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Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra

 

Para Luiza Bairros, da Igualdade Racial, o melhor caminho não é impor as ações às universidades federais

Socióloga defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, a serem adotadas por meio de incentivos

JOHANNA NUBLAT – FOLHA SP

DE BRASÍLIA

Gaúcha radicada em Salvador há 31 anos, atual secretária de promoção da igualdade da Bahia, a socióloga Luiza Bairros, 57, assumirá a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão vinculado à Presidência da República.
À Folha ela defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, e diz que o melhor não é impor ações às universidades federais -posição que se opõe ao atual entendimento da pasta.
“Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos.”

Folha – Há uma ação que a sra. sabe que precisa ser feita?
Luiza Bairros -
 A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra.

E como isso seria alcançado?
A partir de medidas coordenadas e articuladas. As questões mais específicas são muito importantes. Quer dizer, tanto é importante o acesso ao Bolsa Família como viabilizar que os que já o recebem saiam do programa.
A questão da educação é extremamente importante, porque temos uma evasão escolar bastante grande, o que é particularmente grave na população negra.
Também a saúde. De novo, entre os negros é que se registram mortes mais precoces e em maior número.

O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado neste ano sob críticas de retirada de pontos importantes. A sra. concorda?
Não. O estatuto gerou no movimento negro uma expectativa alta. Na discussão no Congresso, foi perdendo aspectos considerados fundamentais pelo movimento, como a questão das cotas.
Boa parte da insatisfação se deve à percepção de que foi retirado um instrumento eficiente na redução das desigualdades raciais. Agora, deve ser ressaltado que, no ensino universitário, as cotas foram implantadas independentemente de legislação.

Todas as universidades federais deveriam ter cotas?
O êxito da iniciativa nas que adotaram é tão evidente que deveria ser um indicador importante para as que ainda não estão convencidas.

De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza.

Ou seja, não é cota por estrato social, mas para negro?
Não é mesmo. Mesmo quando você analisa as estatísticas de desigualdade racial, é importante observar que, nas informações por renda entre brancos e negros, as diferenças continuam.

Há gestores que defendem a imposição. E a sra.?
Tenho dificuldade de responder isso. A imposição é dada pelas mudanças que a sociedade vai provocando nos valores. Chega num ponto em que a sociedade muda tanto que as instituições são obrigadas a mudar com ela.

Mas, talvez, elas sozinhas não façam esse movimento…
Elas têm de ser, em algum nível, levadas a isso. Há várias formas possíveis, usadas em outros países, que podemos estudar num futuro próximo. Por exemplo, oferecendo incentivos para que universidades ou outras instituições adotem essa medida.

Mesmo as públicas?
Sim, é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.
Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos.

http://blogdofavre.ig.com.br/2010/12/cota-nao-e-da-ou-desce-diz-nova-ministra/

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Todos nós somos igualmente seres humanos, indiferentemente da tonalidade da pele, e tal afirmativa vai ao encontro do "Princípio Constitucional da Igualdade" (art. 5º, caput, da CF/88).

Cotas raciais criam subespécies humanas, sendo a defesa de tal política parte de um discurso demagógico, que não gera a igualdade, mas sim a discriminação. Assim, o sistema de cotas raciais é uma discriminação juridicamente intolerável.

Lado outro, entendo justo o sistema de cotas sociais, uma vez que geram a inclusão, já que ele está em perfeita consonância com a máxima de que devemos "...tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam", representando um discrímen legítimo e razoável, tendo por escopo garantir a igualdade fática de oportunidades a todos.

 

 

. Johnson Valadares Xavier . .

Cotas, se levarmos em conta que o país atravessa muito mal ainda no que diz respeito ao esnino fundamental, deveriamos nos preocupar que o ministro mantido no cargo e a ministra que deve assumir a questão negra do país deveriam conversar e muito.Digo isso porque se considerarmos a carência que temos no ensino fundamental (esquecido pela grande maioria), temos que repensar as cotas como mais um problema. Devemos atacar fortemente o ensino fundametal para que minimamente tenhamos algum sucesso em se tratando de ensino médio e superior. O MURO que é considerado o ensino superior nada mais é do que a falência dos diversos governos estaduais e municipais no oferecimento de educação básica de qualidade.Na discussão sobre a educação no processo eleitoral pouco se sinalizou o que avançaremos na busca de qualidade da educação básica , justamente pelo fato de que foi dado mais importância a questão da creche e não da educação básica( quanto do PIB deveriamos destinar a educação básica- longe dos quase 16% dos países do chamado tigres asiáticos). É dificil ser negro nessa discussão,pois a sensação é a de que uma vez atingido determinado objetivo,estica-se  a corda e vamos nós de novo em busca de tal objetivo.!!

