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Problemas com multas ou suspensão de CNH

     De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), é aplicada quando o condutor atinge a contagem de vinte pontos ou mais no período de um ano (261 § 1 do CTB), ou cometer qualquer infração que suspende a CNH por si só.
       O período de suspensão é de um mês até um ano, e no caso de reincidência nos últimos doze meses, de seis meses a dois anos (Artigo 261 do CTB).  Exceto a infração por dirigir sob influência de álcool (Art. 165 do CTB), que possui a sua pena de suspensão de 12 (doze) meses, em caso de reincidência em um ano, gera a cassação da CNH (Art. 263 Inciso III do CTB). 
       A entrega do documento de habilitação deve ser na unidade de trânsito em que está registrada. Quando ocorrer a suspensão do direito de dirigir, a Carteira Nacional de Habilitação será devolvida a seu titular imediatamente após cumprida a penalidade e o curso de reciclagem (Art. 261 § 2º do CTB).
       Enquanto estiver suspenso não pode dirigir veículo automotor sob pena de infração gravíssima vezes cinco, apreensão do veículo (162 II do CTB) e cassação do direito de dirigir (Art. 263 Inciso I do CTB), por dois anos, mais reciclagem, depois deste período terá que reiniciar o processo de habilitação.  
      A partir a da notificação de suspensão possui  30 (trinta)  dias para apresentar a sua defesa inicial.
 

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“OS AÇOUGUEIROS DE TOGA”

Meu nome  é Hervé Durand e postei esta denúncia em vários blogs já faz bastante tempo . Pude constatar que a maioria das páginas simplesmente foram RETIRADAS da internet sem que houvesse nenhuma providência tomada. Lêiam e vejam a gravidade das denúncias.

Esta denúncia foi escrita pela primeira vez com o título:

“A JUST*ÇA DO BRAS*L MANCHADA PELO SANGUE”.

Devido aos métodos extremamentes eficazes do Poder Oculto que controla TUDO que  postado na internet decidi mudá-la para Os Açougueiros de Toga. Poderíamos também chamar de Os Açougueiros da Bucha. Se colocasse o título inicial os sistemas de contrôle informático detectaria este artigo e ele seria imediatamente classificado como SPAM. Os bandidos e corruptos que controlam o Brasil fazem isto com tudo o que lhes desagrada ou seja “ todas as denúncias graves de corrupção “ que atingem a banda pôdre maçônica seja de Magistrados, Políticos, Funcionários Públicos ou Empresários Maçons Corruptos. Mesmo assim o título ainda descreve bem a situação porquê são açougueiros ( sanguinários ), vestidos com o traje que outrora era sinônimo de prestígio e honra. Hoje tornou-se uma profissão detestada por muitos, odiada por diversos e menosprezada por uma grande parte da população que por causa de alguns pilantras classificam o Juiz pejorativamente, assim como a Camôrra de Cima e a Maçonaria conseguiram fazer com a classe política desmoralizando-a.

Juízes e Desembargadores responsáveis por mortes:

Após inúmeras denúncias e relatos de corrupção, fraudes em leilões de imóveis, venda de sentenças e formação de quadrilha entre outros ( denúncias estas retiradas da internet através da utilização abusiva do poder público e seus demais órgãos, assim como por intermédio da Advocacia Geral da União e atualmente até do Ministério Público, permitindo-se utilizar de ameaças contra indivíduos e entidades, com o intuito de proteger magistrados corruptos ), ainda nos deparamos com uma situação ainda mais grave.

Mediante a descoberta de um esquema de fraude dos Leilões de Imóveis da Justiça do Trabalho do Estado de São Paulo e igualmente nos demais Tribunais existentes ( PRÁTICAS QUE OCORREM EM TODO O BRASIL ) que existe por pelo menos há mais de dez anos, senão até mesmo o dobro disto, o que antes em nós uma sensação de NOJO se transformou em REVOLTA E PERPLEXIDADE.

Como relatado nas inúmeras denúncias anteriores os Juízes e Desembargadores estabeleceram uma máfia entre a Justiça do Trabalho e algumas empresas que conseguem arrematar imóveis a preços derrisórios ( e bota derrisório nisso ). O que deveria ser uma exceção para permitir a execução das ações tornou-se um hábito: a venda de imóveis pelo preço mais baixo permitido pela Lei  [ em teoria o preço mais baixo permitido, mas como os Oficiais de Justiça realizam a avaliação inicial com um decréscimo de 30% ou mais, os preços de arremates reais caracterizam PREÇO VIL ( não oficialmente através deste artifício ) – esta é a grande sacada da bandidagem ]. O problema reside no fato de pessoas terem seus imóveis caindo neste sistema via um esquema de fraude na Justiça do Trabalho. Em leilões sem nenhuma transparência, uma grande quantidade de imóveis em bairros SUPER-VALORIZADOS foram vendidos a preços de amigo para algumas poucas empresas privilegiadas ( quadrilha que possui entre os seus integrantes o Sr. ADAM BLAU que utiliza-se dos nomes de sua esposa, ex-esposa e filhos ). Estas denúncias foram transmitidas ao Ministério Público Estadual e Federal, Conselho Nacional de Justiça, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho, Tribunal Superior do Trabalho, Superior Tribunal de Justiça, Polícia Federal,  e Gabinete da Presidência da República entre outros ( lista não exaustiva ). Cabe ressaltar que desde o mês de maio de 2010 estas denúncias foram realizadas perante ao Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região e igualmente perante à todas Corregedorias da Justiça do Trabalho do Estado de São Paulo ( assim como esta denúncia também está sendo feita ). Apesar disto as operações de despejo e roubo de imóveis continuam.

Mas o que era aparentemente uma sujeira tornou-se uma I M U N D Í C I E ! Descobrimos que pais-de-família e outras pessoas em situação de precariedade que tiveram o dissabor de cair nas mãos desta quadrilha da Justiça do Trabalho, ao realizarem o que estava acontecendo e verem o valor que o último bem que possuíam ( suas próprias residências ) havia sido arrematado, entraram em desespero e se S U I C I D A R A M . Logo que os Oficiais de Justiça efetuavam o arrombamento dos imóveis uma vez que ninguém abria a porta, deparavam-se com pessoas penduradas pelo pescoço em uma corda ou tecido, caídas no chão após terem envenenado-se, mortas depois de terem se matado através da utilização de armas……………

O pior destes fatos é que   n i n g u é m   f o i   i n d i c i a d o   no primeiro desses casos por homicídio culposo e os fatos ficaram escondidos. Os Oficiais de Justiça sabiam do que estava ocorrendo e transmitiam os fatos aos Juízes e Desembargadores responsáveis e os despejos-assaltos continuavam impunemente, assim como os métodos hediondos para assegurar suas execuções ( utilização de força policial para colocar os proprietários assaltados NA RUA sem o direito de abrir o bico. Todos os órgãos de imprensa ( jornais, redes de televisão, rádios,revistas, etc ) CALARAM-SE mediante às denúncias.

JUSTIÇA, esta é a palavra que pedimos para estas pessoas que foram empurradas ao suicídio por causa da ganância de Juízes, Desembargadores, Advogados, Empresários e Funcionários do Poder Judiciário corruptos.

Hoje, visto a gravidade da situação e ao número de mortes que ocorreram não cabe-se mais um indiciamento dos integrantes desta quadrilha por homicídio culposo mas devido a crueldade com que agiram, com a premeditação, com a plena ciência dos fatos que ocorriam, com a utilização do Poder Judiciário mediante o prejuízo irreparável destes indivíduos cabe-se um indiciamento por HOMICÍDIO DOLOSO QUALIFICADO, visto os métodos que estes magistrados vem utilizando para assegurar a ocultação e a impunidade destes fatos com a plêna consciência da gravidade do que cometeram. Da mesma forma, os órgãos que vêm tendo uma participação direta através da defesa, ocultação, intimidação e dissuasão das pessoas que tentam obter justiça devem ser responsabilizados ( Advocacia Geral da União, AMATRA SP, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Corregedorias da Justiça do Trabalho…. ) por terem uma ligação direta de cumplicidade efetuando tais atos, obstruindo o processo de transparência na investigação ou deixando de cumprir suas obrigações de apuração dos fatos.

É necessário que efetue-se o indiciamento dos implicados por corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, descumprimento da função, obstrução à justiça, improbidade administrativa e recebimento de propina. É necessário que os Juízes e Desembargadores investigados sejam afastados de suas funções para evitar que continuem obstruindo às investigações como vêm ocorrendo ja faz vários anos. Infelizmente, até as próprias corregedorias da Justiça do Trabalho estão infestadas de corruptos, que para obterem vantagens financeiras estão passando por cima não somente do sofrimento dos brasileiros, mas até de suas próprias vidas. Estas corregedorias não possuem mais legitimidade para exercerem suas atividades de contrôle, pois se juntaram com o que existe de pior no Poder Judiciário para desrespeitar, roubar e zombar dos pobres brasileiros.

O PODER JUDICIÁRIO ESTÁ MANCHADO PELO SANGUE. O PODER JUDICIÁRIO ESTÁ INFESTADO DE BANDIDOS. Como podem continuar com tais práticas tendo ciência são eles próprios culpados destas mortes pela sua ganância e safadeza? Como podem continuar a fazer isto por dinheiro sabendo que pessoas estão suicidando-se pelo desespero que não somente foram roubadas mas o pior : O PRÓPRIO JUIZ É O LADRÃO. O que podemos esperar de um país onde até o juiz está ROUBANDO e é LADRÃO ? Deus, por favor acabe com esta terra pois não têm mais jeito então, está tudo perdido, acabou-se o Brasil. Como aceitar que Juízes e Desembargadores arranquem pessoas com sérios problemas de saúde de suas próprias casas, pessoas idosas e acamadas, somente para vender o seu imóvel e ficarem ricos ilicitamente.

Provavelmente quando você estiver lendo este relato e os demais que já foram efetuados diversas associações internacionais de luta contra a corrupção, de luta pelos direitos humanos e pela justiça já terão recebido estas informações detalhadamente. Isto é um meio de mostrar ao mundo o que está acontecendo nesta podridão de país onde a vergonha e a decência tornou-se o maior artigo de luxo que existe naqueles que possuem o poder em suas mãos, e tudo leva-nos a crêr  que raros são os que possuem.

A nossa Justiça está suja pela corrupção, o nosso Judiciário está manchado pelo sangue, os nossos magistrados têm dívidas de almas para pagarem, nós temos Juízes que deviam estar na cadeia e estão proferindo sentenças.

Segue abaixo o nome de algumas pessoas e autoridades implicadas neste escândalo:

Juiz PAULO EDUARDO VIEIRA DE OLIVEIRA da 49a Vara do Trabalho do Estado de São Paulo, Sr. ADAM BLAU, de nacionalidade brasileira, CPF: 004.443.088-49, RG: 2.865.185-6 – SSP/ SP , residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP, Dr. BENCE PÁL DEÁK (OAB 95409/SP), Dra PATRÍCIA KONDRAT (OAB 237142/SP), Dra VERUSCA SEMINATE LOURENÇO (OAB 254144/SP), Dr. JOSÉ CÁSSIO ALVES RAMOS – OAB/SP 109.017, Dra. ANA PAULA DAMICO DE SAMPAIO – OAB/SP 174.262 , Dr. STEFANO DEL SORDO NETO – OAB/SP 128.308, Dr. AGENOR BARRETO PARENTE – OAB/SP 6381 ( e respectivo escritório de advocacia e colaboradores ), Dr. MARCOS ROBERTO DORNELAS – OAB/SP 158.608, Dr. NELSON ROTHSTEIN BARRETO  PARENTE OAB/SP 116.779,  Desembargadora LIZETE BELIDO BARRETO ROCHA – Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo – 2a Região – 1a Turma,  Desembargador LUIZ CARLOS NORBERTO – Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo – 2a Região – 1a Turma ,  Juíza ANDRÉA RENDEIRO DOMINGUES PEREIRA ANSCHAU da 49a Vara do Trabalho do Estado de São Paulo,  Sr. GENIVALDO VALDIVINO AMARAL – Diretor de Secretaria do 49a Vara do Trabalho de São Paulo – Capital,  Sra. MARIA HELENA DE ALMEIDA CUNHA – Secretária da 49a Vara do Trabalho de São Paulo,  Desembargador DÉCIO SEBASTIÃO DAIDONE, Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo – 2a Região, Desembargador NELSON NAZAR , Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo – 2a Região, empresa COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA – CNPJ 59.377.572/0001-37 – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital, empresa COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA , Rua Caraça, 327 Vila Madalena – CEP 05.447-130 – Vila Madalena – São Paulo, empresa COMERCIAL E SERVIÇOS JVB LTDA sito à Rua Estados Unidos, 2280 – Mezanino – CEP 01427-002 – Jardim América – São Paulo – Capital, empresa GALERIA DE ARTE ANDRÉ IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO, COMÉRCIO DE QUADROS E TAPETES LTDA – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital,  empresa TETRA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA – CRECI 10.896-J – Av. Brigadeiro Luis Antônio, n° 733 – Loja 05 – CEP: 01317-904 – Bela Vista – São Paulo,  Sr. SIDNEY PETRONI – CRECI 40.160,  Juiz AMÉRICO CARNEVALLE – Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região de São Paulo,  Juiz ARMANDO AUGUSTO PINHEIRO PIRES da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, Juiz ANDRÉ CREMONESI da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo.Juíza ANA MARIA BRISOLA da 49ª Vara do trabalho de São Paulo, Juíza SUSANA CAETANO DE SOUZA da 49ª Vara do trabalho de São Paulo, Juíza JULIANA SANTONI VON HELD da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, Juíza LETÍCIA NETO AMARAL da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, Desembargadora BEATRIZ DE LIMA PEREIRA do Tribunal Regional do trabalho da 2ª Região, Juíza EDIVANA BIANCHIN PANZAN da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, Sr. FELIPE ORESTE CAPOBIANGO da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, Sra. ISABEL LOPES DE SOUZA NÓBREGA, Oficial de Justiça do TRT da 2ª Região, Sra. RAQUEL DE MOURA COSTA E SILVA, Diretora de Secretaria do TRT da 2ª Região, Sr. EDUARDO F. C. DE PAULA FERNADES, Oficial de Justiça TRT da 2ª Região, Sra. THAÍS HELENA LUCHETTA, Secretária da 1ª Turma TRT 2ª Região, , Sra VALDICÉIA DE SOUZA BLAU, brasileira, empresária, CPF: 030.632.958-17, RG: 14.226.222-5 – SSP/ SP residente residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP,  Srta JULIANA BEATRIZ DE SOUZA BLAU, brasileira, CPF: 132.784.268-86, RG: 24.656.056-3 – SSP/ SP, residente residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP, Sr. ANDRÉ PHILIPPE PAGLIUCA BLAU, brasileiro, empresário, CPF: 118.458.128-24, RG: 15.710.244 – SSP/ SP, residente à Rua Itaiteva, n° 206, Apto 11, Morumbi – CEP 05713-470 ,  Sra. ANDRÉA ANA HELENA PAGLIUCA BLAU DE PAULO, brasileira, CPF: 092.883.588-03, RG: 15.710.243-9 – SSP/ SP, residente à Rua Elias Cutait, n° 127 – Cidade Jardim, CEP: 05672-020, COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA – CNPJ 59.377.572/0001-37 – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital, empresa COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA , Rua Caraça, 327 Vila Madalena – CEP 05.447-130 – Vila Madalena – São Paulo, COMERCIAL E SERVIÇOS JVB LTDA sito à Rua Estados Unidos, 2280 – Mezanino – CEP 01427-002 – Jardim América – São Paulo – Capital,  COMERCIAL, CONSTRUTORA E SERVIÇOS APB LTDA NIRE – 35215429647, sito ora à Rua Estados Unidos 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim América – SP ou Av. Brigadeiro Faria Lima 1616 – 2° andar – CEP 01451-001 – Jardim Paulistano – SP, empresa: COMERCIAL CONSTRUTORA E SERVIÇOS BLAU LTDA NIRE 35217523349  , empresa COMERCIAL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLAU LTDA NIRE 35600140708 ( transformada em Comercial Construções e Serviços Blau EIRELI  na data de 03/09/2012 )  , empresa GALERIA DE ARTE ANDRÉ IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO, COMÉRCIO DE QUADROS E TAPETES LTDA – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital

Se efetuarem buscas nos nomes das pessoas implicadas neste escândalo e aquí denunciadas, vocês poderão averiguar que inúmeras denúncias realizadas em sites somente aparecem à partir da terceira ou da quinta página dos nomes destes implicados ( isto quando não foram simplesmente retiradas) em motores de busca tais como GOOGLE , YAHOO, etc. Isto se deve pelo fato destes pilantras estarem somente buscando esconderem os fatos e sobretudo não responderem aos mesmos, fazendo como alguns juízes que há mais de 10 ( dez ) anos foram denunciados em jornais por corrupção e devido à safadeza e coporativismo existente no judiciário até hoje não foram responsabilizados pelos seus roubos e continuam exercendo descaradamente suas profissões ( e atividades criminosas ). A empresa GOOGLE está sendo conivente com este escândalo, escondendo às páginas de denúncias mais comprometedoras na rúbrica “AO PÉ DA LETRA”, sendo necessário ir até o fim desta rúbrica para ter a opção “RESULTADOS OMITIDOS”. Uma vez que têm-se acesso ao resultados omitidos e “escondidos” pode perceber-se uma grande quantidade de links vergonhosamente escondidos pelo GOOGLE. Uma vez que o GOOGLE terá acesso a esta denúncia mudará os links para outra rúbrica, é  assim que o GOOGLE vêm sendo conivente com a ocultação destas denúncias de MORTES e deve ser RESPONSABILIZADO. Igualmente esta máfia que opera dentro do Poder Público possuí uma central de hackers para infectar e destruir os links comprometedores, os que eles não conseguem a empresa GOOGLE ocupa-se de fazê-lo ocultando.  ESTAS DENÚNCIAS SÃO MUITO GRAVES.

Todavia estamos falando de crimes de fácil apuração pois uma compra de um imóvel se faz mediante uma escritura e isto pode ser averiguado. Igualmente as mortes que ocorreram tiveram um atestado de óbito e estes podem ser confrontados com as datas das ordens de despejos efetuadas pela Justiça do Trabalho do Estado de São Paulo. Em resumo, a situação aquí encontra-se de fácil verificação e como o exemplo dado no caso da empresária Tânia Bulhões é possível averiguar os fatos em até bem menos de seis meses. Cabe ressaltar que já fazem mais de 2 (dois) anos que estas denúncias foram efetuadas pela primeira vez e os despejos continuam impunemente. Existem pessoas que lutam há anos contra esta quadrilha e não conseguem obter resultados.

Pedimos aos sites e pessoas que recebam pedidos de retirada destas denúncias que PUBLIQUEM ÀS MESMAS NA INTERNET, para que possam ser responsabilizados os cúmplices que vêm ajudando estes bandidos a esconderem estas sujeiras e continuarem impunes (  como a ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO através da Dra MARCELA PAES BARRETO LIMA MARINHO Advogada da União - PROCURADORIA REGIONAL DA UNIÃO – 3ª REGIÃO / SETOR DE RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO E PROIBIDADE). Se vocês receberem cartas ou pedidos de órgãos do governo pedindo a retirada destas denúncias através de ameaças, como eles fazem usualmente, intimidando o cidadão brasileiro que paga impostos para manter os salários destes vagabundos corruptos que fazem isto, denunciem às mesmas e ajudem a tirar mais uns lixos da administração pública. Igualmente às ligações telefônicas por parte do Ministério Público ou de qualquer outro órgão do Poder Judiciário não devem ser aceitas uma vez que estes funcionários públicos têm plena ciência de estarem participando de um ato de corrupção através da utilização da máquina pública. Solicitem uma intimação formal POR ESCRITO com identificação do órgão e com o nome e cargo do responsável de MODO LEGÍVEL via correio, para que possam ter o nomes dos responsáveis que fazem parte desta quadrilha que está tentando ocultar este escândalo. Uma vez obtida por favor publiquem na internet.  A verdade deve aparecer e não estamos buscando nada além da verdade. Os Juízes e Desembargadores estão tendo uma ótima oportunidade de mostrar ao povo brasileiro o que realmente eles andam fazendo com os poderes que lhes foram dados. E pelo jeito fizeram MUITA MERDA.

Façam uma busca no GOOGLE dos nomes BENCE PAL DEAK, TETRA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA, MARCELA PAES BARRETO LIMA MARINHO, ADAM BLAU ou um dos nomes citados acima e vejam a gravidade do que o GOOGLE está fazendo.

Está mais que na hora do povo brasileiro mostrar que ele é mais forte do que esta corja corrupta que assola o Funcionalismo Público e a Política.

Hervé Durand.

 

Segue abaixo a lista de blogs contendo os processos. Para mais informações  entrem em contato com o Sr. Mílton nos e-mails:  milcq@live.fr  ou  miltoncq@gmail.com.

http://www.uniblog.com.br/programapoder/227454/veja-detalhes-dos-recursos-contra-os-30-parlamentares-ameacados-de-perder-o-mandato.html

http://blog.jornalpequeno.com.br/linhares/2010/07/09/denuncia-blog-descobre-ramificacoes-do-escandalo-euromar/

http://blog.jornalpequeno.com.br/raimundogarrone/2010/02/20/mp-denuncia-26-por-suposto-envolvimento-em-esquema-de-corrupcao-no-tribunal-de-justica-do-espirito-santo/

http://adotevereadorval.blog.terra.com.br/2009/03/08/trabalhos-do-vereador-val/

http://bahiaempauta.com.br/?p=32126

http://www.extralagoas.com.br/noticia/980/esta-semana-nas-bancas/2011/12/30/tj-rateia-r-20-milhes-entre-juizes-e-desembargadores.html

http://controlesocial.blog.terra.com.br/2009/02/06/apelo-por-jorge-moreno/

http://milkasantosmilka.blog.terra.com.br/2009/03/28/189/

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/juizes-nao-sao-vagabundos-protesta-ajufe/

http://zoabonito.com/fotos/pegadinha-da-nota-fiscal-paulista

http://mdemulher.abril.com.br/blogs/jorge-brasil/geral/rodrigao-e-o-primeiro-sabotador-do-bbb11/

http://v1.portalhoje.com/ofensa-a-dignidade-humana-stj-mantem-condenacao-do-apresentador-ratinho-por-materia-veiculada-contra-deficiente-fisico/144847

http://www.luiscardoso.com.br/politica/2012/02/decisao-do-supremo-sobre-cnj-pode-levar-a-punicao-de-15-juizes/

http://www.cambury.edu.br/blog/direito/2010/10/08/corrupcao-no-judiciario-ministra-eliane-calmon/

http://blogducuelho.altoalegredopindare.com/?p=604

http://controlesocial.blog.terra.com.br/2009/01/27/fraudes-em-concursos-no-maranhao/

http://multiplosuniversos.com.br/site/archives/lu-ladrao-foi-esmagado

http://sardinhainnaldo.blog.terra.com.br/2009/02/07/parabens/

http://www.militarpos64.com.br/sitev2/?p=126

http://www.edgarlisboa.com.br/?p=8473

http://www.bancodepeticoes.com/?p=12603

http://inaciovacchiano.com/2011/11/15/oab-vira-alvo-do-movimento-contra-a-corrupcao-examedeordempelomec-2/

http://www.robertokenard.com/politica/2012/01/28/juizes-confundem-autonomia-com-soberania-diz-mendes/

http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=1163:estou-vendo-a-serpente-nascer-n%c3%a3o-posso-calar

http://www.jornalnanet.com.br/publicacao/blog/45/pec-dos-vereadores--as-polemicas-so-comecaram!

http://www.superperolas.com/lista-de-155-politicos-corruptos-que-voce-nao-deve-votar/

http://blogs.lanacion.com.ar/vaso-medio-lleno/articulaciones-sociales/derechos-humanos-una-materia-pendiente/

http://www.bemparana.com.br/tupan/personagem-do-escandalo-da-mafia-dos-pareceres-e-ligado-ao-ministro-dias-toffoli-do-stf/

http://aposentadosolteoverbo.org/2010/03/11/deu-no-site-radio-camara-proposta-acaba-com-aposentadoria-compulsoria-para-juiz-que-praticar-crime/

http://praiadexangrila.com.br/tj-reacende-polemica-entre-bm-e-policia-civil/

http://www.largadoemguarapari.com.br/xlargado/?p=3233

http://www.apostolado-angola.org/articleview.aspx?id=2830

http://blogs.maiscomunidade.com/blogdocallado/2010/06/09/os-caminhos-de-uma-condenacao-judicial/

http://politicos.blog.terra.com.br/2006/03/14/mensalaeiros-escandalo-mensalao/

http://paginadoenock.com.br/bandidos-de-toga-no-tribunal-de-justica-de-tocantins-4-dos-12-desembargadores-montaram-um-esquema-de-venda-de-sentenca-com-a-cumplicidade-de-3-servidores-2-procuradores-e-7-advogados/

http://lauritaarruda.com.br/dem-nao-convive-com-os-improbos-ao-contrario-do-pt/51575

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Aprenda com o MP a fraudar investigações

Certamente muito dos políticos brasileiros não entendem o porquê do interesse do Ministério Público em capitanear investigações. A tese de que a Polícia Judiciária é corrompida e precisa existir outro organismo institucional com condições de investigar é até compreensível e acaba servindo como alicerce para a defesa da liberdade de investigação do MP. Isso quando não se sabe verdadeiramente como os “Fiscais da Lei” atuam “por trás dos panos”. Como são “abortadas” e “sepultadas” investigações pelo MP contra “figurões”.

A população conhece tão somente o Ministério Público defensor da sociedade, promovendo aquelas ações do GAECO que prendem policiais e políticos corruptos etc. Sempre são bem vindas as ações Ministeriais em defesa do meio ambiente, de proteção ao patrimônio e divulgadas com pompa pela mídia em geral. Não resta dúvida que cada um de nós se orgulha ao ver as instituições públicas agindo ao lado da cidadania e honrando a razão de suas existências.

