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Conclusões politicamente incorretas extraídas da morte de Kadafi

Por Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues, escritor, desembargador aposentado

Muamar Kadafi era, sem dúvida, um déspota desagradável — há tiranos “maneiros’... — , vingativo, nem um pouco esclarecido. Quando menino, nas aulas de História Geral, eu achava engraçada a expressão “déspota esclarecido”. Cheio de caprichos, Kadafi dava imenso trabalho ao cerimonial e serviços de segurança dos países do Primeiro Mundo que visitava como convidado oficial. Exigia dormir em tendas, ao ar livre, mesmo em Roma, Nova Iorque e Paris. Não tinha o menor receio de afrontar os representantes das maiores potências nem os CEOs das riquíssimas companhias petrolíferas ocidentais, embora plenamente consciente de que dinheiro é poder. E o poder consegue praticamente tudo quando dispõe, sozinho, do privilégio de moldar, à vontade, a manipulável opinião pública. Kadafi atreveu-se — conta-se —, a rasgar a Carta das Nações Unidas em plena Assembléia Geral da ONU. Descontada a teatralidade, tinha uma certa razão, porque essa Carta não foi concebida para impor estilos de governo. Foi feita para obrigar, igualmente, todas as nações, fortes e fracas, a respeitar as demais, não interferindo nos seus assuntos internos.

PeloPelo que informa a mídia, Kadafi guardava no Exterior bilhões de dólares, em contas do Banco Central líbio e outras instituições governamentais. Como suas decisões não podiam ser contestadas por ninguém, o dinheiro depositado poderia — em tese — se sacado pelo próprio Kadafi, para uso pessoal ou de sua família. Por outro lado, estando tais contas em nome de órgãos governamentais, isso foi benéfico para a Líbia, que ficou com reservas em dinheiro depositado no Exterior. Estivesse o dinheiro depositado em bancos na própria Líbia, essa riqueza já teria sido saqueada na confusão de meses de lutas internas.

Por mera intuição de psicólogo amador, arrisco “diagnosticar” —  futuros biógrafos mostrarão se estou certo ou errado — que Kadafi fazia algum uso de anfetaminas, droga que, quando consumida sem restrições acentua a mania de perseguição, passada a euforia que inicial. No seu caso, aliás, a paranóia era altamente recomendável porque o mantinha em constante alerta contra um enxame de inimigos que queriam seu lugar. Tendo tomado o poder ilegitimamente, em 1969, com 27 anos, sabia que só podia confiar na força e na intimidação porque foi com esses componentes da luta política — em países com pouca alfabetização — que se tornou o “homem forte” da Líbia. Conseguiu esse status em setembro de 1969, mediante um golpe de estado. Liderando um grupo de oficiais, tomou o poder quando o rei, Idris — o primeiro e único rei líbio — estava ausente do país. Idris, um monarca religioso e de saúde frágil, após sua deposição foi acolhido pelo Egito, ali vivendo — tudo indica confortavelmente —, até falecer em 1983. Nesse “golpe” de 1969 não houve derramamento de sangue.  

Não obstante seus inúmeros defeitos — mesmo o demônio não consegue a perfeição em sua maldade — , Kadafi beneficiou o povo líbio quando, logo após se tornar o “dono” do país, exigiu uma maior participação estatal nos lucros do petróleo, extraído pelas poderosas empresas ocidentais. Caso contrário, elas não teriam mais permissão de continuar operando. Sabia que as petrolíferas acabariam cedendo, como realmente ocorreu. Seria suicídio econômico se elas abandonassem o lucrativo investimento. E sua ousadia foi sendo imitada por outros países da região, ricos em petróleo e gás, o que explica — em boa parte —, porque Kadafi era tão odiado pelos países mais ricos do ocidente.

Com a maior união dos países árabes, no item petróleo, o barril foi subindo de preço, para indignação daqueles países ocidentais acostumados, até então, a conceder à Líbia e outros países árabes apenas as migalhas do lucrativo negócio. Esses aumentos pareciam, ao Ocidente, uma autêntica “extorsão”, tirando proveito de uma forma de energia até então impossível de substituir. Um dia Kadafi pagaria por esse estímulo à “chantagem”.

E pagou, no dia 20 de outubro de 2011, ainda que, com muita habilidade política, usando-se mãos alheias: os revoltados com a longa ditadura. Seria necessário, para salvar as aparências, que os rebeldes líbios — não a OTAN —, fizessem o “serviço sujo”. Atente-se que os pilotos da OTAN, sabendo ou presumindo que Kadafi estava na caravana de automóveis que fugia da cidade, não bombardeou ou metralhou largamente os veículos — como vinha fazendo antes —, porque com isso poderiam matar o ditador. A ordem, provavelmente, para os pilotos — ou para os controladores dos vôos não tripulados — seria mais ou menos essa: —“Apenas impeçam a fuga dele! Não o matem! Detido o comboio, será alcançado pelos rebeldes que certamente o matarão, algo muito mais prático que um julgamento público. Sabe-se lá o que ele diria em sua defesa, no tribunal? Se os aviões da OTAN o matarem diretamente estaremos violando a Convenção de Genebra. Isso seria um ato de guerra. E nesta é crime matar o inimigo que se rendeu. Juridicamente não estamos “em guerra”. Estamos apenas favorecendo um dos lados, protegendo a população líbia”. E assim aconteceu.  Os revoltosos pegaram Kadafi e o lincharam e mataram. Soaria muito mal, política e juridicamente, que potências estrangeiras, integrantes da Otan, matassem um chefe de estado no próprio país dele. Essa manobra tem uma metáfora bem popular: “Puxar a sardinha com a mão do gato”.

Abordando o assunto sob o ângulo de Direito Internacional é preciso frisar que a Carta das Nações Unidas não autoriza o uso do assassinato de chefes de estado a mando de outros Estados, seja em nome próprio ou através de organizações militares, como a OTAN. E o que aconteceu na Líbia foi exatamente a utilização do que é proibido: força aérea estrangeira metralhando e bombardeando as forças armadas de um país cercado e não acusado de agressão. Kadafi não atacara nem os EUA, nem o Reino Unido, nem a França. Um artigo de um especialista, Roberto Godoy, no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 21-10-11, pág. A-24, revela-nos que a Otan dava cobertura ao avanço dos revoltosos, “garantidos pelo bombardeio aéreo, intenso e diário, dos 180 aviões da coalizão internacional”.

Se isso não representa desrespeito à livre determinação dos povos, nítido ato de guerra, não dá mais para saber o que é guerra. A agressão não precisa, para ser caracterizada como tal, realizar-se com tropas marchando no chão. Se assim fosse, nações fortes poderiam jogar algumas bombas nucleares para arrasar qualquer país sem serem acusadas de ato de agressão. Um único avião poderia fazer “o serviço”. Muito mais devastador do que milhares de soldados no solo. E na Líbia eram muitas dezenas de aviões atacando as forças governamentais. É muita inocência, ou malícia interpretativa, dizer que é indispensável a presença de soldados no solo para caracterizar uso da força, sob o prisma do Direito Internacional. O uso da força aérea é decisivo para vencer guerras, nos tempos atuais. Houve, sim, no caso líbio, uma poderosa e letal interferência de outros países, integrantes da OTAN, para derrubar um governo. Isso sem falar na presença, em terra, de dezenas de assessores estrangeiros, orientando os revoltosos sobre como articular os ataques contra o tirano, isso sem mencionar o fornecimento de armas.

Sobre tiranias, também o Direito Internacional não chegou ao ponto de permitir que países possam invadir outros para remover governantes que consideram, com ou sem razão, tiranos. Se os povos são soberanos, como diz a doutrina, podem apoiar um ditador, que lhes pareçam benéficos, talvez até mais justos que algumas democracias de papel. É certo que a democracia, em tese, é melhor que a ditadura, mas isso não autoriza as nações ou coligações a invadir países para remover governantes não democráticos.

