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Sobre a quadrilha de Carlinhos Cachoeira

1. Veja encomendou a Cachoeira grampo contra deputado, diz revista

Documentos da Polícia Federal mostram estreita parceria entre o jornalista Policarpo Jr. e o esquema mafioso do contraventor goiano

 

http://www.cloudnews.com.br


 

A AGONIA DO RETROCESSO NO MINISTÉRIO DA CULTURA DO BRASIL

 

Por Carlos Henrique Machado Freitas

 

A cultura brasileira, aquela das raízes do Brasil, volta a dormir debaixo da rampa do Palácio do Planalto. O Ministério da Cultura pegou emprestado os consultores da política cultural paulista de Alckmin, do Instituto Pensarte, que são hoje a grande vedete. Isso significa que, na cultura em Brasília FHC e sua cartilha de terceirização do Estado “cultura é um bom negócio”, estão de volta.

 

 

Todas aquelas manobras que historicamente beneficiaram as categorias burguesas da cultura mais do que nunca veem crescer em suas contas as premiações suculentas das leis de incentivo e também das negociações de balcão do MinC/Funarte. As justificativas? As de sempre, criar um ambiente profissional no nosso amadorismo cultural. Por isso nada de cultura de compartilhamento; nada de programa Cultura Viva.

 

A democratização das verbas da cultura se dá pelos consagrados da mídia, pelos consultores nascidos no território da extrema direita, estes que criaram uma cadeia especulativa entre leis de incentivo e as OS de conduta nada republicana. Mas como estamos falando de retrocesso e a única defesa até então para justificar a entrada e a manutenção da ministra, é o seu sobrenome, ou seja, começamos e mantemos o Ministério da Cultura de trás para frente com a nostalgia do país dos sobrenomes.

 

O carro-chefe dessa gestão, a SEC (Secretaria da Economia Criativa) é, depois das relações estreitas da ministra com o Ecad e a destruição do programa Cultura Viva, o maior queima filme. Pois assim como a ministra, esta secretaria chegou com nome e sobrenome e, até agora não disse a que veio. É nítido que a chefe da pasta não sabe mais como representar um conceito que nem nasceu e já está morrendo justo porque não para de andar em círculos.

 

O Estado criar uma indústria dedicada ao mercado cultural quando o próprio mercado mundial perdeu a sua estrutura, chega a ser uma agressão à nossa inteligência. Mas tem muita gente se divertindo com isso, principalmente os agora vizinhos do Ministério da Cultura, os gestores tucanos, pois é através deles que o MinC usa o corrimão para uma sucessão de retrocessos, fazendo com que a cultura brasileira desça a rampa, a mesma rampa que no governo Lula levou toda a rica manifestação cultural brasileira de baixo para cima a um projeto prioritário, valorizando sobretudo a SID (Secretaria da Identidade e Diversidade).

 

Hoje perdemos a dimensão desse retrocesso. Chega a ser impossível avaliar a radicalidade desse triunfante atraso. O que se pode afirmar, sem a menor sombra de dúvida, é que o MinC, em dez anos, foi do céu ao inferno, sobretudo nos quase dois anos de gestão de Ana de Hollanda. Não dá para comparar, mas olhando nos olhos de qualquer um, principalmente os que tinham confiança na continuidade, no governo Dilma, das políticas culturais do governo Lula, concluímos que todos estão decepcionados com o que estão vendo, pois o MinC há quase dois anos era um dos marcos da nova história do Brasil pois era um dos Ministérios da Cultura mais avançados do planeta e, hoje, é sem dúvida um dos mais atrasados por ter se transformado em uma fábrica de absurdos.

 

Na realidade não há contorcionismo retórico que possa tirar na segunda etapa do governo Dilma o Ministério da Cultura do Brasil de seu próprio pântano. Não existem etapas a serem ultrapassadas, tudo tem sabor de retrocesso; tudo é um grande pesadelo para a cultura brasileira. O MinC entrou em um retrocesso endêmico e funcional. A nossa oligarquia, com seu tradicional ódio de classe, agradece.

 

http://www.trezentos.blog.br/?p=7182

 

 

Do Correio do Brasil

 

EUA treinam militares paraguaios e presença brasileira aumenta na Tríplice Fronteira

9/8/2012

 

Paraguai

 

A convite dos EUA, o Paraguai participa das manobras no Canal do Panamá

 

Soldados paraguaios participam desde o início desta semana dos exercícios militares dirigidos pelo Comando Sul dos Estados Unidos, em manobras de suposta defesa do Canal do Panamá. A participação paraguaia em um movimento de tropas norte-americanas ocorre logo após o golpe de Estado naquele país sul-americano, prontamente apoiado por Washington, contra o ex-presidente Fernando Lugo. O treinamento das tropas seguirá até o dia 17 de agosto e tem cerca de 600 militares.

“Robert Appin, do Comando Sul dos Estados Unidos afirmou que o enfoque dos exercícios é a reação a um hipotético ataque terrorista que pretenda bloquer o trânsito de navios no Canal”, afirma nota do Movimento pela Paz, a Soberania e a Solidariedade entre os Povos (Mopassol, na sigla em espanhol). Segundo a instituição argentina, há no Panamá 12 bases aeronavais controladas pelos EUA. Desde 2003, sob a direção do Comando Sul, realizam-se os exercícios militares conhecidos como Panamax, que contam com a participação de militares do Chile, Panamá e Estados unidos. Atualmente, porém, integram as manobras 17 países ao todo e é considerado um dos maiores movimentos de tropas do mundo.

O Paraguai tem participado das manobras desde 2006, mas se manteve afastado de 2009 a 2012, sendo novamente convidado após o golpe que instituiu o governo de facto do presidente Federico Franco.

Referindo-se ao exercício multinacional que usa a desculpa da luta contra o terrorismo, o jornalista cubano Miguel Lamas afirmou, dois anos atrás, que o verdadeiro projeto dos exercícios militares na América Latina são ensaios de uma invasão.

“O aparato militar dos EUA aponta para a necessidade daquele país de buscar condições militares suficientes para dominar, militarmente, os demais países latino-americanos. Eles trabalham nos setores de inteligência e no treinamento físico para manter uma força capaz de intervir, no futuro, em qualquer país do continente. Este é o verdadiro objetivo de todas e de cada uma das manobras e dos exercícios militares que fazem, sempre com a cumplicidade aberta de vários países latino-americanos e de forma encoberta por outros”.

Intercâmbio parlamentar

No caso paraguaio e do Cone Sul, vale recordar que o governo dos EUA, há anos, insiste na presença de células terroristas em Ciudad del Este, na zona denominada “tríplice fonteira” (Brasil, Argentina e Paraguai). Um grupo de parlamentares norte-americanos, em visita àquela cidade paraguaia, nesta semana, alegou que o propósito da missão é a de “compreender melhor os desafios do crime transnacikonal que o Ocidente enfrenta”, segundo porta-voz.

O Paraguai mantém fortes laços de cooperação técnica e militar com os EUA, sempre a serviço daquele país no objetivo de bloquer a presença das repúblicas socialistas da Venezuela e demais integrantes da Unasul e no próprio Mercosul, do qual fazia parte até ser suspenso após o golpe de Estado, renovando sempre seu apoio à ingerência norte-americana na região. O país abriga uma classe política de ultradireita e conservadora que, no dia 22 de junho, perpetrou um ataque à democracia e ao mandato do presidente deposto Fernando Lugo. Essa mesma classe política, formada por partidos tradicionais e dependentes do capital estrangeiro, ampliou os contatos com o Congresso norte-americano nas últimas semanas

Manobras brasileiras

Ao longo desta semana, o governo brasileiro concluiu o envio de um contingente de cerca de 9 mil militares – equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados – para a Tríplice Fronteira, na Operação Ágata 5. O movimento de tropas irá durar 30 dias.

“É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade”, disse o ministro da Defesa, Celso Amorim. A Marinha enviou aproximadamente 30 embarcações para os rios da Bacia do Prata, entre elas três navios de guerra e um navio-hospital.

A Força Aérea Brasileira (FAB) participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não tripulados. O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três Forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.

A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais, entre elas a Polícia Federal, que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens. O general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do Sul, disse que a área crítica de patrulhamento é entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, onde é maior a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando.

Partiu da presidenta Dilma Rousseff a ordem a Amorim para a execução da Operação Ágata 5.

– A ação visa a reforçar a presença do Estado na fronteira com a Bacia do Prata – disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como consequência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser “sufocados”.

Para Samuel Alves Soares, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed), a decisão de ampliar o número de homens armados na região de fronteira pode ser entendida como uma mensagem da disposição de aumentar a força brasileira.

http://correiodobrasil.com.br/eua-treinam-militares-paraguaios-e-presenc...

 

Demarchi

Apesar de concordar parcialmente com as críticas da matéria, não vai ser o formato PDF que vai impedir de se trabalhar com esses dados, embora, num formato aberto e mais fácil de manipular seria BEM melhor.


Além disso, olhando os dados divulgados e a maneira como foi feito, não vejo que falta faria ali o nome das pessoas, exceto, é claro, daqueles que exercem funções exclusivamente de confiança ou similares. Creio que a divulgação daqueles que não pertencem originalmente ao órgão, deveriam ser indicados, e até mesmo, sonho meu, de quem (ou partido) que indicou tal pessoa.


E comparando, é uma divulgação mais útil que da prefeitura de Porto Alegre, que divulgou nome completo e parte do CPF dos funcionários, mas sem indicar função, cargo ocupado ou que parte do salário corresponde ao vencimento básico, vantagens, etc. A divulgação da prefeitura é a típica iniciativa para cumprir tabela e atender a lei mas de pouca utilidade real, enquanto a da governo do RS, apesar de necessitar de alguns ajustes (incluiria ali tempo de serviço de cada funcionário, por exemplo), já permite algum tipo de avaliação, como verificar que tipos de cargos existem ou tamanho do quadro de um órgão e que posições estão sendo ocupadas exclusivamente (ou quase por CCs). Tanto que vi que todas as agências da FGTAS/SINE possuem na Coordenação alguém de fora, quando imagino que seria positivo que tal posto pudesse ser ocupado por funcionários do quadro, até como estímulo para o servidor público.


Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2012/08/governo-do-estado-divulga-salarios-de-servidores-mas-em-formato-fechado-e-sem-nomes-3849304.html


Governo do Estado divulga salários de servidores, mas em formato fechado e sem nomes
Dados estão separados em mais de 50 relações, em formato PDF, que impede cruzamentos
Juliana Bublitz


juliana.bublitz@zerohora.com.br


O Palácio Piratini acaba de divulgar as listas com cargos e salários, incluindo vantagens pessoais e eventuais, no site da Secretaria Estadual da Fazenda.


Apesar disso, os dados estão separados em mais de 50 relações, em formato PDF, que impede o usuário de fazer rankings e cruzamentos, e sem os nomes dos funcionários.


Clique aqui para acessar os vencimentos da administração direta e aqui para verificar os valores pagos em autarquias e fundações.


A seguir, mais informações.

 

Criança é criança em qualquer lugar do mundo, não importa a língua, a cor dos olhos, a condição econômica. Em Londres, os inglesinhos estão loucos por... Neymar. 

 

Do R7 - 9/8/2012 20h02

Neymar faz a cabeça das crianças em Londres 2012

"Fred tem 8 anos, é simplesmente apaixonado por Neymar:

- just amazing, I like that.

O menino conta que se pudesse faria um pedido ao brasileiro. Eu diria prá ele que me ensinasse a ser um jogador tão espetacular, diz. O garoto mora na periferia da cidade. De família pobre, ele não tem TV a cabo, única maneira de acompanhar Neymar por aqui. Então ele vai a casa de amigos assistir e até pede prá que os colegas narrem os gols na escola. Para mim ele faz um pedido especial. Quer ver a famosa dança do craque [no celular da repórter]. Empolgado ele arrisca uns passinhos."

para assistir a reportagem clique aqui

 

Nossa, estou surpreso que ninguém ainda tenha postado a reportagem de capa da Carta Capital. Como assinante, só devo tê-la em mãos amanhã. Mas o entreposto virtual do Daniel Dantas, o Brasil247, já está a todo vapor com a repercussão.

Já adianto: se desta vez o Policarpo, o Civita e a Inominável não forem para o buraco, podemos fechar o País e pôr um cartaz de "passo o ponto": acho que até o Jotavê, cujo rigor analítico exige uma argumentação impecável, há de convir que, a ser verdade o que a capa da revista diz, o Leandro Fortes não estava "viajando".

 

Nassif, gostaria que você, se possível, criasse um tópico para discutirmos um tema que vem me chamando a atenção ultimamente. Diz respeito a uma crescente descaracterização do Partido dos Trabalhadores.

Não sou petista de carteirinha (apenas de voto), muito menos radical. Ao contrário, acredito que a realpolitik exige certa dose de pragmatismo para que objetivos maiores sejam alcançados. No entanto, tenho cada vez mais receio de que o PT, o único partido - no sentido fiel da palavra - grande que temos, esteja perdendo a mão.

Esse tal pragmatismo tem sido usado para esmagar mobilizações da base em cidades pequenas. Por exemplo: em Brumado, minha cidade, sudoeste da Bahia, após anos e anos de polarização PFL-PMDB, houve uma mobilização para lançar uma candidatura própria do PT como alternativa. Contudo, a candidata do PMDB, derrotada na eleição passada, e cujo marido foi prefeito também pelo PMDB, mudou pro PT e agora se lança candidata. Ou seja, na prática não mudou nada! O PT não é mais alternativa, e sim a continuação do PMDB!

Agora vejo algo mais escroto acontecer em uma cidade vizinha nossa, Caetité, famosa pela exploração de urânio. Segue a notícia:

Do ICatité (http://www.icaetite.com.br/?lk=4&id=7932):

PT de Caetité contraria decisão da maioria dos filiados e retira candidatura do padre Osvaldino. Domingo, 01 de Julho de 2012   Uma manobra política que nos remete à época da ditadura, forçou a retirada da candidatura do padre Osvaldino Barbosa à Prefeitura de Caetité, mesmo depois que os filiados do partido, em sua grande maioria, votaram nas prévias em favor do lançamento de uma candidatura própria.
Tendo o padre como um divisor dos seus votos, fato que dificultaria ainda mais a sua tentativa de reeleição, o Prefeito Zé Barreira tratou de agir para que uma decisão de cima para baixo mudasse o rumo da decisão da maioria dos petistas. Em nota publicada na imprensa regional, o padre lamentou a decisão, “... estranhamente, uma minoria que não comunga com tais propósitos, aliados a outras forças que há em nosso município, tanto fez que conseguiu esvaziar a candidatura própria, que a MAIORIA dos filiados já havia decidido ser o caminho a trilhar...” . Na nota o reverendo ainda comentou que a postura honesta que tentou adotar na campanha política, incomodou a quem está acostumado justamente com o contrário e diz, sem citar nomes, que “Muitas foram as forças que se moveram contra o nosso sonho”. 
A ação vai de encontro ao que sempre pregou o Partido dos Trabalhadores, que o coloca agora, no mesmo rol do Carlismo que retirava qualquer candidatura que contrariasse aos poderosos, chegando inclusive a dissolver diretórios de partidos em várias cidades da Bahia. Em entrevista à nossa reportagem por telefone, o padre preferiu não comentar a decisão, dizendo que a nota que publicou reflete o seu pensamento, mas demonstrou estar muito aborrecido com a forma como o processo aconteceu. Já o candidato do PSDB Dr. Ricardo Ladeia lamentou a retirada de uma candidatura que ele considerava necessária "para enriquecer o debate político em Caetité" e classificou o ato como "anti-democrático".Veja a nota do Padre Osvaldino na íntegra.
Amigos e amigas,
É chegada a hora de agradecer a todos que sonharam comigo a possibilidade de se construir uma nova opção para o futuro da nossa comunidade. Agradecer aos que, comigo, vislumbraram na participação política a possibilidade de trazer a honestidade de princípios para o centro do debate eleitoral. Mas uma proposta assim, amigos e amigas, certamente incomoda a quem está acostumado exatamente com o contrário. Muitas foram as forças que se moveram contra o nosso sonho. Muitas e poderosas foram as ações contra o nosso desejo de uma política humanizada, uma administração que não privilegiasse "a" ou "b", mas pautasse todos os seus atos visando o bem comum.A minha disposição de participar do processo eleitoral jamais se deu por vaidade pessoal, por interesse próprio. Sempre pensei em construir junto com os homens e mulheres de bem um novo campo de atuação. E aqui, dentro do Partido dos Trabalhadores, os homens e mulheres de bem formaram a maioria, expressa quando realizamos, e vencemos, as prévias. Contudo, estranhamente, uma minoria que não comunga com tais propósitos, aliados a outras forças que há em nosso município, tanto fez que conseguiu esvaziar a candidatura própria, que a MAIORIA dos filiados já havia decidido ser o caminho a trilhar. É difícil de entender como pode ser assim, mas infelizmente é assim que as coisas acontecem no mundo da política mais rasteira. Manobras, intrigas e conchavos. Os interesses do povo, os interesses comunitários, isto é o que menos importa para quem vê na política apenas um meio de se beneficiar dos recursos públicos. E eu não comungo com isto. Não tive, portanto como prosseguir com o nosso sonho. Como as circunstâncias forçaram o PT a fazer aliança, não mais serei candidato a nenhum cargo eletivo. Meu nome estava posto, único e exclusivamente para ser uma alternativa. Não me sinto traído por nenhum daqueles que defenderam a candidatura própria e que estiveram comigo até o desfecho das negociações. Em nenhum momento cogitei fazer parte de uma outra chapa. Entretanto, amigos e amigas, o nosso sonho continua vivo. Ele não pode morrer.Haverá de chegar a hora em que os homens e mulheres de bem poderão mais do os inimigos do povo. Obrigado aos que me apoiaram, aos que sonharam comigo, entre estes, estão aqueles que até o fim defenderam a candidatura e foram fiéis. Muito obrigado pela solidariedade prestada, pelo apoio publicamente manifestado, pela demonstração de coragem. Sigamos, pois, como já dizia o poeta, amanhã há de ser outro dia!
Pe. Osvaldino Alves Barbosa

 

"Contudo, a candidata do PMDB, derrotada na eleição passada, e cujo marido foi prefeito também pelo PMDB, mudou pro PT e agora se lança candidata":

Basta bater o olho na "noticia" pra notar que eh infiltracao.  (Nao tem a ver com o PT, por sinal.)

Eh so ver o que ela fez pela populacao enquanto era "de direita".  Conte mais pra nois inguinorantes...

 

Não sei se vocês já toparam com essa "notícia" e se isso já foi discutido aqui no blog..

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/cibele-baginski-existe-um-marketing-para-dizer-que-ser-de-direita-e-ruim

 

Conversa com Cibele Baginski"Existe um marketing para dizer que ser de direita é ruim"A gaúcha de 22 anos explica por que organizou o movimento pela refundação da Arena, o partido criado para dar sustentação ao regime militarGuilherme Dearo "Um general elogiou a iniciativa"

Cibele: "Um general elogiou a iniciativa" (Jefferson Brnardes/Preview.com)

Como surgiu a ideia de refundar a Arena?
Faltam ideologia e pragmatismo na política nacional, os partidos são movidos por interesses e conveniências e não existe direita no Brasil. Queremos oferecer aos brasileiros um partido que represente a genuína direita. Faremos isso assim que reunirmos o número de assinaturas necessárias para obter o registro da Arena, o que deve ocorrer no ano que vem.

Você pretende copiar o ideário do partido original? 
Vamos nos inspirar nos fundamentos da Arena, sim. Existe um marketing para dizer que ser de direita é ruim e retrógrado, mas ser de direita é ter respeito às pessoas, é promover mudanças econômicas e sociais de maneira ordeira, sem caos, pensando no progresso do país em primeiro lugar.

O que vocês defendem? 
Somos conservadores e nacionalistas. Estruturalmente, seremos uma sigla de alianças, como a original, e abarcaremos outras ideias, como o integralismo, por exemplo.

Por que você acha que o projeto será bem recebido? 
As pessoas mais velhas, que têm saudade da Arena, certamente vão gostar. Um general me procurou e elogiou a iniciativa. Os jovens que já buscaram conhecer a história do país também vão abraçar a causa. Meus amigos de esquerda é que não curtiram.

 

é assim que funciona a radio difusão no Brasil. a frequência vai a leilão e é comprada por quem só tem o interesse economico. depois de emitida a licença da rádio, ele vende ou aluga a licença com um contrato de gaveta, aí depois de 5 anos quando a legislação permite, a propriedade da rádio pode ser repassada de dono. só que sempre para o nome de parentes e testas de ferro, é claro.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1134891-russomanno-opera-radio-sem-autorizacao.shtml

Russomanno opera rádio sem autorização

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JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE SÃO PAULO

Apesar de não possuir concessão do Ministério das Comunicações para exercer a radiodifusão, o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, opera ao menos desde 2011 uma rádio no interior do Estado.

O candidato declarou à Justiça Eleitoral ser dono de empresa de rádio em Leme (SP), em sociedade com familiares, mas a concessão pertence a uma empresa de Cametá, cidade do interior do Pará.

A Rede Brasil FM 101,1, que funciona no endereço da empresa de Russomanno, usa a concessão dada em novembro de 2010 à Amazônia Comunicações, que está registrada em nome de um médico de Cametá, João Batista Silva Nunes.

Segundo o Ministério das Comunicações, não existe nenhum processo de pedido de autorização de transferência da concessão da Amazônia para a Rede Brasil, o que seria obrigatório.

E, mesmo que houvesse esse pedido de transferência, ele também não estaria, agora, amparado pela lei.

O decreto 52.795/63, que regulamenta os serviços de radiodifusão no país, prevê que todo processo de transferência da outorga só pode ocorrer após cinco anos da data de expedição da licença, o que só ocorreria em 2015.

CASSAÇÃO

Oficialmente, o Ministério das Comunicações considera que a Rede Brasil não exerce nenhum controle sobre a rádio de Leme.

A pasta afirma que, caso seja constatada irregularidade, a licença da rádio pode ser cassada.

A empresa Rede Brasil foi constituída na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) em setembro do ano passado, com capital social de R$ 30 mil.

O candidato à prefeitura detém pouco mais da metade, R$ 15,6 mil. O restante está registrado em nome de familiares do candidato. Na declaração de bens que registrou na Justiça Eleitoral, o candidato afirma que sua participação vale R$ 22,8 mil.

Mas a Amazônia Comunicações venceu o leilão do canal pelo preço de R$ 520,4 mil, segundo o Ministério das Comunicações.

Isso em valores de junho de 2007, quando foi realizado o pregão.

PROGRAMAÇÃO

A rádio tem um transmissor instalado em um morro da cidade e vem operando normalmente. Toca música pop e apresenta programa de jornalismo pela manhã.

Uma FM já consolidada na região, o que não é o caso da rádio operada pela empresa der Russomanno, está sendo vendida, segundo um profissional do ramo, por cerca de R$ 2 milhões, já com os equipamentos de transmissão, mas sem o prédio.

