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26 de Maio de 2012 - 16h34 - Veja no Vermelho

Esquerda cresce na Grécia a três semanas das eleições

 

A três semanas das eleições na Grécia, pesquisas de opinião divulgadas essa semana mostram um crescimento da coalizão de esquerda Syriza, contrária às medidas neoliberais da troika (FMI, BCE e UE). O partido conservador Nova Democracia aparece tecnicamente empatado com a coalizão, mas com uma porcentagem menor do que a registrada nas eleições legislativas.


Pesquisa elaborada pelo Instituto Public Issue mostra que a Syriza pode duplicar os 16,8% de votos recebidos nas legislativas, tendo 30% das intenções de voto, enquanto a Nova Democracia, que apoia os resgates e cortes de gastos públicos, registrou apoio de 18,85% dos entrevistados, ligeramente inferior aos 18,9% conquistados em 6 de maio. O social-democrata PASOK subiria de 13,18 para 15,5%.

De acordo com o instituto VPRC, a Syriza lidera o levantamento, com 28,5% dos votos, contra 26% da Nova Democracia. O terceiro é o socialista Pasok, com 12,5%, seguidos pelos Gregos Independentes (7%), Esquerda Democrática (7%), o neonazista Aurora Dourada (5,5%) e os comunistas (3%).

Nesta sexta-feira (25), outro levantamento, do instituto RASS e do jornal local Metro, mostra vantagem da Nova Democracia sobre a Syriza. Os conservadores lideram no estudo, com 23,6% dos votos, ante 21,4% da esquerda. O Pasok é terceiro, com 13,1%, e os outros partidos têm a mesma proporção da pesquisa do VPRC.

Além de registrar o crescimento da Syriza, as enquetes mostram a indefinição sobre o partido vencedor nas eleições gregas, não dando prognóstico para a aprovação de um governo favorável ou contrário às medidas de austeridade impostas pela troika para a concessão de um resgate de 130 bilhões de euros em fevereiro.

Porém, as regras eleitorais gregas concedem à maioria na eleição um bônus automático de 50 lugares no Parlamento com 300 lugares, de modo que mesmo uma ligeira vantagem poderia desempenhar um papel decisivo na determinação de qual das partes terá o mandato para formar um novo governo.

A Grécia convocou novas eleições após o pleito de 17 de maio que deixou o parlamento dividido entre os grupos tradicionais que apoiam o resgate e os partidos que rejeitam a austeridade fiscal em troca de apoio financeiro. A incapacidade dos dois partidos tradicionais da Grécia – Nova Democracia e PASOK – para obter uma maioria para manter o acordo de resgate, e o sucesso do Syriza, que nas pesquisas finais ficou em segundo lugar, levou à decisão.

Após os resultados, a Grécia nomeou um governo tampão composto de 16 ministros, em sua maioria funcionários públicos do alto escalão e professores universitários. A principal tarefa desse governo provisório será preparar as novas eleições de 17 de junho.

Fonte: Opera Mundi

 

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=184302&id_secao=9

 

"Seja realista: exija o impossível"

CPI quer buscar as digitais de Cachoeira no mensalãoCPI quer buscar as digitais de Cachoeira no mensalãoFoto: Lia de Paula/Agência Senado

ANOTEM UM NOME: JOSÉ ROBERTO SANTORO. PRESTES A SER CONVOCADO PELA CPI, O PROMOTOR É A CONEXÃO ENTRE CARLOS CACHOEIRA E AS PRIMEIRAS DENÚNCIAS CONTRA O GOVERNO LULA. SEU DEPOIMENTO CRIARÁ TAMBÉM UM CONFLITO ÉTICO PARA O ADVOGADO MARCIO THOMAZ BASTOS, QUE SE VERÁ DOS DOIS LADOS DO BALCÃO

26 de Maio de 2012 às 13:58

247 – A informação mais relevante do fim de semana foi publicada pelo jornalista Felipe Patury, em sua coluna na revista Época. Trata-se da nota “Procura-se procurador”, que diz o seguinte: “O PT e o PMDB não desistiram de convocar um procurador para a CPI. Está em tela, agora, José Roberto Santoro. Já fora da ativa, Santoro tomou um depoimento de Carlos Cachoeira em 2004.”

Santoro é um personagem explosivo, conhecido de vários jornalistas investigativos, e que participou ativamente de vários escândalos políticos recentes, que contaram também com a produção dos “estúdios Cachoeira”. Um deles, por exemplo, foi o caso Lunus, que implodiu a candidatura de Roseana Sarney à presidência da República, em 2002.

Depois disso, em 2004, Santoro, como escreveu Felipe Patury em sua nota, tomou um depoimento de Cachoeira. Mas foi uma oitiva completamente atípica. Santoro tentava obter, fora do horário do expediente, na madrugada, as fitas do caso Waldomiro Diniz, sem o conhecimento do então procurador-geral da República, Cláudio Fontelles. Eis o que Santoro disse ao contraventor, numa conversa gravada: “Daqui a pouco o procurador-geral chega, ele chega seis horas da manhã. Ele vai ver o carro, ele vai vir aqui na minha sala... Ele vai vir aqui, e vai ver, tomando um depoimento pra, desculpe a expressão, pra ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, pra derrubar o governo Lula”.

Cachoeira, com o auxílio de Santoro, tentava forçar o governo Lula a abrir espaço para que a multinacional americana GTech explorasse o negócio de loterias na Caixa Econômica Federal. E, antes de ser publicada em Época, a fita sobre o caso Waldomiro Diniz foi usada como instrumento de chantagem e extorsão. Depois disso, veio a fita com Maurício Marinho, também produzida pelos “estúdios Cachoeira”, que deflagrou todo o processo do mensalão.

Ao tomar o depoimento de Santoro, os parlamentares do PT e do PMDB tentarão encontrar as digitais de Cachoeira nas primeiras denúncias contra o governo Lula. E isso poderá criar um conflito de interesses para o advogado Marcio Thomaz Bastos, que se verá dos dois lados do balcão. De um lado, ele organiza a defesa de vários réus do mensalão. De outro, protege o bicheiro que deu início ao processo.

Mas aquilo que, para muitos advogados seria motivo para um conflito ético, no caso de Thomaz Bastos talvez seja apenas uma janela para embolsar alguns milhões a mais.

 

http://paniscumovum.blogspot.com.br/2012/05/por-jose-esmeraldo-goncalves-um-agente.html?spref=fb

 

Em 1985, o repórter Luiz Carlos Sarmento revelou na Fatos a “metodologia” da ditadura: injeções de arsênico, corpos lançados em fornos, “queima de arquivo”... Tudo o que o ex-delegado Cláudio Guerra confirma agora no seu livro “Memórias de Uma Guerra Suja” 

por José Esmeraldo Gonçalves 
Um agente da ditadura, o ex-delegado do Dops Claudio Guerra, acaba de lançar o livro“Memórias de uma Guerra Suja” (Topbooks). Em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, Guerra, hoje com 71 anos, conta que pelo menos dez opositores do regime militar foram executados e tiveram seus corpos incinerados no forno de uma usina de açúcar no Estado do Rio. Entre outras revelações, garante que o delegado Sérgio Fleury, uma espécie de “muso” dos generais da ditadura, foi assassinado, assim como o jornalista Alexandre Von Baumgarten, como queima de arquivo, a mando dos militares. Guerra joga alguma luz nos porões da ditadura e também na memória de quem conviveu com o repórter Luiz Carlos Sarmento, que morreu em 2005, aos 55 anos. 
Em 1985, trabalhei com o Sarmento na Fatos,  revista dirigida por Carlos Heitor Cony. A Fatos era um projeto ousado. Tentava dar à Bloch, naquele ano em que se instalava a Nova República, uma moderna publicação de informação, crítica e análise. Algo que não combinava com a “cultura” da casa. Problemas políticos, editoriais e um visível boicote interno abateram a revista em plena decolagem. Foi um cometa jornalístico que durou apenas um ano e meio, como revela o livro “Aconteceu na Manchete – as histórias que ninguém contou”. Mas deixou algumas marcas. Uma delas, a atuação do repórter Luiz Carlos Sarmento, que cobriu o Caso Baumgarten. O jornalista Alexandre Von Baumgarten,  que era um colaborador do regime, foi encontrado morto na Praia da Macumba, no Rio, alguns dias depois de ter saído para uma pescaria. Baumgarten chegou a dirigir a revista O Cruzeiro em uma fase de “parceria” com a ditadura, um projeto editorial destinado a “melhorar a imagem do governo”. Para isso, recebeu verbas gordas direto do cofre da viúva federal. A investigação da morte do jornalista se arrastava a cargo do delegado Ivan Vasques. No início, a polícia até localizou e ouviu testemunhas que apontaram para uma linha de investigação que conduzia ao SNI. A reportagem de Sarmento informava que “depois de um início promissor, sob a direção do delegado Ivan Vasques, as diligências começam a esbarrar num labirinto de pistas e suspeitos. O certo é que três pessoas foram mortas por agentes ligados ao sistema de informação e repressão”. O título da reportagem era: “Baumgarten: Entre Verdades e Mentiras, o Caso Ameaça Dar em Nada”. Se a polícia não avançava, entrou em cena Sarmento, que propôs a Cony partir para sua própria investigação. Dizia que tinha boas fontes que o levariam a novos fatos. Cony topou e Sarmento foi a campo. Como trabalharia em várias frentes e teria pouco mais de uma semana para entregar a matéria, dividiu a tarefa com os repórteresCarlos Augusto Pinto, Maria Alice Mariano e Carter Anderson, o fotógrafo Roberto Amorim e os ilustradores Haroldo Zaluar e Paulo Melo.


Os fornos crematórios da ditadura

Coube a ele, Sarmento, percorrer o “roteiro da morte”, onde levantou a “metodologia” da repressão. A mesma que o ex-delegado do Dops, Claudio Guerra, confirma no “Memórias de Uma Guerra Suja”, que fala em corpos incinerados em fornos industriais. Guerra cita uma usina de açúcar. Sarmento descobriu – e Roberto Amorim fotografou – uma fábrica de processamento de farinha de peixe na foz no Rio Suruí, nos fundos da Baía de Guanabara. Ali havia fornos que transformavam peixes em farelo. Os donos das instalações eram militares da reserva. O “marketing” da morte nos anos de chumbo incluiu injeções mortais de morfina e arsênico, atentados que simulavam acidentes etc. A Fatos publicou tudo isso em junho de 1985. Foram dez páginas de fotos e textos que um agitado Sarmento batucou na madrugada do fechamento na velha Remington que tremia a cada ponto e vírgula. O repórter só parava de teclar para morder um pão francês com ovo frito, o hoje mítico sanduíche de pão com ovo, iguaria servida nos fechamentos que inspirou o nome deste blog. A reportagem repercutiu, principalmente entre colegas de outras redações, mas não se pode dizer que foi bem recebida em bolsões de direita na própria Bloch. Ao contrário, a Fatos cavava ali mais um palmo da sua cova. Mas a nossa “popularidade” interna despencou na mesma proporção em que cresceu a nossa admiração pelo saudoso Luiz Carlos Sarmento.

Caso Baumgarten: Código 12, a sigla fatal

Como editor-executivo da Fatos, eu recebia de Luiz Carlos Sarmento relatos diários sobre o andamento da matéria que ele apurava em junho de 1985. A empolgação do repórter contagiava a equipe. Na reta final, com a matéria quase pronta, Cony me pediu que fizesse um complemento sobre a atuação do SNI naqueles primeiros meses da Nova República. Para “contextualizar”, como se diz hoje. Consegui alguns contatos - uma dessas fontes foi passada pelo próprio Sarmento – para reconstituir uma operação em curso, na época. Revelava-se que pouco depois da eleição de Tancredo Neves, agentes do SNI passaram a cruzar o país com o objetivo de recolher documentos arquivados nas assessorias de Segurança e Informação e nos Dops. Eram comandos de “queima de arquivo”. Literal e simbolicamente. Havia pistas a apagar e pessoas a tirar do caminho, eram antigos colaboradores que, por um motivo ou outro, se tornaram “inconvenientes”. Era a hora, por exemplo, de passar borracha ou chumbo sobre traços da Operação Código 12, a famosa aliança entre a Dina chilena, o SNI e serviços argentinos e uruguaios que implantou o terror no Cone Sul em meados dos anos 70. A repressão pretendia afastar até mesmo suspeitas ou indícios correntes de que as mortes de JK, Jango, Lacerda estariam ligadas ao atentado que vitimou o chileno Orlando Letelier. Noutras circunstâncias, suspeitava-se que o Código 12 teria sido aplicado contra a figurinista Zuzu Angel e o delegado Sergio Fleury. Foi essa onda que fez marola nos anos 70, voltou a rolar a partir de 1982, ano da bomba do Riocentro, e se intensificou em janeiro de 1985,  que levou o corpo de Baumgarten a uma praia deserta. Se o livro ”Memórias de uma Guerra Suja” traz detalhes que referendam o modus operandi da ditadura, a Fatos, graças a Sarmento, saiu na frente. Vinte e sete anos na frente. Foi o que Carlos Heitor Cony me lembrou em telefonema, ontem. Por isso, o registro neste blog. No mínimo, fica a nossa homenagem a um grande repórter: Luiz Carlos Sarmento, o caçador de notícias.            

