newsletter

Fora de Pauta

O espaço para os temas livres e variados.

Sem votos

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+61 comentários

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/05/condenada-estudante-que-publicou-mensagem-contra-nordestinos-em-sp.html

Jovem é condenada por mensagem contra nordestinos no TwitterEla vai prestar serviço comunitário e pagar multa de R$ 500.
Caso ocorreu em outubro de 2010, após resultado da eleição presidencial.

A estudante Mayara Petruso foi condenada a 1 ano, cinco meses e 15 dias de reclusão pela Justiça de São Paulo por ter postado mensagens preconceituosas e incitado a violência contra nordestinos em sua página no Twitter, em outubro de 2010. A decisão é da juíza federal Mônica Aparecida Bonavina Camargo, da 9ª Vara Federal Criminal em São Paulo, e foi divulgada nesta quarta-feira (16). A pena, no entanto, foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa e indenização de R$ 500. A decisão é de 1ª instância e cabe recurso.

A equipe de reportagem do G1 tentou entrar em contato com Oswaldo Luíz Zago, advogado de defesa da jovem, mas não conseguiu localizá-lo por telefone.

Na época, ela admitiu ter publicado as mensagens como uma reação ao resultado da eleição presidencial, quando a candidata do PT, a hoje presidente Dilma Rousseff, venceu em todos os nove estados nordestinos (veja o mapa da votação). Durante o processo, ela alegou que não tinha a intenção de ofender os nordestinos e disse também que não é preconceituosa.

Mensagem causou revolta entre usuários do TwitterMensagem causou revolta entre usuários
do Twitter (Foto: Reprodução)

A jovem foi denunciada pelo Ministério Público com base no artigo 20, § 2º, da Lei n.º 7.716/89, que trata do crime de discriminação ou preconceito de procedência nacional. “Reconheço que as consequências do crime foram graves socialmente, dada a repercussão que o fato teve nas redes sociais e na mídia [...]. O que se pode perceber é que a acusada não tinha previsão quanto à repercussão que sua mensagem poderia ter. Todavia, tal fato não exclui o dolo”, disse a juíza em sua decisão.

“[A jovem] pode não ser preconceituosa; aliás, acredita-se que não o seja. O problema é que fez um comentário preconceituoso. Naquele momento a acusada imputou o insucesso eleitoral (sob a ótica do seu voto) a pessoas de uma determinada origem. A palavra tem grande poder, externando um pensamento ou um sentimento e produz muito efeito, como se vê no caso em tela, em que milhares de mensagens ecoaram a frase da acusada”, completou a juíza.


O caso
Mônica Camargo rejeitou a alegação da estudante de que sua expressão foi uma posição política. “As frases da acusada vão além do que seria politicamente incorreto, recordando-se que o ‘politicamente correto’ geralmente é mencionado no que toca ao humor, hipótese de que não se cuida nesta ação penal.”

O caso começou em 31 de outubro de 2010, um domingo, no dia em que Dilma foi eleita. Irritados com a decisão das urnas, alguns usuários do Twitter começaram a insultar moradores do Nordeste. Entre as mensagens estava a da jovem.

Ao longo da semana seguinte, o Ministério Público Federal recebeu documentos da Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco e da procuradora regional de São Paulo Janice Ascari pedindo a investigação do caso. O MPF preparou um laudo e a Polícia Civil também abriu inquérito sobre as mensagens.

Na ocasião, a jovem cursava o primeiro ano de Direito, residia na capital com duas amigas e estagiava em escritório de advocacia de renome. Após a repercussão do fato, perdeu o emprego, abandonou a faculdade e mudou-se de cidade com medo de represálias.

 

Espanha está pedindo o penicoPatriota cobra de chanceler espanhol tratamento respeitoso a brasileiros

 

16/05/2012 - 15h37

 

Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os acordos bilaterais que regulam a entrada de brasileiros na Espanha e de espanhóis no Brasil podem ser revistos no dia 4 de junho, em Madri. Os ministros de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, José Manuel García-Margallo, e das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, definiram hoje (16) que a situação atual deve ser reavaliada. Patriota cobrou “tratamento correto e respeitoso” dos espanhóis em relação aos brasileiros que tentam ingressar na Espanha.

“Reconhecemos a realidade, mas brasileiros que viajam para outros países não encontram as dificuldades que encontram na Espanha, então, queremos simplesmente que o mesmo tratamento se aplique, que é o correto e respeitoso", disse Patriota após reunião com García-Margallo. O chanceler brasileiro ressaltou ainda que sua expectativa é que "haja um tratamento condizente com a amizade e a relação que existe entre os dois países”.

O chanceler espanhol sinalizou que as mudanças devem ocorrer em breve, mas não disse quando. “Demos instruções aos nossos assessores que na máxima brevidade possível sejam resolvidos os problemas de brasileiros entrando na Espanha e de espanhóis no Brasil”, disse ele.

No dia 2 de abril, o Brasil passou a adotar uma série de medidas denominadas de reciprocidades que aumentaram o rigor para a entrada de espanhóis em território brasileiro. As medidas foram colocadas em prática no mesmo momento em que vários brasileiros se queixavam das humilhações e da discriminação por parte dos espanhóis em relação aos que tentavam ingressar em território espanhol.

O Itamaraty nega que as medidas são uma retaliação às dificuldades impostas aos brasileiros que tentar ingressar na Espanha. A estimativa é que cerca de 158,7 mil brasileiros vivam em território espanhol. Na Europa, a comunidade brasileira chega a 900 mil.

Pelas regras em vigor, os espanhóis que quiserem entrar no Brasil terão de estar com o passaporte válido por, no mínimo, seis meses. Também serão exigidos os comprovantes de passagens de ida e volta (com data marcada).

O espanhol que for se hospedar em hotel deverá apresentar o documento de reserva. Caso venha a se hospedar na casa de amigos ou parentes, terá de apresentar uma carta-convite. O documento deve
conter a assinatura do responsável, autentificação do cartório e um comprovante de residência dessa pessoa.

O último item se refere à renda mínima do espanhol que pretende visitar o Brasil. Ele deve comprovar que tem condições financeiras para arcar com até R$ 170 de despesas, por dia, em território brasileiro.

Edição: Vinicius Doria

 

Soninha Francine desdenha do acidente no Metrô via Twitter

Pré-candidata vira assunto mais comentado

Odair Braz Junior, do R7*soninhaJulia Chequer/R7

Soninha quando ainda era subprefeita da Lapa, em São Paulo

Acidente de metrô em São Paulo deixa feridos na manhã desta quarta-feira (16) e causa tumulto na zona leste da cidade, além de complicar a vida de muita gente. No Twitter, o tumulto também é grande, mas aí a culpa é de Soninha Francine, ex-apresentadora de TV e pré-candidata à Prefeitura de São Paulo.

Soninha claramente soltou um tuíte sem pensar. Ela escreveu o seguinte:

- Metro caótico, é? Nao fosse p TV e Tuíter, nem saberia. Peguei Linha Verde e Amarela sussa. #mtoloco.

Passageiro conta detalhes da batida

Teve problemas? Envie seu relato

Uma bobagem desta causou frisson na rede social. Quase que imediatamente as hashtags #mtoloco, #sussa, #A Soninha entraram nos assuntos mais comentados. Claro, ela deu a entender que se não fosse pelo barulho causado pelo povo na internet ninguém nem saberia o que estava acontecendo.

Bom, vendo por esse ângulo, então ainda bem que existe o Twitter e a TV, certo?

Alguns minutos mais tarde, Soninha tentou se explicar e escreveu:

- Helloooo, metro zoadaço mas, apesar do M.Vila Madá avisar "velocidade reduzida", estava normal qdo peguei. Q eu posso fazer?

Aí já era tarde. O tiro saiu pela culatra e a moça foi avacalhada na internet.

É um daqueles casos em que um #calabocaSoninha cairia bem. Até para ela mesmo.

*Odair Braz Junior é crítico do R7 e suas opiniões não refletem necessariamente as do portal.

 

Terça-feira, 15 de Maio de 2012O planeta da WWF A WWF lançou o seu Relatório do Planeta Vivo 2012, onde alerta para o crescimento da população e suas consequências. Segundo eles, o crescimento da população aumenta a procura de recursos colocando enormes pressões sobre a biodiversidade da Terra e ameaçando a segurança, saúde e bem-estar do nosso futuro.

Para não variar, a ênfase é posta na pegada ecológica. Os 10 países com maior pegada ecológica são:

  • Qatar
  • Kuwait
  • Emirados Árabes Unidos
  • Dinamarca
  • Estados Unidos da América
  • Bélgica
  • Austrália
  • Canadá
  • Holanda
  • Irlanda


Resumindo, países onde se vive bem. Portugal fica-se pela 39ª posição, em cerca de 150 países. O que estes tretas não nos querem dizer é quais são os países onde, segundo eles, se vive com uma pegada ecológica pequena. É preciso ir ao documento completo para topar esta Verdade Inconveniente. É para estes países (pag. 45 do PDF) que estes tretas deviam ir viver:

  • Nepal
  • Congo
  • Paquistão
  • Ruanda
  • Bangladesh
  • Eritreia
  • Haiti
  • Afeganistão
  • Timor Leste
  • Território Palestiniano


Estes tretas têm todavia a capacidade de mandar bitaites extraordinários. Como a de que "o declínio da biodiversidade, desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixo rendimento, o que demonstra como as nações mais pobres e vulneráveis estão a subsidiar os estilos de vida dos países mais ricos". Ou seja, não se compreende se eles querem que o Mundo desenvolvido deixe de o ser, para ter uma pegada ecológica menor, ou se querem impedir que os países subdesenvolvidos se mantenham assim, para permanecerem com uma pegada ecológica baixa... Publicada por EcoTretas em 18:42
http://awsassets.panda.org/downloads/pr_2012_05_15.pdf

 

Comentário irônico de Soninha sobre acidente no metrô de São Paulo provoca reação no Twitter20

Um comentário irônico no Twitter da pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, sobre a colisão entre dois veículos do metrô que deixou dezenas de feridos em São Paulo se transformou em um dos assuntos mais comentados do microblog nesta quarta-feira (14) e gerou a indignação de muitos usuários da ferramenta.

"Metrô caótico? Não fosse pela TV e Twitter, nem saberia. Peguei Linha Verde e Amarela 'sussa'", escreveu Soninha.

Metro caótico, é? Nao fosse p TV e Tuíter, nem saberia. Peguei Linha Verde e Amarela sussa. #mtoloco.

— SoninhaFrancine (@SoninhaFrancine) May 16, 2012

Pouco depois, diante da polêmica, a ex-apresentadora de TV voltou a comentar o assunto, gerando ainda mais indignação por parte dos usuários da rede social. "Povo desatento. Não é muito louco quando você tem um caos em um serviço e passa por ele incólume?"

Eta povo desatento. N É #mtoloco qdo vc tem um caos em um serviço (tipo metro) e vc passa por ele incólume?

— SoninhaFrancine (@SoninhaFrancine) May 16, 2012

 http://eleicoes.uol.com.br/2012/noticias/2012/05/16/comentario-ironico-de-soninha-sobre-acidente-no-metro-de-sao-paulo-provoca-reacao-no-twitter.htm

 

Mais um que Serra abandona ferido à beira da estrada.Desta vez nem a Folha está segurando, desmentiu o mentiroso em cima da bucha

Serra agora nega ter nomeado diretor de aprovação de prédios

Pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra negou ontem ter nomeado Hussein Aref Saab para o cargo de diretor responsável pela aprovação de empreendimentos imobiliários na cidade.

"Nunca nomeei ninguém, pois prefeito não nomeia terceiro escalão numa secretaria."

A portaria de nomeação de Aref foi assinada pelo então prefeito Serra e publicada no "Diário Oficial" em 7 de janeiro de 2005.

Aref é investigado pela sua evolução patrimonial. Conforme revelado pelo "TV Folha", Aref adquiriu 106 imóveis nos sete anos em que comandou o setor de aprovação.

Serra lembrou que o ex-diretor trabalhou em outros cargos em gestões anteriores. Também criticou a veiculação do caso. "Há falha na reportagem, pois parece que foi ela [a Folha] quem descobriu. E quem descobriu foi a prefeitura. O prefeito afastou o sujeito."

A Corregedoria já investigava Aref, mas foi a Folha que descobriu a compra dos 106 imóveis. E Aref não foi demitido. Pediu demissão.

 

Anatel anula portaria que instituiu o horário flexível para jornada dos seus servidores


TELETIME terça-feira, 15 de maio de 2012, 20h48

http://www.teletime.com.br/15/05/2012/anatel-anula-portaria-que-institui...
 

O conselheiro João Rezende, presidente da Anatel, assinou nesta terça, 15, ato que anula a Portaria 430/2009, que instituiu o horário flexível na agência. A decisão de suspender o regime de trabalho alternativo é resultado de um processo que começou com uma ação judicial da Associação dos Servidores Efetivos das Agências Reguladoras Federais (Aner) contra uma nota técnica do Ministério do Planejamento que determinava que a agência suspendesse o horário flexível e que fosse descontada do salário dos servidores a hora que eles teriam trabalhado a menos.

O horário flexível foi uma proposta da Superintedência de Adminsitração (SAD) inspirada em outras autarquias como a CVM e o TCU, segundo a qual os servidores podem cumprir uma jornada de sete horas ininterruptas, sendo que na oitava hora eles estariam de sobreaviso, totalizando assim as 40 horas semanais do funcionalismo público.

Diante da determinação do Ministério do Planejamento (MP) que afetava diretamento o bolso dos funcionários da Anatel, mas que jamais foi cumprida pela agência, a Aner ingressou em 2009 com uma ação apenas contra a determinação de que os funcionários "devolvessem" aos cofres da União essa hora trabalhada a menos.

A ação não trata, portanto, da ilegalidade da medida, outro ponto levantado pela nota técnica do MP. O irônico da história é que essa ação judicial de uma associação que apoiou a medida, julgada no começo do mês pelo Tribunal Federal da 1ª Região, culminou na revogação do horário flexível. Explica-se: a Anatel não é parte do processo, mas o MP comunicou a Procuradoria Federal Especializada da agência sobre a sentença e foi assim que a Procuradoria tomou conhecimento de que a determinação do Ministério do Planejamento não havia sido cumprida pela Anatel.

A partir desse momento, a Procuradoria da Anatel se viu em uma situação delicada. A procuradoria é órgão da Advocacia Geral da União (AGU) e sua função é avaliar a legalidade dos atos da agência e defendê-la nos tribunais. Mas neste caso específico, há um parecer da AGU dizendo que o Ministério do Planejamento é o órgão competente para tratar da jornada de trabalho de todos os servidores, mesmo os das autarquias. Por esse motivo, o parecer da procuradoria da Anatel, encaminhado ainda nesta quinta, 15, ao presidente da Anatel, não pôde defender o ato da agência de 2009 e recomendou, então, que o horário flexível fosse suspenso.

Histórico

O horário flexível acabou gerando um grande desgaste político entre a Anatel e o Ministério do Planejamento, que através de um ofício da sua Secretaria de Recuros Humanos (SRH) solicitou à Anatel que suspendesse a medida até o pronunciamento conclusivo sobre a sua legalidade.

A Anatel, por sua vez, não acatou a solicitação da SRH e a resposta do então superintendente de administração, Rodrigo Barbosa, provocou uma reação mais áspera do Ministério do Planejamento. Barbosa respondeu ao MP que como a portaria que instituiu o horário flexível foi assinada pelo presidente da Anatel, que na época era o embaixador Ronaldo Sardenberg, caberia a ele suspendê-la.

Em nota técnica (a mesma que pediu a revogação da medida e motivou a ação da Aner) assinada por representantes de cinco instâncias – e não mais apenas pela SRH – o MP constata o óbvio. "Devemos observar que a falta de competência da Superintendência de Administração-Geral para suspender os efeitos da Portaria ANATEL nº 430, de 2009, não desobriga o seu titular de dar conhecimento da solicitação desta Secretaria à autoridade competente, podendo tal omissão funcional resultar em graves prejuízos ao erário, situação que poderá ensejar a responsabilização, subsidiária, do titular daquela Superintendência pelos prejuízos advindos", diz o documento.

À época, a Anatel não deu cumprimento à determinação do Ministério do Planejamento respaldada em um parecer do TCU segundo o qual a Anatel tem autonomia administrativa, o que incluiria a gestão dos seus funcionários. Fonte da agência afirma, entretanto, que a posição foi de apenas uma câmara do TCU e não do Plenário, mas além disso, e mais importante, o parecer deveria ser considerado apenas como uma opinião do órgão já que ele pertence ao poder Legislativo.

Procurada por este noticiário, a assessoria de comunicação da Anatel informa que a portaria que revoga o horário flexível será publicada na edição de quinta, 17, do Diário Oficial da União (DOU). Durante 30 dias a contar da publicação da nova portaria, os servidores poderão manter seus horários atuais, adaptando suas tarefas e rotinas até o retorno da jornada laboral de oito horas. A assessoria informa ainda que uma comissão composta pela Anatel e por entidades dos servidores (Aner, Asanatel e Sinagências) estudará alternativas "inovadoras" para a flexibilização da jornada de oito horas e não mais sete.

 

quarta-feira, 16 de maio de 2012


PROCURA-SE O MENSALÃO
 


Quem achar, favor avisar à Revista Veja. Será regiamente recompensado.
 
 
Raul Longo
 
Por pura maldade o ex-prefeito da Anápolis, Ernani de Paula, deu um bico no Mensalão que o bichinho saiu ganindo e se entocou em algum canto. Agora só a CPMI do Carlinhos Cachoeira para desentocá-lo.
 
Uns dizem que está escondido debaixo da cama do Senador Demóstenes Torres, outros que se meteu atrás de um cofre do próprio Carlinhos Cachoeira, mas ninguém define se o das rendas do jogo do bicho, das máquinas caça-níqueis, do contrabando ou da corrupção em licitações com os mais variados níveis de governos de diversos estados. Há até quem aposte que no esconderijo de um cofre de tráfico de drogas. Vai se saber!
 
Fato é que a família Civita e seu corpo de colaboradores está desolada. Num desespero pungente, tal qual se lê no editorial da edição nº 2265 da revista Veja, principal boletim informativo dos Civita!
 
Informativo é modo de dizer, pois se o sabe mais para “alarmativo”. O que talvez justifique meu total desinteresse pelo que têm feito ou deixado de fazer os Civita, mas, obrigado a procurar uma clínica de exames gerais para ver se tudo anda em ordem com o corpo, já que o espírito continua bem aconchegado por Oxuns e Iemanjás, dou com o desespero daquela tradicional família máfio-judáica pendurado lá na revistaria para o passatempo dos consulentes da clínica.
 
Insensíveis, por sinal, pois de todas as outras publicações sobre diferentes frivolidades, só a desta capa mantinha-se ali, sem despertar o menor interesse:
 
Posso imaginar que as demais publicações escolhidas pelos que aguardavam, também seriam de edições antigas, mas aquela me intrigou pelo anacronismo do assunto de capa, já tão sobejamente desqualificado e ridicularizado pelas investigações dos crimes cometidos pela dupla Demóstenes-Cachoeira.
 

Claro que, como todo mundo, também sei que quem adotou o Mensalão foram as famílias da mídia brasileira em geral, coligadas ou cooperadas num esforço inaudito para dar corpo e vida à cria batizada pelo Roberto Jefferson. E que depois de desafinar aqui e ali nas tantas festinhas em comemoração à unção do prematuro (há quem diga que se parido uns 6 meses depois, Lula não se reelegeria), Jefferson o passou para as mãos de CPIs e da Mídia num claro “Segura que o filho é teu!” e, antes de ser mijado, escafedeu-se sem sequer se despedir do vigário.
 
Não é pra menos! Nem os pais da criança aguentavam mais o chato daquele padrinho metido a barítono! Mas a verdade é que até aí ninguém sabia quem eram os pais da criança (se é que assim se pode chamar o monstrinho prematuramente abortado) e acabou sendo alimentado e criado com muito carinho nas mesas de edição dos Marinho, dos Frias, dos Mesquitas. E dos Civita também, lógico!
 
Diariamente saia de uma casa ia pra outra a qualquer hora e sobretudo nas madrugadas de lançamento de circulação, crescendo a olhos vistos, engordando com todos aqueles mimos e atenções.
 
