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Fora de Pauta

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Santos Jazz Festival

11.06.2012

Santos Jazz Festival é o destaque cultural da semana
Com início marcado para esta quinta-feira, o Santos Jazz Festival agita a cena cultural da semana, com inúmeras apresentações que certamente irão encher os olhos e agradar os ouvidos dos apreciadores desse estilo musical.

 

A abertura do festival não poderia ser melhor, com o poliintrumentista Hermeto Paschoal, grande nome do jazz mundial, às 21h, no Teatro Coliseu, no centro Histórico. Nesta noite também se apresentam a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos e a Jazz Big Band.

 

 

O evento, que também terá oficinas, segue até o próximo domingo e conta com outros nomes de destaque, como o grupo Delicatessen, Baby Mendes & Banda, Família Gordon e Mauro Hector Trio.

 

 

Além do Coliseu, as apresentações serão realizadas no Teatro Guarany, palco da Bolsa do Café e Rua XV de Novembro.

 

 

Os bilhetes, gratuitos, podem ser retirados na bilheteria do Teatro Coliseu nesta terça e quarta-feira, das 14h às 19h – ou até terminarem os ingressos.  Mais informações e a programação completa podem ser obtidas no site www.santosjazzfestival.com.br

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Follow the money, follow the power.

em: resistir.info 

LIVRO CENSURADO NA ESPANHA 

 


O famoso investigador espanhol Vicente Navarro, que trabalhou 40 anos na John Hopkins University, acaba de ter o livro Hay alternativas: Propuestas para crear empleo y bienestar en España censurado pelas críticas que faz à situação económico-social da Espanha e da UE. O livro, elaborado em co-autoria com os economistas Juan Torres López e Alberto Garzón Espinosa e com prefácio de Noam Chomsky, estava pronto para ser lançado mas a editora Aguilar arrependeu-se e decidiu abortar o lançamento. Diante disso, os autores resolveram fazer uma carta-denúncia pública e divulgar o livro gratutitamente através da Internet. O livro pode ser descarregado aqui (224 pgs., 1,7 MB): Hay alternativas (clique com o botão direito do rato e faça Save As...). 
Algumas das afirmações contidas no livro:

 

  1. que a crise mundial é terrorismo financeiro 
  2. que a Espanha é o único país da OCDE onde os salários reais não cresceram nos últimos 15 anos 
  3. que não temos vivido acima das nossa possibilidade e sim que os salários estiveram abaixo das nossas necessiddes 
  4. que há 20 anos a diferença de remunerações entre dirigentes e assalariados era 10-20 vezes superior e agora é até 100-200 vezes superior 
  5. que os países que estão suportando bem a crise são aqueles do Norte da Europa, onde os serviços sociais ocupam uns 25% e na Espanha só cerca de 9% e estes serviços sociais são financiados, na Suécia, com a política fiscal 
  6. que portanto, quando dizem que há que reduzir a despesa pública e reduzir os salários para gerar riqueza e emprego, é exactamente o contrário e isso é explicado no livro com todo o pormenor 
  7. que a diferença entre a Suécia e a Espanha é que lá os ricos pagam os impotos e em Espanha só pagam os trabalhadores em folha de pagamento, mas que entre as grandes empresas espanholas a maioria só declara uns 10% dos seus lucros, e que as grandes fortunas só cerca de 1%. Para isso, utilizam os paraísos fiscais e outras tretas que até os bancos, seus cúmplices, os ajudam a desviar 
  8. que os planos de austeridade que nos impõem conduzem as economias no rumo do desastre 
  9. que em Espanha, com os 40 anos de ditadura, onde o poder da banca e dos empresários estava muito unido à política, ainda segue essa tendência: o poder de classe (v. pgs. 109-110) 
    Face à atitude de censura da Aguilar, os autores entregaram a publicação em papel às Ediciones Sequitur, que fará o lançamento em colaboração com o ATTAC. 


 

Calote global à vista destroi reservas do Brasil

 

 

Conselho Editorial Sul-Americano

 

CUIDADO, DILMA, O CALOTE PODE TE PEGAR! Barack Obama, na disputa eleitoral, em 2012, está frente ao mesmo impasse que FHC, em 1994, ficou diante da emergência do perigo da hiperinflação. Poderá ser obrigado, em algum momento, a cortar um zero no valor do dólar, a fim de evitar que a moeda americana seja sugada por um surto hiperinflacionário, decorrente da impagável monumental dívida pública americana, que lançou o mundo no buraco financeiro, no compasso da financeirização econômica global totalmente desregulamentada, sem poder apelar para o mercado financeiro, falido, no colo do governo, também, baqueado.

 

A dívida americana, hoje, na casa dos 15 trilhões de dólares cairia para 1,5 trilhão. Nasceria o NOVO DÓLAR para enterrar o VELHO DÓLAR. E os que, como o Brasil e a China, estão abarrotados de VELHO DÓLAR em seus caixas, como ficariam, senão com o GRANDE MICO nas mãos? Quadro impossível de pintar?

 

Vejam a história americana! Isso já aconteceu diversas vezes no século 19. E em 1974, não foi diferente, quando o ex-presidente Richard Nixon, pressionado pelos excessivos deficits, descolou o dólar do ouro, dando o calote na praça.

 

A Grécia, coitada, bem como Espanha, ambas à beira do abismo, são elos fracos de uma cadeia, cuja origem está na América.

 

A quantidade de moeda emitida sem lastro pelos Estados Unidos, que ganhou diversas formas, entre elas as dos derivativos tóxicos, é a responsável principal pelos desastres que se expressam na formação de bolhas especulativas intermitentes, cujos efeitos são a impossibilidade de controles efetivos do processo monetário pelos próprios bancos centrais, como admitem analistas experientes.

 

Caminham, portanto, os Estados Unidos, com o seu dólar bichado, para o mesmo rumo que caminhou o marco alemão, na década de 1930, que acabou virando papel de parede, dada a excessiva oferta de dinheiro em circulação, cuja desvalorização se tornou irreversível. Para evitar que se repita essa sombria realidade, agora, restaria ao governo americano, no limite, cortar um zero do dólar, de modo que a dívida seja brutalmente desvalorizada e possam os isteites evitarem o estrondo monetário que acabaria com a sua condição de potência econômica mundial.

 

Certamente, essa alternativa não vai ser tentada senão diante de necessidade imprescindível, porque, evidentemente, ninguém toma decisão dessa natureza porque quer, mas porque se torna inevitável.

 

Os Estados Unidos, dando um calote, ao fazer com o dólar o que FHC fez com o real, no Brasil, para livrar o país do afogamento hiperinflacionário, justificariam essa atitude como indispensável para ajudar a humanidade a emergir do caos financeiro que os próprios americanos criaram.

 

Mas, isso, certamente, por orgulho, Tio Sam não reconheceria. Haveria outra saída, da qual lançou mão nos anos de 1970, descolando o dólar do ouro, se a opção pelo ouro deixou de ser solução? Deixar que o dólar seja levado de roldão e os Estados Unidos se submerjam, inapelavelmente?

 

Ou Obama, em nome da democracia, a bandeira eterna da América, tentaria salvar, novamente, o mundo dos radicalismos políticos que a bancarrota monetária produziria? A pergunta, terrível, que fica no ar é a seguinte: e as reservas cambiais brasileiras, como ficarão, senão ultradesvalorizadas?

 

Dos quase 400 bilhões de dólares hoje disponíveis, poderiam sobrar tão somente uns 40 bilhões de dólares. Cuidado, Dilma, um grande beiço americano está a caminho em nome da salvação da humanidade. Teria adiantado ajuntar essa grana toda, para virar pó, ou melhor seria aplica-la, URGENTE, na infraestrutura nacional? Ainda há tempo para isso?

 

Por que não seguir os chineses?

 

OS CHINESES NÃO ACREDITAM EM TIO SAM. POR QUE O BRASIL ACREDITARIA? A China e o Brasil, se não acelerarem a desova de sua reservas, podem ver elas ser brutalmente reduzidas, caso Barack Obama, sob pressão de dívidas insuportáveis, que impedem providências adicionais do Banco Central dos Estados Unidos, para dinamizar a economia por meio de novas expansões monetárias, seja obrigado, a contragosto, é claro, a dar um calote no mundo, cortando um zero do dólar, para diminuir a dívida.

 

Aliás, pode ser que o BC dos Estados Unidos faça justamente isso: dê outra girada na guitarra financeira, jogando moeda americana na circulação, para desvaloriza-la, ainda mais, a ponto de liquidar a dívida, e, em seguida, cortar um zero das verdinhas, para reiniciar o jogo econômico mundial, sob argumento de que fora necessário agir nesse sentido para preservar a democracia e salvar o mundo do colapso global e da emergência, quem sabe, de um neo-comunismo ou de um neo-fascismo/nazismo.

 

Quem tem dólar, agora, perderia, a menos que seja rápido no gatilho, para se desfazer dele, como, por exemplo, já estão fazendo os chineses. Essa semana, o governo da China admitiu que nos próximos cinco anos pretende aplicar 500 bilhões de dólares de suas reservas na Europa comprando ativos, a torto e a direito. Tal providência já está em curso em diversas partes do mundo, como na África e na America do Sul.

 

Ou seja, agora, os chineses, aproveitando a bancarrota europeia, onde tudo está em liquidação,  vão invadir o continente europeu com uma quantia de dólares superior àquela que o governo brasileiro tem depositada no Banco Central.

 

 É só fazer as contas: se Tio Sam cortar um zero de sua moeda bichada, as reservas chinesas de 3,5 trilhões de dólares, aproximadamente, cairiam para 350 bilhões. Perderiam 3 trilhões de dólares!

 

Da mesma forma, Dilma Rousseff ficaria com somente 40 bilhões, dos quase  400 bilhões atuais disponíveis nos cofres nacionais. Dançaria em perto de 300 bilhões de dólares. É mole?

 

Diversificar as aplicações, não deixando tudo em uma cesta só, eis o que os chineses estão fazendo, para fugir do risco. 

 

E o Brasil, vai ficar parado, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como disse o poeta Raul Seixas? Por que com os 375 bilhões de reservas disponíveis Dilma não joga a metade disso na modernização geral dos centros urbanos brasileiros, construindo metrôs, para melhorar a qualidade de vida da população sufocada pelo excesso de veículos proporcionado pelo maior poder de compra da população de baixa renda em face da política social mais avançada voltada à melhor distribuição da renda nacional? Por que não acelerar a triplicação das rodovias nacionais, a construção de portos para todos os lados?

 

Por que não investir para valer na melhoria geral da infraestrutura com uma parte considerável das reservas, transformando-as em grandes investimentos públicos, contratando mão de obra estrangeira e empresas privadas internacionais, a preços baratos, nesse momento, para acelerar o desenvolvimento, em vez de ficar na expectativa de que se perca tudo, se Tio Sam criar o NOVO DÓLAR, para subsituir o VELHO DÓLAR, bichado, sem nenhuma perspectiva de sobrevivência, no compasso da crise bancária global?

 

Especialista em calote

 

A EXPERIÊNCIA DO CALOTE JÁ ACONTECEU E PODE REPETIR DE NOVO. Nunca se deve esquecer a vocação caloteira do governo americano, quando as coisas vão mal para os Estados Unidos.

 

O exemplo da década de 1970 continua vivíssimo. O poder do dólar continuaria forte do pós-guerra até 1974, quando os deficits americanos, acumulados ao longo da sustentação da guerra fria e da guerra do Vietnan sinalizaram perigo para a moeda de Tio Sam.

 

O padrão ouro virara cortina de fumaça. Que fez Richard Nixon, presidente americano, diante da tentativa de Willy Brand, primeiro ministro da Alemanha, de resgatar 10 bilhões de dólares em barras de ouro, no Fort Knox, nos Estados Unidos, porque a Alemanha temia pelo pior?

 

Descolou o dólar do ouro. Deixou a moeda flutuar. Emergiu tremenda volatilidade cambial. Quem devia em dólar, por conta da desvalorização deste, se deu bem. Ou seja, os próprios Estados Unidos, que estavam superendividados, salvaram-se do incendio, que poderia ocorrer com o excesso de dólares, eurodólares, nipodólares e petrodólares, que circulavam na praça global, emitidos pelo tesouro americano, para salvar o mundo do comunismo, como destacavam os estrategista geopolíticos dos Estados Unidos.

 

 Sem a âncora do ouro, com o dólar flutuando, incontrolavelmente, a economia mundial, desde então, entrou na era das bolhas financeiras especulativas. Em 1979, por exemplo, o Banco Central americano, para evitar perigos adicionais para a saúde do dólar, fez movimento contrário: puxou a taxa de juros de 5% para quase 20%. Agora, quem devia em dólar, como o Brasil, quebrou.

 

E a periferia capitalista, desde aquele momento, teve que se subordinar aos ditames do Consenso de Washington – arrochos fiscais e monetários, privatizações, desvalorizações cambiais, empobrecimento etc etc.

 

Os derranjos macroeconômicos brasileiros foram, portanto, produzidos de fora para dentro e não o contrário, como destacaram os analistas econômicos, na Era Sarney, considerado caloteiro, porque tentou reagir contra as articulações econômicas imperialistas americanas, suspendendo o pagamento dos juros da dívida, para ganhar fôlego. Como não teve, naquela ocasião, apoio do PMDB, do senhor Ulisses Guimarães,  sr. diretas, Sarney dançou.

 

 A origem da desmoralização dos peemedebistas começou ali, ao demonstrarem frouxidão para enfrentar a pressão internacional sobre a economia brasileira. Agora, na crise financeira global, iniciada em 2008, o quadro é outro, com os Estados Unidos devendo muito mais do que naqueles anos de 1970.

 

Pior: Tio Sam não têm fôlego financeiro para continuar emitindo, salvo se for para dar a calote, desvalorizando, mediante expansões monetárias continuadas, a sua dívida.

 

A dívida viraria pó, para em seguida, a Casa Branca dar um corte no valor do dólar, capando um zero. Acomoradia a situação monetária global aos interesses americanos, no sentido de os Estados Unidos continuarem sendo detentores da moeda equivalente geral das trocas comerciais globais.

 

Os americanos renunciariam a essa possibilidade para deixar de serem os condutores do mundo, mediante um NOVO DÓLAR? Sob NOVO DÓLAR, poderão voltar a emitir, o que não ocorrerá, se o VELHO DÓLAR sucumbir-se. E os que estão carregados de reservas expressas  no VELHO DÓLAR, como é o caso do Brasil, como ficariam, senão totalmente micados? 

 

Te cuida Tombini!

 

Força Aérea forma primeira mulher piloto operacional na Aviação de Caça   Força Aérea forma primeira mulher piloto operacional na Aviação de Caça CECOMSAER 


A Primeiro Tenente Aviadora Carla Alexandre Borges, pertencente ao quadro de oficiais do Primeiro Esquadrão do Décimo Sexto Grupo de Aviação (1º/16º GAv), Esquadrão Adelphi, foi declarada (01/06) operacional na aeronave A-1 (AMX), tornando-se a primeira mulher da FAB operacional em aeronaves de caça de alta performance, a chamada “primeira linha” da caça.

Com esta qualificação, a militar está apta a cumprir qualquer missão desempenhada pelo 1º/16º GAV, inclusive liderar esquadrilhas de até quatro aeronaves. O último voo de formação da Oficial foi realizado em conjunto com uma aeronave KC-130 do 1º/1º Grupo de Transporte, no dia 30 de maio último, quando a oficial liderou dois caças AMX para uma missão de reabastecimento em voo noturno.

A Tenente Carla, natural de Jundiaí (SP), chegou ao Esquadrão Adelphi no início de 2011. Realizou seu primeiro voo solo em aeronave A-1 no dia 3 de maio de 2011 e continuou se dedicando ao cumprimento completo do curso de formação operacional no AMX, acumulando cerca de 100 horas de voo nesta aeronave.

 


O ex-mágico da Taberna Minhota

Murilo Rubião


Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me;
 porque eu sou desvalido e pobre.
(Salmos. LXXXV, I)


Hoje sou funcionário público e este não é o meu desconsolo maior.

Na verdade, eu não estava preparado para o sofrimento. Todo homem, ao atingir certa idade, pode perfeitamente enfrentar a avalanche do tédio e da amargura, pois desde a meninice acostumou-se às vicissitudes, através de um processo lento e gradativo de dissabores.

Tal não aconteceu comigo. Fui atirado à vida sem pais, infância ou juventude.

Um dia dei com os meus cabelos ligeiramente grisalhos, no espelho da Taberna Minhota. A descoberta não me espantou e tampouco me surpreendi ao retirar do bolso o dono do restaurante. Ele sim, perplexo, me perguntou como podia ter feito aquilo.

O que poderia responder, nessa situação, uma pessoa que não encontrava a menor explicação para sua presença no mundo? Disse-lhe que estava cansado. Nascera cansado e entediado.

Sem meditar na resposta, ou fazer outras perguntas, ofereceu-me emprego e passei daquele momento em diante a divertir a freguesia da casa com os meus passes mágicos.

O homem, entretanto, não gostou da minha prática de oferecer aos espectadores almoços gratuitos, que eu extraía misteriosamente de dentro do paletó. Considerando não ser dos melhores negócios aumentar o número de fregueses sem o conseqüente acréscimo nos lucros, apresentou-me ao empresário do Circo-Parque Andaluz, que, posto a par das minhas habilidades, propôs contratar-me. Antes, porém, aconselhou-o que se prevenisse contra os meus truques, pois ninguém estranharia se me ocorresse a idéia de distribuir ingressos graciosos para os espetáculos.

Contrariando as previsões pessimistas do primeiro patrão, o meu comportamento foi exemplar. As minhas apresentações em público não só empolgaram multidões como deram fabulosos lucros aos donos da companhia.

A platéia, em geral, me recebia com frieza, talvez por não me exibir de casaca e cartola. Mas quando, sem querer, começava a extrair do chapéu coelhos, cobras, lagartos, os assistentes vibravam. Sobretudo no último número, em que eu fazia surgir, por entre os dedos, um jacaré. Em seguida, comprimindo o animal pelas extremidades, transformava-o numa sanfona. E encerrava o espetáculo tocando o Hino Nacional da Cochinchina. Os aplausos estrugiam de todos os lados, sob o meu olhar distante.

O gerente do circo, a me espreitar de longe, danava-se com a minha indiferença pelas palmas da assistência. Notadamente se elas partiam das criancinhas que me iam aplaudir nas matinês de domingo. Por que me emocionar, se não me causavam pena aqueles rostos inocentes, destinados a passar pelos sofrimentos que acompanham o amadurecimento do homem? Muito menos me ocorria odiá-las por terem tudo que ambicionei e não tive: um nascimento e um passado.

Com o crescimento da popularidade a minha vida tornou-se insuportável.

Às vezes, sentado em algum café, a olhar cismativamente o povo desfilando na calçada, arrancava do bolso pombos, gaivotas, maritacas. As pessoas que se encontravam nas imediações, julgando intencional o meu gesto, rompiam em estridentes gargalhadas. Eu olhava melancólico para o chão e resmungava contra o mundo e os pássaros.

Se, distraído, abria as mãos, delas escorregavam esquisitos objetos. A ponto de me surpreender, certa vez, puxando da manga da camisa uma figura, depois outra. Por fim, estava rodeado de figuras estranhas, sem saber que destino lhes dar.

Nada fazia. Olhava para os lados e implorava com os olhos por um socorro que não poderia vir de parte alguma.

Situação cruciante.

Quase sempre, ao tirar o lenço para assoar o nariz, provocava o assombro dos que estavam próximos, sacando um lençol do bolso. Se mexia na gola do paletó, logo aparecia um urubu. Em outras ocasiões, indo amarrar o cordão do sapato, das minhas calças deslizavam cobras. Mulheres e crianças gritavam. Vinham guardas, ajuntavam-se curiosos, um escândalo. Tinha de comparecer à delegacia e ouvir pacientemente da autoridade policial ser proibido soltar serpentes nas vias públicas.


Não protestava. Tímido e humilde mencionava a minha condição de mágico, reafirmando o propósito de não molestar ninguém.

Também, à noite, em meio a um sono tranqüilo, costumava acordar sobressaltado: era um pássaro ruidoso que batera as asas ao sair do meu ouvido.

Numa dessas vezes, irritado, disposto a nunca mais fazer mágicas, mutilei as mãos. Não adiantou. Ao primeiro movimento que fiz, elas reapareceram novas e perfeitas nas pontas dos tocos de braço. Acontecimento de desesperar qualquer pessoa, principalmente um mágico enfastiado do ofício.


Urgia encontrar solução para o meu desespero. Pensando bem, concluí que somente a morte poria termo ao meu desconsolo.

Firme no propósito, tirei dos bolsos uma dúzia de leões e, cruzando os braços, aguardei o momento em que seria devorado por eles. Nenhum mal me fizeram. Rodearam-me, farejaram minhas roupas, olharam a paisagem, e se foram.

Na manhã seguinte regressaram e se puseram, acintosos, diante de mim.

— O que desejam, estúpidos animais?! — gritei, indignado.

Sacudiram com tristeza as jubas e imploraram-me que os fizesse desaparecer:

— Este mundo é tremendamente tedioso — concluíram.

Não consegui refrear a raiva. Matei-os todos e me pus a devorá-los. Esperava morrer, vítima de fatal indigestão.

Sofrimento dos sofrimentos! Tive imensa dor de barriga e continuei a viver.

O fracasso da tentativa multiplicou minha frustração. Afastei-me da zona urbana e busquei a serra. Ao alcançar seu ponto mais alto, que dominava escuro abismo, abandonei o corpo ao espaço.

Senti apenas uma leve sensação da vizinhança da morte: logo me vi amparado por um pára-quedas. Com dificuldade, machucando-me nas pedras, sujo e estropiado, consegui regressar à cidade, onde a minha primeira providência foi adquirir uma pistola.

Em casa, estendido na cama, levei a arma ao ouvido. Puxei o gatilho, à espera do estampido, a dor da bala penetrando na minha cabeça.

Não veio o disparo nem a morte: a máuser se transformara num lápis.

Rolei até o chão, soluçando. Eu, que podia criar outros seres, não encontrava meios de libertar-me da existência.


Uma frase que escutara por acaso, na rua, trouxe-me nova esperança de romper em definitivo com a vida. Ouvira de um homem triste que ser funcionário público era suicidar-se aos poucos.

Não me encontrava em condições de determinar qual a forma de suicídio que melhor me convinha: se lenta ou rápida. Por isso empreguei-me numa Secretaria de Estado.


1930, ano amargo. Foi mais longo que os posteriores à primeira manifestação que tive da minha existência, ante o espelho da Taberna Minhota.

Não morri, conforme esperava. Maiores foram as minhas aflições, maior o meu desconsolo.

Quando era mágico, pouco lidava com os homens -o palco me distanciava deles. Agora, obrigado a constante contato com meus semelhantes, necessitava compreendê-los, disfarçar a náusea que me causavam.

O pior é que, sendo diminuto meu serviço, via -me na contingência de permanecer à toa horas a fio. E o ócio levou -me à revolta contra a falta de um passado. Por que somente eu, entre todos os que viviam sob os meus olhos, não tinha alguma coisa para recordar? Os meus dias flutuavam confusos, mesclados com pobres recordações, pequeno saldo de três anos de vida.

O amor que me veio por uma funcionária, vizinha de mesa de trabalho, distraiu-me um pouco das minhas inquietações.

Distração momentânea. Cedo retornou o desassossego, debatia-me em incertezas. Como me declarar à minha colega? Se nunca fizera uma declaração de amor e não tivera sequer uma experiência sentimental!

1931 entrou triste, com ameaças de demissões coletivas na Secretaria e a recusa da datilógrafa em me aceitar. Ante o risco de ser demitido, procurei acautelar meus interesses. (Não me importava o emprego. Somente temia ficar longe da mulher que me rejeitara, mas cuja presença me era agora indispensável.)

Fui ao chefe da seção e lhe declarei que não podia ser dispensado, pois, tendo dez anos de casa, adquirira estabilidade no cargo.

Fitou-me por algum tempo em silêncio. Depois, fechando a cara, disse que estava atônito com meu cinismo. Jamais poderia esperar de alguém, com um ano de trabalho, ter a ousadia de afirmar que tinha dez.

Para lhe provar não ser leviana a minha atitude, procurei nos bolsos os documentos que comprovavam a lisura do meu procedimento. Estupefato, deles retirei apenas um papel amarrotado — fragmento de um poema inspirado nos seios da datilógrafa.

Revolvi, ansioso, todos os bolsos e nada encontrei.

Tive que confessar minha derrota. Confiara demais na faculdade de fazer mágicas e ela fora anulada pela burocracia.

Hoje, sem os antigos e miraculosos dons de mago, não consigo abandonar a pior das ocupações humanas. Falta-me o amor da companheira de trabalho, a presença de amigos, o que me obriga a andar por lugares solitários. Sou visto muitas vezes procurando retirar com os dedos, do interior da roupa, qualquer coisa que ninguém enxerga, por mais que atente a vista.

Pensam que estou louco, principalmente quando atiro ao ar essas pequeninas coisas.

Tenho a impressão de que é uma andorinha a se desvencilhar das minhas mãos. Suspiro alto e fundo.

Não me conforta a ilusão. Serve somente para aumentar o arrependimento de não ter criado todo um mundo mágico.

Por instantes, imagino como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes. Encher a noite com fogos de artifício. Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saísse o arco-íris. Um arco-íris que cobrisse a Terra de um extremo a outro. E os aplausos dos homens de cabelos brancos, das meigas criancinhas.


 

Aqui na comunidade, silencio sepulcral sobre o baile do timão no Santos.

Aqui uma interessante matéria do UOL sobre o jogo e o jogo simulado do Neymar. Pelo que indica, está no fim a relação do criador (midia) com a criatura (Neymar).

Com histórico de cai-cai, Neymar irrita jogadores e Tite por confusões no clássico

Carlos Padeiro
Do UOL, em Santos (SP)

Neymar esteve longe de repetir na noite da última quarta-feira as boas atuações que o consagraram como o maior jogador do futebol brasileiro recentemente. Para piorar, o lado polêmico do atleta de 20 anos voltou a aflorar durante a derrota do Santos por 1 a 0 para o Corinthians, na Vila Belmiro, pela semifinal da Copa Libertadores.

 

 

 

JORNAL ARGENTINO PROVOCA: "NEYMAL"

  • O jornal argentino Olé não poupou o atacante Neymar após a atuação ruim na derrota para o Corinthians por 1 a 0, no primeiro jogo pelas semifinais da Libertadores. O periódico destacou a noite de pouca inspiração do camisa 11 e ainda fez trocadilho com o nome do jogador. Leia mais

 

Em campo, alguns jogadores demonstraram irritação com o camisa 11, principalmente Leandro Castán. Neymar participou dos dois lances em que o 'tempo fechou', com troca de empurrões entre santistas e corintianos. Anulado pela marcação da equipe de Parque São Jorge, obteve como principal feito em 90 minutos ter sofrido a falta que culminou com a expulsão de Emerson Sheik, suspenso do jogo de volta.

 

Na entrevista coletiva, Tite evitou censurar o jovem adversário publicamente. Ponderado, preferiu fugir do assunto. “Para analisar esse lance, eu teria que falar da arbitragem”, argumentou, já que afirmara anteriormente que não comentaria a atuação do árbitro.

 

No vestiário, porém, o treinador não escondeu sua ira em relação à postura do camisa 11 da Baixada, conforme revelou ao UOL Esporte uma pessoa da comissão técnica. O comandante corintiano considera Neymar um atleta fora de série, mas internamente o critica pelo histórico de cai-cai.

 

NÚMEROS DE NEYMARDribles3Passes certos29Passes errados14Faltas cometidas4Faltas recebidas4Desarmes12Bolas recebidas55Bolas perdidas17Finalizações certas0Finalizações erradas3

  • Fonte: Datafolha

 

As confusões ocorreram por volta dos 30 min do segundo tempo, quando Neymar cometeu uma falta dura em Castán e recebeu o amarelo. Os corintianos foram para cima do santista e do juiz, porque queriam o vermelho direto.

