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Em NY, manifestante 'corneta' Fox

Atualizado às 18:14

Por marcio de POA

Vídeo fantástico de um repórter da FOX entrevistando um dos ativistas do Occupy Wall Street. Algum dos feras em inglês aqui do blog pode colocar legenda nesse vídeo?? Ele vai bombar muito na rede, aguardem e verão!!!

Por morales

A informalidade da linguagem e a falta de contexto de algumas referências dificulta um pouco a tradução, mas vamos lá (outros que dominam o inglês, aí, Ivan Moraes, me corrijam):

Fox: A Jesse, então, Ray, sua parceira, aqui, sua...

Ray: Camarada.

Fox: Sua colega, ela viu os protestos, na Grécia e na Europa e em outros lugares. Vocês tomaram a ideia a partir disso? Vocês estão querendo mencionar, com certeza, que houve muita tensão, pra não dizer atividade policial. Eu soube que, durante o fim de semana, houve mais de 100 prisões e vocês fizeram as coisas esquentarem. Vocês estão pegando a sugestão do movimento internacional e como vocês querem ver isso? Se vocês pudessem fazer a coisa da maneira mais perfeita, como seria?  

Jesse: Bem, não sei, é bem difícil responder questões que apontam para essas conclusões. Eu diria que nós não pegamos nenhuma dica a partir de ninguém realmente. Se tornou um movimento mais espontâneo. Quanto a imaginar como isso vai acabar, eu não gostaria de ver isso acabar. Eu gostaria que a discussão continuasse. Isso é o que deveríamos estar debatendo, em 2008, quando a economia ruiu. Nós, simplesmente, remendamos o buraco no pneu e dissemos: vamos embora com o carro. Infelizmente, é engraçado falar para a máquina de propaganda e para a mídia, especialmente as redes conservadoras como a sua, porque nós descobrimos que não dá para fazer a discussão sobre a investigação do Departamento de Justiça, que está ocorrendo, em relação à News Corporation, que é para quem você trabalha. Mas, com certeza, podemos fazer perguntas, você sabe, de por que os pobres estão fazendo luta de classes? Depois de 30 anos de queda de nosso padrão de vida, enquanto o 1% mais rico tem estado melhor do que nunca, creio que chegou a hora para alguma, talvez, não sei, participação em nossa democracia que não seja dependente das câmeras de televisão e de senhores como você.  

Fox: Mas, ãh, bem, sim, deixe-me desafiá-la, Jesse.

Jesse: Claro.

Fox: Estamos, agora, dando a você a oportunidade, para registro, […] de colocar a mensagem que você quiser, dar a você uma cobertura justa e não vou, de nenhuma maneira...

Jesse: Isso é espantoso!

Fox:…lhe dizer o que falar. Então, se trata de uma exceção, porque vocês não teriam como propagar a sua mensagem sem nós.

Jesse: Não, com certeza, eu quero dizer, veja o caso do Glenn Beck fazendo seu protesto e chamando o presidente de, ãh, uma pessoa que odeia brancos e a cultura dos brancos. Esse foi um momento baixo da história dos EUA e vocês, de certa maneira, tiveram uma grande parte nisso. Então, fico feliz de ver vocês voltando atrás e, de certa maneira, prestando atenção ao que 99% dos estadunidenses estão prestando atenção em vez de nos extremistas da direita, que adorariam, simplesmente, destruir completamente a classe média.

Fox: Tá bem, é justo. Vocês têm a palavra, uma razão importante para me criticar, minha empresa e qualquer um. Mas me deixem perguntar, para ser justo, este governo, o presidente Obama, vocês têm alguma crítica quanto à situação financeira em que o país está?

Jesse: Eu, por mim, penso que, ãh, assim como muitas outras pessoas, gostaríamos de ver um pouco mais de justiça econômica ou justiça social - Jesus! Coisas assim - como alimentar os pobres, assistência médica para os doentes. Veja você, eu acho muito engraçado que as pessoas adoram segurar a Carta de Direitos, enquanto gritam contra soldados gays, mas não conseguem entender a ideia de que um sistema de saúde baseado na busca do lucro não funciona. Então, vamos encarar isso desta maneira: se queremos que o presidente faça mais, vamos falar com ele em um nível que realmente atinja as pessoas em vez de pedir sua certidão de nascimento ou perder tempo em completas bobagens como Solyndra.

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Tão interessante quanto o vídeo são os comentários no YouTube. É impressionante como os americanos tem pavor de qualquer coisa que se defina como " programas sociais ". A turma da Veja também está por lá vendo comunistas atrás da porta...

 

"Occupy Wall Street"

A frase do cartaz é impagável:

"Ninguém é mais completamente escravizado do que aquele que acredita falsamente ser livre". (Goethe).

Re: Em NY, manifestante 'corneta' Fox
 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

hahaha Excelente vídeo!

Lá na terra do tio Bush o pessoal mais politizado chama a Fox News carinhosamente de "Fucks News"...

 

"Fucks youse"?

Eh o apelido "carinhoso" deles que eu conheco(:-)

 

Essa foto do link que o Marco postou eh fantastica!  O que esta escrito:

"So chama "guerra de classes" quando os pobres resistem".

