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Como era a parceria Veja-Cachoeira

Hoje, que o araponga Jairo se apresentou como repórter, o capítulo "O araponga e o repórter", da série "O caso de Veja", onde mostro em detalhes a associação criminosa entre as duas organizações: a de Cachoeira e a Abril. Lembrando que a série foi escrita em 2008. De lá para cá aprofundaram-se as relações criminosas entre as duas organizações.

O araponga e o repórter


Depois de se aliar ao araponga, jornalista é promovido.   para enviar informações  para comentar

 

A matéria foi bombástica e ajudou a deflagrar a crise do “mensalão”. Uma reportagem de 18 de maio de 2005, de Policarpo Jr., da sucursal da Veja em Brasília, mostrava o flagrante de um funcionário dos Correios – Mauricio Marinho – recebendo R$ 3 mil de propina (clique aqui)


A abertura seguia o estilo didático-indagativo da revista:

(…) Por quê? Por que os políticos fazem tanta questão de ter cargos no governo? Para uns, o cargo é uma forma de ganhar visibilidade diante do eleitor e, assim, facilitar o caminho para as urnas. Para outros, é um instrumento eficaz para tirar do papel uma idéia, um projeto, uma determinada política pública. Esses são os políticos bem-intencionados. Há, porém, uma terceira categoria formada por políticos desonestos que querem cargos apenas para fazer negócios escusos – cobrar comissões, beneficiar amigos, embolsar propinas, fazer caixa dois, enriquecer ilicitamente.

A revista informava que tinha conseguido dar um flagrante em um desses casos na semana anterior:

Raro, mesmo, é flagrar um deles em pleno vôo. Foi o que VEJA conseguiu na semana passada.

Anotem a data que a revista menciona que recebeu a gravação: semana passada. Será importante para entender os lances que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

A matéria, como um todo, não se limitava a descrever uma cena de pequena corrupção explícita, embora só esta pudesse ser comprovada pelo grampo. Tinha um alvo claro, que eram as pessoas indicadas pelo esquema PTB, especialmente na Eletronorte e na BR Distribuidora. O alvo era o esquema; Marinho, apenas o álibi.

O que a matéria não mostrava eram as intenções efetivas por trás do dossiê e do grampo. Os R$ 3 mil eram um álibi para desmontar o esquema do PTB no governo, decisão louvável, se em nome do interesse público; jogo de lobby, se para beneficiar outros grupos.

Antes de voltar à capa, uma pequena digressão sobre as alianças espúrias do jornalismo.

Os dossiês e os chantagistas

A partir da campanha do “impeachment” de Fernando Collor, jornalistas, grampeadores e chantagistas passaram a conviver intimamente em Brasília. Até então, havia uma espécie de barreira, que fazia com que chantagistas recorressem a publicações menores, a colunistas da periferia, para montar seus lobbies ou chantagens. Não à grande mídia.

Com o tempo, a necessidade de fabricar escândalo a qualquer preço provocou a aproximação, mais que isso, a cumplicidade entre alguns jornalistas, grampeadores e chantagistas. Paralelamente, houve o desmonte dos filtros de qualidade das redações, especialmente nas revistas semanais e em alguns diários.

Foi uma associação para o crime. Com um jornalista à sua disposição, o grampeador tem seu passe valorizado no mercado. A chantagem torna-se muito mais valiosa, eficiente, proporcional ao impacto que a notícia teria, se publicada. Isso na hipótese benigna.

É uma aliança espúria, porque o leitor toma contato com os grampos e dossiês divulgados. Mas, na outra ponta, a publicação fortalece o achacador em suas investidas futuras. Não se trata de melhorar o país, mas de desalojar esquemas barra-pesadas em benefício de outros esquemas, igualmente barra-pesadas, mas aliados ao repórter. E fica-se sem saber sobre as chantagens bem sucedidas, as que não precisaram chegar às páginas de jornais.

Por ser um terreno minado, publicações sérias precisam definir regras claras de convivência com esse mundo do crime. A principal é o jornalista assegurar que material recebido será publicado – e não utilizado como elemento de chantagem.

Nos anos 90 esses preceitos foram abandonados pelo chamado jornalismo de opinião. No caso da Veja adeterioração foi maior que nos demais veículos. O uso de matérias em benefício pessoal (caso dos livros de Mario Sabino), o envolvimento claro em disputas comerciais (a “guerra das cervejas” de Eurípedes Alcântara), o lobby escancarado (Diogo Mainardi com Daniel Dantas), a falta de escrúpulos em relação à reputação alheia, tudo contribuiu para que se perdessem os mecanismos de controle.

Submetida a um processo de deterioração corporativa poucas vezes visto, a Abril deixou de exercer seus controles internos. E a direção da revista abriu mão dos controles externos, ao abolir um dos pilares do moderno jornalismo – o direito de resposta – e ao intimidar jornalistas de outros veículos com seus ataques desqualificadores.

É nesse cenário de deterioração editorial que ocorre o episódio Maurício Marinho.

A parceria com o araponga

Nas alianças políticas do governo Lula, os Correios foram entregues ao esquema do deputado Roberto Jefferson. Marinho era figura menor, homem de propina de R$ 3 mil.

Em determinado momento, o esquema Jefferson passou a incomodar lobistas que atuavam em várias empresas. Dentre eles, o lobista Arthur Wascheck

Este recorreu a dois laranjas – Joel dos Santos Filhos e João Carlos Mancuso Villela – para armar uma operação que permitisse desestabilizar o esquema Jefferson não apenas nos Correios. como na Eletrobrás e na BR Distribuidora. É importante saber desses objetivos para entender a razão da reportagem da propina dos R$ 3 mil ter derivado - sem nenhuma informação adicional - para os esquemas ultra-pesados em outras empresas. Fazia parte da estratégia da reportagem e de quem contratou o araponga.

A idéia seria Joel se apresentar a Marinho como representante de uma multinacional, negociar uma propina e filmar o flagrante. Como não tinham experiência com gravações mais sofisticadas, teriam decidido contratar o araponga Jairo Martins.

E, aí, tem-se um dos episódios mais polêmicos da história do jornalismo contemporâneo, um escândalo amplo, do qual Veja acabou se safando graças à entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, da Folha, que acabou desviando o foco da atenção para o “mensalão”.

Havia um antecedente nesse episódio, que foi o caso Valdomiro Diniz, a primeira trinca grave na imagem do governo Lula. Naquele episódio consolidaram-se relações e alianças entre um conjunto de personagens suspeitos: o bicheiro Carlinhos Cachoeira (que bancou a operação de grampo de Valdomiro), o araponga Jairo Martins (autor do grampo) e o jornalista Policarpo Jr (autor da reportagem).

No caso Valdomiro, era um contraventor – Carlinhos Cachoeira – sendo achacado por um dos operadores do PT, enviado pelo partido ao Rio de Janeiro, assim como Rogério Buratti, despachado para assessorar Antonio Palocci quando prefeito de Ribeirão.

Jairo era um ex-funcionário da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), contratado pelo bicheiro para filmar o pagamento de propina a Valdomiro Diniz.

Tempos depois, Jairo foi convidado para um almoço pelo genro de Carlinhos Cachoeira, Casser Bittar.

Lá, foi apresentado a Wascheck, que o contratou para duas tarefas, segundo o próprio Jairo admitiu à CPI: providenciar material e treinamento para que dois laranjas grampeassem Marinho; e a possibilidade do material ser publicado em órgão de circulação nacional.

Imediatamente Jairo entrou em contato com Policarpo e acertou a operação. O jornalista não só aceitou a parceria, antes mesmo de conhecer a gravação, como avançou muito além de suas funções de repórter.

O grampo em Marinho foi gravado em um DVD. Jairo marcou, então, um encontro com Policarpo. Foi um encontro reservado - eles jamais se falavam por telefone, segundo o araponga -, no próprio carro de Policarpo, no Parque da Cidade. Policarpo levou um mini-DVD, analisou o material e atuou como conselheiro: considerou que a gravação ainda não estava no ponto, que havia a necessidade de mais. Recebeu a segunda, constatou que estava no ponto. E guardou o material na gaveta, aguardando a autorização do araponga, mesmo sabendo que estava se colocando como peça passiva de um ato de chantagem e achaque. 

Wascheck tinha, agora, dois trunfos nas mãos: a gravação da propina de R$ 3 mil e um repórter, da maior revista do país, apenas aguardando a liberação para publicar a reportagem.

Quando saiu a reportagem, a versão do repórter de que havia recebido o material na semana anterior era falsa e foi desmentida pelos depoimentos dados por ele e por Jairo à Policia Federal e à CPI do Mensalão.

Pressionado pelo eficiente relator Osmar Serraglio, na CPI do Mensalão, Jairo negou ter recebido qualquer pagamento de Wascheck. Disse ter se contentado em ficar com o equipamento, provocando reações de zombaria em vários membros da CPI.

Depois, revelou outros trabalhos feitos em parceria com aVeja. Mencionou série de trabalhos que teria feito e garantiu que sua função não era de araponga, mas de jornalista. O único órgão onde seus trabalhos eram publicados era a Veja. Indagado pelos parlamentares se recebia alguma coisa da revista disse que não, que seu objetivo era apenas o de "melhorar o pais".

Segundo o depoimento de Jairo:

‘Aí fiquei esperando o OK do Artur Washeck pra divulgação do material na imprensa. Encontrei com ele pela última vez no restaurante, em Brasília, no setor hoteleiro sul, quando ele disse: ‘Eu vou divulgar o fato. Quero divulgar’. E decorreu um período que essa divulgação não saía. Aí foi quando eu fiz um contato com o jornalista e falei: ‘Pode divulgar a matéria’’.

Clique aqui para ler os principais trechos do depoimento do araponga Jairo à CPI.

E aqui para acessar o relatório final da CPMI.

Reações na mídia

A revelação do episódio provocou reações acerbas de analistas de mídia.

No Observatório da Imprensa, Alberto Dines publicou o artigo “A Chance da Grande Catarse do Jornalismo”

O atual ciclo de denúncias não chega a ser uma antologia de jornalismo mas é uma preocupante coleção de mazelas jornalísticas. Busca-se a credibilidade mas poucos oferecem transparência, pretende-se a moralização da vida pública mas os bastidores da imprensa continuam imersos na sombra:
Tudo começou com uma matéria de capa da Veja sobre as propinas nos Correios, clássico do jornalismo fiteiro.

(...) Carece de (...) transparência a ouverture desta triste e ruidosa temporada através da Veja. Dois meses depois, a divulgação do vídeo da propina nos Correios continua envolta em sombras, rodeada de dúvidas e desconfianças.E, como não poderia deixar de acontecer com fatos mantidos no lusco-fusco da dubiedade, cada vez que a matéria é examinada ou discutida sob o ponto de vista estritamente profissional, mais interrogações levanta.

Caso da entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo, quinta-feira, 30/6) do ex-agente da ABIN, Jairo Martins de Souza, autor da gravação. O araponga — que, aliás, se diz jornalista [veja abaixo comentários de Ricardo Noblat] e faz negócios com jornalistas — revelou que ofereceu o vídeo ao repórter Policarpo Júnior, da sucursal da Veja em Brasília, e que este aceitou-o antes mesmo de examinar o seu teor [abaixo, a transcrição da matéria do JN].

Na hora da entrega, o jornalista teria usado um reprodutor portátil de DVD para avaliar a qualidade das imagens. De que maneira chegou ao jornalista e por que este aceitou o vídeo são questões que até hoje não foram esclarecidas.

Tanto o repórter como a revista recusam-se terminantemente a oferecer qualquer tipo satisfação ou esclarecimento aos leitores. Não se trata de proteger as fontes: elas seriam inevitavelmente nomeadas quando o funcionário flagrado, Maurício Marinho, começasse a depor. Foi exatamente o que aconteceu e hoje Veja carrega o ônus de ter se beneficiado de uma operação escusa – chantagem de um corrupto preterido ou ação formal da Abin para desmoralizar um aliado incômodo (o PTB, de Roberto Jefferson).

(...) Araponga não é jornalista, vídeo secreto ainda não é reconhecido como gênero de jornalismo. Talvez o seja num futuro próximo.

