os investigadores encontraram em sua casa um deposito clandestino de armas de guerra.

Recrudescimento

Lesnik, que dirige a organização pró-cubana “Alianza Martiana”,  teme que o incêndio na agencia de viagens possa ser o regresso aos velhos tempos de violência em Miami. “Isto que aconteceu há duas semanas poderia ser o renascimento de uma corrente raivosa, vinda do passado, porque a nova geração de cubanos não pensa como aquela gente que fez de Miami a capital do terrorismo naquelas décadas”, afirmou.

Mas, ante esta possibilidade, o que mais o preocupa, é o silencio que as autoridades políticas e municipais mantiveram perante o incêndio da “Airline Brokers”.

Rui Ferreira
 
Deputados que querem suspender voos a Cuba não vão reprovar ações de quem pensa como eles, diz Lesnik

Este silencio, “serve para demonstrar  de novo a simpatia ou a cobardia dos funcionários públicos do sul da Florida, porque nenhum deles teve a valentia de condenar publicamente este ato criminoso que mancha a imagem de toda a comunidade de Miami”, afirmou o jornalista.

Lesnik recordou que todos os congressistas e senadores eleitos “apóiam o cancelamento das viagens a Cuba”, pelo qual “não se pode esperar que condenem a quem pensa como eles”.

 

 

zanuja

De Opera Mundi.

Cuba é lugar melhor para se ter um filho do que Brasil, diz pesquisa

No país comunista, apenas uma em cada 1400 mulheres correm risco de morrer durante o parto ou a gravidez.

 

Cuba é um lugar melhor que o Brasil para se ter um filho. É o que revela um ranking divulgado nesta terça-feira (08/05) pela organização não-governamental Save the Children, que elencou os melhores países do mundo para se tornar mãe. Enquanto o país comunista figura na 44ª posição, o Brasil surge dez colocações atrás, na 54ª posição. Noruega e Islândia assumiram a primeira posição da lista. Já Níger superou o Afeganistão e foi classificado como o local com piores condições para se ter um filho.

O relatório lembra que países como o Brasil "alcançaram um enorme progresso nas últimas duas décadas, reduzindo em 60% suas taxas de desnutrição". Ainda assim, ressalta que, em Cuba, apenas uma em cada 1400 mães correm o risco de morrer durante a gestação ou o parto.

A ilha caribenha também fica à frente de outros países qualificados como de desenvolvimento humano intermediário, entre eles Israel. No que diz respeito ao número médio de anos de estudo, as mulheres de Cuba foram consideradas mais escolarizadas que as israelenses. As cubanas estudam, em média, 17 anos, enquanto as israelenses 16. No Brasil, esse número cai para 14.

WikiCommons

Esta é a 13ª edição do relatório, que elenca os países de acordo com parâmetros como o bem-estar "básico" dos filhos e o nível educacional, econômico, sanitário e político das mães.

Entre os dez piores países para se ter um filho, oito estão na África Subsaariana. Sete deles vivem crises alimentícias. Níger, que aparece como o pior país desta lista, é seguido pelo Afeganistão, Iêmen, Guiné-Bissau, Mali, Eritréia, Chade, Sudão, Sudão do Sul e República Democrática do Congo. 

Nas dez primeiras posições estão, respectivamente, Noruega, Islândia, Suécia, Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia, Austrália, Bélgica, Irlanda e Holanda e Reino Unido (países que dividem o décimo posto).

O relatório da Save the Children ressalta ainda que, na Noruega, uma mulher estuda por, em média, 18 anos, e tem uma expectativa de vida de 82 anos. Lá, apenas uma em cada 175 mães corre risco de perder seu filho antes que ele complete cinco anos. 82% usam métodos anticoncepcionais.

No Níger, o cenário é o inverso: uma mulher estuda por, no máximo, quatro anos, e possui uma expectativa de vida de 56 anos. Uma em cada sete crianças morre antes de seu quinto ano de vida e uma em cada 16 mulheres morre durante o parto ou a gravidez. Somente 5% usam métodos anticoncepcionais.

A desnutrição ainda é a causa de, pelo menos, 20% da mortalidade materna e também de mais de um terço das mortes infantis. Um terço das crianças que nascem na Ásia, cerca de 100 milhões, sofre de desnutrição crônica. Na África, duas a cada cinco, cerca de 60 milhões no total, são vítimas dessa mazela.

"Nosso relatório demonstra que o leite materno pode salvar vidas. Todos os países devem implantar políticas e programas que facilitem e incentivem a lactação materna", afirma Yolanda Román, responsável de Incidência Política da ONG. A Save The Children recomenda a todos os países, entre outras coisas, que façam da luta contra a desnutrição uma prioridade e que invistam em saúde e na educação das crianças.

 

zanuja

Triste quinta economia do mundo.

 

De Opera Mundi.

Obama faz novo apelo para que congresso aprove reforma do sistema financeiro dos EUA

Em programa de rádio, presidente acusou bancada republicana de tentar atrasar conclusão de projeto de regulamentação de operações de alto risco.

 

Após uma semana marcada por mais tensões em Wall Street com a repercussão do rombo financeiro do banco JPMorgan Chase & Co, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez mais um apelo ao congresso norte-americano para que aprove uma ampla reforma do sistema financeiro.

