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Europa flerta mais uma vez com a extrema direita

Por Assis Ribeiro

Europa se inclina ao nacionalismo

Por WSJ

A situação política europeia agitou brevemente os mercados financeiros na segunda-feira, mas parece que os investidores já estão ignorando o problema na terça.

Eles não deveriam. A inclinação do eleitorado europeu para partidos radicais, especialmente de direita, representa um desvio colossal do ideal de uma Europa unificada, e um retorno aos interesses nacionais exclusivos — que estão fadados a continuar até despedaçar tanto o euro como a União Europeia.



A Europa funcionou enquanto cada um ganhava alguma coisa em troca de nada. Na maior parte dos primeiros dez anos do euro, a Alemanha e outros países do núcleo da UE, sobretudo do norte do continente, ganharam mercados de exportação insaciáveis na periferia do bloco, o que lhes permitiu crescer através de um boom do comércio exterior.

Pelo seu lado, os países da periferia ganharam dinheiro grátis: juros ao estilo alemão que lhes permitiram entrar em farras de empréstimos, com a consequente sensação agradável da subida rápida dos salários reais. Graças a estes, o público passou a comprar produtos alemães de alta qualidade que a geração anterior só podia sonhar em possuir.

Para a zona do euro funcionar da maneira como foi concebida, seria necessário haver enormes transferências fiscais. É uma ideia amplamente aceita, pelo menos entre os economistas, que uma união monetária não pode funcionar sem vínculos fiscais muito mais estreitos.

Mas os países do núcleo não estão felizes com isso. O governo holandês não caiu só porque os parceiros da coalizão discordaram sobre como, ou mesmo se, deveriam implementar um programa de austeridade. Eles também questionaram porque os contribuintes holandeses deveriam subsidiar os gregos, espanhóis e portugueses, quando seu próprio padrão de vida está sendo atingido.

Claro que há uma minoria substancial que espera que o Banco Central Europeu imponha uma transferência fiscal camuflada. Ele faria isso cobrindo os déficits de toda a periferia através da compra de títulos de dívida desses governos, quer diretamente ou através de intermináveis injeções de liquidez no setor bancário.

Isso, no final, seria inflacionário para a Alemanha. O país já apresenta seu menor índice de desemprego dos últimos 20 anos. Se ainda não estiver com pleno emprego, está bem perto. E seus trabalhadores sabem disso. A IG Metall, grande sindicato dos metalúrgicos, recentemente rejeitou uma oferta de aumento salarial de 3% e está insistindo em 6,5%.

Um aumento da inflação alemã tenderia a aumentar a competitividade relativa da periferia. Mas a inflação na Alemanha seria tão destrutiva para a poupança do país como fazer transferências fiscais para esses países, ou mesmo perdoar suas dívidas.

Mas essa solução não deve ser popular por muito tempo. De fato, o pior resultado possível parece o mais provável: a Alemanha fica com uma taxa de inflação que provoca uma rebelião interna entre seus poupadores, mas não alta o suficiente para aumentar rapidamente a competitividade da periferia.

Não se sabe quanto tempo tem que durar a fase difícil até que os eleitores esqueçam por completo os benefícios passados do euro, mas uma recessão sem fim vai acabar provocando esse resultado. A política vai se radicalizar não só contra a moeda única, mas também contra a conspiração tecnocrática que forçou o euro goela abaixo do público sofredor.

Mas os eleitores não vão se voltar apenas contra Bruxelas. Os políticos vão insuflar o nacionalismo culpando outros países europeus. Os gregos já se voltaram contra os alemães e os espanhóis também estão se inclinando nessa direção. Os italianos têm posto a culpa do último capítulo da crise da zona do euro nos espanhóis. Os holandeses, finlandeses e alemães estão se perguntando, publicamente, que vantagem lhes trazem esses irresponsáveis países mediterrâneos.

Por fim, as pessoas passarão a ver a União Europeia como uma Babel moderna, onde, por algum tempo, o dinheiro foi a língua unificadora. E ela entrará em colapso com a mesma acrimônia da torre bíblica.

