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Fora de Pauta

O espaço para os temas livres e variados.

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Mamãe, ah se todas fossem iguais a você !

Convivo com a minha esposa, num casamento estável,há 38 anos, porem a paciencia da minha cara-metade, está a anos-lúz, da paciencia da minha mãe;

Convivo com uma filha,bonita culta e inteligente, desde 1974, porem entre o carinho que ela tem por mim, e que tento fazer ser recíproco, é infinitamente pequeno, se comparado ao carinho maternal, que sempre foi e ainda é, puro e desinteressado;

Convivo no ambiente de trabalho, com várias mulheres interessantes e altamente profissionais, porem nosso relacionamento não resiste a algumas pequenas e insignificantes rusgas, cujo resultado, é a indiferença e a pouca compreensão, devido o interesse de ambas as partes, apenas no trabalho e na eficiencia neste.

E aí, quando nos deparamos com situações de conflito e/ou discordancia, a primeira pessoa de quem lembro, é daquela, que jamais disse "não" aos meus pedidos justos, e mesmo quando me punia, essa punição, era feito com luvas de pelica, ao contrário do que acontece quando "enfrento" estas feras descritas acima.

Por tudo isso, obrigado, mãezona !

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Entre o Maranhão e Cuba o que você prefere?

 

Não vai faltar comida

 

Os alimentos comprados para consumo da governadora Roseana Sarney e de seu vice em 2012 passam de 68 toneladas

Danilo Thomaz e Angela Pinho, ÉPOCA

Era 1966. Depois de vencer a eleição para governador do Maranhão, o atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB), autorizou que os festejos de seu triunfo fossem filmados pelo diretor Glauber Rocha, um dos maiores cineastas da história do país.

Em seu discurso de posse, captado pela lente de Glauber, um cativante Sarney aparece dizendo que o Maranhão de 1966 não suportava mais “o contraste de suas terras férteis com a miséria”.

Quase meio século depois, a desigualdade persiste e é reafirmada pela abundância de comida na casa da governadora e filha do orador de outrora, Roseana Sarney (PMDB) (foto abaixo).

 

 Foto: Karlos Geromy/OIMP/D.A Press

 

No fim do ano passado, o Diário Oficial do Maranhão publicou os editais para a contratação de empresas fornecedoras de alimentos perecíveis e não perecíveis para as residências oficiais e para a casa de veraneio da governadora e do vice-governador, Washington Luís.

Os documentos informam que, ao longo de 2012, o governo poderia gastar até R$ 1,67 milhão em comes e bebes nessas três moradias. Esse valor, 80% maior do que o previsto em 2011, chamou a atenção dos poucos deputados estaduais oposicionistas.

Nos detalhes, a lista de mantimentos de Roseana e de seu vice também é notável. Os minuciosos editais especificam a marca de cada produto que deve ser adquirido, o peso unitário e seu respectivo preço.

São 410 tipos de comestíveis, que somam 68,2 toneladas de comida, o suficiente para alimentar, ao longo de 12 meses, 31 leões, os animais que dão nome ao palácio que sedia o governo maranhense.

Entre outros mantimentos, os editais falam em 8,3 toneladas de carne bovina de vários tipos, 384 quilos de peru, 160 quilos de lagosta fresca, 594 dúzias de ovos vermelhos e 3,7 toneladas de camarão.

Os copos, logicamente, não poderiam ficar vazios. Na licitação de bebidas para os chefes do Executivo maranhense, a relação também zela por quantidade, qualidade e diversidade. Foram listados 64 itens, que somam 23.417 litros de alcoólicos e não alcoólicos. Além dos sucos e dos 19.433 litros de refrigerante de várias marcas, o edital fala em 1.275 litros de cerveja, 452 garrafas de espumante, 193 de uísque, 367 de vinho, 82 de “vodka sueca” e 68 de licor.

Tem mais: das 193 garrafas de uísque, segundo o edital, 113 precisam ser “importado scotch de luxe extra special 12 anos”.

 

Mais uma manipulação da VEJA BANDIDA

Eis o meu comentário no blog do Esquerdopata:

O comentário do Zerm me chamou a atenção. Procurei verificar. O texto é mesmo da Constituição de 1988, mas a Veja, desonesta como não podia deixar de ser, manipulou o texto constitucional, deixando de incluir o que não lhe interessava.

Transcrevê-lo-ei como se acha na Constituição e em maiúsculas, o que a Veja deixou de publicar.

Art.220. A manifestação de pensamento, a criação, a expressão e a informação sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, OBSERVADO O DISPOSTO NESTA CONSTITUIÇÃO.

§ 1°. Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, OBSERVADO O DISPOSTO NO ART. 5°, IV, V, X, XIII E XIV.

§ 2°. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

———————————————————————————————————————————————-
Prezados colegas comentaristas, confiram o texto constitucional que está na capa da Veja, com o que está na Constituição.

 

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/78765_CESAR+MAIA+E+GAROTINHO+SE+UNEM+CONTRA+PAES+NO+RJ

Os bastidores da venda da Delta

Por que a J&F, controladora do JBS e comandada pelo empresário Joesley Batista, entra na área de infraestrutura com a compra da polêmica construtora Delta. Confira a entrevista com o editor de negócios da DINHEIRO, Ralphe Manzoni Jr.

 

Extraído de: Associação dos Magistrados Mineiros  - 11 de Maio de 2012Ministro Britto alerta para perdas de quadro e desprofissionalização

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   O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Carlos Ayres Britto, destacou os problemas que vencimentos pouco atrativos acarretam para o judiciário. "A situação não é boa, porque os vencimentos dos servidores vêm perdendo atratividade", afirmou Ayres Britto, após se encontrar com os presidentes dos Tribunais Superiores. "Com isso, o Judiciário sofre um processo de desprofissionalização, com perda de quadro para outras carreiras mais atrativas financeiramente."

Fonte: CNJ

http://amagis.jusbrasil.com.br/noticias/3115384/ministro-britto-alerta-para-perdas-de-quadro-e-desprofissionalizacao

 


 I'm not in my lifetime

FAIXA DA TORCIDA DO MANCHESTER CITY, AO INVADR O CAMPO PARA COMEMORAR O TÍTULO. DETALHE PERDIA O JOGO ATÉ OS 47 MINUTOS DO SEGUNDO TEMPO. EM DOIS MINUTOS DOIS GOLS, VITÓRIA DE 3X2 E TIME CAMPEÃO. Apenas um “detalhe” desta coisa absurda chamada esporte, e deste esporte chamado futebol. O Manchester United e o Manchester City chegaram à última rodada com o mesmo número de ponto. O City jogava em casa e tinha a vantagem do saldo de gol.  O United jogando fora de casa com menos de 20 minutos fez o seu gol. Coisa de time que é o maior do país. O City jogando em casa dominava completamente o campo, mais de 80% de posse de bola, mas muito nervoso e pouco produtivo. O fantástico Yayá Touré, melhor do City, melhor jogador do campeonato em minha opinião sente uma grave contusão muscular, continua claramente arrastando e mancando em campo. Aos 42 minutos do primeiro tempo mancando o fantástico volante Yayá dá uma passe maravilhoso para Zabaleta abrir o placar.

 Intervalo, e estamos diante da história dois times da mesma cidade terminando o campeonato com o mesmo número de ponto, e um deles sem o seu principal jogador que depois do passe desaba em campo. Crinaças comemoram com a camisa azul do City. Penso comigo o que leva uma criança de Manchester torcer para o City que ganhou o último título a mais de 44 anos e que tem como colega um torcedor do United 15 vezes campeões neste período fora todos os títulos internacionais. de Volta para o segundo tempo, repeteco do primeiro tempo, mas desta vez o City é mais enfático e começa errar gols. Em um contrataque o melhor jogador do campeonato segundo a imprensa inglesa (eu discordo prefiro o Yaya Touré) o zagueiro Kompany falha horrivelmente e o QPR (da zona de rebaixamento) empata. Isto é história, ou não, que roteiro é este. Melhor jogador machucado, o outro grande jogador falha feio, o time da zona de rebaixamento apronta. City vai para cima de novo improdutivo, mas o roteiro ainda fica melhor: confusão em campo e o jogador do QPR é justamente expulso depois de distribuir cotoveladas. Grande enredo. Mas, mas, mas na terceira vez em todo o jogo que o QPR passa do meio campo, nova falha agora do outro zagueiro Lescott, também eleito um dos zagueiros do campeonato. QPR2 X1.

Em 3 ataques, 2 gols. O City vai perdendo para um time da zona de rebaixamento com 10 jogadores. A partir daí, todo mundo para cima. Momentos dos mais incríveis de se observar: a face dos torcedores, momentos incríveis: torcedores chorando, rezando, tirando camisa, chutando cadeiras, lamentando, aplaudindo, fazendo nada. Crianças, senhoras, idosos, holligans, cenas indescritíveis. Corta cena para o outro jogo e reações quase idênticas dos torcedores do United, incrédulos com o resultado do adversário, mas felizes por estarem sendo campeões. M. City domina agora 95% da posse de bola, mas erra tudo. Esquema de jogo chutão da defesa do QPR, e cruzamento do tipo bola para o alto e seja o que Deus quiser do City. Pressão forte, mas improdutiva: time claramente nervoso, errando passes fáceis, escorregando. Técnico do lado de fora, fora de si, também imagens impressionantes de desespero. Aos 90 minutos virei aqui em casa e falei incrível o time teve 30 minutos para fazer 02 gols. Mais de 30 chutes, uns quase 20 escanteios, mas totalmente improdutivo. Claramente o time cruzava errado, os escanteios eram desperdiçados, a opção de afunilar pelo meio facilitava o QPR. Pensei parece faltar um líder, aquele que quando o time tomou o segundo gol, clamasse aos companheiros: temos mais 30 minutos e um jogador a mais. Mas eis que aos 90 minutos depois de uns 10 escanteios cobrados erroneamente, e vários gols perdidos. O David Silva cobra um escanteio super bem, Balotelli sobe cabeceia e o goleiro faz sua terceira grande defesa. Eu em casa: até que enfim um cruzamento inteligente. Aos 91 minutos novo escanteio, D. Silva repete a cobrança e desta vez quem sobe é Dzeko que cabeceia e empata o jogo. Corte de cena, no exato momento do gol de empate do City, acabava o jogo do M.United: parte da torcida comemora o título do United e parte com radinhos e tv portáteis lamentam. Fim do jogo do United, gol de empate do City, eita enredo. Mas tudo bem com o empate, o título ainda é do United. Voltemos para cá 93 minutos, depois de insistir dezenas e dezenas de vezes infrutiferamente em fazer linhas de passes afunilando pela área. Na raça Balotelli domina uma bola e rola para Aguero e este ao invés de tentar o passe (como fez o jogo todo infrutiferamente), joga a bola para a frente, prepara a perna, fecha os olhos e chuta. ISTO É UM DOS MAIORES ROTEIROS QUE JÁ VI. gol, gol, gol, gol. INCRÍVEL, EU AQUI EM BH SAIO PULANDO, PULANDO FEITO LOUCO COMO SE FOSSE TORCEDOR DO CITY. No outro jogo, o choro muda de lado, torcedores e jogadores do United caem. City campeão, campo invadido. Várias faixas e em uma delas a inscrição I'm not in my lifetime. Depois de tudo no pódio Yayá Toure mancado no pódio. E Beatles: lá, lá, lá, lá...lá,lá,lá....hey Jude. Lindo, lindo, lindo para mim então conseguiram tocar se isto é possível a melhor música dos Beatles. Narrador da ESPN emocionado, hoje mais cedo Galvão tinha se emocionado na formula 01. Isto sim é esporte nos emociona a quilômetros de distância mesmo não tendo ligações com o time. I'm not in my lifetime

 

Os mil casos de Kakay

O advogado das estrelas cadentes e ascendentes fez implante capilar, cultiva barba em homenagem a líder comunista e ganhou fama por livrar políticos

LEANDRO COLON
DE BRASÍLIA

Personagens de alguns dos mais barulhentos casos das últimas semanas, a atriz Carolina Dieckmann, o senador Demóstenes Torres e o governador de Goiás, Marconi Perillo, exibem um mesmo cartão de advogado, o de Antônio Carlos de Almeida Castro.

A missão de Kakay, como é conhecido em Brasília, é anular as provas da Operação Monte Carlo, que traz indícios de envolvimento dos dois políticos com Carlinhos Cachoeira, e buscar a punição de quem vazou imagens íntimas da atriz na internet.

Kakay, 54, é um personagem da política nacional, de cabeleira vultosa, fruto de dois implantes capilares. Quem se mete em confusão na capital federal quase sempre o procura.

Milionário, tem fama de advogado caro, mas não revela a tabela de honorários. Há 20 anos usa um cavanhaque adotado em homenagem ao líder comunista Vladimir Lênin. Kakay esteve na capital da Rússia para uma das 13 cirurgias que fez após perder a visão de um olho, num acidente aos 23 anos.

Mineiro, Kakay criou um estilo próprio de atuar. Colegas creditam parte de seu crescimento às relações que cultiva com políticos e magistrados, além da facilidade com a mídia -atende jornalistas a qualquer hora.

Kakay rebate: "Isso é até ofensivo. A diferença é que talvez eu não tenha o 'rigorismo' do advogado paulistano. Eu levo meu trabalho a sério".

É sócio do Piantella, tradicional ponto de encontro gastronômico da política de Brasília, onde às vezes arrisca cantoria à beira do piano.

TRAJETÓRIA

Poeta nas horas vagas, Kakay -o apelido vem da infância, a primeira palavra que falou- chegou a Brasília em 1977 para estudar direito na UnB. Começou a trabalhar no escritório de José Eduardo Alckmin. Partiu para voo solo em 1994, após divergências entre os dois.

Kakay só assume clientes sob indicação. É homem de confiança de Demóstenes e Perillo, mas amigo do peito do petista José Dirceu e de José Sarney, de quem é sócio numa fazenda.

O contato com o clã maranhense começou em 2002, quando foi contratado em cima da hora para assumir o caso Lunus, que derrubou a pré-candidatura de Roseana Sarney à Presidência.

Na época, a PF apreendeu R$ 1,34 milhão na sede da empresa, que tinha como sócios Roseana e seu marido, Jorge Murad. Ao livrá-la de condenação, passou a ser indicado a quem precisa de socorro nos tribunais superiores.

A relação com o PT é mais antiga. Em 1989, emprestou o Monza da sogra para o ex-deputado Sigmaringa Seixas buscar Lula no aeroporto de Brasília. Quatro anos depois, aproximou-se de Dirceu na CPI do Orçamento.

Já trabalhou para Jorge Bornhausen, do antigo PFL, e para o comunista e ex-ministro Orlando Silva. E revela: "Votei na Dilma".

Segundo amigos e políticos, se o caso exige dedicação técnica diária e exposição de imagem, Kakay cobra caro -na casa do milhão de reais. Quando quer, atende amigos de graça. "Fama de rico, comedor e valente, a gente não desmente", diz.

Assumiu a defesa de Carolina Dieckmann a pedido da amiga Bia Aydar. "Esse caso é importantíssimo para a legislação da internet", diz.

Casado pela terceira vez e pai de três filhos, Kakay despacha de manhã em uma casa de mil metros quadrados.

Almoça, põe a gravata, nem sempre discreta, e à tarde vai ao escritório. Atua em outros negócios, como uma empresa de lombadas eletrônicas com contratos com o governo federal. "Sou só investidor, nem acompanho."

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/42594-os-mil-casos-de-kakay.shtml

 

Lendo a notícia abaixo me veio à mente uma situação que vivi em 2009, quando o Denatran entendeu que os motoristas que tivessem suas carteiras vencidas teriam que passar novamente por Auto Escolas para retirar um documento novo, causando prejuízos a todos aqueles que, como eu, dirigiram sem problemas durante 20 anos ou mais. Estimou-se à época em alguns bilhões esse prejuízo aos motoristas, que se converteria em lucros para os Centros de Formação de Condutores.

Agora vejo essa obrigatoriedade de chip em carros, e me vem à cabeça o seguinte: por quê o Denatran tem esse poder todo, tomar uma medida dessas sem lei que preveja a obrigatoriedade de um gasto que me fará visível a qualquer agente do governo?

Algum advogado entendido no assunto poderia esclarecer, por favor? É realmente inevitável a instalação desses chips nos veiculos?

 

Chip federal deixará licenciamento mais caro a partir do próximo ano

Instalação do item vai ser obrigatória e o custo será repassado ao dono do veículo, diz Denatran

Órgão de trânsito prevê que transmissor sairá por cerca de R$ 5, mas, em pregão oficial, fabricantes pedem R$ 18

FELIPE NÓBREGA
DE SÃO PAULO

Proprietários de carros, motos, caminhões ou ônibus terão mais uma taxa para pagar. Até junho de 2014, todos os veículos serão obrigados a receber um chip de identificação, e o valor do acessório será repassado ao proprietário, informa o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

O preço do equipamento ainda não foi divulgado oficialmente e poderá variar conforme a região. A intenção é que ele seja cobrado junto com o licenciamento, já a partir do próximo ano.

Estudos feitos pelo Denatran apontam que o chip custará cerca de R$ 5. Procurado, o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) diz não ter como definir o preço agora, pois ainda avalia as questões técnicas sobre a implantação do sistema.

A Artesp (agência reguladora de transportes de SP), no entanto, realizou um pregão em abril para a compra de transmissores com a mesma tecnologia. A iniciativa não foi adiante, pois as empresas participantes não aceitaram o valor de referência do edital, de R$ 15 por chip. O menor valor oferecido foi de R$ 18 a unidade.

DEDO-DURO

Denominado Siniav (Sistema Nacional de identificação Automática de Veículos), o chip federal é semelhante ao tag do Sem Parar e executará outras funções além da opção de pagamento eletrônico de pedágio. Sua principal missão será ajudar na gestão do tráfego e na identificação de veículos que circulam em situação irregular, com queixa de roubo, por exemplo.

As informações armazenadas no transmissor -placa, multas, taxas e vistorias pendentes- serão captadas por antenas instaladas em vias estratégicas e transmitidas para centrais de processamento de dados. Assim, o fiscal pode ser imediatamente alertado e abordar o motorista do carro irregular.

O sistema também emitirá um alerta quando passar algum automóvel sem o chip. A frota brasileira é estimada em 70 milhões de veículos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/veiculos/42475-chip-federal-deixara-licenciamento-mais-caro-a-partir-do-proximo-ano.shtml

 


Gostei de ler a explicação sobre esta palavra, que seria de uso da Marinha:

enfrechate 
(origem duvidosa, talvez de frecha

s. m.[Marinha]  Cada um dos degraus de cabo, madeira ou metal, que se fixam horizontalmente nos ovéns da enxárcia.

 

Bem fora de pauta...

Estou acompanhando as entrevistas pós-corrida (GP da Espanha, vencido pelo venezuelano Pastor Maldonado) na BBC. Acaba de ocorrer um incêndio nos boxes da Williams. Parece que explodiu um Kers ao lado de um tanque de gasolina. Muita fumaça. Não se sabe ainda quantas pessoas foram atingidas ou estão feridas. O negócio parece que foi muito feio. Já passou uma ambulância e alguns socorristas. :(

 

Ou o Brasil acaba com o PIG, ou o PIG acaba com o Brasil

"There can be no daily democracy without daily citizenship" Ralph Nader

 

http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/130038_A+MORAL+DO+CASCUDO

 

Zeca Baleiro

 

A moral do cascudo Poderíamos pensar em manter a prática do cascudo para algumas personalidades públicas brasileiras 

 

Há tempos atrás uma deputada brasileira criou projeto de lei que propunha que o cidadão que presenciasse um pai batendo no próprio filho teria o direito de denunciá-lo. Este pai, por sua vez, poderia vir a ser condenado caso se comprovasse a “agressão”. Curioso, pensei. E perigoso também. Antes de tudo, é preciso diferenciar agressão, espancamento e outras barbaridades com o direito – legítimo, penso eu – de pais e mães aplicarem bons “corretivos” nos seus petizes, apesar de isto parecer cada vez mais obsoleto neste tempo de correções políticas e farta hipocrisia. 

Há modalidades várias de corretivos, é bom lembrar. Vão desde a hoje folclórica palmada na bunda até a chinelada clássica. Meu pai, um homem amoroso mas firme, conta, com orgulho interiorano, ter batido nos seus filhos mais velhos com um “relho”, chicote de cavalos feito com couro trançado. Fala rindo. E diante dos risos dos filhos castigados, que se deliciam nas festas familiares com a (felizmente) longínqua lembrança. Não era um gesto violento, mas uma atitude de efeito “moralizador” – costuma ele dizer. Nenhum dos filhos parece ter ficado com alguma sequela psicológica, muito menos física. Eu, por ser a “rapa-de-tacho” da família, escapei da terrível sentença. Mas levei, aqui e ali, um tapa-no-pé-do-ouvido ou pescoção. De todos os “castigos” que recebi na infância, no entanto, o que sempre me pareceu mais cruel (e por isso quem sabe mais eficaz) foi o cascudo.

Para quem não se lembra ou não está ligando “o nome à pessoa”, aqui vai: “cascudo”, segundo o dicionário “Houaiss”, é uma “pancada na cabeça com o nó dos dedos dobrados”. Sei que a palavra “pancada” faz o gesto parecer mais violento do que de fato é, mas no mesmo dicionário há outros sinônimos mais brejeiros – cacholeta, cocorote, coque, castanha, etc. 

Não quero aqui fazer apologia da violência, absolutamente não. Primeiro porque não sou adepto de nenhuma prática que use ou abuse da força. Mas também porque sei que é um suicídio falar nesse assunto publicamente nestes tempos de patrulha de comportamento, de catequese de boas maneiras sociais. Pobre do pai que confessar bater nos filhos hoje em dia. Será automaticamente condenado. Portanto, não parece tão absurdo que alguém imagine uma lei de tal natureza como essa de que falei acima. Há um livro, “O Reizinho Mandão”, verdadeiro clássico da literatura infantil, da escritora Ruth Rocha, que narra a história de um reizinho mimado e autoritário que dita regras estapafúrdias como “é proibido cortar a unha do dedão do pé direito em noite de lua cheia” ou “é proibido dormir de gorro na primeira quarta-feira do mês”. O cara só se ajeita quando ao final recebe o merecido castigo.

Ok, deixemos cada pai com seus próprios métodos corretores. Mas poderíamos pensar em manter a prática do cascudo para algumas personalidades públicas brasileiras com o perfil do personagem de Ruth – mandão, mimado, autoritário e cheio de si. Bastaria um, um bem aplicado cascudo, sem violência de linchador, mas com firmeza de pai, para dotar o cidadão de bíblica humildade e repentina lucidez, fazendo-o despertar de seu transe de onipotência e arrogância, de sua embriaguez oligárquica.

Tivesse eu autoridade para tal, sairia por aí distribuindo cascudos a um monte de gente – políticos pés-de-chinelo, jornalistas irreponsáveis, celebridades chulas, jogadores de futebol indolentes e artistas demagogos. Tudo com apenas um, um cascudinho bem aplicado no quengo do cristão. Nada mais.

 

Mais um complô Chavista :

http://esporte.uol.com.br/f1/corridas-e-circuitos/corrida/2012/05/13/maldonado-supera-alonso-na-espanha-e-e-o-primeiro-venezuelano-a-vencer-na-f-1.htm

kkkkkkkkk

 

Faz um ano que esta Istoé mostrou para quem trabalham os congressistas.

http://www.istoe.com.br/reportagens/130292_PARA+QUEM+O+CONGRESSO+TRABALHA

Para quem o congresso trabalhaQuais são e como operam os grupos de pressão que dominam a Câmara e o Senado. a maioria financia bancadas informais com gente de todos os partidos para manter ou mudar algumas leis. Outros grupos são pautados por movimentos civis.

De lá pra cá não deve ter mudado uma vírgula.

 

 

Do Diário de Notícias de Lisboa

Liberdade, igualdade, normalidade

por ALBERTO GONÇALVESHoje33 comentários

Enquanto obedece à tradição local e enche a boca de fanfarra nacionalista para falar de "la France", François Hollande gosta de se proclamar "um homem normal". A imprensa, por lá e por cá, gostou do auto-retrato e, decerto para evitar canseiras, desatou a usá-lo com abundância nas manchetes da vitória: "uma presidência 'normal'"; "um senhor 'normal' no Eliseu"; "a vitória de um homem 'normal'", etc. O adjectivo define menos o sr. Hol- lande do que a concepção que o sr. Hollande e, pelos vistos, boa parte dos jornalistas têm da normalidade.

Basta espreitar o currículo do sujeito. Em 1974, ainda estudante universitário, o sr. Hollande voluntariou-se para a campanha de François Mitterrand. Mal se licenciou, conseguiu emprego numa comissão governamental. Aos 25 anos, inscreveu-se no Partido Socialista. Aos 27, concorreu ao Parlamento nacional. Não ganhou, mas viu o esforço recompensado com um cargo de conselheiro do então recém-eleito Mitterrand. Em 1983 foi vereador de uma cidadezinha do interior e, em 1988, chegou enfim a deputado, posto que perdeu em 1993 e recuperou em 1997. Pelo meio, divertiu-se em tricas partidárias e Lionel Jospin escolheu-o para porta-voz do PS. Nem de propósito, em 1997 tornou-se líder do PS, honra que lhe caberia por mais de uma década. Em 2001, pairou pela autarquia de Tulle. Desde 2008, o sr. Hollande prosseguiu o tirocínio numa presidência regional. Agora, é presidente da República.

Um homem normal? Normalíssimo, se a palavra definir as criaturas que passam a vida inteira sem, digamos, trabalhar. Esta linha de pensamento olha de viés os que algum dia arriscaram colocar o pé fora da política e experimentaram uma profissão a sério. O sector privado é coisa de excêntricos e, convenhamos, de excêntricos pouco confiáveis. Na França e aqui, o Estado é a norma.

As ideias do sr. Hollande também são normais. Naquilo que nos toca, conheço-lhe uma: a austeridade é má. E não custa nada encontrar gente, igualmente normal, que partilha a opinião. Só em Portugal, Francisco Louçã reclama o fim da austeridade, Mário Soares jura que a austeridade não faz sentido e António José Seguro, que naturalmente tomou o triunfo do sr. Hollande a título pessoal, acha a austeridade excessiva e dispõe-se a sair à rua em protesto.

É inacreditável como é que ninguém se lembrou disto antes. Afinal, a solução não passa por apertos que nos atormentam a bolsa e a existência: passa, obviamente, pelo crescimento, definição lata para a estratégia que consiste em gastar acima das possibilidades, viver de prometidos mundos e fundos, contemplar a descida das promessas à Terra, acumular dívida, rebentar com estrondo e atribuir a culpa de tudo às agências de rating, à sra. Merkel e, grosso modo, ao capitalismo selvagem.

Para surpresa de uns poucos (muito poucos), a solução dos problemas implica o regresso ao estilo descontraído que alimentou os problemas. E se a solução talvez não seja o sr. Hollande, entretanto já empenhado em desmentir os delírios de campanha e prevenir os franceses para as maçadas que os esperam, é garantido que a solução virá, no mínimo espiritualmente, de França. Chama-se José Sócrates e é, para sermos educados, outro homem normal.

 

Começam a bater na porta da Abril os vazamentos de gravações entre a quadrilha de Cachoeira e Policarpo Jr., vulgo PJ, vulgo Poli, vulgo Caneta. 

