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Gaza, um campo de concentração

Por Marco Antonio L.

Gaza: “Guerra” é inadequado. Terrorismo de Estado soa melhor

Por Leonardo Sakamoto *

Desde o início da operação “Pilar Defensivo”, teriam sido mais de 90 palestinos mortos e 700 feridos na faixa de Gaza. Segundo a administração do território, 70% dos feridos e metade dos mortos eram civis. Pelo menos três civis israelenses tombaram no mesmo período, vítimas de mais de 80 foguetes que atingiram seu território dentre centenas lançados a partir de Gaza.

Por enquanto, dá 30 para 1, mas a tendência é aumentar. Número de mortes não deveriam ser comparadas, pois a dor não é algo mensurável. Mas isso serve para ranquear nossa ignorância e estupidez. Se fosse uma ação violenta da polícia carioca junto a favelas, mesmo as classes mais abastadas – muitas vezes lenientes com a morte dos mais pobres – já teriam chamado a situação de chacina ou massacre. Nesse caso, relutamos em falar em banho de sangue. O próprio recém-eleito Barack Obama saiu em defesa de seu aliado no Oriente Médio: “nenhum país do mundo toleraria una chuva de mísseis sobre seus cidadãos”. Refere-se a Israel, mas poderia se aplicar à Palestina se os Estados Unidos a reconhecessem como país.

Podemos chamar de guerra quando um dos lados é tão superior militarmente ao outro, fato que se traduz na contagem de corpos, como no caso dos ataques israelenses? Considerar normal uma taxa de 50% de “danos colaterais”, ou seja, de morte de civis em confronto? Por que não montamos um placar eletrônico de vez? Ou, melhor ainda, que tal uma tela de LCD gigante, diante da sede das ONU em Nova Iorque, mostrando – em tempo real – quantos anos o Exército israelense está roubando do futuro dos palestinos, tornando real a promessa de seu ministro do Interior, Eli Yishai, de que o país pretende “mandar Gaza de volta à Idade Média”?

Concordo quando dizem que não há crise humanitária em Gaza, aquela pequena faixa de terra entre Israel e o Egito ocupada por palestinos. Crise humanitária existia antes do bloqueio decretado por Israel devido à eleição do Hamas e ao lançamento de foguetes contra seu território anos atrás. Hoje, o que há é algo próximo ao que ficou conhecido como campo de concentração.

Em 2010, uma pequena frota de barcos com ativistas tentava amenizar, levando produtos de primeira necessidade, quando foi atacada pelas forças armadas israelenses, resultando em, ao menos, dez mortos e mais de 30 feridos. Ah, é claro, os barcos também levavam armas de destruição em massa, como estilingues e bastões, com os quais os pobres soldados, armados de simples metralhadoras, foram atacados ao abordá-los. As forças israelenses quase não resistiram às terríveis rajadas de bolas de gude, mais letais que as terríveis pedras lançadas manualmente por palestinos nos protestos em terra.

Presenciamos um massacre unilateral e não uma guerra – dezenas de civis, inclusive mulheres e crianças, morreram desde o início da última operação miliar contra Gaza. E tendo em vista a intensidade e a forma desse cerceamento, o que estamos presenciando soa mais como (mais uma etapa de) genocídio do que crise. Guerra é inadequado, terrorismo de Estado seria melhor.

Se de um lado, estúpidos extremistas palestinos não aceitam a existência de Israel, do outro estúpidos extremistas israelenses reivindicam Gaza e Cisjordânia como parte de seu território histórico. Para estes, árabes em geral são bem aceitos no seu território, desde que sirvam para mão de obra barata. A diferença entre esses dois grupos é que Israel tem poder de fogo para levar esse intento adiante, enquanto o outro lado não.

O certo é que o islamismo radical vai ficando mais forte do que antes. E o Hamas não é o verdadeiro problema nessa equação, há outros grupos mais radicais que não obedecem a sua autoridade. Mesmo que a maioria dos seus líderes morram, surgirão outros, lembrando que as condições de vida em Gaza são uma tragédia, com crianças revoltadas diante de tanta violência social e física, prontas para serem cooptadas por grupos fundamentalistas.

Os dois lados devem parar, mas é estúpido dizer que há um conflito com partes iguais e responsabilidades iguais. Israel acha que vai conseguir controlar os ataques contra seu território com mais porrada? Aliás, será que o governo considera que não foi ele mesmo quem, historicamente, criou essa situação? Portanto, caso queira seguir a política que adotou até agora, não é à Idade Média que Israel terá que mandar Gaza para se sentir segura e sim extirpar um povo do mapa. O tempo passa, os papeis se invertem.

Quais as chances de jovens que veem seus pais, irmãs, namoradas serem mortos hoje não tentarem vingar suas mortes amanhã?

