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Fora de Pauta

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Sugiro discutir sobre as razões da "bolha imobiliária no Brasil". Esse blog levanta alguns pontos que mostram porque teve esse crescimento nos preços dos imóveis.

http://blogdoportinho.wordpress.com/2013/01/03/bolha-imobiliaria-2013-su...

É necessária uma reportagem com o nome forte e em uma revista de qualidade como a Carta Capital. As reportagens da Globo News, Globo, Uol, entre outros meios, são todas compradas. O que está faltando é informação para a população.

 

Sugestão de pauta

http://www.novojornal.com/politica/noticia/deputados-do-psdb-vao-a-presi...  

 

Olá,

Recebi um texto chamado "Os cinco generais presidentes", cuja autoria é atribuída ao jornalista Carlos Chagas. Uma das muitas postagens do texto é esta:

http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/677377.html

O tema do texto - a comparação entre a frugalidade da aposentadoria do ex-presidentes militares face à opulência de seus sucessores civis - já circulou por aqui e não deve ser difícil imaginar a polêmica gerada em torno dele nas redes sociais.

Como o fato de ser da lavra de um jornalista renomado tem servido de sustentação ao conteúdo apresentado, minha questão é: o texto é mesmo do Carlos Chagas? 

Um abraço a todos!

Chico Orlandini

 

do Terra

CPI votará convocações de Gurgel e jornalistas da Editora Abril
07 de agosto de 2012 15h46 atualizado às 15h50


O presidente da Comissão Parlamentar Inquérito (CPMI) mista do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), garantiu ao colega Fernando Collor (PTB-AL) que colocará em votação os pedidos de convocações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, do dono da Editora Abril, Roberto Civita, e do jornalista Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília, na próxima reunião administrativa da comissão. 

Collor acusou Gurgel de ter chantageado durante dois anos o então senador Demóstenes Torres (GO), um dos principais acusados de envolvimento no esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, cassado pelo Senado. Segundo ele, Gurgel "segurou" o inquérito da Operação Vegas para poder influenciar Demóstenes. Collor também afirmou que o procurador e a revista Veja davam cobertura ao esquema de Cachoeira.

O jornalista Policarpo Júnior foi apontado como autor de dossiê utilizado na tentativa de chantagem ao juiz federal Alderico Rocha Santos, de Goiânia. O jornalista aparece nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) lembrou a defesa do procurador Roberto Gurgel, afirmando que ele tem sido vítima de insistentes tentativas de intimidação. "Começo a desconfiar de que essa comissão esteja sendo vítima de uma conturbação para não chegar a lugar algum", disse.

 

Pena que nesta CPMI, nenhum parlamentar tenha o "Poder"de exigir que um destes futuros depoentes, Roberto Gurgel, Roberto Civitta e Policarpo Jr,seja condenado, e saia dalí algemado, por ter cometido tambem crimes graves como improbidades administrativas( Gurgel), Uso de um veículo de informação sob concessão pública, para alardear denuncias falsas contra pessoas públicas e privadas e de ter em seu quadro de funcionários, arapongas e "fabricante" de dossiês, contra juízes federais, e de vender informações confidenciais a membros de quadrilhas.

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

O Juiz que autorizou o corte de ponto de servidores públicos federais em greve, Ari Pargendler, é o mesmo que em 2010 demitiu um estagiário que estava atrás dele na fila de um caixa eletrônico.

Este ministro sempre foi contra a greve de servidores públicos embora outros do STJ entendam como um direito.

Fica a questão se foi coincidência que o recurso a  este mandado de segurança foi julgado justamente por um juiz conhecido por seu posicionamento contra greves no setor público.

E autonomia do Judiciário?

Há mais coisas no ar do que aviões de carreira.

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http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-08-07/superior-tribunal-de-ju...

Superior Tribunal de Justiça autoriza corte de ponto de servidores grevistasDecisão do presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, suspendeu decisão da Justiça Federal que impedia o corte do ponto de servidores federais em greve no Distrito Federal

Agência Brasil | 06/08/2012 21:02:26

Os servidores federais em greve no Distrito Federal poderão ter os dias parados descontados . O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, suspendeu decisão da Justiça Federal que impedia o corte do ponto.

Com a suspensão, o STJ cassou mandado de segurança concedido no último dia 25 pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O tribunal acatou pedido do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep/DF), que havia alegado que o corte só poderia ocorrer se a greve fosse considerada ilegal e abusiva, com direito a defesa por parte dos servidores paralisados.

 

De acordo com Pargendler, não é cabido autorizar que o servidor grevista seja remunerado mesmo que a paralisação seja legitima. O presidente do STJ também argumentou que decisões judiciais que impedem o corte de ponto violam gravemente a ordem administrativa, ao inibirem ato legítimo do gestor público.

 

Para Pargendler, as greves no setor público obedecem à mesma lógica do setor privado, em que o contrato de trabalho é suspenso e o direito do trabalhador ao salário é afastado. Ele ainda criticou a duração das paralisações no serviço público. “No setor público, o Brasil tem enfrentado greves que se arrastam por meses. Algumas com algum sucesso, ao final. Outras, sem consequência para os servidores. O público, porém, é sempre penalizado”, escreveu.

 

O ministro acrescentou que o desconto dos dias parados pode ser compensado com dias extras de trabalho após o fim da greve, mas entendeu que o governo tem poder para suspender a remuneração dos servidores durante as mobilizações.

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Aqui a notícia mencionando a demissão do estagário do STJ pelo juiz  Ari Pargendler

 

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/22/sou-ari-pargendler-...

'Sou Ari Pargendler, presidente do STJ. Você está demitido'

22/10/2010

A frase acima revela parte da humilhação vivida por um estagiário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após um momento de fúria do presidente da Corte, Ari Pargendler (na foto).

O episódio foi registrado na 5a delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal às 21h05 de ontem, quinta-feira (20). O boletim de ocorrência (BO) que tem como motivo “injúria real”, recebeu o número 5019/10. Ele é assinado pelo delegado Laércio Rossetto.

O blog procurou o presidente do STJ, mas foi informado pela assessoria do Tribunal que ele estava no Rio Grande do Sul e que não seria possível entrevistá-lo por telefone.

O autor do BO e alvo da demissão: Marco Paulo dos Santos, 24 anos, até então estagiário do curso de administração na Coordenadoria de Pagamento do STJ.

O motivo da demissão?

Marco estava imediatamente atrás do presidente do Tribunal no momento em que o ministro usava um caixa rápido, localizado no interior da Corte.

A explosão do presidente do STJ ocorreu na tarde da última terça-feira (19) quando fazia uma transação em uma das máquinas do Banco do Brasil.

No mesmo momento, Marco se encaminhou a outro caixa - próximo de Pargendler - para depositar um cheque de uma colega de trabalho.

Ao ver uma mensagem de erro na tela da máquina, o estagiário foi informado por um funcionário da agência, que o único caixa disponível para depósito era exatamente o que o ministro estava usando.

Segundo Marco, ele deslocou-se até a linha marcada no chão, atrás do ministro, local indicado para o próximo cliente.

Incomodado com a proximidade de Marco, Pargendler teria disparado: “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal."

Marco: “Mas estou atrás da linha de espera”.

O ministro: “Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”.

Marco tentou explicar ao ministro que o único caixa para depósito disponível era aquele e que por isso aguardaria no local.

Diante da resposta, Pargendler perdeu a calma e disse: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”.

Até o anúncio do ministro, Marco diz que não sabia quem ele era.

Fabiane Cadete, estudante do nono semestre de Direito do Instituto de Educação Superior de Brasília, uma das testemunhas citadas no boletim de ocorrência, confirmou ao blog o que Marco disse ter ouvido do ministro. 

“Ele [Ari Pargendler] ficou olhando para o lado e para o outro e começou a gritar com o rapaz.  Avançou sobre ele e puxou várias vezes o crachá que ele carregava no pescoço. E disse: "Você já era! Você já era! Você já era!”, conta Fabiane.

“Fiquei horrorizada. Foi uma violência gratuita”, acrescentou.

Segundo Fabiane, no momento em que o ministro partiu para cima de Marco disposto a arrancar seu crachá, ele não reagiu. “O menino ficou parado, não teve reação nenhuma”.

De acordo com colegas de trabalho de Marco, apenas uma hora depois do episódio, a carta de dispensa estava em cima da mesa do chefe do setor onde ele trabalhava.

Demitido, Marco ainda foi informado por funcionários da Seção de Movimentação de Pessoas do Tribunal, responsável pela contratação de estagiários, para ficar tranqüilo porque “nada constaria a respeito do ocorrido nos registros funcionais”.

O delegado Laercio Rossetto disse ao blog que o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Polícia Civil não tem “competência legal” para investigar ocorrências que envolvam ministros sujeitos a foro privilegiado."

Pargendler é presidente do STJ desde o último dia três de agosto. Tem 63 anos, é gaúcho de Passo Fundo e integra o tribunal desde 1995. Foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

 

Mas o pequeno Bull não disse que não há perigo, que o esquema foi desmembrado?


http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/08/07/senadora-acusa-grupo-de-cachoeira-de-ameaca-la-em-telefonema-anonimo.htm

 

Muitos se perguntam por que o mensalão do PT não foi desmembrado? O grande jornalista Janio de Freitas fala, inclusive, em dois pesos e duas medidas, referindo-se aos mensalões tucano – neste operou-se o desmembramento –  e o petista, onde todos os 38 réus estão sendo julgados  pelo STF.

Para desilusão da maior parte da mídia, e do Procurador Geral da Justiça, Roberto Gurgel, entre outros, o mensalão, ora em julgamento, não mobilizou – e olha que eles fizeram de tudo para que isto ocorresse – minimamente a opinião pública brasileira.  Se medido pelo Ibope o “Show do Mensalão” perderia, até, do programa matinal da Fátima Bernardes.

Chamo a atenção, aqui, para a deliberação recente do STF em relação ao processo contra o ex-senador Demóstenes Torres, que se encontrava em julgamento naquele Tribunal: “O ministro do STF Ricardo Lewandowski acolheu requerimento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e determinou a remessa dos autos do inquérito 3.430, que investiga o ex-senador Demóstenes Torres, para o TRF da 1ª região, em virtude da decisão do Senado pela cassação do mandato do ex-parlamentar.

De acordo com jurisprudência firmada pela Corte em diversos julgados (inquéritos 2.263, 2.335, 2.010 e 2.379), ‘não mais ocupando o envolvido no inquérito o cargo que deu margem à prerrogativa de foro, cessa a competência do Supremo’

Muito bem: José Dirceu (O tal “chefe da Gang ”)  e  Roberto Jeferson ( O inventor do “mensalão”) – caso houvesse  o desmembramento postulado por Márcio Tomás Bastos e brilhantemente defendido, em plenário, pelo ministro Ricardo Levandovski – cassados que foram, exatamente como  Demóstenes Torres, estariam fora do  julgamento que hoje ocorre no Supremo. O mesmo ocorreria com Delúbio Soares, José Genoino e, até, Marcos Valério.  Vale dizer o  “Maior Escândalo de todos os tempos na História do Brasil” o Show denominado “O Julgamento do Século” estaria sumariamente cancelado, não apenas por falta de público, mas, também, pela total ausência  de protagonistas. Só seriam julgados figurantes!

 

joca oeiras

Creio que seja possível resumir: o grande culpado por não ter havido o desmembramento do processo do mensalão do PT atende pelo nome de José Dirceu de Oliveira e Silva. Sem ele como réu, nada sobraria do tal "Julgamento do Século" ou "Maior escândalo da História recente do Brasil", como queiram.