No entanto, apesar de tanto zelo o moleque não passou de ano em 2006. Um espanto! Depois de tanto biotônico, tantos cuidados e fermentos, tudo para se moldar em enorme rapagão, um gigante a papar qualquer eleição que viesse a frente... deu-se em raquítico!
 
O que poderia ter havido? - perguntaram-se os que o adotaram. Adotivos, mas tão corujas quanto biológicos fossem, chegaram até culpar todo o resto da nação por não marchar de acordo com o passo do pupilo.
 
Culpa do padrinho canastrão não foi, mas já não adiantava mais entoar a mesma ária e se foi produzindo outros cruzamentos, promovendo outros abortos, e até a Mônica Serra, experiente no assunto, entrou nesse parir de monstruosidades em origami, como a bolinha de papel que detonou com a careca do marido.
 
Nada deu certo e como com toda a ninhada que posteriormente veio de roldão, o Mensalão também foi abandonado.
 
Convenhamos que não foi pra menos! Afinal, embora tenha cumprido galhardamente com parte de seu papel ao promover bengaladas no José Dirceu, acabou provocando a ascensão e o reconhecimento nacional à Dilma Rousseff. Ou seja: trocou 6 por meia dúzia. Tirou o Palocci e pôs o Mantega! Mexeu com quase metade da equipe do governo Lula, mas o governo Lula provou-se ser mais do dobro de sua própria metade e acabou elegendo a sucessora que não precisou nem bater o pé pros vira-latas que latiam de longe, já receosos desde quando o Agripino Maia enfiou o rabo no meio das pernas, num tal aperto de um olho que os outros dois não paravam de piscar.
 
No entanto, a pergunta permanecia no ar: quem seriam os pais naturais do Mensalão? Os adotivos foram vários, entre os quais destacam-se as mais insignes famílias da mídia brasileira, mas até aí nenhum segredo. O assunto até andava meio morto, ainda que amornado pela previsão do julgamento do caso, há tantos anos requerido por seu principal acusado, o Dirceu.
 
Já se viu isso em algum lugar da história: um acusado implorar pelo próprio julgamento?
 
Pois quando a paternidade do Mensalão enfim se explicita, me espantou na esquecida edição pendurada ali na revistaria da clínica lotada de gente, hoje de manhã, o resgate do tema na capa do boletim dos Civita. Como havia muita gente que chegou na minha frente, não poderia deixar de tomá-lo às mãos, até para distrair o desconforto do jejum imposto, impondo outro ainda pior.
 
Pra minha sorte não foi assim nem com um nem com outro, pois a despeito de meu atraso na chegada fui chamado logo. Talvez em consideração ao duplo desconforto, o fato é que não tive de me expor à matéria e só deu para ler o apelo do editorial. Foi o que bastou para lembrar do conteúdo do link abaixo, que ainda nesta mesma semana distribui a todos meus correspondentes.
 
Copio novamente, aqui, o mesmo link da entrevista do Paulo Henrique Amorim com o Ernani de Paula, ex-correligionário e amigo do corrupto do DEM e do Contraventor, para que melhor se possa dimensionar o desespero dos Civita que, por enquanto, são os mais intimamente envolvidos com os pais biológicos da criança, embora se saiba não terem sido os únicos a se responsabilizar pela engorda do monstrengo.
 
Estes demais, antes do galo cantar já tentam negar o topete do Cachoeira ou a calvície do Demóstenes, mas o maternal sangue judaíco-siciliano clama por aquele a quem amamentou, implorando pelo filho pródigo!
 
Quem encontrar, favor avisar pelo amor do deus do Vaticano e das Sinagogas!
ASSISTA O VÍDEO:


 

Postado por Castor Filho
 

 

Nenhum comentário sobre a Lei de Acesso à Informação, que vale a partir de hoje?

Eu já fiz o meu primeiro questionamento: um bom tempo atrás fiz uma denúncia de possíveis irregularidades num edital e o órgão nunca se pronunciou.

Como os outros cidadãos estão aproveitando a nova era?

 

 “ No Conversa Afiada "

http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Navalha_txt.jpg); MARGIN-TOP: 45px; BACKGROUND-POSITION: center top; HEIGHT: 75px"> 

Navalha


Assa a batata de todos os dantas e assemelhados que movem mais de 40 ações contra esse blogueiro e tantos outros que perseguem o Nassif, o Azenha, o Rodrigo e tantos outros pelo Brasil afora.


(Não perca a divertida Galeria de Honra Daniel Dantas. Diz-me quem tem processa e dir-te-ei quem és.)


 


Paulo Henrique Amorim


 





 

16/05/2012 - 06h52


 


Ex-ministro diz que houve acordo para investigar esquerda

Publicidade

DE SÃO PAULO


 


Hoje na FolhaA Comissão da Verdade, que será instalada hoje, colocou em rota de colisão dois ex-ministros que participaram das negociações para a criação do órgão, informa reportagem de Diógenes Campanha, publicada na Folha desta quarta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).


A missão do grupo é investigar violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988 e seu foco inicial serão eventos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985).

Jane de Araújo - 20.mar.2012/Agência Senado

Ex-ministro da Defesa Nelson Jobim

Ex-ministro da Defesa Nelson Jobim

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que deixou o cargo em 2011, disse que o acordo político que viabilizou a criação da comissão previa que ações da esquerda armada também seriam investigadas, e não somente os atos dos agentes da repressão.


"Esse foi o objeto do acerto na época da redação do texto da lei [que criou a comissão]", disse à Folha.


Ele afirma que discutiu o tema com o então ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Paulo Vannuchi, e que ficou acertado que seriam apuradas violações de direitos humanos "em todos os aspectos".


 

 

16/05/2012 - 06h00


Deslumbrados por dinheiro da Globo, clubes brasileiros contraem dívida recorde em 2011

Bruno Doro
Do UOL, em São Paulo


O Campeonato Brasileiro de 2012, que começa no próximo sábado, promete ser o mais rico da história. Graças ao novo contrato de transmissão com a TV Globo, assinado em 2011, o futebol verde-amarelo apresentou um crescimento de 27% das receitas no ano passado. O problema é que as dívidas subiram ainda mais.


Em estudo divulgado pela empresa de consultoria BDO, os clubes geraram R$ 457 milhões extra de receitas em 2011 em relação a 2010. No mesmo período, o endividamento ficou R$ 628,4 milhões maior. “Esse nível de endividamento assusta. Você vê que os clubes estão fazendo mais dinheiro e acha que as finanças estão ficando equilibradas. Mas quando olha para os valores de endividamento, não é isso que está acontecendo”, analisa Amir Somoggi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO.



A análise foi feita com base no balanço de 20 times do Brasil: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Figueirense, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Grêmio Barueri, Internacional, Palmeiras, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Caetano, São Paulo, Vasco da Gama e Vitória.


Juntos, esses clubes geraram receita total de R$ 2,14 bilhões, contra R$ 1,68 bilhões de 2010. O crescimento foi de 27%, gerando R$ 457 milhões em dinheiro novo para o futebol. Os números do endividamento são ainda maiores: o total de dívidas ficou em R$ 3,86 bilhões em 2011, frente os R$ 3,23 bilhão de 2010. A evolução foi de 19%, representando um aumento no endividamento de R$ 628,4 milhões.


TV mantém Corinthians como o mais rico


 



No ano passado, os clubes brasileiros modificaram a forma de negociação dos direitos de transmissão de TV. Antes, o Clube dos 13 era o responsável pelo acordo. Desde o ano passado, a negociação se tornou individual. Isso fez com que a TV ganhasse ainda mais importância na saúde financeira do futebol nacional. Segundo o estudo, é a principal fonte de renda dos clubes, responsável por 36% das receitas. Em 2007, essa participação era de apenas 22%.


Nesse cenário, o clube mais rico do país continua sendo o Corinthians, que assinou o contrato mais lucrativo. O time recebeu R$ 112,5 milhões das cotas de TV em 2011. Somados às receitas com patrocínio, venda de atletas, bilheteria, clube social e outras fontes, corintianos ganharam R$ 290,5 milhões. O segundo na lista é o São Paulo, com R$ 226,1 milhões, que tem como destaque os ganhos com o Morumbi, que, mesmo sem receber jogos de rivais é o responsável por 18% dos ganhos tricolores.


O Internacional aparece em terceiro lugar, apesar de receber apenas a sétima maior verba de TV. Os gaúchos, porém, compensam a diferença com a renda proveniente dos sócios, que representam 21% de suas receitas. O Santos é o quarto da lista, graças aos ganhos com bilheteria (em que é o mais rentável do país) e patrocínio (ancorado pelo fenômeno Neymar). O Flamengo, que recebeu a segunda maior cota de TV (R$ 94,4 milhões), aparece em quinto lugar na lista.


Custo Futebol diminui em 2011


 



Um dos índices criados pela consultoria para analisar a saúde financeira dos clubes é o Índice Futebol. Ele mede quanto os clubes gastam com o futebol em relação à receita geral. “É uma forma de analisar quanto cada clube utilizou de sua receita no ano para a manutenção do departamento de futebol. Com isso, você pode ver se o clube está respeitando seus limites de gastos”, explica Somoggi.


Em 2011, o Custo Futebol dos 20 clubes ficou em 72,4%, com gastos de R$ 1,55 bilhão em 2011 contra receitas de R$ 2,14 bilhões. Em 2010, o índice estava em 78,3% (gastos de R$ 1,31 bi contra receitas de R$ 1,68 bi). “Apesar dos custos com o departamento de futebol terem aumentado, o Custo Futebol diminui já que o aumento das receitas foi maior do que o aumento dos gastos com o futebol”, completa.


Endividamento cresce 89% em cinco anos


 



Apesar dos bons indicativos apresentados pela análise, existem problemas para os clubes. E as dívidas são as grandes vilãs. Nos últimos cinco anos, os 20 clubes analisados passaram de um endividamento total de R$ 2,04 bilhões em 2007 para R$ 3,86 bilhões em 2011, uma evolução de 89% (R$ 1,8 bilhão).


A maior parte desse aumento, porém, não vem dos problemas dos times com o Governo Federal. Graças à Timemania, encargos fiscais com o Governo Federal (FGTS, INSS e Receita) estão controlados, diminuindo sua participação no volume total de endividamento dos clubes. Outras dívidas, no entanto, aumentaram. “Outras dívidas, que podem ser empréstimos bancários ou adiantamento das cotas futuras de TV, por exemplo, são o grande problema dos clubes hoje. Nos últimos três anos, 82% do crescimento do endividamento dos clubes não foi proveniente de passivos fiscais a serem parcelados pela Timemania”, analisa Somoggi.


Com isso, todos os 20 clubes apresentaram déficits do exercício em 2011 de R$ 366,1 milhões. Em 2010, esse déficit foi de R$ 333,7 milhões. Nesse quesito, o time com os maiores prolemas é o Botafogo, que apresentou balanço de R$ 166,6 milhões negativos em 2011, com a entrada de uma série de dívidas provindas do parcelamento da Timemania. Excluídos os valores do Botafogo, os clubes brasileiros continuam deficitários (gastam mais do que ganham), mas a melhora nos déficits foi de 34%.


Com isso, a conclusão da análise da BDO é simples: aproveitando o momento de crescimento das receitas, o foco da gestão dos clubes para 2012 deveria ser “um controle mais efetivo dos custos com futebol e redução do endividamento, que gera pesadas despesas financeiras”.


 


 

 

Nos trens e no metrô de São Paulo, os acidentes se repetem com uma frequência assustadora, e pior, graves!!! É uma crônica do tipo escrita pelo Gabriel Garcia Marques: "Crônica de uma Morte Anunciada".

A cada dia que passa, evito mais e mais andar de metrô por tais razões. Perdi a confiança. Há cerca de três dezenas de anos atrás residi em Paris e só andava de metrô. Tinha confiança total...

 

José Antônio

Muito interessante esta entrevista na BBC-Brasil.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120515_kornbluh_entrevista_pu_ac.shtml

 

Transportes : por que se rejeita os VLTs - Veículos Leves sobre Trilhos


Do Outras Palavras 

Rápidos e baratos, eles poderiam transformar mobilidade nas metrópoles. Porém, incomodam empreiteiras, frotas privadas de ônibus e obsessão pelo automóvel 

Por Rogério Centofanti*

Ninguém parece se conformar com a evidência: trânsito e transporte na cidade de São Paulo (e em alguns de seus satélites) estão além do suportável, e não existem soluções à vista, exceto por meio de medidas radicais. Não sabendo pensar mobilidade além dos meios convencionais, ou por nos recusarmos a imaginar soluções que ameacem a desconfortável “zona de conforto”, ficamos reclamando em círculos.

Esquecemo-nos de que as soluções do passado converteram-se nos problemas do presente. O automóvel, enquanto saída individual e privada para os péssimos transportes coletivos (ruins em quantidade e qualidade), foi interessante até que milhões deles congestionassem ruas e avenidas, além de aumentar o custo das construções, pois a garagem tornou-se tão essencial como o dormitório.

As motos chegaram aos poucos, como solução igualmente individual e privada, econômica e prática para escapar do trânsito, e hoje fazem parte do problema, em especial no quesito segurança.

Para ajustar todo esse volume de pneus ampliaram-se ruas e avenidas, criaram-se túneis e viadutos, mas o volume do tráfego cresceu e cresce em proporção superior as obras. Reduziram-se as calçadas, impediu-se o estacionamento junto ao meio fio, mas não resolveu. Áreas que poderiam estar a serviço de construções de residências transformaram-se em estacionamentos privados, cujos preços são, proporcionalmente, mais caros do que dos aluguéis ou de estadas em hotéis.

Matéria completa :

http://www.outraspalavras.net/2012/05/14/transportes-por-que-se-rejeita-...

 

Demarchi

Se não me engano, não vi ninguém comentando essa notícia por aqui ainda. É sobre a já conhecida prática da monsanto de cobrar "royalties" sobre as sementes que os produtores replantam a partir da própria safra colhida.

 

http://diblasi.com.br/en/2012/1467-brazilian-justice-has-condemned-monsa...

 

Judge Giovanni Conti, of the 15th Circuit of Porto Alegre, determined the immediate suspension of collection of royalties, technology fee or compensation on the marketing of transgenic soy by Monsanto, ranking as illegal the incidence of charges on producers. The decision was motivated by the collective action proposed by the Rural Union of Passo Fundo, Rural União of Sertão, Rural Union of Santiago, Union of Rual de Girá, Rural Union of Arvorezinha and by the Federation of Agricultural Workers of Rio Grande do Sul State (FETAG) against Monsanto of Brazil Ltd. and Monsanto Technology LLC.

 

 

Se não me engano, não vi ninguém comentando essa notícia por aqui ainda. É sobre a já conhecida prática da monsanto de cobrar "royalties" sobre as sementes que os produtores replantam a partir da própria safra colhida.

http://diblasi.com.br/en/2012/1467-brazilian-justice-has-condemned-monsa...

Judge Giovanni Conti, of the 15th Circuit of Porto Alegre, determined the immediate suspension of collection of royalties, technology fee or compensation on the marketing of transgenic soy by Monsanto, ranking as illegal the incidence of charges on producers. The decision was motivated by the collective action proposed by the Rural Union of Passo Fundo, Rural União of Sertão, Rural Union of Santiago, Union of Rual de Girá, Rural Union of Arvorezinha and by the Federation of Agricultural Workers of Rio Grande do Sul State (FETAG) against Monsanto of Brazil Ltd. and Monsanto Technology LLC. 

 

BHTec sai do papel para a realidadeAtrasos marcaram a execução das obras do parque tecnológico da capital mineira, mas inauguração está marcada para hoje

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2012/05/16/internas_economia,294513/bhtec-sai-do-papel-para-a-realidade.shtml

http://www.bhtec.org.br/


 


Aqui jornais discutem as temporadas de futebol, de "luta livre" (agora nas mãos da globo), do c.. a quatro, das fotos roubadas, e tal...

"Jornais e revistas debatem o orçamento e programas de TV e rádio passam temporadas tratando do tema."


http://www.portalcontabilsc.com.br/v2/?call=conteudo&id=9159

15/05 A ciência da sinceridade

No Brasil do capitalismo democrático, a contabilidade é cada vez mais relevante, um fator decisivo para a credibilidade dos setores público e privado.

A ciência contábil floresce e se desenvolve quanto mais democrático for o país. Balanços publicados dão a dimensão do desempenho das organizações. Se os lucros dos bancos são maiores do que a soma dos obtidos pelas outras empresas listadas na Bolsa de Valores, conclui-se que os juros estão elevados e sugam parte da saúde financeira dessas firmas. E mais: a política monetária é alterada em função dessa informação. Se o balanço da previdência indica despesa maior do que as contribuições, o sistema está comprometido.

Imaginem informações dessa natureza em ditaduras. Tiranos controlam seu povo sem lhes dar condições de divergir, e a contabilidade é ciência da sinceridade! A relevância do contador é de tal ordem, que em países como a Inglaterra o orçamento do governo é assinado por um desses profissionais e entregue ao Parlamento pelo primeiro ministro, em ato de visibilidade pública. Jornais e revistas debatem o orçamento e programas de TV e rádio passam temporadas tratando do tema. Ser contador no Reino Unido tem tal significado que até pouco tempo atrás era a rainha quem entregava solenemente a carteira profissional.

Por que no Brasil a contabilidade não foi tratada da mesma forma? Por que os nossos jovens não se entusiasmam pela carreira? Afinal, paga-se muito bem, o mercado sempre demanda esse profissional e ele pode ser um empresário. Parece que a profissão perdeu parte da relevância na ditadura. Informação clara não era o que se queria levar à sociedade. Outro aspecto foi a inflação dos anos 70 e 80 e parte dos anos 90. Durante quase três décadas, nossos bravos contadores ficaram de cabelos brancos, cuidando de corrigir monetariamente os balanços. Sem falar na interferência do fisco, que fazia da contabilidade o seu instrumento para calcular e taxar.

Parte das mudanças veio com a Lei das Sociedades por Ações, de nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, iniciando-se um processo de arejamento da contabilidade brasileira, possibilitando a abertura do mercado de capitais e viabilizando recursos da poupança para as empresas. Mais recentemente, a lei 11.638, de 28 de setembro de 2007, adequou nossa contabilidade às normas internacionais.

A grande missão da contabilidade desde o seu criador, o frei Luca Bartolomeo de Pacioli, é estabelecer a responsabilidade no trato da coisa pública e privada. Este elementar princípio, que ele descreveu em 1494, instituiu uma nova ordem, que indicava ser impossível que alguém aplicasse um recurso sem ter a sua origem definida. Quando não se respeitam tais pressupostos, tende-se a montar orçamentos que não fecham, contas que não batem e empresas e países que quebram.

No Brasil atual do capitalismo democrático, a contabilidade é cada vez mais relevante, um fator decisivo para a credibilidade dos setores público e privado. Por isso, é fundamental a formação de novos contadores altamente capacitados no plano técnico e conscientes de seu papel no desenvolvimento. Que os jovens descubram essa emocionante profissão.
 
