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Folha entrevista Frei Betto

Frei Betto responsabiliza Igreja por ter introduzido "vírus oportunista" na campanha

http://www1.folha.uol.com.br/poder/819034-frei-betto-responsabiliza-igre...

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FABIO VICTOR

 DE SÃO PAULO

Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 66, afirma que a forma como são abordados religião e aborto nesta campanha está "plantando no Brasil as sementes de um possível fundamentalismo religioso".

O frade dominicano responsabiliza a própria Igreja Católica por introduzir um "vírus oportunista" na disputa eleitoral.

E define como "oportunistas desesperados" os bispos da Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo) que assinaram no fim de agosto uma nota, depois tornada panfleto, recomendando aos fieis não votar em candidatos do PT.

Em entrevista à Folha, o religioso analisa que os temas ganharam espaço na agenda porque "lidam com o emocional do brasileiro". "Na América Latina, a porta da razão é o coração, e a chave do coração é a religião. A religião tem um peso muito grande na concepção de mundo, de vida, de pessoa, que a população elabora."

Amigo do presidente Lula, de quem foi assessor entre 2003 e 2004 e a quem depois manteve apoio crítico, e eleitor de Dilma Rousseff, Frei Betto defende que as políticas sociais do atual governo evitaram milhões de mortes de crianças e, por isso, discuti-las é mais importante do que debater o aborto.

Folha - Desde que deixou o cargo de assessor de Lula, o sr. manteve um apoio crítico ao governo, um certo distanciamento. A pauta religiosa --ou a forma como ela foi introduzida na campanha-- lhe reaproximou do governo e do PT?
Frei Betto - Eu nunca me distanciei. Sempre apoiei o governo, embora fazendo críticas. O governo Lula é o melhor da nossa história republicana, mas não tão ideal quanto eu gostaria, porque não promoveu, por exemplo, nenhuma reforma na estrutura social brasileira, principalmente a reforma agrária.

Mas nunca deixei de dar o meu apoio, embora tenha escrito dois livros de análise do governo, mostrando os lados positivos e as críticas que tenho, que foram "A mosca azul" e "O calendário do poder", ambos publicados pela Rocco. Desde o início do processo eleitoral, embora seja amigo e admire muito a Marina Silva, no início até pensei que Dilma venceria com facilidade e que poderia apoiá-la [Marina], mas depois decidi apoiar a candidata do PT.

Mas você entrou com mais força na campanha por conta da pauta religiosa, sem a qual talvez não tivesse entrado tanto?
Eu teria entrado de qualquer maneira dando meu apoio, dentro das minhas limitações. Agora essa pauta me constrange duplamente, como cidadão e como religioso. Porque numa campanha eleitoral, penso que o mais importante é discutir o projeto Brasil. Mas como entrou o que considero um vírus oportunista, o tema do aborto e o tema religioso, lamentavelmente as as duas campanhas tiveram, sobretudo agora no segundo turno, que ser desviadas para essas questões, que são bastante pontuais. Não são questões que dizem respeito ao projeto Brasil de futuro. Ou, em outras palavras: mais do que se posicionar agora na questão do aborto é se posicionar em relação às políticas sociais que evitam a morte de milhões de crianças. Nenhuma mulher, nenhuma, mesmo aquela que aprova a total liberalização do direito ao aborto, é feliz por fazer um aborto.

Agora o que uma parcela conservadora da Igreja se esquece é que políticas sociais evitam milhões de abortos. Porque as mulheres, quando fazem, é por insegurança, frente a um futuro incerto, de miséria, de seus filhos. Esses 7,5 anos do governo Lula certamente permitiram que milhares de mulheres que teriam pensado em aborto assumissem a gravidez. Tiveram seus filhos porque se sentem amparadas por uma certa distribuição de renda que efetivamente ocorreu no governo Lula, tirando milhões de pessoas da miséria.

Por que aborto, crença e religião entraram tão fortemente na pauta da campanha?
Porque eles lidam com o emocional do brasileiro. Como o latino-americano em geral, a primeira visão de mundo que o brasileiro tem é de conotação religiosa. Sempre digo que, na América Latina, a porta da razão é o coração, e a chave do coração é a religião. A religião tem um peso muito grande na concepção de mundo, de vida, de pessoa, que a população elabora.
Mas não foi a população que levou esse tema [à campanha], foram alguns oportunistas que, desesperados e querendo desvirtuar a campanha eleitoral, introduziram esses temas como se eles fossem fundamentais.