 

joca oeiras

terça-feira, 7 de agosto de 2012Os Amigos do Presidente Lula

 

Engavetador de FHC, Brindeiro, recebeu R$ 680 mil de Cachoeira

 

 Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo, cuja análise foi concluída no último dia 9 de julho, revelam uma participação direta do subprocurador-geral da República Geraldo Brindeiro na defesa dos interesses do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Entre os papéis encontrados pela PF em poder de dois dos principais aliados do contraventor estão tabelas com registros de pagamentos mensais ao escritório de advocacia de Brindeiro. Os repasses, conforme os registros, somam R$ 680 mil em 2009 e 2010. O valor é quatro vezes superior ao montante descoberto até agora pela CPI do Cachoeira. Em maio, o senador Pedro Taques (PDT-MT) denunciou depósitos de R$ 161 mil para o escritório do subprocurador. Conversas telefônicas descritas num dos relatórios da PF apontam um suposto encontro entre Brindeiro e o braço direito de Cachoeira, Lenine Araújo de Souza, considerado o segundo nome na hierarquia da organização criminosa. Num diálogo entre Lenine e Cachoeira, poucos dias antes de serem presos, o primeiro relata uma consulta jurídica feita a "Brindeiro" num hotel. Geraldo Brindeiro exerceu por quatro vezes o cargo de procurador-geral da República, durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. Os quatro mandatos sucessivos se estenderam de 1995 a 2003. Ele continua no cargo de subprocurador-geral da República e, a partir de fevereiro de 2006, passou a ser sócio - com 18% das cotas da sociedade - no escritório de advocacia Morais, Castilho & Brindeiro. É este escritório o destinatário de dinheiro repassado pelo grupo de Cachoeira, segundo a PF. Brindeiro já se explicou à CPI em junho, por meio de um ofício em que sustenta a legalidade do exercício da advocacia, permitida a membros do Ministério Público que ingressaram na instituição antes da Constituição Federal de 1988. No mesmo ofício, o subprocurador nega qualquer tipo de relacionamento com Cachoeira e com o contador responsável pelos repasses de R$ 161 mil, Geovani Pereira da Silva, denunciado na Operação Monte Carlo. Ao elaborar o relatório sobre a perícia feita no computador de Adriano Aprígio de Souza, considerado o principal testa de ferro de Cachoeira, a PF cita a existência das tabelas com registros de pagamentos de R$ 680 mil a "Brindeiro". Os papéis foram encontrados na Vitapan Indústria Farmacêutica, empresa que já foi colocada no nome de Aprígio e que seria usada pelo bicheiro para lavar dinheiro do jogo, conforme investigação da PF. Nas planilhas, os pagamentos foram contabilizados com três referências: RC, EC e CR. De acordo com o relatório da PF, as siglas se referem a Roberto Sergio Coppola, Electro Chance Gaming Suppliers e Carlos Ramos, o Cachoeira. Conforme os documentos apreendidos, Aprígio adquiriu 48% das cotas da Electro Chance, mediante pagamento de R$ 3,3 milhões. O verdadeiro sócio seria Cachoeira, que usou o ex-cunhado como laranja, segundo a PF. Coppola e a Electro Chance exploram a jogatina na Argentina. "Os documentos aduzem a possibilidade de a empresa operar também no Brasil. Isso explicaria os pagamentos efetuados ao escritório Morais, Castilho & Brindeiro, em razão do interesse do funcionamento dos jogos no Brasil", cita o relatório da PF concluído em 9 de julho.

 

Se o advogado Brindeiro recebeu como advogado, qual o problema? O ex-Ministro Marcio Thomaz Bastos mas recente Ministro da Justiça recebeu muito mais e ninguem achou estranho. A origem do dinheiro é exatamente a mesma.

 

Medicina para todos

A discussão é antiga, nos moldes sobre quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha. Qual razão para preços exorbitantes das drogas para tratamentos de doenças graves, cujo óbito parece iminente.

Além da patente e segredos dos princípios ativos não teríamos aí outra demonstração da sanha impiedosa do capital pelo lucro?

 

Blog do Bob Fernandes

 

Mensagem para o Brasil: Olimpíadas são um fracasso econômico

 

 


Na mídia inglesa, retratos reais das Olimpíadas (Foto: Terra)

 

 

POR BOB FERNANDES, DIRETO DE LONDRES


 

Espetacular, histórico Michael Phelps e sua coleção de vitórias e medalhas. De arrepiar, assistir Usain Bolt se tornando bicampeão e lenda com o estádio lotado a gritar seu nome em coro. Bela Olimpíada, a de Londres. Bela, mas que na sua última semana já pode enviar uma duríssima mensagem para o Brasil da Rio 2016 e da Copa 2014. A mensagem é esta:

-Os gastos são gigantescos, os lucros milionários não passam de uma ilusão e irão apenas para os de sempre, para quem já é muito grande, e em eventos desse porte o prejuízo econômico coletivo é, tem sido historicamente inevitável.

Aqui, como ai no Brasil, autoridades de todos o níveis fazem, fizeram desde o então primeiro ministro Tony Blair, em 2005, discursos otimístas, o me-engana-que-eu-gosto. Discursos que não resistem aos números, aos fatos, ao que se vê.

Os ingleses gastaram 9 bilhões de libras, uns R$ 30 bilhões para fazer sua Olimpíada. Agora, mesmo em meio ao orgulho por Jogos bem montados, as autoridades têm que se justificar, se explicar.

Aqui, como ai ou em quase todo lugar, as autoridades mentem. Mas quando mentem aqui são, quase sempre, desmentidos (e, importante, isso independe da cor partidária) e ridicularizados nas manchetes.

David Cameron, agora primeiro ministro, fala, constrangidíssimo, em um lucro final de "13 bilhões" de libras, algo como R$ 42 bilhões. Gargalhadas e deboche na mídia.

O prefeito de quando a cidade disputava os Jogos em 2005, Ken Livingstone, dizia que os Jogos seriam a “Regeneração” de Londres. Sebastian Coe, o Chefão do Comitê Olímpico Local falou todo o tempo sobre a “Olimpíada do lucro”.

Boris Johnson, o atual prefeito, delirou há duas semanas. Anunciou a expectativa de “um milhão de visitantes extras” por dia. No Guardian, o mais respeitado jornal londrino, um articulista resumiu assim o delirio do prefeito:

-Ele sabe que isso é lixo.

Mas, antes de focarmos apenas em Londres 2012, um mergulho em outros eventos de mesmo porte nos últimos tempos.

Foram feitas tomografias nas Olimpíadas de Pequim, Atenas, Barcelona e Atlanta. O Guardian define como “implacável” e “preventivo” um estudo nestas sedes feito pela  Associação Internacional de Economistas e Esportes (IASE).

Resumo do durante e, em especial, do depois de Olimpíadas:

-Dívidas, estádios e parques vazios, desilusão posterior.

Segue o enterro:

-Um Estudo de Sydney feito pela Monash University da Austrália descobriu que não houve benefício tangível nenhum e nem “impulso econômico” a partir dos Jogos.

Título de um relatório da mesma IASE sobre a Olimpíada de Atlanta (EUA):

-Ouro de Tolo.

Leia um trecho do que foi encontrado nos despojos de Atlanta e pense no Brasil-brasileiro, onde, a se crer no que se lê, vê e ouve, o corrupto é sempre e apenas o outro; o outro partido, o vizinho, o guarda ou autoridade que recebe a propina. Está no relatório sobre Atlanta:

-Desvios de recursos escassos que poderiam ter uso mais apropriado e produtivo no combate às lentas taxas de crescimento econômico…

Aqui, como aí e em em quase todo lugar, autoridades repetem o mantra “legado, legado…”. Barcelona é sempre citada como um exemplo apenas positivo. De fato, o legado lá é evidente, mas há também o que revelaram os estudos:

-Os hotéis de Barcelona já tinham uma queda entre 50% e 80% apenas um ano depois dos Jogos. A prosperidade da cidade, que veio depois, é atribuida aos vôos baratos e ao posterior boom espanhol.

Pequim 2008, além do suntuoso elefante branco de tão saudosa memória, o Ninho de Pássaro para 95 mil espectadores, “não teve elevação nenhuma relacionada aos Jogos”, atestam os relatórios.

Copa do Mundo não é diferente, se não for pior diante da, digamos, qualidade das famiglias envolvidas no negócio.

Quem foi à Africa do Sul, viu e sabe. O Estádio de Johanesburgo para a Copa 2010 é outro elefante branco, assim como é um escândalo, e outro elefante branco, o belíssimo e bilionário estádio da Cidade do Cabo.

O Brasil, suas 12 sedes e a fiera de estádios e construtoras e “donos” da Copa e Jogos e etctera dispensam maiores análises. Por ora.

Voltemos às Olimpíadas.

Seria muito bom, talvez se evite o desastre se autoridades do Brasil derem atenção à advertência feita, ainda em 2006, num minucioso relatório para o European Tour Operators:

-O esporte leva a uma "notória e estreitamente focada" forma de viajar, sem repercussões no turismo de forma mais ampla.

Durante Jogos Olímpicos o destino dos visitantes costuma ser, especificamente, a Olimpíada e seus arredores.

Relata o Guardian:

-Mais irônico é o que disse Mitchell Moss, de como Nova York “ganhou” as Olimpíadas. Ele mostra como, ao perder os Jogos de 2012 para Londres, os recursos da cidade foram alocados para o Lower West Side e outros locais agora em expansão.

Tessa Jowell foi importante ministra de Tony Blair, batalhadora em favor dos Jogos em Londres. Em 2005, como argumento, dizia ela sobre o legado deixado para Atenas, Grécia:

-Atenas se tornou um lugar diferente, uma cidade mais limpa, mais brilhante, vibrante e moderna…

Como se sabe, em 2005 Atenas já estava à beira do precipício, e o custo dos Jogos, com escassos retornos para a sociedade, foi um empurrão até essa beirada. Como se sabe, a Grécia é hoje um pais humilhado e revoltado, de pires nas mãos. 

E quanto a Tony Blair e Tessa Jowell? Ora, eles vivem bem, muito bem. Tony vive a flanar e faturar com palestras mundo afora. Tessa, recentemente foi tornada “Dama” britânica.

Com isso, voltemos a Londres.

Há uma semana o jornal Daily Mail  publicou reportagem de página dupla. Manchete:

-Londres deserta.

O Guardian tem publicado reportagens, artigos e análises que atestam o fracasso econômico-financeiro dos Jogos. Destes, e de outros. Chovem números e depoimentos.

Bernard Donoghue, da associação das principais atrações turísticas, diz:

-Existem dois grupos de pessoas desaparecidas. Um, e isso está ficando claro, o dos visitantes habituais de Londres, assustados porque tudo ficaria caro. Outro, o dos britânicos e londrinos depois dos anúncios de que o transporte seria um pesadelo (NR: e que, por isso, seria melhor trabalhar e ficar em casa.)

Fato. Londres, que nessa época de verão costuma receber 300 mil visitantes, está recebendo 100 mil turistas. Os departamentos de estatísticas informam que nesse começo de verão caiu em 35% o número de visitantes das atrações turísticas tradicionais.

Nem seriam necessários os números. Quem vem a Londres mesmo de vez em quando sabe que a cidade está mais vazia, ao menos até o início dessa última semana de Olimpíada.

Depoimentos de um hoteleiro da TripAdvisor:

-O impacto negativo dos Jogos Olímpicos foi uma surpresa negativa para os negócios.

Do total de associações empresariais e de comércio; hotéis, restaurantes, teatros, pontos turísticos… vazam relatórios dando conta de uma queda média de 30%. Já se fala em uma ação conjunta contra o prefeito Boris Johnson.

Diz um articulista do Guardian:

-Estes homens estavam mentindo ou seus apparatchiks não se atreveram a dizer a verdade a eles.

Em meio à crise que derrete boa parte da Europa, a Inglaterra ainda vive seu momento patriótico, de orgulho com os Jogos. Mas já se sabe que para não ficar no crescimento zero, terá que crescer 1% nos dois últimos trimestres deste 2012.

Em longa análise no Guardian sobre os tais “legados” olímpicos e avidência do fracasso econômico-financeiro (para o todo das sociedades envolvidas em eventos como esse), Simon Jenkis termina com uma advertência para o Brasil:

-Londres não vai recuperar o custo dos Jogos Olímpicos, podem esquecer isso. Depois de ter gasto o dinheiro, devemos pelo menos descansar e nos divertirmos. Mas devemos parar de fingir…

No encerramento, a dura mensagem, a real para o Brasil:

-…As verdadeiras vítimas da falsidade de Londres, desse entorpecimento mental, serão os pobres e infelizes, os cidadãos do Rio em 2016. Eles realmente não podem pagar.

Simon Jenkis se esqueceu da Copa 2014.

 

http://esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/bobfernandes-londres2012/blog/2012/08/06/mensagem-para-o-brasil-olimpiadas-sao-um-fracasso-economico/

 

 

 

 

Nassif, isso o que o Kajuru diz é muito sério !!

 

 

Queria ser uma mosquinha pra ver a cara dos ministros dorminhocos diante das fotos estampadas em jornais  sites os mais variados. Que vergonha!

 

Maria, eu queria ser mosquinha também. Iria adorar presenciar as conversas NOS INTERVALOS DOS 30 MINUTOS ... deve voar pena/toga !!! Acredito que a do Gurgel já deve estar esfarrapada. 

Algum ministro já deve ter "lhe" confidenciado: "MAS QUE LAMBANÇA "V. Excia" FEZ!"

 

Dirceu e o ‘mensalão’

Da Carta Capital

O advogado do ex-ministro José Dirceu abre hoje o tempo reservado à defesa dos réus do chamado mensalão. As próximas sessões até o dia 14 serão dedicadas à argumentação dos defensores, embora, nesta altura, a exposição no plenário tenha pouquíssimo efeito sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal. Alguém duvida de que os 11 magistrados já elaboraram seus votos?

A defesa de Dirceu sustentará a falta de provas contra o ministro. É um argumento forte, pois a acusação, como deixou claro o próprio procurador-geral da República na sexta-feira 3, é bastante omissa neste ponto. Aponto aqui um dos motivos dessa ausência de provas. Nem as tantas CPIs que investigaram o esquema, com especial destaque para a dos Correios, nem o Ministério Público Federal tiveram interesse em aprofundar a participação do banqueiro Daniel Dantas no financiamento do chamado “mensalão”. Se tivessem resistido às pressões, achariam os elos de Dirceu com o núcleo do esquema.