Neste sábado (19/05), durante seu discurso semanal nas rádios dos EUA, ele classificou a medida como algo "inteligente, significativo e sensato", capaz de prevenir o país de uma nova crise econômica nos moldes do colapso financeiro de 2008. "Nos últimos três anos e meio, estivemos lutando para nos recuperar de uma crise econômica histórica causada pela aterrorizante irresponsabilidade de parte de Wall Street, que utilizou nosso sistema financeiro como um cassino", declarou Obama.

Referindo-se ao prejuízo de mais de dois bilhões de dólares do banco de investimentos JPMorgan Chase & Co, Obama disse que seu governo não permitirá que toda a nação seja obrigada a arcar com novos problemas econômicos por conta dos erros de entidades privadas de Wall Street.

Agência Efe

"Essas novas regras mostram que, um grande banco agora terá de ter mais liquidez disponível para ele próprio possa pagar por uma decisão ruim, e não os contribuintes", explicou. Essa reforma segue as linhas regulamentadas pela Lei Dodd-Frank, que foi aprovada em 2008 mas que ainda não conseguiu respaldo parlamentar para aplicar algumas cláusulas. Um desses casos é o da Norma Volcker, que estabelece limites às operações especulativas que uma entidade financeira pode conduzir.

Foi justamente a especulação desenfreada que rendeu ao JPMorgan Chase & Co seu rombo bilionário. O FBI, polícia federal norte-americana, partiu de denúncias do Federal Reserve para investigar possíveis irregularidades nas operações do banco com derivativos, contratos futuros de elevada volatilidade.

"Não podemos voltar a uma era de fraca regulação e baixa supervisão, na qual a excessiva tomada de riscos por Wall Street e a ausência de controle básico por Washington quase destruiu nossa economia", acrescentou Obama, em uma tentativa de  criticar a bancada republicana e "sua trama de lobbies para atrasar, esvaziar de recursos e desmantelar a reforma" do coração financeiro do planeta.

Ele pediu para que deputados dediquem mais tempo para "trabalhar de verdade para fortalecer a economia dos EUA".

 

 

zanuja

De BBC Brasil.

Especialistas defendem criação de agência de imigração no Brasil

Adriana Marcolini

Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil

Atualizado em  19 de maio, 2012

Passageiros desembarcam no aeroporto de Guarulhos

Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, uma das principais porta de entrada de estrangeiros no Brasil

 

A Polícia Federal não tem capacidade de atender os imigrantes que chegam ao Brasil, segundo um delegado responsável pelo setor no Rio de Janeiro. Especialistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que o trabalho deveria ser feito por uma agência federal especializada.

 

A substituição da PF por uma Agência Nacional de Migração para atender os estrangeiros no Brasil é um dos principais pontos do debate sobre a criação de uma nova Lei de Imigração - cujo projeto tramita há cerca de três anos no Congresso.

 

"Não temos pessoal capacitado para essa tarefa", afirmou o delegado Antônio Ordacgy, chefe do núcleo de estrangeiros da Superintendência da PF no Rio de Janeiro.

No entanto, ele afirma que essa não é uma posição institucional da PF, mas sua opinião pessoal. O comentário foi feito no seminário "Direito dos Migrantes no Brasil: o novo Estatuto dos Estrangeiros como uma Lei de Migração", que ocorreu no Rio na última sexta-feira.

Entre as atribuições da PF, atualmente, estão o atendimento a imigrantes que já possuem visto permanente e o monitoramento da situação de estrangeiros que estão no Brasil em caráter temporário ou permanente. Além disso, a instituição recepciona os estrangeiros que chegam ao país em portos, aeroportos e fronteiras.

De acordo com Ordacgy, a PF já cumpre "inúmeras" tarefas, como a repressão ao tráfico de drogas e de animais silvestres, ao contrabando e aos crimes de "colarinho branco", e não deveria acumular a função de fiscalização da imigração.

Agência

Segundo o diretor da ONG Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), Paulo Illes, servidores da PF não aplicam a atual legislação de forma objetiva.

"Os funcionários deste (novo) organismo deveriam aplicar a lei de forma objetiva, e não subjetiva, como fazem os agentes da PF", disse.

Segundo Illes, dos cerca de 43 mil estrangeiros que obtiveram visto temporário com a anistia concedida pelo presidente Lula em 2009, apenas 19 mil obtiveram a permanência definitiva no Brasil.

"Em muitos casos, o agente da PF não aceitou os documentos indicados na legislação – como o extrato bancário – para que o postulante pudesse obter o visto permanente, o que revela uma interpretação subjetiva da lei."

"É urgente a criação (no Brasil) de um órgão que ofereça um atendimento humanizado e disponha de pessoal capacitado, que conheça de fato a legislação e tenha domínio de idiomas", afirmou Illes.

A Argentina é um exemplo de país que já criou um organismo específico para o atendimento aos imigrantes - a Direção Nacional de Migrações (DNM).

Segundo Federico Agusti, diretor de Assuntos Internacionais e Sociais da DNM, 423 mil estrangeiros se inscreveram no plano "Pátria Grande", lançado no final de 2005 para regularizar a situação de imigrantes na Argentina. Deles, 225 mil conseguiram a residência permanente até 2010.

