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Jornalistas na CPMI, por que não? [Brasil já teve duas CPI sobre imprensa]Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema de Carlinhos Cachoeira.

(*) Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

A possibilidade de convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para depor na CPMI do Cachoeira provocou uma unânime reação contrária da grande mídia brasileira. O argumento principal é de que jornalistas e/ou empresários de mídia não poderiam se submeter ao constrangimento de serem questionados publicamente por deputados e senadores. Afinal, políticos constituem alvo permanente do “jornalismo investigativo”. E, claro, a convocação representaria uma perigosa ameaça às liberdades de expressão e da imprensa.

Da relação inicial de pessoas convocadas a depor na CPMI, aprovada na reunião do dia 17 de maio, não constam jornalistas nem empresários de mídia.

Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema criminoso. Dois dos principais grupos de mídia brasileiros considerariam inaceitável a convocação de jornalistas e/ou empresários – independente das comprometedoras conversas telefônicas já conhecidas – entendida como “um precedente perigoso para o futuro” e “uma verdadeira humilhação para toda a classe” (ver aqui).

Estarão corretos os argumentos e será que os temores alegados se justificam?

Última Hora e TV Globo
Em países de tradição democrática consolidada, a convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para esclarecer suspeitas relativas a atividades empresariais e ao exercício profissional, em comissões no parlamento e em inquéritos policiais, não só tem sido feita como não é considerada constrangimento ou ameaça. Ao contrário, a convocação é entendida como servindo ao interesse público e à democracia e é aplaudida, inclusive, pela mídia tradicional.

O melhor exemplo disso é o que está acontecendo na Inglaterra em relação à investigação do grupo News Corporation, tanto na Câmara dos Comuns, quanto no Inquérito Levinson (ver “As diferenças entre Brasil e Inglaterra”).

Aqui mesmo na Terra de Santa Cruz, ao contrário do que alega a grande mídia, há pelo menos dois precedentes importantes: a CPI da Última Hora, em 1953 e a CPI Globo x Time-Life, em 1966.

Na CPI da Última Hora, sugerida ao presidente Getúlio Vargas pelo próprio Samuel Wainer com o objetivo de investigar as operações de crédito realizadas entre o Grupo Wainer e o Banco do Brasil, foram convocados os jornalistas Samuel Wainer e Carlos Lacerda, que prestaram dois depoimentos transformados, respectivamente, nas publicações Livro branco contra a imprensa amarela e Preto e branco (ver aqui).

Na CPI Globo x Time-Life, criada “para apurar os fatos relacionados com a organização Rádio e TV e jornal O Globo com as empresas estrangeiras dirigentes das revistas Time e Life”, foram convocados, dentre outros, Rubens Amaral, ex-diretor geral da TV Globo; Joseph Wallach, assessor técnico de grupo Time-Life junto a TV Globo; Robert Stone, correspondente do grupo Time-Life no Brasil; Walter Clark, diretor-geral da TV Globo; João Calmon, dos Diários Associados e presidente da Abert; e o diretor presidente da TV Globo, “doutor” Roberto Marinho, que além de prestar depoimento por duas horas ininterruptas, submeteu-se ainda a longuíssimo questionamento (cf. Projeto de Resolução nº 190 de 1966 [Relatório Final], publicado no Diário do Congresso Nacional I, Suplemento B, em 12/1/1967, pp. 1-79; ver ainda, neste Observatório, “Para ver a TV Globo”).

Interesse público e democracia
É verdade que lá se vão várias décadas, as circunstâncias políticas, a composição da Câmara dos Deputados, a identidade doutrinária dos partidos e as motivações eram outras. De qualquer maneira, não se justifica o argumento do “precedente” alegado pelos executivos da grande mídia: no passado, o Congresso Nacional convocou e tomou depoimentos de jornalistas e empresários de mídia em Comissões Parlamentares de Inquérito.

Quando se trata de esclarecer práticas, identificar autores e propor medidas de proteção para salvaguardar o interesse público e a democracia, os únicos critérios que devem prevalecer para a convocação ou não de qualquer cidadão para depor em uma CPI são a existência fundada de suspeitas de atividades criminosas.

A observância desses critérios é o que se espera dos membros da CPMI do Cachoeira na medida em que o trabalho avance e que, eventualmente, surjam informações complementares confirmando a necessidade de convocação de jornalistas e/ou de seus patrões. Por que não?

 

Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

 

 

A corrida eleitoral iniciou. Alckmin declara que a greve é eleitoreira e que estão ocorrendo sabotagem.


A culpa da qualidade do metrô não é do governo estadual, mas da oposição que faz de tudo para prejudicar a população com vistas a ganhar a eleição. Interessante a estratégia: jogar a população contra os trabalhadores do metrô, que ganhariam bem mais do que os usuários do metrô.


http://www.band.com.br/noticias/transito-sp/noticia/?id=100000505500

 

TESTE DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Ação de blogs revela percepção das mulheres sobre as condições de atendimento em partos.

Os blogs A cientista que virou mãe,  Parto no Brasil e Mamíferas divulgaram nesta segunda-feira (21.05) os resultados do teste informal da auto-avaliação das mulheres (1966 entrevistadas) com relação aos cuidados recebidos durante a internação para o parto e nascimento (em instituições públicas e privadas - com e sem convênio de saúde - e em partos domiciliares). 

Os relatos de algumas dessas entrevistadas revelam faces do atendimento à maternidade, obscurecidas pela violência física e moral:

"Bateram nas minhas pernas, quando a minha filha havia "coroado" dizendo que se eu não tivesse força, mataria a minha filha sem ar." 

"Nos chamavam de éguas e que na hora de fazer o filho ninguém tinha pedido ajuda."

 "A enfermeira me deu um tapa na mão."

 "Só vi minha filha após 24 horas do parto."

Os dados coletados são também alarmantes. Apenas 53% das mulhres entrevistadas afirmaram terem sido tratadas com amparo, respeito e compreensão.  

 

Para acessar os dados do teste, clique aqui:

 

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

TEXTO DESCRITIVO, COMPILAÇÃO DE PUBLICAÇÕES, GRUPOS DE APOIO E SITES

 

 

Adriano De Bortoli

Notícias de Belo Monte: uma pequena vitória do Rio Xinguhttp://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7121:manchete090512&catid=28:ambiente-e-cidadania&Itemid=57 ESCRITO POR RODOLFO SALM   QUARTA, 09 DE MAIO DE 2012

 

Faz mais de dez anos, desde a edição 261 de setembro de 2001 do Correio da Cidadania (Hidroelétricas do Xingu), que escrevo sobre “o potencial destrutivo das hidrelétricas do Xingu”. É engraçado ver que na época escrevi que “não é preciso ser muito pessimista para concluir que são pequenas as chances de se evitar o início das obras, que estão previstas já para o primeiro trimestre do ano que vem” (2002)! E que a barragem de Belo Monte seria “o maior golpe dado pelo governo FHC nos povos indígenas da Amazônia e, consequentemente, na floresta que eles protegem”, fazendo com que “o padrão de degradação ambiental generalizada, que se observa mais a leste na região, seguindo o curso do rio Tocantins, se alastre definitivamente pela bacia do Xingu”. Mas concluí que ainda havia esperança, pois ambientalistas aliados aos índios, organizados em ONGs, ganhavam “importante participação na política nacional” e seu trabalho seria testado “pela sua capacidade de discutir com a sociedade a preservação da floresta Amazônica” e se opor ao projeto de Belo Monte.

 

Relendo esse texto é engraçado ver que Belo Monte não foi exatamente um “golpe do governo de FHC”. Ao contrário, essa trágica barragem no rio Xingu aparentemente vai ficar para a história como uma obra de Lula (e Dilma), supostamente seu antagonista. Evidentemente, hoje está claro que o tucano e o petista não são tão diferentes e um é mais a continuação do outro do que seu opositor. Mas, na época, eu nutria grande esperança quanto à primeira eleição vitoriosa do operário do PT, que tinha o apoio dos ambientalistas.

 

Felizmente, as obras da barragem demoraram bem mais para começar do que eu imaginava na época. E isso ilustra um ponto importante. Por mais “inevitáveis” que essas obras possam parecer, atrasá-las já é uma vitória. Porque não se iludam, a “meta” dos barrageiros do mundo todo é barrar todos os rios do planeta e não vão descansar enquanto houver algum pedaço de água correndo livremente. Então, qualquer atraso nesse programa já pode ser comemorado. Quanto mais demorar a conclusão de Belo Monte, mais demorará a construção da próxima barragem rio-acima no Xingu. Que seria seguida por outra e mais outra, e mais outra, até que não sobre mais nem um pedaço de Xingu livre. Infelizmente, as previsões da instalação de um “padrão de degradação ambiental generalizada” se alastrando “definitivamente pela bacia do Xingu”, a que me referi no tal artigo, foram mais acertadas.

 

De lá para cá, Altamira se tornou o município que mais desmata em toda a Amazônia brasileira. E essa devastação está apenas começando. As previsões são de que nos próximos vinte anos praticamente toda a floresta fora de unidades de conservação em um raio de 100 km da usina será devastada. E quase não há unidades de conservação por aqui. A tal “aliança das ONGs com os índios na luta contra a barragem” se revelou um fiasco. As ONGs dependem demais de financiamentos públicos e de grandes grupos empresariais interessados na construção de Belo Monte para ter qualquer ação efetiva. E também morrem de medo de serem processadas. Já os índios da região foram escancaradamente comprados pelos barrageiros com os novos “espelhinhos” modernos, na forma de milhares de litros de gasolina e refrigerante “grátis”, cestas básicas e outros presentinhos do gênero. Depois, quando acalmar os índios não for mais necessário, eles serão abandonados à própria sorte, como é tradição em nosso país há quinhentos anos.

 

É irônico que passado todo este tempo escrevendo mais ou menos regularmente sobre o assunto para o Correio, quando as obras de fato começaram, eu esteja há tantos meses sem escrever sobre o assunto. Em 2001, ano em que escrevi aquele primeiro artigo sobre as barragens, eu morava na Inglaterra, onde fazia meu doutorado sobre a ecologia da floresta amazônica. Convidado a escrever novamente sobre o tema para o Correio, lembro-me que tive dificuldades para isso, pois de tão longe que estava do Xingu faltavam idéias para me inspirar. Passada uma década, meu bloqueio atual vem justamente do motivo contrário. Hoje moro em Altamira, na beira do Rio Xingu, e Belo Monte afeta (negativamente) inúmeros aspectos da minha vida. E nem sempre é fácil escrever sobre isso.

 

Hoje, para mim, falar mal de Belo Monte é criticar meus vizinhos de um lado e de outro que vivem da indústria do desmatamento e da construção da barragem. E de biólogos, colegas de profissão que, querendo ou não, legitimam os programas de “resgate” da vida selvagem, e de compensações ambientais, que são essencialmente ilusórios. Coisas “para inglês ver”. A construção de Belo Monte afetou a vida de todos por aqui, primeiramente ao aumentar a níveis astronômicos os preços dos aluguéis (eu mesmo, no momento, vivo sob a ameaça de despejo). Claro que milhares de casas deveriam ter sido feitas com antecedência na cidade pelo consórcio construtor da barragem para os trabalhadores que estão chegando.

 

Mas para que se preocupar com isso se é mais fácil desalojar os moradores da cidade? Para as empresas que estão chegando não custa nada pagar cinco ou seis vezes mais pelo aluguel de casas na cidade do que os seus antigos moradores. Também aumentaram os preços dos alimentos, das corridas dos táxis etc.

 

Enquanto escrevo, faz quatro dias que não cai água da rua na caixa, porque o sistema de distribuição da cidade, que já era precário, entrou em colapso quando a população da cidade praticamente dobrou ao longo do último ano. Entre os mais ricos, todos têm água de poço. Então, isso não é problema dele, o resto da cidade que se vire. Hoje mesmo, se quiser tomar banho, provavelmente vou ter que ir nadar no rio. Ainda bem que ainda temos o rio! Mas já estão tratando de acabar com ele. Energia elétrica, agora, com o aumento repentino da demanda, também falta com cada vez mais frequência. E isso significa noites intermináveis de mosquitos e calor. É irônico que, por causa justamente deste projeto de produção de eletricidade, a nossa cidade termine tantas vezes sem ela. Se a eletricidade é tão importante como não cansam de dizer os barrageiros (mais do que a água ou até do que o clima do planeta), bem que podiam ter reformado a rede de fornecimento da cidade para que ela não faltasse tanto em Altamira. Aliás, apesar de bem mais grave por aqui, esse é um problema nacional, pois estamos mais ameaçados pela falta de energia elétrica por falhas na distribuição do que na geração. Mas nada disso tem importância, desde que não afete o bom andamento das obras e seus grandes negócios associados.

 

A construção de Belo Monte também transformou completamente o outrora pacato trânsito da cidade. É difícil acreditar, mas caminhões e ônibus a serviço das empresas construtoras trafegam em alta velocidade nas estreitas ruas da cidade, ameaçando e freqüentemente matando seus moradores. O povo aqui é tão acostumado com a antiga tranquilidade das ruas que frequentemente vemos famílias inteiras, pai, mãe e bebê recém-nascido andando numa mesma bicicleta. São esses que mais estão morrendo no trânsito. É o sangue derramado de Belo Monte, que não sai em rede nacional. Além disso, as filas nos bancos tornaram-se impraticáveis, e os assaltos a residências se multiplicaram (também sofri vários nos últimos tempos).

 

Assim como se multiplicaram as zonas de prostituição que são a contrapartida da vinda de milhares de homens sem família para a cidade. A cada dia há notícias da inauguração de uma nova “boate” na cidade. Também aumentaram os casos de violência contra crianças. Isso tudo vem em um único grande pacote de mega-construções como Belo Monte. As medidas mitigatórias e compensatórias são ilusórias, insignificantes ou existem somente no papel para justificar politicamente a violência contra essa região.

 

A recente diminuição na frequência dos meus artigos para o Correio também coincide com o esfriamento do movimento de oposição à barragem em Altamira. Com tantas transformações para pior que aconteceram por aqui, era de se esperar que, com o início das obras, as manifestações contrárias a ela aumentassem. Não. Ao contrário, elas cessaram quase que completamente. Quase todo mundo na cidade trabalha de uma forma ou de outra para a barragem (o que é claro que seria bom, se não fossem atividades profissionais tão efêmeras e destrutivas). Há um desânimo generalizado dos que são contra, como se finalmente agora a barragem fosse realmente inevitável. Porém, gente contra não falta. Inclusive muita gente que defendia a obra já percebeu que não vai enriquecer e que a coisa toda foi uma grande furada. Mas cidade está totalmente dominada.

 

Mais do que nunca, existe hoje um bloqueio na mídia local e nacional contra qualquer notícia que afete Belo Monte. Há pouco mais de um ano nós, os opositores, tínhamos alguma atenção da mídia local e até nacional, que nos procurava na universidade para falar sobre as perspectivas das obras e de seus problemas ambientais. Isso acabou completamente. Recentemente, até fui procurado por uma repórter do SBT local para falar sobre assuntos ambientais supostamente não relacionados à barragem (a seca que cada ano é mais forte na região e sua relação com os desmatamentos), mas ela já me adiantou de início: “não adianta falar mal de Belo Monte porque não sai nada”.

 

Viver na orla do cais de Altamira, ao longo dos últimos quatro anos, tem sido uma experiência interessante para entender as contradições do Brasil de hoje. Se por um lado as manifestações contra a barragem que me acostumei a ver da porta de casa acabaram, por outro lado agora vejo com frequência manifestações dos operários da obra, sempre envoltos com ameaças de greve, exigindo aumento no auxílio-alimentação e a redução de seis para três meses no intervalo entre as visitas dos trabalhadores a seus estados de origem. Quando as primeiras greves estouraram, achei lindo ver todos aqueles ônibus parados e os operários de braços cruzados, porque, quanto mais demorar essa obra, por mais tempo terei o Xingu vivo na frente de casa. Os mesmos policiais e a mesma Força Nacional que antes se voltavam contra nós, opositores da barragem, agora se voltam contra os seus trabalhadores.

 

Apesar de certo desânimo para escrever, tenho que admitir que me sobram “ganchos” excelentes para começar um artigo para o Correio. Em janeiro, por exemplo, foi amplamente anunciada a construção de uma ensecadeira no rio Xingu (Construção de ensecadeira marca início das obras de Belo Monte no leito do Xingu). A ensecadeira é um barramento rústico, de pedras e terra, que cria um desvio no rio necessário para a construção da barragem. Fazê-lo em janeiro, no auge da época de elevação do nível do rio, e não na seca, quando isso seria obviamente mais fácil, foi uma operação ousada. O que não foi publicado em lugar nenhum é que o rio superou essa barreira e desapareceu para todo o sempre com uma série de caminhões e outras máquinas, levados pela corrente para o fundo do seu leito profundo. Ainda que pequena e momentânea, foi uma gloriosa vitória do rio Xingu. Que merecia ser divulgada e comemorada!

 

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

 

Fernando_Freitas Brasília/DF

Passaram o machado no jambeiro que fica justamente na esquina da rua Espírito Santo com a rua Tupis. Era imponente, enorme, e dava frutos a cada ano.

Foi medida de bom senso.

Ou enterram a rede de energia elétrica no chão, ou cortam as árvores.

Como está, não pode ficar.

 

Rapazes, tem cada coisa de morrer de rir em manchetes de jornais e portais como esta no G1:

"Declarações de Cachoeira na CPI é destaque mundial no Twitter".

Hehe, para um desavisado, Carlinhos meteu a boca no trombone.

Ou esta que saiu num jornal do interior paulista tempos atrás:

"Prefeito foi dormir bem e acordou morto"

hehehe

 

Na FSP de hoje saiu uma notinha sobre um assunto de grande importância:

Comissão vota venda de terra a estrangeiros

Deputados ruralistas aprovaram ontem em subcomissão da Câmara a liberação da compra de terras por estrangeiros no país. A proposta ainda precisa passar pelo plenário da Casa.

Na prática, ela retira o limite de extensão nas aquisições. Também serão legalizadas terras já adquiridas por estrangeiros no Brasil.

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Alguém tem mais detalhes sobre isso ? Parece um grande erro essa liberação irrestrita ...

 

 

Do JT

Pirataria chinesa em avião americano

 

  • 22 de maio de 2012 |
  • 23h59 |

 

Categoria: Mundo

 

Um grande número de aparelhos eletrônicos chineses falsificados estão sendo usados em equipamentos militares americanos.

 

Documento do Comitê do Senado das Forças Armadas descobriu que um total de 1.800 peças piratas foram usadas em aeronaves militares americanas.

 

Das mais de 1 milhão de peças tidas como suspeitas, cerca de 70% teriam vindo da China. O problema foi atribuído às limitações da rede de abastecimento de peças existente nos EUA e ao fracasso chinês em conter a pirataria.

 

A falha em uma peça importante pode ocasionar riscos e ameaçar a segurança nacional e, além disso, acarretar custos elevados para o Departamento de Defesa.

 

O texto diz que os militares americanos dependem de uma série de “pequenos e incrivelmente sofisticados componentes” encontrados em sistemas de visão noturna, rádios e aparelhos de GPS.

 

As peças falsificadas foram achadas em helicópteros SH-60B utilizados pela Marinha, em aviões de carga C-130J e C-27J e no avião Poseidon P-8A também da Marinha americana.