 

Prezado Zacharias,

Perfeito. Só adiciono que um programa de recuperação do ensino básico e técnico teria efeito muito maior que as tais cotas.

É um cavalo de batalha inútil e deslocado.

 

"Devemos atacar fortemente o ensino fundametal para que minimamente tenhamos algum sucesso em se tratando de ensino médio e superior. O MURO que é considerado o ensino superior nada mais é do que a falência dos diversos governos estaduais e municipais no oferecimento de educação básica de qualidade."

Zacharias, a tua mensagem foi a mais sensata e inteligente até agora neste post!

Sou de SP, tenho alguns amigos negros e nenhum deles é a favor das cotas. Sabe por que? Porque os filhos deles estudam nas mesmas escolas que os meus que são brancos.

O recado que fica entre as nossas mensagens é o seguinte: Se queremos igualdade, devemos fazê-la.

Um abraço, meu irmão!

 

José Roberto,

Sou de SP(Interior) e sinto na pele a deficiência do ensino oferecido. Compartilho com seu comentário a respeito da igualdade que deve ser buscada e alcançada sim na educação básica.Luto muito por isso. Um abraço.

 

Olha, eu ainda não tenho opinião formada sobre as cotas raciais. Como todos aqui, não duvido da existência do racismo. Sei também que os negros não têm igualdade de oportunidade. É indiscutível a desvantagem que um negro tem ao longo da sua vida se comparado a um branco. "Em caso de empate, o branco vence," então os não-brancos estão sempre a provar algo a mais para se firmar e "merecer" respeito. O indíviduo standard é homem, classe alta, branco, heterossexual e cristão, tudo que foge disso vira desvantagem. Minha dúvida é se as cotas fazem alguma diferença no combate ao racismo (que nada mais é do que um dos ítens do standard, como ficam os outros?). Já me responderam em outra oportunidade que as cotas não têm a ambição de eliminar o racismo, nesse caso, na minha opinião, elas não tem utilidade alguma.

Este meu comentário será algo longo. Farei todo o esforço para deixá-lo o mais curto possível (e sem carteirada acadêmica). Pode parecer que estou escrevendo um pouco demais sobre história e escravidão, mas é porque a questão racial no Brasil e nas Américas está intimamente ligada a esse modelo de sociedade em que algumas pessoas eram proprietárias de outras. Em toda a sua história, o território brasileiro existiu por mais tempo "com" (388 anos) do que "sem" escravos (122 anos). Por esse motivo, como todos sabem, a própria idéia do que é ser branco ou negro no Brasil tem origem na experiência da escravidão.

Me parece que existem duas falhas no argumento dos que defendem as cotas: a) a crença num mundo que é necessariamente dividido em "raças", e que essa divisão faz parte do "estado natural das coisas" (é assim porque é assim e sempre foi assim); b) a crença de que um individuo qualquer, independentemente da sua raça, quando assume a sua "identidade" o faz de forma autônoma, reconhecendo "quem ele realmente é".

Em relação ao item "a", essa idéia se baseia na crença de que a humanidade sempre existiu dividida entre negros, brancos, índios, asiáticos, etc. Contudo, "raça" é uma construção cultural e histórica. No seu sentido atual, a palavra só surgiu no século XVIII. Existe um debate em aberto, apelidado de "o ovo ou a galinha". Qual veio primeiro, o racismo ou a escravidão? O racismo fez com que os Europeus aceitassem a escravização dos negros? Ou foi a escravidão que, ao longo dos séculos, estigmatizou as pessoas de pele mais escura e fez com que os negros fossem identificados como inferiores? O problema em acreditar que o racismo veio antes é, primeiro, que a idéia de raça não existia. Segundo, Europeus escravizaram outros Europeus no passado. Para os Romanos não interessava se o escravo era um núbio negro ou um germânico loirinho. Os gregos chegaram até mesmo a escravizar outros gregos, e num período mais antigo, até seu próprio vizinho poderia ser seu escravo em caso de dívida não paga. Para não ficar em exemplos assim tão distantes, basta observar que a palavra "escravo" vem de "eslavo". Ainda às vésperas da conquista da América, o Mediterrâneo era a principal via de comércio. Existiu também um comércio de escravos por ali, em parte controlado pelos muçulmanos no norte da África, em parte controlado por cristãos no lado europeu. Ambos compravam escravos eslavos vindos do Mar Negro e que eram distribuídos pelo Mediterrâneo. A primeira conclusão importante é que a escravidão foi mais comum do que gostaríamos. É muito provável que todos nós, independentemente de raça, tenhamos antepassados escravos. Aliás, escravidão entre Africanos e dentro da América entre indígenas também existiu. A segunda conclusão é que é importante inverter a ordem da pergunta. Ao invés de perguntar "quem pode ser escravizado?," é mais correto perguntar "quem não pode ser escravo?" Como tentei explicar acima, a escravidão já foi generalizada para todos, inclusive seu vizinho que é "igual" a você poderia ser seu escravo. Ao longo do tempo, ao invés de "todos podem ser escravos" foi-se reduzindo o grupo das possíveis vítimas da escravidão. Do ponto de vista Europeu, existiram várias "pequenas abolições" que protegeram alguns grupos sociais da escravidão, e isso ocorreu favorecendo aqueles que eram mais "próximos". No final das contas, pelo menos nas Américas, o último grupo a ser protegido da escravidão foram os descendentes de Africanos - até por serem os mais "distantes", ou mais "diferentes" segundo o olhar Europeu. A "abolição" da escravidão dos indígenas ocorreu entre os espanhóis no fim do século XVI. Para o Brasil, a escravidão de indígenas foi abolida, se não me falha a memória, em torno de 1650 (e isso ferrou com os bandeirantes paulistas). O que a "última" abolição de 1888 tem de diferente das anteriores, é que, pela primeira vez, a escravidão "em si" foi erradicada.