Nova lei

Para os especialistas, a integração dos imigrantes não deve se limitar à regularização de sua situação no país em uma nova legislação. Ela deve incluir a adoção de políticas como o oferecimento de cursos de português e a capacitação para o mercado de trabalho.

"A futura lei brasileira de imigração deverá não apenas permitir o direito à migração, mas considerar a integração do imigrante na sociedade", afirmou Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração (Cnig), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo a legislação que o governo espera aprovar no Congresso, estrangeiros poderão requerer vistos permanentes a qualquer momento. Pela lei em vigor, é preciso fazer um requerimento antes de chegar ao Brasil, por meio dos consulados brasileiros.

Regularização

A mudança deverá fazer com que as anistias, que vêm sendo concedidas para os imigrantes irregulares, perderem o sentido.

"Podemos combater melhor a criminalidade ligada à imigração através da regularização dos migrantes, ao invés de adotar políticas restritivas", afirmou o diretor do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do Itamaraty, Rodrigo Amaral.

A permanência de estrangeiros no Brasil ainda é regida pelo Estatuto do Estrangeiro, instituído em 1980, sob a ótica da Lei de Segurança Nacional.

Países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai, já aprovaram novas leis de imigração para substituir normas da época de suas ditaduras militares.

No campo do direito dos migrantes, o Brasil também está atrasado: é o único país da América Latina que ainda não ratificou a Convenção Internacional das Nações Unidas para a Proteção dos Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e suas Famílias.


 

zanuja

De BBC Brasil.

Atentado contra ex-ministro colombiano expõe cisão entre Santos e Uribe

Leandra Felipe

De Bogotá para a BBC Brasil

Atualizado em  19 de maio, 2012

 AFP

Uribe vem se consolidando como oposição ao atual presidente

 

Um atentado na última terça-feira em Bogotá evidenciou a ruptura entre o atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e seu antecessor, Álvaro Uribe.

O ataque a um ônibus, que teve como alvo o ex-ministro do Interior e Justiça da Colômbia, Fernando Londoño, matou duas pessoas e deixou mais de 50 feridos, entre eles o próprio Londoño.

 

Embora formalmente Uribe faça parte da base do governo de Santos, para analistas ouvidos pela BBC Brasil os dois políticos "já estão em caminhos diferentes", com suas divergências pessoais e políticas cada vez mais visíveis.

Uribe responsabilizou o governo de Santos pelo ataque da terça-feira, que ele atribuiu ao que chamou de "fragilidade" na condução da política de segurança.

O ex-presidente criticou a proposta do atual governo de viabilizar uma saída negociada pela paz com as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Enquanto Bogotá está banhada em sangue, o governo pressiona os congressistas a aprovar o marco jurídico para a paz", disse.

No dia do atentado, a Câmara de Deputados estava analisando um projeto de lei que permite que o governo de Santos dê início a um processo de paz na Colômbia, alternativa totalmente rejeitada por Uribe, que defende a ideia de enfrentar a guerrilha sem reconhecer nas Farc seu caráter insurgente.

Apesar das críticas do ex-presidente, o projeto foi aprovado com ampla maioria na Câmara e agora segue para dois debates no Senado.

Depois da aprovação, o Juan Manuel Santos também endureceu o discurso, comparando resultados de sua política de segurança com a do governo de Uribe.

"No governo anterior, tínhamos estes atos terroristas quase toda semana. Mesmo assim, recebemos o apoio da população colombiana, e sempre nos mantivemos no mesmo rumo, porque tínhamos objetivos", lembrou Santos.

Na última sexta-feira, o presidente afirmou que ainda não se sabe quem são os responsáveis pela explosão do ônibus de Londoño.

Guerra via Twitter

Uribe e Santos têm dado vários sinais de separação desde o ano passado, quando o presidente reconheceu o conflito armado colombiano, ao aprovar a Lei de Vítimas e Reparação. Desde então, seu antecessor faz críticas cada vez mais fortes ao atual governo.

"Uribe condena tudo o que presidente faz: as promessas de Santos de acabar com a pobreza, o projeto de casas populares, e o chama de gastador e demagogo", comenta o cientista político Ricardo García.

 Reuters

Santos defende a criação de marco de paz para negociações com as Farc

A reação de Uribe à explosão no ônibus evidenciou sua consolidação como oposição ao governo, direcionando críticas diárias a Santos nos meios de comunicação e em seu Twitter.

De acordo com os analistas, o presidente, que inicialmente ignorou as críticas, deve reagir mais na medida em que as provocações forem mais fortes.

"Santos dizia que não se importava com a opinião de Uribe. Mas neste episódio do atentado ele foi mais ofensivo no contra-ataque", avalia o professor de Ciências Políticas da Universidade de Antioquia, Jorge Andrés Hernández.

Elites diferentes

A "briga" expõe também as diferenças pessoais entre os dois políticos.

"Uribe é o político carismático, capaz de arrebanhar multidões. Ele é extremamente religioso, cercado de católicos e evangélicos, e em seu governo estimulou a ideia nacionalista e uma postura quase messiânica", conta Andrés.

O presidente Santos também tem raízes na elite, só que na tradicional aristocracia urbana de Bogotá. A família dele foi proprietária do maior jornal diário colombiano, o El Tiempo. Seu tio-avô Eduardo Santos foi presidente do país entre 1938 e 1942.