 

Dois minutos depois, Neymar levou uma entrada forte de Sheik e desabou no gramado, se contorcendo de dor. Como o atacante corintiano já tinha o amarelo, acabou expulso.

 

O tempo fechou de vez. Leandro Castán atravessou o campo para tirar satisfação com Neymar, que se levantou rapidamente, já aparentemente sem dores, e se afastou da confusão.

 

Enquanto santistas e corintianos discutiam e trocavam empurrões, o astro do Peixe ficou parado na linha central. Castán novamente foi em sua direção, mas o atacante da seleção brasileira não quis discutir e se distanciou novamente.

 

Um novo capítulo do confronto Neymar x Corinthians acontece na próxima quarta-feira (20), às 21h50, e o Timão precisa de um empate para se classificar pela primeira vez a uma final de Libertadores. O Peixe terá de ganhar no Pacaembu para manter vivo o sonho do tetra.

 

http://wp.clicrbs.com.br/cacaumenezes/2012/06/13/ai-tem-2/?topo=52,2,18,,200,67

Esse tipo de matéria do mais influente jornalista de variedades do maior jornal de SC deve ser combatido. E o pior é abrir a área de comentários para todo tipo de baixaria.

 

Mecanica monetária moderna.


Eita, palavrinhas que soam bonitas, porem são puro engôdo !


A "mecanica" financeira de denominar a operação descrita em detalhes no post, é o que faz uma coisa inexistente, como a descrita, transformar-se no mecanismo mais usado pelos grandes bancos centrais dos países desenvolvidos, em comum acôrdo com seus governos e bancos privados, transforma o meio circulante, numa "ilusão ótica" e esta ilusão ótica, tem a credibilidade dos demais participantes da ciranda financeira.


Efetivamente, nem as desconhecidas reservas dos países-membros deste "cassino" como a de Fort Knoxx, nos E.U.A, são suficientes para honrar os papéis emitidos e entre aspas, garantidos, por  quem os emitiu, e que numa hipotética "corrida" dos compradores de tais títulos, os recomprariam.


Tudo então, é apenas uma questão de crédito, de quem emitiu o título, e quem o compra. Quando começar a descrença de uma das partes, o sistema inteiro "desaba".


Dito isto, falemos das dificuldades da Rio + 20, em conseguir um consenço, entre os países participantes, em "separar" míseros US$ 30 Bilhões de dólares , para garantir o crescimento sustentável dos países em desenvolvimento, sem que eles tenham que arcar sosinhos, com este custo.


Para salvar  o sistema bancário espanhol, eles(os países ricos) emitem moeda sem lastro(criada no mecanismo citado no post) porem para incentivar o crescimento sustentável e não agressivo ao meio ambiente, eles não assumem nenhum compromisso, e ao que tudo indica, esta reunião não vai dar em nada. 

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Não deixa de ser interessante quando tentamos elogiar a gestão do Lula e da Dilma em alguns aspectos ficmos estarrecidos com outros. Citando um. Há um processo correndo contra o SERPRO há décadas, e entra e sai governo há eterna tentativa (e vêm conseguindo) de jogar o pepino para a próxima administração. Qual o sentido deste tipo de atitude? O governo sabedouro do que é o judiciário se aproveita e o sobrecarrega. Será que stá esperando a morte dos beneficiários da ação? Por que não reconhece a dívida (ao que tudo indica ela existe) e não acaba com essa agonia de uma vez?Se alguém me explicar - advogados de plantão - ficarei agradecido


http://www.sindados-mg.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=373&Itemid=1


Em audiência realizada no dia 14 de julho de 2010, o Juiz da 1ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte decidiu homologar os Cálculos de Liquidação, elaborados pelo Perito do Juízo, determinando ao SERPRO que pague o valor apurado, sob pena de penhora.
 
Na referida audiência discutiu-se também a possibilidade de acordo entre as partes, ocasião em que o Sindicato manifestou sua recusa em relação à proposta apresentada pelo Juízo na audiência realizada em novembro de 2009, por entender que os valores estavam muito abaixo do devido e por não aceitar que o processo fosse suspenso ou interrompido, atrasando ainda mais uma ação que já dura quase 20 anos.
 
http://as1.trt3.jus.br/consulta/detalheProcesso2.htm?conversationId=199818
 

 

Safatle em nome de todos

 

Monica Stival

 

Doutoranda em Filosofia – USP

 

 

 

“Melhor morrer de vodca que de tédio”[1]. O agito louvado por Vladimir Maiakóvski não poderia ser mais distante da “calma indiferença” clamada por Vladimir Safatle. Ainda que o nauseante movimento evocado seja imaginado por este como démarche em direção à bucólica imagem da indiferença, nada mais ironicamente decepcionante que vislumbrar como fim da agonística o plácido tédio que, por ser seu contrário imediato, fornecia valor ao embate.

 

De todo modo, é exatamente assim que Safatle apresenta o dever-ser da esquerda, ou melhor, de todos: “Quando afirmo que devemos ser indiferentes à diferença é por defender que a vida social deve alcançar um estágio no qual a diferença do outro me é indiferente”[2]. Abstraindo o plano imaginário em que se situa o plural dessa primeira pessoa, o fato é que a indiferença, não por acaso, é signo de desinteresse ou desprezo. Mais ainda, conforme o dicionário, sempre instrutivo, significa também “insensibilidade moral” (“inconsciência doentia” pareceu-me demasiadamente pessoal).

 

Ora, se é plausível dizer que “queremos uma política (...) radicalmente aberta à alteridade”[3], a ideia programática de Safatle, ainda sem programa, vai na exata direção oposta. Se a equívoca unidade que se pode designar como esquerda quer tal política, é porque não se trata de postular o bem para todos como dever-ser da vida social. Essa sociedade da indiferença não pode ser outra coisa que a neutralização absoluta da alteridade.

 

Mas por benevolência em relação às boas intenções, deixemos o dicionário e o uso habitual para resgatar a definição do autor: “‘Indiferença’ significa, aqui, não querer legislar sobre as diferenças”[4]. Curiosa ideia de indivíduo, atomizado frente toda possibilidade de comunicação, experiência coletiva ou políticas públicas. Não é difícil entender que diferenças são fontes inevitáveis de conflitos, e a gestão desses conflitos, engendrados por certa insociável sociabilidade, coloca-se a todo e qualquer tipo de governo. Assim, a maneira pueril de apresentar o problema do casamento, entre homossexuais ou não, deixa de considerar precisamente a vida em sociedade, a vida em que as diferenças estão em relação. À aberrante pergunta “Mas por que não ir além e afirmar que o ordenamento jurídico deve ser indiferente ao problema do casamento?”[5] um governo de esquerda responde: essa ideia absurda leva necessariamente à opressão violenta de grupos da sociedade, e por isso é preciso garantir que a diferença sobreviva sem ônus.

 

Na prática, essa hipótese implica desregular completamente todas as relações econômicas vinculadas, ao menos no mundo em que vivemos, ao casamento e, consequentemente, à organização da propriedade. Um exemplo de como uma política de esquerda se estabelece, no plano real, em função de instituições que a geração 68 ajudou perigosamente a dissolver, ao invés de redefinir, está na determinação jurídica segundo a qual os imóveis adquiridos por meio do programa “minha casa, minha vida” devem ficar, em caso de separação, com a mulher. Ou entre tantos “deveres” devemos abstrair completamente a história e a condição sociológica de certos grupos sociais?

 

É evidente que isso significa disputar a “gestão de modelos” desprezada por Safatle[6], a fim de ressaltar a importância vital das políticas públicas que asseguram certo equilíbrio entre as diferenças inevitavelmente em conflito – portanto, trata-se de universalidade – em detrimento do democratismo de direita para o qual deve reinar a maioria. Só se pode “ir além”, mantendo-se à esquerda, aprofundando a equalização da diferença, nunca por um salto desta à abstrata igualdade definida por Safatle. O tédio desta tranqüila indiferença é idêntico à atomização absoluta dos indivíduos, em um onírico estado em que a relação entre os homens é contemplativa e descomprometida.

 

Antes e para sermos “universalistas” é preciso que certo horizonte seja comum pelo menos à esquerda. Para isso, não basta desdenhar daqueles que reivindicam o fim da distinção política em termos de esquerda e direita[7]. Num plano anterior, é a diferença em relação ao que situa alguém do lado esquerdo da corda que se trata, afinal, de disputar. Desnecessário notar que isso justifica este comentário. Afinal, não parece razoável resignar-se à indiferença quando o horizonte em questão só pode ser dito “político” porque põe em jogo um interesse, uma ideia. Em meio a tantas idéias diferentes, a unidade equívoca de um ideal precisa ser equalizada por meio de certa gestão (sic!) não apenas governamental ou jurídica, mas social das diferenças.

 

E se o que se quer propor como unidade ideal à esquerda é a “indiferença à diferença”, no sentido radical de vislumbrar o fim de toda polêmica, e com ela de toda política, em uma orgia de totalitarismo moral, dissolvidas para tanto todas as instituições que, bem ou mal, estabilizam o antagonismo nessa vida social na qual estamos historicamente situados, se for isso, então só resta, creio, a denotativa indiferença.

 

Há muitos pontos a discutir sobre a auto-nomeação da esquerda corajosa, mas é hora de abrir uma vodca.

 

 

 

 

 

[1] Epígrafe do livro “A esquerda que não teme dizer seu nome”, de Vladimir Safatle, São Paulo: Três estrelas, 2012.

 

[2] Trecho da coluna “Indiferença”, publicada pelo autor no jornal Folha de SP, 12 de junho de 2012.

 

[3] Idem.

 

[4] Idem.

 

[5] Idem.

 

[6] Cf. Introdução ao livro “A esquerda que não teme dizer seu nome”, especialmente p. 14-15.

 

[7] Esta é a tese que justifica a abordagem de Safatle, conforme se pode ler na introdução ao livro citado.

 

 

Amor Proibido

A CPMI do Cachoeira assim como outras tantas, tenta apartar o Brasil Real do Brasil Legal.

O Brasil Legal não admite lavagem de dinheiro, tráfico, Jogo do bicho, Bingo, Caixa 2, Cafetinagem, arapongagem, loby, sócio oculto e outros atividades (agrícolas, industriais, comerciais e de serviços). Também não admite condenação sem provas.

No Brasil Real existe lavagem de dinheiro, tráfico, Jogo do bicho, Bingo, Caixa 2, Cafetinagem, arapongagem, loby, testa de ferro e outros atividades. Existe até condenação sem provas.

No Brasil Legal só existem 3 poderes independentes que são exercidos por agentes públicos.

No Brasil Real existe um quarto poder exercido por agentes privados e todos são dependentes.

Existem personagens que transitam livremente entre esses dois Brasis de acordo com seus interesses individuais. São mais conhecidos como Picaretas. Outros personagens transitam visando interesses  corporativos ( partidários, Mafiosos e outros ).

Apenas a uma elite política e jurídica é permitido acesso a parte desses dados sigilosos sobre esses personagens que, bem guardados ou esquecidos, garantem a governabilidade e institucionalidade do País dentro da normalidade. Em casos extremos recorre-se a queima de arquivos ou assassinato de reputação.

As Crises ocorrem quando esses dois Brasis se encontram e enamoram. Podem até ter encontros fortúitos mas é um amor proibido.

No Brasil Legal, Cahoeira é um contraventor, lobysta etc.

No Brasil Real, Cachoeira quis ser um Empresário sem nunca ter sido.

 

Nassif,

 

Um tema que tem ficado à margem nas discussões do blog é a greve dos docentes das Universidades Federais e dos Institutos Federais. Pouco ou quase nada aparece na mídia. Levanta essa bola aí!

Segue reportagem sobre a primeira reunião com o governo.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-06-12/governo-pede-tregua-professores-de-instituicoes-federais-de-ensino-superior-em-greve-ha-mais-de-um-me

Carlos Magno

 

Espero que tenha começado a faxina na nossa história. Espero que este gesto do Senado dê coragem para mudar a postura passiva e paralizante dos administradores municipais que, ainda hoje, batizam aparelhos públicos, praças e ruas com homegem ao piores fascistas. Aqui em São Bernardo temos a Vila Mussollini; em Diadema, contrariando o desejo da população, o Serra homegeou uma escola estadual com o nome do nefasto senador Filinto Muller. Pura provocação pois a população tinha escolhido o nome de Prestes.

Nome de Filinto Müller será retirado de ala no Senado

Vermelho

De Brasília - Márcia Xavier

O Senado deu o primeiro passo para retirar de uma de suas alas o nome de Filinto Müller, ex-senador que foi chefe de polícia do governo de Getúlio Vargas e responsável pela deportação da judia Olga Benário, militante comunista, para um campo de concentração nazista na Alemanha, onde foi executada em 1942. A Comissão de Educação do Senado aprovou, nesta terça-feira (12), projeto que troca o nome da ala, mas não indicou substituto. A decisão final sobre o projeto será da Mesa Diretora do Senado.


Autor do projeto, o PT sugeriu o nome de Luiz Carlos Prestes, mas, por resistência de alguns senadores, o texto foi aprovado sem a indicação do futuro nome do espaço. Defensora do nome de Prestes, a senadora Ana Rita (PT-ES) disse que o Senado deveria aprovar o projeto especialmente quando o Brasil "se empenha em esclarecer os fatos obscuros que mancham a história da democracia no país".

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) afirmou que já apresentou projeto denominando Senador Luiz Carlos Prestes o espaço do complexo arquitetônico do Senado Federal, que dá acesso às Alas Senador Tancredo Neves e Senador Teotônio Vilela. O Espaço Senador Luiz Carlos Prestes poderá ser utilizado para exposições e outras manifestações de caráter cultural.

Simbologia própria

No local devem ser colocados o a identificação Espaço Senador Luiz Carlos Prestes, em destaque similar ao conferido às denominações das atuais Alas do Senado Federal e o busto do homenageado, sobre pedestal, com placa identificadora.

Segundo Inácio Arruda, a destinação do espaço físico na área de acesso às Alas Senador Tancredo Neves e Senador Teotônio Vilela e ao auditório Petrônio Portela, possui uma simbologia própria, que se coaduna com o ideário político-ideológico do homenageado. “Consiste em um ponto de convergência e de distribuição de pessoas, tal como as praças em qualquer cidade, espaços abertos a todos para a convivência social e para a circulação de pessoas, sem qualquer espécie de discriminação e de cerceamento”.

O senador disse ainda que “a homenagem que se objetiva prestar a Luiz Carlos Prestes consagra, precipuamente, um dos exparlamentares que mais se identificaram com a construção de um país livre, voltado para a integração de seus membros, por meio do rompimento de qualquer forma de desigualdade e em benefício da plena convivência e do bem-estar social”.

 

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Vídeo: Agnelo do PT nocauteia tucano Perillo na CPI do Cachoeira
 

 
Dia 12: Perillo (PSDB) disse não (abrir seu sigilo bancário).
Dia 13: Agnelo (PT) disse sim.

PSDB mentiu: CPI não tem sigilo já quebrado em 2011 pelo STJ.

Depois do constrangimento, os tucanos tentaram desqualificar a atitude de Agnelo dizendo que o STJ já havia quebrado seu sigilo em 18/11 e, portanto, não haveria vantagem nenhuma, pois já estaria disponível.

É mentira.
O processo no STJ é sobre as denúncias a respeito do Ministério do Esporte, feitas na "reporcagem" da revista Veja pelo PM João Dias, que o PGR Roberto Gurgel, sob influência e pressão da Veja, resolveu investigar Orlando Silva e Agnelo. Se os sigilos foram quebrados neste processo, não é transferível para esta CPI, uma vez que a CPI investiga outra coisa.

O ato de Agnelo abrir seu sigilo foi verdadeiro, e a CPI não tem à disposição esses dados, a menos que ele autorize como fez ou a própria CPI faça através de votação de requerimento.
 
 
Por: Zé Augusto 0 Comentários  
 
Do Blog Os Amigos do Presidente Lula.
 

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quinta-feira, 14 de junho de 2012


Álvaro Dias, José Agripino, Onix abrem seus sigilos ou são da bancada do Cachoeira?
 

Em 9 de novembro de 2011, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o senador José Agripino Maia (DEM-RN), o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) e outros foram até a Câmara Distrital, realizar um dos serviços sujos desejados pela turma do bicheiro Carlinhos Cachoeira: pedir o impeachment do governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

O episódio ficou registrado nesta foto exibida durante a CPI:

Onix Lorenzoni, Demóstenes Torres, José Agripino Maia, Alvaro Dias
na Câmara Distrital para pedir o impeachment de Agnelo Queiroz,
conforme interessava ao bicheiro Carlinhos Cachoeira
.
Agora, todos estes parlamentes precisam abrir seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos para provarem que não eram da bancada do bicheiro Cachoeira, como era Demóstenes Torres.

Leia também:
- Onix, Francischini, Sampaio e Sávio substituem Demóstenes na defesa de Cachoeira. Abrem seus sigilos?
 
Por: Zé Augusto 
 
Também do Blog Os Amigos do Presidente Lula.
 

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Cláudia Rodrigues14/06/12 | 05:47 - No SUL21 

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“Não precisamos do seu Conselho para parir”

O domingo do dia 17 de junho promete amanhecer rosa choque em várias capitais do Brasil. Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Natal e algumas cidades do interior serão palco de manifestações das mulheres pelo direito de escolher o local em que querem parir, incluindo aí não apenas a recusa imediata de submeterem-se à posição em decúbito dorsal e terem as pernas amarradas em maternidades públicas e privadas do Brasil, mas principalmente o direito, garantido por lei, de parir em casa, como quiserem e na posição que acharem mais confortável no momento da expulsão.


As coisas pareciam calmas na área e, ainda que os partos domiciliares mal batam em 2% no país, o interesse por essa opção tem crescido no Brasil. As mulheres mais antenadas estão começando a se dar conta que parir em casa pode, entre outras vantagens, ser uma forma segura de não passar pela violência obstétrica.


Mais do que isso, pode ser uma maneira seguramente amorosa de não sofrer e não permitir que o filho recém-nascido sofra intervenções que podem vir a ser prejudiciais à saúde física e emocional da dupla mãe-bebê, afinal o bebê saudável está, segundo as evidências, mais seguro no colo da mãe e mamando na primeira hora de vida imediata e não sendo medido, pesado e vacinado antes mesmo de mamar.


Mas então, afinal, se são só 2% e se podem escolher parir em casa com os poucos obstetras e parteiras disponíveis, para que manifestação em tantas praças públicas?


É que essa pequena parcela da população está sendo ameaçada de perder a assistência que quer e acredita merecer por represálias cada vez mais insistentes dos conselhos regionais e federal de medicina do país.


Um dia após uma matéria sobre a segurança e legitimidade do parto domiciliar, feita pelo Fantástico, programa da Rede Globo de televisão, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro – CREMERJ – enviou denúncia ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo – CREMESP – contra o obstetra Jorge Kuhn, que concedeu entrevista ao programa dominical.


Muito amena, rápida e de pouca profundidade, como é praxe do estilo Rede Globo, a matéria sequer falou das evidências que comprovam ser o parto domiciliar tão seguro quanto o hospitalar para as gestantes de baixo risco. O obstetra Jorge Kuhn afirmou com veemência que apenas gestantes de baixo risco devem optar pelo parto domiciliar. E mais nada, a entrevista com ele foi editada em cima dessa fala que reporta os espectadores exclusivamente para a questão da segurança, sem abordar as muitas vantagens dos partos domiciliares já comprovadas por estudos da Medicina Baseada em Evidências.


Rapidamente alguns obstetras simpatizantes e praticantes da humanização do parto e do nascimento se uniram às redes de mulheres que exigem que se cumpra a lei da liberdade de escolha pela posição e local do parto; criaram uma carta aberta e uma petição pública.


Mais do que defender um colega, a carta e a petição exigem publicamente que os conselhos regionais e federal de medicina respondam com base em evidências às ameaças e atitudes arbitrárias baseadas em crenças médicas derrubadas por sucessivos estudos científicos nos últimos anos.


Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas. Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de autonomia.


Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas, sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado “Paradoxo Perinatal Brasileiro”. O uso abusivo da tecnologia contrasta com taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um País onde 98% dos partos são hospitalares!


Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual, defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a uma “saúde social”, onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões aceitáveis de bem estar.


Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade, resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.”


O cerco contra as atitudes arbitrárias dos conselhos de medicina está fechando e se os médicos que apoiam as políticas dos conselhos acham que estudaram demais para graduarem-se e que todas as pessoas que criticam os abusos médicos e as iatrogenias são invejosas e gostariam de ser médicas; é bom rever conceitos e ler mais publicações baseadas em evidências porque é isso que as mulheres comuns, leigas de todas as profissões, e mesmo as não graduadas andam fazendo para reivindicar direitos e uma prática baseada em recomendações científicas, não em maus hábitos, crenças pessoais e interesses particulares dos obstretas.


A perseguição às parteiras na década de 1940 praticamente baniu a prática do parto domiciliar no Brasil. O parto, inicialmente um ato fisiológico, feminino, um verbo, uma ação, passou a ser um ato médico e a cesariana, um ato médico de fato, começou a ser usada para desqualificar a potência do corpo feminino, como explica tão bem o osbtetra Marcos Leite dos Santos, em tese pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC: “A história da obstetrícia é a história de uma luta em busca de poder. A história da obstetrícia é a história da exclusão da mulher, da depreciação do universo feminino, da transformação de uma atividade inerentemente feminina, natural e fisiológica em um procedimento médico, androcêntrico, tecnocrático e cheio de riscos imanentes”. 


O modelo hospitalocêntrico no Brasil é tão arraigado que quando uma mulher não consegue segurar a expulsão do bebê e acaba parindo na segurança do lar, sozinha ou assistida por bombeiros, é removida imediatamente para um hospital em vez de ser atendida em casa por uma equipe multidisciplinar do posto de saúde mais próximo. Fique claro que ao serem removidos, ela e o bebê correm riscos maiores de contrair infecções ou vírus.


Enquanto isso, na Alemanha, as mulheres não somente podem escolher como, onde e com quem querem parir, como também podem optar por um parto considerado como de risco maior mesmo pelos humanistas, como o parto desassistido.



Enfim, é muito retrocesso, em vez de estarmos discutindo o quanto um parto desassistido pode ser mais perigoso do que um parto assistido por profissionais da saúde que estudaram as várias indicações para remoção etc, estamos discutindo se um parto é um ato médico e necessariamente hospitalar, estamos discutindo por que perder 2%, 5%, talvez daqui 20 anos 30% de clientes parturientes, é tão importante para a corporação política e econômica da medicina.


E nessas horas a única coisa que vale é mesmo as mulheres irem para as ruas com os cartazes que gritam: “Não precisamos do seu Conselho para parir”, frase criada pela bióloga Ligia Moreiras Sena e que espontaneamente tornou-se o slogan do movimento.


Cláudia Rodrigues, jornalista.


 


 

 

Canadá é o melhor país do G20 para mulheres; Brasil é o 11º

13/6/2012 8:45,  Por Redação, com Reuters - de Londres - No Correio do Brasil


 
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mulher

Os entrevistados são provenientes de 63 países nos cinco continentes, incluindo especialistas de agências da ONU, ONGs internacionais e instituições acadêmicas


Leis para promover a igualdade de gênero, contra a violência e a exploração, junto com um bom acesso a educação e saúde, fazem do Canadá o melhor lugar para ser mulher entre as maiores economias do mundo, ao passo que o infanticídio, os casamentos infantis e a escravidão fazem da Índia o pior, segundo uma pesquisa global realizada junto a especialistas e divulgada nesta quarta-feira.


Alemanha, Grã-Bretanha, Austrália e França completam os cinco melhores países entre os 19 que formam bloco das 20 maiores economias mundiais (a União Europeia, também parte do grupo, não foi levada em conta), segundo entrevistas com 370 especialistas em gênero ouvidos pelo TrustLaw, serviço de notícias jurídicas da Fundação Thomson Reuters.


O Brasil, na metade inferior do ranking, ficou em 11º lugar.


Na outra ponta da escala, a Arábia Saudita -onde as mulheres têm boa educação, mas são proibidas de dirigir e só conquistaram o direito ao voto em 2011- ficou em penúltimo lugar, à frente da Índia, mas atrás da Indonésia, África do Sul e México.


- A Índia é incrivelmente pobre, a Arábia Saudita é muito rica. Mas há algo em comum, o fato de que, a não ser que você tenha algum acesso especial a privilégios, você tem um futuro muito diferente, dependendo de se você tem um cromossomo X extra ou um cromossomo Y – disse o jornalista Nicholas Kristof, coautor de Half the Sky: Turning Oppression into Opportunity for Women Worldwide (metade do céu: transformando opressão em oportunidade para mulheres do mundo todo).


A pesquisa, divulgada a menos de uma semana da cúpula do G20 que acontece nos dias 18 e 19 no México, mostra que realidade permanece dura para muitas mulheres, apesar das leis e dos tratados sobre os direitos femininos.


- Na Índia, mulheres e meninas continuam sendo vendidas como coisas, são casadas a partir dos 10 anos, queimadas vivas como resultado de disputas por dotes, e garotas jovens são exploradas e abusadas como mão de obra escrava doméstica – disse Gulshun Rehman, assessora de desenvolvimento do programa de saúde da ONG Save the Children do Reino Unido.


- Isso ocorre apesar da revolucionariamente progressista Lei da Violência Doméstica sancionada em 2005, proibindo todas as formas de violência contra mulheres e meninas.


Ranking


O TrustLaw pediu a profissionais humanitários, acadêmicos, profissionais da saúde, gestores públicos, jornalistas e especialistas em desenvolvimento com experiência em questões de gênero para que classificassem os países do G20 entre os melhores e piores para as mulheres.


Eles também fizeram rankings conforme seis categorias: qualidade da saúde, liberdade contra a violência, participação política, oportunidades profissionais, acesso a recursos como educação e direitos de propriedade e liberdade contra o tráfico e a escravidão.


Os entrevistados são provenientes de 63 países nos cinco continentes, incluindo especialistas de agências da ONU, ONGs internacionais e instituições acadêmicas.


O Canadá foi citado como o melhor lugar para ser mulher, por garantir a maior parte do que é necessário para o bem-estar e as liberdades básicas das mulheres.


“Embora ainda tenhamos muito mais a fazer, as mulheres têm acesso à saúde, valorizamos a educação, o que é o primeiro passo para a independência econômica, e temos leis que protegem as meninas e mulheres e não permitem o casamento infantil”, disse Farah Mohamed, presidente e executiva-chefe da Cúpula G(irls) 20, uma reunião juvenil que ocorreu em maio no México, antecipando-se à cúpula dos chefes de governo do G20.


Os Estados Unidos ficaram em sexto lugar no ranking, mas polarizaram as opiniões. Os especialistas consideraram positiva a situação do país em termos de direitos civis e leis contra a violência doméstica, acesso à educação, oportunidades profissionais e liberdade de expressão e deslocamento.


as há restrições no acesso à contracepção e ao aborto, e as mulheres sofrem desproporcionalmente com a falta de acesso ao atendimento de saúde com preços acessíveis, segundo alguns entrevistados.


- Muitos dos avanços dos últimos cem anos estão sob ataque, e o ataque mais ostensivo e maligno é contra os direitos reprodutivos – disse Marsha Freeman, diretora do Observatório Internacional de Ação dos Direitos Femininos.


Barreira ao desenvolvimento


A pesquisa surge num momento de turbulência política para várias regiões do mundo, e nas quais é mais vital do que nunca proteger as liberdades femininas, segundo os especialistas.


- Épocas de transição política, como aprendemos da forma mais dura, também podem ser épocas de fragilidade, e quando os direitos das mulheres e meninas podem ser revertidos em vez de avançarem – disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch.