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Nem direita, nem esquerda, quem manda mesmo são os banqueiros que querem lucrar em TODAS as transações e põe o povo e a nação de quatro sem cerimonia.

http://thedailybell.com/3814/Spain-Bans-Cash

Spain Bans Cash Transactions Over 2,500 Euros ...Spain has outlawed the use of cash in business transactions in excess 2,500 euros in order to crack down on the black market and tax evaders. The motivations behind the push for digital currencies is exposed as Spain heads down the road of the Greeks in combating their sovereign debt crisis. As the government scrambles for every tax dollar it can get its hands on, even though they already gave every Spaniard $23,000 Euros in debt last year alone (approximately $32,500), they are now banning all large cash business transactions. Why? So they can track the transactions and make sure that people and business are paying taxes. Being able to track the transactions is also aimed to combat the growing black market in Spain. – Alexander Higgins' blog 

Dominant Social Theme: This cash has gotta go. It's evil.

Free-Market Analysis: They are not even making a pretense anymore that the West is run via market economies. As we have long predicted, the phony "sovereign debt" crisis in Europe is being used to justify all sorts of authoritarian measures.

It is government pols that gladly borrowed what European banks threw at them. And somehow the upshot earlier this week is that Spanish citizens now lose the right to conduct many transactions in cash.

Spectactularly, the reports such as this one, excerpted above, don't even both to hide the real point. The Spanish government wants to ensure that it can "track transactions and make sure that people and businesses are paying taxes."

Of course, anyone who has visited Spain of late knows that the tax burden in Spain is onerous indeed, and is one reason that the truculent tribes that have co-existed uneasily with Madrid are again beginning to beat the drums of secession.

The taxes that the central government levies on small businesses especially are verging on punitive. But there are no apologies. The official position is one of unflinching demands.

It is surely part of a larger meme having to do with a "cashless" society. Just recently the UK Telegraph asked "Is mobile the way we'll all be paying?" The answer, as can be expected, was a qualified yes, but issued in the predictable upbeat way.

The cashless society has been a much-mooted concept ever since consumer credit cards were widely introduced in the 1950s. Now it seems that “mobile money” is the new gold rush. The term – used to describe the way the mobile phone is used to pay for goods – yields no fewer than 126 million results on a Google search ... 

Market research firm Yankee Group believes that global mobile transactions will become a $1trillion market by 2015. While Berg Insight says there will be 894m worldwide users of mobile banking by the same year. Peter Ayliffe, chief executive of Visa Europe, who sits on the Monitise board, believes 50pc of all Visa transactions in Europe will be on a mobile device by 2020.

The top men are beginning to issue their predictions. The march to a cashless society has begun. Perhaps we owe Spain a debt of gratitude for revealing the REAL reason for a cashless society. It makes tax collecting so much easier.

But this is only part of the story. Taxes are certainly to be paid ... but the RESULTS of tax payments and the government expenditures they give rise to are seemingly more questionable every day.

In Spain this is certainly evident. The REAL problem that Spain faces as its depression spirals out of control is the infrastructure that politicos built over the past decade. Every small town has bike paths, outdoor parks and other unnecessary public venues that will soon prove, well ... unsupportable.

Gradually, the infrastructure sinks into disrepair, further exacerbating the loss of what was once gratifying. These expanding open sores in civic centers create additional dissonance. Spain has created public places everywhere with giddy exuberance. Soon it will be a kind of national "tragedy of the commons."

There is not much discussion of this plight, however. Most of the conversation centers around putting young people to work. Up to 50 percent of Spanish youngsters are out of work or can't find jobs and many of the rest live in fear that they will lose their positions.

There is now, in fact, starting to be a Diaspora of young people from Spain. Virtually all of South America speaks Spanish – and many countries are doing rather well. Argentina, especially, is attracting youngsters; Chile, too, presumably.

The cash ban is probably looked on by many in Spain as yet one more petty annoyance but these annoyances are piling up over time. When mixed in with the larger difficulty of the dysfunction of the Spanish economy, such issues can surely create an explosive situation. Here's more from the article:

Those who violate the ban will face fines of 25% of the payment made in cash. The Prime Minister, Mariano Rajoy, has announced on Wednesday that the plan to combat tax evasion on Friday approved the Cabinet prohibit the payment in cash transactions of over 2,500 euros and which at least involved a businessman professional.

