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Como escrever uma crítica ao governo Lula.

É tão fácil como seguir uma receita de bolo!

Um texto assim pode ser feito com o auxílio de fórmulas-padrão, como as usadas em romances policiais, telenovelas ou livros de auto-ajuda. Afinal, será um texto dirigido para um público específico e acrítico e sua função será nublar a discussão, não esclarecer.

Um intelectual reconhecido deve ser convidado a escrever (serão sempre os mesmos : F Gullar, A Jabor, M A Villa, F H Cardoso, etc.) É melhor evitar pessoas de fora de um círculo relativamente reduzido, para evitar resultados indesejáveis, mas há também economistas e jornalistas que sabem seguir a receita.  (Como exemplo, entre aspas, frases de F Gullar.)

Os ingredientes básicos que devem compor o texto:

- Lembrar da ausência de educação superior formal do ex-Presidente, esquecendo do seu aprendizado ao longo da atuação política (“pena que não fale tão bem português”.) Gafes devem ser ressaltadas, pontos altos (como os dois discursos em Copenhagen, em 2009) devem ser esquecidos.

- Desqualificar mudanças programáticas e políticas de Estado com impacto equivalente ao de reformas (Bolsa-família, Prouni, Reuni, PAC, Brasil Sorridente, Minha Casa Minha Vida, Agricultura Familiar, novos mercados para exportações, salário mínimo, redução de juros, políticas antí-cíclicas, independência diplomática, redução de desmatamento, acesso à documentação básica, matriz energética, capitalização de estatais) atribuindo qualquer sucesso econômico ou à herança (“é só sentar-se e comer o almoço que os outros prepararam”) ou às condições internacionais, favoráveis sim, porém sabiamente aproveitadas (“a economia se expandiu e muita gente pobre melhorou de vida. ...porque as condições econômicas o permitiram?...”)

- Superavaliar o Plano Real (na realidade variante de um programa corriqueiro na América Latina sob o consenso de Washington, Peru e Argentina utilizaram método semelhante para estabilizar suas moedas anos antes), que é o único cartão de visitas do governo anterior (“até a criação do Plano Real, a economia brasileira sofria de inflação crônica.”) As críticas da oposição da ocasião (Lula, PT, PDT, etc) à exacerbada (e realmente eleitoreira) taxa de juros devem ser confundidas com críticas à estabilidade monetária em si. Confundir é o que importa aqui.

- Omitir sempre o desastre econômico dos anos FHC : apenas 1 ano de crescimento (1995) a partir de utilização da capacidade ociosa (vinda da recessão 1990-1992, com Collor, e recuperação 1993-1994, com Itamar) e 8 anos de estagnação (1996-2003), nos quais a renda per capita cresceu apenas 0,5% a.a. Nunca mencionar que em 2002 a renda per capita era ainda a mesma que em 1989, ou que o desemprego e a informalidade foram recordes, pois isso tiraria qualquer brilho do neoliberalismo e privatismo adotados de 1990 a 2002 e ficaria visível que a política monetária impediu o crescimento econômico (ao contrário de outros países na mesma época.)

- Confundir popularidade efetiva (como a de Mandela ou de Roosevelt) em ambiente de plenas liberdades para críticas com popularidade induzida (como a de Médici ou dos governos estaduais paulistas recentes) em ambiente de restrição a críticas (“O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação.”)

- Publicar em algum jornal ou revista de circulação nacional, variando algumas frases, em intervalos de duas semanas até setembro de 2014.

Alguns problemas que podem surgir ao se preparar a receita:

Se fosse para a população brasileira atribuir valor ao Plano Real, ao modelo de gestão econômica do PSDB/DEM ou mesmo aos seus quadros mais expressivos (como FHC, Serra), já teria se manifestado nessa direção, nas urnas, em 2002, em 2006 ou em 2010.

Quanto mais se caminhar para o futuro, mais o acaso do sucesso relativo do Plano Real ficará distante, com o detalhe que sempre haverá o período Lula no meio.

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Excelente essa ! E viva Lulinha, aquele que, como tantos outros personagem de nossa Hístória, só vai ser mesmo reconhecido daqui a muitos anos.

 

Caro Gutner, considerava os seus comentarios lucidos e bastante inteligentes, mas vejo que a sua analise eh extremamente emocional, como quase todas nesse blog, soh pra citar uma parte, dizer que o Plano Real faz parte de um receituario eh brincadeira, na Argentina esse mesmo "receituario" se tornou caotico, fala serio; por outra, todo petista que critica o FHC tb segue uma receita de bolo.. Gutner, a sua miguelança foi geral, nao esperava isso de vc...

 

miguelança não é um termo para uso em debate e o que eu escrevo é o que penso, não há intuito de agradar a quem quer que seja, basta ler minhas opiniões atuais sobre câmbio e juros. Minhas críticas à estagnação no período FHC são as mesmas desde que escrevo no blog. Tanto o custo social como de perda de produto foram imensos.

E o Plano Real é uma receita simples, composta de ajuste fiscal prévio (realizado por Itamar e perdido com os juros elevados) e estabilização de preços ancorada em câmbio, após indexação por um ano de todos os preços à urv. No Peru deu certo, na Argentina melhor que no Brasil nos primeiros anos, em termos de crescimento econômico.

A paridade cambial estabelecida no início (com a urv, em 1993) não foi prudente. Foi erroneamente fixada em um dólar barato. Para a ancoragem cambial funcionar (e manter o efeito esperado de baixa inflação) tornou-se necessário juros muito elevados tanto para conter demanda como para atrair capitais. O déficit explodiu e as privatizações foram só paliativo para as contas. As esparrelas eleitorais (uso da política monetária com esse fim) de 1997/98 e 2002 é um caso à parte.

Durante a gestão FHC a gestão foi condicionada unicamente a estabilidade de variáveis nominais, preços, não houve nenhuma preocupação com variáveis reais de produção. Um gestor prudente perceberia o erro no caminho que seguia e promoveria uma correção de rumo, mesmo ao custo de sacrificar a popularidade ou uma eventual reeleição.

Mais do que opino sobre o período FHC no link.

http://www.advivo.com.br/blog/gunter-zibell/para-desconstruir-fhc

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Nao, Gutner, vc continua no caminho da miguelança nesse comentario.. pra sair de uma hiperinflacao vc tem que focar nas variaveis nominais sim..falar agora e facil... dizer que o Plano Real foi simples...que isso, analisa com a razao, deixa a paixao politica de lado..

 

É o contrário, não seria racional defender um caminho tão ruim de saída de hiperinflação. Somente há tentativas nessa direção para atender a interesses políticos.

Racional é lançar luz sobre o período para alertar da possibilidade que erros semelhantes - com as mesmas consequências - se repitam. Isto independe de política.

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Caro Gutner, não existe saída suave de hiperinflação, qualquer coisa que aponte para uma saída "inteligente" é medida de curto prazo..toda a economia é reorganizada, é normal um baque no crescimento.. mas gostaria que vc apontasse então um exemplo de saída inteligente de economia hiperinflacionária..

 

Método:

 

1) superestimar as críticas que a imprensa faz ao governo Lula

2) ignorar os elogios que a imprensa faz ao governo Lula

3) ignorar as críticas que a imprensa faz aos governos psdb/dem

4) superestimar os elogios que a imprensa faz aos governos psdb/dem

 

Conclusões (sempre as mesmas): a imprensa é malvada. A imprensa é aliada das elites (que também são malvadas). As elites querem ferrar o torneiro mecânico porque o que é bom para o povo é ruim para as elites. 

 

Quem critica Lula ou elogia FH é necessariamente ingênuo: acredita na imprensa e não vê a Verdade (FH foi uma catástrofe e Lula, o super-herói, reinventou o Brasil). Que bom haver pessoas esclarecidas para levar a Verdade àqueles ludibriados pela imprensa.

 

O importante é desqualificar as críticas ao governo Lula (ou os elogios ao governo FH): é tudo recalque, pois o torneiro mecânico (que ama e luta pelo povo) fez mais do que o sociólogo (marionete das elites).

 

Nobre missão.

 

A consequência maior, para não dizer tragédia, desse tipo de crítica é a interdição do debate honesto e construtivo.

A vontade de destruir, desqualificar, como que tolhe a capacidade de discernimento de muitos que lançam seus libelos contra o ex-presidente. Parece que reconhecer méritos nele - Lula - além de ser inconveniente, é quase que uma sina; se não um pecado mortal.

