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Trecho de um texto chamado CASO UCHO HADDAD, de 2005:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/jose_paulo_lanyi_e_fabio_jose_de_mello__25180

Ucho Haddad é o outro nome de Evaldo Haddad Fenerich, citado em 09/10/2000 por uma reportagem do Estadão e do Jornal da Tarde como um dos responsáveis pelo ‘leilão do Dossiê Cayman II’. Correspondente em Nova York, o repórter Renan Antunes de Oliveira detalhou a negociata: ‘Uma ‘versão II’ do dossiê Cayman está em leilão para políticos e jornalistas, com lance inicial de US$ 60 mil. A papelada, supostamente comprometedora para o presidente Fernando Henrique e a liderança tucana, está sendo oferecida em Miami pela advogada Heloísa Ferraz, de 42 anos, mulher do empresário José Maria Teixeira Ferraz Junior, de 45, preso desde março pelo FBI por narcotráfico. ‘Quem pagar mais, leva’, disse Heloísa, ontem, por telefone’.

A matéria faz referência a Ucho Haddad, na época apresentado com o seu nome de batismo: ‘Polícia Federal, FBI, investigadores privados a serviço do governo brasileiro, jornalistas e todos os picaretas de Miami se debruçaram sobre a papelada durante quase dois anos, sem nenhum resultado concreto. Ferraz garante ter a única cópia autenticada - hoje nas mãos da mulher e de um outro sócio, Evaldo Fennerick (sic, e o grifo é desta coluna)’.

Vá ao link, para ler mais

 

Nassif, hoje levei um susto ao ver, no Jornal Nacional, o ministro da Educação dizendo que das mais de mil creches contratadas pelo governo com as prefeituras no ano passado, nenhuma está em funcionamento.

O susto se deve porque ainda não tinha visto o PiG mentir para ajudar o governo.

O Mercadante disse que as creches não funcionam porque, em média, as prefeituras gastam entre 1,5 e 2 anos pra construi-las.

Isso não procede.

Em primeiro lugar porque não são as prefeituras que constróem, mas empreiteiras contratadas por meio de licitações.

Em segundo porque uma obra demora mais ou menos devido à demora na liberação dos recursos. Se o governo federal libera em conta gotas o dinheiro, é claro que a obra será construída em conta gotas também. Ou o Mercadante quer que as construtoras construam e recebam quando der?

 

http://br.noticias.yahoo.com/cnj-verifica-irregularidades-tribunais-mineiros-222300187.html

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou nesta segunda uma inspeção no Tribunal de Justiça e no Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais. Os trabalhos serão realizados ao longo da semana e têm o objetivo de verificar se há irregularidades nas cortes. Os responsáveis pela inspeção afirmam que a prioridade será para questões que já "trouxeram problemas a outros tribunais", como obras, folha de pagamento, procedimentos processuais e contratos, como o que o TJ firmou no início do ano para gastar mais de R$ 600 mil com a compra de "lanches" que incluem até bacalhau "do tipo Porto" para os magistrados da capital.

 

Segundo Ricardo Chimenti, juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, não há denúncias específicas a serem analisadas, mas o trabalho de inspeção tem um "norte de prioridades" em fatos que "se repetiram em outros tribunais". "Nós analisamos, em primeiro lugar, a questão administrativa do próprio tribunal. A parte de folha de pagamentos", afirmou. Ele lembrou, porém, que a apuração pode ser demorada porque "somente após o levantamento na folha de pagamento e o cruzamento de dados é possível verificar se há ou não irregularidade no montante que está sendo pago". "Se for constatado que algum pagamento é feito de maneira equivocada, é verificada a natureza desse equívoco para que sejam tomadas as providências cabíveis", disse.

Leia mais, no link

 

A obra-prima que não pediu licença ao direito autoral

Por Alexandre Matias

Paul’s Boutique, dos Beastie Boys, não poderia ser feito sob regras atuais

 

 

Um dia antes da morte de Adam Yauch, sua banda, os Beastie Boys, foi notificada pelo uso indevido de trechos de duas canções do grupo TroubleFunk. Yauch – também conhecido como MCA – morreu no último dia 4, vítima de um câncer na garganta contra o qual lutava desde o fim de 2009. No dia 3, a empresa que representa os direitos do grupo de funk de Washington, TufAmerica, entrou com uma ação pedindo indenização pelo fato do trio de Nova York ter usado trechos de duas músicas em seus dois primeiros discos.

 

Um pedaço de “Drop the Bomb” foi utilizado nas faixas “It’s the New Style” e “Hold it Now, Hit It” do primeiro disco dos Beastie Boys, Licensed to Ill, de 1986. Outro trecho da mesma música apareceu no disco seguinte, na faixa “Car Thief”, do álbum Paul’s Boutique, de 1989. O mesmo disco ainda trazia um trecho de outra música do TroubleFunk, “Say What”, na faixa “Shadrach”.

 

O verbo-chave no centro desta disputa é o neologismo “samplear”. O termo é um anglicismo que vem da palavra “sample” – amostra, em inglês –, mas começou a ser utilizado desta forma depois que a empresa japonesa Akai decidiu categorizar o modelo S900 de seu gravador digital como “sampler”. Com ele, era possível selecionar um trecho de áudio e repeti-lo por várias vezes, tornando possível a utilização de pedaços de músicas para a composição de novas canções. Este tipo de gravador já existia antes do Akai S900, mas foi graças a esse modelo – muito mais barato que seus antecessores – que a prática começou a ser mais difundida.

 

E os primeiros a utilizar o novo aparelho como instrumento musical foram os órfãos da disco music, que inventaram a música eletrônica como a conhecemos hoje. Depois que a discoteca implodiu no fim dos anos 1970, uma geração de novos fãs perdeu o referencial de onde conseguir novas músicas. E, aos poucos, foram eles mesmos se transformando em compositores, primeiro utilizando toca-discos para reproduzir trechos instrumentais. Foi assim que surgiram as dezenas de subgêneros da música eletrônica, como o techno de Detroit, o house de Chicago, o Miami Bass em Miami, o jungle em Londres, o funk carioca no Rio de Janeiro. Todas estas cenas musicais ficaram deslumbradas com o surgimento do novo aparelho.

 

Inclusive os de uma nova cena nova-iorquina que, diferentemente de seus parentes citados acima, dava mais ênfase ao vocal do que à base musical. O hip hop surgiu no mesmo momento em que a disco music foi induzida à overdose de exposição pela indústria fonográfica que a criou. Em 1979, o grupo Sugar Hill Gang lançava a música “Rapper’s Delight”, em que um trio de MCs rimava sobre uma base que consistia num loop de um trecho da música “Good Times”, do grupo Chic. Foi o início de uma das manifestações culturais mais influentes das últimas décadas.

 

Quando o sample surgiu, as bases usadas em discos de vinil deram lugar às bases que usavam o sampler como disparador de trechos. O DJ seguiria como o principal instrumentista do gênero até hoje, mas, no final dos anos 80, houve uma renascença musical criada a partir de artistas que usavam trechos de músicas alheias para compor novas músicas. Mas ninguém foi tão longe quanto os Beastie Boys – especialmente em Paul’s Boutique.

 

São centenas de trechos de discos, músicas, filmes e programas de TV usados ao longo de suas quinze músicas. O resultado dá a impressão de uma audição esquizofrênica, mas o disco é tão bem costurado que foi chamado de o “Dark Side of the Moon do hip hop”, em referência ao clássico disco do Pink Floyd, pela revista Rolling Stone.

 

Quando foi lançado, deu origem a uma série de questionamentos em relação a tal prática, que era inédita – os beasties não perguntaram se poderiam fazer, simplesmente foram fazendo. E deram origem a uma obra-prima da música moderna que seria impossível de ser realizada hoje em dia sem que a banda desembolsasse algumas centenas de milhares de dólares para gravar o disco. Mas, sem pedir licença, criaram um dos principais marcos da cultura do remix.

 

http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2012/05/13/a-obra-prima-que...

 

 

Resposta ao pastor Silas Malafaia

 

Imagine o pastor Silas Malafaia acusando alguém de ser preconceituoso. Soa tão irreal quanto o senador Demóstenes Torres reclamar da corrupção no País. Mas, convenhamos, o Brasil é uma terra peculiar e os dois casos acontecem, e muito. Malafaia parou por alguns minutos a sua contínua pregação contra homossexuais (uma de suas principais estratégias para arrebanhar fiéis, frisa-se) para enviar um e-mail à redação. Os endereçados eram a repórter Beatriz Mendes, do site de CartaCapital, e os editores da revista.


O All Out, site que divulga abaixo-assinados do mundo todo, divulgou a causa de Sérgio Viúla e definiu Malafaia como 'extremista anti-gay'

O motivo: a repórter assina matériaem que relata a pressão dos movimentos LGBT sobre a Avon, empresa de cosméticos que disponibiliza catálogos de livros aos clientes – entre estes, obras de Malafaia, o homem em plena cruzada para eliminar a homossexualidade da humanidade.

O pastor chama Beatriz de “preconceituosa”, “ridícula” e “tola”, somatizando na repórter questões profundas que ele precisaria discutir com seu próprio terapeuta.  De quebra, sugere que ela seja gay, o que faz dele, além de tudo, um futriqueiro.

Diz Malafaia: “A jornalista é tão preconceituosa e ridícula nos seus comentários que ela diz: ‘Em 2006, foi ele [Silas Malafaia] o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia’. Que absurdo a deturpação dessa preconceituosa jornalista que escamoteia a verdade! O que eu disse foi: ‘O PLC 122 é a porta de entrada para a pedofilia, pois no seu preâmbulo está escrito a livre expressão sexual’.

Leia também:
Nada contra, mas…

Como pode-se perceber, o pastor reclama que a repórter interpretou corretamente a visão de Malafaia sobre a PLC 122, justamente a que criminaliza a homofobia. Nesse caso, a livre associação de uma relação entre homossexuais e pedófilos seria tão errado quanto dizer que todo pastor neopentecostal é um canalha que só pensa em tirar dinheiro dos fiéis. Há pastores bons e há pastores corruptos,  assim como há pedófilos heterossexuais e homossexuais. Falta conhecer melhor o assunto sobre o qual tanto se manifesta e tanto odeia.

Prossegue o pastor:

“A segunda mentira, deslavada e preconceituosa, prova que a jornalista não lê noticiários e outros jornais, o que faz dela uma tola. Ela escreveu que eu havia falado em meu programa: ‘Deveriam descer o porrete nesses homossexuais’. Sua atitude foi pior do que a da Polícia Federal durante a ditadura, que isolava palavras para incriminar os desafetos”. E conclui contando ter sido absolvido no processo, o que é verdade.

O vídeo editado a que Malafaia se refere é este aqui. Resolvemos, então, ir atrás do contexto total do vídeo. Malafaia diz que a igreja católica “deveria descer o porrete nesses homossexuais”. Ele alega que usou o termo no sentido figurado. Pode até ser verdade, mas isso não tira a agressividade do termo nem o ódio desferido aos gays.

O restante desse vídeo, como o leitor pode ver, mostra um pastor absolutamente comprometido com a intolerância sobre quem gosta de pessoas do mesmo sexo em uma tevê. Por volta do minuto 5:50, chama os homossexuais de doentes:

“Aí eu pergunto pra você (hãhãhã): quem são verdadeiros os doentes? É isso que eu não me calo. Os caras querem com essa pseudolei de homofobia (que a homofobia já tem lei, pra quem bate e mata homossexual vai pra cadeia), eles querem uma lei do privilégio pra falarem o que quiserem e ninguém diz nada. E sabe por que ninguém diz nada? Eu vou soltar o verbo aqui: porque lá dentro das editorias estão cheios de gays! É isso aqui! E eles manipulam a informação! Tá lotado de gays  nas editorias de tevês e jornais”.

Bem, até onde se sabe felizmente ninguém apanha nas ruas pelo simples fato de ser e parecer evangélico. Infelizmente essas coisas acontecem com gays e lésbicas.

Saiba também o pastor que uma das mais interessantes qualidades do jornalismo como profissão é justamente a tolerância com homossexuais. As redações estão repletas deles por um motivo muito simples: se o jornalista homem vai para a cama com outro homem, seja este um engenheiro ou um pastor evangélico, isso só diz respeito a ele mesmo e a seu parceiro.

Preferência sexual não é um pré-requisito dessa profissão nem de nenhuma outra. É bom que seja assim.

Neste mesmo programa, Malafaia achincalha pastores que não se posicionam contra a existência de homossexuais (a partir do 10º minuto). E, para tal, cita um trecho da Bíblia, desconsiderando totalmente o fato de que só os beócios interpretam o livro sagrado ao pé da letra:

“Como tem gente medíocre no nosso meio… alguns pastores vão pro púlpito: ‘pastor não é pra se meter nisso’(…) Queridô, (…) para com essa falsa espiritualidade. É isso que o diabo e os ímpios querem: que a gente fique calado. Mas eu vou mostrar uma coisa na Bíblia pra vocês até pra alguns do nosso meio. Olha a sua covardia: ‘Acho que não deveríamos falar nada contra o homossexualismo, nós temos que amá-los”’, e cita um trecho bíblico.

E para encerrar em grande estilo, o pastor Silas Malafaia termina o programa elogiando o blogueiro da revista da Veja, Reinaldo Azevedo. Embora considere que ambos se mereçam,  CartaCapital se recusa a tecer comentários. Ao hospício o que é do hospício.

 

MST luta pela desapropriação de área onde militantes contra a ditadura eram incinerados

13/5/2012 12:27,  Por José Coutinho Júnior - do Rio de Janeiro

9usina

Uma usina de açúcar em Campos dos Goytacazes servia como palácio dos horrores durante a ditadura militar

“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano. A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.” (Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS)

“A título de sugestão, optando pela retirada forçada, deve-se agir sem aviso prévio, compartimentada, mais cedo possível, despejando-se imediatamente, com o mínimo de diálogo, todos aqueles que estiverem nas construções, bem como os seus pertences, prendendo se necessário e na seqüência, destruir as casas.” (Adriano Dias Teixeira Amorim do Vale – Delegado Federal – Dezembro de 2005)

Em 1997, a área no município de Campos dos Goytacazes (RJ) onde as usinas de açúcar Cambahyba, Santa Maria, Carapebus e Quissamã se localizam, composta por sete fazendas que totalizam 3500 hectares, foi considerada improdutiva. Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com exceção de uma área de 550 hectares – que deu origem ao assentamento Via Lopes -, até hoje não foi capaz de realizar as desapropriações em toda a área, pois o Poder Judiciário acatou liminares dos proprietários.

Para Fernando Moura, da coordenação do MST, “essa morosidade revela o poder dos fazendeiros. Vale lembrar que as áreas têm dívidas grandes com a União, além do fato de ter sido encontrado trabalhadores em condições análogas à escravidão na região”.

Violência interminável

Um fato até então desconhecido sobre a usina de Cambahyba chocou a sociedade brasileira. A usina foi palco, no período da Ditadura Militar, de um crime bárbaro. O ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Cláudio Guerra, conta no livro Memórias de uma Guerra Suja que a usina de Cambahyba foi usada pelos militares para incinerar corpos de militantes de esquerda que haviam sido mortos devido às torturas praticadas pelo regime em órgãos como o próprio DOPS. Guerra conta que ele mesmo incinerou dez corpos, dentre os quais estavam os de David Capistrano, João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes”, relata Guerra.

A solução encontrada foi utilizar os fornos da usina e queimar os corpos, de forma a não deixar vestígios. A usina, à época, era propriedade do ex-vice-governador do estado do Rio, Heli Ribeiro, que topou o acordo, pois ele “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”. Além disso, o regime militar oferecia armas a Heli para que ele combatesse os sem terra da região.

Passados décadas desse trágico episódio, a violência na região de Cambahyba continua. Em 2006, o acampamento Oziel Alves, que abrigava 150 famílias sem terra há mais de seis anos, foi destruído em uma operação pelas polícias militar e federal, com aval da Justiça do Estado e acompanhados do dono usina, Cristóvão Lisandro.

Não houve diálogo nem negociação com a população, que além de habitar a área, produzia hortifrutigranjeiros e gado de leite: as pessoas foram retiradas à força de seus lares, sem poder salvar seus pertences. As estradas próximas ao acampamento foram trancadas, o que impediu que a imprensa pudesse cobrir os fatos quando a operação começou – ela só teve acesso ao acampamento cinco horas após o início da operação policial -, e os policiais entraram nas casas sem apresentar ordem judicial, destruindo pertences dos moradores.

Os Sem Terra que tentaram negociar foram presos, agredidos física e moralmente, e só saíram da delegacia após assinarem declaração de que portavam “armas brancas”, que eram na verdade as ferramentas de trabalho dos produtores. Após a revista nas casas pelos policiais, elas foram derrubadas por máquinas, deixando os moradores sem qualquer amparo.

Desapropriação

Francisco conta que, desde outubro do ano passado, a decisão de desapropriar as áreas está na 2ª Vara de Justiça do Estado. O MST pretende pressionar para que a decisão seja favorável à Reforma Agrária. Segundo Francisco, após saber do passado trágico da usina, diz que “a violência da Ditadura e do latifúndio tem uma relação grande. Agora, a luta se intensifica, para tornar esta terra produtiva com a Reforma Agrária e denunciar a postura de um Judiciário que favorece os proprietários”.

José Coutinho Júnior é jornalista.

 

Matérias Relacionadas:

  1. Torturador relata crimes contra militantes de esquerda na ditadura
  2. Familiares cobram apuração das mortes de militantes incinerados
  3. Saul Leblon: presos políticos foram incinerados em forno de usina
  4. Rose Nogueira: a usina de Campos é o Auschwitz do Brasil
  5. PF reforça efetivo em área do sul da Bahia onde índios Pataxó invadiram fazendas

http://correiodobrasil.com.br/mst-luta-pela-desapropriacao-de-area-onde-militantes-contra-a-ditadura-eram-incinerados/451124/

 

Demarchi

Autoridades confirmam que mafioso está enterrado em igreja de papas

 

ANSA Em Roma

 

As autoridades italianas abriram hoje (14) uma sepultura na Basílica de Santo Apolinário, em Roma, e confirmaram, por meio de um exame de impressões digitais, que nela estava enterrado o mafioso Enrico De Pedis.

A caixa contendo seus restos mortais estava perto do caixão de De Pedis, e não dentro dela, como havia sido divulgado inicialmente. Esses ossos e outros encontrados no mesmo local serão analisados.

De Pedis era líder do grupo criminoso da Magliana e acredita-se que ele está vinculado ao desaparecimento de Emanuela Orlandi, filha de um mensageiro do Vaticano, de quem não se tem notícias desde 22 de junho de 1983.

A advogada da família Orlandi, Nicoletta Piergentili, disse que o ossuário anexo à igreja de Santo Apolinário também será inspecionado e examinado para verificar a hipótese de que a garota tenha sido enterrada junto com o mafioso.

"Não tinha dúvidas que Emanuela Orlandi não estava no caixão", comentou seu irmão Pedro. "Finalmente será possível colocar um ponto final nesta pista, uma das muitas que se seguiram ao longo dos anos. É apenas um passo a mais para as investigações e esperamos que tudo seja esclarecido", acrescentou.

A decisão do Ministério Público de reabrir o túmulo veio após um telefonema ao programa de TV "Chi l'ha visto" ("Quem o viu", na tradução literal do italiano) de 2005, que informava sobre o enterro do mafioso na basília romana, e após o testemunho da ex-namorada de "Renatino" De Pedis, Sabrina Minardi, que revelou que teria sido ele quem sequestrara Emanuela.

A polícia também fará investigações na cripta onde o caixão estava enterrado. O loca, porém, ficará vazio com a remoção do caixão de De Pedis, que será levado para o cemitério romano Prima Porta depois de concluídos os exames.

A Basílica de Santo Apolinário é reservada para o enterro de papas e cardeais. Um informante da Santa Sé disse, recentemente, que o Vaticano teria recebido uma doação da viúva do mafioso, em troca de seu enterro na igreja romana. As autoridades vaticanas ainda não comentaram a acusação.

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/42771-biblioteca-do-congresso-dos-eua-da-premio-a-fhc-por-obra-academica.shtml

 

Nesta última semana mais um grande Brasileiro teve o reconhecimento internacional por sua grande obra acadêmica . O ex. presidente FHC recebeu o premio Klugg do Congresso Americano no valor de i milhão de doláres , valor este a ser doado para entidades filantrópicas mundo afora . É o Brasil brilhando la fora .

 

Biblioteca do Congresso dos EUA dá prêmio a FHC por obra acadêmica

Para ex-presidente, premiação de US$ 1 mi é fruto de ação 'inovadora'

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 80, venceu o prêmio Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso dos EUA a personalidades que se destacam pela produção acadêmica na área das ciências humanas não contempladas pelo Nobel.

A premiação, de US$ 1 milhão, destaca o papel de FHC "na transformação do Brasil de uma ditadura militar com alta inflação em uma democracia includente, com forte crescimento econômico".

O ex-presidente afirmou à Folha ter recebido o prêmio com "alegria e surpresa". "Reconhecer uma 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/42771-biblioteca-do-congresso-dos-eua-da-premio-a-fhc-por-obra-academica.shtml

 

Nos dias 18 e 19 de maio será realizada, no Rio de Janeiro, a VII Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba. A atividade está sendo promovida pela A Associação Cultural José Marti RJ, em parceria com a Casa da América Latina, a Associação dos Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB), e outras entidades. Além de palestras sobre a história da Revolução e os novos desafios para Cuba Socialista, haverá dois grupos de trabalho, além de exibição de fotos das brigadas de solidariedade.

Na noite do dia 19 haverá uma imperdível FESTA CUBANA, com comida e bebida típica, além da apresentação do Grupo Salsa Klave. Informações para compra dos convites para a festa pelo telefone (21) 2532-0557 - a partir das 15h.

<img src="http://files.josemartirj.webnode.com/200000108-171801811f/VII%20convencao%20estadual_atualizado.jpg" width ="550" height="700" />


Leia mais: http://josemartirj.webnode.com/news/acjm-rj-promove-vii-conven%c3%a7%c3%...

 

http://files.josemartirj.webnode.com/200000108-171801811f/VII%20convenca...

 

O Antivirus nas nuvens chamado Psafe.

Consegui baixar um antivirus gratuito com o nome acima que diferentemente dos outros não é "gratuito para testar" até agora não tenho tido problemas. No campo "quem somos" diz tratr-se de produto 100% nacional.

O pessoal daqui que é bam bam bam no assunto conhece o Psafe? Pode me dizer se estou em boa companhia para uso domestico? Meu equipamento é not de 2 gigas e segundo o Psafe, o softwere não ocupa espaço, justamente por ser nas nuvens.

 

Eduardo Galeano (Los Hijos De Los Días)

Abril 21 

El indignado

  Ocurió en España, en um pueblo de LA Rioja, en el

anochecer de hoy del año 2011, durante la procesión de

Semana Santa.

  Una multitud acompañaba, callada, el paso de Jesu-

cristo y los soldados romanos que lo iban castigando a

latigazos.

   Y una voz rompió el silencio.

   Montado en los hombros de su padre, Marcos Rabasco

gritó al azotado:

   -  ¡Defiéndete! ¡Defiéndete!

   Marcos tenía dos anños, cuatro meses y veintiún dias de edad.

 

O Antivirus nas nuvens chamado Psafe.

Consegui baixar um antivirus gratuito com o nome acima que diferentemente dos outros não é "gratuito para testar" até agora não tenho tido problemas. No campo "quem somos" diz tratr-se de produto 100% nacional.

O pessoal daqui que é bam bam bam no assunto conhece o Psafe? Pode me dizer se estou em boa companhia para uso domestico? Meu equipamento é not de 2 gigas e segundo o Psafe, o softwere não ocupa espaço, justamente por ser nas nuvens.

