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Dívida pública não é a grande ameaça para setor bancário

Da Carta Maior

2007-2012: seis anos que abalaram os bancos

O cenário repetiu-se pelo menos trinta vezes na Europa e nos EUA desde 2008: os poderes públicos estiveram sempre (e sistematicamente) ao serviço dos bancos privados, financiando o seu resgate através do endividamento público. Contrariamente ao discurso dominante, a principal ameaça para os bancos não é a suspensão do pagamento da dívida de Estados. Desde 2007, nenhuma das falências bancárias foi causada por essa falta de pagamento. Primeira parte do artigo "Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado!", de Eric Toussaint.

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Do texto: "Desde 2007 o que ameaça os bancos são as dívidas privadas que os bancos foram gradualmente fomentando devido à grande desregulação iniciada em finais dos anos setenta e concluída nos anos noventa."

Haja crédito fácil, agora assumam as conseguências.

Mas, a verborragia do economês "mainstream" massificada pela grande mídia já impregnou as mentes de que a culpa deste abismo é do governos.

"Segurança jurídica" só para os do andar de cima e nunca para os de baixo, menos Estado para defender os direitos essenciais do ser humano, e mais Estado para cobrir os erros e rombos da irresponsabilidade empresarial.

E viva os termos massificados na defesa do modelo e vastamente utilizados inclusive por governos que se dizem de esquerda:

"Austeridade", "ajustamento estrutural", "reforma", ...

Outras expressões:

"Disciplina de mercado" – Este eufemismo visa, sobretudo, à condição de despedirem trabalhadores e intimidar os empregados remanescentes para maior exploração e excesso de trabalho, produzindo, portanto, mais lucro por menos pagamento. Ela também cobre a possibilidade dos neoliberais de elevarem seus lucros cortando os custos sociais, tais como proteção ambiental e do trabalhador, cobertura de saúde e pensões.

"Mercado livre" – Um eufemismo que implica “competição livre, justa e igual em mercados não regulados” encobrindo a realidade da dominação do mercado por monopólios e oligopólios dependentes de maciços salvamentos do Estado em tempos de crise. "Livre" refere-se especificamente à ausência de regulamentações públicas e intervenção do Estado para defender a segurança dos trabalhadores bem como a do consumidor e a proteção ambiental. Por outras palavras, "liberdade" mascara a destruição desumana da ordem através do exercício desenfreado do poder econômico. "Mercado livre" é o eufemismo para o domínio absoluto de neoliberais sobre os direitos e meios de vida de milhões de cidadãos, na essência uma verdadeira negação da liberdade.

"Recuperação econômica" – Esta frase significa a recuperação de lucros pelas grandes corporações. Ela disfarça a ausência total de recuperação de padrões de vida para as classes trabalhadora e média, a reversão de benefícios sociais e as perdas econômicas de detentores de hipotecas, devedores, os desempregados e proprietários de pequenos negócios em bancarrota. O que é encoberto na expressão "recuperação econômica" é a pauperização em massa que se torna uma condição chave para a recuperação de lucros corporativos.

"Privatização" – O termo descreve a transferência de empresas públicas, habitualmente aquelas lucrativas, para o setor privado a preços bem abaixo do seu valor real, levando à perda de serviços públicos, emprego público estável e custos mais elevados para os consumidores pois os novos proprietários privados elevam preços e despedem trabalhadores – tudo em nome de outro eufemismo: "eficiência".

"Eficiência" – Este termo é usado para maquiar as privatizações. Frequentemente, responsáveis públicos, que estão alinhados com neoliberais, diminuem os investimentos deliberadamente em empresas públicas e nomeiam compadres políticos incompetentes como parte da política clientelista, a fim de degradar serviços e fomentar o descontentamento público. Isto cria uma opinião pública favorável a "privatização" da empresa. Por outras palavras, a "privatização" não é um resultado das ineficiências inerentes das empresas públicas, como os neoliberais gostam de argumentar, mas um ato político deliberado destinado ao ganho do capital privado à custa do bem-estar público.

Conclusão 
Linguagem, conceitos e eufemismos são armas importantes usadas pelos senhores do andar "de cima" concebidos por jornalistas e economistas capitalistas para maximizar a riqueza e a eficiência do neoliberalismo. Na medida em que críticos progressistas e de esquerda adotam estes eufemismos e seu quadro de referência, as críticas e alternativas que propõem são limitadas pela retórica do sistema.

Releitura do artigo: A política da linguagem e a linguagem da regressão política de James Petras

Do Post:  "A retórica do economês"

 

 

Pois é. Na hora em que mudam regras de previdência dos trabalhadores, aí nao é preciso "segurança jurídica"... Isso só vale para os de cima.