Por outro lado, a tragédia se revela na mesma magnitude quando os verdadeiros erros e defeitos dele como pessoa física e governante ficam como que travados ou numa espécie de limbo a espera da crítica racional, honesta e desprendida de qualquer compromisso, salvo o da verdade.

Esse processo, que se inicia já em 2003, mas que se acirrou mesmo de 2005 para cá, talvez tenha sido mais desfavorável ao país que ao próprio ex-presidente, mesmo reconhecendo seu sofrimento pessoal e da sua família.

Ao país porque tanto o excesso, truculência, deslealdade na crítica da oposição(aqui no sentido lato), como na falta de posicionamentos e olhares mais atentos para ele e seu governo, deixaram sem referências o governo. Será que esse hiato não preenchido não custou nada ao país? 

 

 

Li este post ontem e, pra variar,o Gunter foi aprovado com todos os méritos.

Cara, você é muito bom. Acho que você deveria fazer uma compilação de seus posts

e publicar. Pode vender na sua livraria mesmo, será sucesso na certa.

Já faço reservas antecipadas.

Nunca antes na história deste país houve um dissecador

da alma piguenta como você.kkkkk

Abs.

Nilva

 

Oi Nilva, como vai! Muito obrigado, pelo elogio e pela ideia.

Mas não sei o que aconteceu ontem... (quando escrevi este e o "Perdeu Playboy") Onde estão as tampinhas de Gini e Grapette... Cadê...

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

queria agradecer ao gunter pela qualidade  do texto , criatividade e pelo fato de ter construído uma reflexão "instrumental" (como dizia o velho barbudo: aos filósofos, cabe transformar o mundo. algo assim se a memória não me trai). assim como fizeram diretamente os comentaristas josé vitor, raí e socram pb, eu tb gostei mt da análise. como já tive oportunidade de dizer aqui p o próprio gunter,  e vou repetir agora, ele é o nosso andré singer, só q melhor.

 

Um dos clichês anti-Lula mais vazios e artificiais é aquele que diz que Lula ao reclamar que é vitíma de preconceito por não ter diploma universitário, estaria fazendo uma apologia da "falta de estudo". Seria um mal exemplo para os brasileiros, que já são na sua maioria ignorantes o bastante.

Bem, a ignorância começa por quem repete essa besteira. Pois ignora que o Lula criou muito mais Faculdades que o sociólogo, o que não seria difícil, já que este não criou nenhuma. Além de voltar a dar reajuste aos professores universitários, que ficaram com seus salários congelados no governo do doutor pela Sorboune. Isso sem contar o principal, que foi o acesso dos mais pobres à unversidade, acesso esse, que na época do intelectual poliglota só se dava pelo elevador de serviço

 

Juliano Santos

Não se pode esquecer de mais um importante ítem na receita de bolo para falar mal do Lula: omitir todos os escândalos do governo FHC de cabo a rabo,  ressaltar e superdimensionar o suposto mensalão do PT.

 

Sugiro a leitura de matéria do Prof. Wanderley Guilherme dos Santos na Carta Capital desta semana. Está primoroso!

 

O povo reconheceu a importancia do plano real e por conta disso deu duas eleições para FHC/PSDB,  mas o mundo gira...

O que os tucanos querem? Ser eternamente eleitos por conta do plano real?

O mesmo raciocinio vale para o Lula e o PT, o povo reconheceu seus avanços e deu duas vitórias, mas agora precisamos ir adiante.

O povo vai avaliar os novos modelos e propostas e decidir quem sera o depositário da sua confiança.

No PT a linha de pensamento na minha visão: desenvolvimento responsável, nacionalismo, combate a pobreza, inclusão social, estado forte e independencia externa.

No PSDB: Ética, moralidade e competencia (??)

As bandeiras da sustentabilidade e ecologia estão largadas.

 

FHC e seus seguidores nunca irão engolir que um ex operário fez muito mais do que eles quando foram governo. Eles sentem como se tivessem levado uma bofetada na cara por parte deste "4 dedos". NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS...."

 

O que é "governar"?

Certa vêz,perguntaram ao ex-Pres.Lula,se era difícil governar uma nação, com tantas diferenças de concepção política, com tantos problemas ainda serem resolvidos, com tão poucos recursos financeiros(poupança interna)com um Congresso tão oposicionista,com tantos gargalos frutos do excesso de burocracia,com um Judiciário tão comprometido com a direita,e ele respondeu simplesmente: Não.

E explicou:Basta estar comprometido com a maioria,e não deixar-se vencer pelo desânimo que sempre norteou o governo federal;

Basta não esquecer sua orígem e não deixar que o sucesso e/ou as benesses do cargo subam-lhe à cabeça;

Basta acreditar sempre,na capacidade de mudar da classe trabalhadora;

Basta arregaçar as mangas,e trabalhar na busca sempre de parceiros que tenham a mesma mentalidade e compromissos políticos;

Basta jamais deixar de "ser gente"

Basta "teimar"como ensinou-lhe a sua mãe,Dona Lindú,que repetia sempre: "É preciso ser teimoso,meu filho,teime,jamais deixe de ser teimoso"

Governar é isso,simples não ?  

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Belo texto, Raí, parabens!

 

não tenho o gullar em tão alta conta. há pessoas que procuram este tipo de texto crítico, e reenviam, porque se identificam. arnaldo jabor, o histriônico, é o mais completo babaca udenista.

meu problema é com o caetano veloso, que é a cara do FHC. este caetano fez uma letra sobre Alexandre, o grande, com adjetivos "magnânimo" e "cruel" para o primeiro imperador da história. ao Lula, entretanto, em que pese a distância histórica, não permitiu a fala "extirpar o DEM", dentro da campanha. este caetano que fala dos pobres de Salvador em "Haiti" (o Haiti é aqui, o Haiti não é aqui), quer sim que os negros continuem onde estão, talvez porque sua música dependa da dor deles.

 

Bem como ainda não se consegue fazer o mesmo com Dilma, Igor Gielow vai buscando nos ralos de outras redações e mesmo na central Millenium, inspiração no que escrever. Ai sai esta opinião:

 

Construindo Dilma

BRASÍLIA - Como incógnita que ainda é na figura de presidente, Dilma Rousseff passa por um processo de construção de imagem.
Duas semanas não são dois anos, claro, mas já é visível o esforço da camarilha em montar um híbrido: uma presidente diferente de Lula, mas que possa surfar na popularidade do antecessor.
Não é tarefa fácil. Até as emas do Alvorada sabem que Lula, como figura midiática, talvez seja um episódio único. Felizmente: nem os petistas disfarçam o alívio de não ter de tratar diariamente com o ego monstruoso e a balbúrdia comunicativa do antigo chefe.
O fato é que está em curso a venda da imagem da "gerentona", dura nas cobranças, que marca reuniões de modo a obrigar sua equipe a trabalhar como todo mundo até o fim da semana. E tudo com cara de novidade, como se Dilma não tivesse integrado a era Lula.
E, veja só, ela também "exige" padrões éticos impecáveis. Espera-se que não ela não tenha em mente Erenice Guerra, aliás presença ilustre na sua posse, quando fala nisso. Fora a piada pronta de colocar Antonio "caseiro Francenildo" Palocci como o menino do recado.
Aqui e ali são vistos elogios inflamados à visita da presidente ao Rio sob o signo da tragédia. Ponto para Dilma, claro, por não repetir o roteiro covarde de Lula. Mas vamos combinar: ela fez apenas o que se espera de qualquer governante.
Sob a aura da suposta eficácia discreta escondem-se também cacoetes da formação comunista de Dilma. Ordem unida, comitês setoriais, silêncio sobre divergências, uma agenda cheia de secretismos -até a bandeira da Presidência já não servirá de indicador de paradeiro. Parece coisa de aparelho, que, somada a um aparente desprezo da relação com o Congresso, tende a gerar ressentimentos.
Dilma tem gordura lulista para queimar enquanto tenta se afirmar. A dúvida é por quanto tempo.

 

Este sujeito leu o que o Ferreira Gullar escreveu ontem e foi a reboque. Isto foi escrito na Folha né Alberto ?

 

Faltou apenas um ingrediente na receita aí. É um tempero fundamental, acho. Trata-se de, sempre que não der para omitir algum avanço obtido pelo governo de Lula, acrescentar, após uma vírgula ou não, uma ressalva, por exemplo: "a taxa de mortalidade infantil diminuiu, MAS ainda é maior do que tais e tais países".. Essa fórmula sempre atenua qualquer comentário positivo que se tente fazer. Funcionou por oito anos.