O próprio aborto é decorrência, na maior parte, das próprias condições sociais de uma parcela considerável da população.

Quem são esses oportunistas?
Primeiro os três bispos que assinaram aquela nota contra a Dilma, diga-se de passagem à revelia da CNBB. Realmente eles se puseram no palanque, sinalizando diretamente uma candidata com acusações que considero infundadas, injustificadas e falsas.

A Dilma, que já defendeu a descriminalização do aborto, recuou em relação ao tema.
Respeito a posição dela. Agora eu, pessoalmente, como frade, como religioso, como católico, sou a favor da descriminalização em determinados casos. Pode colocar aí com todas as letras. Porque conheço experiências em outros países, como a França, em que a descriminalização evitou milhões de abortos. Mulheres foram convencidas a ter o filho dentro de gravidez indesejada. Então todas as estatísticas comprovam que a descriminalização favorece mais a vida do que a descriminalização. É importante que se diga isso, na minha boca.
Na Itália, que é o país do Vaticano, predominantemente católico, foi aprovada a descriminalização.

O sr. acha que o recuo da Dilma é preço eleitoral a pagar?
Respeito a posição dos candidatos, tanto da Dilma quanto do Serra, sobre essas questões. Não vou me arvorar em juiz de ninguém. Como disse, acho que esse é um tema secundário no processo eleitoral e no projeto Brasil.

Pelo que se supõe, já que não há muita clareza nos candidatos, nem Dilma nem Serra são favoráveis ao aborto em si, mas ambos parecem abertos a discutir sua descriminalização. Por que é tão difícil para ambos debater esse tema com clareza e honestidade?
Porque é um tema que os surpreende. Não é um tema fundamental numa campanha presidencial. É um vírus oportunista, numa campanha em que você tem que discutir a infraestutura do país, os programas sociais, a questão energética, a preservação ambiental. Entendo que eles se sintam constrangidos a ter que se calar diante dos temas importantes para a nação brasileira e entrar num viés que infelizmente está plantando no Brasil as sementes de um possível fundamentalismo religioso.

Como o sr. vê a participação direta de bispos, padres e pastores na campanha, pregando contra ou a favor de um ou outro candidato?
Eu defendo o direito de que qualquer cidadão brasileiro, seja bispo, seja até o papa, tenha a sua posição e a manifeste. O que considero um abuso é, em nome de uma instituição como a Igreja, como a CNBB, alguém se posicionar tentando direcionar o eleitorado. Eu, por exemplo, posso, como Frei Betto, manifestar a minha preferência eleitoral. Mas não posso, como a Ordem Dominicana à qual eu pertenço, dizer uma palavra sobre isso. Considero um abuso.

E a participação de uma diocese da CNBB na produção de panfletos recomendando fieis a não votarem na Dilma?
É uma posição ultramontana, abusiva, de tentar controlar a consciência dos fieis através de mentiras, de ilações injustificadas.

O sr. acredita, como aponta o PT, que o PSDB está por trás da produção dos panfletos?
Não, não posso me posicionar. Só me posiciono naquilo em que tenho provas e evidências. Prefiro não falar sobre isso.

Quais as diferenças de tratamento do tema aborto nas diferentes religiões?
Ih, meu caro, isso é muito complexo. Agora, na rua... Eu estou na rua, indo para a PUC [para ato de apoio a Dilma, na última terça à noite]. Para entrar nesse detalhe... Eu escrevi um artigo até para a Folha, anos atrás, sobre a questão do aborto. É muito delicado analisar as diferenças. Há nuances. Mesmo dentro da Igreja Católica há diferentes posições sobre quando é que o feto realmente se transforma num ser vivo. Não é uma questão fechada na Igreja. Ainda não há, nem do ponto de vista do papa, uma questão dizendo: o feto é um ser vivo a partir de tal data. É uma questão em discussão, teologicamente inclusive. São Tomás de Aquino dizia que 40 dias depois de engravidar. Isso aí depende muito, é uma questão em aberto.