Assim sendo, o meu posicionamento em relação ao "ovo ou a galinha" é um meio termo. À exceção da escravidão por dívidas, aceitar que alguém seja escravo sempre foi mais fácil se a vítima era o "outro". E quanto mais diferente, mais aceitável a sua submissão e desumanização. Porém, esse "ser diferente" não tem como requisito ter outra cor de pele. Europeus já escravizaram outros europeus. Africanos escravizaram africanos, e Ameríndios fizeram o mesmo com Ameríndios.

O termo "raça" surgiu junto ao Iluminismo e contemporâneo às primeiras tentativas de classificação do que existia na natureza. A tal taxonomia de Lineu vem dessa época. A construção da biologia no sentido moderno vem junto também, e é com isso que "raça" veio a identificar tipos biológicos de seres humanos. Ainda sim, palavras como "negro" e "branco" são bastante insuficientes. Quando alguém "começa" a ser negro ou branco? Escandinavos são mais claros do que os do Mediterrâneo. Ser "branco" não é simplesmente uma questão de cor da pele, já que existem diferenças de cor entre os europeus. É uma questão cultural, ser europeu incluía, além de outras coisas, ser cristão e "civilizado". E conforme o preconceito europeu, os Africanos seriam bárbaros e pagãos. Isso, mais do que a cor da pele, pode ter sido decisivo para a escravidão. Há quem defenda que, para o caso dos ingleses do século XVI e XVII, estes consideravam os indígenas da América do Norte também como brancos. Existem vários relatos de ingleses dizendo que os Índios só eram um pouco mais escuros porque andavam semi-nus e se queimavam no sol. O norte-americano só "racializa" o índio como "red-skin" no século XVIII. E os filhos de pai branco e mãe negra? Nos Estados Unidos até o século XVII existem casos de filhos de mãe escrava e pai branco que conseguem a liberdade sob o argumento que são cristãos de pai inglês. Foi somente ao fim do século XVII e ao longo do XVIII que as leis das colônias britânicas impuseram o "negro" para as crianças multiraciais, assim também impondo-lhes a escravidão. Mesmo hoje em dia, numa prova de que raça é cultural, um branco no Brasil não é branco nos EUA. Os "latinos", mesmo os de descendência européia, não são vistos como brancos (que devem ser norte-europeus, de preferência). Além disso, alguém que é branco em Salvador/BA e se muda para alguma cidade do interior de Santa Catarina já não será visto da mesma forma.

Aonde eu quero chegar com isso tudo? Bem, primeiro dizer que raça só existe porque as pessoas acreditam que isso existe, e houve um tempo em que raça não existia. Ninguém "nasce" negro ou branco, mas somos "ensinados" que algumas pessoas são negras ou outras brancas (e se você ainda tem dúvidas em relação a isso, sua resistência é uma prova da força que esse processo histórico e sócio-cultural teve na invenção da "raça", e de quão pouco autônomos e livres nós somos em decidir quem nós "realmente" somos). Segundo, para poder chegar ao item "b": Tanto "brancos quanto negros ou índios" não são "brancos, negros ou indíos" porque assim se descobriram em liberdade e autonomia. Não são escolhas pessoais ou do livre-arbítrio, (mas por favor não confudam isso com biologia, acho que já deixei isso claro). Raças são construções históricas produzidas por instituições e, em alguns casos, até mesmo pelo Estado. Foram as leis dos colonos ingleses que transformaram filhos de pais brancos e mães negras em negros. Afinal, se são 50% de cada um, poderia ser branco também, não? São leis determinando quem é quem e o que é raça; a regra do "one drop rule" tem força na concepção racial dos norte-americanos até hoje. Nas Américas, a experiência social da escravidão criou o conceito de raça que utilizamos. Foi esse o processo que não só inventou o que é ser branco ou negro, mas que determinou qual deles é superior ou inferior na hierarquia social.

