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Fora de Pauta

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+73 comentários

 

Nassif,

 

 

 

Recebi essas informações e não sei se são verdadeiras ou se são simplesmente “lendas da Internet”.

 

De qualquer maneira, são ótimas idéias a serem observadas pela nossa querida presidenta Dilma, de quem sou fã inconteste.

 

 

 

EM 56 DIAS DE GOVERNO, VEJA O QUE JÁ MUDOU NA FRANÇA !

 

 

 

 

 

Caros amigos (as)Caros amigos (as )

Isto não é proselitismo político. Não é democratismo e sim uma democracia forjada na honorabilidade de um governante que assume um País , com problemas  de  desemprego e quer a reinserção de sua nação no Mercado Comum Europeu com dignidade . "Le jour de gloire est arrivé" . Espero que seja exemplo para muitas nações em situações desconfortáveis e com um desequilíbrio financeiro que pode chegar a normalidade , se atitudes como esta forem tomadas .  .

 

 

 

EM 56 DIAS DE GOVERNO, VEJA O QUE JÁ MUDOU NA FRANÇA !

 

ALLONS ... ENFANTS DE LA PATRIE!!!!

BRAVO!!!

http://wm.imguol.com/v1/blank.gif

Isto é o que fez o François Hollande (não palavras mas... actos) em 56 dias de governo e no cargo de Presidente. Os dados que aqui constam são oficiais, e foram traduzidos do Le Monde :

 



- Suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou que fossem leiloados; os rendimentos destinam-se ao Fundo da Previdência e destina-se a ser distribuido pelas regiões com maior número de centros urbanos com os suburbios mais ruinosos.

- Tornou a enviar um documento (doze linhas) para todos os órgãos estatais que dependem do governo central em que comunicou a abolição do "carro da empresa" provocativa e desafiadora, quase a insultar os altos funcionários, com frases como "se um executivo que ganha € 650.000/ano, não se pode dar ao luxo de comprar um bom carro com o seu rendimento do trabalho, significa que é muito ambicioso, é estúpido, ou desonesto. A nação não precisa de nenhuma dessas três figuras" . Fora os Peugeot e os Citroen. 345 milhões de euros foram salvos imediatamente e transferidos para criar (a abrir em 15 ago 2012) 175 institutos de pesquisa científica avançada de alta tecnologia, assumindo o emprego de 2560 desempregados jovens cientistas "para aumentar a competitividade e produtividade da nação."

- Aboliu o conceito de paraíso fiscal (definido "socialmente imoral") e emitiu um decreto presidencial que cria uma taxa de emergência de aumento de 75% em impostos para todas as famílias, líquidas, que ganham mais de 5 milhões de euros/ano. Com esse dinheiro (mantendo assim o pacto fiscal) sem afetar um euro do orçamento, contratou 59.870 diplomados desempregados, dos quais 6.900 a partir de 1 de julho de 2012, e depois outros 12.500 em 01 de setembro, como professores na educação pública.

- Privou a Igreja de subsídios estatais no valor de 2,3 milhões de euros que financiavam exclusivas escolas privadas, e pôs em marcha (com esse dinheiro) um plano para a construção de 4.500 creches e 3.700 escolas primárias, a partir dum plano de recuperação para o investimento em infra-estrutura nacional.

- Estabeleceu um "bónus-cultura" presidencial, um mecanismo que permite a qualquer pessoa pagar zero de impostos se se estabelece como uma cooperativa e abrir uma livraria independente contratando, pelo menos, dois licenciados desempregados a partir da lista de desempregados, a fim de economizar dinheiro dos gastos públicos e contribuir para uma contribuição mínima para o emprego e o relançamento de novas posições sociais.

- Aboliu todos os subsídios do governo para revistas, fundações e editoras, substituindo-os por comissões de "empreendedores estatais" que financiam acções de actividades culturais com base na apresentação de planos de negócios relativos a estratégias de marketing avançados.

- Lançou um processo muito complexo que dá aos bancos uma escolha (sem impostos): Quem porporcione empréstimos bonificados às empresas francesas que produzem bens recebe benefícios fiscais, e quem oferece instrumentos financeiros paga uma taxa adicional: é pegar ou largar.

- Reduzido em 25% o salário de todos os funcionários do governo, 32% de todos os deputados e 40% de todos os altos funcionários públicos que ganham mais de € 800.000 por ano. Com essa quantidade (cerca de 4 mil milhões) criou um fundo que dá garantias de bem-estar para "mães solteiras" em difíceis condições financeiras que garantam um salário mensal por um período de cinco anos, até que a criança vá à escola primária, e três anos se a criança é mais velha. Tudo isso sem alterar o equilíbrio do orçamento.

Resultado:

O spread com títulos alemães caiu, por magia.

A inflação não aumentou.

A competitividade da produtividade nacional aumentou no mês de Junho, pela primeira vez nos últimos três anos.

 

Portanto, as promessas eleitorais estão a ser cumpridas na íntegra, passo a passo.

E é assim que tem de ser, mas só possível com gente de caráter e  honra !!


 

 

 

 

 

 

Acorda, Dilma!

 

Follow the money, follow the power.

Dominada por base de Kassab, CPI dos incêndios 'não começou', admite presidente

Mais uma reunião termina sem quórum e presidente de colegiado, aliado do prefeito, cogita pedir substituição de integrantes para que investigações ao menos tenham início; moradores de favelas incendiadas não foram ouvidos

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2012/08/cpi-dos-incendios-em-favelas-de-sp-pode-acabar-sem-nenhuma-investigacao

 

Em decisão pioneira, Austrália veta marcas estampadas nos maços de cigarro

Para suprema corte, que não acata recurso das indústrias, lei que padroniza as embalagens é constitucional e não fere propriedade intelectual. A Justiça entendeu que a lei não transgride a Constituição do país e nem infringe os direitos de propriedade intelectual, conforme tinham alegado os fabricantes.

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/saude/2012/08/justica-australiana-mantem-decisao-sobre-macos-genericos-de-cigarro

 

Cursos de agosto
Inscrições pelo tel. (21) 2286-3299 ou pelo site
www.polodepensamento.com.br
Antecipando a segunda edição da ArtRio - Feira Internacional de Arte Contemporânea, que acontece em setembro, o POP se alia ao movimento ArtRio. A proposta é trazer a interação com a arte para o cotidiano do carioca, não somente durante a feira, mas em todos os 365 dias do ano. Como resultado dessa parceria, foram organizadas palestras com temas relevantes à arte no mundo contemporâneo como: economia criativa, arte como investimento, mercado de arte secundário, artistas contemporâneos e estímulo a novos artistas. Jones Bergamin, Luiz Calainho, Franz Manata, Márcio Botner e Cadu.

5 encontros, segundas, terças e quartas-feiras: 20h-22h

Clique aqui para se inscrever O conceito de coparentalidade refere-se a um empreendimento realizado por um, dois ou mais adultos, que, sozinho ou conjuntamente, cuidam do desenvolvimento de uma ou mais crianças pelas quais dividem a responsabilidade. O objetivo deste curso é transmitir a importância da coparentalidade no desenvolvimento da criança e do adolescente nos diferentes tipos de organização familiar.

4 aulas, segundas-feiras: 11h-13h

Clique aqui para se inscrever Bate-papo com o diretor Geneton Moraes e Jards Macalé Exibição do documentário Canções do exílio seguida de uma conversa com o diretor, o jornalista Geneton Moraes Neto e com Jards Macalé sobre um dos períodos mais importantes da história cultural e política no Brasil. Canções do exílio costura depoimentos de Caetano Veloso e Gilberto Gil sobre o exílio em Londres, após a prisão de ambos depois da decretação do AI-5. O documentário, que conta ainda com depoimentos de Jards Macalé e Jorge Mautner, relata momentos como a parceria rara entre Chico Buarque e Gilberto Gil na composição da música Cálice.

1 encontro, quarta-feira: 19h

Clique aqui para se inscrever  POP-Pólo de Pensamento Contemporâneo
Rua Conde Afonso Celso, 103 - Jardim Botânico - CEP 22461-060
Tel. (21) 2286-3299 e 2286-3682

 

ALEXANDER MARTINS VIANNA*

“Como uma arte genuinamente maior, o cinema é único porque, no sentido pleno do termo, é um filho do socialismo… Num único ato cinematográfico, o filme funde o povo a um indivíduo, uma cidade a um país. Funde-os mediante mudança desconcertante e transferência…, mediante…o escorrer de uma lágrima…” (Sergei Eisenstein, 1939)

Nos ensaios anteriores, foquei no paradigma do self made person norte-americano, expresso dramaticamente nos super-heróis protestantes da era Bush-Obama. Em tais filmes, é marcante uma linguagem cinematográfica para o desenvolvimento das tramas e caracterização de personagens redentores que explora habitualmente uma energia social religiosa de um ambiente cultural secular, mas não dessacralizado, que justamente faz com que os protagonistas vivam uma relação tensamente pendular entre luz interior e destino. No entanto, antes de retomar uma nova série de ensaios sobre super-heróis protestantes da era Bush-Obama nos EUA, achei importante fazer uma digressão pelo cinema de Sergei Eisenstein (1898-1948) e seu contexto soviético, pois sua linguagem de cinema propõe outro paradigma estético-social de caracterização de personagens e tramas, explorando estrategicamente a energia social religiosa do povo russo de uma forma iconoclasta.

À luz desta diferença, o leitor poderá perceber a distinção de matriz de pensamento social do cinema norte-americano, da qual os filmes de super-heróis protestantes da era Bush-Obama são apenas uma de suas expressões dramáticas recentes. Para tanto, dividi esta série em 4 ensaios, que vão (1) da ambiência político-institucional de emergência do cinema de Eisenstein, (2) sua transição da fase muda para a sonora (com suas implicações estético-sociais e políticas), (3) até o estudo de caso da forma e sentido do filme “Encouraçado Potemkin”(1925) para, por fim, partindo deste filme, (4) dedicar um ensaio para analisar especificamente o uso estratégico da energia religiosa do povo russo no desenvolvimento da tese da “fraternidade revolucionária”. Ao chegar ao último ensaio desta série, poderemos perceber um tipo diferenciado de expressão estética para a energia religiosa que servirá como um termo comparativo útil para nossa retomada de nova série de ensaios sobre filmes de super-heróis protestantes nos EUA. Segue, abaixo, o primeiro ensaio desta série.

* * *

Primórdios do Cinema Soviético e o Materialismo Dialético de Eisenstein

Antes da Revolução Russa (1917), não havia na Rússia Czarista um cinema nacional. Pensado no Ocidente como uma forma barata de lazer para a massa operária, o cinema apenas ganhou alguma popularidade nas classes médias urbanas por volta de 1914, mas não teria terreno muito fértil num país ainda marcado por uma população predominantemente rural e por um operariado ainda diminuto e muito pobre. Tais como as primeiras indústrias que emergiram na Rússia Czarista, as poucas e pequenas firmas de cinema eram dominadas por produções e capitais estrangeiros, marcadamente franceses, alemães e dinamarqueses. A primeira firma russa de cinema foi fundada em 1908 e, até a Revolução, não havia mais de vinte no total. As firmas de cinema na Rússia pré-revolucionária dependiam de importações da França e da Alemanha para terem os recursos necessários para produzir seus filmes.

Quando a I Guerra Mundial (1914-1918) iniciou, os filmes e equipamentos estrangeiros não puderam mais ser importados e, por conta disso, Nicolau II (1868-1918) estabeleceu o Comitê Skobelev para estimular a produção autônoma de filmes, sendo voltado principalmente para propagandas favoráveis ao regime, mas sua atuação foi pouco efetiva. No entanto, de março e novembro de 1917, durante o governo provisório de Kerensky (1881-1970), o comitê foi reconfigurado, enfatizando produções de propagandas contra a herança czarista.

Em novembro de 1917, com a deposição do governo de Kerensky pelos bolcheviques, Lenin (1870-1924) transformou o Comitê Skobelev em Comitê de Cinema do Comissariado do Povo para Educação. Os bolcheviques – um total de 200 mil membros para uma população de 160 milhões (800:1) – tinham agora a missão de montar uma estrutura cinematográfica que pudesse falar em nome de uma nova “unidade”, difícil de ser alcançada num país com uma população a falar mais de 100 línguas e, em sua maioria, analfabeta e, em algumas partes, ágrafa (i.e., marcadas pela tradição oral, sem tradição de cultura escrita).

Diante deste quadro, Lenin viu no cinema a possibilidade de unificar seu imenso e disparatado país, pois sua linguagem afetivo-cognitiva poderia fazer da vanguarda revolucionária bolchevique a metonímia dos anseios populares de liberdade e bem-estar contra a herança opressiva czarista. Como vivera a era muda do cinema, Lenin entendia que os espectadores de cinema não precisavam de aprofundamento literário para entender as mensagens dos filmes. Assim, deu grande prioridade para que houvesse um rápido desenvolvimento da indústria filmográfica e distribuição massiva de sua produção por todo o território, mas não viveu para testemunhar seus maiores frutos das décadas de 1920 e 1930.

Em agosto de 1919, em plena Guerra Civil (1918-1921), Lenin nacionalizou todas as firmas existentes na Rússia e deixou a missão de pensar meios de desenvolvimento da indústria filmográfica a encargo de sua esposa, Nadezhda Krupskaya (1869-1939). No entanto, o contexto de escassez e fuga de capitais e mão-de-obra qualificada durante a Guerra Civil não permitiu fazer muito pelo cinema: além de a maioria dos produtores serem estrangeiros e terem deixado o país, o governo de Lenin sofreu um bloqueio econômico que somente seria atenuado durante a NEP (1923-1929). O filme Encouraçado Potemkin” (1925), por exemplo, é um produto imediato da abertura socialista para o Ocidente – como preparação do futuro comunista – do período inicial da NEP.


Nadezhda Krupskaya (1869-1939)

Entre 1918 e 1923, a conjuntura ainda desfavorável não esmoreceu as iniciativas do Comitê de Cinema do Comissariado do Povo para Educação, cujo primeiro ato foi fundar uma escola profissional de cinema em Moscou para treinar diretores, técnicos e atores. Sergei Eisenstein foi um de seus primeiro alunos. O Vsesoyuznyi Gosudarstvenyi Institut Kinematografii (VGIK), ou Instituto de Cinematografia de Todos os Estados da União, foi a primeira escola no mundo a profissionalizar a prática do cinema e teve de usar muita criatividade para improvisar treinos e desenvolver técnicas sem o suporte material adequado.

Inicialmente, o VGIK treinou seus alunos na produção de agitki, reeditando cinejornais de agitação e propaganda (agitprop), que eram transportados para as províncias e exibidos para se conseguir apoio para a Revolução. Durante os anos da Guerra Civil, quase todos os filmes produzidos pelo governo eram agitki. Os grandes diretores do cinema soviético foram treinados na sua produção, aprendendo a trabalhar com escassez de equipamentos e sem negativos ou celulóide.


Lev Kuleshov (1899-1970)

Os estudantes do VGIK aprenderam a fazer roteiros, dirigir e atuar em cenários imaginários, como se estivessem diante de câmeras. Assim, sobre papéis, aprenderam a juntar vários pedaços até completarem “filmes” inteiros, usando inicialmente os métodos criados por Lev Kuleshov (1899-1970). Durante a Guerra Civil, Kuleshov conseguiu uma cópia do filme de D.W.Griffith (1875-1948) “Intolerância” (1916) e projetou-o várias vezes para seus alunos, até que tivessem toda a sua estrutura memorizada. A partir disso, deveriam recombinar suas partes e multiplicar sequências de edição em papel para exercitarem novos sentidos em montagem.

Lev Kuleshov defendia a ideia de que cada parte de um filme sempre tinha um duplo valor: aquele contido em si mesmo como imagem fotográfica da realidade; aquele que adquire quando é colocado em justaposição com outras partes. O segundo valor – característico da montagem – concentraria o sentido da linguagem cinematográfica. Portanto, Kuleshov concebia a montagem como um processo expressivo através do qual imagens diferentes poderiam ser ligadas num significado não-literal ou simbólico. Ele é o teórico e professor de cinema que mais influenciou uma geração inteira de diretores soviéticos, entre os quais, Sergei Eisenstein.

Por ascendência paterna, Sergei Eisenstein era neto de judeus, mas seu pai, o engenheiro civil Mikhail Eisenstein, casou-se com uma jovem cristã ortodoxa da alta burguesia russa. Sergei Eisenstein nasceu em Riga (Letônia), em 23 de janeiro de 1898, e começou seus estudos na mesma profissão paterna, em 1916, no Instituto de Engenharia Civil. No entanto, abandonou o curso em 1918 para alistar-se no Exército Vermelho, ocupando-se de montagens teatrais. Em 1920, juntou-se ao Teatro Proletkult de Moscou, onde ficou sob a influência do diretor Vsevolod Meyerhold (1874-1940) e dirigiu inúmeras peças ao estilo revolucionário futurista.

Durante esta experiência, pôde utilizar sua inconclusa formação de engenheiro na concepção de figurino e cenário para inúmeros espetáculos, destacando-se também como co-diretor de algumas peças. Foi nesse período que se interessou pelo Kabuki japonês, cuja técnica de produção e performance foi um fundamento muito importante para a linguagem performática que Eisenstein imprimiria em seus filmes mudos, numa fase em que se deveria alcançar muito efeito psicológico com poucos recursos.

Na virada invernal de 1922 para 1923, Sergei Eisenstein começou seus estudos com Lev Kuleshov, lançando seu primeiro manifesto teórico sobre a sétima arte, A Montagem de Atrações, publicado na revista Lef, que era editada por Vladimir Mayakovsky (1893-1930). Neste artigo, ele defendia que os espectadores deveriam ser tomados de surpresa por choques emocionais bem calculados cujo objetivo seria causar agitação. Para tanto, algumas imagens deveriam ser escolhidas independentemente da ação e apresentadas não em seqüência cronológica, mas de um modo que pudessem criar um máximo de impacto psicológico. Deste modo, o diretor comunicaria suas ideias para o espectador, conduzindo-o de um estado psicológico anterior para o nascimento de uma nova consciência. Tais princípios básicos da dialética do patético na montagem guiaram toda a carreira de Eisenstein, mas não sem erros ou exageros, como ele mesmo reconheceria em seus escritos.

Como adverte em seus ensaios sobre montagem, a escolha de como alcançar tais efeitos tem de ser cuidadosa: devem-se usar elementos concretos implícitos no plano de ação para que se perceba uma relação implicativa orgânica e não de mera imposição extravagante de símbolos e ângulos de câmera. Assim, por exemplo, no filme “Encouraçado Potemkin” (1925), a primeira cena de implicação que introduz o tema do filme é o mar revolto batendo violentamente suas ondas num quebra-mar. Trata-se do prelúdio de uma questão: Por quanto tempo a fúria do mar (proletariado) poderia ser contida por artifícios de poder (quebra-mar)? Segundo Eisenstein, uma imagem deve personificar ou condensar emocionalmente o tema do autor, mas a combinação deve ser feita de tal forma que o espectador participe do processo criativo e, portanto, o espetáculo não deve oferecer um impacto meramente alienante aos sentimentos.

Nesse sentido, deve-se formar nos sentimentos e consciência do espectador a mesma imagem geral que inicialmente pairou na mente de seu criador. Daí que, em 1940, Eisenstein afirmasse que a força da montagem residia justamente no fato de incluir no processo criativo a razão e o sentimento do espectador, que deveria ser compelido a passar pela estrada criativa do autor e experimentar o mesmo processo dinâmico de surgimento e reunião da imagem (emocional). No entanto, este arrastar-se pelo ato criativo do autor não significava que o espectador estaria anulando a sua individualidade.

Na verdade, segundo Eisenstein, o espectador criaria também sua própria imagem ao interagir com a orientação plástica do autor, preservando a sua individualidade na forma de entender e sentir o tema, já que ele próprio seria uma síntese de experiências em que se entrelaçam seu caráter, hábitos e condição social. Portanto, a imaginação filmográfica não produziria quadros conclusos e ao roteiro caberia apenas sugerir as representações decisivas que comunicassem a experiência da ação aos sentidos e, deste modo, conseguisse fazer com que as imagens (estruturas expressivas) trouxessem para o espectador as linhas-mestra da experiência emocional do autor.

A forma de Eisenstein enxergar a poética da realidade e o seu compromisso teórico-ideológico de engajar seus espectadores no mesmo exercício intelectual foram várias vezes interpretados como elitismo e “excesso formalista” pela crítica estalinista. No entanto, em larga medida, podemos perceber que ele cumpria a expectativa original de Lenin de que o cinema poderia instruir politicamente uma população iletrada, sem exigir necessariamente aprofundamento literário, desde que tivesse uma orientação plástica (afetivo-cognitiva) das representações decisivas das mensagens ou teses do enredo, o que poderia ser desenvolvido em roteiros com alta qualidade estética.

Quando foi convidado para dirigir seu primeiro filme, “A Greve” (1924), Sergei Eisenstein sabia muito de produção teatral, mas pouco dos aspectos práticos da produção cinematográfica. No entanto, contou com a ajuda operacional do cinegrafista Edouard Tissé (1897-1961) – um dos fundadores do VGIK –, começando uma longa parceria artística. O filme “A Greve” mistura a forma do documentário com um estilo épico, para tratar de um massacre perpetrado pela polícia czarista contra uma greve de operários em 1912. Este foi o primeiro filme revolucionário de massa da URSS, estando marcado por justaposições simbólicas ao estilo de Kuleshov. A principal delas é a conclusão, quando Eisenstein faz um paralelismo entre o massacre de bois num matadouro e o massacre dos grevistas e suas famílias pela polícia czarista. Em função de seu enorme sucesso, Eisenstein foi contratado pelo Comitê Executivo Central do PCUS para fazer um filme que celebrasse os vinte anos do “ensaio revolucionário” de 1905 contra o czarismo: “Encouraçado Potemkin” (1925).

Ao realizar tal filme, Eisenstein pensou como tese central o aflorar da fraternidade revolucionária, tendo como centros principais de ação: (1) o motim de marinheiros no encouraçado Potemkin contra o oficialato (condensação da opressão czarista); (2) a solidariedade dos habitantes do porto de Odessa; (3) o massacre dos habitantes do porto de Odessa pelas tropas cossacas (condensação da opressão czarista); (4) a solidariedade de todos os marinheiros da armada czarista à bandeira revolucionária dos marinheiros do encouraçado Potemkin. A cadeia de eventos tratados no filme não foi baseada em uma história verídica, pois a intenção era fazer do filme uma metonímia afetivo-cognitiva do “ano revolucionário de 1905”, reconfigurado comemorativamente como “ensaio” ou “promessa” para o “ano revolucionário de 1917”.

Em “Encouraçado Potemkin”, Eisenstein pôde desenvolver a técnica e a teoria da montagem para além do sentido de justaposição de “A Greve”. Assim, partindo das ideias de Kuleshov, Eisenstein acrescentou que o valor característico da linguagem cinematográfica, contido na montagem, é a colisão de partes opostas, seguindo nisso a visão marxista da história como choque de forças contrárias e síntese renovadora. O enorme sucesso de “Encouraçado Potemkin” possibilitou que Nikolai Podvoisky (1880-1948) tivesse interesse em convidar Eisenstein, em nome do Comitê Executivo Central do PCUS, para produzir um filme comemorativo sobre a Revolução Bolchevique, para qual contou com muito mais recursos: por exemplo, o Exército e a Força Naval foram colocados à sua disposição como figurantes. Assim, em começos de 1928, Eisenstein lançou “Outubro”.

