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Goias e o caso Leonardo Pareja

O episódio Carlinhos Cachoeira, envolvendo autoridades goianas, o ex-Secretario de Seguranca Demóstenes Torres, talvez ajude a deslindar um dos grandes mistérios do sistema penal estadual: o caso Leonardo Pareja.

Trata-se daquele rapaz preso no CEPAIGO, presídio goiano, que, aproveitando um dia de visitas no presídio, transformou vários visitantes em reféns, denunciando as condições em que viviam os prisioneiros.

A rebelião foi dominada. Tempos depois, Pareja se envolveu com a filha de uma alta autoridade do estado.

Foi morto. Há suspeitas de que sua execução foi decidida em salas influentes do estado.

Atualização às 09:52 de 05/03

Vocês fizeram um belíssimo trabalho de reconstituição da vida de Leonardo Pareja.

Mas a questão principal ainda não foi solucionada: quem planejou sua morte?

Há lendas que correm no interior do Tribunal de Justiça de Goiás sobre reuniões extra-oficiais que teriam ocorrido lá e que poderiam jogar luz no episódio. 

Que jornalista se habilita? A retribuição poderá ser um Prêmio Esso de Reportagem.

Pareja foi morto em dezembro de 1996.

Clique aqui para uma pequena note sobre o traficante que matou Pareja. Ele foi preso no dia 15 de maio de 2011.

Provavelmente a chave para esse mistério é Leonardo Dias Mendonça que esteve preso no CEPAIGO até pouco tempo atrás e foi transferido para um presídio de segurança máxima no sul do país. Leonardo Mendonça foi preso na Operação Diamante, da Polícia Federal.

Aliás, quem conseguir o relatório sobre a Operação Diamante, favor postar nos comentários.

Atualizado às 14:15 de 05/03

Belíssimas contribuições de vocês para o caso Pareja.

Do que levantaram até agora, constata-se:

  1. A Operação Diamante teve um alcance enorme, envolvendo inclusive o sistema antidrogas dos EUA.
  2. Leonardo Dias Mendonça tinha enorme influência sobre desembargadores e autoridades goianas.

Para aprofundar as investigações, vamos focar em algumas suspeitas específicas:

  1. Há informações de que a Operação Diamante deteve por uma noite alta autoridade do executivo goiano. Depois, a detenção teria sido abafada. Quem seria?
  2. Ainda não sabemos se a influência de Leonardo Dias se restringia aos desembargadores presos ou ia além. A informação é relevante até para reconstituir o histórico de cumplicidade do crime organizado com os poderes em Goiás.
  3. Há informações de que Pareja teria se envolvido com a sobrinha de uma alta autoridade em Goiânia. Pode ser que a fonte tenha confundido com a sobrinha de ACM. De qualquer modo, seria bom levantar as moças que caíram na lábia do nosso Don Juan dos presídios.
  4. Precisamos saber também se os dois traficantes que participaram da sua execução pertenciam ou não à quadrilha de Leonardo Dias.

Nosso quebra-cabeças ainda não está completo. Há alguns hipóteses a serem analisadas, em paralelo, para entender melhor a trama:

  1. Uma hipótese seria a de que Parejo foi executado foi ter se metido com moças que não devia.
  2. Há a possibilidade de ter se tornado uma testemunha extremamente perigosa, porque com acesso às informações do presídio e com acesso à mídia.


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+94 comentários

gostaria de saber sobre o marco aureli,primo de pareja,q fim o levou?


 

 

Aqui há um post sobre o assunto, isto no que diz respeito à falência do sistema penal em GO

A disputa pelos despojos da Operação Diamante
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-disputa-pelos-despojos-da-operacao-diamante

 

Só sei que o MP mandou ver, daí que a turma do Demóstenes Torres quer acabar com o poder de investigação do MP:Operação Caravelas: MPF/GO oferece denúncia — registrado em: 

Onze pessoas vão responder por tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha.

O Ministério Público Federal em Goiás ofereceu denúncia na 11ª Vara da Justiça Federal em Goiânia (Processo nº 2005.35.00.018057-7) contra os envolvidos na remessa de grandes quantidades de cocaína para a Europa, especialmente Portugal e Espanha, ocultadas em bucho bovino congelado. A organização criminosa foi desbaratada através de investigações da Polícia Federal na chamada “Operação Caravelas”.

A operação veio a público no último dia 15 de setembro, quando a Polícia Federal deu  cumprimento ao mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, ocasião em que foram encontrados, no Rio de Janeiro, 1.691 kg de cocaína, segunda maior apreensão deste tipo de entorpecente no Brasil, em todos os tempos.

O MPF denunciou Antônio dos Santos Damaso, Márcio Junqueira de Miranda, Rocine Galdino de Souza, Carlos Roberto da Rocha, Luiz Carlos da Rocha, Antônio Palinhos Jorge Pereira, Luis Manuel Neto Chagas, Manoel Horácio Kleiman, Jorge Manuel Rosa Monteiro, Estilaque Oliveira Reis, pela prática do crime de tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha (art. 12 c/c art. 18, inc. I,  e do art. 14, da Lei nº 6.368/76).  José Antônio de Palinhos Jorge Pereira Cohen foi denunciado pelos crimes de tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha, uso de documento falso e falsidade ideológica (art. art. 12 c/c art. 18, inc. I,  e do art. 14, todos da Lei nº 6.368/76 e do art. 304 c/c art. 299 do Código Penal). Vânia de Oliveira Dias vai responder por formação de quadrilha (art. 14 da Lei nº 6.368/76). 

Em caso de condenação, a pena máxima prevista para tráfico internacional de drogas é de 20 anos de reclusão. As investigações ainda prosseguem para que sejam apurarados crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, inclusive em relação a outros investigados presos durante a operação. 

Aldo Pires Rizzo 
Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Goiás 
Fone: (62) 3243-5454 
e-mail: aldo@prgo.mpf.gov.br  http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_criminal/criminal-2006/operacao-caravelas--mpf-go-oferece-denuncia-20051028

 

 
Presos na Operação Caravelas são indiciados pelo MP
da Folha Online

Onze pessoas foram formalmente denunciadas na última quarta-feira (26) pelo Ministério Público Federal de Goiás por seu suposto envolvimento em uma quadrilha de tráfico internacional de drogas. Elas foram presas durante a operação Caravelas da Polícia Federal.

O empresário português Antônio dos Santos Damaso, apontado como líder do esquema, e nove pessoas foram indiciados por tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha.

Já o português José Antônio Palinhos Jorge Pereira foi denunciado também por uso de documento falso e falsidade ideológica.

O italiano Vladimiro Leopardi, o Miro, proprietário dos restaurantes Satyricon, e a empresária Sandra Tolpiakow, sócia no restaurante Capricciosa, também foram presos durante a operação.

Todos são suspeitos de organizar a distribuição de um carregamento de 1,6 tonelada de cocaína apreendida em câmaras frigoríficas de um mercado da Penha (zona oeste do Rio). A droga, vinda da Colômbia, estava escondida entre 50 toneladas de bucho bovino e seria enviada para a Europa.

De acordo com o procurador da República Luiz Carlos Oliveira Júnior, o grupo ainda é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Superior Tribunal de Justiça

Por decisão unânime da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Antônio dos Santos Dâmaso continuará preso. Ele é acusado de ser um dos líderes de uma organização internacional de tráfico de drogas com ramificações em vários estados brasileiros.

Na ação que resultou em sua prisão, batizada pela Polícia Federal de Operação Caravelas, foi apreendida 1,6 tonelada de cocaína escondida dentro de contêineres destinados à remessa de carne para o exterior. A escolha por esse tipo de envio se deve à dificuldade que gera à fiscalização policial, já que o comércio de carnes segue rígidas normas de vigilância sanitária e, uma vez abertos os contêineres, a mercadoria fica comprometida, acarretando ao Estado o dever de indenizar o exportador.

No decorrer das investigações, verificou-se, ainda, que os denunciados ocupantes dos “postos de comando” realizavam “lavagem de capitais” adquiridos com o tráfico de drogas, comprando imóveis, veículos e artigos de luxo e depositando altas somas em contas bancárias, além de constituírem empresas com nomes de sócios falsos ou mediante terceiros, vulgarmente chamados de “testas de ferro” ou “laranjas”. Tais condutas são objeto de investigação em separado, ainda em andamento.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região já negou habeas corpus a Dâmaso, sob o entendimento de que a decisão que decretou a prisão preventiva encontra-se embasada em elementos concretos e que o excesso de prazo se justifica pelas peculiaridades do caso e complexidade do processo. No STJ, a sua defesa alegou, novamente, o excesso de prazo na formação da culpa, bem como a ausência de fundamentação do decreto de prisão preventiva e necessidade de desmembramento do processo.

Em seu voto, o relator, desembargador convocado Celso Limongi, destacou que a fundamentação do decreto prisional está amparada em fatos concretos, e não apenas na gravidade em abstrato do delito, “expondo-se o modo de execução do crime, apto a revelar, nas circunstâncias do caso, a necessidade da prisão para a garantia da ordem pública, bem como para a aplicação da lei penal”.

Quanto à necessidade de desmembramento do processo, o desembargador convocado verificou que os processos criminais a que responde Dâmaso têm objetos distintos. O primeiro refere-se à prática dos crimes de associação e de tráfico internacional de entorpecentes e o segundo, à lavagem de dinheiro.

   Tudo sobre OPERAÇÃO CARAVELAS:» OPERAÇÃO CARAVELAS em Notícias e doutrina  (31)» OPERAÇÃO CARAVELAS em Jurisprudência  (6) Notícias e Doutrina sobre "OPERAÇÃO CARAVELAS"

STJ nega habeas corpus a acusado de tráfico preso pela Operação Caravelas

acusada de lavagem de dinheiro STJ mantém prisão de empresário português preso na
"Operação Caravelas" Acusados... em sua prisão, batizada pela Polícia Federal de Operação
Caravelas, foi apreendida 1,6 tonelada

Última Instância - 22 de Setembro de 2010

STJ nega habeas corpus a preso pela Operação Caravelas, da Polícia Federal

, batizada pela Polícia Federal de Operação Caravelas, foi apreendida 1,6 tonelada de cocaína
escondida

STJ - 22 de Setembro de 2010

Quadrilha condenada por lavagem de dinheiro do tráfico

e Goiás, realizava a operação através de uma fictícia empresa exportadora de produtos
congelados que, na realidade, servia de fachada para o envio da droga ao estrangeiro. A
operação da Polícia Federal de Goiás, denominada de Operação Caravelas, revelou que os ac...

JF/GO - 18 de Maio de 2011

Anúncios do GoogleBioplastia de Narizclinicasantorini.com.br/bioplastia Projeção e levantamento da ponta Sem cortes Com anestesia local"OPERAÇÃO CARAVELAS" em Jurisprudência

HABEAS CORPUS HC 343 GO 2006.01.00.000343-7 (TRF1)

. ART. 12 e 14 C/C ART. 18 I DA LEI 6.368/76. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. "OPERAÇÃO
CARAVELAS". PROVA DA MATERIALIDADE. INDÍCIOS DE AUTORIA. NECESSIDADE DE
MANUTENÇÃO

TRF1 - 04 de Abril de 2006

HABEAS CORPUS HC 55209 GO 2006/0040024-9 (STJ)

CORPUS. TRÁFICO INTERNACIONAL DE ENTORPECENTE. CRIME HEDIONDO.
"OPERAÇÃO CARAVELAS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. ELEVADO NÚMERO DE
CRIMES E DE ACUSADOS. FORTES

STJ - 18 de Maio de 2006

HABEAS CORPUS HC 4288 2005.02.01.012254-5 (TRF2)

procedimento de investigação, que se passou a chamar, commoditatis causae, "Operação
Caravelas", desencadeada no Estado de Goiás). 2. A maior ou menor participação

TRF2 - 24 de Janeiro de 2006

 

Do site do MP/GO, para que tenhamos uma idéia do quanto o presídio estava sob o domínio do crime organizado:30/11/2009 08h47Cidades - Presídio vira escritório do tráfico

Fonte: O Popular - 30/11/2009

Investigação da PF e do MPF levanta suspeita de corrupção no sistema prisional

Waldiléia Ladislau
Clique para ampliar

Quatro assassinatos, toneladas de cocaína distribuídas no Brasil e na Europa, R$ 10 milhões movimentados por mês, contatos cada vez mais estreitos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As atividades do grupo liderado pelo traficante Leonardo Dias de Mendonça, entre setembro de2006 e outubro de 2009, enquanto esteve preso, só foram possíveis por causa da provável corrupção no
Complexo Prisional em Aparecida de Goiânia.

Documentos da Polícia Federal (PF),doMinistério Público Federal (MPF) e da Justiça
Federal, aos quais O POPULAR teve acesso com exclusividade, levantam suspeitas sobre o envolvimento de pelo menos quatro diretores e agentes penitenciários.

Eles foram flagrados em conversas telefônicas comprováveis negociações de
facilidades para os traficantes presos. Relatórios da PF, baseados na degravação desses diálogos, apontam que Mádson Machado Milhomem, diretor da
Penitenciária Odenir Guimarães até o dia 19 deste mês e exdiretor do Núcleo de Custódia (ala de segurança máxima),teve um celular habilitado em
seu nome no poder do traficante de drogas Jorge Palinhos, condenado na Operação Caravelas.

Palinhos cumpre pena no presídio e manteve inúmeros contatos em Portugal, graças ao celular de Mádson. Leonardo Dias também estava preso no Núcleo de Custódia e, conforme as informações contidas nos relatórios da PF, teria recebido telefones celulares e chips GSM por intermédio de Mádson, quando esteve
na diretoria do Núcleo de Custódia. O ex-diretor é citado nas investigações por ter facilitado o uso do telefone público do presídio e permitir a troca de cartas entre Leonardo e integrantes da quadrilha que estavam fora da cadeia.

Mádson e outro agente penitenciário do Núcleo de Custódia aparecem nas conversas telefônicas. Os dois teriam facilitado os negócios comandados pelo grupo de Leonardo Mendonça, conforme as investigações da PF e do MPF, mesmo
com a prisão em regime de segurança máxima da maioria dos integrantes da quadrilha.

No regime semi aberto, um diretor e um agente penitenciário também são investigados pelo abono de faltas, facilitação de licenças médicas e permissão
dos chamados “saidões” a detentos que deveriam passar todas as noites no presídio. É o caso de Clodoaldo Antônio Felipe, considerado pelas investigações o mais perigoso e violento do grupo de Leonardo Mendonça.

As conversas telefônicas mostram que ele chegou a viajar para São Paulo para
se encontrar com integrantes do PCC, para vingar um roubo de cocaína que teria sofrido. Clodoaldo é o principal suspeito de mandar executar duas mulheres em Hidrolândia.

Dois homens, depois de intensos contatos telefônicos com Leonardo Mendonça, foram executados no Suriname por traficantes rivais. As apurações comprovam
que Leonardo Dias era beneficiado por chips e celulares obtidos por João Daniel Alves Rebelo, um de seus comandados de fora da cadeia. Os aparelhos chegavam até o traficante com a conivência de Mádson Milhomem, segundo as investigações
da PF e do MPF. Em pouco mais de três anos, o mega traficante usou 30 linhas telefônicas diferentes. Também escreveu diversas cartas, teve acesso ao telefone público e chegou a dar as coordenadas para que um fax fosse transmitido, com informações sobre distribuições de cocaína.

LIVRE NEGÓCIO
As gravações mostram o português Jorge Palinhos, falou com seus contatos em Portugal com o celular de Mádson. Várias negociações de tráfico de cocaína foram fechadas por Palinhos e Leonardo Mendonça,com os aparelhos e chips entregues no Núcleo de Custódia. Em maio de 2007, Leonardo Mendonça negociou com um integrante de sua quadrilha na Colômbia a remessa para o Brasil de 550 quilos
de cocaína. Em junho, segundo PF e MPF, coordenou o transporte de mais 300 quilos de cocaína de Marabá (PA) para São Luís (MA) e Salvador ou Porto Seguro(BA).

Casa de diretor vasculhada pela PF

Waldiléia Ladislau

A casa de Mádson Milhomem foi vasculhada pelos agentes da Polícia Federal (PF) em 28 de outubro, no dia em que foi de flagrada a Operação Pérola. A Justiça Federal expediu um mandado de busca e apreensão de objetos que possam conter mais provas do envolvimento do ex-diretor no esquema do traficante Leonardo Dias Mendonça. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir a prisão de Mádson,mas a Justiça Federal negou.