* por Antoninho Marmo Trevisan, presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do Conselho Superior do MBC - Movimento Brasil Competitivo / artigo publicado no  Brasil Econômico

 

 O link de vídeo abaixo foi enviado por: m


Catastroika, um documentário sobre o caos da privatização - Portal Vermelho
m diz:

 

História: A revanche dos sem nome 
Quatro imigrantes espanhóis ilegais interceptados na costa da Argélia. Quem, antes, acreditaria?!
15/5/2012, Rede Tlaxcala - La revancha de los innombrables de la Historia - Cuatro inmigrantes ilegales españoles interceptados en la costa de Argelia. ¿Quién lo hubiera creído?
Traduzido para espanhol pelo Coletivo Tlaxcala e do espanhol e francês para português pelo pessoal da Vila Vudu 
Pergunta: o leitor espanhol algum dia ouviu a palavra harraga? Resposta: Não, nunca. A variante dialetal do árabe marroquino chama de harragas os africanos que queimam os próprios documentos de identidade, antes de emigrar para a Europa em balsas, para dificultar a repatriação [1]. Mas não têm nome na Espanha pós-colonial, pois os jornais e televisões, lá, chamam-nos simplesmente de “imigrantes ilegais” ou “sem papéis”.  Até há poucos dias, a viagem desses sem papéis e sem nome era sempre para o norte. Pois eis que a crise econômica que assola a Europa acaba de nos oferecer uma notícia que é como uma revanche histórica: dia 17 de abril, o jornal argelino Liberté publicou notícia sobre quatro imigrantes ilegais espanhóis, interceptados pela polícia costeira da Argélia. Dessa vez, haviam partido do norte, rumo ao sul. O curioso é que já lá vai quase um mês do acontecido, sem que nenhum jornal ou rede de televisão na Espanha ou no resto da Europa tenha noticiado. Vergonha? Sabe-se lá. Façamos votos de que os quatro rapazes tenham melhor sorte na próxima tentativa, talvez rumo à Argentina, Venezuela ou Cuba.  Aqui, a notícia publicada no Liberté, de Alger (traduzida): Porto de Oram, Argélia“Harragas”espanhóis interceptados em Oram.Quem, antes, acreditaria? 17/4/2012, Reguieg-Issaad, K., Liberté, Alger, Argélia “Des harragaS espagnols appréhendés à Oran - Qui l’eût cru?” A informação é uma bomba e não passou inadvertida, pois são... harragas espanhóis recentemente detidos pela polícia argelina, na costa ocidental do país.  A crise econômica mundial, que afeta a Espanha e alguns países europeus sugeriu uma via a quatro jovens espanhóis, que decidiram procurar trabalho em terras africanas. O que poderia ser mais natural, uma vez que a Argélia negou-lhes os vistos, que tentassem cruzar o mar em sentido oposto?  Os harragas espanhóis foram interceptados num barco, quando desembarcavam na costa da Argélia. Viajaram atraídos pelas oportunidades de trabalho nas muitas empresas espanholas que operam em Orán. Segundo nossas fontes, os jovens espanhóis, demitidos dos respectivos empregos em empresas que fecharam na Espanha, solicitaram visto de entrada na Argélia, sem sucesso. Os jovens espanhóis, agora, serão repatriados.  Corrigindo o rumo (Kcho [2] , Cuba)
 
 Notas dos tradutores[1]  Harrāga é palavra de origem norte-africana, que significa “os que queimam” [seus documentos] (L’Orient Le Jour, Beirute, 15/5/2012, em: “Omar et Hassan arrêtent des clandestins européens...”) [2]  Artista plástico cubano

Postado por Castor Filho


 

terça-feira, 15 de maio de 2012

PROCURADOR ROBERTO GURGEL VAI TER QUE SE EXPLICAR À CPMI - POR ENQUANTO POR ESCRITO   5 DIAS PARA DIZER O QUE FEZ, O QUE NÃO FEZ E OS MOTIVOS QUE O LEVARAM A NÃO DAR PROSSEGUIMENTO A OPERAÇÃO VEGAS.
 Roberto Gurgel está tendo uma oportunidade de ouro de se explicar à CPMI e por conseguinte aos cidadãos brasileiros. O Relator da CPMI, Deputado Odair Cunha encaminhou a questão de modo a evitar uma situação delicada e com aumento de temperatura, sem no entanto deixar de "solicitar" as informações que o Procurador da República deveria de forma simples, transparente e de boa vontade se prontificar a fornecer.
Vamos esperar que a resposta de Gurgel não seja na linha arrogante e belicosa que ele começou a trilhar, que ele não se negue a responder ou que responda de forma lacônica.
Superar esse impasse, está nas mãos de Gurgel, vejamos se ele quer e pode realmente mostrar que atuou da forma correta. O requerimento de Odair Cunha lista cinco perguntas a serem feitas ao procurador : em que circunstâncias chegaram os autos da Operação Vegas à Procuradoria-Geral da República (PGR)? Quando os dados chegaram? Quais as providências adotadas por Gurgel diante dos indícios levantados pela PF? Em que data e em quais circunstâncias a PGR teve conhecimento da Operação Monte Carlo? E quais providências foram tomadas em relação à Operação Monte Carlo?
O relator informou que caso as informações não sejam prestadas ou não sejam suficientes, nada impede que o requerimento de convocação do procurador Roberto Gurgel seja votado na próxima semana pela CPMI.  LEIA + AQUIhttp://www1.folha.uol.com.br/poder/1090706-cpi-vai-mandar-questionario-a-procurador-geral-da-republica.shtml
<<<>>> NOTAO Deputado Miro Teixeira precisa  refletir sobre algumas das coisas que tem dito e posições que vem adotando. Uma recaída ao "Chaguismo" e flerte com a mídia conservadora, cairiam muito mal para o parlamentar. <<<>>>  
Postado por às 19:27 0 comentários Links para esta postagem  Do 007BONDeblog.

Postado por


 

O escritor Mario Vargas Llosa e sua tia Júlia 

Urariano Motta* Em 2010, quando publiquei o texto “Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura”, de passagem eu criticara a infeliz recriação do peruano no livro A Guerra do Fim do Mundo. Ainda que na época o comunicado de Estocolmo informasse que na literatura de Llosa o tema central era a luta pela liberdade em seu país, pois os prêmios, como os obituários, mentem na proclamação das virtudes, maior foi a mentira na imprensa brasileira ao noticiar o livro sobre Canudos como um dos seus grandes feitos.  Pelo contrário, já ali eu havia notado que pelo menos em A guerra do fim do mundo Mario Vargas Llosa havia sido um portentoso fracasso ao cometer um livro falho, indigno de um criador um pouquinho acima da média, porque não se sustentava em vários níveis:  a)pela criação mesma de personagens – e um deles era nada mais, nada menos, que Antonio Conselheiro; b)pela desproporção de abismo entre a dimensão humana/política de Canudos e o livrinho realizado; c)pelo cotejo inevitável com a obra-prima Os Sertões – o de Llosa e o de Euclides eram dois mundos estranhos, antagônicos, repelentes recíprocos; d)pela aviltação de Euclides da Cunha, um intelectual de honestidade absoluta, que só era recuperado para o grande público em recriações constrangedoras (e fugia do objeto do texto, na ocasião, e por isso não foi lembrada a insultuosa minissérie Desejo, da Rede Globo, onde o drama familiar de Euclides se transformara em realce para uma personagem feminista de vanguarda). Mas, digamos, isso é passado. O diabo é que o passado na literatura é um infindável presente. Nela não há jornal velho ou produto com a validade vencida. Se nos perdoam os norte-americanos, na literatura há uma eternidade muito acima da dos diamantes, pois em vez de pedras a humanidade é que brilha. E se perdoam o passo, passagem e queda, queremos dizer, aquele passado ruim, precário e pretensioso de Mario Vargas Llosa torna a voltar em Tia Júlia e o Escrevinhador. Então digamos, isto é presente. Para o caso de Tia Júlia, pouco importa se o narrado se atribua a um autor de radionovela, Pedro Camacho, louco de frases sonoras e de extravagâncias, ou a um escritor cujas recordações se confundem com as do tido como o Magnífico Mario Vargas Llosa. Importa o conjunto, a forma da argamassa geral do livro, e o sentimento de dó, constrangimento que causa até nos olhos de quem desejava apenas se entreter, mas sem rebaixar a própria inteligência. Pois o que diria um leitor diante desta literatura cuja eternidade está mais para diamantes que para a humanidade? “Demorou para pegar no sono e, quando pegou, começou imediatamente a sonhar com o negro. Via-o cercado de leões e cobras vermelhas, verdes e azuis, no coração da Abissínia, de cartola, botas e uma varinha de domador. As feras faziam graças ao compasso de sua varinha e uma multidão espalhada pelas moitas, troncos e galhos alegrados pelos cantos dos pássaros e o chiar dos macacos, o aplaudia loucamente”.  Dirá no mínimo que estamos ante um mau escritor, que divaga para expressar o mundo dos sonhos sem entrar na pele do personagem. E pior, que neste romance não há uma seleção de fatos, que são substituídos por amontoados descritivos. Mas o trecho é de “Pedro Camacho”, ruim e extravagante de ruim de propósito.  Então vamos ao próprio escritor.  Além da falta de seleção de pessoas e circunstâncias, com narração sonolenta, em um relato de paixões e carnalidade quase não há sexo, ou o que seria mais humanamente literário, de promessa de sexo entre belos e saudáveis primos que se contam segredos, por exemplo. Em um trecho, o narrador fala a sua prima, e dela faz uma confidente amorosa. São dois jovens que se falam de amor e paixão, sem que se envolvam na chama. O que vem a seguir não é crível, acreditem, quando um impetuoso rapaz de 18 anos conta para a linda prima: “- Você gosta da Julita só ou está apaixonado por ela? Houve tempo em que lhe fizera confidências sentimentais e agora, como ela já sabia da história, fiz de novo. Tudo havia começado como uma brincadeira, mas, de repente, exatamente no dia em que senti ciúmes de um endocrinologista, me dei conta de que estava apaixonado. Porém, quanto mais voltas dava, mais me convencia de que o romance era um quebra-cabeça. Não só por causa da diferença de idade. Ainda me faltavam três anos para terminar a advocacia e eu desconfiava que nunca exerceria essa profissão, porque a única coisa de que gostava era escrever. Mas todos os escritores morriam de fome. Por ora, só ganhava para comprar cigarros, alguns livros e ir ao cinema. E tia Júlia ia me esperar até que eu fosse um homem capaz de saldar suas dívidas, se é que algum dia chegaria a isso. Minha prima Nancy era tão boa que, em vez de me contradizer, me dava razão: - Claro, sem contar que aí você talvez não goste mais da Julita e largue dela – me dizia com realismo. – E a coitada terá perdido tempo miseravelmente. Mas, me diga uma coisa, ela está apaixonada por você ou está só brincando? Respondi que tia Júlia não era uma biruta frívola como ela (coisa que a encantou).”  A isso caberia só uma anotação ao lado: absurdo! O autor relata como um burocrata, isso, conta sem que se reflita nos personagens o que ele conta do que fazem. Em romance, ou melhor, em arte, isso é grave. Ele descreve fatos, ele não narra gente. O reflexo do acontecimento na pessoa navega ao largo. Aquilo que aprendemos em desenho, em imagens do bom e velho cinema, de que a sombra do personagem, em momentos dramáticos, é mais humana que a pessoa, e nem precisaríamos ir a Eisenstein, pois nos basta o que o genial Kafka ensina quando elude o prosaísmo que é o simples contar fatos, esqueçam. Ou melhor, lembrem por oposição neste passo do Tia Júlia: “- O que eu não gosto nem um pouco é a história do revólver – comentou tia Júlia. – Acho que é em mim que ele haverá de dar um tiro. Olhe, Varguitas, espero que meu sogro não me mate em plena lua-de-mel. (Negritos desta resenha) E o acidente? Coitado do Javier! Coitado do Pascual! Que confusão a gente aprontou para eles com nossas loucuras... Pagamos o hotel, fomos tomar um café com leite na praça de Armas e meia hora depois estávamos outra vez na estrada, em um velho lotação, rumo a Lima. Durante quase todo o trajeto, fomos nos beijando, na boca, no rosto, nas mãos, nos dizendo ao ouvido que nos amávamos e brincando com os olhares inquietos dos passageiros....”. Para não dizer absurdo, digamos, isso é falso. O jovem Vargas de 18 anos e sua tia de mais de trinta estavam sob a mira de uma explosão familiar, com ameaças de morte de um senhor arbitrário, pai do narrador, sob escândalo moral e de costumes. E, no entanto, rumavam para o centro do vulcão em Lima aos beijos e apertos.  Quem já passou pelo amor e paixão tensos e perseguidos sabe que as linhas citadas acima são vazias de significado. Amantes à beira do limite de uma dissolução não agem com tamanha leviandade, digamos, para dizer o mínimo.  Nesses dois falhos personagens não há o morre e renasce, morre e renasce, como as batidas de um músculo no peito. Júlia e Varguitas longe estão de seguir para o centro de suas vidas com os olhos vermelhos, porque desejariam renascer, quando na verdade fariam um nascimento a fórceps, vindo daquela luz emitida por Goethe.  “Enquanto não compreenderes que tudo morre e que tudo renasce, continuarás a ser apenas um visitante de um triste planeta”.  Qual. Para quê um clássico luminoso, para que exigências de humanidade em personagens cômicos, burlescos? Em Tia Júlia e o Escrevinhador, Mario Vargas Llosa vence o escândalo, os traumas, a tempestade, a inexperiência de adolescente, pelo que conta em suas linhas.  “O casamento com tia Júlia foi realmente um sucesso e durou bem mais do que todos os parentes e até ela mesma tinham temido, desejado ou prognosticado: oito anos”.  Que sucesso! O narrador venceu todas as dificuldades. Em Tia Júlia e o escrevinhador, Mario Vargas Llosa perdeu apenas o mais essencial para um escritor: a construção e a responsabilidade da arte de narrar. Resenha enviada pelo autor
Ilustração (caricatura) de Mechaín Urariano Motta*é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contosem Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor deSoledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, eOs corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).

Postado por Castor Filho


 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Um país que está à venda 
Felipe Calderón

Publicado em 15/05/2012 por Mário Augusto Jakobskind*  O México só aparece no noticiário quando há infomações sobre confrontos e assassinatos na guerra do narcotráfico. O Presidente Felipe Calderón, já em fim de mandato, o principal responsável pela situação atual, é um aliado incondicional dos Estados Unidos. Por isso e muitas outras, os opositores de Calderón em tom irônico postaram um anúncio nas redes sociais que dá bem a ideia do governo que se encerra nos próximos meses. O anúncio revela a existência de um “País a venda” e exorta os interessados a “aproveitarem, a oferta”. E segue afirmando: “seminovo, não mais de 200 anos de antiguidade. Todos os climas disponíveis. Rico em petróleo e outros recursos naturais. Problemas de insegurança para os amantes do perigo e as emoções fortes. Informes: @felipe calderon”. Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN) fez um governo desastroso, aplicando o modelo econômico neoliberal ao extremo. Tem relações carnais com os EUA ao melhor estilo do argentino Carlos Menem. Colocou o Exército no combate ao narcotráfico nos seis anos de mandato. Deu no que deu, ou seja, o número de mortos chega a 50 mil e diariamente surgem imagens impactantes de corpos degolados sem cabeça na luta sem fim entre as várias quadrilhas. O esquema Calderón parece estar totalmente esgotado em todos os níveis. As pesquisas indicam que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) deve voltar ao poder para governar seis anos com Henrique Peña Nieto, que aparece na frente das pesquisas disparado. Os outros candidatos para as presidenciais de 1 de julho próximo são: López Obrador, do Partido Revolucionário Democrático (PRD), de esquerda, e Josefina Vázquez Mota, do mesmo partido que Calderón. O quarto pleiteante é Gabriel Quadri, do Partido Nova Aliança, a maior zebra. Os mexicanos elegerão também governadores e parlamentares num total de 638. O partido que governou o México por cerca de 70 anos, ou seja o PRI, e produziu lideranças importantes, como Lázaro Cárdenas, que nos anos 30 nacionalizou o petróleo e defendeu as riquezas do país para os mexicanos, não é nem a sombra do que já representou. É importante saber o que está acontecendo no país vizinho dos Estados Unidos, inclusive para os latinoamericanos ficarem alertas em relação a um modelo que só traz desgraças ao povo. Os gregos que o digam. Aliás, já deram o recado nas urnas de que não aceitam a austeridade proposta por Angela Merkel, que no ano que vem será também submetida ao voto popular. Por falar em Alemanha, neste último domingo a União Democrática Cristã, partido de Merkel sofreu uma fragorosa derrota para o Partido Social Democrata (SPD) na Renânia do Norte-Vestfália. O maior colégio eleitoral do país. Os vencedores governarão com o Partido Verde e segundo analistas o resultado terá reflexos nacionais.  A França deu o recado alijando Nicolas Sarkozy e sufragando o centro-esquerdista François Hollande, que terá uma grande responsabilidade pela frente com reflexos em toda a Europa. Vale uma observação sobre o resultado da eleição presidencial francesa. Para muitos analistas, a resposta está no voto em massa dos muçulmanos no socialista Hollande. É possível que se não fossem eles a França amargaria mais cinco anos do desastroso Sarkozy. Hollande tem uma grande responsabilidade pela frente, até porque, se falhar,  a França corre o risco da ascensão da extrema-direita com Marine Le Pen, o que seria o desastre dos desastres e poderia retornar, mesmo como farsa, ao cenário dos anos 30 do século passado. No tabuleiro internacional, a América Latina, salvo exceções do México, Panamá, Chile e Colômbia, tem produzido governos progressistas, embora alguns com altos e baixos.  Mesmo na eleição francesa, a opção mais a esquerda de Jean-Luc Mélenchon, que para muitos analistas pode desempenhar papel de destaque em pouco tempo, remeteu de alguma forma para a América Latina, lembrando certa proximidade com o Presidente Hugo Chávez na defesa dos interesses do povo.   Mélenchon em um ato de extrema coragem política decidiu concorrer nas eleições legislativas na circunscrição de Pas de Calais, em Hénin, para enfrentar a extremista de direita Marine Le Pen. Por isso, a região onde Le Pen ganhou para a Presidência terá uma eleição de caráter nacional e quem não deseja a ascensão desta herdeira do fascismo francês deve torcer ou pedir a Deus que vença Mélenchon. Portanto, as próximas decisivas semanas devem ser de acompanhamento das urnas na França e México. A Grécia está prestes a entrar em uma nova fase, porque o recado das urnas foi bem claro. E além do mais, o principal partido de esquerda não aceitou abrir mão dos seus princípios, rejeitando assim formar governo de coalizão com os partidos que aceitaram o arrocho do FMI - Fundo Monetário Internacional. Os gregos voltam às urnas em junho. Já no Brasil, as atenções estão também voltadas para a Comissão da Verdade, que depois da posse solene e concorrida, começará seus trabalhos a partir desta quarta-feira. Dos sete integrantes escolhidos destaca-se a psicanalista Maria Rita Khel, uma figura interessante que no passado foi detonada pelo jornal O Estado de S. Paulo por ter escrito um artigo que desagradou aos quatrocentões Mesquitas. Ela tem se destacado na defesa dos direitos humanos. Espera-se que a Comissão seja mesmo de verdade, não de meia verdade ou de mentira. E as Organizações Globo mais uma vez, seja no jornal ou televisão, desinformaram. De acordo com a Revista Forbes, várias mulheres foram relacionadas como as “mães fortes” de 2012.
Em primeiro lugar ficou Hillary Clinton e depois Dilma Rousseff. Cristina Kirchner, também citada entre as dez poderosas, simplesmente foi omitida pela sistema Globo. O Pravda da antiga URSS, adotava o mesmo procedimento com as figuras no index da burocracia. Leon Trotsky, fundador do Exército Vermelho, por exemplo, foi cortado dos anais. Agora, em defesa intransigente do capital e da mídia-de-mercado, as Organizações Globo não fazem por menos. Retiraram Cristina Kirchner exatamente porque ela governa a Argentina defendendo os interesses do país e muitas vezes entrando em choque com os barões da mídia. Enviado por Direto da RedaçãoIlustração de autoria de Aldo Carlos Malpartida Chaupin  Mário Augusto Jakobskind* é jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da Rádio Centenária de Montevidéu, além de Editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente é correspondente do semanário uruguaio Brecha e membro do conselho Editorial do Brasil de Fato. É autor, entre outros, dos livros América Que Não Está na Mídia (Adia, 2006), Dossiê Tim Lopes - Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América Latina - Histórias de Dominação e Libertação (Papirus, 1985) e Cuba - apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).

Postado por Castor Filho


 

 

Opinião Pública

15/05/12 | 08:01 - No SUL21

 

 

Como saber o que é verdade

 

Por Marino Boeira

 

Há alguns anos atrás, num vôo de São Paulo para Porto Alegre, sentei ao lado de um famoso  advogado gaúcho, conhecido pela sua militância nos partidos de esquerda e pelo seu confessado ateísmo ou no mínimo um agnosticismo militante.

 

A viagem era tranquila até o momento em que o avião começou a enfrentar uma forte turbulência. Para o meu espanto, o tal advogado repetiu várias vezes o sinal da cruz. Intrigado com aquele ritual, perguntei se isso não contrariava suas convicções. Ele prontamente me interrompeu, dizendo.

 

– Não é hora de discutir estes assuntos. Estamos no território Dele. Quando chegarmos em terra firme, podemos conversar sobre isso.

 

Será que todas as pessoas submetidas a algum tipo de estresse, não acabam se socorrendo de práticas místicas e velhos fetiches, em busca de algum tipo de conforto e segurança?