Para a sua realização, além de volumosas fontes da época, Eisenstein contou com o livro de John Reed (1887-1920), “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”(1919). O filme foi concluído em novembro de 1927 e tinha 4 horas de duração. No entanto, enquanto Eisenstein fazia o filme, Joseph Stalin (1878-1953) tomou de Leon Trotsky (1879-1940) o controle do Politburo e obrigou Eisenstein a reduzir o filme em um terço, para eliminar referências ao exílio de Trotsky. Além da perda evidente de memória política que o filme sofreu, deve-se considerar também a perda estilística: conscientemente, Eisenstein tinha usado “Outubro” como um laboratório para experimentar a “montagem intelectual”, isto é, um tipo de edição voltado para estabelecer uma relação organicamente conceitual-simbólica-dialética, mais do que visual e acontecimental, entre as partes.

Quando o filme foi finalmente liberado, os críticos estalinistas acusaram-no de “excessos formalistas”, o que era o mesmo que dizer “burguês-elitista”. A mesma acusação recaiu sobre Eisenstein com o filme “O Velho e o Novo”(1929), pois a forma lírica com que tratou o processo de coletivização numa área rural afastada não agradou o establishment estalinista. Para Stalin, Eisenstein tinha duas qualidades que odiava: era intelectual e “judeu”. No entanto, a sua fama internacional impedia que sofresse qualquer tipo de expurgo. Assim, Stalin agiu indiretamente, colocando sob censura cada novo projeto de filme de Eisenstein, embora não ignorasse a sua posição estratégica para criar uma imagem positiva da URSS no exterior.

Apesar das adversidades criadas pela censura stalinista, ou mesmo por conta delas, pois lhe serviram de desafios para a exploração de novas possibilidades estéticas, particularmente do “filme falado”, Sergei Eisenstein foi um gênio pioneiro na moderna arte do cinema, deixando um punhado de obras-primas memoráveis. Se Griffith, nos EUA, elaborou sua narrativa de edição de forma intuitiva, Eisenstein, na URSS, foi um verdadeiro intelectual que formulou uma teoria moderna da montagem, baseada numa preocupação com a percepção psicológica e com a concepção dialética marxista da realidade.

Referências

CAPELATO, Maria Helena et alii. História e Cinema. São Paulo: Alameda, 2011.

DÉLAGE, Christian. Cinéma, Histoire: La réappropriation des récits. Vertigo, n. 16, p.13-23, 1997.

EISENSTEIN, Sergei. A Forma do Filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

EISENSTEIN, Sergei. O Sentido do Filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

EISENSTEIN, Sergei. Reflexões de um Cineasta. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.

FERRO, Marc. Cinema e História. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

FULLER, William C.. The Great Fatherland War and Late Stalinism, 1941-1953. In: Russia History. Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

HUSBAND, William B.. The New Economic Policy (NEP) and the Revolutionary Experiment, 1921-1929. In: Russia History. Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

MITRY, Jean. EISENSTEIN, Sergey. CD-ROM:Encyclopædia Britannica, 1994-2000.

NOVOA, Jorge et alii. Cinematógrafo. São Paulo: Unesp, 2009.

ORLOVSKY, Daniel. Russia in War and Revolution, 1914-1921. In: Russia History. Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

ROSENSTONE, Robert. A História nos Filmes/Os Filmes na História. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SIEGELBAUM, Lewis. Building Stalinism, 1929-1941. In: Russia History. Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

STAM, Robert. Introdução à Teoria do Cinema. São Paulo: Papirus, 2003.

* ALEXANDER MARTINS VIANNA é Mestre e doutor em História Social pela UFRJ. Professor Adjunto de História Moderna do Departamento de História da UFRRJ.

http://espacoacademico.wordpress.com/2012/08/15/eisenstein-e-o-cinema-sovietico-i/

 

Gente, noticia muito ruim! Faleceu um genio da flauta! Altamiro Carrilho ja nao está mais entre os vivos, acabou de entrar de vez pra Historia.  Meus pesames à familia Carrilho e a todos que amaram este musico fantastico ao longo do tempo. E pra homenagear o mesmo, segue o video da musica Lamentos, do Pixinguinha.

 

Morre no Rio o flautista Altamiro Carrilho aos 87 anos

Morreu na manhã desta quarta-feira (15), no Rio, o flautista Altamiro Carrilho, de 87 anos. Na segunda-feira (13) ele passou mal e foi levado para uma clínica particular em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A causa da morte ainda não foi divulgada.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/08/morre-no-rio-o-flauti...

 

André Borges Lopes www.bytestypes.com.br

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/gusttavo-lima-e-menina-machucada-e-feliz-mostram-171524063.html


Uma das coisas mais interessantes da minha profissão é que a velhice que se aproxima cada vez mais da porta do meu apartamento dá uma vontade incontrolável de deixar de lado a visão restrita de um determinado assunto e tentar enxergar as coisas de uma maneira mais ampla, profunda e racional. Principalmente em um mundo em que tudo envelhece muito rápido e que a estupidez virou uma benção para grande parte da humanidade.


Mesmo assim, algumas situações — ou "notícias", se preferir — me deixam perplexo.


Veja o caso do tal Gusttavo Lima, sucessor de Luan Santana na categoria "faça sucesso entretendo gente debilóide sem ter um pingo de criatividade musical". O sujeito, sabe-se lá por qual motivo, resolveu quebrar uma guitarra em cima do palco em um show em Bauru (SP) — na verdade, um megaevento para 40 mil pessoas que reuniu também atrações do quilate de Jorge e Mateus, Michel Teló e do próprio Luan Santana, entre outros - e jogar os pedaços na plateia. Acabou atingindo uma menina de 10 anos, que teve que ser levada a um hospital com cortes na cabeça.


Depois de atendida, a garota foi levada de volta ao local do show, quando foi apresentada ao "cantor", que lhe deu um CD autografado. E a moçoila saiu de lá feliz da vida, a ponto da família da garotinha — que chegou a registrar boletim de ocorrência por lesão corporal culposa, ou seja, sem a intenção de machucar — ter mudado de ideia no dia seguinte e mandado confeccionar uma faixa com a frase "Gusttavo, eu te amo" e colocado o tal pano na porta de casa.


Que raio de mundo é este?


Nem vou questionar o que fazia uma criança desta idade em um show deste porte. Hoje em dia, pais negligentes são totalmente reféns de crianças cada vez mais mimadas e arrogantes. Junte isto a uma fiscalização que beira a desonestidade e o cenário de estupidez está completo. Também não vou comentar a respeito da lavagem cerebral a qual jovens incultos e criados com a ausência de regras básicas de educação são submetidos via TV e internet.


Só que há uma pergunta que não me sai da cabeça: O que teria levado o tal "cantor" a quebrar uma guitarra em cima do palco? Não saber o que fazer com ela é uma hipótese bem provável, mas eu creio que o tal "cantor" tenha protagonizado a última pá de cal em cima de um cadáver que já cheira mal há muito tempo: a rebeldia transgressora que mudou o mundo nos últimos anos.


Quando Pete Townshend e o The Who quebravam todos os seus equipamentos ao final dos shows, quando Jimi Hendrix botou fogo em sua guitarra no festival de Monterey, quando Jerry Lee Lewis fazia o mesmo com seu piano quando estava entupido de álcool, o que estava em jogo em cada ato aparentemente tresloucado era a necessidade de mostrar que a sociedade em que vivíamos estava passando por mudanças comportamentais, sociais e políticas que batiam de frente contra o conformismo e a obediência cega às autoridades.


Hoje em dia, quando vejo bandas de rock quebrando guitarras em cima do palco, sinto uma "vergonha alheia" imensa justamente porque tal ato se transformou em algo puramente cênico, que provoca a mesma catarse histérica de uma convenção de escoteiros. Imagine o que você sentiria se visse o tal Gusttavo Lima fazendo o mesmo perante uma plateia com zero grau de audácia transgressora. É, o 'bundamolismo' venceu.


O que o tal "cantor" e a menina machucada e incrivelmente agradecida fizeram foi esfregar na nossa cara uma verdade sem volta: a cada dia que passa, mais e mais pessoas se entregam ao nefasto e persuasivo ato de esquecer de si próprias, como se a alienação fosse uma "virtude" — para não dizer "necessidade" - social. Para muitos, é mais fácil e seguro ser uma besta alegre e sorridente.


Vivemos no meio de uma geração de pessoas "românticas" que não sabem sequer como dar um abraço sem produzir uma baba retardada, manifestada verbalmente em frases prontas extraídas de livros de autoajuda ou por intermédio de olhos vidrados pela babaquice explícita. Milhões de pessoas se parecem como lagartixas felizes.


Há muitas formas de ser feliz sem tentar blindar o espírito, colocando um insulfilm na alma. Só vamos conseguir exterminar a nuvem negra da ignorância que cobre este planeta no momento em que começarmos a recusar tudo aquilo que nos é oferecido, quando deixarmos de ter a boca molhada pela saliva da gratidão e transformarmos a nossa indignação em atitudes.


Enquanto houver gente que prefere colocar uma venda nos olhos, lacrar o coração e cultivar a estupidez, seremos apenas um monte de babacas...

 

Nassif,

DEvido à comprovada imcopetência  e partidarismo da velha mídia em informar, peço a vc que faça um especial sobre o pacote de logistica que a Dilma lanou hoje.

Obrigado.

 

Do JB:

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2012/08/15/morre-o-flautista-altam...

 

Nassif, merece repercussão a denúncia do blog Cidadania, by Eduardo Guimarães, sobre um suposto e até agora não evidenciado bate boca entre o Ministro Toffoli e o Noblat. Até agora não apareceu nenhuma testemunha a confirmar o fato e já há testemunha negando. Ao que tudo incida se trata de uma crianção mental do suposto jornalista. Noblat está devendo esclarecimentos não para mim. Mas para os que ainda acreditam nele. Confira em: http://www.blogdacidadania.com.br/2012/08/toffoli-e-a-armadilha-da-globo/

 

Multa contra fabricante de motores é suspensaAutor(es): Por Bárbara Pombo | De BrasíliaValor Econômico - 14/08/2012 

A Tritec Motors, joint venture formada originariamente pela BMW e Chrysler, conseguiu cancelar uma autuação de R$ 124 milhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A companhia conseguiu provar que cumpriu o índice mínimo de conteúdo nacional exigido em regime automotivo de 1996, em troca de benefícios fiscais. Segundo advogados, essa é a primeira decisão da Câmara Superior do Carf - última instância do órgão - sobre o assunto.

Os conselheiros mantiveram decisão de 2007 da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes (hoje Carf). Na ocasião, eles entenderam que a Receita Federal não poderia considerar apenas as peças para definir o índice de nacionalização. Deveria também entrar no cálculo o projeto de engenharia, o desenho gráfico do motor e a mão de obra utilizada, além da própria linha de produção. "Nossa tese, que foi aceita, é de que o laudo pericial não poderia se basear apenas no critério ferro contra ferro, mas também no custo do processo produtivo", afirma Tarcísio Kroetz, do escritório Hapner Kroetz Advogados, que representou a Tritec no processo.

A fabricante de motores - hoje de propriedade da Fiat - aderiu ao regime automotivo do governo Fernando Henrique Cardoso para obter redução de 90% no Imposto de Importação sobre compras de matérias-primas. Em troca, comprometeu-se a ter produtos com conteúdo nacional mínimo de 27% em 1999, primeiro ano de funcionamento de sua fábrica em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Até 2002, o índice de nacionalização teria que alcançar 35%. O acordo em relação aos percentuais foi firmado com o então Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) e com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Mas uma perícia exigida pela Receita Federal apontou que 90% das peças dos motores produzidos pela Tritec eram importadas. Com isso, a companhia foi autuada em 2003, e obrigada a pagar R$ 19 milhões de imposto com multa de 75% de juros que, na época, somavam R$ 15 milhões.

Na decisão agora mantida pela Câmara Superior, o relator do caso, conselheiro Luiz Roberto Domingo, considerou ainda que a perícia foi "simplória" por não analisar o impacto dos custos de produção no índice do conteúdo nacional. "O laudo técnico restringiu-se à simplicidade de quem vê e não daquele que deveria saber, em termos técnicos, como é calculado o custo de um produto final", diz na decisão.

Com o entendimento favorável à Tritec, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) recorreu à Câmara Superior com a alegação de que a decisão contrariava a prova elaborada na perícia. Porém, o relator do processo, conselheiro Júlio César Alves Ramos, não conheceu o recurso por questões processuais. Mas confirmou o raciocínio da decisão anterior no sentido de que o laudo produzido não seria consistente. "Não há qualquer fundamentação técnica aduzida pelo engenheiro para a conclusão por ele extraída", afirma o conselheiro. Como o contribuinte saiu vitorioso, a Fazenda Nacional não pode recorrer à Justiça.

Apesar de a decisão da Câmara Superior ser baseada, principalmente, em questões apenas formais do trâmite do processo, tributaristas a consideram um bom precedente em termos de estratégia processual. "Indústrias do setor que perderem a briga em instâncias inferiores poderão utilizar o acórdão da Tritec para recorrer à Câmara Superior", diz Alberto Daudt de Oliveira, do escritório Dault, Castro e Galotti Olinto Advogados. Atualmente, o requisito para recorrer à última instância do órgão é a apresentação de decisões diferentes sobre um mesmo assunto.

A decisão, segundo advogados, também é relevante por exigir perícias fundamentadas e técnicas na discussão sobre conteúdo nacional. "Laudos técnicos são provas importantes. Sempre que possível devem ser feitos por órgãos de engenharia independentes", afirma Fernando Ayres, advogado do escritório Mattos Filho. Para José Eduardo Tellini Toledo, sócio do Gaudêncio, MCNaughton e Toledo Advogados, o entendimento pode ser usado para contestar laudos "simplistas".

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/14/multa-contra-fabricante-de-motores-e-suspensa

 

 

 

Complementando:

 

Cálculo da Receita será incluído em novo regime automotivoAutor(es): Por Marli Olmos | De São PauloValor Econômico - 14/08/2012 

A Receita Federal pode ter se enganado ao calcular a quantidade de peças importadas nos motores fabricados pela Tritec Motors com base apenas nos valores dos componentes. Mas é exatamente essa a fórmula que o governo federal adotará em breve, no lançamento de um novo regime automotivo.

Interessado em estimular a produção local, o governo está prestes a anunciar uma nova regra de cálculo, que coincidirá com a lógica que guiou os técnicos da Receita na autuação da Tritec: para chegar ao índice de conteúdo local de um equipamento basta somar o quanto se gastou com as peças fabricadas no Brasil.

Na regra atual, porém, a indústria automotiva tem permissão para incluir na conta outras despesas relacionadas com a produção e a venda de seus produtos, incluindo gastos com publicidade.

Foi dessa forma também que os incentivos fiscais que beneficiaram as montadoras ao longo dos anos foram calculados. As empresas que concentravam as compras no Brasil sempre levaram mais vantagens.

A regra começou a gerar polêmica recentemente por conta da iniciativa da indústria de autopeças nacional, respaldada pelos sindicatos de metalúrgicos.

As montadoras tentaram convencer o governo a manter a fórmula em vigor sob o argumento de que as despesas que envolvem seus produtos não se limitam aos componentes, mas também aos salários, por exemplo.

Mas o governo está decidido a reduzir as importações e a estimular a produção local. Mudar o cálculo do conteúdo local surge como mais uma ferramenta útil na estratégia. O regime automotivo, que será anunciado nos próximos dias pela presidente Dilma Rousseff, embutirá a regra de cálculo do novo conteúdo local, que será de 50%, com base apenas na quantidade de peças.

Somente as empresas que alcançarem esse percentual não serão penalizadas com taxa adicional de IPI. A nova regra valerá para toda a indústria automotiva, o que inclui os fabricantes de automóveis e seus fornecedores.

No caso do regime automotivo de 1996, no qual a Receita Federal se baseou para autuar a Tritec, as empresas tinham que obedecer a um conteúdo local mínimo para terem o direito de importar. Esse programa visava atrair investimentos e, de fato, foi o que determinou o ciclo de chegada de montadoras que ainda não atuavam no Brasil, como as francesas Renault, PSA Peugeot Citroën e as japonesas Honda e Toyota, além de expansão industrial de outras marcas veteranas.

As empresas que se inscreveram no regime automotivo do governo de Fernando Henrique Cardoso se comprometiam também a exportar. Investimentos e promessa de vender no exterior lhes garantia menos impostos. A Tritec, que nasceu na época, passou vários anos praticamente desativada, com o fim da joint venture entre BMW e Chrysler. Mas ganhou importância quando o grupo Fiat adquiriu as instalações para criar uma das suas principais bases de produção de motores da América Latina.

 

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/14/calculo-da-receita-sera-incluido-em-novo-regime-automotivo

 

E a direita segue fazendo a festa...

14/08/2012 - 15:21

Fustigada pela CUT, Dilma é amparada por FHC 

Num instante em que a CUT, com a solidariedade já extremamente cansada, chama Dilma Rousseff de “autoritária” no STF e na OIT, estende a mão à presidente um antagonista cordial: FHC. Sabe que, na Presidência, o melhor amigo do homem é o Orçamento. Por isso…

FHC apoia as barricadas erigidas por Dilma contra os servidores públicos em greve: “A presidente Dilma está num momento de dificuldade financeira e fiscal e muita pressão dos funcionários que se habituaram no governo Lula, que tinha mais folga, a receber aumentos. […]. Não vejo como ela não pudesse enrijecer.”

Como se vê, Dilma roça o inusitado. Para os amigos da CUT, não é mais aquela. Para os rivais do tucanato, está a meio caminho de virar outra.

 

Campanha do C AF (Paulo Henrique Amorin) para enchermos o email dos parlamentares... para convocação da VEJA na CPI...

 

Vamos participar amigos...

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/08/14/pressione-a-cpi-a-chamar-o-caneta/

 

dep.arnaldofariadesa@camara.gov.br; dep.candidovaccarezza@camara.gov.br; dep.carlossampaio@camara.gov.br; dep.delegadoprotogenes@camara.gov.br; dep.domingossavio@camara.gov.br; dep.dr.rosinha@camara.gov.br; dep.ediolopes@camara.gov.br; dep.fernandofrancischini@camara.gov.br; dep.filipepereira@camara.gov.br; dep.gladsoncameli@camara.gov.br; dep.glauberbraga@camara.gov.br; dep.hugoleal@camara.gov.br; dep.iracemaportella@camara.gov.br; dep.irisdearaujo@camara.gov.br; dep.joaomagalhaes@camara.gov.br; dep.luizpitiman@camara.gov.br; dep.luizsergio@camara.gov.br; dep.mauricioquintellalessa@camara.gov.br; dep.mendoncaprado@camara.gov.br; dep.miroteixeira@camara.gov.br; dep.odaircunha@camara.gov.br; dep.onyxlorenzoni@camara.gov.br; dep.osmarjunior@camara.gov.br; dep.paulofoletto@camara.gov.br; dep.pauloteixeira@camara.gov.br; dep.rogeriomarinho@camara.gov.br; dep.ronaldofonseca@camara.gov.br; dep.rubensbueno@camara.gov.br; dep.sarneyfilho@camara.gov.br; dep.sibamachado@camara.gov.br; 

 

CPI DAS FAVELAS INCENDIADAS

Hoje, 15 de agosto de 2012, a CPI dos incêndios em favelas de São Paulo talvez realize sua primeira audiência. Se não tiver sido prorrogada, será o último dia dos 120 dias previstos, inicialmente, para sua duração. O cel. Jair Paca de Lima apresentará o histórico de incêndios em favelas registrados na capital paulista, nos últimos cinco anos.

08:45, 15 de agosto de 2012

Liguei para a Câmara Municipal de São Paulo (3396.4000) e pedi para ser transferido para o setor de CPI. Após três ou quatro toques, atende um senhor com voz sonolenta, mas solícita:

- Alexandre (foi o que entendi), bom dia!

- Bom dia, Alexandre (falo titubeando). Setor de CPIs? Gostaria que me fornecesse informações sobre a CPI dos incêndios em favelas. Hoje terá audiência, não é isto?

- Olhe, o senhor poderia ligar mais tarde, tipo uns vinte minutos, porque eu atendi ao telefone, mas não sou deste setor. Pode ser?

- Ah, sim. Claro. Ligarei então daqui uns vinte ou trinta minutos. Obrigado.

- Disponha.

..........................

Neste caso, mais tarde espero obter as informações pertinentes ao horário da sessão. Embora saiba que deverá se realizar às 12:00, como sempre, quero dizer como nunca, pois não houve ainda qualquer sessão. Se realizada anteriormente, teria sido neste horário. Horário de almoço? talvez por isso nunca tenha obtido quórum.

.....

AGORA são 09:30 (ainda 15.08.2012)

Ligo novamente para a Câmara de São Paulo, e no setor de CPI atende um homem, que a minha solicitação de informações, explica que a secretária da CPI ainda não chegou mas que vai consultar a agenda. Após a consulta, informa que sim, haverá a sessão.

Eu pergunto sobre a pauta - cel. Paca e a questão da indicação de vice-presidente e relator - e sobre a prorrogação do prazo da CPI.

O homem me informa que a pauta deverá ser esta mesmo, e que  quanto à prorrogação, isto deverá ser discutido, mas lembra que durante o recesso a contagem é paralisada, e que sendo assim, de abril até agora não se passaram os 120 dias, e que portanto o prazo deverá se encerrar mesmo é em setembro.

Sendo assim, a CPI não está ainda em seu último suspiro, e ainda se pode fazer algo. Temos, talvez 25 dias de CPI ainda (primeiro prazo, podendo ser prorrogada). Pena que as sessões só ocorram de 15 em 14 dias. E desta forma, hoje se marque a sessão de consolidação de "dados colhidos pela CPI" (?) para 29 de agosto, e se encerre na primeira semana de setembro.

Será este o roteiro? ou teremos prorrogação? tempo extra? No futebol, o tempo extra é decidido em MORTE SÚBITA.

 

Flávio Furtado de Farias

Tem pilantra cibernético carecendo de urgentes aulas de português para melhor aplicar seus golpes. Recebi este imoprtante comunicado de um banco no qual nunca tive conta:

BRB Banco De Brasilia.

Informamos que sua conta corrente/polpança sera cancelada.

Motivo: Devido a não atualização de dados imposta pelo sistema de credito.
E seus dados encontram-se desatualizado ate este momento.

Como eu posso evitar o cancelamento?

Obtenha a atualização de dados agora através do portal que disponibilizamos.
Atualize seu dados através do endereço abaixo e evite transtornos.