O episódio mereceu comentários do blogueiro Ricardo Noblat:

Ao ser contratado para filmar Marinho e grampear André Luiz, a primeira coisa que ele disse que fez foi procurar a Veja e oferecer o material. ‘Foi um trabalho puramente jornalístico’, garantiu.

A amigos, nas duas últimas semanas, Jairo confessou mais de uma vez que espera ganhar o próximo Prêmio Esso de Jornalismo. Ele se considera um sério candidato ao prêmio.

Não é brincadeira não, é serio! Porque ele está convencido de que filmou e grampeou como free-lancer da Veja – embora jamais tenha recebido um tostão dela por isso. Recebeu dos que encomendaram as gravações.

Jairo ganhava como araponga e pensava em brilhar como jornalista.

É, de certa forma faz sentido." 

Tempos depois, a aliança com o araponga renderia a Policarpo a promoção para chefe de sucursal da Veja em Brasília. A revista já caíra de cabeça, sem nenhum escrúpulo, no mundo nebuloso dos dossiês e dos pactos com lobistas. E o grande pacto do silêncio que se seguiu na mídia, permitiu varrer para baixo do tapete as aventuras de Veja com o araponga repórter.

O final da história

Parte da história terminou em agosto de 2007. Sob o titulo “PF desmonta nova máfia nos Correios”, o Correio Braziliense noticiava o desbaratamento de uma nova quadrilha que tinha assumido o controle dos Correios (clique aqui).

No comando, Arthur Wascheck, que assumiu o comando da operação de corrupção dos Correios graças ao serviço encomendado a Jairo - grampo mais publicação do resultado na Veja

Durante a Operação Selo, foram presas cinco pessoas, em dois estados mais o Distrito Federal.

Segundo o jornal:

Entre os presos estão Sérgio Dias e Luiz Carlos de Oliveira Garritano, funcionários dos Correios, além dos empresários Antônio Félix Teixeira, Marco Antônio Bulhões e Arthur Wascheck, considerado pela PF como líder do grupo e acusado de ter sido o responsável pela gravação feita no dia em que Marinho recebia a propina. Os investigadores não quantificaram o volume de recursos envolvidos nas fraudes, mas calculam que seja de dezenas de milhões de reais.

De acordo com os investigadores, “o grupo agia como traficantes nos morros".

“Havia uma quadrilha na ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), que foi desbaratada e afastada. A outra organização tomou o lugar dela. Assim como os traficantes fazem, quando saem, morrem ou são presos, acontece a mesma coisa no serviço público. Quando uma quadrilha sai do local, entra outra e começa a praticar atos ilícitos no lugar da que saiu”, explica o delegado Daniel França, um dos integrantes do grupo de investigação.

A corrupção tinha apenas trocado de mãos:

Para o Ministério Público Federal, o entendimento era o mesmo.

“Não se pode dizer que a corrupção terminou ou se atenuou. O que houve foi uma substituição de pessoas, alijadas do esquema”, afirma o procurador da República Bruno Acioli.

Segundo ele, há pelo menos 20 empresas, muitas delas ligadas a Wascheck, estão envolvidas nas fraudes que podem atingir outros órgãos públicos, conforme investigações da PF.

A ficha de Wascheck era ampla e anterior ao episódio do qual Veja aceitou participar:

O empresário, conforme os investigadores, atuava na área de licitações desde 1994, sendo que um ano depois ele fora condenado por irregularidades em licitação para aquisição de bicicletas pelo Ministério da Saúde.

O valor das fraudes chegava a milhões de reais:

Segundo a polícia, o grupo de Wascheck vendia todo tipo de material para os Correios. De sapato a cofres, sendo que muitos integrantes do esquema eram também procuradores de outras empresas envolvidas nas concorrências. Com a análise dos documentos, que começou a ser feita ontem, os investigadores devem chegar aos valores das fraudes. “O que posso dizer é que esse prejuízo é de milhões de reais. Dezenas de milhões de reais”, diz o procurador da República, ressaltando que seu cálculo se baseia em alguns casos específicos. “Existem licitações na casa de bilhões de reais”, afirma o procurador.

No sistema de buscas da revista, as pesquisas indicam o seguinte:

Operação Selo Wascheck: 0 ocorrências

Operação Selo (frase exata) Período 2007: 0 ocorrências

Revista de 8 de agosto de 2007: nenhuma menção

Na edição de 15 de agosto, nenhuma menção. Mas uma das materias especiais atende pelo sugestivo título de“Porque os corruptos não vão presos”

"Frágil como papel

A Justiça brasileira é incapaz de manter presos assassinos
confessos e corruptos pegos em flagrante. Na origem da
impunidade está a própria lei".

A reportagem fala do mensalão, insinua que os implicados até melhoraram de vida, menciona símbolos midiáticos de corrupção (Quércia, Maluf, Collor etc). Nenhuma palavra sobre a Operação Selo e sobre o papel desempenhado pelas reportagens de escândalo da própria revista no jogo das quadrilhas dos Correios.

Seus aliados foram protegidos.

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Comentários

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Essa série sobre a VEJA deveria ser publicada na forma tradicional, ou seja, o livro impresso. De preferencia, em formato de bolso, e com preço acessível para que o publico em geral, estudantes e aspirantes a jornalistas tomassem conhecimento do maior esquema de associação criminosa entre a grande mídia e o  grupos empresariais, cada um com seus interesses, e ambos determinados a f .... com a nação. E ainda tem gente que acha que todos os esquemas convergem para o PT!!!! Pobres diabos, ainda não entendetram  onde esta o ovo da serpente ...

 

 

Aniversário do Nassif? Oi, enxutão, beijão.

 

Brilhante texto de Nassif, traz a público encadeamento de falcatruas que estão agora explodindo com denúncias das operações Vegas e Monte Carlo. Pena é constatar que a extensa colaobração da midia, de políticos e da justiça tem garantido a continuidade destes equemas em desmesurado prejuizo para a nação. O PGR disse conhecer estes fatos desde 2009, Qual foi o custo da inação desta autoridade para o Brasil?

 

Nessa confusão toda, o que podemos notar é que a veja perdeu a sua própria liberdade de imprensa, pois a partir do momento que o seu Diretor de jornalismo, Poli, PJ, Caneta, sumiu, e o seu Redator chefe e pauteiro Carlos Augusto de Almeida Cachoeira, seus repórteres, Dadá e Jairo, foram presos, e mais um outro repórter investigativo invasor free lancer Gustavo Nogueira Ribeiro, que se escafedeu, a Veja deixou de praticar o mais puro jornalismo investigativo, e perdeu toda liberdade de imprensa.

Curioso é que não houve mais tentativas de derrubar ministros.

A imprensa em geral não fala mais nada sobre a corrupção, não tem mais aquela jogada manjada da Veja fazer uma matéria bombástica sobre o governo, o JN noticiar com ênfase e martelar durante vários minutos do sábado, e os jornais impressos do domingo, estamparem com manchetes vivas toda rama articulada pela grande imprensa. Mas eis que de repente, com as prisões dos jornalistas investigativos a coisa mudou de rumo, o Poli, Caneta, PJ, sumiu. Algumas pessoas até sentem falta daquele humor macabro que eles praticavam.

Vai ser difícil eles voltarem a fazer o que faziam, pois talvez nem eles voltem, quanto mais a sua imprensa.

Perderam dinheiro, respeito e credibilidade.

Abriu-se um imenso espaço para quem quiser praticar um jornalismo de verdade, mas eu disse de verdade.

 

 

 


 


Nasci e li, o durante e o antes da minha existência.Vascullhei ,tanto quanto consegui, toda a literatura do jornalismo.


     Não consegui achar UM jornalista isento ao longo da sua carreira.Muitos chegaram próximos,mas por um motivo ou outro se desviaram.


     E posso garantir que NENHUM jornalista se desviou,ou mudou de posição,por motivos nobres.


      Essa é a história do jornalismo que é a história da humanidade.


       Como disse Napoleão: ''Tenho mais medo de um jornal do que um exército inimigo''( mais ou menos isso)


           A história de Veja,tão bem relatada por Nassif,é carbono de todos os jornais e revistas do mundo.


          E não há sinal,nem sequer indícios que possa mudar a fraqueza humana.


            Se o mesmo empenho que Nassif teve pra escafunhar a revista Veja, fosse dedicado a qualquer revista do planeta seria a mesma coisa.Sobretudo as que atuam no Brasil.


        É por isso que a educação é fundamental.Só uma pessoa bem antenada,consegue discernir o fato relatado jornalisticos do fato produzido por intenções além do jornalismo.


       Datas,como escreve Nassif, não mudam os fatos.Mas mudam ,e muito,quando eles devem ser anunciados.E isso tbm não é jornalismo puro.


        Aliás, ''jornalismo puro'',nunca existiu.


     Até os repórteres do setor criminal,sempre modificavam uma simples canivetada, pra umas centenas de facadas na vítima- que misteriosamente,''passava  bem''.


          E era mancheste de primeira página em letras garrafais.


        O famoso ditado popular: ''quem conta um conto aumenta um ponto'',com certeza foi escrito por um jornalista.


        Ou por alguém que se baseou nele.

 

 

TRIBUTO, O BEM MAIOR DA HUMANIDADE.

 

Tributo é pago única e exclusivamente pelo consumidor final. Todo tributo de qualquer natureza vai 100% para o consumidor final..

 

Empresário  de qualquer categoria não paga um único centavo de tributo, ele é, quando honesto, um digno recolhedor de tributo.

 

DONO DE POSTO PAGA TRIBUTO? NÃO, ELE É, QUANDO HONESTO, UM DIGNO RECOLHEDOR DE TRIBUTO.

 

CNPJ não paga tributo, é somente recolhedor do tributo.

 

 Dono de posto de gasolina  que é contra o tributo, pegue o seu posto e o instale em uma localização sem acesso publico.

 

Querer usufruir das benesses do tributo e não querer fazer sua parte é coisa de bandido.

 

EXISTEM SOMENTE TRÊS QUALIDADES DE INDIVIDUOS QUE SÃO CONTRA O TRIBUTO:  1- O IGNORANTE;  2 – O ESCRAVISTA;  3 – O BANDIDO.

 

Aqueles que querem usufruir da sociedade e das benesses que ela proporciona  e não quer fazer sua parte  é - digo afirmativamente: É – ESCRAVISTA BANDIDO

 

 

Pedro Taques com razão , brindeiro deve ser ouvido , porem Taques , cadê o perillo , os sigilos telefônicos e bancários , cadê o policarpo , civita , seus sigilos bancários e telefônicos , o sigilo telefônico e bancário do demostenes , o pagamento a brindeiro é decorrência da existência desta quadrilha que tem um núcleo , não é o senhor geovanni , ou que este núcleo já esteja responsabilizado , ou mesmo Senador Taques , conhecido , não se sabe exatamente quem comandava e principais papeis na quadrilha , após isto , os pagamentos , quem prestou serviços , as empresas de fachada e todas atividades correlatas seriam conhecidas com mais facilidade , e de fato a CPMI investigaria , ajudariam as instituições encarregadas dos inquéritos e prestariam relevantes serviços a nação.


wladimir garcez , facilitador juntos a agentes públicos , o meio de campo , conhece a legislação e penas dos crimes que é acusado , espertinho , cita amizades com vários políticos , que cachoeira queria sempre mais poder , como bicheiro tinha limitações quem seria o depositário deste poder pretendido ou as intenções do bicheiro , a compra da casa de perillo pelo dinheiro de cachoeira e da delta , compra e vende , tremenda lavanderia , um dos vários negócios , pouco importante , a quebra do sigilo telefônico de perillo resolveria esta e várias outras questões.


Braço político , não participava nos negócios de jogo ilícito , Odair Cunha , atento , os meliantes do jogo ilícito estão mais incriminados , agora o braço político , um deles, estreita ligações com perillo , a delta pode ter se tornado ou pretendida como um dos principais braços financeiros , a empreiteira tinha contatos com vários políticos que não pertenciam a quadrilha , um fresta para aumentar o número de acusados embolar todo mundo , descaracterizar a formação de quadrilha e seus crimes e planos , colocando na vala comum da corrupção , o caso desta quadrilha é diferente.


Paulo Teixeira , atento ao depoimento ressalta que o preso deixou claro negócio imobiliário com perillo com a participação de cachoeira e a delta , dito pelo depoente. A diferença entre perillo e um pato no forno é que o pato sairá antes do calor.   