 

Lembrei então aquele livro maravilho do Roger Martin de Gard , não “Les Thibault”, pelo qual ganhou o Nobel de Literatura em 1937, mas outro, de 1914, “Jean Barois”, que em português ganhou um explicativo no título,”O Drama de Jean Barois”. O tal drama, era a dúvida de Jean Barois entre a fidelidade ao seu passado de intelectual ateu e o doente quase terminal em que se transformou na velhice . Ele morre consolado pela fé religiosa que fez parte da sua infância, mas ao abrir o seu testamento, a filha, uma freira que batalhara com sucesso pela conversão do pai, é surpreendida já na primeira frase do documento: “O que pensa o homem que sou hoje, lúcido e consciente, deve prevalecer sobre o velho que serei um dia”. Nas linhas seguintes, Jean Barois defende sua crença na ciência como único caminho para entender o mundo em que vivemos e repudia qualquer forma de misticismo, comuns na senilidade que marca o fim da vida.

 

Essas minhas lembranças das duas histórias – a recaída do advogado famoso e o livro de Roger Martin de Gard – se explicam pela leitura de um outro livro muito interessante.

 

Nessa época de leituras em tablets e IPOD, nada melhor do que ter nas mãos um livro de capa dura, com papel da melhor qualidade e ilustrações coloridas, para lembrar um prazer que hoje interessa a poucos. Estou falando do livro “A Magia da Realidade – Como sabemos o que é verdade”(The Magic of reality), de Richard Dawkins, com belas ilustrações de Dave McKean, que a Cia. Das Letras acaba de lançar no Brasil.  Dawkins, um ex-professor da Universidade de Oxford, é conhecido no mundo inteiro como um grande divulgador da ciência, principalmente da obra de Charles Darwin e teve seu livro de  maior sucesso,“Deus, um delírio”, também lançado pela Cia. Das Letras  no Brasil em 2007 e hoje, já na décima segunda reimpressão.

 

Nesse novo livro, Dawkins conta em 12 capítulos quais são as respostas da ciência para questões sobre o que é realidade, o que é magia, porque existem tantos tipos de animais, quem foi a primeira pessoa, e o que é um milagre. Segundo ele, as respostas que as ciências ainda hoje são incapazes de dar para muitas questões, serão dadas um dia e que, muitas coisas que nossos antecipados viam como um milagre, são hoje plenamente respondidas pelo conhecimento científico.

 

Diz ele no último capítulo do seu livro: “Há cerca de 2 mil anos, um pregador judeu itinerante chamado Jesus estava em uma festa de casamento quando o vinho acabou. Ele pediu água e usou seus poderes milagrosos para transformá-la em vinho – um vinho excelente, diz a história. Pessoas que ririam da idéia de que uma abóbora pode se transformar em carruagem e que sabem perfeitamente que lenços não viram coelhos (na cartola dos mágicos), acreditam que um profeta transformou água em vinho ou, como crêem devotos de outra religião, voou para o céu num cavalo alado” – para concluir mais adiante no mesmo capítulo – “Quanto mais refletimos, mais percebemos que a própria idéia de um milagre sobrenatural não tem sentido. Se acontecer algo que pareça inexplicável pela ciência, podemos, com segurança, concluir uma dentre duas coisas. Ou não aconteceu realmente (o observador se enganou, mentiu ou foi logrado por um truque) ou estamos diante de algo que a ciência ainda não sabe explicar. Se a ciência atual encontra uma observação ou um resultado experimental que não consegue entender, não devemos descansar até que ela evolua o suficiente para encontrar a explicação”.

 

Marino Boeira é professor universitário.


 

terça-feira, 15 de maio de 2012

PROCURADOR ROBERTO GURGEL VAI TER QUE SE EXPLICAR À CPMI - POR ENQUANTO POR ESCRITO   5 DIAS PARA DIZER O QUE FEZ, O QUE NÃO FEZ E OS MOTIVOS QUE O LEVARAM A NÃO DAR PROSSEGUIMENTO A OPERAÇÃO VEGAS.
 Roberto Gurgel está tendo uma oportunidade de ouro de se explicar à CPMI e por conseguinte aos cidadãos brasileiros. O Relator da CPMI, Deputado Odair Cunha encaminhou a questão de modo a evitar uma situação delicada e com aumento de temperatura, sem no entanto deixar de "solicitar" as informações que o Procurador da República deveria de forma simples, transparente e de boa vontade se prontificar a fornecer.
Vamos esperar que a resposta de Gurgel não seja na linha arrogante e belicosa que ele começou a trilhar, que ele não se negue a responder ou que responda de forma lacônica.
Superar esse impasse, está nas mãos de Gurgel, vejamos se ele quer e pode realmente mostrar que atuou da forma correta. O requerimento de Odair Cunha lista cinco perguntas a serem feitas ao procurador : em que circunstâncias chegaram os autos da Operação Vegas à Procuradoria-Geral da República (PGR)? Quando os dados chegaram? Quais as providências adotadas por Gurgel diante dos indícios levantados pela PF? Em que data e em quais circunstâncias a PGR teve conhecimento da Operação Monte Carlo? E quais providências foram tomadas em relação à Operação Monte Carlo?
O relator informou que caso as informações não sejam prestadas ou não sejam suficientes, nada impede que o requerimento de convocação do procurador Roberto Gurgel seja votado na próxima semana pela CPMI.  LEIA + AQUIhttp://www1.folha.uol.com.br/poder/1090706-cpi-vai-mandar-questionario-a-procurador-geral-da-republica.shtml
<<<>>> NOTAO Deputado Miro Teixeira precisa  refletir sobre algumas das coisas que tem dito e posições que vem adotando. Uma recaída ao "Chaguismo" e flerte com a mídia conservadora, cairiam muito mal para o parlamentar. <<<>>>  
Postado por às 19:27 0 comentários Links para esta postagem  Do 007BONDeblog.

Postado por


 

 

Tributação e crescimento

Ter, 15 de Maio de 2012 21:13

 Antonio Delfim Netto, no Valor

Como a história ensina, há aritméticas "desagradáveis" que impõem realismo às políticas sociais e econômicas com excessivo viés quer para o consumo (como é o caso brasileiro) quer para o investimento (como é o caso chinês). Elas sempre terminam de forma traumática quando não pressentidas e corrigidas no momento adequado. Há poucos dias a presidenta Dilma deu uma indicação precisa desse pressentimento quando afirmou que precisamos reduzir e melhorar a qualidade de nossa estrutura tributária, sem prejudicar as políticas públicas civilizatórias. No fundo foi uma reafirmação do seu programa inaugural: "Fazer mais com menos", ou seja, aumentar a eficiência do governo para acelerar o crescimento sem reduzir a política social de inclusão social.

A carga tributária bruta do Brasil é, de longe, a mais elevada de todos os países que têm uma renda per capita parecida com a sua e, pior: 1º) é absolutamente disfuncional. Tributa demais os investimentos que são o crescimento futuro e as exportações que financiam esse crescimento sem criar problemas externos; 2º) é absolutamente injusta e regressiva; 3º) é, talvez, a mais complexa do mundo; 4º) o Fisco persegue apenas a "facilidade" da tributação, como é o caso generalizado do "contribuinte substituto"; e 5º) conserva o mau hábito que tinha justificativa quando havia hiperinflação: o imposto é recolhido antes de o produto ser faturado e seu valor recebido pelo produtor.

 

É sempre difícil (e contestável) estimar as consequências sobre a taxa de crescimento do PIB de um sistema tributário que não começou muito bem na Constituição de 1988 e foi cuidadosa e sistematicamente distorcido ao longo das últimas duas décadas. Mas é possível ter uma ideia das profundas modificações estruturais que ele produziu nas relações entre o Estado e o setor privado.

Para ter uma intuição física do que aconteceu desde então, até 2011, imaginemos o PIB como a soma de uma "mistura" cujos componentes são, proporcionalmente, representados por todos os produtos produzidos no país. Suponhamos que em 1995 escolhemos uma unidade de medida que meça o PIB em 100 unidades dessa "mistura" (que inclui proporcionalmente desde o mais simples produto ou serviço, até o mais sofisticado equipamento de comunicação). Com um pouco mais de esforço, suponhamos que a população do Brasil (159 milhões de habitantes) no mesmo ano, seja também dividida em 100 unidades. Assim teríamos, em 1995, 100 unidades de PIB produzidas por 100 unidades de população, ou seja, "idealmente", uma unidade de PIB produzida por uma unidade de população.

Tomemos como "base" o ano de 1995. Como evoluíram o volume físico do PIB e a população até 2011? Usando os números do IBGE, o primeiro atingiu 161,9 unidades da mistura equivalente de 2005 (ignorando lentas mudanças produtivas estruturais). Se alguém quiser uma imagem mais "concreta", poderá simplesmente supor que em 1995 o PIB era igual a 100 toneladas da tal mistura e em 2011 atingiu 161,9 toneladas. Estamos interessados em saber como foi apropriado pelo governo e pelo setor privado o aumento das 61,9 unidades da mistura (ou toneladas).

O quadro abaixo mostra isso de forma esquemática, usando as informações disponíveis. É evidente que uma parcela do que foi "apropriado pelo governo" voltou, sob seu comando, ao setor privado por meio das políticas sociais civilizatórias de redução da pobreza absoluta, da melhoria da distribuição de renda, do déficit da Previdência e do pagamento dos seus serviços e investimentos, cuja eficiência e qualidade o governo precisa melhorar.

Produtividade do governo é menor que a do setor privado

O quadro mostra que tivemos um crescimento medíocre nos últimos 15 anos, da ordem de 3,3% ao ano. Como a população cresceu a 1,4% ao ano, isso nos deixou com um crescimento econômico per capita da ordem de 1,9%. A linha 2 da tabela mostra o único avanço robusto: o crescimento do PIB apropriado e distribuído pelo governo cresceu a 4,8% ao ano. Isso não pode deixar de ser preocupante do ponto de vista do crescimento econômico equilibrado, que depende, fundamentalmente, dos investimentos públicos que só agora parecem adquirir musculatura com a decisão de cooptar o setor privado por meio de concessões. Na margem, o governo se apropriou e distribuiu 48% do ganho de 61,9 unidades do PIB sem que, praticamente, tenha aumentado o seu investimento.

Outro ponto significativo é que desde 1995, a carga tributária bruta cresceu à taxa de 1,5% ao ano! O crescimento apropriado e distribuído pelo governo cresceu à taxa anual de 4,8% impulsionado pelos seguintes fatores: 1) crescimento da população, 1,4%; 2) crescimento PIB per capita, 1,9%; 3) crescimento da tributação, 1,5%

Não é necessário muita sofisticação para reconhecer que a produtividade do governo é menor do que a do setor privado e que, portanto, o aumento exacerbado do setor público tende a reduzir a taxa de crescimento econômico e, no fim, do social. É preciso, portanto, que a sociedade dê suporte a uma necessária reforma tributária que, esperamos, o governo tentará implementar no futuro próximo.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento


 

Ex-global vê armação em fotos de atriz nua na netEx-global vê armação em fotos de atriz nua na net Foto: Edição/247 Leila Cordeiro, jornalista da Rede Globo nos anos 80, não acredita em ingenuidade de Carolina Dieckmann, que teve 36 fotos sensuais espalhadas pela internet; caso multiplicou fama da atriz, como aconteceu no ano passado com a americana Scarlett Johansson; teria sido um ‘topo tudo por mais fama'?

15 de May de 2012 às 20:08

Minas 247 - A jornalista e apresentadora de telejornais Leila Cordeiro, que trabalhou durante 12 anos na TV Globo, escreveu um artigo polêmico sobre o caso da atriz global Carolina Dieckmann, que teve fotos íntimas capturadas por hackers e distribuídas na internet. Sem afirmar categoricamente, Leila, que chegou a apresentar o Jornal da Globo por três anos juntamente com o marido Eliakim Araújo - a dupla ficou famosa como o “Casal 20 do Jornalismo” - sugere que o caso tem coisas estranhas. Em certo momento, chega a insinuar, ainda que bem indiretamente, que tudo pode ser uma armação: “Tudo muito espetacular, cheirando a superprodução de novela, não é mesmo?”

Leila Cordeiro é baiana e começou trabalhando, sempre na TV, como repórter, em Salvador. Depois, foi para a Globo, a extinta TV Manchete e o SBT. Em 1997, ela e o marido se mudaram para os Estados Unidos, onde apresentavam um jornal para a TV de Sílvio Santos.

Atualmente, Leila e Eliakim têm uma produtora de vídeos institucionais em Pembroke Pines, na Flórida. E um site de artigos e colunas, o Direto da Redação. Foi nesse site que ela escreveu o polêmico artigo sobre Carolina Dieckman.

Leia o artigo de Leila Cordeiro no Direto da Redação:

Gata escondida com rabo de fora

Ultimamente tenho tido a sensação de que a internet virou uma grande vitrine permissiva, um vasto espaço para exibicionistas e pessoas decadentes que querem a todo custo ter seus cinco minutos de fama, nem que tenham com isso que expor a própria reputação.

Não é de hoje que lemos notícias sobre “vazamento” de fotos e informações de “estrelas” que querem preservar sua “privacidade” culpando a web por seus desmandos e desvarios. Não bastassem as reclamações sobre os paparazzi que vivem “importunando” os chamados famosos e celebridades de ocasião que, sem querer, deixam escapar através de suas assessorias onde e com quem estarão numa determinada hora e lugar.

E tudo isso para preservar a privacidade! Ora, por favor, quem quer viver uma vida discreta sabe muito bem o que fazer e não ficar colocando na internet fotos íntimas nos twitters da vida como fez recentemente a apresentadora da Rede TV, Sonia Abrão que, do alto dos seus 50 e tantos anos, postou uma foto de maiô em frente ao espelho, apenas como “experiência” porque iria fazer um ensaio fotográfico profissional ou coisa parecida.

O fato é que os escândalos acontecem e as “vítimas” ingenuamente nunca sabem o porquê do vazamento e vão para a mídia dizer que se sentem  aviltadas e invadidas pela violência da internet, uma terra sem dono e sem lei, segundo as pretensas atingidas.

E foi assim com a mais nova “vítima inocente” ,  a atriz global Carolina Dickman que teve 36 fotos suas em poses sensuais, nua ou quase, divulgadas na web por um “chantagista”. A história, todo mundo já está careca de saber, pois tem sido o assunto do momento, mas faltaram algumas perguntas que não foram feitas ao Sr. Advogado que está cuidando de abafar o caso e rapidamente arranjou desculpas para o episódio da castigada nudez de sua cliente.

Por exemplo. Como uma pessoa famosa como Carolina Dickman, pretensamente bem informada,  não teve o cuidado de colocar as fotos num dispositivo de armazenamento de dados, antes de levar o computador para um conserto. Se ela não sabia como fazer isso, pelo menos o marido que é diretor de TV deveria  ter bastante intimidade com o equipamento para ajudar a esposa a manter sua privacidade intacta.

Além disso, se ela foi mesmo vítima de chantagem, porque esperou mais de um mês para denunciar à polícia ou vir a público para contar a história, em vez de recorrer à ajuda de “especialistas’ em segurança, como informou a coluna de hoje de Lauro Jardim, Radar Online, dizendo que : “O homem que tomou as rédeas da negociação paralela foi Rodrigo Pimentel, o comentarista de segurança da própria Globo e ex-policial do Bope que inspirou o personagem do capitão Nascimento do filme Tropa de Elite.” Tudo muito espetacular, cheirando a superprodução de novela, não é mesmo?

Diz ainda a nota que o tal Pimentel bem que tentou negociar com o chantagista mas não deu certo. Pelo visto, foi só mesmo no cinema que o Capitão Nascimento conseguiu se dar bem na luta contra os bandidos. O homem que inspirou o polêmico e famoso personagem deixou a desejar , até porque histórias de ficção policialescas são fáceis de serem resolvidas porque dependem só do roteiro do filme , na vida real até mesmo a polícia pode ser enganada pela vaidade e falta de responsabilidade das pessoas envolvidas numa “chantagem” de internet.

 


15 de Maio de 2012 - 19h20 - No Vermelho

CPI quer saber se Roberto Gurgel protegeu Demóstenes

 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do caso Cachoeira/Demóstenes decidiu nesta terça-feira (15) pedir informações por escrito ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre a atuação do Ministério Público após o recebimento dos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo.

 

Gurgel 2

Será que as gravações não eram suficientes?

A decisão foi tomada depois que Gurgel se negou a comparecer à CPI pessoalmente. As duas operações que o procurador tentou barrar investigaram a organização criminosa comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, que está preso por vários crimes como jogos ilegais, corrupção, entre outros.

Muitos deputados e senadores suspeitam que o procurador e sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, demoraram para apresentar denúncias no processo que investiga Cachoeira e suas ligações com políticos, inclusive com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Caberá à CPI descobrir os motivos que levaram o casal a, na prática, proteger Demóstenes e outros contraventores.

A opção de substituir a convocação do procurador por um pedido de informações foi apresentada pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), e havia sido decidida antes na reunião da bancada do PT.

Perguntas

O requerimento de Odair Cunha lista as seguintes perguntas a serem encaminhadas ao procurador :

Em que circunstâncias chegaram os autos da Operação Vegas à Procuradoria-Geral da República (PGR)?

Quando os dados chegaram?

Quais as providências adotadas por Gurgel diante dos indícios levantados pela PF?

Em que data e em quais circunstâncias a PGR teve conhecimento da Operação Monte Carlo?

E quais providências foram tomadas em relação à Operação Monte Carlo?

Procurador pode ter que comparecer

O senador Humberto Costa (PT-PE), comentou que “se as respostas (por escrito) não forem suficientes, as condições para chamar o procurador e a subprocuradora estarão dadas”.

O deputado Silvio Costa (PTB-PE), bastante exaltado, se posicionou inicialmente de forma contrária à maioria (ele só concordou em votar sim quando o prazo de cinco dias foi estipulado). O deputado lembrou o depoimento que o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Souza deu à CPI na semana passada.

Na ocasião, o delegado disse que o relatório da Operação Vegas foi entregue à subprocuradora-geral Cláudia Sampaio em 15 de setembro de 2009. Um mês depois, a subprocuradora, que é mulher de Gurgel, teria chamado o delegado para uma reunião e disse que a investigação dele não tinha indícios suficientes para abrir inquérito contra os parlamentares.

“Eu não posso votar esse requerimento (solicitando informações por escrito). É uma afronta e uma menção de desconfiança ao delegado doutor Raul”, disse o deputado Costa.

A convocação do procurador-geral abriu uma crise entre Ministério Público e Polícia Federal. Em depoimento sigiloso à CPI, o delegado Raul Marques responsabilizou a subprocuradora da República, Claudia Sampaio, que é mulher de Gurgel, por paralisar as investigações da Vegas.

Com agências


 

 

Roberto Robaina

15/05/12 | 15:25 - No SUL21

 

 

Jornal Nacional e o partido

 

O Jornal Nacional é o principal organizador dos interesses da burguesia brasileira. É o porta-voz mais articulado, disfarçando a defesa apaixonada e particular dos interesses de uma classe social como se fossem de todo o povo e da nação. Trata-se de um reprodutor centralizado e unificado em escala nacional da ideologia dominante. Por isso podemos dizer que o Jornal Nacional é o principal instrumento do mais forte partido político da burguesia brasileira: a Rede Globo.

 

A condição de organizador e propagandista dos interesses burgueses não é propriamente uma novidade. Mas no período atual, em que os partidos tradicionais da burguesia estão desorganizados e desacreditados aos olhos do povo, quando se viu forçada, a partir de 2003, a usar o PT como gerente político de seus negócios, o Jornal Nacional está ainda mais importante.

 

Diariamente sua pauta é pensada para impedir que o povo perceba quais são os projetos societários que estão em disputa. É a defesa do pensamento único para que o povo não confie em si mesmo, nem acredite nas lutas sociais. Para que tudo se resuma ao futebol, Fórmula 1, carnaval, futilidades, violência e que a política seja considerada um lugar apenas para os partidos da ordem.

 

O principal assunto, a pauta de abertura do JN do dia 14 de maio, ocupando o maior tempo do telejornal, foi aquilo que a Rede Globo quer que o povo brasileiro considere o acontecimento mais importante da semana: a divulgação sem autorização e criminoso das fotos nuas de Carolina Dieckmann. As notícias sobre a Grécia, que não logrou formar o governo e terá novas eleições, em que, aliás, a coalização de esquerda anticapitalista, Siryza, está em primeiro lugar nas pesquisas, mereceu a notícia praticamente sem comentários.