Reproduzimos aqui uma reportagem da edição 354, de 10 de agosto de 2005, intitulada “A Conexão Lisboa” (leia clicando AQUI). Naquela altura, o resto da mídia noticiava que o publicitário Marcos Valério e o então tesoureiro do PTB Emerson Palmieri viajaram a Lisboa para negociar a venda do estatal Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) com o Espírito Santo, banco português.

CartaCapital foi a única publicação à época a relatar o que aconteceu de fato, como atestam agora os testemunhos colhidos durante o inquérito e hoje repetidos pelo restante da mídia: a dupla viajou para tentar vender a Telemig Celular à Portugal Telecom. O Espírito Santo era (ou é) um dos principais acionistas da operadora portuguesa, por isso o encontro de Marcos Valério e Palmieri com dirigentes da instituição financeira.

É importante reforçar: quando CartaCapital noticiou o real motivo da viagem a Portugal, o resto da mídia ignorou e insistiu na tese da venda do IRB. Como o fato está citado na denúncia da PGR, os jornalistas agoram o noticiam como se, para eles, não fosse novidade. Como se sempre tivessem informado corretamente seus leitores, ouvintes e telespectadores.

A venda da Telemig era um dos  tantos lobbies de Marcos Valério no governo. Sua concretização renderia milhões a Dantas (e a quem o ajudasse). Qual era o plano? Vender a Telemig Celular e, com o dinheiro, comprar a parte da Telecom Itália na Brasil Telecom. Qual era o problema? Os fundos de pensão, em especial a Previ, em intensa batalha judicial contra o Opportunity. Dantas precisava convencer os fundos a aceitar o negócio nas condições propostas por ele.

Havia uma divisão dentro do governo do PT. De um lado, o ministro Antonio Palocci era simpático à causa de Dantas. De outro, o ministro Luiz Gushiken, aliado dos fundos de pensão, era terminantemente contra. Com o passar do tempo, Dantas cooptou um ex-adversário: Henrique Pizzolatto, então diretor de marketing do Banco do Brasil (ele recebeu uma bolada do esquema de Marcos Valério e comprou um apartamento). Dirceu, que atuava como pêndulo, também acabou cooptado.

A função de Dirceu era conseguir dobrar os fundos de pensão. Por isso, o ministro, segundo relatos colhidos por mim em 2005, trabalhou para derrubar Sergio Rosa da presidência da Previ e instalar no seu lugar um aliado, talvez Pizzolatto, ex-dirigente da fundação. Vencida a resistência da Previ, maior acionista das teles entre os fundos, os demais (Funcef e Petros) viriam a reboque.

Ao encontrar os portugueses em Lisboa, Marcos Valério se apresentou como emissário do governo brasileiro. Garantiu o aval do Planalto à transação e disse que a resistência dos fundos, bem como a intensa litigância no setor, seria vencida. Palmieri, durante a viagem, entendeu melhor o papel do publicitário no financiamento do PT. E relatou tudo a Roberto Jefferson, que mais tarde revelaria ao Brasil a existência do “careca” Marcos Valério.

Colocar Dantas no meio do mensalão era inconveniente para todo mundo, inclusive para o PSDB, pois o banqueiro aparece igualmente no valerioduto mineiro, e para a mídia, que perderia o discurso atual: de que se trata de um escândalo sem precedentes no Brasil, baseado na compra de votos de parlamentares. E não um sistema nascido em Minas Gerais e absorvido pelo PT, um clássico esquema de caixa 2 (que deve ser punido com o mesmo rigor, aliás).

Por causa do esforço de uns poucos parlamentares, o banqueiro acabou convocado à CPI dos Correios. No relatório final da comissão, foi citado por alto. Gushiken, grande desafeto de Dantas, entraria no rolo. Acusado de participar do chamado “mensalão”, virou réu no processo (agora o Ministério Público pede sua absolvição por falta de provas).

Veremos se o STF se convenceu ou não da tese do pagamento regular a parlamentares em troca de apoio no Congresso. As dúvidas continuam: por que deputados do PT precisariam receber para votar com o governo? Por que o padrão das votações de matérias de interesse do Palácio do Planalto não mudou substancialmente nos períodos em que o mensalão foi supostamente pago? Houve desvio de recursos públicos? Em que quantidade?

Dirceu conta com a dificuldade da PGR em responder a tais perguntas.

http://www.cartacapital.com.br/politica/dirceu-e-o-mensalao/

 

Do jornalista Janio de Freitas, no programa Roda Viva da TV Cultura sobre a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso:

"... o mais grave dos episódios desde a saída do Figueiredo. Essa, sim, é uma compra comprovada, atestada."


Folha de São Paulo

O Brasil é 'primário', diz Janio de Freitas na TV

O colunista de política da Folha foi entrevistado no programa 'Roda Viva', da TV Cultura

DE SÃO PAULO

O Brasil ainda é um país com pouca força institucional, ou "primário", nas palavras de Janio de Freitas, colunista da Folhaentrevistado ontem no programa "Roda Viva", da TV Cultura.

Apresentado como "decano da crítica política no Brasil" pelo âncora Mario Sergio Conti, Janio de Freitas fez críticas ao fisiologismo no Legislativo, à política do "toma lá, dá cá" do Executivo e à lentidão do Judiciário.

"Você acha que depois de esperar 30 anos, ainda que se ganhe [uma ação], isso pode ser considerado justiça? Só o Judiciário de um país primário pode permitir isso", disse, exemplificando com o escândalo do mensalão, que se tornou público em 2005, mas só agora está sendo julgado.

O colunista disse que tem "uma tendência" a se identificar com as causas sociais e, por isso, aceita quando o rotulam como "de esquerda".

Ele fez críticas aos ex-presidentes Lula, por ter mudado o discurso ao assumir o poder, e Fernando Henrique Cardoso. A compra de votos para a reeleição, revelada pela Folha em 1997, foi classificada como "o mais grave dos episódios [...] desde a saída do [presidente João Baptista] Figueiredo [1985]", disse. "Essa, sim, é uma compra comprovada, atestada."

O colunista também fez críticas à imprensa. Reclamou, entre outras coisas, da excessiva preocupação dos jornais com aspectos estéticos.

 

Defesa diz que prova testemunhal será decisiva e que depoimentos absolvem José Dirceu

por Luiz Carlos Azenha

Não existem provas nos autos para condenar o ex-ministro José Dirceu na ação penal 470, argumentou esta tarde diante do Supremo Tribunal o advogado José Luís de Oliveira Lima.

Ele aceitou o pressuposto do procurador-geral Roberto Gurgel, segundo o qual os depoimentos de testemunhas terão papel decisivo no caso.

Porém, segundo Oliveira Lima, não há nos autos depoimentos de testemunhas que confirmem as acusações da Procuradoria.

“A defesa entende que o Ministério Público fechou os olhos para os autos”, afirmou, argumentando que Roberto Gurgel evitou citar testemunhos contra Dirceu pela inexistência deles.

“Não venho pedir a absolvição de José Dirceu pela sua história”, disse. ”Peço a absolvição de José Dirceu com base nas provas dos autos”.

Ao concluir, afirmou que a denúncia de Gurgel foi “o mais atrevido e escandaloso ataque à Constituição Federal”.

O advogado iniciou sua apresentação dizendo esperar que o STF decida o caso com base nas provas constantes dos autos e afirmou que “não há nenhuma prova, nenhum depoimento, nenhuma circunstância” que sustente a condenação do ex-ministro José Dirceu.

Estranhou que Gurgel, aos apresentar suas alegações finais, tivesse desprezado os mais de 600 depoimentos colhidos com contraditório, ou seja, perante um juiz e as partes.

A certa altura, afirmou: “Eu não estou em um debate político”, deixando subentendido que a acusação está em busca de uma condenação política de seu cliente.

Oliveira Lima mencionou vários depoimentos que sustentam a tese da defesa, dentre eles os da atual presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula, do ex-vice presidente José Alencar e de petistas que hoje ocupam ministérios, como José Eduardo Cardozo (Justiça), Paulo Bernardo (Comunicações) e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais.

O advogado citou muitos outros depoimentos, sempre sublinhando que a acusação não tinha feito o mesmo.

Ele negou a acusação de que José Dirceu, enquanto ministro da Casa Civil, beneficiou o banco mineiro BMG com autorização para operar o crédito consignado. Disse que não existe qualquer prova de que o ex-ministro agiu junto a órgãos de controle — Banco Central ou Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) — para deixar de fiscalizar as instituições financeiras que operaram o chamado mensalão.

“Qual o depoimento que sustenta isso?”, disse. “Onde está isso nos autos?”.

Segundo Oliveira Lima, quando José Dirceu assumiu a Casa Civil “deixou de participar da vida do partido”, numa referência ao Partido dos Trabalhadores. O advogado afirmou que existem “dezenas de depoimentos” demonstrando isso, como os dos deputados Maurício Rands e Carlos Abicalil.

O ex-ministro José Dirceu, segundo a defesa, não tinha conhecimento das atividades do Tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que assumiu a culpa pela movimentação financeira que deu origem ao escândalo. Delúbio alegou que o esquema visava o pagamento de dívidas de campanha do PT e de partidos aliados, ou seja, caixa dois.

Sobre a relação de José Dirceu com Marcos Valério, o operador do chamado mensalão, a defesa do ex-ministro mais uma vez mencionou as testemunhas.

Segundo a denúncia de Roberto Jefferson — confirmada por outro petebista, Emerson Palmieri — uma das provas da relação de Dirceu com Marcos Valério foi o encontro deste com o presidente da Portugal Telecom, na qual o publicitário mineiro teria falado como representante do PT e pedido dinheiro para ajudar o PTB. Dirceu teria intermediado o encontro.

O advogado de Dirceu lembrou que outros dois depoimentos — o do próprio Valério e o do advogado Rogério Tolentino — contradizem Jefferson. Ouvido, o presidente da Portugal Telecom desmentiu Jefferson e Palmieri. Ou seja, seria um 3 a 2 para Dirceu.

A defesa argumentou que José Dirceu não foi o responsável pelos pedidos de empréstimo ou de emprego de sua ex-mulher, Angela Zaragoza, junto a instituições financeiras envolvidas no chamado mensalão.

Oliveira Lima deixou quase para o final a acusação de que a quadrilha chefiada por seu cliente tinha como objetivo comprar votos no Congresso para aprovar projetos do governo Lula.

“No período em que ocorreram os maiores saques o governo perdeu a maioria das votações”, afirmou.

Ele disse que a aprovação da reforma da Previdência, no início do governo Lula, foi comandada pelo então ministro Ricardo Berzoini e que Antonio Palloci, ministro da área econômica, liderou a aprovação da reforma tributária — não a Casa Civil de José Dirceu.

De novo, o advogado alegou que não há nos autos testemunhos sobre a tentativa de compra de votos, neste caso de parlamentares.

Lembrou que o Partido Liberal, do ex-vice-presidente José Alencar, era aliado do PT antes da eleição e, portanto, não faria sentido comprar votos de um partido que chegou ao governo como parte da base aliada, assim como não faria sentido comprar votos de parlamentares do próprio PT.

“Qual é a lógica?”, perguntou.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/defesa-diz-que-prova-testemunhal...

 

A matéria é extensa. Mas, altamente reveladora da atual situação de "TERRA DE NINGUEM", ou melhor "TERRAS DA COROA DE MINAS" em que se transformpmou o Estado a partir da ascensão ao Trono" do Baladeiro do Baixo Leblon. As ações expostas na matéria dão conta de ações dignas de Bando de Celerados" ou de grupos de inspiração nazista que lançam mão de métodosutilizados pela polícia política de Hitler, a Gestapo ou,ainda, da violência patrocinada pelas "SS". Isso é Minas Gerais, isso é o midiático "choque de gestão" do Aócio.

A divulgação do que está em tela é importante para quem se indgna com o aguso de poder patrocinado por esse governo que aparelhou, com o pior tipo de político, toda a máquina do estado. SOCORRO!

Deputados do PSDB vão a presídio pressionar preso políticoDepois de encarcerado e agredido dentro de presídio, Monteiro recebe proposta de parlamentares do PSDB para mentir sobre a Lista de Furnas Confira tambémAdvogado de José Dirceu contesta acusações do MP no mensalãoDefesa de Delúbio Soares admite uso de caixa 2Deputados do PSDB vão a presídio pressionar preso políticoCPI ouve depoimentos de atual e ex-mulher de CachoeiraAdvogados de réus acham que Marcos Valério será preso  InteraçãoImprimirEnviar por e-mail  DeliciousDiggGoogle bookmarksRedditWindows liveYahoo my web

Em tempos obscuros da democracia brasileira Graciliano Ramos, detido pela Polícia Política do regime então vigente escreveu uma obra prima da literatura nacional, “Memórias do Cárcere”. Mesmo sem o talento do escritor, o lobista Nilton Antonio Monteiro narra o mix de terror, pressão, dinheiro e poder a envolver notadamente o primeiro período em que ele foi preso.