A revista vem sustentando existirem nos autos apenas duas conversas do jornalista com a gangue.  O internauta tuiteiro @daSilvaEdison  afirma que teve acesso a dois arquivos PDF das investigações e já localizou o registro de sete telefonemas, sendo dois com o próprio Cachoeira e cinco com o araponga Jairo. 

Até agora, de todos os proeminentes envolvidos diretamente no escândalo, somente o editor da Veja não se pronunciou sobre seu envolvimento. Todos os outros ou estão presos ou tentaram justificar suas ligações com os criminosos.

Os sete registros, segundo @daSilvaEdison, foram localizados em apenas quatro páginas do documento, o que mostra que a intensidade da aproximação é bem maior do que a revista tentar transparecer. 

Vejam os registros localizados pelo internauta e tirem, pelas datas, as próprias conclusões:

02-) CARLINHOS X POLlCARPO(PLX) --> 26/07/2011 19:07:59 26/07/2011 19:09:04 00:01:05. Pg 810

03-) CARLINHOS X POLICARPO(PLX) --> 04/08/2011 17:18:41 04/08/2011 17:19:13 00:00:32. Pg 954.

04-) JAIRO X POLICARPO (PLX) --> 10/08/2011 19:22:49 10/08/2011 19:23:43 00:00:54. Pg 1206. 

05-) JAIRO X POLICARPO (PLX) --> 10/08/2011 19:38:28 10/08/2011 19:38:45 00:00:17. Pg 1206

06-) JAIRO X POLICARPO (PLX) --> 11/08/2011 14:19:49 11/0812011 14:20:27 00:00:38. Pg 1207

07-) JAIRO X POLICARPO (PLX) ENCONTRO --> 15/08/201 I 19:04:08 15/08/2011 19:05:03 00:00:55. Pg 1211.

08-) JAIRO X POLICARPO PLX (ENCONTRO) --> 15/08/2011 19:26:36 15/08/2011 19:26:55 00:00:19. Pg 1211.

 

Twitter de Edison: https://twitter.com/#!/daSilvaEdison

 

Toni

novojornal .: Política .: Notícia - 12 de maio de 2012

Impeachment: O verdadeiro medo de Roberto Gurgel Além das acusações no esquema Cachoeira, existem provas da participação de Gurgel na paralisação de outros processos envolvendo o PSDB e DEM

Diante do crescente rumor da possível apresentação do pedido de impeachment do procurador geral, Roberto Gurgel, perante o Senado Federal, assunto que vem sendo debatido nas reuniões ocorridas nos últimos dias em Brasília, tanto entre os integrantes do Congresso Nacional (Câmara e Senado) que defendem a presença de Gurgel para depor perante a CPMI do Cachoeira, como da alta cúpula do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria Geral da República com integrantes da bancada do PSDB no Senado.

Em busca de resposta da real possibilidade legislativa da instalação deste procedimento, Novojornal consultou constitucionalistas e assessores da área no Senado apurando que realmente o maior risco que ronda o procurador-geral, Roberto Gurgel, não tem relação com seu depoimento na CPMI do Cachoeira e sim da instalação do processo para seu julgamento perante o Senado Federal. Sua convocação para comparecer perante a CPMI do Cachoeira serviria apenas de instrumento para estabelecer o contraditório e caso negada pelo Supremo, criar ambiente propício para o impeachment.

O Senado Federal possui função de exclusiva competência, como descrito no Art. 52 da Constituição Federal, ou seja: Processar e julgar: Presidente da República, Vice Presidente, Ministros do Supremo Tribunal Federal, Membros do Conselho de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, Procurador-Geral da República, Advogado-Geral da União e, nos crimes conexos ao Presidente e Vice, Ministros de estado, Comandantes da Forças Armadas. Se instaurado o processo de impeachment de Gurgel, este seria o primeiro em relação a um procurador-geral ocorrido na história republicana do Brasil, assim como foi o do ex-presidente e atual senador Fernando Collor em relação a chefe do Executivo. Este fato vem aterrorizando além de Gurgel os membros do Supremo Tribunal Federal, sujeitos à igual procedimento. Não por outro motivo que os ministros do STF já saíram na defesa de Gurgel. Segundo constitucionalistas consultados, o impedimento alegado por Gurgel para não comparecer perante a CPMI do Cachoeira, foge totalmente da realidade legal e constitucional, e a possível ingerência do STF seria indevida, quebrando a ordem constitucional de independência e autonomia dos Poderes, piorando ainda mais a questão, uma vez que, em função desta ingerência, justificar-se-ia a instalação do procedimento de investigação previsto no art. 52 da Constituição Federal. Caso Gurgel pretenda evitar seu julgamento pelo Senado Federal e possível impeachment, terá que renunciar antes da instalação do procedimento. Segundo os assessores legislativos consultados por Novojornal, de nada adiantará a atuação do presidente da Casa Legislativa, senador, José Sarney, embora o mesmo possa nos termos regimentais determinar o arquivamento do pedido de impeachment, com base no mesmo regimento caberia recurso ao plenário, onde os que pretendem investigar Gurgel sabidamente têm maioria. Segundo informou um dos participantes da reunião ocorrida na última quarta-feira (09/05), os integrantes do grupo de congressistas que defendem a convocação de Gurgel para depor na CPMI estariam torcendo para que o procurador-geral recorra ao STF, na opinião deles o procurador geral conseguiria a autorização para não comparecer, desta forma motivando e antecipando a instalação do procedimento de Impeachment. Pelo apurado por Novojornal no Senado, no Supremo e na PGR estaríamos próximos a uma crise institucional entre os Poderes com conseqüências imprevisíveis. Integrantes do MP que atribuem ao PT à articulação da convocação de Gurgel para posterior impeachment, já estariam articulando junto às diversas procuradorias regionais e estaduais iniciativas para “dar o troco”. Neste sentido, em São Paulo, o MP já anunciou que usará as provas colhidas no julgamento do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, no julgamento de outra ação que corre na Justiça, vinculando o crime a um suposto esquema de corrupção do PT. A Justiça aceitou a denúncia da Promotoria que tem como réus o PT e o atual ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). A acusação é de desvio de R$ 5,3 milhões dos cofres de Santo André para financiar campanhas do PT. Ação de improbidade administrativa corre paralelamente à esfera criminal. A Promotoria sustenta que Daniel descobriu que parte do dinheiro desviado para o caixa dois do PT foi embolsado por envolvidos no esquema, entre eles seu ex-segurança, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. A partir daí, Gomes da Silva teria contratado um grupo para matar o prefeito. O suposto esquema de desvios e fraudes em licitações foi repetido à exaustão nos dois júris pelos promotores, que apontam Gilberto Carvalho como responsável, segundo a denúncia, por transportar dinheiro em espécie até as mãos do então presidente do partido, José Dirceu. Ambos negam as acusações. O processo teve andamento na semana passada com a convocação de testemunhas para prestar depoimento no dia 30 de julho no ABC. "As ações estão coligadas e o fato motivador é o mesmo", disse o promotor Márcio Augusto Friggi, responsável pela acusação no júri de anteontem. Ele também é um dos responsáveis pelo processo que tramita em Santo André. "A idéia é que os resultados desses processos sejam informados uns nos outros para que possam servir de base para a decisão." Informando ainda que a expectativa da Promotoria é que o caso seja julgado ainda neste ano, "se não houver nenhum incidente". Por sua vez, partidos políticos dos parlamentares que defendem a investigação de Gurgel, já estariam arregimentando movimento popular para exigir o impeachment do procurador-geral, a exemplo do ocorrido no “Fora Collor”.  Novojornal apurou que o comportamento do PSDB e do DEM, de apoio ao procurador geral não teria nada de “moderador em busca de tranqüilidade” no relacionamento entre as instituições republicanas, estaria negociando seu apoio em troca do não julgamento do Mensalão do PSDB, que envolve o ex-senador, hoje Deputado, Eduardo Azeredo, assim como a não apresentação da denúncia relativa à “Lista de Furnas”, em andamento há seis anos no Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro. Investigações onde até agora, ninguém foi denunciado. Segundo o MPF do Rio, o inquérito está na fase de análise de um relatório preparado pela Polícia Federal (PF), em Brasília, informando as diligências realizadas. O inquérito que investiga a lista possui três volumes principais e 114 anexos. Ainda segundo o MPF a investigação pode resultar em apresentação de denúncia à Justiça, o arquivamento ou a requisição de mais diligências pela PF. Considerada um verdadeiro fantasma de políticos de vários partidos, principalmente do PSDB e do PFL, hoje DEM, a lista registra contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, em suposto benefício de 156 políticos da base do Governo do ex-presidente Fernando Cardoso, em 2002. Também em negociação estaria a AC 2280 que analisa o envolvimento de Cesar Maia no caso de Furnas entregue ao procurador federal de Brasília, Ronaldo Meira Alboli. Além da negociação anteriormente citada, congressistas do PSDB e DEM sabem que os defensores da convocação de Gurgel, têm provas da intervenção do procurador geral, na inércia da atuação do Ministério Público Federal em ação relativa à Lista de Furnas na Justiça Federal do Rio de Janeiro e irão questioná-lo a este respeito em seu depoimento. Enquanto Gurgel e a instituição que ele dirige continuam sangrando, criando ambiente propício para negociações políticas onde as questões deveriam ser apenas jurídicas, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) constitucionalmente competente para solucionar o que está ocorrendo em relação à atuação de integrantes do MP, encontra-se imobilizado conforme notícia publicada por Novojornal: “No Conselho Nacional do Ministério Público está tudo dominado”.

 

Hoje não, hoje não! Hoje sim, hoje sim!

Não sei se em 01 de maio foi postada alguma coisa sobre os 18 anos da morte de Ayrton Senna. O fato é que os fãs brasileiros de Fórmula 1 ficaram órfãos de um piloto para torcer, mesmo tendo passado pela categoria 15 pilotos desde então, número igual ao de pilotos que antecederam Senna desde o início da F1. Desses, o mais longevo foi Rubens Barrichelo, recordista absoluto de temporadas (19) e GPs disputados (326), mas de resultados medíocres: apenas 11 vitórias, contra 41 de Senna, que disputou 162 corridas em 11 temporadas, e ainda foi tri-campeão mundial.

Felipe Massa vem em segundo, com igual número de vitórias  de Barrichello, em 10 temporadas e 150 corridas (mas apenas 138 largadas).

Os demais brasileiros disputaram poucas temporadas e corridas, sem nenhuma vitória:

Pedro Paulo Diniz: 6/99

Maurício Gugelmin: 5/74

Christian Fittipaldi: 3/43

Ricardo Zonta: 4/37

Ricardo Rosset: 2/33

Enrique Bernoldi: 2/29

Tarso Marques: 3/26

Lucas Di Grassi: 1/19

Cristiano da Matta: 2/28

Nelsinho Piquet: 2/28

Bruno Senna: 3/26

Antonio Pizzonia: 3/20

Luciano Burti: 2/15

 

Pessoalmente, nunca vi talento em nenhum deles, mas os únicos em quem eu apostava que poderiam ter algum sucesso foram, ironicamente, os que menos participaram da Fórmula 1: Antonio Pizzonia e Luciano Burti. Christian Fittipaldi e Nelsinho Piquet correram com o sobrenome, assim como Bruno Senna. Este, no entanto, foi o último a ingressar no circo, e é o único que ainda pode se destacar, pois está no início da carreira., e é o único em atividade, além de Massa.

Nelsinho Piquet protagonizou uma das cenas mais vergonhosas da carreira de um piloto: bateu propositalmente no muro no GP de Cingapura de 2008, provocando a entrada do safety-car, o que facilitou a vitória de seu companheiro de equipe na Renault, Fernando Alonso. No ano seguinte, ao ser comunicado de sua demissão da equipe, tentou chantageá-la para continuar correndo a temporada de 2009, ameaçando divulgar o acidente forjado, o que acabou por fazer, pondo um final melancólico em sua breve carreira de piloto da F1, além de deixá-lo marcado com a imagem de oportunista (alguns se referem a isso como cafajestice). Piquet pai nega que tivesse havido chantagem, disse que foi para aliviar a consciência que o filho entregou a manipulação do resultado. Acredite quem quiser.

Sempre houve, na Fórmula 1, jogo de equipe para favorecer o piloto da escuderia mais bem colocado no campeonato, mas nunca tinha havido algo parecido com o que fez Nelsinho Piquet, pois colocou a própria vida, e a dos demais pilotos, em risco. Já Rubens Barrichello, outra grande decepção, chegou a ter essa cláusula de preferência para o companheiro em contrato, durante os anos que teve Michael Schumacher como companheiro de equipe, na Ferrari.

Em 2002, a Ferrari o obrigou a trocar de posição com o alemão, dando a este a vitória. Barrichello esperou até pouco antes da linha de chegada para deixar Schumacher ultrapassá-lo, o que provocou uma intensa vaia do público que fez com que Schumacher, envergonhado, trocasse de lugar no pódio com Barrichelo, reconhecendo que a vitória seria dele se não fosse pelo jogo de equipe.

Essa corrida, há exatos 10 anos e, coincidentemente, também num dia das mães, foi narrada pelo locutor da Globo Cléber Machado, normalmente mais comedido e menos patrioteiro que seu colega Galvão Bueno. Cléber deixou o comedimento de lado e fez comentários desabonadores à Ferrari, em tom de revolta.

O portal UOL relembrou esse episódio vergonhoso em sua página principal, ontem à noite. Mas fez uma lambança à altura do episódio: colocou a áudio do Cléber Machado revoltado com a Ferrari em cima de um vídeo de uma ultrapassagem de Fernando Alonso sobre Felipe Massa no GP da Alemanha de 2010. Não dá nem para usar o argumento de que as imagens são semelhantes, pois no vídeo aparece nitidamente que a ultrapassagem de Alonso foi na 49ª volta, de um total de 67 voltas.

O vídeo ainda está disponível, mais de 12 horas depois de postado na página. Dos 20 comentários, 15 apontam o erro e, nem assim, o UOL o corrige. Um comentarista ironiza os erros de português da matéria (veja abaixo, quando diz que o locutor não faz questão nenhuma de expressar sua indignação), outro mostra perplexidade com a afirmativa de que os locutores globais teriam uma suposta imparcialidade.

Abaixo a matéria, com o vídeo trocado e depois o correto, além dos comentários.

 

UOL - 12.05.2012 - 19:16

Há dez anos Cléber Machado se revoltava com a Ferrari: “Hoje não! Hoje não! Hoje sim…”

Crédito da imagem: AFP Photo/Rick Hertzog

 

Hoje Rubens Barrichello é piloto da Fórmula Indy e Michael Schumacher ainda tenta suas últimas cartadas na Fórmula 1 com a Mercedes, mas dez anos atrás ambos eram os pilotos da Ferrari, embora o alemão desfrutasse de alguns privilégios na escuderia.

E foi justamente este privilégio que fez a equipe italiana obrigasse Rubinho a deixar Schumacher ultrapassá-lo na reta final do GP da Áustria. A atitude da escuderia levantou debates no circo da Fórmula 1, com questionamentos sobre até que ponto a equipe poderia influenciar na atuação de seus pilotos na pista.

Porém, para os telespectadores que acompanhavam a prova naquele dia das mães de 12 de maio de 2002, outra lembrança marcante foi a narração de Cléber Machado que, fugindo um pouco do protocolo imparcial dos narradores globais, não fez questão nenhuma de expressar sua indignação com a atitude da Ferrari.

 

COMENTÁRIOS:

Saulo Rios

4 horas atrás

Vai rolar demissão!!!!!! Que jornalismo distraído é esse?

       

Gremista-Sp1

4 horas atrás

GP Áustria 2002 - Última volta. Basta colar isso no Youtube

 

eduardo71

5 horas atrás

Está ruim demais o UOL hein! Acorda aí o pessoal da redação, tá tudo trocado!!

 

Gustavo Sbruzzi

5 horas atrás

Infelizmente mais do que a liberdade da competição e do melhor vencendo......temos o dinheiro que atrapalha os resultados corretos......pena q naquela epoca nao tinhamso os pneus de hj que sao alvos de reclamação dum heptacampeao de formula um....o pneu o transformou em mortal........e nada me tira da cabeça que alguma coisa tinba de errado em 94 na beneton......ng nunca tinha sido pareo ao melhor piloto de formula 1 que ja existiu...... saudades Senna. Vai rubinho......na Indy...naondeixar o alemao loko te passar ano passado valeu por tudo!!!!!!!!!!

        

Victor Zelano

5 horas atrás

Minha Nossa! Como esse site UOL é ruim. Colocou a narração do Cleber Machado e as cenas da ultrapassagem do Alonso sobre o Massa na Alemanha. ... O texto também está mal escrito. Por favor releiam com atenção, pois o Cleber Machado fez questão sim de expressar sua indignação. Corrijam essa gafe urgência! Que horror!!!!

 

Ricardo1212

5 horas atrás

kkk troca de vídeo feia. Falta de diploma e informação básica. Estagiários muito ruins. É o que se paga pela velocidade da informação tentando encaixar notícias inúteis para chamar a atenção.

 

Jardel Ramos

6 horas atrás

Ainda se exige diploma de Jornalismo em grandes sites como uol??? Será que a pessoa que postou essa bagaça teve pelo menos o trabalho de assistir ao vídeo e ver que tava trocado, apenas com a narração sendo daquele fatídico dia ??? Vamos melhorar, pois assim não dá!!!

 

Fabian_Pagani

6 horas atrás

UOL !!!! Que palhaçada é essa ???, a imagem não tem nada a ver com o Rubinho... Não é a imagem da Austria... Comigo voces perderam a credibilidade.

 

Click Um

6 horas atrás

Há tempos que venho criticando o jornalismo do UOL, sempre muito fraco e sensacionalista. Mas agora passou dos limites, não dá mais para ver notícias por aqui. Ridículo!

 

Sauro Godoi

6 horas atrás

Precisamos melhorar UOL.

 

Stênio Fabrício Morais

7 horas atrás

Muito ruim essa reportagem do uol.... colar voz em imagem diferente é digino de jornalismo padrao Veja. Vamos la uol... muito ruim isto ai

 

FAZENDINHA

7 horas atrás

ATÉ PARECE QUE O CLÉBER MACHADO NÃO CONHECIA A ferrari, jean todt, dick schumi !!! UMA COISA É CERTA....BARRICHELLO INCOMODOU MUITO MAIS O PILOTO Nº 1 DO QUE O FELIPE ESPAGUETTI !!!

 

rolimã O RETORNO

7 horas atrás

Foi esse baixinho do meio na foto que puniu Hamilton ? Naquela época ele já não tinha escrupulos nem vergonha na cara ?

 

Thomaz Scheider

7 horas atrás

Mas que porcaria é essa? O vídeo não tem nada a ver... Ao que me parece colocaram o aúdio do Cleber Machado de 10 anos atrás no vídeo da corrida da Alemanha de dois anos atrás, quando o Massa abriu passagem p/ o Alonso.

 

Eddy-USA

7 horas atrás

A FERRARI se deslmoralizou com essas atitudes, e olha que com os fracos Barrichelo e Massa eles nem precisavam fazer isso, por isso SENNA SERA ETERNO, ganhava nas pistas e TINHA CARATER PRA DIZER NAO a muita coisa suja da F1, que nao pode JAMAIS ser chamada de ESPORTE, na verdade e' uma ATIVIDADE, alias lucrativa pra poucos e ilusoria pra muitos, especialmente pra nos telespectadores que acreditamos na lealdade de um Campeonato de PILOTOS que ja nao existe mais.

 

JohnnyGALODoido

8 horas atrás

"Fugindo um pouco do protocolo imparcial dos narradores globais"??????

 

Leandro G. Silva

8 horas atrás

Pois é, pelo menos o Rubens honrou o nome do Brasil em todas as corridas, tentando fazer seu melhor, resistindo às críticas, à falta de apoio dos brasileiros e também a pressão dentro da Ferrari. Era claro que ele não tinha um carro igual ao do Schumacher. Falando em Dick Vigarista, esse será sempre lembrado pelas trapaças como no vídeo acima do que pelas suas conquistas.

 

Sergio R M Penedo

8 horas atrás

Vamos fazer bom jornalismo... colocar a voz do Cléber Machado narrando o final da corrida quando as imagens mostram 49/67 voltas é querer empurrar goela abaixo um material pra lá de mal-feito... alô UOL, reveja seus conceitos!!!

 

Thomaz Scheider

7 horas atrás

Absurdo mesmo! Acabei de comentar isso... esse vídeo é uma farsa, uma piada aos fãs de Formula1!

 

Sinegaglia

9 horas atrás

As imagens não são da corrida que o Cleber está narrando. Essas imagens são do GP da Alemanha

 

Renato MT

7 horas atrás

Exatamente meu amigo, é o GP da Alemanha e ainda temos Alonso e Massa na Ferrari, pô UOL, amador isso...

 

Alisson Fernandes

9 horas atrás

Se tratando de Rubinho, sempre será: HOJE SIM !!!

 

 

domingo, 13 de maio de 2012

DEPUTADO AMIGO DE CACHOEIRA AMEAÇA JOGAR LERÉIA NO VENTILADOR CASO SEJA DEFENESTRADO DO NINHO TUCANO  
| author: Lingua de Trapo   Leréia diz que só sai do PSDB se Azeredo for juntoDeputado sinalizou que só deixará o partido se os tucanos adotarem providências drásticas também em relação ao Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Dirigentes do PSDB pressionam para que o deputado Carlos Alberto Leréia (GO) se licencie do partido já na terça-feira, até que a CPI mista revele o tamanho do seu envolvimento com o esquema montado pelo empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.
O destino de Leréia, entretanto, ainda divide integrantes da sigla. Parte dos tucanos, como os senadores Álvaro Dias (PR) e Aécio Neves (MG), defende o afastamento imediato para não repetir a conduta do PT no mensalão.
Outra ala, porém, teme que rifar Leréia agora possa deixar vulnerável o governador Marconi Perillo (GO), também envolvido no esquema e a quem o partido se empenha em blindar. Leréia tem repetido na bancada que é amigo de Cachoeira há anos, admite ter interferido em favor dele para nomeações de cargos públicos, mas diz que não participava de esquema de contravenção.
Amigo assumido do bicheiro Carlos Cachoeira e flagrado em conversas gravadas pela Polícia Federal como integrante do esquema criminoso, o deputado Carlos Leréia (PSDG/GO) não pretende abandonar o ninho tucano. Ontem, ao ser abordado pelo presidente do partido, Sérgio Guerra (PSDB/PE), e pelo líder na Câmara (PSDB/PE), Leréia deixou claro que a desfiliação não faz parte dos seus planos. Mais: sinalizou que só deixará o partido se os tucanos adotarem providências drásticas também em relação a outros parlamentares.
 “Peraí. Deixa eu ver. Vocês querem se livrar de mim porque sou amigo do Cachoeira há 30 anos. E o deputado Eduardo Azeredo, que é réu na Justiça? E o senador Cícero Lucena, que foi preso? E vocês querem expulsar a mim?” Com informações da Folha.com. 0 comentários Read More... às 18:38   Do Blog Língua de Trapo.

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Notícias / Política BR

 

12/05/2012 - 15:43

 

Taques exige que CPMI obtenha acesso à íntegra das gravações da PF

 

 

 

Da Redação - Victor Cabral

 

Foto: Folha de Paranatinga

Taques exige que CPMI obtenha acesso à íntegra das gravações da PF

























O senador por Mato Grosso Pedro Taques (PDT) quer que gravações feitas pela Polícia Federal (PF) no caso Cachoeira sejam entregues de uma só vez a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O parlamentar apresentou requerimento na Secretaria de Comissões do Senado.

O senador Padro Taques, membro da Comissão que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados, quer que a CPMI do tenha acesso ao HD (Hard Disk), que contém as informações das operações denominadas Vegas e Monte Carlo, obtidas pela Polícia Federal.

"A CPMI não pode ficar recebendo informações à conta gotas e dependendo da apreciação de autoridades ou sobre o que nós devemos conhecer ou não sobre os fatos que dizem respeito a esta investigação”, afirmou o senador Pedro Taques.

O parlamentar aponta que as informações adquiridas até o momento sinalizam para a necessidade de se obter o quadro completo do conteúdo das gravações. Pedro Taques lembra que, sem o acesso completo do conteúdo das gravações, os membros da Comissão não terão certeza se estão de posse de todo material necessário ao completo esclarecimento dos fatos. Ele finaliza sua justificativa ressaltando que está "cumprindo o papel constitucional de apuração da verdade”.

De acordo com a assessoria de imprensa do parlamentar, após ser protocolado, cabe ao presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), definir a data de votação do requerimento.