 

Por isso e muito mais, nada melhor do que assistir ao direito de resposta dado por Leonel Brizola ao Jornal Nacional, em 1994. É o melhor que a Globo publicou em toda a sua história.

 

Roberto Robaina é membro da Direção Nacional do PSOL e pré-candidato à Prefeitura de Porto Alegre.



 


15 de Maio de 2012 - 19h01

Globo foi a única emissora a negar exibição de programa do PT

 

A Rede Globo informou em nota, nesta terça-feira (15), a pretensão de não exibir as propagandas partidárias do PT previstas para entrar no ar nas próximas horas. A concessionária de TV afirmou que cumpre “determinação da Justiça Eleitoral para que os partidos entreguem a documentação dos programas partidários com o prazo de 15 dias de antecedência a sua exibição”. O pedido do PT teria sido feito com seis dias de antecedência, o que embasaria a decisão da emissora de não veicular os programas.



Nas inserções a serem exibidas nas demais estações da capital paulista, Fernando Haddad aparecerá ao lado do ex-presidente Lula, em falas intercaladas. A presidente Dilma Rousseff e o presidente do PT, Rui Falcão, também gravaram participações. O coordenador da campanha petista, Antonio Donato, afirmou que a veiculação era “uma questão de bom senso e de a Globo contribuir com a vida democrática do país”.

"Existe um direito de expressar uma mensagem partidária que foi garantido pela Justiça Eleitoral e por uma formalidade está sendo negado por uma emissora", afirmou o coordenador.

Segundo Donato, apenas a Globo mostrou resistência, e os programas devem ir ao ar nas demais emissoras abertas. O PT diz que não enviou a documentação a tempo porque a decisão que assegurou o direito às inserções foi tomada pela Justiça Eleitoral apenas na semana passada, já com o prazo estourado.

O Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, nega a versão petista e diz que a decisão da semana passada dizia respeito à propaganda de 2011.

Com tal atitude, os mafiosos da Vênus Platinada escancaram sua índole golpista e demonstram, de uma vez por todas, que são um verdadeiro cancro na vida brasileira.

Fonte: Cloaca News com Correio do Brasil e Sul 21


 

Assisti ontem na MTV! Ficou bom! É sempre bom ver o Lula falando!

 

Um diálogo que ensina como agem os jornalistasUm diálogo que ensina como agem os jornalistas Foto: Montagem/247

Cenas de realismo fantástico: (1) Policarpo pergunta a Cachoeira, sócio da Delta, se foi José Dirceu quem colocou a empreiteira em Brasília. (2) Cachoeira nega veemente. (3) Em seguida, Veja publica que o ex-ministro da Casa Civil é o “segredo do sucesso” da construtora

15 de May de 2012 às 22:55

247 – Acaba de ser garimpado mais um diálogo surpreendente da Operação Monte Carlo, que revela a influência da quadrilha de Carlos Cachoeira sobre a imprensa e também como funciona a cabeça de um jornalista. Deve-se o furo ao repórter Vinícius Mansur, da Carta Maior, cuja descoberta foi também repercutida pelo blogueiro Altamiro Borges (leia mais aqui).

O diálogo se dá entre Carlos Cachoeira e Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste. Na íntegra, a conversa enfraquece – e muito – as teses de que a revista Veja agia apenas em defesa do interesse público, como argumenta seu diretor Eurípedes Alcântara num código de ética publicado na internet, e de que desconhecia estar sendo usada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.

O diálogo poderia até compor uma peça de realismo fantástico. Policarpo Júnior, diretor da sucursal de Veja em Brasília, procura Cachoeira, sócio oculto (para a torcida do Flamengo, mas, talvez, não para Veja) da Delta, com uma tese: a de que a empreiteira havia entrado no Distrito Federal, ainda no governo de José Roberto Arruda, ex-DEM, graças à influência de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Policarpo desconfiava até de um encontro em Itajubá, cidade onde nasceu Arruda e onde vive a mãe de José Dirceu, no qual teriam sido entregues malas de dinheiro. Uma aliança, digamos, capitalista entre DEM e PT.

Cachoeira – repita-se, sócio oculto da Delta – a quem não foi feita nenhuma pergunta sobre a entrada da empreiteira em Goiás, negou tudo veementemente. E mesmo tendo recebido uma negativa de sua principal fonte, Veja seguiu adiante e publicou uma reportagem sobre o crescimento alucinante da Delta, creditando à influência de José Dirceu o “segredo do seu sucesso”.

Antes da publicação, Cachoeira e o senador Demóstenes demonstraram certa preocupação com a reportagem que sairia em conversas também interceptadas pela Polícia Federal. Os grampos relacionados a isso foram usados por Reinaldo Azevedo como a prova cabal da independência jornalística de Veja em relação ao bicheiro.

Sim, até certo ponto.

Mas, em outro grampo, o sargento Dadá, braço direito de Cachoeira, fala de um encontro com outro jornalista de Veja, Hugo Marques, em que este o tranquiliza e diz que seu alvo era Dirceu e não a Delta.

O que isso demonstra?

É um indício de que a revista tinha pleno conhecimento de que Cachoeira, Dadá e associados faziam, sim, parte de uma mesma engrenagem: a Construtora Delta. Pois foi a eles que Veja recorreu para buscar informações sobre a entrada da empreiteira em Brasília. E foi a eles também que a revista transmitiu mensagens tranquilizadoras sobre a reportagem que sairia no fim de semana.

A Delta sofreu algum dano? Sim, um dano colateral. O que revela que a ligação de Veja em relação à turma não era tão forte quanto a inimizade ou obsessão da revista em relação a José Dirceu.

Assim funcionam os jornalistas. As relações com as fontes muitas vezes envolvem algum tipo de proteção, mas nem sempre uma proteção absoluta.

 

 

As mentiras convencionais de nossa educação

Por Lincoln Secco, no amálgama

No final do século XIX o escritor Max Nordau publicou uma obra chamada As mentiras convencionais de nossa civilização. Uma adaptação deste título tão feliz pode ser feita para a educação brasileira a partir de duas notícias salvacionistas para a escola.

Primeira notícia: o Governo do Estado de São Paulo vai investir em lousas digitais. Dessa forma, afirmam os especialistas, o aluno terá mais interesse nas aulas. De acordo com as pesquisas sobre uso de tecnologia na educação (Folha de São Paulo, 5 de abril de 2012), a modernização tecnológica não melhora o aprendizado.

Segunda notícia: o governo paulista não está só. O MEC prometeu distribuir 600 mil tablets para professores. Trata-se de uma prancheta eletrônica que permite acesso à internet, entre outras coisas (como desenhos, jogos e entretenimentos). É possível que a maioria dos professores sequer saiba o que é isto e talvez fosse mais fácil o governo ter usado o termo português “tablete”. Outra ideia do ministro da Educação (Veja, 19 de março de 2012) é alfabetizar as crianças mais cedo e aplicar uma prova aos oito anos de idade para observar seu grau de alfabetização.

Bem, escolhi duas notícias ao acaso já que todo mundo apresenta ideias para a escola. Mas a maioria delas está ancorada numa das mentiras convencionais desmentidas abaixo:

1. Não é verdade que alfabetização até os oito anos seja indispensável. Várias pesquisas (mas a história também) mostram que alfabetizar mais cedo pode até ser prejudicial e que é preferível brincar a estudar antes daquela idade. Cada criança tem um ritmo próprio de aprendizado e a escola deveria respeitar isso.

2. Não é verdade que tecnologia facilite o aprendizado por torná-lo mais atraente. Ninguém deseja que a escola volte aos padrões rígidos de um século atrás. Mas jogar pedra na casa do vizinho ou fazer sexo sempre será mais atraente do que fazer análise sintática ou resolver equações de segundo grau. A escola tem uma dimensão disciplinar inescapável e sem ela não podemos aprender.

3. Não é verdade que a escola pública era boa porque era para poucos e hoje é ruim porque atende a todos. Ela se tornou ruim porque o Estado preferiu investir somente na sua expansão física e passou a gastar proporcionalmente menos com professores e equipamentos tradicionais (livros, laboratórios, bibliotecas, piscinas e anfiteatros). Massificação com ampliação de recursos não seria problema algum. E de onde viriam os recursos? Bem, o Estado optou por construir Brasília, sustentar a corrupção da Ditadura Militar e gastar com pagamento de juros.

4. Não é verdade que a redução da idade de ingresso na escola atendeu critérios pedagógicos. Como as creches se tornaram um direito reivindicado pelas mães e custa mais barato abrir um turno na escola fundamental, os governos reduziram a demanda por creches fazendo as crianças saírem mais cedo delas.

5. Não é verdade que aumento salarial substancial não melhora a educação. O problema é que um professor carece de salário e status. A relação pedagógica é baseada principalmente na autoridade conferida ao docente pela avaliação, idade, conhecimento e respeito social. Como vivemos numa sociedade capitalista, é claro que a maior parte desses atributos depende da renda. Ou seja: do salário!

6. Não é verdade que o investimento dos governos em tecnologia educacional tenha por escopo melhorar a educação. Na verdade este tipo de investimento é adotado porque é mais barato e aparece mais.

7. Não é verdade que determinar novos conteúdos para o currículo escolar melhore a cidadania. Mas é verdade que pode piorar o estudo de conteúdos já tradicionais como Matemática, História ou Língua Portuguesa. O problema do trânsito, a religião, atividade sexual, prevenção de doenças, ecologia, direitos humanos, criminalidade, drogas etc., são sempre problemas que os políticos deixam para a escola resolver. Basta um congressista ter uma ideia e já temos uma nova obrigação para os professores. Perguntar se uma lei é exequível em função do orçamento é algo comum, mas ninguém se pergunta se os novos conteúdos obrigatórios “cabem” no currículo e no tempo de aula. É que todos esquecem que a educação não se dá apenas na escola. Só uma parte da educação juvenil é escolarizada porque na maior parte do tempo o aluno está submetido a outros educadores: amigos, família, polícia, deputados, más ou boas companhias, namorados etc. Por isso, pouco adianta ensinar ética se o Congresso Nacional perdoa seus parlamentares corrompidos.

É preciso dizer que a instituição escolar está em crise (como a família, as Forças Armadas, a Igreja e os partidos). As relações entre jovens e velhos, filhos e pais, chefes e subordinados mudaram. Impotentes, todos esperam que a escola seja a única a resolver uma crise civilizacional. É possível que a escola não exista mais num futuro longínquo. Afinal, a escolarização em massa é muito recente na história.

Mas por enquanto precisaremos dela. Quando um ministro diz que os alunos estão no século XXI e a escola no século XIX, esquece que em alguns lugares (como o Brasil) nós passamos diretamente de um país ágrafo para outro que assiste televisão e manipula ícones no computador. Não tivemos (como no Velho Mundo) a fase do livro e da leitura. Ainda precisamos um pouco de século XIX: professores respeitados, giz, quadro negro, alunos na sala de aula e livros à mão cheia.

http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/as-mentiras-convencionai...

 

15 de Maio de 2012 - 15h41 - No Vermelho

Depósitos em poupança superam em R$ 4,1 bi retiradas

 

Os depósitos em caderneta de poupança superaram as retiradas em R$ 4,182 bilhões, neste mês, até o dia 9 de maio, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta terça (15). Nesse período, os depósitos chegaram a R$ 35,731 bilhões e as retiradas ficaram em R$ 31,548 bilhões.


Se essa tendência se confirmar, o mês de maio terá a maior captação líquida (mais depósitos que retiradas) da série histórica do BC. Até agora, o maior registro para meses de maio foi em 2010, quando a captação líquida ficou em R$ 2,120 bilhões. Em abril deste ano, o resultado positivo foi R$ 1,977 bilhão.

A aplicação de recursos na poupança ocorre mesmo depois de o governo anunciar mudanças nas regras de remuneração. A Medida Provisória 567, válida desde o dia 4, estabeleceu que sempre quando a taxa básica de juros, a Selic, estiver menor ou igual a 8,5% ao ano, a forma de remuneração muda. Nesse caso, os depósitos serão corrigidos por 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a Selic está em 9% ao ano. Portanto, continua a regra de remuneração de TR mais 0,5% ao mês.

O Banco do Brasil (BB) anunciou também nesta terça (15) que, após o anúncio das novas regras, a captação líquida cresceu. Nos oito primeiros dias úteis no mês, o banco registrou 223% de aumento se comparado ao mesmo período do mês de abril deste ano. De acordo com o banco, a participação do BB na captação líquida do mercado também registrou crescimento após a alteração nas regras da poupança, passando de 12,4% no dia 4 de maio para 36,9% no dia 8.


Fonte: Agância Brasil


 

 

15 de Maio de 2012 - 16h05 - No Vermelho
Renato Rovai: Coitado, torturador de Dilma é “vítima” de escracho
Por volta das 10h desta segunda-feira, 14, aconteceu o “escracho” contra o tenente-coronel reformado, Maurício Lopes Lima, em frente a sua residência no Guarujá. O ato foi organizado pelo Levante Popular da Juventude e fez parte de uma ação coordenada com outros estados brasileiros, com o objetivo de trazer à tona atrocidades cometidas durante a ditadura e pressionar o poder público para que os responsáveis sejam punidos.

Por Renato Rovai*
Munidos de cartazes, pichações, faixas, imagens desenhadas e pintadas no asfalto da rua, os manifestantes deixaram claro que naquele endereço mora um torturador. Também foram distribuídos panfletos na vizinhança com a foto do militar e a descrição dos crimes cometidos por ele.

O militar da reserva chefiou equipes da OBAN (Operação Bandeirantes) e do DOI/Codi (Departamentos de Operações de Informação dos Centros de Operações de Defesa Interna). Lopes também é acusado de comandar as torturas que a presidenta Dilma Rousseff sofreu em 1970. No presídio de Tiradentes e na sede do DOPS paulistano, Dilma foi submetida ao pau de arara, palmatória e choques elétricos.

Em depoimento escrito clandestinamente na prisão, em 1970, o preso político Frei Tito, na época com 24 anos, relata como se deu o seu encontro com o militar. “Fui levado do presídio Tiradentes para a “Operação Bandeirantes”, OB (Polícia do Exército), no dia 17 de fevereiro de 1970, 3ª feira, às 14 horas. O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse: “Você agora vai conhecer a sucursal do inferno”. Algemaram minhas mãos, jogaram me no porta-malas da perua. No caminho as torturas tiveram início: cutiladas na cabeça e no pescoço, apontavam-me seus revólveres”.

Uma vizinha de Lopes afirmou que conhecia as atividades do tenente-coronel reformado, mas não quis manifestar-se por medo.

O site do Levante Popular da Juventude publicou uma matéria com a cobertura do ato e republicou uma entrevista da presidenta Dilma Rousseff, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, da Folha de S.Paulo, sobre as torturas sofridas por ela na ditadura.

Veja abaixo o vídeo que o repórter do SPressoSP, Igor Carvalho, fez durante o “escracho” do tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima.
O link de vídeo abaixo foi enviado por: m


Renato Rovai: Coitado, torturador de Dilma é “vítima” de escracho - Portal Vermelho
m diz:




*Renato Rovai é jornalista e "blogueiro sujo".

Fonte: Blog do Rovai

 

 Logo Observatório da Imprensa
Terça-feira, 15 de Maio de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 694 Fundação FordCaderno da CidadaniaSOBRE A CORRUPÇÃOUm dado muito revelador

Por Muniz Sodré em 15/05/2012 na edição 694

  Compartilhar no Facebook

 Em meio ao tsunami de escândalos em torno da corrupção pública e privada, há um dado revelador nunca assinalado pela mídia nacional: é impossível roubar no serviço público federal brasileiro. Esta afirmação, claro, está sujeita ao imediato riso de escárnio por parte de quem a lê ou escuta. Afinal, há toda a evidência dos fatos. Por isso, vale precisar: é impossível roubar sem que se saiba. A impunidade é outro lado da questão.

O que estamos querendo afirmar aqui, em primeiro lugar, é a capacidade técnico-formal do Estado para proteger-se. Quando se trata de desmontar quadrilhas, a Polícia Federal tem-se revelado bastante eficiente. Quando é o caso de malfeito administrativo, qualquer gestor público (federal) pode testemunhar sobre a meticulosidade com que a Controladoria Geral da União (a CGU, organismo relativamente recente) acompanha a sua gestão e como, no final de cada ano, o Tribunal de Contas da União (o TCU) confere com pente fino a prestação de contas. Trata-se de mecanismos com poderosa assessoria técnica.

Em termos subjetivos, tudo isso é um tormento para o gestor honesto que, a cada licitação ou a cada despesa orçamentária, sente a presença de uma verdadeira espada de Dâmocles sobre sua cabeça. Uma aquisição feita inadvertidamente a maior, um erro cometido por um subordinado, qualquer falha pode ter consequências funestas. O erro e a desonestidade costumam ser avaliados como uma mesma coisa.

Locomotiva de papel

Ora, poderá pensar um observador externo, é animador que o sistema possa ser imune à prevaricação. E assim retornamos, para melhor esclarecimento, à afirmação inicial quanto à impossibilidade de roubo sem que se saiba. De fato, sempre se acaba identificando o malfeito e o malfeitor. Se este último escapa, o motivo é político, ou melhor, político-patrimonialista, pois a impunidade é a privilegiada condição costumeira do malfeitor pertencente ao espectro do estamento patrimonialista que se reproduz no poder desde a fundação do país. Donde, o consenso quanto ao fato de que o dinheiro público expropriado, até mesmo nos casos de atuação da Polícia Federal, dificilmente é restituído de modo integral ao erário do Estado.

É provável, assim, que o fato da impunidade leve o dito observador externo a pensar na coexistência da boa técnica do sistema de controle com absurdos, digamos, existenciais. Mas há outros. Vamos ao exemplo de um caso real, aqui ficcionalizado para evitar constrangimentos.

O gestor de um órgão educacional ou cultural coloca em seu programa de metas algo como a elaboração de indicadores capazes de avaliar a influência do pigmento melânico na coloração do olho do sagui. Este tópico, abstruso, poderia fazer sentido no campo da zoologia ou da biologia, mas é evidentemente absurdo na esfera de uma gestão educacional ou cultural.

No episódio real, o tópico não era tão caricatural, mas era contextualmente absurdo. Tratava-se da elaboração de indicadores avaliativos que não existiam, nem existem na prática da produção cultural. Talvez devessem mesmo existir, mas em termos concretos não passavam da intenção impraticável de um administrador, que terminaria deixando o cargo.

Diante da meta inexequível, o seu substituto simplesmente a ignora. Mas anos depois tem a desagradável surpresa de ser notificado por um daqueles órgãos de controle sobre a falta de cumprimento daquele item. Faz ver então que aquilo não tinha nenhum sentido, sem encontrar escuta razoável: para a burocracia de controle, se estava programado, deveria ter sido realizado, não importava o que fosse. E como nenhuma resposta parecia satisfatória, aplica-se uma multa pesada ao gestor.

Para compreender o que se segue, é preciso levar em conta que a Brasília oficial é um império assentado em papel, isto é, em matéria burocrática, que reproduz documento como vírus se reproduz em computador. O poder jurídico-burocrático constrói uma locomotiva de papel, capaz de atropelar até mesmo quem anda nos trilhos.

Fora da bitola

A depender do estado de humor do relator de um papel, um arrazoado pode ou não ser aceito. Não é a razão do argumento que se põe em causa, mas o momento subjetivo, a boa ou má vontade do relator. Este, como numa corte imperial, pode simplesmente decidir que deseja aplicar a multa, e pronto. “Fi-lo porque qui-lo”, diria aquele governante de não saudosa memória. E para fins de efeito público – para a imprensa, sobretudo – o multado pode ser equiparado a qualquer outra pessoa punida, a um malfeitor, por exemplo.

Afortunadamente, no caso real em questão, outra fração decisória do sistema de controle chegou à conclusão de que o episódio era irrelevante, logo, não havia fundamento para a multa.