During the control session the Government in the House of the Congress of Deputies and in response to a question about the tax amnesty made by the general coordinator of IU, Cayo Lara, the Prime Minister, has revealed that those who violate the ban will face fines of 25% of the payment made in cash.

The Government had already advanced the plan to combat fraud limitations include the use of cash for certain operations, although he had not yet specified which would place the threshold (yes at the time there was talk that it could be 1,000 euros for self-employed).

This measure aims to prevent the use of black money in commercial transactions and, in the case of companies, give them an obstacle to not resort to false invoices. The plan to combat fraud adopted on Friday, the Cabinet intends to raise up to 8.171 million euros in 2012.

We can see clearly the conflation between fraud and bad times. Of course, desperate people will do desperate things – and the "austerity" program that the Spanish government is following will only exacerbate matters.

To their credit, Spanish officials have generated some tax-forgiveness programs of late, but these, too, are proving controversial. Spanish politicos, like their counterparts elsewhere, are inclined to accept Brussels' dictates for "austerity" as the ultimate solution to the current mess.

But is it really so simple? As we have often pointed out, the elites running the Southern PIGS were basically bribed by Brussels money to bring their countries aboard the EU. Now that the EU is collapsing, these individuals are nowhere to be found. The citizens are faced with the bill – and with paying back the banks.

Increasingly, we believe, those trapped in this situation are well aware of their manipulation. What we call the Internet Reformation has made them well aware of their manufactured plight. At some point there will be serious repercussions.

This is what the power elite – a few dynastic families behind the EU and much of the world's globalist mischief – may not have entirely anticipated. We have to think that the EU takedown was created to further the aims of globalism. But those at the top did not take into account the dawning realizations that the Internet was capable of generating.

Now the trap has been sprung. The "sovereign debt crisis" is creating a larger globalist presence, puffing up the IMF and creating further EU integration. This was all part of the plan, no doubt.

The move to get rid of cash is also part of the larger plan, we're sure. The idea is for every transaction to be tracked and controlled. The mass of people is to be further disciplined and herded. Global government is to be the result

Conclusion: The mechanism is increasingly transparent. They hardly bother to hide it anymore. But here is our question: Do they believe that people cannot read ... or think? Do they believe people will hold their aggregate resentment in check forever? There seems to be a kind of baiting going on, and it may not end well.

 

Follow the money, follow the power.

Eu vejo como consequência esse avanço da extrema-direita.

Racismo é deplorável...mas defender a identidade nacional não tem nada de errado.

 

Ok, e depois que tudo tiver sido feito America Latina, Na Asia na Africa. Qual seria o proximo destino para manter o crescimento economico: "Marte", "Jupter" "Saturno" ?

Esta na hora de encarar o fato de que quando os  recursos e o  espaço  são finitos,não dá para contar com um crescimento infinito.

A coisa é bem simples, o mundo precisa saber conviver  e adminstrar situações  em que o consumo de determinados segmentos se  estabiliza ou decresce.

A capacidade de produção atual daria para todos viverem  satisfatoriamente bem  por um bom tempo se a distribuição fosse equilibrada e os valores não estivessem baseados numa cultura de status de consumo e de evolução tecnológica como um  fim  e não meio.

 

Isso esta muito longe de ser comunista, socialista é apenas uma questão de sobrivência apenas.

Na minha infancia na década de 80, fica dificil relembrar qual era o meu sonho de consumo.

A publicidade praticamente não atingia minha faixa etária, o que eu gostava de fazer é jogar bola, soltar pipa e ir a praia

com um cesto de frango recheado com farova .E as crianças com muito mais dinheiro do que eu não eram tão diferentes assim.

Nunca tive traumas de infancia por não possuir o tenis da moda, o tablet da moda, o brinquedo da moda etc...

Hoje as crianças já nascem com traumas de consumo desde os primeiros anos de vida... 

Não a planeta que suporte esse tipo de cultura...!

 

 

 

Quanto wishful thinking do WSJ !!!

 

 


Precisa ter uma paciência infinita.Mas vou tentar tê-la.


     Hollande,o socialista favorito, tem como discurso diminuir a aponsentaria de 62 anos pra 60.Aceita todos imigrantes de quaisquer paises- diga-se: os desnutridos.Assegura pros trabalhados uma carga menor de trabalho.


         M A R A V I L H O S O.


