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Clipping do dia

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Ué? o Bolsa família não é o "bolsa vagabundo" para a direitona pigueana?

 

Cerca de 95% dos alunos do Bolsa Família frequentam a escola regularmente

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/07/16/cerca-de-95-dos-alunos-do-bolsa-familia-frequentam-a-escola-regularmente.htm

 

 

O Brasil caiu tudo isso em apenas um trimestre? 

Link: http://gt.premiumlab.com.br/images/src/otimismo%20e%20pessimismo_%204trim.pdf

Re: Clipping do dia
 

Grande furo do Paulo Henrique Amorim!

Grande furo dos Blogs Progressistas!

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/07/16/extra-73-ligacoes-sobre-e-com-policarpo-jr-a-cpi-vai-comecar/#comment-834749

EXTRA ! 73 LIGAÇÕES 
SOBRE E COM POLICARPO. 
A CPI VAI COMEÇAR !

O Conversa Afiada não editou, cortou ou acrescentou nada ao que recebeu de fonte de confiança.

Conversa Afiada reproduz 73 transcrições de ligações captadas legalmente na Operação Vegas, aquela que o brindeiro Gurgel mandou parar.

Se não tivesse mandado parar, seria possível saber o que o Carlinhos Cachoeira queria falar com o Cerra.

De qualquer forma, é perfeitamente possível imaginar do que se tratava – clique aqui para ler “por que o Carlinhos precisava ir à SP do Cerra”.

Conversa Afiada não editou, cortou ou acrescentou nada ao que recebeu de fonte de confiança.

Chama a atenção a profundidade dos laços que ligam a revista Veja ao crime organizado, aqui representados por Policarpo Júnior, Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira.

Conversa Afiada chama atenção para as múltiplas tentativas dos criminosos e seus representantes no PiG de detonar o José Dirceu.

O que se percebe, com clareza, no vídeo es-pe-ta-cu-lar aqui exibido.

Dessas transcrições se percebe como o crime organizado se organizou desde a gênese do mensalão (o do PT, o que está por provar-se) para atingir José Dirceu e, por extensão, Lula e Dilma.

Leandro Fortes, na Carta Capital desta semana – clique para ler “A tramoia do Naoum – novos detalhes da parceria Veja-Cachoeira para invadir de forma ilegal a privacidade do ex-ministro”, mostra que o crime organizado se organizou com a Veja para trocar as imagens do Hotel Naoum.

Trocar por que mercadoria ?

É o que se percebe, com nitidez, no diálogo republicano de Cachoeira com Dadá, na transcrição # 47. 

Nas conclusões, se verá que esse conjunto de transcrições não encerra o conjunto da obra de Policarpo com os criminosos.

Falta acrescentar a esse espetáculo repugnante o que está na Operação Monte Carlo.

Que o brindeiro Gurgel não conseguiu interromper.

Convém recordar que o Globo defendeu Robert(o) Civita, no histórico editorial “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”.

É pior.

E os mervais globais querem fechar a CPI.

Antes que o Cerra deponha e o Collor volte a discursar.

A propósito: será o Cerra inimputável ??


Paulo Henrique Amorim



 

A seguir, os 73 documentos e as conclusões:



























































































 

 

 

 

16 de Julho de 2012 - 17h21

Greve de eletricitários atinge todo o país

 

Vinte e sete mil eletricitários de todo país cruzaram os braços desde esta segunda-feira (16) para reivindicar reajuste salarial, renovação das concessões das empresas de energia e a revisão na contratação dos trabalhadores. Segundo a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), está havendo terceirização da mão de obra. A adesão à paralisação acontece em todos os estados, com exceção do Tocantins, Ceará, Alagoas e Pernambuco (onde hoje é feriado), que aderem ao movimento na terça-feira (17).

 

Greve dos eletricitarios

Vinte e sete mil eletricitários cruzaram os braços

Vinte e sete mil eletricitários cruzaram os braços desde esta segunda-feira (16) para reivindicar reajuste salarial, renovação das concessões das empresas de energia e a revisão na contratação dos trabalhadores. Segundo a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), muitas contratações estão sendo feitas de forma precária (terceirização).

A categoria, que tem data-base em 1º de Maio, exige 10,73% de aumento, sendo 5,1% de reajuste da inflação do período, 3,47% referente ao crescimento médio do consumo de energia elétrica nos últimos 3 anos, 1,5% de ganho real. Na quarta rodada de negociação, ocorrida na quarta-feira (11), as Centrais Elétricas Brasileias (Eletrobras) ofereceu contraproposta de 5,1%.

“Adiamos a data final do acordo para dar mais tempo à empresa. Fizemos uma greve de advertência, mas agora, a Eletrobras se mostra irredutível. Já solicitamos uma audiência com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para que interceda na negociação. Agora, vamos aguardar”, declarou Fernando pereira, diretor da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU).
A paralisação de advertência, de 72 horas, a qual se referiu o dirigente sindical foi realizada nos dias 4, 5 e 6 de julho.

Há mais de 20 anos a categoria unificada não realizava greve por tempo indeterminado. A paralisação atinge praticamente todo o sistema (exceto Itaipu Binacional, cujos trabalhadores não estão na base da FNU), totalizando 14 empresas. Destas, oito são geradoras de energia (Eletronorte , Eletrosul, Eletronuclear, Chesf, Furnas, Cepel, CGTEE, Eletrobras Eletropar). As distribuidoras são Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Ceron (Rondônia), EletroAcre, Amazonas Energia, Boa Vista Energia (Roraima).
A decisão pela greve foi tomada em assembleias realizadas em todo país. A insatisfação também se dá pela falta de um Plano de Carreira e da divisão dos lucros.

“O balanço de 2011 demonstrou um lucro de R$ 5,7 bilhões. Então, nada mais justo do que repartir esse ganho com os trabalhadores. Também há muitas contratações terceirizadas o que precariza as condições do trabalhador”, completou Fernando Pereira. Segundo ele, a Participação nos Lucros e Resultados varia entre 1,3 salário até 2,5 salários.

O rendimento dos trabalhadores também varia conforme o tempo de casa, entre R$ 1.800 e R$ 30 mil. “Quem ganha mais é uma minoria, que tem formação de nível superior e está concentrado em setores, como na Eletronuclear”, explicou o secretário da FNU.

No final da tarde desta segunda, a Eletrobras divulgou nota afirmando que a greve "está transcorrendo em clima de tranquilidade e respeito entre as empresas e sindicatos."

Ainda de acordo com a nota, as atividades definidas como essenciais estão sendo minimamente preservadas para evitar prejuízos à população e usuários de energia elétrica em geral.

"As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho Nacional foram encerradas em 11/07/2012. A Eletrobras ofereceu um reajuste de 5,1% a ser aplicado aos salários e benefícios, no que couber. Considerando o cenário internacional, com forte impacto sobre a economia do país, a empresa considera a proposta de reposição integral da inflação justa e adequada e espera que os trabalhadores compreendam os limites que se impõem e retornem ao trabalho imediatamente", finaliza o comunicado.

O Ministério das Minas e Energia não confirmou a solicitação de audiência até o fechamento da matéria.

Deborah Moreira
Da redação do Vermelho

 

"Seja realista: exija o impossível"

China construirá maior prédio do mundo em 90 dias

Construção terá 838 metros, 10 metros a mais do que o Burj Khalifa, mais alto edifício, em Dubai
A empresa Broad Sustainable Building (BSB), especializada em prédios pré-fabricados, tentará bater todos os recordes. Além de projetar o maior arranha-céu do mundo na cidade de Changsa, a equipe quer finalizar a sua construção em exatos 90 dias. O Sky City One é à prova de terremotos e dez metros maior do que o Burj Khalifa, o mais alto edifício do mundo, localizado nos Emirados Árabes – e que demorou 20 vezes mais tempo para ser concluído.

Pensado de forma sustentável, o prédio terá 220 andares, 104 elevadores e poderá abrigar mais de 100.000 pessoas ao mesmo tempo. Suas paredes externas de 15 centímetros de espessura e uma vidraça quádrupla permitirão um melhor isolamento, diminuindo em um quinto o gasto com energia. Segundo a CNN, o edifício deverá custar 628 milhões de dólares. O trabalho está previsto para começar em novembro de 2012, mas a aprovação das autoridades chinesas ainda não foi concedida.


 

 

Com 46 horas eles ja constroem 6 andares, por exemplo, e a maior parte do tempo (6 dias) de construcao de um edificio de 15 andares eh tomada por...  acabamento!

So que eu pensei que eles fossem oferecer esse tipo de construcao pro mundo inteiro.  Por enquanto nao o fizeram.  Mas no minuto exato que isso for comprado pelo Brasil as "construtoras" brasileiras caem em desgraca.  Isso, so pra edificios, imagine o que eles conseguem fazer com estradas...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Dilma devia mandar essse video pra alguns empreiteros ehehe!

esqueci o link da matéria, agora vai

http://aepatrimonio.blogspot.com.br/2012/06/china-construira-maior-predi...

 

Da Agencia Brasil

Professores em greve analisam proposta do governo, mas sindicato avalia que greve deve continuar


16/07/2012 - 16h23
 

Amanda Cieglinski e Guilherme Jeronymo
Repórteres da Agência Brasil

Brasília e Rio de Janeiro – A partir de hoje (16) até sexta-feira (21), os professores em greve das universidades federais vão se reunir em assembleia para analisar o novo plano de carreira proposto pelo governo na sexta-feira (13). A avaliação do comando de greve, entretanto, é que a proposta do governo não atende às demandas da categoria  e a orientação é que a paralisação seja mantida e “intensificada”.

Para a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), a proposta apresentada em vez de reestruturar a carreira piorou essa organização. De acordo com o vice-presidente do sindicato, Luiz Henrique Schuch, cálculos feitos pela entidade apontam que no caso de algumas classes o reajuste apresentado pelo governo não representará ganho real.

“O governo fez uma maquiagem. Ele comparou números e valores normais em um intervalo de cinco anos. Pegou, por exemplo, um salário de julho de 2012 e projetou o aumento para 2015 como se em cinco anos não houvesse correção inflacionária no meio”, criticou.

Além dos docentes das universidades federais, também estão em greve os professores dos institutos federais de educação profissional. Em nota, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) avaliou que a proposta apresentada pelo governo é uma “farsa” e criticou o fato de que o reajuste proposto não atinge toda a categoria e será pago de forma parcelada até 2015.

A Andes avalia que o movimento de negociação foi “recém-iniciado” com a apresentação da proposta e a paralisação deve continuar. Uma nova reunião entre o comando de greve e o governo está marcada para a próxima segunda-feira (23), quando serão apresentados ao Ministério do Planejamento o resultado das assembleias.

“A orientação do comando nacional de greve é que os comandos locais discutam a proposta, formulem os seus entendimentos e nos mandem o mais tardar até sexta-feira (20). O comando nacional trabalha os resultados das assembleias locais para que apresentemos uma posição da nossa base no dia 23”, explicou Neli Edith dos Santos, integrante da Andes.

No Rio de Janeiro, por exemplo, estão em greve a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), além da Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) e as unidades do Colégio Pedro II.

Além das assembleias, os professores universitários estariam se mobilizando para fazer um ato em Brasília na próxima quarta-feira (18). Professores do Cefet-RJ e da UFF marcaram reuniões para o dia 17. Na UniRio, UFRRJ e UFRJ, as assembleias serão no dia 19.

Para a professora da UFRRJ e membro do movimento grevista, Gabriela Garcia, a tendência é pelo repúdio à proposta do governo. “A nossa greve não é por uma questão puramente salarial. Nós estamos pedindo carreira, e eles não estão discutindo isso, eles estão acenando para a gente com um reajuste parcelado que a longo prazo vai significar redução salarial para gente”, disse a docente.

Segundo o professor do Cefet-RJ e membro do comando de greve da instituição, Alberto de Lima, os professores devem  recusar a proposta do governo e manter a greve, iniciada em 31 de maio.

Edição: Carolina Pimentel

 

Gilberto .    @Gil17

De Outras Palavras

 

 Letônia: aqui o Fundo Monetário expõe seu projeto

 


Depois do programa elogiado pelo FMI, famílias mudaram-se para antigos barracos de guardar ferramentas

Após “austeridade”, 1/3 dos jovens emigrou, PIB caiu 23%, serviços públicos estão destruídos. Diretora-gerente do FMI elogia: “vocês ensinaram caminho”

Por Andy Robinson | Tradução: Daniela Frabasile

Diante de uma foto gigante das torres medievais e pontes de aço soviético de Riga, Christiane Lagarde dirigia-se a uma sala cheia de executivos e funcionários de roupa cinza. O slogan Letonia: agaisnt all odds (Letônia: contra todos os prognósticos), usado para anunciar a conferência, lembrava um dos filmes de Rambo. E, de fato, a diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) estava na Letônia para alardear que havia cumprido sua missão, três anos depois de assinar um acordo para resgate da economia nacional. “Quem teria imaginado em 2009 que estaríamos aqui celebrando essa conquista, depois de um percurso tão difícil? É um tour de force; ensinaram o caminho para a zona do euro…”.

Por que tantos elogios a um pequeno país pós-soviético de dois milhões de habitantes no mar Báltico, cujo principal produto de exportação é madeira extraída das florestas que existem da capital até a fronteira com a Rússia? Porque “somos a experiência em laboratório da desvalorização interna”, ironizou Serguéo Acupov, ex-assessor do Governo que, depois de conseguir realizar a transição-relâmpago para a economia de mercado, em 1990, parece hoje muito menos convencido pela ideologia do choque rápido e agudo. “Querem um exemplo para Grécia, Portugal.. Espanha”. Por “desvalorização interna”, Acupov refere-se à política de ajustes através de cortes salariais e nos gastos públicos. Ainda que a Letônia não seja membro da zona do euro, recusou-se a desvalorizar sua moeda, o Lat, e se tornou a cobaia da terapia de choque — mais ou menos como o Chile, nos anos que antecederam a chamada revolução neoliberal no Reino Unido e nos Estados Unidos. “Escrevemos um novo capítulo nos livros”, disse um dos participantes da conferência do FMI.

Depois do estouro de sua própria bolha imobiliária e uma crise financeira da dívida, a Letônia firmou, em dezembro de 2008, um acordo de resgate com a União Europeia e o FMI. Em troca de receber créditos de 7,5 bilhões de euros, o governo lançou o maior de todos os ajustes orçamentários, equivalente a 17% do valor de sua economia em apenas dois anos. A Letônia submeteu-se à pior recessão econômica registrada na Europa, igualando-se à Grande Depressão estadunidense. O PIB caiu 23% em dois anos. Os salários despencaram entre 25 e 30%. Enquanto o desemprego aumentava de 5% para 20%, o salário-desemprego foi reduzido a 40 latis (57 euros) por mês. A pobreza alcançou quatro em cada dez famílias, mas a alíquota única do imposto sobre a renda foi eleva (para 25%), passando a incidir até sobre os rendimentos mensais de 60 euros.

Nem mesmo a Grécia aniquilou um quarto de sua economia, como fizeram os letões. Mas agora a desvalorização interna dá seus frutos, segundo argumentam Lagarde e outros que desenharam o ajuste. A Letônia cresce 6% este ano, mais que qualquer outra economia europeia, e eliminou suas dívidas anteriores. Agora, seria um modelo europeu a ser seguido. “Fizemos o que tínhamos que fazer”, disse Ilmars Rimsevics, o severo governador do Banco da Letônia, “eu diria que matamos o touro a unha, mas meus assessores me aconselharam a falar em podar a árvore”, acrescentou com um senso de humor muito letão.

A uns doze quilômetros do centro de Riga, Diana Vasilane entende o que sente alguém ao ser podado, “minha filha mudou-se para Roma há três meses, quando sua empresa, Statoil (da Noruega), cortou seu salário de 600 para 400 lats por mês; meu filho foi para a Suécia; o filho do vizinho para a Austrália; estamos aqui rezando para não vivermos muito porque ninguém irá cuidar de nós”, disse. A revoada de jovens para outros países já havia começado depois da queda do comunismo. Mas desde o início do chamado “resgate” de 2009, este movimento tornou-se uma hemorragia. 10% da população (230 mil, de um total de 2.2 milhões de habitantes) saíram do país. Um em cada três letões com menos de 30 anos se foi, a maioria para nunca voltar.

Até as cidades britânicas mais pobres são destino para letões em busca de trabalho. O voo da Ryanair de Liverpool para Riga ia cheio de jovens leetões que visitavam suas famílias, e todos os voos de volta estavam cheios, na semana passada. Isso soma-se aos graves problemas demográficos na Letôna, devido a uma taxa de fecundidade baixa e uma expectativa de vida reduzida (um problema agravado por um sistema de saúde em crise orçamentária). “A população envelhece rapidamente”, disse o demógrafo Mihail Hazans. Isso “já ameaça o desenvolvimento econômico e a segurança social”.

Os filhos não foram a única parte da vida de Vasilane que foi podada. Há um ano e meio, ela era diretora da ONG Risk Berni (Risckchild.org), que prestava apoio a crianças de famílias marginalizadas (quase todas) do bairro Moscow Worstadt, de etnia russa e em ruínas, no centro de Riga. Moscow Worstadt era antes um distrito industrial da economia soviética. Agora é um foco de prostituição, drogas e atividades ilícitas.

No centro infantil Riska Berni, davam comida a 20 ou 30 crianças por dia e distribuíam roupas. Organizavam atividades – remo no rio, patinação, partidas de futebol – para adolescentes. O estado letão ajudava com 2000 lat (2400 euros) por mês. O hotel Radisson fornecia as sobras de sua cozinha, talvez dos jantares das próprias equipes da União Europeia e FMI que chegavam a Riga, de vez em quando. Mas o mega ajuste também chegou a Riska Berni. O governo podou o subsídio pela metade e Riska Berni fechou no ano passado. “Com tanta emigração, as mães de muitas crianças foram a outros países e muitas das crianças agora vivem com seus irmãos maiores ou seus avós”, disse. Durante uma parada em Moscow Worstadt, um jovem de cabeça raspada entrou em um bar onde homens com cara de poucos amigos tomavam cerveja em silêncio. “Acabei de brigar com um; ele bateu em mim primeiro”, disse. Nas ruas, jovens prostitutas – talvez de 17 ou 18 anos – esperavam.

Exceto Moscow  Worstadt, a crise chama atenção por sua ausência no centro de Riga, visitado por bandos de turistas nórdicos que interrompem seu tour pelas igrejas para tomar sopa de beterraba nas varandas onde um grupo toca Knocking on heaven’s door. Mas no subúrbio, onde vive Diana, as portas não são do paraíso, mas sim de centenas de habitações precárias, onde muitas vezes moram famílias que foram despejadas depois do estouro da bolha imobiliária. “Muitas das casas boas pertencem aos bancos, e seus ex-habitantes acabam aqui”, acrescenta Vasilane enquanto um ônibus sobe uma rua sem asfalto. Entramos em uma urbanização de barracos de madeira que se estende até o rio, muitas delas com lotes cultivados que os novos pobres da Letônia combinam com a pesca para sobreviver. Não tem eletricidade, apesar de temperaturas de — 20º C no inverno. “Nos tempos soviéticos, as pessoas tinham pequenos pomares aqui para os finais de semana com um barracão para guardar as ferramentas” – disse o condutor. Agora as pessoas vivem nos barracões.

Konstance Bondare, de 80 anos, é uma das moradoras do bairro de habitações precárias. Vive em uma cabana de madeira em ruínas, sem luz e sem água, talvez um desses barracões que em tempos soviéticos eram usados para armazenar ferramentas. Konstance diz que veio morar aqui há um ano e meio, depois de ser despejado por um banco que tomou posse de seu apartamento em Riga. Havia avalizado a hipoteca do apartamento que sua filha comprara alguns anos antes;  quando esta perdeu o emprego, o banco apreendeu os dois apartamentos. Assim como um em cada três jovens letões que emigraram desde o início do ajuste, a filha também se mudou. Konstance veio viver aqui com seu cachorro. Ele recebe uma pensão de aproximadamente 180 euros por mês. Vai todos os dias ao rio, buscar água — e diz que bebe. Para a descrença daqueles que a entrevistaram, afirma que paga o aluguel deste barraco de cerca de 12 metros quadrados, mas não diz a quem. “O banco me jogou na rua e me sugeriram envenenar meu cachorro; prefiro envenenar a mim mesma” disse, “olhem como nós letões vivemos em nosso próprio país!”.

Há centenas de habitações como esta neste subúrbio rural de Riga, aberto pelas vítimas do ajuste. Curiosamente, muitas das ruelas entre as habitações têm cadeados anti-roubo. “Temos poucos bens, mas há muitos roubos e temos medo”, disse. Uma senhora da idade de Konstance foi assassinada com um machado há algumas semanas perto daqui. Roubaram sua pensão de mais ou menos 100 euros.

http://www.outraspalavras.net/2012/07/13/letonia-aqui-o-fundo-monetario-...