Mas bem poderia ter sido contrário. A angústia do gestor serviu para lhe ensinar um par de coisas a que deve prestar atenção todo e qualquer indivíduo apto ao exercício de uma função pública como dirigente. A primeira é que o país conta com mecanismos contábeis bastante eficientes no controle das contas públicas – é falsa a impressão de gandaia que a imprensa costuma transmitir a seu público leitor. A segunda: se o prevaricador é membro, seja grande ou pequeno, do estamento patrimonialista, tem toda chance de escapar impune, mesmo quando é evidente a sua culpa. Se, porém, não faz parte direta ou indiretamente da turma, arrisca o pescoço, ainda que navegue no mar da lisura.

Para se chegar à moral da história, vale considerar a hipótese de que determinados sistemas políticos funcionam com uma espécie de inconsciente social que trabalha secretamente para desencorajar o cidadão sério a dirigir órgãos estatais. A autoproteção do aparelho de Estado é ambígua, porque oscila entre a correção técnico-jurídica e o abismo dos desvios e privilégios patrimonialistas.

Esse é também, no fundo, o inconsciente discursivo de uma imprensa que ainda espelha os sujeitos do patrimônio, isto é, as grandes famílias. Cargo público é negócio de risco para quem anda nos trilhos – isto é, fora da bitola patrimonial –, pois pode ser atropelado aleatoriamente pela locomotiva de papel. Aqui, de fato, só os malfeitores são felizes.

***

[Muniz Sodré é jornalista, escritor e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro]

 

 

 

Seumas Milne: Quando a mídia coloca fascistas e a esquerda no balaio dos ‘extremistas’

publicado em 15 de maio de 2012 às 23:41

por Luiz Carlos Azenha

Seumas Milne escreveu no diário britânico Guardian que ou a esquerda lidera a rebelião contra a austeridade, ou outros o farão.

“Da Holanda à Romênia, governos estão caindo sob o peso dos cortes de orçamento e aumentos de impostos exigidos pelo novo tratado permanente de deflação da zona do euro”, disse ele.

E mais: “A austeridade não está funcionando, mesmo em seus próprios termos. Cortar empregos e salários e aumentar os impostos não está reduzindo os empréstimos e a dívida, quanto mais levando à recuperação econômica. Está aprofundando a recessão, aumentando o endividamento e destruindo empregos, reduzindo os padrões de vida em toda a zona do euro — em países como a Espanha e a Grécia, catastroficamente –, assim como no Reino Unido”.

E ainda: “A revolta política na Grécia, no entanto, pode ter consequências mais amplas. O colapso econômico da Grécia, disparado pelo crash de 2008 e aprofundado pela austeridade exigida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, é um desastre social no nível da depressão dos Estados Unidos nos anos 30. Os salários reais tiveram perda de 25% em dois anos, de acordo com a OECD. Não é surpresa que o apoio aos partidos governistas que levaram a Grécia a tal situação caiu de 80% para 30%, enquanto os partidos de esquerda que rejeitaram os cortes da EU-FMI, as privatizações e os pagamentos insustentáveis da dívida tiveram votação maior que o desacreditado establishment e a direita nacionalista”.

Prossegue: “Com o custo da austeridade se aprofundando, a polarização entre a esquerda e a direita é descrita na maior parte da mídia como a ascensão dos ‘extremos’. Mas é tão absurdo quanto repugnante juntar racistas e nacionalistas xenófobos, que ajudaram a manter governos supostamente centristas no poder da Dinamarca à Itália, com partidos de esquerda ligados a movimentos sociais, que defendem alternativas políticas e econômicas progressistas. Não há nada de ‘extremo’ numa organização como o Syriza [de esquerda, agora o segundo maior partido grego], que rejeita um programa de destruição econômica e social que, ele sim, é extremo — e busca negociações. Os debates e escolhas políticas aceitas pelo mainstream se tornaram tão estreitos nestes anos de consenso pró-mercado que alternativas genuínas são aparentemente muito chocantes para absorver”.

E, finalmente: “A Grécia é um caso duro, onde a batalha política agora está entre opções radicais diametricamente opostas. Mas as pessoas na Europa estão profundamente desencantadas com a ordem ditada pelo mercado, que fracassou. Se a esquerda não oferecer alternativas reais, outros o farão — com sérias consequências”.

PS do Viomundo: Seumas Milne é autor do imperdível The Revenge of History [A vingança da História, crise, guerra e revolução no século 21], que aparentemente ainda não foi publicado em português.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/seumas-milne-quando-a-midia-colo...

 

Logo Observatório da Imprensa

Terça-feira, 15 de Maio de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 694

 

 Fundação Ford

 

Interesse Público

 

ENTREVISTA / ANA MALIN

 

Brasil é 90º país a ter lei de acesso à informação

 

Por Mauro Malin em 15/05/2012 na edição 694

 

  Compartilhar no Facebook

 

Embora a adoção de leis de acesso à informação pública seja um dos processos mais rápidos de disseminação global de uma legislação até hoje registrados, o Brasil é o 90º país a aprovar um diploma legal dessa natureza, constata a professora da Faculdade de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ana Malin, que integra o corpo docente da pós-graduação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Com a entrada em vigor da Lei 12.527, na quarta-feira (16/5), só Costa Rica e Cuba, na América Latina, não têm lei de acesso à informação.

A professora atribui a aprovação da lei a uma exigência crescente da sociedade civil e a uma sequência de decisões e políticas de Estado, mas igualmente a pressões externas, entre elas exigências feitas a partir de 1990 por bancos multilaterais de desenvolvimento e instituições financeiras internacionais. Naquele momento, só 13 países tinham leis dessa natureza. “O acesso a informações públicas era visto como algo pertencente à esfera da governança administrativa e não como direito humano fundamental”, diz Ana Malin.

Há alguns meses a professora iniciou pesquisa sobre novos padrões de gestão na administração pública brasileira que consigam responder aos direitos do público criados com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação. Para fazer uma comparação internacional, consultou relatórios da ONU e da Unesco e pesquisa da Associated Press (ver“AP avalia legislação em 105 países”)

Eis os trechos principais da entrevista.

Dados abertos reduzem burocracia

A reta final da redação da lei teve pouco tempo, entre a ida da presidente Dilma Rousseff a um encontro com o presidente Barack Obama dedicado à parceria Governo Aberto, em setembro de 2011, e a aprovação no Congresso Nacional, em novembro. E nela se deu muito pouco tempo para a implantação, seis meses. E isso no quadro de um tradicional déficit de informação no Estado. No México, os órgãos governamentais tiveram prazo de seis meses para planejar o serviço e mais seis meses para implantá-lo.

Entretanto, fizemos uma lei que tem uma abrangência maior do que a das leis de outros países. A lei brasileira obriga os três poderes nas três esferas de governo – União, estados e municípios – mais as instituições privadas que recebem recursos públicos. Avançamos, ainda, incluindo dados governamentais abertos, uma solução de democracia com menos burocracia.

[A expressão dados abertos se aplica a bases de dados do governo que, não contendo informações sigilosas nem estando sujeitas a direitos de propriedade intelectual ou patente, ficam à disposição do público em formato não proprietário. Isso permite que organizações possam baixar em seus computadores bases inteiras e, a partir daí, formatá-las como lhes convier e fazer tratamento automático de dados.]

Formulário escrutina cidadão

O atraso nos deu a vantagem de trabalhar com dados governamentais abertos num momento em que ferramentas da internet já estão consolidadas. Mas sempre tendo em mente que quem pode tirar melhor proveito disso é a sociedade organizada, que tem condições de colocar uma equipe profissional para capturar esses dados, analisá-los e reutilizá-los.

Para que não tivéssemos dúvida de que estamos no Brasil, o formulário brasileiro exige que o requerente se identifique com tantos detalhes que o governo parece estar mais interessado em montar um cadastro sobre quem solicita do que entender e resolver o seu pedido de informação. Fica quase uma inversão: quem é você que quer saber isso ou aquilo? No México, a pergunta pode ser anônima e a resposta tem que ser pública, o que faz todo o sentido.

[Os dados de identificação pedidos no formulário são os seguintes. Pessoa física: obrigatórios − nome, documento de identidade (tipo e número), endereço físico, endereço eletrônico; não obrigatórios – telefone(s), sexo, data de nascimento, escolaridade (seis opções, desde sem instrução formal até mestrado/doutorado), ocupação principal. Pessoa jurídica: obrigatórios − razão social, CNPJ, nome do representante, cargo do representante, endereços físico e eletrônico; não obrigatórios: telefones, tipo de instituição e área de atuação. Em compensação, a folha com o pedido propriamente dito manda discriminar apenas o órgão ao qual o pedido é dirigido (e não o período em que foi gerada a informação solicitada). E deixa o resto do espaço para a especificação do pedido.]

“Parece livro de queixa de condomínio”

A correria está patente no formulário que a CGU até agora divulgou, porque ele não usa nenhuma tipologia que facilite encontrar a resposta. Parece livro de queixa do condomínio, que aceita todo tipo de reclamação e ainda obriga o síndico a entender a letra, ou a redação e a grafia, se for via sistema. A universidade pode ajudar muito a melhorar isso. Existem muitos estudos sobre categorias de informação do setor público. O formulário não pede nem a delimitação do período em que os dados foram produzidos.

É muito positivo o que a CGU está fazendo, muitos congressos, reuniões, seminários, todo um esforço, o portal está muito bom, mas ainda há bastante improviso. Não sei onde estava o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão que não entrou com sua experiência de consulas via governo eletrônico, e por que a CGU não recorreu à própria universidade. O fato é que é impossível essa especificação do pedido levar a alguma coisa, considerando-se centenas de milhares de pedidos.

Agora o jeito é ver como se dá o funcionamento disso durante um período de seis meses, algo assim, e fazer as correções necessárias. Nós, do Ibict, pretendemos montar no Rio de Janeiro uma equipe para analisar os pedidos, separar uma amostra e começar a classificá-los, para saber a quem estão sendo dirigidos.

***

Apresentação feita pela professora Ana Malin em seminário no Iplan-Rio pode ser lida aqui.


 

Aécio dá a pista da oposição a Dilma Rousseff: ênfase na gestão ênfase na gestão Foto: Montagem/247 Senador e presidenciável do PSDB diz que a presidenta homenageia o governo Anastasia ao adotar o Ficha Limpa e sugere outra medida adotada em Minas: cortar encargos para baratear a conta de luz. Deputados tucanos também sugerem que Dilma copia modelos mineiros

15 de May de 2012 às 21:25

Minas 247 - Muita gente, até entre os tucanos, concorda que falta ao PSDB um discurso convincente na oposição ao governo federal. Foi assim nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e é assim com Dilma Rousseff. Os dirigentes tucanos já tentaram recuperar o legado dos governos FHC, como o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas esbarram ou no passar dos anos - o Real vai completar 20 anos! -, ou no tema pouco sensível para o eleitor comum.

Aos poucos, o principal presidenciável da oposição, o senador Aécio Neves, vai dando pistas de que tentará inovar no discurso. Se vai colar e conquistar eleitores, é outra história. Mas o ex-governador de Minas Gerais quer fisgar aliados com a ênfase na gestão. Para isso, mostra medidas supostamente exitosas adotadas em seus dois mandatos em Minas (2003-2006 e 2007-2010) e no do seu sucessor, o também tucano Antonio Anastasia.

Fiel ao seu estilo “mineiro” de fazer política, bem ao estilo do seu avô Tancredo Neves, Aécio elogia a presidenta da República para critica-la. A última delas, nesta segunda-feira, foi elogiar a adoção, pelo governo federal, da Ficha Limpa. Dilma enviou esta semana, para análise da Advocacia-Geral da União, um decreto para que sejam instituídos na nomeação de cargos de confiança no governo federal os mesmos critérios da Lei da Ficha Limpa.

“Ao adotar o Ficha Limpa, a presidente faz uma homenagem ao governo Anastasia”, disse Aécio. Anastasia adotou a lei para contratação de cargos comissionados há cerca de um ano em Minas Gerais. O senador mineiro continuou: “Se quiser fazer outra (homenagem), pode cortar encargos sobre energia e baratear a conta de luz em até 20%. A Cemig anunciou nesta semana que a energia paga pelos consumidores no estado ficará mais barata no próximo ano. A empresa vai passar pelo ciclo de revisão tarifária da Aneel (agência reguladora do setor energético) em abril de 2013. A previsão é de uma queda de 10% na geração de caixa da empresa, embora esse percentual não seja exatamente o mesmo da queda na tarifa no próximo ano.

Deputados próximos a Aécio vão na mesma toada. No mês passado, por exemplo, o deputado estadual Rômulo Viegas (PSDB-MG) publicou artigo na imprensa na qual defendeu a tese de que o governo de Dilma Rousseff, na prática, apenas tenta imitar ações executadas, com sucesso, por Aécio em Minas. Viegas citou, entre outras, o convite de Dilma ao empresário Jorge Gerdau, para colaborar com programas de gestão. Gerdau fez o mesmo durante o chamado choque de gestão executado no primeiro mandato do atual senador mineiro no estado.

Mas, se optar mesmo pelo que sugere e dar ênfase na gestão, Aécio deverá se preocupar também com críticas. Os tempos mudaram e Minas agora enfrenta problemas de caixa. O próprio Anastasia já admite algumas vezes a dificuldade financeira e o declínio da arrecadação estadual - em decorrência, também, da crise internacional, uma vez que a economia mineira ainda é muito concentrada em exportação de commodities. O sucessor de Aécio já anunciou medidas para contenção de gastos e demitiu funcionários da Cidade Administrativa (inaugurada pelo antecessor em 2010). A dívida do governo estadual com a União, por fim, é a que mais cresce no país: 356,3% nos últimos dez anos.

 

 

 24/08/2011 - 20h18 | Thaís Romanelli | Redação - No Opera Mundi Wikileaks: Para EUA, Veja fabricou proximidade do PT com as FARC por objetivos políticos  

 

No dia 16 de março de 2005, a revista semanal Veja publicou a matéria "Os Tentáculos das FARC no Brasil", em que detalhava uma possível relação entre membros do PT (Partido dos Trabalhadores) com a guerrilha colombiana. O caso, porém, foi relatado pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília como um exagero, além de uma tentativa de "manobra política". O documento da embaixada com o relato foi divulgado pelo Wikileaks.

Segundo a matéria, candidatos petistas teriam recebido 5 milhões de dólares da guerrilha durante uma reunião no ano de 2002, em uma fazenda próxima a Brasília. Na ocasião, membros do PT teriam se encontrado com o representante da organização colombiana no país, Francisco Antonio Cadenas, e acertado os detalhes. O objetivo seria financiar a campanha de reeleição do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Leia mais:
Wikileaks: EUA tentaram sabotar acordo entre Venezuela e Haiti no setor petrolífero 
Leia mais:
Wikileaks: Para EUA, tradicional relógio Casio é indício de terrorismo
Mais da metade dos presos que passaram por Guantánamo são inocentes, revela Wikileaks
Wikileaks: EUA viam com bons olhos a hipótese de Strauss-Kahn como presidente francês
Wikileaks revela supostas manobras de partido direitista para buscar reeleição de Alberto Fujimori e vínculos de Humala com Chávez

O partido, porém, negou as acusações e a Veja não conseguiu provas documentais sobre a transferência de dinheiro.

Para embaixada norte-americana, a revista "exagerou o real nível das relações entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o PT", segundo o documento datado de março de 2005. Isso porque, após as acusações, membros da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em Brasília, que de acordo com a revista, estavam infiltrados no encontro, não obtiveram provas concretas sobre o recebimento de dinheiro.

Citado pela embaixada norte-americana, o general Jorge Armando Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional e que acompanhou a investigação, afirmou que os documentos internos da agência citados pela Veja como provas foram "forjados", já que não estavam nas formatações da agência.

"O que foi publicado é uma mistura de meias verdades e meias mentiras. Nós não temos qualquer documento oficial que prove que o encontro ocorreu", afirmou o delegado e chefe da Abin, Mauro Marcelo, também citado no despacho.

Leia também:
Wikileaks: Agnelli alertou EUA que China estaria à frente na 'batalha por commodities'
Wikileaks: secretário disse que presídios paulistas 'parecem campos de concentração'
Wikileaks: em 2004, Brasil deu 1,7 milhão de dólares para treinar militares paraguaios
Wikileaks: General Félix lamentou que ditadura tenha levado sociedade a se preocupar com prisioneiros

No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do possível financiamento. "A história mais parece uma manobra política. O que é incontestável é que os membros do PT e representantes das FARC estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração financeira", disse.

Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao segundo mandato. "Enquanto os opositores e a outros veículos de comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos", conclui o embaixador.


 

Por que Gurgel é foco da CPI? Porque CPI é para corrigir falhas institucionais

 

 

 

Por Os Amigos do Presidente Lula  Estranha a blindagem que o senador Pedro Taques (PDT-MT) quer fazer ao Procurador-Geral da República (PGR), Roberto Gurgel, na CPI do Cachoeira.
Dos demais senadores da oposição é previsível bajularem o PGR para, digamos, desenvolverem uma simpatia recíproca.
Como pode Taques dizer que é desvio de foco? Se a organização criminosa de Cachoeira atuou durante um ano sem ser incomodada por investigações federais, em decorrência de uma decisão de Gurgel e sua mulher subprocuradora?
Como investigar Cachoeira, varrendo esse fato para debaixo do tapete?
É preciso lembrar que organizações criminosas, em estágios avançados, procuram se infiltrar nos poderes. Se não conseguem se infiltrar, ludibriá-los já fica de bom tamanho.
Apesar de nos últimos anos CPI's terem sido usadas apenas para destroçar adversários políticos, o objetivo maior e mais nobre de uma CPI é corrigir desvios das instituições, levando ao aprimoramento das leis e ajustes de conduta, para que mazelas da nação sejam sanadas.
A atuação do Procurador-Geral, colocou o Ministério Público numa situação que precisa, no mínimo, ajustar sua conduta, e se o próprio órgão está resistindo de forma corporativa, cabe à CPI induzir aos ajustes.
Se não for CPI, quem responderá estas perguntas ao povo brasileiro:
1) Está certo a reeleição do Procurador-Geral quando, no primeiro mandato, ele tem o poder de investigar ou não, senadores que votam pela sua recondução?
Do momento em que um Procurador-Geral disputa votos no Senado para ser reconduzido ao cargo, ele não perde parte de sua independência?
Será que é normal uma foto como esta, quando Gurgel foi reconduzido ao cargo em agosto de 2011?Segundo a requisição de Gurgel ao STF para abrir o inquérito 3430 contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO), sua avaliação do senador desde 2009 seria esta:
10. Os diálogos captados nos autos do Inquérito n° 042/2008, muito embora não mostrassem fatos que pudessem ser enquadrados em um tipo penal para efeito de autorizar a imediata instauração de inquérito, já revelavam que os vínculos entre eles extrapolavam a ética exigida de um Parlamentar. Ora, quem tem esse conceito do Senador, não pega bem ficar todo sorrisos, para conquistar seu voto.
2) Qual é a conduta que um Procurador deveria tomar no caso da Operação Vegas, para que a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira não operasse livre de investigações durante o ano eleitoral?
3) Do que adianta a lei da ficha limpa, se o PGR disse não poder iniciar um inquérito em 2009 que, pelo menos, dificultasse a eleição da bancada de parlamentares de Carlinhos Cachoeira?
4) Como se faria no Brasil se, um dia, um ministro do STF precisasse ser investigado, por aparecer  por acaso conversando em diálogos suspeitos com algum telefone que estivesse sob escuta legal, tal qual ocorreu com o senador Demóstenes? A autorização para investigar ministros do STF só poderia ser dada pelo próprio STF.
Assim, como o sigilo telefônico de um ministro do STF poderia ser quebrado, caso fosse necessário, sem avisá-lo?
Tais regras atuais tornam ministros do STF completamente fora do alcance de investigações que os demais cidadãos brasileiros estão sujeitos.
5) O Procurador tem se colocado como se fosse insubstituível. Se ele tivesse conflito de interesses para conduzir uma ação, só ele poderia fazê-lo? Ele não poderia comparecer à CPI para prestar esclarecimentos e repassar o inquérito contra Demóstenes para outro subprocurador, e que não fosse sua mulher?
Como se vê, senador Taques, se não for a CPI a responder estas perguntas, só resta ao povo brasileiro resmungar diante da impunidade e da continuidade das mazelas da nação que já ocorrem há mais de 500 anos. 

Postado por


 

O pensamento de Milton Santos.