 

Ao vivo, direto de Salvador, o III BlogProg:

http://www.baraodeitarare.org.br/noticias/acompanhe-o-iii-blogprog-ao-vivo.html#.T8DZ6rB8DRo

 

Governo já discute redução de superávit primário para estimular o crescimento
Possibilidade é vista como ‘plano B’, no caso de agravamento da crise global; novas desonerações tributárias também estão em estudo
25 de maio de 2012 | 22h 56....Adriana Fernandes e Lu Aiko Otta, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO / BRASÍLIA - O governo pode reduzir o esforço fiscal previsto para este ano para estimular um crescimento maior da economia. Segundo apurou o ‘Estado’, essa possibilidade está em discussão na equipe econômica e é considerada uma espécie de plano B, caso a crise internacional se intensifique e as medidas já anunciadas de estímulo ao crédito e ao consumo sejam insuficientes para atingir o novo objetivo: crescer mais do que os 2,7% de 2011.

Tema tabu - e definido como "coisa do demônio" por alguns economistas do governo -, a hipótese de fechar as contas com saldo menor para pagamento de juros da dívida, o chamado superávit primário, ganhou espaço nas discussões. A mudança daria mais fôlego para o governo adotar medidas de estímulo, como o aumento das despesas totais (não apenas os gastos com investimentos, mas também de custeio), mesmo num cenário de desaceleração da arrecadação.

O governo também quer abrir espaço para novas desonerações tributárias, medida que a presidente Dilma Rousseff considera fundamental para ajudar as empresas. O problema é que a arrecadação está fraca e o governo acaba tendo de recorrer, cada vez mais, às receitas extraordinárias para fechar as contas.

A equipe econômica também já aceita a hipótese de dar algum tipo de compensação aos Estados e municípios pela perda de arrecadação com as desonerações feitas com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), tributo federal cuja arrecadação é compartilhada com governadores e prefeitos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que antes era refratário à flexibilização da política fiscal, agora reconhece internamente que a medida poderá ser necessária. Ele tem insistido que, em momentos de crise, a austeridade fiscal a todo custo, como tem sido a opção na Europa, acaba sendo um entrave. A avaliação é que o Brasil está com uma política fiscal sólida e uma flexibilização não comprometerá a sua credibilidade.
Semelhante. "A receita contra a crise é muito semelhante à que usamos em 2009", disse uma fonte do governo. Em 2009, quando a economia brasileira sofreu um baque por causa dos efeitos da crise, o governo Lula reduziu a meta fiscal de 3,8% para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desde o início do governo de Dilma, cumprir a meta de superávit de 3,1% do PIB, sem descontar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi considerado ponto de honra para o ministro Mantega. Afinal, essa era a contrapartida para ajudar o Banco Central a reduzir a taxa de juros.

Mas, dizem fontes do governo, a determinação em fazer o "primário cheio" contraria a avaliação até mesmo de alguns analistas do mercado financeiro, que afirmam que um resultado próximo de 2,5% do PIB seria suficiente para manter a trajetória de queda da dívida pública. A redução dos juros e a alta do dólar também ajudarão a reduzir o endividamento, e o resultado poderá ser ainda menor, sem que isso comprometa a dinâmica da administração da dívida.

Apesar disso, a ordem era fazer o primário cheio. Não havia espaço para outra alternativa. Mas essa diretriz começou a se tornar um problema quando ficou evidente a necessidade de adotar novas medidas de estímulo à economia - como liberar recursos para os investimentos ou conceder desonerações tributárias.

Obstáculo. As desonerações enfrentam um obstáculo adicional: a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O governo quer ampliar a desoneração da folha a outros segmentos da indústria, mas é impedido pelo artigo 14 da LRF. Esse dispositivo diz que benefícios tributários só podem ser concedidos se estiverem previstos no orçamento do ano em curso ou se houver compensação pelo aumento de alíquotas dos tributos existentes ou criação de impostos e contribuições.

As desonerações concedidas na segunda etapa do Brasil Maior, por exemplo, foram compensadas com o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor de bebidas. A ampliação da lista, portanto, depende de outras elevações tributárias. Daí a ideia de elevar o IPI sobre aparelhos de ar condicionado e micro-ondas, além das motocicletas importadas. Isso abriria espaço para atender às demandas de outros setores para ter a folha desonerada.

Segundo o ministro Mantega, o corte do IPI de automóveis não precisou ser compensado com a alta de outros impostos.

 

2014---distribuição de renda

Gilmar denuncia, em Veja, pressão feita por Lula

Gilmar denuncia, em Veja, pressão feita por LulaFoto: Nelson Jr./SCO/STF
 

SEGUNDO A REVISTA, EX-PRESIDENTE TERIA TIDO ENCONTRO COM O MINISTRO DO STF E INSINUADO QUE CONTROLARIA OS RUMOS DA CPI DO CACHOEIRA; EM TROCA DO JULGAMENTO DO MENSALÃO, LULA TERIA PROMETIDO BLINDAR GILMAR MENDES NA COMISSÃO; O JUIZ VIAJOU A BERLIM ACOMPANHADO DO SENADOR DEMÓSTENES TORRES

26 de Maio de 2012 às 07:39

247 – Na edição que chega às bancas neste fim de semana, a revista Veja publica uma nova denúncia contra o ex-presidente Lula, ancorada num depoimento do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. De acordo com a reportagem, assinada por Rodrigo Rangel e Otávio Cabral, Lula pressionou Gilmar a adiar a votação do processo do mensalão. Em troca, blindaria o ministro na CPI do caso Carlos Cachoeira.

Segundo o relato da revista, Lula e Gilmar se encontraram no dia 26 de abril no escritório do advogado e ex-ministro Nelson Jobim. O que deveria ser um encontro de cortesia teria se transformado num episódio de pressão explícita. “É inconveniente julgar esse processo agora”, teria dito Lula a Gilmar, reivindicando que o processo do mensalão fosse decidido apenas após as eleições municipais de 2012. Em seguida, diante da reação pouco amistosa de Gilmar, Lula teria passado um recado. “E a viagem a Berlim?” Gilmar Mendes fez uma viagem recente a Berlim, onde se encontrou com o senador Demóstenes Torres (sem partido/GO). Carlos Cachoeira também foi à capital alemã, na mesma data, mas não se sabe se houve encontros dele com o senador e o ministro do STF.

Gilmar se sentiu pressionado e relatou a conversa à revista Veja, a quem disse ter considerado indecoroso o comportamento do ex-presidente da República. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse ele à revista. Gilmar afirmou ainda que viaja com frequência a Berlim, onde fez seu doutorado e onde também mora sua filha. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo”, teria dito ele a Lula.

Anfitrião do encontro, Nelson Jobim colocou panos quentes. Disse que não ouviu tudo o que foi tratado no encontro e a que a conversa se deu em “tom amigável”. Fica, portanto, a palavra do ministro Gilmar Mendes contra a do ex-presidente Lula, que, procurado por Veja, não se pronunciou.

 

Sempre Veja, sempre Gilmar Mendes.

A técnica desta matéria, desculpem o termo, é "jogar merda no ventilador".

Esse conluio, termo que Gilmar adora usar quando se trata de investigação do crime organizado, como foi a operação Satiagraha, ao se referir ao trabalho do juiz De Santis, do procurador De Gradis e do delegado Protógenes, que sempre envolve a Veja e Gilmar Mendes tem que ser apurado, investigado a fundo.

 

Assino embaixo, Assis.

 

Agora, todos são suspeitos…


Agora que os EUA estão em guerra permanente com o resto do mundo, todos estamos na linha de fogo. O que fazer então?

Todos são potenciais terroristas. Não interessa que se viva na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na Austrália ou no Oriente Médio. Na verdade, a cidadania foi abolida. Ligue-se o computador e o centro de operações de segurança nacional do Departamento de Estado pode verificar se se está teclando não só “al-Qaeda”, mas também “exercício”, “furo”, “onda”, “iniciativa” ou “organização”, todas elas palavras proscritas. O anúncio pelo governo britânico de que pretende espiar todos os emails e chamadas telefônicas é coisa velha. O satélite aspirador conhecido por Echelon tem estado a fazer isso há anos. O que há de novo é estado de guerra permanente desencadeado pelos EUA e o estado policial que está consumindo a democracia ocidental.

O que fazer?

Através do espelho

Na Grã-Bretanha, há tribunais secretos tratando de “suspeitos terroristas”, sob instruções da CIA. O habeas corpus está moribundo. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu que cinco homens, incluindo três cidadãos britânicos, podem ser extraditados para os EUA, embora apenas um deles tenha sido acusado de um crime. Todos estão presos há anos ao abrigo do tratado de extradição 2003 EUA/RU, assinado um mês após a criminosa invasão do Iraque.

O Tribunal Europeu condenou este tratado como passível de conduzir a “castigos estranhos e cruéis”. A um dos homens, Babar Ahmad, foram concedidas a título de compensação £63 mil por 73 ofensas registadas sofridas sob custódia da Polícia Metropolitana. Uma das mais notórias foi abuso sexual, típica do fascismo. Outro dos homens é um esquizofrénico que teve colapso mental total e se encontra no hospital Broadmoor. Outro é um que corre risco de suicídio. Vão para a “Terra da Liberdade”, junto com o jovem Richard O’Dwyer, que enfrenta dez anos algemado e de fato-macaco laranja (farda prisional americana – N.T.) porque alegadamente infringiu o copyright americano na internet.

Da forma como a lei está sendo politizada e americanizada, estas coisas estranhas não são raras. Na elaboração da acusação contra um estudante universitário de Londres de nome Mohammed Gul, por disseminar “terrorismo” na internet, os júris do Tribunal de Recurso estabeleceram que “atos… contra as forças armadas de um Estado em qualquer parte do mundo que procurem influenciar o governo e forem feitos com objetivos políticos” são agora crimes. É de chamar ao banco dos réus Thomas Paine, Aung San Suu Kyi e Nelson Mandela.

O que fazer?

O prognóstico é claro: a doença a que Norman Mailer chamou “pré-fascista” fez metástases. O procurador-geral dos EUA Eric Holder defende o “direito” do seu governo assassinar cidadãos americanos. Ao protegido Israel, permite-se que aponte as armas nucleares ao Irã, que não as tem. Neste mundo de espelhos, a mentira é generalizada. O massacre de 17 civis afegãos a 11 de março, incluindo pelo menos nove crianças e quatro mulheres, é atribuído a um soldado americano “canalha”. A “autenticidade” deste ponto de vista é garantida pelo presidente Obama, que “viu um vídeo” e o considera “prova concludente”. Uma investigação parlamentar afegã independente conseguiu testemunhas oculares que deram provas evidentes de pelo menos 20 soldados, auxiliados por um helicóptero, terem arrasado as suas aldeias, matando e violando: ainda que acessoriamente mais mortífero, um normal “raide noturno” das forças especiais US.

Pegue-se a tecnologia de matar dos videogames – uma contribuição americana para a modernidade – e o comportamento é o mesmo. Mergulhadas nos valores da banda desenhada, fraca ou brutalmente treinadas, frequentemente racistas, obesas e chefiadas por uma classe de oficiais corrupta, as forças americanas transferem o homicídio doméstico para locais longínquos cujas desgraçadas lutas são incapazes de compreender. Uma nação que foi fundada com base no genocídio de uma população nativa dificilmente abandona o hábito. O Vietnã era “terra de índios” e os seus “ardis” e “chinesices” eram para serem “rebentados”.

O rebentar de centenas, sobretudo mulheres e crianças, na aldeia vietnamita de My Lai, em 1968, foi também um incidente “canalha” e, com alguma irreverência, uma “tragédia americana” (título de capa da Newsweek). Apenas um dos 26 acusados foi condenado e mesmo esse foi deixado ir por Richard Nixon. My Lai está na província de Quang Ngai onde, conforme soube como repórter, se calcula que 50 mil pessoas tenham sido mortas por tropas americanas sobretudo nas chamadas “zonas de fogo livre”. Trata-se do modelo da guerra moderna. Tal como o Iraque e a Líbia, o Afeganistão é um parque temático para os beneficiários da nova guerra permanente da América: a Otan, as empresas de armamento e de alta tecnologia, os media e a indústria da “segurança” cuja contaminação lucrativa contagia a vida corrente. A conquista ou “pacificação” de território não interessa. O que interessa é a nossa pacificação, cultivar a nossa indiferença.

O que fazer?

Verdadeiros camaradas

A queda no totalitarismo tem marcos. Num dia destes, o Supremo Tribunal em Londres decidirá se o editor da WikiLeaks, Julian Assange, será extraditado para a Suécia. Caso este recurso final falhe, o facilitador do conhecimento da verdade a uma escala épica, sem acusação de qualquer crime, vai ter de enfrentar reclusão em isolamento e um interrogatório sobre alegações sexuais ridículas. Graças a um acordo secreto entre os EUA e a Suécia, pode ser “entregue” ao gulag americano em qualquer altura.

No seu próprio país, a Austrália, a primeiro-ministra Julia Gillard conspirou com aqueles de Washington a quem chama os seus “verdadeiros camaradas” para garantir que o seu concidadão seja vestido de fato-macaco laranja se se der o caso de voltar para casa. Em fevereiro, o seu governo escreveu uma “emenda WikiLeaks” ao tratado de extradição entre a Austrália e os EUA que torna mais fácil aos seus “camaradas” deitarem-lhe a mão. Deu-lhes inclusivamente o poder de aprovação sobre investigações de Liberdade de Informação, de forma a que o mundo exterior possa ser enganado, como é costume.