 

 

Demarchi

Para os entendedores:


Tombe-se -- Uma lista de bens imateriais do Rio

Por Joaquim Ferreira dos Santos*


A prefeitura do Rio tem tombado dúzias de eventos (o lambe-lambe, o partido alto, a Banda de Ipanema) como bens imateriais. Na semana passada foi a vez das torcidas e da cachaça, enquanto os moradores do Flamengo pedem que lhe tombem também o tapioqueiro da Rua Paissandu. A crônica, o mais imaterial dos estilos literários, a própria leveza que se desmancha ao vento que sopra das Cagarras, aproveita o ensejo e, certa de que pegou o espírito da coisa, lista suas prioridades imateriais.


 



  • O aviso de deixa solto, doutor, dado pelo flanelinha.

  • O mergulho na hora do almoço. 

  • O primeiro gole da cachaça, na ponta do balcão, dado para o santo.

  • O braço esquerdo do motorista para fora da janela.

  • A camiseta enrolada acima da barriga para minorar o calor.

  • O grito do puxador da escola avisando para a escola que “A hora é essa!”, seguido pelo rufar dos tambores.

  • Os corações rasgados a canivete na aléia do pau-mulato no Jardim Botânico.

  • O filé a cavalo com dois ovos, o ovo cor de rosa e a caracu com ovo batido no liquidificador.

  • A toalha de São Jorge que encapa o banco do motorista.

  • A plaquinha do “Fale com o motorista somente o indispensável”.

  • O torcedor que fica de costas para o campo na hora em que seu time vai bater o pênalti.

  • O bloco “Vai dar merda”, o “Rola preguiçosa” e os estandartes do “Simpatia é quase amor”.

  • O surdo de primeira da Mangueira.

  • O vento nos pilotis do Palácio Capanema.

  • O grito do verdureiro alertando que freguesa bonita não paga, mas também não leva.

  • O pôr do sol visto do Arpoador.

  • A borboleta amarela, a capivara da Lagoa e os micos nos fios do Cosme Velho.

  • O momento em que o avião da Ponte Aérea, vindo de São Paulo, passa com a asa da direita rente ao Pão de Açúcar, faz a curva e embica sobre o mar na direção do Santos Dumont.

  • As maçãs verdes no lobby do Copacabana Palace.

  • O barulho do pé chutando a areia fina de Ipanema.

  • O perfume da flor da noite na ladeira da Rua Maria Angélica.

  • O momento em que, andando de Ipanema para o Jardim Botânico pela orla da Lagoa, se dá de cara com a parede de morros ao lado do Corcovado.

  • O grito que o comandante do iole a oito dá às seis da manhã no meio da Lagoa e chega à borda da Borges de Medeiros.

  • O requebrado da mulata e o “gostosa” que lhe atira o peão da obra, estirado na calçada, fazendo a sesta.

  • A prancheta do Joel Santana.

  • A agenda de telefones da Ivone Kassu.

  • Xistudo, a pizza com ketchup e a rosquinha de polvilho.

  • O gesto do taxista de começar a corrida passando a mão no terço pregado ao espelho.

  • O “bom descanso” que ao fim da viagem o taxista lhe deseja depois de ter vindo feito um louco pelo Aterro.

  • A corrida de submarino no Morro do Pasmado e o vidro embaçado.

  • O pacote de balas que os ambulantes deixam no retrovisor quando o carro está parado no sinal.

  • O gavião do relógio da Mesbla, a perereca da vizinha e a piada do papagaio fanho.

  • O apito da fábrica de tecidos.

  • A torcida do Flu cantando “A bênção, João de Deus”, a do Fla com o “Tu és time de tradição”, e a rima vascaína de “Ela, ela, ela, silêncio na favela”

  • O montinho de areia que as moças fazem para deitar o rosto e deixar o bumbum ainda mais empinado.

  • O bumbum empinado.

  • O texto dos folhetos das mães ciganas prometendo trazer o amor de volta em três dias.

  • O beijo dos dois lados do rosto, o tapinha nas costas e o falso convite do “aparece lá em casa”

  • O almoço dos sábados com feijoada regada com caipirinha de lima com cachaça.

  • A cantada do “eu te conheço de algum lugar”.

  • O jogo de porrinha e a saída em “lona”.

  • O sotaque chiado, a sandália arrastada e o grito abafado de “isso, Jorge”, “para, Jorge”, que vem do primeiro andar.

  • O PM fazendo a fezinha no bicheiro da esquina.

  • O pão na chapa com pouca manteiga e o café pingado no copo.

  • O canto gregoriano na Igreja de São Bento e o ôôô das cabrochas da Unidos de Lucas.

  • O gesto da moça de acertar a calcinha que lhe adentrou as reentrâncias depois do mergulho.

  • A moça que sente com a ponta do pé a temperatura da água e faz como se tremesse o corpo todo diante de tão fria que ela estava.

  • A corrida que o garotão dá para, sem se importar com a temperatura da água, mergulhar com uma cambalhota.

  • O papo de botequim, a cerveja estupidamente gelada e aquela que matou o guarda.

  • A buzinada no sinal já amarelo, sinal para avisar a quem está na transversal que vai ultrapassar assim mesmo.

  • O vôo coreografado dos biguás.

  • O grito de “a porta tá aberta” e o “dá uma olhadinha nas minhas coisas enquanto eu dou um mergulho”.

  • O “a gente se vê”.

  • O miudinho dançado pelo Paulinho da Viola.

  • A crônica. 

(http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2012/07/16/tombe-se-uma-lista-de-bens-imateriais-do-rio-455688.asp)

 

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1120847-jon-lord-tecladista-do-de...

Jon Lord, tecladista do Deep Purple, morre aos 71

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DE SÃO PAULO

O tecladista Jon Lord, fundador do Deep Purple, morreu nesta segunda (16), aos 71, de embolia pulmonar.

Jon Lord foi um pioneiro na fusão entre rock e erudito

Lord, que também tinha câncer no pâncreas, estava internado numa clínica de Londres, segundo o site da revista "NME"

O músico, que ajudou a criar o Deep Purple em 1968, também participou da composição de músicas que se tornariam clássicos do rock --como "Smoke on the Water" e "Child in Time".

Misturando rock e música clássica, Lord ficaria conhecido também por seu "Concerto For Group And Orchestra", tocado no Royal Albert Hall, de Londres, com o Deep Purple e a Royal Philharmonic Orchestra em 1969, com regência de Malcolm Arnold.

Lord passou por todas as formações da banda até 2002. Uma declaração de seus assessores sobre a morte do tecladista dizia apenas: "Jon passa das Trevas para a Luz".

Ele também trabalhou com as bandas Whitesnake, Paice, Ashton & Lord e The Artwoods.

Em 2009, Lord veio a São Paulo para se apresentar na Virada Cultural. Ele fez o show de abertura do evento, ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência do maestro Rodrigo Carvalho.

CÂNCER

Em agosto de 2011, o músico usou seu site oficial para falar a fãs e amigos que estava com câncer. "Gostaria que todos os meus amigos, seguidores e fãs soubessem que estou lutando contra o cancêr e, por isso, vou pausar minha carreira enquanto faço tratamento em busca da cura", escreveu.

Dizia ainda que continuaria a compor --"no meu mundo, isso deve fazer parte da terapia"-- e que esperava retornar em boa forma neste ano.

Lord era casado com Vickie, irmã gêmea de Jacky Paice, que por sua vez é mulher de Ian Paice, baterista do Deep Purple. O músico deixa duas filhas.

 

Motorista vai pagar pedágio até em trecho urbano de rodovias

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
EDITOR-ADJUNTO DE COTIDIANO

A cobrança eletrônica de pedágio, que o governo de SP vai implantar nas rodovias privatizadas, levará milhões de motoristas a pagar para circular até nos entornos das cidades, onde as estradas são usadas como vias urbanas.

Governo diz que negociará pedágio em 'pontos críticos'
Instalação de chip em carros terá que ser obrigatória

Entre os trechos de tráfego urbano que serão pedagiados estão, por exemplo, aqueles que ligam a capital paulista ao aeroporto de Cumbica (rodovia Ayrton Senna), a São Bernardo (Anchieta) e a Cotia (Raposo Tavares).

Hoje, eles não têm praças de pedágio, mas o deslocamento gratuito vai acabar por conta da instalação dos pórticos ao longo da via, que vão ler chips nos carros para fazer a cobrança.

No teste que está sendo feito na SP-75, entre Indaiatuba e Campinas, há um pórtico a cada 8 km. Com esse intervalo, as vias serão praticamente 100% pedagiadas.

A implantação da cobrança, planejada para 2013 ou 2014, vai depender de um cálculo político difícil para o governador Geraldo Alckmin (PSDB): se, por um lado, o sistema é mais justo e permite reduzir a tarifa, por outro, vai cobrar de muito mais gente.

Nem a Artesp (agência de transportes do Estado) nem as concessionárias sabem quantos usam as rodovias sem pagar. O único estudo feito -e sempre citado como parâmetro- na Dutra, uma via federal, apontou que só 9% dos carros pagam pedágio.

Se o percentual for parecido nas vias estaduais, com o chip, deve multiplicar por dez o número de carros tarifados -foram 790 milhões em 2011.
"O ponto crítico, não tenho dúvida, é quem não paga e passará a pagar", afirma Karla Bertocco Trindade, diretora-geral da Artesp. Para ela, porém, o Estado não pode dizer "você paga e você não". "A questão é: usou, pagou."

Haverá impacto em dois casos: em rodovias que são vias urbanas ou metropolitanas e em ligações entre cidades onde hoje não há cabines.
Na primeira, estão os exemplos acima e outros, como o da rodovia Dom Pedro 1º, que liga Campinas a três shoppings, condomínios, à Unicamp e à PUC Campinas.

Na segunda, os trechos entre São Carlos e Araraquara (Washington Luís) e Limeira e Piracicaba (Anhanguera).

Em todas as rodovias, porém, haverá um "perde e ganha": alguns usuários pagarão menos e outros, que não pagam, passarão a pagar.

Um exemplo claro é a própria SP-75. Entre Indaiatuba e Campinas há uma praça, que cobra R$ 10,10. Com os pórticos, o valor cai para R$ 4. Na via, porém, quem roda entre Indaiatuba e Sorocaba não paga hoje, mas vai pagar.

ROTA DE FUGA

Nos trechos urbanos, um efeito colateral deve ser a criação de "rotas de fuga". "Será um 'problemaço' porque o motorista tentará fazer sua rota por dentro da cidade", diz Horácio Augusto Figueira, consultor em transportes.

Para ele, que é favorável à cobrança por trecho "sob o ponto de vista da justiça", o aumento das rotas de fuga pode ser impedido se o preço por km rodado for baixo.

Ele cita o Rodoanel, que custa R$ 1,50 no trecho oeste. "As pessoas estão fugindo do Rodoanel? Não, cada dia tem mais movimento."

Usuários da rodovia Dom Pedro 1º já criticam a mudança. A pesquisadora da Unicamp Ana Lúcia Pinto mora em Campinas e percorre 13 quilômetros da rodovia para trabalhar todo dia.

"Acho o ponto a ponto justo, mas o uso em trecho urbano, na cidade, não acredito que deva ser cobrado."

O analista de sistemas André Wohlers usa a via duas vezes por semana, entre Campinas e Mogi Mirim. "Não tem justificativa a cobrança atingir áreas urbanas", afirmou.

O pesquisador Antonio Augusto, também da Unicamp, se diz favorável. "O pedágio é um mal necessário. Sou contra o preço abusivo, mas, se for proporcional, acho correto". (Colaborou MARÍLIA ROCHA)

 Editoria de arte/Folhapress 

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1120677-motorista-vai-pagar-pedag...

 

http://www.napracinha.com.br/2012/07/desencontro-com-fatima-bernardes.html

Mães Especiais: Desencontro, com Fátima Bernardes 





Na última quinta-feira (07/07), foi ao ar uma matéria sobre inclusão no programa Encontro, da Fátima Bernardes. A expectativa era grande. Falar sobre inclusão em uma TV aberta, com o prestígio de uma jornalista competente como ela, que atinge milhões de pessoas de todas as classes sociais, é uma chance de ouro para expor os nossos problemas, tocar na ferida da vergonha que é a inclusão nesse país, e chamar a atenção para o fato de que todos ...só têm a ganhar ao conviver com as diferenças.

Bom, é com imenso pesar que digo que fiquei muito decepcionada com o programa. Como jornalista, achei que foi superficial. Faltou, no mínimo, ouvir todos os lados. E como mãe de criança especial, fiquei triste.

 


 Em primeiro lugar, o tema é sério e foi tratado em meio às comemorações e entradas ao vivo de torcedores ainda eufóricos com a conquista da Libertadores do Corinthians na noite anterior. Nada contra os corintianos. Sou casada com um e meus dois filhos fazem parte do "bando de loucos". Mas, as entrevistas e as matérias gravadas sobre o título eram interrompidas toda hora com piadinhas e depoimento das pessoas nas ruas de São Paulo sobre o Timão. Totalmente fora de contexto.

O programa é ao vivo e o minuto na Rede Globo custa muito caro. Sabemos disso. Por isso, as pessoas que fossem escolhidas para falar, tinham de dar um quadro rápido, objetivo e fiel do que é a inclusão no Brasil. Entrevistaram um senhor de um órgão público (não vou citar o nome), que disse com todas as letras que existe sim programas públicos de atendimento a autistas e outras síndromes no Rio de Janeiro. E que os pediatras estão preparados para dar diagnósticos a partir dos 6 meses de idade.

Meu senhor, eu tive de praticamente convencer a pediatra do Luca – na época já com mais de 2 anos e meio de idade –, que ele tinha Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), mesmo com os sintomas gritando na cara dela (hiperatividade, ausência da fala, falta de contato ocular e a atenção de uma borboleta). Fui a cinco neuropediatras e tive três diagnósticos diferentes. (TGD, Autismo e "ausência dos pais, que trabalham fora"). Ainda tive de conviver com a culpa... Engraçado que sempre trabalhei e o meu primeiro filho não apresentou os mesmos sintomas. Ou seja: quem diagnosticou o Luca fui eu!

Meu senhor, temos dois centros especializados no Rio de Janeiro: o Cema, na Av. Presidente Vargas, cuja lista de espera é de 70 crianças, e o Instituto Fernandes Figueiras, da UFRJ, em Botafogo, que já não aceita novos pacientes há mais de dois anos.

 


Ah, temos ONGs sim. Conheço, meu caro senhor, ONGs que cobram quase o valor das sessões normais. Outras são gratuitas, mas exigem que você tenha renda familiar de um salário mínimo! Realmente, quem ganha mais do que R$ 600 por mês já pode pagar todo o tratamento para os seus filhos autistas!

Os profissionais cobram de R$ 70 a R$ 200 por sessão. Os planos de saúde reembolsam, quando reembolsam, R$ 25 para as consultas,e você tem de entrar na justiça para que o número de sessões de terapia não seja limitado a uma por semana, com duração de 30 minutos. Então, meu senhor, não venha me falar que o goveno tem um plano de atendimento para autistas, porque não tem!

Uma criança com TGD, autismo, TDA, síndromes do tipo, precisa de, pelo menos, 15 a 20 horas semanais de terapia - fora a escola -, com fono, terapeuta ocupacional, psicóloga, nutricionista, psicomotrista e alguma intervenção sensorial. É o mínimo. O ideal é que tenha ainda equoterapia, ginástica olímpica, natação, psiquiatra e terapias especializadas como ABA, Floortime, DIR, Son-rise e outros. Tudo isso é gratuito em países como os Estados Unidos e Austrália, por exemplo.

Escolheram uma mãe para falar no programa (não estou criticando a mãe, mas a escolha), que tem uma criança autista hiperléxica, que fala e lê desde os dois anos. Mas, de novo, sem criticar, nem querer comparar a dor de cada um, isso não traduz, nem de longe, o drama da maioria dos autistas e das suas famílias. 80% não falam na primeira infância. Desses, 50% não vão falar nunca se não receberem muito estímulo, aceitação e estiverem em uma escola que os abrace.

A figura do autista que a gente conheceu no filme "Rain Man", que decora a lista telefônica, faz contas absurdas de cabeça e memoriza tudo o que vê pela frente, representa menos de 10% dos casos. Esses são os conhecidos "savants", que têm uma inteligência acima da média.

Fiquei triste, porque o programa reforçou dois estereótipos que a gente luta para acabar: que inclusão é colocar uma criança diferente em salas de 25 alunos e pronto! e que os autistas são pessoas, na verdade, privilegiadas, com uma inteligência fora do normal.

Inclusão poderia sim, ser simples, se vivêssemos em um mundo que tolerasse as diferenças, o que não é verdade. Nossa sociedade discrimina quem é magro demais, gordo demais, preto demais, asiático demais, branco demais, indígena demais, pobre demais, rico demais, feio demais, baixo demais, alto demais....

A culpa não é só do governo. No dia em que pais de crianças neurotípicas se derem conta que o filho dele vai crescer um ser humano mais tolerante, civilizado e melhor se conviver com a diferença desde novo, a inclusão vai acontecer. Quando as escolas se derem conta que os diferentes precisam de currículo adaptado para continuarem acompanhando os colegas, a inclusão vai acontecer. Estamos a centenas de anos disso... Conheço uma mãe que já foi a mais de 70 escolas para incluir seu filho autista de 14 anos que fala, lê, faz conta e escreve, mas não consegue, por exemplo, fazer conta de raiz quadrada, nem escrever com letra cursiva.

 


É muito difícil fazer com que uma criança que veio ao mundo física, emocional e neurologicamente programada para ter dificuldade em aprender e se socializar consiga escrever, ler, falar e entrar numa sala de aula sem surtar. E as pessoas querem que ela só continue na escola se souber fazer raiz quadrada???? É demais, sério... A desculpa das escolas é que se ele usar calculadora, os outro pais vão querer que seus filhos também usem.

Sim, esses pais existem, minha gente. Tem mãe/pai que tira seu filho da escola se ela tem muito menino "esquisito". A entrevistada do Encontro contou que um pai ligou para a casa dela dizendo que não estava gastando um dinheirão com o seu filho para ele conviver com gente "doida". Posso ficar aqui até amanhã contando casos absurdos que eu ouço de outras mães, companheiras de dor e angústia nos meus grupos de discussão na internet e na vida real.

A primeira escola que o Luca frequentou, onde ele ficou seis meses, sugeriu, nas entrelinhas, que eu o medicasse. Medicar uma criança que não tinha nem 3 anos!!! É esse o modelo de inclusão do Brasil. Que manda dopar suas crianças para que elas entrem em sala quietas, mudas, sem falar, sem aprender, sem evoluir....

É por isso que não acredito em inclusão nesse país. A coisa ainda funciona assim, na maioria dos casos: Os pais de filhos neurotípicos fingem que aceitam as diferenças; as professoras fingem que estão preparadas; a escola finge que está confortável com a presença de crianças cujo ensino foge do padrão; o governo finge que tem programas de atendimento gratuitos, e nós, mães e pais especiais, fingimos que não dói ver nossos filhos à margem da educação.

Pensando bem, a Fátima Bernardes não tem culpa do "Desencontro" da última quinta-feira. E falo isso sem ironia. O programa dela foi, na verdade, o retrato da inclusão no Brasil: superficial, cheio de estereótipos e com pouco tempo para discussão, onde o futebol tem mais espaço e investimento que a educação!

 

Forrozeiros fazem NY dançar

 FESTIVAL Pernambucanos tocam forró e prestam tributo a Luiz Gonzaga no Midsummer Night Swing, no Lincoln Center, em Nova Iorque

José Teles

teles@jc.com.br

NOVA IORQUE – “Aqui tem mais forró de verdade do que em Caruaru.” O comentário, de Biliu de Campina, um dos mestres do forró que se apresentaram no Midsummer Night Swing prestando um tributo a Luiz Gonzaga. Com o irrequieto Biliu estiveram no palco Maciel Melo, Walmir Silva e o Quarteto Olinda. Além deles os músicos que acompanharam o trio Maciel, Biliu e Walmir, formado por Juninho (guitarra), Bráulio Araujo (baixo), Bem-Te-Vi (zabumba), Zeca (triângulo), e Beto Hortiz (sanfona), uma parceria entre a Empetur, a Embaixada Brasileira em Nova Iorque e o Lincoln Center.

Na esplanada do Lincoln Center, onde acontece o show, o forró tocou desde cedo com um casal de bailarinos ensinando coreografias da dança à plateia, composta em sua maioria por americanos, mesclada com, naturalmente, brasileiros saudosos de um arrasta-pé. Rolou até uma quadrilha improvisada. Para ver não se pagava, porém para dançar precisava-se pagar US$ 8 para ter acesso à pista de dança, diante do palco, como uma área vip de show no Brasil.