Para concluir esta parte "contra" as cotas: O meu medo em relação a elas é que teremos mais um monte de leis reforçando um tipo de diferenciação que é historicamente nociva aos negros. Só há racismo por que existem as raças. Você pode até melhorar as condições de vida de uma minoria racial, mas a manutenção da minoria como minoria não significa poupá-la da discriminação. Ela continuará vulnerável ao preconceito. Um exemplo clássico disso são os judeus. Na Europa do século XX, eles eram vistos como outra raça, mas se acreditava que eram privilegiados. Nesse esteriótipo, o judeu seria rico, culto, cosmopolita, etc... Nada disso o salvou do racismo (ou do nazismo). Assim, não acredito que a melhoria das condições sociais dos negros tenha necessariamente como resultado a diminuição do racismo. Além disso, sequer estou convencido de que as cotas são suficientes para que a população negra melhore significativamente sua qualidade de vida, e escrevo isso porque sei que, apesar dos brancos serem maioria entre os universitários, isso não livra a grande massa de brancos pobres da miséria. Aliás, uma coisa não tem muito a ver com a outra. É uma questão de classe, não de raça.

Lá no começo eu disse que não tinha opinião formada, mas até agora só fiquei detonando o sistema de cotas. Agora vai, num trecho muito mais curto, o por quê da minha indecisão. Primeiro, se ninguém fazer nada, vai continuar como está. Continuaremos a conviver com o racismo, obrigando os negros e outras minorias a sofrer com sua condição social injusta? Segundo, existe a possibilidade de racismo ao menos diminuir um pouco se a população começar a identificar os negros como pessoas bem sucedidas? Isso vai contra o exemplo dos judeus que apresentei acima, mas não posso afirmar que isso seja uma regra. Porém, as mulheres também já são maioria nas universidades, não? Isso irá diminuir o machismo? Só o tempo dirá.

PS: Já escrevi algo mais simples e com exemplos diferentes em outra oportunidade aqui mesmo neste blog. Naquele momento, falei mais sobre a invenção do "latino" nos EUA e algo sobre os intocáveis na Índia. O espírito dos dois comentários é o mesmo.

 

Ainda não tenho opinião formada em relação às cotas,vejo pós e contras,mas ontem fiquei sabendo de um fato que talvez ajude ao debate se o dado que relato a seguir for pesquisado e ampliado:

uma pessoa da família(casada com um primo) que é mulata,prestou vestibular para uma universidade federal e inscreveu-se pelas cotas.Surpresa:a concorrência por vaga estava maior entre os cotistas do que entre não cotistas!Se não tivesse usado o critério de cotas,teria mais chances de passar!!

O curso foi pedagogia,a universidade no Nordeste,a quem interesse e tenha ferramentas talvez valesse a pena cruzar esses dados.

abraços e Feliz Natal a todos,especialmente a você,Nassif e família.

 

A minha opinião desde sempre é a seguinte: O negro, do qual detenho 25% de meu sangue, foi exilado à força, trabalhou de graça, tendo por paga grilhão e chibata, por quase 400 anos. Quando da república se cogitou a term uma lei para os brancos e eoutra lei para os ex-escravos ( o que na prática funciona até hoje), a quotas, a meu ver, é migalha perto da dívida que o país tem com os negros! O resto é racismo mais ou menos explícito. Essa história de que tem que ser quota social é da mesma ótica caôlha de que "não pode subir o salário mínimo pra não quebrar a previdência social". e nisso pra mim não tem meio termo. O que um operário já demonstrou ser falácia da direita e dos retrógrados.

 

Que 2011 seja melhor que 2010 para todos!

 

FORA TEMER

Arte é Luz - União e Olho Vivo

E a educação básica  de qualidade e integral, quando será implantada e universalizada? Aí, sim, como diz o professor Zagallo, a democratização e a igualdade de oportunidades se darão. As cotas são importantes, embora eu prefira as sociais às raciais. Mas não resolvem a questão por si só.

O que o PIG não suporta são escolas do ensino fundamental iguais aquelas dos países que deram certo. Afinal, (que horror!) o Brasil pode até virar um país desenvolvido...

 

"A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

Eu gostaria muito de saber a fonte desta informação. Será que no Paraná ou em Santa Catarina ou em São Paulo ou no Rio Grande do Sul a maioria das pessoas em situação de miséria são negras? Discordo totalmente!

Em primeiro lugar, a maioria dos brasileiros não é branca nem negra e sim pardos.

Em segundo lugar, uma legião de pardos se considera branco.

Em terceiro lugar, o movimento negro discrimina os pardos.

