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A Inexcedível Arrogância da Classe Média

A arenga das sacolas retornáveis, um dos frequentes pequenos flagelos que envenenam a vida dos brasileiros, é exemplo emblemático da arrogância de uma classe média ignorante e autoritária que, por se presumir detentora da “Verdade”, acha-se no direito de impor tal "verdade" ao muitas vezes desavisado cidadão comum. Querem, como dizem, "mudar o hábito” das pessoas para ajustá-las à "verdade" deles (algo semelhante ao que fez a Zélia Cardoso quando confiscou na mão grande a poupança de todo mundo).

Agora, os “iluminados” decidiram entre eles que os supermercados ficam proibidos de distribuir gratuitamente sacolinhas plásticas aos consumidores, embora possam vendê-las! Contaram, para perpetração do despautério, com a colaboração de políticos paulistas num conluio deletério de ignorantes que acham que conhecem o tema poluição (qualquer criança sabe que distribuição gratuita de sacolinha não causa poluição) com políticos oportunistas que buscam holofotes.

São Paulo, infelizmente, é hoje polo reacionário no Brasil – basta considerar os políticos que ostenta e eventos como o de Pinheirinhos –, e, por isto, não surpreende que iniciativas que impõem restrições aos cidadãos comuns surjam quase sempre nesse estado. O que surpreende é a passividade dos paulistas em geral que, ao invés de se insurgirem contra os abusos, os apoiam, talvez por acreditarem no discurso pretensamente científico da classe média estudada (aliás, mal formada), e que se põe como bedel do povo. É lamentável que o povo paulista se deprecie desta forma.

Hélio Mattar, do Instituto Arakatu (que nome mais estrambólico!), é defensor da proibição da distribuição gratuita das sacolinhas, mas não tem qualquer objeção a que sejam vendidas pelos supermercados. Foi o que disse em recente programa veiculado pela Globo News, "Cidades e Soluções". Argumentou em favor do absurdo que assim “levanta-se a discussão”! Ah, e diz que os supermercados, com a economia que farão deixando de distribuir sacolinhas gratuitamente, diminuirão, voluntariamente, os preços dos demais produtos! Epa! Já ouvi isto quando esta mesma turma acabou com a CPMF. É inacreditável, mas o sujeito disse isto, e ainda acha que, assim, conseguirá simpatizantes para sua cruzada estulta.

Hélio Mattar é o ignorante voluntarista que pensa que sua verdade é a Verdade. É sujeito avesso à democracia que quer “ensinar” ao povo, lançando mão de soluções psicodélicas como esta das sacolinhas: dar não pode, vender pode. Sua arrogância não lhe deixa ver o ridículo de suas teses absurdas e vazias. Gente como ele, no afã de parecer importante, aporrinha as pessoas como fazem os mosquitos. É preciso acabar com os criadouros onde essa gente prolifera, e tal se faz com choque de democracia.

Não há meia democracia. A história da sacolinha, um atentado à democracia, é mais um passo na dessensibilização da população em relação a ações autoritárias, e precisa ser combatida energicamente. São atentados como este que vão preparando terreno para subsequentes agressões gratuitas ao povo, supressão de direitos individuais e políticos, e golpes de Estado. O povo paulistano precisa reagir, pois, no momento, é o agredido.

 

 

Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff
Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso

São Paulo, 14 de maio de 2012

Exma. Sra.
Dilma Vana Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Senhora Presidenta:

Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou, oportunamente, que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento – do qual a Humanidade necessita, de fato, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Com igual propriedade, a senhora assinalou, também, que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.

Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, observando que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, econômicas e acadêmicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.

1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:

A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real, que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a Revolução Industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico – anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.

Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.

A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo esses efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária. Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.

O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, a temperatura média global aumentou 0,74oC, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.

Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a Civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 6.000-8.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2oC a 3oC superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiram até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas foram mais de 1oC superiores às atuais.

Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que os gradientes das temperaturas e dos níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza superiores aos verificados desde o século XIX.

Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8oC em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.

Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficientemente rápida para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais acelerada, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos – média de 4 metros por século.

Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.

Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência:

A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à Ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da Humanidade.

A História registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da Ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as Ciências Agrícolas e Biológicas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a Genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma “ciência burguesa e antirrevolucionária”. O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do “lysenkoísmo”, que tem custado caro à Humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.

Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, oceânicos, geológicos, geomorfológicos e biológicos, que a Ciência apenas começa a entender em sua abrangência.

Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico-ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947 e 1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”, impostos pelas restrições ambientais).

A propósito, o decantado limite de 2oC para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, em âmbito internacional, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).

3) O alarmismo climático é contraproducente:

As mudanças constituem o estado permanente do sistema climático – pelo que a expressão “mudanças climáticas” chega a ser redundante. Por isso, o alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre o tema é extremamente prejudicial à atitude correta necessária diante dos fenômenos climáticos, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.

No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.

Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da Humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela Ciência e pela Tecnologia modernas.

Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente na Ásia, África e América Latina.

No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fosse empregada na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, boa parte dos quais sequer foi digitalizada; e numerosas outras.

4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria:

Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da “descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.

O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar – ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono, e a Austrália, sob grande rejeição popular; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.

Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão-somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.

5) É preciso uma guinada para o futuro:

Pela primeira vez na História, a Humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.

Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.

A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.

Kenitiro Suguio
Geólogo, Doutor em Geologia
Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP)
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Luiz Carlos Baldicero Molion
Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas
Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Fernando de Mello Gomide
Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)
Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)

José Bueno Conti
Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia
Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Autor do livro Clima e meio ambiente (Atual, 2011)

José Carlos Parente de Oliveira
Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera
Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

Francisco Arthur Silva Vecchia
Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia
Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos–USP
Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)

Ricardo Augusto Felicio
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)

Antonio Jaschke Machado
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)

João Wagner Alencar Castro
Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia
Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ

Helena Polivanov
Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental
Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Gustavo Macedo de Mello Baptista
Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia
Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB)
Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)

Paulo Cesar Soares
Geólogo, Doutor em Ciências e Livre-docente em Estratigrafia
Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Gildo Magalhães dos Santos Filho
Engenheiro eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia
Professor Associado do Departamento de História da
Universidade de São Paulo (USP)

Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco
Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências

Daniela de Souza Onça
Geógrafa, Mestra e Doutora em Climatologia
Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Marcos José de Oliveira
Engenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada
Doutorando em Geociências Aplicadas na Universidade de Brasília (UnB)

Geraldo Luís Saraiva Lino
Geólogo, coeditor do sítio Alerta em Rede
Autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009)

Maria Angélica Barreto Ramos
Geóloga, Pesquisadora em Geociências (Senior)
do Serviço Geológico d Brasil – CPRM
Mestre em Geociências – Opção Geoquímica Ambiental e Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências

 

 

 

Redação considerada "modelo" pela Fuvest tem mensagem subliminar contra reitor da USP

http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2012/05/21/redacao-considerada-modelo-pela-fuvest-tem-mensagem-subliminar-contra-reitor-da-usp.jhtm

 

Letras em negrito formam a frase "Fora Rodas fora PM". 

Uma das redações consideradas pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) como uma das melhores do vestibular 2012 da USP (Universidade de São Paulo) continha uma mensagem subliminar pedindo a saída do reitor da instituição, João Grandino Rodas.

No texto, há 15 letras que o autor da redação colocou em negrito. Ela formam a inscrição "Fora Rodas fora PM". Por padrão, não é divulgado o nome do aluno. Os círculos em vermelho foram feitos pelo UOL Vestibular para facilitar a identificação.

Após a divulgação de que a redação continha esta mensagem, a Fuvest apagou o texto de seu site. O UOL conseguiu uma cópia por meio do Fórum UOL Vestibular

A reitoria da USP disse que não iria comentar o fato. A assessoria da Fuvest confirmou a existência da redação e disse que, na correção, são levadas em conta a "argumentação e a estrutura" do texto e que a mensagem não foi notada. Questionada sobre o fato de a redação ter sumido do site da fundação, a Fuvest disse que decidiu pela retirada para "não incentivar esse tipo de ação indevida".

 

A proposta de redação foi "Participação política: indispensável ou superada?", e trazia quatro trechos de textos, sendo um do filósofo Aristóteles, um de Mário Sérgio Cortella e de R. J. Ribeiro, um de Wislawa Szymborska e, por último, um do sociólogo Zygmunt Bauman e mais uma charge, publicada na Folha de S. Paulo, no dia 5 de outubro de 2011.

 

Entenda a polêmica

Estudantes da USP e o reitor Rodas estão em conflito desde a a assinatura de um convênio que permitiu que a Polícia Militar fizesse o policiamento do campus universitário. Em novembro, após a detenção de três estudantes que estavam fumando maconha no campus, alunos invadiram o prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, depois, a reitoria da instituição.

Dias depois, uma reintegração de posse, executada pela PM, retirou os estudantes do prédio. Mais de 70 alunos foram presos. Após a confusão, parte do corpo discente entrou em greve, encerrada somente no começo deste ano.


 

Redação "modelo" pela Fuvest tem mensagem subliminar contra reitor da USP
 

para os que ainda insistem em ¨curas¨....

 

Famoso psiquiatra pede desculpas por estudo sobre "cura" para gays

Benedict Carey
The New York Times, em Princeton (EUA)

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/05/20/fam...

 

O fato foi simplesmente que ele fez tudo errado, e ao final de uma longa e revolucionária carreira, não importava com quanta frequência estivesse certo, o quão poderoso tinha sido ou o que isso significaria para seu legado.

O dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele.

Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta.

A palavra que ele às vezes usa para descrever essas limitações –patéticas– é a mesma que empregou por décadas como um machado, para atacar ideias tolas, teorias vazias e estudos sem valor.

Agora, ali estava ele diante de seu computador, pronto para se retratar de um estudo que realizou, uma investigação mal concebida de 2003 que apoiava o uso da chamada terapia reparativa para “cura” da homossexualidade, voltada para pessoas fortemente motivadas a mudar.

O que dizer? A questão do casamento gay estava sacudindo novamente a política nacional. O Legislativo da Califórnia estava debatendo um projeto de lei proibindo a terapia como sendo perigosa. Um jornalista de revista que se submeteu à terapia na adolescência, o visitou recentemente em sua casa, para explicar quão miseravelmente desorientadora foi a experiência.

E ele soube posteriormente que um relatório da Organização Mundial de Saúde, divulgado na quinta-feira (17), considera a terapia “uma séria ameaça à saúde e bem-estar –até mesmo à vida– das pessoas afetadas”.

Os dedos de Spitzer tremiam sobre as teclas, não confiáveis, como se sufocassem com as palavras. E então estava feito: uma breve carta a ser publicada neste mês, na mesma revista onde o estudo original apareceu.

“Eu acredito que devo desculpas à comunidade gay”, conclui o texto.

 

20/05/201206h00

Famoso psiquiatra pede desculpas por estudo sobre "cura" para gays 28

Benedict Carey
The New York Times, em Princeton (EUA)

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O fato foi simplesmente que ele fez tudo errado, e ao final de uma longa e revolucionária carreira, não importava com quanta frequência estivesse certo, o quão poderoso tinha sido ou o que isso significaria para seu legado.

O dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele.

Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta.


Ver em tamanho maiorDia Internacional Contra Homofobia pelo mundo 

 Foto 4 de 16 - Grupo posa com guarda-chuva multicolor durante a marcha pelo Dia Internacional Contra a Homofobia, em Tirana, na Albânia Mais Armando Babani/EFE

A palavra que ele às vezes usa para descrever essas limitações –patéticas– é a mesma que empregou por décadas como um machado, para atacar ideias tolas, teorias vazias e estudos sem valor.

Agora, ali estava ele diante de seu computador, pronto para se retratar de um estudo que realizou, uma investigação mal concebida de 2003 que apoiava o uso da chamada terapia reparativa para “cura” da homossexualidade, voltada para pessoas fortemente motivadas a mudar.

O que dizer? A questão do casamento gay estava sacudindo novamente a política nacional. O Legislativo da Califórnia estava debatendo um projeto de lei proibindo a terapia como sendo perigosa. Um jornalista de revista que se submeteu à terapia na adolescência, o visitou recentemente em sua casa, para explicar quão miseravelmente desorientadora foi a experiência.

E ele soube posteriormente que um relatório da Organização Mundial de Saúde, divulgado na quinta-feira (17), considera a terapia “uma séria ameaça à saúde e bem-estar –até mesmo à vida– das pessoas afetadas”.

Os dedos de Spitzer tremiam sobre as teclas, não confiáveis, como se sufocassem com as palavras. E então estava feito: uma breve carta a ser publicada neste mês, na mesma revista onde o estudo original apareceu.

“Eu acredito que devo desculpas à comunidade gay”, conclui o texto.

 

Perturbador da paz

A ideia de estudar a terapia reparadora foi toda de Spitzer, dizem aqueles que o conhecem, um esforço de uma ortodoxia que ele mesmo ajudou a estabelecer.

No final dos anos 90 como hoje, o establishment psiquiátrico considerava a terapia sem valor. Poucos terapeutas consideravam a homossexualidade uma desordem.

Nem sempre foi assim. Até os anos 70, o manual de diagnóstico do campo classificava a homossexualidade como uma doença, a chamando de “transtorno de personalidade sociopática”. Muitos terapeutas ofereciam tratamento, incluindo os analistas freudianos que dominavam o campo na época.

Os defensores dos gays fizeram objeção furiosamente e, em 1970, um ano após os protestos de Stonewall para impedir as batidas policiais em um bar de Nova York, um grupo de manifestantes dos direitos dos gays confrontou um encontro de terapeutas comportamentais em Nova York para discutir o assunto. O encontro foi encerrado, mas não antes de um jovem professor da Universidade de Columbia sentar-se com os manifestantes para ouvir seus argumentos.

“Eu sempre fui atraído por controvérsia e o que eu ouvi fazia sentido”, disse Spitzer, em uma entrevista em sua casa na semana passada. “E eu comecei a pensar, bem, se é uma desordem mental, então o que a faz assim?”

Ele comparou a homossexualidade com outras condições definidas como transtornos, tais como depressão e dependência de álcool, e viu imediatamente que as últimas causavam angústia acentuada e dano, enquanto a homossexualidade frequentemente não.

Ele também viu uma oportunidade de fazer algo a respeito. Spitzer era na época membro de um comitê da Associação Americana de Psiquiatria, que estava ajudando a atualizar o manual de diagnóstico da área, e organizou prontamente um simpósio para discutir o lugar da homossexualidade.

A iniciativa provocou uma série de debates amargos, colocando Spitzer contra dois importantes psiquiatras influentes que não cediam. No final, a associação psiquiátrica ficou ao lado de Spitzer em 1973, decidindo remover a homossexualidade de seu manual e substituí-la pela alternativa dele, “transtorno de orientação sexual”, para identificar as pessoas cuja orientação sexual, gay ou hétero, lhes causava angústia.

Apesar da linguagem arcana, a homossexualidade não era mais um “transtorno”. Spitzer conseguiu um avanço nos direitos civis em tempo recorde.

“Eu não diria que Robert Spitzer se tornou um nome popular entre o movimento gay mais amplo, mas a retirada da homossexualidade foi amplamente celebrada como uma vitória”, disse Ronald Bayer, do Centro para História e Ética da Saúde Pública, em Columbia. “‘Não Mais Doente’ foi a manchete em alguns jornais gays.”

Em parte como resultado, Spitzer se encarregou da tarefa de atualizar o manual de diagnóstico. Juntamente com uma colega, a dra. Janet Williams, atualmente sua esposa, ele deu início ao trabalho. A um ponto ainda não amplamente apreciado, seu pensamento sobre essa única questão –a homossexualidade– provocou uma reconsideração mais ampla sobre o que é doença mental, sobre onde traçar a linha entre normal e não.

O novo manual, um calhamaço de 567 páginas lançado em 1980, se transformou em um best seller improvável, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Ele estabeleceu instantaneamente o padrão para futuros manuais psiquiátricos e elevou seu principal arquiteto, então próximo dos 50 anos, ao pináculo de seu campo.

Ele era o protetor do livro, parte diretor, parte embaixador e parte clérigo intratável, rosnando ao telefone para cientistas, jornalistas e autores de políticas que considerava equivocados. Ele assumiu o papel como se tivesse nascido para ele, disseram colegas, ajudando a trazer ordem para um canto historicamente caótico da ciência.

Mas o poder tem seu próprio tipo de confinamento. Spitzer ainda podia perturbar a paz, mas não mais pelos flancos, como um rebelde. Agora ele era o establishment. E no final dos anos 90, disseram amigos, ele permanecia tão inquieto como sempre, ávido em contestar as suposições comuns.

Foi quando se deparou com outro grupo de manifestantes, no encontro anual da associação psiquiátrica em 1999: os autodescritos ex-gays. Como os manifestantes homossexuais em 1973, eles também se sentiam ultrajados por a psiquiatria estar negando a experiência deles –e qualquer terapia que pudesse ajudar.

A terapia reparativa

A terapia reparativa, às vezes chamada de terapia de “conversão” ou “reorientação sexual”, é enraizada na ideia de Freud de que as pessoas nascem bissexuais e podem se mover ao longo de um contínuo de um extremo ao outro. Alguns terapeutas nunca abandonaram a teoria e um dos principais rivais de Spitzer no debate de 1973, o dr. Charles W. Socarides, fundou uma organização chamada Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade (Narth, na sigla em inglês), no sul da Califórnia, para promovê-la.

Em 1998, a Narth formou alianças com grupos de defesa socialmente conservadores e juntos eles iniciaram uma campanha agressiva, publicando anúncios de página inteira em grandes jornais para divulgar histórias de sucesso.

“Pessoas com uma visão de mundo compartilhada basicamente se uniram e criaram seu próprio grupo de especialistas, para oferecer visões alternativas de políticas”, disse o dr. Jack Drescher, psiquiatra em Nova York e coeditor de “Ex-Gay Research: Analyzing the Spitzer Study and Its Relation to Science, Religion, Politics, and Culture”.

Para Spitzer, a pergunta científica no mínimo valia a pena ser feita: qual era o efeito da terapia, se é que havia algum? Estudos anteriores tinham sido tendenciosos e inconclusivos.

“As pessoas me diziam na época: ‘Bob, você vai arruinar sua carreira, não faça isso’”, disse Spitzer. “Mas eu não me sentia vulnerável.”

Ele recrutou 200 homens e mulheres, dos centros que realizavam a terapia, incluindo o Exodus International, com sede na Flórida, e da Narth. Ele entrevistou cada um profundamente por telefone, perguntando sobre seus impulsos sexuais, sentimentos, comportamentos antes e depois da terapia, classificando as respostas em uma escala.

Spitzer então comparou os resultados de seu questionário, antes e depois da terapia. “A maioria dos participantes relatou mudança de uma orientação predominante ou exclusivamente homossexual antes da terapia, para uma orientação predominante ou exclusivamente heterossexual no ano passado”, concluiu seu estudo.

O estudo –apresentado em um encontro de psiquiatria em 2001, antes da publicação– tornou-se imediatamente uma sensação e grupos de ex-gays o apontaram como evidência sólida de seu caso. Afinal aquele era Spitzer, o homem que sozinho removeu a homossexualidade do manual de transtornos mentais. Ninguém poderia acusá-lo de tendencioso.

Mas líderes gays o acusaram de traição e tinham suas razões.

O estudo apresentava problemas sérios. Ele se baseava no que as pessoas se lembravam de sentir anos antes –uma lembrança às vezes vaga. Ele incluía alguns defensores ex-gays, que eram politicamente ativos. E não testava uma terapia em particular; apenas metade dos participantes se tratou com terapeutas, enquanto outros trabalharam com conselheiros pastorais ou em grupos independentes de estudos da Bíblia.

Vários colegas tentaram impedir o estudo e pediram para que ele não o publicasse, disse Spitzer.

Mas altamente empenhado após todo o trabalho, ele recorreu a um amigo e ex-colaborador, o dr. Kenneth J. Zucker, psicólogo-chefe do Centro para Vício e Saúde Mental, em Toronto, e editor do “Archives of Sexual Behavior”, outra revista influente.

“Eu conhecia o Bob e a qualidade do seu trabalho, e concordei em publicá-lo”, disse Zucker em uma entrevista na semana passada.

O artigo não passou pelo habitual processo de revisão por pares, no qual especialistas anônimos avaliam o artigo antes da publicação.

“Mas eu lhe disse que o faria apenas se também publicasse os comentários” de resposta de outros cientistas para acompanhar o estudo, disse Zucker.

Esses comentários, com poucas exceções, foram impiedosos. Um citou o Código de Nuremberg de ética para condenar o estudo não apenas como falho, mas também moralmente errado.

“Nós tememos as repercussões desse estudo, incluindo o aumento do sofrimento, do preconceito e da discriminação”, concluiu um grupo de 15 pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York, do qual Spitzer era afiliado.

Spitzer não deixou implícito no estudo que ser gay era uma opção, ou que era possível para qualquer um que quisesse mudar fazê-lo com terapia. Mas isso não impediu grupos socialmente conservadores de citarem o estudo em apoio a esses pontos, segundo Wayne Besen, diretor executivo da Truth Wins Out, uma organização sem fins lucrativos que combate o preconceito contra os gays.

Em uma ocasião, um político da Finlândia apresentou o estudo no Parlamento para argumentar contra as uniões civis, segundo Drescher.

“Precisa ser dito que quando este estudo foi mal utilizado para fins políticos, para dizer que os gays deviam ser curados –como ocorreu muitas vezes. Bob respondia imediatamente, para corrigir as percepções equivocadas”, disse Drescher, que é gay.

Mas Spitzer não conseguiu controlar a forma como seu estudo era interpretado por cada um e não conseguiu apagar o maior erro científico de todos, claramente atacado em muitos dos comentários: simplesmente perguntar para as pessoas se elas mudaram não é evidência de mudança real. As pessoas mentem, para si mesmas e para os outros. Elas mudam continuamente suas histórias, para atender suas necessidades e humores.

Resumindo, segundo quase qualquer medição, o estudo fracassou no teste do rigor científico que o próprio Spitzer foi tão importante em exigir por muitos anos.

Reconhecimento

Foram necessários 11 anos para ele reconhecer publicamente.

Inicialmente ele se agarrou à ideia de que o estudo era exploratório, uma tentativa de levar os cientistas a pensarem duas vezes antes de descartar uma terapia de cara. Então ele se refugiou na posição de que o estudo se concentrava menos na eficácia da terapia e mais em como as pessoas tratadas com ele descreviam mudanças na orientação sexual.

“Não é um pergunta muito interessante”, ele disse. “Mas por muito tempo eu pensei que talvez não tivesse que enfrentar o problema maior, sobre a medição da mudança.”

Após se aposentar em 2003, ele permaneceu ativo em muitas frentes, mas o estudo da terapia reparativa permaneceu um elemento importante das guerras culturais e um arrependimento pessoal que não o deixava em paz. Os sintomas de Parkinson pioraram no ano passado, o esgotando física e mentalmente, tornando ainda mais difícil para ele lutar contra as dores do remorso.

E, em um dia em março, Spitzer recebeu um visitante. Gabriel Arana, um jornalista da revista “The American Prospect”, entrevistou Spitzer sobre o estudo sobre terapia reparativa. Aquela não era uma entrevista qualquer; Arana se submeteu à terapia reparativa na adolescência e o terapeuta dele recrutou o jovem para o estudo de Spitzer (Arana não participou).

“Eu perguntei a ele sobre todos os seus críticos e ele disse: ‘Eu acho que eles estão certos’”, disse Arana, que escreveu sobre suas próprias experiências no mês passado. Arana disse que a terapia reparativa acabou adiando sua autoaceitação e lhe induziu a pensamentos de suicídio. “Mas na época que fui recrutado para o estudo de Spitzer, eu era considerado uma história de sucesso. Eu teria dito que estava fazendo progressos.”

Aquilo foi o que faltava. O estudo que na época parecia uma mera nota de rodapé em uma grande vida estava se transformando em um capítulo. E precisava de um final apropriado –uma forte correção, diretamente por seu autor, não por um jornalista ou colega.

Um esboço da carta já vazou online e foi divulgado.

“Você sabe, é o único arrependimento que tenho; o único profissional”, disse Spitzer sobre o estudo, perto do final de uma longa entrevista. “E eu acho que, na história da psiquiatria, eu não creio que tenha visto um cientista escrever uma carta dizendo que os dados estavam lá, mas foram interpretados erroneamente. Que tenha admitido isso e pedido desculpas aos seus leitores.”

Ele desviou o olhar e então voltou de novo, com seus olhos grandes cheios de emoção. “Isso é alguma coisa, você não acha?”

Tradutor: George El Khouri Andolfato 

 

 

 

¨Liberdade é a liberdade dos que pensam diferente¨ -- Rosa Luxemburgo

21/05/2012 - 13:37

Governador que “estupraria” ministro afirma que pode cortar o “saco”

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O governador do Estado do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, ao duvidar que Zeca do PT, seu desafeto e ex-governador, tenha uma expressiva votação ao cargo de vereador da capital Campo Grande em outubro, afirmou:

“Corto o meu saco se ele conquistar 30 mil votos.”

Em 2009, irritado com o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar do governo federal, que proibia plantações em áreas do rio Paraguai, Puccinelli perguntou se o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participaria da Meia-Maratona Internacional do Pantanal. Diante da resposta, afirmou, durante um evento:

“Eu o alcançaria e estupraria em praça pública.”

Corto meu saco, estupro em praça pública… É deprimente a visão do estupro como instrumento de coação, punição ou controle que está embutida em seu discurso. Encaixa feito uma luva entre as práticas de alguns genocidas na Bósnia-Herzegovina ou em Ruanda e Burundi.

Desde sempre, o sexo foi usado como arma de dominação e ferramenta de hegemonia na humanidade. Não é de se estranhar, portanto, que uma derrota na vida política do governador seja, para ele, uma forma de castração. Que materializou no ato de rifar seus testículos. Provavelmente, em sua cabeça, um homem sem poder não é um homem e, portanto, não precisa da representação simbólica desse poder, do falo. Não é um touro e sim um boi, não é um reprodutor, mas sim gado para corte.

Seguindo esse raciocínio, qual o lugar na política para quem não possui bolas desde o nascedouro? O de uma vaca?

Se ele fizer análise de linha freudiana, adoraria ouvir uma de suas sessões.

Enfim, o governador poderia ter gastado os neurônios que usa com essas declarações constrangedoras tentando resolver problemas que afligem a população do Mato Grosso do Sul, como o turismo sexual, os fazendeiros que ignoram territórios indígenas, os danos ambientais causados pela expansão do setor agropecuário, o trabalho escravo em canaviais e carvoarias, enfim. Problemas que nem ele, nem Zeca do PT, conseguiram resolver como mandatários.

 

Matérias sobre a suspensão do site "livro de humanas". Importante orgão difusor de obras acadêmicas no país teve que ser retirado da rede depois de notificação da ABDR. Estudantes que precisam de livros esgotados nas livrarias, mas que estão no site e docentes a favor da distribuição de suas obras questionam tamanha "ilegalidade".

 

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/suspensao-de-site-gera-indignacao-...

http://livrosetc.blogfolha.uol.com.br/2012/05/21/livro-impresso-pdf-lega...

 

O carro ideal para as ruas esburacadas de São Paulo

Ter um carro flutuante é um sonho para quem é fã de tecnologia, mas enquanto isso não vira realidade, podemos nos contentar com um vídeo humorado e bem produzido pela Volkswagen na China. O material abusa de efeitos especiais e foi feito com base no resultado de um concurso da marca no país, que convidava consumidores a projetarem a sua versão do perfeito "Carro sem rodas".

 

Demarchi

O valentão se acovarda...


Seja homem, seu cabra safado!!!

1/05/2012 - 10h11Senador Demóstenes Torres diz a colegas que teme ser preso


DE SÃO PAULO

Hoje na FolhaO senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) revelou a colegas que o procuram que seu temor maior, caso perca o mandato e o foro privilegiado no STF, é o de ser preso, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição desta segunda-feira da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Há precedente: Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou ao mandato de senador em 2001 e foi preso em 2002.

Leia a coluna completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

 

José Antônio

Quando Fudghe ler vai ficar uma arrara! Enquanto isso o andar de baixo...

Do Ig

Justiça do Rio garante pensão de R$ 43 mil para filha de desembargadorAs 32 mil “filhas solteiras” de servidores são 34% das pensionistas e custam ao Estado R$ 447 milhões por ano. Para não perder benefício, muitas se casam de fato, mas não de direito

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |21/05/2012 07:00:54

  Foto: Reprodução do Facebook de Márcia Couto Ação popular questiona as duas pensões, de R$ 43 mil, que Márcia Couto recebe do Estado

Uma ação popular questiona o direito de uma mulher de 52 anos receber duas pensões, no total de R$ 43 mil mensais, pela morte do pai, desembargador do Rio de Janeiro, mesmo após ter sido casada, por ao menos três anos.

A dentista Marcia Maria Couto casou-se em cerimônia religiosa e festa para 200 pessoas, em 1990, e teve dois filhos com o marido, com quem ficou unida por sete anos, mas sempre se declarou solteira, para efeitos de pensão. O iG teve acesso ao processo público, que está no Tribunal de Justiça do Rio e será julgada em breve. Por ora, um desembargador manteve os pagamentos.

Filha do desembargador José Erasmo Brandão Couto, morto em 1982, Márcia recebe duas pensões do Estado do Rio – uma do Fundo Especial do Tribunal de Justiça (R$ 19.200) e outra do RioPrevidência (R$ 24.116) –, no total de cerca de R$ 43 mil mensais. Em um ano, os cofres públicos lhe pagam cerca de R$ 559 mil, ou R$ 2,8 milhões, em cinco anos.

Pagamentos de pensão a “filhas solteiras” somam R$ 3,4 bilhões em cinco anos

A ação popular, movida por Thatiana Travassos de Oliveira Lindo, questiona o direito de Márcia aos pagamentos e espera sentença do Tribunal de Justiça. O Estado do Rio paga benefícios do gênero a cerca de 32 mil “filhas solteiras” de funcionários públicos mortos, no gasto total de R$ 447 milhões por ano, ou R$ 2,37 bilhões, em cinco anos.

As autoridades desconfiam que muitas dessas 32 mil mulheres, como Márcia, formam família mas evitam se casar oficialmente, com o único objetivo de não perder a pensão. Segundo a lei 285/79, o matrimônio “é causa extintiva do recebimento de pensão por filha solteira”. O expediente é visto como uma “fraude à lei” pela ação popular e pela Procuradoria do Estado.

No Estado do Rio, as 32.112 “filhas solteiras” representam mais de um terço (34%) do total de 93.395 pensionistas, ao custo de R$ 34,4 milhões mensais, ou R$ 447 milhões por ano – e R$ 2,235 bilhões em cinco anos -, segundo o Rio Previdência.

No caso de Márcia, o desembargador Pedro Saraiva Andrade Lemos garantiu o pagamento da pensão mensal de R$ 43 mil, mesmo depois de o Rio Previdência tê-lo cortado administrativamente, em 2010.