"A diferença é que ele é mais ligado às forças empresariais urbanas. Sua família sempre participou da vida política, das grandes decisões", analisa Hernández.

Santos é conhecido por ser politicamente pragmático. "Ele chega a ser oportunista e representa a política de centro, que muda de acordo com os ventos."

 AP

O atentado a um ônibus planejava atingir o ex-ministro do Interior e da Justiça

A pressão do ex-presidente está fazendo com que o atual se antecipe para trabalhar pela reeleição, de acordo com García e Hernández.

Uribe não pode mais ser eleito, porque a lei colombiana só permite uma reeleição consecutiva.

No entanto, os especialistas acreditam que uma alternativa possível para ele seria a criação de um movimento novo, desvinculado do Partido Social de Unidade Nacional (de La U), legenda que ele mesmo ajudou a criar e da qual também faz parte Juan Manuel Santos.

García diz que apesar do "barulho", Uribe está em desvantagem quanto a Santos, porque ele não tem a base e nem a "máquina" do governo a seu favor.

"Mesmo assim ele pode criar um movimento e conseguir aglutinar uma parte dos conservadores com ele. O uribismo perdeu força, mas Uribe é hábil suficiente, para, pelo menos, dificultar a vida de Santos", conclui.

 

 

 

zanuja

Do Jornal Hoje em Dia.

Morte de JK irá à Comissão da Verdade

 

OAB-MG pleiteia uma nova investigação sobre o acidente automobilístico ocorrido em 1976, que vitimou o estadista

 

Do Hoje em Dia - 19/05/2012

 

ARQUIVO HD

JK

Segundo a versão oficial, JK foi vítima de um acidente na Via Dutra.

 

A recém-instalada Comissão da Verdade vai ter que se debruçar sobre diversos casos ainda nebulosos, mas terá que analisar também um processo há muito considerado encerrado. A seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) quer uma nova investigação sobre a morte de Juscelino Kubitschek e, para isso, enviará nos próximos dias, à comissão, os documentos do caso.


Juscelino Kubitschek morreu aos 73 anos, em agosto de 1976. Segundo a versão oficial, ele foi vítima de um acidente na Via Dutra, em Resende (RJ), depois de o motorista Geraldo Ribeiro perder o controle do Opala no qual transportava o ex-presidente e bater em um caminhão na pista contrária.


Na ocasião, a culpa caiu sobre Josias Nunes de Oliveira, motorista de um ônibus da Viação Cometa que teria feito Geraldo perder o controle do carro. Geraldo foi absolvido em dois julgamentos e, para familiares e amigos, o mistério permanece.


Agora, a OAB-MG quer que o caso seja devidamente esclarecido. O processo com a investigação da morte – que contabiliza 2.629 páginas – será encaminhado à Comissão da Verdade. E são nessas páginas que estão diversos “furos” dos responsáveis pelas investigações, segundo o advogado William Santos, da comissão de direitos humanos da OAB-MG.


“Queremos que seja tudo refeito. Vamos mandar o processo e outras peças para mostrar a farsa”. Entre as peças estará um depoimento do secretário particular e amigo de Juscelino Kubitschek, Serafim Jardim, de 76 anos. Ele também classifica a investigação sobre o acidente como uma “farsa total”.


Depois de 20 anos de luta, Serafim Jardim conseguiu, em 1996, que o caso fosse reaberto, mas a nova investigação chegou à mesma conclusão da apuração original.


Porém, um laudo feito a partir da exumação dos restos mortais de Geraldo Ribeiro no Cemitério da Saudade, revelou um fragmento de metal “de forma cilindro-cônica, medindo sete milímetros de comprimento e diâmetro médio de dois centímetros” no crânio do motorista.


A exumação foi feita no Instituto Médico Legal (IML) da capital mineira, mas a Polícia Civil descartou a possibilidade de o fragmento ser de um projétil. “Disseram que era prego de caixão”, comentou Jardim.


A OAB afirma ainda que os responsáveis pelas investigações colheram o depoimento de apenas nove passageiros do ônibus – e nenhum deles confirmou a versão da colisão com o Opala –, sendo que havia 33 pessoas no veículo, além do motorista.


As fotos dos corpos do presidente e do motorista também desapareceram da documentação, diz a entidade. “Esse processo é uma incoerência do início ao fim”, avalia Santos.


Ele lembra que um eventual crime que tenha ocorrido já está prescrito desde 1996, mas salienta que o caso precisa ser esclarecido.


Jardim diz que deposita, na comissão, a esperança de “corrigir a história”. Os delegados responsáveis pelas investigações não foram localizados pela reportagem.

 

 

 

 

 

zanuja

Do UOL.

19/05/2012

Com prestígio em baixa, Perillo tira R$ 20 mi de fundo desenvolvimento e repassa à publicidade 47

Josias de Souza

 

 

Às voltas com o Cachoeiragate, o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, decidiu reforçar o caixa da Agência Goiana de Comunicação, autarquia vinculada à Casa Civil. Transferiu R$ 20,5 milhões de um fundo de investimentos para a área de “divulgação e veiculação das ações governamentais.”

A migração da verba foi formalizada por meio de dois decretos (141 e 142). Assinados por Perillo em 14 de maio, foram publicados no Diário Oficial do Estado no dia 17, quinta-feira (confira aqui). Nove dias antes, o jornal ‘O Popular’ veiculara pesquisa que atribuíra à gestão de Perillo um índice de desaprovação de 48,9%.