Alguém dirá que a OTAN interferiu com ataques aéreos apenas por motivo nobre, defendendo direitos humanos, pois o ditador estava matando revoltosos, seus próprios cidadãos — que, convenhamos, estavam também dispostos a espancar ou matar o tirano.

Se o argumento da “nobreza” vale, na teoria, figuremos a seguinte hipótese: suponhamos que um milhão de americanos, reunidos em frente à Casa Branca, em Washington, protestasse contra a política econômica de Barack Obama. Exaltados, os manifestantes ameaçam invadir os jardins da Casa Branca. A polícia intervém com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Dois manifestantes morrem e a turba, mais enfurecida, tenta ingressar na sede do governo federal. Aí a polícia passa a atirar com balas de verdade. Aí teríamos o “massacre”. Se o conflito se generalizasse, em várias cidades — pergunta-se —, teria a China, por exemplo, o direito “humanitário” de dar apoio aéreo à “população massacrada” bombardeando a Casa Branca e o Pentágono? Não seria, essa hipotética atitude chinesa, uma distorção na “proteção dos direitos humanos”? Sanções econômicas e diplomáticas são aceitáveis, sob o prisma internacional dos direitos humanos, mas intensos bombardeios significam clara interferência bélica nos assuntos internos de outros países, ainda proibida — pelo menos em teoria. Assim, tinha certa razão Kadafi quando, dizem, rasgou, na ONU, a Carta das Nações.

Um detalhe sobre o qual a opinião pública internacional deve permanecer atenta, futuramente—  para conhecer as reais motivações do apoio bélico aéreo contra Kadafi — será saber se o novo governo líbio ficará ou não devendo dinheiro aos países que controlavam a OTAN. Receio que o fator petróleo está no topo do conjunto de motivos para a invasão aérea e o linchamento, “por procuração”, do tirano.

Pergunta importante: o futuro governo líbio terá, por caso, que pagar financeiramente as armas recebidas dos americanos, franceses e ingleses? As despesas da OTAN com aviões, bombas, munições e assessoria militar em terra, deverão ser reembolsadas? Se isso ocorrer —  seria muito cinismo... — estará comprovada a segunda intenção — petróleo! — da cobertura aérea e apoio tático aos revoltosos. Isso porque estando as finanças líbias muito desorganizadas, após meses de anarquia, o país só poderá, talvez, pagar tais empréstimos com concessões para extração do petróleo. Além do petróleo, com que outra riqueza o novo governo líbio pagaria essa dívida. Com areia? Ainda não se sabe se os alegados depósitos líbios no Exterior seriam suficientes para indenizar os gastos feitos pelos principais países que integram a NATO.

Empresas chinesas e de outros países — não integrantes da NATO — também extraiam o petróleo líbio. Voltarão elas a operar no país, quando a Líbia estiver sob novo governo, ou somente EUA, França e Reino Unido é que tomarão conta do petróleo líbio? Esse detalhe é importante para se verificar se a queda de Kadafi foi motivada apenas pela defesa dos direitos humanos ou se por trás dessa bela expressão havia alguma oleosa ambição política?

O assassinato, direto ou por procuração, ainda impregna a política internacional, prática que imaginava-se fora de moda. Por outro lado, o assassinato de Kadafi é um alerta de que as tiranias já não podem se defender com a eficácia de antigamente.

O exercício do poder é agradável. E, se absoluto — foi o caso de Kadafi —, agradabilíssímo. O que explica porque todos os governantes — inclusive presidentes de democracias ocidentais — queiram permanecer no cargo até a morte. E mesmo além dela, através de um filho sucessor, prova de que o “gene” da “monarquia” ainda impregna o código genético da natureza humana.

Todo governante gostaria de ser o fundador de uma dinastia infinita. “Jamais por amor ao poder, claro. Adoro meu povo quando me aplaude!”. Difícil um presidente que não queira voltar ao poder. O próprio Barack Obama também faz questão de continuar, enquanto a legislação assim permitir, o que explica sua súbita mudança de mentalidade no avaliar situações internacionais. Em questão de semanas passou de “pomba” a “falcão”. Se os eleitores querem mais “firmeza”, sejamos “duríssimos”, “do contrário perco a eleição”. Putin saiu quando ficou impossível continuar, mas pretende logo voltar. E assim por diante, em todo o planeta. E os tiranos nem podem dar ao luxo de deixar o poder, porque é imenso o risco do assassinato. Por tal razão, e outras, é que a democracia — mesmo quando corrupta —, é superior às ditaduras. Nestas, quem entra não quer nem pode sair, sem risco de vida. Nas democracias, ninguém quer sair, mas pelo menos pode.

Para os líbios, no longo prazo, foi bom o afastamento de Kadafi, mas antes de melhorar vai piorar, por meses ou anos. Pessoas de sensibilidade normal não gostaram nem um pouco da brutalidade como ocorreu a queda do tirano. Melhor seria se seu afastamento ocorresse de modo mais civilizado. Em um tribunal, ele poderia nos revelar coisas bem interessantes, para susto de alguns chefes de estado.  

As considerações deste artigo têm também a finalidade de sugerir que os leitores em geral estão bem cientes das manobrinhas astutas da política internacional, que se imagina mais inteligente do que realmente é.

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Que texto PER-FEI-TO! Primoroso! Passei-o pra trocentas pessoas.

 

" Por outro lado, estando tais contas em nome de órgãos governamentais, isso foi benéfico para a Líbia, que ficou com reservas em dinheiro depositado no Exterior. Estivesse o dinheiro depositado em bancos na própria Líbia, essa riqueza já teria sido saqueada na confusão de meses de lutas internas."

Isso quer dizer que se membros do governo ou sua família quiserem usar dinheiro publico, não há problema. Pois caso haja uma luta interna no país , o dinheiro estará salvo no exterior.

A família de kadafi que fugiu para o exterior de acordo com reportagens utiliza este dinheiro depositado no exterior.

O Maluf deveria receber um premio neste caso, pois ele salvou bastante dinheiro brasileiro no exterior. 

 

Caro Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues, boa a análise e plausível sua conjectura. Mas há alguns detalhes: os pilotos que bombardeavam alvos em solo e davam cobertura aos rebeldes atuavam em flagrante desrespeito à Lei internacional, à autorização da ONU e às normas da Própria OTAN. Listo as razões:

- nenhuma intervenção autorizada pela ONU pode utilizar tropas que não sejam as Forças de Paz (boinas-azuis) - delegar a ação militar à OTAN (que é uma entidade sem representação oficial nas Nações Unidas, posto que é uma aliança militar e não um governo constituído) foi uma flagrante violação da sua Carta Constitutiva;

- a Líbia - como MEMBRO PLENO da ONU - deveria sofrer todo um processo dentro das instituições internacionais (como o TPI, do qual era signatário) até ser condenado por crimes contra a Humanidade - isso antes de qualquer medida agressiva. No caso, uma hipotética aliança militar entre China, Índia e Rússia formada às pressas e enviando tropas (ou somente armas) para defender o governo líbio (agora deposto) poderia ser considerado ação legal se aprovado por uma assembléia-geral da ONU (o que aconteceria, certamente, não tendo de ser aprovado no CS) e teria a mesma legalidade que as tropas da OTAN para intervir - nem mais, nem menos perante a lei internacional. Isso porque a ONU (em sua carta) diz expressamente que um membro pleno atacado (sem denúncia devidamente processada no órgão) por uma força invasora pode (e deve!) ser defendido por forças de outros países-membros; percebe o "imbróglio"?

