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Fernando de Noronha na mira da poluição

Do JC Online (Jornal do Comércio)

Esgoto vaza em praia de Fernando de Noronha

Moradores e turistas denunciam o lançamento de dejetos sanitários em área do arquipélago

Raissa Ebrahim

A época de chuvas em Fernando de Noronha tem exposto a precariedade do esgotamento sanitário. A ilha, que abriga um parque nacional marinho e duas Áreas de Preservação Ambiental (APAs), está ameaçada por dejetos lançados no mar. Moradores e turistas, obrigados a pagar altas taxas de permanência para manutenção do arquipélago, denunciam o aparecimento de manchas nas praias. Em uma delas, a do Boldró, o esgoto é despejado após passar apenas por processo primário de tratamento. Fotos enviadas por moradores mostram a situação no local.

Na Praia do Boldró, a Compesa capta a água que alimenta o dessalinizador, ampliado em 2011, com capacidade para tratar 15 litros do líquido por segundo. O aparelho, que abastece grande parte da ilha, foi responsável pelo fim do rodízio.

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GALERIA DE IMAGENS

Esgoto vaza em praia de Fernando de Noronha 

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Segundo a analista ambiental e chefe da Área de Preservação Ambiental (APA) de Noronha, Rocas e São Pedro e São Paulo, Carina Tostes Abreu, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, recebeu, no fim de março, denúncia por vídeo sobre despejo de esgoto no Boldró. No início de abril, um ofício foi encaminhado à Compesa. A companhia compareceu ao local e solicitou as imagens para verificação. Até o momento, no entanto, não deu resposta. No fim desta semana, outro documento cobrando providências foi enviado ao órgão.

“A equipe de fiscalização verificou que ainda havia água escura escorrendo para a praia, mas em quantidade bem menor. É difícil afirmar se realmente se tratava de um vazamento de esgoto neste dia, pois não foram coletadas amostras e, ao observar a bacia de estabilização da Compesa, ela não estava transbordando”, esclarece a analista.

Carina, no entanto, afirma que os vazamentos são frequentes e que outras denúncias foram feitas, algumas resultando em multa para a Compesa em anos anteriores.

A Compesa admite que o número de vazamentos aumentou após o fim do rodízio em decorrência do aumento de pressão na rede, consequência da obra de ampliação do dessalinizador. A companhia informou em nota que “está providenciando a ampliação do número de equipes de manutenção para o conserto de vazamentos”.

A Compesa também alerta para o uso inadequado do sistema por parte da população (jogando frauda, lata de cerveja, bucha, óleo e areia), o que ajuda no extravasamento em alguns poços de visita, principalmente os das áreas baixas, sempre que há índices elevados de precipitações. As ligações clandestinas feitas por alguns moradores para escoar a água das ruas também pode sobrecarregar o sistema.

É de competência da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e da administração da ilha fiscalizar os serviços de saneamento. Contactada, a assessoria de imprensa da CPRH afirmou que não iria se reportar por acreditar que o assunto era de inteira responsabilidade da Compesa.

Projeto para reduzir problema está parado

A Compesa deu início às obras para criação de um sistema de reatores anaeróbicos, capazes de digerir através de bactérias, boa parte da matéria orgânica lançada no esgoto. A água resultante do processo poderia ainda ser reutilizada, com destaque para a agricultura local. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) embargou os trabalhos em 2011 para prevenir eventuais danos arqueológicos. Os serviços, segundo o instituto, foram liberados em meados de 2011, após resolução do problema. Acontece que, até o momento, a Compesa não recomeçou o trabalho.

Em nota, a companhia informou que “o Iphan de fato já liberou a Compesa a dar continuidade à execução da obra de esgotamento sanitário em Noronha. A Compesa já acionou a empresa responsável pela obra e estima o retorno dos serviços até 15 de maio”.

Atualmente, segundo o órgão, o tratamento de esgoto na ilha é realizado por lagoa de estabilização, considerada uma das formas mais simples de tratamento. A reportagem não foi informada do valor da obra, do nome da empresa responsável nem do calendário de execução das atividades.

Como reposta aos problemas enfrentados por moradores e turistas, o diretor de articulação e infraestrutura de Noronha, Gustavo Duarte, comentou que há projetos de ampliação da rede já identificados, incluindo trabalhos de prospecção arqueológica. “Esses projetos trarão uma melhor condição de disposição final e coleta dos resíduos”, defendeu.

DIESEL

Apesar de a Compesa alegar que não utiliza óleo diesel para fazer o dessalinizador funcionar, moradores reclamam da poluição que está sendo gerada desde que o sistema foi ampliado em 2011. Eles informam que praticamente toda a energia da ilha é gerada por diesel, um combustível altamente poluente.

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+2 comentários

Tem um certo narigudo, que nem de lá é, mas construiu uma pousada. Esse sr também tem uma casa em Angra em área de proteção ambiental e ninguém fala nada. No Brasil quem tem grana, pode tudo, há varios Cachoeiras da vida.

 

quem é a COMPESA, instituição responsável por este crime?

é órgão público? privado ou o escambau?

 

luz