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FBI investiga as operações do JPMorgan

De Opera Mundi

FBI investiga prejuízo de US$2 bi em operações de risco do JPMorgan

Para presidente do Federal Reserve, caso pode levar a reforma do sistema financeiro dos EUA

O FBI (Polícia Federal dos EUA) instaurou nesta terça-feira (15/05) um inquérito para investigar a suposta distorção dos cálculos de operações de alto risco pelo banco de investimentos JPMorgan Chase & Co. Após anunciar prejuízo de dois bilhões de dólares, a corporação foi acusada pelo Federal Reserve de fraudar a metodologia de seus investimentos em derivativos, isto é, contratos futuros de compra e venda de ativos.

Na última quinta-feira (10/05), a cúpula do banco de investimentos já havia se reunido no Estado da Flórida para prestar contas a acionistas sobre o rombo da instituição. Nessa mesma semana, a Comissão de Segurança e Câmbio do Federal Reserve inauguraria uma investigação sobre os supostos procedimentos irregulares de contabilidade empregados pela companhia.

No início de abril, Jamie Dimon, chefe do Departamento de Investimentos do JPMorgan, já tentava acalmar as suspeitas levantadas pela imprensa norte-americana sobre os prejuízos de sua empresa, alegando que tudo não passava de “uma tempestade num copo d’água”. Durante o encontro anual de acionistas, contudo, o tom de suas revelações foi mais sóbrio e o executivo confessou que o banco cometeu “erros escandalosos” sob sua administração.

A investigação do FBI pretende examinar as mudanças adotadas pelo JPMorgan nos cálculos de suas operações com derivativos, contratos futuros de alta volatilidade. Existe a suspeita de que essas alterações maquilaram os elevados riscos característicos desse tipo de aplicação financeira.

Agência Efe

 

Ação Disciplinar

Durante o encontro na Flórida, Dimon recebeu o apoio dos acionistas do JPMorgan, que votaram em favor da manutenção das atribuições pelas quais o executivo já é responsável. Ele aproveitou a oportunidade para garantir aos sócios que reforçará as ações disciplinares sobre os responsáveis pelo prejuízo. Em entrevista coletiva, após a reunião, ele disse que o banco "tomará as decisões certas, que incluirão, muito provavelmente, restituições" aos seus sócios.

Nesta segunda-feira (14/05), o JPMorgan confirmou a demissão da diretora de investimentos Ina Drew. Em comunicado, Dimon partiu em defesa da executiva, alegando que, apesar das recentes perdas na divisão de investimentos, "Ina prestou enorme contribuição à companhia e não deveria se envergonhar do ocorrido".

Dennis Hong, diretor da Altimeter Capital, uma das maiores corretoras dos EUA, conversou com o portal norte-americano Huffington Post e disse que todas essas suspeitas afetam sua “opinião sobre toda a indústria financeira". Responsável pelo gerenciamento de 250 milhões em fundos de clientes, considera o caso extremamente "chocante, porque o JPMorgan é conhecido como um dos bancos mais conservadores em termos da administração de seus negócios de risco".

Reforma financeira

Em um evento patrocinado pela Peterson Foundation, instituição que pleiteia reformas fiscais nos EUA, o secretário do Tesouro do país, Timothy Geithner, disse que os prejuízos provocados pela suposta ingerência do JPMorgan reforçam a necessidade de uma profunda modificação do sistema financeiro norte-americano.

"Eu penso que a falha na administração de ativos de risco representa um caso muito poderoso em favor de uma reforma financeira", disse. Analisando o que seria um contexto crucial para esse tipo de mudança macroeconômica, propôs que todos se questionassem se “essas falhas de instituições privadas colocam em risco a economia mais ampla, o sistema financeiro ou os contribuintes do país".

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Esse tal Mercado de Derivativos é uma coisa tão complexa que até os especialistas não conseguem entender.


Claro que essa "complexidade" dá margem a todo tipo de especulação e trambicagens, como aconteceu com o sistema imobiliário americano.


Os governos, digo, os políticos,  na maioria patrocinados pelo Mercado Financeiro não querem regular esse mercado para torna-lo mais transparente e fiscalizado.


Depois de explodirem a economia mundial jogando-a na recessão e no desemprego ainda tem força suficiente para se manterem longe do controle político.


Eles podem fazer todas as operações de alto risco porque sabem se ocorrer uma crise, os governos estão ai para salva-los, principalmente depois que foi criado o conceito do "tão grande que não pode quebrar", fruto da globalização e da enorme concentração de empresas e Bancos.