- as forças aéreas extrapolaram a autorização da ONU, que autorizava SOMENTE uma ação de força multinacional para criar uma "zona de exclusão" no espaço aéreo líbio e coibir bombardeios (irônico, não?) do governo contra civis - ações consideradas "massacres", "genocídio", "assassinatos em massa" e, portanto, crimes contra a Humanidade. Bombardeio de cidades e núcleos humanos civis (o que NÃO estava autorizado) foi exatamente o que a OTAN fez - um genocídio de civis e crime contra a Humanidade;

O mais grave: os rebeldes líbios que capturaram Gaddafi e filmaram sua tortura e execução NÃO FALAVAM ÁRABE! Falavam línguas européias (é possível discernir espanhol e italiano); podem pegar as gravações e passar por filtros! No que isso é importante para o contexto: eram MERCENÁRIOS e não líbios rebeldes das tribos do deserto. Tal foi a encenação de tudo que eu duvido muito da sua teoria dos pilotos não bombardearem a suposta "fuga" de Gaddafi. Ela só seria plausível se não houvesse as circunstâncias que mencionarei agora:

1. O ex-ditador foi pego num buraco perto de um grupamento humano (não sei se é Sirte ou aldeia perto), e não em um carro ou comboio. Não há evidência de sua tentativa de fuga via comboio.

2. Em operações paramilitares por tropas não-regulares, (como é o caso dos rebeldes, seja lá quem eles forem) não há coordenação possível de inteligência entre forças de terra e ar, e os ataques aéreos já haviam sido interrompidos em Sirte (porque, senão, os aviões poderiam atingir tropas rebeldes, o que aconteceu várias vezes neste mesmo conflito). E outra: a cidade já estava subjugada.

3. Os ataques aéreos eram, sim, uma circunstância ruim (como você mesmo intuiu) para a captura de Gaddafi, mas por uma outra razão: em tais ações, o poder de fogo dos caças é tal que destrói armas, veículos e...CORPOS!!! A OTAN (e os EUA, por tabela) não conseguiriam convencer a opinião pública mundial de outra morte sem provas, como a de Bin Laden. Eles precisavam do corpo inteiro do ditador, não pedaços para exame de DNA!

4. Na minha opinião, as ordens eram para eliminar de pronto Gaddafi, logo que capturado - porque ele foi aliado dos EUA por quase 20 anos e devia saber de coisas inconfessáveis, que inevitavelmente se tornariam públicas num julgamento e na exposição midiática de tal processo. Tinha que ser morto e foi o que ocorreu - mas eles não contavam com o mais anárquico, libertário e incontrolável canal de disseminação de contra-informação já criado: a Internet. De posse somente de celulares, os soldados rebeldes (meros "peões" no conflito, incapazes de discernir sobre os desdobramentos políticos de ações não-autorizadas) filmaram a tortura e execução (sem nenhuma outra intenção que não a de serem reconhecidos pela ação e receber os "louros" da captura ilustre) para depois "upar" no Youtube - ou qualquer similar da web. Uma equipe da BBC já estava escalada antes para fazer reportagem e mostrar o corpo (o que realmente ocorreu), mas os vídeos vazaram antes. Deu no que deu. Abs.

 

Os EUA continuam reafirmando a sua liderança no mundo, submetendo a ONU aos seus desejos.

Invadiu o Iraque sem a aprovação da ONU, mantém o bloqueio a Cuba contra a opinião da grande maioria do Plenário da ONU, impedem o reconhecimento do Estado Palestina com apenas um voto no Conselho de Segurança.

É a minoria mandando na maioria, o que confronta qualquer princípio democrático.

Agora mudaram de tática, como a sociedade americana, devido a situação financeira, não aceita uma intervenção direta por causa dos gastos, usa os países sob o seu domínio (França e Reino Unido), para intervir na Líbia, mantendo apenas o seu apoio político e tecnológico e usa o seu poder político para neutralizar a oposição da China e Rússia.

Passado o episódio da derrubada do Kadafi vai chegar a hora da apresentação da conta.

A Líbia, com toda a sua infraestrutura destruida pelos bombardeios da OTAN terá uma dívida imensa para saldar e como só tem petróleo e areia, a escolha será óbvia.

Resta saber se quando a OTAN se retirar, se é que vai, porque a saida já foi adiada, como esperado, não vai virar outro Iraque, com um festival de ataques terroristas.

A explosão que matou mais de 100 pessoas na cidade natal do Kadafi, imediatamente declarada como acidental, já me deixa com a pulga atrás da orelha.

Conquistada a Líbia, vai chegar a hora da divisão do botim e aí o bicho vai pegar, pode apostar.

 

Faltou o Desembargador admitir  e explicitar que o Brasil e a Unasul precisam, urgentemente, providenciar sua B.A. Só por possuí-la a Coreia do Norte é "tolerada". Porque já provou que tem A BOMBA e meios de levá-la até a Coreia do Sul, Japão e alguns territórios estadunidenses no Pacífico. Se a Unasul prover a sua, logo, logo, proporão a devolução das Malvinas à Argentina e poderemos dormir tanquilos com nosso "pré-sal". É assim que esse mundão tá funcionando(?): Quem pode mais chora menos. Sadam e Kadafi livraram-se de suas "armas de destruição em massa"  a pedido da ONU e sifu, ambos. Os poderosos só respeitam quem também pode! 

 

Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues,

Deixo aqui o link para o post “Os cavalos correm” de sexta-feira, 21/10/2011 no blog de alon Feuerwerker e que pode ser visto no seguinte endereço:

http://www.blogdoalon.com.br/2011/10/os-cavalos-correm-2110.html

Lá foi o último post para onde eu fiz comentário sobre o imbróglio líbio, salvo talvez uma breve menção em um comentário que eu enviei ontem, terça-feira, 25/10/2011 às 13:48 para Andre Araujo junto ao post “A Argentina de Cristina e o Peronismo” de terça-feira, 25/10/2011 às 10:00. O meu comentário se encontra na página 2 do post “A Argentina de Cristina e o Peronismo” e o link para a página 2 é:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-argentina-de-cristina-e-o-peronismo?page=1

Em meu comentário eu lembro do post “EUA mudaram posicionamento em relação à Kadaffi” de terça-feira, 30/08/2011 às 11:46 aqui no blog de Luis Nassif e elogio o Andre Araujo por justificar o posicionamento da OTAN na agora Revolução Líbia no velho pragmatismo.

Penso que você aqui estendeu muito em questões que são probabilidades ínfimas que não compensam ser analisadas.

Há, entretanto, um fato histórico no seu comentário para o qual eu não havia atentado. Muammar al-Gaddafi tornou-se o chefe da Líbia em 1969. Na década de 1970, o petróleo começou a subir no mundo. Eu sempre relacionei o preço do petróleo com o prime rate americano. Na década de 70 o petróleo subiu porque o prime rate era praticamente inferior a inflação. O prime rate sobe, o preço do petróleo tenta dar um suspiro como deu em 1980, mas depois cai como caiu de novo a partir do meado da década de 90 quando se voltou a elevar o prime rate. Agora me aparece outra possibilidade: o preço do petróleo sendo influenciado pelo ex-líder Líbio.

O interessante, é que o mundo árabe que se está revoltando é o mundo árabe muçulmano. Estão revoltando contra ditadores que viam no mundo muçulmano um empecilho para o desenvolvimento. E eles tinham razão de assim o ver (Mas não de implantar regime autoritário). Tinham razão porque o mundo muçulmano é resistente ao Estado, ao juro e à tributação, três instrumentos importantes para o êxito do sistema capitalista. Penso que se não aceitar a tributação, dificilmente o mundo árabe conseguirá alcançar o estágio que já alcançou levado pelos seus ditadores. Será uma sociedade mais justa, mais igualitária, mas bastante mais atrasada.