 

Depois dos EUA, o maior destino de peças falsificadas para aviões militares é  a Grã-Bretanha, segundo o documento do Comitê do Senado.

 

O órgão fez críticas à China por fracassar em conter fabricantes de peças ilegais. Os senadores disseram ainda que Pequim não concedeu vistos para os políticos do comitê que pretendiam realizar investigações no país.

 

“Em vez de reconhecer o problema e de tentar de forma agressiva interromper a ação dos falsificadores, o governo chinês tenta evitar o escrutínio”, afirmou.

 

Para os senadores, os programas do Departamento de Defesa, como o Programa de Intercâmbio de Dados de Indústrias e o Governo, que visa rastrear peças falsificadas, vem “deixando a desejar”.

 

Segundo a rede BBC, no entanto, o documento elogia o Ato de Autorização de Defesa Nacional, promulgado pelo presidente Barack Obama, no final do ano passado, para combater a entrada de peças falsificadas no país e reduzir a terceirização de componentes de fornecedores desconhecidos.

 

A divulgação do relatório sobre a China se dá em um momento em que os EUA estão procurando intensificar sua estratégia de defesa para a região Ásia-Pacífico.

 

O Departamento de Defesa dos EUA também está se preparando para cortar cerca de US$ 450 bilhões – o equivalente a R$ 912 bilhões – de seu orçamento ao longo da próxima década.

 

A wikipedia diz que a esposa de Fernando Pimentel, - que em Brasília é Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - se chama Thaís Pimentel.

Deve ser estressante a rotina da Dra. Thaís, que ora deve se encontrar em BH nas atividades da Fundação que dirige, ora em Brasília, com o esposo.

Segundo a internet, a Sra. Thaís Pimentel é a Presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

Não apenas em BH, mas no Brasil todo, critica-se o papel que vem o Estado desempenhando nas atividades culturais. 

http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2011/03/28/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=36699/ficha_teatro.shtml

 

Nassif,

Olha que legal. Em homenagem ao 78º aniversário de Robert Moog, o inventor do sintetizador, o Google transformou a sua página principal num sintetizador digital.

Quem acessar a página do serviço de buscas vai encontrar um estranho teclado na parte superior da tela. O mais divertido é que você pode utilizá-lo, criando composições de maneira semelhante ao que aconteceu no aniversário de Les Paul, em junho de 2011.

Além de apertar as teclas, você ainda pode brincar com as demais opções que o aparelho oferece, como a adição de filtros e de outros efeitos de mixagem. Para quem é apaixonado por música e está acostumado a mexer com equipamentos do tipo, é uma ótima oportunidade de criar composições na tela de seu computador.

Como é possível usar os números de seu teclado para assumir o controle dos botões, fica muito simples aproveitar todos os recursos oferecidos. Outro ponto é a facilidade de compartilhar suas criações. A Google adicionou ferramenta de gravação e compartilhamento, permitindo que você envie seus trabalhos diretamente para o Google+.

(copiado com adaptações de www.tecmundo.com.br)

 

 

 

Nassif,

Olha que legal.

Google transforma sua página de buscas em um sintetizador musicalHomenagem a inventor do Moog está disponível em alguns países e permite que pessoas criem e compartilhem suas músicas.

(Fonte da imagem: Reprodução/Google)

As homenagens da Google a celebridades em seu site oficial já são bem famosas. Os diferentes doodles disponibilizados até agora surpreenderam pela criatividade e possibilidades de interação. Desta vez, a empresa se superou novamente ao celebrar os 78 anos de Robert Moog, inventor do sintetizador musical.

Quem acessar a página japonesa do serviço de buscas vai encontrar um estranho teclado na parte superior da tela. O mais divertido é que você pode utilizá-lo, criando composições de maneira semelhante ao que aconteceu no aniversário de Les Paul, em junho de 2011.

Além de apertar as teclas, você ainda pode brincar com as demais opções que o aparelho oferece, como a adição de filtros e de outros efeitos de mixagem. Para quem é apaixonado por música e está acostumado a mexer com equipamentos do tipo, é uma ótima oportunidade de criar composições na tela de seu computador.

Como é possível usar os números de seu teclado para assumir o controle dos botões, fica muito simples aproveitar todos os recursos oferecidos. Outro ponto é a facilidade de compartilhar suas criações. A Google adicionou ferramenta de gravação e compartilhamento, permitindo que você envie seus trabalhos diretamente para o Google+.

A expectativa é que o sintetizador esteja disponível no restante do mundo até amanhã, data em o Robert Moog realmente faria aniversário.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/google/23965-google-transforma-sua-pagina-de-buscas-em-um-sintetizador-musical.htm#ixzz1vgpZpUP9

 

Roberto AmaralImprensa e Comissão da Verdade22.05.2012 10:00 - Carta CapitalA tensão paira sobre o baronato da mídia111

A esmagadora maioria da mídia foi a favor do golpe de 1964, a mesma mídia que agora age em bloco para defender Roberto Civita.

O baronato  das comunicações anda tenso, preocupado. É fácil de perceber um certo nervosismo apenas folheando as revistas e os jornalões, pelo que dizem e pelos grandes espaços de silêncio. Assusta-os a CPI do Cachoeira, porque já revelou as relações pelo menos perigosas entre a grande imprensa e o crime organizado – a ponto de interferir (ditando linhas de  ‘investigação’) na pauta de uma grande revista semanal. Ou, dito de outra forma, sem amenizar a gravidade dos fatos, sabe-se que muitas reportagens “investigativas” foram levadas a cabo para atender a interesses nada republicanos de um criminoso hoje na cadeia e à espera de processo e julgamento. Na bacia das almas, empresas e meliante (também ele empresário…) já entregaram aos leões o Catão do Serrado, do qual se serviram para defender interesses indefensáveis, e atacar os adversários de sempre. O grande paladino da moral e dos bons costumes enquanto no Senado e nas folhas brandia a espada na luta cívica contra a corrupção, nos desvãos da Esplanada (nela incluídos tribunais superiores), advogava os negócios do crime, em uma malha tão profunda que talvez jamais venha a ser de todo destrinchada.

Seja por isso, seja por aquilo, as grandes empresas de comunicação olham de lado, desconfiadas, para a CPMI. Contestam como insinceros os motivos de sua convocação e anunciam todo santo dia, como se estivessem fazendo uma denúncia, mas na verdade exprimindo um desejo, o inevitável fracasso dela. Acham normalíssimo o procurador geral da República, beneficiando criminosos, quedar-se três anos com um inquérito em sua gaveta, e o aplaudem por se negar a comparecer à comissão para prestar os esclarecimentos que deve ao país. Mas seus donos ficam eriçados, orelhas em pé, pelo arrepiado, garras expostas, quando deputados “insolentes” (e logo acusados de estar a serviço dos “mensaleiros”) pretendem ouvir, não o poderoso Cidadão Kane, mas o simples preposto que fazia a intermediação entre o crime e a revistona.

Leia também:
Sobre a economia, a imprensa segue na contramão da História

O futuro pede ciência e tecnologia
O estado-nação e o dragão financeiro

Por práticas similares, o grande Ruppert Murdoch teve de prestar satisfações ao parlamento britânico, e ninguém, nenhum jornal, nem lá nem aqui, arguiu ofensa à liberdade de imprensa. Aqui é tamanho o incômodo que Roberto Civita foi brindado com editorial de um grande matutino de empresa “concorrente”, no qual se afirma que ele não é Murdoch. E não é mesmo! Jornalista estrangeiro especialista em “ligações perigosas” é chamado para falar em seminário e explica que não há nada de mais repórter e fonte criminosa andarem conluiados.

A inquietação também ocorre relativamente à Comissão da Verdade, finalmente instalada. No dia mesmo da solenidade no Palácio do Planalto os editoriais clamavam contra os “riscos de revanchismo”, e os mais audaciosos já defendiam a “bilateralidade da apuração”, ou seja, “a investigação de atos praticados por grupos de esquerda que se opuseram ao regime militar”. Outros, estão preocupadíssimos em assegurar-se de  que não haverá punições. Quer saber a grande imprensa se o Ministério Público pode utilizar os resultados das investigações para tentar condenar militares (absoluta indiferença relativamente aos criminosos civis) “que cometeram violações”. No Globo do dia 17, o coronel da reserva João Batista Fagundes, representante das Forças Armadas na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, é chamado a falar:

“A Comissão da Verdade é oportuna mas não pode se enveredar pela questão criminal dos agentes do passado. A Lei da Anistia está em vigência e a própria lei que criou a comissão não prevê condenações. No meio das Forças Armadas, o receio é que se abram processos já albergados sob o pálio refletor da anistia.”

Em editorial do dia 12, o mesmo jornal afirma que “a escolha de nomes acima de qualquer suspeita para a Comissão da verdade”(…) ‘…serve de garantia de que a Comissão não extrapolará os limites da Lei da Anistia, já referendada pelo Supremo”.

Esses temores e esses condicionantes  talvez expliquem tanto a demora na aprovação da lei (ora, já lá se vão 27 anos desde quando o último general presidente deixou o Palácio do Planalto pela porta dos fundos!), quanto a demora na escolha (elogiada por gregos e troianos) de seus integrantes. Não podendo impedir a apuração (mas tendo podido nesse longo período destruir documentação e provas) busca-se limitar ao máximo o alcance da Comissão. O intuito declarado de impedir o eficaz funcionamento da Comissão já ficara claro quando o legislador estipulou o período de apurações começando em 1946, misturando democracia com ditadura, e alargando o objeto propositalmente, na expectativa de que assim tão amplo ele se tornasse inalcançável, donde, apuração nenhuma.

O que a nação deseja e quer é conhecer os crimes praticados pelo regime militar, e esses crimes começam com a própria ruptura democrática de primeiro de abril de 1964. Naquele momento as Forças Armadas, que como instituição existem para garantir a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança de nosso povo, aquele que paga seus salários, soldos e tudo o mais, traíram seu chefe supremo, rasgaram a Constituição e deram início a uma escalada de arbítrios que surrupiou pela violência centenas de mandatos eletivos, milhares de empregos, cortou carreiras profissionais, sepultou esperanças, exilou e desterrou brasileiros, suprimiu a liberdade física de milhares de cidadãos e transformou em letra morta direitos e garantias individuais, a começar pelo direito à expressão livre, e impôs a indignidade da censura prévia, até de livros científicos. Tudo o mais que a história contará é mera consequência. Devem elas, sim, pelo que fizeram, um pedido público de desculpas à Nação, para voltarem a desfrutar do respeito que merecem pelo exercício das suas nobres funções. Estará assim, aberto o caminho para a superação de desconfianças mútuas que ainda estão a toldar, pelo silêncio-tabu, o congraçamento entre civis e militares.

Tudo será possível, menos censurar a História, menos reescrevê-la, menos adulterá-la, pois o tempo, sempre, trará a lume a verdade. Assim, também se contará a História, a aliança entre empresários da comunicação, políticos e militares na preparação do golpe. A história também contará o papel de uma imprensa que, com raríssimas exceções, participou da conspiração, defendeu o golpe e os atos tenebrosos que  ele desencadeou, até se ver diante da inevitabilidade de aderir ao irresistível movimento de massas pela democracia que tomou impulso a partir de 1974. Mas isso foi opção ideológica e não passará pela peneira da Comissão.

A palavra final, porém,  não será dada nem pelo governo, nem pela imprensa, nem pelos militares, mas pela sociedade, apesar da imprensa. Se a sociedade cruzar os braços, der-se por satisfeita com a simples constituição da Comissão, pouca esperança teremos de resultados satisfatórios. Esta é a hora de as organizações civis voltarem à liça, reaglutinarem-se os perseguidos, os torturados e as famílias dos assassinados. Da força de sua demanda dependerá a profundidade do que será esclarecido.

 

 