O que fazer?

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9...

 

No "3° mundo", os independentistas "reacionários"

 No mundo colonizado pouco antes da Primeira Guerra Mundial, o debate sobre as alianças entre a classe trabalhadora e as “camadas médias” não seguia as mesmas lógicas que na Europa do século XIX. A classe trabalhadora era praticamente inexistente nesse momento, e o socialismo, embrionário. Os movimentos de resistência à ocupação estrangeira eram dirigidos por quadros religiosos ou tradicionais. Estes últimos eram denunciados na Europa – e pelos socialistas – como “feudais” ou “reacionários”, hostis ao progresso e à “civilização”.

A Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique de 1917 mudaram esse cenário. Sediado em Baku, em setembro de 1920, o 1º Congresso dos Povos do Oriente reuniu mais de 2 mil delegados: árabes e curdos, turcos e indianos, persas e chineses. “Ainda não temos o distanciamento necessário para assimilar a amplitude dos eventos históricos dos quais participamos. [...] Os povos que até hoje eram considerados pelo capitalismo tropas de bestas, os povos ditos ‘inferiores’, sobre os quais a burguesia estava tranquila, certa de que não sairiam do torpor, se rebelaram”, explicava então o dirigente comunista Grigori Zinoviev. As palavras de ordem da Internacional Comunista (IC) naquele momento eram “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

A tradução concreta dessas palavras, porém, não podia ser literal, pois o peso numérico dos trabalhadores permanecia baixo no mundo colonizado. Mas era necessário que os comunistas se aliassem a Mustapha Kemal, o dirigente turco que questionou o Tratado de Versalhes? O Partido Comunista chinês deveria ter feito acordos com o Kuomintang nacionalista? Era preciso fazer aliança com a burguesia nacional contra o imperialismo e denunciar seus compromissos? Cada vez mais alinhado com a estratégia estatal de Moscou, a IC hesitava, tergiversava, muitas vezes recorrendo a manobras espetaculares.

Após a Segunda Guerra Mundial, na maior parte dos países que ainda não estavam sob o termo guarda-chuva “terceiro mundo”, foi a luta anticolonial, mais que a questão social, que estruturou o debate sobre as alianças políticas e uniu a esmagadora maioria da população. Em alguns casos – Vietnã, Indochina, China –, os comunistas tomaram as rédeas do movimento anticolonial, dando à independência um conteúdo social fundado essencialmente na reforma agrária para atender às necessidades dos camponeses pobres, na educação e na saúde. Na Índia e na Indonésia, foi a burguesia que dirigiu o movimento de libertação nacional, enquanto os comunistas permaneciam como força secundária, às vezes reprimida. Em outros lugares, como a Argélia e o Egito, forças nacionais (fortemente anticomunistas) reivindicaram a revolução e se apoiaram no Exército, tomaram o poder e empreenderam profundas reformas, notadamente no que se refere à recuperação das riquezas nacionais e à ampliação dos serviços de educação e saúde.

Meio século após as independências, e apesar do crescimento de países como o Brasil ou a África do Sul, as estruturas sociais dos países do antigo Sul se parecem muito pouco com a “clássica” estrutura do Reino Unido da segunda metade do século XIX, descrita por Karl Marx. A classe trabalhadora permanece minoritária, o trabalho informal domina, as camadas médias são mais numerosas, porém mais pauperizadas, enquanto os setores rurais continuam a representar metade da população, apesar da urbanização acelerada. Ademais, esses países, atualmente integrados ao mercado mundial capitalista de forma sólida, estão mais dependentes que na década de 1970. Nesse contexto, que alianças permitirão afrouxar as amarras dos mercados e definir um projeto social mais igualitário? Ainda não há resposta para essa questão.

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1162

 

O Brasil resiste

Passamos os últimos dias ouvindo advertências em tom sisudo sobre a economia brasileira. Comentei ontem que não faltam consultores ligados à oposição que enxergam uma catástrofe do tamanho de seus interesses e não da realidade. Erraram de novo.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o desemprego em abril ficou em 6%, uma taxa um pouco menor do que março e uma das menores da história.

Já a renda média do trabalhador sofreu uma contração de 0,4% em um mês, mas chegou a um patamar 6,2% superior ao de abril de 2011.

Estes dados mostram um país que resiste e não quer entrar em recessão. São números que devem ser levados em conta pelo governo, pela oposição e pela população em geral.

Embora num ritmo menor, o crescimento continua. Se há um consenso de que no início de 2011 o governo exagerou nas medidas macro prudenciais de combate à inflação e esfriou a economia sem necessidade, os números do IBGE mostram uma recuperação.

Nesse ambiente, as medidas de estímulo que vem sido anunciadas  nos últimos dias têm chances de funcionar, para decepção dos comentaristas que se tornaram especialistas em ironizar os 4,5% de crescimento anunciados por Guido Mantega no início do ano.

Parece cada vez mais difícil que o país consiga crescer 4,5% em 2012. Mas a insistência dos adversários do governo em apresentar qualquer  número abaixo deste como uma derrota tem outra finalidade.

O objetivo é pressionar o governo para afastar-se dos compromissos que garantiram a aprovação popular de Lula e Dilma: crescimento e melhora na renda.

Em relação aos salários, nas seis maiores regiões metropolitanas a alta foi de 8%. O vencimento de empregadas domésticas subiu 11%, os chamados “outros serviços” cresceu 10% e no comércio a alta foi de 9%.

Quem acompanha o debate entre empresários, economistas e analistas em geral, já ouviu o argumento de que a situação chegou a um limite e que não é possível manter a mesma política. Acham que cederam demais. Já falam em mudar a legislação trabalhista sem oferecer contrapartidas aceitáveis para os assalariados.

Podemos aguardar pela nova fase do debate. Com sua popularidade recorde, Dilma será acusada de não tomar medidas impopulares para não perder apoio.

http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/05/25/o-bra...

 

Nassif. Outro artigo que merece voltar à tona, e que toca à questão dos juros no Brasil .

Enfrentamento da crise

As análises conservadoras atribuem peso excessivo à ameaça da inflação. Como antídoto, recai no velho chavão de que o governo está gastando em excesso, o crescimento está elevado demais, e que isso obriga o Banco Central (BC) elevar a Selic para conter o excesso da demanda criada pelo governo. É a política do pé no freio da economia para conter a inflação. É sempre a mesma ladainha. O que na realidade querem é que a Selic suba para dar mais lucro financeiro aos que aplicam nos títulos do governo federal.

Isso vem se repetindo há anos e o custo dessa política de taxas de juros elevada atingiu nos últimos doze meses até junho R$ 223 bilhões (5,7% do PIB). Esse custo na média mundial é de 1,8% do PIB.

Os gastos com juros da dívida pública explodiram neste ano. Puxadas pela elevação da taxa Selic, e também dos índices de inflação, as despesas nominais com juros no primeiro semestre do ano avançaram 30%, passando de R$ 92,2 bilhões, nos primeiros seis meses do ano passado, para R$ 119,8 bilhões no mesmo período deste ano. O valor recorde equivale a 6,12% do Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar disso, essas análises parecem desconhecer que o que está elevando as despesas do governo são os juros e essa elevação é bem superior à própria capacidade do governo em crescer suas despesas.

Assim essas análises são totalmente desprovidas de sentido, mas por serem as mais difundidas pela mídia acabam por iludir a opinião pública para não focar a causa central dos problemas criados pelo BC e pelo mercado financeiro que são as taxas de juros Selic e taxas de juros dos bancos, as mais altas do mundo e que impedem o País de ter os recursos necessários para enfrentar os elevados déficits sociais e de infraestrutura.
Na China a taxa básica de juros, equivalente à Selic, é de 3% e a taxa de juros ao consumidor de 6% ao ano. Aqui, a taxa de juros média cobrada do consumidor pelos bancos foi de 46,1% em junho, ou seja, oito vezes maior do que a chinesa.

Nos empréstimos do cheque especial entre os maiores bancos em 18 de julho, segundo dados do BC, foi de 167% na Caixa Econômica Federal, 175% no Banco do Brasil, 176% no Itaú e Bradesco e 219% no Santander. São 14 vezes maiores do que a Selic. É a agiotagem em alto grau legalizada, inclusive nos bancos oficiais.

O governo tem o poder de limitar essas taxas de juros, mas não enfrenta o mercado financeiro e tem que dar nó em pingo d’água para conduzir a economia dentro dessas distorções que afetam o poder de compra dos consumidores e as empresas que dependem de capital de giro e de investimentos para viabilizarem seus negócios.

Cenário externo
O cenário internacional está em franco processo de deterioração. A dívida dos EUA, mesmo ampliada pelo Congresso, já arranhou a imagem do país e passou a ser motivo de preocupação para todo o mundo. É o império americano descendo ladeira abaixo, sem perspectivas e, provável palco de reações populares pela deterioração das condições de vida dos americanos, que viveram artificialmente um super consumo, irrigado a crédito barato e, agora se encontram endividados, tendo que conter a volúpia consumista.

Como 70% do PIB dos EUA dependem do consumo, a tendência é de estagnação por vários anos. Para agravar esse quadro, as despesas militares não cabem mais no orçamento americano e, quanto mais tempo permanecerem tentando impor sua hegemonia militar, com tropas espalhadas pelo mundo, pior será.

Na Europa a falta de entendimento entre o Banco Central Europeu (BCE), os governos da Alemanha e França e os bancos privados para tentar contornar a crise grega evidenciou a fragilidade da zona do euro. A tendência é permanecer estagnada a economia por vários anos e com riscos de default da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, atingindo o sistema bancário dentro e fora da zona.

Estratégia de enfrentamento da crise
1) Diante deste cenário, o Brasil deve se defender, baseando sua força no desenvolvimento do mercado interno e na posição estratégica que tem nas commodities e alimentos que contribuem tanto interna, quanto externamente nas exportações.

2) O governo deve priorizar o abastecimento interno das commodities e alimentos regulando os volumes exportados para que não faltem ao consumo. O que sobrar é que deve ser destinado à exportação.

3) Deve-se otimizar as cadeias produtivas que têm no topo as commodities, reduzindo seus preços internos, para agregar valor e empregos nas empresas à jusante dessas cadeias e permitir-lhes posição favorável na competição com os produtos de outros países.

4) No comércio exterior o melhor caminho é continuar a política externa no rumo dos países emergentes, que apresentam crescimento econômico, e defender nossas empresas da invasão de produtos importados ilegalmente por dumping e triangulação da China usando outros países para suas exportações ao Brasil.

5) Para controlar o câmbio o governo atuou sobre o mercado futuro com medidas mais fortes que podem reduzir a especulação com os derivativos. O CMN impôs três medidas: a) cobrar 1% de IOF quando os investidores ampliarem suas apostas na valorização do real, que excederem US$ 10 milhões, com a ameaça que o IOF pode ir até 25%; b) exigiu o registro de todas as operações com derivativos, para ter mais transparência e controle sobre esses negócios e; c) taxou em 6% de IOF os financiamentos superiores a 720 dias que forem antecipadamente resgatados.

6) Faz mais de um ano que o investidor estrangeiro carrega posição vendida no mercado de câmbio e essa aposta é vencedora, pois o preço do dólar caiu 13%. Essa posição vendida começou em 17 de junho de 2010 até fechar dia 28 em US$ 20,980 bilhões. É contra essa vultosa e persistente "aposta" que o CMN entrou com as medidas acima. Essas medidas, embora acertadas, precisam atingir esse estoque de posição vendida, através da cobrança do IOF sobre o valor do estoque, o que ainda não ocorreu. (Valor Econômico de 01/ago)

7) Falta ainda fechar a maior brecha de entrada de dólares, que são os ingressos pela porta dos investimentos diretos de estrangeiros (IDE), que não pagam o IOF de 6%. O BC poderia controlar essas operações antes da internação dos dólares pelo depósito obrigatório em sua conta no exterior, só liberando cada entrada ao fluxo de caixa necessário ao investimento a ser feito no Brasil. Não o faz e, assim, os dólares que entram se transformam em reais e podem ser aplicados na Selic gerando lucros financeiros que são remetidos para a matriz estrangeira. Isso ficou evidenciado no crescimento anormal de 169% (!) do IED no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2010.

8) Para completar a defesa cambial é necessário que a Selic vá para o nível internacional até meados de 2012, para coibir toda e qualquer operação de carry trade (tomar dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplica-lo em outro, onde as taxas de juros são maiores).

9) O controle inflacionário deve ser feito via metas de inflação, através das medidas macroprudenciais, que podem calibrar o crédito e o valor das prestações (o que a Selic não consegue), adequando o crescimento da oferta de empréstimos à evolução da massa salarial, para ter sob controle a inadimplência.

10) Em apoio ao controle inflacionário e melhoria do comércio exterior, o governo deve agir mais sobre as importações via impostos, preços mínimos, quantitativos máximos, como fazem os demais países para a proteção de suas empresas e/ou da população contra os preços abusivos internos.

11) O governo deve por o mercado financeiro e o BC a favor da economia e da sociedade, limitando as taxas de juros e tarifas bancárias extorsivas. É esse o enfrentamento que deve ser feito, sem titubear.