Os direitos femininos estão particularmente sob ataque no México, país anfitrião da cúpula do G20, que aparece em 15o lugar na pesquisa. O México tem uma arraigada cultura machista, altos índices de violência física e sexual, e bolsões de pobreza nos quais os serviços, inclusive de saúde, não são melhores do que em algumas das mais marginalizadas comunidades da África, segundo especialistas.


As mulheres também são vítimas de crimes relacionados às drogas. Cerca de 300 mulheres foram mortas em 2011 na violenta localidade fronteiriça de Ciudad Juarez, com impunidade quase total, segundo a Anistia EUA.


- A violência afeta homens e mulheres, mas com frequência as mulheres (são atingidas) desproporcionalmente – acrescentou Worden – O México é um lugar onde a imposição da lei continua sendo um desafio, e o governo tem a obrigação de proteger as mulheres, mas frequentemente falha nessa obrigação, como falha em proteger os homens.


Colocar os direitos femininos na pauta global é crucial para o progresso e para um desenvolvimento efetivo, disse Kristof. Países que restringem os direitos e liberdades das mulheres ou que deixam de protegê-las contra injustiças sofrem em longo prazo, social e economicamente, acrescentou ele.


Gestores públicos, ativistas e parlamentares vão debater como combater as questões abordadas pela pesquisa numa grande conferência a ser organizada em dezembro pela Fundação Thomson Reuters e pelo International Herald Tribune em Londres (trustwomenconf.com).


Embora a pesquisa se baseie em percepções, e não em estatísticas, dados da ONU corroboram as visões dos especialistas sobre os piores lugares para ser mulher.


O Índice de Igualdade de Gênero (IIG), que examina a saúde reprodutiva, o mercado de trabalho e o empoderamento feminino por meio da educação e da política, cita os mesmos três países como sendo os piores lugares para as mulheres, embora a Arábia Saudita seja nesse índice considerada pior que a Índia.


O IIG, porém, não inclui a violência por questão de gênero e ignora outras dimensões importantes, como o uso do tempo – o fato de muitas mulheres terem obrigações adicionais de cuidados com a família e manutenção do lar.


Quando se trata do melhor lugar para ser mulher, a percepção dos especialistas não acompanha os dados da ONU. O IIG aponta Alemanha, França e Coreia do Sul como os três melhores países, nessa ordem. O Canadá aparece em sétimo, e os EUA, em décimo lugar.


Os ativistas, porém, não se surpreenderam com a boa imagem do Canadá. “Tendo uma compreensão da cultura canadense e monitorando o trabalho que eles têm feito em torno da violência contra mulheres e igualdade de gênero, acredito que o Canadá realmente venha emergindo como um modelo para o que a maioria dos países deveria aspirar durante muito tempo”, disse o jornalista e ativista Jimmie Briggs, fundador da Campanha Man Up, que trabalha para mobilizar os jovens a fim de impedirem a violência contra mulheres e meninas.


 

 

Uma abordagem territorial para o Brasil rural

A desigualdade no Brasil não é novidade. Apesar do crescimento e avanço na distribuição de renda dos últimos anos, o país ainda está entre os 12 mais desiguais do mundo. O índice de Gini – que mede a desigualdade – caiu de 0,596, em 2001, para 0,519, em janeiro de 2012, mas ainda é alto. Em países como Canadá, Holanda e Suíça esse coeficiente está próximo a 0,30. Alcançá-los é um desafio e tanto. “O Brasil é conhecido por ser muito desigual, mas há uma desigualdade entre o rural e o urbano, que é tão forte como a de gênero ou racial”, afirma o coordenador da Associação de Orientação às Cooperativas do Nordeste (Assocene) Humberto Oliveira, ex-secretário de Desenvolvimento Territorial (SDT) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). “No Brasil, temos uma diferença entre a pobreza urbana e a rural.” 

Oliveira defende uma abordagem territorial para superar a pobreza das regiões rurais do Brasil. Idealizador do programa Territórios da Cidadania, lançado em 2008 pelo governo federal, ele destaca que essa desigualdade começa por uma questão conceitual. Segundo ele, dizer que o Brasil é um país urbano é um equívoco, pois se considera como rural apenas quem vive no campo. “As politicas públicas perdem importância para a maioria dos municípios, quando se fala que o país é urbano a prioridade é a região metropolitana”, diz. 

Segundo Oliveira, existe ainda um certo preconceito em relação ao mundo rural, como se fosse o não civilizado, não desenvolvido, quando, na verdade, é um mundo de muita sabedoria. “Os municípios de 10 mil habitantes estão perdendo população, continuamos empurrando o povo para o litoral, para os grandes centros. Continuamos ignorando esse mundo rural. Seria razoável que todos os municípios com menos de 50 mil fossem considerados rurais”, afirma.

Um caminho possível, de acordo com Oliveira, é olhar para um conjunto de municípios que tem uma identidade e construir políticas públicas comuns.  O ex-secretário falou sobre o tema durante o IV Encontro de Jornalistas do Nordeste da Fundação Banco Brasil, realizado entre os dias 16 e 18 de maio em Ipojuca (PE), onde concedeu a entrevista a seguir. 

Fórum – Por que o Brasil precisa da abordagem territorial?
Humberto Oliveira – Em primeiro lugar, para reconhecer o mundo rural brasileiro. Uma abordagem territorial é muito necessária para municípios pequenos que têm pouca atenção das políticas públicas nacionais e estaduais. A abordagem territorial consegue dar escala. Você olhar para um conjunto de municípios e ver ali uma população de 500 mil pessoas, 400 mil pessoas, 600 mil pessoas, já é uma cidade de porte médio. O gestor público também tem que olhar para a quantidade, ele não pode atuar no varejo. Nós temos um país de 5.565 municípios, não dá para olhar cada um individualmente, porque se for olhar individualmente vai ter que olhar mais para São Paulo, para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou mesmo para Manaus, e vai deixar de olhar para o município que tem três mil, quatro, cinco mil habitantes. A abordagem territorial dá essa escala num conjunto de municípios, que ganha uma importância numérica para o gestor aplicar um conjunto de políticas públicas ali. Agora, para isso, ele precisa entender esse território como um conjunto de municípios que tem uma certa identidade e uma série de interesses comuns.

Fórum – É isso o que define um território, essa identidade e esses interesses comuns?
Humberto Oliveira – É, existem várias formas de ver o território, vários olhares sobre o território. O território pode ser visto do ponto de vista de como realizar um projeto com um conjunto de municípios, pode ser visto de um ponto de vista de um déficit social, por exemplo, municípios em situação de pobreza, com baixo IDH. Pode ser visto do ponto de vista ambiental, geográfico etc. Mas eu considero o mais referencial, não é que seja o mais verdadeiro, o mais correto, mas o que funciona melhor para uma política pública, o território que é reconhecido pela sua identidade, por um conjunto de elementos comuns que é resultado de um processo histórico, de construção social. Onde as pessoas num processo de relacionamento durante um espaço de tempo considerável, um processo de ocupação desse espaço físico transformou aquele território num lugar com uma identidade própria, em que as pessoas têm um sentimento de pertencimento muito forte, elas se consideram dali, têm orgulho de ser dali. Isso de certa forma gera compromisso com o lugar, gera vontade de trabalhar pelo seu lugar e se aliar às iniciativas de governo para fazer desenvolvimento. Isso é fundamental, juntar a autoestima das pessoas com os projetos que essas pessoas têm para o seu lugar, com o interesse do governo de fazer desenvolvimento do país e também daquele lugar.

Fórum – O senhor criou e esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Territorial. O que avançou desde a criação dessa secretária e como está hoje?
Humberto Oliveira – A secretária foi criada em função dessa política de desenvolvimento territorial. Tenho certeza, sem dúvida nenhuma, que essa secretaria avançou, ela conseguiu homologar ou reconhecer na sua ação 164 territórios em oito anos. Além desses 164 territórios, governos estaduais e mais as próprias organizações da sociedade civil ampliaram esse número para mais 250 territórios de identidade reconhecidos hoje no Brasil. A secretaria propôs um programa de governo que foi aprovado, o Territórios da Cidadania, que rodou durante dois anos com bastante intensidade, e continua porque tem muita atividade nos próprios territórios. Acredito muito nessa política, que foi criada para um período de 35 anos. Fiquei à frente da secretaria por oito anos e acho que vão passar vários secretários, vários ministros, presidentes da república e cabe, não só aos governos, às autoridades que vão assumir essa atribuição e essa responsabilidade com essa política na secretaria, na SDT ou no ministério, mas cabe também aos municípios, aos governos estaduais e a própria sociedade civil, em especial aqueles que estão nos territórios, organizados nos colegiados territoriais, a manter essa política ativa, viva, independente do ritmo que o governo federal dê a esses programas. 

Fórum – O senhor crítica o fato de o país considerar que 83% da população vive em área urbana. Porque isso não é verdade?
Humberto Oliveira – O Brasil é um país onde quem circula por ele percebe que há uma imensa ruralidade rejeitada, digamos assim. Existe uma imensa ruralidade na maneira como os municípios se relacionam com o campo, com a cultura do campo, com uma certa predominância de paisagens naturais existentes na maioria dos municípios brasileiros, e diga-se de passagem, 90% deles têm não mais que 50 mil habitantes, o que significa que são municípios pequenos, que guardam uma relação muito intensa com as atividades agrícolas. Embora hoje, esses municípios não sejam exclusivamente agrícolas, nós temos indústrias nos municípios rurais do Brasil e ruralidade não significa agricultura, o significado de rural é mais amplo. Além da agricultura, que é a atividade principal, nós temos hoje, municípios que têm muitos comércios, que são polos de comércio, de prestação de serviços, equipamentos públicos à disposição da população e que têm essa forte relação com o campo, seja na atividade econômica, seja na atividade cultural, seja na atividade gastronômica, na música, na literatura, nas histórias que as pessoas contam, das relações de proximidade, do fato de que a sede dos municípios rurais do Brasil hoje, abriguem várias pessoas que trabalham no campo e residem nessas cidades.  Elas se deslocam com a facilidade do transporte em ônibus escolares que fazem transporte das crianças e, muitas vezes, das pessoas que trabalham. Há também o uso de motocicletas, enfim, existe uma variedade e qualquer observador pode perceber isso nos municípios do interior do Brasil. Temos uma ruralidade que em outros países é reconhecida e é valorizada. Essa valorização tem impacto sobre o olhar do governo para esses lugares. Nós precisamos que um gestor público enxergue uma ruralidade para que ele dê prioridade e desenhe políticas públicas adequadas a esse ambiente. Acho que existe uma ruralidade que precisa ser enxergada pelo gestor público para que ela possa dar a contribuição exata ao desenvolvimento do país. O país precisa dessa contribuição que não é só de produção, não é só grãos, só de carne, só de gado, mas de gente que tem talento, tem condição de oferecer soluções para os seus lugares, manter populações em seus lugares, evitando essa concentração excessiva de populações de cidades de médio e grande porte no Brasil e nas regiões metropolitanas, que criam problemas insolúveis do ponto de vista do tratamento de políticas públicas. Muitas dessas soluções estão exatamente no processo mais distributivo da população pelo imenso território brasileiro que tem mais de oito milhões de quilômetros quadrados e que pode ter uma população vivendo com satisfação, com felicidade, com cidadania nesses espaços rurais.

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9909/uma-abordagem-territorial-para-o-brasil-rural

 

Assassinatos, ameaças e racismo fazem parte da realidade indígena

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lança mais uma edição do seu Relatório Anual de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, documento que relata o sofrimento e as situações extremas enfrentadas por várias etnias com relação à falta de atenção nas áreas de saúde, educação, demarcação de terras, entre outras. O lançamento acontece às 9h30, no auditório Dom Helder Camara da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, Distrito Federal.

Estarão presentes o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, o presidente do Cimi, Dom Erwin Kräutler, Lúcia Helena Rangel, antropóloga coordenadora do Relatório e Deborah Duprat, Vice-Procuradora Geral da República, além do cacique Nailton Pataxó Hã-Hã-Hãe, da Bahia, e de Jader Marubo, presidente da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), do Amazonas. As lideranças vão dar seu depoimento e ilustrar as violações denunciadas pelo Conselho Indigenista.

Segundo Cleber Buzatto, secretário executivo do Cimi, o relatório é uma importante ação estratégica feita com os povos indígenas para mostrar a realidade deste povo.

"O relatório é um instrumento de denúncia e quer chamar atenção para a realidade que os indígenas enfrentam no Brasil, onde se vê violência constante. Mas não só chamar atenção, nós queremos que esta denúncia sirva para gerar iniciativa no Estado e para que as autoridades combatam estas violências”.

O relatório traz dados de 2011 sobre casos de assassinatos, ameaças, racismo, morosidade na regularização de terras, conflitos, invasões de territórios indígenas, suicídios, desassistências na área da saúde, mortalidade infantil e violências contra povos indígenas isolados.

Dados já liberados pelo Cimi dão conta de que os danos ambientais praticados em terras indígenas cresceram de 2010 para 2011, além disso, no ano passado foram registradas 42 invasões possessórias e explorações ilegais de recursos naturais, contra 33 casos registrados em 2010.

Segundo Cleber, as invasões por parte de madeireiros e grileiros a terras indígenas já demarcadas são um problema que acontece por todo o Brasil. Na Bahia, só por meio de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi que o povo Pataxó Hã-Hã-Hãe conseguiu reocupar a terra indígena Caramuru-Paraguassu. No Maranhão, a reduzida etnia Awá Guajá também luta para permanecer em seu território, ocupado por madeireiros ilegais que estão dizimando a população indígena local.

O secretário executivo do Cimi aponta a morosidade nos procedimentos de demarcação como fator que deixa as terras indígenas expostas e acrescenta que esta morosidade também é potencializadora de conflitos. Em 2011, o ano fechou sem qualquer providência do governo federal para o caso de 342 terras indígenas. Apenas três foram homologadas pela presidenta Dilma Rousseff, resultado avaliado como o pior para um primeiro ano de governo desde José Sarney.

Outro problema grave que vem sendo enfrentado pelos povos indígenas é a falta de atenção na área da saúde. Não é difícil encontrar comunidades com altas taxas de mortalidade infantil. Ainda hoje, meninos e meninas indígenas morrem em virtude de desnutrição, diarréia e vômitos, doenças facilmente tratáveis se houvesse postos de saúde, equipe médica e medicamentos adequados. As deficiências na saúde levaram à morte de 44 indígenas em 2011, número bastante elevado se comparado ao de 2010, quando 25 faleceram por falta de atenção médica.

Para ajudar a população indígena nesta luta contra o abandono e apoiar o trabalho de organizações que lutam pelos direitos desta parcela da população, Cleber pede a adesão da sociedade civil. "A cobrança junto aos órgãos governamentais pode ser feita com um telefone, um e-mail ou até pelas redes sociais. É importante que a população se envolva para que o governo sinta a pressão e se sensibilize”, diz.

Números da violência

O Cimi revela que entre os anos de 2003 e 2011 a média de assassinatos ficou em 55, somando um total de 503 mortes neste período. Em 2011 foram 51 vítimas.

Os suicídios também têm apresentado dados cada vez mais altos. Entre os anos de 2000 e 2011, apenas no Mato Grosso do Sul, estado onde se localiza a maior etnia do país - Guarani Kaiowá - foram registrados 555 suicídios de índios. Ano passado foram registrados 45 casos, enquanto em 2010 houve 42. O perfil dos indígenas é de jovens de 14 a 18 anos e adultos entre 21 e 30 anos.

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9...

 

Rio+20: sustentabilidade empresarial e qualidade de vida dominam debates no segundo dia

14/6/2012 6:23,  - No Correido do Brasil


 
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Renata Giraldi e Carolina Gonçalves
Enviadas especiais da Agência Brasil


Rio de Janeiro – No segundo dia de debates, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, reúne hoje (14) uma série de atividades paralelas e definições no texto preliminar sobre os temas-chave que serão discutidos pelos chefes de Estado e de Governo do dia 20 ao dia 22. Organizações não governamentais (ONG) e integrantes da sociedade civil debatem alternativas para assegurar qualidade de vida no planeta.


A seis dias da cúpula, com a participação de pelo menos 115 chefes de Estado e de Governo, os ministros e especialistas de cada país se  reúnem em busca de acordos sobre o conteúdo do documento preliminar que será definido pelos líderes políticos. O texto inclui temas como inclusão social, erradicação da fome e da pobreza, alternativas para a economia verde e sustentabilidade. Porém, as divergências persistem.


Ao longo desta quinta-feira, haverá ainda discussões sobre clima, desmatamento e tecnologias para garantir a sustentabilidade em negócios e melhorias para as populações nos próximos anos. A organização não governamental WWF apresenta as propostas Água Brasil e Família de Pegadas. O objetivo é alertar sobre a necessidade de agir e não deixar que as propostas fiquem apenas nas palavras.


A Fundo Vale (da Vale do Rio Doce) e a Fundação Roberto Marinho, com o apoio do Serviço Florestal Brasileiro, lançam o projeto Florestabilidade. A ideia é mostrar a importância econômica, ambiental e social do manejo florestal no país, que tem a maior área de floresta contínua do mundo – a Amazônia.


O manejo florestal consiste em englobar técnicas que dão prioridade à sustentabilidade sem prejuízo aos ecossistemas. Na prática, as medidas permitem determinado uso dos recursos disponíveis com o mínimo de impacto ambiental. No setor empresarial, a questão da sustentabilidade é tema de uma discussão da secretária executiva da Rede Brasileira do Pacto Global, Yolanda Cerqueira Leite, e dos secretários do fórum (de mesmo nome) Tim Wall e Kristen Coco.


Paralelamente, no Parque dos Atletas, um pavilhão ao lado do Riocentro – onde serão concentrados os debates das autoridades –, ficarão em exposição projetos que destacam o desenvolvimento de propostas de tecnologia associada aos negócios. No Cais do Porto, uma apresentação artística fará lembrar a Europa dos anos 20 ao satirizar o consumo e os excessos.
 
No Parque do Flamengo, a defesa pela inclusão social como meta a ser ratificada por todos ganhará apresentação especial com a dança dos bailarinos em cadeiras de roda. O espetáculo mostra que não há limites para a expressão nem para a arte.


Edição: Graça Adjuto


 


 

 

Lagarde acredita que euro acaba em três meses se não encontrar saída para crise

12/6/2012 10:03,  Por Redação, com agências internacionais - de Washington


 
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Lagarde

Lagarde pediu desculpas aos gregos por ter dito que eles não pagam impostos


O euro tem “menos de três meses” para ser salvo, segundo cálculos da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. A executiva falou ao canal de notícias norte-americano CNN, na manhã desta terça-feira. Em linha com a análise do mega-investidor George Soros, Lagarde também afirma que a zona do euro tem apenas mais um trimestre para salvar sua moeda.


– A construção da zona do euro levou tempo e é um projeto ainda em construção — disse.


A ex-ministra da Economia francesa, no governo Sarkozy, também quer ver mais empenho dos líderes europeus na busca de uma saída política para a crise no sistema capitalista que atinge, com mais força, os países da periferia do bloco, entre eles a Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.


– Eu os deixaria trancados até que encontrassem um plano para a Europa – diz Lagarde sobre líderes


Para a diretora do FMI, embora os espanhóis tenham recorrido a uma série de empréstimos para saldar as dívidas soberanas do país, ainda não há um pedido foram de ajuda para a Espanha. Já os gregos, segundo Lagarde, estão com um pé fora da zona do euro.


– A Grécia precisa mostrar vontade de permanecer na zona do euro – disse Lagarde.


Lagarde, no entanto, preferiu não arriscar uma previsão sobre a permanência da Grécia no bloco da moeda única:


– Trata-se de uma decisão e uma medida políticas.


A diretora-gerente do FMI também se desculpou por ter recentemente chamado os gregos de sonegadores de impostos e disse que seus comentários foram tomados de “uma maneira muito inflamada e tornou-se uma ofensa”. O FMI concedeu à Grécia em março passado um crédito de 28 bilhões de euros, após a ajuda de 30 bilhões de euros liberada em maio de 2010, da qual os gregos já receberam dois terços. As negociações sobre a entrega de novas parcelas aguardam as eleições legislativas de 17 de junho.


 

 

Iminente golpe de Estado na Síria
- A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação

Os estados membros na NATO e do CCG preparam um golpe de Estado e um genocídio sectário na Síria. Caso pretendam opor-se a estes crimes, ajam quanto antes; façam circular estes artigos na Net e alertem os vossos conhecidos.

Dentro de poucos dias, talvez a partir de sexta-feira 15 de Junho ao meio-dia, os sírios que pretenderem ver as cadeias de televisão nacionais terão estas substituídas nos écrans por televisões criadas pela CIA. Imagens realizadas em estúdio mostrarão cadáveres imputados ao governo, manifestações populares, ministros e generais apresentarão a sua demissão, o presidente el-Assad tratando de fugir, os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades e um novo governo instalando-se no palácio presidencial. Esta operação, diretamente monitorizada a partir de Washington por Ben Rhodes, conselheiro adjunto da segurança nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e preparar um golpe de Estado. A NATO, que esbarrou no duplo veto da Rússia e da China, conseguiria assim conquistar a Síria sem ter de a atacar ilegalmente. Qualquer que seja o julgamento sobre os atuais acontecimentos na Síria, um golpe de Estado poria fim a toda a esperança de democratização.

De maneira absolutamente formal, a Liga Árabe pediu aos operadores de satélite Arabsat e Nilesat para cortarem a transmissão dos media sírios, públicos e privados (Syria TV, Al-Ekbariya, Ad-Dounia, Cham TV, etc.). Existe um precedente, dado que a Liga Árabe tinha já procedido à censura de televisão líbia de forma a impedir os dirigentes da Jamahiriya de comunicarem com o seu povo. Não existe rede hertziana na Síria, onde as televisões são exclusivamente captadas por satélite. Mas este corte não deixaria os écrans apagados. De facto, esta decisão é apenas a parte emersa do iceberg. Segundo informações de que dispomos, diversas reuniões internacionais foram levadas a cabo na semana passada para coordenar a operação de intoxicação. As duas primeiras, de natureza técnica, tiveram lugar em Doha (Qatar), a terceira, política ocorreu em Riade (Arábia Saudita).

Uma primeira reunião juntou os oficiais de guerra psicológica “embedded” em certas cadeias de satélite, entre as quais Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, Fox, France 24, Future TV, MTV. Sabe-se que desde 1998 os oficiais da United States Army's Psychological Operations Unit (PSYOP) foram incorporados na redação da CNN; a partir daí, esta prática foi estendida pela NATO a outras estações estratégicas. Redigiram antecipadamente falsas informações, segundo um “storytelling” elaborado pela equipa de Ben Rhodes na Casa Branca. Um procedimento de validação recíproca foi posto em marcha, cada media devendo citar os outros de forma a contribuir para torná-los credíveis aos ouvidos dos telespectadores. Os participantes decidiram igualmente requisitar não apenas as cadeias da CIA para a Síria e o Líbano (Barada, Future TV, MTV, Orient News, Syria Chaab, Syria Alghad), mas também outras quarenta cadeias religiosas wahhabitas, as quais apelarão ao massacre confessional aos gritos de “Os cristãos para Beirute, os alauitas para o túmulo!”

A segunda reunião juntou engenheiros e realizadores, visando planear a fabricação de imagens de ficção, misturando uma parte em estúdio a céu aberto e uma parte de imagens de síntese. Os estúdios foram arranjados durante as últimas semanas na Arábia Saudita, de modo a reconstituir aos dois palácios presidenciais sírios e os principais lugares de Damasco, Alepo e Homs. Já havia estúdios deste tipo em Doha, mas eram insuficientes.

A terceira reunião agrupou o general James B. Smith, embaixador do EUA, um representante do Reino Unido e o príncipe Bandar Bin Sultan (a quem o presidente George Bush pai designou como seu filho adotivo, ao ponto de a imprensa norte-americana o ter designado como “Bandar Bush”). Tratava-se de coordenar a ação dos media e a do “Exército Sírio Livre”, do qual os mercenários do príncipe Bandar formam o grosso dos efetivos.

A operação, em gestação desde há meses, foi precipitada pelo conselho de segurança nacional dos EUA, depois de o presidente Putin ter notificado a Casa Branca de que a Rússia se oporia pela força a toda a intervenção militar ilegal da NATO na Síria.

Essa operação compreende dois vetores simultâneos: por um lado, diversificar as falsas contra-informações; por outro lado, censurar toda e qualquer a possibilidade de lhes responder.

A interdição das TVs por satélite como forma de conduzir uma guerra não é uma novidade. De facto, sob pressão de Israel, os EUA e a União Europeia impuseram sucessivas interdições a cadeias libanesas, palestinianas, iraquianas e líbias. Nenhuma censura foi imposta a cadeias de satélite provenientes de outras partes do mundo.

Tão-pouco a difusão de notícias falsas constitui uma estreia. Entretanto, quatro novos passos significativos foram dados na arte da propaganda durante o decurso das últimas décadas:

- Em 1994 uma estação de música Pop, a “Radio Libre des Mille Collines” (RTML) deu o sinal para o genocídio no Ruanda apelando a “Matar as baratas!”.
- Em 2001 a NATO utilizou os media para impor uma interpretação dos atentados de 11 de Setembro e justificar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Nesta altura, já Ben Rhodes tinha sido encarregado pela administração Bush de redigir o relatório da Comissão Kean/Hamilton sobre os atentados.
- Em 2002 a CIA utilizou cinco cadeias, Televen, Globovision, Meridiano, ValeTV et CMT, para fazer crer que manifestações monstruosas tinham forçado o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, a demitir-se, dado que tinha sido vítima de um golpe de Estado.
- Em 2011, aquando da batalha de Trípoli, a NATO fez realizar em estúdio e difundir pela Al-Jazeera e pela Al-Arabiya imagens de rebeldes líbios entrando na praça central da capital enquanto eles realmente ainda se encontravam longe da cidade, de forma que os habitantes, persuadidos de que a guerra estava perdida, cessaram toda a resistência.

Doravante, os media já não se contentam em apoiar a guerra, eles praticam-na diretamente. Este dispositivo viola os princípios básicos do direito internacional, a começar pelo artigo 19 de Declaração Universal dos Direitos do Homem relativo ao facto de “receber e difundir, sem consideração de fronteiras, as informações e as ideias por qualquer meio de informação”. Sobretudo, ele viola também as resoluções da Assembleia-Geral da ONU, adotadas no final da Segunda Guerra Mundial, para evitar as guerras. As resoluções 110, 381 e 819 interdizem “os obstáculos à livre troca de informações e de ideias” (no caso vertente, o corte das cadeias sírias) e “a propaganda de natureza a provocar ou encorajar toda a ameaça à paz, rotura da paz ou outro ato de agressão”.

No direito, a propaganda da guerra é um crime contra a paz, o mais grave dos crimes, dado que ele torna possíveis os crimes de guerra e os genocídios.

http://resistir.info/moriente/siria_golpe_iminente.html

 

Cientistas criam braço mecânico guiado por pensamento

 

 

 

 

CIÊNCIA 

Cientistas do Centro Aeroespacial Alemão criaram um braço mecânico guiado por ondas cerebrais. A invenção faz aumentar a expectativa em torno da robótica guiada por pensamento.

Jörn Vogel foi o único cientista a quem foi permitido entrar na sala durante as experiências com um robô movido pela mente humana, realizadas com Cathy Hutchinson ano passado nos Estados Unidos. Ele considera os testes, publicados recentemente na revista científica Nature, como o seu trabalho mais memorável.

“Quando finalmente funcionou, foi um momento muito especial para todos os envolvidos”, declarou à DW o cientista do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), durante a Automatica, feira de robótica que aconteceu em Munique.

Durante os testes, Cathy Hutchinson, uma americana de 58 anos, só conseguia se comunicar através do olhar. Há 15 anos, ela sofreu um derrame cerebral que também a fez perder os movimentos dos membros.

A fase de treinamento com o robô da DLR levou alguns anos de aperfeiçoamento e envolveu uma cirurgia cerebral, mas Vogel diz que os resultados são a prova conclusiva de que robôs podem ser controlados apenas com o pensamento.