 

Record, o bispo, a blogosfera e o efeito espinafre

 

 

Por
Comecemos pelo dono da Rede Record, o bispo Edir Macedo, porque, como sempre acontece quando a emissora do fundador da Igreja Universal divulga alguma coisa que não interessa aos grupos políticos que contraria, a estratégia dos contrariados é a de desqualificar o portador da mensagem em lugar de contestar seu conteúdo.
Macedo tem, sim, uma trajetória controversa. Contudo, não difere tanto das de outros barões da mídia. É fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que, segundo o Censo 2000 (IBGE), tem mais de 8 milhões de fiéis em cerca de 170 países da Europa, da Ásia, da Oceania, da África e das Américas. Ainda segundo o IBGE, a IURD é a quarta maior corrente religiosa do país.
Dono de fato e de direito da Record, Edir Macedo Bezerra (Rio das Flores, Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 1945) é oriundo de família católica praticante, mas chegou a frequentar terreiros de Umbanda na juventude, posteriormente abandonando essa fé para se tornar evangélico. Autor de vários livros religiosos, tornou-se doutor em Teologia e Filosofia Cristã pela Faculdade de Educação Teológica do Estado de São Paulo.
Casou-se, teve duas filhas e, 14 anos depois, adotou uma criança recém-nascida.  Tornou-se pastor evangélico em 1974. Pregava ao ar livre do coreto de uma praça do Méier, no Rio de Janeiro. Em 1977, fundou a Igreja Universal no prédio de uma antiga funerária na Zona Norte do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em teologia em 1981.
Em 1989, com outros empresários assumiu a direção da então deficitária TV Record, que tinha apenas três emissoras – uma na capital e duas no interior de São Paulo. Todavia, a compra da emissora por Macedo só se deu em 1991, quando adquiriu seu controle acionário.
Em 1989, sofreu o primeiro ataque na mídia através da então Rede Manchete (hoje RedeTV!), que criticou os métodos da IURD de colher dízimos dos seus fiéis. Na década de 90, após a compra da Rede Record, emissoras concorrentes desencadearam uma série de matérias em formato de denúncia.
Em 1992, Macedo foi preso sob acusação de charlatanismo, curandeirismo e envolvimento com tráfico de drogas. Foi sumariamente inocentado. Uma semana após ser preso, foi libertado.
Em 1995, a Globo exibiu, no Jornal Nacional, reportagem contra o concorrente que o mostrava ensinando seus pastores a convencerem os fiéis da IURD a darem ofertas e dízimos. A matéria exibiu filmagem clandestina de um dos pastores que se desligou da IURD e que mostrava Macedo em meio a brincadeiras, sugerindo que seus “alunos” utilizassem a filosofia do “dá ou desce”, referindo-se a fiéis que não davam dízimo.
Em resposta, o bispo da IURD concedeu entrevista ao telejornal de sua emissora a fim de se explicar: “A pessoa dá [o dizimo] e é abençoada ou desce, fica para trás, deixa de ser abençoada por Deus”.
Edir Macedo também foi denunciado pelo Ministério Público por importação fraudulenta de equipamentos e uso de documento público falso. O processo foi aceito pela Justiça Federal, que terminou com apreensão de uma carga de 1,7 toneladas de aparelhos para radiodifusão. Com base na apreensão, o Ministério Público denunciou Macedo, mas não houve condenação.
Em 2009, o líder da IURD e proprietário da Record foi novamente alvo de denúncias do Ministério Público de São Paulo, que o acusou de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em 2010, porém, todas as denúncias foram sumariamente anuladas.
Detalhe: o Ministério Público de São Paulo ainda tenta salvar as suas denúncias contra Macedo, mas a versão paulista da instituição MP vem recorrentemente sendo acusada de atuar politicamente em favor do PSDB. Recentemente, o governador Geraldo Alckmin ignorou a lista tríplice do MPE – SP e fez do segundo colocado o novo procurador-geral do Estado.
Nunca surgiram denúncias de corrupção envolvendo dinheiro público, relações suspeitas com políticos e governos etc. De concreto contra Macedo, há, apenas, a apreensão de equipamentos de televisão pela Receita Federal.
Ainda que os métodos da IURD de receber financiamento de seus fiéis sejam questionáveis, todas as igrejas brasileiras – incluindo a católica – também recebem doações de seus “rebanhos”, além de isenções mil de impostos. Além disso, outros donos de redes de televisão também sofreram processos e, como Macedo, também foram inocentados.
Sobre trajetórias controversas, Roberto Marinho, fundador da Globo, viu seu império crescer à sombra da ditadura militar. E, como Macedo, sofreu vários processos. João Saad, fundador da Rede Bandeirantes, era caixeiro-viajante até que se casou com a filha do ex-governador paulista Ademar de Barros em 1947. Em 1948, assumiu a Rede Bandeirantes. Além de também ter sido agraciado pela ditadura, seu sogro, Ademar de Barros, entrou para a história como notório ladrão de dinheiro público.
Nenhum desses barões da mídia está sendo absolvido. Todos eles têm trajetórias controvertidas, são alvos de acusações de seus respectivos desafetos. Nenhum deles pode ser santificado ou considerado melhor do que os outros.
O que se pode dizer de inquestionável sobre os barões da mídia eletrônica é que os mecanismos para concessões públicas de rádio e tevê é que estão errados, pois baseiam-se em critérios que nada têm que ver com o interesse público e com os ditames constitucionais.
Hoje, a Record, como a Globo, tem uma opção política. Se está correto? No mundo inteiro conglomerados de mídia fazem tais escolhas. Quem tenta desqualificar a recente tomada de posição política da Record contra a Veja e seus aliados midiáticos com base na trajetória de Edir Macedo, portanto, pratica vigarice intelectual.
As denúncias de emissoras concorrentes da Record contra os dois últimos governos federais do PT são sempre levadas a sério, investigadas e geram demissões – ou não. Mas são ao menos examinadas. No caso de Veja, os concorrentes da Record querem descartar as denúncias sem examinar nada.
O que é interessante, nesse processo, é que, pela primeira vez, o que está fundamentando a série de denúncias de uma TV contra a Veja é nada mais, nada menos do que a Blogosfera Progressista.
A matéria contra a revista que a emissora levou ao ar no último domingo, aliás, teve novo capítulo no Jornal da Record da última sexta-feira. Quem não assistiu a mais esse round da campanha da Record pela investigação da Veja, pode assisti-lo ao fim deste post.
A Record, ao replicar blogs políticos, vai se tornando, para eles, uma espécie de “espinafre” como o que o personagem dos quadrinhos Popeye ingeria para ganhar força. Claro que, à diferença do personagem infantil, o “espinafre” televisivo não está sempre à mão da Blogosfera – só aparece quando a emissora julga interessante.
Seja como for, é um fenômeno novo a segunda maior rede de televisão do país levar a dezenas de milhões de brasileiros o conteúdo de blogs políticos – e qualquer leitor da blogosfera que assistiu ou vier a assistir denúncias ou abordagens da Record contra a Veja perceberá que se originaram de vários blogs, inclusive deste.

Assista, abaixo, à edição de ontem (sexta-feira, 11 de maio) do Jornal da Record

http://youtu.be/lYNsaboQ2dc



 FOLHA DE SP E GLOBO DEFENDEM AÇÃO CRIMINOSA DA ...Por Leão do Norte| 1 vídeo

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Notícias / Política BR

 

12/05/2012 - 18:57

 

Blindada no Congresso Nacional, CPI do Cachoeira vai parar na internet

 

 

 

R7

 

Foto: Dida Sampaio/AE

Blindada no Congresso Nacional, CPI do Cachoeira vai parar na internet

Na mesma semana em que mais uma atriz viu sua intimidade exposta na internet, deputados e senadores decidiram tornar secretas as primeiras reuniões da CPI mais explosiva desde o escândalo do mensalão, de 2005.

Preocupados com o sigilo das informações colhidas pela Polícia Federal, os parlamentares montaram um esquema para blindar os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em duas sessões com portas fechadas, realizadas na terça (8) e na quinta-feira (10), o Congresso ouviu os delegados que conduziram as apurações.

Mas, apesar do bloqueio, dados das operações da PF que servem de base para os trabalhos da CPI vazaram e foram parar na internet. A quebra do sigilo deixou no ar uma pergunta: com a popularização da internet e a chegada das redes sociais, que permitem compartilhar conteúdo em velocidade inédita, é possível manter em segredo um assunto de tamanha importância?

Nos últimos dias, a internet mostrou seu poder para furar a privacidade. Na sexta-feira da semana passada (4), fotos da atriz Carolina Dieckmann nua caíram na rede depois que seu computador foi invadido por um hacker. Em questão de minutos, as imagens se espalharam e foram parar até em sites estrangeiros.

Enquanto a privacidade alheia era debatida nas redes sociais, os parlamentares blindavam as sessões da CPI e tentavam proteger as informações do caso Cachoeira em uma sala montada no Senado com um rígido esquema de segurança.

Como o processo corre sob segredo de Justiça, os deputados e senadores alegaram que era necessário proteger o resultado das apurações já feitas pela polícia.

O pedido para trancar as portas das primeiras sessões da comissão, em que foram ouvidos os delegados Raul Alexandre Marques Sousa e Matheus Mella Rodrigues, partiu do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) e da senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

Eles evocaram o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que liberou os dados em poder da Corte com uma advertência: “observar as restrições de publicidade inerentes aos feitos sob segredo judicial” e “manter o rígido sigilo na prestação de informações de qualquer material desta investigação parlamentar”.

Por 17 votos contra 11, o pedido foi aceito, mas não sem protesto, como o do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que saiu dizendo que “o conteúdo vazaria de qualquer maneira”.

Para a cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), a internet tornará cada vez mais difícil a tarefa de deixar a população longe das CPIs.

Ela lembra que até um dos inquéritos analisados pela comissão vazou primeiro na web. O site Brasil 247 anunciou a publicação de 40 gigabytes de informações da operação Monte Carlo da seguinte forma: “saiba aqui o que nem a CPI sabe”.

Para Maria do Socorro, a circulação das informações na internet podem ajudar a opinião pública a interferir diretamente na condução das investigações no Congresso.

— Isso será possível no médio prazo, mas vai depender da organização das redes. Como a internet tem uma linguagem informal, os jovens poderão se aproximar da política.

A cientista diz que se trata de uma “forma de democracia participativa direta, quase como um plebiscito”.

— Pela internet, as pessoas poderão pressionar partidos, bancadas. À medida que o cidadão percebe que esse meio pode ser mais rápido para pressionar, ele vai aderir.

Ao R7, o senador Paulo Davim (PV-PR), que votou contra o fechamento das sessões da CPI, afirmou que manter o sigilo em tempos de internet “é um contrassenso”.

— As informações acabam vazando. É difícil segurar o sigilo. Sempre há um comentário do membro [da CPI] com alguém que trabalha com ele, ou com a família. O risco são as informações que foram mal ouvidas e mal interpretadas vazarem. Pode acontecer um mal entendido.

Enquanto políticos tentam blindar uma CPI e a atriz reclama do fim de sua privacidade, há quem adore os holofotes proporcionados pelo ambiente virtual.

Também na semana passada, a terapeuta ocupacional Sabrina Ferigato, de 30 anos, ficou conhecida por compartilhar o nascimento de seu filho na internet. O objetivo era propagar a ideia do “parto humanizado”. O vídeo já foi visto por mais de 2 milhões de pessoas.

 

 

O futuro do Afeganistão

Sáb, 12 de Maio de 2012 13:05- No Outro Lado da Noticia

 

Xinhuanet, Pequim
http://news.xinhuanet.com/english/indepth/2012-05/03/c_131565511.htm

Traduzido pela Vila Vudu

O pacto de parceria estratégica firmado entre os EUA e o Afeganistão durante a visita secreta do presidente Barack Obama àquele país da Ásia Central na 3ª-feira está sendo interpretado como o início de novo capítulo nas relações EUA-Afeganistão e como medida para pavimentar o caminho para que os militares dos EUA permaneçam na Ásia Central depois da retirada das tropas da OTAN em 2014.


A visita de Obama, no aniversário da morte de Osama bin Laden, também pode ser interpretada como um sinal de que os EUA desejam confirmar, para o resto do mundo, que continuam empenhados em combater o terrorismo.

Mas, dados os graves desafios que EUA e seus aliados ainda enfrentam no Afeganistão, há longo caminho a percorrer, antes que se vejam avanços na situação de segurança naquele país. Verificar se os EUA poderão trabalhar com o lado afegão para estabilizar o país depois da retirada da OTAN será um teste para a estratégia e a credibilidade dos EUA na região.

A coalizão de forças lideradas pelos EUA derrubou do poder o regime Talibã no final de 2001 e desde a década passada tenta erradicar de lá o grupo terrorista. Mas os militantes Talibã atacam as forças afegãs e da OTAN praticamente todos os dias.

Aquele pacto criticamente importante foi firmado apenas dois dias depois de os militantes Talibã terem lançado sua nova ofensiva de primavera em Kabul e em três outras cidades, dia 15 de abril. Os vários ataques coordenados deixaram 48 mortos, inclusive 36 atacantes, e 65 feridos, inclusive 25 civis.

Essa mais recente ofensiva dos Talibã reacendeu preocupações de que, depois de 10 anos de operações militares no Afeganistão as forças da OTAN lideradas pelos EUA ainda não tenham conseguido acertar qualquer golpe incapacitante contra o grupo terrorista. Os Talibã afegãos ainda conservam a capacidade para atacar a qualquer momento, infligindo pesadas baixas ao povo afegão. E há também abundantes evidências de que as operações dos Talibã tornam-se cada vez mais secretas e imprevisíveis.

Simultaneamente, os crimes e infrações cometidos por soldados norte-americanos no Afeganistão erodiram a credibilidade dos EUA no país e inflaram sentimentos antiamericanos, o que torna cada vez mais difícil para o governo afegão qualquer cooperação com a OTAN.

Cerca de 130 mil soldados coordenados pela OTAN, entre os quais cerca de 90 mil soldados norte-americanos, devem deixar o Afeganistão até o final de 2014.

A assinatura do tratado de parceria estratégica com o Afeganistão é apenas o primeiro passo numa nova etapa da estratégia dos EUA para a região. Mas, para evitar que o Afeganistão seja deixado para trás ainda mergulhado em terrível confusão e em pleno caos, os EUA devem concentrar-se em reparar as brechas na segurança e buscar uma transição suave que leve à retirada das forças da OTAN.

 

 

Montadoras prometem juro zero para se livrar de estoquesEm abril, revendas e fabricantes fecharam o mês com 366,6 mil veículos em estoques, o equivalente a 43 dias de vendas

AE | 12/05/2012 09:36:09 - Atualizada às 12/05/2012 09:38:09 - No IG

 

Montadoras tentam desovar parte dos estoques de veículos que está nas fábricas e nas revendas com ofertas, a partir desse fim de semana, de juro zero para vários modelos. O valor da entrada, porém, continua elevado - metade do preço do carro -, em razão da alta inadimplência registrada nos últimos meses. Bancos privados também reduziram taxas para financiamento de veículos.

Revendas e fabricantes encerraram abril com 366,5 mil veículos em estoque, o equivalente a 43 dias de vendas, maior nível desde o fim de 2008, no auge da crise financeira global. Esse quadro está levando várias montadoras a reduzirem a produção com férias coletivas ou redução de jornada de trabalho.

Foto: AE/Sérgio Castro Apesar dos juros baixos, montadoras ainda pedem entradas elevadas

A francesa Renault oferece a partir de hoje a maioria dos modelos da marca com juro zero, em 36 parcelas, e entrada de 50% do valor do carro (Logan) e 60% para os demais (Sandero, Symbol, Mégane, Fluence e Duster). Para Clio, Kangoo e Master, o juro é de 0,99% ao mês na compra em 24 parcelas (com entrada de 50%) e de 1,19% em 60 meses e entrada de 40%. A promoção vale até o fim de maio.

A Volkswagen inicia campanha para todos os modelos da linha Gol, vendidos em 12 prestações sem juros e entrada de 50% do valor do produto. O banco da montadora também oferece modelos em 60 vezes sem entrada, mas nesse caso o juro é de 1,23% ao mês.

A Peugeot vende o modelo 207 com taxa mensal de 0,49% - são 36 parcelas de R$ 498,70, mais entrada de R$ 18 mil (55% do valor do carro). A Honda cobra 0,99% de juro para modelos da marca, também com entrada de 50% e o resto em 24 parcelas.

Ontem, a Caixa Econômica Federal e o PanAmericano anunciaram uma linha de crédito promocional para veículos novos com taxas a partir de 0,97% ao mês e prazos de até 60 meses. A linha é oferecida em todas as concessionárias que operam com essas instituições e não é necessário ser cliente de uma delas.

"A iniciativa tem o mérito de apoiar o segmento para alavancagem das vendas que se mostram menos vigorosas nos últimos meses", diz nota assinada pelo presidente do PanAmericano, José Luiz Acar Pedro.

O diretor da revenda Volkswagen Amazon, Marcos Leite, diz que os bancos continuam restritos na aprovação do crédito e só liberam "as fichas boas" - de cliente que não têm histórico de inadimplência e nem boa parte da renda já comprometida, por exemplo com compras no cartão de crédito. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo


 

Comissão da Verdade deve convocar ex-delegado Cláudio GuerraNo livro "Memórias de uma guerra suja", ele fez revelações inéditas sobre a ditadura militar e admite vários assassinatos

Wilson Lima, iG Brasília |12/05/2012 07:00:07

  Foto: Agência Porã Cláudio Guerra: cotado para depor na Comissão da Verdade

A Comissão da Verdade, oficialmente montada nesta quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff (PT), deve convidar ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Político Social) do Espírito Santo, Cláudio Guerra, para prestar depoimento sobre envolvimento em crimes durante a ditadura militar.

Veja também:

No livro “Memórias de uma guerra suja”, dos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, Guerra faz várias revelações sobre o regime militar até então desconhecidas. Ele afirma que o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo, considerado um símbolo da linha-dura do regime foi assassinado por um grupo de militares revoltados contra a abertura política no Brasil.

Em outros trechos do livro, Guerra também declara que militantes de esquerda foram incinerados em uma usina de cana de açúcar localizada no Rio de Janeiro e que os mesmos comandantes que planejaram o atentado do Riocentro foram os responsáveis pela execução do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982. Alguns personagens citados por Guerra, no entanto, desmentem trechos dos depoimentos do ex-delegado do DOPS e chegam a classifica-los como “fantasiosos”.

O advogado José Carlos Dias, conselheiro da Comissão de Justiça e Paz e um dos signatários da Carta aos Brasileiros, redigida em 1977, na faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), repudiando a Ditadura Militar, não teceu comentários sobre os relatos de Guerra. Mas ele afirmou ao iG que é importante o convite a Guerra. “Claro que ele pode ser chamado. Assim como outras pessoas”, afirmou Dias. “Temos que cumprir a lei que é procurar a verdade dos fatos e reconstituir a história da melhor forma possível”, disse.

O ex-procurador-geral de Justiça e que durante a juventude atuou como membro do grupo Ação Popular, Cláudio Fonteles, também defendeu o convite a Guerra como parte das investigações da Comissão da Verdade. “Ele pode ser ouvido, mas vamos esperar. Não somente ele, mas qualquer pessoa que venha (contribuir). Se você observar a lei que cria a Comissão da Verdade vai ver que ela tem atribuições de convidar pessoas, convocar, mas claro que sim (Guerra pode ser convocado). Porque ele revela fatos do período. Nossa missão é descobrir cada vez mais (fatos sobre a ditadura)”, declarou.

Já o escritor pernambucano José Cavalcanti Filho ressaltou que, nesse primeiro momento, “nada pode ser excluído”. “Todos podem ser chamados. Nesse caso pessoal, eu tenho um elemento adicional. É que Eduardo (Collier Filho – militante da Ação Popular Marxista Lenista) foi meu maior amigo de infância. Nós éramos as únicas pessoas de idade aproximada em um raio de um quilômetro (em Recife). Então eu fui o último amigo de Duda a vê-lo vivo e gostaria muito de poder contribuir, de saber mais ou menos o que aconteceu”, disse.

Leia também: Comissão da Verdade exclui “símbolos” da luta contra a ditadura
Pressão: Manifestação cobrou a escolha dos nomes
Opinião: “Minha esposa acha que fiz mal em aceitar convite”
Lembrança: "Me sinto como se tivesse 18 anos"

No livro “Memórias de uma guerra suja”, o ex-delegado do DOPS afirma que Eduardo Collier Filho e mais nove militares de esquerda foram supostamente incinerados em uma usina de açúcar. “Pode ser verdade, pode ser mentira. Com equilíbrio, com tranquilidade. Nós queremos apurar a verdade”, finalizou Filho.

A Comissão da Verdade será oficialmente instituída na próxima quarta-feira. Haverá uma primeira reunião de trabalho para definir detalhes operacionais da entidade. Também devem ser definidos os primeiros passos da investigação sobre os atos contra os direitos humanos cometidos durante o regime militar. A Comissão da Verdade tem dois anos para apresentar um relatório com o resultado das investigações. Ela não tem poder de polícia, nem punitivo. A intenção dela é, na visão dos seus membros, “fechar feridas” ainda abertas pela ditatura militar.

 

 

 

 

Vida longa aos ‘nossos’ bastardos do Golfo

Sáb, 12 de Maio de 2012 13:07

 

Pepe Escobar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NE12Ak03.html

Traduzido pela Vila Vudu

A vida é presente de ouro que você ganha de Deus, se for membro de carteirinha do Clube Contrarrevolucionário do Golfo (CCG), codinome Conselho de Cooperação do Golfo: Bahrain, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos podem torturar, matar, reprimir e demonizar os próprios cidadãos – em plena confiança de que escaparão, porque o másterjamais os atrapalhará.


No mesmo momento em que a dinastia sunita al-Khalifa no poder no Bahrain declara publicamente que continuará a prender, espancar, gás-lacrimogenear, invadir casas, confiscar empregos e bens e direitos e a obrigar os cidadãos pró-democracia do Bahrain a viver em estado non-stop de medo, o príncipe coroado do mesmo Bahrain, Salman bin Hamad al-Khalifa, é hóspede festejado, em Washington, do governo de Barack Obama. 

O príncipe Salman – que a propaganda bahraini vende como “moderado” – apareceu lado a lado, com a secretária de Estado Hillary “Fomos, vimos, ele morreu” Clinton. Os que “morrem” são ditadores do mal, do tipo Muammar Gaddafi. “Nossos” bastardos são festejados em DC, depois de recebidos com tapete vermelho. 

Há alguma repressão relacionada a alguma Primavera Árabe e matança no Bahrain? Claro que não. Segundo Clinton, palavras dela, são só “questões internas”. 

Na prática, significa que Clinton subscreve a narrativa oficial segundo a qual a sectarização de tudo que está acontecendo no Bahrain é culpa dos manifestantes – não dos al-Khalifas, os quais, já faz um ano, estão destruindo mesquitas xiitas e investindo na total demonização dos xiitas (a culpa é do Irã ‘do mal’). 

Os al-Khalifas têm sido muito mais cordatos que o presidente Bashar al-Assad na Síria: mataram só quantidade aceitável de gente. Mas por que o Bahrain é substancialmente “diferente” da Síria? Porque “abriga a V Frota da Marinha dos EUA, ajudando os EUA a projetarem sua força no Golfo e a conter o Irã” – e não é fala de algum neoconservador, mas do diretor da ONG Human Rights Watch, Tom Malinowski. 

Um bando de covardes

Eis a conquistadora Clinton da Líbia:


O Bahrain é valioso aliado dos EUA. Somos parceiros em várias questões importantes de interesse mútuo para ambas nossas nações e também de interesse regional e global. Espero ansiosa a chance de conversar com Sua Alteza Real sobre várias dessas questões internas e externas com que o Bahrain está tendo de lidar e alcançar melhor compreensão dos esforços que estão sendo empreendidos pelo governo do Bahrain. Por tudo isso, Sua Alteza Real, bem-vindo aos EUA.


E aqui um porta-voz do governo do Bahrain, falando das coisas como as coisas são, à agência Reuters, apenas um dia antes do trololó Clinton-Príncipe Coroado:


Estamos de olho nos perpetradores e gente que usa a imprensa, o rádio e as mídias sociais para encorajar protestos ilegais e violência por todo o país. Se aplicar a lei significa resposta dura, assim será.


Tradução: a chacina prosseguirá, porque os senhores, em Washington, nos dão cobertura. 

Nem uma palavra do governo Obama sobre a prisão do mais conhecido ativista bahraini defensor de direitos humanos Nabeel Rajab, que a Anistia Internacional declarou “prisioneiro de consciência” ao exigir que fosse imediatamente libertado. Quanto ao ativista Abdulhadi Alkhawaja, permanece há três meses em greve de fome, em protesto contra a sentença que recebeu, de prisão perpétua, condenado pelo regime al-Khalifa. 

R2P, “responsabilidade de proteger”? Ora... a adorável doutrina esposada pelas Três Graças – Clinton; a Embaixadora dos EUA à ONU Susan Rice; e Samantha Power, Assessora Especial de Obama – não se aplica a manifestantes civis que protestam, a maioria dos quais são xiitas, no Bahrain. Gritam por direitos humanos básicos – dos quais jamais conheceram muitos –, já há mais de um ano. 

O primeiro-ministro do Bahrain, Khalifa bin Salman al Khalifa – cujos métodos medievais fariam corar de inveja o egípcio Omar “Sheikh al-Tortura” Suleiman, para nem falar do príncipe Nayef da Casa de Saud – está no poder há 40 anos. 

E o rei do Bahrain, rei Hamad, sempre, oh, tão generoso: depois de tudo, pediu um relatório detalhado da repressão. Desnecessário dizer que as medidas recomendadas naquele relatório, embora altamente saneado, jamais foram implementadas. 

O que torna tudo ainda mais trágico, é que nada são além de um bando de covardes. Bastaria uma palavra de Clinton ou Obama, para que os al-Khalifas suspendessem imediatamente a repressão acertada entre eles todos, e que usa a polícia linha mais dura dos sunitas recrutados no Paquistão, Síria e Iêmen: libertem os milhares de prisioneiros, recontratem os milhares de trabalhadores demitidos porque seriam “subversivos”. São covardes.  

Há rumores na Grã-Bretanha segundo os quais Nasser Bin Hamad, filho do rei do Bahrain, pode ser impedido de assistir aos Jogos Olímpicos de Verão, em Londres, dentro de alguns meses. E por boas razões: ele pessoalmente ameaçou muitos atletas, além de ser acusado de tortura. E o que fez, quando a coisa esquentou? Rapidamente deletou todos os tuítes ameaçadores. Podem contar: em julho, Nasser será visto nas principais festas em Mayfair.

 

 

Sessão das 10

"Ao Mestre com Carinho"

Baseado no livro homônimo de E. R. Braithwaite, é um drama vivido por um professor negro em uma escola de um bairro Londrino, quando, tomado de coragem, decide enfrentar uma classe indisciplinada de alunos adolescentes, disposto a transformá-los em futuros homens e mulheres de bem.
Escrito, dirigido e produzido pelo cineasta James Clavell, o filme traz reflexões sobre  alguns problemas sociais, raciais e outros próprios da fase insegura e por vezes angustiosa da adolescência, bem como, apresenta várias mensagens positivas em relação a tudo isso.
Mark Thackeray é um engenheiro negro que ao estar desempregado decide aceitar uma proposta para lecionar numa escola secundária de Londres, no bairro operário de East End.
Entregam-lhe uma classe de adolescentes que cursam o último ano e que não querem nada com a vida.  Extremamente indisciplinados e liderados por Denham, Pamela Dare e Barbara Pegg, estão determinados a acabarem com Thackeray, como fizeram com seu antecessor.
Logo de início, percebe que a missão a desempenhar não vai ser fácil.  Porém, acostumado já a hostilidades, principalmente por ser negro, enfrenta o desafio, mesmo com seus colegas professores não acreditando na possibilidade de qualquer êxito.
O tempo passa, e ele continua sofrendo a hostilidade crescente dos alunos, principalmente de Denham, não consegue passar a matéria prevista no currículo.  Certo dia, tão irritado ficou, por seus alunos que ele perde a calma, pega todos os livros e os joga numa lixeira, alegando que eles são inúteis para aquele grupo....