Num dos decretos do governador, foram transferidos para as arcas da agência que cuida da publicidade oficial R$ 5,5 milhões. Noutro, mais R$ 15 milhões. Nos dois casos, as verbas foram subtraídas do Fundes (Fundo de Fomento ao Desenvovimento Econômico e Social de Goiás).

Entre a assinatura e a publicação dos decretos, Perillo anunciou, em 15 de maio, a destinação de R$ 18 milhões para reformar as 120 escolas de tempo integral de Goiás. Quer dizer: aplicou em estabelecimentos nos quais estudam 17 mil alunos R$ 2,5 milhões a menos do que o montante que tonificará a publicidade.

A movimentação de Perillo dá ideia do grau de preocupação do governador com a erosão que o Cachoeiragate provoca na sua imagem. Há três dias, o governador esteve em Brasília. Longe dos refletores, participou de uma reunião na casa do senador e presidenciável do PSDB Aécio Neves (MG).

Nesse encontro, um grupo seleto de congressistas tucanos mastigou pão de queijo e digeriu explicações de Perillo. O governador reconheceu que as notícias que o vinculam a Carlinhos Cachoeira têm efeitos corrosivos, especialmente junto ao eleitorado de Goiás.

Além do anfitrião Aécio, ouviram Perillo o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE); os líderes da legenda no Senado, Alvaro Dias (PR), e na Câmara, Bruno Araújo (PE); os senadores Aloysio Nunes (SP) e Cássio Cunha Lima (PB); e os dois representantes tucanos de Goiás no Senado: Cyro Nogueira e Lúcia Vânia.

Nas páginas dos inquéritos da Vegas e da Monte Carlo, as duas operações deflagradas pela Polícia Federal contra a quadrilha de Cachoeira, abundam indícios de que o contraventor infiltrara-se na gestão de Perillo. O governador não negou o inegável. Mas atribuiu a infiltração ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

Na versão de Perillo, Demóstenes dispunha de uma cota de nomeações no seu governo. Segundo disse, a exemplo “do Brasil todo”, também ele ignorava que o senador mantivesse relações umbilicais com Cachoeira.

A nenhum dos tucanos presentes ocorreu perguntar a Perillo se a cota de Demóstenes incluía também a chefe de gabinete do governador, Eliane Gonçalves Pinheiro. Uma personagem afastada da sala ao lado da de Perillo depois que vieram à luz os grampos que revelaram diálogos dela com prepostos de Cachoeira.

Nas escutas telefônicas colecionadas pela PF, o nome de Perillo pinga dos lábios de Cachoeira e de integrantes do seu bando 237 vezes. Num dos grampos, soa a voz do próprio governador. Ele parabeniza o contraventor pela passagem do aniversário. Liguei porque o Demóstenes pediu, disse Perillo aos tucanos.

Em outro de seus achados, a PF descobriu que uma casa vendida por Perillo no elegante condomínio de Alphaville, em Goiânia, foi paga com três chegues assinados por Leonardo Almeida Ramos, um sobrinho de Cachoeira. O contraventor morava no imóvel. Foi lá que a PF o prendeu, em 29 de fevereiro.

No encontro do pão de queijo, Perillo disse que não sabia que Cachoeira estava por trás da compra da casa. Alegou que detalhes como a titularidade dos cheques escaparam-lhe porque não cuidou diretamente da transação. De resto, afirmou que, se quisesse fazer um negócio escuso, a casa não constaria de sua declaração de bens e os cheques não teriam ido parar na sua conta. Os tucanos deram-lhe crédito.

Perillo reiterou que está disposto a depor na CPI do Cachoeira. Mas ponderou que não gostaria de atravessar o escândalo como único governador a passar pela comissão. Deseja que sejam convocados também os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Capitaneado pelo PT, o bloco governista da CPI opera para evitar que o desejo de Perillo seja atendido. A votação dos requerimentos de convocação dos governadores foi adiada para o mês que vem. O petismo imagina que, até lá, vai ficar claro que apenas  o depoimento de Perillo encontra amparo nos fatos.

 

 

zanuja

De Folha online.

PT associa Perillo a Cachoeira em documento oficial

 

CATIA SEABRA
ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE
FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE

O PT aprovou ontem documento em que associa, nominalmente, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) ao esquema do empresário Carlos Cachoeira, acusado de exploração do jogo ilegal.

"A organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Cachoeira atuava dentro das estruturas do Estado de Goiás, governado por Marconi Perillo, espalhando seus tentáculos nas instituições dos poderes constituídos de outros estados do Brasil".

Alvo de discussão do diretório nacional do partido, o texto reflete o desejo de que Perillo seja convocado pela CPI de Cachoeira. Durante a reunião, petistas insistiram na convocação de Perillo.

"Não existe blindagem porque não há elementos contra qualquer outro governador. Só contra Marconi Perillo", afirmou o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, segundo quem a CPI está indo bem por ser cautelosa.

Um dia depois de a comissão dar sinais de que será esvaziada, o ex-ministro José Dirceu defendeu que o teor das escutas telefônicas da Polícia Federal venha à tona, com a convocação dos investigados.