Em artigo recente na Folha, o sr. disse que conhecia Dilma e que ela é "pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica". O que diria sobre a formação e a religiosidade de Serra?
Eu sou amigo do Serra, de muitos anos, desde a época do movimento estudantil. Nunca soube das suas opções religiosas. Da Dilma sim, porque fui vizinho dela na infância [em Belo Horizonte], estivemos juntos no mesmo cárcere aqui em São Paulo, onde ela participou de celebrações, e também no governo. Não posso de maneira alguma me posicionar em relação ao Serra. Respeito a religiosidade dele.

Se você me perguntasse antes da campanha sobre a posição religiosa do Serra, eu diria: não sei. Mas considero uma pessoa muito sensata, que respeita crenças religiosas, a tolerância religiosa, a liberdade religiosa. Nesse ponto os dois candidatos coincidem.

O que achou do material de campanha de Serra que destaca a frase "Jesus é a verdade e a vida" junto a uma foto do candidato?
Não cheguei a ver e duvido que seja material de campanha dele. Como bom mineiro, fico com pé atrás. Será que é material de campanha, será que é apócrifo?... Agora mesmo estão distribuindo na internet um texto, que me enviou hoje o senador [Eduardo] Suplicy, [intitulado] "13 razões para não votar em Dilma", com a logomarca da Folha, de um artigo que eu teria publicado na Folha, assinado por mim. Não dá para dizer que [o santinho] é da campanha dele.

Mas tem foto dele, o número dele [tem inclusive o CNPJ da coligação]...
Bem, espero que a campanha, o comitê dele desminta isso e, se não desmentir, quem cala, consente.

No mesmo artigo o sr. diz que torturadores praticavam "ateísmo militante". O sr. não respeita quem não crê em Deus?
Meu caro, eu tenho inúmeros amigos ateus. Nenhum deles tirou do contexto essa frase. Com essa pergunta você me permite aclarar uma coisa muito importante: que a pessoa professe ateísmo, tem todo o meu apoio, é um direito dentro de um mundo secularizado, de plena liberdade religiosa.

Agora, a minha concepção de Deus é que Deus se manifesta no ser humano. Então toda vez que alguém viola o ser humano, violenta, oprime, está realizando o ateísmo militante. Ateus que reivindicam o fim dos crucifixos em lugares públicos, o nome de Deus na Constituição --isso não é ateísmo militante, isso é laicismo, que eu apoio. O ateísmo militante para mim é profanar o templo vivo de Deus, que é o ser humano.

Tiraram do contexto, não entenderam...

É que houve queixas de ateus em relação àquele trecho do seu artigo, tido como discriminatório...
Podem ter se sentido ofendidos por não terem percebido isso. Para mim o ateísmo militante é você negar Deus lá onde, na concepção cristã, ele se manifesta, que é no ser humano. Você professar o ateísmo é um direito que eu defendo ardorosamente. Agora, você não pode é chutar a santa, como fez aquele pastor na Record. Ou seja, eu posso ser ateu, como eu sou cristão, mas eu não digo que a fé do muçulmano é um embuste ou que a fé do espírita é uma fantasia. Isso é um desrespeito.

O sr. relatou no artigo que encontrou Dilma no presídio Tiradentes [em São Paulo] e que lá fizeram orações. Como foram esses encontros?
Ela estava presa na ala feminina, eu na ala masculina e, como religioso, eu tinha direito de, aos domingos, passar para a ala feminina para fazer celebrações. E ela participava. O diretor do presídio autorizava isso.

O sr. já comparou o Bolsa Família a uma "esmola permanente"...
[interrompendo] Não, eu não usei essa expressão. Eu sempre falei que o Bolsa Família é um programa assistencialista e o Fome Zero era um programa emancipatório. Nunca chamei de esmola não. Se saiu isso aí, puseram na minha boca.

Deixa eu buscar aqui o contexto exato...
Quero ver o contexto. Dito assim como você falou agora eu não falei isso não.

Vou achar aqui o texto, espera aí.
Bem, mas não importa o que eu disse. Eu te digo agora o seguinte: o Bolsa Família é um programa compensatório e o Fome Zero era um programa emancipatório.