Respeitabilidade da CPMI sob risco , segundo alvaro dias , para quem tinha pouca e pelo jeito sairá sem nenhuma não é novidade , respeitabilidade não tem a oposição , a velha mídia que a apóia e seu partido.


wladimir despachava com perillo e sua chefe de gabinete , eliane , segundo relatório da PF a que consta do inquérito , o depoimento como a quebra do sigilo de perillo , este terá que responder , 237 telefonemas até agora somente de garcez para perillo , imaginem quando surgirem os de demostenes , policarpo , e de policarpo com seu chefe , e quem sabe outros , gilmarzinho........ e se juntar todos........ o trabalho estará cumprido , a sociedade satisfatoriamente esclarecida e ressarcida , democracia e República defendidas e mais fortes.


Chico Alencar ressalta o perjúrio , como declarações falsas  , e o fato que o advogado possa ter esquecido de alertá-lo , vê a brecha de fazerem perguntas em cima da declaração feita pelo réu , concordo que não pretendem colabar com a  nação , porem a exposição pública como questionamento televisionado é extremamente importante , nos dá a chance de ver os parlamentares do psdb , fazendo o papel de tropa de choque ou de defesa dos acusados inclusive falando com voz firme que os depoentes não falarão , falem isso quando for o perillo....... e também a forma como criminosos com quatrocentas provas continuam negando os crimes esse negando a falar.


A oposição quer inviabilizar o psdb de Goiás , por isso falam tanto em ridículo , magistrado isso magistrado aquilo , magistrado faz concurso e despacha no Judiciário , CPMI é feita e dirigida por políticos eleitos pelo povo , duas atuações diferentes.    


Odair Cunha esclarece suas perguntas para o parlamentar do psdb que viu cunho partidário , garcez foi vereador pelo psdb em Goiania e tinha estreitas relações com o atual governo e com a quadrilha , não custa Odair deixar bem claro , algo que queremos ver eles fazerem quando for a vez do perillo , demóstenes , policarpo e outros.


Randolf se convence da culpabilidade de garcez , se havia alguma dúvida , o que acarreta na responsabilização de perillo , garcez era mandalete ou braço direito da quadrilha , porem não tinha como tomar as decisões estas de responsabilidade de perillo.  A quadrilha operava com a delta , fazia negócios , a outra turma levava legalmente , via doações registradas , ou ilegalmente dinheiro da empreiteira , os dois importantes , só não podemos embaralhar todos no mesmo grupo e com isto deixar que a quadrilha se desfaça e suma nesta confusão , uma investigação sobre a quadrilha e outra sobre a delta ou empreiteiras , a partir das provas existentes e que surgirão desta relação que tinham com a quadrilha cachoeira.


Corrupção e financiamentos de campanha , outro tema , foco Randolf , tem tempo , primeiro livrar a nação desta quadrilha , eleições teremos várias. Se corre o risco do sigilo da delta se tornar o foco , o que a velha mídia vem tentando , ao invés do sigilo bancário e telefônico do núcleo cachoeira-demostenes–perilo-veja , repetindo , após esclarecido , desvendado e todos integrantes desta quadrilha punidos , viria a vez dos beneficiários da delta , por partes , esquartejar o crime associado a corrupção e depois os somente corruptos , criminosos também porem com nível de periculosidade completamente diferente , exigirá habilidade , paciência , foco e republicanismo.


Os investimentos em educação , o ideal quando civita estiver na CPMI , e saber se existia correlação entre as instituições de educação goianas da quadrilha e os planos de publicações educativas da abril.  Setor no qual , a juventude , mão de obra , cidadãos , se formam como suas cidadanias e valores , ousados , daninhos , sem escrúpulos e malvados. Que recebam o que a lei prevê e os ressarcimentos a sociedade.   


O integrante da tropa de choque da defesa da quadrilha , francischini , com um discurso em que constam tchuchuca e tigrão , termos dos professores , do mal , na gíria do grupo político da oposição , ao que parece escapam muito poucos da prática do jogo sujo , em seguida se dirige agressivamente na direção do Deputado Federal Rosinha. Esta semana o conselho de ética começa a julgar lepréia psdb , colega do cachoeira do peito . O tchutchuca podia ir para junto da turma dele , sô agente , é criminoso sem vergonha , os auscultadores , escutas acompanhadas de métodos violentos , motivando chantagens e toda sorte de crimes , mais que hediondos , auscultadores é ótimo , com diferentes periculosidades e dúvidas.

 

O Caso Veja, escrito pelo Nassif em 2008, ficou mofando desde então. As únicas consequências recaíram sobre o próprio autor, que foi diversas vezes acionado judicialmente por parte da revista. A riqueza dos argumentos e a lógica irrefutável que permeou o documento não provocaram sequer leve tremor no Ministério Público, que manteve-se impassível como uma montanha. O documento desvelou inúmeras ilicitudes lamentavelmente cometidas pelo semanário, verdadeiras "Notitias Criminis", que não foram investigadas pelas autoridades constitucionalmente responsáveis. Um hiato inaceitável foi cavado, como se toda substância irrefutável do documento não existisse. No Brasil, que atinge o cume dos países mais corruptos do mundo, os crimes são tornados públicos quotidianamente, no entanto, não passam disso, de indícios veementes que são lançados no esquecimento daqueles que deveriam lembrá-los de imediato, provocando a aplicação da legislação que não falta, mas não comparece na realidade. Enquanto temos brasileiros como Nassif, que com desprendimento e isenção arriscam-se a passar, e passam, por toda sorte de represálias, e que pensam e agem unicamente no intuito de construir um país mais justo, temos os opostos, sem memórias, sem caracteres e sem iniciativas.

 

Parabéns querido Nassif!

 

O duro é existir tanta evidência dos CRIMES COMETIDOS PELA IMPRENSA E ELA POSAR DE COITADA, PREOCUPADA COM A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, QUE LIBERDADE ELES QUEREM, É ESTA DE SE ASSOCIAR COM O CRIME? O PAIS PRECISA DE UMA LEI PARA REGULAR A IMPRENSA JÁ.

 

Parabéns Luis Nassif pelo aniversário e muita saúde pra tocar o barco.

Orlando

 

 


 A revista Veja tem mais de 45 anos de vida.Ao longo desse tempo mudou muitas vezes suas diretrizes.


     Em primeiro lugar,é bom esclarecer, o brasileiro tem uma revista brasileira no topo das 4 mais lidas do mundo- isso é orgulho pra nós.


       Em segundo lugar,ela não é e nunca foi linear. Seus editores tbm apoiaram o regime militar e se vangloriavam disso. Com o tempo foram mandados embora e criaram seus propios blogs e revistas.


       Acontece que esses mesmos editores que ajudaram a revista crescer,hoje num rasgo súbito de mudança ideológica( depois de 50 anos ´de idade é difícil mudar ideologia política) fundaram outras revistas e blogs, com o tema principal de acusar a própia empresa que os destacou.


        Muito mais que cuspir no prato que comeu,aqui temos uma sólida evidência que camarão não era o suficiente.Querem comer caviar e filé. Foi o que fez o governo petista empregando-os.


          Evidente que o governo de Lula teve acertos e erros.Mas quando um ex jornalista só escrevia contra os operários e pró ditadura e agora ,num ângulo de 360 graus,depois de velho, vira-se obtusamente ao contrário,não há como respeita-lo e nem sequer acreditar em nada do que escreve.


        Se a revista Veja tem seus erros, e os tem , não são maiores do que as revistas regiamente pagas pelo governo e seus blogs. E me refiro a muitos personagens.Mas os 2 principais são:


        Mino Carta e Paulo Henrique Amorim- inacreditável a história dos dois na ditadura.


          DE joelhos,implorando clemência,o governo petista concedeu a Bolsa perdão pra eles e pra muitos.


          ( até que um novo governo mais direitista seja eleito.)Aí eles mudam de lado outra vez.


       Eles são de esquerda ou direita? São do partido do cifrão.


         Pague e compre-os.

 

Parabéns, Nassif, pelo seu aniversário e pelo Dossiê veja, que antecipou tudo o que está vindo à tona, com as operações da PF .

 

Obrigado Nassif por elucidar como funcionava a corrupção no governo Lula.

"A corrupção tinha apenas trocado de mãos:".

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

enquanto uns discutem a   seriedade ou des graça do brasil

relações sociais

montadas pela casagrande em seus arraiais

e impostas aos de fora de suas cercas

por etiquetas, leis, morais, valores culturais ou armas letais

(com maquinações que acercam

sobreviventes

dos castelos no ar menos dependentes)

entram em convulsão febril

ou confusão vital

que põe casa grande

em desuso

a girar em parafuso 

 

 

Vai chegar um dia em que apenas Dilma continuará dando crédito integral à revista Veja e, a partir de suas denúncias, continuar demitindo ministros corruptos e funcionários idem da máquina governamental.

 

Parabéns Nassif

O texto é muito elucidativo.

Parece que o Jefferson achou (na época) que tinha sido traído pelo PT e disparou contra o governo, principalmente contra Zé Dirceu. Recentemente ele recuou e diz que o mensalão não existiu.

Nada como o tempo para dar uma melhor perspectiva à história.

 

 Nassif, quando é que vc vai lançar o livro com o caso "Veja" ? Não deixe de nos fazer esse favor... a Veja e seus "bons companheiros", merecem. Toda vez que leio a série fico mais P da vida com o judiciario, com a imprensa, com o Brasil !

Agora, espero que tenha tido um dia agradavel, na companhia dos teus queridos. Muita saude e vida longa!

 

Há mais de 10 anos o Roberto Requião já denunciava rupert civita como um bandido chantagista.

Requião mostra que a editora abril mandou altas somas para o exterior usando as contas CC5… este tipo de movimentação era usada para esconder origem de dinheiro ilícito!

Confiram:

http://imprensaesociedadeanonima.blogspot.com.br/2011/10/roberto-requiao...

 Roberto Requião: "Robert Civita é o Al Capone da imprensa brasileira" (Senado Federal 24/09/99)

 

 

 

Pronunciamento de Roberto Requião

 

 

 

 

 

Senado Federal

 

24/09/99

 

 

 

