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Gol de mão, do Palmeiras, analisado por Jorge Souto Maior

Por Marco Antonio L.

Do Sul 21

Jorge Souto Maior: um legítimo gol de mão

Por Jorge Luiz Souto Maior

Indo direto ao assunto: observados os critérios admitidos até aqui, o Palmeiras tem razão.

Não se trata de defender a esperteza ou de impedir que a ética impere no futebol. Trata-se de demonstrar que, de fato, esses valores não estão envolvidos no polêmico gol do atacante do Palmeiras, Barcos, contra o Internacional.

Gol de mão não vale, assim como não são válidos os gols com o jogador em posição de impedimento, gols frutos de pênalti que não ocorreu, mas que mesmo assim foi marcado pelo juiz, gol em que a bola de fato não entrou…

A questão não está, portanto, em defender a validade de um gol feito de forma irregular. A questão é de outra ordem e diz respeito à competência: quem tem a competência para invalidar o gol?

Em termos jurídicos, pode-se dizer que há o direito, mas há, também, a atribuição institucional do poder de dizer o direito, o poder jurisdicional, que, para não ser absoluto, dentro da ordem democrática, é distribuído por atribuições, a competência. A um juiz, admitido por concurso, respeitadas as regras de distribuição de competências, cabe dizer o direito, obedecido o devido processo legal, isto é, o direito de defesa e as oportunidades na produção de provas pertinentes ao caso. A decisão do juiz é submetida a recurso por iniciativa da parte que a considere equivocada. O que não se admite é que alguém vá ao juiz e diga como ele deve julgar.

No futebol, o denominado “juiz” também deve observar as regras para dizer o “direito”. Mas, sua decisão é muito mais dinâmica, pois diz o direito no momento em que fato está ocorrendo. Não há um tempo para a depuração do fato, mediante produção de provas e apresentação de versões das partes envolvidas. Fosse de outro modo, o jogo não se realizaria. Dentro dessa dinâmica, o juiz de futebol, homem que é, está sujeito a errar e não raro seus erros são induzidos pelos atletas, que simulam situações ou mesmo sentem agressões que de fato não ocorreram, envolvidos que estão, emocionalmente, com o jogo. O futebol é um jogo, não é um debate acadêmico que se realiza em salas climatizadas.

Para possibilitar a ocorrência do jogo, o juiz atua como um árbitro, ou seja, sua decisão não está submetida a recurso. É por isso que, abstraindo a má-fé, que não pode ser presumida, muitas partidas de futebol ao longo da história foram resolvidas a partir de equívocos do juiz, pois é dele a competência para dizer o direito naquele instante e de forma definitiva, ou seja, sem possibilidade de recurso.

Esse é um problema com o qual o futebol, pelo menos até o presente momento, teve que conviver.

Não se trata, pois, de um problema ético e sim de definição das atribuições para a aplicação das regras do futebol no sentido de permitir o desenvolvimento do jogo.

É possível e necessário aprimorar essa distribuição de competência? Essa é uma discussão infindável nos meios futebolísticos, que tem encontrado na própria entidade que organiza o esporte, a FIFA, muita resistência.

Mesmo assim, já houve evolução a respeito, por exemplo, com o aumento do número de árbitros e com a instauração de mecanismos de comunicação entre eles, tendo havido, inclusive, o compartilhamento da competência do árbitro principal com seus auxiliares.

Mas, não houve, ao menos até agora, a instituição de um mecanismo externo para auxiliar o juiz na verificação de casos complexos, inclusive com o estabelecimento do procedimento para definição de quais seriam as situações em que se admitiriam a adoção do recurso e as formas de sua instauração (requerimento da parte etc.). Em outros esportes, como o tênis e o hóquei na grama, é possível aos competidores pleitearem que um mecanismo externo, tecnológico, seja utilizado para dirimir uma dúvida acerca da arbitragem, mas há regras procedimentais definidas para tanto.