Mas e quando essas mesmas instituições se bandeiam para o lado do inimigo? Quando agem como quadrilhas e atuam em contrariedade aos interesses da moralidade administrativa? E o pior, exercem suas funções dessa forma sob o baluarte da legalidade e inadmitindo seja contestada a ética e honra que deveriam glorificar, isso quando se travestem em órgãos lícitos, porém na realidade acabam sendo organizações criminosas maquiadas.

A coisa funciona assim …

O cidadão inconformado com determinada ação criminosa, irregular ou ímproba praticada por esta ou aquela Autoridade Pública ocupante de cargo de importância representa ao Ministério Público apontando as faltas indiscutivelmente perpetradas e juntando provas incontestáveis que podem levar o faltoso à cadeia ou à perda da função com demissão à bem do serviço público.

O integrante do MP designado para apurar o fato e constatando que efetivamente o crime, falta ou improbidade realmente existiu e observando que as provas são suficientes para condenar a Autoridade considerada “intocável” usa de estratégia ignóbil, qual seja: determina a juntada da representação e das provas em outro procedimento que nada tem a ver com o caso específico. Assim dá a impressão que agiu, mas na verdade esconde “sob o tapete”, ou melhor, no bojo de outro procedimento, os autos que comprovam as práticas criminosas, irregulares ou ímprobas de indivíduo que o Ministério Público quer proteger.

Posteriormente o procedimento escolhido é arquivado ou prescreve carregando junto a representação defendida. Assim a tal Autoridade Bandida, digo Pública, se beneficia e passa a divulgar que era inocente porque o fato foi arquivado ou prescreveu e até mesmo que ficou comprovado inexistir. Contudo suas ações anormais nunca foram investigadas.

Saibam que essa técnica não é esporádica ou desenvolvida em poucos casos. Esse artifício é usado inúmeras vezes. Dezenas, centenas de procedimentos contra Autoridades Públicas que ocupam função de destaque são extintas e “não vão a frente” em todo o Brasil simplesmente porque são juntadas a processos de terceiros e desta forma “sepultados” para o todo e sempre.

O mais absurdo é que estas ações típicas de má-fé são admitidas por juízes que passam agir como partícipes e coautores de uma trama “hollywoodiana” onde o denunciador acaba se tornando bandido. A inocência do culpado (a Autoridade denunciada) resta propagandeada na medida em que nada lhe acontece e acaba sem ser indiciado, denunciado, processado ou muito menos condenado devido a “mascaração” de sua condição delinquente e marginal através de técnica corrupta empregada justamente pelo órgão que deveria ser aquele a fiscalizar as leis e proteger a sociedade contra atos de corrupção.

Corrompido, o Ministério Público quer titular as investigações para poder negociar por meio do “acochambramento” de atos criminosos e de improbidade praticados por Autoridades de importância que, não obstante serem marginais cometedores de crimes, irregularidades e improbidades administrativas acabam devendo ao “parquet” essa “ajuda” para continuarem impunes. E, aí, quando algum integrante do Ministério Público precisar, sempre haverá de ser possível o “lavar de mãos” em consideração ao “favor” feito.

NOTA DA BV: Corrupção não é só receber propina para fazer ou deixar de fazer algo. Corrupção é também “fazer favores”.

Categorias:  Artigos     - 10 de dezembro de 2012

http://brasilverdade.net/aprenda-com-o-mp-a-fraudar-investigacoes/comment-page-1/#comment-11653

 

 

 

CAÇA AO ASSINANTEFofuras da Veja

Por Marcelo Coelho em 27/11/2012 na edição 722

Reproduzido do blog do autor, 25/11/2012

No Obserfvatório da Imprensa

Faz muito tempo que não leio a Veja, tendo apenas comprado o número da semana passada para ver a matéria sobre a Osesp e o amigo Arthur Nestrovski.

Eis que, como ex-assinante, recebo pelo correio um convite promocional.
É uma obra-prima de imaginação mercadológica mal dirigida.

Na cobertura do envelope, uma intrigante mensagem.

Marcelo,

Perguntei por que faltava o seu nome e ninguém soube explicar. Veja como, logo depois, tudo ficou resolvido.

Hum. Vamos ver? Abro o envelope.

MARCELO,

(é sempre bom ver o nome da gente assim em letras grandes)

a reunião de ontem foi muito importante para mim e você tem tudo a ver com isso.

(ele nem imagina o quanto).

Toda a nossa equipe checava os nomes das pessoas que continuavam assinantes de VEJA.

(precisa ser uma equipe grande para fazer isso, eu acho).

Algumas depois do primeiro ano de assinatura. Outras depois de dez, vinte anos e até mais.

Gostoso foi comprovar que era uma seleção de gente extremamente diferenciada, ativa e participante, que faz a diferença no meio em que vive.

(deve ter sido bem gostoso, mas um bocado trabalhoso também. Quantos assinantes tem a revista, quinhentos mil? Um milhão? Para eles terem “selecionado” esse milhão de pessoas no meio da população brasileira, e depois comprovarem que a seleção foi bem feita, puxa, não invejo. Mas o importante é que EU, MARCELO, tinha tudo a ver com a importância dessa reunião).

Gente como Marcelo Penteado Coelho

(Não disse? Olha eu aí!)

Quando perguntei por que você não estava mais entre os assinantes de VEJA, algumas possibilidades apareceram.

(Vamos ver se ele acerta)

Marcelo perdeu o prazo de renovação, por algum motivo.

(aí não vale: qual o motivo? Ainda está frio…)

Ou viajou na hora de renovar e esqueceu.

(está certo, como sou uma pessoa diferenciada, eu viajo muito. Mas como é que não percebi, na volta de meu “périplo”, que Veja não estava mais me aguardando, empilhada na bandeja de prata que meu mordomo costuma usar para me trazer, toda manhã, os principais periódicos do Ocidente?)

Ou está dando um tempo…

(é, foi o que fiz com a Ana Paula Arósio e a Maria Fernanda Cândido)

Ou…

Interferi diretamente.

(escute, que mal pergunte, quem é você afinal?)

Tenho uma ideia clara na cabeça.

(ah, deve ser alguém da Veja mesmo).

Se Marcelo ainda não voltou é porque está só esperando uma boa oportunidade e ainda não soubemos criá-la.

(engenhoso, rapaz! Você sabe bem que MARCELO COELHO é astucioso e preza suas oportunidades de investimento. Faz como na Bolsa ou no dólar: espera as cotações baixarem para comprar).

Foi quando todos tomamos a decisão de trazer você de volta.

(nossa, como vocês aguentaram ficar tantos anos com saudade de mim?)

Criamos a oportunidade que você espera.

(nossa, gêintche… num acreditcho…)

Começamos com o maior desconto que podemos dar: 50%

(es poco, corazón. En las calles de Buenos Aires muchas chicas más guapas que vos ya me hicieron ofertas más despudoradas).

Ou seja, você vai assinar VEJA pela metade do preço.

(legal traduzirem 50% por metade do preço. A clientela, por mais diferenciada que seja, às vezes se confunde na matemática).

Mais uma página de explicações e, finalmente, fico sabendo quem escreveu a mensagem. É Marcia Donha, gerente de assinaturas da revista Veja. Não colocou a fotografia junto.

Mas como se trata de uma carta pessoal e carinhosa, quem sabe eu respondo.

MARCIA,

Obrigado por dizer que eu faço falta. Pensei que vocês nem ligassem para o fato de eu ter suspendido a assinatura há tanto tempo. Toda a sua equipe, durante esses anos, parece ter se preocupado mais em cultivar um público limitado, preconceituoso, consumista e sem nenhuma sofisticação cultural, disposto apenas a ver numa revista a confirmação de suas ideias simplistas sobre o mundo, incapaz de notar o tom partidário e editorializado de matérias pobres em conteúdo informativo, além de pronto a aplaudir o estilo hidrófobo de seus colaboradores. Fico feliz: estão pensando em me reconquistar. Mas achar que eu estava esperando esse descontinho para voltar… francamente. Só volto quando ganhar as obras completas de Lya Luft encadernadas de brinde. Cobro caro para vocês terem o meu amor de volta. Não sou desses que acodem a qualquer trocadinho, viu, MARCIA?

Um beijo, fofa.

***

[Marcelo Coelho é colunista da Folha de S.Paulo e integrante do Conselho Editorial do jornal]

 

 

 

01/12/12 | 16:56 - No SUL21

 

Jogadores assinam carta pró-Palestina e contra copa sub-21 em Israel

 

Didier Drogba

Embaixador da UNICEF, Didier Drogba é um dos principais nomes a assinar a nota | Foto: Yoda1893 / WikiMedia Commons

 

Da Redação

 

Dezenas de jogadores de futebol destacados em vários dos mais poderosos clubes do mundo, entre eles o marfinense Didier Drogba, assinaram no final desta semana uma nota conjunta onde criticam a escolha de Israel como sede da Copa UEFA de Seleções Sub-21, que ocorre no começo de 2013. Segundo eles, sediar a competição é uma “recompensa” da UEFA a um país que viola sistematicamente direitos do povo palestino. Além disso, denunciaram crimes que Israel teria cometido contra jogadores de futebol, como o bombardeio de um complexo esportivo em Gaza, que resultou em 4 jovens que jogavam futebol, e a prisão sem acusação ou julgamento de dois futebolistas palestinos, Omar Rowis, de 23 anos, e Mohammed Nemer, de 22.

 

“É inaceitável que crianças sejam mortas enquanto jogam futebol”, diz a nota, que também reforça o apoio dos atletas à causa palestina. “Apesar do recente cessar-fogo, palestinos ainda são forçados a suportar uma existência desesperadora sob ocupação. Eles devem ser protegidos pela comunidade internacional. Todas as pessoas têm o direito a uma vida de dignidade, liberdade e segurança”, continua o texto.

 

Além de Drogba, que é embaixador da UNICEF, assinam a nota jogadores como Eden Hazard, do Chelsea; Yohan Cabaye, do Newcastle; Alou Diarra, do Olympique de Marseille; e Djamal Mahamat, do Sporting Braga, entre outros.

 

Confira abaixo a íntegra da nota:

 

29 de novembro de 2012

 

Nós, jogadores de futebol europeus, expressamos nossa solidariedade com o povo de Gaza, que vive há muito tempo sob ocupação e tendo negados direitos humanos fundamentais: dignidade e liberdade. O mais recente bombardeio israelense na Faixa de Gaza, matando centenas de civis, foi uma nova ofensa à consciência do mundo.

 

Ficamos espantados ao saber que, no dia 10 de novembro de 2012, o exército israelense bombardeou um campo esportivo na Faixa de Gaza, causando a morte de crianças que jogavam futebol: Ahmed Mohamed Harara e Ahmed Harar (16 e 17), bem como Matar Rahman e Ahmed Al Dirdissawi (18).

 

Sabemos também que desde fevereiro de 2012 dois jogadores da equipe de futebol Al Amari, Omar rowis (23) e Mohammed Nemer, ainda estão presos em Israel sem acusações ou julgamento.

 

É inaceitável que crianças sejam mortas enquanto jogam futebol, especialmente às vésperas de Israel receber, como sede, a Copa UEFA Sub-21, sendo desta forma recompensado após cometer atos contrários aos valores do esporte.

 

Apesar do recente cessar-fogo, palestinos ainda são forçados a suportar uma existência desesperadora sob ocupação. Eles devem ser protegidos pela comunidade internacional. Todas as pessoas têm o direito a uma vida de dignidade, liberdade e segurança. Esperamos que uma solução justa surja finalmente.

 

Signatários:

 

Gael Angoula, Bastia Sporting Club (France)
Karim Ait-Fana, Montpellier HSC (France)
André Ayew, Olympique de Marseille (France)
Jordan Ayew, Olympique de Marseille (France)
Demba Ba, Newcastle United (UK)
Abdoulaye Baldé, AC Lumezzane (Italia)
Chahir Belghazouani, AC Ajaccio (France)
Leon Best, Blackburn Rovers Football Club (UK)
Ryad Boudebouz, Football Club Sochaux Montbéliard (France)
Yacine Brahimi, Granada Football Club (Spain)
Jonathan Bru, Melbourne Victory (Australia)
Yohan Cabaye, Newcastle United (UK)
Aatif Chahechouche, Sivasspor Kulübü (Turkey)
Pascal Chimbonda, Doncaster Rovers Football Club (UK)
Papiss Cissé, Newcastle United (UK)
Omar Daf, Football Club Sochaux Montbéliard (France)
Issiar Dia, Lekhwiya (Qatar)
Abou Diaby, Arsenal Football Club (UK)
Alou Diarra, Olympique de Marseille (France)
Soulaymane Diawara, Olympique de Marseille (France)
Samba Diakité, Queens Park Rangers (UK)
Pape Diop, West Ham United (UK)
Abdoulaye Doucouré, Stade Rennais Football Club (France)
Didier Drogba, Shanghaï Shenhua (China)
Ibrahim Duplus, Football Club Sochaux Montbéliard (France)
Soudani El-Arabi Hilal, Vitoria Sport Club Guimares (Portugal)
Jires Kembo Ekoko, Al Ain Football Club (United Arab Emirates)
Nathan Ellington, Ipswich Town Football Club (UK)
Rod Fanni, Olympique de Marseille (France)
Doudou Jacques Faty, Sivassport Kulübü (Turkey)
Ricardo Faty, AC Ajaccio (France)
Chris Gadi, Olympique de Marseille (France)
Remi Gomis, FC Valenciennes (France)
Florent Hanin, SC Braga (Portugal)
Eden Hazard, Chelsea Football Club (UK)
Charles Kaboré, Olympique de Marseille (France)
Diomansy Kamara, Eskisehispor Kulübü (Turkey)
Frédéric Kanouté, Beijin Guoan (China)
Anthony Le Tallec, AJ Auxerre (France)
Djamal Mahamat, Sporting Braga (Portugal)
Steve Mandanda, Olympique de Marseille (France)
Kader Manganne, Al Hilal Riyad Football Club (Saudi Arabia)
Sylvain Marveaux, Newcastle United (UK)
Nicolas Maurice-Belay, FC Girondins de Bordeaux (France)
Cheikh M’bengué, Toulouse Football Club (France)
Jérémy Menez, Paris Saint-Germain Football Club (France)
Arnold Mvuemba, Olympique Lyonnais (France)
Laurent Nardol, Chartres Football Club (France)
Mahamadou N’diaye, Vitoria Sport Club Guimares (Portugal)
Mamadou Niang, Al-Sadd SC (Qatar)
Mbaye Niang, SM Caen (France)
Fabrice Numeric, FK Slovan Duslo Sala (Slovakia)
Billel Omrani, Olympique de Marseille (France)
Lamine Sané, FC Girondins de Bordeaux (France)
Mamady Sidibé, Stoke City Football Club (UK)
Momo Sissoko, Paris Saint-Germain Football Club (France)
Cheikh Tioté, Newcastle United (UK)
AdamaTraoré, Melbourne Victory (Australia)
Armand Traoré, Queen Park Rangers FC (UK)
Djimi Traore, Olympique de Marseille (France)
Moussa Sow, Fenerbahçe Spor Kulübü (Turkey)
Hassan Yebda, Granada Football Club (Spain)

 

Do VIOMUNDO

Caros Amigos: Um outro caso que a mídia “desconheceu”

POR QUE A IMPRENSA ESCONDE O FILHO DE 8 ANOS DE FHC COM A JORNALISTA DA GLOBO ?

da Caros Amigos, em abril de 2000, reproduzido no blog do Palmério Dória

Por Palmério DóriaJoão RochaMarina AmaralMylton SeverianoJosé Arbex Jr. e Sérgio de Souza

Esta reportagem começou assim: o jornalista Palmério Dória ofereceu para Caros Amigos um artigo cujo título era “Presidente, Assuma!”, referindo-se ao filho gerado do romance entre Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Miriam Dutra quando o atual presidente da República era senador. A jornalista trabalhava, e trabalha ainda, para a Rede Globo, na ocasião como repórter em Brasília, hoje como correspondente em Barcelona, Espanha.

O artigo, depois de dizer que o casal era visto nas noites de Brasília a partir do final de 1988, contava em detalhes, revelados por testemunhas, a reação irada do então senador, com xingos à jornalista, expulsão da sala e um pontapé no circulador de ar, que foi parar longe, no dia em que ela foi ao seu gabinete participar-lhe a gravidez. Abordava em seguida a situação criada após o nascimento da criança, em 1991, quando a estrela do senador começava a brilhar na política, projetando contornos para uma candidatura à presidência da República.

Citava a participação dos amigos Sérgio Motta e José Serra, “cabeças do projeto presidencial”, no episódio, primeiro conseguindo para a mãe e a criança um apartamento mais confortável na Asa Sul, onde ela já morava mais modestamente, e, depois, fazendo gestões junto ao diretor de jornalismo da Rede Globo, Alberico Souza Cruz, que é o padrinho do menino, no sentido de transferir a jornalista para Lisboa, o que se efetivou.

Dizia ainda o artigo que, a certa altura, esses três personagens foram substituídos, no que o autor chama de “corpo de bombeiros”, por um conhecido lobista de Brasília, aparentado de Miriam Dutra que em determinadas rodas é chamado de “o homem que sustenta o filho do presidente”. Antes de encerrar o artigo, o autor pergunta por que tanto segredo, por que a “conspiração de silêncio” da imprensa em torno da história, listando uma série de políticos e personagens públicos que em casos semelhantes viram noticiados os fatos que haviam protagonizado.

Ao entregar o texto, o jornalista sugeriu que o ilustrássemos com uma foto de Miriam Dutra. E foi aí que as coisas passaram a tomar outro rumo.

Quando procuramos, por telefone, o Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril, que vende esse tipo de material, como todas as empresas jornalísticas, ficamos sabendo que lá havia uma única foto da jornalista da Globo, tirada da tela de uma televisão por um fotógrafo da revista Veja, que em 1994 preparava uma reportagem sobre o caso Miriam Dutra/FHC, candidato à presidência da República. Para isso a revista tinha enviado a repórter Mônica Bergamo a Lisboa. O funcionário do Dedoc tratou do assunto com naturalidade, pedindo que aguardássemos um minuto na linha enquanto ultimava os trâmites rotineiros para o envio da foto.

Quando voltou ao telefone, desapontado disse que a foto não podia ser liberada, não sabia por quê. Pedimos que transferisse a ligação para a direção do Dedoc, que atendeu, se disse surpresa com o fato, que iria verificar o que estava acontecendo e nos ligaria em seguida. Depois de uma hora, ligou dizendo que realmente a foto não podia ser liberada porque era de autoria desconhecida, envolvia o nome da Globo e, assim, estava bloqueada.

Primeira providência: localizar o fotógrafo, que não estava mais em Veja, trabalha agora para o Correio Braziliense, jornal de Brasília. Ele confirma haver feito a foto para uma “matéria de gaveta”, no jargão jornalístico aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada ou fica para sempre enterrada. “Fiz a foto da televisão porque toda a imprensa tinha a matéria e, se um desse, todos davam”, disse ele.

Essa informação não só já havia transpirado de Veja, por outra via, como a direção da revista dissera à repórter enviada a Lisboa que ela estava indo procurar Miriam Dutra para que não corressem o risco de ser “furados” por alguém. De qualquer forma, na volta a repórter entregou um relatório com a entrevista feita com Miriam Dutra, que não quis revelar o nome do pai, disse que o pai não merecia aquele filho, deu detalhes do parto etc. e a matéria foi para a gaveta, apesar de a direção da redação estar dividida, votos a favor e contra sua publicação, prevalecendo ao final o “não” do diretor, Mario Sergio Conti.

Sabe-se que houve ameaça à Abril, por parte da irmã de Miriam Dutra, Magrit, que por telefone disse que quebraria (financeiramente) a editora, caso a matéria fosse publicada.

As contradições apontaram definitivamente para a investigação. Íamos procurar saber como são, a partir de fatos, as relações entre o presidente da República e a mídia. Precedentes já havia, como o da época da reeleição, por exemplo, quando o presidente chamou a Brasília todos os donos dos grandes veículos para pedir uma ajuda em favor de sua candidatura quando em maio/junho de 1998 ela periclitou nas pesquisas de opinião pública.

Antes de qualquer coisa, precisaríamos ouvir Miriam Dutra, procurar confirmar o “segredo de polichinelo”, como dizem jornalistas que conhecem a história. E praticamente todos os diretores de redação à época das eleições de 1994 a conhecem, embora muitos – iríamos pedir a palavra de todos eles – fossem argumentar que não publicaram a matéria porque a mãe da criança não havia procurado a imprensa nem a Justiça e só nessas circunstâncias as normas internas admitem a publicação.

O que não é verdadeiro, sabe-se de pelo menos um fato semelhante a esse em que houve até exploração tendenciosa por parte da mídia, fato revelado também em época de campanha presidencial, a de 1990, envolvendo a filha do candidato Lula, trazido a público por um repórter do Jornal do Brasil que foi investigar a história e não porque algum dos envolvidos tivesse procurado a imprensa ou a Justiça.

Outro argumento de diretores de redação em defesa da não publicação da história que resolvemos contar é o de ela não ser um fato jornalístico. Esquisito não considerar fato jornalístico um presidente da República ter um filho fora do casamento com uma jornalista da Rede Globo.

Fomos, então, procurar Miriam Dutra, por intermédio de um jornalista brasileiro, João Rocha, que está morando em Barcelona. Eis o seu relato, de 30 de janeiro deste ano:

“Descobri um Colegiado de Jornalistas onde havia um Centro Internacional de Jornalistas. Consegui achar Miriam Dutra em uma lista absolutamente equivocada – a de Madri, mas com um endereço de Barcelona. Fui até lá. É um bairro de classe média alta, na parte mais moderna da cidade. Achei a rua, mas penei para achar o prédio. Enquanto pedia informações na rua para localizar o número que buscava, encontrei acidentalmente um brasileiro. Um homem de seus sessenta e poucos anos, artista plástico paraibano. Havia deixado o Brasil em 1963, mas conservava intato o sotaque, mesmo falando catalão ou espanhol. Seu nome é Oto Cavalcanti, figura interessante, também se confundiu muito para achar o prédio que supostamente era no quarteirão em que ele morava.

Quando falei que procurava uma jornalista brasileira, ele lembrou que a moça da banca de jornal havia lhe falado de uma jornalista brasileira da Globo vivendo por perto. Fomos até a banca. A moça se mostrou muito simpática até eu perguntar sobre Miriam Dutra. Aí ela mudou de expressão, de tom de voz e falou que Miriam já se havia mudado e que nunca mais a tinha visto. Perguntei outra coisa e ela simplesmente me ignorou, como se eu não pudesse saber de mais nada. Essa moça, eu soubera um pouco antes pela sua ajudante, tornara-se amiga de Miriam em suas compras diárias de jornais e revistas. Saí da banca com mais algumas informações, porém achando que o endereço que eu tinha estava errado e, além disso, sabendo que Miriam havia se mudado. Mas continuei procurando e perguntando para as pessoas. Todos desconheciam o número, exceto seu Manuel, porteiro português que trabalha há anos na região: ‘Esse prédio fica naquele bulevar atrás do muro do Gaudí, todo mundo se perde’.

Já era noite e o muro estava iluminado. Lindo! E atrás dele estava o número 61 da rua Manoel Girona. Visivelmente um prédio de classe média alta. O porteiro não estava, mas a caixa de correio mostrava que Miriam não morava mais ali. Esperei que algum morador ou o porteiro aparecesse. Foi o tempo de um cigarro. Lá vinha ele, um típico catalão de uns sessenta anos. Foi dele que pude conseguir a mais rica descrição da nossa personagem. Me descreveu seus hábitos, jeito etc., coisas que um porteiro sabe como ninguém. Falou que ela mudara havia uns seis meses, para perto, e que não a via desde o Natal, quando tiveram uma ligeira discussão sobre as cor-respondências que ainda chegavam para ela e que já não queria receber. Foi aí que ele completou o perfil que eu estava montando desde que comecei a pensar na personagem: ‘É uma pessoa muito fechada, apesar de ter sido sempre correta comigo. O que eu vou fazer se uma pessoa não quer deixar seus rastros?…’

“Chegando em casa, organizei as anotações e quase joguei fora o número do telefone que supostamente seria o de Miriam, já que o porteiro me havia assegurado que a linha tinha ficado com o novo inquilino. Mas resolvi tentar: ‘Alô’, eu ouvi, tomando um susto tremendo, e então perguntei em espanhol se era da casa de Miriam Dutra. ‘Si, un momento.’ E ao longe: ‘Mãããe!’ Era ele, Tomás. Com o coração disparado de quem busca algo durante tempos e encontra por acaso, não tive rapidez para fazer outra coisa que não esperar por Miriam.

E ela atendeu: ‘Hola’. ‘É a Miriam Dutra?’ ‘Sim’. ‘Oi, Miriam, meu nome é João Rocha. Sou um jornalista brasileiro que está vivendo em Barcelona. A revista Caros Amigos está fazendo uma reportagem em que cita o seu nome e pediram que a procurasse para ouvi-la’. E ela, meio transtornada: ‘Cita meu nome? Em quê?’ ‘Olha, fala de um suposto caso que você teria tido com o nosso presidente da República, Fernando Henrique, e de um filho que teria resultado desse relacionamento’. Pelo silêncio que se fez, esperava ouvir o telefone dela batendo no gancho, mas não. Veio a resposta: ‘Olha, João, eu não vou falar nada sobre essa história. Eu não sou uma pessoa pública. Se vocês têm algo para perguntar, não é para mim. Perguntem para a pessoa pública’.”

A afirmação de Miriam Dutra era definitiva e, no mínimo, removia de vez a argumentação de jornalistas que não contam o que sabem escudando-se em manuais de redação. Seguiríamos sua sugestão de procurar a pessoa pública dessa história, mas só depois de ouvir todos os diretores de redação da época em que o caso aflorou mais fortemente, 1994, FHC candidato. Devíamos começar por Veja, de onde a lebre foi levantada a partir da foto proibida.