O SR. PRESIDENTE (Antonio Carlos Magalhães) – Concedo a palavra ao nobre Senador Roberto Requião.O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR). Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, há um ditado chinês que diz o seguinte. “Metal puro não teme o fogo”, o fogo da injúria, da calúnia e da difamação, porque o metal puro se solidifica mais adiante na sua íntegra singularidade.Sou um cidadão e um político íntegro. Fui ofendido, difamado e caluniado por um grupo de gângsteres da imprensa marrom, por meio da revista Veja. Não tenho por que me recusar ao combate. Talvez o destino tenha traçado para mim o sentido dessa missão: limpar o movimento editorial brasileiro desse tumor que, hoje, em metástase, avança por diversos setores de empreendimentos empresariais, sempre à sombra do Estado, dos incentivos fiscais, das facilidades e da corrupção.Compro essa briga, empenho-me nessa parada. A integridade da minha vida e do meu comportamento me aconselham a não recuar. É uma espécie de guerra santa, um novo jihad(*) de um Senador íntegro contra um grupo empresarial que achava que seguiria eu o caminho de tantos outros, o medo da mídia e do desgaste, e curvar-me-ia diante do milhão de exemplares que a revista Veja diz editar a cada semana.
Muito bem, Presidente. Apresentei à Mesa um requerimento nos seguintes termos:
Nos termos do disposto no art. 216 do Regimento Interno do Senado Federal, combinado com o previsto no art. 50, §2º, da Constituição Federal, requeiro seja encaminhada a seguinte solicitação de informação ao Secretário da Receita Federal, por intermédio do Ministro de Estado da Fazenda
1 – Existe origem declarável das remessas feitas ao exterior pelo Grupo Abril (TVA Participações; Abril Vídeo da Amazônia; Abril Coleções Ltda.; Editora Abril S.A; Televisão Abril SA; TVA – Sistema de Televisão SA; Tevecap SA e suas subsidiárias; MTV Brasil Ltda. (MTV Brasil)), a partir das chamadas contas CC-5? Qual?Por que estaria o Grupo Abril utilizando as contas CC-5? Se a remessa é lícita, poderia ser feita naturalmente por um “doc”, por um documento, em qualquer agência de qualquer banco em funcionamento no País. Por que a CC-5? A CC-5 é, sem sombra de dúvida, um instrumento de “lavagem de dinheiro” mal-havido. E essas remessas que ultrapassam os US$260 milhões têm origem? Foram tributadas?
É uma indagação que deve ser respondida pela Receita Federal
Prossigo em meu requerimento.
2 – Houve a tributação devida nas remessas supracitadas? Qual a base de tributação e quanto foi recolhido pelas empresas do Grupo Abril nas remessas ao exterior?
A justificação do requerimento, Presidente, é a seguinte:
A Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada para analisar a situação do Sistema Financeiro (CPI do Bancos), deparou-se, durante as suas investigações, com enorme volume de recursos remetidos ao exterior a partir das contas dos não-residentes, contas CC-5.
Estas contas deveriam ser de titularidade de empresas multinacionais e de estrangeiros. Mas, de repente, são utilizadas, sem nenhuma explicação racional, por empresas que mandam recursos mal-havidos ao exterior.
O estudo dos dados referentes a remessa de recursos ao exterior, efetuado pelo Ministério Público Federal (conforme documentação em anexo) – anexo a relação do Banco Central das remessas da Abril para exterior por meio das CC-5 –, evidencia a grande participação das empresas do Grupo Abril na utilização das contas CC-5 (que monta a centenas de milhões de dólares).
Levando-se em consideração a audiência proferida na supracitada CPI pelo Secretário da Receita Federal, onde este afirmou que as contas CC-5 eram ostensivamente utilizadas por empresas em operações de “lavagem de dinheiro” ou fuga da tributação, o presente requerimento tem por objetivo averiguar como um dos grandes utilizadores das CC-5 tem se comportado frente às autoridades tributárias e, fundamentalmente, qual é a origem desse dinheiro. De repente, temos remessas de centenas de milhões de dólares de empresas rigorosamente insignificantes situadas na Zona Franca. Não sei de onde esses recursos poderiam ter sido havidos.
Nesse contexto, e levando-se em consideração as atribuições constitucionais desta Casa, torna-se essencial a pronta resposta ao presente requerimento, a fim de que o Congresso Nacional possa ter informações suficientes para impedir que ocorram prejuízos ao Erário Público, bem como a toda a sociedade, causados pela movimentação de milhões de dólares feita por grandes empresas.
Sr. Presidente, isso é quanto ao Grupo Abril. Mas tem o Capo di tutti i-capi*, o Al Capone do grupo empresarial. O indivíduo que tem a coragem de detratar pessoas sérias em edições safadas de uma revista que ele diz ter um milhão de exemplares. É o Sr. Robert. Sim, o nome da peça é Robert Civita.Trago ao Plenário do Senado Federal uma denúncia minha, pessoal, à Receita Federal a respeito do Sr. Robert Civita. Uma denúncia que mostra com clareza que ele está a sonegar e a fazer compras subfaturadas evidentemente com dinheiro mal-havido.
O Sr. Robert Civita comprou, há algum tempo, o apartamento nº 11, localizado no 11º do Edifício Fábio Prado, à Rua Escócia, nº 253, em São Paulo, capital, com área de quase mil metros quadrados, exatamente 993,34m² , num terreno de mais de quatro mil metros, e escriturou este imóvel pelo singelo preço, reduzido em dólares, na ocasião, de US$390 mil; preço em Cruzeiros, na época, de Cr$97.600 milhões.
Ora, Sr. Presidente, naquela ocasião, esses apartamentos estavam sendo vendidos pela quantia de US$2.500 milhões. O Sr. Civita o escriturou por cerca de US$390 mil na ocasião. É evidente que há um subfaturamento, é evidente que há um pagamento por fora e é evidente que há sinais externos extraordinariamente claros para o Dr. Everardo Maciel, da Receita Federal, de sonegação, enriquecimento ilícito, fraude, roubo de dinheiro público através do impedimento da tributação.
O apartamento localiza-se no 11º andar, mas no 14º pavimento do Edifício Fábio Prado, em São Paulo. Além de o apartamento, na época, estar sendo vendido a US$2.500 milhões, mesmo na planta, durante a construção, jamais se vendeu um apartamento no Edifício Fábio Prado por menos de US$1.800 milhão.
Então, quero, através da tribuna do Senado, informar à opinião pública do Brasil de mais esta façanha do gângster da revista Veja.
Não será com a intimidação da calúnia, da infâmia e da difamação que irão calar as denúncias que tenho feito, Sr. Presidente.
A que posso atribuir a tentativa de desmoralização e de intimidação realizada pela revista Veja? A forma dura com que trato a corrupção no Paraná; A forma austera com que governei o Estado, contrariando tantos interesses. A denúncia de chantagem que fiz nessa tribuna, na presença do ex-Senador José Eduardo de Andrade Vieira, sofrida pelo Bamerindus pela revista Veja, pedindo informações ao Governo do Estado e trocando o silêncio por seis páginas de publicidade durante quase um ano do Banco Bamerindus. Ou talvez, Sr. Presidente, a insistência com que tenho reclamado do Ministério Público Federal o enquadramento dos Srs. Lázaro Brandão e Katsumi kihara*, do Bradesco, no escândalo dos precatórios, comprometimento demonstrado documentalmente pelo depoimento pessoal do proprietário da Corretora Paper; sem o Bradesco comprando na ponta, ninguém teria roubado um tostão de dinheiro público no Brasil, através da ciranda dos precatórios. Mas o Banco forçava os Estados e os municípios a venderem com deságio de 40% e, um hora, uma hora e meia depois, comprava jogando nos fundos de renda fixa de curto prazo, pelo preço de face dos títulos. É evidente que o depoimento do dono da Paper e os documentos que ele trouxe à CPI dos Precatórios mostraram, à exaustão, que a operação era programada anteriormente, e os documentos detalhavam com quanto ficava cada corretora fantasma ou factoring dos 40% que eram absorvidos uma hora, uma hora e meia depois pelo Banco Bradesco. Não bastou o depoimento do ex-Governador Divaldo Suruagy, quando declarou que procurou pessoalmente o Presidente do Bradesco, e esse disse que não comprava os títulos diretamente do Estado de Alagoas, mas compraria na “ciranda da felicidade”. O Banco foi roubado pela sua direção. Não é uma denúncia que faço contra uma instituição financeira brasileira importante para o desenvolvimento do comércio, da indústria, no oferecimento de créditos, mas é uma denúncia clara a um Presidente e a um Diretor.
Será esta a origem da retaliação da Revista Veja, que repica na edição desta semana sem conseguir levantar nada sobre minha vida e que coloca dezenas de repórteres a entrevistar pessoas e a investigar a minha vida pública e pessoal?
O Senador Osmar Dias foi procurado por um repórter da revista Veja. O Promotor Público Federal foi novamente procurado, aquele mesmo Promotor que assegurou à revista Veja que a famosa conversão de dólares feita pela minha mulher dos recursos de um apartamento vendido da herança de seu pai era rigorosa e absolutamente lícita; que ela vendeu um bem, poderia ter comprado dólar, doado para a Cruz Vermelha, comprado um automóvel ou uma chácara, como pode fazer qualquer cidadão brasileiro. Mas numa reportagem sinuosa tentou fazer o grande público entender que minha mulher estava envolvida com remessas de dinheiro mal havido para o exterior. O problema da compra de moeda é o problema da origem como da compra de qualquer coisa: alguém que compra um bem e não tem origem para justificar os recursos que empregou, está evidentemente, num processo de lavagem de recursos. Não ocorreu isso comigo. A revista Veja sabia que não tinha ocorrido. Mandei para aquela revista a escritura que vinculava o cheque administrativo da venda do apartamento. Entretanto, não publicaram a escritura e prosseguiram na infâmia. E, mais uma vez, na edição desta semana, dedicam-me uma página inteira: “Roberto Requião” – na falta de qualquer denúncia que pudessem fazer à minha pessoa – “é uma Senador destemperado, é um Senador impulsivo”. Impulsivo, sim! O sangue que corre nas minhas veias é vermelho, não é o sangue aguado dos que se acovardam diante da grande mídia. Não tenho por que temer os canalhas, porque a minha vida é íntegra e limpa. Mas estou promovendo um novo jihad*. Voltarei a esta tribuna com informações sobre algo que a imprensa já esqueceu: os Parlamentares mais antigos devem se lembrar da CPI da Quatro Rodas*- Quadro Rodas são aqueles hotéis e a revista editada pelo Grupo Abril -, em que incentivos fiscais para a construção de hotéis foram desviados, com prejuízo para a Fazenda Nacional, para a construção de um parque gráfico. A CPI é extremamente interessante.
No entanto, a indagação que faço aos “jornalões” que publicaram remessa de recursos para o exterior de várias personalidades – lembro-me que até o Ratinho teria comparecido, porque enviou US$4 milhões para o exterior, como se ele não pudesse fazê-lo, uma vez que se tratava de dinheiro havido legalmente com o seu programa de televisão. Mas esses sigilos todos foram quebrados e estampados nos principais jornais brasileiros.
Será que algum jornal brasileiro, o Estadão, o JB ou o Globo publicará as denúncias que fiz a respeito do Grupo Abril? Ou do apartamento escriturado do Sr. Robert Civita* por US$380 mil, quando seu valor real, na ocasião, era US$2,500 mil? Será que encontraremos ainda, nas divergências da Imprensa brasileira, o espaço para a denúncia legítima e a informação correta? Ou existe um “acordão” entre proprietários de meios de comunicação em que os desmandos são ocultados e reforçados os patifes e os caluniadores?
É uma questão interessante, que pretendo acompanhar a partir de agora. Resta ainda espaço na imprensa para dar vazão, publicidade e informar as críticas sérias e documentadas que estou fazendo, ou não resta? Será que o nosso maravilhoso O Estado de S.Paulo serve apenas para agredir o Senador Osmar Dias, que defende o equilíbrio fiscal quando se recusou a apoiar um empréstimo rigorosamente irregular de São Paulo?
Meu Deus, mas o Estadão não é o jornal que defende o equilíbrio fiscal, a lei de responsabilidade fiscal!? No entanto, no momento em que o interesse do Governo de São Paulo está em jogo, o Estadão toma uma posição absolutamente regional e tenta desmoralizar o Senador Osmar Dias. Fez a mesma coisa com o Senador Pedro Simon. E não temos um instrumento para responder. Não estou propondo censura à imprensa. Sou um libertário. A minha vida é uma vida do combate pela liberdade, mas precisamos de uma lei que garanta imediatamente o direito de resposta. Não é possível que eu tenha sido agredido pelos canalhas da revista Veja, duas edições, três páginas inteiras dedicada à calúnia, e não tenha um instrumento de resposta.
Intimidação, conselhos surgem, propostas de intermediação. “—Requião, se você parar de agredir o Civita, provavelmente conseguiremos que ele não fale mais em você.” Ouro puro não teme o fogo. Não teme as chamas da calúnia, da infâmia e da difamação. Vou em frente nesse projeto que culmina com a aprovação do direito de resposta, que o Senado já aprovou por unanimidade e que está agora na Câmara Federal.
Precisamos ter instrumentos de defesa da honra, instrumentos de defesa da cidadania, desses grupos empresarias que aderem aos governos como verdadeiros carrapatos, que estiveram presos nas partes pudendas do Sr. Fernando Collor de Mello, e que, hoje, estão aderentes, da mesma forma, ao Governo Federal. São revistas que se transformam em órgãos de defesa da desnacionalização, do rompimento da soberania e do fim da nacionalidade, revistas que defendem interesses rigorosamente irresponsáveis mas que são alimentadas pelo papel sem imposto das exonerações fiscais, que não pagam tributos de espécie alguma, que servem não para informar com liberdade, não para garantir o contraditório e o direito de resposta de cidadãos honrados mas para, estipendiadas pelos grandes capitais, fulminarem a soberania do País, agredirem os projetos nacionais permanentes e se transformarem numa espécie de quinta coluna impressa na mídia brasileira.
Temos que corrigir leis que deram essa possibilidade e esse poder de caluniar e difamar sem limites a órgãos de imprensa. Temos que garantir a liberdade. Não podemos nos socorrer a leis de imprensa montadas no período da Ditadura. As questões de honra e de difamação devem ser resolvidas dentro do Código Civil e do Código Penal. Não é possível que brasileiros sejam atingidos na sua honra, com o objetivo claro da intimidação e da tentativa sórdida de calar vozes, que vem acompanhada de propostas de acordo de silêncio. O silêncio imposto pela Máfia aos covardes não será nunca imposto a um Parlamentar do Estado do Paraná.