Atualizar agora mesmo, clique aqui para Atualizar (link enviado pelo mal alfabetizado pilantra) 

 

 Coluna de Ilimar franco coloca as coisas num Nível melhor de Plausibilidade: Teorias malandras do JV andaram prosperando por aqui e até eu embarquei;

 PMDB não dá apoio ao PT

Durante mais de uma hora, na noite de segunda-feira, líderes e dirigentes do PT tentaram convencer o comando do PMDB na Câmara a apoiar requerimento de convocação na CPI do Caso Cachoeira do diretor da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior. O encontro foi realizado na casa do líder petista Jilmar Tatto (SP) e consta que o mais enfático na defesa da proposta foi o deputado Emiliano José (PT-BA). Os deputados do PMDB, a despeito da pressão, se recusaram a dar apoio à iniciativa, alegando que não há fatos que indiquem que a relação extrapolou o contato entre jornalista e fonte. Os petistas não se conformaram e avisaram que voltarão à carga.

 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-14/ideb-rede-particular-...

 

Ideb: rede particular de ensino avança menos que pública

 

 

 

 

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil

 

 

 

São Paulo – Apesar de ter notas maiores que a rede pública de ensino, as escolas particulares obtiveram média de desempenho abaixo da meta estabelecida para 2011, como revela o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado hoje (14). Os resultados apontam que a rede privada tem avançado menos nos últimos anos, tanto nos níveis iniciais, como nos finais do ensino fundamental e no nível médio.

 

 

 

Para a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, estar em um patamar mais elevado já é um fator que dificulta o alcance da meta. "Se bateu ou não bateu [a meta] depende muito do ponto inicial, eles [rede privada] já estavam em um ponto superior, portanto teriam mais dificuldade de bater a meta. É mais difícil ter ganhos de uma edição para a outra [quando o nível já é mais alto]", avalia.

 

 

 

De acordo com dados do Ministério da Educação, as escolas privadas respondem por 14,3% das matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais e no ensino médio, o percentual de participação é 12% em cada um dos níveis. Nas séries iniciais, a nota média registrada pela rede privada em 2011 foi 6,5, enquanto a meta estabelecida era 6,6. Quando comparada com a rede pública, no entanto, o índice é 1,8 ponto superior.

 

 

 

No ensino fundamental, a diferença do Ideb da rede pública e da particular é maior nos anos finais (2,1 pontos). Nessas séries, o Ideb das escolas privadas ficou em 6, enquanto o objetivo estabelecido para o ano passado era 6,2. No ensino médio, o distanciamento em relação à rede pública é superior, com 2,3 pontos de diferença. A nota registrada pelas escolas privadas nesse nível é 5,7, enquanto a meta estabelecida era 5,8.

 

 

 

Amábile Pácios, presidenta da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), acredita que avançar nas médias, mesmo sem atingir as metas é um bom resultado. “A nota cresceu [em comparação com 2009] e a gente ficou apenas poucos décimos abaixo da meta. Isso é um excelente resultado”, avalia. Desde 2005, primeiro ano da pesquisa, as particulares obtiveram crescimento gradual nas médias do ensino fundamental. No ensino médio, no entanto, este é o primeiro ano em que a nota cresceu de 5,6 para 5,7.

 

 

 

A presidenta da Fenep concorda que estar em patamar superior torna as metas mais difíceis de serem cumpridas. “Os objetivos que nos são colocados devem ser alcançados em termos gerais somente em 2021. As metas são mais exigentes para a escola particular”, aponta.

 

 

 

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) estabelece como meta para os anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, a nota 6 em 2021. As escolas particulares, por sua vez, alcançaram esse patamar em 2007.

 

 

 

A Fenep acredita que a aproximação entre as notas da rede pública e particular pressiona o ensino privado a melhorar a qualidade. “Os resultados mostram que tanto as particulares como as públicas estão no caminho certo. O avanço da rede pública é importante para o país, para as crianças e também para a escola particular. Nossa pretensão é continuar subindo e avançar o máximo, principalmente na qualidade”, destaca.

 

 

 

Amábile Pácios destaca que a rede privada não tem como meta apenas o Ideb. “Nosso alvo não é ter uma nota ou outra em determinada avaliação. Buscamos a qualidade do ensino, consequentemente as notas das avaliações, sejam elas nacionais ou internacionais, avançam”, explica. Para a presidenta, o Ideb ajuda a colocar toda a rede de ensino do país em uma mesma perspectiva de crescimento.

 

 

 

Edição: Carolina Pimentel e Juliana Andrade

 

 

Renato Janine Ribeiro sobre o mensalão

Do Blog do Azenha

http://www.viomundo.com.br/politica/renato-janine-ribeiro-um-caso-quase-...

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A imagem da Justiça em risco

por Renato Janine Ribeiro

no Valor Econômico, via O Esquerdopata, sugerido pela MC no Facebook

No começo do século XIX, um viajante percorria as montanhas da Itália. Os moradores eram pobres e analfabetos. Mas, quando ficavam sabendo que ele era inglês, abriam um sorriso e elogiavam seu país: meio século antes, a Inglaterra havia julgado um nobre que assassinara o mordomo. De fato, em 1760 o conde Ferrers fora condenado.

Para fazer justiça, a Inglaterra reconhecia ao réu direitos impensáveis nos demais países. Não o torturavam, ele tinha direito a defesa, um júri de seus pares o julgava. Assim, quando vinha a sentença — e a lei penal era rigorosíssima, prevendo a morte para centenas de crimes — ela era considerada justa.

Os dois parágrafos acima introduzem as duas narrativas que hoje circulam sobre o processo do mensalão, assim como apontam os riscos que corre o Supremo Tribunal Federal. Primeira narrativa: vão a julgamento membros da cúpula do partido que governa o país há dez anos. Se condenados, isso indicará — aos olhos da oposição — que se terá feito justiça.

Segunda narrativa: o Supremo, pressionado por uma mídia sobretudo oposicionista, negou direitos básicos à defesa. Por isso, uma condenação será sinal de que se fez tudo, menos justiça. Ao recusar a 35 réus o julgamento pelo juiz natural, ao chegar à mesquinhez de proibir a defesa de usar o power point que facilitaria a exposição de seus argumentos, o STF pode ser visto como um órgão que vestiu a toga para matar, não para julgar.

Corre risco a imagem do Supremo Tribunal

Esse, o risco do julgamento em curso. Seja qual for o seu resultado, parte da sociedade entenderá que não se fez justiça. Pior, essa opinião será determinada por recortes políticos. Isso é grave. A sentença pode diminuir o respeito pelo Poder Judiciário. Se o Supremo não condenar a maioria dos réus, em especial Dirceu e Valério, a oposição dirá que o julgamento acabou em pizza. Mas, se condenar, a opinião favorável ao PT entenderá que os ministros julgaram politicamente, sem a coragem de seguir a verdade ou os autos.

O problema é que a oposição tornou esse um caso quase de vida ou morte. O PSDB se adaptou mal à mudança de agenda política que pôs em primeiro plano a inclusão social. Longe das eleições, a oposição acusa a Bolsa-Família de assistencialista; na campanha eleitoral, promete colocar mais dinheiro nela. Sua grande realização, a estabilidade monetária, já não é uma bandeira eleitoral; sua convicção maior, a da privatização, não traz votos novos. Daí que o mensalão se torne seu ponto maior de fé, mas tendo o defeito de ser uma crença que só convence os já convencidos.

Mais que isso. Mesmo a condenação de vários réus, caso ocorra, dificilmente prejudicará a imagem de Dilma Rousseff. Ela não associou seu destino ao deles. Faz questão de manter o governo afastado do processo. Duvido até que uma condenação perturbe o futuro do PT. Ele já pagou em 2005, quando Dirceu e Genoíno caíram do poder. Mas, nas eleições deste ano, não há um enfrentamento em regra da base governista e da oposição tradicional – digo tradicional porque, dois anos atrás, uma nova oposição surgiu, a dos verdes que deram a Marina vinte por cento dos votos, mas sumiram sem rastros: no maior colégio eleitoral do país, a cidade de São Paulo, sequer há um candidato verde a prefeito. Daí que um balanço destas eleições a partir da pergunta básica — quem venceu, governo ou oposição? — seja difícil.

Por isso, mesmo o cenário mais favorável à oposição e à classe média paulista, que se mobilizam pela condenação, apenas as reforçará em suas convicções. É improvável que as aproxime do poder ou que desestabilize o governo. E isso se terá feito a um custo nada trivial para o Supremo Tribunal.

A imagem da corte está em risco e, com ela, a do Poder Judiciário. A grande mídia mofa da defesa; os blogues de esquerda zombam da acusação. Chega a haver vozes, na oposição, contrárias ao princípio de defesa. Um leitor de jornal sintetizou perfeitamente essa crença ao reclamar: como esses homens, que violaram a lei, agora pedem a proteção da mesma lei? Não podia resumir melhor a mentalidade antidemocrática. Porque a violação da lei penal só pode ser determinada com total respeito à lei processual. Uma privação da liberdade só pode ser decretada respeitando-se os direitos humanos, a começar por dois que nos vieram dos ingleses, o devido processo legal e a presunção de inocência. Ninguém é legalmente culpado até ser condenado em processo justo. Por isso, o juiz do caso Nardoni deu à defesa tudo o que ela pediu, para depois não caber recurso. O Supremo não mostrou essa cautela.

A Inglaterra ganhou, executando o conde Ferrers “como um criminoso comum” (Linebaugh), porque ele teve toda a defesa. Condenado, pediu que lhe dessem a morte nobre, a decapitação. Seus pares, os lordes, mandaram que sofresse a morte vil, na forca de Tyburn. Pediu que o enforcassem com uma corda de seda, em vez da ordinária de cânhamo. Resposta negativa. Mas ele pôde se defender, antes disso. Se houver uma dúvida razoável a respeito, ninguém ganha. Assim, se parte razoável dos brasileiros não acreditar que a Justiça faz justiça, o custo para as instituições será alto. Esse, talvez o maior erro da oposição. Ao querer vencer a todo custo, esqueceu a lição da primeira democracia moderna: para que uma vitória seja respeitada, há primeiro que respeitar plenamente as regras do jogo. Curiosamente, quem se contenta com uma vitória modesta tem mais chances de ter o resultado acatado pelo outro lado. Mas quem transforma o processo judicial em luta política, e a luta política em guerra, perde o combate que realmente importa, o de ter o resultado respeitado.

 

Amigos, perguntar não ofende:

- Será que a atual situação dos Aposentados levará mais manifestantes a Brasília do que o julgamento do Mensalão? O dia é hoje, conforme notícias abaixo. 

- Será que os parlamentares já chegaram a um consenso, quanto ao cálculo das Aposentadorias, que permita aprovar algo "menos ruim" (tipo Fórmula 85/95) ou irão NOVAMENTE refugar para manter o "péssimo" (o Fator Previdenciário)? Logo saberemos.

- Será que os parlamentares só se lembram da situação dos Aposentados em ano eleitoral - quando fica mais difícil decidir? Depois dos discursos bonitinhos continua tudo como está e o tema só sai da gaveta para os discursos bonitinhos da campanha eleitoral seguinte... Tática 'manjada', assim me parece.

*************

Da  COBAP , por Richard Casal

26/7/2012:

15 de Agosto tem manifestação pesada de aposentados em Brasília

COBAP e Federações organizam nova mobilização em favor da extinção do Fator Previdenciário

(imagem 1 abaixo)

Depois da grande repercussão dos manifestos em São Paulo e Paraná, a COBAP promove agora uma grande mobilização na capital Brasília no dia 15 de agosto. O protesto pode se estender até o dia 16, pois os aposentados almejam acampar nas proximidades do Congresso Nacional.A concentração deste histórico ato se dará às 15 horas, em frente ao anexo 2 da Câmara dos Deputados. Virão caravanas de diversas regiões do país.De forma ordeira e pacífica, os aposentados pretendem pressionar os líderes partidários e de bancadas a colocar em votação urgente os projetos de maior interesse da categoria. Dentre eles, o fim do Fator Previdenciário e o projeto 4434/08, que recompõe as perdas das aposentadorias e pensões.
Os organizadores prometem novidades para chamar a atenção da mídia nacional. Qualquer pessoa pode participar do ato público. Quanto mais gente melhor.A hora é essa!

14/8/2012:

Caravanas partem rumo ao manifesto em Brasília

Deputados serão pressionados a colocar projetos em votação

(imagem 2 abaixo)

Na noite de hoje, centenas de corajosos aposentados, de diversas regiões do país, estarão saindo do conforto de suas casas para viajar rumo à capital Brasília, onde participarão do grande manifesto organizado pelo COBAP com apoio de todas as federações.

Os manifestantes estarão reunidos amanhã, a partir das 15 horas, no anexo 2 da Câmara dos Deputados. De forma pacífica estarão pressionando os líderes a colocar em pauta de votação os os dois principais projetos de interesse da categoria: PL 4434/08 (garante a recomposição das aposentadorias e pensões) e 3299/08 (extingue o fator previdenciário).

A intenção é passar a noite em claro, marcando posição de luta na Esplanada dos Ministérios até a quinta-feira de manhã, de forma a chamar a atenção da imprensa nacional e sensibilizar as autoridades governamentais.

O presidente da COBAP, Warley Martins Gonçalles, e toda a sua diretoria, já está em Brasília desde segunda-feira finalizando os últimos preparativos para o ato público. 


 

Re: Fora de Pauta
Re: Fora de Pauta
 

Nestes tempos confusos um pouco de Bertolt Brecht

"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."


"Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?"


"Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra."
"Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!"

"O Vosso Tanque General, é um Carro ForteDerruba uma floresta, esmaga cem Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motoristaO vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Vôa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar”.
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. 
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, 
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
 "Desconfiai do mais trivial ,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."
"Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
E que os insaciáveis
Lhes devolvam algo?
Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!"
"Aprende - lê nos olhos,
lê nos olhos - aprende
a ler jornais, aprende:
a verdade pensa com tua cabeça.Faça perguntas sem medo
não te convenças sozinho
mas vejas com teus olhos.
Se não descobriu por si
na verdade não descobriu."
http://assisprocura.blogspot.com.br/2012/08/bertolt-brecht.html

 

SOBRE MACUNAÍMA

Acabei de ler Macunaíma, livro de Mario de Andrade, escrito em 1928, seis anos após a semana de arte moderna, movimento literário e artístico que iria romper com as velhas formas de expressão artística em geral.

O Modernismo, como é sabido, propunha, em termos de literatura, a construção de uma linguagem autenticamente nacional e popular. Nas artes plásticas já havia inclusive essa preocupação pelo nacional, a exemplo de alguns precursores como Almeida Júnior e Benedito Calixto, cujos temas estavam voltados para o cotidiano popular, pelo histórico nacional; na Literatura, lembramos os nomes de Graça Aranha (Canaã), Lima Barreto (Triste Fim de Policarpo Quaresma) e Euclides da Cunha (Os Sertões).

A busca por novas formas de expressão culmina na Semana de Arte Moderna, em 1922. Os principais nomes do modernismo são: Oswaldo de Andrade, Anita Mafalti, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Raul Bopp (Cobra Norato), Ascenso Ferreira (Catimbó, Cana Caiana); Victor Brecheret (escultura); e outros tantos.

O modernismo se opôs à linguagem bacharelesca, artificial e idealizante de uma estrutura de classes arcaicas que seria abalada, até certo ponto, com a Revolução burguesa de 1930. Até certo ponto porque não se fez a Reforma Agrária, razão pela qual se acentuou o êxodo rural e o consequente inchaço dos centros urbanos.

Segundo alguns autores, Macunaíma expressa pesquisa do autor sobre a realidade social urbana e o folclore brasileiro, traduzindo em literatura as formas da oralidade do nosso povo, e buscando, ao mesmo tempo, uma síntese entre o erudito e o popular, a partir da própria produção cultural do povo, que outra coisa não é senão seu folclore, suas crenças, e sua maneira de ser, seu temperamento.

O modernismo, apesar de sua rebeldia artística, não se vinculou a nenhum movimento político, a nenhuma proposta de transformação da sociedade. Note-se, inclusive, que foi nesse mesmo ano que se deu a fundação do Partido Comunista do Brasil. Foi, contudo, uma militante desse Partido (Pagu) a primeira a escrever um romance-reportagem (Parque Industrial) sobre a triste situação do proletariado urbano paulistano, em 1931, fato, contudo, isolado e de pouca repercussão naquele momento.

A proposta de uma arte voltada para o povo, sua cultura, sua história, e como instrumento de conscientização popular e inspiradora da transformação social viria com o cinema novo, em fins dos anos cinquenta e meados da década seguinte. Essa experiência, todavia, foi abortada pela classe dominante, a burguesia, instalando uma ditadura militar que vigorou, no País, durante 21 anos. O próprio filme Macunaíma, realizado em 1969, teve imensa dificuldade para diblar a censura então vigente, tendo que disfarçar sua mensagem popular.

O cinema novo, como disse Randal Johnson, se opôs à chanchada e aos filmes sérios produzidos em São Paulo, especialmente os da Vera Cruz, os quais refletiam, em ambos os casos, uma visão colonizada, idealizada e inconsequente da realidade brasileira.

A figura do herói: havia no passado uma idealização clássica dos homens enquanto agentes do processo histórico. As tipologias eram: o Santo como exemplo da piedade, da pureza de costume, dos bons valores morais da cultura dominante; o Administrador como expressão política de governo; o Artista, paradigma das artes, expressão das qualidades de tudo que é belo; e o Herói como defensor e protetor de um povo.

O herói grego, por exemplo, encarna as qualidades do guerreiro (Aquiles), da astúcia (Ulysses), da força (Ajax), da coragem (Jasão). Três são as características do herói grego: marca privilegiada de nascimento, berço nobre ou descendência de deuses com humanos; defensor da coletividade, por quem luta e se sacrifica; e morte em grande combate, no altar das epopeias, ou morte obscura, solitária e enigmática. Há, também, certa circularidade na trajetória do herói: o berço, a iniciação, os ritos de passagem, as primeiras provas, os grandes feitos e o retorno ao caos ou ao seu encantamento.

Mas, que tipo de herói é o nosso Macunaíma? Ao que parece, Macunaíma é um herói sem nenhum caráter, aliás, epíteto do herói, segundo seu autor. Ele vive e morre sem uma causa social, nada defende senão seus próprios interesses. Embora traga consigo os sinais dos heróis, expressos em sua ligação com a mãe Natureza, e com qualidades excepcionais, mágicas, ele não defende, contudo, seu povo, ao contrário, rivaliza com seus irmãos, tira deles seu sustento, mente e cobiça a mulher alheia. Talvez, por isso, teve um fim triste, solitário, enigmático, como veremos no correr dessas ligeiras notas.

(...)

Conclusão: a falta de caráter do herói, na ótica do autor, seria, ao que parece, o modo de vida dos homens na sociedade capitalista, onde todos procuram levar vantagem. Há, porém, os ingênuos, os jiguês, homens de boa vontade que estão dispostos a ajudar seus irmãos apesar da adversidade, das contradições de uma sociedade de classes. Há, ainda, o aspecto cultural das crenças, resquício que une diferentes estratos sociais. Mas, no fundamental, perdemos nossa muiraquitã, nossa identidade, não somos brasileiros, nem marupiaras, estamos muito divididos em nordestinos, sulistas, paulistas e outras coisas mais!

Ou, como disse Scharwz: A reflexão propiciada por Macunaíma parece estar na ordem do dia. Diante de um conjunto de mudanças ordenadas por uma perversa ordem global, de internacionalização da cultura e novas exigências de mercado, há uma urgência de pensar "quem somos nós" neste processo. Como falar de nossa própria vida, sociedade e cultura sem sermos tragados, tal como Macunaíma seduzido pelos encantos da Uiara, por uma "estetização consumista". Este parece ser um dos riscos para o qual o cineasta Joaquim Pedro de Andrade apontava ao dizer das perigosas ligações entre produção cultural e consumo.

 

Matéria completa: http://notassocialistas.vilabol.uol.com.br/macunaima.html

 

O que o capitalismo não é

 

POR DIOGO COSTA

 

Foi Karl Marx quem cunhou o depreciativo termo “capitalista” para identificar um sistema econômico que havia recebido de Adam Smith uma expressão mais descritiva e bonita: “sistema de liberdade natural”. A origem negativa do termo é um dos motivos pelos quais a discussão sobre o capitalismo necessita de um esclarecimento. Seja para atacá-lo ou defendê-lo, é importante entendermos primeiro o que o capitalismo não significa.

 

O capitalismo não é exclusivamente “capitalista”.

A acumulação de capital é um fato existente em qualquer sociedade, independentemente de sua estrutura política e econômica. Max Weber já dizia em A ética protestante e o espírito do capitalismo que “a ganância pelo ouro é tão antiga quanto a história do homem”. E que onde o capitalismo era mais atrasado encontrava-se “o reino universal da absoluta falta de escrúpulos na busca dos próprios interesses por meio do enriquecimento”. No entanto, as pessoas ainda encaram o capitalismo como um ordenamento moral, um modo de vida em que a acumulação de riqueza é o bem superior. Mas a defesa do capitalismo não significa a defesa de um homo economicus cuja única preocupação na vida é ganhar dinheiro. Há muitas coisas mais importantes do que a acumulação de capital, como a família, a religião, a arte e a cultura. E isso realça a importância da economia de mercado. É verdade que no livre mercado há mais oportunidade para aquele que pretende enriquecer, mas nele o filósofo também tem mais oportunidade de aprender e o artista tem mais oportunidade de se expressar. E é por meio do livre mercado que o filantropo, a pessoa que deseja ajudar o próximo, dispõe de mais recursos para fazer assistência social, e, através do sistema de preços livres, pode utilizar seus recursos de forma mais eficiente.

 

O capitalismo não é a burocracia internacional.

As pessoas de esquerda costumam identificar pelo termo “neoliberal”, tanto as reformas modernizadoras que diminuem a participação do Estado na economia, quanto as organizações inter-governamentais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Como neoliberalismo e capitalismo são termos intercambiáveis no discurso vulgar, o FMI e o Banco Mundial aparecem como braços operadores do capitalismo internacional. Essa confusão também costuma ser feita por pessoas de direita que, definindo-se por sua oposição sem reservas à esquerda, acabam defendendo instituições burocráticas como se fossem partes integrantes do sistema capitalista. Nesse caso, a esquerda tem razão em denunciar a arrogância de agências internacionais, que nada mais são do que uma forma de planejamento central de larga escala. Enquanto o liberal entende que a prosperidade depende da utilização do conhecimento e dos incentivos dispersos na sociedade, os burocratas internacionais acreditam que podem comandar o desenvolvimento econômico na Zâmbia ou em Guiné-Bissau de seus escritórios em Washington e Nova York. O resultado não tem sido animador. O jornalista Andrew Mwenda, de Uganda, continua sem resposta para sua pergunta sobre exemplos históricos de países que tenham realmente prosperado graças à ajuda externa. De 1975 a 2000, o continente africano recebeu em auxílio externo uma média de 24 dólares per capita por ano. Entretanto, o PIB africano per capita diminuiu a uma taxa média anual de 0,59%. Durante o mesmo período, o PIB per capita do sul asiático cresceu a uma média de 2,94%, apesar de ter recebido em auxílio externo uma média de apenas 5 dólares per capita a cada ano. Políticas de abertura de mercado têm um efeito mais positivo do que o planejamento internacional financiado por impostos. Na verdade, em vez de criar economias de mercado ativas e autônomas, as políticas do Banco Mundial diminuem a dependência dos governos por sua própria população, já que a receita não vem dos tributos extraídos do desenvolvimento econômico doméstico, mas das negociações com outros burocratas. O poder da população é transferido para essas organizações, criando uma cultura de dependência em que a miséria local apenas aumenta o poder de barganha dos governos que recebem auxílio externo. O resultado é a perpetuação da miséria.