Palmério Dória conta sua tentativa:

“Liguei para Mario Sergio Conti, que durante a primeira eleição de FHC era diretor de redação de Veja. Previa certa animosidade, porque naquela semana tinha saído em Caros Amigos um quadro comparativo que fiz entre famosos de ontem e de hoje – ‘Portrait du Brésil: décadence avec desélégance’. Entre as quarenta comparações (por exemplo: JK/FHC; bossa nova/pagode; Ataulfo Alves/Alexandre Pires; mar de lama/Proer; Marta Rocha/Adriane Galisteu), sobrou para o autor do best-seller Notícias do Planalto: David Nasser/Mario Sergio Conti. Quer dizer, esperava animosidade mas não a tempestade que desabou: ‘Mario Sergio, estou fazendo uma matéria sobre aquela história que todo mundo fala mas ninguém conta, o suposto filho do Fernando Henrique…’. ‘Palmério, você acha que eu vou mover uma agulha por você?’ (ainda contendo a fúria) ‘Você me comparou com o… David Nasser…’ Tentei dizer algo em meio ao atropelo de impropérios que se seguiu: ‘Mario, estou ligando para o cargo, você tinha a função de diretor de redação…’. ‘Eu não sou da sua laia. (berrando) Leve a sua calhordice até o fim!’ Berrando, desligou o telefone.”

Em seguida, Palmério falou com mais três jornalistas que ocupavam posto de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994:

“Augusto Nunes, hoje dirigindo a revista Época, era diretor de redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Temos uma considerável convivência, começamos juntos no Estadão: “

“- Augusto, falam que todos os jornalões e revistas tinham essa matéria e que, se um desse, todos dariam. Vocês tinham também, para a eventualidade? “

“- Não chegamos a ter. Claro que a questão foi levantada na redação: ‘Fizeram uma sacanagem com o Lula, e agora como é que é?’ Mas quem fez a sacanagem com o Lula foi a Miriam Cordeiro. No caso do Fernando Henrique, a suposta mãe diz que não é. O filho tem um pai no papel, e ela não fala que Fernando Henrique é o pai. A Zero Hora nem partiu para levantar o assunto, que circulava realmente em todas as redações. “

“Aluízio Maranhão, diretor de redação do Estadão naquele tempo, hoje também na revista Época, garante que o jornal dos Mesquita não tinha matéria de gaveta sobre o caso: “

“- Havia um obstáculo intransponível: ela nega. O rapaz – o registro do menino: ele tem um pai legal. Você vê o caso do Lula. A filha existe, a mãe assumiu, se deixou usar como munição política. Tem que ter algum BO (não Bom para Otário, mas Boletim de Ocorrência). Sendo verdade, termina servindo de munição. Isso vale para um suposto filho de um presidente e para um suposto consumo de drogas de um presidente. Você tem que ter provas e testemunhas com um mínimo de credibilidade. Não tem nada a ver com status social. Por todas essas razões, não chegou a ser tema de discussão, por absoluta falta de provas. Houve um momento em que o site do PDT fez circular uma matéria do Diário de Notícias, de Portugal, com a história. Foi malandragem com interesses político-partidários e decidimos não noticiar. E essa foi a decisão de todos os órgãos. “

“Hélio Campos Mello, diretor de redação de IstoÉ, comigo foi sempre de uma afabilidade total. Mas, toquei no assunto, adotou o chamado distanciamento crítico, tornou-se seco e objetivo: ‘Não tenho uma história, não tenho a certidão de nascimento, não tenho uma mãe dizendo que o garoto é filho dele (o presidente). Alguém pode dizer: ‘Ah, ele é parecido’. O filho do Collor é quase um teste de DNA’!”

Palmério não perguntou, e o diretor de redação de IstoÉ talvez não tenha tomado conhecimento, mas sabe-se que um repórter da revista fez a matéria e ela foi engavetada, por instância do proprietário da editora, que disse:

“Não sou louco, tenho negócios”. Esse mesmo empresário já disse, em tom de brincadeira, para quem quisesse ouvir: “Sou mesmo um bandoleiro da imprensa; os outros também são, mas não dizem”.

Como estivéssemos entrevistando jornalistas, rapidamente a matéria passou a ser comentada nas redações, obviamente indo parar nos corredores do poder federal. Combinamos um jantar, numa churrascaria em São Paulo, com um jornalista que está trabalhando para o governo. Ele disse que havia uma preocupação com a matéria nos altos escalões, amigavelmente desaconselhando-nos a publicá-la.

Fez ver que a editora, caso Caros Amigos saísse com a reportagem, podia enterrar a pretensão de conquistar anúncios ou qualquer serviço editorial da área governamental, que abertamente havíamos pleiteado com ele como pleiteamos junto a todo o tipo de empresas insti-tucionais. Ao contrário, acenou, não saindo a matéria eram muito boas as chances de obtermos no futuro algum tipo de serviço editorial para órgãos públicos.

Em um almoço, numa cantina, também em São Paulo, Palmério Dória, que julgavam ser o único autor da reportagem, receberia, por intermédio de um amigo jornalista, convite para ir trabalhar na assessoria de imprensa da Petrobrás, no Rio. Perguntou ao amigo de quem partira o convite, o amigo declinou o nome do lobista aparentado de Miriam Dutra. Os lobbies em favor do silêncio começavam a convergir.

Um deputado federal da oposição liga para a redação pedindo o telefone particular de José Arbex Jr., editor especial de Caros Amigos. O telefone é fornecido. Arbex conta o diálogo ocorrido depois das saudações de praxe:

“- E aí, o que você manda?”

“- Rapaz, eu queria te dar um toque, mas é em caráter pessoal.”

“- Pode dizer.”

“- Pois é, eu estava conversando outro dia com um cara que é muito ligado ao governo, e ele me disse que o pessoal estava preocupado com uma reportagem que a Caros Amigos está fazendo, o cara até me perguntou se eu sabia qual era a da Caros Amigos, se ela é do PT…”

“- Do PT?”

“- Pois é, rapaz, do PT. Eu falei que não, disse que não sabia nada sobre a Caros Amigos, até que passei numa banca de jornal e li o expediente da revista, e vi que conhecia algumas pessoas da redação. Por isso resolvi te ligar.”

“- Sei, mas qual é a preocupação do governo? “

“- Eles acham que vocês estão fazendo uma matéria escandalosa envolvendo o presidente. Eu acho que não é o caso, pois, conhecendo vocês, eu acho que não iriam por essa linha de sensacionalismo barato.”

“- Ih, não é nada disso. Os caras, pra variar, estão mal informados. A reportagem não é sobre a vida do FHC, mas sim sobre a relação da mídia com o FHC, o silêncio cúmplice, essas coisas…”

“- Ah, bom, eu sabia…”

“- Mas eu não entendi muito bem qual é o toque que você disse que ia me dar.”

“- É que eu vi que os caras estão preocupados, e como te conheço há muito tempo, e tem uma relação de confiança, apesar de talvez existirem divergências políticas, então resolvi conversar com você em caráter pessoal. Os caras estão muito preocupados, rapaz… “

“- Eu te agradeço a confiança, mas a gente não vai promover nenhum sensacionalismo.”

Nesse mesmo mês, fevereiro, liga para Sérgio de Souza, editor de Caros Amigos, o diretor de redação da revista Imprensa, Tão Gomes Pinto. Diz estar intercedendo em nome de Miriam Dutra, que lhe telefonara de Barcelona cheia de preocupação em relação à matéria e que ela queria falar com Sérgio. “Pois não”, respondeu Sérgio, dando ao interlocutor todos os seus números de telefone. O diretor da revista Imprensa, antes de desligar e depois de muito insistir sobre a preocupação de Miriam, disse que qualquer dia iria fazer uma visita à redação de Caros Amigos, que não conhecia ainda.

Antes que se passasse meia-hora, anunciam que Tão Gomes Pinto está na recepção, quer falar com Sérgio. Desce, cumprimentam-se, Tão vai repetir que Miriam está preocupadíssima mas que resolveu não telefonar para Caros Amigos. O tom resvala à dramaticidade. Sérgio pergunta se são amigos, Tão responde que conheceu Miriam nos tempos de Brasília, não chega a dizer que eram amigos. No meio da conversa, Sérgio, que tinha a informação de que Tão e o lobista aparentado de Miriam estavam naquele momento esgrimindo conjuntamente um lobby junto a uma empresa brasileira, pergunta se o diretor de redação da revista Imprensa conhece fulano de tal (dá o nome do lobista).

Tão olha para o alto, como se buscasse na memória o personagem, até que, no timing certinho, diz que sim, mas que não vê o homem faz muito tempo, mais de ano. A pergunta faz com que a conversa se dilua, Tão chega a comentar, em tom cúmplice, que a nossa matéria devia ser feita pela revista Imprensa e despede-se fraternalmente, levando alguns livros da editora de Caros Amigos, a Casa Amarela, para divulgar em sua revista.

Diante disso, embora convictos de que se tratava de uma mentira encomendada pelo lobista, pedimos ao repórter de Barcelona que perguntasse a Miriam Dutra se ela havia pedido a intercessão do diretor de redação da revista Imprensa. O pedido a João Rocha, como o primeiro, foi feito por Mylton Severiano, que participava também da reportagem e é amigo do jornalista que vive em Barcelona. Mylton recebeu então o seguinte e-mail:

“Logo depois de receber sua mensagem, encontrei um amigo brasileiro para ir almoçar. Na fila do restaurante, falávamos nosso portuguesinho despreocupado quando uma moça atrás de nós me cutucou no ombro: ‘Vocês são brasileiros, não?’ E se apresentou:

‘Me chamo Tânia, sou de Brasília, estou fazendo doutorado aqui na faculdade…’. Foi justo no momento em que me deu o estalo e, com aquele tipo de palavras que você não sente sair da boca, perguntei: ‘Você é amiga da Miriam Dutra, não?’ E ela, surpresa: ‘Ah, a Miriam, sou, como você sabe?’ E eu, ainda naquele estado: ‘É que ela me falou de você, que havia chegado há pouco tempo e que estava procurando apartamento para alugar’.

‘Procurando apartamento? Não, imagina! Moro aqui há três anos!’ Nesse momento, o mundo se contorce e já não se entende mais nada. Mas, como eu, ela também fazia doutorado e, momentos depois, coincidências esclarecidas, resolvo puxar o assunto do filho do presidente e explico minha relação com Miriam: o interesse no suposto caso que Miriam supostamente teria tido com o presidente, do qual supostamente teria nascido um suposto filho, supostamente presidencial. ‘Suposto?’, me interrompe a moça. ‘Suposto, não! É do Fernando Henrique. Ela não te contou? É a cara do presidente!’

“Chegando em casa, ligo para Miriam. Quem atende novamente é Tomás: ‘Péra um pouquinho. Maãããnhê!’ Longa conversa, como havia sido a primeira, dessa vez contabilizada pelo cronômetro do telefone: uma hora e dez minutos. Quanto ao movimento de sugestão de silêncio, ela diz não ter a menor idéia de onde saiu. Fala que não tem nada a ver com isso e que a última pessoa com quem havia conversado sobre o assunto fui eu. Tão Gomes Pinto ela diz conhecer apenas profissionalmente, como jornalista respeitado, e que não tem nem sequer o telefone dele. Comenta o contrato dela com a Globo, anual, de prestação de serviços no exterior, ‘como há uns quarenta mais’, acrescentando que veio por razões profissionais e por sua própria conta. Fala, também, em tom ameaçador mas brando: ‘Se a revista publica uma coisa dessas, vai ter que provar. Sei dos meus direitos e conheço os meios jurídicos. Vai ter que provar’. E, enfim, depois de eu muito cutucar, saiu: ‘Tomás Dutra Schmidt, nascido no dia 26 de setembro de 1991 à zero hora e quinze minutos em uma maternidade de Brasília, batizado pela avó materna e registrado na mesma cidade somente no nome da progenitora’. Levando portanto sobrenomes iguais aos dela.”

A repórter e editora executiva de Caros Amigos, Marina Amaral, iria a Brasília para, além de solicitar uma audiência com a “pessoa pública”, tirar uma cópia, no respectivo cartório, da certidão de nascimento do menino. Antes, porém, como estava pautado, trataria de colher os depoimentos utilizados pelos grandes veículos para justificar o fato de nunca terem tratado do assunto.

Começa por Alberico Souza Cruz, atualmente na Rede TV!. A telefonista atende, Marina diz que deseja falar com ele, a ligação é transferida, atende voz masculina, Marina pede:

“- Por favor, o Alberico. ‘

“- Quem gostaria de falar? ‘

“- É Marina, da Caros Amigos. ‘

“- Oi, Marina, tudo bem? É o Alberico. ‘

“- Que bom, nem pensei que seria tão fácil falar com você… (risos) ‘

“- Com prazer, pode falar.’

“- É um assunto meio delicado, mas, como vamos dar a reportagem na próxima edição, tenho de perguntar. A reportagem fala do filho da Miriam Dutra com…’

“- Me desculpe, mas, sobre esse assunto eu não falo. ‘

“- Mas a reportagem até diz que você é o padrinho do menino… ‘

“- É, mas sobre esse assunto eu realmente não falo. Me desculpe. Até logo.”

O sucessor de Alberico na direção de jornalismo da Rede Globo é Evandro Carlos de Andrade, ex-diretor de redação do jornal O Globo, função que exerceu de 1972 a 1995. Autoridade máxima e palavra final do jornal, seu depoimento para uma reportagem que põe em discussão as atitudes da imprensa diante de determinados fatos era de grande importância.

No caso, principalmente porque foi na sua gestão que O Globo publicou, em 14 de dezembro de 1989, data em que a televisão transmitiria, à noite, o debate que decidiria a eleição presidencial em favor de Fernando Collor, o seguinte editorial, destacado na primeira página:

“O direito de saber ‘

“O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos. “O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.’

“A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los. ‘

“Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca – para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana. ‘

“Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito. ‘

“O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.’

“Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.’

“A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.

“É chocante mesmo, é lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.’

“É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.

“Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade – e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.”

Marina Amaral procurou o atual diretor de jornalismo da Rede Globo, sendo informada pela secretária que ele só responde perguntas por escrito. Assim foi feito, seguiram quatro perguntas: 1. se havia chegado ao jornal O Globo, por ocasião das eleições de 1994, a informação de que grandes veículos estavam preparando matéria sobre o filho gerado de um romance entre Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra; 2. se o jornal discutiu o assunto; 3. se cogitou de também preparar uma matéria a respeito; 4. e se o editorial “O direito de saber” havia sido escrito por ele, Evandro Carlos de Andrade. A resposta veio no dia seguinte, por fax, manuscrita e assinada:

“1. Não chegou ao meu conhecimento. As perguntas 2 e 3 estão prejudicadas.”

“4. Não me recordo – provavelmente não fui eu o autor, uma vez que escrevi poucos editoriais durante minha permanência no Globo.”

No mesmo dia, 20 de março último, Marina Amaral procurou, por telefone, outro diretor de redação, Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo. Depois de explicar em detalhes a origem da reportagem – do artigo de Palmério Dória à foto interditada -, Marina perguntou a Otávio se a Folha cogitara fazer a matéria em 1994. Resposta:

“- Vou ter muita dificuldade em responder a contento porque a Folha considera que esse não é um assunto de interesse público, é um assunto de ordem afetiva, e a Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto pelo menos uma das partes interessadas não se manifestar. Essa moça não se manifestou.”

“- Mas e o caso da namorada do Pitta, que vocês publicaram recentemente? Havia interesse público? “

“- A Folha não publica assuntos de ordem afetiva enquanto uma das partes não toma alguma providência jurídica ou não se manifesta publicamente, quando consideramos que o assunto não tem interesse jornalístico. No caso dessa moça que você está citando, não lembro o nome dela…”

“- Marlene Beteguelli, a secretária. E a Marina de Sabrit, que vocês também publicaram, com ela desmentindo…”

“- Pois é. Houve insinuações, mas não publicamos nada até que ela própria deu uma entrevista ao Jornal do Brasil, se deixou fotografar.”

“- Mas a notícia do filho do Fernando Henrique chegou à redação da Folha? Vocês pensaram em investigar, em procurar os dois?”

“- Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo, mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras.”

“- Posso dizer que a história do filho é verdadeira pelas investigações que fizemos. Inclusive falamos com a moça, que nos aconselhou a procurar a pessoa pública dessa história.”

“- Se você está me dizendo que é verdade, acredito, porque não tenho motivo para duvidar de você.”

“- Independentemente desse fato, você acha que a mídia tem tratado o presidente Fernando Henrique Cardoso com, digamos, condescendência? “

“- Independentemente disso? Sim.”

“- De que forma se manifesta essa condescendência? “

“- Acho que a mídia tem sido de todas as formas condescendente. Quando um presidente tem taxas de popularidade altas, a mídia acaba refletindo essa tendência. Foi assim com o presidente Sarney, com o Collor no primeiro ano de mandato, vem sendo assim com o Fernando Henrique pelo menos até o segundo semestre do ano passado quando suas taxas de popularidade caíram.”

“- A Folha acompanhou essa tendência? “

“- A Folha, salvo melhor juízo em contrário, tem se mantido numa posição mais autônoma, mais inquisitiva, mais incômoda mesmo. A Folha tem uma série de colunistas que manifestam uma posição contrária a essa simpatia da mídia. Essa simpatia é clara, tanto que ele próprio (o presidente) fez uma boutade no episódio dos grampos do BNDES dizendo que a mídia estava até exagerando no apoio. Agora, com relação a esse episódio desse suposto envolvimento de ordem afetiva, não é nossa política investigar. Isso envolve outros casos, há diversos precedentes, mas não consideramos esse um assunto jornalístico, de interesse público. É isso.”

Marina Amaral transcreveu o diálogo telefônico e enviou-o a Otávio, como pedira o jornalista. E acrescentou novas perguntas, que foram respondidas via e-mail pelo diretor de redação da Folha: “

“1. A Folha foi procurada pelo presidente ou por algum de seus assessores com o pedido de não dar ouvido a boatos a respeito do filho com a jornalista Miriam Dutra? “

” Não.”

“2. A Folha foi convidada a participar, juntamente com outros grandes veículos, de uma reunião com o presidente durante a campanha eleitoral de 1994? “

” Não. Embora tenha havido vários encontros jornalísticos entre representantes do jornal e o então candidato, alguns deles, possivelmente, com a participação de jornalistas de outros veículos. “

“3. A Folha sofreu alguma pressão no governo FHC em função de sua posição de independência?”

“Não, exceto queixas e reclamações, aliás freqüentes, de auxiliares do presidente, mas sempre dentro dos limites do que me parece legítimo numa democracia.”

Nesse mesmo e-mail em que dá resposta às perguntas complementares de Marina, Otávio comenta a transcrição do telefonema:

“A transcrição me parece OK, exceto pelo fato de que o discurso oral, quando transposto para o texto, sempre parece truncado e repetitivo. Imagino que você fará um copy para eliminar ou reduzir essa dissonância. “

“Dois detalhes: há uma resposta em que eu digo que ‘Havia fofocas de redação que circulam há muito tempo mas não tivemos condições de investigar porque não tínhamos nem condições de afirmar se essas histórias eram verdadeiras’. Devo ter me expressado mal. Quis dizer que não investigamos por não vermos legitimidade na pauta, conforme dito anteriormente. E que não sabemos sequer se esses fatos são verdadeiros. O porque não tem sentido na frase. “

“Outro detalhe: Sarney desfrutou de grande popularidade enquanto durou o Plano Cruzado. “

“É isso. Um abraço.”

Mylton Severiano também está empenhado na coleta de depoimentos. Marca uma conversa com Mino Carta na redação da Carta Capital, revista da qual Mino é o diretor. Começa com a mesma pergunta feita a todos: por que falam do filho deste e daquele, menos do filho de FHC com Miriam Dutra. Mino faz uma colocação e lembra de um episódio:

“A questão é pertinente. Eu saí da IstoÉ em agosto de 1993. Dois anos antes, o Fernando Henrique me liga na redação: “

‘Olha, Mino, está correndo uma história cabeluda, que enxovalha a mim e a minha família, por favor, se isso chegar aí, não dá nada, não publica não’. Eu disse ‘tá bom’, que esse tipo de coisa não me interessava mesmo. Eu nem sabia o que era.”

E conta a Mylton Severiano que perguntou ao pessoal da redação de IstoÉ, “Mas que história é essa que o Fernando Henrique me liga pra pedir que não publique?” E lhe disseram que vários jornalistas da IstoÉ tinham visto “os dois” no Piantella, nesses restaurantes de Brasília, às vezes em turma, às vezes a sós. E acrescenta:

“Eu, pessoalmente, Mino jornalista, tenho receio de tocar nesses assuntos. Mas, em relação a Pelé, Lula… Jesus Cristo, é legítimo, é pertinente propor a questão. Pelo fato em si. O caso do Lula era diferente. Estava viúvo, solteiro. E o Fernando Henrique é casado.”

Mylton cita o editorial do Globo sobre o direito de saber. Mino diz: “Uma das obrigações da mídia é fiscalizar o poder, inclusive a vida privada, particular. O perfil: tantos anos, é homossexual; se é grosseiro, quero saber. Se espancou a mulher, quero saber. Se dá em cima de mulher fora do casamento, quero saber. Agora, eu, como repórter, não me sinto bem com esse tipo de assunto.”

Mylton pede que Mino explique melhor por que disse ser pertinente a questão que estamos levantando. Resposta:

“Sim, a história do filho do Fernando Henrique você pode até perguntar se é verdade. Mas, sendo verdade, é pertinente querer saber por que não publicam. Como foi possível levantar aquela do Lula? Aquilo foi terrível. Completamente diferente. Ele estava solteiro, viúvo. Saía com a moça e, naturalmente, quando um homem sai com uma mulher, acabam fazendo o que todos sabemos. Ele não queria o filho. Foi uma desgraça. Agora, por que Lula e não Fernando Henrique? Por que Pelé e não Fernando Henrique? Existe? Então, por que não falar? Se é figura pública e dá em cima das mulheres, não sabe se portar. Vai envergonhar o país mais cedo ou mais tarde, se se torna figura representativa do país dele. Eu não estou falando dele, estou falando de qualquer um.”

Mylton lhe diz:

“Mas isto se aplica a ele, depois de tudo o que apuramos e todo mundo sabe.”

“Então…”, falou Mino, rindo irônico.

Depois de falar com Mino Carta, Mylton Severiano ia telefonar para outros dois jornalistas de publicações importantes. Conversas velozes. Primeiro com Celso Kinjô, editor-chefe do Jornal da Tarde, do qual Mino foi o fundador. Celso lhe disse que nunca pensaram em fazer matéria no JT. A posição da “casa” é não tocar em assuntos pessoais.

Uma ocasião um repórter levou uma foto do filho de Orestes Quércia e ela ficou na gaveta. A “casa” é escrupulosa em relação a esse tipo de assunto, não está escrito mas nem merece tratamento editorial. Disse também não lembrar qual foi o tratamento da “casa” com relação a Miriam Cordeiro, em 1989.

Depois, com Marcelo Pontes, alto escalão no Jornal do Brasil em 1994, fazia o “Informe JB”. Trabalha hoje no gabinete do Ministério da Fazenda. Mylton conta:

“- Foi perceptível ao telefone seu desconforto quando anunciei o assunto. Eu havia dito à secretária que falava em nome da Caros Amigos. Mas atendeu logo. Ficou repetindo: ‘94, 94, 94, que que eu fazia no JB? 94, 94, 94…’. Lembrou-se então de que fazia o “Informe”. Mas o jornal fez matéria?

- Mas eu não posso falar pelo jornal. Ouvi boatos – boatos, estou dizendo -, não tinha nenhuma prova. Nem considerei que esse assunto de vida pessoal fosse publicável.

“- Mas nós sabemos que outras publicações foram atrás.”

“- Ah, me parece que o JB publicou algo sim, feito pelo Maklouf. Tá bom? (louco para se livrar de mim)”

“Agradeci, um abraço, desliguei.”

Na penúltima semana de março, Palmério Dória foi ao Rio de Janeiro, tratar de outros assuntos profissionais com um grupo de jornalistas, do qual faz parte um colunista muito importante da imprensa carioca. Era uma sexta-feira, “dia do chamado ‘pescoção’ nos jornalões, quando os colunistas caçam notas a grito”. O colunista queria saber de Palmério se Miriam Dutra “abriu ou não abriu” (sobre a paternidade do menino), dizendo, depois de uma longa conversa, que ia dar uma nota em sua coluna no final de semana. Voltou a ligar mais tarde, perguntando quantos anos a Caros Amigos ia fazer.

Palmério procurou no jornal do sábado, do domingo e da segunda. Nada. Na tarde da própria segunda encontraram-se em mais uma reunião do grupo, à qual o colunista chegou dizendo, na frente de dois outros jornalistas: “Em dez anos de coluna, nunca passei por uma situação como essa!” E contou que alguém do alto escalão do jornal chegou a ele com a nota na mão e disse que ela só poderia sair com autorização do primeiro homem da empresa.

Faltavam poucos nomes para completar a lista de depoimentos de jornalistas, antes de Marina Amaral solicitar a audiência com a “pessoa pública”, com o que encerraríamos a reportagem.

Faltava falar com quem em 1994 dirigia o Diário Popular, de São Paulo, Miranda Jordão; com Ricardo Noblat, do Correio Braziliense; e com o chefe da sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília, Josias de Souza.