Vim para esta Casa com a segunda maior votação em relação ao número de eleitores dentre todos os Senadores do Brasil. E quando me agridem, agridem os paranaenses; quando me agridem, agridem uma história que se inicia quando entrei na política para ser um tribuno do povo, para não ser igual aos políticos que eu conhecia, que eram aqueles que a imprensa me apresentava: frouxos, conciliadores, complacentes e auto-complacentes com a corrupção. Não! A revista Veja pediu e eu comprei essa parada. Vou até o fim! Nada tenho a temer. A temer têm os sonegadores, os patifes, os canalhas, os anti-nacionais, os vendidos e os instrumentos de todos os governos. Porque cá entre nós, Srªs e Srs. Senadores, a Veja nada mais é, hoje, do que uma separata do Diário Oficial, como foi uma separada do Diário Oficial de Fernando Collor de Mello.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR) – V. Exª me concede um aparte, Senador Roberto Requião?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Pois não, Senador Osmar Dias, concedo o aparte a V. Exª.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR) – Senador Roberto Requião, aguardei a evolução do discurso de V. Exª para fazer um pequeno aparte. Fui um dos que o aconselhou a deixar esse assunto no esquecimento, ou a procurar um outro caminho, ou que fosse à Justiça para colocá-lo adiante. Quando o fiz, em primeiro lugar, não acreditei que o meu conselho fosse ser aceito, porque sei que V. Exª não é de vergar a espinha e muito menos de se calar diante de agressões que sofre. No entanto, tomei essa iniciativa em nome da nossa amizade, que não é uma amizade que começou aqui, no Senado, mas foi construída ao longo dos anos, num trabalho conjunto. Quando V. Exª era Governador e eu Secretário, desenvolvemos um trabalho muito sério em prol da agricultura do Estado do Paraná. Não me esqueço, evidentemente, da oportunidade que V. Exª me deu para desenvolver um trabalho sério, ao lado de um Governo sério. Dou este depoimento, não na forma como, costumeiramente, se faz no Senado, até como praxe; dou este depoimento, porque nós fizemos no Paraná um governo rigorosamente sério. Uso essa pessoa, nós, porque participei efetivamente do Governo de V. Exª. Quando fiz a consideração de que, talvez, fosse melhor usar uma outra estratégia, ao invés desse enfrentamento que V. Exª promove, fi-lo, evidentemente, porque não tenho nenhuma satisfação em ler na imprensa, no final de semana, agressões a um amigo, principalmente quando sei que muitas das agressões, a grande maioria delas, não lhe são devidas. V. Exª não tem esses defeitos que lhe estão imputando. Pode ter até outros – que conheço -, mas não tem esses. Nós nos conhecemos bem e, por isso, posso dizer que V. Exª tem defeitos, mas não reconheço esses em V. Exª efetivamente. Em relação à imprensa, quando V. Exª cita o caso do jornal O Estado de S. Paulo, fui também agredido naquela reportagem. Pedi um espaço para responder e não o tive. Prometeram publicar minha carta no painel dos eleitores, aquele que ninguém lê.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Claro, Senador: agredido pelo editorial, a resposta vem no painel dos leitores.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR) - Não aceitei. Pedi que não publicassem a minha carta. Aliás, não escrevi a carta, porque achei que não seria justo. Considero que seria muito justo que a revista Veja lhe proporcionasse o mesmo espaço, não para que possa acusar o dono da revista, porque eles não publicariam a sua acusação, mas para que V. Exª pudesse reparar os fatos e recolocar a verdade dos fatos. Dessa forma, estaríamos estabelecendo justiça na divulgação dos fatos. Peço o mesmo direito ao jornal O Estado de S. Paulo, embora saiba que não vou tê-lo. Era apenas esse depoimento breve, para dizer que não aconselhei V. Exª com medo das conseqüências que poderão vir, mas como seu amigo.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Na verdade, Senador Osmar Dias, não me referia a V. Exª. Entendi como uma brincadeira o seu conselho de: “Requião, pare, para que a Veja não continue”. O seu temperamento e o meu não nos colocam com facilidade na defensiva. Em função da limpeza das nossas vidas, temos condição de “comprar as paradas” na sua plenitude em todas as oportunidades. Referi-me a outra pessoa, a grupos empresariais que se propuseram a mediar uma situação. Não há mediação. Os canalhas publicaram dois milhões de exemplares em duas edições, tentando intimidar-me e calar-me. E não vou fazer acordo de espécie alguma.
Hoje, graças ao ex-Presidente José Sarney, temos a TV Senado. Não tem a influência e a penetração da revista Veja, mas nos dá alguma condição para responder as críticas que temos sofrido.
Por ocasião da Lei das Patentes, tomei algumas atitudes nacionalistas em defesa do empresariado nacional, e o jornal O Estado de S. Paulo agrediu-me num editorial. Mandei um artigo para ser publicado, que poderia ser publicado até na seção de cartas. Eles não me responderam. Durante 15 ou 30 dias – não me recordo mais – enviei ao jornal O Estado de S. Paulo, todas as manhãs, quando chegava ao gabinete, uma cópia do artigo por fax à mesa de todos os diretores e proprietários. E não recebi, sequer, uma resposta. Os meus argumentos não foram colocados. Simplesmente, a agressão.
Outro dia, o editorialista do Estadão chamou-me de demagogo. Demagogo, por quê? O que existe de demagogia na minha vida? Fui extraordinariamente duro no exercício dos cargos executivos que ocupei. Talvez eu tenha defeitos – devo tê-los, como todo mundo -; mas entre eles não está a demagogia. Nunca cedi ao populismo, nunca me acovardei diante de situações, e uma prova concreta disso é que eu topo essa parada com a Veja. Quero mostrar ao Brasil quem é o Sr. Robert Civita e como vive o seu grupo, às expensas dos favores públicos, do achaque e do exercício da imprensa marrom.
O Sr. José Eduardo Dutra (Bloco/PT – SE) – Permite V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) - Senador José Eduardo Dutra, concedo o aparte a V. Exª.
O Sr. José Eduardo Dutra (BLOCO/PT – SE) – Senador Roberto Requião, votei a favor do projeto de V. Exª, aprovado por esta Casa, que estabelecia o direito de resposta, com punições duras àqueles órgãos de imprensa que não cumprissem esse direito. Temos visto, muitas vezes, a imprensa divulgar notícias e acusações a respeito de parlamentares, de um modo geral – senadores, deputados. Tenho visto ao longo do tempo também, pelo menos nesses cinco anos, manifestações de parlamentares rebatendo acusações da imprensa. Ficamos, muitas vezes, sem um critério para mensurar quem está com a razão. Assisti, recentemente, à sessão da Câmara dos Deputados que estava decidindo a cassação do Deputado Talvane Albuquerque*, suspeito de ter assassinado a Deputada Ceci Cunha*. Lembro-me do encaminhamento do Deputado Arthur Virgílio, que relatou um episódio de quando era um jovem Deputado, recém-chegado à Câmara. Estava acontecendo um processo semelhante, de cassação de um deputado. O deputado acusado, à época – não lembro quem era – assomou à tribuna e começou a fazer a sua defesa, tecnicamente perfeita. O Deputado Arthur Virgílio relatou, então, que procurou um deputado mais experiente – se não me engano, o Deputado Freitas Nobre – para perguntar a sua opinião sobre aquele discurso do deputado acusado. E o Deputado Freitas Nobre lhe teria dito o seguinte: “Falta-lhe a indignação do inocente caluniado.” Quero dizer que o pronunciamento de V. Exª – não só este, como o anterior – é exatamente este símbolo: a personificação da indignação do inocente caluniado. Parabéns a V. Exª. Muito obrigado.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) - Muito obrigado, Senador. Agora, o importante, Senador José Eduardo Dutra, é que não se cerceie a liberdade de imprensa. A imprensa pode, inclusive, errar quanto àquilo que diz sobre as pessoas, mas o direito de resposta tem de ser garantido, o erro deve ser reconhecido, e a questão deve ser resolvida civil e criminalmente. Não é possível que um grupo, que detém um monopólio, mamado nas tetas da República, livremente calunie, injurie e achaque, e nós tenhamos esta sensação angustiante de impotência porque não podemos responder, nem pelo veículo que atacou indevidamente, nem pelos outros, porque há uma cadeia absurda de solidariedade.
Hoje mostrei que o Robert Civita escriturou um apartamento por US$380 mil, quando, na verdade, deve tê-lo comprado por US$2,5 milhões. Que jornal dará seqüência a essa denúncia? Será que este Governo, que faz da Veja uma separata do seu Diário Oficial, vai tomar as providências que estou requerendo aqui para fazer com que o Sr. Robert Civita, tal como Al Capone*, vá parar atrás das grades, não pelos inúmeros crimes que cometeu, mas pelo crime de sonegação fiscal? Não sei, mas cumpro o meu papel: não me dobro e não cedo.
A Srª Marina Silva (Bloco/PT – AC) - Senador Roberto Requião, V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Com todo o prazer, Senadora Marina Silva.
A Srª Marina Silva (Bloco/PT – AC) – Senador Roberto Requião, depois do brilhante aparte do meu querido Senador José Eduardo Dutra, eu já me poderia sentir contemplada. Acho que foi muito inteligente da parte dele. Basta olhar para V. Exª. Quando o Jornal do Senado publicou aquela fotografia de V. Exª, no seu primeiro pronunciamento a esse respeito, com uma cara indignada, eu disse: “Meu Deus, para que colocar o Requião com essa cara de indignação tão perversa?” Mas, após o aparte do Senador Dutra, sinto-me confortada. A indignação de V. Exª é a indignação de um inocente. A coragem mostrada por V. Exª ao dizer todas essas coisas que acaba de dizer, ao não fazer o acordo, ao não vergar a espinha, essa coragem tem base numa única coisa: a inocência de V. Exª. A coragem dos inocentes prova que nos podem tirar tudo, menos a nossa dignidade; podem-nos tirar tudo, menos a nossa ética. Se não formos capazes de ser éticos conosco mesmos, como poderemos ser com os outros? Como V. Exª poderia ser ético com alguém nesta Casa que fosse agredido, caluniado, se V. Exª não tivesse a coragem de erguer a voz para defender a sua própria ética? Sempre repito uma frase muito bonita de alguém que falou sobre as árvores: dizem que a boa madeira não cresce em sossego; quanto mais forte o vento, mais fortes são as árvores. Aquelas árvores que nunca enfrentaram uma pequena ventania são muito frágeis. Mas V. Exª é uma árvore fincada – talvez um daqueles pinhos nativos do Paraná -, é uma árvore fincada com raízes profundas, que deve ter passado por muitas tempestades. E é por isso que V. Exª tem essa fúria, mas essa fúria é a fúria da inocência. Quero me solidarizar com V. Exª. Esta Casa, o Brasil, a juventude precisam dessa fúria inocente, porque senão estaremos todos nos calando diante daqueles que têm o poder – o poder da mídia, o poder da Justiça, que muitas vezes pratica a injustiça, ou seja lá qual o tipo de poder. Mede-se a dignidade de um homem pela forma como usa o seu poder, e usar o poder de forma covarde, contra um inocente, não é edificante para a democracia, não é edificante para o Brasil. Parabenizo V. Exª, porque tem a fúria, a coragem e a indignação do inocente.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – Obrigado, Senadora Marina Silva.Rui Barbosa já dizia – aprendemos isso nos bancos escolares – que é preciso, é necessário que os homens sérios tenham a mesma coragem dos canalhas. Eu não posso ser menos corajoso do que o patife da editora Abril que tentou me difamar e caluniar.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT-AC) – V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO – Ouço V. Exª com prazer.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT-AC) – Senador Roberto Requião, quero externar também – pela segunda vez – a minha admiração e o meu respeito por V. Exª. Para a minha geração é um estímulo, é uma referência a coragem e a dignidade com que V. Exª trata a defesa da honra e da dignidade humana. O escudo da dignidade humana se fortalece com esse pronunciamento e é uma grande lição para a minha geração. Em 1994, também fui vítima de um jornal que levantou calúnias a meu respeito depois de uma disputa eleitoral pelo governo do Estado do Acre. Impetrei uma ação na Justiça com o apoio solidário de um advogado que sabia que eu não tinha recursos para bancar um trabalho profissional de defesa, mas até hoje esse processo não foi encerrado. Continuo, contudo, aguardando ansiosamente que esse País possa ter leis que permitam a defesa da dignidade humana. Por isso, reafirmo esse respeito enorme que tenho por V. Exª. Não podemos nos esquecer de homenagear os jornalistas humildes e corajosos que tentam construir uma imprensa verdadeira no nosso País, mas fatos como esse, de uma revista que agride a sua honra, devem ser repudiados por todos.; Devemos tê-los presentes ao procurar estabelecer uma lei em defesa da ética na vida pública. O Lula foi muito feliz no último debate realizado pela Rede Cultura; ele disse no Programa Roda Viva que hoje em dia parece que na hora em que um cachorro morde uma pessoa na rua não vira manchete, mas se uma pessoa morde um cachorro na rua vira manchete. Setores da imprensa estão perdendo o norte, parecem não saber o que é a verdadeira notícia para este País. Parabéns a V. Exª, receba a homenagem do povo acreano.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – Senador Tião Viana, como eu disse, é uma cruzada, é um jihad, uma guerra santa e o meu gabinete, o meu fax, o meu e-mail e meus telefones estão à disposição de todas as pessoas que tiverem informações a respeito desse Robert Civita e do grupo Abril. Temos que expor essa gente na sua verdadeira natureza, temos que mostrar a essência desse grupo. Não é um grupo editorial, é um grupo de gângsteres que atua na imprensa brasileira. Vou levar à frente esse processo e preciso de ajuda, preciso de informações.
Hoje recebi a informação de que o apartamento de Robert Civita foi escriturado por R$380 mil e comprado, certamente, por US$2,5 milhões e estou encaminhando-a à Receita Federal. Quero mais informações. Essa gente precisa ter uma resposta e quem vai dar essa resposta é a sociedade brasileira informada.
Coloco o meu mandato e a minha voz na tribuna do Senado da República a serviço da demolição dessa quadrilha.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) – Permite-me V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – Ouço V. Exª.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) – V. Exª mais uma vez ocupa a tribuna e mais uma vez defende uma tese da maior importância. V. Exª é muito feliz quando diz que não passa pela cabeça de V. Exª – como não passa pela cabeça de nenhum de nós – a censura à imprensa. A imprensa tem que ser livre, tem que ter liberdade para debater, discutir, acusar e até de errar. É normal. É normal que isso aconteça. Nós, homens públicos, estamos numa vitrine e estamos expostos permanentemente às agressões da sociedade. Nós somos vidraça. Aceitamos ocupar essa posição e por isso muitas vezes somos agredidos. O que não se pode admitir – aí é que V. Exª está correto – é que não tenhamos uma lei que esclareça a sociedade. O que está acontecendo é uma tremenda injustiça com V. Exª, eu sei. V. Exª é um homem de bem, é um homem sério, é um homem íntegro – isso é dito pelos seus maiores adversários, que o odeiam; eles dizem que V. Exª é insuportável, mas reconhecem a sua seriedade. O que não se pode mais tolerar é o que vem acontecendo há dez ou há vinte anos: uma revista, um jornal, a televisão, ou o rádio, de repente, disparam uma metralhadora contra o fulano e tal e ficar por isso mesmo. Alguns, como V. Exª, respondem, mas outros nem respondem. A sociedade brasileira tem o direito de saber sobre o desdobramento de fatos como esse. Por exemplo, saiu no jornal, saiu na revista que o Pedro Simon é ladrão, é vigarista. É verdade? Isso tem que ser levado adiante. Diante de uma acusação desse tipo, o promotor tem a obrigação de apresentar uma denúncia, tem que levá-la adiante para mostrar que o Pedro Simon é ladrão, é vigarista ou não. Se não é, se é um cidadão sério, isso também tem que ser mostrado à sociedade. As pessoas que lêem jornais e revistas precisam estar em condições de distinguir o que é verdade do que não é verdade, o que está certo do que está errado. Como fica o leitor, como fica o telespectador que está em casa e que não conhece o Requião, nem o Pedro, nem o João nem o Manoel? Muitas vezes, Senador, sejamos claros, a imprensa publica a verdade, fatos que são escandalosos.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – E por isso não pode ser censurada.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) - Exatamente. Há o caso recente desse deputado que foi cassado. Foi um escândalo. Um homem que serrava suas vítimas… É um escândalo. Não se pode entender como esse indivíduo chegou ao Congresso e levou tanto tempo para sair. Como é que o leitor ou o telespectador vai fazer a diferença entre o cafajeste do deputado que devia estar na cadeia, com prisão perpétua decretada, e o outro cidadão que está sendo vítima de uma tremenda injustiça? Será que o Sr. Antonio Carlos Magalhães e nós do Senado não vamos encontrar uma fórmula para fazer isso? Temos um representante, temos um cidadão que é encarregado de fazer a fiscalização, a coordenação…