De acordo com o mesmo, em documentos autenticados página por página para o Novojornal, “o fato foi determinado ao delegado Márcio Nabak por influência do atual deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Brandão de Azeredo (PSDB), do atual secretário de Governo, Danilo de Castro, da juíza Rosimeire das Graças do Couto, do promotor Adriano Botelho Estrela, da promotora Rita de Cássia Mendes Rolla, do ex-presidente da OAB Seção de Minas Gerais, advogado Raimundo Cândido Júnior, do empresário e ex-deputado federal Vittorio Medioli, do ex-tesoureiro de campanha do senador Eduardo Azeredo, Cláudio Mourão, do empresário Antônio Pontes Fonseca, proprietário da Calsete Siderúrgica Ltda., na cidade de Sete Lagoas e integrantes da Felipe Amodeo Advogados Associados”.

Para Nilton Antonio Monteiro, a entrada do delegado Márcio Nabak na história, substituindo o colega dele João Otacílio Silva Neto na qualidade de chefe do Deoesp, “teve exatamente a finalidade de tentar desqualificar a Lista de Furnas”, além de desqualificá-lo pessoalmente.

O lobista faz uma acusação grave ao afirmar que antes de ser preso o delegado Nabak, já substituindo João Otacílio, lhe fez “uma proposta milionária dizendo-se portador da cifra de cinco milhões de reais provenientes dos cofres de Vittorio Medioli, Antônio Pontes Fonseca e Felipe Amodeo, para ser dividido entre os dois, para que todos os problemas fossem encerrados”, principalmente o caso a envolver a Lista de Furnas.

Para a viabilização do pretendido bastava a Nilton Antonio Monteiro reconhecer como falsa a Lista de Furnas, o que teria gerado sérias conseqüências para o deputado estadual mineiro Rogério Corrêa, do Partido dos Trabalhadores – PT – e mais pessoas ligadas a ele. Nilton afirmou não poder aceitar a proposta, “pois a lista é reconhecidamente autêntica”.

Além disso, o delegado Márcio Nabak pediu todos os documentos envolvendo o secretário Danilo de Castro. Principalmente o que consta o nome de José Tasso de Oliveira, ex-diretor da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A – Escelsa.

Nilton acusa a autoridade policial de ter desaparecido com peças do inquérito e salienta que fez, sem sucesso, denúncias à Corregedoria da Polícia Civil, à Fazenda Pública e ao Ministério Público de Minas Gerais.

A primeira prisão dele “ocorreu na porta da Corregedoria no dia 20 de outubro de 2011, ligada à prisão, em Vila Velha, no Espírito Santo, de Maria Maciel de Souza, posteriormente transportada para Belo Horizonte.

Horror

De acordo com Monteiro, primeiro os policiais foram com ele até a residência onde ele morava e depois o conduziram ao Deoesp onde foram feitos dois autos provisórios de apreensão de documentos. Na noite do mesmo dia, o prisioneiro foi conduzido para o Departamento de Investigações – DI.            

– “Onde fiquei junto a 40 outros presos num ambiente imundo e nojento, todas as pessoas como eu dormindo no chão”.

Pela manhã, o prisioneiro foi conduzido sob escolta para depor perante o delegado Márcio Nabak e o promotor Adriano Botelho Estrela, que Nilton Antonio Monteiro acusa de “pertencer ao grupo ligado ao secretário Danilo de Castro”. À noite, Nilton retornou ao DI onde dormiu.  Foram lavrados mais dois autos de apreensão na presença do senhor promotor e com a assistência da defesa.

À noite, conta o depoente, há horas tantas um grupo de policiais abriu a porta do xadrez e empurrou para dentro outro preso – segundo ele, um negro bastante forte.

- Eu não conseguia dormir e estava atento, preocupado com toda a situação. O novo preso vasculhou todo o ambiente com o olhar e se dirigiu para o meu lado, me derrubando e pisando fortemente em meu pescoço. Pensei que ia ser morto.

Mas os demais presos intervieram, gritaram muito e os policiais em serviço acabaram por retirar o agressor do local. Na opinião de Nilton Antonio Monteiro, “isso aconteceu a mando de alguém”. Ele confessa que o episódio o deixou bastante abalado. Depois ele foi transferido para o Ceresp Gameleira, tendo ficado preso durante quatro meses antes de ser libertado para posteriormente ser novamente detido.

Intervenção do Poder

Ainda detido no Ceresp Gameleira, conta Nilton Antonio Monteiro, certa manhã ele foi retirado da cela para conversar com o delegado Márcio Nabak que voltou a fazer referência a uma proposta que tinha para lhe apresentar. Porém, antes de dizer do que se tratava pediu-lhe para acompanhá-lo a uma sala mais reservada onde estavam os deputados federais tucanos Rodrigo de Castro, filho do secretário Danilo de Castro,  Marcos Pestana, ex-secretário estadual da Saúde no governo Aécio Neves, atual presidente do PSDB mineiro e Domingos Sávio, que foi líder da bancada do PSDB também no governo do atual senador por Minas Gerais.

A conversa, segundo Monteiro, foi iniciada por Nabak afirmando-lhe que aquela era a última chance que ele teria para negar a autenticidade da Lista de Furnas em troca de uma deleção premiada capaz de comprometer o deputado estadual petista Rogério Correa e pessoas a ele ligadas.

O depoente acusa o deputado Rodrigo de Castro, Mascos Pestana e Domingos Sávio de se referirem ao PT “como partido de bandidos”, “tendo Rodrigo argumentado que os petistas pagam muito bem. Marcos Pestana por sua vez queria saber de outros documentos que eu pudesse ter comigo, se algum envolvia o senador Aécio Neves. Rodrigo de Castro só queria saber de documentos envolvendo o nome do pai dele e se eu tinha algum tipo de ligação com o deputado estadual Durval Ângelo, do PT”. Foram muitas as insistências feitas, “sempre com o Márcio Nabak insistindo em delação premiada e afirmando que o deputado Rogério Correa é bandido”. Mas diante da resistência de Nilton Monteiro, “os deputados foram embora e eu voltei para a prisão”. Se Nilton Antonio Monteiro tivesse aceitado as condições do grupo seria chamado, como foi dito a ele o promotor Adriano Botelho, Estrela para testemunhar os procedimentos legais.

- A respeito desse assunto eu escrevi para os deputados estaduais Rogério Correa e Durval Ângelo, informando o que tinha acontecido.

Segunda prisão

A segunda prisão de Nilton Monteiro ocorreu nas dependências da Fazenda dos Parreiras, em posse do depoente, quando ele lá estava tratando de negócios envolvendo a propriedade e que ele discordava por entender que eram procedimentos “executados” para de alguma forma comprometê-lo.

Ele conta que caminhava em companhia do seu sogro quando dois policiais saíram por detrás de árvores e lhe deram voz de prisão, não permitindo que ele, que estava sem camisa, pudesse pelo menos voltar na sede da fazenda para se trajar por completo. Foi algemado com as mãos para trás e conduzido a uma viatura descaracteriza. Nilton tem desconfianças de que um ex-funcionário da fazenda telefonou avisando os policiais que ele estava no local. Algemado, ele conta que foi “arrastado uns 200 metros”, sendo conduzido para a Delegacia de Venda Nova. Uma longa viagem.

Antes de chegar à prisão, pelo menos por três vezes os policiais que o detiveram, sem exibir o devido mandado de prisão, pararam em locais variados e o deixaram sozinho no interior do veículo, dando-lhe “oportunidade de fuga”, o que ele em momento algum tentou, presumindo ser aquilo uma manobra para existir a oportunidade de execução sumária sob o argumento de tentativa de fuga. As saídas eram demoradas, perto de matagais e os policiais postados à distância que lhe permitiria tentar escapar, porém, sob o risco de tombar por disparos de armas de fogo potentes e de longo alcance. Em uma dessas paradas ele escutou um dos seus captores dizer: “O cabrito está preso”. Em outra ocasião os autores da prisão receberam um papel cujo conteúdo até hoje Nilton Monteiro não sabe do que se trata. Até então a sua prisão era caracterizada mais por arbitrariedades do que legalidades, principalmente a ausência de um advogado de defesa. No trajeto os policiais ainda foram à casa de um delegado no bairro Santa Amélia, “onde outro papel cujo teor eu também desconheço foi buscado”. De lá a viatura seguiu para Venda Nova.

“Quando chegaram à Delegacia de Polícia de Venda Nova, eles me colocaram no “coró” (cela na gíria dos presos comuns”. Nilton reclama que ficou muito tempo sem comer e só aí foi oferecido a ele um lanche que ele se recusou a comer “temendo ser envenenado”. Quando ia jogar o alimento ao lixo outro preso disse que comeria, mas Nilton o advertiu:

- Se você quer comer que coma, mas se morrer envenenado eu não terei culpa nenhuma.

Mesmo assim o preso se alimentou e nada aconteceu. Enquanto ele comia o telefone celular dele tocou e depois de terminada a conversa Nilton perguntou a ele se poderia usar o aparelho, o que foi consentido, oportunidade em que Monteiro se comunicou com a família para dizer que do momento da sua prisão até àquela hora estava sem a assistência de um advogado, sem camisa (apesar do tempo bastante frio) e sem comer. Monteiro ficou até aproximadamente meia noite em Venda Nova, horário em que foi transferido para o Deoesp onde dormiu algemado tanto nos pulsos quantos nas pernas, inclusive com a utilização de correntes nos tornozelos; Posteriormente Nilton Antonio Monteiro foi informado que ele não poderia ter dormido naquelas dependências e de outro fato bastante grave, sem ter sido submetido a um Auto de Corpo de Delito. Tais fatos já estão comunicados ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Os mesmos episódios encontram-se relatados à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

 Nilton Antonio Monteiro só foi transferido novamente para o DI depois dos policiais rodarem muito com ele por diversos lugares, já num domingo, quando a sua prisão ocorrera no sábado. Porém, nesse ínterim foi convocado a depor perante a delegada da Polícia Federal Josélia Braga da Cruz. Foi sugerido a Nilton Antonio Monteiro, pela delegada, a sua ida para o presídio de segurança máxima da Papuda, em Brasília, por questões de segurança e proteção de testemunha. Segundo ele, a delegada federal “desempenhou o seu papel com extremo profissionalismo”. Dela ouviu da impossibilidade de transferência para a Nelson Hungria, que abriga igualmente presos da esfera federal indo parar no complexo penitenciário de Neves onde ficou até 17 de maio de 2012 “sob intensa vigilância, porém, sem sofrer nenhum mau trato”. Ao contrário da PF, a polícia mineira pretendia que Nilton Antonio Monteiro ficasse detido no Departamento de Investigações – DI. Hoje as autoridades competentes estão redobrando cuidados para que nenhum tipo de agressão ocorra a ele e membros da sua família.

Confirmação

O deputado estadual Rogério Correa, do PT, confirmou estar protocoladas na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais as cartas enviadas por Nilton Antonio Monteiro denunciando a trama que estava sendo armada, frisando que o seu colega Durval Ângelo também recebeu as mesmas informações. Além do mais, Rogério Correa disse ter encaminhado a denúncia ao Ministério Público de Minas Gerais “que não tomou providências”.

Ele comenta que o delegado Márcio Nabak repassou à revista “Veja” informações tentando incriminá-lo e posteriormente ao jornal “O Estado de Minas”, levando o deputado federal Domingos Sávio, (PSDB/MG), da cidade de Divinópolis, Centro Oeste de Minas, a pedir a cassação do mandato dele, Rogério.

- Entretanto a situação era tão absurda que o próprio governo do Estado não conseguiu mobilizar a sua base, tendo vários parlamentares se rebelado contra a situação contra a qual se levantou também o presidente do Poder Legislativo, deputado Diniz Pinheiro.

Lembrou ainda que foi de “valor inestimável” a coragem do deputado Antônio Júlio, do PMDB, que declarou, através da mídia, que a Lista de Furnas é verdadeira, acrescentando ele próprio ter sido beneficiado ao comparecer pessoalmente perante Dimas Fabiano e receber o montante de R$ 200 mil.

O representante petista disse ter sido informado também da visita feita pelos deputados federais Marcos Pestana, Domingos Sávio e Rodrigo de Castro ao Ceresp Gameleira para, a mando do senador Aécio Neves e do secretário Danilo de Castro, tentar com a colaboração do delegado Márcio Nabak obter de Nilton Antonio Vieira a sua implicação.

A revista “Veja” está sendo processada, observa Rogério Corrêa. Quanto ao jornal “O Estado de Minas”, ele lembra que a Justiça já determinou o pagamento de multa e que o próximo passo, que a Lei prevê caso não lhe sejam assegurados os seus direitos, “é a prisão do diretor responsável”. Ele ainda estuda qual atitude irá tomar em relação ao delegado Márcio Nabak. “O caso é idêntico! O mesmo que Policarpo fez com Calinhos Cachoeira, tentaram repetir aqui em Minas”.  