 

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1089561-diretor-de-ka...

13/05/2012 - 20h30
Diretor de Kassab compra 106 imóveis em 7 anos; veja vídeo
DE SÃO PAULO

O diretor responsável pela aprovação de empreendimentos imobiliários de São Paulo durante a maior parte da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) adquiriu 106 imóveis nos poucos mais de sete anos em que esteve no cargo. É o que informa a reportagem de Evandro Spinelli e Rogério Pagnan no vídeo abaixo.

Com renda mensal declarada de R$ 20 mil, entre rendimentos de aluguéis e salário bruto na prefeitura de R$ 9.400 (incluindo uma aposentadoria), Hussain Aref Saab, 67, acumulou, de 2005 até este ano, patrimônio superior a R$ 50 milhões. São pelo menos 118 imóveis incluindo 24 vagas de garagem extras.

A explosão patrimonial de Aref, como é conhecido, foi identificada pela Folha em levantamento feito nos últimos 45 dias em cartórios da Grande São Paulo, do litoral e parte do interior do Estado.

Entre seus imóveis há, por exemplo, meia dúzia de apartamentos num prédio com vista para o Parque Ibirapuera. Esses imóveis estão estimados, no total, em R$ 4 milhões.

Outros detalhes da reportagem poderão ser vistos na edição desta segunda-feira (14) da Folha.

 

Caros Amigos

 

Comissão da Verdade: Hélio Bicudo diz que nomes são bons

 

Jurista questiona, porém, qual estrutura será dada para o trabalho


 

Aray Nabuco
Caros Amigos

 

O jurista Hélio Bicudo considerou boas as escolhas dos nomes que integram a Comissão da Verdade, divulgados na noite de quinta-feira (10) pela Presidência da República - são eles José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justiça), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cláudio Fonteles (ex-procurador-geral da República), Paulo Sérgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e José Cavalcante Filho (jurista). "São pessoas que têm se distinguido pela liderança em seus respectivos setores", disse, porém, fazendo ressalvas sobre questões de estrutura e legalidade a serem enfrentadas no desenrolar dos trabalhos.

 

"Se existem pessoas que podem fazer investigação, acho que foram bem escolhidas", afirmou Bicudo, que já presidiu a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. "São pessoas que têm uma vivência e que vai servir de fundamento para suas atuações (na Comissão da Verdade).

 

Ele faz ressalvas, porém, sobre o funcionamento e a estrutura que será dada à Comissão, composta por 7 membros, além de outros 7 suplentes ainda a serem escolhidos. Uma é sobre os poderes que os membros terão, se precisarem fazer buscas ou solicitar documentos para a investigação. "Qual é o poder que eles têm sobre a polícia, o Exército? Como vai funcionar, é muito importante, e se vai ter infra-estrutura, recursos, lugar para os trabalhos, tudo."

 

O fato da Comissão não ter poder de punição, apenas de investigação, não preocupa o jurista. "Não é um ponto muito negativo, porque pode levar ao Ministério Público e este fazer a denúncia ao Judiciário", afirma.

 

Quanto ao Judiciário, criticado por tomar decisões baseado mais na Lei da Anistia do que nas convenções internacionais sobre direitos humanos, Bicudo diz que "se você ficar no horizonte do direito no Brasil, vai ficar restrito; tem que ter um horizonte mais amplo."

 

Sobre Dom Paulo Evaristo Arns, um dos nomes cotados para a Comissão, Bicudo acredita que foi correto não submetê-lo a este trabalho. "Dom Paulo é uma figura ímpar, mas que não pode mais, não deveria ser entregue a ele" - Bicudo e Dom Paulo atuaram juntos na Comissão de Justiça e Paz, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

 

Entre o que considera bons nomes e as dúvidas sobre o funcionamento, Bicudo resume: "Vamos ver o que acontece."

http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/noticias/2877-comissao-...

 

há 2 dias por Sem Fronteiras - Terra Maganize

Gurgel também parece “morrer de medo”

 

 No Brasil, durante esta semana, não sopraram desejados ventos democráticos. Aqueles ventos que refrescam memórias sobre como funciona um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Por isso, os cemitérios estiveram agitados, com juristas eméritos a revirar nas campas. Por partes. 1. O procurador-geral Roberto Gurgel entendeu em não aceitar o convite para prestar esclarecimentos aos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apuram o chamado “Escândalo Cachoeira”. Ao declinar do convite, Gurgel disse que não pode atuar como titular da ação penal e como uma espécie de testemunha na CPMI ao mesmo tempo. Logo depois, disse à mídia que segurou o inquérito Vegas para aguardar as apurações que estavam em curso, numa referência à Operação Monte Carlo. Desde logo, frise-se, Gurgel não seria chamado para testemunhar, mas para explicar uma desídia, com violação ao determinado no vigente Código de Processo Penal, ou seja, o fato de ter, desde 2009 e a descumprir prazo legal para devolução com pronunciamento, colocado no freezer os autos de inquérito policial sobre a chamada Operação Vegas. Nos Estados de Direito, os poderes são independentes e existe, entre eles, além da harmonia, um sistema de freios e contrapesos. Por isso, existe o dever de fiscalizações recíprocas. Isso obriga Gurgel, como chefe do Ministério Público, de prestar esclarecimentos a uma comissão parlamentar. Aliás, uma comissão mista voltada a apurar crimes graves como, por exemplo, corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, licitações forjadas. Da mesma forma que Gurgel, os chefes dos executivos estaduais, os governadores de Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro, têm o dever de atender às convocações da CPMI instaurada. Apenas teriam motivos para não comparecer, no caso, os ministros do Supremo Tribunal Federal em condições de julgar futuras ações penais contra Demóstenes, Cachoeira et caterva. Além disso, depois de atender à convocação da CPMI, o procurador-geral, caso se sinta impedido, poderá deixar o caso Cachoeira para seu substituto legal. Como regra, portanto, ninguém pode deixar de atender à convocação de uma CPMI. Assim sendo, Gurgel poderá, ainda e por haver declinado do convite formulado, ser convocado. Terá o dever de comparecer, salvo se obtiver liminar de dispensa do Supremo Tribunal Federal: Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa estarão impedidos por terem adiantado suas teses fora dos autos, ou seja, intempestivamente.  2. Depois da canhestra explicação dada para declinar do convite formulado pela CPMI, o procurador-geral da República resolveu apelar para o diversionismo sem a coragem de dar nomes. E para um acusador de ofício pega muito mal omitir nomes. Fosse em juízo, sua denúncia seria inepta. A propósito, Gurgel disse estar está sendo criticado por pessoas que “estão morrendo de medo do Mensalão”. Gurgel deve explicações aos cidadãos brasileiros e aos parlamentares que o representam. Em outras palavras, deve esclarecimentos à CPMI sobre ter transformado o seu gabinete de trabalho em freezer para congelar e não dar andamento, ou solução, a inquérito policial. O procurador-geral, frise-se mais uma vez, disse que segurou o inquérito Vegas para aguardar as apurações que estavam em curso, numa referência à Operação Monte Carlo. Esqueceu Gurgel que o inquérito Vegas estava concluído em 2009 e a Monte Carlo é recentíssima. Nem se cogitava a Monte Carlo quando a Vegas já estava concluída. Fora isso, diz a lei processual penal que o representante do Ministério Público, ao receber o inquérito, deve, dentro de 30 dias no caso de indiciado solto, denunciar (propor a ação penal), requerer diligências ou solicitar o arquivamento do inquérito.  Nada disso fez Gurgel. Ou melhor, colocou no freezer o inquérito. Talvez por possuir bola de cristal e enxergar que, passados alguns anos, aconteceria a Operação Monte Carlo. 3. Não se deve esquecer, ainda, ter o delegado de polícia responsável pelo inquérito decorrente da Operação Vegas, Raul Alexandre Marques de Souza, contado, na primeira sessão da CPMI, haver Gurgel incumbido a sua esposa, a subprocuradora Cláudia Sampaio, de transmitir, isso em 2009, a inexistência de indícios do envolvimento do senador Demóstenes Torres. Ora, pela lei processual penal, Gurgel deveria, no mesmo ano, ter pedido novas diligências ou o arquivamento do inquérito. Não fez isso e, de quebra, teve o voto de Demóstenes, que antes o atacava, na sabatina para sua recondução ao cargo de procurador-geral. Pano rápido. A conduta de Gurgel ao tentar fugir da CPMI mostra, na verdade, que não somente petistas estão com medo do Mensalão como insinuou. Gurgel, também treme de medo de explicar o inexplicável.   Wálter Fanganiello Maierovitch  

 

há 2 dias por Sem Fronteiras - No Terra Magazine Gurgel também parece “morrer de medo”

 

 No Brasil, durante esta semana, não sopraram desejados ventos democráticos. Aqueles ventos que refrescam memórias sobre como funciona um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Por isso, os cemitérios estiveram agitados, com juristas eméritos a revirar nas campas. Por partes. 1. O procurador-geral Roberto Gurgel entendeu em não aceitar o convite para prestar esclarecimentos aos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apuram o chamado “Escândalo Cachoeira”. Ao declinar do convite, Gurgel disse que não pode atuar como titular da ação penal e como uma espécie de testemunha na CPMI ao mesmo tempo. Logo depois, disse à mídia que segurou o inquérito Vegas para aguardar as apurações que estavam em curso, numa referência à Operação Monte Carlo. Desde logo, frise-se, Gurgel não seria chamado para testemunhar, mas para explicar uma desídia, com violação ao determinado no vigente Código de Processo Penal, ou seja, o fato de ter, desde 2009 e a descumprir prazo legal para devolução com pronunciamento, colocado no freezer os autos de inquérito policial sobre a chamada Operação Vegas. Nos Estados de Direito, os poderes são independentes e existe, entre eles, além da harmonia, um sistema de freios e contrapesos. Por isso, existe o dever de fiscalizações recíprocas. Isso obriga Gurgel, como chefe do Ministério Público, de prestar esclarecimentos a uma comissão parlamentar. Aliás, uma comissão mista voltada a apurar crimes graves como, por exemplo, corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, licitações forjadas. Da mesma forma que Gurgel, os chefes dos executivos estaduais, os governadores de Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro, têm o dever de atender às convocações da CPMI instaurada. Apenas teriam motivos para não comparecer, no caso, os ministros do Supremo Tribunal Federal em condições de julgar futuras ações penais contra Demóstenes, Cachoeira et caterva. Além disso, depois de atender à convocação da CPMI, o procurador-geral, caso se sinta impedido, poderá deixar o caso Cachoeira para seu substituto legal. Como regra, portanto, ninguém pode deixar de atender à convocação de uma CPMI. Assim sendo, Gurgel poderá, ainda e por haver declinado do convite formulado, ser convocado. Terá o dever de comparecer, salvo se obtiver liminar de dispensa do Supremo Tribunal Federal: Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa estarão impedidos por terem adiantado suas teses fora dos autos, ou seja, intempestivamente.  2. Depois da canhestra explicação dada para declinar do convite formulado pela CPMI, o procurador-geral da República resolveu apelar para o diversionismo sem a coragem de dar nomes. E para um acusador de ofício pega muito mal omitir nomes. Fosse em juízo, sua denúncia seria inepta. A propósito, Gurgel disse estar está sendo criticado por pessoas que “estão morrendo de medo do Mensalão”. Gurgel deve explicações aos cidadãos brasileiros e aos parlamentares que o representam. Em outras palavras, deve esclarecimentos à CPMI sobre ter transformado o seu gabinete de trabalho em freezer para congelar e não dar andamento, ou solução, a inquérito policial. O procurador-geral, frise-se mais uma vez, disse que segurou o inquérito Vegas para aguardar as apurações que estavam em curso, numa referência à Operação Monte Carlo. Esqueceu Gurgel que o inquérito Vegas estava concluído em 2009 e a Monte Carlo é recentíssima. Nem se cogitava a Monte Carlo quando a Vegas já estava concluída. Fora isso, diz a lei processual penal que o representante do Ministério Público, ao receber o inquérito, deve, dentro de 30 dias no caso de indiciado solto, denunciar (propor a ação penal), requerer diligências ou solicitar o arquivamento do inquérito.  Nada disso fez Gurgel. Ou melhor, colocou no freezer o inquérito. Talvez por possuir bola de cristal e enxergar que, passados alguns anos, aconteceria a Operação Monte Carlo. 3. Não se deve esquecer, ainda, ter o delegado de polícia responsável pelo inquérito decorrente da Operação Vegas, Raul Alexandre Marques de Souza, contado, na primeira sessão da CPMI, haver Gurgel incumbido a sua esposa, a subprocuradora Cláudia Sampaio, de transmitir, isso em 2009, a inexistência de indícios do envolvimento do senador Demóstenes Torres. Ora, pela lei processual penal, Gurgel deveria, no mesmo ano, ter pedido novas diligências ou o arquivamento do inquérito. Não fez isso e, de quebra, teve o voto de Demóstenes, que antes o atacava, na sabatina para sua recondução ao cargo de procurador-geral. Pano rápido. A conduta de Gurgel ao tentar fugir da CPMI mostra, na verdade, que não somente petistas estão com medo do Mensalão como insinuou. Gurgel, também treme de medo de explicar o inexplicável.   Wálter Fanganiello Maierovitch  

 

Saudações santistas.

Simples assim.

:-)

 

Jornal: Dilma prepara Ficha Limpa para cargos federais
14 de maio de 2012 06h00
 

A presidente Dilma Rousseff enviou para análise da Advocacia-Geral da União um decreto para que sejam instituídos na nomeação de cargos de confiança no governo federal os mesmos critérios da Lei da Ficha Limpa, válida para candidaturas pelo País, de acordo com informações da Folha de S.Paulo.

O filtro valeria para a administração direta e indireta, o que inclui ministros de Estados e presidentes de estatais e autarquias. Um pente-fino da Casa Civil aponta que nenhum integrante do primeiro escalão seria atingido pela medida, caso entre em vigor. Pela Lei da Ficha Limpa, parlamentares condenados em segunda instância em decisões colegiadas ficam impedidos de se candidatar.

 

 

Terra

 

 

Política

14/05/12 | 06:00 - No SUL21

 

 

“A Dilma vai vetar”, diz ministro do Desenvolvimento Agrário

 


“O Código Florestal não será sancionado da forma como a Câmara aprovou”, garante Pepe Vargas | Foto: Brizza Cavalcante/Ag.Câmara

 

Samir Oliveira

 

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT), é categórico ao afirmar que a presidente Dilma Rousseff (PT) irá vetar o novo Código Florestal que foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 25 de abril. “A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa é a discussão”, assegura o petista nesta entrevista ao Sul21.

 

Pepe garante que o texto não permanecerá intocado. “O Código Florestal não será sancionado da forma como a Câmara aprovou. Terá ou um veto total, ou um veto parcial”, comenta.

 

O ministro considera que há dois extremos nesse debate: o dos ruralistas que somente querem flexibilizar a legislação e o dos ambientalistas que defendem o que ele chama de “conservacionismo elitista”. Pepe diz que o governo federal não está comprometido com nenhuma dessas duas agendas.

 

Nesta entrevista ao Sul21, o ministro fala também sobre as perspectivas para a reforma agrária no país e critica a proposta de emenda à Constituição (PEC) que transfere responsabilidade sobre a titulação de terras indígenas ao Congresso Nacional.

 

“Além de anistiar grandes desmatadores, a Câmara diz que o pequeno produtor tem que recompor igual ao grande”

 

Sul21 – Como o senhor avalia o texto do novo Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados?
Pepe – 
A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa é a discussão. Parte do texto final aprovado é consenso entre Câmara e Senado. O texto do Senado é muito mais equilibrado, mas algumas coisas aprovadas representam avanços importantes. Há uma legislação bastante protetora para aquilo que não foi desmatado. As disposições permanentes têm pontos muito positivos. E tem um capítulo inteiro sobre a agricultura familiar que é importante que seja preservado. Se o veto for total, zera todo esse avanço. Mas também há aspectos extremamente negativos, como a parte que previa a recomposição de áreas de preservação que foram devastadas. Queremos que haja recomposição e admitimos que ela tenha diferenciações. O agricultor que possui até quatro módulos fiscais não pode ter o mesmo tratamento de quem tem 400 módulos. Defendemos que até quatro módulos fiscais haja diferenciação nas exigências de recomposição de reserva legal. O Senado também tinha entendido assim, mas a Câmara botou isso a perder. Além de anistiar grandes desmatadores, o que é inadmissível, e prever que não haverá recomposição nenhuma em determinadas áreas de preservação permanente, a Câmara diz que o pequeno produtor tem que recompor igual ao grande.

 


Pepe Vargas: " Há dois extremos nocivos a esse debate. O primeiro é o polo que defende as piores práticas agropecuárias. Mas há um ambientalismo que defende um conservacionismo elitista" | Foto: Marcelo Brandt/Ag.Câmara

 

Sul21 – Então o texto final terá artigos vetados pela presidente?
Pepe – O Código Florestal não será sancionado da forma como a Câmara aprovou. Terá ou um veto total, ou um veto parcial. Há dois extremos nocivos a esse debate. O primeiro é o polo que defende as piores práticas agropecuárias, é a turma da motosserra. Mas no outro polo, há um ambientalismo que defende um conservacionismo elitista. Não entendem que a parte ambiental precisa estar ligada à inclusão social de assentados, de quilombolas, de comunidades de povos tradicionais e de pequenos agricultores. Não concordamos com esse conservacionismo elitista que desconsidera a dimensão social vinculada à ambiental. Esse ambientalismo conservador e elitista não é o nosso horizonte. Queremos denunciar esse tipo de gente, que muitas vezes está a serviço de interesses daqueles que querem mercantilizar a natureza, colocando papeis financeiros para especular na Bolsa. Aí os países em desenvolvimento se limitam a vender serviços ambientais enquanto as nações ricas podem desmatar e comprar esses papeis de serviços.

 

Sul21 – O senhor assumiu no dia 14 de março. Quais são as metas do ministério para este ano?
Pepe – 
A prioridade é fortalecer os instrumentos de apoio e fomento à agricultura familiar. Dos 5,1 milhões de estabelecimentos rurais no Brasil, cerca de 4,3 milhões são unidades produtivas de agricultores familiares. Elas representam 84% dos estabelecimentos e ocupam 74% da mão de obra no meio rural. Há propriedades familiares já bem desenvolvidas e inseridas no mercado, com capacidade de comercialização e produção, mas que precisam do nosso apoio. E há também as propriedades que ainda estão em desenvolvimento.

 

Sul21 – Que tipo de apoio o governo federal dá a esses produtores?
Pepe –
Queremos fortalecer os instrumentos de acesso a crédito, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que tem financiamento para custeio de safra e para investimentos. Há também os instrumentos de apoio à comercialização. Queremos consolidar a Rede Brasil Rural, que é uma plataforma eletrônica que viabiliza que as cooperativas e associações de produtores cadastrem seus produtos. Já temos mais de 400 cooperativas cadastradas e um universo grande de fornecedores de insumos participando. Além disso, queremos fortalecer a assistência técnica da extensão rural, que é muito importante para o desenvolvimento produtivo das propriedades. E há os programas de garantias de preços mínimos, que são importantes para dar estabilidade a essa parcela de agricultores familiares que já está numa situação desenvolvida ou em desenvolvimento.

 


"Criou-se a ideia que só o agronegócio exporta e é responsável pela balança comercial brasileira. Temos que pensar em uma estratégia de desenvolvimento da agricultura familiar" | Foto: Gustavo Lima/Ag.Câmara

 

“O Estado brasileiro, ao longo da história, assentou pessoas e as deixou abaixo da linha da pobreza”

 

Sul21 -  E que tipo de assistência pode ser dada às famílias que tentam chegar a esse estágio?
Pepe – 
Há uma parcela da agricultura familiar que vive na extrema pobreza. Para isso temos o programa Brasil Sem Miséria, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Como metade das 16 milhões de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza vivem no meio rural, uma parte do programa fica sob nossa responsabilidade. Estamos antecipando todas as metas de 2013 para 2012. São metas de atendimento a famílias com assistência técnica diferenciada e continuada, e um subsídio de fomento para atividade produtiva com fornecimento de sementes. Começou ano passado no Nordeste, mas vamos atender também o Sul e o Sudeste, desde que os estados entrem com a assistência técnica. No Rio Grande do Sul, por exemplo, já acertamos com o governo. Nossa meta era atender três mil famílias, mas o Estado nos disse que tem condições de atender 6 mil famílias.

 

Sul21 – Como estão as demarcações e desapropriações para a reforma agrária no país?
Pepe – A reforma agrária é um instrumento de combate à extrema pobreza no campo. A agricultura familiar tem um papel importante no projeto nacional de desenvolvimento, porque distribui melhor a renda, ocupa mais gente no campo e produz 70% dos alimentos no país. Criou-se a ideia que só o agronegócio exporta e é responsável pela balança comercial brasileira. O peso do setor agrário nas exportações brasileiras foi de 36% do total exportado em 2011. Nesse montante, 28% é relativo à agricultura familiar na base. Temos que pensar em uma estratégia de desenvolvimento da agricultura familiar para que ela exporte ainda mais. Há um grande mercado a ser conquistado nos Estados Unidos e na Europa. Segmentos das classes médias e altas desses países querem comprar produtos feitos de forma justa e sustentável. Países com menor capacidade estão ocupando esse nicho.

 


Pepe Vargas garante que há disposição para dialogar com movimentos sociais do campo a melhora na infraestrutura dos assentamentos | Foto: Janine Moraes/Ag.Câmara

 

Sul21 – E como estão as demarcações de terras atualmente?
Pepe – 
Não temos contingenciamento de recursos orçamentários para obtenção de terras. Temos condições de executar todo o orçamento – previsto em R$ 106 milhões. Já liberamos R$ 200 milhões em Títulos da Dívida Agrária (TDAs) para que o Incra possa encaminhar o pagamento de decretos de desapropriação. Liberamos também R$ 44 milhões para pagamento de benfeitorias de imóveis cujas TDAs já estavam lançadas. Só com essa liberação, já atendermos 11 mil famílias. Estamos mudando o processo para fortalecer a infraestrutura dos assentamentos, começando pela moradia. Historicamente, a moradia entrava no crédito de habitação do Incra. O valor era R$ 15 mil por família, com três anos de carência e 17 anos para pagar. Mas temos o Minha Casa, Minha Vida, que financia residências no valor de R$ 25 mil e tem 96% de subsídio. Não há por que não colocarmos esse programa nos assentamentos. Iremos atender melhor e o assentado irá gastar menos. Aceitamos discutir com os movimentos sociais do campo uma nova metodologia do crédito de instalação. Estamos debatendo uma melhor maneira, não formatamos nada ainda, mas vai haver uma mudança. Queremos também levar os programas Água Para Todos e Luz Para Todos para dentro dos assentamentos. Não há por que o Incra assumir o financiamento dessas infraestruturas se existem programas que podem arcar com esses custos. Com isso o Incra pode usar seus recursos para priorizar outras questões fundamentais.

 

Sul21 – Como conciliar a realização de novos assentamentos com a melhoria dos já existentes?
Pepe – 
Tem anos que assentaram 100 mil famílias, mas davam terra sem infraestrutura. Temos um passivo social a ser resgatado. Há assentamentos que se desenvolveram, exportam e possuem tecnologia aplicada. Mas há um número expressivo de assentamentos com famílias que vivem na linha da pobreza. O Estado brasileiro, ao longo da história, assentou pessoas e as deixou abaixo da linha da pobreza. A estratégia do Brasil Sem Miséria é recuperar as estruturas desses locais. Vamos reconhecer que assentados da reforma agrária também são cidadãos que precisam ter acesso aos programas do governo federal. Não podemos achar que só o Incra tem responsabilidade de resolver essas questões.