“Ela fez seis tentativas e obteve sucesso em quatro, conseguindo levantar a xícara até a boca. Nas outras duas, ela quase derrubou a xícara da mesa. Nesse momento, paramos os testes”.

Jörn Vogel demonstra o braço robótico usado no experimento

 

Um longo processo

Há cinco anos, Hutchington recebeu no cérebro um chip que monitora a atividade dos neurônios. Desde então, o professor Patrick van der Smagt, colega de Vogel, tem monitorado os progressos que a paciente vem fazendo.

Antes dos testes finais, Hutchinson teve que treinar suas habilidades com o robô. Primeiramente, os cientistas pediram que ela seguisse os movimentos do braço mecânico. Ao mesmo tempo, sua atividade neurológica era registrada. O processo foi, então, invertido.

Patrick van der Smagt monitorou o progresso da paciente

 

Hutchinson tentava controlar o robô, e a atividade era registrada através do sensor implantado em seu cérebro. Um casamento de padrões foi usado para que o braço macânico pudesse responder de forma apropriada.

“É muito importante que o teste seja seguro para o paciente, tanto legalmente como na prática”, afirma Van der Smagt. “Esse foi um dos motivos pelos quais os testes levaram tanto tempo, pois a parte científica é relativamente simples”.

Desde os bem-sucedidos testes com Hutchinson, outro paciente nos Estados Unidos se juntou ao programa. Ele recebeu o implante do chip há um ano e seus resultados têm sido até mais impressionantes.

“Não hesitaria”

Em Paderborn, na região alemã do vale do Ruhr, Lars Hemme convive diariamente com um sério problema físico. Um atraso em seu desenvolvimento muscular e membros disformes, fizeram com que ele tenha hoje uma autonomia bastante limitada. Sentado em sua cadeira de rodas, ele assiste ao vídeo dos testes feitos com Cathy Hutchinson e o robô controlado por ondas cerebrais.

“Estou fascinado. Leva um longo tempo para o braço se movimentar, mas é fantástico o fato de você conseguir mover a xícara com seus pensamentos”, diz Hemme, de 37 anos, à DW.

Lars Hemme não hesitaria em utilizar a tecnologia

 

Em seu apartamento, ele depende de assistência 24 horas por dia. Em seu caso, Hemme acredita que o braço robótico daria a possibilidade de realizar algumas tarefas independentemente. Mesmo com os altos custos, ele se interessaria em experimentar a novidade.

“Inicialmente, teria um pouco de receio em usar a tecnologia porque alguém teria que inserir um chip no meu cérebro”, considera Hemme. “No entanto, acho que é uma ótima ideia e não hesitaria em fazer o transplante”.

Futuro incerto

Restam poucas dúvidas de que a robótica controlada pelo pensamento tenha o potencial de melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas com deficiências. O professor Patrick van der Smagt diz estar confiante de que esse sistema possa ser usado pela maioria dos pacientes. Mas acredita que a pesquisa no ramo está apenas começando.

“Ainda estamos no processo de maturação, e há muito a ser estudado. Não posso dizer que todo mundo poderá receber esse sistema nos próximos anos. Mas essa tecnologia certamente chegará, em alguma fase, ao mercado, se o interesse do consumidor continuar a existir”, conclui.

Autor: André Leslie (mas)
Revisão: Marcio Damasceno

http://www.dw.de/dw/article/0,,16003911,00.html

 

 

13 de Junho de 2012 - 6h18 - No Vermelho


Venezuela: cenário eleitoral está claro e definido

 


Terminaram as dúvidas, acabou a incerteza: o cenário político venezuelano está hoje mais claro e definido, depois do discurso de três horas pronunciado nesta segunda-feira (11) pelo presidente Hugo Chávez.

Alfredo G. Pierrat na Prensa Latina


Em uma jornada que seguramente será lembrada por muito tempo, o mandatário compareceu, acompanhado por "um mar de povo", à sede do Conselho Nacional Eleitoral para formalizar seu registro como candidato à reeleição nas eleições presidenciais de 7 de outubro próximo.

Depois de cumprir as exigências legais, Chávez falou para a multidão que se concentrava na Praça Diego Ibarra, e explicou os eixos principais de seu plano de governo para o período 2013-2019, que servirá de base para o segundo Plano Socialista da Nação.

Até poucos dias antes, os líderes oposicionistas apostavam que Chávez não iria pessoalmente ao Conselho Nacional Eleitoral para formalizar sua inscrição porque estaria fisicamente impedido de fazê-lo e que o faria pela Iternet ou iria apoiado numa bengala ou numa cadeira de rodas.

A ilusão da oposição foi efêmera e o próprio Chávez se encarregou de demonstrar que a recuperação de sua saúde não é uma palavra de ordem nem um estratagema, mas uma realidade claramente verificável que os milhões de venezuelanos que acompanharam seu discurso na praça ou pela televisão em todo o país puderam perceber.

O presidente se mostrou enérgico e forte durante as quase três horas de discurso, em que intercalou canções e suas habituais referências a documentos do Libertador, Simon Bolívar, para argumentar sobre suas propostas de governo.

Mas não só as dúvidas sobre a saúde do chefe de Estado desapareceram, ao menos para os que ainda tinham essas dúvidas.

Em contraste com a opacidade do discurso e a total ausência de linhas programáticas mostrada no último domingo pelo principal candidato da oposição, Henrique Capriles Radonski, ao cumprir também os trâmites legais do registro da candidatura, o mandatário pôs todas as cartas sobre a mesa.

De início, se comprometeu - uma vez mais - diante dos diretores do CNE e de todo o país, a respeitar os resultados eleitorais de 7 de outubro, sejam quais forem, algo que até agora os líderes da oposição não quiseram fazer, em uma atitude mais do que suspeita.

Diversas figuras dos partidos que apoiam o presidente denunciaram as supostas intenções de setores da cúpula oposicionista de manter o caminho da violência como uma opção viável em caso de uma nova derrota nas urnas, um resultado que, por outro lado, é previsto pela maioria das pesquisas.

Chávez advertiu novamente para essa possibilidade em seu discurso desta segunda-feira diante do povo reunido na praça ao expressar que “sempre estou recordando aos que nas fileiras da oposição se aproveitam da conjuntura eleitoral para tratar de desestabilizar o país e gerar violência, para logo pedir uma intervenção, que é melhor que não tentem fazer isso, porque se arrependerão para sempre".

Para o líder indiscutível da maioria dos venezuelanos, é vital ganhar as eleições presidenciais de outubro, pois é a única maneira de continuar e desenvolver o processo de reformas políticas, econômicas e sociais iniciado em janeiro de 1999.

Por isso, segundo explicou, o primeiro grande objetivo histórico contido no programa de governo que entregou ao CNE é "defender, expandir e consolidar o mais valioso bem que conseguimos agora quando começa o século 21. Esse bem mais precioso não é outra coisa que a independência nacional e a pátria".

Com seu habitual estilo didático ao dirigir-se aos venezuelanos, o presidente recordou a sua multitudinária audiência uma célebre frase pronunciada por Simon Bolívar em Angostura, em 1819.

O sistema de governo mais perfeito será aquele que proporcione a seu povo a maior soma de segurança social, a maior soma de estabilidade política e a maior soma de felicidade, disse o Libertador.

Para Chávez, só é possível conseguir isso com o socialismo, por isso o segundo grande objetivo de seu programa é continuar construindo o socialismo do século 21 na Venezuela.

Alguém neste mundo crê que o sonho de Bolívar de criar a maior soma de felicidade social, a maior soma de felicidade política e a maior soma de felicidade possível, seria realizado no capitalismo? Não. No marco do capitalismo o que se produz é a maior soma de infelicidade para as maiorias, expressou o mandatário.

Em contraste, realçou que o socialismo é o único caminho para alcançar a maior soma de felicidade possível, pois se fundamenta no amor, no humano, no social, na justiça.

Depois dessas afirmações, ficaram dissipadas todas as dúvidas e todos já sabem ao que se devem ater.

Tradução da Redação do Vermelho


 


 

 

13/06/2012 - 20h55 - No UOL


 


Integrantes da CPI dizem que Agnelo ofereceu sigilos já quebrados

ERICH DECAT
ANDREZA MATAIS
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA


Integrantes da oposição na CPI do Cachoeira acusaram o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), de autorizar a quebra dos sigilos bancários, fiscal e telefônicos já quebrados por ordem do STJ (Superior Tribunal de Justiça).


Em decisão preferida pelo ministro do STJ Cesar Asfor Rocha, em novembro de 2011, ficou determinado que os sigilos de Agnelo seriam quebrados pelo período entre 2005 e 2010.


Procurador pede dois inquéritos contra Agnelo e um contra Perillo
Agnelo oferece o sigilo à CPI e é aplaudido na CPI
Base aliada vai usar discurso de Agnelo para quebrar sigilo de Perillo
Manifestantes trocam empurrões durante depoimento de Agnelo
Agnelo diz ser vítima de uma trama para derrubá-lo do poder


A medida foi tomada com base em um inquérito que trata do suposto desvio de recursos do Ministério dos Esportes quando o petista esteve a frente da pasta entre 2003 e 2006.


"Olha só a coincidência, o ministro Asfor Rocha quebrou por cinco anos. Ou seja, ele [Agnelo Queiroz] quebrou um sigilo já quebrado determinado por um ministro do STJ. Que fato novo ele apresentou aqui? Não se quebra sigilo de sigilo já quebrado", afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), integrante da CPI.


"A quebra de sigilo dele começa agora em junho de 2012. O período retroativo de cinco anos dá em junho de 2007. A venda da casa foi março de 2007. A quebra de sigilo bancário e telefônico não mostra como o senhor comprou a casa. Quebre o sigilo por 10 anos", acrescentou o tucano.


Agnelo não entrou em detalhes sobre as datas da quebra de sigilo e se defendeu afirmando que a iniciativa de pedir a quebra dos sigilos deixou alguns adversários constrangidos.


"Acho que o meu gesto aqui fez com que certos parlamentares ficassem bastante constrangidos justamente porque o gesto que fiz da minha vontade de quebrar o sigilo é uma vontade pessoal minha", afirmou Agnelo.


Após o gesto do petista em pedir a devassa nas contas, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou que também iria tomar a mesma medida. O anúncio ocorreu um dia após o tucano prestar depoimento na CPI e se negar a conceder os sigilos.


"Telefonei para os dois líderes do PSDB, na Câmara e no Senado, autorizando a quebra dos meus sigilos assim como já foi feito pelo governador de Brasília [Agnelo Queiroz]. Quem vai estabelecer os períodos é a CPI. De qualquer maneira, os líderes ja foram autorizados por mim a procederem a quebra dos sigilos", afirmou Perillo.


A declaração foi dada em entrevista coletiva em Goiânia. Perillo, entretanto, não disse quais sigilos aceita abrir --fiscal, bancário ou telefônico.


 


 

 

 
Publicado em 13/06/2012 - No Conversa Afiada
Haddad + Erundina =
Lula + Campos

Estadão: PSB e PT escolhem Erundina como vice de Hadd


 

 



Arraes e Lula, o PIG corta os pulsos


 Saiu no Estadão:


PSB e PT escolhem Erundina como vice de Haddad


Fernando Gallo e Julia Duailibi

O PSB ofereceu o nome da ex-prefeita e deputada Luiza Erundina como vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o Estado apurou, o PT acatou o nome da parlamentar para ingressar na campanha do ex-ministro da Educação e faz um “esforço” para anunciá-lo na próxima sexta-feira.

Erundina já foi sondada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, há 13 dias e disse aceitar a missão, desde que houvesse consenso no PT e no PSB. Na expectativa de que ela aceite a indicação, o PT esperava uma conversa final dela com direção do PSB ainda hoje em Brasília. Antes de bater o martelo, o PSB corre para diminuir a resistência da ala paulista do partido à escolha. Isso porque Erundina não é ligada ao grupo do presidente estadual do PSB, Márcio França, que trabalhou por uma aliança com os tucanos.

Campos já havia colocado o nome da deputada nas primeiras conversas que manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a aliança em São Paulo em maço. Ele também sondou a parlamentar sobre a disposição de aceitar o convite durante encontro, no dia 1º de junho, em Recife, quando foi lançada a Comissão da Verdade em Pernambuco.

Na conversa, Erundina disse que só toparia se a indicação fosse por consenso. Ela também pediu sigilo sobre o assunto, pois temia que o nome dela sofresse desgaste, se a indicação vazasse para a imprensa.

“É o diretório nacional que está fazendo a discussão”, afirmou a deputada ao Estado. “Ainda não há fundamento nem base para eu comentar essa questão”, disse. Questionada se toparia ser vice de Haddad, a ex-prefeita disse: “Não parei para pensar isso ainda”.

Hoje Haddad elogiou a parlamentar. “Luiza é uma mulher partidária, tem muito respeito da militância petista. Ela tem tradição na luta social e um padrão ético incontestável. Está mais próxima de nós, para a minha honra”, declarou.

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Navalha

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O PIG (*) gastou munição na infidelidade de Eduardo Campos e no desmonte da aliança histórica Lula-Arraes.


O novo vencerá o velho -  clique aqui para ler.


Em tempo: Netinho vai desistir de ser candidato a Prefeito.

O PC do B entra na equipe vencedora.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

 

Cresce rumor sobre queda de presidente da Abril
Cresce rumor sobre queda de presidente da Abril Foto: Edição/247

Fábio Barbosa, que foi escalado para agir nos bastidores em Brasília e evitar a convocação de Roberto Civita pela CPI do caso Cachoeira, estaria insatisfeito com a política editorial da revista Veja; pendência que trava sua saída é a pesada multa rescisória que terá que ser paga pela editora

13 de Junho de 2012 às 22:22


Colunista

Pra não deixar de falar em Obama
Hélio Doyle



247 – Nesta terça-feira, voltaram a circular, no mercado financeiro e também editorial, rumores sobre a demissão do executivo Fábio Barbosa, que preside a Editora Abril desde agosto do ano passado. “Ele já acertou sua saída”, disse ao 247, um banqueiro que desfruta da amizade do executivo.


Ex-presidente do Santander, Barbosa estaria insatisfeito com as missões que lhe foram atribuídas. Essencialmente, ele circulou em Brasília para evitar que a CPI do caso Cachoeira convocasse o dono da empresa, Roberto Civita, e o diretor da sucursal brasiliense da revista Veja, Policarpo Júnior. Barbosa teve reuniões com o vice-presidente Michel Temer, com outros caciques do PMDB e até mesmo com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que é um dos principais réus do mensalão. Com todos, negociou uma espécie de armistício.


No entanto, Barbosa estaria incomodado com o fato de ter ficado “vendido” diante de seus interlocutores. Acenou com a bandeira branca, mas, em suas últimas edições, a revista Veja, carro-chefe da Abril, manteve sua artilharia pesada apontada na direção do PT e dos réus do mensalão. Barbosa já não tem mais garantias de que Civita e Policarpo não serão convocados numa fase posterior da CPI.


O que ainda trava sua saída é a pesada multa rescisória que terá que ser paga pelos controladores da Abril. Barbosa foi recrutado a peso de ouro logo depois de sua saída do banco Santander, banco onde construiu uma imagem de executivo preocupado com a sustentabilidade e com questões sociais. A interlocutores próximos, o presidente da Abril confidenciou estar incomodado com os prejuízos que o caso Cachoeira têm causado à sua imagem pública.


 


 

 

Com pagamento de multa ou não pagamento, seria, para o Sr.Fábio Barbosa, muito melhor - para sua integridade, demitir-se da Editora Abril, JÁ.

Dinheiro nenhum no mundo vale para prestar-se a esse papel.

 

Maria Olimpia

Passados os governadores, é a hora de ouvir Pagot
Passados os governadores, é a hora de ouvir Pagot Foto: Edição/247
Após Marconi Perillo e Agnelo Queiroz passarem sem arranhões pela CPI do Cachoeira, parlamentares têm pela frente nove requerimentos de convocação do ex-diretor-geral do Dnit, que denunciou PSDB e PT e desafiou a comissão a convocá-lo; o homem-bomba quer falar; a CPI vai ouvir?

13 de Junho de 2012 às 16:58


Colunista

Pra não deixar de falar em Obama
Hélio Doyle



247 – Os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), passaram sem maiores problemas pela CPI do Cachoeira, que cumpriu, assim, sua vocação política. O fracasso das tentativas de ‘pegar’ os dois governadores deixou alguns parlamentares envergonhados, como verbalizou o deputado Silvio Costa (PTB-PE), que pediu uma autocrítica aos colegas de comissão. Diante do risco de desmoralização total, a CPI do Cachoeira tem uma chance para tentar se recuperar perante a opinião pública: deve, antes de qualquer coisa, convocar o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot.


A mesa da CPI recebeu nove requerimentos de convocação do ex-diretor-geral do Dnit, que podem ser apreciados nesta quinta-feira 14. “Ele disse com todas as letras que quer falar e desafiou: duvido que a CPI me chame”, lembrou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) (leia mais). “Esta comissão agiria bem se aceitasse o apelo dele. Seria um gesto importante. Pagot está debochando de nós e ainda diz que os membros da CPI têm medo. Faço um apelo para que façam a convocação”, completou.


O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) engrossou o coro. “Sabemos que, aqui, pode até existir alguém com medo de Pagot. Mas, seguramente, a maioria não tem. Pois vamos convocá-lo sim, vamos cumprir o Regimento e vamos deliberar sobre isso, se possível, logo depois dos depoimentos dos governadores Marconi Perillo e de Agnelo Queiroz”, disse o líder do PSDB no Senado.


Mas nem todos os parlamentares veem importância no depoimento de Pagot. “Os casos citados pelo ex-diretor não têm relação com a comissão”, considera o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), antigo líder do governo na Câmara. Pagot disse à revista Istoé (releia aqui) que foi pressionado por políticos do PSDB para liberar recursos para o Rodoanel, que, segundo ele, serviriam para compor o caixa 2 da campanha do ex-governador José Serra à presidência em 2010.


Por outro lado, o ex-diretor-geral do Dnit disse que arrecadou, enquanto diretor do Dnit, para a campanha presidencial do PT em 2010, a pedido do então tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e hoje deputado federal José Di Filippi Jr. (PT-SP). Serra e Alckmin classificaram como “calúnia” as acusações de Pagot. Já o deputado Filippi Jr. negou ter falado com Pagot sobre dinheiro para campanha. Para saber mais detalhes sobre os dois assuntos, os parlamentares da CPI do Cachoeira terão de convocar Pagot.


 


 

 

13 de Junho de 2012 - 20h50 - No Vermelho


Ambulante diz que Kassab não gosta de pobre

 


Em audiência pública, camelôs protestam contra portaria da prefeitura que revogou suas licenças de trabalho

Por Mario Henrique de Oliveira, do SPressoSP


Desde o dia 19 de maio, os ambulantes estão com seus Termo de Permissão de Uso (TPUs) cassados. Na data, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em decreto publicado no Diário Oficial, informou que os vendedores teriam 30 dias para deixar as ruas da capital. O motivo alegado era “desordem e insegurança”.

“O que esse prefeito alega para que tirem nossas permissões é que ele quer devolver as ruas limpas para população, logo o que dá para pensar com isso? Que ele nos considera como lixo”, indigna-se Zilda Rocci, ambulante que trabalha na região da Rua 25 de março. “Mas somos trabalhadores, pagamos impostos e temos que sustentar nossas famílias. Ele quer banir uma categoria que já existe há muito tempo”, diz ela. Segundo Zilda, os ambulantes vivem sob o “terrorismo da prefeitura”.

“Não somos funcionários da prefeitura. Muitos de nós são deficientes, idosos e que moram longe. A prefeitura quer multar quem não for um dia trabalhar. E se eu perder o dia por causa de uma greve no transporte, se eu ficar doente? Além disso dizem que o ambulante não pode sair da barraca em nenhum momento, das 9 horas às 18. Ou seja, não podemos nem ir ao banheiro”, conclui ela.

Na terça-feira (12), centenas de ambulantes foram à Câmara Municipal para participar de uma audiência pública que tratou do assunto. A presença da categoria, de todas as partes da cidade, foi tão grande que dois auditórios foram usados. Entre os comerciantes, havia um grande número de deficientes e idosos, todos com suas TPUs cassadas. Muitos ambulantes estão sem trabalhar ou apoiados em liminares da justiça.

“Dia 30 de março foi o último que eu trabalhei. Cassaram sem explicar nada. Tenho os documentos todos em dia, não devo nada”, diz Sebastião Cipriano da Cruz, que trabalha na região de Pinheiros e diz que todos os cerca de 260 ambulantes da área também tiveram suas permissões cassadas.

“Sou camelô desde 1977. Isso nunca aconteceu. Esse prefeito não gosta de pobre”, conta Darci Teixeira Guimarães, trabalhador da rua General Carneiro. Já Francisco Xavier Lopes, do Brás, conta que “Kassab começou limpando todos os trabalhadores que não tinham TPU, depois, de repente, começou a perseguir os que estão em situação legal”. Ele conseguiu uma liminar na justiça e, por isso, continua trabalhando. “Minha TPU foi cassada em junho de 2011. Eles alegaram que na renovação nós não levamos todos documentos necessários, mas levamos sim, tenho tudo em ordem, até atestado de antecedente criminal da Polícia Federal que nunca foi pedido.”

Os ambulantes que ainda estão trabalhando reclamam principalmente da falta de certeza de que poderá ir trabalhar no dia seguinte. “Queremos saber como vamos ficar, não queremos nada mais do que trabalhar”, diz Regina de Souza Guimarães, de Perus, local onde havia cerca de 300 ambulantes e apenas seis continuam trabalhando amparados por uma liminar.

O presidente do Sindicato dos Permissionários em Pontos Fixos nas Vias e Logradouros Públicos do Município de São Paulo (Sinpesp), José Gomes da Silva, sintetizou o sentimento da categoria. “É um absurdo com tantos problemas que existem na cidade o prefeito se preocupar com pessoas que querem trabalhar”, diz ele.

Na audiência, a coordenadora do Projeto Trabalho Informal e Direito à Cidade, Luciana Itikawa, afirmou que a Defensoria Pública deverá entrar com um recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça, que cancelou a liminar da juíza Carmen Cristina Teijeiro e Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que determinava a suspensão da cassação das licenças pela Prefeitura.

O secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, foi convidado para participar da audiência pública, mas não compareceu. Para o vereador José Américo (PT), a ausência foi “um desrespeito com o Legislativo”. Ele ainda afirmou que a presença de um representante do Executivo era fundamental para buscar um entendimento e encontrar uma saída para esses trabalhadores.

Fonte: Rede Brasil Atual


 


 

 

13/06/2012 - Carta Maior 



Rio+20: "A atual cúpula já não é um projeto do G8"
Três das principais lideranças mundiais - Barack Obama, Angela Merkel e David Cameron - já anunciaram que não irão ao Rio de Janeiro. O que significa isso? Em entrevista à Carta Maior, Camila Tulmin, diretora do International Institute for Enviroment and Development, fala sobre o que é possível esperar da Rio+20. "Diferentemente da cúpula do Rio em 1992, a atual cúpula já não é um projeto do G8, mas sim está marcada pela agenda dos países em desenvolvimento e pobres. A Rio+20 tem que responder aos interesses e prioridades destes países", defende. A reportagem é de Marcelo Justo.

Londres - As cúpulas das Nações Unidas costumam mesclar objetivos louváveis com magros resultados. Vinte anos depois da Cúpula da Terra de 1992, está claro que aquela assombrosa aparição de uma consciência global climática não produziu a mudança que se esperava. A situação é particularmente crítica hoje que os líderes mundiais parecem demasiado ocupados com a crise para ter um olhar mais estratégico. Barack Obama, Angela Merkel e David Cameron já anunciaram que não irão ao Rio de Janeiro: o desenvolvimento sustentável figura apenas em seus discursos.

Com este panorama de fundo, os Objetivos do Milênio de Desenvolvimento Sustentável para 2015 parecem cada vez mais inatingíveis. Carta Maior conversou com Camila Tulmin, diretora do International Institute for Enviroment and Development, uma ONG com sede em Londres sobre as perspectivas da Rio+20.

Você irá ao Rio. Quais suas expectativas em relação à cúpula?

Não temos grandes esperanças no processo oficial. Acredito que obteremos acordos para avançar nos próximos três anos na direção das metas de desenvolvimento sustentável de 2015. Seria importante ter metas quantificáveis que nos permitam medir e comparar os distintos países. Mas, na verdade, temos mais esperanças com o que se passará fora da agenda oficial. Acreditamos que a interação de grupos da sociedade civil permitirá avanços sobre esse tema.

No dia 6 de junho, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgou um informe no qual estimava que só ocorreram progressos significativos em quatro dos 90 objetivos ambientais firmados nos últimos 40 anos. Não é um panorama alentador.

Na Cúpula da Terra de 1992 houve uma certa ingenuidade porque se pensou que bastava reunir os governos para solucionar o problema. Agora há mais consciência das dificuldades. Precisamos nos concentrar na economia real. Precisamos que as empresas e suas estruturas de preços reflitam os custos ambientais, de modo que estes fiquem incorporados tanto no custo de produção como no de consumo. Assim, poderemos avançar na direção de um desenvolvimento sustentável.

Uma maneira de fazer isso é acabar com subsídios e impostos que estão distorcendo o custo ambiental de determinadas formas de produção. Hoje temos cerca de 600 bilhões de dólares por ano em subsídios a combustíveis fósseis. Se esses subsídios fossem eliminados já não seria tão econômico produzir desta maneira. E, se esse dinheiro fosse investido em formas não poluentes, o impacto seria muito claro.

Um dos problemas é que se necessita de um período de transição durante o qual as sociedades precisam seguir funcionando. Há alguém que esteja fazendo o que você propõe?

Há alguns movimentos incipientes nesta direção. Na União Europeia temos o regime de comércio de direitos de emissão de gases causadores de efeito estufa. Estes regimes de direitos de emissão estão sendo utilizados em vários países. A China está trabalhando com sete destes regimes em nível local incentivando a adoção de energias limpas. No G20 esse tema também está sendo discutido.

A atual crise econômica não é o clima ideal para avançar neste terreno.

Quando a economia mundial está em expansão tampouco é um bom momento porque as coisas andam bem e há menor inclinação para mudanças. Uma vantagem de estar em crise é que ela pode estimular as pessoas a buscar modelos alternativos. No Reino Unido, por exemplo, há muitas empresas que estão procurando investir somas significativas que estavam imobilizadas. O governo deveria oferecer alternativas políticas de longo prazo para o investimento destes fundos.

É preciso uma mistura correta entre o que propõe o governo e o que o setor privado pode aportar. O problema é que, no momento, os governos escutam mais os interesses que seguem a lógica do modelo econômico do século XX. Nos Estados Unidos, isso é muito claro com o peso que tem o lobby petroleiro e do gás. Esses setores não querem uma mudança. Neste sentido, tanto Barack Obama como David Cameron tem que enfrentar um clima político hostil que considera essas cúpulas da ONU como uma perda de tempo e até uma espécie de atalho disfarçado na direção do socialismo. Angela Merkel tem melhores credenciais verdes, mas está enfrentando a pior crise do projeto europeu desde seu lançamento há 60 anos.

Você acredita que os países em desenvolvimento têm, em certo sentido, uma vantagem para avançar neste caminho?

Diferentemente da cúpula do Rio em 1992, a atual cúpula já não é um projeto do G8, mas sim está marcada pela agenda dos países em desenvolvimento e pobres. Como tem menor infraestrutura e interesses econômicos em disputa, esses países estão mais abertos à inovação e ao investimento para desenvolver o transporte, a energia e a habitação de modo sustentável. A China é um caso interessante. Por um lado, é o país com maiores emissões do planeta e, por outro, converteu-se no líder na busca de energia limpa com um massivo plano de investimentos que colocou o país na liderança da tecnologia de painéis solares. A Rio+20 tem que responder aos interesses e prioridades destes países. Necessitamos de uma transição controlada para a passagem a uma economia verde na próxima década.