No futebol mudança neste sentido seria bastante oportuna, pois há que se privilegiar o esporte, favorecendo o mérito de quem o de fato tenha e não o esperto, o que faz gol de mão, o que finge uma falta, o que faz cera etc.

Mas, não estamos falando do futuro. No presente, as regras estabelecidas são estas e não é possível que a decisão dos árbitros seja influenciada por elementos externos, até porque não se procedimentalizando a forma da externalização não se tem qualquer garantia de que a interferência não venha a ser realizada por razões alheias ao mérito esportivo ou mesmo de que não seja fruto de outra avaliação equivocada. Quem tem autoridade para dizer ao árbitro que ele errou e que mude sua decisão?

Mas, deve prevalecer o gol de mão impunemente? Chegar a essa conclusão não seria beneficiar o infrator? Seria ético defender um gol de mão?

Como dito, não se trata de uma questão ética, mas de definição prévia das regras de competência e do respeito ao procedimento estabelecido. E, de todo modo, se não é ético defender um gol de mão, menos ético ainda é forjar a situação para que seja artificialmente adaptada, dizendo que o juiz foi avisado pelo quarto árbitro quando todo mundo que viu o jogo (mesmo pela TV, como foi o meu caso) percebeu que nenhum dos árbitros viu o gol de mão. O tal quarto árbitro chegou a dizer, depois, que viu “alguém” batendo a mão na bola, mas daí a chegar à conclusão de que foi o Barcos vai uma distância muito grande…

Então, aqueles que estão defendendo a ética deviam também se preocupar em preservá-la no aspecto do procedimento, admitindo que houve a interferência externa. E, ao chegarem a esta conclusão, do permissivo da interferência externa, devem explicar com base em que procedimento ela foi legitimada, sendo que, doravante, tal procedimento deverá valer em todos os jogos, vez que não se podem fixar regras procedimentais por exceção, como não pode haver juízo de exceção. Não se podem criar regras procedimentais específicas e juízes específicos para situações especiais, ainda que os propósitos sejam, em princípio, bastante dignos, pois que isso abre a porta para a derrocada do Estado Democrático de Direito.

De forma mais clara, se o que ocorreu no jogo do Palmeiras for legitimado, dever-se-á abrir a possibilidade para que qualquer time, o próprio Palmeiras, por exemplo, diante de um gol sofrido que considere irregular, mas que tenha sido validado pelo juiz, peça, ainda durante a partida, que se acionem os meios televisivos para que se “tire a teima”, devendo o juiz voltar atrás em sua decisão, caso seja demonstrado o erro.

Se não for assim, estaremos assistindo um grave atentado à ordem jurídica democrática, notadamente no ferimento das regras do juiz natural e da legitimidade do procedimento, ainda que pautado por bons propósitos.

São Paulo, 1º./11/12.

Jorge Luiz Souto Maior é juiz do Trabalho e Professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP.

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Comentários

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Com relação à competência , saliento ainda que a interpretação de mão na bola ou bola na mão cabe exclusivamente ao árbitro do jogo. Logo recurso eletrônico ,quarto árbitro, delegado  , o bispo ....... além do recurso eletrônico não ser autorizado, só o fato da interpretação ser do árbitro inviabiliza a anulação do gol.Simples não é?

 

Parece que o nobre JUIZ e "PROFESSOR DE DIREITO"  (que deve ser palmeirense) está a antecipar-se às provas apresentadas ao STJD, e longe daquele plenário proclama seu julgamento, eminentemente clubistico, quando afirma de forma inconsequente, que a arbitragem esta "armando" contra seu time ("todo mundo viu na tv") Não seria sábio  Sua Excia. aguardar a comprovação dos fatos e e o contido nos autos (não é assim que se julga?) para então emitir seu juizo? Que exemplo esta dando a seus alunos....Neste caso seu pronunciamento esta parecendo, não o de um JUIZ, mas mais o de um advogado do clube paulista. Mas estamos nos acostumando aos maus exemplos, paciência....