 

“A turma da casa grande, que sempre defendeu a predação do país por uma elite minoritária, articulou a PEC 215 para impedir que o Estado brasileiro reconheça os direitos dos quilombolas e dos povos indígenas”

 

Sul21 – O MST diz que o governo federal possui um teto de até R$ 100 mil para desapropriações de terras. Os Sem-Terra alegam que isso faz com que 90% das propriedades permaneçam intocáveis.
Pepe – 
Não há nada que defina a existência de um teto de R$ 100 mil. Mas é verdade que, quando se vai desapropriar uma terra, o custo dela interessa. Quando o poder público vai desapropriar uma área para construir uma escola ou fazer um projeto habitacional, o preço da terra é levado em consideração. E, eventualmente, se a terra é muito cara, se opta por outro lugar. Na reforma agrária não pode ser diferente. O valor por hectare e o custo por família assentada são elementos importantes. O administrador precisa zelar pelo princípio da economicidade. Isso não significa dizer que se vá deixar de comprar terras. Mas também não iremos comprar terras que custem R$ 30 mil por hectare. Assim como não iremos comprar uma propriedade que custe R$ 2 mil por hectare e jogar as famílias num local onde não há estrada, água ou luz. É preciso bom senso.

 


"O trabalho escravo é uma abominação. Quem utiliza trabalho escravo na produção precisa ter suas terras desapropriadas" | Foto: Leonardo Prado/Ag.Câmara

 

Sul21 – O que encarece o custo das desapropriações?
Pepe –
Há um processo de encarecimento do preço da terra no Brasil. Precisamos que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona a medida provisória que estabeleceu que os juros compensatórios de uma terra desapropriada seriam de 6% e não de 12% – fixados por uma jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nenhum fundo de investimento remunera a esse valor. O Judiciário brasileiro estabelece juros compensatórios numa desapropriação de terras que remunera muito mais do que qualquer aplicação no sistema financeiro. É possível especular muito mais tendo uma terra desapropriada do que no mercado financeiro. Isso é um absurdo. O governo, há muitos anos, fez uma medida provisória fixando os juros em 6% e houve uma Adin que foi acolhida pelo STF em caráter liminar. Continua-se pagando juros compensatórios de 12% e o julgamento do mérito é aguardado há mais de 10 anos. Isso impacta o orçamento do Incra. Quando o proprietário de uma terra não concorda com a avaliação do Incra, o Judiciário demora cinco anos para decidir quanto é o preço de uma terra desapropriada. Nesse meio tempo, o governo fica pagando 12% de juros compensatórios. É óbvio que isso diminui a capacidade do Estado brasileiro de desapropriar áreas para fins de reforma agrária. O orçamento não é um elástico que pode ser esticado. Precisamos que o Supremo julgue essa Adin. Se a taxa Selic está em 9%, por que os juros compensatórios são 12%?

 

Sul21 – Qual sua posição sobre PEC 215, que transfere para o Congresso Nacional a titulação de terras indígenas?
Pepe – 
A PEC 215 é uma reação dos setores mais retrógrados e conservadores que querem impedir o reconhecimento por parte do Estado brasileiro dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. Temos uma posição contrária a essa PEC e defendemos a constitucionalidade do decreto que regulamenta a demarcação e o reconhecimento dos territórios quilombolas, que está sendo julgado pelo STF. A turma da casa grande, que sempre defendeu a predação do país por uma elite minoritária, articulou a PEC 215 para impedir que o Estado brasileiro reconheça os direitos dos quilombolas e dos povos indígenas.

 

Sul21 – Há também a PEC do trabalho escravo, que propõe o confisco das propriedades que utilizem mão de obra escrava.
Pepe – 
Queremos que seja aprovada. O trabalho escravo é uma abominação. Quem utiliza trabalho escravo na produção precisa ter suas terras desapropriadas para que elas cumpram uma função social.

 

Por que Veja tem medo?

13/5/2012 21:09,  Por Blog do Miro - No Correio do Brasil

 

Por Maurício Caleiro, no blog Cinema & Outras Artes:

Tão logo Lula foi eleito presidente, ao final de 2002, a oposição capitaneada pelo PSDB e pelo PFL adotou o moralismo denunciativo como estratégia virtualmente única de atuação política. Para tanto, teve como parceira fundamental o grosso da mídia corporativa.O cálculo a sustentar tal estratégia era simples: com a oposição valendo-se de denúncias de corrupção e do domínio dos meios de manipulação da opinião pública, bastaria minar o governo Lula até que ele caísse de podre – fosse via eleições ou, preferencialmente, através de um impeachment.

Antecedentes golpistas

Não se tratava de vã projeção. Tal cálculo vinha reforçado por experiências bem-sucedidas anteriores – notadamente a crise que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, mas também graves manipulações patrocinadas pela mídia e que ocorreram às vésperas de eleições mais recentes, como o caso Proconsult (tentativa co-patrocinada pela Globo de fraudar as eleições de Leonel Brizola a governador do Rio, em 1982); a edição tendenciosa do debate entre Lula e Collor e o esforço para implicar o PT no sequestro de Abílio Diniz (fazendo os sequestradores vestirem camisas do partido), às vésperas da eleição de 1989; e a suposta tentativa de compra de dossiê contra José Serra por petistas em 2002, episódio que carece de lógica e motivação.

Todos esses fatos têm um denominador comum: a ação da mídia – muitas vezes ilegal, sempre parcial – a favor das forças conservadoras e contrárias às forças populares de esquerda ou centro-esquerda. Vistos em conjunto, eles revelam a adoção de um padrão de atuação, padrão este que diz respeito, em primeiro lugar,, a partidos políticos que abdicaram de um projeto de país em nome de um samba de uma nota só moralista do tipo “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.

Dois pesos…

Em segundo lugar, referem-se a um jornalismo despreocupado de uma deontologia mínima e que endossa e açula o comportamento anti-republicano de tais forças políticas ao, por um lado, exaltar-lhes uma sua duvidosa “capacidade de gestão” e negligenciar a denúncia de casos de corrupção ou de incompetência administrativa que as envolvam; e, por outro lado, ao superdimensionar ou mesmo fabricar racusações de corrupção contra seus opositores, de cujas administrações se recusa a reconhecer qualquer eventual mérito ou realização.Diante de tais fatos, é insuficiente a resposta monocórdia com que os internautas amestrados pelos “blogueiros” de Veja reagem ante as denúncias contra a publicação, e que busca, invariavelmente afirmar a culpa dos petistas. A questão, aqui, não é esta. Em todo e qualquer caso, se, após examinar as provas, a Justiça se convencer de que houve, efetivamente, corrupção, que os transgressores sejam punidos, à revelia do partido a que pertençam. O que não se pode permitir é o pré-julgamento pela mídia e a assimetria de tratamentos que ela dispensa à corrupção quando praticada pelo conservadorismo ou pela aliança petista, escondendo e negligenciando o que vem dos primeiros enquanto superestima – ou mesmo cria – o que se refere aos segundos.

Golpe e contragolpe

A crônica política dos dois governos de Lula e da presidência de Dilma Rousseff se constrói em meio ao contexto político-midiático acima esboçado. Nele se inserem desde as denúncias, procedentes ou não, contra membros do segundo e terceiro escalões – incessantes desde 2002 – até a crise do “mensalão”, episódio durante o qual as forças conservadoras pareceram, por um momento, prestes a lograr seu objetivo, frustrado sobretudo graças ao misto de habilidade e destemor que Lula demonstrou ao lidar com o caso. Para as forças golpistas, não se tratou de mera perda eventual de uma “janela de oportunidade”. Uma nova dinâmica comunicacional no país se intensifica justamente a partir desse momento, de forma intensa e em um movimento que é claramente de esvaziamento do poder de influência da grande mídia corporativa e de aumento da força das rádios interioranas, das publicações regionais e, sobretudo, da internet.

Fim de uma eraAssim, o conluio mídia-demotucanato, enquanto procurava desqualificar Lula como analfabeto e Dilma como “poste”, não se deu conta de que o país mudava e, em meio ao esvaziamento progressivo dos factoides – e a despeito das aparições frequentes de Demóstenes e Alvaro Dias no Jornal Nacional -, era a sua propalada força como formador de opinião que estava a se esvair. Tornara-se anacrônico. As denúncias contidas no livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., povoaram de pesadelos seus sonhos de poder, mas o abrupto despertar só se deu efetivamente agora, com a CPI da Cachoeira, após desmascarar seu falso catão Demóstenes, prestes a botar a mídia no banco dos réus. Eis porque as reações iradas da revista Veja e de O Globo contra a blogosfera e as redes sociais, que tiveram lugar nos últimos dias após longo tempo represadas, fornecem a evidência maior do fracasso do projeto golpista das forças conservadoras, ao qual o demotucanato e a mídia vêm se dedicando desde a primeira eleição de Lula.

Acting out

Alguém já disse que não basta ler os jornais nas entrelinhas, é preciso fazê-lo de forma psicoanalítica. Quando duas publicações da mídia gorda, as quais passaram anos fingindo desconhecer o papel transformador da blogosfera não corporativa, descem do salto alto e partem para a tentativa de desqualificação, isso é a expressão acabada de sua impotência e o reconhecido do poder da força comunicacional que se lhes opõem.

Quanto mais Veja e O Globo espernearem e partirem para a desqualificação agressiva, não só estarão confirmando, uma vez mais, que suas práticas não coadunam com um jornalismo profissional minimamente sério, mas ratificando a capacidade de comunicação da blogosfera e das redes socais, que hoje já oferecem, respectivamente e em relação à mídia convencional, as mais embasadas análises e uma capacidade de movimentação rápida e efetiva.

Como se pode constatar ao longo do texto, são efetivamente muitas as razões a justificar o medo que Veja afirma sentir.

 

Cachoeira banhou Beto Richa?

 

13/5/2012 12:46,  Por Altamiro Borges - de São Paulo- No Correio do Brasil

 

Por Altamiro Borges

 

A Operação Monte Carlo da Polícia Federal continua causando estragos. O ex-demo Demóstenes Torres morreu politicamente. Sua cassação já é dada como certa. O governador tucano Marconi Perillo está cada vez mais enrolado. E o deputado Carlos Leréia faz ameaças ao PSDB para não ser rifado. O fato novo, agora, é o possível envolvimento do governador Beto Richa, do Paraná, com a máfia de Carlinhos Cachoeira. A revista Época desta semana traz uma reportagem que aranha a imagem do ambicioso tucano.

 

Os tentáculos do mafioso

 

Segundo a matéria, intitulada Negócios que não param de jorrar e assinada por Andrei Meireles, Murilo Ramos e Leonel Rocha, “o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, começou a vida no ramo de jogos ilegais. Com a ajuda de políticos e policiais e o uso de recursos do submundo, ele se tornou um homem próspero, com negócios nos ramos farmacêutico e da construção civil. Seu braço nessa área era a construtora Delta”.

 

Beto Richa é citado na Operação Monte Carlo

Beto Richa é citado na Operação Monte Carlo

 

Através destas empresas, Cachoeira estendeu seus tentáculos criminosos por vários Estados. A revista Época não cita São Paulo, onde a Delta também firmou contratos milionários na gestão de José Serra. O motivo do esquecimento é óbvio. Mas ela menciona outros Estados da região centro-oeste. Dá destaque para o Mato Grosso, onde o mafioso utilizava como fachada a Construtora Rio Tocantins (CRT). No final da reportagem, porém, ela inclui o Paraná como um dos alvos da cobiça do mafioso.

 

“O caboclo gosta de um jogo”

 

A partir do depoimento do delegado Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, em sessão secreta da CPI do Cachoeira na semana passada, a revista Época informa que a Polícia Federal listou 81 pessoas, “que mantinham contatos com integrantes da organização criminosa ou seriam cortejados por eles. Entre os listados está o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB)”. Vale a pena conferir os trechos finais da reportagem, que podem abater mais um tucano de alta plumagem:

 

Em 23 de agosto de 2011, Lenine Araújo, um dos principais colaboradores de Cachoeira, e Miguel Marrula (DEM), ex-vereador de Anápolis, em Goiás, falam da pretensão de Cachoeira de expandir sua atuação no Paraná. “Meu primo é muito… do vice-governador de lá, sabe? E quer levar o Carlinhos Cachoeira para conhecer o Beto Richa, lá, e a gente pode aproveitar alguma coisa nisso, você concorda?”, diz Marrula a Araújo. “Ele (Richa) é da família nossa. Você pensa num caboclo que gosta de um jogo…” Durante audiência na CPI, ficou claro que o primo a quem Marrula se refere é Amin Hannouche (PP), prefeito de Cornélio Procópio, no Paraná. Amin tem pretensões de ser o candidato a vice-governador de Beto Richa na eleição de 2014.

 

Marrula diz que, apesar de pequeno, o grupo ligado ao primo é forte. “Está com a faca e o queijo na mão porque o pessoal de lá, o secretário de Segurança, nós que colocamos… é gente da minha casa. É gente do meu primo”, afirma. O secretário de Segurança do Paraná, Reinaldo Almeida César Sobrinho, seria o personagem da conversa entre Marrula e Araújo. Sobrinho foi presidente da Associação de Delegados Federais e assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O delegado Sobrinho afirmou a Época que não conhece Marrula nem Cachoeira. Disse, ainda, que conheceu o prefeito de Cornélio Procópio meses depois de ter assumido a Secretaria de Segurança e nega interferência dele em sua nomeação.

 

Antes mesmo da Operação Monte Carlo, a cúpula da Segurança Pública no Paraná já fora atingida por suspeitas de relações com jogo ilegal. Em novembro do ano passado, o então comandante da Polícia Militar no Estado, Marcos Scheremetta, foi afastado depois de dizer que conversava com os chefões do jogo do bicho no Estado. Scheremetta disse que seu pai, que já morreu, costumava trabalhar com o jogo ilegal. Scheremetta afirmou também que nunca escondeu essas informações do governador Richa e do secretário de Segurança.

 

 

Partido de Merkel está em declínio e deve perder em Estado alemão

 

13/5/2012 13:33,  Por Redação, com BBC - de Berlim - No Correio do Brasil



 

Pesquisas de boca de urna indicam que o partido da chanceler Angela Merkel sofreu uma dura derrota em eleições neste domingo na Renânia do Norte-Vestfália, que é considerado um dos Estados mais importantes no cenário político alemão.

 

Merkel

A chanceler Angela Merkel, por um fio

 

Segundo uma pesquisa, o CDU, de Merkel, teria recebido apenas 26% dos votos, contra 35% obtidos na eleição passada. O grande vencedor do pleito, segundo a pesquisa, é o social-democrata SPD, que faz oposição a Merkel.

 

Alguns analistas acreditam que uma derrota do CDU seria um sinal de rejeição na Alemanha às políticas de disciplina fiscal impostas por Merkel. A chanceler alemã é considerada a principal defensora das medidas de austeridade de gastos em toda a Europa, e as eleições estaduais estariam colocando sua popularidade à prova.

 

A mensagem dada nas urnas na Renânia do Norte-Vestfália seria semelhante a de eleitores na França e na Grécia, que na semana passada rejeitaram políticos que defendem a austeridade fiscal.

 

Fraqueza

 

Recentemente, o partido de Merkel e o FDP, sigla que integra a coalizão que governa a Alemanha, foram derrotados em eleições no Estado de Schleswig-Holstein. O resultado foi o pior do CDU em 50 anos naquela região.

 

Agora o CDU tentou se aproveitar de um momento de fraqueza dos seus rivais em outra eleição estadual. A Renânia do Norte-Vestfália é o Estado mais populoso da Alemanha, e possui um forte peso no PIB nacional. Historicamente, a política no Estado sempre teve influência no cenário nacional.

 

As eleições foram convocadas em março, depois que a coalizão de governo formada pelo SPD e pelo Partido Verde quase fracassou na tentativa de aprovar o orçamento estadual. Apesar disso, a candidata do SPD, Hannelore Kraft, era favorita contra seu rival do CDU, Norbert Roettgen, que é ministro do Meio Ambiente no governo Merkel.

 

Kraft enfatizou que quer fortalecer comunidades locais que estão em dívida, ao investir em educação e estímulo a empresários. Já Roettgen acusa o SPD de ser fiscalmente irresponsável. Durante a campanha, ele promoveu passeatas com uma “montanha inflável”, que representava a dívida enorme do Estado.

 

O candidato da CDU também gerou polêmica durante a campanha ao dizer que não viraria líder da oposição no Estado caso perdesse as eleições. Roettgen não quer abrir mão de seu emprego em Berlim, no governo de Merkel.

 

Antes do pleito, a chanceler disse que os eleitores da Renânia do Norte-Vesfália têm a oportunidade de tentar colocar no poder um partido que não vai aumentar a dívida pública do Estado.

 

Analistas também estão de olho no desempenho do Partido Pirata, uma agremiação política que pede maior transparência e liberdade na internet. O movimento tem ganhado força recentemente na Alemanha.

 

O resultado das eleições de domingo não devem alterar o equilíbrio de poder em nível nacional, mas podem sinalizar o começo de uma mudança na política alemã. No final de 2013, o país deve passar por eleições nacionais.

 

Veja acusa internauta carioca de ser robô do Twitter, pago pelo governo

13/5/2012 22:33,  Por Redação - do Rio de Janeiro- No Correio do Brasil

 

revista VejaAlém de se envolver com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e estar prestes a ter seus principais executivos convocados para depor perante a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) que investiga crimes cometidos por altas patentes da República, a revista semanal de ultradireita Veja tenta convencer aos seus leitores que é vítima de robôs mal intencionados, capazes de destruir o que ainda sobrou de sua reputação. Alvo de um tuitaço, quando milhões de internautas passaram a publicar, nas últimas 48 horas, a hashtag #VejaTemMEDO no Twitter, uma rede de microblogs, o colunista de Veja Reinaldo Azevedo acusou uma internauta, que havia participado da campanha contra o ‘jornalismo de esgoto’ praticado pela publicação – como a caracterizam os principais jornalistas brasileiros –, de ser um robô programado pelo governo para atingir alvos políticos. O colunista também censurou o comentário da acusada, no qual ela rebate a denúncia.

Em Como Fraudar a Internet, matéria publicada na última edição da revista, Reinaldo Azevedo afirma que o perfil @lucy_in_sky_ “foi programado para identificar mensagens de outros usuários que contivessem os termos-chave dos tuitaços, replicando-as”. Seria perfeito para explicar mais um protesto contra a revista, se a dona do perfil não fosse uma pacata carioca de 59 anos, estudiosa do comportamento humano, amante dos animais e profissional da saúde.

– Foi como tomar um tapa na cara – relatou.

Lucy (sua identidade será preservada), soube por amigos, neste sábado, que seu perfil no Twitter foi acusado de operar um esquema fraudulento para atacar a revista Veja com hashtags como #VejaTemMedo e #VejaBandida.

– Trabalho e estudo. Não tenho muito para dar minha opinião, mas acho importante fazê-la. Por isso tantos retuítes.

O perfil de Lucy tem exatos 3 anos.

– Entrei no Twitter, a princípio, por curiosidade, mas depois percebi todo o alcance social e político. Procuro participar de vários tuitaços que mostrem minha opinião política. Participei do #ForçaLula e sempre que posso faço campanha contra crueldade com animais – afirmou.

A conta de Reinaldo Azevedo é simples, mas não fecha. Ele usa o exemplo da China, que recruta jovens com tempo disponível para lançar mensagens de apoio ao governo na internet. Na cabeça da Veja, o regime chinês é muito parecido com o brasileiro. Nada faria mais sentido se o governo também pagasse militantes para detonar inimigos políticos.

Afinal, quem fica na frente de um computador, num final de semana, sem ser pago? Só para fazer política?

– Quando eu vejo algum tweet que expresse minhas opiniões e posições, eu retuíto – afirmou.

Diante de tantos RTs contra Veja, Reinaldo Azevedo criou uma fantasia: Lucy era um programa criado por petistas com a única intenção de detonar Veja. Mais de 1 milhão de internautas reproduziram as mensagens de protesto contra a linha editorial da revista.

– O que me impressionou na reportagem da Veja foi a história detalhada que eles inventaram, dizendo como é que eu “funcionava” como robô. Teve até infográfico – impressiona-se.

Na noite passada, Lucy acessou o blog de Reinaldo Azevedo e deixou uma mensagem, afirmando ser dona do perfil acusado de ser robô. Seu comentário foi censurado e Azevedo continua afirmando que Lucy não passa de uma ficção virtual.

No Twitter, para o perfil @pagina2, Lucy comentou a atitude da revista. Ao ser perguntada se ela como reagiu quando viu seu perfil na Veja, Lucy comentou:

– Foi muito ruim ver na Veja meu perfil exposto daquela maneira, e ainda mais, “provando” que sou um robô. Foi um tapa na cara.

– Quem é você, o que gosta de fazer?

– Sou profissional da saúde e que tenho 59 anos. Adoro ler, ir ao cinema (recentemente vi “Medianeras”, um filme argentino sobre a nossa contemporaneidade virtual). Não tenho filhos, não gosto de futebol. Faço caminhadas no calçadão, sempre que tenho tempo.

– Como usa o Twitter?

– Interesso-me, muito, por tudo o que diga respeito ao nosso mal-estar contemporâneo, que faz, muitas vezes, que só possamos fazer política pela internet. Sou partidária dos direitos humanos e também dos animais, não suporto injustiça contra os mais fracos.

 

domingo, 13 de maio de 2012 - Nos Anais Políticos

ÉPOCA MOSTRA NOVAS LIGAÇÕES DE CACHOEIRA E RICHA . Como sempre, o trololó do culpado começa assim: "não conheço, nem nunca estive com Carlinhos Cachoeira". Dias depois o óbvio. Pipocam gravações que desmentem tudo. É de se imaginar por que o político não arranja de cara, uma desculpa mais convincente já que sabe que depois da fumaça, vem o fogo. No Paraná não foi diferente. Primeiro o Governador tucano Beto Richa nunca tinha ouvido falar do cara, agora as gravações divulgadas a conta-gotas pela polícia dão mostra que parece que não era bem assim. Veja, pra um cara dizer que o Governador é "da família" e que adora o objeto da contravenção (o jogo), pra dizer que eles, os bandidos, é que nomearam o secretário de segurança do Estado, difícil falar que não tem nada a ver, que o cara tá falando de alegre ao telefone. Quando você quer acusar alguém, pode usar desse expediente. Mas como os cidadãos não sabiam que estavam sendo grampeados, obviamente, não dá pra usar essa desculpa. Assim, pra você saber a quantas anda o mis en scéne do chamado* playboy paranaense, dê uma lida nesta reportagem da revista Época (insuspeita, já que é da Globo). Lá aparecem as ligações mais que comprometedoras do Cachoeira com um Estado que baniu o jogo na administração de Roberto Requião mas que ficou na mira dos espertinhos. Quando mudasse o governo, disse Cachoeira em ligação outra interceptada, montariam campana, como de fato, ao que tudo indica, fizeram. Parece que a coisa só não progrediu porque não deu tempo. Esperar uma explicação boa do Governador tucano é besteira. Ele já demonstrou que se acha o halls preto depois da escovação dos dentes. Assim, não tem a obrigação de contar para o trouxa que paga os impostos que ele utiliza, sobre nada do que faz com nosso dinheiro. Se você é eleitor do Paraná, anote no caderninho que vai levar para as urnas municipais e depois para as estaduais. Vá contando e vendo se esse blog está exagerando ou não quando fala sobre o que ele faz ou sobre quem ele apóia. * O termo playboy para Beto Richa foi cunhado nas últimas eleições estaduais pelo então adversário Osmar Dias, irmão do tucano Alvaro Dias. Pegou. Clique aqui para ver a mais nova reportagem da Record, mostrando os crimes da Veja.Clique aqui para ver como é quando o bem vence o mal. Clique aqui para ver o que faz uma revista criminosa, quando entra em desespero.Clique aqui para ler sobre os filisteus no templo que está ruindo..