 

Bem lembrado, isso das ressalvas e da "criação" da corrupção (como vários lembraram) pode fazer parte da receita sim. Anotado!

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Pior é ter que conviver com essas críticas ao ex Presidente Lula.

 

Ando evitando, não tenho mais saco para ouvir os papagaios que repetem tudo o que o PIG diz.

 

Dá uma raiva danada, e o pior,  são pessoas que nada perderam com o Governo Lula,  mas não aceitam que um trabalhador, inculto, tenha  sentado na mesma cadeira  que o  ociólogo sentou , aquele que  queria vender a Petrobrás e que chamou meu pai de vagabundo. Aquele que mandou bater nos índios, na festa      em comemoração aos   1.500 anos do descobrimento do Brasil e fez outras sandices..., e etc, etc.

 

Gostei da receita Gunter.

Acho que vou até a Barão de Limeira - se não estiver alagada - com um artigo em mãos. Será que eles pagam bem para um intelectual desconhecido ? :-)

 

"Quanto mais se caminhe para o futuro,no que concerne às questões economicas,mais presente estarão as conquistas desenvolvimentistas e sociais das gestões Lula"

O parágrafo final do post do Gunter,é de uma preciosidade incomum,e mesmo a contragôsto,a direita terá que conviver com esta realidade,de agora até um futuro que poderá alongar-se indefinidamente.

A prática já costumeira dos meios de comunicação reconhecidamente retógrados,de dar espaço,"sempre para os mesmos"jamais vai tirar da lembrança da geração que fêz parte desta revolução sócio-economica do governo Lula,e por mais que insistam em tentar desconstruir este governo,não acredito que consigam algo mais do que inflamar os ânimos,e provocar o debate.

No caso do Ferreira Gullar,foi mais uma tentativa pessoal de sair do ostracismo no qual ele foi atirado,pelas novas gerações,que hoje lê via E-book,e que não compra mais os seus livros,preferindo os virtuais,que pelo seu sentimento outrora revolucionário e que ficou ultrapassado,pela sua incapacidade de aceitar as mudanças. 

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Concordo com a receita de bolo do GZ, exceto em um detalhe: com ela não se consegue criticar o Lula, apenas e tão somentemente reconhecer os resultados alcançados do presidente-metalúrgico. 

O motivo é simples: contra fatos não há argumentos. 

Vai daí que esta receita de bolo é um tiro pela culatra. Espero sinceramente que, quem a utilize se afunde mais. 

Agora, aqui entre nós, um presidente como FHC montar uma ruindade maquiavélica no fim de seu mandato apenas para atrapalhar a vida de seu sucessor tentando com isto voltar ao poder em 2006, isto deveria ser objeto de um processo, e o próprio deveria ser punido por isso. 

 

O Plano Real para mim, um mero popular.

Amigos, vou contar uma breve história dos impactos do Plano Real em minha vida. Tirem as conclusões:

Em 1990 ingressei no melhor curso de Engenharia Elétrica do País. UNICAMP (título dividido com a Poli-USP).

Estava cheio de esperanças em relação ao meu futuro profissional.

Em 1994 surgiu o Plano Real. De fato, a inflação reduziu substancialmentem. Não acabou, como dizem, pois ainda girava na casa dos 10%.

Ao longo de 1995, quando estagiava em uma indústria paulista, fui informado que não iriam me contratar em razão de não desejarem mais um engenheiro na fábrica. Havia apenas 1 em uma unidade de 900 funcionários. Era custo, R$ 1800,00, que não poderiam arcar em razão da economia estar passando por um período de 'ajuste'.

Busquei outras colocações, mas nos murais da faculdade já não haviam as convocações tão abundantes em anos anteriores, até mesmo nos da era Collor.

Encerrei o ano desempregado, junto com diversos colegas, alguns dos quais optantes por fazer mestrado e ganhar a mísera bolsa do CNPQ de 500 dólares.

No ano de 1996 procurei, inutilmente, emprego na área. Não aparecia nada, nem projeto elétrico residencial. Acreditem, morava em Sorocaba e ninguém estava construíndo um prédio, uma casa, um galpão. As firmas de engenharia estavam paradas. Tinha gente mudando o escritório para casa pois não consegui pagar o aluguel.

Mas a inflação estava controlada.

Fiz alguns bicos e sobrevivi com a ajuda de familiares.

Decidi mudar o rumo profissional, abandonando a engenharia, após 2 anos de frustradas tentativas de trabalho, e me tornei funcionário público federal, em 1998.

Joguei fora 5 anos de investimento na melhor faculdade de engenharia elétrica do País, custeada pelo governo, para me tornar funcionário público. Centenas, talvez milhares de engenheiros tenham tomado o mesmo rumo.

Mas a inflação já não parecia estar tão controlada quanto diziam.

Hoje, comenta-se que há um déficit de engenheiros no país e atribui-se isso ao crescimento recente do país. Mentira. O País impediu o ingresso ao mercado de engenharia, pelo menos uma geração inteira, e isso tem seu custo futuro.

Isso foi a era FHC. Inflação baixa graças à recessão, uma geração inteira de engenheiros alijados do mercado e um bando de ignorantes repetidores de bobagem propaladas por fascínoras de extrema direita.

Foi bom, façam seus julgamentos.

 

Benvindo ao Clube Rodrigo, você é mais um dos "engenheiros que viraram suco", na década de 90.

Somos milhares. Todos buscamos alternativas. Lembro-me bem que quando estudava na FEI em 1990 e quando abandonei a busca de emprego como engenheiro em 1994, dizia-se que o mercado para engenheiros estava "saturado". Incrível né.

Abaixo uma reportagem de 12 de Novembro de 1995 que demonstra claramente o que ocorria no "mercado de trabalho".

Automobilística tenta sobreviver à crise

 

LUÍS PEREZ  - Folha de São Paulo - Caderno Empregos - 12/11/1995


O mercado de trabalho para o engenheiro automobilístico vive um dilema. De um lado, a indústria nunca demitiu tanto. De outro, a produção é recorde.
A produção prevista até o final do ano é de 1,64 milhão -3,7% a mais do que no ano passado, quando as montadoras fabricaram 1,58 milhão de unidades.
Automobilística é especialização do curso de mecânica. A única faculdade que o oferece em graduação no país é a FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), de São Bernardo do Campo (18 km a sudeste de São Paulo).
Ricardo de Andrade Bock, 42, coordenador do curso, diz que os estudantes "aprendem tudo, mais a especialização".
Segundo ele, metade dos estudantes é aproveitada por montadoras e a outra metade, pela indústria de autopeças.
"Algumas coisas favoreceram o curso. A localização estratégica da FEI é um exemplo."
"Mas o mercado está complicado. A indústria não tem absorvido muita gente", afirma Guilherme Sortino, 36, engenheiro e gerente da SAE (Society of Automotive Engineers), que reúne engenheiros da área automotiva.
"A indústria está terceirizando soluções específicas de engenharia, em vez de engordar seu quadro de funcionários", afirma. Terceirizar é contratar serviços de outras pessoas.
Para Sortino, a "especialização facilita a entrada dos engenheiros recém-formados em algumas áreas da indústria".
Sortino, que trabalhou durante sete anos na Ford do Brasil, acha "extremamente positiva" o aprofundamento na área.
"Não fazê-lo é como tratar um assunto de um otorrinolaringologista (médico que cuida de ouvido, nariz e garganta) com um clínico geral", compara.
Segundo ele, as grandes oportunidades estão no setor de autopeças. "Existe um lugar determinado para cada um na indústria." Mas a fonte está quase seca.
Dados recentes do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo mostram uma queda no nível de emprego nos últimos cinco anos. De 1990 a 1994, a redução foi de 8% -caiu de 50 mil para 46 mil os regularmente contratados.
Formam-se, por ano, entre 6.000 e 7.000 engenheiros. "Então temos, nesse período, entre 30 mil e 35 mil que teoricamente não entraram no mercado", avalia Ubirajara Tannuri Felix, 45, presidente do sindicato.

"Com certeza, a automobilística ainda é uma modalidade nova", afirma, apesar de o curso ter sido criado em 1963.
Embora criticado por alunos e recém-formados de universidades públicas -principalmente pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo)- como sendo específico demais, o curso da FEI nunca motivou reclamação por discriminação de nenhum dos 120 mil engenheiros do Estado.
"O mérito da FEI é saber aproveitar o momento da indústria automobilística", afirma o diretor da Escola Politécnica da USP, Célio Taniguchi, 57.
Para ele, não há preferência por alunos de um ou outro curso por parte das indústrias. 