Fonte: http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/1868359-ao-mestre-com-carinho/#ixzz1uk7nHEO8

 

CURITIBA: GRECA VENCEU

 

 

 

  Existe uma coisa que impera no imprensalão e na política paranaense. A risibilidade.  Vamos às explicações.  - Você vai a uma convocação da militância, feita num espaço público de considerável tamanho;- Esta convocação é um sucesso e tem gente que fica pra fora, de tão cheia;- Para esta reunião, não foi prometido nada como "pagamento" pelo comparecimento. Foram todos livres e espontâneamente;- Não tinha boca livre como é de costume nas festas políticas pra atrair público. Nada além de um singelo pão de queijo e um chazinho, pra enganar a fome de quem vinha direto do trabalho.- Nesta convocação estavam presentes os presidentes municipal, estadual e nacional de um partido, além de todos aqueles com "cacife" pra decidir alguma coisa;- E por fim, nesta festa bem concorrida ficou decidido e aclamado que o tal partido lançará candidatura própria à Prefeitura de uma cidade. O que você pensaria? O óbvio, que o partido lançará candidatura própria. Então por qual motivo um setor curioso do imprensalão paranaense insiste em simplesmente ignorar tal situação, fomentando uma crise tola e minoritária? Ora, dissidências nos partidos sempre existem. É da essência democrática que nem todo mundo queira um mesmo caminho mas se a maioria assim decide, é razoável imaginar que uma minoria possa empastelar todo o processo? Decerto que não. Um determinado setor do PMDB de Curitiba, adoraria se atrelar ao poder já existente na cidade, quer seja, o atual prefeito que nunca foi eleito (entrou pela porta lateral, sendo vice do agora Governador). Assim, esse determinado setor, que é minoria, se apega a nichos da mídia para fazer um barulho desproporcional ao que ele de fato, representa. Não são poucas as notícias, especialmente em blogs sobre política, que dão conta de que o PMDB "fechou" com fulano, cicrano ou beltrano. Cada dia é uma coisa diferente. Devem ser cegos, tanto a minoria inconformada, quanto o povo da imprensa que insiste em fazer de conta que a candidatura própria ainda não foi decidida. E explico o motivo. Por qual razão uma maioria pensante iria preferir se atrelar a um prefeito com popularidade baixissima, detestado pela quase integralidade da população, notoriamente sem o menor carisma e que transformou, assim como seu sucessor, a cidade num balcão de negócios? Seriam esses senhores loucos suicidas? Naturalmente que não. E por esse motivo, além de poderem contar com uma pessoa de expressão para a candidatura própria, é que por ela optaram. O PMDB municipal resolveu chamar para postular o cargo de Prefeito, o ex-Ministro Rafael Greca, que, como é sabido por todos os que moram em Curitiba, já comandou também a cidade. Greca foi um alcaide que em 4 anos, fez o dobro do que todos os que vieram depois dele, juntos. E não, não estou exagerando, foi isso mesmo. E naquele momento, nem havia ainda a tão adorada reeleição.  É um tempo saudoso, quando se procurava um médico nos hospitais públicos, e se conseguia encontrar. Farmácia pública COM remédios? Havia também. Restaurante popular de 1 real, construção de 15 parques de lazer, ônibus baratos e sempre novos, além de cuidados reais com a população que nascia e com a que já estava velhinha.  Sem falar que era uma cidade bonita e com aroma agradável*, até com cara de primeiro mundo. Por essas e outras, Curitiba ficou famosa.
Ora, basta andar nas ruas da cidade e pedir para que o cidadão faça comparações, que se entende o motivo da falcatrua midiática à qual estamos todos submetidos ultimamente. Curitiba era uma cidade inovadora e exemplar. Virou uma das cidades mais violentas do país, jogou fora todos os bons exemplos de vanguarda de que dispunha e passou a torrar dinheiro em obras públicas faraônicas e astronômicamente caras que pouco ou quase nada dão de retonro ao povo. Claro que políticos sérios (sim, eles ainda existem) não topariam estar atrelados a esse tipo de desmando. Portanto, não iam querer abrir mão de uma candidatura factível, em troca de uma derrota acachapante que só malucos resolveriam apoiar. Os tais malucos desta tontería, costumam cooptar quem tenha alguma influência midiática pra espalhar seu nonsense político. E você, caro leitor do imprensalão paranaense, é obrigado a aguentar esse trololó.
De todo modo, gostassem eles ou não, Greca venceu.
* Curitiba está em um abandono tal, que nem cheiro bom ela tem mais. A impressão que se tem é que a rede de esgoto não dá conta de tudo o que por ela circula. Certas regiões da cidade exalam seu aroma desagradável as 24 horas do dia. 

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12 de Maio de 2012 - 13h17 - No Vermelho

Europa: pesquisas confirmam tendência de avanço da esquerda

 

Na França as pesquisas eleitorais parlamentares consolidam a vitória do presidente François Hollande (Partido Socialista) – que assume o cargo no Palácio dos Champs Elisée 3ª feira próxima – e apontam boa margem de vitória para a esquerda no pleito do meio do ano no país (1º turno dia 10 de junho, 2º turno uma semana depois, dia 17).


Consolidam, assim, a tendência europeia neste momento, de votar à esquerda, antecipada pela vitória de Hollande, e pelas eleições parlamentares gregas e regionais da Itália domingo passado.

No caso da França esta possível vitória parlamentar da esquerda abre espaço para que François Hollande se apresente nas negociações com a chanceler da Alemanhã, Ângela Mekel, com um mandato claro do povo francês contra a atual direção e rumo da Europa, e por mudanças na politica do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia (CE).

Hollande e Merkel reúnem-se nos próximos dias e depois participam de duas cúpulas europeias, dias 23 de maio e 28 de junho, em Bruxelas. O presidente francês não aceita cumprir o pacto de austeridade fiscal europeu sem um adendo relativo ao crescimento econômico. A mandatária alemã resiste à mudança.

As duas primeiras pesquisas sobre as eleições parlamentares francesas deste meio de ano mostram que a esquerda francesa de Hollande conquistará maioria no Parlamento nas eleições de junho, ganhando daUnião por um Movimento Popular (UMP),

Fonte: Correio do Brasil


 

 

“Acontecimientos extraordinarios” en Estados Unidos

Sáb, 12 de Maio de 2012 13:22- No Outro Lado da Noticia

 

Bank of America

Amy Goodman, no Cubadebate

Las asambleas de accionistas no suelen ser algo fuera de lo común, a menos que se trate delBank of America, en cuyo caso podrían ser consideradas un “acontecimiento extraordinario”. De hecho, así declaró la ciudad de Charlotte, en Carolina del Norte, a la asamblea de accionistas del banco que tuvo lugar allí esta semana. Bank of America es actualmente el segundo banco más grande de Estados Unidos (después de JP Morgan Chase) y ha declarado activos por más de 2 billones de dólares. Además, es el banco “demasiado grande para quebrar” que aparece en las pancartas del movimiento Occupy Wall Street, un banco excesivamente especulativo que lucra, entre otras cosas, con la actual crisis hipotecaria y con la explotación de carbón contaminante.

Carolina del Norte, un estado que apoyó a Barack Obama en 2008, es uno de los estados sumamente disputado entre demócratas y republicanos en estas elecciones presidenciales. Las actuales encuestas de opinión indican que cualquier partido podría ganar en este estado familiarmente conocido como el “‘talón del alquitrán”. Los demócratas eligieron la localidad de Charlotte para realizar la Convención Nacional Demócrata este verano como forma de aumentar sus posibilidades de ganar allí. Para prepararse para el acontecimiento, el Consejo Municipal de la ciudad de Charlotte aprobó una enmienda del Código de la ciudad que permite al administrador de la misma declarar los denominados “acontecimientos extraordinarios”.

La ordenanza está claramente estructurada de modo de otorgarle facultades adicionales a la policía para detener, registrar y arrestar a personas que se encuentren dentro de la zona del “acontecimiento extraordinario”, delimitada arbitrariamente. La ordenanza dice en un fragmento: “Será ilegal que cualquier persona…posea, lleve, controle o tenga acceso inmediato, en forma voluntaria o deliberada, a cualquiera de las siguientes cosas”, a lo que sigue una larga lista de artículos como bufandas, bolsos, mochilas, maletines y bolsos térmicos.

Cientos de personas participaron en la pacífica y enérgica manifestación realizada el miércoles frente a la sede del Bank of America en Charlotte. El colorido despliegue de pancartas creativas fue apoyado por los activistas que participaban en la asamblea y que, por ser accionistas, tenían derecho a hacer uso de la palabra. George Goehl, de la organización National People’s Action, que estaba en la asamblea, le contó a CNN acerca de la reacción del presidente de Bank of America, Brian Moynihan: “Eramos decenas de activistas que teníamos derecho a hablar, sin embargo, Moynihan lo evitó, desvió la atención y se negó a permitirlo. Se lo notó incómodo durante toda la sesión”.

Muchos activistas expresaron su indignación ante el papel que desempeñó el banco en el negocio de las hipotecas de alto riesgo y en la crisis hipotecaria que este contribuyó a provocar. Como parte de un acuerdo federal acerca del fraude hipotecario generalizado, Bank of America accedió a pagar 11.800 millones de dólares. Apenas dos días antes de la manifestación, el banco anunció que estaba contactando a los primeros 5.000 de un total de 200.000 clientes titulares de hipotecas que tienen derecho a la modificación de su préstamo. El monto total de su hipoteca posiblemente se disminuya en hasta un 30%.

La semana pasada, activistas de la organización Rainforest Action Network (Red de Acción en defensa de los Bosques Tropicales o RAN, por sus siglas en inglés) se treparon a 30 metros de altura para colgar una pancarta en el estadio Bank of America en Charlotte, donde está programado que el Presidente Obama realice su discurso de aceptación de la candidatura demócrata el 6 de septiembre. La pancarta decía “Bank of America” con la palabra “America” tachada y reemplazada por “carbón”, de modo tal de que se leyera “Banco del Carbón”.

RAN es parte de una coalición más amplia que lucha contra la práctica destructiva de la minería de voladura de montaña. La directora ejecutiva de RAN, Rebecca Tarbotton, me dijo: “Bank of America es el principal financiador de la minería de voladura de montaña, que es realmente la peor forma de minería existente.

Básicamente, para extraer el carbón hacen explotar la cima de las montañas en los Apalaches y destruyen los hogares de la gente y contaminan las fuentes de agua, y eso sucede antes de que el carbón llegue a las plantas, donde se quema y genera contaminación del aire en las ciudades y en todo nuestro país. La minería de voladura de montaña es el peligro al que nos exponemos por nuestra dependencia de los combustibles fósiles”.

La amplia coalición que se movilizó tanto dentro como fuera de la asamblea de accionistas es un acontecimiento fundamental en el resurgimiento de Occupy Wall Street, y asimismo presagia posibles enfrentamientos con la campaña de reelección de Obama.

Obama responde a la presión. Tomemos, por ejemplo, el tema del matrimonio igualitario. En 1996, cuando realizaba su campaña para ingresar al Senado del estado de Illinois, Obama escribió que apoyaba el matrimonio entre personas del mismo sexo. Durante su campaña de 2008, Obama, que era entonces Senador, declaró: “Creo que el matrimonio es la unión entre un hombre y una mujer”. Esta semana le dijo a ABC News: “Es importante que reafirme que creo que las parejas del mismo sexo deberían poder casarse”.

Teniendo en cuenta el clima político, la decisión de Obama de apoyar el matrimonio igualitario es valiente, en particular apenas horas después de que los ciudadanos de Carolina del Norte votaran a favor de una enmienda constitucional que prohíbe el matrimonio entre personas del mismo sexo en dicho estado. Obama, un antiguo líder comunitario, sin duda recuerda las palabras de Frederick Douglass: “El poder no otorga nada si no se lo presiona. Jamás lo hizo y jamás lo hará”. La comunidad LGTB se organizó y se hizo oír, y la posición del presidente cambió.

Quienes se manifestaron dentro y fuera de la asamblea de accionistas del Bank of America esta semana (propietarios que luchan para no perder sus casas, ambientalistas, activistas de Occupy Wall Street) tendrán en cuenta el cambio de postura del presidente. Están decididos a continuar su lucha durante la Convención Nacional Demócrata y harán que realmente sea un “acontecimiento extraordinario”.

 

12/05/2012 - Carta Maior

Envie para um amigo Versão para Impressão 'Policarpo sabia que Demóstenes tinha relação com essa quadrilha'Delegado da Polícia Federal Matheus Mela Rodrigues disse na CPMI que o editor da Veja em Brasília, Policarpo Junior, não era foco da investigação na operação Monte Carlo, mas que ele sabia da relação do senador Demóstenes Torres com o contraventor Cachoeira, relatou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). "Sabendo que o Demóstenes tinha relação com a quadrilha, a Veja não podia ter feito o que fez com o Demóstenes, ter endeusado ele”, disse ainda o parlamentar. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Brasília - Após a oitiva do delegado federal, Matheus Mela Rodrigues, promovida na última quinta-feira (10) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, alguns parlamentares se apressaram em livrar o editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, de envolvimento criminoso com o esquema investigado.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse que “o depoimento do delegado Matheus ontem praticamente sepulta a tese de que havia qualquer conluio entre o Policarpo e o Cachoeira. O que ele disse foi que, em todos os áudios, em toda a investigação que ele, delegado Matheus, fez, não há registro de nenhuma transação financeira nem nenhum crime”.

Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o delegado Rodrigues realmente disse que as ligações por ele apuradas não denunciam crime por parte de Policarpo, porém afirmou depois que esse não era seu foco na investigação. De acordo com o deputado, os dois delegados da Polícia Federal já ouvidos pela CPMI – Rodrigues, na última quinta, e Raul Alexandre Marques Sousa, na última terça-feira – estavam incumbidos de descobrir os caminhos do dinheiro da quadrilha, não estando dedicados a investigações como esta, envolvendo Policarpo Júnior.

“O delegado falou que só na operação dele foram 42 ligações com o Policarpo. Isso mostra uma intensidade inaceitável e uma promiscuidade nessa relação. Ele [Policarpo] sabia que era um órgão criminoso, era basicamente espionagem política. O delegado disse que o Policarpo sabia que o Demóstenes tinha relação com essa quadrilha, o que é de grande valia, porque, sabendo que o Demóstenes tinha relação com a quadrilha, a Veja não podia ter feito o que fez com o Demóstenes, ter endeusado ele”, afirmou Teixeira.

Durante a operação Monte Carlo foram interceptadas 259.949 ligações, sendo 16 mil consideradas importantes e 3753 telefonemas fortuitos. Também foram analisados 5 mil emails. Muito desses materiais ainda estão sendo estudados pela Polícia Federal. 28 malotes com materiais recolhidos no processo de busca e apreensão sequer foram abertos. Estas informações foram ditas pelo delegado Rodrigues, segundo o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) afirmou que a partir de agora haverá um foco dentro da investigação para saber qual o objetivo das ligações entre o editor da Veja e o grupo de Cachoeira.

Situação se complica para Perillo
O senador Randolfe considerou que o maior prejudicado pelas informações reveladas na última oitiva da CPMI foi o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). “O nível de detalhamento do comprometimento do governo de Goiás é enorme. Envolvimento do procurador do estado que atuava quase como advogado da Secretaria de Educação, contatos muito permanentes com o secretário de Infraestrutra, que é o suplente do Demóstenes [Torres, senador], envolvimento da secretaria de Segurança Pública, o aparato de segurança pública atuava junto com a organização do contraventor. É urgente para os membros da CPMI ouvirem o governador de Goiás”, disse.

A gravidade da situação de Perillo também foi compartilhada pelo deputado Paulo Teixeira. Além dos problemas citados pelo senador do PSOL, Teixeira agregou o envolvimento da Secretaria de Ciência e Tecnologia, de um diretor do DETRAN-GO e da chefe de gabinete do governador, além da remessa de uma caixa de computador com R$ 500 mil para dentro do palácio do governo goiano e da venda de uma casa de Perillo para o Cachoeira. Foi nesta casa que Cachoeira foi preso.

O deputado relata que a casa foi vendida ao sobrinho de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que pagou com três cheques, repassados ao governador goiano, totalizando R$ 1,4 milhão.

Em nota, o governador Perillo afirmou que a casa "foi vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda”, sendo os três cheques depositados em sua conta corrente.

Outras prioridades da CPMI
Randolfe defendeu ainda a convocação dos sócios-proprietários da construtora Delta. “A Delta fez depósitos para três empresas laranjas do senhor Carlos Cachoeira, a JR, a Brava e a Alberto Pantoja. E eu acho uma temeridade que uma empresa como a Delta seja comercializada agora e comprada, ainda, por uma outra empresa que tem participação societária do estado brasileiro, que é a JBS que tem 32% de participação societária do BNDES”, destacou.

Para Paulo Teixeira ficou claro que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deixou de tomar providências importantes, o que acabou resultando na paralisação das investigações. Na oitiva, o delegado Rodrigues disse que a Operação Monte Carlo foi motivada por uma denúncia da promotoria de Valparaíso de Goiás. “Ele [Gurgel] precisa explicar, mas resolveu jogar uma cortina de fumaça nesse debate, resolveu dizer que isso acontece, que é coisa de mensaleiro. Portanto, desviou o debate, com a omissão dele”, afirmou.



Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

 

12/05/2012 - Carta Maior

Envie para um amigo Versão para Impressão 124 anos após Lei Áurea, Brasil não consegue erradicar trabalho escravoAs comemorações dos 124 da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação das terras em que a prática for comprovada. A bancada ruralista foi quem deu a última palavra. O argumento é meramente ideológico: a defesa intransigente da propriedade. A reportagem é de Najla Passos.

Brasília - As comemorações dos 124 da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que tramita há 11 anos na casa. Não bastaram a intensa mobilização da sociedade civil, os esforços do governo e o compromisso dos parlamentares mais progressistas. A bancada ruralista, que possui a maioria dos votos na casa, foi quem deu a última palavra, a exemplo do ocorreu na votação do novo Código Florestal.

A votação estava prevista para ocorrer na noite de terça (8), em sessão extraordinária. Durante todo o dia, movimentos camponeses, militantes dos direitos humanos, representantes das centrais sindicais, artistas, intelectuais e políticos participaram de atos e manifestações em favor da matéria, que prevê o endurecimento da pena contra os proprietários das terras onde for comprovada a prática, inclusive com a expropriação das terras para fins de reforma agrária.

Embora nenhum parlamentar tenha chegado à ousadia de subir na tribuna para defender a prática, momentos antes do horário previsto para a votação, o quórum do plenário da Câmara permanecia baixo. As 16:30 horas, apenas 208 dos 513 deputados haviam assinado a lista de presença. Para a aprovação de uma mudança na constituição, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis. O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) que acompanhava de perto a mobilização em plenário, já denunciava: “Há partidos grandes, alguns deles da própria base aliada do governo, que estão com poucos deputados em plenário”.

Na reunião dos líderes de bancadas, representantes dos partidos de oposição e da própria base aliada do governo explicaram porque não aprovariam a matéria. De acordo como líder o governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), os ruralistas reclamavam que a PEC não deixava claro o que é trabalho escravo e nem detalhava em quais circunstâncias se daria a expropriação.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), ainda tentou um acordo: os parlamentares aprovavam a PEC como estava, e ele conversaria com o presidente do Senado, José Sarney, para que a casa revisora aprovasse uma lei complementar detalhando os pontos de discórdia. Os ruralistas concordaram. O presidente anunciou a votação para o dia seguinte e deu início às negociações com o Senado. A mobilização social se dispersou.

Entretanto, na quarta (9), pela manhã, os ruralistas se reuniram e decidiram pelo rompimento do acordo. Em documento divulgado, eles criticavam não só os pontos levantados na reunião de líderes do dia anterior, como vários outros. Segundo eles, a PEC implicaria em insegurança jurídica, o que ocasionaria a fuga de investidores do país.

“Os argumentos são mentirosos. O conceito de trabalho escravo, por exemplo, já está tipificado no Código Penas e e muito bem difundido até no senso comum. Mas eles terão que acertar as contas com a história”, afirmou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Domingos Dutra (PT-MA).

Ele criticou também a alegação dos ruralistas de que a expropriação poderia prejudicar, também, um proprietário que, porventura, arrendasse terras para alguém que compactuasse com prática do trabalho escravo. “Saber a quem arrenda um imóvel é dever do proprietário já previsto na Constituição”, rebateu.

À noite, o quórum era de 338 deputados em plenário. Porém, sem conseguir negociar com os ruralistas, o presidente da Casa fez as contas e, ciente de que não conseguiria aprovar a matéria, adiou a votação para 22 de maio.

Ferida aberta
Dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2011, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na última segunda (7), já mostravam a dimensão atual do problema. Só em 2011, foram identificados 230 casos de ocorrência de trabalho escravo em 19 dos 27 estados do país, envolvendo 3.929 trabalhadores, inclusive 66 crianças. Destes, 2.095 foram de fato considerados em condições análogas à de escravidão, e libertados.

As ocorrências se deram, principalmente, nas atividades ligadas à pecuária (21%), ao corte de cana (19%), à construção civil (18%), a outras lavouras (14%), à produção de carvão (11%), ao desmatamento e reflorestamento (9%), à extração de minério (3%) e à indústria da confecção (3%).

“O trabalho escravo é um fenômeno majoritariamente rural, da fronteira agrícola, da invisibilidade, salvo as raras exceções em que ocorrem nas cidades, com a exploração de estrangeiros ilegais. O agronegócio brasileiro, que se diz pujante, moderno e altamente tecnológico, não precisa estar vinculado a esta prática. Por isso, acredito que a posição da bancada ruralista reflete mesmo é a questão ideológica da defesa intransigente da propriedade”, resumiu o ex-ministro dos Direitos humanos do governo Lula, Nilmário Miranda.

 

 

12 de Maio de 2012 - 9h23 - No Vermelho

BNDES continuará estimulando o crédito de longo prazo no Brasil

 

O movimento do governo, por meio dos bancos federais, para diminuir os spreads (diferença entre os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos e as taxas pagas pelos bancos aos investidores), não compromete a disposição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fomentar o crédito de longo prazo. A avaliação foi feita nesta sexta (11) pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, após participar do seminário Política Industrial no Século 21, no Rio de Janeiro.


Explicou que na medida em que a taxa de juros vem caindo, a diferença entre a taxa básica de juros (Selic) e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), cobrada pelo BNDES em suas operações de financiamento, “está se estreitando mais rapidamente do que se pensava”.

Coutinho acrescentou que na medida em que há a aproximação entre as taxas de curto prazo de capital de giro e as taxas de longo prazo, esse “processo de convergência” torna mais fácil, em uma situação em que a economia está crescendo abaixo do seu potencial, que o governo se esforce para induzir o sistema de crédito a ter juros também de capital de giro mais baixos. O presidente do BNDES constatou que o sistema bancário privado já reagiu de forma positiva a esse desafio.

“O que nós precisamos, disse, é ter a capacidade de induzir a recuperação da economia brasileira para uma taxa condizente com o nosso potencial”. Coutinho advertiu, porém, que a taxa de crescimento depende também do esforço de investimento. “Uma economia que investe mais pode crescer mais, com estabilidade”, disse.

O presidente do BNDES declarou que a meta é elevar a taxa de crescimento do Brasil para 4,5%. “Isso vai depender que o investimento cresça e a taxa de investimento suba de 20% para 22%, 23%, 24% (do Produto Interno Bruto-PIB), que a produtividade suba, que essas coisas aconteçam simultaneamente para poder sustentar um crescimento de 4,5% ou mais”.

Como o país cresce hoje abaixo desse nível, Coutinho afiançou que o esforço do governo está sendo feito para devolver a economia para uma trajetória de crescimento. Ele acredita que, na disputa por juros menores, haveria dinheiro dos bancos privados para atender tanto a demanda de curto, como de longo prazo.

Segundo o presidente do BNDES, existe um “manancial de poupança” concentrado em papéis de curto prazo. E revelou que está em discussão avançada na área econômica a ideia de aperfeiçoar medidas que foram tomadas no final de 2010 para estimular os papéis de longo prazo. Informou que as debêntures privadas de longo prazo já vêm crescendo dentro desse cenário “e podem ocupar um espaço ainda maior. Nós estamos trabalhando nessa agenda”.

De acordo com Coutinho, o governo tem por meta uma agenda construtiva. “Não é só o juro se aproximar dos padrões internacionais, mas também a configuração do sistema brasileiro se aproximar da configuração internacional, onde o sistema bancário privado possa ser capaz de oferecer crédito de longo prazo, onde o mercado de capitais seja uma mola propulsora de financiamento de longo prazo. E a poupança tenha incentivos para migrar para prazos mais longos”.

Fonte: Agência Brasil


 

 

O que é o factor limitativo?

Sáb, 12 de Maio de 2012 13:51- No Outro da Lado da Noticia

  Herman Daly [*]

Cartoon de Tomy.No mundo pobre de antigamente o capital era o factor limitativo do crescimento económico. Mas agora vivemos num mundo rico. 

Reparem: Qual é o limite para as pescas anuais – os barcos de pesca (capital) ou o que resta de peixe no mar (recursos naturais)? Nitidamente este último. Qual é o limite para o número de barris de petróleo extraídos – as plataformas e plataforms de perfuração (capital) ou o que resta dos depósitos de petróleo acessível – ou a capacidade de a atmosfera absorver o CO2 do petróleo queimado (ambos recursos naturais)? Qual é o limite para a produção de madeira – o número de moto-serras e de serrações, ou as florestas e o seu ritmo de crescimento? Qual é o limite para a agricultura por irrigação – as bombas e os aspersores ou o ritmo de reposição aquífera e os caudais dos rios? Isto deve chegar para pelo menos sugerir que vivemos num mundo refreado pelos recursos naturais e não num mundo refreado pelo capital. 

A lógica económica recomenda que se invista e se economize o factor limitativo. A lógica económica não mudou; o que mudou foi o factor limitativo. Actualmente aquilo que temos que economizar e aquilo em que temos que investir é nos recursos naturais, e não no capital. Os economistas ainda não reconheceram esta mudança fundamental no padrão da escassez. Frederick Soddy, prémio Nobel da química e economista por vocação, previu esta mudança há oitenta anos. Argumentou que, em última análise, a humanidade vive da luz solar, captada através das plantas, do solo e da água. Esta base permanente fundamental para a vida é temporariamente complementada com a libertação da luz solar capturada durante os Verões do Paleozóico que está a ser rapidamente delapidada para alimentar aquilo a que ele chamava "a época do desperdício". Estamos tão viciados neste subsídio a curto prazo que os nossos tecnocratas defendem que se reduza parte da energia solar que recebemos para dar mais espaço térmico para a queima dos combustíveis fósseis! Estes doutores cretinos também andam atarefados a degradar quimicamente o solo superficial e a poluir a água, enquanto brincam com a base genética das plantas, tudo isto com o objectivo de maximizar o crescimento a curto prazo. Como diz Wes Jackson, as plantas agrícolas agora têm genes escolhidos pelo Conselho do Comércio de Chicago, e não por se adequarem ao ecossistema e à geografia dos organismos que as rodeiam. 

O que é que impede os economistas de aceitarem a visão de Soddy? A sua animosidade contra a dependência da natureza, e a sua devoção ao domínio. Esta atitude básica tem sido auxiliada pelo compromisso teórico ao factor da substituição e pela rejeição da complementaridade pelos economistas clássicos actuais. Sem complementaridade não pode haver factor limitativo – se o capital e os recursos naturais são substitutos na produção, então nenhum deles pode ser limitativo – se um deles começar a faltar, basta substitui-lo pelo outro e continuar a produzir. Se são complementares, ambos são necessários e o que for mais escasso é limitativo. 

Antigamente os economistas acreditavam que o capital era o factor limitativo. Portanto, implicitamente, deviam ter acreditado na complementaridade entre o capital e os recursos naturais nessa economia de um mundo pobre. Mas, quando os recursos começaram a ser limitativos na economia do novo mundo rico, em vez de reconhecerem a mudança no padrão da escassez e o novo factor limitativo, abandonaram toda e qualquer ideia de factor limitativo, realçando a capacidade de substituição e excluindo a complementaridade. A nova razão para destacar o capital sobre os recursos naturais é a afirmação de que o capital é um substituto quase perfeito para os recursos. 

William Nordhaus e James Tobin foram muito explícitos ("Is Growth Obsolete?," 1972, NBER, Economic Growth, New York: Columbia University Press): 

O modelo de crescimento standard predominante parte do princípio que não há limites quanto à viabilidade de ampliar os abastecimentos dos agentes de produção não humanos. É basicamente um modelo de dois factores em que a produção depende apenas da mão-de-obra e do capital reprodutível. A terra e os recursos, o terceiro membro da tríade clássica, foram postos de lado… a justificação tácita tem sido que o capital reprodutível é um substituto quase perfeito para a terra e para outros recursos não renováveis. 

A afirmação de que o capital é um substituto quase perfeito para os recursos naturais é um absurdo. Para já, a substituição é reversível. Se o capital é um substituto quase perfeito para os recursos, então os recursos são um substituto quase perfeito para o capital – então, porque é que se dão ao trabalho de acumular capital se a natureza já nos dotou com um substituto quase perfeito? 