 

Oi Nassif,

 

Recebi o link abaixo de um amigo grego. Parece que eles estao comecando a descobrir que os grandes veiculos midiaticos sao cooptados por grandes corporacoes financeiras e exercem um forte papel em apoiar as acoes de austeridade na Grecia. Acho uma boa dividir nossas experiencias no Brasil com os blogueiros "sujos" que por la estao aparecendo.

 

http://tsak-giorgis.blogspot.com/2012/05/blog-post_2975.html

 

O link e esta em grego, mas ha um video da Al Jazeera, em ingles, contando essa historia.

 

O video eh dos bons e bem produzidos tambem!

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

William Deresiewicz: Capitalistas e outros psicopatas

publicado em 13 de maio de 2012 às 22:30 - No VI O MUNDO

Capitalistas e outros psicopatas

por  WILLIAM DERESIEWICZ*, em 12.05.2012, no New York Times

Existe um debate em andamento no país sobre os ricos: quem eles são, qual o papel social deles, se eles são bons ou ruins. Bem, considerem o seguinte. Um estudo recente descobriu que 10% das pessoas que trabalham em Wall Street são “psicopatas clínicos”, exibindo falta de interesse ou empatia pelos outros e uma “capacidade sem paralelo para mentir, fabricar e manipular”. (A proporção para a população em geral é de 1%). Outro estudo concluiu que os ricos são mais inclinados a mentir, enganar e violar a lei.

A única coisa que me surpreende sobre estas alegações é que tem gente que acha que são surpreendentes. Wall Street é o capitalismo em sua forma mais pura, e o capitalismo é baseado em mau comportamento. Isso não deveria ser notícia. O escritor britânico Bernard Mandeville disse isso quase três séculos atrás num poema-satírico-com-pretensões-de-tratado-filosófico chamado “A fábula das abelhas”.

“Vícios privados, benefícios públicos” é o subtítulo do livro. Um maquiavélico no campo econômico — um homem que nos mostrou como somos, não como gostaríamos de pensar que somos — Mandeville argumentou que uma sociedade comercial cria prosperidade ao aproveitar nossos impulsos naturais: fraude, luxúria e orgulho. Por “orgulho” Mandeville quis dizer vaidade; por “luxúria”, o desejo por indulgência sensual. Ambas criam demanda, como todo publicitário sabe. No lado da oferta, como diríamos, estava a fraude, dizia o poema:  ”De todos os negócios a fraude era parte/ Nenhuma profissão era isenta dessa arte”.

Em outras palavras, Enron, BP, Goldman, Philip Morris, G.E., Merck, etc., etc. Fraude contábil, evasão fiscal, lixo tóxico, violações na segurança de produtos, fraude em concorrências públicas, superfaturamento, perjúria. O escândalo de propinas da Walmart, o escândalo da violação de telefones da News Corp. — abra a seção de negócios do jornal em um dia qualquer. Golpeando seus trabalhadores, causando danos aos seus consumidores, destruindo a terra. Deixando o público ficar com a conta. Estas não são anomalias; é assim que o sistema funciona: você sai ileso com o que puder e tenta escapar quando te pegam em flagrante.

Sempre achei estranha a ideia de uma escola de negócios. Que tipos de cursos poderia oferecer? Roubar viúvas e órfãos? Esmagar a cara dos pobres? Alimentar-se com dinheiro público? Foi lançado anos atrás um documentário chamado “Corporação”, que aceitou a premissa de que as corporações são pessoas e em seguida perguntou que tipo de pessoas eram. A resposta foi, precisamente, psicopatas: indiferentes aos outros, incapazes de sentir culpa, devotadas exclusivamente a seus próprios interesses.

Existem corporações éticas, sim, e pessoas de negócio éticas, mas a ética no capitalismo é opcional, puramente extrínseca. Esperar moralidade do mercado é cometer um erro categórico. Os valores capitalistas são incompatíveis com os cristãos. (Como alguns dos cristãos mais barulhentos de nossa vida pública também são os belicosos proponentes do livre mercado sem qualquer regulamentação é uma questão para a consciência deles). Os valores capitalistas também são incompatíveis com os valores democráticos. Como a ética cristã, os princípios de um governo republicano requerem que consideremos os interesses dos outros. O capitalismo, que se dedica à perseguição do lucro, nos faz pensar que é cada um por si.

Tem havido muita conversa sobre os “criadores de empregos”, uma frase criada por Frank Luntz, um guru de propaganda da direita, para classificar Ayn Rand. Os ricos merecem nossa gratidão, assim como tudo o que têm, em outras palavras, e o restante é inveja. Em primeiro lugar, se empreendedores são criadores de empregos, os trabalhadores são criadores de riqueza. Os empreendedores usam a riqueza para criar emprego para trabalhadores. Trabalhadores usam os empregos para criar riqueza para os empreendedores — os excessos de produtividade que superam o salário e outras compensações representam o lucro das corporações. Não é objetivo de nenhum deles beneficiar o outro, mas isso acontece de qualquer forma.

Além disso, empreendedores e ricos são duas categorias diferentes que nem sempre se misturam. A maioria dos ricos não é de empreendedores; eles são executivos de corporações, gerentes institucionais de outros tipos, os médicos e advogados mais ricos, os mais bem sucedidos atletas e artistas, pessoas que simplesmente herdaram dinheiro e, sim, pessoas que trabalham em Wall Street.

Mais importante, nem os empreendedores nem os ricos têm o monopólio do saber, do suor ou do risco. Existem cientistas — e artistas e acadêmicos — que são tão inteligentes quanto qualquer empreendedor, apenas estão interessados em outras recompensas. A mãe solteira que usa o emprego para ir à faculdade comunitária trabalha tão duro quanto o gerente de um fundo hedge. Uma pessoa que consegue um empréstimo imobiliário — ou um empréstimo para educação, ou que tem um filho — contando com um emprego que pode perder a qualquer momento (graças, talvez, a um daqueles criadores de empregos) assume tanto risco quanto alguém que abre um novo negócio.

Questões fundamentais na política dependem destas percepções: quem vamos taxar e quanto; quanto vamos gastar e com quem. Mas se “criadores de empregos” é um termo novo, a adulação que expressa — e o desprezo que claramente assinala em relação a outros — não são. “Os norte-americanos pobres são chamados a detestar a si”, escreveu Kurt Vonnegut em “Abatedouro número 5″. E, assim, “eles se diminuem e glorificam os outros”. Nossa mentira mais destrutiva, ele acrescentou “é que é fácil para qualquer norte-americano ganhar dinheiro”. A mentira persiste. Os pobres são preguiçosos, estúpidos e diabólicos. Os ricos são brilhantes, corajosos e bons. Eles espalham sua beneficência sobre o resto de nós.

Mandeville acreditava que a busca pela satisfação de interesses individuais poderia trazer benefícios públicos mas, ao contrário de Adam Smith, não acreditava que faria isso por si só. A “mão” de Smith era “invisível”– a operação automática do mercado. A de Mandeville exigia “o gerenciamento multifacetado de um político hábil” — em termos modernos, legislação, regulamentação e taxação. Ou, como ele escreveu em verso, ”Assim, o vício o bem vai causar/ Se a Justiça o atar e podar”.

*O autor é ensaista, crítico e autor de “Uma educação de Jane Austen”


 

13/05/2012Diretor de Kassab compra 106 imóveis em 7 anos; veja vídeo
Por - Clicar aqui > Folha

O diretor responsável pela aprovação de empreendimentos imobiliários de São Paulo durante a maior parte da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) adquiriu 106 imóveis nos poucos mais de sete anos em que esteve no cargo. É o que informa a reportagem deEvandro Spinelli e Rogério Pagnan no vídeo abaixo.
Com renda mensal declarada de R$ 20 mil, entre rendimentos de aluguéis e salário bruto na prefeitura de R$ 9.400 (incluindo uma aposentadoria), Hussain Aref Saab, 67, acumulou, de 2005 até este ano, patrimônio superior a R$ 50 milhões. São pelo men­­­os 118 imóveis incluindo 24 vagas de garagem extras.
A explosão patrimonial de Aref, como é conhecido, foi identificada pela Folha em levantamento feito nos últimos 45 dias em cartórios da Grande São Paulo, do litoral e parte do interior do Estado.
Entre seus imóveis há, por exemplo, meia dúzia de apartamentos num prédio com vista para o Parque Ibirapuera. Esses imóveis estão estimados, no total, em R$ 4 milhões.  Postado por OpenSanti. com

 

Brasil na rota da economia de baixo carbono

 

A sociedade precisa de outra teoria macroeconômica, a qual não tem nada a ver com o pensamento econômico atual, aponta o economista José Eli da Veiga

 

Por: Patrícia Fachin

 

“Não existe um pensamento macroeconômico para isso que chamamos de sustentabilidade porque todas as teorias, das mais ortodoxas às mais heterodoxas, têm como base comum o aumento incessante do consumo”, disse José Eli da Veiga, à IHU On-Line. Na entrevista que segue, concedida por telefone, o economista explica que o mundo está passando por uma transição da era da energia fóssil para a economia de baixo carbono e classifica o aquecimento global como a espinha dorsal desse processo. “Se não conseguirmos reverter o aquecimento global, tudo que for conquistado em termos de biodiversidade, gestão de recursos hídricos, etc., vai para o ralo porque o aquecimento acabará com tudo”.

Em função disso, argumenta, é preciso investir prioritariamente em uma reestruturação energética. Nesse sentido, assinala, “o vetor segurança energética somado ao vetor mudança climática faz com que se perceba que a próxima longa etapa do capitalismo será centrada nas inovações das áreas das energias que poderão substituir as fósseis”.

Na opinião do economista, as atuais opções alternativas energéticas como a eólica e a solar não serão suficientes para sustentar a transição da era fóssil para a economia de baixo carbono. “É bem provável que tenhamos uma grande surpresa nas próximas décadas com algum tipo de inovação radical que irá acelerar o processo de saída da era fóssil”, aponta.

 

Para ele, o desafio Brasil nos próximos anos consiste em investir em “CT&I”, Ciência, Tecnologia e Inovação para não ficar dependente das  soluções que surgirão em outros países. “Do meu ponto de vista, deveríamos usar todos os recursos do pré-sal para investir em Ciência e Tecnologia”.

José Eli da Veiga é professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA-USP, onde participa do Núcleo de Economia Socioambiental – NESA. Além de artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros, e diversos capítulos de obras coletivas, acaba de lançar seu vigésimo livro: Sustentabilidade – A legitimação de um novo valor (Ed Senac, 2010). É colunista do jornal Valor Econômico e da revista Página 22. Sua página pessoal na internet é <http://www.zeeli.pro.br>.

Confira a entrevista.


IHU On-Line - Pode nos explicar em que consiste a economia verde?

José Eli da Veiga –
As pessoas têm opções diferentes sobre a concepção do que seria a economia verde. A principal referência internacional  é o PNUMA (UNEP, na sigla em inglês), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que lançou em 2008  uma iniciativa pela economia verde (Green Economy Initiative).  Um programa para auxiliar os governos nacionais a elaborar políticas de estímulo a tudo isso que temos chamado de atividades favoráveis à sustentabilidade, que vão desde a busca por energias renováveis até práticas agrícolas mais adequadas, passando por novas maneiras de construir casas e prédios. Na concepção do PNUMA, uma economia verde, além de justa e resiliente, deve e ter a capacidade de melhorar a qualidade de vida de todos dentro dos limites ecológicos deste planeta.
Logo depois, surgiu uma iniciativa internacional diferente, de coalizão, que juntou organizações de consumidores, de trabalhadores e pesquisadores sob a liderança do International Institute for Environment and Development – IIED, que tem sede em Londres, fundado pela economista Barbara Ward, em 1971. No Brasil, este debate está sendo puxado pela ONG Vitae Civilis, de São Paulo. Recentemente, a ONG e o Instituto fizeram um encontro no Brasil e passaram a usar a expressão “economia verde e inclusiva”.


IHU On-Line - O mundo hoje passa por uma transição econômica em função das questões ambientais? O que a caracteriza? Nesse sentido, quais são os dilemas entre a economia verde e a economia tradicional?

José Eli da Veiga –
A transição está ocorrendo de uma maneira muito mais profunda do que se imagina e com uma aceleração recente que gerou o debate sobre uma hipotética bolha verde. O principal neste debate é a transição da área fóssil para a economia de baixo carbono; essa é a espinha dorsal  do que poderá vir a ser uma economia verde. Independente da definição que se dê para economia verde, a questão central é o aquecimento global. Se não conseguirmos  conter ou reduzir o aquecimento global em curso, tudo que for conquistado   em termos de biodiversidade, gestão dos recursos hídricos, etc., irá para o ralo, porque o aquecimento acabará com tudo. É nesse sentido que justifico que a espinha dorsal é o aquecimento global e, portanto, da transição energética e da necessidade de que os países façam uma reestruturação energética.
Recentemente, foi fechado o protocolo de Nagoya na COP-10 da Biodiversidade. Esse foi um motivo de festa porque houve um acordo em relação a questões básicas. Essa iniciativa abre uma perspectiva grande por reconhecer que os países têm direitos sobre elementos da sua biodiversidade que se tornaram, por exemplo, produtos farmacêuticos. Não existia qualquer regulamentação internacional sobre isso. Abre-se uma perspectiva otimista nesta área da biodiversidade. De qualquer modo, se não estivermos atentos para os efeitos do aquecimento global, essas medidas conquistadas se tornarão irrelevantes.


Mudança de comportamento

A intensidade de carbono das economias vem caindo. Antes que a questão da mudança climática entrasse na agenda do debate público internacional, houve um problema sério de segurança energética, cujo alerta vem sendo feito desde a crise do petróleo, em 1973. Por causa da crise do petróleo, uma série de países começou a tomar medidas de economia de energia e eficiência energética, as quais levaram a uma redução da intensidade de carbono, embora a mola propulsora não fosse o problema da mudança climática.

Nesse sentido, o vetor segurança energética somado ao vetor mudança climática faz com que se perceba que a próxima longa etapa do capitalismo será centrada nas inovações das áreas de energias que poderão substituir as fósseis. O que desencadeou um processo de  intensa competição entre empresas e países  na busca dessas inovações. Isso gerou o terceiro vetor: na medida em que os empresários tomam consciência disso, aumenta o fluxo de investimentos nesta área, inclusive nas bolsas de valores. É possível fazer um paralelo desta situação com a bolha da internet: há dez anos ocorreu uma experiência semelhante porque houve um investimento nesta área, apostando em empresas que pareciam inovadoras e, em determinado momento, a bolha explodiu. Na medida em que se percebe a transição de longo prazo, se concentram muitos investimentos e é possível que pessoas apostem em investimentos que não serão tão viáveis. Nesse sentido, poderia haver uma bolha verde. É importante perceber que, mesmo que essa bolha verde venha explodir, isso não significa que a tendência não seja essa.

 


IHU On-Line - Em que consiste uma terceira revolução industrial? Ela tem a ver apenas com a segurança energética ou tem a ver também com uma mudança social de comportamento?

José Eli da Veiga –
Não sei se é correto falar em terceira revolução industrial. De qualquer modo, a questão que você colocou é difícil: se trata apenas de inovação tecnológica ou mudança de comportamento? Na verdade, além desses dois fatores, há um terceiro que é a mudança de valores. É muito difícil pré-determinar, nesse jogo de valores, comportamento e mudanças tecnológicas, o que influencia o quê. Mudanças de valores levam a mudanças tecnológicas e vice-versa, o mesmo acontecendo na relação que ambas mantêm com a esfera comportamental.
Por exemplo, quando as primeiras leis sociais começaram a ser conquistadas, não havia proteção ao trabalho infantil, proteção às mulheres grávidas, aos velhos. Os primeiros empresários usavam a mão de obra sem regulamentação e, à medida que foram surgindo leis que protegiam o trabalho, ou quando apareceu a ideia de aposentadoria, surgiu também estímulo para inovações tecnológicas, as quais substituíram parte da mão de obra. Outro exemplo: é quase impossível afirmar qual foi a sequência de determinações que levou ao fim da escravidão, uma prática que por milênios existiu em praticamente todas as sociedades, e que acabou sendo quase inteiramente banida no curto período de um século. Muitos autores insistem que inovações tecnológicas precederam e engendraram as mudanças de comportamento e de valores. Mas também há quem mostre um encadeamento exatamente inverso. Recomendo enfaticamente a leitura do livro “Enterrem as correntes; Profetas e rebeldes na luta pela libertação dos escravos”, de Adam Hochschild, publicado no Brasil em 2007 pela editora Record. Também tem a questão comportamental: temas relativos à moda levam a inovações. Então, o problema é mais complexo e não há uma lei que diga o quê influencia o quê.
No debate sobre o aquecimento global há uma discussão de valores que as pessoas não se dão conta: não faz muito tempo que nos preocupamos com as futuras gerações. Se tiver aquecimento global, nossos bisnetos serão afetados e terão de se adaptar às circunstâncias. Então, o fato de nos preocuparmos com isso, agora, significa que queremos garantir que as gerações futuras tenham oportunidades como as que desfrutamos. Esse é um valor novo que estamos chamando de sustentabilidade. Nesse caso, está se legitimando um novo valor que traz limitações para uma série de questões. Estamos assistindo mudanças claras de comportamento em relação ao uso do automóvel, por exemplo.

Resumindo: não se trata de um raciocínio ou uma coisa ou outra: ou comportamento ou inovação tecnológica. É preciso entender como esses dois vetores se inter-relacionam com um terceiro vetor que é o da mudança de valores.


IHU On-Line - Mas a partir do “esgotamento”, da crise do modelo de desenvolvimento baseado na indústria do carbono, o mundo precisa de uma nova visão econômica? Quais são os desafios para a economia nesse sentido?

José Eli da Veiga –
Não gosto de falar em esgotamento porque esse termo passa a ideia de que vamos chegar a um determinado momento em que os recursos se esgotarão e, apenas aí, haverá mudanças.
Estamos assistindo a uma longa transição que começou nos anos 1970 e que não foi pautada pelas mudanças climáticas. O governo Carter  teve uma política marcada pela defesa dos direitos humanos e estava empenhado em uma transição energética. Simbolicamente, ele  cobriu os telhados da Casa Branca com painéis solares. Quando os republicanos chegaram, evidentemente, os painéis foram retirados. Houve um momento em que os EUA pensaram que, ao invés de investir nessa loucura de ficar dependente do petróleo do Oriente Médio e ficar multiplicando guerras, seria melhor fazer uma reestruturação energética. Obama está tentando retomar essa ideia.

Irá demorar para falarmos no fim da agonia da era fóssil. Isso vai depender de inovações tecnológicas. As soluções já conhecidas - seja no campo solar, eólico, seja através do aproveitamento da energia das marés ou das correntes marítimas - não serão suficientes para essa transição. É bem provável que tenhamos uma grande surpresa nas próximas décadas com algum tipo de inovação  radical que irá acelerar o processo de saída da era fóssil.


IHU On-Line – Mas visualizando esse possível cenário, o mundo precisa de uma nova visão econômica?

José Eli da Veiga –
Não existe um pensamento macroeconômico para isso que chamamos de sustentabilidade porque todas as teorias, das mais ortodoxas às mais heterodoxas, têm como base comum o aumento incessante do consumo. Eu falei de maneira muito otimista na questão da redução da intensidade relativa de carbono nas economias, mas, no entanto, em termos absolutos as emissões de carbono continuarão aumentando. Por mais que se obtenha ecoeficiência, que se diminuam energia e materiais que estão numa unidade de produto, mesmo assim, por uma série de fatores, em termos absolutos, as emissões continuam aumentando porque a população continua aumentando e, sobretudo, se a população obtiver ganhos em termos de maior conforto e renda, uma coisa anula a outra. Então, o grande dilema é esse: de fato parar de aumentar as emissões de carbono implicaria numa sociedade em que a população não aumentasse mais e que já estivesse com um nível de consumo que não fosse necessário aumentar mais e, com isso, ao contrário, poderia melhorar a qualidade dessa sociedade por causa dessa transição das energias fósseis para as limpas, sem que ao mesmo tempo tivesse ocorrendo aumento do consumo. Esse tipo de sociedade  que acaba de ser esboçada precisaria de outra teoria macroeconômica que não tem nada a ver com o pensamento econômico atual. Esse pensamento macroeconômico novo é muito incipiente no momento. Posso citar no máximo uma pesquisa feita pelo professor britânico, radicado no Canadá, Peter Victor, autor do livro Managing Without Growth, cuja tradução  livre  poderia ser Se virando sem o crescimento. O subtítulo diz: É melhor fazer isso  de forma planejada do que por desastre. Ele tentou calcular a possibilidade de o Canadá atingir uma  condição estável (essa que descrevi) em 15 anos. E demonstrou que é possível. A interrogação que surge a partir dessa possibilidade se refere ao emprego. Estamos acostumados a ouvir que se  não houver crescimento, aumentará o desemprego. Entretanto, ele mostra que, nas atuais circunstâncias de um país como o Canadá, não só o emprego como muitas outras variáveis econômicas, só melhorariam numa transição planejada à condição estável.  E não é difícil entender que em países avançados, como os da Escandinávia, por exemplo, melhor qualidade de vida significa ter mais ar puro, silêncio, poder desfrutar da natureza. Essas coisas não dependem da produção. Então, estamos na fronteira e temos de reconhecer que essa visão econômica nova é incipiente porque só posso citar um estudo econométrico. Evidentemente, para que eu consiga convencer mais de 1% dos economistas, precisamos de mais pesquisas. Hoje em dia, 99% deles não estão preocupados com essas questões.


IHU On-Line – Quando questionamos a importância de uma economia de baixo carbono, muitos economistas respondem que a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo.

José Eli da Veiga –
No momento específico em que estamos, o Brasil é um dos países que tem a energia mais limpa do mundo. Entretanto, enfrentamos o problema do desmatamento em diversos biomas e ainda não encontramos uma solução para o problema da agropecuária. A questão é saber se esse cenário será o mesmo nos próximos 20 anos. Alguns economistas estão despreocupados com esse cenário. Alguns dizem que o Brasil já fez a lição de casa porque nossa eletricidade é basicamente hídrica; na área dos combustíveis temos o etanol que emite menos gases de efeito estufa. O argumento é certo, mas o erro é que eles não visualizam o que irá acontecer em 2020. Vamos supor que em 10 anos conseguiremos atingir o desmatamento zero e que nesse tempo irá surgir alguma inovação na pecuária que minimize as emissões de metano. Aí, o problema do Brasil será igual ao da China porque não teremos condições de continuar com a eletricidade hídrica, pois ela é limitada. Construirão quantas hidrelétricas à exemplo de Belo Monte na Amazônia? O etanol sozinho não é suficiente. Então, estamos com um desafio  que exige urgentes investimentos em C&T, Ciência e Tecnologia e Inovação. Temos de nos preparar para, nos próximos 10 ou 15 anos, não ficarmos dependentes das inovações que terão surgido em outros lugares. Temos de conseguir cooperação científica e tecnológica na área de energia limpa com os EUA, Alemanha, França, Inglaterra para não dependermos da chamada “transferência de tecnologia”, uma marota expressão para dizer que os emergentes e os periféricos do chamado “Sul” continuarão obrigados a pagar por inovações obtidas no “Norte”. É preciso conquistar boas formas de “cooperação tecnológica” para acabar com essa coisa de “transferência de tecnologia”.


IHU On-Line - Qual deve ser a postura do Brasil diante das reservas de pré-sal, considerando que estamos nos aproximando do fim da segunda revolução industrial baseada nos combustíveis fósseis?