 

Resovi dar uma olhada nos arquivos da Folha e olhen as reportagens do dia 27 de Outubro de 1996  e ainda dizem que a gestão FHC foi um sucesso!

Vestibulando de 97 opta por profissões saturadas

Medicina é a mais crítica


O mercado de trabalho das profissões mais procuradas pelos vestibulandos de 1997 da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) não é muito promissor.
Em três delas -medicina, direito e engenharia, que somaram 40% das inscrições-, o profissional que não estiver antenado às novas tendências dificilmente conseguirá sobreviver na área.
Medicina é a mais crítica. Convive com o drama do baixo investimento, ao mesmo tempo em que abrem-se escolas e mais escolas e despejam-se fornadas de médicos no mercado todos os anos.
Direito, engenharia e administração começam a ganhar fôlego com algumas transformações que a sociedade está vivendo, o que não significa que a realidade seja a mesma daqui a quatro anos.

...

Profissional se desilude e parte para a informática


Formado em 87, o ecólogo Mário Henrique Scamparini está deixando a ecologia para abrir um negócio próprio na área de informática.
A razão, segundo ele, é o seu descrédito em relação aos rumos que a empresa em que trabalhava há quatro anos, como técnico ambiental, começou a tomar.
"Senti que não havia espaço para quem quisesse produzir cartilhas de educação ambiental. Os projetos que começávamos nunca decolavam. Fiquei frustrado com isso e resolvi sair."
Ele voltou para Araras (170 km a noroeste de São Paulo), onde está montando seu negócio. "Prevejo um mercado mais amplo nessa área. Provavelmente vou ganhar mais do que como ecólogo."
Apesar disso, diz gostar muito de ecologia. "Ainda vou escrever livros de educação ambiental", afirma o ecólogo.

 

Poucos arriscam carreira em letras


Com um mercado de trabalho nada promissor, cursos como armênio, chinês, grego e russo foram os menos procurados pelos vestibulandos de 97.
Na USP (Universidade de São Paulo), só oito se inscreveram para armênio -para um total de dez vagas. Em chinês, foram 13 inscritos para 15 vagas.
Segundo a consultora Elaine Saad, da Saad Filipelli, a pouca procura pelos cursos reflete uma realidade de mercado.
"Há poucas chances profissionais em todas essas áreas. Não temos empresas de capital chinês ou russo no Brasil para justificar a necessidade do tradutor ou intérprete."
Homero Freitas de Andrade, 43, professor-doutor de língua e literatura russa da USP, diz que o campo é quase nulo. "Tem pouco trabalho. Quando tem, é mal remunerado."
"Sei que é difícil conseguir uma colocação no meio acadêmico, mas é o que eu quero", diz Valéria Aranha, 22, que está no quarto ano de russo da USP. 

"Realmente engenharia, ecologia e linguas estrangeiras estavam saturados..."

 

Mesmo seguindo a cartilha o sujeito pode dar com os burros n'água ao receber o beijo da morte. Pois é, o Professor Hariovaldo deu um beijo desses no grande poeta Ferreira Gullar. Esse Hariovaldo não faz outra coisa que não seja caricaturar essa gente. Só que alguns carregam tanto na tinta do ódio que ficam mais caricaturais que a própria caricatura.

 

O bom é encontrar pessoas que queiram discutir. Se o interlocutor não te deixa falar, sorria e peça para mudar de assunto!

Falar da formação de Lula, até pode. Não pode é deixar de assistir ao menos a entrevista dele na Band, em que ele coloca tudo em pratos limpos e fala de logística, superavit primário e tudo o mais, colocando Jolmir Beting e Bóris Casoi no bolso, além de um singelo Boechat que critica a baertura de novos mercados como viagens de turismo...Ele pode não ter tido formação acadêmica, mas não deixou de aprender nas oportunidades que teve.

 

Blaya, leia Wanderley Guilherme dos Santos que escreveu na imprensa alternativa sobre o governo do Lula. Indico para os que desclassificaram Lula sábado à noite, mas isto não interessa para quem adquiriu o ódio plantado pela Veja e a Folha etc.

 

 

 

Lula e sua Herança  

Por Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Capital, ed.629, jan/2011.

Um desigual – No poder o ex-operário realizou a maior ruptura nos últimos 80 anos da República

O balanço de Lula contraria os tradicionais compassos das transações correntes, balança comercial, taxas de câmbio e rubricas aparentadas. São números relevantes, sem dúvida, mas tratados com interessada subserviência, servem como disfarces da realidade – ora apresentando como diferentes entidades semelhantes, ora pretendendo ser iguais a água e a vinho. Uma variação anual positiva de 6% do PIB, por exemplo, não quer dizer que o número total de pares de sapatos produzidos no ano foi de 6% superior ao total produzido nos 12 meses anteriores, ou do total de geladeiras, aspirinas, preservativos e tudo mais. Alguns números reais corresponderiam a bem mais do que à porcentagem registrada, outros a bem menos, e ainda outros a exatos 6%, sem mencionar os números novidadeiros. Uns pelos outros é que desembocam nessa média. Trivial, mas fácil de esquecer e dócil a interpretações marotas.

O economista Fernando Augusto Mansor, do Ipea, calculou a taxa de variação do PIB brasileiro dividido pela população (PIB per capita) nos últimos 60 anos, subdividindo o período por 14 mandatos presidenciais, acabados ou interrompidos, ditatoriais ou eleitos – de Getúlio Vargas e Café Filho a Lula I e II. Vista de longe, parece que a história econômica do país reprisa sequências de picos e vales de crescimento, variando não mais do que o maior ou menor intervalo de tempo entre uma escalada e uma queda. Uma rotina, quase. E nada melhor que uma rotina para sugerir aos candidatos a cientistas da economia a existência de uma “lei da natureza”. Daí a se imaginar que abundância e escassez caem do céu e que todas as abundâncias se parecem não toma além de dois passos.

Mais um passo e alcançamos a tese rústica de que o governo Lula representou um prolongamento de governos anteriores, no que estes apresentaram de positivo, acrescido de bonançosos ventos internacionais. Virtude e acaso encarnados em sujeitos distintos, operando em tempos sucessivos, a tese excitaria o falecido Maquiavel. Pace Niccolo, a história não é bem essa.

O crescimento de 4,9%, em média, dos prometidos 50 anos em 5 do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-1960), único presidente progressista eleito a concluir mandato antes do golpe militar de 1964, e o melhor a partir de então entre os de inspiração liberal, em nada se parece aos 4,1% do Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, de Ernesto Geisel, cerca de 20 anos depois (1974-1978). Mais 30 anos passados, os modestos 3,5 de Lula II, em novo governo progressista legitimamente eleito, embora apontando ligeiro declive diante do pico JK, representaram a mais espetacular ruptura das últimas oito décadas da República. Mas a interpretação reduzida a números não ultrapassa o registro de que houve 0,8 ponto percentual de diferença entre o PIB per capita de JK e o de Geisel, e que o de Lula ficou atrás de ambos ( o modus faciendi democrático desaparece nos números). Em outras palavras, quem só vê porcentagens significantes não enxerga o conteúdo sendo significado, ignorando que, na economia, importante é o que está dentro dela, estúpido! – diriam os suecos.

Por exemplo: dentro da taxa média de crescimento do PIB per capita de Lula II faltam números satisfatórios de aeroportos, rodovias, ferrovias e portos, justamente o que existe em abundância embutido nas taxas dos anos JK. Os “50 anos” recuperados “em 5” de Juscelino chegaram por via aérea ou recebidos em terminais rodoviários construídos às dezenas, acompanhando o ritmo de conclusão das estradas interestaduais planejadas pelos técnicos do então BNDE. Nada a lembrar o irritante congestionamento atual de aeroportos e estradas, invadidos por passageiros de primeira ou segunda viagem e por motoristas calouros em fins de semana fora da cidade onde moram. Sem esquecer o crescente tempo de espera para desembarque das mercadorias importadas nos portos nacionais. Muitas das quais enviadas da China, com a qual – ninguém podia imaginar – praticamente não falávamos nos anos 50 do século XX. Enfim, os itens em atraso na composição do PIB de Lula I e II fizeram a glória do desfile do PIB estilo JK nos sorridentes anos dourados de meados do século passado. É bem verdade que nem todos sorriam, faltavam os dentes, mas isso fica para depois.