 

Nossa, que raciocínio torto esse seu. Quem está agindo como torcedor é você, pois o Sr Jorge Souto está deixando bem claro que o que está se discutindo é o direito das partes envolvidas. Evidentemente que ninguem quer legalizar uma gol que foi visivelmente com a mão, agora se é para usar recursos externos para se decidir sobre arbitragem no futebol, não quero ver mais nenhum erro no futebol. Enquanto isso não for permitido, a decisão tem que ser tomada unica e exclusivamente pelo juiz em todos os casos, caso contrário estariam agindo com parcialidade.

 

A parte teórica muito bem fundamentada. Todavia, a decisão depende de prova contundente, ao contrário do que estamos a assistir em determinada corte. A prova não foi enfrentada no artigo, talvez por falta de maiores informações. Se houver uma prova contundente de que a decisão foi constituída por meio de auxílio externo, muito que bem. Caso contrário, nada feito.

 

A FIFA alega não querer usar os artifícios eletrônicos por 2 motivos principais:

1) O tempo do jogo ficaria bastante comprometido (olhem as TVs aí), com sucessivas paradas;

2) A facilidade teria que ser implantada em qualquer fim-de-mundo do mundo.

Bobagem, o caso 2) poderia ser facilmente contornado, com a palavra "opcional".

Já o caso 1) também poderia ser regulamentado se cada técnico tivesse direito a apenas 2 'desafios' por jogo. Não vi o tal jogo (apenas o lance em fita) mas, como lido em outro comentário, o jogo ficou paralisado por 5 minutos - que foram para os descontos, creio eu. Ora, com o técnico do Inter requerendo o auxílio eletrônico, o jogo ficaria paralisado por, no máximo, 1 minuto. Não há maiores compromentimentos ao tempo de jogo.

 

O item 2 seria uma justificativa correta se todos os times tivessem o mesmo tratamento em todas as questões.

Dizer que as séries B, C e D do campeonato brasileiro tem o mesmo tratamento é dizer que os torcedores são uns imbecis...

Será que não são????  :-)

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Concordo.

Decisões sobre o gol de mão do Barcos poderá mudar o futebol de vez para melhor.

 

O Professor Jorge Luiz Souto Maior é um Jurista conceituado e consagrado

que fala com conhecimento de causa, pois é também um brilhante Magistrado.

SE, no julgamento do STJD, FICAR PROVADO que um dos árbitros recebeu a informação (sobre o gol de mão) de pessoa estranha à arbitragem, a partida deve ser anulada, porque a Regra assim o determina.

Entretanto, SE NÃO HOUVER PROVA alguma de que o 4º árbitro se auxiliou de terceiros para informar o árbitro principal, então deve prevalecer a decisão de anulação do gol, e, portanto, a partida e o respectivo resultado devem ser mantidos.

Por outro lado, SE HOUVER PROVA CABAL de que efetivamente o 4º árbitro simplesmente repassou ao juiz uma informação obtida de pessoa de fora do quadro de arbitragem da partida, e ainda assim o STJD não anular a partida, como manda a Regra, então estará caracterizada uma mudança de procedimento na interpretação e nos critérios de julgamento até agora aplicados pela Justiça Desportiva. Assim sendo, em todos os julgamentos que advirão a partir deste, o STJD deverá aplicar os mesmos procedimentos e a mesma interpretação da Regra e, por conseguinte, adotar a mesma decisão, qual seja:

No decorrer de uma partida de futebol, o 4º árbitro pode se valer de interferência externa, inclusive com recurso à transmisão TV, para informar ao juiz qualquer irregularidade ocorrida durante o jogo.

Caso similar ocorreu, há pouco, no Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da Ação Penal 470.

É o que o Professor Souto Maior está a dizer.

A REGRA

A Burla que pode Revolucionar o Futebol?

