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30 de Junho de 2012 - 12h44 - No Vermelho


Emir: Derrota de Obrador seria duro golpe em movimentos do México

 


Na véspera da eleição presidencial mexicana, que acontece neste domingo (1º), o Vermelho publica uma entrevista com o sociólogo Emir Sader. Na conversa - que aconteceu por telefone há duas semanas - , ele avaliou que o candidato da esquerda, Andrés Manuel López Obrador, teria que enfrentar não só a máquina do PRI a favor do seu adversário Enrique Peña Nieto, mas também a oposição da mídia e o fantasma da fraude eleitoral - da qual já foi vítima em 2006.  


Segundo Emir Sader, caso se confirme uma vitória de Peña Nieto - que está à frente das pesquisas -, o movimento social do país sofrerá um duro golpe. Para ele, poderá significar o fim de uma alternativa popular nas eleições mexicanas. O sociólogo destaca ainda a importância do surgimento do movimento #YoSoy123, encabeçado por estudantes. Leia abaixo:

Portal Vermelho: Qual é a situação no México hoje? Depois de pelo menos 30 anos de governos neoliberais, o candidato da esquerda, Lopez Obrador, cresceu nas pesquisas e aparece em segundo lugar. Como é este cenário?
Emir Sader: Na verdade, esta é a terceira vez que tem um risco de os dois partidos tradicionais perderem o controle do Estado. Duas vezes houve corrupção, um evidente falseamento dos resultados eleitorais. A primeira vez foi contra Cuauhtémoc Cárdenas, nos anos 1980, e a segunda foi quando [Felipe] Calderón perdeu a eleição para Lopez Obrador, há seis anos, e falsificou os resultados. E agora desta vez. Essa possibilidade [de vitória de Obrador] existe, mas não é fácil.

Teria sido mais fácil ganhar na eleição passada, porque o PAN estava desgastado do governo [Vicente] Fox e o PRI estava muito enfraquecido. Dessa vez, a dificuldade do Lopez Obrador é que, bem ou mal, para a opinião pública em geral, o PRI do Peña Nieto e Lopez Obrador disputam a oposição ao PAN. [Disputam para ver] quem é a mudança.

Não temos a menor dúvida de que o PRI seria uma continuidade. Mas, para a opinião pública em geral, ainda mais com uma máquina nacional de governadores e um monopólio da imprensa muito violento... Então o Peña Nieto tem possibilidade de vencer. Mas diminuiu muito a diferença [entre Peña Nieto e Obrador], está na casa dos dez pontos, segundo as pesquisas.

Vermelho: Essa campanha começou há pelo menos seis anos. Desde que Obrador perdeu a disputa passada, ele começou esse processo de percorrer o país e conversar com as pessoas. Da mesma maneira, começou também uma campanha de difamação contra ele. Há chance real de mudança deste cenário, inclusive com a ascensão do movimento #YoSoy132?
Emir Sader: Foi uma corrida do Lopez Obrador contra o tempo e agora contra a fraude. Começou a diminuir a diferença [entre os dois] exatamente a partir do momento em que passou a haver mobilizações populares, protestos dos estudantes em torno do tema do privilégio evidente que a mídia dá ao Peña Nieto - o que aliás foi confirmado por documentos revelados pelo jornal inglês The Guardian. O debate presidencial, por exemplo, é muito diluído [na mídia]. Então as diferenças, de alguma maneira, não aparecem.

Outro tema é a fraude. Da outra vez, [eleição de 2006], Obrador ficou à frente das pesquisas até o final, com uma diferença pequena. Então se considera que, se ele conseguir ficar na frente, mas com uma diferença não muito significativa, poderia de novo haver fraude. Então a possibilidade existe [de ele vencer], as pesquisas sempre mostram que diminuiu a diferença, mas agora congelou.

Vermelho: Na questão do México, há esse ponto importante que você mencionou, que é a questão da mídia. Lá, como aqui, há um monopólio midiático. Que impacto isso pode ter no resultado eleitoral?
Emir Sader: De fato, criou-se uma imagem dele desde a eleição anterior. E a rejeição dele era um dos principais obstáculos. Ele partia de um piso alto por ter sido candidato, durante seis anos circulou pelo país dizendo que era um candidato legítimo, formulando programas, mas tudo isso com uma rejeição forte. Essas denúncias [dos estudantes] reverteram isso, de certa forma. Hoje a rejeição do Peña Nieto é até um pouco maior que a dele, mas a partir de um patamar de votação que é muito alto.

A imprensa está menos excludente com relação a ele até por causa das mobilizações populares. Principalmente porque há pessoas conhecidas, intelectuais que o apoiam. Mas ainda assim ele paga o preço da imagem negativa que foi criada no período anterior.

Mesmo na internet há uma disputa grande. Não tem necessariamente uma vantagem dos setores mais dinâmicos estudantis que o apoiam. Ele tem a seu favor 2 milhões de pessoas organizadas em comitês, que eles contam que vão poder funcionar bem no controle das fraudes. Vamos ver nessa reta final quanto pode pesar.

Portal Vermelho: Com relação às fraudes, o movimento estudantil #YoSoy132 pleiteou participar como observador no processo eleitoral. Existe algum movimento internacional que possa coibir essa prática, já que existe um histórico de fraudes?
Emir Sader: Existe a formação de um comitê de controle eleitoral, mas que até agora não teve, por exemplo, participação de gente que tem participado em outros lugares. E, mesmo assim, em um país do tamanho do México, com governadores do PRI muito fortes, em grande quantidade dos Estados do país, não é fácil fazer esse controle.

Ainda mais que o Instituto Eleitoral Federal tampouco é muito confiável. Mas existem organizações de comitês de vigilância nacional, inclusive por parte de outros candidatos também, então pode ser que algum grau de controle possa existir.

Portal Vermelho: Ainda há um bom número de indecisos no país. Entre o PAN e o Obrador, esses indecisos teriam qual tendência?
Emir Sader: Existe o voto duro de cada partido, que dificilmente é removível. Há seis anos, o PRI não tinha nenhuma chance, [estava] na casa dos 20% o tempo todo e se imaginava que uma parte do PRI pudesse se deslocar para Lopez Obrador, mas nunca se deslocou, continuou firme lá.

Em geral, se não há mudança na opinião pública, os indecisos acabam se somando quase na mesma proporção, ou seja, não costumam mudar a correlação de forças entre eles.

O [Vicente] Fox, que é do PAN, se pronunciou abertamente pelo Peña Nieto, com grande rejeição do Obrador. Essas coisas podem afetar um pouco, desqualificar a candidata Josefina, e aqueles que efetivamente são anti-PRI podem eventualmente se deslocar.

Agora tem também uma margem dos estudantes. Mas não sei quantos votariam. Uma parte deles não tem idade para votar ou não está registrada. Eles sim poderiam mobilizar setores que não estão interessados, porque o voto não é obrigatório. Esse poderia ser um diferencial, mais do que os indecisos.

Portal Vermelho: Considerando uma possível vitória de Peña Nieto, esse movimento estudantil que está organizado, fazendo protestos inclusive contra ele, poderia ter um impacto na política mexicana a partir da mobilização social que alcançou? Poderia pautar de alguma maneira a política dele?
Emir Sader: O importante é que a mobilização anterior dos jovens foi feita a partir dos zapatistas. Essa linha isolacionista dos zapatistas, de ficarem no Sul, não participarem do processo eleitoral, não apoiarem ninguém, também esvaziou a solidariedade com eles. Houve mobilizações locais em certas províncias, mas essa [o movimento estudantil] é uma novidade de setores que se mobilizam em uma espécie de pós-zapatismo. Pode ser significativo.

Agora uma [eventual] derrota [de Obrador] vai ser muito dura, porque não tem segundo turno. Então alguém pode ganhar até mesmo com fraude, como há seis anos, com 30% de votos, e governar o país pelos próximos seis anos. Então vai ser um golpe duro, porque pode ser que termine a era López Obrador.

Então tem o governador do Distrito Federal, que é um candidato mais moderado, que disputou com ele para ser o candidato do PRD e talvez seja então a vez dele. E isso vai ser um outro tom. Ele até faz um balanço de que a campanha de Obrador deveria ter alianças mais ao centro.

Vai ser duro porque serão seis anos, o Peña Nieto é do PRI, que é um partido que aparentemente está fora do poder, derrotado, e talvez encerre um ciclo de candidatura popular, como é o caso da do Lopez Obrador. Não vai ser tão fácil para o movimento social mexicano caso se confirme a vitória do Peña Nieto.

Portal Vermelho: E caso ocorresse uma vitória do Obrador?
Emir Sader: Teria um impacto psicológico muito forte, muito favorável. É capaz que ele aumentasse todo o apoio a ele muito rapidamente. Mas ele teria alguns obstáculos.

O maior deles seria um Congresso majoritariamente contrário a ele e com dificuldade de aliança na parte dele, porque tem uma certa rigidez partidária e além do mais, ele também é meio rígido com alianças.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012 - No Blog Verde: a cor nova do comunismo

O que é o ambientalismo? 5, 2ª parte – Da “ecologia superficial” à “ecologia profunda”: a anti-cruzada contra o homem e o cristianismo
 

continuação de posts anteriores sobre as origens e a história do ambientalismo


1) O panteísmo monista do fundador Ernst Haeckel
2) O extremismo do fundador superado pelos discípulos
3) O ecologismo no cerne do nacional-socialismo
4) O ambientalismo do pós-guerra trabalha para impor a vida tribal
5.1) De Woodstock ao niilismo: toma corpo o movimento verde


 


continuação do post anterior
(Prossegue excerto de: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s”, “The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11).

Em sua forma purista a chamada “ética ambientalista” foi definida em 1966 pelo historiador Lynn White Jr., da UCLA; e em 1972 pelo filósofo norueguês Arne Naess.

White denunciou a crise ecológica no Ocidente como uma herança judaico-cristã, a qual, segundo ele, está baseada no “axioma de que a natureza não tem razão de existência a não ser para servir o homem”. Ele apelou para uma “nova religião” baseada na “autonomia espiritual de todas as partes da natureza” e na “igualdade de todas as criaturas, incluindo o homem”.

Naess deu um passo em frente: não existem indivíduos — afirmou —, pois somos todos parte de grandes “ecossistemas”.



A “ecologia superficial” dos principais grupos de conservação, argumentou ele, ainda era antropocêntrica ou homocêntrica, ou seja, centrada no homem. Visava apenas melhorar o meio-ambiente para o benefício dos humanos.

A “Ecologia Radical”, por outro lado, conduzia a uma visão de “igualitarismo biosférico (...) o direito igual [a todas as coisas] de viver e florescer”.

Em suma, esta filosofia sustenta que todas as coisas foram criadas iguais e, portanto devem ser veneradas como fins últimos em si mesmas, como tendo um valor intrínseco independente do homem, e tendo direitos iguais ao seu próprio tipo de “auto-realização”, sem interferência ou exploração humana


Movimento dos “Direitos dos Animais”
A manifestação mais proeminente do “igualitarismo biosférico”, “o movimento dos direitos dos animais”, surgiu em 1975, com a publicação do livro de autoria do filósofo Peter Singer, Animal Liberation [“A libertação dos animais”].

Dirigido por um grupo de jovens professores de filosofia, este movimento foi muito além das preocupações tradicionais pela proteção e bem-estar dos animais.

Sua premissa básica foi cunhada no título do primeiro capítulo do livro de Singer: “Todos os animais são iguais”. “Este livro — escreveu Singer — trata a respeito da tirania dos humanos sobre os animais não-humanos”. Essa tirania importa em “especicismo”, relacionado com o “racismo”.

Um especicista, disse Singer, “permite que o interesse de sua espécie passe por cima de interesses maiores dos membros de outras espécies”. Note-se a palavra “maiores”.

O filósofo Tom Regan, autor do The Case for Animal Rights [O processo jurídico pelos direitos dos animais], explicou, “o erro fundamental é o sistema que permite considerarmos os animais como recursos nossos, estão aqui para nós”.

Singer e Regan sustentam que todos os seres capazes de sentir prazer e dor possuem um “valor inerente ao próprio ser”. Ou, como ponderou o colunista e etologista Michael W. Fox, “todo ser capaz de sentir deve ser valorizado em si e por si mesmo”.


Segundo três outros filósofos dos direitos dos animais, isto quer dizer que “não há desculpa racional para matar animais, seja para fins de alimentação, científicos ou por mero comprazimento pessoal”.

Quer dizer, não às experiências medicinais ou cirúrgicas com animais, não às caças, circos ou rodeios; não às gaiolas ou casinhas de cachorro; não às couros, carnes, leite ou ovos; não ao uso de animais e ponto final.

Até as atividades mais inócuas do homem são vistas como usurpadoras dos direitos de outras espécies. Filósofos como Dale Jamieson e Tom Regan, dirigindo-se a 200 cientistas marinhos, declararam que as baleias têm direitos, já que “possuem uma vida mental superior à de muitos humanos”.

Atacaram o treinamento de baleias para exibições em parques aquáticos e até cruzeiros marítimos destinados à observação de baleias. “As baleias — advertiram eles — não existem como mercadoria visual num mercado aquático livre, e fazer dinheiro levando expectadores ansiosos às suas águas (...) é exploração”.

Não pode haver concessões com os direitos dos animais, dizem seus postuladores: “As vidas de dezenas de milhões de animais não nos pertencem e não nos cabe fazer concessões”.

Os autores de uma antologia dos direitos dos animais afirmam: “A concessão, no sentido tradicional do termo, é simplesmente uma fraqueza impensável”.

Este fanatismo têm levado alguns ativistas a atos de terrorismo e violência contra as “espécies tiranas”.

Em Abril de 1987 o Animal Liberation Front [“Frente pela Libertação dos Animais”] incendiou um edifício de pesquisas da universidade de Davis, na Califórnia.

Em Outubro de 1988 o mesmo grupo jogou tinta e ácido nas casas e automóveis das pessoas que trabalhavam para o Zoológico de San Diego.

Foram colocadas bombas em lojas de peles inglesas, e, neste ano, em centros comerciais na área de San Francisco. As mulheres que usam peles têm sido atacadas nas ruas de Nova York. Uma mulher foi recentemente condenada por tentar matar o presidente da US Surgical Corporation [“Associação de Cirurgiões dos Estados Unidos”], que utiliza animais para ensino de técnicas cirúrgicas aos médicos; essa amante dos animais, no instante da prisão, portava duas bombas caseiras cheias de pregos.


Os “direitos” da Natureza?
Tais atos são o beco sem-saída da premissa de que os animais têm valores intrínsecos e direitos inatos. Importa entender quão difere esta posição da tradição dos direitos baseada em John Locke que os considerava como derivando da natureza humana.

Direitos são princípios morais que definem as linhas limítrofes para uma pacífica interação na sociedade. O propósito desses limites é permitir ao homem procurar o seu bem-estar e felicidade sem interferências.


Toda teoria inteligível a respeito de direitos pressupõe necessariamente entidades capazes de definir e respeitar os limites da moral.

Os animais, entretanto, são incapazes disso. Não podendo eles conhecer, respeitar e exercer direitos, o princípio simplesmente não pode ser-lhes aplicado nem podem eles aplicá-lo.

Os direitos são, por sua natureza, baseados numa visão antropocêntrica do mundo. Praticamente, a noção dos direitos dos animais acarreta um conceito moral duplamente absurdo. Estabelece que os animais têm o “direito inerente” de sobreviver como sua natureza requer, mas o homem não.

Sendo o homem o único ser capaz de reconhecer barreiras morais, precisa sacrificar seus interesses em favor de entidades que não podem fazê-lo.

Em última análise, isto significa que somente os animais têm direitos: uma vez que a natureza consiste inteiramente de animais, de sua alimentação e de seu habitat, para reconhecer os “direitos dos animais”, o homem precisa logicamente ceder-lhes todo o planeta.

Não será uma perversidade optar pela vida de ratos e cobaias em detrimento da vida de homens e mulheres?”, indaga o filósofo Patrick Corbett. Não necessariamente, “pois se nós nos retirarmos da frenética competição científica e tecnológica por um momento, perceberemos que, sendo os animais a vários títulos superiores a nós, esse argumento desaba”.

“O homem — rosna Michael W. Fox em seu livro Returning to Eden [Retornando ao Éden] — é o animal mais perigoso, destrutivo, egoísta e sem-ética da face da Terra”. Todos os animais são iguais na teoria do direito animal; porém — como Orwell ressaltou em seu livro Animal Farm, [“A Revolução dos Bichos”] — alguns são mais iguais que outros.

Alguns “igualitários biosféricos” (ou “biocentristas”) decidiram que até as plantas e objetos inanimados têm o direito de não serem utilizados pelos humanos.

No livro The Rights of Nature [Os direitos da natureza], Roderick Frazier Nash observa que o que ele chama de “igualitarismo ecológico”, “atribui à natureza um status ético, no mínimo igual, ao dos humanos.

A antípoda desta teoria é o ‘antropocentrismo’, segundo o qual os humanos são a medida para toda a natureza”.

Em 1972, Christopher Stone publicou um artigo no California Law Review [Boletim de Leis da California] intitulado Should Trees Have Standing? - Toward Legal Rights for Natural Objects. [“As árvores devem ter Direitos? — Em prol de direitos legais para objetos da natureza].

Este ponto de vista absurdo foi mais tarde acentuado pelo destacado liberal, professor de Direito da Universidade de Harvard, Laurence H. Tribe, num artigo publicado em 1974 no Yale Law Journal, e posteriormente num livro de ensaios. Pior ainda, este argumento de Stone foi virtualmente aceito e citado pelo juiz da Suprema Corte, William O. Douglas, em 1972.


Continua no próximo post




Postado por Luis Dufaur

 

Avisa o Jabor! povo paraguaio “já esqueceu” o golpe de Estado

30 de junho de 2012 - No Opensante


 

Paraguaios e brasileiros fecham a Ponte da Amizade em protesto ao golpe


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  • LUTA

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  • ESTUDANTE

  • LUTA

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  • UNILEIROS

Fernanda Regina
H2FOZ - www.h2foz.com.br
Centenas paraguaios e brasileiros fecharam a Ponte da Amizade das 11 às 12h30 de sexta-feira (29)  em protesto ao golpe que derrubou o presidente Fernando Lugo e feriu a democracia no país vizinho.  A mobilização interrompeu o trânsito na fronteira por tempo indeterminado.
Participaram do protesto movimentos sociais do Brasil e do Paraguai. Do lado brasileiro, participaram representantes da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST; Via Campesina, além de sindicatos trabalhistas e estudantes. Do país vizinho, representantes do Movimento  Campesino,  20 de abril, entre outros.
Durante cerca de 30 minutos houve um impasse para que os movimentos sociais do Paraguai chegassem até a Ponte da Amizade para se reunir com os brasileiros. “Queremos abraçar o povo brasileiro que está nos apoiando neste momento em que caímos nas mãos da extrema direita. Estamos sendo oprimidos”, dizia o integrante do movimento 20 de Abril, do Paraguai, Pedro Torres.
Marcha – Depois de muita luta, cerca de três mil paraguaios, conseguiram chegar até a ponte. Eles chegaram sob a escolta da tropa de choque do Exército. Além do Movimento Campesino, muitos ambulantes de Ciudad Del Este fecharam seus pontos de comércio para participar da marcha.
“Estamos aqui para demonstrar nossa revolta e indignação com o golpe. Queremos a volta da democracia em nosso país e não queremos mais viver uma ditadura”, disse a integrante do Movimento Campesino Catalina Fernandez. O protesto contou com uma forte presença policial, porém, nenhum incidente foi registrado.
Para o coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e Via Campesina, Nildemar da Silva a participação dos brasileiros no protesto serve tanto para demonstrar solidariedade como para protestar contra o que, para ele, “fere os princípios da democracia”. “Este golpe foi influenciado pelo sistema agro-exportador latino-americano, que conta inclusive com a presença de brasileiros”, apontou.
Impasse  - Após o protesto, os manifestantes paraguaios tentaram seguir em marcha rumo ao Brasil, no entanto, foram impedidos pelo militares paraguaios que fizeram um cordão de isolamento. Já os brasileiros acompanharam os paraguaios em marcha até a Praça da Paz, em Ciudad Del Este (PY).
O movimento desta sexta-feira (29) reuniu cerca de quatro mil pessoas, entre brasileiros e paraguaios. A maior parte dos participantes era de paraguaios, o que demonstra um aumento no descontentamento da população com o golpe ocorrido na última sexta-feira (22).
Para o professor Jose Bovadilla, que vive em Distrito Iguaçu, no interior do Paraguai, uma das maiores dificuldades na mobilização do povo é a posição de alguns setores da imprensa paraguaia. “Parece que a imprensa está de acordo com o golpe. Este foi um projeto arquitetado pelo imperialismo sem qualquer consulta popular e a imprensa pouco fala sobre isso”.
O presidente da Federação dos Estudantes de Universidades Públicas do Paraguai, Fabian Franco apontou que a maioria dos veículos de comunicação do país vizinho parecem estar numa tentativa “minimizar a situação”. “A imprensa tem apresentado noticiais como se tudo estivesse bem. Na verdade, muitos deles são realmente ligados ao agronegócio e às imobiliárias”. Para Franco ainda existem outros grupos interessados em manter a população paraguaia alheia ao que está ocorrendo no país.
 

 
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Viva o Estado Laico, Entidades religiosas podem ficar isentas de INSS na construção de templos

30 de junho de 2012 - No Opensante


 

Por Agência Camara
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 3045/11, do deputado licenciado Aguinaldo Ribeiro (PB), que isenta as entidades religiosas da contribuição previdenciária relativa à construção de templo ou de sede social.
De acordo com a Lei Orgânica da Seguridade Social (8.212/91), as pessoas jurídicas devem recolher para o INSS 20% do total de remunerações pagas aos trabalhadores, ou 15% sobre o valor bruto da nota fiscal em serviços prestados por cooperativas de trabalho.
Redução de dificuldades
O parlamentar argumenta que sua proposta busca reduzir as dificuldades enfrentadas pelas entidades religiosas nas comunidades pobres, onde, muitas vezes, os próprios fiéis ajudam financeiramente na construção do templo.
Aguinaldo Ribeiro diz também que, "após a obra estar concluída ou já em fase avançada, a entidade religiosa com frequência se vê surpreendida com a presença da fiscalização do INSS, que passa a exigir contribuições que seriam devidas, acrescidas de multas e outras penalidades".
O autor da proposta acredita que deve ser vedada a incidência de impostos sobre o templo já construído, mas também na construção do templo.
Tramitação
A proposta está apensada ao PL 3991/08, do deputado Jefferson Campos (PSD-SP), de idêntico teor. Ambas terão análise conclusiva das comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Outro projeto de mesmo teor (PL 4704/04), do ex-deputado Feu Rosa, foi arquivado ao final da 52ª legislatura (2003-2006), em razão de sua tramitação não ter sido concluída.
Íntegra da proposta: PL-3045/2011
 Reportagem – Tiago Miranda Edição – Newton Araújo
 

 

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Wálter Maierovitch

Justiça
30.06.2012 11:49
Mãos desnorteadas

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Começo com um ditado popular: “Quando a mão direita desconhece o que está a fazer a mão esquerda, ou vice-versa, os comportamentos incoerentes vêm à tona”. E, a se acrescentar, causam desprestígios e espantos. Esse ditado italiano espalhou-se pelo Brasil por tradição oral e o incorporei no bairro operário paulistano do Bom Retiro, onde nasci, fui criado e, para a elite paulistana, era, como Fanganiello, apenas um “italianinho carcamano”. A esse bullying da época respondia com um sonoro vaffaculo.


Com efeito e sobre incoerências, em São Paulo, o órgão de governo do Tribunal de Justiça (TJ-SP) suspendeu cautelarmente a atividade jurisdicional do desembargador Alceu Penteado Navarro. Assim, Navarro, no âmbito da competência jurisdicional estadual, não pode julgar nada. Na federal Justiça Eleitoral, no entanto, e por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o mesmo Navarro tem jurisdição e poderá continuar a presidir o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Resumindo, o desembargador Navarro vai comandar as próximas eleições municipais, deferir registros de candidatos, aprovar contas de partidos políticos, julgar recursos, diplomar o prefeito e os vereadores da capital e quejandos.


O motivo do afastamento cautelar deveu-se ao fato de Navarro, como presidente de uma comissão financeira ad hoc do TJ-SP, ter privilegiado, com aval do então chefe do Poder Judiciário estadual, pagamentos integrais de créditos trabalhistas a alguns magistrados. Antes desse grotesco episódio, já apelidado de “fura-fila”, Navarro era um exemplo de magistrado, muito considerado pelos seus pares e antigos colegas.


Leia outros artigos de Wálter Maierovitch:
As cartadas de Cachoeira e Demóstenes
Pedofilia: Vaticano Connection

A Santa Sé em apuros


Navarro e o último presidente do TJ-SP a se aposentar receberam, respectivamente, boladas de 600 mil e 1 milhão de reais. As justificativas apresentadas por Navarro, como doença em família e compra de medicamentos, não foram acolhidas pela Corte paulista.


Por evidente, a Constituição da República acabou esquecida no que toca aos princípios básicos da igualdade, impessoalidade e probidade administrativa. Mas isso não contou para o TSE, que silenciou a respeito das imprecações e confirmou Navarro na presidência do TRE-SP.