Nenhuma.

* Jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Texto publicado originalmente no Blog do Sakamoto.

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Comentários

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Não tenho mais saco para responder a anti-semitas raivosos. A este em particular apenas sugiro que procure saber o que significa genocídio e campo de concentração.


E que morra logo, será um racista canalha a menos no mundo.

 

Incrível a falta de visão dos comentaristas desta coluna. Todo mundo mete a colher em assunto que não lhe diz respeito. Se é assim, porque ninguém mostra a mesma indignação com o Assad, que já matou MILHARES de seu próprio povo? Ou com os chineses que oprimem os Tibetanos?... Depois falam que os judeus é que são genocidas...

É muito fácil para os palestinos não serem bombardeados pelos israelenses. É só NÃO LANÇAR FOGUETES EM ISRAEL!! Simples assim.

É fácil falar, não é na sua cabeça que está chovendo foguete.

 

        A grande midia continua batendo na tecla de "conflito armado", o que esta acontecendo diante de nossos olhos em pleno sec XXI e o exterminio de um povo, palestinos acuados na ansia de se defenderem lancam foguetes que sem a menor direcao atingem zonas desabitadas (70%), mas sao contabilizados como "ataque".

        Quando vejo uma situacao como esta fico me perguntando porque Hitler escolheu os judeus para serem perseguidos, deve ter sido assim: um dia ele acordou e resolveu, vou matar judeus, e sua ideia foi aceita na Alemanha e em ouros paises que tambem fizeram campos de concentracao e ate no Brasi,l onde por tradicao nao existe preconceito, eles foram discriminados.

         Volto a afirmar, se nada for feito para conter essa matanca esse povo novamente caira na desgraca, voltara a ser um povo sem patria e escondido nas sombras de outras nacoes, nao e possivel que so existam judeus ruins e mercenarios, onde estao os bons que nao se manifestam.

 

  os troll s deste blog  , todos são sionistas , já repararam , estão permanentemente , destrindo familias , a cultura a economias  de todos os povos do mundo , SEU UNICO OBJETIVO É DESTRUIR , ESCRAVIZAR , DISTRAIR , PARA DOMINAR , .

 

Eu não tenho mais paciencia  com os  defensores de Israel.

Ontem  a rede  golpe  só  mostrou o lado  de Israel. Jornalismo fajuto, quinta categoria.

 

se não me engano, alguém que viveu naquelas terras outrora disse:

..."amai-vos uns aos outros, com eu vos amei"...

 

 

parece que sim, mas os judeus mataram ele!!!

 

A vida é curta demais para se beber cerveja barata!!

 Frede69

Por que Israel não é obrigado a desocupar os territórios palestinos que invadiu, conforme a ONU determina há décadas?

 

Olha aí a MER** que Hitler fez...

 

64 anos de assassinos, roubos das terras palestinas, destruição de casas e a alienação promovidas pelos sionistas e a mídia continua fazendo vítimas.

Hamas terrorista?  não, exército israelense é terrorista.

 

A demagogia da esquerda é insuperavel...rs</P>
<P>as baixas israelenses nao são iguais ou maiores que os palestinos , nao por falta de vontade ou empenho dos radicais do Hamas</P>
<P>Pois eles tentam ja tem quase 10 anos matar o maior numero possivel e imaginavel de civis israelenses</P>
<P>se nao conseguem isso se deve apenas e tao somente ao fato que as cidadses de Israel vivem em estado de alerta 24 hrs com bunkers e sistemas de patrulha e interceptaçao.</P>
<P>Do contrario e no que dependesse dos inocentes radicais do Hamas a populaçao civil israelense ja estaria toda exterminada</P>
<P>E como ja postou o colega de blog, se os palestinos fizessem isso com Israel a maior parte dos que aqui tentam se passar por humanistas para defender grupos como o Hamas estariam fazendo um silencio CRIMINOSO sobre isso.</P>
<P>Como fazem com o Setembro Negro realizado pela Jordania que foi e ainda é o MAIOR MASSACRE JA REALIZADO CONTRA PALESTINOS com o agravante de ser determinado pelo proprio governo jordaniano.</P>
<P>Mas esses tais so falam de SABRA E CHATILA</P>
<P>Isso ja deixa claro do que verdadeiramente se trata...</P>

 

leonidas

Se fosse assim amigo, ninguém teria ficado ao lado dos judeus durante a 2ª guerra mundial. Eu não era nascido mas sei que o mundo todo era contra o que foi feito contra os judeus. Do mesmo jeito que a grande maioria é contra o que israel faz com os palestinos. É tipico dos seres humanos, se preocupar com os outros, ainda mais quando esses outros são pessoas que não tem condições de se defender.