“Os atos lesivos ao patrimônio que se comprovam com esta ação popular são as situações das filhas maiores de servidores falecidos que se habilitam e passam a receber pensões pagas com recursos dos cofres públicos mesmo estando casadas ou vivendo em união estável, sem dependência econômica, contrariando a legislação regente. Não se pode ter essa prodigalidade com os cofres públicos, quando o particular, maior, capaz e apto para o trabalho, tem o dever e a obrigação legal e moral de se autossustentar. Não se pode conferir o ‘parasitismo social’. São pessoas capazes de prover o próprio sustento, mas transferem os ônus e encargos para toda a coletividade, muitas das vezes, até com fraude à lei”, afirma a autora popular, que não quis dizer ao iG por que move a ação.

Esse benefício, originário do tempo em que as mulheres não estavam no mercado de trabalho, tem o objetivo de garantir a subsistência e a proteção financeira da filha do funcionário morto até que comece a trabalhar ou se case. Márcia tem 52 anos e é dentista, o que faz a pensão perder o sentido, na opinião da autora popular e da PGE – as duas circunstâncias são impeditivas do pagamento.

Após reincluir beneficiária, RioPrevidência corta benefício e pede dinheiro de volta

Foto: Reprodução da internet Após suspensão, o TJ do Rio mandou o RioPrevidência voltar a pagar pensão a Márcia, filha do desembargador José Erasmo Couto

Após a morte do pai, em 1982, Márcia passou a dividir com a mãe as pensões do Fundo Especial do TJ e do Iperj (atual RioPrevidência). De acordo com a lei no ano da morte do desembargador, só era previsto o pagamento de pensão previdenciária para as filhas maiores até a idade-limite de 25 anos e desde que fossem solteiras. Assim, quando Márcia fez 25 anos, em 1985, deixou de fazer jus ao benefício, que ficou apenas para a viúva do magistrado.

A dentista continuou, porém a receber 50% do montante do Fundo Especial do TJ. Casou-se no religioso, em 1990, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Urca, em união da qual nasceram dois filhos (um em 91 e outro em 93). “Para ludibriar os sistemas previdenciários do antigo Iperj e do Fundo Especial, o casamente só foi realizado no âmbito religioso, não tendo sido comunicado para as instituições previdenciárias”, afirma a ação popular. O casal se separou nos anos 90.

Após a morte da viúva, em 2004, Márcia pediu administrativamente e obteve a reversão da pensão de sua mãe no Fundo Especial. “Se a ré nem sequer tinha direito a receber o benefício que vinha recebendo, não poderia jamais ter deferida a reversão da cota-parte recebida por sua genitora”, protesta a autora da ação, Thatiana Travassos.

No ano seguinte, requereu a reinclusão na pensão do RioPrevidência – após ter sido excluída 30 anos antes –, novamente alegando ser solteira. Embora tivesse mais de 25 anos e não seja possível voltar a ter o benefício quem já foi excluído do sistema, ela também voltou a receber integralmente a pensão que vinha sendo paga à mãe.

De acordo com a autora popular, Márcia não preenchia nenhum dos requisitos das concessões do benefício, segundo a lei, em 2004: era maior de 21 anos, independente economicamente, não era estudante universitária de até 24 anos, interditada ou inválida, não tinha dependência econômica – era dentista – e não era mais solteira, porque já tinha se casado.

Ao tomar ciência da ação popular, o RioPrevidência – inicialmente réu – reviu a decisão ao constatar que a concessão estava “viciada”: cortou o benefício e pede o fim dos pagamentos e a devolução do montante pago nos últimos cinco anos. Intimada, Márcia foi ao órgão apresentar defesa, mas optou por não assinar termo de ciência. “Naquela ocasião, afirmou, assumindo inteira responsabilidade pela veracidade das informações prestadas, que o seu estado civil era o de solteira. Perceba-se, desde já, o ardil empregado pela ré, que omitiu o seu casamento celebrado anos antes”, diz o RioPrevidência.

“Vida nababesca”

Foto: AE Márcia Couto recebe pensões do RioPrevidência e do Tribunal de Justiça, do pai desembargador

No entanto decisão do desembargador Pedro Lemos obrigou o órgão a retomar o pagamento. Em recurso ao tribunal, Márcia alegou que “a subsistência e a independência financeira de sua família receberam duro golpe”. Para o órgão previdenciário, a argumentação é “para dizer o mínimo, melodramática, porque ela já recebe de pensão especial do TJ mais cerca de R$ 20 mil. A manutenção da pensão proporciona à filha do desembargador uma vida nababesca, à custa dos contribuintes do Estado do Rio de Janeiro”.

A PGE cita frase de outro desembargador, Horácio dos Santos Ribeiro Neto, segundo quem “lamentavelmente, há no país a crença de que pensão por morte é herança e deve ser deixada para alguém porque, em caso contrário, ‘fica para o governo’”.

A ação lembra que o entendimento da Constituição Federal é de igualdade de tratamento entre união estável e casamento, em relação às pensões e benefícios previdenciários, de modo que Márcia perdeu a condição de solteira em 1990 para continuar a receber os benefícios previdenciários que recebe. A autora Thatiana Travassos afirma que Márcia teve “má-fé”, ao usar “expedientes maliciosos” e “mecanismos espúrios” de só casar no religioso “com o único e específico intuito de não perder a condição de beneficiária como filha solteira” e de “ludibriar para impedir a aplicação de preceito imperativo da lei” – o que se caracterizaria como “fraude à lei”.

A ação popular afirma que levantamento de casos como o de Márcia, no Distrito Federal, identificou pagamento indevido de pensão a 2.879 filhas de servidores públicos mortos do Executivo maiores de 21 anos que só teriam direito ao benefício se continuassem solteiras. A fraude, aponta, custou aos cofres públicos cerca de R$ 30 milhões por ano – R$ 150 milhões, em cinco anos, e R$ 300 milhões, em dez anos.

No Rio, não há previsão de o RioPrevidência fazer uma investigação semelhante em sua base de dados.

Autora da ação não quer falar; TJ e advogado de Márcia não respondem

O iG falou por telefone com Thatiana Travassos, autora da ação popular que pede o cancelamento das pensões de Márcia Couto. Ela não quis informar o motivo por que moveu a ação nem quis dar entrevista sobre o assunto.

A reportagem ligou e enviou e-mail à assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para ouvi-la a respeito do pagamento da pensão a Márcia pelo Fundo Especial do TJ. Também questionou o tribunal se a decisão de um desembargador em favor da filha de um outro desembargador não poderia parecer corporativista tendo em vista os fatos. O TJ não respondeu.

O iG deixou mensagem às 13h de sexta-feira (18) no celular do advogado José Roberto de Castro Neves, que representa Márcia. Às 13h10, o repórter deixou recado com a secretária Maíra, no escritório de que é sócio no Rio, mas não teve resposta até esta segunda (21).

 

Quando Fudghe ler vai ficar uma arrara! Enquanto isso o andar de baixo...

Do Ig

Justiça do Rio garante pensão de R$ 43 mil para filha de desembargadorAs 32 mil “filhas solteiras” de servidores são 34% das pensionistas e custam ao Estado R$ 447 milhões por ano. Para não perder benefício, muitas se casam de fato, mas não de direito

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |21/05/2012 07:00:54

  Foto: Reprodução do Facebook de Márcia Couto Ação popular questiona as duas pensões, de R$ 43 mil, que Márcia Couto recebe do Estado

Uma ação popular questiona o direito de uma mulher de 52 anos receber duas pensões, no total de R$ 43 mil mensais, pela morte do pai, desembargador do Rio de Janeiro, mesmo após ter sido casada, por ao menos três anos.

A dentista Marcia Maria Couto casou-se em cerimônia religiosa e festa para 200 pessoas, em 1990, e teve dois filhos com o marido, com quem ficou unida por sete anos, mas sempre se declarou solteira, para efeitos de pensão. O iG teve acesso ao processo público, que está no Tribunal de Justiça do Rio e será julgada em breve. Por ora, um desembargador manteve os pagamentos.

Filha do desembargador José Erasmo Brandão Couto, morto em 1982, Márcia recebe duas pensões do Estado do Rio – uma do Fundo Especial do Tribunal de Justiça (R$ 19.200) e outra do RioPrevidência (R$ 24.116) –, no total de cerca de R$ 43 mil mensais. Em um ano, os cofres públicos lhe pagam cerca de R$ 559 mil, ou R$ 2,8 milhões, em cinco anos.

Pagamentos de pensão a “filhas solteiras” somam R$ 3,4 bilhões em cinco anos

A ação popular, movida por Thatiana Travassos de Oliveira Lindo, questiona o direito de Márcia aos pagamentos e espera sentença do Tribunal de Justiça. O Estado do Rio paga benefícios do gênero a cerca de 32 mil “filhas solteiras” de funcionários públicos mortos, no gasto total de R$ 447 milhões por ano, ou R$ 2,37 bilhões, em cinco anos.

As autoridades desconfiam que muitas dessas 32 mil mulheres, como Márcia, formam família mas evitam se casar oficialmente, com o único objetivo de não perder a pensão. Segundo a lei 285/79, o matrimônio “é causa extintiva do recebimento de pensão por filha solteira”. O expediente é visto como uma “fraude à lei” pela ação popular e pela Procuradoria do Estado.

No Estado do Rio, as 32.112 “filhas solteiras” representam mais de um terço (34%) do total de 93.395 pensionistas, ao custo de R$ 34,4 milhões mensais, ou R$ 447 milhões por ano – e R$ 2,235 bilhões em cinco anos -, segundo o Rio Previdência.

No caso de Márcia, o desembargador Pedro Saraiva Andrade Lemos garantiu o pagamento da pensão mensal de R$ 43 mil, mesmo depois de o Rio Previdência tê-lo cortado administrativamente, em 2010.

“Os atos lesivos ao patrimônio que se comprovam com esta ação popular são as situações das filhas maiores de servidores falecidos que se habilitam e passam a receber pensões pagas com recursos dos cofres públicos mesmo estando casadas ou vivendo em união estável, sem dependência econômica, contrariando a legislação regente. Não se pode ter essa prodigalidade com os cofres públicos, quando o particular, maior, capaz e apto para o trabalho, tem o dever e a obrigação legal e moral de se autossustentar. Não se pode conferir o ‘parasitismo social’. São pessoas capazes de prover o próprio sustento, mas transferem os ônus e encargos para toda a coletividade, muitas das vezes, até com fraude à lei”, afirma a autora popular, que não quis dizer ao iG por que move a ação.

Esse benefício, originário do tempo em que as mulheres não estavam no mercado de trabalho, tem o objetivo de garantir a subsistência e a proteção financeira da filha do funcionário morto até que comece a trabalhar ou se case. Márcia tem 52 anos e é dentista, o que faz a pensão perder o sentido, na opinião da autora popular e da PGE – as duas circunstâncias são impeditivas do pagamento.

Após reincluir beneficiária, RioPrevidência corta benefício e pede dinheiro de volta

Foto: Reprodução da internet Após suspensão, o TJ do Rio mandou o RioPrevidência voltar a pagar pensão a Márcia, filha do desembargador José Erasmo Couto

Após a morte do pai, em 1982, Márcia passou a dividir com a mãe as pensões do Fundo Especial do TJ e do Iperj (atual RioPrevidência). De acordo com a lei no ano da morte do desembargador, só era previsto o pagamento de pensão previdenciária para as filhas maiores até a idade-limite de 25 anos e desde que fossem solteiras. Assim, quando Márcia fez 25 anos, em 1985, deixou de fazer jus ao benefício, que ficou apenas para a viúva do magistrado.

A dentista continuou, porém a receber 50% do montante do Fundo Especial do TJ. Casou-se no religioso, em 1990, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Urca, em união da qual nasceram dois filhos (um em 91 e outro em 93). “Para ludibriar os sistemas previdenciários do antigo Iperj e do Fundo Especial, o casamente só foi realizado no âmbito religioso, não tendo sido comunicado para as instituições previdenciárias”, afirma a ação popular. O casal se separou nos anos 90.

Após a morte da viúva, em 2004, Márcia pediu administrativamente e obteve a reversão da pensão de sua mãe no Fundo Especial. “Se a ré nem sequer tinha direito a receber o benefício que vinha recebendo, não poderia jamais ter deferida a reversão da cota-parte recebida por sua genitora”, protesta a autora da ação, Thatiana Travassos.

No ano seguinte, requereu a reinclusão na pensão do RioPrevidência – após ter sido excluída 30 anos antes –, novamente alegando ser solteira. Embora tivesse mais de 25 anos e não seja possível voltar a ter o benefício quem já foi excluído do sistema, ela também voltou a receber integralmente a pensão que vinha sendo paga à mãe.

De acordo com a autora popular, Márcia não preenchia nenhum dos requisitos das concessões do benefício, segundo a lei, em 2004: era maior de 21 anos, independente economicamente, não era estudante universitária de até 24 anos, interditada ou inválida, não tinha dependência econômica – era dentista – e não era mais solteira, porque já tinha se casado.

Ao tomar ciência da ação popular, o RioPrevidência – inicialmente réu – reviu a decisão ao constatar que a concessão estava “viciada”: cortou o benefício e pede o fim dos pagamentos e a devolução do montante pago nos últimos cinco anos. Intimada, Márcia foi ao órgão apresentar defesa, mas optou por não assinar termo de ciência. “Naquela ocasião, afirmou, assumindo inteira responsabilidade pela veracidade das informações prestadas, que o seu estado civil era o de solteira. Perceba-se, desde já, o ardil empregado pela ré, que omitiu o seu casamento celebrado anos antes”, diz o RioPrevidência.

“Vida nababesca”

Foto: AE Márcia Couto recebe pensões do RioPrevidência e do Tribunal de Justiça, do pai desembargador

No entanto decisão do desembargador Pedro Lemos obrigou o órgão a retomar o pagamento. Em recurso ao tribunal, Márcia alegou que “a subsistência e a independência financeira de sua família receberam duro golpe”. Para o órgão previdenciário, a argumentação é “para dizer o mínimo, melodramática, porque ela já recebe de pensão especial do TJ mais cerca de R$ 20 mil. A manutenção da pensão proporciona à filha do desembargador uma vida nababesca, à custa dos contribuintes do Estado do Rio de Janeiro”.

A PGE cita frase de outro desembargador, Horácio dos Santos Ribeiro Neto, segundo quem “lamentavelmente, há no país a crença de que pensão por morte é herança e deve ser deixada para alguém porque, em caso contrário, ‘fica para o governo’”.

A ação lembra que o entendimento da Constituição Federal é de igualdade de tratamento entre união estável e casamento, em relação às pensões e benefícios previdenciários, de modo que Márcia perdeu a condição de solteira em 1990 para continuar a receber os benefícios previdenciários que recebe. A autora Thatiana Travassos afirma que Márcia teve “má-fé”, ao usar “expedientes maliciosos” e “mecanismos espúrios” de só casar no religioso “com o único e específico intuito de não perder a condição de beneficiária como filha solteira” e de “ludibriar para impedir a aplicação de preceito imperativo da lei” – o que se caracterizaria como “fraude à lei”.

A ação popular afirma que levantamento de casos como o de Márcia, no Distrito Federal, identificou pagamento indevido de pensão a 2.879 filhas de servidores públicos mortos do Executivo maiores de 21 anos que só teriam direito ao benefício se continuassem solteiras. A fraude, aponta, custou aos cofres públicos cerca de R$ 30 milhões por ano – R$ 150 milhões, em cinco anos, e R$ 300 milhões, em dez anos.

No Rio, não há previsão de o RioPrevidência fazer uma investigação semelhante em sua base de dados.

Autora da ação não quer falar; TJ e advogado de Márcia não respondem

O iG falou por telefone com Thatiana Travassos, autora da ação popular que pede o cancelamento das pensões de Márcia Couto. Ela não quis informar o motivo por que moveu a ação nem quis dar entrevista sobre o assunto.

A reportagem ligou e enviou e-mail à assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para ouvi-la a respeito do pagamento da pensão a Márcia pelo Fundo Especial do TJ. Também questionou o tribunal se a decisão de um desembargador em favor da filha de um outro desembargador não poderia parecer corporativista tendo em vista os fatos. O TJ não respondeu.

O iG deixou mensagem às 13h de sexta-feira (18) no celular do advogado José Roberto de Castro Neves, que representa Márcia. Às 13h10, o repórter deixou recado com a secretária Maíra, no escritório de que é sócio no Rio, mas não teve resposta até esta segunda (21).

 

Quando Fudghe ler vai ficar uma arrara! Enquanto isso o andar de baixo...

Do Ig

Justiça do Rio garante pensão de R$ 43 mil para filha de desembargadorAs 32 mil “filhas solteiras” de servidores são 34% das pensionistas e custam ao Estado R$ 447 milhões por ano. Para não perder benefício, muitas se casam de fato, mas não de direito

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |21/05/2012 07:00:54

  Foto: Reprodução do Facebook de Márcia Couto Ação popular questiona as duas pensões, de R$ 43 mil, que Márcia Couto recebe do Estado

Uma ação popular questiona o direito de uma mulher de 52 anos receber duas pensões, no total de R$ 43 mil mensais, pela morte do pai, desembargador do Rio de Janeiro, mesmo após ter sido casada, por ao menos três anos.

A dentista Marcia Maria Couto casou-se em cerimônia religiosa e festa para 200 pessoas, em 1990, e teve dois filhos com o marido, com quem ficou unida por sete anos, mas sempre se declarou solteira, para efeitos de pensão. O iG teve acesso ao processo público, que está no Tribunal de Justiça do Rio e será julgada em breve. Por ora, um desembargador manteve os pagamentos.

Filha do desembargador José Erasmo Brandão Couto, morto em 1982, Márcia recebe duas pensões do Estado do Rio – uma do Fundo Especial do Tribunal de Justiça (R$ 19.200) e outra do RioPrevidência (R$ 24.116) –, no total de cerca de R$ 43 mil mensais. Em um ano, os cofres públicos lhe pagam cerca de R$ 559 mil, ou R$ 2,8 milhões, em cinco anos.

Pagamentos de pensão a “filhas solteiras” somam R$ 3,4 bilhões em cinco anos

A ação popular, movida por Thatiana Travassos de Oliveira Lindo, questiona o direito de Márcia aos pagamentos e espera sentença do Tribunal de Justiça. O Estado do Rio paga benefícios do gênero a cerca de 32 mil “filhas solteiras” de funcionários públicos mortos, no gasto total de R$ 447 milhões por ano, ou R$ 2,37 bilhões, em cinco anos.

As autoridades desconfiam que muitas dessas 32 mil mulheres, como Márcia, formam família mas evitam se casar oficialmente, com o único objetivo de não perder a pensão. Segundo a lei 285/79, o matrimônio “é causa extintiva do recebimento de pensão por filha solteira”. O expediente é visto como uma “fraude à lei” pela ação popular e pela Procuradoria do Estado.

No Estado do Rio, as 32.112 “filhas solteiras” representam mais de um terço (34%) do total de 93.395 pensionistas, ao custo de R$ 34,4 milhões mensais, ou R$ 447 milhões por ano – e R$ 2,235 bilhões em cinco anos -, segundo o Rio Previdência.

No caso de Márcia, o desembargador Pedro Saraiva Andrade Lemos garantiu o pagamento da pensão mensal de R$ 43 mil, mesmo depois de o Rio Previdência tê-lo cortado administrativamente, em 2010.

“Os atos lesivos ao patrimônio que se comprovam com esta ação popular são as situações das filhas maiores de servidores falecidos que se habilitam e passam a receber pensões pagas com recursos dos cofres públicos mesmo estando casadas ou vivendo em união estável, sem dependência econômica, contrariando a legislação regente. Não se pode ter essa prodigalidade com os cofres públicos, quando o particular, maior, capaz e apto para o trabalho, tem o dever e a obrigação legal e moral de se autossustentar. Não se pode conferir o ‘parasitismo social’. São pessoas capazes de prover o próprio sustento, mas transferem os ônus e encargos para toda a coletividade, muitas das vezes, até com fraude à lei”, afirma a autora popular, que não quis dizer ao iG por que move a ação.

Esse benefício, originário do tempo em que as mulheres não estavam no mercado de trabalho, tem o objetivo de garantir a subsistência e a proteção financeira da filha do funcionário morto até que comece a trabalhar ou se case. Márcia tem 52 anos e é dentista, o que faz a pensão perder o sentido, na opinião da autora popular e da PGE – as duas circunstâncias são impeditivas do pagamento.

Após reincluir beneficiária, RioPrevidência corta benefício e pede dinheiro de volta

Foto: Reprodução da internet Após suspensão, o TJ do Rio mandou o RioPrevidência voltar a pagar pensão a Márcia, filha do desembargador José Erasmo Couto

Após a morte do pai, em 1982, Márcia passou a dividir com a mãe as pensões do Fundo Especial do TJ e do Iperj (atual RioPrevidência). De acordo com a lei no ano da morte do desembargador, só era previsto o pagamento de pensão previdenciária para as filhas maiores até a idade-limite de 25 anos e desde que fossem solteiras. Assim, quando Márcia fez 25 anos, em 1985, deixou de fazer jus ao benefício, que ficou apenas para a viúva do magistrado.

A dentista continuou, porém a receber 50% do montante do Fundo Especial do TJ. Casou-se no religioso, em 1990, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Urca, em união da qual nasceram dois filhos (um em 91 e outro em 93). “Para ludibriar os sistemas previdenciários do antigo Iperj e do Fundo Especial, o casamente só foi realizado no âmbito religioso, não tendo sido comunicado para as instituições previdenciárias”, afirma a ação popular. O casal se separou nos anos 90.

Após a morte da viúva, em 2004, Márcia pediu administrativamente e obteve a reversão da pensão de sua mãe no Fundo Especial. “Se a ré nem sequer tinha direito a receber o benefício que vinha recebendo, não poderia jamais ter deferida a reversão da cota-parte recebida por sua genitora”, protesta a autora da ação, Thatiana Travassos.

No ano seguinte, requereu a reinclusão na pensão do RioPrevidência – após ter sido excluída 30 anos antes –, novamente alegando ser solteira. Embora tivesse mais de 25 anos e não seja possível voltar a ter o benefício quem já foi excluído do sistema, ela também voltou a receber integralmente a pensão que vinha sendo paga à mãe.

De acordo com a autora popular, Márcia não preenchia nenhum dos requisitos das concessões do benefício, segundo a lei, em 2004: era maior de 21 anos, independente economicamente, não era estudante universitária de até 24 anos, interditada ou inválida, não tinha dependência econômica – era dentista – e não era mais solteira, porque já tinha se casado.

Ao tomar ciência da ação popular, o RioPrevidência – inicialmente réu – reviu a decisão ao constatar que a concessão estava “viciada”: cortou o benefício e pede o fim dos pagamentos e a devolução do montante pago nos últimos cinco anos. Intimada, Márcia foi ao órgão apresentar defesa, mas optou por não assinar termo de ciência. “Naquela ocasião, afirmou, assumindo inteira responsabilidade pela veracidade das informações prestadas, que o seu estado civil era o de solteira. Perceba-se, desde já, o ardil empregado pela ré, que omitiu o seu casamento celebrado anos antes”, diz o RioPrevidência.

“Vida nababesca”

Foto: AE Márcia Couto recebe pensões do RioPrevidência e do Tribunal de Justiça, do pai desembargador

No entanto decisão do desembargador Pedro Lemos obrigou o órgão a retomar o pagamento. Em recurso ao tribunal, Márcia alegou que “a subsistência e a independência financeira de sua família receberam duro golpe”. Para o órgão previdenciário, a argumentação é “para dizer o mínimo, melodramática, porque ela já recebe de pensão especial do TJ mais cerca de R$ 20 mil. A manutenção da pensão proporciona à filha do desembargador uma vida nababesca, à custa dos contribuintes do Estado do Rio de Janeiro”.

A PGE cita frase de outro desembargador, Horácio dos Santos Ribeiro Neto, segundo quem “lamentavelmente, há no país a crença de que pensão por morte é herança e deve ser deixada para alguém porque, em caso contrário, ‘fica para o governo’”.

A ação lembra que o entendimento da Constituição Federal é de igualdade de tratamento entre união estável e casamento, em relação às pensões e benefícios previdenciários, de modo que Márcia perdeu a condição de solteira em 1990 para continuar a receber os benefícios previdenciários que recebe. A autora Thatiana Travassos afirma que Márcia teve “má-fé”, ao usar “expedientes maliciosos” e “mecanismos espúrios” de só casar no religioso “com o único e específico intuito de não perder a condição de beneficiária como filha solteira” e de “ludibriar para impedir a aplicação de preceito imperativo da lei” – o que se caracterizaria como “fraude à lei”.

A ação popular afirma que levantamento de casos como o de Márcia, no Distrito Federal, identificou pagamento indevido de pensão a 2.879 filhas de servidores públicos mortos do Executivo maiores de 21 anos que só teriam direito ao benefício se continuassem solteiras. A fraude, aponta, custou aos cofres públicos cerca de R$ 30 milhões por ano – R$ 150 milhões, em cinco anos, e R$ 300 milhões, em dez anos.

No Rio, não há previsão de o RioPrevidência fazer uma investigação semelhante em sua base de dados.

Autora da ação não quer falar; TJ e advogado de Márcia não respondem

O iG falou por telefone com Thatiana Travassos, autora da ação popular que pede o cancelamento das pensões de Márcia Couto. Ela não quis informar o motivo por que moveu a ação nem quis dar entrevista sobre o assunto.

A reportagem ligou e enviou e-mail à assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para ouvi-la a respeito do pagamento da pensão a Márcia pelo Fundo Especial do TJ. Também questionou o tribunal se a decisão de um desembargador em favor da filha de um outro desembargador não poderia parecer corporativista tendo em vista os fatos. O TJ não respondeu.

O iG deixou mensagem às 13h de sexta-feira (18) no celular do advogado José Roberto de Castro Neves, que representa Márcia. Às 13h10, o repórter deixou recado com a secretária Maíra, no escritório de que é sócio no Rio, mas não teve resposta até esta segunda (21).

 

   indignido , a lei é menosprezada claramente em favor do povo , este caso deve ser levado as ultimas consequencias como exemplo , o desembargador que permitiu a continuidade do GOLPE tambem deve3 responder pelos prejuizos.

 

Ministro diz que mensalão e Cachoeira terão impacto nas eleiçõesMinistro diz que mensalão e Cachoeira terão impacto nas eleições Foto: Fernando Gomes/Divulgação Em entrevista ao Estadão, José Eduardo Martins Cardozo fala que investigações podem prejudicar os candidatos José Serra e Fernando Haddad em São Paulo

21 de Maio de 2012 às 05:02

247 – Investigações que tramitam no Congresso podem afetar diretamente as eleições municipais. Essa é a visão do ministro da Justica, José Eduardo Martins Cardozo. Em entrevista ao Estadão, ele disse que, de alguma forma, José Serra, do PSDB, e Fernando Haddad, do PT, pré-candidatos à prefeitura de São Paulo, serão impactados pelo caso Cachoeira e mensalão, respectivamente. Na CPI do Cachoeira, os dois partidos tentam blindar os seus governadores citados no esquema do bicheiro para evitar contágio maior.

Leia a entrevista feita por Vera Rosa, no Estadão:

BRASÍLIA - Conhecido por recomendar "juízo" a seus interlocutores, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, admite que o julgamento do processo do mensalão e o "caso Cachoeira" terão impacto sobre as eleições de outubro. Diante dos dois escândalos, porém, ele não se arrisca a medir o tamanho do prejuízo nas campanhas de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo.

"Um julgamento como o do mensalão será amplamente debatido, ao longo das eleições. Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar. Pode ajudar uns, prejudicar outros. O mesmo pode valer para o caso Cachoeira e outras campanhas eleitorais, como por exemplo a de José Serra, caso as forças políticas que as apoiem estejam envolvidas no escândalo", afirma o ministro, que é ex-secretário-geral do PT.

O processo do mensalão se arrasta há quase sete anos e preocupa a cúpula do PT porque deve ser julgado no segundo semestre pelo Supremo Tribunal Federal (STF), perto das eleições. A denúncia é de compra de voto parlamentar no governo Lula, em troca de apoio no Congresso. O comando da campanha de Haddad sabe que o escândalo será usado pelos tucanos na disputa e prepara a contraofensiva, já que a CPI para investigar as ligações do contraventor Carlos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) pode respingar no PSDB.

Cinco dias após a instalação da Comissão da Verdade, Cardozo ainda ameniza as resistências de alguns militares à investigação exclusiva dos crimes de tortura praticados por agentes de Estado. "Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda", observa o titular da Justiça.

Por que a Comissão da Verdade vai investigar apenas crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar?
A lei deixa muito claro que o objetivo dessa comissão é a busca da verdade naquele período triste da história brasileira. Porém, o caminho a seguir, a estratégia e quem será chamado a depor é um problema da comissão, que tem total autonomia legal e política. O governo não vai interferir nesses trabalhos.

A advogada Rosa Maria, que defendeu a presidente Dilma quando ela era presa política, disse que a opinião pública pode levar o Supremo Tribunal Federal a rever a Lei da Anistia. O sr. é favorável a essa revisão?
Eu já debati muito essa questão na academia. Mas, como ministro da Justiça, tenho de fazer valer e respeitar o Estado de Direito. Na medida em que há uma decisão judicial, ela tem de ser cumprida.

Como o sr. responde ao ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves, para quem a Comissão da Verdade é uma "moeda falsa, que só tem um lado" e a presidente Dilma deve deixar de olhar o passado?
Os aplausos da sociedade são a melhor resposta aos que criticam a Comissão da Verdade e a postura da presidenta Dilma. Ninguém quer o revanchismo. O ato de criação da Comissão da Verdade simbolizou o Brasil superando divergências políticas e ideológicas.

Mas há insatisfações. O Clube Naval, por exemplo, anunciou a criação de uma "comissão paralela" para acompanhar os trabalhos da Comissão da Verdade.
Nós vivemos numa democracia. Então, mesmo aqueles que no passado foram contra essa democracia hoje podem se valer dela para expressar suas opiniões. Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda.

O sr. não teme reações da caserna?
Absolutamente. Não tenho dúvida de que as Forças Armadas têm total engajamento na estrutura democrática.

A presidente Dilma mandou publicar na internet os salários de funcionários do Executivo. No Legislativo e no Judiciário, porém, há resistência a essa medida. Como a Lei de Acesso à Informação pode funcionar assim?
Eu não diria que há resistência.

Como não? O Senado já avisou que não divulgará salários de servidores.
Existe uma diferente compreensão da aplicação da lei, que terá de ser objeto de discussão. Ninguém pode resistir ao cumprimento da lei. Quem não quiser cumpri-la, responderá por isso.

Como o sr. avalia as declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que petistas querem intimidá-lo para desviar o foco do julgamento do mensalão e proteger os envolvidos no escândalo?
Não me cabe comentar.