OUTRO LADO

Procurada desde terça-feira, a assessoria do candidato Celso Russomanno informou anteontem de manhã que os documentos do Ministério das Comunicações a respeito da concessão da rádio estavam "sendo analisados".

Mais tarde, a assessoria disse que o pedido de explicações sobre o negócio estava "nas mãos" de Russomanno. A Folha voltou a entrar em contato com a assessoria do candidato ontem, mas não houve resposta até o encerramento desta edição.

A reportagem ainda entrou em contato com dois hospitais onde trabalha João Batista Silva, dono da Amazônia, que detém a concessão da rádio em Leme.

Nunes é diretor em hospital de Cametá. A pessoa que atendeu o telefone disse que ele costuma circular em vários locais. A Folha deixou recado em celular que seria dele, mas não houve resposta.

 

A vida é curta demais para se beber cerveja barata!!

 Frede69

 

Nassif, o prefeito Gilberto Kassab fechou a escola de mecânica que existia no autódromo de Interlagos, contrapartida social do governo Luiza Erundina na reforma do autódromo para o recebimento da Formula 1.

Kassab fecha Escola de Mecânica de Interlagos

Tristeza, raiva, impotência, sentimento de perda, pesar. É o que sinto no momento por duas coisas: a destruição do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e o tema da mensagem abaixo, enviada pelo amigo Sérgio Berti.

Como se não bastasse tudo de errado que esta nova administração do Autódromo tem feito contra os automobilistas paulistas, agora eles fecharam a Escola de Mecânicos de Interlagos.

Saibam todos que o Prof. Elibama (ou apenas Prof. Eli) , diretor da Escola, não ensinava apenas a profissão aos jovens. Ele ensinava muito mais, ensinava Cidadania e Organização.

Várias vezes, em que eu passava em frente a escola, via o grupo de alunos, parte dos 3 mil já formados,  hasteando a Bandeira e cantando Hino Nacional  Brasileiro antes de iniciarem suas atividades diárias.  Além disso, o Professor e seus assistentes encaminhavam vários destes jovens ao seu primeiro emprego.

É uma pena. Perdermos um bom projeto social da região de Interlagos pela ganância financeira dos novos administradores do autódromo.

Façam uma visita às instalações da Escola e vejam o quanto estes alunos aprendiam sobre organização, limpeza, cidadania e “mecânica”.

Segue abaixo o contato do prof. Eli para quem quiser confirmar as informações acima: cel. 9 9454-9566  -   elibamacastro@gmail.com)

Volto eu, LAP, para fazer justiça. A Escola de Mecânica do autódromo foi criada durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, entre 1989 e 1992, na época filiada ao PT e atualmente exercendo seu quarto mandato como deputada federal pelo PSB. Um projeto social que desde sua implantação deu uma profissão, um futuro, a milhares de jovens. Muitos deles trabalham em oficinas e fábricas.

É isto que dá eleger como governantes seres que só pensam em si mesmos. São incapazes de pensar nos outros, no coletivo. Enxergam apenas números e estatísticas. Acham que o lucro é o bem maior a ser atingido. E, movidos por este raciocínio, fecham escolas e bibliotecas: porque não dão “lucro”.

São Paulo virou uma cidade talibã. Desde 2005, vivemos uma onda de proibições. Até alguns anos atrás, a avenida Paulista era repleta de artesãos e de artistas de rua que apresentavam números variados. Foram expulsos de lá – e de qualquer outro lugar: simplesmente não podem mais se apresentar nas ruas.

Algum tempo atrás, passei pela esquina da Xavier de Toledo com a São Luiz, no centro. Atentei para o vazio onde durante décadas havia uma grande banca de jornal que funcionava como sebo. E vi o dono da banca sentado em uma cadeira, tendo ao lado um caixote sobre o qual havia uns poucos livros e revistas.

- Um caminhão da prefeitura levou a banca embora com tudo dentro – explicou o homem. Fizeram tudo de madrugada.

Segundo ele, houve, durante a gestão de Marta Suplicy (2001-2004), um projeto de regulamentar os sebos que funcionavam na rua, em bancas de jornal. A iniciativa caiu no vazio e, em dado momento, o atual prefeito resolveu aproveitar esse pretexto para fazer uma das coisas que mais gosta: proibir algo – no caso, a existência das bancas-sebo, tradicionalíssimas no centro de São Paulo (graças a elas, compus boa parte do acervo de livros e revistas que possuo hoje). Na mesma época em que eu soube dessa história, Kassab pretendia proibir a existência de bancas de jornal no centro. Alegação: muitas delas, quando fechadas, eram usadas por ladrões para ficarem de tocaia, à espera de vítimas. Sem comentários.

O mais desolador é ver que a população supostamente esclarecida de São Paulo aceita todas estas proibições de maneira passiva, como se fosse esta a natureza das coisas. É uma das razões que tornam São Paulo cada vez mais insuportável de se viver. Não é à toa que pesquisa recente mostrou que 57% dos habitantes iriam embora daqui, se pudessem – e os congestionamentos que se formam nas saídas da cidade na véspera de qualquer final de semana ou feriado não deixam dúvidas sobre isto.

Estou entre os 57%. Vai demorar alguns anos mas, assim que puder, vou embora daqui. Que fiquem com São Paulo os habitantes retratados neste post, escrito três anos atrás.

http://pandinigp.wordpress.com/2012/08/09/kassab-fecha-escola-de-mecanic...

 

Sustentações dos advogados rechaçam existência do ‘mensalão’

9/8/2012 13:25,  Por Redação - de Brasília - No Correio do Brasil


 
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O advogado Marcio Thomaz Bastos desconstruiu o 'mensalão'


Marcado por grandes atuações dos advogados, o julgamento da ação penal 470, o chamado ‘‘mensalão’’, escancarou as incongruências da acusação formulada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Nesta quinta-feira, o julgamento entra em seu sexto dia e em mais uma fase dedicada às defesas de cinco réus. Os advogados do deputado Pedro Henry (PP-MT) e ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), que respondem por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha, estão entre levaram os seus argumentos. A defesa de Henry é exercida pelo advogado José Antônio Duarte Álvares e a de Corrêa por Marcelo Leal de Lima Oliveira. Também foram defendidos Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, que responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pizzolato contratou o advogado Mário de Oliveira Filho. A defesa de João Cláudio Genu – ex-assessor do deputado José Janene (morto em 2010) -, que responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha, é do advogado Maurício Maranhão de Oliveira. Já Enivaldo Quadrado, dono da corretora Bonus-Banval, acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, foi representado pela advogada Priscila Gioia.


Na véspera, os advogados falaram em defesa dos três executivos do Banco Rural, do ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e do ex-ministro-chefe da Secretária de Comunicação da Presidência, Luiz Gushiken. O sentimento geral, porém, é o de que o brilhantismo dos advogados que apresentaram suas sustentações orais nesta quarta-feira favoreceu todos os 38 réus do processo.


O primeiro a subir na tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF) foi o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, responsável pela defesa do ex-vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado. Autor do pedido de desmembramento do processo, com base no princípio constitucional de que os 35 réus sem direito a foro privilegiado deveriam ser julgados em mais de uma instância, Bastos criticou, com a mais absoluta elegância, o entendimento da corte, que lhe negou provimento.


– Este é um julgamento de bala de prata. É um julgamento que se faz só uma vez – argumentou.


Mas seu principal alvo, durante a sustentação, foi a peça acusatória do Ministério Público, prejudicada, na sua visão, por “incongruências vastas, enormes”. O advogado alegou que, para que seu cliente pudesse ser considerado culpado, a corte teria que “revogar a teoria da relatividade”. Segundo ele, José Roberto Salgado só assumiu a vice-presidência do banco um ano após a concessão dos empréstimos às empresas do publicitário Marcos Valério, que geraram as denúncias.


– O procurador-geral da República sequer mencionou seu nome na sua sustentação oral de cinco horas, porque ele não estava no centro dos acontecimentos – justificou.


Bastos reduziu as acusações que pesam sobre seu cliente e os colegas dele (gestão fraudulenta, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas) a mero descumprimento de práticas bancárias. E, ainda assim, as refutou duramente. De acordo com o advogado, a base delas seria um único depoimento, e de um “falsário”: o ex-funcionário do Banco Rural Carlos Godinho.


– Está provado que, em uma reclamação trabalhista, ele falsificou um documento – alegou.


O advogado Maurício de Oliveira Campos Junior, que defende outro ex-executivo do banco, Vinicius Samarane, aprofundou com didatismos as teses já pontuadas por Bastos. Insistiu na afirmação de que o ex-vice-presidente José Augusto Dumont concentrava as responsabilidades pelas operações em suspensão. Dumont, que morreu vítima de um acidente de carro, em 2004, também é réu na ação..


Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa a também ex-vice-presidente Ayanna Tenório Torres Reis, disse que ela era vítima do organograma da instituição financeira, já que suas funções não permitiriam que ela estivesse relacionada as operações de crédito que originaram a denúncia.


Único candidato


Único dos réus do ‘mensalão’ a disputar as eleições deste ano, o ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT), hoje candidato à prefeitura de Osasco (SP), foi defendido pelo advogado Alberto Zacharias Toron das acusações de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Bastante enfático, Toron procurou demonstrar que seu cliente não cometera crime algum, ressaltando que sua administração à frente da Câmara, pelo menos no que tange às questões de comunicação, seguiu os mesmos padrões adotados pelo presidente anterior, o hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG).


O advogado sustentou que Cunha, acusado de favorecer uma empresa de Marcos Valério na licitação da casa, seguiu o procedimento costumeiro: tal como o antecessor tucano, nomeou uma Comissão Especial de Licitação para definir as regras do edital. E demonstrou que três dos membros desta comissão eram os mesmos da gestão anterior. Toron apresentou laudos do Tribunal de Contas da União (TCU) e Polícia Federal (PF) que comprovam que todos os serviços contratados das agências de Valério pela Câmara foram devidamente executados.


Ele refutou a acusação de que Cunha teria recebido indevidamente R$ 50 mil de Valério para privilegiá-lo. Conforme Toron, o dinheiro transferido da conta de uma das empresas do publicitário para a do ex-presidente foi um repasse autorizado pelo PT para custear pesquisas eleitorais. Na época, Cunha também foi o candidato petista à prefeitura de Osasco (SP). “Vou ler a denúncia para defender meu candidato. É a própria denúncia diz que o PT disponibilizou R$ 50 mil para ele”, tripudiou.


Biografia manchada


Por fim, dividiram o tempo de sustentação oral os advogados do ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da presidência, Luiz Gushiken. Luiz Justiniano de Arantes Fernandes e José Roberto Leal de Carvalho lembraram a biografia do ex-ministro, citaram os prejuízos causados a sua imagem e criticaram enfaticamente o Ministério Público por ter apresentado denúncia, mesmo ciente de que os indícios recolhidos não eram suficientes para tal. “A condenação pública promovida pelo tribunal midiático fechou os olhos para a precariedade das provas”, denunciou.


Ao invés de usufruir da zona de conforto em que foram colocados a partir do pedido de próprio Gurgel de absolvição de Gushken por falta de provas, os advogados afirmaram que não se contentariam apenas com isso. “A defesa deseja o reconhecimento de sua inocência”, reivindicaram. Em uma crítica veemente à acusação, Fernandes disse acreditar que o MPF estava convicto desde o início de que a acusação contra o cliente teria o desfecho apontado, mas ainda assim insistiu em submetê-lo a sete anos de condenação pública por causa do ‘mensalão’.


 


 

 

O social-fascismo, ou Qual é mesmo a diferença entre Hollande e Sarkozy?

Hollande desfaz acampamentos e paga para ciganos deixarem país

 Philippe Desmazes/AFP

Ciganos deixam acampamento nos arredores de Lyon depois de serem expulsos pela polícia: defensores da minoria dizem que as restrições do mercado de trabalho francês impedem uma integração real no país Philippe Desmazes/AFP

PARIS — Os desmanches de acampamentos irregulares de ciganos na França e as expulsões de seus residentes do país reavivaram no governo socialista de François Hollande a polêmica deflagrada há dois anos pelo conservador e então presidente Nicolas Sarkozy. Nesta quinta-feira, 150 agentes da polícia especial francesa CRS desmantelaram dois acampamentos ciganos nas localidades de Hellemmes e Villeneuve d’Ascq, na região de Lille. Seus 240 moradores foram repatriados para a Romênia. Um dia antes, as forças de segurança haviam desfeito em menos de três horas o maior acampamento cigano de Paris, na Porta de Aubervilliers, em cumprimento a uma ordem judicial de janeiro. Na terça-feira, os 160 ciganos que ali viviam, alertados sobre a operação, deixaram o local. Segundo a ONG Médicos do Mundo, que acompanha os acampamentos nos arredores de Lyon, dois voos fretados com ciganos decolaram nos dias 10 de maio e 5 de julho rumo à Romênia.

No seu discurso de Grenoble, em julho de 2010, Sarkozy denunciou os acampamentos clandestinos e pregou a expulsão dos ciganos para a Romênia e a Bulgária, tornando-se alvo de críticas de governos vizinhos e da comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, que provocou a ira de Sarkozy ao comparar sua política de expulsões com a onda nazista de deportações na Segunda Guerra Mundial. Durante a campanha presidencial, Hollande procurou se diferenciar ao prometer, em carta a defensores dos direitos dos ciganos, que, se eleito, garantiria que “sempre que um campo insalubre fosse desmantelado, soluções alternativas seriam propostas”.

Uma porta-voz da comissária europeia para a Justiça disse, nesta quinta-feira, que a situação atual é diferente, pois o governo colocou em vigor procedimentos que evitam expulsões forçadas. Segundo ela, desde que as pessoas estejam voltando voluntariamente,não haveria conflito com o princípio de livre movimentação da União Europeia (UE). Ainda assim, as ações do governo suscitaram protestos de defensores de direitos humanos. Yann Lafolie, presidente do Ateliê Solidário, uma das associações do grupo Solidariedade Cigana, se disse “consternado”:

- Várias crianças vão dormir na rua esta noite. Sarkozy nunca nos expulsou. No fim, foi o PS (Partido Socialista).

Os militantes definem os “retornos voluntários” de ciganos, financiados pelo governo a € 350 por adulto e € 150 por criança, como “expulsões disfarçadas”. E alegam que as compensações do governo são desperdício de dinheiro público, pois a maioria acaba voltando dias depois. Os defensores da minoria exigem o fim das medidas que restringem o acesso ao mercado de trabalho francês, para facilitar a integração.

- É inconcebível que joguem as pessoas na rua sem dizer para onde podem ir. Esperávamos mais após as declarações de Hollande — disse Roseline Tiset, da Liga dos Direitos Humanos.

O Partido de Esquerda endossou a censura ao governo, ao condená-lo por “seguir os passos do antecessor”, disse o secretário nacional da sigla, Éric Coquerel. Já Éric Ciotti, secretário nacional do partido conservador UMP, celebrou a “tardia prova de lucidez” do governo socialista.

Estima-se em 15 mil o total de ciganos em acampamentos nos arredores das maiores cidades, sendo 4 mil na região parisiense. O ministro do Interior, Manuel Valls, disse que o governo agirá com “rigor e humanidade”, com a garantia de negociações prévias. Segundo ele, a política de expulsões será mantida, já que as condições sanitárias nos acampamentos são inaceitáveis e colocam em risco as comunidades locais.

 

é o nazismo renascendo na europa, que explorou o mundo durante séculos, agora será tomada pelos colonizados e arrancada de seus velhos ocupantes.

vamos enche-la de latinos, africanos e asiaticos, aproveitemo-nos que eles já tem dificuldade de se reproduzir, e vamos invadir a praia da europa. 

 

A vida é curta demais para se beber cerveja barata!!

 Frede69

Como sempre, Macabu.

STJ revoga prisão de Nenê Constantino


Fundador da Gol cumpria prisão domiciliar em residência de Brasília.
Ele responde a processos por assassinato e tentativa de assassinato.

A 5ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou  nesta quarta-feira (8) a prisão preventiva imposta ao empresário Constantino de Oliveira, fundador da companhia aérea Gol.

A decisão foi divulgada nesta quinta (9) e estabelece que o empresário, mais conhecido como Nenê Constantino, não pode se ausentar da cidade onde mora, Brasília, sem informar a Justiça.

Além disso, foi imposto a Constantino o recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semana, na forma a ser fixada pelo juiz da causa.

Constantino foi denunciado por homicídio qualificado e cumpria prisão domiciliar desde março do ano passado. De acordo com a denúncia do Ministério Público, ele teria encomendado a tentativa de homicídio de Eduardo Queiroz Alves, seu ex-genro, em junho de 2008.

O relator do processo, desembargador ado Adilson Vieira Macabu, avaliou que em todos os três processos que Constantino responde no Distrito Federal estão encerradas as instruções processuais, não sendo mais necessária a prisão cautelar.

Macabu ressaltou que o empresário possui atualmente 81 anos de idade e condições de saúde debilitadas. Além disso, o relator observou que o réu é primário, de bons antecedentes, com emprego lícito e residência fixa.

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/08/stj-revoga-prisao-d...

 

Fernando Brito: Com novas tecnologias, jornada de trabalho aumentou

O historiador Marco Antonio Villa escreveu, aqui nesta Folha, um artigo que revela, novamente, a sua vocação para a historiografia baseada em agendas. Em "O trabalho do ministro do Trabalho" (30/7), proclama que Brizola Neto, titular do cargo, é "adepto radical de Lafargue", autor de "O Direito à Preguiça".

Retoma o método (?) de pesquisa simplório de verificar o comportamento de um administrador público por uma análise burocrática de simples e incompletos registros da agenda oficial de gabinete.

Já havia feito o mesmo com ninguém menos que o presidente Lula, em 2006, no mesmo espaço, afirmando ser "altamente questionável a eficácia" de Lula, com períodos onde "teve 0,6 compromisso por dia".

Ao tentar fazer o mesmo com um simples ministro, Villa baixa o nível de sua "historiografia" banal e fútil.

Não analisa os atos praticados pelo ministro (como a mudança nos programas de qualificação profissional, o saneamento da concessão de registros sindicais, a retomada do diálogo com as entidades patronais e laborais, entre outros) e o seu papel de representação do nosso país, seja na reunião dos ministros do trabalho do G20, seja como chefe da delegação brasileira no Congresso da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra -descrito como um simples "estava na Suíça, que ninguém é de ferro".

Certamente, Villa não diria o mesmo se, em lugar de um congresso que consagrou a proteção social, o ministro estivesse na mesma Suíça, mas em Davos, no Fórum Econômico Mundial, onde governantes e a elite do mundo financeiro discutem os graves problemas do capital.

E, claro, escapa à sua exaustiva pesquisa "agendográfica" o tempo necessário para reorganizar um ministério que, ele próprio reconhece, funcionava à base da interinidade.

Mas uma contribuição, faça-se justiça, a conversa de Villa traz.

Ao citar Paul Lafargue, um pensador socialista do século 19 (e genro de Karl Marx), ele relembra a questão do direito, não do ministro, mas dos trabalhadores, a uma jornada de trabalho que reserve tempo para o direito humano ao lazer, à família, à cultura... As jornadas de então, 12 horas diárias nos países centrais, ainda são realidade para muitos brasileiros. É uma discussão atual e necessária que, embora amortecida pela crise da economia mundial, precisa ser travada pelo Brasil.

A luta do movimento sindical pela jornada de 40 horas, que sempre teve o apoio militante de Brizola Neto quando deputado, segue um compromisso trabalhista que todos nós, seus colaboradores, sustentamos.

(Mas, lamento informar ao historiador, não cumprimos tal jornada em nossas próprias funções, que por vezes nos absorvem até por 14 horas e nunca menos de dez horas diárias.)

Ao relevante, pois.

Em março, o Ipea revelou que quase metade dos trabalhadores pesquisados não se desliga totalmente do trabalho ao fim da jornada formal.

Novas tecnologias, em vez de gerarem tempo livre, reduzem-no. Um quarto dos trabalhadores são obrigados pelos superiores a ficar de prontidão, 8% precisam desenvolver atividade extra por celular ou internet, 40% dizem que a qualidade de vida é afetada pela jornada exaustiva e 10% revelaram que até relações familiares se degradam por isso.

A tecnologia não raro vem se convertendo em instrumento para retornar a jornada e a disponibilidade do trabalhador -e notadamente do de classe média- aos padrões horários do escravismo.

O artigo do senhor Villa foi publicado no mesmo dia em que, em vários pontos do país, transportadores autônomos se insurgem contra uma lei "absurda", que obriga motoristas de carretas de 30 ou 40 toneladas e de ônibus cheios de passageiros a não dirigirem ininterruptamente por mais de quatro horas e não mais que dez horas por dia.

Que perda de "produtividade", não? Os milhares de vidas humanas e os milhões em danos materiais provocados por esta que é a maior fonte de acidentes rodoviários não ocuparam nem o espaço de uma boa reportagem na maioria dos jornais.

Mas é natural que o historiador de agendas esteja ocupado demais com querelas e fuxicos para dar atenção à história.

FERNANDO BRITO, 53, jornalista, é chefe do gabinete do ministro do Trabalho

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/59614-conversa-de-villa.shtml

 

O espetáculo judicial e o silêncio estridente

Da Carta Capital

No julgamento do chamado ‘mensalão’, com o qual a direita imprensa se propõe a salvar a honra da nação e resolver todos os problemas do país, tem ela, como em tudo o mais, um lado, formado independentemente dos autos. Neste ponto ocupa o papel deixado pelos partidos de oposição, sem rumo, sem objetivos, meros acessórios em cena política medíocre. Por isso mesmo, a tarefa dos jornalões, deixando de informar seus leitores, tem sido apenas a de pressionar o STF para que este confirme o julgamento ao qual eles, jornalões, já submeteram os réus, previamente condenados mediante a execração pública, independentemente da culpabilidade ou inocência deles. Mas o  pronunciamento do STF pode não ser exatamente aquele que lhe dita a imprensa, e nesta caso a Suprema Corte estará frustrando a expectativa que o noticiário unilateral criou. É um risco. O grande público, pobre plateia, começa a desconfiar da condenação prévia, na medida em que lhe chega aos ouvidos a defesa dos acusados.

A questão real não se cinge a condenar A ou B por este ou aquele  ilícito, mas discutir, o que não interessa nem à direita impressa nem à direita parlamentar, os fundamentos endêmicos da corrupção pública neste país, que, a par de criar algumas fortunas individuais, proporcionando a alguns amigos do rei o acesso ao consumo conspícuo (jatinhos, caviar, charutos, prostitutas’, ‘acompanhantes’ de luxo, piscinas com cascata etc.),  serve, sobretudo,  para garantir a ‘governabilidade’, que se dá pelo acordo (isto é, combinação de interesses) do governo da vez com o mando político-econômico de sempre - aqueles que, como bem sublinhou o insuspeito Cláudio Lembo, estão no poder desde Cabral.