Entrevista com MILTON SANTOS na revista Caros Amigos em 1998

O brasileiro perde, com a morte do professor Milton Santos, acontecida dia 24 de junho último, um mestre das humanidades e um crítico da globalização que os poderosos do momento não saberão reverenciar (talvez lhe dediquem um nome de rua, quem sabe?). Mas ele tinha uma frase que vale para sempre: "Quem ensina não tem ódio". Foi dita na entrevista que concedeu a Caros Amigos em agosto de 1998 e da qual retiramos alguns trechos nesta pequena homenagem.

TERRITÓRIO
Como geógrafo, creio que o território brasileiro é o melhor observatório do que está passando no país. Se olho o território brasileiro hoje, vejo primeiro que é um território nacional mas da economia internacional. Quer dizer, o esforço de quem manda, no sentido de moldar o território — porque o território vai sendo sempre moldado por quem manda —, é no sentido de favorecer o trabalho dos atores da economia internacional. Não são apenas as multinacionais estrangeiras, mas todas as grandes firmas estrangeiras ou brasileiras, são elas que trazem para o território uma lógica globalizante. Na realidade, uma lógica globalitária, há mais do que globalização, há globaritarismo. Então, temos o território brasileiro trazendo esses nexos, que são cegos, e que criam uma ordem para essas grandes empresas, trazendo desordem para tudo o mais. Desordem criada para as empresas não envolvidas, que são atingidas por ela, por essa entropia negativa dentro do território, que alcança toda a sociedade. Então, o território revela também a incapacidade de governo, quer dizer, a não-governabilidade do país, porque o Brasil é um país não-governado. Ao mesmo tempo em que o território revela que o governo, a política, se faz pelas grandes empresas. São as grandes empresas que fazem a política. Isso se vê no uso do território brasileiro.

AGRICULTURA
É um novo tipo de feudalismo, e de militarização do território ao mesmo tempo. Porque tem de obedecer, tem de fazer aquilo que manda o chamado mercado global. Vejam, por exemplo, as áreas agrícolas mais modernas, como o Estado de São Paulo, que funcionam segundo um regime militar, no sentido de ter de fazer aquilo que lhes é ordenado — ou dá ou desce, ordem unida —, seguindo o que é necessitado por essa ordem global. Digamos que a globalização dê n’água, como vai dar, como o interior de São Paulo vai reagir? Quais seriam os cenários? Uma enorme área vendendo suco de laranja, o que acontecerá?
Uma monocultura ligada a uma ordem global que não existia antes, muito mais constrangedora do que as ordens internacionais anteriores.

REAL
Qual é o limite do Real? Qual é o limite, por exemplo, do cálculo da inflação? A classe média vive do crédito. Ela deve, todos devem. Todos devemos. A gente paga. O custo do dinheiro é o custo da inflação oficial? Outra coisa, a cesta básica. Vivem falando dela. Mas e os desejos? Sou chamado a ter mais desejos pela publicidade incessante. Mais coisas foram criadas para me serem oferecidas. E a cesta básica fica imóvel. O resto, não. Então, haveria que produzir outros discursos para apressar o limite da saturação do sistema ideológico que está por trás da globalização e do sucesso dos governos globalitários. Só que os partidos partem da análise dos economistas.

CONSUMO
Vamos começar do começo. Quando eu era maduro... a gente lia muitas coisas da literatura marxista soviética — porque era mais barata, não é? —, então tinha o bem e o erro, a verdade e a mentira. A verdade e a ideologia. Mas a ideologia também é "verdadeira", ela produz coisas que existem, que são os objetos. Esse é um primeiro ponto de partida. Um outro ponto de partida é o seguinte: a produção de idéias precede a produção das coisas, hoje. Não era assim há cinqüenta anos. Com a cientifização da produção, com a cientifização da técnica, tudo o que é produzido é precedido de uma idéia... científica. É por isso que a publicidade também precede de produção material. Quer dizer, antes de jogar um produto, faço a propaganda dele. O remédio é um exemplo, 1 por cento de matéria, 99 por cento de propaganda. Então tudo é feito assim, a produção da política também. A política cientificamente feita, como agora, é precedida pelos marqueteiros. Então, tudo no mundo de hoje tem essa produção ideológica, ou de idéias — para ser neutro — que precedem. Por conseguinte, há um mercado de idéias que antecipa a produção de tudo, pelo menos do que é hegemônico. E o consumo é o grande portador de tudo isso. Por isso, ele é o grande fundamen-talismo hoje. Não é o do Khomehini o grande fundamentalismo, é do consumo, porque é portador do meu impulso para esta forma de vida, que acaba me transformando numa coisa, num objeto.

LIDERANÇA
Não há uma escolha nacional do líder nacional. Há uma escolha internacional, global, do líder nacional. Acho que é esse o jogo, e essa escolha é em grande parte feita entre pessoas que um dia foram insuspeitas.

GLOBALIZAÇÃO
Acho que vai haver, no caso do Brasil, primeiro, uma outra federação. Vamos produzir uma outra federação. Daqui a pouco vai haver uma reforma na Constituição, feita por cima, mas daqui a pouco vai haver outra, feita por baixo, porque essa por cima não vai funcionar. Isso vai acontecer em alguns ou em todos os países. Aí, depois que fizermos a nossa federação por baixo, haverá a produção da globalização por baixo também, com novas instituições internacionais.

ENSINO
O ensino público é indispensável, e com a globalização torna-se mais indispensável para assegurar a possibilidade de pensar livremente, e de dizer livremente. Não basta pensar, tem de poder dizer. Por conseguinte, se o ensino ficar atrelado ao mercado, ou à técnica, ele será cada vez mais canalizado para a subserviência, sobretudo porque a ciência tende cada dia a ficar mais longe da verdade. Porque a ciência é feita para responder à demanda técnica e do mercado. Por conseguinte, ela estreita o seu objetivo. Só o ensino público pode restaurar isso. Dito isso, as universidades públicas teriam de ser um pouquinho mais públicas, na medida em que elas não estão abertas. O número de matrículas diminui proporcionalmente todos os anos. Em São Paulo, a evolução das vagas no ensino público é diminuta, e a expansão é do ensino privado. Então, a universidade pública, para aumentar, digamos assim, sua legitimidade, tem de se tornar um pouco mais pública. Tanto na aceitação de alunos como na escolha dos professores.

UNIVERSIDADE
A enorme dificuldade é ser intelectual neste fim de século. Uma enorme dificuldade, que na verdade está incluída nessa globalização, porque a universidade é chamada a ser porta-voz. Quer dizer, os apelos todos da globalização, aumentando os contatos entre as universidades e indicando as universidades que são faróis, eles acabam corrompendo as universidades subordinadas, como a USP e as outras, do Terceiro Mundo, que não são universidades portadoras de teorias do mundo.

CIÊNCIA
A descoberta gratuita ou de um futuro diferente daquilo que já está traçado — por conseguinte, não é mais um futuro, porque já está traçado, não é isso? — não está acontecendo. Acho que esse é o problema da ciência hoje. Quer dizer, de um lado as ciências humanas são comandadas pela moda, então a gente faz aquilo que está na moda, que está na mídia. Dá-se mais valor à moda do que ao modo porque a moda assegura a promoção, o status, a moda vem das universidades hegemônicas, que sabem por que estão impondo as modas. Então você passa quinze anos estudando dependência, passa quinze anos estudando setor informal... veja, nestes últimos quarenta anos os temas centrais foram dois ou três. Que não levaram ao progresso do conhecimento, levaram para trás. E nas ciências exatas e nas outras é o mercado que escolhe o que fazer. Com a globalização, a escolha é cada vez mais estreita. Por conseguinte, o campo de pensamento se afunila e a distância em relação à busca da verdade aumenta. E hoje há uma tecnização da pesquisa, quer dizer, há uma necessidade de dinheiro, a maior parte das pesquisas precisa de dinheiro, isso complica, porque o dinheiro é mais freqüentemente dado para os centros de pesquisa que aceitam essa instrumentalização. E pensar livremente se dá a partir de um certo estágio, uma certa experiência ou um certo gênio — gênio em qualquer idade —, o que significa um número menor de pessoas, que tem público por isso mesmo menor. E o público vai exatamente para o outro lado. A universidade pública seria o lugar do intelectual público. Mas hoje a possibilidade de ser intelectual público é cada vez mais limitada, por essas condições todas sobre as quais falamos aqui.

http://www.tigweb.org/youth-media/panorama/article.html?ContentID=18945

 

 

Verbitsky: militares brasileiros arrotam um poder que não têm

Ter, 15 de Maio de 2012 20:26

 Em entrevista à Carta Maior, concedida em Roma, o jornalista argentino Horacio Verbitsky fala sobre as pressões militares que o governo brasileiro ainda sobre no tema da Comissão da Verdade. Para ele, essas pressões não demonstram força, mas o contrário. "A verdade é que são ridículos. Insisto, creio que a capacidade de resistência dos militares é zero, é nula. Eles estão arrotando um poder que não têm mais".

 

Darío Pignotti - Especial para Carta Maior

Roma - “As pressões militares contra a Comissão da Verdade da presidenta Dilma Rousseff indubitavelmente mostram sua debilidade e seu temor, apesar da aparente fortaleza. Essas pressões não demonstram força, mas o contrário. A verdade é que são ridículos. Insisto, creio que a capacidade de resistência dos militares é zero, é nula. Eles estão arrotando um poder que não têm, isso já aconteceu em outros países, acredito que eles vão se dar conta de que isso é assim muito rapidamente. Eles sabem que estão fazendo um papel ridículo em nível internacional, onde são vistos como patéticos”.

As afirmações são do jornalista argentino Horacio Verbitsky, que estudou e conhece o comportamento militar talvez melhor do que qualquer outro especialista na América Latina.

Verbitsky concedeu uma entrevista à Carta Maior na sede da universidade italiana Roma Três, onde foi convidado para falar sobre a ditadura em seu país e os vínculos econômicos e diplomáticos com setores de poder internacionais. Após ter investigado as transições democráticas, sempre tortuosas, na Argentina, Chile e Uruguai, o analista chega a uma conclusão: “sempre houve pressões militares, algumas vezes até se semearam rumores de golpes contra os governos democraticamente eleitos, mas, no final, inexoravelmente, começou-se a abrir passagem para a verdade e a justiça. Não vejo porque o Brasil teria que ser diferente do resto de seus vizinhos”.

“Creio que o Brasil, se avançar com decisão política, terminará se parecendo aos outros países sulamericanos, que já conseguiram bastante. Na Argentina, há mais de 200 condenações, no Uruguai, há 300 processos concluídos, no Chile outros 300, no Peru há várias ações, na Colômbia também. Eu me pergunto: por que razão não haverá processos no Brasil?”

No entanto, ao fazer-se a comparação, constata-se que os militares brasileiros ainda se permitem, por meio de manifestos, desafiar as autoridades civis, o que não ocorre no resto do Cone Sul.

As ameaças frequentes do militares, ou de seus porta-vozes civis, que seguem atuando - isso também ocorre na Argentina, onde o braço civil segue ativo – contra a Comissão são a consequência natural de muitos anos de impunidade. É preciso lembrar que os militares brasileiros se retiraram do governo conservando todo seu poder, sua honra, intangibilidade e sua impunidade, e isso está começando a mudar. Frente a isso, eles reagem indignados como reagiram os militares argentinos em 1983 (no fim da ditadura) e em 1985 (por ocasião do julgamento dos comandantes do regime).

Estas expressões quase golpistas que são notícia no Brasil nestes dias lembram como reagiram os militares uruguaios há dois anos, como reagiram os militares chilenos quando começaram os processos judiciais. Mas se existe a vontade política do governo da presidenta em avançar com os processos estas reações não levarão a lugar algum, porque não têm nenhuma possibilidade de desestabilizar o governo democraticamente eleito.

Não há contexto nacional nem internacional, nem contexto econômico, nem social que permita um novo golpe militar e, na medida em que essa possibilidade está excluída, tudo o que fizerem será facilmente absorvido pela democracia, se o governo mantiver uma atitude firme. E, pelo que se vê, Dilma mantém essa atitude de firmeza, coisa que Lula não fez. Talvez tenha sido necessário que, para chegar a este momento, fosse preciso ter dois mandatos progressistas, o primeiro com Lula e agora com a presidenta Dilma.

Você observa que Lula e Dilma tiveram posições diferentes em matéria de Direitos Humanos?

Eu não sei por que Lula não tentou avançar mais com a Comissão. Parece-me que Lula, demasiadas vezes em demasiados temas, agiu com um complexo de inferioridade, como se pedisse perdão por ser o que era. Por exemplo, para ganhar a presidência, colocou terno e gravata porque quando tentou chegar à presidência com seu formato do Lula original não foi bem, e depois ganhou com a campanha “Lulinha Paz e Amor”. Talvez tudo isso tenha influenciado para que Lula não se sentisse animado a fazer o que Dilma está fazendo com os militares, mas em boa hora Dilma se animou e isso me parece muito positivo.

Apesar de tudo isso devo dizer que tenho algumas dúvidas sobre o que pode ocorrer no Brasil a respeito da Comissão da Verdade, e minhas dúvidas não estão relacionadas com os militares, mas sim com os civis. Minha dúvida tem a ver com a vocação e a capacidade de pressão da sociedade civil para que haja verdade e justiça.

Os arrependidos, Claudio Guerra e Scilingo

Os paralelos entre as transições democráticas sul-americanas são possíveis, apesar das especificidades e dos tempos históricos de cada uma delas. As surpreendentes, e talvez oportunistas, confissões manifestadas na semana passada pelo repressor brasileiro Claudio Guerra, que assumiu ter incinerado opositores à ditadura, lembram as de Rodolfo Scilingo, um ex-marinheiro que reconheceu perante Verbitsky ter jogado dezenas de presos políticos no mar, numa entrevista que deu origem ao livro “El vuelo”.

Durante a conversa com Carta Maior, ocorrida antes das declarações do ex-agente do DOPS, Claudio Guerra, o jornalista lembra a comoção causada por “El Vuelo” na opinião pública argentina. 

“Neste livro está publicada a confissão do capitão (da Marinha) Scilingo (agiu no campo de concentração chamado ESMA, onde cerca de 5 mil pessoas foram assassinadas) que jogava pessoas vivas no mar. Foi um livro editado em muitos lugares, traduzido em muitas línguas e devo dizer que o país onde teve menor repercussão foi o Brasil”.

“Não houve interesse. É certo que a sociedade brasileira não é muito habituada à leitura, mas chama a atenção que este caso não tenha despertado curiosidade no público. E me parece que se o começo do caminho na direção da Justiça e da Verdade (sobre o que ocorreu sob o poder militar) demorou tanto no Brasil isso tem a ver com o fato de que não é uma reivindicação que surge com força desde o interior da sociedade civil”.

“É um reclamo que surge das vítimas, dos familiares das vítimas, mas não vejo que seja assumido com força por setores significativos da sociedade. Fazendo uma comparação, pode-se dizer que é certo que nos primeiros anos depois da ditadura na Argentina, finalizada em 1983, tampouco houve um movimento tão forte da sociedade civil para que se fizesse Justiça. Mas, no Brasil, a demora é muito maior. A ditadura brasileira terminou há quase trinta anos no Brasil e, em 2014, vão se completar 50 anos do golpe. Na Argentina, no Chile, quando terminaram as ditaduras foram disparados vários mecanismos de repúdio e isso não ocorreu no Brasil. Em função disso, repito, tenho dúvida sobre o que pode ocorrer com a Comissão da Verdade”.

Será que há muita coisa para esconder no Brasil? Porque o bloco de poder civil-militar responsável pelo golpe ainda mantém vivos os seus laços? Há quem diga que a verdade preocupa tanto os militares quanto os empresários que os apoiaram.

Primeiro, falando de tudo o que há para esconder me parece que no Brasil há tanto para esconder como houve na Argentina, no Chile, no Uruguai. Os temores do bloco de poder, não só militar, são perfeitamente compreensíveis, eles têm que se preocupar. O que me importa é a cumplicidade civil ainda não desvelada.

Na Argentina, por exemplo, o processo começou com os militares na década de 80 e só agora, três décadas depois do fim da ditadura, está se avançando sobre as cumplicidades civis, sobre os padres, os empresários, os juízes...É um processo que, inexoravelmente, vai ocorrer, e aqueles que ficarem incomodados que se saiba o que fizeram terão que se resignar e se acostumar com a ideia de que isso não tem volta. Isso é inexorável. Como farão para impedi-lo. Se as instituições funcionam, se a Justiça funciona, se há um contexto internacional no qual o Brasil é membro do sistema interamericano de direitos humanos pelo qual está obrigado a agir nesta direção...

No entanto, o STF reafirmou a Anistia, desafiando a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

É certo que a Corte brasileira ratificou a Anistia, mas o desaparecimento de uma pessoa é um delito que se volta contra aqueles que defendem a Anistia, porque pode-se anistiar para trás, mas não se pode anistiar para frente e, na medida em que uma pessoa continua desaparecida o crime segue sendo cometido.

Brasil, peça chave da Operação Condor

A Comissão da Verdade possivelmente instalará um debate sobre a Operação Condor, que talvez desminta a versão oficial da ditadura e da imprensa conservadora, segundo a qual o Brasil foi um ator coadjuvante neste plano. Qual é sua opinião sobre isso?

O Brasil como potência regional sem dúvida teve uma importância decisiva em todos os acontecimentos daqueles anos. Não pode ter sido de outra maneira. Conhecemos os casos de sequestros de argentinos no Brasil, sequestro de pessoas que continuam desparecidas. E, além disso, desde o golpe de 1964, o Brasil é a principal força regional e suas forças armadas foram a principal força repressiva da região dentro do contexto da Guerra Fria e em função do tipo de relação preferencial que tinha com os Estados Unidos, me parece absolutamente natural que o Brasil tenha tido uma atuação mais importante do que se pensa na Operação Condor.

Os governos democráticos do Brasil e de outros países impulsionaram o Conselho de Defesa da Unasul. É possível uma política militar comum, quando há militares, como os brasileiros, que ainda defendem a ditadura?

Eu acredito que essas posições dos militares brasileiros são reivindicações que se esgotam na esfera nacional do Brasil. Não é algo que se projete no marco regional, não há espaço para isso na região porque os chefes das forças armadas na Argentina, no Chile, no Uruguai tem expressado um afastamento categórico de tudo o que foram as ditaduras. Não imagino que um militar brasileiro dentro do Conselho de Defesa regional vá reivindicar algo parecido com o que reivindica no plano interno e se algum deles tentar isso ficará sozinho e deslocado, pois não há espaço para tanto.

Faço uma provocação: você afirmaria categoricamente que as forças armadas da Argentina, Uruguai e Chile tornaram-se convictamente democráticas?

No caso das forças armadas argentinas não há reivindicações da ditadura, elas não existem absolutamente há muitos anos. Hoje são forças armadas absolutamente subordinadas ao poder civil. A condição da Defesa é exercida por um Ministério da Defesa que está em mãos civis. Toda legislação militar foi reformada, já não existe o Código de Justiça Militar. Devo dizer que tive uma intervenção muito ativa na dissolução do Código de Justiça Militar por que o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), do qual sou o presidente, levou o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em função disso, o Estado nacional assumiu o compromisso de revogar o Código de Justiça Militar. É absurdo que os militares tenham uma instância judicial à parte do resto da sociedade.

Nós, no CLES, trabalhamos na elaboração do projeto, e agora os militares estão sujeitos à mesma lei que o resto dos cidadãos. O que existe é um sistema de disciplina interno, mas isso não tem nada a ver com o código, é simplesmente um sistema disciplinar interno.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


 

 

O vento mudou

Ter, 15 de Maio de 2012 20:29

 A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. O artigo é de José Manuel Pureza.

 

José Manuel Pureza (*), na Carta Maior

(*) Publicado originalmente no Diário de Notícias (11/05/2012).

Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel. 

Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neo-liberalismo – que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura econômica e política.

Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor – retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão à vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.

O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neo-liberalismo- custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.

A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos para a União.

Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto. 

(*) José Manuel Pureza – prof de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra e prof visitante do departamento de Relações Internacionais da PUC/SP


 

terça-feira, 15 de maio de 2012 - No Democracia e Política

PONTE AÉREA RIO-SP É A SEGUNDA ROTA MAIS MOVIMENTADA DO MUNDO 


“A ponte aérea que liga o Rio de Janeiro a São Paulo é a segunda rota mais movimentada do mundo, segundo estudo realizado pela multinacional ‘Amadeus’, empresa que comercializa passagens aéreas para as principais companhias do mundo.