Ainda mais, o TSE cassou a decisão do TJ-SP de afastamento de Navarro também das funções eleitorais. Trocando em miúdos, Navarro, um servidor público, está impedido de servir à Justiça estadual comum, mas poderá continuar a atuar como servidor da Justiça eleitoral, que é federal.


Quanto à Justiça estadual do Rio de Janeiro, o desembargador Luiz Zveiter, que responde a “cabeludo” processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi escolhido pelos seus pares, e sem prejuízo da jurisdição estadual, para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
Zveiter notabilizou-se, dentre inúmeros feitos e sem excluir a ofensa à Lei Orgânica da Magistratura quando assumiu a presidência da Comissão de Arbitragens da Confederação Brasileira de Futebol na gestão de Ricardo Teixeira, por indeferir pedido de escolta formulado pela juíza Patrícia Acioli. Como previa e transmitiu por escrito a Zveiter, essa juíza da violenta São Gonçalo acabou executada à bala por organização criminosa composta de policiais militares da área da sua jurisdição.


No momento, Zveiter responde a uma representação formulada junto à corregedoria do TSE e o reclamante sustenta favorecimentos que o impossibilitariam, pela falta de imparcialidade, de continuar na presidência do TRE-RJ.


A representação repete fatos que geraram a abertura de processo disciplinar no CNJ, cuja atividade apuratória tinha sido, no começo do ano, suspensa por liminar da lavra do ministro Marco Aurélio e já cassada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O mérito da questão sobre a competência do CNJ ainda está em aberto.


Por outro lado, os juristas convocados pelo presidente do Senado acabaram de concluir um necessário anteprojeto de reforma do nosso vetusto Código Penal. Esse anteprojeto será apreciado pelo deputado Paulo Maluf, que também integra a Comissão de Constituição e Justiça. O deputado Maluf é considerado criminoso internacional e, se deixar o Brasil, será preso por mandado de captura expedido pela Interpol.


Os ministros do STF, ausente Ricardo Lewandowski, elaboraram um calendário especial para julgar o processo criminal conhecido por mensalão. Já se fala que haverá tempo, depois do relator e do revisor, de o ministro Cezar Peluso antecipar o seu voto em face de cair aposentadoria compulsória em 3 de setembro.


Nos Estados Democráticos de Direito e em colegiados, o julgador, até o final do julgamento e em face dos argumentos e motivações apresentados pelos demais, pode mudar o seu voto. Com Peluso a se antecipar e não estar em função quando dos votos dos demais ministros, vicia-se o julgamento.


Em nome de injustificável apressamento, compromete-se o julgamento justo. Aí a mão direita, que cumpre agenda, não percebe que a mão esquerda persegue a verdade real, com observância de formalidades essenciais.

 

Mídia transforma eleição mexicana em novela e escolhe Obrador como "vilão"
 
Por Opera Mundi - 30 de junho de 2012 
Empresários e mídia apostam na figura de Enrique Peña Nieto

 
 
A eleição presidencial mexicana, que será disputada neste domingo (01/07) em turno único, se parece cada vez mais uma história típica das telenovelas locais. Durante os últimos anos, a Televisa, rede de televisão com o maior conteúdo em espanhol em toda a América Latina, dedicou-se a construir a imagem de um personagem com todas as características de um galã que atua nesse filão da teledramaturgia: Enrique Peña Nieto, candidato à Presidência pelo PRI (Partido Revolucionário Institucional) e líder absoluto em todas as pesquisas de intenção de voto.
Peña Nieto é um homem jovem, 46 anos, de boa aparência, e que se casou recentemente com uma famosa atriz de novelas mexicanas, Angélica Rivera. Representa um “novo rosto” que tenta convencer aos mexicanos que os “velhos dinossauros” do PRI foram extintos, mesmo que por detrás dele figurem importantes membros do partido sobre os quais pesam acusações de corrupção e enriquecimento ilícito.
Agência Efe

Enrique Peña Nieto pode reconduzir o PRI ao poder após 12 anos
Com o apoio dos grandes meios de comunicação, grupos empresariais e os partidos políticos que o apoiam, o PRI, que governou o país por 71 anos até 2000, arquitetou uma campanha suja contra o candidato apontado como o “vilão” das telenovelas: o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, 58 anos, candidato da coalizão Movimento Progressista, encabeçada pelo PRD (Partido da Revolução Democrática).
O mesmo já havia ocorrido há seis anos, quando Obrador concorreu – e quase ganhou – a disputa eleitoral contra o atual presidente Felipe Calderón, do PAN (Partido da Ação Nacional). Estas duas campanhas procuraram transformar a imagem de Obrador tornando-o um personagem autoritário, nocivo e perigoso para o país. A estratégia ficou ainda mais evidente desde o último 31 de maio, quando uma pesquisa de intenção de voto divulgada pelo influente jornal Reforma colocou o candidato progressista a apenas quatro pontos percentuais de Peña Nieto.
Ela colocava Peña Nieto com 38% das preferências eleitorais, seguido por López Obrador, com 34%, e de Josefina Vázquez Mota, do PAN, com 23%. Semanas antes, as pesquisas davam ao candidato do PRI vantagens que chegavam a até 18 pontos percentuais.
“Essa pesquisa ativou o alarme em muitos setores, e deu início uma campanha ainda mais forte de calúnias em anúncios publicitários e que acabaram sendo proibidas pelo IFE (Instituto Federal Eleitoral). Muitos compararam esta estratégia com o que foi a chamada ‘campanha do medo’, realizada há seis anos”, afirma Gerardo Esquivel, investigador do Centro de Estudos Econômicos do Colégio do México.
“Com os rumos da campanha se mostrando desfavoráveis, resolveram colocar um ponto final no avanço de Obrador. Mesmo nas outras pesquisas já se via uma diminuição na diferença entre os dois”, observa Esquivel.
Agência Efe

Andrés Manuel Lopez Obrador pode amargar novamente o segundo lugar nas eleições presidenciais mexicanas
E, exatamente como ocorreu há seis anos, a campanha suja rendeu frutos: as possibilidades de que López Obrador ganhasse a eleição à Presidência mexicana foram sensivelmente reduzidas nas semanas seguintes. Por mais incrível que pareça, os atores dessa novela seguem sendo os mesmos de há seis anos: o ex-presidente Vicente Fox, que em 2000 acabou com a seqüência do PRI na Presidência, agora voltou para se posicionar novamente contra Obrador e apoiar o PRI, mesmo em detrimento da candidata de seu partido; Elba Esther Gordillo, a poderosa líder sindical do grêmio dos trabalhadores da Educação, que na última eleição ajudou a inclinar a balança a favor do PAN, hoje faz o mesmo com o PRI; e Obrador, que mesmo que ainda tenha possibilidade de triunfo, acaba sendo contaminado pelos efeitos da campanha suja contra ele.
Um dos fatores que mais pesam contra sua imagem fazem referência ao fim da campanha presidencial de 2006. Na ocasião, o resultado final do processo eleitoral foi duramente questionado. Calderón venceu Obrador por meros 0,56 pontos percentuais. Obrador pediu a recontagem dos votos, o que foi negado pela autoridade eleitoral, o IFE, que declarou seu rival vencedor. Revoltado, o candidato progressista e seus seguidores fecharam, por vários dias, a avenida Reforma, uma das mais importantes do país, realizando atos de resistência pacífica ante o que consideraram uma fraude eleitoral. Obrador chegou até mesmo a participar de uma cerimônia não-oficial se autoproclamando presidente.
“Andrés Manuel fez uma ótima campanha desta vez e se esquivou de muitos de seus pontos apontados como negativos. Por outro lado, demonstrou muita inconsistência, oscilando ao extremo entre sua proposta para “república amorosa” e, ao mesmo tempo, voltando ao estilo anterior de desqualificação absoluta da elite. Não parece que, para a classe média, ele seja uma personalidade suficientemente sólida para lhe confiarem a um posto ao qual ele estará sujeito a tantas pressões”, afirma Cecilia Soto, ex-candidata à Presidência do México pelo Partido do Trabalho em 1994 e atualmente analista política. Certamente, há vários elementos que diferenciam as eleições de 2006 e 2012. O número de indecisos ou de eleitores que preferiram não opinar, que em algumas pesquisas a 18% dos entrevistados, pode ainda jogar um papel relevante no resultado final.
E a percepção da campanha suja pelo público, muito motivada pelo movimento #Yosoy132, pode beneficiar Obrador.
Durante sete décadas, o PRI, cuja gestão foi classificada pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa como a “ditadura perfeita”, usou a coação, o transporte dos eleitores e a compra de votos sobretudo entre a parcela da população mais desprotegida e carente do país.
Agência Efe

Obrador reuniu uma multidão no discurso de encerramento de sua campanha, na Cidade do México
“Hoje fica claro para nós que, apesar das provas encontradas nos jornais que demonstravam a relação de alguns governos estaduais do PRI com o crime organizado, as estruturas dos governos priistas seguem intactas, devido a nossa pobre educação e formação política. O PRI é um monstro que voltou a crescer e, nestes doze anos em que ficou fora da Presidência, se fortaleceu. Ficou fora da Presidência mas se manteve no poder, mantendo seus feudos políticos Sua fortaleza permanece intacta em relação à sua base social. O PAN não desarmou essa estrutura”, afirma Jacinto Rodríguez Munguía, analista político e especialista em historia contemporânea e política do México.
E, para além da campanha suja, em um país onde quase a metade da população vive na pobreza, é evidente que não existem condições para se exercer um voto democrático, quando as pessoas preferem ter uma cesta básica de alimentos em troca da promessa de um voto ao PRI.
 

 

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O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular realizada anualmente no último fim de semana de junho na cidade de Parintins, Amazonas.

O festival é uma apresentação a céu aberto, onde competem duas associações, o Boi Garantido, de cor vermelha, e o Boi Caprichoso, de cor azul. A apresentação ocorre no Bumbódromo (Centro Cultural e Esportivo Amazonino Mendes), um tipo de estádio com o formato de uma cabeça de boi estilizada. Durante as três noites de apresentação, os dois bois exploram as temáticas regionais como lendas, rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos através de alegorias e encenações. O Festival de Parintins se tornou um dos maiores divulgadores da cultura local.

Os bois de Parintins sofrem um grande emaranhado de influências culturais. A religiosidade, os temas indígenas e amazônicos e a cultura nordestina.

O festival é realizado desde 1965.

  • Música

A música, que acompanha durante todo o tempo, é a toada, acompanhada por um grupo de mais de 400 ritmistas.

Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.

  • Ritual

O ritual dos Bumbás mostra a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Conta a lenda que Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo da mulher, Pai Francisco manda matar o boi de estimação do patrão.

Pai Francisco é descoberto, tenta fugir, mas é preso. Para salvar o boi, um padre e um médico são chamados (o pajé, na tradição indígena) e o boi ressuscita. Pai Francisco e Mãe Catirina são perdoados e há uma grande comemoração.

  • Tribos Indígenas

Apresentação de um agrupamento nativo da Amazônia. Considera-se: sincronia de movimentos, fidelidade às raízes, cores, expressões cênicas, formas de dançar e movimentos originais.

  • A cidade Parintins

Os aspectos físicos e geográficos não traduzem totalmente o que é Parintins, a cidade dos Bumbás Caprichoso e Garantido, mas também uma cidadela simples que impõe atitude pelas diversas particularidades que possui e que encanta qualquer visitante. Hospitalidade, alegria, devoção e simplicidade são as chaves do sucesso dessa cidade.

O modo de vida do parintinense é fruto de uma cultura mágica, difícil de explicar. Sem a euforia dos dias que antecedem o grande festival folclórico, Parintins é apenas uma aldeia de gente muito simpática, que anda pelas ruas de bicicleta, que pinta as fachadas das casas da cor do boi que faz pulsar a paixão, que conversa das tardes ao anoitecer em cadeiras de embalo nos batentes das portas.
 
É um cotidiano simples, mas ao mesmo tempo repleto de artes. O povo de Parintins já nasce com dons especiais. São artistas que compõem, cantam, esculpi, pintam com muita habilidade e até criam novos rumos para o português, inventando um linguajar próprio. Bastam um visitante chegar que eles querem demonstrar carinho, fazendo sentir-se em casa, chamando logo de parente (o mesmo que cara ou irmão), mostrando a cidade e seus talentos com orgulho.    
                                      
Cidade cercada de belezas naturais, Parintins, a ilha do Paraíso, se completa mesmo pelo povo que tem. Afinal, Parintins é repleta de personalidades e de mitos como seu Valdir Viana, famoso curandeiro; Dona Maria Ângela, a mulher que tem a casa e os objetos todos em vermelho em homenagem ao boi Garantido, ou até o sábio e folclorista Simão Pessoa, praticamente o engenheiro intelectual do bumba Caprichoso.

 

Já que você não abriu o post sobre o Civita para comentário, farei aqui mesmo. Não sou mineiro, portanto, o Robert pode ter cancer a vontade qu não serei solidário. Ele continua sendo o que sempre foi, mafioso.

Quanto ao Lula, é isso mesmo. Vai agir quase sempre com grandeza.

 

Juliano Santos

O presidente da Anatel nomeou a raposa para cuidar do galinheiro.

Nomeou Israel Leonardo Batista para cuidar da área de licitações e contratos.

Israel foi o pivô do escândalo que levou a demissão do ministro da agricultura, Wagner Rossi ao denunciar supostas fraudes em licitações na Conabi.

Só que Israel, junto com outras pessoas está sendo alvo de uma Acão Civil Pública, nº  0015512-23.2012.4.01.3400 – 8ª Vara Federal do DF movida pelo Ministério Público Federal.

A ação foi protocolada em abril de 2012 e refere-se a improbidade administrativa relativa a uma suposta fraude na contratação, por R$3 milhões, em 2010, da Fundasp para fornecimento de cursos e treinamentos na Conabi.

A notícia, de 24/05/2012 está no site do MPF do DF.

Depois daqueles jantares com a NET e representantes da Oi, agora o presidente da Anatel nomeia alguém que é alvo de um processo movido pelo MPF.

Antes de ser cedido para a Anatel, Israel coordenou as licitações na Telebrás, para onde foi cedido após o escândalo que derrubou o ministro da Agricultura.

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Recursos humanos
Portaria ANATEL 576 de 29/06/2012
Dispensa, designações, exonerações e nomeações:

O presidente da Anatel, João Rezende, por meio da Portaria nº 576 publicada hoje no Diário Oficial da União, dispensou, designou, nomeou e exonerou servidores.
...
Nomeou Israel Leonardo Batista para ocupar o cargo comissionado técnico, código CCT IV, na Gerência Operacional de Gestão de Demanda de Aquisições e Fornecedores (ADADF2). O empregado público ocupa o cargo de assistente administrativo na Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e foi cedido à Anatel


http://www.transparencia.gov.br/servidores/Servidor-DetalhaServidor.asp?...

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/antes-de-deixar-ministerio-wagne...

"Israel Batista é funcionário de carreira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura. Em abril, após deixar o cargo de presidente da comissão de Licitação do ministério, onde presenciou os malfeitos que levaram à queda de Rossi, ele foi cedido à Telebrás, subordinada ao Ministério das Comunicações."

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http://www.prdf.mpf.gov.br/imprensa/arquivos_noticias/aia-mapa-wagner-ro...

Processo 0015512-23.2012.4.01.3400 – 8ª Vara Federal do DF. Confira a íntegra da ação civil pública.

http://www.prdf.mpf.gov.br/imprensa/24-05-2012-lobista-e-ex-ministro-da-...

24/05/2012 - Lobista e ex-ministro da Agricultura são alvo de ação por desvio de R$ 3 mi

Além de Júlio Fróes e Wagner Rossi, outras dez pessoas são acusadas de improbidade administrativa

24/05/2012 12:55
 

O Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) acionou a Justiça para cobrar o ressarcimento de cerca de R$ 3 milhões desviados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) por meio de contrato firmado com a Fundação São Paulo (Fundasp), em setembro de 2010. A fundação é mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e foi contratada sem licitação para capacitar servidores do Mapa.

A ação de improbidade atinge 12 pessoas envolvidas no esquema, entre elas o lobista Júlio Fróes, professores da PUC/SP, servidores do Mapa e o então ministro, Wagner Gonçalves Rossi. O Ministério Público requer, liminarmente, a indisponibilidade dos bens dos acusados, para assegurar a devolução do dano causado ao erário. Pede, ainda, a condenação dos envolvidos a sanções civis e políticas.

Modo de operação - Segundo o Ministério Público, o esquema de desvio decorreu de associação do lobista Júlio Fróes com a cúpula do Mapa, representada pelo então ministro Wagner Rossi e seu chefe de gabinete na época, Milton Orlan. Fróes se incumbiu de arregimentar uma instituição de ensino e associou-se com dois professores da PUC/SP (Adhemar Apparecido de Caroli e Giovanni Botelho Colacicco), cobrando por esse serviço um repasse de 28% do valor bruto do contrato a ser firmado.

No âmbito do Mapa, o Plano de Educação Continuada (Paec 2010) foi aprovado pelo Comitê Gestor de Educação Continuada em junho de 2010, cerca de cinco meses após a primeira proposta ter sido reprovada, pelo mesmo Comitê, por apresentar valor de custo estimado incompatível com a realidade orçamentária do Mapa para 2010.

Milton Orlan informou o interesse do ministro Wagner Rossi de que a capacitação fosse executada pela PUC/SP a Júlio César de Araújo Nogueira, então subsecretário de planejamento, orçamento e administração do Mapa - que aprovou nota técnica elaborada nesse teor.

O Paec 2010 ficou estabelecido, primordialmente, em cerca de R$ 6 milhões pelo oferecimento de 7.229 vagas de capacitação. Em seguida, por decisão ministerial, o custo do plano foi aumentado para cerca de R$ 9 mi, sendo que o número de vagas foi aumentado em menos de 11 %.

Agilidade incomum - O processo de contratação da Fundasa foi oficialmente iniciado em julho de 2010, mas, segundo o Ministério Público, serviu apenas para dar ares de legitimidade à contratação da instituição, escolhida pelo então ministro para executar o Paec 2010. O processo seguiu tramitação anormal e extremamente rápida, sendo assinado e aprovado em tempo bem menor que o usual, conforme demonstrou a apuração. A ação cita, ainda, que houve montagem processual na tentativa de dar legitimidade à contratação.

Nessa fase, o servidor do Mapa Israel Leonardo Batista foi procurado pelo lobista Júlio Fróes para justificar os orçamentos apresentados pela Fundasp.
Israel demandou a um subordinado que elaborasse documentos que simulassem o encaminhamento de ofícios, que jamais chegaram a ser expedidos.

A proposta supostamente enviada pela Fundasp, constante nos autos, era falsa, não estava datada nem constava dos arquivos da fundação. Ainda assim, os professores Adhemar Caroli e Giovanni Colacicco, da PUC/SP, quando presentes nas dependências do Mapa, faziam pressão para a liberação dos pagamentos.

A ingerência de Júlio Fróes na contratação foi facilitada por Milton Orlan e pela então coordenadora-geral de logística e serviços gerais do Mapa, Karla Renata França Carvalho. Na presença de Milton Orlan, Karla apresentou o lobista à comissão permanente de licitação como sendo assessor do então ministro Wagner Rossi.

Júlio Fróes mantinha três contratos com a Fundasp e, assim, se passava por representante da fundação. Sem ter vínculo com o Mapa, ele teve duas salas dentro do ministério colocadas a sua disposição – uma dentro da comissão de licitação e outra na assessoria parlamentar, onde realizava reuniões.

Dispensa indevida, propostas falsas e outras irregularidades - De acordo com o MPF/DF, a dispensa de licitação foi indevida, pois o serviço a ser prestado era comum e não exigia especificações técnicas especiais ou diferenciadas.

Foram encontradas, ainda, diversas incongruências na carga horária e no público-alvo de cursos ofertados ao Mapa, tendo sido oferecidos, inclusive, cursos que não constavam do contrato assinado. Chama a atenção, ainda, a liberação de verba pública para a fundação contratada enquanto esta se encontrava em situação de irregularidade cadastral.

Três propostas de preço – da Fundasp, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da empresa Sistemas em Educação Continuada (Seducon) – foram entregues ao Mapa em 31 de agosto de 2010, após suposto encaminhamento de solicitação (não datada) de cotação de serviços. Segundo depoimento feito ao Ministério Público no curso do inquérito civil, Júlio Fróes procurou Israel Batista e entregou as três propostas de preços prontas, solicitando a elaboração de documentos que justificassem a apresentação dos orçamentos.

A FGV disse jamais ter recebido a solicitação e tampouco assumiu a autoria da proposta apresentada. Já a proposta relativa à Seducon foi reconhecida como autêntica e enviada por e-mail, sem estar assinada – o orçamento no processo tem a assinatura falsificada de Daniel José Machado. Além de ser o dono da instituição, Daniel também era, à época, um dos coordenadores do curso de pós-graduação da PUC/SP, tendo, portanto, interesse direto na contratação.

A Fundasp tomou ciência da solicitação de proposta de preços em fax informal, enviado apenas à fundação, quando ainda não havia sequer o projeto básico do Paec 2010. A estimativa de despesa indicada no documento era idêntica àquela depois apresentada no projeto básico. O MPF/DF apurou que a proposta da fundação constante na contratação era falsificada, informação confirmada em depoimento por um professor da PUC/SP.

Tramitação processual - A ação, proposta pelo MPF/DF no início de abril, foi distribuída à 8ª Vara Federal do DF. No último dia 16 de maio, o juiz determinou a notificação dos acusados para que apresentem defesa prévia. Após o recebimento e análise das manifestações, o juiz decidirá pelo recebimento ou rejeição da ação de improbidade administrativa.

Confira, abaixo, a lista completa dos acusados e seus respectivos cargos à época dos fatos:

Fundação São Paulo – Fundasp

Adhemar Aparecido de Caroli (professor da PUC/SP)

Daniel José Machado (um dos coordenadores de pós-graduação da PUC/SP)

Giovanni Botelho Colacicco (professor da PUC/SP)

Isabel Regina Flores Carneiro Roxo (assessora do Mapa)

Israel Leonardo Batista (presidente do colegiado da comissão permanente de licitação do Mapa)

Julio Cesar de Araújo Nogueira (subsecretário de planejamento, orçamento e administração do Mapa)

Júlio César Fróes Fialho (lobista)

Karla Renata França Carvalho (coordenadora-geral de logística e serviços gerais do Mapa)

Marisa Almeida Del'Isola e Diniz (chefe de gabinete da secretaria executiva do Mapa)

Milton Elias Ortolan (chefe de gabinete do ministro do Mapa)

Wagner Gonçalves Rossi (ministro do Mapa)

 

Ainda não se sabe em que medida o estremecimento do PT com o PSB em nível nacional, particularmente no que tange às eleições municipais de Recife e São Paulo, provocou o racha em BH, que já se pressentia há meses, mas o fato é que o PT da capital mineira acaba de anunciar o rompimento com  o atual prefeito Márcio Lacerda (PSB) e o consequente lançamento de candidatura própria, provavelmente encabeçada pelo atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho. 

Não bastasse a gestão mais elitista e anti-social das últimas 3 décadas em BH, contrariando todas as marcas das 4 administrações sucessivas do PT , o caso da aliança de BH ainda continha uma estranha anomalia : era a única aliança entre o PT e o PSDB, em todas as capitais nacionais, fruto de uma articulação marota de Fernando Pimentel com Aécio Neves, quando um era prefeito e o outro, governador, em torno do nome de um empresário que nunca tinha disputado uma eleição sequer, sem nenhuma trajetória política, tendo enriquecido no ramo de telefonia , e , subitamente, apoiado por Ciro Gomes (!!!) , surgiu do nada com o apoio do PSDB E do PT, quando toda a polarização política do país girava em torno da oposição entre os dois partidos. 

Depois de medidas insólitas, para um prefeito de um partido dito socialista, como vender ruas ( pelo menos 3 ), implementando um projeto excludente e umbilicalmente ligado à especulação imobiliária e à higienização da cidade, o prefeito chega ao ano eleitoral com um movimento forte contra ele nas redes sociais e nas ruas, o Fora Lacerda, e acumula resistências, não só do PT, devido ao estilo truculento, centralizador, autoritário e francamente de direita, e agora corre o risco de ver seu projeto de reeleição se tornar bem mais complicado. 

http://fora_wp.falasocial.com/?p=6361

 

"PT da capital mineira acaba de anunciar o rompimento com  o atual prefeito Márcio Lacerda (PSB) e o consequente lançamento de candidatura própria":

Mi ja dos...  ca ga dos...  e so agora descobriram...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Alguem por favor me informe, agradeceria imensamente:

Acabei de comprar o iPad pra substituir o computador velho, com teclado novo -pois nao vem com ele.  So que nao ha maneira de selecionar texto especifico pra responder!  Ou voce seleciona a pagina inteira ou nao seleciona nada!  Como da pra responder sentencas especificas se nao ha como copiar e colar?!

Francamente, se os recursos textuais do iPad sao tao ruins assim, nao da pra mim...

Nao tem browser que presta pro iPad?!?!  So o Safari?  Eh uma maquina fantastica mas assim nao da!