Por Professor Rafael Porcari, no Blog Pergunte ao Árbitro

Qualquer árbitro de futebol que se atentou às declarações do Procurador da Justiça Desportiva Paulo Schmidt, percebeu que ele simplesmente disse algo que revolucionaria o mundo do futebol. Para ele:

“Não há elemento na regra ou no código da Fifa em que se proíba o quarto-árbitro de ter auxílio externo. Procurei e não encontrei nenhuma referência.”

Sua fala se refere a Regra 5 e remete à confusão entre Internacional X Palmeiras, ocorrida no último sábado e que ganhou grande repercussão. Pela interpretação pessoal de Schmidt, a Regra do Jogo veta o uso de auxílio externo ao árbitro do jogo, mas não ao quarto-árbitro!

Ora, por essa lógica, as partidas de futebol disputadas até agora deixaram de usar a tecnologia por ignorância mundial dos árbitros, de suas comissões de arbitragem, dos jogadores de futebol e da própria FIFA, já que a Internacional Board (a entidade que é a gestora das Regras) já permitia influência de fora, como a televisiva.

É de se espantar que uma autoridade como ele defenda que, na teoria, o árbitro não pode ver uma imagem e tomar uma decisão durante o jogo; mas se a imagem for vista pelo quarto-árbitro e este lhe informar, aí pode!

Mas o que diz a Regra?

A regra diz que se o árbitro tomou uma decisão, ele só poderá modifica-la (desde que não tenha reiniciado o jogo), se for avisado por um dos bandeiras ou quarto-árbitro (e dos árbitros adicionais de meta, quando eles existirem, pois estão em testes oficiais da FIFA).

Portanto, o árbitro só pode tomar a decisão com as imagens do que viu no momento do lance ou com o auxílio de alguém do sexteto de arbitragem. Não vale informação de delegado, observador, assessor, membro de Comissão de Arbitragem, nem de qualquer meio eletrônico, já que a Regra não cita a permissão do uso desses elementos/ meios tecnológicos. A Regra apenas diz “o que pode”! Portanto, qualquer outra forma de influenciar a decisão do árbitro, “não pode”!

Tal texto está no original do Livro de Regras do Jogo FIFA, pg 25:

“The referee may only change a decision on realising that it is incorrect or, at his discretion, on the advice of an assistant referee or the fourth official, provided that he has not restarted play or terminated the match”.

Se preferir, a tradução oficial do Livro fornecido pela CBF, pg 32:

“O árbitro somente poderá modificar uma decisão se perceber que a mesma é incorreta ou, a seu critério, conforme uma indicação de um árbitro assistente ou do quarto árbitro, sempre que ainda não tiver reiniciado o jogo ou terminado a partida”.

Ora, se o árbitro, que é autoridade principal, só pode marcar o que viu sem ajuda externa, por quê o quarto-árbitro poderia ter um facilitador a mais? Ele também não pode ter acesso a consulta externa, como ao delegado do jogo ou do uso de TV, assim como o árbitro. E caso pudesse fazer uso de imagem de TV, seria da emissora A, da B ou da C? E se a partida não tivesse transmissão televisiva?

Por todos esse motivos, a equipe de arbitragem não pode usar as imagens de TV. Caso pudesse, ela seria normatizada nas regras do jogo e seria citada. Dr Paulo Schmidt, infelizmente, derrapou com os seus conhecimentos de regras de futebol nesse item.

Mas há uma irregularidade no pós-partida, importante para ser debatida: na Regra 5, temos que o árbitro:

“provides the appropriate authorities with a match report, which includes 
information on any disciplinary action taken against players and/or team officials and any other incidents that occurred before, during or after the match” (pg 25)

Se preferir, do livro da CBF:

“remeterá às autoridades competentes um relatório da partida, com informação sobre todas as medidas disciplinares tomadas contra jogadores e/ou funcionários oficiais das equipes e sobre qualquer outro incidente que tiver ocorrido antes, durante e depois da partida” (pg 32).

Aí vem a questão: 7 minutos de paralisação não é um incidente? Está relatado tal situação que ocorreu durante a partida Internacional X Palmeiras?