Mylton Severiano liga para Miranda Jordão, hoje no jornal O Dia, Rio de Janeiro. O diálogo:

“- Alô. “

“- (Me identifico como da Caros Amigos, tudo bem? Tudo bem.) Estou trabalhando numa matéria sobre o filho do Fernando Henrique com a Miriam Dutra… “

“- Filho o quê? “

“- O Tomás Schmidt, filho do Fernando Henrique e da nossa colega Miriam Dutra. “

“- Não estou sabendo de nada. “

“- Bem, nós temos a informação de que o Diário Popular, em 1994, você estava lá, teria feito ou tentou fazer a matéria, através do Cláudio Humberto. “

“- Nunca. Não tínhamos relação alguma com o Cláudio Humberto. “

“- Bem, pode ser uma informação furada, mas você sabe da história, não? “

“- Não, nunca soube de nada. (cortante) “

“- Que interessante. Bom, se você nunca soube, está bem. Muito obrigado.”

Marina Amaral vai a Brasília, já telefonara de São Paulo cinco dias antes à procura de Ana Tavares, assessora da presidência da República. Tinha sido atendida por um dos membros da assessoria, Geraldo Moura. Sem adiantar o assunto, Marina disse que queria marcar uma entrevista com Ana. Geraldo se mostrou surpreso: “Entrevista com ela?” Mas respondeu que provavelmente não haveria problema e que daria um retorno.

Não deu. Assim que chegou em Brasília, no dia 22 de março, Marina localizou o cartório – o Marcelo Ribas, no Edifício Venâncio 2000 – em que fora registrado Tomás. Tinha o nome completo do menino, da mãe e a data e horário do nascimento, que a própria Miriam Dutra dera a João Rocha em Barcelona. Tirou a cópia, que é um documento público, pagando por ela 1,90 real.

Por telefone, depois entrevistou Josias de Souza, diretor da sucursal da Folha em Brasília.

“- Na matéria que estamos fazendo, percebemos que há um tabu referente ao assunto do filho do presidente Fernando Henrique com a jornalista Miriam Dutra. Argumenta-se que o assunto é privado, que não tem interesse jornalístico. Me chamou a atenção que você e o Gilberto Dimenstein tenham tratado disso no livro que escreveram sobre a campanha de 1994 (A História Real – Trama de uma Sucessão, editora Ática-Folha de S. Paulo). O assunto tem interesse jornalístico? “

“- Abordei esse assunto em ocasiões em que me pareceu claro o interesse jornalístico. Uma vez foi na própria Folha, na coluna da página 2, durante a campanha eleitoral de 1998. O PDT havia explorado o fato de forma eleitoreira no site do partido. Aquilo me pareceu jogo sujo de campanha. Fiz, então, uma analogia com outros casos, envolvendo inclusive chefes de Estado, como o Mitterrand. Fiz uma comparação com a cultura jornalística brasileira, a meu ver mais evoluída nessa matéria. Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer bobagem sexual relacionada a presidentes e candidatos é supervalorizada pela mídia. Acho que esse tipo de assunto só deve ser abordado quando há relevância jornalística. Como no caso do PDT, que decerto tentou reeditar procedimento sujo utilizado antes por Collor, na disputa contra o Lula. No livro que escrevi com o Gilberto, o assunto veio à tona porque descobrimos que a dona Ruth Cardoso havia se isolado em Nova York pouco antes de Fernando Henrique decidir se seria ou não candidato à presidência. Um dos motivos que fizeram com que ela se isolasse foi o receio de que esse caso fosse explorado durante a campanha eleitoral. Entendemos que não havia por que evitar o assunto. Decidimos dar a ele o tratamento jornalístico que julgamos adequado. “

“- Mas a Folha diz que não trata de assuntos de ordem privada… “

“- Veja, a posição da Folha é que essas questões têm de ser tratadas à luz do interesse jornalístico. Um bom exemplo é o caso do namoro do Bernardo Cabral e da Zélia, dois ministros de Estado, em que um liberava verba para o outro, ou seja é assunto de interesse público. A vida privada de um político tem relevância se de algum modo passar a interferir na sua atividade como homem público. “

“- Mas e a filha do Maluf, as namoradas do Pitta? “

“- Não há uma fórmula. Há uma linha geral, um princípio a ser observado. A publicação depende da análise de caso a caso. A filha do Lula foi transformada em assunto jornalístico pelo Collor. O tema dos supostos relacionamentos extra-conjugais do Pitta vieram à tona graças ao rompante de Nicéa. “

“- No caso da Miriam Dutra, vocês investigaram, falaram com ela? “

“- Falamos com várias pessoas que tinham relação com o fato. Para nós, era relevante checar a veracidade da história. “

“- E vocês conseguiram apurar? “

“- Isso foi apurado, sim.”

Marina só conseguiria falar com Ricardo Noblat, o último da lista, depois da volta a São Paulo. Por telefone.

“- Estamos fazendo uma reportagem sobre as relações da mídia com o presidente Fernando Henrique Cardoso… “

“- Eu soube. É boa reportagem. Me diz uma coisa, a moça confirmou? “

“- Nós falamos com ela e tentamos falar com o presidente. Você assumiu a direção do Correio em fevereiro de 1994? “

“- É, fevereiro de 94. “

“- E nunca ouviu falar de um filho de Fernando Henrique fora do casamento?”

“- Eu ouvi esse assunto por aí. Depois fiquei sabendo que a Veja tinha ido conversar com o presidente e com a jornalista, apurado nas duas pontas, e que ambos negaram. Aí, como não tinha prova, não tinha por que apurar, tanto que a matéria da Veja não foi publicada. Se você tivesse uma outra prova, poderia ser. Em mesa de bar, jornalista comenta… “

“- Você leu o livro publicado no final de 1994 pelos jornalistas Josias de Souza e Gilberto Dimenstein? “

“- Confesso que não. Por quê? Ali conta? “

“- Conta. Na parte em que comenta que dona Ruth se isolou em Nova York, lembra? “

“- Acho que lembro, sim, o Fernando Henrique foi falar com ela. Mas conta mesmo? Não estou me fazendo de bobo, é que eu não sabia mesmo. Você falou com eles? “

“- Falei com o Josias, ele confirma o que escreveu. “

“- Confirma? E por que a Folha não publicou? “

“- Porque considera assunto de vida privada. Você publicaria? “

“- Mas eles falaram da filha do Maluf, das namoradas do Pitta… Aqui em Brasília, um jornal evita muito entrar na vida pessoal, a não ser que vire um fato supercomentado. A gente não publica nem fitas, aqui temos um código de ética muito rigoroso. Mesmo aquelas fitas grampeadas que todo mundo deu, a gente só deu depois de uns dias para explicar para o leitor ‘está ocorrendo uma crise por causa de umas fitas’… e diz o teor; nós nem publicamos aquelas transcrições que todo mundo publicou. Mas a Folha disse o quê? “

“- Nada muito diferente do que você disse, assunto de vida privada. Você acha que o fato de um presidente ter um filho fora do casamento é um assunto jornalístico? “

“- Mas aí você está fazendo uma afirmação que eu não posso comentar. “

“- Não estou fazendo uma afirmação, estou fazendo uma pergunta. “

“- Não, eu não posso responder isso em tese porque sei de que tese você está partindo. Não posso falar de um fato que eu não apurei, não que esteja duvidando de você, mas aí eu não posso. “

“- Está bom, Noblat, muito obrigada. “

“- Obrigado, eu. Boa noite.” “

Marina não conseguira uma entrevista com Ana Tavares, muito menos uma audiência com o presidente. Eis o esperado mas curioso anticlímax da reportagem, narrado por ela:

“No dia 22 de março, já em Brasília, liguei novamente para Ana Tavares e novamente Geraldo Moura me atendeu. ‘Marina, fui eu que falei com você a outra vez. Você queria conversar com a Ana, né? Infelizmente não vai ser possível porque a agenda dela está uma loucura, ela nem tem vindo aqui, porque está preparando uma viagem do presidente’. ‘Mas nem por telefone, dez minutinhos?’ ‘Não, está impossível mesmo. Mas você pode falar comigo, eu também faço parte da assessoria da presidência’.

“Explico então que estamos dando uma matéria que fala das relações do presidente Fernando Henrique com a mídia analisando o episódio do filho dele com a jornalista da Globo, Miriam Dutra, e acrescento que estou cumprindo minha obrigação como jornalista, já que a própria Miriam havia nos dito que procurássemos a pessoa pública dessa história. E explico: ‘É por isso que preferia falar com a Ana Tavares pessoalmente, é um assunto delicado’. Ele responde, efusivo: ‘Não, nem tem problema, essa história surge periodicamente desde 1983…’ Pondero que em 1983 o garoto nem tinha nascido. Ele corrige: ‘Não, 1993, desde que entrei aqui. Nós temos uma orientação sobre isso, mas nesse caso vou falar com o presidente e depois telefono para você’, diz, simpático.

“Uma hora depois ele me liga, o tom de voz completamente mudado. Bastante seco, diz: ‘Nós desconhecemos esse assunto’. Pergunto se essa é a resposta da assessoria ou do presidente. Ele: ‘Não se pode falar com o presidente sobre esses assuntos através da assessoria porque a assessoria só trata de assuntos institucionais da presidência’. Pergunto então com quem devo falar para que minha pergunta chegue ao presidente. A resposta: ‘Cabe a você, como repórter, encontrar uma maneira de falar com o presidente. Até logo’.”

 

 

http://br.noticias.yahoo.com/luciano-huck-recusa-baf%C3%B4metro-blitz-lei-seca-154700980.html

Na madrugada deste domingo, dia 2, o apresentador de TV Luciano Huck teve sua carteira de habilitação apreendida em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. O apresentador foi parado na Avenida Niemeyer, em São Conrado, na zona sul do Rio. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro, teve a carteira apreendida e também foi multado. Huck precisou apresentar outro condutor para levar o carro e só então foi liberado, de acordo com a Secretaria de Governo do Estado do Rio de Janeiro. O apresentador ainda perdeu sete pontos na sua habilitação e foi multado em R$ 957,70 pela infração, considerada gravíssima no Código Brasileiro de Trânsito.

Veja também:
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Antes que eu me esqueca, dirigir bebado nos EUA eh suspensao de muitos anos, multa de 5 mil dolares (mais se voce tiver outras infracoes), prisao automatica (esqueci o tempo), seu seguro de carro aumenta automaticamente, e pode esperar estar entrando e saindo de tribunal pelos proximos 5 anos.

No Brasil ja eh palhacada e nao eh de hoje.  Sim, otimo, pegaram UM cara nao so rico e famoso como da rede golpe, que bom...  mas ele tinha permissao legal pra SE RECUSAR ao bafometro e nada esta especificado a respeito do teste de sangue!  Pra que serve essa merda de bafometro entao?

Nao vai dar em nada.

 

"perdeu sete pontos na sua habilitação e foi multado em R$ 957,70 pela infração, considerada gravíssima no Código Brasileiro de Trânsito":

MENTIRA.  Mentira deslavada, Antonio Francisco.  Porque eh que essa "gravissima" infracao no Brasil tem multa10 vezes menos que a multa norte americana pra mesma infracao?

Porque antigamente era somente rico que bebia e tinha carro pra dirigir.  As "infracoes de ricos eram e ainda sao arquitetadas pra serem rapidamente perdoadas enquanto o peso draconiano do estado inteirinho cai nas costas de pretos e pobres.

MENTIRA DESLAVADA.

 

Do Jornal do Brasil:

 

O choro do amor

Anos atrás, uma pessoa apaixonou-se perdidamente por mim. Foi assim. Num encontro da Recid

Selvino Heck*

Anos atrás, uma pessoa apaixonou-se perdidamente por mim.

Foi assim. Num Encontro Nacional da Rede de Educação Cidadã (Recid) na sede da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), no Núcleo Bandeirantes, Brasília, exibiram 2 Filhos de Francisco, à noite. Fiquei olhando o filme na televisão do bar da entidade, quase sozinho. O filme conta a história da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, que caíram no mundo pra mostrar sua arte, tendo como apoio um pai determinado a fazer os filhos famosos. 2 Filhos de Francisco termina de forma emocionante, quando o pai e a mãe dos dois cantores aparecem no final de um show, eles relembrando a vida dura, os esforços do pai para o seu sucesso, os cuidados da mãe.

Chorei. Ela me viu chorar e se apaixonou, achando que eu não seria capaz de me emocionar, eu alemão-gaúcho ranzinza, meio ou muito durão e turrão, "grosso, mas democrático", como um dia alguém que trabalha comigo resumiu meu jeito de ser.

Há poucos dias, a Recid fez uma Reunião Ampliada em Brasília, na Chácara Irmão Sol: balanço do ano, planejamento/2013, quando a Rede completará 10 anos. Não poderia haver homenageado mais próprio que Luiz Gonzaga, o Gonzagão, que faria 100 anos em 2012. Forró, cantorias, declamações lembraram o Rei do Baião.

Não foi possível rodar o filme de sua vida na reunião. Dias depois, fui ver na tela grande Gonzaga – de pai pra filho, que retrata a relação conturbada entre o pai Gonzagão e o filho Gonzaguinha. Chorei, como, aliás, aconteceu com outros que viram o filme: a reconciliação final entre pai e filho, as verdades ditas, as lindas músicas que a gente sabe de cor desde sempre, o retrato do Nordeste, suas grandezas e sofrimento, a capacidade de ambos em retratar o povo e falar ao seu coração. Não tinha como não se emocionar e chorar. Final de semana, estou em casa, passa o filme Meu país no Canal Brasil. A história de três irmãos que se redescobrem quando morre o pai. O mais velho está na Itália, casado com uma italiana, o mais novo no Brasil perdido na jogatina, a irmã internada com problemas mentais. A morte do pai leva ao reencontro dos três, o resgate da irmã doce e frágil, ao reencontro do amor, ao cuidado com quem mais precisa. De novo, chorei.

São filmes que mostram instantes e pedaços de um país que sofre, passa por dificuldades, onde seus personagens principais quase sempre vêm de baixo, ou são frágeis. Retratos de um povo com suas virtudes, seus desafios, sua solidariedade, sua capacidade de, através da cultura e da sabedoria, cantar o seu ser povo e gente, seu esforço imenso de tornar-se gente e povo, acreditar um no outro, reconciliar-se como Gonzagão e Gonzaguinha, cantar juntos a vida sofrida do nordestino, a alegria de ser feliz de brasileiras e brasileiros. Como não chorar quando Zezé di Camargo e Luciano cantam em O dia em que saí de casa, ainda mais para quem como eu saiu de casa aos onze anos para o seminário?: “No dia em que eu saí de casa/minha mãe me disse:/ filho, vem cá!/ Passou a mão em meus cabelos/olhou em meus olhos,/começou falar./Por onde você for eu sigo/com meu pensamento/ sempre onde estiver./ Em minhas orações/ eu vou pedir a Deus/ que ilumine os passos seus./ Eu sei que ela nunca compreendeu/os meus motivos de sair de lá/ Mas ela sabe que depois que cresce/ o filho vira passarinho e quer voar”.

Ou quando Gonzagão, com aquele vozeirão, canta A vida do viajante: “Minha vida é andar por esse país/ pra ver se um dia descanso feliz,/ guardando as recordações/ das terras por onde passei,/ andando pelos sertões/ e dos amigos que lá deixei”.

Ou Zezé di Camargo e Luciano, em ‘Meu País’, usada na eleição de Lula em 2002: “ Aqui não falta sol,/ aqui não falta chuva./ A terra faz brotar qualquer semente/ (...) Se nessa terra tudo que se planta dá,/ que é que há, meu país?/ O que é que há?”

Mais. Gonzaguinha e suas músicas cantadas em prosa e verso em encontros de formação de militantes sociais e educadores/as populares. Como em Acredito na rapaziada: “Eu ponho fé é na moçada/ que não foge da fera e enfrenta o leão./ Eu vou à luta com a juventude/ que não corre da raia a troco de nada./ Eu vou no bloco dessa mocidade/que não tá na saudade e constrói/ a manhã desejada”.

E, finalmente, Gonzaguinha, épico, em O que é, o que é?, hino de todas e todos nós e da Rede de Educação Cidadã: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças./É a vida,/ é bonita/ e é bonita./ Viver e não ter a vergonha de ser feliz./ Cantar e cantar e cantar/ a beleza de ser/ um eterno aprendiz”.

Importa menos se aquelas lágrimas de amor de 2 Filhos de Francisco na sede da Contag prosperaram. Importa acreditar no país e sua gente. Importa construir uma nação livre, democrática, justa e soberana. MEU PAÍS.

* Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República.

http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/12/02/o-choro-do-amor/

 

 

Odonir Oliveira

          

 

Já faz parte do passado aquele STF tão rigoroso na defesa da moralidade pública dos tempos do julgamento do "mensalão". O STF acaba de limpar a barra de mais um ficha-suja, e viva a judicialização da política:

O candidato eleito, em 7 de outubro, na disputa pela prefeitura de Catalão, deputado estadual Jardel Sebba (PSDB), vai assumir o cargo. A decisão monocrática do ministro Celso de Mello considera que os crimes cometidos por ele já presecreveram, portanto, segundo o ministro, ele não é ficha suja. Portanto, os votos de Jardel serão contabilizados e ele deve assumir a prefeitura em 1° de janeiro.

Ele foi condenado pelo Tribunal Federal Regional da 1ª região por estelionato, após denúncia do Ministério Público Federal e condenado pela "falta de autorização do hospital para realização de cirurgia (laqueadura tubária), cumulada com a emissão, pelo hospital, de guias constando procedimento diverso do realizado e com a ciência e participação do diretor do hospital, visando obter o respectivo recebimento do Sistema Único de Saúde".

 

http://www.portal730.com.br/politica/urgente-jardel-sebba-vai-assumir-pr...

 

 

...spin

 

 

Conquista da Era Lula?

Não deveria ser festejado pela imprensa, já que ela também deseja o melhor para o país?

http://oglobo.globo.com/economia/qualidade-de-vida-nas-cidades-do-pais-m...

 

Presumo que Elio Gaspari deve ser lido. Nem que seja para ser xingado.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/1194608-o-dilema-da-gerentona-dilma.shtml

Ou o PT acaba com seus esquemas ou esses esquemas acabam com o PT, produzindo uma sucessão presidencial demarcada pelo debate da corrupção. Essa poderá ser a derradeira e benfazeja contribuição dos companheiros à política nacional. Quem pensa que o moralismo produzirá um novo Fernando Collor, engana-se. 

 

Israel irá criar linhas de ônibus específicas para palestinos

Moradores da Cisjordânia que trabalham legalmente no país não vão poder usar os mesmos veículos que judeus israeleses

Palestinos que trabalham legalmente em cidades israelenses, em breve, não poderão mais utilizar os mesmos ônibus que cidadãos do país. O Ministério de Transporte de Israel anunciou a criação de linhas de veículos específicas para os residentes da Cisjordânia que cobrem o trajeto de Tel Aviv até os postos de controle da fronteira com o território palestino.

Efe (22/11/2012)

Soldados israelenses descansam em ponto de ônibus. Governo do país irá criar linha específica para palestinos

A decisão veio após crescentes reclamações de colonos judeus sobre a presença dos palestinos em ônibus públicos. Os colonos reclamam que a segurança está ameaçada pela presença dos palestinos, e exigem que eles sejam devidamente revistadas antes de embarcar no veículo.

De acordo com o plano, citado pelo site de notícias israelense Walla News, as linhas já existentes vão entrar diretamente nos assentamentos judeus na Cisjordânia sem a necessidade de parar nos postos de controle, onde embarcavam os palestinos. Enquanto isso, os novos ônibus terão de passar pela inspeção das Forças de Defesa de Israel no posto de Samaria, na fronteira com o território palestino. Os veículos vão partir nos horários de saída e entrada desses trabalhadores.

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O prefeito do assentamento Kernei Shomron, comemorou a resolução do Ministério de Transportes. “Estou muito contente, porque ambas as necessidades foram atendidas, tanto dos trabalhadores palestinos, que querem simplesmente levar uma vida decente, quanto dos colonos, que querem voltar às suas casas com segurança, sem o medo de ataques nos ônibus”, disse.

“Nós recebemos reclamações há muito tempo de residentes (dos assentamentos) e líderes municipais sobre os palestinos voltando de seus trabalhos em linhas regulares de ônibus, voltando sem passar por um posto de segurança”, informou a delegacia policial de Judea e Samaria citada pelo Walla News.

Terroristas e macacos

O prefeito do assentamento Ariel anunciou em sua página no Facebook que já havia se reunido com as Forças Armadas, a Polícia e o Ministério de Transporte para “impedir os palestinos de embarcar nos ônibus que vão para Ariel”. Muitos residentes deixaram comentários em seu post, caracterizando os palestinos de “terroristas” e “macacos”.

“Nas linhas de Ariel, tem mais terroristas que colonos judeus”, escreveu um deles. Outro afirmou que não conseguia visitar os parentes que vivem no assentamento porque estava muito assustada para entrar nos ônibus. “Finalmente, vocês se lembraram que nós temos ônibus repletos de árabes?”, questionou outro.

Expulsões diárias

Embora a medida ainda não tenha sido implementada, os palestinos já encontram dificuldade para embarcar nos ônibus. De acordo com apuração do jornal israelense Haaretz, oficiais de Israel começaram a expulsar esses trabalhadores em resposta às exigências dos cidadãos do país.

No início de novembro, a polícia israelense expulsou todos os passageiros palestinos de um ônibus, obrigando-os a andar por quilômetros até o próximo posto de controle das Forças de Defesa e pagar por um taxi até suas casas. “Os oficiais confiscaram seus documentos de identidade e levaram esses documentos para o posto de controle”, explicou um reservista ao Haaretz.

“Meus amigos que trabalham no posto de controle contaram que a mesma coisa aconteceu no outro dia”, acrescentou ele. Segundo reportagem doWalla News, motoristas da companhia Afikim não permitem a entrada dos palestinos em seus veículos. 

Apartheid e dia-a-dia

O número de palestinos trabalhando legalmente em Israel cresceu nos últimos anos, atingindo a marca de 29 mil pessoas por dia. Esses trabalhadores moram em cidades palestinas na Cisjordânia e têm de passar por postos de controle das Forças de Defesa de Israel para conseguir entrar na cidade israelense, apesar de possuírem visto de entrada. 

As únicas linhas de ônibus disponíveis para esse trajeto saem dos assentamentos judeus na Cisjordânia, que foram anexados ao território de Israel e que não admitem a entrada de palestinos sem autorização especial. Os trabalhadores embarcam nos veículos no meio de estradas depois de terem passado pela inspeção dos oficiais.

Durante a época do aparthaid, o regime da África do Sul também criou linhas de ônibus separadas para os residentes negros.

 

 

Ivanisa Teitelroit Martins

Argentina e Grécia: Crise na arquitetura mundial de reestruturação ordenadas das dívidas

Por Nouriel Roubini (em http://www.roubini.com/analysis/181439.php para assinantes)

Nov 28, 2012 07:00:00 | Última atualização

Resumo (tradução minha)

As recentes decisões judiciais em Nova York na disputa entre Argentina e um credor terão consequências muito graves e que vão muito além do caso da Argentina. Elas têm fortes implicações para a reestruturação de créditos oficiais e privados no caso da Grécia e para toda a arquitetura global de reestruturação ordenada das dívidas soberana, conforme foi se dando sua evolução pragmática ao longo da última década. O status quo está em risco devido à nova e radical interpretação judicial da cláusula pari passu que implica que um país soberano não pode pagar os credores que aceitaram uma oferta de troca, a menos os credores que não aceitaram a redução sejam pagos na íntegra. [1]

Esta nova interpretação permite aos credores que não aceitaram a redução apropriar-se de um ativo equivalente aos pagamentos que um país soberano faz a outros credores que aceitaram a oferta de troca. A decisão criou uma situação em que há uma luta não só entre o país soberano e os credores, mas também entre os credores que aceitaram a oferta de troca e aqueles que não o fizeram.

 

(Matéria completa em inglês / deu pau ao tentar enviar/ pdf de 8 págs)

 

Faltou a conclusão:

 

O setor oficial - FMI, Tesouro dos EUA e governos de outros países desenvolvidos – dormem ao volante, enquanto um juiz de temperamento forte em Nova York ameaça derrubar o atual regime de reestruturação das dívidas soberanas. ... A menos que o governo dos EUA comece a prestar atenção, o risco é o de que toda a arquitetura para a reestruturação ordenada das dívidas soberanas seja destruída, com graves conseqüências para a estabilidade financeira global.

 

O mundo cão baixou nas elétricas


Massacre, terremoto, efeitos devastadores, clima tenso, iminência de explodir, campo minado, mercado órfão, situação pré-falência. Estas são algumas das expressões usadas durante o mês de novembro para definir a situação da Medida Provisória 579, relacionada à renovação de contratos com as empresas elétricas e a redução das tarifas da conta de luz de consumidores residenciais, comerciais e industriais. O artigo é de Najar Tubino.

Massacre, terremoto, efeitos devastadores, clima tenso, iminência de explodir, campo minado, mercado órfão, situação pré-falência. Estas são algumas das expressões usadas durante o mês de novembro para definir a situação da Medida Provisória 579, relacionada à renovação de contratos com as empresas elétricas e a redução das tarifas da conta de luz de consumidores residenciais, comerciais e industriais. Por isso, resolvi me adequar ao estilo, embora as expressões citadas fossem publicadas no jornal Valor, o braço econômico das Organizações Globo e da Folha de São Paulo. Também posso falar em braço, porque é desse jornal, que saem as centenas de páginas de publicidade – custo mínimo de R$130 mil – e dos relatórios contábeis das maiores empresas brasileiras. E é claro, nas mesmas páginas estão impressas as opiniões e análises dos segmentos da economia, principalmente do mercado financeiro.

A novela é sempre a mesma. Sai uma medida, vamos dizer, “contra” o mercado financeiro, como foi a redução dos juros, onde os analistas foram surpreendidos, e logo em seguida, entra uma avalanche de informações artigos e declarações de especialistas. Normalmente, economistas de corretoras ou de consultorias. Costumo ler esse jornal muito atentamente. E acompanhei o roteiro da destruição, ou da tentativa, de minar a MP 579.