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – O corregedor.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) – O corregedor deve atuar. Uma revista publica um caso envolvendo o Pedro Simon ou o João, o Manuel ou o Antonio e o corregedor percebe que o assunto é sério. Então, que entre com uma representação, dizendo: “V. Exª tem que explicar.” E eu vou ter que explicar. Essa é uma das possíveis formas: o corregedor tomar providências. Processos envolvendo esse tipo de acusação deveriam tramitar em regime de urgência urgentíssima. Deveríamos elaborar uma emenda por meio da qual se garantisse o direito de resposta. E, além do direito de resposta, na minha opinião, é necessário que processos desse tipo tramitem com urgência urgentíssima: que se abra o inquérito e, se for confirmada a acusação, ser for verdadeira a denúncia, que se mande para a cadeia o envolvido. É mentira? Há o direito à reparação. V. Exª fez uma monstruosidade de depoimento e digo-lhe que graças a Deus temos a TV Senado, o que é mais do que V. Exª imagina. O que existe de pessoas que assistem a TV Senado, que a conhecem e que espalham para outras pessoas é muito mais do que se está imaginando. Temos que agradecer ao Sarney e ao Antonio Carlos, porque hoje pelo menos existe isso, mas, na verdade, para o grande público não há. Imagine V. Exª se tudo que saiu na Veja fosse verdade. V. Exª estaria aí, bancando o bacana? V. Exª teria que ser punido, teria que ser advertido, teria que ser tomada uma providência, mas nada aconteceu. Agora, e se é mentira, se é invenção, se não há nada contra V. Exª? Também não acontece nada? É essa crueldade que fizemos com o povo. Como é que o povo brasileiro vai se orientar? Por isso é que o político é orientado por baixo. Você vê um jogador de futebol, “o fulano é craque, o Ronaldinho é um baita de um craque, o outro é um perna-de-pau”, porque a referência é feita entre eles; você vai a um médico, “aquele médico é um grande médico”, “aquele médico é um irresponsável, não o procure porque ele não entende nada”; você vai a uma costureira ou a um costureiro, “vai naquele cara que ele faz um baita de um vestido”; aquele outro “é uma porcaria, não vai”. Nós somos nivelados por baixo! Por quê? Porque há anarquismo, “os políticos são todos iguais”, “os políticos são uns irresponsáveis”, “os políticos são uns incompetentes”, “essa gente não vale nada”. Quando falei em fazer a campanha política com dinheiro público, o que recebi de paulada! “Mas roubam de montão, ainda querem fazer campanha com o dinheiro do povo!” Nós somos nivelados por baixo porque não nos dão a chance de fazer a diferença entre o que está certo e o que está errado. A imprensa publica muita corrupção, muita vigarice dos políticos, e é verdade; poderia publicar de empresários, mas geralmente não publica; poderia publicar de banqueiro, geralmente não publica; poderia publicar de homens políticos importantes, só publica depois que eles largam os cargos. Mas de nós, políticos, eles publicam sempre. E a grande verdade é que não podemos separar o joio do trigo. O que foi dito aqui é uma outra triste realidade. O Lula falou no Roda Viva, mas isso já vem de muito tempo. Já falei dessa tribuna sobre quando fui a um jornal em Porto Alegre me queixar porque tinha havido uma manchete enorme de um coitado de um parlamentar, que tinha entrado há dois dias, porque nas primeiras cassações podia substituir. Ele chegou na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre – nem conhecia Porto Alegre -, e às quatro horas da tarde, viu um negócio com música – um espécie de inferninho – e entrou. Logo depois houve um tiroteio, e ele se viu envolvido. E foi capa de jornal, manchete de jornal, o que liquidou a sua vida. Fui, então, falar com as pessoas, dizendo como era, e a resposta foi exatamente essa que foi dita aqui pelo Lula: meu filho, você quer ser manchete, morda um cachorro. Se você morder um cachorro você é capa de jornal. Agora, ser mordido por cachorro não vale nada. Em outras palavras, o escândalo, as coisas que estão erradas vendem jornal, vendem revista, faz com que se assista à televisão; as coisas que estão certas, que estão corretas, é tua obrigação, tu não fazes mais nada do que a tua obrigação. Não estou discutindo isso nem pedindo que publique ou deixe de publicar as manchetes, mas, pelo menos, que se dê chance àquele que tem resposta para aquilo que for publicado que não corresponder ao que ele acha ser verdadeiro, ou seja, que ele possa falar. É como V. Exª disse: fez uma afirmativa, mandou diariamente, 15 vezes, para um jornal, e este não respondeu. E ele pode fazer isso porque não há nada que o obrigue. É isso que temos que determinar. Penso que o Sr. Antonio Carlos, que está tomando posições importantes, significativas, poderia estudar com a sua equipe jurídica exatamente isso. Que haja liberdade de imprensa, que ela publique, fale, critique, porque é muito bom, mas que nos dê chance de publicar a nossa versão, para que o eleitor compare as duas e tire a sua opinião.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – No entanto, Senador Pedro Simon, não vamos comparar o Estadão de São Paulo à Veja, porque são de natureza diferente. O Estadão tem um viés ideológico que não me agrada, e esse viés autoritário de não conceder espaço de resposta. Se V. Exª lembra, no artigo em que tentaram responder a mim e a V. Exª, pelos pronunciamentos aqui, no plenário, o editorialista do Estadão dizia que havia me elogiado quando da CPI dos Precatórios, concedo mais do que isso, foi o jornalista Ribamar, de O Estado de S.Paulo, que deu início às denúncias que desaguaram na CPI dos Precatórios. Transformaram-se em CPI quando o nosso brilhante e íntegro Senador Vilson Kleinübing, já falecido, transformou a questão na sua guerra santa.
E o Estadão me elogiou quando denunciei o Divaldo Suruagy, que era do meu Partido; quando denunciei o Paulo Afonso Vieira, que era Governador de Santa Catarina, para o qual eu tinha feito campanha, a cujo palanque eu tinha subido – fui obrigado a fazer a denúncia porque os fatos estavam ali, gritando -; quando denunciei Pernambuco, com Miguel Arraes, que era o ídolo político da minha juventude. Fui elogiado pelo Estadão, tive espaço, páginas, textos, fotografias, mas quando cheguei ao Banco Bradesco, ao Lázaro Brandão e Katsumi Kihara*, o Estadão calou. E, de repente, no editorial, o editorialista diz: “Nós elogiamos o Requião até que ele começou a atirar a torto e à direita. Não foi a torto e à direita. Foi nos tortos da direita, e eram dois só. Daí o Estadão parou. O Estadão e toda imprensa nacional, que ainda hoje faz rememorações da CPI dos Precatórios: a brilhante CPI que pôs um roubo, uma sangria nos cofres públicos do Brasil à exposição e fez com que o processo cessasse. Mas nenhum deles fala lá na ponta, naqueles que tornaram possível a patifaria, nos que davam cobertura a factorings e pequenas corretoras que não tinham nenhuma condição de arcar com o negócio que estavam fazendo, como o Banco Bradesco, representado por Katsumi Kihara e por Lázaro Brandão, que, hoje, continua Presidente de honra, sei lá o que ele quer. O genro do Lázaro estava fazendo isso no Paraná, estavam emitindo dois bilhões de títulos frios, o que só não ocorreu porque o Kleinübing denunciou antes, e o processo parou.
A Srª Heloisa Helena (Bloco/PT – AL) – V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Ouço o seu aparte com prazer, Senadora Heloisa Helena.
O SR. PRESIDENTE (Ademir Andrade. Fazendo soar a campanhia.) – Quero informar que o tempo de V. Exª já está esgotado, e eu pediria aos aparteantes que fossem breves.
A Srª Heloisa Helena (Bloco/PT – AL) – Senador Requião, mais uma vez, faço um aparte ao pronunciamento de V. Exª no sentido de compartilhar de sua indignação. Já disse várias vezes que V. Exª ocupa o espaço não no sentido de se defender, porque não precisaria desse espaço para isso, pois a sua própria vida já é a sua defesa, mas no sentido de possibilitar que este Senado e os poucos que nos ouvem, neste momento, possam debater, porque a minha mãe miserável e analfabeta já dizia que “é covardia calar quando se faz necessário falar.” Então, quero parabenizar V. Exª e dizer que, às vésperas do ano 2000, o advento tecnológico e os meios de comunicação são importantes para que a humanidade possa conhecer as duas visões do mundo e, conhecendo-o, possa transformá-lo pois sabemos que só conhecendo o mundo é que podemos transformá-lo conforme os nossos sonhos e as nossas aspirações. Seria bom que os meios de comunicação alardeassem o que está contido nos corações de milhares de pessoas, desnudassem as muitas personalidades políticas, empresariais e econômicas deste País. No entanto, eles não desnudam essas personalidades políticas que mereciam ser desmoralizadas perante a opinião pública, mas pinçam uns ou outros, especialmente aqueles que não se curvam e não se ajoelham covardemente com medo dos meios de comunicação, como é o caso de V. Exª. Portanto, parabenizo-o mais uma vez pelo gesto de indignação e que consigamos, mesmo alguns poucos, entender isso: é covardia calar quando se faz necessário falar. Um abraço.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Senadora Heloisa Helena, V. Exª falou em um sonho e tive um sonho esta noite. Sonhei que o Presidente da Câmara, Michel Temer, havia me telefonado e dito: Senador Requião, o seu projeto de direito de resposta foi colocado em votação e foi aprovado.” E sonhei, em seguida, num insight* estranho, sem cores, um sonho em branco e preto, que eu estava assistindo à prisão do Al Capone, nos Estados Unidos, por sonegação fiscal. E de repente, como numa propaganda da Rede Globo, esse quadro em branco e preto se ilumina em muitas cores e o Al Capone se transforma no Robert Civita*, sendo conduzido a uma enxovia pública.
O Sr. Antonio Carlos Valadares (Bloco/PSB – SE) - V. Exª me concede um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Ouço V. Exª com prazer.
O Sr. Antonio Carlos Valadares (Bloco/PSB – SE) – Senador Roberto Requião, quem conhece a vida política e a carreira pública de V. Exª compreende a indignação de V. Exª com as acusações desferidas contra uma pessoa de sua família, sua esposa, quem conheço de perto e sei da sua dignidade e da sua dedicação às causas sociais do Paraná. V. Exª fala com a fúria santa de quem não aceita uma acusação gratuita, que atinge, na realidade, o sentimento de revolta de um homem público limpo como V. Exª. Nesta oportunidade, ao lado de tantos colegas que aqui se manifestaram, apresento a nossa mais inteira e irrestrita solidariedade ao comportamento exemplar de V. Exª na vida pública brasileira. Quando V. Exª foi Governador, seus adversários fizeram tudo para manchar sua vida, sua passagem pelo Governo, mas não encontraram ponto algum que pudesse destoar do seu comportamento político e da sua lisura frente à administração pública. V. Exª apresentou um projeto da maior importância – já destacado por outros Senadores -, que se refere ao direito de resposta. Temos um outro sobre a reparação de danos – o dano moral sofrido por uma pessoa acusada injustamente, não só pela imprensa mas por qualquer pessoa, física ou jurídica -, que regulamenta o art. 5º da Constituição Federal e que está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. V. Exª tem nossa compreensão, solidariedade e admiração cada vez maior.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) - Agradeço ao aparte de V. Exª, nobre Senador Antero Paes de Barros.
O Sr. Antero Paes de Barros (PSDB-MT) – Permite V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PSDB-PR) – Pois não. Ouço o aparte de V. Exª, nobre Senador Antero Paes de Barros.
O Sr. Antero Paes de Barros (PSDB-MT) – Nobre Senador Roberto Requião, V. Exª dá um exemplo extraordinário à juventude brasileira. Nesses tempos de descrença com quase tudo, V. Exª mostra que não podemos perder a capacidade da indignação diante das injustiças. E existem duas situações que merecem uma consideração, a mais urgente possível, do Congresso Nacional, do poder político brasileiro, da imprensa brasileira e do Poder Judiciário. Primeiro, com relação ao projeto de V. Exª. É inadmissível que exatamente o Poder Legislativo não urgencie a votação do projeto sobre o direito de resposta. Não se está pedindo que os políticos ocupem as páginas dos veículos de comunicação. Está-se pedindo que a verdade sobre a honra não fique sepultada e que se tenha o direito de defesa da honra. Li a primeira matéria publicada na revista Veja. Tenho – posso até mudar o verbo -, tinha pela Veja a mais profunda admiração e tinha a quase absoluta certeza de que as explicações de V. Exª estariam contempladas na próxima edição. Tinha essa convicção, porque a revista tratou outros assuntos dessa forma. E no caso de V. Exª, a Veja não deveria agir diferente, porque se tratava de uma resposta à revista ou até ao seu proprietário. Ainda que viessem à tréplica, eles tinham que ter oportunizado, democraticamente, o direito de resposta. A Veja se diminuiu ao não publicá-lo. Ela tem todo o direito de ter qualquer opinião sobre qualquer membro do Congresso Nacional, mas não tem o direito de distorcer o fato, de maltratar o fato, de inverter os fatos e de sepultar a verdade. Nem ela, nem órgão algum da imprensa brasileira. No entanto, além da urgência do Congresso e da Câmara em votar o assunto, é preciso estabelecer uma outra urgência: que nos ataques à honra haja também – já que discutiremos a reforma do Poder Judiciário – prioridade absoluta do Poder Judiciário para conceder a oportunidade urgente de defesa da honra. Se assim fosse, a honra de V. Exª, a honra da família de V. Exª não seria defendida daqui a 365 dias. É preciso que, dentro da reformulação do Poder Judiciário, estabeleçamos a urgência para o direito de defesa da honra, da mesma forma que houve urgência para permitir ao empresário Josino Guimarães* o direito de ficar calado na CPI do Judiciário, porque a Constituição Federal assegura-lhe tal prerrogativa. Não pode haver nada mais importante que a honra, ainda mais em um homem público, em um homem cujo principal capital é exatamente a credibilidade diante dos seus concidadãos. Ao chegar nesta Casa a reforma do Judiciário, teremos que pensar em estabelecer mecanismos para que a questão da honra não seja protelada e sepultada. Mais uma vez – é o máximo que podemos fazer -, receba nossa solidariedade. Quem conhece V. Exª sabe que V. Exª não é um homem perfeito, mas, seguramente, V. Exª não tem o defeito que a Veja quer lhe imputar.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) – Mas a Veja publica um milhão de exemplares em cada edição e agrediu-me em duas edições, portanto, com dois milhões de exemplares. E a Veja é lida por pessoas que não me conhecem, que não vivem em Curitiba – cidade em que nasci -, que não conhecem a minha história e que não acompanham a minha vida. A calúnia permanece. É como aquela história de jogar um travesseiro de penas nas pás do moinho: elas se espalham e, dificilmente, serão juntadas novamente.
Espero, no entanto, colher, desse processo em que saio abalado, a vitória da legislação do direito de resposta e ver esse Al Capone* da imprensa brasileira, o Robert Civita*, finalmente numa enxovia pública, condenado por sonegação de impostos. Temos grandes dificuldades de condená-los na nossa ordem judicial vigente, pelas chantagens que praticam, de difícil comprovação, e pela utilização de um meio de comunicação altamente subsidiado pelo Estado brasileiro para infâmia, calúnia e difamação.
Para encerrar, Sr. Presidente, quero contraditar uma afirmação reiterada do meu velho amigo Pedro Simon: “O Requião é íntegro, mas as pessoas que conheço dizem que ele é intolerável, louco e doido”. Não aceito isso.
Sou absolutamente intolerante com a corrupção, com a auto-complacência com a corrupção. E as pessoas que reclamam do meu comportamento são aquelas que, fazendo política comigo, se desviaram do caminho proposto inicialmente, de forma coletiva, e acreditaram que, por serem do mesmo partido e freqüentarem a minha casa, seriam objeto de uma espécie de indulgência plenária.
Não pode existir indulgência plenária, fundamentalmente, para um Senador que chegou aqui com a maior votação proporcional da história do Paraná, que é o segundo Senador mais votado do Brasil, o segundo Senador mais votado desta Casa. Apenas o Senador Iris Rezende teve uma homenagem dos eleitores de Goiás maior do que a minha.
É evidente que esse compromisso e essa responsabilidade não derivam diretamente do número de votos, mas do fato de estarmos aqui representando o nosso povo, a nossa gente. Não pode haver tolerância. O Pedro me considera um herege na política; aconselhado por amigos comuns que foram meus amigos, hoje são inimigos políticos e amigos do Pedro.
Gostaria de lembrar ao Pedro – que está ausente, mas não estou a agredi-lo, posso falar na sua ausência – que essa heresia também foi a heresia do Cristo, que se contrapunha ao comportamento ético da sua época, que andava acompanhado de mendigos e que, simbolicamente, multiplicava pães para alimentar os pobres. Cristo também foi chamado de herege, e José Ortega Y Gasset*, abordando essa característica dessa nova mensagem, dessa mensagem de rebeldia e alegria do Cristo, disse que, se Cristo foi herege, hoje todos conhecem o seu nome e uma grande maioria segue os seus conselhos. Mas ninguém se lembra do nome dos seus perseguidores.
Eu acho que vou marcar a minha passagem pela vida pública, pela administração de meu Estado e pelo Senado. Mas acredito que depois de presos os que me insultam hoje cairão no ouvido e no esquecimento que a história dedica aos canalhas menores.