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Metade dos estudantes alemães desconhece que Hitler foi um ditador, revela pesquisaUm terço dos jovens entre 15 e 16 anos o considera “defensor dos direitos humanos” 

 

A divulgação de um estudo realizado entre milhares de estudantes de cinco regiões da Alemanha revelou resultados que chocaram a opinião pública do país e que colocaram em dúvida critérios do sistema educacional local. Segundo a pesquisa intitulada “A última vitória das ditaduras?”, metade dos entrevistados não sabia que Adolf Hitler foi um ditador, enquanto um terço achava que ele era um “protetor dos direitos humanos”.

Outro resultado que chamou atenção é que 40% desses estudantes não sabiam diferenciar entre as noções de “democracia” e “ditadura”. A resposta mais comum assinalada por quatro entre dez entrevistados foi: “é tudo a mesma coisa”. Realizada sob forma de questionário, o estudo foi divulgado pelos jornais locais nesta sexta-feira (29/06).

Um dos realizadores do estudo, o professor de Ciências Políticas da Universidade Livre de Berlim, Klaus Schroeder, considerou o resultado chocante. “Talvez a solução seja aumentar as aulas de História Contemporânea em detrimento ao estudo de outras épocas”, disse ele ao jornal italiano Corriere della Sera.

Outra solução apontada por Schroeder seria utilizar métodos mais modernos e alternativos de estudo da História, como aumentar a frequência de visitas de delegações estudantis a antigos campos de concentração, que hoje servem como memoriais. Essas mudanças, na opinião de Schroeder, reforçariam entre os jovens as noções do que considera “valores-chave” de nossa época, como liberdade, direitos humanos, pluralismo e Estado de direito.

Leia mais

“Esses estudantes não têm qualquer consciência política e não possuem qualquer ideia de conceitos como ‘liberdade de expressão’ ou ‘direitos humanos’”, afirmou Schroeder.

O estudo abordou 7.400 estudantes alemães entre 15 e 16 anos. Cerca de dois mil desses entrevistados visitavam memoriais de guerra na Alemanha quando foram abordados.

Wikimedia Commons

Essa pedra fica localizada em frente ao local de nascimento de Hitler na Áustria. A inscrição diz: "Pela paz liberdade / e democracia / fascismo nunca mais / milhões de mortos nos relembram"

 

Extrato da semente da pitanga pode ajudar no combate à leishmaniose

 

30/06/2012 - 11h41

 

Fernanda Cruz
Repórter Agência Brasil

São Paulo - Pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP) de Pirassununga, feita com resíduos da semente de pitanga, pode ajudar no combate à leishmaniose. O extrato obtido, com parte da fruta rejeitada pela indústria e que corresponde a 30% do seu peso, poderá ser usado na produção de medicamento para combater a doença que é comum em países tropicais e subtropicais.

A leishmaniose é uma doença grave e que, se não tratada, pode levar à morte em até 90% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. É transmitida por meio da picada de fêmeas de mosquito flebotomíneo. Como não existe vacina contra a doença, as medidas de combate da enfermidade se baseiam no controle de vetores e dos reservatórios, de acordo com recomendação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo a Organização Mundial da Saúde, são regiatrados pelo menos 500 mil novos casos de leishmaniose visceral anualmente.

Segundo o professor doutor Edson Roberto da Silva, que supervisionou a pesquisa, o método desenvolvido inibe a enzima essencial para o metabolismo do protozoário Leishmania, causador da doença.

De acordo com a pesquisadora Débora Nascimento e Santos, autora da tese de mestrado, iniciada em 2010, o estudo faz parte de um projeto desenvolvido no Brasil e na França e que tem como maior financiadora a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Para obter o extrato foram usados dois processos não convencionais. O primeiro, de extração feito na França, usou solvente pressurizado (etanol), que permite maior rendimento de extrato em um menor período de tempo. O segundo ocorreu no Brasil com fluído supercrítico, sob temperatura e pressão acima do nível crítico.

A pesquisadora informou que os estudos ainda estão em fase preliminar e que não há qualquer previsão de tempo e viabilidade da produção do medicamento para combater a doença em humanos. “Às vezes, uma substância tem um ótimo efeito contra um micro-organismo, mas é tóxica para a gente. Então, tem que fazer um teste para ver se ela é segura para consumo”, diz.

Ela ressaltou que, por ser mais comum no Hemisfério Sul, há pouco investimento em pesquisas por parte das indústrias farmacêuticas internacionais. “A leishmaniose é muito negligenciada pela indústria de medicamentos”, alerta Débora.

Edição: Talita Cavalcante

 

Polícia Civil conclui inquérito sobre depredação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

 

30/06/2012 - 15h21

 

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

 

Brasília – A Polícia Civil do Pará concluiu o inquérito sobre a destruição de 35 salas nos canteiros de obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A previsão é que, na próxima segunda-feira (2), o documento seja protocolado na 3ª Vara Criminal de Altamira. Segundo a polícia, os 11 ativistas não índios que tiveram pedido de prisão preventiva solicitado por envolvimento na depredação se recusaram a falar no depoimento.

 

O episódio ocorreu no dia 16 de junho, em meio ao encontro Xingu+23, ocorrido em Altamira (PA), e organizado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Segundo a polícia, a depredação contou com a ação de índios da etnia Munduruku, de Mato Grosso, que não serão afetados diretamente pela obra.

 

De acordo com o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), durante a ocupação, pelo menos 50 computadores foram quebrados, notebooks, celulares e radiocomunicadores foram furtados, dezenas de aparelhos de ar-condicionado foram danificados e móveis, documentos e projetos foram queimados. A estimativa, segundo o consórcio, é que o prejuízo ultrapasse R$ 500 mil.

 

Para justificar o pedido de prisão dos ativistas que, segundo a polícia, são ligados ao Cimi e ao Movimento Xingu Vivo para Sempre, foram apresentadas imagens, relatos testemunhais e laudos periciais que comprovariam o envolvimento dessas entidades na incitação à depredação. O material conta, também, com gravações feitas por policiais infiltrados no acampamento do Xingu+23.

 

“Não há dúvidas de que integrantes e assessores do Movimento Xingu Vivo encabeçaram esses atos criminosos. Entre os indícios, há filmagens e fotos de um assessor deles entregando, aos índios, as picaretas, pás e enxadas usadas na depredação. Essas ferramentas estavam em uma caminhonete Mitsubishi L-200 preta, alugada por uma missionária do Cimi. Temos inclusive o recibo da transferência bancária que registrou o pagamento da caminhonete, feito pelo próprio Cimi”, disse à Agência Brasil o superintendente regional da Polícia Civil em Altamira, delegado Cristiano Nascimento.

 

Outra prova apresentada pela Polícia Civil foi o depoimento de um estudante de Belém, que também participou do evento organizado pelo Xingu Vivo. Ele foi localizado com um dos celulares furtados durante a invasão. “O estudante nos informou sobre o incitamento, feito por organizadores do Xingu+23, para o quebra-quebra”, disse o delegado. “Tudo já foi repassado ao Judiciário, como justificativa para o pedido de prisão preventiva. Acredito que, em breve, a prisão será acatada pela Justiça porque contra fatos não há argumentos”, completou.

 

Tanto o Xingu Vivo quanto o Cimi negam qualquer incitação ao quebra-quebra, mas confirmam que os nomes do assessor e da missionária citados pela Polícia Civil são de integrantes seus e que a caminhonete, de fato, foi dirigida pelo assessor do Xingu Vivo para transportar ferramentas, mas com outros propósitos.

 

As duas entidades questionaram a isenção da Polícia Civil nas investigações. De acordo com a assessoria de comunicação do Movimento Xingu Vivo, prova disso é o fato de algumas viaturas policiais circularem na cidade com adesivos da Norte Energia, empresa responsável pela construção e operação da usina.

 

A assessoria do Cimi concorda e diz que “esses adesivos são o símbolo de quanto o Estado está atrelado aos interesses de grupos econômicos privados”. Prova disso, acrescenta o Cimi, é que “todas as condicionantes para beneficiar a polícia, que é o órgão opressor do Estado, foram cumpridas [pelo consórcio da usina], o que não se aplica às [condicionantes] relativas aos afetados pela obra”.

 

Segundo o superintendente da Polícia Civil, os adesivos não comprometem a investigação. “Eles foram colocados apenas nas viaturas doadas como parte de um acordo de cooperação técnico-financeiro, previsto em condicionantes para a segurança pública como um todo. Não apenas para a Polícia Civil”, argumentou.

 

Sobre as imagens do assessor do Xingu Vivo usando a caminhonete alugada pelo Cimi para entregar as ferramentas usadas pelos índios na depredação, as duas entidades optaram por não comentar o assunto até terem acesso aos autos do processo. Mas, segundo Cristiano Nascimento, “o despacho do delegado prova que os advogados já tiveram acesso ao processo”.

 

Os pedidos de prisão preventiva dos ativistas foram apresentados ao Judiciário, que concedeu vista para análise do Ministério Público. A expectativa é que o processo seja devolvido à Justiça na primeira semana de julho. Entre as acusações, estão formação de quadrilha, roubo, saque, danos à estrutura dos imóveis e invasão de propriedade privada. Também são acusados de dar suporte logístico para os índios, como transporte e estadia.
 

Edição: Lana Cristina e Talita Cavalcante

 

Nassif, posta essa do Paulo Nogueira!


 


O texto abaixo é uma versão revisada, atualizada e abrasileirada do Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, dos anos 1990.


PIB. Chamemos de PIB. O Perfeito Idiota Brasileiro.


Vamos descrever o dia do PIB. Vinte e quatro horas na vida de um PIB para que os pósteros, a posteridade, tenham uma idéia do Brasil de 2012.


Ele acorda às sete horas da manhã. Tem que preparar o próprio café da manhã. Já faz alguns anos que sua mulher parou de fazer isso para ele, e ficou caro demais para ele pagar uma empregada doméstica.


Ele lamenta isso.  Era bom quando havia uma multidão de nordestinas sem instrução nenhuma que saíam de suas cidades por falta de perspectiva e iam dar no Sul, onde acabavam virando domésticas.


PIB dá um suspiro de saudade. Chegou a ter uma faxineira e uma cozinheira nos velhos e bons tempos. Num certo momento, PIB percebeu que as coisas começaram a ficar mais difíceis. Havia menos mulheres dispostas a trabalhar como domésticas, e os salários foram ficando absurdos.


Para piorar ainda mais as coisas, ao contrário do que sempre acontecera, a última empregada de PIB recusou votar no candidato que ele indicou.


Mulherzinha metida.


PIB tomou o café na cozinha, com o Globo nas mãos. Assinava o jornal fazia muitos anos. Se todos os brasileiros fossem como o Doutor Roberto Marinho, PIB pensou, hoje seríamos os Estados Unidos.


Por que ainda não ergueram estátuas para ele?


Com o Globo, PIB iniciou sua sessão de leituras matinais. Mais ou menos quarenta minutos, antes de ir para o escritório.


Leu Merval. Quer dizer, leu o primeiro parágrafo e mais o título porque naquele dia o texto, embora magnífico, estava longo demais. Havia um artigo de Ali Kamel. “Um cabeça”, pensou PIB. “Deve ter o QI do Einstein.” Mas também aquele artigo –embora brilhante, um tratado perfeito sobre o assistencialismo ou talvez sobre o absurdo das cotas, PIB já não sabia precisar — parecia um pouco mais comprido do que o habitual. Deixou para terminar a leitura à noite.


PIB vibrou porque, se não bastassem Merval e Kamel, havia ainda Jabor.


Um gênio. Largou o cinema para iluminar o Brasil com sua prosa espetacular. Um verdadeiro santo. Podia estar com a sala da casa cheia de Oscar.


Começou a ler Jabor e refletiu. “Impressão minha ou hoje aumentaram o tamanho do Jabor?” PIB sacudiu a cabeça, na solidão da cozinha, num gesto de reverência extrema por Jabor, mas também achou melhor deixar para ler mais tarde. Era seu dia de sorte. Também o historiador Marco Antônio Villa estava no Globo. “Os primeiros 18 meses do governo Dilma foram fracassos sobre fracassos” era a primeira linha. Bastava. Villa sempre surpreendia com pensamentos que fugiam do lugar comum.


Como uma terrorista chegou ao poder? Bem, tenho que comprar algum livro de história do Villa. Ele com certeza escreveu vários.


Completou a sessão de leituras da manhã na internet. Leu Reinaldo Azevedo.  Quer dizer, naquela manhã, leu um parágrafo. Na verdade, metade. Menos. O título. Não importava. Azevedo era capaz de mesmerizar toda uma nação com a luz cintilante de meia dúzia entre milhares de linhas que produzia incessantemente. PIB deixava escapar um sorriso de admiração a cada vez que li a palavra “petralha” em Azevedo.


Rei é rei. Um cabeça pensante. Por que será que não ocorreu a nenhum presidente da República contratar esse homem como assesor especial? Se o Brasil bobear, a Casa Branca vem e contrata.


Ainda na internet, uma passagem pelo Blog do Noblat. Naquele dia, no blog havia uma coluna assinada por Demóstenes. PIB deu parabéns mentais a Noblat por abrir espaço a Demóstenes, nosso campeão mundial da moralidade, nosso Catão.


Por que falam tanto do tal do Assange e do Wikileaks quando temos tantos caras muito melhores?


A caminho do trabalho, PIB ligou na CBN. Ouviu uma entrevista com o filósofo Luiz Felipe Pondé. “Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento do planeta”, disse Pondé, o nosso Sócrates, o Aristóteles verde-amarelo.


Preciso anotar essa. Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento global.


Isso o levou a reparar nos ciclistas nas ruas de São Paulo. Cada dia parecia haver mais. Mau sinal. Havia muitas bicicletas no trajeto. PIB sentiu vontade de atropelá-las.  Odiava ciclistas. Atrapalhavam os motoristas.


Abria uma única exceção: Soninha. Desde que ela continuasse a posar pelada em nome das bicicletas.


Hahaha.


Na CBN ouviu também informações e comentários sobre o mundo. “Prestígio em Paris dá vantagem a Sarkozy nas eleições presidenciais”, a CBN avisou. PIB admirava Sarkozy. Proibir a burca foi um gesto histórico. As muçulmanas deveriam ser gratas a Sarkozy. Elas haveriam de votar maciçamente nele para dar a ele o segundo mandato para o qual a CBN dizia que ele era o favorito.


Os maridos obrigam as coitadas a usar burca.


O tema do islamismo estava ainda em sua mente quando se instalou em seu cubículo de gerente na empresa. PIB refletiu sobre o mundo. Tinha lido em algum lugar que no Afeganistão as pessoas queriam que os soldados americanos fossem embora.  Os afegãos estavam queimando bandeiras dos Estados Unidos. A mesma coisa estava ocorrendo no Iraque. E no Iêmen. Em todo o Oriente Médio, fora Israel.


Ingratos. Como eles não percebem que os Estados Unidos estão lá para promover a democracia e levar a civilização? Os americanos estão acima de interesses mesquinhos por coisas como o petróleo.


Era um perigo o avanço muçulmano. Não que apoiasse, mas PIB entendia o norueguês que matara 77 pessoas por considerar que o governo de seu país era leniente demais com os muçulmanos.


A raça branca está em perigo.


Entretido em salvar a raça branca, PIB não percebeu o tempo passar. Só notou pela fome que já era hora de comer. A opção, mais uma vez, foi pelo Big Mac do shopping, e mais a Coca dupla. Detestava os ativistas dos direitos dos animais porque combatiam os Big Macs. PIB estava tecnicamente obeso, mas na semana que vem iniciaria uma dieta e começaria também a se exercitar.


Fim do expediente. A estagiária estava com um decote particularmente ousado. Talvez estivesse sem sutiã. PIB a chamou algumas vezes para discutir assuntos que na verdade não tinham por que ser discutidos. A questão era olhá-la. Valeu o dia, refletiu.


Na volta, mais uma vez foi tomado pela tentação de atropelar os ciclistas. “Quando você deseja muito uma coisa, todo o universo conspira a seu favor”. PIB se lembrou da frase de seu escritor favorito, Paulo Coelho. Então ele desejou muito que as bicicletas sumissem.


Xiitas.


Algum colunista escrevera isso sobre os ciclistas. PIB não lembrava quem era, mas concordava inteiramente. Os ciclistas são gente esquisita que deve fazer ioga e praticar meditação, suspeitava PIB.


Tudo gay!


Já incorporara para si mesmo a frase genial de Pondé.


Meu carro pequeno não contribui para o aquecimento global.


No churrasco de domingo, ia soltar essa. Teve um breve lapso de inquietação quando se deu conta de que os brasileiros que tanto contribuíam para a elevação do pensamento nacional já não eram tão novos assim, O próprio Merval era imortal apenas pela sua contribuição às letras, reconhecida pela Academia. Então lhe veio à cabeça a juventude sábia de Luciano Huck, e ficou mais sossegado.


A mulher não percebeu quando ele chegou. Não era culpa dela. A televisão estava ligada com som alto na novela da Globo. PIB lera várias vezes que as novelas tinham uma “missão civilizadora” no Brasil. Mais uma dívida dos brasileiros perante Roberto Marinho: a perpetuação das novelas. A mídia impressa brasileira reconhecia a “missão civilizadora” na forma de uma cobertura maravilhosa das novelas. Uma vez um leitor da Folha reclamou por encontrar na Ilustrada seis artigos sobre novelas.


O brasileiro só sabe reclamar. E reivindicar. Uma besta!


PIB deu um alô que não foi ouvido. Ou pensou ter dado. Sentou ao lado da mulher, e o silêncio confirmou para ele sua tese: depois de muitos anos de casamento as pessoas se entendem tão bem que não precisam trocar uma só palavra. Nem se tocar. É quando o casamento chega ao estágio da perfeição: ninguém tem que se empenhar para nada. A cada quinze dias, PIB tomava Viagra e descarregava as tensões sexuais com uma escorte que cobrava 400 reais.


Tá barato.


Não ligava para novelas. Mas soubera no escritório que Juliana Paes aparecia de vez em quando pelada. Passou por sua cabeça um pensamento rápido.


Talvez eu devesse pedir para a patroa me avisar quando a Juliana Paes ficar sem roupa.


Terminada a novela, era a sua vez na televisão. Futebol. Bacana o futebol passar bem tarde, depois da novela. Provavelmente a Globo pensara nisso para ajudar os pobres que moravam longe e demoravam horas para chegar em casa depois do trabalho.


“Boa noite, amigos da Globo!”


Um carisma total o Galvão. Subaproveitado. Devia estar no Ministério da Economia, e não narrando futebol. 


PIB lera que Galvão estava morando em Mônaco. Sabichão. Ficava muito mais fácil, assim, cobrir a Fórmula 1. Nunca alguém da estatura moral de Galvão optaria por Mônaco para não pagar imposto. Galvão certamente faria bonito na Dança dos Famosos, pensou PIB.


PIB não torcia a rigor para time nenhum. Era, essencialmente, anticorintiano. Com seu saco de pipocas na mão, viu, contrariado, o Corinthians vencer.


Amanhã os boys vão estar insuportáveis.


PIB queria muito ver o Jô.


Era um final de dia perfeito, ainda mais porque antes havia o aperitivo representado por William Waack. PIB achava um privilegio poder ver Waack não apenas na Globo como na Globonews. Os Marinhos podiam cobrar pela Globonews, mas não faziam isso para proporcionar cultura de graça aos brasileiros. PIB zapeava quando Waack dava suas lições na televisão, mas os fragmentos que pescava eram suficientes.


Jô. Não posso perder Jô. Uma enciclopédia. Podia ser editorislista do Estadão. Hoje ele vai entrevistar o Mainardi!


PIB bem que queria ver Jô. Ou pelo menos incluí-lo no zapeamento. Duas palavras de Jô valiam por mil das pessoas normais.


Mas não foi possível.


PIB acabou dormindo no sofá, do qual sua mulher achou preferível não o tirar, e onde ele roncou tão alto quanto o som da tevê — e teve, como sempre, o sono límpido, impoluto, irreprochável dos perfeitos idiotas.

 

Pena que não abriram a notícia sobre a visita  do Lula ao Civita para comentários. Poderíamos ter uma bpa avaliação de como o cara é benquisto por aqui. Eu por exemplo gostaria de saber se o câncer dele é no fígado. Se for muita coisa estaria explicada.

 

Pena que não abriram a notícia sobre a visita  do Lula ao Civita para comentários

Ate pra pratica de insultar, eh estritamente so pra principiantes...  E pra piorar...  Lula se desgracou.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Pessoal,

meu fora de pauta de hoje é em homenagem aos 60 anos da conquista do bi-campeonato mundial no Chile, em 1962. O mês da conquista, junho, está chegando ao fim e até agora não vi nenhuma lembrança desse acontecimento, que sancionou a invenção de um estilo de jogar e do futebol arte - embora tenha visto, inclusive aqui no blog, inúmeras matérias e comentários sobre os 30 anos de 1982. Nossa memória é mesmo curta! Além disso, nossa mídia valoriza o que ainda entra no circuito publicitário - e a gente ecoa! Por que esse silêncio todo com a conquista de 62 e tanta falação sobre 82?

O time era praticamente o mesmo de 58, apenas com Zómimo e Mauro entrando no meio da zaga. Toda uma geração de craques fazia ali sua despedida: Didi, Zagallo, Nilton Santos, a Enciclopédia, e outros. Pelé se machucou, mas foi soberanamente substituído pelo jovem Amarildo, o Possesso. A Copa, como se sabe, foi a de Garrincha, que além de ser um dos seus artilheiros com 4 gols, deu inúmeras assistências exitosas! A base da seleção era formada por jogadores dos escretes alvinegros do Santos e Botafogo.

O youtube está repleto de várias imagens. Mas eu reli o magnífico livro-reportagem escrito por Armando Nogueira, "Drama e Glória dos Bi-Campeões", e sugiro aqueles que querem conhecer mesmo o que era o nosso futebol, então, a não perdê-lo. Sem contar que o estilo de Nogueira é delicioso e as histórias, todas, épicas! E, de fato, vê-se que o mundo estava aos pés, então, do devir-passarinho de Garrincha.

um abraço, Marlon

PS: no museu do futebol, em SP, dentre as várias fotos do escrete bi-campeão, há uma maravilhosa que jamais localizei na internet. O time perfilado para o foto na grande decisão. Todos transpirando nervosismo e ansiedade. Petrificados. Todos, menos Garrincha, que está... bocejando!

http://www.youtube.com/watch?v=u3fjoBW0jDw&feature=autoplay&list=PLA5D0772F42F646B1&playnext=20

 

Notícias do «mensalão dos DEM» enterrado na página A14 da Folha SP de hoje, como é de esperar.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1112562-procurador-denuncia-37-pessoas-por-mensalao-do-dem-no-df.shtml

 

Texto interessante, especialmente quando se considera quem é o autor:

http://www.forte.jor.br/2012/06/29/intervencao-humanitaria-ordemdesordem-mundial/

(Henry Kissinger – Clarín, 14) 1. O conceito moderno de ordem mundial surgiu em 1648 com o Tratado de Westfalia, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos. Nesse conflito, dinastias rivais enviaram exércitos através das fronteiras para impor normas religiosas opostas. Esta versão de mudança de regime provocou a morte de quase um terço da população da Europa Central no século XVII.

2. Para evitar uma repetição daquela carnificina, o Tratado de Westfalia separou a política nacional da internacional. O estado, construído sobre a base de unidades nacionais e culturais, foram considerados soberanos dentro de suas fronteiras. A política internacional foi limitada à interação deles através das fronteiras estabelecidas. Para os fundadores, os novos conceitos de interesse nacional e equilíbrio de poder constituem uma limitação, e não uma expansão, do papel da força. Substituíram a conversão forçada das populações pela conservação do equilíbrio.

3. O sistema westfaliano se espalhou por todo o mundo por obra da diplomacia europeia. Embora exigido pelas duas guerras mundiais e pela ascensão do comunismo internacional, o estado-nação soberano sobreviveu, mesmo que vagamente, como unidade básica da ordem internacional. O sistema de Westfalia nunca foi plenamente aplicável ao Oriente Médio. Apenas três dos estados muçulmanos da região tinham uma base histórica: Turquia, Egito e Irã. As fronteiras dos demais refletiam a divisão dos despojos do extinto Império Otomano entre os vencedores da Primeira Guerra Mundial, para além das divisões étnicas ou sectárias. Essas fronteiras, desde então, já foram submetidas a repetidos questionamentos, muitas vezes militares.

4. A diplomacia gerada pela Primavera Árabe substitui os princípios westfalianos de equilíbrio, por uma doutrina generalizada de intervenção humanitária. Os conflitos civis são vistos internacionalmente através de prismas de interesse democrático ou sectário. As potências externas exigem que o atual governo negocie com seus opositores, a fim de transferir o poder. Mas como para ambas as partes a questão geralmente trata de sua sobrevivência, estes pedidos caem em ouvidos surdos.

5. Quando as partes têm poder comparável, necessita-se certo grau de intervenção externa, incluindo a força militar, para romper o impasse. Os imperativos estratégicos tradicionais não desapareceram. A mudança de regime, quase por definição, cria um imperativo de construção da nação. Na falta disso, a ordem internacional começa a se desintegrar.