 

O capitalismo não é a política norte-americana.

Apesar de os Estados Unidos historicamente terem tido um de seus pilares no livre mercado, grandes contribuições para a compreensão do capitalismo foram feitas em outros paises. Sem contar que, ultimamente, o governo americano tem feito um ótimo trabalho de difamação do nome do livre mercado. O crescimento nos gastos da atual administração superam a de qualquer outro presidente desde o democrata Lyndon Johnson, criador do programa assistencialista da Great Society. George W. Bush foi o primeiro presidente americano a assinar um orçamento de mais de 2 trilhões de dólares. E também foi o primeiro presidente americano a assinar um orçamento de mais de 3 trilhões de dólares. Um aumento que inclui gastos significativos na previdência social e saúde pública, além dos gastos bélicos. As recentes aventuras no Oriente Médio também não podem ser consideradas políticas pró-capitalistas. A própria guerra e a permanência no Iraque são um experimento socialista de escala internacional, que já custou mais de 1 trilhão de dólares e cerca de 30 mil vidas. Liberais defensores do capitalismo não acreditam que nações são violentamente construídas por meio da política, mas que se desenvolvem espontânea e pacificamente. É o socialismo que defende a prosperidade planejada. E o que o governo americano tem feito no Iraque é um planejamento de longo alcance.

 

O capitalismo não é a defesa irrestrita das grandes corporações.

Os defensores do livre mercado entendem que os negócios podem tanto servir quanto prejudicar a população em geral. Em um sistema intervencionista, toda empresa que quer aumentar o seu lucro tem duas opções: investir em produtividade, para competir pelos consumidores, ou investir em lobby, para competir pelos favores políticos. A competição para servir à sociedade é capitalismo, a competição para servir ao governo é mercantilismo. São os mercantilistas que defendem legislações protecionistas de corporações contra a competição estrangeira e doméstica. Os liberais defendem um mercado aberto, em que a manutenção de um negócio depende do oferecimento de serviços e produtos que satisfaçam ao consumidor.

 

O capitalismo não é a perpetuação das elites.

São os oponentes do capitalismo que, ao defender maior concentração de poder nas mãos de políticos e burocratas, constroem um sistema corrupto e estático, no qual há pouco espaço para a mobilidade social e pouca oportunidade para o desenvolvimento da criatividade humana. Há doses de capitalismo em diferentes sociedades do mundo, mas não há uma sociedade onde a economia seja puramente livre, e nem o Brasil está entre as economias mais livres do mundo. Na verdade, de acordo com o ranking de liberdade econômica publicado anualmente pelo Fraser Institute, do Canadá, o Brasil encontra-se no 101º lugar entre 168 países examinados, empatado com Paquistão, Etiópia, Bangladesh e Haiti. No Brasil, há excesso de burocracia para a entrada e a permanência no mercado, uma legislação trabalhista rígida, que empurra os trabalhadores para a informalidade e uma legislação tributária que já foi considerada pelo Fórum Econômico Mundial como a mais complexa de todo o mundo. Os oponentes do livre mercado insistem no controle governamental da economia para resolver os problemas que foram criados pelo próprio governo. Defender o livre mercado é defender a estrutura de um sistema econômico dinâmico em que se estimula a produção de riquezas e se permite a mobilidade social.

 

O capitalismo não é a defesa do tratamento desigual das pessoas.

Há diversas formas de tornar as pessoas mais iguais. Os igualitários normalmente não pretendem torná-las mais iguais em conhecimento ou em beleza, mas em recursos, pelo menos em alguns recursos que consideram fundamentais. É bem verdade que o livre mercado não se baseia na igualdade de recursos. Mas isso não significa um tratamento desigual das pessoas. A igualdade liberal, da qual floresce o capitalismo, é a igualdade de direitos, a igualdade perante a lei. Isso significa que as questões de justiça e o uso da sua liberdade no mercado não dependem de quem você é, mas do que você faz. O capitalismo é um sistema econômico de cooperação mútua, apoiado em uma estrutura de direitos na qual prevalece a igualdade jurídica entre as pessoas. As pessoas no livre mercado não são iguais em “distribuição de renda”, mas são iguais em liberdade.

 

Por fim, capitalismo não é socialismo.

O capitalismo não é uma imposição do governo, nem o mercado é uma ideologia em que a teoria necessariamente precede a prática. O capitalismo é simplesmente o que ocorre quando as pessoas têm liberdade para fazer trocas, apoiadas em direitos de propriedade bem definidos. É o socialismo que necessita da mobilização social para alcançar um objetivo comum entre todas as pessoas. O socialismo precisa da pregação e da concentração de poder na autoridade manipuladora. O socialismo é a politização da vida econômica, é um discurso interminável do Fidel Castro, é a transformação de tudo o que é belo e espontâneo no dirigismo rígido da política. O livre mercado é apenas o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos. Se os propósitos desses agentes são morais, a ordem gerada será igualmente moral. E é quando nós conseguimos sinceramente compreender e avaliar o capitalismo que passamos a ter o discernimento para defendê-lo ou atacá-lo.

http://www.ordemlivre.org/2008/12/o-que-o-capitalismo-nao-e/

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

O capitalismo é o sistema econômico que serve ao Capital, não ao ser humano.


Ele defende a liberdade do dinheiro e a submissão do Homem aos ditames das relações econômicas necessária à acumulação do Capital.


É o sistema do dinheiro, para o dinheiro e pelo dinheiro.


Ele escreviza o ser humano. Uns poucos são escravizados em uma gaiola de luxo (cada vez menos pessoas com cada vez mais luxo), mas a grande maioria é escravizada sem luxo mesmo... só a escravidão.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

O capitalismo é o sistema econômico que serve ao Capital, não ao ser humano.


Ele defende a liberdade do dinheiro e a submissão do Homem aos ditames das relações econômicas necessária à acumulação do Capital.


É o sistema do dinheiro, para o dinheiro e pelo dinheiro.


Ele escreviza o ser humano. Uns poucos são escravizados em uma gaiola de luxo (cada vez menos pessoas com cada vez mais luxo), mas a grande maioria é escravizada sem luxo mesmo... só a escravidão.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

O capitalismo é o sistema econômico que serve ao Capital, não ao ser humano.


Ele defende a liberdade do dinheiro e a submissão do Homem aos ditames das relações econômicas necessária à acumulação do Capital.


É o sistema do dinheiro, para o dinheiro e pelo dinheiro.


Ele escreviza o ser humano. Uns poucos são escravizados em uma gaiola de luxo (cada vez menos pessoas com cada vez mais luxo), mas a grande maioria é escravizada sem luxo mesmo... só a escravidão.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

Jesus Cristo, este texto é sério mesmo? jura?

Tão falacioso, e primariamente falacioso, que é difícil até iniciar um diálogo com este texto.

É, talvez seja eu o problema. Ou, talvez seja meu o problema. Talvez eu é que não entendido.

Mas, do que entendi, nada concordei. Santa ingenuidade.

 

Flávio Furtado de Farias

|Não vi falácia alguma no texto que é muito resumido é fato mas faz parte colocar textos assim na internet.

Talvez não tenha aceito pela questão de "tabu", conceitos e mitos gerados pela intelligentzia coletivista.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Talvez... talvez, AliançaLiberal...

mas, como dizem no satanismo

- O Diabo é que é bom. Deus é o irmão usurpador. Deus é que é mau.

Sei não, o Diabo fala cada coisa.

 

Flávio Furtado de Farias

O que realmente é o fascismo por ,

Todo mundo sabe que o termo fascista é hoje pejorativo; um adjetivo frequentemente utilizado para se descrever qualquer posição política da qual o orador não goste.  Não há ninguém no mundo atual propenso a bater no peito e dizer "Sou um fascista; considero o fascismo um grande sistema econômico e social."

Porém, afirmo que, caso fossem honestos, a vasta maioria dos políticos, intelectuais e ativistas do mundo atual teria de dizer exatamente isto a respeito de si mesmos.

O fascismo é o sistema de governo que carteliza o setor privado, planeja centralizadamente a economia subsidiando grandes empresários com boas conexões políticas, exalta o poder estatal como sendo a fonte de toda a ordem, nega direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos e torna o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade.

Tente imaginar algum país cujo governo não siga nenhuma destas características acima.  Tal arranjo se tornou tão corriqueiro, tão trivial, que praticamente deixou de ser notado pelas pessoas.  Praticamente ninguém conhece este sistema pelo seu verdadeiro nome.

É verdade que o fascismo não possui um aparato teórico abrangente.  Ele não possui um teórico famoso e influente como Marx.  Mas isso não faz com que ele seja um sistema político, econômico e social menos nítido e real.  O fascismo também prospera como sendo um estilo diferenciado de controle social e econômico.  E ele é hoje uma ameaça ainda maior para a civilização do que o socialismo completo.  Suas características estão tão arraigadas em nossas vidas — e já é assim há um bom tempo — que se tornaram praticamente invisíveis para nós.

E se o fascismo é invisível para nós, então ele é um assassino verdadeiramente silencioso.  Assim como um parasita suga seu hospedeiro, o fascismo impõe um estado tão enorme, pesado e violento sobre o livre mercado, que o capital e a produtividade da economia são completamente exauridos.  O estado fascista é como um vampiro que suga a vida econômica de toda uma nação, causando a morte lenta e dolorosa de uma economia que outrora foi vibrante e dinâmica.

As origens do fascismo

A última vez em que as pessoas realmente se preocuparam com o fascismo foi durante a Segunda Guerra Mundial.  Naquela época, dizia-se ser imperativo que todos lutassem contra este mal.  Os governos fascistas foram derrotados pelos aliados, mas a filosofia de governo que o fascismo representa não foi derrotada.  Imediatamente após aquela guerra mundial, uma outra guerra começou, esta agora chamada de Guerra Fria, a qual opôs o capitalismo ao comunismo.  O socialismo, já nesta época, passou a ser considerado uma forma mais branda e suave de comunismo, tolerável e até mesmo louvável, mas desde que recorresse à democracia, que é justamente o sistema que legaliza e legitima a contínua pilhagem da população.

Enquanto isso, praticamente todo o mundo havia esquecido que existem várias outras cores de socialismo, e que nem todas elas são explicitamente de esquerda.  O fascismo é uma dessas cores.

Não há dúvidas quanto às origens do fascismo.  Ele está ligado à história da política italiana pós-Primeira Guerra Mundial.  Em 1922, Benito Mussolini venceu uma eleição democrática e estabeleceu o fascismo como sua filosofia.  Mussolini havia sido membro do Partido Socialista Italiano.

Todos os maiores e mais importantes nomes do movimento fascista vieram dos socialistas.  O fascismo representava uma ameaça aos socialistas simplesmente porque era uma forma mais atraente e cativante de se aplicar no mundo real as principais teorias socialistas.  Exatamente por isso, os socialistas abandonaram seu partido, atravessaram o parlamento e se juntaram em massa aos fascistas.

Foi também por isso que o próprio Mussolini usufruiu uma ampla e extremamente favorável cobertura na imprensa durante mais de dez anos após o início de seu governo.  Ele era recorrentemente celebrado pelo The New York Times, que publicou inúmeros artigos louvando seu estilo de governo.  Ele foi louvado em coletâneas eruditas como sendo o exemplo de líder de que o mundo necessitava na era da sociedade planejada.  Matérias pomposas sobre o fanfarrão eram extremamente comuns na imprensa americana desde o final da década de 1920 até meados da década de 1930.

Qual o principal elo entre o fascismo e o socialismo?  Ambos são etapas de um continuum que visa ao controle econômico total, um continuum que começa com a intervenção no livre mercado, avança até a arregimentação dos sindicatos e dos empresários, cria leis e regulamentações cada vez mais rígidas, marcha rumo ao socialismo à medida que as intervenções econômicas vão se revelando desastrosas e, no final, termina em ditadura.

O que distingue a variedade fascista de intervencionismo é a sua recorrência à ideia de estabilidade para justificar a ampliação do poder do estado.  Sob o fascismo, grandes empresários e poderosos sindicatos se aliam entusiasticamente ao estado para obter estabilidade contra as flutuações econômicas, isto é, as expansões e contrações de determinados setores do mercado em decorrência das constantes alterações de demanda por parte dos consumidores.  A crença é a de que o poder estatal pode suplantar a soberania do consumidor e substituí-la pela soberania dos produtores e sindicalistas, mantendo ao mesmo tempo a maior produtividade gerada pela divisão do trabalho.

Os adeptos do fascismo encontraram a perfeita justificativa teórica para suas políticas na obra de John Maynard Keynes.  Keynes alegava que a instabilidade do capitalismo advinha da liberdade que o sistema garantia ao "espírito animal" dos investidores.  Ora guiados por rompantes de otimismo excessivo e ora derrubados por arroubos de pessimismo irreversível, os investidores estariam continuamente alternando entre gastos estimuladores e entesouramentos depressivos, fazendo com que a economia avançasse de maneira intermitente, apresentando uma sequência de expansões e contrações.

Keynes propôs eliminar esta instabilidade por meio de um controle estatal mais rígido sobre a economia, com o estado controlando os dois lados do mercado de capitais.  De um lado, um banco central com o poder de inflacionar a oferta monetária por meio da expansão do crédito iria determinar a oferta de capital para financiamento, e, do outro, uma ativa política fiscal e regulatória iria socializar os investimentos deste capital.

Em uma carta aberta ao presidente Franklin Delano Roosevelt, publicado no The New York Times em 31 de dezembro de 1933, Keynes aconselhava seu plano:

Na área da política doméstica, coloco em primeiro plano um grande volume de gastos sob os auspícios do governo.  Em segundo lugar, coloco a necessidade de se manter um crédito abundante e barato. ... Com estas sugestões . . . posso apenas esperar com grande confiança por um resultado exitoso.  Imagine o quanto isto significaria não apenas para a prosperidade material dos Estados Unidos e de todo o mundo, mas também em termos de conforto para a mente dos homens em decorrência de uma restauração de sua fé na sensatez e no poder do governo. (John Maynard Keynes, "An Open Letter to President Roosevelt," New York Times, December 31, 1933 in ed. Herman Krooss, Documentary History of Banking and Currency in the United States, Vol. 4 (New York: McGraw Hill, 1969), p. 2788.)

Keynes se mostrou ainda mais entusiasmado com a difusão de suas ideias na Alemanha.  No prefácio da edição alemã da Teoria Geral, publicada em 1936, Keynes escreveu:

A teoria da produção agregada, que é o que este livro tenciona oferecer, pode ser adaptada às condições de um estado totalitário com muito mais facilidade do que a teoria da produção e da distribuição sob um regime de livre concorrência e laissez-faire. (John Maynard Keynes, "Prefácio" da edição alemã de 1936 da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, traduzido e reproduzido in James J. Martin, Revisionist Viewpoints (Colorado Springs: Ralph Myles, 1971), pp. 203?05.)

Controle estatal do dinheiro, do crédito, do sistema bancário e dos investimentos é a base exata de uma política fascista.  Historicamente, a expansão do controle estatal sob o fascismo seguiu um padrão previsível.  O endividamento e a inflação monetária pagaram pelos gastos estatais.  A resultante expansão do crédito levou a um ciclo de expansão e recessão econômica.  O colapso financeiro gerado pela recessão resultou na socialização dos investimentos e em regulamentações mais estritas sobre o sistema bancário, ambos os quais permitiram mais inflação monetária, mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos.  O subsequente declínio no poder de compra do dinheiro justificou um controle de preços e salários, o qual se tornou o ponto central do controle estatal generalizado.  Em alguns casos, tudo isso aconteceu rapidamente; em outros, o processo se deu de maneira mais lenta.  Porém, em todos os casos, o fascismo sempre seguiu este caminho e sempre descambou no total planejamento centralizado.

Na Itália, local de nascimento do fascismo, a esquerda percebeu que sua agenda anticapitalista poderia ser alcançada com muito mais sucesso dentro do arcabouço de um estado autoritário e planejador.  Keynes teve um papel-chave ao fornecer uma argumentação pseudo-científica contra o laissez-faire do velho mundo e em prol de uma nova apreciação da sociedade planejada.  Keynes não era um socialista da velha guarda.  Como ele próprio admitiu na introdução da edição nazista da Teoria Geral, o nacional-socialismo era muito mais favorável às suas ideias do que uma economia de mercado.

Características

Examinando a história da ascensão do fascismo, John T. Flynn, em seu magistral livro As We Go Marching, de 1944, escreveu:

Um dos mais desconcertantes fenômenos do fascismo é a quase inacreditável colaboração entre homens da extrema-direita e da extrema-esquerda para a sua criação.  Mas a explicação para este fenômeno aparentemente contraditório jaz na seguinte questão: tanto a direita quanto a esquerda juntaram forças em sua ânsia por mais regulamentação.  As motivações, os argumentos, e as formas de expressão eram diferentes, mas todos possuíam um mesmo objetivo, a saber: o sistema econômico tinha de ser controlado em suas funções essenciais, e este controle teria de ser exercido pelos grupos produtores.

Flynn escreveu que a direita e a esquerda discordavam apenas quanto a quem seria este 'grupo de produtores'.  A esquerda celebrava os trabalhadores como sendo os produtores.  Já a direita afirmava que os produtores eram os grandes grupos empresariais.  A solução política de meio-termo — a qual prossegue até hoje, e cada vez mais forte — foi cartelizar ambos.

Sob o fascismo, o governo se torna o instrumento de cartelização tanto dos trabalhadores (desde que sindicalizados) quanto dos grandes proprietários de capital.  A concorrência entre trabalhadores e entre grandes empresas é tida como algo destrutivo e sem sentido; as elites políticas determinam que os membros destes grupos têm de atuar em conjunto e agir cooperativamente, sempre sob a supervisão do governo, de modo a construírem uma poderosa nação.

Os fascistas sempre foram obcecados com a ideia de grandeza nacional.  Para eles, grandeza nacional não consiste em uma nação cujas pessoas estão se tornando mais prósperas, com um padrão de vida mais alto e de maior qualidade.  Não.  Grandeza nacional ocorre quando o estado incorre em empreendimentos grandiosos, faz obras faraônicas, sedia grandes eventos esportivos e planeja novos e dispendiosos sistemas de transporte.

Em outras palavras, grandeza nacional não é a mesma coisa que a sua grandeza ou a grandeza da sua família ou a grandeza da sua profissão ou do seu empreendimento.  Muito pelo contrário.  Você tem de ser tributado, o valor do seu dinheiro tem de ser depreciado, sua privacidade tem de ser invadida e seu bem-estar tem de ser diminuído para que este objetivo seja alcançado.  De acordo com esta visão, é o governo quem tem de nostornar grandes.

Tragicamente, tal programa possui uma chance de sucesso político muito maior do que a do antigo socialismo.  O fascismo não estatiza a propriedade privada como faz o socialismo.  Isto significa que a economia não entra em colapso quase que imediatamente.  Tampouco o fascismo impõe a igualdade de renda.  Não se fala abertamente sobre a abolição do casamento e da família ou sobre a estatização das crianças.  A religião não é proibida.

Sob o fascismo, a sociedade como a conhecemos é deixada intacta, embora tudo seja supervisionado por um poderoso aparato estatal.  Ao passo que o socialismo tradicional defendia uma perspectiva globalista, o fascismo é explicitamente nacionalista ou regionalista.  Ele abraça e exalta a ideia de estado-nação.

Quanto à burguesia, o fascismo não busca a sua expropriação.  Em vez disso, a classe média é agradada com previdência social, educação gratuita, benefícios médicos e, é claro, com doses maciças de propaganda estatal estimulando o orgulho nacional.

O fascismo utiliza o apoio conseguido democraticamente para fazer uma arregimentação nacional e, com isso, controlar mais rigidamente a economia, impor a censura, cartelizar empresas e vários setores da economia, repreender dissidentes e controlar a liberdade dos cidadãos.  Tudo isso exige um contínuo agigantamento do estado policial.

Sob o fascismo, a divisão entre esquerda e direita se torna amorfa.  Um partido de esquerda que defende programas socialistas não tem dificuldade alguma em se adaptar e adotar políticas fascistas.  Sua agenda política sofre alterações ínfimas, a principal delas sendo a sua maneira de fazer marketing.

O próprio Mussolini explicou seu princípio da seguinte maneira: "Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado".  Ele também disse: "O princípio básico da doutrina Fascista é sua concepção do Estado, de sua essência, de suas funções e de seus objetivos.  Para o Fascismo, o Estado é absoluto; indivíduos e grupos, relativos."

O futuro

Não consigo imaginar qual seria hoje uma prioridade maior do que uma séria e efetiva aliança anti-fascista.  De certa maneira, ainda que muito desconcertada, uma resistência já está sendo formada.  Não se trata de uma aliança formal.  Seus integrantes sequer sabem que fazem parte dela.  Tal aliança é formada por todos aqueles que não toleram políticos e politicagens, que se recusam a obedecer leis fascistas convencionais, que querem mais descentralização, que querem menos impostos, que querem poder importar bens sem ter de pagar tarifas escorchantes, que protestam contra a inflação e seu criador, o Banco Central, que querem ter a liberdade de se associar com quem quiserem e de comprar e vender de acordo com termos que eles próprios decidirem, por aqueles que insistem em educar seus filhos por conta própria, por aqueles investidores, poupadores e empreendedores que realmente tornam possível qualquer crescimento econômico e por aqueles que resistem ao máximo a divulgar dados pessoais para o governo e para o estado policial.

Tal aliança é também formada por milhões de pequenos e independentes empreendedores que estão descobrindo que a ameaça número um à sua capacidade de servir aos outros por meio do mercado é exatamente aquela instituição que alega ser nossa maior benfeitora: o governo.

Quantas pessoas podem ser classificadas nesta categoria?  Mais do que imaginamos.  O movimento é intelectual.  É cultural.  É tecnológico.  Ele vem de todas as classes, raças, países e profissões.  Não se trata de um movimento meramente nacional; ele é genuinamente global.  Não mais podemos prever se os membros se consideram de esquerda, de direita, independentes, libertários, anarquistas ou qualquer outra denominação.  O movimento inclui pessoas tão diversas como pais adeptos do ensino domiciliar em pequenas cidades e pais em áreas urbanas cujos filhos estão encarcerados por tempo indeterminado e sem nenhuma boa razão.

E o que este movimento quer?  Nada mais e nada menos do que a doce liberdade.  Ele não está pedindo que a liberdade seja concedida ou dada.  Ele apenas pede a liberdade que foi prometida pela própria vida, e que existiria na ausência do estado leviatã que nos extorque, escraviza, intimida, ameaça, encarcera e mata.  Este movimento não é efêmero.  Somos diariamente rodeados de evidências que demonstram que ele está absolutamente correto em suas exigências.  A cada dia, torna-se cada vez mais óbvio que o estado não contribui em absolutamente nada para o nosso bem-estar.  Ao contrário, ele maciçamente subtrai nosso padrão de vida.