O material recolhido está sendo analisado e, para as investigações, não há mais dúvidas da participação de Mádson. As conversas referentes
aos outros três agentes penitenciários ainda estão sendo periciadas e, em dezembro, o MPF decide se os investigados serão formalmente denunciados.

A Operação Pérola desbaratou duas quadrilhas de traficantes, a de Leonardo Mendonça e a de Emílio Teixeira Campos, dissidente do grupo de Leonardo. Foram
presas 25 pessoas em Goiás, no Distrito Federal e em mais cinco Estados por atuarem sob o comando de traficantes que, reclusos em um presídio de segurança
máxima, deveriam estar incomunicáveis. A gravidade da situação fez com que a Justiça Federal acatasse o pedido do MPF e determinasse a transferência de
Leonardo Mendonça, Clodoaldo Antônio e Róbson Rangel – integrante da máfia dos combustíveis e comparsa de tráfico de Leonardo desde sua prisão – para o
Presídio Federal de Catanduvas (PR),uma unidade de segurança máxima.

“Indiscutível, pois, que há uma comprovada debilidade do sistema penitenciário goiano perante o poderio econômico e logístico dos grandes traficantes”, argumentou o MPF no pedido de transferência.

Segundo a decisão que determinou a transferência dos presos, “os três detentos montaram um esquema de corrupção de agentes penitenciários que lhes permite
constante comunicação com o mundo exterior”. A situação é ainda mais grave, conforme o MPF, por causa da presença de Mádson,um dos investigados, na direção da Penitenciária Odenir Guimarães. O diretor deixou o cargo no dia 19, duas semanas após a transferência dos três presos.

Mádson e outros três agentes penitenciários são citados no relatório final da PF, que tem mais de 600 páginas. Todo o inquérito tem quase 70 volumes e 20 mil
páginas. O MPF agora vai decidir quem será denunciado à Justiça Federal. Cópias das investigações no sistema prisional de Goiás foram encaminhadas na última
sexta-feira ao procurador-geral de Justiça, Eduardo Abdon Moura, e ao secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller. O encaminhamento foi feito pelo juiz
federal Paulo Augusto Moreira Lima, em auxílio na 11ª Vara em Goiânia, devido à suspeita de envolvimento de funcionários públicos estaduais.

 Secretário diz precisar de outros elementos de prova

Waldiléia Ladislau

No início deste mês, quando as informações sobre o envolvimento de servidores do
sistema prisional começaram a ser apuradas pela reportagem do POPULAR, o secretário estadual de Segurança Pública, Ernesto Roller, disse que Mádson Milhomem continuaria diretor da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) até a
conclusão das investigações da Polícia Federal (PF). “ Agravação telefônica é uma prova importante, mas ela tem de ter outros elementos de prova”,salientou
Roller. O superintendente do Sistema Prisional de Execução Penal (Susep), Edilson Divino Brito, ouvido no início do mês, explicou que o então diretor da POG não sabia das investigações da PF. Apenas a administração sabia dos grampos telefônicos, segundo Edilson. Mádson foi afastado do cargo no dia 19.

Edilson acrescentou que a transferência de Leonardo Dias Mendonça para um presídio de segurança máxima foi ventilada no ano passado, ele ficou em Goiânia para a conclusão das investigações. Quanto ao então diretor citado nos relatórios, o superintendente afirmou que só após o desfecho é que seriam tomadas
providências, caso comprovada participação de Mádson em atos criminosos.

Mádson afirmou ao POPULAR que “às vezes fazia favor para uma pessoa e para outra”, quando o preso precisava, por exemplo, de fazer contato com a família, mas salientou que nunca recebeu dinheiro por isso e que hoje não faz mais para
não ser “mal interpretado”. Segundo ele, até seu celular particular já foi usado para ligar para familiares dos presos para que levassem cobertores e outros
itens.

Quanto às cartas encaminhadas por Leonardo Mendonça, Mádson afirmou que todas eram lidas antes de entrar ou sair do presídio pelo setor de inteligência, e nenhuma passava diretamente por ele. Sobre a ligação telefônica para João
Daniel, feita em 2006, Mádson disse que não se lembra,e mbora admita conhecê-lo. Segundo o ex-diretor, João Daniel sempre levava alimentos para
Leonardo Mendonça.

Mádson foi supervisor de segurança do Núcleo de Custódia
(ala de segurança máxima, onde estavam Leonardo Mendonça e os traficantes mais perigosos) em 2006, durante oito meses, e desde o início deste ano estava respondendo pela direção da POG. Ernesto Roller e Edilson Brito disseram já ter
solicitado da PF cópias da investigação no que se refere à atuação de agentes do sistema prisional. Edilson Brito chegou a afirmar que foi informado que outros servidores estão envolvidos no caso.

 

Esqueci o link, do Portal do MP/GO

http://www.mp.go.gov.br/portalweb/1/noticia/a70451a2277321696f1d259b7da3...

 

Sobre o domínio do crime organizado sobre o presídio de GO:

01/12/2009 09h31Cidades - Presos viajavam a serviço do tráfico (MP)

Fonte: O Popular - 01/12/2009

Detentos do semiaberto ligados a Leonardo Mendonça tinham liberdade para viajar pelo País e ir à Bolívia

Waldiléia Ladislau
Clique para ampliar

Pelo menos dois detentos ligados ao megatraficante Leonardo Dias de Mendonça conseguiram “passear” pelo País e pela Bolívia, apesar de estarem cumprindo pena em regime semiaberto, um no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e o outro no presídio de Bela Vista de Goiás. Os dois fraudaram certidões carcerárias e registros de frequência para não passar as noites na cadeia e, assim, manter na ativa o tráfico de drogas.

Investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) mostram que Clodoaldo Antônio Felipe e Ademar de Morais Bueno – comandados por Leonardo Dias dentro do Núcleo de Custódia, onde estava preso – tinham “ampla liberdade” para viajar. Clodoaldo foi a São Paulo e Ademar mencionou em conversas telefônicas que iria para Salvador (BA). Também foi à Bolívia para organizar carregamentos de cocaína, segundo as investigações.

Em alguns casos, os agentes penitenciários recebiam valores ínfimos para abonar faltas, entre 30 e 100 reais. Esta é uma das mensagens que um agente recebeu de um detento, transcrita no inquérito da PF: “Dá uma ajuda no seu aí, senão vou quebrar, fecha comigo todo plantão seu por uns 30, rola não?” No presídio de Bela Vista, onde Clodoaldo deveria cumprir sua pena em regime semiaberto, outros detentos começaram a reclamar das regalias que ele recebia, principalmente as ausências prolongadas.
Os fortes indícios de corrupção no sistema prisional, que permitiram a continuidade do tráfico de drogas pelo grupo de Leonardo Dias, foram revelados ontem pelo POPULAR em reportagem exclusiva. Pelo menos quatro diretores e agentes do sistema prisional são citados no relatório final da PF que apurou a atuação de Leonardo Dias dentro do Núcleo de Custódia.

Mádson Machado Milhomem, ex-diretor do núcleo e da Penitenciária Odenir Guimarães, chegou a repassar um celular habilitado em seu nome para outro traficante, Jorge Palinhos, conforme a PF. Ele também seria responsável por facilitar a entrada de celulares e chips GSM no presídio, além de permitir o uso do telefone público e a troca de cartas com informações sobre a distribuição da cocaína.

O nome de um agente penitenciário aparece em destaque nas conversas telefônicas: Érico. É ele quem conversa com Ademar Bueno sobre uma saída de 11 dias do presídio semiaberto, no Complexo Prisional. Os dois chegam a combinar de se encontrar “depois do almoço” (veja o quadro). Em outra conversa, “Érico sugere ligar para o médico e passar o nome para o médico deixar (o atestado) pronto”, como aparece em relatório da PF. O agente estaria facilitando um atestado médico que justificasse as ausências.
No Núcleo de Custódia, nem o regime disciplinar diferenciado a que Leonardo Dias foi submetido impediu a continuidade do comando do tráfico internacional de drogas. Róbson Rangel, preso por formação de quadrilha na máfia dos combustíveis e acusado de dois latrocínios, ficou na mesma ala de Leonardo e passou a gozar da confiança do traficante. Enquanto Leonardo esteve no regime diferenciado, Róbson fez toda a comunicação entre os fornecedores de cocaína da Colômbia e os receptadores da droga no Suriname, por meio de aparelhos de telefone celular. De dentro da cadeia, Róbson investiu dinheiro próprio nas operações de tráfico.
 

Planos acertados em conversas telefônicas

Waldiléia Ladislau

As conversas telefônicas que embasam as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) revelam os planos de bastidores do grupo de Leonardo Dias de Mendonça. Nos diálogos mantidos dentro do presídio ele se preocupava com o destaque que alguns membros da quadrilha começavam a ganhar. É o caso de Wogno Vítor Aparecido Martins, que atuou na linha de frente na Colômbia, onde a droga era comprada. “Não vamos dar muita asa, senão ele vira outro Emílio”, disse Leonardo em um dos diálogos.

Emílio Teixeira Campos, segundo as investigações, começou no tráfico pelas mãos de Leonardo. O dinheiro que ganhou e os contatos mantidos com fornecedores colombianos motivaram Emílio a atuar de forma independente. Seu grupo tinha 17 pessoas e foi desbaratado na operação da PF que flagrou a atuação de Leonardo Dias dentro da cadeia. Leonardo, Clodoaldo Antônio e Róbson Rangel foram transferidos para o Presídio Federal de Catanduvas (PR).

Os três atuavam na linha de frente do tráfico internacional por meio de benesses conquistadas dentro do sistema prisional, conforme as investigações da PF e do MPF. Wogno, que preocupava Leonardo Dias nos bastidores do grupo criminoso, desempenhava uma função arriscada na Colômbia. Era o representante dos compradores da cocaína que ficava em poder dos fornecedores durante as negociações.

O risco de ser uma garantia viva de pagamento pela compra da droga o fortaleceu. As conversas telefônicas mostram que Wogno Vítor cedeu seu nome para a transferência a Leonardo Dias de duas coberturas em Anápolis.
 

Aberta sindicância para investigar servidores

Waldiléia Ladislau

A revelação do POPULAR sobre o envolvimento de pelo menos dois diretores e dois agentes do sistema prisional no esquema criminoso de Leonardo Dias de Mendonça motivou ontem a abertura de sindicâncias pela Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe) e de processos administrativos pela Gerência de Correições da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Os quatro servidores que aparecem no relatório final da Polícia Federal (PF), suspeitos de facilitar a entrada de celulares no presídio ou de permitir viagens durante o cumprimento de pena no regime semiaberto, já foram afastados da função, segundo o superintendente do Sistema Prisional, Edilson Divino Brito.

Ele diz que os servidores passarão a desempenhar função administrativa. Se ficar provada a culpa, devem ser demitidos ao final do processo.
“Pelo menos os quatro serão investigados pela sindicância. Nada impede que outros sejam investigados”, afirma o superintendente. Edilson e o secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller, receberam ontem cópias das investigações da PF.
Os documentos também já chegaram ao Ministério Público (MP) estadual, que vai apurar as suspeitas de corrupção no sistema prisional em Goiás. “A situação é preocupante. Demonstra mais uma vez a fragilidade do sistema prisional”, afirma o procurador-geral de Justiça, Eduardo Abdon de Moura.

O secretário Ernesto Roller disse ontem que “não há condescendência” da administração do sistema prisional na continuidade do tráfico internacional de drogas dentro do Núcleo de Custódia. “Quando a situação chegou ao nosso conhecimento, as providências foram tomadas. Não admitimos relações espúrias entre agentes e detentos”, afirmou o secretário. “Vamos dar uma resposta à sociedade.”
Segundo Edilson Brito, a administração do sistema prisional tem conhecimento do envolvimento de diretores e agentes no esquema de tráfico há seis meses. Nesse período, um acordo com a PF e com o Judiciário teria sido feito para garantir as investigações.

O ex-diretor do Núcleo de Custódia e da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) Mádson Machado Milhomem está de férias, depois de ter sido exonerado do cargo de diretor. Outro diretor também foi exonerado e está de férias. Tanto eles quanto os agentes penitenciários serão remanejados para funções administrativas, segundo Edilson.
 

 

Nassif, ao que tudo indica, há um nome comum aos casos Leonardo Pareja e Leonardo Dias Mendonça. Quando, como e porque o Mádson Medonça Milhomem, da quadrilha do Leonardo Dias, se tornou diretor do presídio de GO? Gostaria de saber deste mistério.

GO: ex-diretor de presídio é suspeito de ajudar traficantes
30 de novembro de 2009  21h23

 

  1. Notícia


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MÁRCIO LEIJOTO
Direto de Goiânia

O ex-diretor da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) e do Núcleo de Custódia (ala de segurança máxima da POG), ambas no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, Mádson Machado Milhomem, é investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) e agora pela Superintedência do Sistema Prisional do Estado (Susepe), por envolvimento com o traficante Leonardo Dias Mendonça e outros criminosos detidos.

Mendonça, que estava preso em Goiás desde 2002, foi transferido no dia 5 de novembro, depois que a PF de Goiás descobriu que, mesmo detido, ele movimentava mais de R$ 10 milhões por mês com tráfico de drogas, tendo usado mais de 30 celulares nos últimos três anos. Na investigação da PF consta que Milhomem ajudava o traficante facilitando a entrada de telefones no presídio.

Milhomem foi afastado do cargo no dia 13 de novembro pela Susepe. De acordo com o superintendente do órgão, Edílson de Brito, há indícios de envolvimento dele com o traficante, que hoje está no Presídio Federal de Segurança Máxima em Catanduvas (PR).

"Nós ficamos sabendo da investigação há seis meses e até ajudamos no trabalho da Polícia Federal. Esperamos para afastar todos para não atrapalhar a investigação", disse Edílson. "Não compactuamos com nenhum tipo de crime, e foi aberta uma sindicância que pode resultar em um processo administrativo e no fim dele, se comprovada a culpa, os funcionários podem ser demitidos."

Brito conta que o ex-diretor aparece em conversas telefônicas que o ligam ao grupo de Mendonça. Além disso, o traficante português José de Palinhos Jorge Pereira, condenado na Operação Caravelas em 2005, teria conseguido fazer negócios em Portugal usando um telefone habilitado em nome de Milhomem.

Após o afastamento do cargo, Milhomem pediu férias. O superintendente da Susepe acha que, quando ele voltar, a sindicância estará pronta. Brito não acha que houve falhas no sistema prisional, mas que se trata de um problema pontual.

"Assim como em qualquer outro órgão público, existem desvios. Nós temos um compromisso de reprimir de imediato qualquer irregularidade descoberta", afirmou. "Quando ficamos sabendo das investigações, há seis meses, contribuímos com o trabalho."

Todos os investigados foram afastados de suas funções e continuam a receber seus salários. Mas, segundo Brito, não vão trabalhar em áreas estratégicas da Susepe enquanto forem alvos de investigações.

A operação que descobriu o esquema de Mendonça e levantou suspeitas contra Milhomem levou 25 pessoas à prisão. Seriam integrantes do grupo do traficante e de outro criminoso, Emílio Teixeira Campos, ex-comparsa de Mendonça.

Na sexta-feira, o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, da 11ª Vara de Goiânia, encaminhou cópias da investigação para o Ministério Público Estadual (MPE) e para o secretário estadual de Segurança Pública, Ernesto Roller, para que os órgãos apurassem as suspeitas contra servidores do Estado.

O delegado Deuselino Valadares dos Santos, titular da Repressão a Entorpecentes da PF de Goiás, disse que o inquérito foi entregue ao MPF sem indiciamento do ex-diretor.

O MPF informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que encaminhou o inquérito de volta à Polícia Federal e que só se pronunciará sobre o caso no fim de dezembro, quando deve ter uma posição sobre possíveis denúncias.

A Justiça Federal também foi procurada pela reportagem e afirmou, também por meio de assessoria, que não pode se manifestar, já que o processo corre em sigilo.

Milhomem não foi localizado pela reportagem para comentar as investigações. Em entrevista ao jornal O Popular, de Goiânia, ele teria dito que "às vezes fazia favor para uma pessoa e para outra", mas que isso se restringia a contatos de presos com familiares. Ele teria dito também que nunca recebeu dinheiro para isso.