6. Os espaços que indicam anarquia poderiam tornar-se dominantes no mapa, como aconteceu no Iêmen, Somália, Líbia e noroeste do Paquistão, e poderia acontecer na Síria. O colapso do Estado pode transformar o território em uma base para o terrorismo ou o fornecimento de armas contra os vizinhos que, na ausência de qualquer autoridade central, não teriam meios de neutralização.

7. Não podemos nos permitir ser empurrados para uma participação militar em um conflito que está tendo cada vez mais um caráter sectário. Ao reagir a uma tragédia humana, devemos ter o cuidado de não facilitar outra.

 

 

Do Correio do Brasil 

 

Vivendo no fim dos tempos: o apocalipse do capital 

 

29/6/2012 19:56,  Por Redação, com Vermelho.com - de São Paulo

 capitalismo

O fim do capitalismo está próximo

Em seu novo livro, Vivendo no fim dos tempos (Boitempo Editorial), Slavoj Zizek defende que o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final.

Ele identifica os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.

Zizek apresenta sua obra como “parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta”.

Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Žižek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?

Para explicar porque estaríamos tentando desesperadamente evitar essa verdade, mesmo que os sinais da “grande desordem sob o céu” sejam abundantes em todos os campos, Žižek recorre a um guia inesperado: o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica (doença terminal, desemprego, morte de entes queridos, divórcio, vício em drogas) proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza também que esses estágios não aparecem necessariamente nessa ordem nem são todos vividos pelos pacientes.

De acordo com Žižek, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. “A primeira reação é a negação ideológica de qualquer ‘desordem sob o céu’; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (‘Se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes…’); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o afastamento; finalmente, depois de passar pelo ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: ‘Há uma grande desordem sob o céu, a situação é excelente’”.

Os cinco capítulos se
referem a essas cinco posturas

O capítulo 1, “Negação”, analisa os modos predominantes de obscurecimento ideológico, desde os últimos campeões de bilheteria de Hollywood até o falso apocaliptismo (o obscurantismo da Nova Era, por exemplo).

O capítulo 2, “Raiva”, examina os violentos protestos contra o sistema global, em especial a ascensão do fundamentalismo religioso.

O capítulo 3, “Barganha”, trata da crítica da economia política, com um apelo à renovação desse ingrediente fundamental da teoria marxista.

O capítulo 4, “Depressão”, descreve o impacto do colapso vindouro, principalmente em seus aspectos menos conhecidos, como o surgimento de novas formas de patologia subjetiva.

E, por fim, o capítulo 5, “Aceitação”, distingue os sinais do surgimento da subjetividade emancipatória e procura os germes de uma cultura comunista em suas diversas formas, inclusive nas utopias literárias e outras.

Žižek é otimista quanto ao que pode surgir desse processo de emancipação e apresenta sua obra como parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta. Para ele, engajar-se nessa luta significa endossar a fórmula de Alain Badiou, para quem mais vale correr o risco e engajar-se num Evento-Verdade, mesmo que essa fidelidade termine em catástrofe, do que vegetar na sobrevivência hedonista-utilitária. Rejeita, assim, a ideologia liberal da vitimação, que leva a política a renunciar a todos os projetos positivos e buscar a opção menos pior.

Trecho do livro

“Essa virada na direção do entusiasmo emancipatório só acontece quando a verdade traumática não só é aceita de maneira distanciada, como também vivida por inteiro: ‘A verdade tem de ser vivida, e não ensinada. Prepara-te para a batalha!’. Como os famosos versos de Rilke (“Pois não há lugar que não te veja. Deves mudar tua vida”), esse trecho de O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse, só pode parecer um estranho non sequitur: se a Coisa me olha de todos os lados, por que isso me obriga a mudar? Por que não uma experiência mística despersonalizada, em que ‘saio de mim’ e me identifico com o olhar do outro? E, do mesmo modo, se é preciso viver a verdade, por que isso envolve luta? Por que não uma experiência íntima de meditação?

Porque o estado ‘espontâneo’ da vida cotidiana é uma mentira vivida, de modo que é necessária uma luta contínua para escapar dessa mentira. O ponto de partida desse processo é nos apavorarmos com nós mesmos.

Quando analisou o atraso da Alemanha em sua obra de juventude Crítica da filosofia do direito de Hegel, Marx fez uma observação sobre o vínculo entre vergonha, terror e coragem, raramente notada, mas fundamental:

É preciso tornar a pressão efetiva ainda maior, acrescentando a ela a consciência da pressão, e tornar a ignomínia ainda mais ignominiosa, tornando-a pública. É preciso retratar cada esfera da sociedade alemã como a partie honteuse [parte vergonhosa] da sociedade alemã, forçar essas relações petrificadas a dançar, entoando a elas sua própria melodia! É preciso ensinar o povo a se aterrorizar diante de si mesmo, a fim de nele incutir coragem.”

http://correiodobrasil.com.br/vivendo-no-fim-dos-tempos-o-apocalipse%C2%...

 

Demarchi

Entenda como funciona o modelo de "eficiência" do setor privado na gestão de pessoas.

MP denuncia discriminação nas demissões do Itaú

BANCO DE ROBERTO SETUBAL TERIA CORTADO PRIORITARIAMENTE PESSOAS MAIS IDOSAS, DEFICIENTES E PORTADORES DE DOENÇAS OCUPACIONAIS; PEDIDO DE REINTEGRAÇÃO DOS EMPREGADOS FOI APRESENTADO À JUSTIÇA

 

30 de Junho de 2012 às 07:19

 

Fernando César Oliveira

Repórter da Agência Brasil

 

Curitiba - O Ministério Público do Trabalho (MPT) apresentou na Justiça pedido de reintegração dos trabalhadores que foram demitidos pelo Itaú Unibanco desde março de 2011. A ação civil pública, assinada pela procuradora Margaret Matos de Carvalho, denuncia que as "inúmeras demissões" tiveram "nítido caráter discriminatório" e visaram aos mais velhos, às pessoas com deficiência e aos portadores de doenças ocupacionais.

 

"Os empregados dispensados eram os que contavam com mais idade e tempo de serviço, sendo que muitos se encontravam há poucos meses do tempo necessário para requerer aposentadoria", diz trecho da ação. Outra irregularidade das demissões, de acordo com a procuradora, é a falta de negociação coletiva prévia com as entidades sindicais que representam a categoria.

 

A procuradora não especifica na ação civil pública, que tramita desde a semana passada na 9ª Vara do Trabalho de Curitiba, o número exato de bancários que seriam beneficiados por uma eventual decisão favorável da Justiça. Com pedido de liminar, a ação do MPT solicita que o banco apresente a relação das dispensas efetuadas no período.

 

Entre março de 2011 e março deste ano, o total de funcionários do Itaú teria passado de 104 mil para 98,2 mil – uma redução de 7,8 mil postos de trabalho em todo o país.  Os dados fazem parte de uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), a partir de números oficiais do Ministério do Trabalho. Apenas em Curitiba, 170 funcionários foram dispensados de janeiro até o último dia 15.

 

Além da reintegração, o MPT pede na ação o pagamento de todos os salários e benefícios dos demitidos durante o período de afastamento. Também requer a condenação do banco ao pagamento de uma indenização de R$ 100 milhões por dano moral coletivo. O dinheiro seria revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

 

Funcionária do Itaú há 23 anos, uma trabalhadora demitida no começo deste mês relatou à Agência Brasil como recebeu a notícia de seu desligamento. “Muitas vezes você abre mão do almoço para atingir as metas do banco, nunca fiz menos do que os mil pontos exigidos, e, no final do dia, você recebe a visita de alguém para lhe dizer que você está fora da curva”, diz a ex-bancária, que prefere não se identificar.

 

A ex-bancária acredita em sua reintegração ao cargo. “Preciso do emprego, estou na rua da amargura, desesperada. Meu marido ficou dez anos fazendo bicos, agora até conseguiu um emprego, mas com baixo salário. Essa ação judicial é a esperança que tenho”.

 

Entre os argumentos da ação do MPT está a Lei 9.029, de 1995, que proíbe práticas discriminatórias para efeito de acesso ou manutenção de emprego em razão da idade. A Lei 8.213, de 1991, que estabelece cotas de até 5% nas empresas para pessoas com deficiência e proíbe a demissão de pessoas nessa condição sem a devida substituição, também é citada no processo.

 

De âmbito nacional, a convenção coletiva de trabalho da categoria garante estabilidade de um a dois anos aos bancários em idade próxima à de aposentadoria, conforme o tempo de serviço.

 

“Sabemos que a Justiça ainda não se pronunciou, mas já consideramos a propositura da ação uma vitória, já que nem sempre conseguimos sensibilizar os procuradores para problemas como esse”, disse à Agência Brasil a secretária de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Karla Huning.

 

Segundo levantamento do Dieese e da Contraf, os trabalhadores demitidos pelos bancos brasileiros ao longo de 2011 tinham um salário médio de R$ 4,1 mil. Já a remuneração média dos novos contratados foi de R$ 2,4 mil, o equivalente a 58,5% do salário dos dispensados. O lucro do Itaú Unibanco no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 3,4 bilhões. “Para o banco, a rotatividade de trabalhadores é uma forma de redução de custos”, avalia Karla Huning.

 

A Contraf levou ontem (28) o caso do Itaú ao conhecimento do ministro do Trabalho, Brizola Neto, durante audiência em Brasília. "O ministro mostrou preocupação com essa realidade e afirmou que chamará o banco para explicar os motivos desta redução de empregos", disse Carlos Cordeiro, presidente da confederação. Procurada pela Agência Brasil, a assessoria de imprensa do Itaú Unibanco afirmou que a instituição irá se manifestar apenas nos autos do processo.

 

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/67214/MP-denuncia-discrimina%C3%A7%C3%A3o-nas-demiss%C3%B5es-do-Ita%C3%BA.htm

 

 

Prefeitura de Nova Lima, MG, vende quarteirao de rua avaliada em 750 mil por 300 mil.  Pra empreiteira --logico, pra quem mais seria?

http://www.uai.com.br/portal/page/capa_videos/#video_181297

Pera la, fica pior.  O trafico daquele quarteirao agora esta desviado pra frente de uma escola infantil...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5868420-EI306,00-Documentos+sigilosos+das+Forcas+Armadas+serao+abertos+ao+publico.html

Documentos sigilosos produzidos ou acumulados entre 1946 a 1991 pelo extinto Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa) serão abertos ao público em agosto. Eles fazem parte do arquivo do Ministério da Defesa e serão encaminhados ao Arquivo Nacional, após análise.

De acordo com o Ministério da Defesa, o levantamento da documentação atende à Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor em maio. O acervo inclui ofícios, memorandos e mensagens trocadas por autoridades militares e civis do governo brasileiro, relatórios sobre a conjuntura política nacional e internacional e correspondências trocadas entre integrantes do governo e representantes de outros países.

Leia mais, no link

 

 


                 A que ponto chegamos.O que isso tem a ver com a C P M I do Cachoeira?


               Se essa Polícia Federal continuar assim( invadindo intimidades) destruirá mais da metade das famílias brasileiras.


 


                 http://noticias.uol.com.br/videos/assistir.htm?video=escuta-revela-que-musa-da-cpi-traiu-o-marido-com-cachoeira-04020E9A3172C0C92326

 

Pior que nem novidade eh!  Ela se juntou a Cachoeira ha anos atraz...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

 


                           Fato

 

São Paulo, a cidade proibida

 

 

A onda proibitiva em São Paulo começa com José Serra, continua com Geraldo Alckmin e ganha sua personificação mais bizarra com Kassab, que fez do não a marca de seu governo. Algumas poucas proibições poderiam ser justificáveis se não escondessem intenções higienistas nas entrelinhas. Outras são completamente estapafúrdias, como veremos a seguir.

 

 

 

Em São Paulo foi criada a Lei Antifumo, que se alastrou pelo Brasil como um câncer. O argumento de que a fumaça do cigarro alheio em ambientes fechados causaria malefícios à saúde do “fumante passivo” esbarra no direito individual quando regulamenta valores por meio da lei. Por que alguém não tem o direito, por exemplo, de abrir um bar exclusivo para fumantes ou de manter uma área reservada para eles? Em São Paulo é proibido fumar até na calçada, se houver um toldo ou cobertura sobre vossa cabeça. 

Anúncios de outdoors foram vetados. A Lei Cidade Limpa é positiva quando objetiva reduzir a poluição visual na capital. O problema é o modelo de implantação desta lei, pois hoje qualquer cidadão está proibido de estender à frente de sua casa uma placa ou faixa com qualquer mensagem, inclusive (e a meu ver principalmente) de protesto contra o descaso do governo. Se alguém quiser protestar contra buracos na rua do bairro terá que pedir autorização da prefeitura. O que será negado, por óbvio, constituindo assim um veto indireto à liberdade de expressão. 

Chegou a ser proibida a circulação de motos com mais de uma pessoa. O argumento para vetar o “carona” na garupa é de que este poderia ser um assaltante. Como os assaltos praticados por duplas sobre motos são comuns, decidiu-se proibir duas pessoas de dividirem a mesma moto ao mesmo tempo. A iniciativa lembra aquela piada do marido que pegou a mulher com outro no sofá e, para se livrar do problema, vendeu o sofá. Felizmente a lei foi derrubada: feria o direito de ir e vir assegurado pela Constituição Federal.

Outra envolvendo motos: veículos de duas rodas foram proibidos de circular na Avenida 23 de Maio, sem justificativa plausível. A decisão foi revogada pouco tempo depois porque não tinha consistência.

Também foi proibida a circulação de caminhões nas marginais. Agora, esses veículos precisam usar o Rodoanel da CCR (empresa de amigos de José Serra) e pagar o pedágio, se quiserem trabalhar. Recentemente, caminhões proibidos de circular pela Marginal Pinheiros pararam temporariamente de fornecer combustível para os postos de gasolina de São Paulo, como forma de protesto.

A paranóia com os assaltos fez com que o uso de celular fosse vetado dentro de agências bancárias.

A paranóia com a saúde proibiu médicos de usarem jaleco fora do hospital.

Mas a melhor foi a proibição do ovo mole nos botecos da cidade. Para evitar que o cliente contraia uma intoxicação causada pela salmonela. 

Cúmulo da falta do que fazer, o molho à vinagrete foi proibido nas pastelarias. Para não contaminar o pastel com bactérias malvadas. 

A paranóia com o silêncio levou à proibição do tradicional pregão nas feiras livres. Os comerciantes não podem mais divulgar suas ofertas em voz alta, como é costume no Brasil desde 1500. 

Da mesma forma, cobradores de lotação não podem mais informar o destino do veículo gritando para fora da janela, atitude que facilitava a vida de deficientes visuais e de analfabetos.  

Por incrível que pareça, não são mais permitidas bancas de jornal no centro de São Paulo, pois, segundo a prefeitura, as banquinhas poderiam ser usadas como "fortalezas e esconderijos de assaltantes em fuga".

Proibiu-se o uso de câmeras fotográficas nos terminais de ônibus.

As câmeras estão proibidas também no metrô.

Também proibiram a venda de quentão e vinho quente nas festas juninas das escolas.

Para salvaguardar a saúde de nossos jovens, refrigerantes e frituras foram vetados nas cantinas dos colégios.

Pobres estudantes: matar aula está proibido em São Paulo. Com ordem da prefeitura, PM sai à caça de alunos gazeteiros, que acabam dentro do camburão, como marginais.

Não se pode mais beber cerveja nos estádios de futebol e nem levar bandeiras para torcer pelo seu time.

Recentemente, a paranóia com o meio ambiente proibiu o uso de sacolas plásticas nos supermercados. A lei foi derrubada porque contrariava os direitos do consumidor.

Mais: está proibida a doação de material reciclável para catadores. Isso mesmo: doação!

Os artistas de rua estão proibidos de se manifestar na Avenida Paulista e em outras regiões nobres da cidade. Os que ousam mostrar sua arte em público, dos malabaristas às "estátuas vivas", são violentamente reprimidos pela PM.

A última da onda repressiva é a lei, já aprovada pela assembléia legislativa, que proíbe o consumo de bebida alcoólica em áreas públicas, como bares, calçadas, praças e praias. Se for sancionada pelo governador – e tudo indica que será – ninguém poderá beber sua cervejinha despreocupadamente na rua. 

Isso sem falar nas vergonhosas rampas antimendigo instaladas sob os viadutos e pontos estratégicos para impedir que moradores de rua durmam naqueles locais.


Também foi proibida, pelo então governador José Serra, a venda de bananas por dúzia, como sempre foi feito nas feiras. Agora, em todo o Estado, a banana só pode ser vendida por peso. Quem insistir, poderá ter seu comércio multado.


A prefeitura de São Paulo se meteu ainda em uma cruzada contra as bancas de jornais. Isso mesmo: para forçar o fechamento das bancas na Praça da Sé e outros pontos da cidade, Gilberto Kassab está proibindo os donos de vender produtos como guarda-chuvas, chocolates e publicações "atentatórias à moral". Não acreditam? Leiam aqui.  


Kassab também não gosta que pobres socializem em espaços culturais criados por eles. Por isso tem proibido os saraus nas periferias. Um dos mais antigos e tradicionais, o Sarau do Binho, na região do Campo Limpo, foi fechado recentemente, à exemplo de espaços culturais semelhantes no Bixiga e na Brasilândia. Todos tinham uma característica em comum: eram espaços de resistência do movimento hip-hop. 


O trabalhador informal também é tratado como criminoso em São Paulo. Kassab cancelou as permissões de trabalho de todos os camelôs da cidade


Proibição das mais cruéis é a que pretende proibir a distribuição de comida para moradores de rua. As entidades assistenciais que entregam todas as noites o "sopão" para pessoas que não têm nada na vida, são os alvos preferenciais. Kassab espera, com isso, forçar os mendigos a saírem das ruas e se internarem nos  albergues da prefeitura, que são péssimos e oferecem comida de baixa qualidade. 

O jornalista Rodrigo Martins, da Carta Capital, foi muito feliz quando definiu, em seu artigo Cervejaço contra a caretice: "São Paulo é uma cidade de loucos exatamente pelo fato de negar a seus habitantes o direito à cidade".

 

Ninguém mais fala no Carlos Leréia.

Nem os blogs sujos estranham a omissão do seu nome na CPI. Precisamos urgentemente de uma explicação. 

A Velha Mídia não tem mais um pingo de credibilidade mas não acredito que a Nova Mídia vai fingir que esqueceu de um personagem mais do que próximo do Carlos Cachoeira.

Na verdade quem deveria explicar é o deputado.

 

 

Imagem retirada do perfil de um usuário do Facebook
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=412410362143953&set=a.127852837266375.57856.100001249771472&type=1&permPage=1

 

“Estão chamando as crianças das Escolas Municipais de S. Paulo para fazerem propaganda para o Serra. (...) Isso é verídico, esquisito, nunca imaginaria. Estou com a cópia em casa veio do colégio Maximo de Moura Santos. Pior que o colégio é Municipal. “

http://www.apontador.com.br/local/sp/sao_paulo/escolas/88XY5739/escola_municipal_de_ensino_fundamental_prof_maximo_de_moura_santos.html

Re: Fora de Pauta
 

Homofobia: Irmãos gêmeos são atacados por serem confundidos com gays. Um sobrevive aos ataques. As imagens são chocantes, quem tiver estômago busque na web. Interessante se notar que este tipo de ataque movido por ódio, sempre acontece com requintes de crueldade. Quando do ataque a pai e filho, quando os dois também foram confundindos com homossexuais, os agressores arrancaram com dentadas a orelha de uma das vítimas. Sempre imagino que o discurso do ódio promovido por algumas lideranças religiosas dá nisso. Quem não se lembra do pastor Silas Malafaia mandando a "Igreja Católica" descer o porrete nos gays?" em seu programa diário na TV que, como se sabe, é concessionária de serviço público e, como tal, está à mercê de regras básicas de civilidade: O resultado da omissão do Estado está aí. Até quando.

Por Dárcio Dárcio Rabelo, em seu blog

 Luciano da Matta/Agência A Tarde/AE)Vítima foi morta na madrugada de domingo.

 

Espancado por oito homens na saída de uma festa junina no domingo (24) em Camaçari na Bahia, José Leandro da Silva, 22 anos, recebeu alta do Hospital Geral de Camaçari (HGC) e disse que espera agora que seja feita justiça pela morte do irmão gêmeo, José Leonardo Silva. Os dois estavam abraçados e segundo a polícia apanharam porque os agressores acreditaram que os irmãos eram um casal homossexual. Além de perder o irmão, Leandro teve o maxilar quebrado em três lugares, quase teve o olho esquerdo perfurado e ainda terá que ser submetido a uma cirurgia. "Meu rosto está bem ferido, roxo. Sinto muita dor na cabeça e nas costas. Não consigo entender, estávamos saindo da festa, indo para casa, quando fomos surpreendidos. A gente nem viu de onde eles vieram, já chegaram batendo, chamando a gente de mulherzinha. Tentamos correr, mas eles tinham punhal, faca, pedra...", lembra Leandro.

Depois do crime, José Leandro voltou para Ibimirim (PE), sua terra natal, onde o corpo do irmão foi sepultado. Em entrevista à TV Bahia, ele falou sobre a dor da perda e o desejo de que haja justiça no caso.

"A gente foi agredido por chute, murro, soco. Aí eu perguntei o que foi. 'É duas mulherzinhas'. Chamavam a gente de 'mulherzinhas'. Eu acho que é a homofobia que está surgindo no mundo aí, que homem não pode sair abraçado com outro homem, pai não pode abraçar um filho. Quero que a Justiça vá até o fim. Meu irmão era minha alma gêmea. Trabalhava junto, a gente saía, a gente se divertia junto. Foi uma perda muito grande. É uma dor que eu nunca vou superar", contou.

José Leonardo chegou a ser socorrido para o HGC, mas morreu no mesmo dia por conta das agressões a socos e pedradas. Os dois tinham participado do Camaforró e saiam da festa na madrugada de domingo quando foram abordados pelos suspeitos, que saíram de um microônibus para atacá-los. Os suspeitos tentaram fugir em um ônibus fretado, mas foram detidos pela Polícia Rodoviária. Leandro sofreu afundamento na face, mas passa bem depois da alta médica. Leonardo era casado e deixa a esposa grávida de quatro meses. Já Leandro está solteiro e tem uma filha de quatro meses.

Em 2006, Leandro conta que se mudou para Camaçari, local onde uma de suas irmãs mora, em busca de oportunidade de trabalho. Leonardo seguiu para a cidade logo depois. Os irmãos trabalhavam juntos em uma fábrica de telhas do município

Suspeitos detidos
Os agressores foram presos e levados para a 18ª Delegacia (Camaçari) - cinco dos oito suspeitos conduzidos foram autuados pela delegada Maria Tereza Santos Silva - entre eles Douglas dos Santos Estrela, 19; Adriano Santos Lopes da Silva, 21; e Adan Jorge Araújo Benevides, 22, autuados por homicídio qualificado e formação de quadrilha. O irmão de Douglas, Diogo dos Santos Estrela, está foragido. Nenhum deles tem passagem pela polícia.

A delegada Maria Tereza diz que os acusados não conheciam as vítimas e que o depoimento do irmão sobrevivente dá força à hipótese de homofobia. "Tanto o irmão gêmeo que ficou vivo como os agressores não se conheciam, isso está claro nas investigações", explica.

http://www.darciorabelo.com.br/

 

MAR

ÍNTEGRA DA DENÚNCIA DO PGR CONTRA A "QUADRILHA" DO DEM DE BRASÍLIA

http://oglobo.globo.com/arquivos/denuncia-inquerito-650.pdf

 

Coisa lida o desfile dos bois de Parintins.

 

zanuja

GRANDE RECIFE // INVESTIGAÇÃOApós irmão assumir a culpa, Mução deixa sede da PF-PEPublicado em 29.06.2012, às 22h36 
4c65536f9a49e5401756a306fdd831c4.jpgCarro particular que deixou a sede da PF-PE conduzindo o humoristaFotos: Bernardo Soares/JC Imagem


Do NE10Com informações da Rádio Jornal e de Cidades/JC

Horas depois de o irmão de Mução assumir a culpa pelo envolvimento no esquema investigado pela Operação Dirty-Net, o radialista teve o pedido de prisão temporária revogado e deixou a sede da Polícia Federal de Pernambuco, no Cais do Apolo, Bairro do Recife, em um carro particular, na noite dessa sexta-feira (29), por volta das 22h. Ele deverá falar com a imprensa neste sábado.

» Irmão de Mução pode pegar até dez anos de prisão

De acordo com a Polícia Federal, o irmão do radialista, cujo nome não foi divulgado, teria confirmado que utilizava os computadores e dispositivos eletrônicos de Rodrigo Vieira Emerenciano, de 35 anos, o Mução, para criar perfis de usuários, contas de e-mails e transferir dados.

http://www2.uol.com.br/JC/_ne10/cotidiano/foto/mucao01.jpg
Desde o início da operação, os advogados Waldir Xavier e Bruno Coelho alegaram inocência de Mução

A delegada que investiga o caso, Kilma Caminha, disse que Mução ficou bastante emocionado ao saber que o irmão confessou o crime. A suspeita de que uma outra pessoa utilizava os computadores do radialista para o envio de vídeos e imagens contendo pornografia infantil surgiu durante o depoimento de Mução.