O surpreendente para mim é que as lideranças ocidentais já sabiam dessa situação e avaliaram com precisão o grau de revolta do povo árabe. Certo número de lideres guerrilheiros líbios foram treinados na guerra no Afeganistão contra os Estados Unidos e contra as outras potências da OTAN. Voltaram para a Líbia após serem presos pelos americanos e nesse caso voltaram como prisioneiros (Só juntaram ao levante Líbio agora Revolução Líbia após escapar da prisão) de Muammar al-Gaddafi ou antes de serem presos. De certo modo, os líderes ocidentais sabem que ficar do lado muçulmano não cria nenhuma vantagem para as potências ocidentais. Quem iria trabalhar na Líbia sabendo que pode servir de mira para parentes dos que foram derrotados?

Então porque o ocidente entrou com tanta certeza na guerra contra Muammar al-Gaddafi vai a meu ver ficar com uma grande incógnita. O fim de Muammar al-Gaddafi ou Muammar al-Khadafi, forma como eu escrevi o nome do ditador em comentário que enviei quinta-feira, 24/03/2011às  22h15min00s BRT para o post “Melhor não subestimar” de quinta-feira, 24/03/2011, no blog de Alon Feuerwerker e que pode ser visto no seguinte endereço:

http://www.blogdoalon.com.br/2011/03/melhor-nao-subestimar-2403.html

era de conhecimento das potências ocidentais. Pelo menos é nesse sentido o que eu tento expressar no trecho final do meu comentário transcrito a seguir:

“As revelações do WiliLeaks das trocas de correspondência da embaixada americana dão a idéia de um primarismo na política de informação do Estado Americano que não corresponde a verdade. Aqui em Belo Horizonte há uma rua com o nome de José Carlos (Novaes da) Mata Machado morto pela ditadura militar em 28/10/1973. Antes a rua se chamava Dan Mitrione, nome do agente americano que fora morto três anos antes, mais precisamente, em 10 de agosto de 1970. É assim, muito antes cá nesse mundão de país eles já coletavam informações. Se Muammar al-Khadafi estiver no poder em 2012, Barack Obama pederia as eleições. Barack Obama só bombardeou porque sabe que Muammar al-Khadafi não estará no poder em 2012, a menos como eu disse que armaram para ele uma arapuca.”

Pelo menos agora se pode dizer com tranquilidade que Barack Obama não mandou bombardear a Líbia porque os militares americanos e a rede de informação americana preparava uma arapuca para Barack Obama. Mandou porque sabia que o fim de Muammar al-Gaddafi estava próximo. O porque aqui entretanto é só uma condição, mas não suficiente. Não bastava saber que o fim dele estava próximo. Seria preciso mais alguma coisa. Os mais de 150 bilhões de dólares dos fundos Líbios talvez fossem mais uma razão, mas ela não é suficiente, pois só com o QE2 os Estados Unidos injetaram mais de 600 bilhões de dólares na economia. O mundo que vai aparecer no mundo árabe não é benéfico para as potências ocidentais, pois será um mundo pobre, sem Estado, sem juro e sem tributação. Em suma tudo dizia que não se devia acabar com Muammar al-Gaddafi, mas os líderes ocidentais preferiram acabar com ele. Por que? Uma razão ainda não mencionada é o tanto de árabe que tenta viver na Europa. Talvez para a Europa seja preferível que os muçulmanos vivam nos países árabes como muçulmanos governados por muçulmanos do que viver na Europa querendo ser governados por muçulmanos.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 26/10/2011

 

O apoio aereo comofator decisivo me faz lembrar uma coisa. Como nós precisamos daqueles caças o mais urgente possivel!

 

 Advertência à Chavez    e a       Mahmoud Ahmadinejad. A arrogância  americana  nunca  foi tão explícita,desde Theodoro Rooselvet,que  dizia  o que pensava e  agia de acordo com suas ameaças.

Convenhamos, ordem internacional de  busca  e prisão,emitida pela ONU enquanto os Bush,pai e filho aguardam injustamente,Kadafi e família  furam a fila.

 

rique

Texto muito interessante. Como também é interessante essa entrevista do Jornalista Pepe Escobar,com legendas em português:

http://www.youtube.com/watch?v=CgN4kCI3nhc

 

Maria Lucia

Entre nous, a entrevista do Pepe Escobar é melhor... tomo a liberdade de postar o vídeo que v. indicou, pois vale a pena assistir e divulgar:

 

 

 

Título politicamente incorreto: "Conclusões politicamente incorretas"...

O Assis mostra muito bem o valor que tem o politicamente incorreto. 

(Nunca o Rafinha!)

 

"Seja realista: exija o impossível"

Apesar do autor sugerir um respeito exagerado por CEO de companhias petroliferas ( são verdadeiros assasinos de africanos nos dias de hoje), um bom texto

 

 Nassif, para contribuir na discussão da questão, segue artigo do  Professor Claudio Lembo  a respeito do assassinato de Muamar Kadafi.O artigo do político liberal Lembo é uma voz destoante entre os políticos ocidentais e tem a coragem de denunciar o absurdo cometido na Líbia  e  apontar a hipocrisia da política dos países europeus da OTAN e dos Estados Unidos nas últimas décadas.  Voltamos a época da barbárie humana, onde a  morte e a exposição do cadáver de um inimigo é comemorada em júbilo pelas “democracias ocidentais”, então  foram 5.000 anos de “civilização”  para isso ?Segue o artigo: Quem são os selvagens ?

“Morreu Kadafi. Os meios de comunicação ocidentais comemoram. Algumas personalidades internacionais demonstram satisfação. Todos proclamam a importância do fim de mais uma ditadura.

Restam, no entanto, perguntas não respondidas. A História da Líbia é de conflitos permanentes. Desde a antiguidade, a área geográfica, onde se situa o país, foi invadida por inúmeros povos: fenícios, gregos, romanos, vândalos e bizantinos.

Em tempos mais recentes, italianos, alemães, ingleses e franceses estiveram ocupando os desertos que se estendem, a partir do Mediterrâneo, no norte da África.

Beberes e árabes formam a população líbia que, a partir do governo de Mohamede ben Ali – em 1840 – adotou o islamismo como religião, a partir de uma seita que se tornou altamente popular.

Aqui a primeira pergunta sem resposta. A queda violenta de um governante, ainda que ditador, não gerará um clima de humilhação e revolta em grande parcela da população?

Esta é muçulmana. Durante os últimos séculos, foram vítimas do colonialismo e do imperialismo que, sem escrúpulos, utilizou as riquezas naturais dos povos dominados.

Até há pouco, os governantes europeus cortejavam Kadafi e o utilizavam para negócios exuberantes. De repente, o dirigente morto caiu em desgraça.

Para derrubá-lo, somaram-se as maiores e mais poderosas forças armadas. Estados Unidos aliados à OTAN – Organização do Tratado do Atlântico – bombardearam sem piedade populações civis.
Quando se realizam operações militares contra alvos indiscriminados restam traços de rancor e desamor nas coletividades agredidas. Até hoje, apesar das aparências em contrário, as populações das cidades alemãs bombardeadas na última Grande Guerra – particularmente Dresden, Frankfurt e Berlim – guardam a dor pela perda de seus antepassados.

O Ocidente, em sua ânsia de dominação, vai semeando ódio e desencanto por toda a parte onde se encontram presentes os muçulmanos. Ontem, foi o Iraque e o Afeganistão. Hoje, a Líbia.

Esta macabra escalada precisa conhecer paradeiro. Ser finalizada. Irá tornar a falsa primavera árabe em rigoroso inverno, nas relações entre os povos.

Os dias de hoje recordam o dramático e brutal episódio das cruzadas. Agrediram populações que as receberam calorosamente. Saquearam. Mataram. Violentaram. Em nome de valores religiosos, praticaram atrocidades inomináveis.