 

Especial para Terra
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4131320-EI5030,00-GO+exdiretor+de+presidio+e+suspeito+de+ajudar+traficantes.html

 

S.O.S. Penitenciária Odenir Guimarães

Há mais de vinte e cinco anos conheço de perto as mazelas da Penitenciária Odenir Guimarães (P.O.G.). Tenho acompanhado o esforço dos diversos diretores e chefes dos departamentos que vêm administrando com sacrifício o que veio a se transformar em um amontoado de “reeducandos”.
A Penitenciária Odenir Guimarães comporta oito alas, assim denominadas: ala A, ala B, ala C, 310, 320, Bloqueado e Enfermaria. O visual tanto externo quanto interno não contribui para a recuperação de criminosos. O pavilhão principal é um prédio antigo de três pavimentos com uma vista deprimente, tanto do lado de fora como internamente. As janelas, com formato de caixotes e gradeadas com barras de ferro, formam uma longa fileira. Do lado externo, ao longo do térreo, outra fila enorme formada por barracas de tecido e outros materiais baratos em precárias condições. Depois de várias visitas, procurei me informar do porquê das barracas, tomando conhecimento que ali eles passam o dia e recebem as visitas, fazem artesanato e outras pequenas atividades de rotina, improvisando, assim, um espaço de convivência. A sensibilidade dos que visitam aquele ambiente pela primeira vez não deixa de ser afetada.
O pavilhão da 310 fica na ala D e comporta 14 celas. Cada cela foi projetada para dois presos, com capacidade total para 28 apenados. Cerca de 128 presos ocupam o reduzido espaço projetado inicialmente para 28 presos. A cobertura do prédio da 310 é de laje concretada. Os buracos e rachaduras do teto formam um canal aberto por onde vazam as águas empoçadas no período chuvoso. As grades existentes nas pequenas aberturas laterais das paredes estão todas enferrujadas, servindo apenas como passagem para os insetos. Tudo em volta pede socorro: paredes sujas, pisos estragados, iluminação precária, leitos improvisados, água imprópria para o consumo, banheiro sem as mínimas condições de higiene e sem privacidade. Uma verdadeira contradição contra o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana previsto na Carta Constitucional da República brasileira.
Fiquei abismado com o que vi na 310, mas fui informado de que existem outras alas em piores condições. Na conversa com alguns reeducandos, percebi uma total falta de perspectiva e uma descrença generalizada. Afirmam que foram banidos da sociedade e que nada mais esperam dos juízes, promotores de Justiça, autoridades policiais, enfim, dos homens públicos que trabalham para fazer valer o direito e a Justiça.
Aquele amontoado de alas acumulou problemas: lideranças rígidas ditam as normas dentro das alas; presos são recusados em determinada ala, a critério do líder daquele grupo; uma situação que considero um desafio para as autoridades, incluindo os administradores do sistema prisional, as autoridades judiciárias e para todos os poderes constituídos.
A situação segue caótica ano após ano, transformando o ambiente das prisões em permanente estopim, palco de violências e de ações policiais desgastantes. Cresce a cada dia o poder das facções internas, exigindo esforços inauditos das autoridades responsáveis pela fiscalização, controle e medidas de segurança.
Medidas para reverter esse quadro passam necessariamente por disposição e vontade política, através de ações acertadas: diminuir o espaço ocioso do preso através da expansão da escola, implantação de cursos profissionalizantes, expansão do setor de produção interna para absorção do maior número possível de reeducandos, promover um levantamento minucioso da estrutura física com planejamento estratégico voltado para a segurança e a dignidade daquele que foi privado da liberdade, desfazendo a malha de anexos (alas) existentes onde formaram-se verdadeiros corredores de cumplicidade para o tráfico de drogas, armas, celulares e tudo que possa contribuir para a formação de um poder paralelo do crime.

Francisco de Assis Alencar é coronel PM R. Blog: http://pmvida.blogspot.com

http://apargo.org.br/site/?page_id=193

 

 

Como os assuntos são interligados, ou repetir aqui o comentário que fiz no post sobre o pedido de CPI sobre o caso Carlinhos Cachoeira:

Da morte de Pareja prá cá não mudou em nada o comércio de armas e drogas no  presídio de GO, bobeou dançou. Quando da Operação Diamante em 2009, que expôs a situação, o diretor da penitenciária Odenir Guimarães era Mádson Machado Milhomem, que foi pego na malha  da Operação(Diamante) e caiu.

Esta notícia é bem recente: 


Detento é assassinado com dois tiros no Presídio Odenir Guimarães


Catherine Moraes 

Um detento da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG) foi assassinado por outros dois presos na tarde desta quarta-feira (29/2). Francisco de Paula Moreira Neto estava preso por receptação e foi morto com dois tiros no peito. Os suspeitos de cometerem o homicídio, Bruno de Oliveira Santos e Wanderley Deolanda Teixeira Filho foram autuados no 4º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia. No local do crime foram encontradas duas armas: uma pistola e um revólver calibre 38.  De acordo com a Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (AGSEP), o Judiciário e o Ministério Público serão informados sobre o caso ainda hoje. A direção da unidade, por determinação da Diretoria de Segurança Prisional do órgão, abriu procedimento disciplinar para apurar o fato e responsabilizar os envolvidos.  http://www.aredacao.com.br/noticia.php?noticias=9195

 

Calendário SPIN

Pareja pensava uma coisa e os que dominavam o presídio outra bem diferente. Pareja se iludiu com a própria fama mas o que rolava mesmo no submundo do presidio de GO era coisa barra pesada. Pareja morreu na ilusão de que era líder quando quem liderava era o tráfico de armas e drogas da qual faziam parte autoridades do Estado em suas conexões com o outro Leonardo, o mega-traficante Leonardo Dias Mendonça, sendo que a Operação Monte Carlo foi apenas a continuação deste processo. É necessário uma CPI para trazer isso à tona, os elos que ligam o crime organizado à estrutura do  Estado de GO, o que vem desde a década de 90, conforme ficou claro na Operação Diamante.

 

A Operação Diamante descobriu a corrupção no presídio Odenir Guimarães. Quando Pareja foi morto isso já exisita. Pareja foi vítima da corrupção no presídio. É aqui que entra a história do outro Leonardo, o Leonardo Dias Mendonça, mega-traficante. É aqui que as coisas se encontram. No contato com a midia, Pareja poderia trazer à tona, até sem querer, o comércio de drogas e armas que rolava no presídio de GO. Aqui as peças se juntam e a partir daqui, década de 90, a coisa continuou até hoje, vide OperaçãoMonte Carlo, que trouxe a tona as conexões entre crime organizado e Estado de GO.

Somente uma CPI para jogar luz sobre esta história, quem não deve não teme.

 

Começou sua trajetória de fama em setembro de 1995 quando, após assaltar um hotel na cidade de Feira de SantanaBahia, manteve como refém por três dias uma garota de 16 anos, Fernanda Viana, sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães. Neste episódio começou a ganhar fama de audaz ao negociar com a polícia coberto por lençóis de maneira a impossibilitar a atuação de atiradores de elite.

 

A sobrinha de ACM é que foi refém dele em Feira de Santana-BA quando ele foi cercado pela polícia em um hotel da cidade e conseguiu fugir, justamente levando a sobrinha de ACM como refém.

 

A imprensa fica debatendo sobre presentes recebidos por Demóstenes Torres quando, como se vê, nos comentários, o esquema é barra pesada,  o buraco é mais embaixo tá dona Lúcia Hipólito, abra o bico de vez, pára de nhénhénnhém

 

Gente, não confundam o Leonardo Pareja com o Leonardo Dias Mendonça, este era chefe do tráfico internacional de drogas e movimentava bilhões de reais, mandava no presídio Odenir Guimarães. Interessante o presídio homenagear exatamente quem o chefiava quando rolava a podridão, conforme Operação Diamante da PF, que derrubou Odenir Guimarães, que batiza o presído.

Aqui em  GO crime organizado e políticos andam de mãos dadas, essa é a verdade.

 

Ops, cometi um erro aqui, vou corrigir.

Odenir Guimarães é o nome do presídio, sendo que o diretor encralacrado no mundo do crime, conforme revelado pela Operação Diamante, foi o Madson Milhomem.

 

O PERIODO EM QUE A CIDADE (Feira de Santana/BA)  "HOSPEDOU" LEONARDO PAREJO

 


 
 
 
 
 

-        Recorde aqui os três dias do fato negativo que fez da Feira de Lucas, destaque na mídia do pais e do mundo...


http://porsimas.blogspot.com/2009/09/o-periodo-em-que-cidade-hospedou.html


 


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Mãe de Pareja ganha 105 mil Reais do Estado, mas pode esperar 15 anos para receber



http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/mae-de-pareja-ganha-105-mil-reais-do-estado-mas-pode-esperar-15-anos-para-receber/


 


 

 

@RivaldoMoraes (twitter)

Nassif vi você ao lado do Amauri numa entrevista na Editora Contexto. Você continua o mesmo quando faz um convite aos jornalistas para fazer um Prêmio Esso.

Você é incorrígível.

 

http://www.youtube.com/watch?v=aiq1xriDQN0&feature=related

 

http://www.moradafm.com.br/site/arquivos/noticia-item/zooms-283-0.jpg

superlotação de presídios e delegacias favorece liberdade de presos em Goiás

Publicado em: 06 de junho de 2011

Faltam 5.300 vagas nos presídios de Goiás. A situação tem colaborado para que presos por crimes de menor potencial ofensivo ganhem a liberdade para não piorar ainda mais quadro. Em um caso que ilustra a situação, após três meses de investigações a Polícia Civil prendeu em abril deste ano, na região metropolitana de Goiânia, três hackers acusados de lesar o sistema financeiro. Em dois dias eles estavam livres.

Nem o Judiciário nem o sistema de execução penal consegue precisar o número de detentos por crimes sem violência ou grave ameaça liberados neste ano. Mas, entre janeiro e maio, somente por alvarás de soltura, 1.014 detentos deixaram a Casa de Prisão Provisória (CPP), de Aparecida de Goiânia.

O juiz corregedor Wilson da Silva Dias diz que a tendência é de que os presos por crimes sem violência ou grave ameaça aguardem os julgamentos em liberdade. No entanto, afirma que não está havendo generalização de soltura.

“É preciso avaliar as medidas alternativas, porque os presídios, na situação atual de superlotação, não conseguem promover a reinserção social dos detentos. O Judiciário tem avaliado no sentido de substituir as prisões por medidas alternativas”, disse Dias.

Delegacias

Nas delegacias de Goiás a situação não é diferente. Nas celas das delegacias de Goiânia há 340 presos, e outros 839 estão nas unidades do interior. O delegado geral da Polícia Civil, Edemundo Dias de Oliveira Filho, diz que hoje 20% dos policiais civis trabalham no atendimento a presos e aos parentes que os visitam.  “Essa superlotação tira o foco da Polícia Civil, que é investigar”, disse Oliveira Filho.

O presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), Edilson de Brito, concorda que a custódia dos presos não é função de delegado, mas sim do sistema prisional. “Vamos assumir esse problema, precisamos desobrigar os policiais para que eles possam cumprir sua missão constitucional, que é de investigar”.

Segundo ele, o processo de construção de novas vagas está em andamento. Na CPP, a abertura de novas celas será realizada em três etapas. Para julho são previstas 128 vagas, outras 48 devem ficar prontas em agosto e mais 300 vagas devem ser concluída no segundo semestre.

Assinatura: UOL Notícias

 

quem se beneficia do caos do sistema penal goiano?

com certeza estes que mataram Pareja por uma questão de liderança no presidio nas mãos de Leonardo Mendonças

sem deixar de lado o carlinhos cachoeira, que simboliza a conexão entre os criminosos e autoridades do estado:

Caos e vergonha nos presídios brasileiros A superlotação das casas prisionais e o aumento da criminalidade têm causado uma situação de caos generalizado no sistema penitenciário brasileiro. O local que deveria servir para ajudar na ressocialização dos detentos, tem se tornado curso intensivo para a violência. Em um país onde os apenados vivem em condições sub-humanas, amontoados em cubículos imundos e sem incentivo à educação, a ressocialização tem sido vista como uma utopiaA situação caótica e vergonhosa em que se encontra atualmente o sistema penitenciário brasileiro é a prova das consequências de um desenvolvimento histórico não planejado. Educação e cultura infelizmente nunca foram vistas como prioridade pelos governantes do país. Essa falta de incentivo e investimento em educação tem se traduzido em problemas cada vez mais graves de difícil solução, como o aumento da violência e a própria superlotação dos presídios.

A criminalidade no país aumentou consideravelmente nos últimos anos, produzindo uma demanda cada vez maior de casas prisionais. Na contramão disso, estão os agentes penitenciários e policiais, que não tiveram um crescimento proporcional em seu quadro de funcionários, além de sofrerem com precárias condições de trabalho. Mesmo com ações ostensivas da policia, a maior parte dos delitos não cessam com a detenção dos infratores, porque o sistema penitenciário atual não oferece condições mínimas de ressocialização. Ao contrário, os presídios têm servido como cursos intensivos para o aumento da violência.

A maioria dos apenados vive em condições sub-humanas, dividindo celas superlotadas com o triplo de pessoas do que elas comportam. Projetos de ressocialização, como oficinas de trabalho e cursos profissionalizantes acabam sendo relegados a segundo plano, por não ter infraestrutura básica para poder realizá-los. As salas onde deveriam ser ministrados esses cursos, têm sido utilizadas como dormitórios.

Uma população carcerária em um número cada vez maior do que o sistema pode absorver, e casas prisionais deterioradas e incompatíveis com as determinações legais para seu estado ideal de funcionamento, têm contribuído para a falência do sistema penitenciário. De acordo com o advogado, mestre e doutorando em Ciências Criminais, professor de Processo Penal da UPF, Gabriel Divan, as penitenciárias brasileiras só chegaram a esse ponto critico devido a uma histórica de falta de investimento no setor.

“Há uma demanda por maior ‘segurança pública’ que do ponto de vista de uma política populista se reflete em apenas buscar aumentar o encarceramento, enquanto medidas que procurem promover melhorias no sistema carcerário são sempre vistas como ‘investir dinheiro em bandido`. Seguimos com essa ilusão de que uma maior taxa de encarceramento acarreta simples e diretamente em ‘maior segurança’, o que não pode se faz verdadeiro, isoladamente”, disse.

O Brasil conta com meio milhão de presos, o que para um país com uma população como a nossa, é considerado um número elevado, figurando entre os países com maior população encarcerada do planeta. Conforme Divan, umas das principais causas se deve ao fato de que medidas que buscam melhorias técnicas e racionalizadas no setor, nunca são vistas politicamente com bons olhos porque, como se costuma dizer, não são uma boa “propaganda” frente ao senso comum, ou seja, “não rendem votos”.

“Um país com o tamanho do Brasil e com fatores culturais, sociais e econômicos como os nossos, necessariamente possui tendência a ter uma alta taxa de criminalidade e, em última escala, encarceramento. Mas a situação que chegou os presídios em maior parcela se deve ao descaso com o setor. Amontoamos pessoas como lixo e por elas serem chanceladas como ‘bandidos’ parte da opinião pública não vê nisso um problema dos mais graves”, explica.

Superlotação nos presídios

As más condições das penitenciárias prejudicam a própria segurança do local, e não oferecem espaço adequado para a prática da ressocialização. Segundo Divan, desde que existe pena de aprisionamento a dificuldade em ressocializar alguém também é pequena, afinal, uma prisão nunca foi um ambiente eminentemente adequado para tanto.

Para resolver esse problema, algumas medidas de urgência têm sido tomadas para diminuir o número de encarcerados. Uma delas é a de restringir a medida prisional, se possível, apenas para os casos justificadamente graves, como contou Divan: “Entrou em vigor esse ano um novo regime interessante de medidas cautelares, provisórias, que visa evitar ou pelo menos diminuir o número de prisões. O aprisionamento deve ser restrito a condenados que já esgotaram todas as possibilidades de recurso ou a acusados que comprovadamente tenham necessidade de aguardarem julgamento detidos, por algum motivo relevante. Precisamos prender menos. Isso se faz crucial para a situação dos presídios, e tem reflexos na nossa segurança diária. Em longo prazo, menos pessoas na ‘escola do crime’ que tem sede na maioria dos presídios brasileiros, significaria um menor número de pessoas para sempre atreladas a facções e a estigmatizacões.”

Novos presídios estão sendo construídos, mas muito deles já nascem superlotados, como é o caso do novo presídio de Passo Fundo. Pesquisas do Ministério Público Estadual, no ano passado, mostraram que cerca de 10% dos casos criminais chegam ao conhecimento da polícia, e poucos desses chegam até o Judiciário. Conforme Divan, o número de detentos e suas prisões não se mostram relevantes para definir uma maior ou menor "segurança" nas ruas.