Re: Em NY, manifestante 'corneta' Fox
 

 

Lá como cá ou cá como lá...

Imprensa popular de NY chama os protestantes da #OcuppyWallSrteet de "Shit" por atrapalharem o trânsito na cidade. Uma assinatura gratuita da FoxNews para quem acertar o nome do dono do jornaleco....

NY Post headline calls protesters ‘shit’

1

 

Esta foto é muito boa especialmente pelo enquadramento de um estrutura antiga e forte (a ponte que é um dos símbolos de NY) corroída pela ferrugem, como se estivesse pronta para ruir a qualquer momento pelo peso dos protestos.

 

O entrevistado se chama Jesse LaGreca e ele tem um blog em http://ministryoftruth.dailykos.com/

Essa entrevista não foi levada ao ar pela FOX, mas foi filmada pelo pessoal da #OccupyWallSreet

O que foi dito em inglês foi isso aqui:

Fox: Jesse, so Ray, your partner here, your ..

Ray: comrade.

Fox: Your colleague, she’d seen the protests in Greece and Europe and elsewhere. Did you guys take your cue from that? Are you hoping to cite certainly what was a lot of the tension, if not police activity. I know over the weekend there were over 100 arrests and you guys got things fired up. Are you taking your cues from the international movement and how do you want to see this? If you could have it in a perfect way, how would it be?

Jesse: Well I don’t know, its really difficult to answer questions leading to those conclusions. I’d say that we didn’t take our cue leading off of anybody really. It became a more spontaneous movement. As far as seeing this end, I wouldn’t like to see this end. I would like to see the conversation continue. This is what we should have been talking about in 2008 when the economy collapsed. We basically patched a hole on the tire and said let the car keep rolling. Unfortunately it’s fun to talk to the propaganda machine and the media especially conservative media networks such as yourself, because we find that we cant get conversations for the department of Justice’s ongoing investigation of News Corporation, for which you are an employee. But we can certainly ask questions like you know, why are the poor engaging in class warfare? After 30 years of having our living standards decrease while the wealthiest 1% have had it better than ever, I think it’s time for some maybe, I don’t know, participation in our democracy that isn’t funded by news cameras and gentlemen such as yourself.

Fox: But, uh, yeah well, let me give you this challenge Jesse.

Jesse: Sure.

Fox: We’re here giving you an opportunity on the record […] to put any
message you want out there, to give you fair coverage and I’m not
going to in any way

Jesse: That’s awesome!

Fox:…give you advice about it. So, there is an exception in the case, because you wouldn’t be able to get your message out there without us.

Jesse: No, surely, I mean, take for instance when Glenn Beck was doing his protest and he called the President, uh, a person who hates white people and white culture. That was a low moment in Americans’ history and you guys kinda had a big part in it. So, I’m glad to see you coming around and kind of paying attention to what the other 99 percent of Americans are paying attention to, as opposed to the far-right fringe, who who would just love to destroy the middle class entirely.

Fox: Alright, fair enough. You have a voice, an important reason to criticize myself, my company and anyone else. But, let me ask you that, in fairness, does this administration, President Obama, have any criticism as to the the financial situation the country’s in…?

Jesse: I think, myself, uh, as well as many other people, would like to see a little but more economic justice or social justice—Jesus stuff—as far as feeding the poor, healthcare for the sick. You know, I find it really entertaining that people like to hold the Bill of Rights up while they’re screaming at gay soldiers, but they just can’t wrap their heads around the idea that a for-profit healthcare system doesn’t work. So, let’s just look at it like this, if we want the President to do more, let’s talk to him on a level that actually reaches people, instead of asking for his birth certificate and wasting time with total nonsense like Solyndra.

 

 

E em português, o que foi dito?

 

A informalidade da linguagem e a falta de contexto de algumas referências dificulta um pouco a tradução, mas vamos lá (outros que dominam o inglês, aí, Ivan Moraes, me corrijam):

Fox: A Jesse, então, Ray, sua parceira, aqui, sua...

Ray: Camarada.

Fox: Sua colega, ela viu os protestos, na Grécia e na Europa e em outros lugares. Vocês tomaram a ideia a partir disso? Vocês estão querendo mencionar, com certeza, que houve muita tensão, pra não dizer atividade policial. Eu soube que, durante o fim de semana, houve mais de 100 prisões e vocês fizeram as coisas esquentarem. Vocês estão pegando a sugestão do movimento internacional e como vocês querem ver isso? Se vocês pudessem fazer a coisa da maneira mais perfeita, como seria?  