Repetir a História é tolo. O Ocidente sempre a repete se fundamentado em princípios intrinsecamente valiosos. Fala em democracia. Omite que esta, para ser implantada, exige condicionantes culturais e sociais.
Na verdade, o que se constata é o interesse econômico nas áreas integrantes da chamada falsamente Primavera Árabe. Está se gerando, na verdade, uma grande reação dos povos que adotam o Islam como religião.
O futuro demonstrará que, apesar das intervenções econômicas que virão, um substrato de animosidade restará presente. Quem é agredido, mais cedo ou mais tarde revida.

É lamentável que os países europeus e os Estados Unidos conheçam apenas as armas como diplomacia. Seria oportuno adotarem o diálogo como forma de resolver conflitos.

Chegou-se ao Século XXI com os mesmos vícios da antiguidade. Não se busca a paz. Deseja-se a guerra. Violam-se princípios. Aplaude-se a morte de pessoas indefesas.

Não é assim que se educa para a democracia. O devido processo legal e o direito de defesa são sustentáculo de valores perenes. O espetáculo selvagem visto nos últimos dias empobrece a humanidade. Envergonha seus autores.A Primavera Árabe transformou-se no inverno dos mais elevados valores concebidos no decorrer do tempo. Continuam selvagens, como sempre.”

 

 

Kadhafi foi cruel e covardemente assassinado pelos déspotas da otan,associados a terrorristas líbios!!

 

na realidade ele foi justiçado pelo povo que oprimiu!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Destaque 4:... Alguém dirá que a OTAN interferiu com ataques aéreos apenas por motivo nobre, defendendo direitos humanos, pois o ditador estava matando revoltosos, seus próprios cidadãos — que, convenhamos, estavam também dispostos a espancar ou matar o tirano. Se o argumento da “nobreza” vale, na teoria, figuremos a seguinte hipótese: suponhamos que um milhão de americanos, reunidos em frente à Casa Branca, em Washington, protestasse contra a política econômica de Barack Obama. Exaltados, os manifestantes ameaçam invadir os jardins da Casa Branca. A polícia intervém com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Dois manifestantes morrem e a turba, mais enfurecida, tenta ingressar na sede do governo federal. Aí a polícia passa a atirar com balas de verdade. Aí teríamos o “massacre”. Se o conflito se generalizasse, em várias cidades — pergunta-se —, teria a China, por exemplo, o direito “humanitário” de dar apoio aéreo à “população massacrada” bombardeando a Casa Branca e o Pentágono?

 

se a China tivesse a coragem para isso ela poderia tentar!

o caso e que dificilmente haveriam bombardeio de cidades americanas pela sua propria força aerea, nem o FBI prenderia manifestantes, os torturaria e os mataria sem julgamento.  

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Duvido que o Sr. não tenha entendido.

Sds.

 

Os EUA já torturam, a técnica mais conhecida é uma simulação de afogamento. A própria Líbia foi usada para perseguir e torturar sem remorso os "terroristas" (inimigos dos EUA que podem usar técnicas terroristas... ou não).

 

"Seja realista: exija o impossível"

bom eu posso dizer que vc e tonto porque pegou minha resposta e não seguiu a sequencia das mensagens, se fizer isso verá que sua resposta não está relacionada com o meu comentario!  

sobre a tortura de terroristas, quem liga?  ninguém jamais saberá quantas mortes foram evitadas com essa pratica barbara de torturar pessoas que juraram morrer em sacrificio para a instauração de um regime teocratico reacionario como sonhava o Osama e que a teria como unica coisa boa a perseguição da esquerda de butequim!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Da série "suponhamos" e "imagine"

Imagine um presidente deposto com seu chapelão em uma embaixada brasileira em seu próprio país. Imagine um levante popular para derrubar os golpistas. Isso validaria uma intervenção da OEA para derrubar os usurpadores?...

Quanta hipocrisia...

 

Destaque 3: ...Abordando o assunto sob o ângulo de Direito Internacional é preciso frisar que a Carta das Nações Unidas não autoriza o uso do assassinato de chefes de estado a mando de outros Estados, seja em nome próprio ou através de organizações militares, como a OTAN. E o que aconteceu na Líbia foi exatamente a utilização do que é proibido: força aérea estrangeira metralhando e bombardeando as forças armadas de um país cercado e não acusado de agressão. Kadafi não atacara nem os EUA, nem o Reino Unido, nem a França. Um artigo de um especialista, Roberto Godoy, no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 21-10-11, pág. A-24, revela-nos que a Otan dava cobertura ao avanço dos revoltosos, “garantidos pelo bombardeio aéreo, intenso e diário, dos 180 aviões da coalizão internacional”.

 

Destaque 2: ...Atente-se que os pilotos da OTAN, sabendo ou presumindo que Kadafi estava na caravana de automóveis que fugia da cidade, não bombardeou ou metralhou largamente os veículos — como vinha fazendo antes —, porque com isso poderiam matar o ditador. A ordem, provavelmente, para os pilotos — ou para os controladores dos vôos não tripulados — seria mais ou menos essa: —“Apenas impeçam a fuga dele! Não o matem! Detido o comboio, será alcançado pelos rebeldes que certamente o matarão, algo muito mais prático que um julgamento público. Sabe-se lá o que ele diria em sua defesa, no tribunal?

 

Da série "provavelmente"...

 

EUA, xerife do mundo, ameaçam: "Lideres autoritários" serão derrubados. A morte de Kadafi é apenas um aviso 

OS EUA, xerife do mundo, ameaçam, será que isso vale para Berlusconi. Ai me lembro de um artigo sobre a nova doutrina americana, segundo a qual um governo,mesmo eleito pelo povo, poderá ser derrubado se não implantar a cartilha neoliberal, o que é interpretado pela corte como autoritarismo, preciso procurar o link, hoje é Kadafi e amanhã pode ser qualqur governo que não reze na cartilha dos EUA, se tiver petróleo então...

Morte de Gaddafi é aviso a líderes autoritários, diz Obama

Por Matt Spetalnick e David Morgan, via portal MSN

WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, considerou a morte do líder líbio deposto Muammar Gaddafi como um aviso a líderes autoritários de todo o Oriente Médio, mostrando que os governos com mão de ferro 'inevitavelmente chegam ao fim'.

Obama juntou-se a políticos e cidadãos norte-americanos, saudando a morte de Gaddafi, que foi durante décadas visto como inimigo de presidentes dos EUA, e também buscou reivindicar parte do crédito pela queda do homem forte líbio.

'Isso marca o fim de um capítulo longo e doloroso para o povo da Líbia, que agora tem a oportunidade de determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática', disse Obama a repórteres no Jardim de Rosas da Casa Branca.

Obama deixou claro que vê a morte de Gaddafi como algo que veio comprovar o acerto de sua estratégia de 'liderar desde atrás', que foi criticada nos EUA por deixar o país em um papel de apoio nos ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte na Líbia.

'Sem colocar um único militar norte-americano em campo, alcançamos nossos objetivos', disse Obama em discurso televisionado para os norte-americanos, já exaustos das guerras prolongadas no Iraque e Afeganistão.

A reação dos EUA refletiu uma história difícil com Gaddafi, visto nos EUA como vilão devido aos vínculos de seu governo com a explosão de um voo da Pan Am sobre a Escócia, em 1988, e uma explosão em uma discoteca de Berlim, em 1986, que teve como alvos soldados norte-americanos.

Obama disse também que a morte de Gaddafi deve servir de aviso a outros líderes autoritários no Oriente Médio, onde revoltas já depuseram líderes que passaram muitos anos no poder no Egito e na Tunísia.

Washington está fazendo pressão por mais sanções contra o presidente da Síria, Bashar al-Assad, devido à repressão brutal dos protestos pró-democracia nesse país.

'Para a região, os acontecimentos de hoje (quinta-feira) comprovam mais uma vez que um governo com mão de ferro inevitavelmente chega ao fim,' disse Obama.