* Você falou o seguinte [numa entrevista à Folha em 2007]: "Até hoje o Bolsa Família não tem porta de saída. O governo inteiro sabe qual é, mas não tem coragem: é a reforma agrária, a única maneira de 11 milhões de famílias passarem a produzir a própria renda e ficarem independentes, emancipadas do poder público. Você não pode fazer política social para manter as pessoas sob uma esmola permanente. Nem por isso considero o Bolsa Família negativo, devo dizer isso. O problema é que não pode se perenizar".*
Ótimo que você pegou o texto, muito bem, é isso mesmo. Veja bem, não vamos tirar de contexto não.

O que o sr. pensa do Bolsa Família hoje?
Isso que eu te falei: é um programa compensatório. Eu gostaria que voltasse o Fome Zero, que tem um caráter emancipatório, tinha porta de saída para as famílias. E o Bolsa Família, embora seja positivo, até hoje não encontrou a porta de saída, o que eu lamento.

O sr. continua a ser um defensor inconteste do regime cubano? Ainda é amigo de Fidel?
Não, veja bem. A sua afirmação... Não põe na minha boca o que você acabou de falar. Eu sou solidário à Revolução Cubana. Eu faço um trabalho em Cuba há muitos anos, de reaproximação da Igreja e do Estado. Estou muito agradecido a Deus e feliz por poder ajudar esse processo, que resultou recentemente na liberação de vários presos políticos.

O sr. participou diretamente desse processo, dessa última libertação?
Indiretamente sim. Mas não é ainda o momento de eu entrar em detalhes.

O sr. acha que essa tendência de abertura do regime é inexorável?
Sim, claro, tem que haver mudanças. Cuba está preocupada em se adaptar. Mas nada disso indica a volta ao capitalismo.

Sobre o desrespeito aos direitos humanos em Cuba, ainda há presos políticos...
Meu caro, ninguém desrespeita mais os direitos humanos no mundo do que os Estados Unidos. E fala-se pouco, lamentavelmente. Basta ver o que os Estados Unidos fazem em Guantánamo.

Cuba ocupa o 51º no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que é insuspeito. O Brasil, o 75º.

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           Que vontade de fazer intriga tem esse rapaz, isso não é jornalismo,isto é tortura,por palavras na boca de um frei Betto, o que não é capaz esse moço, ainda bem que o Frei o freiou.        E combateu com força o possivel surgimento do fundamentalismo politico relgioso no Brasil parabens.

 

Divulgo a opinião de Frei Gilvander, pároco da comunidade do Planalto (BH).

Aliás, tempos atrás este Blog divulgou notícia da luta de Frei Gilvander contra a especulação imobiliária na região do Carmo. Ele foi transferido para a paróquia do Planalto...

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=51839

 

 

 

Entre Serra e Dilma, o que está em jogo?

Frei Gilvander Moreira *

Adital - Feliz quem consegue ler os sinais dos tempos e dos lugares e se posicionar do lado onde marcha o movimento em defesa da dignidade da pessoa humana e de toda a biodiversidade. No segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, de 4 a 31 de outubro de 2010, está acontecendo vários tipos de posicionamentos das pessoas e instituições, entre os quais destaco quatro: Uns se engajaram na defesa da candidatura de José Serra (PSDB-DEM); outros militam na defesa da candidatura de Dilma Rousseff (PT-PMDB), que poderá se tornar a primeira mulher a ocupar a Presidência da República do Brasil; outros dizem "somos apolíticos...", "não somos partidários", "nossa instituição não pode se posicionar..." e outros defendem o voto nulo.

Essas quatro posturas merecem algumas considerações. Primeiro, é mais cômodo ficar "em cima do muro", o que pode ajudar a ver melhor os dois lados, mas é uma postura ingênua cúmplice do status quo, pois diante de conflitos estruturais acaba lavando as mãos como Pilatos. Mais: "o muro já é território do inferno", diz um causo da sabedoria rabínica. Assim, quem se omite acaba cometendo um grande pecado, pois reforça a posição de quem tem mais poder econômico e midiático. Quem diz "não posso me posicionar, porque sou responsável por uma instituição que não deve se comprometer com candidatura A ou B" está também assumindo uma postura mais cômoda e corporativista, aquela que preserva o meu/nosso corpo, as instituições. Assim, o "eu" ou "minha instituição" passa a ser o fim maior. O outro, o próximo, fica em segundo plano. Em encruzilhada quem não se decide por um lado ou outro acaba se dando mal e comprometendo a vida de outros. 