"A CPMI poderá elucidar a infiltração do crime organizado e da corrupção na alta política nacional, como foi a tentativa denunciada em escutas oficiais de que o meliante Carlos Cachoeira pretendia fazer nomear o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) para o Supremo Tribunal Federal. Tal fato não encontra paralelo na história do Brasil: um assecla da organização criminosa ser guindado à mais alta corte de justiça do País", diz a resolução divulgada pelo partido.

Apesar da defesa da continuidade da CPI, houve diferenças de opinião sobre a condução. O senador Humberto Costa (PE) sugeriu que houvesse uma articulação comum dos partidos da base aliada. Outros parlamentares duvidavam da disposição do PMDB de levar as investigações a fundo.

"É fundamental mobilizarmos a sociedade em defesa de uma ampla apuração de todas as denúncias relatadas nas operações da PF, bem como de todas as ramificações da organização criminosa, doa a quem doer, pois ninguém, seja na área pública ou privada, pode situar-se acima da lei", afirma o documento

 

zanuja

Do JB Online

Reportagem revela que PF investiga denúncia antecipada pelo 'JB'Matéria trouxe à tona a suspeita de que Limírio teria usado esquema de Cachoeira

Jornal do Brasil

 

A Polícia Federal investiga os fortes indícios de que o empresário Marcelo Limírio se beneficiou do esquema do bicheiro-empresárioCarlinhos Cachoeira para comprar o Hotel Nacional, em 2009. A denúncia da ligação entre Limírio e Cachoeira foram trazidas à tona pelo Jornal do Brasil no último dia 16 de abril, na reportagem "Hotel Nacional: as digitais de Carlinhos Cachoeira no Rio de Janeiro".

Desativada desde 1995, a construção foi leiloada pelo Ministério da Fazenda através da Superintendência de Seguros Privados (Susep) em 2009. Naquela ocasião, o empresário Marcelo Limírio arrematou o hotel por R$ 84,9 milhões, R$ 33 milhões a menos do que o lance inicial do leilão anterior, no qual não houve lance. 

Principal acionista individual do grupo Hypermarcas, Marcelo Limírio é sócio direto tanto de Carlinhos Cachoeira quanto de Demóstenes. O contraventor e o empresário são sócios pela empresa ICF, responsável por fornecer testes para laboratórios. Entre eles, está o Vitapan, que pertence a Cachoeira. Já o senador Demóstenes é sócio de Limírio numa universidade em Contagem, Minas Gerais. 

Contrato da "Nova Faculdade" revela relação de Demóstenes com Marcelo Limírio

Contrato da "Nova Faculdade" revela relação de Demóstenes com Marcelo Limírio

 

Denominada "Nova Faculdade", a instituição de ensino é dividida entre três cotistas, dois dos quais são Limírio (60% do empreendimento) e Demóstenes (20%). O empresário foi até bem generoso com o senador, deixando que ele parcelasse em 25 vezes o investimento de R$ 200 mil na empresa. 

Com campanha financiada por Limírio, Vergílio não assinou pedido de CPI para investigar Cachoeira

A proximidade de Limírio com Cachoeira e Demóstenes coloca outro político na roda: o deputado federal Armando Vergílio (PSD-GO). Ele era o superintendente da Susep em 2009, mesmo ano no qual o órgão leiloou o Hotel Nacional por duas vezes, baixando seu preço de R$ 118 milhões para R$ 84 milhões em função da falta de compradores na primeira tentativa de venda. 

Meses após a venda, Vergílio deixaria a Susep para se candidatar à Câmara Federal e um dos seus principais doadores foi a SS Comércio de Cosméticos, que contribuiu com R$ 100 mil através de uma doação eletrônica. A Hypermarcas, a mesma da qual Limírio é o principal acionista, adquiriu naquela ocasião algumas das linhas de produto da SS Comércio de Cosméticos por R$ 25 milhões. Vergílio concorreu pelo cargo de deputado federal justamente no estado no qual a quadrilha de Cachoeira exercia maior controle: Goiás. 

Retificação (17/04): a Hypermarcas informou que não comprou a SS Comércio de Cosméticos, apenas adquiriu algumas de suas linhas de produtos.

Além das digitais de Limírio, a lista de doadores de Armando Vergílio revela nomes curiosos. Ex-superintendente de um órgão cujo objetivo é controlar e fiscalizar o mercado de seguro, previdência privada aberta e capitalização, o deputado federal recebeu uma série de doações que atuam na área. Entre seus principais doadores estão a Porto Seguro (R$300 mil),  Banco Pottencial (R$ 200 mil), Itaú Unibanco (R$ 100 mil), Liderança Capitalização (R$ 100 mil) e GPS Corretora de Seguros (R$ 100 mil). Como era integrante do PMN na época das eleições, Vergílio ainda recebeu, através do comitê financeiro único do partido, doações da Alvorada Cartões (R$ 200 mil) e Liderança Capitalização (R$ 200 mil). No total, o deputado federal recebeu R$ 1,2 milhão em recursos de empresas da mesma área que ele fiscalizava nos tempos de Susep. 