Nos anos 1930, os defensores do estado transbordavam de ideias grandiosas.  Eles possuíam teorias e programas de governo que gozavam o apoio de vários intelectuais sérios.  Eles estavam emocionados e excitados com o mundo que iriam criar.  Eles iriam abolir os ciclos econômicos, criar desenvolvimento social, construir a classe média, curar todas as doenças, implantar a seguridade universal, acabar com a escassez e fazer vários outros milagres.  O fascismo acreditava em si próprio.

Hoje o cenário é totalmente distinto.  O fascismo não possui nenhuma ideia nova, nenhum projeto grandioso — nem mesmo seus partidários realmente acreditam que podem alcançar os objetivos almejados.  O mundo criado pelo setor privado é tão mais útil e benevolente do que qualquer coisa que o estado já tenha feito, que os próprios fascistas se tornaram desmoralizados e cientes de que sua agenda não possui nenhuma base intelectual real.

É algo cada vez mais amplamente reconhecido que o estatismo não funciona e nem tem como funcionar.  O estatismo é e continua sendo a maior mentira do milênio.  O estatismo nos dá o exato oposto daquilo que promete.  Ele nos promete segurança, prosperidade e paz.  E o que ele nos dá é medo, pobreza, conflitos, guerra e morte.  Se queremos um futuro, teremos nós mesmos de construí-lo.  O estado fascista não pode nos dar nada.  Ao contrário, ele pode apenas atrapalhar.

Por outro lado, também parece óbvio que o antigo romance dos liberais clássicos com a ideia de um estado limitado já se esvaneceu.  É muito mais provável que os jovens de hoje abracem uma ideia que 50 anos atrás era tida como inimaginável: a ideia de que a sociedade está em melhor situação sem a existência de qualquer tipo de estado.

Eu diria que a ascensão da teoria anarcocapitalista foi a mais dramática mudança intelectual ocorrida em minha vida adulta.  Extinta está a ideia de que o estado pode se manter limitado exclusivamente à função de vigilante noturno, mantendo-se como uma entidade pequena que irá se limitar a apenas garantir direitos essenciais, adjudicar conflitos, e proteger a liberdade.  Esta visão é calamitosamente ingênua.  O vigia noturno é o sujeito que detém as armas, que possui o direito legal de utilizar de violência, que controla todas as movimentações das pessoas, que possui um posto de comando no alto da torre e que pode ver absolutamente tudo.  E quem vigia este vigia?  Quem limita seu poder?  Ninguém, e é exatamente por isso que ele é a fonte dos maiores males da sociedade.  Nenhuma lei, nenhuma constituição bem fundamentada, nenhuma eleição, nenhum contrato social irá limitar seu poder.

Com efeito, o vigia noturno adquiriu poderes totais.  É ele quem, como descreveu Flynn, "possui o poder de promulgar qualquer lei ou tomar qualquer medida que lhe seja mais apropriada".  Enquanto o governo, continua Flynn, "estiver investido do poder de fazer qualquer coisa sem nenhuma limitação prática às suas ações, ele será um governo totalitário.  Ele possui o poder total".

Este é um ponto que não mais pode ser ignorado.  O vigia noturno tem de ser removido e seus poderes têm de ser distribuídos entre toda a população, e esta tem de ser governada pelas mesmas forças que nos trazem todas as bênçãos possibilitadas pelo mundo material.

No final, esta é a escolha que temos de fazer: o estado total ou a liberdade total.  O meio termo é insustentável no longo prazo.  Qual iremos escolher?  Se escolhermos o estado, continuaremos afundando cada vez mais, e no final iremos perder tudo aquilo que apreciamos enquanto civilização.  Se escolhermos a liberdade, poderemos aproveitar todo o notório poder da cooperação humana, o que irá nos permitir continuar criando um mundo melhor.

Na luta contra o fascismo, não há motivos para se desesperar.  Temos de continuar lutando sempre com a total confiança de que o futuro será nosso, e não deles.

O mundo deles está se desmoronando.  O nosso está apenas começando a ser construído.  O mundo deles é baseado em ideologias falidas.  O nosso é arraigado na verdade, na liberdade e na realidade.  O mundo deles pode apenas olhar para o passado e ter nostalgias daqueles dias gloriosos.  O nosso olha para frente e contempla todo o futuro que estamos construindo para nós mesmos.  O mundo deles se baseia no cadáver do estado-nação.  O nosso se baseia na energia e na criatividade de todas as pessoas do mundo, unidas em torno do grande e nobre projeto da criação de uma civilização próspera por meio da cooperação humana pacífica.

É verdade que eles possuem armas grandes e poderosas.  Mas armas grandes e poderosas nunca foram garantia de vitória em guerras.  Já nós possuímos a única arma que é genuinamente imortal: a ideia certa.  E é isso que nos levará à vitória.

Como disse Mises,

No longo prazo, até mesmo o mais tirânico dos governos, com toda a sua brutalidade e crueldade, não é páreo para um combate contra ideias.  No final, a ideologia que obtiver o apoio da maioria irá prevalecer e retirar o sustento de sob os pés do tirano.  E então os vários oprimidos irão se elevar em uma rebelião e destronar seus senhores.

 

Lew Rockwell  http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1343

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Muito engraçado ! É assim mesmo que pensa o pessoal mais reacionário do interior do Estdo Unidos, aqueles que não querem nenhuma ligação com o estado, querem ter a sua própria arma e a sua própria religião, desde que acredite em Cristo. 

 

SOBRE LEÕES E RATOS


Por Leandro Fortes


14/08/2012 - No Blog Maria Frô


Fui ao lançamento do livro de Paulo Moreira Leite, no shopping Pátio Brasil, em Brasília, me congratular com ele: mesmo no ambiente controlado das Organizações Globo, Paulo tem sido um leão em defesa da verdade em suas colunas, na revista Época.


Lá pelas tantas, sinto uma mão segurar meu braço direito e uma voz das trevas a me acusar: “Você é um rato, um rato, saia da minha …

vida”.


Era Eumano Silva, ex-diretor da Época em Brasília, demitido depois de ter sido flagrado pela Polícia Federal negociando matéria com Dadá, um dos arapongas do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.


Quer dizer, o sujeito é pego com a boca na botija traficando informação para um bicheiro, e o rato sou eu? E, como assim, “saia da minha vida”? Desse tipo de vida, garanto, nunca fiz parte.


Em consideração a Paulo Moreira Leite, que não merecia ver seu lançamento tumultuado por um bate-boca provocado pelo ressentimento de um jornalista que não tem mais nada a perder, dei as costas e fui embora.


Então, para quem ainda não entendeu, foi nisso que Cachoeira conseguiu transformar o jornalismo na capital federal: um vale tudo de cores mafiosas no qual, por falta de argumentos, um jornalista de 50 anos de idade se dispõe a dar chiliques em público na esperança de levar um soco e se vitimizar.


A estratégia é tola e amadorística, mas revela o tamanho do estrago provocado por esses maus tempos de jornalismo.


 

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012 - No Blog do Miro


Aécio Neves prefere a Petrobrax
 

Por Altamiro Borges

 
Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, surtou de vez. Em artigo publicado ontem na Folha, ele acusa o governo Dilma de transformar a Petrobras na “PTbras”. O texto é raivoso, um dos mais agressivos do senador mineiro. “Nunca antes na história deste país a mais importante empresa brasileira serviu tanto aos interesses do governo e de um partido. O petismo praticamente ‘privatizou’ a Petrobras, colocando em segundo plano os interesses da empresa e do Brasil”, esbraveja o tucano. Cadê o bafômetro?
 
 

Aécio Neves lista as dificuldades momentâneas vividas pela estatal, decorrentes de vários fatores externos e internos, para concluir que o “petismo” está destruindo a estatal – que, segundo ele, não cumpre metas de produção, perde receitas e acumula prejuízos. “Agora, a presidente da empresa, Graça Foster, parece estar disposta a enfrentar os malfeitos herdados pelo petismo do próprio petismo, em uma década de desapreço pela gestão profissional”, afirma o candidato do PSDB, apostando nas intrigas e futricas.

 
A desastrosa gestão tucana
 
Na maior caradura, ele encerra o texto afirmando que “o maior desafio é acabar com a PTbras e trazer de volta para os brasileiros a Petrobras”. Ele só não diz que a estatal ganhou novo impulso no governo Lula, tornando-se uma das principais petrolíferas do planeta, com fortes investimentos e importantes descobertas – como o pré-sal. O tucano também não faz autocrítica da desastrosa gestão da Petrobras no triste reinado de FHC, com os seus trágicos acidentes, quedas recorrentes da produção e precarização do trabalho.
 
Se não fosse um demagogo em desesperada campanha, o tucano poderia fazer autocrítica de um dos piores acidentes na história da Petrobras, o do afundamento da plataforma P-36, com 11 trabalhadores mortos e o derramamento de mais de seis milhões de litros de óleo na Baía de Guanabara. Aécio poderia lembrar que, de 1995 a 2001, o desmonte tucano causou a morte de 291 petroleiros, dos quais 234 eram terceirizados.
 
O falso discurso nacionalista
 
Já seu discurso “nacionalista”, de “trazer de volta para os brasileiros a Petrobras”, soa como bravata de um mentiroso contumaz. É só lembrar que o PSDB defendeu abertamente a privatização da estatal. Em dezembro de 2000, o governo FHC até apresentou a proposta de mudança do nome da empresa – de Petrobras para Petrobrax. Henri Philippe Reichstul, presidente da companhia, argumentou que a marca estava “muito associada ao Brasil e à ineficiência estatal” e prejudicava os seus negócios internacionais.
 
O estudo para a mudança do nome durou oito meses e custou cerca de R$ 70 milhões aos cofres públicos – numa transação das mais sinistras. A alteração da marca, tida como mais um passo para o processo da privatização tucana da Petrobras, esbarrou na forte resistência do movimento sindical e de alguns deputados e senadores, que se agruparam numa Frente Parlamentar Nacionalista. O próprio Tribunal de Contas da União (TCU) foi acionado para investigar a fortuna gasta com proposta de mudança da marca.
 

 
Postado por Miro
 
 

 

Deveria mudar o nome do blog o "Fora de Pauta", afinal tá bandando pro "trivial variado" mesmo...

 

Labor probus omnia vincit

O "fora de pauta" mais parece a seção cliping, nada fora de pauta.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Acho que realmente o pessoal não está sabendo o que é "Fora de Pauta".

O blog deveria explicar e solicitar que as participantes seguissem as orientações. outra questão é que algumas matérias são indicadas, porém publicadas várias horas depois; isso favorece o chamado "clone".

 

“O Brasil não está interessado em ver suas histórias”
“O Brasil não está interessado em ver suas histórias” Foto: Divulgação

Para Fernando Meirelles, os filmes que dão bilheteria são os que têm violência ou comédia; cineasta não faz filmes nacionais desde "Cidade de Deus", lançado em 2002; Seu novo filme, 360, foi rodado em vários países e estreia sexta-feira no Brasil; veja o trailer

14 de Agosto de 2012 às 21:32


Colunista

Pra não deixar de falar em Obama
Hélio Doyle



Aline Oliveira _247- Há dez anos sem fazer um filme nacional, o cineasta Fernando Meirelles afirmou que apesar de não querer admitir, os números [dos espectadores de cinema no Brasil] mostram que o Brasil não está muito a fim de ver suas histórias no cinema. “Os números falam isso. Os filmes que têm funcionado são aqueles que têm a ver com a realidade do espectador, que são as comédias e filme sobre violência (como Cidade de Deus, que teve mais de 3 milhões de espectadores)”, analisa o cineasta. “Filmes de época ou fora a realidade do espectador não têm acontecido. Para um filme fazer 1 milhão de espectadores no Brasil, ele tem que pegar essa nova classe C, que é um público novo, formado pela televisão”.


Para responder essa questão, feita pelo 247 durante entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, Meirelles se baseou no fato de Xingu (filme de Cao Hamburguer, lançado este ano e produzido pela O2, que pertence ao Meirelles) não ter arrecadado a bilheteria esperada. “Xingu custou R$ 12 milhões e só teve 300 mil espectadores”, disse Meirelles analisando o fato de não ter lógica fazer um filme com esse custo e ter uma repercussão tão baixa. “Para ficar zero a zero [pagar as contas], acho que precisava 1,6 milhão, 1,7 milhão”, declarou.  É por esse motivo que Meirelles recusou o convite de adaptar o romance “Grande sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, por “ser muito caro”.


Desde Cidade de Deus – lançado em 2002, cujo roteiro foi feito por Bráulio Mantovani –Meirelles só tem trabalhado com roteiros já prontos, encaminhados para seu e-mail. E foi dessa forma que a história de 360 - novo longa do cineasta, que entra em cartaz nesta sexta-feira- chegou a suas mãos. “Recebo roteiros quase que diariamente e esse me chamou a atenção por ter o nome de Peter Morgan (“Frost/ Nixon”)”. 


Para fazer o roteiro, Morgan se inspirou no texto da peça Reign, do dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler, e fez uma trama que mistura várias pessoas e países, o que chamou a atenção de Meirelles. “Ele viaja muito e queria mostrar como a vida está globalizada, por isso acho que o filme é 80% do Peter Morgan, 3% da peça, e o resto é meu”.


 


 


360 começa em Viena e passa por Paris, Londres, Bratislava, Denver e Phoenix, interligando pequenas histórias e personagens que se encontram ao longo da narrativa.  Considerado um filme-mosaico, o longa constrói ligações amorosas que vistas separadamente parecem incompletas. “As histórias têm menos tempo do que eu gostaria e tem até o risco de ficar um pouco superficial. Por isso, tem de olhar o tema geral, que, no caso, é o relacionamento amoroso, feito e desfeito”.


No elenco, estão Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz, Ben Foster, Juliano Cazarré e Maria Flor, que falou, durante a entrevista, sobre a experiência de contracenar com o veterano astro britânico. “Ele é muito simples e ao mesmo tempo muito profundo”.


 


 

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14 de agosto de 2012 - No Opensante
O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre cotas
 
Osbonzinhos seguem fazendo sua parte para tornar o mundo pior. Numa canção inesquecível sobre a vida dos trabalhadores ingleses, John Lennon anotava: “assim que você nasce eles te fazem sentir-se pequeno…”

paulo moreira leite

Paulo Moreira Leite: “argumento do bonzinho é apenas arrogância fantasiada de caridade”.
 A forma mais hipócrita de combater toda política pública de acesso dos brasileiros pobres às universidades consiste em dizer que os jovens de origem humilde não irão sentir-se bem em companhia de garotos de famílias abastadas, que puderam chegar lá sem auxílio de medidas do governo.
Por esse motivo, segue o raciocínio, iniciativas como cotas, pró-Uni e outras, iriam prejudicar até psicologicamente aqueles alunos que pretendem beneficiar, pois estes cidadãos se sentiriam diminuídos e inferiorizados ao lado de colegas cujas famílias frequentam universidades há várias gerações.
Vamos combinar que estamos diante de um recorde em matéria de empulhação ideológica. É possível discutir as cotas a partir de argumentos políticos, pedagógicos e assim por diante.
Mas o argumento do bonzinho é apenas arrogância fantasiada de caridade.
Num país onde a desigualdade atingiu o patamar da insania e da patologia, este raciocínio se alimenta de um desvio essencial. Consiste em considerar que um cidadão que não teve acesso a boas escolas desde o berço e encara o lado desagradável da pirâmide social logo depois de abrir os olhos é incapaz de raciocinar sobre sua condição e compreender que enfrenta dificuldades pelas quais não tem a menor responsabilidade como indivíduo mas como herdeiro de uma estrutura social desigual e injusta.
É aquela noção de quem acredita que as pessoas que se encontram nos degraus inferiores da pirâmide desconhecem a origem histórica material de suas dificuldades e, intimamente, se consideram “inferiores” aos demais. No fundo, se sentiriam culpadas por usufruir de um certo “privilégio” que os ricos, bem nascidos e instruídos podem dispensar — até porque o recebem por outros meios.
A vida real não é assim. Basta visitar escolas publicas e privadas que aplicam esses programas para descobrir que a maioria dos estudantes que se beneficiam de políticas compensatorias tem um desempenho igual ou até superior a seus colegas. Alguns dão duro como os demais. Outros batalham menos. Alguns fazem amigos. Outros encontram colegas que não querem ser amigos. É a vida de verdade, como se aprende até em filme sobre adolescentes americanos. A única pergunta relevante é saber se dentro de dez ou vinte anos o país estará melhor com cidadãos menos desiguais. Alguém tem alguma dúvida?
Mas os bonzinhos seguem fazendo sua parte para tornar o mundo pior. Numa canção inesquecível sobre a vida dos trabalhadores ingleses, John Lennon anotava: “assim que você nasce eles te fazem sentir-se pequeno…”
A mensagem dos bonzinhos é essa. Os filhos de pais pobres são tão pequenos que se sentem menores mesmo quando chegam à universidade. O melhor, então, é que sejam mantidos ao longe. Pode?
Paulo Moreira Leite, Época
 
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Ziraldo: “Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”

publicado em 14 de agosto de 2012 às 19:10 - No Vi o Mundo

Guilherme Solari
Do UOL, em São Paulo

Uma breve conversa de 15 minutos com Ziraldo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo acaba passando por temas como literatura, colonização brasileira, marketing, UFC, novas tecnologias, casos de família e até mesmo um pouco sobre os seus lançamentos na feira.


Aos 80 anos e em sua 16ª Bienal, o pai do Menino Maluquinho não cessa de enfatizar a importância de feiras literárias e do próprio livro para enfrentar o que ele considera em “emburrecimento” endêmico da sociedade.


“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”.


Ziraldo mostra não aprovar o sucesso das competições de artes marciais mistas. “Liguei a TV de madrugada outro dia e vi dois seres se esfregando. Achei que fosse pornografia. E aí o chão começou a se encher de sangue como se tivesse rompido o hímen. Só depois percebi que era essas lutas”, contou Ziraldo.

Apesar de ser autor de obras que marcaram seguidas gerações de crianças brasileiras, Ziraldo diz que não se considera um narrador. “Não tenho um talento como o de Thalita Rebouças ou da autora do Harry Potter”, falou. “Eu parto de uma ideia simples como uma ilustração e tento fechá-la com chave de ouro, como fazia quando trabalhava no marketing”.


“O livro é o objeto mais perfeito da história da humanidade”, defendeu Ziraldo. “Você carrega a história em suas mãos, sente o cheiro do papel, o tempo que você vira uma página é um tempo que percorre na história. O livro contém vida e isso não pode ser substituído por algo frio e digital”.


Quando perguntado sobre o que mudou em sua comunicação com as crianças em todos os anos de literatura infantil, Ziraldo responde: “Não mudou nada. Os tempos e as tecnologias podem mudar, mas a criança não muda nunca”. Ziraldo lança na feira “O Grande Livro das Tias” (Melhoramentos), homenagem às tias e sua importância na infância.


 

 

14 de agosto de 2012 - No Opensante
Em reação à violência policial, jovens se revoltam na França
 
Por Opera Mundi
Horas depois do confronto, François Hollande anuncia maior investimento na polícia para combater violência 
Agência Efe

Um dos carros incendiados no confronto entre jovens e a polícia francesa na madrugada desta terça-feira em Amiens, no norte da França
A conflituosa relação entre a juventude residente nas periferias das grandes cidades francesas e a autoridades parecem não ter mudado significativamente desde 2005, ocasião em que uma série de revoltas eclodiu em dezenas de bairros de baixa renda no país. Nesta terça-feira (14/08),  um confronto da mesma natureza voltou a ser registrado - e a resposta da polícia e do governo parece não ter mudado de padrão.
Uma nova onda de revolta teve início em Amiens, cidade localizada no norte do país, quando dezenas de jovens entraram em um confronto violento com a tropa de choque durante a madrugada. Horas depois dos confrontos, o presidente francês, François Hollande, em um evento já programado em homenagem à polícia, prometeu aumentar o efetivo de oficiais nos bairros periféricos das grandes cidades "para combater a violência e a delinquência", indicando que manterá a mesma política de repressão de seu antecessor, o conservador Nicolas Sarkozy.
Os tumultos, que tiveram início na noite de segunda-feira (13/08), apenas foram controlados às 4 horas da manhã com a chegada de reforços policiais de áreas vizinhas. Carros e edifícios públicos foram incendiados pelos manifestantes, que também dispararam balas de chumbo contra 150 oficiais da tropa de choque mobilizados. Estes responderam com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha.  A prefeitura de Amiens informou nesta manhã que 16 policiais ficaram feridos e que ninguém foi preso. “O embate foi muito, muito violento”, afirmou o prefeito da cidade, Gilles Dumailly, segundo o jornal britânico The Telegraph. "Ocorrem incidentes regulares aqui, mas há anos não víamos uma noite tão violenta quanto esta, com tantos danos", afirmou o chefe municipal. De acordo com o diário The Guardian, estima-se que os danos somem prejuízo de aproximadamente 1 milhão de euros.
Agência Efe

Policiais da tropa de choque durante confronto contra jovens na zona norte de Amiens nesta madrugada; os oficiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra os revoltosos
A violência teve início durante o final de semana quando moradores se reuníram para protestar contra uma abordagem policial a um residente da região, informou o jornal norte-americano The Washington Post. Segundo essa versão, a revolta desta madrugada teve inicio quando a tropa de choque chegou para dispersar um grupo que ainda manifestava.
Apesar da causa imediata para o início dos confrontos desta madrugada não estar clara, Dumailly explicou em rede televisiva nacional que as tensões entre os residentes dos conjuntos habitacionais e a polícia estavam crescendo nos últimos meses. Moradores de uma zona de crescente desemprego, sobretudo entre jovens, estes franceses foram descritos pelo próprio prefeito como ”pessoas que enfrentam dificuldades”.
Resposta do governo
Os sinais de indignação e revolta da juventude contra as autoridades francesas não foram suficientes, no entanto, para uma mudança na política do governo em relação às classes mais baixas. Desde 2005 até os dias atuais, a maior parte das respostas dos políticos aos problemas nos bairros periféricos foi aumentar o contingente policial na região a fim de supostamente melhorar a segurança.
Hollande, recém-eleito presidente pelo Partido Socialista, deu sinais de que não pretende mudar a política seguida pelo seu antecessor. “Existe violência, existe delinquência, existe criminalidade, e isto precisa ser prevenido e dissuadido”, disse ele em cerimônia em homenagem à polícia francesa nesta terça-feira (14/08). O presidente anunciou plano de investir na polícia e deslocar efetivo de oficiais para as áreas mais violentas do país.
“Nossa prioridade é a segurança, o que significa que, no próximo orçamento, iremos incluir mais recursos para nossas forças policiais”, acrescentou Hollande de acordo com o The Guardian. A zona norte de Amiens, onde a revolta aconteceu, foi classificada pelo governo francês há duas semanas entre as 15 mais pobres e mais inseguras do país.
 