"Diante dos fatos, ele [Rodrigo Vieira] chegou à conclusão de que a única pessoa que teria acesso às residências e ao escritório dele seria o irmão", afirmou. A partir disso, segundo Kilma, foram realizadas buscas e verificou-se a possibilidade de que o novo suspeito tenha criado perfis falsos com dados do irmão e acessado conteúdos de pedofilia na internet.

http://www2.uol.com.br/JC/_ne10/cotidiano/foto/mucao03.jpg
Os delegados Nilson Antunes e Kilma Caminha investigam o caso

 

 

O conteúdo do iPhone e de um tablet apreendidos em Fortaleza com o radialista serão analisados no Recife. Mídias como CDs, DVDs, e HD também foram recolhidas do escritório do humorista na capital pernambucana para a investigação.

Em depoimento à PF, o irmão do radialista, que trabalhava na produção do Programa do Mução, assumiu a responsabilidade pela participação no esquema que conta com envolvidos em 11 estados e no Distrito Federal.

A delegada Kilma Caminha informou que o irmão do comunicador pode pegar de quatro a dez anos de reclusão por disponibilizar imagens de crianças e adolescentes na internet, segundo o artigo 241 B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ao todo, a Operação Dirty-Net cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, três sendo da Justiça Federal do Ceará e um da Justiça Federal de Pernambuco. Os outros dois presos no Ceará, que não tiveram seu nomes divulgados assim como o pernambucano, também foram encaminhados à sede da Polícia Federal no Recife.

 

 

A OPERAÇÃO - As prisões fazem parte da Operação Dirty-Net, da Polícia Federal, que foi deflagrada na quinta em 11 estados brasileiros, além do Distrito Federal, para cumprir 50 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão. Segundo a PF, integrantes do grupo trocavam arquivos contendo cenas degradantes de adolescentes, crianças e até bebês em contexto de abuso sexual.

Se condenados, os presos podem ter pena de 4 a 10 anos de reclusão, pela Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que criminaliza quem “possuir ou disponibilizar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”.

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O Racismo no futebol europeu

do Blog do Cosme Rimoli

Hipocrisia e racismo no caso Balotelli. O truque da Gazzetta dello Sport para tentar não ser processada, após compará-lo ao gorila King Kong…de Cosme Rímoli

reproducao42 Hipocrisia e racismo no caso Balotelli. O truque da Gazzetta dello Sport para tentar não ser processada, após compará lo ao gorila King Kong...
Contra a Espanha e a Croácia, bastava a bola chegar a Balotelli.

E das arquibancadas vinha o mesmo som.

Torcedores imitando macacos.

Espanhóis e croatas o comparavam a símios por ser negro.

Em plena Eurocopa, mais uma demonstração nojenta de racismo.

Contra a Irlanda, ele marcou um gol e se preparava para desabafar.

Mostrar sua ira contra os torcedores, mas foi calado pelos companheiros italianos.

Com as mãos, taparam sua boca para que não ofendesse ninguém e fosse expulso, suspenso.

Eles sabem o gênio forte do atacante.

Filho de imigrantes ganeses, Mario nasceu em Palermo.

Foi abandonado no hospital pelos pais pobres.

Acabou sendo criado pelos médicos por dois anos.

Foi quando o Tribunal de Menores mandou que fosse entregue para a adoção.

Acabou com a família Balotelli, de Consécio, Província de Bréscia.

Aos 18 anos pôde assumir a cidadania italiana.

Tão talentoso quanto problemático, o atacante de 21 anos é uma das maiores esperanças da Itália para a Copa de 2014.

Do pequeno Lumezzane passou para a Inter e depois foi para o Manchester City por R$ 78 milhões, em 2010.

Apesar de reconhecer seu talento, a direção da Inter o negociou graças às inúmeras polêmicas e brigas no clube.

reproducao327 Hipocrisia e racismo no caso Balotelli. O truque da Gazzetta dello Sport para tentar não ser processada, após compará lo ao gorila King Kong...

Mas o jogador queria sair da Itália por não suportar as provocações racistas de torcedores de outras equipes.

Tudo estava se repetindo na Eurocopa, quando tudo ficou ainda pior na Itália.

A atitude descabida veio de quem deveria ser mais evoluído do que torcedores racistas.

Após a vitória da Itália nos pênaltis contra a Inglaterra, o jornal Gazzetta dello Sport foi ridículo.

Para comemorar a classificação publicou uma charge.

Nela, Balotelli aparece como King Kong em cima do Big Ben.

A comparação a um gigantesco gorila foi repudiada pelos próprios leitores do jornal.

A charge acabou tão racista quanto os ignorantes torcedores da Eurocopa.

E foi criticada mundialmente.

Balotelli deve processar a publicação quando acabar o torneio na Polônia.

Veio a partida ontem entre a surpreendente Itália e a favorita Alemanha.

O atacante rouba a cena.

Marca os dois gols da vitória na semifinal.

Após o segundo, faz questão de tirar a camisa.

Sabe que toda a atenção está voltada a ele.

E mostra com orgulho que é negro.

Depois do jogo, o jornal que já havia pedido desculpas ao jogador, foi além.

Deu uma mostra de hipocrisia.

Para tentar colocar uma pedra no assunto e não ser processado, publicou com destaque no seu site.

Uma foto imensa do atacante sem camisa.

E com a manchete: "Orgulho da Itália".

Foi apenas mais uma demonstração de cinismo.

Não há nada de patriótico no gesto.

É puro medo de perder milhões de euros com o processo que chegará.

Fica a lição.

Racismo é imperdoável entre os ignorantes.

Mas na classe formadora de opinião é inadmissível.

A Gazzetta tem de pagar pela estupidez que divulgou.

Logo na Itália, um país que ainda carrega as cicatrizes do fascismo de Mussolini.

Que Baloteli não volte atrás.

Leve até o fim a ideia do processo.

Faça do caso um exemplo contra a discriminação.

Contra a ignorância.

Que não caia no truque interesseiro e hipócrita de quem não só o humilhou.

Ridicularizou os negros ao compará-lo a um gorila...

reproducao211 Hipocrisia e racismo no caso Balotelli. O truque da Gazzetta dello Sport para tentar não ser processada, após compará lo ao gorila King Kong...

 

Didático e divertido, apesar do triste conteúdo...

 

Vivi

File not found, Vivi...  :(

 

 

O emprego no Brasil

Sex, 29 de Junho de 2012 20:53 - No Outro Lado da Noticia


 

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A demografia e o baixo desemprego
Por Sergio Lamucci, no Valor

Nos últimos meses, o Brasil tornou-se o estranho país que não cresce, mas está em pleno emprego, ou próximo dele. A taxa de desocupação nas seis principais regiões metropolitanas está na mínima histórica, e os salários continuam a aumentar com força. Parte da resposta para esse aparente enigma está no desempenho ainda razoável do setor de serviços, o que mais emprega, e provavelmente também na política das empresas de retenção de mão de obra, num momento em que é difícil encontrar trabalhadores qualificados e existe a expectativa que a economia se recupere na segunda metade do ano.


A menor oferta de mão de obra, contudo, também tem importância nessa história, indicando que a mudança demográfica em curso no país tem um papel relevante para explicar a resistência do mercado de trabalho. A forte queda da taxa de fecundidade no Brasil tem afetado o ritmo de alta da população em idade ativa (PIA) e, com isso, diminuído a velocidade de expansão da oferta de trabalho.


Para o economista Jorge Arbache, assessor da presidência do BNDES e professor da Universidade de Brasília (UnB), o comportamento do mercado de trabalho num quadro de economia estagnada é uma evidência significativa de que a questão demográfica é fundamental para explicar o desemprego baixo.


Menor crescimento populacional impacta mercado de trabalho


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro patina desde o terceiro trimestre de 2011, quando recuou 0,1% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. Nos dois trimestres seguintes, o avanço foi de apenas 0,2%. Apesar disso, a taxa de desemprego continua muito baixa. Em maio, ficou em 5,5%, feito o ajuste sazonal, o nível mais baixo da série calculada pela LCA Consultores, número já alcançado em novembro e dezembro de 2011.


"Eu não poderia imaginar uma prova mais forte da relevância do fator demográfico para o baixo desemprego", diz Arbache, que há tempos bate na tecla de que a demografia já tem efeitos significativos sobre o mercado de trabalho, um reflexo da forte queda da taxa de fecundidade ocorrida no país nas últimas décadas.


Nos últimos meses, o ritmo de crescimento da população em idade ativa perdeu um pouco mais de fôlego. Nos 12 meses até maio, a alta foi de 1,2%, inferior ao 1,3% de 2010 e também de 2011. Em 2005, o avanço tinha sido de 1,8%.


A expansão mais modesta da PIA tende a reduzir também a velocidade de crescimento da população economicamente ativa (PEA), que reúne as pessoas já ocupadas e as que buscam emprego, embora as duas não andem necessariamente juntas. A desocupação é calculada pela comparação do número de desempregados com a PEA.


O economista-chefe da corretora Convenção Tullett Prebon, Fernando Montero, também vê a menor oferta de mão de obra com um dos principais motivos para explicar a resistência do mercado de trabalho num ambiente de PIB anêmico. E a escassez de mão de obra, nota ele, ocorreu simultaneamente ao desempenho mais forte do setor de serviços, um grande empregador. Em maio, por exemplo, a ocupação no segmento de serviços a empresas cresceu 4,9% sobre o mesmo mês de 2011 nas seis principais regiões metropolitanas, acima da média geral de 2,5%.


Montero destaca que a população economicamente ativa tem crescido menos, contribuindo para derrubar o desemprego. A alta mais fraca da população em idade ativa lhe parece uma história razoável para o fenômeno, que também pode ser influenciado por outros motivos - com o aumento da formalização e a alta de salários, é possível que os filhos dediquem mais tempo ao estudo, demorando mais para entrar no mercado de trabalho, por exemplo.


A escassez de mão de obra também ajuda a explicar a aparente contradição entre os números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, na visão do ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. Os dados do IBGE mostram desemprego em queda e forte alta da ocupação, enquanto o Caged - restrito ao mercado formal - indica uma perda de fôlego na criação líquida de empregos, ou seja, na diferença entre contratados e demitidos.


Para Schwartsman, o que está por trás disso é a menor oferta de mão de obra, e não a demanda mais fraca por trabalhadores, uma vez que os salários continuam a crescer a taxas fortes, na casa de 11% a 12% em termos nominais, na comparação com o mesmo mês do ano passado. "Com a economia próxima do pleno emprego, novas contratações não podem mais ser preenchidas apenas (ou principalmente) por aqueles previamente desempregados, mas cada vez por aqueles já empregados. Como resultado, a criação líquida de empregos deve se desacelerar, mas não, como se pensa normalmente, por uma perda de força da demanda por trabalho, mas sim por restrições de oferta", escreve ele, em relatório da Schwartsman & Associados. Como o Caged mostra a diferença entre contratações e demissões, se uma empresa tira um trabalhador de uma outra companhia, o saldo é nulo, já que ele se desliga de uma para ser admitido pela outra.


Aumentos de salários dessa magnitude, de 11% a 12% nominais, superam com folga a variação da produtividade, elevando o custo unitário do trabalho, ressalta Schwartsman. Nos setores expostos à forte competição internacional, como a indústria manufatureira, isso se traduz em margens de lucro menores, pela dificuldade em repassar aos preços os aumentos de custos. No caso dos serviços, pouco ou nada expostos à concorrência externa, há mais liberdade para reajuste de preços, como fica evidente no comportamento da inflação desse segmento.


O mercado de trabalho estruturalmente mais apertado deixa claro a urgência de se elevar a produtividade da economia, diz Arbache. A demografia aponta para uma oferta ainda menor de mão de obra nos próximos anos; se não enfrentar esse problema, o Brasil terá ainda mais problemas de competitividade.


 

 

Este sempre um espaço de respeito a dignidade alheia, portanto é necessário dar ao erro da Polícia o mesmo destaque que se deu a noticia da prisão do humorista Mução. 

 

 

Não foi erro no todo. Realmente a pornografia e a participação na rede de pedofilia estava nos PCs dele e da sua produtora,só q eram usados pelo irmão. O endereço IP é dele. Se o irmão não assumisse a safadeza, Mução ia continuar preso.

 

zanuja

 

O transporte em Curitiba

Sex, 29 de Junho de 2012 20:55


 

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Cidade-modelo no transporte público rendeu-se ao carro
Por Marli Lima | De Curitiba, no Valor

Se, no passado, a fama do sistema do transporte curitibano rompeu fronteiras, nos últimos anos tornou-se alvo de críticas por parte da população, que cada vez mais tem optado pelo uso do automóvel nos deslocamentos. Em 2002, por exemplo, o índice de motorização na cidade estava em 2,1 habitantes por veículos, agora está em 1,4. Em dezembro foi criada a Secretaria Municipal de Trânsito.


Os congestionamentos cresceram e a opção de metrô, que já foi abordada em campanhas anteriores e atualmente tem até parte do financiamento garantido pelo governo federal, voltará a ser tratada, especialmente no que diz respeito ao modelo, se deve ser suspenso ou enterrado. O incentivo ao uso de bicicletas também vai ser defendido, especialmente por Greca.

 

 


"Hoje estamos longe de ser modelos", diz a professora do Departamento de Transporte da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Márcia Pereira. Ela argumenta que o preço da passagem de ônibus não oferece atrativo para o cidadão deixar o carro em casa. Ela defende o estímulo ao pedestre e o ciclista, acrescenta. "A situação aqui está tão complicada quanto em outras capitais. Está mais do que na hora de Curitiba ter metrô, mas não para substituir o atual modelo e sim para complementá-lo."


A necessidade de melhorar o transporte público estará nos discursos dos candidatos à sucessão curitibana que começa oficialmente neste fim de semana com o término das convenções.


O prefeito Luciano Ducci (PSB), que era vice do atual governador Beto Richa (PSDB) e herdou o cargo, vai disputar a vaga com o ex-prefeito, Rafael Greca de Macedo (PMDB), o ex-deputado federal, Gustavo Fruet (PDT), e o atual Carlos Roberto Massa Junior, o Ratinho Junior (PSC).


Além do transporte, a violência também promete polemizar a campanha, a despeito de ser um tema da alçada estadual.


O Mapa da Violência 2012, feito pelo Instituto Sangari, mostra que o número de homicídios mais que duplicou na última década. A cidade pulou da 20ª posição em violência, em 2000, para a 6ª colocação, em 2010, ficando atrás apenas de Maceió, João Pessoa, Vitória, Recife e São Luís.


Algumas propostas para mudar o quadro começaram a aparecer. Ratinho fala, por exemplo, em melhorar a iluminação e as calçadas e na criação da academia da guarda municipal. Fruet propõe a ampliação do efetivo da guarda municipal e diz que é preciso ter ousadia no combate às drogas e no tratamento de usuários.


Luciano Ducci (PSB), passou os últimos dias dando explicações sobre seu patrimônio e chegou a entregar cópias do seu Imposto de Renda ao Ministério Público, para livrar-se de suspeitas de enriquecimento repentino. Ele é dono de fazendas e mora em apartamento de luxo, mas afirma que os bens são herança de sua esposa.


Muita coisa ainda vai ser decidida nos próximos dias, como nomes de alguns vices e o fechamento de alianças, mas o cenário atual já permite a visualização de tendências. "Pela primeira vez em muitos anos é possível enxergar a possibilidade de a disputa não ficar polarizada entre os herdeiros dos ex-governadores Jaime Lerner e Roberto Requião", opina o cientista político Adriano Codato, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Desta vez, a presença desses grupos não está tão clara. Ducci pode ser apontado como representante do "lernismo", pois trabalhou com dois de seus herdeiros - o ex-prefeito Cassio Taniguchi e Beto Richa. Greca também foi aliado de Lerner, quando estava na prefeitura. Mas só conseguiu sua aprovação na convenção do fim de semana porque teve o apoio de Requião.


Agora, as correntes mais tradicionais encontraram novos desafiantes. "Há uma terceira força que corre o risco de ser viável, que é o candidato do PT, que não é petista", acrescenta Codato, citando Fruet, um ex-tucano que não encontrou espaço no partido pra tentar a prefeitura, foi para o PDT e ganhou o apoio do PT mesmo depois de ter sido um dos maiores críticos do mensalão. Ao contrário de anos anteriores, o PT não terá candidato próprio em Curitiba e o interesse maior do partido está em viabilizar-se para o governo em 2014.


Os ministros Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, das Comunicações, atuaram pessoalmente para derrubar a candidatura petista e sacramentar o nome de Fruet. Se ele for eleito, Gleisi poderá ter apoio para enfrentar Richa daqui a dois anos, quando o tucano deve buscar a reeleição. "A eleição de 2012 vai ser mais disputada que as outras", diz o cientista político Sérgio Braga, da UFPR. Segundo ele, se há quatro anos Richa conseguiu ser eleito com facilidade agora seu candidato tem três fortes opositores.


Na conta de Braga, além de Fruet e Greca, entra Ratinho Junior, que chegou a ser sondado para ser vice tanto de Ducci como de Fruet, mas optou por testar as urnas. Com 31 anos de idade, ele é o candidato mais jovem - Ducci está com 57, Greca tem 56 e Fruet, 49 - e tem dinheiro e o apoio do pai, o apresentador de televisão Carlos Roberto Massa.


Tanto Codato como Braga acreditam na ocorrência de segundo turno em Curitiba. Os números, até agora, confirmam isso. Pesquisa divulgada em abril pelo Ibope, a única até o momento, mostrou Fruet com 26% das intenções de voto, seguido de Ratinho (24%), Ducci (16%) e Greca (7%). Num segundo turno entre os dois primeiros, haveria empate técnico no limite da margem de erro de três pontos para mais ou para menos - 42% a 36% para Fruet. Caso a disputa ficasse entre Fruet e Ducci, o pedetista venceria com 46% dos votos, contra 27% do atual prefeito.


Por enquanto, duas mulheres vão sair como vices - o PT indicou Mirian Gonçalves para Fruet e Greca terá como vice uma colega de partido, Marinalva Silva. Ducci escolheu o deputado federal Rubens Bueno (PPS). Ratinho ainda não definiu.


Os discursos que serão usados na campanha já começaram a ser demonstrados em entrevistas. Ducci vai dizer que tem trabalho para terminar (ele só assumiu em 2010). Greca tem repetido que é o mais experiente. Fruet e Ratinho vão bater na oportunidade de renovação.


 

 

Abril trata como golpe Venezuela no Mercosul
Abril trata como golpe Venezuela no Mercosul Foto: Edição/247

Porta-vozes da editora, que enxergaram democracia no Paraguai, criticam suposta manobra que abriu as portas aos venezuelanos; para Reinaldo Azevedo, Dilma “chuta a democracia”; segundo Augusto Nunes, presidente faria parte do grupo dos “três patetas do Mercosul”; linguagem radical lembra Guerra Fria

29 de Junho de 2012 às 22:20


Colunista

Pra não deixar de falar em Obama
Hélio Doyle



247 – As bruxas estão soltas na América Latina. Se alguém acessar agora a página principal da Veja.com, porta de entrada da Editora Abril na internet, poderá se imaginar de volta aos tempos da Guerra Fria. O site denuncia um “golpe” do Mercosul, ao permitir o ingresso da Venezuela no Mercosul. Para a Abril, democrática foi a transição política no Paraguai, em que um impeachment se processou em menos de 48 horas.


Cada um tem direito à sua interpretação, mas o que espanta é a linguagem que passou a ser usada pelos porta-vozes da Abril. Os três países do Cone Sul que hoje votaram a favor da Venezuela – Brasil, Argentina e Uruguai – têm presidentes com altíssimos índices de popularidade. Reinaldo Azevedo, no entanto, trata Cristina Kirchner, que se reelegeu com 70% dos votos, como “La Loca de Buenos Aires” – se é assim, loucos são os argentinos. E diz ainda que ela recompensa Hugo Chávez pela “mala de dólares” que recebeu. Jose Pepe Mujica, quem vem sendo idolatrado no Uruguai, é “aquele que quer estatizar a maconha”. E Dilma Rousseff, que hoje avançou em mais uma pesquisa de popularidade CNI/Ibope, “chuta a democracia”.


Augusto Nunes, por sua vez, também abusa dos adjetivos. Os três presidentes do Cone Sul seriam os “três patetas” do Mercosul. Segundo ele, Brasil, Argentina e Uruguai usaram o golpe que não houve no Paraguai para aplicar um golpe no Mercosul.


Com todo o respeito, em que mundo eles vivem? E, já que perguntar não ofende, como se comportariam se houvesse, no Brasil, algo semelhante ao que ocorreu no Paraguai?


Abaixo, o artigo de Reinaldo Azevedo:


Golpe no Mercosul – Dilma chuta a democracia, acolhe uma ditadura e vira coadjuvante de Cristina Kirchner. Ou: Cristina recompensa Chávez por mala de dólares que ganhou do ditador


Os governos da Argentina, Brasil e Uruguai suspenderam mesmo o Paraguai do Mercosul e aproveitaram, eles sim, para dar um golpe cartorial e burocrático: incorporaram a Venezuela ao bloco. Ou por outra: Cristina Kirchner, Dilma Rousseff e José Mujica — aquele que quer estatizar a maconha… — fizeram rigorosamente aquilo que acusam o Senado paraguaio de ter feito: deram um golpe branco.


Por quê? Segundo as regras do Mercosul, a adesão de um novo país ao bloco tem de ser aprovada pelos respectivos Parlamentos dos países-membros. O senado paraguaio, num rasgo de lucidez, recusava a entrada do ditador Hugo Chávez com base no Protocolo de Ushuaia, que estabelece as cláusulas democráticas. Destaco algumas em azul. Volto em seguida:


ARTIGO 1


A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo.


ARTIGO 2


O presente Protocolo se aplicará às relações que decorram dos respectivos Acordos de Integração vigentes entre os Estados Partes do presente protocolo, no caso de ruptura da ordem democrática em algum deles.


ARTIGO 3


Toda ruptura da ordem democrática em um dos Estados Partes do presente Protocolo implicará a aplicação dos procedimentos previstos nos artigos seguintes.


ARTIGO 4


No caso de ruptura da ordem democrática em um Estado Parte do presente Protocolo, os demais Estados Partes promoverão as consultas pertinentes entre si e com o Estado afetado.


Voltei


Não há uma só que explique a suspensão do Paraguai. Não há uma só que permita a entrada da Venezuela. No entanto, a Venezuela é agora membro do Mercosul, e o Paraguai está suspenso. Por quê? Porque, afinal de contas, o novo governo paraguaio não pertence ao mesmo “lado” em que estão Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e José Mujica. Coube à “Loca de Buenos Aires” fazer o anúncio.


Sempre que alguém como Cristina Kirchner fala em nome da democracia, o dita-cuja está, obviamente, em perigo. A presidente da Argentina tem motivos para tentar recompensar Hugo Chávez. No dia 24 de setembro de 2008 (eu e minha memória…), o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson confirmou à Justiça americana ter enviado, em agosto de 2007, US$ 6 milhões de Caracas para Buenos Aires, divididos em duas maletas. O dinheiro ilegal era destinado ao financiamento da candidatura de Cristina à Presidência. No momento, esta grande democrata está empenhada em destruir as instituições democráticas argentinas. Mas que ninguém ouse reagir, ou a safra de governantes que pretendem obter nas urnas o “direito” à ditadura gritam: “Golpe!!!”


A suspensão do Paraguai já seria indignidade o suficiente para os três governantes. Aproveitar o fato para abrigar a Venezuela, ao arrepio das regras que orientam o próprio Mercosul, é um escárnio. Ou vejamos: se o país tivesse sido expulso, muito bem! Mas não foi! A suspensão, que não é expulsão, não elimina uma das prerrogativas que o país tem como membro do bloco: aprovar ou vetar o ingresso de um novo país.


Há, sim, uma nova modalidade de golpe na América Latina: o golpe das eleições! Ainda voltarei a esse assunto. A safra de candidatos a ditadores do continente acredita que as urnas lhes dão o direito de solapar até… urnas!


A diplomacia de Dilma Rousseff consegue ir mais baixo do que a de Lula. Se querem saber, no que diz respeito às formalidades nas relações externas, nem Celso Amorim, o megalonanico, desceu tanto. Antonio Patriota acaba de se tornar mais “mégalo” e mais “nanico” do que o antecessor.


Agora, o artigo de Augusto Nunes:


Os três patetas do Mercosul usaram o golpe que não houve no Paraguai como pretexto para a execução de um golpe de verdade


O golpe que não houve no Paraguai foi o pretexto invocado pelos parceiros vigaristas para a consumação de um golpe real. Sem a presença do único integrante do Mercosul contrário ao ingresso da Venezuela bolivariana, os governos do Brasil, da Argentina e do Uruguai concederam ao companheiro Hugo Chávez a carteirinha de sócio do clube que nunca funcionou.


Durante oito anos, o Congresso paraguaio amparou-se na cláusula que exige respeito às regras democráticas para barrar a entrada do bolívar-de-hospício. Sete dias bastaram para que a trinca de cínicos removesse a pedra no caminho de Chávez e instalasse no Cone Sul a república de araque localizada no extremo norte do subcontinente.


O impeachment de Fernando Lugo foi decretado sem que qualquer norma constitucional fosse violada. “Tenho a impressão de que foi um golpe”, hesitou Dilma Rousseff no dia do despejo do reprodutor de batina. Se também não souber direito que palavra deve usar para definir o que acaba de fazer em companhia da Argentina e do Uruguai, o neurônio solitário pode dispensar-se de dúvidas: golpe é o nome da coisa.