À direita, criadora e principal beneficiária dos esquemas de corrupção, obviamente, não interessa resolver os problemas estruturais do nosso processo político-eleitoral-administrativo.

Mas e os partidos?

A análise do fenômeno, suas causas, os meandros do poder público, as viciadas estruturas de poder, as relações promíscuas entre o poder político e o poder econômico, unidos em processo corruptor que abastarda a vida política, configuram uma crise do Estado e da democracia representativa aqui e no mundo. O alto custo das campanhas eleitorais, o assistencialismo que humilha o eleitor e desnatura o voto, o aluguel de legendas e de mandatos pagos com o empreguismo e o favorecimento são questões de fundo que não interessam a uma imprensa ligeira, mas onipotente, senhora de si e de sua aspiração para alterar o processo político, nele intervindo como sujeito. Se possível alterando até o processo eleitoral, como intentou – trata-se de  mero exemplo –  nas eleições de 1982, com o famoso ‘caso Proconsult’. A mídia, assim, busca apenas o sensacionalismo, transformando o julgamento no STF em espetáculo.

A sociedade, preparada para receber uma condenação e só a condenação severa e em bloco – a prisão (de preferência cinematográfica, espetacular) de todos os acusados –, pode, porém, ser surpreendida por veredicto diverso. É apenas uma hipótese, que começa a emergir na medida em que é posta em relevo a fragilidade técnica da peça acusatória. E nesta hipótese, o STF terá sido exposto à frustração das ruas porque a direita impressa não se preocupou em exercer o elementar dever de informar. Ao disputar com o Procurador Geral da República a beca da acusação, omite, por exemplo, que o esquema do inefável Marcos Valério surgiu em Minas Gerais sob a batuta do então governador Eduardo Azeredo, do PSDB, e que é alvo também de processo judicial, mais antigo que o ora em julgamento, como omitiu a compra de votos de deputados e senadores para a aprovação da emenda constitucional da reeleição de titulares do Poder Executivo.

Por outro lado, a transmissão direta das sessões do STF possibilita à população se inteirar do que de fato aconteceu. É o contraponto à versão unilateral que lhe vinha sendo imposta.

Em defesa da sociedade civilizada, a Justiça precisa estar atenta ao processo social que exige a diária atualização do direito, e jamais a pressão popular, o clamor das ruas, podem ser considerados como ilegítimos; mas não pode a imprensa, no afã de formar opinião, negar ao acusado a voz dos seus direitos legais. Este, o grande erro da cobertura dos jornalões.

Como consequência dessa cobertura, ora apaixonada e quase sempre superficial, a sociedade perde excepcional oportunidade de abrir uma necessária e sempre adiada discussão sobre a crise de nosso sistema, o pano de fundo da crise política que produziu a crise de 2005, crise que quase transborda em insuportável fratura institucional.

A História mostra que a desmoralização da democracia representativa é o primeiro passo para a construção dos regimes de exceção.

Caberia, nessa discussão de que hoje somos privados, uma profunda e corajosa reflexão sobre o nosso “presidencialismo de coalizão”, que ora mais parece um parlamentarismo abastardado – e essa reflexão iluminaria fatos recentes de nossa vida política, para além do chamado “mensalão”, como a aprovação dos 5 anos de Sarney, a re-eleição de FHC e, em sentido oposto, a deposição de Collor.

São diversos os problemas que afetam o sistema representativo brasileiro no qual se assenta nossa democracia, e o primeiro deles é a presença crescentemente dominante do poder econômico, buscando sempre decidir as eleições e desta forma desmontando uma das vigas mestras da democracia, a expressão livre da soberania popular. Mantido o quadro de hoje, se medidas preventivas não forem adotadas, brevemente  o processo eleitoral transformar-se-á numa só transação econômica, que se processará à margem do povo, a quem, porém, como sempre, será enviada a conta. Quando os recursos financeiros se sobrepõem ao debate político, quando a imprensa renuncia ao dever de informar, quando as estruturas partidárias são substituídas pela troca de favores e o voto é conquistado com a prestação assistencialista, o mandato é inevitavelmente posto a serviço de seus financiadores e credores, como atesta o cassado mandato do senador Demóstenes, líder catão com os pés e a alma  chafurdando na lama. Caso exemplar mas não único.

A melhor contribuição que a análise crítica e profunda do ‘mensalão’, para além do julgamento ora em curso, deveria oferecer para o aprimoramento da vida política seria passar a limpo, sem preconceitos e sem ressalvas nosso processo eleitoral, cuja exaustão só não é percebida por aqueles que dela se aproveitam.

Os partidos, passada a refrega de 2012, o governo e a Justiça, a academia silente e a sociedade, precisam discutir, já com vistas às eleições de 2014, uma reforma profunda da legislação eleitoral, de sorte a diminuir – diminuir já será grande coisa! -, a influência do poder econômico nas eleições. A primeira medida haverá de ser o financiamento público exclusivo das campanhas. Esta é a medida essencial, a reforma sem a qual  nada será alcançado. É a mais importante, mas não é única. O próprio funcionamento do Congresso e o processo legislativo precisam ser revistos, como reduzido precisa ser o recesso e aumentado o número de sessões deliberativas durante a semana. Por exemplo: parlamentar pode continuar com direito à reeleição, mas para disputar outro cargo, ou assumir funções no Executivo, deverá  renunciar ao mandato. A criação e manutenção de partidos deve ser a mais livre possível, como agora, mas o acesso ao rádio e à televisão no  horário eleitoral carece de condicionantes, como, por exemplo, o número mínimo de parlamentares. Hoje, as coligações não se fazem por aproximação ideológica, mas simplesmente para somar o tempo de rádio e de televisão, e a permissividade legislativa enseja o aluguel de legendas criadas  para esse ofício. E é com base nesse tipo de alianças que se formam as maiorias governamentais nos três níveis da vida política.

Este arrolar não encerra uma proposta de reforma, pois simplesmente levanta questões que nos parecem relevantes, sem prejuízo de tantas outras que podem ser formuladas, como a urgente transparência do Judiciário, em todas as suas instâncias.

E então, vamos discutir as questões de fundo?

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-espetaculo-judicial-e-o-silenc...

 

S&P: recessão já este ano, Zona Euro cresce menos em 2013

Desalavancagem simultânea no setor público, privado e na banca colocam entraves ao crescimento

A Standard & Poor`s reviu esta segunda-feira em baixa as suas projeções para a Zona Euro. Esta agência de notação financeira norte-americana antecipa agora que os países do euro terminem 2012 com uma recessão de 0,6%. E 2013 será um ano de crescimento, mas menor do que o previsto - de apenas 0,4%.

«Os últimos indicadores económicos sugerem que a maioria das economias europeias está cada vez mais próxima da recessão e que os principais países da União Económica e Monetária europeia estão a ser cada vez mais afetados», lê-se num relatório publicado esta segunda-feira pela S&P, que é citado pela Lusa.

Segundo a agência de rating, algumas das pressões ao desempenho económico da Zona Euro são provenientes de uma recuperação mais lenta que a esperada das economias emergentes, mas os problemas são essencialmente domésticos.

Os analistas da S&P fazem notar que a desalavancagem simultânea no setor público, privado e na banca estão a colocar entraves ao crescimento económico.

Este processo atingiu níveis diferentes nos diferentes países mas a agência espera que a desalavancagem «demore ainda vários anos ficar completa» e que este processo «aumenta a probabilidade de 2013 vir a ser mais um ano de crescimento muito fraco, na melhor das hipóteses».

A Standard & Poor`s diz ainda que os bancos estão a usar o financiamento do Banco Central Europeu para os seus próprios processos de desalavancagem ao invés de reconduzir essa liquidez para o setor privado, limitando assim a eficácia das medidas tomadas pelo BCE.

Para esta agência, os bancos começaram a ter cada vez maior relutância em emprestarem dinheiro entre si ao mesmo tempo que a regulação desencorajou os bancos com excedentes a tomar mais riscos.

Esta situação prejudicou os bancos da periferia que se viram obrigados a pagar os seus empréstimos aos bancos do norte e ainda a continuar a financiar os défices externos dos seus países (Itália, Espanha, Grécia, Portugal). Tudo somado, o BCE teve de intervir e acabou por via indireta a financiar os défices externos dos países da periferia através dos seus empréstimos aos bancos.

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/sp--zona-euro-crescimento-r...

 

A ascendência de uma elite financeira criminosa


– As duas faces de um estado policial:   Abrigar evasores fiscais, trapaceiros das finanças e lavadores de dinheiro enquanto policia os cidadãos

Nunca na história dos Estados Unidos testemunhámos crimes cometidos na escala e do âmbito dos dias actuais, tanto pela elite privada como estatal.

Um economista de credenciais impecáveis, James Henry, antigo economista chefe na prestigiosa firma de consultoria McKinsey & Company, investigou e documentou evasão fiscal. Ele descobriu que os super-ricos e suas famílias têm até US$32 milhões de milhões (trillion) de activos escondidos em paraísos fiscais offshore, o que representa mais de US$280 mil milhões de receita perdida no imposto sobre o rendimento! Este estudo excluía activos não financeiros tais como imobiliário, metais preciosos, jóias, iates, cavalos de corrida, veículos de luxo e assim por diante. Dos US$32 milhões de milhões de activos escondidos, US$23 milhões de milhões pertencem a super-ricos da América do Norte e da Europa.

Um relatório recente do Comité Especial das Nações Unidas sobre Lavagem de Dinheiro descobriu que bancos dos EUA e da Europa têm lavado mais de US$300 mil milhões por ano, incluindo US$30 mil milhões apenas dos cartéis de droga mexicanos.

Novos relatórios sobre trapaças financeiras de muitos milhares de milhões envolvendo os grandes bancos dos EUA e Europa são publicados a cada semana. Os principais bancos da Inglaterra, incluindo o Barclay's e um bando de outros, foram identificados como tendo manipulado o LIBOR, ou inter-bank lending rate, durante anos a fim de maximizar lucros. O Bank of New York, JP Morgan, HSBC, Wachovia e Citibank estão entre a multidão de bancos acusados de lavar dinheiro da droga e de outros fundos ilícitos segundo investigações do Comité Bancário do Senado dos EUA. Corporações multinacionais receberam fundos federais de salvamento e isenções fiscais e então, em violação dos acordos publicitados com o governo, relocalizam fábricas e empregos na Ásia e no México.

Grandes casas de investimento, como a Goldman Sachs, enganaram investidores durante anos investindo em acções "lixo" enquanto os correctores puxavam e afundavam ( pumped and dumped ) acções sem valor. Jon Corzine, presidente do MF Global (bem como antigo presidente da Goldman Sachs, antigo senador dos EUA e governador de Nova Jersey) afirmou que "não podia explicar" os US$1,6 mil milhões de perdas de clientes investidores de fundos no colapso de 2011 do MF Global.

Apesar do enorme crescimento do aparelho policial do estado, da proliferação de agências de investigação, das audiências no Congresso e dos mais de 400 mil empregados do Ministério da Segurança Interna (Department of Homeland Security), nem um único banqueiro foi para a cadeia. Nos casos mais chocantes, um banco como o Barclay pagará uma pequena multa por ter facilitado a evasão fiscal e efectuado trapaças especulativas. Ao mesmo tempo, de acordo com o princípio "canalha" [implícito] na trapaça LIBOR, o Director de Operações (Chief Operating Officer, COO) do Barclay's Bank, Jerry Del Missier, receberá uma indemnização de 13 milhões de dólares pelo seu afastamento.

Em contraste com a complacente aplicação da lei praticada pelo florescente estado policial em relação a trapaças da banca, das corporações e das elites bilionárias, tem-se intensificado a repressão política de cidadãos e imigrantes que não cometeram qualquer crime contra a segurança e ordem pública.

Milhões de imigrantes têm sido agarrados nas suas casas e lugares de trabalho, presos, batidos e deportados. Centenas de bairros hispânicos e afro-americanos têm sido alvo de raids policiais, tiroteios e mortes. Em tais bairros, a polícia local e federal opera com impunidade – como foi ilustrado por vídeos chocantes dos tiros e brutalidade da polícia contra civis desarmados em Anaheim, Califórnia. Muçulmanos, asiáticos do Sul, árabes, iranianos e outros são racialmente perfilados, arbitrariamente presos e processados por participarem em obras de caridade, de fundações humanitárias ou simplesmente por participarem de instituições religiosas. Mais de 40 milhões de americanos empenhados em actividade política legal são actualmente vigiados, espionados e frequentemente molestados.

As duas faces do governo dos EUA:   Impunidade e repressão

Documentação esmagadora confirma a deterioração total da polícia e do sistema judicial dos EUA no que respeita à aplicação da lei quanto a crimes entre a elite financeira, bancária e corporativa.

Evasores fiscais de triliões de dólares, trapaças financeiras bilionárias e lavadores de dinheiro multi-bilionários quase nunca são enviados para a cadeia. Se bem que alguns paguem uma multa, nenhum deles têm os seus ganhos ilícitos apreendidos, apesar de muitos serem criminosos reincidentes. A reincidência entre criminosos financeiros é comum porque as penalidades são leves, os lucros são altos e as investigações pouco frequentes, superficiais e sem consequências. O United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) informou que, só em 2009, foram lavados US$1,6 milhão de milhões, principalmente em bancos ocidentais, um quinto vindo directamente do comércio de droga. O grosso do rendimento do comércio de cocaína foi gerado na América do Norte (US$35 mil milhões), dois terços dos quais foram lavados em bancos locais. O fracasso em processar banqueiros empenhados numa ligação crítica do comércio da droga não se deve à "falta de informação", nem tão pouco à "frouxidão" por parte dos reguladores e aplicadores da lei. A razão é que os bancos são demasiado grandes para processar e os banqueiros demasiado ricos para prender. A aplicação efectiva da lei levaria a serem submetidos a processo todos os principais bancos e banqueiros, o que reduziria lucros drasticamente. Encarcerar banqueiros de topo fecharia a "porta giratória", o portão dourado através do qual reguladores do governo asseguram a sua própria riqueza e fortuna pela entrada em casas de investimento privadas depois de deixarem o serviço "público". Os activos dos dez maiores bancos nos EUA constituem uma porção apreciável da economia estado-unidense. Os gabinetes dos directores dos maiores bancos entrecruzam-se com todos os principais sectores corporativos. Os responsáveis de topo e médios e seus confrades no sector corporativo, bem como seus principais accionistas e possuidores de títulos, estão entre os maiores evasores fiscais do país.

Se bem que a Security and Exchange Commission, o Departamento do Tesouro e o Comité Bancário do Senado finjam publicamente que investigam altos crimes financeiros, a sua função real é proteger estas instituições de quaisquer esforços para transformar a sua estrutura, as suas operações e o seu papel na economia estado-unidense. As multas recentemente impostas são altas pelos padrões anteriores mas ainda assim seus montantes, na maior parte, correspondem aos lucros de um par de semanas.

A falta de "vontade judicial", o colapso de todo o sistema regulamentar e a ostentação do poder financeiro manifestam-se nos "pára-quedas dourados" habitualmente concedidos a presidentes de conselho de administração criminosos após sua revelação e "renúncia". Isto se deve ao enorme poder político que a elite financeira exerce sobre o estado, o judiciário e a economia.

Poder político e morte da "lei e ordem"

Em relação a crimes financeiros, a doutrina que guia a política do estado é "demasiado rico para encarcerar, demasiado grande para falir", o que se traduz nos salvamentos pelo tesouro, com muitos triliões de dólares, de instituições financeiras cleptocráticas em bancarrota e num alto nível de tolerância do estado para com evasores fiscais, trapaceiros e lavadores de dinheiro. Devido ao colapso total da aplicação da lei em relação a crimes financeiros, há altos níveis de delinquentes contumazes. É o que um responsável financeiro britânico descreve como "cobiça cínica (e cíclica)".

A palavra de ordem sob a qual a elite financeira tomou o controle total do estado, do orçamento e da economia foi "mudança". Isto refere-se a desregulamentação do sistema financeira, à expansão maciça dos alçapões fiscais, a fuga livre de lucros para paraísos fiscais além-mar e a dramática comutação da "aplicação da lei" da prossecução dos bancos que lavam os ganhos ilícitos da droga e de cartéis criminosos para a perseguição dos chamados "estados terroristas". O "estado da lei" tornou-se um estado sem lei. "Mudanças" financeiras permitiram e mesmo promoveram trapaças reiteradas, as quais defraudaram milhões e empobreceram centenas de milhões. Há 20 milhões de hipotecados que perderam seus lares ou não são capazes de manter pagamentos; dezenas de milhões de contribuintes da classe média e da classe trabalhadora que foram forçados a pagar impostos mais altos e a perder serviços sociais vitais devido à evasão fiscal da classe superior e corporativa. A lavagem de milhares de milhões de dólares de cartéis da droga e de riqueza criminosa pelos maiores bancos levou à deterioração de bairros inteiros e à ascensão do crime, o que desestabilizou a vida familiar da classe média e trabalhadora.

Conclusão

A ascendência de uma elite financeira criminosa e a cumplicidade do estado complacente levaram ao colapso da lei e da ordem, à degradação e ao descrédito de toda a rede regulamentar e do sistema judicial. Isto levou a um sistema nacional de "injustiça desigual" onde cidadãos críticos são perseguidos por exercerem seus direitos constitucionais ao passo que elites criminosas operam com impunidade. As mais duras sanções do estado policial são aplicadas contra centenas de milhares de imigrantes, muçulmanos e activistas de direitos humanos, ao passo que trapaceiros financeiros são cortejados por colectores de fundos de campanhas presidenciais.

Não é de surpreender que hoje muitos trabalhadores e cidadãos da classe média considerem-se "conservadores" e serem "contra a mudança". Na verdade, a maioria quer "conservar" a Segurança Social, a educação pública, pensões, estabilidade de emprego e planos médicos federais tais como o MEDICARE e o MEDICAID em oposição aos advogados da "mudança" da elite "radical" que quer privatizar a Segurança Social e a educação, acabar com o MEDICARE e amputar o MEDICAID. Trabalhadores e classe média pedem estabilidade no emprego e nos bairros habitacionais, assim como preços estáveis contra a disparada de inflação nos cuidados médicos e na educação. Cidadãos assalariados apoiam a lei e a ordem, especialmente quando isto significa o processamento de evasores fiscais bilionários, banqueiros lavadores de dinheiro criminoso e trapaceiros, os quais, na maior parte, pagam uma pequena multa, emitem uma "desculpa" e a seguir prosseguem a repetição das suas trapaças.

As "mudanças" radicais promovidas pela elite devastaram a vida de milhões de americanos em todas as regiões, ocupações e grupos etários. Elas desestabilizaram a família ao minarem a segurança de emprego enquanto minavam bairros habitacionais com a lavagem dos lucros da droga. Acima de tudo elas perverteram totalmente todo o sistema de justiça no qual "os criminosos são tornados respeitáveis e os respeitáveis tratados como criminosos".

A primeira defesa da maioria é resistir à "mudança da elite" e conservar os remanescentes do estado previdência (welfare state). O objectivo da resistência "conservadora" será transformar todo o corrupto sistema legal de "criminalidade funcional" num sistema de "igualdade perante a lei". Isto exigirá uma alteração fundamental no poder político, ao nível local e regional, dos gabinetes dos banqueiros para os conselhos dos bairros populares e lugares de trabalho, dos juízes e reguladores acomodatícios nomeados pela elite para representantes reais eleitos pela maioria que geme sob o nosso actual sistema de injustiça.

05/Agosto/2012

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32220

http://resistir.info/petras/petras_05ago12.html

 

Da Carta Maior



Política e Direito no STF: o Caso "Mensalão"
Os principais julgamentos numa alta Corte são predominantemente julgamentos políticos, porque eles sempre interpretam princípios e põem os fatos sob as lentes da ideologia e da cultura de cada Magistrado. O que a Constituição e a Lei determinam são os limites destas influências, que organizam qualquer ordem jurídica: são os limites que marcam e estruturam o Estado de Direito inscrito na Constituição. Não julgar contra as provas ou não condenar sem provas; não aceitar a emoção pública como decisiva para julgar, não permitir que o espírito de linchamento predomine. O artigo é de Tarso Genro.

Depois de nomeado para a Corte Suprema dos Estados Unidos em 1937 descobriu-se que o novo integrante, o Juiz Hugo Black, fora membro da Klu Klux Klan no seu estado de origem, o Alabama. Erguendo-se acima dos seus preconceitos políticos e raciais, no processo 309 U.S. 227 (1940) (que chegou em grau de recurso àquela Corte), o Juiz - que militara na organização racista - proferiu um dos votos mais memoráveis da época, que se tornou jurisprudência modelar na luta pelos direitos civis no mundo inteiro.

No processo judicial em revisão, cidadãos negros tinham sido condenados por assassinato, com base em confissões obtidas sob violência e humilhação, portanto, sem provas obtidas legalmente. No impulso das emoções insufladas por aquela cultura reacionária predominante no Sul, mais uma injustiça brutal iria se perpetuar e foi tolhida pela coragem do Juiz Black.

O importante no voto-paradigma não foi a mudança da personalidade política do Juiz naquele julgamento, que a história já registrou em outras oportunidades com outros personagens: o ser humano gigantesco erguendo-se além das suas circunstâncias. A importância do seu voto foi para o Direito, sobretudo com os “fundamentos” da sua posição, acolhida pela Corte. Os fundamentos jurídicos, que expressam os princípios da Constituição, são o refúgio moral e jurídico em que um grande Juiz pode se abrigar, para resistir às circunstâncias da política e da força das emoções públicas. Estas podem ser manipuladas por interesses que se pretendem acima da lei e do ordenamento democrático legítimo, mas os princípios estão ali, na Constituição, à espera para se transformarem em fundamentos, em cada caso concreto.

Os principais julgamentos numa alta Corte são predominantemente julgamentos políticos, porque eles sempre interpretam princípios e põem os fatos sob as lentes da ideologia e da cultura de cada Magistrado. O que a Constituição e a Lei determinam são os limites destas influências, que organizam qualquer ordem jurídica: são os limites que marcam e estruturam o Estado de Direito inscrito na Constituição, para que Política e Direito sejam compatibilizados em cada decisão. Não julgar contra as provas ou não condenar sem provas; não aceitar a emoção pública como decisiva para julgar: não permitir que o espírito de linchamento predomine sobre a verdade ficta, que está contida no devido processo legal. Esta foi a lição imorredoura do Juiz Black.

“Sob o nosso sistema constitucional - proferiu o Juiz Black - os tribunais permanecem firmes, contra quaisquer ventos que soprem, como céus de refúgio para aqueles que podiam de outro modo sofrer por serem desamparados, fracos, a minoria, ou porque são vítimas não conformadas de erros e emoção pública. (...) Nenhum dever mais alto, nenhuma responsabilidade mais solene, repousa sobre esta Corte, do que a de traduzir em Direito vivo e manter este escudo constitucional deliberadamente planejado e escrito para o benefício de todo o ser humano sujeito à nossa Constituição - de qualquer raça, credo ou tendência.”