E em quarto lugar, o nosso maior valor enquanto brasileiros que somos não é a “raça negra”  nem a “raça branca”  e sim a miscigenação.

 

 

 

 

Vou aproveitar o comentário do "AnônimoC"  : "Posto que, todos os estudos científicos provam que cotista não tem rendimento acadêmico inferior aos demiais e o futuro impõe que universidades pública priorize radicalmente os melhores."

Uma vez citado os "estudos científicos" gostaria que o mesmo apontasse onde encontrar os "estudos científicos" que distingue as diferentes raças.

E uma vez que a própria ministra fala em raça, por que não aproveitar que está inicinado e solicitar a qualquer Universidade Pública (ou todas) algo que embasasse a sua fala sobre raça. Pelo menos eliminaria de vez (?) esta eterna discussão.

 

"Uma vez citado os "estudos científicos" gostaria que o mesmo apontasse onde encontrar os "estudos científicos" que distingue as diferentes raças."

 hehehe...  Só se a gente ler os livros de eugenia dos nazistas.  Ali eles dizem até como é a cara de um criminoso. Acreditam eles que é possível identificar uma pessoa predisposta a cometer crimes, apenas observando a sua formação óssea facial e craniana. hehehe...  tá bom...

 Num balcão de aeroporto perguntaram a Einstein : Qual a sua raça? Ao que ele respondeu: Raça humana.

 

 

Forçar por orçamento não é forçar? Bem, talvez não estritamente, mas a questão é: esta verba disponível às instituições que adotarem cotas raciais dizem respeito a ações de inclusão (verbas para bolsas, para moradia estudantil...)? Se a verba condicionada for relacionada com, digamos, infra-estrutura, pesquisa, custeio, isso é forçar da mesma forma. Outra coisa: Algumas pessoas tratam das cotas raciais como um imperativo moral pré-estabelecido, o que é um absurdo. Na minha instituição não há contestação quanto a cotas sociais, mas relativamente poucos docentes concordam com cotas raciais. Mesmo na comunidade que ela assiste, no sul da Bahia, a última vez que vi um debate aberto na TV local a respeito quase todos os comentários, inclusive de um jornalista negro e ativista foram contra. A excessão coube a um membro do movimento por cotas. A tentativa de se estabelecer as cotas raciais como um ponto pacífico não tem sustentação social. O sucesso acadêmico dos eventualmente beneficiados não é um ponto que as justifique (embora reforce a viabilidade das cotas sociais) pois a contestação à ideia diz respeito à iprópria nclusão de um quesito racial (além das óbvias questões práticas que isso levanta, especialmente no Brasil) para a entrada em IES. Não é sequer consenso no próprio movimento negro, é, portantyo, uma imposição.

 

"... e depois de tantos anos, só decepções, desenganos. Dizem que sou um burguês muito privilegiado. Mas burgueses são vocês, eu não passo de um pobre coitado, e quem quiser ser como eu vai ter é que penar um bocado." (O Pequeno Burguês - Martinho da Vila)

 

O próprio REUNI já inclui isso, com aumento de 20% das verbas federais pras universidades que adotarem políticas de inclusão social e racial, além de outras medidas. Consegue manter a autonomia universitária, mas oferece um estímulo pra que se adequem às medidas do Estado.

 

Nassif

A leitura de um negro, Dojival do Afropress, da entrevista da ministra.

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Na 1ª entrevista, nova ministra defende cotas para negros
Por: Redação - Fonte: Afropress - 24/12/2010

Salvador - A nova ministra da Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), socióloga Luiza Bairros, 57 anos, defendeu, em sua primeira entrevista desde que foi indicada pela presidente eleita Dilma Rousseff, a adoção de cotas para negros nas Universidades, e disse que a melhor estratégia é condicionar que as verbas sejam liberadas na medida em que as universidades adotem planos de democratização do acesso.

“É comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos”, disse Bairros, em entrevista a repórter Johanna Nublat, da Folha de S. Paulo

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Falando já como ministra, com o cuidado nas palavras, ela evitou responder diretamente se é a favor da imposição de cotas para negros.

 

Está completamente emparedada! Mostra que não está preparada para a luta!

Chega de conciliação!

É cotas sim!

Doa a quem doer... as elites deste país querem manter o domínio ideológico inalterado, via a reprodução de sua ideologia nas universidades ditas "públicas", mas a maioria que tem acesso é a classe média e a classe alta. Somente uma pequena minoria de pobres tem acesso, via muito esforço pessoal. Me admira uma futura ministra de estado dando um "mole" deste. Se a Dilma quer manter o fôlego da luta iniciada pelo Lula, não pode ter ao seu lado "vacilões" como esta aí.

 

"Está completamente emparedada! Mostra que não está preparada para a luta!"

Luta?  Que luta?

 

"Chega de conciliação!"

Sim, amigo, tudo bem...