Como é de conhecimento público, não foi informado nada sobre o incidente nos documentos do jogo.

Se realmente foi o quarto-árbitro quem informou o árbitro sobre a irregularidade do gol de Barcos,obrigatoriamente ele deveria relatar o fato. Está no Livro de Regras, na Regra 5 em um capítulo especial chamado: “O Quarto-Árbitro e o Árbitro Assistente Reserva”. Lá está escrito que o quarto-árbitro:

“He assists the referee to control the match in accordance with the Laws of the Game. The referee, however, retains the authority to decide on all points connected with play (pg 57) (…) After the match, the fourth official must submit a report to the appropriate authorities on any misconduct or other incident that occurred out of the view of the referee and the assistant referees. The fourth official must advise the referee and his assistants of any report being made (pg 119)”.

Se preferir, na tradução oficial da CBF, o quarto-árbitro:

”Ajudará o árbitro a controlar a partida de acordo com as regras do jogo. O árbitro, todavia, continua com a autoridade para decidir sobre todas as ocorrências do jogo (pg 118) (…) Depois da partida, o quarto árbitro deverá apresentar um relatório às autoridades competentes sobre qualquer falta ou outro incidente que tenha ocorrido fora do campo visual do árbitro e dos árbitros assistentes. O quarto árbitro informará ao árbitro e a seus assistentes sobre a elaboração de qualquer relatório. (pg 119)”.

Se foi o quarto-árbitro quem viu a mão de Barcos, fora do campo visual do árbitro, por que não informou em documento (se foi ele quem realmente viu)?

(http://pergunteaoarbitro.blog.terra.com.br/2012/10/31/a-burla-que-pode-revolucionar-o-futebol/)
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chororo de Palmeirense...

 

"Não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão implacável quanto a consciência que mora no coração de cada homem." Políbio

isso não é um texto. é um sintoma.

aqui vai meu acréscimo, muito pouco polido por sinal, para inserirem no corpo de texto original.

"Ora, que se exploda o que quer que seja justiça substantiva. A juíza Márcia Loureiro, p.ex., tinha que apitar no calor do momento, não podia contar com tira-teima (ou, no caso, uma apuração de querelas mesquinhas sobre o cumprimento ou não da "função social da terra", ou de realização de um suposto "direito à moradia"). Não podemos dizer a ela que ela arbitrou equivocadamente. Quem pode dizer a um juiz que ele se equivocou? Questionar-lhe seria um grave atentado ao Estado Democrático de Direito! Juízes têm a razão porque estão em posição de dizer o que é razoável. O valor do procedimento, do processo, vem antes de Pinheirinho e do caralho a quatro."

 

No   jo  go  de  futebol, o  jogador  meteu  a  mão  na  bola  e  todo  mundo  viu.  No julgamento do stf, a mídia e a oposição capturaram a consciência  dos juizes  e  todo  mundo  viu, também. Para  mim,  não  há  dúvida.

 

se brigar para validar um gol irregular não é falta de ética então não sei mais o sentido dessa palavra. Melhor nem usá-la mais

 

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Souto Maior deixou no texto algumas questões intrínsecas, em aberto:

No julgamento da Ação Penal 470, o STF sofreu alguma interferência externa
na defesa incondicional da ética ?

Se houve essa interferência ‘alienígena’, será que os ministros do Supremo
esqueceram de preservar a mesma ética no aspecto do procedimento adotado
para o processamento dos réus e a posterior condenação ?

Resposta sim ?

Então, a partir deste, deverá valer o mesmo procedimento
para todos os julgamentos advindos, pois não pode haver juízo de exceção.

"Não se podem criar regras procedimentais específicas

e juízes específicos para situações especiais,

ainda que os propósitos sejam, em princípio, bastante dignos,

que isso abre a porta para a derrocada do Estado Democrático de Direito."