 

Há mais de 10 anos o Roberto Requião já denunciava Roberto "Rupert" Civita

como um bandido chantagista.

Confiram:

Roberto Requião: “Robert Civita é o Al Capone da imprensa brasileira” (Senado Federal 24/09/99)
http://imprensaesociedadeanonima.blogspot.com.br/2011/10/roberto-requiao-robert-civita-e-o-al.html

Requião mostra que a editora abril mandou altas somas para o exterior usando as contas CC5… este tipo de movimentação era usada para esconder origem de dinheiro ilícito!

E ainda descreve a chantagem de rupert civita fez sobre um banqueiro para silenciar sobre crimes cometidos.

Requião mostra o que é a revista veja: Um covil de bandidos!

Cadeia nos patifes da #VehjaBandida!

 

Parabéns, Nassif!

Vida longa para você e para este blog que é o oásis no deserto de vida inteligente na mídia de notícias.

Que você continue nos brindando com sua capacidade de inclusão e de manter este espaço onde é possível conviver pacificamente com a diversidade.

Grata por existir!

 

Caramba, Nassif, vc já tinha mastigado essa nojeira toda mesmo, né? O MP, deveria ter a dignidade de sumir do mapa e devolver tudo o que recebeu, nesses anos! Eu imagino que essa seja parte da série que te levou ao banco dos réus. Começo a achar que a blogosfera deva procurar os seus próprios caminhos, sua própria representação. Eu li o post várias vezes e a sensação ruim de estar vendo tudo o que já foi esclarecido, sendo velado, outra vez e, putz, o nosso Judiciário, representando o mesmo papel... A operação da PF, nada mais é que a prova do que vc já havia denunciado e, não fosse por "requisitos processuais" ( me sinto ridícula fazendo esse tipo de referência ), as gravações da PF serviriam de provas no seu processo. É tudo igual, está tudo ali; já estava tudo ali... Nós não precisamos de ninguém, podemos fazer tudo sozinhos, nós temos jornalistas e nós temos os melhores, cacete! Eu tenho certeza, de que , se vcs fossem atrás do Dadá e do Jairo, eles iriam falar; não estou dizendo que devam ir, até pq, acho que NÃO DEVEM, e NÃO QUERO que vão, mas saberiam fazer as coisas direito, se fossem.