Vamos aos fatos. Há dois anos a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) vem discutindo com os agentes do setor, como eles dizem, as mudanças na definição das tarifas de eletricidade. Também anualmente a mesma ANEEL publica os números da depreciação dos ativos, na linguagem econômica, que estão em poder das concessionárias, conforme contratos assinados há décadas – na média 30 anos.Parte deles, vencerão em 2015 e outra em 2017. Isso vale para geradoras, administram as hidrelétricas, térmicas ou eólicas, não interessa a fonte; as transmissoras que são responsáveis pela rede de linhas – o que não é pouco, mais de 98 mil km -, subestações, e por fim, as distribuidoras, mais regionalmente, levam à luz aos mais diferentes locais, sejam residências, indústrias ou comércio.

O que será renovado: 58 geradoras, com capacidade para 21,5 mil MW – 20% do mercado -, 73 mil km de linhas, ao redor de 83% da rede básica do Sistema Integrado Nacional e 30% do mercado das distribuidoras, contratos de 41 empresas. O prazo para reonovação, para quem aceitar a proposta é quatro de dezembro. Desse total, 67% da geração está sob administração da Eletrobras, no caso das linhas de transmissão 62% e 25% da distribuição. A Eletrobras é uma empresa de economia mista, com ações nas bolsas de São Paulo, N. York e Madri, e conta com 60% do mercado de geração e 40% de transmissão. Ou seja, ela domina o mercado. O governo federal tem 58% das ações, incluindo uma parte do BNDES, mas o banco JP Morgan tem cerca de 8% do capital votante.

Também tem o fundo norueguês Skagen, que tem cerca de 1% em ações ordinárias e 17,5% das preferenciais, e diz ter quase três bilhões de reais investidos no Brasil.

Aliás, do porta-voz desse fundo, partiu uma declaração das mais histéricas e demonstrativas do poder europeu, sobre os coitados dos tupiniquins, metidos a emergentes:

“- Nós temos condições financeiras de levarmos esse processo para a justiça. Isso está transformando o Brasil em uma Argentina, é o que mais se comenta no mercado. Estão querendo nacionalizar o setor”.

No início do ano, as posições do fundo Skagen na Bolsa de São Paulo valiam R$1,3 bi e em novembro estavam em R$730 milhões. Na seção “histéricos” poderíamos incluir uma conhecida comentarista econômica nacional, que escreveu:

- A Eletrobras já perdeu 70% do seu patrimônio e corre o risco de default.”
Para quem não sabe o patrimônio da Eletrobras envolve 30 usinas hidrelétricas, 15 termelétricas, duas nucleares, 190 subestações e quase 60 mil km de linhas de transmissão. Além disso, tem metade de Itaipu – corresponde a uma hidrelétrica de quase sete mil MW – e suas controladas, possuem outro tanto, como a Chesf, a Eletronorte, Eletrosul, Companhia de Geração Térmica de Energia (CGTEE) e mais seis distribuidoras. Que é a parte “menos nobre”, porque são deficitárias – incluem empresas nos estados de Alagoas, Piauí, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Está para comprar 50% da distribuidora de Goiás.

Então, sinceramente, um patrimônio desses desaparecerá no mercado, porque os analistas dos bancos de investimentos definiram que os preços das ações não correspondem mais ao valor de mercado. Aqui começa a seção “massacre das elétricas”, uma das dezenas de matérias publicadas no Valor. Em primeiro lugar, as ações dessas empresas são consideradas “defensivas”, àquelas que não custam muito caro, não tem rali nos preços, mas pagam polpudos dividendos no final do ano – é o lucro da empresa repartido com os acionistas. Por lei, quem participa da Bovespa, tem que distribuir 25% dos lucros. Mas as elétricas, generosas e preocupadas com seus acionistas, distribuíam mais de 90% dos lucros – caso da Eletropaulo.

Quem são os analistas citados. Os representantes dos bancões americanos ou ingleses, os mesmos da crise de 2008, que vendiam mansão para mendigo e davam o troco, e reempacotavam os títulos e vendiam aos fundos de todos os tipos espalhados pelo mundo, com grandes retornos. É o caso do Goldman Sachs, JP Morgan, Barclays. Este último, o analista de plantão estabeleceu o preço das ações da Eletrobras em R$1, o preço-alvo, como eles chamam. O Itaú foi mais comedido fixou em R$8. Quase no final de novembro, as ordinárias com direito a vota estavam em R$9,69. A empresa tinha “perdido” mais da metade de seu patrimônio – de R$26 bi para R$11,6 bi.

Vamos ver o que pensa o investidor Luiz Barsi Filho, de 73 anos, citado pelo próprio mercado como um especialista, que já fez fortuna na bolsa e vive de dividendos.

“-Um país não pode deixar de investir no setor de energia se quiser ter uma visão de desenvolvimento. As controvérsias não foram resolvidas e as elétricas vão continuar sofrendo. Mas isso pode significar uma oportunidade de investimento magnífica. Estou aproveitando para comprar mais”.

Não foi somente ele. Muitos bancos emitiam recomendações de venda, e na outra ponta, compravam as mesmas ações. Mas essa também é velha e ultrapassada. Resolvi conferir algumas análises feitas pelos mesmos analistas em 2010 e 2011. Informações que estão nas páginas dos veículos econômicos. Uma delas, da Exame, do Grupo Abril, comentando uma lista de 12 empresas que mais pagam dividendos na bolsa, produzida pela consultoria Economática, onde trabalha um ex-presidente do Banco Central, muito conhecido na área.

- Entre as mais generosas na distribuição de lucros nos últimos cinco anos, 75% pertencem ao setor elétrico – das 12 citadas. Encabeçando a lista aparece o papel da Eletropaulo, com “dividend yield” médio de 19,4% de 2007 para cá. Significa que quem investiu na ação levou para casa um retorno de quase 20% ao ano. Empresas como Celpe (Pernambuco), Elektro, Coelce (Ceará), Taesa (controlada pela Cemig) engrossam a lista”.

Os motivos de tanta generosidade? “Depois de terem instalado suas infraestruturas, elas conseguem prover o serviço por décadas a fio sem a necessidade de grandes investimentos. Elas também se protegem da inflação, já que a conta de luz, não deixa de ser reajustada com o aumento dos preços da economia. Com geração de caixa constante, as companhias veem na divisão dos lucros uma forma de manterem os acionistas interessados nos papeis”, continua o mesmo texto. Outra recomendação no site Pequeno Investidor:

-“As empresas de energia elétrica podem fazer bons pagamentos porque o setor não precisa usar parte do faturamento para planos de expansão. Elas têm fluxo de caixa estável e deve permanecer assim pelos próximos anos”.

O lucro das maiores do setor, inclui grupos multinacionais, como GDF Suez, Iberdrola, AES Corporation, Endesa, foi de US$7,5 bi em 2009. Ele cresceu 230% de 2003 a 2009. A Cemig, considerada a “mais alinhada como mercado”, controlada pelo governo mineiro, com acionistas, entre milhares, como a própria AES e a Andrade Gutierrez, teve um lucro líquido de R$2,4 bilhões em 2011, considerado um ano histórico em faturamento – R$5,4 bilhões. Distribuiu mais de dois bilhões de reais em dividendos. A Eletrobras foi mal no 3º trimestre de 2012, mas lucrou R$1 bi, 24% menos, no mesmo período do ano passado. A Neoenergia lucrou R$300 milhões no 3º trimestre de 2012 – essa é uma sociedade da Iberdrola com a Previ e o Banco do Brasil. O lucro da Cemig no mesmo 3º trimestre foi de R$937 milhões.

Aí no meio dessa generosidade e de lucros milionários, vem o governo federal querendo reduzir a tarifa em 20% nas contas de luz de 2013. E cortar o faturamento de geradoras e transmissoras – as regras para as distribuidoras sairão em março de 2013 – com a redução do preço fixado para operação e manutenção. Pelos cálculos da Empresa Pesquisa Energética (EPE) deve cair de R$90 para cerca de R$23 pelo megawatt hora. É uma loucura e tanto. E, além disso, deslanchar a economia brasileira, pois as empresas pagarão menos por um dos insumos mais importantes. Entrarão no mercado R$24 bilhões ao ano, como divulgou a Fiesp.

Porém, o discurso do “mercado” não é esse. As elétricas, como a Eletrobras, não conseguirão manter os investimentos – nesse caso de 10 a 12 bilhões de reais. Incluem as maiores hidrelétricas que estão em construção, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. O BNDES não vai receber R$24 bilhões que tem em financiamentos . Quem lidera o consórcio de Jirau, por exemplo, é o grupo belga GDF Suez. A garantia do pagamento dos financiamentos é a própria receita das usinas. Mas tem mais. É uma estratégia para conter a inflação em 2013, ajudar o Banco Central e não elevar os juros. Só não falaram claramente que a campanha contras as mudanças, que partiu do mercado financeiro e depois engrossou com as declarações dos porta-vozes das empresas dos governos de São Paulo, Paraná e Minas gerais – respectivamente, Cesp, Copel e Cemig.

Casualmente, são todos do PSDB. Isso é só um detalhe, assim como chegar em 2014, na próxima eleição, com os preços das tarifas de luz, reduzidos em 20%.

“- Atenção povo brasileiro, o governo quer reduzir os preços da conta de luz, mas tem gente que é contra.”

A FIESP publicou anúncio de página inteira para colocar a questão. Afinal, a média de idade das usinas que deverão renovar contratos – 109 – é de 56 anos. Já ganharam o suficiente, e a maioria irá para a terceira fase de concessão. Na visão de alguém bem posicionado, como o industrial Jorge Johannpeter Gerdau, presidente da Câmara de Produtividade do governo federal:

“- Muitas usinas já foram amortizadas duas vezes com dinheiro público. Não é possível que a população pague mais uma amortização. Agora, em termos de mercado de capitais o pessoal achava que iria continuar para o resto da vida com os contratos”.

A choradeira principal é pela indenização. O governo federal fixou em R$20 bilhões, sendo que a Eletrobras teria direito a R$14,5 bilhões. A Cesp quer R$8 a R$9 bilhões. A proposta é R$1 bi. Para a Cemig são R$250 milhões. Márcio Zimmermann, ministro interino de Minas e Energia foi dar explicações e rebater o mercado e as concessionárias.

Entre outras coisas disse: o custo de uma hidrelétrica nova, de 500MW, por exemplo, é de R$3 por megawatt hora. O número de operários que trabalha caiu de 100 para 10. A atual remuneração das concessionárias, que tiveram o investimento amortizado, quase em sua totalidade, criou uma zona de conforto, que não é interessante para o setor. E perguntou: quantas usinas eles fizeram nos últimos 15, 20 anos? Três usinas da Cemig, que diz que n ao vai renovar os contratos, em 20 anos, com a mesma tarifa, e um faturamento de R$1,5 bi, garantiria um caixa de R$30 bi em 20 anos, afirmou Márcio Zimmermann.

Mas ainda tem o outro lado da novela. A perda de energia no Brasil, incluindo os três segmentos responsáveis, é de 20,38%. Está num trabalho que o Tribunal de Contas da União fez em 2004, e é citado num trabalho recente sobre a energia elétrica no Brasil apresentado pelo ISA, Greenpeace Brasil, Amigos da Terra e pesquisadores ligados ao Instituto Politécnico da USP e ao INPA.Na Argentina as perdas são de 9,9%, no Chile 5,6%, no Peru 9,3%. Na União Europeia a média é de 7%, sem contar a Alemanha que é de 3,4%.

Também li o relatório da ANEEL de prestação de contas de 2011. Os técnicos da agência realizaram 109 fiscalizações dos serviços de transmissão, em lugar das 50 programadas e 256 fiscalizações em lugar das 180 programadas, porque ocorreram vários desligamentos não programados e de longa duração. Um trecho do relatório:

“- O ano de 2011 foi de intenso trabalho para a fiscalização, sobrecarregada em razão da ocorrência de vários desligamentos não programados e de longa duração, que ocorreram no SIN atingindo toda a região nordeste, envolvendo a cidade do Rio de Janeiro e a região metropolitana de São Paulo. Em 2011, o consumidor ficou em média 18horas e 24 minutos sem energia, ultrapassou o limite de 16,23 horas.”

Em 2012 foram quatro apagões seguidos, os últimos em outubro. Um deles, na área da Cemig, o funcionário “esqueceu” de religar a chave de um equipamento. O Ministério de Minas e Energia mandou fazer um pente fino no sistema, que está em vigor.

Quer dizer, deitado em berço esplêndido, caindo o dinheiro na conta dos acionistas, receita garantida por 30 anos – não vou nem comentar a parte ambiental -, deve ser uma prévia do paraíso. Entretanto, analistas de mercado e gestores de fundos – também tem uma parcela de ações das elétricas – não se preocupem, porque uma nova geração de “empresas defensivas” na bolsa já está sendo articulada. E isso é uma péssima notícia para consumidores de São Paulo, Minas e Paraná – novamente a coincidência. São as empresas de saneamento, como a Sabesp e a Copasa, de SP e PR, respectivamente. As agências reguladoras estaduais estão definindo o índice de aumento das tarifas. A corretora J. Safra, por exemplo, está apostando em 13% de aumento. Mas o Citi chutou o balde: 18,2% de aumento.

Como resume bem a análise de Alexandre Montes, da Lopes Filho & Associados.

“- O setor elétrico deixou o mercado de certa forma órfão, porque ele não é mais considerado um segmento contra o risco, e as empresas de saneamento podem ocupar este espaço.”

Mas o analista Sérgio Tamashiro, da J. Safra, foi fundo na questão:

“- O reajuste não é um fator inibidor de consumo no saneamento e se for elevado será bom para as ações da Sabesp, porque garante a maior tarifa e maior é a rentabilidade”.

As ações da Sabesp acumularam alta até o meio de novembro deste ano de 72%, cotadas a R$ 86,00. Onze corretoras têm recomendação de compra. Não é uma maravilha esse mercado financeiro. Só para lembrar. A Apple, maior empresa do mundo em valor de mercado, nunca pagou dividendo. O Jobs sempre foi contra.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21344

 

Lei de Cotas pode mudar composição social e melhorar qualidade da escola pública, avaliam especialistas

Thais Leitão e Heloisa Cristaldo
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - A implementação da Lei de Cotas pode mudar “radicalmente” a composição social da escola pública brasileira, principalmente no ensino médio, e influenciar também na melhoria da qualidade do ensino na rede pública. Na avaliação do coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, “as cotas colocam a escola pública no centro do debate”.

“Acredito que em dois ou três anos já veremos um aumento no número de matrículas das elites ricas nas escolas públicas”, diz.

Pela Lei de Cotas, regulamentada em outubro pelo Decreto nº 7.824, 50% das vagas em universidades e institutos federais serão destinadas a alunos que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. As seleções de ingresso já garantem para o próximo ano 12,5% das vagas aos estudantes da rede pública. A Lei, que tem implementação gradual, terá validade até 2022 e também considera critérios como renda familiar e raça.

A professora de políticas públicas em educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dalila Oliveira, acredita que ainda é cedo para apontar os impactos que as cotas terão na configuração da escola pública. Segundo ela, são necessários pelo menos três anos para verificar a confirmação da tendência de mais matrículas por parte da população mais rica. Caso isso ocorra, ela avalia que a qualidade do ensino nas unidades públicas pode dar um salto de qualidade.

“Por enquanto, é apenas especulação, mas caso a tendência se confirme, será um movimento favorável”, avalia. “Afinal, pais mais escolarizados, com mais tempo, disposição e condições materiais para acompanhar o desenvolvimento dos filhos e participar da gestão escolar podem influenciar positivamente na escola”, completa.

Dados da Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (28), mostram que 8,6% dos estudantes do ensino médio matriculados nas escolas da rede pública são de famílias cuja renda per capita se situa na faixa dos 20% mais ricos do país. Na situação inversa, o índice é menor: apenas 3,8% dos estudantes de famílias pobres estudam em escolas particulares. Na rede privada, 53,2% dos estudantes do ensino médio pertencem à faixa de renda mais rica.

Além do sistema de cotas, Daniel Cara avalia que a implementação do Plano Nacional da Educação (PNE), que tramita no Senado Federal, também vai influenciar na mudança do perfil socioeconômico das matrículas na escola pública. “Em dez anos a gente deve mudar as características da educação pública e a tendência é expandir a matrícula nessa rede”, aposta Cara.

O PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir no prazo de dez anos. A principal delas é a que prevê um patamar mínimo de investimento em educação, a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, os valores de investimento total em educação, em relação ao PIB, passaram de 5,8% para 6,1%, de 2010 para 2011. O investimento direto em educação em relação ao PIB subiu de 5,1% para 5,3% no mesmo período.

A professora Dalila Oliveira, que também é presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, avalia que a convivência no ambiente escolar entre crianças e adolescentes de diferentes classes sociais é enriquecedora, mas destaca a necessidade de o país continuar avançando na redução das desigualdades sociais.

Professor da Universidade de São Paulo (USP), o doutor em educação Rubens Barbosa acredita que as famílias não vão abrir mão do ensino privado, caso tenham condição financeira suficiente. Para ele, as cotas terão outro desdobramento na escola pública.

“Quem pode pagar, vai continuar pagando porque [o ensino privado] faz parte de uma opção familiar. Eu acho que o efeito mais significativo das cotas na escola pública será o estímulo a estudantes negros que, antes, sem perspectiva de acesso ao ensino superior, nem concluíam o ensino médio. Agora, muitos vão se esforçar para conseguir chegar ao fim porque sabem que têm mais chances de entrar na universidade”, avaliou.

Para ele, as cotas garantem, uma “inclusão inédita, com resgate de déficits culturais e históricos” no país.

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Sociedade civil quer garantir que recursos de royalties sejam destinados à educação pública

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil

Brasília -  Com o anúncio feito ontem (30) pelo governo federal de vincular integralmente os recursos dos royalties do petróleo de futuros contratos à educação, a sociedade civil já começa a se mobilizar para garantir a destinação desses recursos para educação pública.  

“Vamos analisar o texto da medida provisória, esse é o primeiro passo. Não adianta colocar no contexto dos royalties a destinação para educação. Tem que especificar que essa destinação é para educação pública. A gente não pode financiar a ineficiência do setor privado na educação”, argumentou Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.  

Com o veto da presidenta Dilma Rousseff ao artigo do projeto de lei que propunha mudança na distribuição dos royalties do petróleo de campos já em exploração, os estados e municípios produtores continuarão recebendo os mesmos percentuais dos contratos no regime de concessão já firmados. Em medida provisória (MP), o governo vai regulamentar os contratos já estabelecidos e futuros, além de garantir a distribuição das riquezas do petróleo e o fortalecimento da educação brasileira.

A educação também vai receber 50% dos rendimentos do Fundo Social. A reserva é uma poupança pública com base em receitas da União. O Fundo Social, criado em 2010, prevê investimentos em programas e projetos de educação, cultura, esporte, saúde e de combate à pobreza, entre outros.

De acordo com Daniel Cara, o dinheiro oriundo dos royalties ainda vai demorar para chegar nas escolas públicas brasileiras, mas garantirá a implementação do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área.

Os recursos vão possibilitar ainda a implementação do Custo Aluno-Qualidade inicial (CAQi), também previstos pelo PNE, que garante um padrão mínimo de qualidade na educação pública. O indicador aponta o quanto deveria ser investido por aluno em cada etapa e modalidade da educação básica para que o país ofereça uma boa qualidade de ensino.

“O CAQi é calculado com base em insumos como remuneração adequada do professor, política de carreira, formação continuada, número de alunos por turma e infraestrutura pedagógica”, explicou Daniel Cara. Segundo o PNE, o CAQi deve ser implementad

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Portugal é principal destino de alunos de graduação do Ciência sem Fronteiras

Gilberto Costa
Correspondente da EBC em Portugal

Lisboa – Portugal é o principal destino dos estudantes brasileiros de graduação bolsistas do Programa Ciência sem Fronteiras. Do total de 12.193 alunos incluídos no programa, praticamente um em cada cinco optou por cursar parte do ensino superior em uma instituição lusitana. Há em Portugal 2.343 alunos do Brasil – 20 a mais do que o número de bolsistas de graduação nos Estados Unidos, principal destino no programa se forem considerados também os pesquisadores (pós-graduandos). Os dados, referentes a setembro, são do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Os 783 bolsistas da Capes estão matriculados em mais de uma dezena de cursos (desde a área de saúde à tecnologia espacial) de 41 universidades e institutos portugueses. O CNPq não informou à Agência Brasil a distribuição detalhada dos seus bolsistas. Além dos graduandos, Portugal recebe 329 doutorandos (84 fazendo curso integral no país, com duração de cerca de quatro anos) e mais 103 pós-doutorandos, por meio do programa.

O total de estudantes e pesquisadores brasileiros das áreas de tecnologia e biomédica em Portugal (2.775) é inferior apenas ao dos Estados Unidos (3.898). O número já supera o de destinos tradicionais de pesquisadores brasileiros como a França (2.478), Espanha (2.261), o Canadá (1.408), a Alemanha (1.111) e o Japão (680).

Entre os motivos para a escolha de Portugal está a inexistência de barreira linguística, uma vez que o país não exige exame de proficiência dos brasileiros, diferentemente dos Estados Unidos, por exemplo, que cobram de estudantes estrangeiros o Test Of English as a Foreign Language, Toefl. Outro fator que atrai estudantes brasileiros é a possibilidade de integração à produção científica na Comunidade Europeia. Além disso, Portugal, apesar da crise, mantém subvenções como a oferta de albergues para estudantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e tem custo de vida mais baixo que outros destinos da Europa com atividade econômica mais forte, como a Alemanha, Inglaterra e França.

Estudante de Química Industrial na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Aline Pacheco Albuquerque diz que a escolha de Portugal foi motivada pelo fato de o país não exigir fluência em nenhum outro idioma. “É uma universidade boa que não ia exigir domínio de outra língua no processo de seleção”, diz a estudante se referindo à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde é bolsista.

Para o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, o estudante do Ciência sem Fronteiras tem a oportunidade de ter contato com a produção científica europeia. "Estamos muito empenhados para que os estudantes do Ciência sem Fronteiras não se limitem à presença em sala de aula, queremos que tenham interação com toda parte de inovação e transferência de saber e também com a nossa rede europeia de contatos e de projetos."

A presença de tantos acadêmicos brasileiros em Portugal muda o patamar de cooperação dos dois países, avalia o Itamaraty. Juntamente com o Ano do Brasil em Portugal, o Programa Ciência sem Fronteiras tem sido citado pela diplomacia brasileira como um dos principais alavancadores da aproximação entre os dois países. “Não é só a celebração [cultural] que nos aproxima, mas também a modernidade dos dois países”, comentou o chanceler brasileiro Antonio Patriota ao receber em setembro, em Brasília, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas.

Para o embaixador do Brasil em Portugal, Mario Vilalva, os dois países vivem “um momento mágico das relações bilaterais” e “há uma enorme convergência de interesses”, como na área de cooperação científica.

Segundo o edital da Capes e do CNPq, o Programa Ciência sem Fronteiras visa a “propiciar a formação de recursos humanos altamente qualificados nas melhores universidades e instituições de pesquisa estrangeiras”. O objetivo é promover a internacionalização da ciência e tecnologia nacional, estimulando estudos e pesquisas de brasileiros no exterior, com a expansão do intercâmbio de graduandos e graduados.

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Em campanha para o STF, Fux procurou Dirceu

Magistrado diz que na época não lembrou que petista era réu do mensalão, processo que poderia vir a julgar

Ministro afirma que, na conversa, pediu que seu currículo fosse entregue ao então presidente Lula

MÔNICA BERGAMO COLUNISTA DA FOLHA

O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. "Estava nessa luta" para o STF desde 2004 -sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. "Bati na trave três vezes", diz.

AVAL

Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada.

Fux "grudou" em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários.

E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. "Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula."

O ministro diz não se lembrar quem era o "alguém" que o apresentou ao petista.

Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de "mensaleiro".

"Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei", diz o magistrado. "Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente."

Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: "A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ".

Foram reuniões discretas e reservadas.

CURRÍCULO

Para Dirceu, também era a hora do tudo ou nada.

Ele aguardava o julgamento do mensalão. O ministro a ser indicado para o STF, nos estertores do governo Lula, poderia ser o voto chave da tão sonhada absolvição.

A escolha era crucial.

Fux diz que, no encontro com Dirceu, nada disso foi tratado. Ele fez o seguinte relato à Folha:

Luiz Fux -Eu levei o meu currículo e pedi que ele [Dirceu] levasse ao Lula. Só isso.

Folha - Ele não falou nada [do mensalão]?

Ele falou da vida dele, que tava se sentindo... em outros processos a que respondia...

Tipo perseguido?

É, um perseguido e tal. E eu disse: "Não, se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer". Uma palavra, assim, de conforto, que você fala para uma pessoa que está se lamentando.

"MATO NO PEITO"

Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles.

Uma expressão usual do ministro, "mato no peito", foi interpretada como promessa de que ele os absolveria.

Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.

Ele diz que, já no governo Dilma Rousseff, no começo de 2011, ainda em campanha para o STF (Lula acabou deixando a escolha para a sucessora), levou seu currículo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na conversa, pode ter dito "mato no peito".

Folha - Cardozo não perguntou sobre o mensalão?

Não. Ele perguntou como era o meu perfil. Havia causas importantes no Supremo para desempatar: a Ficha Limpa, [a extradição de Cesare] Battisti. Aí eu disse: "Bom, eu sou juiz de carreira, eu mato no peito". Em casos difíceis, juiz de carreira mata no peito porque tem experiência.

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Em 2010, ainda no governo Lula, quando a disputa para o STF atingia temperatura máxima, Fux também teve encontros com Evanise Santos, mulher de Dirceu.

Em alguns deles estava o advogado Jackson Uchôa Vianna, do Rio, um dos melhores amigos do magistrado.

Evanise é diretora do jornal "Brasil Econômico". Os dois combinaram entrevista "de cinco páginas" do ministro à publicação.

Evanise passou a torcer pela indicação de Fux.

Em Brasília, outro réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), articulava apoio para Fux na bancada do PT.