Segundo, os que se posicionam de forma fundamentalista e moralista acabam usando em vão o nome de Deus, o evangelho e a fé das pessoas. Blasfemam. Isso aparece em panfleto que coloca a assinatura de José Serra e a fotografia dele após a frase "Jesus é a verdade e a justiça" e quando se bate da tecla dizendo "Serra é do bem". Isso mesmo: messianismo. É querer passar a ideia falsa de que é possível haver um salvador da pátria, é fortalecer o maniqueísmo que desqualifica o outro como sendo do mal e "eu sou do bem". Assim mistifica o que não pode ser mistificado e revela o ódio que muitos da classe dominante têm em relação aos pobres.

Por defender a dignidade humana que estava sendo humilhada na ditadura militar-civil-empresarial, Dilma Rousseff sofreu por três anos no próprio corpo as agruras da tortura e dos cárceres dos tiranos que tratoraram 17 mil lideranças, cérebro da nação brasileira que estava se rebelando contra os ditames do capitalismo na década de 60 do século XX.

Importa recordar que não está no Plano de Governo da Dilma nenhuma das acusações alardeadas em panfletos, distribuídos aos milhares e via internet. Logo, são calúnias e difamações execráveis. Questões, tais como, aborto e união civil de homossexuais são assuntos complexos que precisam ser debatidos a fundo pela sociedade brasileira, sob a liderança do Congresso Nacional, que é quem tem competência para legislar sobre isso.

Terceiro, há o grupo que, de forma cidadã, se posiciona a favor de Dilma, ou de José Serra ou ainda defende o voto nulo. Fazem isso com argumentos históricos, éticos, filosóficos, sociológicos e políticos, defendem o que pensam ser melhor para o povo brasileiro. Aí, beleza! A construção de uma democracia real e verdadeira respeita e fortalece a liberdade de expressão e o debate de ideias e projetos de nação, o que ajuda a desfazer mitos, derrubar preconceitos, superar moralismos, dualismos, maniqueísmos, idealismos e posturas simplistas.

Mas por que tanta boataria e baixaria no segundo turno das eleições? Não é por acaso. Isso foi engendrado por quem quer ver a opressão de classe continuar no Brasil. Quem ganha e quem perde com o rebaixamento do nível da campanha eleitoral? Melhor seria que no segundo turno se apresentasse de forma aprofundada as propostas para se superar os grandes problemas sentidos pelo povo brasileiro nas áreas de alimentação, educação, saúde, meio ambiente, agricultura, reformas agrária e urbana etc. Gastar o tempo com acusações difamatórias beneficia quem não tem projeto, ou quem tem o pior projeto de governo, pois se for posto com transparência o que cada candidato e seus partidos farão, o povo, que não é bobo, certamente optará pelo melhor.

É do conhecimento de todos o que PSDB-DEM fizeram em oito anos de FHC na presidência e que estão fazendo em Minas e em São Paulo. Por outro lado, o povo está vendo o que o presidente Lula e o PT -com seus aliados- estão fazendo nos últimos oito anos no Brasil. A carta de Tiago, na Bíblia, diz "a fé sem obras é morta; mostra-me suas ações que direi que tipo de fé você tem." (Cf. Tiago 2,14-25). Logo, faz bem não acreditar em boataria, em panfletos caluniosos e nem observar apenas o que dizem os candidatos, mas o que fizeram e fazem. Urge comparar o jeito de Lula-Dilma-PT governarem e o jeito de FHC-Serra-PSDB governarem. Há semelhanças entre PT e PSDB, mas há diferenças substanciais também. Chamo atenção para cinco pontos:

1) A política social do governo Lula é melhor do que a do FHC-Serra-PSDB-DEM. São 13 milhões de famílias que tiveram sua vida melhorada. Na era FHC, com Serra sendo ministro, a política social era inexpressiva. Dona Maria, uma senhora de 60 anos, andou 14 quilômetros a pé e chegou ao aeroporto de Montes Claros, MG, com uma nota de 50 reais na mão, e disse: "Soube pelo rádio que Lula ia chegar aqui agora cedo. Vim para agradecê-lo, pois se conheço esta nota e se posso almoçar e jantar todos os dias, com meus filhos e netos, agradeço ao governo Lula." Não é por acaso que grande parte dos pobres preferem Dilma e a maioria dos ricos preferem Serra.