Assange entrevista No. 6 – “Rafael Correa, presidente do Equador” 
 22/5/2012 (Episódio 6), Russia Today, 26’16 - “The World Tomorrow”,
Assange Episode 6: Ecuador’s fight against its media vultures” em inglês e “El Mundo Del Mañana”, em espanhol Transcrição traduzida pelo pessoal da Vila Vudu
  JULIAN ASSANGE: Com Chávez e Lula já deixando os principais holofotes, vai surgindo uma nova geração de governantes na América Latina. Esta semana, está comigo o presidente do Equador , Rafael Correa. Correa é líder popular de esquerda, que mudou a cara do Equador. Mas, diferente dos presidentes que o antecederam, é doutor em Economia. Segundo os telegramas diplomáticos dos EUA que WikiLeaks divulgou, Correa é o presidente mais popular na história democrática do Equador.  Mesmo assim, em 2010, foi preso e feito refém, numa tentativa de golpe de Estado. A culpa pela tentativa de depô-lo, segundo Correa, foram os meios de comunicação corruptos. Correa pôs em marcha uma polêmica contraofensiva. Na avaliação de Correa, os meios de comunicação definem as reformas que seriam as únicas possíveis... para os próprios meios.  Quero saber se essa conclusão está correta e como vê a América Latina.  RAFAEL CORREA: Está me ouvindo?  JULIAN ASSANGE: Sim, presidente Correa.  RAFAEL CORREA: Prazer em conhecê-lo. Você está na Inglaterra?  JULIAN ASSANGE: Sim, na Inglaterra, numa casa de campo, em prisão domiciliar já há 500 dias. E sem nenhuma acusação formal contra mim.  RAFAEL CORREA: 500 dias... OK. [Para alguém ao lado] Melhor traduzir. [Em ing. “Prefiro o espanhol, ok?”].  JULIAN ASSANGE: [para a equipe] Acho que é possível. Todos prontos? Ação!  JULIAN ASSANGE: O que pensa o Equador, dos EUA, sobre o envolvimento dos EUA? Não lhe peço que faça alguma caricatura dos EUA. Mas... O que pensam os equatorianos sobre os EUA e o envolvimento dos EUA no Equador e na América?  RAFAEL CORREA: Como disse Evo Morales [presidente da Bolívia], os EUA são o único país que pode ter certeza de lá jamais haverá golpes de Estado – porque não há embaixada dos EUA nos EUA. [Assange e equipe riem].  Seja como for, quero dizer que uma das razões do mal-estar é que nós cortamos todo o financiamento que a Embaixada dos EUA pagava à polícia no Equador. Era assim, antes do nosso governo e continuou ainda, por um ano e pouco. Demoramos a corrigir isso. Havia unidades inteiras, setores chaves da Polícia, que eram completamente financiadas pela Embaixada dos EUA. Os chefes policiais eram selecionados pelo Embaixador dos EUA e pagos pelos EUA. A tal ponto, que aumentamos muitíssimo os soldos dos policiais, mas quase ninguém percebeu, porque recebiam soldos do outro lado. Acabamos com tudo isso. E há alguns que sentem saudades daqueles tempos. Mas são tempos que não voltarão ao nosso país e aos nossos países. Quanto aos EUA, nossa relação sempre foi de muita amizade e carinho, mas sob um marco de respeito mútuo e de soberania. Eu, pessoalmente, vivi quatro anos nos EUA, estudei e graduei-me lá, tenho dois títulos acadêmicos norte-americanos, amo e respeito muito, muito, o povo norte-americano. Acredite que eu, de modo algum, jamais seria antiamericano. Mas sempre chamarei as coisas pelo nome. E se há políticas norte-americanas que são perniciosas para o Equador e para nossa América Latina, sempre as denunciarei abertamente e não permitirei que agridam a soberania do meu país. JULIAN ASSANGE: Seu Governo fechou a base militar dos EUA em Manta. Pode dizer-me por que decidiu fechar aquela base? RAFAEL CORREA: Ora... Você aceitaria uma base militar estrangeira no seu país? Como eu disse naquela época. Se é assunto tão simples, se não há problema algum em os EUA manterem uma base militar no Equador, ok, tudo bem: permitiremos que a base de inteligência permaneça no Equador, se os EUA permitirem que estabeleçamos uma base militar do Equador em Miami. Nessas condições, ok, sem problema. [Assange ouve a tradução e ri]. Fico feliz que você esteja se divertindo com essa entrevista. Também estou me divertindo.  JULIAN ASSANGE: Achei engraçadas as suas frases, presidente Correa [os dois riem]. Presidente Correa, por que o senhor pediu que revelássemos [que WikiLeaks revelasse] todos os telegramas diplomáticos?  RAFAEL CORREA: Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram. A Embaixada dos EUA nos acusava [como se fosse crime] de sermos excessivamente nacionalistas e defendermos a soberania do governo equatoriano [os dois riem]. E é claro que somos nacionalistas! E é claro que defendemos a soberania do Equador! E os WikiLeaks, como mostrei há pouco [exibe um livro], falavam de todos os interesses que os EUA haviam investido nos meios de comunicação no Equador, dos grupos de poder que pediam ajuda, que marcavam hora para pedir ajuda em embaixadas estrangeiras.  Nós não tememos nada. Que publiquem tudo o que tenham a publicar sobre o governo do Equador. Não se encontrará nada contra nós. E veremos aparecer muitas informações sobre entreguismos, traições, acertos, feitos por muitos supostos opositores da revolução cidadã no Equador…  JULIAN ASSANGE: Posteriormente, o senhor expulsou do Equador a embaixadora dos EUA, como consequência da publicação dos telegramas de WikiLeaks. Por que a expulsou? Sempre acho mais interessante dizer ao embaixador... “Tenho esses telegramas desse embaixador. Já sei o que você pensa.” Não seria melhor manter lá o diabo que o senhor já conhecia?  RAFAEL CORREA: Ora, mas dissemos tudo isso à embaixadora. E ela respondeu – e com que arrogância! – que não nos devia explicações. Era inimiga absoluta de nosso governo, mulher de extrema direita, que permaneceu estacionada no marco da Guerra Fria dos anos 60. A gota d’água que fez transbordar o jarro foi WikiLeaks, que provava que o contato dela no Equador havia dito que o Chefe de Polícia era corrupto completo. E que eu, diziam os telegramas, o teria nomeado, mesmo sabendo que era corrupto, para controlá-lo.  Intimamos a embaixadora, para que prestasse explicações. E ela, arrogante, cheia de soberba e prepotência, com os ares imperiais que a caracterizavam, respondeu que não nos devia explicações. Como aqui no Equador, nós nos respeitamos e respeitamos nosso país, expulsamos imediatamente a referida senhora.   Quero dizer que há um mês, poucos meses, depois de quase um ano de investigações, o Comandante Hurtado, que foi falsamente acusado nesse telegrama de WikiLeaks pela embaixadora, foi declarado inocente de todas aquelas acusações daquela embaixadora, saiu limpo de todas as investigações de que foi objeto, e que fizemos. É uma prova a mais de como funcionários incompetentes ou mal intencionados, do governo dos EUA, porque absolutamente não admitem e manifestam a mais flagrante má vontade contra governos progressistas, informam qualquer coisa ao governo dos EUA, sem procurar qualquer comprovação, sem qualquer investigação, sem qualquer prova, baseados, só, em boatos, intrigas dos seus ‘contatos’, muitas vezes, mentiras interessadas, que ouvem dos seus contatos, todos adversários de nosso governo. E esses contatos são, normalmente, escolhidos entre os opositores dos nossos governos.  JULIAN ASSANGE: Presidente Correa, como foi, para o senhor, tratar com os chineses? É um país grande e poderoso. Ao negociar com os chineses, o senhor não estaria trocando um demônio, por outro?  RAFAEL CORREA: Para começar, não trabalhamos com demônios. Se nos aparece algum demônio, agradecemos e despachamos: não, muito obrigado. [Assange ri] Em segundo lugar, você tem de ver aí um pouco do entreguismo, do snobismo, e até do neocolonialismo que anima as elites, por aqui, e alguns veículos de comunicação.  Quando 60% de nosso comércio e grande parte de nossos investimentos estavam concentrados nos EUA, e não nos davam 20 centavos para financiar o desenvolvimento do país, ninguém reclamou de demônio algum, era como se não houvesse problema. Agora, quando somos o país que mais recebe investimentos chineses na região – e talvez porque os chineses não são altos, louros, de olhos azuis, viram demônios e tudo é problema. Chega disso!  Se a China já está financiando até os EUA! Que bom que financie o Equador! Que bom que nos ajude para fazer aqui uma extração responsável, de petróleo! Minas, hidroelétricas. Mas não recebemos financiamentos só da China. Recebemos financiamento russo, brasileiro, diversificamos nossos mercados e nossas fontes de financiamento. Mas há gente que nasceu acabrestado, com sela e rédea, e quer continuar com a dependência de sempre. É só isso.  JULIAN ASSANGE: Presidente Correa, como o senhor sabe, luto, há muitos anos, a favor da liberdade de expressão, pelo direito de as pessoas se comunicarem, pelo dever de publicar e dar aos públicos informação verdadeira. O que o senhor fará, para que suas reformas não acabem com a liberdade de expressão?  RAFAEL CORREA: Bem... Você mesmo é ótimo amostra, Julian, de como é a imprensa, essas associações como a Sociedade Interamericana de Imprensa, que nada é além de um clube de donos de jornais na América Latina. Sobre seu WikiLeaks, publicaram-se muitos livros, o mais recente dos quais é de dois autores argentinos, no qual analisam país por país, Wiki Midia Leaks [1]. No caso do Equador, demonstra como, desavergonhadamente, os veículos não publicaram os telegramas que os prejudicavam. Por exemplo, disputas entre empresas de comunicações. E todos, afinal, decidiram não publicar suas próprias sujeiras, para não prejudicar nenhum deles. Leio para você a tradução, em espanhol, de um dos telegramas WikiLeaks que a imprensa nunca publicou no Equador. RAFAEL CORREA: [lendo] “…o fato de que a imprensa sinta-se livre para criticar o governo, mas não um banqueiro fugitivo e os negócios da família do banqueiro, mostra muito sobre onde está o poder no Equador…” [Mostra as páginas do livro] E esses são os telegramas que WikiLeaks divulgou e jamais foram publicados na imprensa do Equador. Para que você entenda um pouco o que enfrentamos no Equador e na América Latina.  Nós acreditamos, que os únicos limites que devem pesar sobre a informação e a liberdade de expressão são os que já existam nos tratados internacionais, na Convenção Interamericana de Direitos Humanos: a honra e a reputação das pessoas; e a segurança das pessoas e do estado. Quanto a todo o resto, quanto mais gente saiba de tudo, melhor.  Você manifestou seu temor – o mesmo que sentem todos os jornalistas, de boa fé –, mas que não passam de estereótipos do medo de que o poder do estado limite a liberdade de expressão. Isso praticamente não existe na América Latina, praticamente não há aqui nenhuma liberdade de expressão. Fala-se só de idealizações, de mitos.  Vocês precisam entender que, por aqui, o poder “midiático” foi, e provavelmente ainda é, muito maior que o poder político. De fato, o poder “midiático” tem imenso poder político, em função de seus interesses, poder econômico, poder social. E, sobretudo, têm poder monopolístico para informar.  Os veículos têm sido, aqui, os maiores eleitores, os maiores legisladores, os maiores juízes, os que criam a alimentam a ‘agenda’ da discussão social, os que sempre submeteram governos, presidentes, cortes de justiça, tribunais.  Temos de tirar da cabeça essa ideia de que, de um lado, só haveria jornalistas pobres e perseguidos, empresas jornalísticas angelicais, empresas e veículos dedicados a informar a verdade dos fatos; e, de outro lado, só haveria ditadores, autocratas, tiranos que vivem para tentar impedir que a verdade chegue ao povo.  Os governos que trabalhamos para fazer algo pelas maiorias, somos – nós – violentamente perseguidos por jornalistas que entendem que, por ter uma pena ou um microfone, ganhariam algum direito de vingar-se dos desafetos pessoais. Porque, muitas vezes, caluniam, mentem, injuriam exclusivamente por alguma inimizade pessoal. Os veículos de comunicação são, aqui, instrumentos dedicados a defender interesses privados.  É importante, por favor, que o mundo todo entenda o que se passa na América Latina.  Quando tomei posse na presidência, havia aqui sete canais de televisão nacionais. Nenhum público; todos privados. Cinco pertenciam a banqueiros. Imagine a situação: eu queria tomar uma medida contra os bancos, para evitar, por exemplo, a crise e os abusos que, hoje, todos estão vendo acontecer na Europa, sobretudo na Espanha. E houve uma campanha violentíssima, pela televisão, para defender os interesses dos banqueiros empresários donos das empresas, dos proprietários dessas cadeias de televisão, todos banqueiros.  Que ninguém se engane mais. Temos de esquecer essas mentiras e estereótipos de governos ‘do mal’, que vivem a perseguir valentes e angelicais jornalistas e empresas e veículos de comunicação. Com muita frequência, Julian, acontece exatamente o contrário.  Essa gente travestida de jornalista vive de fazer política, só se interessa em desestabilizar nossos governos democráticos, para impedir qualquer mudança na nossa região. Porque, com mudança democrática, eles perdem o poder que sempre tiveram e ostentaram.  JULIAN ASSANGE: Presidente Correa, estou de acordo com o que o senhor diz do mercado dos veículos e meios. Já aconteceu exatamente assim, também conosco, mais de uma vez: grandes organizações jornalísticas, com as quais trabalhamos – Guardian, El País, o New York Times e Der Spiegel – censuraram o nosso material ao publicar, por motivos políticos, ou para proteger oligarcas como Tymoshenko da Ucrânia (que escondia sua fortuna em Londres); ou grandes empresas petroleiras italianas corruptas, que operavam no Cazaquistão. Temos provas disso tudo, porque sabemos o que há no documento original e o que publicaram, e o que foi omitido. Mas entendo que o melhor modo para enfrentar os monopólios e os duopólios e os cartéis num mercado é separá-los; ou criando melhores condições para que novas empresas entrem no mercado.  O senhor não tem interesse em criar um sistema que permita o fácil acesso ao mercado editorial, de modo a que empresas jornalísticas editoriais pequenas e indivíduos sejam protegidos (não regulados) e as grandes empresas editorais e grupos ‘midiáticos’ sejam separadas e reguladas?  RAFAEL CORREA: Julian, estamos tentando fazer exatamente isso. Há mais de dois anos discute-se uma nova lei de comunicação, para dividir o espectro radioelétrico, quer dizer, o espectro para TV e rádio, para que só 1/3 seja privado com finalidades comerciais; 1/3 para propriedade comunitária, sem finalidades comerciais; e 1/3 de propriedade do Estado – não só o governo nacional; também os governos locais, municipais, departamentais.  Mas a lei não avança. Há dois anos, apesar de haver ordem constitucional aprovada nas urnas em 2008, ratificada pelo povo equatoriano por consulta popular ano passado. Pois, apesar de tudo isso, a nova lei foi e continua a ser sistematicamente bloqueada pelas grandes empresas, nos grandes veículos. Para eles, é “lei da mordaça”. Para eles e pelos deputados e senadores assalariados que as empresas mantêm, a soldo, na Assembleia Nacional, e que lá estão para defender aqueles interesses.  O que estamos fazendo é claro: democratizar a informação, a comunicação social, a propriedade dos veículos e meios de comunicação. Por isso mesmo, obviamente, enfrentamos a acérrima oposição que nos fazem os proprietários dos veículos e meios de comunicação e dos seus corifeus alugados, que atuam em todo o espectro político no Equador.  JULIAN ASSANGE: Recentemente, nesse programa, entrevistei o presidente da Tunísia, e perguntei a ele, se o surpreendera o pouco poder que os presidentes têm, para mudar as coisas. O senhor também observou isso?  RAFAEL CORREA: Olhe... Muitos trabalham para satanizar os líderes políticos, porque uma das grandes crises pelas quais a América Latina passou nos anos 90, até o começo desse século, durante a longa e triste noite neoliberal, foi a crise de lideranças políticas.  Afinal, o que significa “ter liderança”, “ser líder”? Significa capacidade para influir sobre os demais. É claro que pode haver boas lideranças políticas, pessoas que usam a capacidade que têm para liderar, para servir a causa dos outros. E claro que também há maus líderes – dos quais, lamentavelmente, houve muitos na América Latina –, que utilizam a capacidade que têm, mas  apenas para servir-se dos demais.  Entendo que os líderes são importantes sempre, mais ainda em processos de mudança.  É possível imaginar a independência dos EUA, sem os comandantes que houve lá? Sem aqueles líderes? É possível imaginar a reconstrução da Europa depois da IIa. Guerra Mundial, sem os grandes líderes que houve lá? Contudo... Quando se trata de fazer oposição às mudanças na América Latina, onde há líderes fortes, mas líderes democráticos e democratizantes, inventam logo que a liderança é caudilhista, populista, sempre má liderança, nunca boa liderança.  JULIAN ASSANGE: Presidente Correa…  RAFAEL CORREA: Essa liderança é ainda mais importante... (Julian, permita-me concluir a ideia, por favor)... quando não se está administrando um sistema.  Na América Latina, no Equador, hoje, não estamos administrando um sistema: estamos mudando um sistema. Porque o sistema que nos acompanhou ao longo de séculos foi fracasso total. Fez de nós a região de maior desigualdade no mundo, onde só a miséria é muita, a pobreza, e numa região que tem tudo para ser a região mais próspera do mundo. As coisas aqui não são como nos EUA.  Que diferença há entre Republicanos e Democratas, nos EUA? Há mais diferença entre o que eu penso pela manhã e o que eu penso à noite, do que entre um Republicano e um Democrata norte-americano [Assange ri]. Isso acontece porque, lá, estão administrando um sistema.  Nós, aqui, estamos mudando um sistema. Aqui as lideranças são necessárias e importantes. Aqui, é indispensável o poder ser legítimo e democrático, para que a mudança seja legítima e democrática, para que se mudem as estruturas e a instituições e a institucionalidade nos nossos países, agora em função das grandes maiorias.  JULIAN ASSANGE: Minha impressão é que o presidente Obama não é capaz de controlar as enormes forças que se movem à volta dele. Será sempre assim, com todos os tipos de líderes? Como o senhor conseguiu introduzir tantas mudanças no Equador? Será sinal dos tempos que vivemos? Será resultado de sua liderança pessoal? Da força de seu partido? Que força, afinal – é o que quero saber – é essa, que permite que o senhor faça algo, no Equador, que Obama não consegue fazer, nos EUA?  RAFAEL CORREA: Permita-me começar pelo fim. O compromisso, as concessões, o consenso é desejável, mais não é um fim em si. Para mim, mais fácil seria conseguir algum consenso; chegaria mancando, cedendo, e satisfaria muita gente. Mas não mudaria coisa alguma. Satisfaria, principalmente, os poderes de fato nesse país. E tudo continuaria como antes. Há momentos em que o consenso é impossível. Às vezes, é necessário o confronto. Com a corrupção, por exemplo, não há consenso possível. A corrupção tem de ser enfrentada. O abuso do poder? Tem de ser enfrentando. Não há consenso possível, com a mentira; a mentira tem de ser desmascarada. Absolutamente não se pode fazer concessões a esses vícios sociais, tão graves para nossos países.  É erro imaginar que o que está sendo feito no Equador esteja sendo feito por mim. É erro. Os povos mudam, os países mudam. Não precisam de liderança para mudar. Talvez precisem de algum tipo de líder para coordenar. Mas se o país muda, é por vontade de todo o povo. Nosso governo foi levado ao poder pela indignação de todo o povo equatoriano.  Talvez aí esteja o que ainda falta, um pouquinho, ao povo norte-americano, para que o presidente Obama obtenha capacidade para promover mudanças reais no país. Que a indignação que já está nas ruas, esse “Occupy Wall Street”, esse protesto de cidadãos comuns, normais, contra o sistema, que ganhe impulso, que se torne mais orgânico, mais permanente. E que, nesse caso, dê forças ao presidente Obama para que possa fazer as mudanças pelas quais o sistema terá de passar, nos EUA.  JULIAN ASSANGE: Quero saber até que ponto o senhor acredita que o Equador irá, no longo prazo, até onde irá a América Latina. Acho que, até certo ponto, há boas coisas, como se sabe, a integração continental na América Latina, a melhoria nas condições de vida, e o fato de que os EUA e outros países têm, a cada dia, menos influência na América Latina. Mas... Onde o senhor acredita que estará, dentro de dez, vinte anos?  RAFAEL CORREA: Você disse bem: a influência dos EUA na América Latina está diminuindo – isso é bom. Por isso, precisamente, dizemos que a América Latina está passando, do “consenso de Washington”, para o consenso sem Washington.  JULIAN ASSANGE: [ri] Talvez venha a ser o Consenso de São Paulo.  RAFAEL CORREA: Um consenso sem Washington. Exatamente. E é bom, porque essas políticas que nos mandavam do norte não eram feitas em função das necessidades da nossa América, mas em função dos interesses daqueles países, e, sobretudo, dos capitais daqueles países. Se você analisa a política econômica – e, modéstia à parte, disso entendo um pouco –, até talvez tenham sido boas, em algum momento. Mas, tenham sido boas ou más, em certos momentos, todas tiveram o mesmo denominador comum: interessavam, primeiro de tudo, ao grande capital, e, sobretudo, ao capital financeiro. E isso, finalmente, está mudando.  Tenho muitas esperanças. Sou muito realista. Sei que avançamos muito, mas muito ainda temos de andar. Sei que o que já andamos não é irreversível, que podemos perder tudo, se os mesmos de sempre voltarem a dominar nossos países. Mas estamos muito otimistas.  Acreditamos que a América Latina está mudando e, se continuarmos por essa rota de mudança, a mudança será definitiva. Nossa América não está passando por uma época de mudança, mas por uma mudança de época. Se mantivermos nossas políticas de defesa da soberania, com políticas econômicas nas quais a sociedade controla o mercado, não que o mercado domina a sociedade e converte a própria sociedade, as pessoas, a vida, em mercadoria. Se mantivermos essas políticas de justiça e igualdade social, superando imensas injustiças, de séculos, sobretudo no que tenham a ver com os grupos nativos, os afrodescendientes, etc., a América Latina terá um grande futuro. É a região do futuro. Temos tudo para sermos a região mais próspera do  mundo. Se temos conseguido pouco, foi pelas políticas más, pelos maus dirigentes, maus governos. E isso está mudando nessa nossa América.  JULIAN ASSANGE: Obrigado, presidente Correa...  RAFAEL CORREA: Foi um prazer conhecê-lo, Julian, pelo menos por esse meio. E ¡Ánimo! ¡Ánimo! Seja bem-vindo ao clube dos perseguidos.  JULIAN ASSANGE: Obrigado. [risos] E cuide-se. Não deixe que o matem.  RAFAEL CORREA: Ah, sim. [risos] Evitar isso é trabalho de todos os dias. Gracias._________________ Nota dos tradutores [1] BECERRA, Martín e LACUNZA, Sebastián. Wiki Media Leaks: La relación entre medios y gobiernos de América Latina bajo el prisma de WikiLeaks. Buenos Aires: ed. B. 2012 [abr.]. Sobre o livro ver Brasilianas.org, 3/5/2012, em: Comentário fora de pauta. 

Postado por Castor Filho


 