O Mercosul, formado por parceiros que vivem tentando enganar uns aos outros, transformou-se numa inutilidade controlada por três patetas. Agora são quatro.


 

 

 


PSDB envergonha Brasil e América Latina ao apoiar golpe no Paraguai

No Pragmatismo Político


Postado em: 28 jun 2012 às 22:12 | América Latina

PSB, PT, PC do B e Psol foram os partidos que reprovaram oficialmente os acontecimentos políticos que culminaram com a derrubada de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai
psdb golpe paraguai

Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, manifestou total apoio dos tucanos aos golpistas


O impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo não tem unanimidade entre os partidos políticos brasileiros. A maioria dos partidos manifestou apoio ao chefe de Estado destituído, seguindo manifesto do PT, que classificou a ação do legislativo paraguaio de golpe de Estado. O Wikileaks também vazou esta semana documentos que revelam que os EUA já sabiam que haveria um golpe naquele país desde 2009. No entanto, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), principal legenda da oposição, defende a decisão do legislativo paraguaio e critica a diplomacia brasileira.


Em nota divulgada nesta terça-feira (26/06) e assinada por seu presidente nacional, o deputado federal Sérgio Guerra, o partido afirma que não houve rompimento das leis no Paraguai “tampouco ataque à ordem vigente na nação vizinha”. Guerra, no entanto, destacou negativamente a velocidade do processo de impeachment.


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Na nota, o partido condenou a posição do Itamaraty em relação à crise política paraguaia afirmando “que o governo brasileiro age de maneira precipitada quando defende – ou mesmo implementa – sanções ao Paraguai na Unasul e em outras instâncias internacionais”. A decisão do Legislativo paraguaio, segundo o líder tucano, será respeitada.


A posição tucana também é defendida pelos líderes de outros dois partidos, um da oposição e outro da base aliada. Roberto Freire, presidente nacional do PPS (Partido Popular Socialista), em nota na segunda-feira (25/06) afirma que seu partido continua a defender o princípio da autodeterminação dos povos e da não intervenção. Esse princípio, segundo o deputado, “surgiu para evitar que os Estados Unidos se intrometessem em nossos assuntos; não devemos agora achar que podemos interferir em assuntos de outros países; é preciso tomar um certo cuidado com isso”.


A mesma opinião teve o presidente do PP (Partido Progressista), que compõe a base aliada do governo brasileiro. O senador Francisco Dornelles afirma que o país não pode afrontar a decisão do Congresso paraguaio e que, se houve alguma decisão equivocada, ela deveria ser questionada pela Suprema Corte do país. “Não tem sentido Brasil fazer papel de polícia na América Latina como Estados Unidos faziam. O Brasil tem que respeitar a decisão do Congresso do Paraguai. Não pode cometer um erro para dar a eles motivo para criar dificuldades comerciais para o país”, disse o senador na segunda-feira (25/06).


No entanto, a posição dos três líderes difere de outros partidos que já se manifestaram sobre o ocorrido, notadamente o PT (Partido dos Trabalhadores), PSB (Partido Socialista Brasileiro), PC do B (Partido Comunista do Brasil), que compõem a base aliada, e o Psol (Partido Socialismo e Liberdade), da oposição.


PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), Democratas e PSD (Partido Social Democrático) informaram, por meio de suas assessorias, que não tem um posicionamento oficial sobre a crise.


Golpe de Estado

O diretório nacional do PT condenou na segunda-feira (25/06) a deposição de Lugo em um ato que classificou como golpe de Estado. O partido também criticou a rapidez com que o Congresso paraguaio decidiu-se pelo impeachmment do ex-bispo, dando-lhe apenas duas horas para que ele pudesse se defender.


“A direita paraguaia, valendo-se de sua maioria parlamentar, promoveu uma deposição sumária, na qual concedeu ao presidente não mais que duas horas para se defender de um processo de impeachment. Os setores conservadores paraguaios empreenderam, assim, um verdadeiro golpe de Estado, destituindo um presidente eleito soberana e democraticamente pelo povo paraguaio”.


Para o Partido dos Trabalhadores, “o motivo real do impeachment é outro: impedir uma vitória da esquerda paraguaia, agrupada na Frente Guasu, nas próximas eleições presidenciais marcadas para abril de 2013”.


Outra crítica feita pelo PT foi em relação à desculpa utilizada para a deposição de Lugo, em razão das mortes nos conflitos agrários em Curuguaty, no dia 15 de maio.


 

 

“o motivo real do impeachment é outro: impedir uma vitória da esquerda paraguaia, agrupada na Frente Guasu, nas próximas eleições presidenciais marcadas para abril de 2013”.

Igualzinho que no Brasil, que tiraram Collor para não dar o "Brizula" (Brizola ou Lula, ou ambos) na próxima eleição. Agora falta esperar para ver ao "FHC Paraguaio" que entrará ao governo com o pacote salvador de Washington...quem sabe também como ministro da fazenda!

 

29/06/2012 - No Opensante


As vozes da tortura
 
Por Ana Aranha, com colaboração de Jessica Mota
 
Policiais torturam para forçar confissões, agentes penitenciários torturam para castigar os presos. Há centenas de denúncias todos os anos mas poucos agentes do Estado são punidos.
 

“Zero Um” é o mais nervoso dos quatro policiais militares que revistam a casa de Marlene. Depois de encontrar um cigarro de maconha, além de um relógio, munição e um computador roubados, os PMs a levam para o quarto algemada, fazem com que ajoelhe e desferem uma rodada de tapas no seu rosto, coronhadas na cabeça e chutes pelo corpo. É de “Zero Um” a ideia de pegar um saco plástico: “Não vai falar, vagabunda?”. Ele coloca o saco preto ao redor da cabeça de Marlene. Ela desmaia. O nome da vítima foi trocado, para preservar sua identidade, mas o apelido “Zero Um” é verídico, escolhido pelos PMs entre os codinomes usados pelos personagens de Tropa de Elite – filme que retrata a ação do grupo de elite da polícia militar do Rio de Janeiro.
 
Eram dez horas da noite do primeiro dia de 2012 quando a camareira de 28 anos autorizou a entrada dos policiais em sua casa, que fica em um bairro pobre de Manaus. Ela estava grávida de 5 meses, perdeu a criança dois dias depois. A “técnica” do  saco no rosto para extrair informação também aparece nas cenas de Tropa de Elite.
Na vida real, era o início de uma sessão de mais de duas horas de tortura – relatados por Marlene à reportagem da Pública que a visitou na Cadeia Pública Feminina “Desembargador Raimundo Vidal Pessoa”, onde está presa desde então por posse de objetos roubados.
 
Marlene acordou do desmaio provocado pela falta de ar dentro do saco preto com um jato de spray de pimenta no rosto e foi arrastada para a cozinha. Mais uma vez, foi de “Zero Um” a ideia: esquentar objetos metálicos no fogão. Os policiais usaram suas próprias ferramentas de trabalho para queimá-la: primeiro, a algema, pressionada em brasa contra sua perna esquerda com a ajuda de um alicate. Depois, a ponta do cano do revólver, dentro da pele queimada pela algema – formando dois círculos circunscritos.
 
As marcas deixadas pela polícia no corpo da camareira são inconfundíveis. São a prova de que eles não temiam punição. Embora amplamente conhecida pela população, a tortura cometida por agentes da lei é um tabu para a Justiça. Raramente condena-se um policial ou um agente carcerário pelo crime.
 
Veja o vídeo: as vozes da tortura
 
Uma enraizada cultura de resistência da própria corporação dificulta o julgamento, a investigação e produção de provas. Isso quando a vítima consegue registrar a denúncia, vencendo outra série de obstáculos antes da abertura do inquérito. O silêncio realimenta o crime ao dar a segurança da impunidade aos policiais violentos.

 
Comissão da verdade: tortura ontem e hoje
 
A recente criação da Comissão da Verdade, em maio desse ano, foi considerada um passo importante para quebrar o ciclo histórico da violência praticada por agentes do Estado no país. A cerimônia de lançamento do grupo, que deve trazer à tona os relatos sobre tortura e homicídio cometidos pelo regime militar, contou com um discurso emocionado da presidenta Dilma Rousseff, ela mesmo uma vítima da tortura em 1970. O mesmo governo que lança luz sobre os crimes do passado, porém, faz pouco sobre a tortura que acontece no presente.
 
É isso que diz um duro relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que o governo manteve sob sigilo por quatro meses. Quando o documento foi divulgado, em 15 de junho, não foi difícil entender o porquê: o documento aponta diversas brechas e falhas no combate ao crime dentro das instituições brasileiras.
Com base em visitas a presídios e entrevistas no Brasil, o Subcomitê de Prevenção à Tortura (SPT) faz recomendações concretas sobre como os governos podem – e devem – combater o crime. E destaca que pouco mudou desde a última visita do grupo, em 2001. “O SPT recorda que muitas das recomendações feitas no presente relatório não estão sendo apresentadas ao Brasil pela primeira vez”, diz o documento. “Infelizmente, o SPT detectou muitos problemas semelhantes aos identificados nas visitas anteriores”.
 
Um dos compromissos mais simples assumidos pelo governo brasileiro com a ONU era o de criar, até 2008, um mecanismo nacional para combater a tortura, que teria um comitê responsável por organizar os dados estatísticos, promover medidas de prevenção ao crime e fazer visitas sistemáticas a presídios e delegacias.
Nem isso foi feito. O Projeto de Lei que criava o mecanismo só foi enviado ao Congresso em setembro de 2011, o mesmo mês em que o subcomitê voltava a visitar o país. Hoje, aguarda votação.
Caixa preta
 
É difícil ter uma dimensão da prática da tortura no Brasil, pois não há um órgão que centralize as denúncias contra policiais civis e militares e agentes carcerários. Cada polícia estadual tem sua ouvidoria (civil) e corregedoria (militar), e o sistema penitenciário tem sua própria corregedoria. A Pública solicitou os dados de denúncia de violência em cada uma dessas instituições, em todos os estados. Foram 57 ouvidorias contatadas (em alguns estados, a ouvidoria da polícia é unificada) e 18 responderam. Ou seja, menos de um terço dos órgãos em que a informação foi solicitada.
 
Embora restritos, os dados dão uma ideia da dimensão do crime. Foram 1.356 denúncias de tortura, agressão física e lesão corporal praticadas por policiais e agentes penitenciários em 14 estados entre 2010 e 2011.
 
A Lei de Acesso à Informação, aprovada junto com a instituição da Comissão da Verdade, diz que os órgãos do Estado têm o dever de passar informações públicas quando solicitados. “Por essa lei, os dados de direitos humanos nunca mais poderão ser reservados, secretos ou ultra secretos”, disse Dilma no discurso que saudou a aprovação da lei.
 
Na prática, os órgãos públicos ainda encontram variadas maneiras de negar o acesso à informação. Dados solicitados com até 3 semanas de antecedência não foram fornecidos a pretexto de “falta de tempo”, e algumas ouvidorias simplesmente se recusaram a prestar a informação. “Não passo porque o tratamento que o jornalista dá é de servir essa máquina do capitalismo, é para vender”, disse o coronel Lourival Camargo, corregedor da polícia militar de Goiás.
 
A falta de preparo das instituições para entender a função dos órgãos em que atuam também ficou evidente diversas vezes. Um exemplo: questionado sobre denúncias de violência contra agentes penitenciários, o funcionário de uma ouvidoria do sistema penitenciário (que tem como principal função receber denúncias contra os agentes do sistema), não escondeu seu estranhamento: “Agressão ao preso? Você não quer dizer ao agente?
 
Você quer saber quantos presos bateram nos agentes, né?”.
 
Submarino e microondas
Segundo levantamento da Pastoral Carcerária em 2010, organização que visita presídios em todos os estados, a prática de tortura por parte de agentes públicos foi documentada em 20 dos 26 estados acompanhados. Os relatos coletados entre as vítimas vão de espancamentos pela polícia civil e militar no momento da prisão a agressões dentro das unidades de detenção (veja alguns relatos neste vídeo). As mais comuns são feitas com porrete, cano da arma e com o uso das mãos e botas.
José Dias de Jesus Filho, assessor jurídico da pastoral, que acompanha todos os casos que passam pela entidade, descreve outras “técnicas” relatadas: “Além do saco plástico, tem o microondas, que é quando deixa o preso por horas dentro do carro no sol, ou quando coloca ele algemado no camburão e corre, fazendo ziguezague”, ele explica. “O submarino é quando enfia a cabeça da pessoa na água. E tem muito choque nos testículos com o teaser”. Há ainda as técnicas específicas para as mulheres, que são variações da violência sexual.
 
“Eles passam a mão no corpo, deixam a mulher nua na frente do batalhão ou levam para um lugar ermo onde ela acha que vai ser violentada”.
Marcia Honorato, colaboradora do Comitê para Prevenção à Tortura no Rio de Janeiro, acrescenta: a violência não é só contra pessoas que estão presas. Em contato com mais de 15 comunidades carentes do Rio, ela recebe relatos de violência sistemática de policiais contra os moradores dos morros cariocas, inclusive aqueles que foram “pacificados”.
“Eles espancam e torturam sob a justificativa do desacato. Qualquer coisa é desacato, uma festa com som mais alto, uma resposta que eles não gostam”, afirma. “A pessoa fica arrebentada e ainda vira réu”.  Segundo ela, as agressões mais comuns são com escopeta na cabeça, socos no rosto e chute na boca do estômago e nas costas.
 
“Isso é o que as pessoas veem a céu aberto e nos contam. Outras violências, que acontecem dentro das casas, nós nem ficamos sabendo”.

Por que se tortura
E por que se tortura? Com base nas denúncias que colheram nos presídios de 1997 a 2009, a Pastoral concluiu no Relatório Sobre Tortura de 2010 que a Polícia Civil tortura para obter informação ou forçar a confissão de um crime; a PM tem o castigo como primeiro motivo e, em segundo lugar, obter uma confissão; e os agentes penitenciários agridem para castigar.
O relatório da entidade também aponta a relutância das autoridades responsáveis por receber e apurar as denúncias como o principal motivo para a impunidade, ou seja, as ouvidorias ou corregedorias.
Luiz Gonzaga Dantas, ouvidor da polícia do estado de São Paulo, reconhece que as corregedorias e ouvidorias ainda não têm a autonomia necessária para exercer o papel de fiscalização que deveriam desempenhar. E defende uma das recomendações feitas pelo relatório da ONU: um plano de carreira independente para os funcionários desses órgãos. “Ocorre de policiais que trabalham na ouvidoria irem trabalhar com as equipes que puniram. E aí, como ele fica?”, questiona Dantas.
Os corregedores lidam com outra limitação grave: depois de receber a denúncia contra um policial, eles entram com um procedimento inicial e pedem a abertura de um inquérito. Esse inquérito volta para a polícia, que é quem conduz a investigação. No caso de denúncia contra policiais civis, por exemplo, o responsável pelo inquérito que vai investigar crimes cometidos pelos colegas é da mesma corporação.
Quando tentam quebrar o ciclo de silêncio, mentira e impunidade, presos e seus familiares chegam a ser ameaçados pelos agentes, como aconteceu com a Associação de Amigos e Familiares de Presos, a Amparar, que trabalha com mães de adolescentes internados na Fundação Casa, em São Paulo, para incentivar as denúncias de tortura. “Famílias que denunciam são humilhadas e expostas. Eles chamam a mãe numa sala com vários funcionários e perguntam por que ela tomou aquela atitude. Se sabe que isso pode fazer com que seu filho fique lá ainda mais tempo”, diz o representante da Amparar que pede para não ser identificado por temer – ele próprio – retaliações.
Ele conta que, na segunda semana de junho, diversos pais procuraram a Amparar para relatar violências cometidas contra seus filhos na unidade Raposo Tavares da Fundação Casa. Os agentes foram especialmente cruéis com os internos: “Um dos adolescentes estava com a mão machucada, os agentes bateram sistematicamente nessa mesma mão. Outro estava ferido na cabeça, ele tinha apanhado com o cassetete até rasgar. De novo bateram na cabeça dele”, afirma. “É importante ressaltar que essas não são violências isoladas, isso acontece com frequência. É  a pedagogia do cassetete”.
Veja o vídeo: as vozes da tortura
Morte na Polinter e a manipulação de perícias
A história de Indaiá Mendes Moreira mostra a gravidade e a urgência de se obter controle sobre as forças policiais. Em menos de dois meses, seu filho foi preso por tentativa de assalto, torturado e morto dentro da carceragem da Polinter de São Gonçalo, Rio de Janeiro.
Em fevereiro de 2009, ao receber a notícia sobre a prisão de Vinícius Moreira, então com 20 anos, Indaiá foi a duas carceragens verificar onde ele estava. Mas os agentes se recusaram a dar informação. Ela teve que ameaçar chamar a imprensa para ter a confirmação de onde o filho estava preso. Depois de um mês de visitas, Indaiá já estava assustada com as histórias que ouvia na fila: casos de detentos sendo agredidos, extorquidos e ameaçados pelos policiais. “Teve um dia que um agente falou bem alto pra uma mãe na fila: “A senhora quer seu filho? Vai procurar no IML [Instituto Médico Legal]’”.
Ela lembrou da frase ao acordar com um mau pressentimento na manhã de visita e ligou para o advogado para que a acompanhasse até a carceragem. Lá, foi informada que seu filho estava doente e tinha saído há poucas horas para o hospital. Correu para lá e os médicos disseram que Vinícius havia sido levado para o hospital na noite anterior, mas nem chegou a sair do carro da Polícia Civil. “Na porta já mandamos levar ao IML”, ela ouviu do médico.
No IML, a família notou diversas marcas de agressão no corpo de Vinicius, que não estavam no laudo entregue pelo instituto. Proibidos de fotografar o corpo, os familiares tiveram que despi-lo no dia seguinte, pouco antes do enterro, para registrar os machucados.
Mesmo com a repercussão na imprensa, o inquérito foi arquivado em abril desse ano. Um dos argumentos do promotor é que não seria possível determinar quem matou Vinícius.

Peritos coniventes com a tortura
Como a ouvidoria, a perícia médica também padece do vício de ser ligada à corporação policial. “Há muitos estados em que a perícia é diretamente subordinada à administração da polícia civil, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais”, afirma a médica legista Débora Vargas, membro do Grupo de Peritos Independentes para a Prevenção da Tortura e da Violência Institucional, ligado à Secretaria dos Direitos Humanos. “Nossa visão é aproximar a perícia de um serviço técnico, distanciar dos órgão de repressão”. Ela cita o exemplo de Portugal, onde os grupos de perícia são ligados às universidades.
A autonomia da perícia é outra recomendação feita pelo relatório da ONU, e sua importância já foi aferida na prática pela Pastoral Carcerária: muitos detentos agredidos no momento da prisão, portanto, antes do exame médico obrigatório ao ingressar no presídio, não têm as marcas das sevícias registradas nos laudos. Segundo algumas denúncias feitas à entidade, alguns policiais esperam de 15 a 20 dias para levar o preso ao médico – período em que as marcas cicatrizam. Também é muito comum que o mesmo policial que comete a agressão leve o preso ao médico e, em muitos casos, acompanha o exame. “Isso acontece no Brasil inteiro”, afirma Débora. “Temos dificuldade de fazer com que PM e polícia civil aceitem que o preso deve ficar na sala sozinho com o médico legista”, diz.
Há casos extremos em que os médicos nem olham para as vítimas, como ocorreu segundo denúncia na cidade de Tefé (650 quilômetros de Manaus), feita por quatro detentos à equipe da Pastoral. Suspeitos de tráfico de drogas, eles contam que ficaram quatro dias amarrados dentro de um barco antes de serem conduzidos à prisão: “Presos em correntes, esmurrados e sufocados com o saco plástico na cabeça. Ameaçados com armas de fogo apontadas para suas cabeças,” descreve o relatório da Pastoral.
Ao final desses dias, os quatros presos foram levados para o exame de corpo de delito. “Ao chegarem na clínica, permaneceram na viatura e o comandante trouxe o laudo já assinado pelo médico”, descreve o relatório. Segundo testemunha que viu o exame, mas prefere não se identificar, o único registro no documento é de marca da algema.
O relatório cita nominalmente um major da Polícia Militar como autor das diversas torturas relatadas por esse e outros presos da cidade. O documento foi encaminhado à Defensoria e Ministério Público.
A tortura psicológica e a carta de suicídio
 Se sociedade e governo não reagirem, a violência policial, especialmente contra os detentos, ela tende a se agravar com a superlotação dos presídios, alerta o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária. Entre 2005 e 2011, o número de presos cresceu 42%, aponta o padre. Só em São Paulo, que tem a maior população carcerária do país, 2011 terminou com 9.417 presos a mais que 2010 – o que dá uma média de 25 presos novos por dia no estado. Para o padre Valdir, a necessidade de contenção aumenta com a superlotação, gerando mais violência.
“A tortura acontece como castigo para que os presos não se amotinem, não reivindiquem, não peçam para ser lembrados de que estão vivos”, afirma Luciano Mariz Maia, Procurador da República em Recife e membro do Comitê Nacional Contra a Tortura.
Nem sempre a violência cruel que define a tortura se expressa em pancadas e sufocamentos. Nos relatos colhidos pela pastoral, há casos de presos que dormem no chão sujo da cela e até no chão do banheiro, presos que disputam espaço com ratos durante a noite, celas que ficam constantemente molhadas devido a vazamentos e presos que têm constantes infecções alimentares e alergias na pele devido à comida inadequada.Tudo isso, segundo o procurador, é tortura.
José Carlos Brasileiro, presidente e fundador do Instituto Nelson Mandela, organização civil que nasceu dentro do sistema carcerário, alerta para a tortura psicológica que essas situações provocam: “A força do terror psicológico é dos maiores: ele condiciona a pessoa à inferioridade, humilhação, ao medo constante. A pessoa vai pro isolamento, leva porrada, fica com a mão para trás e cabeça curvada. Imagina quais são as consequências desse tratamento no longo prazo?”
Foi esse cenário que levou o detento Célio Rodrigues a pensar em suicídio e manifestar essa intenção em uma carta manuscrita em junho do ano passado. A carta foi entregue à Pastoral Carcerária por um colega de cela depois que Célio morreu, após deixar a prisão de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. Preso há “6 longos anos”,  Célio escreveu: “Já passei por tantas humilhações nesse lugar principalmente agressões verbais e agora físicas também. Tô sofrendo muito e pra completar, (…) dois cabos entraram na cela e tiraram os materiais de uso pessoal e higiênico (…) ainda me agrediram fisicamente”.  E continua:  “Por eu ser o detento mais antigo, sei de muitas coisas, coisas que eles fazem de errado aqui nesse lugar, (…) como a entrada de celulares, entorpecentes e algumas outras facilitações, e também agressões da parte deles com outros detentos e isso acontece sempre. Eles sabem que eu sei de tudo isso, tenho muito medo deles fazerem alguma coisa comigo, é por isso e outras coisas, abandono da família, que tento me matar. Embora eu saiba que quando sair daqui eles vão querer me matar”.
Vexame e tortura também entre familiares dos presos
“Existe um preconceito arraigado entre os que operam no sistema de Justiça de que a pessoa com uma condenação – ou suspeita de um crime – está desprovida de um atributo inerente ao ser humano: a dignidade”, afirma Kenarik Boujikian, desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo e co-fundadora da associação Juízes para a Democracia.
Em muitos casos, essa visão se estende à família dos presos, ela observa, principalmente em relação às mulheres que vão visitar seus maridos ou parentes na cadeia. O procedimento padrão de revista em muitas penitenciárias do país é fazer a mulher tirar toda a roupa e abaixar seis vezes (três de frente, três de costas) na frente da agente penitenciária.
Um procedimento que pode ser considerado tortura pela imposição de sofrimento psicológico contínuo como explica Cristina Rauter, psicóloga da Universidade Federal Fluminense e membro da equipe clínica do Grupo Tortura Nunca Mais. “É uma situação delicada que conjuga estereótipos da sexualidade, proibições e vergonhas. Você ser obrigado a se desnudar na frente dos outros e mostrar as partes sexuais já mexe com muitos tabus, proibições, valores. Fazer isso associado à suspeita de um crime é muito cruel. Eles sabem que o familiar já tem vergonha por estar ali e exploram isso”.
A costureira Patrícia Okorie, que entre 2010 e 2011 visitava mensalmente o marido na penitenciária Franco da Rocha 2, na grande São Paulo, já estava acostumada com esse procedimento.  “Eu só não gostava quando mandavam abrir a vagina com as mãos”, lembra. “Mas a gente evita reclamar”.
Os largos limites de sua tolerância foram testados numa manhã de setembro de 2011. Patrícia chegou cedo, era a quarta da fila. Quando abaixou pela primeira vez na sala de revista, a agente colocou as mãos em seus joelhos, forçando para que ela abrisse as pernas. “Eu disse que não permitia aquilo, ela se irritou e chamou uma PM”. Enquanto esperava, Patrícia era humilhada pela agente, que insistia que ela escondia drogas na vagina. Ao final da segunda revista (dessa vez segurando a respiração enquanto abaixava na frente de duas agentes e da PM), Patrícia chorou e desabafou: “Você me acusou injustamente, vou procurar os meus direitos”.
Por mencionar seus “direitos”, Patrícia foi acusada de desacato à autoridade com suspensão de direito de visita por 30 dias, e obrigada a ir a um hospital fazer uma revista “ginecológica” – exame feito por um ginecologista para buscar drogas dentro da vagina. “Tive que assinar um papel dizendo que estava indo de livre e espontânea vontade. Eu disse que não era verdade e me mandaram calar a boca”.
No hospital, Patrícia conta que esperou a médica, que estava em cirurgia, por horas. Quando entrou no consultório, a médica pediu que ela deitasse na maca com os pés para o alto. “Achei que iam fazer ultrassom, quando vi que era exame com as mãos fiquei com muito medo”. A médica introduziu então um “aparelho que girava”, provavelmente um espéculo vaginal, ferramenta que abre o canal vaginal em direção ao útero, utilizada em exames de rotina. Assustada e sem entender o que ia acontecer, ela contraiu os músculos abdominais, fazendo força para resistir ao movimento do espéculo. “A cada vez que ela rodava aquela máquina por baixo, doía. Teve uma hora que ouvi um estalo e senti muita dor, segurei o braço da médica e pedi pra ela parar”, afirma. “No final do exame, fiquei em pé e vi um fio de sangue escorrer pela minha perna”.
A médica não encontrou nenhum substância ilícita no interior do corpo de Patrícia.
Atormentada pela humilhação, sem conseguir dormir, Patrícia pesquisou seus direitos na Internet e achou a Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT), que dá assistência psicológica e jurídica às vítimas. Resolveu entrar com um processo de tortura contra a agente, mas conta que foi chamada pela direção do presídio e recebeu uma ameaça: se continuasse, o marido seria transferido “para bem longe”.
Logo depois de ser chamada pelo diretor, ela foi visitar o marido. “Eles foram bem educados, nunca fui tão bem tratada ali dentro”, ela lembra. “Foi tudo direitinho: três de frente, três de costas”.
Só quando o marido saiu da cadeia, Patrícia pode entrar com uma ação contra as agentes do presídio.
Impunidade
Mesmo quando conseguem denunciar os crimes de tortura e entrar com ações judiciais, ainda é preciso conseguir um julgamento justo, o que é bastante difícil. Os problemas começam com a própria lei contra tortura, de 1997, que estabelece que o crime pode ser praticado por qualquer pessoa – não apenas agentes do Estado. Isso significa que a mesma lei que enquadra as violências praticadas por “Zero Um”, de Manaus, também vale para babás que batem em crianças. “A lei é genérica, deixa frouxa a interpretação para os tribunais, quase não tem sido utilizada para reprimir”, afirma o procurador Luciano Maia, do Comitê Nacional Contra a Tortura.
“O principal propósito da criação dessa lei é evitar que policiais, agentes penitenciários ou autoridades públicas deliberadamente inflijam violência física e mental a pessoas submetidas a sua autoridade”, argumenta. “Mas quase não tem sido utilizada para isso”.
A tendência da Justiça é condenar mais civis do que agentes do estado por tortura revela uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, que analisou o desfecho de 57 julgamentos de acusados de tortura que passaram pelo Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2000 e 2008. A pesquisadora Maria Gorete Marques mapeou os resultados em primeira instância que envolviam 203 réus, dos quais 181 eram policiais ou agentes penitenciários e 22 eram civis. A pesquisadora chegou à conclusão que a proporção que se inverte na hora da condenação: apenas 18% dos agentes julgados foram condenados por tortura, contra 59% dos civis. Ou seja, a taxa de condenação dos agentes do estado foi três vezes inferior à condenação de civis.
O procurador Luciano, que em sua tese de doutorado analisou sentenças de casos de tortura praticada por agentes do Estado diz que o policial já entra em vantagem no sistema que vai julgá-los: “O sistema jurídico evoca o tempo todo a credibilidade do cargo, a presunção de que ele aja corretamente”, diz.
Em uma sentença de Brasília, Luciano encontrou a seguinte afirmação: “A polícia não tem necessidade de recorrer a qualquer espécie de constrangimento para apurar a autoria do delito”. Já em São Paulo, o mesmo desembargador usou o mesmo argumento em oito casos diferentes:“ [os policiais] Jamais iriam correr o risco de responder pelo crime de abuso de autoridade ou de denunciação caluniosa para incriminar alguém que sequer conheciam e com quem não tiveram qualquer desentendimento”.
Todos os policiais dos casos citados foram absolvidos, prolongando o sofrimento das vítimas. Como observa a psicóloga Cristina Hauter, que atende vítimas de tortura da ditadura militar e atuais, a impunidade atrapalha o processo de recuperação, especialmente quando a fala da vítima não é considerada como prova e o processo é arquivado: “Vem um sentimento de desacreditar na justiça, no Estado. As relações de confiança são quebradas e eles se sentem profundamente injustiçados. Esse é o quadro mais complicado de trabalhar”, explica.
Dilma e o legado da ditadura
A visão distorcida da justiça para os casos de tortura policial está ancorada na opinião de um grupo crescente da população – atualmente, quase a metade dos brasileiros. De acordo com pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência, feita em 12 capitais, apenas 52% das pessoas ouvidas em 2010 “discordavam totalmente” da ideia de que os tribunais devem aceitar provas obtidas através de tortura. Porcentagem bem menor daquela de 1999, quando respondendo à mesma pergunta, 71% dos entrevistados declararam “discordar totalmente” da prática.
Ainda é difícil prever qual será a influência da Comissão da Verdade no combate à tortura de hoje ao trazer de volta os crimes cometidos no passado. Também é difícil determinar quanto da “tradição” do período militar é responsável pelas práticas policiais dos dias de hoje. Para a desembargadora Kenarik, porém, esse legado de violência foi incorporado à cultura das instituições. “Naqueles anos, havia certos grupos tidos como ‘inimigos do estado’, eles podiam ser torturados. Hoje, apenas mudou o ‘inimigo’”, ela diz.
Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional para o Brasil, que também faz visitas aos presídios, considera evidente a ligação entre o crime nos dias de hoje e os cometidos no passado, mas ressalta que isso não torna mais difícil enfrentá-lo. “Algumas pessoas dizem que o problema de tortura no Brasil é cultural, como se fosse uma herança inevitável, mas não é verdade”, afirma. “Cada ato é um crime e ele só persiste porque não há uma ação do estado para coibir”.
Cahill se recorda do estrago causado pela fala da presidenta Dilma, ela mesma vítima de torturas durante a ditadura, sobre o tema na Universidade de Harvard em abril desse ano. Depois de palestra, a presidenta foi indagada por um aluno sobre o caso de uma prisioneira política na Venezuela. Em sua resposta, ao justificar porque não se meteria na política do outro país, Dilma mandou uma mensagem perigosa: “Eu sei o que acontece, não tenho como impedir que em todas as delegacias do Brasil de haver tortura”.
Em resposta, 15 organizações que trabalham com o combate à tortura no Brasil, entre elas a Conectas, a ACAT e a Pastoral, soltaram uma nota de repúdio: “É muito grave que a autoridade máxima do País se declare incapaz de coibir o crime de tortura nas delegacias. E é ainda mais grave que tenha escolhido um momento de enorme visibilidade para fazer tal declaração”.
 