Consultado, o deputado Marcus Pestana respondeu: “O fato narrado nunca ocorreu e deve ser mais uma fantasia do estelionatário Nilton Antônio Monteiro. É uma grosseira e deslavada mentira. Portanto, tal fato inexistente envolvendo um conhecido falsário não merece comentários.”

Os deputados Domingo Sávio e Rodrigo de Castro, igualmente consultados, nada responderam até o fechamento desta matéria.

Ressaltando, contudo, que fica reservado aos mesmos o direito legal de acrescentarem a esta matéria suas versões.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), encarregada de apurar os fatos ocorridos e narrados através de correspondências enviadas do cárcere por Nilton Monteiro a seus integrantes, promete emitir nota a respeito.

Novojornal entregou possível vídeo feito por celular do encontro para ser periciado.

Nossa reportagem solicitou, sem sucesso, do Ceresp Gameleira a lista de presença dos visitantes do dia que possivelmente ocorreram os fatos denunciados.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos informa que requisitará as imagens de vídeo da entrada do presídio.

A Comissão de Ética da Câmara dos Deputados informou que só se pronunciará sobre o fato após ser consultada oficialmente por quem de direito.

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247 MP do Paraná quer proibir vendas da TIM

 

MP do Paraná quer proibir vendas da TIMFoto: Divulgação

PROMOTORES DE DEFESA DO CONSUMIDOR DEFENDEM NOVA SUSPENSÃO E ALEGAM QUE CLIENTES PAGARAM R$ 4,3 MILHÕES POR SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA OPERADORA

07 de Agosto de 2012 às 05:41

Fernando César Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Curitiba – O Ministério Público (MP) do Paraná ingressou ontem (6) com ação judicial em que solicita a retomada da suspensão das vendas de chips da operadora de telefonia TIM Celular no estado.

A ação do MP é assinada pelos promotores Maximiliano Deliberador e Michele Zardo, ambos da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba.

Os promotores pedem à Justiça que a TIM volte a ser proibida de firmar novos contratos no Paraná enquanto as seis metas de qualidade sobre as quais a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontou irregularidades não forem respeitadas.

Conforme a ação, em apenas um único dia, em 8 de março deste ano, quase 8,2 milhões de clientes da TIM foram afetados por desligamentos provocados pela operadora. Nesse mesmo dia, os usuários teriam pago cerca de R$ 4,3 milhões por serviços não prestados em sua totalidade pela operadora.

O MP requer que a TIM seja condenada a indenizar os consumidores com a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente pela operadora.

A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Paraná ingressou hoje com uma ação parecida contra a TIM. Os deputados também pedem que a suspensão contra a operadora seja retomada.

Suspensas no último dia 23 de julho como forma de punição pela má qualidade dos serviços prestados, as vendas de novas linhas de celulares e internet das operadoras TIM, Claro e Oi foram liberadas pela mesma agência na última sexta-feira (3).

A TIM havia sido proibida de vender seus produtos no Paraná e em outros 17 estados, além do Distrito Federal.

 


Missão Cumprida

 

  Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa  
 Gilmar Barbosa  
Joaquim Mendes    

Depois de já haverem julgado os trinta e oito réus do "maior crime praticado no Brasil", posto não ser segredo pra ninguém, que esses juízes do STF já têm suas sentenças redigidas e prontas para serem lidas, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa descansam suas nobres mentes durante a exposição da defesa no julgamento da Ação Penal 470.

     

 

A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

Há um aforismo que diz, em, outras palavras, mais ou menos o seguinte: O caráter se revela pelo que você pratica quando está sendo observado mas, é muito mais revelador pelo que você faz quando está só. Bem, se os nossos "supremos" dormem em plenário, e durante o que se pretende "o julgamento do século"?????

 

A "promotoria"/Gurgel FOI TÃO RUIM...que os votos de absolvição JÁ ESTÃO PRONTOS.

Não precisa NEM OUVIR A DEFESA... ;/

 

Retrato do STF

 

Caro Nassif,
Gostaria de levar para discussão no blog, a questão do reconhecimento dos cursos superiores de tecnologia existente no Brasil. Formei-me como tecnólogo em 2008, num curso autorizado e aprovado pelo MEC. Ocorre que a empresa em que eu trabalhava, não reconhecia a minha graduação. A empresa onde trabalho hoje, também não! No último concurso para a Petrobras, o edital era explícito, ao não reconhecer graduações em tecnologia, para se concorrer às vagas para nível superior! Pergunto: de quem é a competência para dizer se um curso universitário é válido ou não? Do Ministério da Educação ou desta ou daquela empresa? Se o MEC autoriza e reconhece um determinado curso, ele automaticamente não deveria ser reconhecido também pelas empresas estatais? Se esses cursos "não prestam" ou "deixam a desejar", como ouvi de um profissional de RH há algum tempo, porque o MEC os autoriza? Uma vez autorizado pelo MEC, qual  é o poder do Ministério para fazer valer suas resoluções?
Grato pela atenção,
Cristóvão

 

Quem Financia as Grandes ONGs ?
Neste momento em que um pequeno grupo de ONGs faz lobby diário no Ministério do Meio Ambiente e no Congresso Nacional, vale a transcrição da resenha de um estudo de Andréa Rabinovici em que são questionados os objetivos e a transparência dessas “BINGOS” (sigla para Big Non-Governmental Organizations, Grandes Organizaçõees Não Governamentais).  Elas recebem dinheiro de petroleiras, de madeireiras (no caso da SOS Mata Atlântica),  de governos estrangeiros, e de origem desconhecida ou intencionalmente sonegada.  Então, a pergunta, é:  que interesses, exatamente, representam?

RESENHA

As grandes ONGs ambientalistas em questão

Andréa Rabinovici

Professora da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, Campus Sorocaba, doutoranda NEPAM-UNICAMP, Diretora de Projetos da ONG Physis – Cultura & Ambiente

Antonio Carlos Diegues, docente da USP e Diretor Científico do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB)1, lança o livro A Ecologia Política das Grandes ONGs Transnacionais Conservacionistas, no qual aborda tema mais do que oportuno, num momento em que as Organizações Não Governamentais (ONGs) transnacionais conservacionistas crescem em complexidade, apresentam contradições antes impensáveis, começando a ser questionadas por vários segmentos sociais. O livro contém introdução de Diegues e traduções dele de autores diversos tais como MacChapin, David B. Ottaway, Joe Stephens, Daniel Compagnon, Mariteuw Chimère-Diaw, Mark Dowie, Jim Igoe e Dan Brockington. Os alvos das críticas são as grandes ONGs conservacionistas, especialmente WWF, The Nature Conservancy (TNC) e Conservation Internacional.

As Big International Non Governamental Organizations (BINGOS) conservacionistas vêm instalando-se no Brasil desde 1970, investindo recursos financeiros, humanos e tecnológicos.

As causas às quais se dedicam e o investimento na sua imagem costumam imprimiruma aura de legitimidade, simpatia, respeito e poucas críticas. É raro serem questionadas pelos cidadãos, que, ao contrário, aplaudem suas iniciativas, apóiam-nas e as agradecem por cuidarem da sobrevivência e da segurança de todos os seres vivos.

O livro de Antonio Carlos Diegues vem em ótimo momento, na medida que apresenta sérias críticas, no intuito de aprofundar o debate, de rever aspectos que precisam ser mais bem desenvolvidos, de modo a recuperar o significado da necessária mobilização para conduzir ações que visam garantir o futuro do planeta. O livro é corajoso, pois ao denunciar as ONGs, simultaneamente, desaponta os simpatizantes. A crítica é dura, e, mais do que avaliar as BINGOS em geral, são feitas críticas àsgrifes do ambientalismo, acima de qualquer suspeita, aquelas que divulgamos em nossos carros, camisetas, bonés…

As principais críticas feitas pelos autores destacam que as BINGOS conservacionistas são pouco transparentes, e que existem lacunas no tocante à avaliação e ao controle das suas ações pelos beneficiários e pela sociedade como um todo. Também não estão abertas à participação pró-ativa de seus militantes, muitas vezes distanciando-os das ações. Se não são democráticas internamente ou com o seu público, o que propõem?

Recebem grandes somas de dinheiro que, às vezes, perdem-se na própria estrutura da grande ONG transnacional, chegando em quantidades menores do que as esperadas pelos seus atendidos.

Outro aspecto apresentado pelo livro diz respeito à invenção e à aplicação de uma ciência conservacionista, criada e disseminada pelas BINGOS. Essa “ciência” em muitas situações é contrária ao que dita o conhecimento e as metodologias utilizadas por comunidades atendidas, impondo um conhecimento distinto, distante e que, para ser aplicado, depende da ONG. Assim, uma tutela imposta obriga a continuidade dos trabalhos, que passa a ser exigida pela ONG, pelo seu público alvo e pelos seus patrocinadores. Os autores deste livro sustentam que essa “ciência da conservação” é criada por pesquisadores do Norte, cabendo aos do Sul apenas a transferência de informações.

Essa “ciência” trabalha com modelos que são continuamente ajustados em função de injunções e financiamentos que são mais políticos do que científicos ou sociais. Algumas das questões foram discutidas por Goldman (2001), que acusa BINGOS e especialistas de estudarem a conservação e as possíveis soluções para os problemas socioambientais dentro de uma ótica desenvolvimentista, buscando a reestruturação das capacidades e relações sociais-naturais dos países em desenvolvimento para acomodar a expansão do capital transnacional.

Assim, as BINGOS seriam uma forma de dominação e imperialismo (neocolonialismo ou colonialismo ambiental). Assunto em tela na imprensa brasileira, trazido pelos autores, é a aquisição por algumas BINGOS de porções de florestas ao redor do mundo, com o incentivo às modalidades privadas de proteção da natureza. Isso se vê nos incentivos que governo e ONGs têm dado para a criação e manutenção das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs). Outras questões levantadas pelos autores individualmente são:

MacChapin, no seu capítulo “Um desafio aos conservacionistas” (bastante polêmico quando publicado na imprensa norte-americana, e que tem algumas respostas a ele registradas no livro), afirma que é comum as grandes ONGs conservacionistas negociarem territórios e biomas a proteger entre elas. Assim também competem entre si, muitas vezes perdendo financiamentos, acarretando novos conflitos nas comunidades nas quais atuam.

O autor também observa o enriquecimento e o crescimento rápido das BINGOS; acusa o desaparecimento gradual das metodologias participativas, com o decorrente enfraquecimento da relação ONG/comunidade. Novos conflitos nas comunidades resultam, portanto, da não consideração das realidades locais, prevalecendo estratégias científicas na determinação da Agenda de trabalho preservacionista, muitas vezes oposta à comunitária.

David B. Ottaway & Joe Stephens, em seu texto “Por dentro da TNC – Nature Conservancy: arrebata milhões. Filantropia faz ativos em parceria com corporações”, falam da dificuldade em se caracterizar as ONGs conservacionistas na medida em que estas têm funcionado como grandes empresas transnacionais.

Daniel Compagnon, em “Administrar democraticamente a biodiversidade graça às ONGs?”, questiona a legitimidade e a representatividade das entidades, na medida em que elas se auto-denominam “guardiãs da natureza”. Líderes, elas se auto-avaliam, dificilmente prestam contas efetivamente, divulgam seus feitos e repassam à mídia.  A imprensa, superficial e ingênua, não tem condições de avaliar criticamente o que publica. Os pesquisadores raramente o fazem, na medida em que é comum terem ligações diversas com as ONGs.  Segundo esse autor, assim como no caso dos pesquisadores, a manutenção do domínio e da influência das grandes ONGs transnacionais passa, muitas vezes, pela cooptação de funcionários públicos e de cientistas.

Com apoio à pesquisa, a seminários e a treinamentos gratuitos a eles, as BINGOS veiculam conceitos e métodos próprios. Na medida em que trabalham junto aos governos e às empresas privadas, a crítica aos mesmos desfaz-se nas parcerias em projetos e programas.

Nesse sentido, a ONG minimiza críticas ao governo, populariza suas ações, dilui responsabilidades e oposições às políticas oficiais.  Algo muito sutil observado por Compagnon é que algumas bandeiras, não diretamente ligadas à criação de Parques, são criadas para obter apoio social a projetos preservacionistas.  Projetos e ações são lançados, desviando os comunitários de seus interesses sociais, transformados em ambientais. Mariteuw Chimère-Diaw, em seu artigo “Escalas nas teorias da conservação: um outro conflito de civilizações?”, faz uma reflexão sobre a necessidade de se reinventar a solidariedade e a governança global.

Recomenda repensar as escalas, a desterritorialização que o trabalho das BINGOS pode acarretar. O autor afirma que, quando é invertida a relação de ação local à global, ocorre o enfraquecimento dos potenciais da atuação comunitária.  As BINGOS, muitas vezes, tornam-se porta-vozes dos problemas ambientais e com isso monopolizam a formação da opinião mundial.  Bentes (2005) ressalta que o nível de interferência das grandes ONGs transnacionais, nos pensamentos e processos decisórios, parece natural devido à desigualdade política internacional que lhes confere o poder de influenciar.