É provável que com a estagnação dos EUA, Europa e Japão, o preço das commodities caia, refletindo favoravelmente na inflação. Será a oportunidade políticas para a presidente exigir via CMN a redução da Selic e limitar as taxas de juros de agiotagem dos bancos.

Esse enfrentamento, se conduzido com determinação, terá o apoio da sociedade e nos livrará das amarras que até agora vem impedindo aproveitar o imenso potencial material e humano que o Brasil possui.

(*) Mestre em finanças públicas pela FGV e consultor

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18146

 


Nassif. Este artigo da Carta Maior de 31/07/2011 está atualíssimo e tema constante aqui no blog. Vale a pena postar mais uma vez.
Como o sistema financeiro mundial criou a dívida


Ao contrário da crença popular, o dinheiro que circula pelo mundo não é criado pelos governos, mas sim pela banca privada em forma de empréstimos, que são a origem da dívida. Este sistema privado de criação de dinheiro tornou-se tão poderoso nos últimos dois séculos que passou a dominar os governos em nível mundial. No entanto, este sistema contém em si próprio a semente da sua destruição e é o que estamos experimentando na crise atual. Dados os seus níveis colossais, trata-se de uma dívida impagável.

O colapso econômico é iminente. Os países mais industrializados do mundo enfrentam uma grande crise da dívida provocada pela crise do crédito de 2008, após a crise das hipotecas imobiliárias e a queda do Lehman Brothers. Estas crises originadas por um colapso do crédito costumam ser muito mais prolongadas e profundas que as crises desencadeadas por um surto inflacionário. Grande parte do mundo enfrenta este tsunami da dívida à beira da bancarrota, como acontece com Grécia, Irlanda e Portugal. No entanto, podemos falar de bancarrota quando estes países possuem enormes riquezas em capital humano e recursos produtivos? De acordo com o atual sistema financeiro, sim. E é por isso que os serviços públicos estão sendo cortados e os bens públicos privatizados.

Ao contrário da crença popular, o dinheiro que circula pelo mundo não é criado pelos governos, mas sim pela banca privada em forma de empréstimos, que são a origem da dívida. Este sistema privado de criação de dinheiro tornou-se tão poderoso nos últimos dois séculos que passou a dominar os governos em nível mundial. No entanto, este sistema contém em si próprio a semente da sua destruição e é o que estamos a experimentar na crise atual: a destruição do sistema financeiro que temos conhecido, dado que não tem nenhum tipo de saída pelas vias convencionais. Dados os seus níveis colossais, trata-se de uma dívida impagável.

Para compreender isto, há que referir que o sistema financeiro tem funcionado sempre como um gigantesco esquema ponzi, onde os novos devedores permitem manter a velocidade do crédito. Se se produz um colapso dos novos devedores, o sistema fica sem a opção de conceder mais crédito e, à medida que esta opção se cristaliza com o tempo, o sistema inteiro entra em colapso e requer injeções de liquidez na esperança de que os fluxos voltem à normalidade. A habituação do dna coletivo à dependência do crédito produziu este retorno à normalidade durante várias décadas. Mas até o dna acusa fadiga e nesta co-dependência ao crédito recorda os sintomas da escravatura: é a escravatura da dívida.

A criação de dinheiro através do sistema de reserva fracionada
Os bancos centrais são os responsáveis pela oferta monetária primária, ou base monetária, conhecida também como dinheiro de alto poder expansivo. Este dinheiro de alto poder expansivo é o que chega aos bancos privados, que são quem o reproduz pela via do crédito. A reprodução do dinheiro original depende da taxa de encaixe, ou reservas mínimas requeridas, que produz o efeito inverso: quanto menor é a exigência de reservas, maior é a quantidade de dinheiro que a banca privada cria. Isto conhece-se como o multiplicador monetário e a sua fórmula, muito simples, é m=1/r, onde m é o multiplicador monetário e r o nível de reservas exigidas em percentagem.

Deste modo, perante um nível de reservas de 50% (r=0,5 na equação), o multiplicador monetário é 2, como era nas origens da banca inglesa no ano de 1630. Se o nível de reservas é de 20%, o multiplicador monetário é 5 e se as reservas exigidas são de 10%, o multiplicador é 10 (m=1/0,1), o que indica que está a multiplicar-se dez vezes a quantidade de dinheiro real oferecida pelo banco central.

Grande parte da desregulamentação financeira promovida desde os anos 80 consistiu em dar aos bancos a maior das liberdades para o montante das suas reservas. Deste modo, a clássica norma de reservas em torno de 10% ou 20% foi reduzida a níveis de 1%, e mesmo inferiores, como aconteceu com Citigroup, Goldman Sach. JP Morgan e Bank of America, que, nos momentos mais sérios, afirmavam ter uma taxa de encaixe de 0,5%, com o qual o multiplicador (m=1/0,005) permitia criar 200 milhões de dólares com um só milhão em depósito. E no período da bolha, as reservas chegaram a ser inferiores a 0,001%, o que indica que por cada milhão de dólares em depósito real, se criavam 1.000 milhões do nada.

Esta foi a galinha dos ovos de ouro para a banca. Uma galinha que era de todas as formas insustentável e que foi assassinada pela própria cobiça dos banqueiros que se aproximaram do crescimento exponencial do dinheiro até que este entrou em colapso, demonstrando que toda a ficção se asfixia na conjectura e nada é senão o que é. A solução que os bancos centrais ofereciam era muito simples: mal havia um aumento da inflação, elevavam a taxa de juro para assim encarecerem o crédito e bloquearem os potenciais novos empréstimos (cortando, desta forma, potenciais novos empréstimos) e incentivando, a taxas mais altas, o “aforro” seguro dos prestamistas.

Entende-se agora o abismo em que estamos e por que razão governos e bancos centrais correm a tapar esses enormes buracos que o dinheiro falsamente criado deixou? Entende-se por que razão a Fed e o BCE correm a resgatar o lixo dos ativos tóxicos criado neste tipo de operações? Se ainda há dúvidas, deixo aqui este vídeo (ver acima) que pode ajudar a compreender parte importante deste fenômeno. Este documento foi realizado em 2006 e contém sérias advertências que não foram ouvidas nem pelos governos nem pelas pessoas. Por algo será.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18149

 
 

Mas livros continuam livres de taxas e só vale pra Amazon USA.  http://bjc.uol.com.br/2012/05/25/bomba-amazon-dos-eua-recolhendo-impostos-em-qualquer-modalidade-de-frete/ Amazon dos EUA recolhendo impostos em qualquer modalidade de frete | mai 25, 2012 | 267 comentários

É, amigos do BJC, acabou-se o que era doce. O recolhimento obrigatório dos impostos, antes exclusividade dos envios por courieragora ocorre em qualquer modalidade de frete na Amazon americana.

ImpostosA comprovação do que não desejávamos

Segundo o atendimento da Amazon, esta cobrança não é mera liberalidade deles (fruto de alguma retaliação ou penalidade pelos atrasos ou constantes pedidos de refund), mas sim uma exigência do governo brasileiro. Conforme o atendente nos contou, houve uma alteração de procedimento na nossa alfândega (que coincide com todas as ações tomadas nos últimos meses para frear nossos gastos lá fora), que estaria agora obrigando o recolhimento dos impostos de importação no momento da compra. O atendimento ainda reforçou que não cabe a Amazon a mudança de suas políticas de tributação e sim aosgovernos de cada país.

Pior ainda: se vocês prestarem atenção nos valores da imagem acima, perceberão que o  imposto (US$ 18,03) está acima dos 60% exigíveis por lei (que seriam US$ 11,37). Ou seja: também estão recolhendo o ICMS, independentemente deste imposto ser válido ou não no estado onde o comprador resida. A Amazon diz que o reembolso da diferença pode ser feito pela alfândega, o que indica que eles não sabem a zona que é este nosso país.

Mais algumas informações úteis:

  • A cobrança de impostos vale apenas na Amazon dos Estados Unidos. Nas Amazons europeias (UK, FR, DE, IT, ES), segue tudo normal (com impostos cobrados apenas nos envios por courier);
  • Livros continuam isentos (o que é o correto, segundo a lei);
  • Em pedidos mistos (livros + DVD/BD/CD), o imposto é cobrado apenas nos itens tributáveis (o que também é o correto) e o frete é dividido para o cálculo do imposto (mais uma vez, correto);
  • A cobrança vale apenas para itens enviados pela Amazon. Não há cobrança em compras feitas emsellers no Amazon Marketplace.

Pois é, a nossa “querida” Receita Federal, não bastasse colocar nossas encomendas em quarentena, agora nos obriga a pagar 95% de impostos em nossas compras na Amazon US. Quem quiser adquirir edições estadunidenses ou compra no Marketplace (com fretes mais elevados e prazo fixo para reclamar de extravio), ou faz suas compras em lojas como a Deep Discount ou Barnes & Noble (com preços menos competitivos e sem o mesmo atendimento da Amazon).

Parabéns, governo do Brasil. Vocês queriam diminuir as importações? Pois certamente conseguirão, com esta atitude retrógrada e ultrapassada, digna do período da ditadura militar. Isto não passa de uma forma ridícula de reserva de mercado que, ao invés de fortalecer a indústria brasileira (inocentemente, é o que o governo deseja), somente acaba com a concorrência e torna a indústria brasileira acomodada. O mais absurdo é que isto já foi feito antes e sabidamente não funcionou. É só uma cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros problemas do mercado brasileiro. Mas vamos ter Copa e Olimpíadas, não é mesmo?

ATUALIZADO 26/05 – 00:36 por Jotacê:

Conseguimos resgatar a mensagem do chat da Amazon em que a informação (aqui publicada) foi obtida. Está em inglês e o resumo é exatamente o que foi postado acima. Reproduzimos apenas para comprovação da fonte.

There may have been a change with your customs and they’re now requiring this fee be applied to your orders. I suggest contacting your Import Services Dept. for more information. The information in our Help pages do indicate that some orders that are shipped by standard shipping may be subject to a certain fee. This is something we have no control over.

I’m sorry for any inconvenience and wish there was more I can do, but the payment of import fees is the responsibility of the importer and is levied based on the laws of the country into which the products are being shipped. This is not something Amazon controls, but your country.

This is not something Amazon controls, but your country. Items sent to eligible countries via Priority International Shipping and in certain cases via Standard or Expedited International Shipping will have an estimated Import Fees Deposit applied to the order.

 

http://oglobo.globo.com/economia/cristina-kirchner-volta-defender-protecionismo-argentino-na-tv-5026573

Cristina Kirchner volta a defender protecionismo argentino na TVPresidente deixou claro que não pretende flexibilizar as barreiras comerciais questionadas por seus sócios do Mercosul e UE

JANAÍNA FIGUEIREDO*

*CORRESPONDENTE

Publicado:25/05/12 - 19h29Atualizado:25/05/12 - 19h45

 HO / AFP

Cristina reforçou a defesa da política comercial argentina em cerimônia na Catedral de São Carlos, em BarilocheHO / AFP

BUENOS AIRES — A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, voltou a defender a política comercial implementada por seu país, deixando claro que não pretende flexibilizar as barreiras protecionistas questionadas por seus sócios do Mercosul e a União Européia (UE), que na sexta-feira moveu um processo contra o país na Organização Mundial de Comércio (OMC). Em discurso transmitido por rede nacional de rádio e TV, Cristina assegurou que “a Argentina está protegendo seus trabalhadores, empresários e economia” e garantiu que seu país é, junto com a Alemanha, um dos que oferece mais liberdade para comércio no âmbito do G-20.

— As economias europeias falam em protecionismo quando aplicam tarifas (de importação) de 159% para a manteiga e 126% para a carne. É como se existisse um protecionismo legal para os países mais desenvolvidos e um protecionismo populista para os emergentes — declarou a presidente em ato na cidade de Bariloche, para comemorar a revolução iniciada em 25 de maio de 1810, que levou à independência do país.

Segundo Cristina, a Argentina “ocupa o décimo primeiro lugar na lista de países com mais liberdade para investir”.

— Quero dizer tudo isso porque tem a ver com a noção de pátria, com a defesa de nossos interesses — afirmou a presidente.

A Comissão Executiva da UE informou na sexta-feira que o caso argentino era uma reação a medidas restritivas impostas pela Casa Rosada, entre elas o sistema de licenças não automáticas.

— As restrições de importações na Argentina violam regras de comércio internacional e precisam ser removidas. As medidas causam muitos danos reais a empresas da União Europeia, prejudicando empregos e a economia como um todo — argumentou o o comissário de comércio da UE, Karel De Gucht.

As barreiras protecionistas estão prejudicando não somente o relacionamento da Argentina com a UE e até mesmo com seus parceiros no Mercosul, mas, também, muitos setores da economia local. A industria automobilística, por exemplo, está com sérios problemas de produção pela falta de insumos que o governo não permite importar. Também escasseiam medicamentos e diversos produtos consumidos no mercado argentino, como brinquedos e eletrodomésticos.

O Uruguai é um dos países que mais tem se queixado sobre a política comercial argentina. Nos primeiros quatro meses deste ano, as importações de produtos uruguaios recuaram 5,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, o que representa um prejuízo US$ 9 milhões, montante expressivo para um país de  pequenas dimensões.