Mas o sr. integrou a CPI dos Correios como deputado e, à época, disse que o mensalão existiu. O sr. mudou de opinião?
Em nenhum momento eu disse que o mensalão existiu. Cheguei até a pedir uma correção à revista Veja. Afirmei que existia uma situação de destinação de recursos ilegais, de caixa dois. Isso era indiscutível.

Qual é a sua expectativa em relação ao julgamento do mensalão?
Que seja feita justiça.

Na sua opinião, seus antigos companheiros de partido, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, devem ser condenados?
A Justiça é que dirá. Eu confio imensamente na sobriedade e na imparcialidade do STF para fazer um julgamento que condiga com as provas existentes nos autos.

Mas o mensalão até hoje atemoriza o governo...
Não. O julgamento do processo do mensalão não interfere absolutamente em nada no governo.

Esse julgamento, perto das eleições, não pode atrapalhar a campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad?
Na vida política pesa, naturalmente, tudo o que está no seu entorno. Um julgamento como o do mensalão será amplamente debatido pela sociedade, ao longo das eleições. Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar. Pode ajudar alguns, prejudicar outros.

O que pode prejudicar o candidato do PSDB, José Serra?
Quaisquer questões que acontecem na vida pública interferem na vida política eleitoral. O mesmo pode valer para o caso Cachoeira e campanhas eleitorais, como por exemplo a de José Serra, caso as forças políticas que as apoiem estejam envolvidas no escândalo.

Foi fechado um acordão na CPI para que não haja investigação de governadores, da matriz da Delta e de parlamentares. Essa CPI não está esvaziada?
Tenho certeza de que o Congresso fará o melhor para conseguir atingir o objetivo investigativo.

A segunda fase da Operação Monte Carlo vai gerar filhotes, pegando nova leva de parlamentares?
A vida dirá. Tudo está sob sigilo.

O Ministério Público investigará a venda da Delta, a empreiteira do PAC, para a J&F, que controla o frigorífico JBS. Não é estranho o BNDES ser sócio desse frigorífico e o governo não ter dado aval para o negócio?
Se algum dia o governo começar a avalizar ou orientar situações de mercado, estará fugindo muito do seu papel. Isso seria descabido.

Como o sr. viu a tentativa frustrada de petistas, na CPI do Cachoeira, de pedir a quebra do sigilo telefônico de um jornalista?
Eu não quero magoar parlamentares tecendo considerações sobre realidades que fogem à atuação do Ministério da Justiça.

Mas o sr. é a favor do controle da imprensa?
Alguém que seja contra a liberdade da imprensa está na contramão da história. O que hoje deve ser discutido é algo que cria normas disciplinadoras de direitos, tanto do ponto de vista de quem tem sua honra atingida quanto da própria segurança das empresas jornalísticas. É correto, por exemplo, que crimes de calúnia, difamação e injúria, praticados no âmbito de veículos de imprensa, sejam tratados no Código Penal? Não podemos ter medo desse debate.

 

Exclusivo: BB tenta injetar R$ 1,5 bi no Votorantim BB tenta injetar R$ 1,5 bi no Votorantim Foto: Montagem/247

O Banco do Brasil, comandado por Aldemir Bendine, tem uma bomba-relógio na mão: é o Votorantim, que não para de perder dinheiro; em abril, um pedido de aporte bilionário foi levado ao conselho, presidido por Nelson Barbosa, mas não foi aprovado; confira documentos internos obtidos pelo 247

21 de Maio de 2012 às 05:42

247 – No dia 21 de abril deste ano, o conselho de Administração do Banco do Brasil se reuniu para deliberar sobre vários temas importantes, como o próprio resultado financeiro da instituição. Discutiu-se naquela reunião, no entanto, um assunto muito mais explosivo. Tratava-se de um pedido de aporte de R$ 1,5 bilhão, que seria feito pelo BB em uma de suas subsidiárias: o Banco Votorantim, adquirido em janeiro de 2009, numa operação bastante polêmica. Por 49,99% das ações, o BB pagou R$ 4,2 bilhões.

Na reunião do dia 21 de abril, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, levou ao presidente do conselho da instituição, Nelson Barbosa, um “prato pronto”. Tratava-se de uma solicitação para que o BB aportasse nada menos que R$ 1,5 bilhão no Votorantim, que tem apresentado sucessivos prejuízos – foram R$ 597 milhões no primeiro trimestre deste ano.

No encontro, Bendine teria dito a Barbosa que o assunto já havia sido tratado com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. E foi então que Barbosa, frequentemente lembrado como possível sucessor de Mantega, se irritou. Diante de vários interlocutores, ele disse a Bendine que fizesse então com que o ministro da Fazenda assinasse o aporte bilionário.

Coincidência ou não, no dia 25 de abril deste ano, o tema foi retirado da pauta do conselho diretor do Banco do Brasil, onde o responsável pela condução do assunto tem sido o vice-presidente de Finanças, Ivan Monteiro. Sem o aval de Nelson Barbosa, que tem relação direta com a presidente Dilma Rousseff, para o aporte, o BB tenta agora encontrar uma nova saída para o Votorantim. Uma das possibilidades é a transferência de créditos podres dos bancos públicos para uma nova estatal que seria chamada de Empresa Gestora de Ativos (Emgea), como foi adiantado pelo 247. Outra possibilidade em discussão é a compra pelo BB, do restante das ações do Votorantim, da família Ermírio de Moraes.

Gestão é do BB

O caso Votorantim é problemático para a direção atual do Banco do Brasil porque, nos últimos três anos, a gestão está nas mãos da própria instituição. Para o conselho do Votorantim, o BB indicou o presidente Aldemir Bendine e dois vices: Ivan Monteiro e Paulo Caffarelli. Os prejuízos, ao contrário do que ocorreu, por exemplo, com o Panamericano, não foram herdados. Nasceram na gestão atual.

Internamente, o pedido de aporte do Votorantim ao BB dividiu a instituição. Um dos vice-presidentes que se mostrou refratário ao negócio foi justamente Ricardo Oliveira, da área de Governo, que acaba de ser demitido, em razão de um escândalo recente envolvendo quebra de sigilo bancário, e se sentiu abandonado pela atual gestão.

Ivan Monteiro tem o apoio incondicional de Bendine e Caffarelli. Ele é o candidato da dupla para a presidência da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do banco, hoje comandado por Ricardo Flores. No entanto, o rombo do Votorantim, provocado pela alta inadimplência no financiamento de veículos, pode atrapalhar seus planos.

De acordo com documentos internos do BB, obtidos pelo 247, os aportes seriam realizados em três parcelas de R$ 500 milhões. Como Nelson Barbosa vetou a injeção de capital, tenta-se agora resolver o problema do banco com a limpeza de seu balanço e a transferência de créditos podres para a Viúva. Veja, abaixo, os documentos:

Na imagem abaixo, o parecer do BB que solicita ao Conselho de Administração aporte de R$ 1,5 bilhão no Banco Votorantim:

 

Na imagem abaixo, a informação de que o tema foi retirado da pauta do conselho diretor, em razão de veto superior:

 

Na imagem abaixo, o cronograma que estava previsto para os aportes, em três parcelas de R$ 500 milhões:

 

Nassif,

Um ótimo exemplo quanto aos cuidados que se fazem necessários na hora de negociar com a China, de um prego a um navio.

Como se pode ver, os chineses não fizeram nada que possa ser considerado um delito, quebra de contrato ou algo do gênero, e no entanto, despesas inesperadas por todos os lados.

 

Reuters News

Vale vai construir segundo navio de armazenagem na Ásia 21 de maio de 2012 • 07h25 •  atualizado 08h32

 

A Vale vai construir um segundo navio de armazenagem de minério de ferro na Ásia para atender aos embarques para o principal mercado da mineradora, a China, disse nesta segunda-feira um alto executivo da companhia, em meio aos esforços para lidar com o veto de Pequim aos enormes cargueiros da empresa.

» Conheça o maior navio de transporte de minério do mundo

A China, maior importadora de minério de ferro do mundo, fechou seus portos aos supernavios da Vale depois de protestos locais contra a chegada do primeiro, e até agora único, Valemax ao país, em dezembro.

Isso forçou a Vale a tomar uma rota mais cara para entregar minério ao mercado chinês, abrindo um centro de transferência de carga nas Filipinas, em fevereiro. A maior exportadora de minério de ferro do mundo também vai abrir um centro de distribuição na Malásia em 2014 e está considerando projetos na Coreia do Sul e no Japão.

O conselho de diretores da Vale aprovou a construção do navio de armazenagem, mas a companhia ainda precisa decidir onde vai operá-lo, disse o diretor global de marketing, Cláudio Alves. "Estamos no processo final de contratação, e a Coreia do Sul é uma possibilidade", disse Alves em cerimônia de batismo de dois Valemax. Muitos dos navios Valemax tiveram o financiamento de bancos chineses e foram construídos por companhias chinesas.

 

 

O escândalo Cachoeira e as empresas de comunicação

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  1. Nas últimas semanas, os brasileiros tomaram conhecimento de uma vasta rede criminosa, organizada pelo bicheiro Carlos Cachoeira, envolvendo parlamentares, governos e membros do Judiciário, de âmbito nacional. As revelações, surgidas a partir de um minucioso trabalho legal de investigação realizado pela Polícia Federal, incriminaram logo de saída o senador Demóstenes Torres, eleito pelo DEM-GO, uma das principais vozes da oposição no Congresso Nacional, parlamentar com atuação marcadamente conservadora e antissindical. 

  2. Da investigação, o senador emerge como um subordinado do criminoso, intimamente associado a ele. E, à medida que o conteúdo de escutas telefônicas e de outros documentos vem à tona, novas revelações surgem, ampliando a rede de envolvidos e trazendo indícios de participação de políticos de diversos partidos. 
    O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, coerentemente com sua história de defesa da democracia e da soberania popular, soma-se à Central Única dos Trabalhadores (CUT) para exigir que “a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Caso Cachoeira, instalada no dia 19 de abril, apure com rigor os fatos levantados pelas investigações da Polícia Federal e que os envolvidos sejam punidos”. Subscrevemos a nota da CUT sobre o assunto (publicada na seção Opinião e Artigos, de nosso site). 

 Das investigações da Polícia Federal, emergem também fartas evidências de que o criminoso mantinha relações estreitas com meios de comunicação, sobretudo a revista Veja, do grupo Abril. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo defende uma ampla investigação das relações de Carlos Cachoeira com os veículos de imprensa, pois há fortes evidências de relações promíscuas entre as partes – muito diferentes da distância e do profissionalismo que a ética jornalística estipula para a relação entre jornalistas e fontes –, convergências de interesses políticos e econômicos entre o grupo chefiado pelo bicheiro e as empresas jornalísticas, graves erros de conduta. Há diversas situações em que falsas informações transmitidas pelo bicheiro chegaram ao noticiário como fatos, e quando são publicadas notícias mentirosas, não há jornalismo.

 As evidências de associação consciente de empresas de comunicações com o bicheiro e sua quadrilha quase não aparecem no noticiário político dos grandes jornais e revistas nas últimas semanas, que escondem o assunto que lhes atinge diretamente. Diante de tais evidências de crime e das exigências de ampla investigação, as empresas jornalísticas passam a bradar em defesa da “liberdade de imprensa”, como se elas estivessem acima da lei, como se fossem totalmente inimputáveis por suas ações ou pelas notícias que divulgam. A defesa da mais ampla liberdade de imprensa é uma das razões de ser do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, e ela não só é compatível, como exige a mais ampla investigação das relações entre o criminoso Carlos Cachoeira e as empresas de comunicação. Isso porque a democracia é a soberania popular, e a população tem o direito de que se faça o máximo de luz sobre todo esse episódio, com as devidas consequências legais para todos os envolvidos com contravenções e crimes.

 O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo não confunde as empresas jornalísticas com os jornalistas que nelas trabalham. Sua função é defender os direitos do conjunto dos jornalistas, cuja força de trabalho é explorada pelas empresas que atuam no “negócio” comunicações. Com base nisso, a entidade afirma:


a) quem defende a verdadeira liberdade de expressão no setor de comunicações são os jornalistas, e não as empresas de comunicação. As empresas defendem os seus negócios e os seus interesses políticos, que variam segundo as circunstâncias. É público o papel que a proximidade com os mandatários da ditadura militar teve para o crescimento empresarial da TV Globo e do Grupo Folha nos anos 1960 e 1970, por exemplo. Da mesma forma, o Grupo Abril pode se aproveitar de uma proximidade com o governo de José Serra, que gastou dezenas de milhões de reais em compras de publicações da editora de 2006 a 2010. Quanto aos jornalistas, contratados por essas ou outras empresas, são os protagonistas de um trabalho de caráter público, que é o de apurar e divulgar informações de interesse geral. São eles os guardiões da ética e da correção no trabalho jornalístico, frequentemente bloqueado pelas empresas. Internamente às redações, colecionam-se os casos de notícias apuradas que, por causa de interesses do empregador, são deturpadas, divulgadas parcialmente ou simplesmente censuradas. Uma evidência deste estado de coisas é a oposição dos patrões a uma simples cláusula que a categoria busca colocar nas suas Convenções Coletivas de Trabalho: “Pelo direito de consciência e respeito à ética profissional, fica determinado o direito ao jornalista de recusar a realização de reportagens que ferem a ética profissional ou sua consciência”. Mais claro impossível: ao recusar esta cláusula, as empresas esclarecem que não aceitam a mínima brecha em sua autoridade de empregadores. Os jornalistas, porém, mantêm sua reivindicação e sua luta pela ética no exercício da profissão.

 b) sabemos que há relações comerciais estabelecidas entre governos – federal, estaduais e municipais – e as empresas de comunicação, tanto no que diz respeito a verbas publicitárias, quanto em relação à compra de conteúdo. O interesse público determina que essas relações devam ser claras e transparentes, com base em mecanismos republicanos, como concorrências e licitações públicas. A observância desses preceitos é a posição democrática e ética defendida pelo Sindicato dos Jornalistas.

 c) A extrema concentração dos meios de comunicação nas mãos de meia dúzia de famílias e magnatas é uma das chagas que afligem nosso país e facilita situações como as comprovadas pelas investigações no caso Cachoeira. Assim, reafirmamos nosso compromisso com a luta pela democratização dos meios de comunicação, reforçada neste momento pela exigência de ampla investigação e punição de todos os envolvidos em associação criminosa com Carlos Cachoeira.

http://bit.ly/KC6XgI

 

 

Primeiro foi o Loco Abreu. Agora o Herrera. Maldita sea! es sólo nuestros hermanos tiene cajones?

Herrera para a Globo: “música pra que?”

publicada segunda-feira, 21/05/2012 às 00:54 e atualizada segunda-feira, 21/05/2012 às 00:54

 

por Rodrigo Vianna

O Herrera já jogou no meu time, o Corinthians. Centroavante esforçado, o argentino está longe de ser craque. No Botafogo, tem ficado no banco. Nesse domingo, o Fogão perdia de 1 a zero quando Herrera veio a campo, no início do segundo tempo. Ele fez a diferença. Placar final: Botafogo 4 x2 São Paulo F.C., com 3 gols do Herrera.

O jovem repórter que acompanhava o Botafogo, na transmissão da Globo, correu até o Herrera no fim do jogo. Fez o correto: o argentino era o personagem do jogo. Mas o repórter caiu numa cilada. Resolveu ser “engraçadinho”, talvez contaminado pelo clima geral nos programas esportivos da emissora (atenção, nas transmissões há muita gente boa na Globo, que cobre futebol com classe e competência; mas, nos programas, a regra geral da nova geração é ser “soltinha” e “engraçadinha”): em vez de perguntar sobre o jogo, resolveu perguntar que música Herrera pediria no “Fantástico”.

Aparentemente, Herrera (da mesma forma que esse escrevinhador)  desconhecia o fato de que goleadores tem o “direito” de pedir musiquinha no programa da Globo. O argentino foi seco: “Música pra que?” O repórter insistiu, e Herrera: “não, eu não peço música não; fico na música minha…” Mas “nem em castelhano”, quis saber o jornalista: “Não, nenhuma”.

Tudo isso ao vivo, como se pode ver aqui – http://www.youtube.com/watch?v=XfFfXu4UVm8.

Herrera virou tema no twitter, é claro. Centenas, milhares de mensagens… A maioria, de apoio ao atacante.

Mais tarde, no “Fantástico”, a surpresa (eu disse “surpresa”?). A Globo resolveu tripudiar. Tratou o comportamento do goleador botafoguense como “mistério”. Como se houvesse algum.  O cara simplesmente  disse “não”. É simples.

Para o Herrera, e milhares de torcedores, essa história da Globo querer pautar horários, comemoração e até a trilha sonora dos gols é de uma babaquice sem tamanho.

Pra completar a noite, um repórter (de Esportes) da Globo resolveu atacar o Herrera. E escreveu o seguinte no twitter: “Golaço do Fantástico. Tratou com normalidade e humor, o babaca do Herrera.”

A pancadaria entrou noite adentro. Foi mais um episódio didático, a mostrar como trabalham aqueles que se dizem preocupados com a defesa da “liberdade de imprensa” no Brasil. Um leitor, no twitter, fez o comentário certeiro: 

@adamastaquio “Essa é a Globo e seu modo truculento de agir! Imagina o q a Globo n faz com coisa séria então… Tipo eleição!”

A gente sabe bem… Viu em 82 com o Brizola, em 89 com o Lula. E, quando se achou que isso estava superado, voltaram a atacar em 2006 e 2010…

O caso Herrera talvez ajude um público menos politizado a entender como eles operam. Por isso, tanto político em Brasilia tem medo de dizer não pra Globo. Precisa ser casca grossa, feito o Herrera…

Não se sabe o que vai rolar. De repente, pedem pra ele se retratar nos próximos dias, pra amaciar com a Globo. Pode até ser. Mas espero que o Herrera siga firme e honre as tradições de Paulo Cesar Caju, Afonsinho e João Saldanha – botafoguenses ilustres que não baixavam a cabeça pra milico em plena ditadura, muito menos pra jornalista (ou jornalismo) babaca.

Viva o Herrera!


 

e continuando a balela que não há "indicios" pra indiciar o gov sérgio cabral na cpmi...

 

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=nDhS2kOR3n4

Uma empreiteira incomoda muita gente, duas empreiteiras incomodam muito mais, três empreiteiras governam o Estado, esta é a lógica que nós temos aqui no Estado do Rio de Janeiro. (...) Mas o curioso é que - somando as Secretarias - temos 932 milhões de contratos da Delta com o Governo do PMDB do Rio de Janeiro. Com a Cedae - e aí, tem a ver... 'cachoeira', água, Cedae - 627 milhões. E aí, eu lembro que a Cedae resolve entrar no mercado de capitais; da Bolsa e das ações. Automaticamente, o Governo faz uma manobra nesta Casa e tira as contas da Cedae do Siafem", afirmou Marcelo Freixo no plenário da Alerj na quarta-feira (25/4/12). Na ocasião, Freixo lembrou que ao acionar o Tribunal de Contas do Estado, antes desses escândalos, solicitando a fiscalização de aditivos recebidos pela Delta, recebeu como resposta que "não há indícios suficientes para gerar uma fiscalização adicional".

 

Pobreza rural: um fenômeno histórico relacionado à estrutura agrária do país


Por mais que as teses “produtivistas” defendam que o país já resolveu o problema da produção agropecuária sem precisar fazer qualquer reforma em sua estrutura agrária – porém sem resolver o problema da pobreza – ,a questão agrária brasileira não pode ser relegada a um segundo plano quando se definem e implementam políticas públicas com o objetivo de erradicar a pobreza. O artigo é de Lauro Mattei.

“O problema da pobreza rural está no latifúndio e não nos pobres.” Cândido Grzyboswki

O Brasil apresenta marcas históricas que remontam ao processo colonizador, o qual destinou a esse espaço geográfico, por vários séculos, apenas a função de produção e suprimento de bens primários necessários ao atendimento dos interesses da metrópole lusitana. Tal lógica colonizadora, além de formar e estabelecer uma estrutura econômica voltada ao exterior, deixou marcas sociais que ainda estão presentes nos dias atuais. Dentre essas marcas, destacam-se a pobreza, a concentração de renda e a exclusão social.

Por isso mesmo, a pobreza não é um fenômeno novo, nem no país nem no continente latino-americano. Todavia, ela mostrou ser mais consistente nas últimas décadas do século XX quando crises econômicas afetaram a maioria dos países da região latino-americana. A partir de então, percebe-se que, além das deficiências estruturais do modelo de desenvolvimento econômico regional, os problemas sociais tornaram-se obstáculos reais para conformação de sociedades mais justas e democráticas.

Do ponto de vista econômico, o dinamismo ocorrido no Brasil durante a vigência da industrialização do país (décadas de 1940 a 1970) se esgotou rapidamente, impactando negativamente os agregados macroeconômicos, especialmente o nível de renda per capita, que passou a apresentar uma trajetória de queda, e bem como o próprio mercado de trabalho, cujas taxas de desemprego e de informalidade se expandiram fortemente durante as duas últimas décadas do século XX. Esses fatos, somados ao histórico processo de concentração da renda, agravaram ainda mais as já precárias condições de vida da população em todas as regiões do país.

Do ponto de vista social, nas últimas décadas do século XX ocorreu um forte crescimento dos índices de pobreza e de miséria em todo o país. Aliados à natureza estrutural da exclusão social, têm-se, ainda, os efeitos perversos dos programas de estabilização econômica, os quais agravaram as condições do mercado de trabalho, levando ao aumento das taxas de desemprego, à expansão da informalidade e à redução dos salários básicos, bem como estimularam a continuidade dos deslocamentos populacionais, provocando o inchaço das grandes metrópoles urbanas, que passaram a concentrar a maior parte da população do país. Com isso, a partir da década de 1990, o número absoluto de pobres vivendo nas cidades – e especialmente nas áreas metropolitanas – superou pela primeira vez o número de pessoas pobres que vivem nas áreas rurais.

Mas, em termos relativos, a pobreza rural ainda é extremamente expressiva no país. Os dados da PNAD (IBGE, 2009) revelaram que 8.4 milhões de pessoas que faziam parte da população rural total (30.7 milhões de pessoas) eram classificadas como pobres (renda per capita mensal de até ½ salário mínimo, que em valores de setembro de 2009 correspondia a R$ 207,50); e 8.1 milhões de pessoas eram classificadas como extremamente pobres (renda per capita mensal de até ¼ salário mínimo, que em valores de setembro de 2009 correspondia a R$ 103,75). Isso significa que no ano de 2009 aproximadamente 54% da população rural total era enquadrada como pobre. A distribuição espacial da pobreza rural revela que 53% do total de pessoas classificadas como pobres viviam no Nordeste do país, região que respondia também por 70% do total de pessoas extremamente pobres.

Os determinantes histórico-estruturais de geração da pobreza rural

As concepções mais abrangentes sobre o fenômeno da pobreza sugerem que ele não deve se restringir apenas à privação da renda, mas também à privação de outros bens materiais e de acesso aos serviços sociais essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, alimentação, nutrição, habitação e saneamento básico. Em função disso, é recomendável que esse fenômeno seja discutido para além das variáveis puramente monetárias, mesmo sabendo-se das dificuldades envolvidas na construção de indicadores não monetários. No Brasil, por não existir este tipo de indicador, vêm sendo estabelecidas linhas de pobreza a partir de um único indicador monetário: a renda per capita familiar mensal. Há, todavia, um conjunto de outros fatores relacionados às privações que também podem explicar as causas estruturais da pobreza, conforme veremos mais adiante.

Por isso, falar da pobreza rural e de sua relação com a questão agrária requer situar o debate numa perspectiva histórica, o que pressupõe entender a conformação histórica e social do país e suas particularidades, especialmente nas áreas rurais. Desta forma, é possível afirmar que a pobreza rural não pode ser concebida como um fenômeno natural, pois se trata de um processo sócio-histórico construído pelo homem. Nesta perspectiva analítica adotada, a pobreza tem seus determinantes centrais de ordem estrutural.

Historicamente, nota-se, desde os primórdios da colonização, a natureza exploratória e predatória dos recursos disponíveis no território. Se no passado colonial o caráter dessa exploração se encontrava assentado na grande propriedade privada da terra e no trabalho escravo, hoje ele permanece amparado na grande propriedade privada das terras e no trabalho livre, que é seu substrato de acumulação e de valorização. Este movimento condicionou e ainda condiciona grande parte da vida material do país. Os traços gerais dessa materialidade econômica se circunscrevem no tempo presente à exploração econômica agrícola em grandes propriedades, na monocultura e nas commodities que dominam o cenário produtivo agroindustrial do país.

Caio Prado Júnior resumiu este processo com a seguinte expressão: “somos hoje o que nós éramos ontem”. Na verdade, aqui ele discutia a formação histórica da economia rural brasileira, a qual se assentou em três pressupostos básicos: monocultura em grandes propriedades; relações de trabalho escravocrata; e produção voltada para o exterior. E é a partir desses três elementos que podemos encontrar grande parte dos determinantes da pobreza rural, inclusive nos dias atuais.

Por exemplo, uma pesquisa realizada pelo IICA no ano de 2011 sobre “a nova cara da pobreza rural” trouxe diversas evidências na direção da abordagem aqui adotada. Assim, estudos da região Centro-Oeste mostraram que naquele local a pobreza não é apenas uma questão de renda, uma vez que ela tem sua maior expressão exatamente nas áreas de pecuária extensiva, que são espaços geográficos dominados pelos latifúndios e onde se observam elevados índices de concentração da terra. Da mesma forma, estudos da região amazônica mostraram que os determinantes da pobreza naquela região dizem respeito à falta de dotação de recursos e às relações de trabalho. No que diz respeito à dotação de recursos, o principal deles é a falta de terra, ao passo que no tocante às relações de trabalho, verificou-se que ainda permanecem formas de trabalho escravo.

Já em algumas partes da região Nordeste observou-se um processo em curso de concentração das terras em três atividades: fruticultura, cana-de-açúcar e soja, todas elas voltadas à exportação. Neste caso, notou-se uma “precarização” da pobreza rural, uma vez que os antigos proprietários autônomos agora estão sendo reduzidos à condição de ex-proprietários e submetidos a relações de trabalho precárias, especialmente em termos da renda recebida. Nestes locais, observou-se que há um processo de modernização em curso. Todavia, o mesmo está sendo comandado cada vez mais por uma minoria de empresas e grandes produtores que possuem capital para dar sustentação a esta lógica produtiva. É exatamente essa modernização que está fortalecendo a raiz “fundante” de todo processo de exclusão social e de geração de pobreza, porque ela não altera as questões histórico-estruturais, como a concentração da terra, as relações seculares de dominação e de expropriação do trabalho pelo capital.

Vimos anteriormente que a grande maioria das famílias residentes em áreas rurais e classificadas como extremamente pobres no Brasil se concentra na região Nordeste, com destaque para a parte do Semiárido. Nestes locais, destacam-se três fatores como determinantes da pobreza: a privação do acesso à água; a privação do acesso à terra; e a ocorrência sistemática das secas, fenômeno que acaba impondo diversas outras restrições, especialmente em termos de acesso a trabalho. Decorrem daí distintos movimentos migratórios temporários para outras regiões do país, especialmente para a colheita da cana e do café no Centro-Sul. Este processo submete uma parcela expressiva dessa população a condições de trabalho degradantes. Mesmo que temporariamente esses migrantes consigam participar do mercado de trabalho, as relações de trabalho e os rendimentos obtidos são extremamente precários, conforme está amplamente documentado pela literatura especializada. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, basta citar que até recentemente uma das principais reivindicações das organizações sindicais rurais era a assinatura da carteira de trabalho, o que garantiria a esses trabalhadores o acesso a alguns benefícios sociais.

Em outro extremo do país, na região Sul, o fenômeno da pobreza rural tem maior expressão também nas microrregiões onde predominam os latifúndios, destacando-se os campos de Guarapuava (PR), as regiões das Missões e da Campanha (RS) e o Planalto Serrano, em Santa Catarina. Em todos esses locais, verifica-se um fenômeno correlacionado: as microrregiões com maior concentração de terras são exatamente aquelas que apresentam os maiores índices de pobreza rural.

Todos esses exemplos são fortes indicativos de que não podemos continuar tratando o problema da pobreza rural como um mero indicador monetário, abstraído a partir da renda per capita familiar. Aqui claramente a pobreza assume a característica de um processo histórico-estrutural marcado pelas contradições sociais ainda presentes na sociedade rural brasileira, ao mesmo tempo que se revela como um fenômeno multidimensional, que poderá ser mais bem compreendido quando se utiliza a abordagem das privações.

Além disso, no caso brasileiro, a pobreza rural também está fortemente associada ao rápido processo de industrialização e de urbanização do país ocorrido a partir da segunda metade do século XX, o qual revelou uma grande contradição: por um lado, verifica-se que ocorreu uma forte expansão da produção física de mercadorias em todas as atividades econômicas, mas, por outro, foram estabelecidos mecanismos que restringiram o acesso a esse conjunto de bens produzidos, o que proporcionou um alto grau de exclusão social, cujo resultado mais visível é a existência até os dias de hoje de elevados índices de pobreza.

De uma maneira geral, pode-se dizer que esse modelo de desenvolvimento institucionalizou a pobreza rural pelos seguintes mecanismos: através da concentração fundiária, que expropriou parte dos camponeses das áreas rurais; através do uso intensivo de tecnologias modernas, que desempregou muita gente; através das relações precárias de trabalho, que degradaram e ainda degradam a vida dos trabalhadores rurais; e através do incentivo à urbanização acelerada, que esvaziou parte do espaço rural do país.

É exatamente nesta direção que a questão agrária deve retornar para o centro da agenda de discussões das políticas públicas de erradicação da pobreza rural. Por mais que as teses “produtivistas” defendam que o país já resolveu o problema da produção agropecuária sem precisar fazer qualquer reforma em sua estrutura agrária – porém sem resolver o problema da pobreza – trata-se de afirmar, à luz dos conhecimentos da história, da economia política e da sociologia política, que a questão agrária brasileira não pode ser relegada a um segundo plano quando se definem e implementam políticas públicas com o objetivo de erradicar a pobreza, seja ela extrema ou qualquer outra expressão que se queira utilizar.

Como a propriedade da terra é um ativo de alto valor econômico que se valoriza constantemente, entendemos que a busca de soluções para a questão da pobreza rural brasileira não pode ser dissociada dos marcos da estrutura agrária secular, que é um dos elementos determinantes da própria pobreza a ser erradicada. Do contrário, teríamos de aceitar as teses conservadoras que estão ganhando espaço nos últimos anos, as quais afirmam que essa massa da população excluída – e que no âmbito governamental está sendo denominada de “pobreza extrema” – não deveria ser contemplada pelas distintas políticas para o meio rural do país devido ao baixo resultado produtivo apresentado. Segundo os defensores dessas ideias, para estes segmentos sociais deveriam ser destinadas apenas políticas de transferência de renda.

Diante desse contexto, resta-nos questionar: é realmente esta solução que o projeto democrático de desenvolvimento nacional deveria oferecer para mais da metade da população rural?