 
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Celso Bandeira de Mello: O respiro é a internet

publicado em 14 de agosto de 2012 às 10:46 - No VI O MUNDO

DIREITO E POLÍTICA
“Enquanto não houver censura, teremos essa violência”


Por Elton Bezerra, no Consultor Jurídico [reprodução parcial], sugestão da Conceição Oliveira


A imprensa de forma geral e a televisão, especialmente, induzem à violência e levam a população a acreditar em uma falsa realidade, como acontece com o caso do “mensalão”. A corajosa opinião é do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello em entrevista à ConJur. “Enquanto existir televisão e não for permitida a censura, nós vamos ter a continuidade dessa violência e as crianças vão assistir violência”, disse o advogado, um tanto constrangido e receoso pelo impacto da declaração que dá, com uma ressalva: ele defende a censura de costumes, não a ideológica. O respiro, afirma, é a internet, que permite encontrar diversas abordagens sobre o mesmo assunto. “Não preciso ficar escravizado pelo que diz a chamada ‘grande imprensa’”, diz.


Dita por qualquer outro advogado, a frase poderia indicar contradição ao vir de alguém que tem por dever de ofício defender a liberdade. Mas é conhecida a aversão do célebre professor pelos principais veículos de comunicação do país. É para a imprensa que ele aponta o dedo ao falar sobre o mensalão. Sua interpretação é que houve um conluio dos órgaos da grande imprensa para derrubar o então presidente Lula. É a mesma culpada, segundo ele, da influência deletéria sobre o Supremo Tribunal Federal. “Acho muito ruim decidir de acordo com a imprensa”.


Bandeira de Mello já deixou sua marca no Supremo. A ele é atribuída a indicação do sergipano Carlos Ayres Britto para a vaga de ministro aberta com a aposentadoria do também nordestino Ilmar Galvão. Sobre seu papel na sucessão, ele faz mistério, mas não esconde a amizade de 40 anos com o atual presidente do STF, deixando transparecer que o amigo chegou à mais alta corte do país por sua indicação e pela do professor Fabio Konder Comparato, da Faculdade de Direito da  USP, outro conhecido acadêmico de esquerda.


Ácido, o professor há quase quatro décadas na PUC-SP atira contra a formação dos advogados, que em sua avaliação sofrem com a formação deficiente, fruto da expansão desenfreada dos cursos de Direito. “Quando se incorpora uma grande multidão, perde-se em sofisticação.”


Leia a entrevista:


ConJur — Como o senhor vê o processo do mensalão?


Celso Antônio Bandeira de Mello − Para ser bem sincero, eu nem sei se o mensalão existe. Porque houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época.Portanto, é possível que o mensalão seja em parte uma criação da imprensa. Eu não estou dizendo que é, mas não posso excluir que não seja.


ConJur − Como o senhor espera que o Supremo vá se portar?



Bandeira de Mello − Eu não tenho muita esperança de que seja uma decisão estritamente técnica. Mas posso me enganar, às vezes a gente acha que o Supremo vai decidir politicamente e ele vai e decide tecnicamente.


ConJur − O ministro Eros Grau disse uma vez que o Supremo decidia muitos casos com base no princípio da razoabilidade e não com base na Constituição. O que o senhor acha disso?


Bandeira de Mello − Pode até ser, mas eu acho que muitas vezes quem decide é a opinião pública.


ConJur – E o que o senhor acha disso?



Bandeira de Mello – Péssimo. A opinião pública é a opinião da imprensa, não existe opinião pública. Acho muito ruim decidir de acordo com a imprensa.


ConJur – E como o senhor avalia a imprensa?


Bandeira de Mello − A grande imprensa é o porta-voz do pensamento das classes conservadoras. E o domesticador do pensamento das classes dominadas. As pessoas costumam encarar os meios de comunicação como entidades e empresas cujo objetivo é informar as pessoas. Mas esquecem que são empresas, que elas estão aí para ganhar dinheiro. Graças a Deus vivemos numa época em que a internet nos proporciona a possibilidade de abeberarmos nos meios mais variados. Eu mesmo tenho uma relação com uns quarenta sites onde posso encontrar uma abordagem dos acontecimentos do mundo ou uma avaliação deles por olhos muito diversos; que vai da extrema esquerda até a extrema direita. Não preciso ficar escravizado pelo que diz a chamada grande imprensa. Você pega a Folha de S.Paulo e é inacreditável. É muito irresponsável. Eles dizem o que querem, é por isso que eu ponho muita responsabilidade no judiciário.


ConJur – O que o Judiciário deveria fazer?



Bandeira de Mello − Quando as pessoas movem ações contra eles, contra os absurdos que eles fazem, as indenizações são ridículas. Não adianta você condenar uma Folha, por exemplo, ou umaVeja a pagar R$ 30 mil, R$ 50 mil, R$ 100 mil. Isso não é dinheiro. Tem que condenar em R$ 2 milhões, R$ 3 milhões. Aí, sim, eles iriam aprender. Do contrário eles fazem o que querem. Lembra que acabaram com a vida de várias pessoas com o caso Escola Base? Que nível de responsabilidade é esse que você acaba com a dignidade das pessoas, com a vida das pessoas, com a saúde das pessoas e fica por isso mesmo? Essa é nossa imprensa.


ConJur − O senhor é a favor da diminuição da maioridade penal?



Celso Antônio Bandeira de Mello − Não consigo ser porque a vida inteira eu fui contra, mas hoje eu balanço. Eu era firme como uma rocha, achava um absurdo, achava que era necessário dar boas condições de vida para as crianças. Claro que devemos fazer isso, mas enquanto existir televisão e não for permitida a censura, nós vamos ter a continuidade dessa violência e as crianças vão assistir violência.


ConJur − O senhor é a favor da censura na TV?



Bandeira de Mello − Sou absolutamente a favor. Sou contra a censura ideológica. Essa eu sou visceralmente contra. Mas a censura de costumes eu sou a favor.


ConJur − Como seria essa censura de costumes?


Bandeira de Mello − Todo mundo é [a favor], só que não tem coragem de dizer. Você é a favor de passar filmes pedófilos na televisão? Eu não sou. Mas se passasse você se sentiria como? Você é a favor de censurar. As pessoas não têm coragem de dizer, porque depois do golpe virou palavrão ser a favor da censura. Você é a favor que passe um filme que pregue o racismo, não importa que tipo de racismo, nem contra que povo? Todo mundo é a favor da censura, mas as pessoas não têm coragem de dizer por que não é politicamente correto.


ConJur − E a quem caberia exercer essa censura?



Bandeira de Mello − Não precisa ser de funcionário público. Um corpo da sociedade escolhido por organismos razoavelmente confiáveis, como a OAB e certas entidades de benemerência.


ConJur – Mas a censura não é vedada pelas leis do país?


Bandeira de Mello − Você diria que é proibido. Eu diria que não é tão proibido assim. Pegue a Constituição e veja o que ela diz a respeito da defesa da criança, inclusive na televisão. Portanto, seria perfeitamente possível, mas a palavra ficou amaldiçoada.


ConJur – Por que deveria haver censura?



Bandeira de Mello −  A imprensa escolhe o que noticia e usa uma merda de argumento que diz o seguinte: “Nós não somos responsáveis por essas coisas, isso existe, são os outros que fazem isso. Só estamos contando, nada mais.” Se fosse por isso, a humanidade não teria dado um passo, porque a humanidade adorava ver os cristãos sendo devorados pelos animais ou os gladiadores se matando. A humanidade adorava ver as supostas feiticeiras sendo queimadas. A humanidade sempre gostou de coisas de baixo nível e vis. Dizer que tem gente que gosta de assistir esses programas ordinários não é argumento válido. Você diz esse mesmo argumento para passar e acabou. A imprensa poderia dar notícias de coisas maravilhosas. Existe muita gente boa, que fazem coisas excelentes. Não. Ela noticia só o que há de pior, e você fica intoxicado por aquilo no último grau.


ConJur − O senhor acha que a imprensa deveria ser obrigada a noticiar outras coisas?


Bandeira de Mello − Acho que não dá para tolher a liberdade das pessoas nesse nível. Deveria haver uma regulamentação da imprensa importante.


ConJur − Em todos os meios: impresso, eletrônico?


Bandeira de Mello − Todos. De maneira que os que trabalham, os empregados, deveriam ter uma participação obrigatória e importante. O dono do jornal, da televisão tem direito ao dinheiro daquele lugar, mas não às opiniões. Porque do contrário não há mais a liberdade de pensamento. Há liberdade de meia dúzia de caras. O pensamento é dos que produzem o jornal, é dos jornalistas. Não é um problema de censura, é um problema de não entregar o controle a uma meia dúzia de famílias. Abrir para a sociedade, abrir para os que trabalham no jornal, ou na rádio ou na televisão, para que eles possam expressar sua opinião. E haver, sim, um controle ético de moralidade e impedir certas indignidades.


ConJur − Algum exemplo de uma indignidade cometida pela imprensa?



Bandeira de Mello − Mostrar crianças sendo torturadas ou mostrar corpos dilacerados. Isso incentiva [a violência], sim. O ser humano não é bonzinho. Você não tem que incentivar a maldade. Porque os EUA são desse jeito? Eles exportam para nós tudo o que há de pior. A boa imagem dos EUA no mundo quem dá é o cinema. Porque o cinema deles tem coisas muito humanas, muito boas também. Para cá vem o lixo, o povo gosta do lixo.


ConJur − Como o senhor vê as relações entre os homens?



Bandeira de Mello − O fato de ser racional não faz o homem diferente dos animais que vivem em manada, que têm um cabeça que guia e os outros vão atrás. Na sociedade humana é igual, há os que pensam, e eles são poucos; os outros parecem que pensam, mas não pensam, repetem. Eles não têm coragem de pensar. E se cada uma resolvesse pensar, já imaginou o caos que viria a ser? O mundo tem que ser assim, alguns pensam e os outros acompanham o pensamento. Nós vivemos um período em que é a escória que pensa, que dirige. Mas claro que sempre existem seres notáveis que lutam contra a escória e dizem o que deve ser feito. São seres humanos maravilhosos.


ConJur – Como o senhor vê a advocacia hoje?


Bandeira de Mello − Na hora que se incorporou uma grande multidão é evidente que você vai perdendo sofisticação. Na verdade são dois raciocínios: você pode dizer que da quantidade sai a qualidade, o que também é verdade. Ao mesmo tempo em que você baixa [a qualidade] de certo lado, você propicia o surgimento de expoentes que não seriam vistos se não tivesse sido ampliada em muito a oportunidade.


ConJur − E a OAB?


Bandeira de Mello − Eu não sou encantado com a atual gestão.


ConJur − Algum motivo?



Bandeira de Mello – Talvez seja injusto dizer isso. Se for comparar com homens como Seabra Fagundes, que já foi presidente, com Raymundo Faoro, fica difícil, certo? Foram homens notáveis. Foram pessoas que tiveram oportunidade de liderar porque o país passou por momentos difíceis e precisava de homens extraordinários. Agora vivemos momentos de normalidade. Talvez eu não esteja sendo justo com o nosso atual presidente, porque precisa ver o momento histórico em que ele está exercendo a presidência.


ConJur − A OAB pode ser considerada uma autarquia?



Celso Antônio Bandeira de Mello − É uma autarquia.


ConJur − Por quê?



Bandeira de Mello − É uma autarquia especial, que deve ter muita liberdade e é tratada de maneira muito diferente de qualquer outra autarquia. Veja que em um dos poderes do Estado, o Judiciário, obrigatoriamente membros da OAB fazem parte da banca examinadora. A OAB tem legitimidade ativa para ações diretas de inconstitucionalidade. A OAB é considerada por lei um serviço público. Entre as finalidades dela está defender a ordem democrática. A OAB é uma autarquia muito especial. Tem que ter muita independência para cumprir muito bem o papel dela.


ConJur − E em relação ao Supremo? Como o senhor vê a atuação da mais alta corte do país?



Bandeira de Mello – Nosso atual Supremo é melhor que o anterior. Não que eu não veja grandes problemas no Supremo porque em tudo isso há um erro: o fato de os ministros serem vitalícios.


ConJur − Isso é um problema?



Bandeira de Mello − Grave. Uma vez eu ouvi de um membro do supremo a seguinte frase: “Professor, tantas vezes nos chamam de excelência que a gente acaba pensando que é excelência mesmo”. Oito anos de mandato seria mais que o suficiente. O supremo devia ter um mínimo de [ministros] provenientes da magistratura de carreira. E não tem praticamente ninguém. Agora cresceu com a escolha dessa senhora [Rosa Weber], que é de carreira. Mas na verdade, tem muita gente do Ministério Público, da Advocacia. Tem que ter, mas não pode ser maioria. Porque diga−se o que quiser dos juízes, eles são treinados desde o comecinho para pelo menos tentar ser imparcial. Você não precisa ter simpatia pelos votos daquele juiz, mas você reconhece que ele é sério, dedicado, esforçado, conhece aquilo que está falando, e você respeita. Há juízes no Supremo que são absolutamente independentes, assim como há uns que você diz: que lástima, como é que está lá?


ConJur − O senhor poderia indicar quem são?



Bandeira de Mello − Claro que não.


ConJur – O STF legisla?



Bandeira de Mello − Essa é uma maneira reacionária de encarar. Ele [STF] não tem posição de legislador nenhum. Agora se o legislador não faz a lei e o STF tem que decidir, ele vai fazer o que? Tem que decidir seguindo os princípios da Constituição e as normas constitucionais, é o dever. Se cabe alguma crítica a isso é ao Legislativo. Não sei qual é o pior dos Poderes da República, mas eu penso que é o Legislativo. O Legislativo é uma lástima pela péssima qualidade dos seus membros, sem prejudicar figuras notáveis lá dentro.


ConJur − Recentemente o seu nome foi citado em algumas reportagens colocando-o como intermediário de um encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Ayres Britto.



Bandeira de Mello − Isso é coisa típica da imprensa. O Lula nunca foi íntimo meu, nunca foi. Em segundo lugar, se alguém pensasse que eu iria fazer a cabeça do ministro Ayres Britto é porque é tonto. O ministro Ayres Britto é um homem absolutamente independente, inteligente e muito culto. Vê lá se eu conseguiria fazer a cabeça do Carlos? E vê lá se eu ousaria tentar fazer a cabeça do Carlos? Se você respeita um amigo, você tem que saber qual é o seu limite. Você não pode falar para o cara fazer isso ou aquilo. No entanto, a Folha de S.Paulo disse que eu fui contratado para aliciar o ministro Carlos Britto no caso daquele italiano…


ConJur − Cesare Battisti?



Bandeira de Mello − Cesare Battisti. [A Folha] Teve a petulância de dizer isso de mim. Eu diria: que lixo. No meu pensamento eu diria: que merda de jornal é esse que duas mulherezinhas escrevem isso de mim? Como se eu fosse capaz de fazer isso. Ainda disse que eu fui contratado. Eu não fui contratado, eu dei gratuitamente um parecer. Gratuitamente. O advogado, que era o Barroso, me telefonou e falou: “Celso, você daria um parecer sobre um caso, você se sente à vontade, você está de acordo com a tese? Só que eu não vou ter dinheiro para te pagar por ele”. Falei que não era caso de dinheiro. Devia ser visto como consciência cívica. Esse homem na Itália corria um risco terrível, se levassem esse homem para lá. Ele foi julgado à revelia praticamente. Aquele julgamento foi uma vergonha, foi na base da delação premiada que os outros caras o acusaram. No tempo do golpe, quando os militantes eram torturados eles procuravam apontar para alguém que estava fora do país, para não correr risco. Ele [Battisti] estava fora do país e disseram que foi ele que atirou. Ele estava na França naquela época, e os caras disseram que foi ele.


ConJur − Como o senhor viu a decisão do Supremo no caso?



Bandeira de Mello − Não terminou tão bem quanto eu gostaria. Mas acabou reconhecendo que é o presidente quem deveria decidir, que era a decisão correta. E justamente o ministro Carlos Britto, que eles disseram que eu tinha sido contratado para aliciar, foi o que votou contra.


ConJur − Vocês são amigos ainda hoje?



Bandeira de Mello – Muito. Nós somos amicíssimos, não só amigos. O Carlos é meu amigo há mais de quarenta anos, e foi meu aluno também.


ConJur − O senhor foi consultado quando ele foi indicado ao Supremo?



Bandeira de Mello − Ele mesmo diz a quem quiser ouvir que fui eu quem indicou ele. Fomos duas pessoas, Fabio [Konder] Comparato e eu. Nós fomos falar com o presidente da República na época.


 

 

 Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 707

 

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Caderno da Cidadania
MENSALÃO & COMISSÃO DA VERDADE
Os brocardos e o terror

Por Mauro Malin em 14/08/2012 na edição 707

Comentário para o programa radiofônico do OI, 14/8/2012 - No Observatório da Imprensa

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A Folha de S.Paulo e o Estado deram na terça-feira (14/8) a mesma manchete sobre o julgamento do mensalão. Reproduzem acusação do advogado de defesa de Roberto Jefferson segundo a qual o então presidente Lula ordenou a montagem do esquema de compra de apoio político. O Globo foi mais inteligente, com o título “Para enfraquecer procurador, Jefferson agora acusa Lula”. O advogado Luiz Corrêa Barbosa diria que, ao contrário de Lula, Folha e Estadão são patetas. Ou acham que seus leitores o são.


Jornalismo declaratório à parte, o fato é que até agora ninguém conseguiu explicar o jogo duplo de Roberto Jefferson: antes, inocentava Lula; agora, diz que seu advogado descobriu fatos que o teriam levado a, se os conhecesse à época em que abriu sua boca larga, “jogar Lula no chão”. O advogado de Jefferson soma-se aos que querem desacreditar o procurador-geral, Roberto Gurgel. Mas isso só não explica o que está acontecendo.


Os jornalistas sabem muito mais do que podem escrever, mas não têm provas, documentos. E dificilmente os terão. Assim, ficam limitados ao jogo das aparências. Mas não precisariam ser literais. Há uma certa preguiça mental quando de todo o trabalho de cobertura das sessões do Supremo resulta reproduzir o que um advogado disse. Mais ainda quando ele já havia anunciado essa fala.


O Globo, na edição de terça-feira (14), mais uma vez acerta ao fazer um apanhado das figuras de retórica usadas por advogados: nazismo, inquisição, novela, Flamengo, histórias bíblicas, Grécia antiga, Código de Hamurabi e Teoria da Relatividade, exemplifica a reportagem.


Machado de Assis faz um personagem dizer ao filho:


“Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo (...). Melhor do que tudo isso, porém, que não passa de mero adorno, são as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e pública.”


As falas dos advogados foram retoricamente medíocres, da primeira à mais recente, mas o que importa para eles e seus clientes é a funcionalidade das defesas. Todas as comparações com o nazismo são, entretanto, irresponsáveis. Ou será que esses advogados não conhecem o que aconteceu sob o regime de Hitler? Evocando-o a propósito de fatos inteiramente diferentes, dão aos jovens a noção falsa de que o nazismo pode ser comparado a essa ou aquela questão judicial em regime democrático.


 


Tortura foi política de Estado


Em sessão da Comissão da Verdade no Rio de Janeiro, na segunda-feira (13/8), Paulo Sérgio Pinheiro pôs o dedo na ferida. Entre os três jornalões, só a Folha de S.Paulo registrou, já no título da matéria: “Tortura foi ‘política de Estado’, diz Pinheiro”.


Isso explica por que é difícil para as Forças Armadas brasileiras fazer uma revisão crítica do papel que desempenharam durante o regime militar. Primeiro, seria o reconhecimento de que, sem violência e terror, teria sido muito mais difícil, senão impossível, subjugar a oposição ao golpe e impedir que a crítica chegasse amplamente ao público. Segundo, porque ao ordenar que fossem cometidos crimes capitulados na Constituição e no Código Penal, os chefes militares tiraram a legitimidade da hierarquia.


Vale a pena citar as palavras de Paulo Sérgio Pinheiro reproduzidas na reportagem de Marco Antônio Martins, da Folha:


“Não foi abuso, não foi excesso: foi uma política de Estado. As dezenas de jovens assassinados no Araguaia foram mortos por uma política pública que dizia que eles não poderiam sair vivos de lá. As casas de tortura também operavam por ordem dos ministérios militares. Se não conseguirmos comprovar que todas as práticas de agentes contra militantes foram políticas de Estado, falharemos em nosso papel”.


Na sessão, realizada na OAB do Rio de Janeiro, José Maria Gagliassi relatou o sofrimento de ter sido torturado na frente da mulher e da filha de 12 anos, que foram torturadas e violentadas na sua frente. Se a alta hierarquia não tivesse sabido que isso se passava em quartéis sob seu comando, poderia ter sido condenada por falta de exação. Isso inclui todos os generais-presidentes. 


 

 

14/08/2012 - No Opensante


O que é o Trapwire, o programa de espionagem divulgado pelo Wikileaks
 

reprodução

trapwirePor Olhar Digital
Exposição de programa de inteligência pode ser responsável pelo site da organização ter ficado fora do ar nos últimos dez dias
Uma empresa de espionagem criada por ex-agentes de serviços de inteligência norte-americanos ganhou notoriedade nesta semana, quando apareceu citada em documentos da companhia de segurança global Stratfor.
Os dados foram roubados pelo grupo hacker Anonymous no final do ano passado na chamada operação AntiSec, que invadiu servidores governamentais em todo o mundo e inclusive derrubou sites no Brasil. Posteriormente, foram entregues ao Wikileaks, que aos poucos avalia e revela parte do material colhido - nada menos que 200 gigabytes de material interno da empresa.
Em e-mails e documentos oficiais já divulgados, há menção a uma nova companhia de espionagem, dirigida por antigos figurões da CIA e do Pentágono, que teria criado uma versão mais exata do reconhecimento facial e que já teria instalado o software em câmeras de rua para vigiar grande parte dos norte-americanos que vivem nas grandes cidades.
Os dados colhidos nos pontos de monitoramento espalhados pelo país seriam enviados em tempo quase real para uma central, que criptografava o seu conteúdo e agregava as descobertas aos arquivos dos serviços de inteligência.  Tudo isso era parte de um programa chamado TrapWire e inventado pela Abraxas, empresa que reúne ex-funcionários das principais agências governamentais e que tem grande entrada em círculos poderosos de Washington.
Apesar de ter atividades públicas e de o programa já ter sido divulgado pela imprensa anteriormente, os detalhes expostos nos arquivos do Wikileaks apresentaram o tema para boa parte do público norte-americano, que se espantou em constatar que as câmeras instaladas em postes nos seus bairros agora os vigiavam e estão conectadas a uma teia global de inteligência. O assunto mereceu menção nas principais publicações do mundo, como The New York Times ou The Guardian.
Os vazamentos do Wikileaks ganharam ainda mais atenção pela reação a eles. O site da organização ficou fora do ar nos últimos dez dias, vítima dos mesmos ataques de negação de serviço que caracterizam as ações do seu grupo-irmão, o Anonymous.
Especula-se que hackers de um grupo chamado Antileaks tenham sido contratados para bombardear o site e impedir que os seus documentos - possivelmente aqueles relacionados com a Stratfor – atingissem um público maior. A procedência dos ataques não é confirmada, mas a possibilidade de eles se relacionarem à exposição da Stratfor e do programa TrapWire é grande.
De acordo com um e-mail de 2009 vazado para o Anonymous, o vice-presidente de inteligência da Stratfor, Fred Burton, que já integrou a área do corpo diplomático responsável pela segurança, define o Trapwire como "uma solução tecnológica indicada para as zonas vermelhas para fim de reconhecimento de identididade". Outros documentos  indicam que a Stratfor assinou um acordo de cooperação tecnológica com a Abraxas.
E você, como se sentiria se fosse vigiado o tempo todo por câmeras do governo e por agências de espionagem muito suspeitas?
 