terça-feira, 22 de maio de 2012

EUA autorizam China a negociar diretamente com o Tesouro, a compra de títulos norte-americanos 
Wall Street dançô! 21/5/2012, Emily Flitter (Martin Howell e Steve Orlofsky, Eds.), Reuters, New York, EUA“Exclusive: U.S. lets China bypass Wall Street for Treasury orders”Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu “Como conseguir que a China empreste depressa, em segredo”22/5/2012, MK Bhadrakumar, Indian Punchline“Obama sabe que, num aperto, não pode contar com Índia, Vietnã, Arábia Saudita, Brasil, Turquia para “resgatar” os EUA. Ainda pode, embora não muito, contar com alguns europeus, poucos. Só lhe restou a China. Mas a pergunta é: como se faz para “conter” a galinha dos ovos de ouro?”   (Reuters) – A China já pode ignorar Wall Street, ao comprar títulos da dívida dos EUA: foi autorizada a negociar diretamente com o Tesouro dos EUA, na primeira vez, em toda a história, em que governo estrangeiro recebe autorização semelhante – segundo documentos aos quais Reuters teve acesso.  As novas regras de relacionamento significam que o Banco do Povo da China compra agora papéis da dívida dos EUA por método exclusivo, diferente do autorizado para qualquer outro banco central no mundo.  Os demais bancos centrais, inclusive o Banco do Japão, que tem ávido apetite pelos chamados Treasuries, os compram através de opções depositadas nos grandes bancos de Wall Street designados pelo governo dos EUA como corretores primários. Esses corretores vão aos leilões de venda de títulos da dívida dos EUA e negociam em nome dos interessados.  A China, proprietária de $1,17 trilhões em papéis da dívida dos EUA, os Treasuries, ainda compra alguns desses papéis mediante os corretores primários, mas desde junho de 2011, essa via já não é necessária.  Documentos aos quais a Reuters teve acesso mostram que o Departamento do Tesouro dos EUA deu ao Banco do Povo da China um link de computador direto para seu sistema de leilões. Os chineses o usaram pela primeira vez, para comprar títulos com vencimento para dois anos, no final de junho de 2011.  A China pode agora concorrer nos leilões de compra de títulos da dívida dos EUA, sem contato com os corretores primários. Mas, se quiser vendê-los, ainda tem de fazê-lo no mercado.  A mudança não foi anunciada publicamente, nem em mensagem de qualquer tipo dirigida aos corretores primários.  “A compra direta é aberta a vários tipos de investidores, mas como questão de política geral, não comentamos sobre interessados individuais” – disse Matt Anderson, um dos porta-vozes do Departamento do Tesouro.  Apesar de não haver qualquer proibição que impeça governos estrangeiros de comprar diretamente, o arranjo feito exclusivamente com a China é sem precedentes.  A venda de títulos da dívida dos EUA à China tornou-se tema de debate público carregado de forte conteúdo político sobre o papel da China como principal exportador para os EUA e, ao mesmo tempo, como maior credor do país.  O privilégio pode ajudar a China a comprar a dívida dos EUA por melhor preço, reduzindo ao mínimo a informação acessível a Wall Street sobre suas compras.  Os corretores primários não podem cobrar dos clientes, pelo serviço de disputar, em nome deles, nos leilões do Tesouro. A China, portanto, não está economizando dinheiro algum.  Em vez disso, a China está podendo garantir o sigilo de informações específicas valiosas sobre seus hábitos de compra. Podendo negociar diretamente com o Tesouro, a China impede os bancos de Wall Street de tentar explorar a presença chinesa num ou noutro específico leilão – forçando os preços para cima.  É uma dentre várias cortesias garantidas a um comprador único, em termos de poder de compra. Embora os japoneses, por exemplo, possuam cerca de $1,1 trilhões em Treasuries, as comprar japonesas têm sido menos centralizadas. O Japão compra mediante várias instituições, incluindo fundos de pensão, bancos japoneses e o Banco do Japão, sem que qualquer delas domine as demais.  Não é a primeira vez que o Tesouro dos EUA mostra grande empenho em manter satisfeito seu principal cliente.  Em 2009, quando funcionários do Tesouro descobriram que a China tinha contatos especiais com corretores primários, para manter ocultas suas compras de papéis da dívida dos EUA, o Tesouro mudou os métodos, para impedir esse tipo de negócio – como a Reuters noticiou em junho passado. Mas, simultaneamente, o Tesouro afrouxou uma de suas exigências de notificação, para manter o conforto dos chineses, no novo regime de regras.  Outro traço do relacionamento especial entre EUA e China nesse campo é a discrição: o Tesouro tentou manter sob sigilo os seus motivos para mudar as regras, em 2009 – como observou a agência Reuters.  Outra vez, documentos que tratam do novo status da China, como comprador direto, mostram o mesmo desejo de sigilo – em relação a Wall Street. E, para proteger o sistema contra hackers, o sistema do Tesouro que dá à China acesso direto aos leilões de títulos foi upgraded.  Em seguida, os técnicos do Tesouro discutiram meios para desviar as perguntas que viriam, dos corretores de Wall Street, no momento em que os resultados dos leilões começassem a mostrar a inegável presença de um comprador direto estrangeiro.  “A maioria entende que compradores estrangeiros só apresentam “ofertas indiretas” pelos corretores primários. A novidade provavelmente causará boatos significativos na rua, e muitas perguntas provavelmente chegarão até nós” – escreveu um funcionário do governo, em e-mail que Reuters leu.  No mesmo e-mail, o mesmo funcionário sugeria que se oferecessem respostas básicas, gerais, a perguntas sobre quem está autorizado a participar de leilões dos títulos da dívida dos EUA.  “Parece-me que será prudente, no caso de perguntas mais complexas ou de natureza mais sensível, que as perguntas sejam encaminhadas à área de Relações Públicas do Tesouro” – escreveu o funcionário.  Dar à China status de comprador direto pode gerar controvérsias, porque alguns funcionários do governo dos EUA já se preocupam por a China ter alcançado posição muito alavancada, sobre os EUA, graças à sua gorda carteira de papéis do Tesouro.  Por exemplo, o economista Brad Setser, membro do Conselho Econômico Nacional e que também trabalhou para o Conselho Nacional de Segurança, já disse que o fato de a China ser proprietária de grande quantidade de Treasuries implica ameaça à segurança nacional.  Em carta ao Conselho de Relações Exteriores em 2009, Setser argumentou que o fato de a China ter em seu poder quantidades massivas de papéis da dívida dos EUA dava ao país poder sobre os EUA, pelo risco de um movimento massivo de venda daqueles papéis, o que criaria perigosa agitação nos mercados e faria subir as taxas de juros.  Mas funcionários do Tesouro sustentam, há muito tempo, que a venda de papéis da dívida à China é assunto mantido à parte, separado de considerações políticas, numa relação negocial que beneficia os dois países. Os chineses usam os Treasuries para manter a cotação dos dólares que recebem em pagamento dos produtos que vendem para os EUA; e ao governo dos EUA interessa que haja essa forte demanda pelos títulos de sua dívida, porque assim se mantêm baixas as taxas de juro.  Porta-voz da embaixada da China em Washington não respondeu aos telefonemas e e-mails com pedidos para que comentassem a notícia.  Mas os EUA já mostraram crescente ansiedade em relação à China, como ameaça à “cibersegurança”. A mudança que o Tesouro introduziu no sistema computacional de leilões, antes de dar acesso direto à China, visou limitar o acesso apenas a um único sistema, a uma conexão de rede privada, controlada pelo Tesouro.  A China é um dos tópicos mais sensíveis para banqueiros e funcionários do governo que vivem a cortejá-la como cliente financeiro, pelo tamanho e importância e ninguém quis comentar essa matéria.  Mas um ex-gerente da dívida, no Tesouro, que pediu para não ser identificado, disse que, aos poucos, a China foi adquirindo experiência no mercado dos papéis da dívida dos EUA; e que os chineses sentem-se provavelmente mais confortáveis na nova situação, com melhor controle sobre a administração de sua carteira.  A solicitação para apresentarem suas propostas de compra diretamente, desse ponto de vista, seria resultado de uma maior confiança de que os chineses poderiam comprar papéis da dívida, mais eficientemente, em negociação direta, do que através dos bancos de Wall Street, que frequentemente inflam os preços dos Treasuries em leilões, quando sabem quanto os grandes clientes estão dispostos a gastar. Não é prática especificamente ilegal, mas a maioria dos corretores as considerariam pouco ética.  Prova de que a China vai-se tornando operadora cada vez mais sofisticada, como gestora de dinheiro, nos mercados dos EUA é a evidente expansão de suas operações em New York. O braço chinês de administração do dinheiro, Administração Estatal do Câmbio [orig. State Administration for Foreign Exchange (mais conhecido como SAFE), mantém escritório em Midtown Manhattan, e um experiente gestor de investimentos – Changhong Zhu, ex-presidente de investimentos e derivativos da Pacific Investment Management Co. – em Pequim.  Uma voz feminina que atendeu ao telefone no escritório da SAFE em New York, disse que ninguém, no escritório, tinha autorização para falar à imprensa.

Postado por Castor Filho


 

Da Ansa

CONSELHO DE MINISTROS DA ITÁLIA DECLARA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA POR 60 DIAS

 

ROMA E FERRARA, 22 MAI (ANSA) - O Conselho de Ministros da Itália declarou hoje estado de emergência nas províncias de Bolonha, Modena, Ferrara e Mantova que foram atingidas pelo terremoto de 5,9 graus na escala Richter, na madrugada do último domingo.
   
O Conselho definiu que o estado de emergência terá duração de 60 dias e que a coordenação das ações ficará a cargo do Chefe do Departamento Civil, Franco Gabrielli.
   
Os ministros também definiram a quantia de 50 milhões de euros (cerca de R$ 130 milhões) que refinanciará o Fundo Nacional para a Proteção Civil.
   
"Como previsto pela recente reforma da Proteção Civil, as ordens decretadas nos próximos 20 dias serão imediatamente eficazes. Nesta fase, o chefe da Proteção Civil agirá com a máxima flexibilidade e liberdade", apontou a declaração final do Conselho de Ministros.
   
Hoje, o subsecretário da Presidência do governo italiano, Antonio Catricalà, atualizou os números decorrentes do terremoto. Segundo ele, são sete mortos, 47 feridos e 5.262 desalojados, que têm à disposição sete mil leitos.
   
O primeiro-ministro do país, Mario Monti, visitou hoje cidades atingidas pelo tremor. "Eu vim, antes de tudo, para trazer as minhas condolências aos parentes das vítimas e depois para ver pessoalmente os danos", disse.
   
"Vi uma população que tem um grande desejo de reconstruir e de retomar logo as atividades econômicas. Eu vi as autoridades locais, a começar pela Região Emilia-Romagna, muito empenhadas e estou muito feliz de ver que estão trabalhando com espírito de equipe e transmitindo a ideia de que estão encontrando soluções concretas". (ANSA)
22/05/2012 13:40

 

Do Diário de Notícias de Lisboa

A Grécia vai sair do euro?

por MÁRIO SOARESOntem

1. Há muitos comentadores portugueses e estrangeiros que o pensam e dizem, abertamente. Krugman, prémio Nobel da Economia, no seu blogue do New York Times, num artigo recente, escreveu: "Não dou mais do que um mês para a Grécia sair do euro." E a Senhora Christine Lagarde, presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que fala pelos cotovelos, com algumas contradições pelo meio, também disse que não havia outra solução: a Grécia tinha de sair do euro e da própria União.

Contudo, modestamente o digo, penso o contrário. Porquê? Porque a Grécia é um símbolo e se isso acontecesse a União Europeia entraria em grande convulsão. Ninguém, com um mínimo de sensibilidade política, pode querer um tal desfecho.

O novo Presidente da República francês, François Hollande, disse-o claramente, no seu discurso de posse. Cito: "Quero levantar a França na Justiça; abrir uma nova via na Europa; contribuir para a paz no Mundo; e preservar o Planeta." Na visita que fez a Berlim, a convite da chanceler Merkel, no próprio dia da sua tomada de posse - o que alguns comentadores consideraram como um ato de subserviência, mas não foi -, a carregada agenda que os dois têm nas próximas semanas explica-o com muita clareza. Aliás, na escassa hora que tiveram de conversa, ambos disseram: "Que os gregos devem continuar na Zona Euro." A Senhora Merkel até foi mais longe: "Uma dívida comum tem responsabilidades comuns." Não podia ser mais clara depois de tantas tergiversações...

É certo que acabara de sofrer uma grande derrota no maior Land alemão, Renânia do Norte-Vestefália. E os seus rivais sociais-democratas alemães, bem como os verdes, começaram a falar forte, tomando posições muito próximas de Hollande, o que a deve ter feito pensar que está cada vez mais isolada... O encontro que Hollande teve com o Presidente Obama foi, como disseram, uma conversa entre aliados e amigos, que temem a austeridade e trabalham para haver menos recessão e baixar o desemprego.

A Grécia tem sete fôlegos e apesar das divisões político-partidárias internas, que complicam a situação, sabe que a Alemanha tem grandes culpas no cartório e, portanto, in extremis não lhe convém nada que venham ao de cima. Por outro lado, a Grécia fora do euro provocaria demasiados contágios e empurrava o euro - e a própria União - em queda direta para o abismo. Quem é que tem a coragem de assumir uma tal responsabilidade? Os gregos sabem o que estão a fazer e, como é conhecido, querem, maioritariamente, continuar no euro.

O próximo mês de junho vai necessariamente trazer-nos algumas surpresas. A política vai mexer muito e talvez, acho eu, comece a dominar os mercados usurários, como é indispensável que ocorra para passarmos a ver a luz ao fundo do túnel. Tenhamos, pois, esperança e façamos por isso!

2. Hollande vira a página

Na sua tomada de posse, como o segundo Presidente Socialista da França, François Hollande confirmou, com meridiana clareza, o que tinha dito durante a campanha eleitoral. O modelo de François Mitterrand, está-lhe no pensamento e sabe que tem de mudar radicalmente a política, não só da França como da Europa. E para tanto tem aliados preciosos, como os sociais-democratas e os verdes alemães, dado que ambos querem mudar a situação política e o problema ambiental que a União, infelizmente, deixou cair, e os socialistas de quase todos os países europeus, mesmo os mais envergonhados, por terem acreditado na "terceira via", os democratas italianos, que deixaram de ser comunistas e socialistas e mesmo os democratas-cristãos, que ainda existem e não se transformaram em populistas e neoliberais, ignorando em absoluto, apesar de se dizerem católicos, a doutrina social da Igreja...

Laurent Joffrin, no seu último artigo no Nouvel Observateur, comparou François Hollande com Franklin Roosevelt - elogiosa e grande comparação! - pondo em relevo o New Deal como uma lição preciosa para hoje vencermos a crise com que a Europa está confrontada e com a necessidade de reinventar a social- -democracia, do que tenho várias vezes falado nestas crónicas. Cito: "Afrontando as resistências da Di-reita e da Direita extrema neonazi, muito agressiva, como se viu em Londres, Paris e na Alemanha, mas também os preconceitos da Esquerda, dita radical e anarco-populista. E conclui: "É preciso manter o sistema capitalista - é o único que funciona - tendo em conta os interesses sociais dos pobres e fazendo pagar os ricos, sem desencorajar os empresários."

O facto de François Hollande - e seus ministros - terem começado por diminuir os seus próprios honorários, é um bom exemplo para as instituições europeias e para a União. Veremos como tudo vai evoluir. Porque o tempo das mudanças progressistas, finalmente, parece ter chegado.

3. 25 de Maio: dia de África

Portugal tem uma enorme tradição africana. Praticamente única. Foi o primeiro Estado europeu a viajar e a conhecer África, como os seus dedos, tratando os africanos, quando lhes fez filhos, de igual para igual. Depois da II Guerra Mundial - e do movimento da descolonização - foi o último país europeu, devido à teimosia cega de Salazar, a abandonar o chamado império (onde o ditador nunca foi) ou, como no final lhes chamou, o Ultramar. Com efeito, o ditador que nos governou por 48 anos e o seu sucessor, Marcelo Caetano, foram os principais responsáveis por treze anos de "guerras coloniais" cruentas, que não tinham solução militar, como se provou, e a abandonar, quase sem resistência, o chamado Estado Português da Índia, quando teria sido possível uma solução negociada.

Deveu-se à "Revolução dos Cravos" - e portanto aos militares de Abril e, depois, aos do 25 de Novembro de 75 - a abertura de negociações conducentes à paz e ao reconhecimento do direito à autodeterminação, como a ONU proclamava. A descolonização impunha-se para se chegar, como rapidamente se conseguiu, à normalização democrática, pluralista e civilista de Portugal, à entrada, de pleno direito, de Portugal na então CEE, hoje União Europeia, e a um período de grande desenvolvimento e de bem-estar social que durou nos últimos vinte e tal anos.

Depois das independências criou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma associação que não é só de língua - embora o seja - ou de negócios, como muitos pensam -, sobretudo em tempo de crise, que hoje vivemos, mas, essencialmente, de afeto, de solidariedade, de ligações das diferentes culturas, embora com raízes comuns, de liberdade religiosa, do conhecimento e do modo de ser e de estar.

A CPLP difere da Commonwealth como inicialmente alguns terão pensado, porque representa um modelo muito diferente. Na Com-monwealth, há um Estado mentor, o Reino Unido, que, por isso, nunca quis que a América do Norte lá entrasse, apesar de ser uma antiga colónia inglesa. Enquanto na CPLP o Brasil está - e gostamos muito que esteja - sempre presente, porque ao mesmo tempo foi uma colónia portuguesa e também a capital do extenso império português, enquanto D. João VI esteve no Brasil. Quando regressou a Lisboa, por imposição das Cortes, foi o seu filho D. Pedro IV português e I do Brasil, que declarou: "fico", e com esse grito proclamou a independência do Brasil, sem efusão de sangue.

As relações entre Portugal e Brasil nunca foram por isso conflituosas. Foram e são, em virtude do nosso passado comum, de grande fraternidade. Como as que temos hoje, felizmente, com Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné- -Bissau, Cabo Verde - e também Timor -, porque todos nos batemos, no tempo do colonialismo, contra o mesmo inimigo comum: a ditadura de Salazar e de Caetano. Certamente por isso a amizade entre os Povos da CPLP é hoje tão fraterna, independentemente das diferenças políticas e económicas.

4. Timor - 10 anos de independência

Com a presença do Presidente Cavaco Silva, comemorou-se no sábado passado dez anos de independência de Timor-Leste. Tive a honra de ser convidado pelo Presidente Ramos--Horta e, depois, pelo Presidente Cavaco Silva, para ir a Timor participar nessa comemoração, com tanto significado para Timor-Leste e para Portugal, Estados irmãos. Gostaria de ter ido, tanto mais que Timor é o único Estado ex-colónia de Portugal que não conheço. Mas a verdade é que não me sentia com forças para fazer uma tão longa viagem, para lá e para cá, em tão poucos dias.

Sempre fui um apaixonado pela Causa de Timor. E fui, como alguns timorenses testemunharam, dos portugueses que sempre foram solidários com os que se bateram, corajosamente, por essa justa Causa. Os textos dos dez volumes de Intervenções, que publiquei enquanto Presidente, ao longo de dez anos, aí estão para o testemunhar. No discurso de investidura, de 9 de março de 1986, na Assembleia da República, intitulado "Unir os Portugueses, Servir Portugal", não deixei de exprimir a minha preocupação relativamente a Timor-Leste afirmando a necessidade "de lutar, na medida das nossas possibilidades, pelo direito imprescindível do Povo de Timor-Leste à autodeterminação e à independência". E assim fiz, sempre em todos os momentos em que referi Timor - e muitos foram - em Portugal e no Estrangeiro. Nunca esqueci, nessas ocasiões, o caso de Timor, mesmo quando alguns portugueses e estrangeiros deixaram de acreditar na independência de Timor.

Aliás, os timorenses que se bateram, dentro e fora de Timor, sabem bem disso, como podem testemunhar Xanana Gusmão e Ramos- -Horta, entre outros. Uma vez conseguida a independência, a Fundação Mário Soares tudo fez para conservar e estudar a documentação histórica relativa à resistência, parte da qual veio para Portugal, por vontade expressa de alguns dirigentes que tanto admiro. Agora que se inaugurou o Arquivo & Museu da Resistência Timorense, na capital, em Díli, Alfredo Caldeira, apaixonado por Timor, está a representar a Fundação bem como alguns dos colaboradores que levou consigo. Estão em Timor para ajudar no que podem e para que se recupere a memória da gesta da resistência, que tanto honra o Povo Timorense.

De longe, infelizmente, tenho procurado seguir a jornada histórica que se vive em Timor. Formulo os melhores votos para que tudo corra o melhor possível, como o heroico Povo de Timor merece.

5. Faleceu Carlos Fuentes

Um grande escritor mexicano, émulo de Octávio Paz, diplomata e prémio Nobel que conheci bem, Carlos Fuentes é outra figura cívica e literária universal que ultrapassou em muito a cultura ibero-americana tendo ganho, entre outros, os prémios Cervantes e Príncipe das Astúrias.

Também o conheci há muitos anos, no México, pela mão do meu velho amigo e correligionário, o embaixador Porfírio Muñoz Ledo, professor universitário e conhecido político e reputado ensaísta. Encontrei-o depois - já leitor apaixonado de alguns dos seus livros, como Contra Bush, Aquilo em Que Acredito, um livro essencial para conhecer o seu pensamento, Constância e Outras Novelas para Virgens, El Naranjo, Todas as Famílias Felizes, etc. - na Bélgica, quando Muñoz Ledo era embaixador do México em Bruxelas e nos convidou a ambos para almoçar. Foi toda uma tarde muito divertida.

Em certa altura, Porfírio perguntou a Carlos Fuentes: "Sabes qual o pseudónimo com que o Mário assinava, quando estava exilado, os artigos que publicava na revista Ibérica, dirigida por Victoria Kent e que saía regularmente em Nova Iorque?" Não sabia, claro. Então respondeu: "Imagina, era Carlos Fontes"...

Carlos Fuentes, o verdadeiro, fez uma pausa e afirmou: "Pois bem, como as coisas se estão a azedar no México, se tiver de vir a exilar-me escrevo sob o pseudónimo de Mário Soares"... Todos rimos. Foi a última vez que o vi. Mas segui sempre a sua fabulosa carreira de cidadão, de grande escritor universal e de humanista, que tanto e sempre admirei.

 

40 milhões de reais de custo total, e ainda não terminou a restauração do Cine Brasil na Praça Sete de Belo Horizonte.