Leia mais sobre esse assunto em h

 

Rio+20: o roteiro de Ladislau Dowbor

Um guia de leituras para compreender os encontros, seu contexto e os caminhos para a sustentabilidade sócio-ambiental — inclusive no Brasil

Por Ladislau Dowbor*

Pontos de referência

Primeiro, se você se sente confuso relativamente à Rio+20, bem vindo ao clube. O desafio, no entanto, é simples. Por um lado, agravam-se os dramas do aquecimento global, da liquidação das florestas originais, da destruição da vida nos mares, da perda de solo agrícola, da redução da biodiversidade, do esgotamento de recursos naturais críticos. Por outro lado, temos um bilhão de pessoas que passam fome, destas 180 milhões são crianças, e destas entre 10 e 11 milhões morrem de inanição ou de não acesso a uma coisa tão prosaica como água limpa, ou seja, 30 mil por dia, dez torres gêmeas em termos de mortes por dia. Morrem no silêncio da pobreza, não rendem o mesmo espetáculo para a mídia. Não estamos matando, deixamos morrer. Um terço da humanidade ainda cozinha com lenha. Já morreram 25 milhões de Aids, enquanto discutimos o valor das patentes. Isto num planeta que graças a tantas tecnologias é simplesmente farto. Produzimos no mundo 2 bilhões de toneladas só de grãos, o que equivale a 800 gramas por pessoa e por dia, sem falar de outros alimentos. Se dividirmos os 63 trilhões de dólares do PIB mundial pelos 7 biliões de habitantes, são 5400 reais por mês por família de quatro pessoas. Com o que produzimos poderíamos todos viver com paz e dignidade. E temos 737 grupos corporativos mundiais, 75% deles de intermediação financeira, que controlam 80% do sistema corporativo mundial, o que explica o número de bilionários. No conjunto, buscam maximizar os lucros, ainda que o planeta entre em crise financeira e produtiva generalizada. A simplicidade do desafio, é que estamos acabando com o planeta para o benefício de uma minoria. Houston, we have a problem.

Em outros termos, há uma convergência de processos críticos, o ambiental, o social e o econômico. E o denominador comum dos três processos, é o problema da governança, de gestão da sociedade no sentido amplo. Sabemos administrar unidades, uma empresa, uma repartição pública, uma organização da sociedade civil. Estamos apenas aprendendo a articular o conjunto para o bem comum, e isto, gostemos ou não, é política. Enfrentamos problemas globais quando as estruturas políticas realmente existentes estão fragmentadas em 194 estados-nação. Ao tripé que aparentemente recolhe a nossa unanimidade – uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável – precisamos portanto hoje acrescentar o pilar da governança, os desagradáveis assuntos políticos, saber quem tomará as decisões, de onde virá o financiamento, como será realizado o seguimento e o controle. A Rio-92 desenhou os desafios do tripé de maneira competente, com a Agenda 21 e as grandes convenções do clima e da biodiversidade. Sabemos sim para onde ir. A Rio+20 terá o desafios mais espinhoso de enfrentar o dilema da governança, da criação de estruturas político-institucionais que façam acontecer. Não é uma opção, é uma necessidade. Com o agravamento dos processos planetários, estamos, como diz Ignacy Sachs, condenados a inovar.

Não tenho na presente nota nenhuma pretensão de apresentar respostas para dilemas deste porte. Mas pareceu-me útil fazer uma pequena resenha de documentos que me têm passado pelas mãos, uma forma prática de facilitar a vida de quem está buscando boas leituras.

 

Sistematização dos desafios

No geral mesmo, a leitura básica me parece ser o curiosamente chamado Plano B 4.0 de Lester Brown, disponível online e gratuitamente, em português. Trata-se essencialmente de um roteiro que apresenta de maneira simples cada um dos principais desafios, as medidas necessárias, os seus custos e factibilidade. O subtítulo do livro diz a que vem: Mobilização para salvar a civilização. Como Lester Brown atualiza constantemente os seus textos, estamos na crista da onda. Para quem maneja o inglês, aliás, vale a pena ler o seu pequeno estudo chamado World on the Edge: how to prevent environmental and economic colapse, leitura curta e genial que caracteriza a nossa crise civilizatória.

Na linha ainda das visões gerais, uma belíssima consulta online é o Keeping Track of our Changing Enviroment: from Rio to Rio+20 (1992-2012), também chamado Geo-5, publicado pelo PNUMA, que apresenta em gráficos muito didáticos, com curtos comentários, tudo que há de novo desde 1992: população, urbanização, alimentos, gênero, PIB, extração de recursos naturais, emissões, mudança climática, florestas, água, governança, agricultura, pesca, energia, indústria, tecnologia. Um instrumento de trabalho realmente de primeira linha em termos de dados básicos de como tem evoluído a situação do planeta nos últimos 20 anos.

No plano da análise em profundidade dos mecanismos, uma excelente leitura me parece ser o relatório encomendado pelas Nações Unidas, Building a Sustainable and Desirable Economy-in-society-in-nature, estudo que reuniu vários dos melhores especialistas do mundo, como Gar Alperovitz, Herman Daly, Juliet Schor, Tim Jackson e outros. O estudo encara efetivamente os principais mecanismos econômicos que temos de transformar: “Vamos precisar de uma ciência econômica que respeite os limites do planeta, que reconheça a dependência do bem estar do ser humano das relações e correção sociais, e que reconheça que o objetivo final é um bem estar humano real e sustentável, não apenas o crescimento do consumo material. Esta nova ciência econômica reconhece que a economia está situada numa sociedade e cultura que estão elas mesmas situadas no sistema ecológico de suporte da vida, e que a economia não pode crescer para sempre neste planeta limitado.” (iv)

Documentos oficiais básicos

Acesseo restante do texto Aqui.


*Ladislau Dowbor é professor titular da PUC-SP, e consultor de várias agências das Nações Unidas. Os seus textos estão disponíveis online no site http://dowbor.org, em Creative Comons (livre uso não comercial). Ver também textos disponíveis no blog

 

Almeida

De BBC Brasil.

 

Suplemento de cálcio aumenta risco de ataque cardíaco, diz estudo

James Gallagher

Da BBC News

 

Kham Tran)

Cálcio em pílulas: uso de suplemento divide especialistas

 

O consumo de suplementos de cálcio pode aumentar o risco de ataque cardíaco, de acordo com pesquisadores alemães.

 

O cálcio em pílulas é recomendado para fortalecer os ossos e prevenir fraturas na velhice. No entanto, segundo o estudo publicado na revista científica Heart, o suplemento "deve ser consumido com cautela".

Alguns especialistas recomendam uma dieta balanceada, com doses adequadas de cálcio, como alternativa ao suplemento.

Os pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa sobre o Câncer, em Heidelberg, acompanharam 23.980 pessoas por mais de uma década.

Eles compararam o número de ataques cardíacos em pessoas que tomaram suplementos de cálcio com outras que não tomaram nada e concluíram que no primeiro grupo o risco de um ataque era 86% maior.

Críticas

O médico Carrie Ruxton, do Serviço de Informações sobre Suplementos de Saúde, no Reino Unido, acredita que seria "irresponsável" recomendar que as mulheres parassem de consumir cálcio.

"A osteoporose é um problema grave entre mulheres e seria irresponsável recomendar o fim do consumo de suplemento de cálcio com base em uma única pesquisa inconsistente, quando a ligação entre cálcio, vitamina D e saúde dos ossos está confirmada pela Agência Europeia de Segurança Alimentar", disse Ruxton.

Segundo a Fundação Britânica do Coração (BHF, na sigla em inglês) pacientes que receberam recomendações para tomar cálcio devem continuar o tratamento e conversar com seus médicos se estiverem preocupados.

"A pesquisa indica que as pessoas que tomam suplementos de cálcio podem estar mais sujeitas a um ataque cardíaco, mas isso não significa necessariamente que esses suplementos causam ataques cardíacos", afirma Natasha Stewart, enfermeira especializada em cardiologia da BHF.

"Mais estudos são necessários para elucidar a relação entre a ingestão de suplementos de cálcio e problemas do coração. Precisamos determinar se os riscos potenciais da administração de suplementos superam os benefícios para mulheres que sofrem de condições como osteoporose."

Dieta balanceada

De acordo com Ian Reid e Mark Bolland, pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, há cada vez mais evidências de que a administração de suplementos não é segura, nem particularmente eficaz. "As pessoas deveriam ser aconselhadas a obter a dose diária de cálcio com uma dieta equilibrada", acreditam Reid e Bolland.

Uma porta-voz do Departamento de Saúde do Reino Unido disse que o estudo será analisado com cuidado depois que o artigo completo for publicado: "A maioria das pessoas não precisa tomar suplemento de cálcio. Uma dieta saudável e balanceada fornece todos os nutrientes, incluindo cálcio, que elas necessitam. Boas fontes de cálcio incluem leite e derivados e vegetais de folhas verdes."

 

zanuja

De R7.

 

Médicos salvam bebê com menor coração artificial do mundo

Implante permitiu que ele sobrevivesse até conseguir transplante

 

 

 

 Reuters

Coração artificialReprodução/Reuters

Equipe médica durante a cirurgia que implantou coração artificial em bebê, na Itália



 

Médicos italianos salvaram a vida de um menino de 1 ano e meio graças à implantação do menor coração artificial do mundo para manter o bebê vivo até que um doador fosse encontrado para um transplante.

Os médicos do Hospital Bambino Gesu de Roma disseram que a operação foi realizada no mês passado e tornada pública esta semana. O bebê, cuja identidade não foi revelada, foi mantido vivo por 13 dias antes do transplante e agora está bem.

O bebê sofria de miocardiopatia dilatada, uma doença em que os ventrículos se dilatam , sendo incapazes de bombear um volume de sangue suficiente. A doença gradualmente torna o coração mais fraco, parando a sua capacidade de bombear o sangue de forma eficaz.

– Este é um marco, afirmou o cirurgião Antonio Amodeo, à Reuters TV, acrescentando que, embora o dispositivo seja agora usado como ponte até um transplante, no futuro poderia ser permanente.

Antes do implante, a criança também teve uma infecção grave em torno de uma bomba mecânica que tinha sido colocada anteriormente para ajudar o funcionamento do seu coração natural.

– Do ponto de vista cirúrgico, isto não era realmente difícil. A única dificuldade que encontramos é que a criança foi operada várias vezes antes, disse ele.

A pequena bomba de titânio pesa apenas 11 gramas e pode lidar com um fluxo de sangue de 1,5 litro por minuto. Um coração artificial para adultos pesa 900 gramas.

Amodeo disse que o bebê havia se tornado parte da família e sua equipe queria fazer de tudo para ajudá-lo.

– O paciente estava em nossa unidade de terapia intensiva desde um mês de idade. Então ele era um mascote para nós, ele era um de nós, afirmou o médico.

– Todo dia, toda hora, por mais de um ano, ele estava conosco. Então, quando nós tivemos um problema, não podíamos fazer nada mais do que o nosso melhor, disse ele.

Os médicos disseram que o aparelho, inventado pelo médico norte-americano Robert Jarvik, tinha sido previamente testado apenas em animais.

O hospital precisava de autorização especial de Jarvik e do Ministério da Saúde italiano antes de seguir adiante com o procedimento.

 

 

zanuja

Do G1.

Deputado do DEM diz que vai ao STF contra MP do Código FlorestalPara Ronaldo Caiado (DEM-GO), MP é 'inconstitucional'. 
Governo anunciou nesta sexta(25) 12 vetos ao Código Florestal. 

Marcelo ParreiraDo G1, em Brasília


 Leonardo Prado/Agência Câmara)O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO)
(Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara)

O Democratas anunciou que vai entrar na Justiça com mandado de segurança contra a Medida Provisória que o governo vai enviar ao Congresso para suprir brechas jurídicas deixadas pelos vetos ao Código Florestal. Nesta sexta-feira (25), o governo anunciou que vai vetar 12 artigos do texto votado pelo Congresso.

Na opinião do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a edição da MP é inconstitucional."O governo não pode editar medida provisória sobre matéria que já votada e aprovada no Congresso Nacional antes que analisemos os vetos. Isso é inconstitucional, de acordo com o artigo 62 da COnstituição, e é uma afronta e um desrespeito ao Congresso Nacional. O Código foi aprovado com ampla margem de votos nas duas casas", disse o parlamentar.

 

Caiado também criticou os vetos ao Código. "Eu vejo com muita preocupação [os vetos], até porque foi um gesto de desrespeito ao Congresso Nacional, no momento em que ela não só veta, mas edita uma medida provisória repondo o texto do Senado que foi derrotado na Câmara. É uma medida totalmente anti-democrática e grosseira", afirmou o deputado.

Caiado também disse que fará, na próxima semana, questão de ordem no plenário sobre assunto para alertar a presidência da Câmara a respeito da MP.


O veto é parcial em respeito ao Congresso Nacional, à democracia e ao diálogo com a sociedade. Foi motivado, em alguns casos, pela segurança jurídica. Em outros, pela inconstitucionalidade", diz Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente.

Vetos
O objetivo dos cortes e mudanças no texto aprovado no Congresso, de acordo com o governo, é inviabilizar anistia a desmatadores, beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental. Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso, que tem a prerrogativa de derrubá-los.

O prazo para sanção do texto, que trata sobre a preservação ambiental em propriedades rurais, vencia nesta sexta(25). Para suprir os vácuos jurídicos deixados com os vetos, a presidente Dilma Rousseff vai assinar uma medida provisória que será publicada na segunda-feira (28) no "Diário Oficial da União" juntamente com o Código Florestal, informou o ministro da AGU, Luís Inácio Adams.