Tradução: Katarina Peixoto


 


 

 

13/06/2012 - No Blog das Frases


A crise, a corda e o pescoço

 



A palavra crise dissimula o violento conflito de interesses que redesenha a geografia e a posse da riqueza no processo de derrocada econômica que se esboça na zona do euro nesse momento. Não há faixa de neutralidade no trânsito nervoso do dinheiro que ela provoca. A chantagem dos mercados contra a soberania democrática do povo grego, por exemplo, já produziu a ruína vaticinada por quem sabe materializar suas profecias.

Fugas diárias de US$ 1 bilhão vem desidratando o sistema bancário do país, num cotejo cercado de pânico e ameaças para impedir a vitória da esquerda unida, a Syriza, nas urnas do próximo domingo. Quem não se lembra do que acontece no Brasil, no interregno que antecede o voto, quando uma candidatura progressista roça a porta do poder?

Tudo aquilo de que a mídia nativa é capaz nessas situações deve ser multiplicado agora pela tensão da desordem neoliberal. O produto expressa o peso das marteladas desferidas contra o discernimento de uma população ao mesmo tempo ansiosa e temerosa de assumir o comando do próprio destino.

A hemorragia cambial desidrata também a Espanha, fustiga a Itália e já se insinua em latitudes ao sul. Em maio a conta financeira do Brasil registrou a maior saída líquida de capitais desde a crise de 2008, US$ 5,4 bi; na Argentina, Cristina Kirchner faz o que a soberania recomenda nessas circunstâncias: impõe controles crescentes à saída de dólares, sob protestos das manchetes de sempre. Nenhuma delas tem a dignidade de arguir: quem ganha com a liberdade cambial que sanciona a fuga de capitais em meio a maior crise desde os anos 30? As taxas de juros pagas pelos governos de cada país são um bom indício da resposta.

O deslocamento em massa dos capitais em busca de qualidade e segurança, sanciona, de um lado, a extorsão rentista sobre Estados pobres e economias cambaleantes; de outro, permite que o núcleo central do capitalismo financie o gasto público a um custo negativo. Enquanto a Espanha só consegue captar a mercado pagando juros recordes de 6,8% ao ano, a Alemanha da inflexível Angela Merkel saboreia o bilhete premiado .

No final de maio, pela primeira vez na sua história, a Alemanha vendeu títulos da dívida a juro zero. Foram ofertados 4,5 bilhões de euros em papéis de dois anos rendendo irrisórios 0,07% ao ano ao investidor . A procura por segurança nas burras germânicas foi quase o dobro da oferta.

Da mesma forma,nos EUA, o Tesouro consegue financiar o déficit público mastodôntico de US$ 1,5 trilhão/ano -- feito de gastos militares, subsídios à banca e algum verniz social-- pagando taxas de 1,4% a.a (a inflação é da ordem de 2%). Há, portanto, cifras e circuitos que dão conforto a rigidez ortodoxa de frau Merkel, responsável pela ruína de muitas nações.

No sábado, por exemplo, a gerencia do euro aprovou um socorro 'generoso' à combalida Espanha. O volume do regalo, sintomaticamente, é idêntico ao total de capitais evadidos do país desde janeiro. Em termos líquidos, tudo se passa como se os mesmos US$ 150 bilhões que voaram para serem remunerados a taxas negativas nos centros do euro, saíssem de lá agora para fornecer oxigênio aos bancos espanhóis, a um custo de 4% ao ano, pagos pelo Estado; quer dizer, por toda sociedade, enforcada assim duas vezes com as cordas do seu próprio dinheiro.


Postado por Saul Leblon às 23:52


 


 

 

Carta Capital

Centro-Oeste
13.06.2012 10:12
A Lei do Pantanal só beneficia o grande produtor rural, dizem ambientalistas

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Por Thiago Foresti



Casa no Rio Paraguai em época de seca: população ribeirinha é a mais prejudicada com a Lei do Pantanal, dizem ambientalistas. Foto: Thiago Foresti


O prêmio Motosserra de Ouro conquistado em 2005 mudou a vida do senador Blairo Maggi. Na época ele ostentava o título de maior produtor de soja individual do mundo e o de governador de Mato Grosso, estado que vinha liderando o ranking de desmatamento no país. A premiação realizada pela ONG Greenpeace repercutiu no mundo todo e, desde então, não é segredo pra ninguém que o ex-governador passou a investir pesado para mudar a imagem de vilão do meio ambiente.


Talvez por isso Maggi esteja tão engajado na construção do projeto de Lei 750/2011, apelidado de Lei do Pantanal. O PL visa regulamentar o artigo 225 da Constituição Federal que define que biomas, como o Pantanal, são patrimônios nacionais e devem ser regidos por uma lei específica. O PL está em pauta na Comissão de Cultura e Justiça do Senado e deverá passar por ao menos uma outra antes de ir à votação. Na prática o objetivo é proteger a fauna e flora da bacia hidrográfica do Pantanal, mas, aos olhos de ambientalistas, as aventuras do ex-Motosserra de Ouro no ambientalismo carregam um alto grau de preconceito social.


Já é consenso entre os pesquisadores que os impactos no bioma são decorrentes de uma série de fatores externos, em sua maioria causados por grandes empreendimentos, como usinas hidrelétricas, PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), latifúndios e hidrovias localizadas na Bacia do Alto Paraguai. Além disso, a maior planície alagável do planeta recebe todo o esgoto de centenas de cidades e toneladas de agrotóxicos vindo do planalto. Alheio a todos esses fatores, a Lei do Pantanal, que é uma cópia descarada da lei estadual aprovada em 2008 em Mato Grosso, não legisla sobre nenhum desses fatores, mas impõe pesadas restrições justamente àqueles que mais sofrem com os danos ambientais.


Entre outras coisas o PL de Maggi proíbe a instalação de assentamentos rurais no bioma e propõe uma moratória de cinco anos para a atividade pesqueira. “No geral a lei trata as comunidades tradicionais como vilãs do Pantanal”, diz Fernando Francisco Xavier, analista do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Ele lembra que existem tipos de assentamentos que caberiam perfeitamente dentro do bioma, mas que estão sendo desconsiderados. “Projetos como assentamentos agroextrativistas e de desenvolvimento sustentáveis são uma solução não só para a parte ambiental, mas também para a questão social do Pantanal. Uma lei que se propõe a proteger a fauna e a flora do bioma não pode ignorar a presença humana dessas comunidades”, diz.


Com a lei aprovada, terra no Pantanal só ser de propriedade particular. Nada de reforma agrária no bioma. Ao mesmo tempo em que o projeto é severo nas proibições aos assentados e ribeirinhos, é generoso nas concessões para proprietários de terras particulares. Entre outras coisas o PL permite cortes de árvores como canjiqueiras e urubamba, espécies com riquíssimo valor nutricional e usadas no dia a dia do pantaneiro. “Árvores com enorme importância para o extrativismo de populações tradicionais poderão ser transformadas em pasto”, aponta Xavier.


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Francisco de Arruda Machado, ecólogo e ictiólogo, referência em pesquisas com peixes em Mato Grosso, questiona a lógica da moratória da pesca com fim de aumentar os estoques pesqueiros. “Aqui no Pantanal nós temos esgoto, hidrelétricas, destruição de mata ciliar, agrotóxicos, desmatamento, existe todo um conjunto de fatores que influencia diretamente no ciclo de reprodução desses peixes. Em contrapartida, esse projeto de lei fala só de moratória para aqueles que mais sofrem com a degradação ambiental?”.


Para Machado a lei é paliativa e visa somente aumentar o estoque de peixes do bioma para satisfazer o turismo durante a Copa de 2014. “Outro projeto estadual do deputado (estadual) Zeca Viana (PDT) deixa isso bem claro ao sugerir moratória de um ano visando o turismo da Copa de 2014. Isso pra mim não tem qualquer finalidade prática, a não ser a de satisfazer o pescador amador desportivo.”


A assessoria do senador Blairo Maggi diz que com a moratória da pesca caberá à União cobrir despesas como seguro-desemprego e auxílio-pesca. Em nota, a assessoria do senador Blairo Maggi também diz que, aprovada a lei, “pretende-se promover ações e cursos de capacitação para a população local a fim de que possam sobreviver do turismo”.


No caso da proibição dos assentamentos, a assessoria de Maggi diz que “essa é uma forma de prezar pela qualidade do solo. Diferente das propriedades particulares onde, além da possibilidade de participarem do cadastramento rural, é possível exigir o mínimo de infraestrutura, como de esgoto, por exemplo”.


Sobre as lacunas do projeto no que se refere ao uso de agrotóxicos, hidrovias, gestão de esgoto e proteção do bioma, a assessoria respondeu dizendo que tais proposições caberiam ao Estado decidir.



O senador e "Motosserra de Ouro" Blairo Maggi é autor da Lei do Pantanal, que pouca proprietários particulares e causa prejuízos a indígenas e ribeirinhos. Foto: José Cruz/Agência Brasil


O maior beneficiado com as centrais hidrelétrica: Blairo Maggi


Segundo Francisco Machado, a construção de empreendimentos hidrelétricos é o principal fator para a redução dos estoques pesqueiros. “As barragens impedem o fluxo de peixes, dificultando tanto sua alimentação quanto sua reprodução”, diz. Pelo projeto de lei atual, não existe nada que legisle sobre a construção de hidrelétricas nos rios que desaguam no Pantanal. Só no rio Paraguai, principal rio que abastece a bacia, já são 126 empreendimentos licenciados


Em 2008, a empresa Maggi Energia, do grupo Amaggi, cujo um dos sócios é o próprio senador Blairo Maggi, licenciou duas PCH´s no rio Juruena, no norte de Mato Grosso. Dois anos depois o complexo de empreendimentos construído na região afetou para sempre a vida dos enawenê-nawê, uma das etnias de índios mais isoladas do estado, cujo ritual sagrado Yaõkwá baseado na pesca foi tombado como patrimônio cultural pela Unesco. A súbita falta de peixes no rio impediu a realização do ritual e fez a Justiça Federal determinar o envio de peixes congelados para os indígenas no ano passado. Atualmente o grupo Maggi Energia está licenciando mais três empreendimentos no Juruena.


 


 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012


Chauí: 'história subterrânea' da USP deve vir à tona com comissão da verdade
 

 

“Professora e filósofa considera que estrutura da universidade, com "indústria do vestibular" e poder concentrado, é herança da repressão

 
 
Redação da Rede Brasil Atual
 
A filósofa Marilena Chauí considera que a comissão que irá apurar a verdade sobre os episódios da ditadura (1964-85) na Universidade de São Paulo (USP) terá a incumbência de trazer à tona as conexões entre o passado e a estrutura atual da instituição. Durante ato realizado na Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis (FEA), na Cidade Universitária, a professora cobrou que o reitor João Grandino Rodas aceite o pedido para instalar o colegiado, que teria número igual de docentes, funcionários e estudantes. 
 
“Há uma história subterrânea e obscura da USP que eu espero que a comissão traga para a superfície”, afirmou a professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. “Não só daqueles que sabemos que foram torturados, mortos e estão desaparecidos, mas também dos que foram presos, dos que foram presos e torturados, o modo como se deu a cassação dos professores, a participação ativa das congregações dos institutos e das faculdades para cassar seus próprios colegas.”
 
Ela reafirmou que a atual estrutura da USP é fruto do Ato Institucional número 5, editado em 1968 e considerado o responsável pelo recrudescimento das violações de direitos humanos, em especial da tortura, e pela cassação de direitos políticos e acadêmicos. Naquele momento, vários docentes foram expulsos desta e de outras universidades. A diferença, para Chauí, reside no fato de que na USP não houve uma união de todas as categorias para promover uma reforma que varresse do arcabouço institucional as heranças da repressão.”
Matéria Completa, ::AQUI::



Enviada por: Nogueira Junior / 13:34  
Do Blog BRASIL! BRASIL! 
 

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Geral


13/06/12 | 16:17 - No SUL21


 
Em meio a suspeitas, gaúcho assume Banco do Vaticano


O gaúcho Ronaldo Hermann Schmitz


Milton Ribeiro


O novo presidente do Banco do Vaticano é o economista gaúcho Ronaldo Hermann Schmitz. Nascido em 30 de outubro de 1938 em Porto Alegre, ele era vice-presidente do Banco do Vaticano na gestão de Ettore Gotti Tedeschi, recém destituído. Depois do ensino médio no Rio de Janeiro, Schmitz estudou Administração de Empresas e Economia entre os anos de 1958 e 1962 na Universidade de Colônia. Após vários cargos em empresas menores, em 1980 ele foi nomeado para a Diretoria Executiva da BASF. Depois, em 1990, ingressou como Gerente Geral do Deutsche Bank.


A história de sua ascensão ao cargo é típica do Vaticano. No último dia 25 de maio, o Conselho de Supervisão do Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o Banco do Vaticano, destituiu o então presidente da instituição, o economista italiano Ettore Gotti Tedeschi. O comunicado, expedido pelo Escritório de Imprensa da Santa Sé, era duro: “O Conselho adotou por unanimidade a decisão de destituir o Presidente, por não ter desempenhado várias funções de importância primordial para seu cargo”.


Após conhecer a decisão do Conselho, Gotti Tedeschi disse no mesmo dia à agência italiana ANSA: “Estou entre a ansiedade de explicar a verdade e não querer incomodar o Santo Padre”. ”Meu amor pelo Papa prevalece inclusive sobre a defesa de minha reputação que foi posta em questão”, acrescentou. O comunicado não precisava as razões da destituição.



Marcinkus: "“Não se pode dirigir a Igreja apenas com Ave Maria”


“Não se pode dirigir a Igreja apenas com Ave Maria”. Esta frase foi proferida pelo falecido arcebispo Paul Casimir Marcinkus, responsável pela gestão, a partir de 1971, do Banco do Vaticano. Parece verdade.


O IOR foi fundado em 1942 numa iniciativa do papa Pacelli (Pio XII). Hoje, é governado por um Conselho de Administração formado por 5 laicos — um deles presidente –, e existe uma Comissão de Cardeais que o fiscalizam.


Muito se falou sobre a permanência de Marcinkus no IOR durante o pontificado do papa Wojtyla (João Paulo II). Durante aquele período, 100 milhões de dólares foram repassados para a federação sindical polonesa Solidarnosc (Solidariedade), dirigida por Lech Walesa, ponta-de-lança do papa Wojtyla em sua cruzada pelo fim do comunismo. Na era pós-Marcinkus, como escreveu Gianluigi Nuzzi no best seller Vaticano S/A, surgiu um novo e sofisticado sistema de contas cifradas tendo como artífice o cardeal Donato de Bonis: “Contas cifradas de banqueiros, empresários e políticos de ponta”.



Ettore Gotti Tedeschi, o presidente destituído


Para salvar o IOR das chamas do inferno e cuidar de um patrimônio líquido avaliado em 5 bilhões de euros, o papa Bento XVI confiou a sua presidência, em setembro de 2009, ao financista católico e docente universitário Ettore Gotti Tedeschi. Em fevereiro passado, após ser acusado de encobrir casos de clérigos pedófilos, o IOR complicou-se com o sequestro, pela Magistratura italiana, de 23 milhões de euros. Tudo por suspeita de lavagem de dinheiro em bancos italianos e em operações proibidas pela União Europeia.


Agora, Gotti Tedeschi, com uma vida de serviços prestados no Vaticano, espera por uma conversa com Ratzinger. Já se fala que assumirá outro cargo de prestígio.


No citado comunicado, o Conselho Supervisor do IOR assinalava que se iniciava um “processo de busca de um novo e excelente Presidente, que ajudaria o Instituto a restabelecer relações amplas e eficazes entre com a comunidade financeira, apoiadas no mútuo respeito dos padrões bancários internacionalmente aceitos”.


Com informações do Acidigital, Terra Magazine e Deutsche Bank.


 


 

 

 

Política13/06/12 | 19:25 - No SUL21 
 
“As tarifas irão baixar no primeiro dia”, diz Tarso sobre pedágios

Caco Argemi / Palácio Piratini

Foto: Caco Argemi / Palácio Piratini


Samir Oliveira


O governador Tarso Genro (PT) dedicou parte de seu dia nesta quarta-feira (13) para falar sobre pedágios. Já pela manhã, às 6h57, ele teceu um longo comentário na reportagem do Sul21 que relata a criação da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). Pela tarde, o petista convocou uma coletiva de imprensa para explicar o funcionamento da nova estatal.


Entretanto, muitas dúvidas ainda permanecem. O governador sustenta que o conselho de administração da EGR irá consolidar a estrutura e o quadro funcional da empresa e que, portanto, ainda não há como dimensionar esses aspectos – apesar de, na prática, o conselho estar majoritariamente nas mãos do Palácio Piratini, que indicará 7 dos 13 integrantes.


Tarso disse que a estatal foi pensada para “um período de transição”. O governo criou a empresa para que as praças de pedágios cedidas à iniciativa privada em 1997 – cujos contratos vencem no ano que vem – não se tornem terra de ninguém, já que os contratos não serão renovados.


“A EGR é um instrumento que precisamos para um período de transição. As cancelas dos pedágios não ficarão ao Deus-dará”, comentou Tarso. Ele justificou que o Daer não poderia executar essa função transitória de assumir rapidamente essas praças por estar “sucateado e esvaziado tecnicamente”.


Enquanto a EGR administra os pedágios que hoje estão sob poder da iniciativa privada, uma consultoria contratada pelo governo fará um mapa da situação dos pedágios no Estado e apontará possíveis modelos de gestão que podem ser adotados em diferentes regiões. É com esse estudo em mãos que o governador irá decidir quais praças continuarão sob controle público e quais serão cedidas, num novo contrato, a empresas privadas – hipótese que passa longe de ser descartada pelo Palácio Piratini. A consultoria Dynatest SD venceu a licitação e tem até 18 meses para realizar esse estudo, que custará R$ 7,4 milhões aos cofres públicos.


Com as soluções em mãos, Tarso não descarta a possibilidade de “desfazer” a EGR. “Se essa transição determinar que a empresa é desnecessária, que tudo pode ser feito pelo Daer mais tarde, ela pode ser suprimida”, admitiu o governador na coletiva.


Logo em seguida à afirmação, o petista voltou atrás e disse que não está “pensando numa empresa que está sendo formada para ser extinta”. “Estamos pensando numa empresa que, por sua eficiência, tenha durabilidade”, minimizou.


O governador fez questão de deixar claro que irá cumprir as três promessas que fez durante a campanha eleitoral sobre o tema: baixar as tarifas dos pedágios, não renovar as atuais concessões e eliminar a praça de Farroupilha.


“As tarifas irão baixar assim que assumirmos, no dia que terminar as concessões. Podem estar certos disso e nos cobrar”, assegurou, acrescentando que irá “demonstrar que os pedágios cobrados até agora foram escorchantes ao povo gaúcho”.


Tarso disse que, no dia seguinte ao término dos contratos, eliminará a praça de Farroupilha. “Acabaremos com o polo de Farroupilha no outro dia. Vamos cumprir rigorosamente o prometido”, garantiu.


 


 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012 - No Democracia e Política


Dilma fala sobre: PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE, OBRAS PARA A COPA DO MUNDO E SAÚDE PÚBLICA
 


MUDANÇAS NA LEI NÃO PODEM ENFRAQUECER A PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE, diz Dilma

“A presidenta Dilma Rousseff afirmou ontem (12) que nenhuma legislação nova deve enfraquecer a proteção ao meio ambiente.

Na coluna ‘Conversa com a Presidenta’, Dilma explicou à engenheira agrônoma Tereza Lindozzo, moradora de Teresópolis (RJ), que, no novo Código Florestal, foi vetada qualquer possibilidade de anistia aos que desmatam a natureza.

Vamos continuar crescendo de forma sustentável, com a preservação e a recuperação das áreas desmatadas indevidamente – margens de rios, nascentes e topos dos morros. Tenho convicção de que todos trabalharão juntos para o Brasil continuar preservando o meio ambiente, incluindo socialmente e gerando empregos e oportunidades para todos”, disse.

OBRAS PARA A REALIZAÇÃO DA COPA DO MUNDO DE 2014

A presidenta também respondeu ao funcionário público Márcio Cândido, morador de Teresópolis (RJ), sobre as ações do governo federal destinadas a acelerar o ritmo das obras para a realização da Copa do Mundo de 2014. A presidenta esclareceu que 25 órgãos federais estão envolvidos no planejamento e execução dos empreendimentos. Segundo ela, o “Regime Diferenciado de Contratações Públicas” (RDC) tornou mais ágil e seguro o processo licitatório para a contratação das obras. Os 12 estádios que sediarão os jogos estão em obras e ficarão prontos a tempo. Também foi realizada a concessão dos aeroportos de Natal, Brasília, Guarulhos e Viracopos, para dar mais agilidade aos investimentos.

Na mobilidade urbana, estão sendo investidos R$ 12 bilhões – sendo R$ 7,4 bilhões em financiamento público federal – em 51 projetos nas cidades-sede. Sete portos terão quase R$ 900 milhões em investimentos para receber navios de cruzeiro, que ampliarão a oferta de hospedagem. Tudo isso para que o Brasil possa fazer bonito não apenas dentro dos campos, mas também fora deles”, enfatizou.

INVESTIMENTOS EM SAÚDE PÚBLICA

Na coluna, a presidenta falou ainda sobre os investimentos em saúde pública, esclarecendo ao aposentado Francisco Pires de Souza, de São Vicente (SP), que uma parte dos recursos arrecadados pelas loterias é repassada para a Saúde, programas e fundos sociais. Segundo Dilma, em 2011, R$ 3,6 bilhões ou cerca de 37% dos R$ 9,7 bilhões arrecadados tiveram essa destinação.

Para o orçamento da Seguridade Social, que financia gastos com Saúde, Previdência e a Assistência Social, foi repassado R$ 1,6 bilhão. Sabemos que a Saúde realmente precisa, além de constante melhoria da gestão, de progressivo aumento de recursos. Nossa prioridade é fazer mais e melhor com os recursos já disponíveis, antes de voltar a propor mudanças no financiamento da saúde pública”, disse.”

FONTE: Blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/mudancas-na-lei-nao-podem-enfraquecer-a-protecao-ao-meio-ambiente-diz-dilma/).
 
 

 

JORNALISMO DE NEGÓCIOS
Crônica da falência anunciada

Por Luciano Martins Costa em 12/06/2012 na edição 698 - No Observatório da Imprensa

Comentário para o programa radiofônico do OI, 12/6/2012

Os jornais costumam incensar as empresas que exibem altos índices de desempenho em curto prazo. Esse critério de sucesso, que parece andar na contramão das melhores práticas defendidas pelos gurus da administração, foi fortemente influenciado pelo advento das empresas pontocom, que se caracterizam pela expansão desenfreada, por duas razões muito claras: atuam com base nas chamadas tecnologias disruptivas e não dependem de mídia externa para se apresentar ao mercado – os próprios usuários são seus propagandistas.


Quando a mídia tradicional se interessa por um desses casos, como nas iniciativas de comércio eletrônico ou de aplicativos que se tornam populares rapidamente, ela está apenas apresentando à “velha economia” um fenômeno que opera na economia digital. No entanto, diz o manual do jornalismo de negócios que é preciso desconfiar dos fenômenos que desafiam as leis da economia.


Uma dessas leis afirma que dinheiro não nasce como capim.


Todo jornalista tem a obrigação de desconfiar das histórias fabulosas de sucesso que parecem fazer o capital brotar do chão. O capital tem que vir de algum lugar aceitável em termos de mercado e de acordo com a legislação.


Algo ia mal


Por exemplo, uma empresa de sucesso que tem como um de seus financiadores um notório explorador de jogos de azar muito certamente está sendo alimentada com dinheiro sujo. Outro exemplo: iniciativas de negócio que têm por trás personagens que já frequentaram escândalos financeiros precisam ser vistas com desconfiança, pela ampla possibilidade de carregarem o DNA malicioso de seus fundadores.


Uma falência no agronegócio pode gerar uma empresa “inovadora” no mundo da alta tecnologia, assim como alguém pode se apresentar como empresário de sucesso “nessa tal de internet” logo após encher as burras com dinheiro de campanha eleitoral.


Em todos esses casos é obrigação do jornalismo de negócios investigar de onde vem o capital e quais são as qualidades especiais que produzem esses milagres do capitalismo. Porque, na vida real, quem rala para colocar uma pequena empresa em pé sabe que por trás de muitos desses empreendimentos fabulosos haverá alguma história pouco edificante para ser contada.


Mas tudo que se lê, nos cadernos especializados, é a louvação irrestrita do empreendedor – e, eventualmente, sua crucificação, quando a coisa desanda. São muitos os casos, mas os jornais trazem uma história exemplar nas edições de terça-feira (12/6). Trata-se do caso do Banco Cruzeiro do Sul, que acaba de sofrer intervenção por parte do Banco Central, com um rombo que pode chegar a R$ 1,5 bilhão.


Depois do desastre, os jornais começam a alinhar os sinais de que alguma coisa ia muito mal na instituição, mas ninguém foi capaz de enxergar qualquer indício de irregularidade na rápida expansão que antecedeu sua queda. Sabe-se, por exemplo, que a família Índio da Costa, controladora do banco, retirou cerca de R$ 200 milhões em dividendos entre 2009 e 2011, quando o banco já vinha acumulando grandes prejuízos.


Porteira arrombada


Os jornais também divulgam agora a informação segundo a qual, dois anos atrás, o Banco Central havia informado à Justiça que o Banco Cruzeiro do Sul se havia transformado em uma “grande lavanderia de dinheiro das mais diversas origens e de forma premeditada”. Segundo a imprensa, o banco foi complacente “com operações que podem estar relacionadas a atividades criminosas”.


Tudo isso depõe contra a suposta capacidade da imprensa de cobrir com senso crítico o mundo dos negócios. Desde o caso Banestado, que, aliás, os jornais resolveram esquecer, os métodos para lavagem de dinheiro são mais do que conhecidos pelos jornalistas. Surpreende, portanto, que essas informações sobre suspeita de crime financeiro no Banco Cruzeiro do Sul só venham à tona dois anos depois de abertas as investigações.


Em 2010, um dos acionistas do banco, o deputado Antonio Pedro de Siqueira Índio da Costa, foi candidato a vice-presidente da República na chapa do ex-governador José Serra. Nenhum jornalista manifestou qualquer sinal de curiosidade em relação aos negócios do candidato. Nessa altura, as suspeitas do Banco Central já haviam sido comunicadas à Justiça – portanto, havia material oficial para alimentar uma reportagem.


Mas a imprensa parece que só enxerga a boiada solta depois de arrombada a porteira.


 


 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012 - No Blog do Miro


A plataforma livre do Blogoosfero
 

Do sítio do Blogoosfero:


No segundo dia do Encontro Nacional de Blogueir@s que aconteceu nos dias 25, 26 e 27 de maio de 2012, em Salvador, foi lançado o Blogoosfero.

Blogoosfero é uma nova plataforma web, livre a autônoma, para que @s blogueir@s possam hospedar seus blogs com segurança, sem estarem atrelados a contratos e serviços com multinacionais do segmento. O conteúdo postado na nova plataforma, que tem toda sua tecnologia desenvolvida no Brasil, é de propriedade de seu autor e está protegido contra possíveis intervenções das grandes corporações e governos.


“Blogoosfero surgiu a partir de uma necessidade muita concreta d@s blogueir@s. Em 2010 tivemos muitos problemas com censura de blogs e os provedores comerciais não tem o menor interesse em ficar defendendo blogueir@s. Então discutimos nos Encontros Nacionais e Estaduais de blogueir@s a necessidade de ter uma blogosfera 'blindada', com plataforma própria, onde os conteúdos ali publicados e a tecnologia fossem nossos” disse Sérgio Luís Bertoni, de TIE-Brasil e presidente da Fundação Blogoosfero.