 

"A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

 Acho que antes da secretaria ressaltar esse quiproquó , deveria primeiro MOSTRAR DADOS que confirmem isso!

É !! Porque se a gente fizer uma BUSCA DE IMAGENS no Google usando o termo de pesquisa “sem terra”, que é pra gente dar uma olhada nas caras dos pobres, a gente vai constatar que a população de negros pobres não só é muuuuito MENOR que a população de brancos pobres, como também é muito menor que a população de pardos pobres.

 

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Pobres miscigenados brasileiros:

Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
 

Nassif

Acho importante que leias o texto por inteiro.

[[[[De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza.

Ou seja, não é cota por estrato social, mas para negro?
Não é mesmo. Mesmo quando você analisa as estatísticas de desigualdade racial, é importante observar que, nas informações por renda entre brancos e negros, as diferenças continuam.]]]]

A ministra, é só ler, é totalmente a favor de ações que beneficiem pela cor e não pelo social.

 

ERRDA2!!!! [ é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.] Acontece que essas dispõem de outros mecanismos para obteção de recursos e, portanto, não precisa seguir diretrizes que o governo gostaria e dispensar os recursos públicos. No caso brasileiros o governo é o provedor de tudo quanto é gasto das públicas. De tudo que universidade pública ganha por iniciativa própria, como taxa de vestibular e venda de cursos de especialização (alguns oferece isso mais até do que os cursos públicos),  nada vai para conta pública, mas de fundação de direito privado, para ser gasto com interesse privado e nada mais. Como comprar lixeira de luxo e outros apretechos para deixar apartamento de reitor nos ¨trinquiiiis¨. A prórpia composição do ministério da Dilma prova ser uma emergência nacional usar todo o potencial dessa para qualificar negros e outros excluídos sociais. Que universidade pública, por exemplo, ofereceu curso de engenharia em reciclagem de lixo e ofereceu cota para esses,  por mais amado que esses sejam por   Lula e pela presidente?

 

 

Questão "A":

"Folha – Há uma ação que a sra. sabe que precisa ser feita?
Luiza Bairros -
 A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

Traduzindo: a maioria dos pobre é negra MAS não se pode ajudar os pobres em geral  porque também há brancos entre eles.

Questão "B":

"De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza."

Traduzindo: a miséria deve ser erradicada MAS só a miséria dos negros. Os brancos miseráveis que se explodam.

Questão "C":

"Mesmo as públicas?
Sim, é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.
Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos."

Traduzindo: as universidades podem escolher políticas de cotas não-raciais (por exemplo, sociais) MAS as que o fizerem não receberão algumas verbas específicas. Se isso não for chantagem eu não sei o que é. O duro é ler isto numa única resposta.

Mais alguém aí viu as trapaças intelectuais?

 

Caros, simplificadamente: sou a favor de cotas sociais, ponto. Alunos de ensinos fundamental e médio de escolas públicas devem ser favorecidos no ingresso ao ensino superior público, simples não? Neste ponto, Jason, temos a mesmíssima opinião.

Daniel: ela é sim, ministra da igualdade racial e no entanto defende a racialização das relações em nossa sociedade. Isso só exacerba exatamente aquilo que se quer combater: o racismo. Ou alguém aí me aponte como a racialização promove igualdade racial (pergunta retórica). Mas o que realmente me incomoda é o uso dos miseráveis (negros e não-negros) como bucha de canhão numa cruzada racialista. Sobre o ministério de "redução da miséria": às vezes dá a impressão que só não existe tal ministério para possibilitar o uso desta população pela politicagem pequena para pura demagogia. Diferenciar miseráveis negros de não-negros só serve à causa racialista, não à erradicação da miséria. Dá para explorar este recurso ad-infinito para qualquer minoria ou grupo que seja alegadamente defendida por qualquer braço do governo que, no fundo no fundo, só defende sua própria existência.

 

Nada a ver. Ela é ministra da igualdade racial e não da redução da miséria.

 

Roberto1, parece clara a sua posição anti-cotas. Suas interpretações infundadas quase descortinam um ponto de vista racista, através do qual busca desqualificar a entrevistada, sem sequer recorrer a argumentos minimamente consistentes. Eu sou favorável a implementação de cotas sociais, pois entendo que, dessa forma, uma maioria negra terá reparada parte da injustiça e discriminação secularmente sofrida, assim como brancos (e outras raças) também serão, com justiça,  incluídos socialmente.  No entanto, não percebo em momento algum segundas intenções no discurso da futura ministra ao defender cotas raciais puras.

 

Quase concordo. Acho que cotas sociais devem existir para a redução da miséria e cotas raciais para a reparação de um grande mal que foi a escravidão, que deixou marcas até hoje em nossa sociedade.