O presidente falou ainda que os Estados Unidos serão parceiros do governo interino líbio e exortou uma transição rápida para eleições democráticas, mas não fez promessas específicas de ajuda.

Parentes de vítimas norte-americanas mortas na explosão do voo sobre Lockerbie, na Escócia, promovida 23 anos atrás por agentes líbios, disseram que a justiça foi feita com a morte de Gaddafi ao fugir de sua cidade natal e derradeiro reduto.

'Espero que ele esteja no inferno com Hitler', comentou Kathy Tedeschi, cujo primeiro marido, Bill Daniels, foi uma das 270 pessoas mortas na explosão do voo 103 da Pan Am em 1988.

(Reportagem adicional de Caren Bohan, Tabassum Zakaria, John Whitesides e Michelle Nichols)

http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=31090749

 

Atualização - 11:00 Achei o artigo que trata da doutrina norte-americana que lhe permite derrubar "governos autoritários", o  artigo do começo de 2010, tendo sido publicado na Carta Maior:

A doutrina Hillary: a gestação do argumento golpista Os apologistas do processo eleitoral passaram a questioná-lo. Os argumentos que tiram da manga são de uma imoralidade que beira o ridículo. Dizem, por exemplo, que o que conta não são as eleições, mas sim a ação de governo; ou que o sufrágio contaminado de populismo é um engano (quando ganha a esquerda, é claro) e outras afirmações no mesmo estilo. A “doutrina desqualificadora da eleição” vem ganhando terreno em diversos setores políticos e já foi expressa, em reiteradas declarações, pela atual secretária de Estado dos EUA. O artigo é de José Vicente Rangel.

Quando o movimento popular latinoamericano se encontrava acossado, perseguido com inaudita crueldade pelos agentes de poder da região; quando a divisão interna da esquerda esgotava sua capacidade para converter-se em opção e o domínio dos partidos tradicionais era absoluto, as eleições constituíam o desideratum da política democrática. A instituição do sufrágio era a alternativa e a recomendação que se dava a quem praticava formas de lutas distintas, devido ao esgotamento a que estavam submetidas. O caminho era a incorporação à via pacífica e eleitoral.

Em resumo, a mensagem que era enviada a partidos políticos, grupos de ação e dirigentes deste universo que se movia na linha insurrecional consistia na adoção do voto como saída. Pode-se dizer que a vanguarda do movimento popular aceitou a recomendação, mas não é assim. O que ocorreu foi que o povo adquiriu consciência, os dirigentes superaram o maniqueísmo e assumiram sem peso na consciência a luta pacífica e democrática, por meio do sufrágio. O tempo acabou resolvendo o dilema luta pacífica versus luta armada. A evolução da sociedade e a maturidade de uma direção que compreendeu a nova realidade. O resultado foi impressionante. O movimento popular saiu do labirinto de um debate infinito e de sucessivas derrotas e se conectou à realidade de cada nação, colocando assim toda sua capacidade de luta, sua criatividade e coragem na direção correta.

Os setores populares passaram, em uma virada espetacular, do simples reformismo a processos de mudança social profundos, desconcertando o inimigo tradicional. A partir de então, em menos de uma década, a região presenciou a chegada de organizações populares ao governo em numerosos países. Não foi um milagre, mas sim um fato histórico: foi a comprovação da justeza de uma linha política.

Em função da experiência acumulada durante uma década de derrotas, agora o inimigo ideológico e político se dá conta do erro em que incorreu quando sacralizou o sufrágio eleitoral e incentivou o movimento popular a desenvolver a luta de massas legalmente. E, obviamente, a reação não tardou. Os apologistas do processo eleitoral passaram a questioná-lo. Os argumentos que tiram da manga são de uma imoralidade que beira o ridículo. Dizem, por exemplo, que o que conta não são as eleições, mas sim a ação de governo; ou que o sufrágio contaminado de populismo é um engano (quando ganha a esquerda, é claro; não quando ganha a direita) e outras afirmações no mesmo estilo.

O que poderíamos definir como “doutrina desqualificadora da eleição” toma corpo em setores políticos, partidos, ONGs, elites intelectuais, grupos universitários, empresários, proprietários de meios de comunicação. Uma colunista venezuelana abordou o tema cruamente e afirmou: “É preciso entender que a democracia não é sobre eleições, mas sim sobre instituições”. E um prefeito envolvido em ações desestabilizadoras sentenciou: “Chávez usa a democracia para destruí-la”. Como estas há muitas outras expressões reveladoras do propósito de desqualificar o voto do povo, de questioná-lo, para atribuir-se o direito de julgar a democracia não por sua origem, mas sim pela opinião que os poderes fáticos, os grupos de pressão nacionais e transnacionais têm sobre ela. Ou seja, que a qualidade democrática e um governo dependeria de valorações de caráter subjetivo e seria alheia à origem do mesmo.

Por que o título deste artigo? Porque em reiteradas declarações a atual Secretária de Estado dos EUA manifesta esse ponto de vista. Em entrevista a um canal de TV venezuelano, sustentou que “a democracia não é só eleições”. Claro que não, mas a que se deve a ênfase nesta afirmação? Ela logo desenvolveu sua afirmação: é preciso privilegiar a avaliação da noção “governo” e dar-lhe prioridade em relação ao processo eleitoral. Na concepção que a senhora Hillary Clinton começa a manejar, desvaloriza-se – ou, caso alguém não goste do termo, minimiza-se – o que no passado foi fundamental: a decisão do povo expressa nas eleições; e, logo em seguida, se valoriza a pretensão de que o que define a democracia é a gestão de governo. Mas na teoria universalmente aceita é o voto popular que outorga legitimidade e constitui a origem da democracia, enquanto que o ato de governo é circunstancial e sempre polêmico, uma vez que é avaliado em função de critérios políticos, o que, normalmente, é feito por grupos de pressão nacionais e internacionais.

Mas esta consideração sobre a valoração de conceitos como eleição e governo, já não é teoria, mas sim prática, como acabamos de ver acontecer em Honduras. O governo de Zelaya era (é) um governo legítimo, constitucional, produto do voto dos hondurenhos. Mas a concepção de que a origem, o voto, é relativo e o que conta é a conseqüência, o governo, abriu as portas aos golpistas militares e civis de Tegucigalpa no dia 28 de junho. Todos os preconceitos que a sociedade civil acumulou durante décadas contra a proeminência militar e a rejeição ao golpe de Estado, viraram fumaça quase que imediatamente. Aqueles que trabalham para golpes militares contra governos eleitos popularmente, sentem-se tacitamente apoiados. Na Venezuela, por exemplo, vemos aqueles que questionam o apoio dos militares a um regime constitucional, resultado de uma eleição, apoiando descaradamente os militares que derrubaram Zelaya. Por enquanto o governo Obama-Hillary equilibra-se na corda bamba das pressões e faz concessões à ultra-direita mundial quando alimenta uma inefável iniciativa que golpeou a instituição do sufrágio como fonte de poder. O que equivale retornar ao tenebroso passado golpista.

José Vicente Rangel é ex-vice presidente da Venezuela e ex-chanceler do governo Hugo Chávez.

Tradução: Katarina Peixoto

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1 comentário imagem de SPIN na Rede Re: EUA, xerife do mundo, ameaçam: "Lideres autoritários" serão derrubados. A morte de Kadafi é apenas um aviso

ter, 25/10/2011 - 10:56 — SPIN na Rede

Mas os ditadores amigos dos EUA podem ficar tranquilos, esta ameaça não lhes diz respeito

 

Kd a OTAN que não moveu sequer uma palha para proteger o povo saudita e vizinhos que, dias atrás, foram massacrados  pela sanguinária ditadura da família Saud, dona da Arábia Saudita, daí a denominação "saudita" no nome do país. Por décadas e décadas a família Saud governa com mãos de ferro aquele país sem que a imprensa bovina escreva uma linha sequer sobre o assunto. Claro, à frente de tudo isso as grandes corporações  e,  logo atrás, os barões da mídia. Muito pelo contrário, não é mesmo. Ih,  estou me esquecendo, ser ditador pode, só não pode desafiar os EUA e, assim sendo, a imprensa permance cega, surdo e muda, afinal de contas o "Eixo do Mal" já foi traçado pelo império.  E o povo segue. Bovinamente.