José Eli da Veiga –
A Noruega descobriu petróleo em um período em que também estava passando por uma transição. Eles criaram arranjos institucionais voltados para que parte das riquezas vindas do petróleo fosse investida nessa transição. Do meu ponto de vista, deveríamos usar todos os recursos do pré-sal para investir em Ciência e Tecnologia. As pessoas se assustam quando digo isso. Mas é um absurdo usar os recursos do pré-sal para pagar aposentadoria como estão propondo. Mais do que isso: na exploração do pré-sal é preciso inovar. A Petrobras está atenta a uma tecnologia chamada CCS, que captura e  armazenamento do carbono. Nesse sentido, a exploração do pré-sal não irá levar a um aumento significativo das emissões porque se faria essa captura e sequestro. Se os recursos do pré-sal forem utilizados para bancar pesquisas de CT&I na busca das novas energias, se poderia falar do pré-sal como uma dádiva. Se predominar a ideia de que é preciso distribuir os royalties do pré-sal entre governadores e prefeitos, então, estaremos na contramão da história.

O cenário está mostrando que, na medida em que as inovações limpas começarem a ser generalizadas nos outros países, esses criarão barreiras para aqueles que não usarem energia limpa. Quer dizer, essa idéia bem comodista de que  já fizemos a lição de casa nos levará a uma situação em que também teremos prejuízos no comércio internacional.
A FIESP diz que isso é uma tendência ao protecionismo.  Bobagem, porque a Organização Mundial do Comércio - OMC já publicou um documento no qual diz que é absolutamente legítimo que se um país tomou todas as medidas para combater o aquecimento global, ele  tenha o direito de não importar produtos de um país que não tomou essas medidas. Enfim,  a inclinação comodista que predomina no Brasil tem pernas curtas.
IHU On-Line - O PAC está mais próximo de um projeto de crescimento ou de desenvolvimento propriamente dito?
José Eli da Veiga – O PAC é uma coleção de projetos de infraestrutura. Foi uma visão voltada a resolver problemas de infraestrutura; não se trata de projeto de desenvolvimento.
Gostaria de chamar a atenção para um documento que está sob consulta pública no sítio do Ministério do Meio Ambiente há algum tempo, chamado Plano de Produção e Consumo Sustentável – PPCS . É importante que as pessoas leiam esse plano. Ele é extremamente positivo, trata do consumo consciente e está ligado ao Processo Marrakech, que surgiu em uma reunião da ONU, no Marrocos.
O plano foi elaborado com outras entidades da sociedade civil e apresenta 20 tópicos. O governo selecionou seis tópicos que mostram como poderiam ser as diretrizes de um verdadeiro plano de desenvolvimento sustentável. E o que é absolutamente sintomático nesse plano é que não se menciona o PAC. Ele conversa com outros planos em curso, como a Lei dos Resíduos Sólidos . No entanto, nas 80 páginas não há menção ao PAC, o que é muito estranho. Também aparece a lista de todas as entidades e ministérios que participaram da elaboração desse plano, como ONGs, e em uma linha diz: “uma central sindical que esteja envolvida na questão da sustentabilidade”. Quer dizer, eles não acharam nenhuma central sindical desse tipo. Isso chama a atenção para o fato do atraso em que estão as centrais sindicais. Estou registrando essas duas surpresas ao ler o plano. Quem está interessado na discussão dessa entrevista tem a obrigação de lê-lo e enviar sugestões para essa consulta pública.


IHU On-Line - As políticas econômicas atuais sinalizam que modelo de projeto de desenvolvimento para o país?

José Eli da Veiga –
Não há projeto de desenvolvimento para o Brasil. Acabamos de passar por um processo eleitoral e tive dificuldade de entender o que seria o projeto do Serra e o da Dilma. A Marina foi a única a registrar um programa. Agora estamos vendo Dilma anunciar medidas que estavam no programa da Marina. No programa de governo da Marina, os gastos públicos correntes não poderiam aumentar mais do que metade da taxa do PIB. Eu tenho certeza de que o próximo governo terá de propor isso. Nem começou o governo Dilma, e essa discussão já está aparecendo nos jornais.
Um projeto de desenvolvimento para o Brasil teria de encarar uma série de questões difíceis como o programa da reestruturação tributária. É fundamental que os tributos estimulem o que precisa ser estimulado e punam o que deve ser contido ou evitado. Herdamos uma estrutura tributária maluca. Como essa proposta de reforma aparece hoje? Com a proposta da CPMF, que é um tributo muito melhor do que quase todos os outros que existem. Aprovar um tributo como foi a CPMF e acabar com tributos que estão incidindo sob a folha de salários, seria ótimo. No entanto, a unanimidade é contra a CPMF. Isso é outro exemplo de como a sociedade vive da inércia e não de algo que catalise uma novidade em prol do desenvolvimento brasileiro.


http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3656&secao=351

 

13 de Maio de 2012 - 9h53 - No Vermelho

EUA, Otan e seus aliados na região querem destruir a Síria

 

As duas explosões que ocorreram na última quinta-feira (10), em Damasco às 7h30 no horário local, geraram revolta e indignação na comunidade internacional, temor e tremor na população síria e inúmeras reflexões e questionamentos na população de origem síria na imigração.Por Claude Fahd Hajjar*


É temerário pensar que estas ações poderiam ter sido executadas por cidadãos sírios opositores ao governo; assim como é inverossímil crer que os organismos de segurança do governo do presidente Bashar Al Assad teriam algum benefício com semelhante ação.

A tragédia que assistimos pela TV deve ser atribuída a pessoas, entidades ou governos interessados em prejudicar a sociedade síria, impedindo que se estabeleça o diálogo nacional proposto pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU. Tal diálogo só poderá ser levado a cabo se for respeitado por todas as partes do conflito. Caso isso não seja possível, o CS da ONU ameaça intervir. A impressão que temos é que, justamente quando a Síria está concluindo uma eleição para o Parlamento e concomitantemente, recebendo os observadores da ONU, os ataques se intensificam como provocações que buscam a instabilidade que justificaria uma intervenção externa.

Mas quem deseja a guerra ao diálogo?

Sabe-se através das agências de notícias que a Turquia deu abrigo e treinamento ao“exército livre sírio” na fronteira com a Síria. E a agência noticiosa da Síria mostrou o grande número de sequestros de civis, assim como franco-atiradores posicionados em Homs, que tinham como único objetivo atingir oficiais, personalidades e jovens que se negavam a empunhar armas e se mantinham solidários ao governo ou dentro de uma oposição que apoia o diálogo.

As agências de notícias mostraram a apreensão de armas e munições que vinham da Líbia, e seriam recebidas através do porto do Líbano e contrabandeadas para a Síria. Ainda através das agências de notícias sírias e libanesas, temos conhecimento da presença de mercenários sauditas (salafitas) e outros, que estiveram presentes na Líbia e no Egito, estão agindo na Síria, e cooptados ativistas e opositores ao regime sírio mediante salários mensais.

Aqueles que lutam contra o diálogo nacional sírio só podem ser considerados criminosos a serviço de governos que desejam a morte de cidadãos sírios, a desestabilização de seu governo e plantar o temor no cidadão sírio.

Nada justifica esta carnificina que se instalou na Síria e que vem sendo financiada com o dinheiro dos países do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) e seus aliados, dispostos a depor o governo de Assad à revelia da opinião do povo sírio.

Que exista oposição ao governo, sim concordamos e consideramos salutar.
Que exista uma disputa política e um Diálogo Nacional para que os muitos erros sejam sanados, concordamos e consideramos assertivo.

Mas por que destruir prédios e a morte de civis inocentes?

Crianças e jovens a caminho do trabalho e escolas?

Gigantescas explosões em bairros residenciais e centrais?

O objetivo destes terroristas e dos governos enfermos que os apoiam é levar a instabilidade ao povo de Damasco. Ameaçar as grandes cidades. Criar o caos e a desordem e minar a estrutura da sociedade síria.

O Império não aceita ser desafiado

Tudo começou em 2003 quando o Presidente Bashar Al Assad não aceitou ser aliado dos EUA de George W. Bush e Dick Cheney na invasão ao Iraque.

Foi decretado aí o final do governo Al Assad.

Ou o governo de Bashar Al Assad torna-se aliado do governo norte-americano e da Otan na Invasão ao Iraque, e colabora com a destruição do governo, povo e da infraestrutura do Estado iraquiano ou estaria decretado o seu fim.

Foi em 29 de setembro de 2003 que o governo norte-americano, convocou uma conferência em Washington dedicada ao futuro da Síria, da qual participaram personalidades e representantes de partidos políticos sírios que atuavam nos EUA. Foi confiada a tarefa a estes opositores de buscar alianças com os seus pares, opositores sírios na Europa e na Síria. Começa aí o financiamento da Oposição Síria. (L’Expresso, pág.78 e 79 febbraio 2004, di Dina Nascetti).

Em 2003, a Síria vivia o início de sua abertura política e econômica, que resultara no afrouxamento da vigilância de suas fronteiras, por onde as armas financiadas pelos EUA, CCG e Otan com os seus aliados no Líbano e na Turquia, tornaram real a posse de armas e a luta armada.

A “Primavera Árabe” teve início em janeiro de 2011 na Tunísia, inspira o Egito e se estende para a Líbia e atinge a Síria... Em menos de três meses se espalha pela porção do mundo árabe não alinhada aos EUA, mas – pasmem! - não consegue contagiar a Arábia Saudita, a mãe de todas as ditaduras do mundo árabe, onde, apenas para citar um exemplo, as mulheres não podem dirigir um automóvel ... O fato de a primavera árabe não contagiar a Arábia Saudita é um grande indício (porém não o único) de ter sido um movimento fabricado por países do Ocidente. Mas para encobrir o que?

A Criação do Estado da Palestina

Foi no dia 1º de dezembro de 2010 que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou a necessidade da criação do Estado da Palestina com as fronteiras anteriores a 1967.

Esta declaração do Brasil, que foi o primeiro país a dar o seu apoio à criação do Estado da Palestina foi seguida por outros 140 países e que fora referendada em 23 de setembro de 2011, quando a presidente Dilma Russef fez o seu histórico pronunciamento, da primeira presidente mulher a usar a tribuna da Assembleia Geral da ONU.

A Campanha pelo Estado da Palestina Já estava sendo articulada pela diplomacia do presidente Abbas. Esta ação afirmativa da Autoridade Nacional Palestina, não interessa a Israel e não interessando a Israel, não interessa aos EUA; e não interessando aos EUA, não interessa à Otan... e logo também aos seus aliados no Golfo...

Com a “Primavera árabe” mudaram o foco do mundo

O foco saiu do Estado de Israel, país antidemocrático, de governo não-laico, segregador, preconceituoso e racista, opressor e usurpador das terras palestinas e a quem não interessa a criação do Estado Palestino.

O novo foco de atenção do mundo foi dirigido aos países árabes não alinhados com Washington, que sempre denunciaram a política de dois pesos e duas medidas que o Ocidente norte-americano e seus aliados empregam na sua relação com o Estado de Israel e o povo palestino.

Uma Primavera que nunca existiu, pois, desde o início foi estimulada e monitorada... No Egito pela infiltração da CIA junto à Fraternidade Muçulmana (que foi convidada a Washington e recebida na Casa Branca em 5 de abril de 2012; na Líbia, orquestrada por Sarkozy desde outubro de 2010; e na Síria, como vimos acima, com suas sementes remontando a 2003 e à invasão norte-americana ao Iraque.

Vamos aguardar os acontecimentos, mas queremos crer que o mundo não é mais o mesmo desde o veto da China e da Rússia em 4 de fevereiro de 2012 no Conselho de Segurança da ONU.

Fica registrada aqui a nossa indignação, com todos aqueles que acreditam que podem substituir o desenvolvimento, o fomento à criação, à produção e ao bem-estar e a felicidade dos povos ; pela guerra, e assim destruir a soberania e a dignidade das nações.

Os últimos quarenta anos da Síria puderam criar um grande bem-estar, progresso, educação, saúde e moradia para a maioria da população síria. Faltava muito... Sim, sempre falta em todos os países do planeta, mas não vai ser através dos “Senhores da Guerra” e da destruição que iremos implantar o bem-estar e a paz.

A receita dos “Senhores da Guerra”, invadir para proteger, levou o Iraque a retroceder 40 anos. A ação na Líbia resultou na morte de 140 mil cidadãos e conduziu a um retrocesso de outros quarenta anos.

Não podemos permitir que esta tragédia também seja o destino da Síria.
Sim ao Diálogo Nacional! Sim à deposição de armas! Que todas as responsabilidades sejam apuradas.

A tragédia de 10 de maio de 2012 não poderá ficar impune!

*Psicóloga, psicoterapeuta e pesquisadora de temas árabes


 

PolíticaGrécia: Cada vez mais próxima de uma saída à Argentina

publicado em 13 de maio de 2012 às 20:36 - No VI O MUNDO

Last updated: May 13, 2012 10:24 pm

Cresce o medo de que a Grécia deixe o euro

por Ralph Atkins em Frankfurt, no Financial Times

Banqueiros centrais da zona do euro falam publicamente pela primeira vez sobre o gerenciamento da possível saída da Grécia da união monetária no momento em que persiste o impasse na formação de um governo de coalizão, o que aumenta a perspectiva da Grécia rejeitar os termos do seu pacote de resgate internacional.

Os comentários feitos por membros do conselho do Banco Central Europeu indicam que o risco de uma fragmentação da zona do euro está sendo levado crescentemente a sério pelos definidores de políticas públicas da região.

Eles marcam uma mudança significativa no BCE, que previamente argumentava que os tratados europeus não permitiam a saída e que o rompimento da zona do euro causaria danos econômicos incalculáveis.

“Presumo que um divórcio amigável — se for necessário — seria possível, mas eu ainda o veria com pesar”, disse Luc Coene, presidente do Banco Central da Bélgica, ao Financial Times.

Patrick Honohan, presidente do Banco Central irlandês, disse numa conferência na Estônia, no fim de semana: “Podem acontecer coisas que não foram imaginadas nos tratados… Tecnicamente, [a saída de Grécia] pode ser gerenciada. Não é necessariamente fatal, mas não é atraente”.

Junto com outros políticos da zona do euro, o BCE aumentou a pressão na Grécia para que o país cumpra o programa de resgate internacional — e advertiu que o não cumprimento levaria ao corte de ajuda financeira externa.

Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, que também integra o conselho do BCE [Nota do Viomundo: Quem manda!], advertiu numa entrevista à mídia alemã, no fim de semana: “As consequências para a Grécia [de uma saída do euro] seriam mais sérias para o país do que para o resto da zona do euro”.

Vince Cable, secretário de comércio britânico, disse que o Reino Unido “tem esperanças” de que as paredes de fogo da zona do euro sejam suficientemente fortes para evitar o contágio da Itália e Espanha se a crise se espalhar a partir da Grécia e de Chipre. [Nota do Viomundo: Vejam só a linguagem, como se os gregos fossem uma doença contagiosa]. Caso contrário, ele disse que haveria um “impacto maciço” no comércio britânico.

Contrastando com os comentários do fim de semana, em dezembro passado o presidente do BCE, Mario Draghi, disse ao FT que uma saída da zona do euro resultaria em “uma quebra substancial dos tratados existentes”, de consequências incalculáveis para o bloco.

Na noite do domingo a Grécia parecia a caminho de novas eleições nacionais depois de discussões sobre uma coalizão lideradas pelo presidente do país terem terminado com acusações mútuas entre líderes conservadores, socialistas e da esquerda.

Antonis Samaras, líder do centro-direitista Partido da Nova Democracia, disse que a coalizão radical esquerdista [Nota do Viomundo: Ops! Parece a Folha] Syriza tinha bloqueado as tentativas de superar os obstáculos, mesmo depois de uma carta do primeiro-ministro Lucas Papademos ter circulado no encontro, demonstrando a deterioração da posição fiscal grega.

O presidente Karolos Papoulias se reunia no domingo com líderes de quatro partidos menores, que também conquistaram vagas no Parlamento.

Analistas deram opiniões conflitantes sobre o que vai acontecer em seguida. Um observador conservador disse que ainda era possível que alguns dos eleitos pelos Gregos Independentes, um grupo de direita, poderiam retornar ao Nova Democracia, dando aos dois partidos pró-euro maioria por pequena margem.

Mas um importante socialista disse que Evangelos Venizelos, líder do Pasok [socialista], se nega a servir em um governo que não inclua o Syriza ou a Esquerda Democrática, um pequeno partido de esquerda que já fez coalizão com o Syriza. “Estamos claramente a caminho de outra eleição”, ele disse.

PS do Viomundo: Ao propor claramente o rompimento com os termos do resgate internacional, o Syriza se qualifica para vencer as eleições na Grécia. Na Alemanha, a coalizão de Angela Merkel perdeu mais uma eleição regional neste domingo. Existe outro caminho para a Grécia?  Sim, embora a mídia nacional e internacional tenha medo de falar naquele país que começa com a letra A. Ah, e quando dizem que a presidente Dilma Rousseff enfrentou corajosamente os bancos no Brasil, como se fosse um ato de vontade pessoal, a gente pergunta: Tinha outra saída?

 

13 de Maio de 2012 - 8h11 - No vermelho

Dr. Rosinha: Curar doenças, só se der lucro

 

Gasta-se mais em pesquisas sobre impotência sexual, calvície e obesidade do que sobre doenças negligenciadas. São doentes esquecidos pelos governos e doenças ignoradas pelos fabricantes de remédios. Os donos e sócios de laboratórios negligenciam a vida, mas não negligenciam o lucro.

Por Dr. Rosinha* 


Recentemente participei da conferência internacional “Universidades públicas como atores para o desenvolvimento social e econômico: prioridades em pesquisa, políticas e práticas em propriedade intelectual, doenças negligenciadas e acesso a medicamentos”. Ao participar da conferência, mais aprendi do que contribuí. Por ter mais a aprender é que aceitei o convite.

Mas o que são doenças negligenciadas?

Doenças negligenciadas são aquelas que, apesar de acometerem, em alguns casos, milhões de pessoas no mundo, não são atrativas em termos econômicos para os laboratórios fabricantes de medicamentos. Na sua maioria, são doenças tropicais infecciosas que afetam principalmente pessoas pobres que vivem em países ou regiões pobres. Por não darem lucro, os laboratórios fabricantes de medicamentos não investem em pesquisas. Assim, as drogas usadas para o tratamento dessas doenças são antigas e muitas vezes inadequadas e ineficazes.

Doenças negligenciadas também são aquelas que não despertam o interesse – ou despertam um interesse insuficiente – dos governos em seu combate.
Exemplo de doenças consideradas negligenciadas: malária, doença de Chagas, leishmaniose e doença do sono.

Sabe-se que pelo menos um bilhão de pessoas no mundo – uma em cada seis – sofrem de uma ou mais doenças negligenciadas, principalmente tropicais, e entre elas a principal é a malária.

A cada ano, no mundo, surgem de 350 a 500 milhões de novos casos de malária – 1,5 milhão morrem por conta da doença. Quase três mil crianças morrem por dia de malária na África. Ela é a principal causa, no mundo, de morbidade e mortalidade causada por parasita.

No Brasil, temos cerca de 300 mil casos por ano.

A doença de Chagas, endêmica na América Latina, tem cerca de oito milhões de casos com mais de 14 mil mortes por ano.

A leishmaniose infecta cerca de 12 milhões de pessoas em 88 países, incluindo o Brasil, e causa mais de 50 mil mortes anuais.

Por ora limitada ao território africano temos a doença do sono, que é endêmica em 36 países e tem de 50 a 70 mil novos casos anualmente. O número de mortes é de cerca de 50 mil por ano – a doença pode demorar até seis anos para levar à morte.

A ONG Médicos Sem Fronteira (MSF) fez uma pesquisa no primeiro semestre de 2001 abrangendo as 20 empresas farmacêuticas de maior faturamento bruto em todo o mundo. A pesquisa indicou que o investimento em pesquisa do setor privado no campo das doenças negligenciadas era mínimo e que nos cinco anos anteriores nenhuma das empresas pesquisadas havia lançado no mercado uma droga para qualquer das moléstias incluídas no estudo.

Como disse acima, as doenças infecciosas tropicais são exemplos de doenças negligenciadas. Do total de 1.393 novas drogas aprovadas entre 1975 e 1999, apenas 1% (13 drogas) eram especificamente indicadas para doenças tropicais.

Ainda segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras: “Ao longo dos últimos 25 anos apenas 15 novas drogas foram indicadas para doenças tropicais e tuberculose. Essas doenças afetam primordialmente as populações pobres e respondem por 12% da carga global de doenças. Em comparação, 179 novas drogas foram desenvolvidas para doenças cardiovasculares, que representam 1% da carga total de doenças”.

*É médico e deputado federal pelo PT do Paraná.


 

13 de Maio de 2012 - 7h10 - No Vermelho

Palestina, números de uma ocupação execrável

 

A ocupação e o bloqueio dos territórios palestinos por parte de Israel, para além de sua inerente natureza espoliadora, revela a perversão de uma prática que anula o desenvolvimento e o autogoverno de um povo, causando-lhe prejuízos milionários.


Discursos políticos em múltiplas tribunas mundiais, incluída a ONU, e iniciativas negociadoras dos países árabes e ocidentais, têm sido insuficientes para deter a lenta aniquilação dos palestinos na Cisjordânia ocupada e na sitiada Faixa de Gaza.

A julgar por considerações de Tarik Alami, chefe de temas emergentes e conflitos da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental, uma primeira repercussão da usurpação territorial sionista é o obstáculo à autossuficiência dos palestinos.

Um relatório apresentado durante o recente seminário sobre o impacto econômico e social desta política sionista no Cairo expôs cifras estarrecedoras da repressão, uso da força, roubo de propriedades e ampliação de assentamentos judeus pelos israelenses, bem como o impacto nos recursos naturais e no meio ambiente.

A economia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sofre anualmente perdas de sete bilhões de dólares por causa da ocupação, o que tem converteu esses territórios numa das economias mais dependentes de ajuda no mundo.

A este respeito, o embaixador da ANP na ONU, Riyad Mansour, assinalou numa entrevista à Prensa Latina que o custo da dominação é facilmente quantificável, daí que, se essa política terminar, "seremos capazes de ser autossuficientes e não precisaremos de ajuda externa".

Os sete bilhões de dólares que a economia palestina perdeu em 2010 equivalem à quase totalidade do Produto Interno Bruto (PIB) anual, e esse dano foi privando os residentes na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza de utilizarem seus recursos naturais.

Terra, água, minerais, gás natural, pesca e outras riquezas incluíram-se entre os recursos impossíveis de explorar pelos palestinos, de acordo com Mansour e de cifras aportadas pela ONU.

Em termos de direitos humanos, 125 palestinos morreram e 2.144 foram feridos pelas forças de segurança e pelos colonos israelenses em 2011, quando mais de dois terços das baixas se produziram em fatos unidos à atividade nos assentamentos judeus.

Segundo a ONU, no ano passado pereceram 16 crianças e outros 441 ficaram feridos por abusos israelenses, um dado que elevou a 1.351 a cifra de jovens mortos por soldados e colonos entre 2000 e 2011.

Desde que se produziu a invasão, em 1967, até 2010 registraram-se mais de 760 mil detenções de palestinos por forças israelenses, incluídas 15 mil crianças, dos quais em média 192 estiveram em prisão em 2011 e ao menos 63 sofreram torturas ou doenças.

Vale recordar que entre 500 e 700 menores palestinos são processados a cada ano em cortes militares de Israel, muitas vezes por participar em mobilizações contra as demolições de casas, uma prática intensificada agora em 80 por cento em relação a 2010.