O Blogoosfero milita politicamente a favor d@s blogueir@s. Vários são os casos de blogs brasileiros hospedados em provedores estrangeiros que são retirados do ar sem aviso prévio. O Blogoosfero vem na contramão das restritivas políticas de privacidade e de propriedade do conteúdo difundidas pelos provedores estrangeiros e oferece aos blogueir@s uma plataforma nova e moderna que visa também a proteção jurídica dos participantes. Caso algum blogueir@ seja acionado na justiça, seu blog só será retirado do ar se a decisão judicial em última instância for desfavorável ao blogueir@.

A plataforma é colaborativa, o que significa que os participantes podem opinar e melhorar sua usabilidade constantemente. Na Comunidade “Ajuda” do Blogoosfero os usuários podem postar suas dúvidas bem como acompanhar as respostas às questões mais frequentes. O Blogoosfero também conta com um sistema SAC em que @s blogueir@s poderão entrar em contato diretamente com os mantenedores do projeto para sugerir modificações e até mesmo fazer reclamações.

O Blogoosfero não é apenas uma plataforma para hospedar blogs, ele também é uma rede social, que busca integrar cada vez mais os usuários, trazendo uma nova concepção de rede social, as Redes Sociais Federadas. Nas redes sociais da era internet 2.0, um usuário precisa possuir um perfil em cada uma das diversas redes sociais existentes para poder se comunicar com seus amigos ali cadastrados, o que acaba gerando vários logins e senhas diferentes. No Blogoosfero, o usuário poderá se comunicar com todos os seus amigos e contatos em outras redes sociais sem precisar necessariamente fazer o login em cada uma delas. Poderá saber o que seus contatos estão fazendo sem precisar sair do seu perfil do Blogoosfero.

Outra novidade que a plataforma do Blogoosfero oferece a seus usuários está na possibilidade de espelhamento.

Se você já possui um blog hospedado em outra plataforma, poderá através do serviço RSS, espelhá-lo no Blogoosfero, ou seja, tudo o que você escreveu até hoje em seu antigo blog será publicado também no seu blog do Blogoosfero, criando uma espécie de backup de seus artigos. Caso aconteça alguma coisa com seu blog original (invasão, retirada arbitrária do ar, etc) todo o seu conteúdo está seguro e salvo no Blogoosfero.

O lançamento da nova plataforma contou com alguns apoios importantes como do presidente do IPEA – Instituto de Pesquisas Aplicadas, Márcio Pochmann, que criou seu blog pessoal no Blogoosfero e migrou o blog do instituto de um servidor estrangeiro para o Blogoosfero. “Devemos valorizar a tecnologia nacional” afirmou Pochmann.

De desenvolvimento genuinamente brasileiro, o Blogoosfero aponta para uma mudança no modo como o brasileiro utiliza as possibilidades e ferramentas da internet, preconizando uma real liberdade de expressão, pois para os idealizadores do projeto, não existe liberdade de expressão sem liberdade tecnológica. “Se você não domina as ferramentas de desenvolvimento, se você não é sequer detentor da tecnologia, ficará à mercê das grandes corporações, que lucram milhões de dólares com as informações que postamos teoricamente, de graça” alerta Vicente Aguiar, vice-presidente da COLIVRE e co-fundador do projeto do Blogoosfero.
 

 
Postado por Miro
 
 

 

Depoimento de Agnelo à CPI põe Perillo e mídia sob suspeita

 
No Blog da Cidadania


Os depoimentos à CPI do Cachoeira dados pelos governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, materializaram a percepção que se tinha neste blog e que tantas vezes foi externada, isto é, a de que o primeiro governador ainda tem muito a explicar e de que o segundo talvez nem devesse ter sido convocado por absoluta falta de motivos.


A diferença de desempenho dos dois governadores foi gritante. Perillo se esquivou de perguntas, não soube explicar sua relação com Carlos Cachoeira e, mais importante, além de não ter oferecido a quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático (e-mails, SMS’s) como fez Agnelo, recusou o pedido do relator da Comissão, Odair Cunha, nesse sentido.


O resultado da suspeitíssima recusa de Perillo em permitir, por moto próprio, que a CPI pudesse aferir em seus sigilos se é verdadeiro o pouco que afirmou peremptoriamente em um depoimento marcado pela dubiedade, foi o de que o relator anunciou requerimento de votação para quebra de sigilo dos dois governadores à revelia do que desejem.


Para Agnelo, não haverá diferença. Antes mesmo da votação sobre quebra de seu sigilo e do de Perillo já aceitou que fosse quebrado em qualquer período que se deseje. Para Perillo, porém, será um constrangimento. E será, porque ficará extremamente suspeito se a bancada da oposição na CPI votar contra.


Além de Perillo, a mídia também ficou mal na foto. Agnelo revelou um fato que só os muito informados sobre o caso sabiam e que Globo, Folha, Estadão, Veja e companhia limitada esconderam: só há um contrato entre o governo do Distrito Federal e a empreiteira Delta e esse contrato foi firmado na administração anterior da capital brasileira.


Mais além ainda, Agnelo citou escutas da Polícia Federal que jamais saíram na imprensa e que mostram que a quadrilha reclamava de si, que fazia ameaças de derrubá-lo por combatê-la e que chegava a insultá-lo pesadamente por atrapalhar seus planos. Além disso, Agnelo revelou que as mesmas escutas mostram a mesma quadrilha comemorando reportagens da Veja que o atacavam.


Por fim, Agnelo apresentou uma pilha de documentos incontestáveis, emitidos por órgãos oficiais, que o isentam de acusações da mídia sobre “aumento inexplicável” de seu patrimônio e de ações de seu governo em favor da Delta, que restou caracterizada como alvo de uma verdadeira ofensiva do governo de Brasília contra si, com medidas que lhe causaram prejuízo.


Um detalhe: o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, um oposicionista renhido, reconheceu o bom desempenho de Agnelo e, no dia anterior, mostrou enorme descontentamento com o desempenho de Perillo.


A ocultação de fatos e informações por parte de Perillo e da mídia, portanto, reforçam a percepção de que esses agentes têm o que esconder. O caso de Perillo, porém, é mais grave. Sua recusa em oferecer seus sigilos à investigação sugere que teme o que possam revelar.


A estratégia de Perillo, aliás, foi feita com base nos discursos de seus aliados na CPI que trataram de tentar encerrar o assunto fazendo-lhe ovações por um desempenho dúbio, até suspeito. E mostra que ele e seus aliados não contavam com a atitude de Agnelo de oferecer o que negou.


Está claro que Perillo teme o que possa advir da quebra de seus sigilos. Sua recusa em colocá-los à disposição da CPI, portanto, foi uma jogada de risco. Achava que após o noticiário falso da mídia sobre seu “bom” desempenho no depoimento que prestou, não se tocaria mais no assunto. Foi surpreendido pela transparência de Agnelo.


Por fim, apesar da dubiedade do depoimento de Perillo, algumas afirmações ele não conseguiu escapar de fazer. E é aí que mora o perigo, pois tudo o que os dois governadores fizeram em termos de afirmação poderá vir a comprometê-los conforme caminhem os trabalhos da CPI. Se um diz que nunca conversou com este ou aquele, se tal conversa surgir estará frito.


É só um exemplo para explicar que todos os depoentes poderão ser vitimados pelas próprias palavras. Até mesmo as afirmações dúbias poderão encrencá-los. Bastará que surjam elementos que comprovem que o depoente omitiu, mentiu ou fugiu de dizer o que pode vir a ser comprovado.


A oposição demo-tucana e a mídia a ela aliada apostam alto na condenação de petistas pelo julgamento do mensalão e na premissa de que a CPI do Cachoeira não chegará a nada. Tratam-se de apostas de risco tão alto quanto o que correu Perillo ao recusar a quebra do próprio sigilo. Pode haver absolvições no julgamento e a CPI pode avançar mais do que pensam.


O clichê, portanto, torna-se inevitável: a esperteza, quando é muito grande, acaba engolindo o espertalhão.


ATUALIZAÇÃO


No meio da tarde desta quarta-feira, após a CPI ter aprovado a quebra dos sigilos de Perillo, ele mandou avisar que abriria mão desse sigilos


 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012 - No Democracia e Política


QUEM PRECISA DE FORÇAS ARMADAS? 
 


AF-1 Skyhawk, único modelo da nossa MB, comprado já velhos do Kuwait, que os aposentou em 1998. Poucos em condição de voo
“Desgastadas política e socialmente com a ditadura (1964-1985), nossas Forças Armadas, desde o governo Fernando Collor, vêm sendo objeto de crescente (e burra) marginalização, que se aprofundou no governo Fernando Henrique Cardoso.

Por Roberto Amaral, na revista "Carta Capital”

Solícito no atendimento às diretrizes norte-americanas, o segundo Fernando foi diligente na política de tentar confinar nossas Forças em atividades típicas de polícia, como o combate ao contrabando e ao narcotráfico. Mas, justiça lhe seja feita, [imediatamente ao assumir] deu o pontapé inicial para a criação do Ministério da Defesa [não para fortalecer nossas FFAA, mas para esvaziar o poder militar], boa ideia que ainda poderá vingar.


Já o governo Luiz Inácio Lula da Silva teve o grande mérito de aprovar a primeira “Estratégia Nacional de Defesa” com visão própria da inserção do Brasil no cenário geopolítico mundial. Finalmente, a presidente Dilma Rousseff (embora as Forças Armadas permaneçam cumprindo papel de polícia nos morros cariocas) avança na definição de programa de investimentos em ciência e tecnologia, de especial em tecnologias duais, e na articulação com a indústria aqui instalada, indústria que, em crise, precisa ser encarada como parceira indispensável do programa de nacionalização de armamentos, sem a qual não teremos Forças Armadas dignas do nome.

Afinal, defesa nacional é defesa de que e de quem? Da nacionalidade? De nossos valores? Quais são esses valores, aqueles que unificam o que se pode chamar de povo e nação? Defesa de nosso território? [De nosso patrimônio?]. Ou defesa de nossa soberania? O que é soberania, e qual soberania é possível, num mundo dito globalizado, o qual, embora multipolar, uma multipolaridade de polos assimétricos, conhece a hegemonia econômica, científica e militar do mais forte entre os mais fortes, e os mais fortes são potências nucleares?

No Brasil, o interesse nacional, após a Segunda Guerra Mundial, era ditado pela nossa inserção dependente na Guerra Fria, resolvida pela renúncia da União Soviética, caso único de suicídio de um Estado. Aquela inserção qualificava nossa política externa e determinava o caráter de nossas Forças Armadas. A saber, simplesmente não precisávamos delas, senão para cuidar da fronteira com o suposto inimigo potencial, a Argentina, pois, do ‘perigo soviético’ nos defenderiam os ‘marines’. Por consequência, recebendo armamento de segunda linha, prescindíamos do desenvolvimento de tecnologias e produção de armamentos próprios, vedada às nossas forças e à nossa incipiente indústria militar qualquer sorte de transferência de tecnologia. Para o seu papel subalterno de guardas pretorianos do status quo, ou para intervir no processo democrático, não careciam de modernidade.

A visão subalterna conheceu o clímax no governo do marechal Castello Branco, quando foi cunhado o infeliz bordão ‘o que é bom para os EUA é bom para o Brasil’. Os demais governos militares, todavia, incentivaram o desenvolvimento da indústria nacional de defesa, de que são símbolos a Embraer e seu AM-X, estenderam a soberania marítima para 200 milhas, romperam com o acordo militar Brasil-EUA e deram impulso à pesquisa nuclear.

A disparidade entre o poder econômico do Brasil e o dos seus vizinhos elimina do horizonte hoje visível qualquer hipótese de guerra regional, a não ser por procuração, de potência externa, como aliás, no Império sob a hegemonia britânica, foi a imoral guerra contra o Paraguai, e, na ditadura, a intervenção na República Dominicana, atendendo aos interesses dos EUA. Resta a hipótese de enfrentar inimigo muito mais poderoso, caso em que não caberá a ilusão de enfrentá-lo de igual para igual, senão adotar política de dissuasão ao máximo do invasor, desanimando qualquer intento atentatório à nossa soberania.

Em país com as características brasileiras, amante ativo da paz e da boa convivência internacional, o papel de suas Forças Armadas é o de serem capazes de inibir qualquer desrespeito às regras da convivência internacional, de soberania e de autodeterminação. Dito de outra forma, sabemos que a inexistência de capacidade de defesa, isto é, de força dissuasória, é eficiente estímulo à aventura militar [de terceiros].

Qualquer que seja a política nacional de defesa, ela depende de nosso desenvolvimento econômico, gerador de nosso desenvolvimento científico-tecnológico, gerador de nosso desenvolvimento industrial e não tem e não pode ter política de defesa o Estado que não possui indústria bélica. Quem não produz sua própria tecnologia militar não tem tecnologia alguma.

Está certo e é coerente com nossa história de povo e civilização que o Brasil não seja nem queira ser uma potência militar, mas é pelo menos estranho que renuncie a um sistema de defesa – ainda que constitucionalmente limitado à dissuasão –, compatível com sua presença continental.

Não há a menor relação, do ponto de vista militar, entre nossas Forças Armadas e as necessidades de nosso país, considerada sua dimensão continental, seu litoral, suas fronteiras, a riqueza de seu mar territorial, a Amazônia, seus recursos minerais, sua população e a exigência de projeção do poder nacional.

É dramática a fragilidade de nossas Forças Armadas, mas este, lamentavelmente, não é o cerne da questão, porque é impossível pensar em política de defesa, cingindo-se ao ponto-de-vista estritamente militar. A política de defesa fundamenta-se em elementos culturais e ideológicos, e depende da adesão da cidadania, porque assim como a economia e a diplomacia, guerra é, ao fim e ao cabo, uma questão política.

Deserdados da sociedade e da cidadania não formam exércitos de defesa e resistência. Estes carecem da força da população que pretendem defender, e da identificação dessa mesma população com seus objetivos. As Forças Armadas aptas do ponto de vista tecnológico deverão ser concebidas a partir da vontade nacional e de sua missão no projeto estratégico coletivo; os valores nacionais são oferecidos pela sua formação de povo, nação e país, pela sua cultura, pela sua história.

Segurança nacional, como tem demonstrado a democracia, é antes de tudo desenvolvimento econômico-social autossustentado.

Nosso projeto fundamental, assim o entendo, é ultrapassar a condição periférica, e a estratégia é o aprofundamento da relação Sul-Sul, tendo como ponto-de-partida a América do Sul, onde já desfrutamos de posição destacada. A partir daí, utilizando esse ponto de apoio, aprofundar seu relacionamento com os países africanos, a começar pelos países da lusofonia, mas a eles não se limitando.

Nosso objetivo estratégico deve ser abreviar o parto da história.

O projeto nacional é tributário e servidor do papel que estamos dispostos a desempenhar na America do Sul e no hemisfério e sua articulação considera a consciência do que somos e a decisão do que queremos ser.

Queremos ser modelo alternativo de desenvolvimento autossustentável, democrático, solidário, progressista; uma sociedade harmônica e igualitária, aberta ao convívio amistoso de todas as crenças e etnias, amante da paz e da liberdade.

No plano continental, o projeto desse novo Brasil está comprometido com:

- a democracia e os regimes representativos;
- a desnuclearização de nosso continente de par com a exigência do fim de todos os estoques de armas nucleares e de destruição em massa;
- a proteção e fortalecimento de nossas culturas nacionais;
- a articulação econômica, cultural e política entre nossos povos;
- a proteção de nossas economias, a promoção do desenvolvimento e a distribuição de renda como ponto de partida para a superação das desigualdades sociais e construção futura de uma sociedade sem classes;
- a proteção de nossas matérias-primas, de nossos recursos naturais e de nossas fronteiras;
- o desenvolvimento em comum de polos de ciência e tecnologia; e
- a latinidade como valor estratégico.

Finalmente, nosso compromisso é o de assegurar a paz e a não-intervenção nos assuntos internos de outros países, e, em particular, a intervenção estrangeira no hemisfério.

Ao fim e ao cabo: é preciso virar a página. Não podemos sacrificar nossas necessidades atuais em razão de traumas de há 30-40 anos. É preciso serviço de inteligência, e é preciso política de defesa. Sob a égide da Constituição de 1988, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) nada tem a ver com o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o papel das Forças Armadas é e deve ser distinto daquele da longa noite da ditadura. Essa é a exigência do Estado democrático que, aos trancos e barrancos, conseguimos construir e buscamos fortalecer.”

FONTE: escrito por Roberto Amaral, na revista "Carta Capital”. Transcrito no portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=185604&id_secao=1)  [Imagens do google, suas legendas e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]
 
 

 

RIO+20 & COMISSÃO DA VERDADE
Espetáculo e segredo, badalação e sigilo

Por Alberto Dines em 13/06/2012 na edição 698 - No Observatório da Imprensa

 
   

O pêndulo brasileiro produz estranhos movimentos e incríveis surpresas. A humanidade corre velozmente em direção do abismo climático e, não obstante, preferimos enfrentar a legião de fantasmas com a nossa infinita capacidade festeira.


As preliminares do Rio+20 não parecem uma reunião de emergência para soar os alarmes e emitir um portentoso SOS global. Mais se assemelha a um convescote mundial para celebrar a celebração.


A Comissão da Verdade segue um caminho paralelo, porém em direção contrária: deveria acender as luzes e soltar as palavras, prefere a surdina, a meia-voz e a meia-luz. Uma sociedade motiva-se para buscar a verdade quando lhe mostram os benefícios das penosas investigações. Esperar dois anos para então produzir um relatório gigantesco, provavelmente maçante e ilegível, não é a melhor maneira para mobilizar uma sociedade que afinal despertou da sonolência enganosa.


As reticências


O matador Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS capixaba e agora pastor protestante, recebeu instruções taxativas para não dar outras entrevistas à imprensa enquanto não fossem concluídas as investigações da Comissão da Verdade. Não é o mais recomendável depois de quase duas décadas de entranhado silêncio.


O país precisa viver a verdade, conviver com ela, acompanhar o seu parto. É mais educativo, cívico, eficaz.


Com os crimes acontecidos há tantos anos não se compreende a pressão pelo sigilo. As revelações desse agente da linha dura serão melhor absorvidas, entendidas e talvez menos traumatizantes se oferecidas gradualmente, seguindo o método heurístico e a ideia maiêutica preconizada por Sócrates – devagar, por partes, progressivamente, para sempre.


É evidente que certos depoentes precisarão da proteção do anonimato, caso contrário poderão sofrer represálias. Algumas investigações não podem prescindir do imperioso sigilo. Mas o governo dispõe de centenas de funcionários treinados para emitir comunicados parciais sem comprometer dados essenciais. As reticências agora são desmotivadoras, anticlímax.


Fora de prumo


Tal como o Tribunal de Nuremberg, a Comissão da Verdade tem um caráter didático que não pode ser negligenciado, ainda que não seja um órgão judicial como aquele que os vencedores montaram para julgar os vencidos no fim da Segunda Guerra Mundial. Aqui não há vencidos nem vencedores, há apenas o compromisso histórico de buscar os fatos acontecidos.


Já a grande festa ecológica com a qual se pretende conscientizar a cidadania e suas lideranças em todo o mundo, esta pode funcionar ao revés e desativar a gravidade da situação ambiental.


A roupa branca, os abraços de “paz e amor” e os sanduíches orgânicos de 1992 não funcionaram. A Rio+20 não pode parecer uma Copa do Mundo onde se escolhe o campeão, nem uma Olimpíada para distribuir medalhas. É uma cerimônia solene, prova de maturidade, todos devem perder algo. Não é o caso de enlutar-se. Ainda.


Nosso pêndulo precisa ser urgentemente reajustado; os sinais estão trocados.


 


 

 

Temendo derrota, PSDB adia votação do Conselho sobre Protógenes

 

Diante de uma iminente derrota, o PSDB apresentou um pedido de vista e adiou a votação do relatório do deputado Amauri Teixeira (PT-BA), apresentado no Conselho de Ética da Câmara, e que analisa a conduta do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP). 


A Representação foi feita pelo próprio PSDB e se baseia em gravações que tentam ligar o deputado comunista com o araponga Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá. 

A votação foi remarcada para outra reunião do Conselho de Ética, no dia 04 de julho. Presente na reunião, Protógenes reclamou do adiamento. Ele disse que isso vem atrapalhando sua atuação parlamentar e provocando sofrimento a ele e à sua família. 

A ação do PSDB de adiar a decisão tem justamente a intenção de desgastar a imagem do parlamentar. Em entrevista após o encerramento da reunião, o relator acusou o PSDB de estar fazendo “jogo político” para tentar prolongar o desgaste de Protógenes. A base governista tinha maioria na reunião e poderia derrotar os tucanos na votação e assim aprovar o arquivamento da Representação. 

Revanchismo

A representação dos tucanos tem uma clara conotação revanchista. Por sua atuação implacável contra a corrupção, Protógenes tem sido uma pedra no sapato do PSDB. É de autoria, por exemplo, o requerimento da CPI da Privataria Tucana, que quer investigar os roubos praticados pelos tucanos nas privatizações do governo Fernando Henrique. 

Em sua defesa, o deputado Protógenes lembrou aos deputados que ele próprio é autor do pedido de CPI que originou a Comissão mista de apura os crimes da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, da qual o araponga Dadá faz parte. 

“Seria uma contradição qualquer envolvimento direto ou indireto com o referido esquema, fato este rechaçado com os depoimentos dos Delegados de Polícia Federal Raul e Matheus, ambos coordenadores das Operações Las Vegas e Monte Carlo”, afirmou Protógenes. 

Nos depoimentos para a CPI do Cachoeira, os delegados referidos afirmaram que a conversa interceptada entre Dadá e Protógenes não diz respeito às irregularidades cometidas pela organização. As ligações que constam a voz do deputado do PCdoB são relacionadas a procedimentos instaurados ao tempo da operação Satyagraha, que resultou na prisão e condenação a 10 anos de prisão do banqueiro Daniel Dantas. Na época, Dadá trabalhava na Inteligência Militar da Aeronáutica.

O relatório 

O relatório apresentado pelo deputado Amaury Teixeira surpreendeu os deputados da base da presidente Dilma. O texto não avaliou o mérito das acusações apresentadas pelos tucanos, mas indicou que é necessário ampliar a investigação para outros documentos em poder da CPI. “O que existe de acusação [contra Protógenes] atualmente é muito frágil para um voto pela quebra de decoro, mas precisamos analisar se existe algo maior”, declarou o relator.

Vários deputados do PCdoB e do PT estiveram na sessão para defender a honra de Protógenes e o arquivamento da Representação, inclusive o líder Gilmar Tatto (PT-SP). Antes do pedido de vista apresentado pelo deputado tucano Carlos Sampaio (SP), o deputado Sibá Machado (PT-AC) chegou a apresentar uma proposta de voto em separado defendendo o arquivamento. 

De Brasília, com Agência Câmara

 

 

Calendário SPIN

quarta-feira, 13 de junho de 2012


OCX: para enfrentar tempos de mudanças
 


OCX: Organização de Cooperação de Xangai =SCO: Shanghai Cooperation Organization
 

12/6/2012, M K Bhadrakumar*, Asia Times Online
SCO: Coping with changing times
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 

Logo da SCO = OCX
A Organização de Cooperação de Xangai/Shanghai Cooperation Organization (SCO) sempre foi a soma total das concordâncias possíveis que houvesse, em cada momento, no relacionamento entre China e Rússia. Daí advieram sempre as potências e as fragilidades do grupo. Na reunião da SCO, em Pequim, semana passada, foi novamente o que se viu.
 
No décimo ano de existência, a identidade da SCO – que inclui China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão – ainda está em mudança. É muito menos que uma aliança formal, mas é muito mais que mero “balcão de conversa”. Ainda não tem “líder” e orgulha-se do próprio novo formato multilateralista, mas, de fato, nada se move na agenda da SCO sem o aceno de concordância de China e/ou Rússia.
 
A Rússia admitiria a Índia como membro pleno, mas a China não admite; Cazaquistão, Tadjiquistão e Quirguistão admitiriam o Irã, mas Rússia e China não admitem; a China quer a Turquia como “parceiro de diálogo”, e a Rússia não faz objeções; ambas, Rússia e China querem o Afeganistão como “observador”; e Cabul, sem dúvida, já está “dentro”.
 
A SCO não tem agências de “implementação”, mas já é voz que se ouve cada dia mais. O foco primário da organização sempre foi a Ásia Central, mas começa agora a lançar redes por toda a Eurásia e pelas regiões vizinhas. Um dos objetos da cooperação é a atividade antiterrorismo, mas sem estrutura unificada de “comando e controle” e, tudo considerado, cabe a cada país membro cuidar individualmente dos próprios problemas. A Organização de Cooperação de Xangai não é bloco militar, mas os exercícios militares ajudam a aumentar a coesão estratégica interna e a aprofundar a cooperação para defesa e segurança de todos.
 
Em termos genéricos, ainda é possível encontrar argumentos para mostrar que a SCO é organização que quase não tem efeito algum no plano prático; mas também já se tem de conceder que se constituiu uma massa crítica, e que o agrupamento vai ganhando cada dia mais tração.
 
Esse ano, a reunião da Organização de Cooperação de Xangai, em Pequim (6-7/6/2012) atraiu especial atenção. Quatro fatores podem ter contribuído para o inusitado interesse com que a reunião foi acompanhada em todo o mundo.
 

Vladimir Putin
Para começar, a volta de Vladimir Putin ao Kremlin como presidente “eletrificou” a política regional e mundial. Os jurados ainda estão deliberando sobre se Putin “tenderá” na direção dos “orientalistas” que há entre as elites da política externa da Rússia, distanciando-se assim dos “ocidentalistas” que quase sempre dominam a cena; ou se Putin apenas fará uso seletivo do “orientalismo”, para ganhar alavancagem em relação ao ocidente, de cujo campo cultural a Rússia faz parte; ou se navegará em rota mediatriz entre o oriente e o ocidente, para tirar o máximo proveito possível, para a Rússia, do crescimento chinês e para, ao mesmo tempo, colher qualquer benefício possível, para a Rússia, das rusgas que surjam no relacionamento China-ocidente, enquanto a Rússia concentra-se na própria regeneração como potência mundial independente e um dos grandes “equilibradores” que há no sistema internacional.
 
Em segundo lugar, até que haja mais clareza sobre as novas lideranças em Washington e Pequim, permanecerá alguma névoa sobre o futuro das relações entre as grandes potências. É preciso esperar ainda mais ou menos um ano. A Rússia, por assim dizer, chegou um pouco adiantada à festa e tem de esperar no saguão, porque a noite ainda é criança, e EUA e China ainda vasculham os guarda-roupas cavernosos, para ver o que encontram de aproveitável para compor a toalete mais adequada.
 
Ao mesmo tempo, as relações respectivas de Rússia e China com os EUA estão na chuva (por diferentes motivos), o que torna indispensável que os dois países partam à procura um do outro e se deixem ver de mãos dadas. Em terceiro lugar, a realidade geopolítica no solo pátrio da Organização de Cooperação de Xangai é que EUA e OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) estão já no estágio final de implantar presença militar de longo prazo na Ásia Central.
 
Nem a SCO (que já existe há quase uma década) nem Rússia ou China individualmente foram capazes de impedir que EUA e OTAN prosseguissem na trilha que definiram. A realidade emergente exige que a SCO faça grandes ajustes. Dito claramente: o apito-aviso dos marinheiros que chegam ao porto toca cada vez mais alto e forte, e Rússia e China sentem que não será fácil manter as raparigas da Ásia Central recatadamente ocupadas dentro de casa.
 
Em quarto lugar, não importa quais sejam os rumos tortuosos que tome o impasse afegão, a corrida pelos recursos naturais do Afeganistão já começou. China e Índia já disputam os recursos minerais intocados daquele país, mas a coisa ainda é incipiente.
 