E os americanos estavam mesmo dispostos a dançar, porque na pista havia mais gente do fora dela. Muitos, certamente, influenciados pelas duas páginas e meias que o jornal The New York Times (NYT) abriu para o evento e para a moda de forró que está começando a pegar em Nova Iorque, com pelo menos cinco casas onde se toca e dança os gêneros nordestinos brasileiros.

O Quarteto Olinda abriu o forrobodó para Gonzagão tocando um repertório autoral, de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, e até Edu Lobo (Upa neguinho). O forró rabecado do Quarteto Olinda, que faz uma pequena turnê de seis apresentações nos EUA, agradou ao publico que queria se divertir num começo de uma noite de sexta-feira, independente do aziago 13 que ela carregava. Dançava-se da forma que se achava certo dançar e essa informalidade do forró, prezada pelo artigo no NYT, diferencia-o da salsa e acham jornalistas e músicos como o percussionista brasileiro Mauro Refosco – que já tocou no Recife com sua banda, Forró in the Dark –, que ele tem mais chances de pegar aqui porque danças como a salsa exigem exímios praticantes. O que não é o caso do forró.

Com jeito de hillbilly – caipira americano, louro, barbas brancas, olhos azuis e um inseparável chapéu de couro de abas largas – e uma bolsa a tiracolo, Biliu de Campina levantou a plateia, com seus cocos e rojões, autorais e tomados emprestados ao repertório de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga. Ele tornou a plateia ainda mais animada e arrancou aplausos e assobios quando começou a dançar xaxado. Curioso é que a pouco mais de 100 metros dali – dois auditórios do imenso complexo cultural Lincoln Center – outro público assistia a balé e ópera.

“Depois que o forró chegou no Abril pro Rock/desta vez eu vou tocar em Nova Iorque”, de Forró em Nova Iorque, rojão do habilidoso Walmir Silva, que fez a música durante os ensaio para o show, ainda no Recife. Em 2007, ele com Messias Holanda, Biliu de Campina e Azulão formaram Os Mestres do Forró para o Abril pro Rock, a semente plantada que brotou no Lincoln Center cinco anos depois. O responsável pela programação do Midsummer Night Swing, Bill Braggin disse que o show foi perfeito. E perfeito apesar da chuva que começou a cair quando Maciel Melo adentrou o palco. O já veterano forrozeiro de Iguaraci, no Sertão pernambucano, não escondia que estava nervoso e ao mesmo tempo emocionado: “Cara, tocar forró em Nova Iorque é uma coisa com que a gente não acreditava que fosse um dia acontecer”.

Inaugurando um violão novo, comprado em Nova Iorque (assim como a Gretsch do guitarrista Junior), Maciel Melo, com uma camisa com motivos armoriais (que suscitou brincadeiras: “Vai homenagear Gonzagão ou Ariano?”), ele foi firme num repertório conciso começando com duas autorais, Pelos cantos e Galope, porém quando enveredou pelos clássicos de Luiz Gonzaga (Assum preto, Vem morena, Que nem jiló, Imbalança) começou a chover. E aí entrou the American way, o jeitão americano. Com a pista molhada, os dançarinos tiveram que parar o forrobodó. Por precaução. Se alguém escorrega e sofre algum dano físico, pode vir processo para a instituição. Os americanos obedecem sem reclamar. Mas, não vão embora. Assistem ao show de longe.

Umas três horas depois estão no palco Walmir Silva, Biliu de Campina, Cláudio Rabeca, Maciel Melo e bandas para os números finais do show, que termina com a ida e volta da Asa branca. A primeira de Humberto Teixeira e Gonzagão, a segunda de Gonzagão e Zé Dantas. A volta da Asa branca, não estava no repertório, mas a chuva levou o sanfoneiro Beto Hortiz a emendar o fim de Asa Branca com a introdução de A volta da Asa Branca. Foi uma noite em que o forró lavou a alma com a chuva nova-iorquina. Mais uma vez emocionado, no camarim, Maciel Melo exultou: “Isso vale um abraço companheiro”, citando uma de suas musicas mais conhecidas, Um abraço, com muito chope depois, e com direito até a um petisco de bode americano.

O repórter viajou a convite da do Governo do Estado

 

Eu disse que era isso que tava acontecendo comigo ou nao disse, gente?

http://www.nytimes.com/2012/07/15/us/fda-surveillance-of-scientists-spread-to-outside-critics.html?_r=1&hpw

A autoimportancia de lunaticos de direita eh tamanha que cientistas "esquerdistas" foram grampeados em seus computadores tambem.  Notem a descricao e comparem com o que eu ja contei:

A agencia (FDA), usando assim-chamado software espiao desenhado pra ajudar patroes a monitorar empregados, capturava imagens de tela (essa parte da descricao esta errada) dos computadores do governo sendo usados por 5 cientistas enquanto eles eram usados no trabalho ou em casa.  O software traqueava os teclados deles, interceptava seus emails pessoais, copiava os documentos dos minidrives deles e ate seguia as mensagens  palavra por palavra enquanto elas estavam sendo escritas, os documentos revelam.

Agora voces acreditam?  Espionagem foi terceirizada pros SEUS computadores, viu?  E nao eh so controle de texto nao, eh de som e de imagem tambem.  Seus computadores podem te gravar ate quando estao desligados, como o iPad faz.

Seus computadores sao a maior fonte de espionagem do mundo.  Aconteceu comigo e vai acontecer com voces.  Voces tambem sao terroristas, nao sao?

 

Edit:  por sinal, notem a desconversa:  "computadores do governo" so quer implicar por default que os computadores foram sabotados pra depois serem dados pros cientistas.  Posso falar de cara:  eh mentira deslavada, mas muito timidinha.  TODOS os computadores estao abertos a isso.  TODOS eles.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

O meu monitoramento, por sinal, ja tem 3 anos.  Eu escrevo "uns nigucins" talvez uma vez por ano, e tem 3 anos que ta vazando tudo da minha casa, ja nao posso calcular nada em paz sem ter alguem nas minhas costas em questao de segundos.

E eu pensando que tava doente comprei remedios pra mim e pra minha filha.

Agora caiu tudo no lugar.  Eh, alguem quer saber os sintomas de ser observado?  Pois eh visivel sim, qualquer um bate o olho e ve.  Eh as coceiras.

Nao se esquecam:  eh as coceiras.

Sabem quanto dinheiro eu ja recebi pela minha parte dessa merda toda?  Zero.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

http://www.cartacapital.com.br/politica/fhc-plagiou-intelectuais-banidos-pela-ditadura/

PolíticaGianni CartaNildo Ouriques16.07.2012 08:36‘FHC plagiou intelectuais banidos pela ditadura’78 

Censurado. Ouriques considerou FHC um liberal a serviço dos Estados Unidos. Foto: Débora Klempous

Foram necessários 43 anos para que Subdesenvolvimento e Revolução, do mineiro Ruy Mauro Marini, desse o ar da graça no Brasil. Publicada pela primeira vez no México em 1969, a obra clássica do marxismo brasileiro ganhou edições em diversos países, inclusive naqueles da América Latina a viver sob o jugo de ditaduras. O que nos leva a perguntar: por que tanto tempo para se reconhecer um grande intelectual brasileiro? Marini (1932-1998), presidente da Política Operária (Polop) e autor de Dialética e Dependência, passou 20 anos no exílio a partir do golpe de 1964. Professor no México e no Chile, onde dirigiu o Movimento de Izquierda Revolucionária (MIR), ele não era, é óbvio, bem-vindo pela ditadura brasileira.

Sua obra continuou, porém, a ser censurada durante a chamada “transição democrática”. Nas palavras de Nildo Ouriques, autor da apresentação de Subdesenvolvimento e Revolução(Editora Insular, 2012, 270 págs.), professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina e ex-presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, a hegemonia liberal “monitorada” por Washington queria uma transição isenta de teorias radicais como aquelas de subdesenvolvimento e dependência de Marini.

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Segundo Ouriques, nessa empreitada para marginalizar radicais, Fernando Henrique Cardoso e José Serra serviram à hegemonia liberal e, entre outros feitos, adulteraram um famoso texto de Marini. Na esteira, FHC pegou carona para “formular” a teoria da dependência que o tornou famoso. Subdesenvolvimento e Revolução, iniciativa do Iela-UFSC, inaugura a coleção de livros críticos que serão publicados pela primeira vez no Brasil pela Pátria Grande: Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano.

CartaCapital: Como explicar a popularidade intelectual de Ruy Mauro Marini mundo afora?
Nildo Ouriques: A importância do Marini é teórica e política. Ele tinha rigor teórico, metodológico, e expressava a visão da ortodoxia marxista. Na experiência brasileira, e aqui me refiro ao grande movimento de massas interrompido com a derrubada de João Goulart em 1964, ele polemizou a tese socialista chilena no sentido de afirmar os limites da transição pacífica ao socialismo. Soube usar a pista deixada por André Gunder Frank do desenvolvimento do subdesenvolvimento e fez a melhor crítica aos postulados estruturalistas dos cepalinos. Fernando Henrique Cardoso, José Serra e em parte Maria da Conceição Tavares divulgavam o debate sobre a dependência como se não fosse possível haver desenvolvimento no Brasil. Para Marini, haveria desenvolvimento, mas seria o desenvolvimento do subdesenvolvimento. A tese de Frank tinha consistência, mas não estava sustentada plenamente na concepção marxista. Marini, por meio da dialética da dependência, deu acabamento para a tese que é insuperável até hoje. Daí a repercussão do seu trabalho na Itália, França, Alemanha, sobretudo nos demais países latino-americanos, inclusive aqueles submetidos a ditaduras, com exceção do Brasil.

CC: O senhor escreveu na introdução do livro que a teoria da dependência de Fernando Henrique Cardoso foi influenciada pela hegemonia liberal burguesa.
NO: Indiscutivelmente. Os fatos agora demonstram claramente que FHC estava a favor de um projeto de Washington de conter movimentos intelectuais radicais no Brasil. Uma das metas de Fernando Henrique e José Serra era minar o terreno de radicais como Marini. Em 1978, Fernando Henrique e Serra, que havia ganhado uma bolsa nos Estados Unidos, passaram, na volta ao Brasil, pelo México. Marini dirigia a Revista Mexicana de Sociologia (RMS), da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam). Eles deixaram um texto de crítica ao Marini, As Desventuras da Dialética da Dependência, assinado por ambos. Marini disse que publicaria o texto desde que na mesma edição da RMS de 1978 constasse uma resposta crítica de sua autoria. FHC e Serra concordaram. E assim foi feito. Em 1979, FHC e Serra publicaram As Desventuras nos Cadernos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) número 23. A dupla desrespeitou a prática editorial que Marini lhes reservou no México. Em suma, a resposta de Marini não foi publicada aqui.


Após 43 anos. O livro de Marini, censurado durante a "transição democrática" chega enfim ao Brasil

CC: FHC e Serra teriam adulterado o texto por eles assinado ao se referir a um conceito econômico de Marini.
NO: Alteraram um conceito fundamental na teoria de Marini: o da economia exportadora. Marini previa a redução do mercado interno e a apologia da economia exportadora no Brasil. Segundo ele, com a superexploração da força de trabalho não há salário e mercado interno para garantir a reprodução ampliada do capital de maneira permanente. A veloz tendência da expansão das empresas brasileiras força-as a sair do País, e no exterior elas encontram outras burguesias ultracompetitivas. Fernando Henrique e Serra mudaram o conceito de “economia exportadora” e substituíram por “economia agroexportadora” no texto publicado pelo Cebrap. Marini falava que o Brasil exportaria produtos industriais, inclusive aviões, como de fato exportamos. Mas isso não muda nada. A tendência da economia exportadora implica a drástica limitação do mercado interno. FHC e Serra queriam levantar a hipótese de que Marini não previa a possibilidade de o Brasil se industrializar. Em suma, Marini seria, segundo FHC e Serra, o autor da tese de que no Brasil se estava criando uma economia agroexportadora. Essa adulteração do texto numa questão tão central não ocorre por acaso.

CC: Mas FHC, apesar disso, é tido como o pai da teoria da dependência.
NO: É rigorosamente falso e irônico. Ele e Serra tinham a meta de bloquear essa tendência mais radical, mais ortodoxa, mais rigorosa do ponto de vista analítico de, entre outros, Marini, e pegaram carona. Daí a astúcia, no interior do debate mais importante na área de Ciências Sociais na América Latina: o da teoria da dependência. E nesse contexto se apresentaram como os pais da famosa teoria, especialmente FHC, quando em parceria com Enzo Falleto publica Dependência e Desenvolvimento na América Latina. À época, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) já não tinha condições para defender seus projetos teórico e político, e eles se apresentam como interlocutores nesse debate. Visavam por um lado recuperar as posições cepalinas e de outro evitar o radicalismo político. E foram exitosos, turbinados pelas elites nacional e internacional favoráveis a um projeto de transição lenta, gradual e segura. Um projeto dessa natureza precisa ter uma direita clássica, fascista etc., e também uma versão liberal na qual se encaixa Fernando Henrique Cardoso.

CC: E o que ele representava?
NO: De fato, ele encabeçou a oposição liberal à ditadura. Tornou-se suplente de senador de Franco Montoro e logo em seguida com a eleição deste para o governo do estado se transformou no grande modelo de intelectual político “dentro da ordem”, para usar uma feliz expressão de Florestan Fernandes. Não é um movimento fútil o de FHC. Ele percebe a política do Partido Democrático em Washington, no sentido de democratizar o Brasil, percebe o movimento da elite empresarial em São Paulo por meio do manifesto de 1977 contra o gigantismo estatal e percebe o movimento de massa pelo crescimento do MDB. E assim teve uma brilhante carreira política. Idem o Serra, para falar de políticos mais notórios. E conseguiram produzir numerosos intelectuais no mundo universitário, exceto a intelectualidade que estava mais presa a um novo sindicalismo e ao petismo.

CC: O FHC parece não ter muita credibilidade no mundo acadêmico.
NO: Ele não tem uma obra. Fernando Henrique é no máximo um polemista no interior de um debate acadêmico (dependência) no qual ele não era a figura principal. Mas cumpriu o papel decisivo no sentido de bloquear, coisa que fez com certa eficácia, as correntes mais vitais desse debate. Teve êxito especialmente com a obra de Marini, mas também com livros muito importantes de Theotonio dos Santos, Imperialismo e Dependência, ou Socialismo ou Fascismo, o Novo Dilema Latino-Americano, este publicado até em chinês, mas jamais no Brasil.

CC: Marini concordaria com o senhor que o discurso sobre a nova classe média é uma forma de legitimar o subdesenvolvimento no Brasil?
NO: Completamente. Esse debate esconde algo fundamental, a gigantesca concentração de renda. Enquanto se fala na ascensão da classe média, a pobreza é muito maior: 76% da população economicamente ativa vive com até três salários mínimos, 1,5 mil reais. Ou seja, nem sequer alcançam o salário mínimo do Dieese. Com meu salário de professor em greve (por aumento salarial), pertenço aos 24% mais ricos da sociedade, ao lado do Eike Batista.

CC: Mas, de fato, Lula elevou o nível de vida de milhões de brasileiros.
NO: Lula fez política social. O problema de Fernando Henrique e José Serra é que eles odeiam o povo. FHC não tinha uma política social para o País. Mas política social não traz emprego e renda. Num país subdesenvolvido, inclusive numa estratégia revolucionária, é preciso ter programas emergenciais. A estratégia da erradicação da pobreza de Dilma Rousseff não pode ser realizada exclusivamente com política social. O petismo está mostrando seus limites porque terá de confrontar o poder, o prestígio social e a elite. Se não enfrentar tudo isso, será devorado.

 

Matéria interessante e bastante oportuna sobre a crise política evidenciada pela CPI do Cachooeira e a necessidade de uma reforma política. Publicada em DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO n.º 72, revista mensal de informações e debates do IPEA.

Crise e reforma políticaImprimir

Foto: Dreamstime

Marcel Gomes - de São Paulo

Mudanças nas regras do sistema político brasileiro geralmente acontecem no bojo de crises. Propostas de combate à corrupção, de regulamentação do lobby, para o financiamento público de campanha e outras são objeto de polêmica no Congresso. Mas eleições no Parlamento do Mercosul podem servir de teste para novas ideias

A revelação de negócios suspeitos entre o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e políticos de alto escalão da República puseram foco sobre o projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional, em especial o capítulo sobre financiamento público de campanha. É sabido, porém, que a falta de consenso entre os parlamentares dificulta a aprovação da proposta no curto prazo.

Isso não significa que as próximas eleições e, em especial, as de 2014, ocorrerão sob as mesmas regras do passado. Analistas que acompanham o dia a dia de Brasília avaliam que os pleitos futuros já devem ser afetados por uma série de novas leis com potencial para elevar a qualidade da vida política no país.

FICHA LIMPA em cena A maior novidade é a Lei da Ficha Limpa, como ficou conhecido o projeto 135/2010, oriundo de uma mobilização popular que reuniu 1,3 milhões de assinaturas. Com validade derrubada pelo Supremo Tribunal Federal para o processo eleitoral de 2010, a norma que barra por oito anos políticos que renunciaram a mandato para fugir da cassação ou condenados em decisão colegiada da Justiça, funcionará para valer neste ano.

O ex-senador Joaquim Roriz (PSC-DF) e o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octávio (ex-DEM) são exemplos de políticos que renunciaram ao mandato para fugir de possíveis cassações. Com isso, devem ter suas candidaturas indeferidas caso desejem disputar as eleições no segundo semestre. Já o ex-prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (DEM-PR) e o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) foram condenados em tribunais superiores por irregularidades cometidas no exercício do mandato – dessa forma, também estariam fora do jogo eleitoral.

A Ficha Limpa não é a única mudança que afetará a disputa de 2012. Espera-se que a Lei Geral de Acesso à Informação, sancionada em novembro pela presidenta Dilma Rousseff, também traga efeitos positivos. A regra torna mais transparentes as atividades de funcionários e mandatários dos três poderes e os gastos executados por eles. Isso permitiria ao eleitor, durante processo eleitoral, levantar mais informações para fazer suas escolhas.

“São mudanças que dão um passo importante rumo à higienização da política”, afirma o analista Antônio de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Defensor da tese de que avanços legislativos pontuais podem tornar mais claras as regras das disputas, mesmo na ausência de uma reforma ampla, Queiroz alerta que é necessária a aprovação de outros projetos em debate no Legislativo. Trata-se, por exemplo, da lei sobre conflito de interesses no serviço público, da lei que pune corruptores e da regulamentação do lobby.

Foto: Divulgação 

“As campanhas do
sistema atual [privado]
incentivam as redes de corrupção,
por meio de superfaturamento
de obras, tráfico de influência e
licitações dirigidas, que
terminam sendo pagas
pela população”

Henrique Fontana,
deputado federal (PT-RS)

CONFLITOS DE INTERESSES O projeto de lei 7528/2006, que combate o conflito de interesse no serviço público federal, foi aprovado em abril pela Câmara. Essa iniciativa gestada na Controladoria Geral da União (CGU) eleva de quatro para seis meses o período de quarentena para os que deixam a função pública, além de estabelecer situações em que há conflito de interesses nas atividades do poder executivo federal.

Entre outras iniciativas, ficam vedadas a divulgação de informação privilegiada, o exercício de atividade junto à empresa que tenha interesse em decisão do órgão em que está alocado o servidor e o desempenho de atividade de intermediário de interesses privados junto a qualquer órgão do executivo. O texto da lei também estabelece punições, que vão de processos por improbidade administrativa até a demissão.

CORRUPTOS E CORRUPTORES Se aquela proposta busca tornar o serviço público mais eficiente e transparente, há uma que deseja atingir a outra ponta, ou seja, o empresário que mantém relações com o poder público. Também apresentado pelo governo federal, o projeto de lei 6826/2012, conhecido como Lei Anticorrupção, visa punir o agente corruptor privado e garantir o ressarcimento ao Estado no caso de ilegalidade cometida.

Elaborado no âmbito da CGU, o projeto parte da premissa que é muito difícil punir pessoas e empresas corruptoras na justiça e que uma alternativa eficaz seriam sanções administrativas. Em caso de condenação em processo civil e administrativo, a empresa teria de pagar até 20% de seu faturamento bruto no ano anterior, além de ressarcir os cofres públicos do prejuízo causado.

O texto original do governo determinava multa de até 30%, mas esse patamar foi reduzido diante de pressão de entidades empresariais. Caso um servidor público responsável por determinado contrato condicionar sua efetivação ao pagamento de propina, a empresa poderá ter atenuantes em sua possível penalização. Para ser benefi ciada, porém, o ente privado precisará comprovar claramente a coação.