"São 12 vetos, são 32 modificações, das quais 14 recuperam o texto do Senado Federal, cinco respondem a dispositivos novos incluídos e 13 são adequações ao conteúdo do projeto de lei. Uma medida provisória deverá ser publicada em conjunto com a publicação dos vetos na segunda-feira", afirmou Adams.

No Congresso, ministros de Dilma participaram das discussões para o texto aprovado no Senado. No entanto, o projeto foi modificado na Câmara em uma derrota imposta ao governo pela bancada ruralista.

Reflorestamento
Entre os artigos vetados está o que aborda a recuperação de matas em Áreas de Preservação Permanente (APPs), que são os locais vulneráveis, como beira de rios, topo de morros e encostas. O tema foi um dos mais polêmicos durante a discussão no Congresso.

O primeiro texto aprovado na Câmara previa redução dos atuais 30 metros para 15 metros de recuperação de mata para propriedades com rios de largura de até 10 metros, mas deixava a cargo dos estados a possibilidade do que poderia ser plantado em APPs. Depois, o Senado voltou a alterar para obrigar a recomposição em pequenas propriedades em até 20% da propriedade e estabeleceu recuperação de 30 metros e no máximo de 100 metros para propriedades maiores do que quatro módulos fiscais - o módulo varia entre estados de 20 a 440 hectares.

Quando o texto voltou à Câmara, o relator do projeto de reforma do Código Florestal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), retirou os percentuais mínimos de recuperação das APPs e deixou a cargo dos estados a faixa de recomposição. Isso era interpretado como uma possível anistia a desmatadores, porque poderia liberar quem suprimiu vegetação de recuperar as matas. Em razão disso, o artigo foi vetado pela presidente Dilma.


 Editoria de Arte/G1)

 

zanuja

De Opera Mundi.

anco espanhol recentemente nacionalizado pede 19 bilhões de euros ao governoSomados aos 4,465 bilhões de euros já injetados, o Bankia pede no total de 23,465 bilhões    

 

O quarto maior banco espanhol, o Bankia, pediu um empréstimo de 19 bilhões de euros ao governo nesta sexta-feira (25/05). O valor, aprovado na reunião do conselho de administração da instituição, soma-se aos 4,465 bilhões de euros já injetados, elevando assim para 23,465 bilhões de euros as necessidades de capital. O ministro da Economia, Luis de Guindos, tinha dito que a ajuda não seria nunca superior a 15 bilhões de euros.

O Bankia, que possui cerca de 10 milhões de clientes e mais de 400 mil acionistas, foi recentemente nacionalizado pelo governo espanhol, que comprou o Banco Financeiro e de Ahorros (BFA) e, com isso, passou a controlar 45% da instituição bancária. De acordo com a diração do Bankai, os 19 bilhões de euros serão utilizados para cumprir os requerimentos de provisões e de capital exigidos pelas duas reformas financeiras aprovadas pelo governo espanhol.

 

 Além disso, servirão para tapar os buracos detectados na matriz do grupo, BFA, pela elevada avaliação de seu filial Bankia, que, segundo os auditores, não se ajustava à realidade. A matriz tinha avaliado sua participação na filial em 12 bilhões de euros, quando seu valor de mercado é de menos de 1,5 bilhão.

Juan José Toribio, professor da IESE Business School de Barcelona, disse à Agência Lusa não ser ainda certo que o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (do Estado) tem capacidade para todo o resgate, sendo possível "que tenha que recorrer ao mecanismo europeu de estabilidade financeira".

"O total de 19 bilhões equivale a uma nacionalização, mas esta nacionalização é parcial e (espera-se) transitória, tal como fizeram os Estados Unidos e o Reino Unido. Não se trata de criar um banco público permanente", disse.

Toribio não descarta eventuais resgates adicionais, especialmente a nível de entidades como Catalunya Caixa, Nova Caixa Galicia e Banco de Valencia, que foram alvo de intervenção do Estado. "Se ninguém comparecer ao leilões, o governo pode precisar fazer o mesmo que fez com a Bankia", disse.

O resgate da Bankia é 2,5 vezes superior à soma de todos osresgates já realizados pela Espanha.  * Com informações do Publico.es, El Pais e Agência Lusa

 

zanuja

 

De Opera Mundi.

 

 Jornais internacionais destacam veto de Dilma a artigos do Código Florestal

 

De modo geral, a imprensa internacional apontou que Dilma agradou ambientalistas e grande parte da população com sua decisão  

 

A decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar parcialmente nesta sexta-feira (25/05) o polêmico Código Florestal foi repercutido por alguns dos principais veículos da Europa e dos Estados Unidos. De modo geral, a imprensa internacional apontou que, mesmo não tendo vetado por completo o projeto aprovado no Congresso em abril, Dilma agradou ambientalistas e grande parte da população com sua decisão.

Em um artigo do jornalista Paulo Cabral publicado em seu site, a emissora britânica BBC aponta que Dilma optou por uma solução que “tenta deixar todo mundo mais ou menos razoavelmente satisfeitos e adia discussões difíceis para depois”.

Reprodução

BBC destacou o anúncio da ministra Isabella Teixeira nesta sexta 

“Dilma Rousseff terá que apresentar decretos presidenciais para substituir os artigos vetados, mas estes também terão que passar por um Congresso profundamente dividido. Por isso, esse debate está longe de terminar”, aponta Cabral no artigo.

 


 

 

Já a emissora norte-americana CNN chama a atenção para o fato do veto de Dilma a 12 artigos do Código acontecer a menos de um mês do Rio+20, que será sediado no Rio de Janeiro.

“Muitos brasileiros pediram por um voto completo, com protestos por todo o país e com o recolhimento de 1,9 milhões de assinaturas em uma petição”, apontou a emissora em texto publicado no seu site.

O jornal espanhol El Mundo ressaltou os vários pedidos de brasileiros e associações de defesa do meio ambiente por todo o mundo para que Dilma vetasse o Código por completo. O diário destaca ainda que Dilma vetou dois dos principais artigos combatidos pelos críticos ao texto aprovado no Congresso.

Reprodução

El Mundo destaca o veto de Dilma ao artigo que previa anistia aos fazendeiros que desmataram áreas proibidas

“Dilma vetou um artigo que reduzia as áreas de preservação nas margens dos rios, assim como aquele que limitava minimamente as obrigações de recuperação das áreas degradadas”, apontou o jornal.

O também espanhol El País, que confundiu Roussef com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, evidenciou o veto da brasileira ao artigo que dava anistia àqueles que haviam desmatado áreas proibidas.

“Não foi uma decisão fácil para a presidente, ainda mais as véspera da cúpula Rio+20, a conferência mundial sobre Meio Ambiente organizada pela ONU a ser realizada no Brasil no próximo mês. Rousseff, que considerou uma derrota de seu governo a aprovação do novo Código, claramente inclinado para as demandas de grandes proprietários de terras que formam maioria no Congresso, se viu pressionada por várias frentes”, afirmou o jornal em uma matéria em seu site.

Alguns dos artigos vetados por Dilma serão substituídos por decretos provisórios e estarão em vigor até que o Congresso conclua os debates a respeito da decisão da presidente. Os parlamentares até poderão alterar o texto novamente, mas para isso precisarão de maioria no Congresso.

Para a ministra Isabella Teixeira, a decisão de Dilma irá fortalecer a “preservação” dos ecossistemas e, ao mesmo tempo, estimular a “produção sustentável” na agricultura.

 

 

 

zanuja

Da Agência Senado.

 

Congresso aguarda MP com mudanças no Código Florestal

 

 

Valter Gonçalves Jr.

Depois de muitas versões e polêmicas, o novo Código Florestal começa a ganhar sua feição definitiva. São 12 vetos e 32 modificações, que serão todos conhecidos nesta segunda-feira (28), quando será encaminhada uma medida provisória ao Congresso. A decisão da presidente da República, Dilma Rousseff, foi anunciada em entrevista coletiva nesta sexta-feira (25) pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, junto com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro.

“Este não é o Código dos ambientalistas nem o Código dos ruralistas”, disse Mendes Ribeiro. Izabella Teixeira reforçou o compromisso de Dilma de “não permitir anistia aos desmatadores” e disse que, com o veto parcial, o governo mostra respeito ao Congresso. Já Luís Inácio Adams afirmou que o texto é resultado de um “acúmulo técnico”, fruto de muito debate, e que por isso a MP com as alterações na legislação ambiental será bem recebida pelo Congresso.

O principal trecho vetado no novo Código (PPL 1.876/1999, na Câmara), que tem 84 artigos, é o de número 61, que trata de atividades agrícolas em Áreas de Preservação Permanente (APPs) ocupadas até 22 de julho de 2008. Na visão dos críticos, que pediam veto integral para o novo Código Florestal, o artigo é dos que permitem anistia para desmatadores. Izabella Teixeira afirmou que serão mantidas as regras da atual legislação para as matas ciliares, as chamadas APPs ripárias, que garantem a sobrevivência dos rios. O texto atual prevê faixas que vão de 30 a 500 metros, dependendo da largura dos cursos d’água.

Também as Reservas Legais (RLs), disse a ministra, terão as atuais regras mantidas. Permanece o percentual de mata nativa a ser preservado nas diferentes regiões do país: 20% das propriedades nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste; 35% na  Região Centro-Oeste; e 80% na Amazônia Legal.

Quanto à recomposição de áreas desmatadas ilegalmente, o governo retoma as regras estabelecidas no texto aprovado pelo Senado e enviado à Câmara. Para ter suspensa a multa por desmatamento, o agricultor deverá recuperar a vegetação nativa ilegalmente removida. Antes, terá que fazer, em um prazo de cinco anos, o Cadastro Ambiental Rural (CRA), a partir do qual poderá se integrar ao Programa de Recuperação Ambiental (PRA).

A recuperação das áreas desmatadas, afirmou Izabella Teixeira, será responsabilidade de todos, tanto os grandes, quantos os pequenos proprietários. Mas o tamanho da recomposição será vinculado ao das propriedades rurais. Regras de transição, afirmou a ministra, prevêem matas ciliares de 5 a 100 metros, de acordo com a largura dos rios.  Durante a coletiva, foram projetados slides com objetivos gerais do governo quanto à legislação ambiental e um levantamento sobre a estrutura fundiária brasileira. Segundo os técnicos do governo, 90% das propriedades rurais atingem até quatro módulos fiscais, cujo tamanho difere em cada região.

Matas ciliares, veredas, pantanais, encostas, topos de morro, encostas e pousio terão a proteção mantida. A transferência de competência para os municípios quanto ao tamanho das APPs, prevista no texto aprovado pelo Congresso, também foi vetada pelo presidente da República. O objetivo do governo com a nova legislação ambiental, disse a ministra, é o de garantir a preservação das florestas e de todos os biomas, ao mesmo tempo em que garante a produção de alimentos por meio de uma agricultura sustentável. A premissa, completou Izabella Teixeira, é “o atendimento à questão social sem prejudicar o meio ambiente”.

Segundo Luís Inácio Adams, das 32 modificações ao novo Código Florestal a serem inseridas por meio de uma MP, 14 retomam trechos do projeto aprovado pelo Senado, 13 são alterações ao texto final, da Câmara, e cinco são inserções do governo.

Agência Senado

 

 

zanuja

 

 Do Terra - 25/05/2012 


Suspeito de vazar documentos do Vaticano, mordomo do papa é preso

 Um homem, identificado por fontes da Igreja Católica como o mordomo do papa, foi detido no Vaticano depois que a polícia o encontrou "em posse ilegal de documentos reservados" da Santa Sé.

A prisão foi confirmada nesta sexta-feira pelo vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Ciro Benedittini, pouco depois de o porta-voz, Federico Lombardi, ter informado que agentes tinham localizado "uma pessoa em posse ilegal de documentos reservados" e que ela havia sido colocada à disposição da magistratura vaticana "para maiores investigações".

Embora oficialmente o Vaticano não tenha revelado o nome do detido, fontes citadas pela imprensa italiana disseram que se trata de Paolo Gabriele, de 42 anos e considerado um dos membros da chamada "família do papa".

Este seleto grupo de pessoas é composto também por seus dois secretários, os sacerdotes Georg Gänswein e Alfred Xuereb, e quatro laicas italianas consagradas da comunidade "Memores Domini" que cuidam do apartamento papal (residência oficial do papa).

Gabriele é um romano que trabalha no apartamento papal desde 2006, após ter estado a serviço do prefeito da Casa Pontifícia, o arcebispo James Harvey.

Segundo as fontes vaticanas, os agentes encontraram "uma grande quantidade de documentos reservados" na casa na qual Gabriele vive com sua esposa e três filhos na Via de Porta Angelica, anexa ao Vaticano. Ele foi detido na quinta-feira, de acordo com as fontes, e posto à disposição do Promotor de Justiça do Vaticano, Nicola Picardi, que lhe interrogou hoje durante várias horas.

A prisão de Gabriele, já conhecido como "Il curvo" (o corvo), surpreendeu em ambientes vaticanos, e algumas fontes duvidam que ele seja o autor dos vazamentos, e sim "um bode expiatório".

Bento XVI, segundo fontes vaticanas, foi informado da detenção de seu mordomo e se mostrou "muito entristecido".