A Nova Rota da Seda dos EUA é tentativa mal disfarçada de fixar a liderança de Washington – enfileirada com a Índia – no processo de integrar a Ásia Central, rica em recursos, ao mercado mundial, mediante o desenvolvimento de vias de comunicação que cruzem o sul da Ásia. Brevemente, New Delhi hospedará uma conferência internacional de grupos empresariais envolvidos ou interessados no Afeganistão; é iniciativa indiana, mas o evento será oficialmente anunciado em Washington.
 
Erguendo a cabeça por cima do parapeito
 

Como essas subcorrentes se comportarão, ninguém sabe no momento, e China e Rússia estão provavelmente fazendo a coisa certa, ao posicionar a SCO como corpo de coordenação para os estados regionais, na esfera da cooperação econômica e de segurança. Equivale a dizer que China e Rússia perceberam como mais necessário e de maior serventia agruparem-se, do que qualquer outro modo possível de “conter” a estratégia de “contenção” dos EUA em relação a ambas.
 
Por sua vez, a divulgação sem precedentes da parceria sino-russa durante a visita de estado de Putin à China pouco antes da cúpula da SCO deu ainda mais peso e eloquência aos procedimentos de grupamento. A reunião, nessas circunstâncias, estava destinada ao “sucesso”, e o único ponto ainda por discutir seria como garantir substância tangível ao sucesso da história.
 
Os EUA forçaram o ritmo de operação da SCO, com vários movimentos de provocação contra Rússia e China. Os EUA deram boas-vindas ambivalentes à presidência de Putin, movidos pela crença simplória – ou mero pensamento desejante [wishful thinking], dependendo do ponto de vista do analista – de que o sistema político russo padeceria de doença terminal; essa ideia arrastou Washington e cruzar todas as linhas vermelhas das relações entre estados e a intervir acintosamente na política doméstica russa, não raras vezes com declarada animosidade contra a personalidade política de Putin.
 
É difícil acreditar que tudo que disse o embaixador dos EUA em Moscou, Michael McFaul, desde que chegou à cidade, tenham sido exibições solo de professor bem intencionado que simplesmente ignorasse o b+a=ba do código de conduta do hiper codificado mundo da diplomacia. (Afinal, já ocupou posição importante na Casa Branca, antes de ser nomeado para Moscou).
 

Aqueles rompantes podem não ter acertado diretamente o plexo do “reset” EUA-Rússia, mas eram parte da implantação já decidida no governo dos EUA dos planos para instalar o sistema de defesa de mísseis antibalísticos [orig. anti-ballistic missile defense system (BMD)] nos países da OTAN, ignorando os protestos da Rússia. E recomeçou o velho jogo de jogar a Georgia contra a Rússia. (A mais recente visita da secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton a Tbilisi coincidiu com a chegada de Putin a Pequim, na 4ª-feira passada).
 
Mais importante que isso, os EUA fizeram de tudo para minar os esforços dos russos para iniciar um diálogo político dentro da Síria, ao estimular (clandestinamente) a Arábia Saudita e o Qatar a incitar a violência e a sistematicamente desqualificar a missão do enviado da ONU, Kofi Annan.
 
Quanto ao Afeganistão, Washington continua a só muito seletivamente envolver Moscou – primeiro, em relação à operação da Rede Norte de Distribuição [orig. Northern Distribution Network], que facilita o suprimento das forças da coalizão liderada pelos EUA no Afeganistão – , ao mesmo tempo em que desdenha as aberturas russas para alguma política ampla de cooperação. O sentimento de indignação de Moscou ficou muito evidente, quando a Rússia respondeu “não” ao apelo da OTAN, em Chicago, para que contribuísse com $10 milhões para financiar a construção das forças armadas afegãs.
 
E o atrito também aumentou na tateante relação entre EUA e China, depois da decisão de Washington de “reequilibrar” suas forças com vistas ao movimento “de pivô” na direção do Pacífico Asiático. Também contra a China, vê-se já um robusto movimento dos EUA, de intervenção nos negócios internos chineses.
 
A China também dá sinais de preocupação crescente com a implantação do sistema norte-americano de mísseis de defesa no Pacífico Asiático. Comentaristas russos já lembraram que, com a implantação do sistema ABM [Anti Ballistic Missiles] dos EUA, a limitada capacidade nuclear dos chineses seria “neutralizada” muito antes que a muito superior capacidade estratégica dos russos.
 
Basta dizer que a SCO (leia-se: Rússia e China) decidiu que é hora de pular fora do domínio dos problemas regionais e erguer a cabeça por cima do parapeito eurasiano. Um comentarista russo observou que
 
“Os tempos mudaram e a Organização de Cooperação de Xangai mudou também, com os tempos. As crises no Oriente Médio, inclusive as que foram disparadas pela Primavera Árabe; o papel que os países ocidentais desempenharam lá; a retirada das tropas dos EUA do Iraque, e, muito mais importante, também do Afeganistão, exigiram ampla revisão das abordagens da OCX e levaram a organização a ampliar seus esforços de política exterior”. [1]
 
Mas aí há exagero e falta foco. No momento, o que está acontecendo é que graças à posição consolidada da Organização de Cooperação de Xangai em algumas questões internacionais que interessam diretamente a Rússia e China, os dois países decidiram fortalecer mutuamente as respectivas ‘mãos-de-jogo’, na oposição às maquinações dos EUA – seja  quanto aos mísseis de defesa, seja quanto à segurança no Pacífico Asiático.
 
Criar “valioso espaço de segurança”
 
O que significa isso? Em artigo publicado no Diário do Povo de Pequim, Putin escreveu que “sem a participação de Rússia e China, sem que se considerem os interesses de Rússia e China, nenhuma questão ou tema internacional pode ser discutido ou implantado”.
 
De fato, já está acontecendo exatamente assim no caso da Síria, em relação ao qual Rússia e China demarcaram o limite: não haverá intervenção militar externa na agenda da mudança de regime em Damasco; mantém-se o apoio à missão de Annan; e fim da violência dos dois lados, para que seja possível “estabelecer um diálogo político amplo”; e “acordo pacífico e justo, sem intervenção do exterior.”
 
Na essência, o que está acontecendo, para citar trecho de um editorial do jornal Global Times, do Partido Comunista Chinês, é que
 
“A mudança, de uma estratégia adversária, para uma estratégia de ampla parceria, cria valioso espaço de segurança para essas duas potências [China e Rússia]. Dadas as incertezas do espaço internacional futuro, essa é rara e valiosa garantia de segurança, a partir da qual os dois atores poderão desempenhar influentes papéis globais. 
 
Simultaneamente, as duas potências estão abertas para o ocidente. O engajamento econômico de ambas com o ocidente é maior que o intercâmbio comercial entre elas. O ocidente tem influência cultura sobre ambas e nos dois países as respectivas elites defendem que se dê prioridade aos laços com o ocidente.
 
Não há dúvidas de que o ocidente é importante para Pequim e Moscou (...). Não há contradição entre as respectivas políticas. Ao contrário, quanto mais próximas estejam China e Rússia, mais oportunidades terão para desenvolver relação de igualdade com o ocidente”. [2]

Sergei Lavrov
Evidentemente, a China prefere o abraço visível com a Rússia que não exige concessões, deixando ampla flexibilidade para agir em outros pontos. O que se pode ver é que as expectativas políticas dos chineses no momento estão abaixo do ponto ao qual a Rússia gostaria de ver chegar a Organização de Cooperação de Xangai. Nas palavras do ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov, “a Organização de Cooperação de Xangai é hoje grupo bem firmemente costurado, de gente que pensa de modo semelhante, firmemente dedicada a desenvolver ativamente um diálogo político confiável, de igualdade e mutuamente vantajoso, de cooperação econômica e humanitária, e para expandir as relações internacionais”.
 
Simultaneamente, em questões chaves como os mísseis de defesa ou o Afeganistão, Rússia e China continuarão a agir independentemente. Praticamente não há coordenação possível entre Rússia e China para qualquer plano prático, enquanto a Rússia planeja sua resposta “assimétrica” à instalação pela OTAN do sistema de mísseis antibalísticos de defesa dos EUA.
 
Pode-se dizer que a última palavra ainda não foi dita sobre a cooperação entre Rússia e o ocidente para a defesa com mísseis. A verdade é que ainda há tempo para que Rússia e OTAN acertem suas diferenças, porque há período gestacional de anos, antes da plena instalação e operação do sistema; durante esse tempo, os dois lados também trabalharão em outras áreas de cooperação que ajudam a ampliar a confiança mútua.
 

Viktor Yesin
Alexander Rahr, conceituado analista alemão das questões russas, diz que “Acho que a Rússia fará todo o possível para fortalecer relações de confiança com o ocidente. Talvez, depois de essa operação de retirada do Afeganistão das tropas da OTAN através da Rússia estar concluída; depois de passada a campanha eleitoral nos EUA; e com o presidente Obama mantendo-se na presidência, seja possível voltar aos assuntos de cooperação.”

De fato, há vozes de semelhante otimismo cauteloso também do lado dos russos. Influente na comunidade estratégica russa, o general Viktor Yesin, que foi chefe das Forças de Foguetes Russos Estratégicos [orig. Russian Strategic Rocket Forces Staff], diz que:
 
“O problema não pode ser resolvido de forma direta. O princípio do “queremos-tudo-e-já” induz a impasses na negociação e ao consequente confronto. Não atenderia aos interesses da Rússia, da OTAN e do resto do mundo, porque minaria a estabilidade estratégica e a segurança internacional.
 
Uma via para solução mutuamente aceitável baseada em concessões aceitáveis para por um acordo de cooperação Rússia-OTAN para mísseis de defesa. O acordo deve incluir um mapa do caminho, i.e. do progresso a obter passo a passo na direção de uma infraestrutura europeia conjunta, ou pelo menos interconectada, de mísseis de defesa, e da construção de mútua confiança, com previsibilidade e transparênci; o que só será possível se os dois lados saírem, das palavras, aos atos”.
 
Yesin sugeriu que é possível para Rússia e OTAN iniciar o estabelecimento de centros conjuntos, pelos quais trocarão informações e planejamento conjunto, desenvolvendo já a cooperação para os mísseis de defesa.
 
Pé ante pé, no Hindu Kush
 
 

Hu Jintao
O Afeganistão será o caso-teste crucial para a eficácia da Organização de Cooperação de Xangai em mundo em transformação. Se a coisa se pode expressar numa única declaração, terá de ser o que disse o presidente chinês Hu Jintao na reunião em Pequim, expressão carregada de significado, sobre o Afeganistão:
 
“Continuaremos a observar o conceito de que assuntos regionais devem ser conduzidos pelos países da região, e a Organização [de Cooperação de Xangai, SCO] deve ter papel importante na reconstrução pacífica do Afeganistão”.
 
O que atraiu grande atenção para a declaração de Hu é que a China jamais antes falara da ideia de desempenhar papel político na solução o problema afegão. Infelizmente, Hu não elaborou sobre o que tivesse em mente, e a impressão que resta é que provavelmente manifestou opinião de outros líderes da Organização de Cooperação de Xangai, expressas em discussões a portas fechadas com a China, quando tenham dado vazão à preocupação profunda sobre o rumo que tomem as coisas no Afeganistão.
 
Na análise final, não se vê com clareza que papel a Organização de Cooperação de Xangai possa desempenhar no grupamento regional. Ambos os países, Rússia e China, já descartaram intervenção direta no Afeganistão. Por outro lado, a OTAN não manifestou qualquer interesse em trabalhar com a OCX no Afeganistão e, de fato, tem-na visto como uma espécie de pretendente-aspirante surgido na paisagem regional, sobretudo, para conter a influência da aliança ocidental – e dos EUA – na Ásia Central. Seja como for, a possibilidade de o Afeganistão ser posto sob a órbita de China ou Rússia sempre será profundamente incômoda para Washington e seus aliados na OTAN.
 
Toda a estratégia da  Nova Rota da Seda dos EUA  de que Washington fala de tempos em tempos visa a trazer para o centro do palco os dois países regionais que, até agora, têm operado como principais equilibradores – Índia e Paquistão. Mas o projeto dos EUA tem enfrentado ventos de proa. Por outro lado, a China tem fortes laços com o Paquistão (e a Rússia também está fortalecendo seu relacionamento com o Paquistão); e os laços dos EUA com o Paquistão estão em cacos.
 
Além do mais, a Índia em nenhum caso agirá por procuração dos EUA, dado o desejo obsessivo de preservar a própria autonomia estratégica nas questões-núcleo de política externa, como as que impactam suas relações com Rússia ou China. Durante a visita do secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, a Delhi, semana passada, o lado indiano sugeriu que se repense a estratégia dos EUA para “reequilibrar” suas forças no Pacífico Asiático. Nas palavras de declaração do próprio ministério:
 
“Quanto às preocupações com a segurança no Pacífico Asiático, [o ministro da Defesa da Índia] Arackaparambil Kurian Antony reconheceu que a Índia apoia irrestrita liberdade de navegação em águas internacionais para todos. Ao mesmo tempo, sobre questões bilaterais entre países, destacou que é desejável que as partes envolvidas resolvam, elas mesmas, o próprio contencioso, nos termos da lei internacional. O ministro Antony destacou a necessidade de fortalecer a arquitetura multilateral de segurança no Pacífico Asiático, e de andar a passo confortável para todos os países envolvidos.”
 

Celso Amorim e Arackaparambil Kurian Antony
Mais uma vez, a OTAN insiste em negociar diretamente com os estados da Ásia Central sobre as vias de trânsito para a retirada de material e equipamento de guerra, do Afeganistão. É abundantemente claro, agora, que os EUA (e a OTAN) manterão dezenas de milhares de soldados no Afeganistão, mesmo depois de 2014.
 
Não estão fugindo da região. Não surpreendentemente, os estados da Ásia Central mostram-se inclinados a impor difícil barganha aos EUA e à OTAN; e esses, por sua vez, manifestam disposição favorável para aceitar o mais que seja possível da ‘lista de desejos’. Os países da Ásia Central esperam, obviamente, assistência financeira adicional dos países da OTAN, mas sem perder de vista a importância de lançar os pilares de uma parceria de longo prazo que seja mutuamente benéfica.
 
Mas em primeiro lugar e acima de tudo, também têm havido demandas de que a OTAN deixe por lá pelo menos parte de seu equipamento militar. O Quirguistão, especificamente, já manifestou interessem nos aviões-robôs tripulados a distância. E a Rússia permanece entrega a conjecturas sobre até que ponto os EUA acederão a essas demandas centro-asiáticas.
 
Na essência, uma relação duradoura de cooperação militar entre a OTAN e os estados centro-asiáticos poderia estar a ponto de começar – e pela primeira vez na era pós-soviética – entre a OTAN e os países da Ásia Central. Armas da OTAN que sejam deixadas por lá terão de ser reparadas e adaptadas, e as forças da Ásia Central terão de ser treinadas para usá-las. Os passos sequenciais poderiam incluiu a permanência de forças especiais da OTAN, em algum momento, depois de a relação ter-se consolidado.
 
No pé em que estão as coisas, os países da OTAN já começaram a encrustar-se no espaço da Organização de Cooperação de Xangai, com a criação do Centro de Coordenação para o Combate às Drogas [orig. Coordination Centre for Combating Drugs (CARICC). Obviamente, só uma linha tênue separa o combate às drogas, o combate à guerrilha e o combate ao narcoterrorismo.
 

Seja como for, o CARICC mantém a China ao alcance do braço. Embora a Rússia tenha sido incluída, Moscou sente-se desconfortável e solitária na barraca do CARICC. A Rússia assiste sem nada poder fazer, enquanto os países da OTAN – especialmente os que fundaram o CARICC, dentre os quais EUA, Reino Unido, Itália, França, Turquia, República Checa – confraternizam alegremente e vão tecendo redes com as agências de segurança dos países parceiros na região – Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão – e, assim, vão mergulhando na base de recursos de inteligência super sensível (e zombando a matriz que a OCX, a duras penas, construiu para finalidades exclusivamente suas).
 
Pode-se dizer que boa parte do dilema em que está metida hoje foi criado pela própria Rússia. Fato é que a Rússia não pode exigir dos estados da Ásia Central que mantenham a OTAN longe dali, como se a aliança ocidental fosse alguma espécie de pária, se já está criando sua própria “Aliança de Trânsito”, como é chamada, em Ulyanovsk sobre o Volga, para operar como entreposto de transporte, atendendo necessidades logísticas da OTAN.
 
Para justificar essa aliança, Moscou alega que seria acordo de interesse meramente comercial, que fará girar anualmente US$1 bilhão. Mas a Regra de Ouro em situações desse tipo é “molho para pato, molho para ganso”: se serve para uma finalidade, serve também para a outra. Ou, no mínimo, assim as capitais da Ásia Central estão interpretando hoje a aliança entre Rússia e OTAN, no Afeganistão. E sentem-se tentadas a criar pactos também ‘à moda afegã’, como os russos, para enriquecer o próprio engajamento estratégico com os EUA.
 
Em resumo, a OTAN já está atraindo países membros da Organização de Cooperação de Xangai – inclusive a Rússia – para engajamentos seletivos em torno do Afeganistão, mas sempre em termos estritamente individuais, e ignorando sempre, atentamente, qualquer “direito pressuposto” que Moscou ou Pequim tenham para representar alguma voz coletiva da região, nas questões de segurança. A declaração de Hu Jintao, na reunião de Pequim, sugere que a Organização de Cooperação de Xangai estaria trocando de marcha e partindo para confrontar diretamente a OTAN e os EUA?
 
O padrão passado mostra que a China insiste em manter seu papel no Afeganistão limitado às questões de interesse econômico, e tem-se mostrado tímida no que tenha a ver com meter os pés na arena política, embora Pequim jamais se canse de repetir que é acionista na estabilidade e segurança no Afeganistão. Haverá, nisso, alguma mudança à vista?
 

Waliullah Rahmani
Poder-se-ia perguntar, para argumentar: ainda que as políticas chinesas para o Afeganistão mudem dramaticamente, até que ponto Pequim avançará, para garantir papel de destaque para a OCX na operação de montagem das peças da paz no Hindu Kush? Não pode haver dúvidas de que a OTAN jogará duro. Nas palavras de Waliullah Rahmani, diretor do Kabul Center for Strategic Studies:
 
“Creio que, nos próximos dois anos, embora possa haver muito boa-vontade dos estados-membros da OCX para alcançar maior papel na construção da paz, a atmosfera de reconciliação e construção da paz entre o Afeganistão e a OTAN dificultará muito qualquer engajamento da OCX (...). Fato é que não acredito que os países membros da OTAN manifestem alguma real boa vontade em relação a atores tão grandes [leia-se: Rússia and China], que gerariam vastas áreas de sombra no quadro do controle total da OTAN no Afeganistão”.
 
Dito em outras palavras, a Organização de Cooperação de Xangai deve ponderar atentamente, antes, o que o povo afegão espera do grupamento regional. Muito obviamente, a opinião pública dominante deseja reconciliação com os Talibã, em termos políticos; e a maioria da população absolutamente não acredita que se possa pensar em qualquer tipo de estabilidade ou segurança sustentáveis, com presença militar estrangeira de longo prazo no país, especialmente se for presença de militares dos EUA. (Por falar nisso, o principal homem da Rússia no Afeganistão, o embaixador Zamir Kabulov, está na mídia, dizendo que Moscou não tem qualquer objeção a um pacto de segurança EUA-Afeganistão que implique os EUA permanecerem no país depois de 2014).
 
Nesse quadro, a Organização de Colaboração de Xangai será fortemente pressionada a encontrar um denominador comum de todos os seus membros, para que se possa engajar no Afeganistão. (Nem os estados asiáticos nem a Rússia, como todos sabem, tem reservas suficientes para pôr sobre a mesa em Kabul, como a China.) Mais uma vez, a Rússia pode estar inclinada a trabalhar sobre o elemento político, mais do que sobre o elemento econômico. Além do mais, a China está também mais bem posicionada, até aqui, que seus parceiros na OCX, porque há tempos trabalha na linha da “amizade faça-chuva-faça-sol” com o Paquistão, para salvaguardar seus interesses vitais no tabuleiro de xadrez afegão.
 
Seja como for, já seriam necessários dotes extraordinários de clarividência para saber, agora, o que acontecerá no Afeganistão; mais ainda para lidar com o que venha a acontecer. A Organização de Colaboração de Xangai será convocada a reagir, praticamente sem descanso, conforme as coisas evoluam, seja para que lado for, no Afeganistão; e parece bem mal equipada para essas emergências, seja em termos institucionais seja em termos políticos. Se se consideram os dois atores chaves da OCX – Uzbequistão e Tadjiquistão –, se alguma real crise desenvolver-se no Afeganistão, ambos já estarão, só por isso, metidos em suficientes dificuldades.
 
A persistente rixa entre os dois países debilita a capacidade da OCX para desempenhar papel chave no Afeganistão. As relações uzbeques-tadjiques, que sempre foram difíceis, complicaram-se ainda mais, recentemente, com Tashkent determinando bloqueio econômico contra o Tadjiquistão. Ouvem-se conversas, inclusive, de que Tashkent já estaria obrando numa estratégia calculada para provocar “mudança de regime” em Dushanbe. Stephen Blank, comentarista norte-americano escreveu recentemente, com perfeita clareza:
 
“As rixas uzbeques-tadjiques são como areia nas engrenagens do motor da Rota da Seda e são vexame maior ainda, para a Rússia, criando um altíssimo risco de segurança que poderá a qualquer momento ser explorado pelos narcotraficantes e pelos islamistas extremistas”.
 
Enquanto esses dois “estados de frente” continuam a brigar, como pensar em esforço coletivo da OCX para conter traficantes e extremistas? Rússia e China enfrentam, sem conseguir resolver, esse dilema, crucial para salvaguardar, antes de tudo, os próprios interesses nacionais. Os dois pesos pesados regionais sabem que, qualquer tática de pressão que adotem, pode levar Tashkent a jogar “a carta norte-americana”.
 
A rixa uzbeque-tadjique é, sob vários aspectos, um teste crucial pelo qual a OCX terá de passar. A capacidade do grupo regional para agir no Afeganistão está diretamente associada à coesão interna do grupo e ao compromisso político dos estados membros de realmente se manterem alinhados a alguma estratégica comum para o Afeganistão. Não é absolutamente questão de palavras. Assim, quando a poeira assentar, depois da reunião em Pequim, restará a impressão de que a OCX optou pela saída mais rápida, com mais uma declaração sobre a situação afegã, enquanto a caravana EUA-OTAN avança sem ser incomodada. 
 

 
Notas de rodapé
[1]  16/5/2012, Rússia & Índia Report em: “SCO as a counter to NATO?
[2]  8/6/2012, Global Times News em: Don’t undervalue Sino-Russian friendship
 
 

MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quaisThe Hindu  Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.
 

Postado por Castor Filho
 
 

 

13 de Junho de 2012 - 17h35 - No Vermelho


Temendo derrota, PSDB adia votação do Conselho sobre Protógenes

 


Diante de uma iminente derrota, o PSDB apresentou um pedido de vista e adiou a votação do relatório do deputado Amauri Teixeira (PT-BA), apresentado no Conselho de Ética da Câmara, e que analisa a conduta do deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP).


A Representação foi feita pelo próprio PSDB e se baseia em gravações que tentam ligar o deputado comunista com o araponga Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá.

A votação foi remarcada para outra reunião do Conselho de Ética, no dia 04 de julho. Presente na reunião, Protógenes reclamou do adiamento. Ele disse que isso vem atrapalhando sua atuação parlamentar e provocando sofrimento a ele e à sua família.

A ação do PSDB de adiar a decisão tem justamente a intenção de desgastar a imagem do parlamentar. Em entrevista após o encerramento da reunião, o relator acusou o PSDB de estar fazendo “jogo político” para tentar prolongar o desgaste de Protógenes. A base governista tinha maioria na reunião e poderia derrotar os tucanos na votação e assim aprovar o arquivamento da Representação.

Revanchismo

A representação dos tucanos tem uma clara conotação revanchista. Por sua atuação implacável contra a corrupção, Protógenes tem sido uma pedra no sapato do PSDB. É de autoria, por exemplo, o requerimento da CPI da Privataria Tucana, que quer investigar os roubos praticados pelos tucanos nas privatizações do governo Fernando Henrique.

Em sua defesa, o deputado Protógenes lembrou aos deputados que ele próprio é autor do pedido de CPI que originou a Comissão mista de apura os crimes da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, da qual o araponga Dadá faz parte.

“Seria uma contradição qualquer envolvimento direto ou indireto com o referido esquema, fato este rechaçado com os depoimentos dos Delegados de Polícia Federal Raul e Matheus, ambos coordenadores das Operações Las Vegas e Monte Carlo”, afirmou Protógenes.

Nos depoimentos para a CPI do Cachoeira, os delegados referidos afirmaram que a conversa interceptada entre Dadá e Protógenes não diz respeito às irregularidades cometidas pela organização. As ligações que constam a voz do deputado do PCdoB são relacionadas a procedimentos instaurados ao tempo da operação Satyagraha, que resultou na prisão e condenação a 10 anos de prisão do banqueiro Daniel Dantas. Na época, Dadá trabalhava na Inteligência Militar da Aeronáutica.

O relatório

O relatório apresentado pelo deputado Amaury Teixeira surpreendeu os deputados da base da presidente Dilma. O texto não avaliou o mérito das acusações apresentadas pelos tucanos, mas indicou que é necessário ampliar a investigação para outros documentos em poder da CPI. “O que existe de acusação [contra Protógenes] atualmente é muito frágil para um voto pela quebra de decoro, mas precisamos analisar se existe algo maior”, declarou o relator.

Vários deputados do PCdoB e do PT estiveram na sessão para defender a honra de Protógenes e o arquivamento da Representação, inclusive o líder Gilmar Tatto (PT-SP). Antes do pedido de vista apresentado pelo deputado tucano Carlos Sampaio (SP), o deputado Sibá Machado (PT-AC) chegou a apresentar uma proposta de voto em separado defendendo o arquivamento.

De Brasília, com Agência Câmara

 


 

 

 não entendo o por que de tanta disparidade , onde o nada ganha uma relevância enorme , e o grave passa batido e parece que os deputados ficem sonsos e não enchergam o obvio , vejam as escutas mostrando o dep. francisquini do psdb , conspirando com a  turma do cachoeira, para interferir em brasilia , um deputado que por onde passou carrega histórias das mais escabrosas , foi um dos que envolvido em uma prisão muita estranha do abadia em são paulo , que ficou um bom tempo protegido  e só foi preso por que os policiais que o prenderam não tinham mais como protelar , declaração do próprio abadia depois de estraditado , ¨se voçes quizerem acabar com o tráfico em são paulo  , basta fechar o denarc . ¨por que ninguem representa contra este deputado , com uma estória bem questionável , delegado da policia federal , nunca mostrou a que veio , sempre envolvido com histórias estranhas. como deputado tambem  , POR QUE?

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012 - No Democracia e Politica


REAJUSTE AOS SERVIDORES FEDERAIS, INCLUINDO OS MILITARES, PREOCUPA O GOVERNO
 


Miriam Belchior (indica o tamanho do reajuste em 2013?)
PLANALTO EM ALERTA

Com orçamento apertado, mobilização de servidores por reajustes salariais preocupa Dilma e ministros

Por Rosana Hessel e Ana D'angelo, no “Correio Braziliense”

“A ministra Miriam Belchior já sinalizou que o Judiciário deverá ter seu quinhão no Orçamento de 2013.

O governo está preocupado com o aumento das pressões para conceder reajuste aos servidores federais, incluindo os militares. Esse foi o principal assunto da conversa na manhã de segunda-feira da presidente Dilma Rousseff com as ministras Miriam Belchior (Planejamento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto. Na mesa, foram colocadas as dificuldades para o governo fechar o Orçamento de 2013, se tiver de conceder aumentos para todas as categorias que já começam a fazer campanha e greves. A proposta orçamentária tem que ser enviada ao Congresso até 31 de agosto.