A movimentação é até hoje um tabu no partido. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) é um dos poucos que falam do assunto.

Vacarezza - Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.

Folha - E o senhor esteve também na casa do ministro Fux com João Paulo Cunha?

Eu confirmo. João Paulo me ligou dizendo que era um café da manhã muito importante e queria que eu fosse. Eu não te procurei para contar. Mas você tem a informação, não vou te tirar da notícia.

O mensalão foi abordado?

Não vou confirmar nem vou negar as informações que você tem. Mas eu participei de uma reunião que me parecia fechada. Tinha um empresário, tinha o João Paulo. Sobre os assuntos discutidos, eu preferia não falar.

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Fux confirma a reunião. Mas diz que ela ocorreu depois que ele já tinha sido escolhido para o STF. Os petistas teriam ido cumprimentá-lo.

Na época, Cunha presidia comissão na Câmara por onde tramitaria o novo Código de Processo Civil, que Fux ajudou a elaborar.

Sobre Maluf, diz o magistrado: "Eu nunca nem vi esse homem". Maluf, avisado do tema, disse que estava ocupado e não atendeu mais às chamadas da Folha. Ele é réu em três processos no STF.

CHORO

No dia em que sites começaram a noticiar que ele tinha sido indicado por Dilma para o STF, "vencendo" candidatos fortes como os ministros César Asfor Rocha e Teori Zavascki, também do STJ, Fux sofreu, rezou, chorou.

Luiz Fux - A notícia saiu tipo 11h. Mas eu não tinha sido comunicado de nada. E comecei a entrar numa sensação de que estavam me fritando. Até falei para o meu motorista: "Meu Deus do céu, eu acho que essa eu perdi. Não é possível". De repente, toca o telefone. Era o José Eduardo Cardoso. Aí eu, com aquela ansiedade, falei: "Bendita ligação!". Ele pediu que eu fosse ao seu gabinete.

No Ministério da Justiça, ficou na sala de espera.

Luiz Fux - Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: "Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal". Foi aí que eu chorei. Extravasei.

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De fevereiro de 2011, quando foi indicado, a agosto de 2012, quando começou o julgamento do mensalão, Fux passou um período tranquilo. Assim que o processo começou a ser votado, no entanto, o clima mudou.

Para surpresa dos réus, em especial de Dirceu e João Paulo Cunha, ele foi implacável. Seguiu Joaquim Barbosa, relator do caso e considerado o mais rigoroso ministro do STF, em cada condenação.

Foi o único magistrado a fazer de seus votos um espelho dos votos de Barbosa. Divergiu dele só uma vez.

Quanto mais Fux seguia Barbosa, mais o fato de ter se reunido com réus antes do julgamento se espalhava no PT e na comunidade jurídica.

Advogados de SP, Rio e Brasília passaram a comentar o fato com jornalistas.

A raiva dos condenados, e até de Dilma, em relação a Fux chegou às páginas dos jornais, em forma de notas cifradas em colunas -inclusive da Folha.

Pelo menos seis ministros do STF já ouviram falar do assunto. E comentaram com terceiros.

Fux passou a ficar incomodado. Conversou com José Sarney, presidente do Senado. "Sei que a Dilma está chateada comigo, mas eu não prometi nada." Ele confirma.

Na posse de Joaquim Barbosa, pouco antes de tocar guitarra, abordou o ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo pessoal de Lula. Cobrou dele o fato de estarem "espalhando" que prometera absolver os mensaleiros.

Ao perceber que a Folha presenciava a cena, puxou a repórter para um canto. "Querem me sacanear. O pau vai cantar!", disse. Questionado se daria declarações oficiais, não respondeu.

Dias depois, um emissário de Fux procurou a Folha para agendar uma entrevista.

 

'Pensei que não tinha provas; li o processo e fiquei estarrecido'

Fux diz que não fez promessa a acusados e afirma que não troca consciência por cargo

Ministro diz que é 'do bem' e que pior função do magistrado é julgar e condenar réus de processos criminais

COLUNISTA DA FOLHA

Sentado num sofá de couro preto na sala de sua casa, em Brasília, na terça passada, o ministro Luiz Fux ainda estava sob o efeito da repercussão da posse de Joaquim Barbosa, na semana anterior.

Ele roubou a cena ao fazer um discurso de mais de 50 minutos repleto de agradecimentos e elogios à presidente Dilma Rousseff.

Mais tarde, na festa, tocou guitarra para homenagear o novo presidente do Supremo.

Fux já tocou em banda. Em 2011, compôs uma canção. "Fala das virtudes das mulheres. O Michael Sullivan musicou e vai colocá-la em seu novo CD". O título: "Ela". O refrão: "Capaz de ir ao céu por uma estrela/Que ilumina e brilha o ser amado".

"O Fagner também quer fazer uma versão. E a gente ainda tem a ambição de levar para o Roberto Carlos ver."

O ministro pede para a cozinheira, dona Lourdes, trazer uma bandeja com refrigerantes. Só diet.

Fux é vaidoso, e assume. "Já fiz implante capilar." Pensa em fazer cirurgia para retirar as bolsas embaixo dos olhos. E só. "Plástica em rosto de homem fica horrível."

Corre 4 km por dia. Faz ginástica. Luta jiu-jitsu. Toma suco verde "todo dia, que te deixa sempre rejuvenescido". E guaraná em pó "numa fórmula que eu inventei, com Targifor C. Tomo ácido linoleico também, porque aí você corre, perde mais fluido, transpira, entendeu?".

"Eu tenho que me cuidar", diz. "Quando a roupa aperta, eu neurotizo."

Na entrevista à Folha, o ministro falou sobre a bronca que levou da mãe, a médica Lucy Fux, 84, por ter tocado guitarra na posse de Barbosa. E sobre o encontro que teve com réus do mensalão antes do julgamento do caso. Leia abaixo um resumo da conversa. (MÔNICA BERGAMO)

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BRONCA DA MÃE

A felicidade é uma coisa efêmera. E naquele dia [da posse de Joaquim Barbosa] eu estava muito feliz. E me dei o direito de homenagear o Joaquim com uma música. Se meu pai fosse vivo, me reprimiria sobremodo. Não tenha dúvida. Assim como minha mãe o fez. Eu não imaginava que fosse ter essa repercussão. Certamente não se repetirá.

JOSÉ DIRCEU

Falei com ele 15 minutos [em 2010]. Ele disse que levaria meu perfil e conversaria com o presidente Lula. Aí eu soube que trabalhava para outro candidato [Fux não diz quem é]. Por isso é que não entendo essas críticas. O Zé Dirceu apoiou outro, o Lula não me nomeou, e a toda hora se ouve isso. E outra coisa: não troco consciência e independência por cargo. Então não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu fui nomeado pela Dilma.

DILMA

Eu não sabia [que Dilma tinha ligações com Dirceu, o PT e Lula]. Sinceramente. A informação que nós tínhamos era outra. Que a Dilma tem a independência dela, a postura dela, faz as escolhas que ela quer. Ela não nomeou quem o José Dirceu e o Lula apoiavam. Engraçado, para mim, sinceramente, eu acho que a meritocracia, para a presidenta Dilma, conta muito.

ESTARRECIDO

Havia [em 2010] essa manifestação cotidiana e recorrente de que não havia provas [para condenar os mensaleiros]. Eu só ouvia as pessoas dizendo "não tem prova, não tem prova, não tem prova". Eu tinha a sensação "bom, não tem provas". Eu pensei que realmente não tivesse. Quando fui ler o processo, no recesso [julho], dez horas por dia, 50 mil páginas, 500 volumes de documentos, verifiquei que tem prova. Eu fiquei estarrecido.

PROMESSA

Não, imagina [se fez a algum réu, quando concorria ao STF, promessa de absolvição]. Nem podia dizer [que achava que não havia provas]. Seria uma leviandade, eu não conhecia o processo.

ELO

O que se pode imaginar [sobre a origem da contrariedade] é isso: havia uma cultura difundida de que não havia provas. Quando tomei posse, declarei a um jornal: "Se não tiver provas, eu absolvo; se tiver, condeno". Esse elo foi sendo levado ao extremo. Só que eu disse isso numa época em que não conhecia o processo. E aí entra a independência do juiz.

IMPROCEDENTE

Mas isso [críticas] pode ser uma coisa arquitetada. Como é que ele [Dirceu] vai ter raiva se ajudou uma outra pessoa? Como é que o outro [Lula] tem raiva se ele não me nomeou?

PROVAS

Seria um absurdo condenar alguém sem provas. Eu não teria condições de dormir se fizesse isso. Te confesso do fundo do coração.

SONHO

Todo juiz tem essa ambição de chegar ao Supremo. Eu uso a expressão: quem não quer ser general tem que ir embora do Exército. Fui candidato três outras vezes [entre 2004 e 2010]. Busquei apoio demais. Viajei para o Nordeste, achava que tinha que ter o maior apoio político possível. O que é um erro porque o presidente não gostava desse tipo de abordagem. Quando nomeia, ele quer que seja um ato dele.

RITUAL

É uma campanha. Tem um ritual. Você tem que fazer essa caminhada política necessariamente. Como eu me apresentava? Mostrando que sou uma pessoa que gosta de bater papo, carioca, despojado. E, ao mesmo tempo, currículo. Mas só meritocracia não vai.

ANTÔNIO PALOCCI

Na primeira vez que concorri, havia um problema muito sério do crédito-prêmio do IPI que era um rombo imenso no caixa do governo. Ele era ministro da Fazenda e foi ao meu gabinete [no STJ]. Eu vi que a União estava levando um calote. E fui o voto líder desse caso. Você poupar 20 bilhões de dólares para o governo, o governo vai achar você o máximo. Aí toda vez que eu concorria, ligava para ele.

DELFIM NETTO

Em 2009, participei com ele de um debate sobre ética, sociedade e Justiça. Fizemos uma amizade, batemos um papo. E aí comecei a estreitar. Porque, claro, alguém me disse: "Olha, o Delfim é uma pessoa ouvida pelo governo". Aí eu colei no pé dele [risos].

STEDILE

Ele me apoia pelo seguinte: houve um grave confronto no Pontal do Paranapanema e eu fiz uma mesa de conciliação no STJ entre o proprietário e os sem-terra. Depois pedi a ele para mandar um fax me recomendando e tal. Ele mandou.

SERGIO CABRAL

Eu sou amigo dele e também da mulher dele. E ele levou meus currículos [para Dilma]. Você tem que ter uma pessoa para levar seu perfil e seu currículo a quem vai te nomear. Senão, não adianta. Agora, também não posso me desmerecer a esse ponto: eu tinha um tremendo currículo, 17 livros publicados.

NEPOTISMO

Eu acho uma violação à isonomia [a proposta, defendida por Joaquim Barbosa, de que familiares de magistrados sejam proibidos de advogar em tribunais em que estão seus parentes]. E esses meninos e essas meninas que foram criados aqui em Brasília? E esses meninos filhos de ministros? Você estigmatiza.

MENSALÃO NA TV

Eu não sou muito favorável à TV Justiça, embora esteja introjetada no povo a ideia de que ela dá transparência aos julgamentos. Eu não sei nem onde fica a câmera. O juiz se acostuma a viver na solidão, mesmo na presença de várias pessoas. Num caso como o do mensalão, a opinião pública não pode ter interferência absolutamente nenhuma.

CONDENAR

A pior função do magistrado é essa. Entendo inclusive que o Supremo poderia abdicar dessa competência para as instâncias inferiores, até para que elas possam analisar [processos] sem grandes exposições. Eu tive muita preocupação no meu voto [no mensalão] de falar em "agremiação partidária", "primeiro denunciado". Eu não queria politizar o voto, estigmatizar ninguém.

DO BEM

Eu te confesso que tenho esse pendor como ser humano e como magistrado. Eu acho a pior coisa [julgar e condenar em processos criminais]. Se pudesse, diria "eu quero fazer tudo, menos isso". Você pode pesquisar para saber o que as pessoas pensam de mim sobre a minha característica, o lado humano. Eu sou o que eu sou. Eu sou assim, eu sou do bem.

 

Não querendo me gabar (e já me gabando), eu havia escrito em posts pretéritos que a indicação do Fux era integralmente do governador do Rio. A entrevista dá a entender perfeitamente isto. Não tem esta história de Dirceu, de Palocci, de Lula, de Dilma, de Delfim. Tudo é cortina de fumaça.

Cada vez mais me convenço. Foi uma imposição do pmdb do Rio e do Espírito Santo. Desta mesma parcela do pmdb que faz da copa do mundo o último espetáculo da terra. E que mantém outros negócios estranhíssimos, como os da Delta, em carteira. A palhaçada dos créditos de royalties também faz parte.

Possivelmente este post também tomará chá de sumiço! Não faz mal. Ele está salvo em arquivo. É triste a gente trabalhar na lapidação de um texto e vê-lo, misteriosamente sumir no éter. É a ditadura das conveniências.

 

 

Que bom que a postagem foi mantida.

Mas (e agora entrando no mérito da postagem), que figura este Fux, não?

Méritos à Mônica Bérgamo, claro. Ela deu um furo onde outros, já sabendo do escândalo, não foram investigar. Levaram 'capote', como se diz.

Como eu dizia, que figura o ministro, não? Será que alguma vez já andou nas ruas como um cidadão comum? Ao leigo, ao ler a entrevista, dá a impressão que não! É a de alguém que foi criado numa redoma por Papai e por Mamãe. E as suas prioridades existenciais? Esqueceu de comentar se joga tênis, pólo e gamão. Daí explica-se a engalanada cerimônia de sua posse no STF. Mais parecia a cerimônia de casamento da bela adormecida, como já comentado anteriormente. Ao vivo e à cores para deleite da plebe. A realeza tem saudades.

 

"Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles":

Se Dirceu "e os outros reus" deram suporte aa indicacao de um MINISTRO DO SUPREMO pensando em si mesmos e nao no bem do Brasil, eles merecem o juiz que tiveram.  Quem nao merece eh o Brasil.

"Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.":

Ver Nassif ontem com informacao critica deixada de lado:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/luiz-fux-a-vaidade-engoliu-o-esperto

Nassif, voce esqueceu de DATAR os primeiros "rumores" que ouviu mas ficou no ar que foi muitissimo antes de Bergamo.  Favor esclarecer.

 

As informações vieram no decorrer do julgamento do mensalão. A Mônica soube ao mesmo tempo e foi conferir.

 

Cotas no serviço público e racismo dissimulado

Domingo de sol é bom dia para um papo-cabeça.

Se doer, tome-se uma caipirinha para aliviar.

A presidente Dilma Rousseff pretende lançar em novembro um projeto de cotas para negros no serviço público. Faz muito bem. O Brasil é um país racista que adora pensar que não o é. O racismo inercial do país só desparecerá na base do choque na percepção individual por meio de políticas públicas musculosas. A resistência a esse tipo de procedimento vem de dois grupos: os universalistas e os relativistas. É um paradoxo. Os universalistas são aqueles seres que, em nome da abstração racional, asseguram que só o mérito intelectual deve prevalecer. Fazem de conta que o mérito intelectual não é resultado também das condições de preparação para uma disputa. Para quem ninguém seja privilegiado numa competição, pela introdução de fatores corretivos, privilegiam os que saem na frente pelas melhores condições de preparação. Apostam no corredor que treinou, comeu e usou todos as vitaminas existentes contra o que não pôde se preparar e, por isso, terá que perder mesmo.

Os universalistas explicam que a saída é dar condições de preparação a todos. Como isso não é feito, a vitória fica com os de sempre. O interessante é que, em geral, os universalistas estão na parte da cima da tabela, aquela em que, tendo condições de preparação, os competidores ganham os confrontos. Os relativistas, em princípio, deveriam se opor aos universalistas. Afinal, bons alunos de antropologia, defendem as diferenças e aceitam as particularidades. Acontece que um efeito perverso do relativismo impede o julgamento do passado. É o famoso e simplório “não se pode julgar o passado pelos valores do presente”. Nenhum mecanismo de absolvição da infâmia pretérita é tão poderoso e ignominioso como esse. Pode-se elogiar o passado com os valores do presente, mas não criticá-lo. Nessa lógica, não é lícito condenar as posturas escravistas dos nossos antepassados. Afinal:

– Eram os valores da época.

A escravidão deixa de ser uma mancha condenável.

Pura enrolação.

Na época, o século XIX, no Brasil, ou só no Rio Grande do Sul, havia dois tipos de pessoas que destoavam dos valores da época, que não os aceitavam, que os invalidavam como valor absoluto: os antiescravistas, que sempre existiram, e os escravos.

Sim, os escravos sempre souberam do horror a que estavam submetidos. Sempre souberam que aquilo era inaceitável, horrendo, infame. Sim, negros também chegaram a ter escravos no Brasil. Esse é o tipo do argumento estúpido e racista que tenta transformar a perversão do sistema em sistema total de perversão normalizada. Na desesperada tentativa de bloquear as cotas e de evitar que o Brasil salde sua dívida histórica com os negros, relativistas e universalistas, por corporativismo, racismo ou maldade, agarram-se ao falso universal como expressão particular dos seus interesses.

Curiosamente muito dos que negam compensações por  meio de cotas vivem pedindo compensações para seus negócios sempre que se sentem em desvantagem nalguma disputa econômica na parte de cima da tabela. Como dizia o sociólogo Pierre Bourdieu, tudo é campo. E campo é espaço estruturado, de conflito, com dominantes e dominados. O Brasil está vivendo, com acertos e erros, lentamente, o seu momento de transição em relação ao passado escravista e racista, pelas cotas, assim com em relação ao passado ditatorial recente, pela Comissão da Verdade, e, por fim, em relação à corrupção e ao caciquismo na política, com o julgamento do mensalão pelo STF. Não deixa de ser emblemático, embora meramente simbólico, que o condutor, neste último caso, do processo de releitura de nossas infâmias seja o ministro Joaquim Barbosa, um negro. Essa página terá de se completar, para desespero dos que só pensam ideologicamente, no sentido vulgar dessa palavra, com o julgamento do mensalão mineiro. A mídia, que sempre infantiliza os acontecimentos capitais, já reduziu tudo a heróis e vilões. Esse é um procedimento novelesco simplista. Não há heróis nem vilões. Há jogo de força e transfiguração. Ampliação do campo da luta.

Estranho mesmo é que os admiradores de Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão sejam seus adversários nas cotas e vice-versa. Barbosa não mudou. Cotas e mensalão integram um mesmo movimento. Se mantiver a sua coerência, o Brasil continuará mudando. E ele será odiado e amado alternadamente. As mudanças, contudo, não dependem dele. Ultrapassam-no. As cotas expressam a mudança pós-ditadura que o Brasil não pode mais frear. São o exemplo mais contundente de um novo imaginário. Como tal, devem ser provisórias. De repente, o país resolve atacar o mal pela raiz e dar condições reais de preparação a todos. Antes das cotas, essa ideia nunca passou de enrolação, de argumento para iludir incautos.

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=3344

 

Um manual para entender o jornalismo Veja

Nada como um velho filme para explicar “novas” realidades, sabendo-se que a realidade é uma cadela, uma vadia, como pensava Jean Baudrillard, uma construção coletiva que, muitas vezes, é empurrada por ventos individuais capazes de obrigá-la a se contercer para caber numa forma moldada para representar justamente aquilo que nega.

Todo o jornalismo estilo Veja e assemelhados está em “A montanha dos sete abutres”, filme de de Billy Wilder, de 1951.

Quando não se cria o fato, basta aumentá-lo, inflá-lo, hiperdimensioná-lo e fazê-lo render.

Depois, quando algo dá errado, a saída de emergência é sempre a mesma: nós só cobrimos os fatos.

A revista Veja, assim como o seu oposto idêntico, a Carta Capital, nem sempre faz jornalismo.

Cria, sempre que necessário, a realidade que deseja. Evidentemente em nome dos desejos não confessados, ou mesmo não professsados, daqueles que a publicação pensa ou decide representar como porta-voz de si mesma.

A Veja não está só.

Reinaldo Azevedo, seu cavaleiro enfurecido, conta com a parceria de profissionais isentos de opinião imortal: Merval Pereira e Ricardo Noblat também atuam nessaa militância de direita que os afasta imortalmente de jornalistas como Janio de Freitas, Carlos Heitor Cony e até Josias de Souza. Quanto mais rejeitam ideologias, mais afirmam as suas, heroicamente.

Sim, direita e esquerda estão por toda parte, especialmente nos discursos de direita que negam a existência de esquerda e direita para melhor afirmar a supramacia da direita sobre a esquerda, fazendo do direitismo uma neutralidade soberana.

A direita é contra cotas, bolsa-família, ProUni, Estado atuante e por aí vai. Muitas vezes essa rejeição é fruto de uma concepção de mundo intelectualmente crua e nada mais. Outras vezes, no entanto, libera essa raiva do outro, do pobre, do perdedor, do que vai estragar a festa. Até pouco tempo, em certas faculdades públicas, só havia cotas para brancos ricos, aqueles que tinham condições de se preparar para a competição e para acertar respostas, algumas vezes, de questões absolutamente inúteis.

A escolha da questão que seleciona também é um sistema de hierarquia social.

Aos lacerdinhas não interessa a verdade, seja ela qual for, ainda mais quando ela puder alcançá-los.

Interessa atingir a meta.

É ideologia pura.

Não lhes interessa apenas ver os larápios condenados, o que todos queremos.

Interessa-lhes o resultado ideológico, o símbolo, o cálculo político. Nesse quesito, está acompanhada pela esquerda.

Mas não pelos franco-atiradores.

A corrupção nem sempre escandaliza os lacerdinhas e os seus oponentes.

Salvo quando pode ser útil ideologicamente.

Quando pode render.

Estou esperando as críticas à absolvição de Duda Mendonça.

O marqueteiro fez o jogo.

Recebeu milhões no exterior, não os declarou, sabia que vinham de fonte ilícita.

Foi aliviado, em parte, até pelo “nosso herói”, Joaquim Barbosa.

Por que mesmo?

Quando uma revista como a Veja trata um juiz, que faz bem o seu trabalho, como herói, hiperdimensionando seu papel, infantiliza o leitor. Joga o leitor para dentro de uma estrutura folhetinesca. Faz da realidade uma história em quadrinhos. Ninguém precisa de heróis. Nem eles existem. Exceto na mitologia midiática da dicotomia entre o bem e o mal.

Billy Wilder mostrou tudo isso no seu clássico com Kirk Douglas no papel de jornalista decadente e cínico.

O Senhor América queria um herói.

O Senhor e a Senhora Brasil também querem.

O brasileiro médio quer novela.

A revista Veja fornece o produto.

Distribui as culpas de acordo com o seu interesse. O corruptor deve pagar muito mais que o corrompido, mesmo que, neste caso, ambos tenham compartilhado o mesmo objetivo, a mesma fraude, a mesma podridão e o mesmo dinheiro.

Direita e esquerda estão abraçadas nos mensalões brasileiros.

ACM Neto, do DEM, chamando o PT de “partido do mensalão”, o que é a mais pura verdade, tem algo de surrealista, como se, de repente, a realidade fizesse uma curva e entrasse numa espiral, consumindo-se numa vertigem de incongruências, num sopro escancarado de verdades como mentiras, de hipocrisias como moralidades, de inversões como reversões de expectativa.

Mesmo que o STF esteja julgando bem, a mídia o está aplaudindo mais por razões ideológicas. O STF, porém, pode fazer mais, pode zerar o jogo, colocar na mesma cela, pelo mesmo tempo, os parceiros de assalto ao poder e aos seus cofres.

O mensalão da esquerda, que comprou a direita, não absolve a direita dos seus cinco séculos de saques aos cofres públicos e ao poder. Os cinco séculos de poder da direita, com algumas minúsculas frestas, não absolvem a esquerda da sua burrice, da sua desonestidade e da sua tentativa de correr mais rápido do que a própria sombra, como um fantasma assombrado por si.

A hora da verdade está aí.

Basta querer enxergá-la em toda a sua complexidade.

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=3352

 

São oito as direções que a política humana pode tomar, esquerda e direita são só duas, falta considerar as outras seis.

A arte é equilibrar, harmonizar e imprimir qualidade na política para que permaneça-mos no ponto central e leve-mos este ponto central do encontro destes vetores em uma melhora do povo e da nação.

Governar é uma arte de compor um destino propício a quem governa dentro das diversidades de um planeta complexo, onde estão representados de forma humilde, econômica e com compaixão o povo e a nação.

 

Follow the money, follow the power.

Nuvens no horizonte neoliberal

Autor(es): Frei Betto

Correio Braziliense - 30/11/2012 

Escritor, é autor, em parceria com Marcelo Gleiser e mediação de Waldemar Falcão, de Conversa sobre a fé e a ciência (Agir), entre outros livros

Passei agradável fim de semana de novembro em companhia de Boaventura de Sousa Santos e outros amigos. Em sua fecunda reflexão, o cientista social português apontou as carregadas nuvens que pesam sobre a conjuntura mundial.

Há uma flagrante desconstrução da democracia. Desde o século 16, a Europa tem a sua história manchada de sangue, devido à incidência de guerras. Nos últimos 50 anos, acreditou ter conquistado a paz consolidada pela democracia fundada em direitos econômicos e sociais.

De fato, tais conquistas funcionavam como antídoto à ameaça representada pelo socialismo que abarcara a metade leste do continente europeu. Com a queda do Muro de Berlim, o capitalismo rasgou a fantasia e mostrou sua face diabólica (etimologicamente, desagregadora).

Os direitos sociais passaram a ser eliminados, e os países, antes administrados por políticos democraticamente eleitos, são governados, agora, pela troika FMI (Fundo Monetário internacional), BCE (Banco Central Europeu) e agências de risco estadunidenses.

Nenhum dirigente dessas entidades foi eleito democraticamente. E qual a credibilidade das agências de risco, se na véspera da quebra do banco Lehman Brothers, a 15 de setembro de 2008, elas atribuíram aos papéis da instituição a nota mais alta (triplo A)?