 

O subtexto desse discurso é o seguinte: com desigualdade, dá pra conviver numa boa, desde que a distribuição de cores seja uniforme. O que importa não são os pobres, e sim os pobres pretos.

 

Não é "subtexto" é o texto mesmo. E tem que ser assim. Reconhecer e lutar contra a grande diferença social é corretíssimo; mas, dentro dela, a questão racial é mais aguda e urgente. Esse é o texto. Não vi subtexto nenhum. 

E as duas coisas podem ser atacadas conjuntamente, como é o caso da Universidade Federal da Bahia, que determina cotas para alunos oriundos da escola pública e, dentre eles, 85% para negros.

 

Ah, então podem ser atacadas conjuntamente?! Então, por que fatiar? É exatamente aí que eu quero chegar, companheiro. Por que invocar "raça" quando o negócio é "classe"?

 

Ora! Porque dentro da exploração de classe há inúmeras diferenças e sutilezas. E a forma mais abjeta de exploração de classe é o racismo; também o sexismo. Explora-se mais por uma suposta inferioridade de raça ou inferioridade de gênero. Minimizar a exploração de classe sem eliminar a sobre exploração por raça ou gênero, é consolidar essa exploração dentro dos próprios explorados. 

Há inúmeros trabalhos no Brasil e nos Estados Unidos sobre esta exploração dentro da exploração. No caso da mulher é mais do que evidente. Os famosos três turnos da mulher empregada.

 

"Minimizar a exploração de classe sem eliminar a sobre exploração por raça ou gênero, é consolidar essa exploração dentro dos próprios explorados. "

Desculpe mas isso é fantasia!! Quem explora, explora qualquer um!!

O patrão não paga MAIS a alguém, só porque é branco! Isso é balela!!

 

"Há inúmeros trabalhos no Brasil e nos Estados Unidos sobre esta exploração dentro da exploração."

Meu caro, você não percebe a nítida diferença entre os EUA e o Brasil no que tange à miscigenação? Lá simplesmente NÃO HOUVE miscigenação! Houve imigrações, mas não miscigenaram. Já aqui, além das imigrações terem sido bem mais intensas, a grande diferença é que miscigenaram intensamente também!

Olhe as populações pobres do Sul e Sudeste e veja se tem muitos negros lá... São os Estados MAIS populosos! Há muitos pardos e braços e poucos negros. Uma lei implantando cotas raciais na Bahia não pode ter o mesmo resultado que a mesma lei implantada no Rio Grande do Sul!!!

Outra coisa que deve ser observada é a injustiça de se penalizar povos que NUNCA escravizaram negros!!

Vê se os ascendentes da presidente Dilma escravisaram alguém!

La no Estado dela (onde é radicada) tem muitos pobres também... Não tanto quanto em SP e Rio.

 

 

Fatiar é simplesmente o ò.

Todos os seres humanos que não são tratados como tal sofrem discriminação pelos demais. A pasta da "desiguldadade" deve estar empenhada pelo respeito à diversidade, pela equidade e isonomia de direitos  todos os humanos, para que - uma vez sendo bem tratados pela sociedade humana - possam tratar bem os demais vivos. Transversalmente.

O grau de equidade e justiça se mede pelo grau de egoísmo ou humanismo aplicado pelos políticos que deveriam representar quem os elegeu. Espero que o governo de Dilma, no qual votei, seja o mais próximo possível do humanismo que puder chegar.

 

Gostaria de que assim fosse, mas outra não tem sido a tônica do discurso de "promoção de igualdade racial", companheiro. D. Luiza o repercute. Leia com "olhos para ver". Da entrevista:

"Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza."

Ou seja: a simples existência de pobres não é em si suficiente para que desejemos erradicar a pobreza; "independentemente" desta constatação, há que estratificá-la, "demonstrar" que ela atinge preferencialmente negros - e a estes, sim, direcionar as tais "políticas públicas". 

Que a pobreza atinge "preferencialmente" negros deveria ser bastante óbvio num país em que a maioria da população é negra. Daí decorrem as "diferenças na inserção", e não do fato de que esta é seletiva por cores. Esta seletividade - que sim, existe e tem que ser exposta para que possamos combatê-la - é instrumentalizada de forma a mascarar a questão de classe, apresentando-a como uma questão de raça. O que conduz à tese de que se resolvermos o problema do racismo, estaremos resolvendo a questão de classe. Não tem funcionado dessa forma em lugar nenhum do mundo. Os EUA não se tornaram menos racistas porque um negro foi eleito presidente da República, ou porque as cotas deram origem a gente como Thomas Sowell, Colin Powell e Condoleezza Rice. Em outras palavras, não devemos lutar por cotas raciais para que um dia tenhamos mais CEOs negros. Temos de lutar por cotas sociais para que possamos deslocar a classe dominante de lugares que ela julga lhes pertencer por direito divino. 