 
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terça-feira, 14 de agosto de 2012 - No Democracia e Política


BAIXO CRESCIMENTO NO BRASIL É UM CICLO, NÃO TENDÊNCIA
 



O’Neill: “Eu gosto de Rússia, Turquia, Brasil, China e Coreia. E, razoavelmente atrativa, Índia e depois Indonésia”
 
Por Silvia Rosa, do jornal “Valor”
 
“Uma década depois de ter criado o termo BRIC para o grupo de países que inclui Brasil, Rússia, Índia e China, o economista e presidente da “Goldman Sachs Asset Management”, Jim O’Neill continua otimista com essas economias, apesar do fluxo para os fundos dedicados a tais mercados estar negativo em US$ 689,25 milhões no ano até 1º de agosto, de acordo com dados da consultoria EPFR Global. O’Neill acredita que ao longo da década esses países vão contribuir mais para o PIB global do que os Estados Unidos e Europa juntos.
 
Na avaliação do gestor, o México chamado recentemente pelo “Financial Times” de “novo Brasil”, já não está mais interessante em termos de preço e vê mais oportunidades em emergentes como Rússia, Brasil, Turquia, China e Coreia.
 
A seguir, a entrevista concedida por O’Neill ao jornal “Valor” por e-mail.
 
Valor: Como está a alocação nos mercados emergentes comparado com o ano passado?
 
Jim O’Neill : A “Goldman Sachs Asset Management” planeja lançar um fundo global que permitiria aplicar em diferentes classes de ativos. Nos fundos de ações dedicados a mercados emergentes, nós temos visto contínua entrada de recursos, e algumas saídas na carteira com foco nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
 
Valor: Em seu último livro, “O mapa do crescimento”, além dos países do BRIC, o senhor menciona mais quatro economias – Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia – que compõem o grupo chamado de mercados de crescimento. Em quais países o senhor vê mais oportunidades para investir em ações?
 
O’Neill : Isso depende das perspectivas econômicas e dos preços prevalecentes. Em oposição a esses dois critérios, em termos de atratividade eu gosto de Rússia, Turquia, Brasil, China e Coreia. E, razoavelmente atrativa, eu diria a Índia e depois a Indonésia. Nos preços atuais, o mercado do México já não está mais tão atrativo.
 
Valor: Com quais países do BRIC o senhor está mais otimista?
 
O’Neill : Eu permaneço fundamentalmente animado com os quatro. Depois, e coletivamente, a história dos BRIC é a maior história econômica da década. Ao longo da década, eles vão contribuir mais para o PIB global do que os Estados Unidos e Europa juntos e até 2015 o PIB desses países deve superar o dos Estados Unidos.
 
Valor: A bolsa da Turquia lidera a valorização entre os mercados de ações de emergentes, com alta de 25,96% em moeda local. Por que esse país tem atraído os investidores?
 
O’Neill : A Turquia é um país excepcionalmente interessante, por três razões até o momento. Primeiro, porque é um tipo de modelo para o qual muitos aspirantes e países do Oriente Médio que estão passando por mudança devem visar. Segundo, ele está muito bem posicionado em termos de potenciais laços comerciais decorrentes de futuras mudanças em toda região do Oriente Médio. Terceiro, ele tem uma excelente demografia. Tudo isto atribuído contra um pano de fundo de baixa taxa de juros nos países do G-7, faz da Turquia muito atraente.
 
Valor: Quais são as principais preocupações em relação à economia brasileira?
 
O’Neill : Eu acho que as pessoas estão muito negativas sobre a tendência para o Brasil no médio prazo. Isso é muito interessante, e por alguma extensão, engraçado, o quão rapidamente o consenso do mercado presume que a evolução do crescimento recente vai persistir. Então, por exemplo, depois do milagre do crescimento de 7,5% em 2010, as pessoas pensam que isso persistiria. Agora, dado os desapontamentos em 2011 e 2012, as pessoas estão preocupadas que o crescimento será ao redor de 2% a 3% no futuro. Isso não é novo. Por anos, de 2001 a 2003, o Brasil cresceu menos de 2%, e depois isso de repente saltou para acima de 5% por dois anos. Os investidores e analistas precisam distinguir entre tendência de crescimento e ciclo. Eu acho que o Brasil, provavelmente, crescerá ao redor de 4% a 5% na média na década e, no próximo ano, certamente será melhor que isso. O Brasil tem sofrido com a valorização do real nos anos recentes bem como o excesso de liderança do governo na economia como outros desafios competitivos, mas algumas dessas evoluções adversas estão mudando.”
 
FONTE: reportagem de Silvia Rosa publicada no jornal “Valor”. Postadao por Luis Favre em seu blog (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/08/baixo-crescimento-no-brasil-e-um-ciclo-nao-tendencia/).
 
 

 

14/08/2012 - Carta Maior 


 

Advogados reforçam tese de caixa dois e criticam imprensa
No nono dia do julgamento do mensalão, defesas de ex-deputados e ex-ministro reforçam a tese de prática de caixa dois, negam outros crimes e condenam o comportamento nocivo da imprensa, que clama pela condenação automática dos réus. “Querem transformar esta corte em mero executor de uma sentença ditada por editorialistas e chefes de redação, contra a qual não cabe recurso”, destacou o advogado Sebastião Reis.

Brasília - O ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA), então presidente do Diretório Regional do PT no Pará, pagou dívidas de campanha com dinheiro de caixa dois do PT Nacional, mas não praticou o crime de lavagem de dinheiro, pelo qual é acusado na ação penal 470, o chamado “mensalão”. Esta foi a tese sustentada pelo advogado João dos Santos Gomes Filho, que abriu, nesta terça (14), o nono dia de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado questionou, principalmente, a falta da tipificação do crime antecedente, requesito necessário, segundo ele, para a configuração da lavagem. “Eu não sei qual é o crime antecedente que tenho que enfrentar. Não está escrito na denúncia. Não vem nas alegações finais”, afirmou.

Gomes Filho ressaltou que o destino dado aos R$ 820 mil recebidos por Rocha do PT Nacional, via repasses bancários das empresas do publicitário Marcos Valério, está amplamente comprovado: foi utilizado para pagar dívidas de campanha do PSB, que disputou as eleições de 2002 na mesma coligação que o PT regional. O advogado destacou também que seu cliente sabia que se tratava de dinheiro não declarado, mas desconhecia sua possível origem ilícita, outro requesito para a configuração de lavagem. “Se o dinheiro foi lavado, ele já chegou limpo no diretório regional do PT”, sustentou.

Para o advogado, está claro, desde a apresentação da denúncia, que se trata de crime eleitoral. “É evidente que era um caixa dois desde o início, o que me parece que é uma prática recorrente no modelo eleitoral brasileiro. É duro falar isso, ainda mais no STF, mas é uma realidade. E nós tangenciamos essa realidade, quando nos propomos a discutir lavagem e negligenciamos o dinheiro não contabilizado”.

O advogado Luís Maximiliano Leal Telesca Mota, responsável pela defesa da assessora parlamentar Anita Leocádia Pereira da Costa, acusada da sacar o dinheiro destinado ao Diretoria Regional do PT no Pará, argumentou que ela só cumpria ordenas do seu superior hierárquico, o ex-deputado Paulo Rocha. “Existia uma realidade de dívidas. A Anita estava cumprindo uma ordem superior que demandava o pagamento de uma conta”, destacou.

Crítica à imprensa e seus conluios
A defesa do ex-deputado João Magno (PT-SP), dividida na tribuna pelos advogados Sebastião Reis e Wellington Valente, também insistiu na tese de que houve prática de caixa dois, mas não de crime de lavagem de dinheiro. Segundo eles, o socorro financeiro de R$ 360 mil solicitado por Magno ao PT Nacional foi usado para saldar dívidas da campanha de 2002 e alavancar sua pré-campanha para prefeito de Ipatinga (MG), em 2004.
Reis fez duras críticas ao comportamento da mídia, que vem pressionando a corte a condenar os réus do chamado mensalão. “Querem transformar esta corte em mero executor de uma sentença ditada por editorialistas e chefes de redação, contra a qual não cabe recurso”, destacou.

O advogado argumentou que o diretor da maior revista brasileira, Policarpo Junior, é acusado por parlamentares de manter relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. “É preciso que a opinião pública se atente para esses detalhes, que essa grande imprensa também pratica alguns conluios, faz conchavos com pessoas que estão respondendo por crimes”, insistiu.

Líder do governo não vota com o governo?
Foi a defesa do ex-deputado Professor Luisinho (PT-MG), sustentada pelo advogado Pierpaolo Cruz Bottini, que mais escancarou as incongruências presentes na denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF). Líder do governo na Câmara à época das denúncias, Professor Luisinho é acusado de ter recebido R$ 20 mil do esquema de Marcos Valério. Foi enquadrado por crime de lavagem de dinheiro, dado o evidente absurdo que seria acusar o líder de governo de vender seu voto para o próprio governo.

De acordo com Bottini, a acusação ao ex-líder se deve ao fato que, em 23 de dezembro de 2003, seu assessor parlamentar, José Nilson dos Santos, foi até uma agência do Banco Rural, em São Paulo, e sacou R$ 20 mil para comprar material de campanha para três pré-candidatos do partido à Câmara Municipal. Ele alegou, entretanto, que Santos é um militante histórico do partido e pediu a verba diretamente ao tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, com quem mantinha relações de amizade. “Não há indícios de que o Professor Luisinho tivesse conhecimento do saque”.

O advogado ironizou o fato da defesa ter “errado”até mesmo a data e local do saque: disse que ocorreu em 17 de setembro de 2003, na agência do Banco Rural do Brasília Shopping, na capital federal. E acusou o MPF de “deselegância” por sugerir que seu cliente tenha sido escolhido líder do governo não por sua trajetória política, mas por participar do suposto “esquema”. “Ser líder do governo não é indício de prática de crie. Aliás, ser líder do governo o poupou da denúncia de vender votos”.

Ex-ministro também alega caixa dois
Último a subir no plenário, o advogado Roberto Pagliuso defendeu o hoje prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto (PL) das acusações de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Tal como os colegas que o antecederam, Pagliuso admitiu que Adauto recebeu dinheiro do PT para saldar dívidas de campanha. E negou que seu cliente tivesse conhecimento da origem ilícita dos recursos.

Na denúncia do MPF, o ex-ministro é acusado de recebe propina de Marcos Valério, por meio de assessores, e intermediar repasses de recursos para o PTB. O advogado rebateu, em tempo recorde, que o ex-ministro dos Transportes (2003-2004) não transitava entre as cúpulas dos partidos da base aliada, em especial PT e PTB. Portanto, não poderia ter corrompido os deputados Roberto Jefferson e Romeu Queiroz, como é acusado.


 

 

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 707

 

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Imprensa em Questão
ENTREVISTA / ORIVALDO PERIN
Longa vida ao papel

Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 14/08/2012 na edição 707 - No Observatório da Imprensa

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A nova cara que o jornal O Globo apresentou no fim de julho simboliza uma clara aposta da empresa na sobrevivência do jornal impresso, contrariando antigos prognósticos sobre a inevitabilidade da migração para o mundo virtual (ver, neste Observatório, “Além das aparências”). Nesta entrevista, o editor executivo do jornal, Orivaldo Perin, apresenta argumentos para justificar sua afirmação de que “a vaca leiteira das empresas de comunicação ainda é o impresso”, embora reconheça que a era inaugurada pela internet é marcada pela incerteza. Diferentemente da propaganda em torno da reforma gráfica, diz que os jornais não têm de se reinventar: devem continuar a fazer o que fazem, porque organizam, hierarquizam e consolidam a informação já veiculada, tendo em vista que a natureza da internet é a dispersão.


Perin fala também sobre a integração da redação, que formalmente aboliu as fronteiras entre o “pessoal do impresso” e o “pessoal do online”, sobre as dificuldades desse processo que leva ao convívio entre “nativos do papel” e “nativos digitais” e sobre o desenvolvimento da tecnologia adquirida pela empresa, que no futuro permitirá a produção automática de várias versões para um mesmo texto redigido pelo repórter.


Sua entrevista:


Eu queria que você começasse falando sobre as diferenças do trabalho em redação e das perspectivas do jornal antes e depois da internet.


Orivaldo Perin– Antes da internet, projetar um jornal de papel era simples: você fazia um estudo de mercado, via o público que queria atingir, o mercado de anunciantes era fácil prospectar, era fácil fazer um projeto de jornal impresso e calcular o tamanho do lucro dele, o ano em que ele começaria a dar retorno... você tinha certezas. A internet foi aos poucos embaralhando isso aí. Hoje é impossível você sentar, chamar um grupo de técnicos, analistas, e dizer, “olha, isso aqui vai dar certo daqui a tantos anos”, porque a internet jogou um névoa, você não consegue ver através dela. Então, em relação ao mercado editorial, nos anos 70, 80, você tinha certezas absolutas em relação ao jornal. Nos anos 90, quando a internet começou pra valer, havia uma desconfiança em relação a ela: vai dar certo, não vai... E no início deste século a internet começou a se consolidar – lá fora também. Nesse período de transição havia uma crença de que o jornal de papel iria acabar. E a gente achava que estava com os dias contados, quer dizer, ou você se moderniza e se digitaliza, ou você vai acabar.


E agora?


O.P. – O tempo passou e a gente viu que não. O que aconteceu depois do ano 2000? É claríssimo esse movimento. A indústria de informação, que são os grandes jornais impressos, eles viraram os donos do mercado de informação na internet. A internet por natureza é uma coisa pouco confiável...


Como assim, em que sentido?


O.P. – Qualquer coisa você põe lá. A Wikipédia mesmo, você chega lá, enfim... a marca do papel é o que passa credibilidade e passou a ser fundamental também na internet. Quem quer se informar na internet busca credibilidade também. A marca do papel se transportou pra internet e hoje os grandes sites de informação têm a tradição de uma marca de papel por trás. Hoje os jornais não têm mais medo da internet, como já tiveram há dez anos. Porque a internet carece de credibilidade. Mas agora você precisa saber como ganhar dinheiro ali. Por enquanto nenhuma empresa jornalística que transfere sua credibilidade para a internet está ganhando dinheiro com ela. O New York Times é o exemplo mais bem sucedido, os últimos números que eu vi mostravam que as assinaturas digitais correspondiam a 15%. Aqui o resultado que nós temos, no ano passado, é de 4%. E com os outros jornais é mais ou menos a mesma coisa. No Brasil a vaca leiteira das empresas de comunicação ainda é o impresso. E a impressão que a gente tem é que isso ainda vai durar alguns anos. Se esse jogo vai virar lá na frente também não dá para você fazer prognóstico nenhum hoje. Mas a indústria produtora de máquinas impressoras, rotativas, está em expansão, se modernizando e se adaptando às novas necessidades do leitor do impresso.


Isso contradiz toda essa onda do fim do papel, e-book substituindo livro...


O.P. – Contradiz uma coisa que foi dita lá atrás. Eu acho que hoje o jogo está equilibradíssimo, inclusive está favorável ao papel. Não é só a gente que está se redesenhando, os grandes jornais no Brasil já se redesenharam, a gente até foi o último a fazer isso. E os jornais impressos, quando se redesenham, estão procurando sua semelhança com a sua presença na internet. Você vê lá o nosso site, a gente centralizou o logotipo e tal... A Folha está muito parecida com o que ela é no papel, o New York Times é a cara do impresso.


Então o movimento é o contrário, é dar uma cara de impresso à internet.


O.P. – Exatamente. O visual do jornal está no site e vice-versa, que é para o leitor se identificar ali. Quando um jornal de qualidade passa para a internet, ele também precisa ter audiência para poder, em tese, ter retorno publicitário. Como é que faz isso? O jornal de qualidade em tese é classe A, B, um cara mais intelectualizado, de nível superior. Na internet não, é um leque muito mais amplo, e na internet as notícias mais lidas são as do mundo cão, mais populares, mais televisão, celebridades. No nosso caso o que puxa mais audiência é uma coluna de televisão, a outra é um blog de bizarrices, “Page not found”. Aí você, num jornal de qualidade, entra num conflito: o que eu faço, desço o meu nível para ganhar audiência? Jamais O Globo vai fazer um negócio desses. O site do Extra tem mais audiência que o nosso, o perfil dele, a natureza já é semelhante à do leitor de celebridade, televisão. Esse é que é o conflito hoje. O leitor de internet não é o mesmo que o do papel. Não é o perfil socioeconômico.


Quanto tempo em média as pessoas ficam no site do Globo?


O.P. – Nosso tempo de permanência é baixo. É o perfil do leitor de internet, esse cara que é um beija-flor, não é um cara que está lendo filosofia, política, não é isso.


Isso não contradiz a aposta na matéria longa na internet?


O.P. – Pois é, essa é uma pergunta que tem aí: jornal de papel versus internet. É a pergunta que vale um milhão, quem responder fica rico. Essa geração que hoje está entrando na internet está aprendendo a se informar de um jeito diferente do tempo em que só tinha papel. No nosso tempo você lembra como era: quando você entrava para a PEA – população economicamente ativa – você começava a ler jornal. Hoje o cara tem mil canais para se informar, sem contar essa mídia social, que essa aí então é migalha de informação e ele já se satisfaz. Ele tem o grupo dele no Facebook e acha que sabe tudo. Então, o que é que o jornal tem de fazer? Ele tem de se reinventar?


Não tem?


O.P. – É pessoal isso: eu acho que jornais impressos não têm de se reinventar. Porque os jornais de qualidade são os curadores da notícia da internet. A notícia que bomba na internet é a que O Globo está dando, a Folha está dando, o Estadão está dando. Eu administro o meu conteúdo, eu posso escolher o que vou botar na internet e o que vou valorizar no papel, e as redações estão aprendendo isso. Porque é uma dificuldade, a maioria ainda vem do papel, os horários que as redações praticam são os horários do papel, o cara chega depois do meio-dia e a redação aumenta até o final do dia. Internet bomba de manhã. A audiência da internet é altíssima das sete às dez. E as redações não deram essa virada.


Mas a questão é que quando você tem uma informação que começa a ser disseminada, aquilo já vai estar velho para o papel, você teria de ter outra informação, ou outra abordagem, um aprofundamento...


O.P. – Nesse caso do mensalão, por exemplo, a internet está mostrando o dia inteiro, e o jornal tem de sair diferente, tem de consolidar aquilo. O cara que ficou o dia inteiro na internet tem de comprar o jornal no dia seguinte para arrumar a cabeça dele. Cada um dá uma interpretação diferente dessa cobertura. O site desordena a leitura, você pode clicar num link e não volta mais para a matéria que estava lendo. Se o cara quer arrumar a cabeça dele ele tem de comprar o papel, que é quem ordena e hierarquiza a informação.


O jornal não tem de se reinventar, então?


O.P. – Ele não tem que mexer na estrutura dele.


Tem de continuar fazendo o que faz?


O.P. – É. Hoje você tem rádio, televisão, impresso, internet. Na internet você tem o iPad, o Twitter, o Facebook, vai ter mais alguma coisa mais adiante, enfim, todas essas são plataformas a mais para aquele que a gente não chama nem de leitor, chama de consumidor de informação. Hoje, ele pode escolher. Então ele pode escolher a internet sabendo que no dia seguinte vai ter na casa dele um jornal que consolida tudo aquilo ali.


Mas se o jornal reproduz na internet sua edição digital, ainda assim se justificaria o papel? Há um ano nós conversamos sobre isso e você falava no alto custo industrial do impresso.


O.P. – Pois é, o custo industrial do jornal corresponde a 70% das despesas totais dele. Lá atrás chegou-se a achar que seria uma beleza acabar com o papel, reduzir o custo para poder investir em massa cinzenta, em pessoas. Apaga isso também: as pessoas gostam de folhear o jornal, é meio lúdico também. Tem gente que guarda, coleciona, deixa a semana inteira... não tem tempo pra ler, mas está ali. No momento, essa tendência está zerada.


Você acha que essa reforma gráfica do Globoera realmente necessária?


O.P. – O jornal está mais bonito. Estava há 17 anos com a mesma cara.


Eu achei que ficou muito parecido com o Estadão...


O.P. – Hoje, com a internet, todos os jornais se parecem.


E essa novidade da “foto viva”? Qual é a ideia?


O.P. – Isso é uma experiência que nós estamos fazendo. Antigamente se dizia: que pena que o jornal não é em cores. Aí passou a ter cor. Que pena que o jornal não tem vídeo. Agora tem, na internet. Que pena que a foto do jornal é estática. Não é mais...


Mas foto é estática por definição. Foto é foto...


O.P. – Você imagina o seguinte, tem um assalto, você consegue lá um vídeo. Bota o vídeo aqui... eu posso botar a foto e o cara vê o vídeo no jornal.


Sim, mas por que ele não faria isso na internet?


O.P. – Mas é meio lúdico, sei lá... o esforço que as empresas de comunicação têm de fazer para acompanhar a tecnologia é muito grande. Você não sabe se vai dar lucro, mas você tem que estar lá. Ainda é ínfimo o percentual de população que tem acesso a essa tecnologia. Lá fora também. iPhone, smartphone aqui ainda é um percentual mínimo, mas lá na frente... Eu tenho uma outra convicção que é a seguinte: o tamanho da internet é esse que está aí. A população mundial que tinha de chegar nela já chegou. O crescimento é vegetativo. No Brasil eu acho que quem tinha de estar na internet já está.


Você acha que não aumenta mais? Com o crescimento da classe C?


O.P. – Mas vai ver celebridade, mundo cão... No que diz respeito a nós, ao nosso universo [de jornais de referência], a internet está no tamanho que tinha de ter. As audiências de sites estão estabilizadas há um ano.


Sobre o funcionamento da redação: agora tem efetivamente uma equipe só para impresso e online?


O.P. – Aqui tem uma equipe só. Começamos em 2007. As duas equipes estavam em prédios separados, o onlineera lá no outro prédio e a redação, aqui. Aí eu fiquei um ano tentando fazer a integração virtual. Em tese é mole, por computador você integra até o Japão... Mas não dá certo. Depois de um ano vimos que tem de botar os dois profissionais para conviverem, senão eles não vão se falar e não tem jeito. Aí fizemos toda uma arquitetura aqui e encaixamos. Não tinha iPad [o “Globo a Mais”, exclusivo para esse suporte], [editoria de] mídia social, e tinha de arrumar lugar para esses caras.


Essa integração física é de 2009, não é?