O que a sociedade brasileira tem o direito de exigir neste caso é simplesmente que os réus dos mensalão sejam julgados (condenados ou não), segundo as provas do processo e não em função dos apelos furiosos da maioria da mídia contra o governo Lula e contra o PT.

A mídia, a extrema esquerda udenista, a direita neoliberal derrotada nas eleições, devem se lembrar que um dia poderão estar sendo julgados por algum Tribunal (muitos já estão), e que a garantia dos seus direitos é estar no julgamento segundo a Lei e a Constituição. Nelas é que o Estado de Direito põe freios às ideologias e às preferências políticas, contidas em algum lugar na cabeça de cada Magistrado, sejam elas quais forem.

A frase profética de Danton, quando se encaminhava para a guilhotina, condenado sem qualquer prova por sentença puramente política da Convenção - no amanhecer da Revolução - é uma boa lembrança para os que festejam, hoje, a pré-condenação dos réus pela mídia, que pressiona o Supremo para segui-la, mesmo sem provas: “Tu me seguirás, Robespierre!”

Entendo que no Brasil, após a Constituição de 88, está em curso uma verdadeira Revolução Democrática “dentro da ordem” como classificava Florestan Fernandes. Ambígua, difícil, desigual, mas que põe em movimento um conjunto de conflitos, mediações, consensos que têm apontado para abrir a cidadania política e social para dezenas de milhões de pessoas do povo. Revolução Democrática que subverte hierarquias de poder instaladas, primeiro pela colônia e a escravidão, depois pela ditadura. Sob esta ótica é que abordo a questão do “mensalão” e seu processo.

O Brasil não será mais o mesmo depois do julgamento do chamado “mensalão”. De uma parte, porque é o segundo teste profundo do funcionamento das instituições forjadas no Estado de Direito da Constituição de 88, que terá também um grande impacto na vida política nacional. De outra, porque - independentemente da responsabilidade penal que a decisão do STF vai conferir aos réus - nunca projetou-se de maneira tão contundente na democracia, uma tentativa de destruição de um Partido, como está sendo feito agora com o Partido dos Trabalhadores.

Este movimento, aliás, foi confortado por um lamentável equívoco do digno Procurador Roberto Gurgel, que alegou que os atos apontados como criminosos visavam sustentar um projeto de permanência no poder do Partido dos Trabalhadores. Ou seja: a Procuradoria criminalizou toda uma comunidade partidária, através do extravasamento das responsabilidades individuais dos réus, como se as instâncias do PT tivessem decidido o assalto ao poder pela via do crime comum. O que dá para desconfiar é que não tendo amealhado provas o Ministério Público resolveu - pela política - incriminar em abstrato toda a comunidade partidária. Isso é grave, pois torna também a condenação dos indivíduos a penalização em abstrato de um projeto político democrático.

O processo do “mensalão”, como paradigma de funcionamento institucional do país, só foi superado em importância pelo impedimento do Presidente Collor. E a tentativa de liquidação do PT só tem comparação com as campanhas anticomunistas realizadas no Brasil, após o golpe de 64. Mesmo assim, a existência de um processo judicial regular para apuração de responsabilidades é uma vitória da ordem jurídica do país. Mas a sobrevivência do PT como está ocorrendo, mesmo com os ataques reiterados ao seu patrimônio moral e político, é também uma vitória da democracia e mais do que isso: é uma vitória da estratégia da Revolução Democrática no Brasil.

Do ponto de vista do futuro do país, no contexto da Revolução Democrática, o que menos interessa agora é se os fatos narrados pelo Ministério Público como fatos delituosos existiram ou deixaram de existir. Nos processos judiciais a verdade é sempre ficta, mais, ou menos próxima da verdade concreta. A sua construção no processo judicial, todavia, é a única maneira de aproximar um julgamento dos ideais da Justiça previstos no “dever-ser” da Constituição e isso significa julgar segundo as provas. O que mais interessa à sociedade, portanto, é se as garantias do devido processo legal estão sendo plenamente respeitadas. O que interessa à sociedade é que os réus tenham um julgamento justo, dentro do ordenamento democrático vigente.

Para os que defendem o futuro da democracia como modo de vida, como organização do Estado de Direito Democrático e Social, é em julgamentos como este que Direito e Política compõem uma única totalidade. São os casos, também, em que as desigualdades inerentes à democracia podem se apresentar por inteiro, como decisões de Estado, ou encobrir privilégios e render-se às pressões das mídias poderosas, sem promoverem um julgamento justo. Eis o dilema que enfrenta o STF.

Os indivíduos que estão no processo - refiro-me aos militantes, originários de um contexto de luta por mudanças políticas e econômicas na sociedade brasileira - são, ao mesmo tempo, réus de um “devido processo legal” de natureza criminal e sujeitos passivos de uma vingança da reação política contra os governos do Presidente Lula. Esse é o contexto que o STF enfrenta, composto que é, de juízes-juristas-políticos, como são todos os Magistrados nas Cortes Supremas de todos os países. Sair bem deste conflito é julgar conforme as provas.

(*) Governador do Estado do Rio Grande do Sul


http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20691

 

webster franklin

Da Carta Maior


A 'utopia' que irrita uns e desconcerta outros

 



Há uma história interessante de organização e utopia (no bom sentido) por trás dos saques a supermercados registrados na Espanha essa semana. Ela antecede a crise da ordem neoliberal e suscita questões de abrangência política que extrapolam os limites do gesto de reciprocidade simbólica à expropriação de direitos sociais na Europa.

Por trás dos saques, que irritaram a direita e desconcertaram parte da esquerda, existe uma liderança de carne e osso e uma estrutura organizativa que desautoriza a visão corrente segundo a qual as organizações políticas convencionais --e os projetos históricos progressistas-- perderam o sentido, tendo sido substituídos pela instantaneidade das mobilizações high-tec, de engajamento espontâneo e estrutura episódica.

A origem da controversia é um lugar chamado Marinaleda, um povoado de 2.700 habitantes, numa das áreas mais pobres da Sevilha. Seu prefeito, há 35 anos, Juan Manuel Sanches Gordillho (o primeiro à esquerda, na foto), integrante da União de Esquerda, acusado de chavista, liderou os saques de megafone na mão.

Não sem ironia, Marinaleda recebeu o carimbo de 'oasis comunista' pelo New York Times, em reportagem de 2009. Ali impera a lei do bem comum, baseada num programa coletivista de produção e vida junto à terra que remonta aos anos 80. O enclave teimoso gerou energia suficiente para chegar ao século XXI e sacudir a modorra da crise espanhola com um gesto de múltiplos significados.


http://youtu.be/ybzS5vbz2f0


'O sonho da terra' em Marinaleda - nome de um vídeo; assista acima - contrasta com o pesadelo de muitos ocupantes da terra no Brasil, como mostram as reportagens veiculadas pela 'Pública', uma boa iniciativa de agência de jornalismo investigativo que se debruçou sobre o tema (ler a reportagem especial: 'No coração do latifúndio, uma estaca quebrada').

Sobretudo, porém, o que esse contraste argui é o desdém estratégico que a agenda da reforma agrária desfruta hoje no país --e não somente junto à direita. A edição espanhola do Huffington Post traz um relato da trincheira sevilhana de resistência ao arrocho conservador e ao desalento progressista. Vale a pena ler.


Postado por Saul Leblon às 18:27


http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1053

 

webster franklin

Acusar um homem de ‘não ter colhões’ é crime

 

ROMA (AFP) – Insultar um homem dizendo que ele “não tem colhões” é um crime na Itália, castigado com multa, segundo sentença de uma Corte de Cassação que decidiu assim uma disputa entre primos do sul do país.

A curiosa sentença do alto tribunal pôs fim ao confronto entre o advogado Vittorio, cujo sobrenome não foi divulgado, e seu primo Alberto, juiz de paz, que insultou o parente com essas palavras em pleno tribunal de Potenza (sul da Itália).

“Fora a vulgaridade dos termos utilizados, a expressão é injuriosa”, afirma a sentença do magistrado, Maurizio Fumo, que acrescenta que o insulto não apenas “insinua uma falta de virilidade do destinatário, como uma fraqueza de caráter, uma falta de determinação, de competência e de coerência, virtudes que, com ou sem razão, são identificadas como pertencentes ao gênero masculino”.

O juiz ainda vai fixar o montante da multa. A decisão gerou um debate sobre discriminação sexista.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/acusar-um-homem-de-nao-ter-colhoes-e-crime/

 

 

Petrotras terá verba da Finep e do BNDES para o pré-sal

Qui, 09 de Agosto de 2012 11:00 - No Outro Lado da Noticia


 

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Petrobras lança plano de R$ 3 bi para pré-sal
Por Chico Santos | Do Rio, no Valor

O governo decidiu acelerar seu projeto de utilizar a exploração de petróleo na camada pré-sal como plataforma para a virada tecnológica da economia brasileira. Na segunda-feira, na sede da Petrobras (centro do Rio) será lançado o programa Inova Petro, com disponibilidade inicial de R$ 3 bilhões a serem desembolsados até 2016 pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo BNDES em partes iguais. Os recursos serão alocados na forma de empréstimo, de subvenção e de participação acionária e poderão ser ampliados na medida da demanda.


De acordo com a mecânica traçada para o funcionamento do programa, a Finep ficará responsável pela distribuição dos recursos sob forma de subvenção (fundo perdido), crédito e também pelo estímulo à articulação entre universidades e empresas. Ao BNDES caberá a alocação de recursos pelas vias do empréstimo e da participação acionária. A Petrobras dará apoio técnico, participando da análise dos projetos que se candidatarem, além de analisar os planos de negócios dos proponentes, podendo garantir demanda futura dos equipamentos e serviços, além de dar apoio técnico durante o desenvolvimento do projeto.


"Uma parte importante da fronteira tecnológica mundial e das necessidades de novos materiais estará aqui, na nossa Costa", explica João De Negri, diretor de Inovação da Finep, justificando o esforço que será feito para, por intermédio da exploração do pré-sal, impulsionar a capacidade tecnológica brasileira.


A ambição do governo é que ao longo dos até 60 anos estimados para a exploração do pré-sal as empresas brasileiras que busquem investir em tecnologia possam no futuro disputar mercados com as grandes empresas de serviços e gerenciamento de obras do setor, como a francesa Schlumberger e a americana Baker Hughes. Admitindo os riscos da empreitada e o longo prazo de maturação, "o Estado vai compartilhar esse risco", disse o diretor da Finep.


De Negri, cuja equipe liderou a formatação do programa, compara o pré-sal, dados os desafios envolvidos e as necessidades de novas tecnologias, equipamentos e formação de pessoal, à corrida espacial que levou o homem à lua. Ele avalia que, assim como as tecnologias desenvolvidas pela Nasa, a agência espacial americana, se espraiaram por vários ramos da atividade humana, o mesmo ocorra com o pré-sal.


As condições e limites de cada forma de apoio serão divulgadas na segunda-feira. Já está definido que vão participar dos processos de seleção empresas ou grupos econômicos brasileiros com receita operacional bruta superior a R$ 16 milhões. É certo também que os projetos terão que ser integralmente desenvolvidos em território nacional e que não serão aceitos projetos de tropicalização ou internalização de tecnologias embora se admita parcerias com empresas estrangeiras para absorção de tecnologia.


 

 

OTAN, Pepe Escobar, Síria, Terrorismo, The Sex Pistols, Vila Vudu
A ascendência de uma elite financeira criminosa

James Petras

As duas faces de um estado policial: “Abrigar sonegadores, trapaceiros das finanças e lavadores de dinheiro enquanto vigia os cidadãos”

por James Petras

“O coração apodrecido das finanças”, The Economist

“Há um grau de cinismo e cobiça que é realmente bastante chocante”, Lord Turner do Bank of England, Financial Service Authority

Nunca na história dos Estados Unidos testemunhamos crimes cometidos na escala e do âmbito dos dias atuais, tanto pela elite privada como estatal.

Um economista de credenciais impecáveis, James Henry, antigo economista chefe na prestigiosa firma de consultoria McKinsey & Company, investigou e documentou evasão fiscal. Ele descobriu que os super-ricos e suas famílias têm até US$32 trilhões de ativos escondidos em paraísos fiscais off shore, o que representa mais de US$280 bilhões de receita perdida no imposto sobre o rendimento! Este estudo excluía ativos não financeiros tais como imobiliário, metais preciosos, jóias, iates, cavalos de corrida, veículos de luxo e assim por diante. Dos US$32 trilhões de ativos escondidos, US$23 trilhões pertencem a super-ricos da América do Norte e da Europa.

Um relatório recente do Comitê Especial das Nações Unidas sobre Lavagem de Dinheiro descobriu que bancos dos EUA e da Europa têm lavado mais de US$300 bilhões por ano, incluindo US$30 bilhões apenas dos cartéis de droga mexicanos.

Novos relatórios sobre trapaças financeiras de muitos bilhões envolvendo os grandes bancos dos EUA e Europa são publicados a cada semana. Os principais bancos da Inglaterra, incluindo o Barclay's e um bando de outros, foram identificados como tendo manipulado o LIBOR, ou inter-bank lending rate, durante anos a fim de maximizar lucros.

O Bank of New York, JP Morgan, HSBC, Wachovia e Citibank estão entre a multidão de bancos acusados de lavar dinheiro da droga e de outros fundos ilícitos segundo investigações do Comitê Bancário do Senado dos EUA. Corporações multinacionais receberam fundos federais de salvamento e isenções fiscais e então, violando os acordos publicitados com o governo, relocalizam fábricas e empregos na Ásia e no México.

Grandes firmas de investimento, como a Goldman Sachs, enganaram investidores durante anos investindo em ações “lixo” enquanto os corretores puxavam e afundavam (pumped and dumped ) ações sem valor. Jon Corzine, presidente do MF Global (bem como antigo presidente da Goldman Sachs, antigo senador dos EUA e governador de Nova Jersey) afirmou que “não podia explicar” os US$1,6 bilhões de perdas de clientes investidores de fundos no colapso de 2011 do MF Global.

Apesar do enorme crescimento do aparelho policial do estado, da proliferação de agências de investigação, das audiências no Congresso e dos mais de 400 mil empregados do Ministério da Segurança Interna (Department of Homeland Security), nem um único banqueiro foi para a cadeia. Nos casos mais chocantes, um banco como o Barclay pagará uma pequena multa por ter facilitado a evasão fiscal e efetuado trapaças especulativas. Ao mesmo tempo, de acordo com o princípio “canalha” [implícito] na trapaça LIBOR, o Diretor de Operações (Chief Operating Officer, COO) do Barclay's Bank, Jerry Del Missier, receberá uma indenização de 13 milhões de dólares pelo seu afastamento.

Em contraste com a complacente aplicação da lei praticada pelo florescente estado policial em relação a trapaças dos bancos, das corporações e das elites bilionárias, tem-se intensificado a repressão política de cidadãos e imigrantes que não cometeram qualquer crime contra a segurança e ordem pública.

Milhões de imigrantes têm sido agarrados nas suas casas e lugares de trabalho, presos, surrados e deportados. Centenas de bairros hispânicos e afro-americanos têm sido alvo de raids policiais, tiroteios e mortes. Em tais bairros, a polícia local e federal opera com impunidade – como foi ilustrado por vídeos chocantes dos tiros e brutalidade da polícia contra civis desarmados em Anaheim, Califórnia. Muçulmanos, asiáticos do Sul, árabes, iranianos e outros são racialmente perfilados, arbitrariamente presos e processados por participarem em obras de caridade, de fundações humanitárias ou simplesmente por participarem de instituições religiosas. Mais de 40 milhões de americanos empenhados em atividade política legal são atualmente vigiados, espionados e frequentemente molestados.

As duas faces do governo dos EUA: Impunidade e repressão

Documentação esmagadora confirma a deterioração total da polícia e do sistema judicial dos EUA no que respeita à aplicação da lei quanto a crimes entre a elite financeira, bancária e corporativa.

Sonegadores de trilhões de dólares, trapaças financeiras bilionárias e lavadores de dinheiro multibilionários quase nunca são enviados para a cadeia. Se bem que alguns paguem uma multa, nenhum deles têm os seus ganhos ilícitos apreendidos, apesar de muitos serem criminosos reincidentes. A reincidência entre criminosos financeiros é comum porque as penalidades são leves, os lucros são altos e as investigações pouco frequentes, superficiais e sem consequências. O United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) informou que, só em 2009, foram lavados US$1,6 trilhões, principalmente em bancos ocidentais, um quinto vindo diretamente do comércio de droga. O grosso do rendimento do comércio de cocaína foi gerado na América do Norte (US$35 bilhões), dois terços dos quais foram lavados em bancos locais.

O fracasso em processar banqueiros empenhados numa ligação crítica do comércio da droga não se deve à “falta de informação”, nem tampouco à “frouxidão” por parte dos reguladores e aplicadores da lei. A razão é que os bancos são demasiado grandes para processar e os banqueiros demasiado ricos para prender.

A aplicação efetiva da lei levaria a serem submetidos a processo todos os principais bancos e banqueiros, o que reduziria lucros drasticamente. Encarcerar banqueiros de topo fecharia a “porta giratória”, o portão dourado através do qual reguladores do governo asseguram a sua própria riqueza e fortuna pela entrada em casas de investimento privadas depois de deixarem o serviço “público”. Os ativos dos dez maiores bancos nos EUA constituem uma porção apreciável da economia estadunidense. Os gabinetes dos diretores dos maiores bancos entrecruzam-se com todos os principais setores corporativos. Os responsáveis de topo e médios e seus confrades no setor corporativo, bem como seus principais acionistas e possuidores de títulos, estão entre os maiores sonegadores do país.

Se bem que a Security and Exchange Commission, o Departamento do Tesouro e o Comitê Bancário do Senado finjam publicamente que investigam altos crimes financeiros, a sua função real é proteger estas instituições de quaisquer esforços para transformar a sua estrutura, as suas operações e o seu papel na economia estadunidense. As multas recentemente impostas são altas pelos padrões anteriores, mas ainda assim seus montantes, na maior parte, correspondem aos lucros de um par de semanas.

A falta de “vontade judiciária”, o colapso de todo o sistema regulamentar e a ostentação do poder financeiro manifestam-se nos “pára-quedas dourados” habitualmente concedidos a presidentes de conselho de administração criminosos após sua revelação e “renúncia”. Isto se deve ao enorme poder político que a elite financeira exerce sobre o estado, o judiciário e a economia.

Poder político e morte da “lei e ordem”

Em relação a crimes financeiros, a doutrina que guia a política do estado é “demasiado rico para encarcerar, demasiado grande para falir”, o que se traduz nos salvamentos pelo tesouro, com muitos trilhões de dólares, de instituições financeiras cleptocráticas em bancarrota e num alto nível de tolerância do estado para com sonegadores, trapaceiros e lavadores de dinheiro. Devido ao colapso total da aplicação da lei em relação a crimes financeiros, há altos níveis de delinquentes contumazes. É o que um responsável financeiro britânico descreve como “cobiça cínica (e cíclica)”.

A palavra de ordem sob a qual a elite financeira tomou o controle total do estado, do orçamento e da economia foi “mudança”. Isto refere-se a desregulamentação do sistema financeiro, à expansão maciça dos alçapões fiscais, a fuga livre de lucros para paraísos fiscais além-mar e a dramática comutação da “aplicação da lei” da persecução dos bancos que lavam os ganhos ilícitos da droga e de cartéis criminosos para a perseguição dos chamados “estados terroristas”.

O “estado da lei” tornou-se um estado sem lei. “Mudanças” financeiras permitiram e mesmo promoveram trapaças reiteradas, as quais defraudaram milhões e empobreceram centenas de milhões.

Há 20 milhões de hipotecados que perderam seus lares ou não são capazes de manter pagamentos; dezenas de milhões de contribuintes da classe média e da classe trabalhadora que foram forçados a pagar impostos mais altos e a perder serviços sociais vitais devido à evasão fiscal da classe superior e corporativa.

A lavagem de bilhões de dólares de cartéis da droga e de riqueza criminosa pelos maiores bancos levou à deterioração de bairros inteiros e à ascensão do crime, o que desestabilizou a vida familiar da classe média e trabalhadora.

Conclusão

A ascendência de uma elite financeira criminosa e a cumplicidade do estado complacente levaram ao colapso da lei e da ordem, à degradação e ao descrédito de toda a rede regulamentar e do sistema judicial. Isto levou a um sistema nacional de “injustiça desigual” onde cidadãos críticos são perseguidos por exercerem seus direitos constitucionais ao passo que elites criminosas operam com impunidade. As mais duras sanções do estado policial são aplicadas contra centenas de milhares de imigrantes, muçulmanos e ativistas de direitos humanos, ao passo que trapaceiros financeiros são cortejados por coletores de fundos de campanhas presidenciais.

Não é de surpreender que hoje muitos trabalhadores e cidadãos da classe média considerem-se “conservadores” e serem “contra a mudança”. Na verdade, a maioria quer “conservar” a Segurança Social, a educação pública, aposentadorias & pensões, estabilidade de emprego e planos médicos federais tais como o MEDICARE e o MEDICAID em oposição aos advogados da “mudança” da elite “radical” que quer privatizar a Segurança Social e a educação, acabar com o MEDICARE e amputar o MEDICAID.

Trabalhadores e classe média pedem estabilidade no emprego e nos bairros residenciais, assim como preços estáveis contra a disparada de inflação nos cuidados médicos e na educação. Cidadãos assalariados apoiam a lei e a ordem, especialmente quando isto significa o processamento de sonegadores bilionários, banqueiros lavadores de dinheiro criminoso e trapaceiros, os quais, na maior parte, pagam uma pequena multa, emitem uma “desculpa” e a seguir prosseguem a repetição das suas trapaças.

As “mudanças radicais promovidas pela elite devastaram a vida de milhões de americanos em todas as regiões, ocupações e grupos etários. Elas desestabilizaram a família ao minarem a segurança de emprego enquanto minavam bairros residenciais com a lavagem dos lucros da droga. Acima de tudo elas perverteram totalmente todo o sistema de justiça no qual “os criminosos são tornados respeitáveis e os respeitáveis tratados como criminosos”.

A primeira defesa da maioria é resistir à “mudança da elite” e conservar os remanescentes do estado previdência (welfare state). O objetivo da resistência “conservadora” será transformar todo o corrupto sistema legal de “criminalidade funcional” num sistema de “igualdade perante a lei”. Isto exigirá uma alteração fundamental no poder político, ao nível local e regional, dos gabinetes dos banqueiros para os conselhos dos bairros populares e lugares de trabalho, dos juízes e reguladores acomodatícios nomeados pela elite para representantes reais eleitos pela maioria que geme sob o nosso atual sistema de injustiça.