A ditadura da família Saud: Morre o herdeiro da coroa, Sultan bin Abdulaziz al-Saud

 AFP) Rei Abdullah, em foto de 25 de setembro deste ano
(Foto: AFP)

DUBAI (Reuters) - Crown Arábia Saudita, príncipe Sultan morreu, a corte real, disse neste sábado, eo ministro do Interior e de renome conservador príncipe Nayef era esperado para se tornar o novo herdeiro ao trono em exportador o maior do mundo do petróleo.

 Bryan Denton para The New York Times
Arábia Saudita Crown Prince Sultan bin Abdulaziz al-Saud em 2007.

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. Sultan, cuja idade foi oficialmente dado como 80 e que morreu em Nova York, de câncer de cólon no início do sábado Arábia tempo, tinha sido uma figura central na Arábia tomada de decisão desde que se tornou ministro da Defesa em 1962 e foi feito príncipe herdeiro em 2005.

Arábia analistas previu uma transição ordenada no momento em que grande parte do Oriente Médio está em crise depois de levantes em massa contra líderes autocráticos por cidadãos que exigem democracia.

O rei saudita Abdullah reagiu à "Primavera árabe", ordenando gastos de US $ 130 bilhões em benefícios sociais, habitação e emprego, mas ele e sua nova coroa enfrentam desafios príncipe de militantes da Al Qaeda, uma minoria xiita inquieto e conflito civil no vizinho Iêmen .

A Arábia Saudita também é trancada em um confronto com o poder do Irã xiita, acusado pelos Estados Unidos de conspirar para matar o embaixador do reino de Washington.

No início deste mês, o Ministério do Interior saudita acusado de um poder sem nome estrangeiro, amplamente assumido que significa o Irã, de instigar os protestos da minoria xiita da Arábia em que 14 pessoas, incluindo 11 agentes de segurança, ficaram feridas.

Saúde sultão tinha declinado nos últimos anos e passou longos períodos fora do reino para tratamento médico. A 2009 cabo diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks descreveu-o como "para todos os efeitos incapacitado."

O rei Abdullah é agora provável para convocar o Conselho Allegiance untested da decisão da família al-Saud, criado em 2006 para tornar o processo de sucessão mais transparente, para aprovar seu herdeiro preferido. No passado, a sucessão foi decidida em segredo pelo rei e um círculo de príncipes poderosos.

A maioria dos analistas acredita que o novo príncipe será Nayef, que foi nomeado segundo vice-primeiro-ministro em 2009, uma posição geralmente dada ao homem que é o terceiro-in-line para governar.

"O problema é (o Allegiance Council) é uma organização secreta que consiste em membros da família real e da sociedade saudita não tem voz", disse Madawi al-Rashid, autor de A História da Arábia Saudita e crítico da família governante. "Algumas seções da Arábia Saudita estão preocupados. Nayef é conhecida por soluções de segurança. Sua retórica sempre invoca a espada."

Nayef foi ministro do Interior desde 1975 e conseguiu o reino do dia-a-dia assuntos durante as ausências de ambos rei e príncipe herdeiro.

Ele ganhou uma reputação como sendo mais conservador do que qualquer rei Abdullah Sultan ou, com laços estreitos com o clero poderoso do país Wahhabi. Mas, como rei, ele poderia seguir uma linha mais moderada, de acordo com a tradição al-Saud de governar por consenso, dizem analistas.

"A sucessão será ordenada", disse Asaad al-Shamlan, um professor de ciência política em Riad. "O ponto de referência será a decisão do Conselho Allegiance. Parece-me Nayef mais provável será o escolhido. Se ele torna-se príncipe herdeiro, não espero muita mudança imediata".

"As coisas estão em ordem, graças à sábia liderança representada no rei Abdullah bin Abdulaziz, o" príncipe Talal bin Abdulaziz, um irmão de ambos os Abdullah e Sultan e membro do Conselho Allegiance, a repórteres.

Rei Abdullah, que está em seu 80s atrasado, passou por uma cirurgia nas costas no início deste mês, mas deixou hospital no sábado, para continuar o tratamento em uma clínica real, a Corte Real disse em um comunicado divulgado pela agência oficial SPA notícias. Ele tem sido retratado desde sua cirurgia em saúde aparentemente boa.

"O Guardião das Duas Mesquitas Sagradas, Rei Abdullah bin Abdulaziz al-Saud ... deixou o King Abdulaziz Medical City neste sábado à noite ... depois que Deus agraciou-lhe com a saúde para continuar o tratamento na clínica de seu palácio", disse .

CONSELHO FIDELIDADE

Quando o Conselho reúne Allegiance, os 34 ramos da família governante nascido para o reino do fundador King Abdulaziz Ibn Saud terão cada uma votação para confirmar o candidato do rei de coroa de príncipe ou nomear seu próprio candidato.

 
 . Saudi televisão quebrou seu horário normal na manhã de sábado para transmitir versos corânicos e imagens de peregrinos circundando a Kaaba em Meca, local mais sagrado do Islã, antes de anunciar a morte do príncipe herdeiro.

"Com profundo pesar e tristeza o Guardião das Duas Mesquitas Santo Rei Abdullah bin Abdulaziz lamenta a morte de seu irmão e seu príncipe Sultan ... que morreu na madrugada deste sábado de manhã fora do reino após uma doença", disse um real saudita declaração judicial realizado na mídia oficial.

O mercado de ações saudita não foi afetada pela notícia, e os TASI índice de todas as partes fechadas quase meio por cento acima. Lojas, escolas e universidades foram abertas normalmente. Serviços funerários para Sultan será realizada na terça-feira em Riad.

EUA A secretária de Estado Hillary Clinton expressou suas condolências pela morte, dizendo EUA-Arábia Saudita laços são fortes.

"O príncipe herdeiro era um líder forte e um bom amigo para os Estados Unidos durante muitos anos, bem como um campeão incansável por seu país", disse Clinton durante uma visita ao Tajiquistão, no comentário EUA primeiro oficial sobre sua morte.

"Nosso relacionamento com a Arábia Saudita é forte e duradouro e nós estamos ansiosos para trabalhar com a liderança (Arábia) por muitos anos por vir", disse ela em entrevista coletiva.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias WAFA, disse: "Nós perdemos um amigo ... e defensor da causa palestina."

Kuwait, Jordânia, Marrocos, Qatar, Turquia e Omã enviaram mensagens de condolências.

Rei Abdullah ganhou uma reputação como um reformista cauteloso desde que se tornou regente de facto do país conservador islâmico em 1995 e como rei desde 2005.

Ele estava ausente por três meses no final de 2010 e início de 2011 o tratamento a seguir para uma hérnia de disco que causou o sangue se acumular em torno de sua coluna vertebral.

Ao contrário de monarquias européias, a linha de sucessão não passar de pai para filho, mas por uma fila de irmãos nascidos de fundador do reino Ibn Saud, que morreu em 1953.

"A estabilidade da Arábia Saudita é mais importante do que nunca", disse al-Amri Turad, um analista político na Arábia Saudita. "Todos os países ao seu redor estão desmoronando. O equilíbrio do poder está mudando no Oriente Médio."

Morte sultão também significa rei Abdullah terá para selecionar nova defesa e ministros da aviação, postos-chave em um país que gasta bilhões de dólares em compras de armas.

Príncipe Khaled bin Sultan, filho do falecido príncipe herdeiro, foi vice-ministro da Defesa desde 2001 e é um candidato para substituir seu pai como ministro.