Será que vai terminar algum dia? 

http://bairrosdebelohorizonte.webnode.com.br/news/a-classica-historia-de-bh-/

O Cine Brasil foi tombado em 2000 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). Atualmente, o espaço é de propriedade da empresa Vallourec & Mannesmann que, após a restauração, deve transformá-lo em um centro de cultura e artes cênicas. O grande salão multiuso será transformado em um pequeno teatro, outros espaços serão reservados para gravação de CDs, escola de música, salas de debates, além de lojas voltadas para a arte e um espaço para um café-livraria.

A recuperação do prédio acontece desde 2006. O projeto inclui restauração da arquitetura, decoração, reocupação do espaço interno e pintura interna, assinada pelo italiano Ângelo Biggi. O custo total da obra está orçado em R$ 40 milhões, garantidos pela Lei de Incentivo à Cultura e através de recursos próprios.


 

Deixe me entender:  a "restauracao" ate agora custou dez vezes mais do que a propriedade vale.  Entendi?

So podia pertencer a uma construtora mesmo...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Em BH o Monumento à Ereção de vez em quando é motivo de protesto popular. Por exemplo, quando a prefeitura resolve gastar grana para fazer a limpeza nele, como aconteceu no ano passado.

Também conhecido como o Pirulito da Praça Sete, ele já foi usado em campanhas para uso da camisinha, ocasião em que vestiram um preservativo nele.

 

http://www.dzai.com.br/taovoce/blog/taovoce?tv_pos_id=18440

 

De recente entrevista ao Presidente de Equador, Rafael Correa:

"Seja como for, quero dizer que uma das razões do mal-estar é que nós cortamos todo o financiamento que a Embaixada dos EUA pagava à polícia no Equador. Era assim, antes do nosso governo e continuou ainda, por um ano e pouco. Demoramos a corrigir isso. Havia unidades inteiras, setores chaves da Polícia, que eram completamente financiadas pela Embaixada dos EUA. Os chefes policiais eram selecionados pelo Embaixador dos EUA e pagos pelos EUA. A tal ponto, que aumentamos muitíssimo os soldos dos policiais, mas quase ninguém percebeu, porque recebiam soldos do outro lado. Acabamos com tudo isso. E há alguns que sentem saudades daqueles tempos. Mas são tempos que não voltarão ao nosso país e aos nossos países."

Ao redor de 10 anos atrás foi noticiado pela imprensa que diversos delegados da PF, no Brasil, recebiam verba dos EUA. Será que isso foi investigado?

 

 

 

Francischini faz trapalhada e 'denuncia' Agnelo com documento que o inocenta 

O deputado Francischini (PSDB-PR) virou motivo de piada na CPI do Cachoeira.

O deputado tucano mostrou um papel, um ofício de 15 de dezembro de 2010, assinado por Agnelo Queiros (PT-DF), quando já estava eleito governador, mas antes de tomar posse, pedindo prorrogação de alguns contratos de serviços essenciais do governo do Distrito Federal, caso estivessem vencendo, o que, segundo o deputado tucano, seria a "prova" de que beneficiou a Delta.

O porta-voz do governo do DF adorou a 'denúncia' do deputado tucano e se apressou em mostrar o documento nas redes sociais.

 Eis o documento, que fala por si:


Vamos desenhar para o deputado Francischini entender:

1) O ofício é de 15 de dezembro de 2010;

2) Agnelo tomou posse 15 dias depois, em 1º de janeiro de 2011;

3) O ofício pedia para prorrogar temporariamente contratos de serviços essenciais, caso vencessem no final de 2010 ou até janeiro de 2011, portanto no primeiro mês de governo, quando não haveria tempo hábil de fazer licitação, para não interromper serviços essenciais.

4) Obviamente, coleta de lixo, é um serviço essencial, mas o ofício foi genérico, sem citar a Delta;

5) O contrato da Delta com o governo do DF não se enquadra neste ofício, pois foi assinado em 2010, pelo governo anterior, e venceria só em 2015;

Com inimigos trapalhões como Francischini, Agnelo nem precisa de amigos para defendê-lo.

Aliás, chama a atenção como Francischini e Cachoeira compartilharam um mesmo objetivo comum: derrubar Agnelo, com denuncismo forjado.

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/05/francischini-faz...

 

..."o branco brasileiro se acha uma ilha de tolerância cercada de racismo por todos os lados, racismo ao qual, curiosamente, ele se crê imune."...

 

Uma proposta de exercício e de ética da escuta para quem não é vítima de racismo

À raiz do debate de semana passada na Al Jazeera, voltaram a acontecer, no meu Facebook, email e Twitter, algumas discussões sobre racismo brasileiro que, apesar sempre saudáveis, com frequência repetem uma dinâmica bastante comum no país. Aprendi, com os anos, que essa dinâmica tem que ser descrita com cuidado, para que a própria descrição não termine reforçando-a. Eu me refiro à dinâmica estudada pela Ana nesse texto magistral, Não é sobre você que devemos falar.

Trata-se de um dos maiores obstáculos que se enfrenta no combate ao racismo brasileiro, e ele pode ser resumido mais ou menos nos seguintes termos. Os brancos brasileiros tendemos a acreditar sinceramente, a crer piamente, a estar convictos, de que sabemos o que é o racismo sem jamais termos feito o exercício de escutar suas vítimas. A dinâmica se agrava pelo fato extraordinário e mui curioso, bastante próprio do Brasil, de que 86% dos brancos brasileiros afirmam não ter preconceito contra negros, mas nesse mesmíssimo universo, 92% reconhecem que existe racismo no Brasil.

 

Conclusão: o branco brasileiro se acha uma ilha de tolerância cercada de racismo por todos os lados, racismo ao qual, curiosamente, ele se crê imune.  É um caso inédito na história da sociologia. Ao mesmo tempo em que se crê imune, o branco brasileiro tende a ter, sobre o fenômeno, uma opinião bastante convicta, sem jamais ter tomado a iniciativa de tentar escutar um negro sobre o que é ser vítima de racismo. O branco não vê, nessa atitude, nenhuma herança racista.

O resultado é extraordinário: praticamente todos os brancos brasileiros reconhecem que há racismo no país, praticamente todos eles dizem que não são parte dele, e mantêm ambas opiniões sem jamais ter feito o esforço metódico, sistemático, de ouvir as vítimas do racismo. Não se costuma, no Brasil, ver a contradição entre essas três coisas. Coisa mais incrível ainda é que, ao serem perguntados se conhecem alguma pessoa racista, os entrevistados, em sua grande maioria, apontavam pais, irmãos, tios, amigos ou namorados. Ou seja, o ambiente ao redor está inteirinho contaminado de racismo, só eu que não!

O racismo brasileiro, que está em todos os lugares mas nunca em nós mesmos, produz, a partir daí, um segundo efeito bastante perverso: conversar sobre a discriminação racial, sobre a segregação e a exclusão raciais, e sobre a luta dos afrobrasileiros por cidadania tende a provocar, na maioria da população branca brasileira, um visível desconforto, um claríssimo mal estar, um mal disfarçado desejo de que a conversa termine logo. É como se o racismo não existisse até o momento em que passamos a conversar sobre ele.

No caso da discussão sobre as cotas, por exemplo, eu ouvi, algumas dezenas de vezes, a reclamação de brancos brasileiros de que não dava pra discutir aquilo porque não se sentiam confortáveis para se oporem a essas medidas de reparação sem serem chamados de racistas. A apreensão é bizarríssima, porque estou nesse debate há mais de uma década e jamais vi um ativista do movimento negro, um militante pró-cotas, um representante de organização afrobrasileira chamar alguém de racista porque se opõe às cotas. Na verdade, eu nunca vi essa acusação ser feita nesses termos “ah, se você é contra as cotas, você é racista”. Mas esse é o fantasma evocado uma e outra vez para terminar a conversa. Se algum marciano pousasse no Brasil, sem conhecimento do contexto, e escutasse tudo isso, ele provavelmente concluiria que o grande problema racial brasileiro é que muitos brancos bem-intencionados estão sendo chamados de racistas.

Vi gente de esquerda (esquerda mesmo) me escrever esta semana dizendo “será que não posso questionar se as cotas são a melhor forma de combater o racismo sem ser chamado de racista?” A angústia é genuína e o fato de que ela seja expressa assim, sem a menor consciência de que talvez ela tenha algo a ver com o racismo, só mostra como é longo o caminho que temos que andar. São 386 anos de escravidão. Décadas e décadas de violência policial racista e exclusão. 512 anos de discriminação. O movimento negro decidiu que queria essa vitória, essa conquista: as cotas. Elas foram implantadas. Os resultados são melhores do que os esperados: a evasão dos cotistas é menor que a dos não cotistas e suas notas são iguais ou melhores. O Supremo Tribunal Federal validou a constitucionalidade do projeto. E há branco brasileiro esclarecido, de esquerda, escrevendo “será que não posso questionar se as cotas são a melhor forma de combater o racismo sem ser chamado de racista?”, como se ela fosse contraditória com outras formas, como se ela tivesse que ser a melhor para ser eficaz. Pior de tudo, o branco brasileiro esclarecido, de esquerda, escreve isso e não vê na frase nenhuma herança racista.

O remédio para se combater esse fenômeno só pode ser um: desenvolver uma ética da escuta. E é com esse chamado que eu termino, para que você realize um exercício que venho realizando há duas décadas: se você é um branco brasileiro, seja lá de que origem for, que tal tentar procurar, na sua cidade, ao longo do próximos meses, cinquenta cidadãos afrobrasileiros? Pergunte a eles sobre sua experiência. Concentre-se em ouvir. É a experiência deles que importa aqui. Não é sobre você que devemos falar. Pergunte, por exemplo, como é andar de noite por uma metrópole brasileira sendo negro. Pergunte se ele/ela já foi objeto de revista policial arbitrária. Pergunte se eles já foram agredidos com epítetos raciais. Pergunte se já foram barrados em algum lugar sem razão aparente. Pergunte se já foram interpelados ou olhados como se não tivessem o direito de estar onde estão. Pergunte se já viram parentes serem humilhados por causa da cor da pele. Faça estas e outras muitas perguntas possíveis (por exemplo, sobre a experiência de somente ver garis, porteiros e flanelinhas parecidos com você, enquanto seus amigos brancos veem médicos, advogados e engenheiros parecidos com eles). Leve em conta, neste tipo de exercício, que se você, branco, estiver conversando com um negro que lhe é subordinado, há uma possibilidade de que, dependendo de como a pergunta for feita, ele diga o que você quer ou precisa ouvir, por falta de confiança, por falta de costume, pela dor e pela humilhação envolvidas, pelos anos todos em que foi quase proibido de falar sobre o assunto (já há, inclusive, estudos acadêmicos sobre esse fenômeno). Lembre-se que o racismo é assunto delicado, mesmo no interior de famílias negras, e a conversa sobre ele, envolvendo negros e brancos, uma grande novidade no Brasil. Paute sua sensibilidade a partir desses fatos.

Ouça, ouça, ouça. Concentre-se na experiência deles, não na sua. Depois que concluir esse experimento, com cinquenta co-cidadãos seus, volte aqui e me conte. Se você estiver disposto a escrever um texto sobre a experiência, eu o publico na Revista Fórum.

http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/05/21/uma-proposta-de-exercicio-e-de-etica-da-escuta-para-quem-nao-e-vitima-de-racismo/

 

França qualifica de criminoso bloqueio contra Cuba

Membros da Associação francesa Realidades e Relações Internacionais (ARRI) qualificaram de criminoso o bloqueio mantido por Estados Unidos contra Cuba desde faz mais de cinco décadas.

  Integrantes desse grupo, que em março passado realizaram um percurso por várias províncias de Cuba, mantiveram um encontro aqui com o embaixador na França, Orlando Requeijo.

Na reunião, o diplomata cubano recordou que o cerco econômico, comercial e financeiro de Washington contra seu país tem sido condenado em 20 ocasiões pela Assembléia Geral da ONU.

Até dezembro de 2010, o dano econômico direto ocasionado por essa injusta política, a preços correntes e calculados de forma muito conservadora, supera os 104 mil milhões de dólares.

O bloqueio também afeta a outros países por seu efeito extraterritorial, recordou Requeijo e acrescentou que há muitas empresas que se vêem imposibilitadas de vender seus produtos a Cuba.

O embaixador referiu-se também à negativa da Corte Suprema dos Estados Unidos para que a companhia Cubaexport tivesse a possibilidade de defender seu direito de renovar o registro de Havana Club ante o Escritório de Marcas e Patentes.

No encontro os membros da Associação Realidades e Relações Internacionais reconheceram os avanços de Cuba em diversos setores, apesar desta política injusta.

A ARRI é uma associação independente, integrada por antigos diplomatas, funcionarios e exdirigentes de grupos empresariais e de outros setores, interessados em conhecer a situação internacional.

http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id...

 

  FARINHA  DO MESMO SACO !!!!!!!!!!!!!!!!!!, se na CPI so teve puxa saco, para mim sao os dois da mesma laia, BANDIDOS  !!!!!!!!!!! 

Re: Fora de Pauta
 

Perfil falso na internet pode dar 2 anos de prisão

Usuários da internet que usarem perfis falsos em redes sociais ou correspondências eletrônicas (e-mails), por exemplo, poderão ser enquadrados como crimes de informática passível de seis meses a dois anos de pena de prisão. A pena integra o elenco de propostas de aperfeiçoamento do Código de Processo Penal, sob a análise de juristas nomeados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O resultado desse trabalho será encaminhado para a análise dos parlamentares na forma de um anteprojeto de lei ainda neste semestre. A proposta, aprovada em reunião da comissão de juristas, hoje (21), prevê o aumento de um terço da pena se, pela internet, o perfil falso causar prejuízos a terceiros. O relator da comissão, procurador Luiz Carlos Gonçalves, acrescentou que os hackers, especialistas em informática capazes de modificar programas e redes de computadores, merecerão um capítulo à parte no anteprojeto.

Recentemente, a atriz Carolina Dickman teve fotos íntimas veiculadas em páginas da internet. Casos como esse terão pena de dois anos de prisão acrescido em um terço pela utilização da rede mundial de computadores. Os juristas ainda analisam a penalização de crimes mais graves, como o acesso indevido de dados comerciais protegidos.

Os juristas também aumentaram penas para qualquer pessoa que, de posse de informações de processos judiciais que correm em segredo de Justiça, sejam divulgados à imprensa. A quebra do segredo de Justiça – como sigilos fiscal, telefônico e bancário – pode passar de dois a quatro anos de prisão para dois a cinco anos de prisão.

"O foco da criminalização não é o trabalho da imprensa que noticia um fato que chegou ao conhecimento dela. O regime constitucional de liberdade de imprensa, de proteção do sigilo da fonte, nos impediria de agir de forma diversa", disse o relator da comissão de juristas. Luiz Carlos Gonçalves ressaltou que esse tipo de crime já está previsto na Lei de Interceptação, mas a ideia é tipificá-lo no Código Penal. Pelo que foi aprovado hoje, caso os dados vazados sejam veiculados em meios de comunicação, a pena de dois a cinco anos será aumentada em um terço.

Outro tema apreciado na reunião foi a corrupção no setor privado. O procurador Luiz Carlos Gonçalves disse que a lei atual prevê o crime nesse setor somente quando existe o envolvimento de funcionário público. A proposta é tipificar, por exemplo, o funcionário do setor de compras de uma empresa privada que recebe vantagem indevida para beneficiar determinado fornecedor. "Estamos adequando nossa legislação ao parâmetro internacional de corrupção privada", observou o relator da comissão de juristas.

http://www.bahia247.com.br/pt/bahia247/outros/8460/Perfil-falso-na-inter...

 

Júlio Cerqueira César Neto: Sabesp privilegia acionistas em detrimento de usuários

No último dia 15 de maio a Sabesp foi homenageada na Bolsa de Valores de Nova York quando completou 10 anos de negociação de suas ações. Na série de atividades comemorativas foi realçada a excelente valorização de suas ações, 601% nesses 10 anos, superando em muito a performance do Dow Jones, que subiu 29% no período, além de destacada sua posição de maior empresa de saneamento das Américas e quarta do mundo em número de clientes: 27,6 milhões de pessoas.

O valor de mercado da Sabesp quase triplicou: passou de R$ 6 bilhões para R$ 17 bilhões.

Entretanto essa invejável situação da empresa e dos seus acionistas apresenta enorme contraste com a dos seus usuários da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que representam mais de 70% dos seus clientes e de certa forma pode explicar a lógica desse formidável sucesso empresarial.

A empresa não investe em novos mananciais desde a conclusão do Sistema Cantareira, há mais de 20 anos deixando o abastecimento em situação gravíssima, à beira de um colapso como já ocorreu em 2003. Não investe em sistemas avançados de tratamento de águas, necessários há mais de dez anos, tendo em vista a péssima qualidade das águas dos mananciais, colocando em risco a saúde os seus usuários. Desde a sua criação em 1973 não protegeu os seus mananciais permitindo que Guarapiranga atingisse a lamentável degradação que apresenta hoje.

Além dessa situação do abastecimento de água, desenvolveu o seu programa de esgotos privilegiando a construção de redes coletoras com lançamento sem tratamento nos córregos e rios da região que hoje se constituem em canais de esgoto à céu aberto. Trata apenas 25% dos esgotos gerados na região. Após a execução das duas primeiras fases do Projeto Tietê (1992-2000 e 2000-2010) a qualidade das águas superficiais da região estão muito piores do que antes do seu início.

A empresa que no próximo ano faz 40 anos sempre decidiu suas ações de forma isolada atendendo aos seus próprios objetivos (comerciais) sem nenhum controle externo inclusive a implantação do sistema tarifário, responsável pelo sucesso econômico-financeiro que, além de nunca ter sido auditado, cobra pela prestação dos serviços de tratamento de esgotos sem executá-lo.

Para concluir mais uma imagem futebolística: a Sabesp não tem marcador, sempre jogou livre.

Júlio Cerqueira César Neto é engenheiro, durante 30 anos foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/julio-cerqueira-cesar-neto-sabesp-privilegia-acionistas-em-detrimento-de-usuarios.html

 

 

Justiça abre conta da Delta.
Cerra, a batata assou !

Publicado em 22/05/2012

Saiu no Globo:

Delta autorizou ex-diretor da empresa a gerir contas nacionaisBRASÍLIA – A quinta vara do Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou na noite desta terça-feira a quebra do sigilo bancário das contas da Delta nacional. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Distrito Federal, que investiga as relações entre a empresa e o grupo do contraventor, em negócios com o governo local. A quebra de sigilo é um desdobramento da Operação Saint Michel, que resultou na prisão de Cláudio Abreu e outras quatro pessoas.Mais cedo, o relator da CPI do Cachoeira, que investiga a relação do contraventor com políticos e empresários, Odair Cunha (PT-MG), afirmou que o ex-diretor da Delta Centro-Oeste, Cláudio Abreu, recebeu uma procuração da direção nacional da Delta para movimentar contas gerais da construtora, que abasteceram empresas de fachada usadas pelo grupo do contraventor. Segundo Odair Cunha, a procuração indica que a direção nacional, inclusive o ex-presidente Fernando Cavendish, conheciam as transações operadas por Cláudio Abreu, em nome do grupo de Cachoeira, e reforçam a necessidade da quebra dos sigilos bancário e fiscal das principais contas da empreiteira.

 

 

(…)

Clique aqui para ler: “CPI: relator quer levar Delta a Cerra”

Navalha

A situaçao do Cerra é interessante.

Se ele blinda a Privataria Tucana, vem o diretor que tem 279 imóveis e aprovava os imóveis da Prefeitura do Cerra.