O.P. – É, vamos fechar o terceiro ano morando junto. Até pouco tempo atrás ainda se falava na turma do site e na turma do jornal, hoje já não se fala mais. Não vou dizer que é já uma coisa consolidada – não é. Essa mágica não deu certo ainda em jornal nenhum do mundo. Nós estamos num período de transição. Isso é opinião apenas pessoal mesmo. Hoje dá para dizer que metade da redação é nativa da internet e a outra metade é nativa do papel. Vai chegar um dia em que a redação será formada apenas por nativos digitais. Aí é que você poderá ter uma noção exata do cara que vai fazer papel, internet, e vice-versa. Hoje o que a gente chama de integração é difícil, primeiro por causa da ferramenta. Hoje você ainda não tem um sistema de computador, de produção eficiente...


...esse que vocês compraram agora...


O.P. –...ainda está sendo desenvolvido – a gente quando comprou sabia disso, que estava sendo desenvolvido. É o News Gate, o mais difundido nos jornais por aí, mas ainda não chegou a uma versão final, uma versão que realmente permita a esse repórter escrever e aquilo ficar disponível em todas as plataformas. Essas ferramentas ainda estão em desenvolvimento. Isso vai facilitar a integração, mas ainda não funciona plenamente, a eficiência ainda não é satisfatória. Quando se tiver essa ferramenta, isso vai deixar de ser problema, o cara sai para fazer uma matéria para O Globo e o editor é que vai ver o que faz com ela, se dá primeiro no Twitter ou guarda.


Mas quem mexe nesse texto é o próprio repórter ou... digo mexer no texto para adaptar à linguagem, porque há uma diferença entre produzir pra internet e para o papel.


O.P. – Essa ferramenta que nós compramos vai ter uma versão lá na frente em que ela vai fazer isso automaticamente: o tamanho para Twitter é esse, para Facebook é outro, e aí o editor é que define. Ainda não existe essa versatilidade, mas daqui a um ano essa ferramenta vai estar fazendo isso tudo. Aí você ainda terá aqueles dinossauros nativos do papel... dá para dizer hoje que na redação do Globo todos os nativos do papel já estão embarcados no digital. Embarcados culturalmente. Os hábitos é que ainda não, que a gente, como todos os jornais do país, ainda trabalha no horário do papel, como falei há pouco.


Mas são as mesmas atribuições? Quer dizer, o cara que era do online produz como o cara do papel e vice-versa?


O.P. – Mesma coisa. E isso é lento mesmo, você pega um cara que cresceu no papel, ele devagarinho vai percebendo e às vezes faz belas coisas para o site, faz vídeos; é o tempo de cada um. De repente chega repórter aqui que diz: eu quero fazer só vídeo. Então tá bom, vai fazer só vídeo. Mas teu vídeo não dá uma matéria? Então tenta fazer uma materinha para o papel.


O repórter pode chegar e dizer que só quer fazer vídeo?


O.P. – Já tivemos casos assim. São repórteres de vídeo. É incrível isso, né?


Mas como assim? Você tem repórter e fotógrafo...


O.P. – Mas o site tem vídeo.


Eu sei que tem vídeo, mas a partir da produção de alguma matéria...


O.P. – Você não tem ainda esse cara que faz um puta texto, uma puta matéria para o site, um puta vídeo, uma puta foto. Não tem esse cara ainda...


Não sei se vai ter um dia, não é? Você acha que vai ter?


O.P. – Pode ser. Os melhores vídeos nossos são feitos por fotógrafos. Fotógrafos que aprenderam a fazer vídeo. E tem repórter que faz texto e faz vídeo de forma bem aceitável. Saem com celular, têm até câmera se quiserem.


Mas você, que tem essa experiência toda de repórter, não é diferente você chegar e apurar uma matéria, às vezes mais complicada, que exija mais tempo, e ao mesmo tempo ter essa responsabilidade de filmar? Isso não é dispersivo?


O.P. – É uma cabeça diferente. Eu não seria capaz de fazer isso, mas lá no futuro... Quando você começou, quando eu comecei, tinha que fazer uma matéria em três vias, uma para o rádio, outra para a agência e outra para o jornal. E eu não tinha que pensar nisso, eu só tinha que botar o papel carbono [nas laudas para a máquina de escrever]. Hoje o cara que mergulha nisso tem de pensar nessa parafernália tecnológica toda, e quanto mais ele se entregar a isso mais sucesso ele vai fazer.


Mas isso não vai prejudicar uma densidade maior?


O.P. – Não sei, não sei, não sei... não dá para dizer, vai depender do talento, da capacidade do cara. Você não tem nenhum modelo ainda. O repórter que manda bem em todas as áreas... o chefe dele ainda é do papel. A gente tem de ter paciência com a transição, é devagar, não dá para ter certeza nenhuma hoje. Eu tenho uma certeza hoje – hoje, daqui a um ano não sei: jornal de papel não morre mais.


Nunca mais?


O.P. – Nunca mais não sei...


Nunca mais não é uma expressão que se diga...


O.P. – Pois é. Não morre tão cedo. Se morrer, eu não vou estar aqui para ver, entendeu?


***


[Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)]


 

 

 


 


Pepe Escobar: “Os israelenses letais e o turco louco”
 

 

 

14/8/2012, Pepe EscobarAsia Times Online – The Roving Eye
The deadly Israeli and the mad Turk
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Pepe Escobar
Os doidos assumiram – ou pensam que assumiram – o comando do hospício.
 
Como Asia Times Online já noticiou (7/8/2012: Pepe Escobar: “Ardo em febre!” E a única receita é bombardear o Irã?!), Telavive pode estar a um palmo de converter a guerra econômica já declarada contra o Irã, em guerra quente.
 

Bibi Netanyahu
Considerem essa loucura: [1]. O duo Bibi-Barak de fazedores de guerras (Primeiro-Ministro Bibi Netanyahu e o Ministro da Defesa Ehud Barak) pode estar bem próximo de decidir por um ataque ao Irã – contra o conselho dos principais especialistas da defesa e da inteligência israelenses.
 
Barak pode até já ter acesso a inteligência secreta dos EUA. Disse que “é provável que realmente haja relatório da inteligência dos EUA – não sei se é uma NIE [National Intelligence Estimate] – circulando pelos principais gabinetes [em Washington]”.
 
“É provável”? “Realmente”? “Não sei”? E essa floresta de hipóteses seria justificativa para guerra?
 

Ehud Barak
Então, Barak acrescentou: “Tanto quanto sabemos, isso põe a avaliação dos americanos muito mais perto da nossa”.
 
Não, senhor, nada disso. A resposta, de um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca foi: a avaliação, pela inteligência dos EUA, continua inalterada. Em outras palavras: o Irã não mantém programa de armas nucleares.
 
E se alguma confirmação extra fosse necessária, Washington parece ter quadro bem claro dos progressos nucleares do Irã. [2]
 
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney: “Nós saberíamos se e quando o Irã fizesse o que se chama um movimento claro para comprar uma arma”.
 
Para o letal Bibi, isso, obviamente, não basta. Não importa que – tecnicamente e logisticamente – Israel simplesmente não tenha sequer o mínimo indispensável para mover ataque bem-sucedido contra instalações nucleares iranianas.
 
Examinem esses concisos infográficos [3]. Para começar, Israel não tem bombas de penetração de última geração modelo MOP GBU-57A para conseguir atingir instalações subterrâneas profundas do Irã. Não tem os bombardeiros B-2 stealth da Northrop Grumman para descarregar as tais bombas. E não tem transportadores aéreos Lockheed Martin KC-130 em número suficiente (Israel só tem 5; os EUA têm 80) para reabastecer os F-15s e F-16s de ataque.
 
Não há qualquer sinal de que o governo Obama considere autorizar o Pentágono a fornecer os itens acima à dupla Bibi-Barak, pelo menos por enquanto.
 

Yevgeny Primakov
É hora de injetar alguma sanidade nessa loucura – cortesia do bom velho Guerreiro da Guerra Fria, Yevgeny Primakov, ex Supremo da KGB e Ministro de Relações Exteriores da Rússia. Na narrativa de Primakov, a coisa é simples: OK, ataquem o Irã. Inevitavelmente, em seguida, o Irã fabricará sua bomba atômica. [4]
 
Enquanto isso, em Ankara...
 
Estará a Turquia adentrando o nono círculo (curdo) do inferno?
 

Hillary Clinton
A secretária Hillary Clinton dos EUA esteve na Turquia recentemente, em viagem muito do tipo “Viemos, vimos, ele morreu”, à moda líbia; como se voltasse ao palco em seu personagem de Anjo da Morte, comandando o iminente passamento de Bashar al-Assad da Síria.
 
Muita calma nessa hora. O mesmo vale para a decisão Shakespeareana – “invadir” ou “não invadir” o Curdistão Ocidental/sírio? – do Primeiro Ministro turco Recep Tayyip  Erdogan, que influencia o Departamento de Estado.
 

Bashar al-Assad 
Fato é que o partido AKP ainda não pediu autorização ao parlamento turco para invadir o Curdistão sírio. Mas, sim, invadirão o Curdistão sírio – apesar de grande número de generais turcos estarem no xilindró, acusados de planejar um golpe. Três brigadas turcas, tanques e artilharia já estão a apenas dois quilômetros da fronteira síria.
 
Ankara já invadiu o Curdistão iraquiano dúzias de vezes, caçando guerrilheiros do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). O enredo adensa-se, porque, ao mesmo tempo, Ankara mantém relações muito próximas, diplomáticas e comerciais com o Governo Regional do Curdistão (KRG); de fato, Ankara está hoje em rota de colisão contra o governo de Nuri al-Maliki em Bagdá – depois que começou a importar petróleo diretamente dos curdos, marginalizando o governo central iraquiano.
 

Ahmet Davutoglu
Ahmet Davutoglu, ministro de Relações Exteriores da Turquia foi pessoalmente a Kirkuk e Irbil, para fechar o negócio com Massoud Barzani, presidente do Governo Regional do Curdistão (KRG).
 
Em termos de Oleogasodutostão, é o seguinte: o Grande Petróleo Ocidental está enlouquecidamente em cólicas para conseguir o máximo de energia que possa humanamente arrancar do Curdistão iraquiano (e do Azerbaijão) – o que significa marginalizar, no processo, Irã e Rússia.
 
Uma “invasão” turca ao Curdistão sírio nem seria problema muito grave em termos das relações entre Turquia e aquelas exemplares “democracias”  reunidas no Conselho de Cooperação do Golfo. Afinal, o Qatar e a Casa de Saud já estão trabalhando com a Turquia para construir a total desestabilização da Síria. 
 
Mas o regime de Assad interpretará o movimento como guerra contra a Síria, não contra, só, o Curdistão sírio. Afinal de contas, a Turquia hospeda e alimenta não só o Conselho Nacional Sírio como, também hospeda e alimenta milhares de gangues que compõem o Exército Sírio Livre Que De Livre Pouco Tem, incluídos os jihadis salafistas. A Turquia é a base logística desse pessoal todo.
 
E o que acontecerá se começarem a chegar navios e mais navios carregados de cadáveres em sacos plásticos, de volta a Ankara e Istambul?
 

Recep Endorgan
Pode estar chegando ao fim a encenação de poder de Erdogan, O Turco Louco. O exército turco, a burguesia comercial, a burocracia secular, todos dão sinais de, cada dia mais, estarem já fartos dos sonhos napoleônicos de Erdogan; de a Turquia garantir apoio ao ESL, que pulula de jihadis; de a Turquia contrabandear armas para dentro da Síria, aliada ao Qatar e aos sauditas; de a Turquia estar posicionando baterias antiaéreas e até mísseis na fronteira síria; de a Turquia ter-se posto a ameaçar que invadirá o Curdistão sírio. Não dá. Demais é demais.
 
Mas, também aí, talvez não seja demais. O sonho desejante de Ankara, de um grande cenário – em roupagens neo-otomanas – certamente incluiria algum tipo de anexação econômica do norte do Iraque e nordeste da Síria; as duas áreas são ricas em energia – e a Turquia carece desesperadamente daquela energia. O problema é que essas duas regiões são habitadas quase exclusivamente por curdos.
 
Até os curdos iranianos já começam a movimentar-se. [5] O que acontece quando 17 milhões de curdos turcos também decidem entrar em ação? Erdogan pode estar a caminho de encarar o pesadelo dos pesadelos da Turquia: o surgimento do Grande Curdistão.
 

Rick Rozoff 
A Turquia tem fronteiras com o Iraque, a Síria e o Irã. Os curdos começam a sentir a deriva histórica. Rick Rozoff, em Global Research [6] argumenta, com razão, que “a Turquia dá à OTAN – e, via OTAN, também ao Pentágono – acesso direto àquelas três nações”. Mas isso pode ir muito além de “uma nova redivisão do Levante, modelada depois do Acordo Anglo-francês Sykes-Picot de 1916”. 
 
Uma Turquia neo-otomana, a OTAN e o Pentágono podem estar na mesma página, pelo menos por enquanto. Mas uma balcanização do Levante só favorecerá a emergência do Grande Curdistão. Pode servir aos interesses estratégicos de Washington. Mas quando Erdogan acordar para a nova realidade – para a qual suas próprias políticas podem ter contribuído – talvez já seja tarde demais.
___________________
 
Notas de rodapé:
 
[1]. 13/8/2012, Decision by Netanyahu, Barak to strike Iran is almost final - Israel TV,Times of Israel,
 
[2]. 13/8/2012, “We would know if Iran had made ‘a breakout’ to the bomb, White House saysTimes of Israel,
[3]. 13/8/2012, Likely Scenarios for Israeli Attack Against IranRIA NOVOSTI
 
[4]. 8/8/2012, Iran to Make own WMD if Israel Delivers Airstrike – expertRIA NOVOSTI,
 
[5]. 12/8/2012, “Kurds’ have the right to demand federal areas: Kurdish Iranian MPAl Arabiya News,
[6]. 8/8/2012, “Turkey: NATO’s Neo-Ottoman Spearhead in the Middle EastGlobal Research.  
 

 
Postado por Castor Filho
 
 

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012 - No Democracia e Política


RECUPERAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL DO EXÉRCITO
 



Blindado Guarani

 
RECUPERAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL CUSTARÁ R$ 11 BILHÕES ATÉ 2022. EXÉRCITO TEM 7 GRANDES PROJETOS PARA SUPERAR ATUAL QUADRO DE DEFASAGEM.
 
Por Tahiane Stochero
 
 
"Diante do atual quadro de defasagem, o Exército brasileiro criou plano para total recuperação e modernização de equipamentos e tecnologias em 10 anos, ao custo de R$ 11 bilhões. "O ano de 2022 é considerado um marco temporal para nós. Pretendemos que o processo de recuperação termine até lá", afirma o general Walmir Almada Schneider Filho, que coordena os estudos no alto comando da Força, em Brasília.
 
O portal G1 publica, ao longo da semana, uma série de reportagens sobre a situação do Exército brasileiro quatro anos após o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa (END), decreto assinado pelo ex-presidente Lula que prevê o reequipamento das Forças Armadas. Foram ouvidos oficiais e praças das mais diversas patentes - da ativa e da reserva -, além de historiadores, professores e especialistas em segurança e defesa. O balanço mostra o que está previsto e o que já foi feito em relação a fronteiras, defesa cibernética, artilharia antiaérea, proteção da Amazônia, defesa de estruturas estratégicas, ações de segurança pública, desenvolvimento de mísseis, atuação em missões de paz, ações antiterrorismo, entre outros pontos considerados fundamentais pelos militares. 
 
"E eu não tenho dúvidas que o soldado de 2022 tem que estar muito mais capacitado e estudado para operar toda essa rede de equipamentos e tecnologia avançada que teremos”, projeta o general. Para ele, o Exército está atualmente em um "processo de transformação”.

Para atender aos principais pontos de preocupação elencados pela Estratégia Nacional de Defesa, publicado em 2008, os militares criaram sete grandes projetos: o sistema de monitoramento das fronteiras, a proteção de estruturas estratégicas, a defesa cibernética, a recuperação da capacidade operacional, a defesa antiaérea, o sistema de lançamento de foguetes e mísseis e a substituição dos antigos blindados pelo novo - o Guarani.
 
Nos países desenvolvidos, são os princípios e a doutrina que ditam a arma e a tecnologia que o combatente precisa. Aqui, teremos um processo inverso. Nessa primeira fase, vamos fazer a modernização, para recuperarmos a capacidade de operar. Esses novos equipamentos irão fazer com que mudemos nosso modo de ação, nossa visão de emprego. Vamos testar novos conceitos, novas capacidades. E isso nos obrigará a rever nossa doutrina”, afirma Schneider Filho.
 
Outra ideia do Exército é trocar por militares temporários, até 2030, pelo menos 20 mil oficiais e praças que estão no serviço administrativo. Os novos contratados passarão a realizar tarefas de contabilidade, recursos humanos, administração, jornalismo, entre outros. A contratação de trabalhadores temporários tem como objetivo não impactar os custos do balanço previdenciário da Força. Um projeto piloto já está em execução no Rio de Janeiro.

Para ganharmos pessoal, vamos primeiro racionalizar dentro do próprio Exército. Tirar homens e mulheres do administrativo e trazer para o combate”, diz o general.

Outra intenção é criar uma "força expedicionária": tropas preparadas permanentemente para atuar em calamidades e emergências humanitárias pelo mundo. "Há uma demanda crescente de militares que estejam prontos para essas situações, que são imprevisíveis", afirma Schneider Filho.
 
"O que pretendemos é ter tropas adestradas, que ficariam teoricamente hipotecadas. Havendo qualquer problema em qualquer cenário pelo mundo, como terremotos, furacões, incidentes internacionais, temos condições de mandar [ajuda]", diz o general.
 
Veja abaixo os principais pontos da Estratégia Nacional de Defesa (END) que estão sendo desenvolvidos pelo Exército:
 
1- RECUPERAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL

Propõe que seja comprado um novo fuzil funcional, o IA2, produzido pela empresa brasileira Imbel, que está sendo testado por unidades nas fronteiras. Prevê a modernização de helicópteros e de blindados já existentes, além da aquisição de embarcações, munições, armamentos e equipamentos. Barcos blindados já estão sendo comprados da Colômbia para patrulhar a Amazônia.
 
2- DEFESA CIBERNÉTICA

É competência do Exército desenvolver a proteção cibernética no país, ampliando a capacidade de preservar estruturas estratégicas - como aeroportos e usinas - de ataques. O Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), criado em Brasília há dois anos, receberá em 2012 mais de R$ 120 milhões em recursos.
 
Durante a Rio+20, realizada em junho, o CDCiber não conseguiu impedir as invasões e a queda de sites do governo. Conforme o Livro Branco, texto que descreve os objetivos da defesa brasileira, o CDCiber ainda precisa de sede definitiva, equipamentos e pessoal capacitado, além de adquirir tecnologias e softwares para a defesa cibernética.
 
3- PROTEGER

O plano para proteção de infraestruturas estratégicas de serviços, comunicações, transportes e economia deve ser concluído em 2013. Segundo o Exército, 90% das estruturas estratégicas do país estão em terra, sendo responsáveis por 96% do PIB brasileiro. Militares do Paraná receberão novos equipamentos para proteger a Usina de Itaipu. Também serão levadas para a região da usina as primeiras unidades do novo blindado - o Guarani.
 
4- SISFRON

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras pretende monitorar e vigiar as divisas do país em tempo real, além de garantir resposta rápida para qualquer risco. Está atualmente em fase de licitação para a instalação de um projeto piloto, em Mato Grosso do Sul, que será baseado na 4ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Dourados. O custo total estimado do projeto é de R$ 12 bilhões até 2030.

5- AMAZÔNIA

Possui hoje 21 unidades de atuação nas fronteiras do país. A intenção é que outros 28 pelotões sejam construídos até 2030 e que as bases já existentes tenham melhorias em infraestrutura, saneamento e rede de energia, para que os militares possam morar com os familiares. Até o fim de 2012, chegam a Manaus oito novos helicópteros.
 
6- DEFESA ANTIAÉREA

Projeto que pretende atualizar o sistema de artilharia está em fase de definição de tecnologia para divulgação às empresas interessadas em participar da licitação. As unidades deverão ser equipadas com modernos meios, sensores e mísseis. O custo deve ficar entre R$ 859,4 milhões e R$ 2 bilhões.
 
7- SISTEMA DE FOGUETES ASTROS II

Busca que o Exército tenha apoio de fogo de elevada capacidade, através do desenvolvimento de um míssil com alcance de até 300 km. Está em fase de acerto de contrato com a Avibras Indústria Aeroespacial e tem prazo médio de cinco anos para entrar em operação.

8- GUARANI

Plano quer dotar o Exército de uma nova família de blindados, o Guarani, com mais tecnologia e resistência. A previsão é de que, em 20 anos, sejam comprados 2.040 blindados. O primeiro deles foi entregue em junho.
 
9- TERRORISMO

O Exército possui um único destacamento, localizado em Goiânia, treinado para ações contra o terrorismo. A quantidade de equipamentos para detecção e contenção de armas químicas, nucleares, radiológicas e explosivos também é limitada. Segundo o general Walmir Almada Schneider Filho, do Estado-Maior do Exército, estão sendo adquiridos novos materiais para unidades em Goiás e no Rio de Janeiro. "Estamos trabalhando para ter mais gente capacitada para esses casos. Temos de estar preparados para qualquer ameaça. Há uma gama enorme delas", diz.
 
10- MISSÕES DE PAZ

Um centro de preparação das tropas para missões de paz foi criado no Rio de Janeiro para treinamento conjunto com a Marinha e a Aeronáutica. O Exército possui, atualmente, militares em 11 operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo a maior delas no Haiti, onde estão 1.900 soldados. Cinco oficiais fazem parte da missão de observadores do cessar-fogo na Síria.
 
11- AÇÕES SUBSIDIÁRIAS

Os militares brasileiros têm atuado cada vez em ações civis, no apoio em enchentes, em calamidades públicas, no combate à dengue e à febre aftosa. Segundo o Exército, "a demanda dos órgãos da administração pública aumentou", em especial para logística - transporte, alojamento, segurança e comunicações - e para campanhas de vacinação e sanitárias. "O Exército tem a obrigação de executar essas atividades quando houver interesse nacional", disse, em nota, a Força.
 
Sobre o uso de engenharia militar para construção de aeroportos e estradas, o Exército afirma que não trabalha como "balizador de preços da construção civil" e que as ações servem para instrução e preparação dos soldados.
 
12- SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO

A Estratégia Nacional de Defesa prevê que o serviço militar obrigatório seja realmente "obrigatório" e que, devido ao grande número de jovens dispensados anualmente da prestação, deveria ser criada uma espécie de serviço civil obrigatório. Segundo o Exército, os projetos para mudança ainda estão em tramitação no Ministério da Defesa e não há conclusão sobre o tema.
 
13 - VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

As Forças Armadas apresentaram em março à Presidência proposta de reajuste do salário dos militares, que reclamam da defasagem. A última mudança no soldo-base do Exército foi estabelecida pela Lei nº 11.784, de 2008, e previa o reajuste até 1º de julho de 2010. O soldo do soldado recruta, por exemplo, é de R$ 492. Sargento recebe R$ 2.268, e segundo tenente ganha R$ 4.590. A remuneração mensal é formada, além do solto, por outros adicionais, como tempo de serviço, cursos, local de atuação e habilitações.”



FONTE: portal G1; transcrito no portal da FAB (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=13/08/2012&page=mostra_notimpol)