O pessoal do Judiciário deve ser o primeiro da fila, e Miriam Belchior já sinalizou que o governo deve liberar algum percentual em 2013. Só o que eles pedem — reajuste linear de 56% — representará gasto adicional de R$ 7,4 bilhões por ano. O problema é que todos os servidores do Executivo estão com o pires na mão, mesmo os 937 mil — entre ativos e inativos — que estão sendo contemplados neste ano com aumento de até 31%, previsto na Medida Provisória nº 568.

MAGISTRATURA

Entre 2008 e 2010, o governo Lula distribuiu generosos reajustes para todos os servidores do Executivo, que chegaram a mais de 100%. A maior parte foi concedida em julho de 2008 e de 2009. Porém, boa parte já vai completar dois anos sem aumento. Não querem chegar em 2013 sem nada. A equipe econômica já terá que arcar com a elevação de 20,3% dos vencimentos da magistratura retroativo a janeiro deste ano, já aprovado pela Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados. Com isso, o teto do funcionalismo, o vencimento de ministro do Supremo Tribunal Federal, passará de R$ 26.723,13 para R$ 32.147,90. Isso significará reajustes para vários outros servidores do Executivo e do Judiciário, que já recebem acima do teto e sofrem o corte no salário.

O governo nem cogita conceder aumento linear para todos como querem os dirigentes sindicais, pois só aumentaria a distorção que existe hoje dentro do Executivo entre as diversas carreiras. No Orçamento de 2012, foram contemplados somente os 937 mil servidores. A MP 568 substituiu o projeto de lei 2.203/2011 enviado ao Congresso no ano passado com o texto orçamentário de 2012, que beneficia 15 categorias, entre elas as que integram o “Plano Geral de Cargos do Poder Executivo” (PGPE) e a “Carreira da Previdência, Saúde e Trabalho” (PST).

As lideranças da base governista no Congresso já estão se mobilizando para retirar do texto da MP a redução de 50% nos salários dos médicos e veterinários e de 70% nos rendimentos dos profissionais do “Departamento Nacional de Obras Contra as Secas” (DNOCS). A expectativa dos líderes aliados é de serem recebidos por Dilma esta semana. O mais provável é que isso ocorra nessa sexta-feira, mas o Palácio do Planalto não confirmou o encontro.

MAIS RAPIDEZ

A gestão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi o outro tema da reunião de segunda-feira da presidente Dilma com Miriam Belchior e outras autoridades. A presidente cobrou mais eficiência e rapidez. Um levantamento do “Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas” (IPEA) divulgado também na segunda (11) revela que, dos R$ 13,6 bilhões em investimentos autorizados nas estradas neste ano, apenas R$ 2,5 bilhões foram pagos até maio. A presidente viajou ontem (12) para Belo Horizonte para visitar várias obras, entre elas, as de uma ferrovia da Vale e do anel viário da capital mineira.”

FONTE: reportagem de Rosana Hessel e Ana D'angelo, no “Correio Braziliense”. Transcrita no portal da FAB  (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=12/06/2012&page=mostra_notimpol). [Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’]
 

 

 


Pepe Escobar: “A arte da guerra, com uma taça de vinho”
 



14/6/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online - THE ROVING EYE
The art of war, with a glass of wine
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 


 

Pepe Escobar
PARIS – Lá estava ela, desocupada como que por passe de mágica, num canto discreto, jamais tocada pela onda magmática de turistas: minha mesinha favorita desde os anos 1980s no Café de Flore em St. Germain. Tomei posse, pedi um Welsh rarebit[1]e uma taça de Chablis, e voltei ao batente, lendo e assistindo ao mundo que passa, pela primeira vez desde a queda do Rei Sarkô.
 
Primeira impressão: onde, diabos, meteu-se a minha livraria? A venerável La Hune, bem em frente de onde eu olhava, parecia atingida por um míssil Hellfire; graças a Zeus, mudou-se para outra loja, ali perto. Segunda e mais festiva impressão; o Flore está imunizado, à prova de BHL: o filósofo francês Bernard-Henri Levy, também conhecido como BHL, anda ocupado, longe, promovendo sua próxima guerra.
 

Welsh rarebit
BHL não é mero filósofo/escritor/cineasta: é, sobretudo, presidente-executivo-em-chefe de uma gigantesca operação de Relações Públicas erguida para perene glorificação de BHL. O homem virtualmente comanda a arena cultural francesa, do jeito que Christopher Hitchens pensava que comandava nos EUA e Grã-Bretanha.
 
Que vivamos tempos mais sórdidos: se Sartre, pelo menos, estivesse vivo, para chutar BHL de volta ao seu quintalzinho intelectual. BHL chegou recentemente ao Festival de Cinema de Cannes, carregando como mascotes dois rebeldes falastrões da OTAN Líbia – companheiros de sua aventura de “libertação”: Mustapha El-Zagizli de Benghazi, orgulhosamente apresentado como “príncipe shabab [jovem guerreiro]”, e o general Ramadan Zarmouth de Misrata.
 

Cafe de Flore
O coronel Gaddafi armava sua tenda em Roma e tinha a barra de suas lindas túnicas beijada pelos potentados ocidentais. Mas os rebeldes da OTAN líbios, eles, pareciam tontos e perdidos, na explosiva experiência sobre o tapete vermelho de Cannes.
 
Importantíssimo: além das mascotes líbias e a ladainha sobre a “unidade da revolução”, BHL trouxe também – e o que poderia trazer? – mascotes sírias: dois curdos e dois personagens tenebrosos, de óculos escuros e a cabeça coberta com bandeiras sírias, descritos como “combatentes que deixaram clandestinamente a Síria fazia pouco tempo, “para o lançamento de Le Serment de Tobruk [O juramento de Tobruk]”.
 
Ali estavam, pois, BHL, sionista com certificado, e seus mascotes-troféus árabes, para assistir ao lançamento mundial do novo filme de BHL. Sim, a coisa toda tinha de ser parte de mais um exercício de glorificação/Relações Públicas de BHL. Depois de vencer (de fato, sozinho!) a guerra d Líbia – segundo sua própria autonarrativa – BHL repetia que “o que foi feito em Benghazi não foi mais fácil do que tem de ser feito em Homs”. Garçon, por favor, sirva-me um pouco de mudança de regime, com meu Chablis.
 
A guerra c'est moi

Bernard-Henri Levy cuspido
 
Quanto ao filme, em cartaz na França e já comprado para o mercado norte-americano, pode concorrer na categoria “obra-prima surrealista” digna de Alfred Jarry. Mas, pavão hiperativo, BHL não tem qualquer traço de autodesqualificação, e o que sobra é BHL, diretor do filme, filmando-se, ele mesmo, como diretor da história ao calor da hora. Acabou nisso a secular tradição literária/filosófica francesa: O Intelectual como Inventador de Guerras.
 
A coisa-lá foi editada com – e o que poderia ser? – BHL em voz off que não cala nunca; um monólogo-catarata neoproustiano em flerte com Sun Tzu. BHL flana pelas ruas de Benghazi à caça de um herói rebelde pós-moderno; e o encontra personificado em Abdul “OTAN” Jalil.
 

BHL inquisidor/cruzado
O cenário está montado para BHL das Arábias representar o seu épico de libertação, perenemente metido num paletó negro, camisa Charvet branca meticulosamente aberta para exibir pele branca e telefone por satélite grudado numa orelha, dos desertos e montanhas para os salons do Palácio do Eliseu e – claro – o Café de Flore, que se revela para uma ofuscada delegação líbia.
 
Todos, do Rei Sarkô à Rainha Hilária “viemos, vimos, ele morreu” Clinton e David “das Arábias” Cameron, são manipulados como extras, na guerra de libertação delirada por BHL. Quem se interessa pelo que realmente aconteceu na Líbia, como o Asia Times Online noticiou durante meses?
 
BHL inevitavelmente encena o hoje infame telefonema que, dizem, converteu o Rei Sarkô à mudança de regime. O próprio Sarkô alimenta o mito, contando à televisão francesa, em março de 2011, como o tal telefonema o levou a unir-se aos rebeldes da OTAN e iniciar uma ofensiva franco-britânica. Lixo. A mudança de regime já estava decidida em Paris desde outubro de 2010, quando o chefe de protocolo de Gaddafi desertou e viajou para a França. 
 
Agora, BHL anda ocupadíssimo lembrando ao novo presidente da França, Francois Hollande, que “a França fará por Houla e Homs o que fez por Benghazi e Misrata”. Pelo menos, a coalizão de vontades já está lá: França, Grã-Bretanha, EUA, Turquia e a Liga Árabe controlada pelo Conselho de Cooperação do Golfo. Autodenominam-se “Amigos da Síria” e, no início de julho, em Paris, decidirão seus próximos passos de mudança de regime.



 
BHL concede que “salvar o euro é dever imperioso”, mas o drama grego não deve impedir que Hollande dê um telefonema, como fizeram BHL e o antecessor de Hollande, o Rei Sarkô, e convença Rússia e China de que o estado terrorista sírio é águas passadas. BHL, claro, nunca reconhecerá o estado terrorista de Israel contra os palestinos, nem para escapar de ser esmagado por um tanque do exército de Israel. Se não funcionar com Hollande, o alvo seguinte de BHL é David das Arábias Cameron.
 
BHL insiste que filmou “O juramento de Tobruk” pela Síria. Na Líbia, diz ele, houve “uma real coalizão com países árabes reunidos em coalizão com forças dos Emirados e do Qatar.”
 
Deve soar com um toque de “the hills are alive with the sound of music” de noviça rebelde, aos ouvidos do Emir do Qatar. Afinal, o Qatar já comprou metade da Place Vendôme, boa parte da avenida dos Champs-Elysees e praticamente tudo entre a Madeleine e a Opera.
 
Nada resta a BHL, além de dar um telefonema, ele mesmo, para o francófilo emir, e pedir que financie sua próxima guerra. Mas... Calma lá! O Qatar já está armando os rebeldes sírios. O que resta a BHL? O Irã.
 

 
Nota dos tradutores
[1]  Foto e receita (boa) de Welsh rarebit –by jamie oliver (em português).

 
Imagens catadas na internet pela redecastorphoto
 

 

Postado por Castor Filho
 
 

 

terça-feira, 12 de junho de 2012 - No Blog Verde a Cor Nova do Comunismo

Rio+20: cientistas brasileiros pedem, em carta a Dilma, recobrar o bom senso e pôr de lado alarmismo e desserviço à ciência
 

 

Presidente Dilma Roussef fala  no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.  Foto Planalto.gov.br

Presidente Dilma Roussef fala
no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
Foto Planalto.gov.br

 Carta aberta à Presidente Dilma Rousseff


Mudanças climáticas:
hora de recobrar o bom senso

Exma. Sra.
Dilma Vana Rousseff
Presidente da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Senhora Presidente:

Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento – do qual a humanidade necessita, com urgência, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Na mesma ocasião, a senhora assinalou que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.

Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, destacando o fato de que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, acadêmicas e econômicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.


1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:

 Wilson Dias/ABR

Comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente.
Cientistas alertam para manipulações ideológicas.
Foto: Wilson Dias/ABRA despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a revolução industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico – anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.

Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.

A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo estes efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária. Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.

O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, as temperaturas aumentaram 0,74°C, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.

Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 5.000-6.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2-3°C superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiam até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas atingiram mais de 1°C acima das atuais.

Ideologia "vermelha" tentará se impor na Rio+20

Ideologia "vermelha" tentará se impor na Rio+20 contra a ciênciaQuanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que as variações de temperaturas e níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza mais rápidas que as verificadas desde o século XIX.

Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8°C em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.

Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficiente para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais rápida, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos – equivalente a 4 m por século.

Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.


2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência:

Atrelamento da ciência a ideologias,  como na falida URSS, teve efeitos nefastos,  escrevem cientistas brasileiros à Presidente Dilma

Atrelamento da ciência a ideologias,
como na falida URSS, teve efeitos nefastos,
escrevem cientistas brasileiros à Presidente DilmaA boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da humanidade.

A história registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as ciências biológicas e agrícolas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma ciência “burguesa e antirrevolucionária”. O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do “lysenkoísmo”, que tem custado caro à humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.

Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, geológicos, geomorfológicos, oceânicos e biológicos, que a ciência apenas começa a entender em sua abrangência.

Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico, ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947-1976.

Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”, impostos pelas restrições ambientais).

A propósito, o decantado limite de 2°C para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).


3) O alarmismo climático é contraproducente:

Alarmismo é extremamente prejudicial, escrevem os cientistas.  Mas esquerdas vêm se preparando para agir na Rio+20  e tirar seus "benefícios" ideológicos

Alarmismo é extremamente prejudicial, escrevem os cientistas.
Mas esquerdas vêm se preparando para agir na Rio+20
e tirar seus "benefícios" ideológicosO alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre as mudanças climáticas é extremamente prejudicial à atitude correta necessária frente a elas, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.

No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.

Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela ciência e pela tecnologia modernas.

Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente, na Ásia, África e América Latina.

No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fossem empregados na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, muitos dos quais sequer foram digitalizados.


4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria:

A “descarbonização” é desnecessária e contraproducente,  é uma pseudo-solução para um problema inexistente.

A “descarbonização” é desnecessária e contraproducente,
é uma pseudo-solução para um problema inexistente.Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da “descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.

O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar – ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a Austrália, sob grande rejeição popular, e a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.

Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive, no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.


5) É preciso uma guinada para o futuro:
Pela primeira vez na história, a humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.

Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.

A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.


 
Kenitiro Suguio
Geólogo, Doutor em Geologia
Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP)
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências


Luiz Carlos Baldicero Molion
Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas
Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)


Fernando de Mello Gomide
Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)
Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)


José Bueno Conti
Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia
Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Autor do livro Clima e Meio Ambiente (Atual, 2011)


José Carlos Parente de Oliveira
Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera
Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)


Francisco Arthur Silva Vecchia
Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia
Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (USP)
Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)


Ricardo Augusto Felicio
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)


Antonio Jaschke Machado
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)


João Wagner Alencar Castro
Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia
Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ


Helena Polivanov
Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental
Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


Gustavo Macedo de Mello Baptista
Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia
Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB)
Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)


Paulo Cesar Soares
Geólogo, Doutor em Ciências e Livre-docente em Estratigrafia
Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR)


Gildo Magalhães dos Santos Filho
Engenheiro Eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia
Professor Associado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)


Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco
Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-Sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências


Daniela de Souza Onça
Geógrafa, Mestra e Doutora em Climatologia
Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)


Marcos José de Oliveira
Engenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada
Doutorando em Geociências Aplicadas na Universidade de Brasília (UnB)


Geraldo Luís Saraiva Lino
Geólogo, coeditor do sítio Alerta em Rede
Autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009)


Maria Angélica Barreto Ramos
Geóloga, Pesquisadora em Geociências (Senior) do Serviço Geológico d Brasil – CPRM
Mestre em Geociências – Opção Geoquímica Ambiental e Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012 - No Democracia e Politica


PROJETO PARA LANÇAR SATÉLITE DE BASE NO MARANHÃO TRAVA
 


Foguete ucraniano Cyclone-4, a ser lançado pela ACS binacional
PARCERIA BRASIL-UCRÂNIA NÃO CONSEGUE PAGAR CONSTRUTORAS DESDE DEZEMBRO

País já investiu R$ 400 milhões na empreitada; plano de participar do mercado comercial de lançamentos é incerto

Por Claudio Angelo, na “Folha de São Paulo”

“A empresa binacional criada em 2007 por Brasil e Ucrânia para lançar satélites comerciais da base de Alcântara (MA) está caindo sem nunca ter decolado.

Desde dezembro, a ACS (Alcântara Cyclone Space) não paga as empreiteiras que executam as obras do sítio de lançamento do foguete ucraniano Cyclone-4.

A empresa tem R$ 40 milhões em caixa e dívida de R$ 50 milhões com os construtores.

Seu plano de negócios, que nem chegou a ser aprovado pelo conselho de administração, prevê que ela ficará deficitária por 20 anos.

E, mesmo assim, só vinga se conseguir fechar um acordo polêmico de proteção tecnológica que lhe dê acesso ao maior mercado de satélites privados, o dos EUA.

"Pode ser que, por questão de recursos, o projeto tenha de dar uma parada para se rearrumar", diz o diretor brasileiro da ACS, brigadeiro Reginaldo dos Santos.

AMEAÇA DE PARAR

Segundo o diretor ucraniano, Oleksandr Serdyuk, o consórcio formado por Camargo Corrêa e Odebrecht já cortou pela metade o número de operários nas obras em Alcântara. E disse que vai parar a construção se os pagamentos de R$ 30 milhões por mês não forem retomados.

"Não vamos conseguir fazer o primeiro lançamento em 2013, como solicitado pelos governos", declarou Serdyuk.

Para que os planos de lançamento sejam mantidos, a ACS está pedindo mais R$ 802 milhões, metade vindo do governo brasileiro. Isso além de R$ 135 milhões que o Brasil já havia se comprometido a depositar neste ano e que foram cortados no ajuste fiscal feito pelo governo.

À presidente Dilma Rousseff, portanto, caberá decidir até setembro -mês em que a ACS não terá dinheiro para mais nenhum contrato- se joga fora os US$ 197 milhões que o país já investiu na empresa ou se injeta mais R$ 536 milhões no projeto [total de dispêndio previsto para o Brasil até a atual fase: R$ 733 milhões].

Serdyuk e Santos ressaltam o caráter estratégico do projeto. "O Brasil, em três anos e por US$ 500 milhões, está recebendo um centro de lançamento e acesso ao espaço", afirma Serdyuk. "Acho que não custa o preço de um estádio de futebol no Brasil."

"Não é um negócio em que se coloque a parte financeira em evidência", diz Santos.

PARA O ALTO E AVANTE

A perspectiva de ganhar dinheiro com lançamentos privados, porém, foi o mote usado pelo então ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (PSB-CE) para convencer o presidente Lula a bancar o projeto da ACS.

Em 2007, quando a empresa foi fundada, a previsão de capital era de US$ 105 milhões, e o primeiro lançamento estava previsto para 2010.

Especialistas já então alertavam que aqueles custos eram irreais e o mercado, incerto.

Amaral falava em seis ou sete lançamentos por ano, mas ninguém de fora da empresa jamais havia visto o plano de negócios da ACS.

Santos disse que a revisão do plano, que está sendo preparada, fala em cinco lançamentos por ano, no máximo. "O plano ficou economicamente muito marginal."

O brigadeiro afirmou, ainda, que a dívida com as empreiteiras brasileiras é "amigável" e que os contratos [e pagamentos] com as empresas ucranianas estão sendo cumpridos.

Ele atribui a escalada nos custos e a demora ao fato de a ACS ser um projeto de desenvolvimento. "Não é um pacote fechado."

As contas da empresa até hoje são mantidas fora do escrutínio público. Por se tratar de uma binacional, o TCU (Tribunal de Contas da União) não pode auditá-la. "Não estou preocupado com o TCU. Tem de passar por mim primeiro", disse Santos.”

FONTE: reportagem de Claudio Angelo, na “Folha de São Paulo”  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/48195-projeto-para-lancar-satelite-de-base-no-maranhao-trava.shtml). [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

COMPLEMENTAÇÃO DESTE BLOG ‘democracia&politica’:

Este blog ‘democracia&política’ vê muitos inconvenientes e necessidade de radicais modificações no projeto binacional Cyclone-4 da ACS.


A Ucrânia tem forte interesse em viabilizar seus lançamentos em Alcântara [no CLA] com o seu foguete Cyclone-4, dentro do projeto da empresa binacional (Brasil-Ucrânia) Alcântara Cyclone Space (ACS). A razão: ela [Ucrânia] ficou sem bases de lançamento quando se separou, nos anos 90, da ex-URSS.


Além disso, a Ucrânia é muitíssimo mais beneficiada nesse projeto ACS, em grave detrimento da parte brasileira da binacional.


Já no início, para participar dele, o Brasil, estranhamente, assinou com a Ucrânia “Acordo de Salvaguardas” que é, praticamente, cópia do mesmo humilhante, inaceitável e draconiano acordo que os EUA exigem do Brasil para aqui lançar seus satélites. Esse acordo com a Ucrânia tem força de lei acima da legislação nacional e nos veda, explicitamente, acesso físico e de conhecimento ao foguete e aos outros equipamentos. Proíbe, enfaticamente, qualquer transferência de tecnologia. Tudo de modo até ofensivo aos brasileiros e à soberania nacional.


Exemplifico: conforme publicado no Diário Oficial, o “Acordo de Salvaguardas”, no seu art. VI, estabelece: “As Partes assegurarão que somente Participantes Ucranianos, cujos procedimentos de segurança tenham sido aprovados pelo Governo da Ucrânia, controlarão o acesso a Veículos de Lançamento, Equipamentos da Plataforma de Lançamentos, Espaçonaves, Equipamentos Afins e Dados Técnicos ucranianos.”

[Denominá-los “ucranianos” já é errado. Não se trata de simples compra de itens prontos em prateleira ucraniana. Eles foram concebidos, projetados, desenvolvidos, produzidos e comprados pela binacional ACS, tudo na Ucrânia, mas com dinheiro 50% brasileiro (na prática, bem mais que 50%), o que deveria assegurar iguais direitos de propriedade e de acesso em relação à parte ucraniana].


Ainda como exemplo de o Acordo de Salvaguardas somente permitir ínfima, humilhante e constrangedora participação brasileira em atividades de muito baixo valor agregado, reproduz-se o art. VII do Acordo, que expressa a única concessão de aproximação dos brasileiros aos foguetes e equipamentos: “Aos Representantes Brasileiros será permitido descarregar veículos transportando Veículos de Lançamento, Equipamentos da Plataforma de Lançamentos, Espaçonaves, Equipamentos Afins e/ou Dados Técnicos abrangidos por este Acordo e entregar containeres lacrados nas áreas de preparação de Veículos de Lançamento ou Espaçonaves”.
O Acordo, no mesmo art VII, ainda enfatiza a humilhante discriminação ao estabelecer que, mesmo restritos a essas simples e árduas atividades de carregador de embalagens lacradas, os brasileiros as poderão executar “somente se estiverem sob a supervisão de Participantes Ucranianos” [!!!...].

Essas únicas atividades 'técnicas' [de carregador] permitidas aos brasileiros no projeto binacional não condizem com despendermos no projeto o total previsto da ordem de mais de US$ 500 milhões (um bilhão de reais). Esse gigantesco dispêndio orçamentário brasileiro impede ou inibe, na prática, todos os outros investimentos com desenvolvimento tecnológico espacial e encomendas na indústria nacional com projetos realmente nacionais, como o VLS e seus satélites.


Hoje, na prática, o Brasil é o grande pagante de tudo na ACS. Já despendeu e despenderá, via ACS, AEB e CLA, bem mais recursos do que o montante que os ucranianos deveriam também contribuir (a participação correta pelos acordos firmados seria de 50% cada país, mas a Ucrânia não tem cumprido a sua parte). E pior: a maioria dos recursos brasileiros foi gasta em aquisições na Ucrânia, beneficiando a economia daquele país. Além disso, na fase operacional de lançamentos comerciais, o eventual e distante 'retorno' [?] dos investimentos da ACS será ainda muito maior para a Ucrânia, pois tudo lá continuará sendo produzido e comprado pela ACS.


Essa enorme e absurda gastança de recursos orçamentários brasileiros em benefício da Ucrânia contrasta com o seguinte quadro, que nos faz compreender porque, segundo a “Folha’ já publicou, a “Aeronáutica nunca engoliu a ACS” e julga que “o Cyclone compete com o programa VLS, da Aeronáutica, para produzir um lançador de satélites nacional”.


Relembremos alguns fatos:



Foguete brasileiro VLS
O CTA (órgão da Aeronáutica que recebeu do governo, no final dos anos 80, a incumbência de desenvolver o VLS) foi desmantelado nos anos 90 pelo governo FHC/PSDB/DEM, por razões e compromissos “desconhecidos”. A melhor explicação divulgada pelo governo era a de que o Estado Brasileiro deveria se tornar “mínimo” e “o ‘mercado’ assumiria os poderes e encargos governamentais alienados”. Nessa linha, os recursos financeiros para projetos do CTA foram, gradativa e fortemente, reduzidos naquela década, e chegaram praticamente a zero em 1999, ano estabelecido para lançar um protótipo do VLS.


Simultaneamente, nos anos FHC/PSDB, houve outras medidas governamentais restritivas análogas, como a extinção da equipe especializada na área espacial. O CTA, encarregado oficialmente de desenvolver o foguete lançador VLS e adaptar o CLA (Alcântara) ao lançador, simultaneamente ao drástico corte governamental de recursos financeiros para seus projetos, sofria forte e crescente redução de recursos humanos, totalizando a perda de cerca de 2.500 servidores naquela década, e sem autorização governamental para concursos públicos para reposições. O esforço sobrehumano dos cientistas e técnicos do CTA/FAB que remanesciam, tinham que assumir também os encargos dos que sairam para cumprir a incumbência do CTA nesse quadro de asfixia. Isso certamente contribuiu para o acidente que matou dezenas deles nas vésperas de se lançar um VLS em 2003.


Em 22 de agosto de 2003, o terceiro protótipo, surpreendentemente e por estranhas razões ainda não bem esclarecidas, explodiu na antevéspera do seu lançamento, matando vinte e um técnicos do CTA.


Acidente inesperado e intrigante, pois o CTA já acumulava vasta experiência, já tendo projetado, construído e lançado com êxito, no Brasil e no Exterior, centenas de foguetes suborbitais, muitos deles também complexos e de grande porte.


(OBS: O Relatório Final da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, criada para investigar o acidente que matou vinte e um integrantes do CTA, apresentado pelo seu Relator, o Deputado C. Sobrinho [PFL(DEM)-SP], da própria base governista da época dos asfixiantes cortes (feittos pelo governo FHC/PSDB/PFL), concluiu (dados do “O Estado de São Paulo” de 26/08/2004 e da “Agência Câmara”, de 01/09/2004): “A redução gradativa dos investimentos públicos para a manutenção do Programa Espacial Brasileiro foi a principal causa do acidente com o veículo lançador de satélites em agosto do ano passado, na Base de Alcântara, no Maranhão”).


Isso tudo contrasta, incongruentemente, com o gordo dispêndio da parte brasileira no projeto ACS; total previsto de mais de US$ 500 milhões parra começar a operar (equivalente ao necessário para construir uma centena de VLS!...), sendo que, diferentemente do projeto nacional VLS, no projeto do ucraniano Cyclone-4 da ACS, os únicos beneficiados com esses recursos brasileiros para o desenvolvimento tecnológico e produção são os institutos de pesquisa e a indústria ucranianos.


Qual a solução para tornar o projeto Cyclone-4 da ACS satisfatório para o Brasil?


1) Novo Acordo de Salvaguardas que dê condições igualitárias para as partes brasileira e ucraniana no acesso e no conhecimento tecnológico do foguete e equipamentos e de tudo o mais que tenha sido desenvolvido e comprado pela binacional ACS com recursos dos dois países;
2) Equilibrar entre os dois países a carga de trabalho, especialmente a de maior valor agregado;
3) exigir que a Ucrânia cumpra realmente suas obrigações financeiras na capitalização da ACS;
4) Não sufocar, por conta dos grandes dispêndios no projeto Cyclone-4, o desenvolvimento espacial brasileiro. Incrementar, no mínimo com a mesma ordem de recursos financeiros e humanos, o desenvolvimento da família de lançadores nacionais de satélites [o desenvolvimento de foguetes e o lançamento de satélites é a parte realmente mais difícil e dispendiosa, mas é a mais lucrativa da área espacial. O Brasil já despendeu no exterior, em benefício das potências estrangeiras, o equivalente a muitos bilhões de dólares para lançar satélites de seu interesse. Os países que detêm essa capacidade tudo fazem para impedir a entrada no mercado do Brasil e de outros competidores].



Programa nacional: o atual VLS (20 m de altura) é o 1º à esquerdaFONTE da COMPLEMENTAÇÃO: Imagens obtidas no Google. Redação com base no nosso texto aqui postado em 28/09/2011  (http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2011/09/projeto-espacial-acs-cyclone-o.html).