Segundo os conservadores, ou bem o Brasil crescia ou evitava a inflação. Escolha difícil, à falta de terceira opção, e JK, apoiado pelo País inteiro, escolheu crescer, enquanto outros, antes e depois dele, preferiram a estagnação. Perfilhou, inclusive, o desafio de transferir a capital da cidade do Rio de Janeiro para o Planalto Central. (Corre a lenda de que o escritor carioca, católico e engenheiro por formação Gustavo Corção – 1896-1978 -, autor do célebre romance Lições de Abismo, apostou contra a viabilidade civilizatória de Brasília, assegurando que ela não teria condições de se comunicar nem telefonicamente com o resto do Brasil. Perdeu a aposta, é claro, e provavelmente teria apostado também contra a invenção do celular, jamais imaginando que tal artefato, se existisse, viesse a estar ao alcance de mais da metade da população brasileira em 2010 – cerca de 100 milhões de assinantes – quatro vezes superior ao número de celulares em circulação em 2003. Esta referência parentética destinou-se a ilustrar, com um item que de conspícuo transformou-se em básico, a rápida evolução recente do consumo em todas as rubricas típicas, como fogão, geladeira, televisão etc., consignadas pelos balanços usuais.)

Pois a tese da improbabilidade de crescimento econômico sem inflação era outro dos dogmas do período JK, adotado por todos os governos posteriores, o mesmo que se brandia à véspera do primeiro mandato de Lula. A ver as experiências históricas.

As entranhas do PIB juscelinista deram ganho de causa aos conservadores. As taxas de crescimento anual da economia foram exuberantes: 1956 = 3,2; 1957 = 8,1; 1958 = 7,7; 1959 = 5,6; 1960 = 9,7. E não seria impróprio atribuir ao carry-over do período juscelinista parte da saborosa taxa de 10,3, em 1961, já no mandato de Jânio Quadros (Conjuntura Econômica, 1972, Separata: 25 anos de Economia Brasileira, Estatísticas Básicas – FGV). Em contraposição, o índice de preços saiu de um patamar de aumento já elevado de 12,4%, em 1955, avançando a 24,4%, em 1956, e terminando o ano de 1959 com 39,5%, recorde desde o restabelecimento da democracia em 1945. Como de costume, o decreto 39.604-A, de 14 de julho de 1956, concedeu adicional de salário somente aos trabalhadores da indústria. Mais usual ainda, não houve reajuste salarial em 1957 ou em 1958 (Ibre/FGV, Índice de Preços Selecionados – Variações Anuais, 1946/1980).

A decomposição pelo avesso compromete um pouco o brilho do desempenho agregado dos indicadores econômicos de JK.

O oposto se dá com as taxas agregadas de aumento do PIB per capita de Lula I e II. Se mais modestas, elas revelam, contudo, a falsificação da tese hegemônica de que vigoroso crescimento econômico seria incompatível com taxas inflacionárias cadentes. Manutenção do poder de compra dos salários, então, segundo a ortodoxia republicana, nem pensar, sendo ademais delirante a hipótese de que, no Brasil, a economia suportaria aumentos reais na renda dos assalariados. Tentativas anteriores teriam conduzido o País ao limite da anarquia política e à desorganização das contas públicas (fortíssimos indícios, de acordo com as mesmas fontes midiáticas conservadoras e seus conselheiros, de planos sindicalistas revolucionários). Como se vê, não é tanto a história que se repete quanto à natureza e origem dos obstáculos que dificultam a sua progressão.

A avalanche de indicadores positivos durante o governo Lula soterrou o pessimismo.

A retomada do crescimento econômico veio acompanhada de inflação cadente e sob controle, acrescida de inédito aumento na massa de rendimento do trabalho. Em particular, o salário mínimo real dos empregados formais aumentou em 54%, entre 2002 e 2010, estendendo-se o número de trabalhadores com carteira assinada a mais da metade da população economicamente ocupada (Dieese: Política de Valorização do Salário Mínimo, in: Nota Técnica n˚ 86, São Paulo, 2010). Foram mais 15 milhões de brasileiros a obter empregos com direitos trabalhistas reconhecidos (Caged, novembro 2010). Naturalmente, também cresceu o número de assistidos pelo sistema da Previdência Social. A curva do desemprego, outro fantasma da excessiva prudência conservadora, apresentou uma evolução favorável, com taxas cadentes desde 2005 até o recorde favorável de 2010, quando a taxa de desocupação foi reduzida a 5,9% da população economicamente ativa.

Vale registrar que o desmonte das hipóteses econômicas sombrias se processou com crescente e pacífica participação nos assuntos públicos por parte de todos que o desejaram. Não houve qualquer repressão oficial a movimentos populares, opiniões ou manifestações políticas. Nenhum grupo social popular ou conservador teve cerceados ou amputados direitos de expressão pública. Ao contrário, entre 2003 e 2009, foram promovidas 59 conferências nacionais sobre os mais variados temas, com o envolvimento de mais de 4 milhões de pessoas, ademais da criação ou reorganização de 18 conselhos para tratamento de problemas históricos da população (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Caderno Destaques, novembro/dezembro 2009, Brasília).

Ao contrário da anarquia prevista, a substituição de um sistema de valores e de práticas de perfil tradicionalmente elitista por uma orientação de governo comprometido com a promoção econômica, social e cultural da vasta maioria de trabalhadores brasileiros, em particular de suas camadas mais pobres, inaugurou um clima de temperatura política tolerante e cooperativa. São os extremos de dogmático espectro ideológico que, hoje, lastimam a redução na intensidade dos conflitos que, preveniam, seriam atiçados pelo governo Lula da Silva. O absoluto respeito por parte do Executivo às regras do jogo e às demais instituições do País – judiciárias, legislativas, estaduais – é um dos aspectos incluídos no reconhecimento que a população dispensou ao governo, em porcentagens acima até mesmo do apoio eleitoral que deu.

A comoção que acompanhou a transmissão da faixa presidencial à presidenta eleita, Dilma Rousseff, bem como a despedida do presidente Lula da Silva, testemunha a extensão de seu sucesso, excepcional contradita às suspeitas que cercaram sua posse em janeiro de 2003.

Crescer economicamente, administrando a inflação com racionalidade, promovendo a criação de empregos e a valorização real da renda dos trabalhadores não é equação a ser resolvida em demonstrações doutorandas, mas pelo compromisso axiomático do governo com a justiça social e com o progresso material e soberano do País.

Para ser desigual alguém precisa existir. Parece óbvio, mas, em 2006, de acordo com projeções do IBGE, 12,6% da população não existia oficialmente. Em 2002, teriam sido 20,9%. Em Rondônia, o número de nascidos e não registrados no primeiro ano de vida alcança 40%, recorde nacional, e, no Amapá, 33% (Secretaria de Comunicação Social, Caderno Destaques, nov/dez 2009). No total, são pessoas que não dispõem ou dispunham de documento comprobatório de existência, nascimento, nome ou residência. Consequentemente, desassistidas de qualquer tipo de política pública ou direito civil. Para a maioria da população, o acesso a registros tais como certidão de nascimento, carteira de identidade, CPF e carteira de trabalho aparece como fatos tão naturais quanto o nascer, crescer e trabalhar. Não obstante, foi necessário um governo popular se interessar por essa multidão oficialmente invisível e passar a despender recursos para trazê-la à luz do dia. Mutirões foram realizados e outros 1.225 previstos para 2010, particularmente na Amazônia Legal e no Nordeste, para execução do Programa de Ampliação do Acesso à Documentação Civil Básica. O alvo é o contingente de brasileiros construído de povos indígenas, quilombolas, ciganos, ribeirinhos, trabalhadores rurais, moradores de rua, catadores de recicláveis, crianças e idosos em abrigos, distribuídos em municípios de elevados índices de sub-registro.

É duvidoso que um item dessa natureza seja facilmente encontrável na decomposição de qualquer indicador agregado dos governos anteriores, próximos ou remotos. Mas eles fazem parte do povo de Lula, tanto quanto a vanguarda operária dos centros industriais das grandes cidades e a classe média recém-engordada por passageiros vindos das classes D e E.

Na vasta maioria dos casos, o acesso à documentação representa o ingresso em alguma ou várias formas reconhecidas de desigualdade. Nada mais fácil para um brasileiro do que se incorporar a um desequilíbrio social, de um lado ou de outro: gênero, cor, instrução, renda, idade, geografia de nascimento e até estética são portais escancarados à estratificação e discriminação. Entre outros, e crucial, é o portal da Justiça.