Jesse: Bem, não sei, é bem difícil responder questões que apontam para essas conclusões. Eu diria que nós não pegamos nenhuma dica a partir de ninguém realmente. Se tornou um movimento mais espontâneo. Quanto a imaginar como isso vai acabar, eu não gostaria de ver isso acabar. Eu gostaria que a discussão continuasse. Isso é o que deveríamos estar debatendo, em 2008, quando a economia ruiu. Nós, simplesmente, remendamos o buraco no pneu e dissemos: vamos embora com o carro. Infelizmente, é engraçado falar para a máquina de propaganda e para a mídia, especialmente as redes conservadoras como a sua, porque nós descobrimos que não dá para fazer a discussão sobre a investigação do Departamento de Justiça, que está ocorrendo, em relação à News Corporation, que é para quem você trabalha. Mas, com certeza, podemos fazer perguntas, você sabe, de por que os pobres estão fazendo luta de classes? Depois de 30 anos de queda de nosso padrão de vida, enquanto o 1% mais rico tem estado melhor do que nunca, creio que chegou a hora para alguma, talvez, não sei, participação em nossa democracia que não seja dependente das câmeras de televisão e de senhores como você.  

Fox: Mas, ãh, bem, sim, deixe-me desafiá-la, Jesse.

Jesse: Claro.

Fox: Estamos, agora, dando a você a oportunidade, para registro, […] de colocar a mensagem que você quiser, dar a você uma cobertura justa e não vou, de nenhuma maneira...

Jesse: Isso é espantoso!

Fox:…lhe dizer o que falar. Então, se trata de uma exceção, porque vocês não teriam como propagar a sua mensagem sem nós.

Jesse: Não, com certeza, eu quero dizer, veja o caso do Glenn Beck fazendo seu protesto e chamando o presidente de, ãh, uma pessoa que odeia brancos e a cultura dos brancos. Esse foi um momento baixo da história dos EUA e vocês, de certa maneira, tiveram uma grande parte nisso. Então, fico feliz de ver vocês voltando atrás e, de certa maneira, prestando atenção ao que 99% dos estadunidenses estão prestando atenção em vez de nos extremistas da direita, que adorariam, simplesmente, destruir completamente a classe média.

Fox: Tá bem, é justo. Vocês têm a palavra, uma razão importante para me criticar, minha empresa e qualquer um. Mas me deixem perguntar, para ser justo, este governo, o presidente Obama, vocês têm alguma crítica quanto à situação financeira em que o país está?

Jesse: Eu, por mim, penso que, ãh, assim como muitas outras pessoas, gostaríamos de ver um pouco mais de justiça econômica ou justiça social - Jesus! Coisas assim - como alimentar os pobres, assistência médica para os doentes. Veja você, eu acho muito engraçado que as pessoas adoram segurar a Carta de Direitos, enquanto gritam contra soldados gays, mas não conseguem entender a ideia de que um sistema de saúde baseado na busca do lucro não funciona. Então, vamos encarar isso desta maneira: se queremos que o presidente faça mais, vamos falar com ele em um nível que realmente atinja as pessoas em vez de pedir sua certidão de nascimento ou perder tempo em completas bobagens como Solyndra.

 

Morales, sua traducao esta superba e reflete precisamente o que acontece na entrevista:

1--A primeira pergunta foi mesmo a respeito de os arabes estarem atraz do movimento popular novayorkino.  A proxima imagen seria de um turbante qualquer se Jesse tivesse dito sim.

2--A segunda realmente um aviso ao entrevistado que se Jesse nao falasse o que o reporter queria ouvir ele nao seria televisado --que foi o que aconteceu.

3--A terceira realmente foi a respeito de culpar a administracao Obama pela economia.  A Fox nao se enxerga.

4--O reporter, inexperiente em fala, diccao, entrevista, e ate em segurar microfone --mas nao em ideologia  foxiana-- nao tem futuro na Fox se deixando ser filmado por terceiros numa entrevista que jamais ira ao ar --o nome dele eh Emilio Verde, suponho...  Sendo excelentemente bonzinho, dou dois meses de duracao adicionais pro emprego dele.

5--O entrevistado ja revirou aquilo na cabeca um milhao de vezes, o que o faz um mau ator (nao eh que ele eh mau ator, eh que falando ou escrevendo ele ja deve ter repetido as mesmas coisas um milhao de vezes antes --eh mais ou menos como ver entrevista com qualquer pessoa da familia de Michael Jackson).  Porem, isso o faz um dragao perto do gasparzinho reporter.  Foi uma briga entre desiguais e desigualmente armados lados e o entrevistado ganha disparado.  Nao que eu teria pena...  Ah, e como nao teria...

 

Hehehehehehehehehehe

 

Dois detalhes simbólicos:

- o uso da expressão "comrade", camarada, companheiro, tão cara à esquerda tradicional histórica (anarquista, socialista em geral, comunista) pelos manifestantes, o que pode significar um reatamento, um resgate das tradições históricas de luta;

- a recusa do repórter em legitimar esse uso, ao substituir o "comrade" que Ray usa pelo "colleague", colega.

 

Valeu Morales!! A Tradução ficou muito boa! Parabéns!

Essa movimentação além das ruas americanas também está na internet em sites como esse aqui:

http://wearethe99percent.tumblr.com/

Parece que os  99% começam a acordar...

 

#occupywallstreet

 

É por aí !!

Att.

Martin

 

"...Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim. Viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios.

A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais.

Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas..." (Tim Jackson)

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111003_capitalismo_tim_jackson_rw.shtml

 

Nassif,

Data venia, merece ser transformada em post.