Não é por acaso que o nosso sistema se chama "capitalismo" em vez de "recursismo natural". É ideologicamente inconveniente para o capitalismo que o capital tenha deixado de ser o factor limitativo. Mas essa inconveniência tem sido contornada afirmando-se que o capital é um bom substituto para os recursos naturais. Sempre fiel à sua animosidade básica na negação de qualquer dependência fundamental da natureza, a economia neoclássica só encontrou duas alternativas – ou a natureza não é escassa e o capital é limitativo, ou a escassez da natureza não interessa porque o capital feito pelo homem é um substituto quase perfeito para os recursos naturais. Em qualquer dos casos é o homem que controla a natureza, graças ao capital, e isso é que é importante. O facto de o capital feito pelo homem ser ele próprio feito a partir de recursos naturais, não tem qualquer importância. 

O absurdo da afirmação de que o capital e os recursos naturais são bons substitutos foi ainda mais profundamente demonstrado por Georgescu-Roegen na sua teoria da produção fundos-fluxos. Reconhece que os factores de produção são de dois tipos qualitativamente diferentes: (1) fluxos de recursos que são transformados fisicamente em fluxos de produtos e de desperdícios; e (2) fundos de capital e de mão-de-obra, agentes ou instrumentos de transformação que não são incorporados fisicamente no produto. Se encontrarmos um parafuso duma máquina ou um bocado de um dedo de um trabalhador numa lata de sopa, temos razão para uma reclamação, e não a confirmação da noção metafísica de que o capital e a mão-de-obra se encontram "incorporados" no produto! 

Há graus variáveis de substituição entre diferentes fluxos de recursos naturais e entre os fundos da mão-de-obra e do capital. Mas a relação básica entre fluxo de recursos, por um lado, e fundos de capital (ou mão-de-obra), por outro, é a complementaridade. A causa eficiente (capital) não substitui a causa material (recursos). Não podemos fazer o mesmo bolo com metade dos ingredientes, mesmo que se duplique ou triplique o número de cozinheiras e de fornos. Os fundos e os fluxos são complementares. 

Mais ainda, o capital é a produção actual excedentária trocada por uma garantia contra a produção futura – fisicamente é feito a partir de recursos naturais. Não é fácil substituir recursos naturais quando o presumível substituto é ele próprio feito a partir dos recursos naturais. 

Reconhece-se hoje de forma geral, até mesmo os economistas, que há demasiado endividamento a nível mundial, tanto público como privado. A razão para tão grande endividamento é que temos tido expectativas absurdamente irrealistas quanto à eficácia do capital em produzir o crescimento real necessário para resgatar a dívida, que é "capital" com outro nome. Por outras palavras, a dívida que se vai amontoando nas tentativas falhadas de fazer crescer a riqueza tão depressa quanto a dívida é prova da realidade dos limites ao crescimento. Mas, em vez de ser vista como tal, é considerada como a principal razão para tentar atingir um crescimento ainda maior, contraindo mais dívidas, e passando as dívidas incobráveis da contabilidade dos bancos privados para a do erário público, ou seja, monetarizando-as. 

A ilusão que levou a essas infundadas expectativas de crescimento foi a crença de que, através do crescimento, podíamos acabar com a pobreza sem a necessidade de partilhar. À medida que os pobres ficassem mais ricos, os ricos ficariam ainda mais ricos" Pouca gente esperava que o crescimento agregado, por si mesmo, se tornasse anti-económico, começasse a custar-nos mais do que o seu valor marginal, tornando-nos colectivamente mais pobres e não mais ricos. Mas foi o que aconteceu. Apesar disso, os nossos economistas, os nossos banqueiros e os nossos políticos ainda têm expectativas irrealistas quanto ao crescimento. Tal como o jogador perdedor tentam apostar o dobro ou nada num crescimento maior. 

Não podíamos fazer uma folga da roleta do crescimento para reavaliar a economia em estado estacionário? Afinal, a ideia está profundamente enraizada na economia clássica, assim como na física e na biologia. O movimento perpétuo e o crescimento infinito não são premissas razoáveis sobre as quais se possa basear uma política económica. 

Até certo ponto há muita gente que certamente sabe isso. Então porque é que mantemos o crescimento como a primeira prioridade nacional? Primeiro, somos enganados porque a nossa medida de crescimento, o PIB, conta toda a "actividade económica", misturando assim os custos e os benefícios, em vez de comparar os seus valores marginais. Segundo, o benefício líquido acumulado do crescimento passado atinge o máximo exactamente no ponto em que o crescimento futuro se torna anti-económico (quando o benefício marginal decrescente se torna igual ao custo marginal crescente) e a experiência passada deixa de ser um bom guia para o futuro neste aspecto. Terceiro, porque, mesmo que os benefícios do crescimento futuro sejam neste momento menores do que os custos, as nossas elites que tomam decisões descobriram como manter os benefícios extras que estão a diminuir, "partilhando" os custos extras em explosão com os pobres, com o futuro e com outras espécies. Os meios de comunicação, propriedade das elites, os grupos de pensamento financiados pelas grandes empresas, os economistas enfeudados da academia, e o Banco Mundial – para não falar da Gold Sacks e de Wall Street – todos entoam hinos ao crescimento em perfeita sintonia e iludem os cidadãos ordinários. 

O que é que vai acontecer?

08/Maio/2012Do mesmo autor em resistir.info: 

  • A ciência económica num mundo repleto

    [*] Economista ecológico americano e professor na Escola de Política Pública da Universidade de Maryland, College Park nos Estados Unidos. Foi economista sénior no Departamento Ambiental do Banco Mundial, onde ajudou a desenvolver linhas de orientação políticas relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Apoia consistentemente as teorias de uma economia de Estado estacionário. Recebeu o Prémio Right Livelihood e o Prémio NCSE Lifetime Achievement. 

    O original encontra-se em http://www.countercurrents.org/daly080512.htm . Tradução de Margarida Ferreira.


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

12/05/2012 - Cata Maior

Envie para um amigo Versão para Impressão O Brasil e a escravidão mercantil: nossa dívida com a ÁfricaApós a promulgação da lei de 1831, que proibia o tráfico de africanos para o Brasil e a escravização de africanos após esta data, o Brasil permitiu a continuidade do tráfico por navios negreiros portando bandeira brasileira e o desembarque e escravização de 760 mil africanos, e assegurou a impunidade de traficantes e senhores de escravos durante décadas, que continuaram a subjugar ilegalmente gerações de escravos até 1888. Esta impunidade fundadora das elites imperiais tem reflexos na estrutura social e em formas de dominação política que prevalecem até hoje. O artigo é de Luiz Carlos Fabbri e Matilde Ribeiro.

1. O escravismo na formação do Brasil
O presente artigo tem por objetivo chamar a atenção sobre a atualidade política do regime escravista no Brasil e sobre a responsabilidade histórica do Estado brasileiro no tráfico transatlântico de escravos e na escravização de africanos ao arrepio da lei durante o Império. Com efeito, após a promulgação da lei de 1831, que proibia o tráfico de africanos para o Brasil e a escravização de africanos após esta data, o Brasil independente permitiu a continuidade do tráfico por navios negreiros portando bandeira brasileira e o desembarque e escravização de 760 mil africanos, segundo a estimativa de Alencastro (2010), e assegurou a impunidade de traficantes e senhores de escravos durante décadas, que continuaram a subjugar ilegalmente gerações de escravos até 1888.

Esta impunidade fundadora das elites imperiais tem reflexos na estrutura social e em formas de dominação política que prevalecem até os dias atuais. Assim como a ―invisibilidade‖ dos negros e das comunidades quilombolas constituiu um traço histórico marcante da realidade racial no Brasil, a invisibilidade do crime de lesa-humanidade praticado por traficantes brasileiros permanece grandemente ignorada até o presente. Nesses tempos em que se reconhece e se discute o direito à memória e à verdade acerca das violações de direitos humanos nos períodos ditatoriais recentes, a nação brasileira precisa tornar-se ciente de que o tráfico abjeto e o regime escravista foram em larga medida obra de nossos conterrâneos.

Hoje, esse salto evolutivo em nossa memória histórica é não somente necessário, mas emergente, graças à amplitude e lucidez da nova política africana desencadeada pelo Governo Lula, o ―mais africano dos presidentes, no dizer do ex-Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. No ano de 2011, comemoram-se dez anos da Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, que teve lugar em Durban, na nova África do Sul, em agosto/setembro de 2001.

Em sua memorável resolução final, a Conferência reconheceu ―que a escravidão e o tráfico de escravos, incluindo o tráfico transatlântico de escravos, foram tragédias terríveis na história da humanidade, não apenas por sua barbárie abominável, mas também em termos de sua magnitude, natureza de organização e, especialmente, pela negação da essência das vítimas‖; reconheceu ainda que ―a escravidão e o tráfico de escravos são crimes contra a humanidade e assim devem sempre ser considerados, especialmente o tráfico transatlântico de escravos, estando entre as maiores manifestações e fontes de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata...

Durban foi um marco que galvanizou em todo mundo novos entendimentos e posturas, bem como movimentos sociais e políticas públicas sobre a problemática racial, particularmente com respeito aos afrodescendentes, como bem o ilustra, a declaração de 2011 como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, em 2011 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Tudo isso é imensamente relevante em nosso país. Com efeito, segundo projeções do IPEA, devido à diferença nas taxas de fecundidade entre população branca e não branca, projeta-se para 2050 que ¾ da população brasileira estará constituída por negros e pardos. O Brasil, este povo majoritariamente afrodescendente, tem o direito de conhecer toda a verdade sobre sua história. Ao fazê-lo, deverá reconhecer sua dívida com respeito à África, independentemente do colonialismo europeu, do qual os dois continentes foram vítimas, mas devido à participação direta do Estado brasileiro, pós-Independência, na pilhagem da África.

2. A longa abolição da escravatura
Como é sabido, o Brasil foi o último país das Américas a libertar efetivamente seus escravos. No entanto, após a firma do tratado anglo-brasileiro de 1826, em troca do reconhecimento pelo Reino Unido da independência do Brasil, havia sido aprovada pela Câmara de Deputados do Império e promulgada em 1831, durante a Regência, uma lei que abolia o tráfico de escravos e criminalizava a escravização de africanos desembarcados no Brasil.

Apesar desta lei, que está na origem de expressão popular ―para inglês ver, os chamados negreiros brasileiros prosseguiram com o tráfico, servindo-se de uma rede de agentes instalados ao longo de toda a costa ocidental da África. Na verdade, com a abolição do trabalho escravo nos Estados Unidos, após a guerra da independência, o tráfico negreiro brasileiro ganhou inclusive um novo impulso, sem a concorrência de seus congêneres do norte.

Além do tráfico, a lei de 1831 proibia a própria escravização, não somente assegurando plena liberdade aos africanos introduzidos no país após esta data como considerando seqüestradores seus eventuais proprietários, sujeitos a sanções penais. Por reduzir à escravidão a pessoa livre que se achar em posse de sua liberdade, o Código em vigor à época impunha aos infratores uma pena pecuniária e o reembolso das despesas com o reenvio do africano seqüestrado para qualquer porto da África.

Pouco depois, em 1845, o governo britânico decretou o Bill Aberdeen, que proibia o tráfico de escravos entre a Europa e as Américas e autorizava a Marinha a aprisionar navios negreiros, mesmo, no caso, quando navegassem em águas territoriais brasileiras, provocando pânico, segundo se diz, em traficantes e proprietários de escravos e de terras no Brasil. Para a Grã Bretanha, potência hegemônica no período, o tráfico tinha deixado de ser rentável, tornando-se um obstáculo às suas necessidades de expansão imperialista e de conquista de novos mercados, embora suas reais motivações se ocultassem sob o véu de razões filosóficas e humanitárias.

Apesar do forte sentimento anti-britânico gerado na alta sociedade imperial, o governo brasileiro viu-se obrigado a aprovar uma nova lei em 1850, dita lei Euzébio de Queiroz, que extinguia o tráfico transatlântico para o Brasil e autorizava a apreensão dos negros ― boçais, que assim chamavam aos escravos recém-chegados que não dominavam o português. Mas, em contrapartida, a lei ignorava os escravos que haviam chegado ao país desde o tratado de 1826 e a lei de 1831, concedendo, de certa forma, um indulto aos seus infratores.

Com este gesto inaugural de impunidade, que viria a se incrustar a posteriori na sociedade brasileira, o governo brasileiro ―anistiava, a partir de 1850, os culpados pelo crime de seqüestro de africanos, fazendo vistas grossas ao crime correlato de escravização de pessoas livres. Com isso, os quase 800 mil africanos desembarcados até 1856 — e a totalidade de seus descendentes — continuaram sendo mantidos ilegalmente na escravidão até 1888, ao mesmo tempo em que aumentava o tráfico interno em direção ao Sudeste e ao Sul, que ganhavam novo dinamismo econômico em detrimento do Nordeste. Assim, boa parte das últimas gerações de seres humanos escravizados no Brasil não era escrava de jure.

Ou seja, o tráfico de escravos e a escravização de africanos durante o Império não eram somente condenáveis no plano ético: eram atos ilegais cometidos pelas elites brasileiras, que permaneceram ocultos e impunes nas dobras da história dos vencedores. Paralelamente, a elevada concentração fundiária ganhava por esta via uma sobrevida e se consolidava, ao mesmo tempo em que se reforçavam os fundamentos da desigualdade racial no Brasil.

3. O Brasil e o tráfico negreiro
O tráfico negreiro com destino ao Brasil sempre teve uma dinâmica própria. Já desde o século XVII, era gerido a partir de portos brasileiros, isto é, os grandes traficantes que garantiam a reprodução do sistema escravista no país estavam sediados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, e não em Lisboa. A partir de 1831, o tráfico passou integralmente ao controle de traficantes brasileiros e seus agentes em portos da África Ocidental. Os escravos eram trazidos da África, acorrentados em navios negreiros, com a bandeira brasileira hasteada em seus mastros, causando profunda dor em patriotas como Castro Alves, que em seu poema Navio Negreiro, de 1868, dezoito anos após a lei Euzébio de Queiroz, bradava enfurecido:

“Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!...”

No Império, os traficantes brasileiros eram considerados empresários de sucesso e possuíam um status social elevado, armando embarcações com destino à África, servindo-se de uma rede de fornecedores e agentes comerciais em vários países e empregando muitas pessoas. Até 1831 estiveram entre os homens mais ricos do Império, com ligações estreitas com a Corte e representantes na Câmara de Deputados, além de contar com a conivência da polícia e das autoridades locais.

Somente após 1850, com a Lei Euzébio de Queiroz, eles começaram a ser qualificados como ―piratas, tendo muitas vezes que fugir para o exterior. No entanto, sob a proteção dos latifundiários, que como compradores de escravos jamais foram punidos, foram autorizados a voltar a viver no país já nos anos 1860 e incentivados a aplicar suas fortunas em outros negócios, como a agricultura. De certa forma, portanto, a participação de brasileiros no tráfico negreiro e as benesses que receberam fazem parte de um processo que ajudou a plasmar as elites brasileiras nas entranhas da sociedade escravocrata brasileira.

Segundo Alencastro, ―do total de cerca de 11 milhões de africanos deportados e chegados vivos nas Américas, 44% (perto de cinco milhões) vieram para o território brasileiro num período de três séculos (1550-1856). Somente após 1808, com a chegada da família real ao Brasil, teriam desembarcado mais de 1,4 milhões de escravos, aproximadamente ⅓ do total de africanos escravizados que aportaram em terras brasileiras.

Grande parte da decantada prosperidade econômica do Brasil imperial se baseou nesses enormes contingentes de escravos desembarcados durante o século XIX. Para citar um único exemplo, à persistência da escravatura se deveu o arranque da cafeicultura no Vale do Ribeira em São Paulo, que converteu o Brasil no maior produtor mundial do produto e viabilizou ulteriormente a industrialização do país.

O tráfico negreiro e o trabalho escravo no Brasil contribuíram poderosamente para a acumulação mundial de capital e a expansão econômica européia, tornando rentável a colonização da África. Em contrapartida, a África ficou estagnada, com grande parte de sua população dizimada ou deportada e com suas sociedades desestruturadas, ao mesmo em que se acentuavam os conflitos internos e as migrações massivas.

O caso de Luanda, bem documentado, ilustra as mudanças provocadas pelo tráfico nas sociedades africanas. De 1770 a 1840, seu porto permaneceu como o mais importante exportador de escravos da África Ocidental, mantendo-se nesta posição com respeito ao Brasil, mesmo após a primeira lei de abolição em 1831. Ao longo deste período, a população não só declinou fortemente como sofreu perdas significativas em sua mão de obra produtiva, para atender à demanda brasileira. Este processo, no entanto, jamais ocorreu sem resistências, sendo freqüentes as fugas e revoltas de grupos de população vulnerável para o interior e a criação em meados do século XIX de ―quilombos ou ―motolos, que costumavam se armar e atacar a cidade de Luanda.

Esta rapina abjeta de seres humanos reduziu o potencial de desenvolvimento e maculou o ethos civilizatório do qual a África era portadora. Visto da perspectiva do continente africano, o tráfico de escravos não foi, portanto, uma empresa exclusiva de colonizadores europeus, mas também, e diretamente, de traficantes brasileiros atuando com o beneplácito do Estado brasileiro, quando o país já havia se tornado independente.

4. A dimensão política de nossa dívida com a África
Quando falamos da dívida brasileira com respeito à África, não devemos restringi-la ao incomensurável aporte dos africanos à construção da nação brasileira ou, muito menos, igualar o Brasil à potência colonizadora. A colonização africana resultou do expansionismo europeu e, desta perspectiva, tanto Brasil como África padecemos solidariamente dos seus males. Mais precisamente: o Brasil não colonizou a África e nós não temos porque assumir uma responsabilidade histórica que não nos cabe diretamente.

A verdadeira dívida brasileira está espelhada no tráfico negreiro realizado por traficantes brasileiros, principalmente ao longo do Império, atuando ilegal e impunemente, sob a égide do Estado brasileiro, ou seja, refere-se a um período histórico de pouco mais de meio século, num contexto em que o Brasil e outros países do continente americano já haviam deixado de ser colônias, tornando-se independentes.

Com efeito, foram traficantes brasileiros, em associação com grandes latifundiários, ou seja, as elites econômicas imperiais, que tomaram as rédeas do tráfico para o Brasil. Embora o país tenha evoluído desde então, os herdeiros dessas elites, e em alguns casos inclusive seus descendentes diretos, continuam tendo um enorme peso na vida política e na economia do país. A atualidade do tráfico negreiro reside, contudo, mais além das chagas sociais que nos legou, no desafio que nos coloca sobre o imperativo de ampliar continuamente nossos horizontes democráticos e construir uma sociedade que respeite a dignidade humana.

A discriminação e o racismo contra o negro no Brasil têm na escravatura sua matriz principal e fundadora. O tráfico necessitava uma justificativa no plano ideológico, que reduzisse o "homem de cor" a um ser inferior, degradado, próprio a ser tratado como uma coisa, uma mercadoria. O racismo cresceu à medida que se expandiu o tráfico negreiro e se incrustou nas instituições brasileiras principalmente a partir do Império. Mesmo depois de abolida a escravidão, o racismo prosseguiu e prosperou, como parte de uma cultura dominante abraçada pelo Brasil independente, a mesma que tornou possível e aceitável o saque colonial, o imperialismo e, nos dias atuais, o neocolonialismo. No caso do Brasil, esta cultura ainda dominante se traduz na submissão, com freqüência servil, aos interesses das classes dominantes do mundo dito civilizado.

O governo Lula inaugurou uma reviravolta nesta triste herança histórica, ao assumir a dívida histórica do Brasil com respeito à África, e ao reafirmar, a um só tempo, o peso da África e dos afrodescendentes na formação social brasileira. Contrariando as pretensões primeiro-mundistas das elites tradicionais, pediu publicamente perdão aos africanos e fez da África uma prioridade para a nova inserção internacional do Brasil, mediante uma visão de largo prazo dos interesses nacionais. Conferiu assim uma nova legitimidade e um cunho popular à política externa brasileira, valorizando o componente africano de nossa sociedade e a sua contribuição decisiva para a afirmação da nossa cultura. Para a África, o Brasil de governo Lula tornou-se um poderoso aliado na conquista de maior autonomia e integração, ajudando-a a superar a situação de dependência e marginalização em que se encontra.

No plano interno, contudo, nesses tempos em que se discute o direito à verdade e à memória na perspectiva dos oprimidos, cabe ainda desvendar o quanto a forma que assumiu o escravismo no Brasil determinou seu desenvolvimento ulterior e, em particular, porque o Brasil permanece até hoje como a única grande economia agro-exportadora que não realizou uma extensa reforma agrária.

O ocultamento da verdade com respeito ao papel de brasileiros no tráfico negreiro contribui também, certamente, à perpetuação do trabalho escravo no Brasil até o presente, esse crime de lesa-humanidade, considerado imprescritível pela Constituição de 1988.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, de 1995 até agosto de 2010, foram resgatados quase 38 mil escravos. Por sua vez, a Comissão Pastoral da Terra estima que cerca de 25 mil brasileiros se tornam escravos a cada ano, passando a viver em barracões de chão batido, separados de suas famílias e subjugados por dívidas impagáveis e crescentes. Segundo Monteiro Filho da ONG Repórter Brasil, que se especializou no trabalho escravo contemporâneo, ―os empregadores que utilizam mão de obra escrava são, na maioria das vezes, grandes latifundiários [...] quando não são congressistas, membros dos Legislativos estaduais ou do Poder Judiciário‖. Segundo este autor, ―a maioria dos casos de utilização de mão de obra escrava é registrada... nas fazendas de gado‖. O Brasil, como maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, e grande produtor agrícola, tem no poderoso agronegócio a marca do trabalho escravo contemporâneo.

Assumir a responsabilidade histórica pela enorme dívida que temos com a África não é, portanto, uma atitude passadista, porém tem um claro rebatimento em componentes estruturais de nossa realidade como nação e em alguns de nossos principais desafios atuais. Esclarecer e discutir este tema representa um direito da sociedade brasileira e de sua maioria afrodescendente em especial. A política externa e a de cooperação com a África precisam incorporar continuamente esta dimensão como fundamento incontornável de enfoques inovadores e emancipatórios, baseados no respeito à dignidade e à liberdade humana.

5. Referências bibliográficas
Alencastro, L., O trato dos viventes. Formação do Brasil no Atlântico Sul. Companhia das Letras, São Paulo, 2000.

Alencastro, L., O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira, NOVOS ESTUDOS CEBRAP 87, julho 2010

Alencastro, L., L´Afrique nous est plus proche que certains pays d´Amérique Latine, in Le Monde, Hors Série, Brésil, un géant s´impose, 2010.Alonso A., O Abolicionista Cosmopolita. Joaquim Nabuco e a rede abolicionista transnacional; NOVOS ESTUDOS CEBRAP 88, novembro 2010

Amorim, C. A África tem sede de Brasil. Revista Carta Capital : 1o de Junho de 2011.

Bittar, E. e Almeida, G., Mini Código de Direitos Humanos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2010, Brasília, 2010.

Curto, J. e Gervais, R., A dinâmica demográfica de Luanda
no contexto do tráfico de escravos do Atlântico Sul, 1781-1844, Topoi, Rio de Janeiro, mar. 2002, pp. 85-138

Davidson, B. Mãe Negra. África: Os Anos de Provação. Sá da Costa, Lisboa, 1978

Eltis, D. , Behrendt, S. e Richardson, D. A Participação dos Países da Europa e das Américas no Tráfico Transatlântico de Escravos: Novas evidências, Afro-Ásia , 24 (2000), pp. 9-50

Ferreira. R., Escravidão e Revoltas de Escravos em Angola (1830-1860), Afro-Ásia, 21-2 (1998-1999), pp. 9-44

Ki-Zerbo,J., História da África Negra. Europa-América, Lisboa, 1972.

Lovejoy, P., The Volume of the Atlantic Slave Trade: A Synthesis, The Journal of African History, Vol. 23, No. 4. (1982), pp. 473-501.

Lovejoy, P., Identidade e a Miragem da Etnicidade. A Jornada de Mahommah Gardo Baquaqua para as Américas, Afro-Ásia, 27 (2002), pp. 9-39

Lula da Silva, L., Discurso: 17ª Cúpula da União Africana. Malabo, Guiné Equatorial. 30.06.2011

Maestri, M. O escravismo no Brasil. Atual – Coleção: Discutindo a Historia do Brasil, São Paulo, 1994

Marquese, R., A Dinâmica da Escravidão no Brasil. Resistência, tráfico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX; NOVOS ESTUDOS CEBRAP 74, março 2006

Mbaye, S. El Ethos esclavista y la economía africana. 2010, www.project-syndicate.org

Nkrumah, K., A África deve unir-se. Ulmeiro, Lisboa, 1977.

Pétré-Grenouilleau,O. A história da escravidão. Boitempo Editorial, São Paulo, 2009.

Raminelli, R. A história sob o monotrilho, 2001, Teoria e Debate nº 46, Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2001.

Repórter Brasil. http://www.reporterbrasil.org.br
Vários autores, Dossiê Escravidão, Revista História Viva, ano VIII, nº 88, 2011, pp. 26-49, Ediouro Duetto Editorial Ltda.

Vários autores, Especial “A abolição em revista”, Revista de História da Biblioteca Nacional, Ano 3, nº 32, 2008, pp. 14-27, Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional.


(*) Luiz Carlos Fabbri é integrante da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo. Matilde Ribeiro foi ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no Governo Lula.


 

O estadão de hoje está hilário... O Stanislaw Ponte Preta iria se divertir muito...

Tudo na 1ª página:

1-) Manchete:

"Lei de Acesso à Informação vai começar enfraquecida" 

Chamada ao lado:

Estreia o Estadão Dados

O primeiro produto do núcleo multimídia para estatísticas é o Basômetro, que mede o comportamento da base de Dilma

Basômetro...


2-) Chamada nº1:

Serra quer evitar 'descontinuidade dramática'

O pré-candidato José Serra(PSDB) disse ao Estadão que o motivo de disputar a eleição é "impedir uma descontinuidade dramática" nos rumos de SP. Para ele, sua campanha presidencial influenciou Dilma


3-) Chamda nº 2:

JOSÉ SERRA

PRÉ-CANDIDATO À PREFEITURA DE SP

"Muitas das coisas que o governo faz foram resultado da minha campanha"

 

José Antônio

Se ele continuar assim...


...falando o que bem entende, sem se preocupar com os interesses de seu patrão, certamente será o próximo a ir para a rua. A exemplo do que aconteceu com a melhor analista política do país em atividade, a Maria Inês Nassif, que perdeu o emprego no Valor Econômico, depois da sangrenta eleição de 2010. Só que Maria, ao lado de Lula, está melhor agora, com certeza.

E acho que o Paulo Moreira Leite, autor do texto que transcrevo a seguir, também ficará numa boa a hora que a Globo se despedir dele. Fique com o texto:

"Confesso que não dá para ficar espantado com as delinquências do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Sem ser preconceituoso, pergunto: o que se poderia esperar de um contraventor a não ser que se dedicasse à contravenção?


Que fosse rezar ave-maria depois de pagar aposta no jacaré e no leão? Mas há motivo para se espantar com o sucesso de Demóstenes Torres. Como ele conseguiu enganar tantos por tanto tempo?

A resposta não se encontra no próprio Demóstenes, mas em quem se deixou ser enganado. O senador é um produto típico do radicalismo anti-Lula que marcou a política brasileira a partir de 2002. A polarização política criada em certa medida de modo artificial foi um campo fértil para políticos sem programa e aproveitadores teatrais.