A Justiça é dispendiosa para todas as pessoas e para os pobres em particular, além de cara, amedronta mais do que apazigua. Ainda agora o IBGE publicou preciosa pesquisa sobre Características da Vitimização e do Acesso à Justiça no Brasil (IBGE, 2009), com números sobre violência contra pessoas e contra a propriedade, repetindo em certa medida investigação semelhante que realizara em 1988, há 22 anos, portanto. Entre as infaustas novidades encontram-se as que dizem respeito às vítimas preferenciais da violência por classe de renda e idade, por exemplo, e seus algozes. Com base em amostra nacional de 399.387 pessoas e 153.837 unidades domiciliares distribuídas por todas as unidades da Federação, os resultados revelam um quadro comparativo ainda desalentador. Mesmo em casa, não mais do que 78,6% das pessoas se sentem seguras, porcentagem que cai para alarmantes 52,8% da população quando estão na cidade, longe de casa e do bairro.

Há substancial variação regional nesses números, aparecendo a Região Norte como aquela em que a população se sente menos segura, seja em casa (71,6%), no bairro (59,8%) ou na cidade (48,2%). Segundo a pesquisa, os homens sentem-se mais seguros que as mulheres, sem diferença marcante entre brancos e pardos, nesse item sobre subjetividade, em qualquer dos locais investigados. Cerca de 8,7 milhões de pessoas, 5,4% da população residente de 10 anos de idade ou mais, foram vítimas de roubo e/ou furto no período de 27 de setembro de 2008 e 26 de setembro de 2009, com a maior incidência ocorrendo com pessoas de 16 a 34 anos de idade. A violência física caminha na direção inversa à da renda, com a maioria agredida situando-se na faixa de um quarto do salário mínimo. Os autores da violência física foram desconhecidos, em 39% dos casos, pessoas conhecidas em 36,2%, cônjuge ou ex-cônjuge, 12,2%, parentes em 8,1% das agressões e 4,1% de autoria de policiais ou seguranças privadas. Entre as mulheres, 25,9% delas foram agredidas por cônjuge ou ex-cônjuge. Sujeitas a várias discriminações, as mulheres e a população não branca atestam vários dos desequilíbrios sociais praticados pela sociedade, não obstante a legislação penal existente.

Entre 1988 e 2009, a violência contra a população branca foi reduzida de 64,6% para 52%, enquanto a população preta ou parda, vitimada, aumentou de 34,9% para 47,1%. O mesmo fenômeno se deu na comparação por gênero: a porcentagem de homens roubados ou furtados decresceu de 58,3% para 53,1%, enquanto a das mulheres aumentou de 41,7% para 46,9%. As porcentagens relativas à violência física seguem o mesmo padrão: enquanto a população branca, em particular a masculina, obteve acréscimos de segurança, nos últimos 20 anos, a probabilidade de sofrer agressões corporais aumentou para a população feminina, preta e parda.

Embutido nesses números está o testemunho da extensão em que níveis de pobreza, por certo, mas igualmente da aspereza da cultura cívica somam-se para fabricar uma sociedade ainda predatória e discriminatória. Sua superação exige largo intervalo de tempo.

Do outro lado da ponta da prevenção, que claudica, encontra-se a oferta de proteção jurídica. A nova Lei Orgânica da Defensoria Pública, de outubro de 2009, ampliou e tornou efetiva a possibilidade de que cidadãos sem capacidade financeira para a contratação de advogados obtenham condições de trazer pleitos junto aos tribunais. Entre 2003 e 2008, o número de defensores públicos passou de 3.250 para 4.525, e o número de atendimentos jurídicos de 4,5 milhões para 9,6 milhões, um acréscimo de 113% (Fonte: Ministério da Justiça).

O Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, criado em 2003, embora não implantado ainda em todos os Estados, já atendeu 1.375 crianças e adolescentes e 2.255 familiares. Diante da incessante fábrica de desigualdades, discriminações e violência que é a sociedade brasileira, programas como o (PPCAAM), entre outros, e inovações institucionais como as Secretarias Especiais da Mulher e da Promoção da Igualdade Racial, que atuam, sobretudo na reparação de transgressões, não deixarão de apresentar resultados mais substantivos no longo prazo.

Se a violência estrutural é difusa e resistente, a redução das carências iminentes da população pobre – atendimento à saúde e educação – depende fortemente da disposição e ação governamentais. O número de Farmácias Populares ara atendimento ao povo de Lula cresceu 1.826%, entre 2004 e 2008, vendendo mensalmente medicamentos a preço de custo a 1 milhão de pessoas. Outro milhão de pessoas adquire medicamentos, por mês, com descontos de até 90%.
O Programa Saúde da Família é conhecido, mas nem tanto o programa Brasil Sorridente, para o povo malcuidado, tópico embaraçoso para governos de elite. Em 2004, foram instalados 100 Centros de Especialidades Odontológicas, aumentados para 771, em 2009. Com 18.650 equipes, atenderam 87 milhões de brasileiros em 2009 (Ministério da Saúde, Boletim, novembro de 2009).

Programas para portadores de deficiência física, que alcançam 14% da população do País, incluíram a adequação de 10.489 escolas, entre 2007 e 2009, para atendimento especializado (Seesp/MEC). O ProUni, educacional, o Programa de Agricultura Familiar, produção de alimentos, e o Minha Casa, Minha Vida, habitacional, somam-se aos referidos para orquestrar o que constitui o compasso essencial do balanço de Lula. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem papel destacado na composição do PIB dos últimos anos, com certeza, assim como as iniciativas nas áreas da grande agricultura e da exportação. A visibilidade do programa Bolsa Família e suas dezenas de milhões de famílias recuperadas à miséria a instala por gravidade no centro da atenção midiática.

Mas o pernóstico debate sobre atribuído assistencialismo do programa ofusca o princípio ordenador das prioridades do governo e o sentido histórico dos dois mandatos do presidente Lula da Silva. Crescimento econômico, inflação sobre controle, expansão do emprego e redução das desigualdades sociais são metas compatíveis, sim, entre si e com a democracia, desde que o governante adote políticas em harmonia com a agenda preferencial do povo – isto é, do povo de Lula.

O Longo Ciclo Vargas (de 1930 a 2014)
Um estancieiro gaúcho; um operário pernambucano e uma militante política mineira

A Inglaterra inaugurou a modernidade liderando a primeira Revolução Industrial entre 1780 e 1820. Quarenta anos. Mas o pioneiro ciclo de modernização só se encerrou no início do século XX, com o amadurecimento de um sistema público de seguridade social e a universalização do direito de voto masculino e feminino em 1924. Nessa cronologia, o Brasil ainda teria um crédito de 20 ou 30 anos à disposição.

Os primeiros países modernos contaram com duas vantagens históricas. A primeira, conferida pela originalidade, foi a de estabelecer velocidade e conteúdo da própria “modernidade” sem competidor à frente. Qualquer avanço material, tecnológico, cultural, era, por definição, “progresso”. Aos emergentes, contudo, foi imposta a necessidade de descontar o atraso, além de crescer, visto que a tese da convergência civilizatória mundial se revelou ideológica. Em acréscimo, esta a segunda vantagem, os países modernos da primeira onda foram dispensados de sobrepujar a oposição interna de grupos que preferiam a estagnação ou a subordinação a estratégias de outras nações.

No Brasil, ademais dos percalços de governos conservadores, o caminho da modernização enfrentou interesses que, congregados, levaram um presidente legitimamente eleito ao suicídio, em 1954, tentaram impedir a posse de outro, em 1955, e interromperam, pela força das armas, o mandato de um terceiro em 1964.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro efetivamente popular na história da República a terminar pacificamente não um, mas dois mandatos, eleger uma sucessora e transmitir o cargo. Retrospectivamente, registre-se que os dois principais momentos de avanço dos direitos da população pobre do País ocorreram sob regimes autoritários: a Consolidação das Leis do Trabalho, sob o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945), e a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador Rural, durante a ditadura militar do general Emílio Garrastazu Médici (1970-1974).

O governo Lula avançou na reformulação da estrutura econômica do País, na indústria, na agricultura e nos serviços, revelou inédita independência na administração dos constrangimentos de crises externas (2008-2009) e alterou a agenda de prioridades nacionais. O resgate de mais de 20 milhões de pobres e o anúncio do programa para a erradicação da miséria extrema, com o governo de Dilma Rousseff, além da desejável e indispensável capacidade de produção autônoma de conhecimento e tecnologia, indicam o término do ciclo de ajustamento do País à modernidade.