No mínimo, 21.200 palestinos ficaram sem suas moradias de 2004 até hoje como resultado das demolições, deles 620 viram serem demolidas suas residências em 2011, enquanto 1.094 foram forçados a se deslocarem e 4.164 sofreram afetações diretas.

A esses dados referidos à Faixa Ocidental, é preciso acrescentar as 23.500 pessoas ainda sem teto em Gaza devido à impossibilidade de reconstruir 15 mil unidades habitacionais devastadas no enclave durante os bombardeios da Operação Chumbo Fundido (2008-2009).

Em Jerusalém Oriental, a parte da cidade santa onde os palestinos aspiram converter em capital de seu futuro Estado, os árabes têm sido vítimas da expropriação de ao menos 23.378.000 metros quadrados desde 1968, e 390 derrubadas de casas desde 2004.

As limitações para edificar nessa zona da cidade e a revogação de 13.115 permissões de residência para palestinos de 1967 a 2009, faz com que 60 mil pessoas estejam ameaçadas de se converterem em "sem tetos".

Todos esses ataques ajudam a reforçar uma estratégia de "judaização" dos territórios árabes a partir da ampliação de assentamentos ilegais, segundo denunciaram especialistas durante uma conferência sobre Jerusalém, realizada no final de fevereiro no Qatar.

As estatísticas da referida instância da ONU sustentam que até meados de 2010 viviam 517. 774 colonos em 144 assentamentos que a ONU considera ilegais, e em outros 100 bairros ou postos avançados fora dessas colônias, ilícitos inclusive pela lei israelense.

Só a modo de exemplo, no ano passado a taxa de construção em assentamentos israelenses da Cisjordânia e de Jerusalém duplicou o nível das obras de construção dentro de Israel e os extremistas judeus utilizam estradas marcadas só para o acesso de israelenses.

Na Margem Ocidental, o Estado sionista anexou 13 por cento do território, segue construindo um muro gigantesco que afeta 855 mil palestinos, mantém 33 mil presos entre essa cerca e a chamada Linha Verde e separou Jerusalém do resto da Cisjordânia.

Cerca de 170 milhões de metros quadrados de terra fértil estão isolados pelo muro de segregação e os assentamentos despejam 40 milhões de metros cúbicos de águas residuais e dejetos sólidos anualmente em solo palestino.

Até dezembro, contabilizaram-se 557 barreiras, entre postos de controle militar, valetas, montículos de areia e outros meios para restringir o movimento de palestinos dentro de sua própria terra.

Por causa da usurpação israelense, o PIB per capita em 2010 foi 30 por cento menor que em 2000, 22 por cento dos palestinos caiu na pobreza em 2009 e a taxa de desemprego cresceu a 24 por cento na primeira metade de 2011.

Pelo menos 1,43 milhão de palestinos sofre insegurança alimentar, duas em cada três crianças em Gaza apresenta reação severa e moderada a traumas e o bloqueio impôs "sacrifícios inaceitáveis, escolhendo com frequência entre alimento, remédio ou água".

A inacessibilidade a terras em Gaza causa à economia perdas de aproximadamente 75 mil toneladas métricas de produção potencial anual e a média de acesso a água fresca para consumo doméstico é de 73 litros por pessoa/dia na Cisjordânia e 52 na Faixa.

Israel impõe uma zona de restrição de um a 1,5 quilômetro dentro do enclave de Gaza, negando aos palestinos o acesso a 35 por cento dos terrenos cultiváveis.

E ainda, o bloqueio marítimo proíbe pescar para além de três milhas náuticas da costa do Mediterrâneo em Gaza, o que afeta diretamente 65 mil pessoas.

A lista de problemas e indicadores sociais negativos derivados da ocupação israelense é extensa e, sobretudo, ilustrativa do drama de um povo que censura às maiores potências do mundo a seguirem usando dois pesos e duas medidas para abordar o conflito central do Oriente Médio.

Prensa Latina


 

13/05/2012 - No Blog das Frases

Rede Desenvolvimentista: os intelectuais vão à luta

A disposição de discutir os desafios do país, não de um ponto de vista diletante ou apenas acadêmico, mas engajado, organizado e direcionado à busca de soluções para os gargalos do desenvolvimento brasileiro, reuniu meia centena de economistas das mais diversas especialidades na semana passada na Unicamp. A iniciativa, desdobrada em três dias de debates, divididos em cerca de uma dezena de mesas, foi o segundo passo na implantação da Rede Desenvolvimentista. Nascida na universidade, a Rede pretende consolidar-se como uma caixa de ressonância da agenda do desenvolvimento, ancorada em propostas e projetos para o Estado brasileiro e a integração sul-americana.

A iniciativa tem um significado histórico encorajador. Cada época tem sua usina de reflexão estratégica. A Cepal cumpriu esse papel nos anos 50/60, de um ponto de vista progressista. O nacional desenvolvimetismo do ISEB funcionou como um tink thank das reformas de base que agitaram a vida política e intelectual do país até 1964. O ocaso da agenda do desenvolvimento a partir dos anos 90 tem razões políticas conhecidas. A hegemonia do credo neoliberal tornava dispensável a reflexão de natureza propositiva sobre os rumos do país. O mercado era rei. Seus centuriões midiáticos, mas também academicos, blindavam a agenda econômica e o debate político.O círculo de ferro circunscrevia governos, partidos e intelectuais nos limites das reformas requeridas à livre ação dos capitais, ungidos à condição de sinônimo de eficiência e autossuficiencia na ordenação da economia e da sociedade.

A desordem financeira que eclodiu em 2008 rasgou a fantasia desse corso afinado na ditadura do Estado mínimo com suas privatizações e regressividade social. Ao dobrar a aposta nesse enrêdo anacrônico a Europa hoje figura como um condensado pedagógico da natureza letal do credo ortodoxo na vida dos cidadãos e da engrenagem produtiva. Mais que tudo ,porém, a chocante desagregação da sociedade europeia nos recorda que o colapso de um ciclo não leva automaticamente ao passo seguinte da história.

Novos atores e novos projetos devem assumir o comando do destino brasileiro.
A Rede Desenvolvimentista avança nesse hiato entre dois mundos. E se propõe a pavimentar um pedaço da travessia organizando a discussão de agendas estratégicas para superar os gargalos da supremacia neoliberal sedimentados na esfera financeira, industria, cambial e tecnológica.

O termo 'social desenvolvimentismo' sintetiza o eixo desse comboio de idéias e forças políticas que busca resgatar o direito soberano de uma sociedade planejar o seu crescimento com maior equidade entre os cidadãos.

Com o risco de afrontar nuances pode-se dizer que uma constatação permeou os três dias de debates na Unicamp: o desenvolvimento brasileiro vive uma dobra decisiva; o equilíbrio frágil entre crescimento e justiça social, perseguido a partir de 2003, e que diferencia o desenvolvimentismo hoje da versão economicista dos anos 50, requer um salto estrutural para se instaurar de forma consistente e duradoura. O modelo chinês de arrocho salarial não serve por princípio --assim como não serve a eficiência exportadora alemã, ancorada igualmente em arrocho.

"Voces sabem quanto ganha uma administradora de empresas terceirizada na Alemanha de Merkel? Pois bem, ganha 800 euros, quase o salário de empregada doméstica no Brasil", exemplificou Luiz Gonzaga Belluzzo em sua intervenção sobre os componentes da crise internacional. O tripé requerido, feito de aceleração do investimento, salto de produtividade e avanços sociais, sobretudo na educação, não está,portanto, resolvido;nem há modelos prontos a perseguir. O fenômeno da desindustrialização evidencia o custo de se prolongar essa indefinição no tempo. O fôlego industrial do país hoje é 5% inferior ao que existia no pré-crise de 2008. Poderá recuar mais 5%, advertiu-se no debate da Rede. Quem acha que é pouco deve ser informado que a corrosão ocorre justamente nos setores de ponta, que dão o comando aos demais segmentos da produção.

Não se trata de um fetiche manufatureiro: ter indústria significa ter um setor de bens de capítal arrojado capaz de irradiar competitividade e eficiência ao conjunto do sistema produtivo.

Inúmeras medidas são evocada na superação dessa regressividade fabril, que não decorre apenas do câmbio defasado e dos juros siderais, ainda que esses componentes tenham um peso importante. Um ensaio de consenso emergiu dos debates: o mercado não fará isso pela sociedade brasileira. Seja na frente do investimento, na da pesquisa, do crédito e do salto educacional requerido, o Estado democrático deve assumir um papel hegemônico no processo.

Não se trata de menosprezar a importância dos mercados nesse processo, sobretudo do mercado de capitais, mas as insuficiências da lógoca privada ficaram evidentes na recente queda de braços entre o governo e a banca em torno dos spreads . A pendência só se inclinou a favor da redução do custo do dinheiro (mas empacou na expansão do crédito) quando o governo Dilma decidiu politizar o tema e acionou uma poderosa alavanca indutora: os bancos estatais, que normatizaram o significado do interesse nacional nos dias que correm. Esse trunfo existe também na economia do petróleo, graças à regulação soberana das reservas do pré-sal.Mas inexiste em outros segmentos e esferas modeladoras do desenvolvimento. Fundos de investimento de longo prao, por exemplo, são diluídos e desconectados. A criação de um 'fundo dos fundos', que reunisse capitais públicos, caixas de pensão e mesmo capital estrangeiro de longo prazo --comandados por um grande ordenador estatal, como o BNDES-- foi uma das idéias-força registradas no evento da Unicamp, na intervenção do economista Jorge Matoso.

Difícil sintetizar a rica diversidade das peocupações afloradas nesse engatinhar promissor da Rede Desenvolvimentista. Mas uma intervenção colhida no calor dos debates sugere que os limites do passado, finalmente, perderam a prerrogativa de pautar o futuro : "O Brasil tem que perder o medo de discutir novamente um tema interditado nos anos 90: a criação de novas empresas públicas, estatais que possam nuclear setores estratégicos e fazer o mesmo que os bancos públicos e a Petrobrás fazem hoje em suas áreas de referência: colocar o mercado a serviço do país'. É um bom ponto de partida para o aggiornamento do desenvolvimentismo no Brasil do século XXI.

Postado por Saul Leblon às 12:11

 

 

Fala a China: “O futuro do Afeganistão” 
3/5/2012, Xinhuanet, PequimFuture of AfghanistanTraduzido pelo pessoal da Vila Vudu O pacto de parceria estratégica firmado entre os EUA e o Afeganistão durante a visita secreta do presidente Barack Obama àquele país da Ásia Central na 3ª-feira (1º de maio) está sendo interpretado como o início de novo capítulo nas relações EUA-Afeganistão e como medida para pavimentar o caminho para que os militares dos EUA permaneçam na Ásia Central depois da retirada das tropas da OTAN em 2014.  A visita de Obama, no aniversário da morte de Osama bin Laden, também pode ser interpretada como um sinal de que os EUA desejam confirmar, para o resto do mundo, que continuam empenhados em combater o terrorismo.  Obama e Karzai celebram tratado no aniversário da morte de Bin LadenMas, dados os graves desafios que EUA e seus aliados ainda enfrentam no Afeganistão, há longo caminho a percorrer, antes que se vejam avanços na situação de segurança naquele país. Verificar se os EUA poderão trabalhar com o lado afegão para estabilizar o país depois da retirada da OTAN será um teste para a estratégia e a credibilidade dos EUA na região.  A coalizão de forças lideradas pelos EUA derrubou do poder o regime Talibã no final de 2001 e desde a década passada tenta erradicar de lá o grupo “terrorista”. Mas os militantes Talibã atacam as forças afegãs e da OTAN praticamente todos os dias.  Aquele pacto criticamente importante foi firmado apenas dois dias depois de os militantes Talibã terem lançado sua nova ofensiva de primavera em Kabul e em três outras cidades, dia 15 de abril. Os vários ataques coordenados deixaram 48 mortos, inclusive 36 atacantes, e 65 feridos, inclusive 25 civis. Militantes TalibãsEssa mais recente ofensiva dos Talibã reacendeu preocupações de que, depois de 10 anos de operações militares no Afeganistão as forças da OTAN lideradas pelos EUA ainda não tenham conseguido acertar qualquer golpe incapacitante contra o grupo “terrorista”. Os Talibã afegãos ainda conservam a capacidade para atacar a qualquer momento, infligindo pesadas baixas ao povo afegão. E há também abundantes evidências de que as operações dos Talibã tornam-se cada vez mais secretas e imprevisíveis.  Simultaneamente, os crimes e infrações cometidos por soldados norte-americanos no Afeganistão erodiram a credibilidade dos EUA no país e inflaram sentimentos antiamericanos, o que torna cada vez mais difícil para o governo afegão qualquer cooperação com a OTAN. Tropas invasoras dos EUA enfrentam os TalibãsCerca de 130 mil soldados coordenados pela OTAN, entre os quais cerca de 90 mil soldados norte-americanos, devem deixar o Afeganistão até o final de 2014. A assinatura do tratado de parceria estratégica com o Afeganistão é apenas o primeiro passo numa nova etapa da estratégia dos EUA para a região. Mas, para evitar que o Afeganistão seja deixado para trás ainda mergulhado em terrível confusão e em pleno caos, os EUA devem concentrar-se em reparar as brechas na segurança e buscar uma transição suave que leve à retirada das forças da OTAN.
Ilustrações colhidas na internet pela redecastorphoto

Postado por Castor Filho


 

CAATINGA
Reportagem da Tv Educativa de Alagoas sobre esse importante bioma, que é exclusivo do Brasil e rico em plantas e animais, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta.

 

Fórum de Interesse PúblicoJustiça13.05.2012 17:01 - Carta CapitalA penalização da corrupção no Brasil: uma das reformas da Reforma do Código Penal 

Por Leonardo Avritzer e Marjorie Marona

À comissão de juristas do Senado, instalada em outubro do ano passado para elaborar a minuta do projeto de lei que reformará o atual Código Penal, de 1940, está confiada, em grande medida, a tarefa de modernizar a legislação penal, aproximando-a da realidade criminal do país.

Formada por especialistas, sob a presidência do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp (que, à frente da Corregedoria Nacional de Justiça, segundo muitos, iniciou o trabalho a que a ministra Eliana Calmon vem dando prosseguimento) a comissão contava inicialmente, também, com a participação da ministra Maria Teresa de Assis Moura. Colega de Dipp, ela se notabilizou, recentemente, pela decisão que tomou no caso em que um homem era acusado de estupro por ter mantido relações sexuais com três meninas de 12 anos de idade, envolvidas com a prostituição. Talvez a disparidade de imagens, as que essas duas figuras evocam, seja suficientemente esclarecedora do nível de complexidade que a tarefa envolve e do nível de incerteza quanto aos seus resultados.

No decorrer das 13 reuniões que a comissão já realizou, foram estabelecidas diretrizes gerais e debatidas questões mais ou menos polêmicas acerca dos “crimes contra a vida” e “crimes contra a dignidade sexual” – que envolvem disputas em torno da descriminalização do aborto e da eutanásia, por exemplo. No último dia 23, no entanto, iniciou-se um novo capítulo da reforma do Código Penal. A aprovação, pela comissão, da proposta que criminaliza o enriquecimento ilícito de servidor público reacendeu o debate acerca do controle da corrupção no Brasil, chegando o relator da reforma, o promotor Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, do Ministério Público de São Paulo, a classificar como ‘um momento histórico na luta contra a corrupção’ o daquela tarde de segunda-feira.

Foi aprovada, ainda, a proposta que põe fim à distinção entre a corrupção passiva e a ativa. Atualmente, a corrupção é um crime que se desdobra em três possibilidades: corrupção passiva, corrupção ativa, e corrupção ativa e passiva. A corrupção passiva (CP, art. 317) ocorre quando o agente público solicita vantagem (em geral, pecuniária) para fazer ou deixar de fazer algo, em razão do cargo que ocupa. Não importa que a outra parte dê o que é pedido pelo corrupto: o corrupto comete o crime a partir do momento que pede a coisa ou vantagem. Já a corrupção ativa (CP, art. 333) ocorre quando alguém oferece alguma coisa (normalmente, mas não necessariamente, dinheiro ou um bem) para que um agente público faça ou deixe de fazer algo em razão de sua função. Nesse caso, o criminoso é quem oferece a vantagem e, igualmente, não importa que o agente aceite, pois o crime se consuma no momento do oferecimento. A atual legislação brasileira, portanto, não exige bilateralidade para que fique comprovado nem um nem outro crime: não é necessário que haja corrupção ativa para que se configure a passiva, e o contrário também é verdadeiro, embora nada impeça que em uma determinada ação fiquem configurados ambos crimes.

Com o fim da distinção, o que se pretende é facilitar a comprovação da corrupção ativa, já que, em tese, a prova válida para a corrupção passiva poderá vir a servir também para a ativa. A medida procura, portanto, tornar mais fácil o entendimento e a aplicação da lei. Sabemos que o sistema jurídico brasileiro dificulta demasiadamente a punição da corrupção, devido a um conjunto de instrumentos jurídicos: as quatro instâncias às quais o acusado pode recorrer, o conceito de transitado em julgado e o foro especial para os políticos. Mas, muito mais difícil é punição do corruptor ativo. Sabemos que em crimes de corrupção fortemente comprovados como os que levaram ao impeachment do ex-presidente Collor ou a CPI do Orçamento, não houve a punição de corruptores. Isso se deve, em parte, à conformação diferenciada do crime em dois tipos penais. Diga-se de passagem que, em vários países do mundo, utiliza-se um tipo penal apenas. Assim, a tipificação de apenas um crime, uma vez que não existem corruptos sem corruptores, facilitaria a punição dos corruptores.

Propôs-se, ainda, que o novo Código Penal atinja pessoas jurídicas nos casos de crimes de corrupção, mas o assunto ainda será discutido pela comissão. Multas sobre o faturamento da empresa ou sobre o valor da propina poderão figurar entre as punições de empresas envolvidas em corrupção, caso a proposta seja aceita. Além disso, a empresa poderá ficar proibida de participar de licitações públicas. Essas medidas são, sem dúvida, a concretização do “não há corrupto sem corruptor”.

O reconhecimento da ineficiência não apenas do Código Penal, mas, em especial, da persecução criminal no Brasil, designadamente no campo dos crimes contra a administração pública, que subjaz as alterações aprovadas pela comissão, coloca os órgãos que compõem o sistema de Justiça brasileiro em situação de pensar a sua própria centralidade na manutenção e ampliação da democracia, no Brasil. De fato, a crise da representação política (crise do sistema partidário e da participação política), favorece um processo de deslocamento da legitimidade democrática em direção aos tribunais e, em uma de suas dimensões, confronta-os na sua função de controle social. A visibilidade dos tribunais desloca-se de algum modo para o domínio penal, onde a análise de seu desempenho é mais complexa porque depende, especialmente, do Ministério Público e das polícias de investigação. Segundo pesquisa da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), entre 1988 e 2007, iniciaram, no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), 130 ações penais, das quais 44 (33,85%) diziam respeito a crimes contra a administração pública. Em junho de 2007, ainda tramitavam 52 (40%) delas; 13 (25%) das quais há mais de três anos. Dentre as ações penais julgadas, 35,38% foram remetidas à instância inferior – provavelmente em decorrência do término do mandato do réu (o que lhe concedia foro privilegiado) -; deu-se a prescrição e/ou extinguiu-se a punibilidade em 10% dos casos; absolveu-se em 5% dos casos. Houve, em toda a história do STF pós-1988, apenas duas condenações, uma das quais com o crime já prescrito.

No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), 28,16% das ações penais originárias iniciadas entre 1988 e 2007 tratavam de crimes contra a administração pública (28,16%) e os crimes contra o sistema financeiro nacional representavam 2,9% do total. Tramitavam, ainda, em 2007, 81 (16,77%) desses processos: 25 (5,18%) deles havia mais de três anos e 22 (4,55%) outros havia mais de seis anos. Aqui também a maioria das ações (26,9%) foi remetida para as instâncias inferiores; outras 10 ações (2,09%) foram remetidas para o STF; houve rejeição da denúncia por atipicidade em 15,32% dos casos; extinção da punibilidade por prescrição ou decadência em 14,7% dos processos e absolvição em 2,28%. A condenação atingiu apenas 1,04% das ações.

Assim, podemos dizer que a mudança no Código Penal é importante, mas ela precisa ser acompanhada de outras medidas. O foro especial no STF, tal como ele está atualmente normatizado, incentiva a impunidade. Os processos correm de um lado para outro dependendo do cargo exercido pela pessoa, que frequentemente deixa de ser deputado ou até mesmo ministro para atrasar o seu processo. Ainda que seja difícil extinguir o foro especial no Brasil devido à nossa tradição legal, se poderia pensar em algumas maneiras de reorganizá-lo. Uma delas seria, talvez, transferi-lo para o STJ, que tem muito mais capacidade de dar celeridade a estes processos, em especial se eles não forem transferidos para outras instâncias. Mais uma vez, o combate à grande criminalidade política suscita a questão da preparação técnica dos tribunais e da vontade política.

Vale a pena observar que a diminuição da impunidade será formatada pelo sistema político tendo em vista a natureza das clivagens no interior da própria classe política, a existência ou não de movimentos sociais e organizações civis com agendas de pressão sobre o poder político e judicial e a existência ou não de uma opinião pública esclarecida por uma comunicação social livre, competente e responsável. Está aberta uma possibilidade de diminuir a impunidade no Brasil.