Hoje, o único espaço ainda não controlado é a rua. Mesmo assim, há crescente criminalização das manifestações populares. A tevê exibe, todos os dias, multidões inconformadas reprimidas violentamente pela polícia.

Dos dois lados do Mediterrâneo, o povo protesta. As mobilizações, contudo, têm efeito limitado. A indignação não resulta em proposição. O grito não se consubstancia em projeto. Wall Street ("Rua do Muro") é ocupada, não derrubada, como o Muro de Berlim. Não são sinalizados "outros mundos possíveis".

O bem-estar que se procura assegurar, hoje, é o do mercado financeiro. O Estado deixou de ser financiado somente pelos impostos pagos por empresas e cidadãos. Outrora, os mais ricos pagavam mais impostos (nos países nórdicos, ainda hoje chegam a 75% dos ganhos), de modo a redistribuir a renda por meio dos serviços oferecidos pelo Estado à população.

A partir do momento em que a elite começou a grita pelo Estado mínimo e por pagar cada vez menos impostos (como vimos proposto na campanha presidencial dos EUA), os Estados viram crescer suas dívidas e se socorreram junto aos bancos, que, fartos em liquidez, emprestavam a juros reduzidos. Assim, muitos países se tornaram reféns dos bancos.

Caso típico é a relação da Alemanha com seus pares na União Europeia. Os bancos alemães emprestavam dinheiro à Espanha — desde que o país adquirisse produtos alemães. Agora, a Alemanha é credora de metade da Europa.

Isso dissemina nova onda de antigermanismo no continente europeu. No século 20, duas vezes a Alemanha tentou dominar a Europa, o que resultou em duas grandes guerras, nas quais foi derrotada. Agora, no entanto, ela ameaça consegui-lo por meio da guerra econômica. Mais uma vez, a pedra no sapato é a França de Hollande, que, contrariando todas as expectativas, escapou este ano da maré recessiva que assola a Europa.

Países da América Latina e da África resistem à crise com a exploração e exportação da natureza — minérios, produtos agrícolas, combustíveis fósseis etc. Porém, quem fixa o preço das commodities são os EUA, a China e a Europa. Cada vez pagam menos dinheiro por maior volume de mercadorias. O mercado futuro já fixa preços para as colheitas de 2016! Tal especulação fez subir, nos últimos anos, o número de famintos crônicos, de 800 milhões para 1,2 bilhão.

Infla, assustadoramente, o preço de mercado dos dois principais bens da natureza: terra e água. Empresas transnacionais investem pesado na compra de terra e fontes de água potável na América Latina, Ásia e África. Nossos países se desnacionalizam pela desapropriação de nossos territórios. A grilagem é desenfreada. O curioso é que as terras são adquiridas com os habitantes que nela se encontram, como se fizessem parte da paisagem.

Há progressiva desmaterialização do trabalho. A atividade humana cede lugar à robotização. Nos setores em que não há robotização, campeiam a terceirização e o trabalho escravo, como a mão de obra boliviana e asiática usada em confecções brasileiras.
Já não há distinção entre trabalho pago e não pago. Quem remunera o trabalho que você faz via equipamentos eletrônicos ao deixar o local físico em que está empregado?
Outrora se brigava pela remuneração de horas extras e do tempo gasto entre o local de trabalho e a moradia. Hoje, via computador, o trabalho invade o lar e sonega o espaço familiar. A relação das pessoas com a máquina tende a superar o contato com seus semelhantes. O real cede lugar ao virtual. Suprime-se a fronteira entre trabalho e domicílio.
O conhecimento é mercantilizado. Nas universidades, tem importância a pesquisa capaz de gerar patentes com valor comercial. O conhecimento é aferido por seu valor de mercado, como nas áreas de biologia e engenharia genética. O professor trancado em seu laboratório não está preocupado com o avanço da ciência, e sim com seu saldo bancário a ser engordado pela empresa que lhe banca a pesquisa.
Essa mercantilização do conhecimento reduz, nas universidades, os departamentos considerados não produtivos, como os de ciências humanas. Decreta-se, assim, o fim do pensamento crítico. E, de quebra, o do conhecimento científico inventivo, que nasce da curiosidade de desvendar os mistérios da natureza, e não da sua manipulação lucrativa, como é o caso dos transgênicos.
A esperança reside, pois, nas ruas, na mobilização organizada de todos aqueles que, de olho nas nuvens, são capazes de evitar a borrasca por transformar a esperança em projetos viáveis.

 

Collor a Odair: e o crime do
Gurgel e o coito na Veja ?

Collor quer saber o que se passou nos dez dias entre o relatório que incriminava Gurgel e o coito de bandidos instalado na Veja, e versão final, amarelada. Que forças terríveis se manifestaram ?

O Conversa Afiada reproduz discurso que o senador Fernando Collor pronunciou da tribuna do Senado ao saber que o relator da CPMI do Cachoeira (e do Robert(o) Civita) tinha amarelado – clique aqui para ler “O que quer o Odair ?” – ao retirar do relatório final a incriminação ao brindeiro Gurgel e ao Chumbeta, o Caneta, esse Herói da Liberdade de Expresão:

http://www.youtube.com/watch?v=LeQqD2F5DTA

Senado Federal
Secretaria-Geral da Mesa
Secretaria de Taquigrafia

O SR. FERNANDO COLLOR (Bloco/PTB – AL. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente desta sessão, Srªs e Srs. Senadores, a reunião de hoje, dia 28, da CPMI, foi destinada à leitura do relatório pelo Deputado Odair Cunha.

Após uma acalorada discussão sobre os procedimentos regimentais a serem seguidos no tocante à discussão e votação do documento final, S. Exª, o Relator, antes de iniciar a leitura, estranhamente retirou as partes 6 e 7 de seu documento. Esses dois tópicos tratam exatamente do indiciamento do jornalista Policarpo Junior, da revista Veja, e do encaminhamento das provas respectivas ao Conselho Nacional do Ministério Público para apuração da conduta do Procurador-Geral Roberto Gurgel dos Santos perante as investigações da operação Vegas da Polícia Federal.

Digo estranhamente, Sr. Presidente, porque o que se deve questionar hoje é o que de fato acontece ou que de fato aconteceu entre a apresentação inicial do relatório, ocorrido no dia 28 deste mês, portanto há 10 dias somente, tão somente 10 dias, e a leitura resumida feita no dia de hoje. Afinal, que fatos levaram a relatoria a retirar exatamente as principais partes do seu contundente e detalhado relatório, consubstanciado – vale frisar – em mais de 5 mil páginas?

Para demonstrar a importância, a amplitude e o alcance das conclusões em relação a esses dois temas a que chegou o Deputado Odair Cunha, assessorado por uma competente e diversificada equipe técnica, basta reproduzir as palavras do próprio Relator na peça inicial publicada, divulgada e distribuída publicamente na semana passada.

Sobre o núcleo de imprensa – vale dizer –, contido em 349 páginas do relatório – 349 páginas foram dedicadas somente a tratar do chamado núcleo de imprensa –, disse o Relator Odair Cunha e abro aspas: “Não restam dúvidas de que o jornalista Policarpo Junior aderiu à organização criminosa de Carlos Cachoeira, colaborando intensamente para o êxito e a continuidade de suas atividades e a impunidade de seus líderes”. Fecho aspas.

Registrou, ainda, o Relator em seu documento as palavras do Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, Dr. Paulo Augusto Moreira Lima, ao decretar a prisão do Sr. Carlos Cachoeira, nos seguintes termos, abro aspas – palavras do Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, especificamente em Anápolis: “Ademais…

Ademais, os meios de proteção ao esquema criminoso alcançaram a utilização e manipulação da própria imprensa, sempre mediante pagamento, tudo com o escopo de tentar desqualificar o trabalho desenvolvido por órgãos sérios de persecução e preservar negócios espúrios.

E continua o Sr. Juiz: “Detectou-se, ainda, nas investigações os estreitos contatos da quadrilha com alguns jornalistas para a divulgação de conteúdo capaz de favorecer os interesses do crime.”

Fecho aspas, para continuar novamente com as palavras do juiz citado pelo relator em seu relatório hoje apresentado. “O poderio era tanto que a organização criminosa contava com o apoio de jornalistas para ‘bater’ em trabalhos sérios que poderiam atrapalhar os ‘negócios’.”

Ele aqui coloca entre aspas: “Há provas de que políticos abriram seus gabinetes para os criminosos, jornalistas venderam matérias e empresários apoiaram e contaram com o apoio de membros da quadrilha.” Fecho novamente aspas. Palavras do Juiz da 11ª Vara, em Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, utilizadas no relatório da CPMI.

Além disso, às pp. 4.506 e 4.507, o relator, especificamente sobre Policarpo Júnior, assevera que “nessa urdida engenharia criminosa, que tinha como apoio um braço midiático, Policarpo Júnior foi um dos profissionais da imprensa mais requisitados pelo líder da quadrilha”. E continua: “Carlos Cachoeira não era um informante privilegiado”.

Isto aqui é do texto do relator do primeiro relatório apresentado semana passada aos integrantes da CPMI. Diz ele, continuando:

Carlos Cachoeira não era um informante privilegiado. Não abastecia jornalistas e profissionais da imprensa porque estava enlevado de um espírito cidadão. (…) Ele simplesmente os usava para atingir ou assegurar o êxito de seus objetivos criminosos. (…) Na quadra da realidade que se afirma, exsurge como aviltante da inteligência e da própria dignidade das cidadãs e dos cidadãos deste País justificar os cerca de 8 anos [oito anos!] que sustentam a relação Cachoeira x Policarpo
Apenas como uma singela relação entre fonte e jornalista.

As investigações sobre esse profissional nos permitem divisar que Policarpo Júnior não mantinha com Carlos Cachoeira uma vinculação que se consubstanciava apenas na relação de jornalista e fonte. Estavam unidos em propósitos claros e adrede articulados durante muitos anos.”, palavras do Relator, Deputado Odair Cunha.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, pergunto a quem quer que seja se essas constatações são secundárias, como justificou o Relator para retirá-las do documento, apesar da contundência e clareza de sua própria argumentação no relatório. A gravidade desses fatos, vinculando setores da imprensa, mais particularmente a revista Veja, sempre ela, e seus servidores com o crime organizado, é ou não é de interesse da sociedade brasileira? Sobre a conduta do Procurador-Geral da República, o Relator manifestou-se, em seu documento inicial, nos seguintes termos dos quais destaco alguns trechos que, por si só, revelam o crime de prevaricação, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, cometido por Roberto Gurgel Santos. Disse o Relator: “apuraram-se fortes indícios de desvios de responsabilidade constitucional, legal e funcional, praticadas pelo Dr. Roberto Gurgel. O PGR é livre para formar seu convencimento, mas, obrigatoriamente, ele deve tomar uma decisão fundamentada, seja ela qual for. Ele não pode permanecer inerte, obstando o prosseguimento de uma investigação policial. Sem incorrer no risco de cometer exageros, as razões assinaladas pelo Dr. Roberto Gurgel, para justificar o sobrestamento, nas palavras dele, Gurgel, ao se justificar por escrito à CPMI da Operação Vegas não se sustentam. Em primeiro lugar porque simplesmente não existe o instituto do sobrestamento de inquérito policial; trata-se de um termo inédito no processo penal brasileiro. Em segundo lugar, porque o PGR não efetuou nenhuma ação controlada, como também ele alegara, ele, Procurador-Geral, na sua defesa. Se os autos da Operação Vegas permaneceram paralisados em seu gabinete não houve nenhuma ação, tampouco controlada, aliás, o próprio Dr. Roberto Gurgel

Aliás, o próprio Dr. Roberto Gurgel admitiu que não fez ação controlada. Porém, ele recorre a esse instituto em seu ofício para justificar, para legitimar o seu discurso, ao alegar que o inexistente instituto do sobrestamento tem fundamentação análoga à da ação controlada. Portanto, o próprio Dr. Roberto Gurgel admitiu não ter feito nenhuma ação controlada, mas, sim, algo parecido com uma ação controlada o qual ele chamou de sobrestamento.

Continuo lendo palavras colocadas pelo Relator Odair Cunha em seu relatório apresentado há cerca de 10 dias.

Em terceiro lugar, ciente de que não estava fazendo nenhuma ação controlada, o Dr. Roberto Gurgel chegou a argumentar que decidiu sobrestar o inquérito no intuito de possibilitar a retomada das interceptações telefônicas e de investigação.
(Interrupção do som.)

O SR. FERNANDO COLLOR (Bloco/PTB – AL) – Obrigado, Sr. Presidente (Fora do microfone.).

Ora, como seria possível retomar a investigação e as interceptações telefônicas, se os autos em que se processava a investigação estavam totalmente paralisados em seu gabinete?

E segue o Relator, com inúmeros outros argumentos e fatos revelados, até concluir em seu relatório:
A suposta falta funcional cometida pelo Dr. Roberto Gurgel consiste, em tese, em uma conduta omissa.

O PGR é livre para convencer-se acerca da existência de indícios de crime ou não, para oferecer denúncia, para solicitar novas diligências, incluindo a instauração de inquérito policial, ou solicitar o arquivamento das peças de informação quanto aos Parlamentares e requerer o retorno dos autos ao juízo de origem. Todavia, ele é obrigado a tomar alguma atitude. Ele é obrigado a tomar alguma atitude.

Em hipótese alguma [diz o Relator], ele poderia ter sobrestado – leia-se interrompido – a investigação em face da organização chefia por Carlos Cachoeira.

Ao interromper as investigações sobre a Operação Vegas, o Dr. Roberto Gurgel deixou que continuassem as ilicitudes cometidas pela organização criminosa liderada por Carlos Cachoeira.
Destarte e diante de tudo que estamos a afirmar, recomendamos o envio das provas respectivas para o Conselho Nacional do Ministério Público.

Fecho aspas, reafirmando que, até aqui, essas são palavras do Relator contidas no relatório apresentado há 10 dias.

E aqui, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, volto a perguntar: será que são esses fatos, essas conclusões do Sr. Relator temas secundários? Nada disso interessa à sociedade brasileira? Nada disso é motivo de discussão e votação na CPMI?

Sinceramente, Sr. Presidente, não é possível compreender, menos ainda admitir, que, para o Relator e alguns membros da CPMI, não haja gravidade ou relevância para se manter no relatório as partes 6 e 7. Alegar que são fatos e circunstâncias que não constituem o ponto central da CPMI, conforme declarou o Relator, me parece que é inverter toda a lógica de uma comissão parlamentar mista de inquérito na seara da representatividade e prerrogativas do Congresso Nacional.

Digo isso, Sr. Presidente Jayme Campos, e aqui solicito a atenção de V. Exªs, por considerar e entender justamente o contrário. Estes dois pontos, a coabitação de setores da imprensa com o crime organizado e a conduta prevaricadora do Procurador-Geral da República, são exatamente o objetivo principal da CPMI, pois tratam de assuntos de âmbito nacional, de caráter federal e natureza constitucional.

Aliás, foram esses dois grandes fatos os principais temas trazidos à luz da população pela CPMI. Foram essas abordagens, sistematicamente por mim abordadas e trabalhadas, as novidades que a Comissão permitiu que fossem descobertas. Lembro que os demais temas e fatos abordados na CPMI já foram objeto de investigação e cujos inquéritos já estão em curso no âmbito da Justiça e do próprio Ministério Público.

O Sr. Carlos Cachoeira até preso e solto já foi, assim como muitos dos outros integrantes de seu grupo. Seus crimes e contravenções, suas relações políticas e empresariais já foram todas desmascaradas antes mesmo de a CPMI iniciar seus trabalhos. Já tivemos um Senador julgado e cassado por esta Casa. Outros Parlamentares Federais já respondem na Câmara por suas supostas ligações com o Sr. Carlos Cachoeira. Os empresários envolvidos e as empresas utilizadas como “laranjas” estão todos mapeados, identificados e a apuração de suas responsabilidades estão em curso na Justiça tanto no âmbito federal quanto nos âmbitos estadual e distrital.

Em relação ao suposto envolvimento de governadores com o grupo contraventor, trata-se de matéria de cunho e interesse estadual ou, quando muito, regional, que deve ficar a cargo e responsabilidade de apuração das respectivas assembleias legislativas, inclusive por meio de CPIs locais.

Diferentemente, contudo, Sr. Presidente, Jayme Campos, ocorre com autoridades federais, como é o caso do Procurador-Geral da República, Sr. Roberto Gurgel Santos, e com o envolvimento de setores da mídia, cujo interesse é notoriamente de alcance nacional, envolvendo questões até constitucionais. Esses pontos, esses aspectos maiores e personagens nacionais é que devem, sim, ser objeto de investigação de uma CPMI federal, ou seja, do Poder Legislativo da União, pois são de interesse direto de toda a sociedade, de todo o País.

Assim, Sr. Presidente, Sras e Srs. Senadores, se esses dois temas retirados pelo Relator são por ele considerados secundários, é o caso então de perguntar: o que é então prioritário? O que já está sob julgamento da Justiça, e cujos fatos, crimes e personagens todos já conhecem? A verdade é que se as partes 6 e 7 do relatório final não forem reintegradas ao texto, fica demonstrado o que venho, de forma reiterada, alertando: o Congresso Nacional, enquanto Poder da República, não se engrandece. Ao contrário, ele se apequena, submetendo-se a um órgão subordinado, como a PGR, e a setores da mídia – e a setores da mídia, Sr. Presidente! – que trabalham sordidamente para manipular a política em torno de seus interesses escusos.

Por isso, nas minhas sugestões a S. Exa, o Senador Odair Cunha, Sr. Presidente, Sras e Srs. Senadores, vou propor a reinserção das duas partes retiradas, bem como a inclusão de outros integrantes do Ministério Público que, com ações deletérias, estão deslustrando o Ministério Público, esse instituto criado para defender a sociedade, e que vem sendo conspurcado pela atuação criminosa do Sr. Roberto Gurgel Santos, e indicar, pedir a inclusão desses outros integrantes do Ministério Público Federal, como também de outros servidores dessa revista Veja, um verdadeiro coito de bandidos que ali se encontram.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente Jayme Campos, por enquanto, Srªs e Srs. Senadores. Agradecendo a V.Exª pelo tempo extra que me foi concedido.
Muito obrigado.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/11/28/collor-a-odair-e-o-crime-do-gurgel-e-o-coito-na-veja/

 

Por sujestão do comentarista Adir Tavares

Mensalão Tucano: Azeredo e Clésio podem pegar 40 anos de prisão

Juízes cumprem determinação de Barbosa em relação às testemunhas de acusação, agora terão mais 40 dias para ouvir as testemunhas de defesa

Dando sequência ao comportamento adotado frente o processo do Mensalão do PT, o ministro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, após receber a devolução da carta de ordem devidamente cumprida pelo Juiz da 9ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, informando que todas as oitivas relativas às testemunhas de acusação na ação penal nº 536 já haviam sido feita, deu início no último dia 28 a fase das oitivas das testemunhas de defesa, fixando outros quarenta dias para conclusão desta fase.

Em sua decisão o ministro determinou que:

“Na Subseção Judiciária de Belo Horizonte/MG:

O juízo delegatário de Belo Horizonte deverá ouvir as testemunhas abaixo nomeadas no prazo de 40 (quarenta) dias, contados a partir do dia em que receber a carta de ordem:

(i) BEN-HUR SILVA DE ALBERGARIA, residente à Rua Tito Botelho Martins, 111, apt. 302, Bairro São Bento, Belo Horizonte/MG, CEP 30.360-080;

AP 536 / MG

(ii) FRANCISCO MARCOS CASTILHO SANTOS, residente à Rua Carlos Gomes, 160, Bairro Santo Antônio, Belo Horizonte/MG, CEP 30.350-130;

(iii) JOSÉ HENRIQUE SANTOS PORTUGAL, residente à Av. Assis Chateaubriand, 525, apt. 1101, bloco 2, Bairro Floresta, Belo Horizonte/MG, CEP 30.150-900;

(iv) KÁTIA BERNARDES REZENDE, residente à Rua São João Evangelista, 337, apt. 203, Bairro São Pedro, Belo Horizonte/MG, CEP 30.330-140;

(v) SÉRGIO BORGES MARTINS, residente à Rua Dona Cecília, 111, apt. 1301, Bairro Serra, Belo Horizonte/MG, CEP 30.220-070;

(vi) PEDRO EUSTÁQUIO SCAPOLATEMPORE, residente à Av. Marquês de Valença, 35, apt. 202, Bairro Gutierrez, Belo Horizonte/MG, CEP 30.441-106.

2º) Subseção Judiciária de Jaboatão dos Guararapes/PE:

No segundo dia subsequente à oitiva da última testemunha pelo juízo de Belo Horizonte; ou dois dias depois do fim do prazo de 40 dias estabelecido para o cumprimento da carta de ordem pelo mencionado juízo delegatário, o Juízo delegatário da Subseção Judiciária de Jaboatão dos Guararapes/Poder Executivo deverá ouvir a seguinte testemunha:

- Sr. SEVERINO SÉRGIO ESTELITA GUERRA, residente à Av. Bernardo Vieira de Melo, 1626, Edifício Fernando Maranhão, apt. 1901, Bairro Piedade, Jaboatão dos Guararapes/PE, CEP 54.410-010.

Na  Subseção Judiciária de Fortaleza/CE

No segundo dia subsequente à data designada para a oitiva da testemunha residente em Jaboatão dos Guararapes/PE, o juízo delegatário da Seção Judiciária de Fortaleza/CE deverá ouvir a seguinte testemunha de defesa:

- CIRO FERREIRA GOMES, ex-Deputado Federal, residente à Av. Historiador Raimundo Girão, n° 700, ap. 2302, Praia de Iracema, Fortaleza/CE, CEP 60.165-050.2

Os juízes delegatários deverão comunicar, via fax, ao gabinete deste Relator, as datas das oitivas das respectivas testemunhas, tão logo sejam agendadas. Em caso de mudança de endereço, endereço inexistente, ou qualquer outra situação que impeça a intimação da testemunha ou sua oitiva no prazo estabelecido anteriormente, os juízos delegatários deverão comunicar imediatamente a intercorrência, via fax, ao gabinete deste Relator, para decisão sobre a possibilidade de conferir caráter itinerante à carta de ordem.

Os juízes delegatários ficam autorizados a conduzir coercitivamente as testemunhas faltosas e a adotar todas as medidas legalmente cabíveis para que a diligência seja cumprida nos prazos previstos. Nos termos da jurisprudência consolidada deste Tribunal, a defesa será considerada intimada no momento da publicação deste despacho, a partir do qual caberá exclusivamente às partes acompanhar o andamento e as datas das oitivas junto aos competentes juízos delegatários, sem necessidade de outras intimações.

Entre as perguntas a serem formuladas às testemunhas, devem ser incluídas indagações sobre:

1) eventual conhecimento das testemunhas acerca dos pagamentosde despesas da campanha do acusado EDUARDO AZEREDO por empresas vinculadas ao acusado MARCOS VALÉRIO e/ou seus sócios, tendo em vista indícios de que “A importância de três milhões e quinhentos mil reais foi transferida dos cofres públicos das estatais mineiras COPASA, COMIG e BEMGE para a empresa privada SMP&B Comunicação, sob a justificativa formal de patrocínio a três eventos esportivos cuja organização era controlada pela empresa de três acusados”, como constou da ementa do acórdão de recebimento da denúncia;

2) se tiveram contato com o acusado EDUARDO BRANDÃO DE AZEREDO, à época dos fatos e/ou durante sua campanha de reeleição para o cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, em 1998;

3) se tiveram contato com o Sr. CLÉSIO ANDRADE (que responde à Ação Penal 606, pelos mesmos fatos objeto deste processo), no período dos fatos objeto desta ação penal, quando o Sr. CLÉSIO ANDRADE foi candidato a Vice-Governador na chapa do Sr. EDUARDO AZEREDO (v.depoimento de fls. 623/631, vol. 3);

4) se conhecem ou tiveram contato, à época dos fatos, com o Sr.Cláudio Roberto Mourão (que responde a ação penal, pelos mesmos fatos, perante Vara Federal Criminal na Seção Judiciária de Belo Horizonte, tendo em vista desmembramento do processo), ex-Secretário de Administração do Estado de Minas Gerais, no Governo do Sr. EDUARDO AZEREDO e Coordenador Financeiro da campanha do réu EDUARDO AZEREDO em 1998, havendo nos autos uma listagem que teria sido elaborada pelo Sr. Cláudio Mourão, contendo a origem de recursos utilizados na campanha eleitoral antes mencionada (fls. 338/340, vol. 2; perícia – Laudo de Exame Documentoscópico 3319/2005, fls. 420/425, vol. 2; depoimentos: fls. 405/412, vol. 2; fls. 529/530, vol. 3);

5) se conhecem ou tiveram contato com os Senhores MARCOS VALÉRIO, RAMON HOLLERBACH e CRISTIANO PAZ à época dosfatos objeto deste processo e se sabem do seu eventual relacionamento com o réu EDUARDO AZEREDO, tendo em vista que esses três corréus (que respondem à ação penal desmembrada destes autos, perante o juízo de primeiro grau) contraíram dívidas no montante de R$ 13.900.000,00 (treze milhões e novecentos mil reais), através da DNA Propaganda, mediante empréstimo junto ao Banco Rural, o qual, segundo os acusados, destinou-se ao “financiamento da campanha dos srs. EDUARDO AZEREDO e CLÉSIO ANDRADE para o Governo do Estado de Minas Gerais nas eleições gerais de 1998”, e que o Banco Rural aceitou dar quitação pelo montante de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), através de transação judicial (v. documento de fls. 253, vol. 2; ver, também, depoimentos do Sr. RAMON HOLLERBACH: fls. 256/257, vol. 2, e fls. 612/614, vol. 3; Sr. CRISTIANO PAZ: fls. 258/259, vol. 2; Sr. MARCOS VALÉRIO: fls. 260/262, vol. 2; fls. 665/666, vol. 4; documento de fls. 615/616);

6) se conhecem ou já mantiveram contato com o Sr. Nilton Antonio Monteiro, cujos termos de declarações constam destes autos (fls. 36/65,vol. 1; fls. 380/386, vol. 2; fls. 389/395, vol. 2), o qual forneceu um documento, cuja autenticidade é questionada pelo Sr. EDUARDO AZEREDO, identificado como “recibo” e, supostamente, assinado pelo réu, reconhecendo o recebimento de R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais), das empresas SMP&B e DNA Propaganda, ambas controladas pelos réus MARCOS VALÉRIO, CRISTIANO PAZ e RAMON HOLLERBACH (fls. 341, vol. 2);

7) se têm conhecimento dos contratos firmados entre a DNA Propaganda e/ou a SMP&B e órgãos ou entidades do Estado de Minas Gerais (por exemplo, a Secretaria da Casa Civil e de Comunicação do Estado de Minas Gerais, a COPASA, a COMIG, o BEMGE – vide depoimentos do Sr. Fernando Moreira Soares, fls. 440/442, vol. 3; Sr. Carlos Eloy de Carvalho Guimarães, fls. 443/445, vol. 3; Sr. Eduardo Pereira Guedes Neto, fls. 518/521, vol. 3, e fls. 922/925, vol. 5; Sr. Ruy José Vianna Lage, fls. 526/528, vol. 3; Sr. Laudo Wilson de Lima Filho, fls. 5897/5899, vol. 27).