05/Agosto/2012

O artigo original, em inglês encontra-se em: “The Ascendancy of a Criminal Financial Elite”
Esta tradução foi extraída de Resistir e ligeiramente adaptada pela redecastorphoto

Postado por Castor Filho

 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Pepe Escobar: “American (jihadi) Idol” [1]
 



10/8/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
American (jihadi) Idol
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
I don’t want a holiday in the Sun
I wanna go to the new Belsen [2]
I wanna see some history
Cause now I got a reasonable economy –
The Sex Pistols, Holidays in the Sun [3]
 

Pepe Escobar
Jihadis do mundo, uni-vos: nada tendes a perder, além de um “branco” em cena. Depois da Bósnia, Chechênia e Afeganistão, também o ocidente agora caiu de amores por vocês, tudo outra vez – divirtam-se.
 
Se ainda faltasse prova, ei-la aqui – diretamente na voz do establishment dos EUA personificado no Council of Foreign Relations (CFR) {1}. Que lindo é saber que:
 
“...os batalhões do “Exército Sírio Livre” [Free Syrian Army (FSA)] estão cansados, divididos, caóticos e ineficazes. Sentindo-se abandonadas pelo ocidente, as forças rebeldes sentem o moral baixar dia a dia... Mas os combatentes da al-Qaeda podem ajudar a levantar o moral. O influxo de jihadis acrescenta disciplina, fervor religioso, experiência de combate adquirida no Iraque, dinheiro dos simpatizantes sunitas do Golfo e, sobretudo, resultados mortalmente eficazes. Em resumo: o FSA precisa agora da al-Qaeda”.
 
Reescrevamos o parágrafo acima, no contexto de meados dos anos 2000s na Mesopotâmia.
 
“A resistência sunita iraquiana está cansada, dividida, caótica e ineficaz. Sentindo-se abandonadas pelo mundo árabe, as forças rebeldes sentem-se cada dia mais desmoralizadas, na luta contra o exército mais poderoso do mundo. Mas os combatentes da Al-Qaeda podem ajudar a levantar a moral. O influxo de jihadis acrescenta disciplina, fervor religioso, experiência de combate adquirida em todos os cantos do mundo muçulmano, dinheiro dos simpatizantes sunitas do Golfo e, sobretudo, resultados mortalmente eficazes. Em resumo: a resistência sunita iraquiana contra a ocupação pelos EUA precisa da al-Qaeda”.
 
Imaginem os gritos padrão Munch, em todo o ocidente, se alguém, naquele momento, aparecesse com semelhante proposta. Como? Como seria humanamente possível apoiar “terrists” [aprox. “teroristas”] [4]? Essa é fácil: basta que o “terorista” seja “nosso filho-da-puta”.
 

Ed Husain
O mensageiro do “terorismo” nessa mensagem do CFR é um Ed Husain, apresentado como “especialista em estudos do Oriente Médio”. Antes de ter organizado o primeiro think-tank de contraterrorismo na Grã-Bretanha, foi “ativista dos grupos Jamat-e-Islami, Hizb ut-Tahrir (HT) e da Fraternidade Muçulmana no Reino Unido”. Graças a Alá, abjurou; agora é “empenhado crítico do extremismo e do islamismo”.
 
A Síria prova mais uma vez que o ocidente adora desertores. Mesmo assim, nosso desertor islamista toma o cuidado de cobrir as próprias bases e acrescenta que “o plano oculto entre os políticos é primeiro livrar-se de Assad – enfraquecendo a posição do Irã na região – para depois lidar com a al-Qaeda”.
 
Obviamente o nosso desertor – que fala árabe e é “familiarizado” com o urdu – deve crer que “tiro pela culatra” seja terminologia pornô. Até as criancinhas já sabem que, depois da jihad afegã dos anos 1980s, os EUA, a Arábia Saudita e o Paquistão conseguiram “mudar o regime” em Kabul, sim. Mas também conseguiram criar os Talibã, Osama bin Laden, Ayman al-Zawahiri e o “terorismo” global.
 
Agora, já temos bom motivo para novas esperanças.
 
A Síria já está convertida em versão inspirada em Holiday in the Sun [Feriado ao sol] inspirada no Sex Pistol (versão remix da jihad): um ímã que atrai líbios, jordanianos, sauditas, argelinos, chechenos, af-paquistaneses e até britânicos com sotaque londrino. {2}
 
Estão lutando ao lado dos islamistas sírios como esse, de nome Abu Bakr, que acaba de ter seus 15 minutos de fama, na Agência Reuters. {3}
 
Perguntado por seus planos futuros, Abu Bakr admitiu: “Não quero impor a Xaria e começar imediatamente a cortar mãos de ladrões. Creio na Xaria. Mas se for imposta às pessoas, geraremos medo. Temos de dar segurança às minorias e tratá-los bem”.
 
A palavra chave aí é, evidentemente, “imediatamente”. Primeiro nos livramos do ditador sanguinário e de seu regime do mal. Deixamos para depois a parte de degolar e decepar mão dos infiéis alawitas, cristãos, drusos e curdos.
 
Completando a farsa de um Exército Sírio Livre, hoje já totalmente infiltrado por jihadis, e das muitas gangues/brigadas que de fato estão comandando tudo, a mídia-empresa ocidental não faz prisioneiros: agora vendem a ideia de que a CIA está em campo só para o servicinho de separar o FSA, como se fosse o trigo, do joio jihadista – decidindo quem leva as malas cheias de dólares americanos.
 
Fiéis anotem bem: as armas de destruição em massa de Saddam Hussein já estão à venda em E-bay.
 

Hillary Clinton
Parece que ninguém contou à secretária de Estado, Hillary “Viemos, vimos, ele morreu” Clinton sobre essa mutreta jihadi. {4} 
 
Ela tem certeza de que não conhecerá a parte da “disciplina, fervor religioso e experiência do Iraque” dos discursos pró al-Qaeda. Pois conhecerá. O Irã, afinal de contas, continua a ser o Mal Supremo além de qualquer possível Eixo; além do mais, Washington precisa de alguém confiável para culpar pela infinita mentira da “guerra ao terror”.
 
Podem, portanto, esquecer o próximo filmeco dirigido por Kathryn Bigelow, de glorificação da operação que assassinou Osama bin Laden em Abbottabad. “Gastamos bilhões de dólares. Ainda não estamos nem perto de derrotar nosso inimigo”. {5}  
 
Inimigos não se derrotam: inimigos seduzem-se e cooptam-se. Será alguma coisa como um remake do icônico “Crepúsculo dos deuses” de Billy Wilder, com Osama bin Laden no papel de Norma Desmond: “Sempre fui grande. Os filmes ficaram pequenos”.
 
Jihadis do mundo, nada tendes a perder além da coleção de discursos de al-Zawahiri em DVDs arranhados. Chegou a hora da peregrinação a Hollywood, hora daquela fala imortal: “Estou pronta para o close-up, Mr. bin Laden” [5]. Preparem-se para ser detonados pela crítica irada.
 
Notas de rodapé:
 
{1}. 6/8/2012, Council of Foreign Relations, Ed Husain em: Al-Qaeda's Specter in Syria .
{2}. 6/8/2012, Press TV, em: None of insurgents were Syrian: UK journalist
{3}. 8/8/2012, Reuters, Erika Solomon em: Insight: Syria rebels see future fight with foreign radicals
{4}.7/8/2012, Reuters, Andrew Quinn em: Clinton warns of “proxies, terrorists” coming to Syria


{5}. Assista a seguir:



 
Notas dos tradutores

[1]
American Idol, Conhecido programa de televisão.
[2] Leia sobre Belsen, campo de concentração
[3] “Holidays in the Sun”, da banda The Sex Pistols, 1977 a seguir:

 
[4] Pronúncia errada da palavra “terrorist”. Era frequente nos discursos de George W. Bush: “temos de ser fortes e vigilantes e nos unir contra esses terrists”. [Informações do Urban Dictionnary]
[5] Fala do filme “Crepúsculo dos deuses”. Pode ser vista/ouvida a seguir:

 

Postado por Castor Filho
 
 

 

 

A história da Libor, manipulada por banqueiros ladrões

Qui, 09 de Agosto de 2012 11:04 - No Outro Lado da Noticia

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O banqueiro grego e a discreta criação da Libor


Por Kirstin Ridley e Huw Jones | Reuters, de Londres, no Valor

 T.J. Kirkpatrick/Bloomberg / T.J. Kirkpatrick/BloombergWolfensohn, ex-Banco Mundial: elogio aos primeiros banqueiros que se uniram para criar o que se tornaria a Libor

Minos Zombanakis, nascido há 86 anos em uma ilha grega, lembra-se muito bem do nascimento da taxa referencial de juro que está agora no coração de uma fraude de alcance mundial. "Fui meio que, se você me desculpar a falta de modéstia, um dos que começaram a coisa toda", fala rindo, em uma entrevista por telefone da vila onde mora em Creta, em meio a pomares de frutas cítricas. Zombanakis comandava a recém-aberta agência do Manufacturer's Hanover em Londres, hoje parte do J.P. Morgan, quando o banco organizou um dos primeiros empréstimos sindicalizados atrelados ao que ele chamou, em 1969, de London Interbank Offered Rate (Libor).


O empréstimo de US$ 80 milhões, para o xá do Irã, personificava a maneira como os mercados financeiros internacionais, que estavam efetivamente fechados desde 1929, estavam sendo abertos - lançando as sementes para que Londres prosperasse como centro financeiro mundial.


Os banqueiros daquela época tinham pouca ideia de que a taxa que estavam usando para dar preço àqueles empréstimos se tornaria uma das principais engrenagens do sistema financeiro global e uma referência para US$ 550 trilhões em contratos que vão de derivativos de juros a empréstimos imobiliários e cartões de crédito.


Passadas quatro décadas, essa taxa foi desacreditada pelas tentativas de operadores de manipulá-la, pelos bancos que mentiram sobre seus verdadeiros custos de tomada de empréstimos e por autoridades reguladoras acusadas de fechar os olhos para o que estava acontecendo, ou falhando em impedir a manipulação.


A Libor, criada para refletir os custos dos empréstimos tomados pelos bancos, foi parar nas manchetes dos jornais em junho, quando o Barclays recebeu uma multa recorde de US$ 450 milhões por permitir a operadores que a manipulassem, juntamente com sua prima em euros, a Euribor, e subestimassem intencionalmente as taxas durante o aperto de crédito de 2007-2008.


Banqueiros que trabalharam em Londres nas décadas que antecederam a crise de crédito, quando os financiamentos interbancários secaram e aumentaram as especulações de que os bancos estavam sendo desonestos em relação aos custos dos empréstimos que tomavam, insistem que não havia o menor sinal de manipulação naqueles dias iniciais.


Stanislas Yassukovich, um banqueiro veterano que chegou a Londres no começo dos anos 60, com o banco de Nova York White, Weld & Co., culpa a cultura moderna da bonificação e o surgimento dos megabancos "cheios de vitalidade" pela destruição da lealdade corporativa.


A Libor evoluiu para atender a demanda crescente na década de 60 pelo capital - offshore, sem cidadania e frequentemente em dólares - que inundou Londres e permitiu a empresas e países contrair empréstimos, fazer depósitos e pagamentos enquanto se esquivavam das regras e dos impostos domésticos.


A onda dos dólares internacionais foi desencadeada em parte pelos custos da Guerra do Vietnã e o déficit comercial americano, além de temores de que o bloqueio de Berlim pudesse levar os EUA a congelar os depósitos soviéticos em solo americano. Esses fatores constituíam as preocupações de longo prazo com o peso da regulamentação americana.


"As forças geopolíticas, especialmente a Guerra do Vietnã, coincidiram com o surgimento dos desequilíbrios comerciais globais e a legislação restritiva dos EUA e resultaram na criação inesperada e súbita do mercado de 'Eurodólares' em Londres na década de 60", explica David Clark, outro banqueiro veterano e atual presidente da Wholesale Markets Brokers Association. "Foi a partir desse começo que os empréstimos sindicalizados e os mercados de capitais reciclaram os dólares offshore, usando taxas de juros flutuantes baseadas na Libor."


Banqueiros como Zombanakis; George Bolton, presidente do conselho de administração do Bank of London & South America; Evan Galbraith, presidente do conselho do Bankers Trust Internacional, que mais tarde se tornaria embaixador dos EUA na França; e Walter Shipley, do Chemical Bank, estavam entre aqueles que perceberam o potencial do mercado.


Enquanto a Libor virava um referencial para trilhões de dólares, os operadores farejavam uma nova oportunidade


O ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn elogia o papel desempenhado por banqueiros como Zombanakis, que enfrentaram rivais para organizar os bancos em consórcios, dividindo os riscos de enormes empréstimos sindicalizados bancados por meio de uma série de depósitos de curto prazo baseados em taxas de juros flutuantes.


Pedidos de empréstimos começaram a ser feitos aos montes e os mercados financeiros decolaram. "No começo, a coisa era mais parecida com um clube", diz Yassukovich, um ex-presidente da Securities Association do Reino Unido, precursora da Autoridade de Serviços Financeiros (FSA, órgão regulador do mercado financeiro britânico).


Com frequência, a única força que mantinha os banqueiros impacientes sob controle era quando o presidente do Banco da Inglaterra demonstrava seu descontentamento "levantando uma sobrancelha": convocando o administrador de um banco quando via algo inapropriado.


Os banqueiros internacionais viviam lutando com as tradições da City, o centro financeiro de Londres, onde os presidentes das casas de descontos - corretoras de câmbio tradicionais - circulavam de cartola. Os colarinhos moles, ao invés dos engomados, eram tolerados apenas às segundas-feiras, sob a suposição de que o fim de semana havia sido passado no campo.


Mas os modos do velho mundo estavam ameaçados, uma vez que os banqueiros se esquivavam das regras que limitavam os riscos com que os bancos podiam arcar individualmente. Seus sindicatos ofereciam empréstimos com taxas de juros que eram renegociadas a cada três ou seis meses, para refletir a mudança das condições do mercado.


Zombanakis diz que criou a fórmula em que um grupo de grandes "bancos referenciais" dentro de cada sindicato podiam reportar seus custos de financiamento um pouco antes da data de rolagem de um empréstimo. A média ponderada, arredondada para o próximo 0,125% mais um spread para o lucro, tornou-se o preço do empréstimo para o período seguinte.


Ele nomeou isso de "taxa de oferta interbancária de Londres" - ou Libor. A fórmula, que hoje envolve o descarte dos valores mais altos e mais baixos, continua bastante parecida. No começo, não havia incentivos para oferecer taxas pequenas, uma vez que isso deixaria um banco no prejuízo. Afinal, os bancos estavam emprestando dinheiro àquelas taxas, e não tomando emprestado.


Zombanakis diz que qualquer banco que submetesse uma taxa de juros exorbitantemente inflada era ejetado do sindicato, podendo destruir uma relação potencialmente valiosa com o tomador.


Mas, em poucos anos, a Libor evoluiu de uma medida usada para colocar preço em empréstimos individuais para um referencial muito mais amplo para negócios avaliados em centenas de bilhões de dólares por ano. Na medida em que a demanda por empréstimos dos clientes aumentava, o mesmo aconteceu com a complexidade do mercado. Negócios começaram a ser feitos com instrumentos como swaps de juros, opções de câmbio e contratos futuros.


Enquanto isso, os bancos tomavam cada vez mais empréstimos de seus próprios fundos junto aos mercados de crédito, significando que eles podiam ter um incentivo para forçar uma queda da Libor.


Para formalizar o processo de coleta das taxas interbancárias e melhorar a eficiência, transparência e governança, a Associação dos Bancos Britânicos (BBA, na sigla em inglês), um órgão setorial apoiado pelo Banco da Inglaterra, assumiu o controle em 1986 e renomeou a taxa de BBALibor.


A Thomson Reuters, controladora da Reuters, calcula e distribui as taxas para a BBA desde 2005, quando adquiriu a Telerate, agência que fazia os cálculos.


Os envolvidos nas negociações da BBALibor na década de 80 foram pegos de surpresa pelo impacto da mudança para o que subitamente se tornou um referencial aberto ao público e amplamente usado. Isso coincidiu com a desregulamentação dos mercados financeiros, que significou o fim das regras singulares de Londres.


"Ninguém percebeu o quanto a BBALibor seria influente", diz um banqueiro, lembrando-se do escrutínio intenso que havia logo que as taxas da Libor eram divulgas às 11h. "As salas de negociação ficavam observando e dissecando quais taxas as pessoas sinalizavam a cada dia, à procura de uma grande mudança de comportamento."


Pois enquanto a Libor se tornava um referencial para derivativos avaliados em trilhões de dólares, os operadores farejavam uma nova oportunidade. "Em períodos mais recentes, houve uma tentação de se manipular as taxas porque há um mercado de derivativos enorme com bilhões e bilhões de libras em negócios atrelados à Libor", explica David Potter, um ex-diretor do Midland Bank e do Samuel Montagu, cuja longa carreira no mercado financeiro data da década de 60. "Portanto, com um ajuste de apenas 0,001%, isso pode render muito dinheiro."


Durante a crise de 2008 não era mais segredo que os bancos estavam suavizando as taxas de empréstimos. Em parte, mais para evitar demonstrar sinais de estresse financeiro do que para tentar obter lucros nas negociações: quanto maior os custos dos empréstimos para um banco, mais preocupados os investidores e os clientes ficam e maior a probabilidade de uma corrida ao banco, que o levaria ao colapso.


Os operadores desenvolveram seus próprios mecanismos para enfrentar o problema. Um deles era fazer hedge de posições atreladas à Libor como proteção contra perdas. Zombanakis, assim como muitos banqueiros veteranos, diz que o sentido da Libor foi perdido quando ela se tornou um referencial para tudo, de empréstimos corporativos a negócios com commodities, de financiamentos imobiliários a cartões de crédito. "Começamos uma coisa que era prática e conveniente. Nunca imaginamos que essa taxa iria se espalhar para hipotecas e coisas assim."


 

 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012


Imprensa e o “mensalão”, Gurgel e Gilmar tem hora marcada com a verdade
 

 
Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

                                foto correio braziliense

STF mostrará ao País que quem julga são os juízes e não os jornalistas.      Roberto Gurgel, o prevaricador-geral da República, “deu” a sua “sentença” e não “leu” simplesmente o relatório que deveria ser a peça de acusação que ele apresentou no plenário do STF. Percebeu, entretanto, que sua vontade de acusar, denunciar, condenar e dar entrevistas para a imprensa golpista antes do julgamento, como ocorreu no decorrer deste semestre, está a se transformar em um frágil castelo de areia à beira das ondas do mar. A ação penal 470 chamada de "mensalão" jamais deveria ser usada como trunfo de uma imprensa que tomou a vez e o lugar da oposição ao governo e que se transformou em um partido político não oficial, mas que se torna público e ativo por intermédio de suas manchetes de conotação político-ideológica e de caráter francamente oposicionista.
 
         O procurador Gurgel, o Prevaricador, sentou em cima dos processos da Operação Monte Carlo da PF durante quase três anos. A operação investigou o senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, o porta-voz do bicheiro Carlinhos Cachoeira, bem como o “procurador” dos interesses do criminoso tanto na esfera privada quanto na pública. Demóstenes, cria da imprensa burguesa de negócios privados, deixou de ser o arauto da moral, da ética e dos bons costumes e voltou a ser o que ele sempre foi: boy de luxo de bicheiro, moleque de recado e político sem a mínima noção do que é ser republicano para poder cuidar do País e da sociedade.
                         foto correio braziliense

O trio conservador e oposicionista ao governo: Peluso, Gilmar e Marco Aurélio.      Gurgel, o procurador condestável se mostra alinhado à oposição partidária (tucanos e congêneres) ao governo e no momento, como todo mundo sabe, encontra-se de joelhos e por isso precisa de aliados políticos de ideologia de direita na mídia monopolista, que a embala há dez anos, bem como em setores do setor público de poder e influência como o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República.
 
 
           E é exatamente isto o que está a ocorrer quando homens como Gurgel, Gilmar, Peluso e Marco Aurélio de Mello procuram os holofotes, os microfones e as canetas da imprensa historicamente conservadora e golpista para tratar das coisas da República, imiscuindo-se em assuntos não pertinentes às suas esferas e com isso cooperar com uma oposição derrotada eleitoralmente três vezes e que não tem um programa de governo e propostas alternativas ao do PT e de seus aliados para apresentar ao povo brasileiro.
                          foto correio braziliense

Gurgel (E) fez acusações e se baseou em notícias, mas não tem provas concretas.          Para compensar a incompetência política e administrativa dos tucanos e dos demos, Gurgel, não satisfeito, deu continuidade à sua conduta equivocadamente partidarizada e pediu a abertura de investigação sobre o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mas não exigiu o mesmo procedimento em relação ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que, como se observa, está envolvido até a medula com a quadrilha do bicheiro, bem como acusado de fazer negócios até de interesse pessoal com Carlinhos Cachoeira que, no momento, encontra-se preso.
 
 
         Como é público e notório, Agnelo Queiroz foi vítima de conspiração e de outros crimes que visavam derrubá-lo do poder, como ocorreu, por exemplo, com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi, somente para ficar nesses, e, de forma transparente, mostrou na CPMI para todo o Brasil que ele não teve contato com tal quadrilha assim como abriu seus sigilos fiscais, telefônicos e bancários, ações essas que o tucano Perillo não se dispôs a fazer, porque gravações de PF demonstram que o governador goiano pode estar seriamente envolvido com o esquema criminoso, que, a bem da verdade, teve como cúmplices e conspiradores as revistas Época e Veja, cujos diretores e também editores, Eumano Silva e Policarpo Jr. “aparentemente” se associaram ao bicheiro.


Álvaro Dias, Demóstenes Torres e Roberto Gurgel: aliados da oposição.       Contudo, a imprensa continua sua ode à conspiração e trata o julgamento do “mensalão” como um show de quinta categoria, é verdade, mas que acarreta confusão e dúvida à sociedade brasileira, porque os barões da imprensa combatem o governo trabalhista de Dilma ao tempo em que odeiam, literalmente, o ex-presidente Lula, que se fez estadista e é reconhecido mundialmente por causa de seu governo eminentemente de perfil e propósitos sociais.
 
 
         O que se percebe é que os conservadores deste País necessitam do “mensalão” como oxigênio para sobreviver politicamente, e, consequentemente, tirar o foco do escândalo Cachoeira, bem como usar o caso como arma nas eleições para as prefeituras deste ano, principalmente no que concerne à Prefeitura de São Paulo. O estado paulista e sua capital são os bastiões dos tucanos e seus aliados, como, por exemplo, o maior deles, os barões da imprensa, que querem pautar os governos e impor a vontade dos grupos econômicos os quais representam, notadamente os banqueiros e os grandes trustes internacionais de petróleo.


O jornalismo investigativo da Veja virou jornalismo bandido da Veja. Aliada do PSDB.       Autoridades como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e juízes do STF, a exemplo de Gilmar Mendes, atacaram, antes de começar o julgamento, personagens envolvidos no processo do “mesalão”.  Um absurdo. O juiz Gilmar e o procurador Gurgel são partes intrínsecas desse julgamento e jamais poderiam se comportar como adversários de pessoas que respondem à sociedade na condição de réus e não de condenados, o que é evidente. A imprensa de oposição ao governo, além de dar espaço para as sandices dessas duas personalidades nefastas à ordem jurídica do País, contraditoriamente tentou afastar do julgamento o juiz do Supremo, Dias Toffoli, por ele ter no passado trabalhado para o PT. Desfaçatez e sordidez na veia.
 