Foto: MinC.Nordeste

A regulamentação do lobby é tema de diversos projetos de lei no Congresso. A primeira iniciativa sobre o tema foi apresentada em 1989 pelo então senador Marco Maciel (PFL-PE). Aprovada no Senado, em 1990, o texto seguiu para a Câmara e jamais foi votado

REGULAMENTAÇÃO DO LOBBYMais distante de tornar-se lei, apesar de debatida há mais de vinte anos no Congresso, a regulamentação do lobby é tema de diversos projetos de lei. A primeira iniciativa sobre o tema foi o PLS 203/1989, do senador Marco Maciel (DEM-PE). Aprovada no Senado, em 1990, o texto seguiu para a Câmara e jamais foi votado.

Desde então, várias formulações foram apresentadas, como a do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que, com o PL 1.202/07, procura estabelecer limites para as atividades de representantes de organizações privadas no executivo e no legislativo. O lobby é regulado nos Estados Unidos e em países europeus. No Brasil, é um serviço oferecido por empresas especializadas, mas que ainda operam sob frágil controle e transparência.

REFORMA AMPLA? Todas essas propostas correm em paralelo aos debates da comissão especial que há mais de um ano discute uma reforma política ampla no país. O relator do projeto, deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), apresentou em março último uma quinta versão para seu texto, acatando sugestões dos mais variados partidos. Entretanto, a votação ainda não ocorreu.

O principal pilar da proposta de Fontana é o financiamento 100% público das campanhas eleitorais, um modelo que, para ele, ajudaria a preservar a “autonomia dos mandatos”. “As campanhas do sistema atual [ com financiamento privado] incentivam as redes de corrupção, por meio de superfaturamento de obras, tráfico de influência e licitações dirigidas, que terminam sendo pagas pela população”, disse o parlamentar, em discurso na tribuna da Câmara.

A “deixa” utilizada pelo deputado petista era justamente o escândalo envolvendo o empresário Carlinhos Cachoeira, que teria bancado campanhas de vários políticos. Ainda que Fontana não convença seus pares a votar a reforma política ao menos na comissão especial, não há como negar que ele soube reconhecer uma oportunidade. De acordo com analista César Alexandre Tomaz de Carvalho, da consultoria CAC, baseada em Brasília, as mudanças no sistema político brasileiro têm sido impulsionadas por escândalos, ao menos no período mais recente.

A publicação analisa o impacto das propostas emdiscussão sobre a eleição direta para o Parlasul, prevista para 2014

“As propostas de fidelidade partidária e da ficha limpa ganharam força após crises. Dependendo de como se desenvolver a atual crise política, a ideia do financiamento público de campanha pode avançar”, arrisca o cientista político. Esse modelo também ajudaria a baratear o custo das campanhas, que teriam alcançado R$ 3,2 bilhões na corrida presidencial de 2010. Nos bastidores, fala-se em até R$ 5 bilhões, caso se considere o ilegal “caixa dois”.

“O povo brasileiro paga as campanhas caríssimas. Quando o financiamento se dá de forma legal, o patrocinador embute o valor doado no preço dos produtos que a população adquire como consumidora”, explica o deputado Fontana. Com o financiamento público, os partidos teriam de se adequar a orçamentos menores e mais igualitários, equilibrando as disputas, coibindo o abuso de poder econômico.

PEDRAS NO CAMINHO Mas há pedras no caminho do financiamento público. Segundo Antônio de Queiroz, do Diap, o uso de tais recursos dificilmente ganharia corações e mentes da opinião pública, em especial da classe média. “Ela avalia que o Brasil é um país corrupto, mas não aceitaria usar dinheiro público nas candidaturas”, diz ele.

Queiroz enumera outras dificuldades. O financiamento público tornaria mais complicada a eleição de muitos congressistas diretamente responsáveis por avaliar a reforma. “É difícil acreditar que eles colocariam em risco sua sobrevivência política”, prevê ele. Assim, a aprovação de alguma modalidade de uso de recursos públicos em campanha dependeria de “generosas regras de transição”, que possivelmente manteriam as eleições de 2012 e 2014 sob financiamento privado.

Por fim, há a questão dos prazos. Com o princípio de que nada se mexe na legislação eleitoral um ano antes do pleito norteando a justiça brasileira, a disputa de 2012 ocorrerá sob financiamento privado. E, ainda que esteja mais distante, deve ocorrer o mesmo com 2014. De acordo com Carvalho, da CAC, o Congresso não deverá votar mais nada relevante neste ano, pois os parlamentares estarão envolvidos com as eleições municipais. Em 2013, um ano não eleitoral, deputados e senadores teriam apenas até outubro para decidir sobre a matéria, se quiserem que ela valha para a disputa de 2014. É pouco tempo.

 

 Foto: Divulgação

“Seria um bom
experimento para a
discussão sobre reforma
política. As propostas para as
eleições do Parlasul seriam bons
experimentos para a discussão
sobre reforma política”

Antônio Lassance,
diretor técnico da Diretoria de
Estudos e Políticas de Estado (Diest-Ipea)

REGRAS NO PARLASUL Uma rota menos acidentada para as definições sobre a reforma política no Brasil foi aventada pelo Ipea. O Instituto apresentou em abril o Comunicado 143, denominado “Parlamento do Mercosul: Análise das propostas de eleição direta em discussão no Congresso Nacional”. O trabalho analisa o impacto das propostas em discussão no obre a eleição direta para o Parlasul, prevista para 2014.

Segundo o Protocolo Constitutivo do Parlasul, assinado em dezembro de 2005 pelos países do bloco, os parlamentares deverão ser eleitos pelo voto universal, em eleições majoritárias realizadas em cada país. O Brasil terá 74 cadeiras. Uma das questões levantadas pelo Ipea é que os projetos sobre essas eleições que tramitam no Congresso prevêem inovações que, na prática, poderão servir de testes para as próprias disputas nacionais.

O projeto de lei 5279/2009, dos deputados Carlos Zarattini e Doutor Rosinha (PT-PR), e o projeto 126/2011, do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), estão em debate. De acordo com Antônio Lassance, diretor adjunto da Diretoria de Estudos e Políticas de Estado (Diest-Ipea), questões como o financiamento público são consensuais em relação ao Parlasul. Com isso, se essas eleições correrem com tranquilidade, o país poderia testar suas regras internamente. “Seria um bom experimento para a discussão sobre reforma política”, disse o técnico no lançamento do Comunicado.

http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2758:catid=28&Itemid=23

 

Rede social para evangélicos vai arrecadar dízimo para igrejas, por Paulo Lopes, em seu blog

A rede social Fé em Jesus, só para evangélicos, vai arrecadar dízimo para as igrejas, além de vender bíblias e CDs.

Apelidada de Jesusbook, a rede será lançada amanhã (14), dia em São Paulo da Marcha para Jesus, no endereço www.feemjesus.com.br

O seu proprietário é o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele informou ter a expectativa de que a rede obtenha pelo menos 3 milhões de adesões. “Seremos a maior audiência evangélica do país”, disse à Folha de S.Paulo. 

O gasto anual de manutenção da rede está orçado em R$ 2 milhões. Inicialmente, o Jesusbook conta com dois patrocinadores (ainda não revelados), mas Cunha afirmou que o grosso da receita tende a vir da venda de publicidade. 

A rede diz ser “uma iniciativa de um grupo de cristãos que acredita na transformação do Brasil”. Cunha informou ter convidado lideranças evangélicas de várias denominações para integrar um conselho editorial. 

A seção de notícias da rede já está no ar e alguns de seus destaques são “Kit gay disfarçado entra nas escolas com o apoio do governo”, “OAB garante em parecer o direito de psicóloga de expressar sua fé em Cristo” e “Novo Código Penal traz mudanças polêmicas, como ampliação do aborto legal”.

deputado Eduardo CunhaO dono do Jesusbook responde a 7 processosO deputado Eduardo Cunha (foto) responde a dois inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal). O 2984/2010 apura uso de documentação falsa e o 3056 se refere a crimes contra a ordem tributária.

No Tribunal Regional da Primeira Região ele é réu no processo 0031294-51.2004.4.01.3400. Trata-se de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual. 

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ele é alvo do processo 0026321-60.2006.8.19.0001, que trata de improbidade administrativa. 

No Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro ele responde ao processo 59664.2011.619.0000, que se refere à captação ilícita de sufrágio. No mesmo tribunal ele é réu no processo 9488.2010.619.0153 sob a acusação de abuso de poder econômico em campanha eleitoral. 

No Tribunal Superior Eleitoral, ele também responde por captação ilícita de sufrágio, no processo 707/2007

Cunha é fiel da Igreja Sara Nossa Terra e autor do polêmico projeto de lei 7382/2010, elaborado com o propósito de proteger os heterossexuais contra discriminação.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/07/jesusbook-arrecadara-dizimo-para-igrejas.html#ixzz20n268MAH 

 

Pequeno computador quad-core ARM Linux / Android fornece processamento sério por US $ 129

 

Tiny quad-core ARM Linux/Android computer delivers serious power for $129

 

O minúsculo computador de $35 Raspberry Pi desencadeou uma onda de demanda por minúsculos computadores Linux no início deste ano. Mas um fabricante de hardware coreano chamado Hardkernel está a lançar uma placa de computador high-end que mede apenas 3,5 polegadas. A nova placa poderia ser outro favorito entre os usuários entusiastas de computadores.

 

O novo Odroid-X tem um Samsung Exynos quad-core baseado em ARM, que roda a 1,4 gigahertz,  unidade de processamento gráfico, 1 gigabyte de memória, seis portas USB, um adaptador Ethernet, entrada para microfone e fone de ouvido, e um slot para cartão SDHC de memória para armazenamento.

 

Tem quatro vezes mais RAM do que Raspberry Pi. A placa Hardkernel usa o núcleo Cortex-A9 da ARM, baseado na arquitetura ARM7, pode correr a última versão do Ubuntu Linux, bem como o sistema operacional Android.

 

http://venturebeat.com/2012/07/15/tiny-quad-core-arm-linuxandroid-comput...

  

 

LÍDER TUCANO AMENIZA O TOM COM CORRELIGIONÁRIO PARA EVITAR FOGO AMIGO

Se o líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, Floriano Pesaro, já andou se estranhando com correligionários por causa de alguns rumos que o partido tomou até aqui na eleição municipal, agora prefere adotar tom ameno e evitar o fogo amigo.

Pesaro chegou a dizer que José Aníbal trabalha para que José Serra perca a eleição.

Na mesma moeda, o secretário estadual de Energia rebateu chamando o líder tucano de “pau mandado”.

– É triste, fico chateado. Fica meio como refugo. Ou você está dentro, ou está fora. Não quero ficar batendo boca pelo jornal não — disse Pesaro.

Notas relacionadas:

  1. Líder tucano diz que discussão sobre coligações proporcionais faz PSDB jogar contra si
  2. “Coligação proporcional não é uma vontade, é uma necessidade”, diz líder tucano contrário à união da chapa de vereadores
  3. Líder tucano faz as contas e prevê disputa interna violenta no chapão de vereadores pró-Serra
 

 

Motorista vai pagar pedágio até em trecho urbano de rodovias

 

 

 

 

 

 

 

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
EDITOR-ADJUNTO DE COTIDIANO

A cobrança eletrônica de pedágio, que o governo de SP vai implantar nas rodovias privatizadas, levará milhões de motoristas a pagar para circular até nos entornos das cidades, onde as estradas são usadas como vias urbanas.

 

Entre os trechos de tráfego urbano que serão pedagiados estão, por exemplo, aqueles que ligam a capital paulista ao aeroporto de Cumbica (rodovia Ayrton Senna), a São Bernardo (Anchieta) e a Cotia (Raposo Tavares).

 

Hoje, eles não têm praças de pedágio, mas o deslocamento gratuito vai acabar por conta da instalação dos pórticos ao longo da via, que vão ler chips nos carros para fazer a cobrança.

 

No teste que está sendo feito na SP-75, entre Indaiatuba e Campinas, há um pórtico a cada 8 km. Com esse intervalo, as vias serão praticamente 100% pedagiadas.

 

A implantação da cobrança, planejada para 2013 ou 2014, vai depender de um cálculo político difícil para o governador Geraldo Alckmin (PSDB): se, por um lado, o sistema é mais justo e permite reduzir a tarifa, por outro, vai cobrar de muito mais gente.

 

Nem a Artesp (agência de transportes do Estado) nem as concessionárias sabem quantos usam as rodovias sem pagar. O único estudo feito -e sempre citado como parâmetro- na Dutra, uma via federal, apontou que só 9% dos carros pagam pedágio.

 

Se o percentual for parecido nas vias estaduais, com o chip, deve multiplicar por dez o número de carros tarifados -foram 790 milhões em 2011.
"O ponto crítico, não tenho dúvida, é quem não paga e passará a pagar", afirma Karla Bertocco Trindade, diretora-geral da Artesp. Para ela, porém, o Estado não pode dizer "você paga e você não". "A questão é: usou, pagou."

 

Haverá impacto em dois casos: em rodovias que são vias urbanas ou metropolitanas e em ligações entre cidades onde hoje não há cabines.
Na primeira, estão os exemplos acima e outros, como o da rodovia Dom Pedro 1º, que liga Campinas a três shoppings, condomínios, à Unicamp e à PUC Campinas.

 

Na segunda, os trechos entre São Carlos e Araraquara (Washington Luís) e Limeira e Piracicaba (Anhanguera).

 

Em todas as rodovias, porém, haverá um "perde e ganha": alguns usuários pagarão menos e outros, que não pagam, passarão a pagar.

 

Um exemplo claro é a própria SP-75. Entre Indaiatuba e Campinas há uma praça, que cobra R$ 10,10. Com os pórticos, o valor cai para R$ 4. Na via, porém, quem roda entre Indaiatuba e Sorocaba não paga hoje, mas vai pagar.

 

ROTA DE FUGA

 

Nos trechos urbanos, um efeito colateral deve ser a criação de "rotas de fuga". "Será um 'problemaço' porque o motorista tentará fazer sua rota por dentro da cidade", diz Horácio Augusto Figueira, consultor em transportes.

 

Para ele, que é favorável à cobrança por trecho "sob o ponto de vista da justiça", o aumento das rotas de fuga pode ser impedido se o preço por km rodado for baixo.

 

Ele cita o Rodoanel, que custa R$ 1,50 no trecho oeste. "As pessoas estão fugindo do Rodoanel? Não, cada dia tem mais movimento."

 

Usuários da rodovia Dom Pedro 1º já criticam a mudança. A pesquisadora da Unicamp Ana Lúcia Pinto mora em Campinas e percorre 13 quilômetros da rodovia para trabalhar todo dia.

 

"Acho o ponto a ponto justo, mas o uso em trecho urbano, na cidade, não acredito que deva ser cobrado."

 

O analista de sistemas André Wohlers usa a via duas vezes por semana, entre Campinas e Mogi Mirim. "Não tem justificativa a cobrança atingir áreas urbanas", afirmou.

 

O pesquisador Antonio Augusto, também da Unicamp, se diz favorável. "O pedágio é um mal necessário. Sou contra o preço abusivo, mas, se for proporcional, acho correto". (Colaborou MARÍLIA ROCHA)

 

 Editoria de arte/Folhapress 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1120677-motorista-vai-pagar-pedagio-ate-em-trecho-urbano-de-rodovias.shtml

 

Nassif, apareceu a Margarida!

Gilmar Mendes em dia de pecuarista, por José Augusto, no Amigos do Presidente Lula

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desfilou na tarde de sábado (14) em Cuiabá, pelo Parque da Acrimat, na 48ª Exposição agropecuária.

Gilmar almoçou na sede do Cavalo Pantaneiro, ao lado do presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires de Miranda, filiado ao DEM e cunhado do senador Jayme Campos (DEM-MT).

Pires de Miranda, além de pecuarista, também é empreiteiro e foi preso na Operação Pacenas da Polícia Federal, realizada em agosto de 2009, devido a acusações de fraudes em obras do PAC de Cuiabá e Várzea Grande.

Mendes justificou a visita: “Minha família tem propriedade rural em Diamantino [Norte de MT] e criamos gado nelore”. (Com informações do MidiaNews)http:://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com

 

Blog do IV AVATAR

Rede vai vender calçados brasileiros de luxo na China

 

Preços dos pares serão de US$ 150 a US$ 900; 1ª loja abre em setembro.
Expectativa é abrir 30 unidades em 3 anos e vender 100 mil pares ao ano.

Até o começo do ano passado, a empresária chinesa Giulia Zhu, de 31 anos, enxergava o Brasil apenas como a terra do futebol e do carnaval. Após visitar uma feira do setor calçadista nacional em Xangai, ela descobriu que os brasileiros são bons, também, em fabricar sapatos. E, em setembro ela inaugura, na cidade de Jinan, província de Shandong, a primeira loja da rede de calçados brasileiros de alto valor agregado que acaba de criar na China, com o nome de Veggi Fever.

“Eu espero que os chineses se apaixonem pelos produtos brasileiros e tenham febre por eles”, explica Giulia, sobre a inspiração para o nome. A expectativa da empresária é de abrir as 30 unidades diretas em três anos e vender mais de 100 mil pares ao ano. Os preços no varejo são estimados entre US$ 150 a US$ 300 para modelos de verão e de US$ 300 a US$ 900 nos modelos de inverno, como botas.

A abertura de uma segunda unidade da rede está confirmada para novembro em Xangai, dentro da loja de departamento japonesa Takashimaya – a primeira também será dentro de uma loja de departamento, chamada Xinduhui. Outros dois pontos estão em análise e serão inaugurados até dezembro “se tudo der certo”, diz. “Esperamos que, até setembro de 2013, tenhamos entre seis e dez lojas em diferentes cidades chinesas.”

Giulia diz que foi surpreendida pela qualidade dos calçados brasileiros. “São lindos, totalmente diferentes dos que existem no mercado chinês. Eles são ‘fashion’, elegantes, coloridos, bem feitos e marcantes”, revela.

Apaixonada por sapatos, a empresária afirma que às vezes é muito difícil encontrar os modelos que gosta nas lojas do país. “O mesmo acontece com muitas de minhas amigas. As mulheres chinesas irão se apaixonar com os calçados brasileiros imediatamente”, garante. As lojas terão tanto modelos femininos quanto masculinos.

Exportações de calçados
(jan a maio de 2012)DestinoParesUS$Variação em US$ (mesmo período de 2011)
Mundo47,7 milhões444 milhõesQueda de 20%China36 mil805 milQueda de 55%Importações de calçados
(jan a maio de 2012)Origem
Pares
US$Variação em US$ (mesmo período de 2011)Mundo16,5 milhões207,9 milhõesAlta de 16%China6,8 milhões27,2 milhõesQueda de 17%Fonte: Abicalçados

'Novo mundo'
A feira que abriu os olhos de Giulia e a apresentou “um novo mundo”, nas próprias palavras da empreendedora, foi promovida pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), dentro de um projeto da entidade, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), de prospectar oportunidades de negócios em países asiáticos, como explica Cristiano Körbes, coordenador de projetos da associação.

“A China entrou dentro do projeto Brazilian Footwear (...) Em janeiro de 2010 fizemos a primeira missão prospectiva”, explica. De acordo com ele, a conclusão a que a entidade chegou é que há potencial no mercado chinês para produtos de valor agregado, que apresentem design interessante, materiais nobres, com proposta de valor de marca.

Balança de calçados
A intenção da iniciativa é aumentar as exportações do produto ao país asiático, que está longe de ser o principal destino dos calçados brasileiros – não consta nem na lista dos 10 primeiros. De acordo com a entidade, as vendas para a China foram de apenas 36 mil pares de um total 47,7 milhões de pares exportados de janeiro a maio deste ano. Em valores, representaram US$ 804,7 mil dos US$ 444 milhões – faturamento que, aliás, representou queda de 20% sobre igual período do ano passado (US$ 551,8 milhões), influenciada, entre outros fatores, pelo câmbio desfavorável.

O principal país de destino dos calçados brasileiros são os Estados Unidos. Nos cinco meses deste ano, os norte-americanos compraram 5,6 milhões de pares.

Por outro lado, o Brasil compra muitos sapatos da China. De janeiro a maio deste ano, foram de 6,8 milhões de pares, 41% do total de 16,5 milhões deles importados, o que coloca o país no primeiro lugar da lista de importação nesse quesito. Em valores, os pares comprados do país asiático representaram neste ano, até maio, US$ 27,2 milhões, 13% do total de US$ 207,98 milhões, a terceira principal origem no quesito (atrás de Vietnã e Indonésia).