(*) Professor dos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Economia e de Pós-Graduação em Administração, ambos da UFSC, e Pesquisador do OPPA-CPDA-UFRRJ. E-mail: l.mattei@ufsc.br

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20154

 

Record conta com dois dígitos de ibope de 'A Fazenda' e Londres  20/05/2012 - 16h35- No UOL

RICARDO FELTRIN
EDITOR E COLUNISTA DO "F5"

Ninguém faz previsões ou estimativas oficiais na Rede Record, mas é certo que a emissora prevê decolar no ibope nos próximos dois meses e retomar o lendário "caminho da liderança". Tudo graças às estreias de "A Fazenda" e os Jogos Olímpicos de Londres, que ela exibe com exclusividade, pela primeira vez.

"A Fazenda 5" estreia no próximo dia 29. Londres 2012 começa mais tarde, em 25 de julho.

Edu Moraes/Divulgação/RecordBritto Jr. comanda "A Fazenda 5"Britto Jr. comanda "A Fazenda 5"

A expectativa é que, quando essas duas atrações ocuparem simultaneamente a grade programação, a Record obtenha médias constantes acima de dois dígitos (acima de 10 pontos), ajudando a elevar a média final das 24 horas do dia. Com isso, pode acabar com a estagnação do ibope (leia mais abaixo)..

Outra grande expectativa em relação a Londres 2012 recai sobre alguns esportes, como futebol e vôlei, os quais, há esperança de que tenham médias de 20 pontos ou mais na Grande SP (onde cada ponto vale por 60 mil domicílios).

JOGOS (CARÍSSSIMOS) DE LONDRES

A Olimpíada é, sem dúvida, a maior aposta comercial individual da história da Record. Estima-se que ela tenha pago US$ 60 milhões somente pelos direitos exclusivos, desbancando a Globo após décadas. A âncora principal do evento direto de Londres será Ana Paula Padrão.

RecordAna Paula será a 'musa' de Londres 2012Ana Paula será a 'musa' de Londres 2012

Estão sendo enviados cerca de 300 profissionais para a cobertura, que estará sob escrutínio minucioso de telespectadores e críticos, pois será a primeira vez da Record comandar sozinha um evento desse porte.

A partir desta semana, a emissora coloca nas estradas o seu ônibus olímpico, com jornalistas esportivos, e que farão entradas diárias e ao vivo na programação.

PNT

Em abril, o ibope da Record fechou na média nacional (PNT) em 6,5 pontos, contra 7,5 pontos no mesmo período no ano passado (queda de 12%). Na média anual, porém, a Record vem mantendo o mesmo índice de anos anteriores. O ano de 2008 foi o último em que ela registrou aumento de audiência.

Poderia ser diferente caso a emissora tivesse obtido ganho num ano como este, em que Globo e SBT continuam perdendo décimos preciosos de audiência. A Globo, ainda líder com folga, fechou abril com 16,7 pontos, e o SBT (3º colocado), com 5 --ambos índices nacionais menores do que em 2011 (no PNT, cada ponto vale por 192 mil domicílios sintonizados).

Ricardo Feltrin, 48, está no Grupo Folha desde 91. Exerceu os cargos de repórter, colunista, editor e secretário de redação, entre outros. É atualmente editor e colunista do F5, site de entretenimento da Folha, e também colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às terças.

 

 

Embratur critica ganância da indústria hoteleira do RioGoverno precisou intervir para reduzir o preço das diárias durante Rio+20

AE |20/05/2012 20:55:24 - No IG

A Embratur atribuiu à "ganância de poucos" os elevados preços cobrados pela indústria hoteleira no Rio de Janeiro. Para a empresa, a estratégia do setor vai dificultar a consolidação do país como polo turístico mundial. Na semana passada, o governo precisou intervir para reduzir o preço das diárias no Estado durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada em junho. A estatal divulgou nota neste domingo (20) com críticas aos preços praticados na indústria hoteleira fluminense, segundo a empresa os mais altos do país, sem motivo para essa diferença, que tem gerado reclamações no Brasil e no exterior.

Leia também:
Governo fecha acordo para baixar preços de hotéis na Rio+20
Diárias de hotéis para a Rio+20 devem cair 30%, diz ABIH-RJ

Os altos valores cobrados para hospedagem geraram protestos de comitivas estrangeiras. O Parlamento europeu chegou a cancelar a participação de uma delegação de 11 representantes no evento sob essa alegação. Em nota, a Embratur classificou como "absurdo" a hotelaria no Rio praticar preços semelhantes ao do réveillon ou carnaval durante a conferência. Nesses períodos festivos, argumentou, o visitante tem liberdade de escolher entre várias cidades no país, o que não acontece em um evento da ONU sediado no Rio.

"Os hotéis do Rio, ou de qualquer outro destino turístico brasileiro, não podem pretender que o aquecimento de demanda, em face de um evento custeado pelos impostos de todos os brasileiros, conduza a margens de lucros que dificultem a consolidação do Brasil como um polo turístico mundial", diz a nota.

Em entrevista publicada pelo jornal "O Estado de São Paulo", o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), também criticou o setor e lembrou que os erros de agora devem servir de lição para futuros eventos que a cidade vai receber, como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Paes apontou o contrato entre o Itamaraty e a empresa Terramar como um dos principais responsáveis pela disparada no preço da hospedagem durante a Rio+20.

Segundo ele, a Terramar "cresceu os olhos" com o evento, assim como o setor hoteleiro, que chegou a exigir que as comitivas fechassem pacotes de uma semana, mesmo que fossem ficar menos tempo. A Embratur também avalia que a Terramar estava cobrando "taxas muito acima do razoável." Mas, na avaliação da Embratur, jogar a responsabilidade no acordo fechado pelo Itamaraty não ajuda a resolver o problema criado pela hotelaria no Rio de Janeiro.

"Não há razão objetiva para isso, já que os custos não têm diferença em relação a outras cidades de idêntico ou maior porte", diz o texto. Para a empresa, o importante é o Brasil buscar alternativas que o coloquem no foco do turismo internacional.

Pesquisa realizada pela Embratur mostra que os preços no Rio estão "desalinhados" frente aos fixados por outras cidades que sediam eventos internacionais importantes. "O governo federal não aceita tal postura comercial", diz. A nota destaca ainda que o governo intensificará os esforços para manter os preços dos hotéis justos na cidade em defesa da imagem do Rio como destino turístico.

 

 

Samuel Pinheiro Guimarães: Mídia vende um Mercosul em crise permanente

“Cobertura da mídia consolida visão negativa do Mercosul”

A cobertura equivocada da mídia brasileira, centrada em impasses pontuais, consolida uma visão negativa do Mercosul, que só interessa aos países mais industrializados. A análise é do alto representante geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, apresentada durante a primeira audiência pública preparatória para o seminário “Crise, estado e desenvolvimento: desafios e perspectivas para a América do Sul”, nesta sexta (18), no Senado.

Najla Passos, na Carta Maior

Brasília – A cobertura equivocada da mídia brasileira, centrada em impasses pontuais, consolida uma visão negativa do Mercosul, que só interessa aos países mais industrializados. “Há uma campanha permanente na imprensa que menciona que o Mercosul não funciona, que ele cria problemas. É uma campanha permanente, porque os países grandes não querem um Mercosul forte”, afirmou o alto representante geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, na primeira audiência pública preparatória para o seminário “Crise, estado e desenvolvimento: desafios e perspectivas para a América do Sul”, nesta sexta (18), no Senado.

De acordo com ele, essa campanha pressupõe relações complexas, que resvalam no comprometimento da imprensa brasileira com os interesses das grandes multinacionais, oriundas dos países exportadores. “Quando um país do Mercosul exporta mais do outro, isso prejudica a economia do segundo e, consequentemente, gera insatisfações. E os noticiários acabam dando ênfase apenas a essas discussões pontuais, que consolidam a visão negativa do Mercosul, tão prejudicial ao países membros”, explicou à Carta Maior.

O embaixador avalia que o fortalecimento do Mecosul não interessa aos países industrializados porque, para que eles obtenham mais vantagens nas relações comerciais com a América Latina, “é melhor negociar com cada país isoladamente”. Entretanto, Guimarães acredita que o bloco é o principal instrumento para que seus membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) possam enfrentar o atual cenário de crise e de transferência do poderia capitalista do norte para a China, mantendo o crescimento da economia e da melhoria das condições de vida das suas populações.

Guimarães explicou que, ao contrário da Comunidade Comum Europeia, o Mercosul nada mais é do que uma reunião aduaneira, que possibilita aos países do bloco adotarem a mesma tarifa para importação de produtos, fortalecendo as relações comerciais entre eles e com os demais países. Por isso, não está sujeito à instabilidade em que vive hoje a União Europeia, cujos membros abriram mão até mesmo de possuir uma moeda própria. Conforme ele, o Mercosul não implica no enfraquecimento das estados.

Ele defendeu, inclusive, o ingresso da Venezuela como país membro. E esclareceu que só não há esforços para que haja, também, a adesão de outros países, porque os demais assinaram acordos com os Estados Unidos que os obrigam a reduzir a zero à tarifa de importação.

No Mercosul, essa tarifa, hoje, é de 10%, mas tende a ser elevada para combater a importação excessiva dos produtos industrializados chineses.

O jornalista Mauro Santayana, colunista da Carta Maior, defendeu o fator cultural como instrumento primordial para garantir, de fato, a integração da América Latina. “Precisamos construir a unidade latino-americana. E o instrumento para isso é o Mercosul. Mas só poderemos ter uma unidade econômica quando tivermos uma cultural. Esta é a grande falha da nossa ação”, afirmou.

Segundo ele, hoje, essa unidade cultural está restrita aos círculos intelectuais, a alguns blocos empresariais, mas ainda não atinge o povo. 

O jornalista defendeu, ainda, que o Brasil assuma o protagonismo neste processo de integração, adotando uma postura humilde e sendo “o mais tolerante, o mais condescendente, o que mais aceita desaforo”.

“Poderoso é aquele que tem o direito de parecer fraco”, afirmou. 

O ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, observou que o mundo passa por uma crise sistêmica, que cria oportunidades para a América Latina, mas também temores. “Embarcamos no discurso da globalização de forma absolutamente temerária. Abrimos mão de todos os instrumentos de salvaguarda nacionais e, hoje, temos um sistema financeiro que é apêndice do que acontece lá fora”, justificou.

Para ele, que centrou sua palestra na discussão sobre a crise econômica, o fortalecimento dos estados é a única alternativa. “Fora do estado não há solução. Não quero fazer uma ‘estadolatria’. Mas o estado, em última instancia, somos todos nós. Com uma crise dessas proporções, cada sociedade tem que estar coesa para sobreviver. E esta coesão só é possível com o Estado, por meio de um projeto nacional”, comentou. 

O seminário “Crise, Estado e Desenvolvimento: Desafios e perspectivas para a América do Sul”, promovido pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, será realizado no Rio de Janeiro, em 25 de junho

http://www.viomundo.com.br/denuncias/samuel-pinheiro-guimaraes-midia-ven...

 

Sucatas de viaturas são compradas para legalizar carros roubados
20 de maio de 2012 21h53 atualizado às 21h56
 

Em um novo golpe, ladrões de carros de todo o País compram viaturas acidentadas da polícia em leilões oficiais para aproveitar o chassi original e, com isso, legalizar carros roubados, conforme reportagem da edição deste domingo do Fantástico. Segundo o delegado Glaydson Carvalho, que investiga furtos e roubos em Goiânia (GO), os criminosos levam o veículo arrematado para uma oficina clandestina e encomendam o roubo de um carro similar, que é levado para o mesmo local. "Ali as pessoas fazem o transplante daquele veículo roubado similar para o chassi do veículo avariado. Ou seja, ele vai ter um veículo totalmente remontado, com documentação legalizada", afirmou. No início de março, o acusado de chefiar uma quadrilha que teria roubado mais de 300 veículos foi preso em Porto Alegre (RS). Dias antes, ele foi flagrado pela reportagem em um leilão.

Oito meses após um aposentado ser assaltado, em 2010, a polícia apreendeu um veículo que tinha uma peça com a numeração do carro dele. Mas o chassi, os documentos e o número das placas eram de um carro da Polícia Rodoviária Federal de Florianópolis (SC), comprado em leilão oficial. Segundo a Polícia Civil, o carro não poderia ter sido leiloado porque era sucata. A PRF, no entanto, diz que a viatura poderia ser recuperada, mas isso ficaria caro porque a frota da polícia não tem seguro. No Rio Grande do Sul, a polícia pediu os nomes de todos os compradores de veículos sucateados. Na lista, a polícia descobriu que estavam muitos carros negociados sem motor. Segundo a delegada Vivian Nascimento, eles só poderiam ir a leilão como sucata, não como veículos com documentos. O Departamento Nacional de Trânsito afirmou que vai abrir sindicância para investigar o descumprimento das regras sobre leilões de sucatas que são vendidas como carros que podem rodar.

 Terra

 

Maierovitch: mulher de Gurgel
confessa que rasgou a lei

Publicado em 20/05/2012

Extraído do site da Carta Capital, artigo de Wálter Maierovitch:

Casal desorientado, dupla atrapalhadaÉ incrível, mas o casal Gurgel só consegue convencer os que têm interesse nas suas blindagens. Em defesa do procurador Roberto Gurgel já saíram Álvaro Dias e os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, ambos que só deveriam falar nos autos e deverão se declarar impedidos, por antecipação intempestiva de julgamento, na hipótese de o procurador geral bater à porta do Supremo para evitar uma convocação pelos representantes do povo (parlamentares), reunidos em Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Desde  outubro de 1941 está em vigor o Código de Processo Penal (CPP).
Essa nossa lei processual penal estabelece,– ao Ministério Público e para casos de indiciados em inquérito policial que não estão presos–, o prazo de 15 dias para o início da ação penal pública incondicionada.
Ainda consoante o estabelecido no CPP, o representante do Ministério Público ( Gurgel é o chefe do Ministério Público federal) pode, ao invés de propor a ação penal, (1) solicitar novas diligências policiais ou (2) pedir à autoridade judiciária competente o arquivamento dos autos de inquérito policial. Tudo isso, frise-se, no prazo de 15 dias.
Como até um rábula de porta de cadeia de periferia sabe, o procurador Gurgel recebeu os autos de inquérito referente à chamada operação Vegas no ano de 2009. Ele só tirou da gaveta o referido inquérito em 2012, depois de o jornal O Globo divulgar o conteúdo de interceptações telefônicas a envolver a dupla Cachoeira-Demóstenes e dele ser pressionado por parlamentares que leram o informado no jornal.
Contado o prazo de 15 dias com base no calendário Gregoriano ( elaborado em 24 de fevereiro de 1582 e vigorante no Brasil), o prazo de Gurgel, referentemente ao inquérito Vegas, não foi cumprido.
Agora, em maio de 2012, a mulher de Gurgel, subprocuradora Cláudia Sampaio, resolve explicar em nome do maridão Gurgel. Modestamente, se auto-elogia, ao afirmar que se tivesse arquivado o inquérito tudo estaria apagado e não teríamos Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Grande e excelentíssima Cláudia Sampaio !!!!!!
Graças à sua atuação, e não a do maridão Gurgel, a impunidade não existirá. Diante disso, nem vamos lembrar Camões e o seu alerta de que “elogio em boca própria é vitupério”. Na verdade, Cláudia Sampaio deu uma banana para o CPP e até obteve o apoio de Demóstenes, que aprovou a recondução de Gurgel: em interceptação, Demóstenes diz a Cachoeira que estava a bater em Gurgel, e se opor à sua recondução, para pressioná-lo a não mexer no inquérito Vegas.
Diante dessa afirmação de ter evitado a impunidade, não se sabe em que mundo vive a subprocuradora Cláudia Sampaio, embora dê expediente no gabinete de Gurgel.
Cláudia Sampaio esquece de uma importante súmula do Supremo Tribunal Federal. Faz tabula rasa, esquecimento,  da súmula que admite a reabertura de um inquérito policial com base em fato novo.
Às pamparras, exitem fatos novos na Supremo Tribunal Federal, que resultou em inquérito policial e referente a ilegalidade por exploração de jogos eletrônicos de azar, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência. Tudo a envolver, dentre outros, o senador Demóstenes, dois deputados, três governadores e a empresa construtora Delta.
Assim, a subprocuradora Cláudia Sampaio erra ao afirmar, sem corar a face, que:  “Se tivesse arquivado em 2009, a investigação morreria ali e não teria dado em nada”.
Será que Cláudia Sampaio já foi informada da Operação Monte Carlo, de 2012 ? Como não dar em nada ? E a súmula que admite o desarquivamento ?
Pano rápido. Alguns senadores poderiam, diante da gravidade do caso e da recusa de Gurgel em comparecer à CPMI, pensar no artigo 52, XI, da nossa Constituição republicana. Nossa Constituição permite que o Senado casse o mandato de procurador-geral de Gurgel. Para tanto, a Constituição exige votação secreta e maioria absoluta de senadores.

 

 

 

 

Navalha

Que interesse terá o Wálter no mensalão, amigo navegante ?

Clique aqui para ler: “Mensalão, CPI e Satiagraha. O Gurgel vai condenar o Dirceu “

E aqui para ler porque o amigo navegante Vander tem razão: O STF deve julgar o Dirceu já!

Paulo Henrique Amorim

 

domingo, 20 de maio de 2012

No mundo de Cachoeira   Nessa semana CartaCapital aborda mais desdobramentos do caso Cachoeira. E também: como a Veja não lida bem com a crítica e propõe de forma enviesada a censura na rede.Senhor do submundoAinda no início dos trabalhos, a CPI se assusta com a extensão do esquema Cachoeira, da prostituição à lavagem internacional de dinheiro.  Foto: Ana Volpe/Ag. SenadoTentáculos. Os parlamentares podem destrinchar as entranhas de uma quadrilha colossal.
Com aquele rosto redondo perfeitamente esculpido para os óculos igualmente esféricos e os ternos que parecem comprados em magazines populares, Carlos Augusto Ramos poderia facilmente se passar por um pacato corretor de seguros ou dono de uma loja de colchões. Mas não se engane. Em menos de duas semanas, os crimes de Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, listados pela CPI são de assustar: sequestro, cárcere privado, prostituição, jogatina, sonegação fiscal, evasão de divisas, tráfico de influência, corrupção ativa, formação de quadrilha, suborno. Só falta assassinato.

Em meio a disputas políticas e pressões de todo tipo, é esse amplo universo de criminalidade que os parlamentares investigarão nos próximos meses. Se forem eficientes, ao contrário de seus pares da CPI dos Bingos de 2005, que ignoraram o personagem, embora ele fosse um dos alvos da comissão, uma história exemplar dos tentáculos do crime organizado no Brasil será revelada em toda a sua plenitude e extensão.

“Tudo indica que o esquema de Cachoeira era muito maior do que imaginávamos”, afirma o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), integrante da CPI. “Temos indícios de que ele cometeu diferentes crimes. Vamos pedir inclusive a ajuda da Interpol para investigar suas empresas no exterior.”

Os relatos de que as “amizades” de Cachoeira envolviam farras com prostitutas não são novos. Todos os que conheceram o bicheiro de perto costumam descrever sua “simpatia” e contar das festanças com mulheres incluídas. Em depoimento à CPI na quinta-feira 10, o delegado da PF Matheus Mella Rodrigues, titular da Operação Monte Carlo, declarou que o suplente de senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), assíduo interlocutor de Cachoeira, revela em uma das ligações interceptadas com autorização da Justiça estar no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, com 10 homens e 30 mulheres. Na quinta-feira 17, o site Congresso em Foco informou que o bicheiro pagou o jantar e contratou uma garota de programa para o tucano Eduardo Siqueira Campos, filho do governador de Tocantins.
Leia no Congresso em Foco:Cachoeira pagou garota de programa para filho de governadorhttp://www.congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/cachoeira-pagou-garota-para-filho-de-governador/ De:http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/senhor-do-submundo/http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/nas-revistas-senhor-do-submundo/ Do e-mail enviado por Beatrice.Lista.

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‘‘Optar por crescer menos não significa abrir mão de progredir”

José Eli da Veiga, professor da FEA-USP e especialista em desenvolvimento sustentável, acredita que o futuro das nações depende do abandono do modelo de crescimento econômico a qualquer custo

O mundo ainda não convivia com as ameaças do aquecimento global e o professor José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), em São Paulo, que é agrônomo e economista, já se empenhava na discussão sobre uma economia mais parceira do meio ambiente. Ele criou o Núcleo de Economia Socioambiental da universidade e escreveu 13 livros sobre o tema. José Eli insiste no caminho do meio, aquele que leva em conta o desenvolvimento de um país baseado em modelos que não ponham em risco os recursos naturais.

Globo Rural >>> Foi tempo perdido a reunião dos líderes na COP15 (a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em dezembro em Copenhague, na Dinamarca), para traçar metas que combatam as mudanças climáticas?
José Eli da Veiga >>>
Foi um desastre. No começo, havia um sentimento de otimismo, quando países poluidores como China e Índia sinalizaram uma possível negociação. Mas as expectativas não se consolidaram, em parte, porque os países reunidos, em especial os que compõem o G20 e que são responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, não tinham uma concordância prévia. E isso colaborou para o resultado pífio. Além do mais, o Protocolo de Kyoto (acordo assinado no Japão, em 1997, que propôs que países industrializados reduzissem suas emissões em 5,2% entre 2008 e 2012) dividiu o mundo em nações desenvolvidas e o resto, uma classificação que não condiz com a realidade. Existem os chamados países emergentes, de desenvolvimento médio, como China e Índia, e outros do Oriente Médio, que poluem muito. Kyoto os protegeu. Por isso, eles não querem abrir mão desse amparo nem aceitar metas de redução.

GR >>> O Brasil poderia ter exercido um papel melhor na COP15?
José Eli >>>
O país ficou numa boa posição, porque levou metas definidas (redução de 80% do desmatamento na Amazônia até 2020) e talvez tenha papel de liderança para quem possui problemas semelhantes na reunião do México, no final de 2010. O problema do Brasil é daqui uma década, pois o grosso das emissões virá da agropecuária, das termelétricas e dos transportes. Se o país não fizer investimentos significaticos em ciência e tecnologia para permitir uma superação da era fóssil, aí sim nós vamos estar perdidos. Infelizmente, sinto que o Brasil não está consciente disso. E a corrida tecnológica em busca de energias limpas faz com que os países se movimentem de acordo com a esperança de dominá-las no futuro.

GR >>> A importância ambiental para o futuro da humanidade ainda não foi assimilada no mundo?
José Eli >>>
Se fizermos uma retrospectiva dos últimos 30 anos, essa questão veio ocupando um lugar importante na agenda. Mas é certo que ainda é uma minoria no mundo que põe a causa ambiental em primeiro lugar, que pensa na manutenção dos recursos naturais para as futuras gerações. A verdade é que a economia sempre passa na frente. Você nunca vai convencer um país de que ele tem de abrir mão do conforto material de sua população em nome da importância ambiental. Veja o caso da Índia, onde milhões de habitantes vivem sem eletricidade. Como você vai impedir que não se faça eletricidade com o carvão, a matriz energética deles?

GR >>> Em seu recente livro, Mundo em transe, o senhor ressalta que as empresas estão adiantadas na economia de baixo carbono. A agricultura é o patinho feio dessa história?
José Eli >>>
Só se os agricultores quiserem. Existem produtores tecnificados, informados, e eles se deram conta de que precisam se antecipar nessa questão ambiental. Mas existe uma imensa maioria que não tem essa consciência. O desmatamento é o ponto crítico do Brasil. Um estudo do Banco Mundial, publicado no ano passado, mostra que a pecuária está vinculada à derrubada da madeira para a formação de pasto e depois para a entrada do gado. É errado falar "o madeireiro" e "o pecuarista", pois existe uma conexão entre eles. O grosso do desmatamento da Amazônia resultou em pasto. A madeira é efêmera, o corte é só uma vez, e a expectativa é implantar um setor - o de carnes - que dura gerações. Mas veja bem, não quero tachar a pecuária de vilã, porque ofenderia muitos produtores sérios e capazes, que seguem modelos opostos a esse exemplo. Só que a cobrança do comércio internacional está ficando cada vez mais forte. E esses pecuaristas que fazem um trabalho correto serão penalizados pela má imagem do Brasil lá fora.

GR >>> Qual é sua expectativa na área ambiental para os dois principais candidatos à Presidência da República?
José Eli >>>
O papel da Dilma Rousseff é zero se eu pegar pelo histórico dela. A atuação da ministra foi terrível em Copenhague. O José Serra é mais pragmático, presta muita atenção à opinião pública e tem uma visão mais avançada que a Dilma. Basta lembrar que o governo dele sancionou uma lei ousada, em 2009, que prevê corte de CO2 em 20% no estado. Mas ambos pensam no PIB, no crescimento a qualquer custo. Só que optar por crescer menos não significa abrir mão de progredir.

GR >>> Como o senhor analisa a polêmica entre ambientalistas e ruralistas sobre as mudanças no Código Florestal?
José Eli >>>
Eu acho que seria muito importante pressionar por uma discussão aberta sobre esse problema do zoneamento ecológico econômico. Se ela avançasse, 80% da questão estaria resolvida. Existem diferenças entre os agricultores do interior de Santa Catarina que se estabeleceram lá na época da imigração e os estados novos, como Mato Grosso do Sul. Por isso, sou favorável a uma revisão das áreas de preservação, de plantio. Não dá para fechar questão e não querer mexer em nada.

http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1708314-2344,00....

 

Revista Exame (dos donos da Veja) escolheu Delta a 3ª melhor empreiteira do Brasil

 

 

 

Por Os Amigos do Presidente Lula
E agora, Reinaldo Azevedo? 20 de maio de 2012

http://goo.gl/ZnYi9Pouco tempo antes da Operação Monte Carlo da Polícia Federal importunar a parceria Veja-Cachoeira, a última edição anual "Melhores e Maiores" da revista Exame escolheu a empreiteira Delta como a 3ª melhor empresa do Brasil no ramo de construção.
A revista Exame é uma publicação da Editora Abril, dos mesmos donos da revista Veja.
A edição anual 2011 da revista apontou a empreiteira Delta como a 3ª melhor do Brasil. Isso foi há apenas um ano atrás, época em que o jornalista de revista Veja, Policarpo Júnior, costumava almoçar com Carlinhos Cachoeira, e o jornalista sabia das ligações da Delta com o bicheiro, segundo interceptações telefônicas da Polícia Federal.
Como se vê, a Delta gozava de uma reputação semelhante à de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) nas páginas das revistas do chefão Roberto Civita, antes da Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Hoje, com a prisão de Cachoeira, o que se observa é uma "mudança de opinião". Da noite para o dia a Delta virou "a pior empresa do Brasil" nas páginas da Veja, o que leva a perguntar: os leitores da Exame e da Veja foram enganados nos anos anteriores?
Outro desdobramento dos fatos é a indicação de haver um racha nos bastidores da parceria Veja-Cachoeira com a empreiteira, após a demissão de seu diretor Cláudio Abreu, também preso com Cachoeira, e que mantinha encontros com o diretor da Veja, Policarpo Júnior.
A revista Veja continua leal à seu pacto de proteção a Carlinhos Cachoeira, pois continua o poupando de uma reportagem de Policarpo Júnior contando o que via quando frequentava a cozinha da organização criminosa (*). Mas o que se nota é um racha entre o núcleo Veja-Cachoeira-Claudio Abreu com a cúpula da matriz da Delta.
Em 2001 e 2002, Exame escolheu a Delta como a nº 1, a melhor empresa de construção
Na publicação do Perfil Institucional 2006/2007 da empreiteira, é citado o "reconhecimento na mídia", com  página inteira dedicada à revista Exame. Lá mostra que a publicação da Editora Abril a coloca sempre entre as 10 melhores empreiteiras. No ano de 2001 e 2003, foi escolhida a melhor de todas, ocupando o 1º lugar. Nos anos de 2005 e 2007 ocupou o 2º lugar.
CLICK NA IMAGEM PARA AMPLIAR
fonte: Perfil Institucional 2006/2007   (*) Jornalista pode contar fatos, o que viu e o que vivenciou, sem dizer quem forneceu informações em "off", não violando quebra de sigilo da fonte. O compromisso do jornalista é tão somente não contar quem forneceu a notícia, e nunca ocultar a própria notícia. Por isso Policarpo podeira dizer muito do que sabe, sem ferir nenhuma regra do jornalista em preservar as fontes que pedem anonimato. 

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domingo, 20 de maio de 2012

MÍDIA - Manipulação da opinião pública     Do blog Economia &Política O filósofo americano Noam Chomsky fala, em uma de suas obras ("Visões Alternativas”) nas estratégias que o sistema (as elites sociais, políticas, econômicas e até religiosas) utiliza para manipular o pensamento das pessoas e assim conformar a opinião geral às suas ideologias. 1. A estratégia da distração - O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites sociais, políticas e econômicas. É o que Chomsky chama de "armas silenciosas para guerras tranquilas”. 2. Criar os problemas e depois oferecer as soluções -Este método também é chamado de problema→reação→solução Cria-se um problema, uma "situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este se torne "suplicante” (clamor) das medidas que se deseja implantar. 3. A estratégia da gradualidade - Para fazer que se aceite uma medida inadmissível, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, num prazo alargado. 4. A estratégia do adiamento -Outra maneira de provocar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la com "dolorosa e necessária” (o "cortar na carne”), obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. 5. Dirigir-se ao público com se ele fosse uma criança -A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos e imagens particularmente infantis, muitas vezes a roçar a debilidade (com desenhos, animaizinhos, criancinhas), como se o expectador fosse uma criança ou um deficiente mental. Um conhecido "âncora” da Rede Globo disse em off, que o brasileiro tem mentalidade de Homer Simpson. 6. Utilizar a emoção acima da reflexão -Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para injetar ideias, e mensagens. Isto acontece em comerciais de tevê, programas políticos, campanhas sociais, aulas e encontros de igreja, etc. 7. Manter o povo na ignorância, alimentando ideais medíocres -A qualidade da educação dada às classes socialmente inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância entre estas e as classes altas permaneça inalterada no tempo, e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidade para todos. 8. Estimular uma complacência com a mediocridade - A vulgaridade, incultura, e o ser mal-falado ou admirar personagens sem talento, estão na moda. 9. Reforçar o sentimento de culpa pessoal -Fazer crer ao indivíduo que ele é o maior (ou único) culpado por sua própria desgraça, por insuficiência de inteligência, de capacidade de preparo ou de esforço. 10. Afirmar que conhecem as pessoas melhor do que elas próprias -Os sistemas de informática "espionam” a vida das pessoas, usuários desses programas. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce controle e poder sobre os indivíduos, superior ao que eles pensam que realmente tem. No Adital COMENTÁRIO E & P Isso explica porque os tucanos em São Paulo tem o maior descaso com a escola pública, mandando a polícia espancar professores, pagando salários aviltantes, tíquete refeição de apenas R$8,00 e nenhum projeto pedagógio decente. O objetivo da imprensa é alienar o povo para ser dominado. Ela não age de acordo com o bem comum. Exemplo foi a Globo, Folha e Estado defenderem os juros altos praticados pelos bancos, o que vai contra o interesse público e a economia popular. Usam da desinformação para os interesses privados, como a defesa do estado mínimo que só leva a barbárie, de que o Estado é ineficiente e a empresa privada eficiente, apesar da GM ter de se comprada pelo governo dos Estados Unidos e dos péssimos serviços prestados pelas empresas de telefonia e energia no Brasil. A imprensa brasileira é essencialmente golpista, desde a década de 1950 vem conspirando contra governos trabalhista e democráticos eleitos pelo povo. Em 1964 estavam ombro a ombro com os militares que junto com o governo dos Estados Unidos acabaram com a democracia no Brasil. A Folha de São Paulo se deu ao requinte de emprestar as peruas para que brasileiros fossem presos, torturados e mortos pelo regime implantado por eles. Atualmente é eles agem em defesa dos tucanos. No dia 16 último houve o maior acidente de Metrô do Brasil, e a imprensa não ligou o nome do inepto governador de São Paulo, Geraldo Alckmin ao descaso que o transporte público vem sofrendo desde 1995, pelo menos. Alguns jornalistas quando o governo não é do PSDB se comportam como hienas, quando acontece algo grave, eles trabalham nas rádios Jovem Pan, CBN e Bandeirantes. No acidente do Metrô ficaram calados, cadê a indignação com os feridos pela inépcia do governo Alckmin? São aliados de carteirinha. Desinformam o povo paulista que votam nos tucanos desde 1994 por não conhecer os fatos ruins dos governos tucanos. Irregularidades em licitações, desvios, má conduta, incompetência. Além do alinhamento de direita da imprensa paulista, o governo do Estado compra assinaturas de jornais, revistas e põe propaganda na televisão no intervalo dos jogos. A imprensa brasileira não defende os interesses do Brasil. No caso do acidente do Boeing da Gol, causado por dois desastrados pilotos estadunidenses, vários jornalistas saíram na defesa deles. O relatório do CENIPA provou que a maior causa foi o descaso com que os pilotos sobrevoaram os céus do país. A sociedade precisa conhecer e discutir melhoa e imprensa, principamente depois do conluio da Veja com o crime organizado, para tentar desestabilizar o governo federal. 
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20 de Maio de 2012 - 7h00 - No Vermelho

Por que razão a União Europeia se agarra à Grécia falida?