ROTAS AÉREAS MAIS MOVIMENTADAS DO MUNDO

1. Jeju-Seul (Coréia do Sul)
2. Rio-São Paulo (Brasil)
3. Osaka-Tóquio (Japão)
4. Sapporo-Tóquio (Japão)
5. Melbourne-Sidney (Austrália)
6. Fukuoka-Tóquio (Japão)
7. Pequim-Xangai (China)
8. Hong Kong-Taipé (China-Taiwan)
9. Cidade do Cabo-Johannesburgo (África do Sul)
10. Mumbai-Nova Délhi (Índia)

De acordo com o estudo, oito milhões de passageiros fizeram a ponte aérea Rio-SP em 2011. A rota mais movimentada é a Jeju-Seul, na Coreia do Sul, com dez milhões de passageiros.

A terceira rota mais movimentada do mundo é Osaka-Tóquio, seguida de Sapporo-Tóquio (ambas no Japão), Melbourne-Sidney (Austrália), Fukuoka-Tóquio (Japão) e Pequim-Xangai (China).

O estudo aponta, também, que o Brasil registrou o segundo maior crescimento [no mundo] no volume de passageiros entre 2010 e 2011, saltando de aproximadamente 70 milhões de usuários no ano retrasado para 82,3 milhões no ano passado --variação de 17%. Na primeira posição [em % de crescimento] está o Chile, que teve 9,3 milhões em 2011 --aumento de 21% em relação a 2010.

O levantamento da “Amadeus” considerou apenas os países em que há mais de 5 milhões de passageiros por ano. Depois de Chile e Brasil, registraram os maiores crescimentos no número de passageiro Filipinas (15%), Rússia (15%), Arábia Saudita (15%), Turquia (15%) e Índia (13%).

PAÍS/ PASSAGEIROS EM 2011 (em milhões)/ CRESCIMENTO %

Chile/ 9,3/ 21%
Brasil/ 82,3/ 17%
Filipinas/ 24,4/ 15%
Rússia/ 44,6/ 15%
Arábia Saudita/ 23,3/ 15%
Turquia/ 34,4/ 15%
Índia/ 71,6/ 13%
Vietnã/ 16,1/ 12%
Indonésia 53,7 11%

VIAGENS ENTRE CONTINENTES

Segundo o estudo, o tráfego entre países asiáticos e europeus cresceu 9% em número de passageiros, mesmo percentual verificado entre a Ásia e a América do Norte. O único tráfego entre continentes que sofreu retração, diz o levantamento, foi entre a África e a Europa (-2%).

Com mais de 60 milhões de passageiros, o tráfego entre Europa e América do Norte é o mais movimentado, considerando o fluxo entre regiões. Na sequência, aparece o fluxo Ásia e Europa (53 milhões de passageiros) e América Latina e América do Norte (47 milhões).

A “Amadeus” diz ter processado a venda de mais de 948 milhões de viagens em 2011 em seus sistemas. A empresa foi formada em 1987, a partir de uma aliança entre as companhias Air France (França), Lufthansa (Alemanha), Iberia (Espanha) e Scandinavian Airlines System (Suécia).”

FONTE: portal UOL  (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/14/ponte-aerea-rio-sp-e-a-segunda-rota-mais-movimentada-do-mundo-diz-estudo.htm) . [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’]

 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cachoeira e o corporativismo da mídia    Por Washington Araujo, no Observatório da Imprensa:

A imprensa tem longa experiência na cobertura de Comissões Parlamentares de Inquérito. Em temporada de CPI é patente o manancial (pensei em escrever cachoeira) de informações a preencherem páginas de jornais e revistas, em casos que a imprensa elege como “por demais clamorosos”; cadernos especiais são criados, assim como é inventada uma logomarca.


O assunto é mais ou menos reverberado nos meios de comunicação de acordo com o grau das pessoas e instituições investigadas. Em um hipotético termômetro de interesse midiático podemos inferir que se o investigado é o governo federal – principalmente os dos últimos quadriênios – é certeza absoluta de que donos de jornais e revistas, redatores-chefes, editores e colunistas de plantão atuarão como se tivessem mandato parlamentar, engrossando ainda mais a lista de investigadores, elencando diariamente novos alvos de investigação, preparando conexões ou meras ilações entre esse e aquele personagem, esta e aquela empresa.

Formam, por assim dizer, o esquadrão midiático voluntário em apoio aos trabalhos da CPI. Não são remunerados, ao menos diretamente, por seu trabalho que, longe de ser gracioso, é regiamente pago, mas de maneira indireta, através da minutagem que os temas de sua predileção terão na escalada de telejornais, do espaço nas capas e cadernos de jornais e revistas.

O nosso e o dos outros

O braço midiático das CPIs sabe muito bem que não existe almoço grátis. E seu trabalho investigativo é tão isento quanto a defesa que faz o agronegócio da preservação do meio ambiente, propugnando pesadas multas pecuniárias a seus congêneres desmatadores. Muito ao contrário, a imprensa não é isenta e chama para si o direito de oferecer à opinião pública quem são os mocinhos e os bandidos, antes, muito antes de a CPI se encaminhar para seus desdobramentos finais.

É prática de boa parte da imprensa pecar por excesso de protagonismo: publica avalanchas de sinais como se fossem evidências robustas de culpabilidade. E, ao mesmo tempo, peca por excesso de omissão: deixa de publicar o que possa estar em contradição com o veredicto esposado pela publicação, ou pela rede de televisão. Em algumas CPIs a omissão chega a ser criminosa. É como se estivessem permanentemente em sala de edição, cortando o que não deve vir a público e criando a realidade que precisa vir à luz.

A Comissão Parlamentar de Inquérito recém instalada tem em sua essência algo que destoa por completo das muitas que lhe antecederam. É o ineditismo de, pela primeira vez neste país, a imprensa vir a se tornar alvo de investigação. E, então, temos um rosário de coisas inéditas. Primeiro, não é a imprensa que está na bica para ser investigada. É, tão somente, o jornalista Policarpo Junior, da sucursal da revista Veja, em Brasília. Mas, para a imprensa, é seu teste ético de força: devemos todos nos posicionar em defesa de Veja ou deixá-la aos humores, talentos e habilidades dos parlamentares que atuam na CPI?

É, certamente, o caso mais escancarado de corporativismo jamais visto no país – isto para resgatar a frase tantas vezes usada de maneira jocosa pelos luminares que pontificam na mídia. O que deveria se circunscrever a uma única revista semanal, terminou por transbordar e se transformar em bandeira de luta bem ao estilo “mexeu em um, mexeu em todos”. E, no entanto, não faz muito o corporativismo era o inimigo número 1 da imprensa, não importando se surgisse na defesa de desembargadores graduados de tribunais superiores, nas direções gerais da banca financeira ou nas presidências das empreiteiras, menos ainda se surgisse nas hostes da segurança pública. Agora, vemos que o corporativismo mau é aquele praticado pelos outros, o nosso pode até parecer, mas nem mesmo chega a ser corporativismo. Atende por outro nome: defesa da liberdade de imprensa.

Direito de condenar

Ainda assim, é uma liberdade de imprensa seletiva. O império midiático não se fecharia em copas em defesa de jornalistas que fossem flagrados em conversas como as reunidas nos propalados 200 grampos telefônicos, obtidos com autorização judicial, de conversas entre o editor de Veja e o notório meliante Carlos Cachoeira. Alguém, em sã consciência, imaginaria o movimento da Editora Abril em franca ação de autodefesa, angariando flamejantes editoriais de O Globo e defesas não menos enfáticas de sua ética jornalística por parte de jornais como o Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo? Seria crível ação dessa envergadura se atropelados em escutas telefônicas estivessem jornalistas como Mauro Santayanna, Mino Carta e Ricardo Kotscho?

A resposta é não por dois motivos. Primeiro, porque seria impensável que um desses três decanos da imprensa brasileira protagonizassem conversas de tão baixo calibre, próprias do submundo do crime organizado. Segundo, porque ao invés de serem defendidos, seriam condenados sem dó nem piedade pela grande imprensa. Direito de defesa? Apenas para os nossos. Para os demais, reservamo-nos o direito de acusar, condenar e zelar pelo fiel e rigoroso cumprimento da pena.

As próximas semanas serão reveladoras de como a imprensa se porta quando é ela que cobre a CPI – e quando a própria passa a ser coberta por uma CPI. Este é o ponto. Postado por Miro às 20:04   Do Blog do Miro.

Postado por


 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lula entra na campanha de Haddad e atrai apoio de Marta                         / Foto: Reprodução da internetEm sua primeira aparição em palanque, após a conclusão do tratamento do câncer da laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (14) um lance duplo a favor de seu candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Além de aparecer ao lado dele pela primeira vez em evento público, desde que a pré-candidatura foi posta na rua, ele ainda atraiu para o palanque a senadora Marta Suplicy, que andava afastada e descontente desde que foi obrigada a desistir de sua candidatura ao cargo - por pressão do próprio Lula.

Pela primeira vez, a ex-prefeita prometeu se empenhar na campanha de Haddad. "Eu e o Lula vamos estar a todo momento com você", prometeu.

Na avaliação da senadora, principal estrela do evento, depois de Lula, chegou a hora do PT retomar a agenda política e administrativa de São Paulo. Ela disse que a gestão de Gilberto Kassab (PSD)é marcada pela "mediocridade absoluta".

O encontro aconteceu no final da manhã, durante a inauguração, em São Bernardo do Campo, de um Centro Educacional Unificado (CEU) - tipo de escola que surgiu em São Paulo e foi considerada a principal marca da gestão de Marta (2004-2014). A unidade inaugurada pelo prefeito petista Luiz Marinho, no centro de uma das regiões mais pobres da cidade, ganhou o nome de Regina Rocco Casa, em homenagem à mãe da mulher de Lula, Marisa Letícia.

Coube ao ex-presidente Lula fechar uma sequência de discursos de tom político. "Se eu tivesse juízo, não ia falar aqui porque não estou com a garganta totalmente boa", observou, no início de sua fala.

De fato, a voz estava rouca e fraca. Após pouco mais de cinco minutos, foi obrigado a parar, por causa de um acesso de tosse.

No pouco que falou, Lula deixou clara sua vontade de participar ativamente da eleição municipal deste ano: "Espero que daqui a quinze ou vinte dias eu esteja apto para me dirigir aos companheiros e companheiras, por esse Brasil afora, para ajudar nosso partido a continuar crescendo, elegendo pessoas como Marinho, como Fernando Haddad." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.AE Postado por

Do Blog O TERROR DO NORDESTE.

Postado por


 

 Logo Observatório da Imprensa
Terça-feira, 15 de Maio de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 694 Fundação FordJornal de DebatesFITAS, ALDRABICES E CHINESICESChegou a hora da autorregulação

Por Alberto Dines em 15/05/2012 na edição 694

  Compartilhar no Facebook

 


Muita opinião – e pouca informação – atrapalham a discussão sobre a mídia no caso Cachoeira. Os depoimentos fechados na CPI só pioram a guerra das versões. Quem acha que a imprensa deve ser questionada é “petista querendo cercear o jornalismo”. Quem não vê o “conluio entre o bicheiro e a maior revista do país” está vendido para os “barões da mídia”. Pobre leitor que não desistiu desse noticiário.

O desabafo da ouvidora da Folha de S.Paulo Suzana Singer (domingo, 13/5, pág. A-8), merece a solidariedade dos seus leitores. E um aditamento sobre a observação da imprensa.

O acompanhamento do desempenho da mídia jornalística tem dois objetivos básicos: promover paradigmas de excelência jornalística e funcionar como contrapoder ao poder da imprensa. O fanatismo tão bem delineado por Suzana Singer nas linhas acima não atende nem uma coisa nem a outra.

Este Fla-Flu canibal, verdadeiro arranca-rabo, anula qualquer possibilidade de exercitar o metajornalismo. Desqualifica-o, faz dele mero tacape na guerra tribal, desserve a sociedade, deseduca o leitor. Um passeio pelos comentários ao último texto deste observador ilustra o clima preconceituoso e a disposição linchadora (ver “Fontes corruptas são corruptoras; submeter-se a governos é aceitar suborno”).

 

O dado alentador é que alguns analistas políticos começam a se convencer que a praga “fiteira” subverte nosso jornalismo investigativo. Eliane Cantanhêde (“Fatos e fitas”, Folha), Ana Cristina Fernandes (“A delação, o prêmio e a notícia”, Valor Econômico) e Merval Pereira (“Novas fitas na CPI”, O Globo) – para citar os que mais recentemente se manifestaram a respeito – chamaram a atenção para o emaranhado de parcerias entre arapongas profissionais e jornalistas. 

Necessidade do CCS

O caso do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Martins de Araujo, vulgo Dadá, tornou-se um clássico porque há fortes indícios de sua participação em bombásticos desvendamentos de escândalos de grande porte (caso Waldomiro Diniz, Operação Satiagraha e Dossiê Privataria). E por que não imaginar que esta maestria não teria servido igualmente à produção de outras inesquecíveis cenas do nosso acervo político-cinematográfico como o suborno nos Correios e na Câmara Legislativa do Distrito Federal?

A expressão “jornalismo fiteiro” pretendia designar a conjugação de duas anomalias: (1) a entrega às redações de denúncias gravadas em fitas, vídeos, CDs, DVDs por elementos estranhos à profissão; e, (2) caracterizar como enganosos os furos soprados para as redações sem qualquer checagem jornalística.

Fiteiro, segundo o dicionário Houaiss, é algo fingido. Fazer fita é o mesmo que dissimular. Ou aldrabar, como dizem os portugueses. No caso, espionagem a serviço de interesses escusos e não do interesse público. Os fatos denunciados podem ser verdadeiros, mas os métodos para obtê-los não foram legítimos. O diabo mora nesta proximidade.

Nossa sociedade e o nosso jornalismo já estão maduros o suficiente para merecer um sistema de autorregulação que começa com a multiplicação de ouvidores e defensores do leitor (como os da Folha, O Povo, Agência Brasil e do El País) e se completaria com a adoção de uma entidade proativa como aquela proposta pela Comissão Leveson no parlamento inglês.

A ideia de convocar jornalistas para depor na CPI do Congresso é uma chinesice totalitária, aberrante – ficaria muito bem na própria China, Ucrânia, ou Rússia de Vladimir Putin. Precisamos ressuscitar urgentemente o Conselho de Comunicação Social como fórum para identificar problemas e discutir soluções. Nada mais do que isso. Está previsto na Constituição, já o tivemos em 2003, por que não o merecemos mais?

***

A indicação do jurista José Paulo Cavalcanti Filho para integrar a Comissão [da busca] da Verdade alegrou sua legião de admiradores. E frustrou aqueles que aguardavam a sua anuência ao convite para comandar o renascimento do Conselho de Comunicação Social.

 

 

Mídia, Gurgel e Souza ameaçam o Estado de Direito

Buzz ThisPost to Google BuzzBookmark this on DeliciousBookmark this on DiggShare on FriendFeedShare on FacebookShare on LinkedIn

 

A Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5.°, inciso LVII, reza que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Esse é um direito constitucional que vale para todos, dos réus no inquérito do mensalão a Carlinhos Cachoeira. Vale para você, leitor, e para aqueles dos quais diverge. Isso se chama democracia.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal de conceder liminar desobrigando Cachoeira de depor na CPMI que leva seu nome é desagradável porque a culpabilidade do contraventor salta aos olhos, mas a garantia de um processo legal justo e a preservação de direitos constitucionais distinguem democracias de ditaduras.

A decisão do ministro do STF Celso de Melo pode retardar os trabalhos da CPMI, mas a argumentação de que novas acusações no processo não são do conhecimento da defesa do contraventor encerra razoabilidade. Que se dê à parte o conhecimento que pede e que o processo siga em frente.

Grave, porém, é a campanha midiática que tem o evidente intento de pressionar o Supremo Tribunal Federal a condenar in limine os envolvidos no inquérito do mensalão. Nesse contexto, a decisão de ontem do STF sinaliza que a Corte pode não deixar que lhe ponham uma “faca no pescoço” – de novo.

A intenção de coagir vai assumindo proporções escandalosas. Recentes matérias na imprensa dando conta de declarações espantosas de dois expoentes do Ministério Público Federal constituem um verdadeiro atentado aos ditames constitucionais relativos ao direito de defesa e ao contraditório.

Roberto Gurgel, procurador-geral da República, cada vez mais enrolado na suspeição quanto ao engavetamento da investigação que gerou a CPMI do Cachoeira, aproveitou-se da gana midiática em pisotear o Estado Democrático de Direito para condenar previamente os envolvidos no inquérito do mensalão e, assim, não ter que dar explicações.

Este blog, desde o primeiro momento, denunciou a ridicularia das explicações de Gurgel no auge da exploração midiática de sua declaração sobre questioná-lo equivaler a medo de amigos dos envolvidos no mensalão. Agora, vai ficando claro que tudo não passou de estratégia desse cavalheiro para não ter que se explicar.

Concomitantemente, outro membro do MPF que já esteve à frente da instituição revela tudo o que há de ditatorial nessa corrente político-partidária para a qual o julgamento dos indiciados no inquérito do mensalão é mera formalidade que até poderia ser ignorada, pois imprensa e oposição já os condenaram.

Antonio Fernando de Souza, o procurador-geral da República anterior e autor da acusação a membros da base aliada do governo federal no inquérito do mensalão, declarou que negar a compra de votos de parlamentares pelo governo Lula seria “atentado à democracia”. E a imprensa fez a festa com essa declaração.

Se a sociedade der crédito a isso, instalar-se-á uma ditadura no Brasil. Direito de defesa, direito a um julgamento justo de uma acusação em que as provas, mesmo nos casos em que existem, estão muito abaixo de ser incontestáveis, é “atentado à democracia”?! Que história é essa?!! Esse senhor criminalizou a divergência e a presunção da inocência, ora!

Atentado à democracia é querer que todos pensem como ele, Souza. Não tenho qualquer certeza sobre culpa ou inocência dos acusados no inquérito do mensalão, mas não admito que o julgamento do caso se transforme em mera formalidade. Essa é uma ameaça a todos.

Souza foi o autor da denúncia. É óbvio que a defenderá com unhas e dentes. Todavia, ao criminalizar quem não aceita as suas conclusões pretende abolir o direito de defesa e o devido processo legal. E mais: levanta suspeitas de que anseia pelo estrelismo, pela exposição laudatória a si na mídia, posando de Catão da República – e estamos vendo onde terminam os catões.

O mais bizarro em tudo isso é que esses dois procuradores que, por razões distintas, querem dispensar o julgamento e condenar previamente os acusados no inquérito do mensalão, só estão podendo fazer isso porque foram nomeados por aquele que a corrente política que integram acusa acima de todos os outros: Lula.

Tanto a mídia quanto a oposição – que acabam sendo a mesma coisa – acusam Lula, aberta ou veladamente, de ser o verdadeiro mentor intelectual do mensalão, ainda que todas as investigações tenham concluído que não teve a menor relação com o caso.

O mínimo de lógica obriga a perguntar como um presidente que quer montar um esquema criminoso nomeia procuradores-gerais da República como Souza e Gurgel. Afinal de contas, o procurador-geral é o único que pode acusar formalmente o presidente da República. Não é por outra razão que Fernando Henrique Cardoso manteve o ex PGR Geraldo Brindeiro no cargo por oito anos.

Lula nomeou quatro procuradores-gerais e grande parte dos juízes do Supremo Tribunal Federal. Dois desses procuradores comprovam que o ex-presidente não teve medo de nomear escolhidos pela instituição Ministério Público, portanto sem garantia de favorecimento como o que Brindeiro deu a FHC. E ao menos o juiz do STF Joaquim Barbosa, nomeado por Lula, foi implacável no inquérito do mensalão.

Quer dizer que Lula montou um esquema criminoso enquanto nomeava juízes e procuradores independentes? Conversa pra boi dormir, certo?

A sociedade civil deve se levantar contra o que estão fazendo a mídia e esses dois procuradores do Ministério Público. Dizerem que divergir da opinião deles sobre o mensalão atenta contra a democracia é uma bofetada no país. Atentado à democracia é tentarem calar a divergência e colocarem uma faca no pescoço do STF – de novo.