De acordo com Körbes, um grupo de empresários de seis calçadistas brasileiras visitou o país e foram organizadas as rodadas de negócios. Foi em uma delas que Giulia iniciou o contato com os frabricantes brasileiros. Além de Xangai, o grupo também visitou mercados de Hong Kong e Pequim. “O trabalho foi dando resultados, algumas já vendem na China, outros têm negócios sendo realizados”, diz, acrescentando que a entidade está formando um segundo grupo de empresas para visitar o país em outubro deste ano.

Por um acaso
Giulia afirma que foi convidada por um acaso para ir à feira. “Uma amiga me perguntou se eu conhecia alguém que atuava com o mercado calçadista porque aconteceria uma feira do setor com empresas brasileiras em Xangai”. Como não conhecia ninguém da área, a empresária foi convidada a ir.

“Eu e meu sócio estávamos procurando por novos projetos. Por que não conhecer?”, afirmou. “Antes da feira, eu nunca imaginaria que os calçados seriam tão bonitos, apesar de eu ser apaixonada por sapatos. Em uma palavra, a experiência na feira pode ser descrita com um ‘uau’”, diz.

O parceiro da chinesa é o empresário Vero Stoppioni, italiano de 48 anos que vive na China. Ambos já são sócios desde 2010 em uma empresa que exporta peças de vestuário infantis à Itália. “O ramo de sapatos é um negócio novo para mim”, diz a empreendedora.

Apesar de não revelar o investimento no projeto, Giulia conta que ambos estão se empenhando muito na criação da empresa, desde a contratação de pessoas experientes e de consultorias de varejo, além de criar estratégia de marketing e marca e preparos para o evento de inauguração.

“Eu sou uma grande fã de futebol e a seleção brasileira é uma das minhas favoritas, mas, como muitos chineses, meu conhecimento sobre o Brasil era somente futebol e Carnaval. Eu não sabia que o país é tão bom em produzir sapatos, além de outras coisas”, afirma.

A chinesa conta que passou a pesquisar mais sobre o país. “Agora, o Brasil se tornou o primeiro da lista de países que quero conhecer.”

Produtos 'especiais'
Com relação ao preço dos calçados, a empresária afirma que, durante a análise de mercado, os sócios descobriram que podem atrair diferentes tipos de clientes. “Como sabido, produtos de luxo são muito bem vendidos na China, mas os consumidores de alta classe social os têm usado por muitos anos. Claro que eles continuarão comprando esses produtos de luxo, mas eles querem ter algo novo e especial, que poucas pessoas conhecem”, afirma. Para ela, os produtos brasileiros são competitivos levando em conta o design, preço e estilo.

Apesar de valores de até US$ 900 parecerem ser bastante elevados, Körbes, da Abicalçados, avalia que, assim como no Brasil, os comerciantes na China também sofrem com altas taxas e custos, que encarecem os preços.

No começo, a empresária afirma que venderá apenas calçados, mas pretende oferecer vinho brasileiro aos clientes. “Nossa estratégia será oferecer uma taça de vinho brasileiro no momento que os clientes entrarem na loja. Geralmente, nós falamos que para conhecer um país ou um lugar, deve-se começar pelo seu vinho." Ela diz estar negociando com o agente da Miolo no país. No futuro, a expectativa é vender também os vinhos nas lojas – quando existirem unidades fora das lojas de departamento.

Marcas
Por enquanto, a empresária já negociou com quatro marcas de calçados brasileiros, duas de modelos femininos e duas de produtos masculinos: a Dumond, da Paquetá, a Albanese, a Democrata e a Stephanie Classic.

A Stephanie Classic, por exemplo, afirmou que está enviando 1.000 pares, que totalizam US$ 40 mil. “Estamos ainda no início de um trabalho de longo prazo”, afirma Fabio Spohr, diretor da Calçados Q-sonho, que fabrica os modelos da marca.

De acordo com Spohr, contudo, os calçados da marca ainda não podem ser considerados de luxo, categoria que considera ser ainda dominada pelos produtos italianos. "Podemos dizer que almejamos uma classe A, mas ainda estamos com nosso produtos voltados para as classes C e B. (...) Já estamos com uma nova linha de produtos criada para esse novo mercado de luxo, que também traremos para o Brasil, assim como para a Europa e Estados Unidos", afirmou.

De acordo com ele, os modelos são fabricados 100% em couro, "elaborados dentro das tendências da moda internacional". O preço médio de venda FOB (posto a bordo) é de US$ 40. A empresa exporta desde os anos 1980 e hoje vende para 47 países.

Outra fabricante que afirma estar se preparando para fornecer às lojas de Giulia é a Albanese. "Já estamos em fase final de produção para o envio dos calçados", diz Douglas Chicaroni, diretor da empresa. Segundo ele, a marca exporta há cerca de 18 anos, com foco em calçados masculinos de alta qualidade e com um trabalho artesanal. Na Ásia, a estratégia começou há 3 anos. "Já estamos em contato com compradores interessados em nossos produtos da Tailândia, Indonésia, Malásia, Singapura e Brunei".

Os chineses estão mudando, abrindo cada vez mais a mente e cada vez mais querendo conhecer mais do mundo"Giulia Zhu

De acordo com Spohr, contudo, as conversas com Giulia para o envio do primeiro lote de produtos ocorrem há mais de um ano. A própria Giulia afirma que teve dificuldades para encontrar os primeiros pontos de venda, uma dos motivos da demora para fechar os negócios.

Segundo ela, no ano passado a primeira coisa que as lojas de departamento perguntaram era se já existiam pessoas vendendo os produtos, porque ninguém queria arriscar. “Eles queriam as marcas famosas, porque têm certeza que vendem bem”, conta. A partir do começo deste ano é que ela afirma que sentiu mudanças nesse aspecto, com shoppings e lojas procurando por novidades.

“Os chineses estão mudando, abrindo cada vez mais a mente e cada vez mais querendo conhecer mais do mundo (...). Estou muito feliz por ver essa mudança e estou mais confiante de que os chineses irão adorar os sapatos brasileiros.”

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2012/07/rede-vai-vender-ca...

 

Logico que vai vender luxo na China, as Havaianas deles ainda custam um dolar, e as brasileiras minha irma acabou de comprar pra filha...  26 dolares!

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Governo chinês adverte para idificuldades na economia

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, advertiu neste domingo (15) que a economia de seu país, a segunda maior do mundo, pode enfrentar tempos difíceis, indicaram meios de comunicação oficiais.
“O índice de crescimento econômico está sempre dentro das margens dos objetivos fixados anteriormente neste ano e as políticas de estabilização funcionam”, declarou Wen em uma visita à província de Sichuan, no sudoeste chinês, segundo a agência Nova China. No entanto, “a recuperação econômica não é estável, e as dificuldades podem continuar ainda durante um tempo”, acrescentou.

No segundo trimestre, a China registrou o nível de crescimento mais baixo em três anos, de 7,6% interanual, devido à crise na Europa, mas também pelas dificuldades no setor imobiliário e em outros setores da economia.

Dos 10,4% em 2010, o crescimento passou a 9,2% no ano passado e depois a 7,8% durante a primeira metade do atual ano, segundo números publicados na sexta-feira. O índice de crescimento no segundo trimestre é o mais baixo registrado desde os 6,6% do primeiro trimestre de 2009.

Fonte: Terra/Nova China

http://correiodobrasil.com.br/governo-chines-adverte-para-idificuldades-...

 

Em videoconferência, José Reinaldo analisa crise internacional

 

O editor do Vermelho, José Reinaldo Carvalho, participou neste sábado (14), por meio de videoconferência, do simpósio nacional “Humanizar a economia para sair da crise”, realizado pelo Centro Gramsci, na cidade italiana de Rionero in Volture. Reinaldo fez considerações sobre a crise econômica do capitalismo, a política intervencionista das grandes potências e a luta anti-imperialista dos povos. Leia a íntegra de sua intervenção.


São dois os traços principais da atual conjuntura internacional: o agravamento da crise estrutural e sistêmica do capitalismo e o aumento das ameaças à paz e à segurança internacionais.

Um fator incide sobre o outro. Esgota-se o repertório das medidas chamadas “anticíclicas” dos governos a serviço dos monopólios do capital financeiro. Há muita retórica seguida da elaboração de pacotes supostamente voltados para a recuperação econômica e a solução dos problemas sociais.

Mas a lógica desses pacotes é cada vez mais perversa, pois cobram alto preço aos trabalhadores. O que prevalece é o arrocho dos salários, a precarização dos serviços públicos, a privatização e a rendição às leis cegas do mercado.

Por isso, resta a esses governos a ação política e repressiva contra as forças progressistas e os movimenrtos sociais, cada vez mais criminalizados e perseguidos. Manifestam-se nos países capitalistas perigosas tendências antidemocráticas.

A crise é também a base para as principais tensões políticas no plano internacional. Inevitavelmente eclodem as contradições interimperialistas e crescem as ameaças de agressão e guerra contra países soberanos, no mesmo ritmo em que se desenvolve a militarização. Esta é a tônica da situação, ainda que não esteja no horizonte uma conflagração geral entre as potências.

A crise do capitalismo

Os principais países capitalistas se encontram com suas economias paralisadas e aumentam seus impasses. Na Europa, onde a crise é mais aguda, pacotes de austeridade e injeções de dinheiro para salvar o sistema bancário revelam-se medidas inócuas e só contribuem para agravar a crise econômica e social.

A receita dos governos a serviço do capital monopolista-financeiro para contornar a crise é orientada pelo interesse de preservar os investimentos e os lucros do sistema financeiro. Esses governos prometem reduzir o déficit e o endividamento cortando na carne da classe trabalhadora, reduzindo subsídios aos produtores rurais, precarizando os serviços públicos e arrochando o funcionalismo público.

A receita é antiga e não difere daquelas que foram impostas no passado a países como o Brasil pelo FMI ao longo da chamada crise da dívida externa, que custaram décadas de desenvolvimento e uma intolerável depreciação da força de trabalho. Em poucas palavras, os governos a serviço do capital monopolista-financeiro governo propõem que a classe trabalhadora pague pela crise mundial do capitalismo, de modo a assegurar os privilégios da banca internacional, que é de longe a maior responsável pelas turbulências financeiras.

Os trabalhadores e os povos sofrem as consequências da crise do capitalismo e da violenta ofensiva antissocial empreendida pela grande burguesia monopolista.
O desemprego afeta 17 milhões de trabalhadores na Zona do Euro. Na Grécia e na Espanha a taxa supera os 20%.

Foi nesse ambiente que o Conselho Europeu se reuniu em finais de junho. Em meio a sérias divergências, sobretudo entre a Alemanha e a França, sob a máscara de adotar “políticas de crescimento”, decidiram mais uma vez dar apoio financeiro direto à banca por via do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do Mecanismo Europeu de Estabilização, voltando as costas para os problemas sociais.

Nos países em desenvolvimento, nomeadamente a China e a Índia, a economia desacelera-se moderadamente. A China tem tomado medidas de estímulo à economia reduzindo a taxa de juros para financiamentos e aumentando o investimento público. Espera crescer 8,2% este ano. O Brasil sofre maiores repercussões da crise mundial, enfrenta momentaneamente dificuldades com o seu comércio exterior e a redução do ritmo de crescimento da economia, particularmente o setor industrial.

O fato é que se acentua o cenário de estagnação da economia mundial, variando de intensidade de país a país ou região. São vazias de sentido as considerações sobre o caráter limitado ou conjuntural da crise. Ela é sistêmica, estrutural e generalizada. Uma crise capitalista prolongada, que vive uma fase aguda também prolongada.

Essa crise não surgiu ontem como um raio em céu azul. Desde 1973, o mundo capitalista está perdendo fôlego.

Trata-se de uma crise civilizatória cuja solução não está em medidas tópicas e superficiais, mas na ruptura com o próprio sistema. O capitalismo já ameaçou arrasar a civilização nos terríveis anos de guerra entre 1914 e 1945, agravados pela Grande Depressão de 1929 e culminados com o genocídio de Hiroshima e Nagasaki.

A crise atual tem sua origem em 1973, quando o presidente Richard Nixon tentou interromper a queda da economia estadunidense provocada pelos gastos da guerra do Vietnã, o aumento dos preços do petróleo e o declínio na taxa de lucro. Unilateralmente desvinculou o dólar – moeda de câmbio internacional – do padrão ouro e o pôs a “flutuar”. Revogava assim, em proveito dos capitais ianques e em detrimento dos demais países – sobretudo os pobres – os acordos de Bretton Woods, que pautaram as regras da economia internacional sob a batuta dos Estados Unidos depois da 2ª Guerra Mundial.

A partir de então, Washington empreendeu uma descontrolada impressão de dólares e de endividamento sem respaldo produtivo, com os quais inundou os circuitos financeiros globais de moeda desvalorizada. A especulação financeira passou a ocupar um lugar muito mais relevante que a produção e o comércio na circulação monetária e reforçou as políticas neoliberais.

Essas políticas são conhecidas: diminuição do Estado, contenção salarial, desregulamentação financeira, precarização dos serviços públicos, desmantelamento das conquistas dos trabalhadores, circulação livre de capitais, privatização do patrimônio público, socialização das perdas das corporações.

Em 2008, eclodiu a crise financeira dos chamados subprimes nos Estados Unidos. Em 2010, irrompeu na Europa a chamada crise da dívida soberana com graves consequências sociais. Não está descartada a hipótese de que sobrevenha um novo colapso econômico-financeiro.
As crises anteriores de origem financeira dentro desta onda se manifestavam na periferia: dívida externa da América Latina (1982), México (1994-1995), “tigres” asiáticos (1997-1998), Rússia (1998), Brasil (1999), Turquia (2001) e Argentina (2002). Não é ocioso sublinhar que o capitalismo experimentou graves crises desde o século 19, embora a atual seja comparável apenas com a Grande Depressão de 1929 e ainda seja cedo para conhecer sua real magnitude.

As ilusões no e do G-20

Recentemente, reuniu-se no balneário mexicano de Los Cabos o chamado G-20, entre promessas de medidas “anticíclicas” e ilusões sobre o papel do grupo na situação internacional.

O G-20 foi criado em 1999, com o objetivo proclamado de contornar ou encontrar soluções imediatas para as crises das balanças de pagamentos das economias chamadas emergentes durante a segunda metade da década de 1990.

Supostamente, estabelecer-se-ia uma cooperação econômica e financeira ampla e abrangente, com base em critérios de objetividade, entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Entre 1999 e 2008 participavam do G20, alcunhado de “financeiro”, apenas os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais.

A partir de 2008, com a realização da Cúpula de Washington, no ocaso da presidência de George W.Bush, em plena eclosão da crise econômico-financeira, o G20 passou a reunir também chefes de Estado e de governo.

A Cúpula de Washington foi, assim, a primeira do G20. Realizou-se entre 14 e 15 de novembro de 2008, por proposta da União Europeia. "Estamos decididos a aumentar nossa cooperação e trabalhar juntos para restaurar o crescimento global e aprovar as reformas necessárias nos sistemas financeiros mundiais", afirma o comunicado conjunto.

De lá para cá, tiveram lugar as cúpulas de Londres (abril de 2009), Pittsburgh (setembro de 2009), Toronto (junho de 2010), Seul (novembro de 2010), Cannes (novembro de 2011). Esta de Los Cabos é a 7ª cúpula do G20. Já está acertado que a próxima se realizará na Rússia, em 2013. A 9ª cúpula terá como país anfitrião a Austrália, em 2014, e a 10ª ocorrerá na Turquia. Isto se não ocorrerem maiores sobressaltos econômicos, financeiros e políticos que obriguem os alquimistas do neomultilateralismo a inventarem novas fórmulas de grupos de coordenação.

A crise econômico-financeira internacional que eclodiu em 2008 deixou patente o fracasso das políticas macroeconômicas neoliberais e conservadoras decididas no âmbito do G7 (Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Canadá). Saltava aos olhos o efeito deletério da desregulação dos mercados financeiros.

Foi nesse contexto que o G20 ganhou relevo, pois passou a ser considerado o principal fórum para uma cooperação econômica internacional mais alargada, conforme se estabeleceu na Declaração de Pittsburgh, aprovada na cúpula de setembro de 2009.

Progressivamente, com a sucessiva realização das Cúpulas, criou-se um consenso, num jogo diplomático de aparências, de que as discussões e decisões relacionadas com a crise e a busca de medidas para a sua solução deveriam transferir-se de foros restritos, como o G7, para o G-20.

Os países imperialistas, de economia desenvolvida, com posição dominante na economia mundial, sendo o epicentro da crise, perderam a legitimidade para ditar as normas da economia internacional. Isto coincidiu com a maior emergência de economias de países como China, Rússia, Índia e Brasil, entre outras.

Tendo como pano de fundo a interdependência econômica, comercial e financeira no quadro da globalização capitalista, tornou-se imperioso, para a própria sobrevivência do sistema, buscar uma maior cooperação entre os países desenvolvidos e os chamados emergentes.

Isto gera a ilusão de que o G-20 tem maior legitimidade e autoridade democrática, sendo uma espécie de manifestação de uma tendência à democratização das relações internacionais, o embrião de uma nova ordem multilateral. Surge também a ilusão de que com o G-20 o mundo passaria a contar com um instrumento eficaz para coordenar uma resposta eficiente à crise econômica e financeira, evitando assim o colapso do sistema econômico internacional.

As ilusões são de tal ordem que de maneira mais disfarçada, renasce na boca de alguns a ideia do “ultra-imperialismo”, de Karl Kautsky, a quem Lênin designava como renegado.

Os países considerados emergentes, entre eles o Brasil, usam o G20 como espaço de luta para alargar sua participação na economia internacional e defender-se de medidas dos países ricos que atentam contra sua soberania. Mas é ilusório imaginar que através do G20 seja possível mudar num sentido progressista, popular e patriótico a estrutura e a arquitetura do sistema financeiro e econômico internacional.

Já em novembro de 2009, logo após a Cúpula de Pittsburgh, o 12º Congresso do Partido Comunista do Brasil criticava como um dos aspectos salientes do quadro internacional, sobretudo na conjuntura de crise econômica e financeira, “a tentativa [do sistema imperialista] de fortalecer organismos de coordenação, nos quais não poucas vezes estalam também rivalidades e contradições interimperialistas, além de conflitos de interesse entre as potências dominantes e os países emergentes”. De acordo com o documento, aprovado por unanimidade no Congresso, “a ação desses organismos tem-se revelado um fracasso do ponto de vista das ‘soluções’ para a crise, da ‘regulação’ do mercado de capitais e da promoção do ‘desenvolvimento’ e ‘ajuda’ aos pobres”. O documento advertia para o invariável objetivo do imperialismo de concentrar poderes e concertar posições tendo em vista o domínio econômico e político do mundo. O Congresso do PCdoB mencionou especificamente a nova articulação. “O G-20 financeiro espelha uma nova realidade no mundo, em que as grandes potências imperialistas não podem decidir sozinhas e países emergentes como o Brasil, a China, a Rússia e a Índia, conquistam novos espaços, jogam novo papel, disputam em defesa de seus interesses nacionais e contribuem para a luta por uma nova ordem econômica e política. É falsa, porém, a tese sustentada por alguns chefes de Estado de potências imperialistas de que o G-20 corresponde a uma “revolução” e a uma ‘democratização profunda’ das relações internacionais”.

Intervencionismo e lutas dos povos

É no quadro de crise que aumenta a instabilidade política e se intensificam as ameaças às nações soberanas e aos povos. Apesar da retórica “multilateralista” e pacifista, o que se vê é o aumento da agressividade e do militarismo das potências imperialistas.

Está em curso uma escalada de pressões, ingerências e ameaças de agressão contra a Síria. Configura-se o cenário para uma intervenção militar no país. O que as potências imperialistas discutem é se o ataque teria ou não a cobertura de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, razão pela qual inistem no apoio diplomático da Rússia e da China para esse fim.

Ultimamente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, aumentaram o tom da exigência de que o presidente sírio renuncie ao governo do país e tome o caminho do exílio, infelizmente secundados pelo presidente francês, François Hollande, eleito com os votos da esquerda. Hollande foi o anfitrião em Paris de uma reunião do grupo autodenominado “Amigos da Síria”, que age de fato como um inimigo da nação árabe e agasalha em seu seio grupos da oposição refratários ao diálogo e aos métodos democráticos.
Também o Irã está sob ameaça de ataque das potências imperialistas, acusado de violar os direitos humanos e de fabricar a bomba atômica.

Mais uma vez, as forças imperialistas pretendem justificar sua escalada, que pode levar a uma nova guerra no Oriente Médio, com falsos pretextos, assim como formulam falsas teorias de relações internacionais. Agora, está em voga o conceito de “Direito de proteger”, ou “Responsabilidade de proteger”, com o que se pretende dar ares de justiça e de ação coletiva da chamada “comunidade internacional” a atentados contra a carta da ONU e ao conjunto dos regulamentos, normas e convenções que conformam o Direito Internacional. Na verdade, estamos diante de mais uma ofensiva contra legítimos direitos democráticos e nacionais, contra as noções de soberania e autodeterminação.