“Prendemos muito e muito mal. No Brasil medidas como a da prisão preventiva (que deveria ser extremamente excepcional) são a regra e a ‘solução’ para qualquer coisa. Não podemos fazer mágica quanto a um problema como a criminalidade. Não existe solução que não seja de longo, muito longo prazo e que não envolva investimentos pesados em vários setores para tentar comprimir os números da criminalidade. Ao invés disso, tem-se, infelizmente, a ideia de que aumentar o rigor aprisionante vai resolver alguma coisa, quando na verdade apenas estufa mais o sistema carcerário e ironicamente contribui para o caos”, ressaltou.

Terceirização dos serviços

Uma ideia para solucionar os problemas dos presídios brasileiros seria a de terceirizar os serviços das penitenciárias. Conforme Divan pesquisas como as do sociólogo Loic Wacquant, nos Estados Unidos, mostraram desde a década de 90 que nos presídios "privatizados" estadunidenses houve um incremento considerável das taxas de encarceramento, ou seja, para manter os presídios era necessária uma grande demanda de detentos. A terceirização, portanto, na opinião do advogado pode acabar prejudicando ainda mais a situação de caos no sistema.

“Num primeiro momento parece sempre bom desinflar o Estado e colocar serviços nas mãos de entes privados que possuem mais capital de giro e aparelhamento de gestão mais leve, mais ágil. Do ponto de vista das instalações e da verba a ser injetada, logicamente parece uma boa experiência. Porém precisamos entender que não estamos aqui falando de telefonia móvel, por exemplo. A gestão de um presídio não pode ser vista como um ‘produto’, simplesmente. Para uma administradora/construtora de casas prisionais lucrar, deve haver mais aprisionamento e mais ‘clientes’ do sistema prisional. Não pode haver uma espécie de compromisso entre o Estado e uma administradora prisional para garantir sempre uma demanda de ‘clientela’ cada vez mais substancial”, opinou.

Ressocializar para o futuro

Na opinião do professor, o objetivo das casas prisionais é ajudar na ressocialização dos detentos, com penas sócioeducativas. Os presos deveriam ter acesso à educação, e a cursos profissionalizantes que os preparassem para o mercado de trabalho. Esse exemplo de presídio já é realidade em alguns países desenvolvidos, mas no caso do Brasil, isso soa quase que como uma utopia.

“Não acredito em ressocializar alguém em um ambiente prisional como o que existe no Brasil. Mas certamente investir em melhorias nas casas prisionais, mesmo em sua ambientação, não seria o mesmo que jogar dinheiro fora ou gastar com malfeitores. Seria um dos meios de ajudar a estancar o aumento da criminalidade. Não há como pensar em diminuir a violência em um país em que os apenados vivem em condições sub-humanas em sua maioria. Opções de estudo e treinamento profissional não são novidades na história do sistema prisional e podem ser interessantes, mas em geral vêm procurar remediar um problema que deveria ser prevenido. O investimento pesado em ressocializacão poderia iniciar muito antes e para fora dos muros da cadeia”, falou.
Por Beatriz Scariot - do Diário da Manhã

 

se vc quer saber sobre o sistema penal goiano, é um caos total, há bastante tempo o quadro de calamidade vem sendo denunciado, mas as otoridades estão se arrumando memso é com carlinhos cachoeira. O deputado Mauro Rubem(PT) tem comido o pão que o diabo amassou por colocar o assunto em pauta:


Superlotação em presídios prejudica segurança pública em Goiás: insegurança para população e precariedade para detentos

    Sex, 27 de Janeiro de 2012 12:28
Não é apenas a saúde que vive uma crise em Goiás. Nos últimos meses, a segurança pública do Estado também tem passado por um colapso. A inércia do governo estadual em promover ações que solucionem ou amenizem os problemas prejudica a população – que sofre com a insegurança constante – e também os detentos que são submetidos às condições desumanas nos cárceres.

Recentemente, Anápolis, na região Metropolitana de Goiânia, teve repercussão nacional devido a alguns presos estarem sendo algemados nos corredores, bancos e paredes da Delegacia Regional do município. O motivo para tal é a superlotação do local, que tem capacidade apenas para 3 presos, mas abrigava um total de 22. O alto índice de presos acima da capacidade no local justifica-se pela ausência de vagas na rede carcerária em todo o Estado, que tem um déficit estimado em mais de 5 mil e 300 vagas.
Nesse sentido, a atitude do delegado da Delegacia Regional de Anápolis de algemar reeducandos nos corredores do local deve ser vista como uma medida extrema diante da desordem que se encontra a rede carcerária em Goiás.

Caos generalizado

A superlotação nos presídios goianos e, como resultado disso, as condições precárias oferecidas aos presidiários, não são mais novidade no cenário regional. Em maio de 2011, o Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa (CDH) da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado Mauro Rubem (PT-GO), fez uma visita ao Centro de Inserção Social (CIS) de Anápolis e pode constatar a grave realidade vivida pela unidade prisional.

Como resultado da visita, a CDH produziu e enviou um relatório para os órgãos competentes no âmbito estadual e nacional, no qual se afirmava que o presídio estava em situação de precariedade, com superlotação das celas e falta de condições de segurança. O relatório da Comissão foi usado, inclusive, pela juíza Lara Gonzaga de Siqueira da 4ª Vara Criminal para corroborar a sua decisão de interditar parcialmente o presídio, em agosto do ano passado.

Inércia governamental

A complexa realidade carcerária de Goiás não tem recebido por parte do Governo do Estado ações efetivas que possam reverter tal situação. Assim também como na saúde pública, em que os hospitais são abandonados para, posteriormente, serem entregues às Organizações Sociais (OS’s), ao que tudo indica, a intenção da governadoria é fazer com que a situação carcerária fique insustentável e que seja “necessário” a privatização dos presídios.

Em agosto de 2011, o governador visitou um presídio na Inglaterra que estava servindo como objeto de estudo para a terceirização do serviço de administração e controle de presídios em Goiás. No mesmo mês, foi anunciado pelo governo estadual a construção de um novo complexo prisional no Estado no mesmo modelo da penitenciária visitada.

Entretanto, até o momento nenhuma ação foi efetivada quanto à construção anunciada e, tampouco, divulgadas medidas para conter o avanço do déficit de vagas nos presídios e delegacias goianos. Tudo isso pode piorar ainda mais o estado em que se encontra a segurança pública em Goiás, podendo ocasionar fugas, rebeliões e o desrespeito completo aos direitos humanos dos reeducandos.


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22dezembro2009

RETROSPECTIVA 2009

Polícia Federal prendeu 2,6 mil em 281 operações

Por Claudio Julio Tognolli

Apesar do grande número de prisões e atividades afins, o impacto mais positivo da Polícia Federal na vida do país não aparece nas estatísticas. O intenso noticiário sobre investidas policiais nos endereços mais improváveis e, antes, protegidos da República, incentivou a regularização de negócios, a queda vertiginosa da sonegação e uma era absolutamente inédita de zelo fiscal. Talvez seja precipitado falar em fim da impunidade (afinal, quem fiscaliza o fiscal?), mas nunca antes na história deste país se chegou tão perto disso.

NÚMEROS - Operações Especiais - Jeferson HeroicoA Polícia Federal divulgou no final da tarde desta terça-feira (21/12) o balanço de suas atividades em 2009: foram feitas 43 ações que a PF chama de “operações especiais”. Também foram realizadas, até o dia 15 de dezembro, ações contra crimes relacionados ao tráfico de drogas (72), crimes cibernéticos (10), previdenciários (27), ambientais (20) e contrabando (17). Ao todo foram 281 operações, com 2,6 mil presos.

 Em entrevista coletiva para apresentação do balanço anual da Polícia Federal, o ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou que o trabalho de combate à corrupção desenvolvido pela instituição será intensificado: “As ações vão aumentar no próximo ano porque a PF está preparada para combater esses crimes. Tudo isso pode ser demonstrado na qualidade cada vez maior dos inquéritos e no número de prisões preventivas que vem crescendo”.

NÚMEROS - Principais tipos penais - Jeferson HeroicoTarso Genro lembrou ainda que, embora haja uma sensação de aumento da corrupção no país, o que na verdade aumentou foi a descoberta desse tipo de crimes. “Durante muito tempo a corrupção no Brasil esteve debaixo do tapete e não aparecia. Quanto mais ela é combatida mais ela aparece. Isso é bom para o país, bom para as pessoas honestas, bom para o Estado brasileiro e é bom para toda a sociedade” disse.

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que a corrupção é uma atividade criminosa comportamental e com baixa materialidade. Na ocasião, ele defendeu o uso de escutas telefônicas para o combate ao crime, embora não deva ser permitida a banalização desse mecanismo.

 Relatório divulgado pela PF detalha que dos 4.534 mandados de prisão cumpridos ao longo do ano 75% foram na modalidade preventiva (3.392 prisões). “Para a decretação da prisão preventiva há uma série de critérios de avaliação obrigatória do magistrado, mais rigorosos que os da prisão temporária, o que demonstra o aperfeiçoamento da prova obtida na fase de investigação”, relata a PF.

NÚMEROS - Polícia Judiciária - Jeferson HeroicoAinda segundo os federais, o fortalecimento da Corregedoria, com foco na celeridade e qualidade do inquérito, permitiu um aumento histórico na relação entre inquéritos instaurados e relatados. “Entre os anos de 2005 e 2008, a média nessa relação foi de 65%. Em 2009, a média passou para 94% (71.372 instaurados x 67.012 relatados). A meta é elevar essa relação para 120% de modo a liquidar com o passivo de inquéritos em andamento”, afirma o relatório.

Leia o relatório das ações da PF:

Corrupção:
Em 43 operações especiais de combate à corrupção, a PF descobriu e atacou focos de desvio de dinheiro público em todo o país. As investigações atingiram todos os poderes do Estado e resultaram na prisão de 386 pessoas, entre elas 83 servidores públicos. Entre as ações de destaque estão:

√ Castelo de Areia - A Polícia Federal desencadeou no dia 25 de março a Operação Castelo de Areia para investigar crimes financeiros e lavagem de dinheiro cometido pela construtora Camargo Corrêa. Foram detidos funcionários da empresa, doleiros e articuladores do esquema. A quadrilha movimentava dinheiro através de empresas de fachada e operações conhecidas como dólar-cabo.

√ Luxo - No dia 30 de junho a Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União e Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará, deflagrou em Fortaleza e no Rio de Janeiro operação com o objetivo de desarticular um grupo supostamente envolvido com crimes de contrabando e descaminho e fraudes em processos licitatórios para construção de navios para a Marinha Brasileira e prestação de serviços para a Petrobras, além de sonegação fiscal e evasão de divisas.

√ Owari – Deflagrada no dia 7 de julho, prendeu agentes políticos, servidores públicos e empresários envolvidos em um suposto esquema de obtenção de vantagens junto a prefeituras do Mato Grosso do Sul. Além de crimes de formação de quadrilha, fraude à licitação e corrupção, o grupo era acusado de exercício ilegal de atividade financeira, agiotagem, crimes contra a ordem econômica e o sistema financeiro.

√ Pacenas – Deflagrada em 10 de agosto, teve o objetivo de combater fraudes em licitações de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As investigações, que iniciaram com informações do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público, apontaram a manipulação dos processos licitatórios e falhas na execução de obras.

√ Caixa de Pandora - Foi deflagrada no dia 27 de novembro quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça em gabinetes de secretários do Governo do Distrito Federal, de deputados da Câmara Legislativa e em empresas. A investigação apontou para indícios de pagamento de recursos a altos servidores do GDF, por empresas que mantinham contrato com o Governo Distrital

Combate ao Narcotráfico:
NÚMEROS - Apreensões de Drogas - Jeferson HeroicoO tráfico de drogas é um problema mundial que acarreta prejuízos financeiros aos países, reflexos nos sistemas de saúde pública e aumento da violência urbana. A Polícia Federal brasileira não tem medido esforços para reduzir os índices vinculados ao tema no país e vem apostando na corresponsabilidade regional.

Foram firmados acordos de cooperação específicos com metas, prazos e avaliação com as polícias dos países vizinhos produtores e fornecedores de drogas como Bolívia, Paraguai e Peru. Além disso, foi fortalecido o canal de informações com a presença de oficiais de ligação nesses países, o que permite o combate mais efetivo às organizações que operam de forma transnacional em nossa região.

Além disso, o Brasil tem sido pioneiro no controle de produtos químicos que tem permitido desarticular quadrilhas inteiras de narcotraficantes, retirando do mercado toneladas de cocaína e de drogas sintéticas como o ecstasy, quer seja pela apreensão direta dessas substâncias, quer pelo bloqueio do refino e síntese em função da dificuldade em acessar os produtos químicos que servem como ingredientes para a produção. 

Em apenas duas operações especiais de combate ao desvio de produtos químicos, foi apreendida 1,3 tonelada desses insumos, que equivale tecnicamente a uma produção de aproximadamente 2 toneladas de cocaína que, não fosse a ação diligente da Polícia Federal, seria colocada no mercado.

Ao longo do ano, foram realizadas 72 operações especiais de combate ao narcotráfico. Além das apreensões de toneladas de drogas e das inúmeras prisões em flagrante, as ações tiveram como foco a desarticulação das quadrilhas por meio de prisões preventivas.

Entre as ações de destaque estão:

√ São José - Desarticulou esquema de tráfico de drogas fomentado por empresário do ramo de produtos químicos da região de São José do Rio Preto/SP, o qual desviava insumos químicos controlados pela Polícia Federal, notadamente cafeína, lidocaína e benzocaína para quadrilhas de traficantes de cocaína, em especial para os Estados de SP, GO e MG.

A ação resultou na apreensão de 15 quilos de cocaína em um laboratório clandestino localizado em sítio na região de Aguaí/SP e de 761,5 Kg (setecentos e sessenta e um quilos e quinhentos gramas) de produtos químicos.

Essa quantidade de produtos químicos apreendida equivaleria tecnicamente a uma produção de aproximadamente 1 tonelada de cocaína que, não fosse a ação diligente da Polícia Federal, seria colocada no mercado.

O empresário foi condenado em 1ª Instância a 18 anos e 9 meses de prisão e outras 11 pessoas envolvidas tiveram sentenças variando de 4 anos e 8 meses a 9 anos e 9 meses.

√ Cristal - A Polícia Federal realizou a operação em parceria com a Polícia Espanhola. A ação teve como finalidade desarticular uma organização criminosa internacional de narcotraficantes que atuava em Natal.

A organização criminosa era chefiada no Brasil por um espanhol e composta inicialmente por estrangeiros de nacionalidade italiana, espanhola e cubana, além de, brasileiros. A quadrilha teria escolhido a cidade de Natal como hospedeira de investimentos de capital proveniente do narcotráfico, contando com a participação decisiva de um “doleiro” espanhol e de um empresário de mesma nacionalidade para sua fixação em solo potiguar e atuação empresarial.

Foram cumpridas buscas e prisões em Barcelona e 24 mandados de busca e apreensão no Brasil, além de intimações de medidas cautelares restritivas de direitos e seqüestro de bens de membros da organização em Natal, todas decretadas pela 2ª Vara da Justiça Federal do Rio Grande do Norte.

√ Carga Pesada - O principal objetivo foi investigar uma organização criminosa especializada em tráfico internacional de drogas que atuava por meio de uma ampla rede de influência no aeroporto de Guarulhos e estrangeiros, o que facilitava o envio de entorpecentes para países da África e Europa, especialmente Inglaterra, Holanda, Portugal e África do Sul.

A organização tinha ramificações em várias cidades brasileiras. Durante as investigações, iniciadas em 2007, 26 pessoas já haviam sido presas, entre elas servidores públicos e policiais, assim como, apreendidos mais de 540 kg de cocaína no Brasil e no Exterior.

√ Pérola – Investigação realizada durante 3 anos pela Polícia Federal em Goiás. A ação se estendeu pelos Estados do Pará, Mato Grosso, Goiás, Ceará, Tocantins e Minas Gerais, bem como pelos países da Guiana, Suriname, Venezuela e Holanda.

Foram expedidos 27 Mandados de Prisão Preventiva. No decorrer da investigação foram realizadas a apreensão de cocaína preta e a apreensão de quase 300kg de cocaína. Constatou-se que essa última apreensão estava relacionada ao colombiano residente em Fortaleza Juan Carlos da Silva, responsável por toda logística do barco Saballa apreendido em 2008, com 800kg de cocaína, na Costa da África, pela marinha francesa a pedido de policiais ingleses.