Mark Dowie, em seu “Refugiados da Conservação”, trata de milhões de pessoas levadas à marginalidade, às periferias em nome de uma suposta preservação ambiental. Essa, muitas vezes sem eficácia alguma em termos de conservação dos recursos naturais. O autor comprova, ao contrário, que, em muitos casos, populações expulsas de suas moradias, recuperam o ambiente novo, degradado, que pode ficar mais bem conservado do que dentro das Unidades de Conservação.

Essa questão também já tinha sido exposta por Goldman (1998), ao problematizar teorias sobre os processos de gestão da natureza, que excluem as populações da condução dos destinos dos recursos naturais. Diegues (1998) dá exemplos de comunidades que reassumem, com sucesso, o controle dos bens comunitários com a possibilidade de grandes transformações de perspectivas, ideologia e cultura. Jim Igoe e Dan Brockington, em “Expulsão para a conservação da natureza: uma visão global”, também refletem sobre os “expulsos pela conservação”.

Assim como Dowie, alertam para as conseqüências não estudadas da exclusão de moradores de áreas naturais. As políticas que resultam na exclusão são amplamente influenciadas pelas BINGOS, em campanhas indiretas que defendem a natureza em sua integridade.

Obviamente, é difícil distinguir os padrões de influência nesses relacionamentos, as ações são policêntricas, as responsabilidades idem, porém, numa época em que se fala de refugiados ambientais, incluindo agora os refugiados e expulsos da ou pela conservação, há a necessidade urgente de se dar atenção às populações, caso sejam atingidas as metas traçadas para a conservação, pois se corre o risco de haver expulsões em números recordes, com danos ambientais e sociais gravíssimos.

Avolumam-se os problemas, mas não proporcionalmente à prática de se pesquisar os seus impactos, nem no tocante à conservação ambiental nem nos efeitos e riscos sociais. Os autores chamam essa prática da “ecologia da expulsão”, ao mesmo tempo em que observam e questionam o silêncio total de todos sobre essa grave questão.

Ainda que ocorram as expulsões, as áreas protegidas nunca serão suficientes. A estratégia de conservar a despeito das pessoas deve ser repensada. Sem uma ampla discussão social, as ações das ONGs não podem ser classificadas como demandas sociais, nem ambientais.

Todos os autores do livro convidam a uma crítica construtiva das ONGs. A maioria dos artigos já foi publicada internacionalmente e causou impacto, recebeu respostas das BINGOS, talvez as tenha feito repensar práticas e filosofias. Essa é a idéia: provocar.

O tom da provocação, no entanto, é diferente do que se observa recentemente na imprensa, dito por militares, empresários, visando desqualificar o trabalho das ONGs.

As acusações comuns às BINGOS no Brasil referem-se à ameaça à soberania, à sua situação fiscal, ao controle de suas receitas, aos supostos entraves à sua atuação empresarial, ou desenvolvimentista, a uma legislação pouco eficaz. Não chegam nem perto das discussões travadas no livro ora apresentado e por isso a sua leitura é fundamental. Servirá para ampliar e qualificar os debates sobre o tema de forma mais reflexiva, menos ideológica.

O alerta é para não se estereotipar as ONGs, colocando-as em oposição, simplificando temas sociais e políticos complexos, e deslegitimando demandas socioambientais. Caso contrário, o debate sobre direitos será transformado em uma disputa estéril de interesses, dará margem à construção de teorias conspiratórias, que impedem o avanço de consciência, fundamental para que ocorram mudanças.

Diegues recomenda que a questão torne-se objeto de pesquisas sérias, e já existem excelentes contribuições sobre ONGs e movimentos sociais.

Este livro é um convite e um estímulo a um debate teórico relevante sobre o papel dessas ONGs conservacionistas transnacionais, especialmente as que atuam no Brasil, e sobre os seus objetivos e ações, na expectativa de que, com o processo de debate, possa haver uma reconstituição dos atores mobilizados, institucionalizados ou não, em torno da questão ambiental.

Referências bibliográficas

BENTES, R. A intervenção do ambientalismo internacional na Amazônia. Estudos Avançados, São Paulo, v. 19, n. 54, p. 225-240, 2005

DIEGUES, A. C. Social Movements and the remaking of the Commons in the Brazilian Amazon. In: GOLDMAN, M. (Ed.). Privatizing Nature. London: Pluto Press/TNI, 1998. p. 56-74.

GOLDMAN, M. Introduction: The Political Resurgence of the Commons and Inventing the Commons. In: GOLDMAN, M. (Ed.). Privatizing Nature. London: Pluto Press/TNI, 1998. p. 01-53.

______. Inventando os comuns. In: DIEGUES, A. C.; MOREIRA, A. C. C. (Orgs.). Espaços e recursos naturais de uso comum. São Paulo: NUPAUB-USP, 2001. p. 43-78.

Autor para correspondência: Andréa Rabinovici, email: andrea@ufscar.br

http://www.luizprado.com.br/category/pensamento/

 

Os biocombustíveis da fome

Leandro Batista Pereira

O mundo está diante de uma iminente crise dos alimentos, com os EUA, os maiores exportadores mundiais, enfrentando a pior seca dos últimos 50 anos e os preços dos gêneros alimentícios quebrando recordes no mercado internacional. Em meio a esse cenário conturbado, um número crescente de vozes tem apontado a decisão de diversos governos, EUA inclusive, de impulsionar o consumo de biocombustíveis, como um sério fator agravante. Até mesmo grandes corporações alimentícias transnacionais têm se juntado às advertências de que a persistência dessa política “verde” de usar grãos como combustível está contribuindo para configurar uma crise alimentícia pior que a de 2007-2008.

Em reportagem publicada em 19 de julho, o diário londrino Financial Times destacou que a seca que assola os EUA está “empurrando os preços das commodities agrícolas para altas recordes. Os preços do milho e da soja subiram para níveis recordes nesta quinta-feira [19/07], superando os picos da crise de 2007-2008, quando revoltas estouraram em mais de 30 países. Os preços do trigo ainda não atingiram níveis recordes, mas tiveram alta de mais de 50% nas últimas cinco semanas, superando os preços observados quando a Rússia baniu a exportação do grão, em 2010″.

Entretanto, segundo o FT, a seca nos EUA é apenas parte da história, pois o país tem incentivado a conversão de vastas quantidades de milho em bicombustível: “A maior redução potencial na demanda por milho vem da indústria do etanol, a qual consome 50 bilhões de bushels [equivalente a 1,2 bilhão de toneladas], ou aproximadamente 40% de todo o milho colhido nos EUA a cada ano, para fazer combustível para automóveis e para alimentar animais”. O jornal destacou ainda que o governo britânico considera seguir o exemplo, e que o Escritório Parlamentar de Ciência e Tecnologia do Reino Unido se manifestou, recentemente, sobre o uso dos biocombustíveis, ocasião na qual demonstrou pouca preocupação com o impacto que tal uso teria.

Críticas até certo ponto surpreendentes a tal prática têm vindo das multinacionais de alimentos. É o caso do presidente da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, que afirmou à BBC (18/07/2012) que, “se os alimentos não fossem usados para produzir combustível, os preços cairiam novamente – isso é bastante evidente”. Segundo o executivo, os biocombustíveis só são economicamente viáveis devido aos grandes subsídios que recebem dos governos, em especial nos EUA: “Isso é absolutamente inaceitável e não pode ser justificável… Eu só peço uma coisa, que não se use comida como combustível.”

Para ele, os políticos ainda não compreendem que o mercado de alimentos e o mercado de combustíveis são uma só coisa: “A única diferença é que no mercado de alimentos você precisa de 2.500 calorias por pessoa por dia, enquanto, no mercado de energia, são necessárias 50.000 calorias por pessoa.”

Segundo Brabeck-Letmanthe, portanto, quando políticos resolvem substituir 20% dos combustíveis fósseis por biocombustíveis, isto significa que a produção agrícola terá que triplicar.

Outro aspecto ignorado, apontou ele, é o fato de que a agricultura consome 70% da água potável utilizada no mundo, o que significa que, ao promover o uso dos biocombustíveis, diversos países também contribuem para agravar a questão do acesso à água. Em suas palavras, “são necessários 4.500 litros de água para produzir um litro de etanol a partir de cana de açúcar, e 1.900 litros de água por litro de bicombustível feito com óleo de palma”.

Outro executivo do setor a protestar contra os biocombustíveis é o presidente da Cargill, Paul Conway, cuja percepção é a de que a “explosão no uso de biocombustíveis e a financeirização dos mercados agrícolas” têm contribuído para a alta dos preços alimentos. A mesma posição também é defendida por Ken Powell, executivo-chefe da General Mills, para quem os subsídios do governo estadunidense ao etanol estão resultando no encarecimento do milho: “Estamos aumentando o preço dos alimentos sem necessidade (The Guardian, 19/07/2012).”

Até mesmo os mercados têm se mostrado preocupados com os impactos dos biocombustíveis nos preços dos alimentos. Segundo a analista Karen Maley, do boletim Business Spectator (20/07/2012), “os mercados estão se preparando para uma onda de instabilidade global”, com os “preços do milho e da soja subindo para níveis recordes noovernight”. Maley destacou que muitos analistas estão alertando que o mundo pode enfrentar um “período de intensa instabilidade social e política, similar ao que se observou em 2007-2008, quando rebeliões atingiram dezenas de países”, em especial, os mais pobres, nos quais a maioria da população gasta cerca de 3/4 de sua renda para comprar comida.

As preocupações com o impacto dos biocombustíveis no preço dos alimentos têm sido compartilhadas pelo G-20, que, em 2 de junho, publicou um relatório intitulado Price Volatility in Food and Agricultural Markets: Policy Responses(Volatilidade nos preços dos alimentos e mercados agrícolas: respostas políticas). O estudo, realizado em parceria com organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas para os Alimentos e a Agricultura (FAO), aponta que os incrementos na produção de biocombustíveis têm reduzido o suprimento de alimentos, o que está provocando o aumento de preços de grãos (Nuffiled Council on Bioethics, 13/06/2012).

O estudo sugere aos países-membros do G-20 a por fim às políticas nacionais de subsídio ou de ampliação do consumo de biocombustíveis, destacando a meta estabelecida pelo governo britânico, em 2009, de ampliar até 2013 a participação dos biocombustíveis, no setor de transportes, para 5% de todo o combustível consumido no país. O relatório sugere ainda que, caso seja inviável simplesmente abolir tais programas de incentivo aos biocombustíveis, que ao menos estes sejam modificados para se ajustarem temporariamente aos momentos de maior pressão nos mercados globais de alimentos.

O desvio de grandes proporções das safras de grãos para a produção de etanol, que nos EUA chega a 40% do milho colhido (quantidade suficiente para alimentar 300 milhões de pessoas), é uma consequência de uma espúria combinação entre a agenda ambientalista de redução do uso de combustíveis fósseis e o sentido de oportunidade dos mercados financeiros, sempre atento e pronto para criar novas fontes de recursos para a preservação dos fluxos especulativos que elevaram o sistema financeiro internacional ao paroxismo de instabilidade que exibe, atualmente. Em raros países, como o Brasil, existem condições favoráveis à produção de etanol e outros biocombustíveis sem acarretar grandes prejuízos às colheitas alimentícias. Na grande maioria dos que têm aderido a esta agenda, independentemente dos motivos particulares, a produção de biocombustíveis é sinônimo de agravamento da fome no planeta.

http://www.alerta.inf.br/author/leandro-batista-pereira/

 

Saiu hoje no El País, o maior jornalão da Ex-paña, um jornal de direita mas que não é porco.

http://elpais.com/

Noticias de um desgoverno neolibelês

Los dioses deben estar locos

Los obispos se enredan ante la crisis

El PP pierde ocho puntos en estimación de voto desde las elecciones

Madrid bajará otra vez el sueldo de los funcionarios en 2013

IVA del 21% para material escolar excepto libros, mapas y álbumes

Las insolvencias alcanzan su nivel más alto desde 2004

Canarias augura el cierre de hospitales y colegios por el nuevo ajuste

 

Ou o Brasil acaba com os juízes e políticos corruptos ou os juízes e políticos corruptos acabam com o Brasil. Alguém aí sabe para que servem a Polícia Militar e o Senado?

Quando achamos que nosso judiciário esta no fundo do poço, eles conseguem cavar mais fundo. É a pouca vergonha legalizada.

 

GANHOS DE TERCEIROS
TJs podem perder rendimentos bancários de precatórios

O conselheiro Bruno Dantas, do Conselho Nacional de Justiça, estuda meios de acabar com a apropriação, pelos tribunais de Justiça estaduais, dos rendimentos bancários de precatórios. A possibilidade, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (17/7) pelo jornal O Estado de S. Paulo, é autorizada pela Resolução 123/2010 do CNJ, que regulamenta o pagamento de precatórios na vigência da Emenda Constitucional 62/2009.