Que ele diz que não nomeou e nomeou.

Aí, ele blinda do diretor imobiliário e vem o engavetamento do trem.

Aí, ele blinda o engavetamento do trem, e vem a CPI da Veja.

Aí, ele empurra a Delta no Agnello e no Cabralzinho e a Justiça e o relator da CPI resolvem desembarcar na marginal (sic) de São Paulo.

O Cerra é um candidato profissional – como o Jânio – e um malabarista.

Daqueles que ficam no “farol”, como se diz em São Paulo, no sinal do trânsito, a equilibrar garrafas.

Só que o numero de garrafas aumenta a cada dia.

E ele, o “velho”, o eterno candidato, vai pegar um “novo” pela frente, o Haddad, que vai ganhar a eleição com a bandeira do Enem.

Aí, o Cerra vai blindar a derrota e se lançar candidato a Presidente …

Aí, ele blinda a derrota em 2014 …

E se faz candidato .. a qualquer coisa.

Porque esse é um meio de vida.

Como o Jânio, outra paulista por excelência, que vivia de ser candidato.

Clique aqui para ler sobre “a matrix paulista”.

Paulo Henrique Amorim




 

Sessão da CPI é encerrada após silêncio e sarcasmoSessão da CPI é encerrada após silêncio e sarcasmo Foto: Lia de Paula/Agência Senado

Réu Carlinhos Cachoeira e advogado Marcio Thomaz Bastos ganharam o dia; o primeiro não disse nada; ex-ministro foi coberto de elogios; senadora Katia Abreu propôs fim da sessão; "É uma múmia", resumiu ela; parlamentares avaliaram que perguntas só ajudariam a defesa; papéis se inverteram!

22 de Maio de 2012 às 21:47

247 – Marcada pelo silêncio do contraventor Carlinhos Cachoeira, que arguiu o direito constitucional de ficar calado, a mais aguardada sessão da CPI do Cachoeira terminou em frustração. Serviu, ao menos, para que o ex-ministro da Justiça e advogado Marcio Thomaz Bastos, autor da estratégia do silêncio, fosse coberto de elogios por diferentes parlamentares. "Competente", foi a palavra mais dita. Cachoeira, agora, terá um encontro oficial com a Justiça, na 11ª Vara Criminal de Goiás, no dia 31 de maio ou 1º de junho, quando será novamente inquirido.

Durante as quase três horas da sessão, Carlinhos Cachoeira repetiu que se valia do direito constitucional de ficar calado. "Não somos palhaços", disse um parlamentar. "Ele é uma múmia", classificou a senadora Katia Abreu (PSD-TO), que pediu formalmente o encerramento da sessão. "Eu não fiz as perguntas que eu gostaria de fazer para não dar o ouro ao bandido", disse o relator Odair Cunha (PT-MG). "Não poderíamos esperar nada diferente de um chefe de quadrilha". O receio de que perguntas ajudariam na articulação da defesa uniu os parlamentares, que, depois de algum debate, encerraram a sessão.

Quem falou

Como esperado, Cachoeira sentou-se no banco dos réus da CPI do Cachoeira para não falar nada. "Como manda a Constituição", sustentou. "Vou usar o meu direito constitucional de ficar calado", respondeu ele sobre se conhece e como era o trabalho dele com o araponga Adalberto Araújo, o Dadá. Antes, diante de questão do relator Odair Cunha (PT-MG), Cachoeira disse: "Essa pergunta é muito boa para eu responder depois", respondeu, com um leve sorriso nos lábios. "Essa comissão não é formada por palhaços", rebateu um parlamentar. Uma proposta, então, foi feita a Cachoeira, pelo deputado Silvio Costa (PTB-PE): depor em uma sessão secreta. "Vamos ver isso com os nossos advogados", despistou, negando a alternativa.

Um a um, os parlamentares foram questionando o bicheiro, ouvindo sempre que não haverá resposta antes da audiência judicial de Cachoeira. O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) questionou Cachoeira sobre sua relação com a Delta, e em âmbito nacional. "Aceitaria proposta de delação premiada?", questionou, acrescentando que o silêncio de Cachoeira denota "o desrespeito do criminoso".

"Não brinque com esta CPMI. Aqui não existe deputados e senadores que se corromperam na mão do seu Carlos Cachoeira", acrescentou Francischini. "É muito triste para essa comissão que tenhamos a presença do senhor Carlos Augusto na no CPMI e infelizmente não poderemos obter respostas para as perguntas dos parlamentares", acrescentou o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ).

O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) até tentou despistar, perguntando se Cachoeira estava sendo bem tratado na cadeia e como estava se sentindo enquanto preso, mas, nem assim, obteve resposta. "Nós não somos teu", finalizou, aludindo de forma provocativa à mensagem que o colega Cândido Vaccarezza (PT-SP) enviou para o governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, na última reunião da CPI.

Incômodo

Irritada, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) propôs o encerramento da comissão, “que está se tornando ridícula”.  “Estamos perguntando para uma múmia. O que as pessoas em casa vão pensar de nós? Não vou ficar dando ouro para bandido”. O senador Fernando Collor (PTB-AL), contudo, discordou da proposta, pois disse que tinha o direito de dar suas opiniões sobre o assunto, assim como fizeram seus colegas.

Minutos depois, ficou explicado por que Collor queria falar. O senador revelou o conteúdo de mais uma ligação trocada entre o jornalista Policarpo Jr., da Veja, e Cachoeira. Segundo Collor, Policarpo ligou a Cachoeira para confirmar se o médium João de Deus, de Abadiânia (GO), havia viajado a Caracas para consultar o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Collor disse ainda ter a informação de que “o senhor Policarpo Jr. tinha reuniões frequentes no antigo hotel Melia, hoje Brasil 21, onde há uma charutaria chamada Churchill”. Segundo o senador, os encontros entre o jornalista e o bicheiro eram realizados “semanalmente”.

Após uma série de intervenções inócuas e diante da insistência de Cachoeira em permanecer calado, a audiência foi encerrada.

Abaixo, noticiário anterior ao início da sessão da CPI:

247 – O contraventor Carlos Cachoeira deixou hoje, por volta de 12h40, o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília,  para ir ao Congresso, sob fortes aparatos da Polícia Federal. Seu depoimento na CPI, que investiga suas relações com políticos e empresários, deve acontecer a partir das 14 horas. Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro, quando foi levado para a penitenciária de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e em 18 de abril foi transferido para a Papuda, onde pode receber visitas.

Nesta terça-feira 22, a advogada de defesa do contraventor Dora Cavalcanti visitou seu cliente na prisão e disse que ele está tranquilo neste momento crítico. À imprensa, na saída da prisão, ela contou que o aconselhou a ficar em silêncio durante o interrogatório no Congresso. "Ele está tranquilo e nosso conselho, enquanto defesa, é que ele use o direito de permanecer em silêncio. [...] É um momento crítico, difícil, ele completou 81 dias de prisão, mas vai ser respeitoso na CPI", disse.

Os membros da CPI formularam uma série de perguntas para o acusado. Só o relator da comissão, o deputado Odair Cunha (PT-MG), preparou uma lista com mais de 100 questões. A expectativa é grande em relação à possibilidade de Cachoeira fazer revelações sobre seus esquemas com políticos e empresários, já que é o primeiro acusado a depor depois de quase um mês de funcionamento da comissão. Mais cedo, o 247 formulou 30 perguntas para o bicheiro.

A reunião da comissão poderá ser acompanhada a partir das 14 horas pela Rádio Senado e pelos canais da TV Senado na internet. Por determinação do Regimento Interno do Senado, a TV Senado está obrigada a transmitir a Sessão Plenária, que acontece no mesmo horário. Os canais da TV na internet estão disponíveis neste endereço: http://www.senado.gov.br/noticias/tv/. A Rádio Senado pode ser ouvida em Brasília (91,7 MHz), Natal (106,9), Cuiabá (102,5), Fortaleza (103,3) e Rio Branco (100,9).

Com informações da Agência Senado

 

 

 

“Prazer em vê-los, tchau!”, diz Dr. Marcio em Brasília“Prazer em vê-los, tchau!”, diz Dr. Marcio em Brasília Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, satisfeito, fala sobre o grande dia de silêncio de seu cliente Carlinhos Cachoeira na CPI;  delação premiada está "fora de cogitação"; preocupação é a de, antes, ver julgado novo habeas corpus no TRF; advogado pede anulação de todas as provas; cobrança de R$ 15 milhões em honorários não foi desmentida

22 de Maio de 2012 às 20:46

247 – O ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, deu de ombros para as críticas dos que vêem um conflito ético entre sua posição de advogado do contraventor Carlinhos Cachoeira e a de antigo titular do Ministério da Justiça. Antes e durante a sessão da CPI, na qual seu cliente disse que não tinha nada a declarar, Bastos se mostrou despreocupado. Chegou a acenar, mais de uma vez, aos políticos, retribuindo cumprimentos. Num dos corredores do Senado, fora da sala da Comissão, conhecido como Túnel do Tempo, o ex-ministro revelou sua estratégia de defesa para Cachoeira:

"Primeiro ele tem um julgamento para acontecer, na décima primeira vara criminal de Goiânia. Será um momento importante. Depois, temos um pedido de habeas corpus a ser julgado pelo Tribunal Federal de Recursos, no qual apresentamos fortes motivos pela anulação de todas as provas. Elas foram colhidas fora da lei", disse Thomaz Bastos. "Isso tudo deverá levar umas seis semanas, um tempo suficiente para estudarmos melhor a Operação Monte Carlo e a Operação Vegas", completou. "Ele virá à CPI todas as vezes que for convocado", ressalvou o ex-ministro. "Prazer em vê-los, tchau!", desfechou o ministro aos jornalistas que o cercavam.

No estúdio da GloboNews, em entrevista a Leilane Neubarth, a professora Maria Cilene de Araujo criticou a postura de Thomaz Bastos. "Para mim existe sim um conflito entre a posição dele como ex-ministro e a de agora, como advogado de um homem que, dizem todas as circunstâncias, é um fora da lei. Não me parece certo isso", disse ela. Os honorários de Thomaz Bastos para defender Cachoeira, segundo todos os rumores, são de R$ 15 milhões.

 

 

 

 

STF levará mais de seis semanas para julgar o mensalãoSTF levará mais de seis semanas para julgar o mensalão Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF Embora a data do julgamento não esteja definida, o ministro Joaquim Barbosa sugeriu que o processo vá a plenário em três dias da semana, segunda, quarta e quinta-feiras, durante a tarde

22 de Maio de 2012 às 21:16

Agência Brasil – O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve parar por mais de seis semanas para se dedicar exclusivamente ao processo do mensalão. O cronograma do julgamento começou a ser costurado na sessão administrativa desta terça-feira (22), segundo proposta do relator Joaquim Barbosa.

Embora a data do julgamento não esteja definida, Barbosa sugeriu que o processo vá a plenário em três dias da semana, segunda-feira, quarta-feira e quintas-feira, durante a tarde. Essa solução levaria o plenário do Supremo a se dedicar integralmente ao mensalão por pelo menos seis semanas, já que os ministros se reúnem apenas nas tardes de quarta e quinta-feira.

A proposta de Barbosa não enfrentou resistência dos demais ministros. No entanto, o cronograma não é definitivo porque a reunião foi interrompida para que os integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se dirigissem à sessão desta noite. Uma nova sessão administrativa deve ocorrer na próxima semana para decidir os pontos que ficaram em aberto.

A proposta de Barbosa ganhou força entre os colegas pouco antes da sessão administrativa, quando o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, já tinha três cronogramas simulados, todos com início do julgamento previsto para 4 de junho. O presidente esclareceu que essa data é fictícia porque o processo só pode ser liberado para julgamento pelo revisor, ministro Ricardo Lewandowski. "O revisor tem que ser respeitado na sua autonomia de vontade", disse.

As iniciativas do presidente foram deixadas de lado porque os ministros entenderam que as limitações de saúde do relator deveriam ser levadas em conta – Barbosa tem um grave problema na coluna e não pode ficar sentado por muitas horas. Apesar de Barbosa ter escolhido apenas o período da tarde, Britto disse várias vezes que as sessões podem se estender durante a noite, caso necessário.

As terças-feiras foram poupadas porque esse é o dia em que os ministros se reúnem nas turmas e também porque há sessões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que segundo observou a presidente Cármen Lúcia, não pode parar no período eleitoral. As sextas-feiras ficariam livres para os ministros se dedicarem individualmente a outros processos.

Nos cronogramas de Britto, a proposta mais restritiva previa julgamento de segunda a sexta-feira, com conclusão em três semanas. A proposta mais flexível era semelhante à de Barbosa, com a diferença que na primeira semana o julgamento teria cinco dias. Os advogados de defesa também encaminharam proposta de cronograma com julgamentos em dois dias da semana.

Apesar da dedicação exclusiva ao mensalão, o STF poderá interromper o julgamento para apreciar casos urgentes, como um habeas corpus (pedido de liberdade).

 

Gabriel BonisOtan22.05.2012 19:51 - Carta CapitalOperação tapa-buraco 

O fim da União Soviética (URSS) em 25 de dezembro de 1991, e consequentemente da Guerra Fria, esvaziou uma das mais importantes funções da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan): proteger a Europa e os países membros do inimigo externo, ou seja, à epóca, a ameaça socialista. Mais de duas décadas depois, a entidade retirou as tropas fortemente armadas e tanques da fronteira da Europa Ocidental. Perdeu parte de sua identidade, mas adaptou sua atuação a um novo contexto, com destaque à intervenção no Afeganistão (antiga zona de influência socialista), que teve o final anunciado nesta segunda-feira 21.

Na cúpula da Otan em Chicago ficou definida a transferência da responsabilidade pela segurança e operações de combate ao Afeganistão em 2013, além da saída das tropas estrangeiras do país no ano seguinte. Até a retirada dos cerca de 130 mil soldados, tropas do tratado ficarão encarregadas de garantir que os afegãos se adaptem “às suas novas responsabilidades”, e, depois, manterão “um sólido apoio político e prático de longo prazo ao governo afegão”, diz a organização.

Apesar de integrar uma guerra polêmica e de resultado inconclusivo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a Otan “sai mais forte de Chicago, mais capaz, e no centro da segurança global”. Tudo isso, embora diversos países tenham saído do combate antes da agenda oficial. Incluindo a França, que deve retirar seus cerca de 3,3 mil soldados do Afeganistão até o final de 2012.

 


Para Obama, Otan sai mais forte e capaz de Chicago. Foto: Mandel Ngan/AFP

 

A Otan passou por adaptações, mas ainda cumpre a função de prevenir a guerra entre os aliados e manter a paz na Europa, pois o ataque contra um membro é um ataque contra todos, explica Juliana Bertazzo, professora da Universidade de Oxford (Reino Unido), pesquisadora da London School of Economics e especialista em Otan. “Além disso, aliados não se atacam.”

Para a analista, a força da Otan se concentra na capacidade de adaptação e de trabalhar em conjunto com diversos países e organismos internacionais. A estrutura altamente equipada e bem localizada é outro benefício, muito útil aos EUA e aos Estados-membros.

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Uma característica, destaca Bertazzo, a posicionar a Otan como uma força de apoio à organizações como a Onu, sem exército próprio. “Isso fica claro no Afeganistão com a dificuldade da Onu em enviar tropas. Os países ricos mandam dinheiro, mas não soldados. A Otan tem um recurso inestimável e, enquanto as Nações Unidas mantêm apenas uma operação civil e política no Iraque, fornece apoio e treinamento de tropas. Na prática, assume uma operação da Onu e isso é significativo.”

Além disso, possui outra característica interessante: atua fora de sua área original. Mas nem sempre é fácil controlar seu financiamento ou atuação conjunta, devido à pluralidade de interesses dos integrantes.

Na intervenção na Líbia no último ano, diversos países membros não participaram diretamente da missão – entre eles a Alemanha -, levando o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, a pedir mais apoio e solidariedade dos integrantes europeus. “Sempre houve um descompasso grande entre Europa e os EUA em termos de composição militar e orçamento. Algo que só mudou recentemente com a entrada da França para o componente militar”, explica Bertazzo, para quem a organização não possui custo mais elevado que outras entidades semelhantes.

Na busca por uma nova identidade, a organização defende operações de manutenção da paz – contidas no artigo 5º -, que prevê a intervenção em caso de possível ameaça à segurança dos membros. Um conceito que a permite atuar em todo o mundo em abordagens de relativizado interesse humanitário, como a missão aos países afetados pelos terremotos da Ásia em 2004. “Houve uma operação de apoio aos locais atingidos, porque aquela situação era tida como uma instabilidade internacional”, diz a analista.

Essa atuação empurra a Otan a participar de conflitos a envolver ameaças aos interesses nacionais de seus integrantes, que são distintos e definidos por consenso e não maioria. “Na Somália, há o interesse em garantir um tráfego marítimo para exportação e importação dos navios dos Estados membros que passam pela região. Os piratas afetam o fluxo do petróleo da Ásia e África, em uma das rotas mais utilizadas também para retirar produtos da China, Índia e Tigres Asiáticos. Isso atrapalha os membros da Otan, que vão pleitear uma operação.”

Após a Guerra Fria, a organização abriu algumas rodadas de filiação a novos países, que incluiu a Alemanha reunificada, por exemplo. Mas depois passou a exigir critérios rígidos para adesão. “A organização valoriza muitos países com democracias consolidadas. Por isso, a solidariedade com países onde isso não acontece”, afirma Bertazzo. E completa: “A análise é bem estudada, pois percebe-se que a Otan não funcionaria tão bem com um grupo muito diverso.”

Neste cenário, Ucrânia e Geórgia tentam se filiar com demonstrações públicas de interesse que remontam ao início dos anos 2000. Na organização, estariam protegidos militarmente da Rússia – que mantém apenas um representante fixo na Otan. A Georgia, por exemplo, teve um conflito com a Rússia em 2008 pelo controle da Ossétia do Sul.

A Rússia se opõe veementemente à iniciativa das duas ex-repúblicas soviéticas.

Com o tempo, a Otan passou a adotar de forma mais constante o conceito de intervenção humanitária.  O maior exemplo foi a ação unilateral em Kosovo em 1999. O conflito com a Sérvia provocava um fluxo intenso de refugiados e mortes de civis e, para evitar um massacre étnico semelhante ao ocorrido na Bósnia, a organização autorizou pela primeira vez uma “operação fora de área”.

Hoje, a Otan mantém parcerias com a Onu e a União Africana. “Isso para garantir que a instabilidade não afete os países-membros. Por isso, houve intervenções no Leste Europeu, África e Afeganistão”, ressalta a analista.

 

 

Silêncio de Cachoeira leva CPI a nova estratégiaSilêncio de Cachoeira leva CPI a nova estratégia Foto: André Borges/Folhapress Começar pelo peixe graúdo não deu certo; Carlinhos Cachoeira passou sessão repetindo "calado, senhor" e ainda teve advogado Thomaz Bastos elogiado; agora, comissão aposta em depoimentos de governadores; quebra de sigilo da Delta e convocação de Fernando Cavedish na pauta

22 de Maio de 2012 às 20:44

247– O fracassso, na prática, da sessão da CPI do Cachoeira que tentou ouvir o próprio contraventor Carlinhos Cachoeira resultou numa mudança de estratégia da Comissão. Escaldados pelo silêncio do contraventor, que, ao lado de seu advogado, Marcio Thomaz Bastos, se escudou na Constituição para evitar fazer declarações, os parlamentares agora refazem sua estratégia. "Deveríamos ter começado pelos bagrinhos, como aconteceu em outras CPIs, para só mais tarde chegarmos ao peixe grande", disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). "A estratégia de não quebrar logo de cara os sigilos fiscal e bancário da Delta no plano nacional também foi um erro", completou.