Outro destaque da investigação é que Leonardo Dias Mendonça, parceiro de Luis Fernando da Costa, vulgo “Fernandinho Beira-Mar”, preso pela Polícia Federal em 2002, continuava atuando no tráfico internacional de drogas mesmo preso no Cepaigo, bem como o seu antigo associado Emílio Teixeira Campos, que revelou-se como líder de toda a organização criminosa.

Meio Ambiente
A preservação do meio ambiente é hoje uma das principais preocupações do Brasil e do mundo. A exploração dos recursos naturais tornou-se um problema tão grave que as sociedades se viram obrigadas a criminalizar os atos que atentassem contra o meio ambiente. A Polícia Federal, assim como os demais organismos de segurança, não tem medido esforços nesse sentido e vem atuando intensamente no combate aos crimes ambientais. No ano de 2009, foram realizadas 20 operações especiais com a prisão de 173 criminosos, ações que resultaram no Prêmio Renctas de Conservação da Biodiversidade pela atuação no combate a esses crimes.

A Operação Arco de Fogo, que trocou o caráter episódico das ações por uma atuação permanente na região Amazônica, em parceria com a Força Nacional, ganhou reforço no ano de 2009 priorizando as análises de dados de inteligência para conseguir mais efetividade nos resultados. Foram realizadas 234 prisões, sendo 222 no âmbito da Operação e 112 resultantes de ações especiais (Termes, Caipora e Savana). Foram apreendidos 105.946,49 m³ de madeira ilegal, 1.085,57 m³ de carvão vegetal, destruídos 1.306 fornos e autuadas 881 serraria e carvoarias.

Além disso, a PF tem priorizado a lotação de seus efetivos e os investimentos nas regiões de fronteira e Amazônica. Nos anos de 2007 e 2008, foram realizados investimentos em tecnologias, com a aquisição de sistemas de rádio, computadores e outros meios. Em 2009 a Polícia Federal colocou em operação o sistema VANT –Veículo Aéreo Não Tripulado, que produz informações em tempo real, permitindo uma resposta imediata da PF associada a outras forças de segurança e em cooperação com as polícias dos países vizinhos, dentro do programa Pronasci Fronteiras.

Desde 2004 houve um aumento de 57% no efetivo daquelas unidades (506 para 796 servidores).

Dentro do Programa Carbono Neutro, de compensação das emissões de carbono resultantes das atividades da Polícia Federal, foram plantadas em 2009 mais de 41 mil mudas de espécies nativas em todo o país. O Programa, que envolve escolas públicas de todos os estados com o objetivo de comprometer as futuras gerações com a preservação do meio ambiente, resultou na premiação e reconhecimento, pelo segundo ano consecutivo, da Polícia Federal como Empresa Líder em Políticas Climáticas pelo Prêmio Época Mudanças Climáticas.
  
Sustentabilidade
 Em 2009 foi implantado o Projeto Gestão da Qualidade do Gasto na Polícia Federal, que tem como principal objetivo identificar oportunidades e definir ações necessárias para economia de gastos, além de fomentar a sustentabilidade e a mudança dacultura organizacional.

O Projeto fez uma análise dos maiores gastos administrativos no Departamento. Foram selecionadas quatro despesas: energia elétrica, combustíveis, passagens e contratos de terceirizados.

Após estudo da legislação e normas da ANEEL, foi identificada em diversas unidades do Departamento a necessidade de ajustes nos contratos de energia elétrica, pois havia possibilidade de optar por tarifas mais baratas. As primeiras medidas adotadas já impactaram numa economia de aproximadamente R$ 800 mil às contas da PF.

Com relação às passagens aéreas, foi feito estudo detalhado do perfil de utilização de passagens, que possibilitou a negociação de acordos corporativos com companhias aéreas e uma economia inicial estimada em R$ 1 milhão.

O gerenciamento dos gastos com combustíveis passou a ser feito com uma ferramenta de geoprocessamento de dados (locais de abastecimento, preços praticados pela rede credenciada e histórico de consumo). Os dados, gerenciados por meio de cartão magnético de abastecimento, permitem identificar oportunidades de economia com o direcionamento dos abastecimentos para os postos credenciados com menores preços.

No quesito sustentabilidade, a Polícia Federal está substituindo o consumo de papelaria, estimado em 130 mil resmas ano, por papel reciclado e os copos descartáveis, cerca de 197 mil copos de 200ml só em Brasília, por canecas individuais.

Além disso, o Programa trabalha com um componente fundamental: conscientização. E para disseminar a cultura do gasto inteligente no ambiente policial, o Projeto Qualidade na Gestão do Gasto irá transferir aos gestores da PF conhecimentos gerenciais e metodológicos por meio de um Manual de Boas Práticas.

Inserção Internacional
A Polícia Federal vem intensificando também sua relação com instituições internacionais de Justiça, Segurança e Fiscalização. Essa cooperação, a capacidade de articulação com outros países e o aperfeiçoamento das atividades de investigação possibilitaram a implantação do Projeto Fim da Linha, com o objetivo de reforçar a fiscalização e aumentar as prisões de criminosos internacionais no país e de procurados pela Justiça brasileira no exterior. O principal objetivo do Projeto é acabar com a imagem de que o Brasil é um refúgio para criminosos estrangeiros.

Em 2009 foram realizadas as prisões de 26 estrangeiros foragidos no Brasil, 17 foragidos da Justiça brasileira presos no exterior e 25 extradições ativas (presos trazidos para cumprimento de determinação judicial no Brasil) e extradições passivas (presos enviados para cumprimento de determinação judicial no interesse de outros países). Foram criadas ainda 4 novas adidâncias policiais (Portugal, Itália, Estados Unidos e Peru), totalizando 11 adidâncias e 4 oficiais de ligação.

Paralelo a esse esforço foram realizadas diversas operações com impacto internacional, entre elas a Operação Oxossi, que desmantelou organização criminosa internacional que traficava animais silvestres para o exterior e para o comércio em feiras no Rio de Janeiro, a Operação Harém, com prisões em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, além da República Dominicana e Estados Unidos, cujo objetivo foi o combate ao tráfico internacional de seres humanos, e a Operação Laio, voltada para repressão à produção e divulgação de imagens com cenas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes.

Outro resultado dessa articulação foi a eleição da Polícia Federal brasileira ao cargo de presidência da AMERIPOL, Comunidade de Polícia das Américas. A PF elegeu também em 2009 um delegado federal ao cargo de Delegado do Comitê Executivo para as Américas, da Interpol. O membro brasileiro representará a Polícia Federal brasileira nas importantes discussões relativas ao combate aos crimes transnacionais e à cooperação policial internacional.

Formação e Capacitação:
NÚMEROS - Efetivo - Jeferson HeroicoEm 2009, 343 novos policiais (delegados e peritos) reforçaram o efetivo da Polícia Federal. A Academia Nacional de Polícia formou e capacitou ao todo 14.161 servidores, sendo 194 em especialização Lato Sensu.

A Academia Nacional de Polícia promoveu ao longo do ano 161 cursos de formação continuada, com 6 mil formandos, e 155 cursos de Educação à Distância para 7.572 policiais em todo o Brasil.

Foram realizados também treinamentos e capacitação de 197 policiais estrangeiros em diversas áreas, entre eles 20 policiais uruguaios capacitados em Técnicas para Entrevistas e Interrogatório na Obtenção de Dados de Inteligência, em Montevidéu, e 30 policiais haitianos como multiplicadores de Técnicas de Abordagem Policial, em Porto Príncipe.

Aquisições e Investimentos:

 O orçamento da Polícia Federal em 2009 foi de R$ 4,3 bilhões. Os investimentos somaram cerca de R$ 150,7 milhões.

Por meio do acordo de cooperação internacional (governos da França e Alemanha), Projeto Pró-Amazônia/Promotec, foram investidos R$ 86.821.793,43, entre eles: aquisição de unidade móvel de contramedidas em incidentes envolvendo bombas e explosivos; aquisição dos equipamentos para a implantação do Sistema INTEGRAPOL e de Gabinetes para a instalação desses equipamentos; contratação dos serviços de obras civis para a adequação dos sítios onde serão instalados os equipamentos do INTEGRAPOL no país; contratação de serviços e aquisição de softwares para o desenvolvimento das atividades relacionadas ao CINTEPOL; aquisição de equipamentos para perícias em Audiovisuais e Eletrônicos, Análises Químicas e Documentoscopia e, aquisição de notebooks, equipamentos discretos e táticos RF para a área de Inteligência Policial.

Os investimentos com recursos do Tesouro Nacional no Plano Anual de Reaparelhamento Policial totalizaram R$ 40,5 milhões. Foram adquiridos: uma nova aeronave ERJ 145; equipamentos de informática (mainframe, servidores, notebooks) visando estruturar odatacenter da CTI e prover a ANP de notebooks suficientes para substituir as atuais apostilas em papel, diminuindo o custo ambiental do órgão; veículos dos tipos caracterizados, descaracterizados e de uso geral (pickup’s 4x4, sedan, uiliitários, etc.); padronização de mobiliários em âmbito nacional e aquisição de equipamentos de vídeoconfência para atender a todas as unidades da PF.

Foram investidos ainda R$ 24,3 milhões em construção e reforma de diversas unidades, destacando-se a conclusão da reforma do Edifício Sede em Brasília e a continuação da reforma das Superintendências do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. Foram contratadas as construções das sedes da SR/DPF/RR, da Escola Superior de Polícia, da Sala Cofre para odatacenter da CTI e das Delegacias de Polícia Federal em Cáceres/MT e Guaíra/PR.

Perspectivas
Em novembro de 2009 foi encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso Nacional uma proposta de Lei Orgânica da Polícia Federal, que visa o fortalecimento institucional e estabilidade funcional de seus servidores.

Em 2010, a Polícia Federal continuará buscando a aprovação da Lei Orgânica e reestruturação do órgão, com descentralização de suas capacidades de inteligência, gestão e operação e a distribuição do empoderamento em toda a cadeia hierarquizada, para que, em todas as unidades, se trabalhe com a mesma capacidade de gestão e de qualidade técnica.

O fortalecimento da Corregedoria permanecerá como estratégia em 2010 com o foco na qualidade do inquérito policial e em todo o processo da cadeia de produção e custódia de prova. Para isso, serão validadas todas as ferramentas que racionalizem o trabalho policial e diminuam o número de inquéritos que tramitam de forma morosa, como, por exemplo, o Projeto Tentáculos que concentra informações sobre um mesmo grupo criminoso num único inquérito. O sistema, que já resultou numa redução de 99% do número de inquéritos policiais referentes a fraudes bancárias, será estendido para crimes previdenciários e tributários.

Além disso, as ações de segurança para a Copa do Mundo em 2014 e Olimpíada em 2016 já estão sendo planejadas e exigirão esforço estratégico a partir de agora. 

Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico

http://www.conjur.com.br/2009-dez-22/retrospectiva-2009-pf-prendeu-26-mil-suspeitos-289-operacoes

 

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Que coisa heim:

PF prende 58 em 2 operações contra o tráficoPDFImprimirE-mail

Alvos foram quadrilhas baseadas em Goiás e no Triângulo Mineiro; parte dos presos foi detida com armas e drogas

BRENO COSTA - DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

RODRIGO VIZEU - DA AGÊNCIA FOLHA

A Polícia Federal prendeu 58 pessoas ontem em duas operações contra o tráfico internacional e a distribuição de drogas no país.

Até o início da noite, outros dez mandados de prisão continuavam pendentes.

Três dos detidos -entre eles dois empresários de Anápolis (GO) e Ituiutaba (MG)- estão ligados a grupos investigados nas duas ações.

Segundo a PF, o alvo da Operação Pérola era uma quadrilha com base em Goiás e ramificações em São Paulo, Tocantins, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará e Ceará.

Parte dos presos foi detida em flagrante com cocaína e armas, entre elas uma fuzil de uso militar. Um dos detidos, um colombiano, estava com 300 kg de cocaína em Fortaleza.

A Folha apurou que o líder do grupo é Leonardo Dias Mendonça, que já cumpre pena por tráfico de drogas em um presídio em Goiás.

Segundo a polícia, a droga era trazida da Colômbia. O Brasil era usado como entreposto para o envio à África e, como destino final, à Europa.

Segunda quadrilha

Já a Operação Triângulo, deflagrada em Uberlândia (MG), tinha como alvo, segundo a PF, uma quadrilha que distribuía cocaína para Minas Gerais, Goiás e Bahia.

Cerca de R$ 600 mil em dinheiro e cheques foram apreendidos, assim como dez veículos, entre carros e motocicletas.

De acordo com a polícia, a droga entrava no Brasil, já refinada, por Paraguai, Bolívia e Colômbia.

Na Triângulo Mineiro, somente brasileiros foram presos. O grupo usava Tangará da Serra (MT) e Ponta Porã (MS) como rotas iniciais, apontou a investigação. Foram apreendidos 89 kg de cocaína.

O suposto líder da quadrilha, segundo a polícia, ficava em Uberlândia e foi preso em Ituiutaba. O nome não foi divulgado, mas trata-se de um traficante que já tinha sido preso em 2001 e havia deixado a prisão no ano passado.

O delegado Júlio Cesar Bortolato, que coordenou a Operação Triângulo, diz que a droga não seguia para São Paulo e Rio de Janeiro e que o grupo preso ontem não tem conexão com quadrilhas estabelecidas nesses dois Estados.

 

Colaborou ANDRÉA MICHAEL, da Sucursal de Brasília

http://www.uniad.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2015:pf-prende-58-em-2-operacoes-contra-o-trafico&catid=29:dependencia-quimica-noticias&Itemid=94

 

Olha só o que rolava no presídio de GO:

"Leonardo foi acusado de continuar comandando o tráfico internacional de drogas de dentro do presídio. Investigações feitas pela PF revelam que desde 2006 ele teria usado cerca de 50 celulares possivelmente levados por advogados e visitantes. O esquema foi descoberto por meio de interceptação telefônica." 

 

06/11/2009
LEONARDO MENDONÇA VAI PARA PRESÍDIO FEDERAL 
Por: Malu Longo

Sob um forte aparato de segurança montado pela Polícia Federal (PF), o traficante de drogas Leonardo Dias Mendonça, de 46 anos, acusado de continuar comandando uma quadrilha internacional de tráfico de drogas de dentro do Núcleo de Custódia, unidade de segurança máxima do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, foi transferido na manhã de ontem para o Presídio Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná. No mesmo voo seguiram os presos Clodoaldo Antônio Felipe, de 31, e Robson Rangel, de 42, condenados por envolvimento em roubo de combustível e homicídio.

Na operação de transferência, preparada sob absoluto sigilo, foram utilizadas vários veículos e 50 homens da Polícia Federal de Goiás e do Distrito Federal, entre os quais atiradores de elite armados de metralhadoras. No Hangar do Estado de Goiás, localizado no Aeroporto Santa Genoveva, os presos foram submetidos à inspeção de rotina antes de embarcar numa aeronave da Polícia Federal.

Leonardo Dias Mendonça, que estava preso no Núcleo de Custódia desde o fim de 2002, foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, no Setor Marista, em Goiânia, no dia 28 de outubro, para ser ouvido pelo delegado Deuselino Valadares, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, e não retornou mais àquele presídio. A ação fez parte da Operação Pérola, desencadeada pela PF.

Leonardo foi acusado de continuar comandando o tráfico internacional de drogas de dentro do presídio. Investigações feitas pela PF revelam que desde 2006 ele teria usado cerca de 50 celulares possivelmente levados por advogados e visitantes. O esquema foi descoberto por meio de interceptação telefônica.

Conforme a PF, depois de comprar a droga na Colômbia, a quadrilha levava o produto para o Suriname e de lá seguia de avião até o Pará, de onde era transportada de carro para Goiás. Daqui, a droga era vendida para traficantes locais, dos Estados Unidos e da Europa. A PF ainda descobriu que o homem de confiança de Leonardo Mendonça, o empresário do ramo de combustíveis Emílio Teixeira Campos, de 39 anos, formou sua própria quadrilha. Ele comprava a droga no Suriname do mesmo fornecedor de Leonardo, o narcotraficante Norval Rodrigues dos Santos, de 53. Norval foi o único integrante da quadrilha que não foi preso durante a Operação Pérola. Vinte e cinco pessoas foram detidas.

Primeira penitenciária construída pela União, o Presídio Federal de Catanduvas tem um regime disciplinar diferenciado, de segurança máxima. Conforme o delegado Deuselino Valadares, desde que a penitenciária foi inaugurada, em maio de 2006, nenhum preso fugiu do local. Também não há notícias do uso de telefones celulares pelos detentos. Como as demais penitenciárias federais, o presídio tem 200 celas individuais e 12 de isolamento. Ele tem 12.700 metros quadrados de área construída.