De resto é parabéns pelo seu aniversário, que a gente possa contar com vc, sempre e, que a família nos desculpe, tamanha solicitação, a todo e qq momento; a gente tb sabe como nossos filhos e companheiros ressentem-se do tempo que passamos on-line; não temos outra opção. Avisa pra eles que, qq coisa, podem te levar por uns dias, que a gente vai saber entender. Tudo de melhor para vcs e, obrigada por tudo.

 

Nassif, linkamos sua brilhante e extensa reportagem e como intróito comentamos: "A CPMI vai mal, muito mal. empurrou-se para terça-29. Pelo que pudemos ver ontem, tudo vai dar em nada. Milhões devem ir às ruas, se se quiser que se apure alguma coisa. Tem ser algo do tamanho do Fora Collor, ou maior. A classe política não é suicida e  parte da velha e podre mídia está comprometida. Portanto há que se buscar informações nos sites e blogs independentes!" Grato. http://refazenda2010.blogspot.com

 

Ao grande jornalista (e blogueiro) Luís Nassif, meus votos de que este dia, que já termina, tenha sido prazeroso e muito bem "curtido".

Feliz Aniversário!

Um grande abraço!

 

a parceria veja-cachoeira não era, é e, pela inacreditável proteção, é cada vez mais uma coisa normal e o résto é que é anormal.

 

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/05/extra-stanley-burburinho-sera-so.html

Extra! Stanley Burburinho: Será só imaginação?

 Em agosto do ano passado o país passou pela "crise" do Ministério do Turismo.
Uma operação da Polícia Federal apelidada de Voucher desmontou um esquema de corrupção que envolvia peemedebistas e uma ONG.
O dinheiro foi repassado, mas não chegou ao destino.
A ação desencadeou um mal estar entre a base e o Governo.
No dia 11 de agosto o Jornal Nacional lançou mão de um grampo que serve apenas para ilustrar como as empresas de fachada eram arregimentadas pelo esquema.
Stanley Burburinho me pergunta se teria sido este o grampo sobre o qual Dada se refere, nas conversas que vieram à tona na Operação Monte Carlo?

 

Seria Dada, a serviço de Cachoeira, parceiro da TV Globo para ilustrar reportagens do JN? Será que os colegas Vladimir Netto e Ari Peixoto poderiam ajudar a CPMI a elucidar este caso? Talvez a Silvia Faria, diretora de jornalismo de Brasília à época. Ou, quem sabe, o Bonner, editor-chefe do telejornal. Ou melhor, o Ali Kamel e os Marinhos? Com a palavra os deputados da CPMI.

Para ver a reportagem com o grampo que pode ser o Dadá basta ir aqui, enquanto ela ficar no ar, porque depois dessa tenho dúvidas se será fácil acessá-la. De qualquer forma segue um html que pode facilitar um "cache" no futuro. (( http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/08/mp-investiga-fraude-em-outros-dois-convenios-do-ministerio-do-turismo.html ))

 

Nassif, feliz aniversário, saúde e muita luz na sua caminhada. Você merece tudo de bom.

 

[ Ou seja, de nenhum interesse para os frequentadores  do blog.] Você é que pensa. Por causa disto certos assuntos foram lá para o escuro do fundo

 

Nassif, fora de pauta.


Sem querer fazer nenhum tipo de "censura" (deus me livre !). Mas está havendo um exagero de posts sem nenhuma relevância para o blog.
 Ou seja, de nenhum interesse para os frequentadores  do blog.
Exemplos de posts "inócuos" (só de hoje):

-"Bebel, Cazuza e Dé" : nenhum comentário;
-"As composições com areia de Joe Mangrum" 1 comentário;
-"O futebol de Cuba" 2 comentários;
-"O Lundu Sapateado de Zé Côco do Riachão" - 7 comentários, mas seis  de um mesmo comentarista ( com todo o respeito pelo brilhante comentarista).
"Sessão das 10: 'O Mundo Sem Ninguém' -nenhum comentário
Só como exemplos. Há outros posts sem nenhum atrativo.

Não dá para enxugar ?

 

Mário, estes posts culturais são assim mesmo, pouco comentados. Isto não quer dizer que não cumpram função aqui no blog. É que, são consensuais, as pessoas olham, ouvem, vem, contemplam e não comentam. Já nos posts sobre politica, que são polêmicos, o pau come. Vc registrou no seu caderninho que o mesmo comentarista comentou 6 vezes, mas ficou bom assim,  eu mesmo tive uma compreensão a respeito do Zé do Coco do Riachão, os comentários tem esse caráter de acrescentar ao post, quanto mais informações melhor, alguns dispensam isso

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-lundu-sapateado-de-ze-coco-do-riachao

 

 Spin

Luis Nassif

Esse seu material, que monta um quebra cabeças sobre a Veja Bandida, TEM que virar um LIVRO. Por favor!!

Abs.

 

Nassif


Parabéns pra vc  vida longa, nós precisamos de vc.


Como essa terminologia jornalística   não faz parte    do meu mundo,  fiquei lendo  o esquema, e sinceramente  da nojo.Então o esquema   do "jornalismo investigativo" é isso? atuam  diante de organizações explícitamente criminosas? e o povo  ve  capas  de revistas, manchetes de jornais, e na inocencia vai sendo  manipulado como manada?Ou seja, eles interferem  diretamente na condução  dos governos e da política com  arapongagens e bandidagens? Por isso que Collor na tribuna do senado  disse que Policarpo não saia dos Parques de Brasília, e disse ainda,  onde é o lugar do povo.O collor sabe  tb de tudo hein? por isso quer pegar esses caras que se vestem   de jornalistas mas na real  são cúmplices e  aliados de bandidos.Mas então se entendi,  esses  jornalistas que fizeram  toda essa inescrupulosa manchetes, tem que estar aolado dos réus  do   dito mensalão, pq fazem parte   do teatro que  inventaram!!!!!!Cadeia neles!!!!!

 

Como opera o pig americano, não muito diferente do tupiniquim

 

 Spin

Prezado Luis, Boa Noite. Parabéns pelo aniversário! Que as energias positivas o proteja. Sóis um homem cósmico. Um sincero abraço. de Belo Horizonte.

 

Parabéns querido (desculpe a ousadia) Nassif! Deus há de lhe dar muitos anos de vida p/ continuar exercitando a sua honestidade e capacidade de se indignar c/ tantos mal feitos ainda existentes no nosso país. Tenho um orgulho imenso em ser sua conterrânea. Mas desejo principalmente, muitos e muitos chorinhos, valsinhas, etc do seu cavaquinho. Um grande abraço.                                                                                             

 

Os bons companheiros 24 de maio de 2012 | 3h 09Demétrio Magnoli http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,os-bons--companheiros-,877149,0.htm

De "caçador de marajás" Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor "para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem". Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas - e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte - algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

 

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações - verdadeiras ou falsas - com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público. A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira - uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como "chefe da quadrilha", engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa - e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do "controle social da mídia". A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito "200 ligações" telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas - não 200 - ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta "parceria Cachoeira-Policarpo Jr." como "bandidagem em comum". Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da Carta Capital ocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da "eficiência" da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação "tranquilizava o povo". O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio (http://www.pannunzio.com.br/), sob a rubrica Quem foi quem na ditadura.

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo - ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

* SOCIÓLOGO,  É DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR

 

Pelo discurso corporativista da mídia até parece que magnatas da imprensa nunca compareceram a uma CPI para prestar esclarecimentos à população. Isso começou em na década de 50, só para nos situarmos na história

http://www.advivo.com.br/blog/iv-avatar/midia-como-alvo-de-cpis-a-partir-de-1953-e-o-caso-cachoeira

 

 Spin

Insisto que o caso não é de CPIM, embora deva ser tratado lá, é claro, mas é de polícia. Temos crimes, temos bandidos, temos quadrilha com objetivos claros e desonestos, Temos o butim de cada quadrilheiro, temos a recorrência, temos uma denúncia prévia não apreciada do caso veja do Nassif, temos a prisão de alguns bandidos, temos alguns soltos. Se não é caso de polícia, nada mais o é. Cometeram crimes devem pagar. A menos que o policarpo se defenda e prove que não é nada disso.

 

Parabéns pelo aniversário e pelo BELO trabalho, Nassif! 

Por favor, não desista nunca!

 

Nassif, feliz aniversário e continue sempre fazendo um BLOG que eu simplesmente fico lendo até altas horas.

 

Nassif: uma reportagem interessante que saiu na Rede Brasil Atual. Ela diz que a família Civita já passou por CPI para explicar corrupção do Grupo Abril. http://migre.me/9diGV.

A íntegra dos documentos da CPI estão aqui:

  http://imagem.camara.gov.br/dc_20.asp?selCodColecaoCsv=D&Datain=06/12/1982&txpagina=0&txsuplemento=2&altura=650&largura=800

 

 

Será que o Roberto Jefferson entende que ele foi "Engolido" pelo DEM + PSDB + PIG?


 

 

bobagens nada, Osvaldo...

o que você escreveu acima pode caber perfeitamente numa das acusações

 

Parabéns pelo aniversário, parabéns  pela decisão solitária e corajosa de peitar a Veja, numa época em que isso representava quase um ato de locura!

 

Feliz de muitos aniversários.

 

novidades vão fazer a oposição perder a cabeça de vez...

hoje um dos seus representantes, que está lá só para atrapalhar todo o trabalho, quase partiu pra agressão, bom sinal, bateu o desespero

 

Humor: Porque ninguém é de ferro..

Demóstenes revela: 'fui abusado por Cachoeira'

 The i-piauí Herald

SHOW DA VIDA – O Brasil inteiro se comoveu com o depoimento corajoso do senador Demóstenes Torres ontem à CPI do Fantástico. Com os olhos marejados, o parlamentar revelou pela primeira vez que durante a infância foi repetidamente levado para trás de uma queda d’água onde recebeu propinas à força e concedeu contratos licitatórios.

"Fui abusado por Cachoeira", disse com um esgar. Após dolorida pausa, completou: "Não foi uma nem duas vezes. Foram várias". Enfático, Demóstenes negou ter namorado Pelé: "Foi só uma tabelinha. Todo mundo sabe que a Delta foi o grande amor da minha vida", explicou.

O parlamentar também contou que o cantor Elton John teria lhe proposto casamento. Aos prantos, Demóstenes contou que disse sim. As núpcias só foram canceladas por que o megastar não concordou em contratar Fernando Cavendish para organizar o cerimonial.

“Elton me disse que tanto ele quanto a Rainha jamais concordariam em colocar um guardanapo na cabeça, e eu não poderia me entregar a alguém tão desprovido de noção”, soluçou o senador.

No Congresso, o depoimento de Carlinhos Cachoeira foi marcado por bem menos emoção. Após empregar todas as variações linguísticas existentes para explicar que ficaria calado, Carlinhos Cachoeira resolveu ceder: "Só falo se me derem um Nextel." Apreensivos, todos os parlamentares desligaram os seus celulares.

Sem alarde, agentes da Polícia Federal anunciaram a operação Charles Chaplin: "Grampearam o silêncio de Carlinhos Cachoeira. Divulgaremos o resultado nos próximos dias", anunciou o superintendente Jean Dujardin.

Anderson Silva foi convocado para tentar quebrar o sigilo de Cachoeira.

 

Não sabia que hoje era o aniversário do Luis Nassif que permite que as bobagens que eu escrevo já há mais de dois anos sejam lidas por milhares de pessoas! rsrsrsrsrs. Feliz aniversário Luis Nassif! Grande abraço!

 

Osvaldo Ferreira

Parabéns Nassif...

valeu ter seguido firme durante toda a tormenta, grande luta mesmo, valeu

 

Desde 2008, quando foi publicada a série, tenho visto muita gente, mesmo de esquerda, duvidar de que a Veja flertasse assim com o crime. Diziam: "O Nassif exagerou". Nada como o tempo para estabelecer a verdade. As grandes "revelações" da Operação Monte Carlo, que surpreenderam a muitos, produzem nos leitores deste blog uma sensação de déjà vu. Nada disso nos causa surpresa. Podemos dizer sem sermos presunçosos: "nós já sabíamos".