Demóstenes contribuiu com sua veemência e sua falta de freios para criar um ambiente de intolerância política no Congresso, reeditando o velho anti-comunismo da direita brasileira, da qual o DEM é um herdeiro sem muitos disfarces.

Num país onde a oposição se queixava de que não havia oposição, Demóstenes apresentou-se. Contribuía para estimular o ódio e o veneno, com a certeza de que nunca seria investigado. Aliás, não foi.

Caiu na rede de seu amigo e parceiro Cachoeira.  Se aquele celular fajuto de Miami fosse mesmo à prova de grampos, é provável que até hoje o país estivesse aí, ouvindo Demóstenes e seus discursos… Quem sabe até virasse uma estrela da CPI…sobre Carlinhos Cachoeira.

Nunca se fez um balanço da passagem de Demóstenes pela secretaria de Segurança de Goiás, nunca se conferiu a promessa (doce ironia!) de acabar com o jogo do bicho no Estado nem as razões de seu afastamento do PSDB de Marconi Perillo.

Demóstenes dava até entrevistas contra as cotas e escrevia textos citando Gilberto Freyre. Pelo andar da carruagem, em breve seria candidato a Academia Brasileira de Letras e um dia poderíamos ouvi-lo tecendo comentários sobre a obra de Levi-Strauss, sobre a escola austríaca de economia…

O senador foi promovido, tolerado e bajulado por uma única razão:  necessidade.

Nosso conservadorismo está sem quadros e sem votos. Lembra a conversa de que “faltam homens, faltam líderes”? Vem desde 64…

A dificuldade de construir um programa político autêntico e viável para enfrentar a competição pelo voto está na origem de mais um embuste.

Já tivemos Jânio Quadros, Fernando Collor… Felizmente Demóstenes não chegou tão longe.
Mas todos foram mestres na arte de esconder seu real programa político e oferecer a moralidade como salvação suprema.

O carinho, a atenção, a boa vontade com que Demóstenes foi tratado mostra que teria um longa estrada pela frente.  Não lhe faltavam sequer intelectuais disponíveis para oferecer um verniz acadêmico, não é mesmo? Há um problema de origem, porém.

A história da democratização brasileira é, basicamente, a história da luta da população mais pobre para conseguir uma fatia melhor na distribuição de renda. Este era o processo em curso antes do golpe que derrubou Jango. A luta contra o arrocho e contra os truques para escamotear a inflação esteve no centro das principais manifestações populares contra o regime.

Desde a posse de José Sarney que o sucesso e o fracasso de cada presidente se mede pela sua competência para para responder a esse anseio.

Aquilo que os economistas chamam de plano anti-inflacionário, estabilização monetária e etc, nada mais é, para o povão, do que defesa de seu quinhão. O Cruzado e o Real garantiram a glória e também a desgraça de seus criadores apenas e enquanto foram capazes de dar uma resposta a isso.

Essa situação também explica a popularidade de Lula, ponto de partida para o Ibope-recorde de Dilma. E aí chegamos à pior notícia. O conservadorismo brasileiro aposta em embustes porque não quer colocar a mão no bolso. Quer votos mas não quer mexer – nem um pouquinho – na estrutura de renda. Quer embustes, como Demóstenes.

Fiquem atentos. Quem sabe o próximo Demóstenes apareça na CPI do Cachoeira, do Cavendish … e do Demóstenes. O conservadorismo preocupa-se apenas com seu próprio bolso. Para o povo, oferece moralismo."

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/05/se-ele-continuar-assim.html

 

sábado, 12 de maio de 2012

Veja cria o Boimate 2. É Reivaldo Azeprado, mistura de Reinaldo com Prof. Hariovaldo, que escreveu editorial sobre Twitter

 

Arte feita a partir de capa original da Veja,
que peguei no Blog do NassifTodo mundo se lembra da maior mancada da imprensa brasileira de todos os tempos, o caso boimate.

O " fruto da carne", derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestivo nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional " fato científico" de 1983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior " barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira.

Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria.

A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama e entrevistou um biólogo da UPS, para dar a devida repercussão da descoberta.

Para a revista, " a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica". [divirta-se com a íntegra aqui]
Agora a edição desta semana da revista mais vendida do Brasil lançou um editorial fingindo tratar-se de matéria não assinada, mas que descobrimos ter sido escrita por uma mistura tão improvável quanto a de um boi com um tomate, Reivaldo Azeprado, uma fusão de Reinaldo Azevedo com o Professor Hariovaldo Almeida Prado.

A mistura das duas figuras extravagantes produziu um texto esquizofrênico, com pitadas escatológicas, ao gosto do blogueiro do esgoto, e tiradas completamente fora da realidade, a la Professor Hariovaldo, como o trecho a seguir, retirado do quarto parágrafo do Boimate 2:

Nas últimas semanas, o vazamento de informações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e a subsequente instauração de uma CPI para investigar o contraventor Carlinhos Cachoeira puseram sangue nos olhos de certa militância petista. Adversários históricos do partido e desafetos do ex-presidente Lula, como o senador Demóstenes Torres e o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, podem sofrer graves punições políticas por sua proximidade com operadores do esquema de Cachoeira. Eles se tornaram alvo da artilharia de esquerda, que também se voltou contra outro alvo de longa data: a imprensa independente, e VEJA em particular.
É  ou não é puro Professor Hariovaldo afirmar que o que há contra Demóstenes e Perillo não são as inúmeras ligações comprometedoras, os presentes, a corrupção, o senador agindo a mando do bicheiro, mas apenas "proximidade com operadores do esquema de Cachoeira"?

E o estilo "ingênuo" do Professor acaba envolvendo a revista, que se coloca em pé de igualdade com os dois. Se a relação da Veja com o esquema Cachoeira for tão próxima como a de Demóstenes e Perillo, mais gente vai para a Papuda, onde já se encontram  alguns repórteres investigativos da mais vendida.

O Boimate 2 pode ser lido na íntegra aqui

 

 

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Postado por Antônio Mello


 

Em editorial, Globo critica capitalismo entre amigosEm editorial, Globo critica capitalismo entre amigos Foto: Divulgação

Jornal recomenda que o governo se mantenha longe da operação que pode entregar o comando da empreiteira ao empresário Joesley Batista

12 de May de 2012 às 17:02

247 –Dono da empresa que mais cresceu no governo Lula, o empresário Joesley Batista, do grupo JBS Friboi, está a um passo de se tornar controlador também da Delta. Mas, em editorial, o jornal O Globo recomenda que o governo federal fique longe da operação. Leia:

Delta e o capitalismo entre amigos

Atingida pelo escândalo da descoberta do esquema mafioso de Carlinhos Cachoeira, a empreiteira Delta, campeã de obras no PAC, entrou em rota para o colapso. Sem crédito nos bancos, a empresa começou a repassar contratos — o de participação na reforma do Maracanã foi um deles —, e tornou-se questão de tempo a falência. Sem credibilidade junto a bancos e governos não há empreiteira que resista. A surpreendente decisão do grupo J&S de comprar a construtora poderia ser motivo de alívio, por salvar empregos. Mas gerou problemas para o governo federal, ao levantar suspeitas de envolvimento político em um negócio que teria sido desenhado, acusa-se, para salvar o dono da empreiteira, Fernando Cavendish.


Fosse uma decisão empresarial de mercado, não haveria qualquer desdobramento no mundo político, como aconteceu. Os indícios de envolvimento oficial existem: a holding J&S, além de ter crescido sob o impulso do BNDES, na política de criação de "campeões nacionais", tem como principal ativo o frigorífico JBS, do qual o banco estatal detém 31,4%.

O BNDES garante não ter qualquer participação na iniciativa do J&S de absorver a Delta e ainda aceitar administrar a empresa antes de qualquer auditoria interna — raridade no mundo dos negócios. O Palácio, por sua vez, em nota, tachou de "falsas as ilações de que a referida operação teve aval deste governo". Garantiu não interferir em operações privadas. Lembrou, ainda, que a Controladoria-Geral da União (CGU) audita os contratos da Delta e pode declará-la inidônia para fazer negócios com o poder público.

Consta que a presidente Dilma estaria contra a interferência oficial no imbróglio, e ontem foi incentivada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) a manter o Estado ao largo: "É vigarice pura". Pode ser ou não. Mas tudo indica ser a posição mais sensata para o governo.

A operação se candidata a ser exemplo de distorções causadas toda vez que o Estado resolve interferir no mercado privado a fim de induzir o crescimento de empresários escolhidos para serem os tais "campeões nacionais". No setor de frigoríficos, agora em destaque devido à polêmica em torno da Delta, o BNDES já empatou — e perdeu — dinheiro público.

Nos últimos 30 anos fortaleceu-se no Brasil, ao lado do grande aparato financeiro estatal, um forte braço sindical envolvido em bilionários investimentos, os fundos de pensão de estatais. Previ, Petros e outros atuam no alto mundo dos negócios, algumas vezes juntos com o BNDES. A escolha dos investimentos não é transparente, até porque os fundos, por lei, são entidades privadas. E o BNDES, por sua vez, não se notabiliza por ser translúcido. Se todo este cenário for analisado de um plano mais elevado, constata-se que há no Brasil instrumentos para a prática daquilo que os americanos chamam de "crony capitalism", capitalismo entre amigos ou, mais adequado para o Brasil, "capitalismo de companheiros".

O Ministério Público Federal do Rio deseja barrar o negócio, porque há evidências de fraudes cometidas pela Delta no relacionamento com Cachoeira. O mesmo pedido é feito pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) à Procuradoria-Geral da República. Falta mesmo projetar luz sobre toda esta história.

 

 

Uma vitória espetacular dos pobres na reunião da UNCTAD

Sáb, 12 de Maio de 2012 16:35

 A reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, realizada em Doha, terminou com uma vitória sem precedentes dos países em desenvolvimento. Uma coalizão histórica entre os países emergentes (BRICS) e o Grupo dos 77 (mais de cem países em desenvolvimento) fulminou com as manobras dos países ricos destinadas a esvaziar o papel da UNCTAD. O artigo é de J.Carlos de Assis.

 

J. Carlos de Assis (*), na Carta Maior

A reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) em Doha terminou na semana passada com uma vitória sem precedentes dos países em desenvolvimento e, mais do que deles, da grande maioria dos povos do mundo. Uma coalizão histórica entre os países emergentes (BRICS) e o Grupo dos 77 (mais de cem países em desenvolvimento) fulminou com as manobras dos países ricos destinadas a impedir que a UNCTAD continuasse a produzir, entre outras coisas, estudos críticos relacionando a crise mundial com a globalização e a liberalização financeira, e o livre movimento de capitais.

Os beneficiados não são países, mas povos – inclusive os povos dos países ricos. A UNCTAD é uma das poucas vozes internacionais que se colocou bravamente contra as políticas econômicas ditas de austeridade, cujo único resultado, sobretudo na Europa, tem sido o de aprofundar ainda mais desemprego e a própria crise fiscal que busca controlar. Nisso, bate de frente com o FMI, o Banco Mundial, a OCDE (Organização Europeia de Cooperação e Desenvolvimento), a Comissão Europeia etc. É um espaço para um debate econômico aberto, sob os auspícios da ONU, mostrando que há alternativas à repressão fiscal.

A diplomacia dos países ricos vinha manobrando há semanas e meses para eliminar qualquer possibilidade de a UNCTAD atuar com eficácia na formulação de linhas políticas para os países em desenvolvimento em face da crise mundial. A conferência em Doha foi tensa, pois os ricos não abriam mão de tirar do comunicado final os temas que realmente interessavam, isto é, os financeiros. Entretanto, com seu toque tradicional de arrogância e audácia, foram mais longe do que permitiam as circunstâncias políticas. Tiveram que recuar. Favorecendo o recuo, emergiu um decisivo agente coletivo novo: os BRICS.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul colocaram a disposição do Grupo dos 77 seus recursos diplomáticos, promovendo as contra-manobras que possibilitaram, por fim, a salvação da UNCTAD como agência efetiva de desenvolvimento e de orientação econômica alternativa ao FMI e Banco Mundial. Foi a primeira vez que mostraram sua força coletiva num foro mundial. As Organizações Não Governamentais também tiveram um papel de extrema relevância atuando junto às delegações dos países ricos para forçá-las a um acordo aceitável. Jamais vi isso antes: um paradigma histórico está sendo superado!

Qual será o novo paradigma? A certa altura da Conferência o embaixador suíço anunciou que os termos básicos propostos pelos países em desenvolvimento seriam aceitos, porém com a condição de que fosse retirada qualquer menção de respaldo a Cuba ou à Palestina. Diante da perplexidade geral, o embaixador palestino tomou a palavra e anunciou que acabara de firmar um acordo diretamente com o embaixador israelense, pondo fim, em 15 minutos, a meses de negociação com os países ricos na Suíça; o embaixador de Cuba, por sua vez, informou ao plenário que havia feito um acordo diretamente com os americanos. Nada mais impediria o acordo geral.

O novo paradigma está à vista. Em 2008, escrevi um livro, “A Crise da Globalização”, no qual sustentei que a civilização estava sendo objetivamente, não idealmente empurrada para a cooperação em pelo menos quatro campos: a economia, o meio ambiente, a geopolítica e a genética. Se consultarmos a história, a mudança básica de paradigma ocorre no campo geopolítico. É que a história do mundo é a história de guerras. O próprio avanço da civilização muito deveu às guerras. Agora, contudo, num mundo nuclearizado – foquemos apenas nos Estados Unidos, Rússia e China -, simplesmente não é possível fazer guerras globais. Seria o desaparecimento da espécie.

O impasse nuclear leva à necessidade de cooperação, já que, sem ela, a insegurança global aumenta. Daí a AIEA, com todas as suas ambiguidades, mas daí também a cooperação que os Estados Unidos dão à Rússia, seu potencial adversário, na área nuclear. No caso da economia, está evidente que, num mundo globalizado, não é possível enfrentar a atual crise sem cooperação. Isso acontece, obviamente, no campo ambiental, assim como no campo da genética: sem acordos cooperativos entre institutos e pesquisadores numa escala mundial acabaremos vendo serem feitos monstros semi-humanos em laboratórios. 

Quando levantei essa tese de uma marcha inevitável para a cooperação com meus alunos de Política Internacional e Cooperação Internacional na UEPB, notei que alguns preferiam se manter no velho paradigma da guerra como solução de crises. Argumentei que não sou propriamente um idealista, que tenho firmes convicções marxistas, mas isso não me impede de concluir que a guerra não é mais um ato racional como imaginava Clausewitz, o maior filósofo de guerra da Idade Moderna. Além disso, nas informadas democracias de cidadania ampliada do presente, dificilmente surgiria um Hitler. 

A reunião da UNCTAD, de certa forma, indicou que o mundo está sendo efetivamente empurrado para a cooperação. Pode ser um pequeno passo. Mas uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo, diz o provérbio chinês.

P.S. É espantosa a quase nula cobertura que a imprensa “livre” brasileira deu à reunião de Doha. Não viu nela a menor importância. Comparece-se com a fanfarra que cerca as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial! Se não fosse pelos artigos esparsos do embaixador Rubens Ricúpero, ex-secretário geral da UNCTAD, pouco saberíamos do que aconteceu lá.

(*) Economista, professor de Economia Internacional da UEPB, autor, com Francisco Antonio Doria, de “O universo neoliberal em desencanto”, recém-lançado pela Civilização Brasileira. Esta coluna é publicada também no site Rumos do Brasil e, às terças, no jornal carioca Monitor Mercantil.


 

CPMI do Cachoeira: Perillo em baixa, Agnelo sobe, e Gurgel sob fogo Por: Helena Sthephanowitz, Rede Brasil Atual- 12 de maior de 2012    Com o depoimento na CPMI do Cachoeira do delegado da Polícia Federal, Matheus Mela Rodrigues, a situação do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) se agravou. O delegado confirmou tudo o que já vinha sendo vazado na internet, desde nomeações no governo por Cachoeira, até entrega de pacote de dinheiro no palácio das Esmeraldas a assessor, e confirmou a intimidade de Perillo com Cachoeira, em telefonema de aniversário.Disse apenas que não ficou comprovado crimes diretos do governador, até porque governadores e parlamentares não eram alvos da investigação. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) saiu assustado com o que ouviu, defendendo a convocação urgente de Perillo. Apesar de concordar com a gravidade, quem atuou como bombeiro foi o relator Odair Cunha (PT-MG). Ele acha cedo para convocar Perillo. Prefere ouvir antes o próprio Cachoeira.Em seu depoimento, o delegado confirmou também o que já saiu nos blogs. Cachoeira infiltrou-se em assessorias do governo do Distrito Federal, em escalões inferiores, mas não conseguiu o envolvimento do governador Agnelo Queiroz (PT) em suas maracutaias. Como tem foro privilegiado, cabe a CPI e ao Procurador-Geral pedir investigações mais aprofundadas sobre o assunto.Em entrevista à TV Record, Agnelo disse que "as tentativas de Cachoeira em entrar no DF foram frustradas. Não existe um (único) negócio deles com o governo do DF. Isso fez com que o governo se transformasse em um obstáculo para eles. Portanto, eles partiram para nos derrubar."Mas a oposição quer convocá-lo para empatar o jogo, diante da convocação de Perillo.Mão no fogo por GurgelDepois das declarações que deu ao Jornal Nacional, associações de Procuradores apoiam o Procurador-Geral da República (PGR) Roberto Gurgel. O ministro Joaquim Barbosa (STF) também.Cabe lembrar que os senadores, em peso, também apoiaram Demóstenes Torres em seu primeiro discurso de defesa no Senado. Quando se deram conta do que ele fez de fato com Cachoeira, deu no que deu, e se sentiram enganados.Os fatos que têm vindo à público a partir do depoimento dos delegados da PF, indicam que a Operação Vegas da Polícia Federal foi sim engavetada por Gurgel. E a seguinte, operação Monte Carlo, não foi continuação da primeira, como o PGR alegou. Um documento do Ministério público de Goiás, mostra que a Monte Carlo foi iniciada por ofício do órgão goiano e não por encaminhamento da Procuradoria-Geral-da-República.Quando o relatório da operação Monte Carlo caiu no colo de Gurgel, só então ele desengavetou a outra, e juntou as duas. Está mal explicado. Tem um hiato de 11 meses entre uma operação e outra, durante o ano de 2010, em pleno período eleitoral, em que as investigações ficaram paradas.Até deputados do PSDB e DEM querem explicações, só que sem convocação. Aceitam por escrito, conforme sugeriu Odair Cunha.Fogo-amigo?Nos bastidores do judiciário, declarações de apoio de qualquer ministro do STF deve dar prestígio.Mas colocar Gilmar Mendes no "Jornal Nacional" por longos segundos, defendendo Roberto Gurgel, aí já vira fogo-amigo contra o PGR. Se o objetivo era ganhar a opinião pública, foi um tiro no pé, já que o ex-presidente do STF não desfruta de uma popularidade alta. 

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Acuado, Marconi propõe a CPI das empreiteirasAcuado, Marconi propõe a CPI das empreiteiras Foto: Edição/247

Depois de ver expostas suas relações com o esquema Delta-Cachoeira, govenador de Goiás, Marconi Perillo, propõe agora uma investigação sobre a influência das grandes construtoras em todos os níveis: federal, estadual e municipal. Até que não seria má ideia...

12 de May de 2012 às 19:42

247 – O governador de Goiás, Marconi Perillo, sabe que é a bola da vez. Assim que o senador Demóstenes Torres vier a ser cassado (sem partido/GO), as atenções se voltarão contra ele, tamanha era a influência de Carlos Cachoeira em seu estado. Ciente de que pode até vir a sofrer um processo de impeachment, num estado onde a cada dia cresce o movimento #foramarconi, ele decidiu partir para o ataque. E, neste sábado, ao cumprir agenda na cidade de Catalão (GO), propôs algo que até não seria má ideia: uma CPI para investigar a influência das empreiteiras em todos os governos do Brasil. É a famosa estratégia daquele personagem de Chico Anysio, que dizia “Sou, mas quem não é”. Leia, abaixo, reportagem do Diário de Goiás:

A melhor estratégia de defesa é o ataque. Esta é a postura adotada pelo governador de Goiás, Marconi Perillo(PSDB) diante das informações que foram divulgadas sobre ele na Operação Monte Carlo. Em Catalão, hoje, Perillo deu um duro recado aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa de Goiás. Lá, antecipou, o quê será dito aos deputados quanto à tentativa de ampliação das investigações e revelou a estratégia.

Perillo declarou que vai  “propor uma ampla investigação da influência das empreiteiras com governadores, prefeitos e gestores de obras públicas, de todas as esferas, com a quebra de sigilo bancário de todos. Espero que minha sugestão seja acatada".

Em resumo, o governador deixa claro que vai colocar todos na vala comum. Aliás, deixa a entender que até os aliados serão investigados, pois tratou de todos os gestores de obras públicas e todos os prefeitos. Portanto, a proposta é polêmica e direciona a atenção da mídia e da opinião pública para todos os lados.

O governador disparou, ainda, que, justificando a defesa, que "só assim teremos um quadro real de quem é quem para que pessoas inocentes não continuem a ser atacadas em cima de ilações. Tem muita gente que só tem calo na língua, mas nenhum nas mãos”.

A manifestação de Perillo foi feita na manhã deste sábado, na cidade de Catalão.

 

sábado, 12 de maio de 2012 - No Democracia e Política

O FUTURO DO MERCOSUL Embaixador Samuel Pinheiro GuimarãesMercosul (falta somente a aprovação do senado paraguaio para a Venezuela também fazer parte)

"Sem a compreensão dos Estados maiores, que deve se refletir em suas contribuições financeiras para diversos programas, em especial para o "Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul" pode-se continuar a enfatizar retoricamente a importância das assimetrias, mas elas não diminuirão. Nenhuma política em nenhuma das diversas áreas de integração poderá ir adiante sem a criação de instrumentos financeiros assimétricos de financiamento.

Por Samuel Pinheiro Guimarães

1. A análise da situação do Mercosul, de seus objetivos e das estratégias para alcançá-los, é de especial relevância no momento em que se vem comemorar os vinte anos da assinatura, em 26 de março de 1991, do Tratado de Assunção, em plena e extraordinária crise e transformação política e econômica mundial.

2. Em 1991, era hegemônico o pensamento neoliberal, em cenário econômico de grande otimismo. Era a "Nova Ordem Mundial", anunciada pelo presidente G. H. Bush, a era da "globalização", do fim das fronteiras, do fim da História, do progresso ilimitado para todos os Estados e para todos os indivíduos. Era o mundo unipolar, pacífico e próspero.

3. Esse pensamento neoliberal, que veio a ser articulado no "Consenso de Washington" e impulsionado pelas políticas dos países desenvolvidos nos organismos e negociações internacionais e em suas relações bilaterais com os Estados da América Latina, viria a se refletir, em decorrência dessas pressões externas e até por convicção das elites dirigentes, nas políticas domésticas, econômicas e sociais dos quatro Estados do Mercosul.

4. Apesar das naturais diferenças entre as situações em que se encontravam Estados e sociedades naquele momento e do grau de radicalismo com que foram implementadas, essas políticas todas tinham como principal objetivo reduzir o Estado a seu mínimo, através de programas de privatização, de desregulamentação e de abertura externa para bens e capitais, muitas vezes adotados de forma unilateral, sem negociação, como “contribuição voluntária” ao progresso de globalização.

5. Em 1991, a situação política internacional estava marcada pela desintegração da União Soviética, pelo fim dos regimes socialistas da Europa Oriental, pelo desprestígio do socialismo como sistema político e econômico, pela expansão (voluntária ou “estimulada”) de regimes democráticos, pelo fim aparente dos conflitos regionais, pela “ressurreição” das Nações Unidas e, finalmente, pela hegemonia dos Estados Unidos.

6. Em 2012, a economia mundial se caracteriza pelo aumento da distância entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, pela expansão da globalização e das mega empresas multinacionais e, de outro lado, passa pela sua mais profunda crise desde 1929, a qual se originou em uma tendência à superprodução, à extensão excessiva do crédito e, finalmente, em um enorme movimento especulativo, desencadeado por bancos, fundos de investimento, auditoras e corretoras, permitido pela globalização e pela profunda desregulamentação nacional e internacional dos sistemas financeiros. A crise eclodiu nos Estados Unidos e se espraiou pelos sistemas financeiros dos demais países desenvolvidos, enquanto se atribuiu aos países emergentes, de forma indistinta, a capacidade de manter algum crescimento positivo da economia mundial. Enquanto os países ocidentais desenvolvidos se encontram mergulhados em suas crises, que já afetam a unidade européia, a China surge como a segunda maior potência econômica do mundo.

7. Em 2012, o panorama político-militar internacional se caracteriza pelo desenrolar de guerras em países islâmicos, com a expansão dos poderes da OTAN para muito além de sua área de competência; pela luta contra um inimigo difuso, o terrorismo; pela eclosão, imprevista, de movimentos populares contra ditaduras árabes tradicionalmente apoiadas, e às vezes até financiadas, pelas potências ocidentais; pela intervenção das potências ocidentais, a pretexto humanitário, nos assuntos internos de Estados mais fracos; pelo ressurgimento da xenofobia e do racismo, em especial na Europa, com reflexos sobre imigrantes sul-americanos; pela crescente sofisticação e automação das forças militares das grandes potências e pelo seu esforço em desarmar, inclusive em termos convencionais, os Estados mais fracos e já desarmados.

8. Este cenário político-militar estará sendo cada vez mais transformado pela expansão geográfica da presença política, e no futuro militar, da China, a partir de sua crescente influência econômica, em sua qualidade de maior economia, maior potência exportadora e importadora, segundo maior destino de investimentos internacionais, de sua crescente capacidade científica e tecnológica, de sua situação de maior detentora de reservas internacionais e de maior investidora em títulos do Tesouro americano. Apesar de todas as dificuldades e desafios a trajetória econômica e política chinesa tende a não sofrer radicais alterações devido às características de seu sistema político colegiado e de ascensão gradual dos membros do Partido Comunista às posições de alta responsabilidade no Bureau Político do Comitê Central.

9. A emergência da China como a maior potência econômica do mundo, e possivelmente, em breve, como a segunda maior potência política e militar, tem extraordinárias consequências para a América do Sul, mas muito especialmente para os Estados do Mercosul.

10. Em especial para o Mercosul, na medida em que certos governos da América do Sul tomaram a decisão, de grande importância para seus países e para o futuro político e econômico da América do Sul, que foi a de se inserir, inicialmente, no sistema econômico norte-americano, através da assinatura de amplos acordos econômicos, chamados impropriamente “de livre comércio”, e, em seguida, na economia mundial, através da negociação de acordos, ai sim de livre comércio, com a União Européia e com muitos outros países, entre eles a China.

11. Esses países sul-americanos optaram por uma política de inserção irrestrita na economia global e abdicaram da possibilidade de utilizar diversos instrumentos de promoção do desenvolvimento, em especial importantes no caso de países subdesenvolvidos, com populações expressivas, com alto grau de urbanização, com grandes disparidades sociais e econômicas. E em consequência, abdicaram de participação mais intensa em processo de integração regional sul-americano pela impossibilidade de participar de união aduaneira regional e de políticas regionais de natureza industrial que permitam o fortalecimento das empresas produtivas instaladas em seus territórios. Assim, a retórica presente em todos os encontros acadêmicos e políticos sobre a aspiração, a possibilidade e os benefícios de futura integração sul-americana deve ser vista à luz desta realidade atual.