Aliança política

Antes da eclosão das denúncias da Operação Monte Carlo, o senador Demóstenes Torres era um dos favoritos para disputar a prefeitura de Goiânia. No entanto, uma possível ida para o Supremo Tribunal Federal, cogitada algumas semanas antes da revelação de suas ligações com Cachoeira, afastava essa possibilidade. Nesse momento, um dos nomes ventilados para a disputa foi o de Armando Vergílio, que recebeu o sinal verde do senador para a candidatura, segundo jornais locais. Em contrapartida, Vergílio foi um dos poucos deputados que não assinaram o pedido de abertura da CPI de Cachoeira. 

Quebra de sigilo

De acordo com reportagem da "Época", a Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário de todos os investigados por suspeita de desvio de recursos da Interunion Capitalização (antiga proprietária do Hotel Nacional) e até lavagem de dinheiro. Marcelo Limírio também já foi convocado a prestar esclarecimentos à CPI do Cachoeira. 

Leia trecho da reportagem:

- O leilão foi remarcado várias vezes sem que o hotel fosse vendido. A última tentativa malsucedida, em 4 de novembro de 2009, estabeleceu um preço mínimo de R$ 118,5 milhões, com o pagamento mínimo de R$ 100 milhões praticamente à vista. No leilão seguinte, um mês e meio depois, o preço foi para R$ 85 milhões, com o pagamento inicial de R$ 21 milhões. Nessas condições bem mais amigáveis, foi arrematado por Limírio.(...)  A queda de preço ocorreu com a aprovação da Superintendência de Seguros Privados, a Susep, órgão federal que fiscaliza 25% do mercado financeiro nacional – cujo comando, uma indicação política, vem sendo disputado pelo PT e pelo PTB desde o governo Lula. Na ocasião do leilão, o superintendente da Susep era o deputado federal Armando Vergílio, do PSD de Goiás, cujo padrinho é o deputado federal Jovair Arantes, do mesmo Estado. Líder do PTB na Câmara dos Deputados, Arantes é citado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que deu origem à CPI do Cachoeira.

- Foram contratados dois leiloeiros, um em São Paulo e o outro no Rio de Janeiro, para o leilão do Hotel Nacional. O de São Paulo era Luiz Fernando Sodré Santoro, suplente do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Outra empresa, de propriedade da mulher de Santoro, ainda entrou no negócio. Junto, o casal recebeu R$ 3,85 milhões.

- A Polícia Federal investiga também a contratação do escritório de advocacia Mattos, Rodeguer Neto, Victoria, de São Paulo, por R$ 2,76 milhões, num processo do qual já participavam três escritórios de advocacia. Segundo ex-acionistas da Interunion Capitalização, a contratação teve como efeito apenas “arruinar o patrimônio alheio”.

 

 

 

 

zanuja

Do Vi o Mundo do Azenha.

CartaCapital: A Itália já sabia de Cachoeira

publicado em 19 de maio de 2012 às 13:52

Bingo! A Itália Já Sabia do Cachoeira

Em 2004, jornalistas peninsulares falavam das ligações do bicheiro com a máfia

Por Paolo Manzo, na Carta Capital

4 de novembro de 2004. Anotem a data porque foi nesse dia que o nome de Carlinhos Cachoeira se tornou famoso também na Itália. Foi quando a principal revista semanal da península, L’Espresso, publicou uma reportagem primorosa sobre as conexões entre as organizações criminosas italianas que com a globalização se espalharam pelo mundo em busca de países onde lavar o dinheiro do narcotráfico, e de empresários de bingos e caça-níqueis. “Azar de Estado” é o título da matéria assinada pelo repórter investigativo Marco Lillo que, além de descrever as relações suspeitas entre as máfias e os monopólios do Estado no setor das apostas recém-legalizadas na Itália, apresentava Cachoeira como o “chefão das apostas ilegais no Brasil”.

De acordo com Lillo, e também outro jornalista italiano – Francesco Giappichini, que nos informa no seu livro Brasile Terzo Millenio – Cachoeira começou a fazer lobby para a Gtech Corporation, empresa americana líder no mundo das lotéricas, até agosto de 2006, quando foi comprada pela italiana Lottomatica SPA por 4,7 bilhões de dólares. Na época, a Gtech era a responsável pelo sistema informatizado das apostas gerenciadas pela Caixa Econômica Federal e, depois da fusão com a Lottomatica, saiu de Wall Street para passar a coletar dinheiro na Bolsa de Milão. Outra conexão com a Itália.

Cachoeira, escreve Lillo, “queria renovar o contrato das lotéricas com a Gtech, operadora do sistema de loterias da Caixa Econômica Federal contratada durante o governo Fernando Henrique Cardoso, por um valor de uns 130 milhões de dólares”.

Com este propósito, contatou Waldomiro Diniz, já presidente da Loterj, a companhia estadual que trata das lotéricas no Rio de Janeiro e já assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu. O “sonho”de Cachoeira, acrescenta Giapichini, era “a conquista do mercado das apostas online”, que valem bilhões, “começando por Goiás, sua terra natal. Na década de 70, Carlinhos conseguiu estender suas atividades a Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio”.

A página 61 do livro traz o trecho mais interessante: “Na sua ascensão, Cachoeira chega finalmente a definir uma estratégia conjunta com a Gtech” e “quem abençoou o acordo entre ele e a multinacional americana foi mesmo Diniz”. Informações do Ministério Público Federal confirmam os textos dos jornalistas italianos, bem como a CPI dos Bingos.