 

A chanceler da Alemanha Angela Merkel não admite de maneira nenhuma que a Grécia saia da zona do euro. Aliás, toda a direção da União Europeia - desde os ministros das Finanças dos vários países até ao presidente da Comissão Europeia, passando pelos dirigentes do Fundo Monetário Internacional - estão contra a deriva grega

 

<i>Crise na Grécia</i>

A crise grega pode arrastar o euro e a própria União Europeia

O país, que se degradou praticamente até à total ausência do poder real, é pressionado pelos europeus, que não poupam promessas nem ameaças para convencê-lo a ficar no euro. Reconhece-se também, - embora isso seja muito mais raro, - que a saída da Grécia irá prejudicar toda a zona do euro. Não será esta a principal razão da atual azáfama?

“Caso a Grécia saia da zona do euro, vai surgir uma questão de enorme importância – o que acontecerá à dívida pública da Grécia, que somava em março de 2012 370 bilhões de euros? O número dos que desejam cancelar esta dívida é bem escasso. Além disso, os exportadores europeus, - e em primeiro lugar, os alemães, - se estabeleceram há muito, - e muito confortavelmente, - no mercado grego. O comércio, - não somente de produtos civis, mas também de armamentos, procedentes, em primeiro lugar, da República Federal da Alemanha, - está em pleno florescimento. Apesar de todas as crises, o volume de fornecimentos não deve diminuir. É possível que certos cálculos secretos dos sábios econômicos da União Europeia levem à conclusão de que os armamentos serão um balsamo para o saneamento da economia desorganizada de Atenas. Um outro imã são as crescentes taxas de juro das dívidas. Quanto mais desesperada é a situação, tanto mais altas são estas taxas. Os dirigentes da União Europeia, do Banco Europeu Central e do Fundo Monetário Internacional consideram mais vantajoso que a dívida estatal e as suas respetivas taxas de juro cresçam e não diminuam.

De acordo com as pesquisas da opinião pública, a maioria da população grega gostaria de livrar-se da tutela externa e da redução asfixiante de despesas mas continuar, ao mesmo tempo, na zona de moeda única. Mas uma destas coisas torna impossível a outra. E o mais provável é que os radicais, que aspiram ao poder em Atenas, levem a situação ao ponto de ruptura. E então...

Nadejda Arbatova, chefe do departamento de pesquisas políticas europeias do Instituto de Economia Mundial e de Relações Internacionais, de Moscou, supõe que nessa altura os gregos renunciarão à zona do euro e aos princípios da integração europeia.

“Creio que a crise que a União Europeia atravessa no presente momento não é uma mera crise econômica e financeira. É uma crise sistêmica, - quanto à crise econômica, esta foi apenas o catalisador dos problemas, acumulados anteriormente, isto é, a ampliação apressada da aliança à custa de países que não estavam totalmente prontos para o ingresso na União Europeia e o erro crasso de Bruxelas – a criação de uma moeda comum sem haver uma política comum da União Europeia nas esferas de impostos e de orçamento. Por isso, a questão que se impõe hoje não é da sobrevivência da zona do euro, mas se continuarão ou não viáveis os fundamentos da integração europeia”.

No caso de saída da Grécia da zona do euro, as metástases irão se espalhar por outros países do sul da Europa – Portugal, Espanha e Itália. É esta a opinião de muitos economistas, em particular de Wolfgang Munchau, um dos fundadores do jornal Financial Times Deutschland. Ele agoura que o pânico junto das caixas automáticas da Europa do Sul vai eclodir no máximo dentro de duas ou três semanas. A seguir, - resta apenas a questão: o que é que vai sobrar da atual zona do euro? Depois do adeus grego, as tentativas de manter a Espanha e a Itália dentro do espaço de moeda única serão irreais.

Fonte: Serguei Guk / Comentarista da Rádio Voz da Rússia


 

20 de Maio de 2012 - 10h01 - No Vermelho

Câmara tem agenda cheia no início da semana

 

A votação das seis medidas provisórias que trancam os trabalhos será a prioridade do Plenário na próxima semana, como anunciou o presidente da Câmara, Marco Maia.


Uma das medidas provisórias teve o texto alterado pelo relator, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), para incluir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do sistema de ensino no Regime Diferenciado de Contratações (RDC). As regras do RDC já valem para as licitações de obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

O RDC flexibiliza as regras da Lei de Licitações com o objetivo de dar mais agilidade às obras públicas. A oposição, no entanto, é contra a medida por entender que ela prejudica a fiscalização. Por causa disso, os partidos de oposição prometem obstruir a votação.

Governo e oposição ainda negociam com o relator alterações no texto da medida provisória. Outro ponto em discussão no relatório de Goergen é a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para as participações nos lucros recebidas pelos trabalhadores. O relator propõe o limite de R$ 12 mil, e o governo defende R$ 6 mil.

Trabalho escravo

O Plenário pode votar na terça-feira (22), em sessões extraordinárias, a PEC do Trabalho Escravo que permite a expropriação das terras onde for encontrado esse tipo de crime. A PEC será votada em segundo turno.

O impasse para a votação do tema é em torno de um projeto de lei que regulamente a PEC para definir o que é trabalho escravo e os procedimentos para o confisco da terra ou da propriedade urbana.

A votação foi adiada por manobra do PMDB, em conluio com a bancada ruralista.

Gestantes

Outra medida provisória cuja vigência acaba em 31 de maio é a que cria um cadastro nacional para acompanhamento de gestantes com o objetivo de prevenir a mortalidade materna, principalmente nas gestações de risco. Também autoriza a União a pagar uma ajuda de custo de R$ 50 anuais às cadastradas para os deslocamentos necessários a esse acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O cadastramento deverá ser feito por todos os estabelecimentos de saúde, públicos e privados, que realizem acompanhamento pré-natal, assistência ao parto e puerpério (cuidados no pós-parto).

Com informações da Agência Câmara


 

20/05/2012 - Carta Maior


G8 rejeita programas de austeridade sem crescimentoA reunião de cúpula do G8 apontou rachaduras na hegemonia do pensamento ortodoxo alemão no âmbito europeu depois de dois anos de total domínio dele. Evidentemente que isso se deve, principalmente, à eleição de Hollande na França e a uma possível aliança dele com Barak Obama nos Estados Unidos. Não importa que o comunicado final do encontro tenha proposto não muito mais que a quadratura do círculo. O artigo é de J.Carlos de Assis.

A reunião do G8 em Camp David pôs novamente em leve movimento o pêndulo da história depois que, na reunião do G20 do primeiro semestre de 2010, a Alemanha de Angela Merkel, junto com Sarkozy e Cameron, levou para a extrema direita do espectro ideológico a receita europeia para enfrentar a crise internacional na base de políticas de austeridade fiscal. Esse movimento pendular começou ainda em 2008, quando, nas reuniões sucessivas do G20 em Washington, Londres e Pittbsburg, todos se comportaram, ao contrário, como keynesianos favoráveis a políticas de estímulo fiscal para reanimarem as economias dos ricos.

Entre os dois extremos, o pêndulo se moveu agora de uma forma que confirma as leis dialéticas: não vamos voltar ao keynesianismo puro, nem vamos ficar no marco indefectível do neoliberalismo, mas vamos, tentativamente, encontrar um ponto de equilíbrio num nível superior do processo histórico, que contenha elementos de um e de outro. Em essência, combinar estímulo fiscal para o crescimento com austeridade fiscal. Pode parecer decepcionante a esquerdistas e direitistas, mas o fato é que assim marcha a história. O novo sempre conserva algum elemento do velho até mesmo em processos revolucionários.

Entretanto, há um problema: austeridade fiscal e estímulo fiscal são antitéticos. É impossível estimular a economia pelo setor público sem ampliar gastos públicos, em especial gastos deficitários que resultem em aumento da dívida pública. Isso é uma questão aritmética: para estimular a economia, não basta aumentar os gastos públicos. Se esses gastos são financiados com receita fiscal superavitária, o que o governo gasta adicionalmente o setor privado deixa de gastar, neutralizando o efeito macroeconômico do estímulo. Portanto, o caminho é o gasto deficitário, com muito bem defendia Keynes.

Gasto deficitário do governo se contrapõe a austeridade fiscal.

Então, o que o G8 está propondo? Ele aponta para o aumento do investimento privado. Contudo, investimento privado depende das condições da demanda atual e futura e não responde a decisões de governo, exceto quando o governo está atuando no sentido de ampliar a demanda. Voltamos assim ao ponto de partida. É verdade que a economia pode ser estimulada pelo lado da expansão do superávit comercial. É a receita alemã. Contudo, como o saldo comercial é um jogo de soma zero, se alguém tem saldo alguém tem déficit. Não há como todos os países europeus em crise serem superavitários no comércio simultaneamente a não ser que o resto do mundo estivesse disposto a bancar a conta na forma de déficits.

Por que, com todas essas ressalvas, estou considerando que o G8
colocou em marcha o pêndulo da história? É pelo fato de que quebrou a hegemonia do pensamento ortodoxo alemão no âmbito europeu depois de dois anos de total domínio dele. Evidentemente que isso se deve, principalmente, à eleição de Hollande na França e a uma possível aliança dele com Barak Obama nos Estados Unidos. Afinal, como se dizia em outros tempos nos círculos de esquerda, isso serve sobretudo para acirrar as contradições do capitalismo e por a história em marcha.

Talvez essa contradição seja mais aparente (ideológica) do que real. É uma questão de terminologia. Austeridade fiscal não significa a rigor gastar muito, mas gastar bem. Na medida em que isso seja entendido, será possível ampliar temporariamente o déficit e a dívida pública para o financiamento de investimentos públicos essenciais sem escandalizar ninguém. É claro que a manipulação ideológica é tremenda. Quando se aprovou no Brasil a Lei de Responsabilidade Fiscal – uma lei, a todos os títulos, imbecil, discriminatória dos investimentos essenciais em serviços públicos -, as pessoas que tiveram a coragem de se colocar contra (como foi meu caso) não eram apresentadas como sendo especificamente contra a lei, mas contra a responsabilidade fiscal.

Outro ícone ideológico por enquanto intocado no Brasil, relacionado com a política fiscal, é o superávit primário. Debito ao alto valor do superávit primário realizado no país ao longo dos últimos anos o baixo crescimento econômico, só revertido em alguns deles (2007 e 2010) devido a fatores especiais. Sem esses fatores especiais, externos ou internos (como os elevados financiamentos do BNDES para a indústria em 2009 e 2010 com recursos do Tesouro, “furando” o superávit primário), nosso crescimento tem sido medíocre. Assim será este ano, sem que haja tempo de reverter a tendência: tivemos um crescimento pífio do PIB de 1,1% no último trimestre de 2011, o qual se repetiu agora (1%) no primeiro trimestre de 2012.

Não creio que a receita para a crise europeia ou o baixo crescimento brasileiro seja simplesmente uma política keynesiana clássica de ampliar gastos públicos. A essência da política keynesiana consiste em mobilizar recursos ociosos da economia para aumentar a demanda e o investimento. Para isso é essencial o investimento deficitário do Estado, sobretudo em serviços públicos e infraestrutura, o que não impede alguma mobilização de recursos ociosos privados através de parcerias em setores de infraestrutura. A esse respeito, a voz mais sensata que ouvi, relativa à crise europeia, veio de uma fonte inesperada. Enquanto Merkel prega austeridade, o presidente da poderosa Federação das Indústrias da Alemanha, Hans-Peter Keitel, sustentou simplesmente a necessidade de um Plano Marshall para a Grécia.

(*) Economista, professor de Economia Internacional da UEPB, co-autor, com Francisco Antônio Doria, do recém-lançado “O universo neoliberal em desencanto”, pela Civilização Brasileira. Esta coluna sai também no sítio Rumos do Brasil e, às terças, no jornal carioca Monitor Mercantil.


 

 

Geral

20/05/12 | 15:09 - No SUL21

 

 

Brasil estuda estímulo à imigração de mão de obra qualificada

 

Da Redação

 

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, afirmou que um projeto de lei sobre imigração, que tramita há três anos no Congresso, pode incluir mecanismos para estimular a entrada de mão de obra qualificada no Brasil. As ferramentas de estímulo devem estar de acordo com políticas setoriais.

 

‘Diante da expansão do tráfego aéreo no país, o Brasil poderia, por exemplo, vir a precisar de controladores de voo em curto prazo e não encontrar profissionais em número suficiente no país com a rapidez necessária’, disse Abrão.

 

‘Estamos estudando a inclusão de cláusulas (no projeto de lei 5.655/2009) para atender a casos como este, que possam vir a ocorrer em função do crescimento econômico do país.’

 

O Ministério do Trabalho e Emprego, por sua vez, já vem aumentando a concessão de vistos de trabalho para imigrantes.

 

Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração, ligado à pasta, em 2011 o Brasil concedeu 70.524 vistos de trabalho para estrangeiros.

 

O número representa um aumento de 22% em relação a 2010. A maioria desses profissionais é do setor de petróleo e gás e da área de engenharia, segundo o presidente do conselho, Paulo Sérgio de Almeida.

 

Antagonismo

 

A Secretaria Nacional de Justiça sempre foi contrária a qualquer tipo de favorecimento direto para imigrantes qualificados em detrimento de mão de obra não capacitada.

 

O órgão se baseava na premissa de não discriminação no ato de conceder vistos permanentes.

 

‘A futura legislação (sobre imigração) tem o foco nos direitos humanos. Trabalhamos para que a desburocratização do visto de residência seja uma premissa de todo o sistema para qualquer cidadão’, afirmou Abrão.

 

Em posição antagônica está Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, que defende a atração de mão de obra qualificada em detrimento de imigrantes sem capacitação profissional.

 

O governo Dilma Rousseff diz esperar que o projeto de lei sobre imigração seja votado no Congresso até o final de 2013.

 

Com informações da BBC


 

Você escreveMaria Izabel Noronha: Diplomacia sem soberania não é suficiente

publicado em 20 de maio de 2012 às 15:31 - No VI O MUNDO

por Maria Izabel Azevedo Noronha

No artigo “Fernando Henrique diplomata” (Folha de S. Paulo, 16/05), Matias Spektor afirma que o ex-presidente FHC chegou ao poder com um projeto internacional explícito: proteger o Real e reposicionar o Brasil diante do fenômeno da globalização. Também afirma que ele utilizou seu primeiro ano de mandato para normalizar as relações do Brasil com o mundo, pois o nosso país era tido pelo Fundo Monetário Internacional como “caloteiro” e, para outras instâncias internacionais, como “violador de direitos humanos e uma ameaça ao ambiente”.

Ora, é preciso ter muito cuidado com determinadas afirmações. O que significa exatamente “proteger o Real” e “reposicionar o Brasil diante da globalização”? Entendo que o verdadeiro fortalecimento do Real se deu a partir do momento em que o país passou a implementar estratégias de desenvolvimento sustentável, combatendo a pobreza, aquecendo a economia e reduzindo de forma drástica o desemprego no país.

Não se pode esquecer que FHC encerrou seu governo com taxas de desemprego no patamar de 12% e, hoje, após um conjunto de políticas econômicas e sociais durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff governa o país com taxas de desemprego na média de 6%.

A moeda de um país deve expressar muito mais que uma unidade monetária; ela deve expressar a saúde econômica deste país e sua capacidade de projetar o desenvolvimento futuro e, em consequência, sua inserção soberana no contexto internacional. Como imaginar que o fortalecimento do Real possa ocorrer independente do bem estar da população brasileira, do fortalecimento do mercado interno, da situação da nossa economia? As políticas que vêm sendo aplicadas desde 2003 no país não apenas tornaram a nossa economia verdadeiramente estável como possibilitaram uma inédita reconfiguração da estrutura social da população brasileira. Mais de 40 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a classe C e já ocorre um processo de migração de outros milhões de brasileiros da classe C para a classe B.

Este tipo de política é que reposicionou o Brasil frente à globalização. O autor do artigo lembra que o governo FHC enfrentou crises internacionais, mas devo assinalar que, durante o governo Lula ocorreu uma crise econômica internacional gravíssima e que a atual crise é também profunda e, talvez, leve muito tempo para ser superada. Mas o Brasil, como outros países chamados “emergentes” se mantém íntegro, porque mudou sua forma de se relacionar com o mundo e passou a desenvolver suas próprias capacidades e possibilidades internas, sem virar as costas para o resto do mundo.

Qual foi, efetivamente, a postura do governo de Fernando Henrique Cardoso diante da globalização econômica? Não falo aqui dos fenômenos de globalização associados à cultura, às informações, ao turismo e outras manifestações de intercâmbio entre as nações do mundo, embora alguns aspectos possam ser questionados.

Refiro-me à globalização econômica, capitalista, no sentido da manutenção e aprofundamento da desigualdade nas relações Norte-Sul e das novas formas de dominação das nações mais ricas sobre as demais nações do mundo. Este processo não ocorreu sem grandes resistências. Lembro das manifestações em Seattle e em todo o mundo e do emblemático assassinato à queima-roupa do estudante Carlo Giuliani pela polícia italiana na cidade de Gênova durante os protestos, que abriu os olhos de todos para o que vinha ocorrendo. Como se posicionava o governo FHC diante destes movimentos que deram origem ao Fórum Social Mundial? Manteve silêncio, enquanto o nosso país aceitava as regras do jogo e mantinha uma posição subordinada no cenário da globalização.

O tipo de política que FHC aplicou no Brasil e sua omissão nos necessários embates contra a voracidade do capitalismo especulativo internacional seguiram posturas recomendadas pelos países mais ricos, que, em boa medida, as aplicavam também em seus territórios. Hoje vemos nos países da chamada Zona do Euro o alcance do desastre.

O geógrafo Milton Santos, um dos grandes humanistas do nosso país, costumava dizer, referindo-se ao processo de globalização, que tudo o que é inflexível tende a se quebrar. E estamos hoje assistindo ao esfacelamento de um sistema incapaz de se repensar tendo em vista as necessidades reais das populações de cada país e de todo o planeta.

Os Estados Unidos estão profundamente mergulhados na crise. Começaram a quebrar na crise de 1999 e sofreram as graves consequências da sua inflexibilidade com os atentados de 11 de setembro de 2001, mas continuaram agindo com a mesma truculência. Hoje, enquanto países como o Brasil, a África do Sul, a China, a Índia e outros, mesmo não estando imunes aos efeitos da crise internacional, fazem planos para o futuro, os Estados Unidos se veem às voltas com altas taxas de desemprego, a instabilidade econômica, a desconfiança em sua própria capacidade de superar as dificuldades.

Matias Spektor escreve que FHC “empurrou com a barriga as propostas americanas para a criação de uma área de livre-comércio nas Américas.” Ora, não conseguir o apoio necessário para implementar a ALCA não é o mesmo que “empurrar com a barriga”.

Fomos nós, da CUT,  com o movimento sindical e social das Américas,  que realizamos um plebiscito para combater os planos dos norte-americanos, trazendo o debate para o conjunto da sociedade. E o governo Lula foi pró-ativo diante dessa questão, fortalecendo o Mercosul e a integração dos países latino-americanos e esvaziando definitivamente a ideia da ALCA.

Respeito o direito do articulista Matias Spektor de emitir sua opinião e publicar suas análises, mas não posso deixar de registrar aspectos que ele omite por não serem convenientes à sua forma de pensar.

Se, na visão do autor do artigo, FHC foi um diplomata, considero que ele não foi o estadista de que o Brasil precisava. Por isso, Lula tem tanto significado para o povo brasileiro e para o mundo. Ele mostrou um novo caminho frente à globalização: soberania e desenvolvimento, com justiça social.

Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da Apeoesp e membro do Conselho  e do Fórum Nacional de Educação


 

Herrera rechaça Fantástico e vira ídolo no TwitterHerrera rechaça Fantástico e vira ídolo no Twitter Foto: Wagner Meier/Folhapress Autor de três contra o São Paulo, atacante se recusou e pedir musiquinha ao programa da Globo e ganhou centenas de fãs na rede social

20 de Maio de 2012 às 20:53

247 – Por esta, a Globo não esperava. Herói da vitória de virada do Botafogo sobre o São Paulo, o atacante argentino Herrera não aceitou o convite, feito logo após o encerramento do jogo, para pedir uma musiquinha de fundo para seus gols, a serem exibidos no programa Fantástico. A atitude despertou uma legião de fãs no Twitter. Não há, afinal, cachê para os profissionais que pedem musiquinhas à Globo...

Abaixo, texto a respeito publicado no portal UOL:

UOL Esporte - Já é tradição em todo domingo com futebol pelos campos do Brasil: quem marca três gols tem direito a pedir uma música para tocar no programa Fantástico, da TV Globo. O atacante argentino Herrera, no entanto, não seguiu o protocolo e dispensou o pedido após marcar três vezes na vitória do Botafogo sobre o São Paulo, na primeira rodada do Brasileirão.

O jogador entrou no segundo tempo do duelo no estádio do Engenhão e foi protagonista na vitória por 4 a 2 sobre com três gols. Ao ser abordado pelo repórter da TV Globo, o jogador, porém, não quis pedir nenhuma música.

"Música para quê? Não quero pedir nenhuma música não", disse. Diante da insistência do repórter, Herrera tirou o corpo fora de novo. "Vai ficar só na minha cabeça mesmo", avisou o argentino.

E a repercussão da negativa de Herrera nas redes sociais foi imediata. A tag "#chupaglobo" ficou entre as mais citadas no Brasil no Twitter assim que o jogo terminou e muitos dos usuários da rede social apoiaram a atitude do atacante.

 

Obama está ‘confiante’ em crescimento europeu

20/5/2012 10:34,  Por Redação, com BBC - Brasil - No Correio do Brasil



 Obama

Obama admitiu que situação europeia é "mais complicada" que a dos EUA

O presidente norte-americano Barack Obama disse na noite te sábado que há um “consenso emergente” de que os países europeus devem focar no crescimento e na criação de empregos.

Em uma coletiva de imprensa após a cúpula do G8, ele afirmou que os Estados Unidos estão “confiantes” de que a Europa conseguirá superar os desafios e disse que os líderes fizeram progressos na discussão sobre uma série de assuntos.

Além da crise na zona do euro, os líderes da França, da Alemanha, da Grã-Bretanha, da Itália, do Japão, do Canadá e da Rússia, além de Obama, falaram sobre o Irã, o Afeganistão e o suprimento global de energia.

Eles se reuniram durante todo o sábado em Camp David, no Estado de Maryland, nos EUA.
Horas antes, os chefes de Estado afirmaram, em um comunicado, o comprometimento com a promoção do crescimento juntamente com a responsabilidade fiscal e afirmaram que querem que a Grécia permaneça na zona do euro.

O correspondente da BBC em Camp David, Paul Adams, diz que tanto o comunicado quanto o discurso de Obama mostram que a posição dos EUA e da França venceu o argumento pró-austeridade da Alemanha e da Grã-Bretanha.

Preocupações energéticas
Os líderes do G8 discutiram uma liberação ampla de suas reservas nacionais de petróleo para estabilizar os mercados energéticos quando novas sanções sobre as exportações do Irã entrarem em vigor.

Obama anunciou também que os países formaram uma nova aliança para focar em segurança alimentícia com líderes africanos e com o setor privado.

No entanto, o foco da reunião permaneceu sendo a crise na zona do euro.
“Como todos os líderes aqui hoje concordam, o crescimento e os emprego devem ser a nossa principal prioridade.”

Enfatizando que os Estados Unidos usaram a mesma estratégia para lidar com sua própria crise financeira, o presidente norte-americano disse estar “confiante” que os países europeus estão indo na direção correta.

No entanto, ele reconheceu que a situação da Europa é “mais complicada” que a dos Estados Unidos. No comunicado em conjunto, os líderes do G8 disseram que “as medidas corretas não são as mesmas para cada um de nós”.

Também neste sábado, o presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso e o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy expressaram, em um comunicado conjunto, satisfação com as afirmações do G8 sobre a ênfase no crescimento.

- A oposição entre os dois (crescimento e austeridade) é um debate falso – afirmaram.

A maior parte dos líderes do G8 irá para Chicago para se juntar a um grupo maior de oficiais internacionais para uma cúpula da Otan, que deve discutir assuntos como a guerra no Afeganistão durante este domingo e esta segunda-feira.

 

Carta Capital

Mauricio DiasAndante mosso20.05.2012 15:03Prevaricação 

Dona Cláudia. Solidária ou solitária? Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press

Prevaricação I
Embora o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tenha se interposto na história, a subprocuradora, Cláudia Sampaio, mulher dele, terá de sair sozinha do buraco em que se meteu. A versão dela para não ter tomado providências ao receber o relatório da Operação Vegas, em 2009, foi formal e cabalmente desmentida pela Polícia Federal.

Sampaio, por meio da assessoria, diz que só não arquivou o caso para atender a um pedido do delegado Raul Alexandre. Ao retardar ou deixar de praticar ato de ofício, ela cometeu crime de “Prevaricação” (artigo 319 do Código Penal).

Prevaricação II
Ao receber o relatório, da Procuradoria de Goiás, Cláudia Sampaio tinha quatro opções:

a.
Ao alegar a inexistência de indícios contra Demóstenes, deveria devolver os autos para prosseguir contra os incriminados sem direito a foro especial.
b. Como não alegou incompetência é porque, em princípio, admitiu o envolvimento do senador. Logo, deveria requerer novas diligências ao STF.
c. Diante da falta de indícios contra o parlamentar, ela não poderia arquivar. O MP não dá a palavra final em inquérito criminal. Deveria, então, pedir arquivamento ao STF e restituir os autos a Goiás para prosseguir a investigação no primeiro grau.
d. Entendeu que havia indícios para oferecer denúncia junto ao STF. Alegou que não o fez a pedido do delegado e, assim, prevaricou.

Leia também:
Andante mosso: Cabral abriu as portas para a eleição de Lindberg Farias
Rosa dos Ventos: Pacto com o diabo
Andante mosso: Fatalidade

A propósito
Por que o procurador-geral, Roberto Gurgel, evitou comparecer à CPI e concordou em responder a perguntas por escrito? Tem gato na tuba.

Devagar e sempre
A Lei de Acesso à Informação provocou uma corrida de solicitações nos organismos públicos. É uma inversão histórica em um país onde a regra é a proibição e o acesso, a exceção.

O Brasil, puxando a charrete, segue em frente.

Contraste e corrupção
Um dia desses, o major Washington de Paula cruzou com um companheiro de armas no aeroporto de Miami. Acusado em processo criminal na Segunda Auditoria Militar (RJ), por fraudes nas relações entre o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ele impressionou pela alegria e pelas sete  malas de luxo que o acompanhavam, identificadas com a tarja de Primeira Classe.

Enquanto isso, outro denunciado, Edson Lousa Filho, cunhado do major e um dos “laranjas” do esquema de Washington, foi acionado na Justiça por atraso nas cotas condominiais.

Sangue da terra
À margem dos holofotes da mídia o sangue continua a jorrar na zona rural. Se a violência puder ser medida só pelos números frios da estatística, eis um indício: no primeiro quadrimestre de 2012 houve 14 mortes, contabilizadas pela Pastoral da Terra.

No mesmo período, em 2011, houve oito assassinatos.


Bolhas. Stepan, como Cachoeira, incentivador do setor imobiliário. Foto: André Coelho/Ag. O Globo

Sagrada escritura
Stepan Nercessian, ator profissional e deputado amador (PPS-RJ), explicou assim os R$ 160 mil emprestados a ele por Carlinhos Cachoeira: comprou um apartamento. Para provar o que diz, Stepan pode agora, se solicitado, exibir a escritura na qual constam o preço e o endereço do imóvel.

Esse pessoal, com bolha ou sem bolha, gosta mesmo é de mercado imobiliário. Nos papéis da CPI há rastros da compra de uma casa em Miami, em nome de Cachoeira, que, certamente, não pegou dinheiro emprestado com Stepan Nercessian.

O blog e a blague
O Blog do Mello chega frequentemente por e-mail. Sintetizo abaixo o mais recente, em que ele monologa com o deputado Miro Teixeira.

Aspas: Em 2008, V. Exa. (…) defendeu um projeto que acabou com a Lei de Imprensa, usou um argumento que achei completamente disparatado e, por causa dele, publiquei aqui no blog (…):

Segundo declaração que O Globo atribui ao deputado, Miro (ele, Miro) acha que “quem se julgar ofendido pela imprensa deveria convocar entrevistas coletivas e disputar espaço no noticiário para se defender”. Pois é, deputado. A edição da revista Veja desta semana deu a entender que as pessoas que a criticam são pagas pelo PT. Eu me senti ofendido com essa afirmação e gostaria de seguir sua recomendação de convocar uma (ataque de risos…) coletiva de imprensa. V. Exa. pode me ajudar?