 

É , os meninos aprenderam tudo direitinho...

 

A diferença obvia, que Sakamoto ignora ou finge ignorar, é que enquanto Israel faz de tudo para proteger os seus civis (e isso custa caro ao pais), o Hamas usa os seus como escudos humanos. Enquanto cada civil israelense que tomba representa um problema pro governo israelense, que tem de se explicar junto à opinião publica, cada civil palestino morto vira um martir da causa. Dai que num caso, quanto mais mortos, pior; no outro, quanto mais mortos, melhor. Esta é a verdadeira contabilidade macabra do conflito, que tem uma dimensão propagandistica importante.

E não custa lembrar o quão interessante é o "raciossimio" que justifica a guerra assimétrica: tudo é permitido ao lado mais fraco (inclusive o terrorismo contra civis inocentes), enquanto o lado mais forte pode até guerrear, mas obedcendo regras estritas (so pode atacar alvos militares, não pode usar determinadas armas, etc).

 

A tese dos defensores dos terroristas do Hamas e quetais:

Se você estiver armado com uma pistola e for atacado por alguém com uma faca fique quieto e deixe o agressor agir. Caso reaja antes de ser furado é um covarde utilizando força desproporcional.

 

Está mais para um atacando com uma faca uma dezena de soldados armados até os dentes. E que disparam todos ao mesmo tempo, com ódio, e para matar o cara com a faca, ao invés de simplesmente desarmá-lo. Parece com um certo estado onde eu vivo.

No mais, o humanismo judaico parece estar morto e enterrado sob os escombros de cada operação israelense.

 

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This is not right. This is not even wrong!

(Wolfgang Pauli)

E se fosse o contrário israelenses no lugar dos palestinos?

O ocidente(esquerda) estaria apoiando os palestinos com certeza.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Bom, dado que os invasores da Palestina são os sionistas, que fizeram uma limpeza étnica para criar o Estado de Israel, como é demonstrado até mesmo por historiadores sionistas, como Benny Morris, se os palestinos tivessem aviões e tanques, ainda assim eu os estaria apoiando, como acho legítimo o que os vietnamitas fizeram com os franceses, o que os argelinos fizeram com os "pieds-noirs" e os soviéticos com os nazistas.


Eu não sou, seguramente, um pacifista. A justiça vem a partir do cano de uma arma. O problema dos palestinos não é falta de solidariedade ou apoio moral. É falta de armas para fazer frente a esse canalhas covardes.

 

Se fosse o contrário, com certeza estaríamos apoiando os Israelenses.

Não faça esses comentários levianos só para conseguir alguma panfletagem.

Quanto à metáfora da faca e da arma, acima, só posso dizer o quão rídicula é.

Comparar a reação de um maluco correndo com uma faca para cima de você, com você sentado confortavelmente em um gabinete só mandando disparar trocentas bombas é bem parecido com você escrevendo essas asneiras confortavelmente em sua cadeira sem ter o medo real de ser destruído (e isso é mais que morto, pois vou incluir o medo de perder quem você ama) por um foguete israelense.

Além do mais, também essa questão é leviandade. A questão real é o terrorismo de estado sistêmico de Israel. Só colhe o que planta.

 

Pois é, Henrique.

Dois exemplos estapafúrdios para justificar o massacre de Israel. Um citando ataque com faca reprimido a tiros e outro dizendo que a esquerda estaria dando vivas ao Hamas se fosse o contrário. É um absurdo resumir um drama tão complexo como este a simples atos ou apoios de partidários políticos.

Israel tem toda nossa solidariedade pelo que passaram nas mãos dos alemães. Mas, daí a fazer o mesmo com os palestinos... é uma completa inversão de valores.

É muito tirste o que ocorre em Gaza e os poderosos, que poderiam resolver este conflito agindo com mais rigor, nada fazem... (mas, não foi assim com os próprios israelenses na II GM?) 

 

Israel não passou nada nas mãos dos alemães. Israel não existia quando os nazistas (não os alemães, genericamente) planejaram e levaram a cabo o genocídio judaico.


Essa confusão é que legitima as políticas sionistas. Os sionistas, durante o domínio nazista, colaboraram com os nazistas, pois tinham objetivos comuns: os sionistas e os nazistas queriam retirar os judeus da Europa. Isto foi demonstrado pelo historiador judeu Lenni Brenner:


http://www.nodo50.org/ceprid/spip.php?article611


http://www.counterpunch.org/2002/12/23/51-documents/


http://www.marxistsfr.org/history/etol/document/mideast/agedict/ch05.htm


http://www.marxistsfr.org/history/etol/document/mideast/agedict/ch06.htm


http://www.marxistsfr.org/history/etol/document/mideast/agedict/ch12.htm