Gabriele foi preso após as investigações realizadas nos últimos dias pela Gendarmaria Vaticana para esclarecer os casos de vazamentos à imprensa de documentos reservados enviados ao papa Bento XVI e seu secretário Gänswein. As investigações foram feitas segundo as instruções recebidas por uma comissão criada em abril por Bento XVI para esclarecer esses casos.

O escândalo começou quando uma rede de televisão italiana divulgou cartas enviadas pelo atual núncio nos Estados Unidos e ex-secretário-geral do Governo da Cidade do Vaticano, Carlo Maria Vigano, a Bento XVI, nas quais denunciava a "corrupção, prevaricação e má gestão" na administração vaticana.

Em uma dessas mensagens, Vigano denunciou também que os banqueiros que integram o chamado "Comitê de finanças e gestão" do Governo e da Secretaria de Estado "se preocupam mais com seus interesses do que com os nossos", e que em dezembro de 2009, em uma operação financeira, "queimaram (perderam) US$ 2,5 milhões".

Após a divulgação desses documentos, Lombardi denunciou a existência de uma espécie de Wikileaks para desacreditar a Igreja. Mas o vazamento não ficou por aí. Em 19 de maio saiu às livrarias o livro "Sua Santita", do jornalista Gian Luigi Nuzzi, com uma centena de novos documentos revelam tramas e intrigas no pequeno Estado.

Entre as informações confidenciais que foram reveladas está a de que a organização terrorista ETA pediu ao Vaticano no início de 2011 enviar à Nunciatura de Madri vários de seus membros para acertar com a Igreja o anúncio do fim de sua atividade armada, mas o cardeal Tarcisio Bertone o rejeitou, após falar com o bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla.

Lombardi anunciou que a Santa Sé levará à Justiça os autores do vazamento de todos esses documentos reservados e cartas confidenciais ao papa Bento XVI, cuja publicação qualificou como "ato criminoso".

A detenção de "Il Curvo" foi anunciada um dia depois de o Banco do Vaticano (IOR) ter demitido seu presidente, Ettore Gotti Tedeschi, "por não ter desenvolvido funções de primeira importância para seu cargo".

 

clique aqui para ver o vídeo da reportagem sobre o mordomo do Papa na TV Globo

 

A culpa é sempre do mordomo

 

Da Agência Senado.

Demóstenes deve apresentar sua defesa ao Conselho de Ética na terça

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Elina Rodrigues Pozzebom

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) deve apresentar sua defesa ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado na próxima terça-feira (29), em reunião marcada para começar às 9h30. O processo disciplinar de quebra de decoro contra o senador – sobre quem pairam suspeitas de colocar seu mandato à disposição de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – foi aberto no início de maio.

Até agora, apenas os delegados Raul Alexandre de Sousa e Matheus Mella Rodrigues, da Polícia Federal, responsáveis pelas investigações das operações Vegas e Monte Carlo (que resultaram na prisão de Cachoeira), prestaram depoimento aos integrantes da comissão. As testemunhas arroladas pela defesa do senador, o advogado Ruy Cruvinel e o próprio Carlinhos Cachoeira, se recusaram a comparecer.

Em entrevista concedida à Rádio Senado nesta sexta-feira (25), o relator do processo no Conselho de Ética, senador Humberto Costa (PT-PE), afirmou que a presença de Demóstenes Torres no conselho, para prestar esclarecimentos, pode mudar as convicções firmadas até agora.

- Existe exatamente o espaço para o depoimento para que ele possa esclarecer fatos e defender-se de acusações. Eu estou inteiramente aberto a confrontar as denúncias com a defesa dele e elaborar um relatório levando em consideração tudo isso – disse.

Humberto Costa aguarda a defesa de Demóstenes para começar a elaborar o seu relatório. Ele promete finalizar seu relatório até meados de junho, para ser votado nas comissões e chegar ao Plenário antes do recesso, marcado para iniciar no dia 17 de julho.

Agência Senado

 

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Da Agência Câmara.

CPMI do Cachoeira dará agilidade à consulta de dados das investigações Jonas Pereira/Agência SenadoPresidente da CPMI do Cachoeira, senador Vital do RêgoVital do Rêgo: sempre que a interpretação da lei permitir, as informações serão divulgadas.

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), garantiu que estão sendo adotadas as providências necessárias para assegurar aos integrantes da CPMI a agilidade nas consultas às informações bancárias, fiscais e telefônicas, com acesso amplo, rápido e qualificado aos dados que já começam a ser enviados pelos órgãos da administração pública. A CPMI investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados.

De acordo com Vital do Rêgo,  sempre que a interpretação da lei permitir as informações serão divulgadas. Ele acrescentou que “a sociedade brasileira também tem o direito do mais amplo acesso possível às informações”. Em nota divulgada nesta tarde, ele destacou que os fatos investigados pela CPMI “são de grande relevância pública e que, por isso, os trabalhos de inquérito devem ocorrer com a máxima transparência possível”.

O senador Sérgio Souza (PMDB-PR) definiu a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) de acesso a informações relativas à CPMI como um “grande avanço” que, em sua opinião, poderá mudar a dinâmica do trabalho, porque será permitido tirar cópias, levá-las ao gabinete e até ler por meio eletrônico, sendo o acesso aos documentos possível de qualquer lugar. “Outra vantagem é que a imprensa poderá avaliar melhor o trabalho de investigação da CPI. Se a CPI não correr, a imprensa correrá”, afirmou.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) também elogiou a facilidade de acesso aos documentos. Ele disse que a reivindicação dos parlamentares era justa e leva em conta o princípio da publicidade. “O fim do sigilo vai facilitar o trabalho de investigação. Agora poderemos, por exemplo, ir à sala secreta onde estão os dados, tirar cópias do conteúdo e estudar melhor os processos”, acrescentou.

A decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski, que determinou a retirada do caráter sigiloso das informações anteriormente enviadas à comissão, atendeu a um requerimento aprovado pela CPMI no último dia 17. No documento, os parlamentares lembram que “os fatos demonstram envolver crimes não só de natureza privada, mas graves desvios de conduta na esfera pública”, daí a necessidade de transparência para as informações.

 

zanuja

Da Agência Câmara.

Vetos ao Código Florestal desagradam à bancada ruralista

Ambientalistas elogiam as mudanças, mas acreditam que a presidente Dilma deveria ter vetado integralmente o novo código.

A bancada ruralista da Câmara ficou descontente com os vetos anunciados pelo Executivo ao novo Código Florestal (PL 1876/99). Foram 32 mudanças no texto aprovado pela Câmara no último mês de abril. Para o deputado Nelson Padovani (PSC-PR), a quantidade de alterações foi um “exagero que deve prejudicar a produção agrícola brasileira”.

As mudanças no Código Florestal foram anunciadas na tarde desta sexta-feira (25), em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. O governo não divulgou o texto definido pela presidente Dilma Rousseff, mas afirmou que as mudanças objetivam, em geral, anular a anistia a desmatadores, beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental. Boa parte do novo texto deve recuperar o projeto que foi aprovado pelo Senado.

O coordenador da Frente Parlamentar  Ambientalista e líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), defendeu as alterações e disse que elas “vão ao encontro dos anseios da sociedade”. Segundo ele, contudo, a melhor alternativa seria o veto total ao código: “Dessa forma, ficaria claro qual é o objetivo do governo: o progresso a qualquer custo ou a preservação do meio ambiente e da qualidade de vida da população.”

Os vetos ainda podem ser derrubados pelo Congresso, desde que a maioria absoluta  dos parlamentares aprove a medida. Os deputados ruralistas, no entanto, ainda não definiram qual estratégia tomar. “Vamos nos reunir na segunda-feira, já com os detalhes dos vetos, para analisar quais alternativas temos ”, disse o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

Pontos fundamentais
Os parlamentares ligados ao agronegócio já anunciaram que não abrem mão de pontos aprovados pela Câmara, como a descentralização aos estados das medidas de regularização ambiental e a manutenção das áreas desmatadas consolidadas. “Esses pontos são fundamentais e nós vamos lutar por eles. Tenho certeza de que o relatório da Câmara foi o mais realista possível e conseguiu trazer muitas soluções tanto para a área urbana quanto para a questão ambiental”, argumentou Valdir Colatto (PMDB-SC).

Para Colatto, os vetos anunciados nesta sexta-feira, se confirmados, devem gerar prejuízos à agricultura e à pecuária brasileiras. O deputado, no entanto, disse que aguarda a publicação do texto para definir as estratégias a serem tomadas.

Dúvidas
A divulgação parcial da decisão de hoje também deixou em suspenso a posição definitiva dos ambientalistas no caso. O deputado Antônio Roberto (PV-MG) afirmou que, em princípio, os vetos atendem às reivindicações do seu partido. “Mas ainda restam muitas dúvidas. Não sabemos ainda se vai ser possível a compensação de reservas legais  em outros estados; se o cadastro ambiental rural será publicado, ao contrário do que prevê a proposta aprovada no Congresso; e se estados e municípios ainda poderão definir as áreas de preservação permanente em regiões urbanas”, exemplificou.

A declaração foi dada em entrevista coletiva nesta sexta-feira, que contaria com a participação de entidades da sociedade civil ligadas ao setor. De acordo com Sarney Filho, no entanto, o grupo preferiu esperar a publicação dos vetos para se manifestar.

Bancada fragilizada
A única certeza dos ambientalistas, segundo Sarney Filho, é a de que a bancada ruralista saiu fragilizada na disputa sobre o novo Código Florestal. “Esse grupo tentou de todas as formas retroagir na legislação ambiental, mas não conseguiu”, avaliou.

Para o líder do PV, a mobilização social em torno do veto foi determinante na disputa: “Se não houvesse tamanha mobilização da sociedade civil, talvez a presidente Dilma não tivesse força para vetar, e o futuro do Brasil seria comprometido.”

 

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Da Agência Brasil.

Apenas uma em cada sete crianças e adolescentes que vivem em abrigos pode ser adotada 

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em uma ampla sala colorida, cercado por cuidadoras, um grupo de seis bebês, com 6 meses de idade em média, divide o mesmo espaço, brinquedos e histórias de vida. Todos eles vivem em uma instituição de acolhimento enquanto aguardam que a Justiça defina qual o seu destino: voltar para a família biológica ou ser encaminhados para adoção.

A realidade das 27 crianças que moram no Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, no Distrito Federal (DF), repete-se em outras instituições do país. Enquanto aguardam os trâmites judiciais e as tentativas de reestruturação de suas famílias, vivem em uma situação indefinida, à espera de um lar. Das 39.383 crianças e adolescentes abrigadas atualmente, apenas 5.215 estão habilitadas para adoção. Isso representa menos de 15% do total, ou apenas um em cada sete meninos e meninas nessa situação.

Aprovada em 2009, a Lei Nacional da Adoção regula a situação das crianças que estão em uma das 2.046 instituições de acolhimento do país. A legislação enfatiza que o Estado deve esgotar todas as possibilidades de reintegração com a família natural antes de a criança ser encaminhada para adoção, o que é visto como o último recurso. A busca pelas famílias e as tentativas de reinserir a criança no seu lar de origem podem levar anos. Juízes, diretores de instituições e outros profissionais que trabalham com adoção criticam essa lentidão e avaliam que a criança perde oportunidades de ganhar um novo lar.

“É um engodo achar que a nova lei privilegia a adoção. Em vez disso, ela estabelece que compete ao Estado promover o saneamento das deficiências que possam existir na família original e a ênfase se sobressai na colocação da criança na sua família biológica. Com isso, a lei acaba privilegiando o interesse dos adultos e não o bem-estar da criança”, avalia o supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, Walter Gomes.

Mas as críticas em relação à legislação não são unânimes. O juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Nicolau Lupianhes Neto avalia que não há equívoco na lei ao insistir na reintegração à família natural. Para ele, a legislação traz muitos avanços e tem ajudado a tornar os processos mais céleres, seguros e transparentes. “Eu penso que deve ser assim [privilegiar a família de origem], porque o primeiro direito que a criança tem é nascer e crescer na sua família natural. Todos nós temos o dever de procurar a todo momento essa permanência na família natural. Somente em último caso, quando não houver mais solução, é que devemos promover a destituição do poder familiar”, defende.

O primeiro passo para que a criança possa ser encaminhada à adoção é a abertura de um processo de destituição do poder familiar, em que os pais poderão perder a guarda do filho. Antes disso, a equipe do abrigo precisa fazer uma busca ativa para incentivar as mães e os pais a visitarem seus filhos, identificar as vulnerabilidades da família e encaminhá-la aos centros de assistência social para tentar reverter as situações de violência ou violação de direitos que retiraram a criança do lar de origem. Relatórios mensais são produzidos e encaminhados às varas da Infância. Se a conclusão for que o ambiente familiar permanece inadequado, a equipe indicará que o menor seja encaminhado para adoção, decisão que caberá finalmente ao juiz.

Walter Gomes critica o que chama de “obsessão” da lei pelos laços sanguíneos. “Essa ênfase acaba demonstrando um certo preconceito que está incrustado na sociedade que é a supervalorização dos laços de sangue. Mas a biologia não gera afeto. A lei acaba traduzindo o preconceito sociocultural que existe em relação à adoção.”