2) FHC-Serra-PSDB-DEM comandaram o maior processo de privatização de empresas estatais da história do Brasil. Precarizaram e, posteriormente, privatizaram dezenas e dezenas de empresas que eram patrimônio do povo brasileiro. Até a Vale do Rio Doce foi praticamente doada para a iniciativa privada. Hoje tramita na Justiça mais de 100 ações questionando o processo de privatização da Vale. Quiseram, mas não conseguiram privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, companhias de saneamento e universidades federais. Se não tivéssemos feito o Plebiscito Popular contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e a implantação de uma base militar dos Estados Unidos em Alcântara, no Maranhão, FHC-Serra e PSDB teriam assinado a ALCA e os EUA estariam oficialmente com base militar dentro do nosso território.

3) A Política externa do governo Lula-Dilma é muito melhor que a política externa do FHC-Serra-PSDB-DEM. Países, tais como, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador e Venezuela, estão sendo apoiados pelo governo Lula. São povos empobrecidos que estão se levantando e autonomamente se libertando de tantas opressões. Uma eventual vitória de Serra seria desserviço do povo brasileiro aos pobres da América afrolatíndia. PSDB-DEM é arrogante no trato com os pequenos do Brasil e da América Latina, mas subserviente aos interesses do império dos Estados Unidos e das transnacionais. Lula-PT tem altivez nas relações com os grandes países e está aprendendo a respeitar a dignidade dos pequenos no Brasil e fora do Brasil. Exemplo disso, foi o aumento no valor do gás comprado da Bolívia e da energia comprada do Paraguai, via Itaipu.

4) Na era FHC-Serra-PSDB-DEM dá para contar nos dedos o número de criminosos de colarinho branco presos pela Polícia Federal. Mas em oito anos de governo Lula-Dilma, o contingente da Polícia Federal aumentou e mais de 2 mil servidores públicos, além de políticos profissionais, juízes, desembargadores, latifundiários e empresários foram presos pela Polícia Federal, após investigação séria que comprovaram crimes de colarinho branco. Logo, há ainda corrupção, mas antes quase não se investigava. Agora se investiga e prende. Falta o poder judiciário respeitar a Constituição Federal julgando e condenando os grandes criminosos que lesam o povo.

5) Na educação também podemos afirmar que há muito a se fazer, mas considerando os muros quase intransponíveis antes existentes e que impediam que a maioria da população tivesse acesso principalmente ao ensino superior, hoje temos de reconhecer que o governo Lula garantiu o direito ao ensino superior por meio de bolsas (PROUNI) e ampliando muito as vagas nas Universidades públicas. Um número grande de centros de formação profissional (os CEFETs) multiplicaram-se Brasil a fora. Houve efetivos incentivos à formação de professores capazes de ministrar aulas nas comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e em acampamentos assentamentos de reforma agrária. Houve a valorização da cultura popular e inter-racial por meio da educação. Além de revigorar as Universidades Federais, outras 13 Universidades Federais foram criadas com centenas de Campus.

Por tudo isso, defendo o nome de Dilma e apoio um Projeto Popular para o Brasil, que ainda está longe de ser concluído, mas que passa por um caminho a seguir: o da eleição de Dilma Rousseff para a Presidência do Brasil. A partir dos pobres, dia 31 de outubro de 2010, votarei -e aconselho- 13, Dilma.

Em tempo, espero que a convergência que está acontecendo em torno da Dilma e o desinstalar-se de quem estava acomodado possam acontecer após as eleições, pois a grande política deverá ser feita cotidianamente mediante o exercício de cidadania e soberania popular.

Belo Horizonte, 22 de outubro de 2010.

* Carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de teologia Bíblica, assessor da CPT, CEBI, CEBs, SAB e Via Campesina

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4 milhões de pessoas já deixaram de receber o Bolsa Família: 2,2 milhões voluntariamente pediram o desligamento do programa por que passaram a se achar em condições de se auto-sustentar: portanto, o programa claramente não é assistencialista! A renda extra gerada pela Bolsa Família ela só é capaz de ajudar a criar as condições para não precisar mais dela!! E se nem o Frei Betto consegue ver isso, tá explicado como a direita também nunca vai ser capaz de perceber!!

Voltar ao Fome Zero, que nunca deu certo, é que é acreditar demais na boa vontade dos empresários do país...