 

 

Fonte: O popular

 

http://www.appego.com.br/?pag=conteudo&id=2476

 

"Leonardo foi acusado de continuar comandando o tráfico internacional de drogas de dentro do presídio. Investigações feitas pela PF revelam que desde 2006 ele teria usado cerca de 50 celulares possivelmente levados por advogados e visitantes. O esquema foi descoberto por meio de interceptação telefônica":

Ninguem acha nada demais que um menino de 22 anos foi acusado de TRAFICO INTERNACIONAL DE DROGAS?

Gente, get a grip, ok?  (nao sei dizer em portugues, mais ou menos "acordem" ou "tirem o cavalinho manco da chuva")

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Ivan, esse Leonardo que tinha 22 anos morreu na década de 90, é aquele que cantou a música de Zé Ramalho no alto do presídio, era um bobinho, nada a ver com o barra pesada Leonardo Dias Mendonça, esse sim tinha todo mundo no bolso, inclusive FHC, autoridade do STJ, diretor do presídio, imprensa, etc etc

 

Obrigado a ambos!  Agora faz todo sentido que eu nao vi originalmente.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Ivan, você está confundindo as bolas!

O Leonardo Pareja não foi acusado de tráfico internacional de drogas, ele(Pareja) não mexia com isso. 

O cara do tráfico internacional de drogas, em torno do qual giravam bilhões de reais, daí o fato dele, dentro do presídio, ter trocado de celular por 50 vezes em poucos dias, é o Leonardo Dias Mendonça, vide Operação Diamante, Operação Pérola, Operação Triângulo...

A Diamante foi anulada pelo STJ.

Não confunda os Leonardos...rsss

 

Agora me interessei por este enredo, o mundo do crime em que é o sistema penal de GO, de cujo enredo a morte de Leonardo Pareja é parte. Ao que tudo indica, Pareja foi nada mais nada menos do que um aventureiro que caiu no meio de figuras experientes e endinheiradas. A liderança de Pareja era no sentido da observação dos Direitos Humanos, enquanto que a lógica do líder invisível "Leonardo Mendonça" era outra:PF prende 62 por tráfico de drogas

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira 62 pessoas em duas operações contra o tráfico de drogas pelo país. Na Operação Pérola, os agentes desmontaram uma quadrilha internacional que seria comandada por um presidiário do Complexo Prisional de Goiás - 25 pessoas foram presas, 12 delas em Goiás.

Já na Operação Triângulo, a PF prendeu um grupo que agia na fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Colômbia e levava a droga que vinha do exterior aos traficantes dos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Ao todo, 37 pessoas foram presas durante a ação da polícia.

Carros de luxo, mais de 100 000 reais em dinheiro e 500 000 reais em cheques foram apreendidos na Operação Triângulo. Já na Pérola, a PF cumpriu mandados de prisão em seis estados e no Distrito Federal. Os presos são acusados de envolvimento com duas quadrilhas de tráfico de drogas. Uma delas, chefiada por Leonardo Mendonça, que está preso em Goiânia desde 2002.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-prende-62-trafico-drogas

 

Estive pesquisando sobre o Leonardo e a Operação Diamante e fiquei assustado. Teve até grampo feito em nome da Embaixada dos EUA. També falam em US$ não declarados da CIA para a PF. O que é ilegal. Parece coisa muito grande.

 Mesmo preso o Leonardo levou um tiro dentro do presídeio em Goiania. Pareceu para mim típica queima de arquivo. Mas ele sobreviveu. 

Fala também que agentes do DEA visitaram na cadeia um dos 28 presos na operação.  

 

 

Burburinho, verdade que a CIA entrou na parada, o Roger S comentou:

Nassif do céu, essa Operação Diamante é de tirar picapau do ôco, pegando o fio da meada, conforme esta reportagem da Isto É, até FHC faz parte do enredo, o submundo da política, quer dizer, da polícia, também, e também do crime, dá tantas voltas que a gente fica tonto só de pensar, a conferir:

Em novembro de 2002, a reportagem “A CIA continua no Brasil” de ISTOÉ comprovou com documentos as sorrateiras ações da agência americana no Brasil. À época, o ex-corregedor da Polícia Federal, Artur Lobo Filho, que investigou as atividades ilegais da CIA em território nacional, em uma sindicância que evaporou nos subterrâneos da Polícia Federal, disse que a ingerência externa na PF é corriqueira. “Tenho quase certeza de que isso acontece até hoje. Quer ver? Por que a direção atual quer tirar o Getúlio Bezerra da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e não tira? Nem o ministro tira. Os americanos não deixam. Aí é o velho esquema: paga quem quer, mantém quem quer e xereta o que quer. Isso não é invasão de soberania? É coisa muito pior. Grampearam o presidente.” A afirmação indignada de um policial da elite da PF, hoje aposentado, revela a dimensão da tolerância da PF às bisbilhotices ianques em troca de pequenos agrados pecuniários. O presidente citado por Lobo é Fernando Henrique Cardoso, fisgado em um grampo tratando do bilionário projeto de vigilância da Amazônia – Sivam – com o embaixador Júlio César dos Santos. O amigo dos americanos, delegado Getúlio Bezerra, foi promovido. Hoje, ele tem mais poder no comando da Diretoria de Combate ao Crime Organizado, que manda na DRE.

Lobo tinha razão. O tempo passou e a PF volta a estar no centro da discussão sobre a ingerência externa. No começo de setembro deste ano, o procurador Luiz Francisco de Souza recebeu uma denúncia de que a área de entorpecentes da PF mantinha uma conta corrente – número 284.002-2, agência 3476-2 do Banco do Brasil – abastecida secreta e regularmente pelo DEA – Drug Enforcement Administration –, a agência de combate ao narcotráfico dos EUA. O procurador, que investiga contratos da PF, pediu as informações sobre a volumosa conta – US$ 5 milhões só este ano. As respostas foram dadas no dia 12 de setembro pelo delegado Getúlio Bezerra e pelo Coordenador-Geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes, Ronaldo Urbano. Em um documento obtido por ISTOÉ, a cúpula da Federal confirma a existência do fundo secreto, só conhecido por figurões da polícia e invisível à fiscalização e controle das autoridades brasileiras, como o Congresso, a Receita e o Tribunal de Contas, o que é ilegal. A PF omitiu uma informação relevante: que a conta continua sendo movimentada pelo próprio Getúlio Bezerra. ISTOÉ fez um depósito de R$ 1 na conta, na quinta-feira 9, e o recibo comprova que saiu em nome de Bezerra. Luiz Francisco enviou uma recomendação à PF para que o dinheiro seja incluído no orçamento formalmente para que deixe de ser um fundo secreto e se torne um fundo público.

A PF alega que um acordo de 1995 permite o duto livre das verdinhas americanas para serem gastas aqui e geridas pelo policial brasileiro. Na resposta da PF ao procurador, surge a principal ilegalidade da conta clandestina: “Esclarecemos que a prestação de contas dos recursos financeiros destinados aos projetos sob responsabilidade da Polícia Federal no acordo, é encaminhada regularmente à Embaixada dos Estados Unidos da América, através da Seção de Assunto sobre Narcóticos – NAS/USA”. Os policiais brasileiros que administram o orçamento paralelo de dólares só dão satisfação aos vizinhos mais prósperos acima do Equador. Não é a primeira vez que isso acontece. A revista Carta Capital denunciou que na operação Cobra, envolvendo o combate do narcotráfico entre Colômbia e Brasil, houve envio de dinheiro externo pelo Citibank via contas CC5. Agora, uma minuciosa investigação da PF pode enfrentar sobressaltos porque as provas produzidas na Operação Diamante estão cheias de digitais dos americanos.

A operação Diamante – iniciada pelo ofício 300/2000, do delegado Getúlio Bezerra – é o orgulho da corporação. Após três anos de investigação em dez Estados, uma das maiores quadrilhas do tráfico internacional, capitaneada por Leonardo Mendonça – preso em Goiânia –, foi desbaratada. Mendonça, ao lado do traficante Emival das Dores, é uma celebridade nos EUA. Os dois estão entre os dez mais procurados pelo DEA. A operação Diamante rendeu 28 prisões, e ilustres nomes nacionais caíram em desgraça. Os menos ilustres foram parar na cadeia. Um dos resultados foi a dupla renúncia do deputado federal Pinheiro Landin e o afastamento do cargo de dois magistrados: Vicente Leal, ministro do STJ, e Eustáquio Silveira
desembargador do TRF-DF. Eles foram acusados de vender sentenças
em favor de traficantes presos na investigação. Segundo a PF, o esquema era comandado pelo ex-deputado Landim (CE). O processo
está recheado de gravações.

O motorista de Landin, José Antônio de Souza – preso com dinheiro do tráfico –, é o pivô do rolo. O advogado dele, Uarian Ferreira, entrou na Justiça com um pedido explosivo. Ele pede a anulação das escutas telefônicas. O que sustenta o pedido de Ferreira são os CDs, que trazem os milhares de horas com gravações autorizadas judicialmente de toda a turma investigada. Ao abrir os CDs, Ferreira constatou que 22 gravações têm como autora, oficializada no processo, a embaixada americana. Ele anexou ao pedido as folhas impressas do programa do computador que identifica a Embaixada USA como autora de grampos. O relatório intitulado de Final da Operação Diamante, de 21 de janeiro de 2003, é um dos CDs que trazem como autor a Embaixada USA e “gravado por Embaixada USA”. Num ofício à Justiça goiana, o delegado Ronaldo Urbano confirma: “O equipamento usado para gravar parte dos CDs é um exemplo típico, quando policiais manifestaram a necessidade da aquisição de um Pentium III-833, com gravadora de CD, o que foi providenciado pela embaixada americana, que adquiriu o referido computador no comércio de Goiânia...”, explica a PF, justificando que, enquanto não se concretizava a doação do micro, os programas estavam licenciados em nome da embaixada. Urbano invoca a regularidade das escutas com base no acordo entre Brasil e EUA. Mas o tal acordo exige um prévio Memorando de Entendimento entre os dois países com metas, equipamentos e previsão de gastos – em real e dólares. “Em 2000, quando foi iniciada a operação, não foi firmado nenhum Memorando e nos anos seguintes não constam recursos para esta operação. É dinheiro ilegal à disposição de federais brasileiros, que, para lançarem mão dele, basta apenas “manifestar a necessidade”, acusou Ferreira após rastrear no Itamaraty os tais memorandos da Operação Diamante. Enquanto jorram dólares no orçamento paralelo, a PF do orçamento real (R$ 125 milhões/ano) fecha portas por atraso de salários e falta de material.

 

 À margemO procurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, é um especialista em gastos públicos há nove anos
e garante: “Fundo secreto da
PF é ilegal”

ISTOÉ – É possível a PF manter este fundo sigiloso?
Lucas Furtado
 – A autoridade pública tem que prestar contas ao TCU. O Estado democrático não admite sigilo absoluto.

ISTOÉ – É só a questão da prestação de contas?
Furtado
 – Fere também a concepção de soberania. É complicado, por decisão deles (PF), manter o sigilo da conta. A fiscalização não pode ser feita por autoridade estrangeira.

ISTOÉ – O sr. sabia desse fundo?
Furtado
 – Nunca ouvi falar. A lei obriga que se diga onde o dinheiro está sendo gasto.

ISTOÉ – E a escolha de quem vai gastar o dinheiro?
Furtado
 – A escolha deve se dar pela relação de confiança.
O Congresso ignora esse fundo. A conta está totalmente à 
margem do processo.

 

 Agentes do DEA nos interrogatórios

mival das Dores é apontado como elo entre Fernandinho Beira-Mar e Leonardo Mendonça e a conexão do tráfico com a guerrilha colombiana, Farcs. Emival diz que foi interrogado por agentes do DEA em sedes da PF.

ISTOÉ – Você teve contato com agentes do DEA?
Emival das Dores
 – Vieram dois caras do DEA lá na prisão, em Goiânia. Me disseram que se eu fosse preso em outro país me davam 600 anos de prisão. Não me lembro o nome deles.

ISTOÉ – Quem estava na conversa?
Emival
 – Estavam o delegado, doutor Rui e o João Álvaro (agente da PF que participou da operação Diamante). Foi em janeiro de 2003.

ISTOÉ – Você estava com advogado?
Emival
 – Não tinha advogado. Estava sozinho. Perguntaram de tráfico no Brasil e da guerrilha (Colômbia). Pedi o advogado e não chamaram.

ISTOÉ – Foi só uma vez?
Emival
 – Uma vez vieram aqui (PF de Brasília). Foram os mesmos de Goiânia, com a mesma pergunta. Eu disse que não queria falar e eles foram embora. Falei isso para o juiz.

http://www.istoe.com.br/reportagens/14215_FUNDO+SECRETO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

 

Pareja  humilhou  a  Globo  e  as Polícias. Essa é  a verdade.

Tiou   a paz da família de ACM. Deve ter   perturbado muito mais gente.

Foi um bandido ousado, inteligente, e  tinha um certo charme.

Não  entendi,  ainda,  onde  LN  quer chegar  lembrando  desse  jovem bandido. A  minha   ficha não caiu.

 

Não  entendi,  ainda,  onde  LN  quer chegar  lembrando  desse  jovem bandido. A  minha   ficha não caiu.

O que o LN quer saber só deus sabe: As ligações entre as autoridades de GO e o submuno do crime. E não há como falar disso sem entrar no universo de outro Leonardo, o Leonardo Mendonça, esse sim, barra pesada e cuja grana se espalhou por vários cantos, indo até o STJ. 

Enfim, o que o LN quer saber é como se deu essa corrupção no sistema penal goiano que, ao que tuo indica continua, vide caso Carlinhos Cachoeira.

Um pesaedelo sem fim.

 

LEONARDO PAREJA – Nasceu em 1974, na Bahia e ganhou fama ao tornar-se um procurado bandido por todo território nacional, após assalto a um hotel em Feira de Santana. Neste assalto, Pareja fez de uma moça sua refém por três dias. Tenho plena convicção de que jamais esquecerei o relato de um frentista de um posto de gasolina que atendeu Pareja durante sua fuga. Na reportagem, o homem disse que ao parar no posto para abastecer, o rapaz apresentou-se da seguinte forma: “Muito prazer, sou Leonardo Pareja. Essa aqui é a refém.” Depois dirigiu-se à refém e disse: “Refém, esse é o frentista.”, fazendo com que ambos, frentista e refém, se cumprimentassem como em uma apresentação formal. Isso é de uma audácia absurda, além de mostrar a naturalidade com a qual ele lidava com a situação. Após termino deste seqüestro, fugiu por diversas cidades, concedendo, ironicamente, entrevistas à imprensa e despistando constantemente a polícia. Foi preso e após prisão, sempre munido de inteligência e senso de liderança, comandou rebelião em um centro penitenciário, em abril de 1996. Leonardo Pareja foi traído e morto na prisão em 1996. Que fique claro que aqui não faço apologia ao crime ou a qualquer tipo de ato que venha a prejudicar o ser humano, mas não posso me calar ou omitir perante a inteligência desse sujeito. Sobre sua vida e curta trajetória criminosa foi feito documentário, livro e diversos estudos. Reforçando: destaco Pareja não por ser um criminosos, e sim por sua inteligência (pena que esta tenha sido usada de forma inadequada).

Re: Goias e o caso Leonardo Pareja
 

1995 – Salvador/Bahia – Leonardo Pareja seqüestrou Fernanda Viana (sobrinha do senador Antonio Carlos
Magalhães) . Cercado pela polícia manteve a menina como refém. Depois de 60 horas de negociação a PM, com medo da
revolta do senador caso acontecesse algo com sua sobrinha, entregou um carro e se comprometeu com a fuga do
seqüestrador. Posteriormente Pareja fez contato com a uma radio disse que estava voltando a Salvador para libertar um
comparsa. A polícia localizou a origem do telefonema e foi prendê-lo. Nesta ação desastrada foi ferida a menor Cíntia
Martins Ferreira (13 anos) e devido a este fato Leonardo Pareja resolveu se entregar informando ao jornal O Globo que
se entregava porque “já havia vencido o jogo com a polícia e não tinha mais graça”.
1996 – Goiânia/Goiás – Centro Penitenciário Agroindustrial – Leonardo Pareja assumiu o volante
de um Omega e fugiu liderando um cortejo de oito automóveis e 39 prisioneiros amotinados – Refém: estudante
de direito Aldo Sabino. Resultado: depois de muito brincar com a polícia e demonstrar “estar dono da situaçã
o” entregou-se a dois juízes. Estava tão tranqüilo na fuga disponibilizada pela PM que chegou a parar num bar em
Goiânia para comprar três cervejas e três refrigerantes. Pagou a conta com uma nota de 50 reais e não quis o troco.
Alegrou os fregueses ao convidá-los a beber por sua conta. A única vitima fatal nesta ação foi a universitária Carolina
Cardoso de Andrade que nada tinha a ver com a rebelião – foi alvejada em uma “troca de tiros”
entre os bandidos e a polícia.

http://www.institutobrasilverdade.com.br/index2.php?option=com_content&d...