Uma das novidades introduzidas pela lei – e que também contribui para a demora nos processos - é o conceito de família extensa. Na impossibilidade de a criança retornar para os pais, a Justiça deve tentar a reintegração com outros parentes, como avós e tios. Luana* foi encaminhada ao Lar da Criança Padre Cícero quando tinha alguns dias de vida. A menina já completou 6 meses e ainda aguarda a decisão da Justiça, que deverá dar a guarda dela para a avó, que já cuida de três netos. A mãe de Luana, assim como a de vários bebês da instituição, é dependente de crack e não tem condições de criar a filha.

O chefe do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria Pública de São Paulo, Diego Medeiros, considera que o problema não está na lei, mas na incapacidade do Estado em garantir às famílias em situação de vulnerabilidade as condições necessárias para receber a criança de volta. “Como defensoria, entendemos que ela é muito mais do que a Lei da Adoção, mas o fortalecimento da convivência familiar. O texto reproduz em diversos momentos a intenção do legislador de que a prioridade é a criança estar com a família. Temos que questionar, antes de tudo, quais foram os esforços governamentais destinados a fortalecer os vínculos da criança ou adolescentes com a família”, aponta.

Pedro* chegou com poucos dias de vida ao Lar Padre Cícero. A mãe o entregou para adoção junto com uma carta em que deixava clara a impossibilidade de criar o menino e o desejo de que ele fosse acolhido por uma nova família. Mesmo assim, aos 6 meses de vida, Pedro ainda não está habilitado para adoção. Os diretores do abrigo contam que a mãe já foi convocada para dizer, perante o juiz, que não deseja criar o filho, mas o processo continua em tramitação. Na instituição onde Pedro e Luana moram, há oito crianças cadastradas para adoção. Dessas, apenas duas, com graves problemas de saúde, têm menos de 5 anos de idade.

Enquanto juízes, promotores, defensores e diretores de abrigos se esforçam para cumprir as determinações legais em uma corrida contra o tempo, a fila de famílias interessadas em adotar uma criança cresce: são 28 mil pretendentes cadastrados e apenas 5 mil crianças disponíveis (veja infográfico). Para a vice-presidenta do Instituto Brasileiro de Direito da Família, Maria Berenice Dias, os bebês abrigados perdem a primeira infância enquanto a Justiça tenta resolver seus destinos. “Mesmo que eles estejam em instituições onde são super bem cuidados, eles não criam uma identidade de sentir o cheiro, a voz da mãe. Com tantas crianças abrigadas e outras tantas famílias querendo adotar, não se justifica esse descaso. As crianças ficam meses ou anos depositadas em um abrigo tentando construir um vínculo com a família biológica que na verdade nunca existiu”, critica.

 

 

zanuja

Do Balaio do Kotscho.

 

CPI vira circo e está exibindo novas atrações


No grande circo em que se transformou a CPI do Cachoeira em suas cinco primeiras semanas de funcionamento, não se avançou um passo sequer nas investigações já feitas pela Polícia Federal sobre a organização criminosa para esclarecer seus vínculos políticos, empresariais, jurídicos e midiáticos.

A única novidade até agora foi o aparecimento de novas estrelas de CPI, alguns destes tipos que rompem o anonimato e sempre aparecem quando se acendem os refletores da televisão para transmissões ao vivo, com a sala da comissão repleta de jornalistas.

Uma destas atrações é o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado licenciado da Polícia Federal, que está em seu primeiro mandato. Nesta quinta-feira, ele teve seu dia de glória ao bater boca com o relator da CPI, Odair Cunha (PT-SP), e ameaçar sair na porrada com o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que tomou as dores do colega.

fernando ok CPI vira circo e está exibindo novas atrações

Caminhando pela CPI com o peito estufado e o paletó aberto, como se estivesse num "saloon" do velho oeste americano, e pudesse sacar uma arma a qualquer momento, o deputado-delegado partiu para o confronto com o relator, utilizando um linguajar típico de porta de cadeia:

"Quando fala do sr. Agnelo Queiroz, o relator é tchuchuca; quando fala do Marconi Perillo, ele vira o tigrão".

Embora seja do Paraná, o principal objetivo de Francischini desde o início da CPI é denunciar a ligação de Agnelo Queiroz, governador petista de Brasília, com o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Por isso, ele não gostou da insistência do relator em fazer perguntas apenas sobre Perillo, governador tucano de Goiás, ao depoente Wladimir Garcez, um ex-vereador goiano apontado como braço político de Cachoeira.

Adversário de Francischini na política paranaense, Dr. Rosinha, que assim é conhecido por ser um médico bastante franzino, não se levantou da cadeira quando o tucano o desafiou a resolver o problema no tapa.

Graças à turma do deixa disso, que também faz parte de toda CPI, o rebuliço ficou só no bate- boca, com ofensas mútuas. Foi a cena que ganhou mais destaque nos telejornais da noite e na imprensa de papel desta sexta-feira.

Na semana passada, durante o não depoimento de Carlinhos Cachoeira, o deputado já tinha avisado seus seguidores pelo twitter que estava aparecendo ao vivo na televisão. Imperdível...

Correndo por fora entre as atrações mais midiáticas da CPI, está com bom ibope meu velho amigo Miro Teixeira (PDT-RJ), que ganhou espaço ao se apresentar como fervoroso porta-voz dos interesses das grandes empresas de comunicação, em nome da liberdade de imprensa.

Na entonação da voz de locutor, no pentado caprichado e no gesto de colocar e tirar os óculos, está parecendo muito com outro amigo, o Galvão Bueno. De estilo semelhante, o onipresente senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acabou ofuscado pelo seu conterrâneo Francischini, que assumiu no grito o comando da tropa de choque tucana.

Diante deste cenário, a valente senadora Kátia Abreu (PSD-TO) desabafou outro dia: "Senhores, estamos aqui fazendo papel de bobos". Modéstia da senadora. Os bobos somos nós que acreditamos na seriedade desta CPI.

Enquanto isso, mais uma vez era adiada pelo relator Odair Cunha a decisão sobre a convocação dos governadores Agnelo, Perillo e Sérgio Cabral, e a quebra de sigilo da empreiteira Delta. Acordo entre as lideranças dos três maiores partidos na CPI, o PT, o PMDB e o PSDB, deixou para a próxima terça-feira a votação destas questões.

Se estivessem mesmo interessados em levar a sério o trabalho, longe de câmaras e microfones, suas excelências poderiam passar o final de semana trancados na sala-cofre, onde estão guardados a sete chaves os documentos sobre as investigações da PF.

Além do vasto material que lá já estava à disposição dos membros da CPI, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, mandou ontem mais nove DVDs, com cerca de mil horas de conversas gravadas pela PF na Operação Monte Carlo.

Quem se dispõe a ouví-las para, finalmente, dar início às investigações?

 

 

zanuja

De R7.

 

 

Flagrada em gravações, “Musa da CPI” pode ser 
cúmplice do companheiro Carlinhos Cachoeira

Parlamentares já pensam em chamá-la para depor na CPI que investiga jogos ilegais

 

Do R7, com DF Record

 

 

Andressa Mendonça CachoeiraElza Fiúza/ABr

Para senador Randolfe Rodrigues, Andressa (foto) "sabia a fundo" sobre os negócios do marido


 

A “Musa da CPI do Cachoeira”, Andressa Mendonça, pode perder o título e ganhar outro: o de cúmplice de seu companheiro, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o foco das investigações no Congresso que tentam desvendar uma rede de relações que envolvem jogo ilegal com governadores, parlamentares e empresários.

 

Andressa, de 30 anos, roubou a cena na quarta-feira (23), quando seu companheiro foi interrogado na CPI. Com todos os holofotes voltados para si, ela logo ganhou a etiqueta de musa.

Acontece que gravações telefônicas vazadas recentemente mostram que Andressa conhecia bem a rede de negócios ilegais chefiada por Cachoeira. Por essa razão, alguns parlamentares já pensam em tirá-la da passarela para interrogá-la.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) é um deles. Ele afirmou ao DF Record que Andressa “aparece em todas as gravações envolvendo o senhor Cachoeira”.

— E em várias gravações ela sabia a fundo quais eram os negócios do marido. [...] Quem sabe se o que não ouvimos dele, a gente pode ouvir dela?

Para o senador petista Humberto Costa (PE), ela precisa ser ouvida:

— Nada mais justo que ela possa ser objeto de investigação também, ou, na pior das hipóteses, vir aqui para depor como testemunha e tentar desvendar o funcionamento desta investigação.

Em uma das escutas, Cachoeira fala com ela sobre as dificuldades enfrentadas pela organização criminosa depois que a polícia fez uma operação no entorno do Distrito Federal. Ele reclamava das pessoas que usavam policiais para fechar bingos. Para os parlamentares as informações mostrar que ela seria sua cúmplice.

Segundo a advogada de Cachoeira, Dora Cavalcanti, Andressa “não é acusada de nada e não existe nenhuma possibilidade dela falar na comissão”.

 

 

 

zanuja

 Esse pode ser o elo fraco da corrente, acho que deveriam investir nesse caminho.

 

Essa ai,ficará no mesmo bordão- ¨DIREITO CONSTITUCINAL DE PERMANECER CALADO¨.Que tal convocar a EX ESPOSA,que está só aguardando a oportunidade de dar uma resposta ao seu AMOR FERIDO!!!!

 

Isso era mais que previsível. 

 

O casamento coletivo aconteceu na penitenciária Bom Pastor em Recife.

 

Do Vermelho.

Casamento gay em Colônia Penal Feminina entra para história

 

Nesta quinta-feira, 24 de março de 2012, Pernambuco entrou para a história na luta contra o preconceito em relação aos homossexuais no país. A Colônia Penal Feminina do Recife, no Engenho do Meio, foi a primeira unidade prisional de todo o sistema carcerário brasileiro a realizar casamentos homoafetivos. A união estável com efeito civil foi oficializada diante das 700 detentas do presídio, da imprensa e de autoridades que representaram o governo do estado e o município.

 

Casamento coletivo uniu casais homossexuais e heterossexuais / Foto: Helder Tavares/DP


A cerimônia uniu sete casais homoafetivos e sete heterossexuais. A união entre pessoas do mesmo sexo foi legalizada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e prevê os mesmos direitos e deveres do casamento heterossexual. 

Hoje, a Comissão de Direitos Humanos do Senado deu o primeiro passo para adequar ao Código Civil o reconhecimento legal da união gay. O projeto de lei, da senadora Marta Suplicy, reconhece esse tipo de casamento como entidade familiar. O projeto foi encaminhado para análise da Comissão de Constituição e Justiça.

Mércia Ferreira, de 22 anos, e Grace Kelly Negromonte, 27, estão entre as recém-casadas pernambucanas. Elas estão juntas há três anos e cinco meses e ambas estão presas. Mércia por envolvimento no tráfico de drogas e Grace por furto. “Esse casamento é um sonho que tenho desde menina. Já faz uma semana que não consigo dormir direito”, afirmou Mércia, horas antes da cerimônia. 

A noiva, Grace Kelly, também estava nervosa e teve febre emocional. “A gente só casa quando a gente ama. Espero que ela volte para o bom caminho e que deixe as drogas. Nós podemos construir uma família maravilhosa lá fora”, afirmou. É assim, com esperança e amor, que os novos casais esperam reconstruir suas vidas fora do presídio.

Fonte: Diário de Pernambuco.

 

zanuja

Do Blog amigosdopresidentelula.

Bingo! Caminho do dinheiro do 'Deltaduto' já leva a Perillo, Demóstenes e Sandes Júnior

 

Vazou a lista de pagamentos da empresa fantasma Alberto e Pantoja (do esquema Cachoeira).

Ela recebeu mais de R$ 26 milhões da Delta Contruções, e o grosso do dinheiro foi para 29 empresas e pessoas.

O contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva (que está foragido), recebeu o maior valor em sua conta: R$ 7.482.000.

No cruzamento de dados com as doações de campanha registradas no TSE, há fortes evidências de triangulação do dinheiro.


A Delta pagou à empresa "Alberto e Pantoja", que pagou à Midway Internacional Lab R$ 150 mil, que fez duas doações de R$ 150 para a campanha do deputado federal Sandes Junior (PP-GO).

O Auto Posto T 10 de Goiânia recebeu R$ 98.720,00 da mesma conta da Alberto e Pantoja, e doou R$ 32.620,82 para a campanha ao senado do DEM (Demóstenes Torres).

A Rio Vermelho Distribuidora Ltda recebeu R$ 60 mil da Alberto & Pantoja. Aparentemente é parte dos R$ 450 mil doados para a campanha de Marconi Perillo (PSDB), e de R$ 30 mil doados para a campanha para deputada federal da vereadora de Anápolis Miriam Garcia Sampaio Pimenta (PSDB).

 

Isso foi no caixa-1, na prestação de contas oficial das campanhas. Há outras suspeitas as mais diversas a serem apuradas.


A presença destes políticos na rota do dinheiro já era previsível. Surpresa é o que faz na lista de pagamentos de uma empresa tida como fantasma e ligada ao esquema de Cachoeira, o escritório Morais Castilho e Brindeiro, do ex-procurador geral da República no governo FHC, Geraldo Brindeiro.


Isso é apenas uma pequena amostra do que vem por aí. Mas já explica o desespero dos tucanos quando tentaram pautar a CPI para não seguir esse caminho do dinheiro sujo, e desviar a atenção para outras bandas, antes da hora. É coisa de "171" para afastar as investigações da "cena do crime". (Com informações da Coluna Esplanada)


 

zanuja