 

Fora essa crítica ao Bolsa Família e a questão do "ateísmo militante", Frei Betto foi muito bem com o argumento da descriminalização que diminui os abortos (caso francês). Faltou lutar pra esse argumento entrar na midia, quando a discussão (de fato, menos relevante que outras) do aborto estava em voga.

 

Caro Frei Betto,

Eu li a entrevista em que você se refere à tortura como "ateísmo militante" toda, portanto não tirei do contexto. Quem colocou num contexto totalmente impróprio o termo "ateísmo" foi você, e sua tentativa de explicação nesta entrevista é prova disso.

"Agora, a minha concepção de Deus é que Deus se manifesta no ser humano. Então toda vez que alguém viola o ser humano, violenta, oprime, está realizando o ateísmo militante."

Quer dizer então, que "ateísmo" significa "opressão e violência ao ser humano"?! Historicamente, ao contrário do que você diz, a religião é que tem sido a principal responsável por oprimir e destratar os seres humanos. Então, por que o uso do termo?

Você poderia ter evitado polêmicas e utilizado um termo neutro. Mas não: jogou a culpa no "ateísmo" (nessa sua definição) dentro do teísmo e decepcionou muita gente. Incrível que seus amigos o tenham tomado de forma tão amena.

 

Como se diz na minha terra; "Frei Betto falou e disse!"

Gosto muito do Frei Betto, pena que ele não seja na ala conservadora da Igreja (lê-se: renovação carismática) uma referencia boa. Muito pelo contrário, se foi Frei Betto ou o Leonardo boff quem falou é na mesma hora descreditado, taxado como "teologia da libertação" que para este ramo é o mesmo que satanismo (ou quase isso)!

Valeu pela matéria Nassif, hoje não estava com vontade de ir no site da Folha, é domingo, não devemos profanar este dia sagrado!

um abraço!

 

 

O entrevistador deve ter se sentido frustrado porque Frei Beto se saiu, como sempre, muito elegante.

 

Vale a pena ler no Estadão os comentários de hoje a Dora Krammer. São a expressão de todos nós.

 

Percebe-se na entrevista que o Fábio Vítor fêz,com o Frei Betto,que a cartilha reacionária da Folha,foi muitíssima bem ensinada aos seus jornalistas,pois a ânsia de "colocar palavras na boca dos entrevistados"é constante,e qualquer deslize destes últimos,custa-lhes um preço alto. É insinuante e irritante,a maneira que eles têm de tentar levar os seus entrevistados,para o seu lado.

Lamentável !

 

Teremos quantas CPIs, quantas forem necessárias; Teremos muitos e muitos factóides, ainda em gestação. O que não teremos, é 2º turno.

E tem mais uma coisa, viu Nassif? Cuidado com a folha. Nestes últimos dias ela tem deixado publicar umas matérias politicamente corretas. Aí a gente passa a usar a Folha várias vezes como referência, ela passa a ter um pingo de credibilidade a nossas custa e, depois, ela aplica o golpe fatal na boca da urna.

Não custa nada vigiar. Gato escaladado tem medo de água fria e macado velho não põe a mão em cumbuca...

 

Não acredito que o frei Betto, um homem experiente, se preste a dar entrevista a Folha de São Paulo num momento como esse, sabendo que as perguntas e as respostas são manipuladas...

 

Ai, ai, ai...  Vaidade das vaidades.....

 

Não é só a Regional Sul de São Paulo que está encalacrada nesta podridão. É toda a Igreja Católica Brasileira e, quiça, a Igreja Católica como um todo, pelo pecado, no mínimo de omissão.

E o pecado de omissão na Igreja Católica contra a humanidade é recorrente. Só para citar dois, além deste particular que está ocorrendo atora no Brasil: a Igreja Católica e o Nazismo e a Igraja Católica e a Pedofilia.

Sabe-se lá por quais interesses obscuros e em nome da religião e de Deus agem estes mandantes e/ou delegados de crimes.

 

tudo bem para os esclarecimentos de Frei Beto, porém permitir  a sua participação em uma imprensa golpista só faz com que ela se legitime como plural, o que na verdade sabemos que não é.

 

Frei Beto destaca muito bem o fato de terem exageradamente dado credito a problemas bem menores como as questoes do aborto e homossexualismo deixando-se de lado o que interessa que sao os problemas bem maiores e os projetos de governo para enfrenta-los. Isso eh caracteristico de Anarquismo.