Re: Goias e o caso Leonardo Pareja
 

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simple hit counter 3Mar/120Caso Fernanda Viana

Alessandra Oggioni, especial para o iG

Depois de sequestrar e fazer a sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães refém por 60 horas, Leonardo Pareja fugiu e driblou a polícia por 39 dias

A garota Fernanda Viana, de 13 anos, sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães, passou três dias como refém nas mãos de Leonardo Pareja, em setembro de 1995. Ele sequestrou a menina em Salvador e depois a levou para um hotel na cidade de Feira de Santana, também na Bahia. Libertada, o sequestrador fugiu e foi preso somente 39 dias depois, em Goiás.

Aos 21 anos, foragido do Centro Penitenciário Agroindustrial de Goiás (Cepaigo), onde cumpriu um ano e meio de uma pena de nove anos por roubo de carros e assalto a postos de gasolina, Leonardo Pareja ganhou notoriedade nacional depois do sequestro de Fernanda Viana.

 

Caso Fernanda Viana

No dia 31 de agosto de 1995, Leonardo Pareja e o comparsa Ricardo Sérgio Rocha assaltam o apartamento de Paulo Gadelha Viana. Na ação, a dupla sequestra a filha dele

No dia 31 de agosto de 1995, Leonardo Pareja e o comparsa Ricardo Sérgio Rocha assaltam o apartamento de Paulo Gadelha Viana. Na ação, a dupla sequestra a filha dele

Foto: Arte iG

Pareja leva Fernanda para um hotel em Feira de Santana, também na Bahia, onde a mantém refém

Pareja leva Fernanda para um hotel em Feira de Santana, também na Bahia, onde a mantém refém

Foto: Arte iG

Depois de 60 horas de negociação, no dia 3 de setembro, Pareja foge em um Monza, levando junto o advogado Luiz Augusto Lima da Silva, que se ofereceu para trocar de lugar

Depois de 60 horas de negociação, no dia 3 de setembro, Pareja foge em um Monza, levando junto o advogado Luiz Augusto Lima da Silva, que se ofereceu para trocar de lugar

Foto: Arte iG

Depois de abandonar o advogado no caminho, Pareja fura um cerco de mais de 300 policiais e segue em fuga para Goiás

Depois de abandonar o advogado no caminho, Pareja fura um cerco de mais de 300 policiais e segue em fuga para Goiás

Foto: Arte iG

Para provocar a polícia, Pareja telefona para emissoras de rádio e TV para dar entrevistas. Em uma delas,a polícia consegue rastreá-lo. Durante tiroteio, ele se entrega

Para provocar a polícia, Pareja telefona para emissoras de rádio e TV para dar entrevistas. Em uma delas,a polícia consegue rastreá-lo. Durante tiroteio, ele se entrega

Foto: Arte iG

No dia 31 de agosto daquele ano, Pareja e o comparsa Ricardo Sérgio Rocha assaltaram o apartamento do publicitário Paulo Gadelha Viana, que estava acompanhado da filha Fernanda, em Salvador. Para garantir que Paulo faria o depósito do dinheiro exigido em uma conta bancária indicada por eles, os sequestradores levaram a garota para o Hotel Samburá, em Feira de Santana, na Bahia. Na ação, Rocha foi preso, mas Pareja, mesmo cercado pela polícia, conseguiu manter a menina como refém.

Depois de mais de 60 horas de negociação a polícia, no dia 3 de setembro, Pareja exigiu um carro para fugir. Na ação, levou com ele o advogado Luiz Augusto Lima da Silva, que se ofereceu para trocar de lugar com Fernanda. No caminho, abandonou o refém e seguiu para Goiás.

Desde o início da fuga, Pareja passou a provocar a polícia. Telefonava para emissoras de rádio e TV para dar entrevistas ao vivo e até dizia para qual localidade estava indo, desafiando as autoridades. Tamanha ousadia lhe rendeu até o apelido de “bandido da luz do flash”.

Mas em 2 de outubro, já em Goiás, Leonardo Pareja telefonou para a Rádio Subaé, de Feira de Santana, e disse que até dezembro voltaria ao local para libertar o comparsa, que foi preso durante o sequestro. Foi a partir desta ligação que a polícia conseguiu rastreá-lo.

Depois de 39 dias foragido, em 12 de outubro de 1995, houve perseguição e tiroteio nos arredores de Goiânia. Na ação, a garota Cíntia Martins Ferreira, de 13 anos, foi atingida na perna. Leonardo foi acusado de ser o autor do disparo e resolveu se entregar depois de exigir a presença de um juiz e da imprensa.

Cinco meses após sua volta ao presídio, no dia 28 de março de 1996, ele protagonizou outro episódio de repercussão nacional. Pareja foi um dos líderes de uma rebelião de seis dias no presídio de Cepaigo. Foi ele quem promoveu a negociação entre os presos e o governo e garantiu a liberdade dos cúmplices. Para completar a fama das fugas espetaculares, o jovem ainda conseguiu sair do local em um Omega, acompanhado de outros 43 presos e seis reféns, inclusive autoridades.

Mas Pareja foi recapturado no dia seguinte, quando se entregou depois de uma perseguição. Antes disso, ainda em fuga, ele chegou a parar em um bar para beber. Ele aparentava estar tão tranquilo que pediu três cervejas e três refrigerantes, pagou a conta com uma nota de 50 reais e não quis o troco.

Pareja permaneceu preso no quartel da Polícia Militar, em Porangatu (GO), mas foi reencaminhado de volta ao presídio em Aparecida de Goiânia.

Oito meses após a fuga, no dia 9 de dezembro de 1996, Leonardo Pareja foi assassinado com sete tiros à queima-roupa que teriam sido disparados por Eduardo Rodrigues Siqueira, o Baixinho, devido a disputas de poder na prisão.

O menino de classe média, que falava inglês e teve aulas de piano, entrou para o mundo do crime ainda adolescente. Aos 16 anos, já gostava de desafiar a polícia com badernas na rua, quebrando retrovisores de carros e pixando muros. Em seguida, começou a roubar carros e motos e a assaltar postos de gasolina.

Sua história foi retratada no documentário “Vida Bandida” (1996), dirigido por Régis Faria, e também inspirou o livro “Ensaio de Uma Vida Bandida” (editora Juruá), de autoria de Leandro França, lançado em 2008. Pareja havia sido condenado a 18 anos de reclusão em dois processos, por assalto à mão armada e sequestro.

 

http://www.crystaltube.com/caso-fernanda-viana

 

domingo, 8 de março de 2009

Leonardo Pareja Leonardo Rodrigues Pareja, mais um brasileiro que nasceu do "ventre" de um país desigual, e muitas vezes, impune de seus crimes. Bandido de classe média, que em sua infância fazia viagens para o exterior, estudava música, línguas e foi educado sempre nas melhores escolas. Começou com a sua vida bandida na adolescência, e na mesma época, a ira que sentia pelas autoridades brasileiras cresceu junto com ele. "Eu agora me eduquei dessa maneira (criminalidade), e não tem como você me deseducar" - comentou pareja ao documentário feito sobre a sua vida.Pareja descobriu que pequenos atos de criminalidade não bastava para a sua vida bandida, ele queria mais. Desejava esfregar na cara dos polícia, através de jornais, televisões e rádios, que ela era tão errada quanto a criminalidade assumida no país. E assim o fez.Viveu boa parte de sua vida em presídios. Foi torturado e humilhado pela polícia responsável.Mas dentro das cadeias, juntamente com seus colegas detentos, Leonardo fazia questão de demonstrar tranquilidade e de evidenciar de que ali ele não teria razões para se preocupar com a sua seguraça. "Medo? O que é medo? Medo da morte? Então eu não tenho medo de nada, pois eu não tenho medo dela" - dizia Pareja às suas entrevistas.Uma dos fatos mais marcantes, das andanças criminosas de Pareja, foi a de liderar uma das principais rebeliões do presídio de Cepaigo, em Goiânia - GO. Este acontecimento teve uma atenção especial da mídia brasileira durante todo o ato, ocorrido em Maio de 1996. A rebelião teve como reféns as principais autoridades do Estado de Goiás, dentre eles, juízes, advogados, presidente do TJ de Goiás e o diretor do presídio, que segundo grande parte dos detentos responsáveis, foi um dos principais motivos para a manifestação.Pareja soube entreter seus companheiros, que estavam revoltados com a situação de suas vidas no presídio até então. Deu toda a assistência aos seus reféns, deixado-os à vontade em meio a uma grande rebelião. "Quando eu saí daquele presídio, eu agradeci primeiramente a Deus e depois ao Pareja, por eu estar vivo agora" - comentou o diretor refém.Dia 06 de Dezembro de 1996, Leonardo Pareja, 22 anos, foi morto por um de seus "amigos", mas que teve envolvimento de muitos outros. Jornais destacaram em suas páginas, uma das falas que marcou este ato: "Eu sei que vou morrer. Só não quero que seja pelas costas".Bom, esse foi um breve textinho que fiz para que vocês conheçam mais sobre este 'mito' da criminalidade. Ele não foi algo que possamos chamar de herói, mas com certeza, foi uma referência ao não medo de denunciar as injustiças ocorridas no nosso país, que muitas vezes deixamos a desejar para que a contradição esteja presente de que não haja "problemas maiores" em nossas vidas. O documentário a seguir, retrata melhor a vida deste cidadão brasileiro, que tinha a música e o crime, suas principais inspirações.Assistam, vale demais a pena. http://blogdasika.blogspot.com/2009/03/leonardo-pareja.html

 

07/02/2001 - 00h09

Assassino de Leonardo Pareja é preso em Caraguá

 

 

da Folha Vale


A Polícia de Caraguatatuba (190 km de São Paulo) prendeu na tarde de ontem o foragido Eduardo Rodrigues Siqueira, 27, o Baixinho, assaltante que teria matado o assaltante Leonardo Pareja com sete tiros numa prisão de Anápolis (GO), onde cumpria pena por assalto e sequestro.

Baixinho havia fugido dois anos atrás da prisão goiana, com outro detento também acusado da morte de Pareja, ocorrida em 96.

Baixinho disse à polícia que Pareja queria "assumir o poder" na cadeia.

O assaltante foi resgatado por oito pessoas que colaboraram na sua fuga da penitenciária.

Baixinho foi preso "por acaso" no momento em que a polícia atendia a uma ocorrência de envolvendo "briga de vizinhos" no bairro Porto Novo.

O delegado Fábio de Carvalho Joaquim disse que os policiais que atenderam a ocorrência não sabiam que o Baixinho era foragido.

"O pessoal suspeitou e só teve certeza na delegacia, quando puxou a ficha dele", disse.

Segundo Carvalho, o fugitivo morava no litoral norte com a família havia cerca de dois anos. Ele teria confessado um homicídio em Ubatuba, disse o delegado.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u21491.shtml

 

Psicopatias as há por toda parte. Mas, seguramente, em penitenciárias e em assembléias de deputados elas abundam.....

 

Ele   se  meteu   com gente grande,  agora  quem  armou  sua morte....., quem  sabe?

 

uarta-feira, 2 de setembro de 2009O PERIODO EM QUE A CIDADE "HOSPEDOU" LEONARDO PAREJO  Há quatorze anos, entre 1º e 3 de setembro de 1995, ao seqüestrar em Salvador a jovem Fernanda Viana e com ela se deslocar para esta cidade se alojando no Hotel Samburá, o bandido Leonardo Pareja fez de Feira de Santana o centro das atenções do pais ao longo de mais de 62 horas, sem contar o filme e os livros que vieram depois. É verdade que nesse período e no dias seguintes o hotel teve prejuízos, como a cancelamento da hospedagem de uma equipe de iluminação que veio para a XX Expofeira. Mas os lucros também foram imediatos, sem contar a disputa dos hóspedes pelo quarto 201, o preferido do seqüestrador.
- Recorde aqui os três dias do fato negativo que fez da Feira de Lucas, destaque na mídia do pais e do mundo... SEXTA-FEIRA, DIA 1º
Pela manhã enquanto Pareja preenchia a ficha do hotel, seu parceiro, o bandido Sergio Ricardo, vigiava a vitima que estava sentada dentro de um veiculo. Após interceptar Sergio quando se dirigia a uma agencia bancária, a policia cercou o hotel. Usando a refém como escudo e utilizando um lençol para que os atiradores de elite não distinguissem qual dos dois era ele, Pareja fez várias aparições.
- Na Praça Jackson do Amaury, Rua J. J. Seabra e Avenida Presidente Dutra, a multidão começou engarrafar o transito...

SÁBADO, DIA 2
Na madrugada um blecaute na energia elétrica do quarteirão causou apreensão. O tenente Paulo César que funcionava como mediador avisou a Pareja que nada aconteceria com ele. Pareja, que por sua vez, tranqüilizou familiares da vitima, dizendo que a mesma tinha dormido bem. Pela manhã, um momento inesquecível: Tendo Fernando ao seu lado, Pareja apareceu na porta do hotel e apontou a arma para a multidão, causando aquela correria.
- Populares, policiais, radialista e jornalistas bateram cabeças no canteiro da Praça Jackson do Amaury...

DOMINGO, DIA 3
Quando a noite estava chegando e depois de intensa negociação, Pareja abandonou a vítima e deixou a cidade. Dentro do Monza com jornais colados nos vidros, o bandido levou algemado o voluntário que se ofereceu para substituir Fernanda na fuga. O veiculo partir da porta do Hotel Samburá seguindo pela rodovia Rio - Bahia (BR 116) e mais adiante pegou a BR 242.
- Segundo o noticiário ainda no domingo o voluntário foi liberado. Lá pelas bandas da Chapada Diamantina...

A ESCOLHA DIFICIL
Quando resolveu libertar a vítima Pareja fez uma exigência. No seu lugar, para acompanhá-lo na fuga, exigiu uma personalidade que tivesse grande destaque na vida feirense. Acrescentou que seu “companheiro” poderia ser alguém dos meios de comunicação. Depois de rejeitar vários nomes apresentados, sempre afirmando “esse não tem prestigio, ninguém vai se preocupar com seu destino”, Pareja bradou causando delírio ao público ouvinte:
- Manda alguém da Rede Globo...

VOLUNTARIO “APROVADO”
Dublê de empresário e advogado, o comerciante Luiz Augusto, bastante conceituado na cidade, se apresentou como voluntário e teve o nome “aprovado” por Pareja. Ainda assim o bandido não abdicou da ironia que evidenciava todas as vezes que fazia contato com o mediador ou pelas ondas do rádio, em especial da Rádio Subaé. “Vá lá que seja esse”, teria dito.
- Priorizado por Pareja o apresentador Carlos Geilson, da Rádio Subaé, ainda se gaba do “furo”...

VOLUNTARIO “SONHANDO”
Um ano após o gesto heróico, estimulado pelos “estrategistas” políticos, Luiz Augusto participou das eleições municipais de 1996, colocando seu nome como candidato a vereador. Estimulado também pelos “mestres” de peças publicitárias, usou como bandeira da campanha rumo a vereança seu heroísmo de um ano atrás, no entardecer do domingo, 3 de setembro de 1995.
- Urnas computadas, o candidato pelo extinto PL, somou apenas 236 votos ... Postado por às 11:13  

 

Nassif, já que vc atualizou a postagem, que tal subir, é que a postagem sendo da data de ontem, fica difícil localizar. Aproveitando a deixa

Faroeste caboclo, Renato Russo

http://www.youtube.com/watch?v=V6Hit4mzXzk&feature=youtu.be

 

Pareja foi morto aqui em Goiás porque humilhou, merecidamente, a nossa execrável justiça

 

 A credibilidade do governado tucano Perillo e do senador do demo Torres estão derretendo. Há provas e mais provas das relações de amizades intimas dois dos politicos com o bicheiro. 298 ligações do senador para o bicheiro, que absurdo? E pior, nas ligações os dois tinham o cuidado de apenas falar o necessário e que outros assuntos seriam falados pessolmente.