         Acontece que é impossível.A aposentadoria não aguenta aposentar quem tem 62 anos que dirá 60.Aceitar imigrantes desejosos de empregos numa França desempregada é discurso de político irresponsável..Assegurar uma cargo de trabalho menor do que já é, transcende o possível.


           Nos últimos anos ,com a crise, a Europa elegeu 12 governantes falastrões.12 capotaram no caminho.


         Alguma dúvida que Hollande será o 13?


            O cara é tão cavernoso que apela pra xenofobia que  a França não deveria ter.Depende.


            Vc, trabalhador de SÃO Bernardo do CAMPO, NASCIDO e criado aqui,perder seu emprego pra um franCês,polonês,holandês,ou ''caralhês'', tbm não ficaria invocado?


              Mas não fique.Porque será chamado de xenófobo.


        


               

 

"...imigrantes de quaisquer paises- diga-se: os desnutridos..."(Todos os imigrantes são, então, desnutridos? Isto é, o sujeito vai viver em outro país porque está literalmente passando fome ou não consegue nutrientes suficientes para sua alimentação!)

"Assegura pros trabalhados(sic)..."(Quem trabalhou os "trabalhados"? Em São Paulo, por exemplo, muitos miolos moles são "trabalhados" todos os dias pelos tucanos e seus comparsas da Globo, FSP, Veja e Estadão).

"A aposentadoria não aguenta aposentar..."(A aposentadoria de um cidadão foi quem o aposentou?)

"França desempregada..." (Quem desempregou a França?)

"...governantes falastrões..."(Quais? Dois, pelo menos, ficaram famosos: Sarkozy e Berlusconi.)

"O cara é tão cavernoso que apela pra xenofobia que  a França não deveria ter."  (O Hollande é que está apelando para xenofobia? Ótima interpretação do noticiário internacional. Basta vo ler o jornaleco "El País", deste domingo, agora de direita e porta-voz do Departamento de Estado ianque,  para constatar a tremenda bobagem que você escreveu.) 

'franCês,polonês,holandês,ou ''caralhês''...'  (dispenso comentário).

 

"anarquista sério", né? Então, tá!

 

Sério, anarquista sério(?)?

Mas devo concordar é preciso ter uma paciência infinita.

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

 Ando exercitando a minha paciência. De vez em quando dedico um pouquinho dela para o "anarquista sério" (ANARQUISTA???????????).

 

Fala a verdade... você é seguidor da miriam leitão, não é?

 

Faz parte da história deles, foi assim na grande crise da década de XX, que ajudou a  promover   uma legião de tiranos  que deram vazão mais tarde a  II Guerra.  Lá, quando a coisa aperta eles colocam  um doido disposto a  impludir tudo para depois construir do  Zero. Esperem a coisa se agravar na Inglaterra e na Alemanhã para voces verem onde tudo vai parar...!

 

Os países periféricos da Europa não têm muitas opções. O apelo nacionalista de direita é uma desculpa para velhos grupos assumir o poder.

Numa economia global, pela falta de capacidade industrial, mercado interno, etc., esses países deverão apenas servir de base para alguma pirâmide: aquela representada pelo Euro (com Alemanha e França no topo) ou da pirâmide tradicional do Dólar.

Pela redução de espaço e de matérias primas, serão agora o Japão e os tigres asiáticos que irão gradativamente entregando as pontas. O futuro pertence á China, Rússia e com toda certeza ao Brasil e os seus vizinhos da América latina, onde, justamente porque falta tudo por fazer é apaixonante o caminho que estamos seguindo para o futuro.

 

O problema da União Européia é que os países possuem união monetária mas cada país pratica sua própria política fiscal. Os países periféricos não conseguem exportar e ainda se batem com uma inundação cada vez maior de produtos industrializados oriundos da Alemanha e da França, destruindo o parque industrial dos mesmos e precarizando as relações de trabalho. Para os países periféricos, seria mil vezes melhor não fazer parte da Zona do Euro. Esse é o impasse que dá origem a bomba relógio que está prestes a explodir. Os fascistas tem uma longa tradição na Europa de recuperação das economias nacionais (vide Mussolini e Hitler). Numa economia combalida, o discurso fascista sempre soa bem aos ouvidos dos desesperados...

 

Diogo Costa