Não vejo o chamado "Poder Político" com força suficiente para controlar essa Besta do Apocalipse conhecida como Mercado Financeiro Internacional, a não ser que ocorra uma catástrofe que obrigue o povo a tomar as rédeas da situação.

 

O documentário INSIDE JOB (trabalho interno) explica direitinho o inicio dessa crise, quando o Citibank juntou-se com o Travells e formaram o maior grupo financeiro do mundo, o Citigroup, até a crise de 2008.

Como o sistema financeiro americano se "auto-regulou"... e como o sistema financeiro corrompeu as agencias reguladores criando um ambiente promiscuo e corrupto entre publico e privado.

Recomendo...

 

"Derivativo" é um eufemismo para trambicagem. Enquanto for permitida a negociação de produtos às vezes tão esdrúxulos que nem seus negociadores entendem muito bem, a banca vai continuar fazendo a festa, e o contribuinte vai continuar cobrindo os rombos, mesmo que indiretamente.

 

http://c0403731.cdn.cloudfiles.rackspacecloud.com/collection/papers/1910...

Nenhuma novidade. Há exatamente CEM ANOS o Congresso dos EUA fez uma profunda investigação sobre o chamado MONEY TRUST. O alvo era o banqueiro John Pierpont Morgan, o mesmo que empresta o nome ao banco J.P.Morgan Chase de hoje.

Era a chamada Comissão Pujo, nome do Deputado que pediu a investigação. John Pierpont Morgan não era somente o maior banqueiro dos EUA naquela época, a familia operava dos dois lados do Atlantico, em Londres a casa era Morgan Grenfell, o banco de investimentos era o Morgan Stanley, ambos ramificações do mesmo grupo, que patrocinou a criação de grandes conglomerados como a U.S.Steel, a International Nickel, a INCO, hoje da nossa Vale, a International Merchant Marine, a Alcan, a American Sugar, a American Smelting and Refining, mas Morgan não era a unica potencia financeira da Era dos Trusts. Contrapondo-se a seu poder estava John Rockefeller e seu grande grupo da Standard Oil, que tambem controlava dois bancos de Nova York, o First National City Bank of New York, presidido por James Stillman Rockefeller e o Chase National Bank, presidido por John Rockefeller Jr. Outra potencia era Andrew Mellon, de Pittsburgh, controlador da Alcoa, a maior empresa de aluminio do mundo na epoca, da Gulf Oil e do Mellon National Bank, Andrew Mellon foi Secretario do Tesouro por muitos anos.

Mas o banqueiro John Pierpont Morgan simbolizava o Money Trust mais por sua influencia e prestigio do que pela sua fortuna, que nunca foi tão grande como a dos Rockefeller e Mellon.

Se em 1912 já era o chefe do Money Trust, a ponto de provocar uma CPI no Congresso, seu papel foi muito maior na Primeira Guerra Mundial, quando teve o monopolio da emissão dos Bonds birtanicos nos EUA, para financiar o esforço de guerra do Reino Unido, que lutou de 1914 a 1917 sem apoio dos EUA,  entraram na guerra quase no final. Morgan emitiu US$5 bilhões de dolares em emprestimos para a Inglaterra, valor que hoje corresponderia a mais de US$500 bilhões. Suas comissões foram imensas e gerou nova investigação do Congresso.

Morgan era poderoso mas tambem pitoresco, personagem de centenas de piadas. Quando uma convidada em uma de suas magnificas festas perguntou quando custava a manutenção de seu famoso  iate Corsair, Morgan respondeu " Se eu precisasse me preocupar com isso nem poderia ter o iate". Outra famosa, quando viajou junto com o irascivel Andrew Carnegie, que lamentava a venda da sua Carnegie Steel à Morgan, para forma a U.S.Steel, Carnegie resmungava que vendeu barato, 500 milhões de dolares, ao que Morgan respondeu "Se voce tivesse pedido o dobro, eu teria pago", o que estragou a viagem e o fim de vida de Carnegie, lendario sovina.

Todos esses capitalistas, sem exceção, legaram imensos patrimonios para o beneficio publico, realizações culturais de primeira linha, como o Metropolitan Museum e a Morgan Library, em New York, o Carnegie Hall, tambem em NY,  entre as doações de Rockefeller está o predio da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo, há quase cem anos e o Edificio sede da ONU em Nova York, entre centenas de outros legados.