Sou meio pessimista quanto a essa convocação. Afinal, a imensa maioria dos brasileiros só consegue atenção da imprensa quando é vítima de crime ou comete um (…). Mas, se V. Exa. me conseguir uma coletiva, agradeço. Fecha aspas.

 

Mauricio DiasAndante mosso20.05.2012 15:03 - Carta CapitalPrevaricação 

Dona Cláudia. Solidária ou solitária? Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press

Prevaricação I
Embora o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tenha se interposto na história, a subprocuradora, Cláudia Sampaio, mulher dele, terá de sair sozinha do buraco em que se meteu. A versão dela para não ter tomado providências ao receber o relatório da Operação Vegas, em 2009, foi formal e cabalmente desmentida pela Polícia Federal.

Sampaio, por meio da assessoria, diz que só não arquivou o caso para atender a um pedido do delegado Raul Alexandre. Ao retardar ou deixar de praticar ato de ofício, ela cometeu crime de “Prevaricação” (artigo 319 do Código Penal).

Prevaricação II
Ao receber o relatório, da Procuradoria de Goiás, Cláudia Sampaio tinha quatro opções:

a.
Ao alegar a inexistência de indícios contra Demóstenes, deveria devolver os autos para prosseguir contra os incriminados sem direito a foro especial.
b. Como não alegou incompetência é porque, em princípio, admitiu o envolvimento do senador. Logo, deveria requerer novas diligências ao STF.
c. Diante da falta de indícios contra o parlamentar, ela não poderia arquivar. O MP não dá a palavra final em inquérito criminal. Deveria, então, pedir arquivamento ao STF e restituir os autos a Goiás para prosseguir a investigação no primeiro grau.
d. Entendeu que havia indícios para oferecer denúncia junto ao STF. Alegou que não o fez a pedido do delegado e, assim, prevaricou.

Leia também:
Andante mosso: Cabral abriu as portas para a eleição de Lindberg Farias
Rosa dos Ventos: Pacto com o diabo
Andante mosso: Fatalidade

A propósito
Por que o procurador-geral, Roberto Gurgel, evitou comparecer à CPI e concordou em responder a perguntas por escrito? Tem gato na tuba.

Devagar e sempre
A Lei de Acesso à Informação provocou uma corrida de solicitações nos organismos públicos. É uma inversão histórica em um país onde a regra é a proibição e o acesso, a exceção.

O Brasil, puxando a charrete, segue em frente.

Contraste e corrupção
Um dia desses, o major Washington de Paula cruzou com um companheiro de armas no aeroporto de Miami. Acusado em processo criminal na Segunda Auditoria Militar (RJ), por fraudes nas relações entre o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ele impressionou pela alegria e pelas sete  malas de luxo que o acompanhavam, identificadas com a tarja de Primeira Classe.

Enquanto isso, outro denunciado, Edson Lousa Filho, cunhado do major e um dos “laranjas” do esquema de Washington, foi acionado na Justiça por atraso nas cotas condominiais.

Sangue da terra
À margem dos holofotes da mídia o sangue continua a jorrar na zona rural. Se a violência puder ser medida só pelos números frios da estatística, eis um indício: no primeiro quadrimestre de 2012 houve 14 mortes, contabilizadas pela Pastoral da Terra.

No mesmo período, em 2011, houve oito assassinatos.


Bolhas. Stepan, como Cachoeira, incentivador do setor imobiliário. Foto: André Coelho/Ag. O Globo

Sagrada escritura
Stepan Nercessian, ator profissional e deputado amador (PPS-RJ), explicou assim os R$ 160 mil emprestados a ele por Carlinhos Cachoeira: comprou um apartamento. Para provar o que diz, Stepan pode agora, se solicitado, exibir a escritura na qual constam o preço e o endereço do imóvel.

Esse pessoal, com bolha ou sem bolha, gosta mesmo é de mercado imobiliário. Nos papéis da CPI há rastros da compra de uma casa em Miami, em nome de Cachoeira, que, certamente, não pegou dinheiro emprestado com Stepan Nercessian.

O blog e a blague
O Blog do Mello chega frequentemente por e-mail. Sintetizo abaixo o mais recente, em que ele monologa com o deputado Miro Teixeira.

Aspas: Em 2008, V. Exa. (…) defendeu um projeto que acabou com a Lei de Imprensa, usou um argumento que achei completamente disparatado e, por causa dele, publiquei aqui no blog (…):

Segundo declaração que O Globo atribui ao deputado, Miro (ele, Miro) acha que “quem se julgar ofendido pela imprensa deveria convocar entrevistas coletivas e disputar espaço no noticiário para se defender”. Pois é, deputado. A edição da revista Veja desta semana deu a entender que as pessoas que a criticam são pagas pelo PT. Eu me senti ofendido com essa afirmação e gostaria de seguir sua recomendação de convocar uma (ataque de risos…) coletiva de imprensa. V. Exa. pode me ajudar?

Sou meio pessimista quanto a essa convocação. Afinal, a imensa maioria dos brasileiros só consegue atenção da imprensa quando é vítima de crime ou comete um (…). Mas, se V. Exa. me conseguir uma coletiva, agradeço. Fecha aspas.

 

 

Mensalão, CPI e Satiagraha.
O Gurgel vai condenar o Dirceu ?

Publicado em 20/05/2012

Saiu no Estadão:

‘Juiz que começa a agir como justiceiro nega a Justiça’Defensor do deputado Valdemar Costa Neto no caso do mensalão, Bessa diz que não há provas contra o seu clienteAdvogado do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) no mensalão, Marcelo Bessa diz que a pressão da opinião pública e as eleições não interferem no julgamento no Supremo Tribunal Federal. E que o tribunal não atuará como justiceiro. “O STF, como guardião da Constituição, sabe que a essência da Justiça é a criminal. O juiz criminal que inova tipo, faz analogia, estende tipo penal e começa a agir como justiceiro nega a Justiça.” Além de negar a existência de provas, reafirma a tese de que houve só crime eleitoral e que o MP inventou a existência de dinheiro público no mensalão apenas para atingir o ex-ministro José Dirceu.(…)O MP acusa seu cliente de ter participado desse esquema montado de desvio de dinheiro público para pagamento dos partidos.A denúncia não imputa isso ao meu cliente. Como é mal escrita, fica parecendo que todas as personagens do enredo têm alguma relação. Não têm. São várias histórias paralelas contadas numa única peça processual. Com relação ao Valdemar Costa Neto a acusação é tão somente de ele ter se associado com quatro pessoas para praticar crimes contra a administração pública, no caso o crime de corrupção passiva, ao mesmo tempo com lavagem de dinheiro. Houve ilícito eleitoral.O MP afirma ter havido desvio de dinheiro público para obter apoio dos partidos.O MP precisava pôr uma história qualquer que misturasse dinheiro e votação para pegar a figura central, o José Dirceu. Não teria coerência colocá-lo na denúncia se não houvesse acusação de uso de dinheiro público para obter apoio político. Uma história tão falsa que o MP não conseguiu produzir provas em 5 anos.

Navalha

Os mervais estão aflitos.

Querem que o Supremo julgue o mensalão a tempo de o Ministro Peluso votar.

Como se o Peluso fosse condenar o Dirceu.

Sim, porque os mervais querem condenar o Dirceu, e, aí, condenariam o Lula, a Dilma, o Brizola, o Jango, Vargas e Julio de Castilhos.

Seria a maior vitória da UDN no voto.

Mas, como sempre quando a UDN ganha, só ganha fora das urnas em que o povo vote.

O Conversa Afiada, como se sabe, concorda com o amigo navegante Vander: é a favor de votar o mensalão imediatamente.

Com Peluso ou sem Peluso.

Vamos ver se o Ministro Peluso vai para a aposentadoria levando nas costas uma condenação sem prova.

Ele sabe: um dia uma Comissão da Verdade chega lá e pega no calcanhar do Albernaz.

O Conversa Afiada quer muito ver o Gurgel condenar o Dirceu.

Será um espetáculo imperdível.

Ao Cachoeira, mamão com açúcar (não é, Miro ? – leia o “em tempo”).

A Dirceu, o opróbrio.

Este ansioso blogueiro quer ver.

Agora, se os mervais tem o direito de fixar a pauta de votações do Supremo – será que tem, mesmo ? – este ansioso blogueiro tem uma pauta alternativa e muito mais simples de votar.

Legitimar definitivamente a Operação Satiagraha.

Porque, amigo navegante, mensalão, CPI e Satiagraha são uma coisa só.

O fim melancólico da UDN e sua máxima expressão: o PiG (*).

Em tempo: “mamão com açúcar” era uma expressão que o deputado federal Jorge Leite usava invariavelmente depois de ser eleito com a maquina do então governador (nomeado) do Rio, Chagas Freitas. Chagas tinha o jornal “O Dia” e com ele elegia o Jorge Leite e seu competente repórter Miro Teixeira. Hoje, o Miro, que tantos trabalhos prestou à causa da liberdade de expressão e ao brizolismo dá a impressão de devotar-se aos filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome próprio – com a mesma fidelidade com que serviu Chagas Freitas. Se for verdade, Miro caiu para a segundona. O Chagas Freitas dava de 10 a 0 nos filhos do Roberto Marinho.

Clique aqui para ler: “Dias na Carta: assim a sra. Brindeiro prevaricou”

Clique aqui para ler: “Maierovich: mulher de Gurgel confessa que rasgou a lei”

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


 

CNPq investiga denúncias de fraudes em pesquisas

20/5/2012 11:44,  Por Redação, com ABr - de Brasília- No Correio do Brasil

 Pesquisa científica

Os processos estão sendo analisados sob sigilo pelas áreas técnicas do CNPq

No próximo mês, a Comissão de Integridade na Atividade Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai examinar quatro denúncias de fraude em pesquisas científicas no Brasil. Essa será a primeira reunião da comissão instituída no ano passado e que funcionará como auxiliar à diretoria executiva do CNPq.

Os processos estão sendo analisados sob sigilo pelas áreas técnicas do CNPq. A comissão foi criada para apurar se ocorreram, em pesquisas conduzidas no país, casos de falsificação e invenção de dados, plágio e auto-plágio (quando o autor repete texto escrito e publica como fosse inédito).

De acordo com Paulo Sérgio Lacerda Beirão, coordenador da comissão e diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, o problema “sempre existiu”, mas “deixou de ser pontual e passou a ser um problema que as agências e os institutos de pesquisa têm que cuidar”.

Beirão avalia que a aparição dessas denúncias já é efeito da criação da comissão e destaca que o número de acusações é baixo levando-se em conta que o CNPq lida com 21 mil bolsistas. “Não é um número proporcionalmente significativo, mas é significativo que haja denúncias”, avaliou.

Se for comprovado algum problema em parecer técnico apreciado pela comissão, poderá ser sugerida à direção do CNPq desde a advertência do autor e correção de erro até a suspensão de bolsas e financiamentos concedidos pelo conselho.

Eventualmente, um processo administrativo poderá ser levado à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) para tomada de contas especial, que apura responsabilidades (com direito de resposta) por ocorrência de dano e visa ao ressarcimento à administração pública. Responsáveis pelo problema poderão até ser inscritos no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Segundo Beirão, as fraudes nas pesquisas tendem a ser desmascaradas. “A virtude da ciência é que nada é tomado como definitivo, sempre estão verificando”, apontou. Ele ponderou, no entanto, que, até a descoberta da fraude, a produção científica pode ser induzida ao erro. “Isso implica em custo, em desvio. A pesquisa começa a investigar uma linha que, na verdade, está errada. Está desperdiçando recurso humano, tempo, dinheiro”.

O diretor do CNPq observa que a ocorrência de fraudes em pesquisas científicas existe há alguns anos e em várias partes do mundo, não é algo novo. “A pesquisa científica é uma atividade sujeita às grandezas e vilezas do ser humano”, enfatizou.

Relatório da comissão de integridade disponível no site do CNPq enumera vários casos de fraude pelo mundo, entre eles o caso do Homem de Pitdown, “uma montagem de ossos humanos e de orangotango [falsamente descoberta no início do século 20, na Inglaterra] convenientemente manipulados, que alegadamente, seria ‘o elo perdido’ na evolução da humanidade”. A farsa foi descoberta na década de 1950, quando foi possível fazer a datação da mandíbula e do crânio por meio de carbono radioativo e descobrir que os ossos tinham origens diferentes.

O CNPq faz parte, como membro da comissão executiva, do Global Research Council, órgão internacional recentemente criado pelas principais agências de fomento à pesquisa no mundo para, entre outras funções, tratar de problemas de integridade das investigações científicas em todo o planeta. Em maio do ano que vem, em Berlim, a capital alemã, o Global Research Council elaborará um documento que poderá servir para todas as agências como referência de normas contra a fraude científica.

Além de Beirão, fazem parte da comissão Jailson Bittencourt de Andrade (Universidade Federal da Bahia); Silke Weber (Universidade Federal de Pernambuco); Alaor Silvério Chaves (Universidade Federal de Minas Gerais); e Walter Colli (Universidade de São Paulo).

As diretrizes básicas para a integridade na atividade científica estão disponíveis no site do CNPq, no link http://www.cnpq.br/web/guest/diretrizes.

 

Paulo DanielChavismo19.05.2012 07:30 - Carta CapitalÉ possível pensar a Venezuela sem Chávez? 

Insubstituível? Juan Barreto / AFP

No dia 7 de outubro deste ano, os(as) venezuelanos(as) novamente decidirão sobre o comando político e econômico de seu país. As mais variadas pesquisas apontam, até o momento, a vitória do atual Presidente Hugo Chávez. Com a sua doença muita se especula da sua capacidade de fazer campanha e de sua disponibilidade real em governar, caso seja reeleito.

Neste sentido, uma pergunta é inevitável: É possível pensar a Venezuela sem Chávez no comando? Primeiro é importante destacar: desde quando foi eleito em 1998, nenhum outro governante em todo o mundo venceu tantas disputas nas urnas, entre referendos e eleições, em tão pouco tempo. Foram doze vitórias. E, ao mesmo tempo, é extremamente difícil encontrar na história política mundial um Presidente que foi deposto e, em 48 horas, reconduzido ao poder pela pressão das massas populares.

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Desde que assumiu, uma das principais mudanças políticas foi a Reforma Constitucional – diga-se de passagem, a Constituição venezuelana é bastante similar à brasileira – na qual introduz novas formas de participação que definem um regime político que combina as formas tradicionais da democracia representativa liberal (separação de poderes e a eleição de autoridades executivas e legislativas nos níveis municipais, estatais e nacionais), com formas de democracia direta, “participativa e protagônica”. Portanto, há uma certa polarização e politização de chavistas e anti-chavistas não somente pela disputa eleitoral e de poder, mas também por qual Venezuela quererão para o futuro.

Do ponto de vista econômico e social, com a consolidação da reforma petroleira em 2001, devido à reforma constitucional, as leis habilitantes e lei específica de hidrocarbonetos e, principalmente após o golpe de abril de 2002 e a retomada do governo e sua reestruturação, a partir de 2003, começa a consolidar políticas sociais denominada de misiones. Estas atingem aproximadamente 70% da população e ao mesmo tempo cria-se o FONDEN (Fundo de Desenvolvimento Nacional), com a finalidade de desenvolver empresas e empreendimentos que não estejam atrelados ao ramo petrolífero, ou seja, desenvolvendo o processo de substituição de importações, com recursos do petróleo.

Portanto, é neste momento, pós-golpe de Estado, que Hugo Chávez vem consolidar a distribuição da renda petroleira ao povo venezuelano. Algo muito similar ao que foi desenvolvido a partir de 1976, pelo então Presidente Carlos A. Pérez, com forte política social, nacionalizações de empresas e aumento do gasto público provenientes do petróleo.

Apesar dos avanços e a melhoria da qualidade de vida dos(as) venezuelanos(as) através da ampliação das políticas públicas via alta estrutural dos preços do petróleo, o Estado continua ineficiente, lerdo, corrupto e avesso às interferências populares, de certa maneira, as limitações de ação do governo Chávez são as limitações atuais da esquerda mundial, entretanto, a Venezuela é, com todos os problemas, o país onde mais se avançou, na contestação ao neoliberalismo e no questionamento do poder global norte-americano.

Com ou sem Chávez, a propalada revolução venezuelana ainda está por acontecer. Mas não se pode negar, na última década, as políticas internas e externas de Hugo Chávez interferiram e interferem direta e indiretamente na política latino-americana. O quanto o chavismo avançará, dependerá do grau de politização do povo venezuelano. Ao que tudo indica, basta observar o contragolpe de abril/2002, os ideais e as ideias de Hugo Chávez poderão sofrer uma certa dificuldade, mas ainda, a tendência de florescer no âmago dos(as) venezuelanos (as) é alta.

 

 

O que é Pensamento Crítico20 de maio de 2012

 

 

 

Renán Vega Cantor é um dos mais notáveis expoentes do pensamento crítico da América Latina e Caribe. Nos sentimos honrados em compartilhar em nosso blog (de @AtilioBoron) sua brilhante reflexão sobre um tema de tanta importância como o pensamento contra-hegemônico.   Vega Cantor , além do mais, é um abnegado militante pela democracia e pela justiça na Colômbia, amparado sob o enganoso nome de “segurança democrática”.    Elogio do pensamento críticoRenán Vega CantorRebelión, 10 de Mayo de 2012
Texto lido no evento “Em defesa do pensamento crítico”, realizado na quarta-feira 9 de maio de 2012 na sede da Universidade Pedagógica Nacional.  “Quem, hoje em dia, quiser combater a mentira e a ignorância e escrever a verdade tem que vencer, pelo menos, cinco obstáculos.  Deverá ter coragem de escrever a verdade, ainda que seja reprimida em qualquer lugar; a perspicácia para reconhecê-la ainda que esteja encoberta em qualquer parte; tem que ter a arte de a tornar manejável como uma arma; tem que ter o critério para escolher aqueles em cujas mãos se faça eficaz; astúcia para propagá-las entre estes.  Estes obstáculos são grandes para aqueles que escrevem sob o jugo do fascismo, mas existem também para aqueles que foram expulsos ou tenham fugido, e inclusive para aqueles que escrevem nos países da liberdade burguesa. ”
Bertolt Brecht, “Cinco obstáculos para escrever a verdade”, em A arte e a política, Editorial Nueva Nicaragua, Managua, 1985, pp. 222-223. (Énfasis en el original).
“ Não tem inimigos? Como não? Então é porque jamais disseste a verdade, nem jamais amaste a justiça?”Santiago Ramón y Cajal, citado em Eduardo Galeano, Os Filhos dos Días (Los hijos de los días - Siglo XXI Editores, Buenos Aires, 2012) p. 386. O termo Pensamento Crítico pode resultar sendo uma abstração e inclusive ter um caráter tautólogico, sem precisar que se entenda por tal denominação. Uma abstração que pode converter-se num mero enunciado, que se repete sem muito cuidado. Uma tautologia, porque a rigor todo pensamento justifica que tal nome deveria ser crítico com tudo o que existe e consigo mesmo. Mas como hoje entronizaram no mundo inteiro um conjunto de banalidades próprias de um pensamento único, um pensamento submisso e um pensamento abjeto, adquire sentido falar do pensamneto crítico, não somente para diferenciar-se destas formas, como também para resgatar a essência de uma reflexão que não fique na mera contemplação, aceitação ou apologia de tudo que existe. Nessa ordem de ideias e de maneira esquemática, tenta-se precisar quais seriam nossos sentimentos e entendimentos das características do pensamento crítico que se incorpora, por suposto, nos homens e mulheres de carne e osso, que são os pensadores e pensadoras críticos. (clic abajo en Más información)
É um pensamento histórico: O sistema capitalista se apresenta em si mesmo como o fim da história, o melhor dos mundos, uma realidade insubstituível sem passado nem futuro e a realização plena do presente eterno, que sempre gravita sobre o mesmo: sobre a produção mercantil e o consumo exacerbado. Nem antes, nem depois do capitalismo se concebe a existência de outras formas de organização social, porque tudo se sujeita ao ritmo demoníaco da pretendida “destruição criativa”, que promete um reino eterno, aqui na terra, de opulência e desperdício.  Para que todas essas falácias se imponham, se faz necessário cortar os vínculos dos seres humanos com a história, ou melhor dizendo, negar que nós somos seres históricos, que estamos ancorados ao mesmo tempo no passado, presente e futuro e que no passado reluzem os flashes de projetos e alternativas dos vencidos que iluminam o futuro, para que o presente não apareça como uma fatalidade que temos que aceitar e contra a qual nada podemos fazer. Por isso, foi imposta a amnésia e o esquecimento, para que aceitemos que sempre houve e existirá o capitalismo, sem que possamos conceber outras formas de organização social e outras maneiras de nos relacionarmos entre nós e com a natureza.
Para enfrentar a pré-concepção sobre a eternidade do presente capitalista, a história deve ser um instrumento indispensável de análise e reflexão que nos ajude a recuperar outras perspectivas, que nos relembrem que o capitalismo é somente uma relação social históricamente constituída e que da história.  O conhecimento histórico nos ajuda a comprender que o presente atualmente existente é o resultado de processos complexos, onde entre muitas alternativas, se impôs, frequentemente com violência e irracionalidade, ou somente umas delas.  Em suma, o pensamento crítico se baseia na célebre proposta de Pierre Vilar de pensar históricamente, para disponibilizar, para localizar, relativizar, registrar, explicar, compreender e contextualizar todos os processos existentes, incluindo o capitalismo. É um pensamento radical: Para revelar a injustiça e a desigualdade se faz necessário ir à raiz dos fenômenos, com a finalidade de explicar suas causas fundamentais. Isto é o que quer dizer o termo radical, cutucar fundo nos processos e não ficar prisioneiro no mundo das aparências. Um pensamento radical supõe esquadrinhar sem concessões os mecanismos que mantem a dominação, a exploração e a opressão, chamando as coisas por seu nome e desmontando as falácias ideológicas que se empregam para encobrir com eufemismo a dura realidade. De fato, a radicalidade do pensamento não é uma questão puramente linguistica ou retórica, posto que a mesma utilização de certos conceitos (como capitalismo, imperialismo, classes sociais, desigualdade) implica a adoção de um ponto de vista, que tem consequências práticas, na vida das pessoas que assumem esse tipo de crítica radical.
É um pensamento anticapitalista: Strictu sensu um pensamento radical tem que ser anticapitalista porque durante décadas nos anunciaram que o mercado perfeito tinha se tornado realidade após o desaparecimento da União Soviética e sua imposição garantia o crescimento ilimitado e a satisfação, via consumo, das necessidades de todos os habitantes do planeta. Estas mentiras se fizeram em pedacinhos pela crise capitalista que abalou e se estendeu pelo mundo em 2008, quando ficou evidente que o custo da crise é paga pelos trabalhadores, pelos pobres, como estamos vendo na União Europeia, modelo por excelência do triunfalismo capitalista, mas que hoje faz água por todos lados e que coloca o mundo diante de um perigoso dilema fascista da década de 30. Se as coisas são assim e se é palpável que o capitalismo no lugar de contribuir na solução dos problemas da humanidade, tende a agravar com sua lógica mercantil, baseada no lucro e no crescimento ilimitado, é necessário voltar a apresentar uma proposta que vá mais além do capital.
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É um pensamento aberto: Para ser radicalmente anticapitalista é indispensável apoiar tanto nas mais diversas tradições revolucionárias como no conjunto das ciências e das artes. O pensamento crítico precisa do diálogo permanente com diversos legados emancipatórios que foram sendo construídos durante vários séculos em distintos lugares do planeta, entre os que se sobressaem o pensamento de Marx e seus seguidores mais lúcidos, o anarquismo, o ecologismo, o feminismo, o indigenismo e tudo o que ajude no propósito de reconstruir uma agenda de luta contra o capitalismo e o imperialismo. Da mesma forma como nos ensinaram os grandes pensadores de nossa América e de outros continentes, (como José Carlos Mariategui, Antonio Gramsci, George Lukacs), a reflexão crítica se enriquece num diálogo fecundo com as ciências e a técnica, um intercâmbio necessário para enfrentar a crise civilizatória para a qual nos conduziu o capitalismo e no qual estamos submersos. Porque essa crise não se compreende à margem dos impactos nefastos e contraditórios das tecnociências, o que nos obriga a ter o mínimo de conhecimento sobre elas, que nos permitam esboçar uma distância crítica com muita moderação e cuidado. 5 É um pensamento que questiona a ideia otimista do progresso: Após constatar os custos contraditórios da filosofia do progresso, com todo seu cortejo de morte e destruição, é pertinente questionar o progressismo, em todas as suas variantes, e em especial o culto à tecnociência, por todas as implicações práticas que tem.  Hoje, quando se impôs a razão instrumental e se generalizou o fetichismo da mercancia que afaga a lógica irracional de produzir para consumir num círculo vicioso cada mais destrutivo, se torna urgente problematizar os projetos progressistas que se sustentam em ganhar sobre o ser, na quantificação abstrata própria da mercancia depreciando o valor do uso, na ideia de consumir ad nauseam como subtituto do bem-viver em condições dignas.  A crítica à filosofia progressista é indispensável para abandonar as ilusões sobre as soluções técnicas como forma de resolver os problemas que gerou o capitalismo (como os transtornos climáticos ou a destruição dos ecossistemas) e voltar a priorizar as soluções sociais e políticas. Por todas as vicissitudes dos projetos fracassados anticapitalistas do século XX e da tragédia ambiental e humana que ocorre na China, já não é possível seguir rendendo cultos ao Progresso. Isto, de início, resulta uma ideia pouco popular pela imposição generalizada do consumo de artefatos tecnológicos na vida cotidiana, mas que é necessário apresentar para estudar a fundo as consequências nefastas da ampliação a alguns setores reduzidos da população do modo estadunidense de produção e consumo, frenquentemente aplaudida como a máxima expressão de progresso e que destroi a natureza e os pobres.É preciso dizer, que isto não implica no abandono nem da ciência, nem da técnica como frenquentemente argumentam aqueles que creem que criticar o progresso é rechaçar por completo a modernidade e retroceder à época das cavernas. Ao contrário, o objetivo é resgatar o melhor da modernidade para pensar em construir outro tipo de civilização ecossocialista.6 É um pensamento ecologista e antipatriarcal: A destruição ambiental está generalizada no planeta e a Colômbia não é a exceção, ainda mais agora com os trens de mineração e o livre comércio. O ecocídio avança de maneira incontida num ritmo expansionista capitalista pelos cinco continentes, como demonstram as cada vez mais frequentes catástrofes sociais, que resultam na destruição da natureza e da mercantilização dos bens comuns. E isto nos obriga, mediante a reflexão analítica, ao estudo dos limites ambientais do capitalismo e os perigos que isso acarreta para muitas populações, principalmente as mais pobres. Necessitamos de uma nova sensibilidade que incorpore a crítica anticapitalista que estudou a fundo a contradição capital-trabalho, uma crítica de similar importância que elucide a contradição capital-natureza, e que envolva todos os sujeitos sociais afetados por esta segunda contradição. Em consequência, o pensamento crítico requer ser profundamente ecologista numa perspectiva que seja um complemento indispensável do anticapitalismo. Ao mesmo tempo, dadas as notáveis contribuições teóricas de diversas correntes do feminismo, em consonância com a sujeição da maior parte das mulheres, é prioritário que o pensamento crítico assuma o questionamento do patriarcado e de todos os seus componentes de opressão e de marginalização da metade do gênero humano. 7 É um pensamento nacionalista e internacionalista: O capitalismo realmente existente e seus ideólogos, entre os quais se sobressaem os neoliberais, se encarregaram de construir um falso dilema: eles se apresentam como os globalizadores por excelência, renunciam a tudo que se relaciona com o nacional, sendo próprio do atraso e da barbárie. Fizeram isto com a finalidade de justificar a entrega da soberania dos países e presentear os bens comuns que se encontram em seus territórios, tudo em nome de uma pretendida modernização global. Ao mesmo tempo, como resposta a esse universalismo abstrato, outros porta-vozes do capitalismo suscitam ferozes guerras xenófobas em vários continentes, que suscitam a xenofobia e a limpeza étnica.  Contra esse falso dilema – entre o universalismo abstrato e o chauvinismo nacionalista - o pensamento crítico deve e tem que reivindicar outro tipo de nacionalismo, junto com o internacionalimso. Não se pode renunciar o melhor da configuração nacional em nossa América, máxima nestes tempos de vergonhosa desnacionalização que impulsionou as classes dominantes nestes países, como é evidente na Colômbia. Isto não é uma reivindicação e muito menos um patriotismo tresloucado e barato, próprio da mentalidade retrógada dos latifundiários e criadores de gado de Antioquia e outras regiões deste país. Ppelo contrário, é postular um nacionalismo cosmopolita, baseado na máxima de Jose Martí: “Pátria é humanidade”. Como se diz: “que estamos assentados em nosso território” mas para compreender melhor o mundo e no relacionarmos de forma mais adequada com outros países, e não nos acreditamos melhor ou pior que os demais. Esse internacionalismo, além do mais, é urgente tanto para recuperar as melhores tradições de luta dos últimos séculos em nossa América, como para nos solidarizar e compatilhar as utopias dos oprimidos do mundo inteiro.
É um pensamento anticolonialista e anti-imperialista: por reivindicar o melhor do nacional e o melhor do mundo, o pensamento crítico, tem que ser anticolonialista e anti-imperialista porque hoje se reforçou o colonialismo, que foi seriamente debilitado na década de 60 com a extraordinária luta de libertação nacional iniciadas com os povos africanos e asiáticos, cuja façanha fez gravitar a história universal em torno do que se chamava Terceiro Mundo. Esta epopéia anticolonialista gerou intelectuais do pensamento universal, representados nas obras de Franz Fanón, Walter Rodney, Amílcar Cabral ou Aimé Césaire.  Como ficou evidente, o colonialismo na realidade nunca desapareceu, melhor se encobriu sob outros mantos e emergiu com toda sua força nas últimas décadas, assumindo o velho discurso eurocêntrico coma retórica da globalização. Esta nova conquista, a colonização externa, no caso a nossa América, vem acompanhada desse outro fenômeno que existe neste continente há cinco séculos, e pouco se fala do colonialismo interno, agenciado pelas classes dominantes para manter seus privilégios às custas da exclusão, discriminação e exploração de indígenas, afrodescendentes e mestiços pobres.  A nova colonização também é, como sempre foi, cultural, e agora acadêmica porque dos centros hegemônicos da cultura universárira se impõe novas modas intelectuais, que desdizem e negam o próprio da realidade de nosso continente, de seus processos de luta e de seus próprios projetos culturais, para implantar uma linguagem artificial e imposta, elaborada para congratular-se com os novos imperialistas e seus mandarins intelectuais. Em consequência, o pensamento crítico deve estar atento em beber de diversas fontes, mas sem cair nas tentações da novidade e das modas efêmeras, impostas por Nova York ou Paris. 9 É um pensamento que reinvidica aos oprimidos de todos os tempos e suas lutas: O pensamento crítico pretende revelar os mecanismos de exploração e opressão no presente, se apoiando numa visão histórica da qual emergem os sujeitos que se rebelaram contra as diversas formas de exploração em diversas épocas. O conhecimento dos processos históricos assinala que mesmo nas piores condições, como na época da escravidão moderna, que durou quatro séculos (entre 1500 e 1890), houve protestos, sublevações e revoltas próprias do que se pode chamar a hidra da inconformidade dos plebeus.  Tal qual a hidra mitológica que renasce ainda que se destrua a cabeça, o mesmo sucedeu em diversos momentos da história do capitalismo quando apesar da tortura, perseguição e assassinato de líderes e dirigentes populares, o protesto dos subalternos reaparecem uma e outra vez. Estudando as lutas dos vencidos, se alimenta o fogo da inconformidade no presente, porque aqueles que nos acompanham desde a posteridade, com a memória de suas ações, de acordo com postulado de Walter Benjamin:  “de não pedir aos que vem depois de nós a gratidão por nossas vitórias mas a lembrança de nossas derrotas. Esse é o consolo: o único que se dá a quem não tem esperança de receber”!  Em suma, a síndrome de Espártaco baseado no lema: “Me revolto, logo existo”, deveria sintetizar a lembrança dos que lutaram em todos os tempos, um componente indispensável do pensameno crítico. 10
É um pensamento comprometido e não meramente contemplativo: Os enormes problemas que o mundo atual enfrenta, agravadas ainda mais em nosso continente pela dependência e pela subserviência das classes dominantes, requer tanto uma reflexão séria e rigorosa como o envolvimento das pessoas comuns. Em suma, se trata de que o pensamento se incorpore em sujeitos concretos para tornar-se em praxis transformadora à luz dos problemas específicos, que enfrenta a maior parte da população. Não estamos falando de uma instrumentalização artificial das ideias que renuncie a importância da reflexão e que deprecie o trabalho intelectual mas a necessidade de vincular, de alguma maneira, essas reflexões com os problemas reais das pessoas.  Eu gosto de reinvidicar nossa atividade como própria dos trabalhadores do pensamento, como fazia Julio Antonio Mella quando dizia:  “Intelectual é o trabalhador do pensamento. O trabalhador! Ou seja, o único homem que no entendimento de Rodó merece a vida, é aquele que empunha a pena para combater as iniquidades, como outros que empunham o arado para fecundar a terra ou a espada para libertar os povos”.  Se colocarmos a elaboração do pensamento crítico como um trabalho e não como uma refinada atividade especulativa à margem do mundo real, teremos mais oportunidade de nos vincularmos com o resto dos trabalhadores, incluindo os que com suas mãos trabalham a terra ou fabricam as coisas. Assim poderiamos declarar nossa atividade como um artesanato do pensamento, um artesanato que gera produtos intelectuais que, direta ou indiretamente, devem ter alguma utilidade para as pessoas.  Por outro lado, o pensamento crítico não abdica de seus compromissos e, por isso sabe que é perseguido e reprimido, porque pretende incorporar outro projeto de mundo e de sociedade e que resulta insuportável para os detentores do poder e da dominação em nosso tempo, aonde quer que se encontrem. O pensamento crítico fez sua, a declaração na 11ª tese do filósofo de Tréveris:  “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, ao invés de transformá-lo”. Desta mesma forma, o pensamento crítico por estar comprometido com os pobres e desamparados, é um pensamento alternativo, porque juntamente com eles busca elaborar propostas anticapitalistas, considerando que outro mundo é possível e necessário, se não quisermos que o capitalismo seja o fim da história no sentido literal da palavra, se desejamos que nos destrua e a nosso planeta.
11 É um pensamento universitário e extra-universitário ao mesmo tempo: A universidade pública tem sido uma conquista das sociedades latino-americanas, uma conquista alcançada com muito esforço e com o sacrifício de estudantes e de professores. Durante muito tempo se desejou que a universidade fosse um espaço democrático e popular, o que efetivamente ocorreu em alguns países da região, México é o principal exemplo. Nos demais países da região , apesar dos obstáculos a universidade pública foi durante algum tempo o farol intelectual que iluminava com ideias e projetos transformadores, que incidiram para fora dos campus universitários.  Agora estamos assistindo a transformação da da Universidade Pública num mercado educativo que vende serviços e quer converter professores e estudantes em fornecedores e clientes de combos macdonalizados*. Para que se torne realidade esse propósito é indispensável erradicar dos campus todos aqueles que questionem, critiquem e duvidem, já que a universidade da ignorância requer professores, estudantes e funcionários obedientes e submissos.  Em conformidade, o mote dos mercadores da educação é erradicar o pensamento crítico do mundo universitário, sob o pretexto de que náo é útil, nem rentável. Essa é a situação que enfrentamos de maneira direta, todos nós, que fizemos da universidade pública nosso projeto de vida. É necessário, então, defender esse território democrático nos embates do capital nacional e estrangeiro, para preservar a livre exposição e discussão de ideias, projetos e propostas para construir nações e sociedades justas e igualitárias.Sendo que o mundo universitário representa somente um âmbito reduzido da população e que grandes problemas da sociedade são assumidos pelos organizadores populares, que constroem seus próprios instrumentos analíticos, é necessário que o pensamento crítico se relacione com esses projetos e essas lutas, para que aprenda delas e se nutra dessas experiências, para que logo possa se realimentar em forma dialógica. Quer dizer, o pensamento crítico também se constroi fora dos espaços universitários, na rua, na praça pública.
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É um pensamento digno: Para terminar, devemos mencionar as implicações éticas do pensamento crítico, o qual está relacionado com os interesses que representa, com as forças sociais dos que aprendem, se nutrem e alimentam por sua vez (aos outros) e aos valores que defendem.  A respeito da dignidade e de suas características distintas.  Por dignidade entendemos muitas coisas entrelaçadas e complementares:  a independência de critério;  a liberdade de crítica;  a insubordinação; a defesa dos indefesos;  a valorização das coisas pelo que são e não por seu preço monetário; assumir os custos e as consequências do que se diz sem fazer concessões nem traficar com os princípios morais; não ajoelhar-se nem subordinar-se aos amos e poderosos, em troca de remunerações ou reconhecimentos formais, que buscam a rendição;  e se manter ao lado dos oprimidos sem se importar que isso implique na marginalização e na criminalização.  O pensamento digno não se vende por umas migalhas, não vacila diante das lisonjas e das bajulações interessadas dos mercantilistas do saber e da investigação, não se subordina aos ditames da figuração midiática própria da sociedade do espetáculo, não escreve nem faz dissertações sobre aquilo que proporciona dinheiro e fama, nem negocia com o saber como se fosse uma mercadoria, não se cotiza na bolsa de valores do oportunismo intelectual.  Aqueles que cultivam o pensamento crítico caminham com retidão, com a cabeça erguida, num espírito de dignidade imaculada e não como ocorre com os porta-vozes da mentalidade submissa, pela desgraça da grande maioria que como afirma o dramaturgo italiano Darío Fo  “andam eretos porque a merda lhes chega até o pescoço”.  Fonte: Blog de Atilio Bóron via twitter *combo –abrev. do inglês combination. Sequência de comandos, combinação.Tradução Livre************************Notas:
1 . Citado em Michael Lowy, Walter Benjamin, aviso de incêndio. Una lectura de las tesis “sobre el concepto de historia”, Fondo de Cultura Económica, Buenos Aires, 2005, pp. 135.
2 . Julio Antonio Mella, “Intelectuales y tartufos”, en Escritos revolucionarios, Siglo XXI Editores, México, 1978, p. 44.Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes. Por  