12. O impacto da China sobre a economia dos países do Mercosul, que já é grande, se tornará extraordinário.

13. A economia chinesa vem crescendo a 10% ao ano, em média, nos últimos trinta anos, desafiando os recorrentes prognósticos negativos dos especialistas. Sua economia moderna é integrada por cerca de 300 milhões de indivíduos, com um déficit crescente de alimentos para uma população que melhora e diversifica seu padrão alimentar, sem suficientes terras aráveis e água para a irrigação em grande escala, (ainda que haja a possibilidade de dessalinização da água do mar e de desenvolvimento de tecnologias agrícolas adequadas às suas regiões inóspitas), com demanda voraz e déficit de minérios muito significativo, e com déficit energético crescente, apesar dos ambiciosos programas de expansão de seus sistemas eletro-nuclear e eólico. A incorporação gradual de mais de um bilhão de chineses, hoje no campo e em atividades de baixa produtividade, ao setor moderno da economia tornará a China o maior mercado do mundo, superior ao mercado americano e europeu somados.

14. Apesar de a demanda chinesa por minérios, por alimentos e por energia poder ser suprida por outras regiões, em especial a África, a América do Sul e os países do Mercosul estão em condições especiais para atendê-la, como, aliás, já vem fazendo com suas exportações de soja e de minério de ferro, entre outros produtos.

15. A demanda chinesa por minérios, petróleo e produtos agrícolas contribui, de forma expressiva, para o aumento dos preços mundiais desses produtos, para um impulso inflacionário em todos os países, para a geração de grandes receitas cambiais nos países do Mercosul, e para a consequente valorização de suas moedas nacionais, afetadas pelo influxo simultâneo do excesso de moeda ofertada pelos Estados Unidos, através de sua política de “monetary easing”.

16. Por outro lado, a China, que se constituiu, inicialmente, em enorme plataforma de produção e exportação das megaempresas multinacionais, passou, através de suas políticas comerciais, industriais e de transferência de tecnologia, a criar e desenvolver suas empresas de capital chinês, capazes de participar do mercado mundial, nos mais diversos setores, com produtos dos mais simples aos mais complexos, com custos de produção e preços de exportação altamente competitivos.

17. A própria situação da China e sua estratégia de desenvolvimento afetará da forma mais profunda as perspectivas de desenvolvimento de cada país do Mercosul, colocará em cheque suas políticas comerciais, industriais e tecnológicas, pautadas pelas normas da OMC, negociadas e adotadas em contexto internacional diverso, e o próprio futuro do Mercosul, como esquema de desenvolvimento econômico, de transformação produtiva e de desenvolvimento social da região.

18. De um lado, a demanda chinesa por produtos primários e, de outro lado, sua oferta de produtos industriais a baixo preço, diante da ortodoxia de política econômica de certos países (centrada em excessiva preocupação com o combate à inflação e com o equilíbrio fiscal) e de seu baixo dinamismo tecnológico poderá levar, se não vierem a ser formuladas e implementadas firmes e permanentes políticas industriais de agregação de valor aos produtos primários em forte demanda, à especialização na produção primária para exportação, e à conquista pela China dos mercados de produtos industriais dos sócios do Mercosul e dos demais países da América do Sul .

19. Essa situação tenderia a se agravar com a superação da crise econômica nos países altamente industrializados, que provocou a redução temporária de sua demanda por insumos primários. Com a retomada de seu crescimento industrial e de renda, esses países passarão a exercer pressão adicional ainda maior sobre os mercados de produtos primários, agrícolas e minerais, com alta possibilidade de aprofundar o processo de especialização regressiva dos países da América do Sul e, em especial, do Mercosul, que inclui as duas maiores economias industriais da região.

20. Em sociedades cada vez mais urbanizadas e com populações expressivas, sob o impacto permanente da propaganda agressiva de estímulo ao consumo, essa especialização regressiva levaria à oferta de empregos industriais nessas sociedades insuficiente para atender à crescente demanda decorrente do crescimento demográfico e da necessidade de absorver os estoques de mão de obra secularmente subempregados e desqualificados. Os efeitos sociais dessa insuficiente geração de empregos urbanos seriam de extrema gravidade.

21. Esse cenário afetaria profundamente as perspectivas e as possibilidades de integração mais profunda entre os Estados do Mercosul na medida em que esta integração depende da vinculação cada vez maior entre suas economias (e consequente vinculação política) o que somente é possível pelo intercâmbio de produtos industriais pois, no setor agrícola, além da menor gama de produtos típica desse setor, as produções dos quatro países são, em larga medida, concorrentes. Suas economias ficariam gradual ou até mesmo rapidamente cada vez mais isoladas umas das outras e o processo de integração mais profunda ficaria definitivamente abalado e reduzido a esforços de cooperação em setores importantes, porém limitados.

O DESAFIO DAS ASSIMETRIAS

22. As assimetrias entre os Estados do Mercosul, que são notáveis em território e população, aspectos o primeiro fixo e o segundo de lenta transformação, mas que têm, todavia, grande importância econômica, vem crescendo rapidamente em termos de grau de diversificação produtiva, de dinamismo tecnológico e de dimensão dos respectivos parques produtivos.

23. A dinâmica dessas assimetrias, deixada ao sabor das forças de mercado, em união aduaneira e em área de livre comércio, na inexistência de esquemas corretivos, leva a um grau de desenvolvimento cada vez mais distinto e, portanto, a fricções, a frustrações e a ameaças permanentes à coesão do Mercosul, com todas as consequências para a capacidade, tanto dos Estados maiores, mas em especial dos menores, de defender e de promover seus interesses em cenário internacional cada vez mais caracterizado, apesar da crise, pela expansão de grandes blocos de países, nas Américas, na Europa e na Ásia.

24. A redução das assimetrias é essencial para que as economias e as sociedades possam se beneficiar de forma equitativa do processo de integração. As assimetrias que, em termos concretos, correspondem a grandes diferenças de infraestrutura física e social, de capacitação da mão de obra e de dimensão das empresas, fazem com que os investimentos privados não possam se distribuir de forma mais harmônica dentro do espaço comum, que a geração e a qualidade de empregos seja desigual e que, portanto, seja desigual a geração de renda e o bem estar nas diversas sociedades.

25. Outros esquemas de integração, como a União Européia, desde sua origem em 1958, se preocuparam com a existência e os efeitos de diferentes níveis de desenvolvimento entre os Estados que deles participavam e com a necessidade de promover o desenvolvimento mais acelerado dos países mais atrasados para tornar mais equilibradas as oportunidades dentro do espaço econômico comum. Lançaram mão de vários programas, basicamente de transferência de recursos, com o objetivo de nivelar a economia dos Estados que foram se agregando à União Européia e que se encontravam em diferentes estágios de desenvolvimento. O processo de reunificação das duas Alemanhas foi e é exemplo de grande transferência de recursos que chega a atingir trilhões de dolares com o objetivo de nivelar duas economias e sociedades que se integram.

26. Devido à doutrina neoliberal e a seus objetivos implícitos, que presidiram à criação do Mercosul, inicialmente julgou-se e afirmou-se que as dimensões assimétricas dos Estados não afetariam o desenvolvimento de cada um deles e que a simples integração comercial automática, sem levar em conta de forma adequada essas assimetrias, permitiria a cada um deles usufruir, de forma igual ou semelhante, dos benefícios decorrentes do processo de integração.

27. Vinte anos depois do Tratado de Assunção, há aceitação generalizada de todos os Governos da importância e das consequências de toda ordem das assimetrias entre os Estados e da necessidade de enfrentá-las com programas eficazes, cujo montante de recursos até agora alocados são absolutamente insuficientes para a dimensão da tarefa.

28. Algumas afirmações básicas podem ser feitas sobre a possibilidade de êxito no enfrentamento do desafio de redução das assimetrias, indispensável para a coesão e o futuro econômico e político do Mercosul:

a. sem a compreensão generosa (e, aliás, de seu próprio interesse, econômico e político) dos Estados maiores, que deve se refletir em suas contribuições financeiras para os diversos programas, em especial para o FOCEM (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul) pode-se continuar a enfatizar retoricamente a importância das assimetrias, mas elas não se reduzirão;
b. sem a construção da infraestrutura de energia e de transportes nos Estados menores, as assimetrias não se reduzirão; e
c. nenhum programa ou política comunitária em nenhuma das diversas áreas de integração poderá ir adiante sem a criação de instrumentos financeiros assimétricos de financiamento desses programas e políticas.

AMPLIAÇÃO GEOGRÁFICA DO MERCOSUL

29. Em cenário internacional caracterizado pela ampliação de grandes blocos de países fortalecidos, a despeito da crise do euro, a capacidade do Mercosul de defender e de promover os interesses de seus Estados depende de seu fortalecimento econômico e político.

30. Do ponto de vista econômico e social, o fortalecimento do Mercosul resultará do desenvolvimento produtivo de cada uma das quatro economias nacionais, de sua integração física e comercial, da redução significativa das disparidades em cada uma das sociedades, de seu dinamismo tecnológico, da redução das vulnerabilidades externas de cada um de seus membros.

31. Do ponto de vista político, o fortalecimento do Mercosul como bloco depende de um lado de uma coordenação cada vez mais estreita de seus membros e, de outro lado, do número de Estados soberanos que o integram, Estados que, por esta razão, tem interesse em coordenar suas ações, como membros de um bloco, nas negociações e foros internacionais e diante de crises e iniciativas de terceiros Estados, em especial daqueles mais poderosos.

32. A ampliação geográfica do Mercosul significa a adesão de novos membros. Por causa de decisões que tomaram no passado, não podem, no momento atual, fazer parte do Mercosul Estados que assinaram acordos de livre comércio com outros Estados ou blocos, tais como a União Européia, e que, por essa razão, aplicam tarifa zero às importações provenientes daqueles Estados ou blocos e que, assim, não poderiam adotar e aplicar a Tarifa Externa Comum do Mercosul.

33. A ampliação geográfica do Mercosul teve início com o processo de adesão da Venezuela. A participação integral da Venezuela no Mercosul é da maior importância política e econômica, dada a riqueza de recursos minerais e energéticos do país e de sua decisão de desenvolver industrialmente sua economia. Depende ela agora somente de decisão do Senado Paraguaio, já tendo sido aprovada pela Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela.

34. Além da Venezuela, poderiam, em princípio, ingressar no Mercosul a Bolívia, o Equador, o Suriname e a Guiana. A possibilidade de Estados extra-regionais, isto é, situados fora da América do Sul, ingressarem no Mercosul é reduzida.

35. É de todo o interesse dos Estados do Mercosul criar as condições as mais favoráveis possíveis ao ingresso da Bolívia, do Equador, do Suriname e da Guiana como membros plenos no Mercosul e de fortalecer as relações com todos os demais países da América do Sul que, aliás, já são Estados associados, para que, no futuro, caso desejem ingressar no Mercosul, este ingresso seja mais fácil e eficaz, política e economicamente.

O MERCOSUL COMO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL 

36. À época da criação do Mercosul, existia a convicção nos governos dos Presidentes Menem, Collor, Rodrigues e Lacalle, de que a execução das políticas preconizadas pelo "Consenso de Washington", isto é, de desregulamentação, de privatização, de abertura ao capital estrangeiro e de remoção das barreiras ao comércio, seriam suficientes para promover o desenvolvimento econômico e social.

37. O Mercosul foi criado em 1991 para ser um esquema de liberalização comercial, como uma etapa de um processo “virtuoso” de eliminação de barreiras ao comércio e de plena inserção na economia internacional, e não para ser um organismo de promoção do desenvolvimento econômico nem dos Estados isolados nem em conjunto.

38. A implementação do Tratado de Assunção, ao não levar em conta de forma adequada as diferenças entre os países e o impacto econômico e político dos deslocamentos econômicos causados pela redução de tarifas, levou a todo tipo de esquemas “provisórios”, tais como o acordo automotivo e as exceções à TEC, periodicamente renovadas, para bens da capital e de tecnologia de informação, e os acordos, muitas vezes informais, de organização do comércio em certos setores empresariais.

39. A transformação do Mercosul de uma simples união aduaneira e área de livre comércio imperfeitas em um esquema de desenvolvimento regional equilibrado e harmonioso dos quatro Estados, o que significa a eliminação das assimetrias e a gradual construção de uma legislação “comum”, exigiria:

a) o reconhecimento enérgico das assimetrias, cuja realidade se verificaria pela constituição de fundos comuns assimétricos, com recursos adequados, em cada área de integração, para financiar projetos, inclusive de harmonização gradual da legislação;
b) a garantia de condições para permitir políticas de promoção do desenvolvimento industrial de cada Estado;
c) a celebração de acordos em setores industriais relevantes, semelhantes ao acordo automotivo;
d) a criação de mecanismos que impeçam a “desorganização dos mercados” nacionais e, ao mesmo tempo, evitem o desvio de comércio em favor de países não-membros do Mercosul;
e) o acesso das empresas de capital nacional, sediadas nos quatro Estados, aos organismos nacionais de financiamento de qualquer um dos quatro Estados do Mercosul;
f) a harmonização da legislação dos quatro Estados em todas as áreas de integração.

40. A crise econômica internacional, a estratégia e as políticas de desenvolvimento implementadas pela China, os programas implementados pelos países industrializados para enfrentar a crise e a verdadeira “suspensão”, na prática, das normas incluídas nos diversos acordos da OMC, “negociados” à época da hegemonia do pensamento neo liberal, criam um ambiente propício à adoção deste elenco de medidas."

FONTE: site "Carta Maior". Artigo de Samuel Pinheiro Guimarães escrito originalmente para o primeiro número da "Austral", "Revista Brasileira de Estratégia e Relações Internacionais", do Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais da UFRGS, em versão eletrônica bilíngue (português e inglês), e impressa (10 de abril de 2012). Transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=183001&id_secao=7).

 

sábado, 12 de maio de 2012

Veja e Cachoeira: silêncio na Operação Megabyte da PF. #VejaComMEDO Em junho de 2008, a Polícia Federal deflagrou a Operação Megabyte, contra fraudes em contratos de informática com o governo do Distrito Federal, nas gestões de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda (ex-DEM).

O esquema envolveu R$ 2 bilhões e a participação de laranjas.

Envolvidos:
- Durval Bardosa (que negociou delação premiada, o que levou a desbaratar o mensalão do DEM).
- Messias Antônio Ribeiro Neto (dono das empresas de informática, bicheiro em Goiás, ex-sócio de Carlinhos Cachoeira na empresa Gerplan).
- e outros.

Com esse montante de dinheiro envolvido, a revista Veja nada noticiou sobre a operação. Um silêncio comprometedor.

Será veto do "editor" Carlinhos Cachoeira?

Detalhes interessantes:

Uma semana antes da Megabyte, em 2008, Dadá, araponga de Carlinhos Cachoeira procurou promotores a fim de obter informações sobre busca e apreensão em empresas de informática do ex-sócio do bicheiro.
O ex-Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal  Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner foram acusados pelo vazamento de informações sigilosas desta operação a Durval Barbosa, mediante suborno.  Por: Zé Augusto 0 Comentários   Ainda do Blog Os Amigos do Presidente Lula.

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N° Edição:  2217 |  04.Mai.12 - 21:00 |  Atualizado em 13.Mai.12 - 04:00 - ISTO É

"Pagot está descontrolado"Senador e padrinho político do ex-diretor do Dnit, Blairo Maggi diz que seu afilhado poderá surpreender na CPI e afirma que o PR foi prejudicado pelo esquema de Carlinhos CachoeiraClaudio Dantas Sequeira

 

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Padrinho político do ex-diretor do DNIT Luiz Antonio Pagot, o líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), passou a semana passada tentando explicar porque seu nome e o dele são citados em diálogo entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Da conversa, interceptada pela Polícia Federal, depreende-se que Pagot sabia muito mais do que declarou aos parlamentares na ocasião da crise que derrubou a cúpula do Ministério dos Transportes no ano passado. Vítima ou cúmplice das articulações de Cachoeira, Pagot quer ser chamado a depor na CPMI que investiga o esquema. “Ele está descontrolado, é um fio desencapado”, alerta Blairo, que tem procurado marcar distância do antigo aliado. “Pagot é maior de idade, tem CPF e opinião própria.”

Além de influenciar nos rumos da CPI, o depoimento do ex-diretor pode ser determinante no retornou ou não do PR ao governo. Desde que perdeu os Transportes, o partido, sob comando de Blairo, aliou-se no Senado ao PTB de Gim Argello para reconquistar o espaço perdido. A presidenta Dilma Rousseff prometeu discutir o assunto numa reunião, ainda sem data. “Se o governo disser ‘não queremos vocês’, vamos atuar de forma independente”, avisa.

ISTOÉ – Diálogos interceptados pela PF sugerem que Luiz Antônio Pagot sabia do esquema da Delta e de Carlinhos Cachoeira. O que o sr acha?
Blairo Maggi – São conversas sobre decisões que nós estávamos tomando naquele período da saída dele e do Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes. Quando fui abordado pelo senador Demóstenes, que fez críticas duras a eles, disse que Pagot faria declarações técnicas e foi o que ele fez. Hoje entendo a preocupação do senador.

ISTOÉ – E qual era a preocupação?
Blairo – Em determinado momento, o Pagot foi convidado para um jantar na casa do senador no qual estariam presentes algumas dessas figuras ligadas ao esquema. Imagine se ele revelasse isso, a confusão que seria. Naquele momento poderia ter vindo a público o que veio agora.

ISTOÉ – Então, Pagot ainda não disse tudo o que sabe...
Blairo – Não posso responder por ele. Pagot deixou o PR e não é mais do governo. Ele é maior de idade, vacinado, tem CPF, tem opinião própria.

ISTOÉ – Mas ele era uma indicação sua e só se manifestava com sua autorização. Um depoimento dele na CPI o preocupa?
Blairo – Absolutamente. O que ele vai dizer na CPI diz respeito a ele, apenas. E até onde eu sei, ele está muito irritado com o fato de ter sido defenestrado por um possível complô desse pessoal do Cachoeira e da Delta. Ele está descontrolado, é um fio desencapado. Estou tão curioso quanto você para saber o que ele tem a dizer. É uma incógnita.

ISTOÉ – A PF também interceptou diálogos que falam do interesse de Cachoeira em pegar contratos no Mato Grosso.
Blairo – Até onde eu sei, esses contratos não chegaram a ser realizados. Era uma intenção. Mas quem tem de responder pelo governo do Estado é o atual governador. Não tenho nada com isso. Até onde sei, ele abriu uma auditoria para checar esses contratos. Na minha gestão, não lembro de ter estado com ninguém da Delta e não assinei nada com eles.

ISTOÉ – Como empresário, o sr. nunca desconfiou da ascensão meteórica da Delta?
Blairo – Não se pode culpar uma empresa por ela crescer. A Delta chegou ao mercado de uma forma revolucionária, trabalhando sempre com preços mais baixos e muita eficiência. Acho que em determinado momento, o olho cresceu mais que a barriga e a barriga mais que a boca, e houve um desvio. Talvez a CPI venha a descobrir o alcance disso e como aconteceu.

ISTOÉ – O inquérito da operação Monte Carlo indica que a queda da cúpula dos Transportes foi articulada por Cachoeira e a Delta. O PR foi injustiçado?
Blairo – Não se trata de ser injustiçado, mas muitas perguntas ficaram no ar. Sabia-se que no Dnit as obras estavam em aceleração máxima, as coisas estavam acontecendo. Quando vieram as denúncias, não entendíamos de onde vinham. Agora, ficou evidente que houve manipulação de notícias. Não queremos crer que isso veio do governo, mas a presidente aproveitou a situação. Talvez já estivesse querendo fazer mudanças. O problema é que a imagem do partido sofreu um dano irreparável.

ISTOÉ – Nem todas as denúncias foram fabricadas. Há claros indícios de desvios e irregularidades nas obras do Dnit.
Blairo – Evidente, mas aí precisa entrar em cada contrato, estudar caso a caso. O próprio PR apresentou à ministra Ideli Salvatti um relatório sobre o acompanhamento que o ministério estava fazendo de problemas identificados pelos órgãos de controle. É importante dizer que o Dnit é um órgão executor que tem suas superintendências estaduais, que são ocupadas por outros partidos, como PT e PMDB. Uma coisa é a responsabilidade jurídica, outra é a responsabilidade política. A CGU vai identificar exatamente quem foi que assinou o quê, mas no plano político fomos punidos antecipadamente.

ISTOÉ – O Pagot já disse que dentro do partido havia gente pedindo a cabeça dele, como o deputado Valdemar Costa Neto. A crise não foi culpa culpa do partido também?
Blairo – Não sei do Valdemar, conheço ele muito pouco. Na ocasião, questionei o ministro Alfredo, que é o presidente do PR. Ele falou da insatisfação de muitos parlamentares com o atendimento um pouco duro do Pagot. Ele é militar, quase foi Almirante. Pessoas dessa área são muito disciplinadas, mas às vezes duras no trato. Isso trouxe inquietações. Seja como for, a saída do Pagot foi uma perda para o País e para o Mato Grosso.

ISTOÉ – Em que sentido?
Blairo – Quando ele estava lá, o Dnit pagava mensalmente R$ 1,2 bilhão em obras em execução. Desde que ele saiu, esse volume caiu para R$ 120 milhões por mês. O País está parado, isso é uma vergonha, um crime de lesa-pátria. Em relação ao Estado, o Pagot foi responsável por reabrir os processos de construção das BR 163, 164, 242 e 158, além da ferrovia Centro-Oeste. Isso é essencial para conseguirmos escoar a produção do Estado. Há dez anos, produzíamos 30 mil toneladas de grãos, hoje são 36 milhões, com potencial para mais 10 milhões, e ainda usamos as mesmas rodovias.

ISTOÉ – Da forma como a CPI foi instalada, o sr. acredita que vai acabar em pizza?
Blairo – Não acho que vai acabar em pizza, mas é uma CPI diferente das demais. As outras tinham que investigar para chegar a uma conclusão, esta já tem todos os elementos levantados pela PF. É mais um esforço de juntar isso e organizar. Não se deve esperar momentos bombásticos. Não haverá espetáculo. O que há de informações está vazando na imprensa. Vai servir para chamar as pessoas e pedir explicações. Acho que uma CPI ajuda a entender os erros e preveni-los no futuro.

ISTOÉ – Com tudo o que já saiu do senador Demóstenes Torres, o sr. acha que ainda há condições políticas para a permanência dele no Senado?
Blairo – Não há nenhuma condição. O senador cometeu um grande equívoco ao subir à tribuna no início do escândalo e dizer que não tinha nada a ver com aquilo. Isso fez com que mais de 40 senadores se solidarizassem. Agora vemos que ele mentiu, e isso é bastante grave.

ISTOÉ – É uma obrigação do Conselho de Ética pedir a cassação dele quando se reunir na terça-feira 8?
Blairo – Não é uma obrigação. Acho que as evidências vão levar o Conselho a fazer isso. Não dá para esperar outro resultado.

ISTOÉ – Em relação aos demais deputados citados e governadores, como deve ser a condução desse processo?
Blairo – Doa a quem doer, vamos esclarecer. É um momento importante. Quem tem problemas, sabe que um dia terá de acertá-los. Deve ser um julgamento responsável, e o relator já deixou isso claro. Usar a CPI para palanque político, para desgastar, por conta de eleições, acho que não tem sentido.

ISTOÉ – Como deve ser a relação do PR com o governo? Haverá um rompimento definitivo ou o partido vai ficar nessa política pendular?
Blairo – Com a saída do Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, o Paulo Sérgio assumiu, mas o PR nunca o reconheceu como quadro do partido. Desde então, se tentou saber do Executivo qual seria o espaço que teríamos no governo. Passou-se quase um ano e não houve resposta. Quando cobrei da ministra Ideli e soube que não teríamos mais nada. Por isso, rompemos.

ISTOÉ – Por isso veio a ideia do bloco com o PTB?

Blairo – Exatamente. Fomos procurados pelo PTB para, juntos, termos mais influência dentro da Casa e maior participação nas relatorias e comissões. Outros partidos fazem isso. Depois, entrou o PSC. Conversei com a presidenta e combinamos que faríamos uma nova conversa para definir os rumos do PR e desses partidos no governo. A conversa agora é a nível de bloco. Estamos votando as matérias de forma consensual.

ISTOÉ – E se o governo não ceder?
Blairo – Nós não estamos colocando precondição. Não tem qualquer pedido lá no Palácio do Planalto. Se o governo disser “não queremos vocês”, vamos atuar de forma independente, olhando matéria por matéria, o que é de interesse do País.

ISTOÉ – Se a presidenta oferecer ao PR uma nova pasta, o sr. é o nome natural para assumir como ministro?
Blairo – Só se for um convite individual. Caso contrário, o bloco tem que indicar o nome. A presidenta Dilma já me convidou uma vez para assumir os Transportes, mas não pude aceitar por conflito de interesses, pois tenho empresas no setor. Não seria ético.

ISTOÉ – Essa demanda por espaço é vista muitas vezes como fisiologismo. O sr concorda?
Blairo – Eu não gosto de toma lá da cá. A presidenta Dilma não assumiu qualquer compromisso e tem tentado aliar perfis técnicos com uma pitada política. Concordo com ela. Infelizmente, esse aparelhamento é uma tradição da política brasileira. Acho que uma forma de melhorar isso é acabar com a verticalização nos ministérios, a porteira fechada, montando equipes com quadros de vários partidos. Isso fará bem à administração pública.

ISTOÉ – Grande parte dos escândalos políticos que vivemos é fruto da relação promíscua de políticos com empresas doadoras de campanha. O financiamento público pode acabar com essa lógica perversa?
Blairo – Sou contra o financiamento público. As campanhas são muito caras e não dá para bancar isso com dinheiro da União. Não vejo problemas em doações de empresas. Eu mesmo contribuí para a campanha de Dilma, e não pedi nada em troca. Não tenho sequer um contrato com o governo. Mas apostei no projeto político que está fazendo o País crescer, e com isso eu também ganho. Mas entendo que muitas vezes o político fica amarrado, dependente da certas empresas. Por isso, defendo mais doações de pessoas físicas, como nos Estados Unidos. Lá fazem doação pela internet e por cartão de crédito. Temos que facilitar isso e envolver a sociedade. Quantos mais pulverizadas as doações, mais liberdade o político terá.

ISTOÉ – A aprovação do novo Código Florestal impôs uma derrota ao governo e a presidenta Dilma Rousseff avisou que vai vetá-lo. Qual sua posição?
Blairo – Acho que a presidenta tem um problema grande na mão. Nenhum outro projeto de lei foi tão debatido e minuciosamente estudado como esse. Não houve manobra regimental. Chegamos a um texto equilibrado, justo. A presidenta deve considerar a legitimidade do Congresso, ou pode criar um problema político sério. Se for vetar, que sejam vetos pontuais, acompanhados de medidas provisórias para evitar a insegurança jurídica.

ISTOÉ – Qual o ponto mais importante?
Blairo – A retirada do artigo 62, que saiu do Senado, e que trata da recuperação das áreas de preservação permanente às margens dos rios. Acho que esse é o ponto que os ambientalistas mais reclamam, e por isso tentamos melhorar. Se ela vetar e recolocar o que o Senado aprovou como medida provisória, acho que ficará bom.