A recente intervenção na Líbia e o assassinato do líder do país são reveladores do ponto a que podem chegar as forças imperialistas. Fizeram o mesmo no Iraque, onde além da intervenção militar assassinaram o ex-presidente da República.

Nada disso surpreende se temos em conta que o ex-presidente George W. Bush, logo após os atentados de 11 de setembro de 2001, prometeu não só guerrear contra os países que considerava integrantes do chamado “eixo do mal”, como eliminar fisicamente indivíduos – chefes de Estado ou ativistas – que segundo os critérios da CIA e do Pentágono fossem considerados “terroristas”.

É o que os Estados Unidos fazem sistematicamente por meio dos ataques com os aviões não tripulados “drones” na fronteira entre o Afgeganistão e o Paquistão, nos quais não se poupa a vida das populações civis. Os crimes cometidos causam a indignação dos democratas e anti-imperialistas em todo o mundo, e provocaram o estupor do ex-presidente Jimmy Carter, que em contundente artigo publicado no New York Times, chama a atenção para o “raro e cruel recorde” de violações dos direitos humanos pelos Estados Unidos.

O sentido principal dessa ofensiva é executar, dar concretude e continuidade ao plano de reestruturação do Oriente Médio, para viabilizar o aumento da presença do imperialisimo na região, visando a dominar as riquezas estratégicas ali existentes e a obter posições vantajosas na luta pela hegemonia no mundo.

Para isso, querem afastar os governos que de alguma forma resistem à dominação imperialista na região e substituí-los por regimes dóceis e adaptáveis aos seus interesses. É esse também o sentido da posição adotada pelo imperialismo vis-à-vis à chamada “Primavera árabe”.

Recentemente, em 20 e 21 de maio, realizou-se em Chicago mais uma reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Toda vez que essa organização se reúne, os direitos democráticos dos povos, a segurança internacional e a paz mundial são ameaçados. Como braço agressivo do imperialismo, a Otan atualizou o seu conceito estratégico em 2010, dando um novo passo para concretizar seus planos intervencionistas. Agora, estão em pauta a corrida aos armamentos, o investimento em novas armas e a ampliação de sua rede mundial de bases militares.

O imperialismo militariza as relações internacionais, e intensifica as ameaças para a realização de novas guerras. Os Estados Unidos recentemente também lançaram uma nova doutrina militar, atribuindo prioridade à presença na Ásia.

América Latina

A tendência principal em nossa região continua sendo a do aprofundamento das conquistas democráticas e patrióticas que se sucedem às vitórias eleitorais das forças progressistas em muitos países.

Contudo, manifesta-se também a reação do imperialismo e das forças retrógradas locais. Recentemente, teve lugar um golpe de Estado, com aparência de “legalidade”, no Paraguai, que destituiu o presidente legítimo de Fernando Lugo. O mesmo já tinha sucedido no ano de 2009 em Honduras. Houve repetidas tentativas de golpes na Venezuela, no Equador e na Bolívia. Tudo isso eleva a vigilância das forças democráticas da região para preservar as conquistas democráticas e avançar na realização de mudanças políticas, econômicas e sociais com caráter progressista.

Em 7 de outubro próximo realizar-se-ão as eleições presidenciais na Venezuela, em que estarão em campos opostos o presidente Chávez, candidato à reeleição, e o candidato da direita com apoio do imperialismo, Henrique Caprilles. O líder bolivariano anti-imperialista, Hugo Chávez, assume-se como o candidato da pátria, com um programa democrático, patriótico e anti-imperialista. O outro, por óbvio, é o candidato apátrida.

A eleição na Venezuela é a batalha política mais importante no momento para todos os latino-americanos progressistas.

A crise do capitalismo e as tendências agressivas do imperialismo, longe de intimidar, são motivos que levam ao levantamento dos povos. Em todas as latitudes há luta, demonstrando que o imperialismo não é invencível e pode ser derrotado.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=188499&id_secao=9

 

   

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O parecer da ANDES sobre a proposta do governo para os Professores das Universidades Federais

Nassif,

Saiu uma análise do CNG - ANDES (Comando Nacional de Greve da ANDES) sobre a proposta que o governo apresentou aos professores na sexta-feira, 13 de julho. Abaixo, eu faço um resumo pessoal sobre os pontos que vêm sendo comentados e debatidos exaustivamente em fórums em redes sociais. Estas são palavras minhas, e não se deve pensar que este é um pronunciamento oficial da parte dos Professores em greve. Apenas acho importante trazer o debate a público ressaltando pontos que não estão sendo nem mesmo arranhados pelo modo como nossa mídia parcial mostra a greve - isso, quando a mostra.

A proposta apresentada pelo governo está em

http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/noticias/srh/2012/120713_proposta_reestruturacao.pdf

e a análise do CNG - ANDES está em 

https://docs.google.com/file/d/0Bzz4VZkJH1bscElSZXhsd1dmNVU/edit

Provavelmente os maiores problemas, em minha opinião, sejam:

1) Apesar de ter diminuído o número de níveis de 17 para 13, o governo fez a coisa de modo que agora leva ainda mais tempo mesmo para doutores atingirem o topo da carreira: o tempo de progressão aumentou de 18 para 24 meses entre um nível e outro, a carga mínima de aulas para que a progressão ocorra aumentou de 8 para 12 horas-aula por semana - de duas matérias, passa-se a ter que lecionar três. Isto diminui o tempo disponível para pesquisa - mas a produtividade de publicações tem que continuar alta, numericamente. Isto, inclusive, vai contra a LDB, onde o mínimo de 8 horas-aula é estipulado. Vejam-se os gráficos em https://dl.dropbox.com/u/28275896/EBTT/AnalisePropostaCarreiraEBTT.htm . No eixo horizontal, temos o tempo em anos, e cada salto na curva representa um degrau galgado na carreira. A linha rosa corresponde à atual carreira, e a linha amarela, ao que ocorrerá caso seja aceita a proposta do governo. Um doutor que levava aproximadamente 11 anos para chegar ao topo da carreira, pela atual proposta do governo leva, portanto, aproximadamente 17 anos.

2) Não há menção de uma data-base para os professores, ponto reivindicado. Isso quer dizer que os professores estarão ainda à mercê da boa-vontade do governo para ter seu salário aumentado, pelo percentual que o governo achar adequado. O último foi 4%, depois de dois anos sem aumento, o que claramente nem chega perto de pensar em cobrir perdas salariais pela inflação.

3) A proposta, como poderão ver, tem pontos que estão muito nebulosos ou sem especificação. Por exemplo, "No regime de dedicação exclusiva poderá ser admitida a percepção de Retribuição por Projetos Institucionais de Pesquisa, Extensão e Gratificação de Atividade de Preceptoria, com recursos próprios (a ser disciplinado pelo MEC no prazo de 180 dias contados a partir da publicação desta Lei).". Ou seja, o governo quer que se assine um "cheque em branco".

4) Continua-se a considerar as carreiras de Magistério Superior (MS) e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (o EBTT no texto da ANDES) como duas carreiras separadas, ainda que as atribuições de ensino, pesquisa e extensão sejam as mesmas nas duas carreiras. Vejam-se as tabelas na página 7 da proposta apresentada 

5) Para novos professores, a carreira passa a ser menos atraente: antes, um doutor entrava na carreira como Professor Adjunto, e precisava percorrer 10 níveis para chegar ao topo. Agora, precisa percorrer os 13. Seria justo que um Graduado, um Mestre e um Doutor tenham que galgar o mesmo número de degraus na carreira? O que muda é que um professor com Mestrado, que posteriormente obtenha seu doutorado, levará ainda mais tempo, passando de 10 para 21 anos!

6) Há ainda análises detalhadas sobre o reajuste de salários implicados pela nova proposta: elas dizem que pode haver perdas salariais para a maioria das classes na carreira. A única que teria um real aumento significativo seria a de Titulares. Os problemas são que os Titulares mal chegam a 10% dos atuais professores e, de qualquer modo, conforme consta no item IV (e), na página 2 da nova proposta do governo, "a classe de professor titular será acessível a 20% do quadro de docentes da instituição.". Ou seja, pela nova proposta do governo, 80% dos docentes não chegarão nunca ao topo da carreira. A análise à qual me refiro, feita por um Professor do Departemento de Matemática da Universidade Federal de Sergipe, pode ser encontrada na página http://professoresemlutaufal.blogspot.com.br/2012/07/governo-propoe-reducao-de.html , entre outras.

Com tudo isto, pode-se preceber que a mídia vem dando informações absolutamente falaciosas e parciais sobre a proposta do governo, dando a impressão que está concedendo 45% para todos os professores, quando os que receberão este percentual (sem descontar as perdas inflacionárias, que o diminuem efetivamente), são apenas os 20% que "chegarem primeiro". E hoje, estes mal chegam a 10% do total de docentes, quando muito.

É assim que o governo quer estimular que bons cérebros permaneçam na Universidade para formar pessoas em áreas estratégicas para o país, como as Engenharias? Os alunos de Engenharia conseguem propostas muito melhores no mercado - não é à toa que uma boa ênfase das bolsas do Ciência sem Fronteiras são dadas para estas áreas estratégicas.  Está mais fácil e barato ir buscar o que não se tem lá fora, ao invés de pensar em um projeto de Desenvolvimento de Nação a longo prazo que não privilegie somente o monetarismo (o que, claro também é importante mas, provavelmente, não o mais importante). Estrategicamente, acredito que a longo prazo o que está sendo feito é um tiro de bazuca no pé. As Universidades Federais sempre tiveram seus problemas, mas sempre foram uma das referências nacionais, no que toca a qualidade do Ensino Superior no País - as Estaduais de São Paulo e algumas PUCs são outras referências também. Acredito que o plano proposto pelo governo desestimula alunos de áreas estratégicas a continuarem na Universidade Pública para formar bons profissionais em suas áreas de formação originais e, com isso, promove-se um esvaziamento da Universidade Pública no País.

Seria importante que estes dados fossem levados ao conhecimento do grande público pois, do jeito que o governo fez, anunciando o aumento durante a reunião com os sindicatos, e com a mídia anunciando que o governo está dando 45% de aumento como se fosse para toda a categoria, haverá uma idéia errada sobre o que realmente está sendo proposto. Se a proposta for rejeitada nas assembléias locais e a greve continuar, os Professores serão pintados como baderneiros que só querem desestabilizar o governo em ano eleitoral, o que creio que absolutamente não é o caso.

Links agrupados, para facilitar:

Proposta do governo: 

http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/noticias/srh/2012/120713_proposta_reestruturacao.pdf

Análise do CNG - ANDES:

https://docs.google.com/file/d/0Bzz4VZkJH1bscElSZXhsd1dmNVU/edit

Análise preliminar sobre o tempo necessário para chegar ao topo da carreira de Professor com a atual carreira, e com a proposta do governo:

https://dl.dropbox.com/u/28275896/EBTT/AnalisePropostaCarreiraEBTT.htm

Análise sobre perdas salariais reais efetuada pelo Professor Wagner Ferreira Santos, do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Sergipe:

http://professoresemlutaufal.blogspot.com.br/2012/07/governo-propoe-reducao-de.html

 

O governo realmente deseja acabar com a profissão de professores!!! FORA DILMA E PT!!!

 

Dessa forma qual o estímulo aos bons profissionais para se tornar professores?? Hoje já temos diversas vagas para engenheiros (p. ex) que nao sao preenchidas, imagine daqui a 10 anos quando nao existirem professores para formá-los...

 

Responde AMLO a calificativos del diario 'El País'

A través de su cuenta de Twitter, el candidato presidencial por la coalición Movimiento Progresista contesta al periódico español.

Alma E. Muñoz 
Publicado: 15/07/2012 16:08

 

México, DF. Después de que el diario El País señalara en su editorial en el que califica a Andrés Manuel López Obrador como un "lastre" y que “ha sido siempre un mal perdedor”, además de considerar como muy improbable que prospere su recurso para invalidad las recientes elecciones presidencial, el candidato de la izquierda respondió al diario español a través de su cuenta de twitter: “dejen la manía de hacer periodismo colonizante; mejor hagan autocrítica por su responsabilidad en el desastre de España”.

Fonte : La Jornada

 

Espero que agora o vídeo do David Suzuki apareça.

 

Nao apareceu....

Tentando mais uma vez.

De qualquer forma, o link é este: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rMKQBjgE0Tw

 
 

Muitos daqui do blog lembram de Severn Suzuki, que fez ainda menina um belo discurso na Eco 92. 

http://www.youtube.com/watch?v=EaOJrJ_oqFU

O discurso dela não surpreende quando se conhece o pai dela: David Suzuki.

Infelizmente o vídeo "The Force of Nature" em que ele fala de sua jornada neste planeta não tem legenda em português. Porém, para aqueles que dominam o idioma, eu recomendo que assistam. Ele é considerado um dos grandes ambientalistas do nosso tempo.

Ele faz um programa "The Nature of Things" há cinquenta anos, que tem como objetivo falar de ciência numa linguagem acessível a todos. Vale a pena assistir!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rMKQBjgE0Tw

Uma ótima semana a todos!

 

 

 

 

 

 

Da Carta Maior

 

A Europa mantida com água ao nível do nariz

 

Nada de realmente novo acontecerá na economia mundial antes das eleições nos EUA em novembro e das eleições alemãs de meados de 2013. Até lá, continuaremos a ver a Grécia e a Irlanda dançarem à beira do precipício e Espanha e Itália flertarem com o desastre, mas cada um desses países será mantido por instrumentos de respiração automática que não lhes garantem o regresso à vida normal mas, por outro lado, evitam o colapso total com potencial de arrastar o resto da Europa e boa parte do mundo. O artigo é de J. Carlos de Assis.

 

Nada de realmente novo acontecerá na economia mundial antes das eleições americanas de novembro e das eleições alemãs de meados do próximo ano. Até lá, continuaremos a ver a Grécia e a Irlanda dançarem à beira do precipício e Espanha e Itália flertarem com o desastre, mas cada um desses países será mantido por instrumentos de respiração automática que não lhes garantem o regresso à vida normal mas, por outro lado, evitam o colapso total com potencial de arrastar o resto da Europa e boa parte do mundo.

A melhor ilustração gráfica desse período não é o V, o W ou o U dos primeiros analistas da crise de 2008. No início de 2009, num grande seminário sobre a crise promovido pelo então governador Requião em Foz do Iguaçu, observei que ela teria a forma de um eletrocardiograma. É justamente o que está acontecendo. Embora haja forças poderosas que, empurradas pelo que ainda sobrevive do ideário neoliberal pretendem jogar as economias dos países ricos no fundo do poço, subsiste uma capacidade de reação modesta para contrariá-las.

Obama, pessoalmente progressista mas cercado por uma equipe neoliberal herdada de Clinton, e além disso iludido pela ideia de atrair os republicanos para uma política bipartidária, fracassou na tentativa de recuperar a economia, e sobretudo o emprego nos EUA, tendo sido bloqueado em 2010 ao tentar fazer aprovar no Congresso um segundo programa de estímulo fiscal. Isso emitiu um sinal fortemente negativo para o resto do mundo, em especial para a Europa. Na reunião de 2010 em Toronto, no Canadá, o trio Merkel-Sarcozy-Cameron tomou as rédeas, saiu do marco cooperativo das políticas fiscais de estímulo e impôs um programa de austeridade fiscal insano na área do euro.

Considerando que a economia mundial não vai ser reordenada por forças naturais, e que as forças políticas atualmente dominantes na Europa – exceto, parcialmente, na França – são filiadas ao pensamento neoliberal, é pura ilusão esperar que haja uma mudança a curto e médio prazos para melhor na economia. Alguma coisa diferente poderia ocorrer se Obama fosse reeleito com maioria no Congresso. A probabilidade é que ocorra justamente o contrário. Nessa hipótese, será revivido Hoover, o presidente americano da Grande Depressão.

Uma alternativa favorável para o mundo poderia ser a vitória de Obama, com maioria congressual, e a derrota de Merkel para os sociais-democratas. Isso abriria caminho para um novo consenso do G20, similar que aconteceu nas três reuniões realizadas logo em seguida à eclosão da crise, em Washington, Londres e Pittsburg. Nesses encontros, predominou o compromisso da cooperação entre os países e da realização de políticas de estímulo fiscal. A regressão posterior das economias ricas se deveu ao espúrio semi-consenso de Toronto, reforçado nas reuniões seguintes de Seul e México.

É que, qualquer que seja a evolução da economia mundial, será indispensável alguma forma de governança para ordenar a cooperação internacional, sem a qual, num mundo globalizado, não será possível o reordenamento das economias. Dado que não há um país hoje que, por mais poderoso que seja, exerça o papel de um hegemon com capacidade de ordenar o mundo – como fizeram os EUA, no Ocidente, no pós-guerra -, a única alternativa possível é um hegemon coletivo, que está se institucionalizando na forma do G20 – um ente que combina uma representatividade global com capacidade de interação por ter número limitado de players. Este foro determinará a evolução ou involução da crise nos próximos meses.

Dado que, neste momento, não há muito que falar da crise por seu caráter repetitivo, vamos a dois pontos que escandalizaram meus leitores em colunas anteriores, ambos de caráter teórico, e aos quais talvez seja interessante voltar. Um deles refere-se à própria teoria que estou defendendo, segundo a qual a civilização caminha, depois do caos, para a idade da cooperação. Outro se refere ao que denominei de mais-valia social, algo que deriva de uma releitura de Marx e que julgo que ele trataria teoricamente, se houvesse evidências disso na sua época, no quinto volume de O Capital.

O alvorecer de uma idade de cooperação não é um sonho kantiano de paz perpétua. É um imperativo da civilização. Ninguém em sã consciência vai achar que a crise financeira atual vai se resolver por uma revolução popular anti-capitalista de forma a instaurar o socialismo – desta vez, o socialismo “bom”, já que o soviético ficou um tanto desmoralizado. Mas é perfeitamente possível considerar que a crise determinou o colapso do capitalismo neoliberal, cuja superação passa por algum mecanismo cooperativo entre as classes, sem necessidade da eliminação física de uma delas, e enfrentar a sua reação.

É justamente nesse ponto que convém dar atenção ao conceito de mais-valia social. No tempo de Marx, toda mais-valia produzida pelo trabalhador era apropriada pelo capital (direta ou indiretamente) a partir da esfera da produção. Apenas uma fração irrelevante do trabalho excedente era destinada ao governo, sendo gasta sobretudo em segurança e forças armadas. A partir do século XX, esse quadro muda radicalmente. Aos poucos, uma parte cada vez maior da mais valia originária da esfera produtiva passa a ser apropriada pelos governos para financiar projetos e programas sociais de interesse direto do trabalhador. Daí a saúde pública, a educação pública, da previdência social, do salário desemprego etc.

Isso não ocorreu por acaso. Foi resultado da aquisição de direitos de cidadania pelo trabalhador. Os novos detentores de direitos políticos impuseram ao Estado direitos sociais. Em consequência, o trabalhador recupera como cidadão parte da mais valia que ele produziu e que foi apropriada inicialmente pelo patrão. É a relação entre economia e política nessa forma que abre espaço para o avanço da civilização na base da prevalência da democracia e, em última instância, da cooperação. É que mesmo uma grande corporação moderna é, ela própria, internamente, uma entidade cooperativa socialmente regulada, a cujo destino se ligam os destinos de milhares de trabalhadores.

(*) Economista e professor de Economia Internacional da UEPB, autor com o matemático Francisco Antonio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, pela Civilização Brasileira. Esta coluna sai também nos sites Rumos do Brasil, Brasilianas e no jornal carioca Monitor Mercantil.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20576

 

Demarchi

http://brasiliamaranhao.wordpress.com/2012/07/16/globo-collor-perillo/Globo mira Collor e pode acertar em Perillo

 

Boa parte do Brasil parou na noite deste domingo, 15 de julho, para ver a supostamente bombástica entrevista de Rosane Brandão Malta (ex-Rosane Collor) ao Fantástico, a “revista eletrônica” da Rede Globo.

Todos esperavam revelações “fortes” – prometidas nas chamadas do programa – da ex-primeira dama da República. Para usar uma metáfora gasta, a Globo prometeu a lua, mas entregou a seus telespectadores uma paisagem lunar: só crateras vazias e nenhuma substância consistente.

Os rituais de magia negra, a relação com PC Farias, as memórias sobre o processo de impeachment… tudo que Rosane falou e o Fantástico exibiu hoje já era de conhecimento até do reino mineral – expressão de Nelson Rodrigues, não de Mino Carta, como pensam alguns.