 
       Gilmar e Gurgel há anos se aproveitam de seus cargos para agir de forma sectária, partidária e com viés direitista. Extrapolam suas funções para se tornarem pivôs de polêmicas que não cabem no papel daqueles que deveriam ser discretos, sucintos, assertivos, ponderados e dessa forma capazes de discernir com melhor precisão sobre os fatos e acontecimentos que porventura chegam às suas mãos para que eles possam dar continuidade aos trâmites dos processos e, consequentemente, proteger a sociedade e os interesses do Brasil.
 
 
        Gilmar Mendes, Roberto Gurgel e Antônio Cezar Peluso são autoridades do Judiciário que se tornaram políticos, porém, sem votos, porque nunca disputaram eleições. Dois deles, Gurgel e Peluso, foram escolhidos por Lula, que, para mim, deu tiros nos pés. Gostaria de saber quem indicou essas pessoas ao presidente trabalhista, porque eles prejudicaram o processo democrático brasileiro e envergonharam o STF e a PGR.


Marco Aurélio é de oposição e questionou se Dias Toffoli poderia julgar. E o Gilmar?      Sobre Gilmar Mendes a única coisa que eu posso dizer é que o considero a herança maldita de FHC — o Neoliberal, que recentemente deitou falação sobre o “mensalão” e esqueceu que vendeu o Brasil, foi acusado de comprar votos no Congresso para emendar a Constituição e com isso se reeleger, além de ir ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, dentre muitos outros escândalos e desmandos praticados pelo pseudossociólogo e sua turma que se divertiu com a privataria tucana, nome muito sugestivo quando se trata, inclusive, de ser o título de um livro campeão de vendas e que foi boicotado pela imprensa cartelizada e monopolista.
 
 
        No momento, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) está a banho-maria no que é referente ao “mensalão”. O motivo não é porque os barões e seus empregados de confiança estão a fazer um jornalismo que ouve os lados envolvidos ou porque ficaram mais prudentes ou responsáveis. Nada disso. É porque eles sabem que para haver a punição dos envolvidos no caso tem de haver provas. E é exatamente isto que não está a acontecer para o desespero e a frustração deles, ainda mais que depois de a PF descobrir que parte dessa imprensa se associou ao submundo do crime e os leitores e telespectadores perceberam que o jornalismo investigativo da Veja e da Época é na verdade um jornalismo bandido.
 
 
        A verdade é que os advogados dos réus do “mensalão” estão a derrubar os castelos de areia erguidos pelo procurador Roberto Gurgel e os ministros e juízes Gilmar Mendes e Cezar Peluso, além de, evidentemente, a cúpula tucana, nas pessoas de FHC, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Sérgio Guerra e o midiático Álvaro Dias, senador do Paraná e que há anos replica no Congresso a partir das terças-feiras o que a imprensa golpista publica e repercute nos fins de semana. Se não fosse a imprensa burguesa, os tucanos e os demos, que estão quase extintos, não teriam mais voz, porque ninguém escuta aqueles que não criaram sequer empregos para o povo.
                          foto divulgação

O PIG pressiona o STF, mas percebeu que juiz condena se somente houver provas.          Além disso, engana-se o cidadão ou o leitor que o “mensalão” vai ajudar os tucanos ou se tornar uma pauta irremediavelmente destrutiva para o governo trabalhista de Dilma Rousseff ou para o Lula ou para o PT ao ponto de influenciar nas eleições de outubro ou para presidente em 2014. O PT depois desse caso venceu as eleições de 2006 e 2010 e vai continuar sua luta em prol da inclusão social dos brasileiros e do desenvolvimento econômico do Brasil, apesar da demonização promovida pela imprensa alienígena, a mesma que foi cúmplice e protagonista do golpe militar de 1964 que levou João Goulart à morte no exílio, que fez Getúlio Vargas cometer suicídio, que perseguiu sem trégua e ferozmente Leonel Brizola, que tentou, em 2005, dar um golpe branco em Lula, além de atacá-lo duramente até hoje.
 
 
         Para quem não sabe, a imprensa entreguista e de negócios privados faz com o PT o que fez com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nos anos 40, 50 e 60. O problema da imprensa é que no julgamento do STF as pessoas tem o direito de defesa garantido, bem como o contraditório é a essência de qualquer julgamento que se baseia em um estado democrático de direito. Quero ver se os juízes do STF vão ter coragem de condenar, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu sem provas e sem ouvir seus advogados. Quem julga o "mensalão" são os juízes e não os jornalistas e seus patrões. A imprensa tem hora marcada com a verdade. É isso aí. 
 
 

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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012 | ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 706

Jornal de Debates OI NA TV

A mídia e o julgamento do mensalão

Por Lilia Diniz em 09/08/2012 na edição 706 - No Observatório da Imprensa

Mais de cinquenta mil páginas, sete anos de tramitação, 38 réus. O julgamento da ação penal do chamado mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) está sendo classificado como o mais importante caso já analisado pela alta Corte. De acordo com a estimativa dos ministros, as audiências podem se estender até as eleições municipais, marcadas para outubro deste ano. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo pela TV Brasil na terça-feira (7/8) discutiu o papel da mídia na cobertura do escândalo do mensalão, que foi revelado pela imprensa em 2005 (ver aqui a íntegra do programa).

Uma gravação em vídeo flagrou Maurício Marinho, funcionário dos Correios indicado para o cargo pelo PTB, recebendo propina no valor de 3 mil reais. O material foi publicado pela revista Veja e desencadeou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Um mês depois de Veja sair às ruas, o então presidente do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, concedeu uma bombástica entrevista à Folha de S.Paulo. Jefferson disse à jornalista Renata Lo Prete que o governo do PT dava uma espécie de mesada a parlamentares no valor de 30 mil reais em troca de apoio aos projetos do partido no Congresso Nacional.

Para discutir esse tema, Alberto Dines recebeu no estúdio de São Paulo o jurista Dalmo Dallari, professor titular emérito da Faculdade de Direito da USP. Dallari é também professor catedrático da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de Educação para a Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância, criada na Universidade de São Paulo (USP). É autor, entre outras obras, de O Futuro do Estado. No Rio de Janeiro, o programa contou com a presença do cientista político Renato Lessa, professor titular de Teoria Política da Universidade Federal Fluminense (UFF). Lessa é presidente do Instituto Ciência Hoje e pesquisador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Em Brasília, o OI na TV recebeu o jornalista Luiz Gutemberg, que trabalhou no Jornal do Brasil e em Veja. Gutemberg é autor da biografia Moisés, codinome Ulysses Guimarães e do romance O Jogo da gata Parida, entre outros.

Muita mídia, pouca audiência
Antes do debate no estúdio, em editorial, Dines avaliou que o interesse da população no julgamento ainda é pequeno, e que chama a atenção o fato de a grande imprensa ainda não ter começado a discutir as causas do mensalão: “Se, como alega a defesa da maioria dos réus, os ilícitos estão na esfera da justiça eleitoral, ou então, como acusou o procurador geral, trata-se de uso de recursos ilícitos para comprar apoios de parlamentares ao governo anterior, a verdade é que ninguém se mostra empenhado em prevenir a repetição do vexame. É possível mesmo que, enquanto o Supremo examina esta colossal disfunção do nosso sistema político, esquemas de caixa dois ou compra de votos estejam funcionando impunemente pelo país afora” (ver íntegra abaixo). Na avaliação de Dines, cabe à imprensa atuar para que situações como esta não se repitam.

No debate ao vivo, Dines perguntou a Dalmo Dallari sobre o argumento usado por advogados dos réus do chamado núcleo político do esquema de que “não houve crime maior”. De acordo com os defensores, os recursos eram apenas “caixa dois”, considerado um crime mais brando e já prescrito. Para Dines, esta tese distorce o processo político e é uma agressão ao regime democrático. Dalmo Dallari ressaltou que a maioria dos defensores sustentou que o cliente não cometeu qualquer tipo de crime, tendo negado inclusive a possibilidade de crime eleitoral: “De um lado, a maioria dos advogados nega qualquer espécie de ilícito, nega que seus clientes tenham praticado qualquer espécie de crime. E aqueles que admitiram que seu cliente praticou um crime eleitoral, naturalmente estão querendo tirar algum proveito, talvez de caráter psicológico”.

Dines questionou se o fato de os ministros do Supremo serem nomeados por governos pode interferir nos julgamentos. Dallari disse ter absoluta convicção de que os ministros têm independência para exercer a função porque foram nomeados por conta dos seus méritos e características pessoais. E lembrou que os nomes dos magistrados são aprovados pelo Poder Legislativo, após a indicação da Presidência da República. Portanto, não haveria relação de benefício.
“Ele [o ministro do STF] se sente responsável pela Justiça. Ele não é o empregado do presidente, ele não deve ao presidente um favor”, explicou o jurista. Para Dallari, a principal função dos ministros do Supremo é a guarda da Constituição Federal e os magistrados são conscientes da sua responsabilidade. É fundamental, na avaliação do jurista, que os ministros do Supremo não tenham uma visão política preconcebida e se atenham apenas aos elementos dos autos.

Renato Lessa sublinhou que o Direito Penal estipula gravidades diferentes para os delitos e que o caixa dois é considerado o menos grave entre eles. As implicações para quem comete esse crime ficam restritas ao âmbito eleitoral. Para o professor, há outros ângulos possíveis de interpretação dessa questão. Do ponto de vista do observador da política, Lessa considera o financiamento oculto da atividade política como o aspecto mais grave, porque fere uma das bases do sistema representativo: a possibilidade de o representado se reconhecer naquele que o representa.

“Na medida em que os financiamentos de campanha começam a ser absolutamente secretos, este vínculo é distorcido. Nós não sabemos rigorosamente quem representa quem. Se a doação, a captação de dinheiro é oculta, nós começamos a trabalhar com um modelo de representação quase que sobrenatural”, criticou Lessa. O cientista político ressaltou que a prática de caixa dois não é uma particularidade do grupo de integrantes do PT que está sendo julgado pelo Supremo. É um hábito generalizado captar dinheiro para as eleições e para a organização de patrimônio partidário distorcendo o que se espera dos partidos e da representação política, que é falar em nome dos eleitores.

Defesa da Constituição
No atual cenário político brasileiro, de acordo com a avaliação de Dines, o Supremo Tribunal Federal situa-se como uma referência de seriedade e de solenidade quando comparado com os outros poderes da República. Renato Lessa explicou que isso decorre do ordenamento jurídico aplicado a partir da Constituição de 1988, que deu ao Supremo o controle da constitucionalidade das leis. “Na verdade, é o poder supremo, no sentido pleno da palavra. Ele não é mais o último tribunal de recursos, mas atua fundamentalmente na guarda da Constituição. Como nós temos uma Constituição que é programática, ela não se limita a definir as regras do jogo, mas avança programas substantivos na área social, na área dos direitos individuais, e isso faz com que o Supremo, tendo esta função, exerça uma espécie de – no bom sentido – tutela sobre a sociedade, que é fundamental”, explicou Lessa.

Outro fator que confere ao STF um grande destaque é a existência de instrumentos na Constituição que garantem a indivíduos ou grupos a possibilidade de solicitar ao Supremo uma ação em relação a uma série de medidas governamentais e legislativas. Isto é um forte inibidor para que um juiz sinta-se “tentado” a agir nesse cenário como se fosse um “delegado” político.

Os advogados e os próprios réus do processo do mensalão, na avaliação do jornalista Luiz Gutemberg, estão tentando construir uma história diferente do que na realidade ocorreu. A intenção dos acusados seria a de “se aproveitarem” do processo penal saindo do foco das tipificações do crime. Gutemberg comparou a estratégia com a situação dos bicheiros no Rio de Janeiro, que alegavam ser contraventores e não criminosos. “É realmente uma falseta que dá certo na Justiça”, avaliou o jornalista.

Disputa polarizada
Entre os 38 acusados, para Luiz Gutemberg, existem pessoas com maior ou menor grau de culpa e também inocentes. O jornalista acredita que a Justiça tem absoluta condição prática e experiência para fazer essa distinção: “Pode-se esperar uma sentença justa do tribunal porque, inclusive, eles têm uma técnica. O Direito é uma ciência extremamente sofisticada e os juízes têm bons instrumentos para auferir culpas”. Gutemberg acredita que os juízes não vão se deixar levar pelo clima de disputa de “Fla-Flu” em torno de quem vai ganhar ou perder ao final do processo.

“Na verdade, perdeu a política brasileira com esta conspiração. Foi uma conspiração, houve mensalão. Quer dizer, mensalão é marca fantasia. Houve um conluio”, disse Gutemberg. O julgamento pode ter um valor pedagógico se houver a punição dos culpados, na opinião do jornalista. “A sociedade brasileira precisa compreender que houve um flagrante delito e que essas pessoas que são acusadas, algumas mais culpadas, outras menos culpadas e alguns inocentes, devem ser, francamente, identificadas no julgamento do tribunal”, afirmou.

Para Luiz Gutemberg, a cobertura da imprensa no julgamento do chamado mensalão está sendo competente e apaixonada. “Determinados órgãos de imprensa tomaram partido legitimamente. Nós estamos no regime democrático, onde a opinião é livre. Jornalismo se exerce com combate. Eu acho que aquela coisa do jornalismo isento, do jornalismo sem alma, é uma besteira, uma falsificação”, disse. O jornalista ressaltou que a mídia tem procurado ouvir os diversos lados envolvidos no caso.

Em relação ao questionamento ocorrido antes do início do julgamento sobre a isenção de integrantes do Supremo para decidirem essa causa, Gutemberg ponderou que isso ocorre porque não há debate no Congresso sobre a escolha dos ministros. “Nos Estados Unidos, a nomeação de um ministro da Suprema Corte trava a política americana. Os jornais participam do debate. A coisa não é propriamente a honra ou a moral do candidato, mas a sua ideologia”, disse.

Falta discutir as causas do escândalo
Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 651, no ar em 7/8/2012
O que hoje é chamado de “escândalo do mensalão” ou “Ação Penal 470” começou e ganhou dimensões inéditas graças à imprensa: a fita com o flagrante da propina de 3 mil reais embolsada por um alto funcionário dos Correios foi a responsável pela CPI dos Correios que o deputado Roberto Jefferson converteu em CPI do Mensalão depois de conceder memorável entrevista à repórter Renata Lo Prete, na Folha de S.Paulo.

Sete anos depois, ao apostar pesadamente na cobertura do “julgamento do século”, a mídia está atendendo à natural e salutar obsessão da sociedade pela punição dos 38 réus indiciados pela Procuradoria Geral da República. Se a corrupção e a impunidade são assuntos-chave na agenda popular, a acusação e a defesa dos réus assume-se consequentemente como tópico prioritário.

No quarto dia desta intensa temporada, telespectadores, ouvintes, leitores e acessadores da internet ainda não tiraram do armário suas togas para participar do grande espetáculo forense. A temperatura ainda não subiu, por enquanto não apareceram os elementos passionais para esquentar o ambiente e torná-lo um Fla-Flu judicial.

Mas o que chama a atenção é que a grande imprensa ainda não deu sinais de que identificou e quer discutir as causas deste escândalo. Se, como alega a defesa da maioria dos réus, os ilícitos estão na esfera da justiça eleitoral, ou então, como acusou o procurador-geral, trata-se de uso de recursos ilícitos para comprar apoios de parlamentares ao governo anterior, a verdade é que ninguém se mostra empenhado em prevenir a repetição do vexame.

É possível mesmo que, enquanto o Supremo examina esta colossal disfunção do nosso sistema político, esquemas de caixa dois ou compra de votos estejam funcionando impunemente pelo país afora. O julgamento da Ação Penal 470 terminará com a condenação ou a inocência dos réus, mas é imperioso que algum dos poderes da República se preocupe com a possibilidade de repetições. Essa seria outra das tarefas do quarto poder: além de fiscalizar cabe a ele prevenir.

A mídia na semana
>> O mais aguardado evento esportivo do mundo não atraiu visitantes para os pontos turísticos de Londres como o esperado. Ao contrário da expectativa de caos, a cidade não sofreu com o aumento do número de pessoas em circulação. O oposto pode ser visto na região leste da cidade, lotada por torcedores, jornalistas e delegações instalados ao redor do Parque Olímpico. Mesmo assim, há espaços vazios nas arquibancadas desde o primeiro dia de provas, o que está sendo criticado pela mídia local e internacional. O comitê inglês alega que é preciso reservar lugar para patrocinadores e parceiros. A população chia, quer ver os ídolos, mas o ingresso não está ao seu alcance. A decisão sobre o assunto tem que ser tomada até 2016. E atenção: vai influir na Olimpíada do Rio.
>> Brasileiro não gosta de perder nem de ser vice. E a mídia não deveria levar ao pé da letra a máxima popular. Desapontada com o nosso desempenho, a imprensa esportiva explora o despreparo dos atletas e a falta de medalhas douradas no quadro olímpico. A mídia está perdendo uma ótima oportunidade para discutir a política de formação de esportistas no país que vai sediar a próxima Olimpíada.

>> Do outro lado do Atlântico, os londrinos idolatram seus ídolos e vão embaixo de chuva torcer por seus atletas. Abaixo da China e dos Estados Unidos, os britânicos estão no olimpo com o terceiro lugar na contagem de medalhas.
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[Lilia Diniz é jornalista]

 

09 de agosto de 2012 - No Opensante
Mensalão: o outro time entrou em campo
 
Passados os primeiros momentos de excitação, agora que temos dois times em campo para disputar os votos dos 11 juizes, já dá para saber quais são os esquemas táticos de cada um para atacar ou se defender.
O Conversa Afiada reproduz artigo do Kotscho no blog do Miro:Cenário muda após defesa dos acusados
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio da Kotscho:
O resultado do julgamento pode até não sofrer grandes alterações, já que os meritíssimos ministros do STF parecem estar com a cabeça feita e com seus votos prontos, pelo menos no rascunho, mas o cenário em Brasília mudou desde segunda-feira quando começaram a ser apresentadas as defesas dos 38 réus do processo do mensalão.
Até a semana passada, o que vimos foi um massacre midiático, com apenas um time em campo jogando sozinho: o da acusação.
Passados os primeiros momentos de excitação, agora que temos dois times em campo para disputar os votos dos 11 juizes, já dá para saber quais são os esquemas táticos de cada um para atacar ou se defender.
Acusação: esquema de compra de votos para a aprovação de projetos de interesse do governo Lula com a utilização de dinheiro público e privado.
Defesa: pagamento de dívidas eleitorais dos partidos aliados com dinheiro levantado em bancos privados; falta de provas documentais na acusação apresentada pelo procurador-geral.
Em resumo, é isso. Os dois lados baseiam-se em provas testemunhais e depoimentos para defender as suas teses.
“A principal mudança que verificamos é que pela primeira vez a defesa está sendo ouvida e as pessoas começaram a perceber que a história tem um outro lado”, constata o advogado Arnaldo Malheiros Filho, advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, com quem conversei assim que ele voltou a São Paulo nesta quarta-feira.
Ao citar uma pesquisa do Datafolha, segundo a qual 80% da população não sabe o que é o mensalão, Malheiros diz que a “pressão sobre os ministros é feita por uma minoria barulhenta”.
O que vimos até a semana passada foi um movimento organizado nas redes sociais, amplificado por setores da mídia, que exigem a condenação de todos os réus, independentemente das provas dos autos e dos argumentos da defesa.
Agora, até a cobertura da imprensa parece ter ficado mais equilibrada, com a desonrosa exceção de alguns pistoleiros na blogosfera, que se mostram cada vez mais histéricos e inconformados porque os advogados de defesa, ora vejam, fazem a defesa dos seus clientes.
Apesar de todo o barulho, no entanto, não se viu até agora as massas dos porta-vozes da chamada “opinião pública” se manifestarem na praça diante do STF, em Brasília, ocupada apenas por jornalistas.
Conversei também rapidamente por telefone hoje de manhã com o ex-ministro Marcio Tomás Bastos, advogado de José Roberto Salgado, do Banco Rural, que é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraude e evasão de divisas.
Em meio a uma reunião da defesa, Bastos avaliou que “já está se estabelecendo o contraditório, com as imprecisões da acusação sendo desvendadas”.
À tarde, ao fazer a sustentação oral no plenário, contestando ponto por ponto a acusação do procurador-geral, o advogado perguntou: “Qual foi a prova que se produziu nestes autos contra o sr. José Roberto Salgado?”.
Bastos se referiu ao processo como “um furacão com a marca de fantasia chamada de mensalão”. No final da sua fala, o advogado reclamou de “incoerências vastas espalhadas por todo este processo” e pediu a absolvição do seu cliente por falta de provas, como fizeram todos os outros defensores até aqui.
Em princípio, se não houver novos atrasos, o trabalho dos advogados de defesa deverá ser concluído até quarta-feira da próxima semana.
 

 
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São as armas; mas, não só as armas - por Michael Moore

Tradução: ADITAL

Amigos:

Desde que Caim enlouqueceu e matou Abel sempre houve humanos que, por uma razão ou outra, perdem a cabeça temporária ou definitivamente e cometem atos de violência. Durante o primeiro século de nossa era, o imperador romano Tibério gozava, jogando suas vítimas na ilha de Capri, no Mediterrâneo. Gilles de Rais, cavalheiro francês aliado de Joana D’Arc, na Idade Média, um dia, enlouqueceu e acabou assassinando centenas de crianças. Apenas umas décadas depois, Vlad, o Empalador, na Transilvânia, tinha inúmeros modos horripilantes de acabar com suas vítimas; o personagem de Drácula foi inspirado nele.

Em tempos modernos, em quase toda as nações há um psicopata ou dois que cometem homicídios em massa, por mais estritas que sejam suas leis em matéria de armas: o demente supremacista branco, cujos atentados na Noruega cumpriram um ano nesse domingo; o carniceiro do pátio escolar em Dunblane, Escócia; o assassino da Escola Politécnica de Montreal; o aniquilador em massa de Erfurt, Alemanha...; a lista parece interminável. E agora o atirador de Aurora, na sexta-feira passada. Sempre houve pessoas com pouco juízo e prudência e sempre haverá.

Porém, aqui reside a diferença entre o resto do mundo e nós: aqui acontecem DUAS Auroras a cada dia de cada ano! Pelo menos 24 estadunidenses morrem a cada dia (de 8 a 9 mil por ano) em mãos de gente armada, e essa cifra inclui os que perdem a vida em acidentes com armas de fogo ou os que cometem suicídio com uma. Se contássemos todos, a cifra se multiplicaria a uns 25 mil.

Isso significa que os Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% de todas as mortes por armas de fogo nos 23 países mais ricos do mundo combinados. Considerando que as pessoas desses países, como seres humanos, não são melhores ou piores do que qualquer um de nós, então, por que nós?

Tanto conservadores quanto liberais nos Estados Unidos operam com crenças firmes a respeito do "porquê” desse problema. E a razão pela qual nem uns e nem outros podem encontrar uma solução é porque, de fato, cada um tem a metade da razão.