 

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A poesia de Drummond

Sex, 29 de Junho de 2012 20:57 - No Outro Lado da Noticia


 

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Um claro enigma

Por Amarílis Lage | Valor

 Alberto Jacob/Agência O Globo / Alberto Jacob/Agência O GloboDrummond: suas "linguagens poéticas descontínuas e variadas", no dizer de Silviano Santiago, influenciaram poetas de outras gerações, como Ferreira Gullar e Paulo Henriques Britto, de maneira diferente

"Não serei o poeta de um mundo caduco/ Também não cantarei o mundo futuro", diz Carlos Drummond de Andrade nos versos que abrem o poema "Mãos Dadas". "O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente."


Foi fiel ao compromisso. Drummond sempre quis escrever na clave do que lhe era contemporâneo. A afirmação é do escritor Silviano Santiago, que, ao lado do poeta Antonio Cicero, realizará na próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) a primeira de uma série de conferências em homenagem ao poeta que nasceu em Itabira (MG), foi "gauche" na vida e morreu em 1987, aos 84 anos.


Do "tempo presente" Drummond foi capaz de extrair uma obra atemporal e se tornou uma das principais referências da poesia no Brasil. Para seus herdeiros, fica a proposta: 29 de junho de 2012. Onde está a poesia brasileira hoje e de que é feita? Como e por quem? E com quem, afinal, ela fala?


A venda de livros de poesia no Brasil é absolutamente tímida: não chega a 2% da venda dos livros de ficção, segundo dados da GFK levantados a pedido do Valor. É um produto comercialmente difícil, dizem representantes do mercado editorial. Em compensação, a internet oferece um novo terreno para jovens poetas e, na periferia, versos se transformam em cápsulas para mensagens de protesto.


O cenário é complexo. Quase 90 anos atrás, quando um ainda inexperiente Drummond escreveu "Os 25 Poemas da Triste Alegria", seu segundo livro de poemas (o primeiro, "Teia de Aranha", sumiu), ele sabia para onde olhar: a Semana de Arte Moderna de 1922 concentrava as atenções da vida cultural no país. Drummond enviou o material para o modernista Mário de Andrade e recebeu respostas que o ajudariam a direcionar sua obra. Ao longo do século passado, a poesia nacional ainda veria o surgimento de outros grupos, como a geração de 45, os concretistas, os neoconcretistas e os poetas marginais, cada um com suas propostas e contrapropostas.


Já no tempo presente... "é cada um com seu projeto; o bloco do eu sozinho", descreve o poeta Paulo Henriques Britto, autor de livros como "Macau", que venceu os Prêmios Portugal Telecom e Alceu Amoroso Lima em 2004, e "Formas do Nada", publicado neste ano.


"Desde os anos 90, há uma pluralidade no repertório, uma diversidade dos parâmetros", afirma Italo Moriconi, organizador da antologia "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século" e diretor da Editora Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde criou a revista "Ciranda da Poesia". "Cada um tem o próprio panteão de referências, que vai do rock aos quadrinhos ou à obra de Paul Valéry. Essa é a diferença fundamental para as décadas anteriores, quando havia grandes poetas referenciais."


A comercialização de livros de poesia no Brasil é tímida: não chega a 2% da venda dos livros de ficção, segundo dados da GFK


Ainda assim, é possível buscar alguns pontos em comum na produção atual. "Acabamos nos acomodando a viajar a reboque do 'didatismo' da época das vanguardas", diz o poeta Marcos Siscar, professor da Unicamp e autor do livro "Poesia e Crise". "Se quisermos entender o que acontece à poesia, é importante problematizar o conceito de pluralidade."


Para ele, a poesia feita hoje revela "um impulso de negação do passado recente, no que ele tinha justamente de conflituoso, de comprometido, de propositivo ou, ainda, de 'autoritário'". Na prática, isso se traduz no resgate de opções literárias que antes eram evitadas e tachadas como anacrônicas. Por exemplo: escrever redondilhas e sonetos.


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso", declama Ferreira Gullar, de 82 anos, citando o famoso soneto de Olavo Bilac (1865-1918). "Quando comecei a escrever lá em São Luís [MA], fora dos centros de cultura mais atualizados, a visão de poesia que preponderava era essa, da versificação, do parnasianismo", conta Gullar, que venceu o Jabuti no ano passado com o livro de poemas "Em Alguma Parte Alguma".


Um dia, um amigo lhe emprestou um livro de Drummond, e foi aí que Gullar descobriu a poesia moderna. Ficou chocado, diz, ao ler versos como "Ponho-me a escrever teu nome/ com letras de macarrão". E mergulhou num processo que o levaria a questionar as formas fixas e buscar novas estruturas, o que o conduziria, anos depois, às experiências concretistas.


"Ao produzir textos que, violando as regras tradicionais, não só pretendiam ser poemas, mas, efetivamente, funcionavam como verdadeiros poemas, as vanguardas superaram o fetiche que existia pelas formas fixas. Essas são as maiores lições que elas nos legaram", avalia Antonio Cicero.


Hoje, observa, as formas fixas são retomadas sem a antiga noção de obrigatoriedade. "Os poetas contemporâneos as usam como autoimposições formais arbitrárias que se contrapõem à espontaneidade criativa e colocam tensões estimulantes para a produção do poema. Elas são meios e não fins."

 Gullar, que identifica um risco para a poesia atual, a tendência ao hermetismo: "Se eu, que li e estudei poesia a vida inteira, não consigo entender, para quem eles estão escrevendo aquilo?"

 


Essa é uma das marcas, por exemplo, da poesia de Paulo Henriques Britto, que trabalha com métrica e rimas, mas interfere nas formas fixas e usa palavras e estruturas coloquiais. O curioso é que, assim como Gullar encontrou uma alternativa às formas fixas na obra de Drummond, Britto lista entre suas influências... Drummond. Principalmente "o" Drummond de "Claro Enigma" (1951), com seus versos decassílabos: "E a máquina do mundo, repelida/ se foi miudamente recompondo,/ enquanto eu, avaliando o que perdera,/ seguia vagaroso, de mãos pensas".


Contraditório? Sim. "Para se adequar à mobilidade do indivíduo e da história no século XX, Drummond adotou linguagens poéticas descontínuas e variadas que, vistas no seu conjunto, se contradizem", diz Santiago.


Mudavam as formas e também os conteúdos. Drummond passou por uma fase "anárquico-sentimental" nos anos 30, outra cosmopolita e engajada contra a ditadura Vargas (1937-1945), dedicou-se às lembranças da infância nos volumes de "Boitempo", relaciona Santiago. Multiplicidade que se apresenta ao folhear uma antologia poética de Drummond: "José", "Nosso Tempo", "Morte do Leiteiro", "Intimação", "Lira Romantiquinha", "Nudez", "Nova Canção do Exílio"... "Um sabiá/ Na palmeira, longe./ Estas aves cantam/ Um outro canto", diz a versão de Drummond para o poema de Gonçalves Dias, que também foi atualizada, entre outros, por Murilo Mendes ("Minha terra tem macieiras da Califórnia/ Onde cantam gaturamos de Veneza"), José Paulo Paes ("… sabiá… papá… maná… sofá… sinhá… cá? bah!") e Oswald de Andrade ("Não permita Deus que eu morra / Sem que volte pra São Paulo").


O passarinho, parece, não tem inspirado muito a poesia nacional. "Há hoje uma crise do próprio sentimento de pertença", afirma Italo Moriconi. "Até os anos 90, a produção poética era marcadamente sobre o Brasil. Hoje, existe um horizonte cosmopolita."


Paulo Henriques Britto faz a mesma avaliação. "Desde o romantismo até a Tropicália, todos os movimentos brasileiros têm a necessidade de se posicionar em relação à questão nacional. É preciso mostrar que a gente assimilou a lição das vanguardas na França. No caso dos concretistas, é preciso mostrar que a gente faz um produto moderno que nem Brasília e a bossa nova. No caso da Tropicália, é preciso mostrar que a gente não tem medo da cultura pop americana. Essa necessidade, que, na minha geração, que está na faixa dos 50, já perde força, não tem sentido para a geração mais jovem, na faixa dos 30." Além disso, compara Britto, os novos poetas são poliglotas, adeptos do verso livre, misturam cultura pop com elevada e escrevem, com frequência, sobre viagens.


"Nada bate um rilke shake / no quesito anti-heartache", escreve a poeta Angélica Freitas em "Rilke Shake", poema que dá nome a seu livro de estreia, que integra a coleção "Ás de Colete", coordenada pelo poeta Carlito Azevedo e publicada pela Cosac Naify e pela 7Letras. A mistura de idiomas, diz Angélica, não vem de uma proposta planejada. "Saiu assim", diz ela.


Assim como Gullar se surpreendeu com Drummond na juventude, Angélica se lembra do impacto que sentiu quando, aos 15 anos, leu Ana Cristina Cesar (1952-1983). "A minha reação foi: dá para escrever desse jeito, então? 'As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios.' Você lê isso e gera estranhamento. É uma coisa que aparentemente não seria vista como poesia."


A preocupação com a "brasilidade" não está, de fato, entre suas preocupações, conta Angélica. "Mas isso não faz parte, de modo geral, da minha vida. Eu não acordo e penso 'sou brasileira' ou 'sou gaúcha'", diz. "A grande questão é: como se pode escrever poesia ainda, o que eu consigo fazer com o meu repertório de vivências, de leitura, que seja minimamente relevante, e não só um exercício de beletrismo, uma pirueta verbal."


A poesia feita hoje revela "um impulso de negação do passado recente, no que ele tinha justamente de conflituoso", afirma escritor e professor


Para Santiago, esse cenário está relacionado também ao processo de democratização do país. "Hoje, a geração dos mais velhos é a dos que tiveram o batismo poético na época das lutas contra a ditadura. Todos padeceram a intromissão da luta política na sua poesia. Começaram pela coleção 'Violão de Rua', da Civilização Brasileira, na qual a linguagem poética recebia a tintura populista e, nos piores casos, demagógica." Já a geração seguinte, diz, viu aflorar bons tradutores de poesia estrangeira. "A tradução foi o modo como Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski, entre outros, se desviaram da tradição recente. Escrevem dentro de um repertório atual e cosmopolita, independentemente dos problemas políticos nacionais." Porém, brinca Santiago, quem achar que não tem nada a ver com a questão nacional é "ingênuo e fanfarrão". "Tanto melhor para ele, tanto pior para a obra que quer realizar."


Gullar identifica outro risco para a poesia atual: uma tendência ao hermetismo. "Isso é algo que não acho bom e não tem nada a ver com Drummond, com Manuel Bandeira... Sinceramente: se eu, que li e estudei poesia a vida inteira, não consigo entender, para quem eles estão escrevendo aquilo?", questiona. "Não vou dizer o que alguém pode ou não fazer. Mas pergunto: para quê? O sentido da vida é o outro, o da literatura também."


Com ou sem hermetismo, é disseminada a ideia de que a poesia é um gênero "difícil". E isso está presente até entre quem opta por trabalhar com literatura, conta Marcos Siscar, que tem percebido cada vez mais alunos de letras com uma atitude defensiva em relação a poemas. "Eu me pergunto que tipo de educação poética a escola lhes deu. Em poucos anos, serão eles os encarregados da formação de novos leitores."


Marcas do tal "tempo presente", como a busca por instantaneidade e eficiência, também entram em conflito com a poesia, afirma Antonio Cicero. Em uma sociedade multitarefas - e multiatarefada -, a poesia exige tempo e concentração. "No entanto, parece que, justamente por isso, é ela que pode nos livrar, ao menos temporariamente, dessa cadeia, proporcionando acesso a outra temporalidade. Ela representa uma alternativa à vida escravizada ao princípio do desempenho."


O fato é que a poesia não está no top 5 de gêneros favoritos do brasileiro ("Bíblia", livros didáticos, romances, livros religiosos e contos, nessa ordem, segundo a mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil). Ela aparece em sétimo lugar, logo atrás de literatura infantil. E, nas pesquisas de mercado feitas pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a poesia nem aparece como categoria específica.


A pedido do Valor, a GFK, que acaba de divulgar dados preliminares do serviço Painel do Livro, sobre venda de livros no país, fez um recorte sobre poesia. Segundo a consultoria, as obras de ficção correspondem a 23% das vendas (a maioria, 61%, é de não ficção). Considere só o grupo dos livros de ficção: a venda de poesia corresponde a 1,8%.

 Paulo Batelli/Valor / Paulo Batelli/ValorPaulo Henriques Britto: entre os poetas de hoje que trabalham com métrica e rimas, o que seria condenado tempos atrás, mas interferem nas formas fixas e usam palavras coloquiais

 


É uma proporção parecida com a de títulos de poesia dentro da Livraria Cultura, por exemplo. Dos 25 mil títulos que há numa loja da rede, em média, cerca de 500 são de poesia. O que vende, diz o gerente de vendas da rede, Ricardo Schil, são autores consagrados, como Drummond, Bandeira e Fernando Pessoa. "Tirando os clássicos, o grande nome é Manoel de Barros, que tem um resultado comercial impressionantemente bom."


"Poesia Completa", de Manoel de Barros, já vendeu 25 mil exemplares desde que foi lançado, em 2010. "Escritos em Verbal de Ave" foi lançado em dezembro, com 10 mil exemplares, e uma reimpressão de mais 7 mil está sendo preparada. "Coisa raríssima [em poesia]", comenta Pascoal Soto, diretor no país da editora portuguesa LeYa. "Na ficção, você termina um livro e quer outro. O livro de poesia, você relê. A fidelidade do leitor para a obra de um poeta faz com que ele não experimente tanto."


"Poesia é difícil de vender", afirma Marta Garcia, editora da Companhia das Letras. E isso se reflete nas tiragens: enquanto um livro de prosa de um jovem escritor tem tiragem inicial de 3 mil a 5 mil exemplares na editora, a de um jovem poeta tem 2 mil. Mas, ainda que a poesia não seja carro-chefe em termos comerciais, ela confere "sucesso de estima", diz Marta.


Um exemplo disso foi a boa repercussão que a editora teve no ano passado com o lançamento do livro "Poemas" da polonesa Wislawa Szymborska, Prêmio Nobel de Literatura de 1996. A partir daí, conta Marta, a empresa decidiu reeditar sua coleção de poesia traduzida, lançada no início dos anos 90. Dessa coleção já foram relançados "Omeros", de Derek Walcott, e "Poemas", de Rainer Maria Rilke.


Em relação aos livros de poesia brasileira contemporânea, a editora adotou uma estratégia aparentemente simples: passou a dar às obras o mesmo tratamento visual, o que confere uma unidade, diz Marta, citando livros de jovens autores, como "Da Arte das Armadilhas", de Ana Martins Marques, e "Esquimó", de Fabrício Corsaletti.


A Companhia das Letras tem, ainda, os direitos sobre a obra de Vinicius de Moraes e, desde o ano passado, os da obra de Drummond. Dele a editora está lançando "José" (3 mil exemplares), "As Impurezas do Branco" (10 mil), "Antologia Poética" (10 mil) e "Sentimento do Mundo" (25 mil). "Vinicius e Drummond são outra história. Seus livros são muito lidos nas escolas", diz Marta. "Quando um livro entra nos programas de leitura do governo, há muita diferença na tiragem."


"Até os anos 90, a produção poética era marcadamente sobre o Brasil. Hoje, existe um horizonte cosmopolita", diz poeta e antologista


A poesia tem presença um pouco mais forte nas compras governamentais do que nas livrarias. No ano passado, o Programa Nacional Biblioteca da Escola adquiriu, para o ensino médio, 1.723.632 livros - dos 149 títulos selecionados, 12 eram de poesia, como "Navios Negreiros", de Castro Alves, uma antologia de João Cabral de Melo Neto e outra voltada para a poesia contemporânea. Para o ensino fundamental, foram 3.861.782 exemplares; dos 149 livros, 14 de poesia.


"Poesia para criança é um gênero muito comprado pelo governo", diz Soto, da LeYa, que, em 1992, quando era editor-assistente na Moderna, sugeriu a Manoel de Barros que escrevesse para o público infantojuvenil. O poeta, conta Soto, respondeu que nunca havia pensado no assunto e não escrevia por encomenda. Continuaram se correspondendo e, cerca de sete anos depois, o poeta enviou a Soto o poema "O Menino Que Carregava Água na Peneira". Soto, que havia acabado de ter uma filha, pediu um poema para a menina. "Ele ficou bravo. Disse: 'Lembre-se de que não escrevo por encomenda, mas lá vai'. E mandou o poema 'Menina Avoada'." Era a origem de "Exercícios de Ser Criança".


Ferreira Gullar também atendeu a esse apelo e, em 2000, lançou "Um Gato Chamado Gatinho". "Comecei a fazer para mim mesmo poemas sobre meu gato. Um dia, recebi um telefonema da editora pedindo um livro para crianças e ofereci esse", lembra. Depois, vieram um livro sobre lembranças da infância, outro de poesias e um de colagens. "Uma editora viu as colagens aqui em casa, disse que era interessante e sugeriu fazermos um livro", diz Gullar. "É algo que as editoras solicitam. Senão, eu não teria ido por aí."


De olho no mesmo público, a José Olympio planeja lançar um livro com poemas do modernista Raul Bopp (1898-1984). "Ele não escreveu para crianças, mas selecionamos poemas que podem ser lidos por elas", afirma sua gerente editorial, Maria Amélia Mello.


Para nosso hipotético poeta, porém, vale lembrar que, mesmo com o aquecimento do mercado editorial no Brasil, o acesso às grandes editoras ainda é difícil. "Elas estão muito mais pressionadas pelas vendas, mais restritas aos consagrados. As pequenas são o celeiro dos novos poetas", diz Soto.


A boa notícia é que, desde a década de 90, ter seu livro publicado se tornou um processo mais fácil no Brasil. O barateamento de ferramentas de edição e publicação levou ao surgimento de editoras que publicavam pequenas tiragens de obras pagas pelos próprios autores, com qualidade quase industrial.


A má é que os poetas logo entraram em contato com uma conhecida máxima econômica: quanto maior a oferta, menor a demanda. E o gargalo apareceu nas livrarias.