Nada, absolutamente nada se salva da entrevista, em termos de novidade. Em termos jornalísticos, a “reportagem” foi um fracasso total. É de se perguntar, aliás, qual o critério jornalístico que levou a Globo a produzir tal entrevista. Não há qualquer fato novo – poderia ser o livro de Rosane, mas não se sabe nada dele, tanto que foi citado apenas superficialmente* – que justifique toda a mobilização da maior emissora do Brasil para tal empreitada com tanto destaque.


Coube à simpática Renata Ceribelli fazer a “matéria” com Rosane Collor

O que justifica a reportagem, na verdade, não é nada mais do que a necessidade de atacar o agora inimigo Fernando Collor de Mello.

A eleição de Collor foi uma fraude. Não pelos votos em si, mas pelo candidato, que não passava de um produto midiático preparado e apoiado com todo o poder dos grandes meios de comunicação para ser o anti-Lula de 1989.

Agora, passados vinte anos, Collor deixou de ser aliado e passou a ser inimigo, por compor a base de apoio do governo petista. Para a Globo e para a Veja, a primeira que ungiu Collor como um verdadeiro Messias em 89, é o que basta para ele ser colocado na alça de mira.

Lamentável é ver que profissionais – vou poupá-los de citação nominal – tão respeitados na TV brasileira se prestem a cumprir um papel vexatório como o dessa “matéria”. Aliás, para fingir que o assunto se tratava mesmo de jornalismo, os apresentadores do Fantástico fizeram questão de informar que tentaram ouvir Collor durante toda a semana, mas o senador, que de besta não tem nada, se recusou a falar.

Ótimo seria se Collor publicasse um livro contando como atuavam os donos, diretores e lobbistas da Rede Globo durante o seu governo.

Para ver a entrevista completa, clique no link abaixo:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681379-15605,00.html

Marconi Perillo

O governador tucano de Goiás, que não tem nada a ver com a briga Globo x Collor, deve ter sentido muito incômodo com as referências tão detalhadas do processo que levou à deposição do então presidente.

O Fantástico mirou Collor, mas poderá acabar acertando Perillo, pois colocou em evidência denúncias que derrubaram o presidente e hoje acossam o tucano.

Perillo provavelmente se viu na “reportagem” quando esta falou da CPI que investigou Collor e descobriu cheques-fantasmas, esquemas de caixa 2, um tesoureiro de campanha influenciando no governo (no caso do tucano, este atende por Lúcio Fiúza Gouthier, que foi convocado à CPMI do Cachoeira, mas ficou calado).

A CPMI do Cachoeira está sendo tratada pelos grandes meios de comunicação como se fosse uma novela. Heróis, vilões, figuras exóticas, tramas urdidas nas sombras e outros ingredientes são utilizados para cobrir o cotidiano do órgão.

Para o azar de Perillo, a matéria do Fantástico faz a CPMI do Cachoeira parecer uma “Vale a pena ver de novo”, com o tucano no centro do trama.

*Via Twitter, a jornalista Leda Nagle comentou assim a “matéria” do Fantástico:

Já o humorista Maurício Meirelles, do CQC, foi mais irônico:

 

Já se desconfiava que "a montanha iria parir um rato".

Apesar disso, o Fantástico deve ter tido uma audiência fantástica... rsrs

Assim sobrevive o PIG... ou suposto PIG...

 

Dra. Ricupero ganhou bolsa de estudos em Paris e deu calote de R$ 362 mil no CNPq. Ah, se fosse o Bolsa Família! Se uma beneficiária do Bolsa Família deixasse de cumprir contrapartidas e ficasse com R$ 360,00 do benefício indevidamente, seria forte candidata a ganhar editorais no jornal O Globo, na Folha, no Estadão e até seus 15 minutos de fama no Jornal Nacional. No caso, má fama.

Já uma doutora de sobrenome ilustre que ficou com R$ 362 mil indevidos, de uma bolsa de estudos em Paris, em processo que se arrasta por 20 anos, não merece nenhuma linha no noticiário.

http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/Acord/20060602/TC-018-410-2004-1.docCristina Ricupero é "gente finíssima", daquelas que encanta o alto tucanato, pela sua cultura e formação acadêmica, cujo auge foi um doutorado na França. Tem uma bem sucedida carreira internacional de curadora e pesquisadora de arte, organizando mostras e exposições internacionais na Europa. 

Até aí, críticas à ela seria coisa de ranzinza ou inveja, não fosse por um detalhe: quem pagou a bolsa de doutorado dela na França (de 1986 até 1990), foi o povo brasileiro, através do CNPq (órgão do governo federal), e ela não cumpriu as contrapartidas obrigatórias (retornar ao Brasil, permanecer no país por um período igual ao da duração da bolsa, exercendo atividades ligadas aos estudos realizados).

Sem cumprir aquelas contrapartidas que ela assumiu compromisso quando se inscreveu para a bolsa, a opção era devolver aos cofres públicos cerca de R$ 362 mil referente aos valores da bolsa recebida (R$ 77.586,18 apurados pelo TCU até 2001, mais correção do débito judicial).

Desde 1992 ela vem sendo intimada a prestar contas das contrapartidas. Oito anos depois (as coisas andam lentas para gente diferenciada do lado de lá), em 2000, nova cobrança do CNPq e nova resposta, omitindo a comprovação das contrapartidas. De 2001 em diante, o CNPq notificou-a diversas vezes para comprovar a contrapartida ou devolver o dinheiro da bolsa. Nem uma coisa, nem outra, foi feita.

Diante do calote, o CNPq considerou Cristina Ricupero inadimplente, promoveu a inscrição do seu nome na conta "Diversos Responsáveis" do Sistema Integrado de Administração Financeira - SIAFI e no Cadastro Informativo de Créditos não quitados de Órgãos e Entidades Federais - CADIN, e ela foi condenada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a devolver o dinheiro. A doutora não devolveu.

Em 2010, o CNPq entrou com execução fiscal na Justiça Federal de Primeiro Grau em São Paulo (processo 0042673-18.2010.4.03.6182), e já há sentença de penhora de bens:


Processo 0042673-18.2010.4.03.6182 em http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/
Mesmo assim, o tucanato paulista, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), tem planos para contratá-la, através da Pinacoteca do Estado de São Paulo, no projeto de uma exposição em 2013, chamada “Brasília, entre o Modernismo Utópico e a Busca Espiritual".


http://www.escolasaopaulo.org/quem/cristina-ricupero

Sobrenome ilustre

O sobrenome da "doutora" é o mesmo do ex-ministro da fazenda Rubens Ricupero, sucesssor de FHC, durante o governo Itamar Franco. Não sei se há relação de parentesco ou não. Mas ambos fazem parte do conselho de uma ONG chamada Instituto Escola São Paulo, o que mostra participarem de uma mesma rede de relacionamentos.

Parentes ou não, a princípio, o ex-ministro não é responsável pelo calote da doutora, se não estiver envolvido. Ricúpero é responsável pelo escândalo da parabólica, quando confessava em "off" atos de corrupção eleitoral em conluio com a Rede Globo.
 O ex-ministro, enquanto aguardava nos estúdios da TV o momento de entrar no ar, falava que não tinha escrúpulos ao usar o plano real para fazer campanha eleitoral subliminar para FHC contra Lula em 1994. Soltou a famosa frase: "o que é bom a gente fatura e o que é ruim a gente esconde" (do noticiário) e combinava uma entrevista exclusiva ao programa Fantástico, para mostrar "só o que era bom", com a cumplicidade da TV Globo. Uma câmara estava aberta levando as imagens ao ar via parabólica e ele teve que se demitir para abafar o caso. http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/07/dra-ricupero-deu-calote-de-r-362-mil.html

 

da Carta Capital (via Viomundo)

Mauricio Dias: Cesar Maia ronda os quartéisde Conceição Lemes

por Mauricio Dias, em CartaCapital

Nas últimas semanas, o ex-prefeito carioca Cesar Maia assumiu de vez o papel de carpideira de quartéis, para citar expressão usada, nos anos 1960, para identificar políticos envolvidos em golpes militares. Maia tem agido assim. Sistematicamente, vem fazendo denúncias contra ações do governo da presidenta Dilma Rousseff. Para isso ressuscita fantasmas usados contra o presidente Goulart, derrubado no golpe de 1964.

Maia adapta frases adequadas, a uma “guerra fria” inexistente. Os argumentos dele baseiam-se em decisões do governo interna e externamente. Neste último caso, preferencialmente, sobre as relações institucionais amigáveis do Brasil com a Cuba de Fidel, fantasma de outros tempos, e a Venezuela de Chávez, fantasma recente. Dois exemplos publicados no blog dele: “Terceirização Vermelha: em 2013 chegam ao Brasil 1.500 médicos cubanos contratados.”

A denúncia trata de um acordo entre o Brasil e Cuba. Na Ilha foram desenvolvidas experiências de atendimento médico com bons resultados. Elas serão aplicadas aqui por profissionais cubanos. Um trabalho remunerado. Maia dá um colorido de “ameaça vermelha” revivendo os tempos em que dependuravam adversários políticos em “pau de arara”.

Aspas para ele: “Fatos sucessivos indicam que a formação de Dilma na esquerda revolucionária dos anos 1970 estaria incorporando-se a suas ações e decisões”.

Na busca constante e frenética do denuncismo terrorista, Maia atacou o discurso da presidenta do “1º de Maio” quando ela criticou a resistência do sistema financeiro a baixar as taxas de juro. Ele interpretou isso como “polarização política fácil e… oportunista: Dilma x Banqueiros”.

Para entender o jogo calculado de Cesar Maia, basta lembrar que esse tipo de denúncia tem um público cativo, os militares, muito inquieto neste momento em que são recontadas ou reveladas práticas tenebrosas da ditadura.

Não é uma decisão tresloucada de Maia. É loucura calculada. Em livro publicado nos anos 1990, explicou que fazia política com régua e compasso. Foi naquela época que iniciou caminhada-solo após renegar Leonel Brizola.

Passou, então, a se apresentar como “líder da direita”. Para evitar um choque brusco nos eleitores, fez calculadamente uso de um jogo de vogais, com a mesma preposição e a mesma finalidade, de tornar-se “líder de direita”. Ele mudou de lado. Havia uma vaga desde a morte de Carlos Lacerda (1914-1977). Contingente expressivo de eleitores, homens e mulheres, além de setores militares, era identificado como sendo “viúvas de Lacerda”. Por aí ele abriu caminho e, por duas vezes, conquistou a prefeitura do Rio.

Faltou consistência política, carisma e, inclusive, a qualidade intelectual de Lacerda, um dos maiores panfletários brasileiros para se apresentar como líder de direitas. Maia não teve fôlego para voos mais altos. Quando tentou, em 2010, sofreu uma derrota arrasadora como candidato ao Senado apesar de ter abusado dos gestos populistas em busca de votos. O mais representativo deles foi tentar cantar Asa Branca na feira popular nordestina, no Rio.
Agora, apresenta-se em busca de vaga na Câmara de Vereadores.

A disputa é um esforço de Maia para tentar salvar o que resta do DEM no estado do Rio. Nesse sentido, lançou o filho Rodrigo, deputado federal, a prefeito da cidade. Sem chances. É provável, no entanto, que Maia ganhe sobrevida política como vereador.

 

 

Da Revista Newsweek

 

Champanhe jorra enquanto a Síria pega fogo

 

Jul 9, 2012 1:00 AM EDT

 

Um país em guerra consigo mesmo. Bombas e massacres de civis. Ainda assim, em Damasco, a música continua tocando.

 

 

 

Na piscina corpos brilhantes, azeitados, e musculares giravam sob uma versão mais animada de “Someone Like You” de Adele. Em cima de alto-falantes enormes, um dançarino russo sugestivamente balançava em frente do jovem, bonito grupo de sírias bebendo cerveja libanesa importada com sal e limão. Atrás deles, colunas de fumaça subiam – sinais de explosões de carros bomba, de uma guerra invasiva.

 

Uma mulher num maiô apertado graciosamente esguichava uma pistol de água, brincando que ela pertencia à milícia pró-governo, a Shabiha, que significa fantasmas ou bandidos, a qual se acredita ser responsável pelo recente massacre de mais de 100 pessoas, muitos deles mulheres e crianças. “A oposição quer nos matar — eles até anunciaram isso no facebook,” disse a mulher, e alegremente voltou a pulverizar água sobre si.

 

A festa na piscina do hotel Dama Rose em Damasco estava apenas começando.

 

Por 15 meses, a Síria tem se empenhado numa luta cada vez mais sangrenta, colocando rebeldes antigovernamentais contra o brutal regime do presidente Bashar al-Assad, custando a vida de pelo menos 10,000 pessoas, de acordo com as Nações Unidas. O que começou como um protesto contra seu governo autocrático se desenvolveu em um conflito violento com conotações sectárias que agora ameaça transbordar para os países vizinhos.

 

Para os jornalistas, a Síria tem sido difícil e perigosa de cobrir, e muitos despachos tem se centrado na luta dos rebeldes para derrubar o ditador em cidades e vilas como Homs e Houla. A vida na capital entre a elite pró-Assad é menos conhecida no mundo exterior. O que emerge de uma recente viagem a Damasco, e conversas com dezenas de pessoas lá que dizem que ainda apóiam o governo, é um profundo sentimento de pavor, mantido à distância por distração e, talvez, ilusão. Damasco tem sido um reduto de simpatizantes de Assad que conta com muitos alauítas e cristãos, mas também sunitas (principalmente seculares). Para eles, Assad é um garantidor da estabilidade. E muitos expressam medo de que se os rebeldes ganharem, eles vão transformar a Síria em um país religioso mais conservador, nos moldes da Arábia Saudita ou Iêmen. Mas com as forças governamentais incapazes de reprimir o levante, o mais assustador cenário agora também parece ser a mais provável: o alargamento dos combates contínuos em uma guerra civil.

 

Por dias, eu escutei a música triunfante batendo e vi as belezas em seus biquínis Victoria Secret fluorescentes festejando na piscina do hotel Rose Dama, onde eu estava hospedada. (Mais de uma vez, eu pensei em Nero tocando o violino enquanto Roma queimava). A Síria, percebi, tornou-se um lugar esquizofrênico, um lugar onde a realidade das pessoas já não se conecta.

 

  While Syria Burns

Num casamento em Damasco, assim como em outros lugares da capital, cidadãos tentam dessintonizar a violência. (Kate Brooks para a Newsweek)

 

Por um lado, há os militantes (em Damasco, em grande parte invisíveis) que estão tentando derrubar Assad. No momento em que cheguei bombardeios, tiros, e uma série de "stick bombs” - bombas artesanais coladas no fundo de um carro na altura da hora do rush – tinha gerado medo na capital e solidificado a raiva contra a oposição, que o governo alega ser apoiada por "intervencionistas".

 


Houve confrontos diários em subúrbios como Douma e Barzeh, e, segundo grupos de direitos humanos, existem atualmente cerca de 35.000 pessoas sendo mantidas em prisões sírias.

 


Por outro lado, há uma classe de adeptos de Assad que continuam com seus afazeres diários – festas na piscina inclusas - enquanto o horizonte queima. Como se a guerra estivesse acontecendo em algum outro lugar, as pessoas bebem champanhe no bairro Mezzah, em Damasco, e participam de sessões de fotos glamourosas de moda e vão às compras atrás de Versace e Missoni nas boutiques de luxo que se alinham na Rua Shukri al Quatli. Apesar dos postos de controle armados e da ameaça de seqüestro, alguns ainda saem à noite, atendendo a ópera, encontrando-se com amigos para o jantar e organizando festas de casamento elaboradas no luxuoso restaurante Le Jardin.

 

"Eu tenho tido mais trabalho do que nunca", diz Dima, uma estrela de televisão que estava sendo laboriosamente preparada para ser fotografada para a revista Gala. "Eu adoraria trabalhar no Líbano ou nos Estados Unidos, é claro, mas no momento, há um monte de sessões aqui." Ela ri e deixa o maquiador - o melhor da Síria, ela ressalta -  aplicar outra camada de sombra roxa e provocar seu cabelo longo e escuro em um coque alto.

 


A jeunesse dorée de Damasco parece não ver que eles estão em guerra. Apesar dos relatos de massacres de civis por combatentes do governo, a revolta, até agora, não contaminou suas vidas, e eles não têm a intenção de deixá-la. "Olha, eu ainda consigo fazer o meu cabelo quando eu vou para uma grande festa, o que ocorre cerca de duas vezes por semana", diz uma jovem que eu conheci. "Eu ainda consigo uma manicure toda semana. Eu ainda estou viva! Ou você escolhe ficar com medo o tempo todo ou você escolher viver."

 


Quatro anos atrás, Damasco foi escolhida como Capital Cultural do mundo árabe pela UNESCO, e algumas pessoas parecem determinados a segurar a alcunha, apesar dos muitos mortos. Na verdade, na Opera House de Damasco, os músicos da orquestra acreditam que é seu nobre dever continuar tocando. "As pessoas dizem que não devemos fazer música enquanto as pessoas estão morrendo; eu digo que é imperativo dar esperança às pessoas", diz um violinista. "Mesmo ter a casa com um quarto da capacidade completa nestes tempos é uma grande conquista. As pessoas têm que dirigir à noite através de postos de controle perigosos para chegar aqui, e a maioria das pessoas só quer ficar em casa, seguras." Confirma uma instumentista. "Eu não quero dar a impressão de que nós somos como o Titanic - a orquestra toca enquanto o navio afunda", diz ela. Seu destino em Damasco tem mais em comum com os músicos russos que continuaram tocando durante o cerco alemão de Leningrado, diz ela. "Música e arte, em tempos como estes, alimentam a alma."

 

  While Syria Burns

Deslocados pela violência em Homs, os moradores fogem da cidade. (Kate Brooks para a Newsweek)

 

Uma noite atendi um concerto clássico no elegante hotel boutique, Art House, em Mezzah, uma área dominada por boutiques chiques, restaurantes dourados, e vilas diplomáticas. Construído no local de um antigo moinho, o hotel dispõe de água correndo sobre painéis de vidro em partes do chão que não estariam for a do lugar no Hamptons ou em Beverly Hills— à exceção de que, antes do programa começar, todo mundo se levanta para prestar homenagem aos “mortos de guerra” com um minuto de silêncio. A violinista de 34 anos e diretora geral da ópera, Maria Arnaout, e um pianista, em seguida, executam peças de Bach, Gluck, e Beethoven para a seleta audiência de homens com aparência boêmia em sandálias e chinos e mulheres elegantes em vestidos de noite e sapatos pontiagudos Christian Louboutin, o designer francês que mantém uma residência de verão na Síria e cujos sapatos são os favoritos da primeira dama, Asma al-Assad. Arnaout, em um vestido de seda sem alças e sapatos de salto alto, recebe uma ovação de pé.

 

Depois, à medida que todos saíam para o restaurante ao ar-livre do hotel, bebendo champanhe, eu ouvi sussurros sobre o que aconteceu naquele dia em Damasco; bombas e luta. Esta parte da cidade, um bairro rico de persuasão política e étnica mista, tem sido um lugar particular de tensão. Ultimamente, os moradores notaram o som de explosões, de tiros de armas de fogo, e de helicópteros no céu.

Poucos dias depois, estou de pé com uma arquiteta na varanda de sua elegante, italianizada casa de vila, observando as pessoas na fila por gasolina abaixo. (Sanções econômicas internacionais criaram problemas graves - até mesmo para os mais abastados.) À medida que ouvimos o ruído ameaçador de helicópteros acima, ela comenta: "Esta é a música pela qual vivemos. E temo que esta seja a nossa sinfonia para pelos próximos anos."

 


Bashar Hafez al-Assad, 46, é algo enigmatico. Raramente visto em público, seu rosto longo é onipresente: retratos do presidente estao pendurados na maioria das paredes dos prédios do governo, e cartazes gigantes de Assad são exibidos a partir de prédios no centro.

Tímido quando criança, diz-se que ele não tinha intenção de seguir seu pai, Hafez, na política. Em vez disso, ele estudou medicina em Damasco e em Londres, especializando-se em oftalmologia. Mas quando Bassel, o aparente herdeiro, foi morto em um acidente de carro em 1994, Bashar foi chamado para casa. Em 2000, ele herdou a presidência de seu pai e se casou com Asma al-Akhras, uma beldade anglo-Síria que foi educada no Reino Unido. Para muitos parecia que Asma modelou-se na princesa Diana e tentou conquistar os corações das pessoas através do trabalho de caridade e pelo glamour discreto. "Ela era realmente amada até isso começar", disse-me um ativista. "As pessoas admirava-na muito." Rumores em Damasco dão conta de que, em algum ponto nos primeiros dias da revolta, Asma tentou fugir do país com suas crianças, mas foi impedida pelo irmão de Assad, Maher, que comanda a Guarda Republicana.