O acordo entre Cachoeira e a Gtech foi acertado “no hotel Blue Tree, em Brasília”, no começo de 2003, enquanto Waldomiro Diniz “ajudaria na renovação do contrato da Gtech com a Caixa”. Não há dúvida de que o governo Lula criou obstáculos à atuação da dupla “Gtech-Cachoeira” – primeiro o governo vetou o decreto dos bingos e depois rompeu o contrato da multinacional com a Caixa em 2005. E é certo que ao então senador tucano Antero Paes de Barros Neto, natural de Cuiabá, Carlinhos entregou o vídeo provando a corrupção que o envolvia com Diniz.

É certo também o fato de que, em fevereiro de 2004, o semanário Época publicou o conteúdo daquele vídeo depois que Paes de Barros o entregou ao Ministério Público Federal, provocando o que a mídia local batizou como “o primeiro escândalo do governo Lula”. Provavelmente casual, mas com certeza macabro, enfim, é o fato de que Luiz França de Moura Neto, o primo do político mato-grossense, foi encontrado morto, com o rosto e as mãos queimadas, no começo de março de 2004. Certo ainda é que, em menos de dois meses, o mediador Diniz e o “bicheiro” Carlinhos foram condenados pela Justiça carioca, respectivamente, a 12 e 10 anos e meio por corrupção.

A Lottomatica comprou a Gtech em agosto de 2006 e isso, com certeza, é casualidade, mas tem outro fator relevante que interessa ao Brasil e que, uma vez mais, chega da Itália: a lavagem bilionária de dinheiro das máfias italianas em nosso país.

Para indagar sobre o tema, CartaCapital entrou em contato com o atual procurador-geral de Catânia, na Sicília, Giovanni Salvi. Há 14 anos ele era uns dos promotores mais ativos em Roma. Com a coordenação do Departamento de Investigação Antimáfia Italiano (DIA), juntamente com o colega recém-falecido Pietro Saviotti e, graças à colaboração do FBI, Salvi conseguiu documentos probatórios que mostravam como o Brasil havia se transformado na meta preferida dos mafiosos para lavar o dinheiro do tráfico internacional de drogas.

Fácil imaginar o instrumento escolhido para tanto. Os bingos eletrônicos, as máquinas caça-níqueis e, no Panamá e na Argentina, os cassinos. A operação, que na Itália levou em 1998 à prisão de 46 criminosos, passou à história como Operazione Malocchio, ou seja, Mau-Olhado, referência aos Cachoeiras do mundo. “A operação fundou-se sobre o tráfico para a Itália de várias centenas de quilos de cocaína” conta Salvi a CartaCapital. “Na chefia dessa organização estava o foragido romano Fausto Pellegrinetti, que usava o pseudônimo de Franco e trabalhava para Cosa Nostra. O Brasil foi uns dos principais países onde os lucros da droga foram aplicados, através de mediadores da Córsega, principalmente no jogo e nas máquinas caça-níqueis. Nossa fonte principal, Lillo Rosario Lauricella, mafioso de Palermo e braço direito de Pellegrinetti, abandonou nossa proteção e foi morto na Venezuela em 2002”.

Foram 17 milhões de dólares que, em 1997, a dupla Pellegrinetti-Lauricella lavou, comprando e instalando milhares e milhares de máquinas nas salas de bingo brasileiras. O mafioso siciliano Lauricella contatou a empresa ibérica Recreativos Franco por meio de Alejandro Ortiz, um brasileiro que hoje é considerado referência no mercado do jogo ibérico. Pelo menos quatro empresas nacionais entraram em parceria com o até hoje foragido Pellegrinetti, escreve Marco Lillo: a Bmt Brasil Máquinas e Tecnologia Ltda., a Dimares Distribuidora de Máquinas Recreativas Ltda., a Bingo Matic Produtos Eletrônicos Ltda. e a Startec. “Das investigações sobre essa frente”, comenta Salvi, “nada sei. A única coisa que posso dizer é que nós passamos todas as informações às autoridades brasileiras

 

zanuja

....Em três semanas, o contrato de primeiro vencimento do petróleo recuou 13,45 dólares, ou 12,82 por cento, maior perda em três semanas desde a semana até 14 de agosto de 2011, quando os preços caíram 14,54 por cento....

Petróleo nos EUA fecha em queda pela 6a sessão seguida
Reuters Brasil....sexta-feira, 18 de maio de 2012 16:44 BRT(Reportagem de Gene Ramos)
NOVA YORK, 18 Mai (Reuters) - Os futuros do petróleo nos Estados Unidos caíram mais de 1 por cento nesta sexta-feira, em baixa pela sexta sessão consecutiva, com a piora dos problemas na Grécia e na Espanha elevando as preocupações de contágio na zona do euro.

Além disso, a queda nas ações norte-americanas estimulou mais vendas nos mercados de petróleo.
Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato do petróleo para junho fechou cotado a 91,48 dólares o barril, com perda de 1,08 dólar, ou 1,17 por cento.

Na semana, houve queda de 4,65 dólares, ou 4,84 por cento, ampliando as perdas pela terceira semana seguida.
Em três semanas, o contrato de primeiro vencimento do petróleo recuou 13,45 dólares, ou 12,82 por cento, maior perda em três semanas desde a semana até 14 de agosto de 2011, quando os preços caíram 14,54 por cento.

 

2014---distribuição de renda