Ao que parece, a começar pela posição do relator Odair Cunha (PT-MG), a partir de agora a CPI vai mudar. "Iremos ouvir todos os governadores citados na Operação Monte Carlo", disse Cunha, referindo-se a Marconi Perillo, de Goiás, Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, e Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro. "Já está claro que Marconi se descola desse grupo, porque em relação a ele há conversas diretas com o Cachoeira e evidências de que a Organização Criminosa prosperou em Goiás", acrescentou Randolfe.

Igualmente ficou mais real a possibilidade de convocação do empresário Fernando Cavendish, presidente afastado da Delta Construções, de ser chamado a depor na CPI. A empresa deverá ter, ainda, seus sigilos fiscal e bancário quebrados.

Na próxima sessão da Comissão, marcada para a quinta-feira 24, o araponga Adalberto Araújo, o Dadá, considerado braço direito de Cachoeira para suas operações ilegais de escuta, está convocado para depor. A impressão entre os parlamentares é a de que ele deverá manter o comportamento do chefe e, alegando a proteção da Constituição, não falar nada. Caso isso aconteça, a Comissão deverá passar a votar os requerimentos de convocação de novas depoentes. O certo é que, depois de começar de maneira tortuosa, a CPI do Cachoeira tomou uma lição de estratégia do ex-ministro Marcio Thomaz Bastos e terá de se aprumar para recuperar credibilidade junto à opinião pública. "Fomos feitos de bobos, e não somos pagos para isso", resumiu a senador Katia Abreu (PSD-TO).

 

 

 

 

 

Pacote pró-PIB quer ampliar consumo e investimento

Ter, 22 de Maio de 2012 20:25

 João Villaverde, Ribamar Oliveira, Mônica Izaguirre e Lucas Marchesini | De Brasília, no Valor

Como reação ao fraco desempenho da economia no primeiro trimestre deste ano, o governo anunciou ontem um novo pacote de estímulo que pretende sustentar o crescimento do Brasil no momento de agravamento da crise europeia. As medidas preveem redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2,5% a 1,5% em todas as operações de crédito ao consumidor, diminuição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente nos carros e demais veículos automotores, e uma liberação de R$ 18 bilhões em compulsórios.

O pacote, que implica renúncia fiscal de R$ 2,7 bilhões, prevê também menores taxas de juros para a aquisição de bens de capitais e caminhões e ônibus nos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para tornar possível a ampliação de crédito para a compra de veículos, o Banco Central promoveu uma redução direcionada dos depósitos compulsórios que os bancos são obrigados a fazer na autoridade monetária. Os recursos só podem ser usados no financiamento de automóveis e de veículos comerciais leves, e o montante de R$ 18 bilhões representa cerca de 10% do total de crédito concedido ao segmento.

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o IPI de carros com até mil cilindradas passa de 7% para zero (ou de 37% para 30%, para o caso de veículos importados). Os demais veículos terão reduções menores no IPI. O governo também reduziu as taxas de juros cobrados no Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES (ver tabela).

Além disso, o governo reduziu de 2,5% a 1,5% a alíquota do IOF que incide sobre todas as operações de crédito à pessoa física no país. A medida foi antecipada pelo Valor na sexta-feira. Com IOF de 1,5% sobre o crédito, o governo recuou ao nível verificado até abril do ano passado, quando o aperto monetário estava a pleno vapor. A queda do IOF implica redução da arrecadação do governo. Conforme o ministro, a estimativa é de que deixem de ser arrecadados R$ 900 milhões até 31 de agosto.

"Se faltar crédito a qualquer setor da economia, vamos procurar liberar", enfatizou Mantega, para quem as medidas não vão ampliar o endividamento das famílias. "A renda continua aumentando, a massa salarial continua crescendo e isso significa maior capacidade de consumo", afirmou o ministro. "O que se vai fazer é redução dos preços, o custo do financiamento e ampliar o prazo para pagamentos dos empréstimos. A gradação das medidas foi feita para que não haja excesso de endividamento", disse.

Quando questionado se as medidas não iriam aquecer a economia e inflacionar os preços, Mantega reagiu dizendo que "isso [o pacote de estímulos] vai dar é deflação, e não inflação. E como a economia está em ritmo mais lento, ela pode aquecer sem pressão inflacionária", afirmou.

O ministro da Fazenda disse que as medidas anunciadas ontem foram negociadas com os empresários e os banqueiros. "O governo, o setor privado e o setor financeiro assumiram o compromisso de reduzir o custo dos produtos e facilitar o seu financiamento", informou. Segundo Mantega, "cada um vai fazer a sua parte": o governo reduzirá os tributos, a indústria automobilística reduzirá os preços dos veículos e os bancos se comprometeram a reduzir os juros dos empréstimos, aumentar as prestações e reduzir o valor da entrada.

Os representantes dos bancos não foram à entrevista do ministro, embora as duas fileiras do auditório estivessem reservadas para os empresários e banqueiros. "Ninguém foi convidado. Veio quem quis", avisou Mantega. Além dos empresários e de Mantega, participaram do anúncio o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Mantega informou também que estuda uma nova linha de financiamento para o setor de materiais de construção. Embora esse setor esteja crescendo 5%, os empresários reclamam do excesso de burocracia para acessar o crédito atualmente existente, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para construção civil. "O setor disse que essa linha tem muitas condicionalidades e é muito complicado conseguir crédito nela", disse Mantega. "A linha é boa, mas não tem como pegar", afirmou o ministro.



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Daniel Carvalho, Folha.com

Cinco anos após o início das obras, a transposição do rio São Francisco tem apenas 36,12% de execução. Além disso, cinco dos 14 lotes tocados por empreiteiras estão paralisados.

As informações foram apresentadas nesta terça-feira (22) pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, durante audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Toda a obra deveria ficar pronta este ano, a um custo de R$ 4,6 bilhões. Agora a transposição só deve ser totalmente entregue no final de 2015, por R$ 8,2 bilhões.

De acordo com planilha apresentada pelo ministro, R$ 2,9 bilhões foram pagos desde 2010. Até 2014, outros R$ 4,9 bilhões devem ser investidos e ainda há expectativa de gastar mais R$ 385 milhões depois.

 

E tem Delta na transposição.

 

Caro Antonio , nem  fale em tranposição /Delta , isso aqui   no blog é assunto tabu , seras excomungado! A CPI com certeza não vai nem tocar neste assunto , é ordem la de cima , e não é de Deus...

 

 

Brasileiro é mais feliz que ricos, diz pesquisa

Ter, 22 de Maio de 2012 20:29

 Assis Moreira | De Paris, no Valor

O brasileiro é mais feliz do que as pessoas que vivem nos países ricos, apesar de o país se situar apenas na 32ª posição entre 36 no "Índice para Viver Melhor", da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil fica atrás de todos os países desenvolvidos no índice, somando 11 indicadores com o mesmo peso, indo de renda a emprego, satisfação de vida e segurança, para capturar a diversidade da sociedade e as prioridades de cada um.

No entanto, no que é mais comparável, o Brasil fica na frente de Rússia, Turquia, México e China. "O Brasil está relativamente bem, há uma melhor dimensão de bem-estar no país", diz Romina Boarini, assessora da OCDE.

A entidade anunciará hoje a entrada do Brasil no índice, lançado no ano passado, e pelo qual espera ajudar cada cidadão a avaliar e comparar a sua própria qualidade de vida, por meio de instrumentos que vão além das tradicionais estatísticas do Produto Interno Bruto. Sem surpresa, a Dinamarca e o Canadá lideram o ranking.

Quando perguntados se estavam satisfeitos com sua vida, numa escala de zero a dez, a resposta dos brasileiros foi de 6,8 na média, ante 6,5% no caso de pessoas de países ricos.

Um indicador que reflete a satisfação dos brasileiros é o vínculo social. Mais de 91% acham que podem contar com os amigos em caso de necessidade, ante 82% no México e 90% nos países ricos.

Os brasileiros dizem ser bem integrados socialmente. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com maior número de homicídios entre os 36 pesquisados. São 36 mortes por 100 mil habitantes, em comparação com a média de 2,1 na OCDE.

Também o número de agressões físicas declaradas no ano precedente da pesquisa é grande, de 9,4% dos consultados, só atrás do México, com 11%. Na OCDE, o percentual foi de 4%. A esperança de vida no Brasil, de 73 anos, é inferior à dos países da OCDE, de 80 anos, em média.

Por outro lado, o Brasil destaca-se na participação no mercado de trabalho, com mais de 68% da população entre 15 e 64 anos empregados, em comparação com 66% nos países ricos. A diferença é que 80% dos homens e 56% das mulheres trabalham. Nos ricos, a taxa é de 70% e 66%, respectivamente.

Na harmonia entre trabalho e vida privada o quadro é outro: 12,5% dos brasileiros pesquisados dizem trabalhar mais de 50 horas por semana, em comparação com 9,5% na média da OCDE.

A renda do brasileiro melhorou, mas em termos de paridade de poder de compra fica ainda em US$ 2 mil per capita, enquanto quem mora num país rico recebe, em média, US$ 22 mil. O número de residências sem equipamentos sanitários é seis vezes maior nos países ricos do que no Brasil.

No Brasil, 41% das pessoas dizem ter estudado até o segundo grau, em comparação com 74% nos países desenvolvidos. O índice mostra também, conforme Romina Boarini, que os brasileiros estudam cada vez mais, reduzindo um atraso histórico. "O índice não traz um ranking único, depende de cada utilizador usar os indicadores que acha importantes", diz ela.

 

 

 

A classe média brasileira é mundial

Ter, 22 de Maio de 2012 20:43

 Marcelo Côrtes Neri, no Valor

A mediana da renda mundial pode ser pensada como uma variante econômica da linha do Equador. Ela é a linha que por definição divide a população mundial em duas partes iguais com rendas diferentes, enquanto a do Equador divide o mundo em duas áreas geográficas de tamanhos iguais. O gráfico compara a renda mundial com a distribuição de renda dentro de um grupo de países selecionados. Ele foi gerado a partir dos dados do trabalho seminal de Branko Milovic do Banco Mundial.

Os mais pobres dos pobres americanos têm 60% da população mundial mais pobre que eles. Ou seja, nenhum percentil da distribuição americana sequer toca a mediana mundial. No extremo oposto, 95% dos indianos se situam abaixo da mediana mundial.

As linhas permitem comparar pessoas na mesma posição relativa em seus respectivos países. Enxergamos com clareza que os EUA são mais ricos que a Rússia que é mais rica que a China que por sua vez supera a Índia.

A renda per capita média brasileira também é similar à mundial, ambas ajustadas por diferenças de custo de vida

Mas onde está o Brasil? Os brasileiros estão em todas as partes. Nossos mais pobres dos pobres são tão pobres quanto os intocáveis indianos, e os nossos mais ricos não ficam muito atrás dos americanos abastados.

A distribuição de renda brasileira é próxima de uma linha diagonal imaginária com inclinação (tangente) unitária, ou seja caminha quase de mãos dadas com a distribuição mundial de renda. O Brasil é maquete do mundo. Já havíamos mostrado aqui que a desigualdade brasileira medida pelo índice de Gini, embora seja a 12ª mais alta do mundo, está muito próxima do Gini entre países ponderados pela população.

A renda per capita média brasileira também é similar à mundial, ambas ajustadas por diferenças de custo de vida. Isso apesar de quase 80% da população mundial viver em países mais pobres do que o Brasil. O Brasil não é um país pobre mas tem muitos pobres em função da alta desigualdade. A linha oficial de pobreza extrema é de US$ 1,25 dia, com 8,5% da população abaixo dela. Já a renda média americana, mesmo após a crise de 2008, era de US$ 100 por dia por americano. Qualquer povo fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) será considerado pobre usando a métrica do imaginário da classe média "Made in USA": dois carros, dois cachorros e dois filhos.

 

Por que importar para o Brasil definições prontas de classe média de países ricos do hemisfério norte? Devemos usar a nossa própria realidade para medi-la. Há várias alternativas com a vantagem de, ao mergulharmos no Brasil, encontrarmos o mundo. Nosso mais recente estudo revela que o acesso médio à internet em casa do brasileiro é idêntico ao observado na aldeia global (www.fgv.br/cps/telefonica).

Uma possibilidade seria dividir em três partes arbitrárias. Na nossa metáfora geográfica, a classe média poderia estar circunscrita entre dois trópicos. O método usado pela FGV divide a sociedade em três grupos, escolhendo linhas de corte de forma que os três grupos fossem os mais homogêneos dentro de si e os mais diferentes dos demais grupos, como na medida de polarização EGR. Depois mantemos constante o valor das linhas para obter as variações absolutas das classes (vide www.fgv.br/cps/ ncm2014). Por exemplo, os 40 milhões que entraram na classe média entre 2003 e 2011.

Nossa estratégia consegue explicar 33% mais da desigualdade brasileira do que a que usa três partes com populações iniciais iguais. O resultado foi que a nossa classe média brasileira vivia aproximadamente entre mediana e a linha que divide os 10% com mais renda, tudo dentro do hemisfério rico global.

Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas e professor da EPGE/FGV. Autor de a Nova Classe Média (Editora Saraiva), Microcrédito: o Mistério Nordestino e o Grameen Brasileiro (FGV) e Cobertura Previdenciária: Diagnósticos e Propostas (MPS). Escreve mensalmente às terças. mcneri@fgv.brwww.fgv.br/cps



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Após esforço por quórum, Câmara aprova PEC do Trabalho Escravo

Ter, 22 de Maio de 2012 20:57- O Outro Lado da Noticia

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Deputados comemoram aprovação da PEC do Trabalho Escravo | Foto: Leonardo Prado/Ag. Câmara

Do Sul21

A Câmara aprovou na noite desta terça-feira (22) a PEC 483/01, conhecida como PEC do Trabalho Escravo. Em uma votação apertada, que exigiu bastante esforço para a manutenção do quórum necessário, 360 parlamentares votaram a favor da proposta, que estabelece o confisco para fins de reforma agrária ou uso social urbano de propriedades e imóveis onde for encontrada exploração de trabalho escravo. Outros 29 deputados votaram contra e 25 se abstiveram. O texto precisava de 308 votos para aprovação. Agora, a matéria retorna ao Senado, onde também será votada em dois turnos.

A votação da PEC do Trabalho Escravo só foi possível depois de um acordo dos líderes, em reunião na tarde desta terça-feira (22), na sala da Presidência da Câmara. Segundo o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deputados e senadores devem agora formar um grupo de trabalho conjunto para redigir a lei que regulamentará a definição de condição análoga à escravidão – exigência da bancada ruralista para a aprovação da PEC. A criação da comissão é fruto de um acordo fechado há duas semanas entre Maia e a presidente interina do Senado, Marta Suplicy.

A pressão em favor do texto é grande e conta com a participação de organizações não governamentais ligadas à defesa dos direitos humanos, de centrais sindicais e do próprio governo, que estão se mobilizando desde o ano passado para garantir a aprovação. Mesmo assim, era grande o temor de que a votação não ocorresse nesta terça-feira, uma vez que a bancada ruralista deixava claro não estar disposta a facilitar a aprovação da matéria.

Uma verdade operação foi armada para garantir o quórum necessário para a votação. Enquanto deputados favoráveis à PEC esmeravam-se em longos discursos, outros parlamentares tentavam de todas as formas garantir a chegada de colegas em quantidade suficiente para garantir a continuidade da sessão. No Twitter, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) admitia estar telefonando para colegas em um esforço em nome da votação. “Estou ligando pra alguns deputados, pedindo que venham à votação nominal da PEC do Trabalho Escravo. Temos de tentar tudo nessa hora!”, disse Wyllys.

Votação em segundo turno na Câmara demorou mais de sete anos

A PEC do Trabalho Escravo foi aprovada em primeiro turno pela Câmara em agosto de 2004, como uma resposta ao assassinato de três auditores do Trabalho e de um motorista do Ministério do Trabalho, em Unaí (MG), em 28 de janeiro daquele ano. Os quatro foram mortos depois de fazerem uma fiscalização de rotina em fazendas da região, onde haviam aplicado multas trabalhistas. O processo criminal ainda corre na Justiça, e nove pessoas foram indicadas pelos homicídios, incluindo fazendeiros.

O crime, que ficou conhecido como a chacina da Unaí, também motivou o Congresso a aprovar um projeto que transformou a data de 28 de janeiro em “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”. A proposta foi sancionada e virou a Lei 12.064/09.

A tramitação da PEC do Trabalho Escravo na Câmara vinha se arrastando há mais de sete anos. A PEC do então senador Ademir Andrade (PSB-PA) foi aprovada no Senado e em 2001 chegou à Câmara, onde foi aprovada em primeiro turno em 2004. Após finalmente chegar a plenário no começo do mês, teve sua votação em segundo turno adiada por uma manobra da bancada ruralista, que removeu seguidas vezes o quórum das sessões para inviabilizar a votação. Os representantes do agronegócio alegavam que era necessário a definição anterior, por força de lei, do que é trabalho escravo e como seria feito o processo de desapropriação das terras onde fosse registrada a presença de trabalhadores nessa condição.

A lista dos votos, bem como a descriminação de quem votou a favor ou contra a PEC do Trabalho Escravo, pode ser conferida neste link.

Abaixo, veja como votaram os deputados eleitos pelo Rio Grande do Sul:

Alceu Moreira (PMDB) Não
Alexandre Roso (PSB) Sim
Assis Melo (PCdoB) Sim
Bohn Gass (PT) Sim
Danrlei De Deus Hinterholz (PSD) Sim
Darcísio Perondi (PMDB) Sim
Eliseu Padilha (PMDB) Sim
Fernando Marroni (PT) Sim
Giovani Cherini (PDT) Sim
Henrique Fontana (PT) Sim
José Stédile (PSB) Sim
Luis Carlos Heinze (PP) Não
Luiz Noé (PSB) Sim
Manuela D’Ávila (PCdoB) Sim
Marco Maia (PT) Não votou por presidir a seção (Art. 17)
Dionilso Marcon (PT) Sim
Osmar Terra (PMDB) Sim
Paulo Ferreira (PT) Sim
Paulo Pimenta (PT) Sim
Renato Molling (PP) Sim
Ronaldo Nogueira (PTB) Sim
Ronaldo Zulke (PT) Sim
Sérgio Moraes (PTB) Sim
Vieira da Cunha (PDT) Sim

 

Condição análoga a  escravidão é ganhar de R$ 622, 00 por mês até ...quanto?

 

Aos insones, estejam eles dormindo ou não.


Insónia  (Álvaro de Campos, in "Poemas". Heterónimo de Fernando Pessoa)


Não durmo, nem espero dormir.

Nem na morte espero dormir.

 

Espera-me uma insónia da largura dos astros,

E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

 

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,

Não posso escrever quando acordo de noite,

Não posso pensar quando acordo de noite —

Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

 

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

 

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,

E o meu sentimento é um pensamento vazio.

Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam

— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;

Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam

— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;

Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,

E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

 

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.

Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.

Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.

Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,

Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

 

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —

Versos a dizer que não tenho nada que dizer,

Versos a teimar em dizer isso,

Versos, versos, versos, versos, versos...

Tantos versos...

E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

 

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.

Sou uma sensação sem pessoa correspondente,

Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,

Salvo o necessário para sentir consciência,

Salvo — sei lá salvo o quê...

 

Não durmo. Não durmo. Não durmo.

Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!

Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!

 

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...

Vem, inutilmente,

Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...

Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,

Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,

Segundo a velha literatura das sensações.

 

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.

O meu cansaço entra pelo colchão dentro.

Doem-me as costas de não estar deitado de lado.

Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.

Vem, madrugada, chega!

 

Que horas são? Não sei.

Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,

Não tenho energia para nada, para mais nada...

Só para estes versos, escritos no dia seguinte.

Sim, escritos no dia seguinte.

 

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.

Paz em toda a Natureza.

A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.

Exactamente.

A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.

Costuma dizer-se isto.

A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,

Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.

Exactamente. Mas não durmo.

 

 

 

Google dá vida nova à Motorola

Acabou de sair na Bloomberg Businessweek: Google destacou um executivo da pesada, Dennis Woodside, para tocar a Motorola Mobility, comprada por US$ 12,5 bilhões. O negócio foi anunciado ano passado, mas agora é oficial.
Belo desafio. Como se sabe, a Motorola já viveu dias melhores, e cabe a Woodside fazer essa divisão da Google reviver a boa fama, agora com a produção de smartphones e tablets – tudo rodando Android, claro. Design também é uma palavra que não pode ficar fora do jogo. E o velho logo da Motorola vai ser mantido.
Google vai descobrir o que é lidar com linhas de produção, suprimentos e canais de distribuição. E ainda terá que, inevitavelmente, lidar com seu consumidor na base do 0800. A parada é dura. Mas Woodside, que já tentou ser abduzido pela Apple para ocupar o cargo de chefe de vendas, está otimista. Afinal, não é só de iPads e iPhones que vive a Humanidade. Pelo contrário. Segundo o Gartner, o mercado Android já está com 56% do mercado.

Yes, we can.

http://idgnow.uol.com.br/blog/conexao/2012/05/22/google-da-vida-nova-a-motorola/

 

 

Ainda estou querendo saber como é que os bancos Brasileiros resolverão o problema que surgiu com a baixa dos juros , que, mesmo tímida, é inédita neste país.
Já que, dirigir bancos cobrando(roubando?) juros de 10 a 20% ao  MÊS, comissões abusivas, tarifas escorchantes, etc., até EU dirijo. Aliás qualquer imbecil alfabetizado, pode fazer isso.

Será que vão importar da China?  Dos EUA? da Europa?. Alguém me informe por favor.

 

Rapadura inclui movimento e cores do Nordeste no rap

 

Em entrevista, o rapper nordestino Rapadura, fala sobre identidade cultural, de suas raízes e de preconceito. Seu trabalho vem despertando a atenção de músicos como Lenine, Marcelo D2 e MV Bil por sua "embolada" de rap com repente, coco, maracatu, cantigas de rodas, forró, baião e capoeira.


RAPadura e sua embolada sacode o rap com os ritmos do Nordeste / divulgação


Com seu chapéu de palha e sandália de couro, vem resgatando a raiz nordestina na cultura Hip Hop, e ganha destaque no cenário da música popular brasileira.

"Na década de 1980, quando o Hip Hop chegou em São Paulo, era uma época de ditadura militar, então os caras protestavam mais contra a ditadura, por causa da opressão e tudo mais. Porém, mudou a época e a visão também modificou", diz, em um dos trechos da conversa com o Brasil de Fato. Rapadura foi considerado pelo prêmio Hutuz 2009 o melhor artista do Norte/Nordeste do século XXI. Acompanhe o bate-papo.

Brasil de Fato: De onde surgiu o apelido “Rapadura”?
Rapadura : Bom, primeiro porque eu sou nordestino e como um bom nordestino, eu gosto de rapadura pra caramba [risos]. Sempre quando eu ia jogar bola com os meus amigos, voltava do jogo e entrava em casa para pegar um pote de rapadura e começava a comer. Os amigos passavam e fi cavam falando “rapadura, rapadura” aí ficou o apelido. Aproveitei e já inseri o nome do rap também: RAPadura.

Brasil de Fato: Como você conheceu e se identificou com o movimento Hip Hop?
Rapadura: Eu conheci o movimento hip hop em Brasília, em 1997. Comecei a ouvir através de meu irmão, porém meu primeiro contato foi com a dança, o break, depois que eu fui cantar. Com 13 anos comecei a escrever. É como se fosse uma coisa natural, pois eu nunca tinha visto o rap na minha vida e comecei a fazê-lo com aquela sensação de que já estava em mim. Eu me identifiquei muito com a linguagem de manifesto e indignação, pois percebi que com o rap eu podia protestar contra os problemas na comunidade. Tudo que eu pensava, que eu sentia, transferia para a música, talvez essa tenha sido a causa principal da minha identificação com o movimento.

Brasil de Fato: Em suas músicas há uma mistura da cultura nordestina (repente, coco, maracatu, embolada)com a cultura hip hop. Qual a importância dessa cultura para o Hip Hop, e vice-versa?
Rapadura: Se você pegar o coco, a embolada, o repente e o rap, todos são cantos falados, parecidos em sua expressão e linguagem. Se você ouve um repente de raiz, por exemplo, ele fala da vida do campo, das dificuldades, da alegria, da cultura, etc. O rap também relata as mesmas situações,mas, o mais importante disso tudo, é que a gente consegue fazer um verdadeiro rap nacional quando colocamos as nossas raízes dentro do rap, aí ele passa a ser nacional. As pessoas têm o costume de falar que é rap nacional pelo simples fato de cantar em português, mas não. O rap nacional tem que ser na sua linguagem, raiz e essência, com sua característica brasileira e regional.




Brasil de Fato: Em seu clipe Norte, Nordeste a gente visualiza um nordeste diferente do que a própria mídia mostra. Você acha que esse é o seu principal papel no Hip Hop, cantar para que o povo saiba e entenda o que o nordeste realmente é?
Rapadura: O meu papel é mostrar que é possível a gente mudar algo com a nossa identidade, mas para isso temos que ter a compreensão do povo. Isso porque muitas vezes a gente deixa de falar o que pensa, deixa de ser o que é por vergonha. O padrão que é imposto pela própria mídia faz com que nós tenhamos vergonha de nós mesmos. Quando colocamos as nossas raízes dentro do movimento Hip Hop e nos deparamos com outras pessoas que se vestem e falam da mesma forma que a gente, passamos a ter uma referência e nos valorizamos mais. Temos que ter orgulho do que somos, porque até então, o rap era só São Paulo, só lá que dava prêmio, que fazia show grande, e o nordestino queria ser paulista. Agora não, a gente está começando a ganhar o nosso espaço com dignidade e demonstrando a nossa verdadeira raiz. Isso tudo nos dá referência. Quando, por exemplo, a gente canta com sandália de couro, chapéu de palha, fala “oxe” e diz que é do nordeste, a rapaziada fica com mais orgulho de ser nordestino. Quando eu comecei a cantar nos shows de rap com chapéu de palha e tudo mais, o pessoal me olhava estranho, como se eu fosse um extra-terrestre. Na verdade, inverteram-se os papéis. Hoje nós estamos tentando mudar o curso do rio.

Brasil de Fato: Você já sofreu preconceito dentro do movimento Hip Hop pelo fato de ser nordestino?
Rapadura: Eu já passei por muito preconceito, ainda passo, mas aos poucos estamos conseguindo vencer. Estamos conseguindo mostrar que a nossa cultura e a nossa essência estão muito além de uma aparência, de uma cor, de uma região. A cultura é coletiva, é o Brasil todo.

Brasil de Fato: Você tem algum projeto com o movimento Hip Hop no Ceará?
Rapadura: A última vez que fui ao Ceará foi em 2010. Fazia dez anos que não ia à minha terra. Na verdade, há uma desvalorização da própria região. Eu viajo o Brasil todo, tenho hoje meu trabalho reconhecido, ganho prêmios, mas a minha terra não me convida pra tocar, não me coloca nos eventos. São coisas que a gente não entende porque eu grito Ceará, grito Nordeste, eu defendo a minha região nos quatro cantos que eu vou, e não tenho essa valorização.

Brasil de Fato: Mas isso ocorreria pelo fato de você cantar seu rap num lugar onde não é costume, no caso o Ceará?
Rapadura: Existe um preconceito por ser rap sim, mas tem aquela coisa, que santo de casa não faz milagre, ninguém acredita naquilo que está perto de você. Parece que precisa ser uma coisa distante para as pessoas acreditarem.

Brasil de Fato: O Hip Hop ainda cumpre o seu papel de reivindicação, de protestar por melhorias e denunciar a exclusão social nas periferias? Ou migrou, de vez, para o campo comercial?
Rapadura: Eu digo que são gerações e gerações. Hoje a cabeça da molecada que está fazendo rap é diferente. Quando comecei em 1997, o Hip Hop tinha mais essa função de reivindicação mesmo, de sua raiz, falava sobre preconceito, cumpria mesmo o seu papel social. Mas não quer dizer que não haja mais isso no rap, pois quem começou dessa forma, ainda mantém sua essência. A questão é que hoje é outra época, essa geração se expressa como ela vê hoje o mundo, porque as coisas mudaram muito. Na década de 1980, quando o Hip Hop chegou em São Paulo, era uma época de ditadura militar, então os caras protestavam mais contra a ditadura, por causa da opressão e tudo mais. Porém, mudou a época e a visão também modificou.


Rapadura no 3º Festival Influenza, em 2010 - Foto: RAPaduraxc

Brasil de Fato: Mas você concorda que o rap também tem que ser vendido, tem que ser comercial? Muitos ainda sobrevivem daquilo que cantam, não é mesmo?
Rapadura: É muito importante a gente ser profissional, viver do que faz, da sua música, da sua arte, mas não podemos perder a nossa identidade, não podemos esquecer de onde a gente veio. É igual um representante do movimento Hip Hop mundial sempre fala, que “sua letra é sua alma, se você vender a sua letra, estará vendendo a sua alma”. Então, você pode falar sobre qualquer coisa, desde aquilo realmente tenha a ver com aquilo que você pensa, com aquilo que você sente. Até porque, por mais que tenha o artista e a pessoa, no final, o público não vai enxergar como duas pessoas, é uma pessoa só.

Brasil de Fato: Você viver aquilo que canta também é importante, pois tem muitos que sobem no palco, cantam uma coisa, e quando descem do palco, é completamente diferente.
Rapadura: Exato. Não podemos perder a nossa dignidade. A coisa que eu tenho mais alegria hoje é de cantar uma música em que falo da minha cultura, da valorização e ainda sou aceito nos espaços. Faço shows, ganho meu dinheiro, e não preciso me vender, fazer letra banal, música sem fundamento só para as pessoas curtirem. Independentemente de qualquer coisa, a música tem que levar informação, sentimento e elevar o conhecimento das pessoas. Quando ouvem uma letra e não sabem bem o que significa, a ideia é que pesquisem sobre aquilo para irem aprofundando mais o conhecimento. Por exemplo, na música e no clipe Norte, Nordeste é para acordar todo o Brasil para todas as suas culturas regionais, porque muita gente acaba fazendo rap igual gringo e igual paulista, e se esquece da sua própria cultura. Se todo mundo parasse para analisar isso, se cada estado que tivesse a música rap com as características regionais, você ia ver como o movimento Hip Hop iria crescer muito mais, com uma identidade mais forte em todos os lugares.

Brasil de Fato: É mais ou menos aquela frase, “quem não sabe da onde veio, não sabe pra onde vai”?
Rapadura: Exatamente. A gente nunca pode perder a nossa identidade. A nossa música tem que estar em todo lugar, nós temos que estar em todo lugar, ocupar os espaços com dignidade, e não de qualquer maneira.

Fonte: Brasil de Fato

 

"Seja realista: exija o impossível"

(Ouvir isso eh embarassante... e eh uma tortura...)

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Pior do que pau-de-arara e choque elétrico nos testículos, perto disso Michel Teló é Mozart......

Cultura Hip Hop? Argh! Cultura do pobrismo, isso sim....

 

 

Quando tem letras inteligentes eu curto! Pode ser hip hop,  repente nordestino, forró, etc.  O que importa é o conteúdo e não o estilo.


Sou um paulista que gosta de Judas Priest, mas também gosto de Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, etc.  Ser eclético te faz muito mais receptivo às coisas boas do que ser apreciador de um só estilo.


"Cultura Hip Hop? Argh! Cultura do pobrismo, isso sim...."


E qual é a 'cultura do riquismo'? Desconheço...

 

Este é um blog notadamente antipaulista! Paulistas, não se submetam docilmente a humilhações e manifestações de preconceito!! A internet é enorme.

Tsipras: "Refundar a Europa e derrotar o poder financeiro"

 

O homem que colocou em xeque o mega plano de austeridade que o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia impuseram a Grécia enviou, desde Paris, uma mensagem muito clara: Alexis Tsipras, o líder da esquerda radical grega, Syriza, disse na capital francesa que era urgente “refundar a Europa e derrotar o poder financeiro. Esse poder é o grande inimigo dos povos, não governa mas decide sobre todas as coisas”.

Por Eduardo Febbro na Carta Maior


Alex Tsipras veio a Paris para se encontrar com Jean-Luc Mélenchon, o líder da Frente de Esquerda francesa, candidato nas eleições presidenciais de abril e maio e, hoje, adversário direto da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, nas eleições legislativas de 10 e 17 de junho.

Tsipras chegou na França em posição de força. A Grécia volta a realizar eleições legislativas no próximo dia 17 de junho e as sondagens indicam a vitória de seu partido, o que faria dele o próximo primeiro ministro. Dirigindo-se diretamente à chanceler alemã Angela Merkel, o homem que faz tremer a Europa fustigou com paixão e virulência os programas de austeridade e ajustes promovidos por Berlim, ao mesmo tempo em que desqualificou aqueles que não deixam a Atenas outra alternativa além de aceitar a austeridade ou morrer: “não se negocia com o inferno”, disse o responsável da Syriza. Quanto a Merkel, Alexis Tsipras acusou a chanceler alemã de “estar levando a Europa a uma espécie de suicídio coletivo”.

Para este político de 37 anos que surgiu no primeiro plano em plena hecatombe, o que está ocorrendo na Grécia não é uma crise passageira acompanhada por um enésimo plano de austeridade, mas sim um experimento que pretende ser ampliado: “não se trata de um simples programa de austeridade, mas sim de um experimento neoliberal de choque que conduz a Grécia a uma crise humanitária que, logo em seguida, deverá ser exportado a toda Europa”. O diagnóstico que Tsipras formulou em Paris é claro e combativo: “estamos vivendo uma guerra entre as forças do trabalho e as forças invisíveis da finança e os bancos”, disse ele junto a Mélenchon, que completou a mensagem dizendo que “a cadeia de resignação e de servidão que unia os povos europeus está se rompendo”.

O panorama eleitoral do partido Syriza tem contornos favoráveis para mudar as regras do jogo impostas pelo mundo financeiro. Esse “inimigo”, disse Tsipras, pode “cair” graças às eleições legislativas de 17 de junho. Segundo ele, a consulta eleitoral não será “um pseudo dilema entre o euro e o dracma – a antiga moeda grega -, mas sim uma escolha entre o memorando de austeridade e a esperança. Longe de ser um inimigo do euro, Tsipras se apresentou em Paris como um “partidário” da moeda única mas, ao mesmo tempo, como um adversário da “chantagem praticada pelos partidários da austeridade”. Os argumentos do Syriza ganharam muitos eleitores na Grécia. As últimas pesquisas dão ao partido de esquerda 28% dos votos, a frente da direita da Nova Democracia, que apresenta 24%.

O crescimento do Syryiza tem sido espetacular. Desde as eleições legislativas realizadas no último 6 de maio, quando surgiu como a segunda força política do país, o partido ganhou 16 pontos em intenções de voto.

Comparativamente, nas eleições de 2009, o Syriza havia obtido só 4%. Alexis Tsipras deixou bem claro em Paris que, em caso de vitória nas eleições de junho, não aceitará nenhuma negociação sobre o pacote de austeridade que a UE e o Fundo Monetário Internacional impuseram a Grécia em troca dos 130 bilhões de euros de resgate financeiro. Neste sentido, Tsipras defendeu os argumentos do presidente francês, o socialista François Hollande, a favor do crescimento como estratégia para sair da crise. “Se seguirmos como estamos agora, em seis meses será preciso aprovar um terceiro plano de ajuda e uma segunda reestruturação da dívida. Os governos europeus devem deixar de pedir aos contribuintes que sigam colocando seu dinheiro em um poço sem fundo. Sem crescimento, jamais poderemos pagar o dinheiro que nos emprestarem”.

Os cerca de 200 jornalistas credenciados na Assembleia Nacional nunca tinham escutado um discurso tão cirúrgico contra o sistema financeiro pronunciado dentro do sacrossanto recinto parlamentar. Tsipras definiu o plano de austeridade aplicado a Grécia como um “desastre humanitário”, como um “ato de barbárie ineficaz”. Tanto Tsipras como Mélenchon fustigaram a Europa por sua conduta em relação a Grécia e a condenação coletiva de Atenas no que diz respeito à crise. Ambos pediram uma “solução comum para um problema comum” porque, senão, a tragédia grega alcançará inevitavelmente outros países. “Ameaçar a Grécia é ameaçar a nós mesmos”, disse Mélenchon que, de passagem, recordou que 60% da dívida grega está em cofres públicos.

Apoiados pela brisa de uma mudança, Tsipras e Mélenchon defenderam uma associação completa da esquerda europeia destinada à “refundação da Europa baseada na coesão social e na solidariedade”. A linguagem juvenil e combativa de Alexis Tsipras não é angelical. O líder do Syriza sabe que, mesmo com a vitória política nas urnas, a estrada será árdua: “formar um governo não equivale a ter o poder. Se conseguirmos ser majoritários nas urnas teremos contra nós os bancos, os meios de comunicação e uma parte do Estado”, disse Tsipras.

O político grego se comprometeu em Paris a tomar uma série de medidas imediatas em caso de ganhar as eleições de junho: “um governo de esquerda – explicou – colocará fim imediatamente as medidas mais insustentáveis como a diminuição dos salários e das aposentadorias”. Tsipras reconheceu que para tirar a Grécia do marasmo será preciso fazer “sacrifícios”, mas também esclareceu que “do mesmo modo que todos os povos da Europa os gregos querem ter o sentimento de que seus sacrifícios são úteis e que os mais pobres não serão os únicos a pagar a conta”.

Tradução: Katarina Peixoto


 

"Seja realista: exija o impossível"

"A linguagem juvenil e combativa de Alexis Tsipras não é angelical. O líder do Syriza sabe que, mesmo com a vitória política nas urnas, a estrada será árdua: “formar um governo não equivale a ter o poder. Se conseguirmos ser majoritários nas urnas teremos contra nós os bancos, os meios de comunicação e uma parte do Estado”, disse Tsipras."

Um filmes desses a gente está vendo por aqui: o poder dos bancos, dos meios de comunicação e de uma parte do Estado.

 

"Seja realista: exija o impossível"