Citação em destaque:

“…aqueles que estão defendendo a ética deviam também se preocupar em preservá-la no aspecto do procedimento, admitindo que houve a interferência externa.
E, ao chegarem a esta conclusão, do permissivo da interferência externa, devem explicar com base em que procedimento ela foi legitimada, sendo que, doravante, tal procedimento deverá valer em todos os 'jogos' [julgamentos], vez que não se podem fixar regras procedimentais por exceção, como não pode haver juízo de exceção.
Não se podem criar regras procedimentais específicas e juízes específicos para situações especiais, ainda que os propósitos sejam, em princípio, bastante dignos, pois que isso abre a porta para a derrocada do Estado Democrático de Direito.”
(Jorge Luiz Souto Maior, Juiz Federal do Trabalho)
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Olha aí o Barbosa fazendo escola, outro juiz distorcendo a realidade. Se eu sou torcedor do Palmeiras ficaria envergonhado.

 

Por favor gente, no futebol é ÁRBITRO, e não JUIZ. Se for ver a diferença entre um e outro, as coisas fazem mais sentido.

 

É uma vergonha este post, usando um blog ético e honesto como o do Nassif para defender uma aberração destas. Quem avisou o árbitro foi o auxiliar. Que vergonha, além de ir para a segunda divisão vai enrolado no manto da vergonha. E vai ainda ter que aturar o Corínthians Campeão do Mundo no mês que vem. 

 

comentario de um curintiano sobre ética........... pq eu nao estou surpreso ???

 

Isso é o que você Kern, Renato. Mas não é o fato.

 

A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

Pelas regras atuais o juiz não poderia utilizar o auxilio da tv, logo o gol não poderia ser invalidado, mas a questão principal aqui é, até quando a Fifa vai continuar fechando os olhos para esses recursos, não tem lógica e não tem nem ética a não utilização dos recursos tecnológicos para diminuir os erros de arbitragem (que são muitos). Qual o intuito da não utilização? Eu já ouvi dizer que é em nome da emoção que achei uma justificativa sem noção, pois será que teve emoção para a Irlanda ser eliminada da copa do mundo pela França com o gol de mão? A partir deste episódio da Irlanda algum debate, alguma mudança teria que ter acontecido, mas como sempre para Fifa parece que nada demais ocorreu.

 

Entendi...

Re: Gol de mão, do Palmeiras, analisado por Jorge Souto Maior
 

O subscritor do artigo expresssa a voz da elite,  do conservadorismo, do branco que defende o juiz safado que nos tribunais pátrios condena errado mesmo que sem provas, voz que diz que juiz togado que sempre tem razão porque interessa aos podres membro de sua classe social. São os mesmos que defendem a redução da idade penal, que semeiam o ódio aos mais pobres, que criminalizam tudo que se origina das camadas populares, mas que agora defendem a desonestidade no esporte. O ladrão pode roubar num jogo de futebol e obter vantagem num gol de mão no futebol, mas o sujeito não pode vender um CD pirata para sustentar sua família, não pode montar sua banca de camelô mas pode presenciar a maracutaia no jogo de futebol em que a elite manobra milhões de reais?

Para dar exemplo esse jogador de futebol e os dirigentes que defendem o roubo deveriam ser punidos, pois de outra forma deveriam abrir as portas dos presídios e libertar todos aqueles das camadas populares que praticaram o mesmo crime.

 

Torcedores de futebol (enquanto torcedores...) deveriam ser proibidos de emitir qualquer ponto de vista que e volva juizo de valores. É o caso do autor deste artigo. Não existe hipótese de se defender um gol feito intencionalmente com a mão. Period. Penalti mal marcado, impedimento não visto, bla bla bla, fazem parte dos erros de interpretação que ocorrem em um jogo de futebol. A única coisa errada feita pelo juiz naquele jogo foi não ter expulsado o ótimo Barcos por conduta anti-esportiva. Mas só nos faltava essa agora... tentar usar a lógica para explicar por que um gol feito intencionalmente com a mão deve ser considerado legítimo. Acho que nem o palmeirense José Serra ousaria tanto...