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domingo, 20 de maio de 2012

TVs manipulam para desmoralizar CPI do Cachoeira   Cochilo de Simon em sessão da CPI do Cachoeira, símbolo da cobertura desmoralizante que a TV propaga do parlamento brasileiro.  Neste caso a imagem é sacada para desviar o foco e salvar figurões da imprensa
As imagens veiculadas por algumas emissoras de TV que mostraram o senador Pedro Simon cochilando, o deputado Onix Lorenzeti tomando erva mate em seu chimarrão e parlamentares conversando ao pé do ouvido durante sessão da CPI do Cachoeira, despolitizam um assunto de grande importância para a sociedade e servem aos interesses de quem trabalha para desacreditar os esforços desta comissão.
A impressão que fica é que querem mostrar à opinião pública o picadeiro de um circo político montado para chegar a lugar algum, com a exploração de imagens desconectadas de seus sentidos concretos para fazer-nos crer que esta investigação, no âmbito parlamentar, é perda de tempo e que os personagens que a constituem não atuam com a seriedade que o rito exige.

A questão é mais aguda: porque apenas explorar o cochilo de um senador e não analisar, com embasamento na documentação já acumulada, os nomes das pessoas que serão convocadas para prestar esclarecimentos, conforme os requerimentos aprovados pelos senadores e deputados?
Estes requerimentos são resultados do trabalho desta CPI e merecem ser apresentados como um sinal positivo produzido por seus integrantes.  A sociedade precisa ser informada do porquê destas convocações, mais do que ser instada a rir de sonecas involuntárias.

O que se percebe neste episódio é um esforço editorial descomunal das emissoras de TV, principalmente da Globo, em esconder da audiência o que se avançou até o momento, nas contendas políticas que uma CPI deste porte provoca, e, principalmente, onde tais disputas podem desembocar.
Preferem apresentar ao público que o que é investigado lá no Congresso não é algo que mereça a atenção das pessoas.

O trabalho de desconectar imagens de sua realidade e significado maiores é típico daqueles que já não queriam a instalação desta CPI, e, que agora, trabalham incessantemente para desacreditá-la, manipulando sobre acontecimentos fortuitos.  Para salvar as peles que chamuscam na própria imprensa e na oposição.

A Globo, a frente de algumas outras TVs, age, dolosamente, para esvaziar o sentido político desta comissão parlamentar.  No máximo a CPI é divulgada como sessões de articulações de políticos espúrios, caracterizada pelas imagens de parlamentares falando ao pé do ouvido, e buscam germinar um sentimento de podridão no povo sobre os que investigam, igualando todos e todos os indícios levantados até agora em lixo sem qualquer utilidade social.  Safando-se todos pela mediocrização da cobertura jornalística.
Comportamento muito diferente da cobertura recente de outras CPIs, em que os requerentes eram mostrados como homens de bem em busca da verdade e em defesa da ética, imagem que construíram, sob medida, para transformar Demóstenes Torres e Álvaro Dias em heróis nacionais.
Agora o esforço é no sentido contrário, ou seja, transformar todos em palhaços, investigados, indiciados e investigadores, como atores de uma peça desinteressante, em um palco confuso de malfeitos e inverdades, partilhada por todos os seus integrantes como valores comuns.

A seriedade e os esforços para se alcançar, com a profundidade necessária, o esclarecimento e a penalização dos crimes cometidos, não merecem ser ilustrados por imagens que demonstrem isso com clareza, porque não gozam do interesse das câmeras de TV, nem tampouco servem de objeto para articulistas que se abrigam nos telejornais brasileiros analisarem a necessária limpeza das podres relações que setores da imprensa tiveram neste esquema.

A cobertura jornalística, com a exploração de imagens pitorescas, quer é calar a voz dos que exigem justiça e, também, impedir que seus pares caiam nas garras da justiça.

Pior, a intenção maior é fazer o cidadão comum desacreditar, ainda mais, em sua representação parlamentar, rotulando a todos como exemplares supérfluos à sociedade.
Alguns espécimes da classe política não tem apresentado exemplos que a abone de alguns desmandos e atos de corrupção, infelizmente.
Mas manipular, com uso imagens desvinculadas de sentido amplo nos telejornais, impede que a audiência perceba que há também parlamentares que buscam recuperar a credibilidade do parlamento brasileiro e dar o bom exemplo, punindo quem deve ser punido.

O cochilo de Simon virou símbolo da jogada midiática contra a legitimidade da CPI instalada, difícil será encontrar imagens de Policarpo, Civita e outros integrantes da grande imprensa brasileira referenciadas ao escândalo, estas permanecem trancadas nas pautas, sob vigoroso esquema de segurança.

Justiça seja feita a Record, segunda maior emissora de TV do país, a única até este momento a apresentar a Veja, O Globo e Folha de São Paulo como participantes de uma cortina de fumaça para impedir que as investigações avancem ou, caso sigam adiante, não sejam devidamente repercutidas.

Fica escancarado neste episódio é que algumas emissoras de TV não desejam que o país seja passado a limpo nesta CPI.  Talvez porque estejam, até o pescoço, encobertas pela sujeira que este esquema criminoso produziu, e temem que sejam apontadas como co-articuladoras de um grande mal cometido contra o conjunto da sociedade.

A guerra política também está sendo travada nas bancadas dos programas jornalísticos da TV.

  Postado por Palavras Diversas às 10:30 Do Blog Palavras Diversas

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domingo, 20 de maio de 2012 - No Democracia e Política

Richard Gott, no ‘Guardian’, UK: “HUGO CHÁVEZ DÁ LIÇÃO DE ECONOMIA POLÍTICA À EUROPA” Hugo Chávez e correligionários falam de um socialismo para o século 21, não de retorno à economia de estilo soviético. (Foto: Handout/Reuters)


Por Richard Gott, no jornal britânico “The Guardian”; artigo reproduzido em “Commondreams

Richard Gott


“CHÁVEZ'S ECONOMICS LESSON FOR EUROPE”

A rejeição de Hugo Chávez às políticas neoliberais que arrasam a Europa são um exemplo de esperança para a Grécia e demais países

Há alguns anos, viajando no avião presidencial de Hugo Chávez da Venezuela com um colega francês de “Le Monde Diplomatique”, nos perguntaram o que, na nossa opinião, estava acontecendo na Europa. Haveria espaço para algum movimento na direção da esquerda? Respondemos no tom depressivo e pessimista típico dos primeiros anos do século 21. Nem na Grã-Bretanha, nem na França, nem em lugar algum da Eurozona, víamos qualquer chance de mudança significativa no campo político.

Nesse caso”, disse o presidente Chávez com uma piscadela, “talvez possamos ajudá-los”. E relembrou o momento, em 1830, quando massas revolucionárias nas ruas de Paris sacudiam no ar bonés iguais ao de Simón Bolívar, em homenagem ao venezuelano e libertador da América Latina, que morreria no final daquele ano. A luta de Bolívar pela independência e liberdade, ao estilo latino-americano, era vista então como o caminho que a Europa devia seguir.

Naquele momento, senti-me entusiasmado, mas não persuadido, pelo otimismo de Chávez. Hoje, penso que o presidente estava certo.

Lembrei que Alexis Tsipras, líder do partido da esquerda grega radical, Syriza, visitou Caracas em 2007 e fez consultas sobre a possibilidade de, no futuro, a Grécia receber petróleo venezuelano a preços especiais, como Cuba e outros países do Caribe e América Central. Houve um momento, em que Ken Livingstone, trabalhista inglês, e Chávez, prepararam um acordo de petróleo entre Londres e Caracas que parecia promissor, até ser rejeitado por Boris Johnson.

Mais importante que poder oferecer petróleo barato, é a força do exemplo. Desde a virada do século, de fato desde antes, Chávez trabalha num projeto que rejeita a economia neoliberal que flagela a Europa e grande parte do mundo ocidental.

Opôs-se sempre às receitas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, e luta incansavelmente contra as políticas de privatização que corroeram o tecido econômico e social na América Latina e com as quais, hoje, a União Europeia ameaça destruir a economia grega.

Chávez reestatizou muitas indústrias, inclusive petróleo e gás, que haviam sido privatizadas nos anos 1990s.

As palavras e a inspiração de Chávez tiveram efeito muito além das fronteiras da Venezuela. Encorajaram a Argentina a não continuar pagando a dívida externa; a “dar calote” nos credores, para reorganizar a economia nacional e, em seguida, a reestatizar sua indústria do petróleo.

Chávez ajudou Evo Morales da Bolívia a administrar a indústria nacional de petróleo e gás para benefício do país, não dos acionistas estrangeiros e, mais recentemente, a por fim ao assalto, pela Espanha, contra os lucros da indústria de energia elétrica na mesma Bolívia.

Mais que tudo isso, Chávez mostrou aos países latino-americanos que havia alternativa ao discurso dos neoliberais que, por décadas, foi o único que se ouviu nos continente, na fala de governantes eleitos por uma mídia-empresa comprometida ainda com a ideologia neoliberal, já ultrapassada.

Agora, é hora de a mensagem de Chávez ser ouvida ainda mais longe, também pelos eleitores na Europa.

Na América Latina, governos que seguiram essa via política alternativa e rejeitaram as políticas neoliberais já foram eleitos e reeleitos [em alguns casos, mais de uma vez, como no Brasil da presidenta Dilma Rousseff], o que mostra que o caminho inaugurado pela política de Hugo Chávez é efetivo e popular.

Na Europa, governos ainda eleitos para repetir a cartilha neoliberal têm fracassado, todos eles, logo no primeiro turno das eleições – o que sugere que já não contam com apoio eleitoral.

Chávez e seus companheiros, na nova “Revolução Bolivariana”, clamam por um “socialismo do século 21”, não pelo retorno à economia ao estilo soviético, nem pela continuação de alguma variante mundana, social-democrata, de capitalismo “adaptado”, mas – como disse o presidente do Equador, Rafael Correa –, pelo restabelecimento do planejamento nacional pelo Estado, “para o desenvolvimento da maioria da população”.

A Grécia tem agora maravilhosa oportunidade para mudar a história da Europa, e outra vez tomar as ruas, erguendo seus bonés de Bolívar, como fizeram, daquela vez, em Paris, os carbonari italianos.

Lord Byron, que planejava fixar-se, para viver, na Venezuela de Bolívar, antes de embarcar para ajudar na guerra de independência da Grécia, batizou seu navio de “Bolívar”. O que se vê no mundo no século 21, com certeza o encheria de entusiasmo.”

FONTE: escrito por Richard Gott, no jornal britânico “The Guardian” sob o título “Chávez's Economics Lesson for Europe”. Artigo reproduzido em “Commondreams”. Traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu”. O autor, Richard Gott, é escritor e historiador. Trabalhou por muitos anos no “The Guardian” como autolíder, correspondente estrangeiro e como o editor de asuntos especiais. Escreveu o compêndio: “Cuba: Uma Nova História”, publicado pela “Yale University Press”. Artigo postado por Castor Filho no blog “Redecastorphoto”  (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/05/hugo-chavez-da-licao-de-economia.html).

 

COMISSÃO DA VERDADENada será como antes

Por Mauro Malin em 20/05/2012 na edição 694 - No Observatório da Imprensa

   

Lugar comum mais verdadeiro: nada será como antes. Depois que a cúpula do poder convoca depoimentos sobre o que aconteceu nos “porões” (organizados pelos salões) durante a ditadura, mais vozes se dispõem a contar suas histórias tristes. Até Harry Shibata, ícone de pulhice nacional, promete dizer alguma coisa (certamente menos do que sabe; O Globo, 20/5).

Tem razão Renato Lessa (caderno Aliás, O Estado de S. Paulo, 20/5):

“Independentemente do juízo que se possa fazer a respeito de Dilma Rousseff como chefe de governo, seu gesto como chefe de Estado [convidar seus quatro antecessores vivos para o lançamento da Comissão da Verdade] inscreve-se como um dos momentos fortes da história republicana”.

(Registre-se igualmente a visita de Dilma a dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal da luta pela redemocratização, outro gesto de grandeza.)

Lessa oferece à reflexão um tópico original: entre as assimetrias do momento em que se decretou a Lei da Anistia (agosto de 1979) está a de se terem tornado públicos os nomes e os atos dos presos políticos e se terem ocultado os nomes dos perpetradores de violações aos direitos humanos.

Um eco muito sugestivo é oferecido por Jorge Bastos Moreno no capítulo 31 de sua “A história de Mora”, publicada aos domingos no Globo.

Ao debate

Do material publicado no primeiro domingo após a designação da Comissão da Verdade, instituída sob o mote “Consolidação da democracia”, certas coisas precisam ser debatidas com calma, outras são consensuais. O que interessa é que sejam vistas à luz do sol.

Qualquer prognóstico sobre história em curso corre o risco de se mostrar enganado, ou redondamente enganado, mas o que se vê até aqui autoriza dizer que um ciclo político agoniza. O ciclo durante o qual se teve medo da repercussão disso ou daquilo na caserna.

Moreno, pela boca de Mora, diz de Ulysses Guimarães:

“Nunca houve outro político brasileiro, em qualquer tempo, que mais cobrou e denunciou as atrocidades praticadas pela ditadura. Daí o seu arrebatador caso de desamor com os militares, plenamente correspondido.”

Os militares no seu lugar

O enfrentamento entre políticos da oposição e os militares no poder começa na primeira hora. Em 1964, Tancredo Neves, único no PSD a fazê-lo, recusa-se a votar no marechal Castelo Branco para presidente da República. Em 1968, a maioria dos deputados federais, numa Câmara dominada pelo partido oficial, a Arena, recusa-se a aprovar licença para que o governo processasse o deputado Márcio Moreira Alves devido a um pronunciamento que fizera pedindo o boicote dos cidadãos às paradas do Sete de Setembro daquele ano.

Em 1973, Ulysses e Barbosa Lima Sobrinho lançam suas anticandidaturas, contra o general Ernesto Geisel e um obscuro coadjuvante, o general Adalberto Pereira dos Santos. A promulgação da Constituição, em 1988, é momento de afirmação da democracia e de recolhimento dos quartéis.

Outro episódio importante foi a escolha, pelo presidente eleito Fernando Collor, em janeiro de 1990, de seus ministros militares (ainda não havia Ministério da Defesa, criado por Fernando Henrique Cardoso). À pergunta sobre se havia ou não consultado oficiais-generais para fazer suas escolhas, Collor responde que isso era desnecessário, porque havia sido eleito pelo voto popular.

Tudo indica que Dilma esteja completando a tarefa de recolocar os militares no papel político que lhes compete, o de integrar o governo da República para defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes (Constituição Federal, capítulo II, art. 142), a lei e a ordem.

Acervo do Estadão

Assinale-se com júbilo a entrada na internet, anunciada para quarta-feira (23/5), da coleção completa do O Estado de S. Paulo, repositório de material para a história da República brasileira e dos anos finais do Império.

 

 

SMS de Vaccarezza gerou um surto de burrice

 No Blog da Cidadania

 

Posso garantir que os membros do PT na CPMI do Cachoeira estão travando uma verdadeira guerra para desmascarar a Veja e sua relação escandalosa com o bicheiro e deste com o governo de Goiás. A Editora Abril, o governador Marconi Perillo e a quadrilha montaram um esquema espantoso que, em mais de meio século de vida, nunca vi igual.

O PT precisa de apoio para desmascarar o maior esquema criminoso da história brasileira. E para, pela primeira vez, desnudar a promiscuidade que sempre existiu entre a grande imprensa e grupos políticos reacionários, promiscuidade que já produziu uma ditadura sangrenta que durou mais de duas décadas.

Na sexta-feira passada, todos os grandes jornais, telejornais e rádios só tinham um assunto, o qual caiu do céu para o esquema demo-tucano-midiático e seu envolvimento com o crime organizado: um membro petista da CPMI mandou um SMS para um aliado em que reafirmava a aliança.

A mídia, o PSDB, o DEM, o PPS e o PSOL tentam equiparar governadores da base aliada do governo Dilma ao esquema mafioso do qual o governador tucano Marconi Perillo é expoente. Apesar da enxurrada de evidências contra Perillo, a mídia só fala, agora, de um jantar de que o governador Sergio Cabral e Fernando Cavendish, dono da Delta, participaram.

Colunistas da grande mídia fingem que Perillo não existe e se concentram em Cabral e – agora um pouco menos – no petista Agnello Queiroz. Tentam desviar a atenção dos fatos escabrosos que vão surgindo contra o governador goiano e nivelam os governadores do Rio de Janeiro e de Brasília a ele apesar de não haver comparação possível.

Veja abaixo, leitor, uma pequena parte do que pesa contra Perillo e reflita se existe algo parecido contra Cabral e Agnelo.

Sobrinho de Cachoeira pagou compra da casa de Perillo, diz delegado à CPI – Política – iG

A conexão Perillo-Cachoeira – Vida Pública – Gazeta do Povo

Perillo interveio a favor de Cachoeira

Delegado confirma relação de Perillo e Cachoeira – Política – Estado de Minas 

Delegado reforça ligação de Perillo com Cachoeira

Parente de Cachoeira pagou casa de Perillo

Em gravação, Carlinhos Cachoeira diz que elegeu Perillo – O Globo

Dossiê feito por Cachoeira denuncia contas de Perillo

Perillo admite ‘pequena’ influência de Cachoeira

Perillo teria relação próxima com Cachoeira, diz delegado à CPI – O Globo 

Cachoeira mandou entregar dinheiro para Marconi Perillo

Perillo é citado como ‘irmão’ por aliado da máfia bicheiro Cachoeira

“Cachoeira é o verdadeiro governo Perillo” no Portal Luis Nassif:

Cunhada de Cachoeira trabalhava no governo de Marconi Perillo 

Cachoeira cobrou fatura de Perillo por apoio à campanha do tucano

Enquanto a esquerda se une à mídia para ficar criminalizando o jantar de Cabral, o nada sobre Agnelo e o SMS do Vaccarezza, o povo de Goiás sai aos milhares às ruas para tentar tirar o crime organizado do poder sem que a mídia dê uma mísera notinha.

O movimento Fora Marconi já promoveu três imensas passeatas de protesto e a mídia só fala de Cabral, Marconi e do maldito SMS. A censura sobre esse movimento pode ser comparada à da Globo contra as Diretas Já.

Assista, abaixo, à última manifestação contra Perillo em Goiânia.

No SMS fatídico, o deputado Cândido Vaccarezza não escreveu nada demais. Apenas a forma de escrever é que foi meio ridícula, pois deixou a impressão de que algo de grave foi dito. Mas o que, diabos, disse Vaccarezza? Nada, absolutamente nada que todos não saibam. Disse que o PT apóia Cabral e que o clima com o PMDB iria piorar.

Por que iria piorar o clima entre PT e PMDB? Supõem que o PMDB esteja relutando em convocar a Veja até porque grande parcela do partido tem rabo preso com a mídia, o que explica a arrogância midiática diante da possibilidade de a revista mafiosa ter que se explicar.

O maldito SMS, que nada tinha de extraordinário, foi um presente do céu para a máfia demo-tucano-midiática. Permitiu a criação de mais ilações sobre o governador do Rio. Enquanto isso, o foco sai de Perillo, que tem contra si uma tonelada de evidências comprometedoras que ainda podem se transformar em provas e lhe cortarem a cabeça.

Qual não foi a surpresa ao ver que os setores da esquerda estavam fazendo coro com a grande mídia, ajudando a inflar ainda mais a escandalização do nada. Para quê? Para nada. Apesar dos termos ridículos do SMS de Vaccarrezza, não passou de uma frase mal-pensada e mal-escrita.

A burrice foi tão grande que fez até arrefecer a indignação contra a Veja nas redes sociais. Milhares de pessoas estavam ansiosas para chegar o sábado e desencadearem um novo tuitaço contra a Veja, mas o SMS do Vaccarezza as desmobilizou. A mudança de foco, aliás, assanhou a máfia político-midiática, que já dá como favas contadas a absolvição da revista.

Por conta do SMS do Vaccarezza, o PT ficou isolado na luta que está travando na CPMI pela convocação de Policarpo Júnior e, conforme for, de Roberto Civita. E a convocação de Marconi Perillo ficou mais difícil, pois a mensagem por celular do parlamentar petista fez a militância comprar a tese absurda da mídia de que pesam contra Cabral e Agnelo o mesmo que contra o governador tucano.

Cabral jamais foi citado em escuta alguma. O fato de ter participado de um jantar em um restaurante chique com Cavendish está sendo nivelado a tudo que já se sabe que há contra Perillo. Sobre Agnello, é pior. As escutas mostram que ele atuava contra Cachoeira, até por isso a mídia o trocou por Cabral, pois esmiuçar muito seu caso provaria isso.

Aumentaram as chances de a Veja se livrar dessa. E, ironicamente, a militância que quer ver a revista se explicar colaborou muito ao abandonar o PT quando estava cara a cara com o goleiro. Se a Veja se safar dessa a esquerda só poderá culpar a si mesma, pois o PT está fazendo a sua parte, ainda que sozinho.

 

 

 o vacareza não é confiável , será que ele fez de casp0 pensado , será que ele é infiltrado no pt.?