 

"Que a pobreza atinge "preferencialmente" negros deveria ser bastante óbvio num país em que a maioria da população é negra. Daí decorrem as "diferenças na inserção", e não do fato de que esta é seletiva por cores. Esta seletividade - que sim, existe e tem que ser exposta para que possamos combatê-la - é instrumentalizada de forma a mascarar a questão de classe, apresentando-a como uma questão de raça. O que conduz à tese de que se resolvermos o problema do racismo, estaremos resolvendo a questão de classe."

 Você colocou muito bem, Luiz. Está perfeito, é exatamente isso o que acontece: Uma falácia.

 

"Não tem funcionado dessa forma em lugar nenhum do mundo. Os EUA não se tornaram menos racistas porque um negro foi eleito presidente da República, ou porque as cotas deram origem a gente como Thomas Sowell, Colin Powell e Condoleezza Rice. Em outras palavras, não devemos lutar por cotas raciais para que um dia tenhamos mais CEOs negros. Temos de lutar por cotas sociais para que possamos deslocar a classe dominante de lugares que ela julga lhes pertencer por direito divino." 

A grande diferença entre eles e os brasileiros é que nos estados unidos praticamente NÃO HOUVE MISCIGENAÇÃO. Houve imigração, mas não houve a miscigenação.  Lá sim a coisa está bem dividida. Lá quem não é preto é branco.  Já, aqui a coisa muda de figura. Aqui houve uma grande miscigenação, não só de duas etnias, mas de três a princípio e, posteriormente, com o início das imigrações no final do século XIX a miscigenação tomou proporções nunca antes verificas em outros países: Uma mistura de muitas etnias. No mundo não houve em nenhuma outra região, experiências étnicas tão diversificadas e tão intensas como no Brasil.

E podemos nos assegurar que o único motivo deste país, após  500 anos, ainda manter as mesmas fronteiras, num território com dimensões continentais, falando o mesmo idioma, só pode ser a miscigenação.

Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram milhares de tribos e cada uma delas falando um dialeto deferente da outra. O território era um verdadeiro campo de guerra tribal. O canibalismo era comum a muitas tribos.

A escravidão de negros não era uma prática exclusivamente de brancos. Negros alforriados possuíram escravos e muitos se tornaram negociantes de escravos.

Os imigrantes brancos que começaram chegar a partir do final do século XIX, que hoje, já miscigenados, constituem a maior parte da população do Sul e Sudeste, que são os Estados mais populosos,  NUNCA escravizaram negros no Brasil e nem em qualquer outro lugar.

Italianos, alemães, lituanos, yugoslávos, búlgaros, libaneses, judeus, japoneses, e muitos outros.

Por isso quando eroneamente se fala em dívida social de um lugar para outro, ou de uma etnia para outra, por causa da escravidão, há que se refletir bem os fatos para não incorrer numa tremenda injustiça.

É isso aí pessoal! 

 

Calma que há dados escondidos. Acho que o passado pelos os seus ancestrais,  negro quando melhora de vida tende a ser mais lutador pelas melhorias dos demais. Um dado ainda obscuro é que, por exemplo, negro cotista em curso de medicina tende estudar mais o que será útil em posto médico da periferia, ao invés dos demais que tende mais querer medicina estética e  coisa do genéro que rende muita grana e emprego em clínicas de luxo. É fato que isso ainda não se reflete no currículo ao ponto de haver diferenciação, mas secretarias como essa existem exatamente para estudar esses casos e construir essas diferenciações atuando em conjunto com o MEC e outras instâncias governamentais. 

 

 

ERRADA!!!! Cota não é mais coisa de universidade pública querer o não. É uma necessidade para própria subrevivência e exigência da moralidade pública. Posto que, todos os estudos científicos provam que cotista não tem rendimento acadêmico inferior aos demiais e o futuro impõe que universidades pública priorize radicalmente os melhores. Casos, como da UnB/Unicamp mostram que essas teriam qualidades cerca de 20% superior ao que apresentam hoje, caso fosse tivesse todas as suas vagas preenchidas só por aluno da  rede pública. Além disso, os dados do ENADE provam que rede privada, via ProUni e outros programas de financiamento, gradua com qualidade não inferior as pública e, portanto, não há prejuízo algum se cota em pública for 100%.

 

Isso de classificar cotas raciais como "exigência da moralidade pública" é forçar a barra, no mínimo!

 

{A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra.]

 Já começo a turma da Dilma querendo derrubar o que Lula fez. Eram cerca de 30 milhões, Lula acabou com mais de 22 milhões e, portanto, resta uma quantidade residual de miseráveis apenas. Além disso, o governo Lula criou oportunidades fabulosas para qualquer um que quiser até ficar milionário. E é direito que algum nem queira tentar isso.