"É um movimento de mercado: há uma oferta muito grande que as livrarias não conseguem absorver", conta Jorge Viveiros de Castro, dono da editora 7Letras, uma das pioneiras nesse setor. "As editoras maiores têm um giro rápido, é um mercado muito alimentado pela novidade. Com tiragem menor, você nem consegue aparecer", diz Castro, que planeja, para agosto, a abertura de uma livraria própria da 7Letras em Ipanema, zona sul do Rio. Ao mesmo tempo, como o próprio Castro ressalta, as editoras menores podem se beneficiar muito do comércio eletrônico.


Mas é do outro lado do balcão, ou do poema, que estão as expectativas em relação à internet. "Nunca antes o poeta esteve tão alicerçado pelos meios. O Facebook e o Twitter facilitam a divulgação da poesia", afirma Fabrício Carpinejar, que dividirá a mesa Vidas em Verso, na Flip, com a poeta escocesa Jackie Kay. "A internet é mais propícia à leitura de poemas que de um romance, por exemplo. E o poema, assim como o texto digital, lida com a ideia da descontinuidade", observa o poeta, que lançou em 2009 o livro www.twit ter.com/carpinejar, com frases que havia divulgado por meio da rede social. "O poeta, hoje, precisa ter uma vida digital, além da impressa. A questão é o excesso de visibilidade. Será que Drummond hoje conseguiria sobreviver ao tópico no Twitter?"


Para Moriconi, a questão digital pode vir a ser o elemento que define uma preocupação comum na poesia contemporânea. "O suporte digital cria um espaço outro, que traz condições de existência para o poema para além do livro", diz, citando "Enter", antologia digital desenvolvida por Heloisa Buarque de Holanda, e o site "As Escolhas Afectivas", que se define como uma "curadoria autogestionada de poesia brasileira".


"A internet me parece um espaço de experimentação dos modos da interação autor/obra/leitor e afeta, sem dúvida, os três pontos da cadeia, sobretudo acelera-lhe o trânsito, desloca suas finalidades", diz Marcos Siscar. Mas, para ele, do ponto de vista da criação poética, as alterações ocorridas até agora ainda não são decisivas.


Paralelamente ao mundo digital, os bairros de periferia também têm sido palco de um burburinho poético, aponta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em São Paulo. A instituição fez um levantamento de saraus de poesia na cidade e, após excluir aqueles em que a programação era basicamente de hip-hop, chegou a 80 eventos - dos quais mais da metade ocorre na periferia. Desses, um dos que têm maior visibilidade é o Cooperifa, criado em 2001 e realizado no Campo Limpo, na zona sul.


"A poesia está mudando de mãos. Não é nem a classe C que está chegando à poesia, são a D e a E", diz Barbosa, que associa o processo a mudanças socioeconômicas que vêm ocorrendo no Brasil nas últimas duas décadas, como o aumento da escolaridade e o maior acesso aos bens culturais. "Na década de 40, todo mundo que fazia poesia se conhecia. Nos anos 80, quando comecei, eu também sabia quem era quem. Hoje, não sei quem são os poetas deste país."


Com um discurso relacionado principalmente a denúncias sociais, esses poetas encontram nos versos um instrumento capaz de conferir impacto a suas mensagens. "Claro que tem a questão da qualidade. É uma poesia rudimentar, com aquelas rimas em 'ar', em 'ão'. Mas é uma produção que está cada vez melhor", constata Barbosa, que acaba de renovar o contrato com o governo do Estado para administrar a Casa das Rosas por mais quatro anos. De acordo com ele, a meta para esse período é transformar o espaço num centro de apoio a quem quer escrever, com cursos sobre literatura e informações sobre como publicar. "Acredito que poesia pode ser aprendida."


Drummond se dispõe a ensinar: "Penetra surdamente no reino das palavras / Lá estão os poemas que esperam ser escritos".


 

 

 


Um jornal em que a “notícia” (quase) tem boa chance de ser fato
 



25/6/2012, Adrienne LaFrance, Niemann Journalism Lab (excerto) de “NewsGame aims to populate a virtual world with real reporting and pretend correspondents
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu
 

Entreouvido na Vila Vudu: Em mundo em que todos conhecemos a opiniãozinha da D. Eliane Cantanhede sobre tuuuudo, de “ética” a “Lula ficou maluco?”, passando por aviõezinhos Legacy & pilotinhos salafras; em que todos conhecemos a opiniãozinha da Carla Vilhena e da Ana Maria Brega, agora, também, da Fátima Bernardes reconvertida em neo Ana Maria Brega só que “noticiosa” e, claro, opiniõezinhas sempre sobre tuuuuuudo, de “ética” a políticas públicas e relações internacionais, passando por aquecimento global e antropologia dos tupinambá e técnicas culinárias para esquartejar maridos; em que todos conhecemos as opiniõezinhas metidas a inteligentíssimas do Arnaldo Jabor, sobre tuuuuuuuudo, de “ética” e “democracia” a “prender-matar-arrebentar toooodo mundo que não veja o mundo como mente que o vê o Arnaldo Jabor, neojornalista metido a besta... A NOTÍCIA ABAIXO É UM REFRIGÉRIO! Quem sabe estamos a um passo de ter jornalismo interessante, afinal, no mundo?
 
Calma, jornalistas empregados e patrões do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão).
 
É só brincadeira...
 

 
Os criadores de jogos para internet procuram inspiração no jornalismo, desde antes de a Atari nos dar Paperboy. Em 1970, foi Deadline. Nos anos 50s, foram Scoop e Calling Superman.
 

Adrienne LaFrance
A meta sempre é cumprir o dever pressuposto de quem ganhe a vida como jornalista: entregar o jornal sem sem mordido pelo cachorro, nem devorado por abelhas, não deixar espaços em branco e montar a primeira página de um jornal diário, para atrair compradores.
 
Que tal um joguinho em que a notícia é real?
 
Quem está tentando criar esse fenômeno é Thomas Loudon, presidente do grupo holandês VJ Movement. A ideia, que está sendo desenvolvida, é um jogo para a empresa Facebook: os jogadores assumem o papel de correspondentes estrangeiros e têm de superar desafios do tipo “você tem de atravessar a fronteira e entrar no Irã” ou “salve crianças soldados na Somália” – diz Loudon.
 

Pitaco da Vila Vudu: Engraçado... Nem nesse jornalismo de brincadeirinha, alguém cogita de sugerir ao jornalista, coisa simples como: “Você é uma criança soldado na Somália. Pronto. Agora... REPORTE, SEJA VOCÊ A MÍDIA, FAÇA O SEU JORNALISMO!”
 
“O jogador tem de criar suas habilidades, sua personalidade, viajar pelo mundo virtual como um jornalista” – Loudon explica. – “Você coopera ou compete com outros jogadores-jornalistas. Você pode optar por fazer uma dupla com um fotógrafo, por exemplo. Ou você pode dispensar o fotógrafo e dizer “Vou sozinho”, mas pode não ser seguro”.
 
Os jogadores encontrarão questões, no jogo, que, muitas vezes, serão eventos do mundo real – bombardeio no Paquistão, batalhas entre cartéis de drogas na Colômbia – e matérias escritas por jornalistas reais.
 

Pitaco da Vila Vudu: nada se diz sobre “jornalistas reais” escreverem matérias encomendadas por “patrocinadores” ou ordenadas, até as subvírgulas, pelo editor-chefe.
 
Loudon diz que, para criar o novo jogo, está trabalhando com a rede de sua empresa, VJ Movement, que já reúne 300 jornalistas reais em mais de 100 países idem. Esses jornalistas receberam 750 euros, para produzir uma videorreportagem para o comercial do novo jogo.
 
O jogo poderá ser jogado gratuitamente na página da empresa Facebook, mas os jogadores podem comprar ‘recursos’, como em outros jogos. Nesse caso, serão matérias produzidas por jornalistas reais.
 

Pitaco da Vila Vudu: Outra vez, nada se diz sobre as notícias serem reais ou inventadas, como sempre, etc. etc..
 
Significa que o jogo, além da renda de publicidade que atrairá, também gerará meios para remunerar os jornalistas reais que produzirão jornalismo real.
 

Pitaco da Vila Vudu:Jornalismo real? Fictício, como o “jornalismo” do Grupo GAFE, Globo-Abril-FSP-Estadão? Sobre esse detalhe, nada se diz e nada se pergunta?!.
 
“O jogo será canal de venda para vários itens” – Loudon explica. – “Câmeras fotográficas, filmadoras, por exemplo, além de passagens aéreas, porque jornalistas, como se sabe, viajam muito, além de hospedagem em hotéis, reservas em restaurantes, etc.”.
 
Loudon diz que está procurando parcerias com empresas-imprensa, de modo que assinantes reais ganhem créditos no jogo.
 

Pitaco da Vila Vudu: na verdade otários reais, portanto, QUE PAGAM dinheiro real, para ler o “jornalismo” de opinionismo e ficção do Grupo GAFE - Globo-Abril-FSP-Estadão, por exemplo, no Brasil.
 
Loudon também espera negociar parcerias com “personagens cômicos, como os Smurfs, por exemplo, os quais, para ele, “têm muito a ver com jornalismo” (?!).
 
Todos os jornalistas [reais-fictícios e fictícios-reais] terão de comprometer-se com um Código de Ética: Qualquer jogador que deliberadamente distribua notícias que agridam a ética jornalística, receberá uma marca ao lado do seu nome, na lista de “correspondentes”, para que todos saibam que não é jornalista confiável.
 

Conclusão da Vila Vudu: TAÍ! Essa é excelente ideia! O leitor abrirá o jornal O Globo, por exemplo, e lá encontrará, ao lado do nome do “jornalista” Perval Mereira, por exemplo:
 
CUIDADO! Não é jornalista sério. É amiguinho do Kali Amel, sionista, racista, um ser desprezível. Não faz jornalismo: faz propaganda de desdemocratização. É Imortal da BLA e fascista sincero de renome, pode-se dizer, internacional. Vide WikiLeaks. \o/ \o/ \o/
 
O que mais, diabos, o jornalismo-que-há, feito por jornalistas-empregados e vendido a consumidores por empresas-imprensa inventará, para convencer a opinião pública diariamente engambelada por esses jornalismo, jornais e jornalistas, de que o engambelamento seria “fato”... ou, talvez, de que o “fato” produzido, comprado e vendido como mercadoria, não seria sempre e só, puuuuuuuuro engambelamento?!
 
O que mais faltará inventarem, depois que inventarem o jogo de fingir que, no jogo, todos noticiarão seriamente (mas só de brincadeirinha)?!
 
 

Postado por Castor Filho
 

 

Carta Capital


Cynara Menezes

 
29.06.2012 15:10
A verdade nua e crua

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Na pequena Paulo de Faria, município de 8,5 mil habitantes a 540 quilômetros de São Paulo, a dona da casa atende outra moradora da cidade, enviada por CartaCapital, através da janela. Parece ter receio e vergonha e não quer dar entrevista. Sua filha de 37 anos, viciada em drogas, está prestes a ir a júri popular na vizinha São José do Rio Preto. O crime pelo qual Keila Rodrigues é acusada foi ter utilizado um remédio para abortar dentro das dependências do hospital de base da cidade, em 2006. Denunciada por uma enfermeira, foi absolvida em primeira instância, mas no início do mês o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu submeter o caso a júri popular. Se for condenada, pode pegar de um a três anos de reclusão.



Painel. O estudo coordenado pela UNB é o mais completo sobre o tema feito até hoje


A história de Keila Rodrigues é emblemática do tratamento que a discussão do aborto recebe no Brasil. Proibido por lei, todo mundo prefere fingir que ele não existe. Pressionados pelos religiosos, os políticos fogem do assunto como o diabo da cruz, sobretudo em ano eleitoral. Ao mesmo tempo, os abortos continuam a acontecer na clandestinidade e a causar mortes. Ou, como pode acontecer no julgamento, a levar pessoas sem antecedentes criminais para a cadeia.


Uma pesquisa obtida com exclusividade por CartaCapital traça um retrato completo de como são feitos os abortos no Brasil. Pela primeira vez uma revista científica brasileira, a Ciência & Saúde Coletiva, dedicará um número inteiro para tratar do assunto. A edição temática, financiada em parte pelo Ministério da Saúde, será publicada em julho. Os artigos traduzem os resultados qualitativos da Pesquisa Nacional do Aborto, produzida por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília, que trouxe a público, em 2010, a informação de que uma em cada cinco brasileiras de até 40 anos já fez ao menos um aborto. Revelados aqui em primeira mão, os textos revelam a realidade sem hipocrisia: o que se passa nas clínicas clandestinas até o atendimento na rede pública de eventuais complicações.


“Acho que este número dedicado ao aborto será um marco para trazer o debate ao campo da ciência. O aborto não pode ser discutido em termos religiosos. A religião é matéria de ética privada, as pessoas acreditam ou não”, defende a coordenadora da pesquisa, a antropóloga Débora Diniz, professora do Departamento de Serviço Social da UnB. “Se uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez um aborto, muita gente do seu entorno soube. A verdade inconveniente é que o aborto faz parte da vida cotidiana no Brasil, mas ninguém quer falar a respeito, prefere ignorar. É um silêncio inacreditável.”


Os artigos trazem algumas novidades. O principal deles, para as feministas, é o que afirma não estar comprovada a relação entre a substância mais utilizada como abortivo clandestinamente no País, o misoprostol, conhecido pelo nome comercial de Cytotec, e más formações no embrião, caso a tentativa seja malsucedida. Indicado para úlcera, o Cytotec foi descoberto como abortivo há muitos anos e, desde 2010, é utilizado na própria rede pública nos casos autorizados legalmente ou quando o feto morre, mas continua retido no útero. “O fármaco está aprovado para uso, sendo efetivamente empregado. Do ponto de vista médico, nada justifica seu banimento ou restrição do uso”, defende no estudo a sanitarista Marilena Dias Correa. “O contexto legal restritivo, no Brasil e em muitos países da região, é o único fator limitante.”


Em outros países, como a França e o Reino Unido, onde o aborto é legal, o misoprostol é comercializado com esse fim. Em Cuba, o governo entrega o medicamento para a mulher e ela só retorna, após o abortamento, para avaliação médica. No Brasil, o que acaba por acontecer é que as mulheres que querem abortar procuram vendedores clandestinos e compram o remédio, algumas vezes falsificado, porque é vendido em comprimidos avulsos, fora da embalagem. Normalmente é o companheiro quem recebe a tarefa de providenciar o medicamento na “boca”. Mas também é frequente a própria mulher procurar o vendedor.


Em uma investigação feita em Brasília, em 2006, e narrada pelas pesquisadoras, a auxiliar de um detetive particular acaba sendo assediada sexualmente por um vendedor. Desconfiada de estar sendo vítima do comércio ilegal de Cytotec, a proprietária de uma farmácia contratou o detetive para fazer o flagrante. A conversa do vendedor com a assistente, que se fez passar por compradora, foi gravada e aparece na investigação. “Como vou aplicar isso?”, pergunta a moça. “Tem de ser com o dedo. Quer que eu aplique para você? Te levo num motel, dou um trato e depois aplico”, diz o vendedor. A pesquisa relata outros casos, reais, em que o vendedor clandestino se oferece para ajudas similares.


No fim de maio, circulou a notícia de que o Ministério da Saúde teria a intenção de modificar a forma de comercialização do Cytotec, tão restrito quanto os psicotrópicos, como parte de uma política de redução de danos para o aborto ilegal. Atualmente, as feministas defendem que o misoprostol seria a forma mais eficaz, barata e segura para realizar aborto, se fosse liberado – mais, inclusive, que as clínicas particulares, caras e nem sempre seguras. Mas a assessoria de imprensa do ministério negou a CartaCapital  qualquer iniciativa nesse sentido. As modificações em estudo diriam respeito apenas ao aborto legal de anencéfalos, após aprovada a descriminalização pelo Supremo Tribunal Federal.



Riscos. O Cytotec é o remédio mais seguro, mas sua venda clandestina aumenta o perigo


Sem qualquer orientação médica, à mercê dos vendedores que fazem a “prescrição” do medicamento, a pesquisa traz relatos pungentes de mulheres que praticaram o aborto clandestinamente (quadro à pág. 37). Uma delas é personagem de um processo judicial cujo réu é o vendedor. Empregada doméstica em Brasília, 34 anos, quatro filhos, decidida a não dar prosseguimento à gravidez, comprou Cytotec, que lhe foi introduzido na vagina pelo próprio vendedor com a ajuda de uma mangueira de plástico. A indicação do homem era de que a mangueira não fosse retirada. Após quatro dias, com dores, mas com medo de ir ao hospital para não ser denunciada à polícia, a mulher acabou internada às pressas e faleceu. Causa mortis: “Falência de múltiplos órgãos, choque séptico, aborto malsucedido”.


Chocantes são os relatos de mulheres ainda mais pobres que recorrem às chamadas “curiosas” ou “casas das aborteiras”, também conhecidas como “clínicas de fundo de quintal”. Escondidos nas periferias, os locais são geralmente chefiados por uma senhora de idade, descrita como “enfermeira de hospital”. O que, segundo a pesquisadora Débora Diniz, sugere “que tenha conhecimentos para além dos tradicionais”. O local onde o aborto é feito é um quarto rústico, “equipado” com sonda, lubrificante e bacia.


Alguns relatos são de embrulhar o estômago. Fala-se na utilização de “líquidos” não especificados e até em talos de mamona como instrumentos para o aborto. Uma adolescente de Porto Alegre contou que a aborteira introduziu “um ferro abortivo, um tipo de pegador de macarrão”. Outra garota passou “vários dias com a sonda, que foi colocada com arame cozido, umedecido com óleo lubrificante”. Segundo a pesquisadora, foi na capital gaúcha que mais se verificaram relatos semelhantes.


Outra novidade do trabalho foi o questionário sobre a prática do aborto entre prostitutas. “Por incrível que pareça, nunca se tinha feito o cruzamento entre prostituição e aborto. Parece óbvio, já que uma em cada duas mulheres prostitutas abortou alguma vez na vida. Impressionante que tenha se demorado tanto tempo para estudar esse aspecto”, afirma Débora Diniz.


Embora o estudo tenha se restringido às mulheres que praticam a prostituição em Teresina, no Piauí, a pesquisa traz informações importantes, como a frequência do aborto maior à medida que a idade avança, ao contrário da população feminina que interrompe a gravidez em idades mais precoces.


O método predominantemente utilizado pelas “profissionais do sexo” para abortar é o mesmo das mulheres em geral, o Cytotec, mas em escala ainda maior: 68,1% das prostitutas pesquisadas informaram ter recorrido ao misoprostol para interromper a gravidez, ante 48% das mulheres comuns.


O número de abortos também é mais expressivo. Houve casos de prostitutas que relataram até seis abortos induzidos. “O tempo mais longo de trabalho na prostituição, que determina maior risco de exposição sexual, parece se relacionar de maneira significativa com múltiplos abortos em prostitutas mais velhas”, descreveu o autor da pesquisa em Teresina, o ginecologista Alberto Madeiro.


Um dos objetos centrais da pesquisa foi avaliar tanto o atendimento pós-procedimento às mulheres que porventura sofreram complicações depois de tomar o Cytotec quanto o atendimento ao aborto legal, até então permitido somente em casos de estupro. A edição especial da revista científica trará três artigos sobre o tema.
No primeiro deles, a antropóloga Silvia de Zordo narra a resistência e o preconceito dos médicos ao se deparar com pacientes encaminhadas ao hospital por terem tentado abortar. E mesmo alguma resistência ao aborto em mulheres estupradas. Alguns médicos exigiam, por exemplo, que passassem por entrevista ou até pelo conselho de ética do hospital para verificar se, de fato, haviam sido vítimas de violência sexual.



A antropóloga pesquisou maternidades públicas de Salvador, na Bahia. “A maioria dos médicos, incluindo os jovens, fazia uma clara distinção moral entre as candidatas ao abortamento legal – pacientes ‘legítimas’ -– e as mulheres que chegavam ao hospital com um abortamento incompleto, ‘clandestinas’”, relata a pesquisadora. “Alguns médicos denunciaram a atitude punitiva que alguns colegas ou auxiliares de enfermagem tinham para com as pacientes que haviam induzido o aborto, o que fazia com que elas fossem ‘esquecidas’ e deixadas sangrando durante horas.” Eles mesmos relataram que uma dessas mulheres “esquecidas” acabaria morrendo em outra unidade de saúde.


A maioria dos profissionais de saúde entrevistados adjetivava as mulheres pobres que tinham muitos filhos ou as adolescentes que engravidavam como “irresponsáveis”. Em relação ao aborto legal, muitas vezes o plantão inteiro do hospital se recusava a realizá-lo. “É como o jogo de peteca”, disse à pesquisadora uma obstetra que, apesar de se declarar espírita – a religião condena todos os tipos de aborto –, passou a fazer o procedimento ao dar-se conta da longa espera enfrentada pela estuprada, o que não raro acabava por vencer o prazo estabelecido pela lei, até a 12ª semana de gestação.


Os médicos mais jovens atribuíram a mentalidade arcaica à formação na universidade, onde não havia debate sobre o tema e, quando havia, era obscurecido pelo pensamento conservador de alguns mestres. “Há preceptores da gente que dizem que não fazem aborto legal, que só se for em caso de risco de vida”, contou à antropóloga uma jovem ginecologista. A desinformação impressiona: embora a maioria dos obstetras entrevistados tenha presenciado mortes em consequência do aborto induzido, apenas uma minoria sabia que o procedimento é a primeira causa de mortalidade materna na capital baiana.


A médica Estela de Aquino, autora de uma investigação sobre atendimento médico a mulheres que abortaram em Salvador, Recife e São Luís, defende em seu estudo que a atenção ao aborto, ao menos nas três capitais investigadas, “encontra-se bem distante do que propõem as normas brasileiras e os organismos internacionais, incluindo os acordos assumidos pelo governo brasileiro”. O mais preocupante, porém, não é o atendimento em si, mas a parca orientação sobre os cuidados para evitar uma gravidez futura, sobretudo em São Luís. Nas três capitais, faltou às mulheres que tiveram problemas após um aborto clandestino receber das unidades de saúde informações básicas sobre métodos contraceptivos e sobre o risco que corriam de engravidar de novo imediatamente após o aborto.

 

29 de Junho de 2012 - 17h15 - No Vermelho 


Quanto custaria à Alemanha fim do euro

 


O que representa para a Alemanha estar na zona euro? Desde o início da crise, Berlim tem-se posicionado enquanto o país que menos tem a perder com a crise da moeda única, evitando ao máximo fazer cedências em acordos com os parceiros comunitários.

Por Nuno Aguiar, na Agência Dinheiro Vivo


No entanto, num cenário de rutura da zona euro, a economia alemã sofreria um choque profundo. Segundo um relatório do Ministério das Finanças a que a revista alemã “Der Spiegel” teve acesso, o fim do euro provocaria uma recessão de 10% no primeiro ano e duplicaria o atual nível de desemprego alemão.

A um dia de mais uma Cimeira da União Europeia, a corda continua a ser puxada pelos dois lados: a Alemanha (e outros países do Norte) reclama perdas importantes de soberania e programas de austeridade duros para países que queiram beneficiar de empréstimos comunitários; os países em dificuldades pedem a mutualização da dívida (eurobonds), menos austeridade e alterações de estruturas europeias, nomeadamente o papel do Banco Central Europeu (BCE). A corda tem quebrado sempre do mesmo lado – o mais frágil.

A chanceler alemã Angela Merkel tem-se mostrado intransigente em vários temas, recusando cedências. Ainda ontem terá dito aos deputados do FDP que “enquanto for viva” recusará qualquer iniciativa relacionada com eurobonds.

Portugal e outros países alienados pelos mercados financeiros têm sido encostados à parede pela Alemanha: a dureza da austeridade ou o choque da saída ou fim do euro. Mas Berlim tem todos os motivos para se esforçar para encontrar soluções para a crise. A confirmarem-se os dados do relatório a que a “Der Spiegel” publicou – o Ministério das Finanças alemão diz desconhecer o documento – significa que Merkel sabe perfeitamente o que tem a perder com a crise. Perante um cenário de recessão de 10% e cinco milhões de desempregados, a emissão de eurobonds, o reforço dos fundos de resgate e a constituição do Banco Central Europeu (BCE) como um credor de último recurso, poderão ser “males menores” para Berlim.

“Uma dissolução da zona euro teria consequências catastróficas para a economia alemã”, escreve a “Der Spiegel”. “O Ministério das Finanças [alemão] tem mantido esta informação em segredo, temendo um descontrolo do custo de salvação do euro.”

Mais: os principais parceiros comerciais alemães são países da moeda única e a zona euro permitiu o forte desenvolvimento das exportações alemães; os custos de financiamento da Alemanha estão cada vez mais baixos, registando-se mesmo juros negativos.

Os dados divulgados pela “Der Spiegel” surgem numa altura em que o apoio dos alemães à permanência na zona euro é cada vez mais baixo. Influenciados por uma narrativa de divisão da Europa entre preguiçosos (países do Sul) e trabalhadores (Norte), quatro em cada dez desejam abandonar a moeda única. Uma tendência que traz preocupações para o futuro. É que, em breve, Angela Merkel terá de convencer os alemães a votar nela. Uma retórica anti-euro pode ajudar.

Fonte: Blog Escrevinhador