Para Dantas, esses rendimentos não são dos tribunais. “Esse dinheiro não é do tribunal. Definitivamente, não pertence ao tribunal. Isso é um dado concreto. O sistema precatório já é um modelo suficientemente perverso para o credor para que seja imposta a ele uma nova desvantagem”, disse.

O conselheiro quer levar ao pleno do CNJ sua proposta de alteração da Resolução 123. Para ele, é preciso um novo modelo para destinação do montante. O que é certo, segundo ele, é que esse dinheiro não deve ir para os cofres do tribunal. “Os tribunais retêm esse levantamento por meses, ou até um ano, porque isso está rendendo juros. O que vamos ter que decidir, fundamentalmente, é para onde vai esse rendimento.”

Bruno Dantas avalia que uma das soluções pode ser a migração desses recursos para o ente público devedor, desde que não sejam usados para fazer caixa. Outra solução seria transferir o montante para o credor. “Minha proposta é que os rendimentos têm que continuar depositados para permitir a quitação mais célere de outros precatórios que já estão na fila.”

Antes de elaborar a proposta, Dantas consultou as administrações de tribunais e concluiu que eles se apropriam dos rendimentos bancários como se fossem remuneração. “Os tribunais estão se apropriando do dinheiro que não é deles. A pretexto de gerenciar contas, o tribunal não pode ser remunerado.”

Revista Consultor Jurídico

http://www.assetj.org.br/portal/noticas-do-judiciario/tjs-podem-perder-rendimentos-bancarios-de-precatorios

 

O JULGAMENTO E AS CRISES POLITICAS - O sistema politico brasileiro tem uma curiosa propensão para aprofundar crises ao inves de solve-las. Acredito que esse movimento vem das raizes da Inquisição que tinha como fundamento a necessidade de expiação das culpas pelo fogo que quieimava os pecadores e volativizavam seus pecados pelas dispersão das cinzas.

Sem recuar muito no passado, a partir da Republica de 1946 o Brasil teve cinco crises politicas que levaram ao fim trágico Presidentes eleitos com grandes esperanças.

- SUICIDIO DE VARGAS - O sistema não conseguiu gerir a crise provocada pelas denuncias de Carlos Lacerda sobre o financiamento do jornal Ultima Hora pelo Banco do Brasil, raiz dos acontecimentos subsequentes de Agosto de 1954 que levaram ao suicidio do Presidente.

-MOVIMENTO DE 11 DE NOVEMBRO DE 1955 - O sistema politico não conseguiu administrar a sucessão de Vargas. O Vice Presidente Cafe Filho se enredou com a oposição a ponto de prenunciar risco da realização das eleições presidenciais seguintes. Afastado por doença foi sucedido pelo Presidente da Camara Carlos Luz que foi deposto por confronto com o dispositivo militar varguista que garantia a eleição e a posse. de JK.

-RENUNCIA DE JANIO QUADROS - O sistema politico não conseguiu digerir e desidratar o destempero de Janio, provocando a grave crise de sua sucessão por um Vice de dificil sustentação.

-DEPOSIÇÃO DE JOÃO GOULART - O sistema politico não soube amparar, conter e dar suporte ao Presidente, criando as condições para sua deposição com grande facilidade por um conjunto de forças militares e civis.

-IMPEACHMENT DO PRESIDENTE COLLOR - Esta foi a unica crise pós 1946 bem absorvida pelo sistema politico, um transição em boa ordem, sem tumulto e bem administrada. O sistema politico se uniu para fazer a transição, essa crise foi uma exceção, um ponto fora da curva da propensão a crises.

Pós 1946 nos Estados Unidos duas rupturas graves de Presidencias, bem administradas pelo sistema polico:

-ASSASSINATO DO PRESIDENTE KENNEDY - A sucessão se deu de forma rápida e organizada, apesar do impacto da tragédia, o Vice Presidente Lyndon Johnson assumiu imediatamente e a transição na Casa Branca foi muito bem administrada e o Pais não parou de funcionar.

-RENUNCIA DO PRESIDENTE NIXON - A sucessão pelo Vice Gerald Ford foi rápida e indolor, não houve hiato ou crise, o novo Presidente assinou o perdão para impedir o julgamento criminal do ex-Presidente, pacificando o Pais e encerrando o caso para sempre.

Esse julgamento atual que começou em 3 de Agosto  tem todos os ingredientes para criar situação de crise politica  pois o que está sendo julgado é o Partido no Poder e não pessoas. O julgamento é politico, a mais Alta Corte de um Pais é sempre politica e não técnica e a decisão terá resultados politicos inequivocos pois vai afetar a governança do PT e imagem da Presidencia.

Os petistas não devem ter ilusões. Algun comentaristas politicos estão tentando criar divisão no PT sob o argumento capcioso de que uma condenação de Jose Dirceu reforçará a ala que gravita em torno da Presidente Dilma, traduzindo, o enfraquecimento de Dirceu ajudará Dilma. É uma falacia. O navio do PT é um só e um furo no casco coloca todo o navio em risco e não só uma parte dele.

A alegação é uma armadilha para enfraquecer a defesa dos acusados.

A peça acusatoria é um romance policial, liga pessoas que sequer se conheciam e cujos papeis eram

pontuais ou isolados, a acusação usa fatos reais mas cria em torno deles liâmes, deduções, ilações que são frutos de uma historia elaborada pela crença de que assim foi que aconteceu quando os fatos indicam muito mais confusão, erros e acasos do que uma conspiração maquiavélica entre iniciados numa trama.

O fato é que se está apostando numa crise, há mais incendiarios que bombeiros, o Pais tem imensas prioridades, uma das quais é a reforma do sistema politico que produziu esse julgamento e sobre a qual parece que ninguem tem nada a dizer,   só interessa o caso e não as circunstancias que o geraram, o que aliás é tipico do clima de Inquisição em busca de vinganças que está na base de nossa cultura politica, expiar os pecados mas não construir nada que possa melhorar as bondades.

 

 

 

André, sua análise chega a surpreender, pela sua clareza e compreensão do que está sendo julgado, e pela sua visão acêrca do assunto.

Os fatos locais e os norte-americanos parecem-se na forma, porem diferem nas conclusões, pois aqui sempre que o Poder Judiciário foi acionado, mesmo nos casos como este, no qual a decisão não deveria ser política, mas técnica, foi sempre uma "água" e desta vez, não será diferente, com esta suprema côrte "nas mãos" dos grandes veículos de comunicação.

Antes de punir aos reus, o Congresso já deveria ter aprovado a tão sonhada reforma política, pois se assim fosse feito, fatos semelhantes não aconteceriam num futuro próximo, o que está longe de ser a tônica das relações Executivo/Legislativo, pela falta de um substitutivo para o financiamento eleitoral.

Pune-se agora um partido, que ouzou chegar ao poder, e esquece-se de evitar que casos semelhantes voltem a ocorrer, e "tudo continua como dantes, no Quartel de Abrantes" desde que nenhum outro partido com raízes sociais ou de esquerda, ouze governar usando as mesmas armas da direita.

E enquanto isso, o país está quase parando, pois a justiça deixa de cumprir sua estrita missão constitucional,e  resolveu fazer ingerencia descabida na vida política nacional, atrazando ainda mais a governabilidade, com este triste espetáculo encomendado pela TV.   

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

 

Nassif este texto é uma analise interessante do movimento de reinvidicação dos professores das universidades federais.

 

Publicado em

http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/08/06/fatos-e-mitos-sobre-a-luta-dos-professores-federais/

 Fatos e mitos sobre a luta dos professores federais06/08/2012 | Publicado por idelberavelar em Sem categoria

A mídia brasileira, supostamente um “PiG” segundo tantos governistas, parece abandonar qualquer veleidade golpista quando se trata de greve de trabalhadores. No caso da atual greve dos professores federais (do Magistério Superior e do Magistério Básico, Técnico e Tecnológico) e dos servidores técnico-administrativos, a imprensa tem funcionado basicamente como uma caixa de ressonância do governo, repetindo de forma descontextualizada números que se desmancham quando colocados em contexto, de forma a criar a impressão de professores marajás que se recusam a aceitar generosas ofertas do Executivo. Vamos ver se essas matérias resistem à análise.

 1. A mentira do reajuste de 45% (ou será 47,7%?)

Na rotina de repetir informações oficiais, a imprensa foi preguiçosa, na melhor das hipóteses ou, como o governo, desonesta com os números. Governo concede reajuste de 25% a 45%, afirmou o Estadão. Governo propõe reajuste de até 47,7%, manchetou o Globo. Em primeiro lugar, salta aos olhos a discrepância entre os números dos dois jornais. É 45%, como diz o Estadão, ou é 47,7%, como diz o Globo? Não pode ser as duas coisas. Na verdade, não é nenhuma das duas, e não o é por um motivo muito simples, tão simples que chega a ser difícil acreditar que foi mera preguiça dos dois jornais. No mundo realmente existente, os preços sobem – existe aquela coisinha chamada inflação. Vejamos o que acontece com os números do governo quando ela é computada. A remuneração recebida pelos professores até fevereiro foi tomada como referência pelo governo e os valores foram fixados em julho de 2010. Ou seja, há que se computar a perda do poder aquisitivo desde julho de 2010. Mas a brincadeira não termina aí. Os índices propangadeados pelo governo não são de um aumento imediato e automático. A tabela só seria completada em março de 2015.

 É só fazer as contas. Vamos lá?

A partir do IVC medido pelo DIEESE, a desvalorização salarial entre julho de 2010 e junho de 2012, mais a projetada até março de 2015, é de 35,55%. De uma tacada, desaparece um enorme naco do que seria o “reajuste” proposto pelo governo. Lembre-se de que todo o noticiário sobre a proposta apresentada aos docentes brandia esses números (45% ou 47%) como se esses fossem os reajustes – sem informar que se tratava de valores fixados em julho de 2010 e sem mencionar que eles não seriam implementados na íntegra até março de 2015.

Computando a corrosão inflacionária, então, sobrariam 10% (segundo a mentira publicada no Estadão) ou 12% (segundo a mentira publicada no Globo) de reajuste para os docentes, correto? Errado de novo. Esse número apresentado depois da partícula “até” — “Governo oferece reajuste de até 45%” – na verdade se aplica somente aos Profesores Titulares, que representam não mais que 10% do quadro docente das federais brasileiras. Mais importante ainda, e desconhecido por quem não está familiarizado com o sistema universitário federal brasileiro, é o fato de que os Professores Titulares atualmente não estão inseridos no plano de carreira dos demais professores. Um Professor Adjunto 4 (nível imediatamente anterior) que queira aceder à posição de Titular deverá prestar outro concurso e, em muitos casos, perder benefícios previdenciários que já possuía. No caso da maioria dos professores, a proposta do governo representa, na verdade, uma perda salarial.

2.  A farsa dos R$17 mil 

A greve dos professores foi iniciada no dia 17 de maio, com 14 universidades. Nas duas semanas seguintes, já eram mais de 40 instituições paralizadas, e logo em seguida a greve passou a incluir quase a totalidade dos professores federais. Praticamente dois meses inteiros transcorreram até que, no dia 13 de julho, o governo aceitou se sentar à mesa de negociação. Repitamos: a mesma Dilma Rousseff que se cansou de falar em “valorizar o magistério” e “priorizar o diálogo” durante a campanha eleitoral deixou que uma greve do mui mal pago professorado federal transcorresse durante 57 dias sem tomar conhecimento, oferecer qualquer proposta ou sequer reconhecer que havia um movimento reivindicatório. Quando o governo finalmente dirigiu a palavra aos professores, 56 das 59 universidades estavam em greve. Junto com a mentirosa porcentagem dos “45%”, brandiu-se na mídia o valor de R$ 17,1 mil, que é o oferecido pelo governo para Professores Titulares, em fim de carreira, a ser recebido em 2015 – uma anomalia que afeta uma ínfima parcela dos professores universitários brasileiros, que recebem salários que estão longe da metade disso. Eu cheguei a ser interpelado por uma pessoa que estava convicta de que os professores federais brasileiros “haviam recusado oferta de 17 mangos por mês”.

 Tal como está estruturada hoje, a carreira do docente universitário se divide em: Professor Auxiliar (que possui graduação, progride de níveis 1 a 4 e que hoje entra ganhando  2.872,85 reais), Professor Assistente (que possui mestrado, também progride de níveis 1 a 4 e hoje começa com 3.181,04 reais – sim, isso, um professor universitário com mestrado no sistema federal brasileiro recebe hoje menos da metade de um técnico de nível médio do TCU), Professor Adjunto (que tem doutorado, também avança de 1 a 4 e inicia, hoje, na faixa dos 3.553,46 reais de vencimento básico [VB], acrescidos de uma retribuição por titulação [RT] que eleva o bruto a 7.627,00) e Professor Associado (também doutor, também escalonado em quatro níveis, e com VB iniciando em 4.043,87, chegando até 11.131,69 quando computamos o RT). No caso de que abra uma vaga na instituição, quem tem tempo, energia e disposição para se preparar para outro concurso terá a chance de aceder ao cargo de Professor Titular.