A direita crê que os fundadores dessa nação, por alguma sorte de decreto divino, lhes garantiram o direito absoluto a possuir tantas armas de fogo quanto desejem. E nos recordam sem cessar que uma arma não dispara sozinha; que "não são as armas, mas quem mata são as pessoas”.

Claro que sabem que estão cometendo uma desonestidade intelectual (se é que posso usar essa palavra) ao sustentar tal coisa acerca da Segunda Emenda porque sabem que as pessoas que escreveram a Constituição unicamente queriam assegurar-se de que se pudesse convocar com rapidez uma milícia entre granjeiros e comerciantes em caso de que os britânicos decidissem regressar e semear um pouco de caos.

Porém, têm a metade da razão quando afirmam que "as armas não matam: os estadunidenses matam!”. Porque somos os únicos no primeiro mundo que cometemos crimes em massa. E escutamos estadunidenses de toda condição aduzir toda classe de razões para não ter que lidar com o que está por trás de todas essas matanças e atos de violência.

Uns culpam os filmes e os jogos de videogame violentos. Na última vez em que revisei, os videojogos do Japão são mais violentos do que os nossos e, no entanto, menos de 20 pessoas ao ano morrem por armas de fogo naquele país; e em 2006 o total foi de duas pessoas! Outros dirão que o número de lares destroçados é o que causa tantas mortes. Detesto dar-lhes essa notícia; porém, na Grã-Bretanha há quase tantos lares desfeitos, com um só dos pais assumindo o cuidado dos filhos quanto nos EUA; e, no entanto, em geral, os crimes cometidos lá com armas de fogo são menos de 40 ao ano.

Pessoas como eu dirão que tudo isso é resultado de ter uma história e uma cultura de homens armados, "índios e vaqueiros”, "dispara agora e pergunta depois”. E se bem é certo que o genocídio de indígenas americanos assentou um modelo bastante feio de fundar uma nação, me parece mais seguro dizer que não somos os únicos com um passado violento ou uma marca genocida.

Olá, Alemanha! Falo de ti e de tua história, desde os hunos até os nazistas, todos os que amavam uma boa carnificina (tal qual os japoneses e os britânicos, que dominaram o mundo por centenas de anos, coisa que não conseguiram plantando margaridas). E, no entanto, na Alemanha, nação de 80 milhões de habitantes, são cometidos apenas 200 assassinatos com armas de fogo ao ano.

Assim que esses países (e muitos outros) são iguais a nós, exceto que aqui mais pessoas acreditam em Deus e vão à Igreja mais do que em qualquer outra nação ocidental.

Meus compatriotas liberais dirão que se tivéssemos menos armas de fogo haveria menos mortes por essa causa. E, em termos matemáticos, seria certo. Se temos menos arsênico na reserva de água, matará menos gente. Menos de qualquer coisa má –calorias, tabaco, reality shows- significará menos mortes. E se tivéssemos leis estritas em matéria de armas, que proibissem as armas automáticas e semiautomáticas e prescrevessem a venda de grandes magazines capazes de portar milhões de balas, atiradores como o de Aurora não poderiam matar a tantas pessoas em pouquíssimos minutos.

Porém, também nisso há um problema. Há um montão de armas no Canadá (a maioria rifles de caça) e, no entanto, a conta de homicídios é de uns 200 ao ano. De fato, por sua proximidade, a cultura canadense é muito similar à nossa: as crianças têm os mesmos videojogos, veem os mesmos filmes e programas de TV; mas, no entanto, não crescem com o desejo de matar uns aos outros. A Suíça ocupa o terceiro lugar mundial em posse de armas por pessoa; porém, sua taxa de criminalidade é baixa. Então, por que nós? Formulei essa pergunta há uma década em meu filme ‘Tiros em Columbine’, e esta semana tive pouco que dizer porque me parecia ter dito há dez anos o que tinha que dizer; e acho que não fez muito efeito; exceto ser uma espécie de bola de cristal em forma de filme.

Naquela época eu disse algo, que repetirei agora:

1. Os estadunidenses somos incrivelmente bons para matar. Acreditamos em matar como forma de conseguir nossos objetivos. Três quartos de nossos Estados executam criminosos, apesar de que os Estados que têm as taxas mais baixas de homicídios são, em geral, os que não aplicam a pena de morte.

Nossa tendência a matar não é somente histórica (o assassinato de índios, de escravos e de uns e outros na guerra "civil”): é nossa forma atual de resolver qualquer coisa que nos inspira medo. É a invasão como política exterior. Sim, lá estão Iraque e Afeganistão; porém, somos invasores desde que "conquistamos o oeste selvagem” e agora estamos tão enganchados que já não sabemos o que invadir (Bin Laden não se escondia no Afeganistão, mas no Paquistão), nem porque invadir (Saddam não tinha armas de destruição massiva, nem nada a ver com o 11-S). Enviamos nossas classes pobres para fazer matanças, e os que não temos um ser querido lá, não perdemos um só minuto de um só dia em pensar nessa carnificina. E agora, enviamos aviões sem pilotos para matar (drones), aviões controlados por homens sem rosto em um luxuoso estúdio com ar condicionado em um subúrbio de Las Vegas. É a loucura!

2. Somos um povo que se assusta com facilidade e é fácil de ser manipulado pelo medo. De que temos tanto medo, que necessitamos ter 300 milhões de armas de fogo em nossas casas? Quem vai machucar? Por que a maior parte dessas armas se encontra nas casas de brancos, nos subúrbios ou no campo? Talvez, se resolvêssemos nosso problema racial e nosso problema de pobreza (uma vez mais, somos o número um com maior número de pobres no mundo industrializado) teria menos pessoas frustradas, atemorizadas e encolerizadas estendendo a mão para pegar a arma que guardam na gaveta. Talvez, cuidaríamos mais uns dos outros (aqui vemos um bom exemplo disso).

Isso é o que penso sobre Aurora e sobre o violento país do qual sou cidadão. Como mencionei, disse tudo nesse filme e se quiserem, podem assisti-lo e partilhá-lo sem custo com os demais. E o que nos faz falta, amigos meus, é valor e determinação. Se vocês estão prontos, eu também.

[Tradução do inglês para o espanhol: Jorge Anaya - Fonte original: jornada.unam.mx, publicado pela Adital]. http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=69447

 

Publicado em 09/08/2012 - No Direto da Redação


Urariano Mota


A vida real das Cheias de Charme

 


 


Recife (PE) - Diferente do que escrevem os novelistas da televisão, que pelo poder do veículo levam o Brasil a crer em seus, perdoem os adjetivos, mas não vejo outros: irresponsáveis e levianos delírios, diferente disso, o escritor e operário Valter Fernandes escreveu uma vida de doméstica que não se vê nas personagens de Cheias de Chame.


É claro, ele não está na Rede Globo, nem tampouco entrou no mainstream. Melhor então trazer para estas linhas uma apresentação que fiz dele e do seu livro Joana.


Valter Fernandes é de profissão eletricista. Além de cuidar como poucos, como raros trabalhadores, de automóveis, porque é um profissional competente e honesto, Valter cultiva e ama a literatura. Em outro livro ele assim se apresentou: “Nasceu em 27 de setembro de 1960, no Recife. É filho de Josefa Maria da Silva e de pai ignorado”.


Já se notava ali que ele não escrevia por brincadeira ou vaidade oca. Já ali pude notar que a devoção de Valter Fernandes ao ofício literário era e tem sido um estímulo a todos os demais poetas, eletricistas, trabalhadores de todas as oficinas. Até mesmo dos trabalhadores das oficinas que se julgam mais altas, as bancadas e oficinas literárias. Pois o que ele faz da sua vida, as conexões que esse autor realiza entre o positivo e o negativo nos serve a todos, eternos meninos, eternos aprendizes, poetas e escritores que todos somos em construção.


Na quarta capa do livro Joana, ele nos fala:


Esta é mais uma obra de Valter Fernandes. Desta vez, uma novela, na qual o autor relata a vida de uma ex-empregada doméstica, que saiu de casa ainda quando criança para trabalhar no que se dizia então ser ‘trabalho em casa de família’... Uma trajetória de luta e sobrevivência, de amores mal resolvidos, enganos e esperanças. Um mundo traiçoeiro, egoísta, místico e machista, onde sobrevivia dignamente quem fosse capaz de enfrentar as adversidades sem olhar para trás”.


E com razão, como veremos. Olhem o capítulo segundo, por exemplo.


“Alaíde conseguiu um emprego em uma casa de família. Porém não dura muito tempo, porque tem um surto de loucura. A expulsão de casa por seu pai, a covardia do namorado e a vida nas ruas mexeram com a cabeça daquela pobre mulher. Achava que o sobrenatural invadira seu mundo. Sentia-se tocada, porém não via quem a tocava, sentia-se perseguida, tinha alucinações constantes”...


“Era comum, naquela época, famílias que tinham melhor poder aquisitivo admitir crianças como empregadas em suas residências, alegando que iriam cuidar delas como se fossem suas filhas. No entanto, elas trabalhavam duro, sendo tratadas como verdadeiras escravas, raro era o lar que cuidasse delas com dignidade”.


Joana é uma novela em que Valter Fernandes conta a vida de empregadas domésticas, a partir do ponto de vista das empregadas domésticas. Este é um mérito incomum, que eu nunca vi em qualquer outro livro da literatura mais culta,  nem mesmo em Flaubert, em "Um coração simples". No entanto, essa magnífica novela, quando comparada ao relato de Valter Fernandes, nos chega como obra de 
um déspota esclarecido.


O livro Joana extrai o seu maior valor da verdade que conta. E o mais importante: há um mundo, no escrito pelo autor, que jamais foi visto. Eu quero dizer: o mundo visto a partir dos olhos das empregadas domésticas. Notem: não é questão do tema, do assunto, de uma criada ou empregada doméstica. Na literatura, grandes escritores já escreveram sobre as empregadas domésticas.


A questão não é de tema. Os escritores que se ocuparam até hoje sobre o mundo das empregadas falaram sem os olhos das empregadas - eles falaram a partir dos olhos de pessoas que não são empregadas. Esta é a maior e melhor qualidade de Joana. Valter Fernandes desentranha a violência, as barbaridades que se cometeram e se cometem até hoje contra as domésticas, que são as novas escravas, que continuam a escravidão. 


Essas mulheres ninguém vê. E quando foram notadas pela literatura, foram sempre observadas pelos olhos de pessoas que se compadeciam da sua sorte. Piedosos e bem intencionados corações.  No caso de Joana, há uma informação nova: aqui está o depoimento de um irmão, de um filho de uma empregada, que sofreu o que elas sofrem e sofreram. Isso é fundamental. Dizer mais o quê, leitor? Neste livro conheci coisas que eu ainda não sabia. 


Com as palavras acima apresentei o livro de Valter Fernandes, que narra a pessoa de Joana, uma empregada que não canta nem poderia cantar Ex mai Love.


E por último, mas não menos importante: do meu canto envio um abraço para os 11 anos do Direto da Redação, que tem sido um espaço para o livre pensamento. Este sítio e lugar não têm preço.


 

 

Do Estadão

 

New York Times :  Brasil expande negócios e influência ao ajudar África

 

Sílvio Guedes Crespo

 

Os projetos brasileiros de ajuda à África têm aumentado a influência do País no continente e ajudado empresas a fechar negócios, segundo uma reportagem do “New York Times“.

“O Brasil, país com maior número de afrodescendentes, está aumentando sua presença na África, na indústria, na infraestrutura e no comércio”, afirma o jornal na primeira página, sob a chamada “Brasil se afirma na África”.

O País destinou US$ 23 milhões para construir uma fábrica de medicamentos contra Aids em Moçambique, onde 2,5 milhões de pessoas têm a doença mas apenas 300 mil têm acesso à droga que a fábrica produzirá.

No Kenia, o Brasil ofereceu um empréstimo de US$ 150 milhões por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construção de estradas e mais US$ 80 milhões para ajudar a mecanização da agricultura local.

Projetos como esses abrem espaço para a entrada de empresas brasileiras no países. O New York Times afirma que a Odebrecht, por exemplo, já é um dos maiores empregadores da Angola, a Vale está investindo US$ 6 bilhões no setor de carvão em Moçambique e o banco BTG Pactual lançou um fundo de US$ 1 bilhão para investir na África. A corrente comercial entre o Brasil e os países africanos cresceu de US$ 4,3 bilhões em 2002 para US$ 27,6 bilhões em 2011.


Atualmente, 55% do US$ 1 bilhão desembolsado pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, são destinados à África.

Além do aspecto comercial, existe a cooperação que aumenta a influência diplomática. O País tem hoje 36 embaixadas no Continente Africano – mais do que, por exemplo, o Reino Unido – e agendou para este ano a abertura da 37ª, no Malawi.

Na Angola, um acordo de segurança assinado recentemente tem o objetivo de expandir o treinamento de militares do país africano no Brasil.

O Times acredita que, diferentemente de outros países latino-americanos, como Venezuela e Cuba, que se baseiam em uma espécie de solidariedade entre países em desenvolvimento, “a crescente presença do Brasil na África é mais complexa, envolvendo a ambição de transformar o País em uma potência econômica e diplomática.

A reportagem aponta, ainda, críticas às incursões do Brasil na África. Por exemplo, por causa da aproximação do País com líderes associados a violações de direitos humanos, como é o caso do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Mbasogo.

Outra crítica vem de jovens africanos que participam de um projeto para estudar no Brasil. Alguns reclamam de discriminação no País. O moçambicano Eleutério Nhantumbo, que ganhou uma bolsa para estudar no Rio, disse que estava saindo de uma loja e foi abordado por policiais, que lhe pediram para levantar a camisa. Quando perguntou por que estavam fazendo, conta o estudante, ouviu como resposta um insulto racista. Os policiais perguntaram, ainda, de onde ele era. Depois que respondeu, os policiais teriam dito: “Onde é Moçambique?”. “Eles não sabiam que existe um país chamado Moçambique”, afirmou Nhantumbo ao jornal.

http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2012/08/08/new-york-times-br...

Abaixo, o artigo do N.Y. Times, na íntegra :

 

Brazil Gains Business and Influence as It Offers Aid and Loans in Africa

 



                                    Issouf Sanogo/Agence France-Presse — Getty Images 

In Luanda, Angola, construction workers for the Brazilian company Odebrecht, which is among Angola’s largest employers.

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RIO DE JANEIRO — In Mozambique, Brazil’s government is opening a plant making antiretroviral drugs to fight the AIDS epidemic. Brazil is lending $150 million to Kenya to build roads and ease congestion in the capital, Nairobi. And in Angola, West Africa’s rising oil power, a new security agreement seeks to expand the training of Angolan military personnel in Brazil.

 

Brazil, which has more people of African descent than any other country outside of Africa itself, is assertively raising its profile again on the continent, building on historical ties from the time of the Portuguese empire.

The array of aid projects and loans recently extended to African countries points both to Brazil’s ambitions of projecting greater influence in the developing world and to the expanding business allure of Africa, where some economies are rapidly growing even as parts of the continent still grapple with wars and famine. The charm offensive is paying off in surging trade flows between Brazil and Africa, growing to $27.6 billion in 2011 from $4.3 billion in 2002.

“There’s the growing sense that Africa is Brazil’s frontier,” said Jerry Dávila, a historian at the University of Illinois who has written extensively about Brazil’s inroads across the South Atlantic Ocean. “Brazil is in the privileged position of finally reaching the institutional capacity to do this.”

Brazil’s forays into Africa are similar to the ambitions of other rising powers, like Turkey, which has established its sway in the Arab world, and India’s promotion of its culture across Asia.

The prominence given to Africa also reflects Brazil’s shift from aid recipient to provider. Big development challenges persist in Brazil, including woeful public schools and a sharp economic slowdown this year. But Brazil is a major agricultural exporter that recently surpassed Britain as the world’s sixth-largest economy, and it now boasts more embassies in Africa than Britain does — a notable change from when Brazil relied on foreign aid in the 1960s, largely from the United States, to alleviate hunger in the country’s impoverished northeast.

Africa now accounts for about 55 percent of the disbursements by the Brazilian Cooperation Agency, which oversees aid projects abroad, according to Marco Farani, the agency’s director. Altogether, including educational exchanges and an expanding loan portfolio, Brazil’s foreign aid exceeds $1 billion, he said. Big portions of Brazilian aid also go to countries in Latin America, and there is a smaller focus on East Timor, the former Portuguese colony in Southeast Asia.

“We still have a smaller foreign aid profile than other some countries, but we’re learning how to do cooperation,” Mr. Farani said.

Brazil still trails other nations, notably China and the United States, which have far more expansive aid programs and trade in Africa. Elsewhere in Latin America, Venezuela and Cuba have offered different ways of enhancing African ties. Venezuela organized a 2009 summit meeting of African and South American leaders, in which President Hugo Chávez tightened an alliance with Libya’s leader at the time, Col. Muammar el-Qaddafi.

During the cold war, Cuban troops supported Communist governments in Africa. In Angola, this mission included the seemingly paradoxical task of protecting a Chevron oil complex at the same time the United States was supporting an insurgency against Angola’s leaders. More recently, Cuba has sent thousands of doctors to Africa.

But while the Cuban and Venezuelan efforts have largely prioritized developing-world solidarity with some African nations, Brazil’s growing foothold in Africa is more complex, involving ambitions to forge Brazil into a diplomatic and economic powerhouse.

After a surge of openings of diplomatic missions over the past decade, Brazil now has 36 embassies across Africa, and hopes to open its 37th in Malawi this year. Brazil is already using this presence to bolster its actions on the world stage, sending jets to fly delegations from Sierra Leone, Liberia and Cape Verde to the United Nations Conference on Sustainable Development, which was held here in June.

Other projects are intended to lure Africans to study in Brazil. A new university began offering classes last year for students from Portuguese-speaking countries, including Angola, Guinea-Bissau, Mozambique, and São Tomé and Principe.

Since Brazil does not need to import large amounts of oil or food, its plans in Africa differ somewhat from other countries seeking greater influence there. Outreach projects tie largely into efforts to increase opportunities for Brazilian companies, which sometimes work with Brazil’s government in offering aid.

Some of Brazil’s biggest inroads, predictably, are in Portuguese-speaking countries like Angola, where the Brazilian construction company Odebrecht ranks among the largest employers, and Mozambique, where the mining giant Vale has begun a $6 billion coal expansion project.

But Brazilian companies are also scouring other parts of Africa for opportunities, putting down stakes in Guinea and Nigeria. A leading Brazilian investment bank, BTG Pactual, started a $1 billion fund in May focused on investing in Africa. New links are also emerging, including Brazilian farming ventures in Sudan; a flight from Addis Ababa, Ethiopia’s capital, to São Paulo; and a fiber optic cable connecting northeast Brazil to West Africa.

Some of Brazil’s forays in Africa have come with complications, including criticism of warming ties with leaders connected to human rights abuses, like Equatorial Guinea’s president, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. A freedom-of-information measure has enabled journalists to delve into African arms deals by Brazilian companies, including the sale of cluster bombs to Zimbabwe.

African students studying in Brazil have filed numerous complaints describing slurs and aggression, complicating the myth of “racial democracy” that once prevailed here, in which scholars contended that Brazil had largely escaped the discrimination common in other societies.

In one episode here in Rio, Eleutério Nhantumbo, a Mozambican police officer with a scholarship to study public security at a Brazilian university, said he was stopped by police officers on one occasion. They ordered him to raise his shirt upon exiting a store on the suspicion that he had stolen something.

When he questioned why they had singled him out, he said the officers responded with a racial slur and warned him of addressing them without respect; hearing his accent in Portuguese, they queried him about his origins. “The police asked, ‘Where’s Mozambique?’ ” said Mr. Nhantumbo, 33. “They didn’t know that there existed a country with this name.”

Brazil, closely linked for centuries to Africa through shipping routes and the slave trade, is thought to have imported 10 times as many slaves as the United States did before slavery was abolished here in 1888. For a stretch in the 19th century, Brazil was the seat of the Portuguese empire, making the capital then, Rio de Janeiro, a nerve center for trade with Africa.

Those ties withered until civilian leaders sought to establish relations with newly independent governments in Africa in the early 1960s. That process cooled after Brazil’s military rulers seized power in a 1964 coup supported by the United States.

Then economic necessity and a quest to build autonomy from the United States laid the foundations in the 1970s for today’s diplomatic buildup in Africa. Seeking to offset spending on oil imports, including cargoes from Nigeria, military rulers set about opening new markets in Africa for Brazilian companies. They found some success, notably in newly independent Angola.

Brazil’s former president, Luiz Inácio Lula da Silva, built on those inroads in trips to Africa from 2003 to 2010, referring to the “historic debt” Brazil had to Africa in its formation as nation.

Taylor Barnes contributed reporting.

http://www.nytimes.com/2012/08/08/world/americas/brazil-gains-in-reaching-out-to-africa.html?_r=1

 

Demarchi

9 de Agosto de 2012 - 18h40


Celac: parceria com China e Índia fortalece integração regional

 


Nesta quinta-feira (9), uma delegação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), chegou a Pequim para fortalecer as relações bilaterais com o conjunto de países emergentes, tais como Índia e China. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, destacou que a medida impulsiona o projeto de integração da América Latina.

 

AVNCelac

Celac impulsiona acordos comerciais com nações emergentes


De acordo com o diplomata, “ a Celac nos agrupa dentro de um conceito de união de uma América nossa, verdadeiramente independente, com possibilidade de nos desenvolvermos e integrarmos ao mundo em condições de equilíbrio e igualdade”, destacou em entrevista à teleSUR.


Leia também:
Celac firma acordo de cooperação bilateral com a Índia


A delegação da Celac é formada pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro; seu homólogo chileno, Alfredo Moreno; e o vice-ministro de Relações Exteriores de Cuba, Rogelio Sierra.

Os três representantes também estiveram na Índia, onde acordaram estabelecer uma agenda de trabalho que inclui reuniões anuais e trocas de visitas presidenciais, com o objetivo aprofundar as relações diplomáticas entre ambas partes e firmar acordos na área de comércio e investimentos mútuos.

De acordo com Maduro, em Nova Delhi foram firmados importantes parcerias: “acordamos a criação de um fundo de desenvolvimento econômico empresarial entre a Índia e a América Latina; a criação de um grupo de trabalho para o tema agro-alimentar e a criação de um fórum energético que abarque tanto energias tradicionais como as do novo desenvolvimento tecnológico”, detalhou.

Ele ressaltou ainda que “é extraordinário ver que regiões como a Índia, uma das grandes potências emergentes, esteja articulando em um encontro histórico com toda a América Latina e Caribe”.

As reuniões ocorreram após a visita do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, visitou vários países sul-americano, onde propôs criar um fórum de cooperação de alto nível com a América Latina e Caribe.