 

Bebeu, cara pálida? Desde quando isso é típico de anarquistas?!!! Isso é típico de gente sem caráter, como o Serra, nao de anarquistas, para quem a verdade é revolucionária.

 

OK, a entrevista é boa, mas o Frei Betto não me convenceu com a explicação sobre a sacanagem cometeu ao dizer que os torturadores eram "ateus militantes". A comparação é monstruosa e ele deveria reconhecer que esse tipo de postura apenas reforça o preconceito contra os materialistas, ateus e agnósticos.

Liberdade de culto inclui a liberdade de criticar as religiões, uai! Além disso, é sempre bom lembrar que os dominicanos, da ordem do Frei Betto, foram pioneiros na Santa Inquisição, que torturava e queimava os incréus.

Mesmo esse negócio de "templos vivo de Deus" é relativo. Dom Luiz Bergonzini, da Diocese de Guarulhos, e Dom Manoel Pestana, da Diocese de Anápolis, pregam todos os dias os "templos vivos de Deus". No entanto, ambos fariam grande sucesso na época do Santo Ofício, pois eles acham que a humanidade é dividida em duas, os que crêem e serão salvos, e os não crêem e irão para as profundas do Inferno. O Deus deles é tremendamente discriminador, pois eles se baseiam apenas na efetividade da fé, sem dar valor às obras!

O Frei Betto também é um oportunista histórico. Mas a gente deixa esse acerto de contas (intelectual!) para depois das eleições.

 

mas é por isso que os bispos de Guarulhos e Anápolis são ateus "militantes". Em palavras, se dizem crentes. Mas são ateus nas práticas, na visão do Frei Betto...

 

Num período em que a religião parece ser a única coisa relevante do pais o sr. Frei Beto vem dar sua contribuição para  rebaixar ainda mais a discussão politico-eleitoral.  Dizer que " toda vez que alguém viola o ser humano, violenta, oprime, está realizando o ateismo militante " é puro equivoco. Ablosutamente falso. Colocar tudo que  existiu ( ou existe) de  ruim da humanidade no "ateismo militante" é falsear a história.Ou o sr. Frei Beto não conhece sua Igreja : a igreja da inquisição, a igreja que apoiou o nazismo ,o fascismo  e até o comunismo ( como na Polonia,agora revelado). A igreja que massacrou os povos do oriente, que apoiou ditaduras por todo lado e queimou um número inimaginável de pessoas em todo tempo.  Este argumento coloca o debate ao nível do chão e mostra que mesmo os " progressistas" (livrai-me  deles) nada acrescentam ao debate.  A entrevista da Folha foi prá corrigir o artigo publicado mais a bobagem ficou ainda maior.

 

Roque, eu entendo que, para o Frei Betto, a igreja católica que oprime também entra na expressão "ateísmo militante"...

Entendo que o que ele quis dizer é que todo aquele que profana de alguma maneira um ser humano é ateu, mesmo sem saber, pois na visão dele, Frei Betto, qualquer ser humano é um habitáculo de Deus.

A ideia de "militante" significa justamente que quem profana um ser humano é ateu nas práticas, ainda que se diga cristão ou crente em palavras. Isso vale pros torturadores, pra igreja católica e pra todo mundo.

em tempo: não tenho religião...

 

Prezada Ana, quanto mais o Frei Beto explica mais ele complica. Cristão que tortura é cristão. Cristão que oprime é cristão. Querer levar para o campo do cristianinsmo os valores de bondade, solidariedade, caridade  e deixar os "valores ruins" (como torturar e oprimir ) para os sem religião é falsear os fatos. O melhor é o Frei ficar com sua igreja (a mesma dos Pios XII da vida ) e não querer criticar valores dos outros.

 

 

 

Po...pra que dar essa entrevista? Pra ser pressionado o tempo todo e depois correr o risco de ter a entrevista modificada ou "mal interpretada'? Desnecessario. Os caras nao querem a verdade, querem um deslize ou algo que possam usar.

 

Po;;;;pre que dar essa entrevista? Pra ser pressionado o tempo todo e depois correr o risco de ter a entrevista modificada ou "mal interpretada'? Desnecessario. Os caras nao querem