Dois outros assuntos deverão vir a tona: provalvemente o bicheiro tinha um grande esquema de gravações clandestinas de dar inveja ao orelhudo; e o vicio de jogos de azar do bicheiro com politicos tucanos e demo. O bicheiro parece que viajava muito para Las Vegas.


O jornal O Popular de Goiania cada dia tem mais informações novas. A cupula da PM Goiania foi trocada pela terceira vez em um ano, antes foi grupo de exterminio, agora a terceirização para o bicheiro. Falam tambem da casa alugada que o bicheiro comprou do governador tucano.


Isso tudo sem a velha midia não repercurti. Hoje mais uma vez terá o JN, com  o Bonner e o Poeta não comentarem nada. O Globo,Folha, Estadao nao falam nada. E o PT? Ficará calado?

 

Pelo menos bom gosto musical o Pareja tinha, quem sabe se tivesse tido oportunidade teria ingressado na carreira artística. A letra da música que o conquistou. No vídeo, por Cássia Eller

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=I7Q8cY9n8w0

Admirável Gado NovoZé Ramalho

Oooooooooh! Oooi!

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Oooooooooh! Oh! Oh!

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Ooooooooooooooooh!

 

Só prá encerrar, segue a música interpretada por Pareja sob a bandeira brasileira hasteada no alto do presídio, está no vídeo 11(final) do documentário sobre o bandido:

Ficha Youtube: Admirável gado novo de Zé Ramalho.Clipe produzido no intuito de causar-lhe uma pequena reflexão a respeito do mundo desigual de hoje.

http://www.youtube.com/watch?v=AuwCSetmnsI&feature=youtu.be

 

Calendário SPIN

A data da morte foi escolhida: Véspera do Dia dos Direitos Humanos. Quem escolheu a data, o cenário, a véspera da morte com direito a visita íntima e tudo mais. E a arma comprada de um agente penitenciário Antes de ser alvejado pelos tiros, Pareja levou uma facada no pescoço: A quem interessava a morte do bandido que desafiou as autoridades e humilhou a imprensa?

Leonardo pareja? opiniões ? Por Deick_gyn, no Adrnaline

A vida do bandido que quis transformar sua biografia num autêntico filme policial chegou ao fim às 7h20 da segunda-feira 9. Leonardo Rodrigues Pareja, 22 anos, foi assassinado no final de um corredor do Centro Agroindustrial de Goiás (Cepaigo) por um grupo de presidiários que desferiu uma facada e disparou sete tiros à queima-roupa com uma pistola automática calibre 45. O final infeliz de Pareja era desejado pelos personagens principais da trama que ele mesmo armou. Nos últimos 15 meses, o assaltante goiano ridicularizou a polícia em fugas espetaculares e, dentro do Cepaigo, passou a incomodar os companheiros de prisão com seu comportamento de estrela. Nos depoimentos que prestaram após a execução, os assassinos afirmaram que praticaram o crime porque Pareja fez papel de dedo-duro e delatou à direção do presídio um plano de fuga dos detentos. "Estávamos cansados de ser humilhados por ele", desabafou Eurípedes Dutra, autor dos tiros. "Aqui dentro estou seguro, tenho o controle completo de minha vida", disse Pareja em entrevista concedida ao SBT dez dias antes de morrer. 


A intuição de Leonardo Pareja falhou. A facada no pescoço que antecedeu os sete tiros à queima-roupa foi um golpe certeiro lançado por Eduardo Rodrigues de Siqueira, o "Eduardinho", considerado por Pareja seu último braço direito dentro da prisão. Curiosamente, o destino do assaltante acabou selado com a ajuda de uma arma que lhe pertencia. Segundo a versão dos assassinos, um mês antes de sua morte, o sequestrador havia comprado uma pistola automática ao preço de R$ 2 mil das mãos do agente penitenciário Sérgio Luciano de Almeida e a guardava dentro de uma cela onde só entravam ele e seus comparsas. Na manhã da segunda-feira, Eduardinho levantou disposto a executar o companheiro de vida bandida, fumou três cigarros de merla, derivado de coca, e roubou a pistola de Pareja. 

A confissão dos presidiários não descarta, entretanto, o envolvimento de policiais na morte do assaltante que fazia tudo para atrair os holofotes. A polícia tinha motivos de sobra para ficar irritada. As peripécias de Pareja começaram em setembro de 1995. Após assaltar um apartamento em Salvador, ele manteve como refém por três dias uma menina de 16 anos e, durante mais de um mês, desafiou a polícia telefonando para rádios e brincando de esconde-esconde numa fazenda em Goiás. Nesse episódio, chegou a ficar a poucos passos dos policiais mergulhado dentro de um rio camuflado com o rosto sujo de barro. Na sequência, foi reconhecido numa igreja evangélica em Aparecida de Goiânia (GO), trocou tiros com policiais e, mais uma vez, escapou. Em outubro do ano passado, entregou-se à Justiça dizendo que tinha medo de ser morto durante a prisão. No início de abril, assumiu o comando de uma rebelião de seis dias em que ele e outros 43 presos fugiram com seis reféns, todos integrantes da alta cúpula do Poder Judiciário de Goiás. Poucas horas depois da fuga, Pareja entregou-se novamente à Justiça dando proteção a um dos reféns, Aldo Guilherme de Freitas, filho do presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Homero Sabino. 

Pareja aproveitou a fama nacional conquistada durante a rebelião para assumir o papel de líder dos presos, passando a controlar o comércio ilegal dentro do presídio, que conta com a conivência dos agentes penitenciários, segundo os presos. "Não quero citar nomes, mas quase todos os funcionários do presídio abastecem o comando dos detentos com armas e drogas", disse Eduardinho a ISTOÉ na quarta-feira 11. O poder de Pareja passou a ser um problema maior para a polícia quando ele começou a usar o prestígio de comandante dos detentos para acumular dinheiro. "Um bandido com poder e dinheiro dentro de um presídio torna-se uma ameaça ao sistema penitenciário", explica o desembargador Homero Sabino. Além do dinheiro que entrava através do comércio ilegal, o assaltante conseguia aumentar seu capital com a venda do livro Vida bandida, sobre sua trajetória, e entrevistas concedidas à imprensa estrangeira. Nos últimos dias de sua vida, Pareja realmente levou uma vida de galã. No domingo 8, véspera de sua morte, teve um dia especial. Recebeu em sua cela a visita da namorada, Vanessa Ferreira Fagundes, acompanhada de duas fãs, e passou o dia tocando violão e cantando. Enquanto posava para fotografia ao lado das três e do namorado de uma delas, fez bravatas a respeito de um futuro plano de fuga e apresentou aos visitantes como seu braço direito o detento Eduardinho, que no dia seguinte ajudaria a matá-lo. Definitivamente, não era um preso comum. Desfrutava de mordomias como televisão e aparelhagem de som e distribuía tarefas para os demais presidiários, inclusive a limpeza de sua cela. Também tinha sob seu comando um grupo de 28 "robôs", presos que se submetiam às suas ordens e atuavam como seguranças de juízes que fiscalizavam as condições do Cepaigo. Outro costume de Pareja era ofertar suas amantes para os amigos mais chegados. 

O destino colaborou para o marketing de Pareja até no dia do seu sepultamento. O corpo do bandido foi enterrado no cemitério "Parque Memorial" na terça-feira 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. A coincidência motivou o representante do movimento "Tortura Nunca Mais" de Goiânia, Valdomiro Batista, a colocar sobre o caixão uma bandeira do Brasil. A iniciativa foi considerada um abuso pelo comandante do batalhão de choque da Polícia Militar de Goiás, tenente Nilton Neri de Castilho. "Isso é um desrespeito", afirmou o policial depois de ordenar a retirada da bandeira. "Não podiam fazer isso com um homem que se tornou um símbolo de Goiás. Todo detento tem o direito à vida", disse Batista. Duas horas antes do sepultamento, havia acontecido outra cena de pastelão mexicano. Uma tia do morto não gostou de ver Vanessa Ferreira Fagundes dar entrevistas durante o velório se dizendo "viúva" de Pareja e partiu para cima com tapas e empurrões. Vanessa perdeu a batalha e terminou assistindo ao enterro enrolada numa bandeira a mais de 30 metros de distância. 

Com tantos lances cinematográficos na vida real e até no próprio enterro, Pareja vai ressuscitar nas telas em um longa-metragem dirigido pelo ator Reginaldo Farias, que encarnou o bandido Lúcio Flávio Villar Lírio numa produção do final da década de 70. Tão espetacular quanto a história de Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, o roteiro do filme policial de Pareja contou com a colaboração do personagem principal ao longo do últimos meses. Admirador de Al Pacino, Pareja inspirou-se no filme Scarface para levar sua vida bandida. "Ele era um bandido cruel e humano ao mesmo tempo", dizia Pareja, o menino classe média, que falava inglês e teve aulas de piano, mas escolheu como cenário o mundo do crime.



Leia mais: http://adrenaline.uol.com.br/forum/geral/242510-leonardo-pareja-opinioes.html#ixzz1oEtETdNR

 

Calendário SPIN

Pareja levou a mídia refletir sobre seu papel, uma espécie de auto-exame difícil de ocorrer,  a conferir neste texto de Marcelo Leite, ombudsman da Folha, criticando os erros da imprensa:

Heróis e bandidos

Jefferson Rudy - 30/out/96/Folha Imagem; Luzia Ferreira - 5/dez/96/Folha ImagemPareja,branco,assaltante,quase foi canonizado; Silva, não muito branco, suspeito, apanhou para valer

Qualquer pessoa, mesmo não sendo jornalista, tem uma noção clara de que o assassinato de Leonardo Pareja é notícia de destaque. Ninguém discordaria também de que o sequestro de um menino por dois anos deve ir para as primeiras páginas _desde que tenha de fato ocorrido. Bem mais difícil de entender é por que a imprensa ajuda a fazer do primeiro um herói, embora culpado, e do segundo um monstro, ainda que inocente.


É bom deixar claro, de pronto, que não credito só à imprensa a entronização de Pareja. Discordo, portanto, da dezena de leitores que procurou o ombudsman esta semana para protestar contra a Folha. Eles estão convencidos de que o jornal é ator central dessa farsa de endeusamento, por ter dado a notícia em sua Primeira Página com título de quatro colunas e foto do cadáver. Sem dúvida, a Folha e seus concorrentes, assim como antes deles a TV, embarcaram com tudo no ''carisma'' de Pareja.

Na realidade, não havia carisma algum. Pareja foi uma espécie de Collor do submundo, em sua impostura.


O que jornalistas imediatamente reconheceram foi paradoxo, antiestereótipo, contradição em termos _numa palavra, notícia: um branco, com boa instrução, investido no papel que todos reservam aos escuros e pardos em geral. Bandido. Não tão qualificado quanto Hosmany Ramos, mas bandido.


(...)

Folha manteve-se relativamente fria, ao relatar a morte de Pareja. Até a publicação da foto de um cadáver na Primeira _sempre questionável, num jornal de prestígio_ pode ser defendida. Além da enorme repercussão, era uma imagem serena, nada chocante. Mas o espaço dedicado ao tema na parte interna do jornal, pelo menos três páginas, foi meio exagerado.
Apesar de todo esse destaque, a Folha ainda não contribuiu para esclarecer dois dos muitos aspectos intrigantes desse episódio: por que, afinal, as pessoas estão tão necessitadas de heróis da extração de Pareja e por que justamente uma organização de defesa de direitos humanos (Tortura Nunca Mais) cometeu o desatino de cobrir o caixão do bandido com uma bandeira.
Há muitas maneiras de colaborar na construção de mitos. A função mais nobre da imprensa é destruí-los.


(...)

Espancado e humilhado
Na crítica interna da edição do dia 4, quando saiu a notícia do suposto sequestro do garoto Dayvison, escrevi: ''Em todos os jornais, são muito esquisitas as versões tanto da família quanto do acusado. Não dá para entender por que o menino foi sequestrado, muito menos por que por tanto tempo''. 
Reproduzo essa nota não para sugerir qualquer clarividência, mas para mostrar que bastava um pouco de bom senso para desconfiar daquela história. Só que ela era boa demais para não ser verdade, não ser notícia.
Essa credulidade de jornalistas quase custou a vida do suspeito, Geovan Joaquim da Silva. Ele foi espancado por companheiros de cela imbuídos de indignação essencialmente indistinguível da que assalta pessoas ''de bem'', fora das cadeias.
Não será esta a primeira vez que alguém lembra o caso Escola Base, em conexão com o pesadelo de Silva. Outros já o fizeram, para ressaltar que na prática se aprendeu bem pouco com aquele tão hipócrita quanto monumental exercício de autocrítica.
Vou reproduzir também trechos da carta que recebi do leitor Richard Pedicini sobre esse novo episódio de incúria policial e jornalística. Ele fala com algum conhecimento de causa, pois foi uma das vítimas do caso Escola Base. Embora suas palavras se dirijam ao noticiário da Folha, elas se aplicam a toda a imprensa.


(...)

'A Folha foi correta ao apresentar 'o outro lado' e ao rotular as acusações como tais. Apesar disso, as acusações cuidadosamente rotuladas que vocês publicaram incluíam que ele tinha raptado uma criança por vingança, mantendo-a acorrentada e alimentando-a com peixe cru por dois anos, além de aterrorizar vizinhos para obter silêncio, assassinar uma testemunha, usar drogas e beber habitualmente em excesso.
''E, finalmente, vocês publicaram a acusação, proveniente de uma testemunha totalmente desacreditada, de abuso sexual de menor (onde será que já ouvi falar disso?). Dá para acreditar que algum repórter dos que falaram com D. teria deixado de lhe perguntar, com maior ou menor discrição, se tinha sido abusado sexualmente? O menino claramente diz para as pessoas o que elas estão prontas a acreditar, e repórteres acreditariam em qualquer coisa. (...)
''Geovan saiu da cadeia com as roupas nas costas, uma cicatriz costurada com oito pontos e um jogo completo de cortes e hematomas, voltando para uma casa que tinha sido saqueada durante sua ausência. Além do mais, perdeu seu bom nome, sua privacidade, sua tranquilidade. Pouco, mas ninguém pode perder mais do que tem.
Restou-lhe sua vida _mas como ele foi violentado e espancado e a Aids prevalece nas prisões, talvez nem isso. A imprensa e o governo exerceram força descomunal sobre um homem bom, simples e indefeso, destruindo-o.
''O que a Folha pode fazer? Bem, o que suas mães lhes diziam para fazer, quando se prejudica alguém, intencionalmente ou não? O que você diz para suas filhas num caso destes? Vocês poderiam... desculpar-se.''

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/omb_19961215.htm

 

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"Pareja,branco,assaltante,quase foi canonizado; Silva, não muito branco, suspeito, apanhou para valer"

ai ai ai ai ai!!! Da apologia ao banditismo agora vamos passar à incitação ao ódio étnico/racial...

As incitações ao ódio racial costumam trazer em seu bojo informações inconsistentes e marotas como: "A polícia mata X negros  para cada Y brancos"... Será que estão olhando também a cor dos que mataram os brancos e negros?
Ahh!! Tô fora! Na polícia também tem negros, pardos e brancos... Que raio de "pesquisa" é essa? A QUE ELA SE PROPÕE???
Ela se propõe a difundir ódio, preconceito, desavenças, bairrismos e ignorância, em menos palavras: Dividir o povo!

 

Este é um blog notadamente antipaulista! Paulistas, não se submetam docilmente a humilhações e manifestações de preconceito!! A internet é enorme.

Essa credulidade de jornalistas quase custou a vida do suspeito, Geovan Joaquim da Silva. Ele foi espancado por companheiros de cela imbuídos de indignação essencialmente indistinguível da que assalta pessoas ''de bem'', fora das cadeias.
Não será esta a primeira vez que alguém lembra o caso Escola Base, em conexão com o pesadelo de Silva. Outros já o fizeram, para ressaltar que na prática se aprendeu bem pouco com aquele tão hipócrita quanto monumental exercício de autocrítica.
Vou reproduzir também trechos da carta que recebi do leitor Richard Pedicini sobre esse novo episódio de incúria policial e jornalística. Ele fala com algum conhecimento de causa, pois foi uma das vítimas do caso Escola Base. Embora suas palavras se dirijam ao noticiário da Folha, elas se aplicam a toda a imprensa.

Só mesmo o Pareja para levar a imprensa a se penitenciar pelos erros cometidos e, assim, lamentar-se pelo caso Escola Base, por exemplo. Uma pena que nos dias de hoje o Purgatório da imprensa foi desativado, os erros continuam sem que hajam ombudsman como antigamente.