Da Redação do Vermelho, com AVN


 

 

 

Mídia varre escândalos da nefasta era FHC para debaixo do tapete

Qui, 09 de Agosto de 2012 11:38 - No Outro Lado da Noticia


 

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Escândalos não investigados do governo FHC (I): O Caso Sivam

Em maio de 1995, Fernando Henrique telefonou para Bill Clinton e oficializou a assinatura do contrato do projeto Sivam com a Raytheon. Em novembro do mesmo ano, a imprensa publicou uma conversa telefônica com fortes indícios de tráfico de influência e um grande esquema de propinas para favorecer essa empresa.


 


Laurez Cerqueira, na Carta Maior


O Projeto Sivam – Sistema de Vigilância da Amazônia foi concluído pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República em agosto de 1993. Segundo o governo, o sistema se destinaria a preservação do meio ambiente na Amazônia, ao combate ao narcotráfico, à melhoria das condições de segurança da navegação aérea e fluvial, fiscalização das reservas indígenas, guarda das fronteiras e apoio a outras atividades governamentais. 

Porém, ao dar início à consecução do projeto, o Governo não abriu concorrência pública alegando sigilo dos dados relativos à aquisição de tecnologia e equipamentos de comunicação. Contraditoriamente, o Governo enviou um dossiê sobre o Sivam para 16 embaixadas em Brasília. Depois da dispensa da concorrência pública, para um contrato no valor de US$ 1,4 bilhão de dólares o Governo escolheu o consórcio liderado pela Raytheon Company, uma empresa americana. A negociação para formação desse consórcio e para que ele fosse o escolhido, teve a interferência direta de Bill Clinton, Presidente dos EUA, e de Ronald Brow, Secretário de Comércio daquele país. Este senhor esteve no Brasil um mês antes do anúncio do resultado da "concorrência". Brow tratou do assunto com autoridades brasileiras. 

Em seguida o grupo Esca-Engenharia de Sistemas de Controle e Automação S/A, de São Paulo, se associou à Raytheon. No mesmo período o Senado Federal foi acionado, e, numa sessão extraordinária conturbada, na qual o regimento interno foi violado, aprovou-se em regime de urgência um projeto autorizando o Governo Federal a contrair um empréstimo no valor de US$ 1,4 bilhão, destinado à implantação do Sivam. O relator do projeto foi o senador Gilberto Miranda, PFL/AM, um cidadão denunciado por suposta participação em diversos escândalos de corrupção. Ele foi denunciado na CPI que investigou a corrupção no Governo Collor, como membro do "esquema PC", no escândalo dos precatórios e no envolvimento num esquema de corrupção da Prefeitura de São Paulo.

Em fevereiro de 1995, o deputado Arlindo Chinaglia, PT/SP, encaminhou requerimento à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, convocando para depor: ex-ministros, ministros e dirigentes das empresas envolvidas na disputa pelo projeto Sivam, além de jornalistas que denunciaram a tentativa de suborno oferecido por lobistas franceses para participação no projeto.

Em abril de 1995 a empresa Esca foi acusada de fraudar a quitação de guias do INSS pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. Fiscais do INSS apreenderam nas dependências da empresa, guias de recolhimento de contribuições falsas relativas a 13 meses. 

A Esca participou de uma concorrência pública da Embratel - Empresa Brasileira de Telecomunicações usando certidão falsa de quitação com a Previdência. Esse mesmo documento foi utilizado pela empresa para assinar contratos com o ministério da Aeronáutica. Comprovou-se também que a Esca usou uma falsa Certidão Negativa de Débito junto ao INSS. 

Mesmo sabendo das denúncias de falcatruas da empresa o Governo manteve pagamentos à Esca. Em maio de 1995, Fernando Henrique telefonou para Bill Clinton e oficializou a assinatura do contrato do projeto Sivam com a Raytheon.

Em novembro de 1995, a imprensa publicou o conteúdo de uma gravação telefônica em que o Embaixador Júlio César Gomes dos Santos, assessor da Presidência da República, conversava com o Comandante Assumpção, dono da empresa Líder Táxi Aéreo e representante da Raytheon. Nessa conversa ficou evidenciada a existência de tráfico de influência e um grande esquema de propinas utilizado para favorecer a escolha da empresa Raytheon. Ao invés de recuar e apurar as denúncias, o Governo preferiu articular no Congresso Nacional a obstrução de um pedido de CPI apresentado pelos partidos de oposição para investigar o caso Sivam. Vale lembrar que o Comandante Assumpção foi um colaborador da campanha eleitoral de Fernando Henrique, colocando jatinhos à disposição do comitê eleitoral para viagens pelo País.

Em janeiro de 1996, o senador Antônio Carlos Magalhães agiu nos bastidores do Congresso Nacional e conseguiu impedir que o brigadeiro Ivan Frota, da Aeronáutica, fosse depor na Comissão do Senado que investigava o caso Sivam. No mesmo dia a Sociedade Brasileira (SBPC) para o Progresso da Ciência (SBPC) enviou à Comissão do Senado um estudo demonstrando que cientistas brasileiros poderiam montar um projeto equivalente ao do Sivam, com um orçamento de apenas 65,09% do montante previsto pelas empresas escolhidas pelo Governo. Em maio de 1996, desconsiderando as denúncias de superfaturamento e tráfico de influência, o Senado aprovou o andamento do projeto Sivam. A revista Istoé nº 1368 revelou haver um contrato assinado entre a Esca, a Raytheon e a Líder Táxi Aéreo, feito antes mesmo de o governo anunciar a vencedora da "concorrência". Neste caso o Governo Fernando Henrique agiu deliberadamente em favor das empresas escolhidas sem licitação pública.

A revista Época publicou matéria informando que a CIA e a NSA, agência de segurança dos EUA, grampearam as comunicações do Palácio do Planalto, além do grupo francês Thompson, no Rio de Janeiro e em Paris, durante a disputa pela compra do conjunto de radares do Sivam. O Diretor da CIA, em depoimento no Congresso dos EUA, disse textualmente: "Fornecemos informação econômica útil ao governo dos EUA. Mostramos tentativas de empresas estrangeiras de impedirem uma competição de alto nível." 

Outro diretor da CIA, James Woolsev, em depoimento no Senado americano, em 1994, disse: "Informamos à Casa Branca sobre tentativas de suborno no caso Sivan. Já beneficiamos várias empresas dos EUA em bilhões de dólares. Muitas nem sabem que tiveram nossa assistência." 

O fato é que este escândalo foi impedido de ser investigado na época pelo Congresso Nacional. O requerimento para a instalação de uma CPI é datado de 1995. Seis anos se passaram até que, em agosto de 2001, a CPI foi instalada, mas funcionou precariamente. As reuniões foram esvaziadas, muitas delas convocadas não atingiram sequer o quórum para abertura dos trabalhos. Deputados governistas diziam que a CPI não fazia mais sentido porque mais de 90% do projeto Sivam já havia sido executado. O principal acusado de suspeita de tráfico de influência, o embaixador Júlio César Gomes dos Santos, na época chefe do Cerimonial do Palácio do Planalto, foi nomeado representante do Brasil no Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) desde 1997, ganhando um salário de R$ 15 mil. 

Sem a aprovação pela CPI da quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico do embaixador Júlio César a CPI foram encerrados os trabalhos com a alegação de insuficiência de provas materiais de corrupção no caso Sivam.


 

 

Mortos por usar turbante: o massacre dos sikhs ontem nos Estados UnidosPaulo Nogueira 6 de agosto de 2012 8

Sob o impacto do massacre: o choro do sobrevivente

 

Quando a ignorância se encontra com a violência, o resultado é sempre trágico.

Foi o que aconteceu ontem, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Um homem armado entrou num templo sikh dando tiros. Matou seis pessoas e feriu três. Entre os feridos está um dos dois policiais que correram ao local depois de receber um chamado de emergência pelo telefone. O outro policial matou o atirador, identificado como Michael Page, 40 anos, veterano de guerra.

O assassino confundiu sikhs com islâmicos. O 11 de Setembro tatuado em seu corpo não deixou dúvida: foi um crime de ódio. Ele estava enxergando bins Ladens nos fiéis reunidos na gurdwara – o templo sikh.

Os sikhs (síques é a pronúncia) pertencem a uma religião que prega a paz e a moderação há mais de 500 anos. Ela surgiu na Índia como uma variação do hinduísmo, do qual se distingue por não ter castas.

Os sikhs têm sido confundidos com os islâmicos, nos Estados Unidos, porque usam turbantes e têm as barbas longas e a pele escura. A vítima do primeiro crime de ódio nos Estados Unidos no rastro do 11 de Setembro – menos de uma semana depois – foi um sikh.

De lá para cá, centenas de outros crimes contra sikhs foram cometidos. Membros da comunidade calculam em 700 os atentados.

O de ontem foi o pior, mas não é um fato isolado. Líderes sikhs têm tentado informar melhor os americanos sobre quem são e no que acreditam.

Não é fácil. Um vídeo no Youtube mostra estudantes de uma faculdade submetidos a um pequeno teste. São mostradas algumas fotografias de sikhs para os alunos. A primeira pergunta: o que vem à sua cabeça ao ver essas imagens? A resposta mais comum: terrorismo. Nenhum dos universitários tinha a menor idéia do que sejam os sikhs.

Mais uma vez, surge o debate em torno da facilidade com que armas são compradas nos Estados Unidos. É um problema, mas não o maior. Pior que tudo, para voltar à primeira linha deste texto, é a mistura de ignorância e violência tão arraigada na sociedade americana. Uma cultura tão voltada para a guerra como a dos Estados Unidos das últimas décadas uma hora começa a produzir Rambos em série – que acharão vítimas em sessões de Batman ou em templos religiosos.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=8805

 

Por que amamos Bolt quando deveríamos detestá-loPaulo Nogueira 9 de agosto de 2012 2 - No Diario do Centro da Terra


Bolt e seus dois conterrâneos na prova em que a Jamaica levou as três medalhas


 


Por que Bolt é Bolt?


Quero dizer: todos amamos os perdedores, e no entanto torcemos loucamente por um vencedor como o jamaicano Usain Bolt.


Bolt contraria uma regra eterna.


Em condições normais, as 80 000 pessoas presentes ao Estádio Olímpico estariam torcendo contra Bolt hoje, nos 200 metros rasos, e há poucos dias, nos 100.


Mas não.


Claro: o talento extraordinário dele conta muito. Mas não é o fator mais determinante.


O que mais nos encanta em Bolt é a simplicidade, a humildade, a alegria. Em Bolt você enxerga um mundo melhor do que o de verdade, um mundo em que as pessoas riem, brincam e limitam as competições ao campo do esporte.



Meu tributo


No Planeta Bolt, as armas são não as bombas, não são os drones, não são as AKs 47 – e sim as pernas rápidas e a mente forte para suportar pressões extraordinárias. Com isso, e apenas isso, ele se tornou o primeiro atleta e defender com êxito o ouro olímpico nos 100 metros e nos 200. Venceu as duas provas em Beijing, venceu as duas provas em Londres.


Durante os 10 ou vinte segundos que dura uma corrida de Bolt, dependendo da distância, a humanidade fica melhor do que é. Infelizmente logo acordamos para a áspera realidade.


Bolt nos faz felizes, ainda que por alguns segundos.


Por isso o amamos.


 

 

De Outras Palavras

E se a Bolívia pudesse ver o mar?

  Além do Chile, Brasil e Paraguai apoderaram-se, nos séculos XIX e XX, de grande parte do território boliviano

 

Nova surpresa na América do Sul: movimentos sociais e parte da população chilena consideram devolver territórios tirados do país vizinho.


Por Marianela Jarroud | Tradução: Daniela Frabasile

 

A sociedade civil organizada do Chile começa a se levantar como uma voz a favor de uma saída para o mar da Bolívia, ao considerar que é um direito dos cidadãos desse país a recuperação de parte de seu território.

 

Essa sociedade “tem, em geral, um pensamento favorável à demanda marítima do Estado boliviano, no entendimento de que os povos devem ser solidários entre si e que isso constitui um obstáculo para o desenvolvimento desse país”, afirma a coordenadora de comunicação do Observatorio Ciudadano, Paulina Acevedo.

 

A Bolívia, um dos países latino-americanos atualmente sem litoral (como o Paraguai), perdeu seu acesso aos oceanos na Guerra do Pacífico, de 1879 a 1884, contra o Chile, que também envolveu o Peru. La Paz e Santiago firmaram um Tratado de Paz, Amizade e Comércio em 1904, que definiu as fronteiras atuais e fez da Bolívia um país sem litoral.

 

Os cidadãos bolivianos consideram que o acordo limitou o desenvolvimento de seu país, colocou obstáculos ao comércio e representou uma ameaça à segurança nacional. A falta de saída para o mar da Bolívia, e a reivindicação por uma, marcaram as relações bilaterais, que desde 1978 se mantém limitadas a nível consular.

 

Entre 2006 e 2010, La Paz e Santiago aproximaram-se e trabalharam uma agenda de treze pontos, na qual, pela primeira vez, se abordou o tema marítmo. Nesse período, o Chile era governado pela socialista Michelle Bachelet (2006-2010); e a Bolívia pelo índio de esquerda Evo Morales, que começou seu primeiro mandato em 2006 e assumiu o segundo em 2011.  Mas desde a chegada ao poder do direitista Sebastián Piñera, no Chile, o diálogo bilateral ficou congelado.

 

Em 23 de março deste ano, Morales tomou uma ação controversa, ao anunciar a decisão de levar aos tribunais internacionais a disputa pela saída para o mar com o Chile, diante da falta de propostas “concretas, úteis e factíveis” por parte de Santiago. Em junho último, deu novo passo adiante, ao se reunir em Haia com o presidente da Corte Internacional de Justiça, Peter Tomka, quando expôs a aspiração boliviana de resolver a disputa com ajuda do direito internacional. Também reuniu-se com representantes da Corte Penal Internacional.

 

Antes, durante a Assembleia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA), realizada nos dias 4 e 5 desse mês, em Cochabamba (Bolívia), o chanceler anfitrião, David Choquehuanca, pediu ao governo de Piñera a abertura de renegociação do Tratado de 1904. O chanceler do Chile, Alfredo Moreno, afirmou que Santiado não irá ceder parte de seu território “assim como nenhum país o faria”, e que o Tratado de 1904 já havia estabelecido as fronteiras.

 

Porém, a postura atual do estado chileno “não representa a opinião de todos os cidadãos que o compõem”, diz Paulina Acevedo, cuja organização tem uma área de ação muito ampla e representa muitos setores sociais.

 

“Muitas organizações sociais de diferentes naturezas são favoráveis a encontrar uma solução de saída para o mar para a Bolívia, com ou sem soberania. Aabemos que a perda desta saída para não é foi decisão soberana, mas resultou de um conflito armado”, completou ela. Considera que o Estado chileno “insiste em não estabelecer uma relação duradoura com a sociedade civil organizada; por isso, não sabemos qual seria o resultado, em caso de um plebiscito sobre a reivindicação boliviana.

 

Esse tipo de consulta não é possível sem uma reforma constitucional, mas submeter o tema a um referendo não é uma proposta apenas das organizações sociais. Também houve pronunciamentos a favor por parte de figuras importantes de todo o campo político e mesmo militar. Em 2007, pour exemplo, fez-se um gesto simbólico, que expressou o ponto de vista dos movimentos sociais chilenos diante da reivindicação boliviana. O próprio Morales se surpreendeu, ao ser recebido por 20 mil pessoas que gritavam “mar para a Bolívia”, quando chegava à Cúpula dos Povos, paralela à Cúpula Iberoamericana que aconteceu em Santiago.

 

Em abril de 2011, uma pesquisa do jornal chileno El Mercurio, o mais influente do país e de tendência conservadora, avaliou que 64,2% das pessoas que aceitariam facilitar uma saída para o mar para a Bolívia, ainda que sem concessão de soberania. Em novembro do ano passado, uma pesquisa da empresa Adimark e da Universidade Católica revelou que 40% dos entrevistados são a favor de dar benefícios compensatórios ao país vizinho.

 

Juan Carlos Skewes, diretor do curso de antropologia da Universidade Alberta Hurtado, disse que no Chile existe uma civilidade “não majoritária, mas significativa”, que permite que alguns reconheçam os direitos que de outros povos. Por isso, teria surgido, da sociedade civil, “uma reflexão mais cívica, uma inspiração mais cosmopolita e mais abrangente com respeito à Bolívia ao que, entendo, são suas demandas legítimas”.

 

O estudioso lembrou que no norte do Chile existem uma importante convivência trinacional, com Bolívia e Peru. Baseia-se em uma raiz histórica e cultural que une o mundo andino e reconhece uma visão de mundo, práticas culturais, formas de vida e rituais que são patrimônio comum da região.

 

Skewes assegurou que o Chile lidou com o cenário internacional de uma forma muito individualista e separada de seu entorno regional, o que fez com que o país enfrente certas vulnerabilidades. “No conflito com a Bolívia, suspeita-se que o Chile já não tem e não terá a simpatia que historicamente teve de países como Brasil – muito menos, Peru ou Argentina”, afirma.

 

No julgamento do analista, desde a ditadura do falecido Augusto Pinochet (1973-1990), “o Chile não se reconhece como parte de uma região, como o fez no passado”. A economia neoliberal imposta então levou o país a “buscar vantagens comparativas com base em um conceito que acredito ser deslealdade política”. Para Skewes, o Chile “precisa de apoio regional”. “Ainda somos um enclave eurocêntrico e americanocêntrico, muito influenciados por um império”, criticou.

 

Esperando por uma solução à disputa entre os dois países, a Bolívia firmou acordos com Peru e Argentina, que lhe permitem acesso parcial tanto ao oceano Pacífico quanto ao Atlântico.

http://www.outraspalavras.net/2012/08/09/e-se-a-bolivia-pudesse-ver-o-mar/

 

Demarchi

"Mensalão" e a coragem de dizer‏

 





Não haverá outro resultado além da condenação dos réus na ação penal 470, midiaticamente chamada de "mensalão". Anotem e guardem.  Os ministros do STF capitularam ante uma pressão ilegítima dos meios de comunicação que a todo tempo buscam o confinamento dos réus numa prisão, embora absolutamente nada exista semelhante a um crime cometido tal como desenhado pela imprensa com base num suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada em troca de apôio ao governo.

Uma farsa urdida pelo único partido verdadeiramente de oposição, a imprensa que sozinha nos últimos anos carrega a bandeira do neoliberalismo, ideologia política que defende e em nome da qual insurgiu-se  aos avanços do governo Dilma, como já fizera com os governos Lula e agora segue em frente com seu projeto político de entregar o poder aos tucanos apesar de a população por 3 vezes ter dado  seu veredicto de não querer vê-los mais no comando do governo central.

Pelo menos no que diz respeito a mim não espero outro resultado. Aliás sempre defendi a posição de que o julgamento, na verdade um justiçamento, acobertado pela maior corte de justiça do país, para satisfazer as pressões de um poder paralelo que opera à margem do Estado influindo negativamente na agenda política do país, às vezes aliado até ao crime organizado, amplamente demonstrado na operação Monte Carlo da PF, na qual ficou mais do que  evidenciado o acumpliciamento de alguns jornalistas e seus respectivos veículos de comunicação com o esquema Cachoeira, um dos maiores escândalo criminoso a envolver todos poderes da república.

Agem em sintonia fina com a justiça maior do país, assim como uma dupla batedora de carteira: enquanto um distraí a vítima o outro apodera-se dos bens que está no bolso da incauta. Assim venderam a ação penal 470 como o maior escândalo de corrupção havido no país, ou no dizer do Procurador Geral da República, ou seria Prevaricador Geral? o mais atrevido ataque as instituições democráticas da nação.

Na escala de valores outros escândalos maiores estiveram presentes no dia-a-dia da nação. A privataria tucana, a lista de furnas, o mensalão tucano e mais recentemente o esquema Cachoeira cujos vínculos partidários e políticos mancharam as instituições republicanas brasileiras porque vai além de um esquema regional, era um  esquema articulado para embaraçar e se possível derrubar os governos progressistas do PT.

A opinião pública a qual a imprensa diz representar tem se mostrado alheia ao que acontece no STF com relação a ação penal 470 segundo pesquisas realizadas. No entanto, nada pode parar a pauta jornalística da imprensa que insisti em apenar os reús num julgamento que realizou sem que tenha legitimidade para tanto e só aguarda a confirmação que seguramente virá daqueles homens que não terão a coragem necessária para desafiar um conceito de justiça preconcebido e que não se harmoniza com a constituição e com o Estado Democrático de Direito.

Este julgamento que encaminha-se para um justiçamento é que é um verdadeiro ataque as instituições democráticas, um acinte que atenta contra a liberdade individual dos réus porque não será feito com imparcialidade, mas todo seu curso segue para o mesmo rumo de uma condenação há muito anunciada porque assim já determinou os meios de comunicação ideologicamente engajados com os partidos de oposição que no STF encontram também ecos para a causa que defendem.

Não poderia deixar de cutucar o Ministro Gilmar Mendes. Quem o conhece de perto diz que o ministro é uma pessoa íntegra, honesta e que as posições que toma se dão em face da corrente filosófica a qual se alinha  o garantismo. Com base neste alinhamento frequentemente o Ministro toma decisões favoráveis àqueles considerados criminosos pela sociedade, como Daniel Dantas por exemplo. Este conceito do garantismo, embora amplo, compreende-se como a garantia de que ninguém será condenado se não houver provas cabais que incriminem o acusado.

Eu sempre enxerguei nesta posição de Gilmar Mendes um disfarce para justificar seus pendores em favor de Daniel Dantas e outros bandidos de colarinho branco. Se Gilmar for mesmo garantista, neste julgamento da ação penal 470 ele encontrará todas razões para sem nehum temor de desagradar a mídia ser voto favorável a absolvição do réus dadas a postura que sempre defendeu no STF.

 É bom não esquecer-se que quando Daniel Dantas estava para ser fritado a imprensa veio ao seu socorro a despeito do clamor público que exigia que fosse trancafiado numa prisão. Quem apareceu para atender aos desejos da grande imprensa? O grande ministro Gilmar que lançando mão da corrente filosófica garantista livrou Dantas por duas vezes de permanecer preso.

Isto por si mostra que o garantismo do ministro Gilmar obedece a uma certa relatividade. Serve também para justificar ações que de outra forma o colocariam debaixo da mais vil suspeição. Se acreditasse genuinamente que Gilmar é um garantista apostaria que ele absolveria os réus dentro deste conceito que ele defende e que encontraria milhões de razões que apoiariam sua decisão.

Como não acredito e avalio que Gilmar está até o pescoço comprometido com os grandes meios de comunicações que exigem a condenação dos réus ele sacrificará suas convicções para condenar os réus, se não o fizer deixará um rastilho de pólvora que poderá a qualquer momento explodir comprometendo definitivamente sua condição de Ministro do STF.

http://www.pradiscutirobrasil.blogspot.com.br/2012/08/mensalao-e-coragem...

 

Certos julgamentos não passam “de uma cerimônia legal” para “averbar um veredito já ditado pela imprensa e pela opinião pública que ela gerou”. Juiz Jackson da Suprema Corte dos E.U.A