É bem possível que a travessia iniciada por um estancieiro gaúcho, que pouco se ausentava do palácio de governo instalado em uma cidade marítima do Sudeste, esteja sendo encerrada por um ex-metalúrgico paulista, migrante nordestino, associado a uma mulher, ex-presa política de origem mineira. Tão Brasil.

Extraído da Revista CartaCapital n˚629
autor: Wanderley Guilherme dos Santos
enviado por Jotamorim (via Redecastorphoto).

Charge extraída daqui.

 

http://gonzum.com/?p=1834

 

Sem dúvida,  o discurso monocordico e monótono dessa "intelectualidade" brasileira é material farto para linguistas, jornalistas, historiadores, etc., embora seu leif motif venha sendo exposto a tempos nos círculos mais politizados e sua matiz principal seja o velho preconceito de sempre.  A questão principal é a persistência desse discurso e como ele conquistou nichos  na pretensa "massa pensante" brasileira.Talvez, a resposta estaria num estudo sobre o que é ser intelectual no Brasil. O mais aberrante nisso tudo é a sociedade aceitar esses caras como profundos intelectuais e permitir que um poeta faça um texto crítico sério sobre política econômica e planejamento. Que um geógrafo discorra seriamente sobre desastres aéreos, e assim por diante. 

De certa forma, ter um governo "deles" não é o que motiva o espaço dado à esses "´pensadores". Algo nunca debatido neste blog é a forma como no Brasil se desrespeita a formação do sujeito. Todos acham que ser tal coisa é fácil. Assim, achamo-nos no direito de opinar sobre tudo e, o pior, querer que nossa análise tenha equivalência com a de quem estudou anos para dizer o que diz. Neste cenário, temos a supremacia de certas formações, valorizadas na sociedade. Assim, nossa sociedade cria rankings de profissões e formações e dão ao portador dos diplomas mais valorizados a permissão para falar de tudo.  

Junta-se as  exigências ralas para ser um intelectual, uma elite com grana e que precisa ser representada e ouvir seus próprios lamentos num período complexo escrito por "alguém importante e bem formado" e teremos esse discurso martelado em tudo o que é vendével intelectuamente. 

 

 

Ontem, um popular disse que o governo federal gastou mais em publicidade do que na Saúde.

 

 

Pelo visto, Ferreira Gullar deve ter se apartado de muitos intelectuais, por isso anda meio cabisbundo. Refiro-me àquela manifestação num teatro, quando intelectuais dos mais qualificados do Brasil, encheram o recinto a fim de apoiarem Dilma Roussef, citando apenas dois: Marilena Chauí e Chico Buarque (o mais expressivo poeta brasileiro, que ainda canta a sua poesia, coisa que FG não pode fazer).

F.G. só perdeu em dar seu depoimento contra Lula. Perdeu por não ter ficado calado, sobretudo por isso.

Falar bem de Lula, citando seus feitos, é fácil demais, porque não foram apenas os pobres e desvalidos que saíram no lucro. Basta ver depoimentos de um Abílio Diniz, grande empresário. Na entrega de prêmios de Carta Capital, esse homem só faltou chorar de emoção ao engrandecer Lula e seu governo. Basta ouvir um Miguel Nicollelis, ou ler seus textos, para entender a razão de Lula ter servido mais às pesquisas científicas que outros. O incômodo dessa gente passa por aí. Lula não discriminou nenhuma classe social. Usou de uma capacidade, de uma inteligência que surpreendeu a todos, mesmo aos que são sontra ele, haja vista que durante a campanha os mais truculentos opositores aceitaram de seus marqueteiros colar suas imagens a do Barbudo. Isso deixou claro a todos que falar mal de Lula ficou impossível para os que pretendiam angariar os votos das urnas. E os que insistiram em falar mal dele, como Mão Santa, Arthur Virgílio, Heráclito Fortes, Jereissate, se danaram. Passaram a detonar Dilma, começando pelo ex-vice de Serra, que nas primeira patadas foi obrigado a calar a boca, e terminou mudo.

Como disse Obama: "LULA É O CARA. ELE É O POLÍTICO MAIS POPULAR DA TERRA".

 

Mario Blaya, essa história de que "mudanças realizadas no governo do FHC" foram base do governo Lula é ridícula.  

Todo governo é base para o seguinte, Mario Blaya. Falar isto é literalmente falar o óbvio. A questão é saber se o governo seguinte avançou/inovou ou não, a partir da base recebida.

No caso em questão, o governo Lula recebeu uma economia que havia sofrido um plano de estabilização econômica. 

Inicialmente, vale ressaltar que o próprio FHC poderia ter avançado no seu segundo governo para tomar medidas de desenvolvimento, mas não o fez por que isso não fazia parte do seu horizonte de governo. FHC fez um governo tímido nesse sentido.

Lula, com base na conjuntura econômica presente no início do seu governo, começou a implantar medidas que caminhavam para o desenvolvimento, e que germinaram no seu segundo governo. Essas medidas, conforme já foram discutidas aqui, visavam criar uma economia de massa, através do fortalecimento do mercado interno: aumentos reais de salário mínimo (algo que não acontecia com FHC), gestão unificada de programas sociais de distribuição de renda (o tão criticado, por todos os tucanos, Bolsa-Família), aumento da disponibilização de créditos no mercado, o crédito consignado, diminuição dos juros (apesar de muitos considerarem que tal diminuição poderia ter sido maior, e eu me incluo entre os que pensam assim), etc. 

Partir para uma concepção de desenvolvimento através do fortalecimento do mercado interno já era, por si só, uma mudança significativa de rumo econômico, em relação ao governo anterior. É simplismo falar que o governo Lula não teve méritos em fazer o governo que fez, com os indicadores que conseguiu. Lula inovou em relação ao que recebeu.

Conforme eu disse inicialmente, todo governo trabalha sobre a base do anterior. Lula realizou um trabalho muito bom a partir da base recebida. E o interessante é constatar que, se não tivesse procedido assim, teria sido muito criticado por não ter mantido o que havia sido feito anteriormente.

Portanto, além da inovação que ele politicamente comandou, e a Dilma gerenciou com muita competência, o governo dele ainda demonstrou muita responsabilidade por trabalhar bem com a base recebida. Não ver isto é demonstrar muita má vontade com um governo que teve muitos pontos positivos.   

 

 

Roubaste a cartilha de Merval Pereira?

 

Ótimo post.

Infelizmente o governo de Lula, e provavelmente o de Dilma, parece que não perceberam que estão sob uma barragem midiática diária. Não tem jeito, tem que jogar o jogo: fazer propaganda, ininterruptamente, embora suponho que dê prá fazer uma propaganda honesta, ao invés da canalhice do PIG (ele existe sim!) e da oposição tucanística.

Outra coisa: a ação do governo (e principalmente de seu maior partido, o PT) nos fóruns de internet é patética; em geral, os fóruns são dominados por reacionarios raivosos que destilam diariamente se ódio a tudo que tenha cheiro de Lula (e agora, de Dilma). Depois, quando chega a época das eleições fica difícil correr atrás do prejuízo.

Estas observações que faço não tem viés partidário, o problema é que o facismo (escapei de Godwin ?) é uma coisa viva na internet brasileira, e se não for combatido a tendência é se institucionalizar, talvez crescer, aproveitando algum evento como esse da tragédia no Rio.

 

É verdade, a Dilma tem que combater estes canalhas de direita que espalham todo preconceito no ninho (tucano)

 

Há quem aprecie chegar ao orgasmo utilizando-se da genitália de terceiros, se me entendem. Para bater no PT, em Lula e na Dilma nada melhor que um ex-petista falando mal. E tome gente do PSOL, do PSTU, o Hélio Bicudo, a Heloísa Helena, e por aí vai. E dizem: esses conhecem o "verdadeiro" PT. E gozam nas calças, e viram os zóinho de prazer. Um espanto.
PAULO ROBERTO "LEFTY" CEQUINEL
PRCEQUINEL.BLOGSPOT.COM
TTHE BIG ONE ORNITORRINCO CORPORATION

 

Esqueceu de citar a Marina Silva que é verde por fora é azul por dentro(as cores do PSDB do Serra).

 

Valeu Nassif!

 

Vou seguir essas dicas e descolar um empreguinho na grande mídia! heheheh

 

 

 

Um abraço.