A autoridade judicial competente para cada oitiva deve empreender esforços no sentido de obter todos os esclarecimentos que considerar necessários sobre os temas supra mencionados, bem como outros esclarecimentos que, no curso da audiência, revelem-se importantes para o deslinde da controvérsia.

Expeçam-se todas as cartas de ordem, acompanhadas de cópia, em meio físico, das seguintes peças dos autos, cujo teor pode contribuir para a colheita de informações das testemunhas a serem ouvidas:
1) todos os documentos indicados nas perguntas supra formuladas;

2) cartas manuscritas de autoria da Sra. Vera Lúcia Mourão de Carvalho Veloso, prima do Sr. Cláudio Roberto Mourão (corréu), da época em que foram divulgados os fatos que envolvem esta ação penal (fls. 08/12, vol. 1; fls. 577/596, vol. 3; c/c depoimento de fls. 1443, vol. 7); dos depoimentos por ela prestados (fls. 559/576, vol. 3); dos documentos por ela apresentados (fls. 599/610, vol. 3);

3) denúncia (fls. 5932/6019, vol. 27);

4) defesa preliminar;

5) interrogatório (fls. 9623/9693, vol. 45) e depoimento do acusado no curso do inquérito (fls. 673/680, vol. 4);

6) depoimentos das testemunhas de acusação, colhidos na última fase desta ação penal;

7) da ementa do acórdão de recebimento da denúncia.

Encaminhe-se, ainda, em meio digital, cópia do inteiro teor dos Autos”.

Devido estar respondendo a mais de uma ação penal por diversos crimes, restando ainda o resultado de diversos inquéritos, inclusive de tentativa de homicídio, juristas afirmam que, se condenado, a pena a ser imposta a Eduardo Azeredo deverá ser superior a aplicada ao réu Marcos Valério - 40 anos e 1 mês.  Tal cálculo aplica-se igualmente ao réu Clésio Andrade.

Documentos que fundamentaram a matéria:

Movimentação da Ação Penal 536, perante o STF

Despacho do Ministro Joaquim Barbosa

http://www.novojornal.com/politica/noticia/mensalao-tucano-azeredo-e-cle...

 

Fantasmas na notícia

Ari Cunha - Visto, Lido e Ouvido - Ari Cunha

Correio Braziliense - 30/11/2012 

Impossível resistir. Ao ligar o rádio às 5h da manhã, as notícias começam com sangue. É atropelamento no ponto de ônibus mata mulher grávida; morte de menor não é explicada; assassinatos aumentam no Entorno; em 66% dos casos de violência, crianças presenciam as cenas; policiais envolvidos em extermínio; noite violenta em São Paulo rendeu 15 assassinatos; violência custa mais de R$ 5 milhões ao governo; violência 2,5 vezes maior no Sudeste; incidência de roubos de carros aumenta; assalto no Lago Norte; corpo de mulher desaparecida foi encontrado em matagal; criança jogada no lixo é encontrada com vida; mulher morre na fila do hospital... Na hora do almoço, a mesma coisa. Notícias da noite, iguais. Qual será a razão disso? Há intenções veladas? Que necessidade existe de substituir a notícia de uma nova lei; de um programa que deu certo; de uma iniciativa que esteja realmente engrandecendo o país, como projetos educacionais que fizeram verdadeira mudança social; de tecnologias patenteadas por criativos brasileiros? Não seriam notícias mais úteis conquistas de gente sem voz, que enfrenta o mundo e vence, até nas redações das televisões, rádios e jornais? Quantas histórias ricas! Quantas vidas dedicadas a informações! O ponto-chave é: será que é mesmo impossível resistir a tanto sangue? (Circe Cunha)

A frase que não foi pronunciada
"Não há soluções políticas para problemas econômicos."

Joelmir Betting

Transparência

» O Portal da Transparência põe muita gente na berlinda. Como nada se esconde, cita-se o caso da apropriação indébita. Foi com interferência direta que cidadão se apropriou de ilha longe dos seus pertences. Para tanto, usou de artifícios, como interferência de terceiros. Invadiu a ilha e construiu um heliporto, para deleites de fins de semana, e com lancha veloz para passeios turísticos

Turismo no DF

» Ônibus de turistas entrarão em funcionamento na Copa do Mundo. É transporte coletivo de bom gosto, com hora marcada. Sairá do Aeroporto com conforto, indo e voltando longe do tráfego. Outro terá integração com trem. Essa é a maneira encontrada para fugir do trânsito pesado, principalmente nas grandes cidades.

Kyoto

» Plano de Kyoto está em mudança. Países sem ambição estão criando outra forma para instruir os cidadãos sobre a convenção climática. Substituindo o atual, vai nascer um acessível ao povo: KioTV será o novo esquema para países de maior ocorrência de distúrbios na natureza.

Negritude

» A redatora Camila Molin informa que, confirmando a primeira afirmativa do Ministério da Cultura, Marta Suplicy lançou pelo Museu Afro Brasil cinco editais dedicados ao grupo étnico. População brasileira representa 52%, segundo o IBGE.

Imposto de Renda

» Controlando atividades dos passageiros nos aeroportos, a Delegacia Fiscal consegue arrecadar mais impostos. Um simpático plantão verifica compras, e ali mesmo aplica o imposto que poderia ser escamoteado.

Ao pé do cadafalso

» Partido dos Trabalhadores, dividido aos pedaços, faz dinheiro para eleições com a tesouraria à disposição dos gananciosos. Assunto é do conhecimento do Supremo Tribunal Federal, e a investigação é incansável cercando o ex-presidente Lula. Tenta se esconder como líder dos trabalhadores. Esquece-se do que foi realizado antes e se situa na corda-bamba. Funcionários maldosos foram nomeados no governo Lula da Silva.

Porto Seguro

» Operação Porto Seguro, comandada pela Polícia Federal, é o surgimento de mais um escândalo. Ex-senador Gilberto Miranda, da Amazônia, desocupou a Ilha das Cabras, no Parque Industrial, onde usava helicóptero e lanchas nos passeios.

Ministra Ellen
Gracie

» Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Ellen Gracie compareceu na hora dos cumprimentos e foi assediada pelo tumulto da imprensa. A tevê transmitia suas palavras, logo interrompidas pela presença de ex-ministros na hora dos cumprimentos.

Política no esporte

» Mano Menezes, então técnico da Seleção Brasileira, foi demitido sem informações. É que a Fifa desejava outro nome de sua familiaridade. O Brasil não contestou; indicou outro, conhecido internacionalmente. Aliás, o Brasil até agora aceitou todas as imposições da Fifa. Até isenção de ICMS.

 

(apagar, Assis.  Veio sem link, o paragrafo "Ao pé do cadafalso" eh pura trollagem, e nao da pra saber se eh do link original ou se foi posto mais tarde por trolls)

 

Que dureza Continua a batalha no Reino Unido pela ética no jornalismo e com risco de virar "sinuca de bico".

 

Um importante conselheiro de justiça para Lord Levenson diz que "projeto de lei para regulamentação da imprensa viola lei dos direitos humanos".

Como se a imprensa não violasse os direitos humanos dúzia de vezes a cada edição.

 

http://www.bbc.co.uk/news/uk-20571526#

 

 

É preciso que o STF e a Polícia Federal apurem as denúncias abaixo
Posted on dezembro 1, 2012 by Caio Hostilio


A esperança do Judiciário


Após receber por duas vezes o email abaixo, resolvi fazer uma ampla investigação sobre o caso em questão e constatei que o descrito no texto baixo corresponde às consultas no Google e demais sites.


A esperança é no novo presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que mostrou em seu discurso de posse querer um judiciário transparente e sem atos rasteiros.


Milton Cruz (milcq@hotmail.fr)


Enviada: sábado, 1 de dezembro de 2012 16:41:08


A CORRUPÇÃO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


“ Ofensas publicadas em redes sociais devem ser retiradas em até 24h, decide STJ “ : esta foi a forma que o STJ encontrou para retirar as denúncias contra magistrados que circulam nas redes sociais uma vez que a imprensa foi calada ou comprada no Brasil. Não trata-se em nenhum modo de uma prova de respeito ao cidadão brasileiro, ao contrário trata-se de um desrespeito ao direito à liberdade de expressão e sobretudo ao direito de igualdade de Justiça uma vez que esta medida permitirá a retirada de denúncias gravíssimas de corrupção que atingem um grande número de magistrados e empresários corruptos.


O escândalo dos leilões de imóveis da Justiça do Trabalho deixaria até um roteirista de Hollywood boquiaberto. Agora aparece mais empresas implicadas na pocilga: COMERCIAL CONSTRUTORA E SERVIÇOS BLAU LTDA NIRE 35217523349 além de fraudar as hastas públicas e mesmo após tantas denúncias o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região permite a inclusão do G.G.C.  05.070.209/0001-45 nesta empresa.


Mais grave ainda é o fato de com plena ciência do escândalo os juízes e desembargadores permitirem que a empresa COMERCIAL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLAU LTDA NIRE 35600140708 efetue a transformação de seu tipo jurídico para EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA vindo assim a tornar-se Comercial Construções e Serviços Blau EIRELI e isto na data de 03/09/2012. Deste modo o Sr. Adam Blau fica tranquilo e guarda os bens que ele surrupiou de tantas famílias e empresários a  preço de banana com a ajuda e conivência da própria justiça.


Desde que iniciei minhas denúncias pude ver o tamanho do coorporativismo defendendo bandidos e como a Maçonaria tem o poder de unir-se para praticar estes golpes e escondê-los do cidadão brasileiro.


No Supremo Tribunal Federal sob a presidência do Excelentíssimo Ministro César Peluzo informaram-me através da carta GP -O 3353/2010 que através do Ofício GP-O 1425/2010 que minhas denúncias haviam sido encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça- Ouvidoria.


No Conselho Nacional de Justiça sob a corregedoria da Excelentíssima Ministra Eliana Calmon os processos 6384320122000000, 6586820112000000, 0000663-90.2011.2.00.0000, 0003405-25.2010.2.00.0000, 0000385-55.2012.2.00.0000, 0000670-82.2011.2.00.0000, 0000636-73.2012.2.00.0000, 0000661-23.2011.2.00.0000, 0006015-63.2010.2.00.0000, 0008134-94.2010.2.00.0000, 0000668-15.2011.2.00.0000, 0000666-45.2011.2.00.0000, 0000657-83.2011.2.00.0000, 0000651-76.2011.2.00.0000, 0000659-53.2011.2.00.0000, 0000570-30.2011.2.00.0000, 0000655-16.2011.2.00.0000, 0000672-52.2011.2.00.0000, 0000667-30.2011.2.00.0000, 0000306-13.2011.2.00.0000 além das denúncias contidas no Ofício GP-O 1425/2010  foram TODOS ARQUIVADOS esclarecendo NÃO TRATAR-SE DA COMPETÊNCIA DO Conselho Nacional de Justiça, sem que nenhuma medida sequer fosse tomada contra essa quadrilha.


Na Polícia Federal Superintendência Nacional de São Paulo – Corregedoria Regional de Polícia o Protocolo  COR n° 88.467, Protocolo SIAPRO N° 08500.014827/2011-32, denúncia via Sedex SK 687006181 BR com data de 18/10/2010 além de diversas via correio eletrônico, estas denúncias   foram encaminhadas pela Excelentíssima Delegada de Polícia Federal Alessandra Cássia Cardoso através do Ofício n° 3.114/11/COR/SR/SP no dia 07/01/2011 ao Superior Tribunal de Justiça.


No Ministério Público Federal – Procuradoria da República da 3ª Região (São Paulo -  Excelentíssima Procuradora Chefe Ana Mara Osório Silva de Sordi) Ref. Peças Informativas n° 1.34.001.004789/2010-12 e igualmente PR-SP 00015087/2012 e PR 00015090/2012 foram encaminhadas à Procuradoria Geral da República em Brasília.


Na Procuradoria Geral da República em Brasília o procedimento n° 1.34.001.004789/2010-12  e igualmente PR-SP 00015087/2012 e PR 00015090/2012 foram encaminhados à Excelentíssima SubProcuradora-Geral Lindôra Maria de Araújo e apesar de todas as provas foram encaminhadas ao Superior Tribunal de Justiça e ARQUIVADOS sem nenhuma investigação ( e nem precisava visto as provas fornecidas inclusive com resumo dos processos).


Mas o melhor e mais descarado foi realmente no Superior Tribunal de Justiça.   Após receber todas as denúncias acima relatadas, além da encaminhada à sua Excelência o Senhor Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA ) na data de 15/04/2010 através do Sedex SK 79666819 O BR, tive como conhecimento de um único ato deste tribunal: foi determinado por parte da TERCEIRA TURMA do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (REsp 1.193.764) a retirada da página de denúncias efetuadas no Portal QIR  (http://www.qir.com.br/?p=3866) no prazo máximo de 24 horas citando um processo contra a empresa GOOGLE que se referia à um fato completamente distinto Recurso Especial nº: 1323754 – RJ (2012/0005748-4). A Excelentíssima Ministra Fátima Nancy Andrighi relatora do recurso especial prestou-se a realizar este serviço sujo. Esta Excelência teve a cara-de-pau de usar este processo para impor ao Portal QIR e retirada das denúncias contra as empresas do Sr. Adam Blau ( Comercial Construçoes e Serviços Blanchard Ltda, Comercial e Serviços JVB Ltda, Comercial Construtora e Serviços APB Ltda, Galeria de Arte André, Adam Blau Galeria de Artes e seus respectivos sócios André Philippe Pagliuca Blau, Valdicéia de Souza Blau, Juliana Beatriz de Souza Blau e Andréa Ana Helena Pagliuca Blau de Paulo). Trata-se um processo por utilização de um perfil falso no Orkut e que foi citado como tratando-se de uma ofensa contra uma cidadã que teve seu nome mencionado em minhas denúncias. Muito estranhou-me que não citassem o nome da pobre vítima ( bem certo não podiam fazê-lo por tratar-se de MAIS UM GOLPE DO JUDICIÁRIO. “ A autora da ação narrou que criou perfil no Orkut, site de relacionamento da internet e, posteriormente, percebeu que suas fotos e seus dados pessoais haviam sido utilizados, por terceiros, para se passarem por ela e criar um perfil falso”. INDECENTE, VERGONHOSO, PILANTRAGEM PURA! Tudo isto sendo realizado para evitar que estas denúncias sejam investigadas uma vez que diversos cidadãos  utilizaram às páginas do Portal QIR como referências em suas denúncias. Retirando-as da internet somem com as denúncias que geraram suas petições e reclamações.


A página que relatava os fatos www.qir.com.br/?p=14825 também foi retirada do ar mas salvei os dados como prova deste abuso suplementar. Basta acessar o link e averiguar.


A corrupção no TRT da 2ª Região já é descarada e notória, mas no SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA me poupem… Estas denúncias foram encaminhadas igualmente a Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.


A prova está aí e sabemos o que podemos esperar do Superior Tribunal de Justiça: IMPUNIDADE. O Sr. Adam Blau é o novo Daniel Dantas do pedaço ( e deve ter muitos outros que não sabemos em escândalos abafados como este). O Superior Tribunal de Justiça mostrou onde encontra-se o nível de corrupção no Judiciário e ele é muito alto. A magistratura brasileira está em um fosso de merda que talvez seja impossível resgatar. A corrupção no Poder Judiciário é mascarada desta forma através de abuso de autoridade, constrangimento de vítimas e manipulação dos meios de comunicação. Mas os fatos estão aí relatados, as provas e as denúncias de diversos cidadãos brasileiros assaltados por magistrados que já possuem um salário satisfatório para o Brasil. Mas querem mais, mesmo que custe a desgraça dos brasileiros ou até mesmo suas vidas ( como citado anteriormente os casos de suicídio que ocorreram com vítimas que ao se verem na rua se mataram).


É verdade que a página do Portal QIR além das demais retiradas na pilantragem representam um perigo para estes magistrados corruptos por relatarem a verdade. Elas mostram o que realmente está acontecendo dentro da Justiça do Trabalho, no Tribunal Regional da 2ª região e nos demais através do Brasil. É um esquema gigantesco de corrupção. E pelo que se pode ver a não estão dispostos a abrir mãos desse dinheiro imundo. Nós sabemos bem como isto vai terminar e como no caso Daniel Dantas as vítimas serão condenadas e os ladrões continuarão gozando de seus privilégios e serão promovidos, condecorados e homenageados. Infelizmente é assim em um país onde honestidade, caráter e ética são coisas raras.


Posso até entender que o Estatuto da Magistratura ( Lei Complementar 37/79 em seu artigo 33 parágrafo único estabeleça que compete ao tribunal ao qual  é vinculado o magistrado tomar as providências quanto às notícias crimes à este relativas ). Mas o que fazer quando denunciando-se à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região e até a Presidência deste tribunal nada é feito e a corrupção continua descaradamente? A safadeza continua acontecendo de modo descarado e recebo relatos de arremates de imóveis que acontecem nos dias de hoje desrespeitando  a Lei 8.009 sobre o BEM DE FAMÍLIA e sobretudo com a avaliação inicial propositalmente baixa efetuadas pelos oficiais de justiça  sabendo que deixarão os imóveis irem a lanço sem arremates até que chegue no preço que permita enriquecer esta quadrilha.


Acompanhe no site do Superior Tribunal de Justiça os procedimentos n° 1.34.001.004789/2010-12, PR-SP 00015087/2012 e PR 00015090/2012 e vejam que nada foi feito.


JUIZ CORRUPTO NO BRASIL NÃO VAI PARA CADEIA. JUIZ CORRUPTO NO BRASIL É APOSENTADO COM PENSÃO CONFORTÁVEL E GUARDA AINDA OS FRUTOS DO SEUS GOLPES. ISTO RARAMENTE, QUANDO É APOSENTADO O QUE NEM ISSO ACONTECE. EMPRESÁRIO LADRÃO NO BRASIL TEM STATUS SOCIAL.


Outras empresas e sócios implicados:


Sr. ADAM BLAU, de nacionalidade brasileira, CPF: 004.443.088-49, RG: 2.865.185-6 – SSP/ SP , residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP, empresa COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA – CNPJ 59.377.572/0001-37 – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital, empresa COMERCIAL , CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS BLANCHARD LTDA , Rua Caraça, 327 Vila Madalena – CEP 05.447-130 – Vila Madalena – São Paulo, COMERCIAL E SERVIÇOS JVB LTDA sito à Rua Estados Unidos, 2280 – Mezanino – CEP 01427-002 – Jardim América – São Paulo – Capital,  COMERCIAL, CONSTRUTORA E SERVIÇOS APB LTDA NIRE – 35215429647, sito ora à Rua Estados Unidos 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim América – SP ou Av. Brigadeiro Faria Lima 1616 – 2° andar – CEP 01451-001 – Jardim Paulistano – SP, empresa GALERIA DE ARTE ANDRÉ IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO, COMÉRCIO DE QUADROS E TAPETES LTDA – sito à Rua Estados Unidos, n° 2.280 – CEP 01427-002 – Jardim Paulista – São Paulo – Capital, e alguns dos seus respectivos sócios : Sra VALDICÉIA DE SOUZA BLAU, brasileira, empresária, CPF: 030.632.958-17, RG: 14.226.222-5 – SSP/ SP residente residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP, Srta JULIANA BEATRIZ DE SOUZA BLAU, brasileira, CPF: 132.784.268-86, RG: 24.656.056-3 – SSP/ SP, residente residente à Rua Caraça, n° 327 – Vila Beatriz, CEP 05447-130, São Paulo – SP, Sr. ANDRÉ PHILIPPE PAGLIUCA BLAU, brasileiro, empresário, CPF: 118.458.128-24, RG: 15.710.244 – SSP/ SP, residente à Rua Itaiteva, n° 206, Apto 11, Morumbi – CEP 05713-470 , Sra. ANDRÉA ANA HELENA PAGLIUCA BLAU DE PAULO, brasileira, CPF: 092.883.588-03, RG: 15.710.243-9 – SSP/ SP, residendente à Rua Elias Cutait, n° 127 – Cidade Jardim, CEP: 05672-020 e igualmente da empresa TETRA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA – CRECI 10.896-J – Av. Brigadeiro Luis Antônio, n° 733 – Loja 05 – CEP: 01317-904 – Bela Vista – São Paulo além dos advogados BENCE PÁL DEÁK (OAB 95409/SP) e PATRÍCIA KONDRAT (OAB 237142/SP).


Existem mais empresas implicadas no caso e todas  pertencentes ao mesmo sócio : O Sr. ADAM BLAU. Será que o judiciário não vai conseguir admitir nunca esta fraude?


Para ter acesso aos processos entre nos links:


http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profile/MILTONCRUZ
http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profiles/comment/list?attachedToType=User&attachedTo=2gq4jialtmdmw&commentId=2806036%3AComment%3A186230&xg_source=activity
http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/
http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profiles/blogs/denuncia-urgente?xg_source=activity
http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profiles/blog/show?id=2806036%3ABlogPost%3A119418&commentId=2806036%3AComment%3A185851&xg_source=activity
http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profiles/blog/show?id=2806036%3ABlogPost%3A148340&commentId=2806036%3AComment%3A185678&xg_source=activity


Assinado: MILTON DA CRUZ QUEIROGA


C.P.F. 683.674.306-20


RG: 36.739.719-5

 

Infelizmente eh tudo verdade.  Esse eh o judiciario brasileiro mesmo.

 

Saída de Gurgel do relatório não absolve o procurador-geral

por Dr. Rosinhaespecial para o Viomundo

Em setembro de 2009,o inquérito policial da Operação Vegas já havia detectado o envolvimento de parlamentares e outras autoridades com prerrogativa de foro com o esquema de exploração de jogos ilegais comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Detectada a presença de autoridades com foto privilegiado, os autos foram encaminhados para a Procuradoria Geral da República, sob o comando de Roberto Gurgel, que tinha três alternativas: oferecer a denúncia e iniciar a ação penal, requisitar mais diligências ou arquivar o processo. Gurgel decidiu-se por uma quarta: não fez absolutamente nada e, como se diz vulgarmente, “sentou” sobre a denúncia.

Com a remessa dos autos à Procuradoria Geral, a Operação Vegas e as investigações sobre a quadrilha de Carlinhos Cachoeira foram totalmente interrompidas, aguardando uma decisão de Gurgel. Assim, Cachoeira poderia estar até hoje agindo livremente, não fosse a Operação Monte Carlo que, de forma independente, mas também investigando os jogos de azar no Estado de Goiás, acabou por identificar como responsáveis as mesmas autoridades que a Operação Vegas. Quando o pedido de inquérito face ao ex-senador Demóstenes Torres chegou, via Operação Monte Carlo, Gurgel ficou sem alternativas e não conseguiu mais segurar o desbaratamento da quadrilha.

As desculpas de Gurgel para, por simples inércia, atravancar as investigações sobre Cachoeira e permitir que ele ficasse ainda por mais de dois anos em atividade não convencem. Primeiro, o procurador-geral disse que não identificou “fato penalmente relevante” que pudesse justificar a abertura de processo no STF. Porém dos 12 fatos indicados por ele quando instaurou o inquérito contra o senador Demóstenes Torres, mais de dois anos depois, sete foram descortinados pela Operação Vegas e apenas cinco pela Monte Carlo. A questão que precisa ser colocada é: por que, em dois anos, esses fatos passaram a contar? O que aconteceu?

Fora isso, é preciso dizer, por ocasião da ação penal 470, que se convencionou chamar de “mensalão”, Gurgel se mostrou bem pouco ortodoxo quando se trata de acatar provas. O que diferenciaria os dois casos?

Mas, apesar de não encontrar “fato penalmente relevante”, o procurador tampouco quis arquivar o processo, para, segundo alegou, não interferir nas investigações da Operação Monte Carlo. Ora, não havia como o andamento do processo contra autoridades citadas pela Operação Vegas atrapalhar as investigações da Operação Monte Carlo. Isso porque a Operação Monte Carlo sequer existia quando os autos da Vegas chegaram às mãos de Gurgel. Isso aconteceu em setembro de 2009, enquanto o inquérito da Operação Monte Carlo só foi aberto em janeiro de 2011. Teria, Roberto Gurgel, o dom da clarividência?

Diante das questionáveis atitudes do procurador-geral, nada mais razoável do que pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público que investigasse sua conduta, o que foi feito pela primeira versão do relatório final da CPI do Cachoeira. Mas, por questões políticas (necessidade de aprovar o relatório), foi necessário retirar as menções a Gurgel, entre outros, do documento. O relator entendeu que ele é secundário e que o texto tem outras prioridades (a constar, o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB). No que estou plenamente de acordo.

Dr. Rosinha é médico e deputado federal (PT-PR)