 

O caso dantas é exemplar. O bandido comete o crime, PROVADO, e se prevalece de que houve um possível e alegado erro técnico e assim anulam todas as provas. Quer dizer, este negócio de prova é relativo, quando se tem, pode ser desprezada , se não tem, a necessidde de prova pode ser desprezada. é o famoso DEPENDE...

 

O juiz embarcou.

O jogo emborcou.

 

A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

Acho que o nobre professor poderia gastar seu tempo em coisas mais úteis.

 

Mas quem começou com a brincadeira foi o STF - desde a colocação de câmeras p/ transmitir ao vivo os julgamentos até a condenação de réus via "domínio do fato" por pressão da "opinião pública"  (leia-se mídia).

Em suma: pela jurisprudência criada no julgamento do "mensalão", o juiz de Palmeiras x Inter fez bem em acatar os "fatores externos" (câmeras etc) p/ anular o gol de mão e futuramente quem apitará será Galvão. Viva o Brasil!

 

E ainda tem quem reclame de pesquisa acadêmica sobre o impedimento financiada por agências de fomento...

 

Esse evento pode render uma bolsa de mais uns 4 anos (depois do término da do impedimento).

 

Após o atacante do Palmeiras ter empurrado a bola com a mão para dentro do gol do Internacional o jogo ficou interrompido por mais de cinco minutos.

Nesse intervalo dizem que o árbitro, mesmo com reclamações peremptórias por parte dos atletas do Internacional, validou o gol. Não vi o arbitro mandar a bola ser colocada no meio de campo para reinício da partida.

Ainda com o jogo interrompido, após consultas a todos os seus auxiliares, incluindo o quarto árbitro, o árbitro  reconheceu que o gol foi ilegal, pois foi feito com a mão.

O árbitro está no seu direito de interpretar o lance e decidir o que achar melhor. Tudo isso com o jogo interrompido.

O resto é choro de perdedor, seus apoiadores e torcedores.

 

O árbitro apontou par o meio de campo sim, tanto que os jogadores do Inter foram pressioná-lo. A câmera que mostrou o gol de mão é a mesma que mosta o bandeira correndo pao centro do gramado, o árbitro apontando para o círculo central, a inércia do auxiliar da linha de fundo, que depois, isso é claro no VT, recebe uima infomação via ponto, tansmite ao árbitro e a TV decide o resultado do jogo, exclusivamente desse jogo, pois todos os demais em que houve gol em impimentoo, penalti não marcado ou marcado indevidamente, gol de mão, atacante empurrando defensor etc, que a  TV cansou de mostrar,não interferiu em nada no resultado.

É lamentáve, mas as pessoas estão se acostumando com as decisões casuísticas, de exceção.

 

Caco

 


O PIG foi ao STF e disse como os ministros deveriam votar a AP 470! Quem não tem voto, caça com o STF.

 

Prezado Jorge Luiz

Neste caso,  acredito que o arbitro/juiz "acertou e errou"; como estamos em época de "torquemadas" vou enviar o caso para o STF, para relatoria do Ministro Joaquim Barbosa (o heroi do momento) e com certeza até a Fifa ficará de boca aberta com o resultado.

Abração 

 

Mário Mendonça

Isso me lembra o caso Dantas, onde se tem as provas, quer dizer, se sabe que o malfeito ocorreu - algumas das provas tendo sido obtidas de forma ilegal  ( pelo menos é o que alegam ), e a investigaçao inteira é por isso cancelada.

O  sujeito, que todos sabem ter culpa no cartório, se livra das imputaçoes nao por ser inocente, mas por essas brechas da lei. 

 

A culpa é dos clubes que não pressionam as federações a adotarem a gravação de tv para auxliar os árbitros durante o jogo.

Com a adoção dos meios eletrônicos, os árbitros não haveriam errado tanto. Vários esportes utilizam a tecnologia para deixar o resultado mais justo. Por que não o futebrol?