ISTOÉ – Como empresário, qual será o impacto do novo código em seus negócios?
Blairo – Absolutamente nenhum. Eu estou dentro da faixa do Centro Oeste e do Norte onde as ocupações foram feitas anteriormente e não temos nenhum tipo de passivo ambiental nas nossas propriedades. Compramos algumas áreas no final de 2002, que tinham passivos e foram recuperados. Inclusive levei uma comissão de senadores numa de nossas fazendas para mostrar como é possível fazer recuperação das matas ciliares e como é o sistema de uma propriedade com ISO 14.000. Este ano, minha empresa foi a única no mundo do agronegócio a ganhar o certificado de atividades ambientais socialmente corretas.
 

 

11/05/12 | 16:37

 Compartilhe10PEC do Trabalho Escravo: protelações e desconversas

Ao que parece, no Brasil ainda há quem tenha dúvidas sobre o que seja trabalho escravo. Isto é o que se pode inferir da decisão tomada no dia 9 de maio pelas lideranças da Câmara Federal de adiamento da votação da PEC 438, ou PEC do Trabalho Escravo, para o próximo dia 22, por falta de consenso sobre o que seja escravidão. Para os opositores da medida e que conseguiram impedir a votação, não bastam as definições contidas no Código Penal Brasileiro e na Convenção sobre a Escravatura de 1926, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assinada pelo Brasil.

Leia Mais:

– Ruralistas ferem acordo e votação da PEC do Trabalho Escravo é adiada

– Líderes decidem adiar votação da PEC do Trabalho Escravo

A Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 dá nova redação ao artigo 243 da Constituição Federal estabelecendo a pena de perda da propriedade da gleba de terra onde for constatada a exploração de trabalho escravo (expropriação de terras), revertendo a área ao assentamento dos colonos que já trabalhavam na respectiva gleba. De acordo com o texto proposto, “As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do país onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração do trabalho escravo serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”.

Trabalho escravo, segundo o artigo 149 do Código Penal Brasileiro, é o ato de: “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, trabalho escravo compreende “o estado ou condição de um indivíduo sobre o qual se exercem, total ou parcialmente, os atributos do direito de propriedade”.

Tudo muito cristalino, não fossem as argumentações dos opositores da PEC 438, de acordo com os quais sua aprovação pode trazer “insegurança jurídica e abuso de poder” por parte dos agentes públicos encarregados de sua aplicação. Segundo, por exemplo, as declarações do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, as definições do Código Penal e da OIT são “genéricas”. Na opinião do ilustre deputado gaúcho, “sem definir o que é jornada exaustiva de trabalho e trabalho degradante não é possível aprovar a matéria. Com que critério o fiscal (do Ministério do Trabalho) vai definir isso?”.

Nunca terá trabalhado o nobre deputado, a ponto de não saber identificar o que seja um período de trabalho excessivo e uma forma de trabalho humilhante, aviltante, infamante (que são os sinônimos empregados pelo dicionário Houaiss para definir o termo degradante)? Ou, ao contrário, terá o distinto deputado, que é originário do meio rural, trabalhado tanto tempo e/ou empregado tantos trabalhadores para lides excessivas e para tarefas aviltantes que já não consegue distinguir as formas decentes de trabalho de suas formas indignas?

Mais do que a celeuma sobre a definição de trabalho escravo, na verdade, o que está em jogo e, por este motivo, tem provocado discussões infindáveis e adiamentos sistemáticos da votação da PEC 438 é a questão da propriedade da terra. O que questionam nossos ruralistas é a possibilidade de o empregador perder a propriedade de suas terras, mesmo que nelas sejam exercidas formas de exploração do trabalho e do trabalhador que já foram abolidas em nosso país e que hoje são repudiadas em todo o mundo.

A escravidão foi extinta pelo capitalismo, exatamente porque era preciso criar mercado consumidor para os bens produzidos. Escravos, por não possuírem nenhuma forma de propriedade e por não receberem remuneração minimamente condizente com os trabalhos que exercem, não tem capacidade de consumo. Foram abolidos, portanto, para que o capitalismo pudesse se desenvolver e foram substituídos pelos trabalhadores assalariados que, não obstante recebam menos do que produzem, ganham o suficiente para comprar os bens necessários para a sua sobrevivência e a dos seus.

A expansão dos mercados e, consequentemente, dos produtores e dos consumidores é o mote que move o capitalismo. Por este motivo, além dos operários e dos salários de miséria que recebiam e recebem ainda hoje em muitos lugares e empresas, surgiram também as classes médias, com rendimentos mais elevados e com maior capacidade de consumo. O capitalismo, para sobreviver, necessita de capital, de produção crescente e, sobretudo, de consumidores com capacidade de compra em contínua expansão.

Não é este o entendimento dos ruralistas brasileiros, ao que tudo indica. Vivemos ainda hoje no Brasil, em muitas regiões e de acordo com a percepção de muitos cidadãos, situações pré-capitalistas. Para muitos ruralistas e para todos os que pensam como eles, a propriedade, principalmente a propriedade rural, é intocável. Ela não precisa ser produtiva nem precisa, ao menos, gerar renda. Basta que ela seja possuída. No interior da propriedade rural, como se ainda vivêssemos nos séculos XVI, XVII ou XVIII, vale a lei do senhor. Ali ele pode tudo e a todos submete. Pode, inclusive, escravizar seus trabalhadores. Pode, até mesmo, contrapor-se ao capitalismo. Pode, tanto aviltar os trabalhadores quanto, também, dificultar o desenvolvimento do país.

Tanto esta visão é verdadeira, que os deputados ruralistas só admitem a votação da PEC 438 se forem definidas antes as formas e os procedimentos que serão adotados para se julgar os proprietários que forem pegos exercendo práticas escravistas. Não querem ser “pegos de surpresa”. Por este motivo, a PEC 438 está parada na Câmara desde 2004, quando foi aprovada em primeira votação. Por se tratar de emenda constitucional, para ser aprovada, a PEC 438 terá que ser submetida a uma segunda votação e precisará obter 3/5 dos votos.

Em 2004, a votação e aprovação da PEC 438 foi decorrência da pressão exercida por entidades da sociedade civil. O assassinato de três auditores fiscais do Ministério do Trabalho e de um motorista em Unaí (MG), em uma emboscada, quando se dirigiam para uma fazenda onde suspeitavam existir trabalho escravo, impulsionou o trâmite da matéria. Desde então, a PEC 438 está parada na Câmara. Para que ela seja colocada em pauta e votada, finalmente, será preciso que a sociedade civil se mobilize e exerça pressão sobre os deputados. Se isto não ocorrer, mais uma vez, no dia 22 de maio, a matéria sairá de pauta ou, o que pode ser ainda pior, poderá ser derrotada em plenário.

Mobilize-se. Ligue para os deputados de seu estado e de sua região. Envie emails, organize e participe de manifestações. Não fique parado. Vamos, todos juntos, pressionar pela aprovação da PEC 438.

 

Veja mete a mão em vespeiro e sai feridaVeja mete a mão em vespeiro e sai ferida Foto: Edição/247

Ao rotular como insetos ou robôs internautas que criticam a publicação, revista da Abril é alvo de um protesto gigantesco no Twitter; arrogância distancia leitores e mostra despreparo para lidar com crises de imagem nas redes sociais

12 de May de 2012 às 22:09

247 – Não se espere de qualquer grande veículo de comunicação qualquer tipo de autocrítica. Todos eles têm sempre razão. Na história do jornalismo brasileiro, o único que reconheceu um erro de informação dando o mesmo destaque na primeira página foi o Correio Braziliense, quando comandado por Ricardo Noblat. Na época, a ousadia rendeu um Prêmio Esso ao jornal.

Veja vem sendo criticada há várias semanas por internautas do Brasil inteiro. Sofre aquilo que os especialistas definiriam como uma crise de imagem nas redes sociais. Algo que pode acontecer com qualquer empresa. Recentemente, por exemplo, ocorreu com a Claro e com seu garoto-propaganda Ronaldo, que não cumpriram uma promoção anunciada na Páscoa.

Em casos desse tipo, os consultores recomendam humildade, cautela e, sobretudo, diálogo com os internautas. Veja preferiu adotar o caminho oposto. Optou pela arrogância, pela prepotência e pelo desprezo pelos internautas. Numa reportagem deste fim de semana, rotulou como “insetos”, “robôs” ou “petralhas amestrados” os internautas que têm participado de seguidos tuitaços contra a publicação, desde que se evidenciou a proximidade entre a revista e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

O resultado foi devastador. Neste sábado, Veja liderou os trending topics durante praticamente todo o sábado. Começou ao meio-dia e ainda agora estava lá, seja com #VejaComMEDO, seja com #VejaTemMEDO. Muitos internautas alteraram até as fotos dos seus perfis e passaram a utilizar imagens de robôs ou insetos. Na grande maioria, são jovens, potenciais leitores de Veja, mas que vêm disseminando uma mensagem que ninguém consegue calar e que pode ser devastadora: a de que a maior revista do Brasil tinha algum tipo de associação com um esquema criminoso. Nesse tom, mais de 25 mil mensagens foram postadas no Twitter.

Corrosão de imagem

Num caso semelhante de crise de imagem, o magnata australiado Rupert Murdoch publicou anúncios em diversos jornais, pedindo desculpas pelo comportamento do tabloide News of the World, que se valia de grampos ilegais em suas reportagens. Assim, pôde preservar a credibilidade de sua publicação mais valiosa, que é o jornal americano The Wall Street Journal.

Veja, naturalmente, tem todo o direito de menosprezar as manifestações dos leitores, atribuindo-as à “manipulação criminosa”, como definiu o blogueiro Reinaldo Azevedo. Mas cupins, quando começam a roer uma madeira, raramente são percebidos. E, quando menos se espera, toda a estrutura desaba.

Num poema clássico, o pernambucano Ascenso Ferreira fala de uma “madeira que o cupim não rói”. Será Veja tão sólida para resistir ao ataque dos insetos, que começam a se transformar nos verdadeiros formadores de opinião?

 

sábado, 12 de maio de 2012

Mensagem ao repórter da Globo 
 Heraldo Pereira em sua casa em Brasília Olá, Heraldo!Recebi sua mensagem informando que você estará no Rio, esta semana, a convite da Cojira-Rio, para o lançamento da segunda edição do Prêmio Abdias Nascimento. Grato pela informação. O que me surpreendeu foi sua convocação para um debate – “Peço que apareça para debater comigo”. Mas quem, em verdade, me convida para uma discussão: você, a Cojira, a Globo, a Fundação Ford? Isso não ficou explícito.Existe aí um problema ideológico: a Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro tem o hábito de contemplar as Organizações Globo na hora de discutir a discriminação racial. Ano passado, por exemplo, no lançamento do Prêmio Abdias Nascimento, a palestrante foi a Míriam Leitão, com seu discurso neoliberalizante; agora, é você a bola da vez.Anote aí o que vai acontecer: dar-lhe-ão uma hora pra falar e depois vão abrir no máximo três minutos para considerações individuais dos presentes, com limite de inscrições. Em seguida, haverá um coquetel. Não se iluda, Heraldo! Isso não é debate; é convescote.Faz lembrar um seminário que teve na ABI, com a presença de Roberto Marinho. O auditório estava lotado, com todo mundo querendo debater com o Doutor Roberto. Ele falou – mais leu que falou – quase uma hora. Uma porrada de gente se inscreveu para o debate. Mas o mediador da mesa comunicou que o poderoso Dr Roberto tinha outro compromisso e teria de se retirar imediatamente. Não houve o contraditório. Já se passou a fase de bater palmas pra maluco dançar.Não tenha dúvida: o Sistema Globo, comprovadamente, é um forte instrumento de discriminações, entre elas, a social, a econômica, a racial.No dia do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre as cotas raciais na UnB, o noticiário da Globo deu mais espaço para o estado de saúde do filho do cantor Leonardo do que para o significado da aprovação das cotas. O Globo, em seu editorial do dia 2 de maio, afirmou que a decisão do STF “deixou espetada na conta do branco pobre a fatura da suposta “dívida histórica” da sociedade brasileira com os negros, que a briga racialista invariavelmente antepõe como pressuposto da defesa de suas ideias”. No G1, a antropóloga Yvonne Maggie dizia que era um retrocesso. A CBN não ouviu sequer um militante da causa das cotas, mas entrevistou o antropólogo Roberto da Matta, que fez uma mea culpa, dizendo que antes era contra as cotas, mas que agora admitia sua necessidade. Outros grandes veículos da mídia foram na mesma linha. Joelmir Betting chegou a dizer que era “racismo às avessas”. Nesta terça, dia 8, foi a vez do caderno Razão Social, de O Globo, trazer nos quadrinhos Turma da Febeca – em que os personagens são na maioria deficientes – um protesto contra a política de cotas.Vale lembrar aqui uma pesquisa realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia, a pedido do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade-CEERT, abordando como a mídia nacional trata questões do interesse da comunidade negra, tais como religiões de matriz africana, cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial. Foram analisadas, num determinado período, 1.093 matérias, entre os principais jornais e revistas do país. De modo geral, a chamada Grande Imprensa se posicionou contra os principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. Questões como estatuto da igualdade racial, cotas nas universidades e demarcação de terras quilombolas foram consideradas instrumentos que promovem o racismo.Outra pesquisa, específica sobre O Globo, apontou que foram publicados 20 artigos sobre as cotas, sendo 7 do Ali Kamel e 6 do Demétrio Magnoli, declaradamente anticotistas. Fico aqui a me perguntar: por que você não pediu um espaço nas Organizações Globo para escrever sobre o sistema de cotas?A gente sabe que a Globo é uma das principais empresas de comunicação no estímulo à pejotização. Obriga seus funcionários a abrirem empresas e, em vez de serem assalariados, viram prestadores de serviço. Juridicamente, deixam de ser trabalhadores e passam a ser PJs – pessoas jurídicas. No fundo dessa trama, é exigido do tal prestador de serviço que se exima de declarações públicas contrárias aos interesses da corporação. Ou seja, o tal PJ é ferido mortalmente na sua liberdade de expressão. Coisa pior não pode haver para o Jornalismo de verdade.Certa vez, na cobertura de uma greve dos serventuários da Justiça do Rio, chegou uma repórter da Globo para fazer a matéria. Encontrou na porta do Fórum um cara chorando porque não conseguia o atestado de óbito para enterrar a mãe. Detalhe: era 9h da manhã e, mesmo sem greve, ele não obteria o atestado naquela hora, porque o fórum só abre às 11h. Mas a jornalista não titubeou: gravou com o cara mesmo assim e a matéria foi pro ar, sob o argumento de que o movimento dos serventuários estava prejudicando a população. Ou seja, sai o Jornalismo, entra em ação o teatrinho da Globo, tendo como protagonista a manipulação da informação. E o que dizer da edição global do debate Lula x Collor?Principal fórum de debates sobre mídia ocorrido até hoje no Brasil, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – realizada em dezembro de 2009, em Brasília, reunindo milhares de representantes dos empresários, do poder público e da sociedade civil — aprovou uma série de propostas de políticas públicas para a área de Comunicação Social do país. Vale destacar algumas sugestões do interesse da sociedade e em especial da comunidade negra: garantir concessões de canais de rádio e TV para comunidades tradicionais, contemplando as de matrizes africanas; paridade racial e de gênero na publicidade; estabelecer percentual nos sistemas de rádio e TV para programas que abordem a história da África e da população de origem africana no Brasil; vaga para o movimento negro no Conselho Nacional de Comunicação Social, entre outros pontos. Não vi nem você nem a Globo por lá.Já a 2ª Conferência Nacional pela Igualdade Racial, realizada também em 2009, em Brasília, aprovou resolução que trata da responsabilidade judicial de emissoras de TV e rádio pela veiculação de matérias de cunho racista e discriminatório e aplicação de multas diárias em casos de intolerância religiosa. Os participantes da Conferência consideraram que a produção da mídia de forma democrática e plural é altamente estratégica para a liberdade religiosa, a valorização da diversidade cultural e contra a discriminação racial. Você estava lá?Não por acaso, a minha monografia na pós-graduação em Relações Étnico-Raciais e Educação tratou especificamente da invisibilidade do negro na mídia. É como você me disse por telefone: “Aquela banqueta da Globo não foi feita para negros!”. De fato, apenas 5% dos jornalistas que trabalham em TV são afrodescendentes, de acordo com pesquisa disponibilizada pela Fundação Cultural Palmares. De qualquer maneira, o fato de você estar na Globo não representa que a discriminação racial que existe nos grandes veículos de comunicação tenha sido sustada.Abordei em minha pesquisa como a mídia se comporta na cobertura de datas especiais. Por exemplo: no Dia dos País, nenhum pai negro foi entrevistado. No Dia das Crianças, nenhuma criança negra foi entrevistada. Nas comemorações de fim de ano, também o negro está ausente nas matérias. Na publicidade, então, a invisibilidade do negro é gritante. É só acompanhar os comerciais que aparecem nos intervalos do Jornal Nacional. Conte o percentual de negros que estão lá. Criou-se um esteriótipo de que o sucesso e a felicidade vendidos nos comerciais têm cor – e ela é branca.Por que grande parte dos jornalistas não se envolve com a causa contra as discriminações? Agora mesmo, por exemplo, o movimento sindical dos bancários está fazendo uma campanha pela contratação de negros como caixas. Olhe por aí nas agências bancárias e observe quantos caixas são negros. No início do século XX, vale lembrar, uma das reivindicações do movimento negro era a luta pela contratação de negros como lojistas. Os donos das lojas diziam que a clientela não gostava de ser atendida por gente de cor!Perdi a conta das vezes em que, em coberturas jornalísticas, fui confundido com segurança de eventos. Tenho 1,85m e malho todos os dias para evitar a barriga. Quando um negão do meu tipo físico chega a um evento trajando terno, qual é a primeira impressão das pessoas: “Ih, ele é segurança!” ou “Ah, ele é jornalista!”?Não dá pra esquecer que, na indústria da mídia, existem alguns jornalistas que vivem na casa grande, mas a imensa maioria está nas senzalas. Espero que você efetivamente se engaje na luta contra as diversas formas de discriminação, que estão nas ruas, mas não entram na telinha da Globo. Quanto à discriminação racial, para fazer a transformação social que interessa ao combate às desigualdades, não basta ser negro; é necessário ter negritude.Ah, sim! Aproveita para saber da direção do Sindicato do Rio que história é essa de subpiso salarial que eles estão querendo aprovar, bem ao gosto do patronato. Também é uma forma de discriminação.Por último, Heraldo, sua mensagem é no mínimo descortês, ao colocar como título “Canalhas”. De um lado, demonstra desequilíbrio emocional; de outro, uma arrogância própria de certos globais.Tente concatenar melhor suas ideias e depois me diga: afinal, você está me chamando para um debate ou pra porrada?Fernando Paulino
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ublicado em 12/05/12 às 11h10- No Blog do Ricardo KotschoDilma: “Eu vou fazer o que tem que ser feito”


 Eu vou fazer o que tem que ser feito

Banqueiros. Latifundiários. Militares. Quem mais teria coragem de enfrentar os interesses destas corporações em assuntos considerados intocáveis até outro dia, como queda de juros, reforma do Código Florestal e criação da Comissão da Verdade, verdadeiros tabus históricos?

Sem se preocupar com o que os outros vão pensar, a presidente Dilma Rousseff resolveu ir à luta em variadas frentes nas últimas semanas, comprando muitas brigas ao mesmo tempo. Vai ganhar todas? Só o tempo poderá dizer, mas ela não é de fugir da raia.

"Com a popularidade que esta mulher tem, até eu...", poderia desdenhar algum representante dos 5% que não gostam do governo dela.

Não é bem assim, como ouviu na semana passada o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao fazer um comentário sobre a alta aprovação de Dilma nas pesquisas, durante reunião em que ela explicou aos empresários as mudanças nas regras da caderneta de poupança, outro tema delicado que ela resolveu encarar.

"Eu vou fazer o que tem que ser feito, sem me preocupar com pesquisas", respondeu-lhe Dilma, resumindo o espírito da presidente que se tornou um lema do seu governo prestes a completar 18 meses.

Por que fazer tudo ao mesmo tempo? Cheguei a me preocupar, ao ver as decisões anunciadas, que mexem com os interesses de setores sempre tão temidos pelos governantes.

Depois das conversas que tive no Palácio do Planalto no final do mês passado, percebi que a presidente resolveu assumir em suas mãos o comando e a iniciativa política, mesmo em questões econômicas, exatamente como fez o ex-presidente Lula em seu segundo mandato.

"Este é um governo monocrático", explicou-me um dos interlocutores frequentes da presidente, quando me queixei a ele da dificuldade para obter informações. Dilma centraliza todas as ações em seu gabinete e não gosta quando seus ministros saem por aí dando declarações, mesmo em off, sobre assuntos que ainda não estão decididos por ela.

Como a presidente fala pouco, e só ela quer falar em nome do governo, os jornalistas de Brasília que cobrem o Palácio do Planalto sofrem, assim como os seus colegas de outras cidades.

Agora, ao ver o pacote de medidas polêmicas anunciadas nas últimas duas semanas, entendi a razão: Dilma toma suas decisões com cuidado, amadurece sem pressa os seus projetos e procura preparar o terreno antes de anunciá-los, como aconteceu na última semana com a Comissão da Verdade.

A lei que criou a comissão foi assinada por Dilma em novembro do ano passado, mas ela fez questão de escolher pessoalmente, um a um, sem ceder a nenhum lobby, os sete nomes que anunciou na quinta-feira. Conheço a maioria deles e posso garantir que o time é da melhor qualidade, tanto do ponto de vista moral como profissional.

Na mesma noite, ela convidou os notáveis para um jantar no Palácio da Alvorada, explicou o que espera deles e deixou claro que não quer qualquer "revanchismo" contra os militares. "A Comissão da Verdade é um orgão do Estado e não do governo", resumiu.

Este é o estilo Dilma que vai se consolidando: pode demorar para agir, mas quando age procura ter o domínio da situação. Foi assim também com a questão da queda dos juros, que só anunciou depois de longas conversas com os donos dos bancos e economistas da sua confiança.

E será desta forma que a presidente vai decidir sobre os vetos ao Código Florestal aprovado pela Câmara. Após o movimento "Veta, Dilma", criado pelos ambientalistas, agora surgiu também o "Não veta, Dilma", patrocinado pelos ruralistas. Dilma acompanha de longe o debate na internet e, com calma, vai amadurecendo a sua decisão, que pode não contentar nenhum dos dois movimentos.

Se algum assessor lembrar a ela o descontentamento de um lado ou outro, que militares, banqueiros, parlamentares da base aliada ou vendedores de couve podem não gostar das suas decisões, Dilma costuma reagir com duas palavras: "Problema deles". Os donos da mídia já perceberam isso.

 

 

sábado, 12 de maio de 2012

Bomba: Cachoeira ligado à fabulosa doadora de R$ 8,25 milhões ao PSDB Nacional   #VejaTemMedo
                                 Em primeira-mão no Blog Os Amigos do Presidente Lula em 04/02/2012 às 20:08                                 
 Isso não sai no Jornal Nacional, nem na revista Veja: Do Relatório da PF da Operação Monte Carlo
Um diálogo entre dois altos membros da organização de Carlinhos Cachoeira mostra que ele teve negócios em parceria com o grupo empresarial de JC Gontijo.

A empresa é de José Celso Valadares Gontijo, que apareceu gravado no mensalão do DEM entregando pacotes de dinheiro (vídeo abaixo).

Ele é marido de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, ... a pessoa física que fez a maior doação de campanha do Brasil nas eleições de 2010: 
R$ 8,25 milhões. 

Tudo exclusivamente para a Direção Nacional do PSDB.

http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2010/resumoReceitasByComite.action(necessário informar o nome da milionária no formulário)
O que o tucano José Serra (que foi candidato a presidente), e o deputado Sérgio Guerra, presidente do partido, tem a dizer?

A CPI do Cachoeira precisa verificar qual foi esse negócio com a JC Gontijo e seguir o rastro do dinheiro.



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12/05/2012 - 19:50 - No Blog do JosiasHá uma fenda na ‘blindagem’ de Gurgel no STF ComenteJosias de Souza  Na noite de quinta-feira, um ministro do STF discorreu sobre a encrenca que Roberto Gurgel criou para si mesmo ao “sobrestar” por três anos o inquérito da Operação Vegas. Falou a três amigos ao redor de uma garrafa de chianti. Quem ouviu a toga ficou sabendo que a ‘blindagem’ oferecida ao procurador-geral no Supremo não é unânime. A voz do chianti acha que falta ossatura técnica às explicações oferecidas por Gugel numa nota e numa entrevista. Por escrito, alegou-se que o inquérito desceu à gaveta por “estratégia”. Nessa versão, como os indícios contra Demóstenes Torres eram fracos. Desejou-se “evitar que fossem reveladas outras investigações”. O problema, disse o ministro, é que outras investigações não havia àquela altura. Nem foram demandadas. No gogó, Gurgel identificou seus críticos como gente que está “morrendo de medo do julgamento do mensalão.” Referiu-se à tática de levá-lo ao banco da CPI como “tentativa de imobilizar o procurador-geral da República.” Nessa frente, disse Gurgel, tenta-se impedir o chefe do Ministério Público de “atuar, seja no caso do senador Demóstenes, seja preparando-se para o processo do mensalão, caso que classifiquei como talvez o mais grave atentado à democracia brasileira.” Que o mensalão é grave, não há dúvida, concordou o ministro. Que há gente desesperada com a proximidade do julgamento, ninguém descrê. Mas nada disso explica o fato de um inquérito ter permanecido no limbo da Procuradoria sem um despacho que o enviasse ao arquivo ou lhe desse um novo rumo. Taça vai, taça vem o ministro do chianti declarou que o caso ganhou contornos de esquisitice depois do depoimento do delegado federal Raul Alexandre Marques de Souza. Condutor do inquérito Vegas, o delegado injetou na encrenca a subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques. Mulher de Gurgel, foi Cláudia quem informou ao delegado Raul que a Procuradoria não identificara nos autos elementos que justificassem o envio ao Supremo. Até aí, disse o ministro, tudo bem. Na avaliação da toga, o que torna a fala do delegado inquietante é o pedaço em que ele conta que nem a doutora nem o marido dela formalizaram a decisão paralisante nas páginas do processo. Inquietam mais ainda os desdobramentos. O delegado não foi desmentido. E a ausência de uma manifestação formal da Procuradoria no corpo do inquérito permanece pendente de explicação. O ministro se pergunta: como seria possível aguardar por investigações complementares se elas não foram requisitadas? O ministro disse aos seis pares de orelhas que acompanhavam seu raciocínio que Gurgel e Cláudia desfrutam do mais alto conceito. No Supremo, não há quem não admire a dupla pela densidade jurídica e capacidade funcional. Acha que, até em respeito à própria biografia, Gurgel deveria se reposicionar em cena. Considera absurda a idéia de expor o procurador-geral sob os holofotes de uma CPI. Mas considera igualmente insensata a ausência de explicações capazes de ficar em pé. Com sua tática, finalizou a voz do chianti, Gurgel joga água no moinho da defesa de Demóstenes Torres, que tenta derrubar, por supostamente ilegais, os grampos que fisgaram o senador. Vai ficando claro, declarou o ministro, que a PF ouviu o senador sem autorização do STF com receio de que a Procuradoria matasse a segunda Operação deflagrada contra a quadrilha de Cachoeira, a Monte Carlo. Pior: para constranger Gurgel, acredita o ministro, a PF cuidou afrontar a lei vazando os grampos sigilosos das duas operações. Com os drenos, criou-se um fato consumado que arrancou o procurador-geral de sua inação. Como se vê, há uma fenda no escudo oferecido a Gurgel pelo STF.