 


Crise sistêmica global: 2º semestre 2012 – GEAB No. 65 
Convergência de quatro fatores explosivos: Bancos, Bolsas, Aposentadorias e Dívidas  por GEAB [*]  Aguardando que a Eurolândia se dote, daqui até o fim de 2012, de um projeto político, econômico e social comum de médio e longo prazos, na sequência nomeadamente da eleição do novo presidente francês François Hollande, antecipada há numerosos meses pelo LEAP/E2020, os operadores permanecerão prisioneiros dos reflexos de curto prazo ligados aos sobressaltos políticos gregos, às incertezas sobre a governança da Eurolândia e aos riscos das dívidas públicas.  Paralelamente, nos Estados Unidos, o desaparecimento da ilusão de uma retomada [1] acumulada à renovação de inquietações quanto ao estado de saúde do sector financeiro americano (de que o JPMorgan acaba de ilustrar a fragilidade) e ao grande retorno do problema do endividamento do país levam os atores econômicos e financeiros a encarar um futuro cada vez mais inquietante [2].  No Reino Unido, o retorno em recessão do país conjuga-se com o fracasso em dominar déficits e com a ascensão de uma cólera popular face a uma austeridade que não está senão nos seus princípios [3].  No Japão, a atonia econômica e o enfraquecimento das exportações num contexto de recessão mundial [4] fazem ressaltar o espectro do endividamento excessivo do país.  Neste contexto, de acordo com o LEAP/E2020, o segundo semestre de 2012 vai ser o momento privilegiado da convergência de quatro fatores explosivos para as economias ocidentais: bancos, bolsas, aposentadorias e dívidas.  Para os operadores econômicos, financeiros ou políticos assim como para as simples famílias, esta convergência vai significar riscos importantes tanto sobre o estado das suas finanças como sobre a sua aptidão para enfrentar próximos desafios.  Neste GEAB nº 65, nossa equipe desenvolve pois suas antecipações referentes a estes quatro fatores explosivos do segundo semestre de 2012 assim como as recomendações para minimizar as consequências negativas. Além disso, o LEAP/E2020 apresenta sua nova antecipação sobre as consequências da crise sistêmica global em matéria de línguas internacionais (em nível mundial e na Europa) no horizonte 2030 a fim de ajudar pais e filhos, assim como as instituições pedagógicas, a fazer boas escolhas de aprendizagem linguística a partir de hoje.  Neste comunicado público do GEAB nº 65, nossa equipe optou por apresentar o fator explosivo correspondente às dívidas públicas e privadas. Clique na imagem para visualizar melhor Dívidas: dívidas públicas dificilmente domináveis e dívidas privadas destruidoras... os credores aproximam-se dolorosamente da hora das contas e os povos de uma explosão de cólera  O LEAP/E2020 anunciou desde 2008 e repetiu numerosas vezes. Havia cerca de US$30 trilhões de ativos fantasmas no sistema financeiro mundial. Restam cerca de US$15 trilhões que vão no essencial esfumar-se daqui até o fim de 2012. A boa notícia é que a partir deste momento poder-se-á encarar seriamente a reconstrução de um sistema financeiro mundial são. A má notícia, é que é no decorrer dos próximos trimestres que estes US$15 trilhões se vão esfumar. Isso implica, naturalmente, como havíamos evocado anteriormente, a falência (e/ou o salvamento pelos Estados) de 10% a 20% dos bancos ocidentais. E desta vez, ao contrário de 2008/2009, os acionistas serão as primeiras vítimas (inclusive nos Estados Unidos), qualquer que seja a hierarquia dos seus direitos [5]. Só os acionistas que possuírem um peso geopolítico importante serão tratados com respeito (fundos soberanos, Estados amigos, ...).  Em matéria de dívidas privadas, as famílias vão no essencial, nomeadamente nos Estados Unidos e no Reino Unido, ter de enfrentar por si só as consequências das altas de taxas e da insolvabilidade induzida que as vão afetar. Capturados na armadilha da austeridade e da recessão, os Estados ocidentais não têm mais os meios de prestar socorros às classes médias enquanto o crescimento não tiver retomado por pouco que seja. E, infelizmente, não será esse o caso daqui até o fim de 2012. Vê-se atualmente nos Estados Unidos que a questão da dívida dos estudantes está em vias de se transformar em “subprime bis” [6]. Alta de taxas devido ao fim da política de bonificação pelo Estado federal e à paralisia política em Washington num pano de fundo de tentativas de domínio do déficit federal que está em vias de criar uma situação desastrosa para milhões de jovens americanos e seus pais.  Na Europa, o Reino Unido já decidiu deixar sua classe média enfrentar sozinha seu endividamento recorde. Isso equivale a fazê-la cair na classe desfavorecida. Os próximos meses vão assistir a uma nova confrontação brutal entre esta classe média britânica e seus dirigentes, pertencentes quase todos à classe alta (upper-class).  No continente, através dos votos de rejeição dos dirigentes adeptos da austeridade como solução única e exclusiva para a crise do endividamento público, os povos abriram uma grande confrontação democrática com as elites estabelecidas desde há uma vintena de anos, e ao serviço dos credores. A tentativa que o novo presidente francês encarna, de abrir um caminho médio entre austeridade e relançamento keynesiano, ambas fracassadas pois são impossíveis politicamente ou pelo controle orçamentário, vai vencer (pois doravante é a única viável em termos políticos e orçamentais [7]) mas não antes do fim de 2012 [8].  Nesse intervalo de tempo, sobressaltos políticos como na Grécia e negociações complexas no seio da Eurolândia vão dominar a agenda, tornando cada vez mais nervosos os credores e a sua emanação, os mercados [9]. E este nervosismo dos mercados é agravado pela consciência da infinita fragilidade das instituições financeiras da Wall Street e da City face ao risco de não pagamento dos créditos: dívidas públicas ou privadas. Isto são quase os últimos restos do ativo do seu balanço e eles esperam poder recuperar um valor significativo.
Clique na imagem para visualizar melhorDesde o fim do Verão de 2012, o retorno do tema do endividamento inadministrável dos Estados Unidos, ligado às reduções orçamentais automáticas impostas em caso de não acordo do Congresso sobre a redução do endividamento, vai desencadear um “Taxmageddon” [10] nos EUA. Assistir-se-á assim ao remake da dupla detonador-bomba que as dívidas europeia e americana já jogaram no Verão de 2011, mas desta vez numa versão muito mais violenta. Com efeito, se os temores de ver o euro e a Eurolândia explodir desapareceram [11], eles serão substituídos por um perigo muito mais aterrador para os mercados: a monetização maciça e brutal da dívidas estadunidense [12]. Esta situação apresentar-se-á nos Estados Unidos com a agravante de ser dar num contexto de paralisia política completa [13], com um Congresso que será segmentado pela emergência de facções radicais tanto entre os republicanos (“Tea Party”, p.ex.) como entre os democratas (“Occupy” p. ex.) [14].  Notas de rodapé:  [1] Retomada de tal forma ilusória que provoca um retorno às práticas das “subprimes”. E mesmo o preço do leite, indicador fiável dos amortecimentos econômicos, aponta para a recessão. Fontes: CNBC, 26/04/2012; New York Times, 10/04/2012 . [2] A este respeito, lembramos que doravante o governo dos EUA e o Fed devem criar US$2,50 de dívida para gerar US$1,00 de crescimento. É o problema com que se depara toda economia cujo endividamento se torna excessivo. Isto é o gênero de “pormenor” que os keynesianos, como Krugman, se esquecem de precisar quando clamam às tontas e loucamente que as políticas de austeridade são aberrantes. Como em toda abordagem de bom senso, que leva em conta o mundo real e não as teorias econômicas, é preciso um equilíbrio entre redução do endividamento e apoio ao crescimento. Este é igualmente o caminho que vai tomar a Eurolândia a partir deste Verão; ao passo que os Estados Unidos continuam a negar a necessidade de tratar o seu endividamento descontrolado.  [3] Fonte: WallStreetJournal, 13/05/2012  [4] Fontes: TimesofIndia, 11/05/2012; MarketWatch, 10/05/2012; ChinaDaily, 06/05/2012; ChinaDaily, 28/03/2012; Washington Post, 11/05/2012; USAToday, 13/04/2012; CNBC, 06/04/2012  [5] Fonte: MarketWatch, 10/05/2012  [6] Fonte: CERF, 21/04/2012  [7] Desde Fevereiro de 2012 e do GEAB nº 62, nossa equipe pormenorizou amplamente sua antecipação sobre a evolução 2012-2016 da Eurolândia e os acontecimentos em curso confirmam a nossa análise (se quiser ter uma apresentação "viva" das perspectivas da Eurolândia e da Europa, pode assistir o discurso de Franck Biancheri pronunciado em inglês a 2 de Maio último perante os 1000 delegados da principal rede estudantil europeia, AEGEE-EUROPE). Daqui até o Verão, após as eleições legislativas francesas de Junho de 2012, um acordo a seis sobre o equilíbrio austeridade/crescimento será encontrado (França/Alemanha/Itália/Países Baixos/Bélgica/Espanha) que será levado à Eurolândia + (Eurolândia mais os outros países participantes do MEE).  [8] Na Alemanha também se tornam cada vez mais numerosas e fortes as vozes que exigem um caminho mais equilibrado pois o custo social do êxito económico alemão começa a ser pesadamente ressentido por uma parte crescente da população. Fonte: Spiegel, 04/05/2012  [9] Por exemplo: o fundo soberano norueguês decidiu desembaraçar-se dos seus activos em dívida soberana dos países frágeis da Eurolândia. Entretanto, o LEAP/E2020 lembra que no que se refere ao euro, não há inquietações a ter e, ao contrário, daqui até o fim de 2012 é o US dólar que experimentará o choque baixista. Fontes: Le Figaro, 05/05/2012; MarketWatch, 09/05/2012  [10] Neologismo criado a partir das palavras “Tax” e “Armageddon”. Designa o caos fiscal que vai reinar no fim de 2012 no momento em que se irão impor opções de cortes orçamentais maciços no orçamento federal dos EUA. Desde há aproximadamente um ano, os Estados Unidos e a imprensa financeira internacional optou por ignorar cuidadosamente este enorme problema. Será ainda mais difícil administrá-lo quando se impuser novamente na paisagem.  [11] Como sublinhávamos em janeiro último, é uma das grandes diferenças entre a crise grega atual e a histeria anti-euro de 2010/2011. Se é teoricamente possível encarar hoje uma saída da Grécia para fora da Eurolândia sem por em causa a moeda única, não é menos verdadeiro que na realidade esta saída é impossível. Este é igualmente um dos problemas com que se acham confrontados os dirigentes gregos. Sublinhamos este ponto para lembrar que acerca deste assunto os economistas, que vivem em mundos teóricos em geral sem relação com a realidade, há meses que se enganam sem cessar. Os cantores do fim do euro, de Krugman a Roubini, têm neste assunto tanta credibilidade quanto os sacerdotes romanos que liam o futuro nas entranhas dos animais. Para retornar à Grécia, o LEAP/E2020 considera que na media em que os dirigentes dos dois principais partidos de governo (PASOK e ND) pertencem às gerações que conduziram o país a esta crise histórica, não haverá saída política viável sem confiança popular... Cabe portanto aos dirigentes da Eurolândia, e em particular a Angela Merkel através do PPE e François Hollande através do PSE, fazerem pressão sobre os seus "partidos-irmãos" respectivos para que daqui a Setembro de 2012 e às próximas eleições, o conjunto dos dirigentes destas duas formações seja renovado em proveito de responsáveis com menos de 45 anos. O êxito atual do partido de extrema-esquerda Syrisa deve-se tanto às suas ideias como à idade do seu chefe: 38 anos. Um processo deste tipo foi bem utilizado para fazer com que deixasse o poder um Silvio Berlusconi em fim de carreira. Os meios existem portanto. E neste assunto, trata-se de permitir ao povo grego reencontrar confiança em dirigentes novos, de direita ou de esquerda, sem exclusão. Para bem entender porque uma saída da Grécia para fora da zona euro é na prática impraticável, basta um só exemplo: se fosse grego e se se propusesse trocar vossos euros por novos dracmas, o que faria? No comment!  [12] Mesmo Robert Rubin, o antigo secretário do Tesouro dos EUA, doravante junta a sua voz àqueles que advertem deste grave risco a curto prazo. Fonte: Reuters , 10/05/2012.   [13] Quer seja Barack Obama ou Mitt Romney que ganhem a eleição presidencial.  [14] Ver GEAB n°60  15/Maio/2012  [*] GEAB - Global Europe Anticipation Bulletin Communiqué public GEAB N°65 (15 mai 2012)  Este Comunicado Público, em francês, encontra-se em: GEAB N°65 est disponible! Crise systémique globale / Second semestre 2012 – Convergence de quatre facteurs explosifs : Banques-Bourses-Retraites-DettesEsta tradução foi extraída de Resistir  e adaptada ao português do Brasil pela redecastorphoto
Postado por Castor Filho

 

DenúnciasElenita Malta Pereira: Os agrotóxicos e a reportagem-marketing

publicado em 20 de maio de 2012 às 18:27 - No VI O MUNDO

Agrotóxicos, interesses e anti-jornalismo

17/05/2012

Uma análise da matéria-marketing produzida por “Veja” para esconder evidências científicas e vender ilusão de que venenos não prejudicam saúde

Por Elenita Malta Pereira*, no Outras Palavras

É o público que está sendo solicitado a assumir os riscos 
que os controladores de insetos calculam. (…) 
A obrigação de tolerar, de suportar, 
dá-nos o direito de saber.

(Rachel Carson, em Primavera Silenciosa)

A matéria “A verdade sobre os agrotóxicos”, publicada em Veja (edição de 4/1/2012), revisita um tema que é alvo de polêmicas, oposições apaixonadas e amplas discussões no Brasil desde os anos 1970. No entanto, apesar de décadas de controvérsia, já no título, a revista demonstra que pretende revelar a verdade sobre o assunto. A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em carta-resposta à Veja, considerou o tratamento dado a um tema tão controverso como “parcial e tendencioso”, apontando uma série de equívocos na reportagem.

Em Primavera Silenciosa, o primeiro alerta mundial contra os pesticidas, publicado em 1962, Rachel Carson descreveu diversos casos de pulverizações – especialmente de diclorodifeniltricloroetano (DDT) – nos Estados Unidos, nos anos 1950-60, quando morreram enormes quantidades de pássaros, peixes, animais selvagens e domésticos. As pulverizações para exterminar supostas “pragas” também contaminaram as águas de rios, córregos, dos oceanos, os solos e os humanos.

Carson já constatava, há 50 anos, que a questão dos resíduos químicos nos alimentos era tema de ardorosos debates. A existência de resíduos ou era desprezada pela indústria, que a considerava sem importância, ou era francamente negada. No entanto, pesquisas comprovavam, já naquela época a associação da presença do DDT no corpo humano com a alimentação, ao analisar gordura humana e amostras de alimentos em restaurantes e refeitórios.

Motivada pela divulgação, em dezembro de 2011, de um estudo sobre contaminação de alimentos por pesticidas promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) referente ao ano de 2010, a reportagem da Veja começa questionando o uso da palavra “agrotóxico”: o “nome certo é defensivo agrícola”. Segundo a matéria, “agrotóxico” é um termo impreciso e carregado de julgamento valor;  já “defensivos” seria correto, porque esses produtos não servem para intoxicar o ambiente ou o consumidor, mas para “defender” a plantação das pragas, insetos e parasitas.

Esse debate é antigo, construído ao longo de uma verdadeira contenda, que foi protagonizada por ecologistas, políticos e representantes das indústrias agroquímicas, desde os anos 1970. A própria nominação dos agroquímicos determinava de que “lado” estava quem nomeava: de um lado, executivos das indústrias fabricantes que, obviamente, queriam vender seus produtos; pesquisadores que recebiam financiamento dessas empresas para suas pesquisas e funcionários públicos, todos trabalhando para “defender” seus interesses. Do outro lado, entidades ambientalistas de vários estados, professores universitários e pesquisadores preocupados com o efeito desses produtos na saúde das pessoas e da natureza.

O termo “agrotóxico”, mais do que portar um juízo de valor, está consolidado na legislação brasileira sobre o tema, a Lei 7.802/89. A palavra já estava presente na primeira legislação estadual, a Lei 7.747, publicada no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1982, fruto de um amplo debate liderado por políticos, pesquisadores e ecologistas. O ecologista José Lutzenberger considerou a publicação dessa lei uma “vitória sem precedentes”, uma conquista da sociedade civil, inédita em diversos países.

Por outro lado, o termo “defensivos agrícolas” também não é isento de valor: expressa que essas substâncias são boas, defendem a lavoura de pragas. No entanto, o próprio conceito do que pode ser considerado praga é questionável, depende do ponto de vista de quem está observando uma plantação. O que é praga na agricultura que usa produtos químicos pode ser um aliado no controle natural de insetos realmente prejudiciais, e até mesmo um indicador da saúde das plantas para quem pratica agricultura ecológica.

O interessante é que, apesar de afirmar que o certo é “defensivo agrícola”, as jornalistas usam, em trechos da reportagem, o termo agrotóxico – não como citação de outra fonte, o que é uma contradição.

A matéria da Veja afirma que apenas uma parte muito pequena das amostras analisadas pela Anvisa continha agrotóxicos acima do permitido. Mais ainda, que os motivos dessa ocorrência envolvem os agricultores: ou eles aplicaram doses acima do indicado, ou desrespeitaram o período de carência. A estratégia de culpar o agricultor também data de bastante tempo.

Desde os anos 1970, o problema, para os defensores da química na agricultura, nunca é o produto, mas sim, o agricultor, como se a toxicidade só dependesse do uso e não dos componentes utilizados na fabricação. A propaganda de agrotóxicos, em geral, anunciava cada novo pesticida como “mais eficaz” no combate às pragas, mais eficiente que o anterior, só que, muitas vezes, não dizia que era também mais venenoso. Mas a verdadeira avalanche de casos de intoxicação de agricultores parece demonstrar que esses produtos são muito perigosos. Até porque, se não fossem, não haveria necessidade do desenho de caveiras em seus rótulos.

A matéria da Veja faz afirmações de forma leviana e irresponsável para a população leiga no assunto, passando a impressão que os agrotóxicos não são tão perigosos assim. Ela diz que os alimentos que lideram o ranking da Anvisa de forma alguma representariam risco à saúde, que os resíduos estão dentro dos níveis seguros e que o uso de agrotóxicos não-autorizados não é prejudicial à saúde. Neste último caso, a justificativa seria o alto custo para os fabricantes alterarem os rótulos, indicando outros cultivos onde os pesticidas poderiam ser utilizados. Aqui, podemos perceber mais uma vez que os interesses das empresas sempre são relevantes e merecem ser preservados.

No entanto, a reportagem se contradiz – novamente – declarando que os resíduos de agrotóxicos não podem ser removidos dos alimentos com água, ou qualquer outra substância, já que o veneno penetra na polpa do alimento ou circula pela seiva da planta. Essa afirmação é um “tiro no pé”, muito negativa para quem quer defender os “defensivos”, e reforça o argumento de quem luta contra os agrotóxicos: um dos maiores problemas é a manutenção dos pesticidas no ambiente, por muito tempo; dependendo do produto, pode levar anos ou décadas para desintegrar-se, como é o caso bastante conhecido do DDT. Aliás, a matéria relata que, se o agricultor seguir a bula corretamente, “o produto sofrerá degradação natural com a ação dos raios solares, da chuva e de microorganismos”.

Segundo a ABA, isso é uma inverdade: “as consequências ambientais e para a saúde, em função de uma aplicação que deixou resíduos, podem permanecer por muito tempo”.

Segundo a matéria da Veja, só há riscos à saúde do agricultor quando ele não respeita as regras de uso, já que os equipamentos de segurança o protegeriam do contato com o veneno. No entanto, nem sempre o agricultor tem acesso a esses equipamentos ou à informação de como utilizá-los corretamente. Além disso, há muitos casos de intoxicação que independem do seu uso.

Consultando os arquivos dos jornais de maior circulação do país, é possível constatar uma quantidade impressionante de notícias sobre envenenamento e morte de agricultores, cuja causa envolveu a aplicação de produtos químicos na lavoura. Há períodos em que as ocorrências são diárias, envolvendo famílias inteiras, em cidades do interior do Brasil. Casos de jovens que dormiram durante meses, sem perspectiva de acordar, depois do contato com agrotóxicos; bebês que ficaram doentes por causa do leite, já que a vaca que o fornecia comeu pasto contaminado com pesticidas; crianças que morreram pela ingestão de água contaminada; agricultores fulminados durante pulverizações aéreas sem aviso prévio, entre outros, são exemplos nefastos de que o equipamento não é garantia de segurança total.

Artigo da Gazeta Mercantil (Porto Alegre, 28/05/1975) relata que o consumo de pesticidas no Brasil aumentou dez vezes entre 1964 e 1974 e questiona: “em que medida esse consumo teria sido fortemente incentivado, provocando o uso indiscriminado e exagerado de defensivos?” Se por volta de 1974 o consumo somava cerca de 74 mil toneladas anuais, o que dizer das cerca de 1 milhão toneladas em 2010 (de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola)?

O estímulo ao uso intensivo desses produtos interessa aos fabricantes, pelos altíssimos ganhos, mas, ao mesmo tempo, provoca prejuízos não totalmente contabilizados ao ambiente e à vida humana.

Também segundo a reportagem da Veja, não haveria comprovação científica de que o consumo a longo prazo de resíduos de pesticidas nos alimentos provoque problemas sérios em seres humanos. Essa constatação demonstra um profundo desconhecimento da literatura científica sobre os efeitos desses produtos na saúde humana. Em relatório de 2012, elaborado pelo Instituto Nacional do Câncer, José de Alencar Gomes da Silva (Inca) consta que “importantes compostos cancerígenos encontram-se entre os metais pesados, os agrotóxicos, os solventes e as poeiras”.

Além da população rural, que fica mais exposta pelo manuseio desses produtos, “toda a população pode ter contato com agrotóxicos, seja pela ocupação, pela alimentação ou pelo ambiente”. Substâncias como o DDT, clordane e lindane são promotoras de tumores. O relatório cita uma extensa bibliografia de estudos que relacionam, entre outros agentes, agrotóxicos e câncer.

Cientistas da Universidade de Caen, na França, que pesquisam há anos os efeitos dos herbicidas à base de glifosato (recordistas de vendas no Brasil), descobriram que eles contêm toxicidade que afeta diretamente as células humanas. Em artigos científicos recentes, os pesquisadores afirmaram que mesmo pequenos resíduos que ficam nos alimentos podem causar danos, especialmente ao rim humano. Artigo de professora da USP (Larissa Bombardi, 2011) afirma, a partir de dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Ministério da Saúde/Fiocruz (Sinitox), que no período de 1999 a 2009 ocorreram cerca de 62 mil intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola no Brasil.

Outra informação da matéria da Veja é que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no registro de agrotóxicos”. No entanto, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso país é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior.

Diversos produtos vedados nos Estados Unidos e na Europa são comercializados livremente aqui. Se o controle fosse mesmo rigoroso, o Brasil seria o maior consumidor mundial de agrotóxicos?

Encaminhando-se para o final, a reportagem põe em dúvida a credibilidade dos alimentos orgânicos, aqueles que são cultivados sem agrotóxicos. Ela questiona as regras para credenciamento e fiscalização: com um controle insuficiente, haveria riscos à saúde da população no consumo de alimentos orgânicos.

Citando o caso de contaminação por Escherichia coli, ocorrido em junho de 2011, na Alemanha, em que pessoas morreram ao consumir brotos de feijão germinados produzidos por uma fazenda orgânica, a matéria da Veja conclui que “não só por ser orgânico um produto é necessária e automaticamente mais saudável que o similar cultivado com o auxílio de defensivos”. Sem diminuir a gravidade das mortes ocorridas na Alemanha, é muito precipitado afirmar que não haveria diferença de risco no consumo de alimentos orgânicos ou não-orgânicos. Esse foi um caso isolado, que poderia ter ocorrido mesmo se a produção não fosse orgânica, afinal, é possível garantir que a fiscalização dos alimentos que usam produtos tóxicos seja eficiente?

A humanidade viveu milênios praticando agricultura sem venenos. Só após a segunda guerra mundial o uso da química na lavoura passou a ser recomendado como a melhor solução para o combate das “pragas” e para acabar com a fome no mundo – o que não ocorreu: os insetos ficaram resistentes aos venenos e há muitas pessoas passando fome ainda no século 21. A chamada “Revolução Verde” introduziu técnicas alardeadas como “modernas” (cultivo intensivo do solo, monocultura, irrigação, controle químico de pragas e manipulação genética de plantas), mas que geram dependência dos agricultores em relação às empresas que vendem os insumos vinculados a esse tipo de agricultura.

A produção de alimentos orgânicos, através de métodos agroecológicos, não interessa às grandes empresas que controlam o agronegócio no Brasil. Os orgânicos não dependem da compra de sementes (geneticamente modificadas ou não) ou da compra de agrotóxicos. Na agricultura ecológica, ou orgânica, o agricultor é autônomo, controla sua semente e seus próprios insumos, entre eles, matéria orgânica (compostagem, folhas de árvores, resíduos industriais, estrume, etc). O que a agricultura convencional considera como praga (insetos, fungos), ou erva daninha que deve ser exterminada pelos agrotóxicos, na agricultura ecológica é um sintoma, indicador da saúde da planta e do solo.

No livro Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos, o engenheiro agrônomo francês Francis Chaboussou divulgou a “teoria da trofobiose”. Após anos de pesquisa, ele concluiu que o uso continuado de agrotóxicos adoece as plantas. E somente as plantas doentes, em desequilíbrio metabólico, são atacadas pelos parasitas. A planta equilibrada em crescimento vigoroso ou em descanso não é nutritiva para as pragas. Na verdade, na agricultura ecológica, a propriedade rural é pensada como um agroecossistema, em que a observação das interações que ocorrem no ambiente é vital. Solo nutrido, planta saudável. Inseridos na diversidade de espécies da propriedade agrícola, os alimentos orgânicos tendem a ser muito mais saudáveis que os não-orgânicos.

Em abril de 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) divulgou a primeira parte de um dossiê sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Escrito por professores universitários e pesquisadores com larga experiência no assunto, o dossiê externa a preocupação desses profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no Brasil e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública.

O relatório cita exemplos de cidades onde ocorre a contaminação das águas, no Ceará e em Mato Grosso, com destaque para Lucas do Rio Verde (MT), onde “chuvas de agrotóxicos”, ou seja, pulverizações aéreas indiscriminadas causaram surto de intoxicações agudas em crianças e idosos, bem como contaminação do leite materno.

Como as bases cientificas que sustentam o uso dos agrotóxicos são frágeis (“deveria caber às empresas demonstrar com rigor que não são nocivos para a saúde humana ou para o meio ambiente”), os pesquisadores questionam: “É lícito manter os agrotóxicos em uso na agricultura nesse contexto?” Além disso, os inúmeros casos de contaminações de trabalhadores e população em geral, desde os anos 1970 até hoje, oneram o SUS, custando muitos milhões aos cofres públicos.

Como podemos perceber, a “verdade sobre os agrotóxicos” está bem longe de ser alcançada. O debate está polarizado: de um lado, as indústrias e os comerciantes, a quem interessa divulgar que os “defensivos” não causam danos à saúde humana; do outro, profissionais da área da saúde engajados na posição de que os agrotóxicos fazem sim muito mal aos humanos e aos ecossistemas onde são aplicados. A preocupação aumenta na mesma medida que o consumo desses produtos no Brasil, que desde 2008 carrega o título nada honrável de maior comprador de agrotóxicos do mundo.

Cabe ao consumidor ficar atento ao debate, à história e aos interesses por trás dele. Afinal, como já dizia Rachel Carson lá em 1962, nós temos o direito de saber. No mínimo.

*Elenita Malta Pereira é doutoranda em História na UFRGS


 

publicado em 20/05/2012 às 21h37 Revista Veja publica retaliação à TV Record
após denúncias de ligação com Cachoeira

Novas gravações da Polícia Federal reforçam indícios de ligação da revista com bicheiro

Do R7

A divulgação de escutas telefônicas pelo jornalismo da Record causou irritação na direção da revista Veja, que neste fim de semana reagiu com a publicação de ataques infundados contra a emissora. 

Curiosamente, a revista da Editora Abril publicou a mentira em uma seção chamada Radar, a mesma que aparece nas gravações da operação Monte Carlo como destino das informações de interesse do contraventor Carlos Cachoeira.

Cachoeira, Claudio Abreu e mais de vinte comparsas presos são acusados de 15 crimes, entre eles corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contrabando e formação de quadrilha.

As gravações, que foram ao ar neste domingo (20) no Domingo Espetacular, mostram uma conversa entre Cachoeira e o ex-diretor da Construtora Delta, Claudio Abreu, presos na operação Monte Carlo. Assista ao vídeo na íntegra abaixo:

 O link de vídeo abaixo foi enviado por: m


Revista Veja publica retaliação à TV Record após denúncias de ligação com Cachoeira - Brasil - R7
m diz:

 

 

 

 

 

A cultura como campo de combateVladimir Safatle

Um dos fenômenos sociais mais importantes dos últimos anos é a transformação da cultura e da modernização dos costumes em setor fundamental do embate político. Durante os anos 1970 e 1980, a cultura fora um campo hegemônico das esquerdas. Este não é mais o caso. Há de se perguntar o que ocorreu para encontrarmos atualmente um processo de politização da cultura por parte, principalmente, de representantes da direita.

Poderíamos dizer que a direita do espectro político teria compreendido que a população, em especial as classes populares, é naturalmente conservadora nos costumes, pois avessa a questões como aborto, casamento homossexual e políticas de discriminação positiva. Da mesma maneira, ela seria conservadora em cultura, pois mais sensível ao peso dos valores religiosos na definição de nossas identidades e de nossos “valores ocidentais”. É possível, porém, que o movimento em questão seja de outra natureza.

Em um astuto livro chamado O Que Há de Errado com o Kansas?, o ensaísta norte-americano Tom Frank lembra como o pensamento conservador soube se aproveitar do sentimento de abandono social das classes populares. Frank serve-se do Kansas para perguntar: como um dos estados politicamente mais combativos dos EUA nas primeiras décadas do século XX tornou-se um bastião conservador? Sua resposta é: sentindo-se abandonado pelas elites intelectuais esquerdistas cosmopolitas que, à sua maneira, não foram completamente prejudicadas pelos desmontes neoliberais, as classe populares deixaram que um conflito de classe se transformasse em um conflito cultural.

Em vez de se voltarem contra os agentes econômicos responsáveis por tais desmontes, elas se voltaram contra o modo de vida que representaria as elites liberais. Neste deslocamento, os responsáveis pelo empobrecimento dos setores mais vulneráveis da população apareceram como os portadores dos “verdadeiros valores de nosso povo”. Desta forma, a direita pode falar menos sobre economia e mais sobre hábitos e cultura. Ela pode, inclusive, tentar instrumentalizar o anti-intelectualismo, como vimos nas reações caninas contra a Universidade de São Paulo e seus departamentos de Ciências Humanas à ocasião dos conflitos com a Polícia Militar.

Mesmo a discussão europeia sobre a imigração deve ser lida nesta chave. Qualquer pessoa séria sabe que a discussão sobre imigração nada tem a ver com economia. Quem quebrou a Europa não foram os imigrantes pobres que servem de mão de obra espoliada e desprovida de direitos trabalhistas. Na verdade, quem a quebrou foi o sistema financeiro e seus executivos “brancos e de olhos azuis”. A discussão sobre imigração é um problema estritamente cultural. Maneira de deslocar conflitos de classe para um plano cultural.

Este é um fenômeno parecido ao ocorrido em países como a Tunísia após a Primavera Árabe. Feita por jovens esquerdistas diplomados e filhos da classe média tunisiana, a revolução permitiu a vitória de um partido islâmico (Ennahda) porque, entre outras coisas, eles souberam captar a lassidão das classes populares em relação à classe média europeizada de cidades como Túnis e Sfax. Os islâmicos souberam dizer: “O desprezo a que vocês foram vítimas durante todos esses anos é, no fundo, desprezo aos valores que vocês representam, desprezo ao nosso modo de vida de alta retidão moral contra a lassidão dos mais ricos”. Mudam-se os agentes, mas a estrutura do discurso é a mesma.

Contra isso, a esquerda não deve temer entrar no embate cultural e dos costumes. Devemos quebrar as tentativas de nos fazer acreditar que as classes populares são naturalmente conservadoras e mostrar como a cultura virou uma forma de o capitalismo absorver o descontentamento com o próprio capitalismo. A melhor maneira é mostrar como o modo de vida baseado na modernização dos costumes e da cultura tem forte capacidade de acolher as demandas populares.

Por exemplo, boa parte dos absurdos falados contra o casamento de homossexuais vem do medo de desagregação das famílias em ambientes onde elas aparecem como núcleos importantes de defesa social. Talvez seja o caso de lembrar que nenhum estudo demonstra que famílias homoparentais são mais problemáticas do que famílias tradicionais. Famílias tradicionais também são bons núcleos produtores de neuroses. Ou seja, os impasses e dificuldades da família continuarão, com ou sem famílias homoparentais. Mostrar a fragilidade de nossos “valores” e “formas de vida” é uma maneira de quebrar a fixação a um estado de coisas que não entrega o que promete.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-cultura-como-campo-de-combate/?autor=961