 

 

sábado, 12 de maio de 2012

Mudança de rota em Israel 
A crise do sionismo 4/5/2012, Patrick Seale, Gulf News, Emirados Árabes UnidosChanging course in IsraelTraduzido pelo pessoal da Vila Vudu 
Patrick SealeO primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, da direita israelense mais virulenta, enfrenta desafio sem precedentes na história recente de Israel. Como primeiro-ministro que mais tempo permanece no poder, posto que ocupa há mais de três anos, Netanyahu parecia inamovível. Mas figuras das mais destacadas do establishment de segurança em Israel, assim como judeus norte-americanos de grande prestígio moral, já começam a contestar abertamente duas das principais políticas de Netanyahu: a ideia de que o programa nuclear iraniano seria “ameaça existencial” para Israel, com risco de Holocausto iminente; e a obcecada expansão das colônias exclusivas para judeus nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO’s), com vistas, como muitos suspeitam, a criar uma “Grande Israel”.  A oposição a Netanyahu pode ter consequências de longo alcance.  Por um lado, parece já ter afastado qualquer possibilidade de ataque preventivo dos israelenses ao Irã, como Netanyahu ameaça, e ameaça que trombeteia já mais de um ano; por outro lado, fez reviver a possibilidade de uma Solução de Dois Estados para o conflito Israel-palestinos, que muitos consideravam moribunda, se não morta.  As críticas mais fortes contra Netanyahu têm vindo de alguns dos chefes militares e de inteligência mais condecorados e prestigiados no país. Por exemplo, Yuval Diskin, recentemente aposentado na função de chefe do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, disse numa reunião, no final de abril, que “não confia nos atuais líderes políticos de Israel, que podem arrastar o estado a uma guerra contra o Irã ou a uma guerra regional”. Acusou Netanyahu e o ministro da Defesa, Ehud Barak, de tomar decisões movidos por “sentimentos messiânicos”. (...) “Conheço os dois bem de perto e não são Messias. Não são pessoas em cujas mãos gostaria de entregar o volante”. Muito diferente de por fim a algum programa nuclear iraniano, Diskin previu que um ataque israelense resultaria em “aceleração dramática do programa nuclear do Irã”.
Mudança de rumo - crédito de imagem: Ramachandra BabuO comandante geral do Exército de Israel, tenente-general Benny Gantz, é outro alto oficial que abertamente contestou a retórica apocalíptica de Netanyahu. “Entendo que os líderes iranianos são homens muito racionais”, disse ele ao jornal Haaretz em abril, acrescentando que o Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei ainda “preferirá andar muito”, antes de construir armas atômicas. O atual chefe do Mossad, Tamir Pardo, também contradisse Netanyahu. Para ele, o Irã não representa qualquer tipo de “ameaça existencial” ao estado judeu. E Meir Dagan, celebrado ex-chefe do Mossad, ridicularizou o discurso “guerreiro” de Netanyahu: para ele, a ideia de atacar o Irã foi “a ideia mais estúpida que ouvi em toda a minha vida”; disse também que qualquer ataque preventivo de Israel ao Irã seria “temerário e irresponsável”.  Em entrevista a Ben Caspit de Ma’ariv dia 27 de abril, atacou também a coalizão de pequenos partidos que apoia Netanyahu; os pequenos partidos, cada um deles com sua respectiva agenda estreita, tiram do primeiro-ministro qualquer real liberdade para agir: para manter a coalizão, Netanyahu tem de render-se às imposições dos partidos.  Dagan criticou sobretudo os Haredim, judeus ultraortodoxos e conservadores, que não prestam serviço militar, são beneficiados por isenção de impostos e promovem a segregação sexual em Israel – como também em New York! Para Dagan, o “espírito da lei” exige “distribuição igualitária da carga para todos os cidadãos”. Os Haredim devem ser obrigados a prestar serviço militar (como também os cidadãos árabes-israelenses, que devem cumprir serviço obrigatório, se não no exército, pelo menos na polícia, na brigada de bombeiros, ou no Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho). Ephraim Halevy, outro ex-chefe do Mossad, também declarou publicamente que “a radicalização ultraortodoxa é ameaça maior que Ahmadinejad”; e o Irã não traz qualquer perigo existencial a Israel.  A Solução Dois Estados  Shaul Mofaz, ex-comandante geral do Exército e ex-ministro da Defesa de Israel, e novo líder do Kadima, partido centrista, disse recentemente pela televisão, que qualquer ataque ao Irã seria “desastroso”. Netanyahu, disse ele em tom indignado, “quer criar para ele mesmo a imagem de protetor de Israel”. Acusou o primeiro-ministro de usar o Irã como ferramenta para distrair as atenções dos protestos de setembro último, quando 450 mil israelenses tomaram as ruas de Telavive exigindo justiça social.  Essas declarações, vindas de anteriores e atuais altos chefes da segurança israelense, mostram o quão abertamente as ideias de Netanyahu estão sendo contestadas e que há muitos israelenses que clamam impacientemente por mudanças.  Quanto à questão palestina, dois artigos chamam a atenção, no International Herald Tribune dia 25 de abril (reproduzidos do New York Times), e também apontam para uma onda de pensamento novo entre judeus de prestígio. Um deles, Ami Ayalon, ex-comandante da Marinha de Israel e ex-chefe do Shin Bet, prega “outra abordagem unilateral radicalmente nova” do problema palestino, que crie “as condições para concessões territoriais, baseadas no princípio dos dois estados para dois povos, que é essencial para o futuro de Israel como estado judeu e como estado democrático”.  Para divulgar suas ideias e arregimentar apoiadores, Ayalon criou uma organização chamada “Blue White Future” [Futuro Azul e Branco]. Diz ele que Israel não precisa esperar por acordo definitivo com os palestinos. Em vez disso, Israel deve renunciar aos territórios a leste do muro da Cisjordânia e encerrar para sempre a construção de colônias naquela região, como também na Jerusalém Leste Ocupada, e planejar a realocação em Israel dos 100 mil colonos judeus que vivem do lado hoje israelense do muro. Israel, diz ele, deve “providenciar compensação voluntária e uma lei de integração para os colonos que vivem a leste do muro”. Se nenhum acordo for possível com os palestinos, Ayalon prega que Israel crie, em campo, uma realidade de dois estados.  Na mesma página do International Herald Tribune, Stephen Robert, proeminente filantropo judeu, ex-dono de banco de investimentos e hoje presidente da Source of Hope Foundation [Fundação Fonte de Esperança], prega um “reset” no pensamento dos judeus. Para ele, Israel já não é “um pequeno estado vulnerável”; tornou-se “a mais poderosa força militar no Oriente Médio”; a única ameaça existencial que pesa contra Israel é o fato de “ter ocupado o território de 4 milhões de palestinos por mais de 40 anos. Virtualmente aprisionados, os palestinos não têm liberdade para movimentar-se nem gozam de direitos civis ou políticos. Vivem como prisioneiros, sem terem praticado qualquer crime. Vivem sem água e sem empregos, considerados cidadãos de lugar nenhum...”.  Num apelo apaixonado, acrescenta: “Os israelenses têm de entender que, ao dar liberdade aos palestinos, também se libertarão eles mesmos. Estado que discrimina, persegue e renega os vizinhos de modo tão similar ao modo como os judeus fomos tratados por nossos perseguidores não pode ser aceitável”.  Peter Beinart, em seu livro recentemente publicado, The Crisis of Zionism [A crise do sionismo] (Times Books, 2012), dá outro sinal claro de o quanto os judeus começam a entender que Israel optou pelo caminho errado e exigem mudança de rumo. Beinart prega declaradamente o boicote de produtos das colônias israelenses ilegais nos Territórios Palestinos Ocupados – medida já adotada por uma cadeia de supermercados, Co-Operative Group, a quinta maior empresa varejista de alimentos do Reino Unido.  Quando Israel celebra seus 64 anos de existência, começam a soprar ventos de mudança na mente de seus mais respeitados militares e oficiais de segurança e de alguns de seus mais apaixonados apoiadores no ocidente. Espera-se que palestinos e todo o mundo árabe respondam positivamente, o mais rapidamente possível, a essa muito bem-vinda evolução.

Postado por Castor Filho


 

 

Un día que estremece al mundo

Sáb, 12 de Maio de 2012 20:45

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Abarrotada la Puerta del Sol, en Madrid

Do Cubadebate

363 días después de que el Movimiento 15-M naciera en las principales calles y plazas españolas, los indignados vuelven a protestar para exigir una democracia real, para reivindicar el Estado de bienestar y para luchar por la participación ciudadana.

El movimiento 15-M convocó para este sábado cuatro manifestaciones diferentes en el centro de Madrid y otras ciudades españolas, con las que pretenden demostrar que su espíritu de lucha por un cambio económico, político y social, sigue vivo. Al mismo tiempo, en otras 50 ciudades del mundo también se están realizando acciones de protesta contra las políticas de ajuste y las respuestas de muchos gobiernos a la crisis financiera internacional. Londres, Bruselas, y algunas urbes alemanas, figuran entre las que ya reportan movilización de sus ciudadanos.
En el caso de España, los indignados salen a las principales plazas de Madrid para convertirlas en “asambleas permanentes” desde el 12 de mayo, día de una gran manifestación global que busca denunciar que los ciudadanos no son “mercancía en manos de políticos y banqueros”, hasta el día 15. La madrileña Puerta del Sol, donde prendió la llama de la protesta, es el punto principal de encuentro.

Allí los activistas tienen previsto proceder a la lectura de manifiestos, proyectar videos, conectar con otras plazas, celebrar un picnic y, ya a media noche, guardar un minuto de silencio, después del cual agitarán pañuelos blancos para que cese la violencia económica y las guerras.

 

En La Puerta del Sol funcionan "Asambleas de Indignados"

En La Puerta del Sol funcionan "Asambleas de Indignados"

Marchas provenientes de varias partes de la ciudad confluirán en La Puerta del Sol

Marchas provenientes de varias partes de la ciudad confluirán en La Puerta del Sol

Un "veterano" indignado lee un periódico del movimiento

Un "veterano" indignado lee un periódico del movimiento

Twitter

También en Tenerife se congregan los indignados. Fuente:Twitter

Los indignados de Londres

La policía británica arrestó este sábado al menos 12 personas y reprimió a otras acampadas frente al Banco de Inglaterra, en esta capital, como parte de las acciones por el primer aniversario del movimiento mundial de indignados.
El grupo -conocido como Occupy London- informó en su cuenta de twitter que los oficiales rodearon el área, los agredieron e iniciaron las detenciones ante la negativa de los inconformes de abandonar el área.
Los activistas iniciaron la mañana de este sábado una manifestación pacífica en la catedral de San Pablo, en el distrito financiero de la ciudad, para reeditar su rechazo a los recortes presupuestarios y al desempleo derivados de la crisis económica.
Miles de personas los acompañaron mientras recorrían las compañías privadas, bancos y fondos de inversión ubicados en la zona.
Al igual que Occupy London, varias agrupaciones organizaron este sábado acciones similares en al menos 300 ciudades de 50 países del orbe, entre ellos, Alemania, Estados Unidos y España, donde nació el movimiento reivindicativo mundial el 15 de mayo pasado.

Los “indignados” de Londres iniciaron hoy una nueva protesta pacífica a los pies de la catedral de San Pablo, en pleno distrito financiero de City, para conmemorar el primer aniversario del movimiento 15M.

El grupo “anticapitalista” Occupy London convocó a sus simpatizantes en la plaza contigua a la catedral como parte de las movilizaciones que se llevarán a cabo en todo el mundo para marcar la fecha en la que hace un año iniciaron su protestas los “indignados” de Madrid.

Frente a la Catedral de StPaul, se congregaron los indignados de Londres

Frente a la Catedral de StPaul, se congregaron los indignados de Londres

Scotland Yard alerta

Scotland Yard alerta

¿Anonymous se suma a la protesta en Londres?

¿Anonymous se suma a la protesta en Londres?

En Israel

Cientos de personas se han manifestado este sábado en distintas ciudades de Israel, en respuesta a la convocatoria global de protesta para conmemorar el primer aniversario del movimiento “15-M”, también llamado “indignados”, nacido el 15 de mayo en España contra las políticas económicas.

En el país hebreo se llevaron a cabo concentraciones en Tel Aviv, el principal centro económico y financiero; donde marcharon hacia la plaza Rabín. Además, se han concentrado en Jerusalén oeste, Haifa (norte) y Eilat (sur).

Asimismo, en el territorio palestino ocupado por Israel de Jerusalén Este, una veintena de personas, en su mayoría españoles, se manifestaron esta tarde frente a la sede del Consulado General de España con pancartas en las que se leían lemas como “No + gente sin casas ni + casas sin gente”, “Somos el 99%” o “Nadie gana a no ser que todos ganemos (en inglés)”.

“Además de adherirse al comunicado internacional difundido por el movimiento de protesta, el 15M español de Jerusalén oriental hizo un llamamiento al mantenimiento de las políticas de cooperación, que han sufrido serios recortes”, difundió una agencia de noticias.

En otras ciudades

Imágenes de twitter revelan que el movimiento tuvo eco en muchas otras ciudades. Amsterdam, Lisboa, Bruselas, Kuala Lumpur, entre otras, figuran entre las urbes que sumaron cientos o miles de indignados a un 12 de mayo que, tal como prometieron sus organizadores, ha sido un grito global contra el orden económico y social imperante.

Amsterdam

Amsterdam

Kuala Lumpur

Kuala Lumpur

Bruselas

Bruselas

Barcelona

Barcelona

Lisboa

Lisboa

Tel Aviv

Tel Aviv

(Noticia en Desarrollo, con información de Público.es, ABC, Russia Today, Twitter)


 

domingo, 13 de maio de 2012

O knockout moral sobre a imprensa, oposição e Gurgel   Demóstenes, Perillo, Gurgel, Policarpo e Veja: acuados nas cordas pelos graves fatos que se tornam públicos,  apenas  O Globo e Folha de São Paulo não enxergam o knockout moral deste grupo, do qual também fazem parteA oposição míngua e o DEM caminha para a extinção, algumas raposas mais espertas, exibindo lastro pedigree da Arena e PFL, já migraram para o PSD, e de lá, devem continuar exercendo seus posicionamentos mais conservadores e atrasados na política brasileira.

Demóstenes Torres, Marconi Perillo, Leréia, Stepan Necerssian, Roberto Gurgel e Policarpo Júnior unem, no mesmo canto do ringue, acuados pelas revelações das investigaçoes da Polícia Federal: o DEM, PSDB, PPS, Imprensa e Ministério Público.
Todos envolvidos no escândalo do esquema multi milionário do bicheiro Carlinhos Cachoeira.Todos operando para fornecer "provas" contra adversários e penetrar no poder público em busca de favorecimento dos negócios do contraventor.


Em troca de que?Os políticos tiveram campanhas abastecidas pelo dinheiro de ilícitos que ajudaram a promover.A imprensa se promoveu e promoveu os políticos envolvidos, baseados no discurso da ética e dos bons costumes na política,com o nítido intuito de eleger parlamentares e mandatários do executivo que mantivessem o esquema funcionando a todo vapor.Vendeu mais exemplares denunciando em favor do grupo político-midiático.A imprensa, da mesma forma, ludibriou a sociedade ao esconder o envolvimento dos políticos denunciados com o contraventor.  Ao menos a Veja sabia disso, como provam as centenas de ligações telefônicas entre Cachoeira e Policarpo Júnior, editor chefe da publicação da Abril.Em outras conversas flagradas, o contraventor indicava em qual parte da revista tal notícia "plantada" deveria ser veiculada.

Neste momento outros órgãos de imprensa partem em socorro da Veja, como O Globo e Folha de São Paulo.  Vendo ameaçado seu par, estes dois órgãos de imprensa ignoram os graves indícios contra a revista de Roberto Civita, e, corporativamente, distorcem a realidade para fazer a opinião pública crer que não há conduta que desabone a Veja ou manche as boas práticas do jornalismo.A troco de que?
Roberto Gurgel, Procurador Geral da Republica, descobre-se agora que evitou que as denúncias contra Demóstenes Torres fossem investigadas em 2009.  Logo colaborou para que os ilícitos ganhassem mais volume e ajudou a eleger Demóstenes Torres, Marconi Perillo e Leréia com sua imobilidade desastrosa.Logo, no mínimo pode-se afirmar que, ajudou a enganar o eleitor do estado de Goiás e a esconder da sociedade fatos tão graves.

A grande imprensa conservadora, despontando as Organizações Globo e Folha de São Paulo, saíram com editoriais e espaços jornalísticos generosos para sua defesa e foram ainda mais longe, tentaram, com a ajuda de Gurgel, mostrar a sociedade que estas acusações contra o Procurador Geral da República, faz parte de uma robusta engrenagem política para inviabilizar o julgamento do mensalão.  Ensaio que a própria Veja já havia tentado, sem sucesso, semanas atrás, justamente para fazer "cortina de fumaça" sobre este escândalo de proporções gigantescas.

Gurgel não foi o autor denúncia do mensalão, portanto não seria alvo de movimento parecido com o qual combinou com a imprensa para se safar das acusações.O Ministério Público não depende tão somente do Procurador Geral da República para denunciar.O STF acatou as denúncias e irá julgar o mensalão, assim como tem a obrigação e dever cívico, de julgar, com imparcialidade e a salvo de ingerências políticas, os demais graves casos que tenham sob seus cuidados.Gurgel exagera sua personalidade pública para estar acima da lei, ficar livre de suspeições que sua omissão acarretaram.A imprensa colabora para reforçar esta imagem supervalorizada de Gurgel, para se safarem das denúncias que apontam para a participação no esquema criminoso.
Com a imprensa nas cordas e sofrendo um golpe atrás do outro, cuidem-se os políticos envolvidos e o senhor Procurador Geral da República pois, nestes casos, costumam oferecer as cabeças de seus comparsas ao sacrifício.  Modo operante para sepultar crises que respingam em suas reputações, simplificando ações de quadrilhas complexas na culpa de alguns poucos como algo cabalmente resolvido, esclarecido e sepultado e vida que segue.Pior: costumam autodenominar-se heróis, porque cobram a autoria de toda e qualquer denúncia e que tudo somente teria vindo a tona e punido graças ao trabalho da imprensa.
Só que neste caso, agiram em conluio como comparsas no esquema de malfeitos que assombra o país e faz com que suas combalidas credibilidades se tornem ainda mais débeis, moral e eticamente.  Postado por Palavras Diversas às 20:24  Do Blog Palavras Diversas

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Mauricio DiasRosa dos Ventos13.05.2012 09:24 - Carta CapitalPacto com o diabo 

Argumenta a direção de Veja, apoiada por um grupo de acólitos furibundos e direitistas desnorteados, que os repórteres da revista, em razão da natureza da reportagem, mantiveram relações perigosas com Carlinhos Cachoeira como, às vezes, exige a insalubridade da missão do profissional em busca de informações importantes para conhecimento da sociedade.


Coerência. Ele sabe com quem faz acordo

Há registro de mais de 200 telefonemas trocados entre os repórteres e Cachoeira, uma fonte de onde jorraram algumas das principais “investigações” daquela revista semanal.

O princípio defendido é correto. E o número de ligações telefônicas, por si só, não significa nada além do fato de se falarem muito. Mas as conversas travadas pelo repórter e o contraventor Cachoeira são de preocupante intimidade, como mostram algumas transcrições já publicadas.

“Fala pra ele que é de confiança o homem”, diz o senador Demóstenes Torres para Carlinhos Cachoeira ao se referir ao repórter de Veja.

O repórter é sempre o elo mais fraco nesse processo, conforme deixa entender Eurípedes Alcântara, diretor de redação de Veja. Ele tentou explicar assim o envolvimento da revista com um contraventor que agora já pode ser carimbado como criminoso: “… casos assim jamais são decididos individualmente por um jornalista, mas pela direção da revista”.

A frase de Alcântara protege o pé e descobre a cabeça. Talvez ele tenha tentado preservar o repórter dos longos braços da CPI, mas certamente expôs os donos da revista. Ele próprio ocupa um “cargo de confiança” pelas mesmas razões que o repórter de Veja era da confiança do senador Demóstenes.

Confiança no Brasil traduz a confiança “pessoal” e não a “profissional”.

Esse processo confirma, em última instância, que o repórter de confiança do editor e de Cachoeira é também de confiança do dono. Assim fica claro que o acordo liga Cachoeira diretamente a Roberto Civita, dono da Veja.

Nesse caso, portanto, a tese correta sobre a insalubridade do trabalho do repórter desvirtuou-se na prática.

A crítica que se faz é ao desvio de conduta, comprovada por uma série histórica de erros intencionalmente cometidos. O elenco é grande e aponta uma tendência política. São geralmente denúncias, ao longo dos governos de Lula e Dilma, notadamente apontando suspeitas de focos de corrupção em setores específicos da administração federal.

A base do acordo entre o contraventor e Veja foi firmado assim: ele entregou as informações e ela silenciou sobre os crimes cometidos para obtê-las.

Repórter conversar com demônios faz parte da rotina do trabalho. A questão está no pacto que se firma. O repórter só pactua com o aval do editor.

Adrian Leverkun, pianista, personagem de Thomas Mann (Montanha Mágica) entregou a alma ao demônio para obter sucesso. Antes, o Fausto de Goethe fez o mesmo.

Além de poder assumir aparência humana, há quem diga que o diabo seja o inspirador do neoliberalismo. Há mesmo quem sustente hipótese de a “mão invisível” de Adam Smith ser a própria mão do diabo.

Nos anos 1940, o jovem estudante Raymundo Faoro, ao mudar de Vacaria para Porto Alegre, tentou um pacto para sobreviver à fome.

“O diabo não me deu nenhuma importância”, conta Faoro nos inéditos Manuscritos Perdidos, ainda em preparo.

O silêncio diante da proposta de Faoro sugere que o diabo sabe com quem faz acordo.

 

 

[Jornalismo de primeira: agora tem Basômetro no Estadão.]

 

Basômetro revela queda do governismo do PSD .:: ::.
 Ferramenta online do ‘Estado’ permite visualizar comportamento dos deputados federais em relação aos projetos de interesse do Planalto

 

Estadão dados

Partido autodeclarado "nem de esquerda, nem de direita, nem de centro", o PSD também aparece em múltiplas posições no Basômetro, ferramenta do núcleo Estadão Dados que permite medir o governismo de deputados federais.

Veja também:
link ‘Núcleo duro’ de Dilma na Câmara encolhe em 2012, revela Basômetro
link Ferramenta mede taxa de governismo de deputados
link Estadão Dados une transparência e interatividade
link PMDB lidera dispersão da base aliada

Entre os integrantes do partido, a taxa de governismo (porcentual de votos a favor de projetos de interesse do Planalto) vai de 36% a 95%, a maior variação entre todas as legendas. Na média, fica em 86%.

Nas 28 votações nominais de que o PSD participou em 2011 (de outubro, quando foi criado, até dezembro), o partido do prefeito Gilberto Kassab teve média de governismo de 98%, mais alta até do que a de aliados fiéis da presidente Dilma Rousseff, como o PSB (96% no período).

A partir de 2012, entretanto, os deputados da legenda mudaram seu comportamento e começaram a votar com a oposição em várias ocasiões. Levando-se em conta apenas as 17 votações nominais deste ano, a taxa de governismo cai para 68%. Não por coincidência, em 17 de fevereiro, Kassab comunicou o PT que apoiaria José Serra na eleição para prefeito de São Paulo, e não mais a candidatura do petista Fernando Haddad.

Alguns deputados do PSD se tornaram mais oposicionistas do que outros. Enquanto Onofre Agostini (SC) votou 10 vezes contra o governo neste ano, Silas Câmara (AM) votou 8 vezes conforme a orientação do Planalto.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,basometro-revela-queda-do-go...

 

"Seja realista: exija o impossível"

Humberto Costa quer levar procurador para a CPMIHumberto Costa quer levar procurador para a CPMI Foto: Sérgio Lima/Folhapress Segundo o petista, é preciso averiguar mais a fundo por que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, engavetou a Operação Las Vegas

13 de May de 2012 às 16:54

Leonardo Lucena_247 - O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, ontem (12), que é preciso averiguar mais a fundo a postura do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, suspeito de não ter aberto o inquérito elaborado em 2009, na Operação Las Vegas, um desdobramento da Operação Monte Carlo. Na ocasião, a Polícia Federal também investigava as ligações entre o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado como responsável pelo comando de uma rede ilegal de jogos no país e de tráfico de influência envolvendo políticos e empresários. Na próxima quinta-feira (17), Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do caso Cachoeira decidirá se convoca o procurador para depor no Congresso Nacional.

Para o petista, algumas perguntas que ficaram sem respostas. “Como ele (Gurgel) recebe o processo e não questiona para o Supremo Tribunal Federal (STF)? Ele não arquivou, não fez nada”, declarou o senador. De acordo com ele, caso o procurador realmente vá depor no Congresso, isso não atrapalhará o trabalho da CPMI. No entanto, o procurador se recusa a depor, uma vez que não teria cabimento, segundo ele, atuar como testemunha perante um caso, no qual ele é acusador. Além disso, Gurgel alega que em 2009 não tinha provas suficientes para tomar alguma posição.

Anvisa

Também relator do caso envolvendo Demóstenes Torres e sua relação com o contraventor Cachoeira, Humberto Costa disse que ainda não se sabe qual foi o desfecho da intermediação feita pelo ex-democrata para que o laboratório de Cachoeira, o Vitapan, ficasse isento de licenças de medicamentos por parte da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Os grampos demonstram claramente que houve contatos para esta prática. Mas anda não sabemos se eles tiveram êxito neste lobby”, disse Costa.

Sobre o fato da CPMI funcionar a portas fechadas, o que vem implicando críticas da sociedade civil, de instituições jurídicas, como a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Pernambuco (OAB-PE), e de vários outros parlamentares do Congresso, Costa deixou claro que isso ocorreu não por espontânea vontade de alguns membros da comissão. “A sessão foi secreta porque procuradores e delegados estão submetidos ao sigilo funcional. Caso eles burlassem essa regra, proferindo informações de caráter sigiloso, poderiam ser demitidos”, esclareceu.

