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Fogo amigo na campanha

O fogo amigo na campanha eleitoral não foi exclusividade do PSDB. Internamente, na campanha de Dilma, o grupo paulista aproveitou o episódio para tentar implodir o grupo do mineiro Pimentel.

Todo factóide é montado em cima de dois ingredientes: o factóide propriamente dito e um conjunto de informações secundárias, sem relação direta com o episódio, mas que ajuda a dar o molho, o ar de veracidade.

O Dossiê Cayman foi um episódio clássico. Esses mesmos jornalistas divulgadores de dossiês usavam o seguinte estratagema: foi aberta uma conta no banco de Cayman (verdade), com as iniciais de Covas, Serra, FHC e Sérgio Motta (verdade) que continha um conjunto de dados (provavelmente verdadeiros). Em cima disso, jogavam um amontoado de papéis sem nexo, de baboseiras porque as três informações centrais davam sustentação. à armação Só não informavam o essencial: que não havia nenhuma prova de que qualquer um dos quatro sequer soubesse da conta. E que qualquer pessoa poderia ter aberto a conta.

Aparentemente, o grupo paulista gostou da versão de que coube a ele rejeitar o dossiê que estaria sendo supostamente preparado pelos novos "aloprados" e forneceu algumas das pontas irrelevantes da história.E daí ficaram como o japones de Hiroshima que apertou o botão da descarga na hora que a bomba expolodiu.

Quem conhece o Rui Falcão e o Pimentel deve ter morrido de rir da versão de que os "moderados" do Rui seguraram os "aloprados"do Pimentel. Mas a cobertura inicial do suposto dossiê exultou.

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O sonho da direita é ter que dar combate a gente atrasada e dogmática como Rui Falcão. É fácil jogar xadrez com quem cai no conto do "mate pastor". O PT e Fernando Pimentel é outra coisa. 

 

 

"...o grupo paulista aproveitou o episódio para tentar implodir o grupo do mineiro Pimentel..."

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Grupo Mineiro = Pimentel

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Grupo Paulista = Lula, Dilma, Gilberto Carvalho, Vacarezza, Diretório Nacional...etc...etc..

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Lembro de ler na Folha há muito tempo o Cony dizer o seguinte, mais ou menos assim..:

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"O desejo dos paulistas é excluir Minas do páreo definitivamente"

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Na época achei um exagero e fiquei confuso. Com o passar do tempo comecei a entender melhor a coisa.

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Guardadas as proporções, é mais ou menos isso o que acontece. O bolo pertence a um. E quando é dividido, é dividido por este mesmo um.

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Detalhe: de quatro em quatro anos correm para cá...depois das eleições, correm daqui.

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Já acostumei com isso.

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Chico Pedro

 

A investigação patrocinada pelo Estado de Minas era a peça que faltava no quebra-cabeça. Agora, tudo se encaixa. Era evidente a instrumentalização do episódio para decidir uma luta interna no PT. As reações iniciais (de Dutra, especialmente) só pareciam descabidas (ou mesmo destrambelhadas) quando não se levava em conta a tentativa de fusilar Pimentel. Agora, que o mineiro foi esmagado, o PT (leia-se: Dutra) adotou a reação mais apropriada - virar o jogo, e dar a Serra o ônus da prova, sabendo de antemão que ele não a tem.

Não sobrará nada do partido. Erra quem pensa que a escolha de Dilma Rousseff é uma aposta na "renovação do PT". Lula intuiu que o jogo partidário pós-redemocratização, em sua essência, acabou (se é que teve a chance de começar algum dia). Restam lideranças populistas, chefes de quadrilha e aventureiros - cada qual sustentado por uma legião de aproveitadores. Ele é a figura central desse novo jogo. A reeleição daria ao inimigo tempo para se reorganizar, acusando-o de "autoritário", "chavista", e coisas que tais. Espertamente, afastou-se desse caminho. Dilma ficará esquentando a cadeira por quatro anos, e ele voltará depois, para mais oito anos no comando. O PT será um detalhe funcional enquanto lhe dedicar essa fidelidade de samurai e se dispuser ao suicídio em nome do chefe. Pimentel transformou-se num detalhe incômodo. Foi fusilado sumariamente por um de seus homens de confiança. Morreu, assim, uma das melhores experiências do PT nos estados. Lula preferiu José Eduardo Dutra. Ouçam o homem falar. É aquilo ali, mesmo. Um funcionário exemplar.

A democracia brasileira, tal como a conhecemos, ou tal como a idealizamos, está indo para o ralo. Em seu lugar, está surgindo uma outra coisa, que ainda não sabemos muito bem o que seja. Nem pior, nem melhor. Outra coisa. No centro do processo, uma figura política superlativa - Luiz Inácio Lula da Silva, o maior estadista que o Brasil já teve.

E quando ele não estiver mais aí? Eis a questão.

 

"grupo paulista gostou da versão de que coube a ele rejeitar":

 

Uh, "de caber a si rejeitar"!  Ce vai entrar no di ki agora, Nassif?  Vai desregular meu dikimetro!

 

A coisa está ficando engraçada. O tal livro a que você se referiu (“Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr) segundo o blog do Paulo Henrique Amorim vai ser publicado em capítulos na Internet logo após a Copa do Mundo.

O leite definitivamente vai azedar

Fonte:

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/06/04/livro-desnuda-a-relacao-...