"Não tem sido tradicionalmente uma forma de equilibrar as relações de poder dentro da família que são importantes", disse Robert Jordan, embaixador dos EUA em Riad 2001-03. "Então eu não acho que devemos automaticamente assumir que Khaled bin Sultan vai se tornar o ministro da defesa, embora tenha muita experiência e seu pai estava no local por muitos anos."

(Adicionais de relatórios Sami Aboudi no Dubia, Asma Alsharif em Abu Dhabi, Tom Pfeiffer em Amã e Andrew Quinn em Dushanbe; edição por Sami Aboudi e Rosalind Russell)

Tradução: Google Tradutor

http://www.nytimes.com/reuters/2011/10/22/world/middleeast/international-us-saudi-arabia-sultan.html?pagewanted=1&partner=rss&emc=rss

 

 

...spin

 

 

Destaque 1: ...Não obstante seus inúmeros defeitos — mesmo o demônio não consegue a perfeição em sua maldade — , Kadafi beneficiou o povo líbio quando, logo após se tornar o “dono” do país, exigiu uma maior participação estatal nos lucros do petróleo, extraído pelas poderosas empresas ocidentais.... E sua ousadia foi sendo imitada por outros países da região, ricos em petróleo e gás, o que explica — em boa parte —, porque Kadafi era tão odiado pelos países mais ricos do ocidente.

 

E há muitos energúmenos brasileiros que apóiam os ianques... Principalmente numa certa capital do Sudeste (os novaiorquinos tupiniquins, que bebem Coca-Cola e arrotam uísque).

O Brasil bem que poderia sair de "sócio-contribuinte" da ONU, que só existe para validar as atrocidades cometidas pelos donos do mundo: EUA e Israel, ou Israel e EUA (tal como na Matemática, a ordem dos fatores não altera o produto!).

 

olha não fale assim do Rio, eu gosto muito daquela cidade!!!!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

 As imagens do linchamento de Muammar Gaddafi comprovaram o acerto da prudência diplomática brasileira perante a ação da Otan na Líbia. Repetindo o velho roteiro intervencionista, os EUA e as potências européias utilizaram a supremacia bélica para aniquilar um governo outrora aliado e para dominar um país destruído pela guerra civil. Em pleno século vinte e um, sob o silêncio cúmplice da comunidade internacional.

 

A propaganda legalista de Hillary Clinton não engana ninguém. A única diferença da simples invasão militar, nos moldes iraquianos, é que seus objetivos diretos foram alcançados por intermediários locais. Sem os bombardeios maciços, as doações de armamentos e a infiltração de mercenários estrangeiros, os assim chamados “rebeldes” seriam trucidados pelo exército líbio. É o que ocorre na Síria e no Iêmen, onde Washington permite que os respectivos ditadores usufruam a soberania nacional.

 

A terceirização da selvageria não torna o Ocidente menos responsável por ela. A execução desumana e extrajudicial de Gaddafi simboliza a degradação moral de seus inimigos, rebaixados ao nível da monstruosidade que dizem combater. É fácil aplaudir sacrifícios públicos de tiranos sanguinários, mas isso não significa vencê-los de fato. Gaddafi junta-se à companhia de Benito Mussolini, Nicolae Ceausescu e outros cadáveres ilustres que simbolizam a permanência da barbárie nas entranhas da rica e desenvolvida civilização moderna.

 

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

 

Quem sabe um dia veremos imagens de Hillary e Obama semelhantes às de Kadhafi e seu filho?

As pessoas não aprendem somente com os bons exemplos. Quando a OTAN e os EEUU dizem que vão dar uma lição, esquecem-se que os alunos que aprendem as lições imitam seus mestres.

 

Affon

acho dificil isso ocorrer, pois o governo americano e eleito democraticamente e tem tempo certo de duração, já quem corre o risco que morrer apanhando na rua e Fidel e seu irmão!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Nos EUA o presidente é eleito democraticamente?

Só se começou hoje.  Até agora quem "elege' o presidente são uns quinhento e poucos da turminha. Em Cuba também (mas são mais de 600, apesar de ter uma população 30 vezes menor.

Morrer na rua é fácil, é so a "democracia"americana enviar uns "rebeldes" mercenários para fazerem o serviço. Aliás, tentaram centenas de vezes com Fidel, pergunte a cia. 

 

Bush foi eleito e reeleito democraticamente e foi o responsavel direto por pelo menos 200.000 mortes no Iraque.

Realmente não queria se perpetuar no poder mas era tirano. Para ser tirano não precisa ser eterno.

 

200.000 e conta de mentiroso!  

esses numeros chutados e a melhor defesa que eu posso imaginar do Bush, pois ao parecer mentiroso e exagerado esse seu comentario, torna o Bush uma pessoa seria e centrada.  Nenhum organismo que tenha respeito fala esse numero, e mesmo assim quem mata civis em funerais são os fanaticos islamicos da Alqaeda e similares, que a esquerda adotou apenas porque atacaram os EUA!

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Pois é, 200 mil é piada pois a rede globo (porta voz do terorismo de estado dos eua) no terceiro mes de ataques , em 2003, informava mais de 500 mil assassinatos no Iraque.

Mas, os cálculos mais sérios vão de 2 milhões até 10 milhões de sere humanos mortos, a não ser que os idiotas tenham lançado 2 milhões de toneladas de bombas(informado na época) no deserto(cirurgicamente).

Brincadeira tem hora, não somos todos idiotas.

 

vc é da CIA não é mesmo?  somente isso para explicar um texto tão pro-americano assim!  afinal é um truque antigo esse, se faz passar por adversario dos americanos, mas se comporta de tal maneira que torna os americanos simpaticos, ao soltar essas mentiras sem sentido, vc tenta desqualificar criticas reais e bem feitas!  seu traira!!!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Bem delineado, sem defender a tirania ou os tiranos que se pintam de anti-imperialista para tapear os tolos, principalmente (pasmem) os de vertente esquerdista.

 

Excelente texto !

 

Bem dito.

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Muito interessante a abordagem do assunto. O autor coloca no texto o que nós apenas intuimos.

 

Muito bom o artigo do Desembargador Francisco, perfeita sua análise do que  realmente está por trás dessa operação da OTAN e dos Estados Unidos na Líbia, como diria alguém " é o petróleo, estúpido ."

E faço uma sugestão, já que a OTAN e os Estados Unidos agora se arvoram como especialistas em derrubar ditadores, tenho uma indicação para esses novos justiceiros mundiais: na Coréia do Norte tem o mais duro regime e o mais  tirânico ditador do mundo, o Kim Il Sung !  

Vão lá proteger o povo norte-coreano, invadam ou bombardeiem a Coréia do Norte se são realmente corajosos ou será que somente conseguem ser valentões e  destruir países fracos e  indefesos como a Líbia, Iraque e Afeganistão ?   Oops, me esqueci, nesses países tem petróleo ou imensos recursos minerais (Afeganistão), e a Coréia do Norte não tem petróleo, nem recursos minerais significativos, e ainda por cima tem um exército de 1 milhão de soldados, milhares de tanques de guerra e uma poderosa  artilharia.  Melhor não mexer com esse tirano, não é mesmo?

O mundo em pleno século XXI está entrando numa nova fase de barbárie política, onde o direito internacional e a soberania dos países não são mais respeitados, a ONU virou uma comédia, sem moral e força, igual a antiga Liga das Nações que a antecedeu.   Essas ações de guerra, invasões  e mortes me fazem lembrar da política de Adolf Hitler,  que levaram o mundo a 2a. guerra mundial.

Parece que o ser humano não aprende mesmo, continua a mesma besta assassina que matava seus inimigos  com um pedaço de pau na época das cavernas, apenas sofisticaram a forma de matar seus semelhantes.