 

 

O desenvolvimento dos transplantes

Dom, 13 de Maio de 2012 10:06

 

ALEXANDRE PADILHA E SILVANO RAIA

Apesar de sermos o país com o maior programa público de transplantes, atendemos só cerca de 30% da demanda teórica. Isso está mudando

Da Folha de S. Paulo

O número de transplantes de órgãos neste primeiro trimestre aumentou quase 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2011, o SUS atingiu o recorde de transplantes no sistema público, realizando mais de 23 mil cirurgias e reduzindo em 23% o número de pacientes da lista de espera. Pela primeira vez, o Brasil chegou ao índice de 11,4 doadores por milhão de habitantes (pmp). Em 2003, esse índice era de apenas 5 pmp.

Esses dados positivos colocam nosso país no patamar de referência mundial, mas temos ainda uma longa jornada a percorrer. É necessário continuar ampliando o número de doadores e adotando medidas e ações para incentivar os hospitais que realizam o procedimento. Em 2011, criamos em 12 estados 87 novos centros habilitados e implantamos 35 novas Organizações de Procura de Órgãos (OPO).

Mesmo com esses progressos, o desenvolvimento do transplante de órgãos ainda constitui um problema de saúde pública de difícil solução. Tem merecido a maior atenção do Ministério da Saúde (MS), uma vez que representa, no Brasil, a única alternativa para 20 mil pacientes/ano portadores de doenças graves que, de outra forma, evoluiriam para óbito em curto período de tempo.

Na década de 1970, várias equipes se dedicaram ao seu desenvolvimento na região centro-sul, atraindo cirurgiões de vários estados que, anos depois, ao voltarem aos seus polos de origem, desenvolveram aí centros análogos àqueles onde tinham se capacitado. Essa dispersão ocorreu principalmente para centros litorâneos, mais desenvolvidos, excluindo 16 estados com 60 milhões de habitantes.

O MS está imbuído em criar um círculo virtuoso que inclua equipes motivadas em todo o Brasil para realizar mais transplantes com melhores resultados que sensibilizem a sociedade em geral e a família de doadores em particular para disponibilizar mais órgãos e aumentar o número de transplantes.

Para atingir esse objetivo, adotou uma estratégia que compatibiliza ações de efeito imediato com outras de resultados a médio e longo prazo. Os valores pagos pelo SUS para captação e transplante foram elevados em até 60%, valorizando a produtividade e a qualidade. Também foi criado um Comitê Estratégico (CE), responsável pelo programa de desenvolvimento de equipes de captação de órgãos e transplante, que vem desenvolvendo extenso projeto de formação em 16 estados, tendo já capacitado 167 profissionais e programado cursos e estágios para mais 961 até 2014.

Compreende-se assim o esforço atual na busca de métodos para aumentar o número de órgãos, independentemente da captação. Resultados animadores têm sido obtidos no campo da medicina regenerativa, que procura recuperar órgãos hoje descartados ou produzi-los aproveitando matrizes que não causem rejeição.

Para preparar equipes para essa nova tecnologia, cuja aplicação clínica está prevista para daqui a 5 anos, o MS, por meio do CE, aprovou a criação de um centro de referência universitário (CIPETRO). Este centro aproximará equipes de transplante de coração, pulmão, fígado e rim a centros de pesquisa em nível celular para acumular uma massa crítica de conhecimento capaz de obter órgãos adicionais.

Além disso, o CE aprovou a criação e o financiamento de uma Rede Nacional de Medicina Regenerativa e Transplante (RENART) que reunirá centros de todo o país para replicar o desenvolvimento obtido no centro de referência.

Vale salientar que os transplantes induzirão o aperfeiçoamento de todos os serviços prestados pelo SUS. Este procedimento exige laboratórios, meios diagnósticos, UTIs, atendimento humanizado na urgência e emergência e sistemas de informação de maior qualidade.

Além disso, como sua margem de erro impune é muito pequena, força todos a se envolver no máximo de suas competências, hábito que induz aperfeiçoamento e progresso.

ALEXANDRE PADILHA, 40, médico, é ministro da Saúde
SILVANO RAIA, 81, é professor emérito da Faculdade de Medicina da USP

  

 

Futuro dono da Delta foi maior doador de DilmaFuturo dono da Delta foi maior doador de Dilma Foto: Edição/247

Grupo JBS Friboi fez doações que totalizaram R$ 12 milhões, bem à frente das demais empreiteiras; nesta segunda-feira, Joesley Batista deve formalizar a aquisição da empresa que era de Fernando Cavendish; reportagem da Folha de 2005 já apontou contrato de gaveta com o BNDES

13 de May de 2012 às 16:14

247 – Nenhum grupo econômico cresceu tanto no Brasil desde a chegada do PT ao poder quanto o JBS Friboi. Com capital do BNDES turbinando sua expansão, a empresa se tornou o maior grupo de proteína animal do mundo. Com apoio de fundos de pensão, constrói também no Centro-Oeste um dos maiores polos de celulose e eucalipto do planeta. E, nesta segunda-feira, deve formalizar sua entrada no mundo da construção pesada, adquirindo, por preço simbólico, a Delta, que era de Fernando Cavendish.

No comando do grupo, o empresário Joesley Batista tem demonstrado habilidade para transitar junto ao poder. Na campanha presidencial de 2010, o JBS foi o maior doador de Dilma Rousseff, com 12 milhões, quase 10% dos R$ 145 milhões que foram arrecadados pela candidata do PT. Mesmo sem ser construtora, à época, o JBS ficou à frente das empreiteiras, que, tradicionalmente, são os grandes doadoras de campanha no Brasil. A Andrade Gutierrez, por exemplo, doou R$ 4,5 milhões, abaixo dos R$ 5,1 milhões da Queiroz Galvão e dos R$ 8,5 milhões da Camargo Corrêa.

Portanto, o JBS Friboi estreará no mundo da construção pesada com relações já azeitadas com os poderosos. Mas a proximidade com o BNDES, que emprestou mais de R$ 3,5 bilhões à empresa, também gera críticas que vêm desde o início do governo Lula. Em 2005, uma reportagem da Folha de S. Paulo, em que os donos do Friboi eram acusados de cartelização, revelou que o grupo tinha um contrato de gaveta com o BNDES – o que foi captado, numa conversa telefônica, de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley.

Essa relação simbiótica com o BNDES faz do grupo JBS Friboi o melhor exemplo do “capitalismo de Estado” que tem prevalecido no Brasil dos últimos anos. Mas, assim como cria oportunidades de negócio para a família Batista, também põe em risco alguns projetos políticos. José Batista Júnior, por exemplo, quer ser governador de Goiás, pelo PSB. Mas, para um estado já traumatizado com a influência do esquema Delta-Cachoeira, não será tão simples eleger o futuro dono da Delta, ainda que José Batista Júnior alegue ter deixado o grupo há sete anos.

Da carne às obras

Neste fim de semana, Joesley foi capa da revista Istoé Dinheiro, que tratou da nova tacada do grupo e da diversificação dos seus negócios. O grupo, com mais de 50 mil funcionários, já fatura R$ 70 bilhões e compete, com a Vale, pelo posto de maior empresa privada do Brasil.

Com a Delta, virão mais 31 mil empregados. “Nosso objetivo é honrar os contratos e preservar os empregos”, disse Joesley Batista, em comunicado sobre a transação. Henrique Meirelles, contratado para comandar os negócios do grupo, também defendeu a operação. “A Delta, na situação em que está, é uma grande oportunidade para o grupo entrar em infraestrutura, um desejo que já existia antes”, afirmou Meirelles. Fernando Cavendish, que comandava a Delta, mandou carta aos funcionários se despedindo e avisando que saía para preservar os empregos.

 

MINAS SÃO MUITAS MINAS... O BRASIL SÃO MUITOS BRASIS 
Laerte Braga
Laerte Braga O prefeito de Belo Horizonte é Márcio Lacerda e pertence ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Partidos que mergulharam no processo político vigente são siglas e nada além disso, ao sabor das conveniências. Socialista? Onde? Lacerda é produto de uma aliança no mínimo bizarra, pois junta o PSDB de Aécio, o PSB e o PT. E foi imposição de Aécio. É um dos piores prefeitos da história da capital mineira. Na sexta-feira perto de 300 homens da Polícia Militar do estado e funcionários da Prefeitura “socialista” desocuparam um terreno do Município onde viviam 350 famílias. O aparato terrorista/policial-militar e “socialista” expulsou as pessoas que lá estava há anos. As lonas usadas – habitação – e a madeira de barracos improvisados foram para o espaço. O prefeito “socialista” foi buscar na Justiça a reintegração de posse da área, perto de 35 mil metros e em momento algum imaginou uma solução para as famílias de sem tetos que lá estavam. E é do Partido Socialista Brasileiro, imagine se fosse capitalista. A última tentativa de evitar a barbárie, semelhante ao que aconteceu em Pinheirinho em São José dos Campos - São Paulo, com a agravante que o terreno é um próprio da Prefeitura, morreu nas mãos do desembargador Elias Camilo, em agravo do Ministério Público para evitar a ação criminosa da Prefeitura. O desembargador desembargou a favor do poder. A falta de sensibilidade social da Justiça e em muitos casos comprometimento com os donos do Estado – instituição – é comovente. Em Minas Gerais se Aécio, por exemplo, entrar no Tribunal de Justiça e ocorrer de o chão estar sujo, tem gente que vai tirar o paletó para o senador não manchar seus sapatos. Segundo alguns advogados que atuam no TJ/MG o êxito de uma causa, na maioria absoluta dos casos, depende do cartão de quem defende. Se for cartão platina absolve todos, se for ouro, consegue excelentes resultados, se for prata já é mais difícil e se não tiver cartão não consegue nada. Isso é dito em tom de chacota por vários advogados mineiros. Que o digam as 350 famílias despejadas pelo prefeito “socialista” Márcio Lacerda. Foi Guimarães Rosa quem disse e escreveu que “Minas são muitas Minas” e foram Afonso Arinos – a quem se atribui equivocadamente a frase – e Tancredo Neves que se apropriaram da mesma na política. O Brasil também. São muitos brasis. No Espírito Santo, Débora Cardoso prestou, na sexta-feira também, depoimento na CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – que foi a Vitória tomar conhecimento de casos de violência contra a mulher. A moça foi vítima de um estupro praticado por um deputado estadual. Gildevan Fernandes (PV). Em seu depoimento contou o inferno que está vivendo por conta de ameaças a ela, sua família, as pressões que sofrem e lá pelas tantas disse que, após o acontecido, o deputado – que é reincidente – falou o seguinte – “se você denunciar azar o seu, quem vai ficar falada é você”. Gildevan pertence a uma Igreja Presbiteriana, a mesma da vítima, da qual, inclusive, seu pai é um dos pastores. Está envolvido com a máfia dos sanguessugas (ambulâncias superfaturadas no esquema do senador evangélico Magno Malta) e é parceiro político de Jorge Donati, prefeito de uma cidade daquele estado, ora em vilegiatura numa prisão estadual. É acusado de mandante de três homicídios. Sua ex-mulher, um líder sindical e uma testemunha que “incomodava”.   Como se vê, gente da “melhor” espécie. No curso da audiência da CPMI no Espírito a Comissão de Mulheres do Espírito Santo foi clara e incisiva a partir de suas integrantes – “esta assembléia tem um deputado acusado de crime sexual”. O vídeo abaixo contém o depoimento de Débora:   No Rio Grande do Norte, outro “Demóstenes” da vida, paladino da moral e dos bons costumes no trato da coisa pública, o senador Agripino Maia, do mesmo partido, DEM, foi acusado pelo lobista Alcides Fernandes Barbosa de receber um milhão de reais do esquema de inspeção veicular. O “negócio” começou em São Paulo quando José Serra era prefeito, a Justiça mandou suspender. Kassab voltou com o esquema que é simples. As prefeituras terceirizam o serviço de inspeção anual de veículos, a empresa cobra um preço pela inspeção – bem alto – e parte vai para os cofres tucanos/DEM. A idéia era espalhar o “negócio” por todas as prefeituras tucanas/DEM e aliados. CONSÓRCIO INSPAR era o nome da empresa e foi montada em sociedade que agregava empresários e políticos no Rio Grande do Norte, como em São Paulo. O modelo criminoso saiu da Prefeitura da capital paulista nos moldes que José Serra utiliza por onde passa. Daniel Dantas e a filha de Serra lavam o dinheiro, pelo menos do líder tucano. O resto deve ter outro ou outros esquemas de lavagem. Agripino Maia está envolvido a partir da Operação Sinal Fechado. Vai negar, evidente, declarar-se ultrajado, ofendido em sua dignidade. Já devem ter esse tipo de declaração prontinha no bolso para eventualidades como essa. E treinado, feito laboratório – como fazem atores – para a hora da apresentação da carteira de político “honesto” e “dedicado à causa pública”. Thor Batista, filho de Eike Batista e Luma de Oliveira, ele Eike um dos homens mais ricos do mundo, proprietário do governador Sérgio Cabral entre outros, está indiciado por homicídio culposo. Segundo Thor ele dirigia sua Mercedes Benz a 110 quilômetros por hora, velocidade permitida e segundo a perícia o carro estava a 135 quilômetros. No final, uma vítima. Vanderson Pereira dos Santos, ciclista. Morreu no acidente. Nessa semana Thor teve sua Ferrari apreendida. Estava sem uma das placas. Manifestou o mesmo que Agripino Maia, indignação com as acusações. Para ele, através de seu advogado, a perícia não tem métodos seguros.  E começou o festival da CPMI do Cachoeira. O bicheiro quer adiar seu depoimento, já recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tanto. Só quer falar depois de saber “tim-tim por tim-tim” do inquérito no qual é acusado. Ou seja, montar sua fala ao sabor das conveniências e orientação de advogados. O esforço do jornal O GLOBO, REDE GLOBO, Estadão e Folha de São Paulo para tirar a revista VEJA da embrulhada – era cúmplice sistemática de Cachoeira em “denúncias” que beneficiassem a construtora DELTA e os outros “negócios” de interesse do criminoso e dela própria. Vale temor que tudo isso respingue e exiba os verdadeiros alicerces desses gruposde mídia. São comprometidos com o que há de pior no País desde a época da ditadura militar. Há um debate nacional sobre a banda larga. Uma tecnologia de acesso a Internet. O projeto do Ministério das Comunicações quer que as companhias telefônicas tenham a propriedade/concessão do negócio. O custo para o assinante seria de 35 reais mensais e os critérios de acesso determinados pelas telefônicas. Um projeto da Universidade Norte Fluminense permite que a banda larga seja parte de um processo de democratização das comunicações e custando algo em torno de quatro reais mensais ao assinante. A partir de antenas coletivas/cooperadas, o projeto da Universidade abre espaços para debates políticos a partir das próprias comunidades, nas próprias comunidades, lazer, educação, tevê e rádio na internet, enfim, longe dos tentáculos e serviços prestados pelas companhias telefônicas, via de regra achaque. É só olhar o volume de reclamações contra essas empresas nos órgãos de defesa do consumidor. Um debate nacional está sendo heroicamente travado para que esse espaço seja conquistado. Ao invés de Internet segundo os critérios dos donos, Internet democrática e gerida pelas próprias comunidades em todo o Brasil. Um dos grandes temores da mídia de mercado hoje é exatamente esse. Um veículo de comunicação capaz de permitir ao cidadão expressar-se, debater sua realidade ganhar consciência. As denúncias feitas pela REDE RECORD sobre o envolvimento de VEJA em crimes diversos – é a revista preferida por mil entre novecentos criminosos contra o bem público – e escondidas pela grande mídia, estouraram na Internet, nas redes sociais e ficou claro o poder desse veículo. Todos acusaram o golpe e perceberam a importância de controlar a rede mundial de computadores. Para o crime organizado que controla parte da máquina estatal nada melhor que as telefônicas e um lucro adicional, cobrando dez vezes mais que a Internet popular. O grupo GLOBO já anuncia banda larga a trinta e cinco reais. O que se espera é que o governo Dilma perceba a importância do fato, se dê conta disso e abra espaços para o projeto da Universidade Norte Fluminense (Campos). A presidente, aliás, quebrou o protocolo na sexta-feira. Escapou da segurança rígida em torno de sua pessoa e foi conversar com os manifestantes do VETA DILMA, que pede o veto ao projeto aprovado pelo Congresso de novo Código Florestal. O projeto é uma espécie de plano de transformar o País num grande deserto no futuro, privilegiando o latifúndio e seus interesses, inclusive, lógico, o veneno do transgênico. No mais, na GRANDE COLÔMBIA (onde o Brasil figura hoje no projeto norte-americano/sionista de controle da América do Sul), na própria Colômbia, a sede, um estudante que participava da marcha pela paz está desaparecido. Encarcerado pelo governo. Registre que a paz não interessa ao governo, nem aos militares especificamente, ou aos grupos paramilitares (latifundiários, corporações empresariais e banqueiros), que são os grandes produtores e traficantes de droga. A paz faria desaparecer o pretexto de colocar a culpa da produção e tráfico de drogas nas FARCs. É preciso uma “história” para justificar a barbárie. Como fez Bush ao inventar que Saddam Hussein tinha armas químicas e biológicas para invadir o Iraque, tomar conta do petróleo, saquear o país e ao sair deixar o caos. Os grandes predadores de milhões de anos atrás, hoje admirados e estudados até com certa obsessão, foram acusados de responsáveis pelo seu próprio fim, por conta da flatulência. Os gases emitidos serviram para desfechar o processo que os destruiu. Havia os carnívoros, os herbívoros, os gigantescos como o Tiranossauro Rio, ou os menores. Mas todos predadores. Hoje a “modalidade” fica por conta de Gildevan Fernandes, Agripino Maia, revista VEJA, latifundiários, banqueiros e grandes empresários. Carlos Cachoeira, Eike Batista, etc, etc. A propósito Eike comprou 50% dos direitos sobre o ROCK IN RIO, virou parceiro de Medina e apareceu numa foto simulando tocar uma guitarra. Se continuar assim daqui a pouco compra Copacabana, o Leblon, Ipanema, Vila Isabel, Tijuca, Irajá, e já é dono de Sérgio Cabral e de Eduardo Chávez. São os muitos brasis.   E saiu a Comissão da Verdade. Hora de começar a contar toda a história da barbárie que foi o golpe de 1964. Sistematizá-la, muita coisa já se conhece, dar foros oficiais a estupidez e partir para a punição dos responsáveis. Esse é o reencontro de um só Brasil.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro e Nanda Tardin

Postado por Castor Filho


 

 

Quem são os extremistas?

Dom, 13 de Maio de 2012 10:10

 A unanimidade dos média considera Mélenchon “extremista”; mas as políticas do BCE já não são “extremistas”, apesar do seu fundamentalismo neoliberal.POR VICENÇ NAVARROMário Draghi, presidente do BCE: a sua política fundamentalista neoliberal não é considerada extremista pelos média. Foto de INSM

Do Esquerda.net

Mais de uma vez referi que um dos maiores problemas da democracia espanhola são os grandes meios de comunicação do país, cuja tendência conservadora e liberal (na realidade, neoliberal) é esmagadora. Com o desaparecimento do PÚBLICO, como diário impresso, não existe hoje, em Espanha, nenhum meio de comunicação de esquerda. As consequências deste fato são esmagadoras. Vejamos alguns exemplos desta tendência.

1. Desde que começou a crise, nenhum dos média referiu, através dos seus editoriais, que as políticas de austeridade levadas a cabo pelos sucessivos governos eram desnecessárias e erróneas. Só agora, quando o desastre dessas políticas é evidente, aparecem vozes tímidas que, mesmo salientando que são necessárias, alertam que são insuficientes. Pela primeira vez, aparecem estes discursos nesses média acentuando que, para além da austeridade, se requer o estímulo económico. Mas ainda não apareceu nenhum editorial entre os maiores diários rotativos do país a referir que as políticas de austeridade foram um enorme erro. Alguns de nós temo-lo salientado desde o início da crise sem que tivéssemos a oportunidade de colocar os nossos pontos de vista em tais media.

2. Quando na Europa aparecem vozes a salientar que essas políticas de austeridade são profundamente erróneas (tal como assinala Jean-Luc Mélenchon, candidato do Partido de Esquerda, em França), tais vozes são definidas pelo correspondente de El País, Miquel Mora, como extremistas. E quando escrevo uma Carta ao Director desse diário rotativo a perguntar por que a proposta de Mélenchon de acabar com as políticas de austeridade é extremista e a proposta de as manter (como escreveu El País nos seus editoriais), se apresenta como lógica, razoável e plena de senso comum, tal carta não é publicada.

3. Um pouco parecido acontece com a candidatura de Marine Le Pen, cujas posturas na sua totalidade são também definidas, não só por esse correspondente, mas por todos os média, como extremistas. Não tenho nenhuma simpatia por essa candidata ou por esse partido e muitas das suas posturas, anti-imigrante entre outras, repugnam-me. Mas é um erro considerar todas as propostas ou todos os seus eleitores (a maioria jovens da classe trabalhadora) como “extremistas”, pois um ponto mobilizador para sectores importantes dessas bases é o seu antagonismo em relação às políticas autenticamente extremistas do establishment europeu responsável pela maior crise que a Europa teve nos últimos sessenta anos. Estas últimas políticas são consideradas sensatas e aquelas que se lhes opõem como extremistas. Porquê? Isto é o que pergunta Mark Weisbrott, em The Guardian (27.04.12). Porque é que a sair do euro é extremista e permanecer nele não o é? A sua resposta é que a estrutura de poder reage definindo como extremistas (frequentemente também se utiliza o termo “populistas”) aqueles que têm a ousadia de questionar a sabedoria convencional que promovem, enquanto consideram razoável e de senso comum as políticas realmente extremistas, que estão a destruir enormemente a população e muito em particular as classes populares. São eles, os talibãs neoliberais, os que são totalmente impermeáveis aos factos e aos dados.

4. As políticas levadas a cabo pelo Banco Central Europeu (BCE) são extremistas e situam-se fora das práticas do que faz um banco central em qualquer país que tenha a sensatez de ter um banco central. Este mal chamado Banco Central Europeu é extremista na sua defesa da banca, tendo gasto um bilião de euros, desde Dezembro passado, para ajudar bancos privados (dando-lhes dinheiro por uma taxa ridícula de 1%) à custa dos Estados que tiveram de vender a esses mesmos bancos a dívida pública por taxas claramente exageradas, forçando-os assim a um endividamento insustentável. O fundamentalismo neoliberal do BCE é único no seu extremismo. Nenhum outro banco central ousa chegar a este ponto. E ninguém nos média chamou ao BCE de extremista. Por outro lado, às esquerdas que querem mudar este BCE, como Mélenchon, chamam-lhes de extremistas.

Tal como o extremista BCE está a criar um enorme dano, também o está a fazer o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional com as suas propostas de continuar a impor a austeridade, apesar da enorme evidência de que ela está a causar o colapso da procura e a atual recessão, continuando um dogma neoliberal que reflete quase um fanatismo da sua cegueira face à evidencia científica. Quem é realmente extremista?

Artigo publicado no diário digital EL PLURAL (7 de maio de 2012).

Tradução de António José André para o Esquerda.net

As propostas de Hollande são insuficientes para sair da criseA ignorância histórica da chanceler MerkelSobre o autorVicenç NavarroCatedrático de Ciências Políticas e Sociais, Universidade Pompeu Fabra (Barcelona, Espanha).

Foi Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. É também professor de Políticas Públicas na Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), onde exerceu docência durante 35 anos. Dirige o Programa em Políticas Públicas e Sociais patrocinado conjuntamente pela Universidade Pompeu Fabra e pela Universidade Johns Hopkins. Dirige também o Observatório Social de Espanha.