Todos os números fornecidos acima se referem aos professores que trabalham em regime de dedicação exclusiva. Para os que trabalham em regime de 40 ou 20 horas, a remuneração é substancialmente inferior, claro. Aliás, os professores são, provavelmente, os únicos servidores federais para quem a remuneração em regime de 40 horas não é o dobro daquela paga aos que trabalham em regime de 20 horas. Um Doutor, entrando como Profesor Adjunto, em regime de 20 horas, recebe hoje 2.619 reais no sistema federal brasileiro, já incluída a remuneração por titulação. Trabalhando em regime de 40 horas, esse mesmo Professor Adjunto, com doutorado, recebe hoje 4.472 reais, só 2.618,61 dos quais são realmente salário. O resto é bonificação por titulação que não entra, por exemplo, no cálculo dos benifícios previdenciários. Os números podem ser conferidos a partir da página 170 deste documento.

 

3. Reivindicações

Os professores reivindicam um plano de cargos e salários que unifique a profissão de professor federal e que trate os docentes com isonomia, dentro de uma sequência coerente. Várias das propostas apresentadas pelo movimento foram apropriadas pelo governo e desvirtuadas dentro de um regime no qual elas perdem o seu sentido. Por exemplo, a proposta de redução dos 17 níveis da carreira atual para 13 foi aceita pelo governo, mas … tchan tchan tchan … aumentando de 18 para 24 meses o prazo mínimo para que se ascenda de um nível a outro! Basta você multiplicar 17 x 18 e depois multilplicar 13 x 24 para perceber que o governo simplesmente tirou sarro da cara dos grevistas. Pior ainda, a progressão de nível passa a ser sujeita a “avaliação de desempenho de acordo com diretrizes estabelecidas pelo MEC”, diretrizes que ninguém sabe quais são.

Mais grave ainda, a primeira proposta apresentada pelo governo incluía o aumento da carga horária mínima obrigatória, de oito para doze horas-aula semanais, incrementando em 50% o tempo de sala de aula e reduzindo ainda mais as condições de pesquisa e produção acadêmica segundo as quais os docentes são avaliados. Num magnífico texto publicado no Passa Palavra, o Prof. João Alberto da Costa Pinto, da Universidade Federal de Goiás, detalhou o caráter essencialmente tecnocrático da proposta do governo, que impõe, especialmente às ciências humanas, um modelo de avaliação próprio das ciências exatas, consoante com a famosa frase da Presidenta, de que “o Brasil não precisa de mais sociólogos, precisa é de engenheiros”. Para uma avaliação minuciosa do escárnio que foi a proposta do governo, pode-se consultar este documento da ANDES.

Apesar de que nenhuma das reivindicações dos docentes foi atendida pelo governo, uma entidade que não representa mais que oito instituições, e formada por forças governistas com pouquíssima representatividade dentro da categoria, o Proifes, assinou um “acordo” com o Executivo prevendo o fim da greve. Esqueceram-se, como diria Garrincha, de combinar com os russos. Mesmo algumas das universidades cujo sindicato é controlado pelos pelegos do Proifes — UFBA, UFG, UFC e UFPel — decidiram pela continuação da greve. A rigor, só a Federal de São Carlos decidiu pela volta às aulas. Outro belo texto do Prof. João Alberto da Costa Pinto relata como a luta dos professores vai atropelando, de forma surpreendente para muitos, os pelegos do Proifes.  Para entender como se construiu um sindicato pelego para tentar solapar a ANDES e a luta dos professores, este texto do Acerto de Contasé leitura obrigatória.

Apesar de tudo, a máquina de mentiras do governismo continuou operando a toda nas redes sociais: um de seus pseudônimos no Twitter chegou a afirmar que havia professores brasileiros no exterior “fazendo as malas” para voltar. Só se for os professores brasileiros residentes no Zimbábue, porque o que é oferecido a um ProfessorDoutor (lembre-se: graduação + mestrado + doutorado: no mínimo década e meia de estudo e produção acadêmica contínua) como salário-base inicial para um regime de 40 horas ainda é menos que Tulane University,  uma universidade que reconhecidamente paga mal, oferece como bolsa a um estudante de mestrado – isso em New Orleans, cidade que tem hoje um custo de vida inferior aos do Rio de Janeiro ou de Belo Horizonte, para ficarmos nas sedes das duas mais ilustres universidades federais brasileiras. Ainda assim, a greve dos professores vem sendo atacada como “corporativista”, o que é francamente ridículo em se tratando de uma categoria tão importante, estratégica e mal paga. Como diria o nosso querido TecloLogoExisto, querem que os professores façam greve por quê? Pela paz e harmonia universal entre os povos? Lembremos ainda que a greve inclui também os Professores e Técnicos-Administrativos dos Institutos Federais, aos quais o governo ainda não fez nenhuma proposta, o que inviabiliza, claro, que o seu sindicato, o SINASEFE, sequer cogite abandonar a greve.

Tudo isso, claro, porque elegemos um governo que prometeu “valorizar o magistério”.

Publicado em

http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/08/06/fatos-e-mitos-sobre-a-luta-dos-professores-federais/

 

 
Re: Fora de Pauta
 

Pagu

Como incentivar a cultura com apenas R$15?

Por Pedro Valadares

A revista brasiliense Nil existe em forma digital e impressa. O objetivo da publicação bimestral é dar espaço para artistas e escritores do Distrito Federal e do entorno. O diferencial do periódico é dar enfoque a produção cultural local, o que para uma cidade jovem como Brasília é algo essencial.

A cidade sofre um pouco pelo artificalismo que lhe de origem. Contudo, há por todos os cantos, principalmente nas cidades satélites, diversas manifestações artísticas surgidas da mistura das diversas culturas que se encontraram na capital federal.

A terceira edição já está pronta e tem previsão de impressão de 3 mil exemplares. Para isso, no entanto, a equipe da revista necessita levantar R$9 mil. Para atingir esse montante, eles recorreram à plataforma de financiamento coletivo (crowdfunding) Catarse.

Faltando agora cinco dias para encerrar o prazo, eles já conseguiram 83 doações e levantaram quase R$7 mil. Contudo, as regras do Catarse seguem a regra do tudo ou nada, ou seja, se o valor total não for atingido, a equipe sai de mãos abanando e não conseguirá fazer a versão impressa.

A Nil é distribuída gratuitamente. Como incentivo, o time está premiando quem colabora com pelo menos R$15 com um exemplar da revista, que será entregue em qualquer parte do país!

Eu não tenho nenhuma participação na publicação, mas considero que se queremos revistas de qualidade, que saiam da linha imposta pelo mainstream editorial, temos que contribuir para isso. Eu já doei R$25. Doe você também e ajude o jornalismo independente.

Você pode ajudar de duas formas. A primeira é contribuindo, basta clicar AQUI. A segunda é divulgando esse post para outras pessoas que queiram fazer doações.

A lógica do crowdfunding não é conseguir grandes doações de uma vez, mas chegar a um montante grande através de pequenas contribuições de muitas pessoas. A plataforma oferece uma forma super segura de doar e você pode fazer diretamente do computador em menos de 5 minutos.

Então, vamos imprimir a Nil?

Ajude a imprimir a Nil:

 http://catarse.me/pt/projects/742-nil-revista

Conheça mais sobre a Nil:

http://nilrevista.com/revista/

 

Do Terra

Obama ironiza rival nas eleições: "Romney Hood ao contrário"
 

O presidente americano, Barack Obama, classificou nesta segunda-feira o aspirante republicano à Casa Branca, Mitt Romney, de "Romney Hood ao contrário", sobre o suposto favorecimento de seu rival aos mais ricos.

"É como Robin Hood, mas ao contrário: ''Romney Hood''. Ele pediria à classe média que pagasse mais impostos para poder dar mais US$ 250 mil aos que ganham mais de US$ 3 milhões por ano", disse Obama em um ato eleitoral em Stamford, no estado de Conecticut.

"O núcleo do plano econômico central de Romney é um corte de US$ 5 trilhões em impostos", acrescentou o líder, referindo-se a um relatório que assinala que o plano fiscal do candidato republicano suporia uma elevação de impostos para a classe média e uma redução para os mais ricos.

A frágil recuperação econômica dos Estados Unidos se tornou o tema central da campanha para as eleições de novembro, especialmente a dificuldade em gerar novos postos de trabalho, enquanto a taxa de desemprego é de 8,3%.

Romney criticou reiteradamente as tentativas de Obama de suprimir a isenção de impostos para as rendas mais altas, argumentando que essa estratégia desestimula o investimento privado.

"A ideia de simplesmente dar mais dinheiro ao Governo não porá nossa economia em funcionamento. É preciso ter um Steve Jobs (fundador da Apple) começando a criar negócios, fazendo produtos que queiram ser comprados no mundo todo", ressaltou ontem em uma entrevista à "CNN".

Romney, ex-governador de Massachusetts, reivindica seu perfil de empresário como o mais adequado para promover a geração de empregos nos EUA, e prometeu criar 12 milhões de novos postos de trabalho em seus primeiros quatro anos na Casa Branca.  EFE

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6056934-EI294,00-Obama+...

 

Demarchi

6 DE AGOSTO DE 2012 - 18H49 

Serra não rima com rap: "E agora José?"

 

No dia 30 de julho o site do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, veiculou uma matéria que falava da valorização que o RAP recebe do tucano. No texto foi citado que projetos musicais do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), localizado no bairro Vila Nova Cachoeirinha, têm incentivo do candidato e exalta ainda que “Com Serra Rap Ganha Espaço no CCJ”.



Piada! Serra e Rap definitivamente são antônimos; não combinam. São dois “corpos que jamais poderão ocupar o mesmo espaço! Acreditar que este discurso tem fundamento é o auge da santa ignorância! Até cego vê que o governo dos tucanos é guiado para favorecer a classe alta e inferiorizar ainda mais os pobres, aumentando a desigualdade social que temos. Isso não é opinião pessoal, é fato comprovado no ia-a-dia, não apenas meu, mas de milhões de brasileiros. De certo os que vivem na periferia sabem bem que as comunidades não recebem cuidado algum dos tucanos, muito menos investimento!

Voltemos à matéria no site do Serra. Um dos projetos musicais citados é o Reviva Rap. Criado no ano passado, com o objetivo de resgatar a cultura hip hop e abrir espaço para apresentação de novos grupos da comunidade, o projeto não tem ligação com nenhum partido político, e é evidente que se tivesse, o PSDB, totalmente elitista, seria um dos principais partidos que estariam longe de qualquer aliança com o projeto.

Mas ainda assim, por mais cômico que pareça, o Reviva Rap e os artistas participantes tiveram seus nomes envolvidos na campanha de José Serra. Eles são apontados como beneficiários das iniciativas do tucano, conforme aponta o trecho da matéria, disponível no site do candidato:

“Entre os projetos musicais do CCJ, como é conhecido, estão o Reviva Rap, festival que teve a sua segunda edição em junho último, com nomes como Vinão Alobrasil, Brunão Mente Sagaz, Mutação Sonora e Daz Rua e Xis, entre outros. A Zona Norte de São Paulo, vale lembrar, é uma das bases mais importantes do rap, uma referência nacional. Até hoje, o Reviva Rap já mapeou mais de 200 grupos e lançou três coletâneas, das quais participaram mais de 30 conjuntos.“

Ao tomarem conhecimento desse texto, a própria organização do Reviva Rap desmentiu a publicação de José Serra, afirmando que não tem vínculo com qualquer partido político, e que “tão pouco apoiam partidos que tratam a população como gado”. A entidade alertou que não receberam comunicado do PSBD para o partido utilizar o nome do projeto e dos artistas.

Leia a íntegra do comunicado do Reviva Rap:

“Um site de um dos candidatos a prefeito da nossa cidade, credita a seu governo a atuação do rap no Centro Cultural da Juventude e consequentemente o festiva Reviva Rap que é “PARCEIRO”, repetimos “PARCEIRO” do CCJ há 3 anos. Não temos legenda politica e tão pouco apoiamos partidos que tratam a população como gado, inferiores e nos alojam mais e mais nas nossas comunidades sem infra estrutura e municiando a policia para extermínio da juventude. Desaprovamos essa ação eleitoreira do candidato, isto não reflete nossos acordos e parceria com o CCJ que é totalmente cultural e artísticas e não politiqueira. Não recebemos nenhum comunicado antecipado da publicação e tão pouco solicitação para referirem ao nosso nome e trabalhos e dos envolvidos. Lamentamos. Muito Grato Rap! Somos por você e só por Você, esses já tão ai mó cota e sabemos o que eles querem…

Nóiz… Reviva o Rap”

A resposta a Serra não parou por aí. O rapper “Mamuti 011″ foi outro que desmentiu a reportagem vangloriando as “atitudes” de Serra na periferia e a valorização que o Rap recebe dele. Como réplica, Mamuti fez a composição “E agora José”, no qual denuncia a mentira e o descaso habitual do tucano com a classe inferior.