Mas avaliar o que é verdade é difícil. Como no vizinho Iraque sob Saddam Hussein, ou na Líbia durante os dias do coronel Muammar Gaddafi, mesmo defensores ardorosos de Assad se preocupam em falar francamente sobre o ditador com medo de retaliação e tortura, e muitas das pessoas que conheci apenas falam sob a condição de não ter seus nomes revelados.

A polícia secreta, a Mukhabarat, passa por hotéis, restaurantes e cafés. Eles grampeiam telefones e invadem os e-mails das pessoas, para tentar eliminar aqueles que não simpatizam com o regime, envolvendo tudo numa desconfiança.

 

Numa manhã de sábado fumegante, eu dirijo a Barzeh, um dos hotspots ao redor de Damasco, onde protestos, prisões e tiroteios são freqüentes. É também o lar de um grande hospital militar, e nessa manhã eu assisto enquanto homens silenciosamente carregam os corpos mutilados de 50 soldados do governo - desfigurados e quebrados por carros-bomba, explosivos, balas e estilhaços - em um caixão simples de madeira. Eles ornam os caixões com bandeiras sírias e marcham em procissão para o pátio ao som de uma banda militar. Aqui, as famílias dos soldados e membros do regimento permanecem presentes, a maioria deles chorando. É um lembrete agudo do quão duramente as forças de Assad estão sendo atingidas pela oposição, cujas táticas de guerrilha estão provando-se fatalmente bem sucedidas. O diretor do hospital, que se recusa a se identificar, diz que cerca de 100 soldados são mortos a cada semana.

 

  While Syria Burns

No hotel Dama Rose, a elite jovem festeja pesadamente — a despeito dos sinais de guerra. (Kate Brooks para a Newsweek)

 

No sétimo andar do hospital, o major Firas Jabr encontra-se acamado, com sua ansiosa noiva atentamente por perto. Sua perna e seu braço direitos foram arrancados.

 

No final de Maio, o soldado alauita de 30 anos lutou contra os rebeldes durante a batalha em Homs; ele diz que sofreu uma emboscada de “combatentes estrangeiros,” inclusive de homens do Líbano e do Iêmen. “Depois de perder minha perna e minha mão, eu percebi que estava ferido, mas continuei atirando até [as forças governamentais] virem me resgatar,” disse Jabr.

 

Sua história favorita, ele diz, é a história do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. “Essa é Camelot,” ele diz. “Assad é o Rei Arthur, e eu sou um cavaleiro.” Apesar de ter perdido boa parte de seu corpo, Jabr tem um imenso sorriso em seu rosto. Como quase todos os defensores de Assad que encontrei, Jabr diz que acredita no ditador sírio, e que irá continuar a lutar, diz, assim que receber suas próteses. “Eu tenho dois amores,” ele me diz, tentando levantar-se: “Minha noiva e a Síria.”

 

É uma crença comum entre a elite que as bombas e o caos que se espalham pelo país são causados por um “terceiro elemento”: um fluxo de combatentes estrangeiros com crenças salafistas radicais que pretendem transformar a Síria num estado opressivo e conservador. Depois de um carro explodir durante minha estada em Damasco, a paranoia dos apoiadores do regime ficou, de repente, em evidência. “Nossa única amiga é a Rússia!” gritou um homem bem vestido, sua face contorcendo-se de raiva, no lugar do bombardeio que deixou o esqueleto enfumaçado de um carro, mas ninguém ficou ferido. “Esses são os estrangeiros que estão explodindo nosso país! A Síria é para os sírios!”

 

Maria Saadeh, uma novata política que foi recentemente eleita para o parlamento, está entre aqueles que não acreditam que Assad ou seus companheiros estão por trás de qualquer atrocidade, apesar da crescente evidência de forças do regime estarem massacrando civis em Houla e destruindo o distrito de Baba Amr em Homs. “Você acha que nosso presidente poderia atacar seu próprio povo?” ela pergunta incrédula. “Isso é trabalho de combatentes estrangeiros. Eles querem mudar nossa cultura.”

 

Educada na França e na Síria como uma arquiteta de restauração, Saadeh mora na Star Square na antiga região francesa de Damasco, num elegante prédio de 1920 que ela ajudou a renovar. Sentado no terrace de seu apartamento chique  — com uma criada Filipina servindo o chá e seus dois filhos, Perla e Roland, com suas cabeças espreitando através das janelas — ela parece uma modelo de uma revista de moda: alta, loira e bem sucedida, uma membro yuppie da elite. Quando eu lhe pergunto sobre uma mudança de regime, ela simplesmente diz, “Agora não é a hora.”

 

Uma noite, durante o jantar com uma família abastada em sua vila em Mezzah, a qual tem vários terraços e elaborados arbustos no jardim, o filho de 17 anos expõe seus pontos de vista firmemente pró-Assad. “Veja o que aconteceu na Tunísia, veja o que aconteceu na Líbia, veja os resultados do Egito,” ele diz. Ahmed, que veste uma camisa Lacoste rosa, jeans desbotado e trainers, está prestes a se alistar no serviço militar; depois disso, ele planeja estudar ciência política em uma universidade nos Estados Unidos. Assim como sua mãe, sua avó, sua tia, e sua prima, ele é educado, poliglota, e possui dois passaportes. Ele não acredita que tudo o que Assad faz é correto, mas ele apóia 100%  o governo porque acredita, como Saadeh, que não é tempo para mudança. E, ele diz, em qualquer caso, que a mudança não deveria ser imposta por outros estados, alguns que sequer são democráticos. “Porque deveríamos receber lições de democracia da Arábia Saudita, que fornece armamento para a oposição?” ele diz, servindo-se de hummus. “Eles sequer permitem que as mulheres dirijam!”

 

Lá fora, nas ruas de Damasco, há filas de gás e inflação crescente, com o preço de algumas mercadorias importadas com até 60% de aumento.

 

 While Syria Burns

O exército sírio realizou um funeral num hospital militar num dia do mês passado. Cerca de 100 soldados do governo são mortos a cada semana. (Kate Brooks para a Newsweek)

 

O extenso bazar da histórica Cidade Antiga, antes repleto de turistas, agora raramente recebe visitas de viajantes. O belo e velho hotel Talisman está sem hóspedes, vazio e quieto exceto pelos pios dos pássaros e pela água que corre na fonte.

 

Ainda assim, certa classe de Damascenos vive a vida intocada pela violência, em belos e espaçosos lares, recepcionando grandes jantares debaixo de lustres de cristal brilhantes, vendo os amigos em perfumadas noites de verão nos terraços ao ar livre com fragrância de jasmim — muito teimosos ou com muito medo de ver que seu mundo mudou irrevogavelmente.

 

“Eu ainda corro e nado todos os dias,” diz Wael, um rico empresário que está ansioso para argumentar que esta não é uma guerra civil ou um conflito sectário. Ele é um xiita, mas membros de sua família são sunitas, e sua lista de amigos inclui cristãos, armênios e alauitas, ele diz. “Isto não é uma guerra. Nosso regime é forte. 70% apoiam plenamente Assad.” Sua esposa, Nadia, que usa um lenço na cabeça e vai a opera sempre que pode, diz que os rebeldes ameaçam as pessoas — mandando-as fechar suas lojas e juntar-se aos protestos. Se elas se recusam, “eles as destroem,” ela diz. “Por isso que eu apoio o governo.”

 

Quando eu os questiono se eles têm medo, eles negam. “De jeito nenhum,” diz Wael. “Na última semana fizemos uma festa para 20 pessoas em nossa varanda. Estávamos todos relaxando e fumando o narguilé,” o cachimbo de água. “Nós ouvimos tiros ao fundo - mas pareciam muito distantes.”

 

 

Da Reuters

 

Premiê da China diz que economia está se estabilizando
 

PEQUIM, 15 Jul (Reuters) - O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou que as medidas para estabilizar a economia estão funcionando e que o governo vai acelerar os esforços no segundo semestre do ano para elevar a efetividade das políticas, noticiou a agência de notícias Xinhua no domingo.

Wen, que deu a declaração durante um viagem no fim de semana à província de Sichuan, afirmou que a economia está andando a um ritmo mais lento e mais estável de crescimento.

"A taxa de crescimento econômico ainda está dentro da meta do governo determinada neste ano, e as políticas de estabilização estão funcionando", disse Wen segundo a Xinhua.

A China informou na sexta-feira que o crescimento entre abril e junho desacelerou pelo sexto trimestre consecutivo, para o ritmo mais lento em mais de três anos. A expansão de 7,6 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado ficou pouco acima da meta do governo de 7,5 por cento para 2012.

(Reportagem de Nick Edwards)

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE86E00220120715

 

Demarchi

 

Do Huffington Post

 

Laços Iraque-Irã ficam mais fortes à medida que o Iraque renasce das cinzas

 

Posted: 07/14/2012 9:23 am

 

 

WASHINGTON – Na corrida para a Guerra do Iraque, falcões neoconservadores dentro e for a da administração Bush prometeram que a invasão Americana transformaria rapidamente aquele país num forte aliado, uma democracia árabe modelo e um dos principais produtores de petróleo que reduziria os preços mundiais, mesmo enquanto pagando pela sua própria reconstrução.

 

"Um novo regime no Iraque serviria como um exemple dramático e de inspiração de liberdade para outras nações da região," disse o presidente George W. Bush plateia no American Enterprise Institute em 2003, poucas semanas antes de lançar o ataque.

 

Depois de dez anos sangrentos e penosos, o Iraque finalmente emerge de suas ruínas e se estabelece como um player geopolítico no Oriente Médio – mas não do jeito que os neocons previram.

 

Apesar de tecnicamente ser uma democracia, o vacilante governo vacilante do Iraque degenerou-se numa quase ditadura cambaleante. Os custos da guerra (mais de $800 bilhões) e da reconstrução (mais de $50 bilhões) têm sido assombrosamente altos. E enquanto o Iraque está finalmente produzindo petróleo nos níveis de pré-guerra, está usando seu melhor para elevar os preços do petróleo ao máximo possível.

 

O mais perturbador para muitos especialistas em politica externa americanos, entretanto, é a relação extremamente próxima do Iraque com o Irã. Hoje, o país que foi previamente o rival mortal do Irã é seu mais forte aliado.

 

"Essas são as consequências maravilhosas de nossa intervenção – e o seu brilho é realmente alucinante," disse Chas Freeman, um estudioso em Oriente Médio e crítico dos neoconservadores. "A extensão na qual o Iraque se tornou um colaborador ativo do Irã ...é, de fato, muito notável."

 

Os Estados Unidos estão liderando um intense esforço internacional para pressionar o Iran a conter seu programa nuclear. Em janeiro, a União Europeia concordou em juntar-se aos EUA no embargo ao petróleo Iraniano, o qual entrou em vigor esse mês.

 

Ao invés de ajudar os EUA nesses esforços, contudo, o Iraque está fazendo bem o oposto. O Iraque tem sido um crítico das sanções americanas contra o Irã, e alguns temem que ele possa ajudar seu vizinho a evitar as penalidades transportando mercadorias através de sua fronteira comum.

 

Outro objetivo principal da administração Obama no Oriente Médio é remover o regime opressivo de Bashar al-Assad da Síria. "Para o bem do povo sírio, é tempo do presidente Assad se afastar," disse o presidente Barack Obama em agosto do último ano.

 

Mas novamente, o Iraque está trabalhando com objetivos opostos aos EUA, condenando os esforços para derrubar Assad e deixando o Irã usar seu espaço aéreo pra enviar armas ao governo de Assad.

 

De fato, alguns estudiosos em Oriente Médio predizem o nascimento de um eixo xiita Irã-Iraque-Síria, que poderia desafiar a Arábia Saudita e outros estados sunitas do Golfo Pérsico pelo controle da região.

 

A MINGUANTE INFLUENCIA DOS EUA

 

Neoconservadores junto à administração Bush imaginaram que a pós-invasão do Iraque serviria como uma plataforma para o poderio militar americano na região. Os EUA construíram cerca de uma dúzia de bases aéreas enormes, a um custo de aproximadamente $2.4 bilhões, completas com longas pistas de pouso, fortificações massivas e todos os confortos de uma casa. Elas claramente tinham a intenção de permanecer.

 

Eles também se destinavam a manter a influência americana. A gigantesca embaixada Americana em Bagdá – um complexo altamente fortificado do tamanho da cidade do Vaticano – é de longe a maior que o mundo já viu até agora, e, a um custo de quase três quartos de um bilhão de dólares para ser construída, a mais cara.

 

Mas mesmo antes do fim da presidência de George Bush, os iraquianos insistiram em estabelecer um prazo para a partida das tropas americanas. E quando Obama cumpriu aquele prazo no final de 2011, o Departamento de Defesa também teve que deixar para os iraquianos todas aquelas bases militares elaboradas.

 

O Departamento de Estado finalmente reconheceu que precisa diminuir sua presença diplomática no Iraque. Brett McGurk – cuja nomeação para ser o próximo embaixador Americano em Bagdá descarrilou pela divulgação de alguns e-mails picantes – falou sem rodeios na sua audiência de confirmação em junho.

 

"Francamente, nossa presença no Iraque agora está muito grande," ele disse. "Também não há proporcionalidade entre nosso tamanho e nossa influência. De fato, nós gastamos muito capital diplomático simplesmente para sustentar nossa presença."

 

O principal beneficiário dessa colossal perda de influencia americana no Iraque tem sido o Irã.

 

Os dois países compartilham uma longa e algumas vezes tortuosa história. Sua ligação mais forte deriva das populações que são majoritariamente membros do ramo xiita do Islã, ao invés do ramo sunita, que é mais comum nos outros países árabes. Os clérigos xiitas que são tão influentes em ambos os países frequentemente viajam entre os dois, bem como compartilham origens semelhantes sendo frequentemente relacionados por sangue.

 

Mas as divisões étnicas dos dois países – os Iranianos são Persas, enquanto a maioria dos Iraquianos é árabe – e seus nacionalismos ferozes foram explorados por Saddam Hussein, um sunita, que tornou o Iraque num baluarte contra o Irã, indo tão longe ao ponto de lançar uma guerra de oito anos contra o Irã em 1980 que custou as vidas de  até um milhão de soldados.

 

Quando os EUA derrubaram Saddam e purgaram seus leais partidários do governo e dos militares, o Irã entrou em cena, oferecendo suporte tanto para os líderes xiitas que trabalhavam com os EUA para formar um novo governo, quanto para as milícias xiitas que estavam lutando contra os EUA durante a ocupação.

 

O atual presidente iraquiano, Nouri al-Maliki, é particularmente dependente do Irã devido a influência política, religiosa e comercial que este exerceu em seu favor – mais recentemente em junho, quando a coalizão dominante de Maliki quase  se desfez mais uma vez.

 

Na medida em que a luta política interna no Oriente Médio é fundamentalmente entre iranianos xiitas e sauditas sunitas, é claro para os sauditas com quem a lealdade iraquiana está. "Ele é um agente iraniano," disso o rei saudita Abdullah sobre Maliki em uma conversa em março de 2009 com oficiais americanos documentada em um relatório obtido pelo Wikileaks.

 

Maliki tem "aberto a porta para a influência iraniana no Iraq" desde que chegou ao poder, disse o rei.

 

Maliki ainda tem alguns incentivos para evitar que a relação com os EUA U.S. se esfrie totalmente. O Departamento de Estado ainda planeja gastar aproximadamente $5 bilhões no ano fiscal de 2013 no Iraque, metade disso para manter sua embaixada. O Iraque também precisará da ajuda americana para operar os 36 F-16’s pesadamente armados que foram comprados recentemente, e também tem projetos de compra de outros armamentos modernos.

 

Mas Maliki e outros líderes iraquianos "compreendem que os EUA virão e que os EUA irão," disse Jamsheed Choksy, um professor de estudos iranianos da Indiana University.

 

"As pessoas na região sabem que eles não podem contar com os EUA no longo termo," ele disse. "Se você é um politico xiita, você precisa do Irã."

 

A MOEDA DO REINO

 

A produção de petróleo do Iraque está crescendo, finalmente fazendo deste um dos principais fornecedores mundiais novamente. Todo esse petróleo adicional no mercado é amplamente visto como um golpe no Irã, porque ele irá ajudar a preencher qualquer queda causada pelo boicote ao petróleo Iraniano.

 

Mas com risco de limitar sua própria produção, o Iraque está apoiando o Irã o tanto quanto pode também na área de petróleo.

 

Historicamente, houve uma divisão no grupo de produtores de petróleo da OPEP entre falcões do preço, como a Venezuela e a Argélia, que querem elevar o custo do petróleo ao máximo possível, e estados do golfo como a Arábia Saudita, que querem manter os preços moderados.

 

Na reunião mais recente da Opep, o Iraque usou sua nova influência para tentar levar elevar os preços – ficando ao lado do Irã contra os sauditas. Ele também apoiou uma proposta para que a Opep proteste oficialmente as novas sanções contra o Irã.

 

Ambas tentativas falharam, mas alguns observadores acham que o Iraque poderia ajudar o Irã a desafiar as sanções de outras maneiras.

 

"Resta ver se os EUA tem influência suficiente no Iraque para preveni-lo de servir como um canal de petróleo para o Irã," Choksy disse.

 

"Eles poderiam, caso quisessem – e eles nunca divulgariam isto – levar o petróleo iraniano pela fronteira em caminhões pipa, misturá-lo ao petróleo iraquiano, e enviá-lo para fora ao mercado como petróleo iraquiano," disse Gary Sick, um estudioso sênior do Columbia University's Middle East Institute. (O Irã fez recentemente isso pela Síria, quando a mesma encarou um embargo a sua exportação de petróleo, mas precisava de dinheiro.)

 

A vasta, não patrulhada fronteira do Iraque com o Irã poderia também ser um canal principal para mercadorias ilícitas, tornando outras sanções ineficazes.

 

AMIZADE TEM SEUS LIMITES

 

Por mais significante que seja a aliança entre Iraque e Irã, entretanto, ela pode não durar.

 

"O Irã está muito melhor hoje com o Iraque do que jamais esteve com Saddam no poder – não há comparação; mas isso nçao significa que o Iraque seja um estado cliente que acata as ordens do Irã," Sick disse.

 

"Você tem um governo [em Bagdá] cuja visão de mundo é, em geral, alinhada com aquela de Teerã," disse Michael Eisenstadt, um associado sênior do Washington Institute for Near East Policy. Mas, ele disse que líderes iraquianos são inflexivelmente contrários ao tipo de governo clerical que eles veem no Irã.

 

"O Irã não pode ditar para o Iraque," disse Reidar Visser, um pesquisador associado do Norwegian Institute of International Affairs que possui um website sobre a política iraquiana. "Xiitas iraquianos ainda veem seus interesses como sendo bem distintos dos xiitas iranianos."

 

Sick pensa que a aliança Irã-Iraque poderia se desfazer por causa do petróleo, especialmente se o embargo prejudicar demais o Irã. "O interesse nacional iraniano seria retirar o petróleo do mercado" para que os preços subissem, prejudicando as economias ocidentais, disse Sick. "Mas o Iraque está, de fato, se preparando para jogar o jogo do petróleo. Eu vejo isso como um potencial conflito de interesses nacionais diretos."

 

Os neoconservadores, por sua vez, continuam a manter as esperanças. Do alto da nova sede da Foreign Policy Initiative, o diretor executivo Jamie Fly diz que "ainda não está claro" onde o Iraque vai terminar.

 

"Eu não creio que seja uma completa quebra do que foi prometido," ele disse. "Eu acho que é provavelmente ambíguo neste ponto, em termos de como o Iraque se desenvolveu como um player regional."

 

Fly também culpou a retirada das tropas pela administração Obama por muitas das falhas do Iraque. "O problema é que a presente administração baixou os braços, e nós temos minado nossa própria habilidade de ajudar a garantir que o Iraque permaneça numa trajetória positiva," ele disse.

 

"Minha preocupação acerca de alguma influência do Irã e do papel que o Iraque pode ou não exercer, vis-à-vis a Síria, é em grande parte devido a não termos mais uma presença militar por lá, e isso enfraqueceu nossa mão e limitou nossa habilidade de assegurar que ele não seja atraído ainda mais para a órbita de Teerã," disse Fly.

 

Prever o que acontecerá no Iraque é quase impossível. Em nenhum cenário virtual, entretanto, as coisas se comportam da maneira que os neocons planejaram.

 

"Qualquer que tenha sido a intenção [da guerra], a qual nunca foi completamente esclarecida, ela não funcionou muito bem," disse Freeman, "e, de fato, o Iraque continua a evoluir de maneiras que são, senão fatais aos interesses americanos, certamente negativas."

 

 

 

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Dan Froomkin é correspondente senior do The Huffington Post em Washington.