 

Eu li o que o Gunter escreveu ontem e concordo com ele. Como é impressionante a quantidade de gente que foi tapada pela dita imprensa livre. No sábado à noite sai para espairecer e beber algumas cervejas e algumas pessaos foram doutrinadas por gente que o Gunter citou.

Quando eu falo das conquistas do governo Lula eles dizem assim:

"Quem fez o plano Real foi o FHC". tento argumentar, não deixam

"Lula é ignorante, é vagabundo e cortou o dedo para não trabalhar" Tento argumentar não deixam

"Ele é um ditador, e impôs a biscate da Dilma que quebrou uma empresa em Porto Alegre de R$ 1,99". Tento argumentar não deixam

"E o mensalão do PT" tento argumentar não deixam

E segue todo tipo de preconceito gente que foi benefiada pelo governo do Lula e não vê nada de positivo. Tudo é motivo para desqualificar o Lula e agora a Dilma.

 

O pior, no meu ponto de vista, é que os tapados que repetem estas idiotices são pessoas que teoricamente deveriam ser bem informadas, são pessoas com curso superior, bom nível sócio econômico. Temos que parar de colocar a culpa na imprensa (PIG), eu reduzo estas pessoa ao que elas são, uns IDIOTAS, do que chamar uma pessoa que esta vendo que a mesa é de madeira, e teima em dizer que é de pedra?

Respeito o coitado do trabalhador que levanta as 5h e volta as 20h do trabalho, senta 30 minutos na frente da TV, ai vem o casal 45 dizer um monte de mentiras, esta é a única fonte de informação deste individuo, este eu respeito, porque como vimos nas eleições, ele não se deixa enganar, ele vê as mudanças no seu cotidiano, no seu poder de compra

Ten-se o direito de gostar ou não gostar de quem quer que seja, mas justificar esta antipatia com idiotices repetidas pela midia.

 

Inforo, a culpa é do PIG sim. Quem divulgou que a Dilma quebrou uma microempresa de R$ 1,99 foi a Folha de São Paulo, e o idiota que se julga informado leu isto na Folha de São Paulo e espalhou para a internet. Mas a Folha não informou os idiotas que a Dilma foi secretária de energia e não teve apagão no Rio Gde do Sul, para ilustar dou apenas este exemplo de quem foi a Dilma funcionária pública competente que é e espero que continue sendo agora com presidenta Abs.

 

O PIG pode dizer o que quiser, uma pessoa bem informada deve ter o dicernimento para acreditar ou não, e o pior repetir.

Citando seu exemplo da microempresa de 1,99, qualquer imbecil que leu a reportagem, percebeu que ela entrou de sócia (provavelmete com recursos) para ajudar a irmã ou cunhada (não me recordo). Sem contar que qualquer pessoa minimamente informada sabe que nenhum negócio tem garantia de sucesso, a não ser as privatizações do FHC. Veja como exemplo o presidente da FIESP que é um "sem-indústria"

http://www.brasilnews.com.br/News3.php?CodReg=10331&edit=Economia&Codnews=999

 

Nilson, selecione melhor suas amizades... Os idiotas são invencíveis. Abraços.

 

Nilson, Robson, eu não quero mudar todos os meus amigos, agrego novos, mas não quero abrir mão dos antigos, que, não por acaso, são tucanófilos de plantão. Trata-se de pessoas trabalhadoras, honestas, com boa formação. Quero crer que ainda é possível fazer algo.

Não seria o caso de fazermos um tópico: “Ao meus amigos tucanos”, com dicas e sugestões de como acelerar a saída da lavagem cerebral midiática?

O que pode ter acontecido? Um processo como o macartismo : começa sutil, depois se torna escancarado, passa a ser denunciado (fase atual) e depois abandonado. Muita gente assinava a grande imprensa porque confiava nela, e de fato teve sua utilidade nos anos 80. Ler a Veja ou o JT não era alienante nos anos 80. As pessoas se habituaram e seguiram confiando na mídia, só agora é que cai a ficha. Em alguns anos haverá tanta gente decepcionada por ter sido lograda...

E a ficha cai aos poucos. Se sabemos os jogos que a midia pode fazer desde 1989, se sabemos do estelionato eleitoral da manipulação de política cambial e monetária desde 1998, só mais recentemente é que se percebeu como as relações entre partidos e imprensa (reunindo os dois exemplos acima) são conspícuas.

Bom, não sei se servirá para seus amigos, mas podemos trocar experiências. Ao contrário do Nilson, não voto PT desde o início (até votei em 1982 e em 1988), mas de 1985 a 1996 votei várias vezes em PSDB, PMDB ou PDT. Não sei se faz diferença. E de 1998 para cá voto no Lula/Dilma/Mercadante/Suplicys porque são os que parecem melhores para cargos majoritários, mas em geral não voto PT para deputado (escolho alguma legenda onde tenha mais candidatos que assinem a carta da ALGBT.)

Mas em SP a questão não é ser petista ou não, é ser antitucano ou não. Relato os argumentos que costumo usar:

“Dilma dará um golpe!” R> Para se dar um golpe é necessário perfil autoritário e apoio das FFAAs, grande capital e imprensa. Quem reúne essas condições?

“Eu li na Veja, ou FSP, ou Estadão” R> Isso não quer dizer nada, esses órgãos apenas estão alinhados e partidarizados, você precisa buscar informação alternativa ou da academia, a mídia não é mais independente.

"Você vai votar numa assassina!" R> pessoas com a formação que tivemos não caem na armadilha de acreditar em emails falsos emitidos por máquinas partidárias.

“Você é um petista!” R> Poderia até ser, o PT me parece uma organização viável e não me causa nenhuma das repulsas que tenho em relação aos métodos do PSDB, mas por acaso não sou. Lembremo-nos que 2/3 dos eleitores de Lula ou Dilma não votaram em deputados do PT. E há muito mais ex-tucanos que ex-petistas.

Os que seus amigos usam requerem pensar mesmo. Algumas possibilidades.

"Ele é um ditador, e impôs a biscate da Dilma que quebrou uma empresa em Porto Alegre de R$ 1,99". R> Não pode ser ditador com a imprensa e sindicatos patronais tendo livre curso para críticas e menor percentual do Congresso a favor que tinha FHC. Lula até acabou com a Lei de Imprensa. FHC impôs várias coisas sem discussão com a sociedade (Juros, Proer, Reeleição, Reforma previdenciária, LRF), Lula nenhuma. Não precisa entrar no mérito quais da reformas de FHC se concorda (eu gosto da LRF.) Isso da loja de Dilma me parece irrelevante, mas acho que pode-se dizer que ela se desinteressou do negócio e optou por seguir uma sólida carreira de prestação de serviço público, como evitar que o RS sofresse apagão mesmo estando em seca.

"Quem fez o plano Real foi o FHC". R> Foi imposto pelo Consenso de Washington, como secundário ao Plano Brady e aplicado antes em outros países. Fazer direito não seria mais que a obrigação. Quem determinou o ajuste fiscal necessário e realinhou o câmbio foi Itamar. Quem estragou e fez desandar foi FHC. Este olhou apenas as variáveis monetárias (preços) e esqueceu das variáveis da economia real (emprego e produção)

"Lula é ignorante, é vagabundo e cortou o dedo para não trabalhar" R> Essa já ouvi, o que é incrível. Melhor dizer : Você realmente acredita nisso ou apenas torce para que outros acreditem e seu candidato não vá tão mal?

"E o mensalão do PT" R> Qual foi a inovação do PT a respeito? Como você quantificaria os prejuízos para a sociedade vis a vis os escândalos do governo FHC? (Banco Central/Marka-Cindam; Reeleição; Proer; privatizações; juros eleitorais em 1994, 1998, 2002)

“E segue todo tipo de preconceito gente que foi beneficiada pelo governo do Lula e não vê nada de positivo. Tudo é motivo para desqualificar o Lula e agora a Dilma.”

R> Se o papo desandar para um lado muito chato e repetitivo, melhor dizer que se fosse para o programa de FHC/Lula ser votado deveria ter sido em 2002, quando foi plantado pelo Bacen medo ao Lula, quando a máquina estava a favor de Serra, imprensa idem. Se não deu certo em 2002, porque você acha que dará agora (ou em 2014)? Como transformar os 13% que não apóiam Lula em 50,1%, qual o plano de trabalho para reconquistar o controle do orçamento federal? (posto que sabe-se que tucanos não tem programa, apenas desejam controlar de novo a máquina)

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Para demonizar Lula vale até santificar Garrastazu Medici, não é mesmo Sr. Gullar

 

 

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